Gramática Japonesa Simplificada
Gramática Japonesa Simplificada
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO:
Sábado, 09 de novembro de 2019 –
07h:50min
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O PROJETO
Hoje, depois de muitas cirurgias (20 mais ou menos) e tratamento, estou andando
de muletas, possuo graduação em Gestão Financeira e MBA em Controladoria e
Finanças.
B. HISTÓRICO
Sempre fui muito fã de seriados japoneses, animês e vídeo games e esse gosto fez
despertar em mim ainda mais o interesse pela língua e cultura japonesa. Quando
resolvi procurar material para estudar, deparei-me com algo que me incomodou
bastante: não encontrava bons sites e/ou livros em português! Tudo era muito
básico e incompleto!! Em compensação, havia bons sites e livros em inglês.
Conheci o site do Tae Kim. Achei a abordagem dele excelente e inovadora, mas
de algum modo aquilo ainda era insuficiente para mim. Então, passado um
tempo, deparei-me com o site Imabi e, através dele, conheci o espetacular livro
“Classical Japanese: A Grammar” de Haruo Shirane. A partir daí me interessei
pelo Japonês Clássico e comecei a pesquisar mais sobre o assunto na internet.
Com essas três “ferramentas” – Manual do Tae Kim, Imabi e Japonês Clássico –,
as coisas começaram a ficar muito mais claras e o aprendizado havia se tornado
ainda mais divertido e intrigante. Resolvi, então, juntar as minhas pesquisas em
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um arquivo de Word: tudo que encontrava e achava interessante, eu traduzia e
colocava nele. Depois de 3 anos de pesquisas, então, pensei: “por que não com-
partilhar as minhas pesquisas?”
Quando iniciei este projeto, já era evidente para mim a importância do Japonês
Clássico para um melhor entendimento da língua moderna. Conforme progredi-
mos em nossos estudos, fica fácil perceber que principalmente na linguagem es-
crita formal, deparamo-nos com construções estranhas que, sem o conhecimento
do Japonês Clássico, ficaria impossível compreendê-las de forma satisfatória.
Também, se você deseja fazer o nível 1 do JLPT, irá se deparar com essas “coisas
estranhas” da língua japonesa. É por isso que me propus a fazer uma abordagem
diferente de tudo o que você já viu, abordando o Japonês Clássico, tanto para
mostrar a evolução dos padrões modernos, como para explicar pontos gramati-
cais clássicos que ainda podem ser vistos na língua moderna.
Desde que lancei o blog em maio de 2014, tenho recebido e-mails elogiando o
conteúdo, entretanto, há também alguns leitores que afirmam que, apesar de o
conteúdo do blog ser muito bom, é muito complexo para quem está tendo contato
com a língua japonesa pela primeira vez.
Diante disso, resolvi elaborar este livro com uma 'gramática fácil' direcionada
àqueles que ainda não tiveram nenhum contato com a língua japonesa. Sendo
assim, se você é um desses, recomendado que comece pelos tópicos a seguir nos
quais serão abordados, em 18 tópicos, os fundamentos do japonês da maneira
mais simples possível. Assim que você tiver dominado o conteúdo deste livro,
passe para as 55 lições no blog.
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Outra ferramenta em inglês que eu recomendo que você baixe é a extensão
“Rikaichan”. Assim, quando estiver navegando por algum site é só passar o
mouse em cima das palavras em japonês e aparecerá um pop-up com a tradução
em inglês.
No blog Ganbarou Ze! não há Furigana nos Kanjis. Entretanto, esse problema
pode ser contornado com a extensão “IPA Furigana”:
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Infelizmente, não há muitas opções de dicionários Japonês – Português / Portu-
guês – Japonês para consulta online. Conheço apenas dois que, no entanto, pare-
cem não possuir uma base de dados satisfatória:
E. CONSIDERAÇÕES
Por fim, quero deixar claro que não sou fluente em japonês e que este livro se
trata de material que venho pesquisando ao longo desse tempo. Portanto, sempre
que encontrar algo interessante, atualizarei algum tópico ou mesmo novas lições
poderão ser acrescentadas de acordo com as circunstâncias.
Não deixe de entrar em contato conosco caso tenha sugestões, críticas ou algum
também material interessante que deseje que esteja em futuras atualizações.
[Link]
“Não palmilhe sempre o mesmo caminho, passando somente onde outros já pas-
saram. Abandone ocasionalmente o caminho trilhado e embrenhe-se na mata.
Certamente descobrirá coisas nunca vistas, insignificantes, mas não as ignore.
Prossiga explorando tudo sobre elas; cada descoberta levará a outra. Antes do
esperado, haverá algo que mereça reflexão”. (Graham Bell)
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1. ESCRITA I – KANA E ROOMAJI
A escrita japonesa possui quatro formas de expressão: O Kana, formado por dois
conjuntos de fonemas – Hiragana e Katakana (que juntos formam o silabário ja-
ponês), o Kanji, ou ideogramas chineses e o Roomaji, que é a forma de se repre-
sentar os sons da língua japonesa através das letras do nosso alfabeto romano.
Perceba que ambos possuem os mesmos sons, sendo que o que os diferencia é a
forma dos fonemas. Também, diferentemente do português, em que se segue o
padrão de vogais “A – E – I – O – U”, no japonês é “A -I -U -E – O”. Com relação
à pronúncia e traçado, assista aos vídeos nos links abaixo:
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Bom, até aqui nada complicado, não é mesmo? Contudo você deve estar se per-
guntando, com razão, como representar, por exemplo, o som “DA” se no quadro
só tem o som “TA”?
Na escrita japonesa existem sinais que podemos colocar nos fonemas, afim de
obter variações. Podemos colocar um pequeno círculo ou umas aspas do lado
superior direito de alguns fonemas. Observe:
Portanto, para obter o som “DA”, simplesmente colocamos aspas no canto supe-
rior direito do fonema “TA”. Se quisermos, por exemplo, o som “BA” basta co-
locar as aspas no som “HA” e se queremos o som “PA”, simplesmente colocamos
um pequeno círculo no fonema “HA”.
Aumentamos o nosso repertório de sons possíveis, mas ainda não acabou. Isso
por que ainda é possível também combinar alguns fonemas de terminados em
“I” colocando do seu lado direito um pequeno 「や」, 「ゆ」 ou 「よ」. Veja:
Vamos a um exemplo prático com base no que vimos até aqui. Como escrever em
japonês o nome “Nelson”?
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A dúvida aqui é em relação ao “L” solitário, pois não existe som equivalente em
japonês. Quando isso acontecer precisaremos transformá-lo em um fonema japo-
nês existente mais próximo. Nesses casos, utiliza-se o recurso da adição de som
de vogal, podendo ser “U” ou “O”, dependendo do caso. Como regra geral:
O “L” solitário ficaria “LU”, entretanto, como também não existe som “LU” na
língua japonesa, usaremos “RU” por ser o mais próximo.
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Há ainda o pequeno 「つ」que tem como principal finalidade representar uma
pausa antes da pronuncia do fonema que o sucede. Na pratica, é basicamente a
pausa que se faz “já com a língua no céu da boca” antes de seguir para uma nova
sílaba. Dividiremos pronúncia de 「さっか」 em tempos para que você entenda
melhor como funciona essa pequena pausa:
「さ」 – 1º tempo;
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2. ESCRITA II – KANJI
Os Kanjis (ou caracteres chineses) representam conceitos materiais e abstratos e
foram introduzidos na língua japonesa por meio de escritos trazidos por monges
budistas quando ainda não havia expressão escrita nela. Substantivos e radicais
de adjetivos e verbos são quase todos escritos com caracteres chineses. Também
os advérbios são escritos em Kanji com bastante frequência. Isso significa que
você precisará aprender os caracteres chineses para ser capaz de ler praticamente
quase todas as palavras do idioma. Porém, nem todas as palavras são escritas em
Kanji. Por exemplo, mesmo que o verbo “fazer” tecnicamente possua um Kanji
associado a si, é sempre escrito em Hiragana. Critérios individuais e um senso de
como as coisas são normalmente escritas são necessários para decidir quando as
palavras devem ser escritas em Hiragana ou Kanji. De qualquer modo, a maioria
das palavras em japonês será escrita em Kanji quase sempre (livros infantis ou
qualquer outro material direcionado a um público que não saiba muitos Kanjis
são uma exceção a isso).
Um ideograma chinês pode ter várias pronúncias possíveis (em casos raros, dez
ou mais), dependendo do seu contexto, significado pretendido, uso em compos-
tos, e localização na frase. Estas pronúncias, ou leituras, são normalmente cate-
gorizadas em on'yomi (pronúncia próxima do original chinês) ou kun'yomi (pro-
núncia japonesa atribuída a ele). Para fins didáticos a leitura ON, é escrita em
Katakana. Já a leitura KUN é escrita em Hiragana.
Como regra bem básica, a leitura Kun é usada para palavras nativas, principal-
mente em adjetivos e verbos. Nesse caso, geralmente há uma sequência de Kana
(chamada okurigana) que vem anexada aos ideogramas complementando a pro-
núncia da palavra e será a parte que sofrerá flexões. Observe o exemplo:
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Como você leria o Kanji em 「食べる」?
Basta observar o Okurigana que acompanha o Kanji. Neste caso é 「べる」, logo,
segundo a tabela acima, a pronúncia correta para o ideograma em questão é 「
た」. Esquematizando, temos:
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Na segunda ocorrência, 「新」 aparece acompanhado pelo Kanji 「聞」, por-
tanto, será usada a on’yomi de ambos. Desta forma, juntos formam 「しん.ぶん
」, que significa “jornal”.
Mas a coisa infelizmente não é tão simples assim. Isso por que há casos em que
composições de Kanjis recebem leituras especiais, que podem ser divididas em
três grupos:
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Há ainda leituras que são baseadas nas pronúncias dos caracteres, contudo, so-
freram mudanças ao longo do tempo. Observe:
Diante de tudo que vimos até aqui, podemos dizer que a leitura dos Kanjis é
muito ambígua. Apenas para ilustrar essa dificuldade que até mesmo os nativos
podem encontrar na leitura de Kanjis, em novembro de 2008, a imprensa japo-
nesa noticiou que o Primeiro-Ministro Taro Aso frequentemente errava as leitu-
ras de alguns Kanjis, muitos considerados de uso comum em seus discursos,
questionando assim, sua qualidade como pessoa que ocupa o cargo mais alto do
Japão
Devido aos seus erros, Aso passou a ser comparado com George W. Bush, e ro-
tulado de "Tarō" uma provocação usada nas escolas para as crianças pouco inte-
ligentes.
Por causa dessa ambiguidade na leitura dos Kanjis, é comum encontrarmos pe-
quenos Kanas, conhecidos como Furigana (também conhecido como 「ルビ」 ou
「ルビー」 = rubi), escritos acima dos ideogramas, ou ao seu lado, chamados de
Kumimoji, que mostram como devemos pronunciá-los.
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Tal recurso é usado especialmente em textos para crianças ou alunos estrangeiros
e mangá, como também em jornais para leituras raras ou incomuns e para ideo-
gramas não incluídos no conjunto de reconhecidos oficialmente.
De fato, dominar os Kanjis não é tarefa fácil, mas isso não significa de forma al-
guma que seja impossível. Usaremos Kanjis desde o começo para ajudá-lo a ler
japonês "real" o mais rápido possível. Nestas duas lições, abordamos algumas
das propriedades dos ideogramas numa tentativa de tornar seu aprendizado me-
nos penoso e mais divertido e, dado o que foi exposto, vamos responder a duas
perguntas que devem estar pairando na sua cabeça agora:
Realmente, a quantidade de leituras que um único Kanji pode ter e, ainda mais,
as possíveis mudanças sonoras que podem ocorrer em alguns casos, de início, o
faria concluir que aprender as leituras individuais se torna totalmente inútil, por-
que na prática, ao se deparar com uma composição desconhecida, você só teria
um “poder de suposição” no quesito qual leitura usar. Para clarificar, suponha-
mos que você não conheça a composição 「行楽」, mas conhece as leituras indi-
viduais dos Kanjis 「行」 e 「楽」. Com isso, a primeira imagem que viria a sua
mente certamente seria esta:
Ok, perfeito! Você sabe todas as leituras ON individuais de cada Kanji. Entre-
tanto, especificamente para esta composição, qual é a combinação de leituras cor-
reta? Aí começa o grande problema! Inevitavelmente, você acaba se vendo diante
de um quebra-cabeça no qual você tem as peças, mas não sabe como encaixá-las...
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Isso só considerando as leituras ON. Imagine então se esta composição tem uma
leitura mesclada, extra, atribuída, ou ainda tem a pronúncia simplificada? Veja
como há muitas, mas muitas possibilidades...
Como bem aponta Luiz Rafael em seu livro “Desvendando a Língua Japonesa”,
“o que faz o japonês realmente aprender KANJI não é o ensino deles na escola, e
sim a convivência em tempo integral, o uso massivo em praticamente todas as
situações do dia-a-dia. Na escola, o japonês aprende os KANJIS mais pela neces-
sidade de ler textos, copiar conteúdo da lousa referente a todas as matérias, es-
crever redações e resolver exercícios, do que pelo ensino formal do KANJI.”
Esse é o lado ruim da história. Mas há o lado bom: se você memorizar leituras
individuais em grande quantidade vai, inevitavelmente, adquirir um senso de
como se dá é a formação das palavras na língua japonesa. Por exemplo, “por que
há um pequeno 「つ」 aqui?”.
Bem, agora você deve estar pensando “OK, eu vejo que há os prós e contras em
se aprender as leituras individuais. Mas, ainda assim, não seria muito mais fácil
simplesmente assimilar Kanjis e composições conforme formos nos deparando
com eles?
Isso faz muito sentido e talvez seja a opção defendida por muitos, isto é, aprender
Kanji por meio das PALAVRAS que você for encontrando por aí, e não através
de caracteres isolados, a menos que este seja por si só uma palavra “utilizá-
vel”. Afinal, a fim de aprender uma palavra, você obviamente precisa aprender
o significado, a leitura, o traçado dos Kanjis e qualquer Okurigana, se for o caso.
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E isso com as ferramentas disponíveis atualmente na internet, torna-se muito
mais prático.
PRIMEIRO: aprenda PALAVRAS e, por meio delas, tudo o que for relacionado
aos Kanjis que as compõem (significado, leituras KUN - se representarem por si
mesmo palavras -, e o traçado);
SEGUNDO: com mais tempo e calma, para um estudo mais etimológico e mais
avançado, atente-se às leituras e veja como as palavras foram formadas, bem
como as particularidades de sua pronúncia, se houver.
2. Como memorizar o traçado dos Kanjis, já que existem muitos ideogramas para
se aprender?
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você vai ver que ao observar o caractere oriental, vai logo se lembrar dele. Veja
os dois exemplos abaixo:
本【ほん】 (significado: raiz, livro): este Kanji é uma árvore e o traço no meio é
a terra onde ela está plantada. Então, abaixo da terra está sua raiz. A raiz de onde
brota o conhecimento são os livros.
Reveja como escrever os Kanjis ao menos uma vez todos os meses até que você
tenha certeza de que tenha aprendido bem. Esta é outra razão pela qual começa-
remos usando Kanjis. Não há razão para deixar o imenso trabalho de aprendê-
los em um nível avançado. Ao estudar Kanjis junto com novos vocábulos desde
o começo, o imenso trabalho será dividido em pedaços pequenos e controláveis
e o tempo extra ajudará a fixar na memória permanente os ideogramas aprendi-
dos. Além disso, isto irá ajudá-lo a ampliar seu vocabulário, o qual geralmente
terá combinações de Kanjis que você já conhece. Se você começar a aprender Kan-
jis depois, este benefício será desperdiçado ou limitado.
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Você já aprendeu anteriormente que durante os seis anos da escola primária, os
alunos aprendem os 1006 Kanjis básicos e os outros 1130 nos três anos posterio-
res. Obviamente, os Kanjis apresentados na primeira série são mais simples que
os Kanjis da sexta série. Esse método irá seguir exatamente a ordem de aprendi-
zado de um aluno numa escola japonesa. Podemos concluir, portanto, que os
Kanjis são ensinados de acordo com sua simplicidade, facilidade e importância.
Então, não seria interessante que os Kanjis fossem organizados pelo uso, pelo seu
aparecimento no dia a dia?
No JWPce uma das informações que podem ser obtidas de um Kanji é a sua fre-
quência, ou seja, o número de vezes que este aparece no dia a dia, em jornais,
livros e qualquer fonte escrita. Observe as figuras abaixo:
Podemos notar que o Kanji "dia" 「日」 é o mais frequente, ou seja, aparece toda
hora, em todos os lugares. Já o Kanji "explosão" 「爆」, não aparece tantas vezes;
existem 734 Kanjis mais frequentes que ele.
Essa classificação é útil para organizar Kanjis pela sua utilidade. Se você aprender
antes os Kanjis que aparecem mais frequentemente, maior a probabilidade de
entender um texto em japonês.
NOTA: se você deseja filtrar os Kanjis de acordo com a frequência, série de en-
sino, etc. acesse o site “KanjiCards” ([Link] Vá até a opção
“Kanji Lists” e você encontrará filtros muito úteis.
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Na aba “Kanji by Radicals” é possível fazer a pesquisa por radicais:
E se você gostaria de ter acesso a algo que lhe mostrasse o traçado de forma ani-
mada, o “Draw Me a Kanji” ([Link] é o lugar certo. Basta inse-
rir uma palavra ou mesmo uma sentença para ter o traçado de cada Kana e/ou
Kanji feito na sua frente!
Basicamente é isso. Essas informações têm como objetivo facilitar seus estudos,
principalmente se estiver programas de flashcards e dicionários de Kanjis, o que
é extremamente recomendado!
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3. CLASSES DE PALAVRAS, SUBSTANTIVOS E PRO-
NOMES
Para nos comunicarmos usamos gestos, sinais, palavras... Você já se perguntou o
que é uma “palavra”? Bem, de forma bem simples, nós a usamos para simbolizar
algo que se refere ao homem e ao mundo em que ele vive, isto é, cada palavra
corresponde a um conjunto de características comuns a uma classe de seres, ob-
jetos ou entidades abstratas, determinando como as coisas são. Por exemplo,
quando usamos a palavra “gato” estamos nos referirmos ao “pequeno mamífero
carnívoro, doméstico, da fam. dos felídeos (Felis catus), criado como animal de
estimação” (Dicionário Aulete).
Bom, agora que sabemos, de uma forma bem simplista, o que é uma “palavra”,
vamos ver como elas são agrupadas, isto é, quais são as classes de palavras da
língua japonesa. Devido à fonética limitada, é muito importante que você as co-
nheça, a fim de interpretar as coisas. Saber quais são as classes de palavras, como
usá-las e identificá-las irá ajuda-lo muito em seus estudos.
II. Variável, quando uma palavra pode ter sua forma alterada, isto é, pode ser
conjugada;
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As palavras podem ser, ainda, independentes ou dependentes. As palavras inde-
pendentes podem ser entendidas por si mesmas (têm sentido próprio), ao passo
que as dependentes necessitam de um contexto para serem compreendidas. As
únicas palavras que são dependentes são as partículas e os verbos auxiliares.
