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Estudo sobre o Livro de Filemom

(1) Paulo escreve uma carta a Filemom, um cristão em Colossos, pedindo que perdoe Onésimo, um escravo fugitivo que se converteu ao cristianismo em Roma ao encontrar Paulo. (2) Paulo apela ao caráter cristão e amoroso de Filemom, lembrando-o que Onésimo agora é um irmão em Cristo. (3) Paulo crê que a fuga e conversão de Onésimo faziam parte do plano de Deus para reunir os dois como irmãos na fé.

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Estudo sobre o Livro de Filemom

(1) Paulo escreve uma carta a Filemom, um cristão em Colossos, pedindo que perdoe Onésimo, um escravo fugitivo que se converteu ao cristianismo em Roma ao encontrar Paulo. (2) Paulo apela ao caráter cristão e amoroso de Filemom, lembrando-o que Onésimo agora é um irmão em Cristo. (3) Paulo crê que a fuga e conversão de Onésimo faziam parte do plano de Deus para reunir os dois como irmãos na fé.

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F ilemom

ESBOÇO B. A conversão deOnésimo-10-14


Tema-chave:O perdão cristão C. A providência de Deus-15,16
Versículwhave:Filemom 15-16
III. GARANTIA-17-25‫" ־‬EU
I. APRECIAÇÃO -1-7 - "DOU PAGAREI‫״‬
GRAÇAS AO MEU DEUS‫״‬ A. A parceria de Paulo-17-19
A. O amor de Paulo -1-3 B. A certeza de Paulo - 20-22
B. As ações de graças de Paulo - 4,5 ,7 C. As saudações de Paulo - 23-25
C. A oração de Paulo - 6
CONTEÚDO
II, APELO-8-16‫" ־‬SOLICITO-TE‫ ״‬1. Um conto de duas cidades
A. O caráter de Filemom - 8,9 (Fm 1-25) 350
acreditam que Arquipo era filho de Filemom,
1 mas não sabemos ao certo. Talvez fosse o
presbítero substituto de Epafras, que havia
ido a Roma para ajudar Paulo. Se esse é caso,
Um C o n t o de D uas fica explicada a forte admoestação de Pau-
Io a Arquipo em Colossenses 4:17, uma car-
C id ad es
ta escrita para a igreja toda.
F ile m o m 1-25 Nessa saudação, Paulo expressa seu
amor profundo pelos seus amigos cristãos e
os lembra de que estava preso por causa de
Jesus Cristo (ver também Fm 9, 10, 13, 23).
Timóteo é incluído na saudação, apesar de
aulo era prisioneiro em Roma, seu ami- o conteúdo principal da carta ser do cora-
P go Filemom estava em Colossos, e o elo
entre os dois era um escravo fugido chama-
ção de Paulo para o coração de Filemom. O
ministério de Paulo era um trabalho de "equi-
do Onésimo. Os detalhes não ficam claros, pe", e, ao escrever suas cartas, costumava
mas, ao que parece, Onésimo havia rouba- incluir o nome de seus colaboradores. Gos-
do de seu senhor e, depois, fugido para Ro- tava de usar os termos "cooperador‫ ״‬e "com-
