Características do Gênero Dramático
Características do Gênero Dramático
O Gênero Dramático (ou Teatral) faz parte de um dos três gêneros literários, ao lado do gênero lírico
e épico.
No entanto, o gênero dramático, como o próprio nome indica, são os textos literários feitos com o
intuito de serem encenados ou dramatizados. Do grego, a palavra “drama” significa “ação”.
Origem
Desde a Antiguidade o gênero dramático, originário na Grécia, eram textos teatrais encenados
essencialmente como culto aos deuses, os quais eram representados nas festas religiosas.
Entre os principais autores do gênero dramático (tragédia e comédia) na Grécia antiga estão:
Sófocles (496-406 a.C.), Eurípedes (480-406 a.C.) e Ésquilo (524-456 a.C.).
A encenação dos textos de gênero dramático tinha o objetivo de despertar emoções na plateia,
fenômeno chamado de "catarse".
Principais Características
Trazer Monólogos.
Estrutura Dramática
Os autores desse tipo de texto são chamados de dramaturgos, que junto aos atores (que encenam
o texto), são os emissores, e por sua vez, os receptores são o público.
Assim, os textos dramáticos, além de serem constituídos de personagens (protagonistas,
secundárias ou figurantes), são compostos pelo espaço cênico (palco teatral e cenários) e o tempo.
Geralmente, os textos destinados ao teatro possuem uma estrutura interna básica, a saber:
Apresentação: faz-se a exposição tanto dos personagens quanto da ação a ser desenvolvida.
Conflito: o momento em que surge as peripécias da ação dramática.
Desenlace: Momento de conclusão, encerramento ou desfecho da ação dramática.
Além da estrutura interna inerente ao texto dramático, tem-se a estrutura externa do gênero dramático, tal
qual os atos e cenas, de forma que o primeiro corresponde à mudança dos cenários necessários para a
representação, enquanto o segundo, designa as mudanças (entrada ou saída) dos personagens. Observe
que cada cena corresponde a uma unidade da ação dramática.
Tragédia: representação de acontecimentos trágicos, geralmente com finais funestos. Os temas explorados
pela tragédia são derivados das paixões humanas, do qual fazem parte personagens nobres e heroicas,
sejam deuses ou semideuses.
Comédia: representação de textos humorísticos que levam ao riso da plateia. São textos de caráter crítico,
jocoso e satírico. A principal temática dos textos de comédia, envolvem ações cotidianas do qual fazem
parte personagens humanos estereotipados.
Auto: surgido na Idade Média, os autos são textos curtos de temática cômica, os quais são geralmente
formados por um único ato.
Segue abaixo um trecho do texto teatral intitulado “Álbum de Família”, escrito por Nelson Rodrigues, em
1945:
Cena 1
(Palco menor: cena mostra ângulo de um dormitório de colégio. Glória e Teresa entram rindo muito, como
se brincassem de esconde-esconde. Ambas em finíssimas camisolas, muito transparentes. São meninas
que aparentam 15 anos. Há entre as duas um ambiente de sonho. Quando a música termina, Teresa fala)
TERESA – Você jura?
GLÓRIA – Juro.
TERESA – Por Deus?
GLÓRIA – Claro!
(Nota importante: o sentimento de Teresa é mais ativo; Glória resiste mais ao êxtase)
TERESA – Então, quero ver. Mas, depressa, que a irmã pode vir.
GLÓRIA (erguendo a cabeça) – Juro que...
TERESA (retificando) – Juro por Deus...
GLÓRIA – Juro por Deus...
TERESA – ... que não me casarei nunca...
GLÓRIA – ... que não me casarei nunca...
TERESA – ... que serei fiel a você até à morte.
GLÓRIA – ... que serei fiel a você até à morte.
TERESA – E que nem namora.
GLÓRIA – E que nem namoro.
(As duas se olham. Teresa coloca o véu branco na cabeça de Glória; em seguida coloca outro véu sobre
a sua própria cabeça. Abraçam-se.)
TERESA (apaixonada) – Também juro por Deus que não me casarei nunca, que só amarei você, e que
nenhum homem me beijará.
GLÓRIA (menos trágica) – Só quero ver.
TERESA (trêmula) – Segura minha mão assim. (olhando-a profundamente) Se você morrer um dia, nem
sei!
GLÓRIA – Não fala bobagem!
TERESA – Mas não quero que você morra, nunca! Só depois de mim. (com uma nova expressão,
embelezada) Ou então, ao mesmo tempo, juntas. Eu e você enterradas no mesmo caixão.
GLÓRIA – Você gostaria?
TERESA (no seu transporte) – Seria tão bom, mas tão bom!
GLÓRIA (prática) – Mas no mesmo caixão não dá – nem deixam!
TERESA (sempre apaixonada) – Me beija!
(Glória beija na face, com certa frivolidade.)
TERESA – Na boca!
(Beijam-se na boca)
TERESA (agradecida) – Nunca nos beijamos na boca – é a primeira vez.
(Riem. Beijam-se novamente. Música de transição: Glória de Vivaldi em tom menor)
(Apaga-se a pequena cena do dormitório.)
Medo da Eternidade
Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles.
Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava
para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:
- Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a
pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia
acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para
chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão
inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta.
- E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.
- Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a
mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.
O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-
nos para a escola.
Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa
cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na
verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de
medo, como se tem diante da idéia de eternidade ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu
mastigava obedientemente, sem parar.
Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no
chão de areia.
- Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingidos espanto e tristeza. - Agora não posso mastigar mais!
A bala acabou!
- Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a
gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste,
um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo
que o chicle caíra na boca por acaso.
Abrem–se as cortinas, no palco, ao centro, um padre, em um dos cantos, o noivo (ansioso). Toca a marcha
nupcial. A noiva entra com um vestido branco. Caminha em direção ao noivo. Os dois se colocam em frente
ao padre.
Padre – Queridos irmãos, estamos aqui reunidos pela vontade de Deus, para realizarmos o enlace
matrimonial deste jovem casal: Giovanna e Gustavo. Agora, pergunto a você, Giovanna e a você, Gustavo,
vocês prometem ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, se amando e se respeitando até
que a morte os separe?
Giovanna – Não!
Gustavo – Giovanna!?
Giovanna – Escuta aqui, seu padre! Essa conversa tá muito démodé! É sempre o mesmo discurso. O
mesmo texto batido de todo casamento! Comigo. Não! No meu casamento eu quero outra coisa!
Padre – Olha aqui, minha filha: vamos andar logo com isso que ainda tenho mais três casamentos depois
do seu.
Giovanna – Agora, Gustavo, repete comigo: Prometo não deixar a paixão fazer de mim uma pessoa
controladora, e sim respeitar a individualidade da minha amada, lembrando sempre que ela não me
pertence e que está ao meu lado por livre e espontânea vontade.
Giovanna – Prometo saber ser amigo e ser amante, sabendo exatamente quando devo entrar em cena sem
que isso me transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica.
Gustavo – Não acredito. Você deve ter bebido alguma coisa, Giovana!
Padre – Meu, filho, você quer fazer o favor de controlar a sua noiva?
Giovanna – Prometo sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo
simples fato dela ser a pessoa que melhor conhece você e, portanto, a mais bem preparada para lhe ajudar,
assim como você a ela. Promete se deixar conhecer.
GUSTAVO SOLTA GIOVANNA.
Gustavo – Tudo bem, Giovanna, se você quer assim, vamos fazer assim, não é seu Padre?
Padre – Eu só quero que isso acabe logo, senão, eu dou um jeito de acabar com isso.
Giovanna – Então, repete comigo, Gustavo: Promete fazer da passagem dos anos uma via de
amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?
Gustavo – Prometo!
Giovanna – Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina
como desculpa para sua falta de humor?
Gustavo – Prometo!
Giovanna – Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o
que esperam de você? E que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade
que os aguarda?
Gustavo – Prometo!
Giovanna – Está acabando, seu padre. Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para
arrancar risadas dos outros?
Giovanna – Calma, seu padre! Tem mais uma: Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma
importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar
escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?
Gustavo – Prometo!
Giovanna – Promete que será o mesmo que era minutos antes de entrar na igreja?
Gustavo – Prometo tudo que você quiser, Giovanna. Agora deixa o padre terminar que eu to fritando dentro
desta roupa.
Padre – Eu os declaro, marido e mulher. Pode beijar a noiva, meu filho, antes que ela comece de novo.
O FAZEDOR DE PIPAS
CENÁRIO: UMA GARAGEM
O JOVEM VAI ATÉ A BANCADA E ABRAÇA O AVÔ, QUE SEM PARAR O QUÊ ESTÁ FAZENDO, APENAS
SORRI.
Neto – Caracá, vô, ver essas pipas todas pendradas me deu uma saudade! Lembra quando tu me levava
para soltar pipas? Nunca esqueci disso! Era muito bom!
Avô – E você acha que eu esqueci?
O AVÔ VAI ATÉ O FUNDO DO PALCO E A PENDURA JUNTO COM AS OUTRAS NO VARAL
Neto – Vô, me deu uma vontade de soltar pipa. Posso pegar uma?
Avô – A que você quiser! Elas são tuas, meu neto!
Neto – Vou levar essa. Vamos comigo, vô? Não sei se ainda sei soltar uma pipa!!
Avô – Claro, meu neto! Tenho certeza que você ainda sabe!
Neto – Eu já disse que te amo, vô?
Avô – Já me disse sim! Logo quando chegou! Não lembra? Depois eu é que sou velho!!
Neto – Então vamos, vô! Vamos voar!!
Avô – E a linha, meu neto? Tem de levar a linha, senão a pipa não voa!
O AVÔ SAI DE CENA LEVANDO O CARRETEL DE LINHA. LUZ CAI EM RESISTÊNCIA. FECHAM-SE AS
CORTINAS .
O ATAQUE ALIENÍGENA
A ACAREAÇÃO
AMOR DE POLÍTICO
CENÁRIO: UM QUARTO
EM CENA UMA MULHER ESTÁ DEITADA NA CAMA DE CASAL DE CAMISOLA. ENTRA O HOMEM DE
TERNO. VAI SE DESPINDO.
Mulher – Boa noite, Agenor!
Homem – Boa noite, meu amor!
Mulher – Preciso conversar com você.
Homem – Se for problemas, nem me venha!
Mulher – É importante!
Homem – Hoje a coisa ferveu lá na Câmara. Prenderam o Aderbal, não demora muito vão chegar em
mim.
Mulher – Eu preciso te contar uma coisa.
Homem – É, minha querida, o cerco está se fechando!
Mulher – Você precisa saber por mim!
O HOMEM FICA SÓ DE CUECA E CAMISETA, SE DEITA AO LADO DA MULHER.
Homem – Não está fácil ser Deputado, viu?
Mulher – Eu te trai!
SILÊNCIO
Mulher – Agora você pode me ouvir?
Homem – Você não está falando sério, está?
Mulher – Estou!
Homem – Puta que o pariu…
O HOMEM SE LEVANTA DA CAMA.
Homem – Quem é o canalha?
A MULHER SE LEVANTA.
Mulher – Sabe aquele Deputado?
Homem – Mas Deputado não presta mesmo! Que Deputado?
Mulher – Aquele da oposição.
Homem – Da oposição?
Mulher – Aquele bonitão, de cabelos grisalhos, saradão!
Homem – Ô, Dolores, você acha que fico reparando em homem?
Mulher – Aquele Deputado que vive metendo o pau em ti! Então, ele meteu o pau em mim!
Homem – Não acredito.
Mulher – Aconteceu.
Homem – Assim você me derruba. E você cobrou algum?
Mulher – Como assim?
Homem – Faz a sacanagem e nem pra levar uma grana do cara?
Mulher – Eu não sou prostituta!
Homem – Não é mesmo! Porque se fosse teria levado uma grana. Você não tem idéia da grana que
essas mulheres ganham desses Deputados por aí!.
Mulher – Não estou acreditando, Agenor.
Homem – Você sabe que a coisa está toda complicada lá em Brasília, não rola nem mais uma
comissãozinha de um contratinho… Você tem a chance de faturar um pixulé e dá pro cara de graça? Como
que vai ficar minha cara?
Mulher – Como ia adivinhar que você não ia ligar?
Homem – Quem disse que eu não ia ligar?
Mulher – Você acabou de falar.
Homem – Era uma compensação pelo chifre, né, Dolores?
Mulher – Eu que foi no impulso!
Homem – E como é que eu fico agora?
Mulher – Desculpa, meu amor! Eu to muito arrependida. Não Sei onde eu estava com a cabeça.E
olha que aquele Deputado nem é nada disso!
Homem – Tá certo, Dolores, tá certo!
Mulher – E quer saber? Ele nem é nada disso que a mulherada fala, viu?
Homem – Tudo bem, passou! Deixa que amanhã eu vou dor um jeito de consertar isso.
Mulher – Não vai fazer nenhuma besteira.
Homem – Você tentar cobrar o que é meu.
Mulher – Então você me perdoa?
Homem – Não devia! Não devia! Você foi muito amadora, não gosto disso! Aqui em Brasília nada é
de graça, nada!
O HOMEM DA BITOCA NA MULHER E SE DEITA NA CAMA.
Homem – Agora deixa eu dormir que amanhã o dia vai ser bem difícil.
A MULHER SE DEITA E FAZ UM CARINHO NO HOMEM.
Mulher – Eu te amo, viu? Deputado Garanhão!!
Homem – Para com isso, Dolores!
Mulher – Você me perdoou mesmo?
Homem – Te perdoei, Dolores! Já não disse?
Mulher – Nenhuma raivinha?
Homem – Deixa eu dormir, Dolores!
O HOMEM VIRA DE COSTAS PARA MULHER.
Mulher – Olha aí, você ainda está zangado comigo sim!
Homem – Amanhã isso passa! Mas vê se dá próxima vez cobra um pixulé! Depois não quero saber
de ninguém reclamando pra mim que acabou o caviar hein?
O ATIVISTA
Saúde é só um detalhe
UM HOMEM ENTRA CARREGADO PELA MULHER, GRITA DE DORES. SUA MULHER SE APROXIMA
DO BALCÃO DE ATENDIMENTO. O HOMEM SE SENTA EM UMA DAS CADEIRAS DA RECEPÇÃO.
A RECEPCIONISTA, GORDA, ÓCULOS, COM COQUE NO CABELO, ESTÁ COSTAS PARA PLATEIA,
FALA AO TELEFONE.
RECEPCIONISTA – Mas, menina, nem te falo. Sabe aquele cara do pagode? É, aquele loiro, forte, de olhos
azuis, com uma tatuagem no braço. Saiu de mãos dadas com o neguinho do cavaquinho! Fiquei de boca
aberta! E você passou a noite toda babando pelo bofe, hein?
MULHER – (BATENDO NO BALCÃO NERVOSA) Ei, mocinha, Dá pra mocinha desligar o telefone e me
atender?
O HOMEM GEME. A RECEPCIONISTA SE VIRA E FAZ UM SINAL COM A MÃO PARA A MULHER
ESPERAR, E SE VIRA DE NOVO.
RECEPCIONISTA – Não é mentira, te juro! Pena que você já tinha saído. Saíram na maior naturalidade. O
pessoal disse que eles namoram já faz um tempão!
MULHER – (GRITANDO) Você quer me atender agora! O meu marido morrendo e você fazendo fofoca no
telefone!
RECEPCIONISTA – (AO TELEFONE) Vou ter que desligar. Depois a gente se fala! É… chegou mais um
aqui que diz estar morrendo! Duvido que tenha o nosso plano de saúde! Eu já te ligo. Beijos!
RECEPCIONISTA – Então não posso fazer nada, minha senhora! O nosso hospital só atende com o nosso
plano de saúde. A sua nunca viu a propaganda? Saudmed: Sua saúde é só um detalhe!
MULHER – Mas o meu marido está quase morrendo. A gente paga imposto, minha filha, tem direito à saúde!
RECEPCIONISTA – Aí, querida, já não é comigo, não! Aqui a ordem é só atender com o nosso plano de
saúde. Sem Saudmed, não posso fazer nada, nem pela senhora e nem pelo seu marido. Se a senhora
quiser fazer nosso convênio, é só ir até o fim do corredor que a mocinha lhe atende.
MULHER – Mas isso é um absurdo! Eu vou chamar a polícia! Eu vou chamar a imprensa.
NAS CADEIRAS, O HOMEM, GEME. A RECEPCIONISTA SE VIRA DE COSTA PARA A MULHER E LIGA
O TELEFONE.
RECEPCIONISTA – (AO TELEFONE) Alô!… Oi, sou eu!… Já atendi. Era mais um que não tinha o nosso
plano. E aqui está assim, não tem o nosso plano, a ordem é despachar! Não!… Vai espernear um pouco e
os seguranças chegam e colocam pra fora… Mas, então, menina, você vê só, a concorrência tá forte!
(Em um quarto. Camilo entra em cena, se olha no espelho e se penteia. A campainha toca. Ele abre a
porta, vê que não tem ninguém, fecha-a e acidentalmente, pisa numa carta no chão. Ele pega a carta,
abre e lê.)
CAMILO (lendo): Café, leite? O que é isso? (vira a carta) Ah! (lê)
”Vilela descobrirá sobre você e Rita. Contarei para ele!”
CAMILO (desesperado): Ai meu Deus!
(A campanha toca.)
Camilo (nervoso): Quem está aí? Anda responde! Quem está aí?
Rita (fora de cena) : Sou eu meu amor! (Camilo abre a porta. Rita entra e o abraça. Ele não reage.)
RITA (chateada): Nossa Camilo, porque essa cara?
(Camilo fecha a porta, e entrega a carta a Rita. Ela abre)
RITA (lendo)- Café, leite? (Camilo tira a carta da mão de Rita e vira do outro lado e a entrega novamente)
Vilela descobrirá sobre você e Rita. Contarei para ele!” (surpresa) Nossa! Ai meu Deus! E agora?
CAMILO: Acho que devemos terminar.
RITA (abraçando Camilo): Como assim? Você não me ama?
CAMILO: Claro que amo, mas se o Vilela descobre... Estamos perdidos. Quer dizer, eu estou perdido!
RITA: Não se preocupe, meu amor. Vilela nunca vai desconfiar. Ora, vocês são amigos
desde infância. (abraça-o)
CAMILO: Não sei, é melhor darmos um tempo então.
RITA: Vamos fazer o seguinte. Eu levo a carta para comparar a letra com as cartas que lá aparecerem, se
alguma for igual eu rasgo.
CAMILO: Está bem.
(Os dois se abraçam. Os atores saem de cena)
(Consultório da Cartomante. A cena se passa num ambiente de dois cômodos. No primeiro cômodo uma
senhora dorme e um rapaz observa pela janela. Dentro da sala, Madame Dedéia e uma mulher conversam)
MADAME DEDÉIA (entregando um pacote): Tome seu pagamento, mas fale o combinado.
MULHER: Certo. (Madame entrega o pagamento a mulher guarda no sutiã) Eu sou ótima em fazer com
que as pessoas acreditem em mim, madame (sorri)
(No outro cômodo .O assistente olha para a rua)
ASSISTENTE (para a senhora) Anda, acorda. Tem cliente chegando.
Senhora : Ai, ai. Calma, que eu já estou indo meu filho. (O assistente entra na sala da cartomante)
ASSISTENTE: Madame, temos cliente chegando.
MADAME DEDÉIA (se ajeitando) Aleluia!! Dinheiro a vista! (para a mulher) Vê se faz a sua parte direito.
MULHER: Já disse que sou ótima nessas coisas madame.
MADAME (para o assistente): Façam o combinado, que o dinheiro vem em dobro.
Assistente: Sim, madame.
(Rita entra. Angustiada ela rói as unhas e senta-se ao lado da senhora. O assistente volta ao
cômodo e pisca para a senhora)
RITA: A senhora está na fila?
SENHORA: Sim. (para Rita) Mas pelo visto você precisa mais de madame Dedéia do que eu.
RITA (suspirando): Infelizmente acho que sim. Ninguém pode estar mais enrascada do que eu. (Silêncio)
SENHORA: Qual o problema, minha jovem? Por que tanta tristeza?
RITA: É que... Não sei se posso te contar. É um problema meu.
SENHORA: Como quiser.
(Silêncio. Rita rói as unhas com mais angustia.)
RITA: Ai que demora!
SENHORA: É que a madame Dedéia é muito requisitada. (Rita volta a roer as unhas. A senhora olha para
o assistente que lhe faz um sinal) Você está bem, minha filha?
RITA: Não, não mesmo. (pausa) O caso é que me meti em uma enrascada. Sou casada e arrumei um caso.
Estou apaixonada, mais ele quer terminar tudo. (chora) Está com medo de alguma tragédia.
SENHORA: Fique calma, minha filha, a cartomante vai dar um jeito nisso. Olha, vá tomar água para se
acalmar.
(Rita levanta e sai. A senhora se vira e cochicha com o assistente. Rita volta a sentar. A mulher deixa a sala
da cartomante)
MULHER: Nossa, não sei como não descobri Madame Dedéia antes. Ela é sensacional. Até me deu uma
garrafa talismã que traz muita energia... (olha para a garrafa) positiva!
(O assistente entra na sala da cartomante e cochicha com a cartomante)
SENHORA (para Rita): Viu, madame Dedéia é ótima. Você será a próxima a se atendida.
Rita: Tomara que ela resolva os meus problemas também.
ASSISTENTE (voltando): Pode entrar senhora Rita.
(Rita entra e senta na cadeira)
MADAME DEDÉIA: Assistente, por favor (aponta para o chão).
(Assistente se vira e se transforma numa mesa. A cartomante põe as cartas sobre ele)
MADADE DEDÉIA: Tire uma carta, por favor.
(Rita tira uma carta, nervosa)
MADAME DEDÉIA: Estou vendo... As cartas não mentem (tremendo)! Seu problema é amoroso. Você está
com dúvida sobre o amor que ele sente por você, com medo que tudo dê errado. Vocês são quatro. (o
assistente cutuca a madame) Ai! Desculpe, estou fora de sintonia. Vocês são três, tudo dará certo. Ele te
ama, menina.
(Rita enxuga os olhos)
RITA: Ai madame! A senhora é demais! Obrigada! Obrigada! paga a cartomante e sai abraçando todos e
gritando
(Muito feliz, ela sai da sala).
(Casa de Vilela e Rita. O mordomo entra segurando uma bandeja com copos e uma garrafa de vinho. Rita
entra se serve e senta no sofá. A campainha toca)
RITA: Atenda, por favor, Alfred.
(O mordomo abre a porta. Camilo entra)
MORDOMO: Posso pegar seu casaco, senhor?
CAMILO (dando o casaco): Por favor.
(Camilo abraça Rita. Olha para o mordomo e tenta disfarçar. O mordomo finge não estar prestando atenção)
CAMILO (dando um beijo na mão de Rita): Como vai?
RITA: Vou bem Camilo. Alfred, vá a adega e traga um vinho francês para quando Vilela chegar.
ALFRED (para si): Sei, para o Vilela...
RITA: O que disse?
Alfred: Estou indo. (sai)
Rita: Tenho que falar rápido. Eu fui à cartomante Madame Dedéia, para falar sobre nosso romance e...
Camilo: Onde?
Rita: Na madame Dedéia. Ela me disse que tudo ficará bem.
CAMILO (rindo): Ai, meu Deus! Com esse nome? Ela te fez de palhaça. Não existe esse negócio de prever
o futuro!
RITA: Ora Camilo, existem mais coisas entre o céu e a terra do que nós supomos. E olha... Ela previu tudo
antes mesmo que eu dissesse qualquer coisa.
CAMILO : Está bem Rita!
Rita: O que importa meu amor, é que tudo vai dar certo. E agora eu tenho certeza que você me ama de
verdade. (Abraça-o)
Camilo: Eu sempre te amarei, meu amor.
(A campainha toca novamente)
Rita: Deve ser o Vilela. (gritando) Alfred!
(O mordomo entra e abre a porta e sai)
VILELA (apertando sua mão): Boa tarde, Camilo. Boa tarde, querida (abraçando-a). Desculpem o atraso.
RITA: Estávamos te esperando meu amor.
(Vilela senta e o mordomo traz os drinks)
VILELA: Desculpem-me, mas tive que resolver umas coisas antes de vir.
CAMILO: Entendo
RITA: Meu amor, seu cadarço está desamarrado.
(Enquanto Vilela amarra o sapato, Rita e Camilo cruzam os braços e um bebe do drink do outro)
VILELA (desconfiando): Anda sumido, Camilo. Ficamos com saudade, não é meu amor?
RITA: Claro!
CAMILO: É, muito trabalho. As coisas estão pesadas lá na repartição.
VILELA: Ah, entendo. Mas...
RITA: Vilela, querido, abra a janela, por favor.
VILELA: Claro querida.
(Vilela vai em direção à janela para abri-la. Enquanto isso, Rita vira-se para Camilo e bota o dedo na boca,
piscando. Vilela se vira e vê os dois se paquerando. Coça a cabeça pigarreia e os dois tentam disfarçar)
Rita: Ai, minha boca está tão ressecada!
Camilo: Deve ser o frio!
VILELA :Como foi o dia de vocês?
RITA (envergonhada): Bom.
CAMILO (sorrindo): Ótimo. (gaguejando) Mas que tal irmos andando? A missa começa em vinte minutos.
VILELA (olha fixo para os dois): Então vamos.
(Ambos saem de cena e o mordomo os observa)
(Sozinho na casa, o mordomo pega um papel e uma caneta)
MORDOMO: Agora Vilela e Camilo vão me pagar (dá um sorriso malicioso).
(Flashback: O mordomo lembra de seus tempos de colégio. Dois meninos entram em cena, enquanto o
mordomo lê um livro. Um dos meninos o puxa pela blusa. O mordomo começa a gritar)
CAMILO criança: Você vai fazer o meu dever e o do Vilela. Entendido?
MORDOMO (muito assustado): Está bem.
(Camilo o solta, e Vilela empurra o mordomo. Ambos saem, e o mordomo permanece caído no chão.
Flashback acaba. Mordomo se levanta e senta novamente na cadeira)
MORDOMO: Vocês podem não se lembrar do que faziam, mas eu esperei anos por este momento. (escreve
a carta) Vou acabar com esta pouca vergonha. Destruir este casamento e este romance. Eu hei de me
vingar de vocês. (continua escrevendo a carta. Coloca o papel em um envelope e sai).
(Escritório de Vilela. Ele está sentado em sua mesa, lendo alguns de seus relatórios)
VILELA (gritando): Ai meu Deus, minhas canetas estão desarrumadas (angustiado).
(Pega uma das canetas e a observa por um tempo)
VILELA: Rosa não combina com nenhuma outra cor (desesperado)!
(Ele começa a arrumar as canetas na ordem certa. Termina de arrumá-las e bebe seu café)
VILELA (cuspindo o café): Está gelado!
(Ouve-se uma batida na porta. Uma carta passa por baixo da mesma)
VILELA: O que é isso? Uma carta fora do lugar?
(Pega a carta e abre)
VILELA (lendo): “Vilela, Rita está tendo um caso. E não é com qualquer um. Com seu melhor amigo, Camilo.
Tome conta de sua mulher”.