Agora que já sabemos o que é uma “palavra” e como elas são divididas (classes
de palavras), que tal começarmos a ver algumas características dos substantivos?
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1. Substantivo próprio: denomina um ser único, específico, diferenciando-o do
restante do grupo. Aqui se incluem nomes de lugares e pessoas. Vejamos alguns
dos mais comuns:
IV. Substantivo formal: tem significado variável de acordo com o contexto. Por
exemplo, o substantivo 「わけ」 (訳), em si significa “razão”. Porém, em conver-
sas adquire quase que exclusivamente significado de “experiência”, “conheci-
mento”, indicando que o falante tem conhecimento e/ou experiência de algo que
o ouvinte não tem acesso. É usado em situações em que se deseja convencer al-
guém, argumentar e contar histórias.
O primeiro meio que veremos é expressar uma noção de conjunto através do su-
fixo 「たち」(達), praticamente restrito à pessoas e animais:
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子供 (こども) = criança → 子供達 (こどもたち) = crianças
Em linhas gerais, essa forma de pluralização não é usada para substantivos ma-
teriais (leite, manteiga, etc.), nome próprio (Japão, América, etc.), ou substantivos
abstratos (bondade, paz, etc.). É claro: conte sempre com as exceções.
Outro sufixo que dá noção de pluralidade é 「がた」(方). Ele pode ser usado
como pluralizador honorífico para o pronome 「あなた」 e também pode ser
anexado a um número bem restrito de substantivos, como 「先生」.
花々(はなばな) = flores
人々(ひとびと)= pessoas
所々(ところどころ)= lugares
Com isso, convém mencionar também, que na língua japonesa não há artigo de-
finido ou indefinido. A palavra “estudante” 「がくせい」 (学生), por exemplo,
pode tanto se referir a um estudante do sexo masculino como do sexo feminino.
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De fato, 「ねこ」 (猫) em si significa gato ou gata, mas podemos fazer uma “gam-
biarra”, isto é, usar algum elemento que nos possibilite especificar o gênero. Den-
tre as possibilidades, para animais, podemos usar os substantivos 「おす」 (雄)
para macho ou 「めす」 (雌) para fêmea:
おす(の)ねこ = gato
めす(の)ねこ = gata
É claro que a necessidade de se usar outros elementos para indicar gênero não se
aplica a todos os casos. Como em todas as línguas, há substantivos específicos,
como homem ou mulher, irmão ou irmã, etc.
Aliás, veja como é possível modificar um substantivo por meio de outro, através
da partícula 「の」. Em muitos métodos, ela é chamada de partícula de posse,
mas essa nomenclatura pode gerar confusão. Na verdade, dentre outras fun-
ções, 「の」 pode transformar um substantivo em atributo, isto é, um qualitativo
que se acrescenta ao significado de um substantivo, sem alterá-lo. Observe o qua-
dro a seguir:
Também pode haver uma sequência de substantivos colocados juntos, sem que
estejam destinados a modificar o outro. Por exemplo, em expressões como "In-
ternacional Educação Centro”, temos apenas uma sequência de substantivos sem
quaisquer modificações gramaticais entre eles. Não é um "Centro de Educação,
que é Internacional" ou um "Centro para Educação Internacional", etc., é apenas
"Internacional Educação Centro”. Em japonês, pode-se expressar isso simples-
mente como 「国際教育センタ」 (ou 「センター」). Você verá esse encadea-
mento de substantivos em muitas combinações. Às vezes, uma determinada com-
binação é tão comumente usada que praticamente se torna uma palavra sepa-
rada, sendo até listada como uma entrada em alguns dicionários. Alguns exem-
plos incluem: 「登場人物」, 「立入禁止」 ou 「通勤手当」.
Os pronomes a seguir são usados de modo geral pelos iniciantes, e existem vari-
ações que não serão abordados neste livro:
1ª PESSOA DO SINGULAR: EU
2ª PESSOA DO SINGULAR: TU
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おまえ 「お前」: usado para alguém em nível inferior.
Aliás, é oportuno mencionar aqui que os japoneses evitam usar o nome da pessoa
a quem estão se dirigindo quando possível, pois, para eles, chamar alguém pelo
nome soa bastante íntimo. Por isso, tal prática se restringe a amigos, colegas, na-
morados(as) e familiares. Em outras situações, os japoneses se direcionam pelo
título, como “chefe” “presidente”, etc. sem usar nomes. Quando isso não é pos-
sível, usam o nome (ou sobrenome) da pessoa com o sufixo apropriado.
➩ さん: serve como uma marca de respeito. Uma pessoa pode ser tratada com
este sufixo se o falante não a conhece bem e não quer ser rude, ou quando o indi-
víduo tem uma posição social mais elevada do que o falante. Praticamente nin-
guém se sentirá ofendido com esse sufixo. Meninas começam a ser tratadas com
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「さん」 ao entrarem no colegial, e os meninos, ao saírem. Obviamente, as pes-
soas podem ter experiências diferentes, mas estamos falando de uma regra de
ouro;
É comum que mulheres jovens, porém mais velhas ou mais experientes do que o
falante, sejam tratadas por "irmã mais velha" [「おねえさん」 (お姉さん)], prin-
cipalmente no círculo familiar Da mesma forma, “irmão mais velho” [「おにさ
ん」 (お兄さん)] é usado para homens.
Um homem que pertença a uma geração anterior a do falante pode ser tratado
como “tio” [「おじさん」 (伯父さん)], e quando se trata de uma mulher,"tia" [「
おばさん」 (伯母さん)]. Note que "tia" não é aceitável para muitas mulheres jo-
vens, porque elas sentem que isso implica uma figura bastante matrona. Os
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termos "pai" [「おとうさん」 (お父さん)] e "mãe" [「おかあさん」 (お母さん)]
são raramente usados e os homens e mulheres desta geração são geralmente tra-
tados como “tio” e “tia”. No entanto, é comum tratar pessoas idosas como “avô”
[「おじいさん」 (お祖父さん)] e “avó” [「おばあさん」 (お祖母さん)].
NOTAS:
2. Sufixos também podem ser combinados de uma forma mais ou menos lúdica,
como "Chama-" (chan + sama), como em "OBAA-Chama", que é ao mesmo tempo
afetuoso e respeitoso.
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NOTA: outra palavra para “esposa” é 「かない」 (家内), mas é considerada po-
liticamente incorreta, porque os Kanjis utilizados são "casa" e "dentro", o que im-
plica que as mulheres fiquem dentro de casa. Amém! (Brincadeirinha)
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4. NÚMEROS
Há duas maneiras de escrever os números em japonês: em algarismos arábicos
(1, 2, 3), ou em algarismos chineses (一, 二, 三). Os algarismos arábicos são mais
frequentemente usados na escrita horizontal, e os números chineses são mais co-
muns na escrita vertical. Uma das particularidades do sistema numérico japonês
e que pode tornar a conversão difícil, é que, seguindo a tradição chinesa, grandes
números são criados pelo agrupamento de dígitos em miríades (a cada 10.000)
em vez dos milhares ocidentais (1.000), portanto, possuem quatro dígitos. Ob-
serve:
Com relação à leitura, a maioria dos números tem duas leituras, uma derivada
do chinês, usada para números cardinais, e uma leitura nativa, usada para nú-
meros ordinais, apesar de existirem algumas exceções em que a versão japonesa
é a preferida para ambos.
Seguindo a tabela acima, por exemplo, o número 632, seria representado assim:
Ou seja, o número 632 vem da soma (600 + 30 + 2). Perceba como sempre vamos
da ordem maior para a ordem menor.
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Veja que, se considerarmos a maior ordem que compõe o número em questão,
começaremos pela unidade de milhar, que temos 2, ou seja, 2.000. Depois, a or-
dem seguinte é a centena, que não temos nenhuma, bem como a dezena que tam-
bém não temos. Finalmente, na primeira ordem temos 9 unidades. Sendo assim,
somando-se as ordens, 2.009 é (2.000 + 0 + 0 + 9). Tendo estes conceitos em mente,
será muito fácil você entender a lógica dos números japoneses.
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Simples, não é mesmo? Agora, para formar os números de 20 a 90, basta “contar
os dez”. Por exemplo, 20 é “dois dez” (2x10) e assim por diante:
E se quiser dizer, por exemplo, 21, basta pensar que este número nada mais é do
que (20 + 1). Assim, temos:
Para formar números de 100 a 999, basta “contar os cens”. Por exemplo, 200 nada
mais é do que “dois cens” (2 x 100), e assim por diante:
Para formar números de 1.000 a 9.999, basta contar os milhares. Por exemplo,
2.000 são “dois mil” (2 x 1.000):
Para os demais números, o conceito é o mesmo que vimos para o número 283.
Por exemplo, veja como fica o número 2.283:
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2.283 = にせんにひゃくはちじゅうさん (2.000 「にせん」 + 200 「にひゃく」 +
80 「はちじゅう」 + 3 「さん」)
No sistema ocidental, após chegar a 1.000, basta multiplicar 1.000 por 1.000 para
saber qual a próxima ordem. Assim, 1.000 (mil) → [1.000 x 1.000] = 1.000.000 (mi-
lhão) → [1.000.000 x 1.000] = [Link] (um bilhão), etc. No sistema japonês,
fazemos este cálculo depois de ter passado para 10.000, ou seja, devemos multi-
plicar por 10.000 para saber qual a próxima ordem. Tendo isso em mente, observe
a tabela abaixo:
Para formar números maiores, basta seguir os conceitos que aprendemos até
agora. Veja os exemplos a seguir:
245.352.476 = におくよんせんごひゃくさんじゅうごまんにせんよんひゃくなな
じゅうろく(200.000.000 「におく」 + 45.350.000 「よんせんごひゃくさんじゅ
うごまん」 + 2.000 「にせん」 + 400 「よんひゃく」 + 70 「ななじゅう」 +
6 「ろく」 ). → [4.535 x 10.000 = 45.350.000]
11 = 十一
35
33 = 三十三
NOTA: se você ainda tiver alguma dificuldade com os números japoneses, acesse
este conversor de números: [Link] (em inglês).
A língua nativa japonesa possuía seus próprios números antes da influência dos
chineses, porém só tinha meios para a contagem até 99.999. Vejamos os números
nativos:
Em japonês, contar objetos é um pouco mais difícil, porque não podemos usar
somente o número e o objeto a ser contado, como fazemos em português (ex. dois
cachorros). É necessário usar os “contadores” e isso vale para virtualmente todos
os substantivos japoneses.
O que tornará ainda mais difícil é que os contadores variam de objeto para objeto,
então, você terá que memoriza-los. Isso por que no japonês antigo, ao se atribuir
um contador, basicamente se considerou a aparência externa dos objetos, e eles
são contados de acordo com uma ou outra característica.
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A utilização dos contadores provavelmente começou no Período Nara, devido à
influência chinesa, pois a língua japonesa, assim como a língua chinesa, é defici-
ente em diferenciar singular e plural. Então, começou-se a empregar certos ele-
mentos que, anexados aos objetos a serem contados, expressavam a ideia de que a
unidade de tal objeto era repetida “X vezes”.
Para melhor entendermos este modo de pensar dos japoneses, achamos que será
conveniente usarmos o conceito de substantivo incontável da língua inglesa. Os
falantes de inglês entendem que algumas coisas não podem ser contadas direta-
mente. Os substantivos que se referem a estas coisas são chamados de substanti-
vos incontáveis (uncount nouns). Os substantivos incontáveis não são usados
com números. Por exemplo, “money”não se conta: one money, two moneys. O
que se conta é a moeda: one dollar, two dollars. No caso das comidas e líquidos,
o que se conta é o recipiente: a cup of coffee (um copo de café), a glass of water
(um copo de água), three loaves of bread (três fatias de pão), four bars of choco-
late (quatro barras de chocolate).
Neste sentido, você pode considerar praticamente que todos os substantivos ja-
poneses são incontáveis, necessitando, portanto, de uma unidade que permita a
medição de sua quantidade. Por exemplo, “dois cachorros” em japonês será [「
にひきのいぬ」 (二匹の犬)]. Veja como 「にひき」 passa a ser um atributo do
substantivo 「いぬ」 e uma tradução aproximada poderia ser algo como “Ca-
chorro em (quantidade de) dois animais pequenos”. Seria mais ou menos como
dizer em português “café em dois pacotes (dois pacotes de café).”, onde “pacote”
exerceria a função de um contador, isto é, uma unidade para contar a quantidade
de café.
37
Alguns dos contadores mais comuns podem substituir os menos comuns. Por
exemplo, 「ひき」 é muitas vezes usado para os animais, independentemente de
seu tamanho. No entanto, muitos falantes irão preferir usar o contador correto 「
とう」 quando estiverem falando de animais grandes, como cavalos. Isso gera
uma série de contadores possíveis, com diferentes graus de uso e aceitabilidade.
Por exemplo, quando alguém pede um kushikatsu, é possível que peçam dizendo
「ふたくし」 (二串) – dois espetos –, 「にほん」 (二本) – dois palitos –, ou 「ふ
たつ」 (二つ) – dois itens. Aqui apresentamos uma ordem decrescente de preci-
são.
38
5. VERBOS E ADJETIVOS-I
Um “verbo” é toda palavra que transmite ideia de ação ou estado. Para fins de
ilustração, observe os modos e tempos verbais que a língua portuguesa possui:
Para ilustrar essa facilidade da língua japonesa com relação aos verbos, para fins
meramente didáticos e que explicaremos depois, vamos fazer de conta que no
português também seja assim (seria uma maravilha, não é mesmo?), ou seja, ima-
gine que “na língua portuguesa há só dois tempos verbais básicos e que os verbos
não flexionam de acordo com o sujeito”.
Agora que entramos no mundo do “faz de conta”, imagine que a forma não pas-
sada seja o verbo na forma infinitiva e a forma passada seja a terceira pessoa do
pretérito perfeito. Assim, a nossa conjugação imaginária, tomando como exem-
plo o verbo “beber” seria:
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Como a língua japonesa não possui os tantos modos e tempos verbais que exis-
tem na língua portuguesa, tenha sempre em mente que muitas vezes nos depa-
raremos com ambiguidades. Haverá casos em o que o modo e tempo verbal de
uma construção específica a serem considerados quando traduzida para outro
idioma, se dá pelo uso prático da língua, adquirindo, assim, um sentido próprio.
A única coisa que precisará ser feita para tornar a sentença gramaticalmente com-
pleta é um verbo e nada mais! Entender esta propriedade fundamental é essencial
para compreender o japonês. Este é o motivo de mesmo a mais básica sentença
japonesa não poder ser traduzida para o português! Todas as conjugações come-
çarão a partir da forma do dicionário (como elas aparecem no dicionário). Uma
sentença gramaticalmente completa, por exemplo, é 「食べる」 (traduções pos-
síveis incluem: Eu como/ele(a) come/eles(as) comem).
PRINCÍPIO 2: com exceção dos irregulares, todo verbo é composto por duas par-
tes: uma invariável e outra variável, que é aquela que sofrerá alterações nas con-
jugações.
· Eu canto
· Tu cantas
· Ele canta
· Nós cantamos
· Vós cantais
40
· Eles cantam
Veja que a parte CANT- permanece inalterada em todas as flexões que o verbo
sofre, e o que muda é tão somente o que se segue depois dele, isto é, a terminação.
Na língua japonesa, as diferentes flexões que um verbo pode ter são denomina-
das “BASES” e há tão somente seis bases de conjugação. Aprendê-las é um passo
fundamental para o domínio das classes de palavras que são flexionadas no ja-
ponês, embora infelizmente costumam ser deixadas de lado nos cursos conven-
cionais. Nós vamos nos referir a essas bases por seus nomes em japonês. Observe:
1. Mizenkei: é a base que, salvo exceções que veremos mais adiante, é utilizada
para formas verbais que expressam fatos que ainda não ocorreram;
5. Kateikei: é a base usada com partículas que dão noção de algo hipotético, como
em “se isso acontecer...”. No Japonês Clássico e especialmente no Antigo, era uti-
lizada como uma base para ações concluídas, fato que ainda deve ser considerado
em algumas construções arcaicas específicas;
A. Grupo I: a terminação da base “passa” por quase todas as vogais. Vamos pegar
como exemplo o verbo “falar”, que em japonês é 「はなす」:
41
Veja como as terminações (em vermelho) passam por quase todas as vogais na
ordem japonesa, isto é, “A -I -U -E – O”, diferentemente do português, em que se
segue o padrão de vogais “A – E – I – O – U”.
Os verbos do Grupo I podem ter nove terminações infinitivas. São elas: 「う」,
「く」, 「す」, 「つ」, 「ぬ」, 「む」, 「る」, 「ぐ」 e 「ぶ」. Vejamos um
quadro com exemplos:
Agora, baseados nas possíveis terminações, vejamos como ficam as bases de con-
jugação (considerando-se somente a terminação da forma infinitiva e suas mu-
danças):
B. Grupo II: são os verbos cuja parte invariável termina com a letra I e a parte
variável, RU. Vejamos alguns exemplos:
42
Agora, vejamos o padrão de bases deste grupo, tomando como exemplo o verbo
「おちる」(落ちる), que significa “cair”:
C. Grupo III: são os verbos cuja parte invariável termina com a letra E e a parte
variável, RU. Vejamos alguns exemplos:
43
ENTÃO, COMO SABER A QUAL GRUPO PERTENCE UM VERBO NESSES
CASOS?
Para diferenciar precisamos considerar fatos históricos, que neste livro não ire-
mos abordar. Entretanto, como regra geral (existem exceções!), um verbo do
Grupo II ou do Grupo III terá a sílaba I ou E escrita em Kana. Veja alguns exem-
plos:
D. Irregulares: os verbos irregulares são assim chamados, porque suas bases não
seguem o padrão das outras classes verbais. Felizmente, há apenas dois verbos
irregulares na língua japonesa. São os verbos 「する」, que basicamente signi-
fica “fazer(-se)” e 「くる」(来る), cujo significado é “vir”. Vejamos as respectivas
bases:
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Com relação ao verbo 「する」 mencionamos que ele basicamente significa “fa-
zer(-se)”, porque, na verdade, ele possui diversos significados (o [Link] aponta
pelo menos 10!!). Dentre eles estão “agir como”, “vestir” e “considerar”. Qual
significado considerar depende da construção e do contexto.
飲め! = Beba!
書け!= Escreva!
II. Verbos dos Grupos II e III: é formada anexando-se 「ろ」 ou 「よ」 à parte
invariável do verbo:
見ろ!= Veja!
食べよ! = Coma!
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A Base Ren'youkei de um verbo pode funcionar como um substantivo. Na ver-
dade, em casos muito raros, ela acaba sendo usada mais frequentemente do que
o verbo em si. Por exemplo, temos o verbo 「休む」(やすむ), que significa
“descansar”. Se pegarmos sua base Ren’youkei, isto é, 「休み」, teremos o subs-
tantivo “descanso”.
Vale lembrar que você não poderá usar este processo em todos os verbos (no
sentido de obter um significado de substantivo relacionado ao verbo). Também,
existem muitas combinações de verbos (Base Ren’youkei + Base Ren’youkei) que
são utilizadas principalmente como substantivos. Vejamos alguns exemplos:
46
➩ 「詰め物」 (つめもの): enchimento, recheio, incluindo a obturação de um
dente cariado (proveniente do verbo 「詰める」 (つめる) = comprimir);
NOTA: não confunda 「物」 (もの) = coisa com 「者」 (もの) = pessoa, usado
para se referir a si mesmo ou a pessoas próximas.
