0% acharam este documento útil (0 voto)
26 visualizações10 páginas

Arcos

O documento discute as origens do berimbau brasileiro e sua relação com arcos musicais de Angola como o hungo e o mbulumbumba. A pesquisa etnomusicológica de Gerhard Kubik na década de 1960 documentou semelhanças entre esses instrumentos angolanos e o berimbau, porém estudiosos posteriores questionaram algumas de suas conclusões. O autor também observou semelhanças e diferenças durante sua própria pesquisa em Angola.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
26 visualizações10 páginas

Arcos

O documento discute as origens do berimbau brasileiro e sua relação com arcos musicais de Angola como o hungo e o mbulumbumba. A pesquisa etnomusicológica de Gerhard Kubik na década de 1960 documentou semelhanças entre esses instrumentos angolanos e o berimbau, porém estudiosos posteriores questionaram algumas de suas conclusões. O autor também observou semelhanças e diferenças durante sua própria pesquisa em Angola.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Os arcos musicais em Angola

O arco musical brasileiro (berimbau) e uns dos arcos musicais africanos que se
modernizou na diáspora sendo atualmente um dos arcos monocórdio dos mais conhecido
internacionalmente principalmente devido à sua associação com a capoeira alem de ser
um instrumento musical que vem sendo cada vez mais utilizado por músicos e
percussionistas como Naná Vasconcelos (1944-2016)

As razões pelo qual o arco musical berimbau foi associado com a capoeira se tornando
o principal instrumento musical dos estilos contemporâneos de capoeira, ainda sao
desconhecida , de acordo com todas as evidências disponíveis, esta associação e bem
recente não podendo se evidenciada uma data exata. Embora a capoeira seja
documentada como um jogo de combate praticado por africanos e crioulos escravizados
nas capitais e cidade do interior do Brasil principalmente na Bahia Rio de Janeiro e
Pernambuco , pelo menos desde o início do século XIX, ao que tudo indica a introdução
do arco musical do foi documentada na Bahia na Bahia, muito embora a utilização do
arco musical tenha sido documentada como parte de outras atividades da cultura afro
brasileira - a matriz da estilos contemporâneos de capoeira - remontam apenas ao início
do século XX.

[Link]
AA6rds/edit#

Isso é interessante por várias razões. Como a capoeira e o berimbau geralmente estão
associados não apenas às origens africanas, mas mais especificamente bantu ou
angolanas, as questões que inevitavelmente surgem não são apenas como cada uma delas
se relaciona com formas africanas anteriores, mas também em que medida esses
ancestrais africanos se relacionavam com entre si. Em outras palavras, estamos entrando
aqui na arena disputada das 'origens' africanas, onde estudiosos debatem desde o famoso
debate de Frazier / Herskovits, na década de 1940, sobre a importância e a extensão do
'empréstimo' e 'retenções' versus 're -invenções 'de formas' 'ou' derivadas da África 'nas
Américas.( Assunção 2005)

O etnomusicologista Gerhard Kubik realizou uma pesquisa no sudoeste de Angola na


década de 1960, documentando três tipos de arcos (mbulumbumba,

Chapinga Mongrese M’bulumbumba, casa Chapinga Mongrese

Humpata, 2006 2006 © M. Cobra Mansa e Matthias Röhrig Assunçaõ , 2006)The


Angolan Roots of Capoeira 2006

Sagaya

e o [k] honji.

Sua pesquisa foi posteriormente incorporada ao seu estudo de 'extensão cultural africana
no exterior', onde Kubik avança na hipótese de que 'características organológicas de
vários arcos de cabaça de Angola e do sul do Zaire provavelmente se fundiram no Brasil
para formar o berimbau de barriga como o conhecemos hoje'.
Fernando Ortiz e Waldeloir Rego, também destacou que quase todos os nomes africanos
que ocorrem no Brasil e em Cuba para arcos musicais podem ser rastreados até as origens
do Congo / Angola. Além disso, ele afirmou que os mbulumbumbas que gravou eram
'virtualmente idênticos ao berimbau brasileiro', especificando que 'o arco de cabaça
brasileiro e a variedade angolana do sudoeste chamada mbulumbumba são idênticos na
construção e na técnica de tocar, assim como na afinação. Ele enfatizou o fato de que o
mbulumbumba é, em contraste com o berimbau, mantido horizontalmente (ou
'obliquamente') como 'característica menos significativa' e a técnica de retenção diferente
como 'diferença menor' e sugeriu que a adição da chocalho (caxixi) foi uma inovação do
leste da Nigéria / Camarões.. Kubik também afirmou que 'os afro-brasileiros entendem a
música' dos mbulumbumba, a ponto de 'identificar imediatamente' o padrão das gravações
de Kubik com ritmos de capoeira, como São Bento Grande e Cavalaria. Kubik formulou
sua teoria mas ampliando as 'zonas culturais africanas' no Novo Mundo ligado às
tradições da África Ocidental ou da África Central que evoluem simultaneamente nos
dois continentes e influenciam um ao outro, mas permanecem essencialmente separados.

