Gelo e Fossilização na Paleoecologia
Gelo e Fossilização na Paleoecologia
UFPR
Bolzon, Robson Tadeu
Paleoecologia / Robson Tadeu Bolzon, Inês Azevedo. – Curitiba:
Universidade Federal do Paraná, Departamento de Geologia,
Laboratório de Paleontologia, 2007. 68p, il.
Inclui bibliografia
CDD 20 560
SUMÁRIO
Apresentação
Introdução a Paleoecologia 2
Tafofácies 4
Ambientes continentais 15
Icnofósseis 18
Mesozóico 44
Cenozóico 50
Quaternário - informal 52
Referências Bibliográficas 68
1
APRESENTAÇÃO
Bolzon & Azevedo
1.1) DEFINIÇÃO
Palaios: antigo Oikos: casa, ambiente Logos: conhecimento; estudo
CONCEITO: estudo das relações entre os fósseis de animais e vegetais e os antigos
ambientes em que viviam
1.1) PRINCÍPIOS
• OS PRINCÍPIOS DA PALEOECOLOGIA SÃO OS MESMOS DA ECOLOGIA
Bolzon & Azevedo
• AS DIFERENÇAS SÃO:
• A QUANTIDADE DE DETALHES
• A PRECISÃO DOS RESULTADOS
Obs.: O PRINCÍPIO DO ATUALISMO DEVE SER USADO COM CUIDADO EM ANÁLISES
PALEOECOLÓGICAS
1. Gêneros podem mudar seu hábito e/ou habitat e a relação com táxons atuais
pode não ser direta
2. Condições físico-químicas de vários ambientes podem ter mudado
2) MÉTODOS DE ESTUDO
2.1) OBSERVAÇÃO DIRETA DOS FÓSSEIS
MORFOLOGIA DE UM FÓSSIL
a. PROCESSOS FÍSICOS-QUÍMICOS
• Significado ecológico mediante estudo da mineralogia do fóssil
Ex. Concha de aragonita: dissolvida na água do mar e temperatura menor que
5o centígrados.
• TAXA DE ISÓTOPOS DE UM FÓSSIL
EX: O16/O18 em conchas de Amonóides indicando a temperatura que o
organismo viveu
b. MORFOLOGIA COMPARATIVA
Comparar as formas fósseis com formas vivas: método mais óbvio de dedução
do hábito e habitat de um organismo fóssil
c. MORFOLOGIA FUNCIONAL
• Pela dedução de sua forma e função
• Dificuldades: estoques extintos sem comparações
• Perigos: provável função dada à determinada estrutura, performance mais
eficiente
Ex.: Espinhos em animais extintos: proteção; percepção sensorial; estabilidade
Paleoecologia
AULA PRÁTICA
Bolzon & Azevedo
gastrópodes recentes na
América do Norte com a
quantidade de cálcio da concha
e a temperatura.
a. Comentar esta relação.
b. Classifique os exemplares da
caixa quanto: concha espessa e
concha delgada.
c. Se o conjunto representasse
uma associação fóssil,
corresponderia a uma
comunidade de água quente ou (Modificado de Zigler, 1985)
fria? Justifique sua resposta
4
1) Conceito
Consiste em uma rocha sedimentar caracterizada por um conjunto de feições de
preservação de fósseis
• As feições incluem:
• Orientação; Grau de desarticulação; Fragmentação; Abrasão ou
dissolução e Disposição espacial
• Relacionado ao aspecto tafonômico: não equivale a biofácie e não equivale a
litofácie
Paleoecologia
3) CONCENTRAÇÕES FOSSILÍFERAS
A) AMBIENTE MARINHO
a. Concentrações geradas por ondas de tempo bom
Características:
Concentrações suportadas por bioclastos
Bolzon & Azevedo
d. Resíduos transgressivos
Características:
Bioclastos fragmentados ou não, desarticulados, com intensa bioerosão
e incrustação
Em planta: bioclastos caóticos
Paleoecologia
e. Concentrações condensadas
Características:
Bioclastos bem preservados associados com outros com intensa
fragmentação, bioerosão e incrustação
Cimentação diagenética precoce
Mistura de bioclastos bem preservados e bioclastos incrustados
Longo intervalo de tempo decorrido na gênese
6
f. Concentrações primariamente biogênicas
Características:
Alta porcentagem de fósseis em posição de vida e fósseis de
invertebrados da epifauna
Pouco ou nenhum distúrbio de fundo durante sepultamento final
Ex: bivalves gregários, braquiópodes e corais
B) AMBIENTES CONTINENTAIS
SISTEMA FLUVIAL
a) Meandrante: canais altamente sinuosos e de forte movimentação lateral
Características: carcaças de vertebrados e restos de vegetais encalham
Nos meandros sendo preservados inteiros e articulados
Na planície de inundação restos soterrados em épocas de cheia
quando ocorre rompimento de diques e inundação da planície
A migração lateral dos canais pode erodir recém-mortos: representam
ampla faixa de tempo, diversas gerações e comunidades distintas, até
1000.000anos.
b) Anastomosado: canais estacionários e ausência quase total de acresção
lateral
Características:
Tafocenoses com menor grau de mistura temporal, pois os
depósitos da planície de inundação tendem a se preservar com a
não migração dos canais
planta Caótico ou
polimodal
bioclastos concordante
observados em perpendicular
corte (seção) oblíquo
Síntese das características observadas no material encontrado em ambiente fluvial.
tamanho
pouco
densamente
empacotado
graus de
fracamente
empacotamento
empacotado
disperso
unimodal
orientação em Bimodal
planta Caótico ou
polimodal
bioclastos concordante
observados em perpendicular
corte (seção) oblíquo
9
Síntese das características observadas no material encontrado em gruta calcária.
Composição monotípica
esqueletal politípica
Composição monoespecífica
taxonômica poliespecífica
bem sel.
seleção por
bimodal
tamanho
pouco
densamente
empacotado
graus de
fracamente
empacotamento
empacotado
disperso
unimodal
orientação em Bimodal
planta Caótico ou
polimodal
bioclastos concordante
observados em perpendicular
corte (seção) oblíquo
Síntese das características observadas no material encontrado em ambiente lacustre.
Características
Composição monotípica
esqueletal politípica
Composição monoespecífica
taxonômica poliespecífica
bem sel.
seleção por
bimodal
tamanho
pouco
densame nte
empacotado
graus de
fracamente
empacotamento
empacotado
disperso
10
unimodal
orientação em Bimodal
planta Caótico ou
polimodal
bioclastos concordante
observados em perpendicular
corte (seção) oblíquo
Síntese das características observadas no material encontrado em ambiente deltaico.
Bolzon & Azevedo
Correntes
É o movimento de águas em grande escala que se deslocam em determinada
direção e ocorrem em todos os oceanos.
Temperatura
É um fator importante para a distribuição dos animais. Regiões de plataforma
tropical apresentam maior diversidade de fauna, muitas espécies e poucos indivíduos
de cada espécie. Regiões de águas temperadas apresentam diversidade menor de
espécies, porém com maior número de indivíduos por espécie.
Salinidade
A quantidade de sal na água do mar varia de acordo com a adição ou remoção
de água. A salinidade corresponde a quantidade de sal em gramas dissolvida e 1 quilo
de água, sendo expressa em parte por mil (%o). Os ambiente são divididos em:
hiperalino - salinidade maior que 40%o.
marinho normal - salinidade entre 39 e 32%o.
hipoalino - entre 32 e 0,5%o.
Água doce - menos que 0,5%o.
Sedimento
As bacias oceânica recebem “debris” levados pela água ou soprados do
continente. Estes fragmentos se misturam com as conchas o restos de organismos
marinhos depositados no fundo oceânico. As partículas se acumulam formando
depósitos de sedimento, registrando a história das bacias oceânicas.
Existem três fontes de sedimentos:
1- Partículas biogênicas - conchas, ossos, dentes de organismos marinhos. Quando o
sedimento apresenta mais de 30% em volume de partículas biogênicas, é chamado
biogênico ou vasa (“ooze”).
