168
Pentagrama
ECIHDMA - Obstáculo que se apresenta na operação da grande obra.
ECLIPSES - Entre os antigos era crença popular muito difundida que os
eclipses da Lua eram causados por certas conjurações de feiticeiros que a
obrigavam a sair do seu lugar no espaço para poder cobrir as plantas com
uma espuma usada para preparar seus malefícios. A fim de livrar a Lua
desta ação mágica o povo fazia uma grande algazarra quando começava o
eclipse para que ela não ouvisse e não obedecesse às palavras dos magos.
0 fenômeno também era considerado como anúncio seguro de grandes
desgraças e calamidades. Nos povoados primitivos do Peru acreditava-se
que o Sol ao escurecer estava mostrando sua irritação contra eles, e o
medo de grandes desgraças era também muito grande nos eclipses
lunares. Em certas partes da Europa, estes fenômenos ainda causam certo
temor entre as pessoas simples dos campos. Em magia negra o eclipse
lunar oferece uma ocasião propícia para todas as operações nigromânticas.
Assegura-se que naquele instante os conjuros adquirem maior força, o que
não nos parece totalmente uma superstição, já que a falta de luz favorece
muito as projeções do astral.
169
EDELINE Guilherme - Doutor em teologia do século 15 que confessou
pública e solenemente sua assistência ao sabá e suas relações com os
bruxos. Depois de ter feito a confissão e retratação exigidas pela sentença
foi fechado num calabouço a pão e água. Edeline era prior em Saint
Germain-en-Laye.
EDIR - 0 aço.
EGO - Termo latino que significa eu. 0 ego, na filosofia esotérica, é a alma
humana, o verdadeiro ser do homem, a chispa divina que mora no
indivíduo durante sua encarnação ou vida nos três mundos: físico, mental
e espiritual.
EGRÉGORA - Egrégora provém do grego egrégoroi e designa a força gerada
pelo somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais
pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade. Todos os
agrupamentos humanos possuem suas egrégoras características: todas as
empresas, clubes, religiões, famílias, partidos, etc.
Egrégora é como um filho coletivo, produzido pela interação "genética" das
diferentes pessoas envolvidas. Se não conhecermos o fenômeno, as
egrégoras vão sendo criadas a esmo e os seus criadores tornam-se logo
seus servos já que são induzidos a pensar e agir sempre na direção dos
vetores que caracterizaram a criação dessas entidades gregárias. Serão
tanto mais escravos quanto menos conscientes estiverem do processo. Se
conhecermos sua existência e as leis naturais que as regem, tornamo-nos
senhores dessas forças colossais.
Por axioma, um ser humano nunca vence a influência de uma egrégora
caso se oponha frontalmente a ela. A razão é simples. Uma pessoa, por
mais forte que seja, permanece uma só. A egrégora acumula a energia de
várias, incluindo a dessa própria pessoa forte. A egrégora se realimenta
das mesmas emoções que a criaram. Como ser vivo não quer morrer e
cobra o alimento aos seus genitores, induzindo-os a produzir,
repetidamente, as mesmas emoções. Assim, a egrégora gerada por
sentimentos de revolta e ódio, exige mais revolta e ódio. Já a egrégora
criada com intenções saudáveis, tende a induzir seus membros a
continuar sendo saudáveis. A egrégora de felicidade procura "obrigar" seus
criadores a permanecer sendo felizes.
ELEMENTAIS - Espíritos dos quatro elementos da natureza.
ELEMENTÁRIOS - Egos residentes no subplano do mundo astral, cujo
apego à terra faz com que se infundam nas pessoas de pouca vontade ou
muito sensíveis.
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ELEMENTOS - Segundo a cabala os elementos estão povoados por
entidades espirituais de natureza correspondente. Existem no fogo as
salamandras; no ar, os silfos; na água, as ondinas ou ninfas; na terra, os
gnomos. E se o leitor recorda o que dissemos sobre as doutrinas
cabalísticas, compreenderá que estes nomes aplicam-se a entidades que
muito pouco ou nada têm a ver com a fantasia mitológica do helenismo.
Falar cabalisticamente dos silfos é falar das almas, dos espíritos do ar, e
representa a potência ativa de tal elemento, originando, ordenando e
provocando sua manifestação. O que dissemos dos silfos serve também
para as ondinas, os gnomos e as salamandras, cada um em seu meio
respectivo. São as almas da terra e do fogo, respectivamente, gerando,
ordenando e dirigindo sua manifestação peculiar. Pode-se admitir, diz um
autor moderno, que ao invocar os gnomos (espíritos da terra) estes
auxiliem o invocador com a revelação dos segredos que sabem? Não. Isso
não é admissível e nem era o que os magos perseguiam. 0 princípio ativo
da terra, tal como o concebiam e como nós o concebemos, não é inteligente
nem volitivo. É simplesmente conservador. É a força atrativa que dá
coesão às moléculas e mantém as formas. Mas esta força atrativa vibra, e
sua vibração tem um ritmo especial, próprio privativo, que comunica ao
invocador, colocando-o em uníssono com ele e fazendo com que ele, de
certo modo, passe a ser uma parte integrante de sua própria massa, e
como conseqüência sensitivo a tudo que afeta os corpos. Uma vez neste
estado, a densidade desaparece para os seus sentidos. Sua perspicácia
penetra até nas próprias entranhas das rochas e sente em si o que
acontece nestas entranhas. Por isso diziam, e com razão, que o mago
dominava os elementos tornando-se até invisível e impalpável se assim lhe
conviesse. Claro que neste ponto como em todos os outros compreendidos
pela magia o exoterismo alucinava as massas, não as deixando ver o
esoterismo. Para a maioria os gnomos eram efetivamente entidades
conscientes, e o iniciado, longe de tirar as multidões deste erro,
incentivava-o com invocações, conjuros e exorcismos. Igualmente se faz
nas igrejas católicas com as imagens dos santos: são veneradas,
consagradas, recebendo todas as espécies de culto. Mas qualquer
sacerdote, por menos versado que seja em esoterismo, lhes dirá que não é
a imagem nem tampouco o santic> que se adora nela, mas o próprio Deus
refletido na vida exemplar da pessoa ali simbolizada. Por isso a Igreja
conserva tudo o que a antiga magia tinha de transcendental.
ELEPHAS SPAGIRICE - A água forte (ácido nítrico diluído numa pequena
quantidade de água).
ELGALEI - 0 estanho.
171
ELIXIR DA VIDA - Segundo Trevisano é uma redução da pedra filosofal
em água mercurial. Também se atribuem virtudes importantíssimas.
Toma-se mercúrio cru, tal como sai das minas (duas libras), lavando-o
com vinagre forte e sal comum até que fique claro e resplandecente como
um espelho, enxugando-o em seguida a fim de tirar toda umidade do
vinagre. Depois tomam-se quatro libras de vitríolo romano que deve ser
seco ao sol ou num fogo muito brando, lentamente, até que vire cinza
branca.
