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História da Cirurgia no Século XIX

O documento descreve a história da cirurgia desde a pré-história até o século XIX, destacando alguns marcos importantes como: a trepanação na pré-história, os avanços na Grécia Antiga e Índia, o desenvolvimento da cauterização na Idade Média, as contribuições de Ambroise Paré no Renascimento e os obstáculos à cirurgia devido à falta de anestesia e controle de infecção até o século XIX.

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História da Cirurgia no Século XIX

O documento descreve a história da cirurgia desde a pré-história até o século XIX, destacando alguns marcos importantes como: a trepanação na pré-história, os avanços na Grécia Antiga e Índia, o desenvolvimento da cauterização na Idade Média, as contribuições de Ambroise Paré no Renascimento e os obstáculos à cirurgia devido à falta de anestesia e controle de infecção até o século XIX.

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5° Tutorial – Cirurgia no século XIX

1. Conhecer a história e a Importância dos procedimentos cirúrgicos


na medicina (temperatura) .

1.1 Breve História da Cirurgia - Alexandre Campos Moraes Amato (


Universidade de santo Amaro).
Os pilares cirúrgicos, aqueles descobrimentos que revolucionaram o ato cirúrgico, são o
conhecimento anatômico, a descoberta da anestesia e a descoberta dos microorganismos
e sua atuação na infecção. Previamente a essas descobertas, as operações eram atos
brutais, realizados em pessoas sem perspectivas, em que o procedimento era a última
esperança. A história da cirurgia pode ser dividida em duas eras: antes dos pilares
cirúrgicos e após esses pilares.
A história da cirurgia remonta ao período neolítico (aproximadamente 10000 a 7000 a.C.),
quando procedimentos Invasivos como craniotomias e reduções de fraturas eram
realizadas sem conhecimento fisiopatológico e anatômico.
1.2 A CIRURGIA NA PRE-HISTÓRIA

Atos médicos e cirúrgicos (trepanações) eram feitos por feiticeiros. A trepanação é a


primeira operação conhecida (Figura 1). A remoção de pequeno fragmento ósseo,
geralmente arredondado, é conhecida desde os tempos neolíticos e era feita por razões
religiosas, mas também médicas (alívio da pressão intracraniana). Os fragmentos ósseos
discóides eram usados como amuletos. As trepanações eram de diferentes tamanhos, e
feitas em diferentes pontos da caixa craniana. Eram mais freqüentes nos adolescentes e
jovens. Alguns crânios sofreram várias trepanações. As trepanações eram mutilações
sangrentas e dolorosas executadas com um fim de iniciação mística (crianças e
adolescentes) ou de ritos mágicos. Havia, do mesmo modo, outras práticas sangrentas
como a subincisão uretral e a circuncisão.

1.3 A CIRURGIA NA ANTIGUIDADE

Em 2500 a.C. foram relatadas operações em tumbas de faraós em Saqquarah. Os papiros


de Ebers e Edwin Smith, do século XVI A.C., trouxeram informações e foram os
primeiros textos sobre cirurgia. O papiro cirúrgico de Edwin Smith é um dos mais
importantes documentos da medicina antiga do Vale do Nilo. Foi escrito por volta de
1700 a.C., mas a maioria de suas informações é baseada em textos escritos na época de
Imhotep (2640 a.C.). O papiro se refere, principalmente, às feridas e a como tratá-las.

Os cirurgiões indianos tiveram oportunidade de estudar e desenvolver a técnica de