2- Partículas litogênicas - fragmentos de rochas e grãos minerais resultantes da
decomposição por intemperismo de rochas do continente e de erupções vulcânicas.
3- Partículas hidrogênicas - formam-se na água do mar através de reações
Paleoecologia
Luminosidade
Zona eufótica - muita luminosidade - entre 0 e cerca de 100 metros de profundidade
Zona disfótica - diminuição da luminosidade - entre 100 e cerca de 1000 metros de
profundidade.
Zona afótica - sem luz - abaixo de 1000 metros de profundidade.
12
Províncias Marinhas
Província Nerítica - abrange desde a linha da costa até a borda da plataforma
continental.
Província Oceânica - abrange a área externa a borda da plataforma continental.
Dividida em:
Região epipelágica - entre 0 e 200 metros de profundidade.
Região mesopelágica - entre 200 e aproximadamente 1000 metros de profundidade.
Região batipelágica - entre 100 e 4000 metros de profundidade.
Região abissopelágica - entre 4000 e 6000 metros de profundidade.
Região hadopelágica - abaixo de 6000 metros de profundidade, onde se encontram as
Bolzon & Azevedo
fossas submarinas.
EXERCÍCIO
Um poço com 350 metros de profundidade foi perfurado no Mar Mediterrâneo, a 50km
da Costa da Argélia (África). Sete amostras foram selecionadas para estudo das
associações de Briozoários. Foram definidas três Associações de Briozoa que
apresentam diferentes tipos de colônia de Briozoários e que indicam mudanças
Paleoecologia
NERÍTICO BATIAL
COLÔNIA
Marinho
TIPO
Não
Ereto Ereto
cônico cônico
Livre
Livre
14
Livre
NERÍTICO BATIAL
SEDIMENTAÇÃO
Cronoestratigrafia
Das amostras(metros)
IDADE ABSOLUTA
LITORÂNEO
Não Marinho
SUBSTRATO
PROFUNDIDADE
ABISSAL
ENERGIA
LITOLOGIA
(M.a.)
INT. MÉD. EXT. SUP. MÉD. INF.
PALEOBATIMETRIA B M A S S F B M F
70
120
180
Paleoecologia
225
280
300
330
QUESTÕES
1- A que eras geológicas pertencem os Briozoários encontrados.
2- Com base na distribuição paleoambiental dos organismos determine o ambiente
(paleobatimetria) de cada intervalo e completa a tabela Curva Paleobatimétrica e
Estratigráfica do Poço.
3- Completar com as informações sobre o tipo de substrato e a taxa de sedimentação e
energia do meio dos Briozoários encontrados em cada amostra.
4- É constatada oscilação do nível do mar? Quantos eventos transgressivos e regressivos?
GENERALIDADES
• São mais diversificados e variáveis que os ambientes marinhos
Ex.: flutuações de temperatura
Fatores climáticos
• Radiação solar
Conceito: Intensidade: quantidade de energia enviada pelo sol por unidade de tempo e
área
Variações: astronômica (solares) – estações, latitude, altitude e metereológica.
• Duração ou fotoperíodo: tempo durante o qual o Sol brilha em horas e minutos por
dia Estações: maiores latitude os dias são mais longos no verão que nos trópicos
(menor variação)
• Temperatura
Temperaturas máximas compatíveis com a vida: entre 50º. e 55º.C
–Raramente encontrada no ar
• Precipitação
Bolzon & Azevedo
• Orvalho
Conceito: condensação noturna do vapor de água
Importante em regiões secas e elevadas: pode penetrar até 5 cm na superfície do solo
Ex: Israel: cada noite 0,45 mm, ou seja, 45 l/m2.
• Chuva:
A quantidade anual de água de chuva não tem o mesmo valor para a ecologia que a
mensal
Mesmo com 500 mm (deserto) de chuvas pode ocorrer floresta
• Vento
Ação abrasiva de partículas suspensas
–Importâncias ecológicas
• Dispersão de sementes e polinização
• Influência na temperatura e evaporação.
• Fatores Edáficos
Relacionados às peculiaridades do solo
Material originário, matéria orgânica, espessura, drenagem, pH, nutrientes.
Fatores fisiográficos ou topográficos
Paleoecologia
UNIDADE V- ICNOFÓSSEIS
REGISTRAM:
o Animais de corpo mole
o Diversidade de comportamento
o Retrabalhamento dos sedimentos pelos organismos
o Diversidade de associações fósseis
PERMITEM:
o Interpretações paleoambientais/paleoecológicas
o Identificar topo/base das camadas (orientação).
IMPORTÂNCIA
PALEONTOLOGIA:
Animais de corpo mole
Atividade de organismos extintos
Diversidade de associações fósseis
Evolução de metazoários → comportamento//evolução
SEDIMENTOLOGIA E ESTRATIGRAFIA
Paleoecologia
OUTROS
Indicadores de correntes (direção e força)
Consistência do substrato
Seleção do sedimento
Salinidade
Temperatura
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Concentração de O2
Batimetria
TIPOS
1. BIOTURBAÇÕES:
- Pistas, escavações, tubos
- Animais marinhos e continentais
- Atividades de: alimentação, reptação, habitação e/ou descanso
Ex: Invertebrados: anelídeos, moluscos, artrópodes → pistas/escavações; sedimento
inconsolidado;
Vertebrados: pegadas/ pistas/ fezes (coprólitos); peixes → escavações
Bolzon & Azevedo
2. BIOEROSÕES:
- Orifícios, tubos
- Ação da escavação mecânica ou bioquímica de organismos
- Substrato rígido
- Raspadores, rochas, madeiras
- Difícil determinar o organismo gerador
- Atividades de: habitação, predação
Ex: Ouriço-do-mar – ES (Holoceno) – antigos níveis do mar (intermarés)
3. COPRÓLITOS:
- Excrementos fossilizados ou pelotas fecais
- Forma/tamanho → variado; depende: gerador; deposição; preservação
- Hábitos alimentares; relações ecológicas
- Maioria: Fosfato de Cálcio → componente inorgânico principal (também:
Cálcio/Sílica)
Ex: Ovos de parasitas (em coprólitos humanos) → rotas de migração
4. NINHOS, OVOS:
- Invertebrados/Vertebrados
Ex: Ovos de dinossauros/Tartarugas (com embriões) → MG (K)
Ninhos (vespas) - gruta calcária → MG
PSEUDOICNOFÓSSEIS
Processos físicos e químicos que ocorrem durante e após a sedimentação
Podem originar estruturas semelhantes às produzidas por organismos (animais e
vegetais)
Ex: Marcas de ondas; Gretas de contração; Escape de gases; Moldes de sais, etc.
Paleoecologia
CLASSIFICAÇÃO
1. DESCRITIVA
o usa a morfologia
4. FILOGENÉTICA
o fornece a identidade do gerador do icnito
o taxonomia (possível em poucos casos)
o limitada
= Icnitos = comunidade
Associação Natural
⇒ Icnofácies → registro preservado (=aspecto lítico) da Icnocenose .
As 11 icnofácies são baseadas :
Na distribuição estratigráfica e etológica das associações em rochas de várias
idades e diferentes contextos ambientais.
Também ligadas a vertebrados e a excrementos fósseis (coprofácies).
21
a. Scoyenia e. Trypanites i. Zoophycus
b. Termitichnus f. Glossifungites j. Nereites
c. Mermia g. Skolithos [Link]
d. Psilonichnus h. Cruziana
Repetição temporal das Icnofácies = convergência comportamental (devido aos modos
de vida e requisitos ambientais).
