BOLETIM TÉCNICO
Ano III / No 01
Janeiro-Fevereiro/98
ANÁLISE DE RISCO
Anthony E.P. Brown*
1. INTRODUÇÃO Cenário: é um conjunto de fatores ambientais,
físicos, humanos e operacionais que compõe a
A utilização da Análise de Riscos, em atividades situação no momento de um acidente.
industriais ou não, tem como objetivo minimizar Conseqüências: é a medida dos efeitos adversos
o potencial de ocorrência de acidentes, utilizando do potencial de ocorrência de um acidente
técnicas de prevenção e/ou de proteção. industrial.
Com o desenvolvimento da era industrial pós- Disponibilidade: é o intervalo de tempo em que
guerra e, principalmente, das indústrias químicas e um dispositivo e/ou sistema permanece
petroquímicas, os potenciais de risco presentes em operacional e sem falhas.
qualquer atividade industrial, sem dúvida Efeito Dominó: é a conseqüência decorrente de
nenhuma, aumentaram. Esses potenciais de risco uma sucessão de eventos indesejáveis que possam
aumentaram devido a natureza dos produtos ocorrer após um evento inicial.
químicos utilizados, bem como pela sofisticação Erro Humano: é a falha na realização de uma
dos processos operacionais empregados, como por tarefa conhecida, ou a realização de uma tarefa
exemplo: pressões e temperaturas elevadas. não autorizada que, possa resultar em danos em
Com o objetivo de apresentar os principais pessoas, meio ambiente, equipamentos,
conceitos da metodologia de análise de risco para propriedade ou falha em operações programadas.
aplicação dessas técnicas, o trabalho será Explosão: é o fenômeno onde ocorre uma rápida,
subdividido em cinco partes: inesperada e violenta liberação de energia.
definições e conceitos; Explosão Física: é um tipo de explosão com
identificação de perigos; geração somente de efeitos físicos decorrentes da
estimativa de freqüências de ocorrências de onda de choque.
falhas; “Flash Fire”: é a ignição extremamente rápida de
estudo de conseqüências/vulnerabilidade; uma nuvem de vapor inflamável onde a massa
avaliação de riscos e critérios de aceitabilidade. envolvida não é suficiente para a ocorrência de
Nesse estudo se desenvolverá a metodologia de uma explosão, porém causando danos pela
Análise de Risco de Processos, estabelecendo uma intensidade da radiação térmica emitida.
seqüência lógica, aplicando e discutindo todas as Freqüência de Ocorrência: é o número de
técnicas de segurança de processos. ocorrências de um evento indesejável por unidade
de tempo (no de ocorrências/ano).
[Link]ÇÕES Gerenciamento de Riscos: é uma coleção de
recomendações de segurança, visando a mitigação
Neste capítulo serão apresentadas as principais ou minimização dos riscos encontrados no estudo
definições utilizadas neste estudo. de análise de risco, seu planejamento de
Acidente: é um evento que pode influir implantação, responsabilidades e cronograma.
negativamente em qualquer um ou todos os Indisponibilidade: é a falta de disponibilidade
fatores relacionados a seguir: operacional de um dispositivo ou sistema.
ser humano (operadores, trabalhadores em Jato de Fogo (“jet fire”): é o incêndio resultante
geral, etc.); do fenômeno entre o vazamento de um gás
inflamável e o seu encontro com uma fonte de
meio ambiente;
ignição próxima ao ponto de liberação do gás.
equipamentos/construção (investimento
Perigo: é o potencial de causar danos aquilo que
industrial);
os seres humanos valorizam.
aspecto tecnológico (“know-how”); Plano de Ação de Emergência: é um planejamento
“imagem” da empresa. de medidas de emergência a serem implantadas
Análise de Riscos: é um estudo de identificação, por ocasião da ocorrência de uma emergência em
avaliação e recomendações aplicado para uma instalação industrial.
instalações industriais ou outras atividades que Probabilidade: é a possibilidade de ocorrência de
possam gerar riscos. um evento específico, expresso em percentagem
Avaliação de Riscos: é o estudo que utiliza ou sob forma de fração.
técnicas experimentais e/ou modelos matemáticos Risco: é a possibilidade (probabilidade) de que o
com a finalidade de prever quantitativamente as perigo produza seus efeitos danosos no que os
freqüências de ocorrências e as respectivas seres humanos valorizam. É função da
conseqüências do potencial de risco.