ma, na esperança de desaparecer no meio panheiro" (ver Rm 16:3, 9, 21; 1 Co 3:9; Fp
da multidão da metrópole populosa. Mas, 2:25; 4:3; Cl 4:11).
pela providência de Deus, ele se encontrou As igrejas do Novo Testamento reuniam-
com Paulo e se converteu! se nos lares (Rm 16:5, 23; 1 Co 16:19), e
E agora? Talvez Onésimo devesse ficar talvez a igreja na casa de Filemom fosse uma
com Paulo, que precisava de toda ajuda das duas congregações de Colossos (Cl
possível. Mas e quanto às responsabilidades 4:15). Paulo havia ganhado Filemom para
do servo para com seu senhor em Colossos? Cristo (ver Fm 19), e Filemom havia se torna-
Por lei, o senhor tinha permissão de executar do uma bênção para outros cristãos (Fm 7).
um escravo que se rebelasse, mas Filemom O apóstolo costumava começar suas car-
era cristão. Se perdoasse Onésimo, o que tas com palavras de gratidão e louvor a Deus
os outros senhores (e escravos) pensariam? (Gálatas é uma exceção). Nessas ações de
E se o castigasse, de que maneira isso afeta- graças, Paulo descreve seu amigo como um
ria o seu testemunho? Que dilema! homem de amor e de fé, tanto para com Jesus
É provável que Tíquico e Onésimo te- Cristo quanto para com o povo de Deus. Seu
nham levado esta carta a Colossos junto com amor era prático: ele "reanimava" os santos
a Epístola aos Colossenses (Cl 4:7-9). Nela, por meio de suas palavras e de seu trabalho.
vemos Paulo em três papéis importantes ao Paulo diz a Filemom que está orando por
tentar ajudar Filemom a resolver seu proble- ele e pedindo a Deus que lhe dê um teste-
ma. Ao mesmo tempo, observamos uma bela munho eficaz ("a comunhão da tua fé") de
imagem do que o Pai fez por nós em Jesus modo que outros venham a crer em Jesus
Cristo. Martinho Lutero disse bem: "Todos Cristo. Também ora para que seu amigo te-
nós somos Onésimos!". nha uma compreensão mais profunda do
que possui em Jesus Cristo. Afinal, quanto
1 . P a u lo , o a m ig o a m a d o (F m 1 -7 ) mais conhecemos a Cristo e experimenta-
Paulo não havia fundado a igreja em Colos- mos suas bênçãos, mais desejamos compar-
sos nem a havia visitado (Cl 1:1-8; 2:1). É tilhar essas bênçãos com outros.
provável que essa igreja tenha começado
como resultado de seu ministério em Éfeso 2 . P a u lo , o in t e r c e s s o r s u p l ic a n t e
(At 19:10, 20, 26) e que Epafras fosse o pas- ( F m 8 -1 6 )
tor fundador (Fm 23). A igreja reunia-se na Estima-se que havia cerca de seis milhões
casa de Filemom e Áfia, sua esposa. Alguns de escravos no império romano, homens e
F I L E M O M 1 -2 5 351

