82% acharam este documento útil (11 votos)
1K visualizações191 páginas

Gramática Japonesa Simplificada

1. O documento descreve um projeto de livro sobre gramática japonesa para iniciantes. 2. O autor criou o projeto para preencher a lacuna de materiais em português sobre a língua japonesa. 3. O livro aborda os fundamentos do japonês de maneira simples para aqueles com nenhum conhecimento prévio.

Enviado por

SNg Fps
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
82% acharam este documento útil (11 votos)
1K visualizações191 páginas

Gramática Japonesa Simplificada

1. O documento descreve um projeto de livro sobre gramática japonesa para iniciantes. 2. O autor criou o projeto para preencher a lacuna de materiais em português sobre a língua japonesa. 3. O livro aborda os fundamentos do japonês de maneira simples para aqueles com nenhum conhecimento prévio.

Enviado por

SNg Fps
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

VOLUME I – GRAMÁTICA FÁCIL

VOLUME I – GRAMÁTICA FÁCIL

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO:
Sábado, 09 de novembro de 2019 –
07h:50min
3
O PROJETO

A. SOBRE O ORGANIZADOR DESTE PROJETO

Falando um pouco sobre mim, eu me chamo Nelson e sou descendente de japo-


neses. Aos 2 anos de idade fui diagnosticado com paralisia cerebral e o médico
disse que o máximo que eu poderia fazer era ficar vegetando numa cama. Depois
de meus pais muito brigarem e correrem atrás de tratamento, aos 4 anos de idade,
comecei o meu tratamento na AACD, onde permaneci por 10 anos.

Hoje, depois de muitas cirurgias (20 mais ou menos) e tratamento, estou andando
de muletas, possuo graduação em Gestão Financeira e MBA em Controladoria e
Finanças.

B. HISTÓRICO

Sempre fui muito fã de seriados japoneses, animês e vídeo games e esse gosto fez
despertar em mim ainda mais o interesse pela língua e cultura japonesa. Quando
resolvi procurar material para estudar, deparei-me com algo que me incomodou
bastante: não encontrava bons sites e/ou livros em português! Tudo era muito
básico e incompleto!! Em compensação, havia bons sites e livros em inglês.

Conheci o site do Tae Kim. Achei a abordagem dele excelente e inovadora, mas
de algum modo aquilo ainda era insuficiente para mim. Então, passado um
tempo, deparei-me com o site Imabi e, através dele, conheci o espetacular livro
“Classical Japanese: A Grammar” de Haruo Shirane. A partir daí me interessei
pelo Japonês Clássico e comecei a pesquisar mais sobre o assunto na internet.

Com essas três “ferramentas” – Manual do Tae Kim, Imabi e Japonês Clássico –,
as coisas começaram a ficar muito mais claras e o aprendizado havia se tornado
ainda mais divertido e intrigante. Resolvi, então, juntar as minhas pesquisas em

4
um arquivo de Word: tudo que encontrava e achava interessante, eu traduzia e
colocava nele. Depois de 3 anos de pesquisas, então, pensei: “por que não com-
partilhar as minhas pesquisas?”

Então, no dia 26/05/2014, inaugurei o blog “Ganbarou Ze! – Gramática Japo-


nesa”, cujo endereço é [Link] totalmente em portu-
guês e gratuito, tendo por finalidade abordar a gramática da língua japonesa par-
tindo do ponto de vista japonês (como o Tae Kim faz) e também mostrar a evo-
lução da língua e os seus porquês (através do Japonês Clássico) para que você
disponha de conhecimento para tentar entender sozinho determinado padrão
gramatical, mesmo sem tê-lo visto em um livro de gramática antes.

C. POR QUE O JAPONÊS CLÁSSICO É IMPORTANTE AINDA HOJE?

Quando iniciei este projeto, já era evidente para mim a importância do Japonês
Clássico para um melhor entendimento da língua moderna. Conforme progredi-
mos em nossos estudos, fica fácil perceber que principalmente na linguagem es-
crita formal, deparamo-nos com construções estranhas que, sem o conhecimento
do Japonês Clássico, ficaria impossível compreendê-las de forma satisfatória.
Também, se você deseja fazer o nível 1 do JLPT, irá se deparar com essas “coisas
estranhas” da língua japonesa. É por isso que me propus a fazer uma abordagem
diferente de tudo o que você já viu, abordando o Japonês Clássico, tanto para
mostrar a evolução dos padrões modernos, como para explicar pontos gramati-
cais clássicos que ainda podem ser vistos na língua moderna.

D. POR QUE ESTE LIVRO DE GRAMÁTICA FÁCIL?

Desde que lancei o blog em maio de 2014, tenho recebido e-mails elogiando o
conteúdo, entretanto, há também alguns leitores que afirmam que, apesar de o
conteúdo do blog ser muito bom, é muito complexo para quem está tendo contato
com a língua japonesa pela primeira vez.

Diante disso, resolvi elaborar este livro com uma 'gramática fácil' direcionada
àqueles que ainda não tiveram nenhum contato com a língua japonesa. Sendo
assim, se você é um desses, recomendado que comece pelos tópicos a seguir nos
quais serão abordados, em 18 tópicos, os fundamentos do japonês da maneira
mais simples possível. Assim que você tiver dominado o conteúdo deste livro,
passe para as 55 lições no blog.

Caso você tenha, pelo menos, conhecimento básico de inglês, o “[Link]”


([Link] possui uma funcionalidade muito interessante: você pode
colocar uma oração inteira na barra de pesquisa e ele a desmembrará! Assim,
você poderá copiar as orações de exemplo deste livro e conferir o significado de
cada palavra!! Observe o exemplo com a oração “Eu comi sushi”:

5
Outra ferramenta em inglês que eu recomendo que você baixe é a extensão
“Rikaichan”. Assim, quando estiver navegando por algum site é só passar o
mouse em cima das palavras em japonês e aparecerá um pop-up com a tradução
em inglês.

Para Chrome: [Link]

Para Firefox: [Link]

Para Firefox Quantum: [Link]

No blog Ganbarou Ze! não há Furigana nos Kanjis. Entretanto, esse problema
pode ser contornado com a extensão “IPA Furigana”:

Para Chrome: [Link]

Para Firefox: [Link]

6
Infelizmente, não há muitas opções de dicionários Japonês – Português / Portu-
guês – Japonês para consulta online. Conheço apenas dois que, no entanto, pare-
cem não possuir uma base de dados satisfatória:

DICIONÁRIO JP: [Link]

NIPPO (português de Portugal): [Link]

Há também o GLOSBE ([Link] Embora não seja um di-


cionário, mas sim um tradutor, prefiro ele aos dois dicionários citados.

E. CONSIDERAÇÕES

Por fim, quero deixar claro que não sou fluente em japonês e que este livro se
trata de material que venho pesquisando ao longo desse tempo. Portanto, sempre
que encontrar algo interessante, atualizarei algum tópico ou mesmo novas lições
poderão ser acrescentadas de acordo com as circunstâncias.

Não deixe de entrar em contato conosco caso tenha sugestões, críticas ou algum
também material interessante que deseje que esteja em futuras atualizações.

Anote nosso e-mail: [Link]@[Link]

SE DESEJAR, FAÇA UMA DOAÇÃO: [Link]

CURTA NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK:

[Link]

“Não palmilhe sempre o mesmo caminho, passando somente onde outros já pas-
saram. Abandone ocasionalmente o caminho trilhado e embrenhe-se na mata.
Certamente descobrirá coisas nunca vistas, insignificantes, mas não as ignore.
Prossiga explorando tudo sobre elas; cada descoberta levará a outra. Antes do
esperado, haverá algo que mereça reflexão”. (Graham Bell)

7
1. ESCRITA I – KANA E ROOMAJI
A escrita japonesa possui quatro formas de expressão: O Kana, formado por dois
conjuntos de fonemas – Hiragana e Katakana (que juntos formam o silabário ja-
ponês), o Kanji, ou ideogramas chineses e o Roomaji, que é a forma de se repre-
sentar os sons da língua japonesa através das letras do nosso alfabeto romano.

Com relação ao Kana, o Hiragana é usado para se escrever palavras japonesas e


o Katakana, palavras estrangeiras. Vejamos:

Perceba que ambos possuem os mesmos sons, sendo que o que os diferencia é a
forma dos fonemas. Também, diferentemente do português, em que se segue o
padrão de vogais “A – E – I – O – U”, no japonês é “A -I -U -E – O”. Com relação
à pronúncia e traçado, assista aos vídeos nos links abaixo:

A. PRONÚNCIA DOS FONEMAS: [Link]

B: TRAÇADO DO KATAKANA: [Link]

C. TRAÇADO DO HIRAGANA: [Link]


Ao observar o quadro, também é possível ter uma ideia de como o Roomaji fun-
ciona. Por exemplo, “cachorro” em japonês é 「いぬ」, que em Roomaji ficaria
“INU”. Como regra, essa palavra não poderia ser escrita em Katakana, isto é, 「
イヌ」, por se tratar de uma palavra japonesa.

8
Bom, até aqui nada complicado, não é mesmo? Contudo você deve estar se per-
guntando, com razão, como representar, por exemplo, o som “DA” se no quadro
só tem o som “TA”?

Na escrita japonesa existem sinais que podemos colocar nos fonemas, afim de
obter variações. Podemos colocar um pequeno círculo ou umas aspas do lado
superior direito de alguns fonemas. Observe:

Portanto, para obter o som “DA”, simplesmente colocamos aspas no canto supe-
rior direito do fonema “TA”. Se quisermos, por exemplo, o som “BA” basta co-
locar as aspas no som “HA” e se queremos o som “PA”, simplesmente colocamos
um pequeno círculo no fonema “HA”.

Aumentamos o nosso repertório de sons possíveis, mas ainda não acabou. Isso
por que ainda é possível também combinar alguns fonemas de terminados em
“I” colocando do seu lado direito um pequeno 「や」, 「ゆ」 ou 「よ」. Veja:

Vamos a um exemplo prático com base no que vimos até aqui. Como escrever em
japonês o nome “Nelson”?

Primeiramente, precisamos saber se “Nelson” é um nome japonês ou estrangeiro,


afim de usar o conjunto Kana correto. “Nelson” é um nome estrangeiro, portanto,
usaremos o Katakana. O próximo passo é observar quais fonemas do Katakana
serão usados:

9
A dúvida aqui é em relação ao “L” solitário, pois não existe som equivalente em
japonês. Quando isso acontecer precisaremos transformá-lo em um fonema japo-
nês existente mais próximo. Nesses casos, utiliza-se o recurso da adição de som
de vogal, podendo ser “U” ou “O”, dependendo do caso. Como regra geral:

1) VOGAL + CONSOANTE (+ U). Sendo assim:

O “L” solitário ficaria “LU”, entretanto, como também não existe som “LU” na
língua japonesa, usaremos “RU” por ser o mais próximo.

2) CONSOANTE (+ O) + CONSOANTE. No caso do nome “Leandro”, tem-se a


sílaba “DRO”, na qual temos consoante e consoante. Assim:

3) CONSOANTE (+ U) + CONSOANTE – No começo da palavra;

4) CONSOANTE (+ O) – No final da palavra.

Tenha em mente que a representação de sons e palavras estrangeiras será sempre


uma aproximação, portanto, haverá “formas convencionadas”, isto é, formas que
caíram na preferência dos falantes. Veja que no exemplo acima, não se coloca o
“U” para o trecho “– MAR – “, preferindo-se o alongamento da vogal “A” por
meio do sinal “ー” (no Hiragana, esse alongamento é obtido através da colocação
da mesma vogal presente no fonema – 「さあ」– SAA). Na representação de pa-
lavras inglesas há muitas formas convencionadas como o “TH” que normalmente
vira “S”: 「サンキュー」= Thank you.

Já que o Katakana é usado para se escrever palavras de origem estrangeira, como


representar sons com a letra “V”, por exemplo? Há duas possibilidades: transfor-
mar o “V” em “B” ou usar a letra “U” com as aspas em conjunto com a vogal
desejada. Observe a tabela abaixo com os sons adicionais possíveis:

10
Há ainda o pequeno 「つ」que tem como principal finalidade representar uma
pausa antes da pronuncia do fonema que o sucede. Na pratica, é basicamente a
pausa que se faz “já com a língua no céu da boca” antes de seguir para uma nova
sílaba. Dividiremos pronúncia de 「さっか」 em tempos para que você entenda
melhor como funciona essa pequena pausa:

「さ」 – 1º tempo;

「っ」 – 2º tempo: “comece” a pronunciar o próximo fonema e então faça uma


pequena pausa “já com a língua no céu da boca”;

「か」 – 3º tempo: “termine” de pronunciar o fonema que segue o 「つ」 pe-


queno.

Na transcrição para o Roomaji, o pequeno 「つ」é representado pela duplicação


da consoante da sílaba que o precede – por isso também é conhecido como “con-
soante germinada”. Sendo assim, 「さっか」 deve ser romanizado “SAKKA” e
não “satsuka” ou “saka”, pois o fonema que precede o pequeno 「つ」é “KA”,
logo, a consoante “K” será duplicada.

Com relação à ordem alfabética, observe o quadro abaixo:

11
2. ESCRITA II – KANJI
Os Kanjis (ou caracteres chineses) representam conceitos materiais e abstratos e
foram introduzidos na língua japonesa por meio de escritos trazidos por monges
budistas quando ainda não havia expressão escrita nela. Substantivos e radicais
de adjetivos e verbos são quase todos escritos com caracteres chineses. Também
os advérbios são escritos em Kanji com bastante frequência. Isso significa que
você precisará aprender os caracteres chineses para ser capaz de ler praticamente
quase todas as palavras do idioma. Porém, nem todas as palavras são escritas em
Kanji. Por exemplo, mesmo que o verbo “fazer” tecnicamente possua um Kanji
associado a si, é sempre escrito em Hiragana. Critérios individuais e um senso de
como as coisas são normalmente escritas são necessários para decidir quando as
palavras devem ser escritas em Hiragana ou Kanji. De qualquer modo, a maioria
das palavras em japonês será escrita em Kanji quase sempre (livros infantis ou
qualquer outro material direcionado a um público que não saiba muitos Kanjis
são uma exceção a isso).

Um ideograma chinês pode ter várias pronúncias possíveis (em casos raros, dez
ou mais), dependendo do seu contexto, significado pretendido, uso em compos-
tos, e localização na frase. Estas pronúncias, ou leituras, são normalmente cate-
gorizadas em on'yomi (pronúncia próxima do original chinês) ou kun'yomi (pro-
núncia japonesa atribuída a ele). Para fins didáticos a leitura ON, é escrita em
Katakana. Já a leitura KUN é escrita em Hiragana.

Como regra bem básica, a leitura Kun é usada para palavras nativas, principal-
mente em adjetivos e verbos. Nesse caso, geralmente há uma sequência de Kana
(chamada okurigana) que vem anexada aos ideogramas complementando a pro-
núncia da palavra e será a parte que sofrerá flexões. Observe o exemplo:

12
Como você leria o Kanji em 「食べる」?

Vamos observar as leituras do ideograma em questão:

Primeiramente, como 「食べる」 se trata de um verbo, deve-se considerar a lei-


tura Kun. Mas qual é a correta, haja vista que temos quatro leituras Kun possí-
veis?

Basta observar o Okurigana que acompanha o Kanji. Neste caso é 「べる」, logo,
segundo a tabela acima, a pronúncia correta para o ideograma em questão é 「
た」. Esquematizando, temos:

Já a leitura ON é usada quando a palavra está escrita “à moda chinesa”, isto é,


somente com Kanjis. Como exemplo, repare nos Kanji abaixo:

Agora, observe-os no exemplo a seguir:

Na primeira ocorrência, 「新」 aparece isolado (sem outro Kanji o acompa-


nhando), então, a pronúncia é “[Link]”, lido com o Hiragana que o segue e
significa “novo”.

13
Na segunda ocorrência, 「新」 aparece acompanhado pelo Kanji 「聞」, por-
tanto, será usada a on’yomi de ambos. Desta forma, juntos formam 「しん.ぶん
」, que significa “jornal”.

Mas a coisa infelizmente não é tão simples assim. Isso por que há casos em que
composições de Kanjis recebem leituras especiais, que podem ser divididas em
três grupos:

A. LEITURA MESCLADA: é baseada nas leituras individuais de cada Kanji, mas


não seguem a regra básica. Veja o exemplo abaixo:

王様 = おう.さま (rei) – on’yomi do primeiro ideograma + kun’yomi do segun-


do ideograma.

B. LEITURA EXTRA: chamada de 「なのり」 (名乗り), é a leitura presente em


alguns ideogramas, geralmente intimamente relacionada com o kun'yomi. É
usada principalmente para nomes de pessoas e, às vezes, para nomes de lugares
(quando não se usam leituras únicas não encontradas em outro lugar). Observe
o exemplo abaixo:

C. LEITURA ATRIBUÍDA: não possui relação com as leituras individuais dos


Kanjis. Aqui leva-se em consideração apenas o significado individual de cada
caractere e se dá uma pronúncia ao conjunto. Observe:

「明日」= composição pronunciada 「あした」 ou 「あす」, que significa


“amanhã” em japonês.

「小宇宙」= normalmente se lê essa composição como 「しょううちゅう」. En-


tretanto, se estiver subentendido o animê “Os Cavaleiros do Zodíaco”, deve-se
levar em consideração que esta composição é usada para substituir a grafia 「コ
スモ」 que significa, “cosmo”. Portanto, neste caso específico, deve ser lida 「コ
スモ」 e não 「しょううちゅう」. Esquematizando, temos:

14
Há ainda leituras que são baseadas nas pronúncias dos caracteres, contudo, so-
freram mudanças ao longo do tempo. Observe:

「中人」: なかびと→ なかうど= なこうど (pronúncia e Kanji atuais)

Diante de tudo que vimos até aqui, podemos dizer que a leitura dos Kanjis é
muito ambígua. Apenas para ilustrar essa dificuldade que até mesmo os nativos
podem encontrar na leitura de Kanjis, em novembro de 2008, a imprensa japo-
nesa noticiou que o Primeiro-Ministro Taro Aso frequentemente errava as leitu-
ras de alguns Kanjis, muitos considerados de uso comum em seus discursos,
questionando assim, sua qualidade como pessoa que ocupa o cargo mais alto do
Japão

Devido aos seus erros, Aso passou a ser comparado com George W. Bush, e ro-
tulado de "Tarō" uma provocação usada nas escolas para as crianças pouco inte-
ligentes.

Por causa dessa ambiguidade na leitura dos Kanjis, é comum encontrarmos pe-
quenos Kanas, conhecidos como Furigana (também conhecido como 「ルビ」 ou
「ルビー」 = rubi), escritos acima dos ideogramas, ou ao seu lado, chamados de
Kumimoji, que mostram como devemos pronunciá-los.

15
Tal recurso é usado especialmente em textos para crianças ou alunos estrangeiros
e mangá, como também em jornais para leituras raras ou incomuns e para ideo-
gramas não incluídos no conjunto de reconhecidos oficialmente.

De fato, dominar os Kanjis não é tarefa fácil, mas isso não significa de forma al-
guma que seja impossível. Usaremos Kanjis desde o começo para ajudá-lo a ler
japonês "real" o mais rápido possível. Nestas duas lições, abordamos algumas
das propriedades dos ideogramas numa tentativa de tornar seu aprendizado me-
nos penoso e mais divertido e, dado o que foi exposto, vamos responder a duas
perguntas que devem estar pairando na sua cabeça agora:

1. Se mesmo um nativo pode ter dificuldades em saber como ler determinada


composição de Kanjis, dada a quantidade de possiblidades de leitura e as mu-
danças sonoras, qual a melhor maneira de aprender a lê-los?

Realmente, a quantidade de leituras que um único Kanji pode ter e, ainda mais,
as possíveis mudanças sonoras que podem ocorrer em alguns casos, de início, o
faria concluir que aprender as leituras individuais se torna totalmente inútil, por-
que na prática, ao se deparar com uma composição desconhecida, você só teria
um “poder de suposição” no quesito qual leitura usar. Para clarificar, suponha-
mos que você não conheça a composição 「行楽」, mas conhece as leituras indi-
viduais dos Kanjis 「行」 e 「楽」. Com isso, a primeira imagem que viria a sua
mente certamente seria esta:

Ok, perfeito! Você sabe todas as leituras ON individuais de cada Kanji. Entre-
tanto, especificamente para esta composição, qual é a combinação de leituras cor-
reta? Aí começa o grande problema! Inevitavelmente, você acaba se vendo diante
de um quebra-cabeça no qual você tem as peças, mas não sabe como encaixá-las...

16
Isso só considerando as leituras ON. Imagine então se esta composição tem uma
leitura mesclada, extra, atribuída, ou ainda tem a pronúncia simplificada? Veja
como há muitas, mas muitas possibilidades...

Como bem aponta Luiz Rafael em seu livro “Desvendando a Língua Japonesa”,
“o que faz o japonês realmente aprender KANJI não é o ensino deles na escola, e
sim a convivência em tempo integral, o uso massivo em praticamente todas as
situações do dia-a-dia. Na escola, o japonês aprende os KANJIS mais pela neces-
sidade de ler textos, copiar conteúdo da lousa referente a todas as matérias, es-
crever redações e resolver exercícios, do que pelo ensino formal do KANJI.”

Esse é o lado ruim da história. Mas há o lado bom: se você memorizar leituras
individuais em grande quantidade vai, inevitavelmente, adquirir um senso de
como se dá é a formação das palavras na língua japonesa. Por exemplo, “por que
há um pequeno 「つ」 aqui?”.

Também, não aprender as leituras individuais é desvantajoso, porque com o


tempo você perceberá que geralmente uma leitura ON de cada Kanji é usada com
mais frequência (estima-se que em 80-90% das vezes, usa-se apenas uma única
leitura On dentre as possíveis para cada Kanji). Tal afirmativa ganha força ainda
mais quando vemos que livros convencionais e métodos de memorização costu-
mam listar 2 ou no máximo 3 leituras On para cada Kanji! Sendo assim, geral-
mente a leitura On # 1, entraria nessa faixa de 80-90% e a leitura # 2 somente seria
usada em casos específicos.

Com relação às leituras KUN, aprendê-las individualmente é bom se o Kanji re-


presentar uma palavra por si só. Por exemplo, o Kanji 「力」 tem a leitura KUN
「ちから」, que por si mesmo (sem necessidade de se completar com o Okuri-
gana) é a palavra para “força”. Veja como o significado do Kanji, se traduz dire-
tamente em uma palavra inteira que você pode realmente usar.

Falando em significado, saber o significado individual de um Kanji é certamente


muito útil para palavras e conceitos mais simples. Kanjis, tais como 「続」 ou 「
連」 definitivamente vão ajuda-lo a lembrar de palavras como 「接続」、「連
続」 e 「連中」. Em conclusão, não há nada de errado em aprender o significado
de um Kanji e isso é algo que recomendamos.

Bem, agora você deve estar pensando “OK, eu vejo que há os prós e contras em
se aprender as leituras individuais. Mas, ainda assim, não seria muito mais fácil
simplesmente assimilar Kanjis e composições conforme formos nos deparando
com eles?

Isso faz muito sentido e talvez seja a opção defendida por muitos, isto é, aprender
Kanji por meio das PALAVRAS que você for encontrando por aí, e não através
de caracteres isolados, a menos que este seja por si só uma palavra “utilizá-
vel”. Afinal, a fim de aprender uma palavra, você obviamente precisa aprender
o significado, a leitura, o traçado dos Kanjis e qualquer Okurigana, se for o caso.

17
E isso com as ferramentas disponíveis atualmente na internet, torna-se muito
mais prático.

Voltemos à composição 「行楽」. Por enquanto, somente fomos capazes de su-


por sua leitura e não chegamos a uma conclusão. Entretanto, se acessarmos, por
exemplo, o “[Link]” tudo se resolverá em poucos segundos, sem estresse. Ve-
jamos:

E ainda, em “Kanji Details” poderá aprender o significado de cada Kanji, bem


como o traçado:

Bem prático, não é mesmo?

Concluindo, nossa sugestão é que você siga pelo caminho híbrido:

PRIMEIRO: aprenda PALAVRAS e, por meio delas, tudo o que for relacionado
aos Kanjis que as compõem (significado, leituras KUN - se representarem por si
mesmo palavras -, e o traçado);

SEGUNDO: com mais tempo e calma, para um estudo mais etimológico e mais
avançado, atente-se às leituras e veja como as palavras foram formadas, bem
como as particularidades de sua pronúncia, se houver.

2. Como memorizar o traçado dos Kanjis, já que existem muitos ideogramas para
se aprender?

Lembra-se que no tópico de introdução “Como aprender algo realmente” uma


das ferramentas necessárias para o aprendizado é a “ASSOCIAÇÃO”? Por esta
razão, cremos que algo que lhe será útil para memorizar o traçado dos Kanjis é
fazendo uso de uma técnica muito conhecida e difundida em livros como “Kanjis
Mnemonics” e “Remember the Kanji”. Consiste em dividir os ideogramas em
partes e tentar associá-las a figuras do nosso cotidiano. Feito isto, invente uma
história com essas figuras e visualize as imagens em sua mente. Com o tempo

18
você vai ver que ao observar o caractere oriental, vai logo se lembrar dele. Veja
os dois exemplos abaixo:

口【くち】 (significado: boca): este Kanji é uma figura que lembra


uma boca aberta, porém um pouco quadriculada;

本【ほん】 (significado: raiz, livro): este Kanji é uma árvore e o traço no meio é
a terra onde ela está plantada. Então, abaixo da terra está sua raiz. A raiz de onde
brota o conhecimento são os livros.

Reveja como escrever os Kanjis ao menos uma vez todos os meses até que você
tenha certeza de que tenha aprendido bem. Esta é outra razão pela qual começa-
remos usando Kanjis. Não há razão para deixar o imenso trabalho de aprendê-
los em um nível avançado. Ao estudar Kanjis junto com novos vocábulos desde
o começo, o imenso trabalho será dividido em pedaços pequenos e controláveis
e o tempo extra ajudará a fixar na memória permanente os ideogramas aprendi-
dos. Além disso, isto irá ajudá-lo a ampliar seu vocabulário, o qual geralmente
terá combinações de Kanjis que você já conhece. Se você começar a aprender Kan-
jis depois, este benefício será desperdiçado ou limitado.

Há também uma grande quantidade de websites e softwares para auxiliá-lo no


aprendizado dos Kanjis. Infelizmente, a maioria dessas fontes está em inglês, ou
seja, seria bom que você soubesse o básico dessa língua para que possa tirar pro-
veito. Vamos citar duas fontes de estudos de Kanjis – um software gratuito e um
website: o JWPce e o [Link].

O “JWPce” (baixe neste link: [Link] é um editor de texto e di-


cionário no qual você encontra o significado de qualquer Kanji rapidamente entre
os milhares do banco de dados, se souber como procurar. A busca pode ser feita
através do número de traços ou do radical. Observe:

O número de traços (strokes) e qual é o radical de um ideograma são as duas


informações mais úteis que você pode ter. Se tiver seu computador do lado, ne-
nhum Kanji desconhecido irá atrapalhar seus estudos.

19
Você já aprendeu anteriormente que durante os seis anos da escola primária, os
alunos aprendem os 1006 Kanjis básicos e os outros 1130 nos três anos posterio-
res. Obviamente, os Kanjis apresentados na primeira série são mais simples que
os Kanjis da sexta série. Esse método irá seguir exatamente a ordem de aprendi-
zado de um aluno numa escola japonesa. Podemos concluir, portanto, que os
Kanjis são ensinados de acordo com sua simplicidade, facilidade e importância.

Então, não seria interessante que os Kanjis fossem organizados pelo uso, pelo seu
aparecimento no dia a dia?

No JWPce uma das informações que podem ser obtidas de um Kanji é a sua fre-
quência, ou seja, o número de vezes que este aparece no dia a dia, em jornais,
livros e qualquer fonte escrita. Observe as figuras abaixo:

Podemos notar que o Kanji "dia" 「日」 é o mais frequente, ou seja, aparece toda
hora, em todos os lugares. Já o Kanji "explosão" 「爆」, não aparece tantas vezes;
existem 734 Kanjis mais frequentes que ele.

Essa classificação é útil para organizar Kanjis pela sua utilidade. Se você aprender
antes os Kanjis que aparecem mais frequentemente, maior a probabilidade de
entender um texto em japonês.

NOTA: se você deseja filtrar os Kanjis de acordo com a frequência, série de en-
sino, etc. acesse o site “KanjiCards” ([Link] Vá até a opção
“Kanji Lists” e você encontrará filtros muito úteis.

O “[Link]” ([Link] é um dicionário online de japonês com diversas


funções. Na aba “Kanji” é possível efetuar uma busca por Kanjis através de um
filtro:

20
Na aba “Kanji by Radicals” é possível fazer a pesquisa por radicais:

E ao clicar em algum Kanji, é possível visualizar diversas informações, tais como


frequência e número de traços:

E se você gostaria de ter acesso a algo que lhe mostrasse o traçado de forma ani-
mada, o “Draw Me a Kanji” ([Link] é o lugar certo. Basta inse-
rir uma palavra ou mesmo uma sentença para ter o traçado de cada Kana e/ou
Kanji feito na sua frente!

Basicamente é isso. Essas informações têm como objetivo facilitar seus estudos,
principalmente se estiver programas de flashcards e dicionários de Kanjis, o que
é extremamente recomendado!

21
3. CLASSES DE PALAVRAS, SUBSTANTIVOS E PRO-
NOMES
Para nos comunicarmos usamos gestos, sinais, palavras... Você já se perguntou o
que é uma “palavra”? Bem, de forma bem simples, nós a usamos para simbolizar
algo que se refere ao homem e ao mundo em que ele vive, isto é, cada palavra
corresponde a um conjunto de características comuns a uma classe de seres, ob-
jetos ou entidades abstratas, determinando como as coisas são. Por exemplo,
quando usamos a palavra “gato” estamos nos referirmos ao “pequeno mamífero
carnívoro, doméstico, da fam. dos felídeos (Felis catus), criado como animal de
estimação” (Dicionário Aulete).

E, da mesma forma que os portugueses nomearam as coisas que estavam ao seu


redor, assim também o fizeram os italianos, espanhóis, ingleses, japoneses e as-
sim por diante. Entretanto, é claro que a palavra usada para nomear algo nem
sempre (quase nunca) era a mesma. Os portugueses usaram a palavra “gato”
para nomear o pequeno mamífero carnívoro, doméstico, da fam. dos felídeos (Fe-
lis catus), criado como animal de estimação. Já os ingleses usaram a palavra “cat”;
os franceses, “chat”, os italianos “gatto”, os alemães “katze”. Veja que, embora
as palavras sejam diferentes, o conceito, a ideia que elas transmitem é a mesma.

Bom, agora que sabemos, de uma forma bem simplista, o que é uma “palavra”,
vamos ver como elas são agrupadas, isto é, quais são as classes de palavras da
língua japonesa. Devido à fonética limitada, é muito importante que você as co-
nheça, a fim de interpretar as coisas. Saber quais são as classes de palavras, como
usá-las e identificá-las irá ajuda-lo muito em seus estudos.

Existem 11 classes de palavras que podem ser dividas em dois grupos:

I. Invariável, quando uma palavra não muda sua forma independentemente de


como é usada.

II. Variável, quando uma palavra pode ter sua forma alterada, isto é, pode ser
conjugada;

Observe o quadro a seguir:

22
As palavras podem ser, ainda, independentes ou dependentes. As palavras inde-
pendentes podem ser entendidas por si mesmas (têm sentido próprio), ao passo
que as dependentes necessitam de um contexto para serem compreendidas. As
únicas palavras que são dependentes são as partículas e os verbos auxiliares.

Agora que já sabemos o que é uma “palavra” e como elas são divididas (classes
de palavras), que tal começarmos a ver algumas características dos substantivos?

Numa definição mais detalhada, de acordo com o dicionário Houaiss, “substan-


tivo” é a “classe de palavras com que se denominam os seres, animados ou ina-
nimados, concretos ou abstratos, os estados, as qualidades, as ações.” Geral-
mente, os substantivos são classe de palavra mais fácil de aprender quando se
está estudando uma língua estrangeira. A parte complicada é saber o que é con-
siderado um substantivo em outro idioma, ou seja, será mais difícil aprendê-los
em japonês, porque não será possível estabelecer uma relação cognata, como você
faria se estivesse estudando espanhol ou inglês, por exemplo. No entanto, se você
também estuda inglês, as coisas devem se tornar mais fáceis já que há uma abun-
dância de palavras emprestadas no japonês. Vejamos como os substantivos são
divididos na língua japonesa:

23
1. Substantivo próprio: denomina um ser único, específico, diferenciando-o do
restante do grupo. Aqui se incluem nomes de lugares e pessoas. Vejamos alguns
dos mais comuns:

II. Substantivo comum: designa ou nomeia um grupo geral de objetos, animais,


plantas ou quaisquer outros seres vivos ou não, os quais possuem as mesmas
características.

III. Numeral: expressa quantidades, frações, múltiplos, ordem;

IV. Substantivo formal: tem significado variável de acordo com o contexto. Por
exemplo, o substantivo 「わけ」 (訳), em si significa “razão”. Porém, em conver-
sas adquire quase que exclusivamente significado de “experiência”, “conheci-
mento”, indicando que o falante tem conhecimento e/ou experiência de algo que
o ouvinte não tem acesso. É usado em situações em que se deseja convencer al-
guém, argumentar e contar histórias.

A forma plural é pouco relevante, porque na língua japonesa os substantivos po-


dem ser tanto singular quanto plural dependendo do contexto. Entretanto, há al-
guns meios para se expressar “plural”, embora infelizmente não possam ser apli-
cados a todos os casos, indiscriminadamente.

O primeiro meio que veremos é expressar uma noção de conjunto através do su-
fixo 「たち」(達), praticamente restrito à pessoas e animais:

24
子供 (こども) = criança → 子供達 (こどもたち) = crianças

犬 (いぬ) = cachorro → 犬達 (いぬたち) = cachorros

男 (おとこ) = homem → 男達 (おとこたち) = homens

Outro uso comum de 「たち」 é adicioná-lo ao nome de alguém para indicar


essa pessoa juntamente com o seu grupo:

セイヤ達 (セイヤたち) = Seiya e os demais (enfatizando Seiya, mas considerando


os outros Cavaleiros de bronze que o acompanham).

Em linhas gerais, essa forma de pluralização não é usada para substantivos ma-
teriais (leite, manteiga, etc.), nome próprio (Japão, América, etc.), ou substantivos
abstratos (bondade, paz, etc.). É claro: conte sempre com as exceções.

Além de 「たち」(達), na linguagem casual também é possível usar o sufixo


「ら」(等). Entretanto, sua utilização é muito restrita e depende da sentença
e do falante. O uso mais comum para 「ら」 é após os pronomes “Eu”, “Ele” ou
palavras como 「こども」 ou 「おや」 (em algumas regiões).

Outro sufixo que dá noção de pluralidade é 「がた」(方). Ele pode ser usado
como pluralizador honorífico para o pronome 「あなた」 e também pode ser
anexado a um número bem restrito de substantivos, como 「先生」.

Algumas palavras nativas podem ser pluralizadas ao serem repetidas através do


uso do sinal 「々」. Perceba que a palavra repetida tem seu primeiro fonema
vozeado para tornar a pronúncia mais fluente:

花々(はなばな) = flores

人々(ひとびと)= pessoas

所々(ところどころ)= lugares

Estas palavras indicam noção de plural, sem número definido.

Com relação ao “gênero”, que em linguística refere-se à distinção de palavras a


partir de contrastes como masculino/feminino (por exemplo, em português te-
mos “A mesa”, “O lápis”, etc.), em japonês não há esse tipo de distinção; “a
mesa” e “o lápis” são iguais em termos gramaticais. Em outras palavras, os japo-
neses diriam tão somente “lápis” ou “mesa”.

Com isso, convém mencionar também, que na língua japonesa não há artigo de-
finido ou indefinido. A palavra “estudante” 「がくせい」 (学生), por exemplo,
pode tanto se referir a um estudante do sexo masculino como do sexo feminino.

25
De fato, 「ねこ」 (猫) em si significa gato ou gata, mas podemos fazer uma “gam-
biarra”, isto é, usar algum elemento que nos possibilite especificar o gênero. Den-
tre as possibilidades, para animais, podemos usar os substantivos 「おす」 (雄)
para macho ou 「めす」 (雌) para fêmea:

おす(の)ねこ = gato

めす(の)ねこ = gata

É claro que a necessidade de se usar outros elementos para indicar gênero não se
aplica a todos os casos. Como em todas as línguas, há substantivos específicos,
como homem ou mulher, irmão ou irmã, etc.

Aliás, veja como é possível modificar um substantivo por meio de outro, através
da partícula 「の」. Em muitos métodos, ela é chamada de partícula de posse,
mas essa nomenclatura pode gerar confusão. Na verdade, dentre outras fun-
ções, 「の」 pode transformar um substantivo em atributo, isto é, um qualitativo
que se acrescenta ao significado de um substantivo, sem alterá-lo. Observe o qua-
dro a seguir:

No exemplo acima, a partícula 「の」 permitiu que transformássemos o substan-


tivo 「友達」 em um atributo do substantivo 「車」, isto é, não é de carros em
geral que estamos falando, mas sim um carro cujo atributo é “do amigo”. Perceba
que, da mesma forma que os adjetivos ou verbos usados como adjetivos, o termo
que descreve virá sempre antes. Vejamos mais exemplos:

まことの本。= Livro do Makoto.


26
大学の住所。= Endereço da faculdade.

鋼の魂。= Alma de aço.

図書館の近く。= Perto da biblioteca (Lit. Proximidade da biblioteca).

課長のあきら。= Akira, chefe da seção.

No terceiro, quarto e quinto exemplos, vemos claramente por que chamar 「の


」 de partícula de posse pode gerar confusão, afinal “alma” não é posse de “aço”,
mas “aço” é atributo de “alma”, assim como “biblioteca” é atributo de “proximi-
dade” e “chefe da seção” é atributo de “Akira” (o que seria para nós neste caso
um aposto).

Também pode haver uma sequência de substantivos colocados juntos, sem que
estejam destinados a modificar o outro. Por exemplo, em expressões como "In-
ternacional Educação Centro”, temos apenas uma sequência de substantivos sem
quaisquer modificações gramaticais entre eles. Não é um "Centro de Educação,
que é Internacional" ou um "Centro para Educação Internacional", etc., é apenas
"Internacional Educação Centro”. Em japonês, pode-se expressar isso simples-
mente como 「国際教育センタ」 (ou 「センター」). Você verá esse encadea-
mento de substantivos em muitas combinações. Às vezes, uma determinada com-
binação é tão comumente usada que praticamente se torna uma palavra sepa-
rada, sendo até listada como uma entrada em alguns dicionários. Alguns exem-
plos incluem: 「登場人物」, 「立入禁止」 ou 「通勤手当」.

Por fim, vamos abordar rapidamente o que é um PRONOME, que funcionam de


forma semelhante ao substantivo. Segundo o Dicionário Michaelis é a “palavra
usada em lugar de um substantivo ou nome para designar pessoas ou coisas an-
tes nomeadas, podendo indicar-lhe a pessoa gramatical”.

Os pronomes a seguir são usados de modo geral pelos iniciantes, e existem vari-
ações que não serão abordados neste livro:

1ª PESSOA DO SINGULAR: EU

わたし 「私」: forma geral neutra;

あたし 「私」: variação de 「わたし」 usado somente por para mulheres;

ぼく 「僕」: coloquial, usado geralmente por homens;

おれ 「俺」: forma egocêntrica.

2ª PESSOA DO SINGULAR: TU

あなた 「貴方」: forma geral neutra;

きみ 「君」: usado para parentes e amigos próximos;

27
おまえ 「お前」: usado para alguém em nível inferior.

3ª PESSOA DO SINGULAR: ELE, ELA

かれ 「彼」: forma geral masculina;

かのじょ 「彼女」: forma geral feminina.

1ª PESSOA DO PLURAL: NÓS

わたしたち 「私たち」: forma geral neutra;

ぼくたち 「僕たち」: coloquial, usado geralmente por homens;

おれたち 「俺たち」: forma egocêntrica.

2ª PESSOA DO PLURAL: VÓS

あなたたち 「彼方たち」: forma geral neutra;

おまえら 「お前ら」: usado para pessoas em nível inferior;

あなたら 「貴方等」: forma informal;

あなたがた 「貴方方」: forma mais polida.

3ª PESSOA DO PLURAL: ELES, ELAS

かれら 「彼ら」(ou「かれたち」): forma plural masculina;

かのじょら 「彼女ら」 (ou 「かのじょたち」): forma plural feminina.

Aliás, é oportuno mencionar aqui que os japoneses evitam usar o nome da pessoa
a quem estão se dirigindo quando possível, pois, para eles, chamar alguém pelo
nome soa bastante íntimo. Por isso, tal prática se restringe a amigos, colegas, na-
morados(as) e familiares. Em outras situações, os japoneses se direcionam pelo
título, como “chefe” “presidente”, etc. sem usar nomes. Quando isso não é pos-
sível, usam o nome (ou sobrenome) da pessoa com o sufixo apropriado.