A teoria de Kubik de que o berimbau brasileiro é o desenvolvimento dos vários arcos da


africa central no Brasil, suas últimas afirmações são mais controversas e parecem difíceis
de manter. Por exemplo, Tiago de Oliveira Pinto já tocou as mesmas gravações para
outros jogadores brasileiros de berimbau e descobriu que eles reagiram de maneira muito
diferente do que Kubik alegou.. Como Greg Beyer resume: ‘O que ele descobriu foi que
o grupo de estudantes e mestres de capoeira era em geral incapaz de reconhecer esses
ritmos como diretamente relacionados aos ritmos de capoeira com os quais eles estão
familiarizados,nada instantaneamente soou como um ritmo da capoeira. '

Apesar de uma grande semelhança entre o hungo e o berimbau, durante a minha pesquisa
em angola com os tocadores de hugo, alguams dificuldade em acompanhar os ritmos do
hungo durante os momentos que tocamos juntos, minha experiência nas rodas de
capoeira o berimbau tem um ritmo básico e cantado deve se adaptar ao ritmo do berimbau
( orquestra, gerando assim uma liberdade para o tocador , os três berimbaus tocado ao
mesmo tempo cria uma oportunidade para que a viola ( encarregado de fazer as
improvisações dos toques) fique livre para variar nos seus momentos, sendo assim tanto
o hungo como o m'blumbumba, seguem as variações de acordo com a músicas cantadas
, ou seja é importante conhecer a música para poder acompanhar o hungu ou
mbulumbumba, as variações acontecem de acordo com a música.

Um dos fatos que mais me chama atenção durante a viagem ao sul de angola que que
durante todo o tempo em que eu carregava ou tocava o berimbau grupos étnicos do sul
de angola ( Mumilas, humbes, nyaneka etc ) em geral continuavam a chama o instrumento
de Mbulumbumba, para eles pouco importava as pequenas diferenças do formato ou
construção construção ou a forma como ambos eram tocando, a mesma experiência em
Luanda a maioria das pessoas que não eram familiares com o instrumento acreditavam
que o berimbau seriam o mesmo hungo. Durante o período em que estive pesquisando o
arco musical em angola tive algumas dificuldade de acompanhar os toques do hungo e
mbulumbumba acredito que a dificuldade está relacionada diretamente

de uma pequena complexidade dos toques do mbulumbumba do sul de angola e do hungo


em Luanda ,ambos utilizam o dedo indicador para pressionar o arame ou corda
produzindo assim um som totalmente desconhecido para meus ouvidos, embora o
berimbau tenha um tom e o subtom que faz as entrenotas no berimbau as mesma diferem
muitos do som criado pela pressão do dedo médio na corda ou arame como e feito no
hungo e mbulumbumba( A pressão do dedo médio contra o arame , cria um som ( tom)
difícil de ser reproduzindo no berimbau).

Velho orfeu africano. Oricongo Aquarela de Jean-Baptiste Debret, 1826. (© Biblioteca


Nacional, Rio de Janeiro).

"hungu" (Luanda, 2006). (© M. Cobra Mansa e Matthias Röhrig Assunção, 2006).