rinoplastia, visto que cortar o nariz era o castigo para adultério e outras transgressões; o
costume de perfurar a orelha e alargar a sua abertura também os fizeram desenvolver
técnicas de reparo. Foram criadas técnicas de reparo de lábio leporino, hérnias, cálculos
vesicais, catarata e amputações, desenvolvendo-se assim a cirurgia independentemente
da medicina grega. Possuíam muitos instrumentos cirúrgicos e realizavam a cesariana
com destreza. Seus conhecimentos anatômicos eram precários devido à proibição da
dissecção. O médico, nessa época, praticava tanto a medicina quanto a cirurgia, pois estas
eram consideradas complementares.
A prática cirúrgica na China antiga se limitava à formação de eunucos, com a castração
total de pênis e testículos daqueles que transgrediam as regras na corte.
Na Grécia e na Roma antigas, o tratamento cirúrgico se limitava a cuidar de lesões
externas e feridas, extração de armas cravadas no corpo no campo de batalha e controle
da hemorragia, mas tudo isso muito atrelado à mitologia: havia guerreiros possuidores de
conhecimentos médicos especiais, como Machaon e Podalírio, filhos do deus Esculápio,
prevalecendo, nos anos subseqüentes, o nome de Machaon como pai da cirurgia. Durante
os séculos que transcorreram, desde o florescimento da civilização micênico-cretense até
a época dos filósofos pré-socráticos, ou melhor, no período hipocrático, utilizava-se a
cauterização no tratamento de infecções, feridas e tumores. Havia também, para o
tratamento de luxações e fraturas, o conhecimento de técnicas de redução, as quais
alcançaram um alto grau de complexidade e, para a analgesia, o uso do extrato de ópio e
mandrágora. A Coletânea Hipocrática ou Corpus Hippocraticum inclui escritos de muitos
autores de Cós, Cnido, Sicília e, talvez, de outros locais. A Coletânea foi compilada no
século IV a.C. na grande biblioteca de Alexandria e possui por volta de 72 livros e 59
tratados, mal divididos, sendo os tratados mais completos aqueles que discorrem sobre
cirurgia. Muitas enfermidades eram tratadas com operações, manipulação e métodos
conservadores; fraturas, luxações e ferimentos na cabeça recebiam particular atenção.
Tratamentos cirúrgicos de tumores, fístulas, úlceras e hemorróidas são descritos. Esses
textos são atribuídos pessoalmente a Hipócrates, pela claridade, pela consistência e pelo
pragmatismo. As técnicas operatórias são descritas com minúcias, incluindo a preparação
do paciente, a mesa cirúrgica, a iluminação, o instrumental e os assistentes.
1.4 A CIRURGIA NA IDADE MÉDIA

O cirurgião bizantino Paulo de Egina (Paulus Aegineta), escreveu um breviário de


cirurgia onde compilou o que já havia sido dito pelos gregos. Discutiu, com sua
experiência pessoal: traqueotomia, tonsilectomias, flebotomias e redução do tamanho das
mamas.
Abw’l Qasim al Zahrawi, Albucasis (930-1013), cirurgião islâmico nascido em Córdoba,
escreveu o primeiro livro ilustrado de cirurgia, introduzindo o uso do ferro em brasa para
cauterização de [Link] grande influência sobre os cirurgiões da idade média, que
usaram abusivamente essa técnica (cauterização de feridas).
Os escritos e manuscritos da época mostram claramente a mistura vigente de misticismo
e crueldade.
Na Idade Média, o homem era totalmente religioso e via em tudo o que lhe acontecia um
gesto direto de Deus. A igreja, cuja autoridade era incontestada, impediu todo o espírito
de pesquisa como, por exemplo, a interdição das dissecções que, aliás, foi mantida até
1480. A cirurgia foi considerada uma prática bárbara, também condenada pela igreja.
No século XIII apareceram as primeiras escolas de medicina. A primeira foi a de Salerno
(século IX?), que fornecia ensino verdadeiro e diploma. Rogerius Frugardi (Roger de
Salerno) teve sua obra “Cirurgia” editada por Roland de Parma.
Durante a época das invasões germânicas perderam-se muitos dos avanços cirúrgicos
alcançados na Antiguidade greco-romana. Os cristãos acreditavam na cura das doenças
pelo Espírito Santo, deixando de lado todos os procedimentos cirúrgicos, com exceção
das sangrias, amputações e extrações dentárias. Como a cirurgia foi considerada uma
disciplina importante pelos médicos de Salerno, a Europa teve que seguir as escolas
mediterrâneas.

Durante a Idade Média os maiores avanços foram a regularização da profissão médica e


do ensino, o desenvolvimento das idéias sobre o contágio, a adoção de medidas sanitárias
e a criação de instituições assistenciais. O misticismo se tornou mais profundo, apesar de
a ciência ter sido utilizada com mais freqüência. A cirurgia procedia das tradições gregas
e bizantinas, pelo menos da forma como foi transmitida pelos árabes e pelas escolas de
Salerno e Montpellier. Limitava-se ao tratamento de feridas, fraturas, luxações,
amputações, drenagem de abscessos e fístulas. Os procedimentos se restringiam a cortes
e amputações, com o hábito árabe da cauterização no lugar da ligadura. Procedimentos
mais complexos, como a correção de hérnias e a extração de cálculos vesicais, eram
evitados. A sutura, raramente utilizada, era feita com fio de cabelo humano. Obteve-se
avanço na cirurgia de catarata. No final da época medieval existiam dois tipos de
cirurgiões: os que recebiam uma formação mais elevada e os que se identificavam como
barbeiros. Estes não se limitavam ao cuidado dos cabelos e da barba, também extraíam
dentes, executavam operações menores, cuidavam de fraturas e de outros procedimentos.
Na França, essa distinção chegou a ser legalizada.