Algumas formas substantivas de verbos podem ser usadas como sufixos. Por
exemplo, 「付き」, proveniente do verbo 「付く」, que significa “estar anexado
a”, pode ser colocado em um substantivo [X] para expressar que algo está ane-
xado a [X]. Sendo assim, 「カメラつき... 」, significa, em uma tradução menos
literal, “[algum equipamento, dispositivo] que contenha uma câmera”, como um
smartphone (smartphone com câmera).
Outra particularidade dos verbos japoneses é que há alguns verbos (que chama-
remos de “suplementar”) que podem ser anexados a outros para ampliar seu sig-
nificado. Por exemplo, o verbo 「だす」(出す), que significa “tirar”, ao ser ane-
xado a outro verbo (no caso, à base Ren’youkei), transmite o significado de “co-
meçar a...” (「食べだす」= começar a comer).
Note que ambas as ações são expressas pelo mesmo verbo, neste caso o verbo
“quebrar”. Na primeira oração, ele é transitivo direto e na segunda, intransitivo.
O que permite classificar um verbo como transitivo ou intransitivo é o contexto
da frase. No caso, a forma como a frase foi construída, pois o verbo não sofre
alteração em sua ortografia, ou seja, ele é escrito da mesma forma tanto em frases
nas quais ele é transitivo como nas que ele é intransitivo – mas lembre-se de que
alguns verbos da língua portuguesa são, por natureza, transitivos (pegar, remo-
ver...) e outros, intransitivos (morrer...).
47
Em japonês, embora haja também verbos que são transitivos por natureza,
como 「殺す」 (matar), e outros que são intransitivos, como 「死ぬ」 (morrer),
há alguns verbos que possuem duas formas diferentes. A diferença entre as duas
formas do mesmo verbo está no fato de que uma expressa que a ação é imposta
por um agente ativo sobre algo ou alguém, necessitando, portanto, de um objeto
direto, enquanto a outra forma, exprime uma ação que ocorre sem agente direto,
ou seja, espontaneamente.
Por hora, apenas tenha em mente que há verbos que possuem duas formas
quanto à transitividade. Observe a tabela abaixo:
Por fim, tratemos dos Adjetivos-I. Você deve estar se perguntando o motivo de
abordá-los juntamente com os verbos. A resposta é simples: é por que eles funci-
onam de forma semelhante aos verbos!!
Como assim? Para que você entenda usemos a língua portuguesa: você concorda
que, por exemplo, se quiséssemos expressar a grandeza (tamanho) de uma casa
poderíamos dizer tanto (1) “casa grande” ou (2) “casa que é grande”? A diferença
aqui é tão somente a presença de um verbo entre o substantivo e o adjetivo
“grande” em um dos casos.
48
Assim como os verbos, os Adjetivos-I possuem uma parte invariável e uma parte
variável, que tão somente a terminação 「い」. A única diferença é que original-
mente cada Adjetivo-I possui dois conjuntos de bases.
Para melhor explicar isso, teremos que fazer uma abordagem histórica, inevita-
velmente.
Concluímos que houve uma mudança sonora no último fonema 「き」 da base
Rentaikei do conjunto く em ambos os casos, fato este que deu origem às formas
49
modernas dos Adjetivos-I. Sendo assim, os que eram do tipo Shiku atualmente
terminam em 「~しい」 e os que eram do tipo Ku, em 「~い」.
Veja que se usa a base Rentaikei dos Adjetivos-I para se atribuir algo à outra
coisa. Consequentemente, por lógica é natural pensar que é possível usar verbos,
já que eles também possuem base Rentaikei. Considere a seguinte oração em por-
tuguês:
A oração acima pode não fazer muito sentido, mas o importante aqui é que você
perceba que o fragmento “que morre.” descreve o tipo de pessoa da qual estamos
falando. Em japonês, podemos construir esse tipo de oração usando a base Ren-
taikei dos verbos, a fim de fazer com que eles modifiquem diretamente outro
termo:
E isso vale para qualquer forma verbal, que aliás, nós veremos mais adiante.
50
6. PARTÍCULAS
Embora haja muitos pontos gramaticais difíceis que um estudante deve dominar,
as partículas merecem uma atenção especial. Partículas são um ou mais caracte-
res do alfabeto Hiragana que são anexados sempre ao final de uma palavra basi-
camente para definir a função gramatical desta palavra dentro da sentença. Uma
pessoa pode ter um grande conhecimento de vocabulário e de conjugação verbal,
mas se não souber utilizar corretamente as partículas, ela não conseguirá cons-
truir sentenças como espera, porque o significado da oração pode ter um sentido
completamente diferente. Por exemplo, a sentença “Come peixe.” pode transfor-
mar-se em “O peixe come”, por causa da mudança de uma partícula, apenas.
A. Partícula Simples: são as partículas de “per si”, isto é, sem nenhum comple-
mento.
Feita essa rápida introdução sobre as partículas, vamos comer a estudar as mais
básicas. A primeira partícula que aprenderemos é a “partícula de objeto direto”,
porque é uma partícula bem simples. Em gramática, “objeto” se refere à coisa
física ou abstrata para a qual se dirige a ação descrita por um verbo. Considere-
mos a sentença em português:
COMER A MAÇÃ.
Nesta oração, a ação expressa pelo verbo “comer” é direcionada a um objeto, isto
é, a “maçã”. Repare como este elemento serve como complemento do significado
do verbo.
51
Vamos fazer uma associação: imagine que temos uma caixa e uma bola; a bola
representa o verbo e a sua embalagem (caixa) – para onde se direciona esta bola
–, o objeto. Assim temos:
Vimos que a base Ren’youkei dos verbos pode ser usada como um substantivo
regular. Contudo, observe a frase a seguir:
Embora, a sentença faça sentido, ninguém fala desse jeito. Portanto, não use este
recurso de modo indiscriminado.
52
Bem, a maioria dos verbos tem um objeto direto, mas esta ação posta em prática
(verbo + objeto direto) pode ter também um destinatário. Considere a associação
que fizemos no tópico anterior, na qual a bola representa um verbo e a caixa, o
objeto direto. Agora, temos um pacote que pode ter um destinatário ou não. Bem,
se levarmos em conta que queremos dá-lo de presente a alguém, é aqui que a
partícula 「に」 entra em ação, pois ela pode especificar o destino desse pacote,
isto é, de uma ação (verbo + objeto direto). Como forma de memorização, neste
uso de 「に」, você pode considerar que está implícito o sentido de “ter como
alvo [algo]”. Para exemplificar, observe o próximo exemplo:
Neste exemplo, indica-se que o aluno é o alvo da ação “ensinar japonês”. Enfati-
zamos a uma ação como sendo o verbo e seu objeto direto, mas é claro que pode-
mos omitir o objeto, se ele estiver subentendido pelo contexto:
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Falando especificamente da segunda oração, se pensássemos em português pri-
meiro, certamente construiríamos 「友達を会う」. Entretanto, perceba que, dife-
rentemente do português, em que “encontrar” requer um objeto direto, em japo-
nês, isso não acontece, pois 「会う」 é um verbo intransitivo e, por isso, a partí-
cula 「に」 é usada. Vamos consultar o “[Link]” para confirmar:
Vimos que a partícula 「に」 marca o destino de uma ação. Entretanto, ela pode
também aparecer fazendo o inverso, isto é, marcando a origem de algo:
54
日本へ行く。= Ir em direção ao Japão.
Note que não podemos usar a partícula 「へ」 com verbos que não têm direção
física. Por exemplo, a sentença seguinte está incorreta:
Mas isso não quer dizer que a partícula 「へ」 não possa ir em direção a algum
conceito abstrato. De fato, por causa de seu significado vago, pode ser usada tam-
bém para se falar sobre ir em direção a expectativas ou metas futuras.
Finalmente, vimos no tópico anterior que é possível usar a base Ren’youkei dos
verbos como alvo de um verbo de movimento por meio da partícula 「に」. Isso
implica que você está indo ou vindo com o propósito de fazer algo. Se usássemos
a partícula 「へ」 isso soaria que você está indo ou vindo em direção a algo lite-
ralmente, o que é meio estranho:
Muito bem, até aqui tudo muito simples, não é mesmo? Entretanto, você reparou
o quanto as frases de exemplo estão ambíguas? Lembre-se que quando tratamos
dos verbos, para ilustrar a escassez de tempos e modos verbais na língua japo-
nesa, pedimos para você fazer de conta que no português também fosse assim
(seria uma maravilha, não é mesmo?), ou seja, imaginasse que “na língua portu-
guesa há só dois tempos verbais básicos e que os verbos não flexionam de acordo
com o sujeito”. E propusemos o seguinte quadro:
“Se na língua portuguesa, os verbos fossem conjugados dessa maneira, como sa-
beríamos de quem se está falando, se todas as flexões são iguais, independemente
do sujeito?”
55
Bem, a primeira resposta que deve ter vindo a sua mente é “com base no sujeito”,
ou seja, se estivesse escrito “Os cachorros beber água”, é de cachorros que esta-
mos falando.
Veja como numa língua em que os verbos não são flexionados de acordo com o
sujeito, o sujeito é de extrema importância para saber do que se está falando. Tal-
vez por isso, por exemplo, é que na língua inglesa formal toda oração deve ter
um sujeito explícito, PORÉM, em japonês é diferente: mesmo os verbos não fle-
xionando de acordo com o sujeito, não é obrigatório ter um sujeito explicito.
Pode-se dizer tão somente “Beber o suco” e tudo está certo. Entretanto, como
saberíamos do que estão falando, já que isso soa muito vago? É aqui que entra
uma segunda resposta possível...
Bem, na língua japonesa existem várias maneiras e todas elas envolvem fazer su-
posições a partir do contexto. Por exemplo, se de repente eu perguntasse a você:
EU: ジュースを飲む?
Você suporia que estou perguntando se VOCÊ beberá o suco, porque não estou
falando de outra pessoa. Então, você poderia responder:
VOCÊ: ジュースを飲む。
Com isso, eu iria supor que você está falando DE SI MESMO, porque eu acabei
de lhe fazer uma pergunta e agora sei que você beberá o suco. Da mesma forma,
se por acaso estivéssemos falando de Midori quando eu lhe fiz a pergunta, você
provavelmente pensaria que eu estivesse perguntando se MIDORI beberá o suco,
porque é dela que nós estávamos falando.
Se tomarmos uma língua como o japonês, na qual o assunto é tão fortemente ba-
seado no contexto, precisamos ser capazes de identificar algumas coisas. En-
quanto fazer suposições a partir do contexto funcionaria no caso de perguntas e
respostas simples, algo mais complicado, em breve se tornaria uma bagunça, já
que todo mundo começaria a perder a noção de quem ou do que estão falando.
Portanto, temos de ser capazes de dizer ao ouvinte quando queremos mudar o
assunto atual, alertando-o mais ou menos assim: "Ei, eu vou falar sobre isso
agora. Portanto, não suponha que eu ainda esteja falando sobre a coisa an-
tiga”. Isto é especialmente importante quando se inicia uma nova conversa e você
precisa dizer ao ouvinte do que você está falando. Isto é o que a partícula 「は」
faz; introduz um tópico diferente do atual, delimitando o restante da sentença a
este novo tópico. Por essa razão, é também referida como a "partícula de tópico".
Você pode pensar que 「は」 tem o sentido de “falando de (assunto)”.
56
VOCÊ: ジュースを飲む。= EU beberei o suco.
Observe como, uma vez que eu que eu estabeleci “Midori” como o novo tópico,
a conversa está limitada a ela e, por isso, podemos continuar a assumir que esta-
mos falando sobre “Midori” até que alguém altere o tópico novamente.
Você correrá o risco de fazê-lo pensar “puxa, e as outras, você não apreciou?”, já
que a sentença está limitada a “esta noite”. Perceba que até em português isso
soaria ambíguo.
Mas infelizmente as coisas não são tão simples assim. Existe a partícula 「が」,
que é extremamente confundida com a partícula 「は」. Existem muitos artigos
(e até livros inteiros!) que buscam apontar as diferenças entre essas duas partícu-
las e esse assunto parece não ter fim. Contudo, vamos tentar clarificar as coisas.
Primeiramente, dê uma olhada nos exemplos abaixo:
Devido à falta de contexto, bem tecnicamente, a tradução mais próxima para am-
bas as sentenças pode ser “Midori é estudante”. Porém, elas parecem iguais, so-
mente, por que não é possível expressar em português a informação, o contexto
tão claramente como é possível algumas vezes em japonês. A lição mais impor-
tante aqui é ter em mente a diferença entre falar sobre algo e especificar algo. Na
afirmação (A), uma vez que 「みどり」 é o assunto da frase, a sentença significa:
"Falando sobre ‘Midori’, Midori é uma estudante". Já na sentença (B), 「みどり」
está especificando quem é o “estudante” 「学生」. Se quisermos saber quem é o
“estudante”, a partícula 「が」 nos informa: o estudante é “Midori” 「みどり」
.
57
Imagine a oração em português “Falando de praia, a água está imprópria para
banho”, no qual podemos dizer que “praia” é o tópico. O que será dito a seguir
está girando em torno de “praia”, mas não necessariamente precisamos falar es-
pecificamente de “praia” (no exemplo, seguimos o tópico “praia” afirmando que
a “água” que está imprópria para banho). Sendo assim, se em português preci-
sássemos usar a partícula de tópico, ficaria assim:
Veja como o tópico nos dá uma amplitude maior, pois, de novo, não necessaria-
mente precisamos falar dele especificamente, mas podemos estender nossa afir-
mação a algo relacionado a ele ou mesmo subentendido pelo contexto. Por outro
lado, a partícula 「が」 é muito limitadora, específica, restrita ao elemento que
ela segue. Por essa razão, se tivéssemos Praia が, o que fosse dito a seguir se apli-
caria ao elemento “praia” especificamente (e somente a ele). Poderíamos afirmar,
por exemplo, que a praia é bonita, a praia está cheia, etc. e só. Nada de afirmar
outra coisa que não seja especificamente se referindo ao elemento “praia” (como
seria possível com a partícula 「は」, com a qual falamos sobre “praia”, mas afir-
mamos algo sobre “água”).
58
Agora, vejamos um exemplo de aplicação da partícula 「が」:
Nos livros convencionais se costuma indicar que 「は」 é usado para se introdu-
zir coisas conhecidas à conversa ao passo que 「が」 é usado para coisas desco-
nhecidas. Tal diferenciação é simplista, mas tem sentido se considerarmos tudo
que vimos até aqui neste tópico. Perceba que 「は」 carrega certa ambiguidade
sem um contexto subentendido na cabeça de quem recebe a informação. Por
exemplo, suponhamos que queremos introduzir um novo personagem – Midori
– em uma história:
A) 学生はみどり。
B) 学生がみどり。
Até aqui aprendemos a indicar o objeto direto, tópico, objeto indireto... mas e
para indicar, por exemplo, o local onde algo ocorre?
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é comum se ensinar que se deve usar 「に」 para indicar o local de verbos de
estado (existir, morar, etc), enquanto 「で」, para verbos que expressam ação
(comer, dormir, falar, etc.), mas parece que as coisas não são tão simples assim.
Segundo o site “Nihon Bunka Kenkyuukai”, com 「に」 foca-se o lugar, en-
quanto que com 「で」, o foco está na ação. Observe os exemplos:
“§ [Link]. (...) “Nós brincamos no parque” e “As facas estão no armário” usam a
mesma preposição “no”. Em japonês, são duas coisas bem diferentes: a primeira
sentença se concentra em um evento, enquanto a segunda se concentra em um
local. Consequentemente, a primeira sentença requer 「で」, enquanto que a se-
gunda usa outra partícula, 「に」”.
Note que “para além” é bem indeterminado, entretanto, como se trata de uma
localização, 「に」 é usada.
60
Também, há verbos que só aceitam uma dessas partículas. Por exemplo, o verbo
「働く」 tem sua localização indicada por 「で」. Já o verbo 「務める」, por 「
に」.
Objeto direto, tópico, objeto indireto, local, modo... ainda podemos ampliar nosso
poder de comunicação com mais partículas simples. Vamos apresentar agora a
partícula 「も」, que essencialmente tem o sentido de adição (atribui-se o signi-
ficado “também”). Seu uso será melhor explicado nos exemplos abaixo:
Repare que ao incluir a partícula 「も」, Midori precisa ser coerente na resposta.
Não faria muito sentido ela dizer "Eu sou uma estudante, e Hiroshi também não
é um estudante." Em vez disto, Midori poderá usar a partícula 「は」 para remo-
ver o sentido adicional da inclusão, como demonstra o próximo exemplo.
Já que estamos tratando de adição, vamos nos focar nas partículas 「と」 e「や
」. Basicamente, a partícula 「と」 é semelhante à 「も」 na medida em que
contém um significado de inclusão. Ela pode combinar dois ou mais substantivos
juntos para significar "e":
「と」 também indica que uma ação que foi feita em conjunto com alguém ou
alguma outra coisa:
Neste exemplo o termo “tempos antigos” 「昔」 está sendo posto em compara-
ção com algo (neste caso, subentende-se “o mundo atual”). A partícula 「は」
aqui está apenas enfatizando.
61
A partícula 「や」, assim como 「と」, é usada para listar um ou mais substan-
tivos, com a diferença que ela é muito mais vaga. Isso implica que pode haver
outras coisas que não estão listadas e que nem todos os itens da lista podem ser
aplicados. Em português, você pode pensar nisso como uma lista do tipo "e / ou,
etc.":
Por fim, neste tópico básico sobre partículas, convém mencionar que existem as
partículas de final de sentença. Sua função básica é indicar a atmosfera da oração,
isto é, seu tom (dúvida, emoção, alegria, certeza...). Além disso, algumas partícu-
las também distinguem o discurso masculino do feminino.
Ressaltamos que a oração acima, tecnicamente, não é uma pergunta em si. É uma
afirmação com ar de dúvida. O contexto é que indicará como devemos interpretar
esse tipo de oração.
Isto soa muito suave e feminino. Na verdade, os homens adultos quase sempre
adicionarão um declarativo (veremos no próximo tópico). No entanto, esse
mesmo 「の」 em questões não carrega um tom feminino e é usado tanto por
homens e mulheres:
62
As pessoas costumam acrescentar 「ね」 ao fim de sua sentença quando estão
procurando (e esperando) acordo para o que estão dizendo. Seria como dizer em
português, “não é?”, “correto?”:
Você pode usar 「な」 no lugar de 「ね」 quando achar que 「ね」 soará
muito suave e reservado para algo que você dizer ou para o público a quem você
está falando. O som áspero de 「な」 geralmente se aplica ao sexo masculino,
mas não é necessariamente restrito aos homens:
63
7. FORMAS VERBAIS
Antes de iniciarmos o estudo das formas verbais propriamente dito, algo que de-
vemos ter sempre em mente é que com o passar do tempo, o linguajar cotidiano
tende a mudar a pronúncia das palavras, sendo ele, portanto, uma das maiores
influências nas mudanças que ocorrem na escrita. Dificilmente se escreve como
se fala, pois cronologicamente a linguagem caminhou (e ainda caminha) da fala,
para escrita, não o inverso.