TIPOS DE ICNOFÁCIES:
1. ICNOFÁCIES CONTINENTAIS – próximas a rios ou lagos.
Lagos temporários
Planície de inundação e margem de canal
Bolzon & Azevedo
Lagos permanentes
Dunas eólicas e áreas de interdunas (maior umidade)
Ex: Bacia do Paraná – Formação Botucatu (deserto do J):
- pistas de invertebrados
- pistas de carnívoros e mamíferos primitivos
Icnofácies: Scoyenia, Termitichnus, Mermia, Psilonichnus
2. ICNOFÁCIES MARINHAS – mais conhecidas e estudadas.
Associam parâmetros que controlam abundância e distribuição de
Temperatura, nutrientes, aporte de sedimento
Alterações → com aumento da profundidade
Paleoecologia
QUANTIFICAÇÃO:
ICNOFÁBRICA (ICNOTRAMA)
Totalidade das estruturas de bioturbação em uma rocha sedimentar.
AMOSTRAS 1 NR 2 NR 3 NR 4 NR 5 NR
1- Verificar o relevo nas
amostras.
Hiporelevo/epirelevo
2 - Qual a matriz da
amostra?
3- Qual a cor da
matriz?
Bolzon & Azevedo
4- O icnofóssil está
concordante ou
discordante em
relação ao
acamamento?
5- Qual a
concentração de
icnofósseis na
amostra? Quantos
tipos são
encontrados?
8- Utilizando a tabela,
em qual tipo de
Paleoecologia
icnofóssil se encaixa a
amostra?
9- A que icnofácies
pertence a amostra?
10- Qual a
distribuição
estratigráfica?
11- Quais os
organismos geradores
do icnofóssil?
Paleoecologia Bolzon & Azevedo 24
25
UNIDADE VI - PRÉ-CAMBRIANO
(ARQUEANO E PROTEROZÓICO)
Considerações iniciais
• A Terra no Pré-Cambriano foi certamente diferente
• Este intervalo de tempo não é bem conhecido ou completamente entendido.
Poucas rochas expostas;
Algumas erodidas ou metamorfizadas;
Maioria sobrepostas por rochas mais jovens;
Fósseis raramente encontrados;
Maioria das informações provém dos crátons
Bolzon & Azevedo
ARQUEANO
Subdivisões do Arqueano
– As idades internacionais (subdivisões) não foram bem estabelecidas;
– O mais antigo inicia em 3600 para 3200 M.a.;
– O mais recente: 2800 para 2500 M.a.
Eventos
• Tempo de grandes mudanças na formação da Terra. Sem registro de rochas;
• Diferenciação da crosta, manto e núcleo. Crosta continental antes de 4B.a. (mais
antigas rochas 3.96 B.a. Canadá)
• Origem da atmosfera: H2O, H2, HCl, CO, CO2, N2, gases com enxofre. Pouco ou
nenhum oxigênio (podem ter oxidado minerais de ferro);
• Condensação do vapor de água: chuva;
• Formação de lagos, rios, oceanos originalmente de águas doce (chuvas;
intemperismo dos continentes). Ambientes aquáticos poderiam ser ácidos pelos
gases com enxofre;
Ambientes do Arqueano
• Fontes de energia
– sol (UV), vulcanismo e raios
• Atmosfera
– H2O, H2, HCl, CO, CO2, N2, gases com enxofre
– Pouco ou nenhum oxigênio
• Água
– Estado: vapor e líquido
Paleoecologia
Vida no Arqueano
• Estromatólitos (cianobactérias ou algas verde-azuladas)
– Em sedimentos carbonáticos
– Mais antigos: 3.4 - 3.5 B.a./ Também em rochas de 2.8 - 3 B.a.
– Abundantes em rochas do Proterozóico
• Fósseis de algas filamentosas
– 3.5 B.a. / Pólo norte e oeste da Austrália
• Estruturas bacterianas esferoidais (Monera)
– Grupo Fig. Tree Group, África do Sul / 3.0 - 3.1 B.a.
– Células procariontes; divisão celular?
• Evidências químicas da origem da vida
26
– Experimento simulado por Miller e Urey em 1950 com obtenção de amino-
ácidos a partir de: H2, CH4 (metano), NH3 (amônia), H2O (água) gases e
descargas elétricas (simulando luz);
– Oparin e Fox formaram protobiontes, proteinóides e micro-esferas também
chamadas coacervados com comportamento de células, mas não vivas;
– Evidências de meteoritos carbonados (com carbono) condrites.
Ex.: Meteorito Murchison – Austrália compostos orgânicos de origem
extraterrestre
Bolzon & Azevedo
Início do oxigênio
– Oxigênio foi produto de dissipação;
– Primeira crise de poluição em 2.2 B.a. aumento do teor de oxigênio na atmosfera;
– No Arqueano menos que 1% da concentração atual;
– Em 1.8 B.a. oxigênio 15% do presente (Holland, 1994).
– Conseqüências:
– Crise: oxigênio degrada componentes orgânicos;
– Ainda hoje, algumas bactérias e protistas morrem na presença de oxigênio;
– Organismos:
– Adaptações bioquímicas com surgimento da respiração oxidativa ou aeróbica
– Aumento da produção de energia pelas células e surgimento dos eucariontes
– Desenvolvimento da camada de ozônio para absorver radiação UV;
– Fim da formação de ferros bandeados – apenas formado em baixas flutuações de
O2; presença de óxidos férricos em paleossolos, início das camadas vermelhas
(red beds) – óxidos férricos;
– Desenvolvimento de células eucariontes – teoria endossimbiôntica ou simbiótica;
– Célula hospedeira (fermentadora anaeróbica) + organela aeróbica
(mitocôndria) + organela semelhante a espiroqueta (flagelo para locomoção);
Paleoecologia
PROTEROZÓICO
Subdivisões do Proterozóico
• As idades internacionais (subdivisão) não foram bem estabelecidas;
• No Tabela de Tempo o tamanho das linhas não é correlato com a duração de cada
idade;
• O mais antigo 2500 para 1600 M.a.;
• O mais recente: 1000 para 540 M.a..
27
–
– Impressões e moldes de animais (associados à traços fósseis)
• Traços fósseis (icnofósseis)
que existiam células naquela época. A evidência fóssil de células provém de vários
locais, no período entre 3 e 3,5 bilhões de anos. Até recentemente, supunha-se que as
células fósseis mais antigas fossem as das rochas de sílex apical (Apex Chert) de 3,5
bilhões de anos, localizadas na Austrália Ocidental (Schopf, 1993). Mas Brasier et al
(2002) consideraram que os supostos fósseis dessas rochas são artefatos. Existem
outras evidências de células fósseis no período de 3 a 3,5 bilhões de anos (Knoll e
Baghoom, 1977, e Schopf, 1999, por exemplo, revisam as evidências). Portanto,
provavelmente as células evoluíram cerca de 3,5 bilhões de anos atrás, ou um pouco
depois disso.
formassem cópias ou semicópias do todo. Para o sistema tornar-se mais complexo, ele
precisa de enzimas e de sistemas metabólicos que lhe permitam aproveitar melhor os
recursos, ou explorá-Ios melhor convertendo-os nas unidades moleculares necessárias
para a replicação. Esse passo é difícil por, pelo menos, duas razões. Uma é o erro
mutacional, que se torna cada vez mais danoso à medida que a molécula da replicadora
aumenta de tamanho. A outra é que qualquer inovação vantajosa - por exemplo, que
possa produzir moléculas úteis - compartilhará seu produto com todas as outras
moléculas replicadoras que competem com ela naquele local. Uma molécula replicadora
"egoísta", que usa os recursos feitos por outras, mas não os fabrica, teria uma
vantagem seletiva sobre as moléculas replicadoras que produzem e usam os recursos.
Provavelmente essa segunda dificuldade foi superada pela evolução das células.
Se as moléculas replicadoras estão encerradas em células, os produtos de seu
metabolismo ficam confinados à célula que os produziu e não estão disponíveis para
quaisquer moléculas replicadoras egoístas fora dela. Outra vantagem das membranas
29
celulares é que as enzimas metabólicas podem organizar-se espacialmente; daí, uma
cadeia de reações metabólicas pode operar em uma seqüência eficiente. Portanto, as
primeiras células provavelmente não eram muito mais do que uma molécula
replicadora rodeada por membranas ou organizada dentro delas. As células
procarióticas modernas são versões complexas dessa forma de vida.