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probabilidade de ocorrência de um evento análise histórica de acidentes;
indesejado e dos seus respectivos danos. análise crítica de acidentes;
Risco Individual: é a probabilidade anual que um técnicas de identificação de perigos.
indivíduo tem de morrer após a ocorrência de um
acidente. 4. ANÁLISE HISTÓRICA DE ACIDENTES
Risco Social: é o risco à população presente na
zona de influencia de um acidente. A Análise Histórica de Acidentes constituí-se de
Segurança: é a habilidade de se executar funções uma avaliação de acidentes já ocorridos em
e/ou atividades sem ocorrência de acidentes. instalações industriais semelhantes a que se está
Taxa de Falha: é a possibilidade de ocorrência de estudando. Com esse tipo de análise é possível se
uma falha em um determinado intervalo de tempo. obter subsídios para a avaliação qualitativa das
Vulnerabilidade: é a medida da extensão dos possíveis causas iniciadoras e de suas
efeitos danosos aos seres humanos e materiais, conseqüências para a instalação industrial. Essas
decorrentes de incêndio, explosão e emissão informações são obtidas por meio de consultas a
tóxica ocorridos em instalações industriais. Bancos de Dados de Acidentes nacionais e/ou
internacionais, ou ainda, obtidas em relatos
3. CONCEITOS técnicos ou literatura especializada.
A Análise Histórica de Acidentes tem como
De um modo geral, os potenciais de risco estarão objetivo principal a identificação de eventos,
sempre presentes em todas as atividades do ser envolvendo os produtos manuseados na
humano, quer seja no seu lar, no ambiente de instalação, e que resultariam em potenciais
trabalho, em viagens ou no seu lazer; portanto, é explosões, incêndios (inclusive princípios),
difícil eliminá-los por completo. Porém, esses poluição ambiental e acidentes pessoais graves.
potenciais são conhecidos ou percebidos por nós, Os principais Banco de Dados de Acidentes a
o que já não acontece com os potenciais de riscos serem consultados são os seguintes: nacionais
industriais, muitas vezes desconhecidos e/ou não (CETESB e da empresa em estudo) e
aceitos pela sociedade. internacionais (SONATA, MIHDAS).
Por esse motivo, esses potências não podem ser
totalmente eliminados das atividades industriais. 5. ANÁLISE CRÍTICA DE ACIDENTES
Assim sendo, a máxima Risco Zero encontrada
exposta à entrada de algumas fábricas é no A Análise Crítica de uma instalação industrial é
mínimo uma utopia. importante, pois, compreende o pleno
Esse conceito está sendo transformado pouco a conhecimento dos processos, sua interligação,
pouco através da conscientização e do treinamento inventários de produtos, balanços e procedimentos
dos trabalhadores em suas atividades operacionais operacionais. Para tanto, as seguintes informações
e, também, com o auxílio da utilização de devem estar disponíveis por ocasião da elaboração
metodologias modernas como a Análise de Risco dessa análise: filosofias de processo e segurança,
de Processos. normas de projeto, especificações de
Os demais conceitos das várias técnicas utilizadas equipamentos e outros dispositivos, utilidades,
na metodologia de análise de risco serão dispositivos de segurança, fontes de ignição e
apresentados e discutidos nas próximas partes sistema de tratamento de efluentes. Com base
desse estudo. nessa experiência e nas informações coletadas
pela Análise Histórica de Acidentes, o engenheiro
3.1. Metodologia de Análise de Risco e sua equipe de trabalho de análise de risco podem
A Metodologia de Análise de Risco visa a estabelecer quais os tipos mais prováveis de
prevenção de potenciais de perdas materiais e acidentes críticos com potencialidade de
humanas que possam surgir durante a operação de ocorrência no complexo automotivo em estudo.
instalações industriais, bem como de sua proteção. As hipóteses acidentais de ocorrência mais
Com a aplicação desse tipo de metodologia é freqüentes, ou sejam, aquelas que possuam um
possível se fortalecer a segurança de processos maior potencial probabilístico de falha podem ser
industriais a um nível de risco aceitável para encontradas e mencionadas em estudos de análise
sociedade em geral. Na etapa Identificação de de risco como, por exemplo, o relatório do Banco
Perigos a ser tratada a seguir, foram considerados Mundial denominado “Most Credible Accidents
os seguintes tópicos: (MCA)” ou Acidentes mais Prováveis. As
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informações contidas neste relatório apresentam A técnica APP ou Análise Preliminar de Perigos,
um critério de seleção de cenários de riscos de permite inicialmente identificar e analisar em
acidentes industriais, para viabilizar as forma abrangente os potenciais de riscos que
modelagens/simulações para a elaboração da poderão estar presentes na instalação analisada.
