0% acharam este documento útil (0 voto)
438 visualizações115 páginas

Características do Gênero Dramático

O documento descreve o gênero dramático, incluindo sua origem na Grécia Antiga, características como a encenação cênica e presença de diálogos, e estrutura interna e externa. Exemplos de textos dramáticos incluem a tragédia, comédia e farsa. Um trecho do texto teatral "Álbum de Família" de Nelson Rodrigues é fornecido.

Enviado por

Iverson Moraes
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
438 visualizações115 páginas

Características do Gênero Dramático

O documento descreve o gênero dramático, incluindo sua origem na Grécia Antiga, características como a encenação cênica e presença de diálogos, e estrutura interna e externa. Exemplos de textos dramáticos incluem a tragédia, comédia e farsa. Um trecho do texto teatral "Álbum de Família" de Nelson Rodrigues é fornecido.

Enviado por

Iverson Moraes
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Gênero Dramático

O Gênero Dramático (ou Teatral) faz parte de um dos três gêneros literários, ao lado do gênero lírico
e épico.
No entanto, o gênero dramático, como o próprio nome indica, são os textos literários feitos com o
intuito de serem encenados ou dramatizados. Do grego, a palavra “drama” significa “ação”.

Origem

Desde a Antiguidade o gênero dramático, originário na Grécia, eram textos teatrais encenados
essencialmente como culto aos deuses, os quais eram representados nas festas religiosas.
Entre os principais autores do gênero dramático (tragédia e comédia) na Grécia antiga estão:
Sófocles (496-406 a.C.), Eurípedes (480-406 a.C.) e Ésquilo (524-456 a.C.).
A encenação dos textos de gênero dramático tinha o objetivo de despertar emoções na plateia,
fenômeno chamado de "catarse".

Principais Características

Encenação cênica (linguagem gestual e sonoplastia)


Presença de diálogos e monólogos
Predomínio do discurso em segunda pessoa (tu, vós)

Trazer Monólogos.

Estrutura Dramática

Os autores desse tipo de texto são chamados de dramaturgos, que junto aos atores (que encenam
o texto), são os emissores, e por sua vez, os receptores são o público.
Assim, os textos dramáticos, além de serem constituídos de personagens (protagonistas,
secundárias ou figurantes), são compostos pelo espaço cênico (palco teatral e cenários) e o tempo.
Geralmente, os textos destinados ao teatro possuem uma estrutura interna básica, a saber:
Apresentação: faz-se a exposição tanto dos personagens quanto da ação a ser desenvolvida.
Conflito: o momento em que surge as peripécias da ação dramática.
Desenlace: Momento de conclusão, encerramento ou desfecho da ação dramática.

Além da estrutura interna inerente ao texto dramático, tem-se a estrutura externa do gênero dramático, tal
qual os atos e cenas, de forma que o primeiro corresponde à mudança dos cenários necessários para a
representação, enquanto o segundo, designa as mudanças (entrada ou saída) dos personagens. Observe
que cada cena corresponde a uma unidade da ação dramática.

Exemplos de Textos Dramáticos

Tragédia: representação de acontecimentos trágicos, geralmente com finais funestos. Os temas explorados
pela tragédia são derivados das paixões humanas, do qual fazem parte personagens nobres e heroicas,
sejam deuses ou semideuses.

Comédia: representação de textos humorísticos que levam ao riso da plateia. São textos de caráter crítico,
jocoso e satírico. A principal temática dos textos de comédia, envolvem ações cotidianas do qual fazem
parte personagens humanos estereotipados.

Tragicomédia: união de elementos trágicos e cômicos na representação teatral.


Farsa: surgida por volta do século XIV, a farsa designa uma curta peça teatral de caráter crítico, formada
por diálogos simples e representada por personagens caricaturais em ações corriqueiras, cômicas,
burlescas.

Auto: surgido na Idade Média, os autos são textos curtos de temática cômica, os quais são geralmente
formados por um único ato.
Segue abaixo um trecho do texto teatral intitulado “Álbum de Família”, escrito por Nelson Rodrigues, em
1945:
Cena 1
(Palco menor: cena mostra ângulo de um dormitório de colégio. Glória e Teresa entram rindo muito, como
se brincassem de esconde-esconde. Ambas em finíssimas camisolas, muito transparentes. São meninas
que aparentam 15 anos. Há entre as duas um ambiente de sonho. Quando a música termina, Teresa fala)
TERESA – Você jura?
GLÓRIA – Juro.
TERESA – Por Deus?
GLÓRIA – Claro!
(Nota importante: o sentimento de Teresa é mais ativo; Glória resiste mais ao êxtase)
TERESA – Então, quero ver. Mas, depressa, que a irmã pode vir.
GLÓRIA (erguendo a cabeça) – Juro que...
TERESA (retificando) – Juro por Deus...
GLÓRIA – Juro por Deus...
TERESA – ... que não me casarei nunca...
GLÓRIA – ... que não me casarei nunca...
TERESA – ... que serei fiel a você até à morte.
GLÓRIA – ... que serei fiel a você até à morte.
TERESA – E que nem namora.
GLÓRIA – E que nem namoro.
(As duas se olham. Teresa coloca o véu branco na cabeça de Glória; em seguida coloca outro véu sobre
a sua própria cabeça. Abraçam-se.)
TERESA (apaixonada) – Também juro por Deus que não me casarei nunca, que só amarei você, e que
nenhum homem me beijará.
GLÓRIA (menos trágica) – Só quero ver.
TERESA (trêmula) – Segura minha mão assim. (olhando-a profundamente) Se você morrer um dia, nem
sei!
GLÓRIA – Não fala bobagem!
TERESA – Mas não quero que você morra, nunca! Só depois de mim. (com uma nova expressão,
embelezada) Ou então, ao mesmo tempo, juntas. Eu e você enterradas no mesmo caixão.
GLÓRIA – Você gostaria?
TERESA (no seu transporte) – Seria tão bom, mas tão bom!
GLÓRIA (prática) – Mas no mesmo caixão não dá – nem deixam!
TERESA (sempre apaixonada) – Me beija!
(Glória beija na face, com certa frivolidade.)
TERESA – Na boca!
(Beijam-se na boca)
TERESA (agradecida) – Nunca nos beijamos na boca – é a primeira vez.
(Riem. Beijam-se novamente. Música de transição: Glória de Vivaldi em tom menor)
(Apaga-se a pequena cena do dormitório.)
Medo da Eternidade
Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles.
Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava
para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.

Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:

- Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.

- Não acaba nunca, e pronto.

- Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a
pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia
acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para
chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão
inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta.

- Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.

- E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.

- Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a
mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.

- Perder a eternidade? Nunca.

O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-
nos para a escola.

- Acabou-se o docinho. E agora?

- Agora mastigue para sempre.

Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa
cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na
verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de
medo, como se tem diante da idéia de eternidade ou de infinito.

Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu
mastigava obedientemente, sem parar.

Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no
chão de areia.

- Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingidos espanto e tristeza. - Agora não posso mastigar mais!
A bala acabou!

- Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a
gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste,
um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.

Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo
que o chicle caíra na boca por acaso.

Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


Clarice Lispector
Talvez as pessoas estejam certas, talvez eu seja sentimental demais, dramático demais, ou talvez
eu esteja certo, talvez eu tenha nascido na época errada. Eu deveria ter nascido na época de Shakespeare,
onde o relativismo dos sentimentos ainda não havia tomado o coração das pessoas, onde as palavras amor,
amizade, sonho e sentimento tinham realmente valor, onde a vida era mais colorida, onde as praças eram
floridas e não tomadas pelo cinza dos prédios, da fumaça e dos carros, onde a vida passava devagar, onde
tudo tomava o seu devido lugar, onde as pessoas honravam suas promessas, onde as pessoas não fossem
ocas.
Eu sou intenso, não faço drama, o drama sou eu, a vida talvez não seja tão complicada, talvez eu
seja a complicação, sou controverso, confuso, inconstante, mas… onde está o erro? Sou eu detentor de
sentimentos demais, ou as pessoas de sentimentos de menos?
Em qual patamar estamos? Sou anormal? Estranho? Sim, talvez a minha estranheza seja sentir
demais, e se for, por que tanto espanto? Sou atemporal, nasci na sociedade errada. As pessoas dessa
sociedade são estranhas, mas julgam as estranhezas estranhas a sua própria estranheza, insano.
Talvez as pessoas estejam certas, talvez eu seja sentimental demais, dramático demais, ou talvez
eu esteja certo, talvez eu tenha nascido na época errada. Eu deveria ter nascido na época de Shakespeare,
onde o relativismo dos sentimentos ainda não havia tomado o coração das pessoas, onde as palavras amor,
amizade, sonho e sentimento tinham realmente valor, onde a vida era mais colorida, onde as praças eram
floridas e não tomadas pelo cinza dos prédios, da fumaça e dos carros, onde a vida passava devagar, onde
tudo tomava o seu devido lugar, onde as pessoas honravam suas promessas, onde as pessoas não fossem
ocas.
Eu sou intenso, não faço drama, o drama sou eu, a vida talvez não seja tão complicada, talvez eu
seja a complicação, sou controverso, confuso, inconstante, mas… onde está o erro? Sou eu detentor de
sentimentos demais, ou as pessoas de sentimentos de menos? Em qual patamar estamos? Sou anormal?
Estranho?
Sim, talvez a minha estranheza seja sentir demais, e se for, por que tanto espanto? Sou atemporal,
nasci na sociedade errada. As pessoas dessa sociedade são estranhas, mas julgam as estranhezas
estranhas a sua própria estranheza, insano.

Pablo Reis Expresiones


Promessas de casamento

CENÁRIO: Uma Igreja

Abrem–se as cortinas, no palco, ao centro, um padre, em um dos cantos, o noivo (ansioso). Toca a marcha
nupcial. A noiva entra com um vestido branco. Caminha em direção ao noivo. Os dois se colocam em frente
ao padre.

Padre – Queridos irmãos, estamos aqui reunidos pela vontade de Deus, para realizarmos o enlace
matrimonial deste jovem casal: Giovanna e Gustavo. Agora, pergunto a você, Giovanna e a você, Gustavo,
vocês prometem ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, se amando e se respeitando até
que a morte os separe?

Giovanna – Não!

Gustavo – Giovanna!?

Padre – Minha filha!

Giovanna – Escuta aqui, seu padre! Essa conversa tá muito démodé! É sempre o mesmo discurso. O
mesmo texto batido de todo casamento! Comigo. Não! No meu casamento eu quero outra coisa!

Gustavo – Que isso, Giovanna?

Padre – Mas, minha filha!

Giovanna – Agora, seu padre, você faça o favor de prestar atenção:

Gustavo – Você bebeu, Giovanna?

Padre – Olha aqui, minha filha: vamos andar logo com isso que ainda tenho mais três casamentos depois
do seu.

Giovanna – Agora, Gustavo, repete comigo: Prometo não deixar a paixão fazer de mim uma pessoa
controladora, e sim respeitar a individualidade da minha amada, lembrando sempre que ela não me
pertence e que está ao meu lado por livre e espontânea vontade.

Gustavo – O que está acontecendo com você, Giovanna?

Giovanna – Vai, seu padre, pode anotar tudinho aí.

O PADRE SE SERVE DE VINHO E BEBE NUM GOLE SÓ.

Giovanna – Prometo saber ser amigo e ser amante, sabendo exatamente quando devo entrar em cena sem
que isso me transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica.

Gustavo – Não acredito. Você deve ter bebido alguma coisa, Giovana!

Padre – Meu, filho, você quer fazer o favor de controlar a sua noiva?

GUSTAVO SACODE GIOVANNA.

Padre – Sem violência, meu filho!

Giovanna – Prometo sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo
simples fato dela ser a pessoa que melhor conhece você e, portanto, a mais bem preparada para lhe ajudar,
assim como você a ela. Promete se deixar conhecer.
GUSTAVO SOLTA GIOVANNA.

Gustavo – Tudo bem, Giovanna, se você quer assim, vamos fazer assim, não é seu Padre?

Padre – Eu só quero que isso acabe logo, senão, eu dou um jeito de acabar com isso.

Giovanna – Então, repete comigo, Gustavo: Promete fazer da passagem dos anos uma via de
amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?

Gustavo – Prometo!

Giovanna – Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina
como desculpa para sua falta de humor?

Gustavo – Prometo!

Giovanna – Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o
que esperam de você? E que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade
que os aguarda?

Gustavo – Prometo!

Padre – Será que eu posso continuar?

Giovanna – Está acabando, seu padre. Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para
arrancar risadas dos outros?

Gustavo – Agora tá bom, Giovanna! Já deu!

Padre – Então, como eu ia dizendo…

Giovanna – Calma, seu padre! Tem mais uma: Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma
importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar
escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?

Gustavo – Prometo!

Giovanna – Promete que será o mesmo que era minutos antes de entrar na igreja?

Gustavo – Prometo tudo que você quiser, Giovanna. Agora deixa o padre terminar que eu to fritando dentro
desta roupa.

Giovanna – Então, agora pode finalizar, seu padre!

Padre – Eu os declaro, marido e mulher. Pode beijar a noiva, meu filho, antes que ela comece de novo.

GUSTAVO BEIJA GIOVANNA.

O FAZEDOR DE PIPAS
CENÁRIO: UMA GARAGEM

AO ABRIR AS CORTINAS, VEMOS NO FUNDO DO PALCO, VÁRIAS PIPAS PENDURADAS EM UM


VARAL. NO CENTRO DO PALCO, UMA BANCADA, ONDE UM SENHOR FAZ PIPAS. ENTRA UM JOVEM,
DE CABEÇA BAIXA, DIGITANDO AO CELULAR.

Neto – Oi, Vô, tudo bom?


Avô – (LEVANTANDO OS OLHOS) Oi, meu neto! Você não sai desse celular, hein?
O JOVEM DÁ UMA RISADA, ACABA DE DIGITAR E LEVANTA OS OLHOS.
Neto – Caracá, vô! Quanta pipa!! Tu tá vendendo pipa agora, vô?
Avô – (SEM PARAR O QUÊ ESTÁ FAZENDO) Claro que não! Elas todas são pra você! Fiz cada uma delas
para você!
Neto – Pra mim?
Avô – É, mas você não veio mais aqui!
Neto – É que agora tenho outras paradas. Sabe como é, né vô?
Avô – Eu sei, meu neto! Menino é igual a uma pipa, quando cresce, tem de voar!
O JOVEM MEXE EM CADA UMA DAS PIPAS PENDURADAS NO VARAL.
Neto – Lembra, vô, como eu ficava vidrado vendo tu fazendo as pipas? Nunca consegui fazer uma, né? Só
estragava tudo!
Avô – Não quer tentar de novo?
Neto – Eu não! Não tenho como competidor com o maior fazedor de pipas do mundo.
Avô – Todo mundo sabe fazer uma pipa!
Neto – Pode até saber, mas ninguém é melhor do que meu avô.

O JOVEM VAI ATÉ A BANCADA E ABRAÇA O AVÔ, QUE SEM PARAR O QUÊ ESTÁ FAZENDO, APENAS
SORRI.

Neto – Caracá, vô, ver essas pipas todas pendradas me deu uma saudade! Lembra quando tu me levava
para soltar pipas? Nunca esqueci disso! Era muito bom!
Avô – E você acha que eu esqueci?

O AVÔ TERMINA A PIPA E A MOSTRA PARA O NETO.

Avô – E então, ficou bonita esta?


Neto – Ficou! Todas são lindas! Queria saber fazer pipas como você, vô!

O AVÔ VAI ATÉ O FUNDO DO PALCO E A PENDURA JUNTO COM AS OUTRAS NO VARAL

Neto – Vô, me deu uma vontade de soltar pipa. Posso pegar uma?
Avô – A que você quiser! Elas são tuas, meu neto!

O JOVEM ESCOLHE UMA DAS PIPAS E A RETIRADA DO VARAL.

Neto – Vou levar essa. Vamos comigo, vô? Não sei se ainda sei soltar uma pipa!!
Avô – Claro, meu neto! Tenho certeza que você ainda sabe!
Neto – Eu já disse que te amo, vô?
Avô – Já me disse sim! Logo quando chegou! Não lembra? Depois eu é que sou velho!!
Neto – Então vamos, vô! Vamos voar!!

O JOVEM SAI DE CENA FAZENDO QUE EMPINA A PIPA.

Avô – E a linha, meu neto? Tem de levar a linha, senão a pipa não voa!

O AVÔ SAI DE CENA LEVANDO O CARRETEL DE LINHA. LUZ CAI EM RESISTÊNCIA. FECHAM-SE AS
CORTINAS .

O ATAQUE ALIENÍGENA

CENÁRIO: UMA PRAÇA


SENTADO EM UM BANCO, UM HOMEM MEXE EM UM CELULAR. ENTRAM EM CENA DOIS MARCIANOS,
PORTANDO UMA ARMA ESQUISITA. UM DE CADA LADO.
Marciano1 – Não se mexa!
Marciano2 – Se você se mexer, vou congelar você!
O HOMEM SE LEVANTA DO BANCO
Homem – Calma aí, rapaziada! Sem violência!
Marciano1 – Largue essa arma!
Homem – Pô, chefia, não é arma, não! Acabe de pegá essa parada agora. Não é de última geração. Tava tentando
desbloquear. Mas pega aí!
Marciano 2 – Não faça nenhum movimento!
O HOMEM SE SENTA NO BANCO. OS MARCIANOS SE APROXIMAM. UM DE CADA LADO.
Homem – Fantasia da hora, hein?
Marciano1 – Não estamos fantasiados.
Marciano2 – Nós somos marcianos e vamos conquistar esse lugar.
Marciano 1 – Me leve até o seu líder!
Marciano 2 – Vamos! Ande logo!
Homem – Olha só, rapaziada, eu não tenho essa parada de líder, não! Eu trabalho por conta própria mesmo!
Marciano 1 – Como você não tem um líder?
O HOMEM SE LEVANTA DO BANCO.
Homem – Ó, até fiz parte de uma quadrilha aí, mas o chefe caiu em cana e a rapaziada se separou. Sabe como
é, né, chefia? A gente tem que garantir o leitinho das crianças.
Marciano 2 – (PARA MARCIANO 1) Acho que ele não está entendendo o que estamos falando.
Marciano1 – Mas aprendemos tudo!
Marciano2 – De repente eles falam algum dialeto que não aprendemos.
Marciano 1 – Você está entendendo?
Homem – Total, rapaziada! Vocês são os marcianos, pá! Querem conquistar, pá!…
OS MARCIANOS APONTAM AS ARMAS PARA O HOMEM.
Marciano 1 – Então nos leve até o seu líder!
Marciano 2 – Vamos! Não temos o dia todo!
Homem – Então, rapaziada, não vou poder ajudar vocês. Já falei que não tenho mais essa parada de líder, não!
O MARCIANO 1 AMEAÇA ATIRAR.
Homem – Calma aí, chefia! Sem violência! Sem violência!
Marciano 2 – Queremos falar com o seu líder agora!
Homem – O Zarolha tá preso… Deixa eu vê como posso ajudar vocês…
O HOMEM SE SENTA NO BANCO. OS MARCIANOS CONVERSAM ENTRE SI.
Marciano 1 – Não é possível que este lugar não tenha um líder.
Marciano 2 – Mas nós vimos que cada país neste planeta, tem um líder.
Marciano 1 – Como é que eles chamam o líder deles aqui, mesmo?
Marciano 2 – Acho que é… Sem dentes!
Marciano 1 – Não! É… Ao dente!
O HOMEM SE LEVANTA.
Marciano2 – Escrevente!
Homem – Olha aqui, rapaziada!
Marciano 1 – Presidente!
Marciano 2 – Isso mesmo! Presidente!
Homem – Ô, seu dois esquisitos, dá pra olhá pra mim?
Marciano 1 – Nos leve agora até o seu líder Presidente!
Homem – Presidente?
Marciano 2 – Isso! O presidente deste país!
Marciano 1 – Ele não é seu líder?
Homem – Ih, rapaziada isso eu não sei, viu?
Marciano 1 – Como não sabe?
Marciano 2 – Ele não é seu líder?
Homem – Rapaziada, aqui tá uma confusão danada, viu? Tem gente que acha que é, mas a maioria acha que
não é. Tem gente que fala que tem uma história de golpe na parada. Não sei, não! Aí é com vocês, mano!
Marciano 1 – (PARA MARCIANO 2) Que maravilha!
Marciano2 – Então vai ser mais fácil que a gente achava.
Marciano1 – Vamos dominar esse país!
Marciano2 – Esse país agora é nosso!
Homem – Ih, mano, chegaram atrasados, rapaziada! Os americano já domina aqui! Ó, e um tempão, viu?
Marciano1 – Quem são esses americanos.
Marciano2 – De que planeta?
Homem – Ih, eles moram lá nos Estaites!
Marciano2 – Estaites?
Homem – Outro país!
Marciano1 – E quer dizer que eles já invadiram esse país?
Homem – Ih, rapaziada, eles dominam quase o mundo todo.
Marciano2 – Dominam o mundo?
Homem – Os cara são poderoso! Mexeu com eles, eles logo faz guerra.
OS DOIS MARCIANOS SE SENTAM NO BANCO E LARGAM SUAS ARMAS.
OS MARCIANOS CONVERSAM ENTRE SI.
Marciano1 – O que você acha?
Marciano2 – Acho que esse país aqui não vale nada.
Marciano1 – Então, vamos atacar os americanos?
Marciano2 – Vamos atacar os americanos!
O HOMEM VAI POR TRÁS DO BANCO E PEGA AS ARMAS DOS MARCIANOS.
Homem – Perdeu, rapaziada! Quietinho senão eu atiro!
OS DOIS MARCIANOS SE LEVANTAM DO BANCO.
Marciano1 – Cuidado com isso, rapaz!
Marciano2 – Você não sabe usar isso!
Homem – Vamô Pará de caô e me leva logo até o líder de vocês.
OS TRÊS VÃO SAINDO DE CENA COM O HOMEM APONTANDO AS ARMAR PARA OS MARCIANOS.
Homem – Agora quero vê quem não vai me respeitá! Vou roubá agora noutro planeta! Ah, moleque!…
Andando!… Andando!…
OS TRÊS SAEM DE CENA. FECHAM-SE AS CORTINAS.
E O AMANHÃ?!

CENÁRIO: ESCOMBROS DE UM PRÉDIO.


AO ABRIR AS CORTINAS, UMA MULHER GRÁVIDA TEM A PERNA PRESA POR PARTES DOS
ESCOMBROS.
Mulher – Alguém ajuda, por favor! Eu não pedi essa guerra!!… Eu vou sair daqui!
A MULHER TENTA SE LIVRAR DOS ESCOMBROS.
Mulher – Ajude, meu Deus! Eu não estou aguentando mais! Preciso salvar essa minha criança. Ela
é a única coisa que me sobrou depois de tudo. Socorro!… Socorro!… Tem alguém por aí?… Socorro!…
(ELA PRA. ESTÁ EXAUSTA) Fome!… Sede!… Medo!…
A MULHER DESMAIA. ENTRA UM HOMEM BASTANTE FERIDO.
Homem – Tem alguém ali embaixo.
O HOMEM, COM DIFICULDADES, CHEGA ATÉ OS ESCOMBROS.
Homem – Moça!… Moça!…
O HOMEM MOLHA A MÃO COM SUA SALIVA E PASSA NA BOCA DA MULHER, QUE PASSA A LÍNGUA
SOBRE SEUS LÁBIOS.
Homem – Moça, você está bem?
A MULHER ABRE OS OLHOS.
Mulher – Não me mate!
Homem – Não vou lhe matar!
Mulher – Eu não tenho culpa da guerra.
Homem – Eu também não!
Mulher – Eu preciso salvar meu filho!
Homem – Cadê seu filho?
Mulher – Tá aqui comigo!
Homem – Minha nossa! Você tá grávida!
Mulher – Socorro, moço, socorro!
Homem – Vou te ajudar a sair daí.
Mulher – Fome!… Sede!…
Homem – Fica calma! Vou tentar tirar isso de cima de você.
O HOMEM, COM DIFICULDADE, CONSEGUE TIRAR UM PEDAÇO DOS ESCOMBROS QUE ESTAVAM
PRENDENDO A PERNA DA MULHER.
Homem – Deixa eu te ajudar a levantar.
Mulher – Eu não consigo! Estou muito fraca. Minha barriga está doendo muito!
Homem – De quanto tempo você tá?
Mulher – Três meses!
Homem – Quanto tempo você tá aqui?
Mulher – Não sei, moço!
Homem – Você tá muito fraca!
Mulher – Moço, tô com fome!… Tô com sede!…
Homem – Aqui não tem comida, a água que estava escorrendo pelas fendas, secou… Eu tô há dias
procurando uma saída.
O HOMEM TIRA DO BOLSO UM PEDAÇO DE PÃO E DÁ PRA MULHER, QUE COME DESESPERADA.
Mulher – O que vai ser de nós, moço? O que vai ser?
Homem – Fique calma!
A MULHER TENTA SE LEVANTAR, MAS CAI.
Homem – Não faz isso, moça! Seu bebê!
A MULHER SE ESTIRA NO CHÃO.
Mulher – Socorro! Socorro! Eu quero sair daqui!
Homem – Olha só, moça! Atrás de onde estava você tem uma luz! Pode ser a saída!
O HOMEM COMEÇA A TIRAR OS ESCOMBROS COM DIFICULDADES. A MULHER, DE JOELHOS,
TENTA AJUDÁ-LO.
Homem – Não faça esforço! Deixa que eu consigo!
Mulher – É pela liberdade do meu filho!
Homem – Mas você está fraca!
Mulher – Você também!
Homem – Mas eu sou homem!
Mulher – E eu sou mulher!
Homem – Eu só quero te proteger!
Mulher – Eu só quero salvar meu filho!
NA MEDIDA EM QUE VÃO SE POSICIONANDO, VÃO RETIRANDO OS ESCOMBROS.
Homem – É por isso mesmo!
Mulher – Eu quero ajudar!
Homem – Você acha que guenta?
Mulher – Nem que seja a última coisa que eu faça!
Homem – Você tem coragem!
Mulher – Você também!
Homem – A gente vai conseguir!
Mulher – Tenho certeza que sim!
DIANTE DELES SURGE UM GRANDE CLARÃO.
Mulher – Conseguimos! Obrigado, meu Deus!
Homem – Eu não acredito!
OS DOIS SE ABRAÇAM E VÃO DESCENDO, ABRAÇAÇADOS. FAZEM CARINHO NO ROSTO, UM NO
OUTRO.
Mulher – Você salvou a vida do meu filho!
Homem – A gente se salvou!
Mulher – Não sei de onde tirei tanta força!
Homem – A gente só sabe a força que tem quando precisa dela.
Mulher – Você foi forte!
Homem – Nós fomos!
Mulher – Maldita guerra!
Homem – Malditos os homens que se preocupam em fazer a guerra!
Os Dois – Malditos!
OS DOIS SE ENCARAM, OLHO NO OLHO. A MULHER SE DEITA SOBRE O COLO DO HOMEM.
SEGURA A BARRIGA.
Homem – Que foi?
Mulher – Dor… Muita dor!
Homem – Preciso te levar prum hospital.
Mulher – Não sei se ainda vou resistir!
Homem – Claro que vai!
Mulher – Meu filho não vai resistir!
Homem – Guenta! Você foi forte até agora.
Mulher – Meu filho não vai resistir!
Homem – Então espera que eu vou buscar ajuda!
Mulher – Obrigado por me ajudar a sair.
Homem – Guenta firme!
O HOMEM DEITA A MULHER SOBRE O CHÃO E SE LEVANTA.
Mulher – Não precisa mais, moço!
Homem – Agora, mais do que nunca!
Mulher – Meu filho não resistiu!
A MULHER TEM A ROUPA MANCHADA DE SANGUE. O HOMEM SE COLOCA NO CHÃO E COLOCA A
MULHER SOBRE O SEU COLO.
Mulher – (CHORANDO) E agora, moço? Como vai ser meu amanhã?
Homem – O amanhã é sempre uma nova história!
O HOMEM FAZ CARINHO NOS CABELOS DA MULHER. A LUZ CAI EM RESISTÊNCIA. SONS DE
SIRENES E SONS DE BOMBAS SE INTERCALAM.

A ACAREAÇÃO

CENÁRIO: SALA DE AUDIÊNCIA.


NA CABECEIRA DA MESA, O JUIZ; DE UM LADO, APENAS UMA MULHER DO OUTRO, UM HOMEM E
UMA MULHER.
Juiz – Estamos aqui para darmos andamento ao processo de acareação entre os réus e esclarecer às
divergências apuradas durante todo o processo de investigação sobre o desvio de verbas em operações
com o governo federal, bem como o envio de remessa de dinheiro irregularmente para o exterior. Dona
Maria das Dores, no seu depoimento, a senhora afirmou não saber de nada. O que mais a senhora tem a
dizer?
Maria – Olha, senhor juiz, eu não sei nem porque eu to aqui, visse? Eu moro na Favela da Formiga da
Bunda Grande, tenho seis filhos e trabalhava de empregada doméstica na casa do Seu Pedro e da Dona
Helena há cinco anos até que…
O HOMEM SE LEVANTA.
Homem – Protesto, Meritíssimo!!
A MULHER SE LEVANTA.
Mulher – Não conhecemos essa mulher!
Maria – Vixe! Como não? Ô, seu Pedro! Ô, dona Helena!… Sou eu, a Maria!
Juiz – Os dois se manifestem apenas quando forem perguntados.
Homem – Perdão, Meritíssimo!
OS DOIS SENTAM.
Maria – Mas, seu juiz, eu trabalhava pra eles!
Juiz – Prossiga.
Maria – Cês não lembra, não? Trabalhei até a polícia chegar e levar nós tudo! Foi assim, seu juiz: De
repente a polícia baixou na casa deles, levo tudo, computador e até eu. Seu Pedro e dona Helena, se
trancaram no quartinho dos fundos da casa e pediram pr’eu dizer que eles num tavam. Mas a polícia
arrevirou tudo e acabou achando os dois escondidos. Aí, nós tudo fomos parar na delegacia. Cês alembram
agora?
O HOMEM SE LEVANTA DE NOVO.
Juiz – Queira se sentar?
O HOMEM SENTA.
Juiz – Isso nós já sabemos, dona Maria. Precisamos de outros detalhes. E a empresa? A empresa que
está em seu nome é de quem? A senhora assinou esses documentos? Ou falsificaram sua assinatura?
Maria – Olha só, seu juiz: O negócio da firma foi o seguinte: Um dia, seu Pedro chegou em casa mais
cedo… Dona Helena tinha ido pra casa de praia com as crianças. Seu Pedro chegou, começou a me
acariciar… Eu até tentei escapar, mas vou dizê um negócio pro senhor, seu juiz. Sempre achei seu Pedro
um tesão!
A MULHER SE LEVANTA.
Mulher – Pedro Henrique!
Homem – Tudo mentira, Helena!
Juiz – A senhora queira se sentar, por favor?
Homem – Senta, Helena.
A MULHER SENTA.
Juiz – Prossiga, Dona Maria.
Maria – Eu não resiste, doutô! Ele me deu champanha, me beijou todinha me levou pra cama e creu! Aì
que delícia!
Juiz – Sem muitos detalhes, dona Maria.
O HOMEM SE LEVANTA.
Homem – Isso é mentira, Meritíssimo!
Juiz – Sente!
Maria – É verdade, doutô! Seu Pedro me deu um suador de louco! Aí, seu juiz, depois daquilo, se ele me
pedisse para morrê, eu me matava. Foi assim que assinei toda aquela papelada que ele jogou na cama.
Homem – É mentira! É mentira!
A MULHER SE LEVANTA E DÁ UM TAPA NO ROSTO DO HOMEM.
Mulher – Seu safado! Eu mato você!
Homem – Olha aí, Meritíssimo, ela está me ameaçando.
Juiz – Os dois, sentados. Agora!
OS DOIS SENTAM.
Juiz – Então a senhora sabia da empresa?
Maria – Não, seu juiz. Eu só assinei aqueles papéis. Nem sabia pra quê que era! Nem o que era.
Mulher – (PARA O MARIDO) Você me paga, Pedro Henrique!
Homem – (PARA A MULHER) Essa mulher ta maluca, Helena!
Juiz – Sem conversas paralelas. Pois, bem Dona Maria. A senhora nunca movimentou a empresa, certo?
E as contas nos bancos?
Maria – Ih, seu juiz, não tenho conta no banco, não. Seu Pedro e Dona Helena sempre me pagaram em
dinheiro vivo.
Juiz – E os dólares?
Maria – Dona Helena escondia no cofre.
A MULHER SE LEVANTA.
Mulher – Mentira, Meritíssimo!
Juiz – Sente!
A MULHER SENTA.
Maria – De vez em quando ela pegava um pouquinho no cofre pra pagar os meninos que iam deitar com
ela. Eu sempre achei uma injustiça com o seu Pedro. Tão bonito! Por que dona Helena passava as tardes
com uns meninos no quarto? Eram uns três por tarde.
O HOMEM SE LEVANTA E ARRANCA A MULHER DA CADEIRA.
Homem – Sua vagabunda!!
O HOMEM LHE DÁ UM TAPA E A EMPURRA NO CHÃO.
Mulher – Seu corno!
Homem – Sua vaca!
A MARIA SE LEVANTA.
Maria – Eita! Como eles se amam!
Juiz – Parem com isso. Os dois se comportem!
Maria – Se amavam tanto!!
OS DOIS SE XINGAM. O JUIZ SE LEVANTA, PEGA OS DOIS PELOS BRAÇOS E OS LEVA PARA FORA.
Juiz – Guarda! Pode recolher esses dois!
O JUIZ VOLTA E SE SENTA EM SEU LUGAR.
Juiz – Bem, Dona Maria das Dores, suas informações foram muito importante e deixou tudo muito claro.
Diante de tudo que presenciei e do que a senhora relatou nessa sala, posso afirmar que a senhora é
inocente e foi usada por aqueles dois malfeitores, que fizeram uso de sua confiança para dar golpes. Vou
expedir imediatamente o seu alvará de soltura. A senhora está livre.
Maria – Aff!! Graças a Deus! Posso ir mesmo, senhor juiz?
Juiz – Claro que sim!
Maria – Posso fazer uma ligação?
Juiz – Não se demore!
O JUIZ ARRUMA OS SEUS PAPÉIS E SAI DE CENA. MARIA PEGA O CELULAR.
Maria – ((ENQUANTO SAI) Zé, tudo resolvido! Acabei com aqueles dois safados que queriam passar a
perna em nós! Agora é tudo nosso! Pode arrumá as malas que amanhã nos ta é na Suíça! Beijos.

APAGUAM-SE AS LUZES. FECHAM-SE AS CORTINAS.

AMOR DE POLÍTICO

CENÁRIO: UM QUARTO
EM CENA UMA MULHER ESTÁ DEITADA NA CAMA DE CASAL DE CAMISOLA. ENTRA O HOMEM DE
TERNO. VAI SE DESPINDO.
Mulher – Boa noite, Agenor!
Homem – Boa noite, meu amor!
Mulher – Preciso conversar com você.
Homem – Se for problemas, nem me venha!
Mulher – É importante!
Homem – Hoje a coisa ferveu lá na Câmara. Prenderam o Aderbal, não demora muito vão chegar em
mim.
Mulher – Eu preciso te contar uma coisa.
Homem – É, minha querida, o cerco está se fechando!
Mulher – Você precisa saber por mim!
O HOMEM FICA SÓ DE CUECA E CAMISETA, SE DEITA AO LADO DA MULHER.
Homem – Não está fácil ser Deputado, viu?
Mulher – Eu te trai!
SILÊNCIO
Mulher – Agora você pode me ouvir?
Homem – Você não está falando sério, está?
Mulher – Estou!
Homem – Puta que o pariu…
O HOMEM SE LEVANTA DA CAMA.
Homem – Quem é o canalha?
A MULHER SE LEVANTA.
Mulher – Sabe aquele Deputado?
Homem – Mas Deputado não presta mesmo! Que Deputado?
Mulher – Aquele da oposição.
Homem – Da oposição?
Mulher – Aquele bonitão, de cabelos grisalhos, saradão!
Homem – Ô, Dolores, você acha que fico reparando em homem?
Mulher – Aquele Deputado que vive metendo o pau em ti! Então, ele meteu o pau em mim!
Homem – Não acredito.
Mulher – Aconteceu.
Homem – Assim você me derruba. E você cobrou algum?
Mulher – Como assim?
Homem – Faz a sacanagem e nem pra levar uma grana do cara?
Mulher – Eu não sou prostituta!
Homem – Não é mesmo! Porque se fosse teria levado uma grana. Você não tem idéia da grana que
essas mulheres ganham desses Deputados por aí!.
Mulher – Não estou acreditando, Agenor.
Homem – Você sabe que a coisa está toda complicada lá em Brasília, não rola nem mais uma
comissãozinha de um contratinho… Você tem a chance de faturar um pixulé e dá pro cara de graça? Como
que vai ficar minha cara?
Mulher – Como ia adivinhar que você não ia ligar?
Homem – Quem disse que eu não ia ligar?
Mulher – Você acabou de falar.
Homem – Era uma compensação pelo chifre, né, Dolores?
Mulher – Eu que foi no impulso!
Homem – E como é que eu fico agora?
Mulher – Desculpa, meu amor! Eu to muito arrependida. Não Sei onde eu estava com a cabeça.E
olha que aquele Deputado nem é nada disso!
Homem – Tá certo, Dolores, tá certo!
Mulher – E quer saber? Ele nem é nada disso que a mulherada fala, viu?
Homem – Tudo bem, passou! Deixa que amanhã eu vou dor um jeito de consertar isso.
Mulher – Não vai fazer nenhuma besteira.
Homem – Você tentar cobrar o que é meu.
Mulher – Então você me perdoa?
Homem – Não devia! Não devia! Você foi muito amadora, não gosto disso! Aqui em Brasília nada é
de graça, nada!
O HOMEM DA BITOCA NA MULHER E SE DEITA NA CAMA.
Homem – Agora deixa eu dormir que amanhã o dia vai ser bem difícil.
A MULHER SE DEITA E FAZ UM CARINHO NO HOMEM.
Mulher – Eu te amo, viu? Deputado Garanhão!!
Homem – Para com isso, Dolores!
Mulher – Você me perdoou mesmo?
Homem – Te perdoei, Dolores! Já não disse?
Mulher – Nenhuma raivinha?
Homem – Deixa eu dormir, Dolores!
O HOMEM VIRA DE COSTAS PARA MULHER.
Mulher – Olha aí, você ainda está zangado comigo sim!
Homem – Amanhã isso passa! Mas vê se dá próxima vez cobra um pixulé! Depois não quero saber
de ninguém reclamando pra mim que acabou o caviar hein?

O HOMEM APAGA A LUZ DO ABAJUR.

O ATIVISTA

CENÁRIO: UMA CONFEITARIA


EM CENA, UM BALCONISTA ESTÁ ATRÁS DE UMA VITRINE DE DOCES. ENTRA UM HOMEM.
Homem – Bom dia,
Balconista – Bom dia! O quê o senhor deseja?
Homem – Estou procurando um doce…
Balconista – Fique à vontade!
ENTRA UM OUTRO HOMEM.
Homen1 – E aí, Neguinho?
Balconista – Fala, Cabeça! Que vai ser hoje?
O HOMEM 1 OLHA A VITRINE.
Homem1 – Cadê a Nêga Maluca?
Balconista – Foi atrás do príncipe na Floresta Negra!
Homem1 – Tu é fogo, hein, neguinho?
O HOMEM SÓ OBSERVA OS DOIS.
Homem1 – Sabe aquele diamante negro?
Balconista – Que aconteceu com ele?
Homem1 – Se perdeu nas Tetas de Nêga!
Balconista – Essa foi boa, cabeça!
OS DOIS SE CUMPRIMENTAM COM A MÃO SOBRE A VITRINE.
Homem – Mas, que absurdo!
Balconista – Oi? Perdão, senhor, não ouvi. O senhor já escolheu?
Homem – O que eu ouvi aqui, agora, é um absurdo!
Homem1 – Apenas uma brincadeira!
Balconista – Ih, meu senhor, isso é todo dia!
Homem – É por causa desse comportamento racista, que nunca acabaremos com o racismo.
Balconista – É apenas uma brincadeira nossa!
Homem – Piada com o nome dos doces!
Homem1 – Piada com uma raça!
Homem – Nada disso, meu senhor!
Homem1 – É sempre essa desculpa de brincadeira, mas, no fundo mesmo, é puro racismo. Um
desrespeito ao povo que sofreu com a escravidão e até hoje é subjugado com sub-raça.
Balconista – Que isso, meu senhor! Não precisa se estressar desse jeito.
Homem – A gente vai deixando pra lá e a humilhação não para. De piadinha em piadinha vou
denegrindo o negro, o homossexual, o pobre, o feio…
Homem1 – Eu é que não to acreditando no quê estou ouvindo!
Balconista – Vamos deixar isso pra lá! Foi um piada, pronto, acabou!
O HOMEM SE AFASTA, VAI ATÉ O PROSCÊNIO, COMO SE ESTIVESSE UM UMA DAS PORTAS DA
CONFEITARIA.
Homem – (GRITANDO) Mas pra mim não acabou, não! Eu não posso ficar calado diante do que ouvi
aqui!
O HOMEM1 SE APROXIMA DO HOMEM.
Homem1 – Calma, meu senhor! Não aconteceu nada pra tudo isso!
Homem – É porque não é sobre a cor da sua pele.
Homem1 – E o que eu senhor sabe da cor da minha pele?
Homem – Que ela é branca.
O BALCONISTA SAI DE TRÁS DA VITRINE.
Balconista – Mas eu sou neguinho.
Homem – Uma pena que você se ache apenas um neguinho! É lamentável ver nossos irmãos de cor
dando armas para o nosso inimigo!
Homem1 – Quem é inimigo aqui? Eu sou teu inimigo, neguinho?
Balconista – Claro que não!
Homem – Não fico nenhum mais um minuto neste lugar.
Balconista – Calma, aí, meu irmão! Não precisa disso!.
Homem1 – Deixa ele, neguinho.
O HOMEM SAI PELA FRENTE DO PALCO, GRITANDO.
Homem – Abaixo ao racismo! Abaixo ao racismo.
O BALCONISTA VAI PARA TRÁS DA VITRINE. ENTRA UMA MULHER NEGRA, OBSERVA A VITRINE.
Balconista – Tu viu isso, cabeça?
Homem1 – É cada uma que a gente vê!
Balconista – Então, o quê vai ser?
Homem1 – Pra não arrumar mais confusão por hoje, vu querer um pedaço daquele bolo afrodescendente
ali!
Mulher – (PARA O BALCONISTA) É Nêga maluca?
Balconista – É sim!
Mulher – O senhor aproveita e vê um pedaço pra mim também? Ah, é um cafézinho preto, por favor!
O HOMEM1 E O BALCONISTA SE OLHAM E RIEM.
Mulher – Falei alguma coisa diferente?
Balconista – Não! Não foi nada!
Homem1 – Não! (PARA MULHER) Bom café! Até amanhã, Neguinho!
Balconista – Até amanhã, Cabeça!

