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A história da jovem Alice Liddell
A garotinha que inspirou Lewis Carroll a escrever o clássico Alice no País
das Maravilhas
Guss de Lucca, iG São Paulo
No Especial Alice no País das Maravilhas você conhecerá os detalhes sobre as
publicações da obra de Lewis Carroll, suas adaptações e a nova versão cinematográfica
de Tim Burton. Para começar vamos contar a história por trás da criação de Alice no
País das Maravilhas.
Em 1865 a primeira edição de Alice no País das Maravilhas foi lançada na Inglaterra,
apresentando aos leitores um universo cheio de personagens curiosos, como o
Chapeleiro Maluco, organizador de uma festa louca do chá, e a Rainha de Copas,
monarca com predileção por decapitações. Mas de onde teria vindo a inspiração para a
criação de uma história com elementos tão estranhos, como o gato que consegue
desaparecer e um exército formado por cartas de baralho?
Além de referências ao contexto político da Inglaterra, como a relação entre a Rainha de
Copas e a Rainha Vitória, alega-se que Lewis Carroll inspirou-se em pessoas que
participavam de seu cotidiano, como Theophilus Carter, um vendedor de móveis
excêntrico que é apontado como base para a criação do Chapeleiro.
Apesar de viver cercado por todas essas referências, não foi outra pessoa senão a
menina Alice Pleasance Liddell, na época com apenas nove anos, quem inspirou o
reverendo Charles Lutwidge Dodgson, nome real de Lewis Carroll, a criar a história.
A Alice real era a quarta filha do vice-reitor da Universidade de Oxford, Henry George
Liddell, e seu primeiro encontro com Lewis Carroll ocorreu em 25 de abril de 1856,
enquanto o autor fotografava a catedral de Oxford - a fotografia sempre fora uma de
suas paixões. Deste encontro desenvolveu-se a amizade entre Carroll e a família Liddell
- em especial Alice.
"Ele era encantado pelas meninas e Alice acabou tornando-se sua musa. Carroll foi
muito criativo na relação com as crianças e adorava impressioná-las enviado a elas
cartas malucas e inventando jogos de palavras, trocadilhos... Durante seu convívio ele
contou dezenas de histórias a elas", diz Adriana Peliano, presidente da Sociedade Lewis
Carroll do Brasil.
Durante uma travessia de barco pelo Rio Tâmisa Carroll, percebendo o tédio das irmãs
Liddell, contou-lhes a aventura da jovem Alice, que após seguir um coelho apressado
encontra o estranho País das Maravilhas. Para tornar a aventura familiar às ouvintes, ele
utilizou elementos do cotidiano delas, sendo o próprio coelho um exemplo disso.
"Um dos aspectos interessantes da história é que ela não surgiu como obra literária, mas
de forma oral", explicou Adriana. "Quando o livro foi publicado ele acrescentou novos
capítulos, personagens, deixando a obra mais complexa."Graças a um pedido de Alice
as ideias daquela tarde transformaram-se num manuscrito chamado Alice's Adventures
Underground - As Aventuras de Alice no Subsolo, em tradução livre - e, posteriormente,
originaram as duas obras que envolvem a menina: Alice no País das Maravilhas e
Através do Espelho e o Que Alice Encontrou Por Lá.
Esse manuscrito, um presente de Carroll à musa inspiradora, acabou sendo vendido por
ela anos mais tarde, quando a já adulta Alice precisou de dinheiro para manter sua
residência após a morte do marido. A cópia rendeu um total de £15.400 e atualmente
está guardada na British Library, a biblioteca nacional da Inglaterra.
Apesar do dinheiro, ter servido de inspiração para um livro tão famoso não facilitou a
vida de Alice Liddell. "A história foi criada para encantá-la, mas ela foi tragada para
dentro desse contexto imaginário, mesmo sem ter nenhuma relação com os
personagens", conta Adriana, acreditando que a Alice real teve de lidar com a
expectativa que as pessoas tinham em relação a ela, uma pessoa comum que acabou
associada a uma fábula.
