Gerenciamento de Riscos: Modelo COSO

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O documento discute o modelo COSO de gerenciamento de riscos corporativos e controles internos. Ele descreve a origem do modelo COSO nos Estados Unidos após a lei FCPA de 1977 e como o model…

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Danilo Abrantes

Congratulaes, estimado leitor! muito bom poder estar aqui novamente.

Este tpico tem como objetivo abordar, de forma clara e objetiva, o gerenciamento de
riscos corporativos e controles internos Modelo COSO, assunto que vem despertando
o interesse de bancas organizadoras de concursos importantes para auditor, como o da
PETROBRAS. Vamos ao assunto.
Gerenciamento de Riscos e Controles Internos O modelo COSO
sempre difcil estabelecer o incio preciso de determinado processo
regulatrio, porm podemos observar acontecimentos importantes que determinam as
suas fases principais. O processo regulatrio referente modelagem de sistemas de
controles internos tem um marco importante nos Estados Unidos da Amrica, por
ocasio da aprovao da lei, pelo Congresso dos Estados Unidos, em dezembro de
1977, denominada Foreign Corrupt Practices Act (FCPA).
A referida lei restringiu-se a sociedades annimas por aes, registradas sob o
pargrafo 12 da Lei de Mercado de Capitais publicada em 1934 (Securities and
Exchange Act), sobre a esteira do grande crash do mercado de capitais em 1929. A
motivao embrionria desta lei foi relacionada a subornos de funcionrios estrangeiros
por empresas de capital aberto (public listed companies) e, atravs de especificaes e
prescries de controle interno exigidas destas empresas, visou-se reduzir o risco de
ocorrncia de pagamentos ilegais ou questionveis no exterior (no-conformidades).
As empresas, sob esta lei, foram obrigadas a criar, implementar e manter
sistemas de controle que oferecessem garantias razoveis de que as transaes fossem
registradas em conformidade com os princpios contbeis geralmente aceitos (PCGA ou
GAAP), e que seus ativos fossem devidamente contabilizados, assim como os
respectivos acessos aos ativos devidamente controlados.
Em virtude desta lei, a sociedade norte-americana e mais especificamente os
stakeholders envolvidos na sua implementao - contadores, auditores, administradores
e empresas - iniciaram estudos para estabelecer padres de processos de controles
internos razoveis.
Os auditores independentes, por intermdio de seu Instituto - American Institute
of Certified Public Accountants (AICPA), em seu Statement of Auditing Standard 55
(SAS 55), de abril de 1988, pregavam que a administrao deveria estabelecer uma
estrutura de controle interno composta por trs elementos bsicos: ambiente de controle,
sistema contbil e procedimentos de controle. Um estudo legendrio a esse respeito foi
realizado pela Treadway Commission da National Commission on Fraudulent Financial
Reporting, a partir de 1985.
Recomendado pela Treadway Commission, no sentido de desenvolver-se uma
definio comum de controle interno com as diretrizes processuais adequadas ao
acompanhamento desse controle interno, criou-se o Comit das Organizaes
Patrocinadoras - Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission
(COSO), em 1985.
Sendo assim, o COSO (Committee of Sponsoring Organizations of the
Treadway Commission Comit das Organizaes Patrocinadoras) surgiu a partir da
preocupao de algumas entidades norte-americanas de auditoria e administrao com a
ocorrncia de fraudes nas demonstraes contbeis de empresas de grande vulto. Seu
principal foco era no controle interno das organizaes.
O COSO uma entidade sem fins lucrativos, dedicada melhoria dos
relatrios financeiros atravs da tica, efetividade dos controles internos e adoo das
melhores prticas de governana corporativa, cujo objetivo auxiliar as entidades
empresariais e demais organizaes a avaliar e aprimorar seus sistemas de controle
interno.
Levando em considerao outro enfoque, podemos considerar que o risco
tudo aquilo que foge ao nosso planejamento. Entende-se como uma variao ao que foi
inicialmente planejado, a possibilidade de que algo no venha a dar certo devido a
ocorrncia de situaes desfavorveis ou no conformidades. Envolve aspectos
qualitativos e quantitativos das incertezas em relao s perdas/ganhos e aos rumos dos
acontecimentos planejados.
Dessa forma, o foco na gesto de riscos corporativos est relacionado com
eventos que possam afetar o alcance de objetivos organizacionais e tambm com a parte
preventiva, a modelagem de sistemas de controles internos.
Ao implementarmos nas organizaes uma estrutura voltada para a gesto
global de riscos recomendvel como preveno a utilizao de estruturas de controles
internos com base nos modelos COSO 1 (Internal Control Framework) e COSO 2