A divisão classificatória mais inicial da vida celular é uma árvore trifurcada em
arqués, bactérias e eucariotos. As arqués e as bactérias são procariotos, e ambas
existiam na Terra há 2 a 3 bilhões de anos. O outro tipo de célula, a eucariótica,
evoluiu depois dos procariotos. A época de origem dos eucariotos é incerta. O quadro
mais antigo é de cerca de 2,7 bilhões de anos. Brocks et a!. (1999) encontraram
fósseis químicos de certas gorduras que são características do metabolismo eucariótico
Bolzon & Azevedo
em rochas australianas com 2,7 bilhões de anos. Isso pode significar que foi quando os
eucariotos evoluíram. Ou pode ser que as gorduras não sejam bons sinalizadores da
vida eucariótica. Afinal, novos procariotos são descobertos a cada ano, com uma
variedade sempre crescente de novas aptidões. Desse modo, os fósseis químicos não
são uma evidência de origem eucariótica, mas eles levantam a possibilidade de que os
eucario tos já tivessem evoluído há 2,7 bilhões de anos.
As células fósseis mais antigas propostas como sendo eucarióticas foram
encontradas em uma mina abandonada, no Michigan e são descritas por Han e
Runnegar (1992). Os fósseis têm forma de saca-rolhas, assemelhando-se a algas mais
recentes (as algas são eucariotos). Em fósseis, o principal critério de distinção entre as
células eucarióticas e procarióticas é o tamanho celular. Tipicamente, as células
eucarióticas são maiores do que as procarióticas, embora haja alguma superposição de
seus tamanhos. Os fósseis de Michigan são enormes - cerca de 1 cm. Se isso é uma
única célula, ela certamente é eucariótica. Infelizmente, o processo de fossilização não
preserva qualquer indício de membranas celulares. Um cético poderia insistir que os
saca-rolhas de Michigan são, na verdade, multicelulares, caso em que eles poderiam
ser procarióticos. Se retrocedermos para cerca de 1,8 bilhão de anos, já existem muitas
células que, geralmente, são aceitas como eucarióticas.
Estudos com o relógio molecular sugerem que os eucariotos se originaram entre
2,2 e 1,8 bilhão de anos atrás. Logo, a evidência fóssil corporal e a molecular são
concordantes, mas a evidência fóssil química indica uma datação mais antiga. Em
geral, a datação para a origem dos eucariotos, ainda que incerta, é cotada em 2 bilhões
de anos.
O surgimento da célula eucariótica poderia ter-se estendido por muitas centenas
de milhões de anos. Os eucariotos atuais diferem dos procariotos em muitos aspectos.
Formalmente, a diferença definitiva entre eles é a presença ou ausência de um núcleo.
Os eucariotos também possuem organelas, inclusive as mitocôndrias e (nas plantas) os
cloroplastos. Os eucariotos têm um processo especial de divisão celular chamado
Paleoecologia
AULA PRÁTICA
Considerado por alguns autores como constituinte de um filo separado do reino animal.
4) ESTROMATÓLITOS
Estromatólitos são estruturas biosedimentares laminadas produzidas pelas
atividades metabólicas de comunidades bentônicas de micróbios, principalmente de
cianobactérias.
32
Bolzon & Azevedo
Generalidades
Paleoecologia
O tempo Cambriano
• Representa um intervalo de: 40 M.a. entre 540 e 500 M.a.
• A base é marcada pelo final do Vendiano e o topo pelo início do Ordoviciano.
• Três sub-períodos: inicial, médio e final
33
Generalidades
• Nome de uma antiga tribo Britânica, os Ordovices por Lapworth em 1879 para incluir
o intervalo disputado entre o Cambriano e Siluriano
• No final do Cambriano uma queda do nível do mar causou extinções
• Formação de ozônio nas camadas superiores da atmosfera
• Origem dos corais Rugosa e Tabulata
Paleoecologia
O tempo Ordoviciano
• Representa um intervalo de 65M.a., entre 500 e 435 Ma
• Com três sub-períodos: Inicial; Médio e Final
SILURIANO
Generalidades
• Nome de uma antiga tribo Britânica, os Silures. O termo foi usado por Roderich
Impey Murchinson em 1835 para camada com fósseis;
• Nenhum grande grupo de animais surgiu neste período, os grupos já existentes
diversificaram ou declinaram;
• O Siluriano foi um intervalo no qual a terra passou por significativas mudanças nos
ambientes e na vida;
• O mundo do Siluriano experimentou graduais mudanças continentais com o início
dos ecossistemas terrestres
O tempo Siluriano
• Intervalo de 25 M.a., entre 435 e 410 Ma;
• Dividido em três sub-períodos: Inicial, Médio, Final
Clima
• O Siluriano documenta uma importante estabilização geral do clima do planeta
• Ausência de grandes calotas de gelo;
• As oscilações climáticas no inicio do período influenciaram nas mudanças do nível
do mar;
Mares
• Rasos e continentes planos e baixos;
35
• 65% da plataforma da América do Norte estavam submersa durante o
Llandoveriano e Wenlockiano;
• Mares plataformais em clima tropical para subtropical;
• Recifes de Corais nos mares rasos associados a sedimentos carbonáticos;
• Redução na circulação durante o Ludlowiano e Pridoliano com a deposição de
evaporitos;
• Estes depósitos são encontrados na: Europa (N), Sibéria, China (S) e Austrália.
Eventos biológicos
• Durante o Siluriano as primeiras formas de vida começam a colonizar os
Bolzon & Azevedo
continentes;
• Aumentos do ozônio pela fotossíntese das plantas aquáticas, fornecem proteção aos
raios ultravioleta;
• Vida nos continentes: os organismos desenvolveram estratégias diferentes para
evitarem à perda de água – principal problema nos ambientes continentais.
“TERRESTRIALIZAÇÃO”.
SOLOS
• Provável ecossistema mais estudado e conhecido;
• Seqüencias de 3B.a. sugerem paleossolos.
• Os solos refletem a evolução atmosférica e biológica.
• Tipos:
o Solos abióticos:
Resultado de processos físicos e fisíco-químicos.
Paleoecologia
Origem das plantas terrestres (Texto de RIDLEY, M. 2006. Evolução. Porto Alegre:
Artmed. 752p.)
Os eventos principais da evolução inicial das plantas terrestres foram a evolução
de uma fase de esporos resistentes, depois a evolução de um tecido vascular, seguida
ela das raízes e daí as folhas. As briófitas, como o musgo, têm esporos, mas não têm
tecido vascular. As pteridófitas, como as samambaias têm tecido vascular. Este,
especialmente quando constituído de células traqueóides com paredes celulares
contendo lignina, permite que a planta se auto-sustente na terra.
Os fósseis mais antigos de plantas terrestres datam de cerca de 430milhões de
anos. Um dos fósseis mais comuns é a Cooksonia uma Rhyniophyta. Essas plantas
terrestres primitivas não tinham raízes nem folhas, apenas eixos (caules) ramificados.
Podemos inferir que elas faziam fotossíntese através de seus troncos, porque há
estômatos visíveis em seus caules fósseis.
Os fósseis com folhas aparecem entre 390 a 350 milhões de anos. A evolução
das folhas coincide com a enorme diminuição, de cerca de 90%, na concentração do
dióxido de carbono atmosférico. Uma hipótese relaciona esses eventos. A evolução
inicial das plantas terrestres pode ter removido o dióxido de carbono da atmosfera, não
só por sua atividade fotossintética relativamente pequena, através do tronco, mas, o
que foi mais importante, por meio da evolução de raízes. As raízes aumentam o
esboroamento, e este remove grandes quantidades de dióxido de carbono da
atmosfera. Essa redução do dióxido de carbono posiciona a força seletiva a favor das
folhas - e a evolução das folhas e uma fotossíntese mais eficiente reduzem ainda mais
Paleoecologia
INVERTEBRADOS
Exemplos:
• Macroscópicos: artrópodes, moluscos e anelídeos;
• Criptobióticos: muitos outros;
• Ordoviciano: euripterídeos anfíbios;
Bolzon & Azevedo
vertebral;
o Recepção de sons – ouvido;
o Ovos amnióticos – problema resolvido nos répteis.
inicialmente evoluíram como remos, para nadar. Seu posterior uso para andar é uma
etapa de pré-adaptação.
