LASER
LASER
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Ed Gerck
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Resumo
Este tutorial apresenta as propriedades gerais dos sistemas de corte a laser, com
ênfase no laser de CO2. São discutidos as fontes de laser, os tipos de laser
existentes (destacando o laser de CO2), uma síntese da teoria sobre as
propriedades de propagação e focalização de feixes laser, aspectos de segurança,
uma referência sobre as aplicações correntes do laser, a teoria de aplicação de
corte a laser de materiais, com ênfase em corte de metais ferrosos, os sistemas de
corte a laser com superpulso e um exemplo real de um sistema laser de corte.
1 - Fontes de Laser
A base teórica para o descobrimento do laser foram as pesquisas realizadas nos campos
da física quântica e da óptica a partir do final do século XIX, notadamente a descoberta do
processo de emissão estimulada de radiação por A. Einstein [1]. A primeira emissão laser foi
conseguida em laboratório por T. H. Maiman [2], com um laser de rubi, em julho de 1960 nos
laboratórios Bell, nos E.U.A..
De acordo com Maiman [2], um exemplo que cria as condições necessárias para o
funcionamento de um laser é a ocorrência de uma transição quântica nos níveis energéticos
que compõem o meio laser (átomos, moléculas, íons, etc.) de um estado inicial para outro
energeticamente superior, aumentando a população dos níveis superiores. Este processo é
denominado ‘inversão de população’, pois, em condições de equilíbrio termodinâmico, os
níveis superiores possuem população menor do que os níveis inferiores, de acordo com a Lei
de Boltzman [3, 4, 5]. Com a inversão de população, cria-se a condição principal para a
1
C.P. 1201; C.E.P.: 13001-970, Campinas, SP - Brazil; Current email: ed@[Link]
2
DEF/FEM/UNICAMP - Campinas, SP - Brazil; E-mail: jorge@[Link]
© Copyright by the authors, 1997
2
2 - Tipos de Laser
2
O primeiro dispositivo laser construído [1, 3] era um laser de estado sólido, composto
por íons cromo (meio ativo) implantados em um cristal de rubi (meio hospedeiro). Seu
bombeamento era pulsado, por meio de uma lâmpada flash. Desde então, várias centenas de
tipos de laser, com diferentes meios ativos e formas de bombeamento, foram desenvolvidos.
Atualmente, os lasers de elétrons livres e de raios-x representam as fronteiras na pesquisa e
desenvolvimento de novos lasers.
Conforme Maillet [3], existem vários tipos de laser de CO2, porém uma característica
comum a todos é o meio ativo composto, principalmente, por uma mistura gasosa de dióxido
de carbono (CO2), gás nitrogênio (N2) e gás hélio (He). O comprimento de onda de emissão
principal é 10,6 mm, situando-se no infravermelho.
A potência de saída pode ser pulsada ou contínua, com potências médias variando de
alguns watts até dezenas de quilowatts. As técnicas de excitação incluem descarga elétrica,
rádio-freqüência (rf), etc.
3
4
Este tipo de laser tem uma capacidade de potência de 50 a 70 W (ou mais, se o sistema
de resfriamento da cavidade tiver alta eficiência) por metro de comprimento do tubo de fluxo
na cavidade ressonante. Ele pode ser pulsado eletronicamente, com descarga ao longo do eixo
do tubo, para se obter altas potências de pico sem diminuição significativa de sua potência
média de saída. Este fator é vantajoso em muitas aplicações de remoção de material a laser. O
diâmetro médio do tubo encontrado no projeto desses lasers é, em geral, relativamente
reduzido (em torno de 2 cm). A potência média de saída pode atingir 3 kW ou mais.
Os lasers de CO2 de alta potência (acima de 1000 W) são os lasers mais amplamente
empregados industrialmente em aplicações de processamento de materiais. As razões básicas
por trás dessa eleição são, conforme Sasnett [7]:
Adiante será apresentado em melhor detalhes este tipo de laser com um caso real de
sistema laser de CO2.
Para esta dissertação, o aspecto mais importante do laser não é a sua constituição
interna, mas sim o feixe laser emitido, sua focalização e sua interação com os materiais. A
geração da emissão laser não é relevante, podendo o laser ser considerado uma fonte de
calor.3
3
Note-se que essa “fonte de calor” é diferente de uma fonte térmica modelada pela lei de emissão do corpo
negro, pois possui temperatura termodinâmica absoluta negativa; Luxon e Parker [5].
4
¨ Ampla faixa de magnitude para potência de saída, em regime contínuo, estendendo-
se da ordem de microwatts a Petawatts, em diversos tipos de laser;
¨ Elevada energia (milhares de Joules) por pulso, em lasers com potência de saída
pulsada;
¨ Ampla faixa de magnitude para o tempo de pulsamento.
¨ Capacidade teórica de focalização do feixe em um pequeno ponto com dimensão
limitada por difração (da ordem do comprimento de onda da emissão laser).
Essas propriedades não são independentes entre si e, de fato, algumas são resultantes
diretas de outras.
