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Apontamentos sobre Direito Comunitário

Este documento resume a história da integração europeia desde o final da Segunda Guerra Mundial até o Tratado de Maastricht, destacando a criação da CECA, CEE e outras comunidades e tratados como a Declaração de Schuman, Tratados de Roma e de Maastricht.
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Apontamentos sobre Direito Comunitário

Este documento resume a história da integração europeia desde o final da Segunda Guerra Mundial até o Tratado de Maastricht, destacando a criação da CECA, CEE e outras comunidades e tratados como a Declaração de Schuman, Tratados de Roma e de Maastricht.
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Apontamentos sem fronteiras

António Filipe Garcez José

In varietate concordia ? !

Direito Comunitário Comparado


Universidade Autónoma de Lisboa
Ano lectivo 2004/2005

Regente do curso: ……..Dra. Constança Urbano de Sousa

Aulas teóricas:………………..........Dra. Cristina Crisóstomo

Aulas práticas........................................................Dr. Carlos Proença

Bibliografia: “Manual de Direito Comunitário” Dr. J. Mota de Campos

Apontamentos e resumos do curso, não isentos de eventuais erros ("errare


humanum est") "destilados" por António Filipe Garcez José, aluno n° 20021078,

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Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José

(Revisão da matéria dada em Direito Económico)

Génese das Comunidades europeias

Da guerra mundial de 1939/1945 à Declaração de Schuman

Após a catástrofe global resultante das guerras mundiais do século


XX, colocados perante a sua perda de importância relativa e face à
emergência de novos polos de direcção política e ideológica das
sociedades politicas, os Estados ocidentais rápidamente se
organizaram para fazer face aos desafios de reconstrução
económica, social, política etc, e para defenderem a "sociedade
aberta" do ataque dos seus inimigos..

OECE (1947)
No campo económico, surge a Organização Europeia para a
Cooperação Económica, ligada ao plano Marshal e à ajuda
americana.

Conselho da Europa (1949)


Mais no plano político, o Conselho da Europa tem como objectivo
de promover uma maior unidade entre os estados membros para os
fins de salvaguardar e realizar os ideais e princípios que são a sua
herança comum e de facilitar o progresso económico e social.

Declaração de Schuman (1950)


Robert Schuman, ministro francês, sob a inspiração de Jean
Monnet, convidou a RFA a constituir com a França um sistema
assente na transferência de poderes soberanos para uma
autoridade europeia comum, no domínio do carvão e do aço.
Esta declaração foi de extrema importância, pois veio a marcar
o modelo da construção europeia

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Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
CECA (1951)
Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, assinada em Paris,
constituindo a primeira comunidade europeia, a apresentar vários
elementos de índole supranacional e a ter como objectivo mediato
a integração total das economias, prelúdio da federação política.

Aspectos relevantes :

 Superação estrita dos interesses nacionais

 Financiamento da Comunidade através de fundos próprios

 Criar mecanismos de solidariedade entre os povos

 Objectivo imediato de superar o antagonismo franco-alemão

 Objectivo mediato, o de criar uma identidade europeia

A via comunitária

Depois de várias tentativas frustadas de realização de uma


Comunidade Europeia de tipo federalista, a vontade de constituir
outras Comunidades Europeias que prosseguissem os esforços
concretos de integração europeia, não desapareceu e o êxito da
CECA veio facilitar o aparecimento da CEE e da CEEA.

Tratado de Roma (CEE / 1957)


Tendo em vista a criação de um mercado comum, culminou em 25
de Março de 1957, a chamada "Relance Européenne" , por
iniciativa dos países do "Benelux", com a assinatura dos Tratados
de Roma que instituiram a Comunidade Económica Europeia
(CEE) e a Comunidade Europeia da Energia Atómica (CEEA)
Objectivos do Tratado de Roma:

 Definiu como objectivo imediato a criação do mercado


comum, como instrumento colocado ao serviço dos valores
elencados no…

… Art. 2° do Tratado de Roma :


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Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José

 Um desenvolvimento harmonioso
 Uma expansão contínua equilibrada
 Uma estabilidade acrescida
 Uma subida acelerada do nível de vida
 Relações mais estreitas entre os Estados membros

Opções e conceitos económicos :

 A opção comunitária não foi pela "zona de comércio livre" mas


sim pela criação de uma "união aduaneira", verdadeiro
pressuposto prévio do mercado comum.
 A Liberdade de circulação das mercadorias, a 1ª das quatro
liberdades cuja realização era intencionada pelo Tratado de
Roma
 Mercado comum, que se completaria com uma verdadeira união
económica dos Estados membros.
 A modelação do "mercado comum" em zona aduaneira, afastou
o Reino Unido que pretendia ver estabelecida na Europa uma
"zona de comércio livre".

Zona de comércio livre


Grupo de dois ou mais territórios aduaneiros, entre os quais os
direitos alfandegários e as outras regulamentações comerciais
restritivas são eliminadas para o essencial das trocas comerciais
relativas aos produtos originários dos territórios constitutivos da
zona.

União aduaneira
Caracteriza-se, substancialmente, pela substituíção, de dois ou
mais territórios aduaneiros, por um único território aduaneiro.
Internamente, envolve, como na "zona de comércio livre", a
eliminação, quanto ao essencial das trocas comerciais entre
Estados membros, dos direitos aduaneiros e outras disposições
restritivas.
No plano externo, estabelece-se uma pauta alfandegária comum.

Quais as características do "mercado comum" ?

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Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José

 Liberdade de circulação dos factores de produção


 Estabelecimento de condições normais de concorrência
 Desenvolvimento harmonioso das economias.

Tratado de Bruxelas (1965)


Opera a fusão dos principais órgãos de direcção e decisão das
Comunidades Europeias, passando a haver apenas um Conselho e
uma Comissão para o conjunto das três Comunidades (CEE, CECA,
CEEA)
Cimeira da Haia (1969)
Ponto de viragem, onde se dá o lançamento de três objectivos
primordiais para o futuro das Comunidades Europeias, o chamado
"Tríptico comunitário": alargamento, aprofundamento e acabamento.

Alargamento:

 Dinamarca, Irlanda e Reino-Unido, tratado de adesão em 1972


 Grécia em 1979
 Portugal e Espanha em 1985 com efeitos a partir de 1986

Acto Único Europeu (1986)


Revê os vários Tratados comunitários, acolhendo alterações
introduzidas no dia-a-dia das Comunidades. Veio acelerar o
processo de integração e de conclusão do mercado comum, que
passou a partir deste momento a designar-se como mercado
interno. No artigo n° 1 introduz a noção de União Europeia como
realidade em via de construção.

Alguns aspectos relevantes do AUE:


 Aumentadas as matérias em que o Conselho passa a decidir
por maioria qualificada, reduzindo-se assim o peso do voto
unanimitário no processo decisório.

 reforço considerável do peso do Parlamento Europeu sobre


a autonomia decisória do Conselho, enquanto lhe permitem
condicionar a decisão final, à obtenção da unanimidade no
Conselho (procedimento de cooperação) ou mesmo impedi-la
(procedimento do parecer favorável).

 A competência de execução das normas que o Conselho


estabelece são atribuídas à Comissão. (actual artigo 202° CE)
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Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
sofrendo assim nova limitação, quanto ao modo e possibilidades
de exercício das suas competências.

O AUE introduz novas políticas de:

 Harmonização fiscal
 Coesão económica e social
 Investigação e desenvolvimento
 Ambiente
 Determina a realização do mercado interno até final de 1992

Mercado interno
Espaço sem fronteiras internas, onde é assegurada a livre
circulação …

 das mercadorias
 das pessoas,
 dos serviços
 dos capitais

!! O período histórico da AUE representou a primeira


reforma global e unitária dos tratados comunitários !!

Tratado de Mastricht ou da União Europeia 1992 (TUE)


Veio criar a União Europeia, marcando a passagem para um
projecto de integração ambicioso, alterando significativamente os
arts. 2° e 3° do Tratado de Roma.
Três grandes pilares para a construção da União Europeia:

1° - Comunidade Europeia (CE ) (O tratado de Mastricht alterou a


designação de CEE para CE)

2° - Política Externa e de Segurança Comum (PESC).

3° - Cooperação no Domínio da Justiça e dos Assuntos


Internos (JAI)

A nova redacção do artigo 2° do Tratado de Roma aponta para um


papel central das instâncias comunitárias através da...

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Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
- criação de um mercado único e ...
- de uma União Económica e Monetária e...
- da aplicação das políticas ou acções comuns…

… a Comunidade tem como missão:

 Promover em toda a Comunidade, o desenvolvimento


equilibrado e harmonioso das actividades económicas.

 Promover um crescimento sustentável e não inflacionista que


respeite o ambiente.

 Um alto grau de convergência dos comportamentos das


economias.

 Um elevado nível de emprego e de protecção social

 Aumento do nível e da qualidade de vida

 Coesão económica e social

 Solidariedade entre os Estados membros

A nova redacção do artigo 3° diz:

"Para alcançar os fins enunciados no artigo 2°, a acção da


Comunidade... "

implica:

a) Entre os Estados membros, a eliminação dos direitos


aduaneiros, das restrições quantitativas à entrada e saída de
mercadorias, bem como de quaisquer outras medidas de efeito
equivalente.

b) Uma política comercial comum.

c) abolição entre os Estados membros, dos obstáculos à livre


circulação de mercadorias, de pessoas, de serviços e de
capitais.

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António Filipe Garcez José
d) Medidas relativas à entrada e circulação de pessoas no
mercado interno.

e) Uma política comum no domínio da agricultura e das pescas

f) Uma política comum no domínio dos transportes

g) Um regime que garanta que a concorrência não seja falseada


no mercado interno.

h) A aproximação das legislações dos Estados membros na


medida do necessário para o funcionamento do mercado
comum.

i) Uma política social que inclui um Fundo Social Europeu.

j) O reforço da coesão económica e social europeia

k) O reforço da capacidade concorrencial da indústria da


Comunidade

l) A promoção da investigação e do desenvolvimento tecnológico.

m)O incentivo à criação e ao desenvolvimento de redes


transeuropeias

n) Uma contribuíção para a realização de um elevado nível de


protecção da saúde

o) Uma contribuição para o ensino e uma formação de qualidade,


bem como para o desenvolvimento das culturas dos Estados
membros.

p) Uma política no domínio da cooperação para o desenvolvimento

q) Reforço da defesa dos consumidores

r) Medidas no domínio da energia, da protecção civil e do turismo.


