Desenhar bem não é mais importante para fazer uma Banda Desenhada.
O mais importante é ter uma boa estória, com personagens fascinantes e
interessantes, e com os quais os leitores se identificam.
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FASE 1
As equipas que irão criar as BD deverão ser formadas por:
• 2 Guionistas
• 3 Investigadores (cenários, vestuários, meios de transporte, eficiências
energéticas)
• 4 Desenhadores (personagens e ambientes principais)
• 4 Desenhadores (personagens secundárias e fundos)
• Vários pintores
Depois de seleccionada a melhor estória, das investigações feitas, serão
assinaladas as palavras e imagens necessárias para contar a história de banda
desenhada.
FASE 2
Como criar um guião?
Para tal, será criado um guião utilizando uma linguagem específica, pois facilita a
distribuição e organização da sequência de imagens e texto.
No guião é importante que se tenha em conta os seguintes aspectos:
• Usar sempre o menos texto possível.
Não expliquem em textos o que podem entender através do
desenho.
• As acções e situações importantes devem ter mais peso e destaque.
Por exemplo:
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GUIÃO LITERÁRIO
É a criação da estória escrita sem os mínimos detalhes.
Para esta criação terão de se guiar pelo vosso estilo favorito. Essa estória será o
produto final em bruto, e que dividirão, depois de escrita, nas três partes principais,
que são:
-INTRODUÇÃO,
-DESENVOLVIMENTO,
-CONCLUSÃO.
A VINHETA
A Vinheta é a representação gráfica de um espaço de tempo.
Quadrada ou rectangular é um quadro que contem dentro as imagens da estória.
As vinhetas são maiores ou menores não por acaso, mas para defender o interesse da
acção que esta narra.
O tamanho da vinheta joga também muito com o andamento da estória e com o grau
de emoção a transmitir ao leitor, assim como com o tempo de leitura.
DIVISÃO EM SEQUÊNCIAS
Poderemos defini-las como um grupo de vinhetas que sucedem todas no mesmo
período de tempo ou lugar e a sua extensão pode variar entre uma só vinheta e uma
página inteira ou mais.
O tamanho das sequências, mais ou menos longas, tem a ver com a importância destas
dentro da estória, isto é, quanto mais vinhetas utilizarem para narrar uma sequência,
mais importante, para o entendimento da estória, essa sequência se torna, e vice-
versa.
Depois da divisão do guião literário em sequências, e estas num número limitado de
vinhetas, poderão prever, então, a quantidade de páginas com que contará a vossa
estória.
Neste ponto pode dar-se o caso que o número de páginas seja superior ou inferior às
páginas pedidas, então que há a fazer? Simples, basta cortar algumas sequências de
menor importância, assim como algumas vinhetas das sequências mais longas ou
ainda, juntar duas sequências numa só vinheta.
Efectuando estes cortes - a que chamamos ELIPSE - notamos que ficam ressaltos na
narração... é obvio pois deixou de existir continuidade, mas isso facilmente se resolve
com textos de ligação que servem para tapar lacunas, fazendo com que a estória tenha
a continuidade desejada.
Se o caso for o de faltar páginas então terão de aumentar vinhetas a certas sequências
ou até mesmo criar sequências novas.
PERSONAGENS E DOCUMENTAÇÃO
Conhecendo a estória, passarão à criação das personagens principais, e com isto, à
documentação de acordo com a época e o lugar de acção do argumento.
Não esqueçam, a documentação é muitíssimo importante, nada deve ser deixado ao
acaso.
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O STORY BOARD
Antes da escritura do guião definitivo, os guionistas repassam mais uma vez o guião
literário, mas desta vez “Desenhando-o” em folhas divididas em quadrados. Não é
necessário que o desenho se entenda como tal, basta um simples esboço. A esta fase
chama-se Story Board e serve para seleccionar as cenas sem esquecer a continuidade.
Seguindo este processo poderão apreciar melhor o que será o trabalho final do guião,
assim como melhorar algumas cenas, que sem ele, poderiam passar despercebidas.
A SEQUÊNCIA DA VINHETA
A sequência é formada por um conjunto de acções, sendo estas divididas pelas
vinhetas que compõem cada sequência.
Se a sequência for composta por uma só vinheta, então, o papel desta terá de ser
completo, já que é esta a finalidade da sequência.
Portanto, depois da divisão do guião em sequências e baseados no Story Board,
deverão atribuir a cada sequência um número justo de vinhetas; mais vinhetas para as
sequências mais importantes e menos às sequências de menor interesse, para que o
leitor passe por elas rapidamente e não as entender por pontos chave para o
entendimento da estória.
O GUIÃO TÉCNICO
Finalmente! O guião técnico, este é o produto final já revisto e estudado. Ele deve
indicar o número de vinhetas e páginas, o texto descritivo, o narrativo e os diálogos,
assim como os planos.
O texto descritivo serve para indicar aos desenhadores tudo o que deve figurar dentro
da vinheta e que foi pensado pelos guionistas, até mesmo os mais pequenos detalhes.
Poderão então os desenhadores, através dele, construir perfeitamente a acção
imaginada em precedência. Os textos narrativos e os diálogos são os que acompanham
o desenho para seu entendimento, é o que o leitor vai ler.
Há que indicar aos desenhadores também a emoção ou sentimento a dar a cada cena
para que o desenho siga a par e passo com o guião e que, entre um e outro, não
existam barreiras. A ilusão deverá ser perfeita e tanto o guião como as imagens devem
fazer parte de uma única obra fortemente sólida.
