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Estado de Espírito do Sujeito Poético

O poema descreve um ambiente noturno frio e nevoento, que reflete o estado de espírito angustiado e sem sentido do sujeito poético. Ele se sente perdido e cheio de tédio, desejando dormir para escapar destes sentimentos.

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Estado de Espírito do Sujeito Poético

O poema descreve um ambiente noturno frio e nevoento, que reflete o estado de espírito angustiado e sem sentido do sujeito poético. Ele se sente perdido e cheio de tédio, desejando dormir para escapar destes sentimentos.

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GRUPO I

Texto A

Há no firmamento

Um frio lunar.

Um vento nevoento

Vem de ver o mar.

Quase maresia

A hora interroga,

E uma angústia fria

Indistinta voga.

Não sei o que faça,

Não sei o que penso,

O frio não passa

E o tédio é imenso.

Não tenho sentido,

Alma ou intenção...

‘Stou no meu olvido...

Dorme, coração...

vogar: flutuar, boiar; espalhar-se, difundir-se

olvido: esquecimento;

repouso, descanso; estado de uma coisa ou pessoa esquecida;

Fernando Pessoa, in Poesias, Ed. África

Apresenta, de forma bem estruturada, as tuas respostas ao questionário.

1. Faz a divisão do poema em partes lógicas e sintetiza o assunto de cada uma delas.

2. Analisa o estado de espírito do sujeito poético. Justifica com transcrições textuais.


3. Atenta nas duas últimas estrofes.

3.1. Identifica dois recursos expressivos e salienta a sua expressividade.

XXVI

Às vezes, em dias de luz perfeita e exata,

Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,

Pergunto a mim próprio devagar

Porque sequer atribuo eu

Beleza às coisas.

Uma flor acaso tem beleza?

Tem beleza acaso um fruto?

Não: têm cor e forma

E existência apenas.

A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe

Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.

Não significa nada.

Então porque digo eu das coisas: são belas?

4. Explica a importância da referência à luz perfeita e exata”(v.1) para a compreensão da


questão que o sujeito poético coloca a si próprio na primeira estrofe.

5. Explicita a tensão dramática vivida pelo “ eu” ao longo do texto.


Grupo I

1. 1. O poema divide-se em duas partes lógicas: na primeira parte, constituída pelas duas
primeiras quadras, o sujeito poético descreve o ambiente exterior que o rodeia (caracterizado
pelo firmamento, pelo frio e pelo vento), o qual se identifica com os seus sentimentos; a
segunda parte é constituída pelas duas últimas estrofes e aqui exprime o seu estado de
espírito que é provocado, em parte, pelo exterior. 15-12-9-6-3 +5+5

2. O estado de espírito do “eu”poético pode caracterizar-se como angustiado (“E uma


angústia fria /Indistinta voga”), perdido e indefinido, ou seja, cheio de incertezas, sem
esperança nem sentido (“Não sei o que faça /Não sei o o que penso”). Para além disso, sente-
se cheio de tédio, visível no verso “E o tédio é imenso”, assim como incapaz de sentir (“ Não
tenho sentido/Alma ou intenção”). Por fim, é de salientar que o sujeito poético caiu no
esquecimento, como se pode verificar no verso “’Stou no meu olvido”. Afinal, o que ele sente
é o que ele vê, como se o ambiente exterior fosse exatamente igual às suas sensações
interiores. 12-9-6-3 +4+4

3. 3. Um recurso presente é a anáfora (“Não sei…./Não sei…) que salienta o estado de


indefinição e incerteza do sujeito poético, realçado também pela frase negativa. Outro dos
recursos presentes é a apóstrofe (“Dorme, coração”) que exprime a vontade o “eu” de não
sentir, pois assim não experimentaria a angústia pela qual está a passar. 12-9-6-3 +4+4