Essa frustração é o ponto de partida para o livro Eu Sou Alice, de Melanie Benjamin,
publicado pela editora Planeta do Brasil. "É como se fosse um diário da Alice, onde ela
fala de seus conflitos em relação à obra", revela Adriana.
Alice Liddell morreu em 16 de novembro de 1934 aos 82 anos, enquanto sua
contraparte literária continua cada vez mais viva no imaginário das pessoas.
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Todas as caras de Alice
Descubra como a personagem de Lewis Carroll foi retratada nos filmes,
animações e séries de TV
Guss de Lucca, iG São Paulo | 20/04/2010 13:47
Apesar de todas as suas alegorias nonsense, como o Gato de Cheshire e a festa louca do
chá, a história do reverendo Charles Lutwidge Dodgson (nome real de Carrol) tem como
protagonista a jovem Alice, personagem inspirada em Alice Pleasance Liddell, a menina
de dez anos que pediu a Carrol para escrever a fábula contada a ela durante uma
travessia de barco pelo Rio Tâmisa.
Do inocente pedido surgiu uma das histórias mais famosas do mundo, que não por acaso
popularizou a personagem Alice criada por Carrol, conferindo à menina diversas
interpretações em mais de um século de adaptações.
Como fotógrafo amador o reverendo registrou algumas imagens de Alice Liddell, que
muito provavelmente serviram de base para a primeira ilustração de sua contraparte
fictícia, desenhada pelo próprio autor em um manuscrito batizado de Alice's Adventures
Underground - As Aventuras de Alice no Subsolo, em tradução livre.
Apesar de pouco conhecida, essa imagem pode ser apontada como a primeira versão da
verdadeira Alice, que acabou ofuscada pelos traços do ilustrador John Tenniel,
responsável pelos desenhos da publicação original do livro, de 1865.
As ilustrações de Tenniel, feitas como xilogravuras, serviram de inspiração para a
maioria das adaptações cinematográficas de Alice no País das Maravilhas, ditando
muito do visual de sua protagonista, como o vestido godê com avental e o cabelo louro.
Poucos cineastas fugiram dessa imagem, alterando apenas as cores do vestido, que já foi
azul, vermelho e rosa, e o tom do cabelo da protagonista - em sua maioria loiro, mas
com passagens pelo castanho.
Das páginas para os rolos de filmes
Apesar de precoce, a primeira adaptação do livro já conta com efeitos especiais.
Dirigido por Cecil Hepworth e Percy Stow em 1903, o filme inglês Alice in Wonderland
usa truques primários da história do cinema para mostrar tanto o encolhimento quanto o
crescimento da personagem, interpretada pela atriz May Clark, de apenas 14 anos.
Sete anos mais tarde, em 1910, o cineasta norte-americano Edwin S. Porter filma sua
própria versão da obra, entregando o papel de Alice a jovem Gladys Hulette, também
aos 14 anos. Assim como a adaptação britânica, essa versão é muda e de curta duração
para os padrões atuais - com apenas dez minutos.
A personagem Alice na versão da Disney
Em 1933 a Paramount Pictures lança sua adaptação do livro, em que a personagem
principal, interpretada por Charlotte Henry, com 19 anos na época, usa vestes muito
semelhantes às das ilustrações de John Tenniel - e o cabelo mais claro.
Boicotada pelos Walt Disney Studios, a animação francesa Alice au Pays des
Merveilles, de 1949, utilizou tanto atores reais como personagens em stop motion,
técnica de animação que utiliza bonecos e objetos. Como a Disney estava produzindo
sua própria versão animada da história, o longa-metragem francês não chegou a estrear
nos Estados Unidos e passou despercebido por outros países.
Apesar da força do estúdio norte-americano, sua versão de Alice no País das
Maravilhas, lançada em 1951, sofreu severas críticas de fãs de Lewis Carroll, acusando
a produtora de ter "americanizado" um clássico britânico. Mesmo assim, o visual da
personagem apresentado pela Disney, com o vestidinho azul e os cabelos louros,
tornou-se o mais conhecido desde as ilustrações de Tenniel.
