Cálculo Tensorial na Relatividade Geral
Cálculo Tensorial na Relatividade Geral
Maringá - PR
2016
Universidade Estadual de Maringá
Centro de Ciências Exatas
Departamento de Física
Maringá - PR
2016
text
“lembrem de mim
como de um
que ouvia a chuva
como quem assiste missa
como quem hesita, mestiça,
entre a pressa e a preguiça. ”
Paulo Leminski
Agradecimentos
Agradeço imensamente a meus pais, por todo carinho, paciência e cumpli-
cidade proporcionados durante esta jornada. Agradeço também a minha
namorada, por todo suporte, pela amizade e, claro, pelas bobagens de todo
dia, que facilitam o viver. Gostaria também de agradecer meus professores,
em especial a Hatsumi Mukai, Luis Carlos Malacarne e Breno Ferraz de Oli-
veira, pelo apoio dado e por toda dedicação e disposição ao me auxiliar no
decorrer do curso.
Obrigado.
Resumo
The present work deals with tensor calculus and Theory of General Re-
lativity (TRG), focusing in the last one. First, an introduction to tensors is
made, covering from algebra to curvature tensors. Then, the thought expe-
riments (gedankenexperiment) that led to the genesis of TRG are presented,
followed by the field equations, wich are obtained using the variational for-
mulation. The Schwarzschild solution is derived and its consequences are
analyzed. The importance of studying TRG can be seen in many fields,
among wich modern cosmology and quantum gravitation.
Introdução 9
1 Tensores 11
1.1 A ideia por trás de tensores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
1.2 Álgebra Tensorial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
1.3 O tensor Métrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.4 Cálculo Tensorial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
1.5 Geodésicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
1.6 Curvatura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
1.7 Tensores Relativos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
3 Solução de Schwarzschild 43
3.1 A Métrica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
3.2 Geodésicas e Órbitas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
3.3 O Periélio de Mercúrio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
3.4 Desvio Gravitacional da Luz . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
3.5 Coordenadas de Lemaître . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
Considerações Finais 62
9
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 10
Tensores
11
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 12
σ σ σ
11 12 13
σ = σ21 σ22 σ23
σ31 σ32 σ33
Neste trabalho será usada uma abordagem clássica, onde se trabalha com
as componentes dos tensores. Apesar desta abordagem deixar de lado parte
da intuição geométrica, ela é mais elementar e a linguagem empregada no
tratamento remete à geometria [11], o que acaba tornando os conceitos de
mais fácil compreensão.
N −1
ν
X ∂ x̄ν µ
dx̄ = dx . (1.2.2)
µ=0
∂xµ
∂ x̄ν µ
dx̄ν = dx . (1.2.3)
∂xµ
∂ x̄µ ν
V̄ µ = V . (1.2.4)
∂xν
Por outro lado, são ditas componentes de um vetor covariante aquelas que
se transformam por
∂xν
V̄µ = Vν . (1.2.5)
∂ x̄µ
Note que os índices subescritos seguem a mesma lógica empregada para os
vetores contravariantes.
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 14
∂ x̄α ∂ x̄β µν
T̄ αβ = T , (1.2.6)
∂xµ ∂xν
∂xµ ∂xν
T̄αβ = Tµν ; (1.2.7)
∂ x̄α ∂ x̄β
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 15
∂xµ ∂ x̄β ν
T̄αβ = T . (1.2.8)
∂ x̄α ∂xν µ
∂ x̄µ ∂xλ ω
V̄ µ Ūµ = V Uλ = δ λω V ω Uω = V λ Uλ , (1.2.10)
∂xω ∂ x̄µ
nadas [11]:
ds2 = gµν dxµ dxν . (1.3.1)
gµν U ν = Uµ . (1.3.2)
gµν g µλ = δ λν , (1.3.3)
θ
φ
∂T µν ∂ x̄α
2 µ
∂ x ∂xν λω ∂xµ ∂ 2 xν ∂xµ ∂xν ∂ T̄ λω
λω
= T̄ + λ α ω T̄ + λ ω .
