HTMGuide PDF
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Versão On-line
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Bibliografia.
ISBN: 978-85-7585-720-5
Incentivadora do trabalho
– Graciema Pacheco
As diferenças individuais não se restringem somente à área física. Elas podem ser percebidas
entre os próprios padrões de capacidades, preferências atitudes ou atributos pessoais (Dunnete,
1976). Nesse contexto a avaliação psicológica assume um papel importante como um conjunto
de técnicas utilizadas exclusivamente por psicólogos nas mais diversas áreas diagnósticas com a
finalidade de buscar meios para conhecer essas características. Uma das técnicas utilizadas são os
testes psicológicos, que podem ser definidos como instrumentos que têm, por função básica, ava-
liar as diferenças entre pessoas ou entre as reações de uma mesma pessoa em ocasiões diferentes
(Anastasi, 1967; 1977).
Os testes psicológicos podem ser utilizados com vários objetivos, como diagnóstico de fracassos
acadêmicos, orientação vocacional ou seleção de candidatos (Anastasi, 1967; 1977). Especialmente
nesta última situação, a referida autora considera que dificilmente existiria um tipo de traba-
lho para o qual não haja um teste psicológico que possa ser útil, seja no processo de admissão,
transferência, promoção ou demissão. Em nossa cultura é comum empregar a palavra teste com
a finalidade de avaliar o conhecimento ou capacidade de uma pessoa. Nesse sentido, esse conceito
pode englobar um grande número de coisas, como aptidões específicas, inteligência, entre outras
(Braga, 1938). Mais especificamente, Sisto (1975) considera que os testes de inteligência são a
principal referência para muitas decisões tomadas tanto na área psicológica quanto educacional,
por exemplo, a inclusão de alunos superdotados ou com menor habilidade cognitiva em programas
educacionais adequados às suas capacidades. Justifica-se, assim, a utilização destes instrumentos
em diferentes contextos.
Apesar das divergências dos autores quanto à definição de inteligência do ponto de vista con-
textual ou fundamentalista, permanece a utilidade social desse conceito, empregado como aspecto
essencial de um grande número de investigações (Almeida, 1988).
Mesmo sendo a área mais estudada em Psicologia, a inteligência ainda é um conceito ambíguo e
que gera discussões entre os psicólogos (Pasquali, 2002), o que acabou desencadeando a elaboração
de uma série de definições baseadas em diferentes teorias (Braga, 1938), que apresentam divergên-
cias e pontos em comum. Numa pesquisa no banco de dados da American Psychological Association
(APA), Primi (2002) encontrou mais de 18.400 artigos com a palavra inteligência em seu título. Tal
número permite inferir que este é um construto de bastante interesse acadêmico e amplamente
discutido ainda nos dias atuais (Almeida, 1988; Colom, 2008).
As discrepâncias entre as diversas teorias relativas à inteligência motivaram Spearman, já no
início do século passado, a buscar uma maneira de conciliar e resolver de forma harmônica as dife-
renças entre as três principais abordagens da época: a) teorias monárquicas, que postulavam uma
inteligência geral; b) oligárquicas, que concebiam a existência de várias habilidades diferentes; e
c) anárquicas, que pressupunham múltiplas atitudes independentes (Spearman, 1927).
Discordando da simples descrição da atividade inteligente e observando se as atitudes intelectuais
estariam correlacionadas e dependeriam de uma inteligência geral ou se, pelo contrário, eram
independentes, Spearman apresentou, em 1904, à Teoria dos Dois Fatores ou Teoria Bi-fatorial
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Desenvolvida por Fábio Camilo da Silva.
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Teste de Habilidade para o Trabalho Mental (HTM)
(Braga, 1938). De acordo com essa teoria, existe um fator comum a todas as habilidades, intitu-
lado fator g e um fator específico para cada uma delas, definido como fator s. Apesar de todas as
habilidades envolverem ambos os fatores, para algumas o fator g desempenha um papel principal,
enquanto para outras quem o faz é o fator s. Outros estudos também indicaram a existência de
fatores que se encontram em grande parte de um conjunto de habilidades afins, denominados de
fatores de grupo (Spearman, 1927).
O fator g é, quantitativamente, um fator comum e fundamental a todas as funções cognitivas de
um mesmo indivíduo, ao mesmo tempo em que sua magnitude é amplamente variável de um indiví-
duo a outro. Pode-se dizer, portanto, que é constante quando se pensa apenas em uma pessoa, mas
variável quando se pensa em um grupo de pessoas. Qualitativamente, é explicado como a “energia
subjacente e constante a todas as operações psíquicas” (Spearman, 1927, p. 14).
Do ponto de vista quantitativo, o fator específico (s) varia tanto entre as habilidades de um mes-
mo indivíduo quanto de um indivíduo para outro. Dessa forma, é específico para cada habilidade
e não depende ou se correlaciona com o fator g nem com outros fatores específicos. Já do ponto de
vista qualitativo, são os instrumentos pelos quais atua e opera a energia mental (Spearman, 1927).
Para Spearman (1927), os fatores de grupo são comuns a muitas habilidades de um mesmo con-
junto, entre os quais se podem citar: V (verbal), M (mecânico, espacial), N (numérico), P (perserve-
rança), dentre outros. Berstein (1961, p. 16) afirma que, “Spearman considera que a inteligência
é determinada por um grande número de fatores especializados (um para cada função), por um
número limitado de fatores de grupo (que intervém em certo número de funções) e por um fator
geral (comum a todas as funções)”.