1.5 A CIRURGIA NA RENASCENÇA E NOS SÉCULOS XVII E XVIII

Durante o Renascimento, Ambroise Paré (1509-1590) teve uma enorme influência. De


origem campesina, foi aprendiz de barbeiro e trabalhou no Hotel-Dieu de Paris, ajudando
na cura de feridas. Em 1537, iniciou sua ascendência na armada. Giovanni da Vigo (1460-
1525), que sustentava sua Prática copiosa na arte cirúrgica (1515) com “as feridas que
não se curam pelo ferro, se curam pelo fogo”, passou a submeter as feridas de armas de
fogo ao azeite fervendo. Paré mostrou que a cura sem o azeite era possível e muito menos
traumática, ganhando fama e banindo esse procedimento. Durante as últimas campanhas,
voltou a introduzir a ligadura e abandonou a cauterização. Em 1554, Henrique II o
nomeou mestre-cirurgião, embora ele não tivesse formação acadêmica e, em 1561, Paré
publicou o seu tratado Cirurgia Universal, introduzindo novas técnicas e novos
instrumentos. Entre outras, descreveu e inovou as técnicas de operação de catarata,
extração de cálculos de bexiga, luxações, fraturas, transplante de nariz e de sutura facial.
Chegou a descrever a criação de membros artificiais para amputados, com mecanismos
para movimentação.
O século XVII ficou conhecido como “Era da revolução científica”, a cirurgia, porém,
não acompanhou os progressos da anatomia e da fisiologia, pois a anestesia e o controle
da infecção ainda não haviam sido descobertos, muito embora a anatomia estivesse
avançada. Os cirurgiões não alcançaram o nível social e acadêmico dos médicos, com
algumas exceções. Os cirurgiões franceses competiam com os barbeiros e depois se
aliaram a eles contra os médicos. As cirurgias maiores, como suturas de perfurações
intestinais, extração de tumores, operações plásticas em lábios e nariz e fístulas retais
eram realizadas por cirurgiões, enquanto feridas, sangrias, extração dentária, redução de
fraturas e luxações e úlceras eram tratadas por cirurgiões-barbeiros.
Luís XIV, em 1686, sofria de fístulas anais e se tratava sem resultados com ungüentos,
laxativos, banhos, etc. Foi operado com êxito por Charles François Félix. Em 1715, por
influência de
Félix, Luís XV (neto de Luís XIV) decreta que o ensino da cirurgia seja incluído nas
escolas de medicina da França. Em 1731 é fundada a Academia Real de Cirurgia.
O século XVIII pode ser considerado a Idade de Ouro do charlatanismo, apesar dos
progressos da ciência médica, com direito a elixires milagrosos e até mulheres que davam
à luz coelhos. O francês Jean-Louis Petit (1674- 1760) inventou o torniquete de parafuso
e uma técnica de mastectomia de pouca letalidade. O alemão Lorenz Heister (1683-1758),
que também era um excelente anatomista e teve íntima relação com a elevação do padrão
do ensino cirúrgico, escreveu um tratado de cirurgia traduzido para diversos idiomas,
alcançando grande fama. William Chedelsen (1688-1752), perito na litotomia, ficou
famoso ao realizar a cirurgia em menos de um minuto.
Na primeira metade do século XIX a cirurgia parisiense se encontrava relativamente bem
desenvolvida graças ao progresso trazido pelas guerras napoleônicas. Um dos cirurgiões
mais famosos foi Dominique-Jean Larrey (1766-1844), que, segundo o próprio Napoleão,
era o homem mais virtuoso que ele já conhecera. Mesmo tendo feito mais de 200
amputações em 24h, seu feito mais marcante foi a elaboração, no fronte, de um sistema
de ambulâncias que elevava a possibilidade de um tratamento eficaz. Além disso, por
atender os feridos de ambos os lados, pode ser considerado um antecessor da Cruz
Vermelha, entidade criada posteriormente nesse mesmo século.
A CIRURGIA NO BRASIL

2. Discorrer sobre história e a necessidade de assepsia e definir os


termos relacionados.