(Enterprise Risk Management-ERM), os quais vou abordar a partir de agora.
O modelo de controle interno COSO 1 aborda as necessidades e expectativas
da gesto organizacional e apresenta uma modelagem comum para sistemas de controle
interno, a qual possa servir de base para as organizaes em geral. Procura fornecer um
referencial contra o qual as organizaes grandes ou pequenas, pblicas ou privadas,
com fins lucrativos ou no possam avaliar os seus sistemas de controle e determinar
como melhorar seu desempenho.
No modelo COSO 1 o controle interno definido como um processo
conduzido pela diretoria de uma entidade ou administrao, gesto ou pessoa, destinado
a fornecer uma garantia razovel quanto concretizao dos objetivos organizacionais
nas seguintes categorias:
[Link] e eficincia nas operaes;
[Link] nos relatrios financeiras; e
[Link] s leis e regulamentos aplicveis (compliance).
Continuando, o modelo COSO 1 aborda o controle interno como um processo
estabelecido pela Diretoria ou Conselho de Administrao, configurado para
proporcionar razovel segurana de que cinco componentes, derivados da forma como
esto integrados com o processo de gesto organizacional, sejam observados: ambiente
de controle; avaliao de risco; procedimentos de controle; informao e comunicao;
e monitoramento.
O primeiro componente do modelo COSO 1, ambiente de controle, define a
forma como uma organizao influencia a conscincia de controle dos seus funcionrios
e como estabelece uma filosofia de tratamento dos riscos corporativos. a base para
todos os outros componentes do processo de controle interno, proporcionando disciplina
e estrutura adequada.
Os fatores relacionados com o ambiente de controle incluem a integridade e
valores ticos; a competncia das pessoas da entidade; o estilo operacional; aspectos
relacionados com a gesto; e a forma de atribuio de autoridade e responsabilidade.
A postura da alta administrao, representada pela Diretoria ou Conselho de
Administrao, desempenha papel determinante para o ambiente de controle, ao deixar
claro para seus comandados quais so as metas, as polticas, os procedimentos e o
cdigo de conduta a serem adotados. O importante que tais informaes sejam claras a
todos os componentes da organizao. Cabe ressaltar que se a entidade no possui
objetivos e metas bem estabelecidas no haver a necessidade de controles internos.
Cabe ressaltar que as pessoas nem sempre executam suas tarefas de uma forma
uniforme e consistente, em virtude de suas experincias e habilidades tcnicas
especficas. Portanto, devem conhecer suas responsabilidades e seus limites de
autoridade. Para isso, necessrio que exista uma relao clara entre as atribuies de
cada um e a forma pela qual as atribuies so realizadas.
Em relao avaliao dos riscos, segundo componente, as organizaes
cotidianamente enfrentam uma srie de riscos provenientes de fontes externas e
internas, chamados de ameaas e fatores de fraqueza, os quais devem ser avaliados,
semelhante a elaborao de uma matriz SWOT1. A referida avaliao consiste na
identificao e anlise dos riscos relevantes para o alcance dos objetivos, formando uma
base para determinar como os riscos devem ser geridos.
Uma condio prvia para avaliao dos riscos o estabelecimento dos
objetivos organizacionais, indicado no primeiro componente, ambiente de controle,
associado aos diferentes nveis e situaes organizacionais. A avaliao de riscos
funciona como uma avaliao das condies internas, externas e previses futuras da
organizao, em algumas situaes implementadas pelas auditorias interna e externa.
As atividades de controle, terceiro componente, so as polticas e
procedimentos que ajudaro a garantir a realizao das diretivas da gesto e no
ocorrncia de situaes desfavorveis e no-conformidades. As atividades de controle
ajudam a assegurar que as aes necessrias sejam tomadas, no momento e proporo
adequada, para neutralizao dos riscos, contribuindo dessa forma para a realizao dos
objetivos da organizao.
As atividades de controle ocorrem em toda a organizao, em todos os nveis e
em todas as funes. Possui como referncia uma gama de atividades, incluindo as
aprovaes, autorizaes, verificaes, reconciliaes, monitoramento, revises sobre o
desempenho operacional, segregao de funes, culminando na proteo de ativos.
As atividades de controle funcionam como parties de um sistema de controle
maior, possuindo importncia estratgica ao manter as organizaes nos trilhos e rumos
pretendidos.
Continuando, as informaes pertinentes, quarto componente, devem ser
identificadas, capturadas e transmitidas em formato e prazos que permitam s pessoas
conduzir suas tarefas e responsabilidades da forma mais adequada. Para isso, os
sistemas de informao devero produzir relatrios gerenciais contendo informaes