Apesar de, aparentemente, a teoria de Spearman ter encontrado uma conciliação entre as
discrepâncias existentes, logo surgiram outras teorias que se levantaram contra ela, reviven-
do e prolongando as divergências que Spearman entendia haver solucionado (Berstein, 1961).
Consequentemente, nos primeiros 50 anos do século XX houve uma predominância de duas posi-
ções opostas sobre os estudos fatoriais da inteligência. Enquanto Spearman defendia a existência
de um fator geral (g), Thurstone afirmava que não existia um fator geral, mas sim um conjunto de
habilidades primárias ou básicas (Primi, 2003). Essas capacidades básicas seriam: compreensão
verbal, fluência verbal, raciocínio indutivo, visualização espacial, número, memória e rapidez
perceptiva (Tosi, 2001).
Já na segunda metade desse século, houve uma evolução para o modelo Gf-Gc (inteligência fluida
e inteligência cristalizada), iniciada por Cattel e aprimorada por Horn (Primi, 2003). A inteligência
fluida está associada ao raciocínio, visto que se refere à capacidade de relacionar ideias e de derivar
implicações lógicas diante de novas situações para as quais dependem minimamente dos conhe-
cimentos adquiridos. De acordo com Schelini (2002), essa inteligência é mais exigida em tarefas
que envolvem: “a percepção de relações complexas, a formação e o reconhecimento de conceitos, a
identificação de relações, a compreensão de implicações e a realização de inferências” (p. 32). Já a
inteligência cristalizada está associada ao conhecimento, visto que se refere à extensão e à profun-
didade das informações adquiridas e à sua aplicabilidade na resolução de problemas semelhantes
aos que se aprendeu no passado (Primi, Santos & Vendramini, 2002). A inteligência cristalizada
estaria associada às capacidades primárias verbais e numéricas de Thurstone (Butcher, 1972).
Ela se desenvolve e sofre influência das experiências culturais, educacionais e, por esse motivo, é
muitas vezes demonstrada por meio de atividades que envolvem o reconhecimento e o significado
de palavras (Schelini, 2002; Da Silva, 2003).
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Teste de Habilidade para o Trabalho Mental (HTM)
Em 1993 Carrol publicou o resultado de um estudo feito a partir de uma pesquisa de artigos
dos últimos 60 anos, resultando na Teoria dos Três Estratos que, mais tarde, integrada à teoria
Gf-Gc, deu origem à teoria Cattell-Horns-Carrol (CHC), propondo dez fatores relacionados ao
funcionamento cognitivo (Primi, 2003). O fator g de Spearman ocupa o ápice do Estrato III dessa
teoria (Sisto, 2006).
Enquanto alguns autores relacionam o conceito de inteligência a características biológicas,
processos cognitivos ou a outros construtos teóricos, outros abordam este conceito a partir da de-
composição do desempenho de tarefas complexas em componentes cognitivos (Oliveira-Castro &
Oliveira-Castro, 2001). Uma das atividades humanas mais inteligentes é a solução de problemas,
sendo esta uma habilidade cognitiva complexa (Sternberg, 1982). Diferentes tipos de problema
podem exigir habilidades distintas, mas também é possível utilizar, para diferentes tarefas, a inte-
ligência geral e as capacidades mais ou menos específicas. Dessa forma, compreende-se que testes
de inteligência geral não são, e nem podem ser, absolutamente genéricos, já que esta se expressa
por meios de fatores mais específicos.
Os testes que avaliam funções cognitivas diferentes são compostos por diversas provas que
medem o fator s (Berstein, 1961) e exigem tipos diferentes de raciocínios para serem resolvidos.
O raciocínio é a capacidade cognitiva utilizada para se resolver problemas de diferentes formas
ou conteúdos, sejam estes de ordem verbal, numérica ou abstrata (Andriola, 1997; Andriola &
Cavalcante, 1999). Partindo dessa definição, nota-se que na própria conceituação, inteligência e
raciocínio, muitas vezes, se misturam, sendo comum sua utilização na qualidade de sinônimos
(Oliveira-Castro & Oliveira-Castro, 2001) e difícil diferenciá-los (Sternberg, 1982). Toda vez que
um problema complexo, novo ou incerto, exige manutenção mental ou a lembrança de partes
importantes da informação, a inteligência entra em jogo (Colom, 2008). Os “modos de operação e
técnicas generalizadas para tratar com problemas” são definidos como habilidades (Bloom, 1972,
p. 34). As habilidades abrangem processos mentais de organização e reorganização de materiais
com vistas ao alcance de um propósito específico. Partindo dessa concepção, foi desenvolvido o teste
de Habilidade para o Trabalho Mental (HTM), com o objetivo de avaliar três tipos de raciocínio, a
saber: verbal, numérico e abstrato.
O raciocínio verbal é a “presteza e exatidão com que uma pessoa apreende ideias expressas ver-
balmente”, sendo um fator necessário nas atividades cotidianas para solucionar problemas envol-
vendo aspectos da linguagem (Rainho, 1994, p. 7). Dessa forma, destaca-se entre outras habilidades
específicas como a mais importante, uma vez que toda forma de aprendizado passa pelo raciocínio
verbal, além de se relacionar diretamente ao “bom aproveitamento escolar e desempenho profis-
sional” (Boccalandro 2003, p. 16). Andriola (1997, p. 280) diz que “raciocínio verbal é a capacidade
cognitiva utilizada na resolução de problemas cujo conteúdo seja composto por símbolos verbais”.