Uma Alice loira também protagonizou a animação para a TV feita pela Hanna-Barbera
em 1966, que conta com a participação de Fred Flintstone e Barney Rubble,
personagens do seriado Os Flintstones.
Talvez a mais curiosa versão da jovem seja a do musical pornográfico dirigido por Bud
Townsend em 1976. Nesta história, Alice, interpretada pela atriz Kristine DeBell, faz
caras e bocas ao encontrar com os famosos personagens em um País das Maravilhas
Sexuais - uma Alice, aliás, com decote provocante.
Em 1982 foi a vez de Meryl Streep, então com 33 anos, assumir o papel principal no
especial para televisão Alice at the Palace - Alice no Palácio, em tradução livre. Nele a
personagem aparece com um macacão rosa e cabelos cheios, atualizando o visual da
personagem do século 19.
Versão tcheca de Alice é tida como sombria
Um ano mais tarde, em 1983, o estúdio de animação japonesa Nippon Animation lança
Fushigi no Kuni no Alice, uma série animada de 52 episódios que retrata Alice em estilo
animê, com cabelo louro e vestido vermelho. Mas a grande diferença desta para a obra
original é que Alice retorna para casa ao fim de cada capítulo.
Com o título original de Neco z Alenky, o diretor tcheco Jan-vankmajer lançou uma
versão surrealista para a história de Lewis Carroll, que apesar de sombrio, traz no papel
de Alice a atriz Kristýna Kohoutová, que usa um vestido rosa e mantém o espírito
inocente da personagem.
As marionetes da série Vila Sésamo ganharam em 2008 sua própria versão de Alice no
País das Maravilhas, mas com o título Abby no País das Maravilhas, afinal, é estrelada
pela personagem rosa Abby Cadabby.
Para encerrar, ao menos por um momento, a lista de adaptações da personagem Alice,
está a atriz de 21 anos Mia Wasikowska, que contracena com Johnny Depp e Helena
Bonham Carter na versão do cineasta Tim Burton.
O diretor optou por recuperar o visual clássico com as cores da Disney: um vestido azul,
mas não tão infantil: no longa Alice já cresceu e, ao escapar de um pedido de
casamento, acaba voltando ao País das Maravilhas.
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“Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carrol (Biblioteca Visão)
A origem de “Alice” teve início numa viagem de barco com o Autor e as jovens
adolescentes Lorina; Alice e Edith, filhas de um deão da Christ Church, seu amigo.
O conteúdo da história é, sobretudo, onírico e recheado de pormenores surrealistas,
onde o sonho da personagem principal está carregado de significado simbólico,
expresso em linguagem codificada que a liga ao meio ambiente circundante e que está,
simultaneamente, relacionado com as transformações psíquicas e fisiológicas pelas
quais Alice está a passar.
Alice é uma jovem que se encontra no estado de transição entre a infância e
adolescência, uma menina de personalidade sonhadora, etérea, que vive num mundo
próprio com uma ténue ligação à realidade, ao contrário do que acontece com as irmãs.
Para Alice no País das Maravilhas, Carrol ampliou uma história improvisada a que deu
o formato de um livro. Dez anos depois, publica Alice do outro lado do Espelho. São
obras que não têm um conteúdo moral, ao contrário do que é habitual em histórias para
crianças, na época (finais do século XIX).
Os surrealistas como Salvador Dalí, nas artes plásticas e André Breton, na escrita, viam-
no como o precursor das suas inovações estéticas.
Carrol foi, também um hábil fotógrafo amador, fazendo incidir o seu trabalho em jovens
raparigas, cuja amizade apreciava. Publicou, também, diários e cartas.
Em relação a Alice no País das Maravilhas, o poema introdutório refere-se,
exactamente, à personalidade das três jovens que acompanham o Autor na viagem,
durante a qual surgiu a inspiração para este conto. O Autor, celibatário e algo misógino,
tende a desenvolver empatia apenas com mulheres extremamente jovens e,
principalmente, com aquelas que são possuidoras de uma sensibilidade fora do comum.