1
uma ferramenta utilizada para fazer anlise de cenrio ou de ambiente, sendo usada como base para gesto e
planejamento estratgico de corporaes ou empresas. A elaborao da matriz SWOT visa explicitar as interaes
relevantes entre as oportunidades e ameaas, pontes fortes e pontos fracos, que serviram de base para identificao
dos principais objetivos estratgicos.
econmicas, financeiras, fsicas e de produtividade, que possibilitaro o planejamento,
controle e tomada de deciso.
Por fim, as atividades de monitoramento, quinto componente, incluem a
observao dos sistemas de controle interno, atravs de processos que possam avaliar a
qualidade do seu desempenho ao longo do tempo e efetividade. Isto conseguido
atravs de atividades de monitorao em curso, avaliaes em separado, ou a
combinao de ambas as situaes.
Em relao aos papis e responsabilidades inerentes observao dos cinco
componentes acima citados, o modelo COSO 1 ensina que, nas organizaes, a gerncia
de nvel intermedirio a responsvel perante o Conselho de Administrao pelo
acompanhamento desses cinco componentes. Ao selecionar os gestores, o conselho de
administrao exerce um papel importante na definio do que o mesmo espera em
relao integridade e valores ticos, passando a confirmar suas expectativas atravs da
fiscalizao de suas atividades.
Em 2001 o COSO iniciou estudos com o objetivo de desenvolver uma estrutura
que fosse prontamente utilizvel pelos administradores para avaliar e melhorar o
gerenciamento dos riscos numa organizao, independente de seu porte. Os estudos
deram origem ao Enterprise Risk Management-ERM (Gerenciamento Corporativo de
Riscos), o modelo COSO 2, considerado estrutura mais abrangente em relao gesto
de riscos corporativos com terminologia comum, mas que no possui a pretenso de
substituir o modelo COSO 1 (Internal Control Framework). Na prxima aula veremos
com mais detalhes a modelagem COSO 2 e a resoluo dos exerccios abaixo.
Por hoje s. Caso queiram entrar em contato para dirimir dvidas meu email
[Link]@[Link]. Abrao a todos!

Exerccios
1- (Auditor PETROBRAS - Adaptada) Os objetivos de um sistema de controle interno
so, EXCETO:
a) Obteno de informao adequada.
b) Estimulao do respeito e da obedincia s polticas da administrao.
c) Proteo dos ativos.
d) Promoo da eficincia e eficcia operacional.
e) busca de possveis erros e fraudes na organizao objeto dos trabalhos;

2- (Auditor Jnior-PETROBRAS 2008) A metodologia estabelecida pelo COSO


(Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission) foi concebida
com a finalidade de auxiliar na gesto empresarial, estabelecendo um padro de
melhores prticas de controles internos. Os cinco componentes bsicos definidos pelo
COSO (1a Edio) devem estar alinhados para atender os objetivos ligados a:
a) produtividade operacional, transparncia e confiabilidade dos relatrios gerenciais e
melhoria no ambiente de controle.
b) eficincia no processo de gesto de riscos, capacitao operacional e transparncia da
alta administrao.
c) conformidade legal (compliance), eficincia na avaliao de riscos e transparncia na
comunicao interna.
d) eficcia e eficincia das operaes, confiabilidade nas demonstraes financeiras e
cumprimento de leis e normas (compliance).
e) confiabilidade no ambiente de controle interno, capacitao e treinamento de pessoal
e agilidade nos fluxos e processos internos.