Fonseca (2003, p. 38) afirma que um teste de raciocínio verbal “avalia a capacidade de abstração,
generalização e reflexão verbal”. Um bom resultado neste teste indica uma boa capacidade de com-
preensão verbal e pode facilitar a indicação desta pessoa à áreas em que tal capacidade seja necessária.
Em relação ao raciocínio numérico, Mayer (1992) afirma que existem duas abordagens acerca do
problema da capacidade matemática, sendo estas a psicométrica e a abordagem de processamento
da informação. Para a primeira abordagem a habilidade matemática refere-se ao que um teste de
matemática mede, definição esta que não proporciona uma descrição independente do que está sendo
medido. Já para a segunda abordagem, o referido autor recorre a Sternberg (1977) e afirma que os
problemas matemáticos, de qualquer tipo, podem ser divididos em habilidades, operações mentais
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Teste de Habilidade para o Trabalho Mental (HTM)
simples e conhecimentos necessários para a resolução do problema. Define, então, capacidade ma-
temática como sendo “todas as operações cognitivas, habilidades e conhecimentos componentes das
tarefas matemáticas” (Mayer, 1992, p. 146-147).
Por raciocínio abstrato, entende-se a capacidade para compreender e raciocinar com ideias
expressas de forma não verbal (símbolos, códigos, etc.). Para Andriola e Cavalcante (1999, p. 26),
este raciocínio “se caracteriza pela capacidade de resolver problemas compostos por símbolos
abstratos”.
Os itens que compõem o HTM envolvem processos de raciocínios lógicos configurados por Indução
e Dedução. Colom (2008) postula que, além do raciocínio por números ou palavras, os problemas
que melhor medem a inteligência são os que exigem raciocínio indutivo e dedutivo. Sisto (2006)
aponta a indução e dedução como as inferências básicas na perspectiva lógica.
O processo de estabelecer relações entre coisas semelhantes para descobrir um princípio geral ou
uma lei é conhecido como indução e se define como a aptidão para raciocinar do particular para o
geral. Por indução, parte-se de dados conhecidos e particulares para uma generalização na qual se
apresenta uma conclusão, hipótese ou teoria que explicará uma próxima evidência. Primeiramente,
deve-se considerar o problema proposto, selecionando, em seguida, o princípio concreto a ser apli-
cado. Logo adiante, por inferência, uma conclusão é proposta.
Definida como habilidade de raciocinar do geral para o particular, a dedução é exigida especialmente
em testes de raciocínio aritmético, analogias de figuras, séries e números para completar. É difícil,
entretanto, segundo alguns estudiosos, separar dedução e indução, que muitas vezes se combinam
para formar novamente o próprio raciocínio, considerado mais geral. Pichot (1971) exemplifica essa
ideia da seguinte maneira: se num teste a questão proposta for A < B; C < ?, a resposta D terá de se
relacionar com C como B se relaciona com A. Para alcançar a resposta, faz-se necessário o raciocínio
indutivo, para encontrar a relação existente entre A e B e também o dedutivo, para aplicar a relação
encontrada de modo a obter D. Estão presentes, portanto, os dois raciocínios.
Muitos outros autores contribuíram para os estudos sobre a inteligência, como Alfred Binet,
Francis Galton, Guilford e Howard Gardner, entre outros. Embora não haja consenso quanto à
definição da inteligência, é de opinião comum a importância desse atributo. Colom (2008, p. 26)
chega a afirmar que “pessoas mais inteligentes também tendem a ser menos autoritárias, menos
conservadoras socialmente, menos dogmáticas ou menos impulsivas”. Diante da importância de
avaliar tal construto, sob a forma de raciocínios específicos, esse teste se propõe a ser uma con-
tribuição como um instrumento que visa medir habilidades para o trabalho mental a partir de 48
questões divididas em três partes iguais:
Parte I - Raciocínio Lógico Verbal, predominantemente, com 16 itens de múltipla escolha com
quatro alternativas.
Essa parte se propõe a investigar a habilidade do sujeito para entender os conceitos expres-
sos em palavras. Verifica a aptidão verbal e utiliza, predominantemente, o raciocínio dedutivo.
Para a resolução dos itens, é necessária a capacidade de pensar e trabalhar com argumentos.
Nela, o sujeito utiliza o processo pelo qual, com base em uma ou mais premissas, chega a uma
conclusão, utilizando a correta aplicação das regras lógicas.
Os itens de 1 a 8 constam de uma afirmativa e quatro prováveis conclusões. Os itens de 9 a 16
apresentam 2 afirmações que se completam com uma conclusão que deve ser escolhida entre as 4
prováveis apresentadas.
Parte II - Raciocínio Lógico Numérico, predominantemente, com 16 questões de resposta curta.
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Teste de Habilidade para o Trabalho Mental (HTM)
Essa parte do teste destina-se a verificar a aptidão numérica e utiliza, intensamente, o raciocí-
nio lógico indutivo. A habilidade exigida é a de lidar com números e descobrir relações entre eles.
Na resolução dos itens utiliza-se a capacidade para inferir, a partir de uma sequência numérica,
I
as regras ou princípios matemáticos implícitos. Essa parte se propõe a verificar a facilidade com
que o sujeito trabalha com conceitos, relações e operações numéricas.
Parte III - Raciocínio Lógico Abstrato, predominantemente, envolvendo estruturas simbólicas,
com 16 itens de resposta curta.