Todas as propriedades apresentadas pelo laser e que o fazem uma fonte de radiação
eletromagnética de propriedades únicas são derivadas, de algum modo, da coerência quase
absoluta apresentada pela radiação laser. De fato, a coerência é a propriedade que melhor
caracteriza o laser e o distingue das demais fontes de radiação eletromagnética, conforme
Maillet [3].
onde,
r ® distância radial de um ponto na seção transversal do feixe [m];
I0 ® intensidade no centro do feixe (intensidade máxima) [W/m2];
s ® desvio-padrão da distribuição gaussiana.
onde,
w ® raio do feixe [m].
6
onde w0 é chamado “cintura” ou “gargalo” do feixe e representa o menor valor possível de w,
geralmente ocorrendo no interior da cavidade ressonante do laser. A nomenclatura e o
significado de w0 também são válidos quando o feixe é focalizado por uma lente, como será
visto adiante. A equação (3) define uma curva hiperbólica, a qual está representada
graficamente na figura 2, onde são mostrados também outros parâmetros de um feixe laser
oscilando dentro de uma cavidade ressonante formada por dois espelhos esféricos e
propagando-se para fora dela, no espaço livre. As dimensões e formas indicadas na figura 2
estão fora de escala e proporção com o objetivo de simplificar a análise.
7
8
Ainda em relação à figura 2, nela está indicado o valor 2q, o qual representa o ângulo
2
total de divergência de propagação do feixe no espaço livre. Para ( l z / p w 0 ) >> 1, o
semi-ângulo de divergência q é expresso como:
q = l / p w0 (4)
8
FIGURA 3 - Distribuição gaussiana de intensidade em uma seção transversal
do feixe laser propagando-se no modo TEM00; [3].
Como foi descrito antes, o parâmetro w(z) determina a distância radial na seção
transversal de um feixe no modo TEM 00, na qual a intensidade equivale a (I0 / e2). Este valor é
adotado porque coincide com o ponto onde a distribuição da amplitude do campo
eletromagnético da radiação laser diminui por um fator 1/e, ou seja, no desvio padrão da
distribuição normal da amplitude.
1 1
2r dr 2 I r e
3w 3w
P I dA I0 e 2 r
2
/ w2 2 r 2 / w2
0 dr I0 w 2 1 18 (5)
0 0 2 e
O termo 1/e18 (@ 1,5 * 10-8 ) na expressão obtida para a potência é muito pequeno e
pode ser desprezado. A potência total do feixe na seção transversal do feixe limitada pela
circunferência de raio r = 3w pode então ser expressa por:
9
10
1
Pr=3w = Pt = I0 w2 (6)
2
O valor para P em (6) corresponde à integração da intensidade sobre uma área circular
com raio infinito, ou seja, o valor exato da potência total P t sem o estabelecimento da
restrição da intensidade do feixe em r = 3w. Então, o valor 1/e18 significa o erro que é
cometido quando se estabelece o limite em três vezes o raio do feixe.
w 1 1 1
Pr w 2 I0 r e 2 r
2
/ w2
dr I0 w 2 1 2 0,86 I0 w 2
0 2 e 2
Portanto, de acordo com a equação (7) cerca de 0,86 vezes ou 86% da potência total
do feixe no modo TEM00 está contida na área delimitada pela circunferência formada pelo raio
do feixe. Como visto anteriormente, o raio do feixe também está relacionado com uma
diminuição de 86% na intensidade do feixe em relação ao seu valor máximo no centro de sua
seção transversal.
Alguns tipos de lasers podem funcionar tanto em regime de potência de saída contínua
quanto pulsada, sendo este último caracterizado pelo tipo e modo de funcionamento da fonte
de bombeamento, e pelas propriedades físicas do meio ativo do laser. Assim, os modos de
funcionamento de um laser em função do tempo são classificados e definidos como :
- Modo de funcionamento pulsado: saída laser com potência pulsada. Este modo de
funcionamento é regido pelos parâmetros funcionamento da fonte de bombeamento do
laser em regime pulsado. Deste modo, são definidas a duração de pulso e a freqüência
de pulsação, as quais definem as propriedades e capacidades de saída de potência de
uma fonte laser em regime pulsado. Valores típicos da duração de pulso situam-se entre
100 ms e 10 ms, com uma freqüência de pulsação variando de 1 Hz a 100 Hz,
dependendo da capacidade de dissipação térmica do meio ativo amplificador durante a
operação de bombeamento. Para lasers de CO2, quando a duração do pulso é da ordem
de milisegundo observa-se um aumento da potência de pico com a redução da duração
de pulso, devido a fenômenos de dissipação térmica no meio ativo do laser, conforme
Sasnett [7].
A discussão abaixo refere-se à propriedade mais importante do feixe laser para esta
dissertação, a sua focalização. O exposto é referente a Kogelnik e Li [8].