4. 4. A referência ao facto de a luz ser “perfeita e exata” torna pertinente a questão que o
sujeito poético coloca a si mesmo, porque, segundo ele, a realidade (“as coisas”) é apenas
aquilo que os sentidos nos dão. Ora, se há uma luminosidade intensa, os objetos apresentam-
se tão visíveis que não é necessário ver para além deles, ou seja, não é preciso imaginar,
atribuindo-lhes qualidades como beleza. Dai o mal estar do sujeito poético consigo próprio,
expresso nos versos “Pergunto-me a mim devagar…”. 9-7-5-3 +3+3

5. 5, O “eu” vive um conflito permanente que advém do facto de ele apenas querer
apreender o real através dos sentidos (“cor”, “forma”, “existência”). Contudo, não consegue
alcançar esse desejo, porque o pensamento vem perturbar essa aliança desejada com as
“coisas”. 12-9-6-3 +4+4

GRUPO II

1.1.A centralidade de Caeiro é representada no texto, entre outras, através da expressão

(A) «sol do universo pessoano» (linha 5).


1.2. No contexto da poesia pessoana, a expressão «jogo infinito com as racionalmente
definidas fronteiras

do real e do irreal» (linha 12) remete para

(A) a interpenetração da realidade e da imaginação.

1.3. O recurso à expressão «tudo o que Fernando Pessoa não pode ser» (linha 4) configura
uma

(D) catáfora.

1.4. A utilização de «pois» (linha 3) e de «Por isso» (linha 22) contribui para a coesão

(B) interfrásica.

1.5. No excerto «Inês Pedrosa refere que Caeiro seria a “figura da musa” para o poeta, que
aliás o descreve em termos helénicos, louro como um deus grego.» (linhas 16-17), as palavras
sublinhadas são

(B) uma conjunção e um pronome, respetivamente.

Responde de forma correta aos itens apresentados.

2. Classifica as orações seguintes:

2.1. «que a carta não diz toda a verdade sobre a criação do heterónimo, nem dos poemas»
(linha10).

Subordinada (substantiva) completiva

2.2. «que rejeita a ideia defendida por muitos estudiosos da “alma una” de Caeiro.» (linhas
14-15).

Subordinada (adjetiva) relativa explicativa

2.3. «para que Pessoa continue o seu jogo infinito com as racionalmente definidas fronteiras
do real e do irreal.»(linhas 11-12)

Subordinada (adverbial) final

3. Identifica a função sintática desempenhada pelos segmentos sublinhados:

3.1. «…Pessoa continue o seu jogo infinito…» (linha 12) Predicativo do Sujeito

3.2. «… Voltou no final da sua curta vida para Lisboa,…»(linha 20) complemento oblíquo
3.3. «…para quem viver e pensar não são atos separados…» (linha 22). Sujeito

GRUPO III

Fazendo apelo à tua experiência de leitor, explica de que modo a oposição entre pensar e
sentir se manifesta na poesia de Fernando Pessoa ortónimo, referindo-te a poemas relevantes
para o tema em análise.

Escreve um texto de oitenta a cento e cinquenta palavras.

A propósito da poesia de Fernando Pessoa, podemos falar de uma conceção dinâmica da


realidade, alicerçada na união dos contrários, como é o caso da oposição sentir/pensar.

De facto, a dicotomia pensar/sentir é uma constante na sua poesia, apresentando-se,


frequentemente, como objeto de reflexão (por exemplo, nos poemas “Isto” ou
“Autopsicografia”), já que para o poeta a racionalização das sensações (sentir) é a base da
criação artística mas também é aquilo que o impede de sentir, o que o leva à frustração, pois
não consegue ser feliz como o gato (“Gato que brincas na rua…”) ou a ceifeira (“canta sem
razão…”), por exemplo, que se limitam a sentir e, por isso, são feliz

Em síntese (Para concluir), é através desta oposição que o poeta construiu uma poesia do
“fingimento” e uma conceção da realidade que o conduziu à certeza de que ele próprio é um
paradoxo

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