Essa parte do teste é composta por uma sequência de figuras e letras e se propõe a medir o nível
de abstração. As séries apresentadas em cada item exigem a capacidade de perceber a existência
de um princípio implícito, lógico, que rege a transformação das figuras e a ordem das letras.
Para a resolução das sequências apresentadas, o sujeito deverá, depois de compreender a relação
existente, inferir logicamente, designando o próximo ou os dois próximos diagramas ou símbolos.
Essa parte do teste relaciona-se com as duas anteriores, complementando os aspectos intelec-
tuais genéricos da parte verbal e numérica. Verifica, também, a capacidade de perceber detalhes,
semelhanças e diferenças, o que, segundo Colom (2008), são mecanismos-chave da inteligência.
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Novos estudos psicométricos - 2009
Precisão
Para os estudos de precisão a amostra foi composta por 715 participantes de avaliações psicoló-
gicas para fins de seleção na cidade de São Paulo. Dentre eles, 225 (31,5%) eram do sexo feminino
e 490 (68,5%) do masculino, com idade média de 28,26 anos e um desvio-padrão de 7,39. As idades
variaram entre 17 e 60 anos. A maior parte da amostra (75,5%) concentra-se no ensino superior e
os demais no médio (24,5%).
A precisão do HTM foi obtida a partir de dois métodos: Precisão das Metades com a correção de
Spearman Brown e cálculo do Alfa de Cronbach.
As correlações obtidas variaram de 0,663 a 0,885 entre as partes do teste, sendo que a maior corre-
lação foi a do raciocínio numérico (0,885) e a menor do abstrato (0,663). O valor da correlação para o
total de pontos do teste foi de 0,908. Todos os valores encontrados foram significantes ao nível de 0,01.
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Teste de Habilidade para o Trabalho Mental (HTM)
Uma vez que os testes são aplicados com intervalos de tempo diferentes de acordo com a esco-
laridade dos examinandos, foram calculadas as correlações em função desta variável. A Tabela 3
apresenta estes resultados.
2. Alfa de Cronbach
Segundo Pasquali (2003, p. 203) o coeficiente Alfa de Cronbach é uma técnica de “estimativa de
coeficientes de precisão” que procura verificar “a consistência interna do teste através da análise da
consistência interna dos itens”, ou seja, constatar a “congruência que cada item do teste tem com
o restante dos itens do mesmo teste”, caracterizando-se, portanto, como coeficiente de consistência
interna. De acordo com esse autor, o coeficiente Alfa varia entre “0” e “1” onde o “0” significa au-
sência de consistência interna e “1” consistência de 100%.
A Tabela 4 mostra os valores do Alfa de Cronbach para a amostra total e em função da
escolaridade.
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Teste de Habilidade para o Trabalho Mental (HTM)
Os alfas de Cronbach entre as partes do teste para a amostra total variaram entre 0,700 e 0,853.
O valor do alfa para o total de pontos foi de 0,897. Para o ensino médio oscilaram entre 0,758 e
0,874 e para o superior entre 0,670 e 0,838. Tanto para o grupo total quanto em função da escola-
ridade a parte com menor coeficiente de precisão foi o de raciocínio abstrato e a maior o raciocínio
numérico. A análise da tabela mostra ainda que os valores de Alfa para o grupo de escolaridade
média foram maiores do que o grupo superior.
De forma geral os estudos mostraram adequados coeficientes de precisão para o HTM nos dois
métodos adotados. Os resultados mais elevados foram os do raciocínio numérico e verbal (todos
acima de 0,800 pelo método das metades e acima de 0,700 pelo alfa de Cronbach). Com relação ao
raciocínio abstrato, os resultados foram um pouco mais baixos, mas superiores a 0,600 em todas as
análises realizadas. Quando se considerou o total do teste, todos os coeficientes de precisão foram
superiores a 0,800. De acordo com Guilford (1950), são considerados adequados valores entre 0,70
e 0,98 para coeficientes de precisão. Pode-se, portanto, afirmar que os coeficientes estão dentro da
faixa considerada adequada caracterizando-se como um indicativo da precisão do HTM.
Validade
A validade do HTM foi obtida a partir de três métodos: 1) Correlação com o Teste de Inteligência
Não Verbal G-36 (Boccalandro, 2003); 2) Cálculo da coerência interna por meio da correlação entre
os resultados das partes e o total de pontos obtidos no teste; 3) Correlação com a Bateria de Provas
de Raciocínio BPR-5 (Almeida & Primi, 1998).
A maior parte dos sujeitos pertence ao grupo de nível superior (84,6%), característica observada
na amostra total e por sexo.
A validade o HTM foi obtida por meio da correlação com o Teste de Inteligência Não Verbal
G-36, chamada de validade simultânea ou concorrente. Uma das exigências desse tipo de estudo
de validade (que é considerada validade de critério, pois o outro teste está sendo utilizado como
um critério externo para a comparação dos resultados dos sujeitos (Bunchaft & Cavas (2002)) é a
de que os testes utilizados avaliem características semelhantes.
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Teste de Habilidade para o Trabalho Mental (HTM)
Segundo Spearman (1955), as habilidades intelectuais podem ser expressas por meio de dois
fatores: o fator g comum a todas as habilidades e um fator s que é especifico de cada habilidade e em
cada caso diferente de todos os outros. De acordo com esse autor não é possível medir diretamente
o fator g, mas é possível medi-lo por meio de seus instrumentos (fatores s), uma vez que todo teste
depende de um fator g, e de um fator s em maior ou menor grau (Boccalandro, 2003).