(Viela começa a ter um ataque de asma, tentando respirar. Pega um saco plástico e passa a respirar dentro
dele)
VILELA (retomando o amor): Camilo, aquele bastardo mexicano! Eu bem que desconfiava! Eles hão de me
pagar.
(Senta-se à mesa, pega uma caneta e um papel e começa a escrever)
VILELA (em voz alta): “Vem já, já à nossa casa; preciso falar-te sem demora”. Maldito, eu acabo com a vida
de vocês!
(Sai)
(No escritório de Camilo. Ele entra na sala, senta-se à mesa, põe as pernas sobre a mesa e abre o jornal)
CAMILO (lendo com atenção):Nossa, o preço do frango abaixou.
(Ele põe o jornal sob seu rosto e tira uma soneca. Ele acorda com o bater da porta)
SECRETÁRIA: Camilo, entregue logo o currículo!
CAMILO (bocejando): Caramba, estou cheio de coisas para fazer... (penteia o cabelo para um lado) entregar
o currículo (penteia para o outro lado) preparar meu seminário (deixa o pente em cima da mesa) e entregar
o relatório para o chefe. (Se espreguiça). Vamos lá! Ao trabalho.
(Entra a secretária)
Secretária: Camilo, correspondência do doutor Vilela para o senhor!
CAMILO: O que é isso? (abrindo a carta, lendo) “Vem já, já a nossa casa: preciso falar-te sem demora.
Assinado, Vilela”.
Camilo dobra a carta e põe em seu bolso, preocupado e soluçando.
CAMILO (chorando): Meu Deus! Será que ele descobriu sobre meu romance com Rita? O que aconteceu?
O que que eu faço, meu Deus! Me dá uma luz! (Senta à mesa e abaixa a cabeça sobre o jornal. limpando
as lágrimas): “Madame Dedéia prevê seu futuro e resolve seus problemas em menos de três minutos”. É a
cartomante que Rita me disse! Mas é besteira... ou será que devo ir? Melhor prevenir do que remediar.
(Camilo pega o jornal, anota o endereço e guarda o jornal)
CAMILO: Vou dar uma passada nessa tal Madame Dedéia e depois vou falar com Vilela.
(Ele sai de cena)
(Consultório da Cartomante. A cena se passa num ambiente de dois cômodos. No primeiro cômodo uma
senhora dorme e um rapaz observa pela janela. Dentro da sala, Madame Dedéia e uma mulher conversam)
ASSISTENTE: Acorda! Tem cliente chegando!
(Senhora acorda. Campainha toca. Assistente abre a porta)
CAMILO (entrando): Não acredito que eu estou aqui! (senta-se)
ASSISTENTE: Vou verificar se Madame Dedéia pode atende-lo. (vai para o outro lado da cena)
SENHORA : Você está bem?
CAMILO (tenso): Na verdade, não! Estou com problemas!
SENHORA: Acalme-se, não há problemas que não possam ser resolvidos!
CAMILO (angustiado): Temos que os meus não! (chora) Desconfio que meu amigo
descobriu o romance que tenho com a mulher dele!
SENHORA: Cruzes você fez isso?
CAMILO (chorando): Fiz! Mas estou arrependido! (encosta no colo da Senhora e chora)
SENHORA: Acalme-se, meu filho! Madame Dedéia é a solução!
(Entra o Assistente e faz um sinal para a Senhora)
SENHORA (para Camilo): Vai beber uma água, meu querido.
CAMILO (levanta-se): Sim, vou beber! Quem sabe me acalmo um pouco!
(Camilo vai até o filtro e bebe um copo d’água. Senhora cochicha algo com o Assistente que sai e vai
cochichar com Madame Dedéia. Camilo volta e senta. Mulher sai da sala da Madame Dedéia vai em direção
a recepção)
MULHER: Nossa, não sei como não descobri Madame Dedéia antes! (para Camilo) Ela é sensacional! (sai
pela porta principal)
ASSISTENTE (para Camilo): Pode entrar!
(Camilo entra na sala. Madame Dedéia estala os dedos e Assistente vira a mesa. Madame coloca 3 cartas
sobre a mesa)
MADAME DEDÉIA: Escolha uma carta! (Camilo aponta e Madame vira a carta) Estou vendo! As cartas não
mentem! (mostrando a carta) Está vendo? Um três de espadas! Seu problema é amoroso! (fala de forma
dissimulada) Vocês são três! Pegue outra. (Camilo pega a carta e entrega) Estou vendo! (assustada) Está
traindo seu melhor amigo com a mulher dele! (Camilo assustado balança a cabeça positivamente. Madame
vira a última carta) fique calmo, eu vejo aqui que tudo ficará bem! Ele não desconfia de nada. Mantenha a
cautela para tudo não ir por água a baixo.
CAMILO (aliviado): Ah, graças a Deus! (levanta-se a segura a mão de Madame) Obrigado. (beija) Nem sei
como lhe agradecer!
MADAME: Cinquenta cruzeiros!
CAMILO: Ah, sim claro (tira o dinheiro e paga) Obrigado. (sai)
MADAME: Volte sempre!
(Casa de Vilela. O mordomo está ao lado da porta. Campainha toca. Ele abre e Vilela entra bufando)
VILELA (gritando): Onde está a Rita?
MORDOMO (tentando acalmá-lo): Calma, senhor! Ela foi à mercearia.
VILELA (empurrando o mordomo): Saia da minha frente, seu imprestável.
(Mordomo sai correndo e se esconde para observar toda a cena a seguir. Toca a campainha. Vilela abre a
porta)
VILELA (grita): Rita sua imoral! Não acredito que tenha feito isso comigo! Eu que sempre te amei e ...
RITA (desesperada): Feito o quê?
VILELA (esfregando a carta na cara de Rita): Isso!
RITA (lendo a carta): Vilela, Rita está te traindo. E não é com qualquer um! Com seu melhor amigo Camilo!
Tome conta de sua mulher! (Rita dobra a carta e começa a chorar)
RITA (chorando): Isso é calúnia, Vilela! (ajoelha-se) Por favor, não acredite neles!
VILELA (gritando) Diga a verdade! (dá um tapa no rosto de Rita que cai no chão)
RITA (desesperada): Calma, meu amor!
VILELA (gritando): Meu amor? (sufoca Rita) Sua imoral! Diga a verdade!
RITA (sufocada) Me larga! Eu falo a verdade! (Vilela solta e se repara para dar outro tapa. Rita ofegante
grita) Eu te traí!
VILELA (levanta-se alterado): Você me traiu?
RITA (chorando): Mas foi apenas uma vez!
VILELA (tirando a arma do paletó) Então vai ser só um tirinho! (atira em Rita. Ela cai no chão morta)
(A campainha toca.)
VILELA (abrindo a porta tremendo grita): Você, seu bastardo! Não acredito que tenha feito isso comigo!
CAMILO: Calma, Vilela. Eu posso explicar. (olha Rita no chão e grita) Eu não acredito! O que você fez?
(abraça Rita) Você a matou! Eu a amava!
VILELA (pega a arma): E você está preste a se unir com ela (atira e Camilo cai no chão morto. Vilela foge)
MORDOMO (entra gritando): Ai, meu Jesus Cristinho! Chicoteia-me! (nervoso) O que eu fiz?
Como eu pude?
(Ele se joga no chão ao lado dos corpos)
Narrador _______________________
Camilo _______________________
Rita _______________________
Madame Dedéia _______________________
Mulher _______________________
Assistente da cartomante _______________________
Senhora _______________________
Mordomo Alfred _______________________
Vilela _______________________
Secretária _______________________
A CARTOMANTE - MACHADO DE ASSIS
Personagens – Hamlet (Príncipe da Dinamarca); Fantasma (Pai de Hamlet); Rainha Gertrudes (Mãe); Rei (Tio que matou
seu pai); Horácio e Marcela (Amigos); Ofélia (namorada); Polônia (mãe de Ofélia); Laertes (Irmão de Ofélia); Rose e
Guilden (chamados pelo Rei para serem acompanhantes de Hamlet).
ATO I
Cena 1 – Hamlet chega à Dinamarca para os funerais de seu pai e conversa com seus amigos Marcela e Horácio. Eles
lhe contam que sua mãe acaba de casar com seu tio. O fantasma do pai de Hamlet aparece e pede vingança. Os dois
amigos não vêem o fantasma, só Hamlet. Marcela e Horácio ficam apreensivos quanto à sanidade mental de Hamlet.
(Entram em cena Horácio e Marcela)
Horácio – Em que navio Hamlet vai chegar?
Marcela – Não tenho certeza. Mas sei que chegará hoje.
Horácio – Que bom, pois já perdemos muito tempo esperando por ele.
Marcela – Veja, quanta gente! Ele deve estar para sair daquele navio ali!
Horácio – (Avistando Hamlet) Hamlet! Que bom vê-lo!
Marcela – Roupas novas? Que lindo!
(Hamlet entra em cena).
Hamlet – Que bom revê-los, Horácio e Marcela! Mas em um momento tão infeliz! Meu pai acaba de morrer... mas em que
parte do castelo serão os funerais de meu pai?
Marcela – Não haverá funeral!
Hamlet – Como? Onde está o corpo? E minha mãe? Preciso consolá-la.
Horácio – O corpo nem foi enterrado. Tua mãe acaba de casar-se com teu tio, declarado o novo rei.
Hamlet – Que horror! Nem esperou o corpo ser enterrado.
Marcela – É mesmo, um horror! Mas...vamos para o castelo?
Hamlet – Primeiro ajudem-me com as malas. Estão cheias de presentes! (Avista o fantasma do pai, que aparece e só
Hamlet pode ver). Pai? Imaginei que estavas morto!
Marcela – Com quem estás conversando, Hamlet?
Fantasma – Estou morto. Agora sou apenas um fantasma. Vingue minha morte! Não deixe o mal pairar sobre o reino!
Hamlet – Diga-me, pai, quem o matou? Quando? Onde?
Horácio – Hamlet, você está louco? A longa viagem deve tê-lo afetado.
Marcela – Vamos para o castelo, Hamlet! Agora!
Hamlet – Não!!! Pai!!!
Fantasma – Me encontre novamente aqui, à meia noite!
Hamlet – Pai!!!
Fantasma – Contarei tudo hoje! Aqui, neste porto. Então tu saberás como vingar a minha morte!
(O fantasma sai e os dois amigos carregam Hamlet pra fora de cena)
Cena 2 – Ofélia, Laertes de Polônio conversam sobre Hamlet. Ofélia está apaixonada. O irmão e o pai pedem que ela
tome cuidado, pois o príncipe está louco.
(Entram Polônia e Laertes)
Polônia – Laertes, venha cá. Tu irmã está apaixonada por Hamlet. Isso não vai dar certo.
Laertes – Está louco, mamãe. Dizem que está vendo o fantasma do pai.
Polônia – Ofélia, minha filha, venha cá!
Ofélia – (chegando) O que foi, mamãe?
Polônia – Minha filha querida, deves te afastar de Hamlet.
Ofélia – Mas, mamãe...estou tão apaixonada!
Polônia – FILHA, ELE É LOUCO!
Laertes – Como alguém que vê o fantasma do pai pode ser normal?
Ofélia – Mas meu amor por ele queima com a intensidade de um vulcão e a luz de milhares de sóis.
Laertes – Você pode amá-lo, mas ele ama só a si mesmo. Está louco, vendo fantasmas.
Ofélia – Mas ele é tão doce! Ele é a minha vida!
Polônia – Bom, você é quem sabe. Foi muito bem avisada.
(Saem de cena).
Cena 3 – Horácio e Marcela estão com Hamlet à meia noite e, agora, vêem o fantasma que acena para Hamlet.
Marcela diz: “Há algo de podre no reino da Dinamarca”.
Cena 4 – O fantasma conta como foi sua morte: não por uma picada de inseto, mas por veneno, dada pelo tio e mãe de
Hamlet. Hamlet conta aos amigos Marcela e Horário e eles juram por sua espada ajudá-lo. “Há mais coisas entre o céu e
na terra do que sonha a nossa vã filosofia”.
(Chegam Horácio, Marcela e Hamlet)
Hamlet – Foi aqui que eu vi meu pai pela primeira vez, naquele dia em que cheguei de navio.
Marcela – Hamlet, está muito tarde! Já é hora de dormir.
Horácio – Você ainda está cansado da viagem. Vamos para o castelo para dormir.
(O Fantasma aparece e acena para Hamlet)
Marcela e Horácio – Pelos deuses, estamos vendo o Fantasma!
Hamlet – Olá, papai. Que bom revê-lo. Como foi sua morte?
Fantasma – Olá, filho. Você ouviu falar que eu morri por causa de um inseto. Mas a verdade é que colocaram veneno no
meu ouvido.
Hamlet – Mas quem?
Fantasma – Sua mãe e seu tio.
Marcela – Há algo de podre no reino da Dinamarca.
Hamlet – Ouviram? Minha mãe e meu tio mataram meu pai. Preciso vingar-me.
Fantasma – Confio em ti, meu filho!
Hamlet – Até logo, papai. Conte comigo.
Horácio - Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia...
(Saem todos)
ATO II
Cena 1 – Ofélia conta a Polônia, sua mãe, que Hamlet foi bruto com ela e estava nervoso.
(Ofélia entra chorando e chama sua mãe)
Ofélia – Mamãe!!!
Polônia – O que foi, minha filha?
Ofélia – Hamlet, mamãe...me tratou mal hoje de manhã. Foi grosso comigo.
Polônia – Eu te avisei, minha filha. Hamlet está louco!
Ofélia – Eu sei, mamãe. Mas eu acreditava no seu amor.
Polônia – Nunca mais me desobedeça. Toda a mãe sabe dar conselhos...
Ofélia – A senhora tem toda a razão. Não vou mais desobedecê-la.
Polônia – Vamos lá pra dentro, filha.
Ofélia – Vamos.
(saem)
Cena 2 – O Rei e a Rainha chamam Rose e Guilden para observarem Hamlet e os dois saem. Polônia entra com uma
carta meio erótica que Hamlet teria mandado à Ofélia. Os monarcas ficam apreensivos. Hamlet chega com a ideia de fazer
representar uma peça de teatro no palácio, todos acham bom, temendo não contrariar um louco e saem. Hamlet chama
Marcela, Horácio, Rose e Guilden e dá as recomendações de como gostaria que a peça fosse representada (parecida
como a morte de seu Pai).
Rainha – Caro marido, meu filho Hamlet está louco. Aqueles amigos dele, o Horácio e a Marcela são péssima companhia.
Contratei duas pessoas para vigiá-lo.
Rei – Está bem. Chame-os.
Rainha – Rose! Guilden! Venham cá!
Os dois –(chegando e fazendo reverências) Aqui estamos, majestades.
Rainha – Nós os chamamos aqui para que observem Hamlet, o meu filho.
Rei – Aproximem-se dele e cuidem para que não faça nada de errado.
Rose – Assim o faremos, estamos aqui para obedecer.
Guilden – Vamos ganhar alguma coisa com isso?
Rei – Sim, serão bem pagos. Agora... dispensados.
Os dois – Até breve, majestades.
(Saem com reverências)
Polônia – (entrando) Majestades. Observem que ousadia. Vejam a carta que seu filho Hamlet mandou para minha filha
Ofélia!
Rei e Rainha – (lendo) Oh!
Rei – É uma carta erótica! Que desaforo!
Rainha – Hamlet, venha cá.
Hamlet – (entrando e vendo a carta, retira das mãos do rei) O que estão fazendo com a carta que mandei para Ofélia?
Polônia, devolva esta carta a minha amada.
Polônia – Ela já leu, seu descarado! Vou devolver esta “carta” agora mesmo, seu devasso! (sai)
Hamlet – Tio, mamãe… estou muito triste. Gostaria de encenar uma peça de teatro para vocês. Aliás, gostaria que todos
vissem a peça. Estão querendo me contrariar?
Rei e Rainha– Não. Não queremos contrariá-lo.
Hamlet – Preciso das suas coroas (tira da cabeça dos dois, que saem de cena). Assim está bem. Marcela, Horácio, Guilden
e Rose! Todos aqui, vou explicar como eu quero a peça.
(Entram os que Hamlet chamou)
Hamlet – Na minha peça você, Marcela, será a minha mãe. Eu farei o meu pai. Você, Horácio será o meu tio malvado...
Guilden e Rose – E nós?
Hamlet – Vocês vão carregar o corpo de meu pai, ou seja, eu. Agora, vamos ensaiar.
Todos – Vamos!
(Saem de cena)
ATO III
Cena 1 - Entram o Rei, a Rainha, Polônia, Ofélia, Rose e Guilden. Rose e Guilden falam sobre a peça de Hamlet e saem.
O Rei, a Rainha e Polônia pedem para que Ofélia converse com Hamlet e saem. Hamlet aparece e dá o monólogo do “Ser
ou não ser”, vê Ofélia e conversa com ela, mandando a moça para um convento, pois seria melhor do que casar com um
pecador. Ofélia fica arrasada e sua mãe vem consolá-la.
(Entram em cena o Rei, a Rainha, Polônia, Ofélia, Guilden e Rose).
Rei – Rose e Guilden, digam como está meu sobrinho.
Rose – Ele vai fazer uma peça terrível sobre a morte de seu pai.
Rainha – O quê?
Guilden – E se nós não participarmos, ele diz que vai nos matar.
Rei – Façam o que ele diz.
Rainha – Estão dispensados.
Os dois – Até mais, majestades. (saem)
Rainha – E você, Polônia, por que está aqui?
Polônia – Quero que convençam a minha filha Ofélia a falar com Hamlet para que pare com essa peça.
Rei – Minha cara Ofélia, deves conversar com Hamlet.
Rainha – Talvez o seu amor por ele o tire dessa loucura de peça.
Ofélia – Assim o farei. Contem comigo.
(Saem Polônia e os monarcas. Entra Hamlet, que não vê Ofélia).
Hamlet – Ser ou não ser, eis a questão. Devo lutar contra meu tio e minha mãe? Ou devo ficar na minha?
Ofélia – Hamlet, meu amor...
Hamlet – Ofélia, estavas me ouvindo?
Ofélia – Sim. Que decisão tu tomarás?
Hamlet – Vou representar a peça. E você, é melhor que entre para um convento. Não devo casar contigo, estou louco. Tu
não mereces um louco...
Ofélia – Não! Hamlet! (sai chorando. Depois sai Hamlet)
Cena 2 – Todos aparecem no castelo para ver a peça em forma de mímica: Entram um Rei e uma Rainha, muito amorosos;
os dois se abraçam. Ela se ajoelha e faz demonstrações de devoção a ele. Ele a levanta do chão e inclina a cabeça no
ombro dela. Ele se deita num canteiro de flores. Ela vendo-o dormir, se afasta, sai.
Imediatamente surge um homem, tira a coroa do Rei, derrama veneno no ouvido dele. Sai, beijando a coroa. A rainha
volta; encontra o Rei morto, faz apaixonadas demonstrações de dor. O Envenenador volta, acompanhado de dois ou três
comparsas, e mostra-se condoído com a morte do Rei; acompanha a Rainha em suas demonstrações. O cadáver é levado
embora. O Envenenador corteja a Rainha com presentes. Ela mostra alguma relutância; recusa os presentes por uns
momentos, por fim aceita as provas de amor. Saem).
Voltam os atores para ler um poema de Hamlet, Polônia, indignado, vendo a peça faz com que ela seja suspensa. Hamlet
fica feliz, pois conseguiu o seu intento.
Hamlet – Obrigado pelos aplausos. Foram poucos, mas sinceros...Agora lerei um poema que fiz.
Polônia – Chega! A peça estava uma porcaria. Vamos embora, filhos.
Rainha – Espere, Polônia, vamos acompanhá-los.
Rei – Esperem por mim.
(Saem todos, menos os atores).
Cena 3 – O Rei e a Rainha chamam Rose e Guilden para levar Hamlet à Inglaterra, eles aceitam e saem. Polônia chega
e diz que vai observar Hamlet atrás da cortina, para ouvir seus planos.
Cena 4 – A Rainha chama Hamlet e tenta dizer-lhe que ele foi muito mal educado em trazer a peça. Ele desembainha a
espada e ela se assusta. Diz então que vai matar um rato que viu atrás da cortina. Mata Polônio com a espada. Depois
mostra algumas fotos à mãe, que está cada vez mais perplexa. O fantasma do pai aparece e ele mostra pra mãe, que não
vê nada e fica cada vez mais temerosa. Hamlet diz que vai à Inglaterra, pois já fez demais por ali.
(Entram a Rainha e o Rei)
Rainha – Caro marido, chamei Guilden e Rose para que levem Hamlet para a Inglaterra.
Rei – Boa ideia, Gertrudes, Hamlet não pode mais ficar nesse reino. Rose, Guilden, venham cá!
(Os dois entram).
Rainha – Quero que vocês dois levem meu filho Hamlet para a Inglaterra. Depois daquela peça é melhor que
fique longe da Dinamarca.
Rose – Está bem, majestade.
Guilden – Mas Hamlet sabe desta sua ideia?
Rei – Ainda não. Mas isso não interessa!
Rainha – Levem-no agora!
Os dois – Estamos indo, majestades!
(O Rei e os dois saem. Polônia entra)
Rainha – Polônia! Foi bom ter chegado! Tenho um serviço pra você!
Polônia – Então me fale, que eu farei!
Rainha – Meu filho virá logo, vigie atrás da cortina.
Polônia – Sim, ficarei ali, atrás da cortina.
(Polônia fica atrás da cortina).
Rainha – Hamlet, venha cá!
Hamlet – Que foi, mamãe? O que queres de mim?
Rainha – Você foi muito mal-educado em fazer aquela peça.
(Desembainha a espada)
Rainha – Oh, que é isto, meu filho?
Hamlet –Olha, mamãe, vou matar um rato que está atrás da cortina.
(Mata Polônia)
Rainha – Meu filho, o que fizeste?
Hamlet – Era apenas um rato. Veja, mamãe, nosso álbum de fotografias. Veja como éramos felizes: eu, você,
papai.
Rainha – Pare, Hamlet! Você está louco! Você também quer me deixar maluca?
(Aparece o Fantasma)
Hamlet – Veja, mamãe, Papai também chegou, ele está aqui!
Rainha – Pare, filho! Não vejo ninguém! Pare de brincadeiras...
Hamlet – Papai. Eles querem que eu vá para a Inglaterra. Eu irei, já fiz muito por aqui. Mas antes preciso tirar
esta rata velha daqui.
(Tira Polônia de cena. Sai o Fantasma. A Rainha sai aterrorizada).
ATO IV
Cena 1 – A Rainha conta ao Rei que Hamlet está completamente louco, matou Polônia e foi esconder o corpo.
Chega o Rei e pede a Hamlet onde está Polônio. Hamlet diz que Polônia está ceando no céu e que ele está disposto
mesmo a ir à Inglaterra.
Cena 2 – Hamlet chama Rose e Guilden de esponjas.
(A Rainha volta com o Rei)
Rainha – Meu marido, Hamlet acaba de matar Polônia.
Rei – Como ele fez isso?
Rainha – A coitada estava ali, atrás da cortina. Ele ameaçou a mim e a matou com uma espada.
Rei – Ela não está aqui.
Rainha - Hamlet levou o cadáver. Faça alguma coisa.
Rei – Agora chega. Hamlet, venha cá.
Hamlet – (chegando) O que vocês querem agora?
Rei – Onde está Polônia?
Hamlet – Está jantando. Está ceando no céu, com São Pedro.
Rei – Agora chega! Você terá que ir à Inglaterra.
Hamlet – Está certo. Eu irei.
Rainha – Mas irá com Guilden e Rose.
Rei – (chamando) Guilden e Rose! Levem já Hamlet para a Inglaterra.
Os dois – (chegando)Mas é claro.
(Agarram Hamlet. Saem o Rei e a Rainha)
Hamlet – Me soltem! Seus esponjas!
(Saem todos)
Cena 3 – Ofélia ficou louca e está cantando, a Rainha lhe pergunta coisas, mas ela só canta. O Rei pede que os soldados
sigam Ofélia. Laertes chega com soldados dizendo que será o novo rei, pois pensa que foi o Rei quem matou sua mãe. O
Rei lhe explica que foi Hamlet e pede que Laertes vingue a morte de sua mãe Polônia.
(Entra a Rainha e Ofélia)
Rainha – Ofélia! Ofélia, queria falar contigo, saber como estás.
Ofélia – “Nada do que foi será do jeito que já foi um dia...”
Rainha – Me responda, você está triste por sua mãe?
Ofélia – “Tudo passa, tudo sempre passará...”
Rainha – Não me diga que também estás louca?
Ofélia – “Não adianta fingir, nem mentir pra si mesmo”...
Rainha – Que horror, que música é essa?
Ofélia – “Como uma onda no mar”.
(Sai Ofélia e entra o Rei)
Rei – Gertrudes, Laertes está louco.
Rainha – Mais um. O que ele quer?
Rei – Ele diz que eu matei sua mãe. Quer se vingar e tomar o meu trono.
Rainha – Ih, aí está ele!
Rei – O que queres, Laertes?
Laertes – (chegando) Você é um assassino. Matou minha mãe. Não merece ser rei, vou matá-lo.
Rainha – Espere. Não foi o rei que matou sua mãe. Foi meu filho Hamlet. Eu mesma vi.
Laertes – Se a rainha viu, deve ser verdade.
Rei – Temos que achar um jeito de matá-lo. Venha, preciso de tua ajuda.
Cena 4 – Horácio e Marcela entregam ao rei uma carta de Hamlet dizendo que voltará e mandou Rose e Guilden para a
Inglaterra e sai.
(Horácio e Marcela chegam com uma carta).
Horácio – Majestade. Aqui tenho uma carta de Hamlet.
(Todos lêem a carta, que é falada pelo ator que faz Hamlet atrás das cortinas).
Carta – Olá para todos. Estou enviando esta carta para informar que voltarei brevemente. Eu não fui para a Inglaterra.
Mandei uma carta para a Rainha da Inglaterra dizendo que Rose e Guilden são espiões. A rainha decerto mandará enforcá-
los. Voltarei tão logo consiga. Abraços, Hamlet.
(Todos ficam apreensivos. Marcela e Horácio saem por um lado e a Rainha por outro).
Cena 5 – O Rei e Laertes planejam matar Hamlet, Laertes com uma espada envenenada, o Rei com uma taça de vinho
também envenenada por uma pérola. A rainha chega com a notícia de que Ofélia morreu afogada.
Rei – Só há um jeito. Hamlet deve morrer.
Laertes – Mas como poderíamos matá-lo?
Rei – Poderia ser com uma espada envenenada. Você, Laertes, o melhor espadachim do reino lutará com Hamlet com
uma espada envenenada.
Laertes – E, eu tenho uma ideia: se isso não funcionar, poderemos preparar uma taça de vinho envenenada.
Rei – Então, eu fico com a taça de vinho e você com a espada.
Rainha – (chegando afobada) Ofélia! Ofélia morreu afogada. Foi loucura. Começou cantando e cantando e não
parou mais até se atirar no mar.
Rei – Coitada, morreu tão jovem.
Laertes – Tudo culpa daquele Hamlet. Minha querida irmã!
