Algebra 1
Algebra 1
ÁLGEBRA
LINEAR E
GEOMETRIA
ANALÍTICA
Espaços vectoriais
Matrizes
Funções lineares
Determinantes
Volume 1
ISEL - ADMat Por Engº Carlos M. Ribeiro
Versão 3.9, Setembro de 2012 Licenciado em Engenharia Electrotécnica pelo IST
Veja aqui as páginas de ALGA
Conteúdo, iii
Lista de figuras, vi
Simbologia, viii
Capítulo 2 Matrizes
2.1 Introdução, 67
2.2 Noção de matriz sobre um corpo. Alguns tipos de matrizes, 67
2.3 Espaço linear das matrizes, 71
2.4 Álgebra e anel das matrizes quadradas, 74
2.5 Transposição e transconjugação, 83
2.6 Submatrizes. Matrizes de blocos. Operações por blocos, 89
2.7 Característica de uma matriz, 93
2.8 Algoritmo de condensação vertical, 97
2.9 Sistemas de equações lineares. Princípios de equivalência, 100
2.10 Formas matricial e vectorial de um sistema, 103
2.11 Algoritmo de Gauss-Jordan, 105
iv Conteúdo
Capítulo 4 Determinantes
4.1 Introdução, 261
4.2 Permutações. O grupo simétrico, 261
4.3 Funções multilineares, 270
4.4 Funções multilineares alternadas, simétricas e anti-simétricas, 275
4.5 Determinante numa base, 286
4.6 Determinante de um endomorfismo. Determinante de uma matriz, 288
4.7 Propriedades algébricas dos determinantes, 293
4.8 Algoritmo de condensação para o cálculo de determinantes, 304
4.9 Teorema de Laplace, 306
4.10 Método abreviado para o cálculo de determinantes, 314
4.11 Aplicação ao cálculo da característica de uma matriz, 315
4.12 Aplicação aos sistemas de equações lineares. Regra de Cramer, 319
4.13 Matriz adjunta e inversão de matrizes quadradas, 332
4.14 Fórmula de Cauchy, 337
Conteúdo v
Bibliografia, 381
————— Lista de figuras —————
Capítulo 1
Fig. 1.1 Regra do triângulo, 11
Fig. 1.2 Multiplicação escalar, 11
Fig. 1.3 Segmentos equipolentes, 11
Fig. 1.4 Adição vectorial, 12
Fig. 1.5 Os espaços de funções reais diferenciáveis, 23
Fig. 1.6 Os espaços de polinómios de coeficientes num corpo, 23
Fig. 1.7 Soma de subespaços, 51
Capítulo 2
Fig. 2.1 Relação entre as soluções dos sistemas E\ œ F e E\ œ S , 109
Fig. 2.2 Caso de um sistema simplesmente indeterminado, 109
Fig. 2.3 Caso de um sistema duplamente indeterminado, 110
Fig. 2.4 Discussão de um sistema, 118
Capítulo 3
Fig. 3.1 Esquema representativo do Núcleo e Imagem, 204
Fig. 3.2 Funções lineares. Núcleo e imagem, 214
Fig. 3.3 A associatividade da Composição de funções lineares, 215
Fig. 3.4 Composição de funções lineares e produto por escalar, 216
Fig. 3.5 Distributividade em relação à adição, 216
Fig. 3.6 Elementos neutros à esquerda e à direita, 217
Fig. 3.7 As funções nulas e a Composição de funções lineares, 217
Fig. 3.8 Acção da transformação 2 sobre um quadrado, 225
Fig. 3.9 Diagrama auxiliar para a proposição 3.8, 226
Fig. 3.10 Rotação em W # , 232
Fig. 3.11 Imagem do cubo !ß "$ § ‘$ por meio de 0 , 232
Fig. 3.12 Matriz da aplicação composta, 236
Fig. 3.13 Matrizes da mesma função linear em diferentes pares de bases, 238
Lista de figuras vii
Capítulo 4
Fig. 4.1 Esquema para obter as permutações de 4ª ordem, 263
Fig. 4.2 Composição (produto) de permutações, 263
Fig. 4.3 Composição de uma função linear com uma função multilinear, 273
Fig. 4.4 Coordenadas de uma função multilinear são formas multilineares, 274
Fig. 4.5 Função multilinear composta com um produto de função lineares, 275
Fig. 4.6 Mnemónica para o cálculo de determinantes de 2ª ordem, 293
Fig. 4.7 Regra de Sarrus, para o cálculo de determinantes de 3ª ordem, 294
Fig. 4.8 Primeira variante da regra de Sarrus, 294
Fig. 4.9 Segunda variante da regra de Sarrus, 294
Fig. 4.10 Determinação da paridade dos menores de 1ª ordem, 309
Fig. 4.11 Gráficos de 0" , 0# , 0"w e 0#w , 331
————— Simbologia —————
Lógica
c:................................................... negação (not) da proposição :
: ” ; ................................................disjunção (or) das proposições : e ;
: ”† ; ................................................disjunção exclusiva (xor) das proposições : e ;
: • ; ................................................conjunção (and) das proposições : e ;
: Ê ; .............................................. : implica ;
: ´ ;ß : Í ; ...................................equivalência das proposições : e ;
sse................................................... se e só se
a...................................................... quantificador universal (qualquer que seja...)
b...................................................... quantificador existencial (existe pelo menos um...)
b" .................................................... quantificador existencial exclusivo (existe um e um só...)
q.e.d................................................ quod erat demonstrandum
Conjuntos
+ß ,ß -ß á .................................... conjunto formado por +ß ,ß -ß á
B − \À pB................................ conjunto dos elementos de \ com a propriedade pB
gß ................................................ conjunto vazio
P\ .............................................. conjunto das partes (subconjuntos) do conjunto \
Ec ß E............................................... complementar do conjunto E
E Ï F .............................................. diferença entre os conjuntos E e F
E ∪ F ..............................................reunião dos conjuntos E e F
3−P
Simbologia ix
Relações binárias
œ ...................................................igual
Á ...................................................diferente
− ................................................... pertence a, é elemento de
 ................................................... não pertence a, não é elemento de
§ ...................................................está contido em, é uma parte de
¨ ...................................................contém, é sobreconjunto de
§Î ...................................................não está contido em, não é parte de
Funções
0 B................................................ valor da função 0 no ponto B
] \ .................................................. conjunto das funções de \ em ]
0
0 À \ Ä ] ß \ Ä ] ........................ 0 é função de \ em ]
B È Cß B È 0 Bß B È C ............... B é aplicado por 0 em C ou 0 B
0
Estruturas
B C ...............................................soma dos elementos B e C de um grupóide aditivo
B ‚ Cß B † Cß B C ............................... produto dos elementos B e C de um grupóide multiplicativo
!...................................................... elemento neutro (zero) de um grupóide aditivo
"...................................................... elemento neutro (um, unidade ou identidade) de um
grupóide multiplicativo
B...................................................oposto (simétrico) do elemento regular B, num monóide
aditivo
"
B ß "ÎB.......................................... oposto (inverso) do elemento regular B, num monóide
multiplicativo
B5 .............................................. soma da lista B3 "Ÿ3Ÿ8 de elementos de um semigrupo
8
5œ"
comutativo aditivo
x Simbologia
5œ"
comutativo multiplicativo
E z F ............................................. E é isomorfo de F
Combinatória
8x.....................................................factorial de 8
T8 ß E88 ............................................. permutações de 8
8: .................................................combinações de 8 elementos tomados : a : (coeficientes
binomiais)
E8: ................................................... arranjos
de 8 elementos tomados : a :
Números reais
‘..................................................... conjunto dos números reais
‘ ................................................... conjunto dos números reais !
‘ ! ................................................... conjunto dos números reais !
‘ ...................................................conjunto dos números reais !
‘ ! ...................................................conjunto dos números reais Ÿ !
‘‡ ....................................................conjunto dos números reais Á !
‘..................................................... recta acabada
†
‘..................................................... recta projectiva
1......................................................pi, razão entre o perímetro e o diâmetro de qualquer
B Ÿ Cß C B...................................relação de ordem em ß ™ß ou ‘
+ß ,ß +ß ,ß +ß ,ß +ß ,................. intervalos limitados em ‘ ou num espaço ordenado
B Cß C B...................................relação de ordem estrita em ß ™ß ou ‘
Simbologia xi
∞ß ,ß ∞ß ,........................... intervalos não limitados inferiormente em ‘ ou num espaço
+ß ∞ß +ß ∞.......................... intervalos não limitados superiormente em ‘ ou num espaço
ordenado (secções inferiores)
B....................................................módulo do real B
+ ¸ ,............................................... + aproximadamente igual a ,
Números complexos
‚..................................................... conjunto dos números complexos
‚‡ ....................................................conjunto dos números complexos Á !
3‘.................................................... conjunto dos imaginários puros
Quaterniões
‡..................................................... conjunto dos quaterniões de Hamilton
‡‡ ................................................... conjunto dos quaterniões não nulos
‡" ................................................... conjunto dos quaterniões unitários
‡$ ................................................... conjunto dos quaterniões puros
‡...................................................... multiplicação de quaterniões
Espaços vectoriais
αBt................................................... produto de escalar por vector
Bt Ct...............................................soma de vectores
Bt Ct................................................... produto de vectores (numa álgebra linear)
t !ß
Bß t ?t.............................................. vector, vector nulo, vector unidade (numa álgebra linear
com unidade)
α3 Bt3 ............................................combinação linear dos vectores da sequência Bt3 "Ÿ3Ÿ8
8
3œ"
xii Simbologia
3−M
de espaços vectoriais sobre um mesmo corpo Š
I3 ou I" ‚ I# ‚ â ‚ I8 .........produto cartesiano dos espaços vectoriais da sequência
8
3−M
E F ............................................. soma dos subespaços E e F
PŠ Bß PŠ Bt3 "Ÿ3Ÿ7 .......................subespaço gerado pela lista B œ Bt3 "Ÿ3Ÿ7 de vectores de
PŠ Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 ......................... subespaço gerado pela lista Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 de vectores de
um espaço vectorial I sobre o corpo Š
Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 .......................subespaço gerado pela lista Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 de vectores de
um espaço vectorial I sobre o corpo Š
um espaço vectorial I
dimŠ Iß dimI ................................ dimensão do espaço vectorial I sobre o corpo Š
I z J ............................................ I é isomorfo de J
Matrizes
+34 "Ÿ3Ÿ7 .......................................... matriz de tipo 7 ‚ 8 de elementos +34 de um conjunto \
+34 "Ÿ3ß4Ÿ8 ....................................... matriz quadrada de ordem 8 de elementos +34 de um
"Ÿ4Ÿ8
conjunto \
Š7ß8 ................................................ espaço vectorial das matrizes do tipo 7 ‚ 8 de elementos
no corpo Š
Š8ß8 .................................................álgebra das matrizes quadradas de ordem 8 de elementos no
corpo Š
S7ß8 ................................................ matriz nula do tipo 7 ‚ 8
S8 ................................................... matriz nula de ordem 8
M8 .....................................................matriz identidade de ordem 8
E „ F ............................................. soma (diferença) das matrizes E e F
αE...................................................produto do escalar α pela matriz E
ET ß E> ß Ew ........................................matriz transposta de E
E..................................................... matriz conjugada de E
E‡ ....................................................matriz transconjugada de E
Funções lineares
HomIß J , LIß J ..................... espaço vectorial das funções lineares de I em J
EndI ........................................... álgebra dos endomorfismos de I
Ker2, Nuc2...............................núcleo da aplicação linear 2
Img2, Im2, 2I ......................imagem da aplicação linear 2 definida em I
c2, -2 ........................................... característica da aplicação linear 2
n2, 82 .......................................... nulidade da aplicação linear 2
OJ I .................................................função (linear) nula do espaço I no espaço J
OI ...................................................endomorfismo nulo no espaço I
det2..............................................determinante do endomorfismo 2
Q0/ 2............................................representação matricial da função linear 2 nas bases 0 e /
Q/ 2............................................. representação matricial do endomorfismo 2 na base /
det/ Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 ........................determinante dos vectores Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 na base /
adjE................................................ matriz adjunta de E (transposta da anterior)
det?..............................................determinante do endomorfismo ?
detEß E...................................... determinante da matriz E
FI : ß J ........................................ espaço de todas as funções de I : em J
M: Iß J ....................................... espaço das funções :-lineares sobre I com valores em J
A: Iß J ........................................ espaço das funções :-lineares alternadas sobre I com
valores em J
OJ I : ............................................... função :-linear nula de I : em J
OŠI : ............................................... forma :-linear nula de I : em Š
Simbologia xv
Espaços euclidianos
KBß KBt" ß Bt# ß á ß Bt7 ................ determinante de Gram da lista B œ Bt" ß Bt# ß á ß Bt7
o.n.d................................................ (base) ortonormada directa
Geometria analítica
E, F.................................................Espaço afim, subespaço afim
Ò
EF , F E....................................vector de origem E e extremidade F
dimE............................................... dimensão do espaço afim E
R8 ................................................... espaços afins euclidianos reais orientados de dimensão 8
xvi Simbologia
Sà /, Sà /t" ß /t# ß á ß /t8 ............... referencial num espaço afim
o.n................................................... abreviatura de ortonormado (para referenciais)
1.1 Introdução
Neste capítulo, faremos o estudo de uma importante estrutura algébrica muito utilizada nas
ciências aplicadas e na engenharia: o Espaço Vectorial. Como pré-requisitos para o presente
capítulo, mencionemos noções elementares sobre teoria dos conjuntos, lógica e estruturas
algébricas (consultar o apêndice B); algum conhecimento dos números reais e complexos é
também conveniente. Será útil a leitura prévia do apêndice B, no qual se definem as noções de
operação unária, binária e 8-ária; os conceitos de lei de composição interna e externa; as
estruturas algébricas: grupóides, semigrupos, monóides, grupos, anéis, anéis de integridade e
corpos comutativos (casos de , ‘ e ‚). Assume ainda relevo a noção de homomorfismo e, em
particular, a de isomorfismo. Em anexo a este capítulo, apresenta-se informação relativa à forma
como se pode utilizar o software MATHEMATICA© para operar com vectores.
[A3] b a Bt 9t œ 9t Bt œ Bt
9t−I Bt−I
1 Não existe ambiguidade no uso do sinal + para as adições em Š e em I : o contexto algébrico em que estes
símbolos ocorrem determina facilmente qual a operação em questão.
4 Espaços vectoriais [Cap. 1
[P4] a "Bt œ Bt
Bt−I
Os primeiros quatro axiomas dizem exclusivamente respeito à adição vectorial e são, por
simétrico para cada vector de I e significam que Iß é um Grupo Comutativo. Como em
ordem, a comutatividade, a associatividade, a existência de elemento neutro 9t e a existência de
qualquer grupo aditivo, o elemento neutro 9t (vector nulo, também designado por 9tI se houver
Bt de cada vector Bt − I . Como em qualquer grupo comutativo aditivo Iß , definiremos a
necessidade de salientar qual é o espaço vectorial) é único, o mesmo se dizendo do simétrico
Definição 1.2 – Álgebra linear – Seja Iß Šß ß † um espaço vectorial sobre Š, com
2 Segundo o que é habitual, designamos por α" (e não α ‚ " ) o produto dos escalares α e " , no corpo Š.
Sec. 1.3] Consequências algébricas dos axiomas 5
multiplicação de escalar por vector. M1, M2 e M4 significam que Iß ß ‡ constitui um anel.
vectorial. M3 caracteriza o comportamento da multiplicação vectorial em relação à
Por satisfazer M1, M2 e M3, diz-se que a multiplicação vectorial é linear em cada um dos
factores ou que é uma função bilinear sobre I com valores em I (ver capítulo 4). A álgebra
diz-se real ou complexa conforme Š œ ‘ ou Š œ ‚.
t Bt, para quaisquer Btß Ct − I , diremos que a álgebra (e o anel Iß ß ‡) é
Se for Bt‡ Ct œ C‡
comutativa e se ‡ tiver elemento neutro ?t − I tal que Bt‡?t œ ?‡ t Bt œ Bt, para qualquer Bt − I ,
diremos que a álgebra tem unidade ou identidade. Por exemplo, ‚ é um espaço vectorial sobre
‘ e uma álgebra linear comutativa com unidade " sobre ‘, se considerarmos como
multiplicação vectorial ‡ a multiplicação de complexos. O apêndice D (quaterniões e rotações
3D) fornece um exemplo de álgebra linear ‡ não comutativa com elemento neutro e onde todos
os elementos não nulos têm inverso (corpo não comutativo).
Demonstração:
Para qualquer α − Š e qualquer Bt − I , tem-se, sucessivamente,
9t αBt œ αBt œ ! αBt œ !Bt αBt
Pela lei do corte, segue-se que !Bt œ 9t. Do mesmo modo, para qualquer α − Š e qualquer
Bt − I , tem-se, sucessivamente,
9t αBt œ αBt œ α9t Bt œ α9t αBt
De novo, da lei do corte resulta α9t œ 9t. Portanto, se α œ ! ou Bt œ 9t, teremos αBt œ 9t.
A implicação recíproca αBt œ 9t Ê α œ ! ” Bt œ 9t é equivalente a
αBt œ 9t • α Á ! Ê Bt œ 9t
6 Espaços vectoriais [Cap. 1
Provemos a implicação anterior: sendo, α Á ! existe α" − Š tal que α"α œ ". Calculando,
finalmente, Bt vem
Bt œ "Bt œ α"αBt œ α" αBt œ α" 9t œ 9t
Proposição 1.2 Seja I um espaço vectorial sobre um corpo Š. Então, para qualquer
escalar α − Š e qualquer vector Bt − I , tem-se
αBt œ αBt œ αBt 1.3
Demonstração:
Tem-se
αBt αBt œ α αBt œ !Bt œ 9t
Proposição 1.3 Seja I um espaço vectorial sobre um corpo Š. Então, para quaisquer
t Ct − I , tem-se
escalares αß " − Š e quaisquer vectores Bß
α " Bt œ αBt " Bt 1.4.1
Demonstração:
Tem-se, sucessivamente, por definição de subtracção e pela proposição anterior:
α " Bt œ α " Bt œ αBt " Bt œ αBt " Bt œ αBt " Bt
αBt Ct œ αBt Ct œ αBt αCt œ αBt αCt œ αBt αCt
3 De facto, não importa a natureza do único elemento de I . Estamos, simplesmente, a usar a notação 9t para
designar esse elemento.
Sec. 1.4] Exemplos de espaços vectoriais 7
9t œ !ß !ß á ß ! 1.9
Observe-se a generalidade deste exemplo, que tem uma infinidade de casos particulares
como sejam, por exemplo, ‘ß ‘# ß ‘$ ß ‚ß ‚# ß ‚8 , etc.
Exemplo 1.4 Seja Š um corpo e I œ Š o conjunto das sucessões de escalares de Š. Então
a sucessão constante nula ! œ ! e que o simétrico de uma sucessão B8 é a sucessão B8
em Š para definir as operações do espaço vectorial. Observe-se ainda que o vector nulo de Š é
ou seja,
! œ ! 1.13
Como caso particular, citemos o espaço vectorial real ‘ das sucessões de números reais e o
espaço complexo ‚ das sucessões de números complexos. É óbvio que poderíamos também
indexar as sucessões usando ! e definindo de igual modo as operações, obtendo-se o espaço
Š ! .
8 Espaços vectoriais [Cap. 1
Com as operações definidas por 1.11 e 1.12 obtém-se um novo espaço vectorial. O
vector nulo e o simétrico de B8 são, como anteriormente,
! œ ! 1.15
ser visto à luz do caso ŠE , com E œ g e em que, portanto, I é o conjunto singular constituído
apenas pela função vazia (de g em Š).
definidas no intervalo M œ !ß " ou do espaço vectorial complexo ‚M das funções complexas
Segundo este exemplo, poderemos falar do espaço vectorial real ‘M das funções reais
5œ!
4 Observe-se que este conjunto Š! é o mesmo que o conjunto das sucessões de escalares, cujos termos se
anulam, a partir de alguma ordem.
Sec. 1.4] Exemplos de espaços vectoriais 9
as operações do espaço vectorial. Observe-se ainda que o vector nulo de P8 Š é o polinómio
Observe-se que também aqui se utiliza a estrutura algébrica pré-existente em Š para definir
nulo ! e que o simétrico do polinómio : tal que :B œ +5 B5 é o polinómio :, estando
8
5œ!
estes definidos para todo o B − Š, por:
5œ!
5œ!
5œ!
de parcelas ( Ÿ < "), sendo nulas as restantes. É claro que PŠ œ P8 Š.
termos daquelas sucessões; note-se que, de facto, este somatório tem apenas um número finito
8−!
5œ!
Observe-se ainda que o vector nulo de PŠ é o polinómio nulo ! œ !B5 e que o
∞
5œ!
5œ!
:B œ +5 B5
∞
5œ!
; B œ ,5 B5
∞
5œ!
onde, para 5 − ! ,
34œ5 3œ!
e, portanto, PŠ é uma Álgebra Linear (esta álgebra é, ainda, comutativa e com unidade: o
Esta multiplicação verifica os axiomas M1 a M4, tratando-se de uma multiplicação vectorial
Segundo o que acabámos de ver e a título de exemplo, os conjuntos P‘ e P‚ dos
polinómios de coeficientes reais (respectivamente, complexos) constitui uma Álgebra Linear
sobre o corpo dos reais (respectivamente, complexos).
Exemplo 1.9 Seja Š œ ‘ e I œ W $ o conjunto dos segmentos orientados (incluindo o
segmento nulo, de comprimento !) aplicados num ponto S do espaço tridimensional. Definindo
a adição em W $ através da regra do triângulo5 (ver figura 1.1) e o produto de um número
Ò
α − ‘ por um segmento ST como sendo um novo segmento orientado aplicado em S , com a
Ò
mesma direcção de ST , o mesmo sentido ou o oposto conforme α ! ou α ! e um
5
Ò Ò Ò
A soma de dois segmentos SE e SF é o segmento SG , em que G é a extremidade do segmento de origem E
Ò Ò
e equipolente a SF (ou a extremidade do segmento de origem F e equipolente a SE ). Por equipolente
entende-se com a mesma direcção, sentido e comprimento (ver exemplo 1.10).
Sec. 1.4] Exemplos de espaços vectoriais 11
comprimento igual a α vezes o comprimento de ST (ver figura 1.2), obtém-se um espaço
Ò
vectorial real.
Ò Ò Ò Ò
Fig. 1.1 – Regra do triângulo: EG µ SF . Fig. 1.2 – Multiplicação escalar: SE œ # SF .
É deste exemplo que provêm os termos vector e espaço vectorial. É ainda neste espaço que,
a nível elementar, se pensa quando se fala em grandezas escalares (massa, temperatura,
trabalho, energia, etc) e grandezas vectoriais (força, velocidade, campo eléctrico, etc),
distinguindo-se estas das primeiras pelo facto de, além de intensidade, possuirem também
direcção e sentido.
Sendo, ainda, Š œ ‘ e I œ W # o conjunto dos segmentos orientados aplicados num ponto S
de um plano qualquer e usando as regras anteriores para as operações de adição vectorial e
multiplicação escalar, obtém-se um novo espaço vectorial real.
Por último, se I œ W " for constituído pelos segmentos orientados existentes sobre uma recta
e aplicados num ponto S desta e usando as regras anteriores para as operações, W " constituirá
também um espaço vectorial real.
~$
Exemplo 1.10 Seja Š œ ‘ e I œ W o conjunto dos segmentos orientados (incluindo os
segmentos nulos, de comprimento !) aplicados em qualquer ponto do espaço tridimensional.
Ò Ò Ò Ò
Diremos que EF e GH são equipolentes (e escreve-se EF µ GH ) sse o ponto médio Q de
EH coincidir com o ponto médio de FG (ver figura 1.3).
A relação µ de equipolência é uma relação de equivalência (ver secção A.3 do apêndice A),
~$
o que determina a partição de W em classes de equivalência formadas por segmentos orientados
~$
equipolentes entre si, as quais constituem o chamado conjunto-quociente de W por µ ,
~$
designado por W Î µ . Cada classe de equivalência é chamada um vector livre (ou deslizante) e
s$ œ W~$
o referido conjunto quociente será designado por W Î µ . A classe (única) a que pertence
Ò Ò Ò
um segmento EF é designada por [EF ], dizendo-se que os segmentos pertencentes a [EF ]
são os representantes da classe. Para cada ponto S do espaço, existe um e um só representante
12 Espaços vectoriais [Cap. 1
de cada classe aplicado em S. Vamos, agora, ver que W s $ constitui um espaço vectorial real se
definirmos as operações do seguinte modo:
Ò Ò Ò Ò
[A] A soma [EF ] [GH ] dos vectores livres [EF ] e [GH ] é a classe (vector livre) a
Ò Ò
que pertence a soma (pela regra do triângulo) de dois representantes de [EF ] e [GH ]
aplicados num mesmo ponto S qualquer do espaço tridimensional, isto é,
1.27
Ò Ò Ò
[EF ] [GH ] œ [ST ]
em que
Ò Ò Ò Ò Ò Ò Ò
ST œ SQ SR , com SQ µ EF e SR µ GH .
1.28
Ò Ò
α[EF ] œ [αEF ]
Ò
onde αEF é calculado de acordo com a regra do exemplo 1.9.
s $ tudo se passa como se um vector livre fosse um segmento orientado que
Na prática, em W
pode deslocar-se paralelamente a si próprio e estar, portanto, aplicado em qualquer ponto do
espaço tridimensional (daí a designação de deslizante). De modo semelhante se podem definir
os espaços vectoriais reais W s# e W s " dos vectores livres de um plano e de uma recta,
respectivamente.
Exemplo 1.11 O conjunto I œ ‘ œ !ß ∞ constitui um espaço vectorial real pondo,
para quaisquer Bß C − ‘ e α − ‘,
[A] B C œ BC 1.29
[P] αB œ Bα œ /α ln B 1.30
O vector nulo deste espaço é " e o simétrico de B é B œ "ÎB.
Sec. 1.4] Exemplos de espaços vectoriais 13
Exemplo 1.12 Seja I3 3−M uma família qualquer de espaços vectoriais sobre o mesmo corpo
Š e consideremos o produto cartesiano I œ I3 dos espaços I3
3−M
Particularmente, podemos fazer os I3 3−M todos iguais a um mesmo espaço vectorial I ,
obtendo-se então o espaço
Exemplo 1.13 Se, no exemplo anterior, fizermos M œ "ß #ß á ß 8, para 8 !, obtém-se o
produto cartesiano
"Ÿ3Ÿ8
3œ"
Particularmente, podemos fazer os I3 "Ÿ3Ÿ8 todos iguais a um mesmo espaço vectorial I ,
obtendo-se, então, o espaço
espaço vectorial, mas agora sobre Šw . Observe-se que este espaço é diferente do primeiro
(embora com os mesmos vectores). Adiante (ver exemplo 1.56) veremos que a dimensão do
novo espaço é, em geral, maior do que a do primeiro (pelo facto de existirem menos escalares).
Em linguagem prática, enuncia-se por vezes esta propriedade dizendo que «Se I é um espaço
vectorial sobre Š e Šw é subcorpo de Š, I é também espaço vectorial sobre Šw ». O vector nulo
Este exemplo significa, pois, que todo o espaço vectorial complexo é automaticamente um
espaço vectorial real e que este é, por sua vez, um espaço vectorial racional.
Exemplo 1.15 Neste exemplo vamos ver que, a partir de um espaço vectorial real, é sempre
t Ct ß Btw ß Ct w − I w :
w
Do acima exposto resulta, por exemplo, que ‘% é espaço vectorial complexo, com as
operações:
[A] B" ß B# ß B$ ß B% C" ß C# ß C$ ß C% œ B" C" ß B# C# ß B$ C$ ß B% C%
[P] α 3" B" ß B# ß B$ ß B% œ αB" " B$ ß αB# " B% ß " B" αB$ ß " B# αB%
linear dos Bt3 a uma soma (que resulta num vector de I ) do tipo
α3 Bt3 1.37.1
7
3œ"
B #C D œ '
resultam no vector #ß ""ß "!, duas das quais se indicam em cima: de facto, tem-se, para
Observe que, neste caso, existem mesmo infinitas combinações lineares dos vectores de ? que
qualquer + − ‘,
#ß ""ß "! œ $ #+#ß "ß # +"ß )ß ( % $+"ß #ß "
Procedendo como anteriormente, a igualdade
#ß ""ß "! œ B#ß "ß # C "ß )ß ( D "ß #ß "
equivale ao seguinte sistema de equações lineares:
#B C D œ #
B )C #D œ ""
#B (C D œ "!
16 Espaços vectoriais [Cap. 1
Este sistema é indeterminado e tem uma infinidade de soluções que são (+ é real arbitrário):
B œ $ #+ß C œ +ß D œ % $+, onde + − ‘
Exemplo 1.18 Em ‘$ , o vector #ß #ß " não é combinação linear dos vectores da lista
@ œ #ß "ß #ß "ß )ß (ß "ß #ß ". Agora, a igualdade
#ß #ß " œ B#ß "ß # C "ß )ß ( D "ß #ß "
é equivalente ao sistema de equações lineares
#B C D œ #
B )C #D œ #
#B (C D œ "
sendo, pois, possível exprimir #ß #ß " como combinação linear dos vectores de @.
O sistema anterior não tem qualquer solução (sistema dito impossível ou inconsistente) não
@ œ cos1Î# + œ sin+
? œ cos+
Exemplo 1.20 No espaço P8 Š dos polinómios de grau menor ou igual a 8, todo o
polinómio : − P8 Š é combinação linear dos polinómios da lista - œ "ß Bß B# ß á ß B8 , visto
que
:B œ +5 B5
8
5œ"
Observe-se que, para cada polinómio :, a combinação linear anterior é única (método dos
coeficientes indeterminados).
Facilmente se mostra que estas condições são as necessárias e suficientes para que J ,
munido da restrição da adição vectorial em I a J # (S2 assegura que esta restrição é uma lei de
composição interna em J ) e da restrição da multiplicação escalar em I a Š ‚ J (S3 garante
que esta é uma aplicação em J ), seja ainda um espaço vectorial sobre Š. A relação £ entre
subespaços de I é uma relação de ordem lata parcial (reflexiva, anti-simétrica e transitiva – ver
apêndice A, definição A.6).
Observe-se que S3 implica, com α œ ", que J é fechado em relação à simetrização, ou
de J em relação à subtracção vectorialß definida por 1.1. Isto implica então, por S1, que
seja, Bt − J Ê Bt − J . Os fechos de J em relação à simetrização e à adição levam ao fecho
triviais ou próprios.
linear de vectores seus, isto é, se Bt3 "Ÿ3Ÿ7 for uma lista de vectores de J (eventualmente
S2 e S3 significam igualmente que, se J é subespaço de I , J conterá qualquer combinação
α3 Bt3 − J 1.38
7
3œ"
Demonstração:
Basta provar que S1, S2 e S3 se verificam em relação a J .
S1: Como os J3 são subespaços de Iß tem-se 9t − J3 para todo o 3 − M e portanto 9t − J Þ
Então J é não vazio.
S2: Sejam Bt e Ct vectores de J . Então, Bß t Ct − J3 para todo o 3 − M . Como os J3 são
subespaços, Bt Ct − J3 , para todo o 3 − M e portanto Bt Ct − J .
S3: Seja Bt um vector de J e α um escalar de Š. Então Bt − J3 , para todo o 3 − M . Sendo os
J3 subespaços, ter-se-á αBt − J3 para todo o 3 − M e, em consequência, αBt − J , o que termina a
demonstração.
Corolário 1.4.1 Se J e K são subespaços de um espaço vectorial I , então J ∩ K é também
um subespaço de I .
Proposição 1.5 – Reunião de subespaços – Seja I um espaço vectorial sobre um corpo Š e
J e K subespaços de I . Então, J ∪ K é um subespaço de I sse J § K ” K § J .
Demonstração:
Como J § K Ê J ∪ K œ K e K § J Ê J ∪ K œ J , J ∪ K será, evidentemente, um
subespaço caso se dê uma daquelas inclusões. Vejamos, agora, a recíproca que é equivalente a
J ∪ K é subespaço • J § Î K Ê K § J : seja ?t um vector de J que não pertença a K e @t um
vector qualquer de K. Ambos pertencem a J ∪ K e, sendo este um subespaço, o mesmo
absurda, visto que então, como K é subespaço, ter-se-ia ?t @t @t œ ?t − K, o que contraria a
sucederá com ?t @t. Sendo assim, tem-se ?t @t − J ” ?t @t − K. Mas a hipótese ?t @t − K é
implica ?t @t ?t œ @t − J . Isto mostra que K § J , provando deste modo a proposição.
nossa escolha inicial de ?t. Portanto, terá de ser ?t @t − J , o que, sendo J um subespaço,
Demonstração:
Basta notar que J Ï K não contém o vector nulo.
J+t œ B" ß B# ß á ß B8 À +4 B4 œ !
8
4œ"
Sec. 1.5] Combinações lineares. Subespaços 19
J œ J+t3 1.39
7
3œ"
onde os J+t3 "Ÿ3Ÿ7 são espaços do tipo construído no exemplo anterior, constituirá igualmente
um subespaço de Š8 . Sendo os +t3 da forma +t3 œ +3" ß +3# ß á ß +38 , os vectores
B" ß B# ß á ß B8 − J satisfarão o sistema de equações lineares homogéneas seguinte
+"" B" +"# B# â +"8 B8 œ !
#" "
+ B +## B# â +#8 B8 œ !
â
+7" B" +7# B# â +78 B8 œ !
â
expressão 1.39, visto que J+t3 œ Š8 é elemento neutro na intersecção (portanto, naquela
Se algum dos vectores +t3 for nulo, o subespaço J+t3 correspondente pode ser eliminado da
ŠBt œ CÀ
t b Ct œ αBt
α−Š
este subespaço é, por vezes, designado por recta de I ; se Bt œ 9t, fica como é óbvio ŠBt œ 9t.
dos múltiplos escalares de Bt é um subespaço de I , como facilmente se reconhece. Se Bt Á 9t,
Exemplo 1.24 Seja I3 3−M uma família qualquer de espaços vectoriais sobre o mesmo corpo
Š. O subconjunto de I3 formado pelas famílias Bt3 3−M de vectores dos I3 , com Bt3 − I3 para
3−M
todos iguais a um mesmo espaço vectorial I , a soma directa externa designa-se por I M
3−M 3−M 3−M 3−M
(coincidente com I M , se M for finito): trata-se, portanto, do conjunto das famílias Bt3 3−M de
vectores de I tais que Bt3 œ 9t no complementar M Ï N de uma parte N finita do conjunto M de
20 Espaços vectoriais [Cap. 1
índices:
I3 œ Bt3 3−M À a Bt3 − I3 • b a Bt3 œ 9tI3
3−M N §M 3−MÏN
3−M
N finito
Exemplo 1.25 O espaço Š! do exemplo 1.5 é subespaço do espaço Š! do exemplo 1.4.
Exemplo 1.26 Consideremos os espaços ‚ e ‘ das sucessões complexas (ou reais) e,
nestes, os subconjuntos Bß ‚ e Bß ‘, obviamente não vazios, formados pelas sucessões
limitadas
Como se sabe, a soma de sucessões limitadas é ainda uma sucessão limitada e o produto de
um complexo (respectivamente, de um real) por uma sucessão complexa (respectivamente, real)
limitada também o é; portanto, estamos de novo em presença de um subespaço de ‚
(respectivamente, de ‘ ).
sucessões reais) e nestes os subconjuntos não vazios ¶ ß ‚ e ¶ ß ‘ formados pelas
Exemplo 1.27 Consideremos o espaço ‚ das sucessões complexas (ou o espaço ‘ das
sucessões convergentes
P−‘
8œ"
œ B8 À b B8# œ P
∞
6‘#
P−‘
8œ"
o fecho em relação à adição, observe que, para quaisquer sucessões D8 e A8 complexas ou
respectivamente, e que são ainda subespaços dos espaços respectivos do exemplo anterior (para
reais, se tem: D8 A8 # Ÿ #D8 # #A8 # ). Estes espaços chamam-se espaços de Hilbert6 de
sucessões.
Exemplo 1.30 No espaço vectorial complexo (respectivamente, real) ‚M (respectivamente,
‘M ) das funções escalares complexas (respectivamente, reais) definidas num intervalo M § ‘,
considere-se o conjunto CMß ‚ (respectivamente, CMß ‘) das funções contínuas em M
Como é sabido, a soma de funções contínuas no intervalo M é uma função contínua nesse
Também se utilizam as notações C! Mß ‚ e C! Mß ‘. Em face do acima exposto, podemos
intervalo, o mesmo se passando com o produto de um escalar por uma função contínua.
6 Hilbert, David: matemático alemão (Königsberg 1862 – Göttingen 1943). Mais geralmente, um espaço de
Hilbert é um espaço vectorial real ou complexo com produto interno e completo em relação à norma definida
por este (ver capítulo 6).
22 Espaços vectoriais [Cap. 1
BMß ‚ œ 0 − ‚M À b a 0 B P
P−‘ B−M
BMß ‘ œ 0 − ‘M À b a 0 B P
P−‘ B−M
Sabe-se que a soma de funções limitadas em M é também limitada e que o mesmo sucede
com o produto de um escalar (real ou complexo) por uma função limitada: está-se, pois, mais
uma vez na presença de um subespaço de ‚M ou de ‘M , conforme o caso.
Exemplo 1.32 Seja M § ‘ um intervalo aberto e DMß ‚ e DMß ‘ os conjuntos das funções
de M em ‚ ou de M em ‘ diferenciáveis em M . Também aqui estamos na presença de subespaços
de ‚M ou de ‘M :
0 B 0 +
DMß ‚ œ 0 − ‚M À a lim − ‚
B+
0 B 0 +
+−M BÄ+
DMß ‘ œ 0 − ‘M À a lim − ‘
+−M BÄ+ B+
RI C 0 (I, R)
D(I, R )
1
C (I, R)
...
...
C(I, R )
Exemplo 1.35 Os espaços P8 Š dos polinómios de grau menor ou igual a um certo 8 !
(Exemplo 1.7) são subespaços uns dos outros: tem-se, de facto, P7 Š § P8 Š § PŠ, se
! Ÿ 7 Ÿ 8. A figura seguinte ilustra a situação:
P( K )
... P2 ( K )
P1( K )
P0 ( K )
Exemplo 1.36 No espaço W $ dos segmentos orientados aplicados num ponto S do espaço
tridimensional, o conjunto T dos segmentos orientados aplicados em S e existentes sobre um
qualquer plano passando por S constitui, como facilmente se verifica, um subespaço de W $ . O
mesmo se pode dizer do conjunto V dos segmentos orientados aplicados em S e existentes
sobre uma recta que contenha S.
Vamos, agora, provar que o conjunto de todas as combinações lineares de uma lista de
vectores de um espaço vectorial I constituem sempre um subespaço de I e que este é o menor
subespaço de I que contém simultaneamente todos os vectores da lista:
Proposição 1.7 Seja I um espaço vectorial sobre um corpo Š e B œ Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 uma
lista de 7 ! vectores de I . O conjunto E de todas as combinações lineares possíveis dos
vectores de B é um subespaço de I , contendo todos os vectores de B e que está contido em
24 Espaços vectoriais [Cap. 1
Demonstração:
Se 7 œ !, tem-se B œ g. Neste caso, por ser α3 Bt3 œ 9t, tem-se E œ 9t, que satisfaz
3−g
todas as condições do enunciado. Passemos, então, ao caso 7 !: a lista B será
B œ Bt" ß Bt# ß á ß Bt7
É óbvio que E Á g, visto que 9t œ !Bt3 − E. Por outro lado, E é fechado para a adição, pois
7
que α3 Bt3 "3 Bt3 œ α3 "3 Bt3 , e é igualmente fechado para a multiplicação escalar,
3œ"
7 7 7
visto que " α3 Bt3 œ "α3 Bt3 . Isto significa que E é subespaço de I . O subespaço E
3œ" 3œ" 3œ"
7 7
7
3œ" 3œ"
contém, obviamente, todos os Bt3 já que Bt3 œ $34 Bt4 . Por último, se J é um subespaço de I
7
contendo os Bt3 , então, por 1.38, J conterá todas as combinações lineares dos Bt3 , o que
4œ"
PŠ Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 ou ainda, quando se subentende o corpo, PB, PBt3 "Ÿ3Ÿ7 ou por
PBt" ß Bt# ß á ß Bt7 8 :
Pg œ P œ 9t, se 7 œ !
1.40
PBt" ß Bt# ß á ß Bt7 œ Ct − IÀ b Ct œ α3 Bt3 ,
7
se 7 !
α3 −Š7 3œ"
Pode facilmente ser verificado que PBt" ß Bt# ß á ß Bt7 é, afinal, a soma (no sentido da
definição 1.12) dos subespaços ŠBt3 , mencionados no exemplo 1.23 (os ŠBt3 são rectas de I , se
Bt3 Á 9):
t
3œ"
Quando PB é o próprio espaço vectorial I , diz-se que B é uma sequência ou lista geradora
(de I ) ou ainda que B constitui um sistema de geradores de I :
uma lista de 7 ! vectores de I . Se PB œ I , diremos que B é uma lista geradora (de I )
Definição 1.6 – Sistema de geradores – Seja I um espaço vectorial sobre um corpo Š e B
ou um sistema de geradores de I .
B é um sistema de (vectores) geradores de I Í PB œ I 1.43
Definição 1.7 – Espaço de dimensão finita – Seja I um espaço vectorial sobre um corpo
Os espaços que não são gerados por qualquer lista Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 de vectores seus dizem-
se de dimensão infinita.
Exemplo 1.37 As sequências g, 9t, 9tß 9t, etc geram, todas elas, o espaço trivial 9t.
Exemplo 1.38 A lista de 8 vectores de Š8
- œ "ß !ß á ß !ß !ß "ß á ß !ß á ß !ß !ß á ß "
gera Š8 , visto que todo o vector B" ß B# ß á ß B8 − Š8 é combinação linear dos vectores de - :
B" ß B# ß á ß B8 œ B" "ß !ß á ß ! B# !ß "ß á ß ! â B8 !ß !ß á ß "
Exemplo 1.39 No espaço P8 Š dos polinómios de grau menor ou igual a 8 e coeficientes
em Š, a sequência de 8 " polinómios
26 Espaços vectoriais [Cap. 1
- œ "ß Bß B# ß á ß B8
:B œ +5 B5
8
5œ"
máximo dos graus dos polinómios presentes na lista. Isto significa que PŠ tem dimensão
nulo e, se não o for, não pode, obviamente, gerar os polinómios cujo grau seja superior ao
infinita.
Exemplo 1.41 A lista ? œ "ß "ß "ß #ß "ß "ß $ß !ß # não é geradora de ‘$ , visto que
P? œ Bß Cß D À Bß Cß D œ +"ß "ß " ,#ß "ß " - $ß !ß #à +ß ,ß - − ‘
œ Bß Cß D À Bß Cß D œ + #, $-ß + ,ß + , #-
œ Bß Cß D À #B C $D œ ! Á ‘$
Geometricamente, P? representa um plano passando pela origem.