Como o HTM é um teste de raciocínio composto, como dito anteriormente, por três partes (ra-
ciocínio verbal, numérico e abstrato) e o G-36 um teste de Inteligência Geral (fator g), supõe-se
que exista uma correlação entre os dois instrumentos satisfazendo esta exigência. Os resultados
obtidos são apresentados na Tabela 6.
Os resultados obtidos mostram uma correlação de 0,691 entre o total de pontos do G-36 e do HTM,
indicando uma adequada correlação entre os dois testes. Pode-se observar ainda que a correlação entre
o G-36 e o raciocínio Verbal, Numérico e Abstrato também foram adequadas e superiores a 0,546.
Quando são considerados os resultados em função da escolaridade, nota-se que para o ensino médio
as correlações variaram entre 0,649 e 0,757 entre as partes do teste e 0,759 para o total. Para o supe-
rior entre 0,539 e 0,619 e 0,664 para o total. Ainda que com uma amostra mais reduzida (N=26), as
correlações com o ensino médio são maiores do que as do superior.
Os resultados mostram uma relação entre as características que são avaliadas nos testes G-36
e o HTM.
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Teste de Habilidade para o Trabalho Mental (HTM)
As correlações obtidas entre cada uma das partes e o total de pontos do HTM foram todas supe-
riores a 0,817, indicando que o HTM apresenta uma boa coerência interna. Esse cálculo também
foi realizado em função da escolaridade dos sujeitos:
As correlações tanto para o grupo de ensino médio quanto para superior entre as partes do teste
e o total de pontos são elevadas e superiores a 0,804, o que confirma o resultado obtido anterior-
mente de que o HTM apresenta adequado grau de coerência interna. Tanto para o grupo de ensino
médio quanto para o superior, os maiores resultados ocorreram com o raciocínio numérico (0,916
e 0,896, respectivamente). O menor valor da correlação foi encontrado no raciocínio verbal para
os sujeitos de escolaridade média (0,811) e no raciocínio abstrato para o grupo superior (0,804).
As correlações entre as partes do teste foram significantes e superiores a 0,490. Os resultados
variaram entre 0,533 e 0,716 para os participantes do ensino médio e 0,490 e 0,590 para o superior.
Os participantes foram submetidos aos dois testes em dias consecutivos, sendo que uma metade
realizou primeiro a BPR-5 e a outra, primeiro o HTM. Os testes foram aplicados e avaliados con-
forme as orientações dos respectivos manuais. Foram obtidas as pontuações brutas de cada parte
do HTM e também para o total, o mesmo ocorrendo com a BPR-5. Ainda que na BPR-5 não seja
previsto a somatória das pontuações de apenas três subtestes, isso foi realizado para poder ter
uma medida equivalente ao total do HTM. A relação entre os dois testes foi verificada por meio da
Correlação Linear de Pearson.
A correlação entre as partes verbais dos testes HTM e BPR-5 foi de 0,747, para os testes de
raciocínio numérico 0,762 para os de abstrato 0,671 e para o total 0,828, todas significantes a 0,01.
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Teste de Habilidade para o Trabalho Mental (HTM)
Os resultados indicam correlações elevadas entre os dois testes o que indica que estão avaliando
a mesma característica.
Os resultados dos três estudos realizados apresentaram adequadas evidências de validade do
HTM. Guilford (1950) considera que um coeficiente de validade pode variar entre 0,0 e 0,60 “com
muitos índices na metade inferior desta faixa” (p. 165) e completa afirmando que “qualquer coefi-
ciente de correlação que não é zero e é estatisticamente significante indica algum grau de relação
entre as variáveis” (p. 164). Essa autora apresenta uma tabela de interpretação de correlação que
considera como moderadas as correlações entre 0,40 e 0,70 e sugerem uma relação substancial
entre as variáveis estudadas (Fonseca, 2003). Nick e Kellner (1971) propõem que as correlações
adequadas para dois testes diferentes que avaliam a mesma característica devem oscilar entre
0,60 e 0,70. Pode-se dizer, portanto, que as correlações obtidas com o HTM estão de acordo com
os parâmetros de Guilford (1950) e muito próximas dos apresentados por Nick e Kellner (1971),
caracterizando-se como um coeficiente de validade adequado.
Análise de itens
A análise de itens do HTM foi realizada por meio do cálculo dos coeficientes de correlação ponto-
-bisserial, que é uma forma de determinar a validade dos itens que compõem o teste. A amostra
utilizada para esse estudo foi a mesma dos estudos de Precisão (N=715). Um item foi considerado
discriminativo quando a correlação foi maior que 0,25 (Erthal, 1987).
Na Tabela 10 são apresentadas as porcentagens de acerto e correlações ponto-bisseriais dos
itens do HTM, os valores em negrito indicam os itens não discriminativos.
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Teste de Habilidade para o Trabalho Mental (HTM)
Quando são consideradas as correlações ponto-bisseriais para a amostra total verifica-se que
em 42 itens (87,5%) elas foram maiores que 0,25 e em apenas seis esse resultado não foi atingido.