Toma-se em seguida uma libra do mercúrio, duas do citado vitríolo, uma
de sal comum duas vezes dissolvido, lavado e congelado, e mói-se tudo
sobre uma pedra limpa até que o mercúrio fique completamente misturado
entre as cinzas do vitríolo e do sal. Coloca-se logo esta amálgama numa
redoma de vidro de gargalo longo, pondo-a em seguida sobre uma caçarola
cheia de cinza ou de areia, dando-se início ao fogo brando até que toda a
umidade tenha desaparecido dos materiais, aumentando depois o fogo
gradualmente. E quando o mercúrio tiver subido pelos lados do vaso,
branco como a neve e resplandecente como o cristal, deixa-se esfriar e
retira-se o mercúrio sublimado. Pode-se então observar que ao separar os
resíduos do mercúrio, este tem o mesmo peso primitivo por ter tomado do
sulfureto de vitríolo o que perdera em resíduos.
Toma-se de novo uma libra e meia do mesmo vitríolo e oito onças de sal
moendo-o com o sublimado. E quando estes ingredientes estiverem bem
misturados devem ser sublimados da mesma forma que antes. Esta
sublimação se repetirá durante sete vezes, acrescentando-se o sal e vitríolo
romano, retirando-se sempre os resíduos em todas as vezes até que o
mercúrio fique puro e sublimado: claro como cristal, branco como a neve e
flexível como a cera. Mas há uma advertência: em qualquer vaso não se
deve pôr mais de uma libra de mercúrio para não prejudicar a preparação.
Em seguida deve se saber preparar a erva lunária filosófica, da qual todos
os sábios trataram em seus livros, extraindo dela o vinho vermelho,
chamado licor de lunária, da seguinte maneira:
Tomam-se duas libras de lunária numa retorta de vidro não muito grande,
cuidando para que fiquem vazias duas terças partes; fecha-se bem o
remate da retorta, assim como todas as juntas, e no forninho dos
alquimistas, depois de seco o luto, coberto com tampa para que reverbere
bem as chamas, começa-se com fogo brando, que deverá ser aumentado
pouco a pouco, até que se veja cair da retorta para o recipiente certa água
vermelha, densa como mel, continuando então a aumentar o fogo para que
saia todo o licor. Quando o fogo estiver no auge e não houver mais nada
para sair, deixa-se esfriar durante três dias para que assentem os espíritos
do mercúrio em todos os pontos. Tira-se então o barro das juntas e abre-se
172
o vaso, sem tirar a matéria. Tendo retirado a retorta do forninho, outra se
unirá a ela com duas libras de lunária, que será destilada novamente
como antes, extraindo todo o licor que conservará para fazer uma
aguardente divina. Ao chegar neste ponto é preciso saber apenas que o
licor extraído é q mesmo que os sábios tratam obscuramente, ou seja, o
vinho ruivo, a que Aristóteles e Raimundo Lulio chamavam nigrum,
nigrius, nigro.
Todos os resíduos que ficarem depois de retirado o licor deverão ser
jogados fora porque não possuem nenhum valor, como terra danada e
inútil, do mercúrio e do vitríolo romano.
Aprenda agora a extrair do vinho um espírito: coloca-se uma libra do tal
licor em uma vasilha de vidro não muito larga, com um alambique e um
recipiente muito bem fechados nas juntas, de maneira que não possa
respirar de modo nenhum, e coloca-se em banho-maria sobre o vaso. 0
fogo deve ser tão lento e manso que seja possível manter as mãos nele sem
se queimar. Assim será destilada uma água clara como água comum, que
durante quatro dias sairá do vinho. Adverte-se que é melhor retirar esta
água pouco a pouco com calor manso a fim de que não saia com ela o ar.
Esta água celeste é a quinta-essência do mercúrio e a parte mais pura e
incorruptível dele, procurada com o maior cuidado pelos alquimistas.
Contudo, isso leva consigo uma parte supérflua e inútil que recebeu o
nome de fleuma, que se deve separar, empregando o meio que
explicaremos adiante, levando-se em conta que esta água bendita deve ser
extraída com fogo moderado e manso, de modo que haja um espaço de 20
minutos entre unia, gota e outra. Mesmo que tenham transcorrido os
quatro dias citados como suficientes para a extração da água, não se tira o
vinho do banho-maria antes de se ter certeza de que não existe mais água
ou vapor. Então deixa-se esfriar. tira-se o recipiente e tapa-se muito bem,
de modo que a aguar~ dente não se evapore.
A retificação do espírito deve ser feita da seguinte maneira: toma-se a água
retirada do vinho vermelho e coloca-se numa redoma de vidro, com seu
alambique e recipiente, bem cerradas as juntas e por meio dele se destilará
o espírito novamente, até que não destile nem mais uma só gota, guarda-
se à parte o que ficar na redoma e volta-se a retificar a água mercurial da
mesma forma, seu peso de dissolvente circulado e proceda-se como antes,
em operações sucessivas, até que todo o ouro se encontre dissolvido em
água gloriosa. Coloca-se o resultado numa redoma de vidro em ponto de
banho leve, destila-se toda a água mercurial circulada até que fique
somente um resíduo semelhante à cera no fundo da redoma. Coloca-se
esta matéria num lugar úmido e frio e em seis dias naturais tudo se
dissolverá em água clara como uma estrela resplandecente. Esta água é o
ouro potável e sem corruptibilidade, criado com água de sua natureza sem
mistura de coisa estranha. Se se der uma gota somente a um enfermo que
pareça morto, fá-lo-á reviver com a graça de Deus, transformando-o de
173
velho em moço, mas sempre levando em conta: Deus super omnia (Deus
acima de tudo).
ELOHA - Singular de elohim.
ELOHIM - Segundo a cabala hebréia são as dez potestades criadoras. Por
assim dizer, os operários que plasmam os pensamentos emanados da
mente divina.
ELOME - 0 ouro-pigmento (mineral composto de arsênico e enxofre).
ELQUALITER - 0 vitríolo verde.
EMBRUXAMENTO - Um autor francês moderno, em Porte du Trait des
Ages, estuda o problema com notável acerto:
“0 problema do embruxamento é, sem dúvida, o que mais intensamente
impressiona o ser humano, e nada tem de especial que assim seja, quando
se trata do embruxador que fere a distância sem medo de ser descoberto,
ficando sua vítima impossibilitada de aparar os golpes mortais que
recebe”.
Com respeito ao embruxamento mágico descreverei sumariamente suas
práticas já que são bastante conhecidas. 0 embruxamento científico,
fundamentado nas investigações de sábios como A. de Rochas, será
tratado com a devida extensão. Não vemos nele outra coisa além de puro
hipnotismo.