Princípio da subsidariedade
A Comunidade intervém apenas, se e na medida em que os
objectivos da acção encarada não possam ser suficientemente
realizados pelos Estados membros, e possam pois, devido à

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António Filipe Garcez José
dimensão ou aos efeitos da acção prevista, ser melhor alcançados
ao nível comunitário. (art. 5° TR)

Tratado de Amsterdão (1997)

Tratado de Nice (2001)

Direitos aduaneiros
Imposições financeiras constantes da Pauta Aduaneira de um
Estado, exigíveis aquando da realização de operações de
importação ou exportação de mercadorias.

Encargos de efeito equivalente ( a um direito aduaneiro)


Encargo pecuniário - ainda que mínimo - unilateralmente imposto,
quaisquer que sejam a sua designação ou técnica, incidindo sobre
mercadorias nacionais ou estrangeiras, comunitárias ou não, em
razão do simples facto de transporem uma fronteira, qualquer que
seja o momento da cobrança. !! (Fundamental é que o referido encargo
produza um efeito restritivo, prejudicando a realização do mercado comum e
do objectivo final da estabilização dos preços, devendo ter uma dimensão, uma
conexão comunitária) !!

Restrições quantitativas
Os obstáculos que resultem da contingentação das mercadorias
admitidas a entrar ou sair de um Estado membro, quer sejam
produzidas num Estado Membro, quer se encontrem em livre
prática, e quando essa restrição diga respeito às próprias
mercadorias.

Medidas de efeito equivalente (a restrições quantitativas)


Quando as medidas restritivas, pelo contrário, estiverem
relacionadas com elementos estranhos e externos às próprias
mercadorias, à sua quantificação.
Qualquer regulamentação comercial dos Estados membros,
susceptível de prejudicar directa ou indirectamente, actual ou
potencialmente, o comércio intracomunitário

Direito de estabelecimento
Aquele que permite o exercício, por uma pessoa singular ou
colectiva, de actividades não assalariadas que apresentem
características de estabilidade e permanência.

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Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
Livre prestação de serviços
Consideram-se serviços, as prestações realizadas normalmente
mediante remuneração, na medida em que não sejam reguladas
pelas disposições relativas à livre circulação de mercadorias, de
capitais e de pessoas, efectuadas a partir de um estabelecimento
num Estado membro e recebida num outro Estado membro por
nacionais de qualquer Estado membro.
!! A diferença entre o direito de estabelecimento e a livre
prestação de serviços, assenta sobretudo no carácter permanente
ou transitório da actividade desenvolvida; importa também saber se
o centro da actividade do prestador se situa no Estado do
destinatário da prestação, o Estado de acolhimento, ou se mantém
no seu Estado de estabelecimento; na livre prestação de serviços, o
prestador actua com independência e assume o risco económico da
sua actividade !!

Princípio do efeito útil


Modo de relacionamento entre o direito comunitário e o direito
criado pelos Estados membros ao abrigo das suas competências
próprias e soberanas. Presente em toda a construção jurídica comunitária ,
na medida em que todos os princípios estão funcionalizados à plena eficácia e
realização dos objectivos comunitários

Princípio da aplicabilidade directa


diz respeito específica e exclusivamente ao regulamento (249° CE)

Efeito directo
Significa que as normas comunitárias se forem claras, precisas e
incondicionadas, podem ser invocadas em juízo pelos particulares,
perante os órgãos jurisdicionais nacionais, ...

contra o Estado,(efeito directo vertical), ou ...

contra outros particulares (efeito directo horizontal) .

O efeito directo dirige-se a três tipos de normas:

- As que se dirigem directa e imediatamente aos particulares

- As que impõem aos Estados-membros obrigações de abstenção


(claras, precisas e incondicionadas)

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António Filipe Garcez José

- As que impõem aos Estados membros obrigações de não fazer.

O efeito directo vertical, no caso de directivas, constitui uma


garantia mínima, decorrente do carácter imperativo da obrigação
imposta aos Estados membros pelo artigo 249° CE

Interpretação conforme
O intérprete e aplicador do direito, internamente, deverá, ainda
quando deva aplicar apenas o direito nacional, atribuir a este uma
interpretação que se apresente conforme com o sentido, economia
e termos das normas comunitárias.

Reenvio prejudicial
Estabelece um mecanismo de cooperação judiciária entre o Tribunal
de Justiça e os tribunais nacionais, permitindo ao primeiro colaborar
com os segundos para a plena realização do princípio de Boa
Administração da Justiça

Reenvio prejudicial de interpretação e reenvio de apreciação de


validade

O reenvio de apreciação de validade é obrigatório

HISTÓRIA DA UNIÃO EUROPEIA


A história da União Europeia

As origens da ideia europeia

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António Filipe Garcez José
Para além das divisões históricas, a Europa construiu-se sobre
uma base de ideias comuns, que vão do humanismo greco-latino
aos princípios da Revolução Francesa.
Antes de os Europeus realizarem a unificação do continente pela
simples força do direito, já numerosos imperadores, príncipes e
conquistadores tinham sonhado com um espaço subordinado a uma
única coroa.
No decurso dos séculos, vários filósofos, escritores ou juristas
teorizaram a aproximação dos povos da Europa.

Séc. VIII A.C.


O poeta Hésiode evoca pela primeira vez o mito de Europa.

Segundo a lenda, Europa era uma princesa fenícia que teria


seduzido Zeus, rei do Olimpo. O Deus metamorfoseado de touro a
teria conduzido até Creta onde ela terá dado à luz o legendário rei
Minos.

Ainda hoje nos interrogamos sobre a origem da palavra Europa.


Talvez se trate da contracção das palavras gregas Eurus (Largo,
amplo) e Ops (olhar, rosto). Também pode ser que venha do fenício
Ereb (sombrio, escuro), termo empregue para designar os países
do poente. Este termo veio a impor-se a pouco e pouco aos gregos
para designar o conjunto das terras ao norte da bacia do
mediterrâneo.

Séc. II D.C.
Apogeu do Império romano

No apogeu da sua potência, o Império romano cobre o conjunto da


bacia do mediterrâneo, estendendo-se até à Ásia Menor. Sob a
« Pax Romana » desenvolve-se uma cultura, inspirada pelo
humanismo grego e pela religião cristã, que constitui o
sustentáculo da “civilização europeia”.

800
Carlos Magno é sagrado Imperador do Ocidente

No dia de natal do ano 800, Carlos, rei dos Francos, é sagrado


Imperador pelo papa em Roma. Três séculos depois da queda do
Império romano do Ocidente, este acontecimento marca a
reunificação da Europa ocidental sob uma só coroa.

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António Filipe Garcez José
Carlos Magno faz-se apelidar “Pater Europae” (o pai da Europa).
Mas este período de unidade europeia é de curta duração, pois
alguns anos de pois da morte de Carlos Magno, este espaço
europeu unificado é divido em reinos, que se tornam rápidamente
rivais.

1519
Carlos de Habsbourg é eleito Imperador germânico sob o nome de
Carlos Quinto.

Estando persuadido que tinha recebido a missão divina de reunir a


Cristandade sob a autoridade imperial, Carlos esforça-se por
estender as suas possessões através de uma política de alianças e
de guerras. Mas o seu sonho dum Império universal esbarra com as
ambições rivais do reino de França, dos otomanos e sobretudo com
a Reforma religiosa iniciada por Luther, que atormenta toda a
Cristandade.
Constatando o insucesso do seu projecto, Carlos Quinto acaba
por renunciar à coroa imperial

1556
A abdicação de Carlos Quinto põe fim ao seu sonho de unificação
da Cristandade

Durante toda a Idade média, o Santo Império Romano


Germânico, herdeiro da coroa imperial de Carlos Magno, procura
em vão restaurar a sua autoridade perdida. O Império extenua-se
numa longa quezília com o Papado, que visa a unificação da
Cristandade sob a autoridade espiritual de Roma.

Durante este tempo, os grandes reinos europeus, nomeadamente a


França, estabelecem o seu poder.
Apesar deste desmembramento político, na Europa continua a
existir uma certa unidade económica, cultural e sobretudo religiosa.

1603
Johannes Althusius, primeiro pensador do federalismo

Os teorizadores da unificação europeia procuraram sempre o justo


equilíbrio entre a unidade da Europa e a diversidade das suas
componentes.

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Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
Entre estes pensadores, o jurista alemão Johannes Althusius
(1557/1638) é o teorizador da “subsidariedade”, um princípio
fundamental do funcionamento actual da União Europeia. Segundo
este princípio, cada problema político deve ser resolvido no
respectivo escalão ao qual ele pertence, intervindo a autoridade
superior somente nos casos em que ela se revele ser mais eficaz. A
subsidiariedade está na base do elo federal.
As reflexões de Althusius sobre a articulação dos níveis de poder
serão prosseguidas mais tarde por Montesquieu et Proudhon.

1807
Apogeu do Império napoleónico

Para uns, Napoleão Bonaparte disseminou pela Europa as ideias


novas introduzidas pela Revolução francesa: a abolição dos
privilégios, o Código Civil, as liberdades individuais...

Para outros, ele apenas fez exercer a dominação da França sobre


as outras nações.
Em todo o caso, a vontade de unificar a Europa está omnipresente
nos desígnios de Napoleão.

No momento do seu sacramento pelo Papa em 1804 o novo


Imperador declara:

Eu não sucedi a Luís XVI, mas a Carlos Magno !!!

O seu reino durará dez anos !!.

1815
Congresso de Viena anuncia a forma de cooperação
desenvolvida até 1914 :

O ”Concerto da Nações”, que vê os Estados europeus se reunir


regularmente para tratar nomeadamente da guerra e do comércio.
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Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José

1814
Saint-Simon propõe a criação dum Parlamento Europeu

No princípio da Revolução industrial, o filósofo francês Henri de


Saint-Simon (precursor da sociologia) tem a intuição que as novas
tecnologias vão provocar uma grande mudança nas relações entre
as nações;

Na véspera do Congresso de Viena, ele publica um texto intitulado:

“ da reorganização da sociedade europeia ou da necessidade e


dos meios de unir os povos de Europa num só corpo político
conservando cada um a sua independência nacional”.