(Os monarcas saem consolando Laertes)
ATO V
Cena 1 – No cemitério, Hamlet se encontra com Horácio e Marcela para ver os funerais de Ofélia. O Rei, a Rainha e
Laertes vêem Hamlet. O Rei pede paciência a Laertes.
(Chegam o Rei e a Rainha com Laertes. Depois Hamlet com Horácio e Marcela. Não colocar as mortas em cena).
Rei – Estamos aqui para os funerais de Polônia e Ofélia. Que Deus tome conta dessas duas almas.
Laertes – Veja, meu rei, ali está Hamlet. Quero vingança.
Rei – Aqui não. Espere até chegarmos no palácio.
Rainha – Vamos para o palácio. Sinto que aqui teremos problemas.
(Saem os três)
Cena 2 – Hamlet conta a Horácio como mandou uma carta selada a Rainha da Inglaterra, na qual pede a morte de Rose
e Guilden como espiões. Diz também como irá lutar com Laertes, com espada e adaga.
Hamlet – Que dia trágico, Horácio e Marcela. A Polônia tudo bem, era uma fofoqueira. Mas Ofélia tinha que se atirar?
Marcela – O que foi, Hamlet, o que você aprontou agora?
Hamlet – Não aprontei nada. Eu apenas enviei uma carta a Rainha da Inglaterra para que prendessem Rose e
Guilden por espionagem.
Horácio – Fique calmo. Eles bem que mereciam. Apesar de que estavam cuidando de ti. Mas...bem que
mereciam.
Hamlet – Ah, mas isso é o de menos. Agora tenho que lutar contra Laertes. Ele está querendo vingança. Vamos ao palácio,
lá se fará a vingança com espada e adaga. Vamos.
Os dois – Vamos.
Cena 3 - Chegam o Rei, a Rainha e Laertes e começa a luta. O Rei põe uma pérola (veneno), na taça que dará a
Hamlet. A Rainha, sem saber, toma o vinho. Na luta, Laertes fere Hamlet, as espadas são trocadas e Hamlet fere
Laertes. Num último momento, Hamlet usa a espada para matar o Rei e morre. “ O resto é silêncio”. Horácio e
Marcela ficam sozinho no recinto.
(Chegam o Rei, a Rainha, Laertes, Hamlet, Horácio e Marcela).
Laertes - Olhe! Aí está o desgraçado que matou minha mãe e foi a causa da morte de minha irmã!
Hamlet – Venha lutar, seu desgraçado!
(Começa a luta. Saem para fora de cena todos atrás da luta e o Rei coloca o veneno na taça. A rainha entra e bebe).
Rainha – Não posso ver meu filho lutando, me dê este vinho. (toma a taça do rei).
Rei – Não beba este vinho!
Rainha – Ah, agora já bebi.
(A rainha morre. Chegam os dois lutando. As espadas caem e são trocadas).
Hamlet – Ah, ah! Agora levarás um golpe de tua própria espada!
(Fere Laertes, que pega a espada e fere Hamlet)
Laertes – Também te feri com a espada envenenada. Eu e tu vamos morrer. (morre)
Hamlet – Quantas mortes! Vou matá-lo, meu tio assassino. (mata o tio). Mamãe, você está morta? Horácio e
Marcela, agora vocês podem ser reis. Vou me encontrar no paraíso com Ofélia.
Horácio e Marcela – O resto é silêncio.
(Cortina)
FIM
ATO I
CENA I (Pântano)
1ª BRUXA: Quando novamente as quatro nos juntamos?
2ª BRUXA: Quando terminada esta barulhada, depois da batalha perdida e ganhada.
3ª BRUXA: Antes de cair a noite.
4ª BRUXA: Em que lugar?
1ª BRUXA: No pântano.
2ª BRUXA: Ali vamos encontrar com Macbeth.
AS QUATRO: O Bem, o Mal – é tudo igual.
1ª BRUXA: Guerreiam a Escócia e a Inglaterra!
2ª BRUXA: O que é uma guerra?
3ª BRUXA: Uma luta sangrenta onde entre mortos e feridos, não há vencedor, nem vencidos.
4ª BRUXA: Irmã, vejo Macbeth vencendo. Silêncio! É Macbeth chegando.
AS QUATRO: Bruxas da terra e do mar, toca, toca cirandar, e roda que rodopia! Duas voltas para a
direita, duas voltas para a esquerda, e está feita a bruxaria. (As bruxas se escondem à vista do público).
CENA II (Entram Macbeth, Banquo e o filho de Banquo.)
MACBETH: Um dia tão feio e tão bonito nunca vi, Banquo.
BANQUO: A que distância estamos de casa?
FILHO: Há pouco mais de meia légua, papai.
MACBETH: (Vendo as Bruxas) Quem são vocês?
AS QUATRO: Salve Macbeth! Salve, que Rei serás! Arquiduque de Cawdor!
BANQUO: Meu bom senhor, por que esse susto? Estão te saudando.
AS QUATRO: Salve!
1ª BRUXA: Banquo menos que Macbeth e maior que ele.
2ª BRUXA: Não tão feliz e todavia muito mais feliz.
BRUXA 3 E BRUXA 4: Salve Banquo, serás tronco de reis, embora a rei não chegues. Salve, pois,
Macbeth e Banquo! (As bruxas desaparecem)
FILHO: Aonde foram elas?
MACBETH: Dissiparam-se no ar.
BANQUO: Estavam mesmo aqui estas criaturas?
MACBETH: Elas disseram que teus filhos serão reis.
BANQUO: E que tu serás rei também..
DUQUESA DE ROOS: (Entrando com Roos) Saudações, bravo Macbeth.
ROOS - O rei soube do seu triunfo e te dá o título de Arquiduque de Cawdor.
BANQUO: Duque e duquesa de Roos, que bom!
FILHO: As aparições falaram a verdade!
MACBETH: Mas o arquiduque está vivo!
DUQUESA DE ROOS: É um traidor e será condenado à morte.
MACBETH: A profecia está se cumprindo.
BANQUO: (A Roos) Obrigado por trazernos tão boas notícias, duquesa (Saem duque e duquesa de
Roos. A Macbeth) Companheiro, estás pensando em quê?! (Saem)
CENA III ( Fanfarra. Entram Duncan e Malcolm).
DUNCAN: Cawdor já foi executado, meu filho Malcolm?
MALCOLM: Já confessou os seus crimes e em breve será executado...
DUNCAN: Tinha muita confiança nele e me traiu. (Entram Macbeth, Banquo e Roos) Oh, meu primo
Macbeth! Agora és o Arquiduque de Cawdor. Sejam bem-vindos, meu valoroso soldado Banquo, seu
filho, duque e duquesa de Roos.
MACBETH: Somos leais a vós, nosso rei da Escócia, poderoso Duncan.
DUNCAN: Muito obrigado por lutarem por mim.
BANQUO E FILHO: Com muita honra, majestade.
DUNCAN: Meu nobre Cawdor!
MACBETH: Quero convidá-los ao meu Palácio, agora em Cawdor.
TODOS: Que bom, vamos festejar a nossa vitória. (Fanfarra. Saem)
CENA IV (Entra Lady Macbeth e criada)
CRIADA - Lady Macbeth, trago uma carta de Macbeth, vosso marido.
LADY MACBETH: (pegando a carta)“Encontrei bruxas no dia da vitória;e quando eu ia lhes fazer novas
perguntas, sumiram. O rei Duncan me concedeu o cargo de ‘Arquiduque de Cawdor’, título que elas
antes me disseram, e depois falaram ‘Salve, que serás rei!’. Acho que elas estão certas. Guarda isto no
teu coração e até breve, querida esposa.” . Claro que serás rei, meu marido Macbeth e eu te ajudarei
nisso. (entra Macbeth) Oh, querido marido, que bom vê-lo. Que notícias trazes?
MACBETH: O Rei pernoitará esta noite aqui.
LADY MACBETH: Que saudade! Macbeth! Tuas cartas transportaram-me do presente aos dias que virão.
E quando o rei parte?
MACBETH: Amanhã.
LADY MACBETH: Tenho idéias. Acho que não parte amanhã.
MACBETH: Falaremos depois.
CRIADA: Deseja algo mais, Lady Macbeth?
LADY MACBETH: Não, criada, pode retirar-se. Fica calmo, deixa o resto comigo. (Saem)
CENA V. (Entram Duncan, Malcolm, Roos e Duquesa, Banquo e seu filho)
DUNCAN: Este castelo está muito bem localizado, sinta este ar.
ROOS: O ar é bom e até os pássaros escolhem este lugar para os ninhos.
DUQUESA: Mas eu sinto um ar pesado, com maus presságios.
MALCOLM: (Entra Lady Macbeth) Olha! Está aqui a dona do Castelo.
LADY MACBETH: Vossa Majestade: sempre rezo por vossa saúde! Sejam todos bem-vindos.
BANQUO: E Macbeth, onde está?
FILHO: Deve estar testando uma nova armadura.
LADY MACBETH: Está dando ordens aos criados para que Vossa Majestade seja muito bem-vindo ao
nosso castelo.
DUNCAN: Conduze-me ao castelo, bela senhora (Saem).
CENA VI (Entra Macbeth. Sala no castelo)
MACBETH: Está tudo tão calmo. Duncan nem desconfia de nada. Sei que é monstruoso o que faremos,
mas se não me livrar dele, jamais serei rei (Entra Lady Macbeth) Que há de novo?
LADY MACBETH: Pouco falta para que acabe a ceia.
MACBETH: Ele perguntou por mim?
LADY MACBETH: Sim. Não desconfia de nada.
MACBETH: Não vamos prosseguir nesta [Link] é um pobre velho.
LADY MACBETH: Nem pareces um soldado, pareces mais um covarde.
MACBETH: E se falharmos?
LADY MACBETH: Falharmos? Não falharemos. Quando ele for dormir, darei bebida aos seus camareiros
e ele
ficará indefeso. Diremos que foram eles. os camareiros, que o mataram.
MACBETH: Se usarmos os punhais dos camareiros e os mancharmos de sangue, quem não acreditaria
que os
matadores terão sido eles?
LADY MACBETH: Quem ousará pensar de outra maneira?
MACBETH: Agora estou firme na minha decisão. (Saem)
ATO II
CENA I (Entram 1ª Bruxa e Macbeth. Foco em verde e vermelho).
1ª BRUXA: Neste momento Macbeth move-se em direção à sua vítima.
2ª BRUXA: Firmemente caminha, que não se escutem seus passos, apenas um toque de sino revele o
horror desta hora!
MACBETH: É um punhal o que enxergo, com seu cabo voltado para mim? Vem, que eu te empunho!
(Toque de sino) Um golpe, e é tudo: o sim me convida. Não o ouças, Rei, não o ouças, que esse toque
te chama para o Céu – ou para o Inferno! (Saem)
CENA II (Entra Lady Macbeth)
LADY MACBETH: Escutem... Silêncio! Foi um pássaro que piou. As portas estão abertas. Neste instante
o golpe vai ser vibrado. Os camareiros bêbados, roncam. Dei-lhes um poção tão forte, que não sei se
estão vivos.
MACBETH: (entrando) Está feito.
LADY MACBETH: Então?
MACBETH: (Olhando as mãos ensangüentadas) Triste espetáculo!
LADY MACBETH: O que pretendes dizer com isso?
MACBETH: Ouvia uma voz “Macbeth não dormirá nunca mais!”.
LADY: Mas quem gritava assim? Suja de sangue os camareiros.
MACBETH: Não, não posso!
LADY MACBETH: Homem fraco! Dê-me os punhais. Aqueles que estão mortos ou dormem são pinturas
apenas. (Sai. Batem à porta)
MACBETH: Quem será que bate? O que há comigo que qualquer ruído me sobressalta assim? (Volta
Lady Macbeth)
LADY MACBETH: As minhas mãos estão da cor das tuas.. (Batem à porta novamente) Estás ouvindo?
Insistem. Vamos fazer de conta que estamos dormindo. (Saem)
CENA III (Sons de batidas em um portão. Entra Roos. Fora do Castelo)
ROOS: Já vou atender. O dia ainda nem nasceu.. (Abre a porta)
(Entra Macduff, Lady Macduff)
LADY MACDUFF: Insista em chamar, esposo, meus filhos precisam de leite. Chame novamente,
Macduff.
MACDUFF: Oh, Roos. Era tão tarde quando tu deitaste, duque, que tão tarde te levantas?
ROOS: Na verdade, nobre Macduff, estivemos bebendo. E a bebida é uma grande provocadora de três
coisas: nariz vermelho, sono e vontade de urinar.
DUQUESA: (Chegando) Desculpem o meu marido, a festa foi grande.
LADY MACDUFF: Está me parecendo que a bebida te derrubou também nesta noite, duquesa.
MACDUFF: O senhor do Castelo já está de pé? (Entra Macbeth)
DUQUESA: Aqui está ele, bom dia!
MACBETH: Bom dia!
MACDUFF: O Rei já está de pé?
MACBETH: Não, por enquanto.
MACDUFF: Ordenou-me que o chamasse cedo. Quase ia me esquecendo.
MACBETH: De certo está esperando por vós, caro Macduff (sai Macduff)
DUQUESA DE ROOS: O Rei parte hoje?
LADY MACDUFF: Parte. Por favor, podemos cuidar de leite para os meus bebês.
DUQUESA: Com certeza, venha comigo. (saem as duas)
ROOS: A noite foi horrível. Ouvi ruídos estranhos e a terra parecia tremer.
MACBETH: É certo, a noite foi medonha!
ROOS: Não me lembro de outra como esta. (Volta Macduff gritando)
MACDUFF: Que horror! Minha boca nem o meu coração poderão nomear o que acabo de ver!
MACBETH e ROOS: Que foi que houve?
MACDUFF: Entrem no quarto e vejam a chacina. Não me façam falar. (Saem Macbeth e Roos) Alerta!
Alerta! Soem o alarme! Assassinato e traição! Banquo, Malcolm, acordem.
LADY MACBETH: (entrando) Que foi que aconteceu?
MACDUFF: Senhora. (Entra Banquo) Oh! Banquo! Nosso real senhor foi morto a punhaladas!
LADY MACBETH: Aqui, em nosso palácio? (Voltam Macbeth e Roos)
MACBETH: O rei foi assassinado!
MALCOLM: (entrando) Que desgraça aconteceu?
MACDUFF: O Rei, vosso pai, foi assassinado.
MALCOLM: Não! (Pausa) E quem foi o assassino?
ROOS: Os camareiros. Tinham faces e mãos tintas de sangue.
MACBETH: Contudo, oh! Me arrependo de, na minha fúria, os ter matado.
MACDUFF: E por que fizeste isso?
MACBETH: Fiquei furioso e decepei as cabeças deles
LADY MACBETH: Leve-me daqui! (finge que desmaia)
MACDUFF: Ajudem Lady Macbeth!
MALCOLM: (À parte) Aqui sinto cheiro de traição. (Lady Macbeth é carregada para fora da sala. Saem
todos, exceto Malcolm) Acho que devo fugir senão serei morto também. (Sai)
CENA IV (Duque e duquesa de Roos e Macduff,e esposa).
DUQUESA DE ROOS: O bom Macduff, como estão as coisas?
MACDUFF: Não estás vendo, duquesa?
ROOS: Já se sabe quem são os criminosos?
LADY MACDUFF: Os camareiros que Macbeth matou.
DUQUESA DE ROOS: Que pretendiam, meu Deus, com isso?
MACDUFF: Decerto foram subornados. Malcolm , filho do rei, que fugiu. Todos acreditam que ele
mandou matar o pai!
LADY MACDUFF: Agora é bem provável que Macbeth venha ser o novo rei pois é primo do rei Duncan.
ROOS: E Malcolm, onde está?
MACDUFF: Vou atrás dele. Aqui não dá pra ficar, sinto cheiro de traição. Pegue nossos filhos e vamos
embora.
LADY MACDUFF: Já estão comigo. Vamos para a Inglaterra. Temo pela vida deles.
DUQUESA DE ROOS: Aqui há uma aura sinistra. Mas tenho que ficar aqui para cuidar de Lady Macbeth
ROOS – Vou ficar com minha esposa, para saber o que aconteceu de verdade. Adeus, amigos.
ATO III
CENA I (Entra Banquo. Sala no palácio)
BANQUO: Ora, ora, Macbeth, tens tudo agora: és Rei, conforme as bruxas prometeram. (Fanfarras.
Entram Macbeth, em traje de rei, Lady Macbeth, em traje de rainha)
MACBETH: Cá está o nosso principal convidado.
LADY MACBETH: Sem o qual, haveria uma lacuna na nossa festa.
MACBETH: Esta noite, senhor, damos um banquete, para o qual solicitamos vossa presença.
FILHO DE BANQUO: Estaremos aqui, com certeza..
MACBETH: Andarás a cavalo hoje à tarde?
BANQUO: Assim pretendo.
MACBETH: Que pena, precisava de uns conselhos teus.
BANQUO: É uma pena.
MACBETH: Não faltes ao banquete.
BANQUO: Não faltarei.
MACBETH: Soube que o sanguinário Malcolm está na Inglaterra... A cavalo, e até a noite! Vosso filho
vai convosco?
FILHO DE BANQUO: Sim, majestade.
MACBETH: Ligeiros e seguros sejam os vossos animais. (Saem).
CENA II (Entram As Bruxas. Focos).
1ª BRUXA: Maus espíritos da noite, negros, brancos e cinzentos,
2ª BRUXA: Bailai conosco, bailai! Vinde todos! Bailai conosco, bailai!
AS QUATRO: Borbulhe a papa ao fogacho: arda a brasa e espume o tacho!
3ª BRUXA: Trama Macbeth, trama Lady Macbeth!
4ª BRUXA: O que vês, irmã?
1ª BRUXA: Banquo está sendo morto por Macbeth!
2ª BRUXA: (Gargalhadas) O que dizes, irmã?
3ª BRUXA:. Macbeth não vacila, como lobo rodeia a ovelha, prepara o bote. Vejo uma criatura... uma
não, duas.
4ª BRUXA: Eu e tu?
1ª BRUXA: Não, são assassinos infames. Macbeth mandou matar Banquo.
2ª BRUXA: Morre Banquo, mancha com seu sangue a floresta, mas escapa seu filho, que vê o sangue
do pai, para no futuro vingar-se!
3ª BRUXA: Duas vezes o gato malhado miou.
4ª BRUXA: Duas vezes mais uma o ouriço gemeu.
AS QUATRO: É chegada a hora de girar! Roda, roda a Roda da Fortuna!
Uma vez mais há de girar! (Trovões. Saem)
CENA III (Entram Macbeth, Lady Macbeth, criada e Duquesa e Roos.
Salão de jantar no palácio. Geral. Aparições em foco verde).
MACBETH: Dou a todos, as minhas boas-vindas.
DUQUE E DUQUESA DE ROOS: Obrigado, Vossa Majestade.
MACBETH: Viva a alegria. Dentro em pouco brindaremos. (Vai à porta)
1ª BRUXA: Macbeth vai falar com os assassinos.
2º BRUXA: Tem em seu rosto a certeza da vitória, mas ao voltar a dúvida.! (volta Macbeth).
CRIADA: Já dei o dinheiro a eles, majestade.
MACBETH: Diga para desaparecerem.
CRIADA: Eles dizem que ficarão pelo palácio e querem mais dinheiro...
LADY MACBETH: Não estás animado, querido esposo? Veja quanta gente interessante!
MACBETH: Encantadora rainha! Que tenhamos boa saúde!
DUQUESA DE ROOS: Estás triste, majestade?
MACBETH: Queria ter Banquo aqui conosco.
(Entra o fantasma de Banquo e fica próximo de Macbeth)
ROOS: Que olhos são esses? O que vossa majestade está vendo?
MACBETH: Nada!
DUQUESA DE ROOS: Venha para cá, fique ao meu lado, majestade.
MACBETH: Onde? (O fantasma está ao lado da duquesa)
DUQUESA DE ROOS: Aqui, meu senhor. Que é que o perturba?
MACBETH: Quem de vós fez isto?
CRIADA: O quê?
MACBETH: Não fiz isso! Não sacudas diante de mim tua cabeça ensangüentada!
CRIADA: Sua majestade está indisposto? Posso me retirar...
LADY MACBETH: Não, fique. Desde sua infância sofre destes acessos. É coisa passageira. Daqui a
pouco estará bem de novo. És um homem, ou não?
MACBETH: Se sou! Mas...
LADY MACBETH: Oh, que tolices! Tudo são imagens filhas do medo: como aquele punhal que vês no ar
e diz que aponta para Duncan.
MACBETH: Os mortos estão a me atormentar. (O fantasma desaparece)
LADY MACBETH: Caro esposo, os nobres amigos querem falar contigo...
MACBETH: Amigos, não façam caso da minha enfermidade, sem importância para os que bastante me
conhecem. Saúde e afeto a todos
(Reaparece o fantasma)
DUQUESA DE ROOS: Pela vossa saúde, majestade
MACBETH: (Falando ao espectro) Para trás e longe da minha vista! Volta à tua cova!
LADY MACBETH: Não reparem no meu esposo, está cansado!
MACBETH: Some-te, sombra sinistra! Some-te daqui, fantasma sem realidade! (O fantasma desaparece)
Foi-se... Ainda bem!
LADY MACBETH: Estás estragando a festa, esposo.
DUQUESA DE ROOS: Boa noite!
ROOS: Estimamos as melhoras. (Saem)
MACBETH: Que achas de Macduff se recusar a vir?
LADY MACBETH: Mandastes convidá-lo?
MACBETH: Não, mas deveria vir.
LADY MACBETH: Precisas de sono, querido esposo.
MACBETH: Sim, tens razão
CENA IV (Entram Roos e Duquesa de Roos)
DUQUESA DE ROOS: As mortes do bom Rei Duncan e Banquo foram lamentadas por Macbeth: esta
história está mal contada.
ROOS: Será que não foi o próprio Macbeth quem os matou?
DUQUESA DE ROOS: Não sei, o que sei é que ele está louco. E se o filho de Duncan, Malcolm voltasse
à Escócia para resgatar o trono?
ROOS: Onde estará o filho de Banquo? Iremos para a Inglaterra e acharemos um jeito de destruir esse
tirano. Vamos. (saem)
ATO IV
CENA I (Trovão. Entram as Bruxas, depois Macbeth. Caverna).
1ª BRUXA: Toca a lançar na panela o sapo.
AS QUATRO: Borbulhe a papa ao fogacho: arda a brasa e espume o tacho!
2ª BRUXA: Pelo comichar do meu polegar sei que deste lado vem vindo um malvado.
3ª BRUXA: Abre-te, porta: a quem, não importa! (Entra Macbeth)
MACBETH: Horrendas bruxas, filhas do demônio, que estais fazendo?
AS QUATRO: Obra que não tem nome.
MACBETH: Eu vos conjuro, respondei-me ao que vou perguntar!
4ª BRUXA: Responderemos.
1ª BRUXA: Quererás ouvi-lo de nossa boca ou da de nossos mestres?
MACBETH: Da deles: quero vê-los!
AS QUATRO: Alto ou baixo, vem mostrar-te, tu e tua mágica arte.
(Trovão. Primeira aparição, uma cabeça armada de capacete)
1ª APARIÇÃO (Ator de Banquo disfarçado): Macbeth! Macbeth! Macbeth! Cuidado com Macduff!
(Desaparece)
2ª BRUXA: (Interrompendo-o) Mas outro vem, mais forte que o primeiro.
(Trovão. Segunda aparição, ensanguentada)
2ª APARIÇÃO(ator de Duncan): Macbeth! Macbeth! Macbeth! És sanguinário, audaz e resoluto! Ri da
força dos homens, pois nenhum nascido de mulher poderá um dia causar dano a Macbeth! (Desaparece)
MACBETH: Macduff! Por que temer-te? Mas por segurança: não viverás.
(Trovã[Link] aparição, uma criança coroada, com uma árvore na mão)
3ª APARIÇÃO (Ator que faz Malcon): Só viverás até que a floresta avance contra ti, então Macbeth será
vencido! (Desaparece)
MACBETH: Isso nunca acontecerá. Imagina, uma floresta avançar contra mim? Acaso será rei da
Escócia o filho de Banquo?
AS BRUXAS: Não procures saber mais nada.
(As aparições desfilam diante de Macbeth)
MACBETH: Vão embora, aparições! (Música. As bruxas dançam e desaparecem). Onde estão elas?
Foram-se! Agora mesmo irei ao castelo de Macduff, matarei sua mulher e seus filhos.
INTERLÚDIO – Macbeth matando Lady Macduff e seus filhos.
CENA II (Lady Macbeth e a criada. Sala do palácio. Foco)
LADY MACBETH: Que notícias me trazes.
CRIADA – Macduff fugiu, abandonando a esposa, os filhos, sua gente e seus títulos. Como um nobre
pode fazer isso?
LADY MACBETH - Nobre? Não, pobre! Um louco que deixa nas nossas mãos a sua sorte. Entram nos
seus aposentos nossos fiéis assassinos, entre os gritos do filho e as preces da mãe, cumprem seu dever
e com sangue e determinação, abrem caminho para a minha glória! Cala-te Macduff, pois os filhos que
dizes amar, não falam mais!
CRIADA – O que queres mais de mim?
LADY – Mais nada, retira-te. (SAEM)
CENA III (Entram Malcolm, o filho de Banquo e Macduff.)
MALCOLM: Que mais podemos fazer que não chorar nossos mortos..
MACDUFF: Não! Empunhemos nossas espadas: como bravos, defendamos a pátria.
FILHO DE BANQUO: Macbeth é amado pelo povo, mas é um assassino.
MACDUFF: Não sou traidor.
MALCOLM: Macbeth é.
MACDUFF: Perdi as minhas esperanças.
FILHO DE BANQUO: Pense em seus filhos e aja com vingança. Meu pai foi morto por este tirano.
MACDUFF: Não só meus filhos, mas a pátria sangra, perece. Temos que lutar contra ele.
ROOS: (entrando) Ai, pobre pátria! Nem podemos chamar-lhe mãe, que é, antes, sepultura. Foi vosso
castelo acometido de surpresa; vossa esposa, vossos filhos, cruelmente assassinados.
DUQUESA DE ROOS - Deixei Lady Macbeth. Cruel como o esposo e nunca poderá ter filhos.
MACDUFF: Ah, ele não tem filhos!
FILHO: As bruxas que apareceram a meu pai, disseram que ele seria rei, mas não seria tronco de reis.
MALCOLM: Lutemos contra o infortúnio como homens.
MACDUFF: Assim faremos, sem dúvida. (Saem)
ATO V
CENA I (Lady Macbeth com a criada, lavando as mãos)
CRIADA – Não agüento mais trazer novas bacias para lavar as mãos, suas mãos estão limpas.
LADY MACBETH: Por mais que eu faça, esta mancha não sai. Vai-te mancha maldita! Vai-te, digo! Estas
mãos nunca ficarão limpas?
CRIADA – O que fazeis, senhora?