HISTÓRIA DA CIRURGIA - Paulo Tubino ; Elaine Alves


Inácio Felipe Semmelweis (Semmelweiss Ignác Fülöp), médico húngaro que nasceu em
1818, conseguiu diminuir drasticamente a taxa de mortalidade por sépsis (febre) puerperal
em seu hospitalmediante a determinação de que os obstetras lavassem as mãos antes de
atender aos partos. Havia observado que a mortalidade das parturientes atendidas por
médicos (na Primeira Clínica Obstétrica do Allgemeine Krankenhaus) era cerca de três a
dez vezes maior que a das parturientes atendidas por
parteiras (na Segunda Clínica Obstétrica do mesmo hospital). Os recém-nascidos também
morriam com mais freqüência na primeira clínica. Na época, as doenças epidêmicas eram
explicadas por “influências cósmico-telúricas”. As pesquisas de Semmelweis eram
boicotadas por seus pares e superiores, mas ele acabou concluindo que a grande diferença
estava no fato de que na segunda unidade só trabalhavam parteiras, que antes de examinar
as pacientes não dissecavam cadáveres – o que ocorria, freqüentemente, com os médicos.
A despeito do significado de sua descoberta, foi incompreendido e insultado pela
comunidade científica de seu tempo. Acabou morrendo em 1865, em um asilo,
aparentemente em conseqüência de uma infecção que ele mesmo provocou cortando-se
com um bisturi contaminado para demonstrar sua teoria. Atualmente, Semmelweis é
considerado um dos pioneiros da anti-sepsia e da prevenção da infecção hospitalar.
Luís (Louis) Pasteur (1822-1895) foi um cientista e químico francês que, entre 1860 e
1864, demonstrou que a fermentação e o crescimento de microorganismos em caldos de
cultura não ocorriam por geração espontânea. Propôs a “teoria germinal das doenças
infecciosas”, segundo a qual toda doença infecciosa tem sua causa em um micróbio com
capacidade de propagar-se entre as pessoas. Em 1865, o cirurgião inglês Joseph Lister
(1827-1912) aplicou a teoria dos germes de Pasteur para eliminar os microorganismos
vivos em feridas e incisões cirúrgicas. Acreditando que as infecções se deviam a
partículas presentes no ar ambiente, vaporizava os instrumentos, as feridas e as roupas
com ácido carbólico (fenol), que era usado na época para desodorizar águas residuais.
Assim, Lister iniciou uma nova era na cirurgia; em 1869 conseguiu reduzir a taxa de
mortalidade operatória de 50% para 15%. Inicialmente seu método – que ele chamava
anti-séptico – foi recebido com ceticismo, mas por volta de 1880 já era aceito por todos.
As técnicas de anti-sepsia e assepsia foram, finalmente, aceitas como parte da rotina
cirúrgica em meados de 1890. Como conseqüência, o uso de luvas, máscaras, aventais e
gorros cirúrgicos evoluiu naturalmente.
Embora a descoberta da vulcanização, em 1843, permitisse a fabricação de luvas de
borracha, nenhuma luva verdadeiramente flexível e funcional havia sido produzida até
1878. A identidade do primeiro cirurgião que usou luvas de borracha rotineiramente
permanece incerta. Sabe-se que, já em 1878, T. Gaillard Thomas (1831-1903), um
ginecologista de Nova Iorque, permitia que membros de sua equipe cirúrgica usassem
luvas de borracha para proteger as mãos dos efeitos cáusticos das várias soluções usadas
para limpar os instrumentos cirúrgicos. Entretanto, o uso das luvas cirúrgicas na sala de
operações foi popularizado por William Stewart Halsted (1852-1922). Em 1889, as luvas
cirúrgicas foram introduzidas no Johns Hopkins Hospital em Baltimore, EUA, porque a
enfermeira-chefe do centro cirúrgico (e sua futura esposa) Caroline Hampton
desenvolveu uma dermatite pelo uso da solução usada para desinfetar as mãos e os
braços. Tal fato levou Halsted a solicitar à Goodyear Rubber Company que produzisse
luvas finas que não interferissem com a necessária sensibilidade. Como a maioria dos
cirurgiões do século XIX, Halsted achava que operar com luvas era um método de
prevenir a dermatite induzida quimicamente. Só mais tarde se deu conta do impacto das
luvas na anti-sepsia. Muitos cirurgiões, no entanto, insistiam que as luvas reduziam a
delicadeza do toque e continuavam a operar sem proteção para as mãos. A aceitação
internacional do uso necessário das luvas de borracha em qualquer operação cirúrgica só
ocorreu após a I Guerra Mundial (1914-1918).
# Assepsia e antissepsia : TÉCNICAS DE ESTERILIZAÇÃO - Takachi Moriya1,
Jose Luiz Pimenta Módena2
Infecções hospitalares continuam sendo as principais complicações iatrogênicas, no
entanto, podem ser evitáveis por meio da utilização das técnicas de esterilização e de anti-
sepsia que visam atingir o estado de limpeza total (completamente livre de germes)
denominado de estado de assepsia. Tais técnicas têm, por muitas vezes, seus conceitos
confundidos e até mesmos tidos como sinônimos, porém cada uma guarda
particularidades, o que as tornam bastante diferentes.
ESTERILIZAÇÃO
Esterilização significa a destruição por completo de todos os microrganismos vivos,
sejam eles patogênicos ou não. São esterilizados materiais metálicos, tecidos e vidrarias
e antes que estes objetos sejam submetidos à esterilização deve ser realizada a limpeza
dos mesmos, para que se remova a maior quantidade de detritos e microrganismos.
Meios de esterilização:
Físico
• Calor seco (Os microorganismos são carbonizados ou consumidos pelo calor)
- Equipamento utilizado: Estufa (caixa com paredes duplas, entre as quais circula ar
quente, proveniente de uma chama de gás ou de uma resistência elétrica).
vidraria, principalmente as de precisão, seringas, agulhas, pós, instrumentos cortantes,
gases vaselinadas, gases furacinadas, óleos, vaselina. (160°C – 170°C)
• Calor úmido
- Fervura
não oferece uma esterilização completa, pois a temperatura máxima que pode atingir é
100oC
ao nível do mar, e sabemos que os esporos, e alguns vírus, como o da hepatite, resistem
a essa temperatura, alguns até por 45 h. (100°)
- Autoclave
Age através da difusão do vapor d'água para dentro da membrana celular (osmose),
hidratando o
protoplasma celular, produzindo alterações químicas (hidrólise) e coagulando mais
facilmente o protoplasma, sob ação do calor.
• Radiações : A radiação é uma alternativa na esterilização de artigos termossensíveis,
(seringa de plástico, agulha hipodérmicas, luvas, fios cirúrgicos), por atuar em baixas
temperaturas, é um método disponível em escala industrial devido aos elevados custos de
implantação
e controle.
- Raios alfa
- Raios gama
- Raios x
Químico
• Desinfetantes