No vértice superior do edifício, ele coloca um Parlamento de 240


membros: “ A Europa teria a melhor organização possível se todas
as nações que ela engloba, sendo governadas cada uma por um
parlamento, reconhecessem a supremacia dum Parlamento Geral
colocado acima de todos os governos nacionais e investido do
poder de julgar os seus diferendos”

Em 1848,
uma vaga de revoluções espalha-se por toda a Europa: em Itália,
na Áustria, na Alemanha, na França, na Hungria ... os povos
insurgem-se para reclamar mais liberdade. No seio do Império
Austríaco, essas insurreições fazem-se acompanhar de
reivindicações nacionalistas O escritor e deputado Victor Hugo vê
no despertar das nações a promessa de uma unificação europeia.

21 de Agosto de 1849
O despertar das nações inspira Victor Hugo no seu discurso sobre
os Estados Unidos da Europa.

Por ocasião do Congresso da Paz, que teve lugar em Paris, Victor


Hugo declara:
Um dia virá em que vós, França, Rússia,
Itália, Inglaterra, Alemanha, vós todas,
nações do continente, sem perderem as
vossas qualidades distintas e a vossa
gloriosa individualidade, vos fundireis
estreitamente dentro de uma unidade 15
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superior, e constituireis assim a
Fraternidade Europeia”
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José

A recordação de Napoleão e da « Primavera dos povos » deitaram


por terra o mito de um « Império Europeu », deixando o lugar aos
projectos de organização do tipo federal.

Mas os sonhos de paz entre as nações europeias irão brevemente


dar o lugar aos nacionalismos bélicos, que irão conduzir aos dois
grandes conflitos do séc. XX.

1918-1944
A ideia europeia nos princípios do séc. XX.

Os tratados concluídos depois da Primeira Guerra Mundial,


desenham um novo traçado na carta da Europa, pondo um ponto
final a três impérios (Alemão, Austríaco, e Otomano) e dando
nascimento a novos estados (Checoslováquia, Hungria, e
Jugoslávia)

As frustrações nascidas deste novo traçado tornam difícil a


reconciliação entre os povos europeus. Apesar de tudo, uma
aproximação política começa a desenhar-se nos anos vinte,
simbolizada pela política de Aristide Briand em direcção da
Alemanha.
Mas a crise económica dos anos trinta exacerba os nacionalismos e
o espirito de vingança. A partir de 1933, a Alemanha nazi multiplica
as provocações e provas de força anunciadoras duma nova guerra.
Os horrores do segundo conflito mundial têm como origem projectos
de unificação europeia, os quais serão postos em obra depois de
1945

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Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José

1918
Louise Weiss e o movimento pacifista

Antes mesmo do fim da Primeira Guerra mundial, um vasto


movimento pacifista começa a tomar forma. Profundamente
marcado pelos combates particularmente mortíferos, o movimento
pacifista pensa em aproximar os Estados europeus com o fim de
assegurar a paz no continente. Figura marcante deste movimento,
Louise Weiss, uma intelectual francesa publica a partir de Janeiro
de 1918 um semanário intitulado a Nova Europa que veicula a
necessidade de paz e entendimento entre os Estados europeus.

Novembro 1922
Criação do movimento paneuropeu

O austríaco Richard Coudenhove-Kalergi publica a proclamação


Paneuropeia, ein Vorschlag na qual ele defende a ideia de uma
união paneuropeia, o que daria de novo o seu lugar mundial ao
velho continente.

Coudenhove-Kalergi, convencido de que a reconciliação franco-


alemã é necessária à manutenção da paz, sugere reunir o carvão
alemão e o minério francês com o objectivo de criar uma industria
siderúrgica paneuropeia.

Coudenhove-Kalergi encara, a termo, uma união aduaneira que


tornaria possível a constituição dos Estados Unidos da Europa,
espécie de confederação europeia respeitadora da soberania dos
Estados-membros, mas dotada de instituições, de uma cidadania
comuns, de uma moeda europeia e de uma aliança militar.

1924
A SDN, uma tribuna para a Europa

Criada em 1919, a Sociedade das Nações constitui uma resposta


institucional ao ideal pacifista da reconciliação. Entretanto, a SDN,
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[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
instalada em Genebra, faz figura de clube dos vencedores
europeus, pois nem os Estados-Unidos, nem a Alemanha aí
participam. A SDN concentra-se então essencialmente sobre
problemas europeus. Lugar de confrontações e tribuna de ideias,
participa na edificação da ideia europeia e defende, o
desarmamento e a organização de uma segurança colectiva.

Por ocasião da 5ª Assembleia geral da SDN em 1924, Aristide


Briand, ministro francês dos Negócios estrangeiros, apoia a
ratificação por parte da França de um protocolo sobre a arbitragem,
a segurança, e o desarmamento. Apesar de tudo, a Sociedade das
Nações decepcionará os partidários da paz e da cooperação
europeia

16 octobre 1925
O Tratado de Locarno, constitui a primeira etapa da aproximação
franco-alemã

Aristid Briand assina com Gustav Stresemann o Tratado de Locarno


que garantiu as fronteiras entre a França, a Alemanha e a Bélgica e
estabeleceu um pacto de assistência mútua.
Este tratado permite de romper o isolamento da Alemanha no plano
internacional e de a integrar no seio da SDN em 1926.

1929,
Aristid Briand, apoiado por Stresemann, propõe à assembleia da
SDN o primeiro projecto oficial de União Europeia, que incidiria
prioritariamente dentro do âmbito económico e preservaria a
soberania dos Estados-Membros.
Este projecto, prevê a criação de um mercado comum.
Mas a evocação deste “elo federal” não entusiasma os Estados
europeus, nomeadamente não entusiasma Winston Churchil.
O projecto foi abandonado depois da morte de Aristid Briand em
1932.

1941
O movimento europeu na Resistência

A ideia europeia está muito presente no seio da Resistência, que


acentua o carácter democrático da futura Europa unida.

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Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
O socialista francês escreve um manifesto que circula na
clandestinidade a partir de 1941 e só será publicado no fim da
guerra
As forças europeias não comunistas encontram-se em Genebra em
1944 e elaboram um projecto de declaração das resistências
europeias, onde é evocada a necessidade de ultrapassar a
soberania dos Estados e de criar uma união federal a fim de
preservar a Paz

1942
Winston Churchill redige um memorando sobre os Estados-Unidos
da Europa

Oh ! My God ! Ond
diaboo therei yeu
detchadoo oh mieu
charuto, Staline?

Churchill redige, em 1942, um memorando sobre os Estados-


Unidos da Europa. Constatando que a Europa esteve no coração de
dois conflitos mundiais, ele propõe remediar esta violência
interestadual através de uma união entre os povos europeus.
Em Setembro de 1946, Churchill retoma esta ideia no discurso
proferido na universidade de Zurique, no qual ele reconhece à
Europa uma herança comum que poderia servir de base à criação
de “uma família europeia numa construção regional chamada
Estados- Unidos da Europa ".

1945-1956
Os princípios da construção europeia

Em 1945, a Europa sai traumatizada dum conflito sangrento e


destruidor.
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Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
Quando começa um novo período de tensões internacionais com a
Guerra fria, compreende-se muito rápidamente que só uma união
entre os países da Europa permitirá ao velho continente de retomar
o seu lugar sobre a cena mundial.

A hora é de reconstrução e de reconciliação.

Os acordos de cooperação se multiplicam, encorajados pelos


aliados americanos (OECE, OTAN) ou por iniciativa dos europeus
(Conselho da Europa, CECA).

Neste período várias correntes se afrontam sobre os meios de


atingir a unificação europeia.

Finalmente é a aproximação gradual e pragmática defendida por


Jean Monnet que produzirá os efeitos mais notáveis: da
comunidade do carvão e do aço entre os Seis, nascerá a forma
mais acabada de integração pacífica nunca antes vista na Europa,
nem no mundo.

Cronologia da União Europeia


Principais datas

1950 9 de Maio Dia da Europa


Robert Schuman, ministro dos Negócios Estrangeiros francês,
profere um importante discurso, inspirado num plano de Jean
Monnet, através do qual propõe que a França e a República
Federal da Alemanha ponham em comum os seus recursos de

20
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
carvão e de aço, numa organização aberta a outros países da
Europa.
Reconhecendo a importância da data que marcou o início do
processo de construção europeia, os chefes de Estado e de
Governo decidiram, na cimeira de Milão de 1985, consagrar o dia
9 de Maio como o Dia da Europa

1951 18 de Abril (TRATADO DE PARIS)


Seis países - Bélgica, França, República Federal da Alemanha,
Itália, Luxemburgo e Holanda - assinam em Paris o Tratado que institui a
Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), entrando em
vigor em 23 de Julho de 1952, por um período de 50 anos. Esta
Comunidade foi extinta em Julho de 2002.

1957 25 de Março (TRATADO DE ROMA)


Assinatura em Roma dos Tratados que instituem a Comunidade
Económica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia da
Energia Atómica (CEEA/Euratom), entrando em vigor em 1 de
Janeiro de 1958.

1960 4 de Janeiro
Por iniciativa do Reino Unido, é criada a Associação Europeia de
Comércio Livre (EFTA), que reúne vários países europeus que não
fazem parte da CEE.

1973 1 de Janeiro
A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido aderem às Comunidades
Europeias que passam a ter 9 Estados-Membros. A Noruega fica de
fora, na sequência de um referendo em que a maioria da população
se manifestou contra a adesão.

1981 1 de Janeiro
Entrada da Grécia nas Comunidades Europeias, que passam a
contar 10 Estados-Membros.

1986 1 de Janeiro (ACTO ÚNICO EUROPEU)


Espanha e Portugal aderem às Comunidades Europeias, que
passam a contar 12 Estados-Membros.