A proximidade e a empatia perdem-se, no entanto, no contacto com mulheres de
personalidade mais forte e de elevado nível de autonomia ou tendência para exercer
domínio em relação aos que as rodeiam.
As três irmãs comportam-se de forma radicalmente diferente no que respeita à forma de
estar na vida.
“A Primeira ordena, implacável”. O verbo e, sobretudo, o adjectivo utilizados mostram
o tipo de relação que o Autor estabeleceria com esta “Primeira”, cuja personalidade
nada tem a ver com a protagonista do conto. Tratar-se-ia de uma relação de domínio
onde se sentiria subjugado.
“A Segunda, mais doce, pede”. O adjectivo doce e o verbo pedir indicam submissão,
cordialidade, desejo de agradar. Para esta Segunda, “Tem de haver muita fantasia”. Esta
é, Alice, inequivocamente, a grande protagonista de Alice no País das Maravilhas.
“E a Terceira interrompe-me (…) Não mais de uma vez em cada minuto”
Esta terceira jovem revela alguma temperança e equilíbrio entre o seu lado sonhador e o
lado realista, apreciando ambas as componentes na sua justa medida. Revela, ainda,
alguma independência enfatizada pela utilização do itálico mais. Nota-se, nas
entrelinhas, algum desagrado do Autor/narrador face a esta quase que impertinência da
terceira jovem, pelo conotação do verbo interromper, o que demonstra ousadia e uma
personalidade algo indomável, que tende a escapar ao seu controlo.
A juventude e vivacidade das Três, que se assemelham às três graças, cativam-no, mas é
à fome imensa de fantasia e à fragilidade volátil da Segunda que vai buscar os
ingredientes para construir a história de Alice no País das Maravilhas – “o mundo
colorido e mágico da infância” – que ele compara à Terra Prometida.
A história inicia-se quando Alice adormece, entediada pela obrigação de ler ou estudar.
Alice é uma pessoa nitidamente visual, isto é, cujo imaginário é mais facilmente
estimulado por sensações visuais. Que é o que não falta no sonho de Alice. As imagens
sucedem-se, sobrepõem-se, ramificam-se, criando uma profusão de cores, formas e
situações que se entrelaçam num encadeamento semelhante ao das telas de Dali.
O País dos Sonhos, no qual Alice se movimenta, parece, à primeira vista, um
amontoado de absurdos.
Mas se tivermos em conta que, na época em que Lewis Carrol escreveu esta história,
aparentemente sem qualquer objectivo moralizante, as teorias de Sigmund Freud acerca
do inconsciente e do conteúdo latente e simbólico dos sonhos começavam a causar
impacto no meio intelectual, a perspectiva e o significado atribuído ao conto, começa,
subitamente, a fazer sentido.
As características da escrita de Carrol são: imaginação, humor e nonsense que se
manifesta num gosto especial por trocadilhos e pequenas confusões causadas por
palavras homófonas.
Por outro lado, o conteúdo da história trata, sobretudo, do problema da socialização e da
interiorização das normas sociais. Alice tem, em primeiro lugar, de aprender a controlar
os seus impulsos. Caso contrário, sofre as consequências, como acontece na cena em
que bebe todo o conteúdo da pequena garrafa, em cima da mesa de vidro, que se
encontra diante da pequena porta do País das Maravilhas, apenas por conter o sabor de
tudo aquilo de que ela gosta.
As consequências são as alterações de tamanho, o que significa um comportamento
desadequado.
Até à altura em que Alice percebe, com a ajuda da Lagarta, a justa medida das coisas
assim como o senso de harmonia e equilíbrio, quando tem de comer o cogumelo sem
deixar nenhum dos lados desfasado.