Exemplo 1.42 Para qualquer 7 − , a sequência ?7 œ ?"8 ß ?#8 ß á ß ?78 de
sucessões ?58 de escalares de um corpo Š definidas a seguir não pode gerar Š , visto que
? œ "ß !ß á ß !ß á
8−
"8
?#8 œ !ß "ß á ß !ß á
â
?78 œ !ß !ß á ß "ß á
Š, uma lista B œ Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 de vectores de I gera dois subespaços: o subespaço PŠ B,
Exemplo 1.44 Se I for um espaço vectorial sobre um corpo Š e se Šw § Š for subcorpo de
3œ"
3œ"
É ainda evidente que PŠw B é espaço sobre Šw , mas não sobre Š, visto que não é fechado
para o produto por escalar (de Š). Quanto a PŠ B, será espaço vectorial sobre Š (e também
sobre Šw ).
dependente (sobre Š) sse existe um vector αt œ α3 "Ÿ3Ÿ7 − Š7 Ï 9t tal que α3 Bt3 œ 9t:
7
3œ"
αt−Š
3œ"
αt−Š7
3œ"
Observações:
ç Observe-se aqui que a dependência linear de uma lista de vectores depende do corpo Š de
escalares que se considere:
28 Espaços vectoriais [Cap. 1
Por exemplo, a lista B œ Bt" ß Bt# œ " 3ß 3ß " 3ß " de vectores de ‚# é linearmente
dependente sobre ‚ (observe que Bt" œ 3Bt# ), mas é linearmente independente sobre ‘, pois se
+ß , − ‘,
+" 3ß 3 ," 3ß " œ !ß ! Ê + , 3+ ,ß , 3+ œ !ß ! Ê + œ , œ !
no entanto, qualquer lista ‘-dependente é também ‚-dependente e toda a lista ‚-independente
será igualmente ‘-independente.
ç Consideremos uma lista linearmente independente de : vectores de Š8
B œ B"" ß B#" ß á ß B8" ß B"# ß B## ß á ß B8# ß á ß B": ß B#: ß á ß B8:
Nestas condições, quaisquer que sejam os escalares B8"ß" ß B8"ß# ß á ß B8"ß: , a lista Bw de :
vectores de Š8" obtida de B juntando cada um destes escalares aos seus vectores
Bw œ B"" ß B#" ß á ß B8" ß B8"ß" ß B"# ß B## ß á ß B8# ß B8"ß# ß á ß B": ß B#: ß á ß B8: ß B8"ß:
e α5 B8"ß5 œ !.
5œ" 5œ"
:
5œ"
Ct œ α3 Bt3
7
3œ"
Demonstração:
Sec. 1.6] Independência linear e bases. Dimensão 29
3œ" 3œ"
3œ"
Sendo a lista Bt3 "Ÿ3Ÿ7 linearmente independente, a igualdade anterior implica α3 "3 œ !,
o que equivale a α3 œ "3 , para todo o 3 − "ß #ß á ß 7, sendo portanto única a combinação
linear que exprime Ct nos Bt3 . Reciprocamente, se B for linearmente dependente, existirá
"t œ "3 Á 9t tal que
"3 Bt3 œ 9t
7
3œ"
Basta, agora, observar que os escalares α3 "3 não são todos iguais aos α3 respectivos, visto
que "t œ "3 Á 9t. Portanto, Ct exprime-se de duas formas diferentes como combinação linear
dos Bt3 , nomeadamente, α3 Bt3 e α3 "3 Bt3 .
7 7
3œ" 3œ"
A proposição anterior garante, portanto, que se B œ Bt3 "Ÿ3Ÿ7 for uma lista linearmente
como combinação linear dos Bt3 (de uma e uma só forma quando Ct − PB e de nenhuma,
independente de vectores de I , todo o vector Ct − I se exprime quando muito de uma forma
quando Ct  PB). Para garantir que todo o vector de I se possa exprimir nos Bt3 será
necessário que PB œ I e, portanto, que B seja também geradora I . Isto leva-nos à importante
noção de Base:
um corpo Š e B œ Bt3 "Ÿ3Ÿ8 uma lista de 8 vectores de I . Diremos que B é uma base de I sse
Definição 1.9 – Base de um espaço de dimensão finita – Seja I um espaço vectorial sobre
3œ"
Proposição 1.9 Uma sequência B œ Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 de vectores de um espaço vectorial I
sobre um corpo Š é linearmente dependente sse existir nela um vector Bt5 que seja combinação
linear dos restantes:
Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 é linearmente dependente Í b Bt5 œ α3 Bt3 1.48
"Ÿ5Ÿ7
α3 −Š 3Á5
Demonstração:
A condição é suficiente, pois
b Bt5 œ α3 Bt3 Ê b α3 Bt3 Bt5 œ 9t
"Ÿ5Ÿ7 "Ÿ5Ÿ7
α3 −Š 3Á5 α3 −Š 3Á5
mas esta última igualdade mostra o anulamento de uma combinação linear dos vectores de B, na
qual α5 œ " Á !, o que implica a dependência linear de B. Reciprocamente, de B for
linearmente dependente, existe α5 Á ! tal que
3œ" 3Á5
Bt5 œ
α3
Bt3
3Á5
α5
Corolário 1.9.1 Uma sequência Bt" formada por um só vector é linearmente dependente
sse Bt" œ 9t:
Bt" é linearmente dependente Í Bt" œ 9t 1.48.1
Corolário 1.9.2 Uma sequência Bt" ß Bt# formada por dois vectores é linearmente
dependente sse um desses vectores for múltiplo escalar do outro, isto é:
Bt" ß Bt# é linearmente dependente Í b Bt" œ αBt# ” b Bt# œ " Bt" 1.48.2
α−Š " −Š
Corolário 1.9.3 Se algum vector numa sequência for nulo, a sequência é linearmente
dependente.
Sec. 1.6] Independência linear e bases. Dimensão 31
Corolário 1.9.4 Se, numa sequência, existirem dois vectores iguais, a sequência é
linearmente dependente.
Corolário 1.9.5 Se, numa sequência, um dos vectores for múltiplo escalar de outro, a
sequência é linearmente dependente.
Corolário 1.9.6 Se, numa sequência, existir uma subsequência linearmente dependente,
então a sequência será linearmente dependente.
Corolário 1.9.7 Toda a subsequência de uma sequência linearmente independente será,
também, linearmente independente.
Proposição 1.10 Uma sequência B œ Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 de vectores de um espaço vectorial I
sobre um corpo Š é linearmente dependente sse existir nela um vector Bt5 que seja combinação
linear dos anteriores:
Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 é linearmente dependente Í b Bt5 œ α3 Bt3 1.49
"Ÿ5Ÿ7
α3 −Š 35
Demonstração:
A condição é obviamente suficiente, se atendermos a que Bt5 œ α3 Bt3 œ α3 Bt3 !Bt3
35 35 35
e à proposição 1.9 anterior. Reciprocamente, sendo B linearmente dependente, existe pelo
menos um 5 − "ß #ß á ß 7 tal que α5 Á ! e α3 Bt3 œ 9t. Portanto, o conjunto
7
3œ"
E œ 3À α3 Á ! § "ß #ß á ß 7
é finito e não vazio e, portanto, tem um máximo 5 œ maxE. Devido à definição de 5 , tem-se
α3 œ ! para 3 5 e α5 Á !. Entãoß fica simplesmente
α3 Bt3 α5 Bt5 œ 9t
35
donde se conclui
Bt5 œ
α3
Bt3
35
α5
Observe-se que, se 5 œ ", fica α" Bt" œ 9t e α" Á !, donde Bt" œ 9t: mesmo assim, poderemos
dizer que Bt" é combinação linear (vazia) dos vectores anteriores.
A proposição anterior é equivalente a dizer que uma sequência Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 é
linearmente independente sse nenhum dos seus vectores for combinação linear dos anteriores
(isto é, Bt" Á 9t e nenhum dos Bt5 , com 5 ", é combinação linear dos anteriores).
Exemplo 1.45 A sequência !ß !ß !ß $ß !ß !ß "ß "ß !ß "ß %ß !ß #ß !ß "ß $ de
vectores de ‘% é linearmente independente, visto que nenhum dos seus vectores é combinação
linear dos anteriores (isto sucederá igualmente com qualquer lista de 7 vectores não nulos de
32 Espaços vectoriais [Cap. 1
Š8 , cujas primeiras componentes se anulem, mas diminuindo sempre o número de !'s nessas
primeiras componentes de cada vector para o seguinte da lista).
Proposição 1.11 Uma sequência B œ Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 de vectores de um espaço vectorial I
sobre um corpo Š é linearmente dependente sse existir nela um vector Bt5 que seja combinação
linear dos seguintes:
Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 é linearmente dependente Í b Bt5 œ α3 Bt3 1.50
"Ÿ5Ÿ7
α3 −Š 35
Demonstração:
A condição é obviamente suficiente, se atendermos a que Bt5 œ α3 Bt3 œ !Bt3 α3 Bt3
35 35 35
e à proposição 1.9. Reciprocamente, sendo B linearmente dependente, existe pelo menos um
5 − "ß #ß á ß 7 tal que α5 Á 0 e α3 Bt3 œ 9t. Portanto, o conjunto
7
3œ"
E œ 3À α3 Á ! § "ß #ß á ß 7
é finito e não vazio e, portanto, tem um mínimo 5 œ minE. Devido à definição de 5 , tem-se
α3 œ ! para 3 5 e α5 Á !. Entãoß fica simplesmente
α5 Bt5 α3 Bt3 œ 9t
35
donde se conclui
Bt5 œ
α3
Bt3
35
α5
Observe-se que, se 5 œ 7, fica α7 Bt7 œ 9t e α7 Á !, donde Bt7 œ 9t: mesmo assim, poderemos
dizer que Bt7 é combinação linear (vazia) dos vectores seguintes.
A proposição anterior é equivalente a dizer que uma sequência Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 é
linearmente independente sse nenhum dos seus vectores for combinação linear dos seguintes
(isto é, Bt7 Á 9t e nenhum dos Bt5 , com 5 7, é combinação linear dos vectores seguintes).
Exemplo 1.46 A sequência #ß !ß "ß $ß !ß !ß %ß !ß !ß !ß !ß " de vectores de ‘% é
linearmente independente, visto que nenhum dos seus vectores é combinação linear dos
seguintes. Isto sucederá igualmente com qualquer lista de 7 Ÿ 8 vectores não nulos de Š8 ,
cujas primeiras componentes se anulem, mas aumentando sempre o número de !'s dessas
primeiras componentes de cada vector para o seguinte da lista: tais listas dizem-se escalonadas;
segue-se a definição:
com
Bt œ B"" ß B"# ß á ß B"8
"
Bt# œ B#" ß B## ß á ß B#8
â
Bt7 œ B7" ß B7# ß á ß B78
de 7 ! vectores de Š8 . Diremos que a lista B está na forma escalonada sse se der uma das
condições seguintes:
i) Bt" œ Bt# œ á œ Bt7 œ 9t
3 < Ê Bt œ 9t
3 Ÿ < Ê Bt3 Á 9t
3
Portanto, a lista do exemplo anterior é escalonada e são-no também, por exemplo, as listas
!ß !ß "ß $ß !ß !ß !ß #ß !ß !ß !ß !, em ‘%
!ß $ß "ß $ß &ß !ß !ß %ß !ß #ß !ß !ß !ß "ß "ß !ß !ß !ß !ß ", em ‘&
" #3ß !ß "ß #3ß !ß # 3ß !ß # 3ß !ß !ß !ß $ #3ß !ß !ß !ß !ß !ß !ß !ß !, em ‚%
condições, a lista de 7 " vectores B7" œ Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 ß Bt7" é ainda linearmente
(portanto, B7 não é geradora de I , caso contrário, não existiria um tal vector Bt7" ). Nestas
Demonstração:
A igualdade α3 Bt3 œ α3 Bt3 !Bt7" mostra que toda a combinação linear de vectores de
7 7
B7 é combinação linear dos vectores de B7" , logo: PB7 § PB7" . A hipótese de que
3œ" 3œ"
Bt7" Â PB7 (mas obviamente que Bt7" − PB7" ) mostra, por outro lado, que
PB7 Á PB7" .
Por fim, para provar que B7" é linearmente independente, atendamos à definição e
ponhamos
3œ"
Esta igualdade implica que " œ ! (se assim não fosse, tinha-se Bt7" œ α3 Î" Bt3 ou seja,
7
α3 Bt3 œ 9t
7
3œ"
e, agora, a independência linear de B7 mostra que terá que ser, igualmente, α3 œ !, para todo o
3 œ "ß á ß 7.
Como consequência da proposição anterior, temos o seguinte corolário que mostra que, num
espaço de dimensão infinita, existem listas de vectores linearmente independentes com tantos
vectores quantos queiramos:
Demonstração:
Por indução em 8: é claro que I Á 9t; portanto e para 8 œ ", é linearmente independente a
sequência B" œ Bt" , onde Bt" Á 9t é um vector não nulo arbitrário em I .
Se for B8 œ Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 uma sequência linearmente independente com 8 vectores, como
I Ï PB8 Á g (visto que I tem dimensão infinita, B8 não pode gerar I ), podemos escolher
um vector Bt8" − I Ï PB8 e a proposição anterior permite concluir que Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 ß Bt8"
é ainda linearmente independente e com 8 " vectores.
Mais adiante (proposição 1.17), veremos que a recíproca deste corolário é, igualmente,
verdadeira. Vamos, agora, ver que, se o vector que se junta a uma lista de vectores pertencer ao
subespaço que ela gera, a nova lista gera ainda esse subespaço e é linearmente dependente:
Lema 1.13.1 Seja B7 œ Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 uma lista de m vectores de um espaço vectorial E
sobre um certo corpo Š e Bt7" − PB7 um vector qualquer do subespaço gerado por B7 .
Então, a lista B7" œ Bt" ß Bt# ß á ß Btm ß Bt7" gera o mesmo subespaço que B7 gera e é
Sec. 1.6] Independência linear e bases. Dimensão 35
linearmente dependente:
Bt7" − PBt" ß Bt# ß á ß Btm Ê Bt" ß Bt# ß á ß Btm ß Bt7" é linearmente dependente
1.52
Bt7" − PBt" ß Bt# ß á ß Btm Ê PBt" ß Bt# ß á ß Btm ß Bt7" œ PBt" ß Bt# ß á ß Btm
Demonstração:
Visto ser Bt7" − PBt" ß Bt# ß á ß Bt7 , a proposição 1.9 mostra que B7" é linearmente
dependente. Por outro lado, a igualdade α3 Bt3 œ α3 Bt3 !Bt7" mostra que
7 7
3œ" 3œ"
PB7 § PB7"
Para mostrar a inclusão inversa, basta atender a que Bt7" − PB7 :
Dt − PB7" Ê Dt œ α3 Bt3 œ α3 Bt3 α7" "3 Bt3 œ α3 α7" "3 Bt3
7" 7 7 7
Lema 1.13.2 Seja B7 œ Bt" ß Bt# ß á ß Btm uma lista linearmente dependente de m vectores
de um espaço vectorial E sobre um certo corpo Š. A proposição 1.10 garante a existência de
um vector Bt5 da lista B7 que é combinação linear dos anteriores. A nova lista
B7" œ Bt" ß Bt# ß á ß Bt5" ß Bt5" ß á ß Btm
de 7 " vectores obtida retirando Bt5 à lista B7 gera ainda o mesmo subespaço que era
gerado por B7 :
Bt5 œ "3 Bt3 Ê PBt3 3Á5 œ PBt3
35
Demonstração:
É óbvio que PB7" § PB7 . Quanto à inclusão inversa, tem-se, como no lema anterior:
É claro que, com demonstração análoga, é também possível retirar duma lista um vector seu
que seja combinação linear dos restantes ou dos seguintes (proposições 1.9 e 1.11) sem que,
com isso, se altere o respectivo subespaço gerado.
Proposição 1.13 Seja I um espaço vectorial de dimensão finita e B œ Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 uma
lista geradora de I . Se C œ Ct " ß Ct # ß á ß Ct 7 for uma lista de vectores de I linearmente
independente, então tem-se, necessariamente,
36 Espaços vectoriais [Cap. 1
7Ÿ8 1.53.1
Além disso, o espaço I é gerado por uma lista de 8 vectores que inclui todos os vectores de C :
I œ PBt" ß Bt# ß á ß Bt8 œ PCt " ß Ct # ß á ß Ct 7 ß Bt3" ß Bt3# ß á ß Bt387 1.53.2
Demonstração:
Como B é geradora de I , o lema 1.13.1 permite construir a lista
C" œ Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 ß Ct "
de 8 " vectores que será ainda geradora, mas linearmente dependente. Recorrendo ao lema
1.13.2, conclui-se que existe em C" um vector que é combinação linear dos seguintes e que é
possível retirá-lo desta lista sem que se altere o subespaço gerado; mas esse vector não pode ser
Ct " , visto que ele não é nulo (Porquê?). Portanto, um dos vectores Bt3 pode ser retirado da lista
C" , obtendo-se uma nova sequência B" de 8 vectores geradora de I . Introduzamos, agora, nesta
lista o vector Ct 2 . De acordo com o lema 1.13.1 a lista de 8 " vectores obtida
C# œ Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 ß Ct " ß Ct 2
é geradora de I e linearmente dependente. Portanto, existirá de novo um vector que é
combinação linear dos seguintes e, tal como antes, esse vector não poderá ser nenhum dos Ct 3 ,
devido à independência linear destes. Logo, o vector a retirar (lema 1.13.2) terá que ser um dos
Bt3 , obtendo-se uma nova lista B# com 8 vectores geradora de I . Este processo de aplicação
alternada dos lemas 1.13.1 e 1.13.2 leva à construção de listas B3 com 8 vectores, geradoras de
I , e onde os vectores Bt3 vão sendo sucessivamente substituídos pelos Ct 5 . Se fosse 7 8 e ao
fim de 8 aplicações de cada um dos lemas referidos, obtinha-se uma lista B8 geradora de I
formada pelos 8 primeiros vectores de C , ficando ainda de fora dessa lista os últimos
7 8 ! vectores de C . Sendo essa lista B8 geradora, o vector Ct 8" seria combinação linear
dos primeiros 8 vectores Ct 5 , o que significa que a lista C seria linearmente dependente, em
contradição com a hipótese. Fica, assim, provado que deverá ser 7 Ÿ 8. Portanto, e aplicando
7 vezes cada um dos lemas anteriores, somos conduzidos a uma lista B7 geradora de I ,
contendo todos os 7 vectores Ct 5 e ainda 8 7 ! dos Bt3 (os únicos vectores de B que não
Com base na proposição anterior é fácil provar que, num espaço de dimensão finita, todas as
bases têm o mesmo número de vectores, facto que é fundamental para a definição da importante
noção de dimensão de um espaço vectorial:
dimensão finita e considerem-se duas bases, B œ Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 e C œ Ct " ß Ct # ß á ß Ct 7 desse
Proposição 1.14 – Invariância do comprimento das bases – Seja I um espaço de
Demonstração:
Basta aplicar a anterior proposição 1.13 duas vezes: B é linearmente independente e C é
geradora de I , portanto
Sec. 1.6] Independência linear e bases. Dimensão 37
8Ÿ7
Por outro lado, C é linearmente independente e B é geradora de I , portanto
7Ÿ8
Pela propriedade anti-simétrica da relação de igualdade, será 7 œ 8.
O resultado anterior garante que todas as bases de um mesmo espaço vectorial I de
dimensão finita sobre certo corpo Š são constituídas pelo mesmo número de vectores, o qual
representa, assim, um atributo intrínseco do espaço I a que chamaremos a dimensão de I
(sobre Š). Formaliza-se, agora, a definição:
próprios escalares B" ß B# ß á ß B8 . É esta a única base de Š8 onde tal sucede, daí a sua
importância e o facto de ser designada por base canónica de Š8 . Podemos, pois, escrever:
dimŠ Š8 œ 8
constitui uma base, como facilmente se prova (demonstre!). Neste caso, também é óbvio que as
Este exemplo mostra também que, no espaço PŠ, existem listas linearmente independentes
com tantos vectores quantos queiramos: por exemplo, as listas -8 com qualquer 8 − ! .
38 Espaços vectoriais [Cap. 1
Exemplo 1.50 Em W " , uma base é constituída por qualquer segmento orientado não nulo,
tendo-se, portanto:
dim‘ W " œ "
Exemplo 1.51 Em W # , uma base é constituída por quaisquer dois segmentos orientados não
colineares. Por isso,
dim‘ W # œ #
Exemplo 1.52 Em W $ , uma base é constituída por quaisquer três segmentos orientados não
coplanares. Logo:
dim‘ W $ œ $
Exemplo 1.53 No espaço ‘ do exemplo 1.11 e sendo ? − ‘ Ï ", ? será uma base já
que, se B − ‘ , tem-se:
B œ ?log? B œ log? B?
o que mostra que ? gera ‘ e é, obviamente, linearmente independente pois que
α? œ ?α œ " Ê α œ log? " œ !
Neste caso, a coordenada de B − ‘ na base ? é log? B. Tem-se, pois, dim‘ ‘ œ ".
/ œ /t" ß /t# ß á ß /t8 , e considere-se o espaço I 7 (ver exemplo 1.13). A lista de 78 vectores de
Exemplo 1.54 Seja I um espaço vectorial de dimensão 8 sobre um corpo Š, com uma base
I7
dimŠ I3 œ dimŠ I3
7 7
3œ" 3œ"
logo, ‚ œ P"ß 3. Por outro lado, - é linearmente independente, como resulta de
+†",†3œ!Ê+ œ!•, œ!
visto que, para qualquer Bt − I se tem Bt œ B4 /t4 , onde os B4 − Š são únicos. Porém, os B4
8
4œ"
são “vectores” do espaço Š e exprimir-se-ão na base 5 deste espaço, de forma única, como
combinação linear dos 53 , vindo portanto: B4 œ B34 53 , onde os B34 − Šw ; substituindo esta
7
3œ"
expressão na anterior, vem
A igualdade anterior prova que os 78 vectores 53 /t4 geram I (sobre Šw ). Vejamos, agora, a
independência linear de - :
De facto, se / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 for uma base de I sobre ‚ (dim‚ I œ 8), então a lista de
#8 vectores
- œ /t" ß 3/t" ß /t# ß 3/t# ß á ß /t8 ß 3/t8
será uma base de I sobre ‘, visto que "ß 3 é base de ‚ sobre ‘: - gera I (através de escalares
reais), visto que por hipótese, para qualquer Bt − I existem complexos D5 œ α5 3"5 tais que:
Bt œ α5 3"5 /t5 œ α5 /t5 "5 3/t5 œ α5 /t5 "5 3/t5
8 8 8 8
a última expressão dá Bt como combinação linear dos vectores de - , através dos escalares reais
α5 e "5 , provando assim que - gera I (usando escalares reais). A sucessão de igualdades
anteriores (em sentido inverso) mostra, por fim, que, se uma combinação dos vectores de - é
nula, os escalares reais α5 e "5 terão de ser todos nulos, o que significa a independência linear
de - .
Exemplo 1.57 Em relação ao espaço complexo I w do exemplo 1.15, se / œ /t" ß /t# ß á ß /t8
for uma base de I , então a lista de 8 vectores
- œ /t" ß 9tß /t# ß 9tß á ß /t8 ß 9t
será uma base de I w œ I # . De facto, - gera I w , visto que para qualquer Bß
t Ct − I w se tem:
5œ"
onde os B5 3C5 são escalares complexos. Para provar que - é linearmente independente,
œ 9tß 9t
8
5œ"
5œ" 5œ"
5œ"
"5 /t5 œ 9t
5œ"
8
" œ !
α5 œ !
5
donde se segue que, para todo o 5 − "ß #ß á ß 8, se tem α5 œ "5 œ ! ou seja,
Sec. 1.6] Independência linear e bases. Dimensão 41
D5 œ α5 3"5 œ !
Portanto, tem-se dim‚ I w œ dim‘ I . Podemos ainda observar que as sequências
? œ 9ß
t /t" ß 9ßt /t# ß á ß 9ß t /t8
@ œ /t" ß /t" ß /t# ß /t# ß á ß /t8 ß /t8
Demonstração:
Seja / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 uma base de I . Pela proposição 1.8, a aplicação 0/ À Š8 Ä I
definida por
0/ B" ß B# ß á ß B8 œ B5 /t5
8
5œ"
(no capítulo 3, as funções satisfazendo as duas condições anteriores serão chamadas lineares ou
homomorfismos e, se forem bijectivas, isomorfismos). Portanto, 0/ é um isomorfismo de Š8
sobre I .
Para exprimir o facto de dois espaços I e J sobre o mesmo corpo Š serem isomorfos,
escrevemos I z J ; usando esta notação, podemos enunciar a proposição anterior escrevendo:
dimŠ I œ 8 Ê I z Š8
A proposição anterior mostra que Š8 constitui, por assim dizer, o modelo de espaço vectorial
de dimensão 8 sobre Š e que os restantes espaços vectoriais I sobre Š com igual dimensão são
diferentes de Š8 apenas quanto à natureza dos seus vectores (e, claro, quanto à definição das
operações). É, portanto, indiferente manipular algebricamente os vectores de I ou as suas
coordenadas (que são vectores de Š8 ) em relação a uma qualquer base de I .
A relação z entre espaços vectoriais sobre o mesmo corpo é uma relação de equivalência
(ou seja, é reflexiva, simétrica e transitiva), que divide o conjunto dos espaços vectoriais de
dimensão finita sobre Š em classes de espaços isomorfos, os quais são algebricamente
idênticos. O corolário 1.15.1 mostra que dois espaços pertencem à mesma classe sse têm a
mesma dimensão.
5œ!
é um isomorfismo de Š! sobre PŠ, que são, portanto, espaços vectoriais isomorfos:
PŠ z Š!
A proposição anterior mostra que, por cada base / que se fixe em I , fica definido um
isomorfismo 0/ de Š8 sobre I , que estabelece uma correspondência biunívoca entre as
coordenadas (em Š8 ) de um vector Bt − I em relação à base / e esse vector Bt, de tal modo que
é equivalente trabalhar com os vectores de I ou com as suas coordenadas em Š8 .
Quando dois espaços são isomorfos, isso significa que são algebricamente iguais (diz-se que
outro: assim, por exemplo, W $ pode identificar-se com ‘$ (e ainda com P# ‘) e diz-se que W $
são iguais, a menos de um isomorfismo) e, por vezes, esses espaços são identificados um com o
Corolário 1.15.1 Dois espaços vectoriais I e J de dimensão finita sobre o mesmo corpo Š
são isomorfos sse têm a mesma dimensão.
Demonstração:
A condição é necessária: se dimI œ dimJ œ 8, então I e J são ambos isomorfos de Š8 e,
portanto, isomorfos um do outro.
Reciprocamente, suponha-se que I e J são isomorfos e que dimI œ 7 e dimJ œ 8; então
I é isomorfo de Š7 e J é isomorfo de Š8 , donde, Š7 z Š8 , o que implica 7 œ 8Þ
Demonstração:
i) Resulta da proposição 1.13, visto que as bases de I têm 8 vectores e são geradoras de
I.
ii) Resulta da proposição 1.13, visto que as bases de I têm 8 vectores e são independentes.
iii) Uma tal lista é, com certeza, geradora de I : se o não fosse, a proposição 1.12 permitia
acrescentar um vector à lista, obtendo-se uma lista de 8 " 8 vectores linearmente
independentes, o que é contraditório com a alínea i).
iv) Uma tal lista é, com certeza, linearmente independente: se o não fosse, o lema 1.13.2
permitia retirar um vector à lista, mantendo-a geradora de I , mas apenas com 8 " 8
vectores, o que contraria a alínea ii).
v) Como se viu, se B œ Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 é linearmente independente será 7 Ÿ 8. A
proposição 1.12 permite, enquanto a lista não for geradora de I , ir acrescentando vectores
(mantendo a independência linear) até que, quando tivermos acrescentado 8 7 vectores,
teremos uma lista de 8 vectores linearmente independentes e, portanto, uma base de I ,
contendo a lista dada.
Isto mostra, em particular, que todo o espaço vectorial de dimensão finita tem, pelo menos,
uma base, a qual se pode obter pelo algoritmo que acabámos de utilizar nesta demonstração:
Enquanto PB Á I
Bœg
Observe que o algoritmo funciona, mesmo no caso limite I œ 9t, obtendo-se, neste caso, a
O ciclo anterior termina ao fim de 8 œ dimŠ I iterações e, no final, B será uma base de I .
base B œ g. Cabe aqui notar que, num espaço de dimensão infinita, a iteração neste algoritmo
não termina nunca (Loop infinito!).
vi) Como se viu anteriormente, se B œ Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 é geradora de I , será 7 8. O
lema 1.13.2 permite retirar vectores à lista B (mantendo-a geradora), enquanto ela for
linearmente dependente. Após retirar 7 8 vectores, obtém-se uma lista geradora com 8
vectores a qual será, como vimos antes, linearmente independente, logo uma base de I contida
em B. Portanto, pode obter-se uma base de I , a partir de uma sequência B geradora, mediante o
algoritmo:
Enquanto B é linearmente dependente
Retirar a B um vector que seja combinação linear dos restantes12
Fim
limite I œ 9t, acabará por obter-se a sequência vazia g, que é linearmente independente e
O ciclo anterior termina ao fim de 7 8 iterações e, por fim, B será uma base de I . No caso
12 Ou combinação linear dos vectores anteriores ou dos seguintes (proposições 1.10 e 1.11).
44 Espaços vectoriais [Cap. 1
uma base de I œ Pg œ 9t. Neste caso, a lista inicial era, necessariamente:
B œ 9tß 9tß á ß 9t
vii) Como uma base de J é, por definição, linearmente independente em J (e, portanto,
também em I , visto que o corpo Š é o mesmo), a alínea i) garante imediatamente a
desigualdade desejada.
A seguinte proposição dá uma condição necessária e suficiente para que um espaço vectorial
tenha dimensão infinita:
Demonstração:
O corolário 1.12.1 mostra que a condição é necessária. Mas ela é também suficiente, em
virtude da alínea i) da proposição anterior.
Exemplo 1.58 O espaço vectorial Š das sucessões de escalares, citado no exemplo 1.42,
tem dimensão infinita, visto que as listas ?7 de sucessões aí apresentadas são linearmente
independentes. Também são de dimensão infinita os espaços Š e Š! .
Exemplo 1.59 O espaço PŠ tem dimensão infinita, visto que as listas de polinómios
-8 œ "ß Bß B# ß á ß B8
Exemplo 1.61 O espaço ‘ tem dimensão infinita sobre : de facto, o número real 1 é
transcendente (isto é, pode demonstrar-se que 1 não é solução de equação algébrica alguma
com coeficientes racionais não todos nulos). Então, as listas
B8 œ "ß 1ß 1# ß á ß 18
5œ0
é possível se forem nulos todos os +5 .
operações (ditas elementares), quando realizadas sobre uma lista B œ Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 de
Proposição 1.18 – Propriedades das operações elementares – Cada uma das seguintes
ii) Substituição de um vector Bt3 da lista pelo seu produto por um escalar α Á !, com
7 ":
Bt" ß Bt# ß á ß Bt3 ß á ß Bt7 Ä Bt" ß Bt# ß á ß αBt3 ß á ß Bt7 , onde α Á ! 1.55
iii) Sendo 7 #, substituição de um vector Bt3 da lista pela sua soma com o produto de
outro vector Bt4 , com 4 Á 3, multiplicado por um escalar " arbitrário:
Bt" ß Bt# ß á ß Bt3 ß á ß Bt7 Ä Bt" ß Bt# ß á ß Bt3 " Bt4 ß á ß Bt7 1.56
Demonstração:
i) Esta propriedade é consequência da comutatividade e associatividade da adição
vectorial.
ii) Seja B œ Bt" ß Bt# ß á ß Bt3 ß á ß Bt7 e Bw œ Bt" ß Bt# ß á ß αBt3 ß á ß Bt7 Þ A igualdade
independente, também B o será, visto "3 Îα œ ! implica "3 œ !Þ Por outro lado, a igualdade
"5 Bt5 "3 αBt3 œ "5 Bt5 "3 αBt3
5Á3 5Á3
vectores de B, logo PBw § PB. Dela se segue também que, se B for linearmente
mostra que as combinações lineares dos vectores de Bw são também combinação linear dos
A igualdade
5œ" 5Á3ß4
ou seja, PB § PBw . Ela mostra também que, se Bw for linearmente independente, também o
mostra que toda a combinação linear dos vectores de B é combinação linear dos vectores de Bw ,
vectores de B, logo PBw § PB. Da igualdade anterior se segue também que, se B for
mostra que uma combinação linear dos vectores de Bw é forçosamente combinação linear dos
As operações das três alíneas da proposição anterior são chamadas operações elementares de
tipos 1, 2 e 3, respectivamente, sobre a lista B de vectores. Por vezes, usam-se as seguintes
notações para indicar aquelas operações:
I"
Bt3 Ó Bt4
I#
Bt3 Ò αBt3 ß onde α Á !
I$
Bt3 Ò Bt3 " Bt4
É óbvio que qualquer composição de operações daqueles três tipos não alterará também o
subespaço gerado pela lista nem a sua dependência ou independência lineares. Em particular,
tem-se o seguinte:
alteram a dependência ou independência linear nem o subespaço gerado por essa lista (nem,
obviamente, o seu comprimento 7):
i) Sendo 7 #, substituição de um vector Bt3 da lista pela soma do produto de um
escalar α Á ! por esse vector com o produto de um escalar " por outro vector Bt4 , com
4 Á 3:
Bt" ß Bt# ß á ß Bt3 ß á ß Bt7 Ä Bt" ß Bt# ß á ß αBt3 " Bt4 ß á ß Bt7 , onde α Á ! 1.57
Sec. 1.7] Soma de subespaços. Soma directa 47
ii) Sendo 7 ", substituição de um vector Bt3 por uma combinação linear α5 Bt5 dos
7
5œ"
vectores da lista B, desde que α3 Á !:
Bt" ß Bt# ß á ß Bt3 ß á ß Bt7 Ä Bt" ß Bt# ß á ß α5 Bt5 ß á ß Bt7 , onde α3 Á ! 1.58
7
5œ"
Demonstração:
i) Esta operação é a composição I $ ‰ I # de uma operação do tipo 3 com outra do tipo 2:
I#
Bt3 Ò αBt3
I$
αBt3 Ò αBt3 " Bt4
$
ii) Esta operação é a composição I7" ‰ â ‰ I#$ ‰ I1$ ‰ I # de uma operação do tipo 2
seguida por 7 " operações de tipo 3:
I#
Bt3 Ò α3 Bt3 ß onde α3 Á !
I"$
α3 Bt3 Ò α3 Bt3 α5" Bt5" ß onde 5" Á 3
I#$
α3 Bt3 α" Bt" Ò α3 Bt3 α5" Bt5" α5# Bt5# ß onde 5" Á 5# Á 3
á
Proposição 1.19 Seja I um espaço vectorial sobre um corpo Š e I5 "Ÿ5Ÿ7 uma lista de 7
subespaços de I . O conjunto E § I formado por todas as somas Bt5 de vectores Bt5 − I5 é
7
5œ"
ainda um subespaço de I .
Demonstração:
48 Espaços vectoriais [Cap. 1
5œ"
Ct − E,
Bt Ct œ Bt5 Ct 5 œ Bt5 Ct 5
7 7 7
5œ" 5œ"
αBt5 − I5 .
5œ"
Definição 1.12 – Soma de subespaços – Seja I um espaço vectorial e I5 "Ÿ5Ÿ7 uma
sequência de 7 subespaços de I . O subespaço formado por todas as somas de vectores
Bt5 − I5 é chamado soma dos subespaços I5 e designado por I5 :
7
5œ"
em particular, se 7 œ #:
Proposição 1.20 – Propriedades da soma de subespaços – Seja I5 "Ÿ5Ÿ7 uma lista de
subespaços de um espaço vectorial I . Então:
i) Para todo o 3 − "ß #ß á ß 7ß
I 3 § I5
7
5œ"
ii)
I5 § I5
7 7
5œ" 5œ"
Sec. 1.7] Soma de subespaços. Soma directa 49
I5 § J
7
5œ"
I55 œ I5
7 7
5œ" 5œ"
I 5 œ I 3 Í I5 § I3
7
5œ" 5Á3
vi) Tem-se:
dim I5 Ÿ dimI5
7 7
5œ" 5œ"
Demonstração:
i) A primeira inclusão resulta de que, para qualquer 3 − "ß #ß á ß 7, se tem:
Bt − I3 Ê Bt œ Bt 9t Ê Bt − I5
7
5Á3 5œ"
a I3 § I5 Ê I3 § I5 œ I5
7 7 7 7 7
5œ"
I5 § I5
7
5Á3 5œ"
50 Espaços vectoriais [Cap. 1
5œ" 5Á3
5Á3 5œ"
5œ"
5Á3
− I5 §I3
5Á3
5œ"
5œ"
Esta última expressão mostra que Bt é combinação linear dos /t545 "Ÿ5Ÿ7 , o que termina a
"Ÿ45 Ÿ85
demonstração.
5œ"
um subespaço de I ).
Corolário 1.20.1 Seja I um espaço vectorial sobre um corpo Š e Eß Fß G subespaços de I .
Tem-se:
i) E§EF•F §EF
ii) E ∪ F § E F
iv) E F œ F E
v) EF œEÍF §E
ix) E E œ E
Sec. 1.7] Soma de subespaços. Soma directa 51
Demonstração:
As primeiras seis alíneas resultam da proposição anterior, fazendo 7 œ #.
As alíneas viii) e ix) resultam de v), fazendo F œ 9t e F œ E, respectivamente.
prologuemo-la (proposição 1.16.v) a uma base + œ t- " ß t- # ß á ß t- = ß +t" ß +t# ß á ß +t7= de E e
também a uma base , œ t- " ß t- # ß á ß t- = ß t," ß t,# ß á ß t,8= de F .
E
A+B
A A B B
De facto,
Dt − E F Ê Dt œ +t t,ß onde +t − E e t, − F
5œ" 5œ"
5œ"
−E −F
œ +t t, − E F
52 Espaços vectoriais [Cap. 1
o que equivale a
5œ" 5œ"
5œ"
−E −F
A igualdade anterior mostra que #5 t,5 − E ∩ F , donde, existem α5 − Š tais que:
8=
5œ"
#5 t,5 œ α5 t- 5
8= =
5œ" 5œ"
o que equivale a
α5 t- 5 #5 t,5 œ 9t
= 8=
5œ" 5œ"
5œ"
pode ou não ser única; quando for única, diz-se que a soma é directa:
Definição 1.13 – Soma directa de subespaços – Uma soma de subespaços I5 "Ÿ5Ÿ7 de
um espaço vectorial I diz-se directa sse, para cada vector ?t − J œ I5 , existe uma e uma
7
?t œ Bt5 1.61
7
5œ"
Neste caso, a soma (directa) dos I5 designa-se por I5 , em vez de I5 . (em particular,
7 7
5œ"
Na proposição seguinte, vamos ver que uma soma de subespaços é directa sse a intersecção
de cada subespaço com a soma dos restantes se reduzir ao vector nulo.
sequência I5 "Ÿ5Ÿ7 de subespaços de um espaço vectorial I é directa sse, para cada
5œ"
Sec. 1.7] Soma de subespaços. Soma directa 53
J œ I5 Í J œ I5 • I3 ∩ Ik œ 9t 1.62
7 7
a
5œ" 5œ" "Ÿ3Ÿ7 5Á3
Demonstração:
1. A condição é suficiente:
5œ"
?t œ Bt5 œ Ct 5 Ê Bt5 Ct 5 œ 9t
7 7 7
− I5
−I3
5Á3
Mas, como os I5 "Ÿ5Ÿ7 são subespaços, Bt3 Ct 3 − I3 e Ct 5 Bt5 − I5 e, portanto,
Bt3 Ct 3 − I3 ∩ I5 œ 9t
5Á3
um vector de K3 (observe que +t3 − I3 e +t3 − I5 ). Como +t3 − I5 , +t3 será decomponível
5Á3
numa soma de vectores +t5 "Ÿ5Ÿ7 , tais que +t5 − I5 para todo o 5 Á 3, satisfazendo
5Á3 5Á3
+t3 œ +t5
5Á3
5œ"
54 Espaços vectoriais [Cap. 1
5Á3
como, para qualquer 5 − "ß #ß á ß 7ß Bt5 +t5 − I5 e Bt3 +t3 Á Bt3 , as expressões
5œ" 5Á3
são duas decomposições de ?t diferentes numa soma de vectores dos I5 . Daqui se segue que a
soma I5 não é directa.
7
5œ"
(demonstre!). Como a única função simultaneamente par e ímpar é a função nula (T ∩ M œ 9)
formados pelas funções pares e pelas funções ímpares, respectivamente, são subespaços de ‚‚
0 D œ 0 D 0 D 0 D 0 D
" "
# #
onde a primeira parcela é função par e a segunda é função ímpar (verifique!), será ‚‚ œ T Š M .
Vamos, agora ver que a dimensão de uma soma directa de subespaços é igual à soma das
dimensões destes:
5œ" 5œ"
Sec. 1.7] Soma de subespaços. Soma directa 55
Demonstração:
Tome-se, para cada subespaço I5 , uma base
/5 œ /t5" ß /t5# ß á ß /t585 à 5 œ "ß #ß á ß :
5œ"
é uma base de J œ I5 :
:
5œ"
5œ"
Mas, sendo Bt5 − I5 , o vector Bt5 será combinação linear única dos vectores da base /5 :
3œ"
Bt œ α53 /t53
: 85
5œ" 3œ"
α53 /t53 œ 9t œ 9t 9t â 9t
: 85
5œ" 3œ"
vem, por ser α53 /t53 − I5 e J ser uma soma directa dos I5 ,
85
3œ"
3œ"
Como os vectores /t53 são linearmente independentes (/5 é uma base de I5 ) segue-se que
α53 œ !ß
5 œ "ß #ß á ß :
3 œ "ß #ß á ß 85
56 Espaços vectoriais [Cap. 1
MATHEMATICA©
Uma função F pode utilizar-se com 3 sintaxes possíveis: F[x], ou F@x ou ainda x//F
Sin@Pi ê 4D
Sin @ HPi ê 4L
HPi ê 4L êê Sin
Vectores
v = 8−2, 3, 1, 2, 4<
8−2, 3, 1, 2, 4<
z = 83 ê 4, −5 ê 8, 2 ê 7, −2 ê 9<
: ,− , ,− >
3 5 2 2
4 8 7 9
: J1 − 5 N, − >
1 1 π
, 5 ,
2 4 3
w = 81 + I, −3 + 2 ∗ I, −1 + 2 ∗ I, I, H4 + IL ^ 2<
81 + , −3 + 2 , −1 + 2 , , 15 + 8 <
v+w
8−1 + , 2 , 2 , 2 + , 19 + 8 <
Plus@v, wD
8−1 + , 2 , 2 , 2 + , 19 + 8 <
z−t
: J−1 + 5 N, >
3 1 5 1 2 2 π
− ,− + + 5 ,− −
4 2 8 4 7 9 3
w@@3DD
−1 + 2
Sec. 1.8] Anexos: vectores e o MATHEMATICA 59
w@@83<DD
8−1 + 2 <
w@@81, 3, 3<DD
81 + , −1 + 2 , −1 + 2 <
81 + , −1 + 2 , −1 + 2 <
Take@w, 2D
81 + , −3 + 2 <
Ou as 2 últimas
Take@w, −2D
8 , 15 + 8 <
8−3 + 2 , −1 + 2 , , 15 + 8 <
Ou da 1ª à 5ª de 2 em 2
81 + , −1 + 2 , 15 + 8 <
Select@w, OddQD
Select@w, EvenQD
Ordenar
Sort@wD
Join@u, wD
816, 3, 12, 8, 3, 21, 15, 20, 13, 10, 7, 13, 4, 11, 16, 9, 20, 7, 13<
Union@u, wD
Sec. 1.8] Anexos: vectores e o MATHEMATICA 61
Length@vD
Dimensions@vD@@1DD
VectorQ@vD
True
VectorQ@PiD
False
False
: , , , >
1 4 9 16
2 3 4 5
83 + 2 , 12 + 4 , 27 + 6 <
:−1,
3 9
,− , 2, 4>
2 2
Vector de 6 uns e zeros alternados. OddQ[i] dá True sse i é ímpar e EvenQ[i] dá True sse i é par
81, 0, 1, 0, 1, 0<
Range@5D
81, 2, 3, 4, 5<
Range@4, 8D
84, 5, 6, 7, 8<
Range@3 ê 4, 13 ê 2, 3 ê 4D
: , , , 3,
3 3 9 15 9 21
, , , 6>
4 2 4 4 2 4
Remove@"Global`∗"D
v = Array@y, 86<D
u = 3∗v
8u + v, u − v<
884 y@1D, 4 y@2D, 4 y@3D, 4 y@4D, 4 y@5D, 4 y@6D<, 82 y@1D, 2 y@2D, 2 y@3D, 2 y@4D, 2 y@5D, 2 y@6D<<
2
Matrizes
Sec. 2.2] Noção de matriz sobre um corpo. Alguns tipos de matrizes 67
2.1 Introdução
No presente capítulo abordaremos a noção de matriz de um ponto de vista autónomo, isto é,
sem relevar a sua correspondência com os homomorfismos de espaços vectoriais de dimensão
finita, tema que será tratado no capítulo 3. Serão estudados os espaços vectoriais de matrizes,
bem como a álgebra linear (e anel) das matrizes quadradas.