LADY MACBETH - Sinto ainda o cheiro do sangue: nem todos os perfumes da Arábia poderão fazê-lo
desaparecer desta mão pequenina. Banquo está enterrado, não pode sair da cova. O que está feito, não
pode ser desfeito. (Saem)
CENA II (Entra Macbeth e Lady numa sala de castelo)
MACBETH: As bruxas disseram “Macbeth, não tenhas medo: nenhum homem nascido de mulher terá
jamais poderes sobre ti”.
LADY MACBETH: São dez mil...
MACBETH: Estás com medo?!
LADY MACBETH: Não, minhas mãos!
MACBETH: Traga minha armadura.
LADY MACBETH: Não posso nem dormir, vejo figuras estranhas..
MACBETH: Malditos médicos! Não te curam também. Não temerei a morte nem a ruína enquanto não
marchar a floresta. (Saem)
CENA IV ( Malcolm, Roos, filho de Banquo e Macduff, na floresta)
MALCOLM: Espero que esteja perto o dia em que poderemos dormir em segurança.
MACDUFF: Diga para cada soldado cortar um ramo da floresta e se esconder atrás dele: assim
marchando, encobriremos o efetivo de nossas forças, atrapalhando Macbeth.
FILHO DE BANQUO: Por agora, preparemo-nos para a batalha.
ROOS: Assim faremos!
(Usam galhos de árvores mesmo e avançam no proscênio)
CENA V (Entram a Criada e Macbeth)
CRIADA: Ó poderoso Macbeth! A rainha está morta!
MACBETH: Por que estes gritos? A rainha está morta... Não devia ser agora. Agora que tanto precisava
dela.
CRIADA – Trago também uma mensagem de seus sentinelas.
MACBETH - O que diz esta mensagem?
CRIADA: “Estando eu de sentinela no alto de uma colina, vi com meus olhos mover-se o bosque”.
MACBETH: O que é isto, uma brincadeira? Mentes, bilhete miserável! Morrerei combatendo. (Saem)
CENA VI (Entra, Malcolm, Roos e Macduff. Som de tambores)
ROOS – Invadimos o palácio do traidor.
MALCOLM: Tomaremos tudo, conforme o nosso plano.
MACDUFF: Fazei ressoar nossos clarins: por aí vem sangue e morte!
MACBETH: (entrando) Quem será aquele não nascido de mulher?
MALCOLM: Cão dos infernos, venha! (Luta. Macbeth vence, matando Malcolm)
MACBETH: Minha vida não pode cortar homem nascido de nenhuma mulher.
MACDUFF: Mas eu fui arrancado do ventre de minha mãe antes de nascer!
MACBETH: Não combaterei contigo.
MACDUFF: Então entrega-te, covarde!
MACBETH: Não me entrego!
(Saem batendo-se. Rebates. Tornam lutando e Macbeth é abatido).
CENA V (Clarins. Entram Malcolm, filho de Banquo Duque e Duquesa de Roos)
MALCOLM: Morreu o tirano.
DUQUESA DE ROOS: Sim, e também a tirana está morta.
MACDUFF: Cortarei a cabeça do maldito tirano.
ROOS - A pátria é livre. Viva o rei da Escócia! O filho de Banquo...
(Clarim. Coloca a coroa no filho de Banquo)
CENA FINAL (As Bruxas. Foco verde).
1ª BRUXA: Maus espíritos da noite, Negros, brancos e cinzentos,
2ª BRUXA: Bailai conosco, bailai! Vinde todos! Bailai conosco, bailai!
3ª BRUXA: Duas vezes o gato malhado miou.
4ª BRUXA: Duas vezes mais uma o ouriço gemeu.
AS QUATRO: Borbulhe a papa ao fogacho: arda a brasa e espume o tacho! O Bem, o Mal – é tudo igual.
FIM
Obs – Este texto foi baseado no original Willian Shakespeare (Tradução de Millôr Fernandes - Livre
adaptação de Guy Schmidt e mais livre adaptação do professor Jarbas Griebeler). As bruxas na verdade
eram três. A Duquesa de Roos foi inventada. A criada na verdade seria o personagem Seymor. Outras
tantas adaptações foram feitas. Que Shakespeare me perdoe!
CONTO DE INVERNO (SHAKESPEARE) Adaptação para 13 atores
Personagens Femininos (8): Hermíone (rainha da Sicília), Perdita (filha de Hermíone), Paulina (amiga de
Hermíone e mulher de Antígono), Sacerdotisa (do Oráculo de Delfos), Pastora (que cria Perdita), Filha
da Pastora, duas criadas do palácio da Sicília
Personagens Masculinos (5): Leontes (rei da Sicília), Polícines (rei da Boêmia), Florízel (filho de
Polícines), Camilo (ajudante de Leontes), Antígono (marido de Paulina).
PRÓLOGO (CORO)
Criada 1 –Boa tarde, Florinda, sabe quem veio ao reino da Sicília? O rei Polícines.
Criada 2 – Sei, já mandei Camilo levar-lhe umas frutas. No reino da Boêmia não há frutas como aqui. O
nosso rei Leontes me mandou servir bem o amigo.
Criada 1 - Que o céu conserve essa amizade!
Criada 2 – E como vai o filho de Leontes e da rainha Hermíone?
Criada 1 – Está muito mal. Doente mesmo. É tristeza...
Leontes (entrando) – Onde está Hermíone, minha rainha?
Criada 2 - A rainha está contando histórias para seu filho, majestade.
Leontes – Histórias?! Pois sei, deve estar mesmo.
Cena 1 (Conversa de Hermíone com Polícines)
Hermíone – Que bom que vieste ao nosso reino da Sicília, caro rei Polícines! Como está o reino da
Boêmia?
Polícines – Está muito bem. Estou ansioso para falar com meu grande amigo Leontes, cara rainha
Hermíone!
Hermíone – Ele só fala do seu grande amigo. Das brincadeiras que os dois reis faziam quando crianças...
Sua terra, a Boêmia foi um lar inesquecível para o meu marido.
Polícines – Fomos criados como irmãos. Mas onde está Leontes?
Hermíone – Saiu para caçar, não demora. No inverno os dias são mais curtos.
Polícines – E seu filho, como está?
Hermíone – Está tristonho. As crianças não podem ficar ao relento e ele não pode brincar com os outros
meninos, então me pede para contar-lhe histórias de inverno.
(Hermíone tem um mal súbito e cai).
Polícines – Deixa-me ajudá-la, cara rainha.
Hermíone – Ah, obrigado. Estou tendo desmaios ultimamente, acredito estar grávida.
Polícines – Veja, está chegando o meu grande amigo. Prazer em vê-lo.
Leontes (chegando) – O que fazes aqui sozinho com minha esposa?
Polícines – Estava a ajudá-la, pois teve um mal súbito. Pareces aborrecido...
Leontes – Hermíone, vá para dentro cuidar de seu filho. O príncipe deve estar sentindo a falta da mãe.
(Hermíone sai).
Polícines – Vamos conversar lá dentro sobre sua caçada.
Leontes – Caçada? Não peguei nada. Mas... vamos!
Cena 2 (Leontes quer contratar Camilo para matar Polícines)
Camilo – Caro rei Leonte, por que razão me mandaste chamar?
Leontes – Camilo, meu nobre amigo, quero que envenenes Polícines.
Camilo – Mas por quê?
Leontes – Ele está a me trair com minha mulher. Hermíone quer que ele permaneça na corte. Esta mulher
está a me por um par de chifres.
Camilo – Sua mulher é fiel, meu caro rei. Não irei envenenar o rei Polícenes.
Leontes – Então serás banido de meu reino.
Camilo – Irei, meu rei, mas antes contarei ao rei Polícenes o que pretendes fazer.
Leontes – Vai, servo infiel.
(Leontes e Camilo saem de cena)
Cena 3 (Camilo avisa Polícines, que foge para seu reino na Boêmia).
(Camilo encontra com Polícenes).
Camilo – Rei Polícenes, deves retornar à Boêmia o quanto antes.
Polícenes – Por que, caro Camilo?
Camilo – O rei Leontes está cego pelo ciúme que tem por Hermíone. E acredita ser o senhor o pai do
filho que a rainha espera. Queria que eu o envenenasse.
Polícenes – Leontes está louco. Vamos nos aprontar para ir à Boêmia. Tu vens comigo.
Camilo – Com muito prazer.
Cena 4 (Leontes manda Hermíone grávida para a prisão)
Leontes – Onde estavas, rainha?
Hermíone – Estava a contar histórias para nosso filho.
Leontes – Como és falsa. Mesmo grávida, estavas a me trair com algum lorde da corte!
Hermíone – Por favor, Leontes, não inventes histórias...
Leontes – Estás a me desafiar?
Hermíone – Não, caro marido.
Leontes – Agora mesmo vá para a torre. Os meus guardas estão a te esperar para que fiques presa. Na
torre permanecerás para que não possas mais me trair.
Hermíone – Não faças isso, não vês que estou grávida para quase ter o bebê?
Leontes – Filho meu é que não é. Deve ser de tua traição com Polícines. Fora!!!
Hermíone – Não!!!
(Hermíone sai chorando e Leontes sai por outro lado).
Cena 5 (Leontes manda chamar a sacerdotisa para ir ao Oráculo de Delfos)
(Entra Leontes com a Sacerdotisa).
Sacerdotisa – Mandaste chamar a Sacerdotisa de Apolo, rei Leontes?
Leontes – Sim, tenho um encargo para vós.
Sacerdotisa – Queres saber de seu filho, afastado da mãe? Pois lhe direi, se deixares o menino mais
tempo longe do convívio com Hermíone, ele morrerá. Tive esta revelação em sonhos.
Leontes – Os sonhos da Sacerdotisa não me dizem respeito. Quero que vás ao Oráculo de Delfos e lá
perguntes a Apolo, o nosso maior Deus, se minha esposa é infiel.
Sacerdotisa – Não desmereças o que lhe digo, majestade. Mas irei ao Oráculo e perguntarei sobre
Hermíone. Voltarei em breve.
(Os dois saem de cena).
CORO
Criada 1 - O rei Leontes está cego de ciúmes.
Criada 2 – Ainda bem que Camilo fugiu, queria eu também fugir.
Criada 1 - Acabou-se a amizade, só por causa do ciúmes!
Criada 2 – E agora a rainha Hermíone está presa na torre. Vou ajudar a coitada!
Sacerdotisa – Vai nada, o que tem que acontecer, acontecerá, assim previu Apolo.
Criada 1 – Mas a coitada está presa na torre. O filho está doente.
Sacerdotisa – Falem com Paulina e Antígono, que eles acharão a ajuda.
Criada 2 – Está bem, ó grande sacerdotisa. (saem)
Cena 6 (Paulina e Antígono conversam sobre a filha do rei).
Antígono – Paulina, minha esposa, o que fazes com esta menina ao colo?
Paulina – Esta, caro Antígono, é a filha da rainha Hermíone que acaba de nascer.
Antígono – Deves então protegê-la das mãos do rei Leontes.
Paulina – Farei melhor do que isso, entregarei a menina ao rei.
Antígono – Estás louca, ele vai mandar matá-la!
Paulina – Quando nosso rei vir esta menina tão linda decerto perdoará a rainha e nosso reino voltará a
ter alegria.
Antígono – Assim espero. Vamos.
Cena 7 (Paulina traz a filha para o rei e este manda Antígono levá-la para longe).
Paulina – Rei Leontes, trouxe a vossa presença uma criança adorável.
Leontes – Estou feliz que Paulina e Antígono tiveram enfim o seu filho.
Antígono – Não se trata de nosso filho, mas de alguém que dará muitas alegrias a vossa majestade.
Paulina – Esta, caro rei, é sua filha, recém-nascida.
Leontes – Como ousam trazer a minha presença esta bastarda. Não é minha filha. Antígono, tu
merecerias a forca por aceitar que sua mulher me fizesse tal desfeita.
Antígono – Meu rei, perdoa-nos.
Paulina – Vou deixar esta criança aqui para que vossa majestade possa vê-la. (Paulina sai).
Leontes – Não quero ver esta criança bastarda. Leva-a para longe. Jogue-a numa praia deserta.
Antígono – Assim farei, caro rei.
(Sai Antígono e chega a Sacerdotisa).
Cena 8 (Resultado do Oráculo, Paulina conta que morreu o filho e a esposa).
Sacerdotisa – Estou de volta com a resposta do Oráculo de Delfos.
Leontes – Espera. Isto precisa ser dito ao povo.
(A Sacerdotisa vai à boca de cena e lê).
Sacerdotisa – “Hermíone é inocente. Polícenes não tem culpa. Camilo é um súdito leal. Leontes é um
tirano ciumento, e o rei ficará sem herdeiro se não encontrar aquela que está perdida”.
Leontes – Isto são mentiras. Fora, mulher má com falsas palavras.
Sacerdotisa – Meu rei, acredite. (Ajoelha). Vosso ódio está matando a todos.
(Paulina entra em cena).
Paulina – Rei Leontes, seu filho acaba de morrer.
Leontes – Vá embora mulher. E conte a minha mulher o acontecido, quem sabe assim ela confesse sua
traição.
Paulina – Não poderei, caro rei Leontes. Sua mulher, ao saber da morte de vosso filho morreu também,
de desgosto.
Sacerdotisa – Apolo está zangado.
Leontes – O próprio céu me pune por minha injustiça. O que farei agora?
(Saem os três, bem tristes, com música apropriada).
Cena 9 (Antígono deixa a criança com joias e sai).
Antígono – Se assim quiser o destino, isto te dará de sobra para te criar. Espero que nesta praia deserta
apareça alguém que cuide de ti. Cresce, e te torna uma linda princesa! Não posso chorar contigo, mas
me corta o coração te deixar aqui. Fica com este colar de sua mãe e com estas joias. Decerto aparecerá
por aqui alguém que queira ficar contigo. Adeus.
(Sai Antígono. Música de suspense até aparecer a pastora).
Cena 10 (Chega a pastora junto à criança e depois a filha contando sobre a morte de Antígono e o barco
que afundou).
Pastora – Mas que barulho é este? Olha, um bebê! Deve ser rica, está coberta de joias. Filha, venha ver!
Filha – O que foi, mamãe?
Pastora – Achei um bebê. E não é só isso... veja! Joias!
Filha – Pelos deuses!
Pastora – Onde estavas?
Filha – Estava por aqueles lados. Vi um homem morto totalmente desfigurado, provavelmente atacado
por um urso. Depois fui até a praia e vi restos de um naufrágio. Um navio muito grande deve ter sofrido
com a tempestade de ontem.
Pastora – Pobre criança, deve ter sobrevivido deste naufrágio. Quiseram os deuses que nós a
encontrássemos.
Filha – Provavelmente. Veja, quanto ouro!
Pastora – Filha, vamos cuidar desta criança. Somos pobres, mas com este dote podemos dar-lhe um
bom futuro.
Filha – Ela tem uma correntinha escrito Hermíone. Parece ervilha, não gostei. Mamãe, vou chamá-la de
Perdita.
Pastora – É um bom nome. Ganhei uma nova filha.
Filha – E eu uma nova irmã.
Pastora – Vamos, minha filha, a criança deve estar com fome.
Filha – Deixa eu levar a criança e a senhora se encarrega do baú de joias.
(saem as duas)
CORO
Criada 1 – Já se passaram 15 anos e o rei continua triste.
Criada 2 – Bem feito, quem manda ser tão ruim. Quem é ruim sofre.
Criada 1 – Onde estará a filha do rei?
Criada 2 – Rezo todos os dias para que esteja bem, mas acho difícil. Nunca mais se soube de Antígono.
Criada 1 – Olha, aí vem Paulina...
Paulina – (chegando) O que vocês estão fofocando?
Criada 2 – Nada. Quem é aquele vulto que vimos na sua janela?
Paulina – Não é ninguém. Voltem ao seu trabalho. (saem)
Cena 11 (Perdita cresce e encontra com Florízel)
Pastora – Filha, nem parece que se passaram quinze anos daquele nosso encontro com o bebê perdido
na praia.
Filha – Perdita está muito bonita. Parece até uma princesa.
Pastora – E quem sabe seja. Por causa dela temos uma vida confortável. Veja, até o filho do rei Polícenes
vem nos visitar!
Filha – Ele está interessado é na nossa Perdita!
Pastora – Mas não pode. Um príncipe não pode namorar uma filha de pastores.
Filha – Estão aí fora. Vamos chamá-los.
(Chamam Perdita, que entra com Florízel).
Perdita – O que querem de nós.
Florízel – Estávamos a conversar sobre a natureza.
Pastora – Desculpe-nos, caro príncipe Florízel, precisávamos conversar com vocês.
Filha – Isso mesmo, vocês não podem namorar.
Perdita – Mas o nosso amor é tão grande!
Florízel – Pretendemos nos casar.
Pastora – Um príncipe não pode casar com uma plebeia. O senhor príncipe Florízel é filho do rei
Polícenes.
Filha – O rei Polícenes é muito brabo, ninguém sabe por que. Depois que a mãe de vossa alteza morreu
anda pior ainda.
Perdita – Saberei como domar seu pai.
Florízel – Acredito em você e no nosso amor! A senhora é uma dama rica, apesar de nunca sabermos
como conseguiu tal herança.
Pastora – Então, podem casar. Mas precisamos contar um segredo.
Filha – Acontece que Perdita é adotada. Encontramos você na praia junto com este colar e um baú de
joias, o que nos levou a esta pequena fortuna.
Perdita – Que bom que me contaram. Quem sabe eu não seja uma princesa perdida?
Florízel – Eu acredito nisso. Vamos casar.
Pastora – Preparem-se, faremos isso sem o consentimento do rei.
Filha – Isso! Aos preparativos.
(Saem felizes).
Cena 12 (Festa da pastora onde o rei Polícines e Camilo entram disfarçados).
Camilo – Veja, meu caro rei Polícenes. A festa está animada.
Polícenes – Vou deserdar o meu filho Florízel, Camilo.
Camilo – Ainda bem que estamos disfarçados.
Polícenes – Quero pegar os dois e dar uma boa surra nesta moça que ousa tirar-me o filho.
Camilo – Ali estão os dois.
Polícenes – Vamos chegar mais perto.
Florízel – Como te amo, cara Perdita.
Perdita – E eu também.
Florízel – Não tenho medo de meu pai.
Camilo – Pois deverias ter, ele está aqui.
(O pai se revela).
Polícenes – Como ousam casar sem meu consentimento. Camilo, agarre esta moça, mandarei os
guardas pegarem meu filho e esses pastores de aldeia.
(Sai).
Filha – (chegando, liberta Perdita, dando uma paulada em Camilo) Fuja, minha irmã. Vá para a Sicília
com Florízel. Lá, acredito que serás feliz.
Florízel – Vamos, meu amor. O rei Leontes foi amigo de meu pai.
Pastora – Iremos com vocês. Levaremos estas jóias para pagar a viagem.
(Saem, só ficando Camilo no chão quando chega o rei Polícenes).
Camilo – Me acertaram na cabeça, rei Polícenes.
Polícenes –Até os guardas se dispersaram. Maldição! Onde foi todo mundo?
Camilo – Fugiram para a Sicília.
Polícenes – Então temos que ir atrás. Apesar de eu ter uma desavença com o rei Leonte, preciso tornar
a vê-lo, sinto que o futuro nos será alegre. Vamos.
Cena 13 (Leontes recebe a sua filha e genro)
Sacerdotisa – Caro rei Leontes, estão aí, para ver vossa majestade, o príncipe da Boêmia e umas
senhoras.
Leontes – Faça-os entrar, estou tão triste que talvez vendo o filho de Polícenes me alegre um pouco.
Sacerdotisa – (Anunciando) O Príncipe Florízel, filho de sua majestade o rei Polícenes!
Leontes – Bem vindos, o que desejam.
Florízel – Meu pai não queria que casássemos e fugimos de nosso reino.
Perdita – Sou Perdita, filha adotada desta senhora e irmã desta outra aqui.
Pastora – Esta menina tem um colar com a indicação de seu reino estampada nela.
Filha – A menina foi achada na praia depois de um naufrágio.
Sacerdotisa – Veja, meu rei, é o colar de Hermíone. Você só pode ser a filha de vossa majestade.
Leontes – Oh, destino! És a filha que mandei abandonar em praia distante!
Sacerdotisa – Deves agora aceitá-la, pois a profecia se cumpriu.
Leontes – Venham, eu os abraço e recupero minha alegria.
Florízel – Vejam só! És uma princesa. Eu bem que sabia!
Perdita – Ganhei um pai, que bom!
Pastora – Como tudo acaba bem!
Filha – Mas e o rei Polícenes?
(Entra o Rei Polícenes com Camilo).
Polícenes – Ouvi tudo. Podes casar, meu filho. Abraça-me, Leontes. Nossos filhos são noivos.
Camilo – Majestades. Uma mulher chamada Paulina chama a todos para uma grande surpresa.
Todos – Vamos ver o que é.
Cena 14 (Paulina mostra a estátua de Hermíone e Leontes casa Paulina com Camilo).
Paulina – (entra empurrando uma estátua tapada com um lençol) – Meu rei Leontes, tenho para vós uma
surpresa. A estátua de Hermíone!
Perdita – Minha mãe!
Leontes – Descerre logo o pano, Paulina.
Paulina – Quero que olhem com carinho para esta estátua. Ela representa é a fidelidade e honradez.
(O pano é descerrado e aparece a estátua, a própria Hermíone).
Sacerdotisa – Veja, parece tão natural.
Paulina – Não cheguem perto, acabou de ser pintada.
Leontes – Deixa-me beijá-la.
Sacerdotisa – A tinta está fresca!
Leontes – O escultor fê-la tão perfeita, que acrescentou até as rugas da idade.
Florízel – Parece ser uma senhora muito meiga e linda.
Perdita – É minha mãe. Sei que é minha mãe.
(A estátua toma vida. Música).
Pastora – Meu Deus, ela está viva!
Hermíone – Sou eu, fui escondida por Paulina até o dia em que minha filha aparecesse. E aí está. Venha
abraçar-me. (Abraços).
Sacerdotisa – Rei Leontes, vossa majestade entristeceu a vida de muita gente com seu ciúme. Deves
recuperar o que destruíste!
Leontes – Hermíone, aceitas-me novamente?
Hermíone – Sim, apesar de tudo ainda o amo.
Leontes – Polícenes, podemos voltar a ser amigos?
Polícenes – Agora que somos parentes, com o casamento de nossos filhos. É claro!
Leontes – Filha, me perdoas?
Perdita – Sim, papai!
Leontes – Paulina, como posso agradecer-te?
Paulina – O senhor roubou-me o marido quando o mandou para terras distantes deixar a pobre menina
a sua sorte.
Polícenes – Fique com Camilo. Pronto, agora tens um novo marido.
Filha – Pelos deuses, tudo acabou bem!
Fim
Escola Municipal Pastor Hans Müller
Língua Portuguesa
Professor Iverson Moraes
Conteúdo Gênero Dramático
Os Saltimbancos
JUMENTO — Eu, eu sou um jumento. Não sou bicho de estimação. Não tenho nome, não tenho apelido, nem estimação.
Sou jumento e pronto. Na minha terra também me chamam de jegue. E me botaram pra trabalhar na roça a vida inteira.
Trabalhar feito jumento. Pra no fim... nada.
Minha pensão, nenhuma cenoura. Acho que é por isso que às vezes me chamam de burro. Eu não me incomodo.
Mas outro dia, eu estava subindo um morro com quinhentos quilos de pedra no lombo. Estava ali, subindo, quando um pai
d'égua falou assim: "Mas que mula preguiçosa, sô!", fui ver, e a mula era eu. Aí eu parei — "Mula? ah! é demais" — e
resolvi dar no pé. Tomei a estrada que leva à cidade e fui seguindo, naquela escuridão, naquela humilhação, naquela solidão
que nem sei. Não sou disso não, mas me deu uma vontade retada de chorar... e chorar e chorar aos soluços.
E pensava com meus borbotões:
O Jumento
Jumento não é,
O pão, a farinha, o feijão, carne seca,
Jumento não é,
Quem é que carrega? Hi-ho.
o grande malandro da praça.
O pão, a farinha, o feijão, carne seca,
Trabalha, trabalha de graça.
limão, mexerica, mamão, melancia,
Não agrada a ninguém,
Quem é que carrega? Hi-ho.
nem nome não tem,
O pão, a farinha, o feijão, carne seca,
é manso e não faz pirraça.
limão, mexerica, mamão, melancia,
Mas quando a carcaça ameaça rachar,
a areia, o cimento, o tijolo, a pedreira,
que coices, que coices,
quem é que carrega? Hi-ho.
que coices que dá.
JUMENTO — Pois é, onde que eu estava mesmo? Ah! Estava indo pra cidade. "E fazer o que na cidade?" — eu pensava.
Quando alguém não sabe fazer mais nada, nada mesmo, pode ser artista. Hoje todo mundo canta, como dizem aqueles que
não sabem cantar. Então eu estava ali andando, quando, de repente, quem é que eu vejo escondido no barranco da estrada?
Um pobre cachorro. Estava mesmo a perigo, todo roto, todo esfarrapado, parecia que tinha chegado da guerra. Estava
dormindo e tinha sonhos terríveis, pesadelos de cão.
JUMENTO — Ei, cachorro, ei, cachorro, acorda. Um, dois, três.
CACHORRO — Sim, senhor, é pra já.
Um dia de cão
2 - Aparece a galinha.
GALINHA — Có, có, có, có, có, có. Três animais cantando juntos, acho que vai ser mais fantástico. Vocês me levam também?
JUMENTO — O quê? Uma galinha?
CÃO — Bom-dia, Vossa Galinência.
GALINHA — Có, có, como vão, companheiros?
JUMENTO — Já vi tudo, você também fugiu, né?
GALINHA — E como não?
JUMENTO — Por quê?
GALINHA — Não consigo mais botar ovos.
A galinha
JUMENTO — Bom, já que você quer ser uma cantora, pode entrar no nosso conjunto; afinal, para uma galinha, até que você,
bem... é bem apanhada. Certo, cachorro?
CÃO — Apanhadíssima. Vossa Galinidade.
GALINHA — Obrigado, vamos lá então.
JUMENTO — Sabe o que eu digo a vocês? Começo a me sentir melhor, agora que somos três.
3 - Aparece a gata.
4 - A cidade ideal
CACHORRO: A cidade ideal dum cachorro tem GATA: A cidade ideal duma gata
um poste por metro quadrado. é um prato de tripa fresquinha.
Não tem carro, não corro, não Tem sardinha num bonde de lata,
morro, e também nunca fico tem alcatra no final da linha.
apertado.
JUMENTO: Jumento é velho, velho e sabido,
GALINHA: A cidade ideal da galinha tem as e por isso já está prevenido.
ruas cheias de minhocas a barriga A cidade é uma estranha senhora
fica tão quentinha que transforma que hoje sorri e amanhã te devora.
o milho em pipoca.
CRIANÇAS: Atenção que o jumento é sabido,
CRIANÇAS: Atenção porque nesta cidade é melhor ficar bem prevenido,
corre-se a toda velocidade e e olha, gata, que a tua pelica
atenção que o negócio está preto, vai virar uma bela cuíca.
restaurante assando galeto.