A lagarta é, na realidade, um professor de ética e de etiqueta, que a ajuda a passar para o
patamar seguinte. Da mesma forma, Alice tem de aprender a ser diplomática e a evitar
gaffes sempre que não se encontra no mundo protegido da sua casa. Por exemplo:
quando comenta com o Rato que acabou de conhecer o quanto gosta da sua gata Dina,
porque tem muito jeito para caçar ratos!
As alterações constantes de tamanho têm, também, a ver com as alterações físicas
desencadeadas pelo facto de Alice estar em processo de transformação: a passagem para
a adolescência.
Mas para lidar com esta situação Alice conta, também com a ajuda da Lagarta.
Os ensinamentos desta personagem ser-lhe-ão muito úteis, numa fase posterior, quando
Alice tem de lidar com personalidades tirânicas como a Duquesa ou a Rainha de Copas.
O gato sorridente, que aparece na história, simboliza, na realidade, as pessoas que são
subservientes e aduladoras e que, na língua inglesa, são rotuladas com a expressão
idiomática “Cheshire Cats”, que, muitas vezes, significa a hipocrisia.
Ao facto de um leitão ocupar o lugar de um bebé, tem a ver com a forma como Alice
encara as crianças pequenas – seres incómodos e birrentos que desestabilizam a rotina
de uma casa.
O teste supremo da socialização de Alice tem lugar no momento do chá com o
Chapeleiro Louco – The Hatter, expressão idiomática que significa O Louco – e a Lebre
de Março – outra expressão idiomática que significa a fêmea com o cio. Aqui
observamos o contraste do low profile de Alice com as atitudes tresloucadas dos seus
companheiros – Alice começa a amadurecer.
A protagonista tem, ainda, de contornar as atitudes inconvenientes da Duquesa, cuja
excessiva proximidade lhe causa algum desconforto, e o despotismo da Rainha.
O comportamento da Duquesa indicia uma espécie de abuso de que Alice, com a sua
inocência, se apercebe, mas que não consegue identificar. O simbolismo da pimenta é
mais uma pista a apontar para esta teoria: a Pimenta está claramente conotada com a
corrupção. E tudo à volta da duquesa está impregnado de pimenta.
Por outro lado, em relação à Rainha, Alice não pode contar com a simpatia ou a
benevolência do Rei, completamente subjugado pela mulher. No retrato que este tece da
Rainha, sua esposa, nota-se o medo excessivo do Autor face às mulheres dominadoras
ou detentoras de poder, um receio que raia o pânico psicótico face à tirania feminina.
Daqui nasce o fascínio por mulheres imaturas.
O Grifo é, aparentemente, um aliado de Alice. Esta figura representa um animal
mitológico que leva a jovem para longe da Rainha. Mas que também significa, para ela,
a repressão pelos adultos. É também o mestre do nonsense. Dominador, desvaloriza o
saber e privilegia a brincadeira, tentando manter Alice no limbo entre a infância e a
passagem definitiva para a adolescência. O Grifo identifica-se um pouco com o próprio
Carrol.
Mas, quando Alice começa a libertar-se e a afirmar-se como uma pessoa independente -
no julgamento, onde todos a tentam descaradamente manipular – esta acorda,
regressando à realidade. À companhia das irmãs.
Pouco depois, também a irmã adormece. Mas o seu sonho é radicalmente diferente do
de Alice, é mais ligado ao mundo real, longe de ser tão carregado de simbolismo e
fantasia. Porque o imaginário desta irmã de Alice está muito mais direccionado para o
mundo pragmático dos adultos, enquanto que o de Alice está em pleno processo de
transformação.
A frase do texto que decifra a personalidade de Alice é dada pelo pensamento da irmã
que ao imaginá-la adulta, vê-a a conservar, durante a vida inteira, a ingenuidade da
infância.
Uma Perséfone a apanhar flores antes de ser raptada por Hades o Rei dos Infernos...