17 e 28 de Fevereiro

21
[Link]
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António Filipe Garcez José
É assinado no Luxemburgo e em Haia o Acto Único
Europeu, entrando em vigor em 1 de Julho de 1987, com vista a
relançar a integração europeia e a realizar o mercado único
europeu até 1993.

1989 9 de Novembro
Queda do muro de Berlim !!!!

1990 3 de Outubro
Reunificação da Alemanha.

1992 7 de Fevereiro (TRATADO DE MAASTRICHT)

É assinado em Maastricht o Tratado da União Europeia, que entra


em vigor em 1 de Novembro de 1993. O Tratado da União Europeia,
estabelece as bases para uma política externa e de segurança
comum, uma cooperação mais estreita nos domínios da justiça e
dos assuntos internos e a criação de uma união económica e
monetária, incluindo uma moeda única. A CEE muda a sua
designação para «Comunidade Europeia» (CE).

1993 1 de Janeiro
É criado o mercado único europeu (mercado interno)

1995 1 de Janeiro
A Áustria, a Finlândia e a Suécia juntam-se à UE, que passa a ter
15 Estados-Membros. A Noruega fica, uma vez mais, de fora na
sequência do referendo.

1997 2 de Outubro (TRATADO DE AMSTERDÃO)


Assinatura do Tratado de Amesterdão, que entrou em vigor a 1 de
Maio de 1999 e que deu à União Europeia novas competências.

1998 3 de Maio
O Conselho Europeu de Bruxelas decide que 11 Estados-Membros
(Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália,
Luxemburgo, Países Baixos, Portugal e Espanha) preenchem as
condições necessárias para a adopção da moeda única em Janeiro
de 1999. A estes juntar-se-á, em 1 de Janeiro de 2001, a Grécia.

1999 1 de Janeiro (Moeda única)


Início da terceira fase da União económica e monetária (UEM). A
moeda única é introduzida nos mercados financeiros e passa a ser
22
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António Filipe Garcez José
a moeda oficial dos 11 Estados. A partir deste momento, o Banco
Central Europeu (BCE) passa a ser responsável pela política
monetária europeia, cuja moeda é o euro.

10 e 11 de Dezembro
O Conselho Europeu de Helsínquia, dedicado principalmente ao
alargamento da União, reconhece oficialmente a Turquia como
candidata à adesão à UE e decide avançar com as negociações
com os outros 12 países candidatos.

2000 23 e 24 de Março (ESTRATÉGIA DE LISBOA)


No Conselho Europeu realizado em Lisboa, os Chefes de Estado e
de Governo aprovam a Estratégia de Lisboa, cujo objectivo era
fazer da União Europeia, até 2010, a economia baseada no
conhecimento mais dinâmica e competitiva do mundo, capaz de
garantir um crescimento económico sustentável, com mais e
melhores empregos, e com maior coesão social e respeito
pelo ambiente.

7 e 8 de Dez. (Carta dos Direitos Fundamentais Da União


Europeia)
Em Nice, o Conselho Europeu chega a acordo sobre o texto de um
novo Tratado, que reforma o sistema decisório da UE na
perspectiva do alargamento. Os presidentes do Parlamento
Europeu, do Conselho Europeu e da Comissão Europeia
proclamam solenemente a Carta dos Direitos Fundamentais da
União Europeia.

2001 (TRATADO DE NICE)

1 de Janeiro
A Grécia adere à terceira fase da União Económica e Monetária
(UEM).

26 de Fevereiro
É assinado o Tratado de Nice, que entrou em vigor em 1 de
Fevereiro de 2003.

2002
1 de Janeiro
Entrada em circulação das moedas e notas em euros.
28 de Fevereiro
Retirada de circulação das notas e moedas nacionais.
23
[Link]
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António Filipe Garcez José
13 de Dezembro
O Conselho Europeu de Copenhaga decide que 10 dos países
candidatos (Chipre, Malta, República Checa, Estónia, Hungria,
Letónia, Lituânia, Polónia, Eslováquia e Eslovénia) poderão aderir à
UE em 1 de Maio de 2004. A adesão da Bulgária e da Roménia é
prevista para 2007.

2004

1 de Maio
Chipre, Malta, República Checa, Estónia, Hungria, Letónia,
Lituânia, Polónia, Eslováquia e Eslovénia aderem à União Europeia.
Junho
A Croácia torna-se país candidato à União Europeia.

29 de Outubro
Assinatura em Roma do projecto de Tratado Constitucional pelos
Chefes de Estado e de Governo dos 25 Estados-Membros.

2005 22 e 23 de Março
No Conselho Europeu realizado em Bruxelas, os Chefes de Estado
e de Governo relançam a "Estratégia de Lisboa", focalizando-a no
crescimento e no emprego.

25 de Abril
Bulgária e Roménia assinam, no Luxemburgo, o seu Tratado de
Adesão à União Europeia.

Outubro
A União Europeia dá início a negociações tendo em vista a adesão
de dois países candidatos: a Croácia e a Turquia.

Dezembro
A Antiga República Jugoslava da Macedónia torna-se país
candidato à União Europeia.

2007
Data prevista para a adesão da Bulgária e da Roménia à União
Europeia e da Eslovénia à Zona Euro.

Tratado de Roma

24
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António Filipe Garcez José
Tratado de Roma (CEE / 1957)
Tendo em vista a criação de um mercado comum, culminou em 25
de Março de 1957, a chamada "Relance Européenne" , por
iniciativa dos países do "Benelux", com a assinatura dos Tratados
de Roma que instituiram a Comunidade Económica Europeia
(CEE) e a Comunidade Europeia da Energia Atómica (CEEA)
Objectivos do Tratado de Roma:

 Definiu como objectivo imediato a criação do mercado


comum, como instrumento colocado ao serviço dos valores
elencados no…

… Art. 2° do Tratado de Roma :

 Um desenvolvimento harmonioso

 Uma expansão contínua equilibrada

 Uma estabilidade acrescida



 Uma subida acelerada do nível de vida

 Relações mais estreitas entre os Estados membros

Opções e conceitos económicos :

 A opção comunitária não foi pela "zona de comércio livre" mas


sim pela criação de uma "união aduaneira", verdadeiro
pressuposto prévio do mercado comum.

 A Liberdade de circulação das mercadorias, a 1ª das quatro


liberdades cuja realização era intencionada pelo Tratado de
Roma

 Mercado comum, que se completaria com uma verdadeira união


económica dos Estados membros.

25
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
 A modelação do "mercado comum" em zona aduaneira, afastou
o Reino Unido que pretendia ver estabelecida na Europa uma
"zona de comércio livre".

Zona de comércio livre


Grupo de dois ou mais territórios aduaneiros, entre os quais os
direitos alfandegários e as outras regulamentações comerciais
restritivas são eliminadas para o essencial das trocas comerciais
relativas aos produtos originários dos territórios constitutivos da
zona.

União aduaneira
Caracteriza-se, substancialmente, pela substituíção, de dois ou
mais territórios aduaneiros, por um único território aduaneiro.
Internamente, envolve, como na "zona de comércio livre", a
eliminação, quanto ao essencial das trocas comerciais entre
Estados membros, dos direitos aduaneiros e outras disposições
restritivas.
No plano externo, estabelece-se uma pauta alfandegária comum.

Quais as características do "mercado comum" ?

 Liberdade de circulação dos factores de produção

 Estabelecimento de condições normais de concorrência

 Desenvolvimento harmonioso das economias.

Acto Único Europeu

17 de Fevereiro de 1986

O objectivo do Tratado de Roma de criar um mercado comum


havia sido parcialmente realizado nos anos sessenta, graças à
supressão dos direitos aduaneiros internos e das restrições
quantitativas às trocas comerciais. Mas os autores do Tratado
haviam subestimado todo um conjunto de outros obstáculos

26
[Link]
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António Filipe Garcez José
Ao objectivo do grande mercado interno, o Acto Único
associa estreitamente outro de importância tão fundamental como o
primeiro: o da coesão económica e social.

A Europa cria assim políticas estruturais ...

- em benefício das regiões com atrasos de desenvolvimento ou


que tenham sido atingidas por mutações tecnológicas e
industriais.
- Promove igualmente a cooperação em matéria de
investigação e de desenvolvimento.
- Por último, toma em consideração a dimensão social do
mercado interno: no espírito dos governantes da União, o bom
funcionamento do mercado interno e uma concorrência sã
entre as empresas são indissociáveis do objectivo constante
que consiste na ...
- melhoria das condições de vida e de trabalho dos cidadãos
europeus.

Tratado de Maastricht (1993)

27
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Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
O Tratado da União Europeia (TUE) constituiu uma nova etapa na
integração europeia, dado ter permitido o lançamento da
integração política.

Este Tratado criou uma União Europeia assente em ...

3 pilares :
- as Comunidades Europeias,

- a Política Externa e de Segurança Comum (PESC)

- a cooperação policial e judiciária em matéria penal (JAI).

Instituiu igualmente ...

- a cidadania europeia,

- reforçou os poderes do Parlamento Europeu e ...

- criou a União Económica e Monetária (UEM).

Além disso, a CEE passou a chamar-se...

- Comunidade Europeia (CE).

ORIGEM

O Tratado sobre a União Europeia (TUE), assinado em Maastricht


em 7 de Fevereiro de 1992, entrou em vigor em 1 de Novembro de
1993 e resultou de factores externos e internos.

No plano externo,
o colapso do comunismo na Europa de Leste e a perspectiva da
reunificação alemã conduziram a um compromisso no sentido de
reforçar a posição internacional da Comunidade.

No plano interno,
os Estados-Membros desejavam aprofundar, através de outras
reformas, os progressos alcançados com o Acto Único Europeu.

28
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José

O Conselho Europeu de Hanôver, de 27 e 28 de Junho de 1988,


confiou a um grupo de peritos presidido por Jacques Delors a
tarefa de elaborar um relatório que propusesse as etapas concretas
que conduziriam à união económica e monetária.

O Conselho Europeu de Dublim, de 28 de Abril de 1990,


com base num memorando belga sobre o relançamento do
processo institucional e numa iniciativa franco-alemã que convidava
os Estados-Membros a considerar a possibilidade de acelerar a
construção política da Europa, decidiu ponderar a necessidade
de alterar o Tratado CE de forma a fazer progredir o processo de
integração europeia.