Para conseguir-se a esterilização, há vários fatores importantes: Das características dos


microorganismos, o grau de resistência das formas vegetativas; a resistência das bactérias
produtoras de esporos e o número de microorganismos e da característica do agente
empregado para a esterilização.
A descontaminação de tecidos vivos depende da coordenação de dois processos:
degermação e Antissepsia

ANTI-SEPSIA
Antissepsia visa combater os microrganismos patogênicos promovendo sua destruição ou
inativação, sendo assim considerada um sinônimo de desinfecção. Porém, a antissepsia é
empregada apenas em tecidos vivos enquanto que a desinfecção é realizada em
superfícies inanimadas. Para a realização da antissepsia é necessário o emprego de certas
substancias químicas, denominadas antissépticos.

Degermação
É a remoção de detritos e impurezas depositados sobre a pele. Sabões e detergentes
sintéticos, graças a sua propriedade de umidificação, penetração, emulsificação e
dispersão, removem mecanicamente a maior parte da flora microbiana existente nas
camadas superficiais da pele, também chamada flora transitória, mas não conseguem
remover aquela que coloniza
as camadas mais profundas ou flora residente.
ANTISSÉPTICOS
Um antisséptico adequado deve exercer a atividade germicida sobre a flora cutâneo-
mucosa em presença de sangue, soro, muco ou pus, sem irritar a pele ou as mucosas.
Muitos testes in vitro foram propostos para avaliar a ação de antissepticos, mas a
avaliação definitiva desses germicidas só pode feita mediante testes in vivo. Os agentes
que melhor satisfazem as exigências para aplicação em tecidos vivos são os iodos, a cloro-
hexidina, o álcool e o hexaclorofeno.

3. Compreender a história e o papel da anestesia nos procedimentos


cirúrgicos.