Em japonês, os sufixos de nomes são usados para expressar a honra, respeito ou


amizade do falante com relação ao outro e, por isso, nunca devem ser usados
para se referir a si mesmo. São de gênero neutro (podem ser usados para homens
e mulheres), embora alguns sejam mais usados para homens ou para mulheres.
Títulos ou profissões também podem ser usados como um sufixo, ou ainda, é
possível utilizar a profissão da pessoa juntamente com um sufixo de nome. Omi-
tir um sufixo soará muito amigável ou muito ofensivo, dependendo da situação.
Vejamos alguns dos sufixos de nomes mais conhecidos:

➩ さん: serve como uma marca de respeito. Uma pessoa pode ser tratada com
este sufixo se o falante não a conhece bem e não quer ser rude, ou quando o indi-
víduo tem uma posição social mais elevada do que o falante. Praticamente nin-
guém se sentirá ofendido com esse sufixo. Meninas começam a ser tratadas com

28
「さん」 ao entrarem no colegial, e os meninos, ao saírem. Obviamente, as pes-
soas podem ter experiências diferentes, mas estamos falando de uma regra de
ouro;

➩ さま (様): é usado como um termo educado de se dirigir a alguém visivelmente


mais velho ou de um status mais elevado que o falante. Por isso, balconistas, gar-
çons e funcionários de outros serviços tratarão quase todo mundo com este sufixo
– provavelmente como 「おきゃくさま」 (お客様), isto é, “Sr(a). visitante”. 「お
さま」 também é usado como um título independente e é muito educado. De-
monstra que a pessoa a quem o falante se dirige o supera em larga margem e é
muito mais velho, ou o falante está em uma situação muito formal – ou talvez
não saiba o nome e precisa ser educado. Também é usado quando se refere a 「
かみさま」 (神様) (「神」 = deus). Outro bom exemplo é quando uma empre-
gada doméstica chama seu mestre de 「たろうさま」 (太郎様);

NOTA: 「たろう」 (太郎) é usado como um nome genérico japonês.

➩ くん (君): geralmente é usado para crianças do sexo masculino. Também pode


ser usado quando se dirige a um homem de menor status. Meninos do colegial
são tratados com este sufixo, mas também pode ser usado por um homem mais
velho ao se dirigir a um homem mais jovem, ou entre amigos e iguais. Por isso,
um chefe pode se dirigir a um funcionário com 「くん」, mas o empregado irá
tratar o chefe com 「かちょう」 (課長) ou talvez 「さん」 ou 「さま」, depen-
dendo da situação.

➩ ちゃん: é uma versão informal de 「さん」, ainda bastante comum no Japão e


geralmente considerado aceitável. Comumente é usado para tratar crianças e fa-
miliares do sexo feminino. Crianças com menos de 10 anos de idade são tratadas
com este sufixo, mas continua a ser usado como um termo carinhoso, especial-
mente para as meninas, na idade adulta. Os pais costumam sempre tratar suas
filhas com 「ちゃん」 e seus filhos com 「くん」. Adultos vão usar 「ちゃん」
como um termo carinhoso para as mulheres com quem eles estão próximos e ho-
mens pervertidos sexualmente também vão usá-lo ao se dirigir a garçonetes e
outras mulheres jovens. 「ちゃん」 também é usado com animais de estimação
e animais em geral. Também é usado como uma forma de descrever alguém por
quem se tem sentimentos fortes, como uma namorada.

É comum que mulheres jovens, porém mais velhas ou mais experientes do que o
falante, sejam tratadas por "irmã mais velha" [「おねえさん」 (お姉さん)], prin-
cipalmente no círculo familiar Da mesma forma, “irmão mais velho” [「おにさ
ん」 (お兄さん)] é usado para homens.

Um homem que pertença a uma geração anterior a do falante pode ser tratado
como “tio” [「おじさん」 (伯父さん)], e quando se trata de uma mulher,"tia" [「
おばさん」 (伯母さん)]. Note que "tia" não é aceitável para muitas mulheres jo-
vens, porque elas sentem que isso implica uma figura bastante matrona. Os

29
termos "pai" [「おとうさん」 (お父さん)] e "mãe" [「おかあさん」 (お母さん)]
são raramente usados e os homens e mulheres desta geração são geralmente tra-
tados como “tio” e “tia”. No entanto, é comum tratar pessoas idosas como “avô”
[「おじいさん」 (お祖父さん)] e “avó” [「おばあさん」 (お祖母さん)].

Alguns termos são usados ainda para as mulheres: 「おじょうさん」 (お嬢さん


), que seria equivalente a “senhorita” (「じょう」 (嬢) era utilizado como título
para solteiras e foi substituído por 「さん」), sendo que as pessoas mais velhas
ainda o usam. 「おねえちゃん」 (お姉ちゃん), também pode significar “senho-
rita”, mas é muito informal, soando praticamente como "menina". Entretanto, é
comum que os homens mais velhos se dirijam a uma garçonete com 「おねえち
ゃん」. O título e sufixo 「ふじん」 (夫人) costumava ser usado para mulheres
casadas, mas também tem sido substituído por 「さん」, exceto para pessoas
mais velhas. 「おじょうさん」, uma vez que possui 「さん」é aceitável para se
direcionar a uma mulher adulta. 「おねえちゃん」 é aceitável como forma de
tratamento para uma menina (menor de 10 anos).

Aprender a usar títulos corretamente depende do desenvolvimento de uma sen-


sibilidade para o status e como ele é influenciado pelo sexo, idade, emprego, si-
tuação, e assim por diante. Esta sensibilidade é de valor inestimável para lidar
com o povo japonês, desde assentos a negociações comerciais. As pessoas mais
jovens são menos preocupadas com esses detalhes e são suscetíveis a serem ca-
suais, enquanto pessoas mais velhas e pessoas tradicionais vão estar mais preo-
cupadas com isso. Além disso, note que se você se aventurar muito além do pa-
drão 「さん」, 「さま」, 「くん」e 「ちゃん」, correrá o risco de ofender al-
guém usando os sufixos/títulos errados.

NOTAS:

1. É muito comum para os japoneses a utilizar a primeira sílaba do nome de al-


guém e combiná-lo com um sufixo. Por exemplo, "Mi-chan" pode ser a forma
abreviada de Miki, Michiko, Miko, Misa, Minato, Mickey, Minnie, etc;

2. Sufixos também podem ser combinados de uma forma mais ou menos lúdica,
como "Chama-" (chan + sama), como em "OBAA-Chama", que é ao mesmo tempo
afetuoso e respeitoso.

A complicação adicional é que em japonês, você deve se referir aos membros da


família de outras pessoas mais educadamente do que se estivesse falando de al-
guém da própria família. Observe alguns exemplos:

30
NOTA: outra palavra para “esposa” é 「かない」 (家内), mas é considerada po-
liticamente incorreta, porque os Kanjis utilizados são "casa" e "dentro", o que im-
plica que as mulheres fiquem dentro de casa. Amém! (Brincadeirinha)

31
4. NÚMEROS
Há duas maneiras de escrever os números em japonês: em algarismos arábicos
(1, 2, 3), ou em algarismos chineses (一, 二, 三). Os algarismos arábicos são mais
frequentemente usados na escrita horizontal, e os números chineses são mais co-
muns na escrita vertical. Uma das particularidades do sistema numérico japonês
e que pode tornar a conversão difícil, é que, seguindo a tradição chinesa, grandes
números são criados pelo agrupamento de dígitos em miríades (a cada 10.000)
em vez dos milhares ocidentais (1.000), portanto, possuem quatro dígitos. Ob-
serve:

No entanto, graças à forte influência do mundo ocidental e a padronização de


números, quando os números são realmente escritos, a cisão parcial é de três dí-
gitos. Aqui estão os primeiros 10 números:

Com relação à leitura, a maioria dos números tem duas leituras, uma derivada
do chinês, usada para números cardinais, e uma leitura nativa, usada para nú-
meros ordinais, apesar de existirem algumas exceções em que a versão japonesa
é a preferida para ambos.

Finalmente, para melhor entendermos como os números japoneses são formados,


vamos fazer uso do conceito de ordens, ou seja, a divisão que se faz dos números
em unidade, dezena, centena, milhar etc. Assim, temos:

Seguindo a tabela acima, por exemplo, o número 632, seria representado assim:

Ou seja, o número 632 vem da soma (600 + 30 + 2). Perceba como sempre vamos
da ordem maior para a ordem menor.

Vamos a mais um exemplo, agora com o número 2.009. Primeiramente, vejamos


a divisão deste número em ordens:

32
Veja que, se considerarmos a maior ordem que compõe o número em questão,
começaremos pela unidade de milhar, que temos 2, ou seja, 2.000. Depois, a or-
dem seguinte é a centena, que não temos nenhuma, bem como a dezena que tam-
bém não temos. Finalmente, na primeira ordem temos 9 unidades. Sendo assim,
somando-se as ordens, 2.009 é (2.000 + 0 + 0 + 9). Tendo estes conceitos em mente,
será muito fácil você entender a lógica dos números japoneses.

Com o grande número de palavras chinesas adaptadas e integradas à língua ja-


ponesa, vieram os números chineses. As leituras On dos números são as mais
importantes e são usadas principalmente para números cardinais, isto é, que in-
dicam o número ou quantidade dos elementos constituintes de um conjunto. Ve-
jamos as leituras On de 0 a 10:

Nos tempos antigos, os números 4 e 9 costumavam ser renomeados para 「よん


」 e 「きゅう」, porque 「し」 e 「く」 eram homófonos de “morte” [「し」 (
死)] e “agonia” [「く」 (苦)]. Tal prática continua até hoje, exceto para 9 em al-
guns casos. Já o número 7 é renomeado 「なな」 nos números acima de 10 para
que não haja confusão com o som 「いち」.

Você pode contar de 1 a 99 se simplesmente aprender os números até 10. O japo-


nês é mais fácil neste quesito, porque você não tem que memorizar as palavras
separadas, como "vinte" ou "cinquenta". Para formar números de 1 a 19, lembre-
se do conceito de ordem e que os números são originados das somas entre elas.
Portanto, por exemplo, 11 nada mais é do que (10 unidades + 1) e assim por di-
ante. Sendo assim, temos:

11 = じゅういち (10 「じゅう」 + 1 「いち」)

12 = じゅうに (10 「じゅう」 + 1 「に」)

33
Simples, não é mesmo? Agora, para formar os números de 20 a 90, basta “contar
os dez”. Por exemplo, 20 é “dois dez” (2x10) e assim por diante:

20 = にじゅう (2 「に」 x 10 「じゅう」)

30 = さんじゅう (3 「さん」 x 10 「じゅう」)

E se quiser dizer, por exemplo, 21, basta pensar que este número nada mais é do
que (20 + 1). Assim, temos:

21 = にじゅういち (20 「にじゅう」 + 1 「いち」)

83 = はちじゅうさん (80 「はちじゅう」 + 3 「さん」)

Agora, observe os números maiores de 99:

Para formar números de 100 a 999, basta “contar os cens”. Por exemplo, 200 nada
mais é do que “dois cens” (2 x 100), e assim por diante:

200 = にひゃく (2 「に」 x 100 「ひゃく」)

Para formar os números do meio, basta desmembrar o número tendo em mente


a divisão por ordens e soma-los. Por exemplo, veja como fica o número 283:

283 = にひゃくはちじゅうさん (200 「にひゃく」 + 80 「はちじゅう」 + 3 「さ


ん」)

Em números acima de 100, ocorrem mudanças sonoras em alguns números. Ve-


jamos alguns:

300 = さんびゃく (e não 「さんひゃく」)

600 = ろっぴゃく (e não 「ろくひゃく」)

Para formar números de 1.000 a 9.999, basta contar os milhares. Por exemplo,
2.000 são “dois mil” (2 x 1.000):

2.000 = にせん (2 「に」 x 1.000 「せん」)

Para os demais números, o conceito é o mesmo que vimos para o número 283.
Por exemplo, veja como fica o número 2.283:

34
2.283 = にせんにひゃくはちじゅうさん (2.000 「にせん」 + 200 「にひゃく」 +
80 「はちじゅう」 + 3 「さん」)

A partir de 10.000, entramos no sistema de miríades. Sendo assim, por exemplo,


20.000 é “duas miríades” (2 x 10.000):

20.000 = にまん (2 「に」 x 10.000 「まん」) (e não 「にじゅうせん」).

Para as centenas ou milhares, basta somar às unidades de dez mil:

20.283 = にまんにひゃくはちじゅうさん (20.000 「にまん」 + 200 「にひゃく」


+ 80 「はちじゅう」 + 3 「さん」)

32. 283 = さんまんにぜんにひゃくはちじゅうさん (30.000 「さんまん」 +


2.000 「にせん」 + 200 「にひゃく」 + 80 「はちじゅう」 + 3 「さん」)

No sistema ocidental, após chegar a 1.000, basta multiplicar 1.000 por 1.000 para
saber qual a próxima ordem. Assim, 1.000 (mil) → [1.000 x 1.000] = 1.000.000 (mi-
lhão) → [1.000.000 x 1.000] = [Link] (um bilhão), etc. No sistema japonês,
fazemos este cálculo depois de ter passado para 10.000, ou seja, devemos multi-
plicar por 10.000 para saber qual a próxima ordem. Tendo isso em mente, observe
a tabela abaixo:

Para formar números maiores, basta seguir os conceitos que aprendemos até
agora. Veja os exemplos a seguir:

245.000.000 = におくよんせんごひゃくまん (200.000.000 「におく」 +


45.000.000 「よんせんごひゃくまん」). → [4.500 x 10.000 = 45.000.000]

245.352.476 = におくよんせんごひゃくさんじゅうごまんにせんよんひゃくなな
じゅうろく(200.000.000 「におく」 + 45.350.000 「よんせんごひゃくさんじゅ
うごまん」 + 2.000 「にせん」 + 400 「よんひゃく」 + 70 「ななじゅう」 +
6 「ろく」 ). → [4.535 x 10.000 = 45.350.000]

Os números são sempre escritos em Kanji ou números arábicos, porque, como


você pode observar, com o Hiragana podem ficar bastante longos e difíceis de
decifrar:

11 = 十一

35
33 = 三十三

NOTA: se você ainda tiver alguma dificuldade com os números japoneses, acesse
este conversor de números: [Link] (em inglês).

A língua nativa japonesa possuía seus próprios números antes da influência dos
chineses, porém só tinha meios para a contagem até 99.999. Vejamos os números
nativos:

Os números de 1 a 9 podem ser usados como substantivos através do acréscimo


do sufixo 「つ」, recurso provavelmente originado devido à influência da língua
chinesa que usava o Kanji 「箇」, encontrado nos escritos mais antigos. Alguns
acreditam que este caractere representava originalmente um substantivo refe-
rindo-se a hastes de bambu, e gradualmente teve o seu uso expandido, sendo
transformado em um contador para muitas coisas, tornando-se um contador ge-
nérico, porque era usado frequentemente com substantivos comuns. Atualmente,
os números nativos normalmente são usados com 「つ」.

Em japonês, contar objetos é um pouco mais difícil, porque não podemos usar
somente o número e o objeto a ser contado, como fazemos em português (ex. dois
cachorros). É necessário usar os “contadores” e isso vale para virtualmente todos
os substantivos japoneses.

O que tornará ainda mais difícil é que os contadores variam de objeto para objeto,
então, você terá que memoriza-los. Isso por que no japonês antigo, ao se atribuir
um contador, basicamente se considerou a aparência externa dos objetos, e eles
são contados de acordo com uma ou outra característica.

36
A utilização dos contadores provavelmente começou no Período Nara, devido à
influência chinesa, pois a língua japonesa, assim como a língua chinesa, é defici-
ente em diferenciar singular e plural. Então, começou-se a empregar certos ele-
mentos que, anexados aos objetos a serem contados, expressavam a ideia de que a
unidade de tal objeto era repetida “X vezes”.

Para melhor entendermos este modo de pensar dos japoneses, achamos que será
conveniente usarmos o conceito de substantivo incontável da língua inglesa. Os
falantes de inglês entendem que algumas coisas não podem ser contadas direta-
mente. Os substantivos que se referem a estas coisas são chamados de substanti-
vos incontáveis (uncount nouns). Os substantivos incontáveis não são usados
com números. Por exemplo, “money”não se conta: one money, two moneys. O
que se conta é a moeda: one dollar, two dollars. No caso das comidas e líquidos,
o que se conta é o recipiente: a cup of coffee (um copo de café), a glass of water
(um copo de água), three loaves of bread (três fatias de pão), four bars of choco-
late (quatro barras de chocolate).

Neste sentido, você pode considerar praticamente que todos os substantivos ja-
poneses são incontáveis, necessitando, portanto, de uma unidade que permita a
medição de sua quantidade. Por exemplo, “dois cachorros” em japonês será [「
にひきのいぬ」 (二匹の犬)]. Veja como 「にひき」 passa a ser um atributo do
substantivo 「いぬ」 e uma tradução aproximada poderia ser algo como “Ca-
chorro em (quantidade de) dois animais pequenos”. Seria mais ou menos como
dizer em português “café em dois pacotes (dois pacotes de café).”, onde “pacote”
exerceria a função de um contador, isto é, uma unidade para contar a quantidade
de café.

Acredita-se que há cerca de 150 contadores, mas apenas 30 aproximadamente são


usados com mais frequência. Vejamos alguns dos mais comuns:

Note como novamente temos as mudanças sonoras em alguns casos. Como já


mencionamos anteriormente, elas visam tornar a pronúncia mais fácil e fluente.
Essas mudanças são seguidas com bastante consistência, mas exceções e varia-
ções entre falantes existem.

37
Alguns dos contadores mais comuns podem substituir os menos comuns. Por
exemplo, 「ひき」 é muitas vezes usado para os animais, independentemente de
seu tamanho. No entanto, muitos falantes irão preferir usar o contador correto 「
とう」 quando estiverem falando de animais grandes, como cavalos. Isso gera
uma série de contadores possíveis, com diferentes graus de uso e aceitabilidade.
Por exemplo, quando alguém pede um kushikatsu, é possível que peçam dizendo
「ふたくし」 (二串) – dois espetos –, 「にほん」 (二本) – dois palitos –, ou 「ふ
たつ」 (二つ) – dois itens. Aqui apresentamos uma ordem decrescente de preci-
são.

38
5. VERBOS E ADJETIVOS-I
Um “verbo” é toda palavra que transmite ideia de ação ou estado. Para fins de
ilustração, observe os modos e tempos verbais que a língua portuguesa possui:

Felizmente, na língua japonesa, os verbos são muito regulares, pois, ao contrário


da língua portuguesa, não flexionam de acordo com o sujeito (ufa!!). Também, os
tempos verbais básicos são “não-passado” e “passado”.

<<<O QUE FOI EXPOSTO ACIMA É MUITO IMPORTANTE!!>>>

Para ilustrar essa facilidade da língua japonesa com relação aos verbos, para fins
meramente didáticos e que explicaremos depois, vamos fazer de conta que no
português também seja assim (seria uma maravilha, não é mesmo?), ou seja, ima-
gine que “na língua portuguesa há só dois tempos verbais básicos e que os verbos
não flexionam de acordo com o sujeito”.

Agora que entramos no mundo do “faz de conta”, imagine que a forma não pas-
sada seja o verbo na forma infinitiva e a forma passada seja a terceira pessoa do
pretérito perfeito. Assim, a nossa conjugação imaginária, tomando como exem-
plo o verbo “beber” seria:

39
Como a língua japonesa não possui os tantos modos e tempos verbais que exis-
tem na língua portuguesa, tenha sempre em mente que muitas vezes nos depa-
raremos com ambiguidades. Haverá casos em o que o modo e tempo verbal de
uma construção específica a serem considerados quando traduzida para outro
idioma, se dá pelo uso prático da língua, adquirindo, assim, um sentido próprio.

Antes de iniciarmos o estudo dos verbos em sua classificação moderna, há alguns


princípios muito importantes que você deve fixar:

PRINCÍPIO 1: uma sentença gramaticalmente completa requer um verbo so-


mente (incluindo o estado de ser).

A única coisa que precisará ser feita para tornar a sentença gramaticalmente com-
pleta é um verbo e nada mais! Entender esta propriedade fundamental é essencial
para compreender o japonês. Este é o motivo de mesmo a mais básica sentença
japonesa não poder ser traduzida para o português! Todas as conjugações come-
çarão a partir da forma do dicionário (como elas aparecem no dicionário). Uma
sentença gramaticalmente completa, por exemplo, é 「食べる」 (traduções pos-
síveis incluem: Eu como/ele(a) come/eles(as) comem).

PRINCÍPIO 2: com exceção dos irregulares, todo verbo é composto por duas par-
tes: uma invariável e outra variável, que é aquela que sofrerá alterações nas con-
jugações.

É muito fácil fazermos um comparativo deste conceito com os verbos da língua


portuguesa, pois funcionam da mesma forma. Por exemplo, o verbo regular “can-
tar” possui seu radical “CANT-” que é a parte invariável e o sufixo “-AR”, do
qual surgirão todas as terminações quando flexionado. Vejamos sua conjugação
no presente do indicativo:

· Eu canto

· Tu cantas

· Ele canta

· Nós cantamos

· Vós cantais

40
· Eles cantam

Veja que a parte CANT- permanece inalterada em todas as flexões que o verbo
sofre, e o que muda é tão somente o que se segue depois dele, isto é, a terminação.

Na língua japonesa, as diferentes flexões que um verbo pode ter são denomina-
das “BASES” e há tão somente seis bases de conjugação. Aprendê-las é um passo
fundamental para o domínio das classes de palavras que são flexionadas no ja-
ponês, embora infelizmente costumam ser deixadas de lado nos cursos conven-
cionais. Nós vamos nos referir a essas bases por seus nomes em japonês. Observe:

1. Mizenkei: é a base que, salvo exceções que veremos mais adiante, é utilizada
para formas verbais que expressam fatos que ainda não ocorreram;

2. Ren'youkei: é a base utilizada para conectar elementos variáveis, isto é, verbos


(auxiliares) e adjetivos;

3. Shuushikei: é o verbo na forma infinitiva. Este tipo de conjugação também é


chamado de "forma básica / forma de dicionário". Sendo assim, quando você
quiser procurar por um verbo no dicionário, deve procurá-lo nesta forma, pois
as outras bases não aparecem no dicionário. Tem esse nome porque era a forma
utilizada no Japonês Clássico para encerrar as sentenças;

4. Rentaikei: é a base utilizada para conectar elementos invariáveis, como subs-


tantivos e partículas;

5. Kateikei: é a base usada com partículas que dão noção de algo hipotético, como
em “se isso acontecer...”. No Japonês Clássico e especialmente no Antigo, era uti-
lizada como uma base para ações concluídas, fato que ainda deve ser considerado
em algumas construções arcaicas específicas;

6. Meireikei: é a base usada como forma de comando.

As bases variam de acordo com o grupo ao qual o verbo pertence. Atualmente,


os verbos podem ser classificados em três grupos, que chamaremos simples-
mente de Grupo I, Grupo II, Grupo III e Irregulares. Vejamos:

A. Grupo I: a terminação da base “passa” por quase todas as vogais. Vamos pegar
como exemplo o verbo “falar”, que em japonês é 「はなす」:

41
Veja como as terminações (em vermelho) passam por quase todas as vogais na
ordem japonesa, isto é, “A -I -U -E – O”, diferentemente do português, em que se
segue o padrão de vogais “A – E – I – O – U”.

Os verbos do Grupo I podem ter nove terminações infinitivas. São elas: 「う」,
「く」, 「す」, 「つ」, 「ぬ」, 「む」, 「る」, 「ぐ」 e 「ぶ」. Vejamos um
quadro com exemplos:

Agora, baseados nas possíveis terminações, vejamos como ficam as bases de con-
jugação (considerando-se somente a terminação da forma infinitiva e suas mu-
danças):

B. Grupo II: são os verbos cuja parte invariável termina com a letra I e a parte
variável, RU. Vejamos alguns exemplos:

42
Agora, vejamos o padrão de bases deste grupo, tomando como exemplo o verbo
「おちる」(落ちる), que significa “cair”:

C. Grupo III: são os verbos cuja parte invariável termina com a letra E e a parte
variável, RU. Vejamos alguns exemplos:

Vejamos o padrão de bases deste grupo, tomando como exemplo o verbo 「た


べる」(食べる), que significa “comer”:

Um ponto muito importante é que há verbos do Grupo I que possuem a termi-


nação “~I+RU” e “~E+RU”. Vejamos alguns exemplos:

43
ENTÃO, COMO SABER A QUAL GRUPO PERTENCE UM VERBO NESSES
CASOS?

Para diferenciar precisamos considerar fatos históricos, que neste livro não ire-
mos abordar. Entretanto, como regra geral (existem exceções!), um verbo do
Grupo II ou do Grupo III terá a sílaba I ou E escrita em Kana. Veja alguns exem-
plos:

1) 「走る」 é lido 「走」(はし) る. Veja que o fonema 「し」 está “dentro” do


Kanji, não sendo escrito em Hiragana. É verbo do Grupo I;

2) 「漲る」 é lido 「漲」(みなぎ) る. O fonema 「ぎ」 também está “dentro” do


Kanji. É verbo do Grupo I;

3) 「投げる」 é lido 「投」(な) げる. O fonema 「げ」 é escrito em Hiragana. É


verbo do Grupo III.

D. Irregulares: os verbos irregulares são assim chamados, porque suas bases não
seguem o padrão das outras classes verbais. Felizmente, há apenas dois verbos
irregulares na língua japonesa. São os verbos 「する」, que basicamente signi-
fica “fazer(-se)” e 「くる」(来る), cujo significado é “vir”. Vejamos as respectivas
bases:

44
Com relação ao verbo 「する」 mencionamos que ele basicamente significa “fa-
zer(-se)”, porque, na verdade, ele possui diversos significados (o [Link] aponta
pelo menos 10!!). Dentre eles estão “agir como”, “vestir” e “considerar”. Qual
significado considerar depende da construção e do contexto.

Conhecidas as classes de verbos, vamos agora nos focar em algumas particulari-


dades dos verbos na língua japonesa. Como já mencionamos a Base Meireikei é
usada como forma de comando. Por isso vamos (re)ver como ela é formada:

I. Verbos do Grupo I: a base Meireikei se trata da coluna do E, considerando-se a


terminação do verbo:

Veja alguns exemplos:

飲め! = Beba!

書け!= Escreva!

II. Verbos dos Grupos II e III: é formada anexando-se 「ろ」 ou 「よ」 à parte
invariável do verbo:

見ろ!= Veja!

食べよ! = Coma!

A Base Meireikei com 「よ」 é a original e o uso de 「ろ」 é um recurso do


Leste do Japão (japonês padrão). O uso com 「ろ」 é o mais comum, e a utiliza-
ção de 「よ」 pode dar uma sensação nostálgica.

III. Formas de comando irregulares: ao se tratar da forma de comando, há três


verbos que merecem atenção. São os verbos 「する」, 「くる」 e 「くれる」:

45
A Base Ren'youkei de um verbo pode funcionar como um substantivo. Na ver-
dade, em casos muito raros, ela acaba sendo usada mais frequentemente do que
o verbo em si. Por exemplo, temos o verbo 「休む」(やすむ), que significa
“descansar”. Se pegarmos sua base Ren’youkei, isto é, 「休み」, teremos o subs-
tantivo “descanso”.

Vale lembrar que você não poderá usar este processo em todos os verbos (no
sentido de obter um significado de substantivo relacionado ao verbo). Também,
existem muitas combinações de verbos (Base Ren’youkei + Base Ren’youkei) que
são utilizadas principalmente como substantivos. Vejamos alguns exemplos:

➩ 読み書き: leitura e escrita (「読む」 + 「書く」);

➩ 買い上げ: compra (「買う」 + 「上げる」);

➩ 受け付け: recepção (de hotel, etc.) (「受ける」 + 「付ける」).

Ocasionalmente em substantivos formados a partir desse processo (simples e


compostos) o okurigana é retirado na forma substantiva:

➩ 「話」 (はなし), proveniente do verbo 「話す」 (はなす) – “falar” – e que sig-


nifica “história”, “fala”;

➩ 「係」(かかり), proveniente do verbo 「係る」 (かかる) – “concernir”, “en-


volver” – e que significa “oficial”, “pessoa encarregada de algo”.

➩ 「受付」 (うけつけ) – forma simplificada.

Outro modo comum de se obter substantivos de verbos é anexar 「物」 (もの),


substantivo genérico que significa “coisa (tangível)”, à base Ren’youkei do verbo.
Provavelmente, o exemplo mais conhecido desta formação seja 「着物」 (きもの
), que significa literalmente “coisa que se veste”, originado do verbo 「着る」 (
きる) = vestir e 「物」 (もの) = coisa. Aqui vão mais alguns exemplos:

➩ 「食べ物 」(たべもの): comida (proveniente do verbo 「食べる」 (たべる) =


comer);

➩ 「生き物」 (いきもの): ser vivo; criatura (proveniente do verbo 「生きる」 (


いきる) = viver);

➩ 「買い物」 (かいもの): compra (proveniente do verbo 「買う」 (かう) = com-


prar);

46
➩ 「詰め物」 (つめもの): enchimento, recheio, incluindo a obturação de um
dente cariado (proveniente do verbo 「詰める」 (つめる) = comprimir);

Infelizmente, não se pode anexar 「もの」 a qualquer verbo. Portanto, verifique


o dicionário antes de usá-lo.

NOTA: não confunda 「物」 (もの) = coisa com 「者」 (もの) = pessoa, usado
para se referir a si mesmo ou a pessoas próximas.

Algumas formas substantivas de verbos podem ser usadas como sufixos. Por
exemplo, 「付き」, proveniente do verbo 「付く」, que significa “estar anexado
a”, pode ser colocado em um substantivo [X] para expressar que algo está ane-
xado a [X]. Sendo assim, 「カメラつき... 」, significa, em uma tradução menos
literal, “[algum equipamento, dispositivo] que contenha uma câmera”, como um
smartphone (smartphone com câmera).

Outra particularidade dos verbos japoneses é que há alguns verbos (que chama-
remos de “suplementar”) que podem ser anexados a outros para ampliar seu sig-
nificado. Por exemplo, o verbo 「だす」(出す), que significa “tirar”, ao ser ane-
xado a outro verbo (no caso, à base Ren’youkei), transmite o significado de “co-
meçar a...” (「食べだす」= começar a comer).

Talvez a questão mais complexa dos verbos japoneses seja a a TRANSITIVI-


DADE! Em português, verbos transitivos são verbos que precisam de um com-
plemento para que a frase tenha um sentido completo, enquanto os verbos in-
transitivos carregam um sentido completo, dispensando complementos. Por
exemplo, na construção: "Você fuma?", o verbo é intransitivo, ou seja, seu sentido
está completo – deseja-se saber apenas se a pessoa em questão é ou não fumante.
Não importa saber se fuma, por exemplo, cachimbo ou charuto. Caso isso fosse
relevante, as perguntas seriam: "Você fuma cachimbo?" ou "Você fuma charuto?"
– e o verbo seria transitivo direto. Aquilo que se fuma é o objeto direto, ou seja, o
alvo do processo verbal.

Agora, observe as orações a seguir:

(1) O aluno quebrou o vaso.

(2) O vaso quebrou.

Note que ambas as ações são expressas pelo mesmo verbo, neste caso o verbo
“quebrar”. Na primeira oração, ele é transitivo direto e na segunda, intransitivo.
O que permite classificar um verbo como transitivo ou intransitivo é o contexto
da frase. No caso, a forma como a frase foi construída, pois o verbo não sofre
alteração em sua ortografia, ou seja, ele é escrito da mesma forma tanto em frases
nas quais ele é transitivo como nas que ele é intransitivo – mas lembre-se de que
alguns verbos da língua portuguesa são, por natureza, transitivos (pegar, remo-
ver...) e outros, intransitivos (morrer...).
47
Em japonês, embora haja também verbos que são transitivos por natureza,
como 「殺す」 (matar), e outros que são intransitivos, como 「死ぬ」 (morrer),
há alguns verbos que possuem duas formas diferentes. A diferença entre as duas
formas do mesmo verbo está no fato de que uma expressa que a ação é imposta
por um agente ativo sobre algo ou alguém, necessitando, portanto, de um objeto
direto, enquanto a outra forma, exprime uma ação que ocorre sem agente direto,
ou seja, espontaneamente.

Por hora, apenas tenha em mente que há verbos que possuem duas formas
quanto à transitividade. Observe a tabela abaixo:

Por fim, tratemos dos Adjetivos-I. Você deve estar se perguntando o motivo de
abordá-los juntamente com os verbos. A resposta é simples: é por que eles funci-
onam de forma semelhante aos verbos!!

Como assim? Para que você entenda usemos a língua portuguesa: você concorda
que, por exemplo, se quiséssemos expressar a grandeza (tamanho) de uma casa
poderíamos dizer tanto (1) “casa grande” ou (2) “casa que é grande”? A diferença
aqui é tão somente a presença de um verbo entre o substantivo e o adjetivo
“grande” em um dos casos.

Agora imagine se em português só existisse a forma (2) de atribuir qualidades a


um substantivo (“substantivo” que é...). Se assim fosse, seria possível conjugar o
verbo “ser”, não é mesmo? No nosso exemplo, poderíamos expressar “casa que
ERA grande”, “casa que SERÁ grande” e assim por diante.

Em japonês TODOS os Adjetivos-I possuem como que o verbo “ser” implícito (e


por isso são conjugados!). Isso os livros convencionais não contam!!

Sendo assim, por exemplo, embora o Adjetivo-I 「おもしろい」(面白い) seja tra-


duzido comumente como “interessante”, o correto seria atribuir a ele o signifi-
cado “SER interessante”. Assim,

面白い雑誌。= Revista que é interessante. (tradução convencional: Revista inte-


ressante).

48
Assim como os verbos, os Adjetivos-I possuem uma parte invariável e uma parte
variável, que tão somente a terminação 「い」. A única diferença é que original-
mente cada Adjetivo-I possui dois conjuntos de bases.

Para melhor explicar isso, teremos que fazer uma abordagem histórica, inevita-
velmente.

No Japonês Clássico, os Adjetivos-I eram divididos em dois grupos (Shiku e Ku),


de acordo com a flexão de suas bases Ren’youkei do conjunto く (lembre-se que
os eles possuem dois conjuntos de bases). Vejamos essas duas categorias com
suas respectivas bases:

I. Tipo SHIKU (usando como exemplo 「楽し」):

II. Tipo KU (usando como exemplo 「高し」):

Em dado momento da História, houve perda de diferenciação entre as bases


Shuushikei e Rentaikei e também mudanças sonoras. Foquemo-nos nas bases
Rentaikei do conjunto く de ambos os tipos de Adjetivo-I usados como exemplos,
isto é, 「楽し」 e 「高し」:

Concluímos que houve uma mudança sonora no último fonema 「き」 da base
Rentaikei do conjunto く em ambos os casos, fato este que deu origem às formas

49
modernas dos Adjetivos-I. Sendo assim, os que eram do tipo Shiku atualmente
terminam em 「~しい」 e os que eram do tipo Ku, em 「~い」.

Veja que se usa a base Rentaikei dos Adjetivos-I para se atribuir algo à outra
coisa. Consequentemente, por lógica é natural pensar que é possível usar verbos,
já que eles também possuem base Rentaikei. Considere a seguinte oração em por-
tuguês:

“A PESSOA QUE MORRE.”

A oração acima pode não fazer muito sentido, mas o importante aqui é que você
perceba que o fragmento “que morre.” descreve o tipo de pessoa da qual estamos
falando. Em japonês, podemos construir esse tipo de oração usando a base Ren-
taikei dos verbos, a fim de fazer com que eles modifiquem diretamente outro
termo:

死ぬ。= Morrer. → 死ぬ人。= Pessoa que morre.

E isso vale para qualquer forma verbal, que aliás, nós veremos mais adiante.

Mencionamos que podemos usar a base Ren’youkei de um verbo para trans-


formá-lo em substantivo (ou pelo menos para que se porte como tal). Isso tam-
bém seria válido para os Adjetivos-I?

Observe o quadro abaixo:

Alguns podem imaginar que esse procedimento “transforme” todos Adjetivos-I


em substantivo. Bom, poderíamos dizer que sim tecnicamente, mas na prática
não é o caso. Em outras palavras, nem todos se tornarão substantivos autônomos
“utilizáveis”, pois tal recurso não é comum e é aplicado apenas a alguns casos.

50
6. PARTÍCULAS
Embora haja muitos pontos gramaticais difíceis que um estudante deve dominar,
as partículas merecem uma atenção especial. Partículas são um ou mais caracte-
res do alfabeto Hiragana que são anexados sempre ao final de uma palavra basi-
camente para definir a função gramatical desta palavra dentro da sentença. Uma
pessoa pode ter um grande conhecimento de vocabulário e de conjugação verbal,
mas se não souber utilizar corretamente as partículas, ela não conseguirá cons-
truir sentenças como espera, porque o significado da oração pode ter um sentido
completamente diferente. Por exemplo, a sentença “Come peixe.” pode transfor-
mar-se em “O peixe come”, por causa da mudança de uma partícula, apenas.

Note que sublinhamos o “basicamente” no parágrafo anterior, porque é claro que


as partículas não se limitam a mostrar a função sintática de um elemento dentro
da oração, podendo até desempenhar a função de uma “palavra” (por exemplo,
funcionar como um advérbio) dependendo do contexto. Estima-se que haja cerca
de 200 usos relacionados às partículas, aqui incluindo usos e diferentes tipos de
partícula que, para fins meramente didáticos dividiremos em três grupos:

A. Partícula Simples: são as partículas de “per si”, isto é, sem nenhum comple-
mento.

B. Partícula Dupla: é quando duas partículas simples são usadas em conjunto;

C. Partícula Composta: é um elemento formado por pelo menos uma partícula


simples em conjunto com outros termos que, quando traduzido para o portu-
guês, tem geralmente sentido de uma só palavra (uma preposição, em muitos
casos). Pode ser formada por “Partícula Simples + verbo” e “Substantivo + Par-
tícula Simples”.

Como já mencionamos, a Base Rentaikei é utilizada para conectar elementos in-


variáveis, como substantivos e partículas. Contudo, no Japonês Moderno parece
haver a “regra prática” de anexar partículas somente a substantivos ou a elemen-
tos que se comportem como substantivos. Há exceções como a partícula 「と」e
「か」.

Feita essa rápida introdução sobre as partículas, vamos comer a estudar as mais
básicas. A primeira partícula que aprenderemos é a “partícula de objeto direto”,
porque é uma partícula bem simples. Em gramática, “objeto” se refere à coisa
física ou abstrata para a qual se dirige a ação descrita por um verbo. Considere-
mos a sentença em português:

COMER A MAÇÃ.

Nesta oração, a ação expressa pelo verbo “comer” é direcionada a um objeto, isto
é, a “maçã”. Repare como este elemento serve como complemento do significado
do verbo.

51
Vamos fazer uma associação: imagine que temos uma caixa e uma bola; a bola
representa o verbo e a sua embalagem (caixa) – para onde se direciona esta bola
–, o objeto. Assim temos:

Na língua portuguesa, em linhas gerais, um objeto pode ser indireto, quando o


verbo necessita de uma preposição (Ir a + o teatro) ou direto, quando nenhuma
preposição é necessária entre o verbo e seu objeto (Comer _ + a maçã). Usemos
estes conceitos para nos ajudar a entender a partícula 「を」, que é anexada ao
final de uma palavra para indicar que esta é o objeto direto do verbo. Este carac-
tere não é utilizado, em princípio, em nenhum outro lugar. É por isso que o Ka-
takana equivalente 「ヲ」 raramente é usado, uma vez que as partículas são
sempre escritas em Hiragana. O caractere 「を」, embora tecnicamente seja pro-
nunciado / uo /, soa / o / na conversação. A seguir veja um exemplo da partí-
cula de objeto direto em ação:

日本語を教える。= Ensinar japonês.

Veja que no exemplo, a ação “ensinar” recai sobre o substantivo “japonês”. De


início, você pode pensar na pergunta “O QUE [verbo]?”. Por exemplo, em 「日
本語を教える」, “O QUE ensinar?” A resposta será “japonês”.

Quando se usa 「する」 com um substantivo, a partícula 「を」 é opcional e o


conjunto [substantivo + する] pode ser tratado como se fosse um verbo:

メールアドレスを登録する。= Registrar o endereço de e-mail.

Vimos que a base Ren’youkei dos verbos pode ser usada como um substantivo
regular. Contudo, observe a frase a seguir:

飲みをする。= Beber (?)

Embora, a sentença faça sentido, ninguém fala desse jeito. Portanto, não use este
recurso de modo indiscriminado.

52
Bem, a maioria dos verbos tem um objeto direto, mas esta ação posta em prática
(verbo + objeto direto) pode ter também um destinatário. Considere a associação
que fizemos no tópico anterior, na qual a bola representa um verbo e a caixa, o
objeto direto. Agora, temos um pacote que pode ter um destinatário ou não. Bem,
se levarmos em conta que queremos dá-lo de presente a alguém, é aqui que a
partícula 「に」 entra em ação, pois ela pode especificar o destino desse pacote,
isto é, de uma ação (verbo + objeto direto). Como forma de memorização, neste
uso de 「に」, você pode considerar que está implícito o sentido de “ter como
alvo [algo]”. Para exemplificar, observe o próximo exemplo:

生徒に日本語を教える。= Ensinar japonês ao aluno. (Ensinar japonês tendo


como alvo o aluno)

Neste exemplo, indica-se que o aluno é o alvo da ação “ensinar japonês”. Enfati-
zamos a uma ação como sendo o verbo e seu objeto direto, mas é claro que pode-
mos omitir o objeto, se ele estiver subentendido pelo contexto:

生徒に教える。= Ensinar (japonês) ao aluno.

Por causa dessa função, a partícula 「に」 é comumente chamada de “partícula


de objeto indireto”, ainda que essa nomenclatura possa causar confusão, se con-
siderarmos alguns de seus empregos. Por hora, vejamo-la em ação marcando o
elemento que, para nós, seria o objeto indireto:

日本に行く。= Ir ao Japão. (ir tendo como alvo o Japão)

家に帰る。= Voltar à casa. (Voltar tendo como alvo a casa)

部屋にくる。= Vir ao quarto. (Vir tendo como alvo o quarto)

彼女をデートに誘う。= Chamar ela para um encontro (Chamar ela tendo como


alvo o encontro).