Nos tetrápodes atuais, o pé sempre tem cinco dígitos (ou, se o número difere de
cinco, pode-se constatar que derivou de uma condição pentadáctila). Os tetrápodes do
Devoniano, porém, incluem formas com números de dígitos diferentes, como sete ou
nove. Presumivelmente, os tetrápodes atuais acabaram derivando de ancestrais
pentadáctilos e mantiveram essa condição.
O grande passo subseqüente na evolução dos vertebrados terrestres foi o
surgimento do ovo amniótico: os répteis, as aves e os mamíferos são amniotas e os
membros desses grupos, ao contrário da maioria dos anfíbios, não retomam para a
água durante as etapas iniciais de seu ciclo de vida. A origem dos tipos de ovos não
pode ser traçada diretamente no documentário fóssil; entretanto, no surgimento dos
répteis houve mudanças na morfologia esquelética, do que há boas evidências, bem
como no tipo de ovo. Provavelmente os répteis evoluíram no Carbonífero. A pequena
criatura tipo-lagarto, dos depósitos fósseis da Nova Escócia, chamada Hylonomius, é
um réptil primitivo.
Depois do surgimento dos répteis, os dois principais eventos na evolução dos
vertebrados foram o surgimento do vôo das aves e a origem dos mamíferos.
AULA PRÁTICA
2) Comunidades do Ordoviciano
Os trilobitas continuam se diversificando, não constituem o grupo dominante e
apresentam várias tendências evolutivas, entre elas o desenvolvimento de grandes
olhos em Phacopídeos. Estas tendências sugerem a ampliação dos nichos ecológicos.
Os braquiópodes inarticulados continuam similares ao Cambriano. Os braquiópodes
articulados aumentam em diversidade e abundância nas faunas, colonizando ambientes
marinhos de águas profundas. No início do paleozóico ocorreu uma gradual diminuição
de alimentos para os organismos bentônicos comedores de suspensão. Provavelmente
a gradual colonização de ambientes de águas mais profundas pelos braquiópodes pode
estar relacionada com o seu mecanismo de alimentação. No Ordoviciano ocorreu
grande uma expansão dos Graptozoários pelágicos da Ordem Graptoloidea. Os
moluscos bivalves apresentaram considerável diversificação de formas comedoras de
suspensão. Os gastrópodes, especialmente saprófagos se diversificaram. Os
cefalópodes Nautilóides provavelmente nadavam próximos aos fundos marinhos. Os
briozoários também apareceram no início do Ordoviciano. Surgiram os corais Tabulata e
Rugosa. Os equinodermas estavam representados, em especial, por Crinozoa
(Crinóides).
- Qual a forma de obtenção de alimento dos braquiópodes e briozoários?
- Os comedores de suspensão preferem águas turbulentas e em ambientes onde o
suprimento de alimento é mais abundante. Nestes ambientes os trilobitas eram
mais escassos. Enumere os organismos comedores de suspensão citados no
texto do (Ordoviciano) acima.
- Enumere os organismos da epifauna.
- Enumere os organismos de águas turbulentas.
Faça um desenho esquemático para ilustrar a distribuição das comunidades do
Ordoviciano observadas.
3) Comunidades do Siluriano
Paleoecologia
Generalidades
• Rochas de Devonshire no sul da Inglaterra descritas por Murchinso e Sedgwick
(1840)
O tempo Devoniano
– Intervalo de 56,8 M.a. entre 416 e 359,2 Ma
– Dividido em três sub-períodos: Inicial; Médio e Final
Eventos biológicos
•Radiação adaptativa de corais e Trilobita;
•Surgem no Devoniano
Paleoecologia
• Pteridophytae
• Primeiras plantas com sementes - reprodução na ausência de água
Obs.: A cobertura de áreas terrestres pelas plantas promoveu mudanças na geosfera,
hidrosfera e atmosfera
− Vegetais mudaram o padrão de intemperismo, na erosão e transporte de
sedimentos
− Evaporação da água – surge a evapotranspiração
− Alteração no ciclo de O2 e CO2
− A colonização e diversificação das plantas e invertebrados terrestres refletiram
no aumento da diversidade dos peixes, invertebrados e vertebrados.
Bolzon & Azevedo
Generalidades
– O nome “Carbonífero” – “portadores de carvão”: faz referência a abundância de
carvão encontrado nos estratos desta idade; proposto por Willian Coney e Willian
Phillips em 1882, para camadas do centro norte da Ingraterra;
– Os sub-períodos referência aos estados da Pennsylvania e Mississippi nos Estados
Unidos da América, por Alexander Winchell em 1870;
– Anfíbios diversificados, primeiros répteis, radiação das primeiras ordens de insetos;
– Extensas florestas em locais alagados da Pangea tropical e subtropical com plantas
vasculares generalistas: licófitas, esfenófitas e samambaias.
O tempo Carbonífero
• Intervalo de 60 M.a. entre 359,2 e 299 Ma
• Dividido em dois sub-períodos:
• Mississipiano: chamado “Idade dos Crinóides”
• Pensilvaniano
Eventos biológicos
–Crinóides pedunculados: foram filtradores e habitavam mares quentes ao longo do
litoral da Laurásia
–Plantas Vasculares
–Durante Pensilvaniano: grande parte da América do Norte florestas de pântano
–Neste ambiente:
– Licófitas e Samambaias: algumas com mais de 30 metros
– Insetos: libélulas de 75 cm de envergadura, também ocorrem Orthoptera
(gafanhoto), Blattaria (barata), Homóptera (cigarras) e Ephemerida.
42
– Anfíbios: alguns maiores de 4m de comprimento, rastejantes e diferentes dos
anfíbios modernos.
–Primeiros répteis
– Os primeiros répteis foram encontrados em rochas do Mississipiano/Pensilvaniano
da Nova Escócia;
– Evoluíram de anfíbios;
– Ovo amniótico - com casca
Bolzon & Azevedo
Generalidades
– De Perm - uma Província na Rússia, usado por Murchinson em 1841 para calcários
sobrepostos a camadas carboníferas;
– Intervalo de 48 M.a. entre 299 a 251 Ma;
– Desde 2000 - dividido em três sub-períodos: Cisurialiano; Guadalupiano e
Lopingiano;
– Diminuição dos ecossistemas de pântanos do período anterior – desertificação em
alguns lugares;
– A base é marcada pelo final do Carbonífero e o topo por uma extinção em massa, em
especial de organismos marinhos e que marca o fim da Era Paleozóica – extinção de
95% de todas as espécies marinhas.
Clima
– As regiões internas dos continentes foram provavelmente secas, com grandes
flutuações sazonais por causa da falta do efeito dos corpos de águas próximos a
apenas algumas regiões eram chuvosas durante o ano;
– As glaciações diminuíram;
– Os ambientes continentais tornaram mais secos.
Eventos biológicos
Paleoecologia
AULA PRÁTICA
UNIDADE IX - MESOZÓICO
Generalidades do Mesozóico
–Início da fragmentação do Pangea
–Separação dos continentes
–Formação de novos oceanos: aumento da diversidade nos ambientes marinhos
– Mares: transgressão
Paleoecologia
– CLIMA: quente
– Intensificação do Provincialismo
O Tempo Mesozóico
• Intervalo entre 251 e 65,5 M.a.
• “medio - meso animais”
• A fauna mudou em relação ao Paleozóico
• Os Dinossauros são os mais “populares” do Mesozóico
• Grandes mudanças na vegetação terrestres.