64
Chamamos a regra apresentada de básica, porque ao longo do tempo na língua
coloquial do japonês padrão, mudanças sonoras (fenômeno chamado
tecnicamente de “Onbin”; em Português, “Eufonia”) foram padronizadas para os
verbos do Grupo I na forma TE e derivados, exceto para os terminados em 「す
」. Podemos dividir essas alterações em quatro grupos considerando-se a
terminação da base Ren’youkei + TE. Obeserve:
Para expressar a forma passada, usamos o verbo auxiliar 「た」. Como ele é de-
rivado da partícula 「て」, segue o mesmo padrão, tanto na regra básica, quanto
nas contrações sonoras para os verbos do Grupo I:
65
Observe a regra sendo aplicada:
Bom, e como fica a forma negativa? Usamos o verbo auxiliar 「ない」, que é fle-
xionado como um Adjetivo-I. Por hora, vejamos a regra de construção da forma
negativa não-passada dos verbos:
66
Observe o quadro com os exemplos:
No Japonês Clássico, o verbo auxiliar 「ず」 era anexado à base Mizenkei de ver-
bos para expressar negação. Ele tinha três conjuntos de bases (vamos nos referir
a eles pela base Ren’youkei):
Com relação ao verbo 「する」, quando usarmos esses auxiliares clássicos deve-
mos usar a base Mizenkei clássica 「せ」 e não 「し」:
67
日本語を勉強する。= Estudar japonês → 日本語を勉強せず。= Não estudar ja-
ponês.
68
FORMA TE NEGATIVA
Existe outra forma verbal que não é explicada satisfatoriamente pelos livros con-
vencionais. Nós a chamaremos de “Forma MU”, contudo para compreendê-la
novamente teremos que fazer uma abordagem histórica.
69
O verbo auxiliar 「む」 era anexado à base Mizenkei dos verbos. Sendo assim,
por exemplo, 「話さむ」, podia significar (considere “ele” como sujeito):
Poderíamos dizer que 「む」 é ainda largamente usado no japonês moderno, po-
rém sob “nova aparência”. Isso por que, devido a mudanças sonoras, 「む」 tor-
nou-se apenas 「う」. Veja como exemplo, o verbo 「なる」:
70
posteriormente, o fragmento 「~ほう」 passou a ser pronunciado 「~おう」.
Então, a evolução da forma MU do verbo clássico 「かなふ」, por exemplo, seria:
Com relação aos verbos dos Grupos II e III, temos o final 「よう」 anexado à
Base Mizenkei. Vejamos:
71
Com relação aos Adjetivos-I, era possível construir a Forma MU. A única ressalva
a se fazer é que 「む」 era anexado à base Mizenkei do conjunto Kari. De resto,
tudo era igual aos verbos:
Com relação à forma negativa, no japonês atual devemos anexar 「まい」 à base
Shuushikei:
Supondo que você já tenha assimilado tudo o que foi explicado neste tópico, se-
guem dois quadros-resumo das formas que vimos:
72
73
8. MAIS SOBRE OS VERBOS
Uma das principais funções da Forma TE é conectar orações. Observe o quadro
abaixo:
Esta prática de usar a partícula 「て」 para conectar orações, no entanto, é utili-
zada apenas na linguagem cotidiana. Discursos formais, narração e publicações
escritas empregam a base Ren’youkei em vez da forma TE para descrever ações
sequenciais. Particularmente, artigos de jornal (ou mesmo cantores), por questões
de brevidade, preferem a base Ren’youkei à forma TE:
NOTA: como a partícula 「て」 é muito versátil, pode transmitir significados di-
versos de acordo com o contexto (pelo menos na tradução para o português).
Algo muito comum no japonês falado é terminar uma oração com o verbo na
forma TE. Veja o exemplo abaixo:
「あげる」 e 「くれる」 significam “dar” e o uso desses dois verbos pode con-
fundir alguns estudantes iniciantes. Para apontarmos a diferença, observe a ilus-
tração a seguir:
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Ao observarmos o desenho, percebemos que, se partimos do ponto de vista do
falante, toda a ação de dar a outros vai para cima em direção ao resto do mundo,
enquanto toda ação de dar feita pelos outros vai para baixo em direção ao falante.
Você deve usar 「あげる」 quando VOCÊ estiver dando algo ou fazendo algo
para alguém (a pessoa sempre estará acima de você). Observe os exemplos:
Para expressar a concessão de um favor (verbo) seu, você deve usar sempre 「あ
げる」 como verbo suplementar anexado à Forma TE:
Você deve usar 「くれる」 quando UM TERCEIRO está dando algo ou fazendo
algo a você (efetivamente, o oposto de 「あげる」). Observe os exemplos:
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Relembrando, a Base Rentaikei é utilizada para conectar elementos invariáveis.
Já vimos também que na verdade se usa a base Rentaikei dos Adjetivos-I para se
atribuir algo à outra coisa. Consequentemente, por lógica, é natural pensar que é
possível usar verbos, já que eles também possuem base Rentaikei. Considere a
seguinte oração em português:
A oração acima pode não fazer muito sentido, mas o importante aqui é que você
perceba que o fragmento “que morre.” descreve o tipo de pessoa da qual estamos
falando. Em japonês, podemos construir esse tipo de oração usando a base Ren-
taikei dos verbos, a fim de fazer com que eles modifiquem diretamente outro
termo:
O segundo substantivo que que usaremos como exemplo é 「あと」, que pode-
mos traduzir como “traseira”. Ele pode ser usado quando queremos expressar
que uma ação ocorre ou deverá ocorrer após o término de outra ação. Devido a
este sentido, a ação que está a frente deve estar sempre na forma passada, pois
foi ou deverá ser completada antes da outra ação: Observe:
Veja que no momento em que Makoto vier, a ação de Hiroshi sair estará (ou de-
verá estar) concluída. Por isso, o uso de 「あと」 faz sentido, já que a ação da
oração principal estará sempre “na traseira” com relação a outra na linha do
tempo em termos de conclusão:
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Neste sentido, pode-se anexar 「で」 a 「あと」. Tal prática é a mais comum e
soa mais formal:
Enfim, são muitos os substantivos que podem ser usados dessa maneira e não é
nossa intenção fazer aqui uma lista.
Existem situações em que um verbo precisa ser tratado como se fosse um subs-
tantivo, e é aqui que entra em campo o processo de nominalização. “Nominali-
zar” significa fazer com que orações exerçam a mesma função que um substan-
tivo na dentro da frase. Para compreendermos melhor, observe o exemplo a se-
guir e preste atenção no complemento verbal:
O estudante = sujeito;
O estudante = sujeito;
Veja como o verbo “estudar” funcionou como objeto indireto da oração principal.
Pode-se dizer que estamos falando de “ato de [verbo]” (o aluno esqueceu-se do
ato de estudar). Logicamente, poderíamos completar o seu sentido:
77
A leitura é importante.
Podemos também usar a palavra 「こと」, que significa “coisa”, no lugar da par-
tícula 「の」:
78
O uso de 「の」 e 「こと」 como nominalizadores parece ser um recurso que
começou a ser adotado no Japonês Moderno, pois na língua moderna há a “regra
prática” de anexar partículas somente a substantivos ou a elementos que se com-
portem como substantivos (que é o caso aqui). Como já sabemos, na língua an-
tiga, uma prática comum para se nominalizar uma oração era usar a base Rentai-
kei simplesmente. Sendo assim, por exemplo, a oração 「学生は勉強するのを忘
れた」 seria nominalizada assim:
Veja como a partícula 「を」 é colocada logo após a base Rentaikei do verbo 「
する」 fazendo com que 「勉強する」 se torne objeto do verbo 「忘れる」. Sim-
ples, não?
Embora tal recurso seja possível gramaticalmente, não é mais praticável na vida
real. Entretanto, há algumas construções gramaticais antigas que ainda são usa-
das no Japonês Moderno que se tratam da nominalização “à moda antiga”, isto
é, através da anexação de uma partícula à Base Rentaikei.
Então, mais tarde, Hiroshi encontra Makoto e reporta o que ouviu do professor:
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Não é necessário que o verbo principal esteja logo após 「と」. Como o verbo
que se aplica à oração vem antes de qualquer outro verbo, você pode ter quantos
adjetivos, advérbios ou substantivos entre os dois:
A partícula 「と」 pode indicar que um verbo se aplica a outra oração. Para cla-
rificar, observe o exemplo a seguir:
Como forma de memorização, podemos pensar que 「と」 é como um dedo in-
dicador que aponta pra uma oração subordinada dando um sentido de “é isto
que penso”, “é isto que digo”, etc. Vejamos:
Você pode se surpreender ao saber que existe uma versão mais curta e casual de
citação, uma vez que ela já é apenas um fonema do Hiragana, 「と」. No entanto,
o ponto importante aqui é que, ao usar esse atalho casual, você pode deixar de
lado o restante da frase e esperar que o ouvinte possa entender tudo a partir do
contexto. Esta versão casual é 「って」:
「って」 ainda pode ser usado para falar sobre praticamente qualquer coisa, e
não apenas para citar algo que foi dito. Você pode ouvir 「って」 sendo usado
em praticamente qualquer lugar no discurso casual. Na maioria das vezes ele é
usado no lugar da partícula 「は」 simplesmente para trazer um tópico à con-
versa:
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まことって、すごくいい人。= Falando de Makoto, ele é uma pessoa muito boa.
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9. O ESTADO-DE-SER E OS ADJETIVOS-NA
Um dos aspectos mais complicados do idioma japonês é que não há um verbo
para se expressar o “estado-de-ser” de algo como o verbo “ser” no português (na
gramática, “cópula”). Métodos convencionais costumam atribuir ao verbo 「あ
る」 o significado “ser”, contudo, se dissermos, por exemplo, 「山ある」, a tra-
dução correta é na verdade “Existe (uma) montanha” e não “É (uma) montanha”.
Parece muito fácil. Aqui está o verdadeiro problema: um estado-de-ser pode ser
subentendido, sem o uso do 「だ」!
Bem, a principal diferença é que uma declaração afirmativa faz com que a sen-
tença soe mais enfática e convincente de modo a torná-la... bem declarativa. Por-
tanto, é mais comum você ouvir homens usando 「だ」 no fim das sentenças.
Este é também o motivo de via de regra você não poder usar 「だ」 ao fazer uma
82
pergunta, porque parecerá que está fazendo uma afirmação e uma pergunta ao
mesmo tempo.
Vamos apresentar as seis bases de 「である」, 「だ」 e 「です」 para que você
possa entender a lógica de formação dos tempos verbais da cópula 「だ」. Ob-
serve a tabela abaixo:
Nós não colocamos “(??)” à toa. Isso por que a regra estaria correta se 「ある」
não fosse irregular quando colocado juntamente com o verbo auxiliar 「ない」.
Sendo assim, 「あらない」 torna-se simplesmente 「ない」. Talvez o motivo
dessa irregularidade esteja no fato de que 「ない」 já expressa por si mesmo uma
existência nula e possivelmente os gramáticos pensaram que não haveria neces-
sidade, pois seria uma redundância, de ter uma forma negativa do verbo de exis-
tência, no caso 「ある」. Tanto que com outros auxiliares deve-se usar normal-
mente a base Mizenkei de 「ある」.
Bem, seja qual for o motivo para a irregularidade, então, a forma negativa de 「
である」 é 「でない」? A resposta é: sim e não!
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A construção 「でない」 é gramaticalmente correta, e é possível encontrar al-
guns japoneses que a usam. Porém, talvez por que a pronúncia soe muito brusca,
a partícula 「は」 é colocada entre 「で」 e 「ない」, dando origem à 「では
ない」. Pode-se, então, contrair o fragmento 「では」 para 「じゃ」, o que re-
sulta em 「じゃない」, forma casual.
II. Tempo Passado: agora, vejamos expressar o tempo passado para dizer que
algo era alguma coisa. Para tanto, tenha em mente que o passado da cópula 「だ
」 deriva do passado de 「である」. Portanto, o tempo passado é feito adicio-
nando-se o verbo auxiliar 「た」 à base Ren'youkei de 「である」. Assim, te-
mos:
「でありた」 é então contraído para 「であった」 que por sua vez é contraído
para 「だった」:
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学生じゃない = Não é estudante. → 学生じゃなかった = Não era estudante.
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A função de denotar conjectura da Forma MU para verbos em si praticamente se
perdeu no japonês moderno. Atualmente, uma das maneiras de se fazer isso é
através da Forma MU das cópulas 「だ」, 「です」 e 「である」, isto é, 「だろ
う」, 「でしょう」 e 「であろう」 respectivamente.
Perceba que quando as cópulas estão na Forma MU, podemos coloca-las direta-
mente após um verbo na forma usual, fato que não é possível quando as cópulas
estão em outras formas, a menos que se use um 「の」 explicativo, pois, como já
vimos, este tem valor sintático de substantivo:
Para uma suposição negativa, podemos simplesmente anexar uma das cópulas
na Forma MU a um verbo na negativa, como em 「食べないだろう」.
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No exemplo acima, a partícula 「の」 permitiu que transformássemos o substan-
tivo 「友達」 em um atributo do substantivo 「車」, isto é, não é de carros em
geral que estamos falando, mas sim um carro cujo atributo é “do amigo”. Perceba
que, da mesma forma que os adjetivos ou verbos usados como adjetivos, o termo
que descreve virá sempre antes.
A forma correta é:
Portanto, perceba também que assim como os Adjetivos-I, está se afirmando lite-
ralmente “Pessoa que é gentil” e não simplesmente “Pessoa gentil”. Como os Ad-
jetivos-NA não possuem parte flexionável em si, as formas verbais serão indica-
das pelas formas da cópula. Assim, por exemplo:
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Diríamos que o raciocínio tem sentido, mas tenha em mente que em línguas nem
tudo o que é possível gramaticalmente é praticável na vida real. Gramática é a
busca do homem em padronizar certos elementos semelhantes e muitas vezes
estamos diante de convenções. Em outras palavras, se decidiram que se deve usar
「な」, deixemos assim.
Note também que essas convenções acerca da gramática podem mudar de acordo
com o tempo. Afinal, o modo como o povo usa sua língua na vida concreta é
incontrolável. Tanto é verdade que há casos de Adjetivos-NA que podem ser usa-
dos com 「の」!! Provavelmente, houve um tempo em que o “povão” confundia
tanto as coisas que os gramáticos decidiram admitir essa possibilidade. Veja o
próximo exemplo:
Por fim, convém citar algumas coisas importantes sobre os Adjetivos em geral. A
palavra para "bom" era originalmente 「よい」 (良い). Porém, com o tempo,
devido à mudança de pronúncia, tornou-se 「いい」. Quando escrita em Kanji,
é geralmente lida como 「よい」, e 「いい」 aparece quase sempre em Hira-
gana. Entretanto, todas as conjugações ainda derivam de 「よい」 e não de 「い
い」. Outro Adjetivo-I que age assim é 「かっこいい」 por que é uma versão
abreviada de duas palavras unidas: 「格好」 e 「いい」. Consequentemente,
tem as mesmas conjugações. Observe o quadro a seguir:
É natural pensar que para os adjetivos existentes em nossa língua materna deva
existir um equivalente em japonês. Certamente com a maioria é assim; mas com
alguns, não. Nestes casos, a “ideia de adjetivo” nos é dada através dos verbos:
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E se, por exemplo, quisermos dizer que [A] é magro ou que [B] é gordo? De fato,
existem adjetivos propriamente ditos para "gordo" e "magro" (「太い」 e 「細い
」), mas podem soar ofensivos a um japonês. Portanto, use verbos:
まず!= É desagradável!
Bem, ambas as formas de cada adjetivo são aceitáveis. A diferença é que a versão
Adjetivo-NA soa mais poética, sendo muito comum na poesia e canções.
Em animês este padrão costuma ser usado com frequência. Em um dos episódios
de Dragon Ball Super, Goku diz 「嘘がきれえ], forma coloquial de 「嘘がきら
い].
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no Período Heian (794-1185), com a palavra 「みどり」 para “verde” é que se
passou, então, a distinguir azul e verde. Em materiais educacionais, a distinção
entre verde e azul veio somente depois da Segunda Grande Guerra.
90
10. ONOMATOPEIAS, ADVÉRBIOS E KOSOADO
O que é onomatopeia? Segundo o Dicionário Houaiss, “onomatopeia” é a forma-
ção de uma palavra a partir da reprodução aproximada, com os recursos de que
a língua dispõe, de um som natural a ela associado. Por exemplo, “Din-don” é a
reprodução do som da campainha, bem como “Atchim” a do som de espirro.
Há tantas onomatopeias em japonês que elas são divididas em três tipos diferen-
tes: 「ぎせいご」(擬声語), 「ぎおんご」(擬音語) e 「ぎたいご」(擬態語).
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III. Gitaigo [「ぎたいご」(擬態語)]: literalmente “palavra que imita condição”.
São palavras que não imitam sons, mas sim descrevem sentimentos, qualidades
e atitudes. Veja que claramente não são onomatopeias se considerarmos sua de-
finição na língua portuguesa.
Convém mencionar ainda que uma mesma onomatopeia pode ter formas distin-
tas, que chamaremos de (1) forma dobrada, (2) forma TTO, (3) forma RI e (4)
forma RI com o pequeno 「つ」. Vejamos o quadro abaixo:
Nem todas as onomatopeias possuem todas as formas (os três exemplos acima
são realmente mais flexíveis em vista da maioria). Além disso, por vezes, as dife-
rentes formas da mesma onomatopeia terão significados um pouco diferentes,
embora sejam normalmente iguais ou muito parecidos. O importante aqui é estar
ciente de que uma onomatopeia em japonês (quando usada em uma frase) pode
aparecer em uma dessas formas.
Com relação à segunda forma, de fato o 「と」 final é a partícula 「と」, que é
encaixada à onomatopeia, tornando-se 「っと」.
As formas 1, 3 e 4 são mais complicadas, pois cada uma tem sua própria nuance
de uso. Algumas onomatopeias quase sempre virão com um 「と」; outras, não.
Também, a maioria dessas palavras funciona primeiramente como “advérbio”,
mas pode se encaixar em outras classes de palavras também. Apenas para ilus-
trar, veja como o “[Link]” classifica 「さっぱり」:
93
O ônibus chegou.
A criança é linda.
II. Adjetivo-I: a base Ren'youkei do conjunto く dos Adjetivos-I pode ser usada
também como advérbio:
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彼女は優しく弟を抱きしめた。= Falando de ela, ela abraçou carinhosamente o
irmão mais novo.
Cuidado para não confundir a forma substantiva dos Adjetivos-I (Base Ren’you-
kei) com a forma adverbial (também a Base Ren’youkei). Nestes casos, o contexto
será o nosso aliado para mostrar como devemos interpretar a Base Ren’youkei de
um Adjetivos-I.
Não confunda esse 「に」 com a partícula 「に」. Para conectar uma palavra
flexionável a um verbo, é necessário o uso da base Ren’youkei, que neste caso é
a da cópula 「だ」. Abaixo, seguem alguns exemplos:
Podemos ainda interpretar a sentença acima como "Miyako fez o quarto limpo."