Tocado de o[k]honji).( ARCO MUSICAL DE BOCA ) CHIBIA ANGOLA FOTO ©
M. Cobra Mansa e Matthias Röhrig Assunçaõ , 2006)

Francisco Xavier Kaneka Tocador de Mbulumbumba no Lubango 2006 © M. Cobra


Mansa e Matthias Röhrig Assunçaõ , 2006)The Angolan Roots of Capoeira 2006

Entre as várias musicas que tive oportunidade de acompanhar durante a pesquisa em


angola os toques de são bento e cavalaria, com as suas variações se tornou uns dos
toque básico para o acompanhamento , de todos os ritmos angolanos do mbulumbumba e
hungo, sendo o berimbau médio e gunga os eu melhor me adaptei para tocarmos juntos

Acredito que o toque de sao bento( grande e pequeno) e o toque cavalaria ( com todas as
suas variações ) seja uns dos toque mais versátil da capoeira,sendo uns dos toque que
pode ser adaptado ou modificado ( com cada ritmo isso explicaria o porque alguns dos
capoeirista entrevistado por Kubick na decada de 60 identificaram os toque de
mbulumbumba com os toques de cavalaria e são bento pequeno da capoeira.

“ Apesar de uma grande semelhança entre o hungu e o berimbau, durante a minha


pesquisa em Angola quando toquei ao lado de tocadores de hungo ,tive muita dificuldade
em tentar acompanhar seus ritmos quando tocamos juntos. Em minha experiência nas
rodas de capoeira, os berimbaus mantêm uma base rítmica e o canto é adaptado a esse
ritmo. É teoricamente possível tocar berimbau na capoeira sem conhecer a música que
está sendo cantada. Entre os três berimbaus, os dois instrumentos (gunga e médio) tocam
juntos para gerar certa liberdade para o berimbau viola (o berimbau mais agudo), que,
encarregado de improvisar sobre os toques, faz suas variações livremente em certos
[Link] angola com os tocadores de Hungu , percebi que o hungu e o
mbulumbumba ao contrário do berimbau na roda de capoeira seguem a música que está
sendo cantada. É importante conhecer a música para acompanhar esses arcos musicais.

Durante as viagens pelo sul de Angola um detalhe nos chamou muita atenção, quase que
todos as vezes quando eu levava meu berimbau para tocar naos diversas ocasiões
principalmente entre os grupos que tem o arco musical , (Mumuila, Humbi, etc.) embora
o berimbau seja tocado em posição diferente as pessoas em angola independentemente
de o fato de que sua construção e maneira de tocar eram totalmente diferentes,
acreditavam que o berimbau era o

Da mesma forma dentro e nos arredores de Luanda, todos acreditavam que o berimbau
era hungu, essa confusão em aprte se da pois para a maiorias das pessoas que nao sao
familiarizadas com o intrumentos as pequenas diferenças dos arcos musicais Hungu e
mbulumbumba, em angola e o berimbau do Brasil tenha uma grande semelhanças.

Os arcos musicais angolanos como o Hungo e mbulumbumba, usam o dedo indicador


pressionando a corda sendo assim passam a produzir um tom bem diferente do nosso
berimbau, as notas criadas pelo dobrão seja ele de pedra ou metal ,produzem sons bem
diferentes daqueles obtidos pelo dedo.

Durante o meu perido em angola tive oportunidade de acompanhar diversos tocadores de


arcos musicais embora meu estudo não seja da area de etnomuciologia , descobri que os
toques de capoeira de São Bento (pequeno e grande) e Cavalaria sao os toque da capoeira
que melhor podiam adaptar-se ao ritmos angolanos da mbulumbumba e do hungu. A
afinação solta (Grave ) dos arcos musicais angolanos se assemelham a Berimbau grave
denominado de Gunga esse instrumento tem como característica principal uma cabaça
maior do que os outros tres berimbaus e sua afinação mais grave , sendo assim era
berimbau mais adequadas para acompan dos arcos musicais angolanos.

De acordo com minha experiência pessoal a hipótese é que esses toques e variações,
estando entre os mais versáteis da capoeira, são mais fáceis de adaptar a novas situações
musicais em Angola. Isso potencialmente também explica por que o durante a viagem
feita por de Kubik no brasil os capoeiristas após ter ouvido os toque do mbulumbumba,
tocado por Virasanda. ”Identificaram esses toque com os toque da capoeira com cavalaria

Com base em nossa experiência de campo, os jogadores de arco musical de ambos os


lados do Atlântico tendem a identificar imediatamente outros laços como relacionados ao
seu próprio instrumento. Os capoeiristas brasileiros geralmente se referem a todos os
arcos africanos documentados no Brasil do século XIX como "berimbau". Da mesma
forma, muitos dos nossos interlocutores angolanos tocadores de Huingo e
mbulumbumba, chamam o nosso berimbau pelos nomes dos seus homólogos angolanos:
hungu ou mbulumbumba, dependendo da região. Em várias ocasiões, na ausência do arco
musical angolano emprestamos o nosso berimbau para que eles tocassem assim como
tocam os seus instrumentos , para os tocadores de Hungo nao havia muita diferença ja
para os tocadores de mbulumbumba, por causa do peso da Beriba tornou-se difícil a sua
execução ja que tinham que tocar na posição vertical .