O HOMEM1 SAI. O BALCONISTA SERVE A MULHER.

Saúde é só um detalhe

CENÁRIO: RECEPÇÃO DE UM HOSPITAL

UM HOMEM ENTRA CARREGADO PELA MULHER, GRITA DE DORES. SUA MULHER SE APROXIMA
DO BALCÃO DE ATENDIMENTO. O HOMEM SE SENTA EM UMA DAS CADEIRAS DA RECEPÇÃO.

MULHER – Moça, por favor, meu marido está morrendo de dor!

A RECEPCIONISTA, GORDA, ÓCULOS, COM COQUE NO CABELO, ESTÁ COSTAS PARA PLATEIA,
FALA AO TELEFONE.
RECEPCIONISTA – Mas, menina, nem te falo. Sabe aquele cara do pagode? É, aquele loiro, forte, de olhos
azuis, com uma tatuagem no braço. Saiu de mãos dadas com o neguinho do cavaquinho! Fiquei de boca
aberta! E você passou a noite toda babando pelo bofe, hein?

MULHER – (BATENDO NO BALCÃO NERVOSA) Ei, mocinha, Dá pra mocinha desligar o telefone e me
atender?

O HOMEM GEME. A RECEPCIONISTA SE VIRA E FAZ UM SINAL COM A MÃO PARA A MULHER
ESPERAR, E SE VIRA DE NOVO.

MULHER – (MAIS NERVOSA AINDA) Moça, o meu marido está morrendo!

RECEPCIONISTA – Não é mentira, te juro! Pena que você já tinha saído. Saíram na maior naturalidade. O
pessoal disse que eles namoram já faz um tempão!

MULHER – (GRITANDO) Você quer me atender agora! O meu marido morrendo e você fazendo fofoca no
telefone!

RECEPCIONISTA – (AO TELEFONE) Vou ter que desligar. Depois a gente se fala! É… chegou mais um
aqui que diz estar morrendo! Duvido que tenha o nosso plano de saúde! Eu já te ligo. Beijos!

A RECEPCIONISTA DESLIGA O TELEFONE E SE DIRIGE A MULHER.

RECEPCIONISTA – Documento do paciente e carteira do nosso convênio.

A MULHER VAI ATÉ O HOMEM.

MULHER – Tua identidade e a carteirinha do convênio.

O HOMEM COM DIFICULDADES, TIRA DO BOLSO DA CAMISA OS DOCU-MENTOS. ELE GEME. A


MULHER PEGA OS DOCUMENTOS.

MULHER – (ENTREGANDO OS DOCUMENTOS) Olha, moça! Tudo aqui.

RECEPCIONISTA – (BALANÇANDO A CABEÇA NEGATIVAMENTE) Nós não aceitamos esse convênio.


Só o nosso!

MULHER – Mas, a gente não tem o convênio de vocês, não, moça!

RECEPCIONISTA – Então não posso fazer nada, minha senhora! O nosso hospital só atende com o nosso
plano de saúde. A sua nunca viu a propaganda? Saudmed: Sua saúde é só um detalhe!

MULHER – Mas o meu marido está quase morrendo. A gente paga imposto, minha filha, tem direito à saúde!

RECEPCIONISTA – Aí, querida, já não é comigo, não! Aqui a ordem é só atender com o nosso plano de
saúde. Sem Saudmed, não posso fazer nada, nem pela senhora e nem pelo seu marido. Se a senhora
quiser fazer nosso convênio, é só ir até o fim do corredor que a mocinha lhe atende.

MULHER – Mas isso é um absurdo! Eu vou chamar a polícia! Eu vou chamar a imprensa.
NAS CADEIRAS, O HOMEM, GEME. A RECEPCIONISTA SE VIRA DE COSTA PARA A MULHER E LIGA
O TELEFONE.

RECEPCIONISTA – (AO TELEFONE) Alô!… Oi, sou eu!… Já atendi. Era mais um que não tinha o nosso
plano. E aqui está assim, não tem o nosso plano, a ordem é despachar! Não!… Vai espernear um pouco e
os seguranças chegam e colocam pra fora… Mas, então, menina, você vê só, a concorrência tá forte!

A MULHER XINGA, O HOMEM GEME. A LUZ CAI EM RESISTÊNCIA.

A cartomante – Machado de Assis (Adaptação)

(Em um quarto. Camilo entra em cena, se olha no espelho e se penteia. A campainha toca. Ele abre a
porta, vê que não tem ninguém, fecha-a e acidentalmente, pisa numa carta no chão. Ele pega a carta,
abre e lê.)
CAMILO (lendo): Café, leite? O que é isso? (vira a carta) Ah! (lê)
”Vilela descobrirá sobre você e Rita. Contarei para ele!”
CAMILO (desesperado): Ai meu Deus!
(A campanha toca.)
Camilo (nervoso): Quem está aí? Anda responde! Quem está aí?
Rita (fora de cena) : Sou eu meu amor! (Camilo abre a porta. Rita entra e o abraça. Ele não reage.)
RITA (chateada): Nossa Camilo, porque essa cara?
(Camilo fecha a porta, e entrega a carta a Rita. Ela abre)
RITA (lendo)- Café, leite? (Camilo tira a carta da mão de Rita e vira do outro lado e a entrega novamente)
Vilela descobrirá sobre você e Rita. Contarei para ele!” (surpresa) Nossa! Ai meu Deus! E agora?
CAMILO: Acho que devemos terminar.
RITA (abraçando Camilo): Como assim? Você não me ama?
CAMILO: Claro que amo, mas se o Vilela descobre... Estamos perdidos. Quer dizer, eu estou perdido!
RITA: Não se preocupe, meu amor. Vilela nunca vai desconfiar. Ora, vocês são amigos
desde infância. (abraça-o)
CAMILO: Não sei, é melhor darmos um tempo então.
RITA: Vamos fazer o seguinte. Eu levo a carta para comparar a letra com as cartas que lá aparecerem, se
alguma for igual eu rasgo.
CAMILO: Está bem.
(Os dois se abraçam. Os atores saem de cena)
(Consultório da Cartomante. A cena se passa num ambiente de dois cômodos. No primeiro cômodo uma
senhora dorme e um rapaz observa pela janela. Dentro da sala, Madame Dedéia e uma mulher conversam)
MADAME DEDÉIA (entregando um pacote): Tome seu pagamento, mas fale o combinado.
MULHER: Certo. (Madame entrega o pagamento a mulher guarda no sutiã) Eu sou ótima em fazer com
que as pessoas acreditem em mim, madame (sorri)
(No outro cômodo .O assistente olha para a rua)
ASSISTENTE (para a senhora) Anda, acorda. Tem cliente chegando.
Senhora : Ai, ai. Calma, que eu já estou indo meu filho. (O assistente entra na sala da cartomante)
ASSISTENTE: Madame, temos cliente chegando.
MADAME DEDÉIA (se ajeitando) Aleluia!! Dinheiro a vista! (para a mulher) Vê se faz a sua parte direito.
MULHER: Já disse que sou ótima nessas coisas madame.
MADAME (para o assistente): Façam o combinado, que o dinheiro vem em dobro.
Assistente: Sim, madame.
(Rita entra. Angustiada ela rói as unhas e senta-se ao lado da senhora. O assistente volta ao
cômodo e pisca para a senhora)
RITA: A senhora está na fila?
SENHORA: Sim. (para Rita) Mas pelo visto você precisa mais de madame Dedéia do que eu.
RITA (suspirando): Infelizmente acho que sim. Ninguém pode estar mais enrascada do que eu. (Silêncio)
SENHORA: Qual o problema, minha jovem? Por que tanta tristeza?
RITA: É que... Não sei se posso te contar. É um problema meu.
SENHORA: Como quiser.
(Silêncio. Rita rói as unhas com mais angustia.)
RITA: Ai que demora!
SENHORA: É que a madame Dedéia é muito requisitada. (Rita volta a roer as unhas. A senhora olha para
o assistente que lhe faz um sinal) Você está bem, minha filha?
RITA: Não, não mesmo. (pausa) O caso é que me meti em uma enrascada. Sou casada e arrumei um caso.
Estou apaixonada, mais ele quer terminar tudo. (chora) Está com medo de alguma tragédia.
SENHORA: Fique calma, minha filha, a cartomante vai dar um jeito nisso. Olha, vá tomar água para se
acalmar.
(Rita levanta e sai. A senhora se vira e cochicha com o assistente. Rita volta a sentar. A mulher deixa a sala
da cartomante)
MULHER: Nossa, não sei como não descobri Madame Dedéia antes. Ela é sensacional. Até me deu uma
garrafa talismã que traz muita energia... (olha para a garrafa) positiva!
(O assistente entra na sala da cartomante e cochicha com a cartomante)
SENHORA (para Rita): Viu, madame Dedéia é ótima. Você será a próxima a se atendida.
Rita: Tomara que ela resolva os meus problemas também.
ASSISTENTE (voltando): Pode entrar senhora Rita.
(Rita entra e senta na cadeira)
MADAME DEDÉIA: Assistente, por favor (aponta para o chão).
(Assistente se vira e se transforma numa mesa. A cartomante põe as cartas sobre ele)
MADADE DEDÉIA: Tire uma carta, por favor.
(Rita tira uma carta, nervosa)
MADAME DEDÉIA: Estou vendo... As cartas não mentem (tremendo)! Seu problema é amoroso. Você está
com dúvida sobre o amor que ele sente por você, com medo que tudo dê errado. Vocês são quatro. (o
assistente cutuca a madame) Ai! Desculpe, estou fora de sintonia. Vocês são três, tudo dará certo. Ele te
ama, menina.
(Rita enxuga os olhos)
RITA: Ai madame! A senhora é demais! Obrigada! Obrigada! paga a cartomante e sai abraçando todos e
gritando
(Muito feliz, ela sai da sala).
(Casa de Vilela e Rita. O mordomo entra segurando uma bandeja com copos e uma garrafa de vinho. Rita
entra se serve e senta no sofá. A campainha toca)
RITA: Atenda, por favor, Alfred.
(O mordomo abre a porta. Camilo entra)
MORDOMO: Posso pegar seu casaco, senhor?
CAMILO (dando o casaco): Por favor.
(Camilo abraça Rita. Olha para o mordomo e tenta disfarçar. O mordomo finge não estar prestando atenção)
CAMILO (dando um beijo na mão de Rita): Como vai?
RITA: Vou bem Camilo. Alfred, vá a adega e traga um vinho francês para quando Vilela chegar.
ALFRED (para si): Sei, para o Vilela...
RITA: O que disse?
Alfred: Estou indo. (sai)
Rita: Tenho que falar rápido. Eu fui à cartomante Madame Dedéia, para falar sobre nosso romance e...
Camilo: Onde?
Rita: Na madame Dedéia. Ela me disse que tudo ficará bem.
CAMILO (rindo): Ai, meu Deus! Com esse nome? Ela te fez de palhaça. Não existe esse negócio de prever
o futuro!
RITA: Ora Camilo, existem mais coisas entre o céu e a terra do que nós supomos. E olha... Ela previu tudo
antes mesmo que eu dissesse qualquer coisa.
CAMILO : Está bem Rita!
Rita: O que importa meu amor, é que tudo vai dar certo. E agora eu tenho certeza que você me ama de
verdade. (Abraça-o)
Camilo: Eu sempre te amarei, meu amor.
(A campainha toca novamente)
Rita: Deve ser o Vilela. (gritando) Alfred!
(O mordomo entra e abre a porta e sai)
VILELA (apertando sua mão): Boa tarde, Camilo. Boa tarde, querida (abraçando-a). Desculpem o atraso.
RITA: Estávamos te esperando meu amor.
(Vilela senta e o mordomo traz os drinks)
VILELA: Desculpem-me, mas tive que resolver umas coisas antes de vir.
CAMILO: Entendo
RITA: Meu amor, seu cadarço está desamarrado.
(Enquanto Vilela amarra o sapato, Rita e Camilo cruzam os braços e um bebe do drink do outro)
VILELA (desconfiando): Anda sumido, Camilo. Ficamos com saudade, não é meu amor?
RITA: Claro!
CAMILO: É, muito trabalho. As coisas estão pesadas lá na repartição.
VILELA: Ah, entendo. Mas...
RITA: Vilela, querido, abra a janela, por favor.
VILELA: Claro querida.
(Vilela vai em direção à janela para abri-la. Enquanto isso, Rita vira-se para Camilo e bota o dedo na boca,
piscando. Vilela se vira e vê os dois se paquerando. Coça a cabeça pigarreia e os dois tentam disfarçar)
Rita: Ai, minha boca está tão ressecada!
Camilo: Deve ser o frio!
VILELA :Como foi o dia de vocês?
RITA (envergonhada): Bom.
CAMILO (sorrindo): Ótimo. (gaguejando) Mas que tal irmos andando? A missa começa em vinte minutos.
VILELA (olha fixo para os dois): Então vamos.
(Ambos saem de cena e o mordomo os observa)
(Sozinho na casa, o mordomo pega um papel e uma caneta)
MORDOMO: Agora Vilela e Camilo vão me pagar (dá um sorriso malicioso).
(Flashback: O mordomo lembra de seus tempos de colégio. Dois meninos entram em cena, enquanto o
mordomo lê um livro. Um dos meninos o puxa pela blusa. O mordomo começa a gritar)
CAMILO criança: Você vai fazer o meu dever e o do Vilela. Entendido?
MORDOMO (muito assustado): Está bem.
(Camilo o solta, e Vilela empurra o mordomo. Ambos saem, e o mordomo permanece caído no chão.
Flashback acaba. Mordomo se levanta e senta novamente na cadeira)
MORDOMO: Vocês podem não se lembrar do que faziam, mas eu esperei anos por este momento. (escreve
a carta) Vou acabar com esta pouca vergonha. Destruir este casamento e este romance. Eu hei de me
vingar de vocês. (continua escrevendo a carta. Coloca o papel em um envelope e sai).
(Escritório de Vilela. Ele está sentado em sua mesa, lendo alguns de seus relatórios)
VILELA (gritando): Ai meu Deus, minhas canetas estão desarrumadas (angustiado).
(Pega uma das canetas e a observa por um tempo)
VILELA: Rosa não combina com nenhuma outra cor (desesperado)!
(Ele começa a arrumar as canetas na ordem certa. Termina de arrumá-las e bebe seu café)
VILELA (cuspindo o café): Está gelado!
(Ouve-se uma batida na porta. Uma carta passa por baixo da mesma)
VILELA: O que é isso? Uma carta fora do lugar?
(Pega a carta e abre)
VILELA (lendo): “Vilela, Rita está tendo um caso. E não é com qualquer um. Com seu melhor amigo, Camilo.
Tome conta de sua mulher”.
(Viela começa a ter um ataque de asma, tentando respirar. Pega um saco plástico e passa a respirar dentro
dele)
VILELA (retomando o amor): Camilo, aquele bastardo mexicano! Eu bem que desconfiava! Eles hão de me
pagar.
(Senta-se à mesa, pega uma caneta e um papel e começa a escrever)
VILELA (em voz alta): “Vem já, já à nossa casa; preciso falar-te sem demora”. Maldito, eu acabo com a vida
de vocês!
(Sai)
(No escritório de Camilo. Ele entra na sala, senta-se à mesa, põe as pernas sobre a mesa e abre o jornal)
CAMILO (lendo com atenção):Nossa, o preço do frango abaixou.
(Ele põe o jornal sob seu rosto e tira uma soneca. Ele acorda com o bater da porta)
SECRETÁRIA: Camilo, entregue logo o currículo!
CAMILO (bocejando): Caramba, estou cheio de coisas para fazer... (penteia o cabelo para um lado) entregar
o currículo (penteia para o outro lado) preparar meu seminário (deixa o pente em cima da mesa) e entregar
o relatório para o chefe. (Se espreguiça). Vamos lá! Ao trabalho.
(Entra a secretária)
Secretária: Camilo, correspondência do doutor Vilela para o senhor!
CAMILO: O que é isso? (abrindo a carta, lendo) “Vem já, já a nossa casa: preciso falar-te sem demora.
Assinado, Vilela”.
Camilo dobra a carta e põe em seu bolso, preocupado e soluçando.
CAMILO (chorando): Meu Deus! Será que ele descobriu sobre meu romance com Rita? O que aconteceu?
O que que eu faço, meu Deus! Me dá uma luz! (Senta à mesa e abaixa a cabeça sobre o jornal. limpando
as lágrimas): “Madame Dedéia prevê seu futuro e resolve seus problemas em menos de três minutos”. É a
cartomante que Rita me disse! Mas é besteira... ou será que devo ir? Melhor prevenir do que remediar.
(Camilo pega o jornal, anota o endereço e guarda o jornal)
CAMILO: Vou dar uma passada nessa tal Madame Dedéia e depois vou falar com Vilela.
(Ele sai de cena)
(Consultório da Cartomante. A cena se passa num ambiente de dois cômodos. No primeiro cômodo uma
senhora dorme e um rapaz observa pela janela. Dentro da sala, Madame Dedéia e uma mulher conversam)
ASSISTENTE: Acorda! Tem cliente chegando!
(Senhora acorda. Campainha toca. Assistente abre a porta)
CAMILO (entrando): Não acredito que eu estou aqui! (senta-se)
ASSISTENTE: Vou verificar se Madame Dedéia pode atende-lo. (vai para o outro lado da cena)
SENHORA : Você está bem?
CAMILO (tenso): Na verdade, não! Estou com problemas!
SENHORA: Acalme-se, não há problemas que não possam ser resolvidos!
CAMILO (angustiado): Temos que os meus não! (chora) Desconfio que meu amigo
descobriu o romance que tenho com a mulher dele!
SENHORA: Cruzes você fez isso?
CAMILO (chorando): Fiz! Mas estou arrependido! (encosta no colo da Senhora e chora)
SENHORA: Acalme-se, meu filho! Madame Dedéia é a solução!
(Entra o Assistente e faz um sinal para a Senhora)
SENHORA (para Camilo): Vai beber uma água, meu querido.
CAMILO (levanta-se): Sim, vou beber! Quem sabe me acalmo um pouco!
(Camilo vai até o filtro e bebe um copo d’água. Senhora cochicha algo com o Assistente que sai e vai
cochichar com Madame Dedéia. Camilo volta e senta. Mulher sai da sala da Madame Dedéia vai em direção
a recepção)
MULHER: Nossa, não sei como não descobri Madame Dedéia antes! (para Camilo) Ela é sensacional! (sai
pela porta principal)
ASSISTENTE (para Camilo): Pode entrar!
(Camilo entra na sala. Madame Dedéia estala os dedos e Assistente vira a mesa. Madame coloca 3 cartas
sobre a mesa)
MADAME DEDÉIA: Escolha uma carta! (Camilo aponta e Madame vira a carta) Estou vendo! As cartas não
mentem! (mostrando a carta) Está vendo? Um três de espadas! Seu problema é amoroso! (fala de forma
dissimulada) Vocês são três! Pegue outra. (Camilo pega a carta e entrega) Estou vendo! (assustada) Está
traindo seu melhor amigo com a mulher dele! (Camilo assustado balança a cabeça positivamente. Madame
vira a última carta) fique calmo, eu vejo aqui que tudo ficará bem! Ele não desconfia de nada. Mantenha a
cautela para tudo não ir por água a baixo.
CAMILO (aliviado): Ah, graças a Deus! (levanta-se a segura a mão de Madame) Obrigado. (beija) Nem sei
como lhe agradecer!
MADAME: Cinquenta cruzeiros!
CAMILO: Ah, sim claro (tira o dinheiro e paga) Obrigado. (sai)
MADAME: Volte sempre!
(Casa de Vilela. O mordomo está ao lado da porta. Campainha toca. Ele abre e Vilela entra bufando)
VILELA (gritando): Onde está a Rita?
MORDOMO (tentando acalmá-lo): Calma, senhor! Ela foi à mercearia.
VILELA (empurrando o mordomo): Saia da minha frente, seu imprestável.
(Mordomo sai correndo e se esconde para observar toda a cena a seguir. Toca a campainha. Vilela abre a
porta)
VILELA (grita): Rita sua imoral! Não acredito que tenha feito isso comigo! Eu que sempre te amei e ...
RITA (desesperada): Feito o quê?
VILELA (esfregando a carta na cara de Rita): Isso!
RITA (lendo a carta): Vilela, Rita está te traindo. E não é com qualquer um! Com seu melhor amigo Camilo!
Tome conta de sua mulher! (Rita dobra a carta e começa a chorar)
RITA (chorando): Isso é calúnia, Vilela! (ajoelha-se) Por favor, não acredite neles!
VILELA (gritando) Diga a verdade! (dá um tapa no rosto de Rita que cai no chão)
RITA (desesperada): Calma, meu amor!
VILELA (gritando): Meu amor? (sufoca Rita) Sua imoral! Diga a verdade!
RITA (sufocada) Me larga! Eu falo a verdade! (Vilela solta e se repara para dar outro tapa. Rita ofegante
grita) Eu te traí!
VILELA (levanta-se alterado): Você me traiu?
RITA (chorando): Mas foi apenas uma vez!
VILELA (tirando a arma do paletó) Então vai ser só um tirinho! (atira em Rita. Ela cai no chão morta)
(A campainha toca.)
VILELA (abrindo a porta tremendo grita): Você, seu bastardo! Não acredito que tenha feito isso comigo!
CAMILO: Calma, Vilela. Eu posso explicar. (olha Rita no chão e grita) Eu não acredito! O que você fez?
(abraça Rita) Você a matou! Eu a amava!
VILELA (pega a arma): E você está preste a se unir com ela (atira e Camilo cai no chão morto. Vilela foge)
MORDOMO (entra gritando): Ai, meu Jesus Cristinho! Chicoteia-me! (nervoso) O que eu fiz?
Como eu pude?
(Ele se joga no chão ao lado dos corpos)

Distribuição das Personagens

Narrador _______________________
Camilo _______________________
Rita _______________________
Madame Dedéia _______________________
Mulher _______________________
Assistente da cartomante _______________________
Senhora _______________________
Mordomo Alfred _______________________
Vilela _______________________
Secretária _______________________
A CARTOMANTE - MACHADO DE ASSIS

01. Que reação a ida de Rita a uma cartomante provocou em Camilo?


A) Raiva. B) Decepção. C) Alegria. D) Divertimento. E) Satisfação.
Leia o fragmento abaixo e responda às questões.
“Não queria arrancar-lhe as ilusões. Também ele, em criança, e ainda depois, foi supersticioso, teve um
arsenal inteiro de crendices, que a mãe lhe incutiu e que aos vinte anos desapareceram. No dia em que
deixou cair toda essa vegetação parasita, e ficou só o tronco da religião, ele, como tivesse recebido da
mãe ambos os ensinos, envolveu-os na mesma dúvida, e logo depois em uma só negação total. Camilo
não acreditava em nada. Por quê? Não poderia dizê-lo, não possuía um só argumento; limitava-se a negar
tudo. E digo mal, porque negar é ainda afirmar, e ele não formulava incredulidade; diante do mistério,
contentou-se em levantar os ombros, e foi andando”. [12º parágrafo]
02. Segundo o trecho acima, Camilo
A) Ainda criança, preferiu não acreditar em nada. D) Era crédulo, apesar de negar qualquer fé.
B) Desde criança desprezava superstições. E) Negava qualquer envolvimento com religião.
C) Diante do desconhecido, preferiu ficar
indiferente.
03. Em relação às descrenças de Camilo, há uma opinião do narrador em:
A) “ diante do mistério, contentou-se em levantar os ombros, e foi andando.”
B) “ Camilo não acreditava em nada. Por quê? Não poderia dizê-lo (...)”
C) “ E digo mal, porque negar é ainda afirmar, e ele não formulava a incredulidade”
D) “ No dia em que deixou cair toda essa vegetação parasita, e ficou só o tronco da religião.”
E) “ Também ele, em criança, e ainda depois foi supersticioso”.
04. “No dia em que deixou cair toda essa vegetação parasita...”, a expressão destacada refere-se a
A) Crendices. B) Ensinos. C) Ilusões. D) Mistério. E) Religião.
05. “...que a mãe lhe incutiu e que aos vinte anos desapareceram.”, de acordo com o contexto a
palavra destacada significa
A) Insinuar. B) Informar. C) Indicar. D) Introduzir. E) Invocar.
06. Em alguns momentos, o narrador deixa escapar juízos de valor em relação aos personagens e
fatos. Podemos observar isso em
A) “Os dois primeiros eram amigos de infância.” D) “Era um pouco mais velha que ambos...”
B) “...onde casara com uma dama formosa e tonta” E) “abandonou a magistratura e veio abrir banca de
C) “Camilo ensinou-lhe as damas e o xadrez...” advogado”
07. Ao receber a primeira carta anônima Camilo deixou de ir com frequência a casa de Vilela pois
A) arrependeu-se da traição. D) já não gostava de Rita.
B) cansou-se da aventura. E) queria afastar a desconfiança.
C) ficou envergonhado.
08. Rita procurou a cartomante para saber
A) se o marido ainda a amava. D) quem Camilo amava de verdade.
B) se ficaria com o amado. E) quem mandava as cartas anônimas.
C) porque Camilo tinha se afastado.
09. Rita e Camilo consultaram uma cartomante motivados pela
A) insatisfação B) paixão C) insegurança D) fé E) orgulho
10. A fraca resistência de Camilo a sedução de Rita é caracterizada no texto pelo trecho
A) “Camilo quis sinceramente fugir...” C) “Camilo ensinou-lhe as damas...”
B) “Ele ficou atordoado e subjugado.” D) “...a batalha foi curta e a vitória delirante.”
E) “iam juntos a teatros e passeios”
11. De acordo com o narrador do texto, Camilo era um ingênuo na vida moral e prática pois
A) não resistiu a sedução de Rita. D) entrou no funcionalismo contra a vontade do pai.
B) ria de quem consultava cartomantes. E) foi a mãe que lhe arranjou um emprego público.
C) não tinha experiência nem intuição.
12. A morte da mãe de Camilo no texto tem um papel fundamental para
A) estreitar a relação de Rita e Camilo. D) Vilela mostrar-se sombrio.
B) fazer Camilo acreditar em cartomantes. E) Rita procurar uma cartomante.
C) afastar Camilo da casa de Rita e Vilela.
13. A história é repleta de “conversas” que o narrador estabelece com o leitor transformando-o em
cúmplice e participante do enredo. Podemos perceber esse recurso em
A) “Nem por isso Camilo ficou mais sossegado;”
B) “Camilo ia andando inquieto e nervoso...”
C) “Vilela não lhe respondeu; tinha as feições decomposta;”
D) “Vimos que a cartomante restituiu-lhe a confiança...”
E) “Um dia, porém, recebeu Camilo uma carta anônima...”
14. Ao perceber as mudanças no comportamento do marido Rita
A) acha melhor que Camilo se afaste. D) sugere uma nova ida a cartomante.
B) fica mais carinhosa com marido traído. E) prefere contar a verdade ao marido.
C) quer que Camilo volte a frequentar sua casa.
15. O chamado de Vilela causou estranheza a Camilo porque
A) era mais de meio dia. D) era mais natural chamá-lo ao escritório.
B) a letra não parecia com a de Vilela. E) nada de especial tinha acontecido nos últimos
C) exigia pressa ao usar a expressão “vem já, já”. dias.
16. No conto, o personagem de Camilo oscila entre incredulidade, dúvida e credulidade sobre “os
mistérios que há entre o céu e a terra”. Revela um momento de credulidade de Camilo o trecho
A) “Não queria arrancar-lhe as ilusões”
B) “...nunca ele desejou tanto crer na lição das cartas.”
C) “...pensou rapidamente no inexplicável de tantas coisas.”
D) “A senhora restituiu-me a paz de espírito...”
E) “a ideia de ouvir a cartomante, que lhe passava ao longe...”
17. O fato que motivou a narrativa foi
A) as cartas anônimas recebidas por Camilo. D) a previsão feita pela cartomante para Camilo.
B) a mudança de comportamento de Vilela. E) O triângulo amoroso Camilo – Rita – Vilela.
C) o bilhete que Vilela enviou para Camilo.
18. Ao receber Camilo, a cartomante posiciona-o na sala de modo que a pouca luz de fora bata em
cheio em seu rosto para
A) dificultar a visão dele. C) deixá-lo confortável. E) evitar que ele reparasse na sala.
B) observá-lo bem. D) impressioná-lo com a luminosidade.

19. De acordo com o narrador, o ar de pobreza da salinha da cartomante


A) era repugnante. B) causava piedade. C) provocava respeito. D) elevava a consideração. E)
assustava.
20. No conto, a cartomante era
A) uma justiceira. B) uma farsante. C) uma iluminada. D) uma ingênua. E) uma arrogante.
Gabarito: 1.D 2.C 3.C 4.A 5. D 6. B 7. E 8. C 9.C 10.D 11.C 12.A 13.D 14.C 15. D 16.D 17.E 18.B 19.D 20.B
Hamlet (Adaptação de Shakespeare)

Personagens – Hamlet (Príncipe da Dinamarca); Fantasma (Pai de Hamlet); Rainha Gertrudes (Mãe); Rei (Tio que matou
seu pai); Horácio e Marcela (Amigos); Ofélia (namorada); Polônia (mãe de Ofélia); Laertes (Irmão de Ofélia); Rose e
Guilden (chamados pelo Rei para serem acompanhantes de Hamlet).

ATO I
Cena 1 – Hamlet chega à Dinamarca para os funerais de seu pai e conversa com seus amigos Marcela e Horácio. Eles
lhe contam que sua mãe acaba de casar com seu tio. O fantasma do pai de Hamlet aparece e pede vingança. Os dois
amigos não vêem o fantasma, só Hamlet. Marcela e Horácio ficam apreensivos quanto à sanidade mental de Hamlet.
(Entram em cena Horácio e Marcela)
Horácio – Em que navio Hamlet vai chegar?
Marcela – Não tenho certeza. Mas sei que chegará hoje.
Horácio – Que bom, pois já perdemos muito tempo esperando por ele.
Marcela – Veja, quanta gente! Ele deve estar para sair daquele navio ali!
Horácio – (Avistando Hamlet) Hamlet! Que bom vê-lo!
Marcela – Roupas novas? Que lindo!
(Hamlet entra em cena).
Hamlet – Que bom revê-los, Horácio e Marcela! Mas em um momento tão infeliz! Meu pai acaba de morrer... mas em que
parte do castelo serão os funerais de meu pai?
Marcela – Não haverá funeral!
Hamlet – Como? Onde está o corpo? E minha mãe? Preciso consolá-la.
Horácio – O corpo nem foi enterrado. Tua mãe acaba de casar-se com teu tio, declarado o novo rei.
Hamlet – Que horror! Nem esperou o corpo ser enterrado.
Marcela – É mesmo, um horror! Mas...vamos para o castelo?
Hamlet – Primeiro ajudem-me com as malas. Estão cheias de presentes! (Avista o fantasma do pai, que aparece e só
Hamlet pode ver). Pai? Imaginei que estavas morto!
Marcela – Com quem estás conversando, Hamlet?
Fantasma – Estou morto. Agora sou apenas um fantasma. Vingue minha morte! Não deixe o mal pairar sobre o reino!
Hamlet – Diga-me, pai, quem o matou? Quando? Onde?
Horácio – Hamlet, você está louco? A longa viagem deve tê-lo afetado.
Marcela – Vamos para o castelo, Hamlet! Agora!
Hamlet – Não!!! Pai!!!
Fantasma – Me encontre novamente aqui, à meia noite!
Hamlet – Pai!!!
Fantasma – Contarei tudo hoje! Aqui, neste porto. Então tu saberás como vingar a minha morte!
(O fantasma sai e os dois amigos carregam Hamlet pra fora de cena)
Cena 2 – Ofélia, Laertes de Polônio conversam sobre Hamlet. Ofélia está apaixonada. O irmão e o pai pedem que ela
tome cuidado, pois o príncipe está louco.
(Entram Polônia e Laertes)
Polônia – Laertes, venha cá. Tu irmã está apaixonada por Hamlet. Isso não vai dar certo.
Laertes – Está louco, mamãe. Dizem que está vendo o fantasma do pai.
Polônia – Ofélia, minha filha, venha cá!
Ofélia – (chegando) O que foi, mamãe?
Polônia – Minha filha querida, deves te afastar de Hamlet.
Ofélia – Mas, mamãe...estou tão apaixonada!
Polônia – FILHA, ELE É LOUCO!
Laertes – Como alguém que vê o fantasma do pai pode ser normal?
Ofélia – Mas meu amor por ele queima com a intensidade de um vulcão e a luz de milhares de sóis.
Laertes – Você pode amá-lo, mas ele ama só a si mesmo. Está louco, vendo fantasmas.
Ofélia – Mas ele é tão doce! Ele é a minha vida!
Polônia – Bom, você é quem sabe. Foi muito bem avisada.
(Saem de cena).
Cena 3 – Horácio e Marcela estão com Hamlet à meia noite e, agora, vêem o fantasma que acena para Hamlet.
Marcela diz: “Há algo de podre no reino da Dinamarca”.
Cena 4 – O fantasma conta como foi sua morte: não por uma picada de inseto, mas por veneno, dada pelo tio e mãe de
Hamlet. Hamlet conta aos amigos Marcela e Horário e eles juram por sua espada ajudá-lo. “Há mais coisas entre o céu e
na terra do que sonha a nossa vã filosofia”.
(Chegam Horácio, Marcela e Hamlet)
Hamlet – Foi aqui que eu vi meu pai pela primeira vez, naquele dia em que cheguei de navio.
Marcela – Hamlet, está muito tarde! Já é hora de dormir.
Horácio – Você ainda está cansado da viagem. Vamos para o castelo para dormir.
(O Fantasma aparece e acena para Hamlet)
Marcela e Horácio – Pelos deuses, estamos vendo o Fantasma!
Hamlet – Olá, papai. Que bom revê-lo. Como foi sua morte?
Fantasma – Olá, filho. Você ouviu falar que eu morri por causa de um inseto. Mas a verdade é que colocaram veneno no
meu ouvido.
Hamlet – Mas quem?
Fantasma – Sua mãe e seu tio.
Marcela – Há algo de podre no reino da Dinamarca.
Hamlet – Ouviram? Minha mãe e meu tio mataram meu pai. Preciso vingar-me.
Fantasma – Confio em ti, meu filho!
Hamlet – Até logo, papai. Conte comigo.
Horácio - Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia...
(Saem todos)

ATO II
Cena 1 – Ofélia conta a Polônia, sua mãe, que Hamlet foi bruto com ela e estava nervoso.
(Ofélia entra chorando e chama sua mãe)
Ofélia – Mamãe!!!
Polônia – O que foi, minha filha?
Ofélia – Hamlet, mamãe...me tratou mal hoje de manhã. Foi grosso comigo.
Polônia – Eu te avisei, minha filha. Hamlet está louco!
Ofélia – Eu sei, mamãe. Mas eu acreditava no seu amor.
Polônia – Nunca mais me desobedeça. Toda a mãe sabe dar conselhos...
Ofélia – A senhora tem toda a razão. Não vou mais desobedecê-la.
Polônia – Vamos lá pra dentro, filha.
Ofélia – Vamos.
(saem)

Cena 2 – O Rei e a Rainha chamam Rose e Guilden para observarem Hamlet e os dois saem. Polônia entra com uma
carta meio erótica que Hamlet teria mandado à Ofélia. Os monarcas ficam apreensivos. Hamlet chega com a ideia de fazer
representar uma peça de teatro no palácio, todos acham bom, temendo não contrariar um louco e saem. Hamlet chama
Marcela, Horácio, Rose e Guilden e dá as recomendações de como gostaria que a peça fosse representada (parecida
como a morte de seu Pai).
Rainha – Caro marido, meu filho Hamlet está louco. Aqueles amigos dele, o Horácio e a Marcela são péssima companhia.
Contratei duas pessoas para vigiá-lo.
Rei – Está bem. Chame-os.
Rainha – Rose! Guilden! Venham cá!
Os dois –(chegando e fazendo reverências) Aqui estamos, majestades.
Rainha – Nós os chamamos aqui para que observem Hamlet, o meu filho.
Rei – Aproximem-se dele e cuidem para que não faça nada de errado.
Rose – Assim o faremos, estamos aqui para obedecer.
Guilden – Vamos ganhar alguma coisa com isso?
Rei – Sim, serão bem pagos. Agora... dispensados.
Os dois – Até breve, majestades.
(Saem com reverências)
Polônia – (entrando) Majestades. Observem que ousadia. Vejam a carta que seu filho Hamlet mandou para minha filha
Ofélia!
Rei e Rainha – (lendo) Oh!
Rei – É uma carta erótica! Que desaforo!
Rainha – Hamlet, venha cá.
Hamlet – (entrando e vendo a carta, retira das mãos do rei) O que estão fazendo com a carta que mandei para Ofélia?
Polônia, devolva esta carta a minha amada.
Polônia – Ela já leu, seu descarado! Vou devolver esta “carta” agora mesmo, seu devasso! (sai)
Hamlet – Tio, mamãe… estou muito triste. Gostaria de encenar uma peça de teatro para vocês. Aliás, gostaria que todos
vissem a peça. Estão querendo me contrariar?
Rei e Rainha– Não. Não queremos contrariá-lo.
Hamlet – Preciso das suas coroas (tira da cabeça dos dois, que saem de cena). Assim está bem. Marcela, Horácio, Guilden
e Rose! Todos aqui, vou explicar como eu quero a peça.
(Entram os que Hamlet chamou)
Hamlet – Na minha peça você, Marcela, será a minha mãe. Eu farei o meu pai. Você, Horácio será o meu tio malvado...
Guilden e Rose – E nós?
Hamlet – Vocês vão carregar o corpo de meu pai, ou seja, eu. Agora, vamos ensaiar.
Todos – Vamos!
(Saem de cena)

ATO III
Cena 1 - Entram o Rei, a Rainha, Polônia, Ofélia, Rose e Guilden. Rose e Guilden falam sobre a peça de Hamlet e saem.
O Rei, a Rainha e Polônia pedem para que Ofélia converse com Hamlet e saem. Hamlet aparece e dá o monólogo do “Ser
ou não ser”, vê Ofélia e conversa com ela, mandando a moça para um convento, pois seria melhor do que casar com um
pecador. Ofélia fica arrasada e sua mãe vem consolá-la.
(Entram em cena o Rei, a Rainha, Polônia, Ofélia, Guilden e Rose).
Rei – Rose e Guilden, digam como está meu sobrinho.
Rose – Ele vai fazer uma peça terrível sobre a morte de seu pai.
Rainha – O quê?
Guilden – E se nós não participarmos, ele diz que vai nos matar.
Rei – Façam o que ele diz.
Rainha – Estão dispensados.
Os dois – Até mais, majestades. (saem)
Rainha – E você, Polônia, por que está aqui?
Polônia – Quero que convençam a minha filha Ofélia a falar com Hamlet para que pare com essa peça.
Rei – Minha cara Ofélia, deves conversar com Hamlet.
Rainha – Talvez o seu amor por ele o tire dessa loucura de peça.
Ofélia – Assim o farei. Contem comigo.
(Saem Polônia e os monarcas. Entra Hamlet, que não vê Ofélia).
Hamlet – Ser ou não ser, eis a questão. Devo lutar contra meu tio e minha mãe? Ou devo ficar na minha?
Ofélia – Hamlet, meu amor...
Hamlet – Ofélia, estavas me ouvindo?
Ofélia – Sim. Que decisão tu tomarás?
Hamlet – Vou representar a peça. E você, é melhor que entre para um convento. Não devo casar contigo, estou louco. Tu
não mereces um louco...
Ofélia – Não! Hamlet! (sai chorando. Depois sai Hamlet)
Cena 2 – Todos aparecem no castelo para ver a peça em forma de mímica: Entram um Rei e uma Rainha, muito amorosos;
os dois se abraçam. Ela se ajoelha e faz demonstrações de devoção a ele. Ele a levanta do chão e inclina a cabeça no
ombro dela. Ele se deita num canteiro de flores. Ela vendo-o dormir, se afasta, sai.
Imediatamente surge um homem, tira a coroa do Rei, derrama veneno no ouvido dele. Sai, beijando a coroa. A rainha
volta; encontra o Rei morto, faz apaixonadas demonstrações de dor. O Envenenador volta, acompanhado de dois ou três
comparsas, e mostra-se condoído com a morte do Rei; acompanha a Rainha em suas demonstrações. O cadáver é levado
embora. O Envenenador corteja a Rainha com presentes. Ela mostra alguma relutância; recusa os presentes por uns
momentos, por fim aceita as provas de amor. Saem).
Voltam os atores para ler um poema de Hamlet, Polônia, indignado, vendo a peça faz com que ela seja suspensa. Hamlet
fica feliz, pois conseguiu o seu intento.
Hamlet – Obrigado pelos aplausos. Foram poucos, mas sinceros...Agora lerei um poema que fiz.
Polônia – Chega! A peça estava uma porcaria. Vamos embora, filhos.
Rainha – Espere, Polônia, vamos acompanhá-los.
Rei – Esperem por mim.
(Saem todos, menos os atores).
Cena 3 – O Rei e a Rainha chamam Rose e Guilden para levar Hamlet à Inglaterra, eles aceitam e saem. Polônia chega
e diz que vai observar Hamlet atrás da cortina, para ouvir seus planos.
Cena 4 – A Rainha chama Hamlet e tenta dizer-lhe que ele foi muito mal educado em trazer a peça. Ele desembainha a
espada e ela se assusta. Diz então que vai matar um rato que viu atrás da cortina. Mata Polônio com a espada. Depois
mostra algumas fotos à mãe, que está cada vez mais perplexa. O fantasma do pai aparece e ele mostra pra mãe, que não
vê nada e fica cada vez mais temerosa. Hamlet diz que vai à Inglaterra, pois já fez demais por ali.
(Entram a Rainha e o Rei)
Rainha – Caro marido, chamei Guilden e Rose para que levem Hamlet para a Inglaterra.
Rei – Boa ideia, Gertrudes, Hamlet não pode mais ficar nesse reino. Rose, Guilden, venham cá!
(Os dois entram).
Rainha – Quero que vocês dois levem meu filho Hamlet para a Inglaterra. Depois daquela peça é melhor que
fique longe da Dinamarca.
Rose – Está bem, majestade.
Guilden – Mas Hamlet sabe desta sua ideia?
Rei – Ainda não. Mas isso não interessa!
Rainha – Levem-no agora!
Os dois – Estamos indo, majestades!
(O Rei e os dois saem. Polônia entra)
Rainha – Polônia! Foi bom ter chegado! Tenho um serviço pra você!
Polônia – Então me fale, que eu farei!
Rainha – Meu filho virá logo, vigie atrás da cortina.
Polônia – Sim, ficarei ali, atrás da cortina.
(Polônia fica atrás da cortina).
Rainha – Hamlet, venha cá!
Hamlet – Que foi, mamãe? O que queres de mim?
Rainha – Você foi muito mal-educado em fazer aquela peça.
(Desembainha a espada)
Rainha – Oh, que é isto, meu filho?
Hamlet –Olha, mamãe, vou matar um rato que está atrás da cortina.
(Mata Polônia)
Rainha – Meu filho, o que fizeste?
Hamlet – Era apenas um rato. Veja, mamãe, nosso álbum de fotografias. Veja como éramos felizes: eu, você,
papai.
Rainha – Pare, Hamlet! Você está louco! Você também quer me deixar maluca?
(Aparece o Fantasma)
Hamlet – Veja, mamãe, Papai também chegou, ele está aqui!
Rainha – Pare, filho! Não vejo ninguém! Pare de brincadeiras...
Hamlet – Papai. Eles querem que eu vá para a Inglaterra. Eu irei, já fiz muito por aqui. Mas antes preciso tirar
esta rata velha daqui.
(Tira Polônia de cena. Sai o Fantasma. A Rainha sai aterrorizada).

