Demografia e Poder na Europa dos Séculos XVII e XVIII
Demografia e Poder na Europa dos Séculos XVII e XVIII
Economia pré-industrial – Sistema económico que se caracteriza essencialmente pela base agrícola e pela debilidade
tecnológica. O volume de produção encontra-se, por isso, estritamente ligado ao nº de homens, estando a expansão
demográfica limitada pela insuficiência dos recursos alimentares. Assim, as fases de crescimento e de recessão
económica coincidem, em geral, com os fluxos e refluxos populacionais.
O século XVII sofreu também um clima de guerra permanente → com especial destaque na “Guerra dos Trinta Anos”
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1.2.2 O século XVIII
Antigo Regime – refere-se ao sistema social, político, económico e demográfico que entre os séculos XVI a XVIII vigorou
na maior parte dos países europeus
Socialmente é uma sociedade de ordens ou estados, é estratificada e hierarquizada, marcada por desigualdades
Politicamente, destacam-se as monarquias absolutas de poder divino
Economicamente corresponde ao desenvolvimento do capitalismo comercial
Estratificação social – divisão da sociedade em grupos hierarquicamente organizados consoante o seu prestígio, poder ou
riqueza
Esta estratificação social mantém vivos muitos privilégios e atributos que, nessa época, se atribuíam às ordens
Estado mais digno porque era o que estava mais próximo de Deus;
Isento de impostos e de prestar serviço militar;
Não está sujeito à lei comum mas sim ao “foro eclesiástico” – conjunto de leis específicas – e são julgados
em tribunais próprios;
Ordem rica – proprietária de todo o tipo de bens (recebe muitas doações, prendas e heranças) e recebe
ainda a dízima (décima de Deus);
Não se adquire por nascimento mas sim por tonsura → o clero junta elementos de todos os grupos
sociais.
Dividia-se em:
Maior ordem de prestígio → Beneficiava dos cargos mais importantes quer na administração central,
quer no exército → os seus membros ocupavam os cargos mais importantes da Igreja;
Regime jurídico próprio;
São grandes proprietários fundiários;
Estão isentos de impostos.
Divide-se em:
a) Nobreza de sangue (ou nobreza de espada):
Constituem o topo deste grupo social (príncipes, duques, condes, marqueses);
Vivem na Corte e com o monarca;
Ocupam os cargos principais.
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Uma das formas que a burguesia encontrou de subir na sociedade foi através do casamento, muitos nobres arruinados
casavam com burgueses endinheirados para recuperar as suas finanças. Por outro lado, a cada vez maior complexidade
de governar um povo levava a que muitos burgueses (letrados) ocupassem cargos importantes no Estado.
Esta ascensão foi lenta, com avanços e recursos → a nobreza permaneceu agarrada aos seus privilégios que lentamente
foi perdendo → a burguesia foi ascendendo fruto do seu progressivo enriquecimento através das atividades comerciais e
financeiras.
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O Império ultramarino português nunca esteve baseado na existência de uma burguesia mercantil → Os cargos desse
império foram preenchidos pela nobreza → O rei usou esses cargos para recompensar a nobreza portuguesa → Os
nobres, na maior parte dos casos, viam esses cargos como se de um feudo se tratasse, e por isso tratavam de enriquecer
às custas dos interesses do reino.
Apesar das muitas críticas, a nobreza manteve até meados do século XVIII, praticamente em regime de exclusividade, o
acesso a esses cargos no ultramar. Fruto destas atividades, a nobreza mercantiliza-se, dando origem a um tipo social
específico: o cavaleiro mercador. → Nunca foi verdadeiramente um mercador/ comerciante; aplicava os seus ganhos na
aquisição de mais terras (ostentação excessiva da sua condição superior).
A nobreza portuguesa nunca revelou uma mentalidade capitalista na exploração do comércio colonial. Fruto desse
domínio da nobreza, a burguesia portuguesa teve muitas dificuldades para se afirmar.
O absolutismo joanino
Foi D. João V, admirador de Luís XIV, que em Portugal melhor encarnou o ideal absolutista.
Procedeu a uma reforma administrativa no sentido de melhor controlar o governo do país → No entanto, a
burocracia continuava pesada e lenta
D. João V não reuniu as Cortes no seu reinado
Copiando Luís XIV, afirmou-se através do luxo, da etiqueta, da teatralização do poder, ou seja, através da criação
de uma sociedade de corte.