Sobre a terceira espécie, o embruxamento psíquico, a prática nos
demonstra por meio de rigorosas experiências que existe esta terceira
forma de embruxamento. 0 embruxamento mágico - Os progressos da
fisiologia psicológica e o estudo dos fenômenos do hipnotismo permitem
submeter a maior parte dos fatos de bruxaria ao domínio da histeria e das
doenças nervosas. Atualmente encontrou-se a relação existente entre as
teorias dos magos de outros tempos e as práticas dos nossos
hipnotizadores atuais. A ciência já aceita o que negava até há pouco
tempo, mas domina o assunto de maneira diferente para classificar o fato
em seu quadro de possibilidades científicas. Eis aqui como se explica que
os fenômenos da bruxaria propriamente dita não se revestem hoje com os
caracteres que antes a distinguiam.
Convém observar que existe algo nunca aniquilado pelos progressos
científicos e que a ciência procura explicar agora por meio das descobertas
do hipnotismo. Referimo-nos ao embruxamento, tal como foi praticado
pelos nigromânticos dos séculos passados, aludidos por Rochas em suas
obras Crônicas de São Dionísio. Por isso vamos citar o sábio cabalista
Stanilas de Guaita, que diz em um dos seus livros Le Temple de Satan:
174
0 volt (em latim vultus, efígie) do embruxamento mágico é a figurinha
modelada em cera, remedo da pessoa que se quer enfeitiçar. Quanto mais
exata a semelhança, mais possibilidade de êxito possuirá o malefício. Se
na composição do volt o bruxo puder incluir algumas gotas de óleo, ou
vinho consagrado para a missa, e fragmentos da hóstia juntamente com
roeduras de unha, um dente, um pouco de cabelo da futura vítima, opina-
se que está de posse dos requisitos mais completos para a realização do
embruxamento. Se for possível obter da pessoa a ser enfeitiçada algumas
coisas de seu uso particular e diário, como roupas, será melhor, para
vestir a figura de cera com maior exatidão. A tradição prescreve que se
administrem à boneca fabricada todos os sacramentos que tenha recebido
a pessoa escolhida: batismo, eucaristia, confirmação etc., devendo tudo ser
reproduzido com fidelidade constante. Depois vem a cerimônia da
execração que é feita crivando a figura com alfinetes envenenados
enquanto o bruxo lança mil injúrias contra a vítima.
Um sapo, ao qual se dá o nome da pessoa a ser atingida, pode substituir o
boneco de cera, mas as cerimônias deprecatórias não variam. Segundo
dizem, amarra-se o sapo vivo com os cabelos da vítima e enterra-se na
casa do maleficiado ou em qualquer outro lugar por onde tenha que passar
todos os dias.
De acordo com o descrito referente aos costumes de outros tempos, parece
que o embruxamento propriamente dito não passa de uma invocação da
pessoa que se quer enfeitiçar. Na confecção do volt, na administração de
todos os sacramentos à figura da vitima, nas torturas a que o bruxo a
submete, cheio de ódio, se exalta até chegar a exteriorizar-se para atuar a
distância sobre sua vítima desgraçada, mediante um processo no ,qual
encontramos os caracteres que distinguem os da telepatia.
Tal operação é pura cerimônia de magia negra: o maleficiador se exalta
pela super excitação da vontade e converte as forças psicológicas em arma
homicida que nestes instantes projeta de si, a distância. Quanto à matéria
empregada para a fabricação do volt, não é indiferente a sua escolha e
poderemos ver nos manuais de bruxaria certos detalhes que evidenciam a
relação existente entre o embruxamento mágico e as experiências de A. de
Rochas. (Exteriorisation de la Sensibilité, e outros livros).
A forma mais freqüente do volt é, com efeito, a figurinha de cera, e esta
substância é um excelente condensador do fluido astral, assim como a
gelatina, a água, a lama etc. De Rochas serviu-se destas matérias repeti-.
Da mente para condensar nelas o fluido astral, exteriorizado de seus
sujeitos hipnóticos.
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Resumindo, podemos explicar o embruxamento da seguinte maneira: o
bruxo, posto em relação telepática com a vítima, pode provocar nela uma
saída do astral e condensar no volt o fluido exteriorizado.
Ou de outro modo: o bruxo, exteriorizando-se a si mesmo, adquire a
faculdade de ferir a distância à pessoa que se quer enfeitiçar. Com a
finalidade de estabelecer a relação telepática, os bruxos recolhem cabelos,
dentes, roeduras de unhas dos indivíduos a quem querem danar
magicamente.
0 embruxamento científico - Em seus livros, o coronel A. de Rochas relata
detalhadamente as fases pelas quais passa uma pessoa durante o sono
hipnótico: credulidade, letargia, catalepsia, letargia, sonambulismo,
letargia, estado de relação e letargia. Mais adiante, e em virtude de novas
experiências, A. de Rochas acrescenta outras: estado de simpatia ao
contato, letargia, estado de lucidez, letargia, estado de simpatia à
distância.
Nas últimas fases (letargia, catalepsia e sonambulismo) nota-se o curioso
fenômeno da exteriorização da sensibilidade. A comprovação do fenômeno
indicado nos conduzirá ao estudo do embruxamento científico.
Quando um sujeito está num dos três estados clássicos da hipnose,
letargia, catalepsia, ou sonambulismo, não revela o menor sintoma de
sensibilidade. Mas à medida que se vai passando para as fases mais
profundas, tal como mencionamos a insensibilidade, persistente na
superfície da pele, cessa a 15 ou 20 centímetros dela, de maneira que se
picar num lugar qualquer do espaço a tal distância, o sujeito experimenta
o efeito da picada, sentindo dor no ponto correspondente do seu corpo.
Certas substâncias, como vimos anteriormente, água, por exemplo, a cera
e a gelatina, impregnam-se da sensibilidade assim exteriorizada e podem
conserva-las certo tempo. Se, às costas da pessoa dormida, se pica a cera
onde se encontra condensada a sua sensibilidade, ou se aproxima um
pavio aceso da água saturada por processos análogos, o sujeito sente no
ato uma sensação de picada ou de queimadura. Em uma experiência que
realizamos obtivemos diversos fenômenos desta classe, experimentando o
indivíduo as sensações que acabamos de descrever. Assim, podemos dizer
que a exteriorização da sensibilidade num estado profundo de hipnose é a
base do embruxamento moderno.
0 embruxamento psíquico - Em nossos anteriores estados mágicos e
filosóficos manifestamos que o embruxamento científico não consentido
pertencia ainda ao domínio das hipóteses. Mas depois, nossos próprios,
trabalhos e procedimentos nos convenceram de que o enfeitiçamento
psíquico é perfeitamente realizável.
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0 professor Durville admite no homem uma força análoga à do imã.
Segundo este autor, o corpo humano está polarizado. Tal lei, combinada
com a de Mesmer, que admitia a existência de um fluido especial
denominado fluido magnético, pode originar uma terceira que
desenvolveremos mais adiante. Resumindo as três teorias, temos:
1º) a da emissão nervosa (ou fluido magnético);
2º) a da polaridade do corpo humano; 39) a força psíquica.