ATO IV
Cena 1 – A Rainha conta ao Rei que Hamlet está completamente louco, matou Polônia e foi esconder o corpo.
Chega o Rei e pede a Hamlet onde está Polônio. Hamlet diz que Polônia está ceando no céu e que ele está disposto
mesmo a ir à Inglaterra.
Cena 2 – Hamlet chama Rose e Guilden de esponjas.
(A Rainha volta com o Rei)
Rainha – Meu marido, Hamlet acaba de matar Polônia.
Rei – Como ele fez isso?
Rainha – A coitada estava ali, atrás da cortina. Ele ameaçou a mim e a matou com uma espada.
Rei – Ela não está aqui.
Rainha - Hamlet levou o cadáver. Faça alguma coisa.
Rei – Agora chega. Hamlet, venha cá.
Hamlet – (chegando) O que vocês querem agora?
Rei – Onde está Polônia?
Hamlet – Está jantando. Está ceando no céu, com São Pedro.
Rei – Agora chega! Você terá que ir à Inglaterra.
Hamlet – Está certo. Eu irei.
Rainha – Mas irá com Guilden e Rose.
Rei – (chamando) Guilden e Rose! Levem já Hamlet para a Inglaterra.
Os dois – (chegando)Mas é claro.
(Agarram Hamlet. Saem o Rei e a Rainha)
Hamlet – Me soltem! Seus esponjas!
(Saem todos)
Cena 3 – Ofélia ficou louca e está cantando, a Rainha lhe pergunta coisas, mas ela só canta. O Rei pede que os soldados
sigam Ofélia. Laertes chega com soldados dizendo que será o novo rei, pois pensa que foi o Rei quem matou sua mãe. O
Rei lhe explica que foi Hamlet e pede que Laertes vingue a morte de sua mãe Polônia.
(Entra a Rainha e Ofélia)
Rainha – Ofélia! Ofélia, queria falar contigo, saber como estás.
Ofélia – “Nada do que foi será do jeito que já foi um dia...”
Rainha – Me responda, você está triste por sua mãe?
Ofélia – “Tudo passa, tudo sempre passará...”
Rainha – Não me diga que também estás louca?
Ofélia – “Não adianta fingir, nem mentir pra si mesmo”...
Rainha – Que horror, que música é essa?
Ofélia – “Como uma onda no mar”.
(Sai Ofélia e entra o Rei)
Rei – Gertrudes, Laertes está louco.
Rainha – Mais um. O que ele quer?
Rei – Ele diz que eu matei sua mãe. Quer se vingar e tomar o meu trono.
Rainha – Ih, aí está ele!
Rei – O que queres, Laertes?
Laertes – (chegando) Você é um assassino. Matou minha mãe. Não merece ser rei, vou matá-lo.
Rainha – Espere. Não foi o rei que matou sua mãe. Foi meu filho Hamlet. Eu mesma vi.
Laertes – Se a rainha viu, deve ser verdade.
Rei – Temos que achar um jeito de matá-lo. Venha, preciso de tua ajuda.
Cena 4 – Horácio e Marcela entregam ao rei uma carta de Hamlet dizendo que voltará e mandou Rose e Guilden para a
Inglaterra e sai.
(Horácio e Marcela chegam com uma carta).
Horácio – Majestade. Aqui tenho uma carta de Hamlet.
(Todos lêem a carta, que é falada pelo ator que faz Hamlet atrás das cortinas).
Carta – Olá para todos. Estou enviando esta carta para informar que voltarei brevemente. Eu não fui para a Inglaterra.
Mandei uma carta para a Rainha da Inglaterra dizendo que Rose e Guilden são espiões. A rainha decerto mandará enforcá-
los. Voltarei tão logo consiga. Abraços, Hamlet.
(Todos ficam apreensivos. Marcela e Horácio saem por um lado e a Rainha por outro).
Cena 5 – O Rei e Laertes planejam matar Hamlet, Laertes com uma espada envenenada, o Rei com uma taça de vinho
também envenenada por uma pérola. A rainha chega com a notícia de que Ofélia morreu afogada.
Rei – Só há um jeito. Hamlet deve morrer.
Laertes – Mas como poderíamos matá-lo?
Rei – Poderia ser com uma espada envenenada. Você, Laertes, o melhor espadachim do reino lutará com Hamlet com
uma espada envenenada.
Laertes – E, eu tenho uma ideia: se isso não funcionar, poderemos preparar uma taça de vinho envenenada.
Rei – Então, eu fico com a taça de vinho e você com a espada.
Rainha – (chegando afobada) Ofélia! Ofélia morreu afogada. Foi loucura. Começou cantando e cantando e não
parou mais até se atirar no mar.
Rei – Coitada, morreu tão jovem.
Laertes – Tudo culpa daquele Hamlet. Minha querida irmã!
(Os monarcas saem consolando Laertes)

ATO V
Cena 1 – No cemitério, Hamlet se encontra com Horácio e Marcela para ver os funerais de Ofélia. O Rei, a Rainha e
Laertes vêem Hamlet. O Rei pede paciência a Laertes.
(Chegam o Rei e a Rainha com Laertes. Depois Hamlet com Horácio e Marcela. Não colocar as mortas em cena).
Rei – Estamos aqui para os funerais de Polônia e Ofélia. Que Deus tome conta dessas duas almas.
Laertes – Veja, meu rei, ali está Hamlet. Quero vingança.
Rei – Aqui não. Espere até chegarmos no palácio.
Rainha – Vamos para o palácio. Sinto que aqui teremos problemas.
(Saem os três)
Cena 2 – Hamlet conta a Horácio como mandou uma carta selada a Rainha da Inglaterra, na qual pede a morte de Rose
e Guilden como espiões. Diz também como irá lutar com Laertes, com espada e adaga.
Hamlet – Que dia trágico, Horácio e Marcela. A Polônia tudo bem, era uma fofoqueira. Mas Ofélia tinha que se atirar?
Marcela – O que foi, Hamlet, o que você aprontou agora?
Hamlet – Não aprontei nada. Eu apenas enviei uma carta a Rainha da Inglaterra para que prendessem Rose e
Guilden por espionagem.
Horácio – Fique calmo. Eles bem que mereciam. Apesar de que estavam cuidando de ti. Mas...bem que
mereciam.
Hamlet – Ah, mas isso é o de menos. Agora tenho que lutar contra Laertes. Ele está querendo vingança. Vamos ao palácio,
lá se fará a vingança com espada e adaga. Vamos.
Os dois – Vamos.
Cena 3 - Chegam o Rei, a Rainha e Laertes e começa a luta. O Rei põe uma pérola (veneno), na taça que dará a
Hamlet. A Rainha, sem saber, toma o vinho. Na luta, Laertes fere Hamlet, as espadas são trocadas e Hamlet fere
Laertes. Num último momento, Hamlet usa a espada para matar o Rei e morre. “ O resto é silêncio”. Horácio e
Marcela ficam sozinho no recinto.
(Chegam o Rei, a Rainha, Laertes, Hamlet, Horácio e Marcela).
Laertes - Olhe! Aí está o desgraçado que matou minha mãe e foi a causa da morte de minha irmã!
Hamlet – Venha lutar, seu desgraçado!
(Começa a luta. Saem para fora de cena todos atrás da luta e o Rei coloca o veneno na taça. A rainha entra e bebe).
Rainha – Não posso ver meu filho lutando, me dê este vinho. (toma a taça do rei).
Rei – Não beba este vinho!
Rainha – Ah, agora já bebi.
(A rainha morre. Chegam os dois lutando. As espadas caem e são trocadas).
Hamlet – Ah, ah! Agora levarás um golpe de tua própria espada!
(Fere Laertes, que pega a espada e fere Hamlet)
Laertes – Também te feri com a espada envenenada. Eu e tu vamos morrer. (morre)
Hamlet – Quantas mortes! Vou matá-lo, meu tio assassino. (mata o tio). Mamãe, você está morta? Horácio e
Marcela, agora vocês podem ser reis. Vou me encontrar no paraíso com Ofélia.
Horácio e Marcela – O resto é silêncio.
(Cortina)

FIM

MACBETH - Adaptação da obra de Shakespeare


Personagens masculinos (7): Personagens Femininos(8):
1. DUNCAN, Rei da Escócia; 1 LADY MACBETH;
2. MACDUFF; 2 a 5. QUATRO BRUXAS;
3. MALCOLM, filho de Duncan ; 6. DUQUESA DE ROOS;
4. MACBETH, general do exército do Rei; 7. CRIADA de Lady Macbeth e
5. BANQUO, general do exército do Rei; 8. LADY MACDUF
6. FILHO DE BANQUO e
7. DUQUE DE ROOS.

ATO I
CENA I (Pântano)
1ª BRUXA: Quando novamente as quatro nos juntamos?
2ª BRUXA: Quando terminada esta barulhada, depois da batalha perdida e ganhada.
3ª BRUXA: Antes de cair a noite.
4ª BRUXA: Em que lugar?
1ª BRUXA: No pântano.
2ª BRUXA: Ali vamos encontrar com Macbeth.
AS QUATRO: O Bem, o Mal – é tudo igual.
1ª BRUXA: Guerreiam a Escócia e a Inglaterra!
2ª BRUXA: O que é uma guerra?
3ª BRUXA: Uma luta sangrenta onde entre mortos e feridos, não há vencedor, nem vencidos.
4ª BRUXA: Irmã, vejo Macbeth vencendo. Silêncio! É Macbeth chegando.
AS QUATRO: Bruxas da terra e do mar, toca, toca cirandar, e roda que rodopia! Duas voltas para a
direita, duas voltas para a esquerda, e está feita a bruxaria. (As bruxas se escondem à vista do público).
CENA II (Entram Macbeth, Banquo e o filho de Banquo.)
MACBETH: Um dia tão feio e tão bonito nunca vi, Banquo.
BANQUO: A que distância estamos de casa?
FILHO: Há pouco mais de meia légua, papai.
MACBETH: (Vendo as Bruxas) Quem são vocês?
AS QUATRO: Salve Macbeth! Salve, que Rei serás! Arquiduque de Cawdor!
BANQUO: Meu bom senhor, por que esse susto? Estão te saudando.
AS QUATRO: Salve!
1ª BRUXA: Banquo menos que Macbeth e maior que ele.
2ª BRUXA: Não tão feliz e todavia muito mais feliz.
BRUXA 3 E BRUXA 4: Salve Banquo, serás tronco de reis, embora a rei não chegues. Salve, pois,
Macbeth e Banquo! (As bruxas desaparecem)
FILHO: Aonde foram elas?
MACBETH: Dissiparam-se no ar.
BANQUO: Estavam mesmo aqui estas criaturas?
MACBETH: Elas disseram que teus filhos serão reis.
BANQUO: E que tu serás rei também..
DUQUESA DE ROOS: (Entrando com Roos) Saudações, bravo Macbeth.
ROOS - O rei soube do seu triunfo e te dá o título de Arquiduque de Cawdor.
BANQUO: Duque e duquesa de Roos, que bom!
FILHO: As aparições falaram a verdade!
MACBETH: Mas o arquiduque está vivo!
DUQUESA DE ROOS: É um traidor e será condenado à morte.
MACBETH: A profecia está se cumprindo.
BANQUO: (A Roos) Obrigado por trazernos tão boas notícias, duquesa (Saem duque e duquesa de
Roos. A Macbeth) Companheiro, estás pensando em quê?! (Saem)
CENA III ( Fanfarra. Entram Duncan e Malcolm).
DUNCAN: Cawdor já foi executado, meu filho Malcolm?
MALCOLM: Já confessou os seus crimes e em breve será executado...
DUNCAN: Tinha muita confiança nele e me traiu. (Entram Macbeth, Banquo e Roos) Oh, meu primo
Macbeth! Agora és o Arquiduque de Cawdor. Sejam bem-vindos, meu valoroso soldado Banquo, seu
filho, duque e duquesa de Roos.
MACBETH: Somos leais a vós, nosso rei da Escócia, poderoso Duncan.
DUNCAN: Muito obrigado por lutarem por mim.
BANQUO E FILHO: Com muita honra, majestade.
DUNCAN: Meu nobre Cawdor!
MACBETH: Quero convidá-los ao meu Palácio, agora em Cawdor.
TODOS: Que bom, vamos festejar a nossa vitória. (Fanfarra. Saem)
CENA IV (Entra Lady Macbeth e criada)
CRIADA - Lady Macbeth, trago uma carta de Macbeth, vosso marido.
LADY MACBETH: (pegando a carta)“Encontrei bruxas no dia da vitória;e quando eu ia lhes fazer novas
perguntas, sumiram. O rei Duncan me concedeu o cargo de ‘Arquiduque de Cawdor’, título que elas
antes me disseram, e depois falaram ‘Salve, que serás rei!’. Acho que elas estão certas. Guarda isto no
teu coração e até breve, querida esposa.” . Claro que serás rei, meu marido Macbeth e eu te ajudarei
nisso. (entra Macbeth) Oh, querido marido, que bom vê-lo. Que notícias trazes?
MACBETH: O Rei pernoitará esta noite aqui.
LADY MACBETH: Que saudade! Macbeth! Tuas cartas transportaram-me do presente aos dias que virão.
E quando o rei parte?
MACBETH: Amanhã.
LADY MACBETH: Tenho idéias. Acho que não parte amanhã.
MACBETH: Falaremos depois.
CRIADA: Deseja algo mais, Lady Macbeth?
LADY MACBETH: Não, criada, pode retirar-se. Fica calmo, deixa o resto comigo. (Saem)
CENA V. (Entram Duncan, Malcolm, Roos e Duquesa, Banquo e seu filho)
DUNCAN: Este castelo está muito bem localizado, sinta este ar.
ROOS: O ar é bom e até os pássaros escolhem este lugar para os ninhos.
DUQUESA: Mas eu sinto um ar pesado, com maus presságios.
MALCOLM: (Entra Lady Macbeth) Olha! Está aqui a dona do Castelo.
LADY MACBETH: Vossa Majestade: sempre rezo por vossa saúde! Sejam todos bem-vindos.
BANQUO: E Macbeth, onde está?
FILHO: Deve estar testando uma nova armadura.
LADY MACBETH: Está dando ordens aos criados para que Vossa Majestade seja muito bem-vindo ao
nosso castelo.
DUNCAN: Conduze-me ao castelo, bela senhora (Saem).
CENA VI (Entra Macbeth. Sala no castelo)
MACBETH: Está tudo tão calmo. Duncan nem desconfia de nada. Sei que é monstruoso o que faremos,
mas se não me livrar dele, jamais serei rei (Entra Lady Macbeth) Que há de novo?
LADY MACBETH: Pouco falta para que acabe a ceia.
MACBETH: Ele perguntou por mim?
LADY MACBETH: Sim. Não desconfia de nada.
MACBETH: Não vamos prosseguir nesta [Link] é um pobre velho.
LADY MACBETH: Nem pareces um soldado, pareces mais um covarde.
MACBETH: E se falharmos?
LADY MACBETH: Falharmos? Não falharemos. Quando ele for dormir, darei bebida aos seus camareiros
e ele
ficará indefeso. Diremos que foram eles. os camareiros, que o mataram.
MACBETH: Se usarmos os punhais dos camareiros e os mancharmos de sangue, quem não acreditaria
que os
matadores terão sido eles?
LADY MACBETH: Quem ousará pensar de outra maneira?
MACBETH: Agora estou firme na minha decisão. (Saem)
ATO II
CENA I (Entram 1ª Bruxa e Macbeth. Foco em verde e vermelho).
1ª BRUXA: Neste momento Macbeth move-se em direção à sua vítima.
2ª BRUXA: Firmemente caminha, que não se escutem seus passos, apenas um toque de sino revele o
horror desta hora!
MACBETH: É um punhal o que enxergo, com seu cabo voltado para mim? Vem, que eu te empunho!
(Toque de sino) Um golpe, e é tudo: o sim me convida. Não o ouças, Rei, não o ouças, que esse toque
te chama para o Céu – ou para o Inferno! (Saem)
CENA II (Entra Lady Macbeth)
LADY MACBETH: Escutem... Silêncio! Foi um pássaro que piou. As portas estão abertas. Neste instante
o golpe vai ser vibrado. Os camareiros bêbados, roncam. Dei-lhes um poção tão forte, que não sei se
estão vivos.
MACBETH: (entrando) Está feito.
LADY MACBETH: Então?
MACBETH: (Olhando as mãos ensangüentadas) Triste espetáculo!
LADY MACBETH: O que pretendes dizer com isso?
MACBETH: Ouvia uma voz “Macbeth não dormirá nunca mais!”.
LADY: Mas quem gritava assim? Suja de sangue os camareiros.
MACBETH: Não, não posso!
LADY MACBETH: Homem fraco! Dê-me os punhais. Aqueles que estão mortos ou dormem são pinturas
apenas. (Sai. Batem à porta)
MACBETH: Quem será que bate? O que há comigo que qualquer ruído me sobressalta assim? (Volta
Lady Macbeth)
LADY MACBETH: As minhas mãos estão da cor das tuas.. (Batem à porta novamente) Estás ouvindo?
Insistem. Vamos fazer de conta que estamos dormindo. (Saem)
CENA III (Sons de batidas em um portão. Entra Roos. Fora do Castelo)
ROOS: Já vou atender. O dia ainda nem nasceu.. (Abre a porta)
(Entra Macduff, Lady Macduff)
LADY MACDUFF: Insista em chamar, esposo, meus filhos precisam de leite. Chame novamente,
Macduff.
MACDUFF: Oh, Roos. Era tão tarde quando tu deitaste, duque, que tão tarde te levantas?
ROOS: Na verdade, nobre Macduff, estivemos bebendo. E a bebida é uma grande provocadora de três
coisas: nariz vermelho, sono e vontade de urinar.
DUQUESA: (Chegando) Desculpem o meu marido, a festa foi grande.
LADY MACDUFF: Está me parecendo que a bebida te derrubou também nesta noite, duquesa.
MACDUFF: O senhor do Castelo já está de pé? (Entra Macbeth)
DUQUESA: Aqui está ele, bom dia!
MACBETH: Bom dia!
MACDUFF: O Rei já está de pé?
MACBETH: Não, por enquanto.
MACDUFF: Ordenou-me que o chamasse cedo. Quase ia me esquecendo.
MACBETH: De certo está esperando por vós, caro Macduff (sai Macduff)
DUQUESA DE ROOS: O Rei parte hoje?
LADY MACDUFF: Parte. Por favor, podemos cuidar de leite para os meus bebês.
DUQUESA: Com certeza, venha comigo. (saem as duas)
ROOS: A noite foi horrível. Ouvi ruídos estranhos e a terra parecia tremer.
MACBETH: É certo, a noite foi medonha!
ROOS: Não me lembro de outra como esta. (Volta Macduff gritando)
MACDUFF: Que horror! Minha boca nem o meu coração poderão nomear o que acabo de ver!
MACBETH e ROOS: Que foi que houve?
MACDUFF: Entrem no quarto e vejam a chacina. Não me façam falar. (Saem Macbeth e Roos) Alerta!
Alerta! Soem o alarme! Assassinato e traição! Banquo, Malcolm, acordem.
LADY MACBETH: (entrando) Que foi que aconteceu?
MACDUFF: Senhora. (Entra Banquo) Oh! Banquo! Nosso real senhor foi morto a punhaladas!
LADY MACBETH: Aqui, em nosso palácio? (Voltam Macbeth e Roos)
MACBETH: O rei foi assassinado!
MALCOLM: (entrando) Que desgraça aconteceu?
MACDUFF: O Rei, vosso pai, foi assassinado.
MALCOLM: Não! (Pausa) E quem foi o assassino?
ROOS: Os camareiros. Tinham faces e mãos tintas de sangue.
MACBETH: Contudo, oh! Me arrependo de, na minha fúria, os ter matado.
MACDUFF: E por que fizeste isso?
MACBETH: Fiquei furioso e decepei as cabeças deles
LADY MACBETH: Leve-me daqui! (finge que desmaia)
MACDUFF: Ajudem Lady Macbeth!
MALCOLM: (À parte) Aqui sinto cheiro de traição. (Lady Macbeth é carregada para fora da sala. Saem
todos, exceto Malcolm) Acho que devo fugir senão serei morto também. (Sai)
CENA IV (Duque e duquesa de Roos e Macduff,e esposa).
DUQUESA DE ROOS: O bom Macduff, como estão as coisas?
MACDUFF: Não estás vendo, duquesa?
ROOS: Já se sabe quem são os criminosos?
LADY MACDUFF: Os camareiros que Macbeth matou.
DUQUESA DE ROOS: Que pretendiam, meu Deus, com isso?
MACDUFF: Decerto foram subornados. Malcolm , filho do rei, que fugiu. Todos acreditam que ele
mandou matar o pai!
LADY MACDUFF: Agora é bem provável que Macbeth venha ser o novo rei pois é primo do rei Duncan.
ROOS: E Malcolm, onde está?
MACDUFF: Vou atrás dele. Aqui não dá pra ficar, sinto cheiro de traição. Pegue nossos filhos e vamos
embora.
LADY MACDUFF: Já estão comigo. Vamos para a Inglaterra. Temo pela vida deles.
DUQUESA DE ROOS: Aqui há uma aura sinistra. Mas tenho que ficar aqui para cuidar de Lady Macbeth
ROOS – Vou ficar com minha esposa, para saber o que aconteceu de verdade. Adeus, amigos.

ATO III
CENA I (Entra Banquo. Sala no palácio)
BANQUO: Ora, ora, Macbeth, tens tudo agora: és Rei, conforme as bruxas prometeram. (Fanfarras.
Entram Macbeth, em traje de rei, Lady Macbeth, em traje de rainha)
MACBETH: Cá está o nosso principal convidado.
LADY MACBETH: Sem o qual, haveria uma lacuna na nossa festa.
MACBETH: Esta noite, senhor, damos um banquete, para o qual solicitamos vossa presença.
FILHO DE BANQUO: Estaremos aqui, com certeza..
MACBETH: Andarás a cavalo hoje à tarde?
BANQUO: Assim pretendo.
MACBETH: Que pena, precisava de uns conselhos teus.
BANQUO: É uma pena.
MACBETH: Não faltes ao banquete.
BANQUO: Não faltarei.
MACBETH: Soube que o sanguinário Malcolm está na Inglaterra... A cavalo, e até a noite! Vosso filho
vai convosco?
FILHO DE BANQUO: Sim, majestade.
MACBETH: Ligeiros e seguros sejam os vossos animais. (Saem).
CENA II (Entram As Bruxas. Focos).
1ª BRUXA: Maus espíritos da noite, negros, brancos e cinzentos,
2ª BRUXA: Bailai conosco, bailai! Vinde todos! Bailai conosco, bailai!
AS QUATRO: Borbulhe a papa ao fogacho: arda a brasa e espume o tacho!
3ª BRUXA: Trama Macbeth, trama Lady Macbeth!
4ª BRUXA: O que vês, irmã?
1ª BRUXA: Banquo está sendo morto por Macbeth!
2ª BRUXA: (Gargalhadas) O que dizes, irmã?
3ª BRUXA:. Macbeth não vacila, como lobo rodeia a ovelha, prepara o bote. Vejo uma criatura... uma
não, duas.
4ª BRUXA: Eu e tu?
1ª BRUXA: Não, são assassinos infames. Macbeth mandou matar Banquo.
2ª BRUXA: Morre Banquo, mancha com seu sangue a floresta, mas escapa seu filho, que vê o sangue
do pai, para no futuro vingar-se!
3ª BRUXA: Duas vezes o gato malhado miou.
4ª BRUXA: Duas vezes mais uma o ouriço gemeu.
AS QUATRO: É chegada a hora de girar! Roda, roda a Roda da Fortuna!
Uma vez mais há de girar! (Trovões. Saem)
CENA III (Entram Macbeth, Lady Macbeth, criada e Duquesa e Roos.
Salão de jantar no palácio. Geral. Aparições em foco verde).
MACBETH: Dou a todos, as minhas boas-vindas.
DUQUE E DUQUESA DE ROOS: Obrigado, Vossa Majestade.
MACBETH: Viva a alegria. Dentro em pouco brindaremos. (Vai à porta)
1ª BRUXA: Macbeth vai falar com os assassinos.
2º BRUXA: Tem em seu rosto a certeza da vitória, mas ao voltar a dúvida.! (volta Macbeth).
CRIADA: Já dei o dinheiro a eles, majestade.
MACBETH: Diga para desaparecerem.
CRIADA: Eles dizem que ficarão pelo palácio e querem mais dinheiro...
LADY MACBETH: Não estás animado, querido esposo? Veja quanta gente interessante!
MACBETH: Encantadora rainha! Que tenhamos boa saúde!
DUQUESA DE ROOS: Estás triste, majestade?
MACBETH: Queria ter Banquo aqui conosco.
(Entra o fantasma de Banquo e fica próximo de Macbeth)
ROOS: Que olhos são esses? O que vossa majestade está vendo?
MACBETH: Nada!
DUQUESA DE ROOS: Venha para cá, fique ao meu lado, majestade.
MACBETH: Onde? (O fantasma está ao lado da duquesa)
DUQUESA DE ROOS: Aqui, meu senhor. Que é que o perturba?
MACBETH: Quem de vós fez isto?
CRIADA: O quê?
MACBETH: Não fiz isso! Não sacudas diante de mim tua cabeça ensangüentada!
CRIADA: Sua majestade está indisposto? Posso me retirar...
LADY MACBETH: Não, fique. Desde sua infância sofre destes acessos. É coisa passageira. Daqui a
pouco estará bem de novo. És um homem, ou não?
MACBETH: Se sou! Mas...
LADY MACBETH: Oh, que tolices! Tudo são imagens filhas do medo: como aquele punhal que vês no ar
e diz que aponta para Duncan.
MACBETH: Os mortos estão a me atormentar. (O fantasma desaparece)
LADY MACBETH: Caro esposo, os nobres amigos querem falar contigo...
MACBETH: Amigos, não façam caso da minha enfermidade, sem importância para os que bastante me
conhecem. Saúde e afeto a todos
(Reaparece o fantasma)
DUQUESA DE ROOS: Pela vossa saúde, majestade
MACBETH: (Falando ao espectro) Para trás e longe da minha vista! Volta à tua cova!
LADY MACBETH: Não reparem no meu esposo, está cansado!
MACBETH: Some-te, sombra sinistra! Some-te daqui, fantasma sem realidade! (O fantasma desaparece)
Foi-se... Ainda bem!
LADY MACBETH: Estás estragando a festa, esposo.
DUQUESA DE ROOS: Boa noite!
ROOS: Estimamos as melhoras. (Saem)
MACBETH: Que achas de Macduff se recusar a vir?
LADY MACBETH: Mandastes convidá-lo?
MACBETH: Não, mas deveria vir.
LADY MACBETH: Precisas de sono, querido esposo.
MACBETH: Sim, tens razão
CENA IV (Entram Roos e Duquesa de Roos)
DUQUESA DE ROOS: As mortes do bom Rei Duncan e Banquo foram lamentadas por Macbeth: esta
história está mal contada.
ROOS: Será que não foi o próprio Macbeth quem os matou?
DUQUESA DE ROOS: Não sei, o que sei é que ele está louco. E se o filho de Duncan, Malcolm voltasse
à Escócia para resgatar o trono?
ROOS: Onde estará o filho de Banquo? Iremos para a Inglaterra e acharemos um jeito de destruir esse
tirano. Vamos. (saem)
ATO IV
CENA I (Trovão. Entram as Bruxas, depois Macbeth. Caverna).
1ª BRUXA: Toca a lançar na panela o sapo.
AS QUATRO: Borbulhe a papa ao fogacho: arda a brasa e espume o tacho!
2ª BRUXA: Pelo comichar do meu polegar sei que deste lado vem vindo um malvado.
3ª BRUXA: Abre-te, porta: a quem, não importa! (Entra Macbeth)
MACBETH: Horrendas bruxas, filhas do demônio, que estais fazendo?
AS QUATRO: Obra que não tem nome.
MACBETH: Eu vos conjuro, respondei-me ao que vou perguntar!
4ª BRUXA: Responderemos.
1ª BRUXA: Quererás ouvi-lo de nossa boca ou da de nossos mestres?
MACBETH: Da deles: quero vê-los!
AS QUATRO: Alto ou baixo, vem mostrar-te, tu e tua mágica arte.
(Trovão. Primeira aparição, uma cabeça armada de capacete)
1ª APARIÇÃO (Ator de Banquo disfarçado): Macbeth! Macbeth! Macbeth! Cuidado com Macduff!
(Desaparece)
2ª BRUXA: (Interrompendo-o) Mas outro vem, mais forte que o primeiro.
(Trovão. Segunda aparição, ensanguentada)
2ª APARIÇÃO(ator de Duncan): Macbeth! Macbeth! Macbeth! És sanguinário, audaz e resoluto! Ri da
força dos homens, pois nenhum nascido de mulher poderá um dia causar dano a Macbeth! (Desaparece)
MACBETH: Macduff! Por que temer-te? Mas por segurança: não viverás.
(Trovã[Link] aparição, uma criança coroada, com uma árvore na mão)
3ª APARIÇÃO (Ator que faz Malcon): Só viverás até que a floresta avance contra ti, então Macbeth será
vencido! (Desaparece)
MACBETH: Isso nunca acontecerá. Imagina, uma floresta avançar contra mim? Acaso será rei da
Escócia o filho de Banquo?
AS BRUXAS: Não procures saber mais nada.
(As aparições desfilam diante de Macbeth)
MACBETH: Vão embora, aparições! (Música. As bruxas dançam e desaparecem). Onde estão elas?
Foram-se! Agora mesmo irei ao castelo de Macduff, matarei sua mulher e seus filhos.
INTERLÚDIO – Macbeth matando Lady Macduff e seus filhos.
CENA II (Lady Macbeth e a criada. Sala do palácio. Foco)
LADY MACBETH: Que notícias me trazes.
CRIADA – Macduff fugiu, abandonando a esposa, os filhos, sua gente e seus títulos. Como um nobre
pode fazer isso?
LADY MACBETH - Nobre? Não, pobre! Um louco que deixa nas nossas mãos a sua sorte. Entram nos
seus aposentos nossos fiéis assassinos, entre os gritos do filho e as preces da mãe, cumprem seu dever
e com sangue e determinação, abrem caminho para a minha glória! Cala-te Macduff, pois os filhos que
dizes amar, não falam mais!
CRIADA – O que queres mais de mim?
LADY – Mais nada, retira-te. (SAEM)
CENA III (Entram Malcolm, o filho de Banquo e Macduff.)
MALCOLM: Que mais podemos fazer que não chorar nossos mortos..
MACDUFF: Não! Empunhemos nossas espadas: como bravos, defendamos a pátria.
FILHO DE BANQUO: Macbeth é amado pelo povo, mas é um assassino.
MACDUFF: Não sou traidor.
MALCOLM: Macbeth é.
MACDUFF: Perdi as minhas esperanças.
FILHO DE BANQUO: Pense em seus filhos e aja com vingança. Meu pai foi morto por este tirano.
MACDUFF: Não só meus filhos, mas a pátria sangra, perece. Temos que lutar contra ele.
ROOS: (entrando) Ai, pobre pátria! Nem podemos chamar-lhe mãe, que é, antes, sepultura. Foi vosso
castelo acometido de surpresa; vossa esposa, vossos filhos, cruelmente assassinados.
DUQUESA DE ROOS - Deixei Lady Macbeth. Cruel como o esposo e nunca poderá ter filhos.
MACDUFF: Ah, ele não tem filhos!
FILHO: As bruxas que apareceram a meu pai, disseram que ele seria rei, mas não seria tronco de reis.
MALCOLM: Lutemos contra o infortúnio como homens.
MACDUFF: Assim faremos, sem dúvida. (Saem)
ATO V
CENA I (Lady Macbeth com a criada, lavando as mãos)
CRIADA – Não agüento mais trazer novas bacias para lavar as mãos, suas mãos estão limpas.
LADY MACBETH: Por mais que eu faça, esta mancha não sai. Vai-te mancha maldita! Vai-te, digo! Estas
mãos nunca ficarão limpas?
CRIADA – O que fazeis, senhora?
LADY MACBETH - Sinto ainda o cheiro do sangue: nem todos os perfumes da Arábia poderão fazê-lo
desaparecer desta mão pequenina. Banquo está enterrado, não pode sair da cova. O que está feito, não
pode ser desfeito. (Saem)
CENA II (Entra Macbeth e Lady numa sala de castelo)
MACBETH: As bruxas disseram “Macbeth, não tenhas medo: nenhum homem nascido de mulher terá
jamais poderes sobre ti”.
LADY MACBETH: São dez mil...
MACBETH: Estás com medo?!
LADY MACBETH: Não, minhas mãos!
MACBETH: Traga minha armadura.
LADY MACBETH: Não posso nem dormir, vejo figuras estranhas..
MACBETH: Malditos médicos! Não te curam também. Não temerei a morte nem a ruína enquanto não
marchar a floresta. (Saem)
CENA IV ( Malcolm, Roos, filho de Banquo e Macduff, na floresta)
MALCOLM: Espero que esteja perto o dia em que poderemos dormir em segurança.
MACDUFF: Diga para cada soldado cortar um ramo da floresta e se esconder atrás dele: assim
marchando, encobriremos o efetivo de nossas forças, atrapalhando Macbeth.
FILHO DE BANQUO: Por agora, preparemo-nos para a batalha.
ROOS: Assim faremos!
(Usam galhos de árvores mesmo e avançam no proscênio)
CENA V (Entram a Criada e Macbeth)
CRIADA: Ó poderoso Macbeth! A rainha está morta!
MACBETH: Por que estes gritos? A rainha está morta... Não devia ser agora. Agora que tanto precisava
dela.
CRIADA – Trago também uma mensagem de seus sentinelas.
MACBETH - O que diz esta mensagem?
CRIADA: “Estando eu de sentinela no alto de uma colina, vi com meus olhos mover-se o bosque”.
MACBETH: O que é isto, uma brincadeira? Mentes, bilhete miserável! Morrerei combatendo. (Saem)
CENA VI (Entra, Malcolm, Roos e Macduff. Som de tambores)
ROOS – Invadimos o palácio do traidor.
MALCOLM: Tomaremos tudo, conforme o nosso plano.
MACDUFF: Fazei ressoar nossos clarins: por aí vem sangue e morte!
MACBETH: (entrando) Quem será aquele não nascido de mulher?
MALCOLM: Cão dos infernos, venha! (Luta. Macbeth vence, matando Malcolm)
MACBETH: Minha vida não pode cortar homem nascido de nenhuma mulher.
MACDUFF: Mas eu fui arrancado do ventre de minha mãe antes de nascer!
MACBETH: Não combaterei contigo.
MACDUFF: Então entrega-te, covarde!
MACBETH: Não me entrego!
(Saem batendo-se. Rebates. Tornam lutando e Macbeth é abatido).
CENA V (Clarins. Entram Malcolm, filho de Banquo Duque e Duquesa de Roos)
MALCOLM: Morreu o tirano.
DUQUESA DE ROOS: Sim, e também a tirana está morta.
MACDUFF: Cortarei a cabeça do maldito tirano.
ROOS - A pátria é livre. Viva o rei da Escócia! O filho de Banquo...
(Clarim. Coloca a coroa no filho de Banquo)
CENA FINAL (As Bruxas. Foco verde).
1ª BRUXA: Maus espíritos da noite, Negros, brancos e cinzentos,
2ª BRUXA: Bailai conosco, bailai! Vinde todos! Bailai conosco, bailai!
3ª BRUXA: Duas vezes o gato malhado miou.
4ª BRUXA: Duas vezes mais uma o ouriço gemeu.
AS QUATRO: Borbulhe a papa ao fogacho: arda a brasa e espume o tacho! O Bem, o Mal – é tudo igual.