análise de conseqüências. Outro critério que, A técnica aplicada possui um formato padrão
também pode ser utilizado, está relacionado com a tabular, onde, para cada perigo identificado, são
avaliação preliminar das dimensões provocadas levantadas suas possíveis causas, efeitos
pelas conseqüências do evento-alvo indesejável. potenciais, medidas de controle básicas para cada
Para cada uma das hipóteses acidentais de caso, a nível preventivo e/ou corretivo, tanto
ocorrência a serem analisadas sob a ótica dessa aquelas já existentes ou projetadas como aquelas a
metodologia, deve-se considerar os seguintes serem implantadas no estudo efetuado (conforme
aspectos principais: definições a seguir). Finalmente, os perigos
propriedades físico-químicas e de segurança identificados pela APP são avaliados com relação
dos produtos envolvidos no processo; a sua freqüência de ocorrência, grau de severidade
massa desses produtos; e nível de suas conseqüências considerando os
tempo de duração dos eventos indesejáveis de potenciais danos resultantes à pessoas, materiais
processo (explosão, incêndio e emissão tóxica); (equipamentos e edificações) e a comunidade em
disponibilidade de sistemas de proteção e de geral.
combate a incêndio, explosão e emissão tóxica; As categorias de perigo foram adaptadas para
principais caraterísticas dos locais instalações industriais convencionais, a partir da
potencialmente atingidos; Norma Militar Norte Americana MIL-STD-882 A.
características da população envolvida As categorias de perigo originalmente definidas
potencialmente pelo evento indesejável por essa norma norte americana, constam de
(funcionários e/ou comunidade próxima). tabelas e da matriz de risco que devem ser
consideradas na categorização dos perigos
6. TÉCNICAS DE IDENTIFICAÇÃO DE identificados por essa técnica. Essa categorização
PERIGOS tem como objetivo estabelecer uma priorização na
implementação das recomendações de segurança
As mais importantes técnicas de identificação de na instalação industrial analisada. Essas
perigos são as seguintes: Análise Preliminar de informações podem também ser utilizadas nas
Perigos (APP), “What-if” (e - se), HAZOP e outras técnicas de identificação de perigos.
FMEA (“Fail Mode & Effect Analysis”) ou, em Os resultados da APP, são apresentados em
português AMFE (Análise de Modos de Falhas e planilhas de análise elaboradas de acordo com as
Efeitos). A seguir, serão apresentados breves definições relacionadas a seguir:
resumos descritivos dessas técnicas. Perigo: condição com potencial para causar
Para o emprego dessas técnicas utiliza-se uma determinado dano.
sistemática técnico-administrativa que inclui Causas Possíveis: procedimentos ou condições
princípios de dinâmica de grupo e que pode ser que dão origem aos riscos.
reaplicado periodicamente. Para maior Categorias de Frequência: critério que estabelece
efetividade em sua aplicação, recomenda-se que o nível do valor da probabilidade de ocorrência da
sempre seja eleito um líder no grupo, com causa identificada e analisada.
conhecimentos suficientes da técnica e do Consequências : degradação de origem humana
processo, para conduzir efetivamente a e/ou material.
identificação dos perigos da instalação em estudo. Categorias de Consequência: critério que
Devido ao seu caráter bem estruturado e classifica o risco segundo quatro categorias
sistemático, essas técnicas são um instrumento conseqüências (desprezível, marginal, crítica e
capaz de ser altamente exaustivo na detecção de catastrófica).
potenciais de risco. Todas elas possuem planilhas Medidas Preventivas/Corretivas Existentes:
de aplicação, onde são registrados os estudos e as medidas gerais e específicas, a nível preventivo
conclusões de seu emprego. e/ou corretivo, já projetadas na instalação em
estudo.
6.1 Análise Preliminar de Perigos (APP) Medidas Preventivas/Corretivas À Implantar:
recomendações de melhoria operacional e/ou de
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segurança, a serem ainda implementadas na se estudar todas as possíveis maneiras de
instalação em estudo. ocorrência de perigos e problemas operacionais.