∂xρ ∂xρ ∂ x̄α ∂ x̄λ ∂ x̄ω ∂ x̄ ∂ x̄ ∂ x̄ ∂ x̄ ∂ x̄ ∂ x̄α
(1.4.1)
Para que a diferenciação de um tensor também possua carácter tensorial são
construídos os símbolos de Christoffel de primeira e segunda ordem, respec-
tivamente:
1 ∂gρµ ∂gρν ∂gµν
Γρµν = ν
+ µ
− (1.4.2)
2 ∂x ∂x ∂xρ
e
1
Γλ µν = g λρ Γρµν . (1.4.3)
2
λ
Em algumas literaturas, estes são representados por [µ ν, ρ] e µν
, respec-
tivamente. São simétricos no índices µ e ν. Os símbolos de Christoffel não
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 19
∂T µν
∇ρ T µν = ρ
+ Γµ λρ T λν + Γν λρ T µλ , (1.4.5)
∂x
∂Tµν
∇ρ Tµν = ρ
− Γλ µρ Tλν − Γλ νρ Tµλ . (1.4.6)
∂x
Uma propriedade útil é que a derivada do tensor métrico é sempre nula:
∂gµν λ λ ∂gµν
∇ρ gµν = − Γ µρ gλν − Γ νρ gµλ = − Γνρµ − Γµρν
∂xρ ∂x
ρ
∂gµν 1 ∂gµν ∂gρν ∂gµρ 1 ∂gµν ∂gρµ ∂gνρ
= − + − − + −
∂xρ 2 ∂xρ ∂xµ ∂xν 2 ∂xρ ∂xν ∂xµ
(1.4.7)
= 0.
δT µν ∂xρ
= ∇ρ T µν (1.4.8)
δu ∂u
e, para covariantes
δTµν ∂xρ
= ∇ρ Tµν . (1.4.9)
δu ∂u
Como os símbolos de Christoffel são nulos em espaços planos, as derivadas
se reduzem ao caso do cálculo diferencial usual.
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 20
1.5 Geodésicas
As geodésicas costumam ser definidas, em espaços planos, como o menor
caminho entre dois pontos. Este conceito pode ser generalizado para espaços
curvos por uma definição mais formal [11]. Na Figura 1.4 representa-se um
conjunto de curvas geodésicas em um espaço curvo, a elipsóide triaxial.
dxµ dxν
gµν = pν pν = 1 (1.5.2)
ds ds
3
Disponível em: <[Link] Acesso em: agosto de
2016.
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 21
d ∂L ∂L
λ
− λ = 0, (1.5.3)
ds ∂p ∂x
d 2 xλ λ dxµ dxν
+ Γ µν = 0. (1.5.4)
ds2 ds ds
1.6 Curvatura
O tensor de Riemann (ou Riemann-Christoffel) descreve a curvatura in-
trínseca do espaço, e é utilizado para construir outros tensores que auxiliam
na descrição da curvatura do espaço-tempo na TRG. Para construir este ten-
sor, assume-se a existência de duas curvas, xλ e xω tal que a junção das duas
seja uma curva fechada num espaço curvo. Se um vetor Uµ é transportado
paralelamente em relação a estas duas curvas, como já mencionado, o vetor
final não é, necessariamente, paralelo ao inicial. Esta afirmação é análoga a
de que as derivadas não são comutativas em espaços curvos
∇λ ∇ω Uµ 6= ∇ω ∇λ Uµ . (1.6.1)
∇µ ∇ν Uλ − ∇ν ∇µ Uλ = Rσ λµν Uσ (1.6.2)
com
∂Γσ λν ∂Γσ λν
Rσ λµν = − + Γω λν Γσ ωµ − Γω λµ Γσ ων , (1.6.3)
∂xµ ∂xν
denominado tensor de Riemann ou de curvatura. Ele têm este nome devido
ao teorema que segue [11].