FIM
Obs – Este texto foi baseado no original Willian Shakespeare (Tradução de Millôr Fernandes - Livre
adaptação de Guy Schmidt e mais livre adaptação do professor Jarbas Griebeler). As bruxas na verdade
eram três. A Duquesa de Roos foi inventada. A criada na verdade seria o personagem Seymor. Outras
tantas adaptações foram feitas. Que Shakespeare me perdoe!
CONTO DE INVERNO (SHAKESPEARE) Adaptação para 13 atores

Personagens Femininos (8): Hermíone (rainha da Sicília), Perdita (filha de Hermíone), Paulina (amiga de
Hermíone e mulher de Antígono), Sacerdotisa (do Oráculo de Delfos), Pastora (que cria Perdita), Filha
da Pastora, duas criadas do palácio da Sicília
Personagens Masculinos (5): Leontes (rei da Sicília), Polícines (rei da Boêmia), Florízel (filho de
Polícines), Camilo (ajudante de Leontes), Antígono (marido de Paulina).
PRÓLOGO (CORO)
Criada 1 –Boa tarde, Florinda, sabe quem veio ao reino da Sicília? O rei Polícines.
Criada 2 – Sei, já mandei Camilo levar-lhe umas frutas. No reino da Boêmia não há frutas como aqui. O
nosso rei Leontes me mandou servir bem o amigo.
Criada 1 - Que o céu conserve essa amizade!
Criada 2 – E como vai o filho de Leontes e da rainha Hermíone?
Criada 1 – Está muito mal. Doente mesmo. É tristeza...
Leontes (entrando) – Onde está Hermíone, minha rainha?
Criada 2 - A rainha está contando histórias para seu filho, majestade.
Leontes – Histórias?! Pois sei, deve estar mesmo.
Cena 1 (Conversa de Hermíone com Polícines)
Hermíone – Que bom que vieste ao nosso reino da Sicília, caro rei Polícines! Como está o reino da
Boêmia?
Polícines – Está muito bem. Estou ansioso para falar com meu grande amigo Leontes, cara rainha
Hermíone!
Hermíone – Ele só fala do seu grande amigo. Das brincadeiras que os dois reis faziam quando crianças...
Sua terra, a Boêmia foi um lar inesquecível para o meu marido.
Polícines – Fomos criados como irmãos. Mas onde está Leontes?
Hermíone – Saiu para caçar, não demora. No inverno os dias são mais curtos.
Polícines – E seu filho, como está?
Hermíone – Está tristonho. As crianças não podem ficar ao relento e ele não pode brincar com os outros
meninos, então me pede para contar-lhe histórias de inverno.
(Hermíone tem um mal súbito e cai).
Polícines – Deixa-me ajudá-la, cara rainha.
Hermíone – Ah, obrigado. Estou tendo desmaios ultimamente, acredito estar grávida.
Polícines – Veja, está chegando o meu grande amigo. Prazer em vê-lo.
Leontes (chegando) – O que fazes aqui sozinho com minha esposa?
Polícines – Estava a ajudá-la, pois teve um mal súbito. Pareces aborrecido...
Leontes – Hermíone, vá para dentro cuidar de seu filho. O príncipe deve estar sentindo a falta da mãe.
(Hermíone sai).
Polícines – Vamos conversar lá dentro sobre sua caçada.
Leontes – Caçada? Não peguei nada. Mas... vamos!
Cena 2 (Leontes quer contratar Camilo para matar Polícines)
Camilo – Caro rei Leonte, por que razão me mandaste chamar?
Leontes – Camilo, meu nobre amigo, quero que envenenes Polícines.
Camilo – Mas por quê?
Leontes – Ele está a me trair com minha mulher. Hermíone quer que ele permaneça na corte. Esta mulher
está a me por um par de chifres.
Camilo – Sua mulher é fiel, meu caro rei. Não irei envenenar o rei Polícenes.
Leontes – Então serás banido de meu reino.
Camilo – Irei, meu rei, mas antes contarei ao rei Polícenes o que pretendes fazer.
Leontes – Vai, servo infiel.
(Leontes e Camilo saem de cena)
Cena 3 (Camilo avisa Polícines, que foge para seu reino na Boêmia).
(Camilo encontra com Polícenes).
Camilo – Rei Polícenes, deves retornar à Boêmia o quanto antes.
Polícenes – Por que, caro Camilo?
Camilo – O rei Leontes está cego pelo ciúme que tem por Hermíone. E acredita ser o senhor o pai do
filho que a rainha espera. Queria que eu o envenenasse.
Polícenes – Leontes está louco. Vamos nos aprontar para ir à Boêmia. Tu vens comigo.
Camilo – Com muito prazer.
Cena 4 (Leontes manda Hermíone grávida para a prisão)
Leontes – Onde estavas, rainha?
Hermíone – Estava a contar histórias para nosso filho.
Leontes – Como és falsa. Mesmo grávida, estavas a me trair com algum lorde da corte!
Hermíone – Por favor, Leontes, não inventes histórias...
Leontes – Estás a me desafiar?
Hermíone – Não, caro marido.
Leontes – Agora mesmo vá para a torre. Os meus guardas estão a te esperar para que fiques presa. Na
torre permanecerás para que não possas mais me trair.
Hermíone – Não faças isso, não vês que estou grávida para quase ter o bebê?
Leontes – Filho meu é que não é. Deve ser de tua traição com Polícines. Fora!!!
Hermíone – Não!!!
(Hermíone sai chorando e Leontes sai por outro lado).
Cena 5 (Leontes manda chamar a sacerdotisa para ir ao Oráculo de Delfos)
(Entra Leontes com a Sacerdotisa).
Sacerdotisa – Mandaste chamar a Sacerdotisa de Apolo, rei Leontes?
Leontes – Sim, tenho um encargo para vós.
Sacerdotisa – Queres saber de seu filho, afastado da mãe? Pois lhe direi, se deixares o menino mais
tempo longe do convívio com Hermíone, ele morrerá. Tive esta revelação em sonhos.
Leontes – Os sonhos da Sacerdotisa não me dizem respeito. Quero que vás ao Oráculo de Delfos e lá
perguntes a Apolo, o nosso maior Deus, se minha esposa é infiel.
Sacerdotisa – Não desmereças o que lhe digo, majestade. Mas irei ao Oráculo e perguntarei sobre
Hermíone. Voltarei em breve.
(Os dois saem de cena).
CORO
Criada 1 - O rei Leontes está cego de ciúmes.
Criada 2 – Ainda bem que Camilo fugiu, queria eu também fugir.
Criada 1 - Acabou-se a amizade, só por causa do ciúmes!
Criada 2 – E agora a rainha Hermíone está presa na torre. Vou ajudar a coitada!
Sacerdotisa – Vai nada, o que tem que acontecer, acontecerá, assim previu Apolo.
Criada 1 – Mas a coitada está presa na torre. O filho está doente.
Sacerdotisa – Falem com Paulina e Antígono, que eles acharão a ajuda.
Criada 2 – Está bem, ó grande sacerdotisa. (saem)
Cena 6 (Paulina e Antígono conversam sobre a filha do rei).
Antígono – Paulina, minha esposa, o que fazes com esta menina ao colo?
Paulina – Esta, caro Antígono, é a filha da rainha Hermíone que acaba de nascer.
Antígono – Deves então protegê-la das mãos do rei Leontes.
Paulina – Farei melhor do que isso, entregarei a menina ao rei.
Antígono – Estás louca, ele vai mandar matá-la!
Paulina – Quando nosso rei vir esta menina tão linda decerto perdoará a rainha e nosso reino voltará a
ter alegria.
Antígono – Assim espero. Vamos.
Cena 7 (Paulina traz a filha para o rei e este manda Antígono levá-la para longe).
Paulina – Rei Leontes, trouxe a vossa presença uma criança adorável.
Leontes – Estou feliz que Paulina e Antígono tiveram enfim o seu filho.
Antígono – Não se trata de nosso filho, mas de alguém que dará muitas alegrias a vossa majestade.
Paulina – Esta, caro rei, é sua filha, recém-nascida.
Leontes – Como ousam trazer a minha presença esta bastarda. Não é minha filha. Antígono, tu
merecerias a forca por aceitar que sua mulher me fizesse tal desfeita.
Antígono – Meu rei, perdoa-nos.
Paulina – Vou deixar esta criança aqui para que vossa majestade possa vê-la. (Paulina sai).
Leontes – Não quero ver esta criança bastarda. Leva-a para longe. Jogue-a numa praia deserta.
Antígono – Assim farei, caro rei.
(Sai Antígono e chega a Sacerdotisa).
Cena 8 (Resultado do Oráculo, Paulina conta que morreu o filho e a esposa).
Sacerdotisa – Estou de volta com a resposta do Oráculo de Delfos.
Leontes – Espera. Isto precisa ser dito ao povo.
(A Sacerdotisa vai à boca de cena e lê).
Sacerdotisa – “Hermíone é inocente. Polícenes não tem culpa. Camilo é um súdito leal. Leontes é um
tirano ciumento, e o rei ficará sem herdeiro se não encontrar aquela que está perdida”.
Leontes – Isto são mentiras. Fora, mulher má com falsas palavras.
Sacerdotisa – Meu rei, acredite. (Ajoelha). Vosso ódio está matando a todos.
(Paulina entra em cena).
Paulina – Rei Leontes, seu filho acaba de morrer.
Leontes – Vá embora mulher. E conte a minha mulher o acontecido, quem sabe assim ela confesse sua
traição.
Paulina – Não poderei, caro rei Leontes. Sua mulher, ao saber da morte de vosso filho morreu também,
de desgosto.
Sacerdotisa – Apolo está zangado.
Leontes – O próprio céu me pune por minha injustiça. O que farei agora?
(Saem os três, bem tristes, com música apropriada).
Cena 9 (Antígono deixa a criança com joias e sai).
Antígono – Se assim quiser o destino, isto te dará de sobra para te criar. Espero que nesta praia deserta
apareça alguém que cuide de ti. Cresce, e te torna uma linda princesa! Não posso chorar contigo, mas
me corta o coração te deixar aqui. Fica com este colar de sua mãe e com estas joias. Decerto aparecerá
por aqui alguém que queira ficar contigo. Adeus.
(Sai Antígono. Música de suspense até aparecer a pastora).
Cena 10 (Chega a pastora junto à criança e depois a filha contando sobre a morte de Antígono e o barco
que afundou).
Pastora – Mas que barulho é este? Olha, um bebê! Deve ser rica, está coberta de joias. Filha, venha ver!
Filha – O que foi, mamãe?
Pastora – Achei um bebê. E não é só isso... veja! Joias!
Filha – Pelos deuses!
Pastora – Onde estavas?
Filha – Estava por aqueles lados. Vi um homem morto totalmente desfigurado, provavelmente atacado
por um urso. Depois fui até a praia e vi restos de um naufrágio. Um navio muito grande deve ter sofrido
com a tempestade de ontem.
Pastora – Pobre criança, deve ter sobrevivido deste naufrágio. Quiseram os deuses que nós a
encontrássemos.
Filha – Provavelmente. Veja, quanto ouro!
Pastora – Filha, vamos cuidar desta criança. Somos pobres, mas com este dote podemos dar-lhe um
bom futuro.
Filha – Ela tem uma correntinha escrito Hermíone. Parece ervilha, não gostei. Mamãe, vou chamá-la de
Perdita.
Pastora – É um bom nome. Ganhei uma nova filha.
Filha – E eu uma nova irmã.
Pastora – Vamos, minha filha, a criança deve estar com fome.
Filha – Deixa eu levar a criança e a senhora se encarrega do baú de joias.
(saem as duas)
CORO
Criada 1 – Já se passaram 15 anos e o rei continua triste.
Criada 2 – Bem feito, quem manda ser tão ruim. Quem é ruim sofre.
Criada 1 – Onde estará a filha do rei?
Criada 2 – Rezo todos os dias para que esteja bem, mas acho difícil. Nunca mais se soube de Antígono.
Criada 1 – Olha, aí vem Paulina...
Paulina – (chegando) O que vocês estão fofocando?
Criada 2 – Nada. Quem é aquele vulto que vimos na sua janela?
Paulina – Não é ninguém. Voltem ao seu trabalho. (saem)
Cena 11 (Perdita cresce e encontra com Florízel)
Pastora – Filha, nem parece que se passaram quinze anos daquele nosso encontro com o bebê perdido
na praia.
Filha – Perdita está muito bonita. Parece até uma princesa.
Pastora – E quem sabe seja. Por causa dela temos uma vida confortável. Veja, até o filho do rei Polícenes
vem nos visitar!
Filha – Ele está interessado é na nossa Perdita!
Pastora – Mas não pode. Um príncipe não pode namorar uma filha de pastores.
Filha – Estão aí fora. Vamos chamá-los.
(Chamam Perdita, que entra com Florízel).
Perdita – O que querem de nós.
Florízel – Estávamos a conversar sobre a natureza.
Pastora – Desculpe-nos, caro príncipe Florízel, precisávamos conversar com vocês.
Filha – Isso mesmo, vocês não podem namorar.
Perdita – Mas o nosso amor é tão grande!
Florízel – Pretendemos nos casar.
Pastora – Um príncipe não pode casar com uma plebeia. O senhor príncipe Florízel é filho do rei
Polícenes.
Filha – O rei Polícenes é muito brabo, ninguém sabe por que. Depois que a mãe de vossa alteza morreu
anda pior ainda.
Perdita – Saberei como domar seu pai.
Florízel – Acredito em você e no nosso amor! A senhora é uma dama rica, apesar de nunca sabermos
como conseguiu tal herança.
Pastora – Então, podem casar. Mas precisamos contar um segredo.
Filha – Acontece que Perdita é adotada. Encontramos você na praia junto com este colar e um baú de
joias, o que nos levou a esta pequena fortuna.
Perdita – Que bom que me contaram. Quem sabe eu não seja uma princesa perdida?
Florízel – Eu acredito nisso. Vamos casar.
Pastora – Preparem-se, faremos isso sem o consentimento do rei.
Filha – Isso! Aos preparativos.
(Saem felizes).
Cena 12 (Festa da pastora onde o rei Polícines e Camilo entram disfarçados).
Camilo – Veja, meu caro rei Polícenes. A festa está animada.
Polícenes – Vou deserdar o meu filho Florízel, Camilo.
Camilo – Ainda bem que estamos disfarçados.
Polícenes – Quero pegar os dois e dar uma boa surra nesta moça que ousa tirar-me o filho.
Camilo – Ali estão os dois.
Polícenes – Vamos chegar mais perto.
Florízel – Como te amo, cara Perdita.
Perdita – E eu também.
Florízel – Não tenho medo de meu pai.
Camilo – Pois deverias ter, ele está aqui.
(O pai se revela).
Polícenes – Como ousam casar sem meu consentimento. Camilo, agarre esta moça, mandarei os
guardas pegarem meu filho e esses pastores de aldeia.
(Sai).
Filha – (chegando, liberta Perdita, dando uma paulada em Camilo) Fuja, minha irmã. Vá para a Sicília
com Florízel. Lá, acredito que serás feliz.
Florízel – Vamos, meu amor. O rei Leontes foi amigo de meu pai.
Pastora – Iremos com vocês. Levaremos estas jóias para pagar a viagem.
(Saem, só ficando Camilo no chão quando chega o rei Polícenes).
Camilo – Me acertaram na cabeça, rei Polícenes.
Polícenes –Até os guardas se dispersaram. Maldição! Onde foi todo mundo?
Camilo – Fugiram para a Sicília.
Polícenes – Então temos que ir atrás. Apesar de eu ter uma desavença com o rei Leonte, preciso tornar
a vê-lo, sinto que o futuro nos será alegre. Vamos.
Cena 13 (Leontes recebe a sua filha e genro)
Sacerdotisa – Caro rei Leontes, estão aí, para ver vossa majestade, o príncipe da Boêmia e umas
senhoras.
Leontes – Faça-os entrar, estou tão triste que talvez vendo o filho de Polícenes me alegre um pouco.
Sacerdotisa – (Anunciando) O Príncipe Florízel, filho de sua majestade o rei Polícenes!
Leontes – Bem vindos, o que desejam.
Florízel – Meu pai não queria que casássemos e fugimos de nosso reino.
Perdita – Sou Perdita, filha adotada desta senhora e irmã desta outra aqui.
Pastora – Esta menina tem um colar com a indicação de seu reino estampada nela.
Filha – A menina foi achada na praia depois de um naufrágio.
Sacerdotisa – Veja, meu rei, é o colar de Hermíone. Você só pode ser a filha de vossa majestade.
Leontes – Oh, destino! És a filha que mandei abandonar em praia distante!
Sacerdotisa – Deves agora aceitá-la, pois a profecia se cumpriu.
Leontes – Venham, eu os abraço e recupero minha alegria.
Florízel – Vejam só! És uma princesa. Eu bem que sabia!
Perdita – Ganhei um pai, que bom!
Pastora – Como tudo acaba bem!
Filha – Mas e o rei Polícenes?
(Entra o Rei Polícenes com Camilo).
Polícenes – Ouvi tudo. Podes casar, meu filho. Abraça-me, Leontes. Nossos filhos são noivos.
Camilo – Majestades. Uma mulher chamada Paulina chama a todos para uma grande surpresa.
Todos – Vamos ver o que é.
Cena 14 (Paulina mostra a estátua de Hermíone e Leontes casa Paulina com Camilo).
Paulina – (entra empurrando uma estátua tapada com um lençol) – Meu rei Leontes, tenho para vós uma
surpresa. A estátua de Hermíone!
Perdita – Minha mãe!
Leontes – Descerre logo o pano, Paulina.
Paulina – Quero que olhem com carinho para esta estátua. Ela representa é a fidelidade e honradez.
(O pano é descerrado e aparece a estátua, a própria Hermíone).
Sacerdotisa – Veja, parece tão natural.
Paulina – Não cheguem perto, acabou de ser pintada.
Leontes – Deixa-me beijá-la.
Sacerdotisa – A tinta está fresca!
Leontes – O escultor fê-la tão perfeita, que acrescentou até as rugas da idade.
Florízel – Parece ser uma senhora muito meiga e linda.
Perdita – É minha mãe. Sei que é minha mãe.
(A estátua toma vida. Música).
Pastora – Meu Deus, ela está viva!
Hermíone – Sou eu, fui escondida por Paulina até o dia em que minha filha aparecesse. E aí está. Venha
abraçar-me. (Abraços).
Sacerdotisa – Rei Leontes, vossa majestade entristeceu a vida de muita gente com seu ciúme. Deves
recuperar o que destruíste!
Leontes – Hermíone, aceitas-me novamente?
Hermíone – Sim, apesar de tudo ainda o amo.
Leontes – Polícenes, podemos voltar a ser amigos?
Polícenes – Agora que somos parentes, com o casamento de nossos filhos. É claro!
Leontes – Filha, me perdoas?
Perdita – Sim, papai!
Leontes – Paulina, como posso agradecer-te?
Paulina – O senhor roubou-me o marido quando o mandou para terras distantes deixar a pobre menina
a sua sorte.
Polícenes – Fique com Camilo. Pronto, agora tens um novo marido.
Filha – Pelos deuses, tudo acabou bem!

Fim
Escola Municipal Pastor Hans Müller
Língua Portuguesa
Professor Iverson Moraes
Conteúdo Gênero Dramático
Os Saltimbancos

Peça Teatral Irmãos Grimm adaptação Chico Buarque de Hollanda


Título original: Die Bremer Stadmusikant

A encenação começa com a música Bicharia (em “off”).


O jumento, sozinho no palco, diz:

JUMENTO — Eu, eu sou um jumento. Não sou bicho de estimação. Não tenho nome, não tenho apelido, nem estimação.
Sou jumento e pronto. Na minha terra também me chamam de jegue. E me botaram pra trabalhar na roça a vida inteira.
Trabalhar feito jumento. Pra no fim... nada.
Minha pensão, nenhuma cenoura. Acho que é por isso que às vezes me chamam de burro. Eu não me incomodo.
Mas outro dia, eu estava subindo um morro com quinhentos quilos de pedra no lombo. Estava ali, subindo, quando um pai
d'égua falou assim: "Mas que mula preguiçosa, sô!", fui ver, e a mula era eu. Aí eu parei — "Mula? ah! é demais" — e
resolvi dar no pé. Tomei a estrada que leva à cidade e fui seguindo, naquela escuridão, naquela humilhação, naquela solidão
que nem sei. Não sou disso não, mas me deu uma vontade retada de chorar... e chorar e chorar aos soluços.
E pensava com meus borbotões:

O Jumento

Jumento não é,
O pão, a farinha, o feijão, carne seca,
Jumento não é,
Quem é que carrega? Hi-ho.
o grande malandro da praça.
O pão, a farinha, o feijão, carne seca,
Trabalha, trabalha de graça.
limão, mexerica, mamão, melancia,
Não agrada a ninguém,
Quem é que carrega? Hi-ho.
nem nome não tem,
O pão, a farinha, o feijão, carne seca,
é manso e não faz pirraça.
limão, mexerica, mamão, melancia,
Mas quando a carcaça ameaça rachar,
a areia, o cimento, o tijolo, a pedreira,
que coices, que coices,
quem é que carrega? Hi-ho.
que coices que dá.

JUMENTO — Pois é, onde que eu estava mesmo? Ah! Estava indo pra cidade. "E fazer o que na cidade?" — eu pensava.
Quando alguém não sabe fazer mais nada, nada mesmo, pode ser artista. Hoje todo mundo canta, como dizem aqueles que
não sabem cantar. Então eu estava ali andando, quando, de repente, quem é que eu vejo escondido no barranco da estrada?
Um pobre cachorro. Estava mesmo a perigo, todo roto, todo esfarrapado, parecia que tinha chegado da guerra. Estava
dormindo e tinha sonhos terríveis, pesadelos de cão.
JUMENTO — Ei, cachorro, ei, cachorro, acorda. Um, dois, três.
CACHORRO — Sim, senhor, é pra já.

Um dia de cão

Apanhar a bola-la, Lealdade eterna-na, Bobby, Lulu,


estender a pata-ta, não fazer baderna-na, Lulu, Bobby,
sempre em equilíbrio-brio, entrar na caserna-na, Snoopy, Rocky,
sempre em exercício-cio. o rabo entre as pernas-nas. estou às ordens
Corre, cão de raça, Volta, cão de raça, sempre, sim, senhor.
corre, cão de caça, volta, cão de caça, Fidelidade
corre, cão chacal. volta, cão chacal. à minha farda,
Sim, senhor. Sim, senhor. sempre na guarda
Cão policial, Cão policial, do seu portão.
sempre estou sempre estou Fidelidade
às ordens, sim, senhor. às ordens, sim, senhor. à minha fome,
Bobby, Lulu, Bobby, Lulu, sempre mordomo e
Lulu, Bobby, Lulu, Bobby, cada vez mais cão.
Snoopy, Rocky, Snoopy, Rocky,
Rex, Rintintin. Rex, Rintintin.

JUMENTO — Acabou? Calma, companheiro, eu não sou teu patrão.


CÃO — Como, senhor? Vossa Excelência não quer ser meu patrão?
JUMENTO — Deixa disso, eu sou um pobre-coitado, sou um pau-de-arara.
CÃO — Sim, senhor, pau-de-arara, às ordens, em que posso servi-lo? Onde quer que o leve?
JUMENTO — Não me leve a lugar nenhum, rapaz. Eu vou à cidade. Vou procurar emprego como músico. Você também pode
vir. Dois animais cantando juntos acho que vai ser a maior sensação.

2 - Aparece a galinha.

GALINHA — Có, có, có, có, có, có. Três animais cantando juntos, acho que vai ser mais fantástico. Vocês me levam também?
JUMENTO — O quê? Uma galinha?
CÃO — Bom-dia, Vossa Galinência.
GALINHA — Có, có, como vão, companheiros?
JUMENTO — Já vi tudo, você também fugiu, né?
GALINHA — E como não?
JUMENTO — Por quê?
GALINHA — Não consigo mais botar ovos.

A galinha

Todo ovo bloqueada "Estás velha, te perdoo, na ronda,


que eu choco e agora, tu ficas na granja na crista
me toco de noite, em forma de canja." da onda.
de novo. só sonho Ah!!! Pois um bico a mais
Todo ovo gemada. É esse o meu troco só faz mais feliz
é a cara, A escassa produção por anos de choco a grande gaiola
é a clara alarma o patrão. dei-lhe uma bicada do meu país.
do vovô. As galinhas sérias e fugi, chocada.
Mas fiquei jamais tiram férias. Quero cantar

JUMENTO — Bom, já que você quer ser uma cantora, pode entrar no nosso conjunto; afinal, para uma galinha, até que você,
bem... é bem apanhada. Certo, cachorro?
CÃO — Apanhadíssima. Vossa Galinidade.
GALINHA — Obrigado, vamos lá então.
JUMENTO — Sabe o que eu digo a vocês? Começo a me sentir melhor, agora que somos três.

3 - Aparece a gata.

GATA — Qua qua quatro. Somos quatro.


CACHORRO — Epa, quem falou? Quem está aí?
GATA — Estou aqui na árvore. Sou uma gatinha.
CÃO — Au, au, au.
JUMENTO — Calma, cachorro, espere aí e não faça mais isso, entendeu?
CÃO — Sim, sim, senhor jumento.
JUMENTO — Primeira lição do dia: "O melhor amigo do bicho, é o bicho". E você, gata, desce da árvore.
GATA — Nãooooooooooo, depende do programa.
GALINHA — Nós vamos à cidade, vamos fazer um conjunto. Você também sabe cantar?
GATA — Ah! sim, infelizmente!
JUMENTO — Como? Infelizmente?
GATA — Porque fazer um som não foi nada joia para mim. Cantar uma música me custou muitíssimo.
JUMENTO, GALINHA, CÃO — Ah! Conta.

História de uma gata

Me alimentaram, quando à luz da lua por causa da cantoria.


me acariciaram, tantos gatos pela rua Mas agora o meu dia-a-dia
me aliciaram, é no meio da gataria
me acostumaram. toda a noite vão cantando assim: pela rua virando lata
O meu mundo era o apartamento. Nós, gatos, já nascemos pobres, eu sou mais eu, mais gata,
Detefon, almofada e trato, porém, já nascemos livres. numa louca serenata,
todo dia filé mignon Senhor, senhora, senhorio, que de noite sai cantando assim:
ou mesmo um bom filé... de gato. felino, não reconhecerás. Nós, gatos, já nascemos pobres,
Me diziam, todo momento: De manhã eu voltei pra casa, porém, já nascemos livres.
fique em casa, não tome vento. fui barrada na portaria, Senhor, senhora, senhorio,
Mas é duro ficar na sua sem filé e sem almofada, felino, não reconhecerás.
JUMENTO — Àquela altura da estrada, já éramos quatro amigos. Queríamos fazer um conjunto? Bem. Queríamos ir juntos
à cidade? Muito bem! Só que à medida que íamos caminhando, quando começamos a falar dessa cidade, fui percebendo
que os meus amigos tinham umas ideias muito esquisitas sobre o que é uma cidade. Umas ideias atrapalhadas, cada
ilusão, negócio de louco.

4 - A cidade ideal

CACHORRO: A cidade ideal dum cachorro tem GATA: A cidade ideal duma gata
um poste por metro quadrado. é um prato de tripa fresquinha.
Não tem carro, não corro, não Tem sardinha num bonde de lata,
morro, e também nunca fico tem alcatra no final da linha.
apertado.
JUMENTO: Jumento é velho, velho e sabido,
GALINHA: A cidade ideal da galinha tem as e por isso já está prevenido.
ruas cheias de minhocas a barriga A cidade é uma estranha senhora
fica tão quentinha que transforma que hoje sorri e amanhã te devora.
o milho em pipoca.
CRIANÇAS: Atenção que o jumento é sabido,
CRIANÇAS: Atenção porque nesta cidade é melhor ficar bem prevenido,
corre-se a toda velocidade e e olha, gata, que a tua pelica
atenção que o negócio está preto, vai virar uma bela cuíca.
restaurante assando galeto.
TODOS: Mas não, mas não,
TODOS: Mas não, mas não, o sonho é meu e eu sonho que
o sonho é meu e eu sonho que deve ter alamedas verdes,
deve ter alamedas verdes, a cidade a cidade dos meus amores.
dos meus amores. E, quem dera, os moradores
E, quem dera, os moradores e o e o prefeito e os varredores
prefeito e os varredores fossem e os pintores e os vendedores
somente crianças. fossem somente crianças.
Deve ter alamedas verdes, a cidade Deve ter alamedas verdes,
dos meus amores. a cidade dos meus amores.
E, quem dera, os moradores E, quem dera, os moradores
e o prefeito e os varredores e o prefeito e os varredores
e os pintores e os vendedores e os pintores e os vendedores,
fossem somente crianças. as senhoras e os senhores
e os guardas e os inspetores
fossem somente crianças.

JUMENTO — Então, vamos começar os ensaios?


CÃO — Sim, senhor maestro.
GALINHA — Vamos.
GATA — Falou, bicho.
JUMENTO — Ótimo, vocês conhecem as notas?
CACHORRO — Sim, senhor, conheço duas.
GALINHA — Eu conheço três.
GATA — Eu? Umas trinta e nove.
JUMENTO — Eh! Ainda bem que o burro aqui sou eu. Vamos ao trabalho, eu toco a escala e vocês cantam as notas, tá?
GALINHA — Dó, tem dó, quem viveu junto, não pode nunca viver só.
CACHORRO — Ré, reza uma prece, ave Maria...
GALINHA — Mi, milho verde, milho verde...
GATA — Fá, faró, faró, faró, faró, fá, fá, fá.
CACHORRO — Sol, ó sol, tu que és o rei dos astros.
GALINHA — Lá, lava roupa todo dia, que agonia.
GATA — Si, siiiiiiiiiiii...
JUMENTO — Tá certo, já entendi, vamos desistir.
GATA — Ah! Não, a gente tava só brincando.
JUMENTO — Brincando, brincando, isso aqui é música.
GALINHA — Ah! Vamos tentar de novo?
JUMENTO — Tá bem, repitam comigo, dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó.

5 - Minha canção

“Do”rme a cidade. “Do”ce a música


“Re”sta um coração “si”lenciosa,
“mi”sterioso, “la”rga o meu peito,
“fa”z uma ilusão, “sol”ta-se no espaço,
“sol”etra um verso, “fa”z-se certeza,
“la”rga melodia, “mi”nha canção.
“si”ngelamente, “Ré”stia de luz onde
“do”lorosamente. “do”rme o meu irmão.

6 - A Pousada do Bom Barão

TODOS: Vamos tratar uma hospedagem pra descansar e seguir viagem.


GATA: Olha que linda aquela pensão, se chama “Pousada do Bom Barão”.
JUMENTO: Pra mim, esse nome, não sei não.
GALINHA: Já 'tou por aqui de tanto barão.
GATA: Mas vamos, mas vamos, não custa tentar. É só pr'uma noite e depois se mudar.
CACHORRO: Ai, ai, ali tem uma placa que cheira a uma bruta urucubaca
TODOS: Proibida a entrada. Exijo gravata e dados pessoais. Proibido aos mendigos e aos [Link] {! {! {!
JUMENTO: Puxa, puxa, que desacato, eu, afinal, sou jumento ou rato?
CACHORRO: Poxa, poxa, que desrespeito, se duvidar, eu entro no peito.
GALINHA: Cacilda, cacilda, que bela tramoia, já 'tava pensando numa boa boia.
GATA: Que bode, que bode, mas isso é o fim, parece que todos 'tão contra mim.
CRIANÇAS: Tentem olhar ali pela janela, quem sabe não tem ninguém dentro dela, e se for assim, vocês podem entrar,
fazer uma boca e depois se arrancar.
JUMENTO: Puxa, puxa, o que é que estou vendo? Vivendo e aprendendo, vivendo e aprendendo. Tem quatro pessoas
naquele salão, e uma das quatro é o meu patrão.
CACHORRO: Poxa, poxa, vejam vocês, é o meu patrão já co'os outros três.
GATA: Que grilo, que grilo, não é uma boa, aquela coroa é a minha patroa.
GALINHA: Cacilda, cacilda, coisa de maluco, é o meu patrão que tá co'otrabuco.
CRIANÇAS: Caramba, caramba, como é que é, eu acho que é hora de dar no pé. Pra quem não quiser entrar de gaiato,
o melhor negócio é dormir no mato.
TODOS: Caramba, caramba, como é que é, eu acho que é hora de dar no pé. Pra quem não quiser entrar de gaiato, o
melhor negócio é dormir no mato.
JUMENTO: Porém, porém, já 'tou fulo da vida, ter toda razão e nenhuma comida.
CACHORRO: A minha barriga não se acostuma, a ter toda razão e comida nenhuma.
GALINHA: Porém, porém, já me sinto aflita, me sinto assada, acho que 'tou frita.
GATA: É já, é já, vamos sentar a pua, botar os safados no meio da rua.
TODOS: Quatro juntos, braços dados, damos o fora nesses safados, braços dados, juntos quatro, chutar os safados pra
fora do teatro, dados juntos, quatro braços, e esses safados já 'tão no bagaço. Quatro braços, dados juntos, e esses
safados vão virar presunto.

Música A batalha (Instrumental)

GATA — Mas eles fugiram.


CACHORRO — É mesmo.
TODOS — Vitória! Vitória! Vitória?
GATA — Mas como é que a gente conseguiu?
JUMENTO — Vocês estão vendo só? Nós expulsamos os barões!
GATA — E a casa é nossa. Onde é que tem almofada?
JUMENTO — Calma, calma, vamos procurar entender alguma coisa. Nós estávamos juntos, certo?
TODOS — Certo.
JUMENTO — Juntos entramos na casa.
TODOS — Sim.
JUMENTO — E juntos atacamos sem medo.
TODOS — Sim.
JUMENTO — Segunda lição do dia. "Um bicho só, é só um bicho, agora todos juntos..."
TODOS — Somos fortes.
Uma gata, o que é que tem?
— As unhas.
E a galinha, o que é que tem?
— O bico.
Dito assim, parece até ridículo um bichinho se assanhar.
E o jumento, o que é que tem?
— As patas.
E o cachorro, o que é que tem?
— Os dentes.
Ponha tudo junto e de repente vamos ver o que é que dá.
Junte um bico com dez unhas, quatro patas, trinta dentes e o valente dos valentes ainda vai te respeitar.
Todos juntos somos fortes, somos flecha e somos arco, todos nós no mesmo barco, não há nada pra temer.
— Ao meu lado há um amigo que é preciso proteger.
Todos juntos somos fortes, não há nada pra temer.
Uma gata, o que é que é?
— Esperta.
E o jumento, o que é que é?
— Paciente.
Não é grande coisa realmente pr'um bichinho se assanhar.
E o cachorro, o que é que é?
— Leal.
E a galinha, o que é que é?
— Teimosa.
Não parece mesmo grande coisa, vamos ver no que é que dá.
Esperteza, paciência, lealdade, teimosia, e mais dia, menos dia, a lei da selva vai mudar.
Todos juntos somos fortes, somos flecha e somos arco, todos nós no mesmo barco, não há nada pra temer.
— Ao meu lado há um amigo que é preciso proteger.
Todos juntos somos fortes não há nada pra temer.
... E no mundo dizem que são tantos saltimbancos como somos nós.
JUMENTO — Fomos dormir felizes e contentes. No dia seguinte decidimos que ir à cidade já não era mais tão importante.
A casa era bonita, cômoda, a horta cheia de coisas boas.
GATA --Eu? Detesto verduras...
JUMENTO — Gata, pra você tem a despensa... E depois, como músicos... bem, enfim, como músicos, não éramos lá
grande coisa. O problema é conseguir defender a casa.
GATA — Por quê? Eles vão voltar?
JUMENTO — Última lição do dia: "OS HOMENS VOLTAM SEMPRE". Lembrem-se disso, é preciso estar sempre de olhos
abertos.
CACHORRO — Então a gente vai se defender.
JUMENTO — Como?
GALINHA — Olha, eles estão aí, chegando.
JUMENTO — Venham cá, cada um no seu esconderijo.

Esconde-esconde

CRIANÇAS: Esconde-esconde, cabra cega, tá aqui? ou lá? Esconde-esconde, cabra cega. Vai sair uma refrega.
GATA: Venha, venha, quem me pega. 'Tou escondida aqui na adega, e assim que você chega, se você não para, vai
pensar
que tem uma bruxa que te arranha bem na cara. Tá esquentando, tá esfriando, cadê? cadê? Esconde-esconde, bicho-
papão!
Vai dar uma confusão.
CACHORRO: Vem chegando, meu barão, 'tou atrás do teu portão. Vais tomar uma lição, se te aproximares, vais pensar
que tem um diabo te mordendo os calcanhares.
CRIANÇAS: Tá escondido no curral, não vai ser muito legal, quem é? quem é? tá aqui? ou lá?
JUMENTO: Venha, venha, meu rival, 'tou escondido no curral, não vou ser muito legal. Se sair dos trilhos, vai pensar que
tem um fantasma que te chuta nos fundilhos.
GALINHA: Venha, venha co'o trabuco, 'tou escondida atrás do cuco, preparando uma arapuca. Se tu me cutuca, vai pensar
que tem um dragão dando bicada na tua cuca.
GATA: Vocês viram?
GALINHA: Co-co-como eles co-correm!
CACHORRO: Agora eles não voltam mais.
JUMENTO: Não!
TODOS: Vivaaaaaaaaa!
JUMENTO - E assim, caro amigo, vamos ficando por aqui. Não é preciso ir à cidade, se aqui na nossa casa estamos tão
bem. Além do mais, a gente não é muito exigente. O que é que a gente faz? A gente trabalha. Você, cachorro, o que é
que faz?
CACHORRO — Eu? Faço sentinela.
JUMENTO — E você galinha?
GALINHA — Eu? Arrumo a casa, faço uma comidinha...
JUMENTO — E eu? Eu pra variar trabalho feito um jumento, certo, há muito o que fazer. Preciso trabalhar pra valer.
Quanto à gata... bem, a gata, pra falar a verdade...
GATA — Miau, sou meio preguiçosa...
JUMENTO — Mas mantém a gente alegre, de noite ela se espicha na almofada e canta um bocado de coisa bonita pra
valer. Ela sim; virou realmente uma su... uma... su, como é mesmo?
GATA — Uma “superstar”

Bicharia

Au, au, au. Hi-ho, hi-ho. Quando o homem exagera


Miau, miau, miau. Cocorocó. bicho vira fera.
O animal é tão bacana, E ora vejam só.
mas também não é nenhum banana. Au, au, au. Cocorocó.
Au, au, au. Hi-ho, hi-ho. Puxa, jumento (só puxava).
Miau, miau, miau. Cocorocó. Choca, galinha (só chocava).
Quando a porca torce o rabo Rápido, cachorro, guarda a casa,
pode ser o diabo. corre e volta (só corria, só voltava).
E ora vejam só. Mas chega um dia (chega um dia)
Au, au, au. Cocorocó. que o bicho chia (bicho chia).
Era uma vez (e é ainda), Bota pra quebrar e eu quero ver
certo país (e é ainda), quem paga o pato,
onde os animais eram tratados pois vai ser um saco de gatos.
como bestas (são ainda, são ainda). Au, au, au. Hi-ho, hi-ho.
Tinha um barão (tem ainda), Miau, miau, miau. Cocorocó.
espertalhão (tem ainda), O animal é tão bacana,
nunca trabalhava e então achava mas também não é nenhum banana.
a vida linda (e acha ainda, e Au, au, au. Hi-ho, hi-ho.
acha ainda). Miau, miau, miau. Cocorocó.

Au, au, au. Hi-ho, hi-ho. Quando a porca torce o rabo


Miau, miau, miau. Cocorocó. pode ser o diabo.
O animal é paciente, E ora vejam só.
mas também não é nenhum demente. Au, au, au. Cocorocó.
Au, au, au. Hi-ho, hi-ho. Au, au, au. Cocorocó.
Miau, miau, miau. Cocorocó. Au, au, au. Cocorocó.

Chico Buarque. Francisco Buarque de Hollanda nasceu no Rio de janeiro, em 19 de julho de 1944, e mudou-se
com a família para São Paulo, com apenas dois anos. Foi um bom aluno, mas brilhava mesmo no palco e no campo de
futebol. No início de sua carreira era considerado apenas um rapaz tímido, com belos olhos verdes, que compunha lindas
canções de amor. O tempo mostrou a qualidade do seu trabalho com teatro — “Morte e vida severina, Roda-viva, Gota
d'água, Os saltimbancos, Calabar” —, com cinema e escrevendo romances. Mas seus maiores sucessos populares são
as músicas, onde, além de falar de amor, fala de liberdade e justiça.
1. Elenque os personagens principais do texto e indique quais alterações Chico Buarque de Hollanda
fez da obra Os músicos de Bremen: (peso 1,0)
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
2. Segundo o texto, e frisado pelo autor, a primeira lição do dia é “O melhor amigo do bicho é
___________________” (peso 0,5)

3. Ainda sobre as lições aprendidas, quais as outras duas observadas na história? (peso 0,5)
a) Um bicho só é só um bicho forte; o bem sempre vence.
b) Um bicho só, é só um bicho, agora todos juntos somos fortes; as crianças são sempre carinhosas.
c) Todos os bichos são fortes; os homens são sempre persistentes.
d) Um bicho só, é só um bicho, agora todos juntos somos fortes; os homens voltam sempre.