Esses itens estão distribuídos dois em cada uma das partes do teste: verbal (itens 2 e 4), numérico
(17 e 18) e abstrato (39 e 42). Os itens 2, 4, 17, e 18 apresentaram correlações mais baixas, pois sua
porcentagem de acerto é muito elevada (respectivamente, 94%, 88%, e 98% para os dois últimos)
caracterizando-se como itens muito fáceis e portanto pouco discrimativos. Além disso, os itens 39
e 42 também são pouco discriminativos pois na amostra estudada, têm uma porcentagem de acerto
muito baixa (8% e 5%). Os itens foram mantidos, pois em testes de raciocínio espera-se encontrar
itens mais fáceis e mais difíceis.
Os resultados de acordo com a escolaridade indicaram que esses mesmos itens se mostraram
com correlações mais baixas e porcentagens de acerto muito semelhantes às observadas em relação
à amostra total, com exceção do item 17 que foi discriminativo para o grupo de ensino médio e o
37 que se mostrou pouco discriminativo.
Pode-se concluir, portanto, que o HTM apresenta uma quantidade elevada de itens discrimi-
nativos (ou seja, que podem diferenciar pessoas com altos e baixos escores no teste), o que é mais
uma evidência de validade do instrumento.
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Aplicação
Público-alvo
O Teste de Habilidade para o Trabalho Mental (HTM) pode ser aplicado em sujeitos entre 17 e
60 anos, a partir do ensino médio e que sejam familiarizados com o uso do computador.
Material
Para a aplicação será preciso um computador conectado à internet, com banda larga. Os
Testes de Raciocínio Lógico Verbal e Numérico do HTM encontram-se no Sistema HumanGuide
Brasil. Até o momento o subteste Raciocínio Lógico Abstrato não está disponível para a apli-
cação on-line.
O psicólogo deverá adquirir os links de liberação dos testes para realizar as aplicações.
Condições de aplicação
O avaliado receberá um link para acesso ao teste HTM, sendo os subtestes de Raciocínio Lógico
Verbal e Numérico administrados de forma independente.
Cada link é enviado pelo psicólogo ao avaliado. Ao acessar ao link, o avaliado será direcionado
a uma tela para que seus dados cadastrais sejam preenchidos e/ou atualizados. Em seguida, serão
apresentadas as instruções; antes de iniciar o teste.
O tempo de aplicação do teste será estipulado de acordo com a escolaridade selecionada no mo-
mento do cadastro. Para ensino médio o tempo limite de aplicação será de 15 minutos e para ensino
superior, 10 minutos. Caso o avaliado não conclua o teste dentro do tempo limite, a aplicação será
interrompida automaticamente.
Para o HTM-Verbal o avaliado deverá escolher uma das alternativas apresentadas em cada tela.
Para o HTM-Numérico será necessário digitar as respostas nos campos indicados em cada questão.
Em ambos os testes será possível deixar itens sem respostas, avançando para a próxima questão
e, se necessário, retornar posteriormente para respondê-la. Na última tela poderá clicar na tecla
“Finalizar o Teste”, para encerrar a aplicação on-line.
Instruções
Para cada um dos subtestes de Raciocínio Lógico Verbal e Numérico serão apresentadas as
seguintes instruções no início da aplicação on-line. Essas instruções também estarão disponíveis
para visualização durante a execução do teste.
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Teste de Habilidade para o Trabalho Mental (HTM)
Orientação
Instruções
Este teste é composto por 16 questões. Em cada questão você encontrará afirmações seguidas
de quatro conclusões. Somente uma é correta ou mais adequada.
As questões de 1 a 8 são compostas por afirmações que você deverá ler atentamente e depois
escolher somente uma das conclusões, a que você considerar a mais correta. Para isso, basta clicar
no marcador ao lado de sua escolha.
Exemplo: Pássaros só podem voar, mas minhocas podem rastejar. Assim sendo:
Pássaros comem minhocas.
Pássaros às vezes rastejam.
Pássaros não comem minhocas.
Pássaros não rastejam.
Exemplo: Maria é mais bonita que Joana. Laura é menos bonita que Joana. Logo:
Laura é mais bonita que Joana.
Maria é menos bonita que Joana.
Laura é menos bonita que Maria.
Joana é mais bonita que Maria.
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Teste de Habilidade para o Trabalho Mental (HTM)
A primeira afirmação diz que “Maria é mais bonita que Joana”. A segunda afirmação diz que
“Laura é menos bonita que Joana”.
A conclusão indicada pela primeira opção diz que “Laura é mais bonita que Joana”. Está certa?
Não, porque a segunda afirmação diz que “Laura é menos bonita que Joana”.
A segunda opção diz que “Maria é menos bonita que Joana”. Está certa? Não, porque a primeira
afirmação diz que “Maria é mais bonita que Joana”.
A terceira opção diz que “Laura é menos bonita que Maria”. Está certa? Sim, porque as afir-
mações dizem que “Laura é menos bonita que Joana” e “Maria é mais bonita que Joana”, logo,
“Laura é menos bonita que Maria”.
A quarta opção diz que “Joana é mais bonita que Maria”. Está certa? Não, porque a primeira
afirmação diz que “Maria é mais bonita que Joana”.
Então, a resposta correta é a terceira opção, a qual você deveria escolher se estivesse realizando
o teste, clicando no marcador ao lado da afirmação.
Como demonstrado nos exemplos acima, você trabalhará as questões descobrindo a conclusão
correta.
Orientação
Instruções
Este teste é composto por 16 questões. Em cada questão você encontrará fileiras de numerais
que devem ser completadas com uma ou duas respostas, conforme os espaços correspondentes. Para
completá-las corretamente, é necessário que você observe a sequência.