TODOS: Mas não, mas não,
TODOS: Mas não, mas não, o sonho é meu e eu sonho que
o sonho é meu e eu sonho que deve ter alamedas verdes,
deve ter alamedas verdes, a cidade a cidade dos meus amores.
dos meus amores. E, quem dera, os moradores
E, quem dera, os moradores e o e o prefeito e os varredores
prefeito e os varredores fossem e os pintores e os vendedores
somente crianças. fossem somente crianças.
Deve ter alamedas verdes, a cidade Deve ter alamedas verdes,
dos meus amores. a cidade dos meus amores.
E, quem dera, os moradores E, quem dera, os moradores
e o prefeito e os varredores e o prefeito e os varredores
e os pintores e os vendedores e os pintores e os vendedores,
fossem somente crianças. as senhoras e os senhores
e os guardas e os inspetores
fossem somente crianças.
5 - Minha canção
Esconde-esconde
CRIANÇAS: Esconde-esconde, cabra cega, tá aqui? ou lá? Esconde-esconde, cabra cega. Vai sair uma refrega.
GATA: Venha, venha, quem me pega. 'Tou escondida aqui na adega, e assim que você chega, se você não para, vai
pensar
que tem uma bruxa que te arranha bem na cara. Tá esquentando, tá esfriando, cadê? cadê? Esconde-esconde, bicho-
papão!
Vai dar uma confusão.
CACHORRO: Vem chegando, meu barão, 'tou atrás do teu portão. Vais tomar uma lição, se te aproximares, vais pensar
que tem um diabo te mordendo os calcanhares.
CRIANÇAS: Tá escondido no curral, não vai ser muito legal, quem é? quem é? tá aqui? ou lá?
JUMENTO: Venha, venha, meu rival, 'tou escondido no curral, não vou ser muito legal. Se sair dos trilhos, vai pensar que
tem um fantasma que te chuta nos fundilhos.
GALINHA: Venha, venha co'o trabuco, 'tou escondida atrás do cuco, preparando uma arapuca. Se tu me cutuca, vai pensar
que tem um dragão dando bicada na tua cuca.
GATA: Vocês viram?
GALINHA: Co-co-como eles co-correm!
CACHORRO: Agora eles não voltam mais.
JUMENTO: Não!
TODOS: Vivaaaaaaaaa!
JUMENTO - E assim, caro amigo, vamos ficando por aqui. Não é preciso ir à cidade, se aqui na nossa casa estamos tão
bem. Além do mais, a gente não é muito exigente. O que é que a gente faz? A gente trabalha. Você, cachorro, o que é
que faz?
CACHORRO — Eu? Faço sentinela.
JUMENTO — E você galinha?
GALINHA — Eu? Arrumo a casa, faço uma comidinha...
JUMENTO — E eu? Eu pra variar trabalho feito um jumento, certo, há muito o que fazer. Preciso trabalhar pra valer.
Quanto à gata... bem, a gata, pra falar a verdade...
GATA — Miau, sou meio preguiçosa...
JUMENTO — Mas mantém a gente alegre, de noite ela se espicha na almofada e canta um bocado de coisa bonita pra
valer. Ela sim; virou realmente uma su... uma... su, como é mesmo?
GATA — Uma “superstar”
Bicharia
Chico Buarque. Francisco Buarque de Hollanda nasceu no Rio de janeiro, em 19 de julho de 1944, e mudou-se
com a família para São Paulo, com apenas dois anos. Foi um bom aluno, mas brilhava mesmo no palco e no campo de
futebol. No início de sua carreira era considerado apenas um rapaz tímido, com belos olhos verdes, que compunha lindas
canções de amor. O tempo mostrou a qualidade do seu trabalho com teatro — “Morte e vida severina, Roda-viva, Gota
d'água, Os saltimbancos, Calabar” —, com cinema e escrevendo romances. Mas seus maiores sucessos populares são
as músicas, onde, além de falar de amor, fala de liberdade e justiça.
1. Elenque os personagens principais do texto e indique quais alterações Chico Buarque de Hollanda
fez da obra Os músicos de Bremen: (peso 1,0)
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
2. Segundo o texto, e frisado pelo autor, a primeira lição do dia é “O melhor amigo do bicho é
___________________” (peso 0,5)
3. Ainda sobre as lições aprendidas, quais as outras duas observadas na história? (peso 0,5)
a) Um bicho só é só um bicho forte; o bem sempre vence.
b) Um bicho só, é só um bicho, agora todos juntos somos fortes; as crianças são sempre carinhosas.
c) Todos os bichos são fortes; os homens são sempre persistentes.
d) Um bicho só, é só um bicho, agora todos juntos somos fortes; os homens voltam sempre.
4. Leia os excertos abaixo e indique a que animal se refere cada um: (peso 1,0)
“É esse o meu troco “De manhã eu voltei pra casa,
por anos de choco fui barrada na portaria,
dei-lhe uma bicada sem filé e sem almofada,
e fugi, chocada. por causa da cantoria.”
Quero cantar _______________________________
na ronda, “Fidelidade
na crista à minha farda,
da onda.” sempre na guarda
_______________________________ do seu portão.
“O pão, a farinha, o feijão, carne seca, Fidelidade
limão, mexerica, mamão, melancia, à minha fome,
a areia, o cimento, o tijolo, a pedreira, sempre mordomo...”
quem é que carrega?” _______________________________
_______________________________
5. Na frase “Quando alguém não sabe fazer mais nada, nada mesmo, pode ser artista”, expresso pelo
jumento, pode ser classificada como: crítica, metáfora, hipérbole, eufemismo, ironia, elipse, zeugma,
comparação, metonímia ou antítese, porque ____________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________(peso 1,0)
6. Por que os animais resolveram fugir de casa? (peso 1,0)
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
7. Tão logo o início dos ensaios, porque o maestro jumento quis desistir do sonho de cantar? (peso 1,0)
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
8. Quais eram as “armas/defesas” expressas no texto para cada animal? (peso 1,0)
Gata: ________________________ Jumento: ________________________
Galinha: ________________________ Cachorro: ________________________
A cidade ideal
CACHORRO: A cidade ideal dum cachorro Tem sardinha num bonde de lata,
tem um poste por metro quadrado. tem alcatra no final da linha.
Não tem carro, não corro, não morro, JUMENTO: Jumento é velho, velho e sabido,
e também nunca fico apertado. e por isso já está prevenido.
GALINHA: A cidade ideal da galinha A cidade é uma estranha senhora
tem as ruas cheias de minhocas que hoje sorri e amanhã te devora.
a barriga fica tão quentinha CRIANÇAS: Atenção que o jumento é sabido,
que transforma o milho em pipoca. é melhor ficar bem prevenido,
CRIANÇAS: Atenção porque nesta cidade e olha, gata, que a tua pelica
corre-se a toda velocidade e vai virar uma bela cuíca.
atenção que o negócio está preto, TODOS: Mas não, mas não,
restaurante assando galeto. o sonho é meu e eu sonho que
TODOS: Mas não, mas não, deve ter alamedas verdes,
o sonho é meu e eu sonho que a cidade dos meus amores.
deve ter alamedas verdes, E, quem dera, os moradores
a cidade dos meus amores. e o prefeito e os varredores
E, quem dera, os moradores e os pintores e os vendedores
e o prefeito e os varredores fossem somente crianças.
fossem somente crianças. Deve ter alamedas verdes,
Deve ter alamedas verdes, a cidade dos meus amores.
a cidade dos meus amores. E, quem dera, os moradores
E, quem dera, os moradores e o prefeito e os varredores
e o prefeito e os varredores e os pintores e os vendedores,
e os pintores e os vendedores as senhoras e os senhores
fossem somente crianças. e os guardas e os inspetores
GATA: A cidade ideal duma gata fossem somente crianças.
é um prato de tripa fresquinha.
b) Essa associação, na visão posta pela canção, é positiva ou não? Por quê? (peso 0,5)
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
c) Há a utilização de uma metáfora "A cidade é uma estranha senhora". Quais os sentidos dessa
relação? (peso 0,5)
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
d) Na visão da bicharada, o sonho é que todos os habitantes fossem crianças, "E, quem dera, os
moradores e o prefeito e os varredores fossem somente crianças". Por que isso acontece? O que as
crianças têm ou são para que a bicharada deseje-as? (peso 0,5)
________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
ANEXO
Textos para imprimir para os
alunos treinarem diálogos
Medo da Eternidade
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:
- Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas.
Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase
não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda
inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de
aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta.
- E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.
- Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa
a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.
O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa,
encaminhávamo-nos para a escola.
Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-
puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia
contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia
de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso,
eu mastigava obedientemente, sem parar.
Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair
no chão de areia.
- Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingidos espanto e tristeza. - Agora não posso mastigar
mais! A bala acabou!
- Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de
noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não
fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara
dizendo que o chicle caíra na boca por acaso.
Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.
Clarice Lispector
Promessas de casamento
Abrem–se as cortinas, no palco, ao centro, um padre, em um dos cantos, o noivo (ansioso). Toca a
marcha nupcial. A noiva entra com um vestido branco. Caminha em direção ao noivo. Os dois se
colocam em frente ao padre.
Padre – Queridos irmãos, estamos aqui reunidos pela vontade de Deus, para realizarmos o enlace
matrimonial deste jovem casal: Giovanna e Gustavo. Agora, pergunto a você, Giovanna e a você,
Gustavo, vocês prometem ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, se amando e se
respeitando até que a morte os separe?
Giovanna – Não!
Gustavo – Giovanna!?
Giovanna – Escuta aqui, seu padre! Essa conversa tá muito démodé! É sempre o mesmo discurso. O
mesmo texto batido de todo casamento! Comigo. Não! No meu casamento eu quero outra coisa!
Padre – Olha aqui, minha filha: vamos andar logo com isso que ainda tenho mais três casamentos
depois do seu.
Giovanna – Agora, Gustavo, repete comigo: Prometo não deixar a paixão fazer de mim uma pessoa
controladora, e sim respeitar a individualidade da minha amada, lembrando sempre que ela não me
pertence e que está ao meu lado por livre e espontânea vontade.
Giovanna – Prometo saber ser amigo e ser amante, sabendo exatamente quando devo entrar em cena
sem que isso me transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica.
Gustavo – Não acredito. Você deve ter bebido alguma coisa, Giovana!
Padre – Meu, filho, você quer fazer o favor de controlar a sua noiva?
Giovanna – Prometo sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela
pelo simples fato dela ser a pessoa que melhor conhece você e, portanto, a mais bem preparada para
lhe ajudar, assim como você a ela. Promete se deixar conhecer.
Gustavo – Tudo bem, Giovanna, se você quer assim, vamos fazer assim, não é seu Padre?
Padre – Eu só quero que isso acabe logo, senão, eu dou um jeito de acabar com isso.
Giovanna – Então, repete comigo, Gustavo: Promete fazer da passagem dos anos uma via de
amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se
concretizar?
Gustavo – Prometo!
Giovanna – Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a
rotina como desculpa para sua falta de humor?
Gustavo – Prometo!
Giovanna – Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque
é o que esperam de você? E que os educará para serem independentes e bem informados sobre a
realidade que os aguarda?
Gustavo – Prometo!
Giovanna – Está acabando, seu padre. Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só
para arrancar risadas dos outros?
Giovanna – Calma, seu padre! Tem mais uma: Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a
mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo
sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum
elimina?
Gustavo – Prometo!
Giovanna – Promete que será o mesmo que era minutos antes de entrar na igreja?
Gustavo – Prometo tudo que você quiser, Giovanna. Agora deixa o padre terminar que eu to fritando
dentro desta roupa.
Padre – Eu os declaro, marido e mulher. Pode beijar a noiva, meu filho, antes que ela comece de
novo.
A ACAREAÇÃO
AMOR DE POLÍTICO
CENÁRIO: UM QUARTO
EM CENA UMA MULHER ESTÁ DEITADA NA CAMA DE CASAL DE CAMISOLA. ENTRA O HOMEM
DE TERNO. VAI SE DESPINDO.
Mulher – Boa noite, Agenor!
Homem – Boa noite, meu amor!
Mulher – Preciso conversar com você.
Homem – Se for problemas, nem me venha!
Mulher – É importante!
Homem – Hoje a coisa ferveu lá na Câmara. Prenderam o Aderbal, não demora muito vão chegar
em mim.
Mulher – Eu preciso te contar uma coisa.
Homem – É, minha querida, o cerco está se fechando!
Mulher – Você precisa saber por mim!
O HOMEM FICA SÓ DE CUECA E CAMISETA, SE DEITA AO LADO DA MULHER.
Homem – Não está fácil ser Deputado, viu?
Mulher – Eu te trai!
SILÊNCIO
Mulher – Agora você pode me ouvir?
Homem – Você não está falando sério, está?
Mulher – Estou!
Homem – Puta que o pariu…
O HOMEM SE LEVANTA DA CAMA.
Homem – Quem é o canalha?
A MULHER SE LEVANTA.
Mulher – Sabe aquele Deputado?
Homem – Mas Deputado não presta mesmo! Que Deputado?
Mulher – Aquele da oposição.
Homem – Da oposição?
Mulher – Aquele bonitão, de cabelos grisalhos, saradão!
Homem – Ô, Dolores, você acha que fico reparando em homem?
Mulher – Aquele Deputado que vive metendo o pau em ti! Então, ele meteu o pau em mim!
Homem – Não acredito.
Mulher – Aconteceu.
Homem – Assim você me derruba. E você cobrou algum?
Mulher – Como assim?
Homem – Faz a sacanagem e nem pra levar uma grana do cara?
Mulher – Eu não sou prostituta!
Homem – Não é mesmo! Porque se fosse teria levado uma grana. Você não tem idéia da grana
que essas mulheres ganham desses Deputados por aí!.
Mulher – Não estou acreditando, Agenor.
Homem – Você sabe que a coisa está toda complicada lá em Brasília, não rola nem mais uma
comissãozinha de um contratinho… Você tem a chance de faturar um pixulé e dá pro cara de graça?
Como que vai ficar minha cara?
Mulher – Como ia adivinhar que você não ia ligar?
Homem – Quem disse que eu não ia ligar?
Mulher – Você acabou de falar.
Homem – Era uma compensação pelo chifre, né, Dolores?
Mulher – Eu que foi no impulso!
Homem – E como é que eu fico agora?
Mulher – Desculpa, meu amor! Eu to muito arrependida. Não Sei onde eu estava com a cabeça.E
olha que aquele Deputado nem é nada disso!
Homem – Tá certo, Dolores, tá certo!
Mulher – E quer saber? Ele nem é nada disso que a mulherada fala, viu?
Homem – Tudo bem, passou! Deixa que amanhã eu vou dor um jeito de consertar isso.
Mulher – Não vai fazer nenhuma besteira.
Homem – Você tentar cobrar o que é meu.
Mulher – Então você me perdoa?
Homem – Não devia! Não devia! Você foi muito amadora, não gosto disso! Aqui em Brasília nada
é de graça, nada!
O HOMEM DA BITOCA NA MULHER E SE DEITA NA CAMA.
Homem – Agora deixa eu dormir que amanhã o dia vai ser bem difícil.
A MULHER SE DEITA E FAZ UM CARINHO NO HOMEM.
Mulher – Eu te amo, viu? Deputado Garanhão!!
Homem – Para com isso, Dolores!
Mulher – Você me perdoou mesmo?
Homem – Te perdoei, Dolores! Já não disse?
Mulher – Nenhuma raivinha?
Homem – Deixa eu dormir, Dolores!
O HOMEM VIRA DE COSTAS PARA MULHER.
Mulher – Olha aí, você ainda está zangado comigo sim!
Homem – Amanhã isso passa! Mas vê se dá próxima vez cobra um pixulé! Depois não quero
saber de ninguém reclamando pra mim que acabou o caviar hein?
Saúde é só um detalhe
RECEPCIONISTA – Mas, menina, nem te falo. Sabe aquele cara do pagode? É, aquele loiro, forte, de
olhos azuis, com uma tatuagem no braço. Saiu de mãos dadas com o neguinho do cavaquinho! Fiquei
de boca aberta! E você passou a noite toda babando pelo bofe, hein?
MULHER – (BATENDO NO BALCÃO NERVOSA) Ei, mocinha, Dá pra mocinha desligar o telefone e
me atender?
O HOMEM GEME. A RECEPCIONISTA SE VIRA E FAZ UM SINAL COM A MÃO PARA A MULHER
ESPERAR, E SE VIRA DE NOVO.
RECEPCIONISTA – Não é mentira, te juro! Pena que você já tinha saído. Saíram na maior
naturalidade. O pessoal disse que eles namoram já faz um tempão!
MULHER – (GRITANDO) Você quer me atender agora! O meu marido morrendo e você fazendo fofoca
no telefone!
RECEPCIONISTA – (AO TELEFONE) Vou ter que desligar. Depois a gente se fala! É… chegou mais
um aqui que diz estar morrendo! Duvido que tenha o nosso plano de saúde! Eu já te ligo. Beijos!
RECEPCIONISTA – Então não posso fazer nada, minha senhora! O nosso hospital só atende com o
nosso plano de saúde. A sua nunca viu a propaganda? Saudmed: Sua saúde é só um detalhe!
MULHER – Mas o meu marido está quase morrendo. A gente paga imposto, minha filha, tem direito à
saúde!
RECEPCIONISTA – Aí, querida, já não é comigo, não! Aqui a ordem é só atender com o nosso plano
de saúde. Sem Saudmed, não posso fazer nada, nem pela senhora e nem pelo seu marido. Se a
senhora quiser fazer nosso convênio, é só ir até o fim do corredor que a mocinha lhe atende.
MULHER – Mas isso é um absurdo! Eu vou chamar a polícia! Eu vou chamar a imprensa.
RECEPCIONISTA – (AO TELEFONE) Alô!… Oi, sou eu!… Já atendi. Era mais um que não tinha o
nosso plano. E aqui está assim, não tem o nosso plano, a ordem é despachar! Não!… Vai espernear
um pouco e os seguranças chegam e colocam pra fora… Mas, então, menina, você vê só, a
concorrência tá forte!
Personagens – Hamlet (Príncipe da Dinamarca); Fantasma (Pai de Hamlet); Rainha Gertrudes (Mãe);
Rei (Tio que matou seu pai); Horácio e Marcela (Amigos); Ofélia (namorada); Polônia (mãe de Ofélia);
Laertes (Irmão de Ofélia); Rose e Guilden (chamados pelo Rei para serem acompanhantes de
Hamlet).
ATO I
Cena 1 – Hamlet chega à Dinamarca para os funerais de seu pai e conversa com seus amigos Marcela
e Horácio. Eles lhe contam que sua mãe acaba de casar com seu tio. O fantasma do pai de Hamlet
aparece e pede vingança. Os dois amigos não vêem o fantasma, só Hamlet. Marcela e Horácio ficam
apreensivos quanto à sanidade mental de Hamlet.
(Entram em cena Horácio e Marcela)
Horácio – Em que navio Hamlet vai chegar?
Marcela – Não tenho certeza. Mas sei que chegará hoje.
Horácio – Que bom, pois já perdemos muito tempo esperando por ele.
Marcela – Veja, quanta gente! Ele deve estar para sair daquele navio ali!
Horácio – (Avistando Hamlet) Hamlet! Que bom vê-lo!
Marcela – Roupas novas? Que lindo!
(Hamlet entra em cena).
Hamlet – Que bom revê-los, Horácio e Marcela! Mas em um momento tão infeliz! Meu pai acaba de
morrer... mas em que parte do castelo serão os funerais de meu pai?
Marcela – Não haverá funeral!
Hamlet – Como? Onde está o corpo? E minha mãe? Preciso consolá-la.
Horácio – O corpo nem foi enterrado. Tua mãe acaba de casar-se com teu tio, declarado o novo rei.
Hamlet – Que horror! Nem esperou o corpo ser enterrado.
Marcela – É mesmo, um horror! Mas...vamos para o castelo?
Hamlet – Primeiro ajudem-me com as malas. Estão cheias de presentes! (Avista o fantasma do pai,
que aparece e só Hamlet pode ver). Pai? Imaginei que estavas morto!
Marcela – Com quem estás conversando, Hamlet?
Fantasma – Estou morto. Agora sou apenas um fantasma. Vingue minha morte! Não deixe o mal pairar
sobre o reino!
Hamlet – Diga-me, pai, quem o matou? Quando? Onde?
Horácio – Hamlet, você está louco? A longa viagem deve tê-lo afetado.
Marcela – Vamos para o castelo, Hamlet! Agora!
Hamlet – Não!!! Pai!!!
Fantasma – Me encontre novamente aqui, à meia noite!
Hamlet – Pai!!!
Fantasma – Contarei tudo hoje! Aqui, neste porto. Então tu saberás como vingar a minha morte!
(O fantasma sai e os dois amigos carregam Hamlet pra fora de cena)
Cena 2 – Ofélia, Laertes de Polônio conversam sobre Hamlet. Ofélia está apaixonada. O irmão e o pai
pedem que ela tome cuidado, pois o príncipe está louco.
(Entram Polônia e Laertes)
Polônia – Laertes, venha cá. Tu irmã está apaixonada por Hamlet. Isso não vai dar certo.
Laertes – Está louco, mamãe. Dizem que está vendo o fantasma do pai.
Polônia – Ofélia, minha filha, venha cá!
Ofélia – (chegando) O que foi, mamãe?
Polônia – Minha filha querida, deves te afastar de Hamlet.
Ofélia – Mas, mamãe...estou tão apaixonada!
Polônia – FILHA, ELE É LOUCO!
Laertes – Como alguém que vê o fantasma do pai pode ser normal?
Ofélia – Mas meu amor por ele queima com a intensidade de um vulcão e a luz de milhares de sóis.
Laertes – Você pode amá-lo, mas ele ama só a si mesmo. Está louco, vendo fantasmas.
Ofélia – Mas ele é tão doce! Ele é a minha vida!
Polônia – Bom, você é quem sabe. Foi muito bem avisada.
(Saem de cena).
Cena 3 – Horácio e Marcela estão com Hamlet à meia noite e, agora, vêem o fantasma que acena
para Hamlet.
Marcela diz: “Há algo de podre no reino da Dinamarca”.
Cena 4 – O fantasma conta como foi sua morte: não por uma picada de inseto, mas por veneno, dada
pelo tio e mãe de Hamlet. Hamlet conta aos amigos Marcela e Horário e eles juram por sua espada
ajudá-lo. “Há mais coisas entre o céu e na terra do que sonha a nossa vã filosofia”.
(Chegam Horácio, Marcela e Hamlet)
Hamlet – Foi aqui que eu vi meu pai pela primeira vez, naquele dia em que cheguei de navio.
Marcela – Hamlet, está muito tarde! Já é hora de dormir.
Horácio – Você ainda está cansado da viagem. Vamos para o castelo para dormir.
(O Fantasma aparece e acena para Hamlet)
Marcela e Horácio – Pelos deuses, estamos vendo o Fantasma!
Hamlet – Olá, papai. Que bom revê-lo. Como foi sua morte?
Fantasma – Olá, filho. Você ouviu falar que eu morri por causa de um inseto. Mas a verdade é que
colocaram veneno no meu ouvido.
Hamlet – Mas quem?
Fantasma – Sua mãe e seu tio.
Marcela – Há algo de podre no reino da Dinamarca.
Hamlet – Ouviram? Minha mãe e meu tio mataram meu pai. Preciso vingar-me.
Fantasma – Confio em ti, meu filho!
Hamlet – Até logo, papai. Conte comigo.
Horácio - Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia...
(Saem todos)
ATO II
Cena 1 – Ofélia conta a Polônia, sua mãe, que Hamlet foi bruto com ela e estava nervoso.
(Ofélia entra chorando e chama sua mãe)
Ofélia – Mamãe!!!
Polônia – O que foi, minha filha?
Ofélia – Hamlet, mamãe...me tratou mal hoje de manhã. Foi grosso comigo.
Polônia – Eu te avisei, minha filha. Hamlet está louco!
Ofélia – Eu sei, mamãe. Mas eu acreditava no seu amor.
Polônia – Nunca mais me desobedeça. Toda a mãe sabe dar conselhos...
Ofélia – A senhora tem toda a razão. Não vou mais desobedecê-la.
Polônia – Vamos lá pra dentro, filha.
Ofélia – Vamos.
(saem)
Cena 2 – O Rei e a Rainha chamam Rose e Guilden para observarem Hamlet e os dois saem. Polônia
entra com uma carta meio erótica que Hamlet teria mandado à Ofélia. Os monarcas ficam apreensivos.
Hamlet chega com a ideia de fazer representar uma peça de teatro no palácio, todos acham bom,
temendo não contrariar um louco e saem. Hamlet chama Marcela, Horácio, Rose e Guilden e dá as
recomendações de como gostaria que a peça fosse representada (parecida como a morte de seu Pai).
Rainha – Caro marido, meu filho Hamlet está louco. Aqueles amigos dele, o Horácio e a Marcela são
péssima companhia. Contratei duas pessoas para vigiá-lo.
Rei – Está bem. Chame-os.
Rainha – Rose! Guilden! Venham cá!
Os dois –(chegando e fazendo reverências) Aqui estamos, majestades.
Rainha – Nós os chamamos aqui para que observem Hamlet, o meu filho.
Rei – Aproximem-se dele e cuidem para que não faça nada de errado.
Rose – Assim o faremos, estamos aqui para obedecer.
Guilden – Vamos ganhar alguma coisa com isso?
Rei – Sim, serão bem pagos. Agora... dispensados.
Os dois – Até breve, majestades.
(Saem com reverências)
Polônia – (entrando) Majestades. Observem que ousadia. Vejam a carta que seu filho Hamlet mandou
para minha filha Ofélia!
Rei e Rainha – (lendo) Oh!
Rei – É uma carta erótica! Que desaforo!
Rainha – Hamlet, venha cá.
Hamlet – (entrando e vendo a carta, retira das mãos do rei) O que estão fazendo com a carta que
mandei para Ofélia? Polônia, devolva esta carta a minha amada.
Polônia – Ela já leu, seu descarado! Vou devolver esta “carta” agora mesmo, seu devasso! (sai)
Hamlet – Tio, mamãe… estou muito triste. Gostaria de encenar uma peça de teatro para vocês. Aliás,
gostaria que todos vissem a peça. Estão querendo me contrariar?
Rei e Rainha– Não. Não queremos contrariá-lo.
Hamlet – Preciso das suas coroas (tira da cabeça dos dois, que saem de cena). Assim está bem.
Marcela, Horácio, Guilden e Rose! Todos aqui, vou explicar como eu quero a peça.
(Entram os que Hamlet chamou)
Hamlet – Na minha peça você, Marcela, será a minha mãe. Eu farei o meu pai. Você, Horácio será o
meu tio malvado...
Guilden e Rose – E nós?
Hamlet – Vocês vão carregar o corpo de meu pai, ou seja, eu. Agora, vamos ensaiar.
Todos – Vamos!
(Saem de cena)
ATO III
Cena 1 - Entram o Rei, a Rainha, Polônia, Ofélia, Rose e Guilden. Rose e Guilden falam sobre a peça
de Hamlet e saem. O Rei, a Rainha e Polônia pedem para que Ofélia converse com Hamlet e saem.