O rei é o centro do poder
Foi favorecido pela descoberta de ouro no Brasil, que vai tornar possível a ostentação do rei que sobretudo se
evidenciaram nas cerimónias públicas e nas embaixadas enviadas ao estrangeiro
Pratica o mecenato das artes e das letras (Fundou a Real Academia de História, apoiou a Biblioteca da
Universidade de Coimbra)
Iniciou uma política de grandes construções (Construção do Palácio-Convento de Mafra, remodelação do Paço da
Ribeira, Aqueduto das Águas Livres, etc.)
Perante os vários conflitos que nessa época se desenrolaram promoveu a neutralidade do país
Atraiu para a corte portuguesa artistas portugueses e estrangeiros que irão contribuir para o desenvolvimento do
Barroco português, sobretudo os italianos.
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A burguesia nas estruturas do Poder
A República das Províncias Unidas era uma federação de Estados com uma estrutura bastante descentralizada,
o que multiplicava os cargos/ oportunidades de interferir na governação. Estes cargos eram disputados tanto
pelas famílias nobres como pelas famílias burguesas.
Organização política da República das Províncias Unidas
Província
→ Aprovam os impostos
Ao poder centralizado do rei e à preponderância da nobreza que marcaram o século XVII europeu opunham as
Províncias Unidas a descentralização governativa e o domínio da burguesia. Os interesses do Estado e do
comércio uniram-se estreitamente. Foi esta união que fez da Holanda uma potência marítima e colonial capaz
de ombrear com os grandes Estados europeus.
A jurisprudência ao serviço dos interesses económicos: Grotius e a legitimação da liberdade dos mares
Através do Tratado de Tordesilhas (1494), Portugal e Espanha tinham dividido o Mundo em duas partes,
fechando o mar a outros que pretendessem neles navegar (mare clausum) → Nos finais do século XVI, vários
países, sobretudo os holandeses procuravam ter acesso a esses mares e contestavam esta divisão dos mares entre os
reinos ibéricos → Em 1608, o holandês Hugo Grotius, publicou o livro “A Liberdade dos Mares”, onde defendia a
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liberdade de navegar nos mares (mare liberum) → Grotius rejeitou o direito de Portugal e Espanha terem o exclusivo de
navegação nos oceanos e defendeu que os mares eram propriedade da Humanidade.
Guilherme de Orange, em 1689, assinou a Petição dos Direitos que confirma a monarquia controlada pelo
Parlamento
Reafirma os princípios das liberdades individuais
Reconhece a liberdade de culto para os protestantes
Impede o rei de lançar impostos sem acordo do parlamento
Reconhece a independência do poder judicial
Em 1695, é abolida a censura e é estabelecido o direito de livre reunião
O poder do rei era controlado pelos seus súbditos representados no Parlamento
Parlamento passa a ter as funções legislativas do Estado e o monarca com as funções executivas
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Unidade 3: Triunfo dos estados e dinâmicas económicas nos séculos XVII e XVIII
3.1 Reforço das economias nacionais e tentativas de controlo do comércio
3.1.1 O tempo do grande comércio oceânico
Portugal
Espanha
Holanda Grupo de países que detinham quase a totalidade das
França colónias ultramarinas e dominavam o comércio
Inglaterra intercontinental que gerava lucros fabulosos
Estes países utilizaram mercados europeus para expandir cada vez mais os negócios (criaram companhia de comércio e
desenvolveram novos mecanismos financeiros). Objetivo: obter lucros cada vez mais elevados, ou seja, geravam capital,
investiam-no e aumentavam-no.
O comércio tornou-se aquilo que fazia a economia de um país avançar e por isso, a Europa entrou numa era de
capitalismo comercial → Devido a esta importância dado ao comércio, a América foi colonizada, tornando-se bastante
importante nos circuitos comerciais.
Capitalismo comercial – Sistema económico que se afirmou nos séculos XVI a XVIII e se caracteriza pela procura do maior
lucro, pelo espírito de concorrência e pelo papel determinante do comércio como motor do desenvolvimento económico.