m ulheres tratados com o m ercadoria a ser cerca de 60 anos, o que, para os hom ens
comprada e vendida. Um provérbio conhe­ daquele tem po, era uma idade avançada.
cido da época dizia: "O número de escravos Além do caráter bondoso de Filemom e do
é o número de inimigos!" O escravo que fa­ am or cristão, Paulo apela tam bém para a
zia serviços gerais era vendido por cerca de conversão de O nésim o (Fm 10). O nésim o
quinhentos denários (um denário eqüivalia ao não era mais "apenas um escravo"; havia se
que um trabalhador comum recebia em um tornado filho de Paulo na fé e irm ão de
dia), enquanto os escravos mais instruídos e Filem om em Cristo! Em Jesus Cristo, "não
habilidosos poderiam ser vendidos por até pode haver [...] nem escravo nem liberto"
cinqüenta mil denários. O senhor poderia (G l 3 :2 8 ). Isso não significa que a conver­
libertar um escravo ou o próprio escravo com ­ são de O nésim o alterou sua situação legal
prava sua liberdade, caso conseguisse levan­ com o escravo, nem que cancelou sua dívi­
tar a soma equivalente a seu preço (At 22:28). da para com a lei ou para com seu senhor.
Se um escravo fugia, o senhor registrava M as quer dizer que, diante de Deus e do
seu nom e e descrição junto às autoridades, povo de D eus, O nésim o havia passado a
e o escravo era colocado na lista de "pro­ ocupar uma nova posição, e Filemom devia
curados". Q ualquer cidadão livre que encon­ levar isso em consideração.
trasse o escravo poderia assumir a custódia N o quarto a p e lo , Paulo relata co m o
deste e até interceder junto ao proprietário. O nésim o foi valioso para ele em seu minis­
O escravo não era devolvido de im ediato tério em Roma (Fm 11-14). O nome O nésim o
ao senhor nem condenado automaticamen­ quer dizer "útil", de modo que Filemom 11
te à morte. Apesar de ser verdade que mui­ apresenta um jogo de palavras. (O nom e
tos senhores eram cruéis (um homem jogou Filemom quer dizer "afetuoso" ou "aquele
um de seus escravos em um tanque cheio que é bondoso". Se era esperado do escra­
de peixes carnívoros!), muitos deles também vo que ele fizesse jus a seu nom e, o que
eram justos e humanos. Afinal, um escravo dizer de seu senhor?) Paulo amava O nésim o
era uma propriedade pessoal de grande va­ e o teria mantido consigo em Roma com o
lor, e custava caro perdê-lo. c o la b o ra d o r, m as não d e se ja v a d iz e r a
Ao interceder por O nésim o, Paulo apre­ Filemom o que fazer. O Senhor deseja de
senta cinco apelos veem entes. Com eça com seus filhos sacrifício e serviço voluntários,
a reputação de Filemom com o homem que motivados pelo amor.
abençoava a outros. A expressão "pois bem ", O quinto apelo diz respeito à providên­
em Filemom 8, tem o sentido de "portanto". cia de Deus (Fm 1 5 ,1 6 ). Paulo não é dogmá­
U m a vez que Filemom era um cristão que tico (usa a expressão "Pois acredito que...‫) ״‬
reanimava a outros, Paulo desejava dar-lhe a ao fazer esta declaração importante: com o
o p o rtu n id a d e de re an im ar seu co ra çã o ! cristãos, devem os crer que Deus está no con­
Filemom havia sido uma grande bênção para trole até das experiências mais difíceis da
muitos santos e, agora, seria uma bênção vida. Deus permitiu que O nésim o fosse a
para um de seus escravos que acabara de Roma para que pudesse encontrar-se com
se converter! Paulo e se converter (sem dúvida, Filemom
Paulo poderia ter utilizado sua autorida­ e sua família haviam testem unhado ao es­
de apostólica para ordenar que seu amigo cravo e orado por ele). O nésim o partiu para
lhe obedecesse, mas preferiu rogar-lhe em que pudesse voltar. Ficou longe por algum
nome do am or cristão (Fm 9). Podemos ver tempo para que ele e seu senhor ficassem
com o o apóstolo usa de muito tato ao lem­ juntos para sem pre. Partiu para Roma com o
brar Filemom de sua situação pessoal: "Pau- escravo, mas voltaria a Colossos com o irmão.
Io, o velho e, agora, até prisioneiro de Cristo Q uanta bondade de Deus governar e preva­
Jesus" (Fm 9). V indo de um santo aflito com o lecer sobre estas coisas!
Paulo, o pedido era irrecusável! É provável Ao recapitular estes cin co apelos, po­
que, nessa época, o apóstolo estivesse com dem os v e r co m o Paulo usou de grande
352 F I L E M O M 1-25