• Domínio de: samambaias, cicas, ginkgófitas, coníferas.
• Origem das plantas com flores
45
O Tempo Triássico
• Rochas com marcante divisão tripartida na Alemanha, Friedrich von Alberti em 1834;
as faunas marinhas forneceram o padrão para correlação mundial;
• Intervalo entre 251 a 199,6 Ma - 51,4 M.a;
• Dividido em três sub-períodos: Inicial, Médio e Final
• Marca o início da Era Mesozóica
Bolzon & Azevedo
Eventos importantes
Nos mares:
• No início do período os amonóides constituíram o grupo dominante seguido pelos
bivalves e braquiópodes, sendo raros os foraminíferos e os equinodermas (Briggs,
1996);
• Diversificação de invertebrados marinhos:
o 2ª. Grande diversificação dos amonóides. Ao final do período ocorrem grupos
heteromorfos;
o Corais escleractíneos;
o Bivalves substituindo os braquiópodes.
• Início da mudança de hábito – infauna (escavadores) de grupos de bivalves e
equinóides (continuou no Jurássico e Cretáceo).
Nos continentes:
• Diversificação das Plantas com sementes incluindo Cicas;
• Radiação dos répteis;
o Surgem os primeiros: Tartarugas, crocodilos verdadeiros, Dinossauros,
Mamíferos e Aves
Obs.: No Carniano os dinossauros correspondem a 6% dos vertebrados terrestres,
enquanto no Noriano representam 25-60% das faunas.
o Surgem répteis marinhos: ictiossauros e plesiossauros
O Tempo Jurássico
Camadas das montanhas Jura no Norte da Suíça, Alexander von Humboldt em
1795;
Intervalo de 54,1 Ma, entre 199,6 a 145,5Ma;
Dividido em três sub-períodos:Inicial, Médio e Final;
46
Entre o Triássico e o Cretáceo.
Generalidades
• É usualmente conhecido como “Idade dos Dinossauros”, mas surgiram poucas
espécies.
• Início da modernização da vida terrestre (Futuyma, 1992)
• Primeiros fósseis de alguns grupos atuais de:
Paleoecologia
• insetos
• mamíferos
• Pássaros
• Surgem as primeiras plantas com flores
• Continentes separados
• Extinção em massa ao final do período
O tempo Cretáceo
–Deriva da palavra latina para giz, Omalius d’Halloy propôs em 1882 para camadas
circundando a Bacia de Paris;
– Intervalo entre 145 a 65,5 Ma. -80Ma;
• Dividido em dois sub-períodos: Inicial e Final.
47
EVENTOS BIOLÓGICOS
•Diversificação de invertebrados marinhos amonóides
•Os teleósteos continuam em ascenção
Bolzon & Azevedo
• Os dados não indicam um evento catastrófico repentino mas que durou vários M.a.
• Evidência: camadas do intervalo com concentrações de Irídio
• Interpretação:
– Meteorito?
–Vulcanismo?
Evidências da queda: Ex.:Júpiter – 1994
• Briggs (1996): fundamentalmente regressão do nível do mar causada pelo
resfriamento e diminuição dos mares epicontinentais promoveu redução dos produtores
primários. Esta causa poderia estar associada a erupções vulcânicas e ao impacto de
asteróide.
48
AULA PRÁTICA
1) Comunidades do Triássico:
Após o choque do Gondvana com a Laurásia, todo o Pangea moveu-se lentamente
para o norte, até o final do Permiano, com a linha do equador praticamente dividindo
ao meio as massas de terra. Como decorrência o clima do Gondvana, que antes se
encontrava próxima ao Pólo Sul alterou-se de modo gradativo, passando de um padrão
glacial com grandes geleiras no Permiano Inferior para outro mais quente e seco do
Permiano Superior.
As faunas marinhas apresentam em geral baixa diversidade e elevada densidade.
Bolzon & Azevedo
2) Comunidades do Jurássico:
A Flora de Coníferas é caracterizada por coníferas de folhas pequenas,
samambaias (Diptoridaceae e Matoniaceae), Pteridospermophyta (Caytoniales),
Cycadophyta (Bennettitales e Cicadales) e Ginkgophyta. Uma característica desta flora
é a ocorrência de caules silicificados de coníferas, alguns atingindo 30 a 40 m de
comprimento. Esta flora apresentou distribuição cosmopolita e segundo alguns autores
reflete a uniformidade climática ocorrida no globo durante o Jurássico. O clima teria
Paleoecologia
3) Comunidades do Cretáceo:
Nos ambientes marinhos surgem novas famílias de amonóides incluindo heteromorfos,
bivalves rudistas, recifes e ostras. As comunidades de bentônicos dominadas por
50
moluscos gastrópodes, escafópodes, bivalves (pectenídeos, ostrea, bivalves bissados),
corais hermatípicos, braquiópodes, crinóides, serpulítes, esponjas, poliquetos,
briozoários. Os nectônicos incluem: peixes, cefalópodes (nautilóides, amonóides e
belemnitídeos). As infaunas incluem decápodes e equinóides.
CLASSE CEFALOPODA Amonóides Ammonitida (Triássico-Cretáceo)
EQUINODERMATA Equinoidea Proced.: Rio Grande do Norte
Peixes Proced.: Santana do Cariri - CE
Peixes Escamas Proced.: Sergipe
Insetos
Plantas com flores
Bolzon & Azevedo
UNIDADE X - CENOZÓICO
Generalidades do Cenozóico
–Os últimos 65,5 Ma.
–Grande movimentação dos continentes;
– América do Sul isolada grande parte do intervalo:
–formação de altas montanhas ([Link]. Andes);
–Significativas mudanças climáticas, tendência para a diminuição da temperatura
–RADIAÇÃO: plantas com flores, mamíferos, aves e insetos.
PALEÓGENO
O Tempo Paleógeno
– Intervalo entre 65,5 e 23 Ma.
– Duração:42.5 Ma.
– Dividido em três épocas ou séries:
– Paleoceno: 65,5-55,8 M.a. duração 9,7 M.a.
Paleoecologia
Características
•Intervalo entre 65,5-55,8 M.a. duração 9,7 M.a.
•Queda eustática do nível do mar
51
•Muitas grupos modernos:
•classes de vertebrados;
•famílias de plantas;
•famílias de insetos.