Por conseguinte, empregando-se os passes (influência fluídica) sem
esquecer as leis da polaridade humana, faz-se dormir a pessoa, os efeitos
tomam-se muito superiores aos obtidos pelos mesmeristas, que nada
sabem a respeito de tais leis. A influência magnética e a fluídica atuam
conjuntamente e ambas emanam do operador para apoderar-se do
magnetizador. Além disso, é preciso ter em conta que o fluido magnético
pode atuar não só por suas propriedades fisiológicas, mas também pelas
psíquicas. Com efeito, para que possa acontecer a transmissão de uma
idéia, é necessário que os centros nervosos do paciente estejam saturados
de fluido. Então o cérebro cessa de estar em comunicação com o grande
simpático e o operador se apossa das células sensoriais e psicossensoriais,
que exercem a soberania do organismo cerebral.
As sugestões geradas na mente do magnetizador são recebidas pelas
células nervosas da pessoa e só prevalecem nos primeiro<estados da
hipnose, quando o subconsciente fica à mercê do operador a quem as
células obedecem com cega fidelidade. Numa palavra, durante as citadas
fases hipnóticas, a porção subconsciente da pessoa fica sujeita
absolutamente, à vontade do operador. Mas nos estados profundos da
hipnose (segunda fase do sonambulismo, o êxtase), a vida consciente do
indivíduo recobra o mando sobre as idéias e as sugestões já não são
possíveis. A porção consciente já se uniu à subconsciente. Neste caso
aparece a exteriorização da sensibilidade de um modo completo e o duplo
fluídico (corpo psíquico, corpo astral, perispírito, acrossoma etc.) pode se
reconstituir num outro plano.
Ao sair do corpo físico o duplo psíquicossensorial fica ligado a ele por um
prolongamento tão efetivo quanto invisível. 0 ser irradia por todas as
partes um fluido, uma aura que toca os seres que a rodeiam, e sobre a
qual cada um de nós se torna mais ou menos sensível. Não existe
nenhuma ilusão ou exagero nisto que foi dito. A fotografia revela a
existência de eflúvios que saem do corpo humano e que não podem ser
atribuídos ao calor ou à eletricidade. Este fluido, matéria radiante ou
agente magnético, não fica sob a percepção dos sentidos, porque sua
tenuidade é tanta que escapa completamente às nossas sensações
ordinárias. Só os sonâmbulos podem percebê-lo.
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Tratando de apoderar-se da parte subconsciente do sujeito (o que não é
fácil em todas as ocasiões), o fluido do qual falamos intervém no fato.
Gerador da sugestão influencia previamente as células sensoriais e
psicossensoriais do indivíduo, depois do que projeta nelas o pensamento
sugestionador.
Em vista disto deduziremos a existência dos três agentes que se seguem:
1º) o magnetismo do sangue e dos nervos;
2º) a emissão consciente e controlada de nossas forças nervosas;
3º) um magnetismo superior.
Agentes que também podemos classificar assim:
1º) polaridade humana (ação, influência que uma pessoa exerce sobre a
outra);
2º) emissão nervosa (radiação do corpo humano, fluido magnético, indução
da sugestão).
A certa distância do sujeito o operador dotado de um grande dinamismo
fluídico (emissão nervosa) pode influenciar o paciente. Com efeito, sua
força psíquica, recolhida pela corrente do fluido dinamizado, incorpora-se
às células sensoriais e psicossensoriais do indivíduo, que já influenciado
segundo as leis da polaridade humana torna-se pronto para receber a ação
desta força psíquica. Portanto, a idéia que se incorpora às células
sensoriais e psicossensoriais é uma sugestão mental que põe o sujeito à
mercê do operador e, por conseguinte é à base do enfeitiçamento psíquico.
Nada é mais certo do que isto e a experiência comprova plenamente a
teoria. 0 operador que se faz dono das células sensoriais aniquila a parte
consciente do sujeito. Por isso, colocando o sujeito em fase de
inconsciência (toda vez que existe a substituição de vontade e de
pensamento) aquele pode abusar dos poderes adquiridos na medida dos
seus desejos.
ENCANTOS - Denominam-se assim certas palavras colocadas de modo que
formem frases de estrutura particular em prosa ou em verso. Estas
fórmulas mágicas diferem das invocações porque, ao contrário destas
últimas, não precisam da presença das potências celestes ou diabólicas
para surtir efeito. Os encantos possuem em si uma eficácia, uma virtude
capaz de produzir determinadas maravilhas sem que o mago precise
esperar, como nas invocações, que a potência acuda para executá-las.
Delrio cita um bruxo que ao acender uma lâmpada mágica obrigava todas
as pessoas presentes a dançar sem parar. "Esta espécie de encantamento -
diz ele - pratica-se ordinariamente por meio das palavras que obrigam o
diabo." 0 Grande Grimório ensina a encantar as armas de fogo fazendo com
que seu efeito seja infalível, dizendo enquanto as carrega: "Deus tenha
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parte aqui e o diabo a saída", e quando for dispará-las, dizer cruzando a
perna esquerda sobre a direita: Nontradas ... Mathon. Amem, etc ... 0
número de palavras e fórmulas mágicas para encantamentos é enorme, e
as pessoas simples ainda depositam nelas sua fé servindo de joguete nas
mãos de pessoas inescrupulosas e falsas.
ENCARIT - A cal viva.
ENCHIRIDION - Grimório cujo título completo é: Enchiridion Leonis Papae,
e que se supõe ter sido enviado pelo papa Leão ao imperador Carlos Magno
como um presente muito raro. (Edição de Roma, 1670). É um ritual
mágico completo baseado nos arcanos da Clavícula de Salomão. Contém
muitas orações alegóricas cuja chave são os pentáculos da cabala
tradicional. É um dos manuais de magia onde está melhor conservada e
entendida a verdadeira tradição cabalística. Seu autor era sem dúvida um
perfeito iniciado da ciência secreta hebraica, que aproveitou suas luzes
para escrever um livro rigorosamente esotérico e de tendência benfeitora.
ENCRUZILHADAS - Lugar onde se cruzam dois caminhos. Nas
encruzilhadas, segundo se diz, os bruxos se reuniam com freqüência para
colocar aí suas oferendas ao diabo. Hoje em dia os espíritas devotos da
Umbanda e do Candomblé também deixam aí suas oferendas para os Exus
e pombas-gira. Mas, estes não são considerados diabos, são simplesmente
entidades que podem trabalhar tanto para o bem como para o mal,
dependendo do pedido do evocador.
EON (Aeon); Um termo gnóstico para Divindade Suprema; também um
ciclo de tempo denotando um período de aproximadamente 2.000 anos (no
Culto de Crowley). 0 presente Éon é o de Hórus, que começou em 1904.