A menor dimensão teórica na qual um feixe laser com uma distribuição gaussiana de
intensidade (modo fundamental) pode ser focalizado é de um comprimento de onda da
respectiva radiação. Assim, considerando uma lente convergente ideal (sem aberrações) com
distância focal f, sobre a qual incida um feixe de diâmetro 2w = d (i.e., onde w é o “raio do
feixe” e d é o diâmetro da lente), com um semi-ângulo de divergência q, tem-se um ponto
focal com diâmetro 2wo expresso por4:
w0 = f q (8)
w0 = K f l / d (9)
Sendo K um valor próximo da unidade, e considerando que f não pode, por razões de
ordem prática, ser menor que d, então a menor dimensão do ponto focal de um feixe
gaussiano é aproximadamente igual a l. Na prática, (f / d) fica compreendido no intervalo de
4 a 8, de acordo com Sona [6]. Isto pode proporcionar, em tais casos, uma densidade de
fluxo energético de dezenas ou centenas de quilowatts por centímetro quadrado, mesmo para
uma emissão de baixa potência da ordem de miliwatts.
w0 = l (4 / p) (f / d) (10)
sendo que este diâmetro w0 tem uma variação desprezível ao longo da profundidade de campo
focal Zf, dada por:
4
Os parâmetros w e w0 têm o mesmo significado tanto para um feixe emergente da cavidade ressonante como
para um feixe focalizado por uma lente, visto que as equações 2 e 3 são válidas para ambos os casos. No caso
da focalização, z é medido a partir do ponto focal em direção à lente e como a taxa de convergência é muito
alta a lente pode ser considerada estando no campo distante em relação ao ponto focal.
11
12
Zf = l (4 / p) (f / d)2 (11)
2
I0 = 2 P / p w 0 (12)
Para uma possível interação entre o laser e a matéria orgânica devem ser considerados
os seguintes parâmetros: comprimento de onda do laser, tempo de exposição, intensidade de
12
potência (W/m²) ou densidade superficial de energia (J/m²), e tipo de tecido biológico
atingido. Esta interação pode se manifestar com a ocorrência de efeitos que podem agir
isoladamente ou sobrepostos. Os principais efeitos podem ser: térmicos, fotoquímicos,
mecânicos e elétricos. Naturalmente, o tipo de efeito predominante será determinado pela
variação dos parâmetros acima citados, porém, pela própria característica do feixe laser de
concentrar energia, o efeito mais comum é o térmico, o qual por sua vez está relacionado ao
comprimento de onda do feixe laser e ao tempo de exposição do tecido biológico.
O olho é a parte do corpo humano com a qual devem ser tomadas medidas mais
rigorosas de proteção devido à suas próprias estruturas constitutivas, que o caracteriza como
uma óptica de focalização. Dessa maneira, até mesmo um feixe laser com baixa potência pode
criar altos níveis de densidade de energia ao ser focalizado na retina pela pupila.
Devido aos riscos que um laser pode oferecer a partes expostas do corpo humano,
principalmente aos olhos, é que ocorreu a necessidade de um maior conhecimento
quantitativo referente à interação da radiação com aquelas partes. Foi a partir desta
quantificação que se estabeleceram critérios seguros, baseados no comprimento de onda do
laser e na duração de exposição do mesmo, denominados Exposições Máximas Permitidas
(EMP), expressas em W/m² ou J/m², encontradas em tabelas constituídas por fórmulas
empíricas [3] que determinam as exposições máximas para os olhos (ao nível da córnea) e
pele.
5 - Aplicações do Laser
A variedade de lasers desenvolvidos até hoje tem encontrado aplicações bem sucedidas
nas seguintes áreas, segundo [3]:
w Aplicações industriais.
w Telecomunicações.
w Medicina.
w Química.
w Física nuclear.
w Aplicações bélicas.
campo de aplicação na área industrial que vem se desenvolvendo rapidamente nos últimos
anos, é o da prototipagem rápida com auxílio de lasers. Este campo pode ser subdividido em
processos nos quais uma forma tridimensional é construída a partir de material amorfo,
líquido viscoso ou sólido granulado, como são os casos da sinterização seletiva a laser e a
estereolitografia a laser [10, 11], ou em processos de construção de moldes complexos ou de
grandes dimensões por fatiamento de seções transversais, como é o caso da técnica de
Laminado Volumétrico a Laser (LVL) [12, 13].
Por outro lado, a intensa pesquisa efetuada no começo da década de 1960 sobre
possíveis novas formas de emissão laser, utilizando outros tipos de meio ativo, conduziu à
descoberta dos lasers com meio ativo gasoso, entre os quais o laser de CO 2 por C. Patel em
1964 [15]. Este primeiro modelo de laser de CO2 tinha uma potência de saída em regime
contínuo de apenas alguns miliwatts, porém as propriedades de emissão reveladas por este
tipo de laser abriram uma nova perspectiva para o emprego do laser como ferramenta para a
transformação térmica de materiais. Entre as características favoráveis apresentadas pelo laser
de CO2 destacam-se o potencial demonstrado por ele em atingir níveis de potência de saída
bastante altos, uma relativamente alta eficiência energética e a possibilidade de conduzir a
energia do feixe em várias formas de regime temporal e espacial. Essas propriedades logo
despertaram o interesse de vários pesquisadores no desenvolvimento do laser de CO 2, o que
resultou em uma rápida evolução deste tipo de laser, conforme descrito por W. Witteman
[16], um dos primeiros e principais pesquisadores do assunto.