3- (Auditor Jnior-PETROBRAS 2010) Uma das metodologias aceitas pelo mercado


para estruturar o sistema de controles internos o COSO (Committee of Sponsoring
Organizations of the Treadway Commission). O COSO, em sua primeira verso, dividiu
a estrutura de controle interno em cinco componentes interrelacionados, entre os quais
esto o ambiente de controle e a avaliao de riscos. A esse respeito, considere os
componentes a seguir:
I - Comit de auditoria
II - Atividades de controle
III - Informao e comunicao
IV - Monitoramento
V - Reviso de desempenho
Alm dos dois componentes mencionados, constituem a estrutura de controle interno do
COSO os componentes:

a) I, II e III.
b) I, II e V.
c) I, IV e V.
d) II, III e IV.
e) III, IV e V.

4- (Auditor PETROBRAS- Adaptada) Pelo modelo COSO o controle interno um


processo constitudo de alguns elementos inter-relacionados e presentes em
praticamente todos, conforme descrito abaixo, EXCETO:
a) Ambiente de controle;
b) Avaliao e gerenciamento de riscos;
c) eficcia e eficincia de operaes
c) Atividades de controle;
d) informao e comunicao;

5- Em relao aos enunciados abaixo, marque certo (C) ou errado (E):

a) (Auditor PETROBRAS- Adaptada) O modelo COSO, indicado para prticas de


controle interno um modelo de estrutura de controles internos orientado para o
entendimento e o gerenciamento dos riscos associados, alm de assegurar a integridade
da informao e dos sistemas de informao ( )
b) (Auditor PETROBRAS- Adaptada) O modelo COSO recomenda que a avaliao do
processo de controle interno deve ser pontual ao longo do tempo, podendo ser mensal,
trimestral ou anual. O modelo estabelece ainda que um sistema de controle interno deve
conter cinco componentes inter-relacionados: Ambiente de Controle; Avaliao de
Riscos; Atividade de Controle; Informao e Comunicao; e Monitoramento ( )

Referencial Terico

COMMITTEE OF SPONSORING ORGANIZATIONS OF THE TREADWAY


COMMISSION. Enterprise risk management. Recuperado em 20 de abril, 2010, de
<[Link]

COMMITTEE OF SPONSORING ORGANIZATIONS OF THE TREADWAY


COMMISSION. Internal control: integrated framework. 1994. (Two-volume edition).
Disponvel em: <[Link]
Acesso em: 14 dez. 2009.

ROSA, Jorge R.P. Gesto de Controles Internos, Sarbanes e Governana


Corporativa. Universidade Federal Fluminense - UFF, PGCA- 2008;

ZONATTO, V; BEUREN, I. Evidenciao da gesto de riscos do COSO (2004) nos


relatrios de administrao de empresas com ADRs. Contabilidade, Gesto e
Governana - Braslia v. 12 n. 3 p. 38 - 54 set/dez 2009.

Congratulações, estimado leitor! É muito bom poder estar aqui novamente. 
Este tópico tem como objetivo abordar, de forma c
realizado pela Treadway Commission da National Commission on Fraudulent Financial 
Reporting, a partir de 1985. 
Recomendado
com fins lucrativos ou não – possam avaliar os seus sistemas de controle e determinar 
como melhorar seu desempenho.  
No mod
Em relação à avaliação dos riscos, segundo componente, as organizações 
cotidianamente enfrentam uma série de riscos provenie
econômicas, financeiras, físicas e de produtividade, que possibilitarão o planejamento, 
controle e tomada de decisão. 
Por f
melhores práticas de controles internos. Os cinco componentes básicos definidos pelo 
COSO (1a Edição) devem estar alinhados
b) (Auditor PETROBRAS- Adaptada) O modelo COSO recomenda que a avaliação do 
processo de controle interno deve ser pontual ao

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