A interpretação das matrizes como sequências de vectores de um espaço cartesiano conduzir-
nos-á à noção de característica de uma matriz e a proposição 1.18 vai permitir a fundamentação
do importante algoritmo – dito de condensação – para a sua determinação. O paralelismo entre a
proposição 1.18 e os princípios de equivalência dos sistemas de equações lineares levam ao
método de eliminação de Gauss-Jordan1 para a resolução daquele importante tipo de sistemas.
A aplicação de métodos matriciais aos sistemas de equações lineares são um bom exemplo
prático do poder unificador da ferramenta matricial. Por último, os resultados obtidos sobre
sistemas de equações vão permitir-nos o estudo do problema da inversão de uma matriz (não
necessariamente quadrada), a obtenção de um algoritmo de condensação para a determinação
da(s) inversa(s) e ainda estudar o problema da divisão matricial esquerda e direita. Abordamos
também a teoria das matrizes elementares e a sua relação com a inversão, a característica e a
equivalência de matrizes. Por último, trataremos das mudanças de base nos espaços vectoriais
de dimensão finita.
corpo Š a uma família E œ +34 3ß4−"ß7‚"ß8 de elementos de Š indexada por "ß 7 ‚ "ß 8,
isto é a uma função EÀ "ß 7 ‚ "ß 8 Ä Šà 3ß 4 È +34 2 . O escalar de Š que é o valor de E
no ponto 3ß 4 − "ß 7 ‚ "ß 8 é designado por +34 (ou E34 ) e a matriz E é também designada
por +34 "Ÿ3Ÿ7 ou, mais simplesmente, +34 3 , quando não houver interesse em especificar o tipo
"Ÿ4Ÿ8
7 ‚ 8 da matriz.
domínio "ß 7 ‚ "ß 8 e, portanto, pode ser representada por uma tabela de duas entradas
Uma matriz fica completamente determinada pelos seus valores nos 7 ‚ 8 pontos do
constituída por 7 linhas e 8 colunas de escalares +34 do corpo Š colocados entre parêntesis
rectos3 . Como o primeiro índice 3 é constante em cada linha da tabela, diz-se que ele é o índice
das linhas da matriz; do mesmo modo e sendo o segundo índice 4 constante em cada coluna, 4 é
1 Gauss, Carl Friedrich: matemático, físico e astrónomo alemão (Brunswick 1777 – Göttingen 1855).
Jordan, Marie Ennemond Camille: matemático francês (Lyon 1838 – Paris 1922).
+7"
+78 +7" +78
ã ã ä ã ã ä
+7# â +7# â
68 Matrizes [Cap. 2
+"" â +"8
+ â +#8
+"#
E œ +34 "Ÿ3Ÿ7 œ #" 2.1
+##
+7" â +78
"Ÿ4Ÿ8 ã ã ä ã
+7#
Para cada " Ÿ 3 Ÿ 7, a sequência +34 "Ÿ4Ÿ8 é chamada a linha 3 de E (ou 3ª linha de E) e,
para cada " Ÿ 4 Ÿ 8, a sequência +34 "Ÿ3Ÿ7 é chamada a coluna 4 (ou 4ª coluna de E). O
vector de Š8 cujas componentes constituem a linha 3 de E é chamado o 3º vector-linha de E e o
vector de Š7 cujas componentes constituem a coluna 4 de E é o 4º vector-coluna de E. Deste
modo, pode a matriz E ser considerada como uma lista de 7 vectores de Š8 (as linhas de E) ou
como uma lista de 8 vectores de Š7 (as colunas de E). Da mesma maneira que as filas (termo
que designa, indistintamente, as linhas ou colunas) de uma matriz do tipo 7 ‚ 8 se identificam
com vectores de Š8 ou de Š7 , uma matriz do tipo " ‚ " é também identificada com o escalar
único +"" que a constitui. As observações anteriores mostram que se pode definir a noção de
matriz com base na noção de lista: trata-se de uma lista de 7 listas (as linhas) cada uma das
constituirem-se listas de ; matrizes +345 (ou seja, listas de listas de listas de escalares) e assim
quais com igual número 8 de escalares de Š. Pode aplicar-se recursivamente esta ideia e
sucessivamente, obtendo-se a noção recursiva de tensor de ordem :5 , como uma lista de
tensores de ordem : "; a ordem é, afinal, o número de índices presentes em +3" 3# â3: ; uma
matriz +34 é, portanto, um tensor de 2ª ordem, um vector @3 é um tensor de 1ª ordem,
considerando-se um escalar como um tensor de ordem 0.
Trata-se dos corpos ™: ß Š ß Œ onde ™: œ !ß "ß á ß : ", : é um número primo e as operações são
definidas por: B Š C œ B C mod : e B Œ C œ BC mod :. Nestas igualdades, + mod , designa o resto da
4
+""
+
E œ #1 − Š7ß1
+7 1
ã
3 " 3 $
! !
Eœ ! # 3
!
" ! !
" ! %
Eœ # " !
principal, escreve-se diag+"" ß +## ß á ß +88 ; por exemplo, a seguinte matriz real é diagonal:
+34 œ !, para 3 Á 4, a matriz diz-se matriz diagonal e, sendo +33 os elementos da diagonal
" ! !
" ! œ diag"ß "ß %
! ! %
Eœ !
70 Matrizes [Cap. 2
Uma matriz rectangular de tipo 7 ‚ 8, chama-se matriz diagonal sse for +34 œ !, para 3 Á 4,
isto é, são nulos os elementos de E que não estejam na diagonal, por exemplo,
" ! ! !
! !
Eœ ! # ! !
! !
Exemplo 2Þ4 Uma matriz diagonal quadrada cujos elementos diagonais são iguais entre si
chama-se matriz escalar (adiante justificaremos esta denominação), isto é, 7 œ 8 e +34 œ !,
para 3 Á 4, e +33 œ 5 ; a seguinte matriz real E é matriz escalar:
# ! !
œ diag#ß #ß #
! ! #
Eœ ! # !
Exemplo 2Þ5 Entre as matrizes escalares refiram-se as matrizes identidade, em que 5 œ "
(mais tarde, veremos a razão deste nome). A matriz identidade de ordem 8 é designada por M8
ou simplesmente M , quando a ordem 8 for subentendida. O respectivo elemento genérico é o
símbolo ou delta de Kronecker $34 (ver nota de rodapé 7 no capítulo 1), definido a seguir
$34 œ 2.4
! 3Á4
" 3œ4
" ! !
M# œ
" $
" !
"
M œ ! " !
!
! !
Exemplo 2Þ6 As matrizes 7 ‚ 8 cujos elementos são todos nulos são chamadas matrizes
nulas e designam-se por S7ß8 ou, sendo quadradas de ordem 8, simplesmente por S8 . Caso não
haja necessidade de indicar o tipo, usa-se apenas S. A seguir, mostram-se exemplos:
S#ß$ œ S# œ
!
! ! ! ! !
! ! ! !
Exemplo 2Þ7 As matrizes de tipo 7 ‚ 8, cujos elementos são 234 œ 34" "Ÿ3Ÿ7
"
são
"Ÿ4Ÿ8
denominadas matrizes de Hilbert e designam-se por L7ß8 . Usa-se a notação L8 para a matriz
de Hilbert quadrada de ordem 8. A seguir, mostra-se um exemplo:
"
L$ œ "#
" "
# $
" "
"
$ %
" "
$ % &
Exemplo 2Þ8 Uma matriz quadrada de ordem 8 cujos elementos são tais que
+34 œ !ß se 3 4 " ” 4 3 "
# " ! !
$ " $ !
Eœ
! ! " $
! # ! "
Exemplo 2Þ9 Diremos que uma matriz I − Š7ß8 é escalonada sse as suas linhas formam
uma lista escalonada de vectores de Š8 (ver definição 1.10). Assim, são escalonadas as matrizes
# " $ $ # #
! " $ ! " ! "
! # " " !
" !
! $ #
#
E œ ! # Fœ ! ! ! $ "
! "
! G œ
! ! !
! ! ! % "
! ! ! ! !
! ! ! ! ! ! ! "
! !
! ! !
Na secção 2.16, ilustra-se a construção de alguns dos tipos anteriores de matrizes, usando o
software MATHEMATICA© .
Definição 2Þ2 – Adição de matrizes – Dadas duas matrizes E œ +34 e F œ ,34 sobre um
corpo Š e do mesmo tipo 7 ‚ 8 (ou seja, Eß F − Š7ß8 ), chamaremos soma de E e F à nova
matriz E F − Š7ß8 cujos elementos -34 estão definidos por:
-34 œ +34 ,34 à 3 œ "ß #ß á ß 7à 4 œ "ß #ß á ß 8 2.5
ou ainda
E F 34 œ E34 F34 à 3 œ "ß #ß á ß 7à 4 œ "ß #ß á ß 8 2.6
ç Comutativa:
a EF œFE
EßF−Š7ß8
72 Matrizes [Cap. 2
Com vista a obter um espaço vectorial, vamos a seguir definir a operação de produto de um
escalar de Š por uma matriz do tipo 7 ‚ 8 sobre Š. Trata-se de uma lei de composição externa
definida em Š ‚ Š7ß8 e com valores em Š7ß8 :
E œ +34 sobre um corpo Š do tipo 7 ‚ 8 (ou seja, E − Š7ß8 ), chamaremos produto de α por
Definição 2Þ3 – Produto de escalar por matriz – Dado um escalar α − Š e uma matriz
ou ainda
αE34 œ αE34 à 3 œ "ß #ß á ß 7à 4 œ "ß #ß á ß 8 2.10
Portanto, multiplica-se um escalar por uma matriz, multiplicando (em Š) esse escalar por
ç Associatividade mista:
a α" E œ α" E
αß" −Š
E−Š7ß8
Sec. 2.3] Espaço linear das matrizes 73
formam uma base de Š7ß8 , na qual as coordenadas de uma matriz \ œ B34 − Š7ß8 são os
próprios escalares B34 que a constituem:
\ œ B34 G34
7 8
3œ" 4œ"
Por esta razão, a base mencionada é chamada base canónica de Š7ß8 . O que acabou de se
expor mostra que
dimŠ Š7ß8 œ 78 2.12
- œ
! ! ! " ! ! "
" ! ! " ! ! ! !
ß ß ß
!
- œ ß ß ß ß ß ß ß
! 3
" ! 3 ! ! " ! 3 ! ! ! ! ! ! ! !
! ! ! ! ! ! ! ! " ! 3 ! ! "
Pela proposição 1.15 e atendendo a 2.12, podemos afirmar que o espaço Š7ß8 é isomorfo
do espaço cartesiano Š78 e é óbvio que, por exemplo, a aplicação
+34 "Ÿ3Ÿ7 È +"" ß +"# ß á ß +"8 ß +#" ß +## ß á ß +#8 ß á ß +7" ß +7# ß á ß +78
"Ÿ4Ÿ8
αß" −Š
αE F œ αE αF
E−Š7ß8
a
α−Š
EßF−Š7ß8
74 Matrizes [Cap. 2
Observe-se, por último, que uma matriz escalar de ordem 8 será sempre da forma 5M8 , onde
5 − Š é um escalar
diag5ß 5ß á ß 5 œ 5M8
5œ"
ou seja
5œ"
serão ambas matrizes quadradas de ordem 8, mas, ainda assim, as igualdades 2.13 implicam
significa que será, certamente, EF Á FE. Finalmente, se tivermos 7 œ 8 œ :, EF e FE
Eœ eF œ
# "
# " " $
" #
EF œ
$ "
e FE œ
%
% ( " (
Á EF
$
Sec. 2.4] Álgebra e Anel das matrizes quadradas 75
Do exposto, podemos concluir que, para ser EF œ FE, é necessário (mas não suficiente)
que E e F sejam matrizes quadradas e da mesma ordem. Existem, de facto, casos de matrizes
quadradas em que EF œ FE e, quando tal acontecer, diremos que E e F são matrizes
permutáveis ou comutáveis. É o que acontece, entre outros, nos casos a seguir indicados:
Exemplo 2Þ11 Caso de ser nulo um dos factores:
a ES8 œ S8 E œ S8
E−Š8ß8
5œ" 5œ" 5œ"
8 34 ! œ ! œ S8 34
8 8 8
S E œ S E
8 35 54 œ !E 54 œ
5œ" 5œ" 5œ"
5œ" 5œ"
" ! !
! "
EF œ FE œ ! " ! œ M$
!
De tudo o que se viu anteriormente, pode concluir-se que o produto matricial não é
comutativo e a discussão que fizémos pode ser condensada do seguinte modo:
7 Á : Ê Existe
EF , mas não existe FE.
Ê 7 œ : Ê
E−Š 7ß8 7 Á 8 Ê EF − Š7ß7 • FE − Š8ß8 Ê EF Á FE
7œ8Ê
F − Š8ß: EFß FE − Š8ß8 Ê Em geral, será EF Á FE,
mas existem matrizes permutáveis.
76 Matrizes [Cap. 2
Demonstração:
i) Para quaisquer 3 œ "ß #ß á ß 7 e 4 œ "ß #ß á ß ; :
EF G 34 œ EF 3< G<4 œ E35 F5< G<4 œ E35 F5< G<4
: : 8 : 8
5œ"
Sec. 2.4] Álgebra e Anel das matrizes quadradas 77
E F G 34 œ E F 35 G54 œ E35 F35 G54 œ E35 G54 F35 G54
8 8 8
œ E35 G54 F35 G54 œ EG 34 FG 34 œ EG FG 34
8 8
5œ" 5œ"
EF G 34 œ E35 F G 54 œ E35 F54 G54 œ E35 F54 E35 G54
8 8 8
œ E35 F54 E35 G54 œ EF 34 EG 34 œ EF EG 34
8 8
5œ" 5œ"
5œ" 5œ"
E35 F54 œ αEF 34
8 8
œ α E F œ α
35 54
5œ" 5œ"
E35 αF54
8 8
E α F œ E α F œ
35
34 54
5œ" 5œ"
αE35 F54 œ α E35 F54 œ αEF 34
8 8
œ
5œ" 5œ"
5œ" 5œ"
8 8
EM 8 34 œ E M
35 8 54 œ E35 $54 œ E34
5œ" 5œ"
5œ" 5œ" 5œ"
! œ ! œ S7ß: 34
8 8 8
ES8ß: 34 œ E 35 S8ß: 54 œ E35 ! œ
5œ" 5œ" 5œ"
78 Matrizes [Cap. 2
Exemplo 2Þ14 Um produto matricial pode ser nulo, sem que nenhum dos factores o seja,
como mostra o exemplo seguinte
" "
Eœ
$ #
# " !
$ $
•F œ # # Ê EF œ S#
!
Exemplo 2Þ15 Note-se, de passagem, que as “leis do corte” à esquerda e à direita não são
válidas (na mesma forma em que são válidas para os escalares). Por exemplo a lei do corte à
esquerda
a E Á S7ß8 • EF œ EG Ê F œ G
E−Š7ß8
FßG−Š8ß:
$ " # #
Eœ
$ #
# " !
! # $ "
ßFœ " ! ß G œ " #
!
E Á S#ß$ • EF œ EG œ
%
& #
•F ÁG
$
quadradas de ordem 8 é (com a adição matricial 2.5, o produto por escalar 2.9 e com o
espaço vectorial (de dimensão 8# ) sobre Š: conclui-se que o conjunto Š8ß8 das matrizes
produto matricial 2.13) uma Álgebra Linear não comutativa sobre Š e a penúltima alínea da
comutativo com identidade, mas não um Corpo (se 8 ", o produto matricial não é
para que Š8ß8 ß ß ‚ não seja um corpo, pois há em Š8ß8 elementos singulares não nulos.
comutativo); quando estudarmos a inversão matricial, veremos que existe uma razão adicional
Se I œ 5M8 for uma matriz escalar, então, para qualquer matriz E − Š7ß8 ,
EI œ E5M8 œ 5EM8 œ 5E
ou seja, multiplicar E por uma matriz escalar I à direita equivale a multiplicar E pelo escalar 5
que forma a diagonal de I . Do mesmo modo, se I œ 5M7 for uma matriz escalar, então, para
qualquer matriz E − Š7ß8
Sec. 2.4] Álgebra e Anel das matrizes quadradas 79
IE œ 5M7 E œ 5M7 E œ 5E
ou seja, multiplicar E por uma matriz escalar I à esquerda equivale a multiplicar E pelo
escalar 5 que forma a diagonal de I : a isto se deve a designação de matriz escalar para as
matrizes da forma 5M8 , visto que elas se comportam na multiplicação por outra matriz como se
de escalares se tratasse.
Para as matrizes quadradas (e só para estas) é possível definir, por recorrência, a potenciação
com base matricial e expoente natural (para algumas matrizes quadradas, passaremos, mais
tarde, a expoente inteiro negativo) , pondo:
Definição 2Þ5 – Potência de matriz e expoente natural – Seja E − Š8ß8 uma matriz
quadrada de ordem 8 sobre um corpo Š. A potência de base E e expoente 5 − ! define-se
pondo, por recorrência,
5 2.14
E! œ M8
E œ E5" Eß 5 !
A potenciação goza de algumas das propriedades habituais, mas nem todas, como consta da
ii) E: ; œ E: ;
(Se : − !ß ", a igualdade é válida, mesmo que E e F não sejam permutáveis).
Demonstração:
i) Por indução em ; : se ; œ !, tem-se:
E: E! œ E: M8 œ E: œ E:!
80 Matrizes [Cap. 2
Se E: E; œ E:; , então:
E: E;" œ E: E; E œ E: E; E œ E:; E œ E:; " œ E:;"
5œ!
5œ!
arbitrário em F , vamos ver, graças a algumas das propriedades da álgebra matricial e à 3ª alínea
Sec. 2.4] Álgebra e Anel das matrizes quadradas 81
œ -5 F 5 E œ -5 F 5 E œ -5 F 5 E œ :F E
7 7 7
E F 7 Á E 2.17
7
7 75 5
F
5œ!
5
2 1 " $ 1 #
$ " $ ! " "
Eœ # ! " e F œ " # $
vem
% ! $
E F œ "" % "
* ! (
#
$ # (
E #EF F œ % Á E F #
"(
# #
"! "
## "
") &
"% œ E# G #
#'
Sec. 2.5] Transposição e transconjugação 83
de E (ou vice-versa, o que é, obviamente, equivalente). Sendo ET 43 o elemento da linha 4 e da
E − Š7ß8 é a matriz ET − Š8ß7 (também designada por E> ou Ew ), cujas linhas são as colunas
ET œ E
T
i)
ii) E „ F T œ ET „ F T
iv) EG T œ G T ET
Demonstração:
i) Para qualquer 3 œ "ß #ß á ß 7 e 4 œ "ß #ß á ß 8, virá:
43 53 45 45 53 43
5œ" 5œ" 5œ"
84 Matrizes [Cap. 2
i) EœE
ii) E „ F œ E „ F
v) EG œ E G
E‡ œ E 2.25
T
ii) E „ F ‡ œ E‡ „ F ‡
v) EG ‡ œ G ‡ E‡
Definição 2Þ8 – Matriz simétrica – Seja 8 − e E œ +34 − Š8ß8 uma matriz quadrada
de ordem 8 sobre um corpo Š. A matriz E diz-se simétrica sse for invariante por transposição,
isto é:
E é simétrica Í ET œ E 2.26
(Observe que a igualdade anterior implica que a matriz E seja quadrada). Em termos dos
elementos +34 de E, será:
+34 œ +43 ß 3ß 4 œ "ß #ß á ß 8 2.27
! "3 $3
$3 " 3
E œ " 3 #3 %
%
(Observe que a igualdade anterior implica, uma vez mais, que a matriz E seja quadrada).
Em termos dos elementos +34 de E, será:
+34 œ +43 ß 3ß 4 œ "ß #ß á ß 8 2.29
! " $
$ % !
E œ " ! %
6 Mas não com ™# , por exemplo. Aqui tem-se ! ! œ ! e também " " œ !, o que mostra que ! œ ! e
" œ ": Portanto, ! não é o único escalar simétrico de si mesmo.
86 Matrizes [Cap. 2
sendo que "# E ET é uma matriz simétrica e "# E ET é hemi-simétrica, como se mostra a
seguir:
" T T
œ "# E ET œ "# ET ET œ "# ET E œ "# E ET
T T
# EE
# E E œ # E E œ # E E œ # E E œ # E E
" T T " T T " T T T " T " T
A igualdade anterior significa que o espaço Š8ß8 é soma dos seus subespaços W e L (ver
definição 1.12):
Š8ß8 œ W L
(Observe que a igualdade anterior implica que a matriz E seja quadrada). Em termos dos
elementos de E, será:
+34 œ +43 ß 3ß 4 œ "ß #ß á ß 8 2.33
# " 3 $3
$3 !
Eœ " 3 $ %
%
Sec. 2.5] Transposição e transconjugação 87
(Observe que a igualdade anterior implica que a matriz seja quadrada). Em termos dos
elementos de E, será:
+34 œ +43 ß 3ß 4 œ "ß #ß á ß 8 2.35
$3 !
E œ " 3 $3 %
%
Exemplo 2Þ23 ‚8ß8 é, como se viu, um espaço vectorial de dimensão 8# sobre ‚ e, portanto,
terá dimensão #8# sobre ‘ (ver exemplo 1.56).
Sejam ainda L œ EÀ E‡ œ E § ‚8ß8 e L w œ EÀ E‡ œ E § ‚8ß8 respectivamente os
conjuntos das matrizes hermitianas e hemi-hermitianas de ordem 8. Estes conjuntos não
constituem subespaços de ‚8ß8 , como espaço vectorial complexo, visto que a condição S2 –
fecho em relação ao produto por escalar complexo – não se verifica, atendendo à 3ª alínea da
proposição 2Þ5; no entanto, considerando ‚8ß8 um espaço vectorial real e atendendo àquela
alínea, os conjuntos L e L w já são subespaços de ‚8ß8 (isto é, são satisfeitos os requesitos S1-
S3 do capítulo 1, facto cuja demonstração deixamos ao cuidado do leitor, como exercício).
Além disso, tem-se, para qualquer matriz E − ‚8ß8 ,
E œ "# E E‡ "# E E‡
sendo que "# E E‡ é uma matriz hermitiana e "# E E‡ é hemi-hermitiana, o que se prova
a seguir:
"# E E‡ ‡ œ "# E E‡ ‡ œ "# E‡ E‡ ‡ œ "# E‡ E œ "# E E‡
" E E‡ ‡ œ " E E‡ ‡ œ " E‡ E‡ ‡ œ " E‡ E œ " E E‡
# # # # #
A igualdade anterior significa que o espaço vectorial real ‚8ß8 é soma dos subespaços L e
L w (ver definição 1.12):
‚8ß8 œ L L w
obviamente, L ∩ L w œ S8 e o corolário 1.21.1 permite deduzir que ‚8ß8 é soma directa de
Além disso, se E − L ∩ L w , então E‡ œ E œ E, donde E œ E, ou seja, E œ S8 e,
L e L w:
‚8ß8 œ L Š L w 2.36
2.37
8# 8
dim‘ L œ dim‘ L w œ 8 # œ 8#
#
Para terminar esta secção, faremos referência a um operador matricial, chamado traço, que
actua sobre matrizes quadradas e que passamos a definir,
Definição 2Þ12 – Traço de uma matriz – Dada uma matriz E − Š8ß8 quadrada de ordem
8, chama-se traço de E à soma dos elementos da diagonal principal de E
3œ"
iv) Para quaisquer matrizes E − Š7ß8 e F − Š8ß7 e mesmo quando for EF Á FE, tem-
se sempre:
trEF œ trFE
Demonstração:
Sec. 2.6] Submatrizes. Matrizes de blocos. Operações por blocos 89
3œ" 3œ"
Nalgumas situações (como acontecerá no capítulo 4) é útil indicar os índices das filas
eliminadas, ao invés de indicarmos as filas seleccionadas, como começámos por fazer. Neste
sentido, se fizermos
M w œ "ß 7 Ï M œ <" ß <# ß á ß <7:
N w œ "ß 8 Ï N œ =" ß =# ß á ß =8;
partes não vazias de "ß 7 e "ß 8 respectivamente, temos as seguintes quatro alternativas de
A sintaxe anterior pode aplicar-se separadamente às linhas e às colunas de E e, sendo M e N
notação:
EMà N œ E3" ß á ß 3: à 4" ß á ß 4; − Š:ß;
EMà N œ E3" ß á ß 3: à 4" ß á ß 4; − Š7:ß8;
Indicação de linhas e colunas seleccionadas.
É claro que, para : œ ; œ ", se terá E3à 4 œ +34 . O número de sequências nas condições
2.39 é de 7: e 8; , respectivamente. Portanto o número de submatrizes de tipo : ‚ ;
existentes numa matriz de tipo 7 ‚ 8 é de 7: ‚ 8; .
7 ‚ 8 é de 7 : " ‚ 8 ; ".
obtida eliminando filas consecutivas); o número de blocos de tipo : ‚ ; existente numa matriz
# $ % !
A primeira submatriz (do tipo # ‚ #) não é um bloco de E, pois as filas lá representadas não
são consecutivas; a 2ª destas submatrizes já constitui um bloco de E do tipo # ‚ $, constituído
pelas linhas consecutivas # e $ e pelas colunas consecutivas "ß # e $.
Sendo " Ÿ : Ÿ 7 e " Ÿ ; Ÿ 8, é possível dividir uma matriz de tipo 7 ‚ 8 em : ‚ ;
se construindo partições dos conjuntos dos índices "ß #ß á ß 7 das linhas e dos índices
blocos, mediante a construção de uma fragmentação da matriz: uma fragmentação de E obtém-
e de índices de colunas
Sec. 2.6] Submatrizes. Matrizes de blocos. Operações por blocos 91
# Ÿ 4" 4# â 4;" Ÿ 8
escreve-se na forma
E"" E";
E E#;
E"# â
#"
Eœ 2.44
E## â
ã ã ä ã
E:" E:# â E:;
# " $ "
" !
!
$ # %
$ # & " œ
E#$
E"" E"# E"$
! " $
"
E#" E##
# !
" # $ % #
em que
"" " $ "# # "$ % !
# " ! $ "
E œ ßE œ ßE œ
$ # " & "
E#" œ
" # $ % #
! " ß E## œ # ß E#$ œ ! $
A matriz é quadrada de &ª ordem, como matriz real e é do tipo # ‚ $, como matriz de blocos.
Reciprocamente, sejam :ß ; − e E<= "Ÿ<Ÿ: uma família de : ‚ ; matrizes sobre um corpo
Š tais que, para cada " Ÿ < Ÿ :, todas as matrizes E<= "Ÿ=Ÿ; têm o mesmo número 7< de
"Ÿ=Ÿ;
linhas e, para cada " Ÿ = Ÿ ; , todas as matrizes E<= "Ÿ<Ÿ: têm o mesmo número 8= de
colunas. Pode, então, construir-se uma matriz de blocos do tipo : ‚ ; que será designada por
E<= "Ÿ<Ÿ: e que, como matriz de escalares, será do tipo 7 ‚ 8, onde 7 œ 7< e 8 œ 8= .
: ;
"Ÿ=Ÿ;
<œ" =œ"
92 Matrizes [Cap. 2
As operações matriciais podem ser realizadas por blocos. Como regra geral, podemos dizer
que se aplicam às matrizes de blocos os mesmos procedimentos válidos para as matrizes de
escalares. Tudo se passa como se as operações matriciais que atrás definimos fossem, afinal,
aplicadas a blocos do tipo " ‚ ".
Vejamos, uma a uma, as operações matriciais:
ç Adição por blocos: sejam :ß ; − e E<= "Ÿ<Ÿ: e F<= "Ÿ<Ÿ: duas famílias de matrizes
sobre um corpo Š tais que, para cada " Ÿ < Ÿ :, todas as matrizes E<= "Ÿ=Ÿ; e F<= "Ÿ=Ÿ; têm
"Ÿ=Ÿ; "Ÿ=Ÿ;
o mesmo número 7< de linhas e, para cada " Ÿ = Ÿ ; , todas as matrizes E<= "Ÿ<Ÿ: e
F<= "Ÿ<Ÿ: têm o mesmo número 8= de colunas. A soma (respectivamente, a diferença) das
matrizes de blocos E œ E<= "Ÿ<Ÿ: e F œ F<= "Ÿ<Ÿ: é a nova matriz de blocos E „ F que se
"Ÿ=Ÿ; "Ÿ=Ÿ;
2.45
ç Multiplicação de escalar por matriz de blocos: sejam :ß ; − e E<= "Ÿ<Ÿ: uma família
de matrizes sobre um corpo Š tal que, para cada " Ÿ < Ÿ :, todas as matrizes E<= "Ÿ=Ÿ; têm o
"Ÿ=Ÿ;
mesmo número 7< de linhas e, para cada " Ÿ = Ÿ ; , todas as matrizes E<= "Ÿ<Ÿ: têm o
E œ E<= "Ÿ<Ÿ: , é a matriz obtida multiplicando por α cada um dos blocos E<=
mesmo número 8= de colunas. Sendo α − Š, o produto de α pela matriz E de blocos
"Ÿ=Ÿ;
ç Transposição de matrizes por blocos: sejam :ß ; − e E<= "Ÿ<Ÿ: uma família de matrizes
sobre um corpo Š tal que, para cada " Ÿ < Ÿ :, todas as matrizes E<= "Ÿ=Ÿ; têm o mesmo
"Ÿ=Ÿ;
número 7< de linhas e, para cada " Ÿ = Ÿ ; , todas as matrizes E<= "Ÿ<Ÿ: têm o mesmo
número 8= de colunas. A transposta da matriz E œ E<= "Ÿ<Ÿ: de blocos é a matriz que se obtém
"Ÿ=Ÿ;
transpondo cada bloco E<= e ainda transpondo E como se de uma matriz de escalares se tratasse
E E#;
T
E#" â E:"
E"# T
E"# â
#"
œ
ã
2.47
ã
T
E## â E## â E:#
ã ã ä ã ã ä
E:" E:# â E:; E";
T T
E#; â E:;
T
Sec. 2.7] Característica de uma matriz 93
ç Produto de matrizes por blocos: sejam :ß ;ß ? − e E<= "Ÿ<Ÿ: e F=> "Ÿ=Ÿ; duas famílias
de matrizes sobre um corpo Š tais que, para cada " Ÿ < Ÿ : , todas as matrizes E<= "Ÿ=Ÿ; têm
"Ÿ=Ÿ; "Ÿ>Ÿ?
o mesmo número 7< de linhas e, para cada " Ÿ = Ÿ ; , todas as matrizes E<= "Ÿ<Ÿ: têm o
F=> "Ÿ>Ÿ? têm 8= linhas e que, para cada " Ÿ > Ÿ ?, todas as matrizes F=> "Ÿ=Ÿ; têm o mesmo
mesmo número 8= de colunas. Suponha-se ainda que, para cada " Ÿ = Ÿ ; , todas as matrizes
tipo 8= ‚ B> . O produto da matriz de blocos E œ E<= "Ÿ<Ÿ: pela matriz de blocos F œ F=> "Ÿ=Ÿ;
número B> de colunas. Portanto, as matrizes E<= são do tipo 7< ‚ 8= e as matrizes F=> são do
"Ÿ>Ÿ?
=œ"
F"?
â
E"" E"; F"" ;
E E#; F#? E#= F=?
=œ" =œ"
œ =œ"
E## â F## â â
ã ã ã ã
=œ" =œ"
F;?
ã ä ã ä
E:" E:; F;" ;
ã ã ä ã
E:= F=# E:= F=?
E:# â F;# â
=œ"E:= F="
; ;
â
=œ" =œ"
2.49
Na secção 2.16, refere-se a utilização do software MATHEMATICA© para tratar matrizes por
blocos, através do package ALGA`Matrizes`.
Demonstração:
Seja
+"" â +"8
+ â +#8
+"#
E œ #"
+##
+7" â +78
ã ã ä ã
+7"
e sejam
94 Matrizes [Cap. 2
Então, cada uma das linhas <t3 "Ÿ3Ÿ7 de E é combinação linear (única) dos =t5 "Ÿ5Ÿ<
<
<t œ ? =t ? =t â ? =t œ ?"5 =t5
" "" " "# # "< <
<t# œ ?#" =t" ?## =t# â ?#< =t< œ ?#5 =t5
5œ"
<
5œ"
â
<t7 œ ?7" =t" ?7# =t# â ?7< =t< œ ?75 =t5
<
5œ"
+ œ ? = ? = â ? = œ ?"5 =54
"4 "" "4 "# #4 "< <4
+#4 œ ?#" ="4 ?## =#4 â ?#< =<4 œ ?#5 =54
5œ"
<
5œ"
â
+74 œ ?7" ="4 ?7# =#4 â ?7< =<4 œ ?75 =54
<
5œ"
as quais mostram que as colunas t- 4 de E são combinação linear dos < vectores de Š7
ficando, então
dimPt- " ß t- # ß á ß t- 8 Ÿ dimP<t" ß <t# ß á ß <t7
gerado pelas linhas (ou colunas) de E a qual será designada por cE.
de tipo 7 ‚ 8 sobre um corpo Š. Chama-se característica de E à dimensão do subespaço
vii) Se E é uma matriz escalonada, a sua característica é igual ao número de linhas não
nulas nela existentes.
Demonstração:
i) O subespaço gerado pela linhas é !ß !ß á ß ! œ 9t. Portanto,
cS7ß8 œ dim9t œ !
96 Matrizes [Cap. 2
Por outro lado, as linhas de M8 constituem a base canónica de Š8 e o subespaço por elas
gerado é o próprio Š8 : portanto,
cM8 œ dimŠ8 œ 8
4œ"
vii) Se E é escalonada, as linhas nulas que eventualmente ocorram (na parte inferior de E)
podem ser retiradas da lista das linhas, que isso não alterará o subespaço Z § Š8 gerado pela
referida lista (as linhas nulas são combinação linear das anteriores – lema 1.13.2) e o corolário
1.11.1 garante que as linhas não nulas restantes são linearmente independentes: conclui-se daqui
que a característica de uma matriz escalonada é igual ao número de linhas não nulas nela
existentes:
E − Š7ß8 é escalonada Ê cE é o número de linhas de E não nulas.
Sec. 2.8] Algoritmo de condensação vertical 97
O referido algoritmo de condensação vertical pode ser informalmente delineado nos termos
seguintes:
1. Procurar um elemento não nulo na matriz E, fazendo esta busca por colunas da
esquerda para a direita e de cima para baixo. Se não foi encontrado nenhum elemento
diferente de zero, tem-se E œ S7ß8 e o algoritmo terminou com característica igual a
!. Se foi encontrado um elemento não nulo, ele pertencerá a uma certa linha 3 e a uma
coluna 5, ou seja, será +35 Á ! e a característica será, pelo menos, ".
2. Trocar a linha 3 onde ocorreu o elemento +35 anteriormente referido com a primeira
linha (operação elementar do tipo 1).
"
3. Observe-se que, neste ponto, será +"5 Á !; multiplique-se a primeira linha por +"5 ,
obtendo-se +"5 œ " (operação elementar do tipo 2); este elemento é chamado o 1º
redutor ou 1º pivot do algoritmo.
calcular a característica < de E: os dados de entrada são a matriz E œ +34 . As saídas são a
característica < de E e a matriz escalonada F . As convenções de notação feitas na versão em
pseudo-código abaixo mostrada são:
98 Matrizes [Cap. 2
m=#Linhas(a); n=#Colunas(a);
r=0; k=0;
b=a;
Enquanto r m • k n
% Busca do Pivot:
Fazer
k=k+1;
i=r;
Fazer
i=i+1
Enquanto bik œ 0 • k n;
Enquanto bik œ 0 • i m
Se b Á 0 então
% bik é pivot?
% Redução da coluna k de b:
ik
r=r+1à
Se i Á r então Linhai Ç Linhar à
Linhar =Linhar /brk à
% Op. de tipo 1
Para i=r+1 até m
% Op. de tipo 2
Linha =Linha -b *Linha
FimPara
i i ik r % Op. de tipo 3
FimSe
FimEnquanto;
Saída: {r, b}
ç No passo 1, escolher, sempre que possível, um elemento igual a " (e não apenas
diferente de zero), pois isso possibilitará a utilização de operações do tipo 3 (e não do
tipo 4) para reduzir a zero os elementos debaixo do pivot.
# " !
$ " "
$
E œ & # #
#
$
" " %
# ! ) "
"!
P# ÇP&
P$ ÄP$ #P#
# ! '
! " "( )
P& ÄP& #P#
! $ %( ") % % ! %
! $
! # #) ( ! ! ' *
! # $# "$ ! #
" "! %
" "( )
" " "! % "
P% ÄP% P$
P% Ä $ P% P ÄP P $
! " "( ) !
& & $
P$ Ä # P$"
! ! # $ ! ! #
"
!
P& ÄP& ! ! # $ ! ! ! !
! ! # $ ! ! !
Como existem 3 linhas não nulas na matriz escalonada final, a característica da matriz E (tal
como a de todas as matrizes que ocorreram ao longo do algoritmo) é 3, visto ser esta a dimensão
do subespaço de ‘% gerado pelas suas 5 linhas (as quais são linearmente dependentes o que era,
aliás, óbvio visto tratar-se de 5 vectores do espaço cartesiano ‘% cuja dimensão é 4); uma base
deste subespaço é formada pelas 3 primeiras linhas da matriz escalonada obtida.
100 Matrizes [Cap. 2
ou ainda,
4œ"
W œ W3
7
2.51
3œ"
W3 œ B" ß B# ß á ß B8 À +34 B4 œ ,3 § Š
8
8
4œ"
Definição 2Þ15 – Sistemas equivalentes – Diremos que dois sistemas de equações lineares
são equivalentes, sse o conjunto W das soluções é o mesmo para os dois sistemas.
Sec. 2.9] Sistemas de equações lineares. Princípios de equivalência 101
Isto implica imediatamente que o número 8 de incógnitas tem de ser igual em ambos
sistemas, mas não necessariamente o número 7 de equações, como se ilustra facilmente com o
exemplo seguinte: se uma das equações (a equação de ordem 5 ), tiver +54 œ ,5 œ ! (ou seja, a
executadas sobre um sistema de equações 2.50, não altera o conjunto W das soluções definido
Proposição 2Þ9 – Princípios de equivalência – Cada uma das seguintes operações, quando
ii) Multiplicação de ambos os membros de uma das equações por um escalar não nulo.
iii) Substituição de uma das equações pela que dela se obtém, somando-a membro a
membro com outra das equações multiplicada por qualquer escalar.
Demonstração:
Considerem-se o sistema 1 dado por 2.50 e o sistema 2 obtido após execução de cada uma
das operações referidas e designem-se por W3" e W3# os conjuntos de soluções da 3-ésima equação
daqueles dois sistemas e por W " e W # os conjuntos das soluções dos mesmos:
i) Resulta imediatamente da comutatividade e associatividade da intersecção 2.51.
ii) Tem-se, neste caso e sendo " Ÿ 5 Ÿ 7 e α − Š Ï !,
4œ"
4œ"
As implicações
4œ"
"
α+54 B4 œ α α,5 Ê +54 B4 œ ,5 Ê B" ß B# ß á ß B8 − W5"
8 8
"
α
4œ" 4œ"
o que mostra que W5# § W5" e que, portanto, W5" œ W5# . W é, portanto, igual em ambos os sistemas.
iii) Sejam " Ÿ 3 Á 4 Ÿ 7 e considere-se o sistema 2 que resulta de 2.50, substituindo a
equação 3 pela sua soma com o produto de um escalar " pela equação 4. Comecemos por
observar que os conjuntos das soluções de ambos os sistemas se pode decompor da forma
seguinte
W5" œ W5# .
Como só a 3ª equação será distinta em ambos sistemas, será W5" œ W5# , para 5 Á 3 e, portanto
5Á3ß4 5Á3ß4
Bastará, agora, provar que W3" ∩ W4" œ W3# ∩ W4# ; tem-se, para o sistema 12.50,
W3" œ B" ß B# ß á ß B8 À +35 B5 œ ,3 § Š8
8
W4" œ B" ß B# ß á ß B8 À +45 B5 œ ,4 § Š8
5œ"
8
5œ"
W4# œ W4" œ B" ß B# ß á ß B8 À +45 B5 œ ,4 § Š8
5œ"
8
5œ"
As implicações
5œ" 5œ"
5œ" 5œ"
mostram que W3" ∩ W4" § W3# ∩ W4# . Por outro lado, usando o mesmo raciocínio, mas com " em
vez de " , conclui-se que W32 ∩ W42 § W31 ∩ W41 e que, portanto, W3" ∩ W4" œ W3# ∩ W4# .
Sec. 2.10] Formas matricial e vectorial de um sistema 103
Com base no que vimos anteriormente, podemos ainda observar que, a estes 3 princípios de
equivalência, podemos juntar uma 4ª operação que conduz a um sistema equivalente (mas com
7 " equações): a que nos permite retirar do sistema qualquer equação do tipo
!B" !B# â !B8 œ !.
É costume classificarem-se os sistemas 2.50, consoante a cardinalidade do conjunto
W § Š8 das suas soluções, do modo seguinte
Possível (W Á g)
Sistema
Determinado (#W œ ")
Impossível (W œ g)
Indeterminado (#W ")
A igualdade anterior constitui a forma matricial do sistema de equações, que tem 2.50 por
forma canónica. Nesta forma, é evidente que cada \ satisfazendo a igualdade anterior constitui
Ew œ E F − Š7ß8" .
uma solução do sistema. É ainda útil introduzir-se a matriz completa ou ampliada do sistema
B4 E4 œ F 2.53.2
8
4œ"
4œ"
104 Matrizes [Cap. 2
Qualquer das igualdades 2.53 é uma igualdade vectorial em Š7 que traduz o facto de ser
F combinação linear das colunas E4 "Ÿ4Ÿ8 da matriz E. Qualquer das igualdades vectoriais
2.53 é designada por forma vectorial do sistema 2.50 e esta forma é a chave para a
resolução das duas principais questões que se põem relativamente ao sistema:
ç Qual a condição necessária e suficiente para que o sistema seja possível?