Conselho Europeu de Roma, de 14 e 15 de Dezembro de 1990,


finalmente lançou as duas conferências inter-governamentais, cujos
trabalhos conduziram, um ano depois, à Cimeira de Maastricht de
9 e 10 de Dezembro de 1991.

OBJECTIVOS
Com o Tratado de Maastricht, o objectivo económico inicial da
Comunidade, ou seja, a realização de um mercado comum, foi
claramente ultrapassado e adquiriu uma dimensão política.

Cinco objectivos essenciais

- Reforçar a legitimidade democrática das instituições.

- Melhorar a eficácia das instituições.

- Instaurar uma União Económica e Monetária.

- Desenvolver a vertente social da Comunidade.

- Instituir uma política externa e de segurança comum

ESTRUTURA

O Tratado apresenta uma estrutura complexa


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[Link]
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António Filipe Garcez José

- Preâmbulo - seguido de sete Títulos.

- Título I - prevê disposições comuns às Comunidades, à


política externa comum e à cooperação judiciária.

- Título II - inclui as disposições que alteram o Tratado CEE .

- Títulos III e IV - alteram, respectivamente, os Tratados CECA


e CEEA.

- Título V introduz as disposições relativas à Política Externa e


de Segurança Comum (PESC)

- Título VI - contém as disposições relativas à cooperação nos


domínios da justiça e dos assuntos internos (JAI).

- Título VII - contém as disposições finais.

UNIÃO EUROPEIA

O Tratado de Maastricht cria a União Europeia, constituída por...


três pilares:

- as Comunidades Europeias,

- a política externa e de segurança comum e a ...

- cooperação policial e judiciária em matéria penal.

O primeiro pilar

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António Filipe Garcez José
Implica um processo de decisão interestadual, que diz respeito aos
domínios em que os Estados-Membros exercem, conjuntamente, a
sua soberania através das instituições comunitárias.

é constituído pela ...

- Comunidade Europeia, (CE)

- Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA)

- Euratom

No âmbito deste pilar, é aplicável o método comunitário que ...

envolve três etapas:

- proposta da Comissão Europeia,

- adopção pelo Conselho e pelo Parlamento Europeu

- controlo da observância do direito comunitário pelo Tribunal


de Justiça.

O segundo pilar
Implica um processo de decisão intergovernamental que recorre,
em grande parte, à tomada de decisão por unanimidade.

- Instaura a Política Externa e de Segurança Comum (PESC), que


prevê que os Estados-Membros possam empreender acções comuns em matéria de
política externa.

O papel da Comissão e do Parlamento é limitado e a jurisdição do


Tribunal de Justiça não se aplica a este domínio.

O terceiro pilar
O processo de decisão é inter-governamental.

diz respeito à cooperação nos domínios da justiça e dos assuntos


internos (JAI). A União deve levar a cabo uma acção conjunta para
proporcionar aos cidadãos um nível elevado de protecção num
espaço de liberdade, segurança e justiça.

INSTITUIÇÕES
31
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
Tendo surgido na sequência do Acto Único Europeu, ...

o Tratado de Maastricht reforçou ainda mais o papel do Parlamento


Europeu...

- O âmbito de aplicação do procedimento de cooperação e do


procedimento de parecer favorável foi alargado a novos
domínios.

- Instituiu um novo procedimento de co-decisão, que


permite ao Parlamento Europeu adoptar actos juntamente
com o Conselho. Este procedimento implica contactos
acrescidos entre o Parlamento e o Conselho para se chegar a
um acordo.

- Associou o Parlamento ao procedimento de investidura da


Comissão.

Foi reconhecido o papel desempenhado pelos partidos políticos...

- europeus na integração europeia, que contribuem para a


formação de uma consciência europeia e para a expressão da
vontade política dos europeus.

No que respeita à Comissão, ...

- a duração do seu mandato passou de quatro para cinco anos,


a fim de o alinhar com o do Parlamento Europeu.

Tal como o Acto Único, ...

- este Tratado alargou o recurso ao voto por maioria


qualificada a nível do Conselho para a maior parte das
decisões abrangidas pelo procedimento de co-decisão e para
todas as decisões tomadas de acordo com o procedimento de
cooperação.

o Tratado institui o Comité das Regiões ...

- Composto por representantes das colectividades regionais,


este comité tem carácter consultivo.
POLÍTICAS

32
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
O Tratado instaura políticas comunitárias em seis novos domínios:

- Redes trans-europeias.

- Política industrial.

- Defesa do consumidor.

- Educação e formação profissional.

- Juventude.

- Cultura.

UNIÃO ECONÓMICA E MONETÁRIA


O mercado único culminou na instauração da UEM.

A política económica inclui três componentes:

Os Estados-Membros devem ...

- assegurar a coordenação das suas políticas económicas,

- instituir uma vigilância multilateral dessa coordenação e

- estar sujeitos a regras de disciplina financeira e orçamental.

Objectivo da política monetária:

- instituir uma moeda única e...

- assegurar a estabilidade dessa mesma moeda

através...

- da estabilidade dos preços e...

- do respeito pela economia de mercado.

33
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
O Tratado de Maastricht previu a criação de uma moeda única
em ... três etapas sucessivas:

primeira etapa
Livre circulação dos capitais, iniciada em 1 de Julho de 1990.

Segunda etapa
Convergência das políticas económicas dos Estados-Membros,
lançada em 1 de Janeiro de 1994.

Terceira etapa
criação de uma moeda única e o estabelecimento de um Banco
Central Europeu (BCE) que deveria iniciar-se, o mais tardar, em 1
de Janeiro de 1999 ...

com a...

A política monetária assenta no Sistema Europeu de Bancos


Centrais (SEBC), que integra o BCE e os bancos centrais nacionais.
Estas instituições são independentes das autoridades políticas
nacionais e comunitárias.

Estão previstas disposições específicas em relação a dois Estados-


Membros...

- O Reino Unido não assumiu o compromisso de passar à


terceira etapa da UEM.

- A Dinamarca obteve um protocolo que estabelece que o seu


compromisso em relação à terceira etapa será decidido por
referendo.

PROTOCOLO SOCIAL
34
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
No domínio social, as competências comunitárias foram alargadas
mediante o protocolo social anexo ao Tratado. O Reino Unido não
participou neste protocolo.

objectivos do protocolo Social:

- Promoção do emprego.

- Melhoria das condições de vida e de trabalho.

- Protecção social adequada.

- Diálogo social.

- Desenvolvimento dos recursos humanos necessários para


assegurar um nível de emprego elevado e duradouro.

- Integração das pessoas excluídas do mercado de trabalho

CIDADANIA
Uma das grandes inovações do Tratado foi a instituição de uma
cidadania europeia paralela à cidadania nacional.

Esta cidadania confere novos direitos aos europeus,


nomeadamente:

- O direito de circularem e residirem livremente na Comunidade.

- O direito de votarem e de serem eleitos nas eleições


europeias e municipais do Estado em que residem.

- O direito à protecção diplomática e consular de um Estado-


Membro diferente do Estado-Membro de origem no território
de um país terceiro em que este último Estado não esteja
representado.

O direito de petição ao Parlamento Europeu e de apresentação de


queixa junto do Provedor de Justiça Europeu.

PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE

35
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
O Tratado da União retomou como regra geral o princípio da
subsidiariedade que, no Acto Único Europeu, se aplicava à política
ambiental.

Princípio da subsidiariedade
Este princípio especifica que, nos domínios que não sejam da sua
competência exclusiva, a Comunidade só intervirá se os objectivos
puderem ser melhor alcançados a nível comunitário do que a nível
nacional. O Tratado prevê que a União tome "decisões ao nível
mais próximo possível dos cidadãos".

PERÍODO PÓS - MAASTRICHT

O Tratado de Maastricht representa uma etapa determinante na


construção europeia. Com a ...

- instituição da União Europeia,


- a criação de uma União Económica e Monetária

- alargamento da integração europeia a novos domínios, ...

a Comunidade assumiu uma dimensão política.

Conscientes da evolução da integração europeia, dos alargamentos


futuros e das alterações institucionais necessárias, os Estados-
Membros inseriram uma cláusula de revisão no Tratado. Para esse
efeito, o tratado previu a convocação de uma Conferência
Intergovernamental em 1996.

Essa conferência conduziu à assinatura do Tratado de Amesterdão


em 1997.

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[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
ALARGAMENTO DA COMUNIDADE EUROPEIA
1° alargamento

1 de Janeiro de 1973 a Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido


aderem à Comunidade em 1 de Janeiro de 1973.

A União Europeia encontra-se aberta a todos os países ...

- europeus
- que a ela pretendam aderir
- que respeitem os compromissos assumidos nos Tratados da
fundação e ...
- subscrevam os mesmos objectivos fundamentais.

Requisitos que determinam a aceitação de uma candidatura à


adesão:

- a localização no continente europeu e ...

- a prática de todos os procedimentos democráticos que


caracterizam o Estado de direito.

2°alargamento

1 de Janeiro de 1981, A Grécia

3° alargamento

1 de Janeiro de 1986 Portugal e Espanha

4ª alargamento

1° de Janeiro de 1995 Áustria, Finlândia e Suécia

Este alargamento traduz a vontade dos países da Europa


escandinava e central de se juntarem a uma União que tem vindo a
consolidar o seu mercado interno e se afirma como o único pólo de
estabilidade no continente, após a deintegração do bloco soviético.

De seis para quinze membros, a Europa comunitária vai ganhando


influência e prestígio.
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[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
ALTERAÇÕES INTRODUZIDAS NO TRATADO DE MAASTRICHT

Tratado de Amsterdão (1997)

O Tratado de Amesterdão possibilitou o ...

- aumento das competências da União mediante a criação de


uma política comunitária de emprego,

- a comunitarização de uma parte das questões que eram


anteriormente da competência da cooperação no domínio da
justiça e dos assuntos internos,

- as medidas destinadas a aproximar a União dos seus


cidadãos e ...

- a possibilidade de formas de cooperação mais estreitas entre


alguns Estados-Membros (cooperações reforçadas).