Açúcar
Tabaco Estes produtos são enviados para a metrópole → Em troca, a metrópole
Algodão fornece produtos agrícolas, industriais e mão de obra vinda de África
Criação de gado (escravos)
Extração de ouro
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3.1.2 Reforço das economias nacionais: Mercantilismo
Mercantilismo
A expansão do comércio coincidiu com a afirmação das monarquias absolutas. Assim era necessário capital para
sustentar a magnificência dos príncipes, reforçar o aparelho de Estado e mobilizar os exércitos que impusessem a
supremacia do país em relação aos seus vizinhos → Foi com o objetivo de enriquecer o Estado e os seus cidadãos que se
pôs em prática a primeira doutrina económica, o Mercantilismo.
Mercantilismo – o objetivo é o aumento da riqueza nacional, identificada com a quantidade de metais preciosos que o
país possuía. São características do mercantilismo as medidas de tipo protecionista e monopolista.
Segundo Colbert, a riqueza de um país estava na quantidade de metais que um país possuía. Isso era conseguido através
de uma balança comercial favorável, isto é, o valor das exportações tem de ultrapassar o valor das importações.
Para atingir esse objetivo foi necessário criar medidas protecionistas:
Proibição da utilização de produtos estrangeiros (são designadas por Leis Pragmáticas em Portugal);
Promoção da produção nacional (e a autossuficiência do país) dando incentivos;
Criação de companhias do comércio, para que sejam proporcionados mercados de abastecimento de matérias-
primas e de colocação dos produtos manufaturados;
Aumento das taxas alfandegárias para produtos do estrangeiro;
Atribuição pelo rei do direito de exclusividade.
Muitos países europeus, nos séculos XVII e XVIII, implementaram políticas mercantilistas, embora com objetivos e
medidas diferentes
Protecionismo – Política económica que impede a livre iniciativa e a livre circulação de mercadorias. Traduz-se quer por
um aumento dos direitos alfandegários sobre as importações quer pela concessão de exclusivos e privilégios industriais.
O objetivo destas medidas é permitir o desenvolvimento das produções internas que, desta forma, se tornam mais
competitivas.
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O Mercantilismo em França (Colbertismo)
O mercantilismo foi introduzido em França por Colbert (1619-1683), ministro de Luís XIV
O colbertismo consistiu numa política fortemente protecionista das manufaturas francesas.
Introdução de novas indústrias recorrendo à importação de técnicos estrangeiros;
Desenvolvimento da criação de grandes manufaturas, desenvolvendo uma política de subsídios, monopólios e
outros incentivos
Colbert criou as manufaturas reais que se dedicavam sobretudo produção de produtos de luxo destinados a
fornecer a corte de Versalhes
Toda a atividade manufatureira era regulamentada: qualidade, horas de trabalho, preços, etc.
Criação de companhias monopolistas para as quais criou o exclusivo de comércio com determinadas zonas
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Inglaterra torna-se a maior potência colonial e marítima da Europa.
1. Progressos agrícolas
Na região de Nortfolk (Inglaterra) iniciou-se a “revolução agrícola” → conjunto de alterações rápidas no tempo e
marcantes na forma de cultivar o terreno.
Enclousers (vedações de campo) – representam um avanço na rentabilização das terras (sobretudo de grandes
propriedades) que, protegidas de animais bravos e dos caminhantes, se tornaram propícias a diversas inovações
e experiências como a seleção de sementes, seleção de animais ou a rotação de culturas;
Rotação quadrienal – fazia o aproveitamento pleno da terra (eliminação do pousio), introduzindo novas culturas
como as leguminosas e as forrageiras, algumas das quais fertilizam diretamente o solo e outras indiretamente, ao
permitirem a criação de gado → o cultivo de plantas forrageiras (que alimentavam os animais, por exemplo, o
trevo) possibilitava, por um lado, assegurar o necessário estrume, e, por outro lado, incentivar o melhoramento
das raças animais;
Inovações agrícolas – a introdução de máquinas nos campos (ex. charrua triangular) retiravam um melhor
aproveitamento da terra.
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Inexistência de alfandegárias internas retirava os entraves ao comércio
No Oriente:
Europa → Ásia (através da Companhia das Índias Orientais)
A vitória inglesa expulsou os franceses da
Seda índia, assegurando à Companhia das Índias
Especiarias Orientais o comércio dos produtos indianos,
Panos de algodão quer para exportação, quer para troca local,
Chá proibindo os produtores locais de venderem
Corantes a outros estrangeiros que não os ingleses
Da Índia, os ingleses partiam para a China (porto de Cantão) de → country trades (trocas locais comercias)
onde traziam, nos seus barcos (China ships) o famoso chá
O alargamento dos mercados constituiu, um dos fatores de preponderância inglesa sobre o mundo.