ç Verificando-se a condição anterior, em que condições será o sistema determinado?
A seguinte proposição responde às duas questões anteriores:
= œ cEw . Então:
i) O sistema é possível sse = œ <.
Demonstração:
i) Comecemos por observar que, como Ew tem apenas mais uma coluna do que E, a sua
sistema pode ter uma formulação vectorial, graças a 2.53: o sistema é possível sse o vector F
característica = só poderá ser igual a < ou a < ". A questão da existência de solução para o
observar que, quando < œ 7, fica PE" ß E# ß á ß E8 œ Š7 , o que leva a que todo o F − Š7
seja combinação linear dos E" ß E# ß á ß E8 .
ç Pelo que acabámos de ver, < 7 é condição necessária (mas não suficiente) para que um
sistema seja impossível.
ç Note-se ainda que se for 7 8 (número de incógnitas superior ao de equações), ter-se-á
concerteza < 8 e isto significa que o sistema não pode ser determinado (só poderá ser
impossível ou indeterminado).
ç Tudo o que acima foi dito pode ser usado para obter uma formulação alternativa da
discussão de um sistema:
< œ 7 Ê = œ 7 Ê Possível (W Á g)
< œ 8 Ê Determinado (#W œ ").
< 8 Ê Indeterminado de grau 8 < ! (#W ").
Sistema
= œ < Ê Possível (W Á g)
< œ 8 Ê Determinado (#W œ ").
= œ < " Ê Impossível (W œ g).
< 7 Ê < 8 Ê Indeterminado de grau 8 < ! (#W ").
equações 2.50, devendo, no final, ter-se essa reordenação em conta. Se usarmos o algoritmo
colunas é a troca de colunas da matriz E, a qual corresponde à reordenação das incógnitas nas
Ew œ
H7<ß"
M< G<ß8< F<ß"
S7<ß< S7<ß8<
secundárias ou livres (em número igual ao grau de indeterminação do sistema). Note-se que
não existem, quando o sistema for determinado (8 < œ !).
Podem, então, acontecer 3 casos:
1. H7<ß" Á S7<ß" : neste caso, será = œ < " e o sistema será impossível.
2. H7<ß" œ S7<ß" : neste caso, será = œ < e o sistema será possível. Poderão agora
acontecer duas situações:
2.1. < œ 8 (sistema determinado): neste caso, as matrizes G<ß8< e S7<ß8< não existem,
não havendo incógnitas secundárias e ficando apenas
Ew œ
S78ß"
M8 F8ß"
S78ß8
Ew œ
S7<ß"
M< G<ß8< F<ß"
S7<ß< S7<ß8<
donde,
\< œ F<ß" G<ß8< \8<
\ œ < œ <ß"
\ F G<ß8< \8<
2.54
\8< \8<
œ <ß"
S8<ß" M8< \8< S8<ß" M8< 8<
F G<ß8< \8< F<ß" G<ß8<
œ \
As 8 < incógnitas secundárias presentes em \8< ficam arbitrárias, tomando, cada uma
delas, qualquer valor do corpo Š:
Sec. 2.11] Algoritmo de Gauss-Jordan 107
ç Se Š for infinito, haverá uma infinidade de soluções para o sistema (o conjunto W será
infinito); se 8 < œ ", diz-se que há uma infinidade simples de soluções; se 8 < œ #, diz-se
que há uma dupla infinidade de soluções e assim por diante.
ç Se o corpo Š for finito, então será também finito o número de soluções do sistema, tendo-
se
#W œ #Š8< 2.55
\! œ
S8<ß"
F<ß"
(que é uma solução particular do sistema – exactamente aquela que se obtém, fazendo
\8< œ S) com
] œ
M8< 8<
G<ß8<
\
contendo as 8 < incógnitas secundárias B3" ß B3# ß á ß B38< . É claro que, se o desejarmos,
que é a solução geral do sistema homogéneo associado E\ œ S e onde \8< é vector-coluna
Fragmentando a matriz
M8<
G<ß8<
− Š8ß8< nas suas 8 < colunas ]" ß ]# ß á ß ]8< ,
M œ ]" ]8<
G<ß8<
]# â
8<
e fragmentando também \8< nas suas 8 < linhas (os parâmetros >5 œ B35 ), obtém-se
\ œ \! >5 ]5 2.56
8<
5œ"
5œ"
ç Condição S1:
É claro que um sistema homogéneo tem sempre, pelo menos, a solução \ œ S, portanto
S − W!
ç Condição S2:
\ß \ w − W! Ê E\ œ S • E\ w œ S Ê E\ E\ w œ S S
Ê E\ \ w œ S Ê \ \ w − W!
ç Condição S3:
α − Š • \ − W! Ê α − Š • E\ œ S Ê αE\ œ αS Ê Eα\ œ S Ê α\ − W!
Também a decomposição 2.56 pode ser deduzida de uma forma directa, como mostra a
proposição seguinte que estabelece a relação entre as soluções de E\ œ F e de E\ œ S:
Demonstração:
8
Sejam W e W! os conjuntos de soluções de E\ œ F e de E\ œ S, respectivamente, e
fixemos uma solução \! − W qualquer de E\ œ F (solução particular). Comecemos por
provar que a soma de \! com qualquer solução ] − W! de E\ œ S dá-nos ainda uma solução
de E\ œ F :
Ê E\! ] œ F Ê \! ] − W
\! − W • ] − W! Ê E\! œ F • E] œ S Ê E\! E] œ F S
Porém, todas as soluções de E\ œ F são desta forma, visto que, sendo \ qualquer solução
de E\ œ F , se tem
Ê E\ \! œ S Ê \ \! − W!
\ − W • \! − W Ê E\ œ F • E\! œ F Ê E\ E\! œ F F
W œ \À b \ œ \! ] • ] − W! 2.58
]
8 W! e W são respectivamente um subespaço de Š8 e uma variedade linear (ver capítulo 7) de dimensão 8 <.
Sec. 2.11] Algoritmo de Gauss-Jordan 109
Podemos, pois, afirmar que o conjunto W resulta de fazer uma translação de W! , definida
pelo vector \! (ver esquema na figura 2.1).
n
K
0
0
Fig. 2.2 – Caso de um sistema simplesmente indeterminado.
termos independentes e, como saída, uma solução particular =:4 "Ÿ4Ÿ8 do sistema e os vectores
GaussJordan. O algoritmo tem como entradas a matriz +34 dos coeficientes e o vector ,3 dos
=254 "Ÿ5Ÿ8< de uma base do espaço das soluções do sistema homogéneo associado; valem as
"Ÿ4Ÿ8
m=#Linhas(a); n=#Colunas(a);
s=0; r=0; k=0;
c=[a,b]; % Matriz completa
Para k=1 até n
pivk =False % pivk =True sse kª incógnita é principal
FimPara;
Enquanto s m • k n+1
% Busca do Pivot:
Fazer
k=k+1;
i=s;
Fazer
i=i+1
Enquanto cik œ 0 • k n+1;
Enquanto cik œ 0 • i m
Se c Á 0 então
% cik é pivot?
% Redução da coluna k de c:
ik
s=s+1;
Se k Ÿ n então
r=r+1;
pivk =True
FimSe;
Se i Á s então Linhai Ç Linhas ;
Linha =Linha /c ;
% Op. de tipo 1
Para i=1 até m
s s sk % Op. de tipo 2
Se i Á s então Linha =Linha -c *Linha
FimPara
i i ik s % Op. de tipo 3
FimSe
FimEnquanto;
Observações:
ç O algoritmo de eliminação Gauss-Jordan conduz a um grande número de operações de
divisão/multiplicação e de subtracção. Para obtermos uma estimativa do número de operações
necessárias à resolução de um sistema, consideremos a aplicação do método a um sistema de 8
equações e 8 incógnitas e convencionando considerar a multiplicação e subtração incluídas nas
– Considerando o 1º pivot +"" Á !, para anular o elemento +3" da linha 3 e 1ª coluna teremos
que fazer a operação P3 Ä P3 ++""3" P" de tipo 3 e isto traduz-se por " divisão ( ++""3" ) e ainda 8
com " 4 Ÿ 8 e ao termo independente ,3 ), o que perfaz um total de " 8 " " œ 8 "
operações de multiplicação/subtracção (correspondentes aos 8 " elementos +34 da linha 3,
8 "8 " œ 8# " operações. Para os pivots seguintes, o número de operações irá
operações. Para anular todos os elementos +3" para 3 ", faremos portanto
sempre diminuindo, de modo que, para se obter uma matriz em escada, será necessário um total
X" de operações dado por
X# œ 5 œ 88 "
8
"
5œ"
#
– Do que vimos nos pontos anteriores, o total geral X de operações conducentes à resolução
de um sistema de 8 equações e 8 incógnitas é portanto de
" # "
# & $ % ! * " ) ! * " )
% ' ! ! # % # ! "
! !
! * " ) ! ! "( "( ! ! " " ! ! " "
) ( " ! ! * * ! ! " " ! ! !
# " ! & ! $
$ " # & # Ä ! "' "! %% ( Ä ! "' "! %% (
# $ % ) & ## ! ! !
Tem-se, neste caso, = œ $ e < œ # e, então, o sistema não tem qualquer solução (sistema
impossível), sendo W œ g.
Exemplo 2Þ29 Seja, agora, o sistema real
B #C $D #A œ #
#B &C )D 'A œ &
$B %C &D #A œ %
$ % ! ! ! ! !
# & ) ' & Ä ! " # # " Ä ! " # # "
% & # # % % # !
! "
Ä
"
" # $ # # " ! " # !
" # # ! " # #
Tem-se, portanto
B œ D #A
C œ " #D #A
D œ D
, em que Dß A − ‘
A œ A
Exemplo 2Þ30 Considere-se o corpo ™& ß ß ‚ dos inteiros módulo &, onde as operações
estão definidas por
! " # $ % ‚ ! " # $ %
! ! " # $ % ! ! ! ! ! !
" " # $ % ! " ! " # $ %
# # $ % ! " # ! # % " $
$ $ % ! " # $ ! $ " % #
% % ! " # $ % ! % $ # "
Tendo em atenção estas tabelas, podemos construir a tabela dos simétricos e inversos:
B B B"
! !
" % "
# $ $
$ # #
% " %
$ $ $ $ ! % ! $
! $ % " Ä ! $ " " Ä ! $ " " Ä ! $ " "
$ # $ $ % # ! #
Sec. 2.11] Algoritmo de Gauss-Jordan 115
! $ ! $ ! $ ! %
! $ " " Ä ! % ! " Ä ! % ! " Ä ! " ! %
! # ! # ! # ! "
Tem-se, agora,
" # $ % # # $ ! ! % # ! ! ! !
# % $ ! Ä # " $ ! Ä ! ! % # Ä ! ! % #
$
! Ä Ä
$
" # $ % $ ! % % " ! $ $
% ! # ! % ! # ! " !
O conjunto W das soluções do sistema tem, portanto, & elementos (ver equação 2.55),
obtidos da solução geral anterior fazendo C tomar todos os valores de ™& œ !ß "ß #ß $ß %:
W œ $ß !ß $ß !ß "ß $ß #ß #ß $ß %ß $ß $ß "ß %ß $
Exemplo 2Þ32 Consideremos o sistema real seguinte, onde + e , são parâmetros reais
B +C +D
B + , C D œ +
œ"
,B +,C ,D œ +# ,
116 Matrizes [Cap. 2
O seguinte esquema resume os casos possíveis e mostra que o sistema nunca é impossível:
, œ !
+ œ " Ê = œ < œ " • 8 œ $ Ê sistema duplamente indeterminado.
Sistema
+ Á " Ê = œ < œ # • 8 œ $ Ê sistema simplesmente indeterminado.
, Á ! + œ " Ê = œ < œ # • 8 œ $ Ê sistema simplesmente indeterminado.
+ Á " Ê = œ < œ $ • 8 œ $ Ê sistema determinado.
! Ä
! " + ! + "
" + + " " + + "
Ä
! "+ +"
Ä Ä
"
" + + " " ! + +"
! " ! " ! " !
+ "ß !ß " é uma solução particular do sistema dado (é a que se obtém, fazendo C œ !) e
C +ß "ß ! é a solução geral do sistema homogéneo associado ao sistema dado, a qual constitui
o subespaço de ‘$ gerado por +ß "ß ! sendo este vector uma base deste subespaço, que terá
dimensão " (igual ao grau de indeterminação).
ç Para + œ " • , Á !, eliminando a última linha (nula), vem
! Ä Ä
"
" " " " , ! , , " ! " "
, ! ! ! , ! ! ! " !
+ " +
+
, " +
! !
+
! + "
" !
! "
D œ + "
+B C + ,D œ + $, ,# +# D
œ + #, +B #,D
118 Matrizes [Cap. 2
Primeiro, há que levar o sistema nas incógnitas reais Bß Cß D à forma canónica:
+B C + ,D
# +B C #, +D
œ #,
+B C + ," + ,D œ + $,
œ + #,
a ser Cß Bß D :
começando por trocar as 2 primeiras colunas, o que significa que a ordem das incógnitas passou
+ + $,
+ #,
" + ," + , + $, + ," + ,
#+ " #, + G" ÇG# " #+ #, + + #,
" +
" + +, #,
! ! + ,+ , + ,
P# ÄP# P"
P$ ÄP$ P"
! # , +
O
a
Impossível
Simplesmente
indeterminado
Determinado
Considerando o espaço ‘# dos parâmetros +ß ,, podemos ilustrar toda a discussão anterior
na figura 2.4.
Vamos, agora, resolver o sistema nos casos de possibilidade:
Sec. 2.11] Algoritmo de Gauss-Jordan 119
Vectorialmente, fica
+ % + + % +
Bß Cß D œ Dß D
+ +
Dß
# # # #
+ + % + + + % +
œ ß ß ! D ß ß "
# # # #
O vector +# ß +%+
# ß ! é uma solução particular do sistema inicial (obtida quando D œ !) e
a parcela D +# ß +%+
# ß " é a solução geral do sistema homogéneo associado àquele.
! "
P# ÄP# ,P$
!
! # , # ! + +,
" " $
! " "
! "
#, " +# + ,
+, +,
" +,
!
! !
P" ÄP" +
# #+,
# P# + ,
!
P# Ä # P#" " !
"
! " +,
Bß Cß D œ ß #, " + ß
+ , + , "
# #+ ,
# +, +,
4œ"
e 8 incógnitas determinados (= œ < œ 8) e ainda com +33 Á !. Resolvendo cada equação em
120 Matrizes [Cap. 2
ordem a B3 , obtemos
,3 +34 B4
"
B3 œ
+33 4Á3
Definamos, por recorrência, uma sucessão de pontos Bt5 œ B5ß" ß B5ß# ß á ß B5ß8 − Š8 , do
modo seguinte:
Bt! œ B!ß" ß B!ß# ß á ß B!ß8 − Š8
B5ß3 œ " ,3 +34 B5"ß4 à 5 ! e 3 œ "ß #ß á ß 8
+33
4Á3
Prova-se que, se esta sucessão for convergente, ela converge para a solução do sistema. Este
método é conhecido por método de Jacobi11 .
Uma variante do algoritmo anterior que, normalmente, converge mais rapidamente para a
solução é o método de Gauss-Seidel12 , no qual se utilizam imediatamente as coordenadas do
vector Bt5 assim que se determinam, isto é, põe-se
Bt! œ B!ß" ß B!ß# ß á ß B!ß8 − Š8
B œ " , + B + B
34 5"ß4 à 5 ! e 3 œ "ß #ß á ß 8
5ß3 +33 3 34 5ß4
43 43
Uma condição suficiente (mas não necessária) para que ambos os métodos convirjam é que,
para cada 3, os +33 sejam superiores em módulo à soma dos módulos dos restantes +34 , isto é,
a +33 +34
"Ÿ3Ÿ8
4Á3
qual a iteração termina quando Bt5 Bt5" & (& especificado) ou quando se atinge um certo
A seguir apresenta-se a implementação do método de Gauss-Seidel no MATHEMATICA© , na
11 Jacobi, Carl Gustav Jacob: matemático alemão (Potsdam 1804 – Berlim 1851).
12 Seidel, Philipp Ludwig von: matemático alemão (Zweibrücken 1821 – München 1896).
Sec. 2.12] Inversão matricial 121
Observe-se que as matrizes \. , \/ , M7 e M8 só poderiam ser dos tipos indicados, por ser
E − Š7ß8 . Podemos ver de imediato que as matrizes \. e \/ , se existirem simultaneamente,
serão necessariamente iguais e únicas e que, nesse caso, a matriz E tem que ser quadrada: a
igualdade daquelas duas matrizes resulta de ser
\. œ M8 \. œ \/ E\. œ \/ E\. œ \/ M7 œ \/ Ê \. œ \/
Por outro lado, se \." e \.# são inversas direitas de E e \/ for uma inversa esquerda,
procedendo como anteriormente, virá
\." œ \/ • \.# œ \/ Ê \." œ \.#
o que mostra a unicidade da inversa direita (caso exista também inversa esquerda). Do mesmo
modo se pode provar a unicidade da inversa esquerda (caso exista inversa direita). Por outro
lado, se ambas as inversas existem, das alíneas iv) e v) da proposição 2.8 resulta
122 Matrizes [Cap. 2
e, portanto, a matriz E será quadrada13 ; isto equivale a dizer que, se E for rectangular,
seguramente não existirá pelo menos uma das inversas.
É ainda fácil reduzir o problema da inversa esquerda ao problema da inversa direita, por
transposição; de facto
\/ E œ M8 Í \/ ET œ M8T Í ET \/T œ M8 2.61
e estas equivalências mostram que \/ é uma inversa esquerda de E sse \/T é uma inversa
direita de ET e, como \/ œ \/T , poderemos concluir que se obtém uma inversa esquerda de
T
Demonstração:
i) Atente-se em 2.59 e fragmentemos as matrizes \. e M7 nas suas 7 colunas
\. œ \" \# â \7 M7 œ F" F# â F7
Fazendo o produto E\. por blocos, verifica-se facilmente que a igualdade 2.59 equivale
às 7 igualdades
E\3 œ F3 , para 3 œ "ß #ß á ß 7 2.62
e cada uma destas igualdades é a forma matricial de um sistema de 7 equações e 8 incógnitas,
sendo que estes 7 sistemas têm em comum a matriz E dos coeficientes.
É, agora, óbvio que a matriz \. satisfazendo 2.59 existe sse forem simultaneamente
Š7 gerado pelas colunas E4 "Ÿ4Ÿ8 da matriz E (ver demonstração da proposição 2.10), o que
possíveis todos estes sistemas, ou seja, sse os vectores F3 − Š7 pertencerem ao subespaço de
portanto, 7 œ 8.
Sec. 2.12] Inversão matricial 123
equivale evidentemente a
PF" ß F# ß á ß F7 § PE" ß E# ß á ß E8
Em face dos resultados provados na proposição anterior, podemos fazer a discussão do que
se pode passar em relação à inversão de uma matriz E − Š7ß8
78Ê<Ÿ78Ê<8 Ê
Não existe inversa esquerda de E
e existirá inversa direita, sse < œ 7.
87Ê<Ÿ87Ê<7Ê
Não existe inversa direita de E
E − Š7ß8
e existirá inversa esquerda, sse < œ 8.
<œ8Ê
Existem ambas as inversas de E
< 8 Ê Não existe qualquer das inversas de E.
7 œ 8 Ê e são iguais e únicas, como provámos.
direita, visto que os sistemas 2.62 são todos possíveis e indeterminados de grau 8 7. Para
ç Quando < œ 7 8 E não tem inversa esquerda, mas tem mais do que uma inversa
2.62, todos com grau de indeterminação 8 7, o que pode ser feito em simultâneo, visto
calcularmos as matrizes inversas direitas de E, apenas teremos que resolver os 7 sistemas
Se o corpo Š for infinito (ß ‘ß ‚), haverá uma infinidade de inversas direitas; se Š for finito,
Exemplo 2.35 A seguinte matriz E real não terá inversa esquerda ($ œ 7 8 œ &).
" # " ! $
" #
Eœ ! " $ % #
" " "
" " " " # ! ! " ! " ! " " " ! "
! " $ % # ! " ! Ä ! " $ % # ! " !
" ($
Ä ! "
! ! " ! %$ "$
! "
" ! " " " !
" "
! " " " $ $ $
%$ -"#
" -"" -"#
\" œ
$
"#
"
-"" -
-"#
-""
$ -##
-#" -##
"
\# œ
$
"
- #" -##
-##
-#"
$ -$#
" -$" -$#
(
\$ œ
$ -$" -$#
"
-$#
-$"
%$ -"# $( -$#
" -"" -"# " -$" -$#
$" -##
\. œ
-#" -##
$ -"" -"# $# , onde -34 − ‘
" " "
$ -#" -## $ - $" -
-"# -## -$#
-"" -#" -$"
" " -"# -## -$#
-"" -#" -$"
œ M$
ET , transpõem-se estas. Neste caso, os 8 sistemas 2.61 vão ser todos indeterminados de grau
7 8.
Se o corpo Š for infinito (casos de ß ‘ß ‚), haverá uma infinidade de inversas esquerdas; se
" "
# "
!
Eœ " "
"
$
$ #
! % "
#
a qual não tem inversas direitas, visto que se tem $ œ 8 7 œ &. Calculemos as suas inversas
esquerdas, se existirem: para isso, determinamos as inversas direitas de ET , o que já fizemos no
exemplo anterior; agora, para se obter as inversas esquerdas procuradas, basta transpor o
resultado obtido nesse exemplo:
$ -"# -""
\/ œ "$ -## -#" , onde -34 − ‘
% "
" -"" -"# $ -"" -"# -"#
"
( -$# -$"
-#" -## $ -#" -## -##
"
$ " -$" -$# $ -$" -$# -$#
126 Matrizes [Cap. 2
" "
$ -"# -"" # "
!
\/ E œ "$ -## -#" "
% "
" -"" -"# -"" -"# -"#
" œ M$
$ "
"
( -$# -$" !
-#" -## $ -#" -## -## $
$ #
" -$" -$# "
-$" -$# -$# % "
$ $
#
ç Se for < 7 œ 8, não existirá inversa e diz-se que a matriz quadrada E é não invertível.
ç Para < œ 7 œ 8, existem os dois tipos de inversas em simultâneo, sendo então estas
iguais e únicas, isto é, \. œ \/ e a matriz quadrada E diz-se invertível, sendo a inversa
(bilateral) designada por E" œ \. œ \/ . Portanto, tem-se
E − Š8ß8 é invertível Í cE œ 8 2.64
e podemos ainda escrever
ver significa que, no anel não comutativo com identidade Š8ß8 ß ß ‚ das matrizes quadradas
As igualdades anteriores mostram que E e E" são sempre permutáveis e o que acabamos de
de ordem 8, os elementos invertíveis são as matrizes cuja característica coincide com a ordem
(matrizes ditas regulares) e os elementos não invertíveis são as matrizes com caraterística
inferior à ordem (matrizes ditas singulares, sendo que por entre estas está, é claro, a matriz nula
S8 , com < œ ! 8). Há, pois, elementos não invertíveis e não nulos, (por exemplo, em ‘#ß# , a
matriz
# %
" #
não é invertível, com < œ " #). Isto significa que, para 8 ",
Š8ß8 ß ß ‚ não é um corpo, porque o produto matricial não é comutativo e ainda porque
existem matrizes não nulas e não invertíveis. No anel Š8ß8 ß ß ‚ os termos invertível
(existência de inversa) e regular (característica igual à ordem) são, pois, sinónimos, o mesmo
acontecendo com não invertível e singular.
Agora, os 8 sistemas 2.61 são todos possíveis e determinados (o que implica a existência
unicidade da inversa bilateral) e 2.63 simplifica-se, obtendo-se o algoritmo de condensação
seguinte
E F" F# â F8 Ä E \" \# â \8
ou seja,
E M8 Ä M8 E" 2.66
Exemplo 2.37 Vamos usar o algoritmo anterior para inverter a matriz quadrada
" # $
% # &
Eœ # " !
Sec. 2.12] Inversão matricial 127
& % $
) ' &
"
E œ "! ( '
que calculam as inversas laterais de A tendo como parâmetros os c[i]. Naquela secção,
apresentam-se exemplos de uso dessas funções.
No referido package, figura também a implementação do algoritmo 2.66, constituindo a
função Inversa[A]; trata-se aqui de mero exercício demonstrativo, pois o software já possui
uma função para esse efeito chamada Inverse[A].
A seguinte proposição dá conta de algumas das propriedades da inversão, para matrizes
quadradas
E"
"
œE
ET œ E"
" T
128 Matrizes [Cap. 2
Mais geralmente, para todo o : − , as matrizes de uma sequência E5 "Ÿ5Ÿ: são
invertíveis sse o produto E5 o for e tem-se
:
5œ"
E5 œ E"
" 5
Demonstração:
i) É consequência de ser EE" œ E" E œ M8 .
iii) É consequência imediata de ser αE α" E" œ α α" EE" œ "M8 œ M8 .
Por outro lado, multiplicando ambos os membros de E" F œ FE" à esquerda e à direita
por E, obtém-se
E" F œ FE" Ê EE" F E œ EFE" E Ê FE œ EF
Observações:
respectivamente e invertíveis (isto é, cE œ 7 e cF œ 8). Então, para qualquer matriz
ç Sejam E − Š7ß7 e F − Š8ß8 matrizes sobre um corpo Š com ordens 7 e 8
Y œ
F
E G
− Š78ß78
S8ß7
Y " œ
E" E" GF "
S8ß7 F "
Z œ
F
E S7ß8
− Š78ß78
H
Z " œ
E" S7ß8
F " HE" F "
, o que pode também ser facilmente verificado multiplicando Z e Z " por blocos.
130 Matrizes [Cap. 2
Podemos, agora, usar a alínea vi) da proposição anterior para definir a potência de expoente
5 inteiro negativo de uma matriz quadrada E regular, pondo
Deste modo e para matrizes E regulares, faz sentido a potência E5 , com expoente 5 − ™.
As inversas podem ser utilizadas para resolver sistemas de equações lineares, podendo ter-se
em consideração os 3 casos seguintes, onde E − Š7ß8 :
ç Matriz E com característica < œ 7 8.
Neste caso, existem inversas direitas \. e qualquer sistema E\ œ F é possível, sendo
\ œ \. F solução do sistema, qualquer que seja a inversa direita \. usada, porque
E\ œ E\. F œ E\. F œ M7 F œ F
Observe-se que os métodos anteriores para resolver sistemas não têm grande interesse
prático, visto que é maior o trabalho de condensação para inverter E do que o correspondente
trabalho para resolver E\ œ F pelo algoritmo de Gauss-Jordan.
Observações:
ç Da definição anterior resulta a existência de 3 tipos de matrizes elementares,
correspondentes aos 3 tipos de operações elementares:
Sec. 2.13] Matrizes elementares 131
" ! " â !
ã ã " â ! ã ä ã
â ! â ! â ! â ! â
! ! ã ä ã ! â !
ä ã ä ã ä ! â ã ä ã ä
I" œ ã ã ß I# œ ! $ ã
â ! â " â ã ä " â " â
! ! â
!
! â
!
ä ã ä ã ä α â ß I œ ã ä ã ä ã ä
! â "
â " â ! â ã ä ã ä ã ! â " â
! " ! â "
ã ä ã ä ã ä ã ! â ã ä ã ä ã ä ã
â ! â ! â ! â ! â
+"" â +"8
+#" â +#8
+"#
ã ã
+##
/t3 E œ ! ! â " â ! œ +3" +3# â +38 œ P3
+3" â +38
ã ä
+3#
+7" â +78
ã ã ä ã
+7#
!
+"" +"8 ! +"4
+ +#8 ã +#4
+"# â +"4 â
E/t4 œ #" œ œ G4
"
+## â +#4 â
+7"
+78 ã +74
ã ã ä ã ä ã ã
!
+7# â +74 â
Com os resultados anteriores, podemos agora mostrar que a matriz /E resultante da
execução de uma qualquer operação elementar / sobre as linhas de E é igual ao produto à
132 Matrizes [Cap. 2
esquerda da matriz elementar associada àquela operação elementar por E − Š7ß8 , como se
prova na seguinte
Proposição 2.14 Seja E − Š7ß8 uma matriz de tipo 7 ‚ 8 sobre um corpo Š e / uma
operação elementar (de qualquer dos 3 tipos) sobre linhas de E. Então:
/ E œ
/M7 E œ IE
matriz
elementar I
em que I é a matriz elementar obtida de M7 pela mesma operação elementar / sobre linhas.
Demonstração:
/E a matriz resultante de aplicar uma operação elementar / à matriz E e por I œ /M um
Vamos ver separadamente os 3 tipos de operações elementares: para isso, designemos por
/t"
/t" E /t" E P"
/t3 " /t4 /t3 " /t4 E /t3 E " /t4 E P3 " P4
ã ã ã ã
IE œ /M7 E œ E œ œ œ œ /E
/t4
ã ã ã ã
/t4 E /t4 E P4
/t7 P7
ã ã ã ã
/t7 E /t7 E
Resultado análogo vale também para as operações sobre colunas de E, mas o produto pela
matriz elementar deve agora ser efectuado à direita:
Proposição 2.15 Seja E − Š7ß8 uma matriz de tipo 7 ‚ 8 sobre um corpo Š e / uma
operação elementar (de qualquer dos 3 tipos) sobre colunas de E. Então:
/ E œ E
/M8 œ EI
matriz
elementar I
em que I é a matriz elementar obtida de M8 pela mesma operação elementar / sobre colunas.
Demonstração:
A demonstração é análoga à anterior e é deixada ao cuidado do leitor.
Da definição resulta imediatamente que todas as matrizes elementares são regulares, visto
que elas resultam da execução de uma operação elementar sobre uma matriz regular (a
identidade). Na secção anterior, vimos que uma matriz quadrada E de ordem 8 é regular sse a
sua característica é igual a 8: por outras palavras, E − Š8ß8 é regular sse E pode ser
transformada na matriz identidade M8 por meio de um número finito de operações elementares
I: âI# I" E œ M8
A igualdade anterior mostra que o produto de matrizes elementares I: âI# I" é a matriz
inversa de E,
E" œ I: âI# I" 2.69
Mas esta igualdade significa que E" se obtém de M8 pela mesma sequência de operações
expresso em 2.66:
elementares sobre linhas que transformaram E em M8 : obtém-se assim de novo o algoritmo
E M8 Ä M8 E"
Graças às matrizes elementares, podemos mesmo generalizar este algoritmo, permitindo que
a condensação envolva também operações elementares sobre colunas:
134 Matrizes [Cap. 2
Proposição 2.17 Seja E − Š8ß8 uma matriz quadrada regular de ordem 8 sobre um corpo
Š. Fazendo operações elementares sobre linhas e sobre colunas da matriz (de ordem #8)
M S
E M8
8 8
F S
M8 G
8
tem-se
E" œ FG
Demonstração:
Sejam G œ I: âI# I" e F œ I"w I#w á I;w . As matrizes F e G são regulares (por serem
produto de matrizes regulares); então
GEF œ M8 Ê G " GEF œ G " Ê EF œ G " Ê EFG œ G " G Ê EFG œ M8
" # $
% # &
Eœ # " !
Sec. 2.13] Matrizes elementares 135
Temos:
! ! !
! " ! ! ! ! ! " ! ! ! ! ! " ! ! ! !
! " ! ! ! ! ! " ! ! ! ! ! " !
! ! ! ! ! !
! " ! ! ! ! ! " ' ! ! ! " '
& & !
! " ! ! ! ! ! & ! ! " !
Portanto, tem-se:
Vamos agora definir uma relação de equivalência no conjunto Š7ß8 das matrizes de tipo
7 ‚ 8 sobre um corpo Š. É a noção de equivalência de matrizes:
Definição 2.18 – Matrizes equivalentes – Diz-se que duas matrizes Eß F − Š7ß8 são
equivalentes e escrevemos E µ F sse existem duas matrizes quadradas invertíveis T − Š7ß7 e
U − Š8ß8 tais que F œ T EU:
E µ F Í b T e U são invertíveis • F œ T EU 2.71
T ßU
A relação binária µ anterior é de equivalência (ver Apêndice A, definição A.5), visto que
E œ M7 EM8 , o que mostra que a relação é reflexiva; por outro lado, a implicação
F œ T EU Ê E œ T " FU"
mostra que a relação é simétrica. Por fim, a implicação
F œ T EU • G œ T w FUw Ê G œ T w T EUUw œ T w T EUUw
prova que a relação é transitiva.
Como T e U são regulares sse são produto de matrizes elementares, podemos dizer que E e
F são equivalentes sse F se obtém de E por meio de operações elementares sobre linhas e
136 Matrizes [Cap. 2
colunas:
I: âI# I" E
F œ I"w I#w á I;w
T U
Como as operações elementares sobre as filas de E não alteram a sua característica, isto
significa que, se E e F são equivalentes, as suas características são necessariamente iguais. No
capítulo 3, veremos que a recíproca desta implicação é também verdadeira (corolário 3.12.1).
De forma semelhante, se F − Š:ß8 (o dividendo) for uma matriz com o mesmo número 8 de
colunas que a matriz E, o quociente da divisão direita de F por E é qualquer matriz \ − Š:ß7
tal que
\E œ F 2.73
A equivalência anterior mostra que dividir F por E à direita equivale a dividir F T por ET à
esquerda.
O problema de calcular \ em 2.72 é equivalente à resolução de : sistemas de equações
lineares com 7 equações e 8 incógnitas cada um, para o que basta fragmentar as matrizes \ e
F nas suas : colunas
\ œ \ " \ # â \:
F œ F" F# â F:
linear das colunas da matriz E (ver proposição 2.10), ou seja sse cE œ cE F . Se esta
função de :8 < parâmetros escalares arbitrários (as 8 < incógnitas secundárias de cada
grau de indeterminação 8 < e existirá mais que uma solução. Neste caso, as soluções \ serão
sistema), o que implica a existência de #Š:8< soluções, se o corpo Š for finito. Podemos,
pois, apresentar a seguinte
número de linhas. O problema da divisão esquerda de F por E é solúvel sse cE œ cE F
Proposição 2.18 – Divisão esquerda – Sejam E − Š7ß8 e F − Š7ß: matrizes com o mesmo
e, sendo < œ cE, existe uma e uma só solução sse < œ 8. Quando < 8, existem várias
soluções (uma infinidade, se Š for infinito e em número de #Š:8< , se Š for finito).
Proposição 2.19 – Divisão direita – Sejam E − Š7ß8 e F − Š:ß8 matrizes com o mesmo
número de colunas. O problema da divisão direita de F por E é solúvel sse cE œ c
E
e, sendo < œ cE, existe uma e uma só solução sse < œ 7. Quando < 7, existem várias
F
" # $ $ '
" $ $ ) (
Eœ # " ! e F œ & "
condensemos a matriz E F
Temos, neste caso, cE œ cE F œ # e, portanto, a divisão esquerda é possível; os dois
sistemas de equações lineares que acabámos de resolver são simplesmente indeterminados e as
138 Matrizes [Cap. 2
O resultado da divisão é
&-""
'
& & α"" "$ '
& & α#" & "" "$
& '-#"
α"" α#" &-#"
" # $ ! " #
% # & # " $
Eœ # " ! e F œ " # $
calculemos E" :
Sec. 2.14] Divisão matricial 139
& % $
) ' &
"
E œ "! ( '
& % $
) ' &
"
E œ "! ( '
Sabemos que, dado um vector Bt − I , são únicas as suas coordenadas B3 "Ÿ3Ÿ8 em relação à
base / e será
Bt œ B3 /t3
8
3œ"
B"
B
Introduzindo a matriz-linha simbólica14 /t" /t# â /t8 e a matriz-coluna \/ œ #
B8
ã
contendo as coordenadas referidas e identificando o seu produto (de tipo " ‚ ") com o vector
Bt − I , podemos escrever
Bt œ /t" /t# â /t8 \/
No mesmo espaço vectorial I de dimensão finita 8 sobre um corpo Š, considerem-se, agora,
duas bases
/ œ /t" ß /t# ß á ß /t8
/w œ /tw" ß /t#w ß á ß /t8w
Cada vector /tw4 há-de exprimir-se nos /t3 de uma e uma só forma, através das respectivas
coordenadas >34 − Š relativas à base /
A matriz X//w œ >34 , cuja coluna 4 contém as coordenadas de /tw4 na base /, é chamada
matriz de mudança ou de passagem da base / para a base /w e o facto de /w ser uma base de I
14 Observe que esta matriz-linha é constituída por vectores: Não se trata, pois, de uma matriz sobre o corpo Š,
mas sim sobre o espaço I .
Sec. 2.15] Mudança de base 141
Se for, agora, /ww œ /tww" ß /t#ww ß á ß /t8ww uma terceira base de I , ter-se-á
/tww" /t#ww â /t8ww œ /t"w /t#w â /t8w X/w /ww
w w
/t" /t# â /t8w œ /t" /t# â /t8 X//w
concluindo-se que
X//ww œ X//w X/w /ww 2.80
Observe-se que as coordenadas do vector ocupam nesta igualdade posições contrárias às que
são ocupadas pelos vectores das bases: daqui a designação de coordenadas contra-variantes
que também lhes é dada.
Exemplo 2.42 Considerem-se, em ‘$ , as bases / œ "ß !ß "ß "ß "ß "ß ß !ß "ß " e
/ œ !ß "ß "ß "ß #ß "ß "ß !ß ". Para calcular a matriz X//w de mudança da base / para /w ,
w
teremos de exprimir os /tw4 nos /t3 . Este processo conduz-nos a três sistemas de equações lineares
com 3 equações e 3 incógnitas cada um, mas todos com a mesma matriz dos coeficientes:
podemos, portanto, resolvê-los de uma só vez condensando a matriz seguinte
! ! $ " ' # ! !
Ä ! " " " # ! Ä ! $ ! # ! # Ä
$ " ' #
$ ! ! # $ " " ! ! #Î$ " "Î$
"
# $ "
$
#
X//w œ # ! #
" '
"
# $ " $
Bt œ /t" /t# /t$ # œ %/t" "%/t# "(/t$
"
$
" ' # %
# ! #
$
" " !
" " "
X-/ œ ! " "
! " "
" " "
X-/w œ " # !
"
# " " ! " "
"
# $ "
$ $
" ' #
"
X//w œ X/- X-/w œ X-/ X-/w œ " " " " # ! œ # ! #
" # " " " "
" % *
\- œ X-/w \/w œ " # ! # œ "
" "
Portanto, Bt œ 'ß "ß *; este resultado pode ser confirmado por substituição directa dos /tw3
em Bt œ $/tw" #/t#w %/t$w .
obter a matriz X//w de passagem de uma base / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 de Š8 para uma segunda base
Exemplo 2.44 Podemos generalizar o procedimento usado nos exemplos anteriores, para
Trata-se de calcular as coordenadas dos vectores /tw3 em relação à base / e, para tal, será
necessário resolver os 8 sistemas de equações lineares nas incógintas >43 − Š resultantes das 8
igualdades vectoriais
Todos estes sistemas serão determinados e terão a mesma matriz I dos coeficientes (cujas
colunas são constituídas pelos vectores da base /); as matrizes dos termos independentes destes
condensação vertical da matriz I I w de tipo 8 ‚ #8 (em que I w tem por colunas os vectores
sistemas são os 8 vectores de /w . Podemos, pois, resolvê-los de uma só vez fazendo a
de /w ), por forma a obter a matriz M8 X//w do mesmo tipo e cuja metade direita será a matriz
de mudança de base pretendida:
I I w Ä M8 X//w
condensação I M8 Ä M8 X//w mostra, de acordo com 2.66, que será X//w œ I " .
resultando imediatamente X//w œ I w ; se /w for a base canónica, então será I w œ M8 e a
MATHEMATICA©
ç MatrixRank[A, ZeroTest->test]
Calcula a característica da matriz A, usando a função test para testar se os elementos de A
são nulos.
ç LinearSolve[A, B]
Calcula um vector sp solução particular do sistema A.X==B, se este for possível ou dá uma
mensagem de erro, quando o sistema for impossível. Se o sistema for determinado, será esta a
sua única solução; se for indeterminado, obtemos a solução geral mediante soma com uma
144 Matrizes [Cap. 2
ç NullSpace[A]
base é devolvida como uma lista sh de vectores (uma matriz do tipo 8 < ‚ 8).
Calcula uma base sh do espaço vectorial das soluções do sistema homogéneo A.X==O. A
sh = NullSpace[A]
ç DivisaoEsquerda[A,B,c]
Determina a divisão esquerda de B por A, se existir, com parâmetros c.
ç DivisaoDireita[A,B,c]
Determina a divisão direita de B por A, se existir, com parâmetros c.
ç GaussSeidel[A,B,X0,tol,max] determina a solução do sistema AX == B, a partir da
estimativa inicial X0 com a tolerancia tol e com um máximo de pontos max e devolve a lista
formada pela solução aproximada e pelo número de pontos calculados (excluindo X0).
ç GaussSeidelPoints[A,B,X0,tol,max] determina a lista de um máximo de max+1
soluções aproximadas (incluindo X0) do sistema AX == B, a partir da estimativa inicial X0 com
a tolerancia tol.
ç Passagem[e1,e2]
Determina a matriz de mudança da base e1 para a base e2; mais geralmente, determina a
matriz cujas colunas são as coordenadas dos vectores da lista e2 em relação à base e1.
ç Coordenadas[e1,e2,xe1]
Transforma as coordenadas xe1 de um vector da base e1 para a base e2.
Segue-se a listagem do package ALGA`Matrizes`:
BeginPackage["ALGA`Matrizes`"]
AppendRows::usage = "AppendRows[mat1, mat2, ...] dá uma nova matriz composta pelas submatrizes \
mat1, mat2, ..., juntando-lhes as linhas. As submatrizes deverão ter o mesmo número de linhas."
Op3::usage = "Op3[A,i,j,y] matriz obtida de A, substituindo a linha i pela sua soma com \
o produto do escalar y pela linha j."
PivotUm::usage = "PivotUm é uma opção da função Caracteristica[] que indica que os pivots \
deverão ser 1s, quando PivotUm for igual a True. Por defeito é PivotUm -> False."
GaussSeidel::usage="GaussSeidel[a, b, x0, err, iter] tenta resolver o sistema ax=b pelo método \
de Gauss-Seidel, a partir de um ponto inicial x0 com um erro inferior a err e realizando um \
máximo de iter iterações."
Begin["`Private`"]
(* -------------------------------- DEFAULTS -------------------------------- *)
t++;
For[k = 1; i = 0, k <= n, k++,
If[piv[[k]], i++; sh[[t, k]] = -c[[i, s]], sh[[t, s]] = 1]
]
]
];
{sp, sh}
]
]
]
{i,Dimensions[b][[2]]}]],
Message[DivisaoEsquerda::naoexiste];
Print["DivisaoEsquerda[",a,", ",b,"]"]
],
Message[DivisaoEsquerda::dimensao];Print["DivisaoEsquerda[",a,",",b,"]"]
]
]
m++
];
cont=Norm[y1-y0]>=& && m<=maxiter;
y0=y1
];
lista,
Message[GaussSeidelPoints::errdiag]
],
Message[GaussSeidelPoints::errdim]
],
Message[GaussSeidelPoints::errindep]
],
Message[GaussSeidelPoints::dimensao]
]
]
End[]
EndPackage[]
Nas páginas seguintes, apresenta-se um notebook onde se ilustra o uso do package anterior e
das funções próprias do software MATHEMATICA© para resolver vários problemas matriciais.