4. Leia os excertos abaixo e indique a que animal se refere cada um: (peso 1,0)
“É esse o meu troco “De manhã eu voltei pra casa,
por anos de choco fui barrada na portaria,
dei-lhe uma bicada sem filé e sem almofada,
e fugi, chocada. por causa da cantoria.”
Quero cantar _______________________________
na ronda, “Fidelidade
na crista à minha farda,
da onda.” sempre na guarda
_______________________________ do seu portão.
“O pão, a farinha, o feijão, carne seca, Fidelidade
limão, mexerica, mamão, melancia, à minha fome,
a areia, o cimento, o tijolo, a pedreira, sempre mordomo...”
quem é que carrega?” _______________________________
_______________________________
5. Na frase “Quando alguém não sabe fazer mais nada, nada mesmo, pode ser artista”, expresso pelo
jumento, pode ser classificada como: crítica, metáfora, hipérbole, eufemismo, ironia, elipse, zeugma,
comparação, metonímia ou antítese, porque ____________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________(peso 1,0)
6. Por que os animais resolveram fugir de casa? (peso 1,0)
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
7. Tão logo o início dos ensaios, porque o maestro jumento quis desistir do sonho de cantar? (peso 1,0)
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________

8. Quais eram as “armas/defesas” expressas no texto para cada animal? (peso 1,0)
Gata: ________________________ Jumento: ________________________
Galinha: ________________________ Cachorro: ________________________

9. Ainda sobre os animais, quais eram as características psicológicas? (peso 1,0)


Gata: ________________________ Jumento: ________________________
Galinha: ________________________ Cachorro: ________________________

10. Observe a música abaixo e responda:

A cidade ideal
CACHORRO: A cidade ideal dum cachorro Tem sardinha num bonde de lata,
tem um poste por metro quadrado. tem alcatra no final da linha.
Não tem carro, não corro, não morro, JUMENTO: Jumento é velho, velho e sabido,
e também nunca fico apertado. e por isso já está prevenido.
GALINHA: A cidade ideal da galinha A cidade é uma estranha senhora
tem as ruas cheias de minhocas que hoje sorri e amanhã te devora.
a barriga fica tão quentinha CRIANÇAS: Atenção que o jumento é sabido,
que transforma o milho em pipoca. é melhor ficar bem prevenido,
CRIANÇAS: Atenção porque nesta cidade e olha, gata, que a tua pelica
corre-se a toda velocidade e vai virar uma bela cuíca.
atenção que o negócio está preto, TODOS: Mas não, mas não,
restaurante assando galeto. o sonho é meu e eu sonho que
TODOS: Mas não, mas não, deve ter alamedas verdes,
o sonho é meu e eu sonho que a cidade dos meus amores.
deve ter alamedas verdes, E, quem dera, os moradores
a cidade dos meus amores. e o prefeito e os varredores
E, quem dera, os moradores e os pintores e os vendedores
e o prefeito e os varredores fossem somente crianças.
fossem somente crianças. Deve ter alamedas verdes,
Deve ter alamedas verdes, a cidade dos meus amores.
a cidade dos meus amores. E, quem dera, os moradores
E, quem dera, os moradores e o prefeito e os varredores
e o prefeito e os varredores e os pintores e os vendedores,
e os pintores e os vendedores as senhoras e os senhores
fossem somente crianças. e os guardas e os inspetores
GATA: A cidade ideal duma gata fossem somente crianças.
é um prato de tripa fresquinha.

a) Qual a associação que se faz ao jumento? (peso 0,5) ________________________________________

b) Essa associação, na visão posta pela canção, é positiva ou não? Por quê? (peso 0,5)
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________

c) Há a utilização de uma metáfora "A cidade é uma estranha senhora". Quais os sentidos dessa
relação? (peso 0,5)
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________

d) Na visão da bicharada, o sonho é que todos os habitantes fossem crianças, "E, quem dera, os
moradores e o prefeito e os varredores fossem somente crianças". Por que isso acontece? O que as
crianças têm ou são para que a bicharada deseje-as? (peso 0,5)
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
ANEXO
Textos para imprimir para os
alunos treinarem diálogos
Medo da Eternidade

Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.


Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco
deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu
tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.

Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:

- Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.

- Não acaba nunca, e pronto.

- Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas.
Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase
não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda
inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de
aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta.

- Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.

- E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.

- Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa
a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.

- Perder a eternidade? Nunca.

O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa,
encaminhávamo-nos para a escola.

- Acabou-se o docinho. E agora?

- Agora mastigue para sempre.

Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-
puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia
contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia
de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.

Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso,
eu mastigava obedientemente, sem parar.

Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair
no chão de areia.

- Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingidos espanto e tristeza. - Agora não posso mastigar
mais! A bala acabou!

- Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de
noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não
fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.

Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara
dizendo que o chicle caíra na boca por acaso.
Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.
Clarice Lispector
Promessas de casamento

CENÁRIO: Uma Igreja

Abrem–se as cortinas, no palco, ao centro, um padre, em um dos cantos, o noivo (ansioso). Toca a
marcha nupcial. A noiva entra com um vestido branco. Caminha em direção ao noivo. Os dois se
colocam em frente ao padre.

Padre – Queridos irmãos, estamos aqui reunidos pela vontade de Deus, para realizarmos o enlace
matrimonial deste jovem casal: Giovanna e Gustavo. Agora, pergunto a você, Giovanna e a você,
Gustavo, vocês prometem ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, se amando e se
respeitando até que a morte os separe?

Giovanna – Não!

Gustavo – Giovanna!?

Padre – Minha filha!

Giovanna – Escuta aqui, seu padre! Essa conversa tá muito démodé! É sempre o mesmo discurso. O
mesmo texto batido de todo casamento! Comigo. Não! No meu casamento eu quero outra coisa!

Gustavo – Que isso, Giovanna?

Padre – Mas, minha filha!

Giovanna – Agora, seu padre, você faça o favor de prestar atenção:

Gustavo – Você bebeu, Giovanna?

Padre – Olha aqui, minha filha: vamos andar logo com isso que ainda tenho mais três casamentos
depois do seu.

Giovanna – Agora, Gustavo, repete comigo: Prometo não deixar a paixão fazer de mim uma pessoa
controladora, e sim respeitar a individualidade da minha amada, lembrando sempre que ela não me
pertence e que está ao meu lado por livre e espontânea vontade.

Gustavo – O que está acontecendo com você, Giovanna?

Giovanna – Vai, seu padre, pode anotar tudinho aí.

O PADRE SE SERVE DE VINHO E BEBE NUM GOLE SÓ.

Giovanna – Prometo saber ser amigo e ser amante, sabendo exatamente quando devo entrar em cena
sem que isso me transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica.

Gustavo – Não acredito. Você deve ter bebido alguma coisa, Giovana!

Padre – Meu, filho, você quer fazer o favor de controlar a sua noiva?

GUSTAVO SACODE GIOVANNA.


Padre – Sem violência, meu filho!

Giovanna – Prometo sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela
pelo simples fato dela ser a pessoa que melhor conhece você e, portanto, a mais bem preparada para
lhe ajudar, assim como você a ela. Promete se deixar conhecer.

GUSTAVO SOLTA GIOVANNA.

Gustavo – Tudo bem, Giovanna, se você quer assim, vamos fazer assim, não é seu Padre?

Padre – Eu só quero que isso acabe logo, senão, eu dou um jeito de acabar com isso.

Giovanna – Então, repete comigo, Gustavo: Promete fazer da passagem dos anos uma via de
amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se
concretizar?

Gustavo – Prometo!

Giovanna – Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a
rotina como desculpa para sua falta de humor?

Gustavo – Prometo!

Giovanna – Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque
é o que esperam de você? E que os educará para serem independentes e bem informados sobre a
realidade que os aguarda?

Gustavo – Prometo!

Padre – Será que eu posso continuar?

Giovanna – Está acabando, seu padre. Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só
para arrancar risadas dos outros?

Gustavo – Agora tá bom, Giovanna! Já deu!

Padre – Então, como eu ia dizendo…

Giovanna – Calma, seu padre! Tem mais uma: Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a
mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo
sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum
elimina?

Gustavo – Prometo!

Giovanna – Promete que será o mesmo que era minutos antes de entrar na igreja?

Gustavo – Prometo tudo que você quiser, Giovanna. Agora deixa o padre terminar que eu to fritando
dentro desta roupa.

Giovanna – Então, agora pode finalizar, seu padre!

Padre – Eu os declaro, marido e mulher. Pode beijar a noiva, meu filho, antes que ela comece de
novo.

GUSTAVO BEIJA GIOVANNA.


O ATAQUE ALIENÍGENA

CENÁRIO: UMA PRAÇA


SENTADO EM UM BANCO, UM HOMEM MEXE EM UM CELULAR. ENTRAM EM CENA DOIS
MARCIANOS, PORTANDO UMA ARMA ESQUISITA. UM DE CADA LADO.
Marciano1 – Não se mexa!
Marciano2 – Se você se mexer, vou congelar você!
O HOMEM SE LEVANTA DO BANCO
Homem – Calma aí, rapaziada! Sem violência!
Marciano1 – Largue essa arma!
Homem – Pô, chefia, não é arma, não! Acabe de pegá essa parada agora. Não é de última geração.
Tava tentando desbloquear. Mas pega aí!
Marciano 2 – Não faça nenhum movimento!
O HOMEM SE SENTA NO BANCO. OS MARCIANOS SE APROXIMAM. UM DE CADA LADO.
Homem – Fantasia da hora, hein?
Marciano1 – Não estamos fantasiados.
Marciano2 – Nós somos marcianos e vamos conquistar esse lugar.
Marciano 1 – Me leve até o seu líder!
Marciano 2 – Vamos! Ande logo!
Homem – Olha só, rapaziada, eu não tenho essa parada de líder, não! Eu trabalho por conta
própria mesmo!
Marciano 1 – Como você não tem um líder?
O HOMEM SE LEVANTA DO BANCO.
Homem – Ó, até fiz parte de uma quadrilha aí, mas o chefe caiu em cana e a rapaziada se
separou. Sabe como é, né, chefia? A gente tem que garantir o leitinho das crianças.
Marciano 2 – (PARA MARCIANO 1) Acho que ele não está entendendo o que estamos falando.
Marciano1 – Mas aprendemos tudo!
Marciano2 – De repente eles falam algum dialeto que não aprendemos.
Marciano 1 – Você está entendendo?
Homem – Total, rapaziada! Vocês são os marcianos, pá! Querem conquistar, pá!…
OS MARCIANOS APONTAM AS ARMAS PARA O HOMEM.
Marciano 1 – Então nos leve até o seu líder!
Marciano 2 – Vamos! Não temos o dia todo!
Homem – Então, rapaziada, não vou poder ajudar vocês. Já falei que não tenho mais essa
parada de líder, não!
O MARCIANO 1 AMEAÇA ATIRAR.
Homem – Calma aí, chefia! Sem violência! Sem violência!
Marciano 2 – Queremos falar com o seu líder agora!
Homem – O Zarolha tá preso… Deixa eu vê como posso ajudar vocês…
O HOMEM SE SENTA NO BANCO. OS MARCIANOS CONVERSAM ENTRE SI.
Marciano 1 – Não é possível que este lugar não tenha um líder.
Marciano 2 – Mas nós vimos que cada país neste planeta, tem um líder.
Marciano 1 – Como é que eles chamam o líder deles aqui, mesmo?
Marciano 2 – Acho que é… Sem dentes!
Marciano 1 – Não! É… Ao dente!
O HOMEM SE LEVANTA.
Marciano2 – Escrevente!
Homem – Olha aqui, rapaziada!
Marciano 1 – Presidente!
Marciano 2 – Isso mesmo! Presidente!
Homem – Ô, seu dois esquisitos, dá pra olhá pra mim?
Marciano 1 – Nos leve agora até o seu líder Presidente!
Homem – Presidente?
Marciano 2 – Isso! O presidente deste país!
Marciano 1 – Ele não é seu líder?
Homem – Ih, rapaziada isso eu não sei, viu?
Marciano 1 – Como não sabe?
Marciano 2 – Ele não é seu líder?
Homem – Rapaziada, aqui tá uma confusão danada, viu? Tem gente que acha que é, mas a
maioria acha que não é. Tem gente que fala que tem uma história de golpe na parada. Não sei, não!
Aí é com vocês, mano!
Marciano 1 – (PARA MARCIANO 2) Que maravilha!
Marciano2 – Então vai ser mais fácil que a gente achava.
Marciano1 – Vamos dominar esse país!
Marciano2 – Esse país agora é nosso!
Homem – Ih, mano, chegaram atrasados, rapaziada! Os americano já domina aqui! Ó, e um tempão,
viu?
Marciano1 – Quem são esses americanos.
Marciano2 – De que planeta?
Homem – Ih, eles moram lá nos Estaites!
Marciano2 – Estaites?
Homem – Outro país!
Marciano1 – E quer dizer que eles já invadiram esse país?
Homem – Ih, rapaziada, eles dominam quase o mundo todo.
Marciano2 – Dominam o mundo?
Homem – Os cara são poderoso! Mexeu com eles, eles logo faz guerra.
OS DOIS MARCIANOS SE SENTAM NO BANCO E LARGAM SUAS ARMAS.
OS MARCIANOS CONVERSAM ENTRE SI.
Marciano1 – O que você acha?
Marciano2 – Acho que esse país aqui não vale nada.
Marciano1 – Então, vamos atacar os americanos?
Marciano2 – Vamos atacar os americanos!
O HOMEM VAI POR TRÁS DO BANCO E PEGA AS ARMAS DOS MARCIANOS.
Homem – Perdeu, rapaziada! Quietinho senão eu atiro!
OS DOIS MARCIANOS SE LEVANTAM DO BANCO.
Marciano1 – Cuidado com isso, rapaz!
Marciano2 – Você não sabe usar isso!
Homem – Vamô Pará de caô e me leva logo até o líder de vocês.
OS TRÊS VÃO SAINDO DE CENA COM O HOMEM APONTANDO AS ARMAR PARA OS
MARCIANOS.
Homem – Agora quero vê quem não vai me respeitá! Vou roubá agora noutro planeta! Ah,
moleque!… Andando!… Andando!…
OS TRÊS SAEM DE CENA. FECHAM-SE AS CORTINAS.
E O AMANHÃ?!

CENÁRIO: ESCOMBROS DE UM PRÉDIO.


AO ABRIR AS CORTINAS, UMA MULHER GRÁVIDA TEM A PERNA PRESA POR PARTES DOS
ESCOMBROS.
Mulher – Alguém ajuda, por favor! Eu não pedi essa guerra!!… Eu vou sair daqui!
A MULHER TENTA SE LIVRAR DOS ESCOMBROS.
Mulher – Ajude, meu Deus! Eu não estou aguentando mais! Preciso salvar essa minha criança.
Ela é a única coisa que me sobrou depois de tudo. Socorro!… Socorro!… Tem alguém por aí?…
Socorro!… (ELA PRA. ESTÁ EXAUSTA) Fome!… Sede!… Medo!…
A MULHER DESMAIA. ENTRA UM HOMEM BASTANTE FERIDO.
Homem – Tem alguém ali embaixo.
O HOMEM, COM DIFICULDADES, CHEGA ATÉ OS ESCOMBROS.
Homem – Moça!… Moça!…
O HOMEM MOLHA A MÃO COM SUA SALIVA E PASSA NA BOCA DA MULHER, QUE PASSA A
LÍNGUA SOBRE SEUS LÁBIOS.
Homem – Moça, você está bem?
A MULHER ABRE OS OLHOS.
Mulher – Não me mate!
Homem – Não vou lhe matar!
Mulher – Eu não tenho culpa da guerra.
Homem – Eu também não!
Mulher – Eu preciso salvar meu filho!
Homem – Cadê seu filho?
Mulher – Tá aqui comigo!
Homem – Minha nossa! Você tá grávida!
Mulher – Socorro, moço, socorro!
Homem – Vou te ajudar a sair daí.
Mulher – Fome!… Sede!…
Homem – Fica calma! Vou tentar tirar isso de cima de você.
O HOMEM, COM DIFICULDADE, CONSEGUE TIRAR UM PEDAÇO DOS ESCOMBROS QUE
ESTAVAM PRENDENDO A PERNA DA MULHER.
Homem – Deixa eu te ajudar a levantar.
Mulher – Eu não consigo! Estou muito fraca. Minha barriga está doendo muito!
Homem – De quanto tempo você tá?
Mulher – Três meses!
Homem – Quanto tempo você tá aqui?
Mulher – Não sei, moço!
Homem – Você tá muito fraca!
Mulher – Moço, tô com fome!… Tô com sede!…
Homem – Aqui não tem comida, a água que estava escorrendo pelas fendas, secou… Eu tô há
dias procurando uma saída.
O HOMEM TIRA DO BOLSO UM PEDAÇO DE PÃO E DÁ PRA MULHER, QUE COME
DESESPERADA.
Mulher – O que vai ser de nós, moço? O que vai ser?
Homem – Fique calma!
A MULHER TENTA SE LEVANTAR, MAS CAI.
Homem – Não faz isso, moça! Seu bebê!
A MULHER SE ESTIRA NO CHÃO.
Mulher – Socorro! Socorro! Eu quero sair daqui!
Homem – Olha só, moça! Atrás de onde estava você tem uma luz! Pode ser a saída!
O HOMEM COMEÇA A TIRAR OS ESCOMBROS COM DIFICULDADES. A MULHER, DE JOELHOS,
TENTA AJUDÁ-LO.
Homem – Não faça esforço! Deixa que eu consigo!
Mulher – É pela liberdade do meu filho!
Homem – Mas você está fraca!
Mulher – Você também!
Homem – Mas eu sou homem!
Mulher – E eu sou mulher!
Homem – Eu só quero te proteger!
Mulher – Eu só quero salvar meu filho!
NA MEDIDA EM QUE VÃO SE POSICIONANDO, VÃO RETIRANDO OS ESCOMBROS.
Homem – É por isso mesmo!
Mulher – Eu quero ajudar!
Homem – Você acha que guenta?
Mulher – Nem que seja a última coisa que eu faça!
Homem – Você tem coragem!
Mulher – Você também!
Homem – A gente vai conseguir!
Mulher – Tenho certeza que sim!
DIANTE DELES SURGE UM GRANDE CLARÃO.
Mulher – Conseguimos! Obrigado, meu Deus!
Homem – Eu não acredito!
OS DOIS SE ABRAÇAM E VÃO DESCENDO, ABRAÇAÇADOS. FAZEM CARINHO NO ROSTO, UM
NO OUTRO.
Mulher – Você salvou a vida do meu filho!
Homem – A gente se salvou!
Mulher – Não sei de onde tirei tanta força!
Homem – A gente só sabe a força que tem quando precisa dela.
Mulher – Você foi forte!
Homem – Nós fomos!
Mulher – Maldita guerra!
Homem – Malditos os homens que se preocupam em fazer a guerra!
Os Dois – Malditos!
OS DOIS SE ENCARAM, OLHO NO OLHO. A MULHER SE DEITA SOBRE O COLO DO HOMEM.
SEGURA A BARRIGA.
Homem – Que foi?
Mulher – Dor… Muita dor!
Homem – Preciso te levar prum hospital.
Mulher – Não sei se ainda vou resistir!
Homem – Claro que vai!
Mulher – Meu filho não vai resistir!
Homem – Guenta! Você foi forte até agora.
Mulher – Meu filho não vai resistir!
Homem – Então espera que eu vou buscar ajuda!
Mulher – Obrigado por me ajudar a sair.
Homem – Guenta firme!
O HOMEM DEITA A MULHER SOBRE O CHÃO E SE LEVANTA.
Mulher – Não precisa mais, moço!
Homem – Agora, mais do que nunca!
Mulher – Meu filho não resistiu!
A MULHER TEM A ROUPA MANCHADA DE SANGUE. O HOMEM SE COLOCA NO CHÃO E
COLOCA A MULHER SOBRE O SEU COLO.
Mulher – (CHORANDO) E agora, moço? Como vai ser meu amanhã?
Homem – O amanhã é sempre uma nova história!
O HOMEM FAZ CARINHO NOS CABELOS DA MULHER. A LUZ CAI EM RESISTÊNCIA. SONS DE
SIRENES E SONS DE BOMBAS SE INTERCALAM.

A ACAREAÇÃO

CENÁRIO: SALA DE AUDIÊNCIA.

NA CABECEIRA DA MESA, O JUIZ; DE UM LADO, APENAS UMA MULHER DO OUTRO, UM


HOMEM E UMA MULHER.
Juiz – Estamos aqui para darmos andamento ao processo de acareação entre os réus e esclarecer
às divergências apuradas durante todo o processo de investigação sobre o desvio de verbas em
operações com o governo federal, bem como o envio de remessa de dinheiro irregularmente para o
exterior. Dona Maria das Dores, no seu depoimento, a senhora afirmou não saber de nada. O que
mais a senhora tem a dizer?
Maria – Olha, senhor juiz, eu não sei nem porque eu to aqui, visse? Eu moro na Favela da Formiga
da Bunda Grande, tenho seis filhos e trabalhava de empregada doméstica na casa do Seu Pedro e da
Dona Helena há cinco anos até que…
O HOMEM SE LEVANTA.
Homem – Protesto, Meritíssimo!!
A MULHER SE LEVANTA.
Mulher – Não conhecemos essa mulher!
Maria – Vixe! Como não? Ô, seu Pedro! Ô, dona Helena!… Sou eu, a Maria!
Juiz – Os dois se manifestem apenas quando forem perguntados.
Homem – Perdão, Meritíssimo!
OS DOIS SENTAM.
Maria – Mas, seu juiz, eu trabalhava pra eles!
Juiz – Prossiga.
Maria – Cês não lembra, não? Trabalhei até a polícia chegar e levar nós tudo! Foi assim, seu juiz: De
repente a polícia baixou na casa deles, levo tudo, computador e até eu. Seu Pedro e dona Helena, se
trancaram no quartinho dos fundos da casa e pediram pr’eu dizer que eles num tavam. Mas a polícia
arrevirou tudo e acabou achando os dois escondidos. Aí, nós tudo fomos parar na delegacia. Cês
alembram agora?
O HOMEM SE LEVANTA DE NOVO.
Juiz – Queira se sentar?
O HOMEM SENTA.
Juiz – Isso nós já sabemos, dona Maria. Precisamos de outros detalhes. E a empresa? A empresa
que está em seu nome é de quem? A senhora assinou esses documentos? Ou falsificaram sua
assinatura?
Maria – Olha só, seu juiz: O negócio da firma foi o seguinte: Um dia, seu Pedro chegou em casa mais
cedo… Dona Helena tinha ido pra casa de praia com as crianças. Seu Pedro chegou, começou a me
acariciar… Eu até tentei escapar, mas vou dizê um negócio pro senhor, seu juiz. Sempre achei seu
Pedro um tesão!
A MULHER SE LEVANTA.
Mulher – Pedro Henrique!
Homem – Tudo mentira, Helena!
Juiz – A senhora queira se sentar, por favor?
Homem – Senta, Helena.
A MULHER SENTA.
Juiz – Prossiga, Dona Maria.
Maria – Eu não resiste, doutô! Ele me deu champanha, me beijou todinha me levou pra cama e creu!
Aì que delícia!
Juiz – Sem muitos detalhes, dona Maria.
O HOMEM SE LEVANTA.
Homem – Isso é mentira, Meritíssimo!
Juiz – Sente!
Maria – É verdade, doutô! Seu Pedro me deu um suador de louco! Aí, seu juiz, depois daquilo, se ele
me pedisse para morrê, eu me matava. Foi assim que assinei toda aquela papelada que ele jogou na
cama.
Homem – É mentira! É mentira!
A MULHER SE LEVANTA E DÁ UM TAPA NO ROSTO DO HOMEM.
Mulher – Seu safado! Eu mato você!
Homem – Olha aí, Meritíssimo, ela está me ameaçando.
Juiz – Os dois, sentados. Agora!
OS DOIS SENTAM.
Juiz – Então a senhora sabia da empresa?
Maria – Não, seu juiz. Eu só assinei aqueles papéis. Nem sabia pra quê que era! Nem o que era.
Mulher – (PARA O MARIDO) Você me paga, Pedro Henrique!
Homem – (PARA A MULHER) Essa mulher ta maluca, Helena!
Juiz – Sem conversas paralelas. Pois, bem Dona Maria. A senhora nunca movimentou a empresa,
certo? E as contas nos bancos?
Maria – Ih, seu juiz, não tenho conta no banco, não. Seu Pedro e Dona Helena sempre me pagaram
em dinheiro vivo.
Juiz – E os dólares?
Maria – Dona Helena escondia no cofre.
A MULHER SE LEVANTA.
Mulher – Mentira, Meritíssimo!
Juiz – Sente!
A MULHER SENTA.
Maria – De vez em quando ela pegava um pouquinho no cofre pra pagar os meninos que iam deitar
com ela. Eu sempre achei uma injustiça com o seu Pedro. Tão bonito! Por que dona Helena passava
as tardes com uns meninos no quarto? Eram uns três por tarde.
O HOMEM SE LEVANTA E ARRANCA A MULHER DA CADEIRA.
Homem – Sua vagabunda!!
O HOMEM LHE DÁ UM TAPA E A EMPURRA NO CHÃO.
Mulher – Seu corno!
Homem – Sua vaca!
A MARIA SE LEVANTA.
Maria – Eita! Como eles se amam!
Juiz – Parem com isso. Os dois se comportem!
Maria – Se amavam tanto!!
OS DOIS SE XINGAM. O JUIZ SE LEVANTA, PEGA OS DOIS PELOS BRAÇOS E OS LEVA PARA
FORA.
Juiz – Guarda! Pode recolher esses dois!
O JUIZ VOLTA E SE SENTA EM SEU LUGAR.
Juiz – Bem, Dona Maria das Dores, suas informações foram muito importante e deixou tudo muito
claro. Diante de tudo que presenciei e do que a senhora relatou nessa sala, posso afirmar que a
senhora é inocente e foi usada por aqueles dois malfeitores, que fizeram uso de sua confiança para
dar golpes. Vou expedir imediatamente o seu alvará de soltura. A senhora está livre.
Maria – Aff!! Graças a Deus! Posso ir mesmo, senhor juiz?
Juiz – Claro que sim!
Maria – Posso fazer uma ligação?
Juiz – Não se demore!
O JUIZ ARRUMA OS SEUS PAPÉIS E SAI DE CENA. MARIA PEGA O CELULAR.
Maria – ((ENQUANTO SAI) Zé, tudo resolvido! Acabei com aqueles dois safados que queriam passar
a perna em nós! Agora é tudo nosso! Pode arrumá as malas que amanhã nos ta é na Suíça! Beijos.

APAGUAM-SE AS LUZES. FECHAM-SE AS CORTINAS.

AMOR DE POLÍTICO

CENÁRIO: UM QUARTO
EM CENA UMA MULHER ESTÁ DEITADA NA CAMA DE CASAL DE CAMISOLA. ENTRA O HOMEM
DE TERNO. VAI SE DESPINDO.
Mulher – Boa noite, Agenor!
Homem – Boa noite, meu amor!
Mulher – Preciso conversar com você.
Homem – Se for problemas, nem me venha!
Mulher – É importante!
Homem – Hoje a coisa ferveu lá na Câmara. Prenderam o Aderbal, não demora muito vão chegar
em mim.
Mulher – Eu preciso te contar uma coisa.
Homem – É, minha querida, o cerco está se fechando!
Mulher – Você precisa saber por mim!
O HOMEM FICA SÓ DE CUECA E CAMISETA, SE DEITA AO LADO DA MULHER.
Homem – Não está fácil ser Deputado, viu?
Mulher – Eu te trai!
SILÊNCIO
Mulher – Agora você pode me ouvir?
Homem – Você não está falando sério, está?
Mulher – Estou!
Homem – Puta que o pariu…
O HOMEM SE LEVANTA DA CAMA.
Homem – Quem é o canalha?
A MULHER SE LEVANTA.
Mulher – Sabe aquele Deputado?
Homem – Mas Deputado não presta mesmo! Que Deputado?
Mulher – Aquele da oposição.
Homem – Da oposição?
Mulher – Aquele bonitão, de cabelos grisalhos, saradão!
Homem – Ô, Dolores, você acha que fico reparando em homem?
Mulher – Aquele Deputado que vive metendo o pau em ti! Então, ele meteu o pau em mim!
Homem – Não acredito.
Mulher – Aconteceu.
Homem – Assim você me derruba. E você cobrou algum?
Mulher – Como assim?
Homem – Faz a sacanagem e nem pra levar uma grana do cara?
Mulher – Eu não sou prostituta!
Homem – Não é mesmo! Porque se fosse teria levado uma grana. Você não tem idéia da grana
que essas mulheres ganham desses Deputados por aí!.
Mulher – Não estou acreditando, Agenor.
Homem – Você sabe que a coisa está toda complicada lá em Brasília, não rola nem mais uma
comissãozinha de um contratinho… Você tem a chance de faturar um pixulé e dá pro cara de graça?
Como que vai ficar minha cara?
Mulher – Como ia adivinhar que você não ia ligar?
Homem – Quem disse que eu não ia ligar?
Mulher – Você acabou de falar.
Homem – Era uma compensação pelo chifre, né, Dolores?
Mulher – Eu que foi no impulso!
Homem – E como é que eu fico agora?
Mulher – Desculpa, meu amor! Eu to muito arrependida. Não Sei onde eu estava com a cabeça.E
olha que aquele Deputado nem é nada disso!
Homem – Tá certo, Dolores, tá certo!
Mulher – E quer saber? Ele nem é nada disso que a mulherada fala, viu?
Homem – Tudo bem, passou! Deixa que amanhã eu vou dor um jeito de consertar isso.
Mulher – Não vai fazer nenhuma besteira.
Homem – Você tentar cobrar o que é meu.
Mulher – Então você me perdoa?
Homem – Não devia! Não devia! Você foi muito amadora, não gosto disso! Aqui em Brasília nada
é de graça, nada!
O HOMEM DA BITOCA NA MULHER E SE DEITA NA CAMA.
Homem – Agora deixa eu dormir que amanhã o dia vai ser bem difícil.
A MULHER SE DEITA E FAZ UM CARINHO NO HOMEM.
Mulher – Eu te amo, viu? Deputado Garanhão!!
Homem – Para com isso, Dolores!
Mulher – Você me perdoou mesmo?
Homem – Te perdoei, Dolores! Já não disse?
Mulher – Nenhuma raivinha?
Homem – Deixa eu dormir, Dolores!
O HOMEM VIRA DE COSTAS PARA MULHER.
Mulher – Olha aí, você ainda está zangado comigo sim!
Homem – Amanhã isso passa! Mas vê se dá próxima vez cobra um pixulé! Depois não quero
saber de ninguém reclamando pra mim que acabou o caviar hein?

O HOMEM APAGA A LUZ DO ABAJUR.


O ATIVISTA

CENÁRIO: UMA CONFEITARIA


EM CENA, UM BALCONISTA ESTÁ ATRÁS DE UMA VITRINE DE DOCES. ENTRA UM HOMEM.
Homem – Bom dia,
Balconista – Bom dia! O que o senhor deseja?
Homem – Estou procurando um doce…
Balconista – Fique à vontade!
ENTRA UM OUTRO HOMEM.
Homen1 – E aí, Neguinho?
Balconista – Fala, Cabeça! Que vai ser hoje?
O HOMEM 1 OLHA A VITRINE.
Homem1 – Cadê a Nega Maluca?
Balconista – Foi atrás do príncipe na Floresta Negra!
Homem1 – Tu é fogo, hein, neguinho?
O HOMEM SÓ OBSERVA OS DOIS.
Homem1 – Sabe aquele diamante negro?
Balconista – Que aconteceu com ele?
Homem1 – Se perdeu nas Tetas de Nêga!
Balconista – Essa foi boa, cabeça!
OS DOIS SE CUMPRIMENTAM COM A MÃO SOBRE A VITRINE.
Homem – Mas, que absurdo!
Balconista – Oi? Perdão, senhor, não ouvi. O senhor já escolheu?
Homem – O que eu ouvi aqui, agora, é um absurdo!
Homem1 – Apenas uma brincadeira!
Balconista – Ih, meu senhor, isso é todo dia!
Homem – É por causa desse comportamento racista, que nunca acabaremos com o racismo.
Balconista – É apenas uma brincadeira nossa!
Homem – Piada com o nome dos doces!
Homem1 – Piada com uma raça!
Homem – Nada disso, meu senhor!
Homem1 – É sempre essa desculpa de brincadeira, mas, no fundo mesmo, é puro racismo. Um
desrespeito ao povo que sofreu com a escravidão e até hoje é subjugado com sub-raça.
Balconista – Que isso, meu senhor! Não precisa se estressar desse jeito.
Homem – A gente vai deixando pra lá e a humilhação não para. De piadinha em piadinha vou
denegrindo o negro, o homossexual, o pobre, o feio…
Homem1 – Eu é que não to acreditando no quê estou ouvindo!
Balconista – Vamos deixar isso pra lá! Foi um piada, pronto, acabou!
O HOMEM SE AFASTA, VAI ATÉ O PROSCÊNIO, COMO SE ESTIVESSE UM UMA DAS PORTAS
DA CONFEITARIA.
Homem – (GRITANDO) Mas pra mim não acabou, não! Eu não posso ficar calado diante do que
ouvi aqui!
O HOMEM1 SE APROXIMA DO HOMEM.
Homem1 – Calma, meu senhor! Não aconteceu nada pra tudo isso!
Homem – É porque não é sobre a cor da sua pele.
Homem1 – E o que eu senhor sabe da cor da minha pele?
Homem – Que ela é branca.
O BALCONISTA SAI DE TRÁS DA VITRINE.
Balconista – Mas eu sou neguinho.
Homem – Uma pena que você se ache apenas um neguinho! É lamentável ver nossos irmãos
de cor dando armas para o nosso inimigo!
Homem1 – Quem é inimigo aqui? Eu sou teu inimigo, neguinho?
Balconista – Claro que não!
Homem – Não fico nenhum mais um minuto neste lugar.
Balconista – Calma, aí, meu irmão! Não precisa disso!.
Homem1 – Deixa ele, neguinho.
O HOMEM SAI PELA FRENTE DO PALCO, GRITANDO.
Homem – Abaixo ao racismo! Abaixo ao racismo.
O BALCONISTA VAI PARA TRÁS DA VITRINE. ENTRA UMA MULHER NEGRA, OBSERVA A
VITRINE.
Balconista – Tu viu isso, cabeça?
Homem1 – É cada uma que a gente vê!
Balconista – Então, o quê vai ser?
Homem1 – Pra não arrumar mais confusão por hoje, vu querer um pedaço daquele bolo
afrodescendente ali!
Mulher – (PARA O BALCONISTA) É Nêga maluca?
Balconista – É sim!
Mulher – O senhor aproveita e vê um pedaço pra mim também? Ah, é um cafézinho preto, por
favor!
O HOMEM1 E O BALCONISTA SE OLHAM E RIEM.
Mulher – Falei alguma coisa diferente?
Balconista – Não! Não foi nada!
Homem1 – Não! (PARA MULHER) Bom café! Até amanhã, Neguinho!
Balconista – Até amanhã, Cabeça!

O HOMEM1 SAI. O BALCONISTA SERVE A MULHER.

Saúde é só um detalhe

CENÁRIO: RECEPÇÃO DE UM HOSPITAL

UM HOMEM ENTRA CARREGADO PELA MULHER, GRITA DE DORES. SUA MULHER SE


APROXIMA DO BALCÃO DE ATENDIMENTO. O HOMEM SE SENTA EM UMA DAS CADEIRAS DA
RECEPÇÃO.

MULHER – Moça, por favor, meu marido está morrendo de dor!

A RECEPCIONISTA, GORDA, ÓCULOS, COM COQUE NO CABELO, ESTÁ COSTAS PARA


PLATEIA, FALA AO TELEFONE.

RECEPCIONISTA – Mas, menina, nem te falo. Sabe aquele cara do pagode? É, aquele loiro, forte, de
olhos azuis, com uma tatuagem no braço. Saiu de mãos dadas com o neguinho do cavaquinho! Fiquei
de boca aberta! E você passou a noite toda babando pelo bofe, hein?

MULHER – (BATENDO NO BALCÃO NERVOSA) Ei, mocinha, Dá pra mocinha desligar o telefone e
me atender?
O HOMEM GEME. A RECEPCIONISTA SE VIRA E FAZ UM SINAL COM A MÃO PARA A MULHER
ESPERAR, E SE VIRA DE NOVO.

MULHER – (MAIS NERVOSA AINDA) Moça, o meu marido está morrendo!

RECEPCIONISTA – Não é mentira, te juro! Pena que você já tinha saído. Saíram na maior
naturalidade. O pessoal disse que eles namoram já faz um tempão!

MULHER – (GRITANDO) Você quer me atender agora! O meu marido morrendo e você fazendo fofoca
no telefone!

RECEPCIONISTA – (AO TELEFONE) Vou ter que desligar. Depois a gente se fala! É… chegou mais
um aqui que diz estar morrendo! Duvido que tenha o nosso plano de saúde! Eu já te ligo. Beijos!

A RECEPCIONISTA DESLIGA O TELEFONE E SE DIRIGE A MULHER.

RECEPCIONISTA – Documento do paciente e carteira do nosso convênio.

A MULHER VAI ATÉ O HOMEM.

MULHER – Tua identidade e a carteirinha do convênio.

O HOMEM COM DIFICULDADES, TIRA DO BOLSO DA CAMISA OS DOCU-MENTOS. ELE GEME.


A MULHER PEGA OS DOCUMENTOS.

MULHER – (ENTREGANDO OS DOCUMENTOS) Olha, moça! Tudo aqui.

RECEPCIONISTA – (BALANÇANDO A CABEÇA NEGATIVAMENTE) Nós não aceitamos esse


convênio. Só o nosso!

MULHER – Mas, a gente não tem o convênio de vocês, não, moça!

RECEPCIONISTA – Então não posso fazer nada, minha senhora! O nosso hospital só atende com o
nosso plano de saúde. A sua nunca viu a propaganda? Saudmed: Sua saúde é só um detalhe!

MULHER – Mas o meu marido está quase morrendo. A gente paga imposto, minha filha, tem direito à
saúde!

RECEPCIONISTA – Aí, querida, já não é comigo, não! Aqui a ordem é só atender com o nosso plano
de saúde. Sem Saudmed, não posso fazer nada, nem pela senhora e nem pelo seu marido. Se a
senhora quiser fazer nosso convênio, é só ir até o fim do corredor que a mocinha lhe atende.

MULHER – Mas isso é um absurdo! Eu vou chamar a polícia! Eu vou chamar a imprensa.

NAS CADEIRAS, O HOMEM, GEME. A RECEPCIONISTA SE VIRA DE COSTA PARA A MULHER E


LIGA O TELEFONE.

RECEPCIONISTA – (AO TELEFONE) Alô!… Oi, sou eu!… Já atendi. Era mais um que não tinha o
nosso plano. E aqui está assim, não tem o nosso plano, a ordem é despachar! Não!… Vai espernear
um pouco e os seguranças chegam e colocam pra fora… Mas, então, menina, você vê só, a
concorrência tá forte!

A MULHER XINGA, O HOMEM GEME. A LUZ CAI EM RESISTÊNCIA.

Hamlet (Adaptação de Shakespeare)

Personagens – Hamlet (Príncipe da Dinamarca); Fantasma (Pai de Hamlet); Rainha Gertrudes (Mãe);
Rei (Tio que matou seu pai); Horácio e Marcela (Amigos); Ofélia (namorada); Polônia (mãe de Ofélia);
Laertes (Irmão de Ofélia); Rose e Guilden (chamados pelo Rei para serem acompanhantes de
Hamlet).