Hamlet aparece e dá o monólogo do “Ser ou não ser”, vê Ofélia e conversa com ela, mandando a
moça para um convento, pois seria melhor do que casar com um pecador. Ofélia fica arrasada e sua
mãe vem consolá-la.
(Entram em cena o Rei, a Rainha, Polônia, Ofélia, Guilden e Rose).
Rei – Rose e Guilden, digam como está meu sobrinho.
Rose – Ele vai fazer uma peça terrível sobre a morte de seu pai.
Rainha – O quê?
Guilden – E se nós não participarmos, ele diz que vai nos matar.
Rei – Façam o que ele diz.
Rainha – Estão dispensados.
Os dois – Até mais, majestades. (saem)
Rainha – E você, Polônia, por que está aqui?
Polônia – Quero que convençam a minha filha Ofélia a falar com Hamlet para que pare com essa
peça.
Rei – Minha cara Ofélia, deves conversar com Hamlet.
Rainha – Talvez o seu amor por ele o tire dessa loucura de peça.
Ofélia – Assim o farei. Contem comigo.
(Saem Polônia e os monarcas. Entra Hamlet, que não vê Ofélia).
Hamlet – Ser ou não ser, eis a questão. Devo lutar contra meu tio e minha mãe? Ou devo ficar na
minha?
Ofélia – Hamlet, meu amor...
Hamlet – Ofélia, estavas me ouvindo?
Ofélia – Sim. Que decisão tu tomarás?
Hamlet – Vou representar a peça. E você, é melhor que entre para um convento. Não devo casar
contigo, estou louco. Tu não mereces um louco...
Ofélia – Não! Hamlet! (sai chorando. Depois sai Hamlet)
Cena 2 – Todos aparecem no castelo para ver a peça em forma de mímica: Entram um Rei e uma
Rainha, muito amorosos; os dois se abraçam. Ela se ajoelha e faz demonstrações de devoção a ele.
Ele a levanta do chão e inclina a cabeça no ombro dela. Ele se deita num canteiro de flores. Ela vendo-
o dormir, se afasta, sai.
Imediatamente surge um homem, tira a coroa do Rei, derrama veneno no ouvido dele. Sai, beijando
a coroa. A rainha volta; encontra o Rei morto, faz apaixonadas demonstrações de dor. O Envenenador
volta, acompanhado de dois ou três comparsas, e mostra-se condoído com a morte do Rei;
acompanha a Rainha em suas demonstrações. O cadáver é levado embora. O Envenenador corteja
a Rainha com presentes. Ela mostra alguma relutância; recusa os presentes por uns momentos, por
fim aceita as provas de amor. Saem).
Voltam os atores para ler um poema de Hamlet, Polônia, indignado, vendo a peça faz com que ela
seja suspensa. Hamlet fica feliz, pois conseguiu o seu intento.
Hamlet – Obrigado pelos aplausos. Foram poucos, mas sinceros...Agora lerei um poema que fiz.
Polônia – Chega! A peça estava uma porcaria. Vamos embora, filhos.
Rainha – Espere, Polônia, vamos acompanhá-los.
Rei – Esperem por mim.
(Saem todos, menos os atores).
Cena 3 – O Rei e a Rainha chamam Rose e Guilden para levar Hamlet à Inglaterra, eles aceitam e
saem. Polônia chega e diz que vai observar Hamlet atrás da cortina, para ouvir seus planos.
Cena 4 – A Rainha chama Hamlet e tenta dizer-lhe que ele foi muito mal educado em trazer a peça.
Ele desembainha a espada e ela se assusta. Diz então que vai matar um rato que viu atrás da cortina.
Mata Polônio com a espada. Depois mostra algumas fotos à mãe, que está cada vez mais perplexa.
O fantasma do pai aparece e ele mostra pra mãe, que não vê nada e fica cada vez mais temerosa.
Hamlet diz que vai à Inglaterra, pois já fez demais por ali.
(Entram a Rainha e o Rei)
Rainha – Caro marido, chamei Guilden e Rose para que levem Hamlet para a Inglaterra.
Rei – Boa ideia, Gertrudes, Hamlet não pode mais ficar nesse reino. Rose, Guilden, venham cá!
(Os dois entram).
Rainha – Quero que vocês dois levem meu filho Hamlet para a Inglaterra. Depois daquela peça é
melhor que
fique longe da Dinamarca.
Rose – Está bem, majestade.
Guilden – Mas Hamlet sabe desta sua ideia?
Rei – Ainda não. Mas isso não interessa!
Rainha – Levem-no agora!
Os dois – Estamos indo, majestades!
(O Rei e os dois saem. Polônia entra)
Rainha – Polônia! Foi bom ter chegado! Tenho um serviço pra você!
Polônia – Então me fale, que eu farei!
Rainha – Meu filho virá logo, vigie atrás da cortina.
Polônia – Sim, ficarei ali, atrás da cortina.
(Polônia fica atrás da cortina).
Rainha – Hamlet, venha cá!
Hamlet – Que foi, mamãe? O que queres de mim?
Rainha – Você foi muito mal-educado em fazer aquela peça.
(Desembainha a espada)
Rainha – Oh, que é isto, meu filho?
Hamlet –Olha, mamãe, vou matar um rato que está atrás da cortina.
(Mata Polônia)
Rainha – Meu filho, o que fizeste?
Hamlet – Era apenas um rato. Veja, mamãe, nosso álbum de fotografias. Veja como éramos felizes:
eu, você,
papai.
Rainha – Pare, Hamlet! Você está louco! Você também quer me deixar maluca?
(Aparece o Fantasma)
Hamlet – Veja, mamãe, Papai também chegou, ele está aqui!
Rainha – Pare, filho! Não vejo ninguém! Pare de brincadeiras...
Hamlet – Papai. Eles querem que eu vá para a Inglaterra. Eu irei, já fiz muito por aqui. Mas antes
preciso tirar
esta rata velha daqui.
(Tira Polônia de cena. Sai o Fantasma. A Rainha sai aterrorizada).
ATO IV
Cena 1 – A Rainha conta ao Rei que Hamlet está completamente louco, matou Polônia e foi esconder
o corpo.
Chega o Rei e pede a Hamlet onde está Polônio. Hamlet diz que Polônia está ceando no céu e que
ele está disposto mesmo a ir à Inglaterra.
Cena 2 – Hamlet chama Rose e Guilden de esponjas.
(A Rainha volta com o Rei)
Rainha – Meu marido, Hamlet acaba de matar Polônia.
Rei – Como ele fez isso?
Rainha – A coitada estava ali, atrás da cortina. Ele ameaçou a mim e a matou com uma espada.
Rei – Ela não está aqui.
Rainha - Hamlet levou o cadáver. Faça alguma coisa.
Rei – Agora chega. Hamlet, venha cá.
Hamlet – (chegando) O que vocês querem agora?
Rei – Onde está Polônia?
Hamlet – Está jantando. Está ceando no céu, com São Pedro.
Rei – Agora chega! Você terá que ir à Inglaterra.
Hamlet – Está certo. Eu irei.
Rainha – Mas irá com Guilden e Rose.
Rei – (chamando) Guilden e Rose! Levem já Hamlet para a Inglaterra.
Os dois – (chegando)Mas é claro.
(Agarram Hamlet. Saem o Rei e a Rainha)
Hamlet – Me soltem! Seus esponjas!
(Saem todos)
Cena 3 – Ofélia ficou louca e está cantando, a Rainha lhe pergunta coisas, mas ela só canta. O Rei
pede que os soldados sigam Ofélia. Laertes chega com soldados dizendo que será o novo rei, pois
pensa que foi o Rei quem matou sua mãe. O Rei lhe explica que foi Hamlet e pede que Laertes vingue
a morte de sua mãe Polônia.
(Entra a Rainha e Ofélia)
Rainha – Ofélia! Ofélia, queria falar contigo, saber como estás.
Ofélia – “Nada do que foi será do jeito que já foi um dia...”
Rainha – Me responda, você está triste por sua mãe?
Ofélia – “Tudo passa, tudo sempre passará...”
Rainha – Não me diga que também estás louca?
Ofélia – “Não adianta fingir, nem mentir pra si mesmo”...
Rainha – Que horror, que música é essa?
Ofélia – “Como uma onda no mar”.
(Sai Ofélia e entra o Rei)
Rei – Gertrudes, Laertes está louco.
Rainha – Mais um. O que ele quer?
Rei – Ele diz que eu matei sua mãe. Quer se vingar e tomar o meu trono.
Rainha – Ih, aí está ele!
Rei – O que queres, Laertes?
Laertes – (chegando) Você é um assassino. Matou minha mãe. Não merece ser rei, vou matá-lo.
Rainha – Espere. Não foi o rei que matou sua mãe. Foi meu filho Hamlet. Eu mesma vi.
Laertes – Se a rainha viu, deve ser verdade.
Rei – Temos que achar um jeito de matá-lo. Venha, preciso de tua ajuda.
Cena 4 – Horácio e Marcela entregam ao rei uma carta de Hamlet dizendo que voltará e mandou Rose
e Guilden para a Inglaterra e sai.
(Horácio e Marcela chegam com uma carta).
Horácio – Majestade. Aqui tenho uma carta de Hamlet.
(Todos lêem a carta, que é falada pelo ator que faz Hamlet atrás das cortinas).
Carta – Olá para todos. Estou enviando esta carta para informar que voltarei brevemente. Eu não fui
para a Inglaterra. Mandei uma carta para a Rainha da Inglaterra dizendo que Rose e Guilden são
espiões. A rainha decerto mandará enforcá-los. Voltarei tão logo consiga. Abraços, Hamlet.
(Todos ficam apreensivos. Marcela e Horácio saem por um lado e a Rainha por outro).
Cena 5 – O Rei e Laertes planejam matar Hamlet, Laertes com uma espada envenenada, o Rei com
uma taça de vinho também envenenada por uma pérola. A rainha chega com a notícia de que Ofélia
morreu afogada.
Rei – Só há um jeito. Hamlet deve morrer.
Laertes – Mas como poderíamos matá-lo?
Rei – Poderia ser com uma espada envenenada. Você, Laertes, o melhor espadachim do reino lutará
com Hamlet com uma espada envenenada.
Laertes – E, eu tenho uma ideia: se isso não funcionar, poderemos preparar uma taça de vinho
envenenada.
Rei – Então, eu fico com a taça de vinho e você com a espada.
Rainha – (chegando afobada) Ofélia! Ofélia morreu afogada. Foi loucura. Começou cantando e
cantando e não
parou mais até se atirar no mar.
Rei – Coitada, morreu tão jovem.
Laertes – Tudo culpa daquele Hamlet. Minha querida irmã!
(Os monarcas saem consolando Laertes)
ATO V
Cena 1 – No cemitério, Hamlet se encontra com Horácio e Marcela para ver os funerais de Ofélia. O
Rei, a Rainha e Laertes vêem Hamlet. O Rei pede paciência a Laertes.
(Chegam o Rei e a Rainha com Laertes. Depois Hamlet com Horácio e Marcela. Não colocar as mortas
em cena).
Rei – Estamos aqui para os funerais de Polônia e Ofélia. Que Deus tome conta dessas duas almas.
Laertes – Veja, meu rei, ali está Hamlet. Quero vingança.
Rei – Aqui não. Espere até chegarmos no palácio.
Rainha – Vamos para o palácio. Sinto que aqui teremos problemas.
(Saem os três)
Cena 2 – Hamlet conta a Horácio como mandou uma carta selada a Rainha da Inglaterra, na qual
pede a morte de Rose e Guilden como espiões. Diz também como irá lutar com Laertes, com espada
e adaga.
Hamlet – Que dia trágico, Horácio e Marcela. A Polônia tudo bem, era uma fofoqueira. Mas Ofélia
tinha que se atirar?
Marcela – O que foi, Hamlet, o que você aprontou agora?
Hamlet – Não aprontei nada. Eu apenas enviei uma carta a Rainha da Inglaterra para que prendessem
Rose e
Guilden por espionagem.
Horácio – Fique calmo. Eles bem que mereciam. Apesar de que estavam cuidando de ti. Mas...bem
que
mereciam.
Hamlet – Ah, mas isso é o de menos. Agora tenho que lutar contra Laertes. Ele está querendo
vingança. Vamos ao palácio, lá se fará a vingança com espada e adaga. Vamos.
Os dois – Vamos.
Cena 3 - Chegam o Rei, a Rainha e Laertes e começa a luta. O Rei põe uma pérola (veneno), na taça
que dará a
Hamlet. A Rainha, sem saber, toma o vinho. Na luta, Laertes fere Hamlet, as espadas são trocadas e
Hamlet fere
Laertes. Num último momento, Hamlet usa a espada para matar o Rei e morre. “ O resto é silêncio”.
Horácio e
Marcela ficam sozinho no recinto.
(Chegam o Rei, a Rainha, Laertes, Hamlet, Horácio e Marcela).
Laertes - Olhe! Aí está o desgraçado que matou minha mãe e foi a causa da morte de minha irmã!
Hamlet – Venha lutar, seu desgraçado!
(Começa a luta. Saem para fora de cena todos atrás da luta e o Rei coloca o veneno na taça. A rainha
entra e bebe).
Rainha – Não posso ver meu filho lutando, me dê este vinho. (toma a taça do rei).
Rei – Não beba este vinho!
Rainha – Ah, agora já bebi.
(A rainha morre. Chegam os dois lutando. As espadas caem e são trocadas).
Hamlet – Ah, ah! Agora levarás um golpe de tua própria espada!
(Fere Laertes, que pega a espada e fere Hamlet)
Laertes – Também te feri com a espada envenenada. Eu e tu vamos morrer. (morre)
Hamlet – Quantas mortes! Vou matá-lo, meu tio assassino. (mata o tio). Mamãe, você está morta?
Horácio e
Marcela, agora vocês podem ser reis. Vou me encontrar no paraíso com Ofélia.
Horácio e Marcela – O resto é silêncio.
(Cortina)
FIM
MACBETH - Adaptação da obra de Shakespeare
Personagens masculinos (7): Personagens Femininos(8):
1. DUNCAN, Rei da Escócia; 1 LADY MACBETH;
2. MACDUFF; 2 a 5. QUATRO BRUXAS;
3. MALCOLM, filho de Duncan ; 6. DUQUESA DE ROOS;
4. MACBETH, general do exército do Rei; 7. CRIADA de Lady Macbeth e
5. BANQUO, general do exército do Rei; 8. LADY MACDUF
6. FILHO DE BANQUO e
7. DUQUE DE ROOS.
ATO I
CENA I (Pântano)
1ª BRUXA: Quando novamente as quatro nos juntamos?
2ª BRUXA: Quando terminada esta barulhada, depois da batalha perdida e ganhada.
3ª BRUXA: Antes de cair a noite.
4ª BRUXA: Em que lugar?
1ª BRUXA: No pântano.
2ª BRUXA: Ali vamos encontrar com Macbeth.
AS QUATRO: O Bem, o Mal – é tudo igual.
1ª BRUXA: Guerreiam a Escócia e a Inglaterra!
2ª BRUXA: O que é uma guerra?
3ª BRUXA: Uma luta sangrenta onde entre mortos e feridos, não há vencedor, nem vencidos.
4ª BRUXA: Irmã, vejo Macbeth vencendo. Silêncio! É Macbeth chegando.
AS QUATRO: Bruxas da terra e do mar, toca, toca cirandar, e roda que rodopia! Duas voltas para a
direita, duas voltas para a esquerda, e está feita a bruxaria. (As bruxas se escondem à vista do
público).
CENA II (Entram Macbeth, Banquo e o filho de Banquo.)
MACBETH: Um dia tão feio e tão bonito nunca vi, Banquo.
BANQUO: A que distância estamos de casa?
FILHO: Há pouco mais de meia légua, papai.
MACBETH: (Vendo as Bruxas) Quem são vocês?
AS QUATRO: Salve Macbeth! Salve, que Rei serás! Arquiduque de Cawdor!
BANQUO: Meu bom senhor, por que esse susto? Estão te saudando.
AS QUATRO: Salve!
1ª BRUXA: Banquo menos que Macbeth e maior que ele.
2ª BRUXA: Não tão feliz e todavia muito mais feliz.
BRUXA 3 E BRUXA 4: Salve Banquo, serás tronco de reis, embora a rei não chegues. Salve, pois,
Macbeth e Banquo! (As bruxas desaparecem)
FILHO: Aonde foram elas?
MACBETH: Dissiparam-se no ar.
BANQUO: Estavam mesmo aqui estas criaturas?
MACBETH: Elas disseram que teus filhos serão reis.
BANQUO: E que tu serás rei também..
DUQUESA DE ROOS: (Entrando com Roos) Saudações, bravo Macbeth.
ROOS - O rei soube do seu triunfo e te dá o título de Arquiduque de Cawdor.
BANQUO: Duque e duquesa de Roos, que bom!
FILHO: As aparições falaram a verdade!
MACBETH: Mas o arquiduque está vivo!
DUQUESA DE ROOS: É um traidor e será condenado à morte.
MACBETH: A profecia está se cumprindo.
BANQUO: (A Roos) Obrigado por trazernos tão boas notícias, duquesa (Saem duque e duquesa de
Roos. A Macbeth) Companheiro, estás pensando em quê?! (Saem)
CENA III ( Fanfarra. Entram Duncan e Malcolm).
DUNCAN: Cawdor já foi executado, meu filho Malcolm?
MALCOLM: Já confessou os seus crimes e em breve será executado...
DUNCAN: Tinha muita confiança nele e me traiu. (Entram Macbeth, Banquo e Roos) Oh, meu primo
Macbeth! Agora és o Arquiduque de Cawdor. Sejam bem-vindos, meu valoroso soldado Banquo, seu
filho, duque e duquesa de Roos.
MACBETH: Somos leais a vós, nosso rei da Escócia, poderoso Duncan.
DUNCAN: Muito obrigado por lutarem por mim.
BANQUO E FILHO: Com muita honra, majestade.
DUNCAN: Meu nobre Cawdor!
MACBETH: Quero convidá-los ao meu Palácio, agora em Cawdor.
TODOS: Que bom, vamos festejar a nossa vitória. (Fanfarra. Saem)
CENA IV (Entra Lady Macbeth e criada)
CRIADA - Lady Macbeth, trago uma carta de Macbeth, vosso marido.
LADY MACBETH: (pegando a carta)“Encontrei bruxas no dia da vitória;e quando eu ia lhes fazer novas
perguntas, sumiram. O rei Duncan me concedeu o cargo de ‘Arquiduque de Cawdor’, título que elas
antes me disseram, e depois falaram ‘Salve, que serás rei!’. Acho que elas estão certas. Guarda isto
no teu coração e até breve, querida esposa.” . Claro que serás rei, meu marido Macbeth e eu te
ajudarei nisso. (entra Macbeth) Oh, querido marido, que bom vê-lo. Que notícias trazes?
MACBETH: O Rei pernoitará esta noite aqui.
LADY MACBETH: Que saudade! Macbeth! Tuas cartas transportaram-me do presente aos dias que
virão. E quando o rei parte?
MACBETH: Amanhã.
LADY MACBETH: Tenho idéias. Acho que não parte amanhã.
MACBETH: Falaremos depois.
CRIADA: Deseja algo mais, Lady Macbeth?
LADY MACBETH: Não, criada, pode retirar-se. Fica calmo, deixa o resto comigo. (Saem)
CENA V. (Entram Duncan, Malcolm, Roos e Duquesa, Banquo e seu filho)
DUNCAN: Este castelo está muito bem localizado, sinta este ar.
ROOS: O ar é bom e até os pássaros escolhem este lugar para os ninhos.
DUQUESA: Mas eu sinto um ar pesado, com maus presságios.
MALCOLM: (Entra Lady Macbeth) Olha! Está aqui a dona do Castelo.
LADY MACBETH: Vossa Majestade: sempre rezo por vossa saúde! Sejam todos bem-vindos.
BANQUO: E Macbeth, onde está?
FILHO: Deve estar testando uma nova armadura.
LADY MACBETH: Está dando ordens aos criados para que Vossa Majestade seja muito bem-vindo
ao nosso castelo.
DUNCAN: Conduze-me ao castelo, bela senhora (Saem).
CENA VI (Entra Macbeth. Sala no castelo)
MACBETH: Está tudo tão calmo. Duncan nem desconfia de nada. Sei que é monstruoso o que
faremos, mas se não me livrar dele, jamais serei rei (Entra Lady Macbeth) Que há de novo?
LADY MACBETH: Pouco falta para que acabe a ceia.
MACBETH: Ele perguntou por mim?
LADY MACBETH: Sim. Não desconfia de nada.
MACBETH: Não vamos prosseguir nesta [Link] é um pobre velho.
LADY MACBETH: Nem pareces um soldado, pareces mais um covarde.
MACBETH: E se falharmos?
LADY MACBETH: Falharmos? Não falharemos. Quando ele for dormir, darei bebida aos seus
camareiros e ele
ficará indefeso. Diremos que foram eles. os camareiros, que o mataram.
MACBETH: Se usarmos os punhais dos camareiros e os mancharmos de sangue, quem não
acreditaria que os
matadores terão sido eles?
LADY MACBETH: Quem ousará pensar de outra maneira?
MACBETH: Agora estou firme na minha decisão. (Saem)
ATO II
CENA I (Entram 1ª Bruxa e Macbeth. Foco em verde e vermelho).
1ª BRUXA: Neste momento Macbeth move-se em direção à sua vítima.
2ª BRUXA: Firmemente caminha, que não se escutem seus passos, apenas um toque de sino revele
o horror desta hora!
MACBETH: É um punhal o que enxergo, com seu cabo voltado para mim? Vem, que eu te empunho!
(Toque de sino) Um golpe, e é tudo: o sim me convida. Não o ouças, Rei, não o ouças, que esse toque
te chama para o Céu – ou para o Inferno! (Saem)
CENA II (Entra Lady Macbeth)
LADY MACBETH: Escutem... Silêncio! Foi um pássaro que piou. As portas estão abertas. Neste
instante o golpe vai ser vibrado. Os camareiros bêbados, roncam. Dei-lhes um poção tão forte, que
não sei se estão vivos.
MACBETH: (entrando) Está feito.
LADY MACBETH: Então?
MACBETH: (Olhando as mãos ensangüentadas) Triste espetáculo!
LADY MACBETH: O que pretendes dizer com isso?
MACBETH: Ouvia uma voz “Macbeth não dormirá nunca mais!”.
LADY: Mas quem gritava assim? Suja de sangue os camareiros.
MACBETH: Não, não posso!
LADY MACBETH: Homem fraco! Dê-me os punhais. Aqueles que estão mortos ou dormem são
pinturas apenas. (Sai. Batem à porta)
MACBETH: Quem será que bate? O que há comigo que qualquer ruído me sobressalta assim? (Volta
Lady Macbeth)
LADY MACBETH: As minhas mãos estão da cor das tuas.. (Batem à porta novamente) Estás ouvindo?
Insistem. Vamos fazer de conta que estamos dormindo. (Saem)
CENA III (Sons de batidas em um portão. Entra Roos. Fora do Castelo)
ROOS: Já vou atender. O dia ainda nem nasceu.. (Abre a porta)
(Entra Macduff, Lady Macduff)
LADY MACDUFF: Insista em chamar, esposo, meus filhos precisam de leite. Chame novamente,
Macduff.
MACDUFF: Oh, Roos. Era tão tarde quando tu deitaste, duque, que tão tarde te levantas?
ROOS: Na verdade, nobre Macduff, estivemos bebendo. E a bebida é uma grande provocadora de
três coisas: nariz vermelho, sono e vontade de urinar.
DUQUESA: (Chegando) Desculpem o meu marido, a festa foi grande.
LADY MACDUFF: Está me parecendo que a bebida te derrubou também nesta noite, duquesa.
MACDUFF: O senhor do Castelo já está de pé? (Entra Macbeth)
DUQUESA: Aqui está ele, bom dia!
MACBETH: Bom dia!
MACDUFF: O Rei já está de pé?
MACBETH: Não, por enquanto.
MACDUFF: Ordenou-me que o chamasse cedo. Quase ia me esquecendo.
MACBETH: De certo está esperando por vós, caro Macduff (sai Macduff)
DUQUESA DE ROOS: O Rei parte hoje?
LADY MACDUFF: Parte. Por favor, podemos cuidar de leite para os meus bebês.
DUQUESA: Com certeza, venha comigo. (saem as duas)
ROOS: A noite foi horrível. Ouvi ruídos estranhos e a terra parecia tremer.
MACBETH: É certo, a noite foi medonha!
ROOS: Não me lembro de outra como esta. (Volta Macduff gritando)
MACDUFF: Que horror! Minha boca nem o meu coração poderão nomear o que acabo de ver!
MACBETH e ROOS: Que foi que houve?
MACDUFF: Entrem no quarto e vejam a chacina. Não me façam falar. (Saem Macbeth e Roos) Alerta!
Alerta! Soem o alarme! Assassinato e traição! Banquo, Malcolm, acordem.
LADY MACBETH: (entrando) Que foi que aconteceu?
MACDUFF: Senhora. (Entra Banquo) Oh! Banquo! Nosso real senhor foi morto a punhaladas!
LADY MACBETH: Aqui, em nosso palácio? (Voltam Macbeth e Roos)
MACBETH: O rei foi assassinado!
MALCOLM: (entrando) Que desgraça aconteceu?
MACDUFF: O Rei, vosso pai, foi assassinado.
MALCOLM: Não! (Pausa) E quem foi o assassino?
ROOS: Os camareiros. Tinham faces e mãos tintas de sangue.
MACBETH: Contudo, oh! Me arrependo de, na minha fúria, os ter matado.
MACDUFF: E por que fizeste isso?
MACBETH: Fiquei furioso e decepei as cabeças deles
LADY MACBETH: Leve-me daqui! (finge que desmaia)
MACDUFF: Ajudem Lady Macbeth!
MALCOLM: (À parte) Aqui sinto cheiro de traição. (Lady Macbeth é carregada para fora da sala. Saem
todos, exceto Malcolm) Acho que devo fugir senão serei morto também. (Sai)
CENA IV (Duque e duquesa de Roos e Macduff,e esposa).
DUQUESA DE ROOS: O bom Macduff, como estão as coisas?
MACDUFF: Não estás vendo, duquesa?
ROOS: Já se sabe quem são os criminosos?
LADY MACDUFF: Os camareiros que Macbeth matou.
DUQUESA DE ROOS: Que pretendiam, meu Deus, com isso?
MACDUFF: Decerto foram subornados. Malcolm , filho do rei, que fugiu. Todos acreditam que ele
mandou matar o pai!
LADY MACDUFF: Agora é bem provável que Macbeth venha ser o novo rei pois é primo do rei Duncan.
ROOS: E Malcolm, onde está?
MACDUFF: Vou atrás dele. Aqui não dá pra ficar, sinto cheiro de traição. Pegue nossos filhos e vamos
embora.
LADY MACDUFF: Já estão comigo. Vamos para a Inglaterra. Temo pela vida deles.
DUQUESA DE ROOS: Aqui há uma aura sinistra. Mas tenho que ficar aqui para cuidar de Lady
Macbeth
ROOS – Vou ficar com minha esposa, para saber o que aconteceu de verdade. Adeus, amigos.