•Origem de peixes Cyprinidae (carpas);
•Dasypodidae – tatus;
•Diversificação de ordens de mamíferos placentários;
• América do Sul;
•Início:Flora Neotropical ocupa todo o continente;
•Médio: Paleoflora Mista:
Bolzon & Azevedo
Características
•Intervalo entre 55,8-33,9 M.a. duração 21,9 M.a.;
•As mais antigas ordens dos mamíferos atuais: menores que 10Kg;
•Modernos ungulados (Artiodactyla e Perissodactyla) com radiação entre Europa e
América do Norte;
•Origem dos: sapos (Bufonidae), serpentes (Boidae), garças (Ardeidae), coelhos
(Leporidae) e morcegos (Chiroptera);
Características
• Intervalo entre 33,9-23,03 duração 10,83 M.a.;
• Importantes eventos tectônicos;
• Declínio da temperatura: clima mais frio e seco;
• Condições para desenvolvimento de savanas herbáceas e campos;
• Flora:
• Hemisfério norte: evidência de resfriamento; diminuição das florestas
• América do Sul: florestas úmidas comuns na parte sul do continente e migração
da flora Antártica para o norte;
Características
– Últimos 23,03 Ma.;
Paleoecologia
Características
• Intervalo entre 23,03 e 5,332 M.a.;
• Estabelecimento de florestas abertas e savana (misto de floresta e savana);
• Início da Desertificação na Patagônia;
• Novo nicho ecológico ocupado – os campos;
• Animais pastadores e seus predadores;
• Adaptações para dedos e pés;
52
Características
• Intervalo entre 5,332 e 1,806 Ma.;
• Alternância de períodos frios e quentes;
• Três grandes eventos;
• Istmo do Panamá: formação ±2,5M.a;
– Cordão de ilhas;
– Queda do nível do mar;
• Início das glaciações no hemisfério norte;
• Durante este tempo a Índia colidiu com a Ásia e formou a Himalaia;
Bolzon & Azevedo
HISTÓRICO DO QUATERNÁRIO
• Em 1829 o Geólogo Francês Jules Desnoyers propôs o termo Quaternário (ou
“Quarto") para descrever certos sedimentos e depósitos vulcânicos da Bacia de
Seine, norte da França;
• Os depósitos continham poucos fósseis e eram mais jovens que os das rochas do
Terciário;
• Após 1840 o termo foi amplamente utilizado para sedimentos glaciais dos Alpes e
Norte Europeu. O conceito de “Idade do Gelo” tornou-se popular;
• Em 1839 o Geólogo Escocês Charles Lyell (1797-1875) dividiu o Quaternário em:
• Série Pleistoceno (mais antiga): composta principalmente de sedimentos
glaciais,
• Série Recente (mais nova)
• Existe várias tendência em relação ao Quaternário:
− IUGS: estender o sistema Neógeno até o presente e eliminar o Quaternário
(séries Pleistoceno e Holoceno);
− Proposta INQUA: manter o quaternário como um Subsistema do Neógeno. O seu
limite inferior seria ampliado para 2,6 M.a.(incluindo o Gelasiano – final do
Plioceno – 1ª. Glaciação tipo quaternário);
Paleoecologia
O Tempo Quaternário
• O Pleistoceno (“mais recente”): 99% do Quaternário;
• Intervalo entre 1,806 e 0,0118 M.a. (11.800 anos);
• O Holoceno (“todo - completamente recente”): essencialmente a “era moderna” –
os últimos 11.800 anos;
• A divisão geológica é artificial, pois o “Alucino” não é um interglacial;
53
Geologia
• A posição dos continentes foi semelhante a atual, mas a geografia foi muito
diferente.
• Rápidas mudanças do nível do mar causadas pela flutuação das capas de gelo.
Clima
• A temperatura global durante o Quaternário continua diminuindo – “Idade do Gelo”;
• Atualmente não é uma “Idade do Gelo”, mas toda uma série de períodos glaciais
com períodos interglaciais (principalmente no Hemisfério Norte) que foram quentes
(tropicais);
Bolzon & Azevedo
Características
– Continua a queda de temperatura;
– Grandes mamíferos diversificam;
– Hominídeos: início do uso do fogo e ferramentas.
HISTÓRICO DO PLEISTOCENO
• O termo Pleistoceno (“mais recente") foi utilizado por Charles Lyell em 1839;
• Base de uma seção no oeste da Sicília com espécies de moluscos extintos e atuais;
• Estratos com 90 a 100% de espécies atuais podiam ser designados como
Pleistoceno – alguns estrados não continham conchas de moluscos;
• A atual definição é baseada em datação radiométrica de 1.806 milhões de anos ou
mais recente, presença de moluscos e foraminíferos de águas frias, ausência de
Nanofóssil Discoaster, e nos continentes restos fósseis dos cavalos modernos e
elefantes que apresentavam distribuição mais ampla que hoje.
Clima
• Alternância de períodos:
• Frios (as glaciações) com cerca de 100 mil anos de duração;
• Fases de temperatura mais quente: cerca de 20 mil anos.
Observação
• Os estudos em sedimentos do fundo dos oceanos e de isótopos de oxigênio
mostram pelo menos 16 ciclos;
• Análises paleológicas em sedimentos continentais mostram resultados
Paleoecologia
semelhantes;
• Nos continentes 4 a 5 foram identificadas geologicamente.
• Conseqüências:
• Nos oceanos: variações no nível do mar de 130 metros ou mais:
– Glacial: regressão;
– Inter-glacial: transgressão;
• Nos continentes: diminuição da temperatura e umidade:
– Glacial: frio e seco;
– Inter-glacial: mais quente e úmido;
• Causas:
− Movimentos tectônicos – padrão de circulação;
− Flutuações solares;
− Ciclos de Milankovitch:
54
-mudança na órbita terrestre;
-inclinação da Terra.
Eventos Biológicos
• Durante o Pleistoceno – auge da “idade dos mamíferos”:
• Animais e vegetais: basicamente as mesmas espécies atuais embora com
distribuição diferente. Ex.: hipopótamos e elefantes que ocorriam p. ex. em Londres
durante os períodos inter-glaciais;
• Mamíferos gigantes (megafauna);
• A evolução ocorreu rapidamente, estimulada por mudanças climáticas e ambientais;
Bolzon & Azevedo
História do Holoceno
• O termo Holoceno “todo ou completamente recente” – período geológico recente;
• O limite entre o Pleistoceno e o Recente é cerca de 8.000 anos ou 11.500 anos
antes do presente (a.p.);
• Representa uma fase de marcado aquecimento climático – inter-glacial;
• A mudança é bem definida em sedimentos da Escandinávia e corresponde ao limite;
• Entre a Zona de Pólen Européia III/IV e também o Late Glacial/Postglacial.
Bolzon & Azevedo
Generalidades
• Todas as outras idades, épocas e períodos são representados por fenômenos
naturais, geológicos ou evolutivos;
• O Holoceno é marcado por processos de erosão e sedimentação ocasionados pela
atividade humana;
• Ocorreu um exponencial crescimento da população humana e do conhecimento;
• Colápso ecológico;
• Technozoico: idade da vida artificial.
extremo nordeste da Argentina, deve ter ocorrido mais ao sul, na região de Buenos
Aires e se estendido em direção leste, ao longo do Uruguai, favorecida por clima mais
chuvoso, provavelmente com o dobro da precipitação atual (1600mm). Na Argentina e
em áreas adjacentes, as condições climáticas eram mais úmidas e um pouco mais
quentes que na atualidade, contrastando com as indicações de expansão da aridez no
Chile Andino e sudeste do Brasil. No sudeste do Brasil, os dados palinológicos indicam
uma estação seca mais longa e temperaturas de inverno provavelmente 5oC acima da
atual.
Para a América do Sul, dados geológicos, geomorfológicos e paleoclimáticos
indicam a vigência de climas mais frios e secos nos intervalos de 4.000 a 2.000 anos
A.P. e de 1.500 a 400 anos atrás. Para o sul do Brasil, entretanto, não foram
encontradas evidências significativas de fases secas após 5.000 anos A.P.,
provavelmente devido a repetidos fenômenos do tipo El Niño, que promovem maior
pluviosiosidade na região.
59
O esfriamento gradual do clima da Terra desde o Neocretáceo, influenciou na
expansão dos campos e retração das florestas, bem como pelo aparecimento dos
precursores da flora savânica da América do Sul. As mudanças climáticas promoveram
desde o final do Eoceno, o deslocamento gradual dos elementos característicos da flora
Neotropical para o norte. A formação da Cordilheira dos Andes determinou importantes
mudanças climáticas em todo o continente. A Cordilheira dos Andes funciona como uma
ponte de clima frio entre o Panamá e a Terra do Fogo e como barreira para os ventos
úmidos do Pacífico, ocasionando, na parte sul do continente, uma intensificação das
chuvas, no lado oeste, e intensa aridez na Patagônia argentina. A extremidade austral
da América do Sul, de clima temperado-frio, constitui um refúgio para animais
primitivos e plantas que foram anteriormente cosmopolitas.
Bolzon & Azevedo
Texto modificado de: BOLZON, Robson Tadeu; MARCHIORI, José Newton Cardoso. A
VEGETAÇÃO NO SUL DA AMÉRICA: PERSPECTIVA PALEOFLORÍSTICA. Ciência e
Ambiente, Santa Maria, 2002, P. 1-24.
AULA PRÁTICA
1) INVERTEBRADOS
a) Observar os invertebrados fósseis.