Outra função da partícula 「に」 é marcar o objeto (direto ou indireto) de um


verbo intransitivo. Isso parece estranho já que em português os verbos intransi-
tivos não necessitam de objeto, mas por enquanto, observe o próximo exemplo:

私に見える。= Ser visto por mim. (objeto indireto)

友達に会う。= Encontrar o amigo. (objeto direto)

53
Falando especificamente da segunda oração, se pensássemos em português pri-
meiro, certamente construiríamos 「友達を会う」. Entretanto, perceba que, dife-
rentemente do português, em que “encontrar” requer um objeto direto, em japo-
nês, isso não acontece, pois 「会う」 é um verbo intransitivo e, por isso, a partí-
cula 「に」 é usada. Vamos consultar o “[Link]” para confirmar:

Outro exemplo em que vemos essa diferença entre os idiomas é 「彼にキスする


。」 (Beijá-lo). Explicaremos isso mais detalhadamente quando tratarmos sobre
a transitividade dos verbos.

Vimos que a partícula 「に」 marca o destino de uma ação. Entretanto, ela pode
também aparecer fazendo o inverso, isto é, marcando a origem de algo:

先生に日本語を覚える。= Aprender japonês do professor.

Nesta oração expressamos que “o professor” é a fonte do ensinamento de japo-


nês. Todavia, essa função que denota origem de algo, é comumente exercida pela
partícula 「から」:

先生から日本語を覚える。= Aprender japonês do professor.

アメリカから来る。 = Vir da América.

A partícula 「から」 é frequentemente colocada juntamente com 「まで」, que


significa "até":

宿題を今日から明日までする。= Fazer lição de casa de hoje até amanhã.

Uma partícula semelhante a 「に」 é 「へ」. Primeiramente um detalhe: 「へ


」 é normalmente pronunciado /he/, mas quando está sendo usado como partí-
cula, é sempre pronunciado como /e/ (え). A diferença principal entre as par-
tículas 「に」 e 「へ」 é que a partícula 「に」 vai a um objetivo que é o obje-
tivo final que se deseja alcançar, seja físico ou abstrato. Por outro lado, a partí-
cula 「へ」 é usada pra expressar o fato de que alguém está indo em direção ao
objetivo. Como resultado, é usada apenas em verbos de movimento direcionais.
Ela também não garante se o objetivo apontado é o destino final, mas apenas que
alguém está indo naquela direção. Em outras palavras, a partícula 「に」 foca o
destino final, enquanto a partícula 「へ」 é muito vaga e não deixa claro aonde
se deseja chegar como objetivo final. Por exemplo, se decidirmos trocar 「に
」 por 「へ」 nos primeiros exemplos do tópico anterior, o sentido muda sutil-
mente:

54
日本へ行く。= Ir em direção ao Japão.

家へ帰る。= Voltar em direção a casa.

部屋へくる。= Vir em direção ao quarto.

Note que não podemos usar a partícula 「へ」 com verbos que não têm direção
física. Por exemplo, a sentença seguinte está incorreta:

「医者へなる。」 é a versão gramaticalmente incorreta de 「医者になる。」

Mas isso não quer dizer que a partícula 「へ」 não possa ir em direção a algum
conceito abstrato. De fato, por causa de seu significado vago, pode ser usada tam-
bém para se falar sobre ir em direção a expectativas ou metas futuras.

勝ちへ向かう。= Ir em direção à vitória.

Finalmente, vimos no tópico anterior que é possível usar a base Ren’youkei dos
verbos como alvo de um verbo de movimento por meio da partícula 「に」. Isso
implica que você está indo ou vindo com o propósito de fazer algo. Se usássemos
a partícula 「へ」 isso soaria que você está indo ou vindo em direção a algo lite-
ralmente, o que é meio estranho:

遊びへ来る。= Vir (em direção) a brincar.

Muito bem, até aqui tudo muito simples, não é mesmo? Entretanto, você reparou
o quanto as frases de exemplo estão ambíguas? Lembre-se que quando tratamos
dos verbos, para ilustrar a escassez de tempos e modos verbais na língua japo-
nesa, pedimos para você fazer de conta que no português também fosse assim
(seria uma maravilha, não é mesmo?), ou seja, imaginasse que “na língua portu-
guesa há só dois tempos verbais básicos e que os verbos não flexionam de acordo
com o sujeito”. E propusemos o seguinte quadro:

Agora, pense e responda:

“Se na língua portuguesa, os verbos fossem conjugados dessa maneira, como sa-
beríamos de quem se está falando, se todas as flexões são iguais, independemente
do sujeito?”

55
Bem, a primeira resposta que deve ter vindo a sua mente é “com base no sujeito”,
ou seja, se estivesse escrito “Os cachorros beber água”, é de cachorros que esta-
mos falando.

Veja como numa língua em que os verbos não são flexionados de acordo com o
sujeito, o sujeito é de extrema importância para saber do que se está falando. Tal-
vez por isso, por exemplo, é que na língua inglesa formal toda oração deve ter
um sujeito explícito, PORÉM, em japonês é diferente: mesmo os verbos não fle-
xionando de acordo com o sujeito, não é obrigatório ter um sujeito explicito.
Pode-se dizer tão somente “Beber o suco” e tudo está certo. Entretanto, como
saberíamos do que estão falando, já que isso soa muito vago? É aqui que entra
uma segunda resposta possível...

Bem, na língua japonesa existem várias maneiras e todas elas envolvem fazer su-
posições a partir do contexto. Por exemplo, se de repente eu perguntasse a você:

EU: ジュースを飲む?

Você suporia que estou perguntando se VOCÊ beberá o suco, porque não estou
falando de outra pessoa. Então, você poderia responder:

VOCÊ: ジュースを飲む。

Com isso, eu iria supor que você está falando DE SI MESMO, porque eu acabei
de lhe fazer uma pergunta e agora sei que você beberá o suco. Da mesma forma,
se por acaso estivéssemos falando de Midori quando eu lhe fiz a pergunta, você
provavelmente pensaria que eu estivesse perguntando se MIDORI beberá o suco,
porque é dela que nós estávamos falando.

Se tomarmos uma língua como o japonês, na qual o assunto é tão fortemente ba-
seado no contexto, precisamos ser capazes de identificar algumas coisas. En-
quanto fazer suposições a partir do contexto funcionaria no caso de perguntas e
respostas simples, algo mais complicado, em breve se tornaria uma bagunça, já
que todo mundo começaria a perder a noção de quem ou do que estão falando.
Portanto, temos de ser capazes de dizer ao ouvinte quando queremos mudar o
assunto atual, alertando-o mais ou menos assim: "Ei, eu vou falar sobre isso
agora. Portanto, não suponha que eu ainda esteja falando sobre a coisa an-
tiga”. Isto é especialmente importante quando se inicia uma nova conversa e você
precisa dizer ao ouvinte do que você está falando. Isto é o que a partícula 「は」
faz; introduz um tópico diferente do atual, delimitando o restante da sentença a
este novo tópico. Por essa razão, é também referida como a "partícula de tópico".
Você pode pensar que 「は」 tem o sentido de “falando de (assunto)”.

Vamos retomar o exemplo inicial no qual eu quis perguntar se você beberá o


suco. O diálogo seria assim:

EU: ジュースを飲む? = VOCÊ beberá o suco?

56
VOCÊ: ジュースを飲む。= EU beberei o suco.

Agora, e se eu quisesse perguntar se Midori beberá o suco? Neste caso, eu preciso


usar a partícula 「は」 para indicar que eu estou falando sobre “Midori”, porque
do contrário, você assumiria que eu estou falando de você.

EU: みどりはジュースを飲む? = MIDORI beberá o suco? (Falando de “Midori”,


ela beberá o suco?)

VOCÊ: ジュースを飲む。= MIDORI beberá o suco.

Observe como, uma vez que eu que eu estabeleci “Midori” como o novo tópico,
a conversa está limitada a ela e, por isso, podemos continuar a assumir que esta-
mos falando sobre “Midori” até que alguém altere o tópico novamente.

A noção de delimitação da sentença é muito importante. Suponhamos que você


costuma ir a uma festa que aconteça todos os sábados à noite. Em determinada
semana, ao final da festa, chega ao anfitrião e diz:

今晩はパーティーを楽しむ。= Está noite aprecio a festa.

Você correrá o risco de fazê-lo pensar “puxa, e as outras, você não apreciou?”, já
que a sentença está limitada a “esta noite”. Perceba que até em português isso
soaria ambíguo.

Mas infelizmente as coisas não são tão simples assim. Existe a partícula 「が」,
que é extremamente confundida com a partícula 「は」. Existem muitos artigos
(e até livros inteiros!) que buscam apontar as diferenças entre essas duas partícu-
las e esse assunto parece não ter fim. Contudo, vamos tentar clarificar as coisas.
Primeiramente, dê uma olhada nos exemplos abaixo:

A) みどりは学生。= Midori é estudante.

B) みどりが学生。= Midori é estudante.

Devido à falta de contexto, bem tecnicamente, a tradução mais próxima para am-
bas as sentenças pode ser “Midori é estudante”. Porém, elas parecem iguais, so-
mente, por que não é possível expressar em português a informação, o contexto
tão claramente como é possível algumas vezes em japonês. A lição mais impor-
tante aqui é ter em mente a diferença entre falar sobre algo e especificar algo. Na
afirmação (A), uma vez que 「みどり」 é o assunto da frase, a sentença significa:
"Falando sobre ‘Midori’, Midori é uma estudante". Já na sentença (B), 「みどり」
está especificando quem é o “estudante” 「学生」. Se quisermos saber quem é o
“estudante”, a partícula 「が」 nos informa: o estudante é “Midori” 「みどり」
.

57
Imagine a oração em português “Falando de praia, a água está imprópria para
banho”, no qual podemos dizer que “praia” é o tópico. O que será dito a seguir
está girando em torno de “praia”, mas não necessariamente precisamos falar es-
pecificamente de “praia” (no exemplo, seguimos o tópico “praia” afirmando que
a “água” que está imprópria para banho). Sendo assim, se em português preci-
sássemos usar a partícula de tópico, ficaria assim:

Praia は, a água está imprópria para banho.

Veja como o tópico nos dá uma amplitude maior, pois, de novo, não necessaria-
mente precisamos falar dele especificamente, mas podemos estender nossa afir-
mação a algo relacionado a ele ou mesmo subentendido pelo contexto. Por outro
lado, a partícula 「が」 é muito limitadora, específica, restrita ao elemento que
ela segue. Por essa razão, se tivéssemos Praia が, o que fosse dito a seguir se apli-
caria ao elemento “praia” especificamente (e somente a ele). Poderíamos afirmar,
por exemplo, que a praia é bonita, a praia está cheia, etc. e só. Nada de afirmar
outra coisa que não seja especificamente se referindo ao elemento “praia” (como
seria possível com a partícula 「は」, com a qual falamos sobre “praia”, mas afir-
mamos algo sobre “água”).

Poderíamos representar a diferença da seguinte forma:

Vamos ver os exemplos a seguir referentes às aplicações da partícula 「は」:

ひろしは来る。= Falando de Hiroshi, ele (Hiroshi) virá (afirmação se referindo


ao próprio Hiroshi).

ひろしは妹が来る。= Falando de Hiroshi, a irmã mais nova (dele) virá (afirma-


ção se referindo a algo dentro do universo de Hiroshi).

ひろしは明日。= Falando de Hiroshi, o exame será amanhã (afirmação se refe-


rindo a algo subentendido pelo contexto, ou seja, “o exame” de Hiroshi).

58
Agora, vejamos um exemplo de aplicação da partícula 「が」:

ひろしが来る。= Hiroshi (é quem) virá (“Hiroshi” identifica, especifica quem


virá).

Nos livros convencionais se costuma indicar que 「は」 é usado para se introdu-
zir coisas conhecidas à conversa ao passo que 「が」 é usado para coisas desco-
nhecidas. Tal diferenciação é simplista, mas tem sentido se considerarmos tudo
que vimos até aqui neste tópico. Perceba que 「は」 carrega certa ambiguidade
sem um contexto subentendido na cabeça de quem recebe a informação. Por
exemplo, suponhamos que queremos introduzir um novo personagem – Midori
– em uma história:

A) 学生はみどり。

B) 学生がみどり。

Veja que 「が」 é recomendável nesta situação, porque definitivamente se está


afirmando que “A estudante é Midori”. Com 「は」 tal conclusão não fica clara.
Dependendo do contexto, pode-se interpretar, por exemplo, que o estudante
gosta de Midori ou que Midori fez algo ao estudante.

As partículas 「は」 e 「が」 são diferentes se você pensar da forma correta. A


partícula 「が」 identifica uma propriedade específica de algo, enquanto a par-
tícula 「は」 é usada somente para trazer um novo assunto à conversa (conside-
rando o contexto). Esta é a razão de, em orações longas, ser comum separar o
assunto com vírgulas para remover qualquer ambiguidade sobre a qual parte da
oração o assunto se refere.

Até aqui aprendemos a indicar o objeto direto, tópico, objeto indireto... mas e
para indicar, por exemplo, o local onde algo ocorre?

A partícula 「で」 nos permitirá especificar o “contexto” (modo, local...) no


qual a ação é efetuada. Por exemplo, se uma pessoa comeu peixe, onde ela co-
meu? Se uma pessoa foi à escola, foi por meio de quê? Com o que você vai comer
a sopa? Todas estas questões podem ser respondidas com a partícula 「で」.
Aqui estão alguns exemplos.

映画館で見る。= Ver no cinema.

バスで帰る。= Retornar de ônibus.

船で川を渡る。= Atravessar o rio de barco.

Muitos podem confundir as partículas 「で」 e 「に」 quando se trata de locali-


zação, pois 「に」 também pode ser usada para tal finalidade. Como regra geral,

59
é comum se ensinar que se deve usar 「に」 para indicar o local de verbos de
estado (existir, morar, etc), enquanto 「で」, para verbos que expressam ação
(comer, dormir, falar, etc.), mas parece que as coisas não são tão simples assim.

Segundo o site “Nihon Bunka Kenkyuukai”, com 「に」 foca-se o lugar, en-
quanto que com 「で」, o foco está na ação. Observe os exemplos:

(1) 駅に財布を忘れる。= Esquecer a carteira na estação.

(2) 駅で財布を忘れる。= Esquecer a carteira na estação.

Embora tecnicamente possamos traduzir as duas orações da mesma forma, há


uma diferença a ser considerada: em (1), o falante foca-se no ponto (a estação),
enquanto que em (2), seu foco está na ação em si (esqueceu a carteira). Este é o
mesmo entendimento do site “Nihongo Resources”:

“§ [Link]. (...) “Nós brincamos no parque” e “As facas estão no armário” usam a
mesma preposição “no”. Em japonês, são duas coisas bem diferentes: a primeira
sentença se concentra em um evento, enquanto a segunda se concentra em um
local. Consequentemente, a primeira sentença requer 「で」, enquanto que a se-
gunda usa outra partícula, 「に」”.

Observe a próxima oração, considerando como sujeito “o gato”:

ソファに寝る。= (O gato) dorme no sofá.

No exemplo acima, 「に」 é usada para indicar um ponto no espaço, isto é, um


ponto no sofá. Se quiséssemos focar na ação de dormir, deveríamos usar 「で」.

Ainda segundo o “Nihongo Resources”, saber diferenciar os usos de 「に」 e 「


で」 é muito útil quando se quer dizer algo que em português soaria ambíguo,
como “Nós nos hospedaremos em um hotel”. Será que aqui estamos respon-
dendo à pergunta (1) “O que vocês farão?” ou (2) “Onde vocês se hospedarão?”.
Sem um contexto, em português não seria possível saber, mas em japonês, essa
distinção fica óbvia:

(1) ホテルで泊まる。= (Nós) nos hospedaremos em um hotel.

(2) ホテルに泊まる。= (Nós) nos hospedaremos em um hotel.

A partícula 「に」 também é usada para indicar uma localização indeterminada:

向こうに。。。 虹!= Para além... um arco-íris!

Note que “para além” é bem indeterminado, entretanto, como se trata de uma
localização, 「に」 é usada.

60
Também, há verbos que só aceitam uma dessas partículas. Por exemplo, o verbo
「働く」 tem sua localização indicada por 「で」. Já o verbo 「務める」, por 「
に」.

Objeto direto, tópico, objeto indireto, local, modo... ainda podemos ampliar nosso
poder de comunicação com mais partículas simples. Vamos apresentar agora a
partícula 「も」, que essencialmente tem o sentido de adição (atribui-se o signi-
ficado “também”). Seu uso será melhor explicado nos exemplos abaixo:

MAKOTO: みどりは学生?= Você (Midori) é estudante?

MIDORI: うん、ひろしも学生。= Sim, e Hiroshi também é estudante.

Repare que ao incluir a partícula 「も」, Midori precisa ser coerente na resposta.
Não faria muito sentido ela dizer "Eu sou uma estudante, e Hiroshi também não
é um estudante." Em vez disto, Midori poderá usar a partícula 「は」 para remo-
ver o sentido adicional da inclusão, como demonstra o próximo exemplo.

NOTA: A partícula 「も」 não é usada em conjunto com 「は」, 「が」 e 「を


」, mas sim os substitui.

Já que estamos tratando de adição, vamos nos focar nas partículas 「と」 e「や
」. Basicamente, a partícula 「と」 é semelhante à 「も」 na medida em que
contém um significado de inclusão. Ela pode combinar dois ou mais substantivos
juntos para significar "e":

ナイフとフォークでステーキを食べる。= Comer bife por meio de garfo e faca.

本と雑誌と葉書を買う。= Comprar livro, revista e cartão postal.

「と」 também indica que uma ação que foi feita em conjunto com alguém ou
alguma outra coisa:

友達と話す。= Conversar com amigo.

先生と会う。= Encontrar com professor.

Outro uso comum de 「と」 é apontar elementos a serem comparados:

世界は昔とは違う。= O mundo (atual), comparado com tempos antigos, é dife-


rente.

Neste exemplo o termo “tempos antigos” 「昔」 está sendo posto em compara-
ção com algo (neste caso, subentende-se “o mundo atual”). A partícula 「は」
aqui está apenas enfatizando.

61
A partícula 「や」, assim como 「と」, é usada para listar um ou mais substan-
tivos, com a diferença que ela é muito mais vaga. Isso implica que pode haver
outras coisas que não estão listadas e que nem todos os itens da lista podem ser
aplicados. Em português, você pode pensar nisso como uma lista do tipo "e / ou,
etc.":

飲み物やカップやナプキンは、買う? = Falando de (coisas como) bebida, copo,


ou guardanapo, etc., (você) vai comprar?

靴やシャツを買う。= Comprar (coisas como) sapatos e camisa, etc.

Podemos expressar alternativas por meio de partículas também. Neste caso, a


partícula 「か」 pode ser usada:

靴かシャツを買う。= Comprar sapatos ou camisa.

先生かあなたが行く。= O professor ou você irá.

Por fim, neste tópico básico sobre partículas, convém mencionar que existem as
partículas de final de sentença. Sua função básica é indicar a atmosfera da oração,
isto é, seu tom (dúvida, emoção, alegria, certeza...). Além disso, algumas partícu-
las também distinguem o discurso masculino do feminino.

Primeiramente, vejamos a partícula 「か」, que indica incerteza:

今日は雨が降るか 。= (Será que) vai chover?

Ressaltamos que a oração acima, tecnicamente, não é uma pergunta em si. É uma
afirmação com ar de dúvida. O contexto é que indicará como devemos interpretar
esse tipo de oração.

A partícula 「の」 anexada ao final da última sentença de uma frase também


pode transmitir um tom explicativo para sua sentença. Por exemplo, se alguém
lhe perguntasse se você tem tempo disponível para fazer algo, você poderia res-
ponder: "O fato é que eu estou ocupado agora." A expressão abstrata e genérica
que dá o tom explicativo (neste caso, “o fato é que”) também pode ser expressa
com 「の」. Este tipo de frase tem um significado embutido que explica o mo-
tivo(s) para outra coisa:

今は忙しいの。= (O fato é que) estou ocupado agora.

Isto soa muito suave e feminino. Na verdade, os homens adultos quase sempre
adicionarão um declarativo (veremos no próximo tópico). No entanto, esse
mesmo 「の」 em questões não carrega um tom feminino e é usado tanto por
homens e mulheres:

今は忙しいの?= (O fato é que) (você) está ocupado agora?

62
As pessoas costumam acrescentar 「ね」 ao fim de sua sentença quando estão
procurando (e esperando) acordo para o que estão dizendo. Seria como dizer em
português, “não é?”, “correto?”:

おもしろい映画ね。= Filme interessante, não é?

Quando 「よ」 é anexado ao final da sentença, indica moderada ênfase e tam-


bém pode expressar convicção. É especialmente útil quando o falante oferece
uma nova informação:

おもしろい映画よ。 = Filme interessante!

Depois de 「よ」 e 「ね」, as partículas 「さ」 e 「な」 são as mais comu-


mente usadas ao final de uma sentença. 「さ」 é basicamente uma forma muito
casual de 「よ」, e algumas pessoas a colocam no final de quase todas as frases
simples. Claro que isso não significa que seja necessariamente uma forma muito
sofisticada de expressão, mas não podemos negar que isso é um hábito fácil de
adquirir. Nesse sentido, devido ao seu uso em excesso, 「さ」 quase perdeu
qualquer significado específico. Você pode ouvir uma conversa como a seguinte:

おもしろい映画さ。 = Filme interessante.

Você pode usar 「な」 no lugar de 「ね」 quando achar que 「ね」 soará
muito suave e reservado para algo que você dizer ou para o público a quem você
está falando. O som áspero de 「な」 geralmente se aplica ao sexo masculino,
mas não é necessariamente restrito aos homens:

ひろしは馬鹿な = Hiroshi é bobo.

A partícula 「な」 é usada frequentemente em conjunto com a partícula 「か


」 para indicar que o falante não tem certeza de algo:

今日は雨が降るかな? = (Será que) vai chover?

63
7. FORMAS VERBAIS
Antes de iniciarmos o estudo das formas verbais propriamente dito, algo que de-
vemos ter sempre em mente é que com o passar do tempo, o linguajar cotidiano
tende a mudar a pronúncia das palavras, sendo ele, portanto, uma das maiores
influências nas mudanças que ocorrem na escrita. Dificilmente se escreve como
se fala, pois cronologicamente a linguagem caminhou (e ainda caminha) da fala,
para escrita, não o inverso.

Apenas para ilustrar, observe a evolução da palavra “você” em português:

Os usuários de uma língua – os falantes nativos – tendem a pronunciar as pala-


vras da forma mais fácil e para isso retiram ou acrescentam sons com o passar do
tempo. Foi assim que o latim “legenda” se transformou no português "lenda" e
“spiritu” passou a "espírito".

Feita essa observação importante, comecemos abordando a partícula 「て」 (não


se preocupe com a definição de “partícula” por enquanto) que é muito impor-
tante, sendo uma das terminações mais usadas na língua japonesa. É tão impor-
tante que é chamada de “Forma TE”. Veja a regra para obtê-la:

FORMA PASSADA (REGRA BÁSICA)

1. Regra para os Verbos: {Base Ren’youkei} + {Partícula 「て」};

2. Regra para os Adjetivos-I: {Base Ren’youkei do conjunto 「く」} + {Partícula


「て」}.

A seguir, vejamos a regra sendo aplicada:

64
Chamamos a regra apresentada de básica, porque ao longo do tempo na língua
coloquial do japonês padrão, mudanças sonoras (fenômeno chamado
tecnicamente de “Onbin”; em Português, “Eufonia”) foram padronizadas para os
verbos do Grupo I na forma TE e derivados, exceto para os terminados em 「す
」. Podemos dividir essas alterações em quatro grupos considerando-se a
terminação da base Ren’youkei + TE. Obeserve:

A exceção à regra de contração apresentada fica por conta do verbo 「行く」,


que em vez de ser contraído 「行いて」, torna-se simplesmente 「行って」. Isso
faz a pronúncia mais fácil. Também, 「行(い)く」 pode ser 「行(ゆ)く」 e ambos
são usados há muito tempo. A forma 「行(ゆ)いて」 costumava ser usada,
mas 「行(い)って」 tem a preferência atualmente. Finalmente, 「行(ゆ)く」
pode dar uma sensação mais literária e é a leitura de escolha em poesias.

Para expressar a forma passada, usamos o verbo auxiliar 「た」. Como ele é de-
rivado da partícula 「て」, segue o mesmo padrão, tanto na regra básica, quanto
nas contrações sonoras para os verbos do Grupo I:

FORMA PASSADA (REGRA BÁSICA)

1. Regra para os Verbos: {Base Ren’youkei} + {Auxiliar de passado 「た」};

2. Regra para os Adjetivos-I: {Base Ren’youkei do conjunto 「かり」} + {Auxi-


liar de passado 「た」}.

65
Observe a regra sendo aplicada:

Vejamos os mesmos verbos do Grupo I do quadro anterior com o verbo


auxiliar 「た」 e as contrações sonoras:

Observe alguns exemplos de verbos com o auxiliar 「た」, mostrando a


mudança da forma não-passada para o passado:

魚を食べる。= Comer o peixe. → 魚を食べた。= Comeu o peixe.

ジュースを飲む。= Beber o suco. → ジュースを飲んだ。= Bebeu o suco.

雑誌が面白い。= A revista é interessante → 雑誌が面白かった。= A revista era


interessante.

Bom, e como fica a forma negativa? Usamos o verbo auxiliar 「ない」, que é fle-
xionado como um Adjetivo-I. Por hora, vejamos a regra de construção da forma
negativa não-passada dos verbos:

FORMA NEGATIVA NÃO-PASSADA

1. Regra para os Verbos: {Base Mizenkei} + {「ない」};

2. Regra para os Adjetivos-I: {Ren’youkei do conjunto 「く」} + {「ない」}.

66
Observe o quadro com os exemplos:

Vejamos alguns exemplos mostrando a transformação da forma infinitiva para a


negativa:

魚を食べる。= Comer o peixe. → 魚を食べない。= Não comer o peixe.

りんごが美味しい。= A maçã é o que é saboroso. → りんごが美味しくない。=


A maçã é o que não é saboroso.

No Japonês Clássico, o verbo auxiliar 「ず」 era anexado à base Mizenkei de ver-
bos para expressar negação. Ele tinha três conjuntos de bases (vamos nos referir
a eles pela base Ren’youkei):

No japonês moderno, os auxiliares clássicos 「ぬ」 (e sua forma abreviada 「ん


」) e 「ず」 ainda podem ser usados no lugar de 「ない」. Contudo, atente-se
ao fato de que não podemos fazer uso deles em orações destinadas a modificar
outras. Observe alguns exemplos:

魚を食べる。= Comer o peixe. → 魚を食べず。= Não comer peixe.

魚を食べる。= Comer o peixe. → 魚を食べぬ。= Não comer peixe.

ジュースを飲む。= Beber o suco. → ジュースを飲まん。= Não beber suco

Com relação ao verbo 「する」, quando usarmos esses auxiliares clássicos deve-
mos usar a base Mizenkei clássica 「せ」 e não 「し」:

67
日本語を勉強する。= Estudar japonês → 日本語を勉強せず。= Não estudar ja-
ponês.

日本語を勉強する。= Estudar japonês → 日本語を勉強せぬ。= Não estudar ja-


ponês.

メールアドレスを登録する。= Registrar o endereço de e-mail. → メールアドレ


スを登録せん。= Não registrar o endereço de e-mail.

NOTA: Atualmente, o auxiliar 「ず」 costuma ser usado somente em orações


subordinadas (mais detalhes em tópicos posteriores).

E se quiséssemos expressar a forma negativa no passado? Você deve estar su-


pondo que basta colocar o verbo no passado e depois acrescentamos 「ない」 –
algo como 「食べたない」. NÃO! Devemos colocar o auxiliar 「ない」 na forma
passada e não o verbo. Vejamos a regra (considere que há mudanças sonoras):

FORMA NEGATIVA PASSADA

1. Regra para os Verbos: {Base Mizenkei} + {Base Ren’youkei de「ない」 (do


conjunto 「かり」)} + {Auxiliar de passado 「た」};

2. Regra para os Adjetivos-I: {Base Ren’youkei do conjunto 「く」} + {Base


Ren’youkei de「ない」 (do conjunto 「かり」)} + {Auxiliar de passado 「た」}.

Observe o quadro de exemplos:

Observe a transformação da forma negativa não-passada para a negativa passada


nos exemplos a seguir:

魚を食べない。= Não comer o peixe. → 魚を食べなかった。= Não comeu o


peixe.

É possível também construir a Forma TE negativa, mas perceba que a regra de


formação é um pouco diferente da que vimos para a forma passada negativa:

68
FORMA TE NEGATIVA

1. Regra para os Verbos: {Base Mizenkei} + {Base Ren’youkei de「ない」 (do


conjunto 「く」)} + {Partícula 「て」};

2. Regra para os Adjetivos-I: {Base Ren’youkei do conjunto 「く」} + {Base


Ren’youkei de「ない」 (do conjunto 「く」)} + {Partícula 「て」}.

Observe o quadro de exemplos:

Novamente, vejamos algumas orações de exemplo, considerando o uso básico da


partícula TE, isto, partícula conjuntiva:

魚を食べる。= Comer peixe. → 魚を食べなくて。= Não comer peixe.

ジュースを飲む。= Beber o suco. → ジュースを飲まなくて。= Não beber o


suco.

日本に行く。= Ir ao Japão. → 日本に行かなくて。= Não ir ao Japão.

日本語を勉強する。= estudar japonês → 日本語を勉強しなくて。= Não estudar


japonês.

バスで来る。= Vir de ônibus. → バスで来(こ)なくて。= Não ir de ônibus.

Existe outra forma verbal que não é explicada satisfatoriamente pelos livros con-
vencionais. Nós a chamaremos de “Forma MU”, contudo para compreendê-la
novamente teremos que fazer uma abordagem histórica.

No Japonês Clássico, havia um grupo de verbos auxiliares que eram anexados a


uma ação ou estado para indicar, de modo geral que tais fenômenos podiam ser
algo suposto ou pretendido. Dentre estes sufixos flexionáveis de conjectura 「む
」 era o usado com mais frequência. Vejamos suas bases:

69
O verbo auxiliar 「む」 era anexado à base Mizenkei dos verbos. Sendo assim,
por exemplo, 「話さむ」, podia significar (considere “ele” como sujeito):

a) Ele provavelmente fala (possibilidade no presente);

a) Ele provavelmente falará (possibilidade no futuro);

c) Ele falará (intenção);

d) Fale (ou vamos falar, etc.) (incitamento).

Poderíamos dizer que 「む」 é ainda largamente usado no japonês moderno, po-
rém sob “nova aparência”. Isso por que, devido a mudanças sonoras, 「む」 tor-
nou-se apenas 「う」. Veja como exemplo, o verbo 「なる」:

O auxiliar 「む」 costumava ser pronunciado tanto 「む」, 「ん」 ou 「う」 e


sua evolução se deu nesta ordem. Agora, tomando 「なる」 como exemplo, va-
mos nos atentar à última forma, ou seja, 「ならう」. Devido a evolução da pro-
núncia, o fragmento 「らう」 era pronunciado 「ろう」, fato que deu origem à
forma atual 「なろう」, quando houve o alinhamento da escrita com a pronún-
cia moderna. Esta forma é normalmente chamada de “forma volitiva”, entre-
tanto, em nossa opinião, esta nomenclatura é muito restritiva, haja vista que ela
não se restringe a expressar somente intenção, embora atualmente haja outras
maneiras de expressar conjetura. Vejamos alguns exemplos:

ATENTE-SE aos verbos do Grupo I terminados em 「う」. Considerando-se que


esses verbos em sua forma clássica terminavam em 「ふ」, a Forma Mu tornava-
se 「~はう」. Devido a mudanças sonoras, tornou-se então, 「~ほう」e,

70
posteriormente, o fragmento 「~ほう」 passou a ser pronunciado 「~おう」.
Então, a evolução da forma MU do verbo clássico 「かなふ」, por exemplo, seria:

かなふ → かなはむ → はなはう → はなほう → はなおう (Forma MU atual)

Na maior parte das vezes, a Forma Mu expressa incitamento. Vejamos alguns


exemplos práticos:

空高くかかげよう。 = Salte para o mais alto do céu. (expressando incitamento).

果てない闇から飛び出そう。= Saltemos das trevas sem fim. (expressando inci-


tamento).

Com relação aos verbos dos Grupos II e III, temos o final 「よう」 anexado à
Base Mizenkei. Vejamos:

Na verdade, o que temos aqui é uma alteração advinda da evolução da pronún-


cia. Sendo assim, por exemplo, 「食べう」 passou a ser pronunciado 「食びょう
」, que no japonês moderno se transformou em 「食べよう」. O mesmo vale
para verbos do Grupo II, onde 「落ちう」 passou para 「落ちゅう」 e posteri-
ormente, 「落ちよう」.

NOTA: muito cuidado para não confundir a terminação 「よう」 da Forma MU


dos verbos dos Grupos II e III com terminação da base Meireikei 「よ」 desta
mesma classe de verbos.

Com relação ao verbo irregular 「する」, sua Forma MU é 「しよう」, e com


relação a 「来る」 a Forma MU é obtida através do acréscimo de 「よう」, à
base Mizenkei 「こ」:

電話しよう。= Façamos um telefonema.

もっと早く来よう。= Vamos vir mais cedo.

NOTA: O auxiliar de passado 「た」 é originalmente uma contração de 「てあ


る」 e, por isso, possuía Bases. A Base Mizenkei contraída, isto é, 「たら」 é uma
das sobreviventes. Sendo assim, 「た」 possui uma Forma MU, ainda que rara-
mente usada. Trata-se de 「たろう」.

71
Com relação aos Adjetivos-I, era possível construir a Forma MU. A única ressalva
a se fazer é que 「む」 era anexado à base Mizenkei do conjunto Kari. De resto,
tudo era igual aos verbos:

Com relação à forma negativa, no japonês atual devemos anexar 「まい」 à base
Shuushikei:

Pode-se dizer que a regra apresentada acima é a clássica. Contudo, um idioma


muda constantemente e a anexação de 「まい」 à parte invariável, no caso dos
verbos dos Grupos II e III, tornou-se a preferencial. Sendo assim, podemos ter 「
食べまい」 e 「落ちまい」. Adicionalmente, para os verbos irregulares 「する
」 e 「くる」, além das formas 「するまい」 e 「くるまい」, pode-se usar 「し
まい」, 「すまい」 e 「せまい」 para 「する」, e 「こまい」 para 「くる」.

Com relação aos adjetivos, simplesmente substitua a forma negativa de 「ある」


por sua forma MU negativa, isto é, 「あるまい」:

(A) Adjetivo-NA: 静かじゃない → 静かじゃあるまい

(B) Adjetivo-I: おいしくない → おいしく(は)あるまい

Supondo que você já tenha assimilado tudo o que foi explicado neste tópico, se-
guem dois quadros-resumo das formas que vimos:

72
73
8. MAIS SOBRE OS VERBOS
Uma das principais funções da Forma TE é conectar orações. Observe o quadro
abaixo:

Este é o uso básico da partícula 「て」. Nestes casos, o tempo verbal de


construção é determinado pelo último verbo.

Esta prática de usar a partícula 「て」 para conectar orações, no entanto, é utili-
zada apenas na linguagem cotidiana. Discursos formais, narração e publicações
escritas empregam a base Ren’youkei em vez da forma TE para descrever ações
sequenciais. Particularmente, artigos de jornal (ou mesmo cantores), por questões
de brevidade, preferem a base Ren’youkei à forma TE:

魚を食べジュースを飲む。= Comer o peixe e beber o suco.

NOTA: como a partícula 「て」 é muito versátil, pode transmitir significados di-
versos de acordo com o contexto (pelo menos na tradução para o português).

Algo muito comum no japonês falado é terminar uma oração com o verbo na
forma TE. Veja o exemplo abaixo:

ごめん、魚を食べて。= Desculpe por comer o peixe.

Na verdade, os elementos da oração estão invertidos. Na fala muitas vezes as


pessoas tendem a dizer aquilo que mais importante primeiro, (me desculpe) e
depois o resto (por comer o peixe), independentemente das regras gramaticais.
A versão correta da oração acima é 「魚を食べてごめん」.

Também, dependendo do contexto, a forma TE no final de uma oração pode in-


dicar uma oração incompleta, muitas vezes transmitindo um ar reticente por
parte do falante, isto é, uma hesitação em dizer expressamente o seu pensamento,
em dar um parecer etc. Tal recurso é muito comum em canções:

魚を食べて。= Comer o peixe (e...) (oração incompleta e reticente).

「あげる」 e 「くれる」 significam “dar” e o uso desses dois verbos pode con-
fundir alguns estudantes iniciantes. Para apontarmos a diferença, observe a ilus-
tração a seguir:

74
Ao observarmos o desenho, percebemos que, se partimos do ponto de vista do
falante, toda a ação de dar a outros vai para cima em direção ao resto do mundo,
enquanto toda ação de dar feita pelos outros vai para baixo em direção ao falante.
Você deve usar 「あげる」 quando VOCÊ estiver dando algo ou fazendo algo
para alguém (a pessoa sempre estará acima de você). Observe os exemplos:

私が友達にプレゼントをあげた。= Eu dei o presente a um amigo.

これは先生にあげる。= Darei isto à professora.

Para expressar a concessão de um favor (verbo) seu, você deve usar sempre 「あ
げる」 como verbo suplementar anexado à Forma TE:

車を買ってあげる。= Vou dar-lhe o favor de comprar um carro.

代わりに行ってあげる。= Vou dar-lhe o favor de ir em seu lugar.

Você deve usar 「くれる」 quando UM TERCEIRO está dando algo ou fazendo
algo a você (efetivamente, o oposto de 「あげる」). Observe os exemplos:

友達が私にプレゼントをくれた。= O amigo deu presente a mim.

これは、先生がくれた。= O professor me deu isto.

Para expressar a concessão de um favor (verbo) de um terceiro, você deve usar


sempre 「くれる」 como verbo suplementar anexado à Forma TE:

車を買ってくれるの?= Você vai me dar o favor de comprar um carro para mim?

代わりに行ってくれる?= Você vai me dar o favor de ir no meu lugar?

75
Relembrando, a Base Rentaikei é utilizada para conectar elementos invariáveis.
Já vimos também que na verdade se usa a base Rentaikei dos Adjetivos-I para se
atribuir algo à outra coisa. Consequentemente, por lógica, é natural pensar que é
possível usar verbos, já que eles também possuem base Rentaikei. Considere a
seguinte oração em português:

“A PESSOA QUE MORRE.”

A oração acima pode não fazer muito sentido, mas o importante aqui é que você
perceba que o fragmento “que morre.” descreve o tipo de pessoa da qual estamos
falando. Em japonês, podemos construir esse tipo de oração usando a base Ren-
taikei dos verbos, a fim de fazer com que eles modifiquem diretamente outro
termo:

死ぬ。= Morrer. → 死ぬ人。= Pessoa que morre.

De fato, a Base Rentaikei é muito versátil. Tecnicamente, podemos conectar a ela


qualquer partícula ou substantivo e isso nos possibilita expressar muitas coisas.
Por exemplo, podemos conectar o substantivo 「とき」(時), que significa
“tempo”, a uma oração a fim de indicar o que acontece no “tempo” em que a
oração é executada. Veja:

テレビを見るときに寿司を食べる。= Quando (eu) assisto TV, como sushi.

O segundo substantivo que que usaremos como exemplo é 「あと」, que pode-
mos traduzir como “traseira”. Ele pode ser usado quando queremos expressar
que uma ação ocorre ou deverá ocorrer após o término de outra ação. Devido a
este sentido, a ação que está a frente deve estar sempre na forma passada, pois
foi ou deverá ser completada antes da outra ação: Observe:

ひろしが出たあとまことがくる。= Depois que Hiroshi sair (= tiver saído), Ma-


koto virá. (Lit. Na traseira (da ação) em que Hiroshi saiu, Makoto virá)

Veja que no momento em que Makoto vier, a ação de Hiroshi sair estará (ou de-
verá estar) concluída. Por isso, o uso de 「あと」 faz sentido, já que a ação da
oração principal estará sempre “na traseira” com relação a outra na linha do
tempo em termos de conclusão:

76
Neste sentido, pode-se anexar 「で」 a 「あと」. Tal prática é a mais comum e
soa mais formal:

ひろしが出たあとでまことがくる。= Depois que Hiroshi sair (= tiver saído),


Makoto virá.

Enfim, são muitos os substantivos que podem ser usados dessa maneira e não é
nossa intenção fazer aqui uma lista.

Agora, apresentaremos um recurso muito interessante chamado “nominaliza-


ção”.

Existem situações em que um verbo precisa ser tratado como se fosse um subs-
tantivo, e é aqui que entra em campo o processo de nominalização. “Nominali-
zar” significa fazer com que orações exerçam a mesma função que um substan-
tivo na dentro da frase. Para compreendermos melhor, observe o exemplo a se-
guir e preste atenção no complemento verbal:

O estudante esqueceu-se dos estudos. (período simples)

O estudante = sujeito;

Esqueceu-se de = verbo transitivo indireto;

Os estudos = objeto indireto;

Considere que nessa mesma posição do complemento verbal pode aparecer, em


um período composto, orações subordinadas, ou simplificando, verbos. Sendo
assim, vamos ao próximo exemplo:

O estudante esqueceu-se de estudar. (período composto)

O estudante = sujeito;

Esqueceu-se de = verbo transitivo indireto;

Estudar = Oração subordinada (substantiva Objetiva indireta)

Veja como o verbo “estudar” funcionou como objeto indireto da oração principal.
Pode-se dizer que estamos falando de “ato de [verbo]” (o aluno esqueceu-se do
ato de estudar). Logicamente, poderíamos completar o seu sentido:

O estudante esqueceu-se de estudar a matéria para a prova. (o aluno esqueceu-


se do ato de estudar a matéria para a prova.)