ATO III
CENA I (Entra Banquo. Sala no palácio)
BANQUO: Ora, ora, Macbeth, tens tudo agora: és Rei, conforme as bruxas prometeram. (Fanfarras.
Entram Macbeth, em traje de rei, Lady Macbeth, em traje de rainha)
MACBETH: Cá está o nosso principal convidado.
LADY MACBETH: Sem o qual, haveria uma lacuna na nossa festa.
MACBETH: Esta noite, senhor, damos um banquete, para o qual solicitamos vossa presença.
FILHO DE BANQUO: Estaremos aqui, com certeza..
MACBETH: Andarás a cavalo hoje à tarde?
BANQUO: Assim pretendo.
MACBETH: Que pena, precisava de uns conselhos teus.
BANQUO: É uma pena.
MACBETH: Não faltes ao banquete.
BANQUO: Não faltarei.
MACBETH: Soube que o sanguinário Malcolm está na Inglaterra... A cavalo, e até a noite! Vosso filho
vai convosco?
FILHO DE BANQUO: Sim, majestade.
MACBETH: Ligeiros e seguros sejam os vossos animais. (Saem).
CENA II (Entram As Bruxas. Focos).
1ª BRUXA: Maus espíritos da noite, negros, brancos e cinzentos,
2ª BRUXA: Bailai conosco, bailai! Vinde todos! Bailai conosco, bailai!
AS QUATRO: Borbulhe a papa ao fogacho: arda a brasa e espume o tacho!
3ª BRUXA: Trama Macbeth, trama Lady Macbeth!
4ª BRUXA: O que vês, irmã?
1ª BRUXA: Banquo está sendo morto por Macbeth!
2ª BRUXA: (Gargalhadas) O que dizes, irmã?
3ª BRUXA:. Macbeth não vacila, como lobo rodeia a ovelha, prepara o bote. Vejo uma criatura... uma
não, duas.
4ª BRUXA: Eu e tu?
1ª BRUXA: Não, são assassinos infames. Macbeth mandou matar Banquo.
2ª BRUXA: Morre Banquo, mancha com seu sangue a floresta, mas escapa seu filho, que vê o sangue
do pai, para no futuro vingar-se!
3ª BRUXA: Duas vezes o gato malhado miou.
4ª BRUXA: Duas vezes mais uma o ouriço gemeu.
AS QUATRO: É chegada a hora de girar! Roda, roda a Roda da Fortuna!
Uma vez mais há de girar! (Trovões. Saem)
CENA III (Entram Macbeth, Lady Macbeth, criada e Duquesa e Roos.
Salão de jantar no palácio. Geral. Aparições em foco verde).
MACBETH: Dou a todos, as minhas boas-vindas.
DUQUE E DUQUESA DE ROOS: Obrigado, Vossa Majestade.
MACBETH: Viva a alegria. Dentro em pouco brindaremos. (Vai à porta)
1ª BRUXA: Macbeth vai falar com os assassinos.
2º BRUXA: Tem em seu rosto a certeza da vitória, mas ao voltar a dúvida.! (volta Macbeth).
CRIADA: Já dei o dinheiro a eles, majestade.
MACBETH: Diga para desaparecerem.
CRIADA: Eles dizem que ficarão pelo palácio e querem mais dinheiro...
LADY MACBETH: Não estás animado, querido esposo? Veja quanta gente interessante!
MACBETH: Encantadora rainha! Que tenhamos boa saúde!
DUQUESA DE ROOS: Estás triste, majestade?
MACBETH: Queria ter Banquo aqui conosco.
(Entra o fantasma de Banquo e fica próximo de Macbeth)
ROOS: Que olhos são esses? O que vossa majestade está vendo?
MACBETH: Nada!
DUQUESA DE ROOS: Venha para cá, fique ao meu lado, majestade.
MACBETH: Onde? (O fantasma está ao lado da duquesa)
DUQUESA DE ROOS: Aqui, meu senhor. Que é que o perturba?
MACBETH: Quem de vós fez isto?
CRIADA: O quê?
MACBETH: Não fiz isso! Não sacudas diante de mim tua cabeça ensangüentada!
CRIADA: Sua majestade está indisposto? Posso me retirar...
LADY MACBETH: Não, fique. Desde sua infância sofre destes acessos. É coisa passageira. Daqui a
pouco estará bem de novo. És um homem, ou não?
MACBETH: Se sou! Mas...
LADY MACBETH: Oh, que tolices! Tudo são imagens filhas do medo: como aquele punhal que vês no
ar e diz que aponta para Duncan.
MACBETH: Os mortos estão a me atormentar. (O fantasma desaparece)
LADY MACBETH: Caro esposo, os nobres amigos querem falar contigo...
MACBETH: Amigos, não façam caso da minha enfermidade, sem importância para os que bastante
me conhecem. Saúde e afeto a todos
(Reaparece o fantasma)
DUQUESA DE ROOS: Pela vossa saúde, majestade
MACBETH: (Falando ao espectro) Para trás e longe da minha vista! Volta à tua cova!
LADY MACBETH: Não reparem no meu esposo, está cansado!
MACBETH: Some-te, sombra sinistra! Some-te daqui, fantasma sem realidade! (O fantasma
desaparece) Foi-se... Ainda bem!
LADY MACBETH: Estás estragando a festa, esposo.
DUQUESA DE ROOS: Boa noite!
ROOS: Estimamos as melhoras. (Saem)
MACBETH: Que achas de Macduff se recusar a vir?
LADY MACBETH: Mandastes convidá-lo?
MACBETH: Não, mas deveria vir.
LADY MACBETH: Precisas de sono, querido esposo.
MACBETH: Sim, tens razão
CENA IV (Entram Roos e Duquesa de Roos)
DUQUESA DE ROOS: As mortes do bom Rei Duncan e Banquo foram lamentadas por Macbeth: esta
história está mal contada.
ROOS: Será que não foi o próprio Macbeth quem os matou?
DUQUESA DE ROOS: Não sei, o que sei é que ele está louco. E se o filho de Duncan, Malcolm
voltasse à Escócia para resgatar o trono?
ROOS: Onde estará o filho de Banquo? Iremos para a Inglaterra e acharemos um jeito de destruir
esse tirano. Vamos. (saem)
ATO IV
CENA I (Trovão. Entram as Bruxas, depois Macbeth. Caverna).
1ª BRUXA: Toca a lançar na panela o sapo.
AS QUATRO: Borbulhe a papa ao fogacho: arda a brasa e espume o tacho!
2ª BRUXA: Pelo comichar do meu polegar sei que deste lado vem vindo um malvado.
3ª BRUXA: Abre-te, porta: a quem, não importa! (Entra Macbeth)
MACBETH: Horrendas bruxas, filhas do demônio, que estais fazendo?
AS QUATRO: Obra que não tem nome.
MACBETH: Eu vos conjuro, respondei-me ao que vou perguntar!
4ª BRUXA: Responderemos.
1ª BRUXA: Quererás ouvi-lo de nossa boca ou da de nossos mestres?
MACBETH: Da deles: quero vê-los!
AS QUATRO: Alto ou baixo, vem mostrar-te, tu e tua mágica arte.
(Trovão. Primeira aparição, uma cabeça armada de capacete)
1ª APARIÇÃO (Ator de Banquo disfarçado): Macbeth! Macbeth! Macbeth! Cuidado com Macduff!
(Desaparece)
2ª BRUXA: (Interrompendo-o) Mas outro vem, mais forte que o primeiro.
(Trovão. Segunda aparição, ensanguentada)
2ª APARIÇÃO(ator de Duncan): Macbeth! Macbeth! Macbeth! És sanguinário, audaz e resoluto! Ri da
força dos homens, pois nenhum nascido de mulher poderá um dia causar dano a Macbeth!
(Desaparece)
MACBETH: Macduff! Por que temer-te? Mas por segurança: não viverás.
(Trovã[Link] aparição, uma criança coroada, com uma árvore na mão)
3ª APARIÇÃO (Ator que faz Malcon): Só viverás até que a floresta avance contra ti, então Macbeth
será vencido! (Desaparece)
MACBETH: Isso nunca acontecerá. Imagina, uma floresta avançar contra mim? Acaso será rei da
Escócia o filho de Banquo?
AS BRUXAS: Não procures saber mais nada.
(As aparições desfilam diante de Macbeth)
MACBETH: Vão embora, aparições! (Música. As bruxas dançam e desaparecem). Onde estão elas?
Foram-se! Agora mesmo irei ao castelo de Macduff, matarei sua mulher e seus filhos.
INTERLÚDIO – Macbeth matando Lady Macduff e seus filhos.
CENA II (Lady Macbeth e a criada. Sala do palácio. Foco)
LADY MACBETH: Que notícias me trazes.
CRIADA – Macduff fugiu, abandonando a esposa, os filhos, sua gente e seus títulos. Como um nobre
pode fazer isso?
LADY MACBETH - Nobre? Não, pobre! Um louco que deixa nas nossas mãos a sua sorte. Entram nos
seus aposentos nossos fiéis assassinos, entre os gritos do filho e as preces da mãe, cumprem seu
dever e com sangue e determinação, abrem caminho para a minha glória! Cala-te Macduff, pois os
filhos que dizes amar, não falam mais!
CRIADA – O que queres mais de mim?
LADY – Mais nada, retira-te. (SAEM)
CENA III (Entram Malcolm, o filho de Banquo e Macduff.)
MALCOLM: Que mais podemos fazer que não chorar nossos mortos..
MACDUFF: Não! Empunhemos nossas espadas: como bravos, defendamos a pátria.
FILHO DE BANQUO: Macbeth é amado pelo povo, mas é um assassino.
MACDUFF: Não sou traidor.
MALCOLM: Macbeth é.
MACDUFF: Perdi as minhas esperanças.
FILHO DE BANQUO: Pense em seus filhos e aja com vingança. Meu pai foi morto por este tirano.
MACDUFF: Não só meus filhos, mas a pátria sangra, perece. Temos que lutar contra ele.
ROOS: (entrando) Ai, pobre pátria! Nem podemos chamar-lhe mãe, que é, antes, sepultura. Foi vosso
castelo acometido de surpresa; vossa esposa, vossos filhos, cruelmente assassinados.
DUQUESA DE ROOS - Deixei Lady Macbeth. Cruel como o esposo e nunca poderá ter filhos.
MACDUFF: Ah, ele não tem filhos!
FILHO: As bruxas que apareceram a meu pai, disseram que ele seria rei, mas não seria tronco de reis.
MALCOLM: Lutemos contra o infortúnio como homens.
MACDUFF: Assim faremos, sem dúvida. (Saem)
ATO V
CENA I (Lady Macbeth com a criada, lavando as mãos)
CRIADA – Não agüento mais trazer novas bacias para lavar as mãos, suas mãos estão limpas.
LADY MACBETH: Por mais que eu faça, esta mancha não sai. Vai-te mancha maldita! Vai-te, digo!
Estas mãos nunca ficarão limpas?
CRIADA – O que fazeis, senhora?
LADY MACBETH - Sinto ainda o cheiro do sangue: nem todos os perfumes da Arábia poderão fazê-
lo desaparecer desta mão pequenina. Banquo está enterrado, não pode sair da cova. O que está feito,
não pode ser desfeito. (Saem)
CENA II (Entra Macbeth e Lady numa sala de castelo)
MACBETH: As bruxas disseram “Macbeth, não tenhas medo: nenhum homem nascido de mulher terá
jamais poderes sobre ti”.
LADY MACBETH: São dez mil...
MACBETH: Estás com medo?!
LADY MACBETH: Não, minhas mãos!
MACBETH: Traga minha armadura.
LADY MACBETH: Não posso nem dormir, vejo figuras estranhas..
MACBETH: Malditos médicos! Não te curam também. Não temerei a morte nem a ruína enquanto não
marchar a floresta. (Saem)
CENA IV ( Malcolm, Roos, filho de Banquo e Macduff, na floresta)
MALCOLM: Espero que esteja perto o dia em que poderemos dormir em segurança.
MACDUFF: Diga para cada soldado cortar um ramo da floresta e se esconder atrás dele: assim
marchando, encobriremos o efetivo de nossas forças, atrapalhando Macbeth.
FILHO DE BANQUO: Por agora, preparemo-nos para a batalha.
ROOS: Assim faremos!
(Usam galhos de árvores mesmo e avançam no proscênio)
CENA V (Entram a Criada e Macbeth)
CRIADA: Ó poderoso Macbeth! A rainha está morta!
MACBETH: Por que estes gritos? A rainha está morta... Não devia ser agora. Agora que tanto
precisava dela.
CRIADA – Trago também uma mensagem de seus sentinelas.
MACBETH - O que diz esta mensagem?
CRIADA: “Estando eu de sentinela no alto de uma colina, vi com meus olhos mover-se o bosque”.
MACBETH: O que é isto, uma brincadeira? Mentes, bilhete miserável! Morrerei combatendo. (Saem)
CENA VI (Entra, Malcolm, Roos e Macduff. Som de tambores)
ROOS – Invadimos o palácio do traidor.
MALCOLM: Tomaremos tudo, conforme o nosso plano.
MACDUFF: Fazei ressoar nossos clarins: por aí vem sangue e morte!
MACBETH: (entrando) Quem será aquele não nascido de mulher?
MALCOLM: Cão dos infernos, venha! (Luta. Macbeth vence, matando Malcolm)
MACBETH: Minha vida não pode cortar homem nascido de nenhuma mulher.
MACDUFF: Mas eu fui arrancado do ventre de minha mãe antes de nascer!
MACBETH: Não combaterei contigo.
MACDUFF: Então entrega-te, covarde!
MACBETH: Não me entrego!
(Saem batendo-se. Rebates. Tornam lutando e Macbeth é abatido).
CENA V (Clarins. Entram Malcolm, filho de Banquo Duque e Duquesa de Roos)
MALCOLM: Morreu o tirano.
DUQUESA DE ROOS: Sim, e também a tirana está morta.
MACDUFF: Cortarei a cabeça do maldito tirano.
ROOS - A pátria é livre. Viva o rei da Escócia! O filho de Banquo...
(Clarim. Coloca a coroa no filho de Banquo)
CENA FINAL (As Bruxas. Foco verde).
1ª BRUXA: Maus espíritos da noite, Negros, brancos e cinzentos,
2ª BRUXA: Bailai conosco, bailai! Vinde todos! Bailai conosco, bailai!
3ª BRUXA: Duas vezes o gato malhado miou.
4ª BRUXA: Duas vezes mais uma o ouriço gemeu.
AS QUATRO: Borbulhe a papa ao fogacho: arda a brasa e espume o tacho! O Bem, o Mal – é tudo
igual.
FIM
Obs – Este texto foi baseado no original Willian Shakespeare (Tradução de Millôr Fernandes - Livre
adaptação de Guy Schmidt e mais livre adaptação do professor Jarbas Griebeler). As bruxas na
verdade eram três. A Duquesa de Roos foi inventada. A criada na verdade seria o personagem
Seymor. Outras tantas adaptações foram feitas. Que Shakespeare me perdoe!
Personagens Femininos (8): Hermíone (rainha da Sicília), Perdita (filha de Hermíone), Paulina (amiga
de Hermíone e mulher de Antígono), Sacerdotisa (do Oráculo de Delfos), Pastora (que cria Perdita),
Filha da Pastora, duas criadas do palácio da Sicília
Personagens Masculinos (5): Leontes (rei da Sicília), Polícines (rei da Boêmia), Florízel (filho de
Polícines), Camilo (ajudante de Leontes), Antígono (marido de Paulina).
PRÓLOGO (CORO)
Criada 1 –Boa tarde, Florinda, sabe quem veio ao reino da Sicília? O rei Polícines.
Criada 2 – Sei, já mandei Camilo levar-lhe umas frutas. No reino da Boêmia não há frutas como aqui.
O nosso rei Leontes me mandou servir bem o amigo.
Criada 1 - Que o céu conserve essa amizade!
Criada 2 – E como vai o filho de Leontes e da rainha Hermíone?
Criada 1 – Está muito mal. Doente mesmo. É tristeza...
Leontes (entrando) – Onde está Hermíone, minha rainha?
Criada 2 - A rainha está contando histórias para seu filho, majestade.
Leontes – Histórias?! Pois sei, deve estar mesmo.
Cena 1 (Conversa de Hermíone com Polícines)
Hermíone – Que bom que vieste ao nosso reino da Sicília, caro rei Polícines! Como está o reino da
Boêmia?
Polícines – Está muito bem. Estou ansioso para falar com meu grande amigo Leontes, cara rainha
Hermíone!
Hermíone – Ele só fala do seu grande amigo. Das brincadeiras que os dois reis faziam quando
crianças... Sua terra, a Boêmia foi um lar inesquecível para o meu marido.
Polícines – Fomos criados como irmãos. Mas onde está Leontes?
Hermíone – Saiu para caçar, não demora. No inverno os dias são mais curtos.
Polícines – E seu filho, como está?
Hermíone – Está tristonho. As crianças não podem ficar ao relento e ele não pode brincar com os
outros meninos, então me pede para contar-lhe histórias de inverno.
(Hermíone tem um mal súbito e cai).
Polícines – Deixa-me ajudá-la, cara rainha.
Hermíone – Ah, obrigado. Estou tendo desmaios ultimamente, acredito estar grávida.
Polícines – Veja, está chegando o meu grande amigo. Prazer em vê-lo.
Leontes (chegando) – O que fazes aqui sozinho com minha esposa?
Polícines – Estava a ajudá-la, pois teve um mal súbito. Pareces aborrecido...
Leontes – Hermíone, vá para dentro cuidar de seu filho. O príncipe deve estar sentindo a falta da mãe.
(Hermíone sai).
Polícines – Vamos conversar lá dentro sobre sua caçada.
Leontes – Caçada? Não peguei nada. Mas... vamos!
Cena 2 (Leontes quer contratar Camilo para matar Polícines)
Camilo – Caro rei Leonte, por que razão me mandaste chamar?
Leontes – Camilo, meu nobre amigo, quero que envenenes Polícines.
Camilo – Mas por quê?
Leontes – Ele está a me trair com minha mulher. Hermíone quer que ele permaneça na corte. Esta
mulher está a me por um par de chifres.
Camilo – Sua mulher é fiel, meu caro rei. Não irei envenenar o rei Polícenes.
Leontes – Então serás banido de meu reino.
Camilo – Irei, meu rei, mas antes contarei ao rei Polícenes o que pretendes fazer.
Leontes – Vai, servo infiel.
(Leontes e Camilo saem de cena)
Cena 3 (Camilo avisa Polícines, que foge para seu reino na Boêmia).
(Camilo encontra com Polícenes).
Camilo – Rei Polícenes, deves retornar à Boêmia o quanto antes.
Polícenes – Por que, caro Camilo?
Camilo – O rei Leontes está cego pelo ciúme que tem por Hermíone. E acredita ser o senhor o pai do
filho que a rainha espera. Queria que eu o envenenasse.
Polícenes – Leontes está louco. Vamos nos aprontar para ir à Boêmia. Tu vens comigo.
Camilo – Com muito prazer.
Cena 4 (Leontes manda Hermíone grávida para a prisão)
Leontes – Onde estavas, rainha?
Hermíone – Estava a contar histórias para nosso filho.
Leontes – Como és falsa. Mesmo grávida, estavas a me trair com algum lorde da corte!
Hermíone – Por favor, Leontes, não inventes histórias...
Leontes – Estás a me desafiar?
Hermíone – Não, caro marido.
Leontes – Agora mesmo vá para a torre. Os meus guardas estão a te esperar para que fiques presa.
Na torre permanecerás para que não possas mais me trair.
Hermíone – Não faças isso, não vês que estou grávida para quase ter o bebê?
Leontes – Filho meu é que não é. Deve ser de tua traição com Polícines. Fora!!!
Hermíone – Não!!!
(Hermíone sai chorando e Leontes sai por outro lado).
Cena 5 (Leontes manda chamar a sacerdotisa para ir ao Oráculo de Delfos)
(Entra Leontes com a Sacerdotisa).
Sacerdotisa – Mandaste chamar a Sacerdotisa de Apolo, rei Leontes?
Leontes – Sim, tenho um encargo para vós.
Sacerdotisa – Queres saber de seu filho, afastado da mãe? Pois lhe direi, se deixares o menino mais
tempo longe do convívio com Hermíone, ele morrerá. Tive esta revelação em sonhos.
Leontes – Os sonhos da Sacerdotisa não me dizem respeito. Quero que vás ao Oráculo de Delfos e
lá perguntes a Apolo, o nosso maior Deus, se minha esposa é infiel.
Sacerdotisa – Não desmereças o que lhe digo, majestade. Mas irei ao Oráculo e perguntarei sobre
Hermíone. Voltarei em breve.
(Os dois saem de cena).
CORO
Criada 1 - O rei Leontes está cego de ciúmes.
Criada 2 – Ainda bem que Camilo fugiu, queria eu também fugir.
Criada 1 - Acabou-se a amizade, só por causa do ciúmes!
Criada 2 – E agora a rainha Hermíone está presa na torre. Vou ajudar a coitada!
Sacerdotisa – Vai nada, o que tem que acontecer, acontecerá, assim previu Apolo.
Criada 1 – Mas a coitada está presa na torre. O filho está doente.
Sacerdotisa – Falem com Paulina e Antígono, que eles acharão a ajuda.
Criada 2 – Está bem, ó grande sacerdotisa. (saem)
Cena 6 (Paulina e Antígono conversam sobre a filha do rei).
Antígono – Paulina, minha esposa, o que fazes com esta menina ao colo?
Paulina – Esta, caro Antígono, é a filha da rainha Hermíone que acaba de nascer.
Antígono – Deves então protegê-la das mãos do rei Leontes.
Paulina – Farei melhor do que isso, entregarei a menina ao rei.
Antígono – Estás louca, ele vai mandar matá-la!
Paulina – Quando nosso rei vir esta menina tão linda decerto perdoará a rainha e nosso reino voltará
a ter alegria.
Antígono – Assim espero. Vamos.
Cena 7 (Paulina traz a filha para o rei e este manda Antígono levá-la para longe).
Paulina – Rei Leontes, trouxe a vossa presença uma criança adorável.
Leontes – Estou feliz que Paulina e Antígono tiveram enfim o seu filho.
Antígono – Não se trata de nosso filho, mas de alguém que dará muitas alegrias a vossa majestade.
Paulina – Esta, caro rei, é sua filha, recém-nascida.
Leontes – Como ousam trazer a minha presença esta bastarda. Não é minha filha. Antígono, tu
merecerias a forca por aceitar que sua mulher me fizesse tal desfeita.
Antígono – Meu rei, perdoa-nos.
Paulina – Vou deixar esta criança aqui para que vossa majestade possa vê-la. (Paulina sai).
Leontes – Não quero ver esta criança bastarda. Leva-a para longe. Jogue-a numa praia deserta.
Antígono – Assim farei, caro rei.
(Sai Antígono e chega a Sacerdotisa).
Cena 8 (Resultado do Oráculo, Paulina conta que morreu o filho e a esposa).
Sacerdotisa – Estou de volta com a resposta do Oráculo de Delfos.
Leontes – Espera. Isto precisa ser dito ao povo.
(A Sacerdotisa vai à boca de cena e lê).
Sacerdotisa – “Hermíone é inocente. Polícenes não tem culpa. Camilo é um súdito leal. Leontes é um
tirano ciumento, e o rei ficará sem herdeiro se não encontrar aquela que está perdida”.
Leontes – Isto são mentiras. Fora, mulher má com falsas palavras.
Sacerdotisa – Meu rei, acredite. (Ajoelha). Vosso ódio está matando a todos.
(Paulina entra em cena).
Paulina – Rei Leontes, seu filho acaba de morrer.
Leontes – Vá embora mulher. E conte a minha mulher o acontecido, quem sabe assim ela confesse
sua traição.
Paulina – Não poderei, caro rei Leontes. Sua mulher, ao saber da morte de vosso filho morreu também,
de desgosto.
Sacerdotisa – Apolo está zangado.
Leontes – O próprio céu me pune por minha injustiça. O que farei agora?
(Saem os três, bem tristes, com música apropriada).
Cena 9 (Antígono deixa a criança com joias e sai).
Antígono – Se assim quiser o destino, isto te dará de sobra para te criar. Espero que nesta praia
deserta apareça alguém que cuide de ti. Cresce, e te torna uma linda princesa! Não posso chorar
contigo, mas me corta o coração te deixar aqui. Fica com este colar de sua mãe e com estas joias.
Decerto aparecerá por aqui alguém que queira ficar contigo. Adeus.
(Sai Antígono. Música de suspense até aparecer a pastora).
Cena 10 (Chega a pastora junto à criança e depois a filha contando sobre a morte de Antígono e o
barco que afundou).
Pastora – Mas que barulho é este? Olha, um bebê! Deve ser rica, está coberta de joias. Filha, venha
ver!
Filha – O que foi, mamãe?
Pastora – Achei um bebê. E não é só isso... veja! Joias!
Filha – Pelos deuses!
Pastora – Onde estavas?
Filha – Estava por aqueles lados. Vi um homem morto totalmente desfigurado, provavelmente atacado
por um urso. Depois fui até a praia e vi restos de um naufrágio. Um navio muito grande deve ter sofrido
com a tempestade de ontem.
Pastora – Pobre criança, deve ter sobrevivido deste naufrágio. Quiseram os deuses que nós a
encontrássemos.
Filha – Provavelmente. Veja, quanto ouro!
Pastora – Filha, vamos cuidar desta criança. Somos pobres, mas com este dote podemos dar-lhe um
bom futuro.
Filha – Ela tem uma correntinha escrito Hermíone. Parece ervilha, não gostei. Mamãe, vou chamá-la
de Perdita.
Pastora – É um bom nome. Ganhei uma nova filha.
Filha – E eu uma nova irmã.
Pastora – Vamos, minha filha, a criança deve estar com fome.
Filha – Deixa eu levar a criança e a senhora se encarrega do baú de joias.
(saem as duas)
CORO
Criada 1 – Já se passaram 15 anos e o rei continua triste.
Criada 2 – Bem feito, quem manda ser tão ruim. Quem é ruim sofre.
Criada 1 – Onde estará a filha do rei?
Criada 2 – Rezo todos os dias para que esteja bem, mas acho difícil. Nunca mais se soube de
Antígono.
Criada 1 – Olha, aí vem Paulina...
Paulina – (chegando) O que vocês estão fofocando?
Criada 2 – Nada. Quem é aquele vulto que vimos na sua janela?
Paulina – Não é ninguém. Voltem ao seu trabalho. (saem)
Cena 11 (Perdita cresce e encontra com Florízel)
Pastora – Filha, nem parece que se passaram quinze anos daquele nosso encontro com o bebê
perdido na praia.
Filha – Perdita está muito bonita. Parece até uma princesa.
Pastora – E quem sabe seja. Por causa dela temos uma vida confortável. Veja, até o filho do rei
Polícenes vem nos visitar!
Filha – Ele está interessado é na nossa Perdita!
Pastora – Mas não pode. Um príncipe não pode namorar uma filha de pastores.