- Alargou, por outro lado, o procedimento de co-decisão, bem


como a votação por maioria qualificada, e....

- conduziu à simplificação e a uma nova numeração dos artigos


dos tratados.

Tratado de Nice (2001)

O Tratado de Nice foi essencialmente consagrado ao


"remanescente" de Amesterdão, ou seja, aos problemas
institucionais ligados ao alargamento que não foram solucionados
em 1997... Trata-se da ...

- composição da Comissão,

- da ponderação dos votos no Conselho e ...

- do alargamento dos casos de votação por maioria qualificada.


- Simplificou igualmente o recurso ao procedimento de
cooperação reforçada e...

- tornou mais eficaz o sistema jurisdicional.

38
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
Este Tratado foi igualmente alterado pelos seguintes Tratados de
Adesão:

- Tratado de Adesão da Áustria, Finlândia e Suécia (1994), que


elevou para quinze o número de Estados-Membros da
Comunidade Europeia.

- Tratado de Adesão de Chipre, da Eslováquia, da Eslovénia,


da Estónia, da Letónia, da Lituânia, da Hungria, de Malta, da
Polónia e da República Checa (2003).

INSTITUIÇÕES COMUNITÁRIAS
ÓRGÃOS DE DIRECÇÃO E EXECUÇÃO

 Conselho Europeu
Reúne os chefes de Estado ou de Governo dos
Estados-membros, bem como o Presidente da Comissão.

 Conselho (da União Europeia)


Composto por um representante de cada Estado-membro, de
nível ministerial.

 Comissão
É uma instituição de carácter predominantemente técnico,
constituída por altas personalidades nomeadas pelos
Estados-membros, mas independentes destes

COMISSÃO (arts. 211° e ss. CE)

 A Comissão como órgão colegial e cada um dos seus


membros, individualmente, gozam de independência efectiva
quer em face dos Estados-membros quer do Conselho,
não podendo ser, por isso, considerado um órgão
hierarquicamente inferior a este.

 Politicamente a Comissão depende do Parlamento Europeu e


os seus actos estão sujeitos a controlo Jurisdicional, a cargo
do Tribunal de Justiça.
Tratado de Bruxelas Tratado de Fusão (1965)

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[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
Opera a fusão dos principais órgãos de direcção e decisão das Comunidades
Europeias, passando a haver apenas um Conselho e uma Comissão para o conjunto
das três Comunidades (CEE, CECA, CEEA)
Artigo 213°
Composição da Comissão e independência dos Comissários

1. (*) A Comissão é composta por vinte membros (!) escolhidos em


função da sua competência geral e que ofereçam todas as
garantias de independência. O número de membros da Comissão
pode ser modificado pelo Conselho, deliberando por unanimidade.

Só nacionais dos Estados-Membros podem ser membros da


Comissão.
A Comissão deve ter, pelo menos, um nacional de cada Estado-
Membro, mas o número de membros com a nacionalidade de um
mesmo Estado não pode ser superior a dois.

2. Os membros da Comissão exercerão as suas funções com total


independência, no interesse geral da Comunidade.
No cumprimento dos seus deveres, não solicitarão nem aceitarão
instruções de nenhum Governo ou qualquer outra entidade.

Os membros da Comissão abster-se-ão de praticar qualquer acto


incompatível com a natureza das suas funções.
Os Estados-Membros comprometem-se a respeitar este princípio e
a não procurar influenciar os membros da Comissão no exercício
das suas funções.

Enquanto durarem as suas funções, os membros da Comissão não


podem exercer qualquer outra actividade profissional, remunerada
ou não. Além disso, assumirão, no momento da posse, o
compromisso solene de respeitar, durante o exercício das suas
funções e após a cessação destas, os deveres decorrentes do
cargo, nomeadamente os de honestidade e discrição, relativamente
à aceitação, após aquela cessação, de determinadas funções ou
benefícios. Se estes deveres não forem respeitados, pode o
Tribunal de Justiça, a pedido do Conselho ou da Comissão,
conforme o caso, ordenar a demissão compulsiva do membro em
causa, nos termos do artigo 216.o, ou a perda do seu direito a
pensão ou de quaisquer outros benefícios que a substituam.

Papel do Presidente da Comissão (art. 217° CE)

40
[Link]
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António Filipe Garcez José
Artigo 217°
Presidente da Comissão

1. A Comissão actuará sob a orientação política do seu Presidente,


que decide da sua organização interna, a fim de assegurar a
coerência, a eficácia e a colegialidade da sua acção.

2. As responsabilidades que incumbem à Comissão são


estruturadas e distribuídas entre os seus membros pelo Presidente.
Este pode alterar a distribuição dessas responsabilidades no
decurso do mandato. Os membros da Comissão exercem as
funções que lhes foram atribuídas pelo Presidente sob a
responsabilidade deste.

3. Após aprovação pelo colégio, o Presidente nomeia


vice-presidentes de entre os membros da Comissão.

4. Qualquer membro da Comissão deve apresentar a sua demissão


se o Presidente lho pedir, após aprovação pelo colégio.

ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DA COMISSÃO

Artigo 211°
Atribuições e competências da Comissão

A fim de garantir o funcionamento e o desenvolvimento do mercado


comum, a Comissão:

- vela pela aplicação das disposições do presente Tratado bem


como das medidas tomadas pelas instituições, por força deste,

- formula recomendações ou pareceres sobre as matérias que são


objecto do presente Tratado, quando este o preveja expressamente
ou quando tal seja por ela considerado necessário,

- dispõe de poder de decisão próprio, participando na formação dos


actos do Conselho e do Parlamento Europeu, nas condições
previstas no presente Tratado,

- exerce a competência que o Conselho lhe atribua para a execução das


regras por ele estabelecidas.
Funções e responsabilidades

41
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José

A Comissão Europeia é um órgão político


com responsabilidades variadas e desempenha um papel de relevo
no processo decisório da União Europeia, dado que a legislação da
UE é aplicada essencialmente através da acção da Comissão.

Competência da Comissão
O Tratado de Fusão de 1965, o Acto Único Europeu de 1986, o
Tratado da União Europeia e o Tratado de Amesterdão confirmaram
e ampliaram o âmbito de competências da União e a
responsabilidade da Comissão ... em novos domínios...

- ambiente,
- educação,
- saúde,
- defesa dos consumidores,
- redes transeuropeias,
- cultura
- União Económica e Monetária (UEM).

 As propostas, acções e decisões da Comissão são


examinadas, controladas e julgadas de várias formas pelas
outras instituições (excepto o Banco Europeu de Investimento).

 Contudo, a Comissão não toma decisões sobre as políticas e


as prioridades da UE, dado tratar-se esta de uma prerrogativa
do Conselho e, em alguns casos, do Parlamento Europeu.

A Comissão Europeia desempenha três funções distintas:

- iniciadora de propostas legislativas;

- guardiã dos Tratados;

- gestora e executora das políticas da UE e das relações


comerciais internacionais.

Iniciativa legislativa

42
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José

O TJCE reconheceu que à Comissão está confiada uma “missão


geral de iniciativa”

Sempre que os tratados prevêem que o Conselho decida sob


proposta da Comissão, não lhe é permitido deliberar seja o que for
enquanto a Comissão lhe não tiver submetido uma proposta nesse
sentido.

A Comissão detém o monopólio da iniciativa ...


no processo decisório comunitário e elabora as propostas a adoptar
pelas duas instituições com poder de decisão:

- o Parlamento
- o Conselho.

 Assim, o processo legislativo inicia-se com propostas da


Comissão (propostas de regulamentos e directivas) obrigatoriamente
baseadas nos Tratados e destinadas a facilitar a sua
aplicação.

 Aquando da elaboração dessas propostas, a Comissão toma


normalmente em consideração as orientações formuladas
pelas autoridades nacionais.

As propostas da Comissão devem compreender três objectivos


fundamentais:

- identificar o interesse europeu;


- organizar uma consulta tão vasta quanto necessário;
- respeitar o princípio de subsidiariedade.

A partir do momento em que a Comissão transmite formalmente


uma proposta legislativa ao Conselho e ao Parlamento, ...

o processo legislativo da União fica dependente da cooperação


efectiva entre três instituições :

- Conselho,
- Comissão
- Parlamento Europeu.

43
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
O Conselho pode alterar as propostas por maioria qualificada, se a
Comissão concordar com a alteração (caso contrário, as alterações têm de
ser decididas por unanimidade).

O Parlamento Europeu compartilha o poder de co-decisão com o


Conselho na maior parte dos domínios e dispõe de um direito de
consulta noutros.

 Ao rever as suas propostas, a Comissão tem de tomar em


consideração as alterações propostas pelo Parlamento.

 A iniciativa da Comissão está limitada no tocante a


recomendações e pareceres.

 A Comissão também detém a iniciativa no domínio do


orçamento - elabora o anteprojecto de orçamento que
submete ao Conselho.

 A Comissão não detém o direito exclusivo de iniciativa nos


dois domínios da cooperação intergovernamental abrangidos
pelo Tratado da União Europeia:

- Política Externa e de Segurança Comum

- Cooperação em matéria de Justiça e Assuntos Internos.

Mas pode apresentar propostas e participa nos debates a todos os


níveis.

44
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
Guardiã dos Tratados

No cumprimento da sua missão de guardião dos Tratados cumpre à


Comissão velar pela estrita observância das regras comunitárias,
tanto por parte dos Estados-membros como por parte das outras
instituições e procurar coagi-los, judicialmente se necessário, a
respeitá-las.

Acção por incumprimento (art. 226° CE)


A violação, pelos Estados, das obrigações que lhes incumbe em
virtude dos Tratados permite à Comissão deduzir contra eles, no
TJCE, uma acção de incumprimento.

Recurso de anulação (arts. 230° e 231°CE)


A adopção pelo Conselho, pelo Parlamento Europeu, ou ambos
agindo em conjunto ou pelo Banco Central Europeu de actos feridos
de incompetência, violação de formalidades essenciais, violação
dos Tratados ou de quaisquer regras de direito relativas à sua
aplicação, ou de desvio de poder, autoriza a Comissão a instaurar
no TJCE um recurso de anulação de tais actos

Recurso por omissão (art. 232° CE)


A Comissão pode interpor um recurso por omissão quando, em
violação do Tratado, o Conselho, o Parlamento Europeu ou o BCE
se abstenham de agir
Em determinadas circunstâncias, a Comissão pode aplicar sanções
pecuniárias a particulares, empresas e organizações por infracção
ao Tratado.