Ou, ainda, como 「きれい」 literalmente significa "bonito", podemos traduzir
como "Miyako embelezou o quarto”.
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E, assim como os Adjetivos-NA, a forma adverbial dos Adjetivos-TARU era ob-
tida através do uso da base Ren’youkei da cópula que os forma, no caso utili-
zando-se a Base Ren’youkei de 「たり」, isto é, 「と」. Veja:
Quem se deparasse com esse tipo de oração, pensaria que 「あげく」 é um subs-
tantivo. Contudo, veja como, embora ele se comporte como um substantivo den-
tro da oração, é na realidade um advérbio. Fique atento, pois existem muitas pa-
lavras variáveis no japonês.
VI. A forma TE: verbos na forma TE podem, por vezes, ser usados como advér-
bios também. Nestes casos podemos considerar que eles explicam ou descrevem
como a ação do verbo principal está sendo feita:
歩いて行く。= Ir caminhando.
Também, há alguns verbos específicos cuja forma TE, quando usada como ad-
vérbio, pode ter sentido diferente daquele proposto pelo verbo. É o caso, por
exemplo, de 「初めて」, que como advérbio normalmente é traduzido como
“pela primeira vez” ou “somente depois de” e não “começando”. Claro que tudo
dependerá do contexto.
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水は見る見る流れた。= Falando de água, (ela) correu num piscar de olhos.
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Aprendendo as formas do Kosoado, praticamente revisamos o que aprendemos
até agora e não será necessário explicar detalhadamente cada forma. Pode pare-
cer confuso, mas com o tempo você dominará esse conjunto.
Voltemos nossa atenção para o grupo 「ど」 (何), que pode gerar um pouco de
confusão no início. Tenha em mente que 「ど」 (何) carrega um sentido de
“qual...”, isto é, que coisa ou que pessoa, dentre outras (em interrogação direta e
indireta):
Como fazer perguntas básicas em japonês? Bem, aquilo que chamaremos de “pa-
lavras interrogativas” refere-se ao conjunto de palavras que inclui dentre outras
“quem”, “o quê”, “quando”, “onde”, etc. Ao aprender esse conjunto, você será
capaz de expressar suas perguntas, mesmo sem um vocabulário extenso.
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1. Onde: どこ;
2. O que: なに;
3. Quem: だれ;
4. Quando: いつ;
5. Como: どう.
Repare que as palavras acima de certa forma apontam para algo. Por exemplo,
quando perguntamos “Onde Hiroshi está?”, o alvo da dúvida é o lugar no qual
ele está; se perguntamos “Quando Hiroshi veio?”, desejamos saber qual o mo-
mento, tempo em que ele veio, e assim por diante. Observe o esquema abaixo,
no qual chamaremos essas associações para cada palavra de “alvo”:
Nós já aprendemos dois usos básicos da partícula 「か」, isto é, como partícula
alternadora e como partícula de dúvida. Agora neste tópico veremos como ela
será útil para formar as palavras interrogativas, pois todas terminam com 「か」
, dando a ideia de “algum(a) [alvo]”. Observe:
Você verá nos exemplos a seguir, que podemos tratar essas palavras como qual-
quer substantivo regular:
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Já sabemos que 「何」 pode ser lido 「なに」 ou 「なん」 dependendo do vem
a sua frente, como em 「何色」 (なにいろ) e 「何人」 (なんにん). No caso
de 「何か」, embora 「なにか」 seja a leitura correta, tal composição é frequen-
temente contraída para 「なんか」 na linguagem informal:
Como podemos perceber pelo quadro, as coisas não são tão consistentes como
seria de se esperar. Por exemplo, 「なにも」 não é geralmente usado para signi-
ficar "tudo", e 「いつも」 sempre significa "sempre" para ambas as formas posi-
tiva e negativa. Veja os exemplos a seguir:
皆 【みんな】 = Todos;
全部 【ぜんぶ】 = Tudo;
100
As mesmas palavras interrogativas podem ser usadas com sentido de “qualquer
[alvo]”, se combinadas com 「でも」:
Algo interessante é que, ao que parece, podemos usar a partícula dupla 「にも」
no lugar de 「でも」 em alguns casos. Observe:
Não tome isto como dogma, mas geralmente 「にも」 aparece em sentenças ne-
gativas, ao passo que 「でも」 é usado em sentenças não negativas. Isso explica
a diferença, por exemplo, entre 「誰でも」 e 「誰にも」, isto é, o primeiro é
usado em orações não negativas; o segundo, em orações negativas:
101
Vejamos os exemplos:
Conforme você for progredindo em seus estudos, aconselhamos que você comece
a consultar dicionários japoneses. Por exemplo, a palavra 「いつ」 mostra clara-
mente que dicionários ocidentais nem sempre apresentam todos os significados
possíveis de uma palavra. Vamos consulta-la no “[Link]”:
102
11. NÍVEIS DE POLIDEZ
Em qualquer idioma existem maneiras diferentes de se dizer as coisas quando se
trata de polidez. Mesmo em português, somos capazes de notar a diferença entre
um pedido como “Eu posso ir ao banheiro?” e “Eu poderia ir ao banheiro?”.
Você fala de um jeito com o seu professor e de outra maneira com seus amigos.
No entanto, o japonês é diferente, já que não só o tipo de vocabulário muda, mas
também a estrutura gramatical para cada frase dita.
Há uma linha clara e distinta entre a língua casual e a polida. Por um lado, as
regras claramente nos mostram como estruturar suas frases para diferentes con-
textos sociais. Por outro lado, cada frase que você fala deve ser conjugada com o
nível adequado de polidez.
Com base no que explanamos, a língua japonesa pode ser dividida em quatro
níveis quanto à polidez:
1. Coloquial;
2. Casual;
3. Polido;
4. Honorífico e Modesto.
Felizmente, não é difícil mudar do discurso casual para o discurso polido. Pode
haver algumas pequenas mudanças no vocabulário (por exemplo, "sim" e "não"
tornam-se 「はい」 e 「いいえ」, respectivamente no discurso polido), e termi-
nações de frases muito coloquiais não são usadas. Portanto, essencialmente, a di-
ferença principal entre o discurso polido e o casual está no final da frase. Você
não pode sequer dizer se uma pessoa está falando em discurso polido ou casual
até que a sentença seja concluída.
103
FORMA POLIDA DOS VERBOS
Um verbo em sua forma polida deve sempre estar no fim da oração e nunca mo-
dificando um substantivo, como segue abaixo:
Como podemos ver, a forma negativa é obtida através da junção da base Mizen-
kei e 「ん」, forma abreviada do auxiliar clássico de negação 「ぬ」. Podemos
também utilizar 「ぬ」, como em 「食べませぬ」, ainda que seja arcaico. Um
fato interessante é que não é possível usar 「ない」, como em 「食べませない」
. Já para negativa passada, ela é formada pela forma negativa de 「ます」 e a
forma passada de 「です」 (でし + 「た」). Veja alguns exemplos:
104
犬は肉を食べませんでした。= Falando do cachorro, ele não comeu carne.
NOTAS:
2. Na língua coloquial, 「です」 pode aparecer como 「っす」, sendo usado por
homens. Por exemplo, 「学生です」→「学生っす」.
105
その部屋はあまり静かじゃないです。= Falando sobre esse quarto, não é muito
quieto.
Guarde bem a sentença a seguir, que contraria a maioria dos livros convencio-
nais:
Muitas pessoas que tiveram aulas de japonês ouviram que 「です」 é a versão
polida de 「だ」. De fato, podemos supor isso se considerarmos a etimologia,
pois o primeiro origina-se de 「であります」, forma polida de 「である」, de
onde veio 「だ」. No entanto, as coisas não são tão simples assim!
Vamos apontar algumas diferenças chaves e as razões por que eles são de fato
coisas completamente diferentes, no sentido que não podemos usá-los de “forma
vice-versa” em todos os casos. Vejamos:
Como faríamos para reescrever a oração acima de uma forma não-polida? Basta-
ria usar a forma casual de 「食べます」, que é 「食べる」. Assim, temos:
106
Agora observe a construção abaixo:
A RESPOSTA É NÃO!
Percebemos, então que, nestes casos, substituir 「です」 por 「だ」, pensando
que um é a versão polida do outro ou vice-versa é totalmente incorreto. Você
deve pensar que 「です」 é para transmitir polidez à frase, enquanto 「だ
」 transmite força; coisas completamente distintas. Se você quiser ser casual, sim-
plesmente não adicione nada.
Talvez por causa dessa particularidade, o próprio Tae Kim afirma em uma pos-
tagem em seu fórum não achar que 「だった」 seja a forma passada de 「だ」
, o que discordamos. Preferimos encarar essa característica como algo que ficou
sendo válido pelo uso, isto é, 「だった」 é de fato a forma passada de 「だ」,
mas por algum motivo de uso da língua (não explicável gramaticalmente e
sim pelo costume), 「だ」 adquiriu um sentido de força, de aspereza.
107
Outro ponto importante que vale relembrar é que você não pode anexar o decla-
rativo 「だ」 diretamente aos Adjetivos-I na forma não-passada (e isso vale tam-
bém para a forma negativa não-passada):
Já isso não ocorre com 「です」, que tem a função de adicionar polidez apenas:
***
108
O súdito sempre se dirige ao rei com humildade, ao mesmo tempo em que o ve-
nera, exalta (honra = honorífico). Com base nesta figura, você pode fixar este im-
portante princípio das formas honorífica / humilde: sempre seremos “súdito” ao
passo que terceiros, o “rei”.
A parte difícil de aprender esses dois tipos de linguagem é que muitas vezes são
utilizados verbos diferentes e palavras específicas para as formas honorífica e
humilde. Qualquer coisa que não tenha a sua própria expressão, será regido pelas
regras gerais de conjugações que abordaremos a seguir.
Vejamos os verbos que mudam sua forma nesse tipo de linguagem. Para fins me-
ramente didáticos, as chamaremos de “forma especial”:
109
Os verbos 「なさる」, 「いらっしゃる」, 「おっしゃる」, 「下さる」 e 「ござ
る」 (que abordaremos logo em seguida) seguem o padrão de conjugação do
Grupo I, entretanto, sofrem uma mudança em suas bases Ren’youkei e Meireikei.
Vamos observar as bases de 「なさる」, que servirá de modelo para os outros
verbos em questão:
Agora, os exemplos a seguir se referem a ações feitas pelo falante e, por isso, usam
a forma humilde:
Além deste conjunto de expressões, existem também algumas palavras que têm
homólogos mais polidos. Provavelmente, o mais importante seja a versão mais
polida de 「ある」, que é 「ござる」. Este verbo pode ser usado tanto para ob-
jetos inanimados e animados. Não é nem uma forma honorífica ou humilde, mas
é um passo acima de 「ある」 no quesito polidez. Porém, se você não quiser soar
110
como um samurai, 「ござる」 é sempre usado na forma polida 「ございます」
:
Para todos os outros verbos, sem forma especial, existem regras de conjugação
para mudá-los para formas honorífica e humilde. Ambos envolvem uma prática
comum de fixar o prefixo honorífico 「御」.
111
substantivo? Exato, a Base Ren’youkei. Depois, é só usarmos o verbo 「なる」 ou
「です」.
Estas regras não se aplicam aos verbos 「する」. Para eles, basta substituir 「す
る」 por 「なさる」 = 勉強する → 勉強なさる.
Note, porém, que usar 「いたす」 é um caso de “estilo formal dobrado” e alguns
japoneses podem dizer que isso não faz sentido.
Esta regra não se aplica aos verbos 「する」. Para eles, basta substituir 「する
」 por 「いたす」 = 勉強する → 勉強いたす.
Há também uma forma de criar versões formais dos Adjetivos-I usando 「ござ
います」. Esse recurso é considerado arcaico, mas você ainda poderá se deparar
com essas construções na literatura, e o livro não precisa ser tão antigo assim.
Também, algumas expressões fixas usadas atualmente originam-se desse padrão
(e com certeza, ao terminar de ler este tópico, você vai se lembrar!).
Para criar formas formais dos Adjetivos-I, basta considerar que 「ございます」
é um verbo, então, necessitaremos da forma adverbial do referido Adjetivos-I:
Colocamos o (?), pois nestes casos devemos considerar também que quando os
Adjetivos-I são combinados com verbos clássicos como 「ござる」 e 「いでる」
, deve-se fazer uma mudança sonora na forma adverbial, algo comum no Japonês
Clássico:
113
Importante lembrar que os Adjetivos-I cuja forma adverbial depois dessa mu-
dança sonora fique com a terminação 「う」 precedido de algum fonema da co-
luna U ou da coluna O, esta deve ser mantida. Por exemplo, 「悪い」(わるい) e
「面白い」(おもしろい), ficarão assim:
114
12. VERBOS SUPLEMENTARES
No tópico em que estudamos as classes de palavras, mencionamos que as pala-
vras podem ser independentes ou dependentes. As palavras independentes po-
dem ser entendidas por si mesmas (têm sentido próprio), ao passo que as depen-
dentes necessitam de um contexto para serem compreendidas. Dentre essas pa-
lavras dependentes estão os verbos auxiliares. Não confunda, contudo, verbo au-
xiliar com verbo suplementar, que são verbos em si, mas que podem ser anexados
a outros para ampliar o significado do verbo a que são anexados. Por exemplo, o
verbo 「だす」(出す), que significa “tirar”, ao ser anexado a outro verbo (no caso,
à base Ren’youkei), transmite o significado de “começar a...” (「食べだす」= co-
meçar a comer).
Outra diferença é que os verbos suplementares, por serem verbos em si, são ane-
xados somente à Base Ren’youkei (ou alguns à “Forma TE”, que se origina de
uma Base Ren’youkei), ao passo que um verbo auxiliar não tem essa restrição.
Veja que na terceira coluna indicamos que alguns verbos auxiliares seguem o pa-
drão de conjugação dos Adjetivos-I.
Feitas essas observações, comecemos nossa abordagem com dois verbos suple-
mentares muito importantes. Trata-se dos verbos 「ある」e「いる」, que como
verbos em si significam “existir”, sendo que 「ある」é usado para coisas inani-
madas e 「いる」, para coisas animadas. Como verbos suplementares, são ane-
xados à Forma TE. Observe:
書く → 書いて → 書いてある
書く → 書いて → 書いている
A diferença está no fato de que com 「ある」 se indica o resultado de uma ação
finalizada, isto é, alguém escreveu e está escrito. Já com 「いる」, se indica que
a ação de escrever está em progresso. Veja os exemplos abaixo:
115
Importante dizer que a ideia de ação em progresso tem uma ambiguidade Por
exemplo, embora 「結婚している」 tecnicamente possa significar que alguém
está em uma capela se casando AGORA, é geralmente usado para se referir a
alguém que já é casado e está nesse estado conjugal (hábito, situação constante).
Isso geralmente é clarificado pelo contexto e práticas comuns.
Outro ponto é que 「てある」 indica o resultado de uma ação somente quando
é usado com verbos transitivos. Se quisermos expressar o mesmo usando verbos
intransitivos, podemos usar 「ている」. Compare:
窓が開けてある。 = A janela está aberta. (por que alguém (ou algo) a abriu)
E como diferenciar? Como sempre, o contexto será nosso maior aliado, junta-
mente com conhecimento gramatical. Por exemplo, se você se deparar com 「開
けてある」, deve considerar um estado resultante, já que 「開ける」 é um verbo
transitivo. Agora, se você se deparar com 「開いている」, já que 「開く」 é in-
transitivo, 「開いている」 pode tanto significar um estado resultante, como um
estado duradouro, progressivo dependendo do contexto. E mais: 「開けている
」 pode somente significar um estado duradouro. Afinal, ele é transitivo e um
estado resultante para esse tipo de verbo só pode ser indicado com 「てある」.
116
Mas, e se quiséssemos expressar que alguém está vindo ou indo?
Temos uma boa notícia, pois é possível sim expressar “indo” e “vindo”, através
de uma, digamos, “gambiarra” gramatical ou ajuda do contexto. Por exemplo,
poderíamos usar algum elemento que tenha um significado de “em progresso
de” ou coisas do tipo e que funcione (sintaticamente) como um substantivo. As-
sim seria possível modifica-lo com os verbos 「行く」 e 「来る」. Um desses
elementos possíveis é 「とちゅう」(途中), que significa “em meio a”, “no cami-
nho de”, “metade do caminho” e é classificado como substantivo:
友達は来る途中。= (Meu) amigo está vindo (Lit. Falando de (meu) amigo, é me-
tade do caminho (do ato) de vir).
Outra possibilidade seria usar algum advérbio que pudesse dar a possibilidade
de a oração ser entendida – pelo contexto - como uma ação em progresso, como
「いま」:
友達はいま来る。= (Meu) amigo está vindo (Lit. Falando de meu amigo, (ele)
vem agora).
Como vimos no quadro, com verbos transitivos, 「ている」 expressa uma ação
em progresso. Já com os intransitivos, pode haver ambiguidade, pois pode indi-
car tanto um estado resultante como também um sentido de ação em progresso.
Há ainda uma questão importante e polêmica que costuma gerar confusão entre
os estudantes. Segundo alguns gramáticos, há um grupo de verbos (em sua mai-
oria intransitivos) que podemos chamar de “verbos pontuais”, cuja principal ca-
racterística é não ter duração, isto é, um verbo pontual ocorre em um único ins-
tante, fato que representa uma transição de um estado antigo para um novo es-
tado resultante. Para melhor ilustrar, observe a figura abaixo:
117
A luz se acende no ponto "A", e, em seguida, apaga-se no ponto "B". O processo
de a luz se acender não leva tempo, é instantâneo. Veja como o fato de a luz se
acender no ponto “A” representa uma transição de um estado antigo (luz apa-
gada) para um novo estado resultante (luz acessa).
Você pode pensar: “Ok, mas isso não exclui a possibilidade de, por exemplo, a
luz se acender vagarosamente por estar com defeito. Se alguém visse essa cena,
diria “A luz está se acendendo”. E aí?”
Outra possibilidade seria usar algum advérbio que pudesse dar a possibilidade
de a oração ser entendida – pelo contexto - como uma ação em progresso, como
「いま」:
118
Note que, mesmo em português, seria possível entender uma ação em progresso
sem usar o gerúndio. A última oração é um exemplo disso.
Para os exemplos acima, pode fazer mais sentido considera-los como uma se-
quência de ações: “ter em posse e ir”, ou “ter em posse e vir”. Aqui estão mais
alguns exemplos:
一生懸命、頑張ってく!= (Eu) Vou tentar o meu melhor (para o futuro) com to-
das as minhas forças!