# História da Anestesia - Associação Paulista de Anestesiologia Veterinária


Nos tempos primitivos, a medicina revestira-se de um caráter mágicosacerdotal, e as
doenças eram atribuídas a causas sobrenaturais. Esse quadro só começou a mudar no
século V a.C., com a medicina hipocrática na Grécia. Hipócrates, o pai da medicina,
sustentava que as enfermidades não eram causadas por deuses ou demônios, mas que
resultavam de fatores naturais ligados ao modo de vida. As pessoas adoeciam por causa
do trabalho que exerciam, do local onde moravam, do alimento ou água que ingeriam.
Durante muitos século, os dogmas da igreja determinaram que a dor era um justo castigo
de Deus e, por isso, deveria ser aceita com submissão e enfrentada a sangue frio. Em
1591, Eufane MacAyane, uma jovem mãe escocesa, foi enterrada viva por pedir alívio
para a dor no parto.
A cirurgia de modo geral era um verdadeiro sofrimento. As enfermeiras, na hora de
auxiliarem em um desses procedimentos, já ficavam de prontidão para evitar que o
berreiro do paciente assustasse os demais internos. O cirurgião tentava fazer a operação
o mais rápido possível, mas na falta de anestesia, o grito era garantido, e o medo também.
Durante muitos séculos a cirurgia pôde ser comparada a uma aventura encabeçada por
poucos e temida por muitos. À frente dela estavam profissionais dotados de
conhecimentos teóricos, como os médicos formados nas universidades, e também
indivíduos guiados pela experiência prática, os barbeiros-cirurgiões, porém alguns eram
meros charlatões. Somente em meados do século XIX, com o advento da anestesia as
cirurgias alcançaram um nível de profissionalização e ganharam contornos menos brutais,
porém, mais invasivos, já que ausência da dor alargaria as fronteiras das técnicas
cirúrgicas. Antes da anestesia, os cirurgiões mediam através do tempo a eficácia de uma
operação. Correr contra o relógio e finalizar uma intervenção no menor tempo possível
eram as maneiras mais eficazes de minimizar a dor, o choque e a perda de sangue.
É difícil dizer quem foi o “pai” da anestesia. Embora a história conceda este título ao
dentista William Thomas Morton, pois este provou em publico os efeitos anestésicos do
éter em 1846. E para a ciência o importante era o que se publicava.
Porém, técnicas e remédios foram descobertos desde os primórdios, um exemplo disto
era a China milenar que usava a acupuntura como anestesia cerca de 2000 anos a.C.
Os assírios, por volta de 1000 a.C., comprimiam a carótida do paciente até que ele ficasse
inconsciente. Os índios peruanos, por sua vez, mascavam folhas de coca, conhecidas no
idioma quéchua como kunka sukunka (goela adormecida), e depois despejavam a saliva
sobre a ferida do doente para anestesiá-la. No século IV a.C., Hipócrates usava a chamada
esponja sonífera, método bastante popular entre os monges europeus.
Preparada a base de ópio, eufórbia, meimendro, mandrágora e outras substâncias, era
colocada em baixo das narinas do paciente até que ele dormisse. Para desperta-lo uma
esponja de vinagre entrava em ação. Se por um lado os recursos eram limitados, a
criatividade era latente. Na Europa medieval também era comum a concussão cerebral. A
técnica consistia em golpear uma tigela de madeira colocada sobre a cabeça do enfermo
de forma que o crânio ficasse intacto e o paciente desfalecido. Gelo e neve eram utilizados
no século XVI pelo francês Ambroise Paré, considerado o pai da cirurgia.
Em 1275, o alquimista espanhol Raimundo Lulio (1235-1315) descobriu que o vitríolo
(ácido sulfúrico) misturado ao álcool e posteriormente destilado produzia um fluído
branco e adocicado chamado de vitríolo doce, mais tarde conhecido como éter. Por volta
dos anos 1600, Paracelso, alquimista e médico suíço, chegou a usar a substância em
galinhas e posteriormente para aliviar a dor dos seus pacientes, mas apesar disto, ela só
voltaria a ser utilizada com este fim em meados do século XIX. Em 1772, o químico
inglês Joseph Priestley (1733-1804), descobriu o óxido nitroso (N2O), mas seus poderes
anestésicos só foram conhecidos alguns anos depois, e por acaso, quando Humphrey
Davy, aprendiz de farmácia da pequena cidade de Penzance, na Inglaterra, inalou o gás e
sentiu tamanho bem-estar que caiu na gargalhada. Por conta deste episódio, passou a
chamar o óxido de gás do riso. Aos 21 anos, escreveu um livro sobre as propriedades da
substância e sugeriu que ela poderia ser usada em cirurgias, mas a medicina oficial
menosprezou a sugestão. O único que resolveu acatála foi o médico e cirurgião inglês
Henry Hill Hickman. Ele experimentou com sucesso a ação do N2O em animais. Mas
amargou dupla recusa para repetir suas experiências em seres humanos, tanto por parte
da Royal Society como pela Associação Médica de Londres. Desiludido, morreu em
1830, com apenas 29 anos, sem conseguir viabilizar a cirurgia sem dor.
Alguns anos depois, ao estudar a liquefação dos gases e os líquidos voláteis, Michael
Faraday (1791-1867), físico inglês, percebeu que os vapores de éter possuíam efeitos
inebriantes semelhantes ao do óxido nitroso. A constatação foi notificada no Journal of
Art and Sciences, contudo mais uma vez passou despercebida pelos meios médicos. Os
cientistas estavam cada vez mais próximos de delimitar um divisor de águas na medicina.
Porem, este caminho seria longo e tortuoso, marcado por disputas e frustrações.
Nessa época, eram populares entre a classe científica as “folias do éter” e as “festas do
gás do riso”. Nestas reuniões, os participantes entorpeciam-se com essas drogas e
saboreavam seus efeitos. Foi depois de vivenciar uma dessas algazarras que o jovem