Gestora e negociadora

A Comissão gere o orçamento anual da União, sendo responsável


pela despesa pública e pela gestão dos quatro fundos comunitários
mais importantes.

 O Fundo Europeu de Orientação e de Garantia Agrícola e


os fundos estruturais chamam a si uma parte considerável
do orçamento e têm como objectivo reduzir as disparidades
económicas entre as regiões mais ricas e as regiões mais
pobres.

45
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
O papel da Comissão Europeia é também caracterizado pelas suas
importantes ...

responsabilidades executivas

Competência executiva,
Habilitada em virtude de delegação do Conselho, a Comissão pode
adoptar os regulamentos de aplicação, as directivas ou as
decisões (art. 249° CE) necessários à boa execução dos actos
emanados do Conselho.

 delega poderes para criar regras para aspectos mais


específicos da legislação do Conselho;

 pode introduzir medidas preventivas durante um período


limitado para proteger o mercado comunitário do “dumping” de
países terceiros;

 aplica as regras de concorrência do Tratado e regula as


fusões e aquisições que ultrapassam uma certa dimensão.

A competitividade da UE no mundo é ampliada pelo papel da


Comissão enquanto negociador de acordos internacionais de
comércio e cooperação com países terceiros, ou grupos de países,
que são depois apresentados ao Conselho para celebração.
Neste âmbito, a Comissão tem também responsabilidades
importantes nos programas de ajuda e de desenvolvimento nos
países terceiros.

46
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
Papel da Comissão Europeia no processo legislativo

Devido à posição central que ocupa na estrutura da União Europeia,


a Comissão mantém relações privilegiadas com cada uma das
outras instituições.

 Colabora sobretudo com o Conselho de Ministros e o


Parlamento Europeu na preparação da legislação comunitária
e participa nas reuniões do Conselho e do Parlamento.

 Além disso, o presidente da Comissão participa,


conjuntamente com os chefes de Estado e de Governo dos
Estados-Membros, nas reuniões semestrais do Conselho
Europeu.

 O presidente participa também, enquanto representante da


União, nas cimeiras económicas anuais do grupo dos sete
países mais industrializados (G7).

A Comissão é responsável perante o Parlamento Europeu,


que dispõe de poderes para a demitir através da aprovação de uma
moção de censura.

 A Comissão participa em todas as sessões do Parlamento


Europeu e tem de explicar e justificar as suas políticas sempre
que tal seja solicitado pelos deputados.

 A Comissão tem ainda de responder às perguntas escritas e


orais dos deputados do PE.

A acção da Comissão envolve regularmente o ...

Tribunal de Justiça Europeu, que tem a última palavra em matéria


de direito comunitário.

 A Comissão submete ao Tribunal os casos de incumprimento


de regulamentos ou directivas por parte dos governos ou das
empresas.

 As empresas e os Estados-Membros também podem propor


uma acção no Tribunal de Justiça Europeu quando pretendem
recorrer das sanções pecuniárias aplicadas pela Comissão.
47
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
A gestão do orçamento comunitário efectuada pela Comissão é
controlada pelo...

Tribunal de Contas, cujas funções consistem em ...

- verificar a legalidade e a regularidade das receitas e


despesas

- garantir a boa gestão financeira do orçamento da União


Europeia.

 O objectivo comum destas duas instituições consiste em


eliminar a fraude e o desperdício de verbas.

Por último, a Comissão trabalha em estreita colaboração com os


dois órgãos consultivos da EU:

- o Comité Económico e Social

- Comité das Regiões

48
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
Conselho da União Europeia
O Conselho é uma instituição dotada de uma dupla natureza, ..

- intergovernamental e...
- comunitária

O carácter de órgão da União ou de órgão da colectividade dos


Estados que nele participam avulta mais ou menos consoante os
problemas de que se ocupa e os termos em que é chamado a
resolvê-los

Funções e responsabilidades

Artigo 202° CE
Atribuições e competências do Conselho

Tendo em vista garantir a realização dos objectivos enunciados no


presente Tratado e nas condições nele
previstas, o Conselho:

- assegura a coordenação das políticas económicas gerais dos


Estados-Membros,

- dispõe de poder de decisão,

- atribui à Comissão, nos actos que adopta, as competências de


execução das normas que estabelece.

- O Conselho pode submeter o exercício dessas competências a


certas modalidades.

- O Conselho pode igualmente reservar-se, em casos específicos, o


direito de exercer directamente competências de execução.

As modalidades acima referidas devem corresponder aos princípios


e normas que o Conselho, deliberando por unanimidade, sob
proposta da Comissão e após parecer do Parlamento Europeu,
tenha estabelecido previamente.

49
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
O Conselho (também chamado Conselho de Ministros
é a principal instituição decisória da União Europeia e a autoridade
legislativa última.

Enquanto instituição da UE, o Conselho da União Europeia não


deve ser confundido com o ...

Conselho Europeu
constituído pelos chefes de Estado e de Governo dos Estados-
Membros da União Europeia e o presidente da Comissão Europeia

ou com o ...

Conselho da Europa,
que é uma organização internacional.

Por força do Tratado que institui a Comunidade Europeia, são as


seguintes as ...

principais competências do Conselho:

 O Conselho é o órgão legislativo da Comunidade;

- para um vasto leque de competências comunitárias, ele


exerce esse poder legislativo em co-decisão com o
Parlamento Europeu;

 O Conselho assegura a coordenação das políticas


económicas gerais dos Estados-Membros ....

- O Conselho celebra, em nome das Comunidades


Europeias, acordos internacionais (que são negociados pela
Comissão e requerem o parecer favorável do Parlamento) entre a
Comunidade e um ou vários Estados ou organizações
internacionais;

- O Conselho e o Parlamento Europeu constituem a


autoridade orçamental que adopta o orçamento da
Comunidade.

50
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
Por força do Tratado da União Europeia, o Conselho também:

- toma as decisões necessárias à definição e execução


da Política Externa e de Segurança Comum com base
nas orientações gerais definidas pelo Conselho
Europeu;

- assegura a coordenação da acção dos Estados-


Membros e adopta as medidas necessárias no domínio
da cooperação policial e judiciária em matéria penal.

O Conselho é um órgão com as características de uma


organização supranacional e intergovernamental.

Isto reflecte-se na composição e Presidência do Conselho, bem


como nos processos de trabalho associados às actividades do
Conselho.

Artigo 203° CE
Composição e presidência do conselho

O Conselho é composto por um representante de cada


Estado-Membro a nível ministerial, com poderes para vincular o
Governo desse Estado-Membro. A
Presidência é exercida sucessivamente por cada Estado-Membro
no Conselho, durante um período de seis meses, pela ordem
decidida pelo Conselho, deliberando por unanimidade.

Papel do Conselho nos processos decisório e legislativo

O papel do Conselho enquanto principal instituição decisória é em


muito definido pelos três "pilares" em que o Tratado da União
Europeia assentou as actividades da União.

51
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
O primeiro pilar que abrange toda uma série de
políticas comunitárias como a agricultura, o ambiente, a energia, a investigação e
desenvolvimento

Foi concebido e traduzido na prática, de acordo com um...

processo decisório ...

que começa com uma proposta da Comissão.

Na sequência de uma análise pormenorizada a nível técnico e


político, o Conselho pode adoptar, alterar ou ignorar a proposta da
Comissão.

O Tratado da União Europeia reforçou o papel do Parlamento


Europeu neste âmbito, criando um procedimento de co-decisão.

Consequentemente, há uma série de áreas (mercado interno, defesa dos


consumidores, redes transeuropeias, educação e saúde) em que a legislação é
adoptada conjuntamente pelo Parlamento Europeu e pelo
Conselho.

Os "parceiros sociais" e outros grupos de interesses, através do


Comité Económico e Social, e os poderes locais e regionais
representados no Comité das Regiões, são consultados em vários
domínios.

Os Tratados prevêem as áreas em que o Conselho delibera ou por


maioria simples dos membros que o compõem, ou por maioria
qualificada, ou ainda por unanimidade.

Cada país possui um determinado número de votos de acordo com


a sua população.

No domínio comunitário, uma grande parte das decisões de


carácter legislativo é tomada por maioria qualificada.

52
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
Entre os domínios do primeiro pilar ainda sujeitos à regra da
unanimidade contam-se:

- fiscalidade,
- indústria,
- cultura,
- fundos regionais e sociais e
- o programa-quadro de investigação e desenvolvimento
tecnológico.

Relativamente aos outros dois pilares ...

- é ao Conselho que cabe decidir e promover as iniciativas.

Em matéria de Política Externa e de Segurança Comum,


o Conselho toma as decisões necessárias à definição e execução
dessa política com base nas orientações gerais definidas pelo
Conselho Europeu.

O Conselho recomenda estratégias comuns


ao Conselho Europeu e aplica-as, nomeadamente através da
adopção de ...

- acções e ...
- posições comuns.

No tocante à cooperação policial e judiciária em matéria penal,


o Conselho, por iniciativa de um Estado-Membro ou da Comissão,
adopta ...

- posições comuns,
- decisões-quadro
- decisões e ...
- elabora convenções.

A unanimidade é a regra em ambos os pilares, excepto para a


aplicação de uma acção comum, que pode ser decidida por maioria
qualificada.

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[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
Legislação

No âmbito do Tratado que institui a Comunidade Europeia, o direito


comunitário adoptado pelo Conselho - ou pelo Parlamento e o
Conselho no âmbito do procedimento de co-decisão, pode
assumir as seguintes formas:

- regulamentos,
- directivas,
- decisões,
- recomendações e ...
- pareceres.

O Conselho também pode adoptar conclusões de carácter


político ou outros tipos de actos, ...

tais como ...

- declarações ou ..
- resoluções.