152 Matrizes [Cap. 2
Matrizes
c 3, 2, 5;
a MatrixForm
2 2 1
3 2 1
1 5 1
3 2 1
5, 5
A linha 3
Sec. 2.16] Anexos: matrizes e o MATHEMATICA 153
a3
1, 5, 1
A coluna 2
aAll, 2
2, 2, 5, 2
Takea, 2 MatrixForm
2 2 1
3 2 1
Ou as 2 últimas linhas
Takea, 2 MatrixForm
1 5 1
3 2 1
2 2
3 2
1 5
3 2
2 1
2 1
5 1
2 1
3 2 1
3 2 1
Ou as colunas 2 e 3
2 1
2 1
5 1
2 1
Dimensionsa
4, 3
Dimensionsa1
Sec. 2.16] Anexos: matrizes e o MATHEMATICA 155
Lengtha
E o número de colunas
Dimensionsa2
MatrixQa
True
MatrixQb
False
MatrixQc
False
IdentityMatrix4 MatrixForm
1 0 0 0
0 1 0 0
0 0 1 0
0 0 0 1
2 0 0 0
0 3 0 0
0 0 0 0
0 0 0 1
9 10 0 0 0 0
0 6 9 0 0 0
0 0 5 2 0 0
0 0 0 38 0
0 0 0 0 10 10
1 1 1
1 2 3 4
1 1 1 1
2 3 4 5
1 1 1 1
3 4 5 6
Sec. 2.16] Anexos: matrizes e o MATHEMATICA 157
0 1 9
6 9 4
5 3 9
3 7 8
Podemos gerar uma matriz tridiagonal de 8ª ordem com elementos aleatórios inteiros entre -10 e 10 nas 3
diagonais
TableIfAbsi j 1, RandomInteger 10, 10, 0, i, 8, j, 8 MatrixForm
2 4 0 0 0 0 0 0
9 1 1 0 0 0 0 0
0 0 2 1 0 0 0 0
0 0 0 5 3 0 0 0
0 0 0 8 8 6 0 0
0 0 0 0 9 6 6 0
0 0 0 0 0 6 9 2
0 0 0 0 0 0 3 5
Matriz 5x6 formada por números primos escolhidos aleatoriamente de entre os primeiros 2000
c a b MatrixForm
1 1 1
1 x1, 1 2
x1, 2 3
x1, 3 4
x1, 4
1 1 1 1
2
x2, 1 3
x2, 2 4
x2, 3 5
x2, 4
1 1 1 1
3
x3, 1 4
x3, 2 5
x3, 3 6
x3, 4
d Pi a MatrixForm
2 3 4
2 3 4 5
3 4 5 6
e Transposed MatrixForm
2 3
2 3 4
3 4 5
4 5 6
d.e MatrixForm
205 2 4 2 17 2
144 5 30
4 2 1669 2 2
5 3600 3
17 2 2 869 2
30 3 3600
Sec. 2.16] Anexos: matrizes e o MATHEMATICA 159
e.d MatrixForm
49 2 3 2 21 2 73 2
36 4 40 180
3 2 61 2 3 2 7 2
4 144 10 30
21 2 3 2 769 2 2
40 10 3600 6
73 2 7 2 2 469 2
180 30 6 3600
2 4 1 6 4
5
5 2
2 13
13
4 8 12 8
5
5
1 13
13
6 12 3 3 18 12
5
5 2
2 13
13
8 16 24 16
5
5
22 13
13
20 7 72 20 9
18 2 97 82
11 2 1 5 2
13 8 5 0
E podemos subtrair
c a b MatrixForm
E transpor
160 Matrizes [Cap. 2
Transposec MatrixForm
102 39 86 18 61 22 73 24
5
5 5
5 5
5 5
5
13 3 5 7
2 2 8 8 2
2 7
266 121 92 34 8 24 16
13
13 13 13
13 13 13
13
E conjugar
d Conjugatec MatrixForm
TransConjugadad MatrixForm
102 39 86 18 61 22 73 24
5
5 5
5 5
5 5
5
13 3 5 7
2 2 8 8 2
2 7
266 121 92 34 8 24 16
13
13 13 13
13 13 13
13
TransConjugadaTransConjugadad d
True
3 4 5
2 2 3 4
3 5
2
4 2
2
4 5 7
3 2
6 2
5 7
4
2 2
8
MatrixPowera, 3 MatrixForm
MatrixPowera, 2 MatrixForm
3 956 854 176 1 709 058 624 120 503 304 170 052 096
6 902 452 561
6 902 452 561 6 902 452 561 6 902 452 561
1 709 058 624 1 609 475 444 442 309 104 41 067 096
6 902 452 561 6 902 452 561
6 902 452 561 6 902 452 561
120 503 304 442 309 104 659 269 044 231 678 624
6 902 452 561 6 902 452 561 6 902 452 561
6 902 452 561
170 052 096 41 067 096 231 678 624 266 544 416
6 902 452 561 6 902 452 561
6 902 452 561 6 902 452 561
MatrixPowera, 0 MatrixForm
1 0 0 0
0 1 0 0
0 0 1 0
0 0 0 1
k0
ü A função MatAleatoria gera uma matriz quadrada de ordem aleatória entre 2 e 5 com
elementos inteiros aleatórios entre -9 e 9
a MatAleatoria MatrixForm
1 9
3 2
p a.b q b.a
True
Sec. 2.16] Anexos: matrizes e o MATHEMATICA 163
,
295 855 295 855
285 390 285 390
True
p MatrixForm
q MatrixForm
True
p MatrixForm
164 Matrizes [Cap. 2
q MatrixForm
True
p MatrixForm
31 3513 3022
944 1812 1292
2866 3274 1496
q MatrixForm
31 3513 3022
944 1812 1292
2866 3274 1496
6 2 8
7 3 9
2 9 8
p a.b q b.a
False
p MatrixForm
25 77 75
21 23 39
34 25 16
q MatrixForm
36 84 4
44 96 5
56 79 42
False
p MatrixForm
q MatrixForm
False
p MatrixForm
68 32 625
176 229 671
33 13 171
q MatrixForm
False
p MatrixForm
Sec. 2.16] Anexos: matrizes e o MATHEMATICA 167
38 133 144
55 115 81
81 5 26
q MatrixForm
99 294 215
120 234 115
9 49 32
ListPlot3Da
ListPlot3Db
168 Matrizes [Cap. 2
2.16.10. Característica
Sec. 2.16] Anexos: matrizes e o MATHEMATICA 169
Needs"ALGA`Matrizes`"
1 2 1 0 3
0 1 3 4 2
1 1 1 1 2
Cálculo da característica
? Caracteristica
MatrixRanka, Caracteristicaa1
Remove"Global`"
2.16.11. Sistemas
ü Sistema determinado
a 1, 2, 2, 3, 2, 1, 2, 5, 3, 1, 4, 6 MatrixForm
1 2 2
3 2 1
2 5 3
1 4 6
170 Matrizes [Cap. 2
b 2, 5, 4, 0;
Uso de RowReduce[]
1 2 2 2
3 2 1 5
2 5 3 4
1 4 6 0
RowReduceab MatrixForm
1 0 0 2
0 1 0 1
0 0 1 1
0 0 0 0
Uso de GaussJordan[]
? GaussJordan
GaussJordanA,B Resolve o sistema A.X = B, devolvendo uma lista formada por uma solução particular e
pela lista contendo os vectores duma base do espaço das soluções do sistema homogéneo A.X = O.
solu GaussJordana, b
2
1
1
Sec. 2.16] Anexos: matrizes e o MATHEMATICA 171
Verificação do resultado
[Link] b
True
2
1
1
NullSpacea
Uso de Solve[]
X x, y, z;
sistema a.X b
x 2 y 2 z, 3 x 2 y z, 2 x 5 y 3 z, x 4 y 6 z 2, 5, 4, 0
Solvesistema, X
x 2, y 1, z 1
Uso de Reduce[]
172 Matrizes [Cap. 2
Reducesistema, X
x 2 && y 1 && z 1
Remove"Global`"
ü Sistema impossível
1 5 4 13
3 1 2 5
2 2 3 4
b 3, 2, 1;
Uso de RowReduce[]
1 5 4 13 3
3 1 2 5 2
2 2 3 4 1
RowReduceab MatrixForm
7 3
1 0 8 4
0
5 11
0 1 8
4
0
0 0 0 0 1
Uso de GaussJordan[]
solu GaussJordana, b
Sec. 2.16] Anexos: matrizes e o MATHEMATICA 173
Uso de LinearSolve[]
Uso de Solve[]
X x, y, z, w;
sistema a.X b
13 w x 5 y 4 z, 5 w 3 x y 2 z, 4 w 2 x 2 y 3 z 3, 2, 1
Solvesistema, X
Uso de Reduce[]
Reducesistema, X
False
Remove"Global`"
174 Matrizes [Cap. 2
1 2 3 2
2 5 8 6
3 4 5 2
b 2, 5, 4;
Uso de RowReduce[]
1 2 3 2 2
2 5 8 6 5
3 4 5 2 4
RowReduceab MatrixForm
1 0 1 2 0
0 1 2 2 1
0 0 0 0 0
Uso de GaussJordan[]
solu GaussJordana, b
0
1
0
0
1 2 1 0
2 2 0 1
Removec
c1 2 c2
1 2 c1 2 c2
c1
c2
Verificação do resultado
Simplify[Link] b
0, 0, 0
4 soluções particulares do sistema, para valores aleatórios inteiros dos parâmetros c[i] entre -6 e 6
6, 3, 2, 4, 11, 13, 3, 4, 4, 11, 6, 1, 6, 11, 4, 1
0
1
0
0
sh NullSpacea
2 c1 c2
1 2 c1 2 c2
c2
c1
Uso de Solve[]
X x, y, z, w;
sistema a.X b
2 w x 2 y 3 z, 6 w 2 x 5 y 8 z, 2 w 3 x 4 y 5 z 2, 5, 4
Resolver em ordem a x e y
x 2 w z, y 1 2 w 2 z
Uso de Reduce[]
Reducesistema, X
Sec. 2.16] Anexos: matrizes e o MATHEMATICA 177
1 y
z 1 x y && w x
2 2
Remove"Global`"
1 1 1 3
2 2 1 1
1 1 3 14
0 0 2 u
b 1, 2, 4, v;
X x, y, z, w;
sistema a.X b
3 w x y z, w 2 x 2 y z, 14 w x y 3 z, u w 2 z 1, 2, 4, v
Reducesistema, X
30 v
u && y 7 x && z 15 && w 3
3
Remove"Global`"
u2 1 u
u2 v2 1 1u
3 u2 2 v2 2 12u
b v u, v, 3 v;
X x, y, z;
sistema a.X b
u2 x y u z, u2 v2 x y 1 u z, 3 u2 2 v2 x 2 y 1 2 u z u v, v, 3 v
Reducesistema, X
u v && y 2 v v2 v2 x v3 x && z v v2 x
u v u v 0 && x
1
&& y 2 u u2 v2 x u v2 x && z u v2 x
uv
Remove"Global`"
? GaussSeidel
Sec. 2.16] Anexos: matrizes e o MATHEMATICA 179
GaussSeidela, b, x0, err, iter tenta resolver o sistema ax=b pelo método de Gauss-Seidel, a
partir de um ponto inicial x0 com um erro inferior a err e realizando um máximo de iter iterações.
6 2 3
2 4 1
4 2 7
b 10, 4, 20
10, 4, 20
LinearSolvea, b
1, 1, 2
, 36
1 076 052 546 519 130 475 4 304 209 768 276 963 961 10 043 156 375 399 369 573
, ,
1 076 052 481 665 702 912 4 304 209 926 662 811 648 5 021 578 247 773 280 256
N1, 6
? GaussSeidelPoints
180 Matrizes [Cap. 2
GaussSeidelPointsa, b, x0, err, iter devolve a lista de pontos obtida pelo algoritmo de Gauss-Seidel na resolução do
sistema ax=b, a partir de um ponto inicial x0 com um erro inferior a err e realizando um máximo de iter iterações.
3 2
3 4
b 1, 11
1, 11
LinearSolvea, b
1, 2
, 32
49 153 131 071
,
49 152 65 536
N1, 6
1.00002, 1.99998
, , , , , ,
23 31 23 65 49 65 49 127 95 127 95 257
, , , , , ,
24 16 24 32 48 32 48 64 96 64 96 128
, , , , ,
193 257 193 511 383 511 383 1025 769 1025
, , , , ,
192 128 192 256 384 256 384 512 768 512
, , , , ,
769 2047 1535 2047 1535 4097 3073 4097 3073 8191
, , , , ,
768 1024 1536 1024 1536 2048 3072 2048 3072 4096
, , , ,
6143 8191 6143 16 385 12 289 16 385 12 289 32 767
, , , ,
6144 4096 6144 8192 12 288 8192 12 288 16 384
, , ,
24 575 32 767 24 575 65 537 49 153 65 537 49 153 131 071
, , , ,
24 576 16 384 24 576 32 768 49 152 32 768 49 152 65 536
Lengthpontos
33
equacoestraj Simplify
Table1 t pontosi t pontosi 1, i, Lengthpontos 1;
trajectoria Graphics
ParametricPlotequacoestraj, t, 0, 1, PlotRange 1 2, 9 5, 4 5, 3,
AspectRatio Automatic, Frame True, PlotStyle Gray, Axes False;
3.0
2.5
2.0
1.5
1.0
3 2
1 2
b 1, 1
1, 1
LinearSolvea, b
1, 1
, 28
4 782 967 4 782 968
,
4 782 969 4 782 969
N1, 6
1.00000, 1.00000
, , , , , ,
79 26 79 80 241 80 241 242 727 242 727 728
, , , , , ,
81 27 81 81 243 81 243 243 729 243 729 729
, , , , ,
2185 728 2185 2186 6559 2186 6559 6560 19 681 6560
, , , , ,
2187 729 2187 2187 6561 2187 6561 6561 19 683 6561
, , , ,
19 681 19 682 59 047 19 682 59 047 59 048 177 145 59 048
, , , ,
19 683 19 683 59 049 19 683 59 049 59 049 177 147 59 049
, , , ,
177 145 177 146 531 439 177 146 531 439 531 440 1 594 321 531 440
, , , ,
177 147 177 147 531 441 177 147 531 441 531 441 1 594 323 531 441
, ,
1 594 321 1 594 322 4 782 967 1 594 322 4 782 967 4 782 968
, , ,
1 594 323 1 594 323 4 782 969 1 594 323 4 782 969 4 782 969
Lengthpontos
29
equacoestraj Simplify
Table1 t pontosi t pontosi 1, i, Lengthpontos 1;
trajectoria GraphicsParametricPlotequacoestraj,
t, 0, 1, PlotRange 1 2, 3 2, 1 2, 3 2,
AspectRatio Automatic, Frame True, PlotStyle Gray, Axes False;
1.5
1.0
0.5
0.0
-0.5
-0.5 0.0 0.5 1.0 1.5
ü Inversas direitas
? InversaDireita
InversaDireitaA,c calcula as matrizes inversas direitas da matriz A e usando c como parâmetro.
Sec. 2.16] Anexos: matrizes e o MATHEMATICA 185
1 2 1 0 3
0 1 3 4 2
1 1 1 1 2
4 1 7
3 c12 3 c22 3 c32
1 c11 c12 c21 c22 1 c31 c32
1 1 1
3
c11 c12 3
c21 c22 3
c31 c32
c12 c22 c32
c11 c21 c31
Simplifya.x MatrixForm
1 0 0
0 1 0
0 0 1
Exemplo de 4 matrizes inversas direitas para valores aleatórios (inteiros entre -9 e 9) dos parâmetros
c[i][j]
25 4 13 4 4 2 13 1 22 16 19 20
3
3 3
3 3 3
3
3 3
3
3 3
23 29 22
7 8 12 5 5 3 13 5 14 11 2 0
,
17 10 25 , 19 16 10 , 7
29 52
3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3
7 1 2 0 1 3 3 0 5 4 6 9
1 9 9 6 4 5 9 5 8 6 4 8
? InversaEsquerda
InversaEsquerdaA,c calcula as matrizes inversas esquerdas da matriz A e usando c como parâmetro.
InversaEsquerdaa, c
b a.2, 1, 3, 2, 1
4, 14, 6
Simplifyx.b MatrixForm
Removek
m GaussJordana, b;
4 k1
2 k1 k2
4 k1 k2
k1
k2
ü Inversas esquerdas
a 1, 0, 1, 2, 1, 1, 1, 3, 1, 0, 4, 1, 3, 2, 2 MatrixForm
1 0 1
2 1 1
1 3 1
0 4 1
3 2 2
Cálculo da característica
Caracteristicaa1
4 1
3 c12 1 c11 c12 3
c11 c12 c12 c11
1 1
3 c22 c21 c22 3
c21 c22 c22 c21
7 1
3 c32 1 c31 c32 3
c31 c32 c32 c31
1 0 0
0 1 0
0 0 1
Exemplo de 3 matrizes inversas esquerdas para valores aleatórios (inteiros entre -9 e 9) dos parâmetros
c[i][j]
16 1 14 31 1 16
9 4 4 1 6 4 3 4 1 4
3 3 3 3 3
28 23 28 20 8 11
3
10 3
9 1 , 3 11 3 9 2 , 3
10 3 3 7
25 7 16 7 8 19
3
15 3
6 8 3 9 3
3 5 3
3 3
5 1
InversaDireitaa, c
InversaDireita1, 0, 1, 2, 1, 1, 1, 3, 1, 0, 4, 1, 3, 2, 2, c
b a.2, 3, 1
1, 6, 8, 13, 2
x Simplifyy.b
2, 3, 1
Sec. 2.16] Anexos: matrizes e o MATHEMATICA 189
b 1, 1, 1, 1, 1;
m GaussJordana, b
1, 0, 1, 2, 1, 1, 1, 3, 1, 0, 4, 1, 3, 2, 2, 1, 1, 1, 1, 1
GaussJordan
x Simplifyy.b
? Inversa
1 2 3
2 1 0
4 2 5
x Inversaa MatrixForm
190 Matrizes [Cap. 2
5 4 3
10 7 6
8 6 5
Simplifya.x MatrixForm
1 0 0
0 1 0
0 0 1
Simplifyx.a MatrixForm
1 0 0
0 1 0
0 0 1
y Inversea MatrixForm
5 4 3
10 7 6
8 6 5
Inversaa y
True
InversaDireitaa, c y
True
Sec. 2.16] Anexos: matrizes e o MATHEMATICA 191
InversaEsquerdaa, c y
True
ü Divisão esquerda
? DivisaoEsquerda
DivisaoEsquerdaA,B,c calcula o quociente de B por A, com o divisor A à esquerda e usando c como parâmetro.
1 2 3
2 1 0
1 3 3
3 6
5 1
8 7
7 4
5
3 c11 5
3 c21
11 13
5
6 c11 5
6 c21
5 c11 5 c21
Verificação do resultado
192 Matrizes [Cap. 2
Simplifya.x b
True
4 soluções da divisão esquerda para valores aleatórios (inteiros entre -9 e 9) dos parâmetros c[i][1]
5 5
5 5
5
5 5
5
5
19 223
5 , 131 283
5 , 101 77 , 199
5
77
5 5 5 5
5 35 20 45 15 15 35 15
ü Divisão direita
? DivisaoDireita
DivisaoDireitaA, B, c calcula o quociente de B por A, com o divisor A à direita e usando c como parâmetro.
1 2 3 1
2 1 0 1
1 3 3 0
3 6 9 3
4 12 12 0
3 c11 c11 c11
4 c21 4 c21 c21
Verificação do resultado
Simplifyx.a b
True
1 2 3
2 1 0
4 2 5
0 1 2
1 2 3
2 1 3
a.b b.a
False
10 6 7
19 10 17
16 9 13
Verificação do resultado
194 Matrizes [Cap. 2
a.x b
True
6 5 4
1 0 0
44 33 27
Verificação do resultado
y.a b
True
xy
False
b 2 MatrixPowera, 3 MatrixPowera, 2
3 MatrixPowera, 1 4 MatrixPowera, 0 MatrixForm
58 32 75
22 28 54
64 14 56
a.b b.a
True
10 6 9
42 40 36
12 18 4
10 6 9
42 40 36
12 18 4
xy
True
? Passagem
Passageme1, e2 Devolve a matriz cujas colunas são as coordenadas dos vectores da lista e2, na base
formada pelos vectores da lista e1; se e2 for outra base, calcula a matriz de mudança de e1 para
e2. A lista e1 deve ser uma base e os vectores de e2 devem pertencer ao espaço gerado por e1.
6 1 29
11 22 22
13 15 5
11 22
22
6 6 2
11 11
11
5
0 2 2
1 9 37
4
4 8
3 3 7
4
4 8
t12.t21 IdentityMatrixLengthe1
True
xe1 4, 2, 5
4, 2, 5
? Coordenadas
33 229 71
, ,
2 8 8
35 21 26 49
17 17
17 17
9 19 30
17
17 17
17
3 4 29 2
20
5 20
5
9 7 7 21
20
20 20
20
t12.t21 IdentityMatrixLengthe1
True
xe2 4 2 I, 2 5 I
4 2 , 2 5
375 242 9 206
,
17 17 17 17
3
Funções lineares
Sec. 3.2] Funções lineares. Núcleo e imagem 201
3.1 Introdução
Até ao presente capítulo, temos estudado os espaços vectoriais e as suas principais
propriedades algébricas. Vamos agora estudar as funções que respeitam a estrutura algébrica
daqueles espaços, ou seja, os homomorfismos dos espaços vectoriais. Veremos que estas
funções constituem, por sua vez, um espaço vectorial e que este estudo permitirá lançar nova
luz sobre a álgebra das matrizes, a qual veremos ser isomorfa da álgebra das funções lineares
entre espaços com dimensão finita. As funções lineares, para além do seu interesse intrínseco,
desempenham também um importante papel no cálculo diferencial das funções de mais de uma
variável e que permitirá aproximar localmente as funções não lineares diferenciáveis por
funções lineares, como o leitor poderá constatar quando estudar aquele tema nas cadeiras de
Análise Matemática.
Definição 3.1 – Função linear – Sejam I e J espaços vectoriais sobre um mesmo corpo Š
e 2À I Ä J uma função. Diz-se que 2 é uma função linear ou um homomorfismo de I em J
t Bt w − I e qualquer
sse forem verificadas as condições seguintes, para quaisquer vectores Bß
escalar α − Š:
[L1] 2Bt Bt w œ 2Bt 2Bt w
[L2] 2αBt œ α2Bt
Portanto, a função 2 é linear sse transforma as operações características do espaço vectorial
I nas respectivas operações em J . Convém observar que I e J devem ser espaços sobre o
mesmo corpo Š, sem o que a condição L2 não faria sentido. A conjunção das duas condições
t Bt w − I :
anteriores é equivalente à condição única seguinte, onde α e " são escalares e Bß
[L3] 2αBt " Bt w œ α2Bt " 2Bt w
Fazendo, em particular, α œ ! e α œ " em L2, obtém-se
29tI œ 9tJ
3.1
2Bt œ 2Bt
Da igualdade 1.1 que define a subtracção vectorial e da segunda das igualdades anteriores,
t Bt w − I ,
obtém-se, para quaisquer vectores Bß
2Bt Bt w œ 2Bt 2Bt w 3.2
Portanto, as funções lineares respeitam a subtracção. Por outro lado, L1 e L2 implicam que,
para qualquer combinação linear α4 /t4 de vectores de I , se tem:
7
4œ"
4œ" 4œ"
202 Funções lineares [Cap. 3
Observe, ainda, que a primeira das igualdades 3.1 mostra que a igualdade 3.3 é válida,
mesmo quando 7 œ !.
A proposição seguinte descreve o comportamento das funções lineares no que respeita aos
subespaços de I e de J :
Demonstração:
i) Mostremos que 2E satisfaz as condições S1, S2 e S3 do capítulo 1 (definição de
subespaço):
Quanto a S1, a primeira das igualdades 3.1 mostra que
E é subespaço de I Ê 9tI − E Ê 29tI − 2E Ê 9tJ − 2E Ê 2E Á g
Para o fecho em relação à adição S2, tem-se, sucessivamente,
t Ct w − 2E Ê
Cß bw Ct œ 2Bt • Ct w œ 2Bt w Ê
ii) Como /t4 − E, tem-se (para 4 œ "ß á ß 7) 2/t4 − 2E e, por ser 2E um subespaço
vectorial de J :
P2/t" ß 2/t# ß á ß 2/t7 § 2E
Reciprocamente, ter-se-á:
Quanto à segunda afirmação, basta atender a que uma base /t" ß /t# ß á ß /t8 de I gera I e,
portanto, 2/t" ß 2/t# ß á ß 2/t8 gera 2I , que é o contradomínio de 2.
iii) Basta mostrar, de novo, que 2" E satisfaz as condições S1, S2 e S3:
Como 9tJ − E, a primeira igualdade 3.1 mostra que o vector 9tI (pelo menos) pertence a
2" E que, portanto, não será vazio (condição S1).
Quanto a S2, tem-se:
t Bt w − 2" E Ê 2Btß 2Bt w − E Ê 2Bt 2Bt w − E Ê
Bß
Ê 2Bt Bt w − E Ê Bt Bt w − 2" E
E F
Ker (h) Img (h)
E F
Ker2 œ 9tI Þ
vectoriais sobre um mesmo corpo Š e 2À I Ä J uma função linear. A função 2 é injectiva sse
Demonstração:
A condição é necessária: como Ker2 é subespaço de I , tem-se
9tI § Ker2
De facto,
Bt − Bt! Ker2 Ê Bt œ Bt! Bt" • Bt" − Ker2 Ê
Ê 2Bt œ 2Bt! 2Bt" œ Ct ! 9tI œ Ct ! Ê Bt − 2" Ct !
as implicações anteriores mostram que também 2" Ct ! § Bt! Ker2 e, portanto,
2" Ct ! œ Bt! Ker2
Se a lista / œ /t" ß /t# ß á ß /t7 for linearmente dependente, o mesmo sucede com a lista
2/ œ 2/t" ß 2/t# ß á ß 2/t7 .
i)
iii) Se 2 for injectiva e a lista / œ /t" ß /t# ß á ß /t7 for linearmente independente, o mesmo
sucede com a lista 2/ œ 2/t" ß 2/t# ß á ß 2/t7 de vectores de Img2.
iv) Se 2 não é injectiva, existe uma sequência e œ /t" ß /t# ß á ß /t7 linearmente
independente de vectores de I , tal que a sequência 2/ œ 2/t" ß 2/t# ß á ß 2/t7
das imagens é linearmente dependente.
Demonstração:
Suponhamos que / é linearmente dependente. Então, existe α5 Á ! tal que α4 /t4 œ 9tI
7
i)
4œ"
e, aplicando 2 a ambos os membros, obtém-se:
4œ" 4œ"
Ora, a expressão obtida é uma combinação linear dos vectores 2/t4 na qual existe
" Ÿ 5 Ÿ 7 tal que α5 Á !, o que mostra que 2/ é linearmente dependente.
ii) É a contra-recíproca da implicação anterior e, portanto, equivalente a esta.
iii) Mostremos que 2/ é linearmente independente, se 2 for injectiva (o que, pela
proposição 3.2, equivale a Ker2 œ 9tI ) e / for também linearmente independente
4œ"
iv) Se 2 não é injectiva a proposição 3.2 garante que Ker2 Á 9tI . Basta agora
considerar uma base / œ /t" ß /t# ß á ß /t7 do núcleo, que será linearmente independente, e para a
qual a sequência das imagens 2/ œ 2/t" ß 2/t# ß á ß 2/t7 œ 9tJ ß 9tJ ß á ß 9tJ será, claro
está, linearmente dependente.
KerOJ I œ I
ImgO œ 9t
JI J
tem-se:
Ker25 œ 9t
Img2 œ I
5
Se 5 œ !, então,
Ker25 œ I
Img2 œ 9t
5
da análise, para quaisquer sucessões reais convergentes ?8 ß @8 e quaisquer escalares
que, a cada sucessão convergente, associa o seu limite. Esta função é linear, pois, como se sabe
αß " − ‘,
limα?8 " @8 œ αlim?8 " lim@8
Exemplo 3.9 Considere o espaço ¶ ß ‚ das sucessões complexas convergentes e a função
limÀ ¶ ß ‚ Ä ‚à ?8 È lim?8
da análise, para quaisquer sucessões complexas convergentes ?8 ß @8 e quaisquer escalares
que, a cada sucessão convergente, associa o seu limite. Esta função é linear, pois, como se sabe
Sec. 3.2] Funções lineares. Núcleo e imagem 209
αß " − ‚
limα?8 " @8 œ αlim?8 " lim@8
4œ"
3œ"
Img2 § Img23
3œ"
7
3œ"
Como exercício, justifique o facto de a última relação não ser uma igualdade.
Exemplo 3.12 Dos dois exemplos anteriores, resulta que as funções lineares 2À Š8 Ä Š7
são da forma
Ct œ 2Bt œ 2B" ß B# ß á ß B8 œ C" ß C# ß á ß C7
em que
C3 œ +34 B4 à 3 œ "ß #ß á ß 7
8
4œ"
onde os +34 são escalares. As 7 igualdades escalares anteriores equivalem a uma igualdade
matricial única:
] œ E\
onde \ œ B" B# â B8 T ß ] œ C" C# â C7 T e E œ +34 − Š7ß8 .
Exemplo 3.13 Seja J3 "Ÿ3Ÿ7 uma lista de 7 espaços vectoriais sobre um corpo Š e
J œ J3 o espaço vectorial produto. Considere as projecções pr3 À J Ä J3 definidas por:
7
3œ"
pr3 αBt " Ct œ pr3 αBt" ß Bt# ß á ß Bt7 " Ct " ß Ct # ß á ß Ct 7 œ
œ pr3 αBt" " Ct " ß αBt# " Ct # ß á ß αBt7 " Ct 7
3œ"
3œ" 3œ"
Img2 œ Img23
3œ"
7
3œ"
Exemplo 3.15 Seja 8 ! um inteiro. A função HÀ P8 ‘ Ä P8 ‘ que transforma cada
polinómio de grau inferior ou igual a 8 na sua derivada é um endomorfismo de P8 ‘, cujo
núcleo é P! ‘ e cuja imagem é P8" ‘:
5œ! 5œ!
KerH œ P! ‘
ImgH œ P ‘
8"
J+ B œ 0 >d>à B − M
B
é linear, visto que, como se sabe do cálculo integral, para quaisquer funções 0 e 1 contínuas em
M e quaisquer reais α e " , tem-se
+ + +
apenas pela função nula e a imagem de Int + é formada pelas funções de C" Mß ‘ que se anulam
Observe-se que a função J+ se anula, necessariamente, em +. O núcleo de Int + é formado
em +:
ImgInt + œ C" Mß ‘ ∩ J À J + œ !
2B 5" ß 5# ß á ß 57 œ 53 Bt3
7
3œ"
2B α?t " @t œ 2B α?" " @" ß α?# " @# ß á ß α?7 " @7 œ α?3 " @3 Bt3
7
3œ"
Daqui se pode, de novo, obter o resultado (já referido no capítulo 1 – proposição 1.15) de
que todo o espaço vectorial I de dimensão 8 sobre um corpo Š é isomorfo do espaço
cartesiano Š8 .
Nesta secção, vamos introduzir em LIß J uma estrutura de espaço vectorial sobre o corpo
Š em relação ao qual estão definidos os espaços vectoriais I e J . Para tal, considerem-se duas
funções lineares 2ß 5À I Ä J e defina-se 2 5À I Ä J como a função dada por:
2 5Bt œ 2Bt 5 Bt; Bt − I 3.8
A1-A4 dos espaços vectoriais – capítulo 1), cujo zero é a função OJ I À I Ä J identicamente
nula em I , tal que, para todo o vector Bt − I ,
OJ I Bt œ 9tJ ; Bt − I 3.9
Por outro lado, a função simétrica de uma função 2À I Ä J é a função 2 tal que, para todo
o vector Bt − I :
2Bt œ 2Bt; Bt − I 3.10
vectoriais (capítulo 1). Em resultado disto, LIß J constitui um espaço vectorial sobre o corpo
A função α2 é linear (Mostre!) e a operação anterior satisfaz os axiomas P1-P4 dos espaços
Š.
Vamos, agora, definir uma terceira operação binária entre funções lineares: o produto ou
composição de funções lineares.
Demonstração:
Para provar que 2 ‰ 5 é linear, mostremos que L1 e L2 se verificam. Quanto a L1:
2 ‰ 5Bt Bt w œ 25Bt Bt w œ 25Bt 5Bt w
œ 25Bt 25Bt w œ 2 ‰ 5Bt 2 ‰ 5Bt w
G E
F
Fig. 3.2 – Composição de funções lineares.
i) Associatividade:
? ‰ 2 ‰ 5 œ ? ‰ 2 ‰ 5
Demonstração:
i) Atente-se no esquema de composição seguinte
G E
u
u
H
Fig. 3.3 – A associatividade da Composição de funções lineares.
G E
F
Fig. 3.4 – Composição de funções lineares e o
iii) De acordo com os esquemas de composição que se seguem, poderemos escrever, para
qualquer Bt − K,
2 2w ‰ 5Bt œ 2 2w 5Bt œ 25Bt 2w 5Bt
œ 2 ‰ 5Bt 2w ‰ 5 Bt œ 2 ‰ 5 2w ‰ 5 Bt
G E G E
F F
Fig. 3.5 – Distributividades à esquerda e à direita em relação à adição.
F E
F F
Fig. 3.6 – Funções identidade IJ e II : elementos neutros à esquerda e à direita.
v)
EG
G E G E
FE
FG FG
FE EG
F F
Fig. 3.7 – As funções nulas OJ I , OIK e OJ K e a Composição de funções lineares.
Observações:
ç Observemos que a operação ‰ de composição é, em geral, uma lei de composição
externa
‰ À LIß J ‚ LKß I Ä LKß J à 2ß 5 È 2 ‰ 5
ç As alíneas i), iii) e iv) da proposição anterior significam que EndI ß ß ‰ constitui um
anel não comutativo com unidade, que é a função identidade em I , II .
ç Se atendermos também a ii), conclui-se ser EndI uma álgebra linear sobre o corpo Š
(segundo os axiomas M1-M4 do capítulo 1).
Vamos ver, de seguida, que é possível definir a potenciação (com expoente inteiro positivo)
para qualquer endomorfismo de um espaço vectorial, pondo
27 œ 2 ‰ 27" , se 7 !
2 ! œ II
α 5 2 5 œ α ! I I α " 2 α # 2 # â α7 2 7
7
5œ!
Proposição 3.6 Seja I um espaço vectorial sobre um corpo Š com dimensão finita 8 e J
um outro espaço vectorial sobre o mesmo corpo. Seja ainda 2À I Ä J uma função linear.
Então:
i) Se / œ /t" ß /t# ß á ß /t7 for uma sequência geradora de I , então
2/ œ 2/t" ß 2/t# ß á ß 2/t7
será uma sequência geradora de Img2.
iv) Se 2 é nula em cada um dos vectores de uma base / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 de I , então 2 é
identicamente nula (2 œ OJ I ), isto é, para todo o Bt − I ,
2Bt œ 9tJ à Bt − I
Sendo / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 uma base de I e Ct " ß Ct # ß á ß Ct 8 uma lista de 8 vectores de
J , existe uma e uma só função linear :À I Ä J tal que :/t4 œ Ct 4 ß para
v)
4 œ "ß #ß á ß 8.
Demonstração:
i) Resulta imediatamente da proposição [Link], fazendo aí E œ I e notando que
2I œ Img2
2/t" ß 2/t# ß á ß 2/t8 gera Img2; atendendo, por outro lado, à proposição [Link],
ii) Como / é uma base de I , / é geradora de I . Pela alínea anterior, a sequência
Como / Ker2 é linearmente independente, podemos prolongar esta lista a uma base /I de I
(ver proposição 1.16.v), mediante a inserção de 8 = vectores /t=" ß /t=# ß á ß /t8 de
I Ï Ker2:
/I œ /t" ß /t# ß á ß /t= ß /t=" ß /t=# ß á ß /t8
Ê Ct œ 2 B4 /t4 œ B4 2/t4 œ B4 2/t4 B4 2/t4 Ê
9tJ
8 8 8=
9tJ
Ê Ct œ B4 2/t4 Ê Ct − P? Ê
8
:Bt œ B4 Ct 4
8
4œ"
onde os escalares B4 são as coordenadas (únicas) de Bt em relação à base /. É óbvio que a função
: (mostre que : é linear!) satisfaz as condições do enunciado, visto que, para qualquer
3 œ "ß #ß á ß 8, se tem:
:/t3 œ $34 Ct 4 œ Ct 3
8
4œ"
Fica, pois, demonstrada a existência de uma função linear : nas condições do enunciado.
Vejamos, agora, que : é única: para isso, consideremos uma segunda função linear :w À I Ä J
tal que
:/t3 œ :w /t3 œ Ct 3 à 3 œ "ß #ß á ß 8
As igualdades anteriores equivalem a
:/t3 :w /t3 œ : :w /t3 œ 9tJ à 3 œ "ß #ß á ß 8
Portanto, : :w anula-se em todos os vectores da base / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 ; pela alínea
anterior, será : :w œ OJ I e, portanto, : œ :w .
Corolário 3.6.1 Sejam I e J espaços vectoriais sobre um corpo Š com dimensões finitas 8
e 7, respectivamente e 2 À I Ä J uma função linear com característica < e nulidade =. Então:
i) 2 é injectiva sse < œ 8.
v) max!ß 8 7 Ÿ = Ÿ 8.
vi) 2 é sobrejectiva Ê 7 Ÿ 8.
vii) 2 é injectiva Ê 8 Ÿ 7.
ix) Um endomorfismo de um espaço com dimensão finita é injectivo sse for sobrejectivo.
Demonstração:
Sejam = œ dimKer2 ! e < œ dimImg2 !, respectivamente, a nulidade e a
característica de 2 e mostremos as relações anteriores:
i) 2 é injectiva Í Ker2 œ 9tI Í = œ ! œ 8 < Í < œ 8.
ii) 2 é sobrejectiva Í Img2 œ J Í < œ 7.
iii) 2 é um isomorfismo de I sobre J Ê 2 é bijectiva Ê < œ 8 • < œ 7 Ê 7 œ 8.
iv) Como Img2 § J , será < Ÿ 7; por outro lado, = < œ 8 implica < Ÿ 8 e, portanto,
< Ÿ min7ß 8
vi) Se 2 é sobrejectiva, então < œ 7. Porém, vimos em iv) que < Ÿ 8, ou seja, 7 Ÿ 8.
vii) Se 2 é injectiva, será < œ 8 e, como é sempre < Ÿ 7, resulta 8 Ÿ 7.
viii) Suponha-se que 7 œ 8: então, temos
2 é injectiva Í < œ 8 Í < œ 7 Í 2 é sobrejectiva
Portanto, as condições anteriores significam que quando 7 œ 8, 2 é bijectiva: logo, 2 será um
isomorfismo de I sobre J .
ix) É consequência da alínea anterior, visto que a condição 7 œ 8 se dá necessariamente.
x) Como 2 é um endomorfismo de I , a condição 7 œ 8 é automaticamente satisfeita e,
portanto, o resultado é consequência imediata da alínea ix).
Observação:
ç O exemplo 3.17 mostra que a conclusão do corolário [Link] não tem lugar para um
endomorfismo de um espaço I com dimensão infinita: o operador
Int + À CMß ‘ Ä CMß ‘à 0 È J+
é, como se viu então, injectivo mas a sua imagem é
ImgInt + œ C" Mß ‘ ∩ J À J + œ ! Á CMß ‘
o que mostra que Int + não é sobrejectivo!
A proposição seguinte, mostra que, quando o domínio de uma função linear tem dimensão
infinita, o núcleo ou a imagem terão também, necessariamente, dimensão infinita.
Sec. 3.4] Funções lineares em espaços de dimensão finita 223
linear. Se I tem dimensão infinita, então pelo menos um dos espaços Ker2 ou Img2 tem
Proposição 3.7 Sejam I e J espaços vectoriais sobre um corpo Š e 2 À I Ä J uma função
dimensão infinita.
Demonstração:
Suponha-se, por absurdo, que I tem dimensão infinita e que Ker2 e Img2 têm
dimensões finitas = œ dimKer2 e < œ dimImg2. Considere-se, então, uma base de
Ker2
/ Ker2 œ /t" ß /t# ß á ß /t=
(claro que 2/t4 œ 9tJ , para 4 œ "ß #ß á ß = e 2/t4 Á 9tJ , para 4 œ = "ß = #ß á ß = :).
Consideremos, agora, a sequência ? de : vectores de Img2, formada pelas imagens dos
/t=4 "Ÿ4Ÿ: :
4œ"
4œ" 4œ"
Ê α4 /t=4 − Ker2
:
4œ"
4œ" 4œ"
4œ" 4œ"
Ê A lista / será linearmente dependente, o que é absurdo.
A proposição 3.2 permite interpretar o problema dos sistemas de equações lineares à luz da
4œ"
3 2
1
0
o
2
-1
h -2
1 -3
-4
-5
0
o -6
-7
-1 -8
-2 -1 0 1 2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
Determinemos 2Bß C , para todo o vector Bß C − ‘# . A imagem anterior mostra-nos que2
2"ß " œ (ß "
2"ß " œ "ß (
Basta agora exprimir Bß C na base "ß "ß "ß ", através das suas coordenadas +ß ,
nesta base:
Bß C œ +"ß " ,"ß " œ + ,ß + ,
+ , œ C
+, œB
œ $B %Cß %B $C
# #
2 É claro que poderíamos substituir qualquer destas igualdades por 2!ß # œ )ß '.
226 Funções lineares [Cap. 3
dimensão 8 sobre um corpo Š, e / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 uma sua base. Seja, por outro lado, J um
Proposição 3.8 – Matriz de um operador linear – Seja I um espaço vectorial, com
3œ"
ou seja, matricialmente,
2/t" 2/t# â 2/t8 œ 0t " 0t # â 0t 7 Q0/ 2 3.18
E n F m
e1 ( e1 )
e2 ( e 2 ) Img (h)
... ...
en ( e n)
f=( 1
, 2
,..., m )
4œ"
matricialmente, fica
]0 œ Q0/ 2\/ 3.20
onde
\/ œ B" B# â B8 T
3.21
]0 œ C" C# â C7 T
Demonstração:
i) Os vectores 2/t4 pertencem a J e, como 0 é uma base de J , cada um deles exprime-se
de uma e uma só forma como combinação linear dos 0t 3 através das suas 7 coordenadas
234 "Ÿ3Ÿ7 em relação à base 0 : portanto, a matriz Q0/ 2 œ 234 , do tipo 7 ‚ 8 tal que as
relações 3.17 ou 3.18 se verificam é única e determinada exclusivamente por 2 e pelo par
de bases /ß 0 .
ii) Por outro lado, tem-se, para qualquer vector Bt − I :
Ct œ 2Bt œ 2 B4 /t4
8
4œ"
œ B4 2/t4 œ B4 234 0t 3
8 8 7
œ 234 B4 0t 3 œ C3 0t 3
7 8 7
C3 œ 234 B4 à 3 œ "ß #ß á ß 7
8
4œ"
Observações:
ç A matriz Q0/ 2 tem um número de linhas 7 igual à dimensão do espaço J de chegada e
um número de colunas 8 igual à dimensão do espaço I domínio de 2.