Avaliação Preliminar do Risco: critério de HAZOP é uma abreviação do nome inglês desta
avaliação do potencial de risco encontrado com a técnica, significando “Hazard and Operability
aplicação da Matriz de Risco. Study”. De acordo com LAWLEY (1974) os
principais objetivos do HAZOP são identificar
6.2 “What-if” (E - se) todos os desvios operacionais possíveis do
A técnica “What-If” é um procedimento de processo e também identificar todos os perigos
revisão de riscos de processos que se desenvolve e/ou riscos associados a esses desvios
através de reuniões de questionamento de operacionais. Essa ferramenta de análise de risco
procedimentos, instalações, etc. de um processo, de processos é muito poderosa no sentido de
gerando também soluções para os problemas minimizar ou até eliminar problemas operacionais
levantados. Seu principal objetivo é a que tendem geralmente a conduzir o operador a
identificação de potenciais de riscos que passaram cometer um erro operacional que, muitas vezes
desapercebidos em outras fases do estudo de poderá conduzir a uma acidente industrial de
segurança. O conceito é conduzir um exame graves proporções para o empreendimento
sistemático de uma operação ou processo através industrial.
de perguntas do tipo “O que aconteceria se ...” e, No HAZOP se estuda as conseqüências da
com isto, permitir a troca de idéias entre os combinação de palavras-guias com as variáveis do
participantes das reuniões, favorecendo e processo, resultando no desvio a ser analisado e,
estimulando a reflexão e a associação dessas finalmente, propõe-se recomendações de
idéias. segurança. As principais palavras-guias são:
A limitação da técnica se deve algumas vezes ausência, mais, menos, etc., as variáveis,
aquelas propostas de difícil condição de temperatura, pressão, vazão, etc. e os desvios,
realização, quer na prática ou quer maior pressão, menor temperatura, etc.
economicamente, porém, o julgamento da O HAZOP é elaborado de acordo com as seguintes
implementação de qualquer ação proposta deve etapas: definição dos objetivos do estudo, seleção
ser o do consenso do grupo de análise. A equipe da equipe de trabalho, preparação para o estudo,
técnica é multidisciplinar, deve ser composta de realização das reuniões técnicas,
técnicos experientes na operação submetida a essa acompanhamento das pendências, registro do
análise e de um líder experiente na aplicação da estudo em planilhas próprias; a etapa seguinte é
técnica, obedecendo a um limite máximo de seis elaboração e implementação das recomendações
participantes. As reuniões devem ser realizadas de segurança de processo sugeridas pelo HAZOP.
em dias alternados e com duração não superior a -Definição de objetivos: Compreende a seleção de
quatro horas cada reunião. As questões devem ser unidades de processo a serem estudadas e
anotadas e enumeradas em uma planilha de definição dos nós de processo para o estudo;
trabalho. Os riscos, causas, conseqüências, ações -Equipe técnica: A equipe será formada por
existentes e recomendações de segurança técnicos que conheçam ou operem a unidade
correspondentes a essas questões também devem objeto do estudo. Para conduzir o HAZOP é
ser registradas nesta planilha. Geralmente, o necessário haver uma pessoa que lidere a
estudo procede desde as entradas do processo até condução da técnica;
as respectivas saídas. As questões de segurança -Preparação: Compreende a coleta de toda
também devem ser anotadas durante a análise. informação possível para a elaboração do HAZOP,
Após o registro das ações a serem tomadas, é inclusive documentos, manuais, desenhos,
efetuado uma avaliação dos potenciais de riscos fluxogramas de processo e de engenharia;
identificados pela aplicação da técnica. A seguir, a -Realização: O HAZOP é elaborado sobre um
implementação dessas ações é priorizada documento básico que é o fluxograma de
conforme a sua categoria de risco. engenharia atualizado. Neste fluxograma são
marcados os nós relevantes para a execução do
6.3 Análise de Perigos e Operacionabilidade estudo;
(HAZOP) -Acompanhamento das pendências: As pendências
A técnica denominada HAZOP favorece ou dúvidas ocorridas durante as reuniões de
oportunidades para se desenvolver a imaginação estudo deverão ser esclarecidas na própria reunião
dos componentes do grupo de trabalho, de modo a ou então, quando não houver tempo hábil, deverão
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ser solucionadas fora da reunião e o seu resultado pela análise do projeto e diagrama se estabelecem
apresentado na próxima reunião; os modos de falhas que poderiam afetá-los e suas
-Registro em planilhas: Durante as reuniões tanto respectivas gravidades, as taxas de falhas e se
a condução da técnica como o seus os resultados propõem medidas de segurança. As taxas de falhas
deverão ser registrados em planilhas técnicas podem ser classificadas nos seguintes grupos:
especialmente preparadas para o HAZOP; provável, razoavelmente provável, remota e
-Resultados: Normalmente são apresentados na extremamente remota. A estimativa das taxas de
última coluna da planilha e, também relacionados falhas é obtida em banco de dados de
a parte, com indicação do responsável para sua confiabilidade desenvolvidos em testes realizados
implementação, bem como o prazo para tal. por fabricantes de componentes ou pela
Apesar da responsabilidade geral pelo estudo ser comparação com sistemas semelhantes.