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A história de Alice no País das Maravilhas originou-se em 1862, quando Carroll fazia um
passeio de barco no rio Tâmisa com sua amiga Alice Pleasance Liddell (com 10 anos na época)
e as suas duas irmãs, sendo as três filhas do reitor da Christ Church. Ele começou a contar uma
história que deu origem à atual, sobre uma menina chamada Alice que ia parar a um mundo
fantástico após cair numa toca de um coelho. A Alice da vida real gostou tanto da história que
pediu que Carroll a escrevesse.
Dodgson atendeu ao pedido e em 1864 surpreendeu-a com um manuscrito chamado
Alice's Adventures Underground, ou As Aventuras de Alice Embaixo da Terra, em
português. Mais tarde ele decidiu publicar o livro e mudou a versão original,
aumentando de 18 mil palavras para 35 mil, notavelmente acrescentando as cenas do
Gato de Cheshire e do Chapeleiro Louco (ou Chapeleiro Maluco).
A tiragem inicial de dois mil exemplares de 1865 foi removida das prateleiras, devido a
reclamações do ilustrador John Tenniel sobre a qualidade da impressão. A segunda
tiragem esgotou-se nas vendas rapidamente, e a obra se tornou um grande sucesso,
tendo sido lida por Oscar Wilde e pela rainha Vitória e tendo sido traduzida para mais
de 50 línguas.
Em 1998, a primeira impressão do livro (que fora rejeitada) foi leiloada por 1,5 milhão
de dólares americanos.
[editar] Enigmas
Ambos os livros infantis de Carroll contêm inúmeros problemas de matemática e lógica
ocultos no seu texto. Em Alice no país das maravilhas, a personagem Alice entra em
uma toca atrás de um coelho falante e cai em um mundo fantástico e fantasioso. Muitos
enigmas contidos em suas obras são quase que imperceptíveis para os leitores atuais,
principalmente os não-anglófonos, pois continham referências da época, piadas locais e
trocadilhos que só fazem sentido na língua inglesa.
Filme origem com Quixote:comparação
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José Nivaldo Cordeiro, Executivo, nascido no Ceará. Reside atualmente em São Paulo.
Declaradamente liberal, é um respeitado crítico das idéias coletivistas. É um dos mais relevantes
articulistas nacionais do momento, escrevendo artigos diários para diversos jornais e sites
nacionais. É Diretor da ANL – Associação Nacional de Livrarias.
Dom Quixote
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Wikipédia, a enciclopédia livre.
Dom Quixote de La Mancha (Don Quijote de la Mancha em castelhano) é um livro escrito pelo
espanhol Miguel de Cervantes y Saavedra (1547-1616). O título e ortografia originais eram El
ingenioso hidalgo Don Qvixote de La Mancha, com sua primeira edição publicada em Madrid
no ano de 1605. É composto por 126 capítulos, divididos em duas partes: a primeira surgida
em 1605 e a outra em 1615.
O livro surgiu em um período de grande inovação e diversidade por parte dos escritores
ficcionistas espanhóis. Parodiou os romances de cavalaria que gozaram de imensa
popularidade no período e, na altura, já se encontravam em declínio. Nesta obra, a
paródia apresenta uma forma invulgar. O protagonista, já de certa idade, entrega-se à
leitura desses romances, perde o juízo, acredita que tenham sido historicamente
verdadeiros e decide tornar-se um cavaleiro andante. Por isso, parte pelo mundo e vive o
seu próprio romance de cavalaria. Enquanto narra os feitos do Cavaleiro da Triste
Figura, Cervantes satiriza os preceitos que regiam as histórias fantasiosas daqueles
heróis de fancaria. A história é apresentada sob a forma de novela realista.
É considerada a grande criação de Cervantes. O livro é um dos primeiros das línguas
européias modernas e é considerado por muitos o expoente máximo da literatura
espanhola. Em princípios de maio de 2002, o livro foi escolhido como a melhor obra de
ficção de todos os tempos. A votação foi organizada pelo Clubes do Livro Noruegueses
e participaram escritores de reconhecimento internacional.[3]
Enredo
Rota percorrida por D. Quixote
O protagonista da obra é Dom Quixote, um pequeno fidalgo castelhano que perdeu a
razão por muita leitura de romances de cavalaria e pretende imitar seus heróis
preferidos. O romance narra as suas aventuras em companhia de Sancho Pança, seu fiel
amigo e companheiro, que tem uma visão mais realista. A ação gira em torno das três
incursões da dupla por terras de La Mancha, de Aragão e de Catalunha. Nessas
incursões, ele se envolve em uma série de aventuras, mas suas fantasias são sempre
desmentidas pela dura realidade. O efeito é altamente humorístico.