Agora, observe o próximo exemplo:

77
A leitura é importante.

Foque-se substantivo “leitura”. Um verbo também pode ocupar a posição do su-


jeito de uma oração. Por exemplo, poderíamos reescrever a oração acima como
segue:

Ler é importante. (o ato de ler é importante).

Em japonês, há uma maneira muito simples de se nominalizar orações. Basta es-


crever a oração subordinada e em seguida, anexar a partícula 「の」 a ela. Assim,
a oração será “transformada” em um elemento de mesmo valor de um substan-
tivo. Então, como ficaria a oração “O estudante esqueceu-se de estudar” em ja-
ponês? Vejamos:

学生は勉強するのを忘れた。= O estudante esqueceu-se de estudar.

Veja como a oração 「勉強する」 foi “transformada” em um substantivo, e pu-


demos usar a partícula 「を」. Também, lembre-se da expressão “ato de
[verbo]”, pois a fim de facilitar o aprendizado destas construções, você pode pen-
sar que 「の」 faz o papel desta expressão. Obviamente, o importante é você en-
tender o conceito, afinal nem sempre será melhor traduzir como “ato de”; às ve-
zes será melhor usar “o fato de” ou até mesmo “a coisa que”, por exemplo. Enfim,
tudo dependerá do contexto.

Podemos também completar o sentido da oração subordinada. Observe o quadro


abaixo:

Vejamos um exemplo de oração completa:

学生はジュースを飲むのを忘れた。= O aluno esqueceu-se do ato de tomar o


suco.

Lembre-se que em português, as orações subordinadas substantivas podem tam-


bém ocupar a posição de sujeito. Em japonês, também:

漫画を読むのは面白い。= Falando do ato de ler mangás, (isso) é interessante.

Podemos também usar a palavra 「こと」, que significa “coisa”, no lugar da par-
tícula 「の」:

学生はジュースを飲むことを忘れた。= O aluno esqueceu-se de tomar o suco.

78
O uso de 「の」 e 「こと」 como nominalizadores parece ser um recurso que
começou a ser adotado no Japonês Moderno, pois na língua moderna há a “regra
prática” de anexar partículas somente a substantivos ou a elementos que se com-
portem como substantivos (que é o caso aqui). Como já sabemos, na língua an-
tiga, uma prática comum para se nominalizar uma oração era usar a base Rentai-
kei simplesmente. Sendo assim, por exemplo, a oração 「学生は勉強するのを忘
れた」 seria nominalizada assim:

学生は勉強するを忘れた。= O estudante esqueceu-se de estudar.

Veja como a partícula 「を」 é colocada logo após a base Rentaikei do verbo 「
する」 fazendo com que 「勉強する」 se torne objeto do verbo 「忘れる」. Sim-
ples, não?

Embora tal recurso seja possível gramaticalmente, não é mais praticável na vida
real. Entretanto, há algumas construções gramaticais antigas que ainda são usa-
das no Japonês Moderno que se tratam da nominalização “à moda antiga”, isto
é, através da anexação de uma partícula à Base Rentaikei.

Aliás, a única partícula na língua moderna que convencionalmente é usada dire-


tamente depois de verbos é 「と」. Uma de suas funções é destacar citações, isto
é, expressar o que outras pessoas dizem, ouvem, etc. Podemos dividir as citações
em “diretas e “indiretas”. Imaginemos que na escola Hiroshi ouve do professor:

PROFESSOR: 今日は授業がない。= Não haverá aula hoje.

Então, mais tarde, Hiroshi encontra Makoto e reporta o que ouviu do professor:

HIROSHI: 「今日は授業がない」 と先生から聞いたんだ。= Isso é o que ouvi


do professor “Não haverá aula hoje.”.

No exemplo acima, Hiroshi reporta a Makoto exatamente o que ouviu professor.


Este tipo de citação é chamado de “citação direta”. Em português, colocam-se
citações diretas entre aspas. Mais um exemplo:

「海まで」 と叫んだ。= “Até o mar”, gritaram.

O segundo tipo de citação é a citação baseada naquilo que alguém realmente


disse. Não é uma citação palavra por palavra. Uma vez que esta não é uma citação
direta, não há necessidade de aspas. Você também pode expressar pensamentos
como uma citação indireta.

先生から今日は授業がないと聞いたんだ。= Ouvi do professor que hoje não ha-


verá aula.

79
Não é necessário que o verbo principal esteja logo após 「と」. Como o verbo
que se aplica à oração vem antes de qualquer outro verbo, você pode ter quantos
adjetivos, advérbios ou substantivos entre os dois:

「寒い」 とまことがひろしに言った。= "Frio", Makoto disse a Hiroshi.

A partícula 「と」 pode indicar que um verbo se aplica a outra oração. Para cla-
rificar, observe o exemplo a seguir:

雨が降ると思う。= Penso que vai chover.

Como forma de memorização, podemos pensar que 「と」 é como um dedo in-
dicador que aponta pra uma oração subordinada dando um sentido de “é isto
que penso”, “é isto que digo”, etc. Vejamos:

Você pode se surpreender ao saber que existe uma versão mais curta e casual de
citação, uma vez que ela já é apenas um fonema do Hiragana, 「と」. No entanto,
o ponto importante aqui é que, ao usar esse atalho casual, você pode deixar de
lado o restante da frase e esperar que o ouvinte possa entender tudo a partir do
contexto. Esta versão casual é 「って」:

あきらは来年、海外に行くんだって。= Com relação a Akira, ele disse que ano


que vem irá ao exterior.

先生から今日は授業がないって。= Ouvi do professor que hoje não haverá aula.

もうお金がないって。= (Eu) já lhe disse que não tenho dinheiro.

今、時間がないって、本当? = (Você) não tem tempo agora (eu ouvi), é ver-


dade?

「って」 ainda pode ser usado para falar sobre praticamente qualquer coisa, e
não apenas para citar algo que foi dito. Você pode ouvir 「って」 sendo usado
em praticamente qualquer lugar no discurso casual. Na maioria das vezes ele é
usado no lugar da partícula 「は」 simplesmente para trazer um tópico à con-
versa:

明日って、雨が降るんだって。= Falando de amanhã, eu ouvi que vai chover.

80
まことって、すごくいい人。= Falando de Makoto, ele é uma pessoa muito boa.

No tópico 5, mencionamos que o verbo 「する」 basicamente significa “fazer(-


se)”, porque, na verdade, ele possui diversos significados (o [Link] aponta pelo
menos 10!!). Dentre eles estão “agir como”, “vestir” e “considerar”. Qual signifi-
cado considerar depende da construção e do contexto. Uma dessas construções
específicas é quando 「する」 é usado com 「と」. Nestes casos, o significado
presente é “considerar”:

明日に行くとする。= Considerar que (eles) irão amanhã.

Outra possibilidade é combinar a Forma MU com o verbo 「する」 através de 「


と」 para expressar uma tentativa no sentido de um esforço para se fazer algo:

毎日、勉強を避けようとする。= Todos os dias (ele) tenta evitar estudar.

81
9. O ESTADO-DE-SER E OS ADJETIVOS-NA
Um dos aspectos mais complicados do idioma japonês é que não há um verbo
para se expressar o “estado-de-ser” de algo como o verbo “ser” no português (na
gramática, “cópula”). Métodos convencionais costumam atribuir ao verbo 「あ
る」 o significado “ser”, contudo, se dissermos, por exemplo, 「山ある」, a tra-
dução correta é na verdade “Existe (uma) montanha” e não “É (uma) montanha”.

Então, como expressar que “algo É alguma coisa em japonês”?

Lembre-se da partícula 「で」 que vimos em um tópico passado. Dentre suas


funções está a de indicar o modo como um verbo se realiza. Sendo assim, se dis-
sermos, 「山である」, estamos indicando o “modo” como o verbo 「ある」(exis-
tir) se realiza, isto é, “existe como (sob aspecto de) (uma) montanha”, literal-
mente. Veja que se pensarmos bem, é o mesmo que dizer “é (uma) montanha” no
fim das contas.

No Período Muromachi (1336-1573), 「である」 tornou-se 「じゃ」 na parte


Oeste do Japão e 「だ」 no Leste, base do japonês padrão:

山にてあり。→ 山である。→ 山だ。= É montanha.

No japonês moderno, além de 「である」 e 「だ」, existe 「です」. As três for-


mas da "mesma coisa", porém, diferenciam-se no sentido e na utilização. Por
hora, vamos nos focar em 「だ」, que deve ser usado somente após um substan-
tivo ou um Adjetivo-NA:

魚 = peixe → 魚だ。 = É peixe

人 = pessoa → 人だ。= É pessoa.

学生 = estudante → 学生だ。= É estudante

Parece muito fácil. Aqui está o verdadeiro problema: um estado-de-ser pode ser
subentendido, sem o uso do 「だ」!

Tal como se apresenta, o exemplo 1 é simplesmente a palavra “peixe” e não sig-


nifica nada, além disso. Porém, podemos pressupor que algo é um peixe pelo
contexto, sem declarar nada. Por esta razão, a pergunta que deve estar passando
na sua cabeça é, “Se você pode dizer que algo é [X] sem usar 「だ」, então, qual
o motivo de isto existir?”.

Bem, a principal diferença é que uma declaração afirmativa faz com que a sen-
tença soe mais enfática e convincente de modo a torná-la... bem declarativa. Por-
tanto, é mais comum você ouvir homens usando 「だ」 no fim das sentenças.
Este é também o motivo de via de regra você não poder usar 「だ」 ao fazer uma

82
pergunta, porque parecerá que está fazendo uma afirmação e uma pergunta ao
mesmo tempo.

O 「だ」 declarativo também é necessário em várias estruturas gramaticais nas


quais um estado-de-ser precisa ser declarado explicitamente. Há também o caso
em que não se deve anexá-lo. Enfim, tudo isso é realmente muito incômodo, mas
você não deve se preocupar ainda.

Vamos apresentar as seis bases de 「である」, 「だ」 e 「です」 para que você
possa entender a lógica de formação dos tempos verbais da cópula 「だ」. Ob-
serve a tabela abaixo:

Podemos conjugar o estado-de-ser tanto para a forma negativa quanto para o


tempo passado para dizer que algo não é [X] ou que algo era [X]. Isso pode ser
meio difícil de entender à primeira vista, mas nenhuma destas conjugações do
estado-de-ser afirmam algo como o 「だ」 faz. Aprenderemos, em outra lição,
como criar estas declarações afirmativas colocando 「だ」 ao fim da frase.

I. Forma Negativa: é formada anexando-se o verbo auxiliar 「ない」 à base Mi-


zenkei do verbo da cópula 「ある」. Assim, temos:

Nós não colocamos “(??)” à toa. Isso por que a regra estaria correta se 「ある」
não fosse irregular quando colocado juntamente com o verbo auxiliar 「ない」.
Sendo assim, 「あらない」 torna-se simplesmente 「ない」. Talvez o motivo
dessa irregularidade esteja no fato de que 「ない」 já expressa por si mesmo uma
existência nula e possivelmente os gramáticos pensaram que não haveria neces-
sidade, pois seria uma redundância, de ter uma forma negativa do verbo de exis-
tência, no caso 「ある」. Tanto que com outros auxiliares deve-se usar normal-
mente a base Mizenkei de 「ある」.

Bem, seja qual for o motivo para a irregularidade, então, a forma negativa de 「
である」 é 「でない」? A resposta é: sim e não!

83
A construção 「でない」 é gramaticalmente correta, e é possível encontrar al-
guns japoneses que a usam. Porém, talvez por que a pronúncia soe muito brusca,
a partícula 「は」 é colocada entre 「で」 e 「ない」, dando origem à 「では
ない」. Pode-se, então, contrair o fragmento 「では」 para 「じゃ」, o que re-
sulta em 「じゃない」, forma casual.

友達じゃない。 = Não é amigo (a).

魚じゃない。 = Não é peixe.

学生じゃない。 = Não é estudante.

II. Tempo Passado: agora, vejamos expressar o tempo passado para dizer que
algo era alguma coisa. Para tanto, tenha em mente que o passado da cópula 「だ
」 deriva do passado de 「である」. Portanto, o tempo passado é feito adicio-
nando-se o verbo auxiliar 「た」 à base Ren'youkei de 「である」. Assim, te-
mos:

「でありた」 é então contraído para 「であった」 que por sua vez é contraído
para 「だった」:

魚だった。 = Era peixe.

人だった。= Era pessoa.

学生だった。= Era estudante

III. Tempo Passado Negativo: aprenderemos agora a forma passada negativa do


estado-de-ser para que possamos dizer que algo não era alguma coisa. Para
tanto, lembre-se que 「ない」 é conjugado como um Adjetivo-I e basta acrescen-
tar o verbo auxiliar 「た」 a sua base Ren’youkei (do conjunto かり). Assim te-
mos:

Como vimos no tópico anterior, 「なかりた」 é contraído para 「なかった」:

友達じゃない = Não é amigo (a). → 友達じゃなかった = Não era amigo.

魚じゃない = Não é peixe. → 魚じゃなかった = Não era peixe.

84
学生じゃない = Não é estudante. → 学生じゃなかった = Não era estudante.

Por fim, também é possível unir estados-de-ser basicamente através do uso da


base Ren’youkei 「で」 da cópula 「だ」. Observe:

NOTA: os livros didáticos convencionais geralmente chamam a construção


acima de “forma TE para substantivos e Adjetivos-Na”, pois, como vimos, este 「
で」 pode exercer a mesma função sintática que a partícula 「て」 exerce
quando usada com verbos e Adjetivos-I. Sendo assim, também a chamaremos de
forma TE.

Se o quisermos nominalizar o estado-de-ser, devemos usar a base Rentaikei da


cópula 「だ」, ou seja, 「な」 antes de 「の」:

彼が先生なのを思い出した。= (Eu) me lembrei (do fato de) que ele é professor.

Para as demais cópulas, devemos usar 「こと」:

彼が先生であることを思い出した。= (Eu) me lembrei (do fato de) que ele é pro-


fessor.

Nos exemplos acima, as duas orações têm o mesmo significado. Entretanto, a


versão com 「の」 soa mais casual, ao passo que 「こと」 é mais apropriado
para a escrita.

Para memorização observe o quadro-resumo das formas da cópula 「だ」:

Apresentamos a seguir as Bases das cópulas clássicas 「なり」 e 「たり」. É


importante conhecê-las, pois você pode se deparar com elas, ainda que rara-
mente:

85
A função de denotar conjectura da Forma MU para verbos em si praticamente se
perdeu no japonês moderno. Atualmente, uma das maneiras de se fazer isso é
através da Forma MU das cópulas 「だ」, 「です」 e 「である」, isto é, 「だろ
う」, 「でしょう」 e 「であろう」 respectivamente.

雨が降るでしょう。= Provavelmente vai chover.

NOTA: 「でしょう」 se origina da evolução da pronúncia de 「でせう」.

「だろう」 significa essencialmente o mesmo que 「でしょう」, exceto pelo


fato de que soa mais masculino e é usado mais pelos homens:

雨が降るだろう。= Provavelmente vai chover.

Perceba que quando as cópulas estão na Forma MU, podemos coloca-las direta-
mente após um verbo na forma usual, fato que não é possível quando as cópulas
estão em outras formas, a menos que se use um 「の」 explicativo, pois, como já
vimos, este tem valor sintático de substantivo:

みやこが寿司を食べるのだ。= Miyako comerá o sushi. (CORRETA)

みやこが寿司を食べるだろう。= Miyako comerá o sushi, provavelmente. (COR-


RETA)

みやこが寿司を食べるだ。= Miyako comerá o sushi. (INCORRETA)

Para uma suposição negativa, podemos simplesmente anexar uma das cópulas
na Forma MU a um verbo na negativa, como em 「食べないだろう」.

No tópico 3, vimos que é possível modificar um substantivo por meio de outro,


através da partícula 「の」. Em muitos métodos, ela é chamada de partícula de
posse, mas essa nomenclatura pode gerar confusão. Na verdade, dentre outras
funções, 「の」 pode transformar um substantivo em atributo, isto é, um quali-
tativo que se acrescenta ao significado de um substantivo, sem alterá-lo. Observe
o quadro a seguir:

86
No exemplo acima, a partícula 「の」 permitiu que transformássemos o substan-
tivo 「友達」 em um atributo do substantivo 「車」, isto é, não é de carros em
geral que estamos falando, mas sim um carro cujo atributo é “do amigo”. Perceba
que, da mesma forma que os adjetivos ou verbos usados como adjetivos, o termo
que descreve virá sempre antes.

Há uma classe de palavras, estranhamente, chamada de adjetivo, mas que se


comportam como substantivos. São os “Adjetivos-NA”. A diferença é que com
eles não se pode usar a partícula 「の」 para transformá-lo em atributo de outro
substantivo. Por exemplo, se quisermos dizer “pessoa gentil” usando o Adjetivo-
NA 「しんせつ」 (親切), não podemos escrever assim:

親切の人。= Pessoa gentil – INCORRETO.

A forma correta é:

親切な人。= Pessoa gentil.

Por isso o nome “Adjetivo-NA”. Contudo, de onde vem esse 「な」?

A resposta é mais simples do que você imagina. Lembre-se que mencionamos


que a Base Rentaikei é utilizada para conectar elementos invariáveis, como subs-
tantivos e partículas. Sendo assim, precisamos de algum elemento que, ao mesmo
tempo, seja flexionável e que expresse o estado-de-ser. Logo, esse 「な」 é a Base
Rentaikei da cópula 「だ」!!

Portanto, perceba também que assim como os Adjetivos-I, está se afirmando lite-
ralmente “Pessoa que é gentil” e não simplesmente “Pessoa gentil”. Como os Ad-
jetivos-NA não possuem parte flexionável em si, as formas verbais serão indica-
das pelas formas da cópula. Assim, por exemplo:

親切じゃない人。= Pessoa que não é gentil.

人が親切じゃなかった。= A pessoa não era gentil.

Já que se usa 「な」 (e não 「の」) para transformar um Adjetivo-NA em atri-


buto para um substantivo, alguns podem imaginar que se poderia utilizar tam-
bém a Base Rentaikei da cópula 「である」. Assim:

親切である人。= Pessoa gentil.

87
Diríamos que o raciocínio tem sentido, mas tenha em mente que em línguas nem
tudo o que é possível gramaticalmente é praticável na vida real. Gramática é a
busca do homem em padronizar certos elementos semelhantes e muitas vezes
estamos diante de convenções. Em outras palavras, se decidiram que se deve usar
「な」, deixemos assim.

Note também que essas convenções acerca da gramática podem mudar de acordo
com o tempo. Afinal, o modo como o povo usa sua língua na vida concreta é
incontrolável. Tanto é verdade que há casos de Adjetivos-NA que podem ser usa-
dos com 「の」!! Provavelmente, houve um tempo em que o “povão” confundia
tanto as coisas que os gramáticos decidiram admitir essa possibilidade. Veja o
próximo exemplo:

特別な人 (ou 特別の人) = Pessoa especial.

Por fim, convém citar algumas coisas importantes sobre os Adjetivos em geral. A
palavra para "bom" era originalmente 「よい」 (良い). Porém, com o tempo,
devido à mudança de pronúncia, tornou-se 「いい」. Quando escrita em Kanji,
é geralmente lida como 「よい」, e 「いい」 aparece quase sempre em Hira-
gana. Entretanto, todas as conjugações ainda derivam de 「よい」 e não de 「い
い」. Outro Adjetivo-I que age assim é 「かっこいい」 por que é uma versão
abreviada de duas palavras unidas: 「格好」 e 「いい」. Consequentemente,
tem as mesmas conjugações. Observe o quadro a seguir:

値段がよくない。= O preço não é bom.

彼はかっこよかった! = Ele estava muito bonito!

É natural pensar que para os adjetivos existentes em nossa língua materna deva
existir um equivalente em japonês. Certamente com a maioria é assim; mas com
alguns, não. Nestes casos, a “ideia de adjetivo” nos é dada através dos verbos:

お腹が空いた。= faminto (literal: o estômago está esvaziado).

喉が乾いた。= sedento (literal: a garganta está seca).

88
E se, por exemplo, quisermos dizer que [A] é magro ou que [B] é gordo? De fato,
existem adjetivos propriamente ditos para "gordo" e "magro" (「太い」 e 「細い
」), mas podem soar ofensivos a um japonês. Portanto, use verbos:

みどりは太た。 = Midori engordou.

まことは痩せた。 = Makoto emagreceu.

Os falantes nativos, muitas vezes, retiram o 「い」 final de alguns Adjetivos-I,


quando usados como exclamações simples:

さむ!= Está frio!

あつ!= Está quente!

まず!= É desagradável!

Responda agora: qual é o correto: 「大きい」 ou 「大きな」 (grande)? 「小さ


い」 ou 「小さな」 (pequeno)?

Bem, ambas as formas de cada adjetivo são aceitáveis. A diferença é que a versão
Adjetivo-NA soa mais poética, sendo muito comum na poesia e canções.

Alguns coloquialismos são comuns à maioria dos dialetos da língua japonesa.


Assim como toda língua falada, ocorrem contrações utilizadas no cotidiano. Um
padrão normalmente visto é:

「~(あ)い」 ou 「~(お)い」 → [~ fonema respectivo em 「え]+ 「え]


].

Por exemplo, 「たべない]→ 「たべねえ] e 「すごい] → 「すげえ] (mais


comumente usado com 「ない]).

Em animês este padrão costuma ser usado com frequência. Em um dos episódios
de Dragon Ball Super, Goku diz 「嘘がきれえ], forma coloquial de 「嘘がきら
い].

Uma questão que confunde muitos estudantes é a distinção de verde e azul na


língua japonesa. Segundo este artigo ([Link] “toda lín-
gua tinha tido primeiramente, uma expressão para o preto e o branco, a escuridão
e a luz. A próxima palavra foi vermelho, cor do sangue e do vinho. Depois histo-
ricamente aparece o amarelo, e, mais tarde o verde. A última das cores é o azul.
Descobriram também que a única cultura que desenvolveu na época, uma pala-
vra para o azul eram os egípcios – os primeiros a produzir esses corantes”.

É muito provável que no japonês tenha ocorrido o que destacamos no parágrafo


anterior, isto é, 「青」 significava originalmente “verde” e não “azul”. Somente

89
no Período Heian (794-1185), com a palavra 「みどり」 para “verde” é que se
passou, então, a distinguir azul e verde. Em materiais educacionais, a distinção
entre verde e azul veio somente depois da Segunda Grande Guerra.

A palavra 「青」 é ainda usada para vegetais, maçãs e clorofila na vegetação. É


também a palavra usada para definir a cor do sinal de trânsito para 'Siga' (verde).
Porém, para muitos outros objetos, como carros e suéteres por exemplo, usa-se o
termo 「みどり」. Os japoneses usam por vezes o 「グリーン」, cuja origem é o
inglês "green", para cores. Há na língua também vários outros termos para tons
específicos de verde e de azul.

90
10. ONOMATOPEIAS, ADVÉRBIOS E KOSOADO
O que é onomatopeia? Segundo o Dicionário Houaiss, “onomatopeia” é a forma-
ção de uma palavra a partir da reprodução aproximada, com os recursos de que
a língua dispõe, de um som natural a ela associado. Por exemplo, “Din-don” é a
reprodução do som da campainha, bem como “Atchim” a do som de espirro.

Na língua japonesa, as onomatopeias 「オノマトペ」 constituem uma parte


muito importante no idioma; são usadas em tudo, desde brincadeiras casuais en-
tre amigos até contextos formais. Além disso, o uso de onomatopeias é um
grande indicador de fluência, pois sua aprendizagem é uma boa maneira de fazer
o seu japonês soar mais natural e fluente.

Há tantas onomatopeias em japonês que elas são divididas em três tipos diferen-
tes: 「ぎせいご」(擬声語), 「ぎおんご」(擬音語) e 「ぎたいご」(擬態語).

I. Giseigo [「ぎせいご」(擬声語)]: se olharmos para os significados dos Kanjis,


veremos que 「ぎせいご」 significa algo como “palavra que imita voz”. Então,
esse tipo de onomatopeia é aquele que descreve sons emitidos por pessoas e ani-
mais. É o tipo de onomatopeia mais fácil de entender e é provavelmente por isso
que muitas vezes as crianças aprendem ruídos de animais muito cedo. Abaixo,
segue um quadro com alguns exemplos:

II. Giongo [「ぎおんご」(擬音語)]: literalmente “palavra que imita sons”. Ou


seja, sons que não se encaixam no grupo dos Giseigo são classificados aqui como,
por exemplo, efeitos sonoros como o vento soprando, uma explosão, ou chuvas.
Dos três tipos de onomatopeia, o 「ぎおんご」 é o mais inconsistente, e o tipo da
palavra que você menos encontrará no dicionário. Pense os 「ぎおんご」 como
palavras de ação que os artistas usam em quadrinhos:

91
III. Gitaigo [「ぎたいご」(擬態語)]: literalmente “palavra que imita condição”.
São palavras que não imitam sons, mas sim descrevem sentimentos, qualidades
e atitudes. Veja que claramente não são onomatopeias se considerarmos sua de-
finição na língua portuguesa.

As onomatopeias são geralmente escritas em Katakana ou Hiragana, havendo


uma sutil diferença: com Katakana, se passa um ar mais ríspido, ao passo que
com Hiragana, um ar mais suave.
92
Curiosamente, as onomatopeias japonesas podem ser transformadas em muitas
outras partes do discurso. Isso nem sempre é algo que você pode fazer em por-
tuguês, mas em japonês, elas são muito mais flexíveis. Por exemplo, elas podem
aparecer no predicado, funcionando basicamente como um adjetivo:

ひろしは日本語がぺらぺら。= Falando de Hiroshi, o japonês é blá-blá (fluente).

お腹がぺこぺこだ。= O estômago é ronc (faminto).

ピカピカの新製品。= Nova linha de produtos que é plim-plim (Algo que brilha


supõe algo novo)

Convém mencionar ainda que uma mesma onomatopeia pode ter formas distin-
tas, que chamaremos de (1) forma dobrada, (2) forma TTO, (3) forma RI e (4)
forma RI com o pequeno 「つ」. Vejamos o quadro abaixo:

Nem todas as onomatopeias possuem todas as formas (os três exemplos acima
são realmente mais flexíveis em vista da maioria). Além disso, por vezes, as dife-
rentes formas da mesma onomatopeia terão significados um pouco diferentes,
embora sejam normalmente iguais ou muito parecidos. O importante aqui é estar
ciente de que uma onomatopeia em japonês (quando usada em uma frase) pode
aparecer em uma dessas formas.

Com relação à segunda forma, de fato o 「と」 final é a partícula 「と」, que é
encaixada à onomatopeia, tornando-se 「っと」.

As formas 1, 3 e 4 são mais complicadas, pois cada uma tem sua própria nuance
de uso. Algumas onomatopeias quase sempre virão com um 「と」; outras, não.
Também, a maioria dessas palavras funciona primeiramente como “advérbio”,
mas pode se encaixar em outras classes de palavras também. Apenas para ilus-
trar, veja como o “[Link]” classifica 「さっぱり」:

Visto o que é onomatopeia, vamos agora aprender o que é “Advérbio”. Em por-


tuguês, advérbio é a classe gramatical das palavras que modificam um verbo, um
adjetivo ou mesmo outro advérbio. Nunca modificam um substantivo. É a pala-
vra invariável que indica as circunstâncias em que ocorre a ação verbal. Por
exemplo, comparemos as orações a seguir:

93
O ônibus chegou.

O ônibus chegou ontem.

A palavra ontem acrescentou ao verbo chegou uma circunstância de tempo: on-


tem é um advérbio.

Marcos jogou bem.

Marcos jogou muito bem.

A palavra muito intensificou o sentido do advérbio bem: muito, aqui, é um ad-


vérbio.

A criança é linda.

A criança é muito linda.

A palavra muito intensificou a qualidade contida no adjetivo linda: muito, nessa


frase, é um advérbio.

Com relação à língua japonesa, há discordância entre os gramáticos sobre a defi-


nição e classificação dos advérbios. Alguns defendem a tese de que na língua
japonesa não existem advérbios propriamente ditos, mas somente um uso adver-
bial de outras partes do discurso. Talvez por isso os advérbios derivem de várias
classes de palavras. Seja como for, vamos usar a nomenclatura “advérbio” para
facilitar o estudo. Além disso, uma vez que o sistema de partículas torna o orde-
namento das palavras em uma sentença flexível, eles podem ser colocados em
qualquer lugar, desde que estejam antes do verbo ao qual se referem. Vejamos:

I. Advérbios verdadeiros: são aqueles que, desconsiderando-se sua origem eti-


mológica, podem ser rotulados de advérbios puros, sendo encontrados como tais
no dicionário. Observemos 「もう」 (já), 「たくさん」 (muito) e 「全然」 (nem
um pouco) nos exemplos a seguir:

もう暗い。= Já está escuro.

彼はもう出た。= Falando sobre ele, já saiu.

映画をたくさん見た。= Viu muitos filmes.

最近、全然食べない。= Ultimamente, (ele) não come nem um pouco.

II. Adjetivo-I: a base Ren'youkei do conjunto く dos Adjetivos-I pode ser usada
também como advérbio:

94
彼女は優しく弟を抱きしめた。= Falando de ela, ela abraçou carinhosamente o
irmão mais novo.

ひろしは朝ご飯を早く食べた。= Falando de Hiroshi, ele rapidamente comeu o


café da manhã.

O advérbio 「早く」 pode ter sentido tanto de velocidade quanto de tempo. Em


outras palavras, Hiroshi pode ter tomado seu café da manhã rapidamente ou ter
tomado cedo. Tudo isso depende do contexto.

Cuidado para não confundir a forma substantiva dos Adjetivos-I (Base Ren’you-
kei) com a forma adverbial (também a Base Ren’youkei). Nestes casos, o contexto
será o nosso aliado para mostrar como devemos interpretar a Base Ren’youkei de
um Adjetivos-I.

III. Adjetivos-NA: Adjetivos-NA podem ser usados como advérbios adicio-


nando-se 「に」 a eles:

Não confunda esse 「に」 com a partícula 「に」. Para conectar uma palavra
flexionável a um verbo, é necessário o uso da base Ren’youkei, que neste caso é
a da cópula 「だ」. Abaixo, seguem alguns exemplos:

たもつは静かに歩く。= Falando de Tamotsu, ele caminha silenciosamente.

みやこは部屋をきれいにした。= Falando de Miyako, ela limpou o quarto.

Podemos ainda interpretar a sentença acima como "Miyako fez o quarto limpo."
Ou, ainda, como 「きれい」 literalmente significa "bonito", podemos traduzir
como "Miyako embelezou o quarto”.

IV. Adjetivos-TARU: primeiramente, Adjetivos-TARU são adjetivos muito for-


mais e raros atualmente, que funcionavam como os Adjetivos-NA com a dife-
rença que eram formandos com o auxílio da Base Rentaikei da cópula Clássica 「
たり」:

堂々たる態度 = Atitude (que é) magnífica.

95
E, assim como os Adjetivos-NA, a forma adverbial dos Adjetivos-TARU era ob-
tida através do uso da base Ren’youkei da cópula que os forma, no caso utili-
zando-se a Base Ren’youkei de 「たり」, isto é, 「と」. Veja:

堂々と戦う。= Lutar magnificamente.

V. Palavras Variáveis: algumas palavras variam quanto a sua natureza depen-


dendo da forma como são usadas. Por exemplo, 「まあまあ」 pode significar
"mais ou menos", como um advérbio, mas também pode ser usado como um Ad-
jetivo-NA para significar o mesmo, ou ainda, como uma interjeição para signifi-
car "agora, agora".

Por conta da existência de palavras variáveis, não se surpreenda ao se deparar,


por exemplo, com uma palavra que se comporta como um substantivo, mas que
tem significado de advérbio. Veja o exemplo a seguir:

先生と相談のあげく、退学をしない。= (Depois de muita) consulta com o pro-


fessor, (no final), (ele) não abandonará a escola.

Quem se deparasse com esse tipo de oração, pensaria que 「あげく」 é um subs-
tantivo. Contudo, veja como, embora ele se comporte como um substantivo den-
tro da oração, é na realidade um advérbio. Fique atento, pois existem muitas pa-
lavras variáveis no japonês.

VI. A forma TE: verbos na forma TE podem, por vezes, ser usados como advér-
bios também. Nestes casos podemos considerar que eles explicam ou descrevem
como a ação do verbo principal está sendo feita:

歩いて行く。= Ir caminhando.

怒って言う。= Dizer com raiva.

O importante aqui é considerarmos o contexto, pois como vimos em lições pas-


sadas, o uso básico de forma TE consiste em unir sentenças. Sendo assim, pode-
ríamos traduzir literalmente os exemplos acima como “Caminhar e ir” e “Ficar
com raiva e dizer”, o que de certo modo pode ter o mesmo sentido.

Também, há alguns verbos específicos cuja forma TE, quando usada como ad-
vérbio, pode ter sentido diferente daquele proposto pelo verbo. É o caso, por
exemplo, de 「初めて」, que como advérbio normalmente é traduzido como
“pela primeira vez” ou “somente depois de” e não “começando”. Claro que tudo
dependerá do contexto.

VII. Duplicação de elemento: há alguns advérbios que se originam da duplicação


de um mesmo elemento. Por exemplo, se duplicarmos o verbo 「見る」, obtendo
assim 「見る見る」, teremos um advérbio. É claro que a construção ganhará ou-
tro sentido, nesse caso, “muito rapidamente”, “em um piscar de olhos”:

96
水は見る見る流れた。= Falando de água, (ela) correu num piscar de olhos.

Outro exemplo é o substantivo 「時」, que quando duplicado, sendo transfor-


mado em 「ときどき」, passa a significar “às vezes”:

彼女は時々水を飲む。= Falando dela, às vezes (ela) bebe água.

VIII. Onomatopeias: frequentemente as onomatopeias aparecem colocadas antes


de verbos, sendo mais comum com o verbo 「する」, mas podem aparecer com
outros. Por isso, são palavras que formam uma categoria bem desenvolvida de
advérbios, constituindo uma grande percentagem do montante total dessas pa-
lavras em japonês.

テストでどきどきする。= Estar nervoso por causa da prova.

頭ががんがん痛む。= A cabeça dói de forma latejante.

目がぐるぐる回る。= Os olhos giram em círculos.

Há algumas onomatopeias às quais os nativos costumam acrescentar um 「っと


」 final para tornar a pronúncia mais fluida. Veja:

ひろしはぴたっと止まった。= Hiroshi parou de repente.

IX. Partículas: algumas partículas são traduzidas como advérbios, mostrando


uma analogia / restrição. Como exemplo, podemos citar a partícula 「まで」:

家まで送る。= (Eu) acompanharei (você) até sua casa.

Por fim, vamos abordar o “Kosoado”, que se trata de um conjunto de palavras


que são baseadas na distância física entre o falante e o ouvinte. Esse nome deri-
vado da primeira sílaba dessas palavras. Observe:

こ(此) = para algo perto do falante;

そ (其) = para algo perto do ouvinte;

あ (彼) = para algo distante do falante e do ouvinte;

ど (何) = refere-se a pessoa ou coisa dentre outras (qual...)

O Kosoado tem sete formas, dependendo de sua terminação:

97
Aprendendo as formas do Kosoado, praticamente revisamos o que aprendemos
até agora e não será necessário explicar detalhadamente cada forma. Pode pare-
cer confuso, mas com o tempo você dominará esse conjunto.

Vejamos um exemplo para cada forma:

それは猫だ。= Falando de isso, é um gato.

猫はここにいる。= Falando do gato, está aqui.

猫はあっち。= Falando do gato, é naquela direção.

あなたの猫。= Gato de você (seu gato).

この猫は白い。= Falando de este gato, é branco.

あきらの猫がこう食べる。= O gato de Akira (é que) come deste modo.

あきらがそんな猫を買った。= Akira (é quem) comprou um gato como esse.

Voltemos nossa atenção para o grupo 「ど」 (何), que pode gerar um pouco de
confusão no início. Tenha em mente que 「ど」 (何) carrega um sentido de
“qual...”, isto é, que coisa ou que pessoa, dentre outras (em interrogação direta e
indireta):

どれが君の本? = Qual é o seu livro?

それはどの劇場? = Falando disso, qual (é o) teatro?

Como fazer perguntas básicas em japonês? Bem, aquilo que chamaremos de “pa-
lavras interrogativas” refere-se ao conjunto de palavras que inclui dentre outras
“quem”, “o quê”, “quando”, “onde”, etc. Ao aprender esse conjunto, você será
capaz de expressar suas perguntas, mesmo sem um vocabulário extenso.

Primeiramente, vamos aprender algumas palavras interrogativas em japonês:

98
1. Onde: どこ;

2. O que: なに;

3. Quem: だれ;

4. Quando: いつ;

5. Como: どう.

Repare que as palavras acima de certa forma apontam para algo. Por exemplo,
quando perguntamos “Onde Hiroshi está?”, o alvo da dúvida é o lugar no qual
ele está; se perguntamos “Quando Hiroshi veio?”, desejamos saber qual o mo-
mento, tempo em que ele veio, e assim por diante. Observe o esquema abaixo,
no qual chamaremos essas associações para cada palavra de “alvo”:

1. Onde: どこ (refere-se a LUGAR);

2. O que: なに (refere-se a COISAS);

3. Quem: だれ (refere-se a SERES);

4. Quando: いつ (refere-se a TEMPO);

5. Como: どう (refere-se a MODO, MANEIRA).

Nós já aprendemos dois usos básicos da partícula 「か」, isto é, como partícula
alternadora e como partícula de dúvida. Agora neste tópico veremos como ela
será útil para formar as palavras interrogativas, pois todas terminam com 「か」
, dando a ideia de “algum(a) [alvo]”. Observe:

Você verá nos exemplos a seguir, que podemos tratar essas palavras como qual-
quer substantivo regular:

誰かがおいしいクッキーを全部食べた。= Alguém comeu todos os biscoitos de-


liciosos.

犯人をどこかで見た? = (Você) viu o criminoso em algum lugar?

99
Já sabemos que 「何」 pode ser lido 「なに」 ou 「なん」 dependendo do vem
a sua frente, como em 「何色」 (なにいろ) e 「何人」 (なんにん). No caso
de 「何か」, embora 「なにか」 seja a leitura correta, tal composição é frequen-
temente contraída para 「なんか」 na linguagem informal:

なにか食べる?→ なんか食べる?= Comer algo?

Podemos também combinar algumas palavras interrogativas com a partícula 「


も」 para dar sentido de “todo [alvo]”, em orações sem negação, ou “nenhum
[alvo]”, em orações negativas. Observe o quadro abaixo e atente-se a algumas
particularidades:

Como podemos perceber pelo quadro, as coisas não são tão consistentes como
seria de se esperar. Por exemplo, 「なにも」 não é geralmente usado para signi-
ficar "tudo", e 「いつも」 sempre significa "sempre" para ambas as formas posi-
tiva e negativa. Veja os exemplos a seguir:

私は何も飲まない。= Falando de eu, não beberei nada.

この質問の答えは、誰も知らない。= Ninguém sabe a resposta desta pergunta.

友達はいつも遅れる。= Falando do amigo, ele está sempre atrasado.

Outras palavras podem ser usadas para expressar conceitos semelhantes:

皆 【みんな】 = Todos;

皆さん 【みなさん】= Todos (polido);

全部 【ぜんぶ】 = Tudo;

全然 【ぜんぜん】 = De modo nenhum (quando usado com negação);

絶対 【ぜったい】 = Absolutamente, incondicionalmente, ou “nunca” quando


usado com negativa;

決して【けっして】= nunca, de jeito nenhum (usado em orações negativas.

100
As mesmas palavras interrogativas podem ser usadas com sentido de “qualquer
[alvo]”, se combinadas com 「でも」:

Observe os exemplos a seguir:

この質問の答えは、誰でも分かる。= Qualquer um entende a resposta desta


questão.

昼ご飯は、どこでもいい。= Falando do almoço, qualquer lugar é bom.

あの人は、本当に何でも食べる。= Aquela pessoa realmente come qualquer


coisa.

Algo interessante é que, ao que parece, podemos usar a partícula dupla 「にも」
no lugar de 「でも」 em alguns casos. Observe:

今週末は、どこにも行かなかった。= Falando desta semana, não fui a lugar ne-


nhum.

どの家にも庭があった。= Toda (qualquer) casa tinha um jardim.

Nesta oração também temos o sentido de “todo”. Entretanto, como 「どの」 é


um atributivo, deve ser seguido de um substantivo e, por isso, 「にも」 aparece
depois de “casa”.

Não tome isto como dogma, mas geralmente 「にも」 aparece em sentenças ne-
gativas, ao passo que 「でも」 é usado em sentenças não negativas. Isso explica
a diferença, por exemplo, entre 「誰でも」 e 「誰にも」, isto é, o primeiro é
usado em orações não negativas; o segundo, em orações negativas:

誰でもわかる。= Qualquer um entende.

誰にもわからない。 = Ninguém entende.

Podemos ainda combinar também 「どこ」 e 「いつ」 com 「までも」. Essa


combinação dá um sentido de amplitude e pode ser traduzido como “seja qual
for o [alvo]”:

101
Vejamos os exemplos:

どこまでも行く!= Irei, seja qual for o lugar.