ç A coluna 4 da matriz Q0/ 2 contém as coordenadas do vector 2/t4 , relativamente à
base 0 .
ç No caso de 2 ser um endomorfismo de I , a mesma base / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 serve para o
Q/ 2 (em vez de Q// 2) para a representação matricial (quadrada de ordem 8) de 2 em
domínio I e para o codomínio (embora não seja obrigatoriamente assim) e usaremos a notação
Vemos assim que a matriz que representa II nas bases / e /w é a matriz de mudança da base
/ para a base /w (ver secção 2.15). Em particular, quando /w œ /, 2.79 mostra-nos que
Q// II œ X// Ê Q/ II œ M8 3.24
o que mostra que a representação matricial da função identidade não depende da base /
(adoptada para o domínio e para o codomínio).
Seja, agora, / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 uma base de I e 0 œ /t" ß /t# ß á ß /t8 ß /t8" ß /t8# ß á ß /t7 um
dimensão 7 8 sobre um corpo Š e considere-se a injecção canónica 4À I Ä J à Bt È Bt.
" !
! !
! â
ã ã
" â
Q0/ 2 œ ! " œ
ã ä
S78ß8
M8
! !
! â
! â
! !
ã ã ä ã
! â
OJ I À I Ä J à Bt È 9tJ a função nula. Para qualquer par de bases / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 e
Exemplo 3.22 Sejam I e J espaços vectoriais de dimensões 8 e 7 respectivamente e
3œ"
Observe-se que, também aqui, a matriz não depende da escolha das bases.
Sec. 3.5] Representação matricial de uma função linear 229
Para qualquer base / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 , tem-se 25 /t3 œ 5/t3 ; logo, a matriz de 25 nessa base
/ será:
5 â !
! â !
!
Q/ 25 œ œ diag5ß 5ß á ß 5 œ 5M8 œ 5Q/ II
5
! â 5
ã ã ä ã
!
-" â !
! â !
!
Q/ 2 œ œ diag-" ß -# ß á ß -8
-#
! â -8
ã ã ä ã
!
2+t B" ß B# ß á ß B8 œ +4 B4
8
4œ"
4œ"
onde / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 é a base canónica de Š8 . Portanto, sendo 0 œ " a base canónica de
Š, tem-se:
Q0/ 2+t œ +" +# â +8
Exemplo 3.27 A função HÀ P8 ‘ Ä P8 ‘ que transforma cada polinómio de grau
inferior ou igual a 8 na sua derivada é, como se viu no exemplo 3.15, um endomorfismo de
230 Funções lineares [Cap. 3
P8 ‘:
5œ! 5œ!
! " ! â !
! ! # â !
Q- H œ ã ã ã ä ã
! ! ! â !
! ! ! â 8
Exemplo 3.28 Considere-se a função linear (ver exemplo 3.17) IntÀ P8" ‘ Ä P8 ‘, que
transforma cada polinómio : − P8" ‘ de coeficientes reais e de grau menor ou igual a 8 "
no seu integral indefinido T − P8 ‘ com origem !:
Int: œ T ß onde T B œ :>d>
B
Int +5 B5 œ +5 B5"
!
8" 8"
5"
5œ! 5œ!
Daqui resulta:
Int"
IntB
œB
œ B# Î#
IntB# œ B$ Î$
â 8" â 8
IntB œ B Î8
! !
" !
! ! â
! !
! ! â
Q-w - Int œ
!
!
"
! â
#
ã ã
"
! $ â
! "
ã ã ä
! ! ! 8
Exemplo 3.29 Considere, em ‘# , a base / œ "ß "ß "ß " e a função linear 2À ‘# Ä ‘#
definida por:
2Bß C œ #B Cß B C
coordenadas de 2"ß " œ "ß # e de 2"ß " œ $ß ! em relação àquela base, para o que
Para calcular a representação matricial de 2, em relação à base /, temos de calcular as
basta resolver os dois sistemas de equações lineares seguintes (que sabemos, de antemão, serem
determinados – porquê?)
α " œ # α " œ !
α" œ" α" œ$
Como a matriz dos coeficientes dos dois sistemas é a mesma, podemos resolvê-los em
simultâneo, condensando a matriz seguinte
" Ä Ä Ä
"Î# $Î#
" " " $ " " " $ # ! $ $ " ! $Î# $Î#
" # ! ! # " $ ! # " $ ! 1
A matriz de 2 é, pois:
Q/ 2 œ
" $ $
# " $
A matriz de 2 em relação à base canónica de ‘# , - œ "ß !ß !ß ", seria, como facilmente
se conclui:
Q- 2 œ
"
# "
"
Exemplo 3.30 Consideremos, em W # , uma base / œ /t" ß /t# formada por dois segmentos
unitários e ortogonais (ver figura 3.10) aplicados num ponto S e a aplicação 3) À W # Ä W # que
roda cada segmento aplicado em S de um certo ângulo ) em torno de S.
232 Funções lineares [Cap. 3
2
( 2) cos( )
( 1)
sin ( )
1
-sin ( ) O cos( )
#
Fig. 3.10 – Rotação em W .
Matricialmente, fica
cos) sin)
3) /t" 3) /t# œ /t" /t#
sin) cos)
Exemplo 3.31 Seja / œ /t" ß /t# ß /t$ a base canónica de ‘$ e considere uma função linear
-1
-2
-3
$
Fig. 3.11 – Imagem do cubo
determinada, se soubermos que $ß #ß % é um vector do núcleo de 0 . A figura mostra que as
A matriz que representa 0 em relação às bases canónicas de ‘$ e de ‘# pode ser
imagens dos vectores da base canónica / œ /t" ß /t# ß /t$ de ‘$ são os vectores #ß #ß $ß " e
!ß #. O que a imagem não nos mostra é qual destes vectores é 0 /t" , 0 /t# e 0 /t$
respectivamente. Existem $x œ ' formas diferentes de ordenar os vectores #ß #ß $ß " e
!ß #. Mas o facto de sabermos que $ß #ß % é um vector do núcleo de 0 e que 0 é linear
Sec. 3.6] Isomorfismo entre funções lineares e matrizes 233
$0 /t" #0 /t# %0 /t$ , pelo que se conclui que as imagens dos vectores da base canónica
Dos casos possíveis, apenas um (o terceiro caso, a sombreado) torna nulo o vector
Como as coordenadas dos vectores 0 /t3 em relação à base canónica - de ‘# coincidem com
as suas próprias componentes, a matriz de 0 em relação às duas bases canónicas será, de
imediato,
Q-/ 0 œ
# " #
# $ !
respectivamente) e 2ß 5À I Ä J duas funções lineares. Sejam ainda / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 uma
Proposição 3.9 Sejam I e J espaços vectoriais sobre um corpo Š (com dimensões 8 e 7,
Demonstração:
i) Seja ? œ 2 5. Devido a 3.17, tem-se:
7
234 0t 3
2 t
/ 4 œ
5 /t4 œ 534 0t 3
3œ"
7
onde 4 œ "ß #ß á ß 8
?/t4 œ ?34 0t 3
3œ"
7
3œ"
e onde
Q0/ 2 œ 234 − Š7ß8
Q0/ 5 œ 534 − Š7ß8
Q0/ ? œ ?34 − Š7ß8
œ 234 0t 3 534 0t 3
3œ" 3œ"
7
onde 4 œ "ß #ß á ß 8
œ 234 534 0t 3
3œ"
7
3œ"
Porém, as coordenadas dos vectores ?/t4 na base 0 são únicas, pelo que terá de ser:
?/t4 œ ?34 0t 3
3œ"
em que 4 œ "ß #ß á ß 8
7
3œ"
e
Q0/ 2 œ 234 − Š7ß8
Q ? œ ? − Š7ß8
0/ 34
Sec. 3.6] Isomorfismo entre funções lineares e matrizes 235
onde 4 œ "ß #ß á ß 8
œ α234 0t 3
3œ"
7
3œ"
Porém, as coordenadas dos vectores ?/t4 na base 0 são únicas, pelo que terá de ser
A proposição anterior mostra que a função Q0/ À LIß J Ä Š7ß8 à 2 È Q0/ 2 que
/ß 0 satifaz as condições L1 e L2 e é, portanto, linear; além disso, a equação 3.20 mostra
transforma cada função linear na respectiva matriz (do tipo 7 ‚ 8) em relação ao par de bases
que, se Q0/ 2 œ S7ß8 , então 2 œ OJ I o que significa que KerQ0/ œ OJ I e que, em
virtude da proposição 3.2, Q0/ é injectiva e, obviamente, também sobrejectiva (porquê?), ou
seja, um isomorfismo de LIß J sobre Š7ß8 : podemos então escrever
LIß J z Š7ß8
3.27
EndI z Š8ß8
De tudo o que acima se disse resulta que a escolha de um par de bases /ß 0 em I e J
determina um isomorfismo Q0/ de LIß J sobre Š7ß8 e que existem tantos isomorfismos
quantos os pares /ß 0 de bases de I e J .
De seguida, veremos que também o produto de matrizes corresponde à composição de
funções lineares:
g=( 1
, 2
,..., p ) e=( 1
, 2
,..., n )
G E
eg
( )
fe
( )
fg
( )
F
f=( 1
, 2
,..., m )
Fig. 3.12 – Matriz da aplicação composta.
Demonstração:
Seja ? œ 2 ‰ 5. Devido a 3.17, tem-se:
7
234 0t 3 onde 4 œ "ß #ß á ß 8
2 t
/ 4 œ
4œ"
3œ"
e onde
Q0/ 2 œ 234 − Š7ß8
Q/1 5 œ 54< − Š8ß:
Q01 ? œ ?3< − Š7ß:
vectores da base 1 por meio de 2 ‰ 5, de acordo com a expressão 3.17 e com a definição de
Para calcularmos a representação matricial de ? œ 2 ‰ 5 , calculemos as imagens dos
composição:
?1t< œ 2 ‰ 5 1t< œ 251t<
Porém, as coordenadas dos vectores ?1t< na base 0 são únicas, pelo que terá de ser:
c2 œ 8) e 2" o automorfismo inverso, então 3.29 dá-nos, para qualquer base de I ,
Se I œ J œ K e 2 for um automorfismo do espaço 8-dimensional I (o que equivale a ser
ainda, duas bases /ß /w de I e duas bases 0 ß 0 w de J . Se as bases se relacionam entre si por
com dimensões finitas 8 e 7 respectivamente, e 2À I Ä J uma função linear. Considerem-se,
então, as representações matriciais de 2 nos pares de bases /ß 0 e /w ß 0 w relacionam-se por
Q0 w /w 2 œ X0 w 0 Q0/ 2 X//w œ X00
"
w Q0/ 2 X//w 3.32
Demonstração:
Atentemos no seguinte esquema de composição de funções
238 Funções lineares [Cap. 3
( )
fe
E F
ee
( E ) E F f f ( F
)
E F
fe
( )
Fig. 3.13 – Matrizes da mesma função linear em diferentes pares de bases.
Atendendo a 3.23 tem-se Q//w II œ X//w e Q0 w 0 IJ œ X0 w 0 , pelo que a relação entre as
representações de 2 nos dois pares bases é
Q0 w /w 2 œ X0 w 0 Q0/ 2 X//w
A relação 3.32 mostra-nos que as representações matriciais da mesma função linear 2 são
matrizes equivalentes (ver definição 2.18). Reciprocamente, se Eß F − Š7ß8 são matrizes
Corolário 3.11.1 Duas matrizes Eß F − Š7ß8 são equivalentes sse elas representam a
mesma função linear de um espaço I de dimensão 8 para um espaço J de dimensão 7 (sobre
Š).
Como se viu no capítulo 2, a relação anterior é uma relação de equivalência que divide Š7ß8
em classes de equivalência de matrizes equivalentes; cada função linear 2À I Ä J corresponde
a uma destas classes e qualquer propriedade matricial : comum a todas as matrizes equivalentes
(por exemplo, a sua característica) pode ser considerada uma propriedade da própria função
linear 2, pondo, por definição
Sec. 3.7] Alteração da representação matricial nas mudanças de base 239
onde :Q0/ 2 não depende da escolha das bases /ß 0 . A este propósito, recorde-se a
proposição [Link] respeitante à característica de 2.
bases / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 e /w œ /tw" ß /t#w ß á ß /t8w no domínio e no codomínio, as igualdades
Consideremos, agora, o caso especial dos endomorfismos de I em que, tomando as mesmas
3.32 se transformam em
Q/w 2 œ X/w / Q/ 2 X//w œ X//
"
w Q/ 2 X//w 3.33
A igualdade 3.33 sugere a definição de uma nova relação (apenas entre matrizes
quadradas) do seguinte modo:
Definição 3.4 – Matrizes semelhantes – Dizemos que duas matrizes Eß F − Š8ß8 são
semelhantes e escrevemos E ¸ F sse existe uma matriz invertível X − Š8ß8 tal que
F œ X " EX :
E ¸ F Í b X é invertível • F œ X " EX 3.34
X
Observações:
ç A relação de semelhança definida em Š8ß8 é uma relação de equivalência (tal como a
equivalência de matrizes): a reflexividade resulta de ser F œ M8" EM8 ; a simetria é consequência
da implicação
F œ X " EX Ê E œ X FX "
e a transitividade resulta da implicação
F œ X " EX • G œ T " FT Ê G œ T " X " EX T œ T " X " EX T œ X T " EX T
ç Pela definição anterior, poderemos dizer que as representações matriciais Q/w 2 e Q/ 2
do mesmo endomorfismo de um espaço de dimensão finita são matrizes semelhantes.
ç Mas a recíproca também é verdadeira: se Eß F − Š8ß8 são semelhantes, existe uma matriz
por E numa certa base / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 de I , esse mesmo endomorfismo será, como vimos,
regular X − Š8ß8 tal que F œ X " EX . Se for 2À I Ä I o endomorfismo de I representado
Corolário 3.11.2 Duas matrizes Eß F − Š8ß8 são semelhantes sse elas representam o
mesmo endomorfismo de um espaço I de dimensão 8 sobre Š.
Observações:
ç Como acabámos de ver, a relação de semelhança definida em Š8ß8 é uma relação de
equivalência, ficando, pois, Š8ß8 dividido em classes de equivalência de matrizes semelhantes.
A cada endomorfismo 2 de um espaço I de dimensão 8 sobre Š corresponde uma destas
é, invariante por uma transformação 3.33) poderá ser atribuída à própria função 2, pondo
classes e qualquer propriedade matricial : que seja comum a todas as matrizes semelhantes (isto
menores principais de uma dada ordem de E; todos estes invariantes podem, segundo 3.35,
determinante de E, o traço de E, o traço da adjunta de E e, mais geralmente, a soma dos
Exemplo 3.32 Para ilustrar o uso das expressões 3.33, podemos considerar a função
2À ‘# Ä ‘# do exemplo 3.29 e calcular a matriz Q/w 2 de 2 na base /w œ #ß "ß "ß # a
partir da matriz Q/ 2 de 2 na base / œ "ß "ß "ß " aí considerada. Comecemos por
calcular X//w , para o que deveremos exprimir os vectores #ß " e "ß # como combinação
linear dos vectores "ß " e "ß ". Para resolver os dois sistemas de equações obtidos, bastará
condensar a matriz
" Ä Ä Ä
"Î#
" " # " " " # " # ! " $ " ! "Î# $Î#
" " # ! # $ " ! # $ " ! " $Î#
"
" " $
X//w œ
# $
eß invertendo a matriz anteriorß tem-se
"
" " " $
X/w / œ X// w œ
& $
Sec. 3.7] Alteração da representação matricial nas mudanças de base 241
Q/w 2 œ X/w / Q/ 2 X//w œ " # " $ # $ " & ( '
" " $ " $ $ " " $ " * $
œ
& $
X-/w œ
" #
# "
#
" " # "
X/w - œ X-/ w œ
& "
entre espaços de dimensão finita, existe um par de bases em relação às quais a matriz 234 da
simples possível: a este respeito, a proposição seguinte mostra que, para toda a função linear 2
função é toda constituída por zeros, excepto os < elementos 233 "Ÿ3Ÿ< que valem " e onde < é a
característica de 2.
Proposição 3.12 Sejam I e J espaços vectoriais sobre um corpo Š, com dimensões 8 e 7
Demonstração:
Sejam = e <, respectivamente, a nulidade a característica <. Pelo teorema fundamental
(proposição [Link]), temos < œ 8 =.
Tomemos agora uma base /w œ /t<" ß /t<# ß á ß /t<= œ /t8 de Ker2 e prologuemo-la a
uma base / de I mediante a junção de < œ 8 = vectores /t" ß /t# ß á ß /t< de I
/ œ /t" ß /t# ß á ß /t< ß /t<" ß /t<# ß á ß /t8
Por construção, temos 2/t4 œ 9t, para < 4 Ÿ 8. Quaisquer que sejam os vectores
/t" ß /t# ß á ß /t< que usámos para estender a base /w do núcleo, as suas imagens
242 Funções lineares [Cap. 3
Obtivemos, assim, uma combinação linear nula dos vectores da base / de I , pelo que os 53
2/t4 œ 0t 4
2/t œ 9t
;"Ÿ4Ÿ<
4 ;<4Ÿ8
o que termina a demonstração. De passagem, observe que cQ0/ 2 œ < e que este resultado
está de acordo com a proposição [Link].
Observações:
ç A representação matricial N< anterior é chamada forma normal ou canónica de 2 (ou de
qualquer matriz E que represente 2).
ç Se uma matriz E tem característica <, ela é equivalente a uma matriz da forma 3.36;
quer isto dizer que será possível levá-la à referida forma por operações elementares sobre linhas
e colunas.
Sec. 3.8] Anexos: funções lineares e o MATHEMATICA 243
Podemos agora provar que se duas matrizes Eß F − Š7ß8 têm a mesma característica, elas
são necessariamente equivalentes:
Demonstração:
Como se viu na secção 2.13 sobre matrizes elementares, se E e F são equivalentes, as suas
características são iguais.
Reciprocamente, seja < œ cE œ cF e 2E ß 2F À Š8 Ä Š7 funções lineares representadas
em certo par de bases /ß 0 por E e por F , respectivamente. As características de 2E e de 2F
são iguais a < e, consequentemente, as formas canónicas de 2E e 2F são ambas iguais a 3.36;
daqui conclui-se que E e F são ambas equivalentes a N< e a transitividade da relação de
equivalência mostra que E e F serão equivalentes entre si.
MATHEMATICA©
O MATHEMATICA© pode também ser um bom auxiliar no que respeita às funções lineares.
Dispõe de funções capazes de resolver boa parte dos problemas por nós analisados neste
capítulo; de entre as referidas funções salientamos:
ç NullSpace[A]
Devolve uma base do núcleo do operador representado por A.
A expressão Length[NullSpace[A]] devolve a nulidade do operador representado por A.
ç MatrixRank[A]
Caracteristica[A][[1]] (do package ALGA`Matrizes` )
ç Imagem[A]
Devolve uma base da imagem do operador linear representado por A.
A expressão Length[Imagem[A]] devolve também a característica do operador
representado por A.
ç InjectivaQ[A]
Devolve True se e só se a função representada por A é injectiva.
ç SobrejectivaQ[A]
Devolve True se e só se a função representada por A é sobrejectiva.
Apresentamos a seguir a implementação do package ALGA`FuncoesLineares`:
BeginPackage["ALGA`FuncoesLineares`", {"ALGA`Matrizes`"}]
Begin["`Private`"]
End[]
EndPackage[]
Funções lineares
ALGA`FuncoesLineares`
2 2 1
3 2 1
1 4 0
1 6 1
ker NullSpacea
4, 1, 10
E a nulidade é
s Lengthker
? Imagem
img Imagema
A característica é
r Lengthimg
Ou ainda
r MatrixRanka
r s Dimensionsa2
True
A função é injectiva?
? InjectivaQ
248 Funções lineares [Cap. 3
InjectivaQa devolve True se o operador representado por a é injectivo; False, no caso contrário.
InjectivaQa
False
E sobrejectiva?
? SobrejectivaQ
SobrejectivaQa devolve True se o operador representado por a é Sobrejectivo; False, no caso contrário.
SobrejectivaQa
False
? MatrizRep
? MatrizRepNova
Sec. 3.8] Anexos: funções lineares e o MATHEMATICA 249
2 3 1 2
1 2 4 1
1 5 5 3
7
2
1 15 2
3
2
2 2 4
0 0 0 0
250 Funções lineares [Cap. 3
22 6 6 4
35 29 15 4
23 16 9 1
Ou ainda por
a3 MatrizRepNovaIdentityMatrixLengthf3,
IdentityMatrixLengthe3, f3, e3, a1 MatrixForm
22 6 6 4
35 29 15 4
23 16 9 1
ker NullSpacea1
E a nulidade de f é
s Lengthker
img Imagema1
Sec. 3.8] Anexos: funções lineares e o MATHEMATICA 251
A característica de f é
r Lengthimg
Ou ainda
r MatrixRanka1
r s Dimensionsa12
True
A função f é injectiva?
InjectivaQa1
False
E sobrejectiva?
SobrejectivaQa1
252 Funções lineares [Cap. 3
False
ü Exemplo 2.2
2 3 1 2
1 2 4 1
2 3 2 0
1 1 21 5
4
2 4 4
33 5 109 7
4
2 4 4
13 39 3
2
3 2 2
36 14 3 23
77 31 6 53
51 24 3 37
Ou ainda por
Sec. 3.8] Anexos: funções lineares e o MATHEMATICA 253
a3 MatrizRepNovaIdentityMatrixLengthf3,
IdentityMatrixLengthe3, f3, e3, a1 MatrixForm
36 14 3 23
77 31 6 53
51 24 3 37
ker NullSpacea1
E a nulidade de f é
s Lengthker
img Imagema1
A característica de f é
r Lengthimg
Ou ainda
254 Funções lineares [Cap. 3
r MatrixRanka1
r s Dimensionsa12
True
A função f é injectiva?
InjectivaQa1
False
E sobrejectiva?
SobrejectivaQa1
True
ü Exemplo 2.3
2 1
2 3
2 12
1 31 27 11
4 4
2
2
223 239 123 261
20
20 10
10
19 67 49 43
20 20 10 10
107 3 19 57
34
2 17
17
2 29 2
17
2 17 17
24 42 52 41
17
17 17
17
Ou ainda por
256 Funções lineares [Cap. 3
a3 MatrizRepNovaIdentityMatrixLengthf3,
IdentityMatrixLengthe3, f3, e3, a1 MatrixForm
107 3 19 57
34
2 17
17
2 29 2
17
2 17 17
24 42 52 41
17
17 17
17
ker NullSpacea1
E a nulidade de f é
s Lengthker
img Imagema1
A característica de f é
r Lengthimg
2
Sec. 3.8] Anexos: funções lineares e o MATHEMATICA 257
Ou ainda
r MatrixRanka1
r s Dimensionsa12
True
A função f é injectiva?
InjectivaQa1
True
E sobrejectiva?
SobrejectivaQa1
False
4
Determinantes
Sec. 4.2] Permutações. O grupo simétrico 261
4.1 Introdução
Em muitas aplicações da Álgebra Linear à Geometria e à Análise, o conceito de determinante
desempenha um importante papel. Começaremos por um breve estudo do grupo simétrico, após
o que abordaremos com generalidade a teoria das funções multilineares alternadas e as suas
propriedades. Estas são, na essência, as propriedades dos determinantes. Definiremos depois as
funções determinante numa base, determinante de uma matriz e determinante de um
endomorfismo. Apresentaremos adiante três métodos gerais para o cálculo de determinantes de
ordem 8: o método de condensação, um método recursivo baseado no Teorema de Laplace
restrito e um método misto, resultante do uso alternado de condensação e do Teorema de
Laplace. Estudaremos também a relação entre a teoria dos determinantes e a característica de
uma matriz, bem como a resolução de sistemas de equações lineares à custa de determinantes
(regra de Cramer e Teorema de Rouché). O teorema de Laplace restrito conduzir-nos-á à
definição da noção de matriz adjunta e à sua utilização na inversão de matrizes quadradas
regulares. Na parte final, faremos referência à fórmula de Cauchy. No capítulo 6, aquando da
abordagem do produto misto, veremos uma “interpretação geométrica” do determinante: o
módulo do determinante de uma lista de vectores numa base ortonormada representa o volume
do paralelepípedo definido por esses vectores.
73 œ 4
74 œ 3 4.4
75 œ 5à 5 Á 3ß 4
75 œ 5à 5 Á 3ß 3 "
O número de transposições elementares é de 8 ", visto ser este o número de formas distintas
de seleccionar o inteiro " Ÿ 3 8.
Exemplo 4.1 Existe apenas uma permutação de ordem ", que é a identidade
Æ" œ "
##
Exemplo 4.2 Consideremos 8 œ #. Existem #x œ # permutações de 2ª ordem e, entre estas,
œ " transposição (elementar). Tem-se
Æ# œ "ß #ß #ß "
Neste caso, existe apenas a permutação identidade I# œ "ß # e uma transposição elementar
7 œ #ß ".
Æ$ œ "ß #ß $ß "ß $ß #ß #ß "ß $ß #ß $ß "ß $ß "ß #ß $ß #ß "
Neste caso, além da permutação identidade I$ œ "ß #ß $,existem três transposições que são
"ß $ß #ß #ß "ß $ e $ß #ß ". Destas, as duas primeiras são elementares.
Sec. 4.2] Permutações. O grupo simétrico 263
Æ% œ "ß #ß $ß %ß "ß #ß %ß $ß "ß $ß #ß %ß "ß $ß %ß #ß "ß %ß #ß $ß "ß %ß $ß # ∪
#ß "ß $ß %ß #ß "ß %ß $ß #ß $ß "ß %ß #ß $ß %ß "ß #ß %ß "ß $ß #ß %ß $ß " ∪
$ß "ß #ß %ß $ß "ß %ß #ß $ß #ß "ß %ß $ß #ß %ß "ß $ß %ß "ß #ß $ß %ß #ß " ∪
%ß "ß #ß $ß %ß "ß $ß #ß %ß #ß "ß $ß %ß #ß $ß "ß %ß $ß "ß #ß %ß $ß #ß "
2 3 4 1 3 4 1 2 4 1 2 3
1 3
3 4 2 4 2 3 3 4 1 4 1 3 2 4 1 4 1 2 2 3 1 3 1 2
2 2
3 1
4 3 4 2 3 2 4 3 4 1 3 1 4 2 4 1 2 1 3 2 3 1 2 1 =24
{1,2,..., n}
Fig. 4.2 – Composição (produto) de permutações.
ç a I8 ‰ 5 œ 5 ‰ I8 œ 5
5 − Æ8
ç a b 5 ‰ 5 " œ 5 " ‰ 5 œ I8
5−Æ8 5" −Æ8
Exemplo 4.5 Por exemplo, em Æ$ , calculemos "ß $ß # ‰ $ß #ß ": tem-se, neste caso,
"È$È#
#È#È$
$È"È"
e, portanto, "ß $ß # ‰ $ß #ß " œ #ß $ß ". Do mesmo modo, para $ß #ß " ‰ "ß $ß #, vem:
"È"È$
#È$È"
$È#È#
Portanto, será $ß #ß " ‰ "ß $ß # œ $ß "ß # Á "ß $ß # ‰ $ß #ß " œ #ß $ß ". Seguem-se
outros exemplos:
#ß "ß $ ‰ #ß $ß " œ "ß $ß # Á #ß $ß " ‰ #ß "ß $ œ $ß #ß "
$ß "ß # ‰ #ß $ß " œ "ß #ß $ œ #ß $ß " ‰ $ß "ß # œ "ß #ß $ œ I$
Exemplo 4.6 O exemplo anterior mostra que #ß $ß " œ $ß "ß #" . Tem-se ainda, a título de
exemplo, algumas composições e inversas em Æ% e Æ& (verifique as igualdades!),
%ß $ß "ß # ‰ #ß %ß $ß " œ $ß #ß "ß %
$ß &ß #ß "ß % ‰ %ß #ß "ß &ß $ œ "ß &ß $ß %ß #
$ß %ß "ß #" œ $ß %ß "ß #
$ß &ß #ß "ß %" œ %ß $ß "ß &ß #
#ß "ß &ß $ß %" œ #ß "ß %ß &ß $
Portanto, a troca de dois elementos 53 e 54 entre si numa permutação 5 conduz a uma nova
permutação que tem a forma 5 ‰ 7 , onde 7 é uma transposição. Em particular, a troca de dois
elementos consecutivos 53 e 53" entre si na permutação 5 leva-nos a uma permutação da
forma 5 ‰ 7 em que 7 é transposição elementar.
Com base neste último exemplo, podemos provar a
Demonstração:
Se 5" Á ", então troquemos 1 com 5" (se for 5" œ ", passamos para o passo seguinte); após
isto, obtém-se a permutação
I8 ‰ 7" œ 5" ß #ß á ß 8
Se 5# Á #, então troquemos # com 5# (se for 5# œ #, saltamos para o passo seguinte); após
esta operação, obtemos a permutação
I8 ‰ 7" ‰ 7# œ 5" ß 5# ß á ß 8
I8 ‰ 7" ‰ 7# ‰ â ‰ 7: œ 5" ß 5# ß á ß 58 œ 5
Demonstração:
Considere-se uma transposição 7 de ordem 8 dada por 4.4 e onde 3 4. Se 4 œ 3 ", o
resultado é imediato, visto que 7 é ela própria elementar. Se 3 " 4, consideremos a
permutação identidade
I8 œ "ß #ß á ß 3ß 3 "ß á ß 4 "ß 4ß á ß 8
os elementos nas posições consecutivas 3ß 3 "ß 3 "ß 3 #ß á ß 4 "ß 4, o que levará o
e façamos as < œ 4 3 transposições elementares 0" ‰ 0# ‰ â ‰ 0< que trocam sucessivamente
elemento 3 a ocupar a posição 4 (o elemento 3 avança desde a posição 3 até à posição 4, através
de < trocas entre elementos ocupando posições consecutivas)
I8 ‰ 0" ‰ 0# ‰ â ‰ 0< œ "ß #ß á ß 3 "ß 3 #ß á ß 4ß 3ß á ß 8
trocam os elementos nas posições 4 "ß 4 #ß 4 #ß 4 $ß á ß 3 "ß 3, o que leva o
De seguida, executemos as = œ 4 3 " transposições elementares 0<" ‰ â ‰ 0<= que
Com as duas proposições anteriores, é óbvio que podemos garantir que toda a permutação de
ordem 8 é decomponível num produto de transposições elementares:
Proposição 4.3 Seja 5 − Æ8 uma permutação de ordem 8 ". Então, existem
transposições elementares 0" ß 0# ß á ß 0: tais que
5 œ 0" ‰ 0# ‰ â ‰ 0: 4.9
Demonstração:
Basta substituir em 4.7 cada transposição pela sua decomposição 4.8 em transposições
elementares.
O leitor pode a título de exercício provar a última proposição directamente, sem usar 4.8.
As proposições anteriores mostram que toda a permutação é um produto de transposições (que
Sec. 4.2] Permutações. O grupo simétrico 267
ímpar, consoante for par ou ímpar o número : de transposições nas decomposições 4.7 ou
poderão também ser exclusivamente elementares) e diremos que 5 é uma permutação par ou
4.9. Do mesmo modo, chamaremos sinal ou paridade de 5 ao inteiro &5 definido por
&5 œ ": 4.10
&7 œ "
4.11
&I8 œ "
&I" œ "
2 A paridade de 5 − Æ8 pode também ser calculada mediante a contagem de todos os pares 53 ß 54 para os quais
se tenha 3 4 • 53 54 (chamados inversões de 5 ). A permutação 5 será par ou ímpar, consoante for par ou
ímpar o número resultante da contagem referida.
268 Determinantes [Cap. 4
Eis como determinar as & últimas paridades anteriores, partindo da identidade "ß #ß $ß %:
"ß #ß $ß % Ä "ß $ß #ß %
"ß #ß $ß % Ä #ß "ß $ß % Ä #ß %ß $ß "
"ß #ß $ß % Ä %ß #ß $ß "
"ß #ß $ß % Ä $ß #ß "ß % Ä $ß "ß #ß % Ä $ß "ß %ß #
"ß #ß $ß % Ä $ß #ß "ß % Ä $ß %ß "ß #
Demonstração:
Em virtude de 4.7, podemos escrever
Demonstração:
Basta atender a que &7 œ " e fazer 5 w œ 7 em 4.12.
Este corolário significa que toda a permutação muda de paridade, quando sobre ela se
executa uma transposição (Teorema de Bézout), o que permite olhar para o algoritmo que
usámos para determinação da paridade de uma permutação a uma nova luz: partimos de uma
permutação (a identidade I8 ) cuja paridade conhecemos (par) e, por cada transposição
executada, muda essa paridade até obtermos a permutação cuja paridade se pretende determinar:
"ß #ß $ß % Ä
"ß $ß #ß %
"ß #ß $ß % Ä
#ß "ß $ß % Ä
#ß %ß $ß "
par ímpar
"ß #ß $ß % Ä
%ß #ß $ß "
par ímpar par
"ß #ß $ß % Ä
$ß #ß "ß % Ä
$ß "ß #ß % Ä
$ß "ß %ß #
par ímpar
"ß #ß $ß % Ä
$ß #ß "ß % Ä
$ß %ß "ß #
par ímpar par
Vamos, de seguida, tratar de mais uma consequência de 4.12: uma permutação e a sua
inversa têm sempre a mesma paridade.
Demonstração:
Observando que &I8 œ " e que, por definição de inversa, se tem
5 ‰ 5 " œ I8
bastará agora usar 4.12 para obter
&5 ‰ 5 " œ &5 &5 " œ "
Se 5 e 5 " tivessem paridades diferentes, seria &5 &5 " œ ", contrariando o resultado
anterior.
8x
Corolário 4.4.3 No grupo simétrico Æ8 de ordem 8 # existem sempre # permutações
pares e 8x# permutações ímpares.
270 Determinantes [Cap. 4
Demonstração:
Seja 7 − Æ8 uma transposição de ordem 8 (uma tal transposição existe, visto que 8 #) e
0 À Æ8 Ä Æ8 a função 5 È 5 ‰ 7 . A função 0 é uma bijecção de Æ8 sobre si próprio
(demonstre!) que transforma as permutações pares em ímpares e vice-versa (Teorema de
Bézout). Deste modo, se for : o número de permutações pares e 3 o número de permutações
ímpares, será : 3 œ 8x e
: 3•3 :
8x
As desigualdades anteriores implicam imediatamente : œ 3 œ #.
Na secção 4.16, usamos o MATHEMATICA© para implementar várias funções úteis para
trabalhar com permutações (ver package ALGA`Determinantes`).
I com valores em J a uma função 2À I : Ä J à Bt" ß Bt# ß á ß Bt: È 2Bt" ß Bt# ß á ß Bt: , tal que
p − um inteiro positivo. Chama-se função multilinear de ordem : (ou ainda :-linear) sobre
são lineares as : “funções parciais” 25 À I Ä J à Bt5 È 2Bt" ß Bt# ß á ß Bt5 ß á ß Bt: , isto é, para
qualquer 5 œ "ß #ß á ß : tem-se:
[ML1] 2Bt" ß á ß Bt5 Ct 5 ß á ß Bt: œ 2Bt" ß á ß Bt5 ß á ß Bt: 2Bt" ß á ß Ct 5 ß á ß Bt:
[ML2] 2Bt" ß á ß αBt5 ß á ß Bt: œ α2Bt" ß á ß Bt5 ß á ß Bt:
Quando 2 for uma função escalar (J œ Š), diremos que se trata de uma forma multilinear.
vectorial designa-se por M: Iß J . Quando : œ ", M: Iß J coincide com o espaço vectorial
LIß J das funções lineares de I em J .
A função 2 diz-se linear, bilinear, trilinear, etc, conforme for : œ ", : œ #, : œ $, etc.
Da condição [ML2] resulta (com α œ !)
2Bt" ß á ß 9tI ß á ß Bt: œ 9tJ
portanto, uma função multilinear anula-se se for nulo algum dos seus argumentos; por outro
lado, da aplicação repetida de ML1 e ML2 resulta a igualdade seguinte, para qualquer
3œ"
3œ" 3œ"
Sendo I de dimensão finita 8 e / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 uma base de I , cada um dos
53 œ"
2Bt" ß Bt# ß á ß Bt: œ 2 B5" " /t5" ß B5# # /t5# ß á ß B5: : /t5:
8 8 8
4œ"
2Bß
t Ct œ B" C" #B" C# B# C" $B# C# 4.19
é uma forma bilinear sobre ‘# (verifique!).
Ct œ C" ß C# − ‘# por
t Ct œ +34 B3 C4 œ \ T E] œ B" B#
2Bß 4.20
+#" +## C#
#
+"" +"# C"
3ß4œ"
(onde os +34 são constantes reais) são formas bilineares sobre ‘# (prove!). Observe que os +34
são as imagens das % combinações possíveis dos # vectores da base canónica de ‘# por 2:
+"" œ 2"ß !ß "ß ! +"# œ 2"ß !ß !ß "
+#" œ 2!ß "ß "ß ! +## œ 2!ß "ß !ß "
(onde os +34 são constantes de Š) são formas bilineares sobre Š8 . Observe que os +34 são as
uma matriz de tipo " ‚ " que identificamos com o seu elemento escalar e é óbvio que esta
matriz é simétrica, donde \ T E] œ \ T E] œ ] T ET \ .
T
(onde os +345 são #$ constantes reais) são formas trilineares sobre ‘# (verifique!). Observe que
os +345 são as imagens dos #$ œ ) ternos ordenados possíveis dos # vectores da base canónica
de ‘# por 2.
Exemplo 4.20 Em geral, sendo Š um corpo, as funções 2À Š# Ä Š definidas, para
:
quaisquer Bt" œ B"" ß B#" ß Bt# œ B"# ß B## ß á ß Bt: œ B": ß B#: − Š# por
(onde os +5" 5# â5: são #: constantes de Š) são formas :-lineares sobre Š# (verifique!). Observe
que os +5" 5# â5: são as imagens das #: listas ordenadas possíveis de : vectores da base canónica
de Š# por 2.
Sec. 4.3] Funções multilineares 273
por
2Bt" ß Bt# ß á ß Bt: œ +5" 5# â5: B5" " B5# # âB5: : 4.24
8
(onde os +5" 5# â5: são 8: constantes de Š) são formas :-lineares sobre Š8 (verifique!). Observe
que os +5" 5# â5: são as imagens das 8: listas ordenadas possíveis de : dos 8 vectores da base
canónica de Š8 por meio de 2.
Exemplo 4.22 Seja M um intervalo compacto de ‘ e CMß ‘ o espaço das funções reais
contínuas em M e considere, para quaisquer 0 ß 1 − CMß ‘, a função 2À CMß ‘# Ä ‘
definida por
Exemplo 4.23 Seja M um intervalo compacto de ‘ e CMß ‘ o espaço das funções reais
contínuas em M e considere, para quaisquer funções 0" ß 0# ß á ß 0: − CMß ‘, a aplicação
2À CMß ‘: Ä ‘ definida por
E F
G
Fig. 4.3 – Composição de uma função linear ? com uma função : -linear 2 .
274 Determinantes [Cap. 4
<œ"
3œ"
E F
K
Fig. 4.4 – As Coordenadas 23 de uma função : -linear são formas : -lineares.
3œ"
Facilmente se comprova que 2 é uma função bilinear sobre ‘$ , tomando valores também em
‘$ (trata-se, afinal, de uma lei de composição interna em ‘$ ).
G E
F
Fig. 4.5 – Composição de uma função :-linear 2 com a função ?: .
Portanto, uma função multilinear diz-se alternada sse é nula sempre que forem iguais dois
quaisquer dos seus argumentos.
5 Observe que, se : #, o número de pares 3ß 4 com " Ÿ 3 4 Ÿ : é de :# , ou seja, é igual ao número de
transposições de ordem :.
276 Determinantes [Cap. 4
Observação:
ç Quando : œ ", observemos que toda a função :-linear é simultaneamente alternada,
simétrica e anti-simétrica.
Exemplo 4.27 Atente na figura 4.3 e sejam Iß J e K espaços vectoriais sobre um corpo Š e
2À I : Ä J uma função :-linear sobre I com valores em J alternada (respectivamente
simétrica, anti-simétrica). Para qualquer função linear ?À J Ä K, a função :-linear 1 œ ? ‰ 2
sobre I com valores em K definida por
1Bt" ß Bt# ß á ß Bt: œ ?2Bt" ß Bt# ß á ß Bt:
ii) Para toda a sequência Bt" ß Bt# ß á ß Bt: de : vectores de I e para todo o inteiro
" Ÿ 3 :, tem-se
2Bt" ß Bt# ß á ß Bt3" ß Bt3 ß á ß Bt: œ 2Bt" ß Bt# ß á ß Bt3 ß Bt3" ß á ß Bt: 4.34
iii) Para toda a sequência Bt" ß Bt# ß á ß Bt: de : vectores de I e para quaisquer inteiros
" Ÿ 3 4 Ÿ :, tem-se
2Bt" ß Bt# ß á ß Bt4 ß á ß Bt3 ß á ß Bt: œ 2Bt" ß Bt# ß á ß Bt3 ß á ß Bt4 ß á ß Bt: 4.35
Demonstração:
As condições são necessárias, visto que as condições 4.34 e 4.35 resultam de 4.32
fazendo 5 igual a uma transposição elementar ou a uma transposição. Mas elas são também
suficientes, porque (proposições 4.1 e 4.3) qualquer permutação 5 − Æ: é uma composição de
transposições (gerais ou elementares).
Sec. 4.4] Funções multilineares alternadas, simétricas e anti-simétricas 277
Podemos enunciar uma proposição semelhante, que se demonstra da mesma forma que a
anterior, para as funções :-lineares anti-simétricas:
ii) Para toda a sequência Bt" ß Bt# ß á ß Bt: de : vectores de I e para todo o inteiro
" Ÿ 3 :, tem-se
2Bt" ß Bt# ß á ß Bt3" ß Bt3 ß á ß Bt: œ 2Bt" ß Bt# ß á ß Bt3 ß Bt3" ß á ß Bt: 4.36
iii) Para toda a sequência Bt" ß Bt# ß á ß Bt: de : vectores de I e para quaisquer inteiros
" Ÿ 3 4 Ÿ :, tem-se
2Bt" ß Bt# ß á ß Bt4 ß á ß Bt3 ß á ß Bt: œ 2Bt" ß Bt# ß á ß Bt3 ß á ß Bt4 ß á ß Bt: 4.37
Observações:
ç Devido a estas equivalências, alguns autores usam qualquer das condições anteriores
como a própria definição de função simétrica (respectivamente, anti-simétrica).