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 23
R = g µν Rµν . (1.6.7)
∂xµ ∂ x̄ν
ḡαβ = gµν (1.7.2)
∂xα ∂ x̄β
portanto, 2
∂x
ḡ = g (1.7.3)
∂ x̄
com ḡ e g sendo os determinantes do tensor métrico em relação as respectivas
coordenadas. Já o invariante de volume de um espaço quadridimensional se
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 25
p p
|ḡ|d4 x̄ = |g|d4 x. (1.7.5)
26
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 27
d 2 xµ
= 0, (2.2.1)
dτ 2
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 32
d 2 xλ λ dxµ dxν
+ Γ µν = 0, (2.2.2)
dτ 2 dτ dτ
√
Z
S= L −gd4 x (2.3.1)
Ω
√
sendo g o determinante da métrica e o termo −gd4 x o elemento invariante
√
de volume (o produto L −g é denominado densidade lagrangiana). O sinal
negativo na raíz se dá devido ao determinante da métrica ser sempre negativo
para um espaço-tempo real [28]. Pelo princípio de mínima ação [7]
δS = 0, (2.3.2)
√
Z
δ −g (LG − 2κLM ) d4 x = 0. (2.3.3)
Ω
√
Z
δ −g (R − 2κLM ) d4 x = 0 (2.3.4)
Ω
√ √
Z Z
µν
δ Rµν g −gd4 x − δ 2κLM −gd4 x = 0. (2.3.5)
Ω Ω
√ √ √
Z Z Z
µν 4 µν 4
δ Rµν g −gd x = δ (Rµν ) g −gd x + Rµν δ g µν −g d4 x,
Ω Ω Ω
(2.3.6)
usando a definição (1.6.3) para o tensor de Ricci
∂Γρ µν ∂Γρ µρ
σ ρ σ ρ
δRµν = δ − + Γ µν Γ σρ − Γ µρ Γ νσ , (2.3.7)
∂xρ ∂xν
Note que esta é uma equação tensorial e, portanto deve ser válida em qual-
quer sistema de coordenadas. Como as derivadas covariantes da métrica são
sempre nulas
√ √
−gg µν δRµν = −g ∇ρ g µν Γρ µν − ∇ν g µν δΓρ µρ ,
(2.3.9)
√ √
−gg µν δRµν = −g ∇α g µν δΓα µν − g µα δΓρ µρ .
(2.3.10)
1 ∂ √
∇µ V µ = √ −gV µ
µ
(2.3.11)
−g ∂x
√ ∂ √
Z Z
−gg µν δRµν d4 x = −gg µν δΓα µν − g µα δΓρ µρ d4 x
α
(2.3.12)
Ω Ω ∂x
√
Z
−gg µν δRµν d4 x = 0. (2.3.13)
Ω
2
Apêndice B
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 37
√ √ √
Z Z Z
Rµν δ −gg µν d4 x = µν 4
Rµν g µν δ −gd4 x (2.3.14)
Rµν −gδg d x+
Ω Ω Ω
√ 1 1√
δ −g = − √ δg = − −ggµν δg µν . (2.3.15)
2 −g 2
√ √
Z Z
µν 4 1
−g Rµν − Rgµν δg µν d4 x.
Rµν δ −gg d x= (2.3.16)
Ω Ω 2
√ √
Z Z
1
δ LG −gd4 x = −g Rµν − Rgµν δg µν d4 x (2.3.17)
Ω Ω 2
no caso dos campos externos serem nulos (LM = 0), como δg µν é livre para
√
variar e −g 6= 0, esta equação traz as equações de campo no vácuo em
forma covariante:
1
Rµν − Rgµν = 0. (2.3.18)
2
Caso haja campos externos é necessário desenvolver o termo com LM .