Ele substitui o Eon de Osíris, que era tipificado pela ascensão e queda de
religiões como o Judaísmo e o Cristianismo. Anterior a este havia o Eon de
Ísis, a era pagã, do qual muitos elementos estão reaparecendo no presente
Éon.
EONES - Segundo os gnósticos, os eones são os seres chamados potências
celestes por outras doutrinas. Os eones procedem de Deus por emanação,
de maneira que do plerona (a divindade) saem a sofia (sabedoria), nous (a
inteligência), sigé (o silêncio), logos (o verbo), achamot (a prudência) etc. As
teorias gnósticas atribuem a formação do mundo a um eon, e um outro
eon foi o que veio à Terra sob o nome de Jesus. Filho de Deus. Da primeira
categoria de cones supõe-se que, sempre por emanação saíram outros e
outros, constituindo uma decrescente de potestades cujo enlace
harmônico governa o universo, sendo este a Pura e exata expressão da
vontade de Deus.
EPAR - 0 ar.
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EPHODEBUTHS - 0 fim da operação que leva à pedra filosofal.
EPOPTAI - Palavra grega que significa vidente e também iniciado.
EQUINÓCIO DOS DEUSES: Um termo técnico denotando uma Mudança
de Éon quando uma nova influência é irradiada através da guirlanda
estelar (zodíaco) do Cosmos efetuando mudanças radicais na consciência
humana e em outras formas de consciência. 0 último Equinócio dos
Deuses ocorreu em 1904.
EROMANCIA - Um dos seis sistemas de adivinhação que eram mais
freqüentes entre os persas. Consiste no seguinte: o consultante tapa sua
cabeça e rosto com uni pano e segura nas mãos uma vasilha com água.
Então formula seu desejo ou sua pergunta. Se a água lhe parecer que está
fervendo, é prognóstico de que as coisas sairão bem.
ESCABIOSA (Succina pratensis) - Nasce em terrenos úmidos e argilosos.
Suas folhas e raízes são utilizadas em medicações sudoríferas, depurativas
e em muitos outros casos.
ESFINGE – É a chave velada da ciência oculta; é um conjunto de quatro
símbolos ligados na sua unidade: o corpo do touro, as asas da águia, as
garras do leão e enfim a cabeça humana. Este todo concretiza o
quaternário oculto: Saber, Querer, Ousar e Calar; estas quatro qualidades
representadas respectivamente: o saber pela cabeça humana, o querer ou
poder, pelo corpo do touro; a audácia pelas patas e garras do leão, o
silêncio, isto é, o saber calar-se até a realização do ato meditado, pelas
asas descidas sobre os flancos do touro.
ESOTÉRICO - 0 oculto. A verdade envolta em símbolos, parábolas,
alegorias, ritos, cerimônias etc. Os ensinamentos esotéricos só são
comunicados àqueles que se mostram dignos de possuí-los.
ESOTERISMO - Doutrina dos filósofos da Antigüidade reservada
exclusivamente aos iniciados. Pitágoras foi o criador deste termo.
ESPAGNET João de - Autor de duas obras de hermetismo: Enchiridion da
Física Restabelecida e Segredo da Filosofia Hermética. Ambas têm muita
importância sob o ponto de vista das operações alquímicas. Escreveu
também o prólogo da obra de Delancre: Tratado sobre a Inconstância dos
Demônios.
ESPIRITISMO - O Espiritismo é uma doutrina que trata da natureza, da
origem e do destino dos Espíritos e de suas relações com a vida material.
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Foi revelada por Espíritos Superiores e codificada (organizada) em 1857
por um professor francês conhecido como Allan Kardec.
Surgiu, pois, na França, há mais de um século. Traz em si três faces:
filosofia, ciência e religião (moral). Os adeptos da Doutrina Espírita são os
espíritas e suas práticas se baseiam no estudo das obras básicas da
Codificação e na assistência material e espiritual aos necessitados.
O Espiritismo possui cinco princípios básicos, de onde procedem todas as
suas práticas:
1 - A existência do Espírito e sua sobrevivência após a morte.
2 - A reencarnação.
3 - A lei de causa e efeito.
4 - A comunicação entre o mundo material e espiritual.
5 - A evolução progressiva dos Espíritos.
ESPIRITOS - Entidades do mundo invisível que a magia divide em celestes
e infernais, segundo a sua procedência. 0 espiritismo também dá este
nome às almas das pessoas que já morreram, mas trataremos aqui apenas
dos espíritos mencionados nos livros de ensinamentos mágicos.
Os espíritos dividem-se em várias classes, sendo, portanto diversas as
suas faculdades e condições.
0 Espírito Supremo, ou Criador, é que tudo governa e rege, estando
sujeitas a ele, de um modo absoluto, todas as coisas criadas, sejam
materiais ou espirituais. Sob suas ordens diretas, e como chefes
principais, estão os espíritos superiores que comandam por sua vez os
médios e os inferiores. Cada espírito reúne qualidades e acepções
diferentes. Existem os celestes, os aéreos, os terrestres e os infernais,
denominando-se segundo suas condições de proteção, misericórdia,
tentação, do bem ou do mal. Cada um cumpre sua missão especial no
universo e todos rendem cultos e obediência ao Supremo Criador e
Espírito Soberano.
É regra geral em todas as religiões admitir como verdade a existência do
espírito do bem e do mal, fazendo-os antagônicos entre si. A ciência
sagrada da verdadeira magia não pode admitir isso pela simples razão de
que o bem e o mal são o complemento de todas as coisas. Assim como não
existe prazer sem dor, é necessário que exista em toda a criação o absoluto
e o relativo, que e o seu complemento. Pode-se assim garantir que o bem
está unido ao mal, a sorte à infelicidade, a tristeza à alegria, a vida à
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morte, o espírito à matéria, a alma ao corpo, o calor ao frio, a luz à
obscuridade etc. Os espíritos podem ser individualmente bons ou maus,
da luz ou das trevas, mas todos cumprindo a missão que lhes foi atribuída
em sua criação. Durante os trabalhos pode-se invocar a todos, mas
definindo claramente a qualidade a que pertencem, segundo a espécie dos
pedidos a serem feitos.
Deve-se levar em consideração que os espíritos bons sempre dominam os
maus, e que o sinal-da-cruz, chamado de símbolo da redenção, tem
virtude e força sobre todos os maus espíritos, que não podem resistir à sua
visão. Mas, para a invocação dos espíritos da luz ou celestes, também a
cruz não deve ser usada por ser para eles um sinal de grande veneração e
respeito, deixando-os extasiados e subjugados, sem que prestem atenção a
nenhuma outra coisa. Por isso a cruz deve ser extirpada de todas as
cerimônias mágicas, podendo ser usada apenas nos exorcismos ou nas
invocações dos espíritos celestes superiores e principais. Feitas estas
advertências, vamos indicar as diferentes hierarquias e nomes dos
espíritos aos quais deverão ser feitas as invocações, segundo a experiência
que se queira executar.