ATO I
Cena 1 – Hamlet chega à Dinamarca para os funerais de seu pai e conversa com seus amigos Marcela
e Horácio. Eles lhe contam que sua mãe acaba de casar com seu tio. O fantasma do pai de Hamlet
aparece e pede vingança. Os dois amigos não vêem o fantasma, só Hamlet. Marcela e Horácio ficam
apreensivos quanto à sanidade mental de Hamlet.
(Entram em cena Horácio e Marcela)
Horácio – Em que navio Hamlet vai chegar?
Marcela – Não tenho certeza. Mas sei que chegará hoje.
Horácio – Que bom, pois já perdemos muito tempo esperando por ele.
Marcela – Veja, quanta gente! Ele deve estar para sair daquele navio ali!
Horácio – (Avistando Hamlet) Hamlet! Que bom vê-lo!
Marcela – Roupas novas? Que lindo!
(Hamlet entra em cena).
Hamlet – Que bom revê-los, Horácio e Marcela! Mas em um momento tão infeliz! Meu pai acaba de
morrer... mas em que parte do castelo serão os funerais de meu pai?
Marcela – Não haverá funeral!
Hamlet – Como? Onde está o corpo? E minha mãe? Preciso consolá-la.
Horácio – O corpo nem foi enterrado. Tua mãe acaba de casar-se com teu tio, declarado o novo rei.
Hamlet – Que horror! Nem esperou o corpo ser enterrado.
Marcela – É mesmo, um horror! Mas...vamos para o castelo?
Hamlet – Primeiro ajudem-me com as malas. Estão cheias de presentes! (Avista o fantasma do pai,
que aparece e só Hamlet pode ver). Pai? Imaginei que estavas morto!
Marcela – Com quem estás conversando, Hamlet?
Fantasma – Estou morto. Agora sou apenas um fantasma. Vingue minha morte! Não deixe o mal pairar
sobre o reino!
Hamlet – Diga-me, pai, quem o matou? Quando? Onde?
Horácio – Hamlet, você está louco? A longa viagem deve tê-lo afetado.
Marcela – Vamos para o castelo, Hamlet! Agora!
Hamlet – Não!!! Pai!!!
Fantasma – Me encontre novamente aqui, à meia noite!
Hamlet – Pai!!!
Fantasma – Contarei tudo hoje! Aqui, neste porto. Então tu saberás como vingar a minha morte!
(O fantasma sai e os dois amigos carregam Hamlet pra fora de cena)
Cena 2 – Ofélia, Laertes de Polônio conversam sobre Hamlet. Ofélia está apaixonada. O irmão e o pai
pedem que ela tome cuidado, pois o príncipe está louco.
(Entram Polônia e Laertes)
Polônia – Laertes, venha cá. Tu irmã está apaixonada por Hamlet. Isso não vai dar certo.
Laertes – Está louco, mamãe. Dizem que está vendo o fantasma do pai.
Polônia – Ofélia, minha filha, venha cá!
Ofélia – (chegando) O que foi, mamãe?
Polônia – Minha filha querida, deves te afastar de Hamlet.
Ofélia – Mas, mamãe...estou tão apaixonada!
Polônia – FILHA, ELE É LOUCO!
Laertes – Como alguém que vê o fantasma do pai pode ser normal?
Ofélia – Mas meu amor por ele queima com a intensidade de um vulcão e a luz de milhares de sóis.
Laertes – Você pode amá-lo, mas ele ama só a si mesmo. Está louco, vendo fantasmas.
Ofélia – Mas ele é tão doce! Ele é a minha vida!
Polônia – Bom, você é quem sabe. Foi muito bem avisada.
(Saem de cena).
Cena 3 – Horácio e Marcela estão com Hamlet à meia noite e, agora, vêem o fantasma que acena
para Hamlet.
Marcela diz: “Há algo de podre no reino da Dinamarca”.
Cena 4 – O fantasma conta como foi sua morte: não por uma picada de inseto, mas por veneno, dada
pelo tio e mãe de Hamlet. Hamlet conta aos amigos Marcela e Horário e eles juram por sua espada
ajudá-lo. “Há mais coisas entre o céu e na terra do que sonha a nossa vã filosofia”.
(Chegam Horácio, Marcela e Hamlet)
Hamlet – Foi aqui que eu vi meu pai pela primeira vez, naquele dia em que cheguei de navio.
Marcela – Hamlet, está muito tarde! Já é hora de dormir.
Horácio – Você ainda está cansado da viagem. Vamos para o castelo para dormir.
(O Fantasma aparece e acena para Hamlet)
Marcela e Horácio – Pelos deuses, estamos vendo o Fantasma!
Hamlet – Olá, papai. Que bom revê-lo. Como foi sua morte?
Fantasma – Olá, filho. Você ouviu falar que eu morri por causa de um inseto. Mas a verdade é que
colocaram veneno no meu ouvido.
Hamlet – Mas quem?
Fantasma – Sua mãe e seu tio.
Marcela – Há algo de podre no reino da Dinamarca.
Hamlet – Ouviram? Minha mãe e meu tio mataram meu pai. Preciso vingar-me.
Fantasma – Confio em ti, meu filho!
Hamlet – Até logo, papai. Conte comigo.
Horácio - Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia...
(Saem todos)

ATO II
Cena 1 – Ofélia conta a Polônia, sua mãe, que Hamlet foi bruto com ela e estava nervoso.
(Ofélia entra chorando e chama sua mãe)
Ofélia – Mamãe!!!
Polônia – O que foi, minha filha?
Ofélia – Hamlet, mamãe...me tratou mal hoje de manhã. Foi grosso comigo.
Polônia – Eu te avisei, minha filha. Hamlet está louco!
Ofélia – Eu sei, mamãe. Mas eu acreditava no seu amor.
Polônia – Nunca mais me desobedeça. Toda a mãe sabe dar conselhos...
Ofélia – A senhora tem toda a razão. Não vou mais desobedecê-la.
Polônia – Vamos lá pra dentro, filha.
Ofélia – Vamos.
(saem)

Cena 2 – O Rei e a Rainha chamam Rose e Guilden para observarem Hamlet e os dois saem. Polônia
entra com uma carta meio erótica que Hamlet teria mandado à Ofélia. Os monarcas ficam apreensivos.
Hamlet chega com a ideia de fazer representar uma peça de teatro no palácio, todos acham bom,
temendo não contrariar um louco e saem. Hamlet chama Marcela, Horácio, Rose e Guilden e dá as
recomendações de como gostaria que a peça fosse representada (parecida como a morte de seu Pai).
Rainha – Caro marido, meu filho Hamlet está louco. Aqueles amigos dele, o Horácio e a Marcela são
péssima companhia. Contratei duas pessoas para vigiá-lo.
Rei – Está bem. Chame-os.
Rainha – Rose! Guilden! Venham cá!
Os dois –(chegando e fazendo reverências) Aqui estamos, majestades.
Rainha – Nós os chamamos aqui para que observem Hamlet, o meu filho.
Rei – Aproximem-se dele e cuidem para que não faça nada de errado.
Rose – Assim o faremos, estamos aqui para obedecer.
Guilden – Vamos ganhar alguma coisa com isso?
Rei – Sim, serão bem pagos. Agora... dispensados.
Os dois – Até breve, majestades.
(Saem com reverências)
Polônia – (entrando) Majestades. Observem que ousadia. Vejam a carta que seu filho Hamlet mandou
para minha filha Ofélia!
Rei e Rainha – (lendo) Oh!
Rei – É uma carta erótica! Que desaforo!
Rainha – Hamlet, venha cá.
Hamlet – (entrando e vendo a carta, retira das mãos do rei) O que estão fazendo com a carta que
mandei para Ofélia? Polônia, devolva esta carta a minha amada.
Polônia – Ela já leu, seu descarado! Vou devolver esta “carta” agora mesmo, seu devasso! (sai)
Hamlet – Tio, mamãe… estou muito triste. Gostaria de encenar uma peça de teatro para vocês. Aliás,
gostaria que todos vissem a peça. Estão querendo me contrariar?
Rei e Rainha– Não. Não queremos contrariá-lo.
Hamlet – Preciso das suas coroas (tira da cabeça dos dois, que saem de cena). Assim está bem.
Marcela, Horácio, Guilden e Rose! Todos aqui, vou explicar como eu quero a peça.
(Entram os que Hamlet chamou)
Hamlet – Na minha peça você, Marcela, será a minha mãe. Eu farei o meu pai. Você, Horácio será o
meu tio malvado...
Guilden e Rose – E nós?
Hamlet – Vocês vão carregar o corpo de meu pai, ou seja, eu. Agora, vamos ensaiar.
Todos – Vamos!
(Saem de cena)

ATO III
Cena 1 - Entram o Rei, a Rainha, Polônia, Ofélia, Rose e Guilden. Rose e Guilden falam sobre a peça
de Hamlet e saem. O Rei, a Rainha e Polônia pedem para que Ofélia converse com Hamlet e saem.
Hamlet aparece e dá o monólogo do “Ser ou não ser”, vê Ofélia e conversa com ela, mandando a
moça para um convento, pois seria melhor do que casar com um pecador. Ofélia fica arrasada e sua
mãe vem consolá-la.
(Entram em cena o Rei, a Rainha, Polônia, Ofélia, Guilden e Rose).
Rei – Rose e Guilden, digam como está meu sobrinho.
Rose – Ele vai fazer uma peça terrível sobre a morte de seu pai.
Rainha – O quê?
Guilden – E se nós não participarmos, ele diz que vai nos matar.
Rei – Façam o que ele diz.
Rainha – Estão dispensados.
Os dois – Até mais, majestades. (saem)
Rainha – E você, Polônia, por que está aqui?
Polônia – Quero que convençam a minha filha Ofélia a falar com Hamlet para que pare com essa
peça.
Rei – Minha cara Ofélia, deves conversar com Hamlet.
Rainha – Talvez o seu amor por ele o tire dessa loucura de peça.
Ofélia – Assim o farei. Contem comigo.
(Saem Polônia e os monarcas. Entra Hamlet, que não vê Ofélia).
Hamlet – Ser ou não ser, eis a questão. Devo lutar contra meu tio e minha mãe? Ou devo ficar na
minha?
Ofélia – Hamlet, meu amor...
Hamlet – Ofélia, estavas me ouvindo?
Ofélia – Sim. Que decisão tu tomarás?
Hamlet – Vou representar a peça. E você, é melhor que entre para um convento. Não devo casar
contigo, estou louco. Tu não mereces um louco...
Ofélia – Não! Hamlet! (sai chorando. Depois sai Hamlet)
Cena 2 – Todos aparecem no castelo para ver a peça em forma de mímica: Entram um Rei e uma
Rainha, muito amorosos; os dois se abraçam. Ela se ajoelha e faz demonstrações de devoção a ele.
Ele a levanta do chão e inclina a cabeça no ombro dela. Ele se deita num canteiro de flores. Ela vendo-
o dormir, se afasta, sai.
Imediatamente surge um homem, tira a coroa do Rei, derrama veneno no ouvido dele. Sai, beijando
a coroa. A rainha volta; encontra o Rei morto, faz apaixonadas demonstrações de dor. O Envenenador
volta, acompanhado de dois ou três comparsas, e mostra-se condoído com a morte do Rei;
acompanha a Rainha em suas demonstrações. O cadáver é levado embora. O Envenenador corteja
a Rainha com presentes. Ela mostra alguma relutância; recusa os presentes por uns momentos, por
fim aceita as provas de amor. Saem).
Voltam os atores para ler um poema de Hamlet, Polônia, indignado, vendo a peça faz com que ela
seja suspensa. Hamlet fica feliz, pois conseguiu o seu intento.
Hamlet – Obrigado pelos aplausos. Foram poucos, mas sinceros...Agora lerei um poema que fiz.
Polônia – Chega! A peça estava uma porcaria. Vamos embora, filhos.
Rainha – Espere, Polônia, vamos acompanhá-los.
Rei – Esperem por mim.
(Saem todos, menos os atores).
Cena 3 – O Rei e a Rainha chamam Rose e Guilden para levar Hamlet à Inglaterra, eles aceitam e
saem. Polônia chega e diz que vai observar Hamlet atrás da cortina, para ouvir seus planos.
Cena 4 – A Rainha chama Hamlet e tenta dizer-lhe que ele foi muito mal educado em trazer a peça.
Ele desembainha a espada e ela se assusta. Diz então que vai matar um rato que viu atrás da cortina.
Mata Polônio com a espada. Depois mostra algumas fotos à mãe, que está cada vez mais perplexa.
O fantasma do pai aparece e ele mostra pra mãe, que não vê nada e fica cada vez mais temerosa.
Hamlet diz que vai à Inglaterra, pois já fez demais por ali.
(Entram a Rainha e o Rei)
Rainha – Caro marido, chamei Guilden e Rose para que levem Hamlet para a Inglaterra.
Rei – Boa ideia, Gertrudes, Hamlet não pode mais ficar nesse reino. Rose, Guilden, venham cá!
(Os dois entram).
Rainha – Quero que vocês dois levem meu filho Hamlet para a Inglaterra. Depois daquela peça é
melhor que
fique longe da Dinamarca.
Rose – Está bem, majestade.
Guilden – Mas Hamlet sabe desta sua ideia?
Rei – Ainda não. Mas isso não interessa!
Rainha – Levem-no agora!
Os dois – Estamos indo, majestades!
(O Rei e os dois saem. Polônia entra)
Rainha – Polônia! Foi bom ter chegado! Tenho um serviço pra você!
Polônia – Então me fale, que eu farei!
Rainha – Meu filho virá logo, vigie atrás da cortina.
Polônia – Sim, ficarei ali, atrás da cortina.
(Polônia fica atrás da cortina).
Rainha – Hamlet, venha cá!
Hamlet – Que foi, mamãe? O que queres de mim?
Rainha – Você foi muito mal-educado em fazer aquela peça.
(Desembainha a espada)
Rainha – Oh, que é isto, meu filho?
Hamlet –Olha, mamãe, vou matar um rato que está atrás da cortina.
(Mata Polônia)
Rainha – Meu filho, o que fizeste?
Hamlet – Era apenas um rato. Veja, mamãe, nosso álbum de fotografias. Veja como éramos felizes:
eu, você,
papai.
Rainha – Pare, Hamlet! Você está louco! Você também quer me deixar maluca?
(Aparece o Fantasma)
Hamlet – Veja, mamãe, Papai também chegou, ele está aqui!
Rainha – Pare, filho! Não vejo ninguém! Pare de brincadeiras...
Hamlet – Papai. Eles querem que eu vá para a Inglaterra. Eu irei, já fiz muito por aqui. Mas antes
preciso tirar
esta rata velha daqui.
(Tira Polônia de cena. Sai o Fantasma. A Rainha sai aterrorizada).

ATO IV
Cena 1 – A Rainha conta ao Rei que Hamlet está completamente louco, matou Polônia e foi esconder
o corpo.
Chega o Rei e pede a Hamlet onde está Polônio. Hamlet diz que Polônia está ceando no céu e que
ele está disposto mesmo a ir à Inglaterra.
Cena 2 – Hamlet chama Rose e Guilden de esponjas.
(A Rainha volta com o Rei)
Rainha – Meu marido, Hamlet acaba de matar Polônia.
Rei – Como ele fez isso?
Rainha – A coitada estava ali, atrás da cortina. Ele ameaçou a mim e a matou com uma espada.
Rei – Ela não está aqui.
Rainha - Hamlet levou o cadáver. Faça alguma coisa.
Rei – Agora chega. Hamlet, venha cá.
Hamlet – (chegando) O que vocês querem agora?
Rei – Onde está Polônia?
Hamlet – Está jantando. Está ceando no céu, com São Pedro.
Rei – Agora chega! Você terá que ir à Inglaterra.
Hamlet – Está certo. Eu irei.
Rainha – Mas irá com Guilden e Rose.
Rei – (chamando) Guilden e Rose! Levem já Hamlet para a Inglaterra.
Os dois – (chegando)Mas é claro.
(Agarram Hamlet. Saem o Rei e a Rainha)
Hamlet – Me soltem! Seus esponjas!
(Saem todos)
Cena 3 – Ofélia ficou louca e está cantando, a Rainha lhe pergunta coisas, mas ela só canta. O Rei
pede que os soldados sigam Ofélia. Laertes chega com soldados dizendo que será o novo rei, pois
pensa que foi o Rei quem matou sua mãe. O Rei lhe explica que foi Hamlet e pede que Laertes vingue
a morte de sua mãe Polônia.
(Entra a Rainha e Ofélia)
Rainha – Ofélia! Ofélia, queria falar contigo, saber como estás.
Ofélia – “Nada do que foi será do jeito que já foi um dia...”
Rainha – Me responda, você está triste por sua mãe?
Ofélia – “Tudo passa, tudo sempre passará...”
Rainha – Não me diga que também estás louca?
Ofélia – “Não adianta fingir, nem mentir pra si mesmo”...
Rainha – Que horror, que música é essa?
Ofélia – “Como uma onda no mar”.
(Sai Ofélia e entra o Rei)
Rei – Gertrudes, Laertes está louco.
Rainha – Mais um. O que ele quer?
Rei – Ele diz que eu matei sua mãe. Quer se vingar e tomar o meu trono.
Rainha – Ih, aí está ele!
Rei – O que queres, Laertes?
Laertes – (chegando) Você é um assassino. Matou minha mãe. Não merece ser rei, vou matá-lo.
Rainha – Espere. Não foi o rei que matou sua mãe. Foi meu filho Hamlet. Eu mesma vi.
Laertes – Se a rainha viu, deve ser verdade.
Rei – Temos que achar um jeito de matá-lo. Venha, preciso de tua ajuda.
Cena 4 – Horácio e Marcela entregam ao rei uma carta de Hamlet dizendo que voltará e mandou Rose
e Guilden para a Inglaterra e sai.
(Horácio e Marcela chegam com uma carta).
Horácio – Majestade. Aqui tenho uma carta de Hamlet.
(Todos lêem a carta, que é falada pelo ator que faz Hamlet atrás das cortinas).
Carta – Olá para todos. Estou enviando esta carta para informar que voltarei brevemente. Eu não fui
para a Inglaterra. Mandei uma carta para a Rainha da Inglaterra dizendo que Rose e Guilden são
espiões. A rainha decerto mandará enforcá-los. Voltarei tão logo consiga. Abraços, Hamlet.
(Todos ficam apreensivos. Marcela e Horácio saem por um lado e a Rainha por outro).
Cena 5 – O Rei e Laertes planejam matar Hamlet, Laertes com uma espada envenenada, o Rei com
uma taça de vinho também envenenada por uma pérola. A rainha chega com a notícia de que Ofélia
morreu afogada.
Rei – Só há um jeito. Hamlet deve morrer.
Laertes – Mas como poderíamos matá-lo?
Rei – Poderia ser com uma espada envenenada. Você, Laertes, o melhor espadachim do reino lutará
com Hamlet com uma espada envenenada.
Laertes – E, eu tenho uma ideia: se isso não funcionar, poderemos preparar uma taça de vinho
envenenada.
Rei – Então, eu fico com a taça de vinho e você com a espada.
Rainha – (chegando afobada) Ofélia! Ofélia morreu afogada. Foi loucura. Começou cantando e
cantando e não
parou mais até se atirar no mar.
Rei – Coitada, morreu tão jovem.
Laertes – Tudo culpa daquele Hamlet. Minha querida irmã!
(Os monarcas saem consolando Laertes)

ATO V
Cena 1 – No cemitério, Hamlet se encontra com Horácio e Marcela para ver os funerais de Ofélia. O
Rei, a Rainha e Laertes vêem Hamlet. O Rei pede paciência a Laertes.
(Chegam o Rei e a Rainha com Laertes. Depois Hamlet com Horácio e Marcela. Não colocar as mortas
em cena).
Rei – Estamos aqui para os funerais de Polônia e Ofélia. Que Deus tome conta dessas duas almas.
Laertes – Veja, meu rei, ali está Hamlet. Quero vingança.
Rei – Aqui não. Espere até chegarmos no palácio.
Rainha – Vamos para o palácio. Sinto que aqui teremos problemas.
(Saem os três)
Cena 2 – Hamlet conta a Horácio como mandou uma carta selada a Rainha da Inglaterra, na qual
pede a morte de Rose e Guilden como espiões. Diz também como irá lutar com Laertes, com espada
e adaga.
Hamlet – Que dia trágico, Horácio e Marcela. A Polônia tudo bem, era uma fofoqueira. Mas Ofélia
tinha que se atirar?
Marcela – O que foi, Hamlet, o que você aprontou agora?
Hamlet – Não aprontei nada. Eu apenas enviei uma carta a Rainha da Inglaterra para que prendessem
Rose e
Guilden por espionagem.
Horácio – Fique calmo. Eles bem que mereciam. Apesar de que estavam cuidando de ti. Mas...bem
que
mereciam.
Hamlet – Ah, mas isso é o de menos. Agora tenho que lutar contra Laertes. Ele está querendo
vingança. Vamos ao palácio, lá se fará a vingança com espada e adaga. Vamos.
Os dois – Vamos.
Cena 3 - Chegam o Rei, a Rainha e Laertes e começa a luta. O Rei põe uma pérola (veneno), na taça
que dará a
Hamlet. A Rainha, sem saber, toma o vinho. Na luta, Laertes fere Hamlet, as espadas são trocadas e
Hamlet fere
Laertes. Num último momento, Hamlet usa a espada para matar o Rei e morre. “ O resto é silêncio”.
Horácio e
Marcela ficam sozinho no recinto.
(Chegam o Rei, a Rainha, Laertes, Hamlet, Horácio e Marcela).
Laertes - Olhe! Aí está o desgraçado que matou minha mãe e foi a causa da morte de minha irmã!
Hamlet – Venha lutar, seu desgraçado!
(Começa a luta. Saem para fora de cena todos atrás da luta e o Rei coloca o veneno na taça. A rainha
entra e bebe).
Rainha – Não posso ver meu filho lutando, me dê este vinho. (toma a taça do rei).
Rei – Não beba este vinho!
Rainha – Ah, agora já bebi.
(A rainha morre. Chegam os dois lutando. As espadas caem e são trocadas).
Hamlet – Ah, ah! Agora levarás um golpe de tua própria espada!
(Fere Laertes, que pega a espada e fere Hamlet)
Laertes – Também te feri com a espada envenenada. Eu e tu vamos morrer. (morre)
Hamlet – Quantas mortes! Vou matá-lo, meu tio assassino. (mata o tio). Mamãe, você está morta?
Horácio e
Marcela, agora vocês podem ser reis. Vou me encontrar no paraíso com Ofélia.
Horácio e Marcela – O resto é silêncio.
(Cortina)

FIM
MACBETH - Adaptação da obra de Shakespeare
Personagens masculinos (7): Personagens Femininos(8):
1. DUNCAN, Rei da Escócia; 1 LADY MACBETH;
2. MACDUFF; 2 a 5. QUATRO BRUXAS;
3. MALCOLM, filho de Duncan ; 6. DUQUESA DE ROOS;
4. MACBETH, general do exército do Rei; 7. CRIADA de Lady Macbeth e
5. BANQUO, general do exército do Rei; 8. LADY MACDUF
6. FILHO DE BANQUO e
7. DUQUE DE ROOS.

ATO I
CENA I (Pântano)
1ª BRUXA: Quando novamente as quatro nos juntamos?
2ª BRUXA: Quando terminada esta barulhada, depois da batalha perdida e ganhada.
3ª BRUXA: Antes de cair a noite.
4ª BRUXA: Em que lugar?
1ª BRUXA: No pântano.
2ª BRUXA: Ali vamos encontrar com Macbeth.
AS QUATRO: O Bem, o Mal – é tudo igual.
1ª BRUXA: Guerreiam a Escócia e a Inglaterra!
2ª BRUXA: O que é uma guerra?
3ª BRUXA: Uma luta sangrenta onde entre mortos e feridos, não há vencedor, nem vencidos.
4ª BRUXA: Irmã, vejo Macbeth vencendo. Silêncio! É Macbeth chegando.
AS QUATRO: Bruxas da terra e do mar, toca, toca cirandar, e roda que rodopia! Duas voltas para a
direita, duas voltas para a esquerda, e está feita a bruxaria. (As bruxas se escondem à vista do
público).
CENA II (Entram Macbeth, Banquo e o filho de Banquo.)
MACBETH: Um dia tão feio e tão bonito nunca vi, Banquo.
BANQUO: A que distância estamos de casa?
FILHO: Há pouco mais de meia légua, papai.
MACBETH: (Vendo as Bruxas) Quem são vocês?
AS QUATRO: Salve Macbeth! Salve, que Rei serás! Arquiduque de Cawdor!
BANQUO: Meu bom senhor, por que esse susto? Estão te saudando.
AS QUATRO: Salve!
1ª BRUXA: Banquo menos que Macbeth e maior que ele.
2ª BRUXA: Não tão feliz e todavia muito mais feliz.
BRUXA 3 E BRUXA 4: Salve Banquo, serás tronco de reis, embora a rei não chegues. Salve, pois,
Macbeth e Banquo! (As bruxas desaparecem)
FILHO: Aonde foram elas?
MACBETH: Dissiparam-se no ar.
BANQUO: Estavam mesmo aqui estas criaturas?
MACBETH: Elas disseram que teus filhos serão reis.
BANQUO: E que tu serás rei também..
DUQUESA DE ROOS: (Entrando com Roos) Saudações, bravo Macbeth.
ROOS - O rei soube do seu triunfo e te dá o título de Arquiduque de Cawdor.
BANQUO: Duque e duquesa de Roos, que bom!
FILHO: As aparições falaram a verdade!
MACBETH: Mas o arquiduque está vivo!
DUQUESA DE ROOS: É um traidor e será condenado à morte.
MACBETH: A profecia está se cumprindo.
BANQUO: (A Roos) Obrigado por trazernos tão boas notícias, duquesa (Saem duque e duquesa de
Roos. A Macbeth) Companheiro, estás pensando em quê?! (Saem)
CENA III ( Fanfarra. Entram Duncan e Malcolm).
DUNCAN: Cawdor já foi executado, meu filho Malcolm?
MALCOLM: Já confessou os seus crimes e em breve será executado...
DUNCAN: Tinha muita confiança nele e me traiu. (Entram Macbeth, Banquo e Roos) Oh, meu primo
Macbeth! Agora és o Arquiduque de Cawdor. Sejam bem-vindos, meu valoroso soldado Banquo, seu
filho, duque e duquesa de Roos.
MACBETH: Somos leais a vós, nosso rei da Escócia, poderoso Duncan.
DUNCAN: Muito obrigado por lutarem por mim.
BANQUO E FILHO: Com muita honra, majestade.
DUNCAN: Meu nobre Cawdor!
MACBETH: Quero convidá-los ao meu Palácio, agora em Cawdor.
TODOS: Que bom, vamos festejar a nossa vitória. (Fanfarra. Saem)
CENA IV (Entra Lady Macbeth e criada)
CRIADA - Lady Macbeth, trago uma carta de Macbeth, vosso marido.
LADY MACBETH: (pegando a carta)“Encontrei bruxas no dia da vitória;e quando eu ia lhes fazer novas
perguntas, sumiram. O rei Duncan me concedeu o cargo de ‘Arquiduque de Cawdor’, título que elas
antes me disseram, e depois falaram ‘Salve, que serás rei!’. Acho que elas estão certas. Guarda isto
no teu coração e até breve, querida esposa.” . Claro que serás rei, meu marido Macbeth e eu te
ajudarei nisso. (entra Macbeth) Oh, querido marido, que bom vê-lo. Que notícias trazes?
MACBETH: O Rei pernoitará esta noite aqui.
LADY MACBETH: Que saudade! Macbeth! Tuas cartas transportaram-me do presente aos dias que
virão. E quando o rei parte?
MACBETH: Amanhã.
LADY MACBETH: Tenho idéias. Acho que não parte amanhã.
MACBETH: Falaremos depois.
CRIADA: Deseja algo mais, Lady Macbeth?
LADY MACBETH: Não, criada, pode retirar-se. Fica calmo, deixa o resto comigo. (Saem)
CENA V. (Entram Duncan, Malcolm, Roos e Duquesa, Banquo e seu filho)
DUNCAN: Este castelo está muito bem localizado, sinta este ar.
ROOS: O ar é bom e até os pássaros escolhem este lugar para os ninhos.
DUQUESA: Mas eu sinto um ar pesado, com maus presságios.
MALCOLM: (Entra Lady Macbeth) Olha! Está aqui a dona do Castelo.
LADY MACBETH: Vossa Majestade: sempre rezo por vossa saúde! Sejam todos bem-vindos.
BANQUO: E Macbeth, onde está?
FILHO: Deve estar testando uma nova armadura.
LADY MACBETH: Está dando ordens aos criados para que Vossa Majestade seja muito bem-vindo
ao nosso castelo.
DUNCAN: Conduze-me ao castelo, bela senhora (Saem).
CENA VI (Entra Macbeth. Sala no castelo)
MACBETH: Está tudo tão calmo. Duncan nem desconfia de nada. Sei que é monstruoso o que
faremos, mas se não me livrar dele, jamais serei rei (Entra Lady Macbeth) Que há de novo?
LADY MACBETH: Pouco falta para que acabe a ceia.
MACBETH: Ele perguntou por mim?
LADY MACBETH: Sim. Não desconfia de nada.
MACBETH: Não vamos prosseguir nesta [Link] é um pobre velho.
LADY MACBETH: Nem pareces um soldado, pareces mais um covarde.
MACBETH: E se falharmos?
LADY MACBETH: Falharmos? Não falharemos. Quando ele for dormir, darei bebida aos seus
camareiros e ele
ficará indefeso. Diremos que foram eles. os camareiros, que o mataram.
MACBETH: Se usarmos os punhais dos camareiros e os mancharmos de sangue, quem não
acreditaria que os
matadores terão sido eles?
LADY MACBETH: Quem ousará pensar de outra maneira?
MACBETH: Agora estou firme na minha decisão. (Saem)
ATO II
CENA I (Entram 1ª Bruxa e Macbeth. Foco em verde e vermelho).
1ª BRUXA: Neste momento Macbeth move-se em direção à sua vítima.
2ª BRUXA: Firmemente caminha, que não se escutem seus passos, apenas um toque de sino revele
o horror desta hora!
MACBETH: É um punhal o que enxergo, com seu cabo voltado para mim? Vem, que eu te empunho!
(Toque de sino) Um golpe, e é tudo: o sim me convida. Não o ouças, Rei, não o ouças, que esse toque
te chama para o Céu – ou para o Inferno! (Saem)
CENA II (Entra Lady Macbeth)
LADY MACBETH: Escutem... Silêncio! Foi um pássaro que piou. As portas estão abertas. Neste
instante o golpe vai ser vibrado. Os camareiros bêbados, roncam. Dei-lhes um poção tão forte, que
não sei se estão vivos.
MACBETH: (entrando) Está feito.
LADY MACBETH: Então?
MACBETH: (Olhando as mãos ensangüentadas) Triste espetáculo!
LADY MACBETH: O que pretendes dizer com isso?
MACBETH: Ouvia uma voz “Macbeth não dormirá nunca mais!”.
LADY: Mas quem gritava assim? Suja de sangue os camareiros.
MACBETH: Não, não posso!
LADY MACBETH: Homem fraco! Dê-me os punhais. Aqueles que estão mortos ou dormem são
pinturas apenas. (Sai. Batem à porta)
MACBETH: Quem será que bate? O que há comigo que qualquer ruído me sobressalta assim? (Volta
Lady Macbeth)
LADY MACBETH: As minhas mãos estão da cor das tuas.. (Batem à porta novamente) Estás ouvindo?
Insistem. Vamos fazer de conta que estamos dormindo. (Saem)
CENA III (Sons de batidas em um portão. Entra Roos. Fora do Castelo)
ROOS: Já vou atender. O dia ainda nem nasceu.. (Abre a porta)
(Entra Macduff, Lady Macduff)
LADY MACDUFF: Insista em chamar, esposo, meus filhos precisam de leite. Chame novamente,
Macduff.
MACDUFF: Oh, Roos. Era tão tarde quando tu deitaste, duque, que tão tarde te levantas?
ROOS: Na verdade, nobre Macduff, estivemos bebendo. E a bebida é uma grande provocadora de
três coisas: nariz vermelho, sono e vontade de urinar.
DUQUESA: (Chegando) Desculpem o meu marido, a festa foi grande.
LADY MACDUFF: Está me parecendo que a bebida te derrubou também nesta noite, duquesa.
MACDUFF: O senhor do Castelo já está de pé? (Entra Macbeth)
DUQUESA: Aqui está ele, bom dia!
MACBETH: Bom dia!
MACDUFF: O Rei já está de pé?
MACBETH: Não, por enquanto.
MACDUFF: Ordenou-me que o chamasse cedo. Quase ia me esquecendo.
MACBETH: De certo está esperando por vós, caro Macduff (sai Macduff)
DUQUESA DE ROOS: O Rei parte hoje?
LADY MACDUFF: Parte. Por favor, podemos cuidar de leite para os meus bebês.
DUQUESA: Com certeza, venha comigo. (saem as duas)
ROOS: A noite foi horrível. Ouvi ruídos estranhos e a terra parecia tremer.
MACBETH: É certo, a noite foi medonha!
ROOS: Não me lembro de outra como esta. (Volta Macduff gritando)
MACDUFF: Que horror! Minha boca nem o meu coração poderão nomear o que acabo de ver!
MACBETH e ROOS: Que foi que houve?
MACDUFF: Entrem no quarto e vejam a chacina. Não me façam falar. (Saem Macbeth e Roos) Alerta!
Alerta! Soem o alarme! Assassinato e traição! Banquo, Malcolm, acordem.
LADY MACBETH: (entrando) Que foi que aconteceu?
MACDUFF: Senhora. (Entra Banquo) Oh! Banquo! Nosso real senhor foi morto a punhaladas!
LADY MACBETH: Aqui, em nosso palácio? (Voltam Macbeth e Roos)
MACBETH: O rei foi assassinado!
MALCOLM: (entrando) Que desgraça aconteceu?
MACDUFF: O Rei, vosso pai, foi assassinado.
MALCOLM: Não! (Pausa) E quem foi o assassino?
ROOS: Os camareiros. Tinham faces e mãos tintas de sangue.
MACBETH: Contudo, oh! Me arrependo de, na minha fúria, os ter matado.
MACDUFF: E por que fizeste isso?
MACBETH: Fiquei furioso e decepei as cabeças deles
LADY MACBETH: Leve-me daqui! (finge que desmaia)
MACDUFF: Ajudem Lady Macbeth!
MALCOLM: (À parte) Aqui sinto cheiro de traição. (Lady Macbeth é carregada para fora da sala. Saem
todos, exceto Malcolm) Acho que devo fugir senão serei morto também. (Sai)
CENA IV (Duque e duquesa de Roos e Macduff,e esposa).
DUQUESA DE ROOS: O bom Macduff, como estão as coisas?
MACDUFF: Não estás vendo, duquesa?
ROOS: Já se sabe quem são os criminosos?
LADY MACDUFF: Os camareiros que Macbeth matou.
DUQUESA DE ROOS: Que pretendiam, meu Deus, com isso?
MACDUFF: Decerto foram subornados. Malcolm , filho do rei, que fugiu. Todos acreditam que ele
mandou matar o pai!
LADY MACDUFF: Agora é bem provável que Macbeth venha ser o novo rei pois é primo do rei Duncan.
ROOS: E Malcolm, onde está?
MACDUFF: Vou atrás dele. Aqui não dá pra ficar, sinto cheiro de traição. Pegue nossos filhos e vamos
embora.
LADY MACDUFF: Já estão comigo. Vamos para a Inglaterra. Temo pela vida deles.
DUQUESA DE ROOS: Aqui há uma aura sinistra. Mas tenho que ficar aqui para cuidar de Lady
Macbeth
ROOS – Vou ficar com minha esposa, para saber o que aconteceu de verdade. Adeus, amigos.

ATO III
CENA I (Entra Banquo. Sala no palácio)
BANQUO: Ora, ora, Macbeth, tens tudo agora: és Rei, conforme as bruxas prometeram. (Fanfarras.
Entram Macbeth, em traje de rei, Lady Macbeth, em traje de rainha)
MACBETH: Cá está o nosso principal convidado.
LADY MACBETH: Sem o qual, haveria uma lacuna na nossa festa.
MACBETH: Esta noite, senhor, damos um banquete, para o qual solicitamos vossa presença.
FILHO DE BANQUO: Estaremos aqui, com certeza..
MACBETH: Andarás a cavalo hoje à tarde?
BANQUO: Assim pretendo.
MACBETH: Que pena, precisava de uns conselhos teus.
BANQUO: É uma pena.
MACBETH: Não faltes ao banquete.
BANQUO: Não faltarei.
MACBETH: Soube que o sanguinário Malcolm está na Inglaterra... A cavalo, e até a noite! Vosso filho
vai convosco?
FILHO DE BANQUO: Sim, majestade.
MACBETH: Ligeiros e seguros sejam os vossos animais. (Saem).
CENA II (Entram As Bruxas. Focos).
1ª BRUXA: Maus espíritos da noite, negros, brancos e cinzentos,
2ª BRUXA: Bailai conosco, bailai! Vinde todos! Bailai conosco, bailai!
AS QUATRO: Borbulhe a papa ao fogacho: arda a brasa e espume o tacho!
3ª BRUXA: Trama Macbeth, trama Lady Macbeth!
4ª BRUXA: O que vês, irmã?
1ª BRUXA: Banquo está sendo morto por Macbeth!
2ª BRUXA: (Gargalhadas) O que dizes, irmã?
3ª BRUXA:. Macbeth não vacila, como lobo rodeia a ovelha, prepara o bote. Vejo uma criatura... uma
não, duas.
4ª BRUXA: Eu e tu?
1ª BRUXA: Não, são assassinos infames. Macbeth mandou matar Banquo.
2ª BRUXA: Morre Banquo, mancha com seu sangue a floresta, mas escapa seu filho, que vê o sangue
do pai, para no futuro vingar-se!
3ª BRUXA: Duas vezes o gato malhado miou.
4ª BRUXA: Duas vezes mais uma o ouriço gemeu.
AS QUATRO: É chegada a hora de girar! Roda, roda a Roda da Fortuna!
Uma vez mais há de girar! (Trovões. Saem)
CENA III (Entram Macbeth, Lady Macbeth, criada e Duquesa e Roos.
Salão de jantar no palácio. Geral. Aparições em foco verde).
MACBETH: Dou a todos, as minhas boas-vindas.
DUQUE E DUQUESA DE ROOS: Obrigado, Vossa Majestade.
MACBETH: Viva a alegria. Dentro em pouco brindaremos. (Vai à porta)
1ª BRUXA: Macbeth vai falar com os assassinos.
2º BRUXA: Tem em seu rosto a certeza da vitória, mas ao voltar a dúvida.! (volta Macbeth).
CRIADA: Já dei o dinheiro a eles, majestade.
MACBETH: Diga para desaparecerem.
CRIADA: Eles dizem que ficarão pelo palácio e querem mais dinheiro...
LADY MACBETH: Não estás animado, querido esposo? Veja quanta gente interessante!
MACBETH: Encantadora rainha! Que tenhamos boa saúde!
DUQUESA DE ROOS: Estás triste, majestade?
MACBETH: Queria ter Banquo aqui conosco.
(Entra o fantasma de Banquo e fica próximo de Macbeth)
ROOS: Que olhos são esses? O que vossa majestade está vendo?
MACBETH: Nada!
DUQUESA DE ROOS: Venha para cá, fique ao meu lado, majestade.
MACBETH: Onde? (O fantasma está ao lado da duquesa)
DUQUESA DE ROOS: Aqui, meu senhor. Que é que o perturba?
MACBETH: Quem de vós fez isto?
CRIADA: O quê?
MACBETH: Não fiz isso! Não sacudas diante de mim tua cabeça ensangüentada!
CRIADA: Sua majestade está indisposto? Posso me retirar...
LADY MACBETH: Não, fique. Desde sua infância sofre destes acessos. É coisa passageira. Daqui a
pouco estará bem de novo. És um homem, ou não?
MACBETH: Se sou! Mas...
LADY MACBETH: Oh, que tolices! Tudo são imagens filhas do medo: como aquele punhal que vês no
ar e diz que aponta para Duncan.
MACBETH: Os mortos estão a me atormentar. (O fantasma desaparece)
LADY MACBETH: Caro esposo, os nobres amigos querem falar contigo...
MACBETH: Amigos, não façam caso da minha enfermidade, sem importância para os que bastante
me conhecem. Saúde e afeto a todos
(Reaparece o fantasma)
DUQUESA DE ROOS: Pela vossa saúde, majestade
MACBETH: (Falando ao espectro) Para trás e longe da minha vista! Volta à tua cova!
LADY MACBETH: Não reparem no meu esposo, está cansado!
MACBETH: Some-te, sombra sinistra! Some-te daqui, fantasma sem realidade! (O fantasma
desaparece) Foi-se... Ainda bem!
LADY MACBETH: Estás estragando a festa, esposo.
DUQUESA DE ROOS: Boa noite!
ROOS: Estimamos as melhoras. (Saem)
MACBETH: Que achas de Macduff se recusar a vir?
LADY MACBETH: Mandastes convidá-lo?
MACBETH: Não, mas deveria vir.
LADY MACBETH: Precisas de sono, querido esposo.
MACBETH: Sim, tens razão
CENA IV (Entram Roos e Duquesa de Roos)
DUQUESA DE ROOS: As mortes do bom Rei Duncan e Banquo foram lamentadas por Macbeth: esta
história está mal contada.
ROOS: Será que não foi o próprio Macbeth quem os matou?
DUQUESA DE ROOS: Não sei, o que sei é que ele está louco. E se o filho de Duncan, Malcolm
voltasse à Escócia para resgatar o trono?
ROOS: Onde estará o filho de Banquo? Iremos para a Inglaterra e acharemos um jeito de destruir
esse tirano. Vamos. (saem)
ATO IV
CENA I (Trovão. Entram as Bruxas, depois Macbeth. Caverna).
1ª BRUXA: Toca a lançar na panela o sapo.
AS QUATRO: Borbulhe a papa ao fogacho: arda a brasa e espume o tacho!
2ª BRUXA: Pelo comichar do meu polegar sei que deste lado vem vindo um malvado.
3ª BRUXA: Abre-te, porta: a quem, não importa! (Entra Macbeth)
MACBETH: Horrendas bruxas, filhas do demônio, que estais fazendo?
AS QUATRO: Obra que não tem nome.
MACBETH: Eu vos conjuro, respondei-me ao que vou perguntar!
4ª BRUXA: Responderemos.
1ª BRUXA: Quererás ouvi-lo de nossa boca ou da de nossos mestres?
MACBETH: Da deles: quero vê-los!
AS QUATRO: Alto ou baixo, vem mostrar-te, tu e tua mágica arte.
(Trovão. Primeira aparição, uma cabeça armada de capacete)
1ª APARIÇÃO (Ator de Banquo disfarçado): Macbeth! Macbeth! Macbeth! Cuidado com Macduff!
(Desaparece)
2ª BRUXA: (Interrompendo-o) Mas outro vem, mais forte que o primeiro.
(Trovão. Segunda aparição, ensanguentada)
2ª APARIÇÃO(ator de Duncan): Macbeth! Macbeth! Macbeth! És sanguinário, audaz e resoluto! Ri da
força dos homens, pois nenhum nascido de mulher poderá um dia causar dano a Macbeth!
(Desaparece)
MACBETH: Macduff! Por que temer-te? Mas por segurança: não viverás.
(Trovã[Link] aparição, uma criança coroada, com uma árvore na mão)
3ª APARIÇÃO (Ator que faz Malcon): Só viverás até que a floresta avance contra ti, então Macbeth
será vencido! (Desaparece)
MACBETH: Isso nunca acontecerá. Imagina, uma floresta avançar contra mim? Acaso será rei da
Escócia o filho de Banquo?
AS BRUXAS: Não procures saber mais nada.
(As aparições desfilam diante de Macbeth)
MACBETH: Vão embora, aparições! (Música. As bruxas dançam e desaparecem). Onde estão elas?
Foram-se! Agora mesmo irei ao castelo de Macduff, matarei sua mulher e seus filhos.
INTERLÚDIO – Macbeth matando Lady Macduff e seus filhos.
CENA II (Lady Macbeth e a criada. Sala do palácio. Foco)
LADY MACBETH: Que notícias me trazes.
CRIADA – Macduff fugiu, abandonando a esposa, os filhos, sua gente e seus títulos. Como um nobre
pode fazer isso?
LADY MACBETH - Nobre? Não, pobre! Um louco que deixa nas nossas mãos a sua sorte. Entram nos
seus aposentos nossos fiéis assassinos, entre os gritos do filho e as preces da mãe, cumprem seu
dever e com sangue e determinação, abrem caminho para a minha glória! Cala-te Macduff, pois os
filhos que dizes amar, não falam mais!
CRIADA – O que queres mais de mim?
LADY – Mais nada, retira-te. (SAEM)
CENA III (Entram Malcolm, o filho de Banquo e Macduff.)
MALCOLM: Que mais podemos fazer que não chorar nossos mortos..
MACDUFF: Não! Empunhemos nossas espadas: como bravos, defendamos a pátria.
FILHO DE BANQUO: Macbeth é amado pelo povo, mas é um assassino.
MACDUFF: Não sou traidor.
MALCOLM: Macbeth é.
MACDUFF: Perdi as minhas esperanças.
FILHO DE BANQUO: Pense em seus filhos e aja com vingança. Meu pai foi morto por este tirano.
MACDUFF: Não só meus filhos, mas a pátria sangra, perece. Temos que lutar contra ele.
ROOS: (entrando) Ai, pobre pátria! Nem podemos chamar-lhe mãe, que é, antes, sepultura. Foi vosso
castelo acometido de surpresa; vossa esposa, vossos filhos, cruelmente assassinados.
DUQUESA DE ROOS - Deixei Lady Macbeth. Cruel como o esposo e nunca poderá ter filhos.
MACDUFF: Ah, ele não tem filhos!
FILHO: As bruxas que apareceram a meu pai, disseram que ele seria rei, mas não seria tronco de reis.
MALCOLM: Lutemos contra o infortúnio como homens.
MACDUFF: Assim faremos, sem dúvida. (Saem)
ATO V
CENA I (Lady Macbeth com a criada, lavando as mãos)
CRIADA – Não agüento mais trazer novas bacias para lavar as mãos, suas mãos estão limpas.
LADY MACBETH: Por mais que eu faça, esta mancha não sai. Vai-te mancha maldita! Vai-te, digo!
Estas mãos nunca ficarão limpas?
CRIADA – O que fazeis, senhora?
LADY MACBETH - Sinto ainda o cheiro do sangue: nem todos os perfumes da Arábia poderão fazê-
lo desaparecer desta mão pequenina. Banquo está enterrado, não pode sair da cova. O que está feito,
não pode ser desfeito. (Saem)
CENA II (Entra Macbeth e Lady numa sala de castelo)
MACBETH: As bruxas disseram “Macbeth, não tenhas medo: nenhum homem nascido de mulher terá
jamais poderes sobre ti”.
LADY MACBETH: São dez mil...
MACBETH: Estás com medo?!
LADY MACBETH: Não, minhas mãos!
MACBETH: Traga minha armadura.
LADY MACBETH: Não posso nem dormir, vejo figuras estranhas..
MACBETH: Malditos médicos! Não te curam também. Não temerei a morte nem a ruína enquanto não
marchar a floresta. (Saem)
CENA IV ( Malcolm, Roos, filho de Banquo e Macduff, na floresta)
MALCOLM: Espero que esteja perto o dia em que poderemos dormir em segurança.
MACDUFF: Diga para cada soldado cortar um ramo da floresta e se esconder atrás dele: assim
marchando, encobriremos o efetivo de nossas forças, atrapalhando Macbeth.
FILHO DE BANQUO: Por agora, preparemo-nos para a batalha.
ROOS: Assim faremos!
(Usam galhos de árvores mesmo e avançam no proscênio)
CENA V (Entram a Criada e Macbeth)
CRIADA: Ó poderoso Macbeth! A rainha está morta!
MACBETH: Por que estes gritos? A rainha está morta... Não devia ser agora. Agora que tanto
precisava dela.
CRIADA – Trago também uma mensagem de seus sentinelas.
MACBETH - O que diz esta mensagem?
CRIADA: “Estando eu de sentinela no alto de uma colina, vi com meus olhos mover-se o bosque”.
MACBETH: O que é isto, uma brincadeira? Mentes, bilhete miserável! Morrerei combatendo. (Saem)
CENA VI (Entra, Malcolm, Roos e Macduff. Som de tambores)
ROOS – Invadimos o palácio do traidor.
MALCOLM: Tomaremos tudo, conforme o nosso plano.
MACDUFF: Fazei ressoar nossos clarins: por aí vem sangue e morte!
MACBETH: (entrando) Quem será aquele não nascido de mulher?
MALCOLM: Cão dos infernos, venha! (Luta. Macbeth vence, matando Malcolm)
MACBETH: Minha vida não pode cortar homem nascido de nenhuma mulher.
MACDUFF: Mas eu fui arrancado do ventre de minha mãe antes de nascer!
MACBETH: Não combaterei contigo.
MACDUFF: Então entrega-te, covarde!
MACBETH: Não me entrego!
(Saem batendo-se. Rebates. Tornam lutando e Macbeth é abatido).
CENA V (Clarins. Entram Malcolm, filho de Banquo Duque e Duquesa de Roos)
MALCOLM: Morreu o tirano.
DUQUESA DE ROOS: Sim, e também a tirana está morta.
MACDUFF: Cortarei a cabeça do maldito tirano.
ROOS - A pátria é livre. Viva o rei da Escócia! O filho de Banquo...
(Clarim. Coloca a coroa no filho de Banquo)
CENA FINAL (As Bruxas. Foco verde).
1ª BRUXA: Maus espíritos da noite, Negros, brancos e cinzentos,
2ª BRUXA: Bailai conosco, bailai! Vinde todos! Bailai conosco, bailai!
3ª BRUXA: Duas vezes o gato malhado miou.
4ª BRUXA: Duas vezes mais uma o ouriço gemeu.
AS QUATRO: Borbulhe a papa ao fogacho: arda a brasa e espume o tacho! O Bem, o Mal – é tudo
igual.

