O Ponto Dentro do Círculo
Origem: António Fadista
Pesquisa Ir.: Jaime Balbino
Os corpos celestes foram a base sobre a qual se inspiraram os sábios da Antiguidade para
definir as primeiras formas geométricas. Assim, os símbolos mais antigos das tradições
esotéricas são o Círculo, o Ponto e as demais figuras planas. Como conseqüência, todas as
Cosmogonias se desenvolveram tendo como base o Círculo, o Ponto, o Triângulo, o
Quadrado e, na seqüência, até ao número nove; tudo sintetizado no dez, formado pelo
Círculo e pela primeira unidade, ou ponto, constituindo a Década Mística de Pitágoras.
Não seria possível conceituar uma divindade lógica, universal e absoluta, sem a existência
do Ponto dentro do Círculo. Nos primórdios da Humanidade, o Ser Supremo, o Criador, não
tinha nome nem símbolo algum que o representasse. O mesmo não acontecia em relação à
Sua primeira manifestação, a Criação, o Universo, cujo símbolo já então era o Círculo com o
Ponto Central. Este também era o símbolo do Tempo Eterno e do Espaço sem Limites.
O Zohar, o Livro do Resplendor, ensina que o Ponto Original e Indivisível se dilatou e, por
meio de um movimento constante, se expandiu e deu vida e forma ao Universo. A Divindade
se expande de maneira ilimitada, e enche continuamente o Universo com suas obras.
Na India, os Vedas ensinam que Deus é um Círculo, cujo centro está em toda a parte e cuja
circunferência não está em parte alguma.
Assim, o Círculo no qual o seu Ponto Central se expandiu e desdobrou, é o símbolo
esotérico da diferenciação e da geração.
O Círculo com o Ponto no centro também se relaciona com a fórmula alquímica VITRIOL
(Visita Interiora Terrae Rectificandoque Invenies Occultum Lapidem).
Nesta acepção, retificar significa corrigir os erros inerentes à natureza do ser humano. A
descida ao interior da Terra simboliza a morte do profano e o nascimento do Iniciado que,
pela meditação e pela auto-análise, aspira ao aperfeiçoamento moral e espiritual.
Colocado no interior de Terra, isto é, recolhido ao íntimo de seu coração, o seu Sanctum
Santorum, o Iniciado busca as cristalinas fontes do Amor e da Sabedoria que o levarão à
posse da Pedra Polida, a almejada Pedra Filosofal.
Nos Mistérios de Ceres, em Eleusis, o recipiendário representava o grão do cereal semeado,
enterrado no solo, que deve atingir o estado de putrefação para dar nascimento à planta
encerrada em seu germe. Do mesmo modo, o profano é submetido à Prova da Terra,
visando o desenvolvimento das suas energias potenciais na busca do Eu Superior, o Grande
Arquiteto do Universo.
O Templo Maçônico, assim como tudo o que está em seu interior, representa a
universalidade da nossa Instituição. Assim como o Templo, o Círculo com Ponto no Centro
também vai da superfície ao centro da Terra. Por isso mesmo, ao passar pela Prova da
Terra, o profano morre e o Iniciado renasce dentro do símbolo iniciático da geração, o
Círculo com o Ponto, cujos limites, os da Virtude e do Amor ao Próximo, o maçom jamais
deve transpor.
Sendo limitado ao Norte e ao Sul por duas retas paralelas e perpendiculares, que
representam Moisés e Salomão, este símbolo indica que o maçom deve pautar suas ações
segundo as virtudes que estes dois grandes iniciados representam.
O Círculo com o Ponto é também tangenciado no seu topo pelo Livro da Lei, indicando que a
via ascencional para Deus só existe pela obediência aos princípios e aos ensinamentos nele
contidos.
O progresso moral e espiritual só pode ser alcançado pela pratica do Amor ao Próximo e
pela submissão da nossa vontade aos nossos deveres.
Assim procedendo, reuniremos as condições para subir os degraus de Escada de Jacó e
alcançar a desejada união com o Eu Supremo, o Grande Arquiteto do Universo.