0 Espírito Supremo é o Criador de tudo e ninguém exerce mando sobre ele,
devendo-lhe todos obediência, submissão e respeito. Seu poder é tão
imenso que não existe nem um átomo em toda a criação onde seu
misterioso fluido não chegue. Tudo é vivificado com a essência divina do
seu ser, e mesmo que a matéria morra, aparentemente, serve sem dúvida
para desenvolver novas vidas e produzir novos seres. Dele derivam todos
os outros espíritos, que na realidade não passam de partes do grande todo.
Por isso a ciência mágica demonstra que, mesmo se dividindo em diversas
classes, os espíritos voltam a se identificar com ele, à medida que vão se
aperfeiçoando e depois de cumpridas suas missões.
Espíritos superiores são aqueles considerados em primeiro plano e que
possuem poder de comando sobre os que se acham na escala inferior.
0 primeiro de todos é Adonay, chamado Anjo da Luz. Ele recebe
diretamente do Criador as ordens que devem ser transmitidas a todos os
outros. Logo abaixo dele, e com poderes idênticos, estão Eloim e Jeová,
que acatam as ordens de Adonay, para transmiti-las aos espíritos
encarregados de executá-las. Em seguida, conforme a hierarquia, vêm
Mitraton, Azarel, Astrochio, Eloy, Milech, Ariel e Zenatog, que também
possuem diversos outros espíritos sob seus comandos.
Existem sete governadores que têm cargo sete funções diferentes. Seus
visíveis são: Aratron, Bethor, Phaleg, Och, Hageth, Ophiel e Phul, aos
quais se atribui:
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1º) - a Aratron, o poder de transformar e transmutar os elementos, como
por exemplo: o carvão em ouro e o ouro em carvão; ensina a alquimia, a
magia, a física, torna qualquer pessoa ou coisa invisíveis e concede a
longevidade;
2º) - a Bethor, a concessão de altas dignidades; estabelece uma relação
estreita com os homens e os espíritos, que lhes dão respostas verídicas.
Transporta os objetos de um lugar para outro. Concede pedras preciosas e
prolonga a vida, humana até aos setenta anos, contando com a permissão
de Deus;
3º) - a Phaleg, os atributos de Marte. Governa a paz e eleva as pessoas,
que receberam o seu sinal, aos mais altos postos;
4º) - a Och, a presidência nos atributos do Sol; dá saúde e vida longa,
distribui a sabedoria, ensina a medicina e concede a faculdade de
converter todas as substâncias em ouro puro e pedras preciosas;
5º) - a Hageth, sob a influência de Vênus, concede extraordinária beleza às
moças e muda o cobre em ouro e vice-versa;
6º) - a Ophiel, o poder da transmutação dos metais pela influência de
Mercúrio. Transforma o mercúrio em ouro, coisa que é tida como o maior
prodígio do saber alquímico e que é chamada de "pedra filosofal";
7º) - a Phul, o governo das regiões lunares. Seu poder é grande na cura
dos hidrópicos, transforma os metais em prata e protege os navegantes.
Concede trezentos anos de vida.
Em magia negra é pouco ou quase nulo o uso dos sinais ou marcas dos
espíritos celestes, pois compreende-se que a estes não se pedem pelas
artes da bruxaria aquelas coisas que se pedem aos gênios infernais. Por
isso, depois de citar os espíritos celestes, vamos acrescentar nesta relação
os poderes e os signos dos seis chefes de legiões ou espíritos negros, aos
quais a maioria dos bruxos pede proteção.
0 sinal número um é a marca de belzebu, chefe de todos os demônios e
protetor especial das feitiçarias e de todas as espécies de malefícios. Sua
paixão é o ódio. Sua cor é a negra. Seu lugar predileto é onde exista a dor,
as lágrimas e a morte. Sua hora, a meia noite. Sua planta, a cicuta. Seu
perfume, o da pimenta queimada na fogueira das invocações.
0 número dois é a marca de Leonardo, dono e senhor de bruxos e bruxas.
Aparece no sabá sob a forma de bode. É o protetor dos filtros maléficos e
dos excessos eróticos, onde existam o incesto, a sodomia, a bestialidade e
outras cenas deste tipo, que são oferecidas a ele como ato de reverência.
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Sua paixão é a luxúria e a cólera. Sua cor, o pardo. Seu lugar predileto, os
locais onde aconteçam cenas de sangue e de libertinagem. Sua hora é a
primeira depois da meia-noite às terças e sextas-feiras em lugares onde
nem a luz das estrelas chegue, como por exemplo sob os ramos das
árvores e nos bosques mais espessos. Sua planta, a mandrágora. Seu
perfume, o sangue de qualquer animal que tenha a pele negra.
0 número três é o de Nickísa, que domina o elemento líquido e promove os
transbordamentos, inundações, as catástrofes marítimas e outros
sinistros. Sua paixão é a inveja; sua cor, o verde-azulado e o cinza-
esverdeado. Seu lugar predileto são as rochas da costa e as praias
desertas. Sua planta, o cogumelo venenoso. Seu perfume, a resina de
pinho.
0 número quatro corresponde a Gob, que domina no elemento terra e nas
coisas subterrâneas, provocando os movimentos sísmicos, a expansão dos
gases asfixiantes; dá propriedades mortais às substâncias venenosas;
preside ao desenvolvimento e à propagação da peste e outras epidemias,
intervindo nos acontecimentos desgraçados da vida humana, fomentando
as paixões da avareza, o orgulho e a crueldade. Sua paixão é a avareza.
Sua cor, a de terra suja, esverdeada e também avermelhada. Seu lugar
predileto, os subterrâneos e as galerias de minas. Sua hora, o anoitecer
das segundas-feiras. Sua planta, as raízes venenosas. Seu perfume, as
folhas da arruda.
0 número cinco pertence à Peralda, que domina no ar. Promove furacões,
ciclones, combinando com Nickisa para provocar chuvas torrenciais, com
Gob para espalhar doenças infecciosas e tornar certos lugares inabitáveis,
com Djim para dirigir o raio onde ele possa espalhar a destruição e a
morte. Sua paixão é a cólera. Sua cor, o cinza-azulado sujo. Seu lugar
predileto, os cumes das montanhas. Sua hora, as últimas dos dias frios e
nublados. Sua planta, o acônito, e o perfume, as maçãs de cipreste.
A Djim corresponde o número seis. É o senhor infernal do fogo. Em
sociedade com Gob, provoca os terremotos com chamas ardentes e lavas,
assim como todas as erupções vulcânicas. É a causa dos incêndios e das
explosões, instigando o homem para a guerra. Protege e dirige o braço do
assassino, do homicida, sendo o causador destes tiros e ferimentos
considerados acidentais. Sua paixão é a destruição de tudo que tenha
vida. Sua cor, o vermelho-amarelado e azulado. Lugar predileto: onde haja
fogo e principalmente nos vulcões. Sua hora, a meia-noite das terças-
feiras, com preferência havendo tempestades. Sua planta, o eufórbio, e
perfume: a pólvora.