FIM

Obs – Este texto foi baseado no original Willian Shakespeare (Tradução de Millôr Fernandes - Livre
adaptação de Guy Schmidt e mais livre adaptação do professor Jarbas Griebeler). As bruxas na
verdade eram três. A Duquesa de Roos foi inventada. A criada na verdade seria o personagem
Seymor. Outras tantas adaptações foram feitas. Que Shakespeare me perdoe!

CONTO DE INVERNO (SHAKESPEARE) Adaptação para 13 atores

Personagens Femininos (8): Hermíone (rainha da Sicília), Perdita (filha de Hermíone), Paulina (amiga
de Hermíone e mulher de Antígono), Sacerdotisa (do Oráculo de Delfos), Pastora (que cria Perdita),
Filha da Pastora, duas criadas do palácio da Sicília
Personagens Masculinos (5): Leontes (rei da Sicília), Polícines (rei da Boêmia), Florízel (filho de
Polícines), Camilo (ajudante de Leontes), Antígono (marido de Paulina).
PRÓLOGO (CORO)
Criada 1 –Boa tarde, Florinda, sabe quem veio ao reino da Sicília? O rei Polícines.
Criada 2 – Sei, já mandei Camilo levar-lhe umas frutas. No reino da Boêmia não há frutas como aqui.
O nosso rei Leontes me mandou servir bem o amigo.
Criada 1 - Que o céu conserve essa amizade!
Criada 2 – E como vai o filho de Leontes e da rainha Hermíone?
Criada 1 – Está muito mal. Doente mesmo. É tristeza...
Leontes (entrando) – Onde está Hermíone, minha rainha?
Criada 2 - A rainha está contando histórias para seu filho, majestade.
Leontes – Histórias?! Pois sei, deve estar mesmo.
Cena 1 (Conversa de Hermíone com Polícines)
Hermíone – Que bom que vieste ao nosso reino da Sicília, caro rei Polícines! Como está o reino da
Boêmia?
Polícines – Está muito bem. Estou ansioso para falar com meu grande amigo Leontes, cara rainha
Hermíone!
Hermíone – Ele só fala do seu grande amigo. Das brincadeiras que os dois reis faziam quando
crianças... Sua terra, a Boêmia foi um lar inesquecível para o meu marido.
Polícines – Fomos criados como irmãos. Mas onde está Leontes?
Hermíone – Saiu para caçar, não demora. No inverno os dias são mais curtos.
Polícines – E seu filho, como está?
Hermíone – Está tristonho. As crianças não podem ficar ao relento e ele não pode brincar com os
outros meninos, então me pede para contar-lhe histórias de inverno.
(Hermíone tem um mal súbito e cai).
Polícines – Deixa-me ajudá-la, cara rainha.
Hermíone – Ah, obrigado. Estou tendo desmaios ultimamente, acredito estar grávida.
Polícines – Veja, está chegando o meu grande amigo. Prazer em vê-lo.
Leontes (chegando) – O que fazes aqui sozinho com minha esposa?
Polícines – Estava a ajudá-la, pois teve um mal súbito. Pareces aborrecido...
Leontes – Hermíone, vá para dentro cuidar de seu filho. O príncipe deve estar sentindo a falta da mãe.
(Hermíone sai).
Polícines – Vamos conversar lá dentro sobre sua caçada.
Leontes – Caçada? Não peguei nada. Mas... vamos!
Cena 2 (Leontes quer contratar Camilo para matar Polícines)
Camilo – Caro rei Leonte, por que razão me mandaste chamar?
Leontes – Camilo, meu nobre amigo, quero que envenenes Polícines.
Camilo – Mas por quê?
Leontes – Ele está a me trair com minha mulher. Hermíone quer que ele permaneça na corte. Esta
mulher está a me por um par de chifres.
Camilo – Sua mulher é fiel, meu caro rei. Não irei envenenar o rei Polícenes.
Leontes – Então serás banido de meu reino.
Camilo – Irei, meu rei, mas antes contarei ao rei Polícenes o que pretendes fazer.
Leontes – Vai, servo infiel.
(Leontes e Camilo saem de cena)
Cena 3 (Camilo avisa Polícines, que foge para seu reino na Boêmia).
(Camilo encontra com Polícenes).
Camilo – Rei Polícenes, deves retornar à Boêmia o quanto antes.
Polícenes – Por que, caro Camilo?
Camilo – O rei Leontes está cego pelo ciúme que tem por Hermíone. E acredita ser o senhor o pai do
filho que a rainha espera. Queria que eu o envenenasse.
Polícenes – Leontes está louco. Vamos nos aprontar para ir à Boêmia. Tu vens comigo.
Camilo – Com muito prazer.
Cena 4 (Leontes manda Hermíone grávida para a prisão)
Leontes – Onde estavas, rainha?
Hermíone – Estava a contar histórias para nosso filho.
Leontes – Como és falsa. Mesmo grávida, estavas a me trair com algum lorde da corte!
Hermíone – Por favor, Leontes, não inventes histórias...
Leontes – Estás a me desafiar?
Hermíone – Não, caro marido.
Leontes – Agora mesmo vá para a torre. Os meus guardas estão a te esperar para que fiques presa.
Na torre permanecerás para que não possas mais me trair.
Hermíone – Não faças isso, não vês que estou grávida para quase ter o bebê?
Leontes – Filho meu é que não é. Deve ser de tua traição com Polícines. Fora!!!
Hermíone – Não!!!
(Hermíone sai chorando e Leontes sai por outro lado).
Cena 5 (Leontes manda chamar a sacerdotisa para ir ao Oráculo de Delfos)
(Entra Leontes com a Sacerdotisa).
Sacerdotisa – Mandaste chamar a Sacerdotisa de Apolo, rei Leontes?
Leontes – Sim, tenho um encargo para vós.
Sacerdotisa – Queres saber de seu filho, afastado da mãe? Pois lhe direi, se deixares o menino mais
tempo longe do convívio com Hermíone, ele morrerá. Tive esta revelação em sonhos.
Leontes – Os sonhos da Sacerdotisa não me dizem respeito. Quero que vás ao Oráculo de Delfos e
lá perguntes a Apolo, o nosso maior Deus, se minha esposa é infiel.
Sacerdotisa – Não desmereças o que lhe digo, majestade. Mas irei ao Oráculo e perguntarei sobre
Hermíone. Voltarei em breve.
(Os dois saem de cena).
CORO
Criada 1 - O rei Leontes está cego de ciúmes.
Criada 2 – Ainda bem que Camilo fugiu, queria eu também fugir.
Criada 1 - Acabou-se a amizade, só por causa do ciúmes!
Criada 2 – E agora a rainha Hermíone está presa na torre. Vou ajudar a coitada!
Sacerdotisa – Vai nada, o que tem que acontecer, acontecerá, assim previu Apolo.
Criada 1 – Mas a coitada está presa na torre. O filho está doente.
Sacerdotisa – Falem com Paulina e Antígono, que eles acharão a ajuda.
Criada 2 – Está bem, ó grande sacerdotisa. (saem)
Cena 6 (Paulina e Antígono conversam sobre a filha do rei).
Antígono – Paulina, minha esposa, o que fazes com esta menina ao colo?
Paulina – Esta, caro Antígono, é a filha da rainha Hermíone que acaba de nascer.
Antígono – Deves então protegê-la das mãos do rei Leontes.
Paulina – Farei melhor do que isso, entregarei a menina ao rei.
Antígono – Estás louca, ele vai mandar matá-la!
Paulina – Quando nosso rei vir esta menina tão linda decerto perdoará a rainha e nosso reino voltará
a ter alegria.
Antígono – Assim espero. Vamos.
Cena 7 (Paulina traz a filha para o rei e este manda Antígono levá-la para longe).
Paulina – Rei Leontes, trouxe a vossa presença uma criança adorável.
Leontes – Estou feliz que Paulina e Antígono tiveram enfim o seu filho.
Antígono – Não se trata de nosso filho, mas de alguém que dará muitas alegrias a vossa majestade.
Paulina – Esta, caro rei, é sua filha, recém-nascida.
Leontes – Como ousam trazer a minha presença esta bastarda. Não é minha filha. Antígono, tu
merecerias a forca por aceitar que sua mulher me fizesse tal desfeita.
Antígono – Meu rei, perdoa-nos.
Paulina – Vou deixar esta criança aqui para que vossa majestade possa vê-la. (Paulina sai).
Leontes – Não quero ver esta criança bastarda. Leva-a para longe. Jogue-a numa praia deserta.
Antígono – Assim farei, caro rei.
(Sai Antígono e chega a Sacerdotisa).
Cena 8 (Resultado do Oráculo, Paulina conta que morreu o filho e a esposa).
Sacerdotisa – Estou de volta com a resposta do Oráculo de Delfos.
Leontes – Espera. Isto precisa ser dito ao povo.
(A Sacerdotisa vai à boca de cena e lê).
Sacerdotisa – “Hermíone é inocente. Polícenes não tem culpa. Camilo é um súdito leal. Leontes é um
tirano ciumento, e o rei ficará sem herdeiro se não encontrar aquela que está perdida”.
Leontes – Isto são mentiras. Fora, mulher má com falsas palavras.
Sacerdotisa – Meu rei, acredite. (Ajoelha). Vosso ódio está matando a todos.
(Paulina entra em cena).
Paulina – Rei Leontes, seu filho acaba de morrer.
Leontes – Vá embora mulher. E conte a minha mulher o acontecido, quem sabe assim ela confesse
sua traição.
Paulina – Não poderei, caro rei Leontes. Sua mulher, ao saber da morte de vosso filho morreu também,
de desgosto.
Sacerdotisa – Apolo está zangado.
Leontes – O próprio céu me pune por minha injustiça. O que farei agora?
(Saem os três, bem tristes, com música apropriada).
Cena 9 (Antígono deixa a criança com joias e sai).
Antígono – Se assim quiser o destino, isto te dará de sobra para te criar. Espero que nesta praia
deserta apareça alguém que cuide de ti. Cresce, e te torna uma linda princesa! Não posso chorar
contigo, mas me corta o coração te deixar aqui. Fica com este colar de sua mãe e com estas joias.
Decerto aparecerá por aqui alguém que queira ficar contigo. Adeus.
(Sai Antígono. Música de suspense até aparecer a pastora).
Cena 10 (Chega a pastora junto à criança e depois a filha contando sobre a morte de Antígono e o
barco que afundou).
Pastora – Mas que barulho é este? Olha, um bebê! Deve ser rica, está coberta de joias. Filha, venha
ver!
Filha – O que foi, mamãe?
Pastora – Achei um bebê. E não é só isso... veja! Joias!
Filha – Pelos deuses!
Pastora – Onde estavas?
Filha – Estava por aqueles lados. Vi um homem morto totalmente desfigurado, provavelmente atacado
por um urso. Depois fui até a praia e vi restos de um naufrágio. Um navio muito grande deve ter sofrido
com a tempestade de ontem.
Pastora – Pobre criança, deve ter sobrevivido deste naufrágio. Quiseram os deuses que nós a
encontrássemos.
Filha – Provavelmente. Veja, quanto ouro!
Pastora – Filha, vamos cuidar desta criança. Somos pobres, mas com este dote podemos dar-lhe um
bom futuro.
Filha – Ela tem uma correntinha escrito Hermíone. Parece ervilha, não gostei. Mamãe, vou chamá-la
de Perdita.
Pastora – É um bom nome. Ganhei uma nova filha.
Filha – E eu uma nova irmã.
Pastora – Vamos, minha filha, a criança deve estar com fome.
Filha – Deixa eu levar a criança e a senhora se encarrega do baú de joias.
(saem as duas)
CORO
Criada 1 – Já se passaram 15 anos e o rei continua triste.
Criada 2 – Bem feito, quem manda ser tão ruim. Quem é ruim sofre.
Criada 1 – Onde estará a filha do rei?
Criada 2 – Rezo todos os dias para que esteja bem, mas acho difícil. Nunca mais se soube de
Antígono.
Criada 1 – Olha, aí vem Paulina...
Paulina – (chegando) O que vocês estão fofocando?
Criada 2 – Nada. Quem é aquele vulto que vimos na sua janela?
Paulina – Não é ninguém. Voltem ao seu trabalho. (saem)
Cena 11 (Perdita cresce e encontra com Florízel)
Pastora – Filha, nem parece que se passaram quinze anos daquele nosso encontro com o bebê
perdido na praia.
Filha – Perdita está muito bonita. Parece até uma princesa.
Pastora – E quem sabe seja. Por causa dela temos uma vida confortável. Veja, até o filho do rei
Polícenes vem nos visitar!
Filha – Ele está interessado é na nossa Perdita!
Pastora – Mas não pode. Um príncipe não pode namorar uma filha de pastores.
Filha – Estão aí fora. Vamos chamá-los.
(Chamam Perdita, que entra com Florízel).
Perdita – O que querem de nós.
Florízel – Estávamos a conversar sobre a natureza.
Pastora – Desculpe-nos, caro príncipe Florízel, precisávamos conversar com vocês.
Filha – Isso mesmo, vocês não podem namorar.
Perdita – Mas o nosso amor é tão grande!
Florízel – Pretendemos nos casar.
Pastora – Um príncipe não pode casar com uma plebeia. O senhor príncipe Florízel é filho do rei
Polícenes.
Filha – O rei Polícenes é muito brabo, ninguém sabe por que. Depois que a mãe de vossa alteza
morreu anda pior ainda.
Perdita – Saberei como domar seu pai.
Florízel – Acredito em você e no nosso amor! A senhora é uma dama rica, apesar de nunca sabermos
como conseguiu tal herança.
Pastora – Então, podem casar. Mas precisamos contar um segredo.
Filha – Acontece que Perdita é adotada. Encontramos você na praia junto com este colar e um baú de
joias, o que nos levou a esta pequena fortuna.
Perdita – Que bom que me contaram. Quem sabe eu não seja uma princesa perdida?
Florízel – Eu acredito nisso. Vamos casar.
Pastora – Preparem-se, faremos isso sem o consentimento do rei.
Filha – Isso! Aos preparativos.
(Saem felizes).
Cena 12 (Festa da pastora onde o rei Polícines e Camilo entram disfarçados).
Camilo – Veja, meu caro rei Polícenes. A festa está animada.
Polícenes – Vou deserdar o meu filho Florízel, Camilo.
Camilo – Ainda bem que estamos disfarçados.
Polícenes – Quero pegar os dois e dar uma boa surra nesta moça que ousa tirar-me o filho.
Camilo – Ali estão os dois.
Polícenes – Vamos chegar mais perto.
Florízel – Como te amo, cara Perdita.
Perdita – E eu também.
Florízel – Não tenho medo de meu pai.
Camilo – Pois deverias ter, ele está aqui.
(O pai se revela).
Polícenes – Como ousam casar sem meu consentimento. Camilo, agarre esta moça, mandarei os
guardas pegarem meu filho e esses pastores de aldeia.
(Sai).
Filha – (chegando, liberta Perdita, dando uma paulada em Camilo) Fuja, minha irmã. Vá para a Sicília
com Florízel. Lá, acredito que serás feliz.
Florízel – Vamos, meu amor. O rei Leontes foi amigo de meu pai.
Pastora – Iremos com vocês. Levaremos estas jóias para pagar a viagem.
(Saem, só ficando Camilo no chão quando chega o rei Polícenes).
Camilo – Me acertaram na cabeça, rei Polícenes.
Polícenes –Até os guardas se dispersaram. Maldição! Onde foi todo mundo?
Camilo – Fugiram para a Sicília.
Polícenes – Então temos que ir atrás. Apesar de eu ter uma desavença com o rei Leonte, preciso
tornar a vê-lo, sinto que o futuro nos será alegre. Vamos.
Cena 13 (Leontes recebe a sua filha e genro)
Sacerdotisa – Caro rei Leontes, estão aí, para ver vossa majestade, o príncipe da Boêmia e umas
senhoras.
Leontes – Faça-os entrar, estou tão triste que talvez vendo o filho de Polícenes me alegre um pouco.
Sacerdotisa – (Anunciando) O Príncipe Florízel, filho de sua majestade o rei Polícenes!
Leontes – Bem vindos, o que desejam.
Florízel – Meu pai não queria que casássemos e fugimos de nosso reino.
Perdita – Sou Perdita, filha adotada desta senhora e irmã desta outra aqui.
Pastora – Esta menina tem um colar com a indicação de seu reino estampada nela.
Filha – A menina foi achada na praia depois de um naufrágio.
Sacerdotisa – Veja, meu rei, é o colar de Hermíone. Você só pode ser a filha de vossa majestade.
Leontes – Oh, destino! És a filha que mandei abandonar em praia distante!
Sacerdotisa – Deves agora aceitá-la, pois a profecia se cumpriu.
Leontes – Venham, eu os abraço e recupero minha alegria.
Florízel – Vejam só! És uma princesa. Eu bem que sabia!
Perdita – Ganhei um pai, que bom!
Pastora – Como tudo acaba bem!
Filha – Mas e o rei Polícenes?
(Entra o Rei Polícenes com Camilo).
Polícenes – Ouvi tudo. Podes casar, meu filho. Abraça-me, Leontes. Nossos filhos são noivos.
Camilo – Majestades. Uma mulher chamada Paulina chama a todos para uma grande surpresa.
Todos – Vamos ver o que é.
Cena 14 (Paulina mostra a estátua de Hermíone e Leontes casa Paulina com Camilo).
Paulina – (entra empurrando uma estátua tapada com um lençol) – Meu rei Leontes, tenho para vós
uma surpresa. A estátua de Hermíone!
Perdita – Minha mãe!
Leontes – Descerre logo o pano, Paulina.
Paulina – Quero que olhem com carinho para esta estátua. Ela representa é a fidelidade e honradez.
(O pano é descerrado e aparece a estátua, a própria Hermíone).
Sacerdotisa – Veja, parece tão natural.
Paulina – Não cheguem perto, acabou de ser pintada.
Leontes – Deixa-me beijá-la.
Sacerdotisa – A tinta está fresca!
Leontes – O escultor fê-la tão perfeita, que acrescentou até as rugas da idade.
Florízel – Parece ser uma senhora muito meiga e linda.
Perdita – É minha mãe. Sei que é minha mãe.
(A estátua toma vida. Música).
Pastora – Meu Deus, ela está viva!
Hermíone – Sou eu, fui escondida por Paulina até o dia em que minha filha aparecesse. E aí está.
Venha abraçar-me. (Abraços).
Sacerdotisa – Rei Leontes, vossa majestade entristeceu a vida de muita gente com seu ciúme. Deves
recuperar o que destruíste!
Leontes – Hermíone, aceitas-me novamente?
Hermíone – Sim, apesar de tudo ainda o amo.
Leontes – Polícenes, podemos voltar a ser amigos?
Polícenes – Agora que somos parentes, com o casamento de nossos filhos. É claro!
Leontes – Filha, me perdoas?
Perdita – Sim, papai!
Leontes – Paulina, como posso agradecer-te?
Paulina – O senhor roubou-me o marido quando o mandou para terras distantes deixar a pobre menina
a sua sorte.
Polícenes – Fique com Camilo. Pronto, agora tens um novo marido.
Filha – Pelos deuses, tudo acabou bem!
Fim

Ovelha Negra – Autor: Giulliano Freitas.


Personagens:
*Tara *Nair *Curandeiro das Montanhas *Augusto
*Rosa *Jurema *Anjo *Sofia
*Ovelha *Mendigo *Monaliza *Competidores
Cena 01 – Manchas
Tara: (entra de cabeça baixa com sua ovelha) Poxa vida, por que ainda tenho que aturar essa minha
tia? Vive mandando em mim, pensando que é a dona do mundo, assim não dá!
Nair (chegando): O que foi que disse? Acha pouco o trabalho que estou lhe dando?
Tara: Se pelo menos eu trabalhasse e você me desse algo em troca, eu aceitaria numa boa, mas me
trata como uma escrava!
Nair: Como não te dou nada? Te dou minha roupa para lavar, minha comida para fazer. Aliás, Tara
estou com fome. Vou sair quando voltar quero o jantar pronto! (sai).
Tara: Como pode? Desde que meus pais faleceram é sempre assim, ela me trata como uma cachorra.
Ainda diz ser minha tia! (sai).
Nair (acompanhada de Jurema): Ai Jurema, eu não aguento mais aquela garota na minha casa! Come
da minha comida, dorme na minha casa e ainda diz ser maltratada!
Jurema: Nossa! Você não gosta mesmo da sua sobrinha, devia ser mais gentil com ela. Ela parece
ser uma menina boa.
Nair: Ai, como você é tola! Não sei como ainda sou sua amiga, todos os anos passei vendo sua burrice,
mas que bom que ainda está ao meu lado.
Jurema: Não sei não... Se continuar desse jeito, irei me afastar!
Nair: Faça o que bem quiser, agora vou jantar, estou morrendo de fome. Tchau! (sai).
Jurema (espera Nair sair): Sinto que tenho de ajudar aquela menina (sai)
Tara (entrando com sua ovelha): Você está mudada, sua lã não é como antes (observa a ovelha
andando em volta dela) Sua lã está mais escura. Essa não! Você deve estar doente, só pode ser isso!
Ovelha: Béééé!
Tara: Preciso te ajudar, você é a única lembrança deixada pelos meus pais, eu prometi a minha mãe
que iria cuidar bem de você, afinal você é filhote da ovelha que minha mãe mais adorava! Venha,
vamos falar com Jurema talvez ela tenha alguma ideia. (sai)
Tara (entrando com Jurema): E é isso que está acontecendo com minha ovelha, ela está ficando
negra! Não tem alguma ideia que possa nos ajudar?
Jurema: Bem, falando assim você me faz lembrar um curandeiro que vive nas montanhas. Dizem que
ele cura qualquer coisa, qualquer pessoa.
Tara: E como chego até ele?
Jurema: Lamento, mas não sei o caminho, isso terá de descobrir sozinha.
Tara: Preciso ir logo, antes que minha tia me veja.
Jurema: Tem certeza que vai? Se for, pode ser uma viagem sem volta.
Tara: Assim será. Quanto mais longe de minha tia, melhor. Obrigada Jurema. Adeus (sai. Jurema sai
pelo outro lado)
Tara (cansada): Nossa, acho que corremos por horas, precisamos descansar (olha para a ovelha)
Essa não suas manchas estão cada vez maiores. Deite-se e beba um pouco d’água (dá água para a
ovelha) Agora está melhor. Vamos dormir (deitam-se e dormem, em seguida chega Mendigo).
Mendigo (observando Tara): Hum, veja só... Uma garota bem arrumada, com certeza deve ter uma
comida para me oferecer. (cutuca Tara que logo acorda) Garotinha, acorde, acorde.
Tara (acordando): Hum... Quem é você?
Mendigo: Sou um mendigo perdido, com fome, frio em sem água para beber. Não tem alguma coisa
para me dar?
Tara: Ora, me desculpe. A única gota d’água que eu tinha dei para minha ovelha que está doente.
Mendigo: Entendo. O que ela tem?
Tara: Veja, essas manchas (aponta) Começaram a aparecer recentemente. Uma amiga me
recomendou que eu fosse até o Curandeiro das Montanhas. Já ouviu falar?
Mendigo: Não tenho certeza, mas dizem que ele cura qualquer coisa.
Tara: Você sabe como chegar até ele?
Mendigo: Infelizmente não, mas certa vez ouvi uma mulher falar sobre ele. Ela costuma ficar na praça,
sentada alimentando os pombos. Posso levar você até ela.
Tara: Por favor.
Mendigo: Venha! (saem).
Cena 02 – Rosa de Nome
Mendigo (escondido com Tara observando uma senhora sentada num banco de praça) Ali está ela!
Tara: Não sei nem como te agradecer, tenho algumas moedas comigo, compre algum lanche.
Mendigo: Deus lhe pague! (sai)
Tara: (timidamente se aproxima da senhora) Olá, tudo bem?
Rosa: Olá garotinha. Vou levando a vida nessa solidão. Torça para não ficar velha logo. As pessoas
se esquecem que você existe!
Tara: Lamento. Permita-me saber seu nome?
Rosa: Me chamo Rosa. Rosa Moreira e você?
Tara: Tara (mostra a ovelha) e essa aqui é minha ovelha, ela se chama Tijolinho. Ela está doente.
Recentemente começaram a aparecer essas manchas, estou muito preocupada.
Rosa: Deixe-me ver (olha a ovelha) Hum... Isso não é bom!
Tara: Estou bastante preocupada. Procuro pelo Curandeiro das Montanhas, por acaso já ouviu falar
dele?
Rosa: Oh! O Curandeiro das Montanhas é um homem muito misterioso ele cura qualquer coisa.
Qualquer coisa mesmo!
Tara: Seria incomodo se eu te pedisse que me levasse até ele?
Rosa: Claro que não! Levo você com o maior prazer, aqui eu não tenho nada para fazer mesmo.
Tara: Obrigada, irei lhe pagar por isso!
Rosa: Já está me pagando dando sua amizade! (saem)
Rosa (chegando): Querida, já vou lhe dizendo, o caminho vai ser longo e complicado! (vão andando
e conversando).
Tara: Pela minha ovelha faço qualquer coisa.
Rosa: Vejo que é um bem valioso para você.
Tara: E como! É uma lembrança deixada pelos meus falecidos pais e prometi que cuidaria da ovelha
para minha mãe.
Rosa: Pobrezinha, tão nova e já é órfã.
Tara: Não tenha pena de mim. Apesar de tudo estou sendo forte. Vivo na casa de minha tia Nair. É
uma mulher muito ruim, me trata como uma escrava!
Rosa: É uma vida bem complicada a sua. Veja se não é a barraca do Augusto, vamos até lá tomar um
caldo. (chegam perto da barraca)
Augusto: Olá Rosa, quanto tempo não nos vemos! Como anda?
Rosa: Como sempre na minha solidão. A velhice acaba com a gente.
Augusto: Vejo que fez uma amiga. Qual o nome da linda garotinha?
Tara: Olá, me chamo Tara.
Augusto: Bonito o nome. Que tal uma sopa?
Tara: Acho que vou aceitar, mas é pra minha ovelha.
Augusto: Veja só, uma pequena ovelha negra.
Tara: Ela não é negra. Está doente, por isso sua lã está escura.
Augusto: Nunca vi esse tipo de doença, mas vamos tomar a sopa.
Tara: Tudo bem, parece estar gostosa (comem).
Rosa: Estava delicioso, agora precisamos ir embora, temos muito que andar. Iremos de encontro com
o Curandeiro das Montanhas.
Augusto: Boa sorte pra vocês duas, levem este doce (entrega) Podem comer depois.
Rosa e Tara: Adeus! (saem).
Cena 03 – A Garota do Parque
Tara (com Rosa): Sabe Rosa, estou muito ansiosa para ver minha ovelha curada, mas acho melhor
descansarmos um pouco, já estamos andando por horas.
Rosa: Já não é como antes minha querida, minha si ática está me matando, melhor descansarmos
um pouco mesmo. (deitam-se e dormem. Entra a garota observando as duas dormirem. Observa por
um tempo e sai correndo)
Rosa (assustada): Tara! Acorde!
Tara: O que foi?
Rosa: Ouviu esse barulho? Como se tivesse alguém correndo por aqui?
Tara: Não. Ai Rosa, volte a dormir, estou muito cansada.
Rosa: Tudo bem, mas vou ficar acordada por precaução, estou com medo.
Tara: Como quiser.
Rosa: (fica de pé observando se há alguém por ali, até que a garota passa correndo) Ei! Você! Espere
por favor.
Sofia: Pois não?
Rosa: Era você que passou por aqui a pouco tempo?
Sofia: Ah, sim! Assustei?
Rosa: Fiquei preocupada, porque essa hora da noite é bem perigosa.
Sofia: Se acalme, estou apenas treinando, amanhã haverá uma corrida muito importante e eu preciso
ganhar. Faço isso pelo meu pai, ele adora me ver correr, mas já perdi várias corridas. Sempre fico em
terceiro ou em quarto lugar. Desta vez quero ficar em primeiro lugar.
Rosa: Eu também corria quando mais nova e sempre perdia as corridas, mas um dia eu ganhei, eu
usei algo especial.
Sofia: Poderia me dizer o que é tão especial?
Rosa: Se eu for te ver, levarei pra você ver! Aliás, qual o seu nome? Pode me chamar de Rosa.
Sofia: Me chamo Sofia. Não sei se irei lhe ver novamente, mas a corrida será amanhã ao meio dia no
Estádio Principal.
Rosa: Estarei lá, pode contar e irei levar o item especial que faz ganhar!
Sofia: Espero que sim. Agora preciso ir, tenho que treinar. Tchau (sai)
Rosa: Tchau (acena) Tara, levante-se! Tenho uma notícia.
Tara: Ai, você adora me acordar!
Rosa: Fiz uma nova amiga. Será que poderíamos adiar nossa viagem? Haverá uma corrida e eu
gostaria de ver ela correr.
Tara: Pode ser, mas só se ficarmos um pouco, não podemos perder muito tempo.
Rosa: Ótimo! Será amanhã, ao meio dia.
Tara: Tudo bem.
Rosa: Agora venha, preciso pegar um item especial. (saem)
Cena 04 – A Caixa de Sapatos
Rosa (com Tara): Aqui está o item especial!
Tara: Uma caixa de sapatos? O que tem de especial nisso?
Rosa: Você verá. As maiores coisas (leva a caixa para frente) podem estar em pequenos símbolos.
Tara: Nossa, eu adoro sua sabedoria, mas não sei não essa caixa é apenas um monte de papelão.
Rosa: Não vou discutir com você! Venha, vamos para o estádio. (saem)
Sofia (alongando com vários competidores atrás): Nem acredito que chegou o grande dia. Espero que
meus esforços sejam recompensados. E olha só o sapato novo que meu pai me deu, sem ele eu
jamais ganharia, aliás, será que a Rosa vem?
Rosa (aparecendo atrás de Sofia): Perguntou por mim?
Sofia: Rosa! (dá um abraço) E quem é essa? Sua amiga?
Tara: Sou uma amiga de Rosa. Vamos Rosa! Entregue logo e vamos embora!
Rosa: Tome! (entrega a caixa para a atleta) Interprete como quiser este presente, mas saberá o que
fazer no final das contas, preciso ir! Boa corrida.
Sofia: Adeus, obrigada! (acena e abre a caixa) Não entendi... Uma caixa vazia. Espere, tem um bilhete.
(lê)” A vitória é à partir do seu próprio uso sem instrumento nenhum.” Espere, acho que agora entendi.
Se eu correr descalça, irei conseguir ganhar, poxa, Rosa é realmente inteligente!
Tara (escondida): Como você sabe que ela irá ganhar?
Rosa: Não sei se ela irá ganhar. A caixa é um meio de mostrar que ela é boa sem usar nada.
Tara: Sem usar esse tal sapato que o pai deu pra ela?
Rosa: Exatamente. Agora e só esperar e ver se ela vai ganhar.
Tara: Rosa, não quero ser chata, mas não podemos ficar mais aqui, ovelha está muito doente.
Rosa: Tudo bem! Boa sorte Sofia. (saem)
Cena 05 – Doce Mentira
Tara (com Rosa): Mas e ai, por que tanto lê esse jornal?
Rosa: Veja só a manchete (lê) “A jovem Sofia completou com audácia as dez voltas no Estádio e levou
o primeiro lugar. O mais incrível é que ela estava descalça!”
Tara: Poxa vida! Você ajudou mesmo ela a vencer!
Rosa: Só mostrei a ela que é muito boa.
Tara: Mudando de assunto... Estamos andando à horas e nunca chegamos.
Rosa: Acalme-se (guarda o jornal) Demora mesmo, quando eu estava levando minha irmã, ela morreu
no caminho.
Tara: Lamento.
Monaliza (desesperada chorando): Não pode ser! Meu único filho agora está morto. Dei minha vida
por ele, morreu na minha frente.
Tara: Acalme-se mulher.
Monaliza: Como pede para me acalmar? Acabei de perder meu filho!
Rosa: Tome. Coma este doce, pode te fazer bem.
Monaliza (mudando para feliz): Doce de amendoim? Eu adoro esse doce. Nada vai me deixar abalada.
Tara: Nossa! Você mesmo disse que havia perdido o filho, isso não te deixa triste?
Monaliza: Mentir às vezes é bom, veja só acabei de ganhar um doce mentindo! Aliás qual seu nome?
Tara: Me chamo Tara e você?
Monaliza: Me chamo Monaliza. Sou uma feiticeira mal treinada, adoro mentir. (ri)
Rosa: Odeio mentiras.
Monaliza: Desculpe senhora, foi por uma boa causa. Pra onde estão indo?
Tara: Estamos procurando pelo Curandeiro das Montanhas.
Monaliza: Quem está doente?
Tara: Minha ovelha. Recentemente começou a aparecer essas manchas, uma amiga me disse que
era uma doença e me recomendou que fosse até ele.
Monaliza: Ele é um grande amigo meu. Posso levá-las até ele.
Rosa: Sua ajuda seria bem-vinda, não me lembro como chegar até a casa dele à partir daqui.
Monaliza: Sigam-me. (saem)
Monaliza (chegando com Tara e Rosa): Ai que calor. Esse curandeiro deveria atender no centro da
cidade. Imagina se vem alguém morrendo buscar ajuda? Simplesmente morre.
Rosa: Perdi minha irmã dessa forma.
Monaliza: Normal queridinha. Era mais de vinte pessoas mortas montanha abaixo, tantos querendo
sobreviver.
Rosa: Viver é fundamental, mas quando você tem amigos, família.
Monaliza: Creio que você seja muito feliz por ter tudo isso.
Rosa: Sou solitária, vivo numa praça alimentando os pombos. Ninguém liga para os velhos hoje em
dia, apenas nos esquecem.
Monaliza: Quando eu tiver sua idade, vou por um botox e ficar bonitona, então todos irão me rodear.
Tara: Você é bonita mesmo.
Monaliza: Você também querida. Agora chega de conversa fiada, vamos logo. (andam em círculos ao
som de música, saem de cena em seguida).
Cena 06 – A Verdadeira Cura: Amizade
Monaliza (com Tara e Rosa. Curandeiro está meditando num canto): Finalmente! Ali está o Curandeiro
das Montanhas!
Tara: Ai, nem acredito que verei minha ovelha curada.
Monaliza: E eu nem acredito que irei ver o Curandeiro! Ai, ele me ama.
Rosa: Boa sorte pra vocês duas, ficarei esperando até que voltem. (sai)
Tara: Rosa andou conosco todo esse tempo e simplesmente não quer falar com o Curandeiro.
Monaliza: Você não ouviu? Ela tem trauma do Curandeiro. Foi vindo aqui que a irmã dela morreu, mas
chega de conversa. (se aproxima do Curandeiro, cutuca-o) Ei, Curandeiro! Sou eu, Monaliza.
Curandeiro: Oh! (espantado) Monaliza! Quanto tempo. Eu estava em profundas meditações. Espero
que tenha me interrompido por uma causa justa.
Tara: E é. Meu nome é Tara e esta é minha ovelha. Recentemente começou a aparecer essas
manchas negras nela. Você poderia curar?
Curandeiro: Uma ovelha negra (examina) Hum... Ela é bonita e parece ser filhote ainda.
Tara: Veja como as manchas são grandes. É uma doença!
Curandeiro: Isso não é doença. É a raça dela. A cor dela é negra, você deve ter se enganado.
Monaliza: O que? Me fez andar todo esse tempo pra nada?
Tara: Me desculpe, eu não sabia que era a cor dela. Aquela Jurema me disse que era uma doença.
Bem que minha tia diz que ela é burra!
Anjo (arrastando Rosa): Venho trazer essa mulher que encontrei morta um pouco abaixo dessa
montanha.
Tara: Espere (examina) Essa é Rosa, uma amiga minha.
Monaliza: Será mesmo uma amiga sua?
Tara: Claro que é. O que quer dizer com isso?
Monaliza: Enquanto você se preocupava com sua ovelha que não tinha absolutamente nada, Rosa
sofria calada.
Tara: Como assim, não estou entendendo.
Monaliza: Rosa tem câncer. Por que acha que ela não quis vir conosco?
Tara: Ela não gosta deste lugar.
Monaliza: Isso foi uma desculpa. Rosa sabia que iria morrer e não queria que você visse, por isso se
afastou.
Tara (do lado do corpo de Rosa): Não pode ser, perdi uma grande amiga! Curandeiro será que você
não pode fazer alguma coisa?
Curandeiro: Lamento, mas quando uma pessoa é dada como morta, nada mais se pode fazer, a não
ser que tenha poderes de outros.
Monaliza: Sou uma feiticeira.
Anjo: E eu sou o anjo da falecida.
Curandeiro: Pronto! Agora basta unirmos nossos poderes para salvar Rosa. (colocam as mãos sobre
Rosa) Corpo Morto.
Monaliza: Crie Luz.
Anjo: E viva!
Rosa (acordando): O que aconteceu?
Tara (olha profundamente para Rosa) Nada. Obrigada por estar aqui comigo, grande amiga. (saem
todos de cena, fica Anjo)
Anjo: Tara logo foi adotada por Rosa e hoje vivem muito felizes. Monaliza assumiu seu amor pelo
Curandeiro e logo se casaram. Nair virou freira para pagar seus pecados. Sofia se tornou uma das
melhores corredoras graças à Rosa. E quanto à ovelha? Está parindo seus filhotinhos... Negros com
toda certeza! (sai)
FIGURAS DE SEMELHANÇA
O nome “figura de semelhança” serve para entender a utilidade das próximas figuras de
linguagem. Não se preocupe com decorar essa palavra, ok?
1. Metáfora É uma relação de semelhança entre a palavra e o que ela representa.
Exemplo: Século das Luzes. A expressão se refere ao Iluminismo do Século XVIII, movimento
intelectual que valorizou a razão. Esta, por sua vez, é relacionada com a iluminação do conhecimento.
2. Comparação É como uma metáfora, mas existe um conectivo que deixa essa relação comparativa
explícita.
Exemplo: O Século é como a luz.
3. Antonomásia É a substituição de uma palavra por alguma que se refere a uma característica
particular dela, permitindo a sua identificação com facilidade. É um tipo de metonímia.
Exemplos: Filho de Deus (Jesus Cristo), Terra da Garoa (São Paulo), Cidade Maravilhosa (Rio de
Janeiro).
4. Personificação (prosopopeia) Dá características de pessoas a elementos não humanos, como
objetos, plantas e animais. A personificação também é como se fosse uma metáfora, mas a qualidade
é especificamente humana.
Exemplo: Árvores se abraçam.
5. Catacrese É um termo que existe devido à falta de uma palavra específica para nomear algo.
Assim, é utilizado um substantivo que já representa outra coisa. A catacrese já é utilizada na linguagem
coloquial e não é uma invenção do autor.
Exemplo: Pé da mesa, pé de alface
6. Sinestesia É quando sentidos diferentes atuam ao mesmo tempo.
Exemplo: Despertara-a um grito áspero, vira de perto a realidade (…). Neste trecho do livro Vidas
Secas, “grito” se refere à audição e “áspero” se relaciona com o tato.
7. Onomatopeia É um processo para formar palavras que tentam reproduzir determinado som.
Exemplo: Miau.
FIGURAS DE CONTIGUIDADE
Contiguidade é o mesmo que proximidade. As figuras de contiguidade substituem um elemento
por outro porque eles são próximos.
8. Metonímia É o uso de uma palavra para representar algo muito próximo a ela. Acontece, por
exemplo, quando o nome de uma marca representa o produto, quando a causa se refere ao efeito, ou
quando uma parte substitui o conjunto todo.
Exemplos: O bonde passa cheio de pernas: pernas brancas pretas amarelas. (Drummond)
Tomei um nescau. A marca representa o produto
FIGURAS DE OPOSIÇÃO
As figuras de oposição relacionam elementos divergentes, com significados distintos. Ao
realizar a interpretação, entendemos que as palavras têm significado figurado, ou seja, não
literal.
9. Paradoxo O paradoxo cria uma mensagem que parece absurda. Relaciona características opostas
de maneira simultânea.
Exemplo: Os tempos mudavam, no devagar depressa dos tempos. (Guimarães Rosa – A terceira
margem do rio)
10. Ironia É quanto há um contraste entre o que está escrito (ou é falado) e a mensagem que o
interlocutor quer transmitir.
Exemplo: Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis. (Machado de Assis –
Memórias Póstumas de Brás Cubas)
11. Antítese É uma relação que explora contrastes, mas sem a contradição presente no paradoxo.
Exemplo: Os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais (Drummond – Nova reunião)
FIGURAS DE TENSIVIDADE
12. Eufemismo Transforma uma mensagem desagradável em algo mais suave.
Exemplo: Ele não está mais entre nós.
13. Gradação É uma transformação gradual, de forma crescente ou decrescente.
Exemplo: Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada (Gregório de Matos – Soneto a Maria de
Povos)
14. Hipérbole É relacionada com o exagero.
Exemplo: Estou morrendo de frio.
FIGURAS DE REPETIÇÃO Anáfora, polissíndeto e quiasmo repetem palavras. O pleonasmo repete
a ideia.
15. Pleonasmo É quando uma ideia implícita em outra palavra é repetida para reforçá-la.
Exemplo: Vamos fugir pra outro lugar, baby. (Gilberto Gil – Vamos fugir) “Fugir” significa sair de um
lugar em direção a outro.
16. Anáfora É a repetição regular de uma palavra.
Exemplo: Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse a valsa vienense, se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse… (Drummond – E agora, José?)
17. Polissíndeto É a repetição de uma conjunção. Saiba mais sobre conjunções nesta aula.
Exemplo: Ou estuda, ou trabalha, ou tem vida social, ou tem saúde.
18. Quiasmo O quiasmo é uma repetição cruzada. O som “qui” (de “quiasmo”) pode ser relacionado
com um “X” (representando uma cruz).
Exemplo: E estudava, e trabalhava, e trabalhava e estudava.
FIGURAS SINTÁTICAS OU DE CONSTRUÇÃO
19. Silepse É quando há concordância verbal ou nominal com a ideia, mas não com a palavra
Exemplo: A gente é novo. “Gente” é substantivo feminino e “novo” é adjetivo masculino.
20. Hipérbato
É quando a oração não está na ordem direta para produzir um efeito de sentido. Estude os efeitos das
orações em ordem direta e indireta nesta aula.
Exemplo: Estudavam anteriormente com enciclopédias os alunos.
21. Elipse É quando algum termo da oração é oculto, mas dá para saber qual palavra é através do
contexto.
Exemplo: Fiz uma redação hoje. O pronome “eu” está oculto.
22. Zeugma É um recurso que omite um termo que já foi mencionado antes na oração. É como se
fosse uma elipse.
Exemplo: Ele gosta de Biologia, eu de Geografia. O verbo “gostar” apareceu antes e está oculto.
23. Assíndeto É uma omissão (parecida com uma elipse), porém é exclusiva para conectivos e
conjunções.
Exemplo: Acordei, comi, estudei, dormi. Não há a conjunção “e” para unir as duas últimas orações.
24. Aliteração É utilizar, consecutivamente, palavras com consoantes que produzem sons parecidos.
O resultado é um trava-língua.
Exemplo: O rato roeu a roupa do rei de Roma.
25. Assonância A assonância é muito parecida com a aliteração: é a repetição consecutiva de
palavras com vogais tônicas. O recurso de linguagem é muito comum na poesia simbolista.
Exemplo: Ó Formas alvas, brancas, Formas claras. (Cruz e Souza – Antífona)
26. Anacoluto A estrutura sintática da frase é interrompida por algum elemento “solto”. O recurso faz
a linguagem escrita se parecer com a linguagem oral, dando espontaneidade à mensagem.
Alguns teóricos consideram o anacoluto um erro de sintaxe (Gramática). Por isso, ele deve ser
interpretado no contexto. A figura é frequente em obras como Vidas Secas, que possuem diálogos
muito próximos à linguagem do dia-a-dia.
Exemplo: Matemática, como aprender essa matéria?
Questão 1