Supondo que a lagrangiana dependa da métrica e de sua derivada primeira,
usando por simplicidade, a notação g µν ,α = ∂g µν /∂xα
∂ √ √
Z Z
4
µν ∂
−gLM δg ,α d4 x
µν
δ LM d x = −gLM δg + µν
Ω Ω ∂g µν ∂g ,α
(2.3.19)
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 38
e notando que
√ √
∂ µν ∂ ∂ µν
−gLM δg ,α = α −gLM δg − (2.3.20)
∂g µν ,α ∂x ∂g µν ,α
√
∂ ∂
−gLM δg µν
∂xα ∂g µν ,α
∂ √ √
Z Z
4 ∂ ∂
δg µν d4 x
δ LM d x = µν
−gLM − α µν −gLM
Ω Ω ∂g ∂x ∂g ,α
(2.3.21)
pois o primeiro termo da equação (2.3.20) se anula ao usar o teorema de
Gauss na integral. Definindo o tensor energia-momento como [14]
∂ √ √
2 ∂ ∂
Tµν =√ −gLM − α −gLM , (2.3.22)
−g ∂g µν ∂x ∂g µν ,α
tal que
√ 1√
Z Z
4
−gLM d x = −gTµν δg µν d4 x. (2.3.23)
Ω Ω 2
Portanto, a equação inicial para a ação é escrita como
√
Z
1
δ −g Rµν − Rgµν − κTµν δg µν d4 x = 0 (2.3.24)
Ω 2
1
Rµν − Rgµν + Λgµν = κTµν (2.3.29)
2
d2 x0 /ds2 µ
ẍµ + Γµ ωλ ẋλ ẋω = − x˙ (2.4.3)
(dx0 /ds)2
d2 x0 /ds2
= −Γ0 ωλ ẋλ ẋω . (2.4.4)
(dx0 /ds)2
ẍi + Γi ωλ ẋ
λ ω
ẋ ≈ 0 (2.4.5)
1 ∂g00
Γi 00 = − g iλ λ (2.4.7)
2 ∂x
1 ∂g00
Γi 00 ≈ . (2.4.8)
2 ∂xi
κ 2
R00 = ρc . (2.4.9)
2
∂Γλ 00 1 ∂ 2 g00
R00 ≈ ≈ (2.4.10)
∂xλ 2 ∂xk ∂xk
portanto
∂ 2 g00
= κρc2 . (2.4.11)
∂xk ∂xk
A derivada segunda no índice k nada mais é que o laplaciano. Lembrando
que na mecânica Newtoniana o potencial é descrito pela equação de Poisson
(2.3.28) e que g00 = 1 + h00 , assumindo que
2
h00 = Φ (2.4.12)
c2
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 42
então
∂ 2Φ κ
k k
= c4 ρ (2.4.13)
∂x ∂x 2
e o limite Newtoniano é obtido com a imposição que
8πG
κ= (2.4.14)
c4
1 8πG
Rµν − Rgµν = 4 Tµν . (2.4.15)
2 c
Solução de Schwarzschild
Este capítulo tratará da solução das equações de campo para um corpo esfe-
ricamente simétrico no vácuo, denominada solução de Schwarzschild. Após
determinada a métrica serão tratadas quantitativamente algumas previsões
da solução.
3.1 A Métrica
As equações de campo são não-lineares, possuindo soluções exatas de
difícil obtenção. Algumas das soluções conhecidas são as já mencionadas de
Schwarzschild e FLRW. Sendo a primeira, o caso mais simples a ser pensado,
representando o campo gravitacional de um ponto material no vácuo. A
Figura 3.1 visa dar um entendimento geométrico desta curvatura em uma
analogia com um espaço bidimensional. A equação a ser resolvida é
Rµν = 0. (3.1.1)
43
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 44
A solução da equação acima foi obtida pela primeira vez por Karl Schwarzs-
child1 em 1916 e é uma boa aproximação para tratar do campo gravitacional
de estrelas [35].
F0 F0
Γ0 01 = , Γ1 00 = ,
2F 2G
G0 r
Γ1 11 = , Γ1 22 =− ,
2G G
r sin2 θ 1
Γ1 33 =− , Γ2 12 = ,
G r
1
Γ2 33 = − sin θ cos θ, Γ3 13 = ,
r
Γ3 23 = cot θ.