Apesar dos significativos avanços obtidos na técnica de corte a laser de metais através
de resultados empíricos, até quase o final da década de 1970 havia uma relativa carência de
modelos que explicassem de modo satisfatório todos os mecanismos físicos envolvidos na
dinâmica do corte a laser com auxílio gasoso e seus efeitos correlatos. Nesse sentido, os
trabalhos publicados por Arata et al. em 1979 [18] e por Mazunder e Steen em 1980 [19]
representaram um considerável avanço ao lançarem mais luz sobre estes tópicos. Arata et al.
descreveram o comportamento dinâmico envolvido no corte a laser de CO 2 com auxílio
gasoso (oxigênio) em chapas finas (menos de 2 mm de espessura) de aço com baixo teor de
carbono. Por sua vez, Mazunder e Steen propuseram um modelo bidimensional de
15
16
transferência de calor para um substrato metálico de pequena espessura irradiado por uma
fonte laser fixa e em movimento. Esses dois trabalhos publicados deram, à época, novo
impulso ao campo de pesquisas teóricas e experimentais referentes ao corte a laser de metais.
Um trabalho de Sasnett [7], publicado no ano de 1986, fez uma consideração sobre o
processamento de materiais através de laser de CO2 operando em regime em superpulso da
potência de saída. Foi realizada uma importante análise comparativa referente a lasers de CO2
operando em regime contínuo e em superpulso, descrevendo as características mais
apropriadas de operação em um e outro regime.
Publicada em 1987, uma abordagem comparativa efetuada por Biermann, Nuss e Geiger
[26] analisou os efeitos das interações que ocorrem entre os dispositivos cinemáticos do
sistema laser, a peça de trabalho e o feixe laser sobre a precisão final obtida no corte a laser
de chapas metálicas.
16
Para metais não ferrosos, como o cobre e alumínio, Powell et alii desenvolveram um
estudo [27], publicado em 1989, sobre as características e modos de obtenção de um corte
com boa qualidade, realizado por feixe laser de CO2, em metais e ligas não-ferrosas. Os
pesquisadores efetuaram neste trabalho uma abordagem comparativa com o corte a laser de
CO2 em aços.
Segundo Fukaya et al. [28], em publicação de 1991, um dos fatores mais importantes
para a qualidade do corte a laser de CO 2, e ao mesmo tempo limitador do nível máximo
possível de potência de operação do laser, é sua óptica de focalização. Para feixes com altos
níveis de potência de saída (maiores que 2 kW) e operando em modos transversais do feixe de
mais baixa ordem, a óptica de transmissão sofre distorções térmicas, produzindo um efeito de
desfocalização, o que limita o corte de chapas de maiores espessuras. Fukaya et al.
analisaram as distorções térmicas na óptica de focalização, propondo um modo teórico de
propagação onde esta distorção seria minimizada, permitindo que um laser de CO2 de 2 kW
pudesse cortar uma chapa de aço doce em espessuras de até 20 mm, com razoável qualidade
de corte.
Ivarson, Powell e Magnusson [30] estimaram o calor gerado pelo processo de oxidação
no corte a laser de CO2, com auxílio gasoso, em chapas de aço baixo-carbono e aço
inoxidável, através da coleta e análise das partículas metálicas oxidadas e ejetadas da zona de
corte durante o corte a laser dos aços. Este trabalho, publicado em 1991, teve seqüência em
outro publicado pelos mesmos autores em 1993 [31], o qual concentrou-se na análise das
características físicas e metalográficas das partículas coletadas anteriormente. Os resultados
obtidos possibilitaram aos pesquisadores determinar o histórico completo do processo de
oxidação nas partículas durante o corte a laser com auxílio de oxigênio.
17
18
Em 1992, um trabalho teórico e empírico publicado por Yilbas et alii [35] realizou um
estudo teórico relativo à interação entre o metal fundido e o jato gasoso, considerando a
quantidade de movimento do jato e a tensão de cisalhamento na interface gás-líquido, bem
como as diversas relações entre os vários parâmetros que influenciam a ação de corte durante
o corte a laser de CO2 auxiliado por gás. Na parte experimental deste trabalho foram cortadas
a laser chapas de aço baixo-carbono em diferentes espessuras, utilizando uma mistura gasosa
argônio/oxigênio para verificar a profundidade de resolidificação em torno da poça de fusão,
e apenas oxigênio na análise do movimento do plasma gerado durante o processo de corte a
laser.
Recente trabalho (1994) publicado por Hsu e Molian [40] desenvolveu um modelo
termoquímico para o corte a laser auxiliado por oxigênio, em função dos seguintes
parâmetros: padrão de modo transversal do feixe, densidade de potência, reação de
18
combustão, largura da linha de corte e velocidade de corte. Este modelo enfatizou o efeito de
combustão química e o padrão modal, os quais, segundo os autores, são geralmente
desprezados na maioria dos modelos existentes sobre o corte a laser. O modelo mostrou boa
concordância com os resultados experimentais, indicando que aproximadamente 55% a 70%
da energia envolvida no processo de corte é fornecida pela reação exotérmica do aço com o
oxigênio.