1º Exemplo: 5 7 9 11 13
O numeral que completa a sequência é 15. Nesse caso, você deveria digitar esse número no
espaço indicado na questão.
2º Exemplo: 30 33 34 37 38
Temos agora uma sequência diferente. O primeiro numeral da sequência é 30, o segundo é 33
e o terceiro é 34.
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Teste de Habilidade para o Trabalho Mental (HTM)
Avaliação
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Normas
Amostra da Telesp
A amostra foi composta por 3.767 sujeitos, sendo 3.610 com ensino médio completo e 157 com
nível superior completo. As aplicações foram coletivas e os sujeitos tinham tempo livre para a
realização do teste.
A amostra foi constituída por 621 sujeitos, sendo 208 do sexo feminino (33,5%) e 413 do masculino
(66,5%) que participaram de processos seletivos na Vetor Editora entre os anos de 2002 e 2005. As
idades dos sujeitos variaram entre 14 e 60 anos, com uma média de 28,24 anos e um desvio-padrão
de 7,56, sendo que 87,8% da amostra estão na faixa de 14 a 37 anos. A distribuição dos sujeitos em
função do sexo e da escolaridade pode ser observada na Tabela 12.
Pode-se perceber que a maior concentração de sujeitos ocorre no nível superior completo e in-
completo tanto no grupo masculino quanto no feminino. A distribuição da amostra por faixa etária
é apresentada na Figura 1.
21
Teste de Habilidade para o Trabalho Mental (HTM)
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Teste de Habilidade para o Trabalho Mental (HTM)
Apesar de o ensino médio ter um tempo maior que o superior para responder ao teste (5 minu-
tos a mais para cada uma das partes do teste), as médias deste último foram maiores. Por último,
foram realizadas comparações entre as médias dos sujeitos do sexo masculino de acordo com a
escolaridade (Tabela 15).
Médio Superior
Partes t Significância
N=102 N=311
Verbal Média 11,10 12,20
3,170** 0,002
DP 3,18 3,01
Numérico Média 9,12 11,11
4,325** 0,000
DP 4,18 3,56
Abstrato Média 6,87 7,95
3,258** 0,001
DP 3,01 2,57
Total Média 27,09 31,27
4,226** 0,000
DP 8,86 7,68
** Significante a 0,01.
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Teste de Habilidade para o Trabalho Mental (HTM)
A amostra foi composta por 1.023 participantes de processos seletivos na cidade de São Paulo,
sendo 299 (29,2%) do sexo feminino e 724 (70,8%) do masculino. As idades dos sujeitos variaram entre
17 e 60 anos, com uma média de 29,27 anos e um desvio-padrão de 7,46. A maior parte da amostra
(94,5%) pertencia à faixa entre 18 e 43 anos. A Tabela 16 apresenta a distribuição dos sujeitos em
função do sexo e da escolaridade.
Verifica-se que a maior parte dos participantes possuía nível superior completo e incompleto
(82%), tanto no grupo feminino (88,0%) quanto no masculino (79,6%).
A faixa etária mais frequente foi a de 23 a 27 anos (32,9%), seguida pela de 33 anos ou mais
(26,7%) e a de 28 a 32 anos (23,9%). A Tabela 18 apresenta a distribuição dos sujeitos em função
da idade e da escolaridade.
Escolaridade 17 a 22 23 a 27 28 a 32 33 ou mais
N % N % N % N %
Médio 32 17,4 60 32,6 49 26,6 43 23,4
Foram obtidas as médias dos totais de pontos do HTM e para cada uma das três partes sepa-
radamente (Verbal, Numérico e Abstrato). Esses resultados foram comparados usando-se o teste
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Teste de Habilidade para o Trabalho Mental (HTM)
Apesar de a média de pontos do grupo masculino ser maior que a do feminino em todas as partes
do teste e para o total, as diferenças não foram estatisticamente significantes para os participantes
do ensino médio.
No grupo de ensino superior foram encontradas duas diferenças significantes (p<0,001): uma
na parte numérica e outra na soma das três partes, ou seja, no total de pontos. Observa-se ainda
que, como ocorrido com o grupo de ensino médio, a média dos sujeitos do sexo masculino foi maior
que a do sexo feminino em todas as partes do teste.
As análises das comparações considerando o sexo e a escolaridade confirmam a necessidade de
tabelas diferenciadas em função do sexo para o grupo de ensino superior. Em relação à amostra
total, as tabelas também devem ser diferenciadas de acordo com a escolaridade, já que o tempo de
aplicação para o grupo de ensino médio e superior é diferente. Apesar disso, optou-se por calcular
o teste t para essa variável, a fim de apresentar as diferenças entre as médias (Tabela 21).
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Teste de Habilidade para o Trabalho Mental (HTM)
Tabela 22. Médias, desvios-padrão e teste ANOVA em função da faixa etária para o grupo do ensino médio