Tocado de Hungo no Bengo Cobra Mansa e Matthias Röhrig Assunçaõ , 2006)The


Angolan Roots of Capoeira 2006

Chapinga Mongrese M’bulumbumba, casa Chapinga Mongrese

Humpata, 2006 © M. Cobra Mansa e Matthias Röhrig Assunçaõ , 2006)The Angolan


Roots of Capoeira 2006
Embora não se conheçam muitas evidências históricas, hoje em dia ainda são usados em
Angola (com várias denominações). No sudoeste de Angola, os pastores usam um bocal
chamado ekondji quando observam seu gado, portanto, freqüentemente o tocam quando
estão sozinhos. Eles têm, portanto, um uso recreativo, mas também servem como um
dispositivo mnemônico, ajudando-os a descrever e lembrar cada animal de seu rebanho.

Um quarto tipo de arco musical é o arco de fricção, “um arco de madeira com a parte
mais grossa entalhada para esfregar com uma vara” (Hambly, 1934: 226). Um outro tipo
de arco é um arco na boca muito menor que os anteriores e tem a forma de um U. Vimos
esse arco no sudoeste de Angola, onde os Nkhumbi o chamam de Ekweya-kweya. Parece
ser jogado apenas por mulheres. Katana Mbale nos explicou o contexto de seu uso: "Eu
brinco quando estou desmoralizado, para fazer desaparecer o aborrecimento à noite. Eu
jogo sozinho.

Esses exemplos devem ser suficientes para mostrar a grande variedade de arcos musicais
no oeste da África central (e devemos reconhecer que estamos apenas discutindo
monocordes aqui, e não os pluriarcas relacionados). Embora todos os arcos musicais
sejam baseados em um princípio extremamente simples de construção, as maneiras que
os jogadores africanos usam para fazer o fio vibrar e as manipulações para variar o som
são incrivelmente variadas, a ponto de Wegner concluir que os arcos musicais
“representam, a partir do ponto do ponto de vista das técnicas de tocar, sem dúvida, o
grupo mais diferenciado entre os instrumentos de cordas na África. ”

José Redinha escreveu sobre os instrumentos musicais angolanos em 1972, os arcos


musicais angolanos segundo ele, formam famílias por instrumentos intimamente
relacionados, que diferem apenas ligeiramente entre eles, geralmente de acordo com o
grupo étnico em que são tocados , os vários arcos tocados horizontalmente são chamados
mbulumbumba pelos Humbi e Handa, Nbulumbumba pelos Mwila e okambulumbumbwa
pelos Kwanyama. Esta abordagem é útil na medida em que transmite a impressionante
diversidade de arcos musicais em Angola, bem como a estreita relação de vários tipos.

Balthazar tocando o arco musical chamado m’bulumbumba

. Uma diferença importante com o berimbau é que o m’bulumbumba é tocado


lateralmente. Balthazar também canta enquanto toca. A cantiga é sobre um homem que
tenta convencer a sua mulher Kakunga de parar de gastar dinheiro: “Ove Kakunga kange
tulime lime”. “Minha Kakunga, vamos trabalhar na roça! Suas compras na feira são
intermináveis!
Katana Mbale, tocando Ekweya-kweya Mucope (Cunene, Angola) 2011

Um outro tipo de arco é um arco na boca muito menor que os anteriores e tem a forma de
um U. Vimos esse arco no sudoeste de Angola, onde os Nkhumbi o chamam de Ekweya-
kweya. Parece ser jogado apenas por mulheres.

Pesquisa sobre o Arco musical em 1998 acervo Mestre cobra mansa

Pesquisa sobre o Arco musical em 1998 acervo Mestre cobra mansa

Você também pode gostar