Relacione as colunas de acordo com o tipo de figura de linguagem utilizado na construção de sentido
das frases a seguir:
a) Estou rindo para não chorar. 1. Eufemismo.
b) Eu nasci em Minas; meu irmão, em Goiás. 2. Prosopopeia.
c) Não se deve faltar com a verdade. 3. Antítese.
d) Chorei rios de lágrimas. 4. Ironia.
e) Quem foi o educado que estacionou onde não devia? 5. Elipse.
f) Seus olhos são dois topázios. 6. Pleonasmo.
g) O sol beijava o alto das montanhas. 7. Hipérbole.
h) “Sorri um sorriso pontual” - Chico Buarque 8. Metáfora.

Questão 2
Assinale a única alternativa que possui a figura de linguagem conhecida como metáfora:
a) ( ) Correu feito louco para não perder o ônibus.
b) ( ) Sua pele é um pêssego.
c) ( ) “Cabelos tão escuros como a asa da graúna” - José de Alencar.
d) ( ) Era delicada como uma flor.

Questão 3
A alternativa que possui uma antítese é:
a) ( ) Ele subiu no telhado nessa madrugada.
b) ( ) O vento sussurrava na noite fria.
c) ( ) Estou morrendo de medo.
d) ( ) Os bobos e os espertos convivem no mesmo espaço.
e) ( ) Ela morou ali durante dois meses, e ele, durante vários anos.

Questão 4
(FGV) Assinale a opção que apresenta o segmento do texto em que não ocorre a presença da ironia.
a) “ Iniciei-me no exílio antropológico ”.
b) “ solicitei a uma respeitável figura do último reduto urbano ”.
c)“... uma atividade tão inútil quanto estúpida ”.
d) “ Essa plausível hipótese levou o nosso intermediário ...”.
e) “... acreditou ter testemunhado dois cientistas em ação ”.

Questão 5
(IFB) A seguir, há dois extratos de poemas de épocas diferentes: o primeiro, do final do século XIX, e
o segundo, do início do século XX. Mesmo sendo textos com dessemelhanças contextuais, há, neles,
uma figura de linguagem comum. Leia-os, para marcar a opção CORRETA:

Texto 1: Texto 2:
SONHO BRANCO (Cruz e Sousa) DENTRO DA NOITE (Manuel Bandeira)
De linho e rosas brancas vais vestido, Dentro da noite a vida canta
Sonho virgem que cantas no meu peito!... E esgarça névoas ao luar...
És do Luar o claro deus eleito, Fosco minguante o vale encanta.
Das estrelas puríssimas nascido. [...] Morreu pecando alguma santa...
A água não para de chorar. [...]
a) ( ) Prosopopeia b) ( ) Catacrese c) ( ) Aliteração
d) ( ) Hipérbole e) ( ) Paradoxo

Resposta Questão 1 a) 3 b) 5 c) 1 d) 7 e) 4 f) 8 g) 2 h) 6
Resposta Questão 2 Letra B. Nas demais alternativas, a figura de linguagem utilizada foi a comparação.
Resposta Questão 3 Letra D
Resposta Questão 4 Letra E
Resposta Questão 5 Letra A. Atribuição de características humanas a animais e objetos inanimados.
Coloque: I. Comparação; II. Antítese; III. Metonímia; IV. Prosopopeia;
V. Metáfora; VI. Hipérbole; VII. Eufemismo

( ) "...dão um jeito de mudar o mínimo para continuar mandando o máximo"


( ) "O pavão é um arco-íris de plumas"
( ) "...o essencial é achar-se as palavras que o violão pede e deseja"
( ) "Um dia hei de ir embora / Adormecer no derradeiro sono."
( ) "A neblina, roçando o chão, cicia, em prece.”
( ) Eles morreram de rir daquela cena
( ) Aqueles olhos eram como dois faróis acesos.
( ) Às sete horas da manhã, a rua acordava.
( ) Aquelas crianças que choravam rios de lágrimas.
( ) Não tenho mais Maizena em casa.

1. Qual a figura de linguagem presente na frase “As mãos que dizem adeus são pássaros que vão morrendo lentamente.”, de
Mário Quintana?
a) comparação b) metáfora c) metonímia d) eufemismo
b) metáfora

2. Qual figura de linguagem está presente nas seguintes frases:


Toda minha vida morei no país do futebol.
Nunca visitei a cidade maravilhosa.
a) anáfora b) paranomásia c) perífrase d) catacrese
c) perífrase

3. Indique a expressão em que não ocorre pleonasmo.

a) entrar para dentro b) adiar para depois c) liberdade escrava


d) fatos reais e) encarar de frente f) certeza absoluta
c) liberdade escrava

4. Qual a figura de linguagem usada na expressão identificada no exercício anterior?


a) paradoxo b) eufemismo c) hipérbole d) prosopopeia
a) paradoxo

5. Identifique em que alínea ocorre silepse de gênero, de número e de pessoa.


a) O casal comprou a passagem e viajaram sem destino.
b) Angra dos Reis é linda!
c) Todos decidimos que era hora de mudar.

a) silepse de número
b) silepse de gênero
c) silepse de número

6. Classifique as figuras de linguagem usadas nas seguintes frases em hipérbole e eufemismo.


a) Eu morri de rir com aquela história.
b) Minha filha mais nova já é mocinha.
c) Você está ficando muito cheinha.
d) Ele veio voando para casa.
e) Já disse isso um milhão de vezes.
f) Ele sempre foi meio desprovido de inteligência.

a) hipérbole b) eufemismo c) eufemismo d) hipérbole e) hipérbole f) eufemismo

7. Assinale as alíneas que se referem a figuras de construção.


a) aliteração
b) anástrofe
c) elipse
d) ironia
e) eufemismo
f) silepse
g) polissíndeto
h) sinestesia

b) anástrofe c) elipse f) silepse g) polissíndeto


8. Qual é a figura de linguagem que está presente a frase “O silêncio desaprovador dos meus colegas.”, de Camilo Castelo
Branco?
a) metáfora b) hipálage c) pleonasmo d) hipérbato
b) hipálage

9. Identifique em qual frase há uma anástrofe e em que frase há uma sínquise.


a) Cobertor azul macio bebê dormia no.
b) Aos filhos, a mãe deu chocolates.

a) sínquise
b) anástrofe

10. Qual das seguintes figuras de linguagem não pertence ao grupo das figuras de palavra?

a) metáfora
b) comparação
c) metonímia
d) sinestesia
e) assonância
f) perífrase
g) catacrese

e) assonância

11. Assinale com v (verdadeiro) ou f (falso) as figuras de linguagem identificadas nas frases seguintes.

a) Meus netos respeitam meus cabelos brancos. Metonímia


b) Quem foi o inteligente que cometeu esses erros todos? Ironia
c) Eu vi o sol. Eu vi a lua. Eu vi você. Silepse
d) Fiquei sentada, ouvindo a doce música. Sinestesia
e) Meu filho é teimoso como uma mula. Metáfora

a) V
b) V
c) F
d) V
e) F

12. Assinale as alternativas em que ocorre catacrese.

a) a cabeça do alfinete
b) o dente de alho
c) conclusão final
d) a batata da perna
e) elo de ligação
f) o céu da boca
g) a pele do tomate
h) futuro da humanidade

a) a cabeça do alfinete b) o dente de alho d) a batata da perna f) o céu da boca g) a pele do tomate

13. Identifique a figura de linguagem usada nas alternativas abaixo:


Ouvimos um enorme bum!
Já não aquento mais esse tique-taque!
Quando eu menos esperava, plim, ele apareceu.

a) onomatopeia b) aliteração c) assonância


a) onomatopeia

14. Caracterize o tipo de elipse presente nas frases.


a) No final da prova, nenhum aluno satisfeito.
b) Neste Natal, não vou sair da linha.

a) elipse do verbo b) elipse do sujeito


A FAMÍLIA E A FESTA NA ROÇA - Martins Pena
Personagens
DOMINGOS JOÃO, fazendeiro. ANTÔNIO DO PAU DALHO.
JOANA DA CONCEIÇÃO, sua mulher. ANGÉLICA, curandeira.
QUITÉRIA, sua filha. INACINHO, filho de Domingos João.
JUCA, estudante de medicina.

Quadro 1

O teatro representa uma sala de uma casa da roça, mesquinhamente mobiliada com mesa e cadeiras de pau. Domingos João, sentado à
mesa, está vestido de calças de riscado e japona de baetão azul. (...)

CENA XIII

Entra Juca correndo, seguido de Inacinho.


JUCA – O que há de novo?
JOANA – Senhor doutor, minha filha está para morrer.
JUCA Chega-se para Quitéria e toma-lhe o pulso e diz – Não é nada; mande vir um copo com água. (sai Joana.)
JUCA, para Domingos – Quando digo que não é nada, falto um pouco à verdade, porque sua filha tem uma inflamação de carbonato de
potassa.
DOMINGOS JOÂO, muito espantado – Inflamação de quê?
JUCA – De carbonato de potassa.
ANTÔNIO – E isto é perigoso, senhor doutor?
JUCA – Muito; não só para ela, mas para a pessoa que com ela se casar.
ANTÔNIO à parte – Mau! (Entra Joana com um copo de água)
JOANA – Aqui está a água. (Juca toma o copo de água, faz que tira uma coisa da algibeira e a deita dentro do copo.)
JUCA – Este médico vai curá-la imediatamente. (Dá a Quitéria, que logo que bebe o primeiro gole abre os olhos.)
DOMINGOS JOÃO – Viva o senhor licenciado.
QUITÉRIA, levantando-se - Minha mãe...
JOANA – Minha filha, o que tem?
JUCA – Esta menina é preciso ter cuidado na sua saúde, e eu acho que se ela se casar com um homem que não entenda de medicina
está muito arriscada a sua vida.
DOMINGOS JOÃO – Mas isto é o diabo; já prometi-a ao senhor... (Apontando para Antônio)
ANTÔNIO – mas eu...
JUCA – Arrisca assim a via de sua filha.
DOMINGOS JOÃO – Já dei minha palavra. (Juca coça a cabeça)
QUITÉRIA – Ai, ai eu morro! (Cai na cadeira.)
TODOS – Acuda, acuda, senhor doutor!
JUCA, chegando-se – Agora é outra doença.
DOMINGOS JOÃO – Então, o que é agora?
JUCA – É um eclipse.
DOMINGOS JOÃO, admirado – Ah! (Juca esfrega as mãos e passa-as pela testa de Quitéria.)
QUITÉRIA, abrindo os olhos – Já estou melhor.
JUCA – vê, Sra. D. Joana, se sua filha não tiver sempre quem trate dela, morrerá certamente. Não é assim Sra. Angélica? (Quando diz
essas últimas palavras dá, as escondidas, á Angélica, uma bolsa com dinheiro.)
ANGÉLICA – senhor doutor, tem razão, a menina morre.
DOMINGOS JOÃO – Então o que havemos de fazer?
JUCA – Se eu não estivesse estudando...
JOANA – o senhor licenciado podia...
JUCA – Se meu pai...
DOMINGOS JOÃO – Tenho uma boa fazenda, e o marido da minha filha fica bem aquinhoado
JUCA – Se o Sr. Domingos quisesse...
DOMINGOS JOÃO – Explique-se.
JUCA – Conhecendo as boas qualidades de sua filha, e estimando muito a sua família, me ofereço...
JOANA, com presteza – E o consentimento de seu pai?
JUCA – Esse o terei.
DOMINGOS JOÃO – Mas, a palavra que dei ao Sr. Antônio?
ANTÔNIO – Não se aflija, pois não desejo mais casar-me com uma mulher que tem eclipses.
JUCA – Visto isso, cede?
ANTÔNIO – De boa vontade.
JOANA – Senhor Domingos João, diga ao senhor que sim!
ANGÉLICA – Olhe que sua filha morre!
INACINHO – Meu pai, case- a, com os diabos! O senhor licenciado é boa pessoa.
DOMINGOS JOÃO – já que todos o querem, vá feito. (Para Juca) Minha filha será sua mulher. (Quitéria levanta-se.)
JUCA – Como consente, quisera que eu efetuasse isto o mais breve possível.
DOMINGOS JOÃO – Iremos agora mesmo falar ao vigário, e de caminho podemos ver a festa.
JOANA – Diz bem.
DOMINGOS JOÃO – Vão se vestir. (Saem as duas.)
JUCA – Quando eu acabar meus estudos voltarei para ajudar meu pai.
DOMINGOS JOÃO – Dê-me um abraço. (Para Inacinho) Já agora não irás amanhã para a cidade. Quem havia de dizer que o Sr. Juca
seria meu genro!
ANGÉLICA – deus assim o quis.
DOMINGOS JOÃO – E o quebranto, não? Dizia esta mulher, Sr. Juca, que minha filha tinha quebranto, diabo no corpo, espinhela caída,
quando ela não teve senão carbonato de eclipse.
JUCA, rindo-se sem poder se conter – É verdade!
DOMINGOS JOÃO, desconfiado – De que se ri?
JUCA – da asneira da senhora.

1. Por que a mãe de Quitéria, achava que a filha “estava para” morrer?
______________________________________________________________________________________________________________

2. Em determinado momento, Juca fala ao pai de Quitéria sobre a saúde da moça. Percebe-se que a intenção de Juca é impressioná-lo
sobre a gravidade da doença, utilizando palavras próprias do universo cientifico. Retire do texto trechos que comprovem esta intenção.
______________________________________________________________________________________________________________

3. Qual alternativa melhor expressa o que Juca pensava sobre Domingos João, o pai de Quitéria, ao fazer essas escolhas de linguagem?
a) esperto e lógico.
b) ingênuo, porém lógico.
c) ingênuo e facilmente impressionável.
d) muito esperto, porém impressionável.

4. Copie do texto uma fala de Juca em que se possa perceber sua verdadeira intenção; convencer os pais de Quitéria de que ele era o
marido ideal.
___________________________________________________________________

5. Além do compromisso de casamento assumido entre Domingos João e Antônio, há outro obstáculo que poderia levar o pai da moça a
ser contra a união entre Quitéria e Juca.
a) Que obstáculo é esse?
_________________________________________________________________
b) Como Juca consegue vencer essa dificuldade?
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
6. Copie o que cada personagem faz para que o plano de Juca e Quitéria se concretize.
Joana:_____________________________________________________________
Antônia:____________________________________________________________
Inacinho:___________________________________________________________
Angélica:___________________________________________________________

7. Ao expor as atitudes de cada personagem, a peça teatral realiza, pelo humor, uma crítica social, o que é próprio da comédia de
costumes. Em sua opinião, o que as atitudes das personagens revelam sobre os valores de cada uma delas?
______________________________________________________________________________________________________________
Na barriga da vaca...

Polegarzinho - Uma pessoa do meu tamanho nunca se pode distrair. Olha o que me foi acontecer! E
agora o que é que eu faço? Socorro! Salvem-me! Estou dentro da barriga da vaca! Estou-me a afogar
em erva! Tirem-me daqui! Não quero mais erva!
(Próximo dali dois ladrões observam...)
Ladrão1 - Aquela vaca está completamente doida. Quanto mais erva come, mais diz que não quer comer.
Ladrão2 - Ó seu estúpido, o problema não é o animal berrar que não quer comer mais erva. O problema
é que as vacas não falam!
Ladrão1 - Não tinha pensado nisso...
Polegarzinho - Socorro! Tirem-me daqui! Não quero mais erva na cabeça!
Ladrão 1 – Ainda por cima tem erva dentro da cabeça. O bicho está mesmo desesperado.
Ladrão2 - Desesperados estamos nós, que não conseguimos roubar nada há mais de uma semana.
Aquela vaca pode ser a nossa salvação.
Ladrão 1 - Como é que uma vaca nos pode salvar?
Ladrão 2 - Ó seu estúpido, uma vaca que fala, mesmo que não diga nada de interessante como tu, é
uma grande atração. E pode render muito dinheiro. O povo gosta dessas coisas.
Ladrão 1 - Acho que já estou a perceber. A vaca diz disparates e nós ganhamos dinheiro...
Ladrão 2 - Inteligente! Toca a roubar a vaca!
Polegarzinho - Tirem-me daqui! Socorro!
Ladrão 1 – Não precisas de gritar mais, filha! Nós vamos tirar-te daí num instante!
Os ladrões roubaram a vaca e também o Polegarzinho, que continuava a berrar desalmadamente dentro
da barriga do animal. Em seguida dirigiram-se para a cidade, onde planeavam exibir publicamente a
“vaca falante”.
No caminho, que era longo, pararam para descansar e a vaca resolveu matar a sede numa poça de
água. Era a oportunidade para o Polegarzinho se escapar. Escorregou pela língua da vaca e mergulhou
na poça, sem que ninguém o visse. Assim se salvou. Mas o descanso durou pouco tempo. Um corvo
míope, julgando que ele era uma rã ao sol, fez um voo picado na sua direção e levou-o pelos ares.
João Paulo Seara Cardoso, Polegarzinho

1. Localiza a ação no espaço.


2. Quem são as personagens deste texto? Quantos atores são necessários para representar este
excerto?
3. Na representação desta peça, o público vê o polegarzinho? Justifica a tua resposta.
4. Podes identificar neste excerto, a presença de um narrador? Justifica com expressões textuais.
5. A seguir à primeira fala de Polegarzinho aparece uma expressão em itálico e entre parênteses
(Próximo dali dois ladrões observam...). Que nome damos a esta indicação?
5.1. Para que serve?
5.2. A quem se dirige?
6. Por que razão, os dois ladrões resolveram roubar a vaca?
7. Polegarzinho conseguiu sair de dentro da vaca? Justifica com expressões textuais.
8. Descobre as palavras relacionadas com teatro, resolvendo as palavras cruzadas.
Na barriga da vaca...

Polegarzinho - Uma pessoa do meu tamanho nunca se pode distrair. Olha o que me foi acontecer! E
agora o que é que eu faço? Socorro! Salvem-me! Estou dentro da barriga da vaca! Estou-me a afogar
em erva! Tirem-me daqui! Não quero mais erva!
(Próximo dali dois ladrões observam...)
Ladrão1 - Aquela vaca está completamente doida. Quanto mais erva come, mais diz que não quer comer.
Ladrão2 - Ó seu estúpido, o problema não é o animal berrar que não quer comer mais erva. O problema
é que as vacas não falam!
Ladrão1 - Não tinha pensado nisso...
Polegarzinho - Socorro! Tirem-me daqui! Não quero mais erva na cabeça!
Ladrão 1 – Ainda por cima tem erva dentro da cabeça. O bicho está mesmo desesperado.
Ladrão2 - Desesperados estamos nós, que não conseguimos roubar nada há mais de uma semana.
Aquela vaca pode ser a nossa salvação.
Ladrão 1 - Como é que uma vaca nos pode salvar?
Ladrão 2 - Ó seu estúpido, uma vaca que fala, mesmo que não diga nada de interessante como tu, é
uma grande atração. E pode render muito dinheiro. O povo gosta dessas coisas.
Ladrão 1 - Acho que já estou a perceber. A vaca diz disparates e nós ganhamos dinheiro...
Ladrão 2 - Inteligente! Toca a roubar a vaca!
Polegarzinho - Tirem-me daqui! Socorro!
Ladrão 1 – Não precisas de gritar mais, filha! Nós vamos tirar-te daí num instante!
Os ladrões roubaram a vaca e também o Polegarzinho, que continuava a berrar desalmadamente dentro
da barriga do animal. Em seguida dirigiram-se para a cidade, onde planeavam exibir publicamente a
“vaca falante”.
No caminho, que era longo, pararam para descansar e a vaca resolveu matar a sede numa poça de
água. Era a oportunidade para o Polegarzinho se escapar. Escorregou pela língua da vaca e mergulhou
na poça, sem que ninguém o visse. Assim se salvou. Mas o descanso durou pouco tempo. Um corvo
míope, julgando que ele era uma rã ao sol, fez um voo picado na sua direção e levou-o pelos ares.
João Paulo Seara Cardoso, Polegarzinho

1. Localiza a ação no espaço.


2. Quem são as personagens deste texto? Quantos atores são necessários para representar este
excerto?
3. Na representação desta peça, o público vê o polegarzinho? Justifica a tua resposta.
4. Podes identificar neste excerto, a presença de um narrador? Justifica com expressões textuais.
5. A seguir à primeira fala de Polegarzinho aparece uma expressão em itálico e entre parênteses
(Próximo dali dois ladrões observam...). Que nome damos a esta indicação?
5.1. Para que serve?
5.2. A quem se dirige?
6. Por que razão, os dois ladrões resolveram roubar a vaca?
7. Polegarzinho conseguiu sair de dentro da vaca? Justifica com expressões textuais.
8. Descobre as palavras relacionadas com teatro, resolvendo as palavras cruzadas.
1 – Local onde se faz a representação.

2 – Local onde os atores se caracterizam e vestem.

3 – Decoração do espaço de representação.

4 – Espaço do palco que não é visto pelo público.

5 – Pessoa que lê o texto em voz baixa, durante a representação para ajudar os atores.
Escola Municipal Prof.ª Rosa Maria Berezoski Demarchi NOTA
Disciplina: Língua Portuguesa
Professor: Iverson Moraes
Aluno (a): _______________________________________________
Data: ____/____/_____ Turma: __________
Conteúdos: Texto Dramático
Assinatura Pais ou Responsável: ______________________________

AVALIAÇÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA

Veja o trecho de um texto dramático que conta a história de Odorico Paraguaçu, candidato a prefeito na
fictícia cidade de Sucupira. A peça está dividida em nove quadros. Leia a seguir o início do primeiro
quadro.
O BEM-AMADO

Pequena praça de uma cidadezinha de veraneio do litoral baiano. Há uma grande árvore, um
coreto e uma venda. Sob a árvore, sentado no chão, Chico Moleza dedilha molemente o violão. Em frente
à vendola, Seu Dermeval remenda uma rede de pescar. É um mulato gordo e bonachão, de idade já
avançada.
Passa-se meio minuto. Entram Mestre Ambrósio e Zelão carregando um defunto numa rede.
MESTRE AMBRÓSIO - Vamos molhar um pouco a goela na venda de seu Dermeval, Zelão.
ZELÃO - É bom.
DERMEVAL (Indicando o defunto.) - Mestre Leonel?
MESTRE AMBRÓSIO - É. Embarcou, coitado.
DERMEVAL (Dirige-se à venda.) - No mar?
MESTRE AMBRÓSIO - Qui-o-quê. Janaína quis saber dele não. Esticou em terra mesmo. [...] Vamos se
chegando, Zelão, que ainda temos três léguas pela proa.
DEMERVAL - Três léguas. Quando chegarem lá, em vez de um defunto vão ter dois para enterrar.
MESTRE AMBRÓSIO - Isso é uma terra infeliz, que nem cemitério tem. Pra se enterrar um defunto é
preciso ir para outra cidade.
MOLEZA - Não era melhor jogar o corpo no mar?
MESTRE AMBRÓSIO - Pra quê? Pra vir dar na praia de manhã? [...]
Odorico entra, suando por todos os poros. Não é propriamente um belo homem, mas não se lhe
pode negar certo magnetismo pessoal. Demagogo, bem-falante, teatral no mau sentido, sua palavra
prende, sua figura impressiona e convence. Veste um terno branco, chapéu-panamá.
ODORICO - Ah, lá estão! Ainda cheguei a tempo.
DERMEVAL - Bom dia, Coronel Odorico.
ODORICO - Bom dia, minha gente.
Ao verem Odorico, Mestre Ambrósio e Zelão deixam o balcão. Moleza para de tocar.
MESTRE AMBRÓSIO - Bom-dia, Coronel. Fizemos uma parada rápida, pra molhar a goela. Vamos ter
que gramar três léguas.
ODORICO - Três léguas. Pra se enterrar um defunto é preciso andar três léguas.
DERMEVAL - Um vexame!
MOLEZA - Vexame pro defunto, ter que viajar tanto depois de morto.
ODORICO - E uma humilhação para a cidade, uma humilhação para todos nós, que aqui nascemos e
que aqui não podemos ser enterrados.
MOLEZA - Muito bem dito.
Entram Dorotéa e Judicéa. A primeira é professora do grupo escolar, de maneiras pouco
femininas, com qualidades evidentes de liderança. Paradoxalmente, Odorico exerce sobre ela terrível
fascínio. Também sobre Juju esse fascínio se faz sentir. E isso poderia ser explicado por diferentes tipos
de frustração.
ODORICO - Quem ama sua terra deseja nela descansar. Aqui, nesta cidade infeliz, ninguém pode
realizar esse sonho, ninguém pode dormir o sono eterno no seio da terra em que nasceu. Isto está direito,
minha gente?
TODOS - Está não!
ODORICO - Merecem os nossos mortos esse tratamento?
DOROTÉA E JUJU - Merecem não.
Entram Dulcinéa e Dirceu Borboleta, este com uma vara de caçar borboletas e uma sacola.
Odorico exerce sobre ela o mesmo fascínio que sobre suas irmãs Judicéa e Dorotéa. Quanto a ele, é um
tipo fisicamente frágil, de óculos, com ar desligado.
ODORICO (Já passando a um tom de discurso:) - Vejam este pobre homem: viveu quase oitenta anos
neste lugar. Aqui nasceu, trabalhou, teve filhos, aqui terminou seus dias. Nunca se afastou daqui. Agora,
em estado de defuntice compulsória, é obrigado a emigrar; pegam seu corpo e vão sepultar em terra
estranha, no meio de gente estranha. Poderá ele dormir tranquilamente o sono eterno? Poderá sua alma
alcançar a paz?
TODOS - Não. Claro que não.
Populares são atraídos pelo discurso de Odorico, que se empolga, sobe ao coreto.
ODORICO - Meus conterrâneos, vim de branco para ser mais claro. Esta cidade precisa ter um cemitério.
TODOS - Muito bem! Apoiado!
DOROTÉA - Uma cidade que não respeita seus mortos não pode ser respeitada pelos vivos!
ODORICO - Diz muito bem dona Dorotéa Cajazeira, dedicada professora do nosso grupo escolar. É
incrível que esta cidade, orgulho do nosso Estado pela beleza de sua paisagem, por seu clima
privilegiado, por sua água radioativa, pelo seu azeite de dendê, que é o melhor do mundo, até hoje ainda
não tenha onde enterrar seus mortos. Esse Prefeito que aí está...
DOROTÉA, DULCINÉA E JUJU (Vaiam.) - Uuuuuu!
ODORICO - Esse Prefeito que aí está, que fez até hoje para satisfazer o maior anseio do povo desta
terra?
DIRCEU - Só pensa em construir hotéis para veranistas!
DULCINÉA - Engarrafar água para vender aos veranistas!
ODORICO - Tudo para os veranistas, pessoas que vêm aqui passar um mês ou dois e voltam para suas
terras, onde, com toda a certeza, não falta um cemitério. Mas aqui também haverá! Aqui também haverá
um cemitério!
JUJU (Grita histericamente:) - Queremos o nosso cemitério!
DOROTÉA, JUJU, DIRCEU E DULCINÉA - Queremos o cemitério! Queremos o cemitério!
ODORICO - E haveremos de tê-lo. Cidadãos sucupiranos! Se eleito nas próximas eleições, meu primeiro
ato como prefeito será ordenar a construção imediata do cemitério municipal.
TODOS (Aplausos.) - Muito bem! Muito bem!
Uma faixa surge no meio do povo.
VOTE NUM HOMEM SÉRIO E GANHE SEU CEMITÉRIO
ODORICO - Bom governante, minha gente, é aquele que governa com o pé no presente e o olho no
futuro. E o futuro de todos nós, é o campo-santo.
MOLEZA - O campo-santo.
DULCINÉA - Que homem!
DIRCEU (Repreende-a:) - Du, tenha modos!
ODORICO - É preciso garantir o depois de amanhã, para ter paz e tranquilidade no agora. Quem é que
pode viver em paz mormentemente sabendo que, depois de morto, defunto, vai ter que defuntar três
léguas pra ser enterrado?
MOLEZA - É mesmo um pecado!
ODORICO - Uma vergonha! Mas eu, Odorico Paraguaçu, vou acabar com essa vergonha.

GOMES, Dias. O bem-amado. São Paulo: Ediouro, 2003.

1. O texto teatral começa com a referência a um fato já ocorrido que cria um problema a ser
enfrentado pelas personagens. Esse problema é: (peso 0,5)
a) a morte de um habitante do lugar.
b) a demora em se construir um cemitério em Sucupira.
c) o traslado de um defunto a outra cidade por falta de cemitério em Sucupira.
d) a demora em se enterrar um morto na cidade de Sucupira.
e) o uso de um problema em Sucupira para se fazer uma campanha eleitoral.

2. Qual é o problema enfrentado pelas personagens? (peso 0,5)


_______________________________________________________________
3. A conversa sobre esse problema (questão 2) leva ao assunto principal do primeiro quadro, ao
longo das cenas seguintes. Qual é o fato? (peso 0,5)
_______________________________________________________________

4. A morte de um morador de Sucupira, que precisa ser enterrado em outra cidade, leva Odorico
a iniciar um discurso. Pela forma como Odorico posiciona-se, é possível inferir que ele: (peso 0,5)
a) se incomoda como cidadão e quer buscar uma solução para o problema.
b) está indignado com os maus tratos sofridos pelo homem mesmo depois de morto.
c) está preocupado unicamente com seu próprio bem-estar.
d) se aproveita da oportunidade para fazer disso sua plataforma de campanha política.
e) pretende construir um cemitério na cidade a fim de desviar o dinheiro público.

5. Releia os três excertos a seguir:


I. “Aqui, nesta cidade infeliz, ninguém pode realizar esse sonho, ninguém pode dormir o sono eterno no
seio da terra em que nasceu.”
II. “esta cidade, orgulho do nosso Estado”.
III. “Vejam este pobre homem: viveu quase oitenta anos neste lugar. Aqui nasceu, trabalhou, teve filhos,
aqui terminou seus dias. Nunca se afastou daqui. Agora, em estado de defuntice compulsória, é obrigado
a emigrar; pegam seu corpo e vão sepultar em terra estranha, no meio de gente estranha. Poderá ele
dormir tranquilamente o sono eterno? Poderá sua alma alcançar a paz?”
O recurso utilizado por Odorico para envolver o povo é, respectivamente: (peso 0,5)
a) exagero, bajulação e chantagem emocional.
b) bajulação, chantagem emocional e exagero.
c) chantagem emocional, exagero e bajulação.
d) exagero, chantagem emocional e bajulação.
e) chantagem emocional, bajulação e exagero.

6. (UFRS) O gênero dramático, entre outros aspectos, apresenta como característica essencial:
(peso 0,5)
a) a presença de um narrador.
b) o extravasamento lírico.
c) a musicalidade.
d) a estrutura dialógica.
e) o descritivismo.

7. A palavra “drama” vem do grego e significa: ________________________________________


(peso 1,0)

8. Na essência, na Grécia, os textos teatrais eram encenados como ______________________


____________e eram representados em _____________________________________(peso 1,0)

9. O ato de encenar o texto dramático tinha objetivo de despertar emoções na plateia, que chama-
se: ________________________________________ (peso 1,0)

10. Os textos teatrais têm a estrutura interna básica primordial em: (peso 1,0)
________________________________________________________________________________

11. A estrutura externa é composta de atos e cenas sendo que: (peso 2,0 – 1,0 cada)
Atos: ___________________________________________________________________________
Cenas: __________________________________________________________________________

12. Sobre os textos dramáticos, identifique os tipos abaixo: (peso 1,0 - 0,2 cada)
________________________: Surgida por volta do século XIV, a farsa designa uma curta peça teatral
de caráter crítico, formada por diálogos simples e representada por personagens caricaturais em ações
corriqueiras, cômicas, burlescas.
________________________: Representação de acontecimentos trágicos, geralmente com finais
funestos. Os temas explorados pela tragédia são derivados das paixões humanas, do qual fazem parte
personagens nobres e heroicas, sejam deuses ou semideuses.
________________________: Surgido na Idade Média, os autos são textos curtos de temática cômica,
os quais são geralmente formados por um único ato.
________________________: Representação de textos humorísticos que levam ao riso da plateia. São
textos de caráter crítico, jocoso e satírico. A principal temática dos textos de comédia, envolvem ações
cotidianas do qual fazem parte personagens humanos estereotipados.
________________________: União de elementos trágicos e cômicos na representação teatral.

**Responder à caneta azul ou preta e não rasurar – Boa Prova!

Gênero Dramático 
 
O Gênero Dramático (ou Teatral) faz parte de um dos três gêneros literários, ao lado do gênero lírico 
e
Segue abaixo um trecho do texto teatral intitulado “Álbum de Família”, escrito por Nelson Rodrigues, em 
1945: 
Cena 1 
(Palc
Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade. 
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado
Talvez as pessoas estejam certas, talvez eu seja sentimental demais, dramático demais, ou talvez 
eu esteja certo, talvez eu
Promessas de casamento 
 
CENÁRIO: Uma Igreja 
 
Abrem–se as cortinas, no palco, ao centro, um padre, em um dos cantos, o noi
GUSTAVO SOLTA GIOVANNA. 
 
Gustavo – Tudo bem, Giovanna, se você quer assim, vamos fazer assim, não é seu Padre? 
 
Padre – E
CENÁRIO: UMA GARAGEM 
 
AO ABRIR AS CORTINAS, VEMOS NO FUNDO DO PALCO, VÁRIAS PIPAS PENDURADAS EM UM 
VARAL. NO CENTRO DO PAL
SENTADO EM UM BANCO, UM HOMEM MEXE EM UM CELULAR. ENTRAM EM CENA DOIS MARCIANOS, 
PORTANDO UMA ARMA ESQUISITA. UM DE CADA LAD
Marciano 2    – Isso mesmo! Presidente! 
Homem          – Ô, seu dois esquisitos, dá pra olhá pra mim? 
Marciano 1    – Nos l
AO ABRIR AS CORTINAS, UMA MULHER GRÁVIDA TEM A PERNA PRESA POR PARTES DOS 
ESCOMBROS. 
Mulher           – Alguém ajuda, por f

Você também pode gostar