Trabalho publicado em 1994 por Ivarson et al. [42] salienta aspectos da utilização do
laser de CO2 para o corte a laser dentro do ambiente industrial, mais especificamente para o
corte em chapas de aço com baixo teor de carbono, e a utilização a dinâmica da reação de
oxidação do metal durante o processo de corte a laser de chapas de aço baixo-carbono. Os
autores fizeram uma análise da dinâmica de oxidação que ocorre no corte a laser de CO 2
naqueles materiais, e pretenderam fornecer uma explicação completa sobre o efeito da
formação de estriações cíclicas na face de corte da chapa metálica, baseada na natureza
auto-limitadora da oxidação do aço na região de corte.
19
20
Hilton [51], em artigo de 1995, relatou uma nova técnica para o corte de seções
espessas de aço baixo-carbono utilizando lasers de relativa baixa potência. Neste artigo,
Hilton fez uma comparação entre o corte a laser e outros processos térmicos de corte em
termos da largura da linha de corte, velocidade, rugosidade e dimensão da zona termicamente
afetada produzida em cada caso.
O processo de corte dos mais diversos materiais é baseado, em linhas gerais, em um dos
três diferentes mecanismos que permitem a utilização da intensidade média de um laser para
efetuar cortes em materiais. Nestes mecanismos todos os processos de transferência de
energia estão presentes, em proporções distintas, tais como condução, convecção e
irradiação. São eles [3, 4]:
20
espessuras muito pequenas (inferiores a 0,5 mm). De um modo geral, é preciso dez
vezes mais potência para vaporizar um metal do que para fundi-lo. Assim, este processo
tem sido utilizado principalmente para perfuração em materiais refratários e de alta
dureza, sensíveis ao surgimento de trincas.
· Fusão auxiliada por gás inerte: neste processo, a energia específica fornecida
pelo feixe laser apenas leva o material ao ponto de fusão; um gás inerte é empregado
para ejetar o material fundido para fora da região da aresta de corte. O processo de
fusão com gás inerte é empregado no corte de quase todos os materiais não-metálicos e
também em alguns metais. O laser de CO2 é o mais utilizado nesse processo. Para
materiais com baixa absorção ao comprimento de onda do laser de CO 2, ou em peças
com detalhes complexos, o laser de CO 2 opera com potência de saída pulsada ou em
regime de superpulso. Como gases de alimentação geralmente emprega-se ar-
comprimido ou nitrogênio. Gases neutros (argônio, hélio) são empregados no corte de
metais que não se oxidam facilmente como as ligas de níquel, ou ainda quando deseja-se
evitar a presença de óxidos na face metálica cortada a laser, como no caso de aços
inoxidáveis.
· Fusão auxiliada por gás reativo: mais amplamente utilizado para metais. Nele,
a energia necessária para o metal atingir o ponto de fusão é gerada, em grande
parte, por uma reação exotérmica entre um gás reativo, geralmente oxigênio, e o
metal fundido inicialmente pelo feixe laser. O jato de gás também elimina o
material fundido da região da aresta formada e, assim, somente uma fina camada
fundida ao longo da espessura do material na frente de corte continua a reagir
com o oxigênio. O processo de fusão auxiliado por gás reativo é o mais
amplamente utilizado nas aplicações industriais de corte a laser, sendo indicado
para metais que reagem, a altas temperaturas, com o oxigênio em um processo
exotérmico de oxidação, tais como os aços em geral, os metais ferrosos e as ligas
a base de titânio. Graças a esse mecanismo, os lasers de CO2 multiquilowatts
podem cortar grandes espessuras de chapa, até 30 mm ou mais, em velocidades
relativamente elevadas (da ordem de vários metros por minuto) em regime
contínuo de potência de saída. O regime pulsado ou utilizando superpulso é
empregado no corte de peças com características “termo-geométricas”
desfavoráveis à dissipação térmica no corte contínuo.
Em todos estes casos, a interação entre radiação e matéria ocorre com características
específicas, dependendo dos parâmetros que controlam o processo. Os mais relevantes são:
21
22
No processo de corte, o feixe laser é focalizado por uma lente especial (ou espelho no
caso de lasers de maior potência) sobre uma pequena área circular na superfície do material
ou um pouco abaixo dela, com diâmetro d = 2K(l/D)F (como descrito no capítulo 2). Via de
regra, para o corte de chapas metálicas o ponto focal do feixe laser é posicionado não
exatamente sobre a superfície do material, mas em um ponto a 1/3 da espessura total abaixo
da superfície de incidência. A razão para isto é que com este procedimento a cavidade
inicialmente formada no 1/3 superior se ajusta melhor com a forma da frente de onda do feixe,
servindo como um tipo de guia de ondas para a radiação eletromagnética subsequente,
facilitando a continuidade do processo de fusão nos 2/3 restantes da espessura, apesar da
menor intensidade média inicial que é provida na superfície devido ao efeito de
desfocalização.
22
FIGURA 5 - Esquema de uma aresta de corte típica, formada pelo
processo com auxílio gasoso, com o ponto focal a um terço da
superfície da chapa.