Ex.: Molusco Bivalve Crepidula dumosa Idade: Eoceno Proced.: Carolina do Sul - EUA
Equinodermata Equinóide Melitta sp Pleistoceno/Holoceno
2) VERTEBRADOS
a) Qual importância da separação dos continentes na radiação dos mamíferos no
Cenozóico?
b) O que ocorreu quando a América do Sul e a América do Norte foram ligadas pelo
Istmo do Panamá?
c) Observar o aglomerado de ossos de vertebrados de gruta calcária.
d) Observar os exemplares fósseis
d.1)Observar o molar de Mastodonte e o incisivo de Proboscídeo (Mastodonte –
Haplomastodon)
d.2)Reconhecer a mandíbula do Tayassuidae (mamífero suíniforme).
d.3)Observar o molar de Eqüídeo (cavalo).
d.4) Fazer um desenho da placa de carapaça de Gliptodonte, um “tatu” gigante do
Quaternário. Comparar com a atual.
Paleoecologia
3) VEGETAIS
a) Faça um esquema dos exemplares.
b) Qual o modo de fossilização?
Paleógeno: Paleoceno, Eoceno e Oligoceno
Vegetação na Antártica.
60
INTRODUÇÃO
A história geológica dos recifes é similar à história dos invertebrados. Os
organismos construtores de recifes são encontrados nos mares tropicais atuais mas em
muitos dos recifes do Fanerozóico faltam os esqueletos dos invertebrados. A ausência
dos esqueletos impede a ocorrência dos recifes na zona de turbulência constante (zona
de ondas), pois os organismos menores e mais delicados são quebrados ou removidos.
A zona de turbulência é uma área favorável ao desenvolvimento e a diversidade dos
organismos, pois o sedimento é continuamente removido, a água é clara, e os
Bolzon & Azevedo
carbonáticos oolíticos/esqueletais.
CAMBRIANO INICIAL
Recifes são encontrados em estratos do Cambriano inferior da Plataforma
Siberiana. Estes recifes são constituídos principalmente por: lama calcária e
cianobactérias calcificadas (Epiphyton, Renalcis e Girvanella). Como elementos
acessórios ocorrem arqueociatídeos. Os arqueociatídeos foram metazoários esqueletais
relativamente grandes, semelhantes a esponjas, com forma de cálice e de posição
sistemática incerta.
Ao final do Cambriano inicial próximo aos recifes surgiu um complexo
ecossistema formado de organismos bentônicos sésseis, pobres em calcário, formando
um complexo ecossistema. Este complexo ecossistema apresentava as mesmas
características dos recifes modernos como: crescimento esqueletal, sedimentação,
61
cimentação e bioerosão. Os arqueociatídeos constituíram os elementos esqueletais mais
simples desses calcários. Elementos acessórios incluem fragmentos (arenosos) de
esqueletos de: pelmatozoa (equinodermas pedunculados), braquiópodes e hiolitídeos.
Na matriz de lama calcária ocorrem fósseis de Trilobita e espículas de esponja. Renalcis
e Epiphyton (cianobactérias) incrustam os arqueociatídeos e as paredes das cavidades.
Em alguns dos esqueletos fósseis e no substrato ocorrem evidências de bioerosão
atribuída a vermes.
RECIFES DO JURÁSSICO
A fauna construtora de recife pode ter sido afetada pelo evento de extinção do
Noriano o qual atingiu cefalópodes, gastrópodes, bivalves e braquiópodes articulados.
Os recifes foram comuns no Mar de Tétis, atingindo o máximo no Jurássico Final. Os
recifes do Jurássico ocorrem em bacias plataformais no oeste da Europa e ao longo da
região nordeste do Tétis, no oriente do Canada e Oriente Médio.
63
No Jurássico os recifes se desenvolveram em águas profundas, com mais de 100
metros, sendo constituídos por: esponjas silicosas, algas e foraminíferos tubulares em
matriz lamosa. A fauna associada incluía briozoários e braquiópodes.
Recifes de corais e estromatoporóides cresceram como franjas sobre as amplas
plataformas rasas, como cinturões de franjas próximos às margens das plataformas e
como barreira sobre recifes de esponjas preexistentes. Em algumas áreas estes recifes
são dominados por corais e exibem excelente zonação vertical, em outras regiões eles
são finos com os principais elementos sendo: estromatoporóides e coral Microsolena. A
alga vermelha calcárea Solenopora e a verde Dasicladacea atingem o máximo de seu
desenvolvimento no Jurássico final. As atuais algas codiáceas e coralináceas articuladas
Bolzon & Azevedo
surgiram associadas a estes organismos. Nas margens dos recifes em franjas, mais de
80 por cento dos sedimentos são restos esqueletais de crinóides, gastrópodes, corais
solitários e grandes bivalves.
RECIFES DO CRETÁCEO
As comunidades de recifes do Jurássico final constituídas por corais-algas-
estromatoporóides persistem até o início do Cretáceo nas margens das plataformas e
talude. Grupos de moluscos, os bivalves rudistas, evoluíram rapidamente e foi um
importante constituinte biótico da maioria dos recifes do Cretáceo. Estes bizarros
bivalves usualmente tinham uma grande valva fixa ao substrato e a outra valva menor
era um opérculo ou capuz. Os rudistas desenvolveram um hábito coralino e estavam
adaptados a vários habitats de lagunas lamosas para margens de plataformas e talude.
Desenvolveram formas variadas de prolato à plano-espiral (Caprinideos) para maciço à
forma de barril (Radiolotídeos) com algumas conchas maiores que 1.5m de
comprimento. A forma deles lembra arqueociatídeos, corais rugosos e braquiópodes
richtofenídeos.
Do Aptiano e Cenomaniano os rudistas ocorreram em vários tipos de recifes e
em alguns locais, na zona de surfe. Recifes do cretáceo médio foram formados muitas
vezes em áreas de circulação restrita. A diversidade dos recifes consistia de um núcleo
de comunidade de corais, algas e poucos rudistas. As comunidades de rudistas tendiam
a ocupar nas plataformas as zonas planas de alta energia. Nas plataformas internas, os
recifes apresentavam baixa diversidade e foram dominados por uma ou poucas
espécies de rudistas.
Os recifes do Cretáceo final são dominados por rudistas, particularmente
radiolitídeos sendo os constituintes assessórios os corais e as algas incrustantes.
A importância dos corais como organismos construtores de recifes diminuiu
provavelmente por causa das mudanças ambientas como salinidade, temperatura ou
Paleoecologia
oxigênio. A competição com os rudistas não tem sido sustentada, pois durante o Albino
corais e rudistas ocuparam diferentes ambientes.
RECIFES NO CENOZÓICO
A extinção em massa do final do Cretáceo afetou principalmente os
invertebrados calcários bentônicos. Bivalves rudistas foram extintos completamente
enquanto corais coloniais reduziram de 90 para 30 gêneros. Calcisponjas e
estromatoporóides sobreviveram, mas desde então não foram importantes na
construção de recifes.
Os recifes do Cenozóico são similares aos atuais sendo dominados por corais
escleractíneos. Contudo, o registro da evolução ocorrida nos recifes do Cenozóico, não
é bem conhecido. A falta de registro é porque os recifes continuam cobertos em áreas
tectonicamente estáveis e são afetados por falhas em áreas tectonicamente ativas.
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Também porque os recifes ocorrem nas regiões tropicas onde os afloramentos são
pobres e alterados pelo intemperismo.
A distribuição dos recifes do Cenozóico no tempo e no espaço é resultado das
mudanças no padrão de circulação oceânica em decorrência do gradual fechamento do
mar de Tetis como resultado da movimentação das placas.
Os recifes do Paleoceno são formados por corais remanescentes do Cretáceo.
Solenopora, uma importante alga coralínea em recifes, surgiu no Ordoviciano e
desapareceu no final do Paleoceno.
Uma nova radiação de gêneros de corais hermatípicos ocorreu no início do
Eoceno. Esta radiação evolutiva continuou no Oligoceno quando os recifes atingiram o
Bolzon & Azevedo
RECIFES DO FANEROZÓICO
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