Estrutura da Oração na Gramática Rocha Lima
Estrutura da Oração na Gramática Rocha Lima
Oração
“é a frase - ou membro de frase - que se biparte normalmente em sujeito e predicado.” (p.287)
Sujeito
“é expresso por substantivo ou equivalente de substantivo”, podendo não se compor apenas de um
substantivo, mas “acompanhado de outros elementos que lhe precisam ou limitam o sentido fundamental.
Diz-se, então, que o substantivo é o núcleo do sujeito.”
Simples x Composto
“Quando apresentar um só núcleo, o sujeito é simples; havendo mais de um núcleo, chama-se composto.”
(p.288)
Exemplos: A cegueira lhe torturava os últimos dias de vida. (sujeito simples)
A cegueira e a pobreza lhe torturavam os últimos dias de vida. (sujeito composto)
Determinado x Indeterminado
“É determinado, se identificável na oração - explícita ou implicitamente; indeterminado, se não pudermos
ou não quisermos especificá-lo.”
“Considera-se ordem direta aquela em que o sujeito vem no rosto da oração, seguindo-se-lhe o verbo
acompanhado dos seus complementos, com o primeiro lugar entre estes reservado para o objeto direto.”
(p. 290)
Predicado
“O predicado pode ser: Nominal, Verbal, Verbo-nominal ou misto”
Predicado Nominal
“O predicado nominal tem por núcleo um nome (substantivo, adjetivo, ou pronome).” (p.292)
Predicado Verbal
“O predicado verbal, que exprime um fato, um acontecimento, ou uma ação, tem por núcleo um verbo,
acompanhado ou não, de outros elementos. ”
verbos intransitivos (ou de predicação incompleta) “são suficientes para, sozinhos, representar a noção
predicativa”.
Ex. O soldado morreu. Todos fugiram.
verbos transitivos (ou de predicação completa) “requerem, para cabal integridade do predicado, a
presença de um ou mais termos que lhes completem a compreensão”.
Ex. A criança encontrou (o quê?). O professor aludiu (a quê?). A criança deu (o quê?) (a quem?).
“O predicativo pode vir precedido de uma das preposições de, em, para, por, da palavra como, ou de
locução prepositiva.”(p.295)
Ex. Ele graduou-se de doutor. Davi foi ungido em rei. Todos o consideravam como um aventureiro.
Sempre o tiveram por sábio.
Complemento nominal
“Complemento nominal é o termo que integra a significação transitiva do núcleo substantivo (e, às vezes,
do adjetivo e do advérbio, os quais, então, se equiparam ao substantivo na sintaxe da regência).”
Regras para identificação:
1) “Tratando-se de adjetivo, ou advérbio, não há a menor dúvida: o termo que a eles se liga por preposição
é, SEMPRE, complemento nominal”.
Ex. Ofensivo á honra, prejudicial à saúde, confiante no futuro
Independentemente de minha vontade, contrariamente aos nossos desejos
2) “Tratando-se, porém, de substantivo, é preciso cuidado para não confundir o complemento nominal com
o ‘adjunto adnominal’, que, quando expresso por locução adjetiva, se apresenta com a mesma forma
daquele: preposição + substantivo.”
Ex. copo de vinho, rosa com espinhos (adjuntos) x invasão da cidade, conversa com o pai (complementos)
Como fazer a distinção? “A diferença consiste em que os substantivos do primeiro grupo são intransitivos;
ao passo que os do segundo admitem emprego como transitivos - o que somente pode acontecer: a) com
o substantivo abstrato de ação, correspondente a verbo da mesma família que exija objeto (direto ou
indireto), ou complemento circunstacial” (ex. inversão da ordem, ida a Roma) e “b) com o substantivo
abstrato de qualidade, derivado de adjetivo que possa usar-se transitivamente” (ex. certeza da vitória,
fidelidade aos amigos)
Complementos Verbais
São os seguintes: Objeto direto, Objeto indireto, Complemento relativo, Complemento circunstancial
Objeto Direto
“Objeto direto é o complemento que, na voz ativa, representa o paciente da ação verbal.” (p.299)
“Identifica-se facilmente” “porque pode ser o sujeito da voz passiva” ou “porque corresponde, na 3ª
pessoa, às formas pronominais átonas o, a, os, as.”
“O objeto direto indica” “o ser sob o qual recai a ação”, “o resultado da ação” ou “o conteúdo da ação”.
Objeto indireto
“O objeto indireto representa o SER ANIMADO a que se dirige ou destina a ação ou estado que o
processo verbal expressa.”
Complemento da oração
“O objeto indireto pode figurar em qualquer tipo de predicado (...), perfilando-se, até, ao lado de verbos
intransitivos e de verbos na voz passiva. Situa-se, portanto, menos como um complemento do verbo (...)
do que como um complemento da oração”.