5. Sistema Financeiro
Bolsa de Valores – a compra de ações do Estado ou de companhias industriais permitiu reunir capitais em
grandes escalas e fornecer elevados lucros aos particulares e ao Estado (desenvolvimento do capitalismo)
Bolsa de Londres – realizava as operações de apoio ao comércio (por exemplo, depósitos e transferências), emitia
o papel-moeda (notas) e financiava a atividade comercial e industrial → A atividade do Banco de Inglaterra foi
complementada pela dezena de pequenas instituições – os country banks.
Importância da emissão de notas – o valor das notas em circulação ultrapassou largamente as reservas metálicas do
banco, fornecendo assim os meios de pagamento necessários ao incremento dos pequenos negócios.
Avanços agrícolas
Aumento demográfico
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Alargamento dos mercados
Capacidade empreendedora dos ingleses
Avanço tecnológico
Graças aos melhoramentos na tecelagem, na fiação e na estampagem, houve um aumento enorme na produtividade e na
produção.
II. Metalurgia
Este sector foi, talvez, o setor mais importante de todos, uma vez que é ele quem fornece máquinas e outros
equipamentos para os outros setores poderem desenvolver.
III. Vapor
Com a introdução do vapor, podemos dizer que as manufaturas deram lugar às maquinofaturas, e aí, nasce a revolução
industrial.
Fruto dessas concorrências, da aplicação das políticas mercantilistas, desencadeou-se uma grave crise comercial em
Portugal.
Entre 1670 a 1692 os produtos portugueses não eram vendidos e acumulavam-se nos armazéns em Lisboa → Fruto da
concorrência e da diminuição da procura os preços baixavam constantemente → A perda de receita vai ocasionar um
desequilíbrio na nossa balança comercial – passamos a importar muito mais do que exportamos → O pais continuava
muito dependente das importações de produtos manufaturados.
Conde da Ericeira teve como objetivo equilibrar a balança comercial de Portugal, substituindo os produtos que
importávamos por produtos que produzíamos em Portugal. Principais medidas tomadas pelo Conde de Ericeira:
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bandeirantes → os bandeirantes foram expedições realizadas pelo interior do Brasil, quase sempre por iniciativa de
particulares. Descobrem grandes jazidas de ouro em Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás.
Esta descoberta vai disponibilizar dinheiro para o país pagar as importações e abandona as políticas mercantilistas → Este
ouro vai suportar o esplendor da corte de D. João V → Ou seja, o ouro é gasto em luxos e para importar produtos
manufaturados.
Este tratado foi responsabilizado pela destruição da industrialização portuguesa, mas na realidade apenas acelerou o
processo que já estava a decorrer (abrandamento da industrialização) → A Inglaterra apoiou a causa portuguesa na
guerra da Restauração e os portugueses pagavam à Inglaterra em benefícios económicos.
O Tratado de Methuen permitiu o crescimento das exportações dos nossos vinhos, mas, no entanto, as nossas
exportações vinícolas ficaram totalmente dependentes do mercado inglês → Representou o fim do esforço de
industrialização.
O défice comercial com a Inglaterra não parava de crescer. Cerca de três quartos do ouro que vinha do Brasil ia parar a
Inglaterra.
No reinado de D. José I, destaca-se a figura de um ministro, Sebastião José de Carvalho e Melo, o marquês de Pombal
(1699-1782).
Objetivos:
Redução do défice comercial com o estrangeiro
Nacionalização do sistema comercial português
Era necessário:
Diminuir a importância de bens de consumo
Relançar as indústrias
Oferecer ao comércio português estruturas que lhe garantissem segurança e estabilidade.
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Seguindo máximas mercantilistas:
Criação da Junta do Comércio: regulação da boa parte da atividade económica do reino. A Junta de Comércio foi
a maior alavanca da obra pombalina para dirigir o setor comercial. Encarregava-se:
o Reprimir o contrabando
o Intervir na importação de produtos manufaturados
o Vigiar as alfândegas
o Coordenar a partida das frotas para o Brasil
o Licenciar a abertura de lojas e atividades dos homens de negócios
Criação de companhias monopolistas privilegiadas – juntavam o que havia de melhor na burguesia mercantil
portuguesa, concentravam capitais privados e do Estado, de forma a constituir-se como entidades à altura de se
baterem, comercialmente, com Inglaterra → Companhia dos Vinhos do Alto do Douro estava encarregue da
reorganização da produção e comércio dos vinhos generosos do Douro.