médico americano Crawford Williamson Long (1815-1878) sentiu na própria pele os
efeitos do éter ao se machucar e não detectar dor alguma.
No ano de 1842, na pequena cidade de Jefferson, no estado da Geórgia, nos Estado
Unidos, o éter foi por ele usado pela primeira vez com propósitos cirúrgicos. Em 30 de
março daquele ano, aos 26 anos, Long retirou dois cistos do pescoço do amigo James
Venable, após submetê-lo à inalação do éter. Para confirmar o feito, posteriormente
amputou dois dedos do filho de um escravo. O primeiro sob o efeito de éter e o segundo
depois de cessado seu efeito. Como o rapaz sé acusou dor na segunda intervenção, estava
comprovado o poder da anestesia. Em 1846, ele já havia realizado oito cirurgias sem
constatação de dor. Em 1844, o dentista Horace Wells, extraiu de si próprio um molar
depois de inalar N2O. Confiante, fez uma demonstração perante professores e estudantes
da Faculdade de Medicina de Harvard, em Boston. Na hora decisiva, o estudante que lhe
serviu de cobaia apresentou sinais de excitação, entendida pelos observadores como sinais
de dor. Para alguns ele retirou o aparelho de inalação muito cedo. Wells foi expulso sob
a acusação de impostor. Ao fazer nova tentativa em sua cidade, administrou quantidade
excessiva de gás, e o paciente sofreu uma parada respiratória. Desanimado, abdicou da
profissão de dentista. Apesar de seu pioneirismo, tanto a contribuição de Long quanto de
Wells foram deixadas de escanteio uma vez que aparentemente eles não publicaram suas
descobertas. Assim, considera-se como data oficial da introdução da anestesia o dia 16 de
outubro de 1846, quando no anfiteatro cirúrgico do Hospital Geral de Massachusetts, em
Boston, ocorreu a primeira demonstração pública com éter, realizada por uma dupla de
profissionais: o cirurgião John Collins Warren e o dentista William Thomas Green
Morton. O primeiro extirpou o tumor de um jovem de 17 anos, enquanto o segundo
aplicou a anestesia por meio de um aparelho inalador por ele idealizado. Curiosamente, a
cena deixou de ser documentada porque o fotógrafo sentiu-se mal ao presenciar o ato
cirúrgico. Contudo o acontecimento foi posteriormente imortalizado em um quadro do
pintor Roberto Hinckley, datado de 1882. Morton, porém não revelava a natureza química
da substância que utilizava, dando-lhe o nome de letheon (do grego lethe, rio do
esquecimento). Com a ajuda e consultoria do médico Charles Thomas Jackson, ele criou
o composto, que nada mais era o éter sulfúrico puro misturado com óleos aromáticos,
para disfarçar a sua verdadeira natureza e ganhar muito dinheiro com o produto,
afirmaram os autores de As dez maiores descobertas da medicina. Pressionado pela
Associação Médica de Boston, teve que revelar a composição da milagrosa porção. Até
então, a insensibilidade total durante o ato cirúrgico era considerado utópica nos meios
acadêmicos. Ao término da célebre operação que mudou o destino da cirurgia, John
Collins Warren preferiu as seguintes palavras: “Daqui a muitos séculos, os estudantes
virão a este hospital para conhecer o local onde se demonstrou pela primeira vez a mais
gloriosa descoberta de ciência”.
Com o sucesso da experiência, Morton e Jackson disputaram os louros da fama. A briga
pelo reconhecimento mobilizou o Congresso Americano e ficou conhecida como
“Controvérsia do Éter”. O debate prolongou-se por décadas no interior de várias
associações médicas e odontológicas. Em 1921, o Colégio Americano de Cirurgiões
consagrou no final das contas Long como o descobridor da anestesia. Mesmo assim, o dia
16 de outubro de 1846 ainda é considerado o marco solene da façanha. Wells, desgostoso
e amargurado com seu fracasso, suicidou-se em 1848, aos 33 anos, abrindo uma veia do
braço e inalando éter ao mesmo tempo. Morton, empobrecido, desacreditado por Jackson,
morreu subitamente em uma via pública aos 49 anos. Jackson tornou-se alcoólatra e
terminou seus dias em um hospício, onde morreu em 1880, aos 75 anos. Long, por sua
vez, morreu aos 63 anos, em 1878, de hemorragia cerebral. Como escreveu Fulop Muller,
“dir-se-ia que uma estranha maldição pairava sobre todos os que consagravam sua vida e
sua obra a lutar contra a dor”. O substituto do éter, o clorofórmio, foi usado pela primeira
vez em 1847, por James Simpson, obstetra francês, em um trabalho de parto. Tal fato
suscitou diversos debates médicos e religiosos uma vez que a dor no parto era visto como
um castigo divino. Livres das culpas cristãs e mais preocupadas com o seu próprio bem-
estar, as mulheres acolheram de pronto o clorofórmio. A própria rainha Vitória solicitou
os serviços de Simpson, que trouxe ao mundo os príncipes Leopoldo e Beatriz, os dois
últimos filhos da soberana da Inglaterra. Ambos nasceram hemofílicos. Os adversários
do “Doutor Clorofórmio” acusaram-no de provocar o mal nas crianças, argumentando
que uma punição de Deus as havia atingido. O termo anestesia foi cunhado em 1846 pelo
escritor americano Oliver Wendel Holmes. Porém, a palavra já existia na língua grega,
tendo sido empregada no sentido de insensibilidade dolorosa, pela primeira vez, por
Dioscórides, no século I d.C..
A denominação “anestesiologia”só foi criada em 1902, por Seifert. A Inglaterra e os
Estados Unidos foram os primeiros paises em que a pratica passou a ser considerada uma
especialidade medica independente da cirurgia. A anestesia geral por éter chegou ao
Brasil em 1847 e foi praticado no Hospital Militar do Rio de Janeiro pelo medico Roberto
Jorge Haddock Lobo. No entanto, o éter foi logo substituído pelo clorofórmio,
empregado, pela primeira vez, por Manuel Feliciano Pereira de Carvalho.