( i i ) - o gás injetado pode também iniciar uma reação exotérmica com o substrato
metálico, proporcionando uma fonte de calor adicional para a fusão do mesmo. Resultados
teóricos e experimentais, como os de Hsu e Molian [40], e Chen e Steen [34], indicam que
entre 55% e 70% da energia total de corte é fornecida pela reação exotérmica a altas
temperaturas entre o aço fundido e o oxigênio. Isto permite um corte a laser com velocidade
de corte substancialmente aumentada em relação a que seria obtida sem o jato de gás para a
mesma potência do feixe, mesmo que o fluxo gasoso também resfrie a zona de interação, e
uma maior profundidade de penetração. Em geral, observa-se na seção de corte uma
rugosidade residual na forma de um conjunto característico de estrias de espaçamento regular,
típicas do corte com gás reativo. Essas estrias apresentam uma diferença na inclinação das
estrias entre as camadas superior e inferior da seção de corte. A explicação para este
fenômeno reside no fato de que a camada superior é fundida principalmente pela absorção
direta da radiação laser, enquanto que na camada inferior, a reação exotérmica com o gás tem
um papel mais destacado, como atesta a maior rugosidade média nesta região.
23
24
24
Fe Reação � : Tf = 1812
- 264,4 Tv = 2875 0,202 0,965
Reação ‚ : Tf = 692
Zn -348,1 Tv = 1180 0,410 0,973
Al Reação ƒ : Tf = 933
-1670 Tv = 2333 0,850 0,981
Reação „ :
-110,5
C Reação … : Tf = 4000 ¾ ¾
-283,2
Reação † :
-393,7
25
26
Como a energia fornecida pelo feixe laser neste processo de corte deve procurar atingir
a temperatura de fusão do ferro sem no entanto vaporizá-lo, deve ser considerada inicialmente
a temperatura do ferro líquido como a temperatura mínima na qual devem ocorrer as demais
reações. Assim, uma verificação nas temperaturas de fusão e vaporização dos vários
elementos que compõem o aço permite estabelecer o tipo mais provável de reação que
determinado elemento sofrerá. Para o Zn presente nas camadas de revestimento das chapas de
aço galvanizadas, com sua baixa temperatura de fusão (vide tabela 3-4), liqüefaz-se
rapidamente com a incidência do feixe laser em nível de potência ajustada para fundir o Fe.
Como também a difusidade térmica do Zn é relativamente baixa, ele tende a se vaporizar com
a energia recebida, o que realmente ocorre. Dessa forma, apenas uma pequena fração de
átomos de zinco entra na formação da poça de fusão, portanto sua contribuição nos processos
de elevação de energia pode ser desprezado.
Para discutir a interação do feixe laser com o alumínio, deve-se começar salientando a
sua elevada refletividade ao comprimento de onda do feixe de CO 2 a temperatura ambiente, e
também seu alto coeficiente de condução de calor (k = 200 W/m.K) comparativamente ao aço
baixo carbono (k = 63 W/m.K). É claro que, como já foi exposto, este alto valor de
refletividade não é um limite absoluto, bastando uma pequena absorção em algum ponto com
subsequente aquecimento para que a absortividade cresça, permitindo que seja alcançada a
temperatura de fusão do Al. Porém, com o elevado valor de k, a potência laser incidente
absorvida e transformada em energia térmica, é rapidamente conduzida para a massa do
material. Este fato acaba restringindo as espessuras e velocidades de corte máximas no corte
de chapas de Al em comparação com os valores correspondentes para o aço. Em relação à
26
reação com o oxigênio (reação ƒ) vê-se que o Al desencadeia uma reação exotérmica de
elevada energia ( DH = - 1670 kJ/mol), bem maior que a liberada entre o Fe e o O 2. Esta
reação apresenta-se, no entanto, menos efetiva que a do ferro como fonte geradora de calor
adicional para o corte a laser devido basicamente a um efeito de “selamento” temporário do
Al na reação com o O2, apresentado pela camada de Al2O3 formado em reação preliminar
[27]. Assim que esta camada é destruída pelo jato a alta pressão, nova reação exotérmica tem
lugar. Embora este efeito de impermeabilização à oxidação apresentado, o Al2O3 apresenta
uma absortividade de quase 100% ao comprimento de onda de 10,6 mm do laser de CO2.
A potência de pico no superpulso pode atingir um valor várias vezes maior que a
potência de saída nominal do laser operando em regime contínuo, porém este valor varia
sobremaneira dependendo do tipo estrutural de laser de CO2 utilizado (com fluxo axial lento
ou rápido da mistura gasosa que compõe o meio ativo) e suas características de projeto,
segundo Sasnett [7]. Na maior parte dos sistemas laser industriais, a potência de pico no
superpulso corresponde a três vezes a potência de saída nominal no regime contínuo,
conforme retratado por Schwarzenbach e Hunziker [54].
Dentro desse último aspecto, o corte a laser em superpulso é igualmente efetivo quando
as propriedades físico-químicas do material processado, principalmente quando conjugadas a
uma geometria de corte relativamente complexa, na qual existam regiões onde estão
associadas taxas muito baixas de variação do gradiente térmico em relação ao tempo e ao
espaço quando da passagem do feixe laser pela trilha de corte, o tornam desfavoravelmente
suscetível a reações exotérmicas muito rápidas e relativamente extensas (explosões) com o
gás oxigênio, dentro da linha de corte, nas temperaturas e taxas de aquecimento elevadas do
corte em regime contínuo.