あの婦人はいつまでも若い。= Aquela senhora será jovem seja qual for o tempo


(para sempre).

Conforme você for progredindo em seus estudos, aconselhamos que você comece
a consultar dicionários japoneses. Por exemplo, a palavra 「いつ」 mostra clara-
mente que dicionários ocidentais nem sempre apresentam todos os significados
possíveis de uma palavra. Vamos consulta-la no “[Link]”:

Agora, vamos consulta-la no “Kotobank”:

Percebe-se claramente que a palavra 「いつ」 não significa apenas “quando”,


podendo significar também “habitual”, “usual”. Isso faz toda a diferença quando
se deseja entender construções mais avançadas em que se deve considerar esse
segundo significado de 「いつ」 ignorado pelos dicionários ocidentais. Tudo
bem, embora sejam raríssimas na língua falada, podem aparecer em textos literá-
rios e no nível 1 do JLPT.

102
11. NÍVEIS DE POLIDEZ
Em qualquer idioma existem maneiras diferentes de se dizer as coisas quando se
trata de polidez. Mesmo em português, somos capazes de notar a diferença entre
um pedido como “Eu posso ir ao banheiro?” e “Eu poderia ir ao banheiro?”.
Você fala de um jeito com o seu professor e de outra maneira com seus amigos.
No entanto, o japonês é diferente, já que não só o tipo de vocabulário muda, mas
também a estrutura gramatical para cada frase dita.

Há uma linha clara e distinta entre a língua casual e a polida. Por um lado, as
regras claramente nos mostram como estruturar suas frases para diferentes con-
textos sociais. Por outro lado, cada frase que você fala deve ser conjugada com o
nível adequado de polidez.

Com base no que explanamos, a língua japonesa pode ser dividida em quatro
níveis quanto à polidez:

1. Coloquial;

2. Casual;

3. Polido;

4. Honorífico e Modesto.

Felizmente, não é difícil mudar do discurso casual para o discurso polido. Pode
haver algumas pequenas mudanças no vocabulário (por exemplo, "sim" e "não"
tornam-se 「はい」 e 「いいえ」, respectivamente no discurso polido), e termi-
nações de frases muito coloquiais não são usadas. Portanto, essencialmente, a di-
ferença principal entre o discurso polido e o casual está no final da frase. Você
não pode sequer dizer se uma pessoa está falando em discurso polido ou casual
até que a sentença seja concluída.

No discurso polido, há dois elementos principais: o verbo auxiliar 「ます」 e a


cópula 「です」. Primeiramente, vejamos suas bases:

Para transformar os verbos em verbos polidos, basta anexar o auxiliar 「ます」 à


base Ren’youkei:

103
FORMA POLIDA DOS VERBOS

{Base Ren’youkei} + Verbo Auxiliar 「ます」

Observe o quadro com a regra sendo aplicada:

Agora vamos a alguns exemplos de verbos em suas versões polidas:

犬は肉を食べます。= Falando do cachorro, ele come carne.

あきらが明日、大学に行きます。= Akira (é quem) vai à faculdade amanhã.

Um verbo em sua forma polida deve sempre estar no fim da oração e nunca mo-
dificando um substantivo, como segue abaixo:

肉を食べます犬。= Cachorro que come carne (INCORRETA).

Para obter as formas negativa, passada e negativa passada de 「ます」, basta


aplicar os conceitos já ensinados em tópicos passados, com algumas particulari-
dades. Observe o quadro:

Como podemos ver, a forma negativa é obtida através da junção da base Mizen-
kei e 「ん」, forma abreviada do auxiliar clássico de negação 「ぬ」. Podemos
também utilizar 「ぬ」, como em 「食べませぬ」, ainda que seja arcaico. Um
fato interessante é que não é possível usar 「ない」, como em 「食べませない」
. Já para negativa passada, ela é formada pela forma negativa de 「ます」 e a
forma passada de 「です」 (でし + 「た」). Veja alguns exemplos:

犬は肉を食べません。= Falando do cachorro, ele não come carne.

犬は肉を食べました。= Falando do cachorro, ele comeu carne.

104
犬は肉を食べませんでした。= Falando do cachorro, ele não comeu carne.

Se quisermos transformar qualquer tipo de construção em que não haja ver-


bos no final em uma sentença polida, tudo o que temos que fazer é acrescentar 「
です」 ao final. É importante lembrar que se há um declarativo 「だ」, ele deve
ser removido. Ao ser polido, você não deve ser tão ousado em declarar as coisas
com tanta ênfase como 「だ」 faz. Vejamos os quadros abaixo:

NOTAS:

1. Lembre-se que 「じゃ」 é a forma abreviada de 「では」, portanto, pode-se


dizer também 「静かではない」;

2. Na língua coloquial, 「です」 pode aparecer como 「っす」, sendo usado por
homens. Por exemplo, 「学生です」→「学生っす」.

Atente-se para a forma passada dos substantivos e Adjetivos-NA. É a única oca-


sião em que o passado é formado pelo acréscimo de 「でした」. Um erro muito
comum é fazer o mesmo para os Adjetivos-I, como em 「かわいいでした」. Lem-
bre-se que isto é errado, haja vista que um Adjetivos-I é uma classe de palavra
flexionável, portanto, deve ser flexionado. Como substantivos e Adjetivos-NA
são inflexionáveis, é a cópula que deve sofrer a flexão. Vejamos alguns exemplos
a seguir:

子犬はとても好きです。= Falando sobre cachorrinhos, gosto muito (o sentido


mais natural é que alguém goste muito de cachorrinhos; não há contexto sufici-
ente que indique que são os cachorrinhos que gostam muito de algo).

105
その部屋はあまり静かじゃないです。= Falando sobre esse quarto, não é muito
quieto.

先週に見た映画は、とても面白かったです。= O filme que (eu) vi na semana


passada foi muito interessante.

Você também pode usar 「です」 se o verbo estiver sucedido da partícula 「の


」 (「ん」), que, como vimos, gramaticalmente funciona como um substantivo
regular:

昨日、時間がなかったんです。= (O fato é que) não houve tempo ontem.

Guarde bem a sentença a seguir, que contraria a maioria dos livros convencio-
nais:

“「です」 NÃO É A FORMA POLIDA DE 「だ」!”

Muitas pessoas que tiveram aulas de japonês ouviram que 「です」 é a versão
polida de 「だ」. De fato, podemos supor isso se considerarmos a etimologia,
pois o primeiro origina-se de 「であります」, forma polida de 「である」, de
onde veio 「だ」. No entanto, as coisas não são tão simples assim!

Vamos apontar algumas diferenças chaves e as razões por que eles são de fato
coisas completamente diferentes, no sentido que não podemos usá-los de “forma
vice-versa” em todos os casos. Vejamos:

A) O FINAL DE UMA ORAÇÃO: antes de tudo, lembre-se do que mencionamos


anteriormente:

“... essencialmente, a diferença principal entre o discurso polido e o casual está


no final da frase.”

Agora, observe a seguinte oração:

犬は肉を食べます。= Falando do cachorro, ele come carne. (forma polida)

Como faríamos para reescrever a oração acima de uma forma não-polida? Basta-
ria usar a forma casual de 「食べます」, que é 「食べる」. Assim, temos:

犬は肉を食べる。= Falando do cachorro, ele come carne. (forma casual)

Por essa razão, podemos estabelecer a seguinte relação sobre os verbos:

106
Agora observe a construção abaixo:

あきらは学生です。= Falando de Akira, ele é estudante. (versão polida)

Se formos considerar 「です」 como a versão polida de 「だ」, então a versão


casual da oração acima é 「あきらは学生だ」?

A RESPOSTA É NÃO!

Como já explicamos anteriormente, 「だ」 no final da oração principal é usado


para se declarar algo que se acredita ser um fato. Transmite força ao que está
sendo dito, podendo até ser rude.

Então, qual a forma casual de 「あきらは学生です」? Ora, é simplesmente 「あ


きらは学生」. Logo:

Percebemos, então que, nestes casos, substituir 「です」 por 「だ」, pensando
que um é a versão polida do outro ou vice-versa é totalmente incorreto. Você
deve pensar que 「です」 é para transmitir polidez à frase, enquanto 「だ
」 transmite força; coisas completamente distintas. Se você quiser ser casual, sim-
plesmente não adicione nada.

E se quiséssemos expressar de forma casual a forma passada? Poderíamos usar


「だった」?

A resposta é SIM. 「だった」 não transmite a força ou sentido rude de 「だ」.


Sendo assim:

Talvez por causa dessa particularidade, o próprio Tae Kim afirma em uma pos-
tagem em seu fórum não achar que 「だった」 seja a forma passada de 「だ」
, o que discordamos. Preferimos encarar essa característica como algo que ficou
sendo válido pelo uso, isto é, 「だった」 é de fato a forma passada de 「だ」,
mas por algum motivo de uso da língua (não explicável gramaticalmente e
sim pelo costume), 「だ」 adquiriu um sentido de força, de aspereza.

Resumindo, então, o que abordamos até aqui:

107
Outro ponto importante que vale relembrar é que você não pode anexar o decla-
rativo 「だ」 diretamente aos Adjetivos-I na forma não-passada (e isso vale tam-
bém para a forma negativa não-passada):

本は面白いだ。= Falando de livros, são interessantes (SENTENÇA INCOR-


RETA).

Já isso não ocorre com 「です」, que tem a função de adicionar polidez apenas:

本は面白いです。= Falando de livros, são interessantes (SENTENÇA CORRETA


E POLIDA).

B) O MEIO DE UMA ORAÇÃO: em alguns casos de período composto que ve-


remos adiante com mais detalhes, 「だ」 se faz até necessário para explicitar o
estado-de-ser na oração subordinada. Por outro lado, 「です」 deve ser
usado somente no final da oração principal para designar um estado-de-ser po-
lido. Por exemplo, considere as duas orações abaixo:

(1) 学生だと思います。= (Eu) acho que é estudante.

(2) 学生ですと思います。= (Eu) acho que é estudante. (INCORRETA)

A oração (1) 「学生だと思います」 é válida, enquanto que a (2) 「学生ですと思


います」 não, porque 「です」 só pode ser usado no final da oração principal e
aqui aparece no meio (oração subordinada). 「です」 pode aparecer assim so-
mente nos casos em que se está reproduzindo exatamente o que foi dito, como
no exemplo abaixo:

「学生です」と言った。 = (Ele) disse “é estudante”.

***

Enfim, substituir 「です」 por 「だ」, pensando que um é o equivalente polido


do outro ou vice-versa resultará potencialmente em orações gramaticalmente in-
corretas. É melhor pensar que são coisas totalmente diferentes (porque de fato
são!).

Feita a abordagem da forma polida, passemos agora para a forma honorífica e


humilde. A primeira coisa que você deve considerar sobre essas duas formas é
que o falante sempre se considerará estar no nível mais baixo com relação a quem
o escuta ou se refere. Assim, todas as ações executadas pelo falante serão na
forma humilde (colocando-se abaixo de quem o escuta / terceiro), enquanto as
ações realizadas por alguém, vistas do ponto de vista do falante, serão na forma
honorífica (colocando quem escuta / terceiro acima). Para memorizar este prin-
cípio observe a figura abaixo:

108
O súdito sempre se dirige ao rei com humildade, ao mesmo tempo em que o ve-
nera, exalta (honra = honorífico). Com base nesta figura, você pode fixar este im-
portante princípio das formas honorífica / humilde: sempre seremos “súdito” ao
passo que terceiros, o “rei”.

A parte difícil de aprender esses dois tipos de linguagem é que muitas vezes são
utilizados verbos diferentes e palavras específicas para as formas honorífica e
humilde. Qualquer coisa que não tenha a sua própria expressão, será regido pelas
regras gerais de conjugações que abordaremos a seguir.

Vejamos os verbos que mudam sua forma nesse tipo de linguagem. Para fins me-
ramente didáticos, as chamaremos de “forma especial”:

109
Os verbos 「なさる」, 「いらっしゃる」, 「おっしゃる」, 「下さる」 e 「ござ
る」 (que abordaremos logo em seguida) seguem o padrão de conjugação do
Grupo I, entretanto, sofrem uma mudança em suas bases Ren’youkei e Meireikei.
Vamos observar as bases de 「なさる」, que servirá de modelo para os outros
verbos em questão:

Veja que, em vez da terminação 「る」 se tornar 「り」 e 「れ」, respectiva-


mente como esperado se seguirmos o padrão de conjugação do Grupo I, ele se
torna simplesmente 「い」. Assim, se quisermos anexar 「ます」 teremos:

Vejamos alguns exemplos de orações na forma honorífica:

もう召し上がりましたか。= (Você) já comeu?

どちらからいらっしゃいましたか。= De onde (você) veio?

今日は、どちらへいらっしゃいますか。= Aonde (você) vai hoje?

Agora, os exemplos a seguir se referem a ações feitas pelo falante e, por isso, usam
a forma humilde:

私はたもつと申します。= Falando de mim, sou chamado de Tamotsu.

失礼致します。= Com licença.

Além deste conjunto de expressões, existem também algumas palavras que têm
homólogos mais polidos. Provavelmente, o mais importante seja a versão mais
polida de 「ある」, que é 「ござる」. Este verbo pode ser usado tanto para ob-
jetos inanimados e animados. Não é nem uma forma honorífica ou humilde, mas
é um passo acima de 「ある」 no quesito polidez. Porém, se você não quiser soar

110
como um samurai, 「ござる」 é sempre usado na forma polida 「ございます」
:

お手洗いはこのビルの二階にあります。= O banheiro é no segundo andar deste


prédio.

お手洗いはこのビルの二階にございます。= O banheiro é no segundo andar


deste prédio.

Por extensão, a versão mais polida de 「です」 é 「でございます」, que é es-


sencialmente a forma polida de 「でござる」 que vem de 「である」 que sig-
nifica literalmente "existir como":

こちらは、私の部屋です。= Aqui é meu quarto.

こちらは、私の部屋でございます。= Aqui é meu quarto.

Também, é possível usar 「でいらっしゃいます」 como forma honorifica da có-


pula:

社長、こちらは藤原常務でいらっしゃいます。= Presidente, este é o diretor Fu-


jiwara.

Em japonês, há uma prática de fixação de um prefixo honorífico a certos substan-


tivos (não todos) para mostrar polidez. Este processo é chamado “embeleza-
mento de palavras” e o prefixo em questão é 「御」, que pode ser lido 「お」, 「
ご」 ou 「み」. De modo geral, é lido 「お」 quando sucedido de palavras nati-
vas e 「ご」, quando serve de prefixo para palavras de origem chinesa. Já a lei-
tura 「み」 é usada com palavras em geral para dar um sentido religioso ou de
grande importância. Vejamos alguns exemplos:

Para todos os outros verbos, sem forma especial, existem regras de conjugação
para mudá-los para formas honorífica e humilde. Ambos envolvem uma prática
comum de fixar o prefixo honorífico 「御」.

A. FORMA HONORÍFICA: se um verbo não possui forma especial, sua forma


honorífica pode ser construída de duas formas diferentes. Para auxilia-lo, você
pode pensar assim: já que vamos anexar o prefixo 「御」, e ele é anexado aos
substantivos, então, qual a base dos verbos que pode ser usada como

111
substantivo? Exato, a Base Ren’youkei. Depois, é só usarmos o verbo 「なる」 ou
「です」.

Sendo assim, os dois padrões são:

I. お + Base Ren’youkei + に + なる: esta construção faz sentido se você pensar


nela como uma pessoa se tornando o estado honorífico de um verbo. Observe o
exemplo:

先生はお見えになりますか。= (Você) vê o professor?

II. お + Base Ren’youkei + です. Observe os exemplos:

もうお帰りですか。= (Você) já vai retornar à casa?

店内でお召し上がりですか。= (Você) fará a refeição aqui dentro?

Estas regras não se aplicam aos verbos 「する」. Para eles, basta substituir 「す
る」 por 「なさる」 = 勉強する → 勉強なさる.

Funcionários que fazem atendimento geralmente tentam ser extremamente edu-


cados e usam um tipo de “estilo formal dobrado” (neste exemplo, uma forma
honorífica de um verbo honorífico 「召し上がる」). Se isso é necessário ou gra-
maticalmente correto é outra história.

Você também pode usar 「下さい」 com um verbo honorífico, substituindo 「


になる」 por 「ください」. Isso é útil quando você quer pedir que alguém faça
algo, ainda usando um verbo honorífico:

少々お待ちください。= Por favor, espere um pouco.

De forma semelhante, com 「ご覧になる」, simplesmente substituímos 「にな


る」 por 「ください」:

こちらにご覧下さい。= Por favor, olhe nesta direção.

Isso funciona para outros substantivos também. Por exemplo, ao entrar em um


trem...

閉まるドアにご注意下さい。= Por favor, cuidado com as portas que se fecham.

B. FORMA MODESTA (OU HUMILDE): ela é formada de maneira parecida à


forma honorífica. Porém, em vez de usarmos o verbo 「なる」 ou 「です」, ane-
xaremos 「する」 ou 「いたす」, para ser mais formal, diretamente à Base
Ren’youkei. Assim, temos:

FORMA MODESTA = お + Base Ren’youkei + する ou いたす


112
Vejamos alguns exemplos:

私はあなたをお守りします。= Eu protegerei você.

私はあなたをお守りいたします。= Eu protegerei você.

Note, porém, que usar 「いたす」 é um caso de “estilo formal dobrado” e alguns
japoneses podem dizer que isso não faz sentido.

Esta regra não se aplica aos verbos 「する」. Para eles, basta substituir 「する
」 por 「いたす」 = 勉強する → 勉強いたす.

Há também uma forma de criar versões formais dos Adjetivos-I usando 「ござ
います」. Esse recurso é considerado arcaico, mas você ainda poderá se deparar
com essas construções na literatura, e o livro não precisa ser tão antigo assim.
Também, algumas expressões fixas usadas atualmente originam-se desse padrão
(e com certeza, ao terminar de ler este tópico, você vai se lembrar!).

Para criar formas formais dos Adjetivos-I, basta considerar que 「ございます」
é um verbo, então, necessitaremos da forma adverbial do referido Adjetivos-I:

Colocamos o (?), pois nestes casos devemos considerar também que quando os
Adjetivos-I são combinados com verbos clássicos como 「ござる」 e 「いでる」
, deve-se fazer uma mudança sonora na forma adverbial, algo comum no Japonês
Clássico:

Sendo assim, 「うれしう」 torna-se 「うれしゅう」, e 「たかう」 transforma-se


em 「たこう」.

Consideradas essas mudanças sonoras, agora sim podemos combiná-los com 「


ございます」:

113
Importante lembrar que os Adjetivos-I cuja forma adverbial depois dessa mu-
dança sonora fique com a terminação 「う」 precedido de algum fonema da co-
luna U ou da coluna O, esta deve ser mantida. Por exemplo, 「悪い」(わるい) e
「面白い」(おもしろい), ficarão assim:

Como mencionamos no início deste tópico, as construções apresentadas soam ar-


caicas. Atualmente, se costuma usar 「です」 após o Adjetivos-I apenas, ou
ainda, anexar o prefixo honorífico 「お」 aos Adjetivos-I em questão, seguindo-
o de 「です」:

忙しいです。 = (Ele) está ocupado.

お忙しいです。 = (Ele) está ocupado.

114
12. VERBOS SUPLEMENTARES
No tópico em que estudamos as classes de palavras, mencionamos que as pala-
vras podem ser independentes ou dependentes. As palavras independentes po-
dem ser entendidas por si mesmas (têm sentido próprio), ao passo que as depen-
dentes necessitam de um contexto para serem compreendidas. Dentre essas pa-
lavras dependentes estão os verbos auxiliares. Não confunda, contudo, verbo au-
xiliar com verbo suplementar, que são verbos em si, mas que podem ser anexados
a outros para ampliar o significado do verbo a que são anexados. Por exemplo, o
verbo 「だす」(出す), que significa “tirar”, ao ser anexado a outro verbo (no caso,
à base Ren’youkei), transmite o significado de “começar a...” (「食べだす」= co-
meçar a comer).

Outra diferença é que os verbos suplementares, por serem verbos em si, são ane-
xados somente à Base Ren’youkei (ou alguns à “Forma TE”, que se origina de
uma Base Ren’youkei), ao passo que um verbo auxiliar não tem essa restrição.

Observe o quadro abaixo:

Veja que na terceira coluna indicamos que alguns verbos auxiliares seguem o pa-
drão de conjugação dos Adjetivos-I.

Feitas essas observações, comecemos nossa abordagem com dois verbos suple-
mentares muito importantes. Trata-se dos verbos 「ある」e「いる」, que como
verbos em si significam “existir”, sendo que 「ある」é usado para coisas inani-
madas e 「いる」, para coisas animadas. Como verbos suplementares, são ane-
xados à Forma TE. Observe:

書く → 書いて → 書いてある

書く → 書いて → 書いている

A diferença está no fato de que com 「ある」 se indica o resultado de uma ação
finalizada, isto é, alguém escreveu e está escrito. Já com 「いる」, se indica que
a ação de escrever está em progresso. Veja os exemplos abaixo:

手紙を書いている。= (Eu) estou escrevendo a carta.

手紙が書いてある。= A carta está escrita.

115
Importante dizer que a ideia de ação em progresso tem uma ambiguidade Por
exemplo, embora 「結婚している」 tecnicamente possa significar que alguém
está em uma capela se casando AGORA, é geralmente usado para se referir a
alguém que já é casado e está nesse estado conjugal (hábito, situação constante).
Isso geralmente é clarificado pelo contexto e práticas comuns.

Outro ponto é que 「てある」 indica o resultado de uma ação somente quando
é usado com verbos transitivos. Se quisermos expressar o mesmo usando verbos
intransitivos, podemos usar 「ている」. Compare:

窓が開けてある。 = A janela está aberta. (por que alguém (ou algo) a abriu)

窓が開いている。 = A janela está aberta. (sem agente ou razão implícita)

E como diferenciar? Como sempre, o contexto será nosso maior aliado, junta-
mente com conhecimento gramatical. Por exemplo, se você se deparar com 「開
けてある」, deve considerar um estado resultante, já que 「開ける」 é um verbo
transitivo. Agora, se você se deparar com 「開いている」, já que 「開く」 é in-
transitivo, 「開いている」 pode tanto significar um estado resultante, como um
estado duradouro, progressivo dependendo do contexto. E mais: 「開けている
」 pode somente significar um estado duradouro. Afinal, ele é transitivo e um
estado resultante para esse tipo de verbo só pode ser indicado com 「てある」.

Para clarificar as coisas, observe o quadro abaixo:

NOTA: essa regra não se aplica ao verbo irregular 「する」.

É natural assumir que as ações 「行っている」 e 「来ている」 signifiquem


“indo” e “vindo”, respectivamente. Mas, infelizmente, este não é o caso.
Quando 「いる」 está acompanhando a forma TE de verbos de movimento, tem
um sentido de uma sequência de ações, função básica da partícula 「て」, que
vimos em um dos tópicos passados. Sendo assim, o sujeito completou o movi-
mento, e agora existe nesse estado (lembre-se que 「いる」 é o verbo da existên-
cia de objetos animados). Pode ajudar a pensar nele como duas ações distintas e
sucessivas: 「行って」 、e então 「いる」. Observe os exemplos:

もう、家に帰っている。= (Ele) já está em casa (foi para casa e está lá agora).

116
Mas, e se quiséssemos expressar que alguém está vindo ou indo?

Temos uma boa notícia, pois é possível sim expressar “indo” e “vindo”, através
de uma, digamos, “gambiarra” gramatical ou ajuda do contexto. Por exemplo,
poderíamos usar algum elemento que tenha um significado de “em progresso
de” ou coisas do tipo e que funcione (sintaticamente) como um substantivo. As-
sim seria possível modifica-lo com os verbos 「行く」 e 「来る」. Um desses
elementos possíveis é 「とちゅう」(途中), que significa “em meio a”, “no cami-
nho de”, “metade do caminho” e é classificado como substantivo:

友達は来る途中。= (Meu) amigo está vindo (Lit. Falando de (meu) amigo, é me-
tade do caminho (do ato) de vir).

Ou até mesmo usar um verbo na forma infinitiva e entender o sentido de ação


em progresso pelo contexto:

友達は来る。= (Meu) amigo está vindo (entendido pelo contexto).

Outra possibilidade seria usar algum advérbio que pudesse dar a possibilidade
de a oração ser entendida – pelo contexto - como uma ação em progresso, como
「いま」:

友達はいま来る。= (Meu) amigo está vindo (Lit. Falando de meu amigo, (ele)
vem agora).

Como vimos no quadro, com verbos transitivos, 「ている」 expressa uma ação
em progresso. Já com os intransitivos, pode haver ambiguidade, pois pode indi-
car tanto um estado resultante como também um sentido de ação em progresso.

Há ainda uma questão importante e polêmica que costuma gerar confusão entre
os estudantes. Segundo alguns gramáticos, há um grupo de verbos (em sua mai-
oria intransitivos) que podemos chamar de “verbos pontuais”, cuja principal ca-
racterística é não ter duração, isto é, um verbo pontual ocorre em um único ins-
tante, fato que representa uma transição de um estado antigo para um novo es-
tado resultante. Para melhor ilustrar, observe a figura abaixo:

117
A luz se acende no ponto "A", e, em seguida, apaga-se no ponto "B". O processo
de a luz se acender não leva tempo, é instantâneo. Veja como o fato de a luz se
acender no ponto “A” representa uma transição de um estado antigo (luz apa-
gada) para um novo estado resultante (luz acessa).

Sendo assim, 「ついている」, não poderia ser interpretado de maneira progres-


siva, como “está acendendo”, mas somente como “acendeu e está nesse estado”
(estado resultante). Em outras palavras, “está acessa”.

Você pode pensar: “Ok, mas isso não exclui a possibilidade de, por exemplo, a
luz se acender vagarosamente por estar com defeito. Se alguém visse essa cena,
diria “A luz está se acendendo”. E aí?”

Neste caso, para expressar o fato de “estar se acendendo”, poderíamos agir da


mesma forma que fazemos com os verbos 「行く」 e 「来る」, ou seja, uma op-
ção seria usar algum elemento que tenha um significado de “em progresso de”
ou coisas do tipo e que funcione (sintaticamente) como um substantivo para que
ele seja modificado por este verbo:

電気は点く途中。= A luz está se acendendo (lit. Falando da luz, é metade do


caminho (do ato) de se acender).

Ou até mesmo usar o verbo na forma infinitiva e entender o sentido de ação em


progresso pelo contexto:

電気が点く。= A luz está se acendendo. (entendido pelo contexto)

Outra possibilidade seria usar algum advérbio que pudesse dar a possibilidade
de a oração ser entendida – pelo contexto - como uma ação em progresso, como
「いま」:

電気がいま点く。= A luz está se acendendo agora (Lit. A luz é o que se acende


agora).

118
Note que, mesmo em português, seria possível entender uma ação em progresso
sem usar o gerúndio. A última oração é um exemplo disso.

Por falar em 「行く」 e 「来る」, eles também servem de verbos suplementares,


sendo anexados à Forma TE. Eles indicam que uma ação é orientada em direção
ou originada de algum lugar. O exemplo mais comum e útil desta utilização é o
verbo 「もつ」 (持つ) (ter posse de). Enquanto 「持っている」 significa “estar
em estado de possuir algo”, quando 「いる」 é substituído por 「いく」 ou 「
くる」, significa que você está levando ou trazendo alguma coisa. Naturalmente,
a conjugação é a mesma que os verbos independentes 「行く」 e 「来る」. Ob-
serve os exemplos:

鉛筆を持っている?= (Você) tem um lápis?

鉛筆を学校へ持っていく?= (Você) está levando um lápis para a escola?

鉛筆を家に持ってくる?= (Você) está trazendo um lápis de casa?

Para os exemplos acima, pode fazer mais sentido considera-los como uma se-
quência de ações: “ter em posse e ir”, ou “ter em posse e vir”. Aqui estão mais
alguns exemplos:

あきらは、早く帰ってきた。= Akira voltou para casa cedo.

駅の方へ走っていった。= Foi correndo na direção da estação.

Os verbos de movimento também podem ser usados para expressões de tempo,


isto é, para avançar ou vir até o presente. Neste caso, dá um sentido de “vir fa-
zendo algo” e de “estará fazendo algo”:

日本の歴史を勉強してくる。= (Eu) estudo a História do Japão (até o presente).

一生懸命、頑張っていく!= (Eu) Vou tentar o meu melhor (para o futuro) com


todas as minhas forças!

No japonês casual, 「~ていく」 é por vezes abreviado como 「~てく」:

一生懸命、頑張ってく!= (Eu) Vou tentar o meu melhor (para o futuro) com to-
das as minhas forças!

Enquanto 「ある」 como verbo suplementar traz um nuance de uma ação com-
pleta, em preparação para outra coisa, 「おく」 deixa claro que a ação é feita (ou
vai ser feita) com o futuro em mente. Imagine isto: você fez uma torta deliciosa e
vai coloca-la no parapeito da janela para esfriar para que possa comê-la mais
tarde. Esta imagem pode ajudar a explicar porque o verbo 「おく」 (置く), que
significa "deixar (em algum lugar)", pode ser usado para descrever

119
uma preparação para o futuro. Enquanto 「置く」 por si é escrito em Kanji, é
costume usar Hiragana quando exerce a função de verbo suplementar:

晩ご飯を作っておく。= (Eu) farei o jantar (com vistas ao futuro).

電池を買っておく。= (Eu) comprarei baterias (com vistas para o futuro)

Também, note que, por extensão, essa construção pode transmitir uma forte in-
tenção, pois o falante julga que a existência de uma ação [X] concluída (situação
atual corrente) será boa para o futuro:

わたしが払っておく。= Eu (certamente) vou pagar (e deixando essa ação reali-


zada espero algo de bom no futuro).

Outro sentido que 「ておく」 pode ter é o que chamaremos de “literal”, isto
é, deixar as coisas como estão:

窓を開けておく。= Deixar a janela aberta (abri-la e deixá-la assim, neste estado).

No japonês casual, 「ておく」 é por vezes abreviado como 「~とく」 por con-
veniência:

晩ご飯を作っとく。= (Eu) farei o jantar (com vistas ao futuro).

電池を買っとく。= (Eu) comprarei baterias (com vistas para o futuro).

O verbo 「しまう」(仕舞う) significa “finalizar” e indica que uma ação é reali-


zada com determinação e completamente terminada:

部屋を掃除してしまった。= Eu acabei (completamente) de limpar o meu quarto.

Perceba que em português, ao se dizer, por exemplo, “Eu acabei comendo o


bolo”, a presença do verbo “acabar” pode indicar certa insatisfação (não era para
eu comer, mas comi). Em japonês, 「しまう」pode transmitir esse sentido tam-
bém, ou seja, indicar que uma ação é realizada ou acontece sem ter sido preten-
dida:

そのケーキを全部食べてしまった。= Opa, (eu) acabei comendo todo esse bolo


(sem intenção).

Este uso de 「しまう」 é bom para usar quando se quer pedir desculpas, já que
indica que você não queria que algo acontecesse da forma que foi:

ごめん、そのケーキを全部食べてしまって!= Desculpe por (sem intenção) co-


mer todo esse bolo!

120
Vamos ver agora alguns verbos suplementares que são conectados à Base
Ren’youkei. Algumas dessas construções são relativamente fáceis de entender e
podem ser usadas com bastante liberdade, como é o caso dos verbos suplemen-
tares 「はじめる」 (始める), “começar a” e 「おわる」 (終る), “terminar de” e 「
つづける」 (続ける), “continuar a”:

赤ちゃんは昨日歩き始めた。= O bebê começou a andar ontem.

寿司を食べ終った。= (Eu) terminei de comer o sushi.

ひろしは十時まではたらきつづけた。= Hiroshi continuou trabalhando até às


10:00.

Outro verbo suplementar comum é 「すぎる」 (過ぎる), que dentre os significa-


dos possui “exceder” e é esse significado que deve ser considerado quando
exerce a função de verbo suplementar:

飲みすぎないで。= Não beba demais.

みどりはいつも喋りすぎる。= Midori sempre conversa demais.

O verbo suplementar 「過ぎる」 é muitas vezes abreviado para 「すぎ」, mas


cuidado por que isso não pode ser feito indiscriminadamente com todos os ver-
bos:

みどりは喋りすぎ。= Midori conversa demais.

Este verbo suplementar pode ser anexado aos Adjetivos-I também. Entretanto, a
regra de anexação é diferente, devendo-se adicioná-lo à parte invariável (retirar
a terminação 「い」). Assim, temos:

高い → 高 → 高すぎる

おいしい → おいし → おいしすぎる

Com isso, aprenderemos a anexar 「過ぎる」 à forma negativa, já que 「ない」 (


無い) trata-se na verdade de um Adjetivo-I. Neste caso, somente, duas formas são
possíveis:

I. Forma Tradicional: retira-se a terminação 「い」 e depois se adiciona 「過ぎる


」:

喋る → 喋らない → 喋らな → 喋らなすぎる

II. Forma Padrão: substitui-se o 「い」 de 「ない」 por 「さ」 antes de acres-
centarmos 「過ぎる」 à forma negativa. Assim, temos:

121
喋る → 喋らない → 喋らなさ → 喋らなさすぎる

A forma tradicional originou-se no Período Meiji (1868 - 1912), enquanto a forma


padrão surgiu no Período Shouwa (1926 - 1989), sendo, portanto, mais recente e
consequentemente a mais popular. As duas formas são toleradas, embora ainda
haja discordância entre os linguísticos. Atente-se ao fato de que os Adjetivos-I
que possuem o mesmo 「無い」 que usamos para a forma negativa como parte
integrante na sua formação (e somente eles), podem ser usados na forma padrão:

勿体無い → 勿体無さ → 勿体無さすぎる

情け無い → 情け無さ → 情けさすぎる

Já para os Adjetivos-I que possuem a terminação 「ない」, mas que não se trata
de 「無い」, a única forma possível é a que serve para os demais Adjetivos-I:

危ない → 危な → 危なすぎる

少ない→ 少な → 少なすぎる

Outro verbo suplementar comum é 「治す」, que significa “curar”, “consertar”.


Quando ele é usado como suplementar significa fazer algo de novo, porque a
primeira vez foi feito com descuido ou de forma insatisfatória:

これが読めないから書きなおしてくれる? = (Eu) não consigo ler isto, por isso,


reescreva, por favor?

やりなおし。= Faça novamente.

O próximo verbo suplementar que entrará em campo é 「付ける」, que significa


“anexar”, e, quando usado como verbo suplementar, tem o sentido de “estar
acostumado a fazer [X]”:

毎日学校に行きつける。= (Eu) estou acostumado a ir à escola todos os dias.

Pode-se usar o verbo 「合う」, que significa “unir” como suplementar para in-
dicar uma ação mútua. Vejamos:

助け合うことは大切である。= O ato de ajudar mutuamente é importante.

122
13. VERBOS AUXILIARES
Passemos agora para os “verbos auxiliares”. Nos tópicos anteriores nos já nos
deparamos com alguns deles como 「ます」. Neste tópico veremos os mais im-
portantes. São eles:

1. れる e られる;

2. せる e させる;

3. たい, らしい e べき.

Comecemos com 「れる」 e 「られる」 que são anexados à Base Mizenkei dos
verbos. Como regra geral, quando a Base Mizenkei terminar em “A”, deve-se
usar 「れる」, caso contrário, 「られる」. Vamos ver a aplicação prática da re-
gra:

Com relação ao verbo irregular 「する」, deve-se considerar a base “arranjada”


「さ」. Consequentemente, anexaremos 「れる」:

Com 「れる」 e 「られる」 podemos basicamente expressar que existe a possi-


bilidade de se fazer uma ação. Em português normalmente se usa uma locução
verbal como “pode fazer X”, ou “ser capaz de X”, e em japonês basta anexar 「
れる」 ou 「られる」 ao verbo. Observe:

漢字は書かれる?= Falando de Kanji, (você) é capaz de escrever?

寿司は食べられる。= Falando de sushi, (eu) posso comer.

「れる」 e 「られる」 são conjugados no do Grupo III, então, basta aplicar as


regras já conhecidas para obtermos outras formas:

漢字は書かれた?= Falando de Kanji, (você) foi capaz de escrever?

寿司は食べられない。= Falando de sushi, (eu) não posso comer.

123
A forma potencial do verbo 「する」 (significando “fazer”) é uma das exceções
à regra e não é 「される」, mas sim 「できる」(出来る):

日本語は勉強できる。= Falando da língua japonesa, (eu) posso estudar.

Percebeu que para os verbos do Grupo I, como todas as bases Mizenkei terminam
na coluna do A, devemos anexar 「れる」? Observe:

漢字は書かれる?= Falando de Kanji, (você) é capaz de escrever?

日本語は話される。= Falando da língua japonesa, (eu) posso falar.

Contudo, o processo de anexação de 「れる」 aos verbos do Grupo I para se ob-


ter a forma potencial (e somente neste caso), tornou-se arcaica, embora seja con-
siderada formal. Atualmente, usa-se o verbo suplementar 「える」 (得る) para a
base Ren’youkei do verbo em questão. Esta versão é chamada de “forma poten-
cial curta”. Note que quando ocorre a junção dos verbos, algumas mudanças so-
noras ocorrem e estas se tornaram padrão:

Observe os exemplos:

漢字は書ける?= Falando de Kanji, (você) é capaz de escrever?

日本語は話せる。= Falando da língua japonesa, (eu) posso falar.

Já que citamos a forma potencial curta para os verbos do Grupo I, é oportuno


mencionar que existe a forma curta para os verbos dos Grupo II e Grupo III, que
vem sendo usada pelos jovens. Para tanto, basta retirar o fonema 「ら」 de 「ら
れる」:

寿司は食べられる。→ 寿司は食べれる。= Falando de sushi, (eu) posso comer.

Entretanto, ao contrário da forma curta para os verbos do Grupo I, esta forma


para os verbos dos Grupo II e Grupo III é considerada gíria. Portanto, não a use
de modo desenfreado.

Com o acréscimo dos verbos 「れる」, 「られる」 ou 「える」 para construir a


forma potencial, a composição torna-se um verbo intransitivo. Isso nos levaria a
imaginar que não seja possível usar a partícula 「を」, mas esse não é o caso.
Embora o uso de 「を」 não seja o padrão, tal prática vem se tornando aceitável

124
na língua moderna. Há discussão com relação a diferença entre os dois usos, mas
no geral, com o uso da partícula 「が」 se enfatiza o objeto do verbo, enquanto
que com a partícula 「を」 se destaca a ação inteira. Observe:

たもつは日本語が話せる。= Falando de Tamotsu, (ele) sabe falar japonês (em


oposição a algum outro idioma).

たもつは日本語を話せる。= Falando de Tamotsu, (ele) sabe falar japonês (em


oposição a alguma outra ação).

Vamos nos atentar agora ao verbo 「ある」. Você pode dizer que algo tem a pos-
sibilidade de existir, combinando 「ある」 e 「得る」 (sem contraí-los) para
produzir 「あり得る」. Esta composição verbal pode ser lida tanto 「ありうる
」 como 「ありえる」 no infinitivo. Em outras formas como 「ありえない」,
「ありえた」 e 「ありえなかった」, deve-se considerar a pronúncia com 「え」
:

彼が寝坊したこともありうる。= É também possível que ele dormiu demais (Lit.


O fato em que ele dormiu demais também possivelmente exista).

それは、ありえない話だ。= Quanto a isto, é uma história impossível (Lit.


Quanto a isto, é uma história que não há possibilidade de existir).

Há também dois verbos 「見える」 e 「聞こえる」 que significam que algo é


visível e audível, respectivamente. Quando quiser dizer que você pode ver ou
ouvir alguma coisa, use esses verbos. Se, no entanto, você quiser dizer que lhe foi
dada a oportunidade de ver ou ouvir alguma coisa, você deve usar a forma po-
tencial regular:

富士山が見える。= O Monte Fuji é visível.

映画はただで見られた。= Eu pude ver o filme de graça.

久しぶりに彼の声が聞けた。= Eu fui capaz de ouvir a voz dele pela primeira vez


em muito tempo.

彼が言っていることがあんまり聞こえなかった。= Eu não pude ouvir muito


bem o que ele estava dizendo.

Há ainda a possibilidade de se nominalizar uma oração e dizer que tal ato ou fato
é possível, usando 「できる」:

映画をただで見るのができた。= Eu pude ver o filme de graça.

映画をただで見ることができた。= Eu pude ver o filme de graça.

125
Você já deve ter ouvido falar sobre “voz passiva”, mas vamos relembrar: na lín-
gua portuguesa há duas vozes verbais principais: a voz ativa e voz passiva. A
diferença principal é que na voz passiva, o sujeito é o paciente da ação verbal em
vez de agente. Observe o exemplo em português:

Makoto comeu o sushi. (voz ativa)

O sushi foi comido por Makoto. (voz passiva)

Na segunda oração, observe como o sujeito da voz passiva tem o mesmo papel
em relação ao verbo principal que o objeto da voz ativa, ou seja, “o sushi” é o
objeto na voz ativa e passa a ser o sujeito na voz passiva e “Makoto”, o agente da
passiva.

Agora, indo para a língua japonesa, a voz passiva é formada pela anexação de 「
れる」 e 「られる」, e os conceitos expostos nos ajudarão a entender seu funci-
onamento, já que funciona praticamente da mesma forma que o português, ex-
ceto pelo fato de existirem dois tipos de voz passiva: a passiva simples e a passiva
adversativa:

I. Passiva simples: funciona da mesma forma que na língua portuguesa e é fre-


quentemente utilizada em artigos:

まことが寿司を食べた。= Makoto comeu o sushi. (voz ativa)

すしがまことに食べられた。= O sushi foi comido por Makoto. (voz passiva)

O agente da passiva (Makoto) sempre será marcado pela partícula 「に」. Na


voz passiva direta, o sujeito ou tópico (no caso “o sushi”, marcado pela partí-
cula 「が」) sofre a ação diretamente (foi comido). Evidentemente, não é neces-
sário que sempre haja explicitamente um agente da passiva:

すしが食べられた。= O sushi foi comido.