Filha – Estão aí fora. Vamos chamá-los.
(Chamam Perdita, que entra com Florízel).
Perdita – O que querem de nós.
Florízel – Estávamos a conversar sobre a natureza.
Pastora – Desculpe-nos, caro príncipe Florízel, precisávamos conversar com vocês.
Filha – Isso mesmo, vocês não podem namorar.
Perdita – Mas o nosso amor é tão grande!
Florízel – Pretendemos nos casar.
Pastora – Um príncipe não pode casar com uma plebeia. O senhor príncipe Florízel é filho do rei
Polícenes.
Filha – O rei Polícenes é muito brabo, ninguém sabe por que. Depois que a mãe de vossa alteza
morreu anda pior ainda.
Perdita – Saberei como domar seu pai.
Florízel – Acredito em você e no nosso amor! A senhora é uma dama rica, apesar de nunca sabermos
como conseguiu tal herança.
Pastora – Então, podem casar. Mas precisamos contar um segredo.
Filha – Acontece que Perdita é adotada. Encontramos você na praia junto com este colar e um baú de
joias, o que nos levou a esta pequena fortuna.
Perdita – Que bom que me contaram. Quem sabe eu não seja uma princesa perdida?
Florízel – Eu acredito nisso. Vamos casar.
Pastora – Preparem-se, faremos isso sem o consentimento do rei.
Filha – Isso! Aos preparativos.
(Saem felizes).
Cena 12 (Festa da pastora onde o rei Polícines e Camilo entram disfarçados).
Camilo – Veja, meu caro rei Polícenes. A festa está animada.
Polícenes – Vou deserdar o meu filho Florízel, Camilo.
Camilo – Ainda bem que estamos disfarçados.
Polícenes – Quero pegar os dois e dar uma boa surra nesta moça que ousa tirar-me o filho.
Camilo – Ali estão os dois.
Polícenes – Vamos chegar mais perto.
Florízel – Como te amo, cara Perdita.
Perdita – E eu também.
Florízel – Não tenho medo de meu pai.
Camilo – Pois deverias ter, ele está aqui.
(O pai se revela).
Polícenes – Como ousam casar sem meu consentimento. Camilo, agarre esta moça, mandarei os
guardas pegarem meu filho e esses pastores de aldeia.
(Sai).
Filha – (chegando, liberta Perdita, dando uma paulada em Camilo) Fuja, minha irmã. Vá para a Sicília
com Florízel. Lá, acredito que serás feliz.
Florízel – Vamos, meu amor. O rei Leontes foi amigo de meu pai.
Pastora – Iremos com vocês. Levaremos estas jóias para pagar a viagem.
(Saem, só ficando Camilo no chão quando chega o rei Polícenes).
Camilo – Me acertaram na cabeça, rei Polícenes.
Polícenes –Até os guardas se dispersaram. Maldição! Onde foi todo mundo?
Camilo – Fugiram para a Sicília.
Polícenes – Então temos que ir atrás. Apesar de eu ter uma desavença com o rei Leonte, preciso
tornar a vê-lo, sinto que o futuro nos será alegre. Vamos.
Cena 13 (Leontes recebe a sua filha e genro)
Sacerdotisa – Caro rei Leontes, estão aí, para ver vossa majestade, o príncipe da Boêmia e umas
senhoras.
Leontes – Faça-os entrar, estou tão triste que talvez vendo o filho de Polícenes me alegre um pouco.
Sacerdotisa – (Anunciando) O Príncipe Florízel, filho de sua majestade o rei Polícenes!
Leontes – Bem vindos, o que desejam.
Florízel – Meu pai não queria que casássemos e fugimos de nosso reino.
Perdita – Sou Perdita, filha adotada desta senhora e irmã desta outra aqui.
Pastora – Esta menina tem um colar com a indicação de seu reino estampada nela.
Filha – A menina foi achada na praia depois de um naufrágio.
Sacerdotisa – Veja, meu rei, é o colar de Hermíone. Você só pode ser a filha de vossa majestade.
Leontes – Oh, destino! És a filha que mandei abandonar em praia distante!
Sacerdotisa – Deves agora aceitá-la, pois a profecia se cumpriu.
Leontes – Venham, eu os abraço e recupero minha alegria.
Florízel – Vejam só! És uma princesa. Eu bem que sabia!
Perdita – Ganhei um pai, que bom!
Pastora – Como tudo acaba bem!
Filha – Mas e o rei Polícenes?
(Entra o Rei Polícenes com Camilo).
Polícenes – Ouvi tudo. Podes casar, meu filho. Abraça-me, Leontes. Nossos filhos são noivos.
Camilo – Majestades. Uma mulher chamada Paulina chama a todos para uma grande surpresa.
Todos – Vamos ver o que é.
Cena 14 (Paulina mostra a estátua de Hermíone e Leontes casa Paulina com Camilo).
Paulina – (entra empurrando uma estátua tapada com um lençol) – Meu rei Leontes, tenho para vós
uma surpresa. A estátua de Hermíone!
Perdita – Minha mãe!
Leontes – Descerre logo o pano, Paulina.
Paulina – Quero que olhem com carinho para esta estátua. Ela representa é a fidelidade e honradez.
(O pano é descerrado e aparece a estátua, a própria Hermíone).
Sacerdotisa – Veja, parece tão natural.
Paulina – Não cheguem perto, acabou de ser pintada.
Leontes – Deixa-me beijá-la.
Sacerdotisa – A tinta está fresca!
Leontes – O escultor fê-la tão perfeita, que acrescentou até as rugas da idade.
Florízel – Parece ser uma senhora muito meiga e linda.
Perdita – É minha mãe. Sei que é minha mãe.
(A estátua toma vida. Música).
Pastora – Meu Deus, ela está viva!
Hermíone – Sou eu, fui escondida por Paulina até o dia em que minha filha aparecesse. E aí está.
Venha abraçar-me. (Abraços).
Sacerdotisa – Rei Leontes, vossa majestade entristeceu a vida de muita gente com seu ciúme. Deves
recuperar o que destruíste!
Leontes – Hermíone, aceitas-me novamente?
Hermíone – Sim, apesar de tudo ainda o amo.
Leontes – Polícenes, podemos voltar a ser amigos?
Polícenes – Agora que somos parentes, com o casamento de nossos filhos. É claro!
Leontes – Filha, me perdoas?
Perdita – Sim, papai!
Leontes – Paulina, como posso agradecer-te?
Paulina – O senhor roubou-me o marido quando o mandou para terras distantes deixar a pobre menina
a sua sorte.
Polícenes – Fique com Camilo. Pronto, agora tens um novo marido.
Filha – Pelos deuses, tudo acabou bem!
Fim
Relacione as colunas de acordo com o tipo de figura de linguagem utilizado na construção de sentido
das frases a seguir:
a) Estou rindo para não chorar. 1. Eufemismo.
b) Eu nasci em Minas; meu irmão, em Goiás. 2. Prosopopeia.
c) Não se deve faltar com a verdade. 3. Antítese.
d) Chorei rios de lágrimas. 4. Ironia.
e) Quem foi o educado que estacionou onde não devia? 5. Elipse.
f) Seus olhos são dois topázios. 6. Pleonasmo.
g) O sol beijava o alto das montanhas. 7. Hipérbole.
h) “Sorri um sorriso pontual” - Chico Buarque 8. Metáfora.
Questão 2
Assinale a única alternativa que possui a figura de linguagem conhecida como metáfora:
a) ( ) Correu feito louco para não perder o ônibus.
b) ( ) Sua pele é um pêssego.
c) ( ) “Cabelos tão escuros como a asa da graúna” - José de Alencar.
d) ( ) Era delicada como uma flor.
Questão 3
A alternativa que possui uma antítese é:
a) ( ) Ele subiu no telhado nessa madrugada.
b) ( ) O vento sussurrava na noite fria.
c) ( ) Estou morrendo de medo.
d) ( ) Os bobos e os espertos convivem no mesmo espaço.
e) ( ) Ela morou ali durante dois meses, e ele, durante vários anos.
Questão 4
(FGV) Assinale a opção que apresenta o segmento do texto em que não ocorre a presença da ironia.
a) “ Iniciei-me no exílio antropológico ”.
b) “ solicitei a uma respeitável figura do último reduto urbano ”.
c)“... uma atividade tão inútil quanto estúpida ”.
d) “ Essa plausível hipótese levou o nosso intermediário ...”.
e) “... acreditou ter testemunhado dois cientistas em ação ”.
Questão 5
(IFB) A seguir, há dois extratos de poemas de épocas diferentes: o primeiro, do final do século XIX, e
o segundo, do início do século XX. Mesmo sendo textos com dessemelhanças contextuais, há, neles,
uma figura de linguagem comum. Leia-os, para marcar a opção CORRETA:
Texto 1: Texto 2:
SONHO BRANCO (Cruz e Sousa) DENTRO DA NOITE (Manuel Bandeira)
De linho e rosas brancas vais vestido, Dentro da noite a vida canta
Sonho virgem que cantas no meu peito!... E esgarça névoas ao luar...
És do Luar o claro deus eleito, Fosco minguante o vale encanta.
Das estrelas puríssimas nascido. [...] Morreu pecando alguma santa...
A água não para de chorar. [...]
a) ( ) Prosopopeia b) ( ) Catacrese c) ( ) Aliteração
d) ( ) Hipérbole e) ( ) Paradoxo
Resposta Questão 1 a) 3 b) 5 c) 1 d) 7 e) 4 f) 8 g) 2 h) 6
Resposta Questão 2 Letra B. Nas demais alternativas, a figura de linguagem utilizada foi a comparação.
Resposta Questão 3 Letra D
Resposta Questão 4 Letra E
Resposta Questão 5 Letra A. Atribuição de características humanas a animais e objetos inanimados.
Coloque: I. Comparação; II. Antítese; III. Metonímia; IV. Prosopopeia;
V. Metáfora; VI. Hipérbole; VII. Eufemismo
1. Qual a figura de linguagem presente na frase “As mãos que dizem adeus são pássaros que vão morrendo lentamente.”, de
Mário Quintana?
a) comparação b) metáfora c) metonímia d) eufemismo
b) metáfora
a) silepse de número
b) silepse de gênero
c) silepse de número
a) sínquise
b) anástrofe
10. Qual das seguintes figuras de linguagem não pertence ao grupo das figuras de palavra?
a) metáfora
b) comparação
c) metonímia
d) sinestesia
e) assonância
f) perífrase
g) catacrese
e) assonância
11. Assinale com v (verdadeiro) ou f (falso) as figuras de linguagem identificadas nas frases seguintes.
a) V
b) V
c) F
d) V
e) F
a) a cabeça do alfinete
b) o dente de alho
c) conclusão final
d) a batata da perna
e) elo de ligação
f) o céu da boca
g) a pele do tomate
h) futuro da humanidade
a) a cabeça do alfinete b) o dente de alho d) a batata da perna f) o céu da boca g) a pele do tomate
Quadro 1
O teatro representa uma sala de uma casa da roça, mesquinhamente mobiliada com mesa e cadeiras de pau. Domingos João, sentado à
mesa, está vestido de calças de riscado e japona de baetão azul. (...)
CENA XIII
1. Por que a mãe de Quitéria, achava que a filha “estava para” morrer?
______________________________________________________________________________________________________________
2. Em determinado momento, Juca fala ao pai de Quitéria sobre a saúde da moça. Percebe-se que a intenção de Juca é impressioná-lo
sobre a gravidade da doença, utilizando palavras próprias do universo cientifico. Retire do texto trechos que comprovem esta intenção.
______________________________________________________________________________________________________________
3. Qual alternativa melhor expressa o que Juca pensava sobre Domingos João, o pai de Quitéria, ao fazer essas escolhas de linguagem?
a) esperto e lógico.
b) ingênuo, porém lógico.
c) ingênuo e facilmente impressionável.
d) muito esperto, porém impressionável.
4. Copie do texto uma fala de Juca em que se possa perceber sua verdadeira intenção; convencer os pais de Quitéria de que ele era o
marido ideal.
___________________________________________________________________
5. Além do compromisso de casamento assumido entre Domingos João e Antônio, há outro obstáculo que poderia levar o pai da moça a
ser contra a união entre Quitéria e Juca.
a) Que obstáculo é esse?
_________________________________________________________________
b) Como Juca consegue vencer essa dificuldade?
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
6. Copie o que cada personagem faz para que o plano de Juca e Quitéria se concretize.
Joana:_____________________________________________________________
Antônia:____________________________________________________________
Inacinho:___________________________________________________________
Angélica:___________________________________________________________
7. Ao expor as atitudes de cada personagem, a peça teatral realiza, pelo humor, uma crítica social, o que é próprio da comédia de
costumes. Em sua opinião, o que as atitudes das personagens revelam sobre os valores de cada uma delas?
______________________________________________________________________________________________________________
Na barriga da vaca...
Polegarzinho - Uma pessoa do meu tamanho nunca se pode distrair. Olha o que me foi acontecer! E
agora o que é que eu faço? Socorro! Salvem-me! Estou dentro da barriga da vaca! Estou-me a afogar
em erva! Tirem-me daqui! Não quero mais erva!
(Próximo dali dois ladrões observam...)
Ladrão1 - Aquela vaca está completamente doida. Quanto mais erva come, mais diz que não quer comer.
Ladrão2 - Ó seu estúpido, o problema não é o animal berrar que não quer comer mais erva. O problema
é que as vacas não falam!
Ladrão1 - Não tinha pensado nisso...
Polegarzinho - Socorro! Tirem-me daqui! Não quero mais erva na cabeça!
Ladrão 1 – Ainda por cima tem erva dentro da cabeça. O bicho está mesmo desesperado.
Ladrão2 - Desesperados estamos nós, que não conseguimos roubar nada há mais de uma semana.
Aquela vaca pode ser a nossa salvação.
Ladrão 1 - Como é que uma vaca nos pode salvar?
Ladrão 2 - Ó seu estúpido, uma vaca que fala, mesmo que não diga nada de interessante como tu, é
uma grande atração. E pode render muito dinheiro. O povo gosta dessas coisas.
Ladrão 1 - Acho que já estou a perceber. A vaca diz disparates e nós ganhamos dinheiro...
Ladrão 2 - Inteligente! Toca a roubar a vaca!
Polegarzinho - Tirem-me daqui! Socorro!
Ladrão 1 – Não precisas de gritar mais, filha! Nós vamos tirar-te daí num instante!
Os ladrões roubaram a vaca e também o Polegarzinho, que continuava a berrar desalmadamente dentro
da barriga do animal. Em seguida dirigiram-se para a cidade, onde planeavam exibir publicamente a
“vaca falante”.
No caminho, que era longo, pararam para descansar e a vaca resolveu matar a sede numa poça de
água. Era a oportunidade para o Polegarzinho se escapar. Escorregou pela língua da vaca e mergulhou
na poça, sem que ninguém o visse. Assim se salvou. Mas o descanso durou pouco tempo. Um corvo
míope, julgando que ele era uma rã ao sol, fez um voo picado na sua direção e levou-o pelos ares.
João Paulo Seara Cardoso, Polegarzinho
Polegarzinho - Uma pessoa do meu tamanho nunca se pode distrair. Olha o que me foi acontecer! E
agora o que é que eu faço? Socorro! Salvem-me! Estou dentro da barriga da vaca! Estou-me a afogar
em erva! Tirem-me daqui! Não quero mais erva!
(Próximo dali dois ladrões observam...)
Ladrão1 - Aquela vaca está completamente doida. Quanto mais erva come, mais diz que não quer comer.
Ladrão2 - Ó seu estúpido, o problema não é o animal berrar que não quer comer mais erva. O problema
é que as vacas não falam!
Ladrão1 - Não tinha pensado nisso...
Polegarzinho - Socorro! Tirem-me daqui! Não quero mais erva na cabeça!
Ladrão 1 – Ainda por cima tem erva dentro da cabeça. O bicho está mesmo desesperado.
Ladrão2 - Desesperados estamos nós, que não conseguimos roubar nada há mais de uma semana.
Aquela vaca pode ser a nossa salvação.
Ladrão 1 - Como é que uma vaca nos pode salvar?
Ladrão 2 - Ó seu estúpido, uma vaca que fala, mesmo que não diga nada de interessante como tu, é
uma grande atração. E pode render muito dinheiro. O povo gosta dessas coisas.
Ladrão 1 - Acho que já estou a perceber. A vaca diz disparates e nós ganhamos dinheiro...
Ladrão 2 - Inteligente! Toca a roubar a vaca!
Polegarzinho - Tirem-me daqui! Socorro!
Ladrão 1 – Não precisas de gritar mais, filha! Nós vamos tirar-te daí num instante!
Os ladrões roubaram a vaca e também o Polegarzinho, que continuava a berrar desalmadamente dentro
da barriga do animal. Em seguida dirigiram-se para a cidade, onde planeavam exibir publicamente a
“vaca falante”.
No caminho, que era longo, pararam para descansar e a vaca resolveu matar a sede numa poça de
água. Era a oportunidade para o Polegarzinho se escapar. Escorregou pela língua da vaca e mergulhou
na poça, sem que ninguém o visse. Assim se salvou. Mas o descanso durou pouco tempo. Um corvo
míope, julgando que ele era uma rã ao sol, fez um voo picado na sua direção e levou-o pelos ares.
João Paulo Seara Cardoso, Polegarzinho
5 – Pessoa que lê o texto em voz baixa, durante a representação para ajudar os atores.
Escola Municipal Prof.ª Rosa Maria Berezoski Demarchi NOTA
Disciplina: Língua Portuguesa
Professor: Iverson Moraes
Aluno (a): _______________________________________________
Data: ____/____/_____ Turma: __________
Conteúdos: Texto Dramático
Assinatura Pais ou Responsável: ______________________________
Veja o trecho de um texto dramático que conta a história de Odorico Paraguaçu, candidato a prefeito na
fictícia cidade de Sucupira. A peça está dividida em nove quadros. Leia a seguir o início do primeiro
quadro.
O BEM-AMADO
Pequena praça de uma cidadezinha de veraneio do litoral baiano. Há uma grande árvore, um
coreto e uma venda. Sob a árvore, sentado no chão, Chico Moleza dedilha molemente o violão. Em frente
à vendola, Seu Dermeval remenda uma rede de pescar. É um mulato gordo e bonachão, de idade já
avançada.
Passa-se meio minuto. Entram Mestre Ambrósio e Zelão carregando um defunto numa rede.
MESTRE AMBRÓSIO - Vamos molhar um pouco a goela na venda de seu Dermeval, Zelão.
ZELÃO - É bom.
DERMEVAL (Indicando o defunto.) - Mestre Leonel?
MESTRE AMBRÓSIO - É. Embarcou, coitado.
DERMEVAL (Dirige-se à venda.) - No mar?
MESTRE AMBRÓSIO - Qui-o-quê. Janaína quis saber dele não. Esticou em terra mesmo. [...] Vamos se
chegando, Zelão, que ainda temos três léguas pela proa.
DEMERVAL - Três léguas. Quando chegarem lá, em vez de um defunto vão ter dois para enterrar.
MESTRE AMBRÓSIO - Isso é uma terra infeliz, que nem cemitério tem. Pra se enterrar um defunto é
preciso ir para outra cidade.
MOLEZA - Não era melhor jogar o corpo no mar?
MESTRE AMBRÓSIO - Pra quê? Pra vir dar na praia de manhã? [...]
Odorico entra, suando por todos os poros. Não é propriamente um belo homem, mas não se lhe
pode negar certo magnetismo pessoal. Demagogo, bem-falante, teatral no mau sentido, sua palavra
prende, sua figura impressiona e convence. Veste um terno branco, chapéu-panamá.
ODORICO - Ah, lá estão! Ainda cheguei a tempo.
DERMEVAL - Bom dia, Coronel Odorico.
ODORICO - Bom dia, minha gente.
Ao verem Odorico, Mestre Ambrósio e Zelão deixam o balcão. Moleza para de tocar.
MESTRE AMBRÓSIO - Bom-dia, Coronel. Fizemos uma parada rápida, pra molhar a goela. Vamos ter
que gramar três léguas.
ODORICO - Três léguas. Pra se enterrar um defunto é preciso andar três léguas.
DERMEVAL - Um vexame!
MOLEZA - Vexame pro defunto, ter que viajar tanto depois de morto.
ODORICO - E uma humilhação para a cidade, uma humilhação para todos nós, que aqui nascemos e
que aqui não podemos ser enterrados.
MOLEZA - Muito bem dito.
Entram Dorotéa e Judicéa. A primeira é professora do grupo escolar, de maneiras pouco
femininas, com qualidades evidentes de liderança. Paradoxalmente, Odorico exerce sobre ela terrível
fascínio. Também sobre Juju esse fascínio se faz sentir. E isso poderia ser explicado por diferentes tipos
de frustração.
ODORICO - Quem ama sua terra deseja nela descansar. Aqui, nesta cidade infeliz, ninguém pode
realizar esse sonho, ninguém pode dormir o sono eterno no seio da terra em que nasceu. Isto está direito,
minha gente?
TODOS - Está não!
ODORICO - Merecem os nossos mortos esse tratamento?
DOROTÉA E JUJU - Merecem não.
Entram Dulcinéa e Dirceu Borboleta, este com uma vara de caçar borboletas e uma sacola.
Odorico exerce sobre ela o mesmo fascínio que sobre suas irmãs Judicéa e Dorotéa. Quanto a ele, é um
tipo fisicamente frágil, de óculos, com ar desligado.
ODORICO (Já passando a um tom de discurso:) - Vejam este pobre homem: viveu quase oitenta anos
neste lugar. Aqui nasceu, trabalhou, teve filhos, aqui terminou seus dias. Nunca se afastou daqui. Agora,
em estado de defuntice compulsória, é obrigado a emigrar; pegam seu corpo e vão sepultar em terra
estranha, no meio de gente estranha. Poderá ele dormir tranquilamente o sono eterno? Poderá sua alma
alcançar a paz?
TODOS - Não. Claro que não.
Populares são atraídos pelo discurso de Odorico, que se empolga, sobe ao coreto.
ODORICO - Meus conterrâneos, vim de branco para ser mais claro. Esta cidade precisa ter um cemitério.
TODOS - Muito bem! Apoiado!
DOROTÉA - Uma cidade que não respeita seus mortos não pode ser respeitada pelos vivos!
ODORICO - Diz muito bem dona Dorotéa Cajazeira, dedicada professora do nosso grupo escolar. É
incrível que esta cidade, orgulho do nosso Estado pela beleza de sua paisagem, por seu clima
privilegiado, por sua água radioativa, pelo seu azeite de dendê, que é o melhor do mundo, até hoje ainda
não tenha onde enterrar seus mortos. Esse Prefeito que aí está...
DOROTÉA, DULCINÉA E JUJU (Vaiam.) - Uuuuuu!
ODORICO - Esse Prefeito que aí está, que fez até hoje para satisfazer o maior anseio do povo desta
terra?
DIRCEU - Só pensa em construir hotéis para veranistas!
DULCINÉA - Engarrafar água para vender aos veranistas!
ODORICO - Tudo para os veranistas, pessoas que vêm aqui passar um mês ou dois e voltam para suas
terras, onde, com toda a certeza, não falta um cemitério. Mas aqui também haverá! Aqui também haverá
um cemitério!
JUJU (Grita histericamente:) - Queremos o nosso cemitério!
DOROTÉA, JUJU, DIRCEU E DULCINÉA - Queremos o cemitério! Queremos o cemitério!
ODORICO - E haveremos de tê-lo. Cidadãos sucupiranos! Se eleito nas próximas eleições, meu primeiro
ato como prefeito será ordenar a construção imediata do cemitério municipal.
TODOS (Aplausos.) - Muito bem! Muito bem!
Uma faixa surge no meio do povo.
VOTE NUM HOMEM SÉRIO E GANHE SEU CEMITÉRIO
ODORICO - Bom governante, minha gente, é aquele que governa com o pé no presente e o olho no
futuro. E o futuro de todos nós, é o campo-santo.
MOLEZA - O campo-santo.
DULCINÉA - Que homem!
DIRCEU (Repreende-a:) - Du, tenha modos!
ODORICO - É preciso garantir o depois de amanhã, para ter paz e tranquilidade no agora. Quem é que
pode viver em paz mormentemente sabendo que, depois de morto, defunto, vai ter que defuntar três
léguas pra ser enterrado?
MOLEZA - É mesmo um pecado!
ODORICO - Uma vergonha! Mas eu, Odorico Paraguaçu, vou acabar com essa vergonha.
1. O texto teatral começa com a referência a um fato já ocorrido que cria um problema a ser
enfrentado pelas personagens. Esse problema é: (peso 0,5)
a) a morte de um habitante do lugar.
b) a demora em se construir um cemitério em Sucupira.
c) o traslado de um defunto a outra cidade por falta de cemitério em Sucupira.
d) a demora em se enterrar um morto na cidade de Sucupira.
e) o uso de um problema em Sucupira para se fazer uma campanha eleitoral.
4. A morte de um morador de Sucupira, que precisa ser enterrado em outra cidade, leva Odorico
a iniciar um discurso. Pela forma como Odorico posiciona-se, é possível inferir que ele: (peso 0,5)
a) se incomoda como cidadão e quer buscar uma solução para o problema.
b) está indignado com os maus tratos sofridos pelo homem mesmo depois de morto.
c) está preocupado unicamente com seu próprio bem-estar.
d) se aproveita da oportunidade para fazer disso sua plataforma de campanha política.
e) pretende construir um cemitério na cidade a fim de desviar o dinheiro público.
6. (UFRS) O gênero dramático, entre outros aspectos, apresenta como característica essencial:
(peso 0,5)
a) a presença de um narrador.
b) o extravasamento lírico.
c) a musicalidade.
d) a estrutura dialógica.
e) o descritivismo.
9. O ato de encenar o texto dramático tinha objetivo de despertar emoções na plateia, que chama-
se: ________________________________________ (peso 1,0)
10. Os textos teatrais têm a estrutura interna básica primordial em: (peso 1,0)
________________________________________________________________________________
11. A estrutura externa é composta de atos e cenas sendo que: (peso 2,0 – 1,0 cada)
Atos: ___________________________________________________________________________
Cenas: __________________________________________________________________________
12. Sobre os textos dramáticos, identifique os tipos abaixo: (peso 1,0 - 0,2 cada)
________________________: Surgida por volta do século XIV, a farsa designa uma curta peça teatral
de caráter crítico, formada por diálogos simples e representada por personagens caricaturais em ações
corriqueiras, cômicas, burlescas.
________________________: Representação de acontecimentos trágicos, geralmente com finais
funestos. Os temas explorados pela tragédia são derivados das paixões humanas, do qual fazem parte
personagens nobres e heroicas, sejam deuses ou semideuses.
________________________: Surgido na Idade Média, os autos são textos curtos de temática cômica,
os quais são geralmente formados por um único ato.
________________________: Representação de textos humorísticos que levam ao riso da plateia. São
textos de caráter crítico, jocoso e satírico. A principal temática dos textos de comédia, envolvem ações
cotidianas do qual fazem parte personagens humanos estereotipados.
________________________: União de elementos trágicos e cômicos na representação teatral.