# Anestesiologia, da Magia à Atualidade - Maria Teresa Egídio Vilhena de Mendonça


Para ultrapassar os riscos e os efeitos secundários da anestesia geral, vários farmacêuticos,
químicos e médicos tentaram adaptar múltiplos fármacos à anestesia de regiões
específicas do corpo, limitando assim os seus efeitos e dando origem às técnicas de
anestesia local e regional..
A cocaína foi um destes fármacos. Isolada da planta da coca em 1859, foi sucessivamente
utilizada para anestesiar o globo ocular (1884, Karl Koller), nervos periféricos (1885,
William Halsted), por via intratecal (1885, James L. Corning) e para anestesia local por
infiltração (1892, Carl L. Schleich - cirurgião, filósofo e poeta de Berlim).4 O uso da
cocaína constituiu um grande avanço no controlo da dor em vários procedimentos
cirúrgicos mas a sua capacidade de adição e os seus efeitos tóxicos implicaram um esforço
na pesquisa e de síntese de novos e mais promissores anestésicos locais.
No entanto, no início do século XX, a qualidade e a segurança pouco tinham evoluído e
os efeitos secundários, a dificuldade de titulação da dose certa e a explosividade dos gases
anestésicos usados por inalação, intensificaram a procura de novos fármacos e de outras
vias de administração dos anestésicos. Investiga-se a via de administração endovenosa e
em 1932 é desenvolvido o hexobarbital - o primeiro anestésico geral endovenoso. Em
1934, o tiopental surge como um fármaco inovador, depois de publicados os resultados
de um ensaio clínico No entanto, no início do século XX, a qualidade e a segurapor John
Lundy e Ralph Waters da Clínica Mayo (EUA). O tiopental foi praticamente o único
anestésico geral a ser usado durante décadas, acumulando-se enorme experiência no seu
uso durante a II Guerra Mundial. Em 1962, inicia-se o uso da cetamina e em 1972 o do
etomidato, fármacos extensamente usados durante a Guerra do Vietname (1955-1975) e
que se mantêm em uso na atualidade. Em 1986, surge o propofol, o grande fármaco
revolucionário da prática anestésica. Das suas características farmacológicas destacam-
se o rápido início de ação, a curta duração de ação, a eliminação rápida dos tecidos e o
menor número de efeitos secundários, incluindo as náuseas e os vómitos,
tradicionalmente associados aos anestésicos gerais.nça pouco tinham evoluído e os
efeitos secundários, a dificuldade de titulação da dose certa e a explosividade dos gases
anestésicos usados por inalação, intensificaram a procura de novos fármacos e de outras
vias de administração dos anestésicos. Investiga-se a via de administração endovenosa e
em 1932 é desenvolvido o hexobarbital - o primeiro anestésico geral endovenoso. Em
1934, o tiopental surge como um fármaco inovador, depois de publicados os resultados
de um ensaio clínico

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