Os textos devem ser fluidos e sem palavras estranhas ou frases demasiado
trabalhadas.
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FASE 3
Como fazer os esboços?
A seguir começam a fazer vários esboços para definir todas as personagens.
Podem representar seres humanos, animais, vegetais ou objectos.
Durante esta fase definem-se as proporções de cada figura, as formas que as
caracterizam, os seus movimentos, as várias posições e escalas que podem ter, o
vestuário, a cor ou a textura da sua pele, caso seja animal ou vegetal.
Também devem definir as possíveis paisagens, situações ou cenas que podem
aparecer com frequência.
Procurem o máximo de informação em documentos ou fotografias que
podem servir de fonte de inspiração.
Quantas mais experiências e esboços fizerem, mais segurança e facilidade terão ao
desenhar as personagens e os cenários (que devem manter o equilíbrio e coerência
visual ao longo da BD).
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FASE 4
Como desenhar uma prancha de BD
Cada página de BD chama-se prancha.
Com uma régua traça-se levemente a lápis HB um rectângulo em cada página,
deixando 7 a 10 mm de espaço entre a margem da folha e o rectângulo.
As vinhetas podem ter diferentes dimensões e formatos.
Estas medidas podem ser diferentes conforme a preferência
dos autores.
Tira
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Como desenhar o título
Na primeira prancha deve-se ocupar a primeira tira com o título da estória. O tipo de
letra escolhido deverá ser adequado ao tema da estória, tendo em conta a sua
legibilidade.
Para tornar a BD mais atractiva, podem criar um título decorado com informações e
elementos tirados da estória.
Devem ter o cuidado de não dizer o objectivo ou a
mensagem completa da estória, pois as pessoas não
precisariam de ler a estória.
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Os ambientes devem ser muito bem pensados, quanto ao enquadramento ou
colocação das formas e figuras em cada vinheta.
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Como escolher os planos e ângulos
Quanto aos planos, estes são fundamentais para realçar a importância das cenas, o
afastamento ou aproximação das personagens, pois permitem transmitir a ideia de
movimento, chama a atenção dos leitores e torna mais interessante a narração visual
da estória, pois apresentam ritmos de leitura e diferentes momentos de emoção ou
tenção.
PLANO GERAL - PG
Representa e descreve o ambiente geral
onde se desenrola a cena. É um plano
muito afastado do leitor.
PLANO CONJUNTO - PC
Representa o conjunto de algumas
personagens no cenário, de corpo inteiro.
Também é um plano afastado.
PLANO MÉDIO - PM
As personagens representam-se de corpo
inteiro mais ou menos da altura da vinheta.
PLANO MÉDIO APROXIMADO - PMA
Aproxima-nos mais das personagens. Estas
estão cortadas pela cintura. Podemos
apreciar os seus rostos, assim como o que
elas podem reflectir.
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PLANO AMERICANO
As personagens aparecem cortadas à altura
do joelho.
PLANO APROXIMADO - PA
As personagens aparecem cortadas pela
cintura.
PRIMEIRO PLANO - PP
As personagens aparecem cortadas pelos
ombros.
Podemos apreciar ainda melhor a
expressão das personagens, já que os
limites da vinheta enquadram somente o
rosto. Este plano costuma ser desenhado
numa vinheta pequena e, muitas vezes,
sem balão de diálogo por se tratar de um
tempo breve.
PRIMEIRISSIMO PLANO - PPP
Aproxima-se ainda mais da personagem,
mostrando somente uma parte do rosto,
por exemplo, os olhos numa expressão de
medo.
PLANO DE DETALHE - PD
Serve para levar o leitor a prestar a máxima
atenção a algo que tem a ver com o
desenrolar da estória e que, noutros
planos, passaria despercebido. Por
exemplo, uma mensagem escrita deixada
sobre uma mesa, símbolos secretos, etc.
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ÂNGULO PICADO
A cena é vista de cima para baixo.
ÂNGULO CONTRA-PICADO
A cena é vista de baixo para cima.
ÂNGULO NORMAL OU FRONTAL
A cena é vista de frente à altura do olhar
do leitor.
Como escrever diálogos
Os diálogos entre personagens são escritos no interior de balões.
O nome balão provém da sua forma, dado que é geralmente de formato circular, no
entanto podem apresentar outras formas, pois o formato dos balões também serve
para comunicar sentimentos e a expressão da fala das personagens ou o seu
pensamento.
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Nos balões escreve-se o texto em discurso directo e também se pode inserir imagens
para representar uma ideia ou o que a personagem pensa ou diz quando está zangada
e que não convém traduzir por palavras.
Quando se pretende sugerir espanto ou admiração de uma personagem, pode
aparecer no balão só um grande ponto de exclamação e para transmitir uma dúvida ou
questão pode aparecer só um grande ponto de interrogação.
FASE 5
Como colorir uma prancha de BD
Para colorir a BD, a escolha da técnica é muito importante.
Começa-se por realizar esboços e desenhos a lápis de carvão macio, para facilmente
corrigir erros. Uma vez definido o desenho a lápis, é o momento de passar o desenho a
tinta.
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Quanto à pintura dos cenários e das personagens, para o efeito podem ser usados
diferentes técnicas, pois a BD pode ser a cores ou a preto e branco. De acordo com a
expressão dos traços e a técnica que os autores preferirem, estes devem seleccionar o
tipo de caneta, lápis de cor ou pincel a utilizar.
FIM.
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