II. Passiva adversativa: este tipo de passiva não existe em português e de início
pode ser de difícil compreensão. Neste tipo de passiva, o sujeito não é objeto e
nem agente, mas é afetado indiretamente pela ação. Em japonês, esse tipo de pas-
siva traz uma conotação negativa, indicando que a pessoa foi prejudicada de al-
guma forma pela ação. Observe os exemplos:

私は姉にケーキを食べられた。= Quanto a mim, o bolo foi comido por minha


irmã (e isso me prejudicou).

Note que o verbo não afeta diretamente o sujeito, ou seja, a irmã não comeu a
pessoa, e sim o bolo. A passiva adversativa dá o sentido que a pessoa considera
determinado ato uma adversidade, ou seja, algo que a prejudica. Observe o pró-
ximo exemplo:

126
私は雨に降られた。= Quanto a mim, choveu.

A tradução direta para o português não faz muito sentido. A frase poderia ser
escrita na voz ativa em japonês, mas na voz passiva ela traz o sentido que essa
chuva foi um incômodo de alguma forma, uma adversidade.

Passemos agora para 「せる」 e 「させる」 que também são anexados à Base
Mizenkei dos verbos e conjugados no padrão do Grupo III. Como regra geral,
quando a Base Mizenkei terminar em “A”, deve-se usar 「せる」, caso contrário,
「させる」. Vamos ver a aplicação prática da regra:

Aqui também, com relação ao verbo irregular 「する」, deve-se considerar a base
“arranjada” 「さ」. Consequentemente, anexaremos 「せる」:

Os verbos auxiliares 「せる」 e 「させる」 são usados para a formação


da forma causativa, que é utilizada para indicar uma ação que alguém faz acon-
tecer. Em outras palavras, esta forma expressa que "alguém faz alguém fazer
algo" ou "alguém deixa alguém fazer algo". Observe os exemplos:

全部食べさせた。= Fez / deixou (alguém) comer tudo.

全部読ませた。= Fez / deixou (alguém) ler tudo.

Quanto às partículas que devem ser usadas, com verbos intransitivos, a pessoa
induzida ou obrigada a fazer a ação é indicada com a partícula 「を」:

子供を学校へ行かせました。= Deixei / fiz meu filho ir à escola.

Segundo gramáticos, existe a possibilidade de se usar 「に」 para se marcar a


pessoa induzida. Esta mudança daria um sentido mais ameno à sentença, isto é,
com 「を」 há um sentido coercitivo, ao passo que com 「に」, um sentido de
permissão. Considerando esta possível sutil diferença, vejamos:

(1) 子供を学校へ行かせました。= Fiz meu filho ir à escola. (coerção)

127
(2) 子供に学校へ行かせました。= Deixei meu filho ir à escola. (permissão)

Com verbos transitivos, a pessoa induzida ou obrigada a praticar a ação é indi-


cada com 「に」, e o objeto da ação com 「を」:

先生が学生に宿題をたくさんさせた。= O professor fez os estudantes fazerem


muita lição de casa.

A forma causativo-passiva é simplesmente a combinação das conjugações causa-


tiva e passiva e expressa que a ação de fazer alguém fazer algo foi feita para essa
pessoa. Isso efetivamente se traduz por "[alguém] é feito a fazer [algo]". A coisa
importante a lembrar é da ordem de conjugação, isto é, o verbo é primeiro con-
jugado na causativa depois na passiva; nunca o contrário.

FORMA CAUSATIVO-PASSIVA (REGRA GERAL)

{Base Mizenkei do Verbo} + {Base Mizenkei de 「せる」/「させる」} + {「られ


る」}

Vejamos a regra na prática:

Note que, embora a forma final seja longa, sua formação não é nenhum segredo
se você tem acompanhado as lições. Vejamos alguns exemplos:

あいつに二時間も待たせられた。= Eu fui feito esperar 2 horas por aquele rapaz.

親に毎日宿題をさせられる。= Eu sou feito pelos meus pais a fazer a lição de casa


todos os dias.

Como a construção se trata da forma passiva da causativa, o agente da passiva


sempre será marcado pela partícula 「に」.

Os últimos auxiliares que abordaremos são 「たい」, 「らしい」 e 「べき」, não


por que transmitem o mesmo significa, mas sim por que são conjugados de forma
especial. Iniciemos vendo as suas respectivas bases clássicas:

128
I. BASES CLÁSSICAS DE 「たい」 (conjuga como um Adjetivo-I):

II. BASES CLÁSSICAS DE 「らしい」 (conjuga de forma especial):

III. BASES CLÁSSICAS DE 「べき」 (conjuga originalmente como um Adjetivo-


I. No Japonês Moderno é tratado como um substantivo):

Você pode expressar ações que você deseja fazer usando o verbo auxiliar 「たい
」. Tudo que você precisa fazer é adicionar 「たい」 à base Ren’youkei do verbo.
Veja o quadro abaixo:

Vejamos alguns exemplos:

学校に行きたい。= Eu quero ir à escola.

ビールを飲みたくない。= Não quero beber cerveja.

129
Um ponto interessante está entre o uso da partícula 「を」 e a partícula 「が
」 para marcar o objeto dos verbos transitivos quando anexados a 「たい」. Na
verdade, 「たい」, assim como o auxiliar de negação 「ない」, funciona ape-
nas como um auxiliar, acrescentando um significado ao verbo e não modificando
sua natureza para Adjetivo-I Note que se esses verbos auxiliares que são conju-
gados como um Adjetivo-I transformassem verbos em adjetivos, por lógica, para
dizer, por exemplo, “Não bebo cerveja”, deveríamos dizer 「ビールが飲まない
」. Contudo, talvez você consiga perceber que esta oração está incorreta e signi-
fica na verdade “A cerveja não bebe.”, algo totalmente diferente.

Originalmente, o auxiliar 「たい」 era usado com a partícula 「を」, e a opção


de se usar 「が」 parece ter se estabelecido na língua coloquial antes mesmo do
Período Edo (1603-1868). Sendo assim, poderíamos dizer que o uso de 「が
」 nesses casos é mais comum e vem se tornando aceitável (para não dizer pa-
drão) na língua moderna. Há discussão com relação a diferença entre os dois
usos, mas no geral, com uso da partícula 「が」 se enfatiza o objeto desejado,
enquanto que com a partícula 「を」 se destaca a ação inteira. Observe:

薬が飲みたい。= Quero tomar o remédio

Veja que usamos a partícula 「が」 para identificar o que se deseja. Indica que o
falante tem um desejo grande de tomar o remédio, talvez por que esteja doente.
Comparemos:

薬を飲みたい。= Quero tomar o remédio

Nesta sentença, o falante está apenas afirmando que quer tomar o remédio sem
enfatizar nada.

O auxiliar 「たい」 é usado quando se deseja expressar os seus próprios desejos


somente. Para se referir a desejos de outras pessoas, podemos usar o sufixo 「が
る」 (segue o padrão de conjugação do Grupo I), que transmite ideia de “há in-
dícios de”, no lugar da terminação 「い」. Compare:

寿司を食べたい。= Eu quero comer sushi.

ひろしは寿司を食べたがる。= Hiroshi (dá sinais de que) quer comer sushi.

「らしい」 pode ser anexado diretamente aos substantivos, adjetivos ou verbos


e, em termos de conjugação, funciona como um Adjetivo-I. Ele é usado para mos-
trar que as coisas aparentam ser de algum jeito devido às informações que o fa-
lante tem. Em outras palavras, com 「らしい」, o falante indica que que faz uma
suposição fundamentada nas coisas que ele soube sobre o assunto, ao mesmo
tempo que demonstra que não tem certeza daquilo que está afirmando. Veja:

AKIRA:今日、ひろしはこないの? = Hiroshi não virá hoje?

130
MAKOTO:こないらしい。 = Parece que não virá.

Neste diálogo, Makoto diz a Akira que Hiroshi não virá, porque deve ter rece-
bido alguma informação a respeito. Ao usar 「らしい」, Makoto indica que sua
afirmação está fundamentada em algo que ele soube previamente, entretanto, ele
não quer dar 100% de certeza, transformando-a, assim, em especulação sua. Seria
como ele dissesse: “Bem, Hiroshi não virá (pois há informações que recebi a res-
peito e que me levam a crer nisso), mas não posso garantir”.

Outro modo de usar 「らしい」 é para indicar que uma pessoa aparenta ser certa
coisa devido ao seu comportamento:

あの子は子供らしくない。 = Esta criança não age como uma criança.

「べき 」 é anexado à base Shuushikei para descrever algo que deve ser feito.

NOTA: com relação ao verbo 「する」, a versão clássica 「すべき」 é mais co-
mum e formal. Já 「するべき」 pode ser usado na língua cotidiana, mas é bem
menos frequente e considerado coloquialismo.

Costuma-se atribuir a 「べき」 o significado de "deveria", no entanto, é preciso


perceber que ele não pode ser usado para fazer sugestões, como em frases como:
"Você deveria ir ao médico." Ao usar 「べき」, a frase soa mais como
"Você deve ir ao médico." Sendo assim, 「べき」 tem um tom muito mais forte e
é normalmente definido como um auxiliar que indica um tom de obrigação – ge-
ralmente moral ou social.

Alguns podem confundir 「べき」 com 「はず」, mas há diferença. Ao contrário


de 「はず」, o auxiliar 「べき」 não transmite uma expectativa de que algo
aconteça, mas sim uma afirmação daquilo que o falante julga que se deva fa-
zer em uma determinada circunstância, com base em argumentos lógicos ou na
experiência. Seria como dizer: “Dado que você quer dirigir, é sua obrigação (você
deve) tirar carteira de motorista antes (pois isso é o lógico, o costume). Vamos
comparar duas orações:

このレポートはひろしが書き直すはす。= (Eu) espero que Hiroshi reescreva este


relatório.

このレポートはひろしが書き直すべき。= Hiroshi reescreverá este relatório


(porque é responsabilidade dele fazer isso).

Neste exemplo, a oração “reescrever o relatório” é ilustrada como sendo algo que
o falante julga ser obrigatório, logicamente esperado dentro do contexto desta
frase. Podemos assumir que Hiroshi seja o responsável pelos relatórios de seu
departamento na empresa, então esta tarefa não é uma coisa facultativa, mas sim
obrigatória para ele. Veja que é diferente de quando usamos 「はず」, pois com

131
ele estamos apenas descrevendo nossa expectativa, tornado a oração mais
amena, isto é, a tarefa de Hiroshi reescrever o relatório é esperada (com base em
fatos), mas não é necessariamente uma obrigação. Note que poderíamos até usar
o significado do advérbio 「うべ」(宜), cujo significado é “certamente”, “verda-
deiramente” (e que provavelmente deu origem a 「べき」), a fim de ajudar a
fixar este conceito de obrigatoriedade:

このレポートはひろしが書き直すべき。= Hiroshi (certamente) reescreverá este


relatório (porque é responsabilidade dele fazer isso).

Em termos de uso, 「べき」 é tratado como um substantivo, portanto, veja como


ficará a forma negativa:

このレポートはひろしが書き直すべきじゃない。= Hiroshi (certamente) não re-


escreverá este relatório (porque não é responsabilidade dele fazer isso).

Outra possibilidade para a forma negativa é usar a base Mizenkei do conjunto


Kari 「べから」 em conjunto com o auxiliar clássico de negação 「ず」:

このレポートはひろしが書き直すべからず。= Hiroshi (certamente) não rees-


creverá este relatório (porque não é responsabilidade dele fazer isso).

É possível também usar a Base Ren’youkei do conjunto 「く」, isto é, 「べく」.


Porém, enquanto 「べき」 descreve algo que deve ser feito, ao usarmos 「べく
」, indicamos o que se faz, a fim de realizar esse dever. Dê uma olhada nos exem-
plos a seguir para ver como o significado muda:

1. 早く帰るべき。= (Você) deve retornar à casa cedo. (ação com tom de obriga-
ção)

2. 早く帰るべく、準備をし始めた。= Na tentativa de retornar à casa cedo,


(você) começou os preparativos. (Atitude tomada para atender a esta obrigação)

132
14. ALGUNS CONCEITOS IMPORTANTES
É importante que você saiba como a estrutura de textos e da comunicação oral é
formada. É aqui que entram em campo, “frase”, “oração” e “período”, que são
fatores constituintes de qualquer meio de comunicação, pois ela deve se compor
de uma sequência lógica de ideias para que possa haver entendimento. Por isso,
é importante saber o conceito de cada um deles. Então vamos lá!

I. FRASE: é todo enunciado dotado de significado. Em outras palavras, a frase se


define pelo seu propósito comunicativo, isto é, pela sua capacidade de, num in-
tercâmbio linguístico, transmitir um conteúdo satisfatório para a situação em que
é utilizada, seja na língua falada ou escrita. Ela pode ter verbos ou não, existindo,
portanto, a frase nominal, quando não é constituída por verbo, e frase verbal,
quando há presença de um verbo.

Ex: Que dia lindo!

Já na frase verbal há a presença do verbo.

Ex: Preciso de sua ajuda.

II. ORAÇÃO: é todo enunciado dotado de sentido, porém há, necessariamente, a


presença do verbo ou de uma locução verbal. Este verbo, por sua vez, pode estar
explícito ou subentendido.

Ex: Os garotos adoram ir ao cinema e depois ao clube.

Podemos perceber a presença do sujeito e do predicado.

III. PERÍODO: é um enunciado que se constitui de uma ou mais orações. Um pe-


ríodo pode ser classificado de duas maneiras, sendo:

A) Período Simples: formado por apenas uma oração, também denominada de


oração absoluta.

As crianças BRINCAM no jardim.

“Brincam” é a oração que indica o que as crianças estão fazendo no jardim, o que
já é o suficiente para entendermos a mensagem que se deseja passar.

B) Período Composto: é aquele constituído por duas ou mais orações.

O ônibus ainda não CHEGOU, mas não DEVE DEMORAR, pois já SÃO sete ho-
ras.

133
Os períodos compostos podem ser formados das seguintes maneiras: podem ser
compostos por coordenação, compostos por subordinação, ou ainda compostos
por coordenação e subordinação, simultaneamente. Vejamos:

B.1) Período Composto por Subordinação: são períodos que, sendo constituídos
de duas ou mais orações, possuem sempre uma oração principal e pelo menos
uma oração subordinada a ela.

Então, vamos defini-las: oração principal é a parte que contém a informação prin-
cipal e aquela que se liga a qualquer oração subordinada, ou seja, é completada
por uma oração subordinada, pois lhe falta uma função sintática. Já a oração su-
bordinada, também chamada de “oração dependente”, é aquela que não vai for-
mar um pensamento completo, fazendo com que o leitor ou ouvinte queira infor-
mações adicionais para concluir o pensamento (assim, desempenha alguma fun-
ção sintática que falta na principal, completando-a). Existem três tipos de orações
subordinadas:

- Substantivas: são aquelas que desempenham as funções sintáticas próprias do


substantivo;

- Adjetivas: são aquelas que desempenham as funções próprias do adjetivo;

- Adverbiais: são aquelas que desempenham as funções próprias do advérbio.

Dadas as definições, observe o exemplo a seguir:

Como eu não fui ao parque...

A oração subordinada não pode estar sozinha, pois não fornece um pensamento
completo. O leitor ficaria se perguntando: "Então, o que aconteceu?" (a menos
que isso esteja subentendido). Agora, observe o próximo exemplo:

Aguardo que você chegue.

Nessa frase há duas orações: "Aguardo" e "que você chegue". A oração "que você
chegue" está completando o sentido do verbo transitivo direto "aguardo". Sendo
assim, a oração subordinada está sintaticamente vinculada à oração principal
(dependente dela), podendo funcionar como termo essencial, integrante ou aces-
sório da oração principal. Neste caso, exerce a função sintática do objeto direto, e
é uma oração subordinada substantiva objetiva direta.

Então, podemos dizer que, de certo modo, em um período composto por subor-
dinação, ambas as orações (principal e subordinada) em alguns casos são mutu-
amente dependentes, já que a oração principal não teria sentido sem o comple-
mento (oração subordinada), bem como a oração subordinada também não teria
sem ser concluída (ideia principal) – é claro que, principalmente na fala, se uma
ou outra estiver subentendida, pode ser omitida.

134
B.2) Períodos Compostos por Coordenação: são os períodos que, possuindo duas
ou mais orações, apresentam orações coordenadas entre si. Cada oração coorde-
nada possui autonomia de sentido em relação às outras, e nenhuma delas funci-
ona como termo da outra. As orações coordenadas, apesar de sua autonomia em
relação às outras, complementam mutuamente seus sentidos. Veja o seguinte
exemplo:

A Grécia seduzia-o, mas Roma dominava-o. (oração coordenada sindética adver-


sativa)

Neste exemplo, temos duas orações independentes (de sentido completo em


si): (1) A Grécia seduzia-o, e (2) Roma dominava-o, que são conectadas por meio
da conjunção “mas”, dando um sentido de adversidade.

A conexão entre as orações coordenadas pode ou não ser realizadas através de


conjunções coordenativas. Sendo vinculadas por conectivos ou conjunções coor-
denativas, as orações são coordenadas sindéticas. Não apresentando conjunções
coordenativas, as orações são chamadas orações coordenadas assindéticas.

Chegou, falou, saiu.

Agora, vamos (re)ver alguns aspectos importantes da língua japonesa que nos
auxiliarão a analisar e entender orações:

1. A FORMA TE

Como vimos, a forma TE basicamente conecta orações. Perceba que isso a torna
muito versátil, porque pode transmitir significados diversos de acordo com o
contexto (pelo menos na tradução para o português). Existem pelo menos quatro
sentidos que ela pode ter:

I. De conjunção: une orações, descrevendo ações seqüenciais:

魚を食べてジュースを飲む。= Comer o peixe e beber o suco.

時間がありまして映画を見ました。= Houve tempo e (eu) assisti ao filme.

このケーキがおいしくてきれいです。= Este bolo é gostoso e grande.

ジュースを飲まなくてケーキを食べた。= Não bebeu o suco e comeu o bolo.

II. De causa: A forma TE pode expressar a causa da ação principal:

本を忘れて学校に行かなかった。= (Eu) não fui à escola, porque esqueci o livro.

雨で友達がパーティーにこない。= Por causa da chuva, (meu) amigo não virá à


festa.

135
Note que poderíamos traduzir estes dois exemplos como ações sequenciais e
pressupor que estamos falando de causa e efeito. Isso faz sentido mesmo em
português quando, por exemplo, dizemos: “Estou doente e não irei trabalhar.” (=
Como estou doente, não irei trabalhar.). É tudo questão de contexto.

III. De advérbio: verbos na forma TE podem, por vezes, ser usados como advér-
bios também. Nestes casos podemos considerar que eles explicam ou descrevem
como a ação do verbo principal está sendo feita:

歩いて行く。= Ir caminhando.

怒って言う。= Dizer com raiva.

O importante aqui é considerarmos o contexto, pois como já mencionamos, o uso


básico de forma TE consiste em unir sentenças. Sendo assim, poderíamos tradu-
zir literalmente os exemplos acima como “Caminhar e ir” e “Ficar com raiva e
dizer”, o que de certo modo pode ter o mesmo sentido.

Existe a forma contraída da forma TE negativa que se trata de 「ないで」 .


Contudo, você não deve achar que ela funciona exatamente da mesma forma:

魚を食べなくて。≠ 魚を食べないで。

Com a forma TE abreviada da negativa, se expressa explicitamente que a ação


principal é executada sem alguma outra. Observe:

魚を食べないでジュースを飲んだ。= Bebeu o suco sem comer o peixe.

No tópico 7 mencionamos que atualmente, o auxiliar 「ず」 costuma ser usado


somente em orações subordinadas. Sendo assim:

魚を食べず(に)ジュースを飲んだ。= Bebeu o suco sem comer o peixe.

IV. De reticência: a forma TE no final de uma oração pode indicar uma oração
incompleta, muitas vezes transmitindo um ar reticente por parte do falante, isto
é, uma hesitação em dizer expressamente o seu pensamento, em dar um parecer
etc. Tal recurso é muito comum em canções:

魚を食べて。= Comer o peixe (e...) (oração incompleta e reticente).

2. A BASE RENTAIKEI

A Base Rentaikei é utilizada para conectar elementos invariáveis. Torna-se, as-


sim, também muito versátil, pois tecnicamente podemos conectar a ela qualquer
partícula ou substantivo, o que nos possibilita expressar muitas coisas. Por exem-
plo, podemos conectar o substantivo 「とき」(時), que significa “tempo”, a uma

136
oração a fim de indicar o que acontece no “tempo” em que a oração é executada.
Veja:

テレビを見るときに寿司を食べる。= Quando (eu) assisto TV, como sushi.

Com relação às partículas, embora seja gramaticalmente possível anexá-las à Base


Rentaikei, tal recurso não é mais praticado na vida real, com exceção de algumas
partículas. Entretanto, há algumas construções gramaticais antigas que ainda são
usadas no Japonês Moderno que se tratam da nominalização “à moda antiga”,
isto é, através da anexação de uma partícula à Base Rentaikei.

I. Nominalização no Japonês Clássico:

学生は勉強するを忘れた。= O estudante esqueceu-se de estudar.

II. Nominalização no Japonês Moderno:

学生は勉強するの忘れた。= O estudante esqueceu-se de estudar.

学生は勉強することを忘れた。= O estudante esqueceu-se de estudar.

O recurso da nominalização também é muito poderoso. Podemos usar esse re-


curso com diversos verbos. Por exemplo, com o verbo 「ある」 indica-se que
uma ação existe ou não:

宿題することはある。= (Eu) faço a lição de casa (Lit. Falando do ato de fazer


lição de casa, (ele) existe).

Usando o tempo passado do verbo com 「こと」, você pode falar se um evento
já ocorreu. Esta é essencialmente a única maneira que você pode dizer "já [verbo
no passado]" em japonês, por isso, é uma expressão muito útil. Você precisa usar
esta construção a qualquer momento quando você quiser saber se alguém já fez
alguma coisa em tempos passados:

寿司を食べたことがある。= (Eu) já comi sushi (Lit. O evento em que (eu) comi


sushi existe).

Aproveitando, podemos ainda fazer uma oração nominalizada por 「こと


」 como objeto do verbo 「する」, através da partícula 「に」. Lembre-se que
quando 「する」 tem seu objeto marcado por 「に」, normalmente tem signifi-
cado de “decidir”:

寿司を食べることにした。= (Eu) decidi comer sushi (Lit. (Eu) decidi pelo ato de
comer sushi).

137
Contudo, atente-se que esta construção é usada para expressar suas próprias de-
cisões. Se você quiser indicar uma decisão que não é sua, deve usar o verbo 「な
る」 no lugar de 「する」:

寿司を食べることになった。= Decidiram comer sushi (Lit. Tornou-se o ato de


comer sushi).

3. PALAVRAS VARIÁVEIS

Algumas palavras variam quanto a sua natureza dependendo da forma como são
usadas. Por exemplo, 「まあまあ」 pode significar "mais ou menos", como um
advérbio, mas também pode ser usado como um Adjetivo-NA para significar o
mesmo, ou ainda, como uma interjeição para significar "agora, agora".

Por conta da existência de palavras variáveis, não se surpreenda ao se deparar,


por exemplo, com uma palavra que se comporta como um substantivo, mas que
tem significado de advérbio. Veja o exemplo a seguir:

先生と相談のあげく、退学をしない。= (Depois de muita) consulta com o pro-


fessor, (no final), (ele) não abandonará a escola.

Quem se deparasse com esse tipo de oração, pensaria que 「あげく」 é um subs-
tantivo. Contudo, veja como, embora ele se comporte como um substantivo den-
tro da oração, é na realidade um advérbio. Fique atento, pois existem muitas pa-
lavras variáveis no japonês.

4. RESQUÍCIOS DO JAPONÊS CLÁSSICO

Conforme for progredindo em seus estudos, você se deparará com construções


ou usos de elementos conhecidos que geralmente não são abordados por livros
convencionais. São resquícios do Japonês Clássico, que ainda vivem nos dias atu-
ais, mesmo que raramente vistos na vida cotidiana.

Por exemplo, a nominalização à moda antiga que vimos no item 2 pode aparecer
em algum momento. Outro exemplo é a partícula 「を」, que até mais ou menos
o fim do Período Muromachi (1336–1573), tinha também a função de concessão,
igual à 「のに」, que veremos no próximo tópico. Você também poderá encon-
tra-la sendo usada desse jeito. Mais um exemplo é a Base Kateikei da cópula 「
である」, isto é, 「であれ」, que ainda hoje pode ser usada por si só. Parece es-
tranho, mas, se considerarmos a sua utilização clássica, não será difícil entender-
mos seu significado.

No Japonês Clássico, o sentido de concessão era frequentemente indicado


pela base Izenkei (atual Kateikei), seguida comumente pelas partículas 「ど」 ou
「ども」:

行(ゆ)けど。= Embora (ele) vá.


138
Sendo assim, 「であれ」 é um desses sobreviventes do Japonês Clássico. Ela ex-
pressa concessão, tendo um sentido de “embora seja / apesar de ser / não im-
porta que seja [X], algo acontece”:

社長であれ規則は守っている。= Embora seja o presidente da empresa, (ele) obe-


dece às regras.

Daí vemos a grande importância de incluir o Japonês Clássico no estudo do Ja-


ponês. Você pode encontrar por aí construções e usos avançados que só serão
entendidos satisfatoriamente se tiver conhecimento da língua em seus estágios
antigos.

5. INVERSÃO DE ELEMENTOS E OMISSÃO DE PARTÍCULAS

Há um mito que ainda existe sobre a ordem das palavras numa oração em japo-
nês e que continua a assombrar muitos estudantes iniciantes. Poderíamos dizer
que a estrutura mais básica de uma sentença em português pode ser descrita
como “[sujeito] + [verbo] + [objeto]”. Com relação à língua japonesa, muitos (até
mesmo professores) dizem que esta ordem é invertida, isto é, “[sujeito] + [objeto]
+ [verbo]”. Contudo, em japonês, a ordem de uma sentença fundamental é ape-
nas “[verbo]”. Qualquer coisa que venha antes do verbo não precisa estar em
uma ordem específica e nada mais do que o verbo é necessário para se construir
uma sentença completa.

Além disso, em se tratando da língua padrão, o verbo deve estar sempre no final.
Claro que nada nos impede de construir uma sentença com “[objeto] + [sujeito]
+ [verbo]” ou apenas “[objeto] + [verbo]”. As seguintes construções estão todas
completas e corretas, porque o verbo está no final da sentença:

私は公園で弁当を食べた。

公園で私は弁当を食べた。

弁当を私は公園で食べた。

弁当を食べた。

食べた。

Não importa o lugar que uma palavra está na sentença, pois sua função gramati-
cal é identificada pela partícula que a sucede. A partir disso, somos capazes de
entender a grande importância que tem o uso correto das partículas.

Isso tudo podemos classificar como padrão na língua japonesa. Entretanto, con-
versas diárias costumam ser caóticas em qualquer idioma, e é comum que as pes-
soas digam a primeira coisa que vem em suas mentes sem pensar na sentença
como um todo. Por isso, na linguagem casual, o padrão que vimos é quebrado.

139
Por exemplo, se você quisesse perguntar “o que é feijoada?”, o modo normal se-
ria 「フェジョアーダは何?」. Entretanto, se a primeira coisa que viesse a sua
mente fosse "o que?", então seria mais natural dizer 「何」 primeiro. Porém,
como 「何はフェジョアーダ?」 não faz nenhum sentido (é o “o que” a feijo-
ada?), os japoneses simplesmente quebram a sentença em dois fragmentos, per-
guntando “o que” primeiro e clarificando em seguida a respeito de que estão fa-
lando (「フェジョアーダ」 neste caso). Por uma questão de conveniência, as pa-
lavras são aglomeradas no que parece ser uma sentença:

フェジョアーダは何?= O que é feijoada?

何フェジョアーダ?= O quê? Feijoada. (duas palavras aglomeradas em uma sen-


tença)

Às vezes, a primeira coisa que vem a sua mente é o verbo principal. Mas se o
verbo principal já saiu de sua boca, você terá o resto da frase sem um verbo para
completar o pensamento. No japonês casual, é perfeitamente aceitável ter o verbo
em primeiro lugar usando a mesma técnica que acabamos de ver, quebrando-se
o que está sendo dito em duas sentenças. A segunda frase é incompleta, claro,
mas esse tipo de coisa é comum na fala de qualquer idioma:

見た?映画?= (Você) viu? O filme?

食べた?アイス。= (Você) comeu? O sorvete?

Vimos que a partícula 「を」 foi omitida nos dois exemplos. De fato, embora as
partículas desempenhem um papel crucial para que uma sentença tenha sentido,
há algumas que são muitas vezes omitidas no japonês casual, sendo que as mais
comuns de serem omitidas são 「は」, 「が」, 「を」 e 「に」. Isso realmente
pode dificultar o estudante iniciante, mas lembre-se de que nessas horas o con-
texto e um senso de gramática são nossos fortes aliados e eles nos ajudarão a es-
clarecer o papel dos elementos dentro da sentença.

Observe agora a sentença abaixo:

犬は無くした骨を見つけた。= O cachorro encontrou o osso que perdeu.

A sentença acima é de fácil entendimento. Note que, mesmo se omitíssemos as


partículas, ainda assim, ela seria compreensível:

犬無くした骨見つけた。= O cachorro encontrou o osso que perdeu.

Agora imagine se, com as partículas omitidas, ainda invertêssemos os elementos


dessa oração, por exemplo, do seguinte modo:

見つけた犬無くした骨。=???

140
Sem um contexto, não somos capazes de indicar ao certo o sentido desta frase,
pois não sabemos por onde ela deve começar, ou qual a função de cada elemento
dentro dela. Por exemplo, será que 「見つけた」 está modificando o substantivo
「犬」, e esta construção pode ser traduzida como “o cachorro que (eu) encontrei
perdeu o osso”? É uma possibilidade, mas será esse o sentido que o “autor” quis
expressar? Veja como a ocorrência em conjunto da omissão de partículas e da in-
versão de elementos pode causar uma ambiguidade extrema. Apenas pra refor-
çar, observe agora o próximo trecho:

骨を見つけた犬。

É claro que o trecho acima pode ser entendido como “cachorro que encontrou o
osso”, mas é importante que você considere outras possibilidades; tudo depen-
derá do contexto. Por exemplo, nada impediria que o entendêssemos como 「犬
は骨を見つけた」, isto é, “falando do cachorro, (ele) encontrou o osso”.

Infelizmente, a ocorrência em conjunto da omissão de partículas e da inversão de


elementos não é rara. Particularmente, em músicas ela é extremamente comum.
Isso é compreensível, uma vez que o compositor muitas vezes se vê obrigado a
usar estes recursos para fazer rimas, encaixar a letra na melodia ou mesmo fazer
as palavras soarem mais legais e/ou harmoniosas dentro do conjunto, algo que
seria impossível de ser alcançado se ele seguisse os “padrões corretos” da língua.
Sendo assim, com certeza, ao ler letras de música, você frequentemente se per-
guntará “Onde essa frase começa?”, “Qual a função de cada elemento desta parte
e como ela deve ser traduzida?”. Enfim, um verdadeiro quebra-cabeça.

E como juntar as peças corretamente?

Como sempre, o contexto e conhecimento de gramática serão nossos maiores ali-


ados. E mais: neste caso, entenda “contexto” como sendo também, além da letra
como um todo, a melodia, a atmosfera da canção, o tom no qual as palavras são
cantadas, os instrumentos usados ou mesmo a personalidade do cantor. Use seu
conhecimento de gramática de forma criativa, isto é, enquanto estiver traduzindo
a letra, use sua imaginação dentro dos limites gramaticais. Passemos a mais um
exemplo:

「ふたりを夕闇がつつむこの窓辺に。。。」= Nas proximidades desta janela, o


crepúsculo (é o que) envolve nós dois.

Veja que neste pequeno trecho da famosa canção 「君といつまでも」 de Kayama


Yuzo, os elementos não seguem o dito padrão [sujeito] [objeto] [verbo], mas po-
demos entender perfeitamente a sentença. A partícula 「を」 nos mostra qual é
o objeto direto (ふたり) do verbo 「つつむ」, 「が」 especifica o que envolve os
dois (夕闇) e 「に」 indica o alvo da ação, mais precisamente, o local (この窓辺)
onde o crepúsculo envolve o casal. Que fique claro, entretanto, que estamos ana-
lisando esse trecho isoladamente apenas para fins didáticos, tentando demostrar

141
o fenômeno de inversão de elementos. Em outras palavras, dentro do contexto
geral, ele pode ser interpretado de outro modo, o que, neste momento, não vem
ao caso. Vamos abordar isso no tópico 18.9.”

Primeiramente, vamos ver o trecho completo:

ふたりを夕闇がつつむこの窓辺に明日も素晴らしい幸せが来るだろう。

Será que 「この窓辺」 está na verdade sendo modificado pela oração 「ふたり
を夕闇がつつむ」, e devemos traduzir esse trecho como “Nas proximidades
desta janela em que o crepúsculo envolve nós dois”? Bem, isso faz sentido consi-
derando o restante da frase, isto é, 「明日も素晴らしい 幸せが来るだろう」.

Já sabemos que 「だろう」 é usado para expressar alguma certeza sobre algo.
Sendo assim, o segundo trecho da frase pode ser traduzido como “amanhã tam-
bém uma maravilhosa felicidade virá certamente”.

Claro que nada impede de interpretarmos as duas partes de forma autônoma,


como “Nas proximidades desta janela, o crepúsculo (é o que) envolve nós dois”
e “Amanhã também uma maravilhosa felicidade virá certamente”, mas também
é plausível pensar que provavelmente 「この窓辺」 esteja sendo modificado
pela oração 「ふたりを夕闇がつつむ」 e seja o alvo do verbo 「来る」. Assim,
teríamos:

ふたりを夕闇がつつむこの窓辺に明日も素晴らしい幸せが来るだろう。= Às
proximidades desta janela em que o crepúsculo envolve nós dois, amanhã tam-
bém uma maravilhosa felicidade virá certamente.”

Aliás, que tal fazermos um paralelo com a língua portuguesa disso tudo que aca-
bamos de abordar? Assim, você notará que esse tipo de ambiguidade pode acon-
tecer em qualquer idioma. Para tanto, responda sinceramente:

“Alguma vez você já parou para analisar a letra do Hino Nacional Brasileiro?”

Recomendamos que você leia o artigo “Entenda a letra do Hino Nacional” do


blog “Português na Rede” ([Link] Particularmente, des-
tacamos um trecho:

“O que complica mesmo na interpretação do Hino Nacional é o grande número


de inversões.”

6. LEI DO MENOR ESFORÇO

Este é um fenômeno comum a todos os idiomas. Como nativos estão tão acostu-
mados com sua língua materna, acabam padronizando instintivamente certas
abreviações para fazer a fala ficar mais fluída. Veja como em português costuma-
mos pronunciar “está” como “tá” simplesmente, “estou”, como “tou” e tantos

142
outros exemplos que poderiam ser citados. Este, aliás, é um dos fatores que mais
dificulta o aprendizado de uma segunda língua (mais detalhes no tópico 18).

Como não poderia ser diferente, em japonês também há “abreviações padroniza-


das” pelos nativos. Apresentaremos alguns exemplos:

~ては → ~ちゃ

~では → ~じゃ

~れは → ~りゃ

7. COLOCAÇÃO

Podemos dizer que é possível estabelecer uma relação de equivalência entre pa-
lavras de nossa língua materna e uma de língua estrangeira (gato = cat, em in-
glês). Até aqui, tudo parece muito simples e óbvio, mas infelizmente não é. Isso
por que, para nos comunicarmos, seja para expressar ações, estados ou mesmo
alguns conceitos, precisamos relacionar as palavras umas com as outras. E é aqui
que começa a complicação, pois a maneira como elas são relacionadas para ex-
pressar uma mesma ideia (e quais palavras são usadas) pode variar de idioma
para idioma.

Para facilitar, vamos tomar o inglês como exemplo, tendo em mente que o prin-
cípio vale para qualquer idioma. Imagine um estudante iniciante de inglês; se
perguntássemos a ele como se diz “batata frita” ele provavelmente diria “fried
potato”, afinal “fried” significa “frito” e “potato”, batata. Na realidade, o que ele
fez aqui foi considerar a maneira como o conceito “batata frita” foi pensando em
português (juntando-se o adjetivo “frito” com “batata”) e procurar termos equi-
valentes em inglês. Entretanto, ele está errado, por que “batata frita” em inglês é
“french fries”, que literalmente significa “fritas francesas”. Veja como, a maneira
que os ingleses pensaram “batata frita” foi diferente da nossa (provavelmente
consideraram sua origem), mas o conceito é o mesmo.

E como mencionamos, isso não se restringe a conceitos, mas também na maneira


de relacionar as palavras entre si (e quais palavras usar) para expressar ações ou
estados. Por exemplo, esse mesmo estudante iniciante de inglês provavelmente
querendo dizer “Eu uso perfume todos os dias.”, diria “I use perfume everyday”,

143
quando o correto é “I wear perfume everyday” (Eu visto perfume todos os dias).
Novamente, palavras diferentes para a mesma ideia.

É aqui que queremos chegar e falar sobre algo que em linguística é chamado de
“colocação”, que é a combinação de duas ou mais palavras que são geralmente
usadas juntas; é uma combinação que soa natural para o falante nativo e que não
tem exatamente uma explicação lógica para quem não é nativo. Por exemplo, em
português falamos “tomar água” e “tomar banho”. Dizemos também “beber
água”, e porque então não dizemos “beber banho”? Não faria sentido, certo?

Para se tornar fluente em qualquer idioma, você precisa saber quais palavras de-
vem ser usadas juntas com as outras. Aprender a combinação correta das pala-
vras vai ajudá-lo a parecer mais natural na hora de falar. Como mencionamos, é
muito comum aos estudantes tentar traduzir diretamente da sua língua mãe para
a língua estrangeira, e o resultado muitas vezes soa estranho, pois não combinam
as palavras corretamente. Logicamente algumas combinações de palavras podem
até não estarem erradas e serão entendidas pelos falantes nativos, porém não são
as mais frequentemente usadas.

E como se pode aprender colocações? Isso é algo que só se aprende “vivendo o


idioma”. Por isso, leia, leia, leia e depois leia um pouco mais! Ouça, ouça, ouça e
depois ouça um pouco mais! Ao aprender uma nova palavra, procure pela inter-
net orações de exemplo e observe as palavras que aparecem juntas. Use um dici-
onário monolíngue e sempre leia além da definição, pois bons dicionários sempre
trazem as colocações das palavras.

8. A (DUPLA) NEGATIVA

Vimos que “colocação” se refere à quais palavras são usadas e de que ma-
neira elas são relacionadas para expressar uma ideia. Já sabemos também que
isso varia de idioma para idioma.

Ter isso em mente é importantíssimo, pois os japoneses, estranhamente, gostam


muito de usar a forma (dupla) negativa para expressar ideias. Tal aspecto pode
causar confusão no entendimento das orações, pois não usamos tal recurso (pelo
menos não com tanta frequência) como os nipônicos. Observe o exemplo a seguir:

行かざるをえない。= (Eu) terei que ir.

144
Nesta pequena construção temos os seguintes elementos:

I. Base Rentaikei (nominalização à moda antiga);

II. Resquício do Japonês Clássico (「ざる」 é a Base Rentaikei do conjunto Zari


do auxiliar de negação 「ず」);

III. Dupla Negativa (「行かざる」 e 「えない」, forma negativa do verbo 「え


る」 (得る), que significa "obter".

Depois dessa análise, perceba que se traduzirmos o exemplo literalmente, tere-


mos “(Eu) não obterei (a ação de) não ir”, ou seja, “(Eu) terei que ir”.

9. ELEMENTO INTRUSO

Outra maneira um tanto estranha de os japoneses de os japoneses expressarem


as coisas é usando o que chamaremos para fins meramente didáticos de “ele-
mento intruso”, isto é, um elemento que aparentemente não tem nenhum sentido
dentro da oração. Isso também pode causar uma verdadeira CHATEAÇÃO! Den-
tre esses elementos intrusos, 「という」 (e variantes) é o campeão. Veja o exem-
plo a seguir:

彼は子供だからといってここで遊ない。= Ele é uma criança, por isso, não brin-


cará aqui.

Para entender as várias aparições de 「という」 é preciso ter sempre em mente


o quão genérico 「という」 pode ser dependendo do contexto. Em muitas des-
sas construções avançadas pode-se dizer que o falante apenas quer destacar ou
explicar. No exemplo dado, 「といって」 serve apenas para dar ênfase ao mo-
tivo. Note que o uso desses elementos intrusos pode ser decorrente do estado do
falante. No caso aqui, o destaque é por conta de desaprovação.

E podemos estender essa afirmação para todos os outros elementos intrusos, isto
é, sua presença não é questão propriamente de significado, mas de intenção do
falante (destacar ou explicar algo). Veja as partes destacadas nos exemplos a se-
guir:

勉強しているところ。= (Eu) estou estudando (ênfase na ação que ocorre).

雨が降るときている眠気を感じる。= Como está chovendo, (eu) me sinto sono-


lento.

O interessante é que elementos intrusos podem ser mesmo qualquer coisa. Veja
as orações abaixo:

1. 怖いのなんのって。= É extremamente assustador.