F 00 F0 F 0 G0 F0
R00 =− + + − = 0, (3.1.4)
2G 4G F G rG
F 00 F 0 G0
F0 G0
R11 = − + − = 0, (3.1.5)
2F 4F
F G rG
0
1 r F G
R22 = −1+ − = 0, (3.1.6)
G 2G F G
R33 = R22 sin2 θ = 0, (3.1.7)
F 0 G0 d
+ = 0 =⇒ (F G) = 0 =⇒ F G = c2 (3.1.8)
F G dr
dF dr
= . (3.1.9)
c2 − F r
Cuja solução é
2 k
F (r) = c 1 + , (3.1.10)
r
−1
k
G(r) = 1 + . (3.1.11)
r
Substituidas as equações (3.1.10) e (3.1.11) na métrica de Schwarzschild
(3.1.2), levam ao resultado
2 2 k 1
ds = c 1+ dt2 − dr2 − r2 dΩ2 (3.1.12)
r 1 + kr
−1
2 2GM 2 2 2GM
ds = 1 − 2 c dt − 1 − 2 dr2 − r2 dΩ2 . (3.1.13)
cr cr
2GM
Nota-se que se r = c2
a solução apresenta uma singularidade, com
g00 → 0 e g11 → ∞. Tal coordenada é determinada raio de Schwarzschild
(rS ) e, para r ≤ rS as coordenadas (t, r, θ, φ) deixam de ser válidas, visto que
a métrica teria um sinal trocado - a coordenada tipo tempo se tornaria tipo
espaço e a coordenada radial, tipo tempo. Porém, o determinante do ten-
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 47
rS 2 rS −1 2
L = c2 1 − ṫ − 1 − ṙ − r2 θ̇2 + sin2 θφ̇2 (3.2.1)
r r
da qual se obtém quatro equações geodésicas, das quais duas retornam cons-
tantes de movimento (E e L) relacionadas a energia e momento angular [2].
Assumindo que o movimento ocorra no plano θ = π/2, as equações a serem
resolvidas são dadas por:
rs −1 rs rS −2 2 rS
1− r̈ − 2 1 − ṙ + 2 c2 ṫ2 − rφ̇2 = 0 (3.2.2)
r 2r r 2r
rS
1− ṫ = E, (3.2.3)
r
r2 φ̇ = L. (3.2.4)
reescrita como
2 rS −1 2 2 L2
rS −1 2
c = 1− E c − 2 − 1− ṙ (3.2.5)
r r r
c2
na qual ε = 2
(E 2 − 1) e
GM L2 GM L2
Φef f = − + 2− 2 3 . (3.2.7)
r 2r cr
0,04 L=8
L=6
0,02 L=4
Φef f
-0,02
Schwarzschild
Newton
-0,04
0 25 50 75 100
r
3
Apêndice C
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 50
Clássica
L=4 Relativística
25
-25
-25 0 25 50
Clássica
50 Relativística
L=6
25
-25
-50
-50 -25 0 25 50
100
Clássica
75 L=8 Relativística
50
25
-25
-50
-75
-75 -50 -25 0 25 50 75 100
com a teoria. Aqui será determinado qual o avanço do periélio tomando como
base as referências [2, 34, 36].
1 GM
= 2 (1 + e cos φ) , (3.3.1)
r L
2
c2 r 2 c2 E 2
dr 2 2GM
+r 1+ 2 1− 2 − 2 r4 = 0. (3.3.2)
dφ L cr L
4
Disponível em: < [Link] > Acesso em: ou-
tubro de 2016.