do gerente da instalação, a verificação de cada Os modos de falhas a serem considerados são:
recomendação proposta pelo HAZOP é de operação prematura, falhas em operar e cessar
responsabilidade do engenheiro de segurança da operação no momento devido e falha durante a
instalação. operação. Freqüentemente existem vários modos
de falha para um único componente. Qualquer
6.4 FMEA (“Fail Mode & Effect Analysis”) ou uma delas poderá ou não gerar acidentes. Cabe ao
AMFE (Análise de Modos de Falhas e Efeitos) grupo de análise determinar quais dessas falhas
Essa técnica permite analisar o modo de falha, ou são importantes para a segurança do sistema e
seja, como podem falhar os componentes de um analisá-las separadamente.
equipamento ou sistema, estimar as taxas de A FMEA é uma técnica muito eficiente quando
falhas, determinar os efeitos que poderão advir e, aplicada para sistemas simples ou em falhas
consequentemente, estabelecer mudanças a serem simples. Para sistemas mais complicados
realizadas para aumentar a probabilidade do recomenda-se a aplicação da análise de árvore de
sistema ou do equipamento em análise funcione falhas.
realmente de maneira satisfatória e segura. Os
seus principais objetivos são: 6.5 Índices DOW e MOND
- revisar sistematicamente os modos de falhas de Os Indices DOW e MOND foram respectivamente
componentes para garantir danos mínimos ao desenvolvidos pelas empresas DOW CHEMICAL
sistema; norte americana e ICI inglesa (divisão MOND)
- determinar os efeitos dessas falhas em outros para avaliar os potenciais de incêndio, explosão e
componentes do sistema; toxicidade em instalações industriais. O Índice
- determinar a probabilidade de falha com efeito DOW foi considerado como uma das técnicas mais
crítico na operação do sistema; importantes para a avaliação de riscos industriais
- apresentar medidas que promovam a redução de instalações existentes e recomendado pelo
dessas probabilidades, através do uso de “American Institute of Chemical Engineering -
componentes mais confiáveis, redundâncias, etc. AIChE”, sob a forma de um manual técnico CEP.
A FMEA é geralmente efetuada de forma O Índice DOW é muito utilizado por companhias
qualitativa. As conseqüências de falhas humanas de seguro industrial contra incêndios, pois, é um
no sistema em estudo não são consideradas, uma método direcionado para estimar o potencial de
vez que poderão ser analisadas em análise de erro fogo de instalações industriais ou não.
humano e em ergonomia. A quantificação da A divisão MOND da empresa ICI percebeu em
FMEA é utilizada para se estabelecer o nível de 1979 que o Indice DOW tinha uma importância
confiabilidade de um sistema ou subsistema. muito grande na avaliação de potenciais de riscos
Para se aplicar a FMEA é necessário se conhecer em etapas iniciais de empreendimentos industriais.