Enquanto 「ある」 como verbo suplementar traz um nuance de uma ação com-
pleta, em preparação para outra coisa, 「おく」 deixa claro que a ação é feita (ou
vai ser feita) com o futuro em mente. Imagine isto: você fez uma torta deliciosa e
vai coloca-la no parapeito da janela para esfriar para que possa comê-la mais
tarde. Esta imagem pode ajudar a explicar porque o verbo 「おく」 (置く), que
significa "deixar (em algum lugar)", pode ser usado para descrever
119
uma preparação para o futuro. Enquanto 「置く」 por si é escrito em Kanji, é
costume usar Hiragana quando exerce a função de verbo suplementar:
Também, note que, por extensão, essa construção pode transmitir uma forte in-
tenção, pois o falante julga que a existência de uma ação [X] concluída (situação
atual corrente) será boa para o futuro:
Outro sentido que 「ておく」 pode ter é o que chamaremos de “literal”, isto
é, deixar as coisas como estão:
No japonês casual, 「ておく」 é por vezes abreviado como 「~とく」 por con-
veniência:
Este uso de 「しまう」 é bom para usar quando se quer pedir desculpas, já que
indica que você não queria que algo acontecesse da forma que foi:
120
Vamos ver agora alguns verbos suplementares que são conectados à Base
Ren’youkei. Algumas dessas construções são relativamente fáceis de entender e
podem ser usadas com bastante liberdade, como é o caso dos verbos suplemen-
tares 「はじめる」 (始める), “começar a” e 「おわる」 (終る), “terminar de” e 「
つづける」 (続ける), “continuar a”:
Este verbo suplementar pode ser anexado aos Adjetivos-I também. Entretanto, a
regra de anexação é diferente, devendo-se adicioná-lo à parte invariável (retirar
a terminação 「い」). Assim, temos:
高い → 高 → 高すぎる
II. Forma Padrão: substitui-se o 「い」 de 「ない」 por 「さ」 antes de acres-
centarmos 「過ぎる」 à forma negativa. Assim, temos:
121
喋る → 喋らない → 喋らなさ → 喋らなさすぎる
Já para os Adjetivos-I que possuem a terminação 「ない」, mas que não se trata
de 「無い」, a única forma possível é a que serve para os demais Adjetivos-I:
危ない → 危な → 危なすぎる
少ない→ 少な → 少なすぎる
Pode-se usar o verbo 「合う」, que significa “unir” como suplementar para in-
dicar uma ação mútua. Vejamos:
122
13. VERBOS AUXILIARES
Passemos agora para os “verbos auxiliares”. Nos tópicos anteriores nos já nos
deparamos com alguns deles como 「ます」. Neste tópico veremos os mais im-
portantes. São eles:
1. れる e られる;
2. せる e させる;
Comecemos com 「れる」 e 「られる」 que são anexados à Base Mizenkei dos
verbos. Como regra geral, quando a Base Mizenkei terminar em “A”, deve-se
usar 「れる」, caso contrário, 「られる」. Vamos ver a aplicação prática da re-
gra:
123
A forma potencial do verbo 「する」 (significando “fazer”) é uma das exceções
à regra e não é 「される」, mas sim 「できる」(出来る):
Percebeu que para os verbos do Grupo I, como todas as bases Mizenkei terminam
na coluna do A, devemos anexar 「れる」? Observe:
Observe os exemplos:
124
na língua moderna. Há discussão com relação a diferença entre os dois usos, mas
no geral, com o uso da partícula 「が」 se enfatiza o objeto do verbo, enquanto
que com a partícula 「を」 se destaca a ação inteira. Observe:
Vamos nos atentar agora ao verbo 「ある」. Você pode dizer que algo tem a pos-
sibilidade de existir, combinando 「ある」 e 「得る」 (sem contraí-los) para
produzir 「あり得る」. Esta composição verbal pode ser lida tanto 「ありうる
」 como 「ありえる」 no infinitivo. Em outras formas como 「ありえない」,
「ありえた」 e 「ありえなかった」, deve-se considerar a pronúncia com 「え」
:
Há ainda a possibilidade de se nominalizar uma oração e dizer que tal ato ou fato
é possível, usando 「できる」:
125
Você já deve ter ouvido falar sobre “voz passiva”, mas vamos relembrar: na lín-
gua portuguesa há duas vozes verbais principais: a voz ativa e voz passiva. A
diferença principal é que na voz passiva, o sujeito é o paciente da ação verbal em
vez de agente. Observe o exemplo em português:
Na segunda oração, observe como o sujeito da voz passiva tem o mesmo papel
em relação ao verbo principal que o objeto da voz ativa, ou seja, “o sushi” é o
objeto na voz ativa e passa a ser o sujeito na voz passiva e “Makoto”, o agente da
passiva.
Agora, indo para a língua japonesa, a voz passiva é formada pela anexação de 「
れる」 e 「られる」, e os conceitos expostos nos ajudarão a entender seu funci-
onamento, já que funciona praticamente da mesma forma que o português, ex-
ceto pelo fato de existirem dois tipos de voz passiva: a passiva simples e a passiva
adversativa:
II. Passiva adversativa: este tipo de passiva não existe em português e de início
pode ser de difícil compreensão. Neste tipo de passiva, o sujeito não é objeto e
nem agente, mas é afetado indiretamente pela ação. Em japonês, esse tipo de pas-
siva traz uma conotação negativa, indicando que a pessoa foi prejudicada de al-
guma forma pela ação. Observe os exemplos:
Note que o verbo não afeta diretamente o sujeito, ou seja, a irmã não comeu a
pessoa, e sim o bolo. A passiva adversativa dá o sentido que a pessoa considera
determinado ato uma adversidade, ou seja, algo que a prejudica. Observe o pró-
ximo exemplo:
126
私は雨に降られた。= Quanto a mim, choveu.
A tradução direta para o português não faz muito sentido. A frase poderia ser
escrita na voz ativa em japonês, mas na voz passiva ela traz o sentido que essa
chuva foi um incômodo de alguma forma, uma adversidade.
Passemos agora para 「せる」 e 「させる」 que também são anexados à Base
Mizenkei dos verbos e conjugados no padrão do Grupo III. Como regra geral,
quando a Base Mizenkei terminar em “A”, deve-se usar 「せる」, caso contrário,
「させる」. Vamos ver a aplicação prática da regra:
Aqui também, com relação ao verbo irregular 「する」, deve-se considerar a base
“arranjada” 「さ」. Consequentemente, anexaremos 「せる」:
Quanto às partículas que devem ser usadas, com verbos intransitivos, a pessoa
induzida ou obrigada a fazer a ação é indicada com a partícula 「を」:
127
(2) 子供に学校へ行かせました。= Deixei meu filho ir à escola. (permissão)
Note que, embora a forma final seja longa, sua formação não é nenhum segredo
se você tem acompanhado as lições. Vejamos alguns exemplos:
128
I. BASES CLÁSSICAS DE 「たい」 (conjuga como um Adjetivo-I):
Você pode expressar ações que você deseja fazer usando o verbo auxiliar 「たい
」. Tudo que você precisa fazer é adicionar 「たい」 à base Ren’youkei do verbo.
Veja o quadro abaixo:
129
Um ponto interessante está entre o uso da partícula 「を」 e a partícula 「が
」 para marcar o objeto dos verbos transitivos quando anexados a 「たい」. Na
verdade, 「たい」, assim como o auxiliar de negação 「ない」, funciona ape-
nas como um auxiliar, acrescentando um significado ao verbo e não modificando
sua natureza para Adjetivo-I Note que se esses verbos auxiliares que são conju-
gados como um Adjetivo-I transformassem verbos em adjetivos, por lógica, para
dizer, por exemplo, “Não bebo cerveja”, deveríamos dizer 「ビールが飲まない
」. Contudo, talvez você consiga perceber que esta oração está incorreta e signi-
fica na verdade “A cerveja não bebe.”, algo totalmente diferente.
Veja que usamos a partícula 「が」 para identificar o que se deseja. Indica que o
falante tem um desejo grande de tomar o remédio, talvez por que esteja doente.
Comparemos:
Nesta sentença, o falante está apenas afirmando que quer tomar o remédio sem
enfatizar nada.
130
MAKOTO:こないらしい。 = Parece que não virá.
Neste diálogo, Makoto diz a Akira que Hiroshi não virá, porque deve ter rece-
bido alguma informação a respeito. Ao usar 「らしい」, Makoto indica que sua
afirmação está fundamentada em algo que ele soube previamente, entretanto, ele
não quer dar 100% de certeza, transformando-a, assim, em especulação sua. Seria
como ele dissesse: “Bem, Hiroshi não virá (pois há informações que recebi a res-
peito e que me levam a crer nisso), mas não posso garantir”.
Outro modo de usar 「らしい」 é para indicar que uma pessoa aparenta ser certa
coisa devido ao seu comportamento:
「べき 」 é anexado à base Shuushikei para descrever algo que deve ser feito.
NOTA: com relação ao verbo 「する」, a versão clássica 「すべき」 é mais co-
mum e formal. Já 「するべき」 pode ser usado na língua cotidiana, mas é bem
menos frequente e considerado coloquialismo.
Neste exemplo, a oração “reescrever o relatório” é ilustrada como sendo algo que
o falante julga ser obrigatório, logicamente esperado dentro do contexto desta
frase. Podemos assumir que Hiroshi seja o responsável pelos relatórios de seu
departamento na empresa, então esta tarefa não é uma coisa facultativa, mas sim
obrigatória para ele. Veja que é diferente de quando usamos 「はず」, pois com
131
ele estamos apenas descrevendo nossa expectativa, tornado a oração mais
amena, isto é, a tarefa de Hiroshi reescrever o relatório é esperada (com base em
fatos), mas não é necessariamente uma obrigação. Note que poderíamos até usar
o significado do advérbio 「うべ」(宜), cujo significado é “certamente”, “verda-
deiramente” (e que provavelmente deu origem a 「べき」), a fim de ajudar a
fixar este conceito de obrigatoriedade:
1. 早く帰るべき。= (Você) deve retornar à casa cedo. (ação com tom de obriga-
ção)
132
14. ALGUNS CONCEITOS IMPORTANTES
É importante que você saiba como a estrutura de textos e da comunicação oral é
formada. É aqui que entram em campo, “frase”, “oração” e “período”, que são
fatores constituintes de qualquer meio de comunicação, pois ela deve se compor
de uma sequência lógica de ideias para que possa haver entendimento. Por isso,
é importante saber o conceito de cada um deles. Então vamos lá!
“Brincam” é a oração que indica o que as crianças estão fazendo no jardim, o que
já é o suficiente para entendermos a mensagem que se deseja passar.
O ônibus ainda não CHEGOU, mas não DEVE DEMORAR, pois já SÃO sete ho-
ras.
133
Os períodos compostos podem ser formados das seguintes maneiras: podem ser
compostos por coordenação, compostos por subordinação, ou ainda compostos
por coordenação e subordinação, simultaneamente. Vejamos:
B.1) Período Composto por Subordinação: são períodos que, sendo constituídos
de duas ou mais orações, possuem sempre uma oração principal e pelo menos
uma oração subordinada a ela.
Então, vamos defini-las: oração principal é a parte que contém a informação prin-
cipal e aquela que se liga a qualquer oração subordinada, ou seja, é completada
por uma oração subordinada, pois lhe falta uma função sintática. Já a oração su-
bordinada, também chamada de “oração dependente”, é aquela que não vai for-
mar um pensamento completo, fazendo com que o leitor ou ouvinte queira infor-
mações adicionais para concluir o pensamento (assim, desempenha alguma fun-
ção sintática que falta na principal, completando-a). Existem três tipos de orações
subordinadas:
A oração subordinada não pode estar sozinha, pois não fornece um pensamento
completo. O leitor ficaria se perguntando: "Então, o que aconteceu?" (a menos
que isso esteja subentendido). Agora, observe o próximo exemplo:
Nessa frase há duas orações: "Aguardo" e "que você chegue". A oração "que você
chegue" está completando o sentido do verbo transitivo direto "aguardo". Sendo
assim, a oração subordinada está sintaticamente vinculada à oração principal
(dependente dela), podendo funcionar como termo essencial, integrante ou aces-
sório da oração principal. Neste caso, exerce a função sintática do objeto direto, e
é uma oração subordinada substantiva objetiva direta.
Então, podemos dizer que, de certo modo, em um período composto por subor-
dinação, ambas as orações (principal e subordinada) em alguns casos são mutu-
amente dependentes, já que a oração principal não teria sentido sem o comple-
mento (oração subordinada), bem como a oração subordinada também não teria
sem ser concluída (ideia principal) – é claro que, principalmente na fala, se uma
ou outra estiver subentendida, pode ser omitida.
134
B.2) Períodos Compostos por Coordenação: são os períodos que, possuindo duas
ou mais orações, apresentam orações coordenadas entre si. Cada oração coorde-
nada possui autonomia de sentido em relação às outras, e nenhuma delas funci-
ona como termo da outra. As orações coordenadas, apesar de sua autonomia em
relação às outras, complementam mutuamente seus sentidos. Veja o seguinte
exemplo:
Agora, vamos (re)ver alguns aspectos importantes da língua japonesa que nos
auxiliarão a analisar e entender orações:
1. A FORMA TE
Como vimos, a forma TE basicamente conecta orações. Perceba que isso a torna
muito versátil, porque pode transmitir significados diversos de acordo com o
contexto (pelo menos na tradução para o português). Existem pelo menos quatro
sentidos que ela pode ter:
135
Note que poderíamos traduzir estes dois exemplos como ações sequenciais e
pressupor que estamos falando de causa e efeito. Isso faz sentido mesmo em
português quando, por exemplo, dizemos: “Estou doente e não irei trabalhar.” (=
Como estou doente, não irei trabalhar.). É tudo questão de contexto.
III. De advérbio: verbos na forma TE podem, por vezes, ser usados como advér-
bios também. Nestes casos podemos considerar que eles explicam ou descrevem
como a ação do verbo principal está sendo feita:
歩いて行く。= Ir caminhando.
魚を食べなくて。≠ 魚を食べないで。
IV. De reticência: a forma TE no final de uma oração pode indicar uma oração
incompleta, muitas vezes transmitindo um ar reticente por parte do falante, isto
é, uma hesitação em dizer expressamente o seu pensamento, em dar um parecer
etc. Tal recurso é muito comum em canções:
2. A BASE RENTAIKEI
136
oração a fim de indicar o que acontece no “tempo” em que a oração é executada.
Veja:
Usando o tempo passado do verbo com 「こと」, você pode falar se um evento
já ocorreu. Esta é essencialmente a única maneira que você pode dizer "já [verbo
no passado]" em japonês, por isso, é uma expressão muito útil. Você precisa usar
esta construção a qualquer momento quando você quiser saber se alguém já fez
alguma coisa em tempos passados:
寿司を食べることにした。= (Eu) decidi comer sushi (Lit. (Eu) decidi pelo ato de
comer sushi).
137
Contudo, atente-se que esta construção é usada para expressar suas próprias de-
cisões. Se você quiser indicar uma decisão que não é sua, deve usar o verbo 「な
る」 no lugar de 「する」:
3. PALAVRAS VARIÁVEIS
Algumas palavras variam quanto a sua natureza dependendo da forma como são
usadas. Por exemplo, 「まあまあ」 pode significar "mais ou menos", como um
advérbio, mas também pode ser usado como um Adjetivo-NA para significar o
mesmo, ou ainda, como uma interjeição para significar "agora, agora".
Quem se deparasse com esse tipo de oração, pensaria que 「あげく」 é um subs-
tantivo. Contudo, veja como, embora ele se comporte como um substantivo den-
tro da oração, é na realidade um advérbio. Fique atento, pois existem muitas pa-
lavras variáveis no japonês.
Por exemplo, a nominalização à moda antiga que vimos no item 2 pode aparecer
em algum momento. Outro exemplo é a partícula 「を」, que até mais ou menos
o fim do Período Muromachi (1336–1573), tinha também a função de concessão,
igual à 「のに」, que veremos no próximo tópico. Você também poderá encon-
tra-la sendo usada desse jeito. Mais um exemplo é a Base Kateikei da cópula 「
である」, isto é, 「であれ」, que ainda hoje pode ser usada por si só. Parece es-
tranho, mas, se considerarmos a sua utilização clássica, não será difícil entender-
mos seu significado.
Há um mito que ainda existe sobre a ordem das palavras numa oração em japo-
nês e que continua a assombrar muitos estudantes iniciantes. Poderíamos dizer
que a estrutura mais básica de uma sentença em português pode ser descrita
como “[sujeito] + [verbo] + [objeto]”. Com relação à língua japonesa, muitos (até
mesmo professores) dizem que esta ordem é invertida, isto é, “[sujeito] + [objeto]
+ [verbo]”. Contudo, em japonês, a ordem de uma sentença fundamental é ape-
nas “[verbo]”. Qualquer coisa que venha antes do verbo não precisa estar em
uma ordem específica e nada mais do que o verbo é necessário para se construir
uma sentença completa.
Além disso, em se tratando da língua padrão, o verbo deve estar sempre no final.
Claro que nada nos impede de construir uma sentença com “[objeto] + [sujeito]
+ [verbo]” ou apenas “[objeto] + [verbo]”. As seguintes construções estão todas
completas e corretas, porque o verbo está no final da sentença:
私は公園で弁当を食べた。
公園で私は弁当を食べた。
弁当を私は公園で食べた。
弁当を食べた。
食べた。
Não importa o lugar que uma palavra está na sentença, pois sua função gramati-
cal é identificada pela partícula que a sucede. A partir disso, somos capazes de
entender a grande importância que tem o uso correto das partículas.
Isso tudo podemos classificar como padrão na língua japonesa. Entretanto, con-
versas diárias costumam ser caóticas em qualquer idioma, e é comum que as pes-
soas digam a primeira coisa que vem em suas mentes sem pensar na sentença
como um todo. Por isso, na linguagem casual, o padrão que vimos é quebrado.
139
Por exemplo, se você quisesse perguntar “o que é feijoada?”, o modo normal se-
ria 「フェジョアーダは何?」. Entretanto, se a primeira coisa que viesse a sua
mente fosse "o que?", então seria mais natural dizer 「何」 primeiro. Porém,
como 「何はフェジョアーダ?」 não faz nenhum sentido (é o “o que” a feijo-
ada?), os japoneses simplesmente quebram a sentença em dois fragmentos, per-
guntando “o que” primeiro e clarificando em seguida a respeito de que estão fa-
lando (「フェジョアーダ」 neste caso). Por uma questão de conveniência, as pa-
lavras são aglomeradas no que parece ser uma sentença:
Às vezes, a primeira coisa que vem a sua mente é o verbo principal. Mas se o
verbo principal já saiu de sua boca, você terá o resto da frase sem um verbo para
completar o pensamento. No japonês casual, é perfeitamente aceitável ter o verbo
em primeiro lugar usando a mesma técnica que acabamos de ver, quebrando-se
o que está sendo dito em duas sentenças. A segunda frase é incompleta, claro,
mas esse tipo de coisa é comum na fala de qualquer idioma:
Vimos que a partícula 「を」 foi omitida nos dois exemplos. De fato, embora as
partículas desempenhem um papel crucial para que uma sentença tenha sentido,
há algumas que são muitas vezes omitidas no japonês casual, sendo que as mais
comuns de serem omitidas são 「は」, 「が」, 「を」 e 「に」. Isso realmente
pode dificultar o estudante iniciante, mas lembre-se de que nessas horas o con-
texto e um senso de gramática são nossos fortes aliados e eles nos ajudarão a es-
clarecer o papel dos elementos dentro da sentença.
見つけた犬無くした骨。=???