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 53
2
2G2 M 2 3 2L2 ε
du 2
− u + u − 2u = (3.3.3)
dφ L 2 c2 G2 M 2
que, se derivada em φ, é:
d2 u 3G2 M 2 2
− u + u − 1 = 0. (3.3.4)
dφ2 L2 c2
u = u0 + up . (3.3.5)
d2 u0
+ u0 − 1 = 0, (3.3.6)
dφ2
que tem como solução a equação da elipse (3.3.1). Já para o termo pertur-
bativo up :
d2 u p 3G2 M 2 2
+ u p = u, (3.3.7)
dφ2 L 2 c2 0
que, quando substituída a solução para u0 , possui como uma possível solução
3G2 M 2
1 2 1 2
up = 1 + e + eφ sin φ − e cos (2φ) . (3.3.8)
L2 c2 2 6
O segundo termo, que é cumulativo a cada órbita, deve ser considerado [2].
Têm-se como resultado
G2 M 2
u = 1 + e cos φ + 3e φ sin φ. (3.3.9)
L 2 c2
1 GM
= 2 {1 + e cos [φ (1 − σ)]} (3.3.10)
r L
6πG2 M 2
δφ = . (3.3.12)
L2 c2
a precessão do periélio é
Apesar de ser o maior avanço de periélio do sistema solar, este valor ainda
é consideravelmente baixo, isto representa que a cada século há um avanço
de 43 segundos de arco. Apesar do valor baixo, a medida está de acordo com
o valor determinado experimentalmente [20].
Pimeiramente, admitindo que seja possível uma órbita fechada circular para
o feixe (ṙ = r̈ = 0), procura-se sob quais condições isto é satisfeito. Com
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 56
c2
2 2GM 2
φ̇ = 2 1− 2 ṫ , (3.4.3)
r cr
GM 2
φ̇2 = ṫ . (3.4.4)
r3
Igualando (3.4.3) e (3.4.4), verifica-se que a luz pode percorrer trajetórias
circulares se, e somente se, r = 3GM/c2 . Como a condição é extremamente
restritiva, uma perturbação qualquer fará com que o feixe saia de órbita.
Em seguida, vamos analisar a deflexão que sofre um feixe passando pró-
ximo a um corpo massivo. Tomando a equação (3.4.2) escrita em função da
variável u = L2 /(GM r), e derivando-a em φ:
d2 u 3G2 M 2 2
+ u = u. (3.4.5)
dφ2 c2 L2
u = u0 cos (φ − φ0 ) , (3.4.6)
d2 u 3G2 M 2 2
2
+ u = 2 2
u0 cos2 (φ − φ0 ) . (3.4.7)
dφ cL
G2 M 2
u = u20 1 + sin2 (φ − φ0 ) .
2 2
(3.4.8)
cL
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 57
4GM
δφ = . (3.4.12)
r0 c2
dr rS
= ±c 1 − . (3.5.1)
dt r
4/3
dR2
2 2 2 3
ds = c dT − h i2/3 − (R − cT ) dΩ2 . (3.5.6)
3 2rS
2rS
(R − cT )
2/3
3 1/3
r= (R − cT ) rS . (3.5.7)
2
3
Notando que para r = rS , têm-se rS = 2
(R − cT ) e, portanto, a singulari-
dade é eliminada.
Nestas novas coordenadas, supondo novamente um raio de luz se movendo
na direção radial e, usando as relações obtidas para r e rS , têm-se
r
rS
dR = ± cdT. (3.5.8)
r
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 60
Dos últimos parágrafos conclui-se que não é possível que uma partícula
dentro do raio de Schwarzschild cruze a superfície em r = rS , que, por este
motivo, também é chamada horizonte de eventos [24]. Esta prisão de partí-
culas impossibilita a verificação do comportamento de partículas na região
interior à superfície de Schwarzschild.
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 61
rS
0 r=
r=
cT
A
B
62
Referências Bibliográficas
[6] BERTI, E. et al. Testing general relativity with present and future
astrophysical observations. Classical and Quantum Gravity, v. 32, n. 24, p.
1–179, 2015.
63
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 64
[40] CHOW, T. L. Gravity, Black Holes, and the Very Early Universe:
An introduction to general relativity and cosmology. New York: Springer
Science & Business Media, 2008. 300 p.