Análise
D. Quixote e Sancho
O livro é estruturado em duas partes, a primeira maneirista, enquanto a segunda é mais
barroca. Enquanto a primeira parte da obra deixa a impressão de liberdade máxima, a
segunda parte produz a sensação constante de nos encontrarmos encerrados em limites
estreitos. Essa sensação é sentida mais intensamente quando confrontada com a primeira
parte. Se anteriormente, a ironia era, sobretudo, uma expressão amarga da
impossibilidade de dar realidade a um ideal, com a segunda parte nasce muito mais da
confrontação das formas da imaginação com as da realidade. Cervantes dá a sua própria
definição da obra: "orden desordenada (...) de manera que el arte, imitando à la
Naturaleza, parece que allí la vence". O processo adotado por Cervantes - a paródia -
permite dar relevo aos contrastes, através da deformação grotesca, pela deslocação do
patético para o burlesco, fazendo com que o burlesco apague momentaneamente a
emoção, estabelecendo um entrelaçado espontâneo de picaresco, de burlesco e de
emoção. O conflito surge do confronto entre o passado e o presente, o ideal e o real e o
ideal e o social.
Dom Quixote e Sancho Pança representam valores distintos, embora sejam participantes
do mesmo mundo. É importante compreender a visão irônica que o romancista tem do
mundo moderno, o fundo de alegria que está por detrás da visão melancólica e a busca
do absoluto. São mundos completamente diferentes. Sancho Pança o fiel escudeiro de
Dom Quixote é definido por Cervantes como "Homem de bem, mas de pouco sal na
moleirinha". É o representante do bom senso e é para o mundo real aquilo que Dom
Quixote é para o mundo ideal. Por fim, a história também é apresentada sob a forma de
novela realista: ao regressar a seu povoado, Dom Quixote percebe que não é um herói,
mas que não há heróis.
Interpretações e influências
As figuras de D. Quixote, de Sancho Pança e do cavalo de Dom Quixote, Rocinante,
rapidamente conquistaram a imaginação popular. No entanto, os críticos
contemporâneos da obra não a levaram tão a sério como as gerações posteriores. No
século XVII, por exemplo, considerou-se que o romance continha em si pouco mais que
o tom de bom humor e de diversão, com Dom Quixote e Sancho Pança a encarnarem
respectivamente o grotesco e o pícaro. O século XVIII foi pródigo em elogios a D.
Quixote, não só na Espanha e em Portugal, como também por parte de grandes
românticos do centro da Europa.
Na história do romance moderno, o papel de Dom Quixote é reconhecido como seminal.
A evidência disso pode ser vista em Daniel Defoe, em Henry Fielding, em Tobias
Smollett e Laurence Sterne e, também, em personagens criadas por alguns romancistas
clássicos do século XIX, como é o caso de Walter Scott, de Charles Dickens, de
Gustave Flaubert, de Benito Pérez Galdós, de Herman Melville e de Fiódor Dostoiévski.
O mesmo acontece no caso de alguns autores pós-realistas do século XX, como James
Joyce e Jorge Luis Borges. Dom Quixote provou ser uma notável fonte de inspiração
para os criadores em outros campos artísticos. Desde o século XVII que se têm
realizado peças de teatro, óperas, composições musicais e bailados baseados no Dom
Quixote. No século XX, o cinema, a televisão e os cartoons inspiraram-se igualmente
nesta obra. Dom Quixote inspirou ainda artistas como William Hogarth, Francisco
Goya, Honoré Daumier e Pablo Picasso.