Além disso, o Conselho estabelece as regras de exercício das


competências de execução atribuídas à Comissão ou reservadas ao
próprio Conselho.

A legislação comunitária, bem como as posições comuns do


Conselho transmitidas ao Parlamento, é publicada no Jornal Oficial
das Comunidades Europeias em todas as línguas oficiais da CE.

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[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
PARLAMENTO EUROPEU
A Europa Comunitária, deve ...

... manter um modo de decisão eficaz, capaz de gerir o interesse


comum em proveito de todos os seus membros, preservando
simultaneamente as identidades e as especificidades nacionais e
regionais que constituem a sua riqueza.

Nós não coligamos Estados,


nós unimos pessoas !!!

Jean Monnet.
10 de Junho de 1979 Primeiras eleições directas do Parlamento
Europeu por sufrágio universal

O Parlamento Europeu desempenha um papel fundamental no


equilíbrio institucional da Comunidade:

- representa os povos da Europa e ...


- caracteriza a natureza democrática do projecto europeu.

Poderes do Parlamento Europeu

Desde a sua criação dotado de ...

- poderes de controlo do ramo executivo,


55
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José

O Parlamento Europeu dispõe igualmente de ...

- poder legislativo
sob forma de um direito de ser consultado sobre os principais
textos comunitários; poder legislativo que se foi alargando
progressivamente para se transformar num verdadeiro direito
de co-decisião legislativa.

- poder orçamental
O Parlamento partilha com o Conselho da União Europeia o
poder orçamental

Como são designados os deputados europeus?

Até 1979
os membros do Parlamento Europeu eram membros dos
parlamentos nacionais, que os nomeavam para os representar em
Estrasburgo.

A partir de 1979
Os deputados europeus passaram a ser eleitos por sufrágio
universal directo em cada um dos países da União, por mandatos
de cinco anos.
A ambição de criar entre os Estados-membros uma relação
especial, que lhes permita gerir os seus interesses e os seus
diferendos segundo as mesmas regras de direito e os mesmos
procedimentos de arbitragem que unem os cidadãos de um Estado
democrático, é totalmente revolucionária na prática das relações
internacionais.

Parlamento Europeu

Funções e responsabilidades

O Parlamento Europeu (PE), enquanto instituição, representa os


370 milhões de cidadãos da União Europeia. Trata-se do maior
parlamento multinacional do mundo e constitui a base democrática
da Comunidade. Desde 1979 são realizadas eleições directas para
o Parlamento Europeu de cinco em cinco anos em todos os
Estados-Membros da UE. A composição do PE representa as
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[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
principais correntes políticas da UE. Actualmente, os mandatos
mais importantes do PE são os seguintes:

 poder legislativo: o PE examina as propostas da Comissão e


está associado ao Conselho no processo legislativo através de
vários procedimentos;
 poderes orçamentais: o PE compartilha os poderes
orçamentais com o Conselho através da votação do orçamento
anual e do controlo da sua execução;
 fiscalização do poder executivo: o PE detém o poder de
fiscalização das actividades da União através da confirmação da
nomeação da Comissão, do direito de censurar a Comissão e das
perguntas escritas e orais que pode endereçar à Comissão e ao
Conselho.

Estes papéis reflectem-se nos processos de trabalho do PE.

Papel do Parlamento Europeu no processo legislativo

Poder legislativo

Originalmente, o Tratado de Roma (1957) conferiu ao Parlamento


Europeu (PE) um papel meramente consultivo, cabendo à
Comissão propor legislação e ao Conselho de Ministros aprová-la.
Os tratados subsequentes ampliaram a influência do PE de um
papel exclusivamente consultivo até ao pleno envolvimento no
processo legislativo da Comunidade. Actualmente, o PE tem
poderes para alterar e até adoptar legislação. Assim, num vasto
leque de áreas o poder decisório é compartilhado pelo Conselho e
o PE. Em função da base jurídica, o PE participa, em diferentes
graus, na elaboração da legislação comunitária. Ver-se-ão em
seguida as diferentes bases jurídicas e procedimentos associados
previstos nos Tratados.

Procedimento de co-decisão

De acordo com o Tratado de Amesterdão, o procedimento de co-


decisão simplificado partilha o poder decisório de forma igual entre
o PE e o Conselho. Um acto legislativo é adoptado se o Conselho e
o PE estiverem de acordo na primeira leitura. Se não estiverem de
acordo, é convocado um "Comité de Conciliação" - constituído por
igual número de membros do Parlamento e do Conselho e com a
presença da Comissão -, que tentará obter um compromisso em

57
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
relação a um texto que o Conselho e o Parlamento possam ambos
posteriormente aprovar. Se a conciliação não resultar em acordo, o
Parlamento pode rejeitar imediatamente a proposta por maioria
absoluta. O procedimento de co-decisão, que reforça o papel do PE
enquanto co-legislador, é aplicável a um vasto leque de domínios
(39 bases jurídicas no Tratado CE), nomeadamente: livre circulação
de trabalhadores, defesa do consumidor, educação, cultura, saúde
e redes transeuropeias.

Procedimento de consulta

O procedimento de consulta requer um parecer do PE antes de o


Conselho poder adoptar a proposta legislativa da Comissão. Nem a
Comissão nem o Conselho são obrigados a aceitar as alterações
contidas no parecer do PE. Logo que o PE tenha formulado um
parecer, o Conselho pode adoptar a proposta com ou sem
alterações. O PE, todavia, pode recusar-se a formular um parecer.
O procedimento de consulta é aplicável à agricultura (fixação de
preços), fiscalidade, concorrência, harmonização da legislação não
relacionada com o mercado interno, política industrial, alguns
aspectos da política social e ambiental (sujeitos à unanimidade), a
maioria dos aspectos do espaço de liberdade, segurança e justiça e
a adopção de regras gerais e princípios de comitologia. No tocante
à aproximação das disposições legislativas e regulamentares, este
procedimento também é aplicável a um novo instrumento de
decisão-quadro criado pelo Tratado de Amesterdão no âmbito do
terceiro pilar.

Procedimento de cooperação

O procedimento de cooperação permite ao PE propor alterações


para melhorar a legislação proposta. É necessário um parecer e
duas leituras pelo PE, o que dá amplas oportunidades aos
deputados para examinar e alterar a proposta da Comissão e a
posição inicial do Conselho. A Comissão indica as alterações que
aceita antes de transmitir a sua proposta ao Conselho. O resultado
seguinte é uma "posição comum" do Conselho. Na segunda leitura,
o Conselho é obrigado a ter em conta as alterações do PE
adoptadas por maioria absoluta no caso de terem sido integradas
pela Comissão. O Tratado de Amesterdão simplificou os diferentes
procedimentos legislativos ampliando significativamente o
procedimento de co-decisão, que, na prática, quase substituiu o
procedimento de cooperação. Consequentemente, o procedimento
58
[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
de cooperação é aplicável a muito poucos casos (duas disposições
sobre a UME).

Procedimento de parecer favorável

O procedimento de parecer favorável é aplicável às áreas


legislativas em que o Conselho delibera por unanimidade e está
limitado, desde o Tratado de Amesterdão, à organização e aos
objectivos dos fundos estruturais e de Coesão. O parecer favorável
do PE é igualmente necessário para acordos internacionais
importantes celebrados entre a União e um país ou grupo de países
não membros, nomeadamente a adesão de novos Estados-
Membros e acordos de associação com países terceiros (é
necessária a maioria absoluta de todos os deputados).

Direito de iniciativa

A partir do Tratado de Maastricht, o PE possui um direito limitado de


iniciativa na medida em que pode solicitar à Comissão que
apresente uma proposta.

Poderes orçamentais

Sendo um dos dois ramos da autoridade orçamental, o Parlamento


Europeu está envolvido no processo orçamental a partir da fase de
preparação, nomeadamente definindo as orientações gerais e o
tipo de despesa.

Fiscalização do poder executivo

O poder executivo na UE é compartilhado entre a Comissão e o


Conselho de Ministros; os seus representantes deslocam-se
frequentemente ao Parlamento. O PE detém uma função de
fiscalização política global sobre a forma como as políticas são
conduzidas ao exercer o controlo democrático sobre o poder
executivo.

Recursos para o Tribunal de Justiça

Em casos de alegada violação do Tratado por outra instituição, o


PE pode recorrer ao Tribunal de Justiça utilizando vários
expedientes:

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Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
 o direito de intervenção, ou seja, de apoiar uma das partes
numa acção no Tribunal de Justiça;
 uma acção por "omissão" - o Parlamento pode propor uma
acção no Tribunal contra uma instituição por violação do Tratado;
 tendo em vista salvaguardar as suas prerrogativas, o PE pode
interpor um recurso para anular um acto de outra instituição O PE
pode ser a parte demandada num recurso contra um acto adoptado
através do procedimento da co-decisão ou quando os seus actos
se destinem a produzir efeitos em relação a terceiros.

O Parlamento Europeu e os cidadãos da UE

Petições

O PE define-se a si próprio como o guardião dos interesses


europeus e o defensor dos direitos dos cidadãos. Nesse sentido, os
cidadãos da UE usufruem - individualmente ou em grupo - do
direito de petição ao PE.

Provedor de justiça europeu

O PE também nomeia um provedor de justiça cujas


responsabilidades principais definidas no Tratado da UE são:

 melhorar a protecção dos cidadãos em casos de má


administração;
 reforçar a responsabilidade democrática das instituições
comunitárias.

Para o efeito, o provedor de justiça tem poderes para receber e investigar queixas
apresentadas por cidadãos da UE respeitantes a casos de má administração na actuação
das instituições ou órgãos comunitários. As pessoas singulares ou colectivas com
residência ou sede estatutária num Estado-Membro podem igualmente consultar o
provedor de justiça.

PRINCÍPIO DO PRIMADO
- A União Europeia assenta no primado do direito. Isto
significa que todas as suas acções são fundadas nos
Tratados, os quais são voluntária e democraticamente
aprovados por todos os Estados-Membros. Os Tratados

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[Link]
Apontamentos sem fronteiras
António Filipe Garcez José
já assinados foram alterados e actualizados para
acompanhar a evolução da sociedade.

...não percam o próximo episódio !!!!

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