ESPIRITOS ELEMENTAIS – Denominam-se assim as quatro ordens de
entidades cuja existência nos elementos é reconhecida pelas doutrinas
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cabalísticas. Correspondem: ao fogo, as salamandras; ao ar, os silfos; às
águas, as ondinas ou ninfas e a terra, os gnomos.
ESPIRITOS ELEMENTARES - São espécies de entidades do mundo astral,
que permitem ao mago verificar as mais surpreendentes evocações e que
costumam manifestar-se, quando casualmente encontram um meio de
condensar sua estrutura fluídica. Encontram uma excelente ocasião
durante as sessões espíritas, e costumam ser a verdadeira causa de
muitos fenômenos que se supõem originados pelos espíritos. As larvas
fluídicas não passam de espíritos elementais que rodeiam todo ser
humano e que têm um corpo aéreo, formado pelos vapores do sangue.
Como se formam estas larvas? A tradição mágica sustenta que são os
filhos da solidão de Adão, nascidos de seus sonhos, quando desejava a
mulher que o Senhor ainda não lhe tinha concedido.
Quando estão bastante condensados para serem vistos, tornam-se uma
espécie de vapor colorido pelo reflexo de uma imagem. Não têm vida
própria, mas imitam a vida de quem os forma ou invoca, assim como a
sombra imita o corpo. Produzem-se especialmente ao redor das pessoas
idiotas ou que se entregam a atos solitários ou imorais. Daí a razão pela
qual os magos condenam os atos solitários do prazer.
A coesão das partes do seu corpo fantástico é muito débil, temendo por
isso o ar muito forte, o fogo e a ponta de qualquer arma ou seu corte.
Convertem-se numa espécie de apêndices vaporosos do corpo real dos
seus pais, já que não vivem senão a vida daqueles que os criaram ou os
invocaram. Assim, essas larvas absorvem o calor vital das pessoas sadias e
esgotam rapidamente as forças das que são fracas. Disto nasceram as
histórias e lendas de vampiros; histórias que infelizmente às vezes são
reais e comprovadas. Por isso também é que ao nos aproximarmos de um
médium (pessoa obcecada pelas larvas) sentimos um esfriamento geral na
atmosfera. Essas larvas devem sua existência apenas às mentiras das
imaginações exaltadas, e aos desajustes mórbidos dos seres que se
entregam aos prazeres sensuais, principalmente à masturbação, à
pederastia, nunca se produzindo na presença de uma pessoa que sabe e
pode rasgar o véu que encobre sua origem, e revelar o mistério de sua
procedência.
ESSÊNIOS - Seita esotérica do judaísmo; possuidores da tradição
cabalística que aplicavam à interpretação dos livros sagrados. Em suas
reuniões, desenvolviam as faculdades superiores da vidência e da
inspiração profética. 0 ingresso entre os essênios era sujeito a uma longa
iniciação, cheia de provas morais que evidenciassem a firmeza, a
paciência, a reserva e o desprezo de toda a vaidade e de todo o luxo do
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discípulo desta escola. Segundo vários autores, o mestre Jesus Cristo
estudou com os essênios.
ESTRAMÔNIO (Datura stramonium) - Conhecida vulgarmente como
figueira do inferno. Cresce em lugares incultos, arenosos e entre os
escombros. Suas folhas são amargas e desprendem um cheiro
nauseabundo. Pode ser usada como medicamento de diversas formas. Mas
por ser seu uso muito perigoso aconselhamos apenas que usem suas
folhas secas na fabricação de cigarros contra a asma. Botânica Oculta:
esta solanácea tem um grande uso em magia negra. Por isso, foi apelidada
pelos franceses de "figueira do diabo". Planeta: Saturno.
ESTRELA PENTAGONAL - Pentagrama, estrela flamejante. A estrela de
cinco pontas é um dos símbolos da magia que sempre aparece em diversos
ritos. Sua colocação, ou seja, a maneira de orientar suas pontas significa
algumas vezes operação de magia branca, e em outras, de magia negra.
Com uma ponta para cima, significa teurgia, e concita as influências
celestes, que por seu poder mágico virão em apoio do mago. Com uma
ponta para baixo, significa Goetia, e conforme as intenções do invocador
atrai as influências astrais maléficas.
Símbolo necessário em todas as operações mágicas, obrigatoriamente
precisa ser composto por todos os metais, e em sua consagração devem
intervir todos os elementos. Para iniciar a consagração, deve-se soprar
cinco vezes, uma em cada ponta, aspergindo outras cinco vezes com água
lustral. Seca-se na fumaça dos cinco perfumes, a saber: o incenso, a
mirra, o aloés, o enxofre e a flor de cânfora. Sopra-se outras cinco vezes,
pronunciando-se cada vez um dos nomes dos cinco gênios: Gabriel, Rafael,
Anael, Samael e Orifiel. Coloca-se em seguida no chão, virando as pontas
sucessivamente para o norte, o sul, leste e oeste, pronunciando ao mesmo
tempo, e em voz alta, as letras iod, he, vau, e em voz baixa os nomes aleph
e tau. Depois deve ser colocada sobre o altar das invocações, rezando as
preces dos silfos, das ondinas, salamandras e gnomos, aspergindo-a
novamente outras cinco vezes e secando-a na fumaça dos cinco perfumes.
A missão principal do uso do pentagrama é testemunhar a obra que se
está fazendo. Se for uma ação de luz, a ponta única da estrela estará
voltada para cima, e se for uma ação das trevas a posição será invertida.
Eliphas Levi tem a seguinte citação em seu Dogma e Ritual da Alta Magia:
"0 pentagrama é o signo da onipotência e da autocracia intelectual. É a
estrela dos magos. 0 signo do Verbo feito carne, e, segundo a direção dos
seus raios, este símbolo absoluto em magia representa o bem ou o mal, a
ordem ou a desordem, o cordeiro bendito de Ormuz e de São João, ou o
bode de Mendes. É a iniciação ou a profanação. E lúcifer ou vésper. A
estrela matutina ou vespertina. Maria ou Lilith. A vitória ou morte, e a luz
ou a sombra. Elevado no ar, com as duas pontas para cima, o pentagrama
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representa satã ou o bode da missa negra. Com apenas um dos raios para
cima, e o Salvador. 0 pentagrama é a figura do corpo humano, com quatro
membros e uma única ponta que deve representar a cabeça. Uma figura
humana, de cabeça para baixo, representa naturalmente o demônio, ou
melhor, a subversão intelectual, a desordem e a loucura. Se a magia e uma
realidade, se esta ciência oculta é a verdadeira lei dos três mundos, esse
signo absoluto, antigo como a história ou mais do que ela, deve exercer
uma influência incalculável sobre os espíritos desprendidos de sua
envoltura natural. 0 signo do pentagrama chama-se também signo do
microcosmo e representa o que os cabalistas do livro de Sohar chamam de
"o microprosopo". A completa inteligência do pentagrama é a chave dos
mundos. É a filosofia e a ciência natural absoluta. 0 signo do pentagrama
deve ser composto dos sete metais, ou pelo menos ser traçado com ouro
puro sobre o mármore branco.