“Morfologicamente, caracteriza-se por vir encabeçado pela preposição a (às vezes, para) e corresponder,
na terceira pessoa, às formas pronominais átonas lhe, lhes.”
“Sintaticamente, desaceita - salvo exceções raríssimas - passagem para a função de sujeito na voz
passiva. E por implicar o traço +pessoa, não lhe é possível, evidentemente, apresentar-se sob a forma de
oração subordinada.”
Ex. Dar esmola a um mendigo. (Dar-lhe esmola)
Mandei flores para a noiva. (Mandei-lhe flores)
Beijar o anel ao cardeal. (Beijar-lhe o anel)
Ter-lhe respeito aos mais velhos. (Ter-lhes respeito)
Madre Calcutá foi mãe a muitos desgraçados. (Foi-lhes mãe)
O ancião fez saber aos herdeiros a sua última vontade. (Fez-lhes saber)
A prova pareceu difícil aos estudantes. (Pareceu-lhes difícil)
O documento foi entregue ao ministro por mim. (Foi-lhe entregue)
“Verbos como gostar de, depender de, precisar de, carecer de, lembrar-se de, fugir de, consentir em,
assistir a (uma festa), proceder a, etc., não têm objeto indireto. O complemento deles, que será estudado a
seguir, se filia ora no ablativo, ora no genitivo, e se denomina complemento relativo.” (p.310)
Complemento relativo
“Complemento relativo é o complemento que, ligado ao verbo por uma preposição determinada (a, com,
de, em, etc.), integra, com o valor de objeto direto, a predicação de um verbo de significação relativa.”
“Distingue-se nitidamente do objeto indireto pelas seguintes circunstâncias:
a) Não representa a pessoa ou coisa a que se destina a ação, ou em cujo proveito ou prejuízo ela se
realiza. Antes denota, como o objeto direto, o ser sobre o qual recai a ação.
b) Não corresponde, na 3ª pessoa, às formas pronominais átonas lhe, lhes, mas às formas tônicas ele, ela,
eles, elas, precedidas de preposição”. Ex. assistir a um baile (assistir a ele), gostar de uva (gostar delas),
reparar nos outros (reparar neles)
Complemento circunstancial
“É um complemento de natureza adverbial - tão indispensável à construção do verbo quanto, em outros
casos, os demais complementos verbais.”
No caso da frase “Jantarei em Roma”, “o liame entre a preposição e o substantivo se nos mostra muito
mais íntimo do que” em “Irei a Roma”, “onde, pelo contrário, a preposição como que forma bloco com o
verbo”.
“Por seu valor de verbo de direção, ir exige (...) a preposição ‘a’ para ligá-lo ao termo locativo”.
Ex. Morar em Paquetá. Estar à janela. Ter alguém no colo.
“Este complemento pode construir-se, também, sem preposição”, como em “A guerra durou cem anos”.
É expresso
a) “Por um nome regido das preposições a ou para, indicativas de direção”. Ex. Ir a Roma
b) “Por um nome sem preposição, ou com ela, que exprima tempo, ocasião”. Ex. Viver muitos anos
c) “Por um nome sem preposição, que indique peso; preço; distância no espaço e no tempo”. Ex. Pesar
dois quilos
Agente da Passiva
“É o complemento que, na voz passiva com auxiliar (... analítica), representa o ser que praticou a ação
verbal. (...)
Sendo este complemento o verdadeiro agente (...) podemos transformar a construção passiva em ativa, e,
neste caso, ele figurará como sujeito. (...)
O agente pode declinar de importância a ponto de ser omitido”. (p.314)
Adjunto Adnominal
“Ao núcleo do substantivo, qualquer que seja a função deste, pode juntar-se um termo de VALOR
ADJETIVO, para acrescentar-lhe um dado novo à significação.”
Aposto
“Um substantivo (ou pronome) pode-se fazer acompanhar imediatamente de outro termo de caráter
nominal, a título de individualização ou esclarecimento. Ex. Durante sete anos Jacó serviu Labão, pai de
Raquel. (...)
É importante acentuar que o substantivo fundamental e o aposto que se lhe junta designam sempre o
mesmo ser.
Geralmente, entre um e outro desses termos há ligeira pausa, assinalada na escrita por vírgula.”
“Mas há um tipo de aposto em que não se usa vírgula: aquele com o qual se dá a denominação do ser,
individualizando-o dentor do seu gênero. Ex. O poeta Olavo Bilac…”
Adjunto Adverbial
“É o termo que acompanha o verbo, exprimindo as particularidades que cercam ou precisam o fato por
este indicado.”
É expresso por um advérbio ou expressão adverbial.
Vocativo
“É um termo de natureza exclamativa, empregado quando chamamos por alguém, ou dirigimos a fala a
pessoa ou ente personificado.
Não pertence propriamente à estrutura da frase, devendo ser considerado à parte.”