ç Como consequência das proposições anteriores, podemos afirmar:
– Numa aplicação :-linear simétrica é irrelevante a ordem dos seus : argumentos (o que
sobre a lista Bt" ß Bt# ß á ß Bt: dos seus argumentos – proposição [Link]).
significa que não se altera a função, quando executamos uma operação elementar do tipo "
– Pelo contrário, uma função :-linear anti-simétrica muda de sinal quando se faz uma
transposição de dois quaisquer dos seus argumentos (o que significa que a função muda de
2Bß
t Ct œ #B" C" $B" C# $B# C" B# C# œ B" B#
$ " C#
# $ C"
œ \ T E]
é simétrica, visto que, trocando dois vectores consecutivos, não se altera o seu valor:
Assim, trocando Bt com Ct obtém-se
2Cß t Dt œ $C" B" D" #C" B# D# #C# B" D# #C# B# D" ß C" B" D" C# B" D" C" B# D" C" B" D#
œ $B" C" D" #B" C# D# #B# C" D# #B# C# D" ß B" C" D" B# C" D" B" C# D" B" C" D#
t Bß
œ 2Bß t Dt
t Cß
œ 2Bß t Dt
t Cß
0 Bß
t Ct œ 2Bß
t Ct 2Cß
t Bt 4.38
"
#
é uma função simétrica, visto que
0 Cß
t Bt œ 2Cß
t Bt 2Bß
t Ct œ 2Bß
t Ct 2Cß
t Bt œ 0 Bß
t Ct
" "
# #
Exemplo 4.32 As funções dos exemplos 4.22 e 4.23 são simétricas (prove!).
Exemplo 4.33 Mais geralmente, sendo 2À I : Ä J uma função :-linear qualquer sobre I
com valores em J , a função 0 À I : Ä J definida por
0 Bt" ß Bt# ß á ß Bt: œ 5 2Bt5" ß Bt5# ß á ß Bt5: 4.39
5 − Æ:
0 Bß
t Ct œ 2Bß
t Ct 2Cß
t Bt 4.41
"
#
é uma função anti-simétrica, visto que
0 Cß
t Bt œ 2Cß
t Bt 2Bß
t Ct œ 2Bß
t Ct 2Cß
t Bt œ 0 Bß
t Ct
" "
# #
Exemplo 4.37 Mais geralmente, sendo 2À I : Ä J uma função :-linear qualquer, a função
:-linear 0 À I : Ä J definida por
0 Bt" ß Bt# ß á ß Bt: œ 5 &5 2Bt5" ß Bt5# ß á ß Bt5: 4.42
5 − Æ:
Bt" ß Bt# ß á ß Bt: de : vectores de I contendo dois vectores consecutivos Bt3 e Bt3"
i) Para que 2 seja alternada é necessário e suficiente que, para toda a sequência
iv) Se 2 é alternada, não se altera o valor de 2 para a sequência Bt" ß Bt# ß á ß Bt: de
vectores de I somando a um qualquer deles Bt3 uma combinação linear "5 Bt5 dos
5Á3
outros vectores, ou seja,
2Bt" ß Bt# ß á ß Bt3 ß á ß Bt: œ 2Bt" ß Bt# ß á ß Bt3 "5 Bt5 ß á ß Bt: 4.44
5Á3
v) Se 2 é alternada, então, para qualquer sequência Bt" ß Bt# ß á ß Bt3 ß á ß Bt: de vectores
de I , qualquer " Ÿ 3 Ÿ : e quaisquer αß "5 − Š, tem-se
2Bt" ß Bt# ß á ß αBt3 "5 Bt5 ß á ß Bt: œ α2Bt" ß Bt# ß á ß Bt3 ß á ß Bt: 4.45
5Á3
2Bt" ß Bt# ß á ß Bt3 ß á ß Bt4 ß á ß Bt: œ 2Bt" ß Bt# ß á ß αBt3 " Bt4 ß á ß Bt4 ß á ß Bt:
"
α
" Ÿ 3" 3# â 3: Ÿ 8Þ Exprimindo cada vector Bt3 através das suas coordenadas
na base / por
53 œ"
2Bt" ß Bt# ß á ß Bt: œ &5B35" " B35# # âB35: : 2/t3" ß /t3# ß á ß /t3: 4.47
"Ÿ3" 3# â3: Ÿ8 5 − Æ:
completamente determinada pelo seu valor 2/t" ß /t# ß á ß /t8 numa base
viii) Em particular, se 8 œ dimI e 2 for 8-linear alternada (: œ 8), então 2 será
2Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 œ &5 B5" " B5# # âB58 8 2/t" ß /t# ß á ß /t8 4.48
5 − Æ8
onde B53 é a 5 -ésima coordenada do vector Bt3 em relação à base / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 .
ix) Uma função 8-linear alternada 2 Á OJ I 8 (não identicamente nula) sobre um espaço
com dimensão 8 anula-se se e só se os seus 8 argumentos formarem uma sequência
linearmente dependente.
2Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 œ 9tJ Í Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 é linearmente dependente 4.49
Isto equivale ainda a dizer que uma sequência Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 é linearmente
independente (é uma base de I ) sse 2Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 Á 9tJ .
Demonstração:
i) A condição apresentada é obviamente necessária, visto que existem dois vectores Bt3 e
Bt3" iguais. E também é suficiente, como se prova a seguir:
ç Seja " Ÿ 3 : e consideremos uma sequência B œ Bt" ß Bt# ß á ß Bt: de vectores de I e
que 2 se anula sempre que dois vectores consecutivos de B sejam iguais; então será
2Bt" ß á ß Bt3 Bt3" ß Bt3 Bt3" ß á ß Bt: œ 9tJ
œ9tJ
282 Determinantes [Cap. 4
Mas ao 1ª e a 4ª parcelas do 1º membro da igualdade anterior são nulas por hipótese, donde
resulta
2Bt" ß á ß Bt3 ß Bt3" ß á ß Bt: œ 2Bt" ß á ß Bt3" ß Bt3 ß á ß Bt:
iii) Suponha-se que 2 é anti-simétrica e calculemos 2Bt" ß á ß Bt3 ß á ß Bt4 ß á ß Bt: com
Bt3 œ Bt4 .
2Bt" ß á ß Bt3 ß á ß Bt3 ß á ß Bt: œ 2Bt" ß á ß Bt3 ß á ß Bt3 ß á ß Bt:
Ê 2Bt" ß á ß Bt3 ß á ß Bt3 ß á ß Bt: 2Bt" ß á ß Bt3 ß á ß Bt3 ß á ß Bt: œ 9tJ
Ê " "2Bt" ß á ß Bt3 ß á ß Bt3 ß á ß Bt: œ 9tJ
Á!
Como o corpo Š tem característica Á #, será " " Á !6 e, portanto, 2 será alternada,
porque:
2Bt" ß á ß Bt3 ß á ß Bt3 ß á ß Bt: œ 9tJ
! " ‚ ! "
! ! " ! ! !
" " ! " ! "
Sec. 4.4] Funções multilineares alternadas, simétricas e anti-simétricas 283
2Bt" ß Bt# ß á ß Bt3 "5 Bt5 ß á ß Bt: œ 2Bt" ß Bt# ß á ß Bt3 ß á ß Bt:
"5
2Bt" ß Bt# ß á ß Bt5 ß á ß Bt:
5Á3
desta proposição (em que, no somatório "5 Bt5 , todos os "5 são nulos à excepção de um).
O resultado enunciado para uma operação elementar do tipo 3 é apenas um caso particular
5Á3
2Bt" ß Bt# ß á ß αBt3 "5 Bt5 ß á ß Bt: œ 2Bt" ß Bt# ß á ß αBt3 ß á ß Bt:
O resultado é agora consequência da alínea anterior, para o que basta somar α3 Bt3 ao
3Á5
vector Bt5 , obtendo-se
2Bt" ß á ß Bt5 ß á ß Bt: œ 2Bt" ß á ß Bt5 α3 Bt3 ß á ß Bt: œ 2Bt" ß á ß 9tI ß á ß Bt: œ 9tJ
3Á5
53 œ"
Como 2 é alternada, na expressão 4.15, anulam-se os valores de 2/t5" ß /t5# ß á ß /t5: sempre
que haja índices repetidos em 5" ß 5# ß á ß 5: :
284 Determinantes [Cap. 4
2Bt" ß Bt# ß á ß Bt: œ B5" " B5# # âB5: : 2/t5" ß /t5# ß á ß /t5: 4.50
8
œ E8: œ :x
8x 8
8 : x
œ
:
Estas parcelas podem, por sua vez, associar-se em 8: grupos de :x parcelas nas quais os
índices 5" ß 5# ß á ß 5: são os mesmos, mas por ordem diferente e será possível, em cada um
destes 8: grupos de :x parcelas, trocar a ordem dos vectores em 2/t5" ß /t5# ß á ß /t5: para
2/t3" ß /t3# ß á ß /t3: , onde " Ÿ 3" 3# â 3: Ÿ 8 (ordem crescente dos : índices).
sequências 5" ß 5# ß á ß 5: que têm os mesmos : índices, mas por diferentes ordens. Como 2 é
obtém-se 5 œ 3 ‰ 5 e, nesta igualdade, quando 5 varre o grupo simétrico Æ: , obtemos todas as
Associando em 4.50 as :x parcelas contendo o mesmo valor 2/t3" ß /t3# ß á ß /t3: , ficamos com
8: parcelas do tipo
&5 B35" " B35# # âB35: : 2/t3" ß /t3# ß á ß /t3: à " Ÿ 3" 3# â 3: Ÿ 8
5 − Æ:
:x parcelas
Constatamos, portanto, que o somatório 4.50, que é composto de um total de E8: œ 8: :x
parcelas, fica decomposto em 8: parcelas do tipo anterior:
8: parcelas :x parcelas
2Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 œ &5 B5" " B5# # âB58 8 2/t" ß /t# ß á ß /t8
5 − Æ8
8x parcelas
dimensão 8 com valores em J fica totalmente determinada pelo seu valor 2/t" ß /t# ß á ß /t8
Portanto, conclui-se que uma função 8-linear alternada 2 sobre um espaço vectorial I com
Observações:
ç A expressão 4.47 revela um dado muito importante: as funções :-lineares alternadas
sobre um espaço de dimensão 8 : ficam completamente determinadas pelos seus valores nos
8: pontos de I : da forma /t3" ß /t3# ß á ß /t3: , com " Ÿ 3" 3# â 3: Ÿ 8, e em que
/ œ /t" ß /t# ß á ß /t8 é uma qualquer base de I .
ç Em particular, pela expressão 4.48, uma função 8-linear alternada definida num
com valores num espaço J . O somatório 4.48 terá #x œ # parcelas. Se for / œ /t" ß /t# uma
exemplo de uma função bilinear alternada definida num espaço bidimensional I (: œ 8 œ #Ñ e
valores num espaço J . O somatório 4.48 terá $x œ ' parcelas. Se for / œ /t" ß /t# ß /t$ uma base
uma função trilinear alternada definida num espaço tridimensional I (: œ 8 œ $Ñ e com
É evidente que 2 fica completamente determinada pelo valor 2/t" ß /t# ß /t$ − J .
Exemplo 4.40 Ilustremos agora o uso da expressão 4.47 mais complexa, através do
ficará com #x œ # parcelas, num total de $ ‚ # œ ' œ E$# parcelas. Se for / œ /t" ß /t# ß /t$ uma
base de I , os argumentos Bt" ß Bt# expressar-se-ão na base / por
Bt" œ B"" /t" B#" /t# B$" /t$
Bt# œ B"# /t" B## /t# B$# /t$
e, para 2Bt" ß Bt# , virá a seguinte expressão:
B"" B## B#" B"# 2/t" ß /t# B"" B$# B$" B"# 2/t" ß /t$ B#" B$# B$" B## 2/t# ß /t$
Neste caso, 2 fica determinada pelos $ valores 2/t" ß /t# ß 2/t" ß /t$ ß 2/t# ß /t$ − J , ou seja
2/t3 ß /t4 , com " Ÿ 3 4 Ÿ $.
sequência Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 de vectores de I e qualquer base / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 , temos, usando
Sejam, então, dimI œ 8 e 2ß 2w À I 8 Ä Š duas formas 8-lineares alternadas. Para qualquer
4.48,
2Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 œ &5 B5" " B5# # âB58 8 2/t" ß /t# ß á ß /t8
4.51
5 − Æ8
2 Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 œ &5 B5" " B5# # âB58 8 2 /t" ß /t# ß á ß /t8
w w
5 − Æ8
onde os B34 "Ÿ3ß4Ÿ8 são as coordenadas dos vectores Bt4 "Ÿ4Ÿ8 em relação à base / e os valores
2/t" ß /t# ß á ß /t8 e 2w /t" ß /t# ß á ß /t8 são escalares de Š. Se for 2 Á OŠI 8 , será
necessariamente,
2/t" ß /t# ß á ß /t8 Á !
e da 1ª equação 4.51 tiramos
Sec. 4.5] Determinante numa base 287
das que não forem identicamente nulas. Isto significa que o espaço AIß Š das formas 8-
Todas as formas 8-lineares alternadas definidas num espaço 8-dimensional são múltiplas
Se for /w œ /tw" ß /t#w ß á ß /t8w uma outra base de I , a igualdade 4.52 dá, fazendo
Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 œ /tw" ß /t#w ß á ß /t8w ,
2w /tw" ß /t#w ß á ß /t8w 2w /t" ß /t# ß á ß /t8
2/tw" ß /t#w ß á ß /t8w 2/t" ß /t# ß á ß /t8
œ
2w
Portanto, o quociente 2 não depende da base de I em que é calculado, mas somente das
funções 2 e 2w .
A igualdade 4.48 mostra que para definir uma forma 8-linear alternada sobre um espaço
vectorial 8-dimensional I , basta dar o seu valor numa base / deste espaço. Assim, poremos a
seguinte
8 " sobre um corpo Š e / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 uma base de I . Chama-se determinante na
Definição 4.7 – Determinante numa base. – Seja I um espaço vectorial de dimensão
base / à forma 8-linear alternada (única) sobre I , det/ À I 8 Ä Š, cujo valor na base / é igual
a ". Portanto, por definição,
det/ /t" ß /t# ß á ß /t8 œ " 4.54
e, da expressão 4.48 resulta
det/ Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 œ &5 B5" " B5# # âB58 8
det/ /t" ß /t# ß á ß /t8
5 − Æ8 œ"
A definição anterior dá origem a uma forma 8-linear alternada sobre I para cada base /
deste espaço e todas estas formas são distintas de OŠI 8 (visto que não se anulam na base /).
Para as compararmos, seja /w œ /tw" ß /t#w ß á ß /t8w uma segunda base de I . A igualdade 4.52
dá, fazendo 2w œ det/w e 2 œ det/ e atendendo ainda a 4.54,
det/w /t" ß /t# ß á ß /t8
det/w Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 œ det/ Bt" ß Bt# ß á ß Bt8
det/ /t" ß /t# ß á ß /t8
Portanto,
det/w Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 œ det/ Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 det/w /t" ß /t# ß á ß /t8 4.56
Da última igualdade resulta ainda, fazendo Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 œ /tw" ß /t#w ß á ß /t8w ,
" œ det/w /tw" ß /t#w ß á ß /t8w œ det/ /t"w ß /t#w ß á ß /t8w det/w /t" ß /t# ß á ß /t8
Para qualquer forma 8-linear alternada 2À I 8 Ä Š e qualquer base / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 de I ,
Considere-se um espaço vectorial I de dimensão 8 " e um endomorfismo ?À I Ä I .
é uma forma 8-linear alternada sobre I . A equação 4.52 mostra então que, se 2 Á OŠI 8 ,
designado por det?, tal que, para qualquer forma 8-linear alternada não nula 2À I 8 Ä Š
dimensão 8 " e ?À I Ä I um endomorfismo de I . O determinante de ? é o escalar (único),
Sec. 4.6] Determinante de um endomorfismo. Determinante de uma matriz 289
det/ ?Bt" ß ?Bt# ß á ß ?Bt8 œ det? † det/ Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 4.59
detII œ "
Mais geralmente, para qualquer escalar 5 − Š, o determinante da homotetia de razão
5, 5II À Bt È 5Bt é dado por
det5 II œ 58 4.61
tem-se
det@ ‰ ? œ det@det? 4.62
Demonstração:
i) Basta considerar 2 œ det/ em 4.58. Fazendo, por fim,
Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 œ /t" ß /t# ß á ß /t8
em 4.59 e atendendo a que det/ /t" ß /t# ß á ß /t8 œ ", obtém-se
det? œ det/ ?/t" ß ?/t# ß á ß ?/t8
290 Determinantes [Cap. 4
detII œ det/ II /t" ß II /t# ß á ß II /t8 œ det/ /t" ß /t# ß á ß /t8 œ "
isto mostra que ?/t" ß ?/t# ß á ß ?/t8 é linearmente independente e que a característica
c? é igual a 8. Portanto ? é invertível.
Vamos, agora, definir a noção de determinante de uma matriz quadrada sobre um corpo Š:
Definição 4.9 – Determinante de uma matriz. – Seja E œ +34 − Š8ß8 uma matriz
quadrada de ordem 8 " sobre um corpo Š. Chama-se determinante da matriz E e designa-
se por detE7 o determinante dos vectores-coluna de E na base canónica de Š8 . Como as
7 Também se utilizam as notações E e +34 para designar o determinante da matriz E, embora estas se prestem a
alguma confusão com a notação usada para o módulo.
Sec. 4.6] Determinante de um endomorfismo. Determinante de uma matriz 291
Observações:
ç Se 8 œ ", a igualdade anterior dá para valor do determinante de E œ +"" o próprio
escalar +"" :
det +"" œ +""
ç Se 8 # e pelo corolário 4.4.3, das 8x parcelas, metade têm &5 œ " tendo a outra
metade &5 œ ".
ç A ordem da matriz E diz-se também a ordem do detE e cada produto +5" " +5# # â+58 8
diz-se um termo do determinante ou da matriz (associado à permutação 5 ) e a paridade de 5
diz-se igualmente paridade do termo.
ç O termo +"" +## â+88 associado à permutação identidade diz-se termo principal do
determinante.
ç Usando esta terminologia, podemos afirmar que o determinante da matriz E é a soma dos
termos pares do determinante com os termos ímpares (que só existem para 8 #)
multiplicados por ".
O determinante de uma matriz E œ +34 pode também escrever-se indicando todos os
elementos de E:
+"" â +"8
+ â +#8
+"#
detE œ #"
ã ã
+##
+8" â +88
ã ä
+8#
+"" â +"8
+#" â +#8
+"#
+##
+8" â +88
ã ã ä ã
+8#
(com parêntesis rectos) que designa uma matriz e é um elemento de Š8ß8 e a expressão
+"" +"# â +"8
+#" +## â +#8
ã ã
+8" +8# â +88
ã ä
(com traços verticais) que designa um escalar do corpo Š e que é o determinante da matriz
3" ß 3# ß á ß 3: dos vectores Bt" ß Bt# ß á ß Bt: em relação à base /t" ß /t# ß á ß /t8 de I . Se
onde figuram os determinantes das matrizes de ordem : cujas colunas contêm as coordenadas
considerarmos a matriz \ œ B53 − Š8ß: cujas colunas contêm as 8 coordenadas na base / dos
vectores Bt" ß Bt# ß á ß Bt: , trata-se de formar os determinantes de todas as submatrizes de ordem
: extraídas de \ (e que são em número de 8: ).
coordenadas dos vectores Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 em relação à base / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 .
onde figura o determinante da matriz quadrada de ordem 8 cujas colunas contêm as 8
coordenadas dos vectores Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 em relação à base / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 .
onde figura o determinante da matriz quadrada de ordem 8 cujas colunas contêm as 8
ç Considerando duas bases / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 e /w œ /tw" ß /t#w ß á ß /t8w de I e atendendo à
igualdade anterior, concluimos que det/w /t" ß /t# ß á ß /t8 será o determinante da matriz cujas
colunas são as coordenadas dos vectores /t" ß /t# ß á ß /t8 em relação à base /w ; mas esta matriz é
precisamente a matriz X/w / de mudança da base /w para a base / (ver equação 2.77):
det/w /t" ß /t# ß á ß /t8 œ detX/w /
endomorfismo de I , a equação 4.60 escreve-se, para qualquer base / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 de I ,
ç Se for I um espaço vectorial de dimensão 8 sobre um corpo Š e ?À I Ä I um
Mas det/ ?/t" ß ?/t# ß á ß ?/t8 é o determinante da matriz cujas colunas são as
coordenadas dos vectores da sequência ?/t" ß ?/t# ß á ß ?/t8 em relação à base /. Porém,
vimos no capítulo 3 – equação 3.18 – que esta matriz é precisamente a representação matricial
Q/ ? de ? em relação à base /. Portanto,
det? œ detQ/ ? 4.65
ou seja, o determinante de um endomorfismo é igual ao determinante de qualquer das suas
representações matriciais.
+ +##
+"" +"#
œ +"" +## +#" +"#
#"
+
_
Fig. 4.6 – Mnemónica para o cálculo de determinantes de 2ª ordem.
e daqui resulta a seguinte mnemónica simples, chamada regra de Sarrus8 , para o cálculo de
determinantes de 3ª ordem
8 Sarrus, Pierre Frédérique: matemático francês (Sainte Afrique 1798 – Sainte Afrique 1861).
294 Determinantes [Cap. 4
+ _
Fig. 4.7 – Regra de Sarrus, para o cálculo de determinantes de 3ª ordem.
+
_
Fig. 4.8 – Uma variante da regra de Sarrus, para o cálculo de determinantes de 3ª ordem.
ç Na segunda variante, copiamos as duas primeiras linhas do determinante para baixo deste.
Então, os termos pares obtêm-se a partir da diagonal principal e das duas diagonais paralelas
abaixo desta. Os termos ímpares obtêm-se a partir da diagonal secundária e das duas diagonais
paralelas abaixo desta (ver a figura seguinte)
+
_
Fig. 4.9 – Outra variante da regra de Sarrus, para o cálculo de determinantes de 3ª ordem.
Demonstração:
Seja F œ ET ; então, será ,34 œ +43 . Se atendermos a 4.64, ter-se -á
Seja ainda = œ 5 " a permutação inversa de 5 − Æ8 e alteremos a ordem dos factores ,53 3 em
cada termo do determinante de F de modo a levar os referidos factores a ficarem ordenados por
&= œ &5
Esta propriedade mostra que o determinante de uma matriz é igual ao determinante dos seus
E, equivalente a 4.64,
vectores-linha na base canónica de Š8 , que nos dá a seguinte expressão para o determinante de
Portanto, de ora em diante, escrevemos detBt" ß Bt# ß á ß Bt8 para designar o determinante da
matriz cujas colunas são Bt" ß Bt# ß á ß Bt8 ou cujas linhas são esses mesmos vectores (a que
poderemos simplesmente chamar as filas da matriz).
296 Determinantes [Cap. 4
Demonstração:
i) Resulta imediatamente da definição e das propriedades do operador conjugação em ‚:
detE œ &5 +5" " +5# # â+58 8 œ &5 +5" " +5# # â+58 8 œ detE
5 − Æ8 5 − Æ8
Em particular,
detE œ "8 detE 4.72
detBt" ß Bt# ß á ß Bt3 ß á ß Bt8 œ detBt" ß Bt# ß á ß Bt3 "5 Bt5 ß á ß Bt8 4.75
5Á3
Demonstração:
i) Da definição resulta, sendo / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 a base canónica de Š8 ,
detM8 œ det/ /t" ß /t# ß á ß /t8 œ "
ii) É consequência de ser det uma forma 8-linear alternada e, portanto, anti-simétrica.
iii) Resulta de ser det uma forma 8-linear e, portanto, linear em cada um dos 8 vectores.
iv) É mais uma consequência da 8-linearidade da função det:
det5E œ det5+t" ß 5+t# ß á ß 5+t8 œ 58 det+t" ß +t# ß á ß +t8 œ 58 detE
Demonstração:
Sejam:
– Z − Š:ß: a matriz produto de E œ +35 por F œ ,54
Z œ EF
– / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 e = œ =t" ß =t# ß á ß =t: as bases canónicas dos espaços vectoriais Š8 e
Š: respectivamente;
– ?À Š8 Ä Š: a função linear cuja matriz em relação ao par de bases canónicas =ß / é E
Q=/ ? œ E − Š:ß8
poderemos escrever
detZ œ !
Porém, det= ?/t3" ß ?/t3# ß á ß ?/t3: é igual ao determinante da matriz cujas colunas são
as coordenadas em relação à base canónica = de Š: dos vectores ?/t3" ß ?/t3# ß á ß ?/t3: , ou
seja, as colunas de índices 3" ß 3# ß á ß 3: da representação matricial E œ Q=/ ? da função linear
?:
+
"3" +"3# â +"3:
+#3 +#3# â +#3:
det= ?/t3" ß ?/t3# ß á ß ?/t3: œ " 3
ã ã
+:3" +:3# â +:3:
ã ä
detE"ß#ßáß:à3" ß3# ßáß3:
iii) A expressão 4.78 tem 8: parcelas e, se : œ 8 terá apenas uma parcela, sendo
$ !
Eœ
# %
# $ "
" %
e F œ # &
&
$ "
$ !
Z œ EF œ
# %
# & œ
"& '
# "" ""
" %
&
detZ œ
& # # & & % " % # % " %
# $ $ ! # " $ ! $ " # &
œ % "&"& ! ) &"# ! "# #) &
œ "* † "& "$ † "# "! † $ œ #)& "&' $! œ **
Demonstração:
Proposição 4.12 – Determinante de uma matriz triangular – Seja < " um inteiro e E
uma matriz triangular superior de submatrizes sobre um corpo Š
Sec. 4.7] Propriedades algébricas dos determinantes 301
E"" â E"<
S â E#<
E"#
Eœ
E##
S â E<<
ã ã ä ã
S
5œ"
Nestas condições,
5œ"
Demonstração:
Bastará provar para < œ #, sendo o caso geral imediato, por indução em <.
Seja então
Eœ
R
Q F
− Š8ß8
S8:ß:
uma matriz quadrada de ordem 8 " e Q − Š:ß: uma matriz quadrada de ordem ! : 8.
Claro está que R será quadrada de ordem 8 : ! e F − Š:ß8: . Pretende-se mostrar que
detE œ detQ detR
Seja / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 a base canónica de Š8 , I œ P/t" ß /t# ß á ß /t: o subespaço de Š8
gerado por , œ /t" ß /t# ß á ß /t: e J œ P/t:" ß /t:# ß á ß /t8 o subespaço de Š8 gerado por
- œ /t:" ß /t:# ß á ß /t8 . É claro que I e J têm dimensões : e 8 :, respectivamente, e que
Š8 é soma directa de I com J : Š8 œ I Š J .
Sejam ainda:
Tem-se, portanto,
E œ Q/ ?, Q œ Q, @ e R œ Q- A
2
œ @/t4 à 4 œ "ß #ß á ß :
3œ" 3œ" 3œ:"
3
3œ" 3œ" 3œ:"
3œ"
−I
Substituindo Bt" ß Bt# ß á ß Bt: por /t" ß /t# ß á ß /t: em 5, obtém-se
1/t" ß /t# ß á ß /t: œ det/ /t" ß /t# ß á ß /t: ß ?/t:" ß á ß ?/t8
mas, por ser det/ uma forma 8-linear alternada, podemos atender a 3 e usar 4.75 para
obter
1/t" ß /t# ß á ß /t: œ det/ /t" ß /t# ß á ß /t: ß +3ß:" /t3 A/t:" ß á ß +38 /t3 A/t8
: :
e portanto,
2A/t:" ß A/t:# ß á ß A/t8 œ detR
Corolário 4.12.1 Seja E œ +34 − Š8ß8 uma matriz triangular superior, isto é +34 œ ! para
3 4. Então
5œ"
Demonstração:
Vamos ver que, das 8x parcelas deste somatório, só uma não é necessariamente nula:
Se 5" ", será +5" " œ !; Portanto, para que o termo associado a 5 não seja nulo, tem que ser
5" œ "
Quanto a 5# , será 5# Á 5" œ "; então, deverá ser 5# # eß se 5# #, será +5# # œ !. Portanto,
para que o termo associado a 5 não seja nulo, tem que ser
5# œ #
Continuando com este raciocínio, conclui-se que deverá ser 55 œ 5 , para todo o " Ÿ 5 Ÿ 8, ou
seja, 5 œ I8 . Assim, o único termo não necessariamente nulo é igual a +55 e que está
8
5œ"
associado à permutação identidade 5 œ I8 (termo principal).
304 Determinantes [Cap. 4
Observações:
ç Usando a proposição 4.9, é fácil provar que a proposição 4.12 Ðe o seu corolárioÑ são
válidos igualmente para matrizes triangulares inferiores, visto que
T T
E"" â S E"" â S E""
E#" S T
T T
E#" â S â S â E<#
S S E#" â E<"
œ det
㠜
ã
E#T#
ã ã ã
E## E##
E<" â E<< E<" â E<< S â ET<<
ã ä ã ä ã ã ä
E<# E<# S
œ detET55 œ detE55
< <
5œ" 5œ"
Y œ
F HE" G S;ß: M;
M: S:ß; E G
HE"
Y œ
M; H F
E GF " H GF " M: S:ß;
S;ß:
superior, após o que o resultado é imediato, usando a igualdade 4.82. É este o primeiro dos
podemos agora usar o algoritmo de condensação para levar o determinante à forma triangular
métodos gerais para o cálculo de determinantes (em particular, de ordem superior a 3). Note-se
que, neste caso, podem fazer-se operações elementares com linhas e também com colunas ao
longo do procedimento, se isso nos for conveniente.
O quadro seguinte ilustra, em pseudo-código, o algoritmo de condensação vertical, adaptado
ao cálculo de determinantes: o input é a matriz quadrada a de ordem n e o output é o seu
determinante d.
Sec. 4.8] Algoritmo de condensação para o cálculo de determinantes 305
FimSe
FimEnquanto;
% Saída do resultado:
Saída: d
ordem, pelo método de condensação vertical:
" # ! # $ " # ! # $ " # ! $
% " # # % $ " # # ! "" " "! "%
#
detE œ $ ! % " œ $ ! # % " œ ! ' # "! )
$
# & " ! $ # & " $ ! " " *
#
% " " # ! % " " # ! ! * " ' "#
! %
" # ! $ " # ! $ " # ! $
! " " * ! " " * ! " " *
# # #
œ ! ' # "! ) œ ! ! % $% '# œ # ! ! # "( $"
% % %
! "" " "! "% ! ! "# &% ""$ ! ! "# &% ""$
! * " ' "# ! ! ) %# *$ ! ! ) %# *$
" # ! $ " # ! $
! " " * ! " " *
# #
#
œ # ! ! # "( $" œ ! ! # "( $"
% %
#%
! ! %) ($ ! ! %) ($
! ! #' $" ! ! #!&
! !
! ! !
"Ÿ3" â3: Ÿ8
Demonstração:
Seja / œ /t" ß /t# ß á ß /t8 a base canónica de Š8 e +t5 "Ÿ5Ÿ8 as colunas de E œ +34 − Š8ß8 .
2Bt4" ß Bt4# ß á ß Bt4: œ det/ +t" ß á ß +t4" " ß Bt4" ß +t4" " ß á ß +t4# " ß Bt4# ß +t4# " ß á ß +t4: " ß Bt4: ß +t4: " ß á ß +t8
Atendendo a 4.47.1, obtém-se, fazendo uso das notações introduzidas na secção 6 do capítulo
2 para a designação das submatrizes de E,
+
3" 4" +3" 4# â +3" 4:
+3# 4" +3# 4# â +3# 4:
detE œ 2 /t3" ß /t3# ß á ß /t3:
"Ÿ3" 3# â3: Ÿ8
+3: 4" +3: 4# â +3: 4:
ã ã ä ã
9 Laplace, Pierre-Simon, marquis de: astrónomo, matemático e físico francês (Beaumont-en-Auge 1749 – Paris
1827).
Sec. 4.9] Teorema de Laplace 307
Transpondo sucessivamente /t3" (que está na coluna 4" ) com todos os vectores anteriores,
leva-se aquele vector para a coluna " (após 4" " transposições elementares); repetindo o
processo para /t3# , podemos deslocar este para a coluna #, após 4# # transposições e assim
sucessivamente até levar o vector /t3: para a coluna : (executando mais 4: : transposições
elementares). Terminado este processo e atendendo à anti-simetria da forma 8-linear alternada
det/ , levamos os vectores /t3" ß /t3# ß á ß /t3: para as : primeiras colunas, sem alterar a ordem dos
restantes 8 : vectores +t5 ; fazendo =4 œ 45 5 , obtém-se:
: :
5œ" 5œ"
Porém, det/ é também função 8-linear alternada (logo, anti-simétrica) das linhas da matriz e,
como 3" 3# â 3: , podemos praticar com as linhas 3" ß 3# ß âß 3: um processo de
transposições elementares sucessivas semelhante ao usado para as colunas 4" ß 4# ß âß 4: e que
leve aquelas linhas (que contêm as componentes iguais a " nos vectores /t35 ) a ocupar as :
primeiras posições; O número total de transposições a realizar será, como antes, de
=3 œ 35 5. Usando as notações da secção 6 do capítulo 2 para designar as submatrizes
: :
E3" ß á ß 3: à 4" ß á ß 4:
2/t3" ß /t3# ß á ß /t3: œ "=3 "=4
S8:ß: E3" ß á ß 3: à 4" ß á ß 4:
M:
E3" ß á ß 3: à 4" ß á ß 4:
œ "=3 +=4
S8:ß: E3" ß á ß 3: à 4" ß á ß 4:
M:
=3 +=4
" detM: detE3" ß á ß 3: à 4" ß á ß 4:
œ"
œ
œ " =3 +=4
detE3" ß á ß 3: à 4" ß á ß 4: 2
Mas
donde:
35 45
"5œ"
:
œ
" ::"
par
œ"
Substituindo o valor obtido para "=3 +=4 na expressão 2 de 2/t3" ß /t3# ß á ß /t3: , obtemos
35 45
2/t3" ß /t3# ß á ß /t3: œ "5œ" detE3" ß á ß 3: à 4" ß á ß 4:
:
308 Determinantes [Cap. 4
Observações:
ç Considerando que : pode tomar valores entre " e 8 " e usando o binómio de Newton, o
número de formas de aplicar o teorema de Laplace a quaisquer colunas de E será
ç Por ser detET œ detE, é também válida uma fórmula semelhante a 4.83.1, mas
dizendo respeito a : linhas de E: é o desenvolvimento de Laplace de detE segundo as linhas
3" ß 3# ß á ß 3: ; portanto, fixando quaisquer : índices de linhas " Ÿ 3" 3# â 3: Ÿ 8, o
determinante de E − Š8ß8 é dado pela expressão:
35 45
"5œ" detE3" ß á ß 3: à 4" ß á ß 4: detE3" ß á ß 3: à 4" ß á ß 4: 4.83.2
:
"Ÿ4" â4: Ÿ8
5œ"
do menor (o menor diz-se par ou ímpar consoante aquela soma ? for par ou ímpar).
ç Se 3" ß á ß 3: œ 4" ß á ß 4: , o menor detE3" ß á ß 3: à 4" ß á ß 4: diz-se principal. É
que a diagonal principal de E3" ß á ß 3: à 4" ß á ß 4: é uma parte da diagonal principal de E).
formado por elementos de E pertencentes a linhas e colunas com iguais índices (o que significa
Existem 8: menores principais de ordem : num determinante de ordem 8 e é óbvio que todo
5œ" 5œ"
menor complementar têm necessariamente a mesma paridade, visto que a soma das paridades
Sec. 4.9] Teorema de Laplace 309
dos dois é #" # â 8 œ 88 " que é sempre um número par (se as paridades fossem
distintas, a soma referida seria ímpar!). O complementar de um menor principal de ordem : é
outro menor principal (de ordem 8 :).
ç Chama-se cofactor ou complemento algébrico de um menor detE3" ß á ß 3: à 4" ß á ß 4:
ao produto de "? pelo respectivo menor complementar detE3" ß á ß 3: à 4" ß á ß 4: ;
usaremos a notação cofdetE3" ß á ß 3: à 4" ß á ß 4:
35 45
cofdetE3" ß á ß 3: à 4" ß á ß 4: œ "5œ" detE3" ß á ß 3: à 4" ß á ß 4: 4.85.1
:
Um menor de ordem : œ " será detE3à 4 e é obviamente igual ao elemento +34 da linha 3 e
da coluna 4 de E; a sua paridade é dada por 3 4 e o menor complementar detE3à 4 é de
ordem 8 ". O cofactor de +34 será
em que E3à 4 designa a submatriz de ordem 8 " obtida de E por eliminação da linha 3 e da
coluna 4.
O valor da paridade "34 é exclusivamente função da posição 3ß 4 do elemento +34 de E
e o cálculo deste valor pode ser feito facilmente usando a mnemónica ilustrada na figura
seguinte
â ‡
â ‡
â ‡
â ‡
ã ã ã ã ä ã
‡ ‡ ‡ ‡ â
Fig. 4.10 – Mnemónica para determinar a paridade dos menores de 1ª ordem.
O determinante de uma matriz de ordem 8 é igual à soma dos produtos dos 8: menores de
ordem : contidos em : filas paralelas (linhas ou colunas) pelos respectivos cofactores.
Este enunciado traduz as duas fórmulas seguintes (desenvolvimento de Laplace do
determinante de E por : colunas ou por : linhas, respectivamente):
detE3" ß á ß 3: à 4" ß á ß 4: cofdetE3" ß á ß 3: à 4" ß á ß 4: à " Ÿ 4" 4# â 4: Ÿ 8
"Ÿ3" â3: Ÿ8
! % " $ # #
" ! " !
œ & ! $ & ! $
% "
$ #
" # ! " # !
$ # # $ # #
" ! " !
! % " ! % "
# " % "
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œ " † # #%% ""' " † )' "" † %) # † ") ) † *% ( † "#
&% ' † ## œ # )) "' )' &#) $' (&# )% #! "$# œ "'%!
3œ"
4œ"
Demonstração:
Basta considerar : œ " em 4.83.1 e 4.83.2 e atender a que detE3à 4 œ +34 .
Observações:
ç As expressões 4.86.1 e 4.86.2 dão uma definição recursiva do detE, visto
exprimirem um determinante de ordem 8 em termos de determinantes de ordem 8 ". Quando
se aplica o teorema de Laplace restrito, a ordem dos determinantes baixa de 8 para 8 "
(embora o número de determinantes a calcular passe de " para 8). Frisemos que convém aplicar
sendo este o elemento absorvente do produto em Š, o produto +34 cof+34 anula-se e, assim,
o teorema à fila (linha ou coluna) que contenha mais zeros, visto que, sempre que +34 œ ! e
de ordem 8 "): isto significa que o número de parcelas não nulas em 4.86.1 ou 4.86.2
poupamos o trabalho de calcular o cofactor de +34 (que envolveria o cálculo de um determinante
3œ"
"Ÿ4Ÿ8
% " # % " #
$ ! # " $ ! %
$ $
# $
# & " $ # & " !
#
% " " ! % " " #
312 Determinantes [Cap. 4
figura 4.7 ou uma das suas variantes para os determinantes de 3ª ordem obtidos):
$ " # #
$ # # $ " # $ " #
! % "
œ # & ! $ % & " $ " & " ! œ "'!
& " ! $
#
" # ! " " ! " " #
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$ # % % " # % " #
$ ! %
$
œ $ # " ! & $ # % " $ # % œ %%!
# & " !
#
% " # % " # # " !
% " " #
em B de grau 8 " (em particular, @# é o polinómio de grau " definido por @# B œ B B" ) e
restrito aplicado à última coluna do determinante anterior mostra que @8 constitui um polinómio
que o coeficiente de maior grau deste polinómio é o cofactor de B8" , ou seja, @8" B8" .
Além disso, tem-se @8 B5 œ !, para " Ÿ 5 Ÿ 8 ", visto que o determinante fica com a
última coluna igual à coluna 5, pelo que as raízes do polinómio @8 são B" ß B# ß B$ ß á ß B8" .
Decompondo o polinómio @8 em factores lineares, podemos escrever, para 8 $ e B œ B8 ,
@8 B8 œ @8" B8" B8 B" B8 B# âB8 B8" œ @8" B8" B8 B3
8"
3œ"
@ B œ @ B
8 8
3œ"
@8" B8" œ @8# B8# B8" B3
8#
3œ"
3œ"
ââââ
B$ B3
#
@ B œ @ B
$ $ # #
3œ"
@# B# œ B# B" œ B# B3
"
3œ"
Após o procedimento anterior, usemos operações sobre linhas (condensação vertical) para
anular os elementos da 2ª coluna, tomando +%# œ " como pivot (note que há conveniência em
que o pivot seja igual a ", para que se sigam operações de tipo 3); as operações de tipo 3 serão:
P" Ä P" #P% ß P# Ä P# $P% ß P3 Ä P$ &P% . O uso do teorema de Laplace restrito na 2ª
Sec. 4.11] Aplicação ao cálculo da característica de uma matriz 315
coluna seguido da regra de Sarrus completam o cálculo (em vez de usarmos a regra de Sarrus,
podíamos, claro está, baixar a ordem do determinante para 2, através da operação
G$ Ä G$ )G" e de mais uma aplicação do teorema de Laplace, desta feita à linha 2):
) # ' "% ! ! % ")
! ") ! *
"! $ $ "! # ! "'
œ œ # "' œ % " ) œ "'%!
% #
"" & & "# $" ! "! #
!
$" # $" #
! !
% # % " #
"! "!
" " "
Proposição 4.14 Seja E − Š7ß8 uma matriz não nula, de característica <:
i) Qualquer submatriz Q extraída de E tem característica inferior ou igual a <.
ii) Toda a matriz quadrada regular extraída de E é de ordem inferior ou igual a <.
Demonstração:
i) Sejam 1 Ÿ : Ÿ 7 e 1 Ÿ ; Ÿ 8 e Q œ E3" ß 3# ß á ß 3: à 4" ß 4# ß á ß 4; − Š:ß; uma
submatriz de tipo : ‚ ; extraída de E. Considere-se a matriz
Q w œ E"ß #ß á ß 7à 4" ß 4# ß á ß 4; − Š7ß;
que é composta pelas ; colunas de E que contribuem para Q (note que Q é submatriz de Q w );
o espaço gerado pelas colunas de Q w é subespaço do espaço gerado pelas colunas de E (ambos
subespaços de Š7 ), o que significa que a característica de Q w é inferior ou igual à de E:
cQ w Ÿ <
Mas o espaço gerado pelas linhas de Q é subespaço do espaço gerado pelas linhas de Q w
(ambos subespaços de Š; ), donde se deduz ser a característica de Q é inferior ou igual à de
Q w:
cQ Ÿ cQ w
Seja, agora, Q w œ E"ß #ß á ß 7à 4" ß 4# ß á ß 4< − Š7ß< a matriz extraída de E cujas colunas
são os vectores da base referida. Es colunas de Q w são linearmente independentes e a
das linhas B œ Bt" ß Bt# ß á ß Bt7 de Q w tem dimensão < e, de novo pela proposição [Link], B
característica de Q w é igual a <. Isto implica que o subespaço Z § Š< gerado pela sequência
conterá uma base Bt3 5 "Ÿ5Ÿ< de Z formada por < vectores. Desta forma, a matriz
Q œ E3" ß 3# ß á ß 3< à 4" ß 4# ß á ß 4<
é a matriz quadrada regular de ordem < e extraída de E, cuja existência o enunciado garante.
Observações:
ç Numa matriz E não nula de característica <, todas as submatrizes quadradas regulares têm
ordem, quando muito, igual a <: < representa, assim, um majorante das ordens das submatrizes
quadradas regulares de E.