Rt = t0 / tb
onde t0 é o tempo do pulso ligado e tb é tempo total do trem de pulsos considerado (isto é,
incluindo o tempo de pulso ligado e o tempo de pulso desligado). Necessariamente, nesta
relação Rt é menor que um, pois se fosse igual a um seria um funcionamento em regime
contínuo. Geralmente, Rt está contido em uma faixa de valores tal que 0,1 £ Rt £ 0,5 no
regime de potência de saída laser em superpulso. A figura 7, a seguir, mostra um trem de
pulsos com a relação Rt = t0 / tb = 0,1, considerando o tempo de pulso desligado igual ao
tempo de pulso ligado (t0).
28
FIGURA 7 - Esquema de um superpulso ideal mostrando o tempo de pulso ligado (t0)
e o tempo total de um trem de pulsos (tb), composto por cinco pulsos..
O tempo de pulso ligado está relacionado com as propriedades físicas do meio ativo do
laser e com o regime de bombeamento utilizado. O valor usual de t0 para lasers de CO2 está
compreendido entre 0,1 ms e 1 ms, conforme Sasnett [7]
A potência de pico para t0 suficientemente curto pode ser aproximadamente seis vezes a
potência média com Rt = 1. Para valores maiores de t0, a potência de pico atingida torna-se
menor devido à ocorrência de efeitos térmicos e elétricos provocados pela descarga de
excitação no meio ativo do laser, podendo, em geral, se reduzir a um valor duas vezes maior
que a potência de saída obtida com Rt = 1 (regime contínuo). Dessa forma, para um tempo
total tb fixo, à medida que t0 aumenta, Rt aproxima-se da unidade e a potência de pico (e sua
média) aproxima-se do nível de potência em regime contínuo.
Percebe-se, pela análise da figura 8, que o pulso unitário real do trem de pulsos sustenta
seu pico de potência em um tempo muito menor que tb e retém uma pequena parte do pulso
durante o tempo de laser desligado, contrariamente ao caso de um pulso ideal. Este desvio do
caso ideal é provocado principalmente por fatores ligados à degeneração e inércia térmica do
meio ativo do laser. Em conseqüência, o trem de pulsos real apresenta uma potência média
menor que no caso ideal.
29
30
Em termos práticos, este efeito pode representar uma melhor precisão dimensional da
aresta de corte pela redução da quantidade de material fundido nas regiões contíguas ao
centro da linha de corte, e também a formação de uma zona termicamente afetada (ZTA)
menor que a formada no corte a laser em potência de saída contínua. Estas características,
como dito antes, destacam a utilização do superpulso como regime apropriado para o corte a
laser de peças que apresentam em seu contorno elementos com características
termogeométricas desfavoráveis para o processo em regime com potência de saída contínua .
30
Com o superpulso, o inconveniente é que necessariamente Rt < 1, ou seja, a potência
média em superpulso é inferior à potência média em regime contínuo, o que ocasionará na
maioria dos casos uma redução apreciável da velocidade de corte em comparação com o
corte em regime contínuo, o que pode ser relevante em termos de produtividade do processo.
Dessa forma, o critério de utilização do superpulso sempre deverá levar em consideração os
fatores qualidade e produtividade, estabelecendo tanto quanto possível um ponto de equilíbrio
entre ambos.
Uma solução intermediária para o corte a laser de peças, com qualidade sem diminuir
significativamente a produtividade é a utilização de um regime misto que aproveite tanto a
característica de alta velocidade do corte a laser em regime de potência contínua quanto a
qualidade de corte aceitável em termogeometrias desfavoráveis. Assim sendo, em cortes por
trilhas retilíneas relativamente longas, onde o vetor velocidade se mantenha constante, o
regime de funcionamento do laser ocorrerá em potência contínua, enquanto que nas regiões
onde há uma variação significativa do vetor velocidade, como ocorre em ângulos agudos,
retos, obtusos e em curvas e círculos de pequeno raio de curvatura, é acionado o regime de
potência em superpulso.
Portanto, com o superpulso geométrico uma seqüência de corte a laser pode ser obtida
em um sistema misto de regimes de saída de potência contínua e pulsada dependendo dos
aspectos geométricos já citados.
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32
Com o desenvolvimento e a amplitude de aplicação alcançados pelo corte a laser em
vários segmentos industriais, consolidou-se o conceito de sistema de corte a laser. Um
sistema significa uma unidade de processamento de corte a laser composta por um laser de
média ou alta potência de saída, em geral um laser de CO 2, uma mesa posicionadora onde é
apoiada e/ou fixada a peça de trabalho e uma unidade controladora por comando numérico
computadorizado (CNC) que controla e monitora as funções dos componentes cinemáticos
(movimentos da mesa e do bico de corte laser), a regulagem da óptica de focalização, a vazão
dos gases de corte, bem como os parâmetros da potência de operação do laser (potência de
saída, potência contínua, pulsada, etc.), tudo isso através de programas de controle geral
(instalados na memória de leitura do CNC) e programas de execução de tarefas de corte.