145
2. あの映画は怖いの怖くないのって。= Aquele filme é extremamente assusta-
dor.

Na oração (1) temos 「なんの」(何の), cujo significado é “que tipo”. Aqui ele é
usado como termo genérico para repetir a estrutura da primeira parte, isto é, 「
怖いの」, indicando que o falante não pode sequer dizer o quão assustador é
algo, porque "assustador" não é suficiente para descrever a situação. Já o 「って
」 é usado também de forma genérica apenas para fortalecer o sentimento do
falante sobre o que ele diz. Veja que os dois elementos citados servem apenas
para dar ênfase. Já na oração (2) temos a repetição de termos, fato relativamente
comum no japonês para indicar ênfase.

10. A VERSATILIDADE DO VERBO 「する」

O verbo 「する」, como já sabemos, pode significar muitas coisas além de “fa-
zer” e, por isso, é usado em muitas colocações.

Gramáticos têm tentado decifrá-lo ao longo do tempo e, muito embora seja pos-
sível traçar semelhanças com o verbo 「ある」 em muitas utilizações, bem é ver-
dade que seus sentidos foram se alargando com o uso prático da língua, fazendo
com que esses mesmos estudiosos afirmassem que o recomendável a se fazer com
o verbo 「する」 é analisa-lo dentro do conjunto. Sendo assim, como regra geral:

I. Você poderá se deparar com 「する」 com o significado “fazer” simplesmente;

II. Você poderá se deparar com 「する」 fazendo a função de uma cópula (já
que existem registros dele sendo usado de forma semelhante ao verbo 「ある」
). Esse uso é arcaico e normalmente aparece como 「とする」;

III. Você poderá se deparar com 「する」 tendo um significado diferente do ex-
posto nos dois itens anteriores.

146
15. CONSTRUINDO ORAÇÕES
Feita a abordagem de alguns conceitos importantes no tópico anterior, vamos
agora aplica-los quando necessário para construir orações mais complexas. Pri-
meiramente, você pode expressar a causa de algo usando a partícula 「から」.
A causa e efeito estarão sempre ordenados no padrão “[causa] 「から」 [efeito]”.
Quando a causa se tratar de um substantivo ou Adjetivo-NA, você deve adicionar
a cópula 「だ」 para declarar explicitamente a causa 「(substantivo / Adjetivo-
NA) だから」. Nestes casos, se você se esquecer de adicionar 「だ」 antes de 「
から」, vai acabar soando como o 「から」 que significa “de”:

時間がなかったからパーティーに行きませんでした。= Não houve tempo, por


isso, não fui à festa.

友達からプレゼントが来た。= O presente veio de um amigo.

友達だからプレゼントが来た。= O presente veio, porque (a pessoa é) um amigo.

Tanto a razão como o resultado podem ser omitidos se estiverem claros a partir
do contexto. No caso do discurso educado, você trataria 「から」 apenas como
um substantivo comum e adicionaria 「です」. Observe o diálogo:

MAKOTO: どうしてパーティーに行きませんでしたか。= Por que (você) não


veio à festa?

AKIRA: 時間がなかったからです。= Porque (eu) não tive tempo (omitindo-se o


efeito)

Quando se omite a causa, você deve incluir o declarativo 「だ」:

TAMOTSU: 時間がなかった。= Eu não tive tempo.

MIYAKO: だからパーティーに行かなかった?= É por isso que não foi à festa?


(omitindo-se a causa)

Você pode usar também 「です」 ou 「である」 se quiser ser mais formal:

ですからあきらは慌てることはありません。= é por isso que falando de Akira,


(ele) não tem nada a temer.

私は彼が正直で気さくであるから彼が好きだ。= Eu gosto dele por que ele é ho-


nesto e sincero.

Voltando no diálogo entre Miyako e Tamotsu, perceba que Tamotsu poderia ter
usado a partícula explicativa 「の」 e dizer 「時間がなかったのです」 ou 「時
間がなかったんです」. Considerando esta possibilidade, digamos que você

147
queira combinar a causa e o efeito, isto é, 「時間がなかったのだ」 e 「パーティ
ーに行かなかった」. Lembre-se de que podemos tratar a partícula 「の」 como
um substantivo, e então poderemos aplicar o que aprendemos no primeiro tópico
desta lição:

時間がなかったのだ+パーティーに行かなかった = 時間がなかったのでパーテ
ィーに行かなかった。

Agora sabemos de onde provavelmente surgiu a partícula 「ので」. Na ver-


dade, 「ので」 é quase intercambiável com 「から」 com algumas diferenças
sutis: 「から」 afirma explicitamente que a sentença anterior é a razão para
algo, enquanto 「ので」 apenas coloca duas frases juntas, com a primeira com
um tom explicativo. Isso é algo que chamamos de causalidade, ou seja, [X] acon-
teceu, portanto, [Y] aconteceu. Este é um pouco diferente do 「から」 onde [Y]
aconteceu explicitamente porque [X] aconteceu. Essa diferença tende a fazer 「
ので」 soar mais suave e um pouco mais educado e é preferido no lugar de 「
から」 ao explicar a razão para fazer algo que é considerado descortês:

ちょっと忙しいので、そろそろ失礼します。= Como estou um pouco ocupado,


sairei em breve.

NOTA: 「失礼します」, que significa literalmente “eu estou fazendo uma des-
cortesia”, é comumente usado como uma forma educada para você se retirar ou
interromper alguém.

Não se esqueça de que para substantivos e Keiyoudoshi é necessário adicionar


「な」, a base Rentaikei da cópula 「だ」 antes de 「の」:

私は学生なので、お金がないんです。= Como sou estudante, não tenho di-


nheiro.

なので、友達に会う時間がない。= É por isso que não há tempo para encontrar


o amigo. (omitindo-se a causa)

Do mesmo modo que o 「の」 explicativo pode ser abreviado para 「ん」 na
fala, 「ので」 pode ser transformado em 「んで」, pois é mais fácil de ser pro-
nunciado:

時間がなかったんでパーティーに行かなかった。= Não fui à festa, porque não


tive tempo.

私は学生なんで、お金がないんです。= Como sou estudante, não tenho di-


nheiro.

なんで、友達に会う時間がない。= É por isso que não há tempo para encontrar


o amigo. (omitindo-se a causa)

148
Considerando o significado de “benefício” do substantivo 「ため」, ele pode
também ser usado para indicar que aquilo que está na oração subordinada é a
finalidade da ação principal. Observe:

これは君のためなんだ。= Isto é por você.

健康のために体操する。= Faço ginástica para a saúde.

日本に行くために日本語を勉強する。= (Eu) vou estudar japonês a fim de ir ao


Japão. (Lit. Tendo como alvo o benefício de ir ao Japão, (eu) vou estudar japonês.).

A partícula 「のに」 também pode ser usada para indicar finalidade:

日本に行くのに日本語を勉強する。= (Eu) vou estudar japonês a fim de ir ao Ja-


pão.

Note que a partícula 「のに」, neste caso, provavelmente se trata da combinação


do nominalizador 「の」 com a partícula 「に」. Sendo assim, poderíamos tra-
duzir literalmente a oração acima como “Tendo como alvo o ato de ir ao Japão,
(eu) vou estudar japonês.”.

O sentido de finalidade também pode ser expresso por 「ように」:

日本に行くように日本語を勉強する。= (Eu) vou estudar japonês a fim de ir ao


Japão.

Em português, há as conjunções subordinativas concessivas que são elementos


que introduzem uma oração que exprime uma ideia de concessão, isto é, um fato
contrário à ação ou à verdade expressa na oração principal, sem, no entanto, a
impedir (oposições coexistentes). Veja o exemplo a seguir:

Midori não emagreceu, apesar de ter se exercitado todos os dias.

Neste exemplo a oração subordinada introduzida pela conjunção é chamada de


“oração subordinada adverbial concessiva”. Assim temos:

ORAÇÃO PRINCIPAL (FATO): Midori não emagreceu.

ORAÇÃO SUBORDINADA (CONCESSÃO): Apesar de ter se exercitado todos


os dias.

Em japonês é possível construirmos algo semelhante através do uso da partí-


cula 「のに」. Atente-se, entretanto à ordem dos elementos que será sempre
([concessão] 「のに」 [fato]). Sendo assim, o exemplo dado acima ficará assim
em japonês:

149
みどりが毎日運動したのに、全然痩せなかった。= Apesar de ter se exercitado
todos os dias, Midori não emagreceu.

Quando a oposição for um estad-de-ser, devemos explicita-lo com a cópula 「だ


」, que será usada em sua Base Rentaikei:

学生なのに、彼女は勉強しない。= Embora seja estudante, ela não estuda.

さっき食べたばかりなのに、まだおなかがすいています。= Embora eu tenha


acabado de comer, eu ainda estou com fome.

Podemos usar as partículas 「が」 e 「けど」 para conectar orações a fim de


expressar contradição:

デパートに行きましたが、何も欲しくなかったです。= Eu fui à loja de departa-


mentos, mas nada era interessante.

金はないけど夢はある。= Não tenho dinheiro, mas tenho sonhos.

Assim como 「から」, o declarativo 「だ」 é necessário para substantivos e


Adjetivo-NA:

彼は、金持ちだが兄は貧乏だ。= Ele é rico, mas o irmão é pobre.

この車は素敵だけど高い。= Este carro é maravilhoso, mas é caro.

Semelhante à diferença entre 「から」 e 「ので」 , 「が」 tem um tom mais


suave e é um pouco mais educado do que 「けど」 . Embora isso não seja uma
regra, geralmente é comum ver 「が」 ligado a um final com 「~ます
」 ou 「~です」 , e 「けど」 ligado a um final casual regular. A versão mais
formal de 「けど」 é 「けれど」 e a ainda mais formal é 「けれども」 .

Da mesma forma que 「から」 e 「ので」, qualquer uma das partes pode ser
omitida e subentendida pelo contexto:

だけど、みえがまだ好きなのだ。= (Pode ser isso), mas é que ainda gosto da


Mie.

デパートに行きましたが。= Eu fui à loja de departamentos (mas...).

Agora, observe o próximo exemplo:

友達に聞いたけど、知らなかった。= Eu perguntei a um amigo, mas ele não sa-


bia.

Parece estranho, mas 「聞く」 pode significar tanto “ouvir” como “perguntar”.
Talvez, você pense que isso torne as coisas difíceis, mas o devido significado é
150
geralmente claro pelo contexto. Na sentença acima, estamos assumindo que o
amigo não sabia, então o falante provavelmente estava perguntando ao amigo.
Novamente nós vemos a importância do contexto na língua japonesa, porque
essa sentença pode significar também “Eu ouvi de um amigo, mas eu não sabia”,
já que não há sujeito nem tópico.

Diferentemente das palavras para expressar contradição que temos em portu-


guês, como “mas” ou “porém”, as partículas 「けど」 e 「が」 não indicam
sempre uma contradição direta. Frequentemente, especialmente ao se introduzir
um novo tópico, elas são usadas como um conector genérico de sentenças inde-
pendentes. Por exemplo, nas próximas construções não indicam realmente uma
contradição, e 「が」 e 「けど」 estão sendo usados simplesmente como conec-
tores. Em português, poderíamos traduzi-los como “e”:

デパートに行きましたが、いい物がたくさんありました。= Eu fui à loja de de-


partamentos e havia várias coisas boas.

マトリックスを見たけど、面白かった。= Eu assisti Matrix e foi interessante.

Podemos ainda usar partículas 「が」 ou 「けど」 no final das sentenças:

マトリックスを見たけど。= Eu assisti Matrix (e...).

Na verdade, a oração está incompleta, mas no japonês tal recurso tem um aspecto
menos direto e transmite um ar mais suave e polido.

Quando você quiser listar razões para vários estados ou ações, poderá fazer isso
adicionando 「し」 ao final de cada oração subordinada. É muito semelhante à
partícula 「や」, exceto que 「し」 enumera razões para verbos, Adjetivos-I e
estado-de-ser. Observe:

MIDORI: どうして彼が好きなの? = Por que (você) gosta dele?

MIE: 優しいし、かっこいいし、面白いから。= Porque ele é carinhoso, atrativo


e interessante (entre outras coisas).

Perceba que 「優しくて、かっこよくて、面白いから。」 também faria sen-


tido, mas assim como a diferença entre as partículas 「と」 e 「や」, 「し
」 implica que há outras razões além das enumeradas.

Novamente, 「だ」 deve ser utilizado para declarar explicitamente o estado-de-


ser para qualquer substantivo ou Adjetivo-NA. Vejamos o próximo diálogo:

TAMOTSU: どうして友達じゃないんですか?= Por que (ele) não é amigo?

HIROSHI: 先生だし、年上だし・・・。= Bem, (ele) é o professor, é mais velho


(entre outras coisas).
151
Mais um exemplo:

彼は引退したことだし、結婚する。= Como ele se aposentou (entre outras coi-


sas), vai se casar.

Vejamos agora o verbo auxiliar 「たり」. Trata-se da versão para verbos da par-
tícula 「や」, isto é, você pode fazer uma lista parcial de ações, na qual existam
mais ações. Ao final da sentença é preciso adicionar o verbo 「する」, que tam-
bém indicará o tempo verbal:

映画を見たり、本を読んだり、昼寝したりする。= Eu faço coisas como assistir


ao filme, ler o livro e tirar cochilos à tarde (entre outras coisas).

映画を見たり、本を読んだりしなかった。Eu não fiz coisas como assistir ao


filme e ler o livro (entre outras coisas).

Em canções ou mesmo na língua informal, o verbo 「する」 às vezes é omitido:

背中を向けたりはできないのさ。= Não podemos (fazer) coisas como virar as


nossas costas (entre outras coisas).

Neste trecho da música de abertura do seriado tokusatsu Changeman, como 「


たり」 originalmente é uma base Ren’youkei, que tem também valor de substan-
tivo, a partícula 「は」 pode ser usada, fazendo da ação, neste caso, o tópico da
oração. A parir desse exemplo se percebe também, que é possível usarmos ape-
nas um verbo com 「たり」 para expressar “a ação [X] e outras do tipo”. Apenas
para reforçar esta ideia, observe os próximos exemplos:

寿司を食べたりする。= Eu farei coisas como comer sushi (e outras coisas mais).

恋に落ちたりするのはあぶない。= O ato de se apaixonar (entre outros) é peri-


goso

Você também pode usar 「たり」 com o estado-de-ser para expressar que algo,
em momentos diferentes, é uma série de coisas, dando a entender que há ainda
uma lista de coisas ainda maior:

この大学の授業は簡単だったり、難しかったりする。= As aulas dessa facul-


dade são fáceis e às vezes são difíceis (e às vezes é alguma coisa mais talvez).

Podemos anexar a partícula 「ながら」 à base Ren’youkei dos verbos para ex-
pressar que uma ação está ocorrendo em conjunto com outra ação. Embora raro,
você também pode anexar 「ながら」 à forma negativa do verbo. Esta gramá-
tica não expressa em si tempo; isto é determinado pelo verbo principal:

152
Como 「ながら」 expressa ações simultâneas, costuma-se atribuir a ele o sentido
de “enquanto”. Vejamos alguns exemplos:

音楽を聴きながら、学校へ歩くのが好き。= (Eu) gosto de andar em direção à es-


colar enquanto ouço música.

テレビを観ながら、宿題をする。= (Eu) faço a lição de casa enquanto assisto TV.

Observe que, assim como sempre acontece, o verbo que encerra a oração é o
verbo principal, ou seja, é aquele que expressa a ação principal de uma oração.
Portanto, a partícula 「ながら」 simplesmente descreve outra ação que também
está ocorrendo. Por exemplo, se mudássemos a disposição dos verbos, como
em 「宿題をしながら、 テレビを観る」, o significado da oração seria “Eu as-
sisto TV enquanto faço lição de casa.” Em outras palavras, a ação principal, neste
caso, torna-se “ver TV” e a ação de fazer o dever de casa torna-se uma ação que
está ocorrendo ao mesmo tempo.

Como já mencionamos, o tempo verbal é expressado pelo verbo principal da ora-


ção:

ポップコーンを食べながら、映画を観る。= (Eu) assisto ao filme enquanto


como pipoca.

ポップコーンを食べながら、映画を観た。= (Eu) assisti ao filme enquanto co-


mia pipoca.

口笛をしながら、手紙を書いていた。= (Eu) estava escrevendo carta enquanto


assobiava.

Um ponto importante é que não se deve usar 「ながら」 para duas ações simul-
tâneas em que os agentes são distintos. Observe o exemplo:

まことが遊びながら、あきらは勉強した。= Akira estudou enquanto Makoto


brincava (INCORRETA).

Um uso mais avançado de 「ながら」 é usá-lo com o estado-de-ser implícito,


isto é, você não deve usar o declarativo 「だ」, bastando apenas anexar 「なが
ら」 ao substantivo ou adjetivo. Com isso, basicamente expressamos concessão,
de modo parecido a 「のに」. Este sentido é mais comum com substantivos e
adjetivos, mas pode ser visto com verbos. Tudo dependerá do contexto:

153
この掃除機は、小型ながら性能がいい。= Falando deste aspirador-de-pó, ape-
sar de ser compacto, sua performance é boa.

くる、くると言いながら来なかった。= Apesar de dizer “virei, virei”, (você) não


veio.

Você também pode anexar a partícula inclusiva 「も」 a 「ながら」 para ob-
ter 「ながらも」. Isso explicita o sentido de concessão:

貧乏ながらも、高級なバッグを買っちゃったよ。= Mesmo sendo pobre, eu aca-


bei comprando uma bolsa de alta qualidade.

Como expressar condições em japonês? Primeiramente, abordaremos a forma


mais simples de condicional, que se trata de uma consequência natural, ou seja,
isso significa que “se [X] acontece, [Y] acontecerá como uma consequência natu-
ral”. Nada de difícil: “se você derrubar a bola, ela caíra no chão”, “se eu apagar
as luzes à noite, ficará escuro”. Podemos expressar esse tipo de condição com a
partícula 「と」, no seguinte formato:

CONDICIONAL COM 「と」 (REGRA GERAL):

1. Anexe 「と」 à condição, seguindo-o do resultado que ocorreria caso esta


condição seja satisfeita: [Condição] + と + [Resultado];

2. Caso a condição seja um estado-de-ser, deve ser explicitado: [Estado-de-ser]


+ だと + [Resultado].

Agora vejamos os exemplos práticos:

ボールを落すと落ちる。= Se você derrubar a bola, ela caíra no chão.

電気を消すと暗くなる。= Se eu apagar as luzes à noite, ficará escuro.

Estes exemplos mostram como 「と」 é usado para expressar uma consequên-
cia natural. Entretanto, mesmo que a afirmação não a seja por si mesma, 「と
」 indicará ao ouvinte que é esperado que tal afirmação seja, apesar disso, uma
consequência natural:

学校に行かないと友達と会えないよ。= Se você não for à escola, não poderá en-


contrar seus amigos.

たくさん食べると太るよ。= Se você comer muito, engordará com certeza.

A expressão “com certeza” é o significado implícito dado por 「と」. O falante


está dizendo que a seguinte condição irá ocorrer nessa situação, não importa o

154
que aconteça. Portanto, o condicional 「と」 não pode ser seguido por verbos
que indiquem pedido ou convite:

時間があると手伝ってください。 = Por favor, me ajude se tiver tempo. (ER-


RADO)

Se a condição for um estado-de-ser, isso deverá ser expressado explicitamente


usando 「だ」. Isso se aplica a todos os substantivos e Adjetivo-NA, como você
já deve saber. Tal procedimento também prevenirá uma confusão com outros
usos de 「と」.

先生だと、きっと年上なんじゃないですか? = Se ele é um professor, ele deve


ser mais velho (com certeza), certo?

Devido a essa relação de causa e efeito, alguns preferem encarar o condicional 「


と」 como se fosse uma partícula inclusiva, nos moldes de 「と」 que vimos na
lição 19, isto é, com o significado “e”. Veja abaixo um trecho da canção “Orange”
de “Shigatsu Wa Kimi No Uso”:

君がいないと本当に退屈だね。= Você não está (aqui) e é realmente um tédio.

O próximo tipo de condicional expressa apenas uma condição regular sem quais-
quer suposições ou significado incorporado. Para tanto, basta anexar 「ば」 à
base Kateikei das partes do discurso flexionáveis, isto é, verbos e Adjetivos-I:

Lembre-se que no Japonês moderno, a Base Izenkei passou a ser chamada de Ka-
teikei. Não só o nome mudou, mas também seu sentido, já que “Izenkei” era
usada basicamente para ações concluídas. Vejamos:

行(ゆ)けば (Izenkei) = Já que (ele) vai / foi.

No Japonês Clássico 「ば」 era adicionado à base Mizenkei para expressar con-
dição (uma condição é “algo não realizado ainda” = Mizenkei):

行(ゆ)かば (Mizenkei) = Se (ele) for.

Alguns apontam que, no japonês moderno, o sentido de 「ば」 estaria mais para
“quando / no momento que [X] for o caso”, do que para “Se [X] for o caso”.

155
Seja como for, vamos aos exemplos práticos:

友達に会えれば、買い物に行きます。= Se eu puder encontrar com meu amigo,


vamos fazer compras.

お金があればいいね。= Se eu tiver dinheiro, seria bom, não é?

楽しければ、私も行く。= Se é divertido, eu irei também.

楽しくなければ、私も行かない。= Se não é divertido, eu também não irei.

食べなければ病気になるよ。= Se você não comer, ficará doente.

Agora observe a oração seguinte:

食べませねば病気になりますよ。= Se você não comer, ficará doente.

Na oração acima usamos a base Kateikei do auxiliar de negação 「ぬ」, que é o


usado para a negativa de 「ます」.

Se quisermos usar como condição o estado-de-ser, devemos usar 「ば」 na base


Kateikei da cópula 「である」:

友達であればプレゼントを買います。= Se for amigo, comprarei presente.

Outro tipo de forma condicional relativamente fácil de entender é a “condicional


contextual”. Ela é usada quando queremos mostrar coisas que vão aconte-
cer dado um determinado contexto. Por exemplo, se você quisesse dizer: "Bem,
se todo mundo vai, eu também irei", você deverá usá-lo, porque está dizendo que
você irá no contexto em que todos os demais irão. O condicional contextual sem-
pre requer um contexto no qual ocorre a ação ou estado. Por exemplo, você po-
deria usá-lo para dizer coisas como: "Se é disso que você está falando ..." ou "Se
for esse o caso, então ...”.

Esse tipo de condicional é construído colocando-se 「なら」, base Kateikei da


cópula 「だ」, provavelmente oriunda da Base Mizenkei da cópula clássica 「な
り」, após o contexto necessário para que ocorra determinada ação ou estado:

みんなが行くなら私も行く。= Se todo mundo vai, eu também irei.

Em certo sentido, você está explicando o que aconteceria se você assumir que
uma determinada condição é satisfeita. Em outras palavras, está dizendo "se for
dado um determinado contexto, eis aqui o que vai acontecer." Você vai ver isso
refletido nas traduções para o português com a expressão "se é dado que" nos
próximos exemplos:

156
明日うちへ来るなら電話をする。= Se é dado que (eu) virei a sua casa amanhã,
telefonarei para você.

Uma vez que 「なら」 origina-se da cópula 「だ」, não é necessário usa-la para
expressar o estado-de-ser de substantivos e Adjetivo-NA:

図書館ならあそこです。= Se é da biblioteca que você está falando, então, fica ali.

Você também pode optar por usar 「ならば」 em vez de apenas 「なら」. Isso
significa exatamente a mesma coisa, exceto que ele tem uma nuance mais formal.

Finalmente, como 「なら」 é na realidade oriunda de uma cópula, você deve es-
tar se perguntando se não seria necessário acrescentarmos um 「の」 (ou algo
equivalente a um substantivo) entre o verbo e 「なら」. Bem, este raciocínio faz
sentido e no Japonês Clássico, sim, acrescentava-se um 「の」 depois de um
verbo. Porém, no japonês moderno, isso se tornou opcional e pode soar arcaico:

みんなが行くのなら私も行く。= Se todo mundo vai, eu também irei.

O sufixo 「たら」 se trata de um sobrevivente do Japonês Clássico, pois nessa


época, a forma condicional era formada pela base Mizenkei dos verbos seguida
de 「ば」. Assim como a forma condicional formada com 「ば」, expressa tam-
bém uma condição geral.

暇だったら、遊びに行くよ。= Se eu estiver livre, eu irei brincar.

学生だったら、学生割引で買えます。= Se você é um estudante, você poderá


comprar com um desconto estudantil.

Quando se trata de verbos ou Adjetivo-NA, é muito difícil diferenciar entre os


condicionais「ば」 e 「たら」 , e você pode tornar a vida mais fácil para si
mesmo, considerando-os como sendo iguais. No entanto, há uma pequena
diferença, pois com 「たら」 o foco estánaquilo que acontece depois da
condição, isto é, estamos interessados no resultado e não na condição. Por outro
lado, com o condicional 「ば」 o foco está na parte condicional. Vamos
comparar a diferença de nuança:

友達に会えれば、買い物に行きます。= Se eu puder encontrar meu amigo, ire-


mos às compras.

友達に会えたら、買い物に行きます。= Se eu puder encontrar meu amigo, ire-


mos às compras.

Indo pelo contexto, a forma condicional com 「たら」 soa mais natural, porque
não parece que estamos realmente nos focando na condição em si. Estamos,

157
provavelmente, mais interessados no que vai acontecer, uma vez que encontra-
mos o amigo.

A forma condicional com 「たら」 é o único tipo de condicional no qual o re-


sultado pode estar na forma passada. Pode parecer estranho ter um "se", quando
o resultado já ocorreu. Com efeito, neste uso, não há realmente nenhum "se", e é
apenas uma forma de expressar surpresa com o resultado da condição. Isto tem
pouco a ver com condicionais, mas é explicado aqui, porque a estrutura grama-
tical é a mesma:

家に帰ったら、誰もいなかった。= Quando voltei à casa, não havia ninguém lá.


(resultado inesperado).

アメリカに行ったら、たくさん太りました。= Como resultado de ter ido à


América, eu realmente engordei. (resultado inesperado).

Você também pode usar a construção clássica 「たらば」 em vez de 「たら」 .


Semelhante ao 「ならば」 , isso significa a mesma coisa, mas tem uma nuance
mais formal.

Você pode fazer sugestões usando os condicionais 「ば」 ou 「たら」 em con-


junto com o Kosoado 「どう」. Em português seria como dizer “Que tal fazer
[X]?". Gramaticalmente falando, não há nada de novo aqui, mas é uma constru-
ção usada com frequência:

銀行に行ったらどうですか。= Que tal ir ao banco?

たまにご両親と話せばどう?= Que tal conversar com seus pais de vez em


quando?

A palavra 「もし」 é um suplemento para adicionar à condição uma sensação de


incerteza, hipótese e enfatizando isso. Por exemplo, você pode usá-lo quando
quer fazer um convite a alguém, sem presumir algo, como no exemplo a seguir:

もし時間がないなら、明日でもいいよ。= Se fosse dado que não há tempo, ama-


nhã está bem também (Não tem certeza se não há tempo).

Às vezes, podemos encontrar 「もしも」, o que significa o mesmo:

もしも時間がないなら、明日でもいいよ。= Se fosse dado que não há tempo,


amanhã está bem também (Não tem certeza se não há tempo).

Logicamente, 「もし」 não restringe às formas condicionais:

未来(あした)予報がもし嵐でもおれが変えるさ青空に。= Mesmo que a previsão


do tempo de amanhã (hipoteticamente) fosse tempestade, eu a transformaria em
céu azul.
158
Neste trecho da música de encerramento do seriado “Jiban”, vemos, além da in-
versão dos elementos, 「もし」 sendo usado para dar um ar de incerteza, hipó-
tese com relação ao estado do tempo de amanhã.

「もし」 tem uma versão enfática que é 「もしか」. Aliás, 「もしか」 pode apa-
recer com a forma condicional do verbo 「する」, como 「もしかすると」 ou 「
もしかしたら」. Há ainda a forma 「もしかして」:

もしかしたら私は彼と結婚するかもしれないのです! = Talvez, vou me casar


com ele!

159
16. MAIS SOBRE PARTÍCULAS
Você se lembra que mencionamos anteriormente a existência de “palavras variá-
veis”? Há algumas partículas que se comportam como substantivos dependendo
de como são usadas. Por exemplo, a partícula 「だけ」 é usada para expressar
que determinada quantidade de algo é tudo o que existe. Assim como as outras
partículas que já aprendemos, ela é diretamente ligada ao fim de qualquer pala-
vra que a que se refira:

りんごだけ。= Somente maçãs (e nada mais)

Já que 「だけ」 é um dessas partículas que se comportam como um substantivo,


ela pode ser anexada diretamente à Base Rentaikei:

これからは食べるだけだ。= A partir de agora, comerei somente.

Quando alguma das principais partículas é usada, ela deve figurar após 「だけ
」:

それだけは、食べない。= Não comerei somente isso (o restante está subenten-


dido que tudo bem)

この歌だけを歌わなかった。= Não cantei somente esta canção.

その人だけが好きだったんだ。= É essa pessoa somente que eu gostei.

ローマ字だけの辞書。= Dicionário somente Roomaji.

Entretanto, com partículas “menos importantes”, tais como 「から」 ou 「まで


」, é difícil dizer qual deve figurar primeiro, portanto, se você ficar em dúvida,
tente usar o Google para verificar o nível de popularidade de cada combinação.
Por exemplo, o resultado que se obtém é que 「からだけ」 é quase duas vezes
mais popular do que 「だけから」:

まことからだけは、返事が来なかった。= Uma resposta não veio somente de


Makoto.

A partícula 「しか」 deve ser utilizada para indicar a ausência de qualquer outra
coisa. Algo interessante com relação a esta partícula é que o verbo deve estar sem-
pre na forma negativa.

これしかない。= Não há nada mais que isto.

A próxima sentença está incorreta:

160
これしかある。= Não há nada mais que isto (INCORRETA. Deveria ser usado 「
だけ」).

Como verá nos próximos exemplos, 「しか」 tem um significado negativo incor-
porado enquanto 「だけ」 não tem qualquer nuance particular:

これだけ見る。= Verei somente isto.

これだけ見ない。= Não verei somente isto.

これしか見ない。= Verei somente isto (e isso é ruim).

朝ご飯しか食べなかった。= Comi somente o café da manhã (e isso é algo nega-


tivo).

Convém mencionar que, devido ao fato de 「しか」 sempre exigir o verbo na


forma negativa, alguns preferem atribuir a ela o significado de “com exceção de
[X]”, o que deixaria claro o seu sentido, isto é, essa ausência de qualquer outra
coisa. Sendo assim, observe como ficariam as traduções dos exemplos anteriores:

これしか見ない。= Com exceção disto, não vejo (nada).

Observe que, ao contrário de 「だけ」, com 「しか」 é necessário terminar a


frase:

全部買うの? = (Você) comprará tudo?

(1) ううん、これだけ。= Não, somente isto.

(2) ううん、これしか買わない。= Não, não comprarei nada além disto.

(3) ううん、これしか。= Não, não comprarei nada além disto. (INCORRETA.


Na sentença, a forma negativa deve estar indicada explicitamente).

No caso de múltiplas partículas, como as principais sempre figuram após as “me-


nos importantes”, 「しか」 deve aparecer depois de 「から」 e 「まで」. Uma
pesquisa no Google mostra que 「からしか」 é bem mais popular do que 「しか
から」:

先生からしか日本語を習わなかった。= Eu não aprendi japonês, exceto pelo pro-


fessor (eu aprendi japonês pelo professor somente e isso de algum modo foi algo
negativo).

Você também pode usar 「しか」 com verbos:

これから頑張るしかない!= Não há nada a fazer, mas tentamos o nosso melhor!


(Lit. com exceção (do ato) de nos esforçarmos, não há nada)
161
「ばかり」 é usado para expressar a condição em que há tanto de algo a ponto
de não haver mais nada. Note que isto é fundamentalmente diferente de 「しか
」, que exprime uma falta de tudo, exceto o item em questão. Em situações mais
casuais, 「ばかり」 geralmente é pronunciado 「ばっかり」 ou simples-
mente 「ばっか」. Por exemplo, digamos que Hiroshi só fique jogando mahjong
e não faça mais nada além disso. Você pode dizer o seguinte:

ひろしは麻雀ばかり。= Hiroshi é só mahjong (e ele se limita a isso).

彼らは不平ばかり言う。= Eles só reclamam (e não sabem fazer nada além disso)

Podemos anexar 「ばかり」 à forma passada dos verbos para indicar que uma
ação acabou de ser realizada:

あきらは帰ったばかり。= Akira acabou de retornar à casa.

この傘を買ったばかり。= (Eu) acabei de comprar este guarda-chuva.

Na verdade, é mais comum em japonês usar 「買ったばかり」 em vez de dizer


que algo é “novo” 「新しい」. Em outras palavras, se você quiser dizer que “este
guarda-chuva é novo”, o caminho mais natural é usar 「買ったばかり」, en-
quanto usar 「新しい」 soará mecânico, como algo memorizado a partir de um
livro de gramática.

Outro modo de expressar algo parecido é anexar o substantivo 「ところ」 (所) à


forma passada do verbo:

この傘を買ったところ。= (Eu) acabei de comprar este guarda-chuva.

A principal diferença entre usar 「ばかり」 e 「ところ」 é que 「ばかり」 tem


um sentido de "relativamente falando", isto é, pode ser que você tenha comprado
o guarda-chuva há uma semana, mas, relativamente falando, “acabou de com-
prar”. Já com 「ところ」 significa realmente que você comprou o guarda-chuva
agora mesmo.

A partícula 「より」 é usada para rotular algo como ponto de referência para
uma comparação:

日本語は英語より難しい。= Japonês é mais difícil do que inglês.

Se analisarmos, por exemplo, a segunda oração, estamos afirmando que o japo-


nês é difícil, tomando-se o inglês 「英語」 como ponto de referência, o que es-
sencialmente significa o mesmo. Ora, já que 「より」 tem um sentido de ponto
inicial, de origem, poderíamos usar como técnica de memorização de seu sentido,
a imagem de uma escada de dois degraus em que o que está no segundo degrau

162
é MAIS alto do que aquilo que está no primeiro, ou seja, sua origem, marcada
por 「より」 :

Nesta escada, o elemento que está no primeiro degrau (より) é “inglês”, então,
ele está ABAIXO de “japonês”, que está no segundo degrau e, consequente-
mente, está MAIS alto na “afirmação [X]”, que neste caso é 「難しい」. Logo, ja-
ponês é mais difícil do que inglês. E, ainda, poderíamos omitir o item comparado,
se ele estiver subentendido pelo contexto:

英語より難しい。= (Japonês) é mais difícil do que inglês.

私より走れる。= (Algo) pode correr mais do que eu.

Também, poderíamos dizer que algo que está acima é preferível àquilo que está
abaixo, quando não há nenhuma “afirmação [X]”. Observe:

花より団子。= Dango em vez de flores.

Vale ressaltar que o ponto de referência pode ser omitido, quando está subenten-
dido:

よりいい方法知りませんか。 = (Você) não conhece um método melhor (do


que…)?

Claro que não há nenhuma regra que estabeleça que 「より」 deve ser usado
com o substantivo 「ほう」 (方), pois os aspectos das coisas se deduzem pelo
contexto. Também, palavras associadas a 「より」 não precisam de nenhum
tempo verbal. Repare na seguinte oração:

163
ゆっくり食べた方が早く食べるよりいい。= É melhor comer lentamente em vez
de comer rapidamente (Lit. O caminho de se comer devagar e “mais bom” do
que comer rapidamente)

NOTA: Por questões meramente de uso (lembre-se de “colocações”), o substan-


tivo 「ほう」 (方) costuma ser usado somente com verbos na forma passada, com
exceção da forma negativa não-passada: 「怖い映画は見ない方がいいよ」= Não
é bom assistir filmes assustadores.

Podemos usar 「より」 em conjunto com a partícula 「も」. Embora sejam pra-
ticamente invariáveis, parece que 「よりも」 é mais enfático:

HIROSHI: バナナより林檎が好き。= (Eu) gosto mais de maçã do que de banana.

AKIRA: 本当?私は林檎よりもバナナが好き。= Verdade? Eu gosto mais de ba-


nana do que de maçã.

Agora, observe o próximo exemplo:

倒れたら立ち上がり前よりも強くなれ。= Se cair, levante-se e torne-se


forte mais do que antes.

Neste trecho da música de encerramento do Tokusatsu “Shavivan”, podemos re-


visar alguns conceitos: a forma condicional, ações sequenciais usando a base
Ren’youkei, 「よりも」 fazendo a comparação (o elemento que 「より
」 marca 「前」 que é MENOS e, portanto, “torne-se forte MAIS do que an-
tes”) e a forma de comando do verbo 「なる」 .

NOTA:「より」 era usado para desempenhar um dos papéis que ͔ 「から」 de-
sempenha hoje, isto é, mostrar a origem de algo. De fato, em documentos legais
「より」 ainda é usado em vez de ͔ 「から」.

Como mencionamos no tópico 6, estima-se que haja cerca de 200 usos relaciona-
dos às partículas, aqui incluindo usos e diferentes tipos de partícula que, para
fins meramente didáticos as dividimos em três grupos:

A. Partícula Simples: são as partículas de “per si”, isto é, sem nenhum comple-
mento;

B. Partícula Dupla: é quando duas partículas simples são usadas em conjunto;

C. Partícula Composta: é um elemento formado por pelo menos uma partícula


simples em conjunto com outros termos que, quando traduzido para o portu-
guês, tem geralmente sentido de uma só palavra (uma preposição, em muitos
casos). Pode ser formada por “Partícula Simples + verbo” e “Substantivo + Par-
tícula Simples”.

164
A partir de agora, abordaremos as Partículas Duplas e as Partículas Compostas
mais básicas.

Começando nossa abordagem, há casos em que o lugar da ação é também o tó-


pico da sentença. Você pode anexar as partículas de tópico (「は」 e 「も」
) às três partículas que indicam localização (「に」, 「へ」, 「で」) quando
o local for o tópico. Vamos ver como o lugar pode se tornar o tópico no pequeno
diálogo abaixo:

MAKOTO: 学校に行った?= (Você) foi à escola?

MIDORI: 行かなかった。= Não fui.

MAKOTO: 図書館には?= E à biblioteca?

MIDORI: 図書館にも行かなかった。= Também não fui à biblioteca.

Durante o diálogo Makoto trouxe um novo assunto (biblioteca), então, o lugar


virou o tópico. A sentença é na verdade uma versão abreviada de 「図書館には
行った?」, como você pode supor pelo contexto.

Também, a partícula dupla 「にも」 pode ter um sentido de “mesmo (que)”.


Como sempre, tudo dependerá do contexto. Observe o exemplo a seguir:

ひろしは昼休みにも勉強をする。= Falando de Hiroshi, mesmo na hora do al-


moço, ele estuda.

Agora, veja o próximo diálogo:

MAKOTO: 寿司を食べない?= (Você) não comerá sushi?

MIDORI: いいえ、レストランでは食べない。= Não, no restaurante não co-


merei.

Makoto pergunta a Midori se ela não comerá sushi e ela responde que no restau-
rante não. Talvez, Midori não goste de restaurante e sabe que Makoto poderá
sugerir tal lugar. Então, nesse caso, Midori traz “restaurante” à conversa para
dizer que não comerá nesse lugar.

A partícula de objeto direto é diferente das partículas relacionadas com lugares,


pois você não pode usar nenhuma outra partícula ao mesmo tempo. Por exemplo,
talvez você tenha achado que seria possível dizer 「をは」 para expressar que
o objeto direto é também o tópico, mas esse não é o caso. Um tópico pode ser um
objeto direto sem usar a partícula 「を」. De fato, colocar a partícula 「を」 seria
errado.

165
日本語を習う。= Aprender japonês.

日本語は、習う。= Sobre japonês, (vou) aprender.

Por favor, tome cuidado para não cometer esse tipo de erro:

日本語をは、習う。- [isso é incorreto.]

No Japonês Moderno essa combinação não é possível, mas nos tempos antigos
ela existia como 「をば」 e era usada para dar maior ênfase ao objeto direto.

É possível também juntar 「て」 à partícula 「も」 para expressarmos o con-


traste entre situações. Esta partícula dupla tem um sentido de “mesmo que” ou
“não importa que”, dependendo do contexto. Observe os exemplos:

熱があっても仕事に行く。= Mesmo que esteja com febre, irei ao trabalho. (Lit.


Mesmo se febre existir, irei ao trabalho.)

薬を飲なくても元気になる。= Mesmo se não tomar o remédio, ficarei bem.

急いでも仕方がない。= Mesmo se me apressar, de nada adiantará.

Observe a próxima oração:

寿司を食べてもいい?= Posso comer sushi? (Lit. Mesmo se comer sushi, é bom?)

O padrão acima é muito utilizado para se pedir permissão para fazer algo. Na
linguagem casual é comum omitir-se a partícula 「も」:

寿司を食べていい?= Posso comer sushi? (Lit. (eu) vou comer sushi e é bom?)

Aliás, podemos usar 「宜しい」 no lugar de 「いい」 se quisermos soar mais


formais:

車を使ってもよろしい。 = (Você) pode usar o carro (Lit. Mesmo se usar o carro,


é bom).

Não confunda este 「でも」 com a conjunção 「でも」. Embora pareça que re-
almente sejam a mesma coisa, a conjunção 「でも」 não pode ser usada para co-
nectar sentenças, isto é, ela é usada geralmente depois de uma pausa em outra
sentença, para contradizer o que foi dito anteriormente ou está subentendido na
conversa:

私は熱がある。でも仕事に行く。= Eu estou com febre. Mas irei ao trabalho.