140
Sem um contexto, não somos capazes de indicar ao certo o sentido desta frase,
pois não sabemos por onde ela deve começar, ou qual a função de cada elemento
dentro dela. Por exemplo, será que 「見つけた」 está modificando o substantivo
「犬」, e esta construção pode ser traduzida como “o cachorro que (eu) encontrei
perdeu o osso”? É uma possibilidade, mas será esse o sentido que o “autor” quis
expressar? Veja como a ocorrência em conjunto da omissão de partículas e da in-
versão de elementos pode causar uma ambiguidade extrema. Apenas pra refor-
çar, observe agora o próximo trecho:
骨を見つけた犬。
É claro que o trecho acima pode ser entendido como “cachorro que encontrou o
osso”, mas é importante que você considere outras possibilidades; tudo depen-
derá do contexto. Por exemplo, nada impediria que o entendêssemos como 「犬
は骨を見つけた」, isto é, “falando do cachorro, (ele) encontrou o osso”.
141
o fenômeno de inversão de elementos. Em outras palavras, dentro do contexto
geral, ele pode ser interpretado de outro modo, o que, neste momento, não vem
ao caso. Vamos abordar isso no tópico 18.9.”
ふたりを夕闇がつつむこの窓辺に明日も素晴らしい幸せが来るだろう。
Será que 「この窓辺」 está na verdade sendo modificado pela oração 「ふたり
を夕闇がつつむ」, e devemos traduzir esse trecho como “Nas proximidades
desta janela em que o crepúsculo envolve nós dois”? Bem, isso faz sentido consi-
derando o restante da frase, isto é, 「明日も素晴らしい 幸せが来るだろう」.
Já sabemos que 「だろう」 é usado para expressar alguma certeza sobre algo.
Sendo assim, o segundo trecho da frase pode ser traduzido como “amanhã tam-
bém uma maravilhosa felicidade virá certamente”.
ふたりを夕闇がつつむこの窓辺に明日も素晴らしい幸せが来るだろう。= Às
proximidades desta janela em que o crepúsculo envolve nós dois, amanhã tam-
bém uma maravilhosa felicidade virá certamente.”
Aliás, que tal fazermos um paralelo com a língua portuguesa disso tudo que aca-
bamos de abordar? Assim, você notará que esse tipo de ambiguidade pode acon-
tecer em qualquer idioma. Para tanto, responda sinceramente:
“Alguma vez você já parou para analisar a letra do Hino Nacional Brasileiro?”
Este é um fenômeno comum a todos os idiomas. Como nativos estão tão acostu-
mados com sua língua materna, acabam padronizando instintivamente certas
abreviações para fazer a fala ficar mais fluída. Veja como em português costuma-
mos pronunciar “está” como “tá” simplesmente, “estou”, como “tou” e tantos
142
outros exemplos que poderiam ser citados. Este, aliás, é um dos fatores que mais
dificulta o aprendizado de uma segunda língua (mais detalhes no tópico 18).
~ては → ~ちゃ
~では → ~じゃ
~れは → ~りゃ
7. COLOCAÇÃO
Podemos dizer que é possível estabelecer uma relação de equivalência entre pa-
lavras de nossa língua materna e uma de língua estrangeira (gato = cat, em in-
glês). Até aqui, tudo parece muito simples e óbvio, mas infelizmente não é. Isso
por que, para nos comunicarmos, seja para expressar ações, estados ou mesmo
alguns conceitos, precisamos relacionar as palavras umas com as outras. E é aqui
que começa a complicação, pois a maneira como elas são relacionadas para ex-
pressar uma mesma ideia (e quais palavras são usadas) pode variar de idioma
para idioma.
Para facilitar, vamos tomar o inglês como exemplo, tendo em mente que o prin-
cípio vale para qualquer idioma. Imagine um estudante iniciante de inglês; se
perguntássemos a ele como se diz “batata frita” ele provavelmente diria “fried
potato”, afinal “fried” significa “frito” e “potato”, batata. Na realidade, o que ele
fez aqui foi considerar a maneira como o conceito “batata frita” foi pensando em
português (juntando-se o adjetivo “frito” com “batata”) e procurar termos equi-
valentes em inglês. Entretanto, ele está errado, por que “batata frita” em inglês é
“french fries”, que literalmente significa “fritas francesas”. Veja como, a maneira
que os ingleses pensaram “batata frita” foi diferente da nossa (provavelmente
consideraram sua origem), mas o conceito é o mesmo.
143
quando o correto é “I wear perfume everyday” (Eu visto perfume todos os dias).
Novamente, palavras diferentes para a mesma ideia.
É aqui que queremos chegar e falar sobre algo que em linguística é chamado de
“colocação”, que é a combinação de duas ou mais palavras que são geralmente
usadas juntas; é uma combinação que soa natural para o falante nativo e que não
tem exatamente uma explicação lógica para quem não é nativo. Por exemplo, em
português falamos “tomar água” e “tomar banho”. Dizemos também “beber
água”, e porque então não dizemos “beber banho”? Não faria sentido, certo?
Para se tornar fluente em qualquer idioma, você precisa saber quais palavras de-
vem ser usadas juntas com as outras. Aprender a combinação correta das pala-
vras vai ajudá-lo a parecer mais natural na hora de falar. Como mencionamos, é
muito comum aos estudantes tentar traduzir diretamente da sua língua mãe para
a língua estrangeira, e o resultado muitas vezes soa estranho, pois não combinam
as palavras corretamente. Logicamente algumas combinações de palavras podem
até não estarem erradas e serão entendidas pelos falantes nativos, porém não são
as mais frequentemente usadas.
8. A (DUPLA) NEGATIVA
Vimos que “colocação” se refere à quais palavras são usadas e de que ma-
neira elas são relacionadas para expressar uma ideia. Já sabemos também que
isso varia de idioma para idioma.
144
Nesta pequena construção temos os seguintes elementos:
9. ELEMENTO INTRUSO
E podemos estender essa afirmação para todos os outros elementos intrusos, isto
é, sua presença não é questão propriamente de significado, mas de intenção do
falante (destacar ou explicar algo). Veja as partes destacadas nos exemplos a se-
guir:
O interessante é que elementos intrusos podem ser mesmo qualquer coisa. Veja
as orações abaixo:
145
2. あの映画は怖いの怖くないのって。= Aquele filme é extremamente assusta-
dor.
Na oração (1) temos 「なんの」(何の), cujo significado é “que tipo”. Aqui ele é
usado como termo genérico para repetir a estrutura da primeira parte, isto é, 「
怖いの」, indicando que o falante não pode sequer dizer o quão assustador é
algo, porque "assustador" não é suficiente para descrever a situação. Já o 「って
」 é usado também de forma genérica apenas para fortalecer o sentimento do
falante sobre o que ele diz. Veja que os dois elementos citados servem apenas
para dar ênfase. Já na oração (2) temos a repetição de termos, fato relativamente
comum no japonês para indicar ênfase.
O verbo 「する」, como já sabemos, pode significar muitas coisas além de “fa-
zer” e, por isso, é usado em muitas colocações.
Gramáticos têm tentado decifrá-lo ao longo do tempo e, muito embora seja pos-
sível traçar semelhanças com o verbo 「ある」 em muitas utilizações, bem é ver-
dade que seus sentidos foram se alargando com o uso prático da língua, fazendo
com que esses mesmos estudiosos afirmassem que o recomendável a se fazer com
o verbo 「する」 é analisa-lo dentro do conjunto. Sendo assim, como regra geral:
II. Você poderá se deparar com 「する」 fazendo a função de uma cópula (já
que existem registros dele sendo usado de forma semelhante ao verbo 「ある」
). Esse uso é arcaico e normalmente aparece como 「とする」;
III. Você poderá se deparar com 「する」 tendo um significado diferente do ex-
posto nos dois itens anteriores.
146
15. CONSTRUINDO ORAÇÕES
Feita a abordagem de alguns conceitos importantes no tópico anterior, vamos
agora aplica-los quando necessário para construir orações mais complexas. Pri-
meiramente, você pode expressar a causa de algo usando a partícula 「から」.
A causa e efeito estarão sempre ordenados no padrão “[causa] 「から」 [efeito]”.
Quando a causa se tratar de um substantivo ou Adjetivo-NA, você deve adicionar
a cópula 「だ」 para declarar explicitamente a causa 「(substantivo / Adjetivo-
NA) だから」. Nestes casos, se você se esquecer de adicionar 「だ」 antes de 「
から」, vai acabar soando como o 「から」 que significa “de”:
Tanto a razão como o resultado podem ser omitidos se estiverem claros a partir
do contexto. No caso do discurso educado, você trataria 「から」 apenas como
um substantivo comum e adicionaria 「です」. Observe o diálogo:
Você pode usar também 「です」 ou 「である」 se quiser ser mais formal:
Voltando no diálogo entre Miyako e Tamotsu, perceba que Tamotsu poderia ter
usado a partícula explicativa 「の」 e dizer 「時間がなかったのです」 ou 「時
間がなかったんです」. Considerando esta possibilidade, digamos que você
147
queira combinar a causa e o efeito, isto é, 「時間がなかったのだ」 e 「パーティ
ーに行かなかった」. Lembre-se de que podemos tratar a partícula 「の」 como
um substantivo, e então poderemos aplicar o que aprendemos no primeiro tópico
desta lição:
時間がなかったのだ+パーティーに行かなかった = 時間がなかったのでパーテ
ィーに行かなかった。
NOTA: 「失礼します」, que significa literalmente “eu estou fazendo uma des-
cortesia”, é comumente usado como uma forma educada para você se retirar ou
interromper alguém.
Do mesmo modo que o 「の」 explicativo pode ser abreviado para 「ん」 na
fala, 「ので」 pode ser transformado em 「んで」, pois é mais fácil de ser pro-
nunciado:
148
Considerando o significado de “benefício” do substantivo 「ため」, ele pode
também ser usado para indicar que aquilo que está na oração subordinada é a
finalidade da ação principal. Observe:
149
みどりが毎日運動したのに、全然痩せなかった。= Apesar de ter se exercitado
todos os dias, Midori não emagreceu.
Da mesma forma que 「から」 e 「ので」, qualquer uma das partes pode ser
omitida e subentendida pelo contexto:
Parece estranho, mas 「聞く」 pode significar tanto “ouvir” como “perguntar”.
Talvez, você pense que isso torne as coisas difíceis, mas o devido significado é
150
geralmente claro pelo contexto. Na sentença acima, estamos assumindo que o
amigo não sabia, então o falante provavelmente estava perguntando ao amigo.
Novamente nós vemos a importância do contexto na língua japonesa, porque
essa sentença pode significar também “Eu ouvi de um amigo, mas eu não sabia”,
já que não há sujeito nem tópico.
Na verdade, a oração está incompleta, mas no japonês tal recurso tem um aspecto
menos direto e transmite um ar mais suave e polido.
Quando você quiser listar razões para vários estados ou ações, poderá fazer isso
adicionando 「し」 ao final de cada oração subordinada. É muito semelhante à
partícula 「や」, exceto que 「し」 enumera razões para verbos, Adjetivos-I e
estado-de-ser. Observe:
Vejamos agora o verbo auxiliar 「たり」. Trata-se da versão para verbos da par-
tícula 「や」, isto é, você pode fazer uma lista parcial de ações, na qual existam
mais ações. Ao final da sentença é preciso adicionar o verbo 「する」, que tam-
bém indicará o tempo verbal:
Você também pode usar 「たり」 com o estado-de-ser para expressar que algo,
em momentos diferentes, é uma série de coisas, dando a entender que há ainda
uma lista de coisas ainda maior:
Podemos anexar a partícula 「ながら」 à base Ren’youkei dos verbos para ex-
pressar que uma ação está ocorrendo em conjunto com outra ação. Embora raro,
você também pode anexar 「ながら」 à forma negativa do verbo. Esta gramá-
tica não expressa em si tempo; isto é determinado pelo verbo principal:
152
Como 「ながら」 expressa ações simultâneas, costuma-se atribuir a ele o sentido
de “enquanto”. Vejamos alguns exemplos:
Observe que, assim como sempre acontece, o verbo que encerra a oração é o
verbo principal, ou seja, é aquele que expressa a ação principal de uma oração.
Portanto, a partícula 「ながら」 simplesmente descreve outra ação que também
está ocorrendo. Por exemplo, se mudássemos a disposição dos verbos, como
em 「宿題をしながら、 テレビを観る」, o significado da oração seria “Eu as-
sisto TV enquanto faço lição de casa.” Em outras palavras, a ação principal, neste
caso, torna-se “ver TV” e a ação de fazer o dever de casa torna-se uma ação que
está ocorrendo ao mesmo tempo.
Um ponto importante é que não se deve usar 「ながら」 para duas ações simul-
tâneas em que os agentes são distintos. Observe o exemplo:
153
この掃除機は、小型ながら性能がいい。= Falando deste aspirador-de-pó, ape-
sar de ser compacto, sua performance é boa.
Você também pode anexar a partícula inclusiva 「も」 a 「ながら」 para ob-
ter 「ながらも」. Isso explicita o sentido de concessão:
Estes exemplos mostram como 「と」 é usado para expressar uma consequên-
cia natural. Entretanto, mesmo que a afirmação não a seja por si mesma, 「と
」 indicará ao ouvinte que é esperado que tal afirmação seja, apesar disso, uma
consequência natural:
154
que aconteça. Portanto, o condicional 「と」 não pode ser seguido por verbos
que indiquem pedido ou convite:
O próximo tipo de condicional expressa apenas uma condição regular sem quais-
quer suposições ou significado incorporado. Para tanto, basta anexar 「ば」 à
base Kateikei das partes do discurso flexionáveis, isto é, verbos e Adjetivos-I:
Lembre-se que no Japonês moderno, a Base Izenkei passou a ser chamada de Ka-
teikei. Não só o nome mudou, mas também seu sentido, já que “Izenkei” era
usada basicamente para ações concluídas. Vejamos:
No Japonês Clássico 「ば」 era adicionado à base Mizenkei para expressar con-
dição (uma condição é “algo não realizado ainda” = Mizenkei):
Alguns apontam que, no japonês moderno, o sentido de 「ば」 estaria mais para
“quando / no momento que [X] for o caso”, do que para “Se [X] for o caso”.
155
Seja como for, vamos aos exemplos práticos:
Em certo sentido, você está explicando o que aconteceria se você assumir que
uma determinada condição é satisfeita. Em outras palavras, está dizendo "se for
dado um determinado contexto, eis aqui o que vai acontecer." Você vai ver isso
refletido nas traduções para o português com a expressão "se é dado que" nos
próximos exemplos:
156
明日うちへ来るなら電話をする。= Se é dado que (eu) virei a sua casa amanhã,
telefonarei para você.
Uma vez que 「なら」 origina-se da cópula 「だ」, não é necessário usa-la para
expressar o estado-de-ser de substantivos e Adjetivo-NA:
Você também pode optar por usar 「ならば」 em vez de apenas 「なら」. Isso
significa exatamente a mesma coisa, exceto que ele tem uma nuance mais formal.
Finalmente, como 「なら」 é na realidade oriunda de uma cópula, você deve es-
tar se perguntando se não seria necessário acrescentarmos um 「の」 (ou algo
equivalente a um substantivo) entre o verbo e 「なら」. Bem, este raciocínio faz
sentido e no Japonês Clássico, sim, acrescentava-se um 「の」 depois de um
verbo. Porém, no japonês moderno, isso se tornou opcional e pode soar arcaico:
Indo pelo contexto, a forma condicional com 「たら」 soa mais natural, porque
não parece que estamos realmente nos focando na condição em si. Estamos,
157
provavelmente, mais interessados no que vai acontecer, uma vez que encontra-
mos o amigo.
「もし」 tem uma versão enfática que é 「もしか」. Aliás, 「もしか」 pode apa-
recer com a forma condicional do verbo 「する」, como 「もしかすると」 ou 「
もしかしたら」. Há ainda a forma 「もしかして」:
159
16. MAIS SOBRE PARTÍCULAS
Você se lembra que mencionamos anteriormente a existência de “palavras variá-
veis”? Há algumas partículas que se comportam como substantivos dependendo
de como são usadas. Por exemplo, a partícula 「だけ」 é usada para expressar
que determinada quantidade de algo é tudo o que existe. Assim como as outras
partículas que já aprendemos, ela é diretamente ligada ao fim de qualquer pala-
vra que a que se refira:
Quando alguma das principais partículas é usada, ela deve figurar após 「だけ
」:
A partícula 「しか」 deve ser utilizada para indicar a ausência de qualquer outra
coisa. Algo interessante com relação a esta partícula é que o verbo deve estar sem-
pre na forma negativa.
160
これしかある。= Não há nada mais que isto (INCORRETA. Deveria ser usado 「
だけ」).
Como verá nos próximos exemplos, 「しか」 tem um significado negativo incor-
porado enquanto 「だけ」 não tem qualquer nuance particular:
Podemos anexar 「ばかり」 à forma passada dos verbos para indicar que uma
ação acabou de ser realizada:
A partícula 「より」 é usada para rotular algo como ponto de referência para
uma comparação:
162
é MAIS alto do que aquilo que está no primeiro, ou seja, sua origem, marcada
por 「より」 :
Nesta escada, o elemento que está no primeiro degrau (より) é “inglês”, então,
ele está ABAIXO de “japonês”, que está no segundo degrau e, consequente-
mente, está MAIS alto na “afirmação [X]”, que neste caso é 「難しい」. Logo, ja-
ponês é mais difícil do que inglês. E, ainda, poderíamos omitir o item comparado,
se ele estiver subentendido pelo contexto:
Também, poderíamos dizer que algo que está acima é preferível àquilo que está
abaixo, quando não há nenhuma “afirmação [X]”. Observe:
Vale ressaltar que o ponto de referência pode ser omitido, quando está subenten-
dido:
Claro que não há nenhuma regra que estabeleça que 「より」 deve ser usado
com o substantivo 「ほう」 (方), pois os aspectos das coisas se deduzem pelo
contexto. Também, palavras associadas a 「より」 não precisam de nenhum
tempo verbal. Repare na seguinte oração:
163
ゆっくり食べた方が早く食べるよりいい。= É melhor comer lentamente em vez
de comer rapidamente (Lit. O caminho de se comer devagar e “mais bom” do
que comer rapidamente)
Podemos usar 「より」 em conjunto com a partícula 「も」. Embora sejam pra-
ticamente invariáveis, parece que 「よりも」 é mais enfático:
NOTA:「より」 era usado para desempenhar um dos papéis que ͔ 「から」 de-
sempenha hoje, isto é, mostrar a origem de algo. De fato, em documentos legais
「より」 ainda é usado em vez de ͔ 「から」.
Como mencionamos no tópico 6, estima-se que haja cerca de 200 usos relaciona-
dos às partículas, aqui incluindo usos e diferentes tipos de partícula que, para
fins meramente didáticos as dividimos em três grupos:
A. Partícula Simples: são as partículas de “per si”, isto é, sem nenhum comple-
mento;
164
A partir de agora, abordaremos as Partículas Duplas e as Partículas Compostas
mais básicas.
Makoto pergunta a Midori se ela não comerá sushi e ela responde que no restau-
rante não. Talvez, Midori não goste de restaurante e sabe que Makoto poderá
sugerir tal lugar. Então, nesse caso, Midori traz “restaurante” à conversa para
dizer que não comerá nesse lugar.