Idade em anos
17 a 22 23 a 27 28 a 32 33 ou mais
Partes F Significância
N=32 N= 60 N=49 N=43
Média 13,22 12,50 12,06 11,37
Verbal 2,576 0,055
DP 2,73 2,95 2,91 3,26
Média 10,47 9,80 8,84 8,28
Numérico 2,617 0,053
DP 3,44 3,70 3,89 4,12
Média 7,88 7,95 7,04 6,12
Abstrato 4,510** 0,004
DP 2,34 2,49 2,70 3,22
Média 31,56 30,25 27,94 25,77
Total 3,932** 0,009
DP 6,83 7,77 8,49 9,47
** Significante a 0,01.
Tabela 23. Médias, desvios-padrão e teste ANOVA em função da faixa etária para o grupo do ensino superior
Idade em anos
17 a 22 23 a 27 28 a 32 33 ou mais
Pontos F Significância
N=137 N= 277 N=195 N=230
Média 12,04 11,92 11,29 11,58
Verbal 2,866* 0,036
DP 2,59 2,66 3,08 2,73
Média 10,06 10,63 10,17 9,87
Numérico 1,906 0,127
DP 3,84 3,64 3,70 3,70
Média 7,94 7,93 7,59 7,19
Abstrato 4,111** 0,007
DP 2,82 2,59 2,38 2,61
Média 30,04 30,48 29,06 28,64
Total 2,925* 0,033
DP 7,99 7,29 7,96 7,54
**Significante a 0,01. *Significante a 0,05.
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Teste de Habilidade para o Trabalho Mental (HTM)
As diferenças entre as médias em função da faixa etária para o grupo de nível superior foram
significantes para a parte verbal, abstrata e o total de pontos.
A análise dos resultados dos testes t e as análises de variância entre os diversos grupos estudados
mostraram ser necessárias a construção de tabelas de normas separadas em função da escolari-
dade tanto para a amostra total quanto de acordo com o sexo e a faixa etária dos participantes
(considerando a escolaridade).
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The HTM test validates the relationship between intelligence and reasoning by measuring verbal, numerical, and abstract reasoning abilities, evidencing how these skills contribute to overall cognitive performance . Statistical analyses reveal significant differences across educational and sexual demographics, underscoring reasoning skills as integral components of intelligent problem-solving . These components illustrate how intelligence manifests across distinct reasoning patterns, supporting its role in varied cognitive activities .
Intelligence theories evolved from Spearman's Two-Factor Theory, which postulated a general intelligence (g) and specific factors (s). This model influenced later theories like the Gf-Gc model, differentiating fluid from crystallized intelligence, proposed by Cattell and further refined by Horn, representing the interrelations among varied cognitive abilities . Carroll's Three-Stratum Theory integrated these concepts into a hierarchical model, leading to the CHC theory, which combined the strengths of preceding models with a broader understanding of cognitive functions .
Equating intelligence with problem-solving positions it as a crucial cognitive skill indicating adaptability and logical reasoning in unfamiliar situations . Problem-solving utilizes both general intelligence and specific faculties to comprehend and respond to novel circumstances efficiently. This perspective underlines intelligence as dynamic and context-dependent, emphasizing flexibility and the application of logical strategies over rote learning . Such an approach reflects intelligence through diverse problem-solving tasks, highlighting its importance in cognitive development and practical application .
The research shows sex and educational level impact HTM test scores. Males scored higher in numerical reasoning and total points at the higher education level, while females did not show significant differences . Educational levels also influence scores; participants with higher education scores surpassed those of lower education irrespective of time constraints. These findings highlight the need for percentile tables considering sex and educational differences for accurate ability assessments .
Defining and measuring intelligence presents challenges due to its complex nature and varied theoretical perspectives . Intelligence encompasses biological, cognitive processes, and social constructs, complicating a unified definition . Tests assessing different intelligence facets (e.g., fluid, crystallized, specific reasoning skills) reflect cultural and educational influences, eliciting debates on fairness and validity . The ambiguity and overlap in definitions, plus the need to accommodate diverse cognitive functions, make standardization difficult .
Intelligence tests like the HTM assess verbal reasoning as the ability to efficiently grasp and conceptualize verbally expressed ideas . Numerical reasoning is evaluated through mathematical problem-solving and cognitive operations, emphasizing the organization and application of mathematical concepts . Abstract reasoning involves solving problems using non-verbal symbols and codes without linguistic context, focusing on recognizing patterns and relationships . Educationally, these distinctions inform curriculum design to cater to diverse cognitive strengths, guiding interventions and teaching strategies .
Fluid intelligence is related to reasoning and the ability to solve new problems using abstract thinking and logic without relying heavily on prior knowledge . It involves the perception of complex relationships, concept formation, relationship identification, implication comprehension, and inferential processes . Crystallized intelligence, on the other hand, pertains to the depth and breadth of acquired knowledge and its application in problem-solving, often influenced by cultural and educational experiences . It is associated with verbal and numerical skills and the recognition and meaning of words .
Intelligence is assessed using psychological tests designed to evaluate differences among individuals or variations in a person's reactions over time . These tests are applied in diagnosing academic failures, career counseling, candidate selection, and more . In educational settings, intelligence tests guide the inclusion of gifted or less cognitively skilled students into appropriate programs, reflecting their capabilities . Professionally, they aid in decisions regarding admissions, transfers, promotions, or dismissals .
Spearman proposed the Two-Factor Theory to reconcile the monarchical, oligarchical, and anarchic views of intelligence by suggesting a general intelligence factor (g) common to all cognitive abilities, along with specific factors (s) applicable to particular tasks . This approach acknowledges a central general intelligence while allowing for varied specific abilities, synthesizing the idea of a dominant general intelligence with multiple specific skills .
Crystallized intelligence is significantly shaped by socio-cultural, educational, and experiential factors, reflecting accumulated knowledge across verbal and numerical domains . Cultural exposure affects language and knowledge development, influencing one's ability to solve problems based on acquired information . This intelligence type thrives on cultural learning and experiences, suggesting that educational access and quality profoundly impact its development .









