Gramática e seu
conceito
Mattoso Câmara Jr. (1986) 16 ed.
Estrutura da língua portuguesa.
Petrópolis: Vozes. p.11-16.
Gramática descritiva ou
sincrônica
Estudo do mecanismo pelo qual uma dada
língua funciona num dado momento, como
meio de comunicação entre os falantes
dessa língua
Momento atual – presente
Gramática tradicional: elaborada para a
língua grega e latina, as do português
também são orientadas pelo modelo grego-
latino, são chamadas descritivas ou
expositivas
Gramática:
descritiva, expositiva, normativa
De maneira sistemática e objetiva, procura
explicar a organização e o funcionamento da
língua
Apresenta os dados sem preocupação com a
sistematicidade e objetividade
Apresenta as normas de comportamento
linguístico de acordo com a definição: “arte
de falar e escrever corretamente”
Gramáticas filosóficas e
psicológicas
Explicar a organização e o funcionamento
das formas linguísticas com objetividade e
espírito analítico
Mais científicas
Baseadas na LÓGICA
Lógica simbólica (matemática)
salientam-se os aspectos psicológicos que a
língua revela (emoção e fantasia)
Linguística
ciência autônoma - séc. XIX
Comparação entre línguas (gramática
histórico-comparativa)
Origens comuns
História de suas mudanças através do tempo
(gramática histórica)
Interesse de estudos descritivos a partir do
início do séc. XX
Linguística sincrônica e
diacrônica
Saussure (1916) – Charles Balley e Albert
Sechehaye (seus discípulos)
Diacrônica: histórica
Sincrônica: descritiva, cientificamente conduzida,
de forma sistemática, objetiva e coerente
Objetivo de Saussure: ver essa gramática como
disciplina autônoma, independente da lógica e da
psicologia como as demais ciências
Europa:
Círculo Linguístico de Praga
Hjelmslev: separa nitidamente:
A linguística que estuda a atividade de
comunicação de um conteúdo (de consciência)
de um indivíduo a outro
A psicologia que estuda (examina) o conteúdo da
consciência humana
Nos EUA:
Franz Boas, Bloomfield, Sapir
Princípio e as técnicas de descrição
linguística
Gramática descritiva das l´nguas indígenas
norte americanas
Técnicas de descrição cada vez mais
objetivas e rigorosas
Coloca de lado o valor significativo das
formas linguísticas para evitar entrar no
estudo das significações – lógica e psicologia
Chomsky
Reação à falta de consideração às
significações linguísticas, uma vez que a
língua é usada para comunicar significados
Humbold (séc. XIX) via a gramática
descritiva:
análise da forma externa (sons vocais,
desinências, etc.)
Análise de sua forma interna (seu significado)
Gramática descritiva
Sincrônica sem levar em conta as considerações
de ordem históricas???
Gramática histórica sempre parte de uma análise
sincrônica
Grande contribuição de Saussure:
Falantes de uma língua não sabem nada da história da
língua, mas a usam de forma eficiente
O conhecimento da história aplicada à análise
linguística a torna absurda
Comedere (latim com- ideia de reunião)
Verbo comer: com- (raiz) assim como beber: beb (raiz)
Mim (latim dativo – objeto indireto)
PB: pronome oblíquo regido de preposição
Gramática normativa x
descritiva
A normativa tem o seu lugar (na escola por
exemplo) e não se anula diante da descritiva
É um erro fazer linguística com
preocupações normativas
No entanto a gramática normativa depende
da gramática sincrônica (descritiva)
a norma não pode ser rígida e uniforme; é
elástica de acordo com cada situação social
específica
Linguista x gramático e
professor de língua
Desobedecem a 3 preceitos:
1. Impõem as suas regras como sendo linguísticas
2. Corrigem sem falar do procedimento linguístico
envolvido (por exemplo: uso da crase)
3. Partem do princípio de que a norma é sempre a
mesma e fixam um padrão social como sendo o
que deve ser dito
Solução: gramática descritiva sem interesse normativo
A gramática descritiva pode escolher seu campo de
observação
Variabilidade e
invariabilidade na
língua
Mattoso Câmara Jr. (1986) 16 ed.
Estrutura da língua portuguesa.
Petrópolis: Vozes. p.17-21.
Variabilidade e invariabilidade
na língua
Um dos problemas: enorme variabilidade da
língua no seu uso em um dado momento
Varia segundo espaço, tempo, nível social,
escolaridade, sexo, entre indivíduos
DIALETOS REGIONAIS
DIALETOS SOCIAIS
IDIOLETOS (REGISTROS)
ESTILOS
Anomalistas e analogistas
Anomalia – impossibilidade de regras gerais
Analogia – possibilidade e necessidade de
regras gerais
Exceções – em pequeno número
Princípio das invariantes nas variações (chave da
descrição linguística)
As variações são fatos de superfície que, em
profundidade obedecem a padrões com a
regularidade
Objetivo
Mattoso Câmara Jr.: Descrever a PB tal
como é usada pelas classes diatas ciultas –
registro formal – adequado a situações
sociais mais importantes
Da disciplina: tratar das variações sejam elas
regionais, sociais ou de registro (idioleto)
Com foco no nível sonoro
Como pode ser a descriçaõ feita por alguns
linguistas (Eunice Pontes, Antenor Nascentes)
A fala e a escrita
O estudante já vem falando razoavelmente de casa
Domina a linguagem familiar
A escrita é aprendida na escola
A escrita não reproduz fielmente a fala
A gramática normativa dá grande atenção à língua
escrita por ser ela a ser aprendida na escola
A escrita é artificial, pois em geral não representa uma
situação concreta que une um ou mais ouvintes.
É uma transposição de uma substância vocal para outra
substância