[41] FROLOV, V.; NOVIKOV, I. Black Hole Physics: Basic concepts and
new developments. Dordrecht-Holanda: Klwer Academid Publishers, 2012.
795 p.
Derivação da Equação da
Geodésica.
67
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 68
Z u2 √
L= Ldu, (A.0.3)
u1
derivando em relação a v:
" √ √ λ #
u2 λ
∂ L ∂x ∂ L ∂ ∂x
Z
dL
= λ
+ du. (A.0.4)
dv u1 ∂x ∂v ∂pλ ∂v ∂u
o primeiro termo é nulo, pois os extremos são mantidos fixos e δL deve ser
nulo. Portanto,
√ ! √
d ∂ L ∂ L
− =0 (A.0.7)
du ∂pλ ∂xλ
considerando u = s e dL/ds = 0:
d ∂L ∂L
− = 0. (A.0.9)
ds ∂pλ ∂xλ
d ∂gµν µ ν
(2gλµ pµ ) − p p = 0, (A.0.10)
ds ∂xλ
Escrevendo
∂gλµ µ ν 1 ∂gλµ ∂gλν
ν
p p = + p µ pν , (A.0.12)
∂x 2 ∂xν ∂xµ
a equação da geodésica fica
d 2 xµ dxµ dxν
gλµ + Γλµν = 0, (A.0.13)
ds ds ds
∂V µ
∇µ V µ = + Γµ µν V ν (B.0.1)
∂xµ
∂gµλ
com Γµ µν = 21 g µλ ∂xν
. O determinante do tensor métrico é dado por
∂g ∂g1α ∂gnN
µ
= µ
(−1)1+α βγ···N g2β · · · gnN +· · ·+ µ
(−1)N +n αβ···N −1 g1α · · · gm(N −1) .
∂x ∂x ∂x
(B.0.3)
70
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 71
O cofator do elemento gµν é definido como ∆gΛµ = (−1)Λ+µ g1α g2β · · · gnN ,
mas pode ser escrito como ∆gµν = g µν g, portanto
∂g ∂gλω
µ
= g µν µ g. (B.0.4)
∂x ∂x
∂V µ 1 V ν ∂g
∇µ V µ = + (B.0.5)
∂xµ 2 g ∂xν
1 ∂ √
∇µ V µ = √ µ
(V µ g) , (B.0.6)
g ∂x
como esperado.
Apêndice C
5 # define G 1
6 # define M 1
7 # define L 8
8 # define c 1
9 # define r0 55
10 # define p0 M_PI
11 # define vr0 0.0
12 # define R 1e -5
72
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 73
13 # define t0 0.0
14 # define tf 12000
15 # define dt 1e -5
16 # define mult ( int ) ( tf /( dt *10000) )
17
18 double f ( double r ) {
19 return ( -1.0) * G * M /( r * r ) + L * L /( r * r * r ) -
3* G * M * L * L /( c * c * r * r * r * r ) ;
20 }
21
22 double g ( double vr ) {
23 return vr ;
24 }
25
26 double h ( double r ) {
27 return L /( r * r ) ;
28 }
29
32 int counter = 0;
33 double r = r0 , p = p0 , t = t0 , vr = vr0 ;
34 double f1 , g1 , h1 ;
35 FILE * outp = fopen ( " rel . dat " , " w " ) ;
36
37 while (t < tf ) {
38
39 if ( counter % mult == 0) {
40 fprintf ( outp , " % e ␣ % e ␣ % e \ n " , r * cos ( p ) , r * sin ( p ) , t ) ;
Cálculo Tensorial e Relatividade Geral 74
41 }
42 f1 = f ( r ) ;
43 g1 = g ( vr ) ;
44 h1 = h ( r ) ;
45
46 r += dt * g1 ;
47 vr += dt * f1 ;
48 p += dt * h1 ;
49 t += dt ;
50 counter ++;
51 }
52
53 fclose ( outp ) ;
54 return 0;
55 }