Também, não confunda a partícula de contexto 「で」 sendo usada em com 「


も」 com a partícula dupla 「でも」. São coisas distintas:

166
箸でも寿司を食べた。 = (Eu) comi sushi com hashi também.

Podemos também combinar as partículas 「て」 e 「から」 para expressar uma


ação que será feita após o término de outra:

食べてからトイレに行く。= Depois de comer, irei ao banheiro.

「とか」 tem o mesmo significado de 「や」, mas é ligeiramente mais coloquial:

飲み物とかカップとかナプキンは、いらない? = Falando de (coisas como) be-


bida, copo, ou guardanapo, etc., (você) não precisa?

Podemos juntar as partículas 「へ」 e 「の」 para expressar que o estar direcio-
nado a algo é atributo de outro elemento. Para tornar mais claro, observe o exem-
plo abaixo:

彼への手紙。= Carta para ele. (Lit. Carta que é direcionada a ele)

Nesta construção, expressamos simplesmente que “ele” é para onde está direci-
onada a carta e este fato é atributo dela, ou seja, não é uma carta para qualquer
um, mas para “ele”.

Podemos combinar a partícula 「と」 e 「の」 para mostrar basicamente que


“com [X]” é atributo de um substantivo:

忍者との戦い。= Batalha com o ninja.

Podemos também combinar 「と」 e 「は」 para indicar que uma palavra ou
expressão será definida. Esta partícula é frequentemente usada, por exemplo, em
enciclopédias para definir palavras:

Ubuntuとは。。。 = Ubuntu (significa) [definição...].

Quando usada sozinha com uma palavra 「とは」 denota o significado de "esta
palavra é definida como?" e pode ser traduzida como "O que é...":

Ubuntuとは?= O que é Ubuntu?

Cuidado para não confundir este uso de 「とは」 com 「と」 sendo acompa-
nhado de 「は」 como partícula enfática. Neste caso, o contexto será nosso ali-
ado para sermos capazes de diferenciar:

ひろしとはスポーツをする。= (Eu) pratico esportes com Hiroshi.

A partícula dupla 「てばかり」, é usada coloquialmente para expressar que uma


ação é tudo que alguém sabe fazer:

167
まことは食べてばかり。= Falando de Makoto (ele) só come (e não sabe fazer ou-
tra coisa além disso).

Passando agora para as “partículas compostas”, que é um tema controverso na


língua japonesa (pelo menos do ponto de vista de como elas são abordadas con-
vencionalmente). Como mencionado no início deste tópico, as construções mais
comuns de partículas compostas são:

I. Substantivo + partícula: são composições formadas de um substantivo e uma


partícula. Como exemplo, vejamos 「上で」, que expressa essencialmente o
mesmo que a partícula dupla 「てから」 com a diferença de que a ação anterior
é executada como uma ação preparatória, pré-requisito para algo relativamente
importante. Sendo assim, 「上で」 será anexada à forma passada:

皆の意見を聞いた上で決めました。= (Eu) decidi depois de ter ouvido as opini-


ões de todos.

O sentido aqui é simples: imagine que uma ação foi realizada (ter ouvido as opi-
niões de todos) como preparação para outra mais importante (decidir). Esta pre-
paração é a base, um pré-requisito sobre o qual (「上で」), será realizado algo
importante.

Também, a partícula composta 「上で」 pode aparecer junto de um substantivo:

内容をご確認の上でサインをお願いいたします。= Depois da confirmação dos


detalhes, assine, por favor.

Finalmente, pode aparecer anexada à forma infinitiva:

メールを使ううえで注意すべきマナ。= Normas a serem tomadas quando se usa


e-mail.

II. Partícula + verbo: são composições formadas de uma partícula e um verbo,


geralmente na Forma TE (consequentemente a base Ren’youkei pode aparecer
também):

人によって話が違う。= A história é diferente dependendo da pessoa.

Para entender as Partículas Compostas do padrão “Partícula + verbo”, precisa-


mos considerar dois pontos abordados no tópico 14:

A. A Forma TE: vimos ela pode funcionar como um advérbio: Perceba que a Par-
tícula Composta 「によって」 é simplesmente a forma TE do verbo 「拠る」,
que significa “Depender de”, como pode ser visto pela seguinte troca simples no
próximo diálogo:

168
HIROSHI: 今日は飲みに行こうか?= Vamos ir beber hoje?

AKIRA: それは、みどりによるね。= Isso depende da Midori.

Com a Forma TE, adquire valor de advérbio, ou seja, “A história é diferente”. De


que modo? Dependendo da pessoa.

B. Resquícios do Japonês Clássico: esse é o aspecto que mais dificulta o entendi-


mento deste tipo de Partícula Composta. Isso por que em alguns casos é preciso
considerar sentidos obsoletos da Partícula Simples que a compõe. Por exemplo,
vamos analisar a Partícula Composta 「をよそに」(を余所に), na qual o substan-
tivo 「よそ」 significa “fora”, “em outro lugar”:

ご両親が反対したのをよそに彼が退学して俳優になった。= Apesar do fato de


os pais terem desaprovado, (ele) deixou a escola e se tornou ator.

Até mais ou menos o fim do Período Muromachi (1336–1573), a partícula 「を


」 tinha também a função de concessão, igual à partícula 「のに」, que se origi-
nou na língua falada. Se consideramos esse fato, uma tradução literal seria “Ape-
sar de o fato de que os pais desaprovarem, em outro lugar, (ele) deixou a escola
e se tornou ator”.

169
17. CONSTRUINDO MAIS ORAÇÕES
Continuando o que começamos no tópico 15, algo muito estranho no Japonês
Moderno é a maneira como costumam expressar deveres. É feita por meio de
padrões, a saber:

O QUE DEVE SER FEITO

1. {Forma TE negativa} +「は」 + 「いけない」/「ならない」/「だめ」;

2. {Verbo na forma negativa} + {Condicional 「と」} + 「いけない」/「ならな


い」/「だめ」;

3. {Verbo na forma negativa} + {Condicional 「ば」} + 「いけない」/「ならな


い」/だめ」.

Veja os exemplos:

それを食べなくてはいけない!= (Você) deve comer isso!

それを食べないといけない!= (Você) deve comer isso!

それを食べなければいけない!= (Você) deve comer isso!

Para expressar coisas que NÃO se deve fazer, basta alterar a primeira parte do
padrão 1 para a forma afirmativa:

それを食べてはいけない!= (Você) deve comer isso!

Existe a forma casual para este tipo de expressão no qual podemos abreviar os
fragmentos 「~ては」 e 「~では」 para 「~ちゃ」 e 「~じゃ」 respectiva-
mente. Tenha em mente, porém, que tais abreviações, em geral, soam um pouco
engraçadinhas ou feminino:

それを食べてはだめ!→ それを食べちゃだめ!= (Você) não deve comer isso!

それを飲んではだめ!→ それを飲んじゃだめ!= (Você) não deve beber isso!

Você pode estar reclamando sobre o quão longo é a maioria das expressões que
aprendemos até agora apenas para dizer que você deve fazer algo ou não. Vere-
mos, então, como podemos amenizar isso. Os professores são relutantes em en-
sinar essas expressões excessivamente familiares, porque elas são muito mais fá-
ceis de usar, algo que é ruim para os momentos em que podem não ser apropri-
adas. Mas, por outro lado, se você não aprender expressões casuais, torna-se di-
fícil compreender seus amigos (ou supostos amigos). Com 「~ては」 e 「~け

170
れば」 abreviados, o segredo está em retirar a parte do resultado da condição.
Observe:

それを食べなくちゃだめ!→ それを食べなくちゃ!= Você deve comer isso.

それを食べなきゃいけない!→ それを食べなきゃ!= Você deve comer isso.

É possível encontrar registros do mesmo sendo feito com o condicional 「と」:

宿題をしないといけない! → 宿題をしないと! = Você deve fazer a lição de casa.

Algo importante a ressaltar aqui é que esta omissão é válida somente para ações
que devem ser feitas. Sendo assim, as seguintes omissões estão incorretas:

それを食べちゃならない!→ それを食べちゃ!= (Você) não deve comer isso!


(INCORRETA)

それを飲んじゃだめ!→ それを飲んじゃ! = (Você) não deve beber isso! (IN-


CORRETA)

Entretanto, como estamos falando em brevidade na fala, 「だめ」 é usado com


mais frequência.

O Adjetivo-I 「欲しい」, que pode ser traduzido como sendo a qualidade de “ser
desejado”, pode ser usado para indicar coisas que você deseja. Se com 「たい
」 indicamos ações que desejamos fazer, com 「欲しい」 indicamos basica-
mente coisas que desejamos, já que ele é um adjetivo e qualifica substantivos:

寿司がほしい。= Eu quero sushi (= sushi é desejado).

林檎がほしくない。= Eu não quero maçã. (= maçã não é desejada).

O uso de 「欲しい」 não se restringe a substantivos. Podemos também usá-lo


juntamente com a Forma TE de verbos para indicar que determinada ação é de-
sejada. Contudo há uma diferença com relação a 「たい」: com 「たい」 o fa-
lante indica ações que ele mesmo quer executar, experimentar. Em contrapartida,
com 「~てほしい」, o falante expressa seu desejo de que determinada ação seja
realizada, experimentada. Compare:

寿司を食べたい。= Eu quero comer sushi. (= Eu mesmo executo, experimento a


ação de comer sushi).

寿司を食べてほしい。= Eu quero que (você) coma sushi. (= Desejo que essa ação
seja realizada, experimentada por alguém).

Já que 「欲しい」 é um Adjetivo-I e, por natureza, esta classe de palavras ex-


pressa uma qualidade como “ser [qualidade]”, poderíamos traduzir este exemplo
171
como “A ação de comer sushi é desejada. Ainda, já que este auxiliar expressa um
desejo do falante, podemos acrescentar um “por mim” ao final. Lembre-se, con-
tudo, que tudo isso é apenas como um meio de fixação, considerando a natureza
das palavras. Assim temos: “A ação de comer sushi é desejada por mim.” O im-
portante aqui é compreender o seu uso.

Quando quiser especificar o ente que você deseja que faça determinada ação,
marque-o com a partícula 「に」:

かれにこの本を読んでほしい。 = Eu quero que ele leia este livro.

E se quisermos expressar que desejamos que uma ação NÃO seja feita? Provavel-
mente, seriamos levados a imaginar algo com 「~なくてほしい」, mas esse não
é o caso. Talvez por ser mais fácil (lembre-se sempre que nativos são preguiçosos
com sua língua ), neste caso devemos usar 「~ないでほしい」:

寿司を食べてほしい。= Eu quero que (você) coma sushi. → 寿司を食べないでほ


しい。= Eu não quero que (você) coma sushi.

Atente-se ao fato de que 「~てほしい」 não deve ser usado se a pessoa que que-
remos que faça algo tiver um status maior. Neste caso, podemos usar, por exem-
plo, 「~てもらいたい」:

寿司を食べてもらいたい。= Eu quero que (você) coma sushi (= Eu quero receber


como favor o ato de (você) comer sushi).

Já que estamos tratando de desejos, no tópico 5, vimos como expressar um co-


mando através da Base Meireikei:

飲め! = Beba!

食べよ! = Coma!

A forma do comando negativa é muito simples: basta anexar 「な」 à forma in-
finitiva de qualquer tipo de verbo:

それを食べるな! = Não coma isso!

変なことを言うな!= Não diga tais coisas estranhas!

NOTA: Não confunda esse 「な」 com a partícula final 「な」.

Você pode pedir favores usando os verbos suplementares 「くれる」 e 「もらう


」, quando não houver necessidade de polidez. Como os favores são feitos ao
falante, você não poderá usar 「あげる」 nesta situação. Observe os exemplos:

172
ペンを貸してくれる? = Você me dará o favor de me emprestar a caneta?

ペンを貸してもらう?= Eu receberei o favor de você me emprestar a caneta?

Observe que as duas orações significam essencialmente a mesma coisa. O doador


e o receptor foram omitidos, porque isso é óbvio a partir do contexto. Se fôssemos
escrever as orações completas, elas seriam parecidas a estas:

あなたが、私にペンを貸してくれる?= Você me dará o favor de me emprestar


a caneta?

私が、あなたにペンを貸してもらう?= Eu receberei o favor de você me empres-


tar a caneta?

Não é comum incluir explicitamente o sujeito e o alvo ao se direcionar a alguém,


mas fizemos isso apenas para ilustrar a mudança de assunto e de destino, depen-
dendo do verbo usado.

No caso de 「もらう」, podemos usar a sua forma potencial 「もらえる」 em


situações que exijam maior polidez:

ペンを貸してもらえる? = Eu poderei receber o favor de você me emprestar a


caneta?

Você pode usar a negativa para fazer o pedido um pouco mais suave. Você vai
ver que isso é verdade em muitos outros tipos de gramática:

ペンを貸してくれない? = Você não me dará o favor de me emprestar a caneta?

ペンを貸してもらえませんか。= Eu não poderei receberei o favor de você me


emprestar a caneta?

É natural imaginar que, para pedir que alguém não faça algo, devemos usar a
Forma TE na forma negativa, isto é, 「~なくて」, mas esse não é o caso. Para
tanto, deve-se usar sua forma contraída 「~ないで」:

全部食べないでくれますか。= Você pode me dar o favor de não comer tudo?

高い物を買わないでくれる?= Você pode me dar o favor de não comprar coisas


caras?

Podemos usar 「ください」, base Meireikei de 「くださる」, que é a forma ho-


norífica de 「くれる」. Entretanto, 「ください」 tem uma pequena diferença
com relação à 「くれる」 e sua forma honorífica 「くださる」, quando se re-
fere a substantivos. Observe os exemplos:

それをください。= Dê-me isso, por favor.

173
それをくれる? = (Você) me dará isso?

Como você pode ver 「ください」 é utilizado para se fazer um pedido direto
por algo, enquanto que 「くれる」 é usado como uma questão pedindo para que
alguém dê algo. No entanto, 「ください」 é similar a 「くれる」 no sentido
que você também pode usá-lo como verbo suplementar, a fim de solicitar que
uma ação seja feita:

漢字で書いてください。= Escreva em Kanji, por favor.

ゆっくり話してください。= Fale devagar, por favor.

As regras para pedidos negativos é a mesma que vimos anteriormente:

名前を書かないでください。= Não escreva (seu) nome, por favor.

ここにこないでください。= Não venha aqui, por favor.

期待なさらないでくださいよ 。= Não espere, por favor.

Na linguagem casual é comum se omitir 「ください」:

日本語で話して。= Fale em japonês, por favor.

遠い所に行かないで。= Não vá a um lugar longe.

Você também pode usar 「ください」 no lugar de 「になる」 no caso da forma


honorífica dos verbos. Tal processo é muito útil para pedir diretamente a alguém
que faça algo, usando um verbo na forma honorífica. Observe:

少々お待ちください。= Espere um pouco, por favor.

De forma semelhante, com 「ご覧になる」, você simplesmente substitui 「にな


る」 por 「ください」:

こちらにご覧ください。= Olhe nesta direção, por favor.

Isso vale para os substantivos também. Por exemplo, ao entrar no trem...

閉まるドアにご注意ください。= Tenha cuidado com as portas que se fecham,


por favor.

Há ainda outra forma de fazer solicitações usando a base Meireikei de 「ます」.


Entretanto, isso se aplica somente aos verbos honoríficos especiais cuja base
Ren’youkei sofre uma alteração sonora. Lembre-se, são 「下さる」, 「いらっし
ゃる」, 「なさる」 e 「おっしゃる」. Para tanto, basta usar a base Meireikei
de 「ます」:
174
1. 下さる → 下さいます → 下さいませ

2. いらっしゃる → いらっしゃいます → いらっしゃいませ

É possível se construir uma versão abreviada e menos formal. Para isso, basta
usar a Base Meireikei, que, como vimos, nestes verbos também sofre uma mu-
dança eufônica para i:

1. 下さる → 下され → 下さい

2. いらっしゃる → いらっしゃれ → いらっしゃい

Você provavelmente vai ouvir isso um milhão de vezes a cada vez que entrar em
algum tipo de loja no Japão. No entanto, um chef de sushi de meia-idade, prova-
velmente vai usar a versão abreviada:

いらっしゃい!= Entre, por favor!

Mais alguns exemplos:

ありがとうございました。またお越しくださいませ。= Muito obrigado. Venha


novamente, por favor.

どうぞ、ごゆっくりなさいませ。= Fique à vontade e descanse, por favor.

Uma alternativa casual para 「ください」 é 「ちょうだい」. Esta alternativa


pode ser usada por qualquer um, embora tenha um leve sentido infantil ou femi-
nino, e é sempre escrita em Hiragana. Quando aparece escrita em Kanji, é usada
em expressões muito formais, como 「頂戴致します」. Gramaticalmente, 「ちょ
うだい」 é usado exatamente da mesma forma que 「ください」:

スプーンをちょうだい。= Dê-me a colher, por favor.

ここに名前を書いてちょうだい。= Escreva seu nome aqui, por favor.

Como já vimos, 「なさる」 é a forma especial honorífica do verbo 「する」. Po-


demos usar sua Base Meireikei 「なさい」 para emitir um comando de uma ma-
neira suave, mas firme. É usado, por exemplo, quando uma mãe está repreen-
dendo seu filho ou quando um professor quer que o aluno bagunceiro preste
atenção. Ao contrário de 「ください」, 「なさい」 se aplica apenas a verbos po-
sitivos e utiliza a base Ren’youkei do verbo, em vez da Forma TE. Também não
pode ser utilizado de forma independente, devendo ser ligado a outro verbo. Ob-
serve os exemplos:

よく聞きなさい!= Escutem bem!

ここに座りなさい。= Sente-se aqui.

175
Podemos retirar 「さい」 de 「なさい」 para produzir uma versão casual
desta gramática:

たくさん食べな。= Coma bastante.

ここに座りな。= Sente-se aqui.

Este 「な」 não deve ser confundido com forma negativa de comando 「な」. A
diferença mais óbvia (além da clara diferença no tom) é que 「なさい」 é ane-
xado à base Ren’youkei do verbo, enquanto a forma negativa de comando é ane-
xada à forma infinitiva. Por exemplo, para 「する」, 「しな」 é a versão abre-
viada de 「しなさい」, enquanto 「するな」 é um comando negativo.

O substantivo 「よう」 (様) e o sufixo 「みたい」 são muito úteis para constru-
irmos orações mais complexas. Literalmente, 「よう」 significa algo como “apa-
rência” ou “maneira”, e 「みたい」, “similaridade com...” e é usado coloquial-
mente.

Podemos usar 「よう」 como substantivo simplesmente ou, ainda, como Adje-
tivo-NA ou advérbio. Para tanto, basta anexar 「な」 ou 「に」 respectiva-
mente. Observe os exemplos:

川のよう。= Aparência de rio. (usado como substantivo)

学生のような人を見た。= (Eu) vi pessoa que tem aparência de aluno. (usado


como Adjetivo-NA)

彼は次のように答えた。= Falando de ele, ele respondeu como o seguinte. (usado


como advérbio)

彼女は音楽が大好きなように見えた。 = Ela parecia como se gostasse muito de


música (usado como advérbio)

時は飛ぶように過ぎる。= O tempo avança como se estivesse saltando (usado


como adverbio)

Veja como no último exemplo transformamos a oração subordinada “saltar” em


adverbio. Prático, não é mesmo?

Agora, observe os próximos exemplos:

覚えるようにする。= (Eu) tentarei lembrar (Lit. (Eu) farei como se fosse lembrar)

豆腐を食べるようになった。= (Eu) adquiri o hábito de comer tofu. (Lit. (Eu) me


tornei como se comesse tofu)

176
Os dois padrões acima são muito comuns e os livros convencionais costumam
traduzi-los com “tentar fazer [X]” e “adquirir o hábito de [X]”, respectivamente.
Contudo, veja que mesmo se pensarmos literalmente, seremos capazes de supor
um sentido semelhante.

Um aspecto muito útil de 「ように」 é que ele pode ser usado para iniciar uma
ideia que é completada (mentalmente) pela outra parte. Observe o exemplo a se-
guir:

明日勉強するように。。。 = Para que (você) estude amanhã...

Apesar de ser uma frase inacabada, pelo contexto é fácil supor o que vem a se-
guir. Este tipo de sentença "adicione o seu próprio fim" é muito visto em cartões
de aniversário e de fim de ano, cujo sentido é "os melhores votos de ...", "Eu es-
pero que você ...", etc. Neste caso, então, a construção pode ser considerada uma
frase inteira:

楽しい誕生日であるように。。。= (Eu espero que você tenha um) aniversário


divertido.

Podemos também usar a expressão「~ような気がする」 para indicar que algo


pode ser de algum modo, especialmente quando se trata de coisas naturais ou
que podem ser experimentadas pelos sentidos, como sabores, odores, sons, sen-
timentos, etc.:

明日雨が降るようなきがする。 = Parece que pode chover amanhã.

話は本当のようなきがする。 = Algo me diz que a história é verdadeira.

O substantivo 「気」, além de “espírito”, pode significar “sentimento”, “atmos-


fera (ambiente)”. Já o verbo 「する」 aqui não significa “fazer”. Dentre muitos
outros significados que ele pode ter, está o de “ser sentido”, conforme
o “[Link]”.

Sendo assim, podemos traduzir os exemplos como “É sentida uma atmosfera


como se fosse chover amanhã”, e “Falando da história, é sentida uma atmosfera
como se fosse verdade”, respectivamente.

É claro que é possível usar a expressão 「気がする」 sem 「よう」:

もう終わった気がする。= (Eu) tenho a sensação de que já terminou.

Ao contrário de 「よう」 que é um substantivo, 「みたい」 é um sufixo, não ne-


cessitando de nada para ser ligado a outro termo. De resto, gramaticalmente fun-
ciona de forma similar a 「よう」:

川みたい。= Aparência de rio. (usado com um substantivo)

177
学生みたいな人を見た。= (Eu) vi pessoa que tem aparência de aluno. (usado
como Adjetivo-NA)

あきらは犬みたいに眠った。= Falando de Akira, (ele) dormiu como um ca-


chorro. (usado como advérbio)

Cuidado com o sentido de 「みたい」. Geralmente, este sufixo implica que algo
somente tem a aparência de [X], mas não é [X]. É diferente de 「よう」, que im-
plica dizer que algo tem a aparência de [X], podendo ser [X] ou não. Notou a
diferença? Por isso você não pode usar, por exemplo, 「おいしいみたい」, por
que significaria dizer que a comida só tem a aparência de ser saborosa.

Também, 「みたい」 é usado principalmente para a conversação. Não deve usá-


lo em ensaios, artigos, ou qualquer coisa que precise soar formal. Em vez dele,
você pode usar 「よう」 nestes casos.

Vamos aprender agora a expressar que um resultado é provável dada uma certa
situação. Para tanto, basta simplesmente anexar 「そう」, observando as regras:

ANEXAÇÃO DE 「そう」:

1. Para verbos, anexe 「そう」 à base Ren’youkei;

2. Para Adjetivos-NA, anexe 「そう」 à parte invariável – sem o 「い」 final);

2.1. A exceção à regra acima fica por conta de 「いい」, que se torna 「よさ」;

3. Para todas as construções em que 「ない」 (無い) estiver presente (e somente


nestes casos), seja na forma negativa dos verbos, seja como elemento integrante
nos Adjetivo-I, substitua o 「い」 final por 「さ」 antes de anexar 「そう」.

Vamos a um exemplo prático:

バランスが崩れて、一瞬倒れそうだった。= Perdendo o equilíbrio, eu parecia


propenso a cair por um momento.

Por este exemplo, vemos que o tempo verbal é indicado pela cópula.

Tenha cuidado com o uso de 「そう」 com o Adjetivo-I 「かわいい」, pois 「か


わいそう」 é uma palavra completamente diferente, usada quando você se
sente triste por algo ou alguém:

この犬はかわいそう。= Oh, pobre deste cachorro.

「かわいい」 já significa "parecer gracioso", então, você nunca precisará


usar 「そう」 para dizer que alguma coisa parece graciosa:

178
この犬はかわいい。 = Este cachorro é (parece) gracioso.

Podemos também usar 「そう」 com os Adjetivos-NA. Neste caso, basta sim-
plesmente anexá-lo ao Adjetivo-NA em questão, não sendo necessário alterar
nada:

金髪の女が好きそうだな。= Parece que (você) gosta de mulheres loiras.

O mesmo não ocorre com substantivos. Sendo assim, a construção a seguir está
incorreta:

その人は学生そう。= Essa pessoa parece ser estudante. (INCORRETA)

「そう」 pode ser usado como um Adjetivo-NA para modificar um substan-


tivo. Observe:

おいしそうな寿司。= Sushi que parece ser gostoso.

雨が降りそうな空。= Céu que parece que vai chover.

Também, 「そう」 pode ser usado como um sentido de advérbio, com o auxílio
da partícula 「に」:

彼は楽しそうに話す。= Ele fala de maneira divertida.

みどりはうれしそうに微笑んだ。= Midori sorriu alegremente.

「そう(cópula)」] é útil para falar sobre coisas que não têm a ver necessaria-
mente com aquilo que você mesmo pensa ou sente. Ao contrário do que acaba-
mos de aprender, simplesmente anexe 「そう」 diretamente ao final dos verbos
e Adjetivos-I. Para os Adjetivos-NA e substantivos, entretanto, você deve indicar
o estado-de-ser adicionando 「だ」 antes de 「そう(cópula)」. Também, per-
ceba que 「そう」 em si deve sempre terminar com uma das cópulas. Vejamos
os exemplos:

明日、雨が降るそうだ。 = (Eu) ouvi que choverá amanhã.

毎日会いに行ったそうです。 = (Eu) ouvi que ele foi encontrar todos os dias.

Não se esqueça de adicionar 「だ」 para substantivos e Adjetivos-NA:

彼は、高校生だそうです。 = Eu ouvi que ele é um estudante de colegial.

Para ficar mais clara a explicação, 「そう(cópula)」 é usado quando o fa-


lante apenas transmite uma informação que ele obteve de alguma fonte tem sem
alterá-la.

179
Ao iniciar uma sentença com esta gramática, é necessário também adicionar 「だ
」 assim como se faz com 「だから」:

AKIRA: 今日、ひろしはこないの? = Hiroshi está vindo hoje?

MAKOTO: だそうです。 = Foi isso que eu ouvi.

A razão para a existência de tantas regras estranhas de anexação para 「~そう


」 é provavelmente para distingui-lo do uso de 「そう(cópula)」. Veja:

この辺りにありそう。= Parece que existe nesta vizinhança. (uso de 「~そう」)

この辺りにあるそうだ。= (Eu) ouvi que existe nesta vizinhança. (uso de 「そう


(cópula)」)

180
18. UMA ÚLTIMA CONVERSA
Certamente, você já se deparou com situações em que não conseguiu compreen-
der uma palavra ou expressão dita por um nativo, e ao vê-la no papel você se
frustrou ao saber que você já a conhecia. Realmente, adquirir habilidades auditi-
vas talvez seja a tarefa mais difícil e desmotivante quando se está aprendendo
algum idioma, porque neste quesito não há regras, como no ensino de gramática.

Afinal, por que ouvir em outro idioma é assim tão complicado? O que torna essa
habilidade algo tão difícil de ser dominada?

Uma das primeiras coisas que você deve ter em mente ao iniciar o estudo de um
idioma, é que existem dois tipos de linguagem: a formal e a informal (ou casual):

1. Linguagem formal: é aquela gramaticalmente correta que é usada em docu-


mentos, situações formais, etc. Também é o padrão do idioma que se aprende em
cursos convencionais;

2. Linguagem informal: é aquela que usamos no nosso dia-a-dia. Nela, padrões


corretos de pronúncia ou mesmo gramaticais muitas vezes são quebrados. O
principal objetivo é fazer com que as coisas fiquem mais fáceis de serem ditas.
Em outras palavras, o objetivo é reduzir ou simplificar o movimento de sua boca.
Existem dois métodos para isso que chamaremos de “encurtamento” e “substi-
tuição”. Vejamos:

A. Encurtamento: consiste em retirar partes de palavras ou expressões. Por exem-


plo, 「かもしれない」 pode ser pronunciado apenas 「かも」;

B. Substituição: consiste geralmente na substituição de parte de uma palavra ou


expressão por sons que se encaixem melhor com os outros a sua volta, ou ainda,
na fusão de sons. Por exemplo, 「かもしれない」 pode ser pronunciado 「かも
しんない」 já que 「しん」 requer menos movimento do que 「しれ」.

Você vai ver que uma grande quantidade das palavras dentro da linguagem ca-
sual em japonês decorre deste único princípio de tornar as coisas mais fáceis de
serem ditas (lembra-se que citamos que nativos pronunciam palavras de um
modo “mais confortável”?). Isso é muito natural, porque é guiado pela forma
como a sua boca se move. Podemos exemplificar a aplicação desse princípio
usando a língua portuguesa. Basta considerar o fato que costumamos pronunciar
“está”, apenas “tá”, “não” como “num” e “você” como “cê”, afinal é bem mais
fácil, não é mesmo?

Você não está com sono? = Cê num tá com sono?

Embora a oração acima esteja com as palavras encurtadas, para nós que temos o
português como língua materna, é de fácil compreensão. Mas com certeza, ela
seria um terror para um estudante estrangeiro que frequentou um curso
181
convencional de língua portuguesa, pois ele espera ouvir as palavras pronuncia-
das corretamente: “você”, “não”, “está”, “com”, “sono”.

Agora, observe esta oração, bem como as partes em destaque:

Hoje você falou com o homem vestido de branco que estava dentro do carro?

Na fala, a oração acima soaria:

Hoji cê falô cum u homi vestidu di brancu qui tava dentru du carru?

Novamente, isso se deve ao fato de que os nativos buscam meios mais fáceis de
articular as palavras. Experimente dizer a frase “Hoje você falou com o ho-
mem vestido de branco que estava dentro do carro?”, pronunciando as pala-
vras exatamente como elas são escritas. Certamente, você sentirá dificuldade e
uma falta de “ritmo” na fala, isto é, soará como um robô.

Por esta razão, é que normalmente pronunciamos “Hoji cê falô cum u homi ves-
tidu di brancu qui tava dentru du carru?”. Veja como que instintivamente enfra-
quecemos e/ou omitimos algumas sílabas, a fim de tornar a fala mais fácil, man-
tendo assim um “ritmo” na articulação das palavras. Algo importante de se notar
é que essas “manobras” usadas pelos nativos não são ensinadas, mas é algo ad-
quirido e praticado instintivamente pela vivência com o idioma.

Então, lembre-se: a lei do menor esforço ou da economia fisiológica é universal.


Ela busca tornar mais fácil aos órgãos da fala a articulação das palavras simplifi-
cando os processos de sua produção e mantendo assim um ritmo na fala.

Outro fator que devemos considerar é o que chamaremos de “fator individual-


geográfico”, ou seja, pessoas ou grupos se expressam de modos diferentes, seja
com relação à velocidade com que falam ou até mesmo no modo de pronunciar
as palavras. Por exemplo, você que mora no Sudeste do Brasil percebe facilmente
o quão diferente é a maneira de falar das pessoas da região Sul, o que pode gerar
certa dificuldade de compreensão. Ou ainda, experimente ouvir o português de
Portugal. Você logo perceberá que não compreenderá tudo. Ora, é o mesmo idi-
oma, mas a velocidade com que falam, o modo de pronunciarem as palavras, faz
com que, de início isso seja algo estranho ao nosso cérebro, pois ele está acostu-
mado com as características da fala do português brasileiro, sendo necessário,
então, “acostumá-lo” ao português europeu. De forma semelhante ocorre com os
falantes de língua inglesa. Certamente, um americano tem dificuldade de enten-
der um australiano mesmo ambos sendo falantes nativos de inglês, devido às
diferenças na fala.

Diante de tudo isso, percebe-se que a raiz do problema da não compreensão está
no fato de que o nosso cérebro está acostumado ao modo preguiçoso de ouvir a
língua. Para ilustrar, vamos fazer mais uma analogia. Para tanto, observe a figura

182
abaixo com um pequeno trecho de “Tempos Modernos”, filme de 1936 do cine-
asta Charles Chaplin:

Imagine que o operário nessa imagem seja o nosso cérebro e cada uma das peças
passando na esteira, as palavras. Ora, devido à velocidade com que as peças pas-
sam, um operário que não foi treinado sendo exposto à velocidade real da es-
teira, não conseguiria rosquear todas, deixando passar batido várias por causa de
seu despreparo, não é mesmo? Da mesma forma, um “cérebro despreparado”
para um idioma não conseguirá reconhecer todas as palavras com que se deparar
na “esteira de palavras” do mundo real. Com isso, o estudante ficará frustrado
por não ser capaz de acompanhar uma conversa normal. A essa confusão mental
somam-se o nervosismo, a ansiedade, a preocupação e o medo. Tudo isso faz com
que seu nível de estresse aumente e sua habilidade de ouvir e entender seja pre-
judicada.

Para resolver isso, você deve aprender o idioma como ele realmente é desde o
início de seu aprendizado. Ouvir a língua japonesa de modo natural, estar ciente
de que o modo como nativos pronunciam as palavras geralmente é diferente do
modo como aprendemos nos livros ajudará seu cérebro a se acostumar com o ja-
ponês de verdade. Registrar as informações da forma como ela será produzida
na vida real é muito mais eficiente do que aprender regras e palavrinhas soltas
ao longo do seu aprendizado.

Vemos muitos métodos que prometem milagres, mas sinceramente não cremos
que exista uma fórmula mágica para isto. Ou melhor, a fórmula é simples, porém
"trabalhosa":

- Para aprender a ler, leia bastante;


- Para aprender a escrever, escreva bastante;
- Para aprender a falar, fale bastante;
- Para aprender a ouvir, ouça bastante.

183
Se você não tiver como viajar ao Japão, nem tudo está perdido, pois temos a in-
ternet como grande aliada. Nela, você tem a possibilidade de fazer amizades com
nativos, ouvir toneladas de músicas quantas vezes quiser, ou mesmo assistir aos
noticiários. Outra aliada é a TV a cabo, na qual podemos encontrar seriados nos
quais se usam muito a linguagem informal. E se você gosta de animês, há o site
“AnimeQ” ([Link] no qual você poderá encontrar uma
grande quantidade de animês legendados.

Outra dica é o site “DaiWEEB” ([Link] Nele, en-


contramos animês com legendas em japonês e tradução em inglês! Ótimo para
treinar os ouvidos e leitura ao mesmo tempo através de um japonês falado natu-
ralmente!!

Outra ótima dica para treinar a leitura é o “NHK News Web Easy”
([Link] site que contem notícias com vocabulá-
rio simplificado. Ainda, você tem a opção de ouvir a notícia e inserir Furigana!

Há quem defenda a tese de que para falar bem, é preciso antes ter uma boa com-
preensão auditiva e para se escrever bem é preciso antes um hábito de boa leitura,
pois de certo modo, tendemos imitar aquilo que recebemos, no que diz respeito
à comunicação. Então, ao ouvir um nativo, procure se atentar às “manobras” usa-
das por ele a fim de facilitar a articulação das palavras e quando você for fa-
lar, passe a utilizá-las também (oras!) sem medo de errar. E se errar, tente de
novo. Você terá excelentes resultados! Lembre-se sempre destas valiosas palavras
do professor Denilso de Lima do “Inglês na Ponta da Língua”, que valem para
qualquer idioma:

“Quando alguém decide aprender inglês, ela começa a aprender com os olhos.
Ou seja, cria o hábito de ler sentenças e textos palavra por palavra. Assim, acos-
tuma-se a pronunciar tudo de modo mais lento e nada natural. O melhor é apren-
der inglês com o ouvido. (…) Preste muito mais atenção ao inglês falado; pois, é
ele que ajudará você a se sentir mais à vontade para interagir com as pessoas em
inglês. (…) Não são eles (os nativos) que falam inglês rápido demais. Na verdade,
é o modo como aprendemos inglês no início que nos condiciona a sermos lentos
para entender, ouvir e falar.”

Diante do que vimos no tópico 14, podemos dizer existem alguns elementos e
conceitos que formam o núcleo da construção básica de frases. Veja a ilustração
a seguir que chamaremos de “mesa de análise”:

184
Com base nisso, gostaríamos de lhe propor um exercício para que você se acos-
tume com as estruturas até chegar a um ponto em que você seja capaz de formar
suas frases institivamente. Eis o exercício:

I. Escreva uma oração em português;

II. Desmembre a oração identificando elementos que se encaixariam nos itens


presentes na mesa de análise;

III. Traduza esses blocos separadamente

IV. No final, junte as peças a fim de obter a oração completa em japonês.

Vejamos a oração a seguir:

“Ela disse que gosta de ir à escola lendo o mangá que comprou na semana pas-
sada”.

A primeira coisa que você deve perguntar é:

1. QUAIS SÃO OS VERBOS?

“Ela disse que gosta de ir à escola lendo o mangá que comprou na semana pas-
sada”.

Identificados os verbos, passemos para a segunda pergunta:

2. TEMOS ORAÇÕES NOMINALIZADAS?

Sim. O trecho “ir à escola lendo o mangá que comprou na semana passada” é
objeto do verbo “gostar”. Como ele é longo, para facilitar, vamos desmembrá-
lo...

3. TEMOS A FORMA TE?

Sim. Note que na oração nominalizada, o trecho “lendo o mangá” indica o modo
como ela vai à escola. Sendo assim, precisaremos da Forma TE do verbo, já que
ela pode exercer função de advérbio. Sendo assim, temos até agora:

I. 学校に行く = Ir à escola;

II. 漫画を読んで = Lendo mangá.

185
NOTA: Alguns poderão questionar o uso da Forma TE aqui devido a sua ambi-
guidade. De fato, há outras formas mais claras de expressar “ir à escola lendo o
mangá...”. Contudo, levando em conta o contexto, o uso da Forma TE é aceitável.

4. TEMOS ATRIBUTIVOS?

Sim. Perceba que o trecho “que comprou na semana passada” modifica o subs-
tantivo “mangá”. Então...

I. 学校に行く = Ir à escola;

II. 漫画を読んで = Lendo o mangá;

III. 先週に買った = (Que) comprou na semana passa.

Com isso já podemos montar a oração objeto do verbo “gostar”. Então...

先週に買った漫画を読んで学校に行くの = Ir à escola lendo o mangá que com-


prou na semana passada.

O verbo “gostar” em japonês comumente é indicado pelo Adjetivo-NA 「すき」


(好き). Sendo assim...

先週に買った漫画を読んで学校に行くのが好き = Gostar de ir à escola lendo o


mangá que comprou na semana passada.

Estamos quase terminando. Falta nesse quebra-cabeça o verbo “dizer”. Aliás...

5. TEMOS COLOCAÇÕES?

De certa forma, sim, haja vista que com alguns verbos se usa a partícula 「と」
para indicar o objeto. Isso pode ser considerado uma colocação, já que aparente-
mente não tem explicação na gramática, mas sim na preferência dos falantes na-
tivos. Outro detalhe é que, como 「好き」é um Adjetivo-NA, precisamos adicio-
nar o declarativo 「だ」antes de 「と」. Assim, temos:

先週に買った漫画を読んで学校に行くのが好きだと言った = Disse que gosta de


ir à escola lendo o mangá que comprou na semana passada.

Para finalizar, agora só falta indicar de quem estamos falando: “ela”. Assim:

彼女は先週に買った漫画を読んで学校に行くのが好きだと言った。 = Ela disse


que gosta de ir à escola lendo o mangá que comprou na semana passada.

***

Evidentemente, é importante que você já tenha um bom vocabulário e saiba


quando uma ideia é expressada por meio de colocações. Mas isso é algo que você
precisa aprender lendo e se expondo ao idioma. Se você tem dificuldade em mon-
tar orações longas, esse exercício pode ajudá-lo. É claro que você poderá

186
aperfeiçoar esse exercício, acrescentando mais elementos na mesa de análise,
como conjunções, sujeito...

Não é recomendável pensar uma língua estrangeira em português, mas para


iniciantes, realmente não há outra alternativa, pois esse é o único idioma com o
qual estão familiarizados. Esperamos que a capacidade de quebrar e converter
frases, embora lenta e pouco prática, sirva, como já mencionamos, pelo menos
como um bom trampolim para que você possa se acostumar a pensar diretamente
em japonês.

Boa sorte!

187
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

188
189
190
191

 
 
 
VOLUME I – GRAMÁTICA FÁCIL
 
 
 
VOLUME I – GRAMÁTICA FÁCIL 
 
 
 
 
 
 
 
 
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 
Sábado, 09 de novembro de 2019 – 
07h:50min
3 
 SUMÁRIOO PROJETO.........................................................................................................
4 
 
O PROJETO 
 
A. SOBRE O ORGANIZADOR DESTE PROJETO 
Falando um pouco sobre mim, eu me chamo Nelson e sou descendente de j
5 
 
um arquivo de Word: tudo que encontrava e achava interessante, eu traduzia e 
colocava nele. Depois de 3 anos de pesquis
6 
 
 
 
Outra ferramenta em inglês que eu recomendo que você baixe é a extensão 
“Rikaichan”. Assim, quando estiver navegand
7 
 
Infelizmente, não há muitas opções de dicionários Japonês – Português / Portu-
guês – Japonês para consulta online. Conh
8 
 
1. ESCRITA I – KANA E ROOMAJI 
A escrita japonesa possui quatro formas de expressão: O Kana, formado por dois 
conjuntos
9 
 
Bom, até aqui nada complicado, não é mesmo? Contudo você deve estar se per-
guntando, com razão, como representar, por e
10 
 
A dúvida aqui é em relação ao “L” solitário, pois não existe som equivalente em 
japonês. Quando isso acontecer precisa

Você também pode gostar