ternura para convencer o amigo Filemom a minha conta e eu pagarei". A linguagem que
receber seu escravo desobediente de volta Paulo usa em Filemom 19 é muito parecida
e perdoá-lo. Mas não seria fácil para Filemom com a de uma nota promissória legal da
fazer isso. Se fosse brando demais com época. Essa é a garantia do apóstolo a seu
Onésimo, poderia influenciar outros escra- amigo de que a dívida seria paga.
vos a "se converterem" e a influenciarem É preciso mais do que amor para resol-
seus senhores. Se fosse duro demais com ver problemas; o amor deve pagar um pre‫־‬
ele, isso afetaria seu testemunho e ministé- ço. Deus não nos salvou por seu amor, pois,
rio em Colossos. apesar de amar o mundo inteiro, nem todos
Então, Paulo oferece a solução perfeita. são salvos. Deus salva os pecadores pela
Trata-se de uma solução dispendiosa, no que graça (Ef 2:8, 9), e a graça é o amor que paga
diz respeito ao apóstolo, mas ele está dis- um preço. Em sua santidade, Deus não po-
posto a pagar o preço. deria ignorar nossa dívida, pois Deus deve
ser fiel à própria Lei. Assim, ele pagou a d/v/-
3 . P a u lo , o co m p a n h e iro p re o cu p a d o da por nós!
(F m 1 7 - 2 5 ) Os teólogos chamam isso de "doutrina
O termo traduzido por "companheiro" é da imputação" (imputar significa "depositar
koinonia, que significa "ter em comum". Em na conta"). Quando Jesus Cristo morreu na
Filemom 6, é traduzido por "comunhão". cruz, meus pecados foram colocados na con-
Paulo oferece-se para ser "sócio" de Filemom ta dele, e o Senhor foi tratado da maneira co-
e ajudá-lo a resolver o problema com Oné- mo eu deveria ter sido. Quando o aceitei
simo. Faz duas sugestões: "recebe-o, como como Salvador, sua justiça foi depositada na
se fosse a mim" e "lança tudo [o que ele minha conta, e, agora, Deus me aceita em
roubou de ti] em minha conta". Jesus Cristo. Jesus disse ao Pai: "ele não lhe
Como novo "sócio" de Filemom, Paulo deve mais coisa alguma, pois eu paguei tudo
não tinha como sair de Roma e ir a Colossos, na cruz. Receba-o como receberia a mim.
mas poderia enviar Onésimo como seu re- Aceite-o no círculo da família!"
presentante pessoal. "Trate Onésimo como É preciso sempre lembrar, porém, que
você me trataria", diz o apóstolo. "Eu to en- há uma diferença entre ser aceito em Cristo
vio de volta em pessoa, quero dizer, o meu e ser aceitável para Cristo. Todo o que crê
próprio coração" (Fm 12). em Jesus Cristo como Salvador é aceito nele
Para mim, trata-se de uma ilustração do (Rm 4:1-4). Mas o cristão deve esforçar-se
que Jesus Cristo fez por nós, os que cremos de modo a, com a ajuda de Deus, ser acei-
nele. O povo de Deus é identificado de tal tável ao Senhor em sua vida diária (Rm 12:2;
modo com Jesus Cristo que ele nos recebe 14:18; 2 Co 5:9; Hb 12:28). O Pai deseja
da mesma forma como recebe seu Filho! olhar para os que estão no Filho e dizer so-
Somos aceitos "no Amado" (Ef 1:6) e vesti- bre eles o mesmo que disse sobre Jesus: "Em
dos com sua justiça (2 Co 5:21). Por certo, ti me comprazo" (Mc 1:11).
não podemos nos aproximar de Deus por Filemom 19 dá a entender que foi Paulo
algum mérito próprio, mas Deus nos recebe quem levou Filemom à fé em Cristo. O após-
quando nos achegamos a ele "em Jesus Cris- tolo usa esse relacionamento especial para
to". O termo "receber", em Filemom 17, signi- incentivar o amigo a receber Onésimo. Fi-
fica "receber no seu círculo familiar". Imagine lemom e Onésimo não eram apenas irmãos
um escravo ser aceito na família de seu espirituais no Senhor, mas também tinham
senhor! Mais maravilhoso ainda é um peca- o mesmo "pai espiritual" - Paulo! (ver Fm
dor perdido ser aceito na família de Deusl 10 e 1 Co 4:15).
Paulo não sugere que Filemom ignore Será que, em Filemom 21, Paulo está
os crim es do escravo e esqueça o que insinuando que Filemom deve ir além e li-
Onésimo lhe devia. Antes, oferece pagar essa bertar Onésimo? Nesse caso, por que o após-
dívida do próprio bolso: "lance tudo em tolo não é mais claro e objetivo e condena a
FILEM O M 1 -2 5 353