Revitalização do setor manufatureiro – revitalização das indústrias existentes e a criação de novas unidades. Por
exemplo, a Real Fábrica de Lanifícios de Portalegre. Pertencentes ao Estado ou a particulares, todas as
manufaturas pombalinas receberam privilégios (instalações, subsídios, exclusivos).
Criação da primeira escola comercial da Europa, Aula do Comércio (1759) – destinava-se a fornecer uma
preparação adequada aos futuros comerciantes, privilegiando no currículo matérias de carácter prático
(contabilidade, por exemplo) → conferiu o estatuto nobre à alta burguesia.
Fim da distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos, bem como a subordinação do Tribunal do Santo Ofício à
Coroa.
A intervenção divina, ou do Diabo, ou mesmo a conjugação de determinados astros era a explicação para
determinados fenómenos físicos e naturais;
A Ciência assentava nos conhecimentos dos Antigos como Aristóteles, Ptolomeu, Santo Agostinho e outros cujas
afirmações eram consideradas inquestionáveis;
Durante o Renascimento nasceu o espírito crítico, embora limitado a um pequeno grupo de individuais;
Os Descobrimentos trouxeram novos conhecimentos sobre Mundo, as culturas, fauna, flora e povos existentes;
Na Europa surgem associações científicas onde se organizam debates e conferências, algumas tornam-se
instituições nacionais;
Surge o gosto pela observação dos fenómenos naturais e físicos;
Desenvolvem-se as ideais que:
o O conhecimento aumenta constantemente;
o O progresso científico contribui para melhorar as condições da Humanidade.
Dá-se início a uma revolução científica.
A elite europeia julgava-se a caminho de um futuro melhor, devido aos resultados brilhantes obtidos pelos
experimentalistas, no qual o raciocínio do homem era um dom, com potencialidades quase ilimitadas.
A crença no valor da razão humana como motor de progresso aplicou-se à reflexão sobre o funcionamento das
sociedade gerais.
Acreditava-se que o uso da razão livremente levava ao aperfeiçoamento moral do Homem, das relações sociais, e
do poder político levando à mesma igualdade e justiça. A razão era a luz que guiava a humanidade.
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4.2.3 A defesa do contrato social e da separação dos poderes
A liberdade e igualdade defendida pelos iluministas estavam em contradição com a autoridade dos governos, no
qual John Locke teve a ideia de um contrato livremente assumido entre o governo e governantes.
No Contrato Social Rosseau reforça a ideia de que a soberania popular se mantém.
O poder tirano para os iluministas é sinónimo de desrespeito, pois temos um povo livre que tem de obedecer.
A teoria do contrato social transformou o estatuto do individuo no seio da comunidade política: os cidadãos
também já podem ter decisões no poder político .
O Espírito das Leis, outra obra, escrita por Monyesqyuieu, que admirava o regime, defendia um governo
monárquico moderado e representativo, no qual o soberano se governa pelas leis e veem as suas limitações na
separação do poder.
A teoria da separação dos poderes defende o poder da autoridade em 3 poderes:
1. Poder legislativo → faz as leis
2. Poder executivo → encarregado de fazer cumprir as leis
3. Poder judicial → julgava os casos de desrespeito às leis
Só a separação destes poderes acabava com a tirania e levava a liberdade dos cidadãos.
O controlo pelo Estado do aparelho político implicava, sobretudo, o afastamento dos grupos nobiliárquicos e eclesiásticos
tradicionais, a restrição/ extinção dos privilégios e poderes desses grupos e até das instituições que estes dominavam.
É nesta perspetiva que se deve enquadrar a política de nivelamento social → Marquês de Pombal combateu duramente
todas as forças, categorias sociais ou instituições que colocavam obstáculos à autoridade régia ou estatal.
Por outro lado, promoveu a alta burguesia → O objetivo era criar uma clientela política apoiante e submissa à ação
governativa e empenhada na política de fomento económico do país. Também as reformas na educação e no ensino se
enquadram nesta política de racionalização.
Com o intuito de subsidiar todas estas reformas e permitir a sua continuação, Pombal criou uma espécie de tributação
nacional, o Subsídio Literário.
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