165
日本語を習う。= Aprender japonês.
Por favor, tome cuidado para não cometer esse tipo de erro:
No Japonês Moderno essa combinação não é possível, mas nos tempos antigos
ela existia como 「をば」 e era usada para dar maior ênfase ao objeto direto.
O padrão acima é muito utilizado para se pedir permissão para fazer algo. Na
linguagem casual é comum omitir-se a partícula 「も」:
寿司を食べていい?= Posso comer sushi? (Lit. (eu) vou comer sushi e é bom?)
Não confunda este 「でも」 com a conjunção 「でも」. Embora pareça que re-
almente sejam a mesma coisa, a conjunção 「でも」 não pode ser usada para co-
nectar sentenças, isto é, ela é usada geralmente depois de uma pausa em outra
sentença, para contradizer o que foi dito anteriormente ou está subentendido na
conversa:
166
箸でも寿司を食べた。 = (Eu) comi sushi com hashi também.
Podemos juntar as partículas 「へ」 e 「の」 para expressar que o estar direcio-
nado a algo é atributo de outro elemento. Para tornar mais claro, observe o exem-
plo abaixo:
Nesta construção, expressamos simplesmente que “ele” é para onde está direci-
onada a carta e este fato é atributo dela, ou seja, não é uma carta para qualquer
um, mas para “ele”.
Podemos também combinar 「と」 e 「は」 para indicar que uma palavra ou
expressão será definida. Esta partícula é frequentemente usada, por exemplo, em
enciclopédias para definir palavras:
Quando usada sozinha com uma palavra 「とは」 denota o significado de "esta
palavra é definida como?" e pode ser traduzida como "O que é...":
Cuidado para não confundir este uso de 「とは」 com 「と」 sendo acompa-
nhado de 「は」 como partícula enfática. Neste caso, o contexto será nosso ali-
ado para sermos capazes de diferenciar:
167
まことは食べてばかり。= Falando de Makoto (ele) só come (e não sabe fazer ou-
tra coisa além disso).
O sentido aqui é simples: imagine que uma ação foi realizada (ter ouvido as opi-
niões de todos) como preparação para outra mais importante (decidir). Esta pre-
paração é a base, um pré-requisito sobre o qual (「上で」), será realizado algo
importante.
A. A Forma TE: vimos ela pode funcionar como um advérbio: Perceba que a Par-
tícula Composta 「によって」 é simplesmente a forma TE do verbo 「拠る」,
que significa “Depender de”, como pode ser visto pela seguinte troca simples no
próximo diálogo:
168
HIROSHI: 今日は飲みに行こうか?= Vamos ir beber hoje?
169
17. CONSTRUINDO MAIS ORAÇÕES
Continuando o que começamos no tópico 15, algo muito estranho no Japonês
Moderno é a maneira como costumam expressar deveres. É feita por meio de
padrões, a saber:
Veja os exemplos:
Para expressar coisas que NÃO se deve fazer, basta alterar a primeira parte do
padrão 1 para a forma afirmativa:
Existe a forma casual para este tipo de expressão no qual podemos abreviar os
fragmentos 「~ては」 e 「~では」 para 「~ちゃ」 e 「~じゃ」 respectiva-
mente. Tenha em mente, porém, que tais abreviações, em geral, soam um pouco
engraçadinhas ou feminino:
Você pode estar reclamando sobre o quão longo é a maioria das expressões que
aprendemos até agora apenas para dizer que você deve fazer algo ou não. Vere-
mos, então, como podemos amenizar isso. Os professores são relutantes em en-
sinar essas expressões excessivamente familiares, porque elas são muito mais fá-
ceis de usar, algo que é ruim para os momentos em que podem não ser apropri-
adas. Mas, por outro lado, se você não aprender expressões casuais, torna-se di-
fícil compreender seus amigos (ou supostos amigos). Com 「~ては」 e 「~け
170
れば」 abreviados, o segredo está em retirar a parte do resultado da condição.
Observe:
Algo importante a ressaltar aqui é que esta omissão é válida somente para ações
que devem ser feitas. Sendo assim, as seguintes omissões estão incorretas:
O Adjetivo-I 「欲しい」, que pode ser traduzido como sendo a qualidade de “ser
desejado”, pode ser usado para indicar coisas que você deseja. Se com 「たい
」 indicamos ações que desejamos fazer, com 「欲しい」 indicamos basica-
mente coisas que desejamos, já que ele é um adjetivo e qualifica substantivos:
寿司を食べてほしい。= Eu quero que (você) coma sushi. (= Desejo que essa ação
seja realizada, experimentada por alguém).
Quando quiser especificar o ente que você deseja que faça determinada ação,
marque-o com a partícula 「に」:
E se quisermos expressar que desejamos que uma ação NÃO seja feita? Provavel-
mente, seriamos levados a imaginar algo com 「~なくてほしい」, mas esse não
é o caso. Talvez por ser mais fácil (lembre-se sempre que nativos são preguiçosos
com sua língua ), neste caso devemos usar 「~ないでほしい」:
Atente-se ao fato de que 「~てほしい」 não deve ser usado se a pessoa que que-
remos que faça algo tiver um status maior. Neste caso, podemos usar, por exem-
plo, 「~てもらいたい」:
飲め! = Beba!
食べよ! = Coma!
A forma do comando negativa é muito simples: basta anexar 「な」 à forma in-
finitiva de qualquer tipo de verbo:
172
ペンを貸してくれる? = Você me dará o favor de me emprestar a caneta?
Você pode usar a negativa para fazer o pedido um pouco mais suave. Você vai
ver que isso é verdade em muitos outros tipos de gramática:
É natural imaginar que, para pedir que alguém não faça algo, devemos usar a
Forma TE na forma negativa, isto é, 「~なくて」, mas esse não é o caso. Para
tanto, deve-se usar sua forma contraída 「~ないで」:
173
それをくれる? = (Você) me dará isso?
Como você pode ver 「ください」 é utilizado para se fazer um pedido direto
por algo, enquanto que 「くれる」 é usado como uma questão pedindo para que
alguém dê algo. No entanto, 「ください」 é similar a 「くれる」 no sentido
que você também pode usá-lo como verbo suplementar, a fim de solicitar que
uma ação seja feita:
É possível se construir uma versão abreviada e menos formal. Para isso, basta
usar a Base Meireikei, que, como vimos, nestes verbos também sofre uma mu-
dança eufônica para i:
Você provavelmente vai ouvir isso um milhão de vezes a cada vez que entrar em
algum tipo de loja no Japão. No entanto, um chef de sushi de meia-idade, prova-
velmente vai usar a versão abreviada:
175
Podemos retirar 「さい」 de 「なさい」 para produzir uma versão casual
desta gramática:
Este 「な」 não deve ser confundido com forma negativa de comando 「な」. A
diferença mais óbvia (além da clara diferença no tom) é que 「なさい」 é ane-
xado à base Ren’youkei do verbo, enquanto a forma negativa de comando é ane-
xada à forma infinitiva. Por exemplo, para 「する」, 「しな」 é a versão abre-
viada de 「しなさい」, enquanto 「するな」 é um comando negativo.
O substantivo 「よう」 (様) e o sufixo 「みたい」 são muito úteis para constru-
irmos orações mais complexas. Literalmente, 「よう」 significa algo como “apa-
rência” ou “maneira”, e 「みたい」, “similaridade com...” e é usado coloquial-
mente.
Podemos usar 「よう」 como substantivo simplesmente ou, ainda, como Adje-
tivo-NA ou advérbio. Para tanto, basta anexar 「な」 ou 「に」 respectiva-
mente. Observe os exemplos:
覚えるようにする。= (Eu) tentarei lembrar (Lit. (Eu) farei como se fosse lembrar)
176
Os dois padrões acima são muito comuns e os livros convencionais costumam
traduzi-los com “tentar fazer [X]” e “adquirir o hábito de [X]”, respectivamente.
Contudo, veja que mesmo se pensarmos literalmente, seremos capazes de supor
um sentido semelhante.
Um aspecto muito útil de 「ように」 é que ele pode ser usado para iniciar uma
ideia que é completada (mentalmente) pela outra parte. Observe o exemplo a se-
guir:
Apesar de ser uma frase inacabada, pelo contexto é fácil supor o que vem a se-
guir. Este tipo de sentença "adicione o seu próprio fim" é muito visto em cartões
de aniversário e de fim de ano, cujo sentido é "os melhores votos de ...", "Eu es-
pero que você ...", etc. Neste caso, então, a construção pode ser considerada uma
frase inteira:
177
学生みたいな人を見た。= (Eu) vi pessoa que tem aparência de aluno. (usado
como Adjetivo-NA)
Cuidado com o sentido de 「みたい」. Geralmente, este sufixo implica que algo
somente tem a aparência de [X], mas não é [X]. É diferente de 「よう」, que im-
plica dizer que algo tem a aparência de [X], podendo ser [X] ou não. Notou a
diferença? Por isso você não pode usar, por exemplo, 「おいしいみたい」, por
que significaria dizer que a comida só tem a aparência de ser saborosa.
Vamos aprender agora a expressar que um resultado é provável dada uma certa
situação. Para tanto, basta simplesmente anexar 「そう」, observando as regras:
ANEXAÇÃO DE 「そう」:
2.1. A exceção à regra acima fica por conta de 「いい」, que se torna 「よさ」;
Por este exemplo, vemos que o tempo verbal é indicado pela cópula.
178
この犬はかわいい。 = Este cachorro é (parece) gracioso.
Podemos também usar 「そう」 com os Adjetivos-NA. Neste caso, basta sim-
plesmente anexá-lo ao Adjetivo-NA em questão, não sendo necessário alterar
nada:
O mesmo não ocorre com substantivos. Sendo assim, a construção a seguir está
incorreta:
Também, 「そう」 pode ser usado como um sentido de advérbio, com o auxílio
da partícula 「に」:
「そう(cópula)」] é útil para falar sobre coisas que não têm a ver necessaria-
mente com aquilo que você mesmo pensa ou sente. Ao contrário do que acaba-
mos de aprender, simplesmente anexe 「そう」 diretamente ao final dos verbos
e Adjetivos-I. Para os Adjetivos-NA e substantivos, entretanto, você deve indicar
o estado-de-ser adicionando 「だ」 antes de 「そう(cópula)」. Também, per-
ceba que 「そう」 em si deve sempre terminar com uma das cópulas. Vejamos
os exemplos:
179
Ao iniciar uma sentença com esta gramática, é necessário também adicionar 「だ
」 assim como se faz com 「だから」:
180
18. UMA ÚLTIMA CONVERSA
Certamente, você já se deparou com situações em que não conseguiu compreen-
der uma palavra ou expressão dita por um nativo, e ao vê-la no papel você se
frustrou ao saber que você já a conhecia. Realmente, adquirir habilidades auditi-
vas talvez seja a tarefa mais difícil e desmotivante quando se está aprendendo
algum idioma, porque neste quesito não há regras, como no ensino de gramática.
Afinal, por que ouvir em outro idioma é assim tão complicado? O que torna essa
habilidade algo tão difícil de ser dominada?
Uma das primeiras coisas que você deve ter em mente ao iniciar o estudo de um
idioma, é que existem dois tipos de linguagem: a formal e a informal (ou casual):
Você vai ver que uma grande quantidade das palavras dentro da linguagem ca-
sual em japonês decorre deste único princípio de tornar as coisas mais fáceis de
serem ditas (lembra-se que citamos que nativos pronunciam palavras de um
modo “mais confortável”?). Isso é muito natural, porque é guiado pela forma
como a sua boca se move. Podemos exemplificar a aplicação desse princípio
usando a língua portuguesa. Basta considerar o fato que costumamos pronunciar
“está”, apenas “tá”, “não” como “num” e “você” como “cê”, afinal é bem mais
fácil, não é mesmo?
Embora a oração acima esteja com as palavras encurtadas, para nós que temos o
português como língua materna, é de fácil compreensão. Mas com certeza, ela
seria um terror para um estudante estrangeiro que frequentou um curso
181
convencional de língua portuguesa, pois ele espera ouvir as palavras pronuncia-
das corretamente: “você”, “não”, “está”, “com”, “sono”.
Hoje você falou com o homem vestido de branco que estava dentro do carro?
Hoji cê falô cum u homi vestidu di brancu qui tava dentru du carru?
Novamente, isso se deve ao fato de que os nativos buscam meios mais fáceis de
articular as palavras. Experimente dizer a frase “Hoje você falou com o ho-
mem vestido de branco que estava dentro do carro?”, pronunciando as pala-
vras exatamente como elas são escritas. Certamente, você sentirá dificuldade e
uma falta de “ritmo” na fala, isto é, soará como um robô.
Por esta razão, é que normalmente pronunciamos “Hoji cê falô cum u homi ves-
tidu di brancu qui tava dentru du carru?”. Veja como que instintivamente enfra-
quecemos e/ou omitimos algumas sílabas, a fim de tornar a fala mais fácil, man-
tendo assim um “ritmo” na articulação das palavras. Algo importante de se notar
é que essas “manobras” usadas pelos nativos não são ensinadas, mas é algo ad-
quirido e praticado instintivamente pela vivência com o idioma.
Diante de tudo isso, percebe-se que a raiz do problema da não compreensão está
no fato de que o nosso cérebro está acostumado ao modo preguiçoso de ouvir a
língua. Para ilustrar, vamos fazer mais uma analogia. Para tanto, observe a figura
182
abaixo com um pequeno trecho de “Tempos Modernos”, filme de 1936 do cine-
asta Charles Chaplin:
Imagine que o operário nessa imagem seja o nosso cérebro e cada uma das peças
passando na esteira, as palavras. Ora, devido à velocidade com que as peças pas-
sam, um operário que não foi treinado sendo exposto à velocidade real da es-
teira, não conseguiria rosquear todas, deixando passar batido várias por causa de
seu despreparo, não é mesmo? Da mesma forma, um “cérebro despreparado”
para um idioma não conseguirá reconhecer todas as palavras com que se deparar
na “esteira de palavras” do mundo real. Com isso, o estudante ficará frustrado
por não ser capaz de acompanhar uma conversa normal. A essa confusão mental
somam-se o nervosismo, a ansiedade, a preocupação e o medo. Tudo isso faz com
que seu nível de estresse aumente e sua habilidade de ouvir e entender seja pre-
judicada.
Para resolver isso, você deve aprender o idioma como ele realmente é desde o
início de seu aprendizado. Ouvir a língua japonesa de modo natural, estar ciente
de que o modo como nativos pronunciam as palavras geralmente é diferente do
modo como aprendemos nos livros ajudará seu cérebro a se acostumar com o ja-
ponês de verdade. Registrar as informações da forma como ela será produzida
na vida real é muito mais eficiente do que aprender regras e palavrinhas soltas
ao longo do seu aprendizado.
Vemos muitos métodos que prometem milagres, mas sinceramente não cremos
que exista uma fórmula mágica para isto. Ou melhor, a fórmula é simples, porém
"trabalhosa":
183
Se você não tiver como viajar ao Japão, nem tudo está perdido, pois temos a in-
ternet como grande aliada. Nela, você tem a possibilidade de fazer amizades com
nativos, ouvir toneladas de músicas quantas vezes quiser, ou mesmo assistir aos
noticiários. Outra aliada é a TV a cabo, na qual podemos encontrar seriados nos
quais se usam muito a linguagem informal. E se você gosta de animês, há o site
“AnimeQ” ([Link] no qual você poderá encontrar uma
grande quantidade de animês legendados.
Outra ótima dica para treinar a leitura é o “NHK News Web Easy”
([Link] site que contem notícias com vocabulá-
rio simplificado. Ainda, você tem a opção de ouvir a notícia e inserir Furigana!
Há quem defenda a tese de que para falar bem, é preciso antes ter uma boa com-
preensão auditiva e para se escrever bem é preciso antes um hábito de boa leitura,
pois de certo modo, tendemos imitar aquilo que recebemos, no que diz respeito
à comunicação. Então, ao ouvir um nativo, procure se atentar às “manobras” usa-
das por ele a fim de facilitar a articulação das palavras e quando você for fa-
lar, passe a utilizá-las também (oras!) sem medo de errar. E se errar, tente de
novo. Você terá excelentes resultados! Lembre-se sempre destas valiosas palavras
do professor Denilso de Lima do “Inglês na Ponta da Língua”, que valem para
qualquer idioma:
“Quando alguém decide aprender inglês, ela começa a aprender com os olhos.
Ou seja, cria o hábito de ler sentenças e textos palavra por palavra. Assim, acos-
tuma-se a pronunciar tudo de modo mais lento e nada natural. O melhor é apren-
der inglês com o ouvido. (…) Preste muito mais atenção ao inglês falado; pois, é
ele que ajudará você a se sentir mais à vontade para interagir com as pessoas em
inglês. (…) Não são eles (os nativos) que falam inglês rápido demais. Na verdade,
é o modo como aprendemos inglês no início que nos condiciona a sermos lentos
para entender, ouvir e falar.”
Diante do que vimos no tópico 14, podemos dizer existem alguns elementos e
conceitos que formam o núcleo da construção básica de frases. Veja a ilustração
a seguir que chamaremos de “mesa de análise”:
184
Com base nisso, gostaríamos de lhe propor um exercício para que você se acos-
tume com as estruturas até chegar a um ponto em que você seja capaz de formar
suas frases institivamente. Eis o exercício:
“Ela disse que gosta de ir à escola lendo o mangá que comprou na semana pas-
sada”.
“Ela disse que gosta de ir à escola lendo o mangá que comprou na semana pas-
sada”.
Sim. O trecho “ir à escola lendo o mangá que comprou na semana passada” é
objeto do verbo “gostar”. Como ele é longo, para facilitar, vamos desmembrá-
lo...
Sim. Note que na oração nominalizada, o trecho “lendo o mangá” indica o modo
como ela vai à escola. Sendo assim, precisaremos da Forma TE do verbo, já que
ela pode exercer função de advérbio. Sendo assim, temos até agora:
I. 学校に行く = Ir à escola;
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NOTA: Alguns poderão questionar o uso da Forma TE aqui devido a sua ambi-
guidade. De fato, há outras formas mais claras de expressar “ir à escola lendo o
mangá...”. Contudo, levando em conta o contexto, o uso da Forma TE é aceitável.
4. TEMOS ATRIBUTIVOS?
Sim. Perceba que o trecho “que comprou na semana passada” modifica o subs-
tantivo “mangá”. Então...
I. 学校に行く = Ir à escola;
5. TEMOS COLOCAÇÕES?
De certa forma, sim, haja vista que com alguns verbos se usa a partícula 「と」
para indicar o objeto. Isso pode ser considerado uma colocação, já que aparente-
mente não tem explicação na gramática, mas sim na preferência dos falantes na-
tivos. Outro detalhe é que, como 「好き」é um Adjetivo-NA, precisamos adicio-
nar o declarativo 「だ」antes de 「と」. Assim, temos:
Para finalizar, agora só falta indicar de quem estamos falando: “ela”. Assim:
***
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aperfeiçoar esse exercício, acrescentando mais elementos na mesa de análise,
como conjunções, sujeito...
Boa sorte!
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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