escravidão? Sem dúvida, esta carta seria a com a presença da religião cristã para aju­
ocasião ideal para fazê-lo. Paulo não "con­ dar a preparar o cam inho. Também devem os
dena" a escravidão nem aqui nem em qual­ lembrar das lutas dos m ovim entos mais re­
quer outra de suas epístolas, apesar de, em centes em prol dos direitos civis, até m esm o
várias ocasiões, ter uma palavra de admoes- dentro da igreja. Se foi tão difícil vencer a
tação para os servos e seus senhores (Ef 6 :5 ­ batalha nos séculos XIX e XX, imagine com o
9; C l 3 :2 2 - 4 :1 ; 1 Tm 6 :1 , 2; Tt 2:9 , 10). Na teria sido esse conflito no sécu lo II
ve rd ad e , e n co raja os escravo s cristão s a O s cristãos são o sal da terra e a luz do
obter sua liberdade quando possível (1 Co mundo (M t 5:13-16), e sua influência espiri­
7:21-24). tual deve ser sentida na sociedade para a
Durante a G uerra Civil nos Estados Uni­ glória de Deus. O Senhor usou José no Egi­
dos, os dois lados recorriam à Bíblia para to, Ester na Pérsia e Daniel na Babilônia, e,
"provar" que estavam certos em defender ao longo de toda a história da Igreja, cris­
ou condenar a escravidão. Um argumento tãos têm ocupado cargos políticos e servi­
bastante usado na época era: "Se a escravi­ do ao Senhor fielmente. M as os cristãos do
dão é tão errada, por que Jesus e os apóstolos império romano não poderiam trabalhar por
não disseram coisa alguma a esse respeito? meio das estruturas políticas e dem ocráticas
Paulo dá in stru çõ es que regulam entam a locais com o podemos fazer hoje em dia, de
escravidão, mas não a condena". modo que não tinham qualquer poder poli­
U m a das m elhores explicações é dada tico para causar transform ações. Foram ne­
por Alexander M ad aren em seu com entá­ cessários vários séculos para acabar com a
rio sobre C olo ssen ses em The Expo sito r's escravidão, e a m udança teve de vir de den­
Bible (Eerdmans, 1940, vol. V I, p. 301): tro para fora.
Paulo encerra esta carta com seus pe­
Em primeiro lugar, a mensagem do cris­ didos e saudações pessoais costum eiros. Es­
tianismo é dirigida, principalmente, a indi­ tava certo de que seria liberto e visitaria
víduos e, apenas de modo secundário, à Filemom e Afia em Colossos (com o indica o
sociedade. Deixa ao encargo das unida­ uso dos pronomes no plural em Fm 22). Até
des que influenciou o trabalho de influen­ m esm o esse fato se rviria de in ce n tivo a
ciar as massas. Em segundo lugar, atua Filemom seguir as instruções de Paulo, pois
sobre atitudes espirituais e morais e, so­ certam en te não d esejava sentir-se e n ve r­
mente depois disso e em decorrência de gonhado ao se encontrar pessoalmente com
tais atitudes, sobre atos ou instituições. o apóstolo.
Em terceiro lugar, essa mensagem abo­ Com o vim os, é provável que Epafras fos­
mina a violência e confia inteiramente se o pastor da igreja e que havia ido a Roma
na consciência esclarecida. Assim, não para ajudar Paulo. Não sabemos se ele era
se envolve diretamente com nenhuma um "prisioneiro voluntário" por am or a Pau-
estrutura política ou social, mas declara Io ou se era, de fato, prisioneiro dos roma­
princípios que afetam profundamente nos. D e qualquer modo, devemos louvá-lo
tais estruturas e instila seus princípios na por sua dedicação a Cristo e ao apóstolo.
consciência geral. João M arcos, que estava com Paulo (Cl
4 :1 0), era o rapaz que o havia abandonado
Se os primeiros cristãos tivessem com eçado na prim eira viagem m issionária (A t 1 2:12 ,
cam panhas contra a escravidão, teriam sido 2 5; 15:36-41). Paulo havia perdoado M ar­
exterm inados pela oposição, e a mensagem cos e era grato pelo seu m inistério fiel (ver
do evangelho teria sido confundida com uma 2 Tm 4 :1 1 ).
plataforma social e política. Convém lembrar Aristarco era de Tessalônica e acom pa­
com o foi difícil abolir a escravidão na Ingla­ nhou Paulo a Jerusalém e, depois, a Roma
terra e nos Estados Unidos, duas nações com (At 19:29; 2 7:2). Dem as é m encionado três
uma p o p ulação relativam ente instruída e vezes nas cartas de Paulo: "D em as e Lucas,
354 F I L E M O M 1-25

meus cooperadores" (Fm 24), "Saúda-vos [...] ao apóstolo e, por fim, escreveu o Evange-
Demas‫( ״‬Cl 4:14) e "Porque Demas, tendo Iho de Lucas e o Livro de Atos.
amado o presente século, me abandonou" A bênção de Paulo é a "assinatura oficial"
(2 Tm 4:10). João Marcos falhou, mas foi de suas cartas (2 Ts 3:1 7, 18) e exalta a graça
restaurado. Demas parecia estar indo bem, de Deus. Afinal, foi a graça de Jesus Cristo
mas caiu. que tornou possível a salvação (Ef 2:1-10).
Lucas, obviamente, é o "médico amado" Foi ele quem disse: "Lança tudo em minha
(Cl 4:14) que acompanhou Paulo, ministrou conta! Recebe-os como se fosse a mim!"

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