Traçado em linhas luminosas no vidro, por meio de uma maquina elétrica,
exerce também grande influência sobre os espíritos e aterroriza os
fantasmas.
Como se vê, todos os mistérios da magia, todos os símbolos da gnose,
todas as figuras do ocultismo, todas as chaves cabalísticas da profecia se
resumem no signo do pentagrama, que Paracelso proclama como o maior e
mais poderoso de todos os signos.
ÉTER – Entre os esoteristas designa a Luz Astral, que é a fonte de todas as
energias.
EURINOME - Demônio de categoria elevada, também chamado de
"príncipe da morte" por vários demonólogos. Apresentam sua figura com
um aspecto horroroso, repugnante, e com uma forma humana
monstruosa, com o corpo todo coberto de chagas. A expressão do seu rosto
é feroz, contraído pelo ódio inextinguível, mostrando duas fileiras de
dentes enormes e agudos. Gosta de carne morta e podre, que come com
uma avidez bestial.
EVESTRUM - Esta palavra significa que a pedra filosofal está a ponto de
se realizar.
EVOCAÇÕES - Atos do ritual da magia. Consiste em pronunciamentos de
fórmulas, acompanhadas de cerimônias particulares, que têm por
finalidade atrair e obrigar as entidades invisíveis a prestarem sua ajuda ao
evocador.
EXORCISMO - Exorcizar é dirigir contra um a vontade de muitos. Evocar é
atrair ou se colocar em relação mental com o ser evocado. E conjurar é
jurar, fazendo um ato de fé comum. Os magos exorcizavam, evocavam e
conjuravam os princípios dos quatro elementos, porque desse modo
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preparavam e garantiam o êxito de suas operações. 0 modo como faziam
isso é o mesmo usado nos templos católicos pelos sacerdotes, pois o
transcendental da magia ainda é conservado e perpetuado pela Igreja. A
caldeirinha de água lustral (água benta), o hissopo e a cruz ansata, o
turíbulo são instrumentos indispensáveis nestas operações.
EXOTÉRICO - Ao contrário de esotérico, é todo o externo de uma crença,
doutrina ou opinião. É a parte que os entendidos em determinados
ensinamentos entregam ao domínio de todos. Assim, conta-se que
Pitágoras dividia seus discípulos em duas classes, guardando para os
esotéricos a parte mais profunda de sua filosofia.
ÊXTASE - Este fenômeno é muito conhecido, principalmente entre as
pessoas que, tendo a imaginação muito fértil, são suscetíveis às sugestões.
0 êxtase geralmente é produzido por influências magnéticas que agem
sobre nós. Pode ser parcial ou total. Se for o primeiro, a pessoa pode ter
sua imaginação abstraída, de certo modo, de tudo o que a rodeia, mas
percebe os sons e tudo o que acontece ao redor, ainda que não preste
atenção neles. Quando o êxtase é total, o sujeito permanece insensível aos
estímulos do exterior.
Segundo a ciência, o êxtase é produzido por uma exaltação cerebral que
pode ser causada pela ingestão de narcóticos, influência, hipnose ou
superstições religiosas. Durante o acesso, o corpo permanece imóvel e
insensível às dores mais vivas, às queimaduras, picadas e lacerações.
EXTERIORIZAÇÃO - Certos fatos assombrosos do hipnotismo, estudados
profundamente por De Rochas, deram soluções científicas a importantes
questões da magia, e entre elas a possibilidade do embruxamento e dos
fenômenos oferecidos por alguns médiuns espíritas. Estes fatos receberam
o nome de exteriorizações da sensibilidade, da produtividade e da força
motriz, segundo sua classe, e já se constituem uma verdade científica,
positivamente adquirida, que certamente será a base de outras
descobertas não menos assombrosas.
Baseando-se no fato já comprovado de que, em determinados graus da
hipnose, os sujeitos são insensíveis organicamente (anestesia), ou
sumamente sensíveis (hiperestesia) à vontade do hipnotizador, De Rochas,
Richet e outros tentaram a exteriorização da sensibilidade, e obtiveram
resultados bastante satisfatórios.
De Rochas cortou uma mecha de cabelos de um sujeito, de sua nuca, e
adaptou-a no mesmo lugar num boneco de cera, que tinha feito para
realizar a experiência. 0 sujeito foi submetido ao sono hipnótico, e sua
sensibilidade, transferida para o boneco, que foi entregue a um seu
ajudante. Este levou-o para uma outra casa, com ordens para que, depois
de algum tempo, no momento em que quisesse, arrancasse os cabelos do
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boneco como bem entendesse, mas tomando nota do momento exato, da
operação. 0 ajudante se retirou, e De Rochas e outros assistentes
acordaram o paciente pouco depois. Mantiveram uma conversa
descontraída e informal durante certo tempo, até que num dado momento
o sujeito interrompeu a reunião com um ai, dizendo que alguém lhe tinha
arrancado um cabelo na nuca, levando a mão ao local. Persuadido de que
ninguém lhe tinha encostado, continuaram a reunião. Depois, em
intervalos diferentes, por mais três vezes, o sujeito se queixou com
idênticas exclamações e pelo mesmo motivo. Mais tarde, ao compararem a
hora e os fatos, viu-se que tudo coincidia exatamente com as
manipulações do ajudante, em cumprimento às ordens recebidas.
Richet comprovou diversas vezes que os sujeitos em estado de letargia, que
perdem toda a sensibilidade orgânica, percebem nitidamente a sensação
correspondente, mas fora do corpo. Para prová-lo, picou e queimou várias
vezes as carnes de pessoas, sem que estes dessem o menor sinal de dor.
Mas ao contrário, ao aplicar um fósforo aceso numa zona atmosférica que
variava entre 20 centímetros e 5 metros, ou ao picar esta região com um
alfinete, as pessoas sentiram a queimadura e a picada. Depois destas
experiências, é impossível negar-se a exteriorização da sensibilidade. A
mesma coisa acontece com a exteriorização da percepção.
Não só um, mas diversos pesquisadores provaram que, em certo grau de
sonambulismo, a pessoa pode ver atrás, pelas mãos, pelos pés, ou mesmo
por nenhum dos órgãos do corpo, mas fora de si e a distâncias imensas.
Estes fenômenos, segundo suas espécies, podem ser de clarividência e
clariaudiência.
EZEP - 0 que tem relação com o ouro.
EZIMAR - Flor de cobre.
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