ç Mas existe uma submatriz quadrada regular de ordem <, o que implica que < é o máximo
do conjunto das ordens das submatrizes quadradas regulares de E:
< œ max:À E3" ß 3# ß á ß 3: à 4" ß 4# ß á ß 4: é regular
Vamos, agora, definir a noção de matriz principal extraída de outra e a de matriz orlada, que
intervirão na proposição 4.15 que caracterizará as matrizes principais.
Definição 4.10 – Matriz principal – Seja E − Š7ß8 uma matriz não nula de tipo 7 ‚ 8 e
de característica <. Chama-se matriz principal extraída de E a qualquer submatriz
T œ E3" ß 3# ß á ß 3< à 4" ß 4# ß á ß 4< − Š<ß<
quadrada regular de ordem : œ < extraída de E (observe que, sendo E Á S7ß8 , será < !).
As linhas de índices 3" ß 3# ß á ß 3< são chamadas linhas principais de E e as colunas de
índices 4" ß 4# ß á ß 4< são colunas principais de E.
Por outras palavras, uma matriz principal extraída de E é uma submatriz T quadrada
regular de E e de ordem : máxima (igual a <). Em geral, é possível extrair várias matrizes
principais de E.
Sec. 4.11] Aplicação ao cálculo da característica de uma matriz 317
em que 3! − "ß 7 Ï 3" ß 3# ß á ß 3: e 4! − "ß 8 Ï 4" ß 4# ß á ß 4; ; isto significa que uma matriz
orlada associada a T contém uma linha e uma coluna adicionais extraídas das linhas e
Proposição 4.15 – Caracterização das matrizes principais – Seja E − Š7ß8 uma matriz
não nula e T uma matriz quadrada regular extraída de E. A matriz T é principal se e só se
não existem matrizes orladas associadas a T que sejam regulares.
Demonstração:
Seja < a característica de E e : a ordem da matriz regular
T œ E3" ß 3# ß á ß 3: à 4" ß 4# ß á ß 4:
que tem por colunas estes vectores. A matriz T é uma matriz regular extraída de Q ; a
Q tem só : colunas, o que prova que os +t45 "Ÿ5Ÿ: são linearmente independentes. Como
característica de Q é, portanto, superior ou igual a : e, de facto, é mesmo igual a : , visto que
Pela proposição 1.12, a sequência +t5 5−4! ∪4" ß4# ßáß4: é ainda linearmente independente e a
característica da matriz
Q w œ E"ß #ß á ß 7à 4! ∪ 4" ß 4# ß á ß 4: − Š7ß:"
(ver observações na pág. 28 do capítulo 1) e, como o espaço gerado pelas 7 linhas de Q w tem
318 Determinantes [Cap. 4
Q w,
3! − "ß 7 Ï 3" ß 3# ß á ß 3: , tal que
dimensão : ", existe forçosamente um vector-linha de Bt3! , com
A proposição 1.12 assegura então que a sequência Bt5 5−3! ∪3" ß3# ßáß3: de vectores de Š:" é
ainda linearmente independente. Isto mostra que a matriz
Q ww œ E3! ∪ 3" ß 3# ß á ß 3: à 4! ∪ 4" ß 4# ß á ß 4: − Š:"ß:"
(quadrada de ordem : "), formada por estes vectores é regular e é uma matriz orlada
associada a T , o que completa a demonstração.
Observações:
Do que ficou exposto, se conclui que:
ç Se a matriz E − Š7ß8 é nula, a sua característica é igual a ! (não existem matrizes
principais extraídas de E).
ç Se a matriz E − Š7ß8 Ï S7ß8 , o que ficou exposto mostra que a característica de E é a
ordem de qualquer matriz principal T extraída de E, ou seja, é a ordem : de uma submatriz
regular T , para a qual não existam matrizes orladas regulares associadas.
ç Quando encontramos uma submatriz Q regular (necessariamente de ordem : Ÿ <)
extraída de E, a vantagem do critério das matrizes orladas é diminuir o número de submatrizes
de ordens estritamente superiores a : cuja singularidade deve ser verificada (calculando os
min7,8
determinantes respectivos). Este número baixa de 7 ‚ 8 (total de submatrizes
5 5
associadas a Q ).
ç Na secção 4.16, apresenta-se a função Caracteristica como parte do package
ALGA`Determinantes` e que determina a característica de uma matriz, pelo método da
matriz principal. No package existem ainda funções para a determinação de um par de filas
principais da matriz – função FilasPrincipais – e para determinar uma matriz principal –
função MatrizPrincipal.
Exemplo 4.47 Considere-se a matriz real, de tipo % ‚ &,
# #
" #
" " $
Eœ
" % #
! '
" ! $ " %
" ( "
detT œ
"
# "
œ"Á!
"
Sec. 4.12] Aplicação aos sistemas de equações lineares. Regra de Cramer 319
# " # " $ # " # # " " # " $ # #
" % œ " " # œ " " # œ " " % œ " " # œ " # œ !
" "
" $ " ! " " ! % ! " ( ! " " ! '
" "
! "
Como não existem matrizes orladas regulares associadas a T , podemos concluir que
< œ cE œ : œ # e que T œ
" "
# "
é uma matriz principal extraída de E. As duas primeiras
linhas e colunas de E são as principais.
# " !
$ "
Eœ
#
# " !
" % "
Sejam ainda T œ E3" ß á ß 3< à 4" ß á ß 4< − Š<ß< uma matriz principal extraída de E e
W œ "ß #ß á ß 7 Ï 3" ß á ß 3< o complementar de 3" ß á ß 3< em "ß #ß á ß 7.
Chamaremos matriz característica associada a T e relativa à equação 5 a cada uma das
320 Determinantes [Cap. 4
a 8 incógnitas sobre um corpo Š e E Á S7ß8 . Nestas condições e sendo < œ cE, tem-se
Proposição 4.16 – Teorema de Rouché – Seja E\ œ F um sistema linear de 7 equações
ii) Existe uma matriz principal T − Š<ß< extraída de E, tal que são nulos os 7 <
determinantes característicos associados a T (ou não existem, se < œ 7).
iii) Para toda a matriz principal T − Š<ß< extraída de E, são nulos os 7 <
determinantes característicos associados a T (ou não existem, se < œ 7) .
Demonstração:
Sejam Ew œ E F a matriz ampliada do sistema, < œ cE e = œ cEw . Vimos no capítulo
2 que o sistema é possível sse cEw œ cE. Portanto, podemos substituir a condição i) pela
condição:
iw ) cEw œ cE.
ç A coluna < " de Y é extraída de E. Neste caso, Y − Š<"ß<" é uma matriz extraída
de E e, como T é principal extraída de E, será nulo o determinante de Y .
Fica
# " $ !
" % # "
"
Eœ eF œ
"
! ( " #
" ! $ " "
"
detT œ
"
# "
œ"Á!
"
determinantes são
# " # " $ # " " # " $
" % œ " " # œ " " % œ " " # œ !
"
" $ " ! " ! " ( ! " "
"
!
3ª equações) e valem
# " ! # " !
" " " œ " " " œ !
" ! " ! " #
# $ # &
% " % "
Eœ " # $ e F œ #
detT œ œ ( Á ! • detE œ !
#
# $
"
equação) e vale
# $ &
" # # œ &' Á !
% " "
Vamos, agora, usar a teoria dos determinantes para a resolução de sistema de equações
lineares. Consideraremos dois casos:
No primeiro, vamos considerar apenas sistemas E\ œ F , com E matriz quadrada regular
(igual número de equações e de incógnitas e com uma só solução), chamados sistemas de
Cramer12 .
No segundo caso, vamos estudar os sistemas E\ œ F , com < œ cE œ 7 8 (número de
equações estritamente inferior ao número de incógnitas e indeterminados de grau 8 <).
Demonstração:
Como E (a matriz simples do sistema) é quadrada e regular, tem-se cE F œ cE œ 8
forma vectorial do sistema: se B" ß B# ß á ß B8 for a solução, existirá uma e uma só forma de
e o sistema é determinado, existindo uma e uma só solução. Para a determinar, recorramos à
B3 +t3 œ t,
8
3œ"
Mas a função det é 8-linear alternada e, portanto, para todo o " Ÿ 5 Ÿ 8, será
det+t" ß +t# ß á +t5" ß t,ß +t5" ß á ß +t8 œ det+t" ß +t# ß á +t5" ß B3 +t3 ß +t5" ß á ß +t8
8
3œ"
œ B3
det+t" ß +t# ß á +t5" ß +t3 ß +t5" ß á ß +t8 œ B5 detE
8
œ$35 detE
3œ"
Tem-se, usando o método de condensação,
" # " " # " " " # "
" ! ! " ! "
" "
detE œ œ œ
" ! % $ ! " # # ! ! # "
# # " ! " !
" $ " " ! # " # ! !
! "
" " # " " " # "
! " ! " ! " ! "
œ œ œ " Á !
! ! " ! ! ! " !
! ! # " ! ! ! "
Daqui se conclui que E é quadrada e regular: estamos, pois, perante um sistema de Cramer.
Para calcular as incógnitas Bß Cß Dß A, teremos que calcular mais quatro determinantes de 4ª
F œ # " $ " T .
ordem, para as matrizes obtidas de E mediante a substituição das colunas 1 a 4 por
# # " " # "
" # ! " " # !
" #
det?B œ œ "&à det?C œ œ&
$ ! % $ " $ % $
#
" $ " " " " " "
" # " " #
" # " ! " # "
" " #
det?D œ œ $à det?A œ œ #
" ! $ " ! % $
#
" $ " " " $ " "
$
A solução do sistema, segundo 4.87, será o vector "&ß &ß $ß #. Observemos que a
determinação da solução envolveu o cálculo de 5 determinantes de 4ª ordem, para os quais
tivémos que utilizar um dos métodos gerais de cálculo (por exemplo, 5 condensações). Ora, o
método de Gauss-Jordan, permite-nos com uma só condensação determinar a solução!
Vamos, agora, abordar o segundo caso mencionado em cima:
sistema com 7 equações e 8 incógnitas e com < œ cE œ 7. No capítulo 1, vimos que um tal
Proposição 4.18 – Regra de Cramer para sistemas indeterminados – Seja E\ œ F um
sistema é sempre possível e a condição cE œ 7 implica 7 Ÿ 8. O caso < œ 8 é o que foi já
tratado na proposição anterior (regra de Cramer).
Suponha-se então que 7 œ < 8 e sejam +t5 5−"ß8 as colunas de E (que são vectores de
<
Š ). Neste caso, o sistema é indeterminado de grau 8 < e a solução pode ser calculada do
seguinte modo: seja
T œ E"ß #ß á ß <à 4" ß á ß 4< − Š<ß<
(onde " Ÿ 4" 4# á 4< Ÿ 8) uma submatriz principal de E e +t4" ß +t4# ß á ß +t4< − Š< as <
B45 œ 4.88
detT
à 5 œ "ß #ß á ß <
B5 œ >5 à 5 − "ß 8 Ï 4" ß á ß 4<
Demonstração:
Sendo T œ E"ß #ß á ß <à 4" ß á ß 4< − Š<ß< uma matriz principal de E, isso significa que
Mas a função det é 8-linear alternada e, portanto, para todo o " Ÿ 5 Ÿ <, será
det+t4" ß +t4# ß á ß +t45" ß t, ß +t45" ß á ß +t4< œ det+t4" ß +t4# ß á ß +t45" ß B4= +t4= ß +t45" ß á ß +t4<
w <
=œ"
œ B4=
det+t4" ß +t4# ß á ß +t45" ß +t4= ß +
t45" ß á ß +t4<
<
œ$=5 detT
=œ"
œ B45 detT
Basta agora dividir ambos membros por detT Á !, para obter o resultado pretendido.
Observações:
ç A equação 4.88 é em tudo semelhante à regra de Cramer, mas agora, para calcular uma
incógnita principal, calcula-se o determinante da matriz que resulta de substituir em T a coluna
w
relativa a essa incógnita principal por t, œ t, >5 +t5 .
5−"ß8Ï4" ßáß4<
ç Observemos também que, uma vez que podem existir várias matrizes principais extraídas
de E constituídas por diferentes escolhas de < 8 colunas de E, o conjunto das < incógnitas
incógnitas, poderão ser principais as incógnitas B" ß B# ß B$ , B" ß B$ ß B% ou ainda B# ß B$ ß B& ,
principais é, até certo ponto, arbitrário (num sistema duplamente indeterminado com 5
por exemplo).
ç Podemos resolver um sistema E\ œ F de 7 equações a 8 incógnitas, segundo o
seguinte procedimento:
326 Determinantes [Cap. 4
equações < œ 8 Ê detº (prop. 4.17)
Todos nulos Ê <principais
Tem-se
A matriz
B D @
# " $
T œ E"ß #ß $à "ß $ß % œ
$ # &
" % !
é tal que detT œ & Á ! e seja : œ $ a sua ordem (e característica). Não existem matrizes
Sec. 4.12] Aplicação aos sistemas de equações lineares. Regra de Cramer 327
orladas associadas a T (7 :8 : œ !); deste modo, T é uma matriz principal de E e
< œ : œ 7 œ $ 8, sendo o sistema possível e duplamente indeterminado (8 < œ & $).
As incógnitas principais são Bß D e @ (cujas colunas contribuíram para a formação de T ); C e
A são secundárias. Pela proposição 4.18, para determinar a solução geral do sistema,
calculamos os 3 determinantes seguintes introduzindo os parâmetros reais arbitrários + e ,, com
+ œ C e , œ A,
" #+ , " $
det?B œ % #+ $, ! œ #) $)+ &,
" , # &
%
# " #+ , $
det?D œ " ! œ "# "#+ &,
$ &
% #+ $,
" ,
# " " #+ ,
det?@ œ " % #+ $, œ "$ ")+
$ # " ,
%
A solução geral do sistema será então, para qualquer +w ß ,w œ "& +ß , − ‘# ,
Se escolhessemos outra matriz principal (por exemplo T w œ E"ß #ß $à "ß #ß $, em que
detT w œ ") Á !), chegaríamos a uma solução, com Bß C e D como incógnitas principais e em
função de +ß , − ‘# onde + œ @ e , œ A.
Exemplo 4.53 Considere-se o sistema
B $C $D
B "!C "!D œ "
œ"
#B C D œ#
Tem-se
" $ $ "
# " #
Eœ " "! "! e F œ "
"
A matriz
B C
T œ E"ß #à "ß # œ
" "!
" $
é tal que detT œ ( Á ! e seja : a sua ordem. Existe uma só matriz (7 :8 : œ ")
328 Determinantes [Cap. 4
det?B œ
" "!+ "!
" $+ $
œ(
det?C œ
" " "!+
" " $+
œ (+
Vamos terminar esta secção, enunciando uma importante proposição relativa a sistemas
homogéneos e que resulta do que vimos no capítulo 2
Proposição 4.19 Seja 8 um inteiro ! e E − Š8ß8 uma matriz de ordem 8 sobre Š. O
\ Á S) se e só se detE œ !.
sistema homogéneo E\ œ S, de 8 equações a 8 incógnitas, tem solução \ não trivial (isto é,
Demonstração:
Um sistema homogéneo tem sempre a solução trivial \ œ S e dizer que tem solução não
trivial equivale a dizer que é indeterminado. Como vimos na capítulo 2, isto acontece sse a
detE œ !.
característica < da matriz E é estritamente inferior a 8; por sua vez, esta condição equivale a
O seguinte corolário mostra uma consequência desta proposição que nos dá uma condição
suficiente (mas não necessária) para que uma lista de funções seja linearmente independente:
Sec. 4.12] Aplicação aos sistemas de equações lineares. Regra de Cramer 329
0 B 07 B
Se o determinante
0# B 0$ B
0 w B 0#w B 0$w B B
â
"
07 B
w
ww ww ww ww
â
7"
ã ã ã ä ã
0" B
7"
0# B 0$
7"
B â 07
7"
B
53 03 B œ !.
7
3œ"
3œ"
53 03w B œ !
7
3œ"
53 03ww B œ !
7
3œ"
â
53 0 3
7"
B œ !
7
3œ"
13 Em homenagem a Wrónski, Józef Maria Hoëné: matemático e filósofo polaco (Wolsztyn 1778 – Neuilly 1853).
330 Determinantes [Cap. 4
Exemplo 4.54 A sequência de funções 0 œ Bß sinBß cosB é linearmente independente, pois
o respectivo wronskiano não é identicamente nulo em M œ ‘:
B sinB cosB
[0 B œ " cosB sinB œ B
! sinB cosB
Exemplo 4.55 Seja = !. A sequência 0 de funções complexas definidas para > − ‘ por
0 œ /3#=> ß /3=> ß "ß /3=> ß /3#=>
é também linearmente independente, porque, como veremos, o seu wronskiano é negativo (e,
neste caso, independente do argumento >):
/3#=>
3#=>
/3=> " /3=> /3#=>
3#=/
3#=> 3=> 3=>
" " " " "
[0 > œ %= % "' " " #
"
"
" %
"!
) "
" " %
"
œ %="! % ‚ ' "' ‚ ' œ 288="! !
1.0 1.0
f1 f2
0.5 0.5
0.0 0.0
-1.0 -0.5 0.0 0.5 1.0
2.0
-0.5
f´
1
1.5
-1.0
-1.0 -0.5 0.0 0.5 1.0
1.0
0.5
0.0
2.0
f2´
-0.5 1.5
-1.0 1.0
-1.5 0.5
-2.0 0.0
-1.0 -0.5 0.0 0.5 1.0 -1.0 -0.5 0.0 0.5 1.0
Observemos que a expressão #B para a derivada de 0# é válida no ponto B œ !, visto que a
derivada de 0# na origem é
0# B 0# ! BB
0#w ! œ lim œ lim œ lim B œ ! œ #BBœ!
BÄ! B BÄ! B BÄ!
- - œ !
-" -# œ !
" #
Definição 4.13 – Matriz adjunta – Seja E œ +34 − Š8ß8 uma matriz de ordem 8 ". A
s − Š8ß8 cujos elementos são os cofactores dos +34 é chamada matriz complementar da
matriz E
s chama-se matriz adjunta de E e designa-se por adjE − Š8ß8 :
matriz E. A transposta de E
s œ cof+34 à adjE œ E
E sT 4.89
Proposição 4.20 Seja E œ +34 − Š8ß8 uma matriz de ordem 8 ". Então:
ET œ E
sT 4.91
s
i)
Sec. 4.13] Matriz adjunta e inversão de matrizes quadradas 333
Demonstração:
i) Para provar a primeira igualdade, determinemos o elemento da linha 3 e coluna 4 de
ambos os membros e verifiquemos que são iguais:
E
sT œ E
s œ cof+43
34 34
34 43
O teorema de Laplace restrito vai implicar uma importante propriedade da matriz adjunta,
com base na qual é depois imediato o cálculo da inversa de uma matriz regular E.
Proposição 4.21 – Propriedade fundamental da adjunta – Seja E œ +34 − Š8ß8 uma
matriz de ordem 8 " e adjE a sua matriz adjunta. Então:
i) E e a sua matriz adjunta são permutáveis e o seu produto é uma matriz escalar
adjEE œ EadjE œ detEM8 4.93
adjE 4.95
"
detE
E" œ
Esta igualdade mostra que o elemento -34 da linha 3 e da coluna 4 da matriz G œ E"
inversa de E se calcula por:
cof+43
4.96
detE
-34 œ à " Ÿ 3ß 4 Ÿ 8
Demonstração:
i) A igualdade matricial adjEE œ detEM8 equivale às 8# igualdades escalares
5œ"
334 Determinantes [Cap. 4
5œ"
+53 cof+53 œ
$33 detE œ detEà " Ÿ 3 Ÿ 8
8
5œ" œ"
Observemos que os cofactores dos elementos da coluna 3 de Ew são iguais aos da mesma coluna
de E (visto que os citados cofactores não dependem dos elementos da coluna 3 e que os
restantes elementos de Ew são iguais aos de E). Isto permite concluir que os elementos +53
w
da
w
coluna 3 de E satisfazem as igualdades:
w
+53 œ +54
cof+53 œ cof+53
w à " Ÿ 5 Ÿ 8,
Como det é uma forma alternada será detEw œ ! (colunas 3 e 4 de Ew iguais, por construção).
Usando o teorema de Laplace restrito para calcular detEw (que é nulo!) segundo a coluna 3,
obtém-se
5œ" 5œ"
adjEE œ E adjE œ M8
" "
detE detE
Sec. 4.13] Matriz adjunta e inversão de matrizes quadradas 335
detE adjE
"
e estas igualdades mostram que a matriz é a inversa de E
adjEà detE Á !
"
detE
E" œ
Observações:
ç Podemos resumir a propriedade fundamental da matriz adjunta dizendo que:
– É nula a soma dos produtos dos elementos de uma fila de um determinante pelos
cofactores dos elementos correspondentes de qualquer outra fila paralela.
– É igual ao determinante da matriz a soma dos produtos dos elementos de uma sua fila
pelos seus próprios cofactores (teorema de Laplace restrito).
ç Comparando 4.95 com o método de condensação do capítulo 2, mais uma vez se
apenas um elemento da matriz inversa enquanto que 4.96 nos dá qualquer elemento da inversa
verifica que o método de condensação é global, isto é, não é possível calcular por condensação
" $ #
$ # "
Eœ # " %
O determinante de E é
detE œ $* Á !
"
" "!
adjE œ
(
"
detE $*
"" (
E" œ "! ( )
"
336 Determinantes [Cap. 4
& " ! # $
" " # "
E œ " # ! $ "
!
" " ! " !
! # $ # !
& " ! # $ & " ! # $
& " # $
" " # " " ! " # "
" # $ "
detE œ " # ! $ " œ " # ! $ " œ
!
$ # ) $
! # $ # ! $ # ! ) $
" " " !
" " ! " ! " " ! " !
Neste último determinante, condensemos, agora, a 4ª linha com o seu primeiro elemento 1
como pivot e apliquemos o teorema de Laplace restrito a essa linha, seguido da regra de Sarrus:
& % $ $
% $ $
" " % "
detE œ œ " % " œ "$( Á !
& & $
" ! ! !
$ & & $
O resultado mostra que E é matriz regular; determinemos apenas o elemento -#$ da linha 2 e
coluna 3 da inversa E" :
cof+$# ' '
detE
-#$ œ œ œ œ
"$( "$(
Sec. 4.14] Fórmula de Cauchy 337
Eœ
+88
Ew G
P
detE œ +88 detE8à 8 "34 detEw 3à 4+38 +84 4.97
8"
3ß4œ"
ou ainda:
detE œ +88 detEw P adjEw G 4.98
Demonstração:
Comecemos por desenvolver o determinante de E pela coluna 8, usando o teorema de
Laplace restrito e separemos a parcela contendo +88 :
3œ"
As 8 " matrizes E3à 8"Ÿ3Ÿ8" , de ordem 8 ", contêm os elementos +84 "Ÿ4Ÿ8" da
linha 8 de E e que constituem sempre a linha 8 " dos E3à 8.
matrizes E3à 8 e observando que E3ß 8à 4ß 8 œ Ew 3à 4, temos, para todo o " Ÿ 3 Ÿ 8 ":
Aplicando agora o teorema de Laplace restrito à linha 8 " (a última) de cada uma dessas
detE3à 8 œ +84 " detE3ß 8à 4ß 8 œ +84 "8"4 detEw 3à 4 2
8" 8"
8"4
4œ" 4œ"
detE œ +88 detE8à 8 +38 "38 +84 "8"4 detEw 3à 4
8" 8"
3œ" 4œ"
3ß4œ"
3ß4œ"
Ew Þ
ç +38 "Ÿ3Ÿ8" constitui a coluna G .
Observações:
nº de parcelas 8x
O total de parcelas é:
ç A fórmula de Cauchy é susceptível de uma generalização que consiste em usar uma linha
par 3ß 4"Ÿ3ß4Ÿ8 : trocando sucessivamente a linha 3 com cada uma das seguintes (8 3 trocas) e
3 e uma coluna 4 quaisquer da matriz E para aplicar o teorema de Laplace restrito. Fixemos um
posição 8ß 8 mantendo a ordem das linhas de índices < Á 3 e das restantes colunas de índices
a coluna 4 com cada uma das seguintes (8 4 trocas), levamos o elemento +34 a ocupar a
Obtivemos, portanto, uma forma mais geral da fórmula de Cauchy 4.98, válida agora para
quaisquer " Ÿ 3ß 4 Ÿ 8 e da qual 4.98 é um caso particular (com 3 œ 4 œ 8):
Exemplo 4.60 Calculemos de novo o determinante do exemplo 4.42
" # ! # $
%
$ " # #
detE œ $ ! % "
# & "
#
%
! $
" " # !
A fórmula de Cauchy dá, finalmente,
" # ! # &# #) % $
% $ " # ' ") $! #
"#
detE œ ! % " " #
$ ! # %
'
(' %
# & " ! #) $
(% $% &% &! "
"#
$
#
œ %%! "!% (# "&# œ "'%!
$
"
8 " um número inteiro e Š œ ‘ ou Š œ ‚. Seja ainda +t4 "Ÿ4Ÿ8 À M Ä Š8 à B È +t4 B uma
Proposição 4.23 – Derivada de um determinante – Seja M § ‘ um intervalo aberto em ‘,
é diferenciável em B! e tem-se
? B! œ det+t" B! ß +t# B! ß á ß +tw4 B! ß á ß +t8 B! 4.100
8
w
4œ"
Sec. 4.15] Derivada de um determinante 341
Demonstração:
Seja Š um dos corpos ‘ ou ‚ e, antes de mais, observe-se que dizer que as 8 funções
vectoriais +t4 À M Ä Š8 são diferenciáveis em B! equivale a dizer que são diferenciáveis nesse
ponto as suas 8 funções componentes escalares +34 "Ÿ3ß4Ÿ8 de variável real, tendo-se
Todas as funções que intervêm na expressão anterior estão definidas em M e com valores em
Š e são diferenciáveis em B! , donde ? é também diferenciável neste ponto e tem-se, atendendo
às regras de derivação da soma e do produto:
?w B! œ &5 +5w " " B! +5# # B! â+58 8 B! &5 +5" " B! +5w # # B! â+58 8 B!
5 − Æ8
det+t" B! ß +t# B! ß á ß á ß +t8 B! det+t" B! ß +tw# B! ß á ß á ß +t8 B!
5 − Æ8
w
œ
â det+t" B! ß +t# B! ß á ß á ß +tw8 B!
Observações:
ç A expressão 4.100 diz-nos que a derivada de um determinante de ordem 8 é a soma dos
8 determinantes obtidos derivando sucessivamente as colunas "ß #ß á ß 8 e deixando inalteradas
as restantes 8 " colunas:
w
+"" B! +"# B! â +"8 B! +"" B! +"# B! â +"8 B!
w
w
+#" B! +## B! â +#8 B! +#" B! +## B! â +#8 B!
? B! œ
w
w
w
8" !
88 ! 8" !
88 !
ã ã ä ã ã ã ä ã
w
+ B + B â + B + B + B â + B
+"" B! +"# B! â +"8 B!
8# ! 8# !
w
+8" B! +8# B! â +88 B!
ã ã ä ã
w
342 Determinantes [Cap. 4
+#" B! +## B! â +#8 B! +#" B! +## B! â +#8 B!
? B! œ
w w
w
8" !
88 ! 8" !
88 !
ã ã ä ã ã ã ä ã
+ B + B â + B + B + B â + B
+"" B! +"# B! â +"8 B!
8# ! 8# !
+#" B! +## B! â +#8 B!
â
w
+8" B! +8# B! â +88 B!
ã ã ä ã
w w
ln" B# cosB
"B#
#BcosB# sinB#
œ
cosB
"B#
"B# #
B
ln" B# sinB
"B#
#B
"B#
œ #BcosBcosB# # #
#B# " B#
" B " B
# sin B sin B # ln " B
# #
MATHEMATICA©
ç Cofactor[mat,{i,j}]
Determina o cofactor do elemento da linha i e coluna j da matriz mat.
Esta função está implementada no package DiscreteMath`Combinatorica`; no entanto,
o package ALGA`Determinantes` define uma função Cof mais geral do que esta. Além
desta, este package implementa as seguintes funções adicionais:
ç PermutacaoQ[lista]
Determina se a lista dada é uma permutação de "ß #ß á ß 8, para algum 8.
ç TransposicaoQ[lista]
Determina se a lista é uma transposição.
ç ElementarQ[lista]
Determina se a lista é uma transposição elementar.
ç PermInv[p]
Determina a permutação inversa de p.
ç Composicao[p1,p2]
Determina a composta de p1 com p2 (p1 ‰ p2).
ç Decomposicao[p]
Devolve uma lista de transposições, cuja composição (pela ordem resultante) é igual a p.
ç Epsilon[p]
Determina a paridade ou sinal da permutação p. Equivale à função Signature já existente.
ç CondensacaoDet[mat]
Calcula o determinante da matriz quadrada mat, pelo método de condensação.
ç MatrizComplementar[mat,linhas,colunas]
Determina a submatriz de mat obtida por eliminação da linhas indicadas na lista linhas e
das colunas indicadas na lista colunas.
ç MenorComplementar[mat,linhas,colunas]
Determina o menor complementar do menor da matriz mat formado pelas linhas e colunas
indicadas nas listas linhas e colunas.
ç Paridade[linhas,colunas]
Determina a paridade de um menor formado pelas filas indicadas nas listas linhas e
colunas.
344 Determinantes [Cap. 4
ç Cof[mat,linhas,colunas]
Determina o cofactor do menor da matriz mat formado pelas linhas e colunas indicadas nas
listas linhas e colunas.
ç LaplaceDet[mat,filas,Colunas->Opção]
Calcula o determinante de mat aplicando o teorema de Laplace às filas indicadas em filas.
A opção Colunas->True ou Colunas->False indica se essas filas são linhas ou colunas
(por defeito é Colunas->True).
ç RecursivoDet[mat]
Calcula o determinante de mat, aplicando recursivamente o teorema de Laplace restrito à
primeira coluna do determinante.
ç Adj[mat]
Determina a matriz adjunta da matriz quadrada mat.
ç MatrizInversa[mat]
Determina a matriz inversa da matriz quadrada mat, através da matriz adjunta.
ç FilasPrincipais[mat]
Devolve o par formado pelas listas de linhas e de colunas principais de mat.
ç MatRank[mat]
Determina a característica da matriz mat através de uma matriz principal. É equivalente à
função MatrixRank existente no MATHEMATICA© .
ç MatrizPrincipal[mat]
Determina uma matriz principal de mat.
ç Cramer[mat,vec,simb]
Determina o vector solução geral do sistema linear de matriz simples mat e vector de termos
independentes vec, exprimindo-a, no caso de indeterminação, nos necessários parâmetros
arbitrários simb[1], simb[2], etc.
ç Cauchy[mat,{i,j}]
Calcula o determinante de mat, através da fórmula de Cauchy 4.98.1 e usando a linha i e a
coluna j.
ç Wronskian[lista]
Calcula o wronskiano da lista de funções puras lista.
BeginPackage["ALGA`Determinantes`", {"Combinatorica`"}]
MatrizComplementar::usage =
"MatrizComplementar[mat, linhas, colunas] devolve a submatriz obtida de mat eliminando \
as filas indicadas nas listas linhas e colunas."
MenorComplementar::usage =
"MenorComplementar[mat, linhas, colunas] devolve o menor complementar da submatriz \
de mat cujas filas se indicam nas listas linhas e colunas."
Paridade::usage =
"Paridade[linhas, colunas] calcula a paridade do menor constituído pelas linhas e colunas \
indicadas nos argumentos."
Cof::usage =
"Cof[mat, linhas, colunas] calcula o cofactor da submatriz de mat cujas linhas e colunas \
se indicam nos 2º e 3º argumentos."
LaplaceDet::usage =
"LaplaceDet[mat,filas] devolve o valor do determinante de mat, calculando-o pelo teorema \
de Laplace, usando os menores contidos nas filas da lista filas. A opção Colunas -> False \
indica que as filas indicadas são linhas; A opção Colunas -> True indica que as filas \
indicadas são colunas; por defeito, o desenvolvimento é por colunas."
Colunas::usage = "A opção Colunas -> False indica que as filas indicadas na função LaplaceDet \
são linhas; A opção Colunas -> True indica que as filas indicadas são colunas; por defeito, o \
desenvolvimento é por colunas."
346 Determinantes [Cap. 4
Cramer::usage = "Cramer[mat, vec, simb] devolve o vector solução geral do sistema de matriz \
simples mat e termos independentes vec, usando a regra de Cramer e os símbolos simb[1], \
simb[2], etc, como parâmetros arbitrários (quando indeterminado)."
Cauchy::usage = "Cauchy[mat, {i, j}] devolve o determinante de mat, calculado pela regra de \
Cauchy, a partir do elemento na posição (i,j)."
Begin["`Private`"]
(* -------------------------------- DEFAULTS -------------------------------- *)
]
]
];
{{},{}}
]
End[]
EndPackage[]
Determinantes
4.16.1. Permutações
ALGA`Determinantes`
? PermutacaoQ
PermutacaoQ2, 4, 1
False
PermutacaoQ3, 4, 2, 1
True
Podemos definir uma função para gerar aleatoriamente uma permutação com uma
Sec. 4.16] Anexos: determinantes e o MATHEMATICA 353
PermutacaoRandomn1_Integer, n2_Integer :
Modulen, p, n RandomIntegern1, n2;
Whilep RandomInteger1, n, n; PermutacaoQp, Null; p
PermutacaoRandom5, 10
5, 7, 6, 4, 1, 2, 3
4, 2, 3, 1, 6, 5
E verificar o resultado
Composicaop, q RangeLengthp
True
s10 PermutationsRange10;
p s10RandomInteger1, 10,
q s10RandomInteger1, 10
E compô-las
? Composicao
Sec. 4.16] Anexos: determinantes e o MATHEMATICA 355
r Composicaop, q
3, 5, 6, 1, 4, 9, 2, 10, 7, 8
? Epsilon
1, 1, 1
1, 1, 1
? Decomposicao
356 Determinantes [Cap. 4
Decomposicaop devolve uma lista t1,t2,...,tn de transposições tais que p = t1 o t2 o...o tn.
d Decomposicaop
2, 3, 8, 5, 7, 4, 6, 9, 10, 1
? DefDet
Sec. 4.16] Anexos: determinantes e o MATHEMATICA 357
? CondensacaoDet
? RecursivoDet
? Cauchy
358 Determinantes [Cap. 4
Cauchymat, i, j devolve o determinante de mat, calculado pela regra de Cauchy, a partir do elemento na posição i,j.
3 2 8 8 7 8 5
2 9 9 1 0 7 6
4 4 6 8 7 5 5
5 8 4 5 3 8 1
6 9 1 4 9 4 9
9 3 8 6 6 6 2
4 5 9 4 8 2 6
29 585 486, 29 585 486, 29 585 486, 29 585 486, 29 585 486
? MatrizComplementar
? MenorComplementar
Sec. 4.16] Anexos: determinantes e o MATHEMATICA 359
? Paridade
Paridadelinhas, colunas calcula a paridade do menor constituído pelas linhas e colunas indicadas nos argumentos.
? Cof
360 Determinantes [Cap. 4
2 8 8 5
4 8 5 5
9 4 4 9
5 4 2 6
432, 432
A paridade será
1
432, 432
RecursivoDeta
29 585 486
29 585 486
A adjunta de a é a matriz
362 Determinantes [Cap. 4
b Adja MatrixForm
110 278 537 436 673 320 2 826 692 1 373 054 3 175 200 1 4
1 395 366 1 158 856 797 432 500 684 734 698 136 094 5
1 407 056 763 550 2 059 438 595 414 900 064 332 850 3
108 108 2 092 098 1 838 698 4 014 292 424 082 1 394 400 3
1 166 809 285 799 1 613 917 921 187 1 125 365 1 478 582 1 3
468 076 1 066 376 1 568 186 2 837 736 2 273 218 767 088 86
618 401 3 121 873 18 551 3 441 779 586 949 1 425 802 2 2
a.b b.a
True
a.b MatrixForm
29 585 486 0 0 0 0 0
0 29 585 486 0 0 0 0
0 0 29 585 486 0 0 0
0 0 0 29 585 486 0 0
0 0 0 0 29 585 486 0
0 0 0 0 0 29 585 486
0 0 0 0 0 0 29 58
Que é igual a
Sec. 4.16] Anexos: determinantes e o MATHEMATICA 363
29 585 486 0 0 0 0 0
0 29 585 486 0 0 0 0
0 0 29 585 486 0 0 0
0 0 0 29 585 486 0 0
0 0 0 0 29 585 486 0
0 0 0 0 0 29 585 486
0 0 0 0 0 0 29 58
c MatrizInversaa MatrixForm
7877
2 113 249
14268 718
792 743
336 660
14 792 743
1 413 346
14 792 743
14686 527
792 743
2226 800
113 249
702 031
14 792 743
2 99 669
113 249
14579 428
792 743
398 716
14 792 743
14250 342
792 743
14367 349
792 743
9721
2 113 249
14296 585
792 743
100 504
2 113 249
14381 775
792 743
1 029 719
14 792 743
297 707
14 792 743
14450 032
792 743
2 23 775
113 249
15 590
14 792 743
7722 1 046 049 919 349 2 007 146 212 041 99 600
2 113 249 14 792 743
14 792 743 14 792 743 14 792 743 2 113 249
14185 306
792 743
166 687 285 799 1 613 917 921 187 1 125 365
4 226 498 29 585 486 29 585 486 29 585 486 29 585 486
2105 613
113 249
14684 494
792 743
2 33 434
113 249
14533 188
792 743
14784 093
792 743
1 418 868
14 792 743
1 136 609
14 792 743
2 54 792
113 249
431 913
14 792 743
4 88 343
226 498
3 121 873
29 585 486
2918 551
585 486
3 441 779
29 585 486
586 949
29 585 486 2101 843
113 249
1 128 517
14 792 743
a.c MatrixForm
364 Determinantes [Cap. 4
1 0 0 0 0 0 0
0 1 0 0 0 0 0
0 0 1 0 0 0 0
0 0 0 1 0 0 0
0 0 0 0 1 0 0
0 0 0 0 0 1 0
0 0 0 0 0 0 1
4 3 4 5 2 4 4
3 9 5 8 2 3 5
1 6 1 2 4 6
3 5 5 5 3 3 7 3
paridades e cofactores
45 4
6 46
23 6 , 23 6
A paridade será
23 6 , 23 6
366 Determinantes [Cap. 4
? LaplaceDet
LaplaceDetmat,filas devolve o valor do determinante de mat, calculando-o pelo teorema de Laplace, usando os
menores contidos nas filas da lista filas. A opção Colunas -> False indica que as filas indicadas são linhas; A
opção Colunas -> True indica que as filas indicadas são colunas; por defeito, o desenvolvimento é por colunas.
? Adj
? MatrizInversa
Sec. 4.16] Anexos: determinantes e o MATHEMATICA 367
RecursivoDeta
3952 1608
3952 1608
A adjunta de a é a matriz
b Adja MatrixForm
368 Determinantes [Cap. 4
a.b b.a
True
a.b MatrixForm
3952 1608 0 0 0
0 3952 1608 0 0
0 0 3952 1608 0
0 0 0 3952 1608
Que é igual a
3952 1608 0 0 0
0 3952 1608 0 0
0 0 3952 1608 0
0 0 0 3952 1608
Sec. 4.16] Anexos: determinantes e o MATHEMATICA 369
c MatrizInversaa MatrixForm
a.c MatrixForm
1 0 0 0
0 1 0 0
0 0 1 0
0 0 0 1
? FilasPrincipais
370 Determinantes [Cap. 4
FilasPrincipaismat devolve o par formado pelas listas de linhas e de colunas principais da matriz mat.
? MatrizPrincipal
? MatRank
Sec. 4.16] Anexos: determinantes e o MATHEMATICA 371
3 2 1 0
6 4 0 3
3 2 1 3
0 0 2 3
FilasPrincipaisa
p MatrizPrincipala MatrixForm
3 1
6 0
Detp 0
372 Determinantes [Cap. 4
True
gl KSubsetsRangeLengtha, 3;
gc KSubsetsRangeDimensionsa2, 3;
gl KSubsetsRangeLengtha, 4;
gc KSubsetsRangeDimensionsa2, 4;
0
MatRanka, MatrixRanka
Sec. 4.16] Anexos: determinantes e o MATHEMATICA 373
2, 2
? Cramer
374 Determinantes [Cap. 4
2 1 3
3 2 2
5 3 1
b 5, 5, 16;
sol Cramera, b, x
Verificação da solução
Simplify[Link] b
True
Neste outro exemplo, a matriz simples e o vector dos termos independentes são
1 2 1 3
2 4 4 3
3 6 1 8
b 3, 9, 10;
sol Cramera, b, x
As colunas principais da matriz simples são a 1ª e 3ª, confirmando serem estas as incóg-
nitas principais escolhidas pelo algoritmo anterior. As equações principais foram as duas
primeiras.
FilasPrincipaisa
Verificação da solução
376 Determinantes [Cap. 4
Simplify[Link] b
True
Neste último exemplo, a matriz simples e o vector dos termos independentes são
1 5 4 13
3 1 2 5
2 2 3 4
b 3, 2, 1;
Cramera, b, x
Neste último exemplo, a matriz simples e o vector dos termos independentes são
complexos
Sec. 4.16] Anexos: determinantes e o MATHEMATICA 377
b 6 I, 9 4 I, 20 16 I
6 , 9 4 , 20 16
sol Cramera, b, x
5 2 x3,
4 14
53 53
Verificação da solução
Simplify[Link] b
True
Remove"Global`"
? Wronskiano
Sec. 4.16] Anexos: determinantes e o MATHEMATICA 379
Wronskianolista,var devolve o Wronskiano da lista de funções puras indicadas, usando a variável var como argumento.
Wronskianof, x
Wronskianof, x
Wronskianof, x
380 Determinantes [Cap. 4
1
Bibliografia 381
Bibliografia
[29] MAGALHÃES, LUÍS T. Álgebra Linear como introdução à Matemática Aplicada. Texto
Editora, Lisboa, 1990.
[30] MATOS, ISABEL T. Tópicos de Álgebra Linear, no site do ISEL em
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Computer Scientists 1 & 2, Springer-Verlag, Berlin Heidelberg New York, 2004.
[32] MC DUFFEE, C. C. The Theory of Matrices, 1946.
[33] MESSIAS, MANUEL J. A. Sebenta de Álgebra Linear. Reprografia do ISEL, Lisboa, 2000.
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Verlag Dashöfer, Lisboa, 2011.
[35] MONTEIRO, ANTÓNIO. Álgebra Linear e Geometria Analítica. Editora McGraw-Hill de
Portugal, Lda , Lisboa, 2001.
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[45] SOMMERVILLE, D. M. Y. Analytical Geometry of Three Dimensions, 1951.
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Francisco, 1974.
[47] STRANG, GILBERT. Introduction to Linear Algebra, Fourth Edition, 2009.
[48] SUPPES, P. Axiomatic Set Theory. Dover Publications, Inc., New York, 1972.
[49] VÁRIOS AUTORES. Dictionnaire des Mathématiques: algèbre, analyse, géométrie.
Encyclopædia Universalis Albin Michel, Paris, 1997.
[50] WOLFRAM STEPHEN. The MATHEMATICA Book, Fourth Edition. Wolfram Media –
Cambridge University Press.