Os sistemas de corte mais difundidos, conforme [3, 4, 5, 6, 49, 55], são aqueles
projetados para cortes em chapas ou folhas metálicas para a obtenção de peças planas, com
geometrias mais ou menos complexas (estampagem a laser), bem como para o corte de
materiais não-metálicos. São sistemas com movimentação de 2 ou 3 eixos ortogonais
(cartesianos). Em sistemas de 2 eixos (X-Y), a mesa pode se mover nas direções X e Y,
alternada ou simultaneamente, enquanto a óptica de focalização no cabeçote laser permanece
fixa, ou, de outro modo, o cabeçote movimenta-se em X-Y enquanto a mesa é fixada. Estas
configurações costumam apresentar problemas relativos à precisão do corte bem como à sua
manutenção, ocasionados pela concentração de movimentos em uma única unidade
cinemática. Há ainda, sistemas X-Y nos quais a mesa e o cabeçote laser movimentam-se
independentemente em X ou Y, respectivamente, representando a melhor solução de projeto
para este caso.
O conjunto de tais sistemas ampliou ainda mais o número de aplicações do laser nos
processos de manufatura, com a possibilidade de corte a laser em peças de trabalho
tridimensionais, como em chapas de aço conformadas e painéis de material polimérico na
indústria automobilística. As possíveis configurações de movimento destes sistemas são
inúmeras, e podem efetuar-se, parcial ou totalmente, em coordenadas cartesianas, cilíndricas e
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polares. O eixo óptico do cabeçote tem que ser posicionado sempre normalmente à superfície
de trabalho.
Embora o termo corte a laser possa significar, em um sentido geral, qualquer aplicação
onde um feixe laser focalizado é utilizado para a eliminação de uma faixa de material com
uma largura próxima à medida do diâmetro da região focalizada, através da fusão ou
vaporização do mesmo ao longo da espessura total de um substrato, ele é utilizado mais
especificamente para a faixa de aplicação, mais freqüentemente encontrada nos processos
industriais, relacionada com o uso de lasers (na grande maioria dos casos um laser de CO2) de
média e alta potência para o corte de formas geométricas mais ou menos complexas a partir
de chapas metálicas, como no contexto desta dissertação.
As chapas industrialmente mais utilizadas para as operações de corte a laser são chapas
relativamente finas (até 3 mm) de aços carbono e aços com revestimento superficial metálico,
principalmente os galvanizados, vindo os aços inoxidáveis em terceiro lugar, conforme
relatado em Warnecke e Hardock [55], Webber [56] e Gerck [58]. Na maior parte das vezes,
as peças planas cortadas a laser serão submetidas a processos posteriores de dobramento
e/ou soldagem, dentro das especificações particulares de fabricação, sem a necessidade de
usinagens adicionais após o corte efetuado pelo laser. Resulta deste fato, que o processo de
corte a laser de formas geométricas em chapas finas compete mais diretamente, se forem
considerados conjuntamente aspectos técnicos e econômicos, com o processo convencional
de corte por estampagem mecânica em chapas metálicas do que com outros processos
térmicos. O termo, freqüentemente utilizado no ambiente de fabricação, “estampagem a
laser” foi criado justamente para designar o corte a laser dentro deste campo de aplicação.
Embora não seja objetivo desta dissertação realizar um estudo comparativo do processo
de corte a laser em relação aos outros processos de corte de chapas metálicas, entre eles a
estampagem mecânica, a seguir são apresentados alguns estudos publicados que tiveram, em
parte ou exclusivamente, este objetivo, com a finalidade de uma consulta posterior.
Resultados de cortes efetuados por vários processos térmicos são comparados por
Hilton [51]. Neste artigo, do ano de 1995, o autor fez uma comparação entre os processos
térmicos de corte em termos de características do processo e da região da face cortada, tais
como: largura da linha de corte formada, velocidade de processamento, rugosidade média
final e dimensão da zona termicamente afetada produzida.
Deve ser ressaltado que publicações com esse tipo de abordagem comparativa de vários
processos em relação ao processo a laser são apresentadas com uma certa freqüência por
diversos autores, sendo isto devido, principalmente, ao rápido avanço registrado nos campos
de pesquisa de novas aplicações e de otimização das características fundamentais da
tecnologia laser aplicada à fabricação industrial.
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O laser do MT-1000ä encaixa-se na categoria de laser de CO2 de fluxo axial lento. Sua
potência nominal é 3000 W e seu regime de operação pode ocorrer em potência de saída
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contínua, pulsada ou em superpulso. Seu sistema de refrigeração da região ativa (tubo da
cavidade ressonante) é feito por convecção forçada através de circulação de água.
A figura 12, a seguir, mostra uma foto do gabinete de controle CNC da máquina laser
MT-1000.
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A figura 14 mostra o detalhe do bocal, com o sensor e os tubos de condução dos gases
de corte e resfriamento da óptica de focalização, com o laser atuando em trabalho de corte
sobre uma chapa de aço.
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FIGURA 14 - Detalhe do bico de corte do laser MT-1000 Ô, em pleno trabalho de corte
em chapa de aço, mostrando o bocal de saída dos gases auxiliares de corte (D), o sensor
indutivo de proximidade (E) e os tubos de transporte: de gás N2 de proteção (T1), de gás
O2 de corte (T2), de saída (T3) e entrada (T4) de água para refrigeração da óptica de
focalização.[60]
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