em detalhes e compreender a missão do sistema, Dessa forma desenvolveu o que chamou de Índice
suas restrições e seus limites de falha e sucesso. MOND como um avanço do DOW e com
O sistema em análise pode ser divido em possibilidade de ser utilizado também em
subsistemas que possam ser controlados, a seguir instalações industriais existentes. Os principais
traçam-se os diagramas de blocos funcionais do avanços tecnológicos do Índice MOND sobre o
sistema e de cada subsistema, a fim de determinar DOW foram: facilitar o estudo de várias
o seu inter-relacionamento e de seus componentes instalações de estocagem e processamento,
e preparam-se listas completas dos componentes abranger o processamento de produtos com
de cada subsistema e suas funções e, finalmente, propriedades explosivas, avaliar a toxicidade de
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produtos químicos e aplicar fatores fixos de 6.6 Documentos Utilizados
penalidade para aspectos deficientes em segurança Na elaboração da análise de risco utilizando as
e fatores fixos de bonificação para aqueles técnicas de identificação de riscos apresentadas
aspectos considerados seguros no anteriormente, recomenda-se a consulta dos
empreendimento. Ambos os métodos possuem o seguintes documentos técnicos: descrições de
formato de um “check list” e os fatores fixos a processo, fluxogramas de processo e/ou de
serem aplicados conforme o caso, ao final da engenharia, dados dos produtos químicos
aplicação do método, alcança-se um determinado utilizados, especificações técnicas, implantações
valor que é comparado a uma tabela de risco. A físicas das instalações e manuais ou
partir da localização do valor nessa tabela se procedimentos operacionais e/ou de manutenção.
concluí pelos níveis de distanciamento entre Esses documentos devem sempre representar a
equipamentos e/ou unidades industriais. última versão da instalação em estudo, portanto,
O Índice MOND é muito útil para se realizar são considerados sendo como a fotografia da
implantações físicas (“lay-outs”) de instalações mesma.
industriais.
No próximo item são relacionados os documentos 6.7 Comparação entre as técnicas
importantes para que haja sucesso na aplicação A seguir, apresenta-se uma visão crítica sobre as
das técnicas de identificação riscos descritas vantagens e desvantagens na escolha dessas
anteriormente. técnicas de identificação de perigos.
Tabela 1 - Comparação entre as técnicas
TÉCNICAS VANTAGENS DESVANTAGENS
APP necessidade análise prévia; muito preliminar.
classificação do risco.
HAZOP fácil aplicação; muito aceito e consumo de tempo; equipe multidisciplinar
padronizado; sem modelo treinada; conhecimento do processo; uso de
matemático P&I’s.
“WHAT - IF” fácil aplicação e geral; qualitativa, vários “check lists”, consumo de tempo.
uso em projeto ou operações.
FMEA fácil aplicação; modelo examina falhas não perigosas; demorada; não
padronizado; classificação de risco; considera falhas de modo comum ou
analisa subsistemas. combinação de falhas.
DOW avaliação p/ pontos; folha conservadora;
padronizada; muito usada por
seguradoras.
MOND avaliação por fatores de consumo de tempo, conhecimento de detalhes
penalidades e de créditos; sistema do processo.
de bônus; flexível; folha
padronizada, muito útil em
implantações físicas industriais.
7. Referências bibliográficas - MIL-STD-882 A, US Army Forces, Washington
- AIChE ((1992) Guidelines for Hazard DC, USA.
Evaluation Procedures, CCPS/AIChE, NY, USA. - SONATA Data Bank (1998) ENI/TEMA, Italia.
- BROWN, A.E.P. (1991) Curso de Análise de - MIHDAS Data Bank (1998) London, UK.
Risco, S. Paulo/SP.
- CETESB Banco de Dados de Acidentes (1998)
sistema CADAC, S. Paulo/SP.
- DOW (1987) “Fire & Explosion Index Hazard * Autor: Prof. Dr. Anthony E.P. Brown
Classification Guide”, Dow Chemical Co. Professor Titular da Universidade Paulista -
- LEWIS, D.J. (1979) “The Mond Fire, Explosion UNIP; Diretor da empresa RISIKO - Análise
& Toxicity Index”, Loss Prevention de Segurança Ltda.; e-mail: brown@[Link]
Symp., April, Houston, Texas, USA.
- LAWLEY, H.G. (1974) “Operability Studies and
Hazard Analysis, Chemical Engineering
Progress”, v. 70, n0 4, p. 45-56, April, NY, USA.
Publicação do Grupo de Pesquisa em Segurança contra Incêndio do Núcleo de Pesquisa em Tecnologia da
Arquitetura e do Urbanismo da Universidade de São Paulo - GSI/NUTAU/USP
NUTAU - Rua do Anfiteatro, 181 - Colméia - Favo 6 - Cidade Universitária - 05508-900
São Paulo - Brasil / Telefax: (011) 818-3209 / e-mail: nutau@[Link]
Cooperação do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo