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Reflexões sobre a Imortalidade de Kundera

O documento discute a imortalidade e como as pessoas lidam com a aproximação da morte ao longo da vida. A memória e a identidade são afetadas quando a morte passa de distante para próxima. No final da vida, as pessoas se preocupam menos com a imortalidade e mais com a beleza do presente.

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Reflexões sobre a Imortalidade de Kundera

O documento discute a imortalidade e como as pessoas lidam com a aproximação da morte ao longo da vida. A memória e a identidade são afetadas quando a morte passa de distante para próxima. No final da vida, as pessoas se preocupam menos com a imortalidade e mais com a beleza do presente.

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Milan Kundera

A Imortalidade.

O sorriso e o gesto eram cheios de seduo, ao passo que o rosto e o corpo j


nada de sedutor tinham. Era a seduo de um gesto afogado na no-seduo do corpo.
Mas a mulher embora devesse saber que deixara de ser bela, esquecera-o nesse instante.
Numa certa parte de ns mesmos, todos vivemos para alm do tempo. Talvez s
tomemos conscincia da nossa idade em certos momentos excepcionais, permanecendo
sem-idade a maior parte do tempo.

O gesto no revelou de maneira nenhuma uma essncia da senhora, deveramos


antes dizer que a senhora me revelou a seduo de um gesto. Porque no podemos
considerar um gesto nem como propriedade de um indivduo, nem como criao sua
( ningum tem o poder de criar um gesto prprio, inteiramente original e s seu ), nem
mesmo como seu instrumento; o contrrio que verdade: so os gestos que se servem
de ns; somos os seus instrumentos, as suas marionetas, as suas encarnaes.

Agns lembrou-se que outrora, na sua infncia, se sentia fascinada pela ideia de
que Deus a via e a via sem trguas. Fora, sem dvida , ento que sentira pela primeira
vez essa volpia, essa estranha delcia que os seres humanos experimentam ao serem
vistos, vistos contra vontade, vistos nos momentos de intimidade, vistos e violados pela
viso. A me dela, que era crente, dizia-lhe Deus v-te esperando faz-la perder assim
o hbito de mentir, de roer as unhas e de meter os dedos no nariz, mas era o contrrio
que se passsava: era precisamente quando se entregava aos seus maus hbitos, ou nos
seus momentos de vergonha, que Agns imaginava Deus e lhe mostrava o que fazia.
Pensou na irm da rainha de Inglaterra e disse para consigo que hoje em dia o olho
de Deus fora substitudo pela mquina fotogrfica. O olho de um s fora substitudo
pelos olhos de todos. A vida transformara-se numa nica e vasta orgia colectiva em que
toa a gente participava. Toda a gente pode ver numa praia tropical a princesa de
Inglaterra a festejar nua o seu aniversrio. Aparentemente, a mquina fotogrfica s se
interessa pelas pessoas clebres, mas basta que um avio se despenhe junto de ns, que
nos irrompam chamas da camisa, para que nos tornemos clebres e sejamos includos na
orgia geral que nada tem a ver com o prazer, mas anuncia solenemente que j ningum
pode esconder-se em parte nenhuma e que cada um est merc de todos os outros.

(...) a sua generosidade para com os mendigos tinha um fundo negativo: Agns
d-
- lhes esmola no por eles fazerem parte do gnero humano, mas por lhe serem
estranhos, por eles estarem excludos e, provavelmente, tal como ela, dele se
dessolidarizarem.
A no-solidariedade com o gnero humano: sim, ela isso mesmo. E s uma coisa
a poderia arrancar a esse alheamento: o amor concreto por um homem concreto. Se
amasse deveras algum, o destino dos outros deixaria de lhe ser indiferente, uma vez que
o bem-amado dependeria desse destino, dele faria parte; e ela, a partir de ento, j no
poderia ter a sensao de que os sofrimentos das pessoas, as suas guerras e as suas
frias, nada tm a ver com ela.

(...) havia algum tempo j que a perseguia a ideia de que o seu amor por Paul
assentava apenas numa vontade: na vontade de o amar; na vontade de ter um casamento
feliz. Se esta vontade afrouxasse por um instante, o amor bateria asas como um pssaro
que apanha a gaiola aberta.
uma hora da manh, Agns e Paul despem-se. Qualquer deles ficaria
extremamente embaraado se tivesse de descrever o modo como o outro se despe e os
gestos que adopta ao faz-lo. H muito tempo j que no se olham. O aparelho da
memria est desligado, j no regista nada do que vem antes de se deitarem na cama
comum.
A cama comum: o altar do casamento; e quem diz altar diz tambm sacrifcio.
aqui que eles se sacrificam mutuamente: ambos tm dificuldade em adormecer e a
respirao de um desperta o outro: cada um deles se chega para o seu lado da cama,
deixando um largo vazio no meio; um simula o sono na esperana de permitir ao outro
que adormea, (...). Infelizmente, o outro nada ganhar com isso, ocupado que est
igualmente (por razes iguais) a simular o sono, evitando mexer-se.

(...) toda a sua vida em comum (j vinte anos de vida em comum) assenta na
iluso do amor, numa iluso que ambos cultivam e alimentam com solicitude1.

Perante a imortalidade, as pessoas no so iguais. Temos de distinguir a pequena


imortalidade, recordao de um homem no esprito dos que o conheceram, e a grande
imortalidade, recordao de um homem no esprito dos que no o conheceram. H
carreiras que confrontam, imediatamente, um homem com a grande imortalidade, sem
dvida incerta, ou at improvvel, mas incontestavelmente possvel: so as carreiras de
artista e de homem de Estado.

(...) Mitterrand queria parecer-se com os mortos, no que deu provas de


sabedoria maior, porque, formando a morte e a imortalidade um par de amantes
inseparveis, aquele cujo rosto se confunde com o rosto dos mortos imortal estando
ainda em vida.

At certo momento a morte uma coisa demasiado distante para nos ocuparmos
dela. no-vista, no-visvel. a primeira fase da vida, a mais feliz.
Depois, de sbito, vemos a nossa prpria morte nossa frente e -nos impossvel
afast-la do nosso campo visual. A morte est connosco.

Aps esta segunda fase da vida, em que o homem no consegue tirar os olhos da
morte, chega uma terceira, a mais breve e mais secreta, da qual muito pouco se sabe e
nunca se fala. As suas foras declinam e uma fadiga desarmante toma conta do homem.
Fadiga: silenciosa ponte que leva da margem da vida margem da morte. A morte est
to prxima que se torna aborrecido olhar para ela. Como outrora, volta a ser no-vista
e no-visvel. No-vista, como os objectos demasiado familiares, demasiado conhecidos.
O homem fatigado olha pela janela e contempla a folhagem das rvores cujos nomes vai
pronunciando mentalmente: castanheiro, lamo, cer. Estes nomes so to belos como o
prprio ser. (...) A imortalidade uma iluso irrisria, uma palavra oca, um sopro de
vento que perseguimos com uma rede de apanhar borboletas, quando comparada com a
beleza do lamo que o homem velho e fatigado v da janela. A imortalidade o homem
velho e fatigado j no se importa com ela.

Contamos com a imortalidade e esquecemo-nos de contar com a morte.

E como tudo o que ficou de Marx j no forma qualquer sistema lgico de


ideias, mas apenas uma sequncia de imagens e de emblemas sugestivos (o operrio que
sorri empunhando o martelo, o Branco dando a mo ao Amarelo e ao Negro, a pomba da
1
Qualidade de solcito;cuidado;desvelo;carinho;diligncia;considerao;delicadeza.
paz que levanta voo, etc.), podemos falar com propriedade de uma transformao
progressiva, geral e planetria da ideologia em imagologia.
Imagologia! Quem ter sido o primeiro a forjar este neologismo magistral? Paul ou
eu? No importa. O que conta que existe finalmente uma palavra que permite reunir
debaixo de um s tecto fenmenos com denominaes to diferentes: agncias
publicitrias; conselheiros de comunicao dos homens de Estado; desenhadores que
projectam a linha de um novo carro ou equipamento de uma sala de ginstica; criadores
de moda e grandes costureiros; cabeleireiros; estrelas do show business que ditam as
normas da beleza fsica, nas quais se inspiraro todos os diversos ramos da imagologia.
Os imaglogos existiam, bem entendido, antes da criao das poderosas
instituies que hoje conhecemos. O prprio Hitler teve o seu imaglogo pessoal que, de
p diante do Fuhrer, lhe indicava pacientemente os gestos que ele devia efectuar na
tribuna para suscitar o xtase das multides. Mas se esse imaglogo, no decurso de uma
entrevista concedida a um jornalista qualquer, tivesse descrito aos alemes um Fuhrer
incapaz de mover correctamente as mos, no teria sobrevivido metade de um dia a
semelhante indiscrio. Hoje, o imaglogo j no dissimula o seu trabalho, pelo
contrrio, adora falar dele, muitas vezes em lugar e em nome do seu homem de Estado;
adora explicar publicamente tudo o que tentou ensinar ao seu cliente, os maus hbitos
que lhe fez perder, as instrues que lhe deu, as palavras de ordem e as frmulas que o
far utilizar no futuro, as gravatas que o far usar. Tamanho orgulho nada tem que deva
surpreender-nos: a imagologia obteve, no decurso das ltimas dcadas, uma vitria
histrica sobre a ideologia.

A palavra transformao, to cara nossa Europa, assumiu um sentido novo: j


no significa uma nova fase numa evoluo contnua (no sentido de um Vico, de um
Hegel ou de um Marx), mas a deslocao de um lugar para o outro, do lado esquerdo
para o lado direito, do lado direito para trs, de trs para o lado esquerdo (no sentido
dos grandes costureiros que inventam a linha da prxima temporada).

Milan Kundera

A Lentido

H um elo secreto entre a lentido e a memria, entre a velocidade e o


esquecimento. Evoquemos uma situao extremamente banal: um homem caminha na
rua. De repente, quer lembrar-se de qualquer coisa, mas a lembrana escapa-lhe.. Nesse
momento, maquinalmente, o homem atrasa o passo. Pelo contrrio, algum que queira
esquecer um incidente penoso que acaba de viver acelera sem dar por isso o ritmo da sua
marcha como se quisesse afastar-se depressa do que, no tempo, lhe est ainda demasiado
perto.
Na matemtica existencial, esta experincia assume a forma de duas equaes
elementares: o grau da lentido directamente proporcional intensidade da memria; o
grau da velocidade directamente proporcional intensidade do esquecimento.

Ser um eleito uma noo teolgica que quer dizer: sem mrito algum, atravs de
um veredicto sobrenatural, de uma vontade livre, seno caprichosa, de Deus, -se
escolhido para qualquer coisa de excepcional e de extraordinrio. (...)
O sentimento de se ser eleito est presente, por exemplo, em toda a relao
amorosa. Porque o amor, por definio, um dom no merecido; ser-se amado sem
mrito justamente a prova de um amor verdadeiro. Se uma mulher me diz: amo-te por-
que s inteligente, porque s honesto, porque me ds presentes, porque no andas no
engate, porque lavas a loua, sinto-me decepcionado; este amor tem o ar de ser qualquer
coisa de interessado. muito mais bonito ouvir: estou louca por ti apesar de tu no seres
nem inteligente nem srio, e embora sejas mentiroso, egosta e safado.

(...) Vincent enlaa Julie, beija-a, apalpa-lhe os seios, contempla a sua delicada
beleza de fada e, entretanto, sem parar, imagina-lhe o olho do cu. Est com uma vontade
imensa de lhe dizer: Estou a fazer-te festas nos seios mas s penso no teu olho do cu.
Mas no consegue, a frase no lhe sai da boca para fora. Quanto mais pensa no olho do
cu dela, mais Julie se torna branca, transparente e anglica, de tal maneira que se
transforma numa impossibilidade proferir semelhantes palavras em voz alta.
(...)
O olho do cu. Tambm podemos diz-lo de outro modo como Guillaume
Apollinaire: a nona porta do teu corpo. O poema dele sobre as nove portas do corpo da
mulher existe em duas verses: a primeira, enviou-a o poeta sua amante Lou, numa
carta escrita cias trincheiras no dia 11 de Maio de 1915, a outra, enviou-a do mesmo
local a uma outra amante, Madeleine, no dia 21 de Setembro do mesmo ano. Os poemas,
ambos belos, diferem pela imaginao mas foram compostos da mesma maneira: cada
estrofe consagrada a uma das portas do corpo da bem-amada: um olho, o outro olho,
um ouvido. o outro ouvido, a narina direita, a narina esquerda, a boca, a seguir, no
poema para Lou, a porta da tua garupa e, finalmente, a nona porta, a vulva. Contudo,
no segundo poema, o poema para Madeleine, sobrevm no final uma curiosa troca de
portas. A vulva recua para o oitavo lugar e olho do cu abrindo-se entre duas
montanhas de prola que ser a nona porta: ainda mais misteriosa do que as outras, a
porta dos sortilgios de que no ousamos falar, a suprema porta.
(...) o olho do cu o ponto miraculoso em que se concentra toda a energia nuclear
da nudez. A porta da vulva importante, claro (claro, quem se atreveria a neg-lo?), mas
demasiado oficialmente importante, local registado, classificado, controlado, comentado,
examinado, experimentado, vigiado, cantado, celebrado. A vulva: encruzilhada
clamorosa onde se encontra a humanidade aos ladridos, tnel por onde passam as
geraes. S os tolos se deixam convencer da intimidade desse local, o mais pblico de
todos. O nico local verdadeiramente ntimo, perante cujo tabu at os filmes
pornogrficos se inclinam, o olho do cu, a porta suprema; suprema porque a mais
misteriosa, porque a mais secreta.
(...)
Situao difcil aquela em que s podemos falar de uma coisa e em que ao mesmo
tempo no estamos em condies de falar dela: o olho do cu improferido fica na boca de
Vincent como uma mordaa que o emudece. Olha para o cu como se nele buscasse
socorro. E o cu acode-lhe: envia-lhe a inspirao potica; Vincent exclama: Olha! e
faz um gesto na direco da lua como um olho do cu rasgado no cu!
(...) Vincent no capaz de falar das suas belas obsesses libertinas a no ser
liricizando-as; transformando-as em metforas. Sacrifica assim o esprito de libertinagem
ao esprito de poesia. E quanto ao olho do cu, transporta-o de um corpo de mulher para
o cu.
Milan Kundera

A Ignorncia

No via ela uma desproporo gritante entre a insignificncia da causa e a


enormidade do acto? No sabia que o seu projecto era um excesso? Sim, mas era
precisamente o excesso que a atraa. No queria ser razovel. No queria comportar-se
de uma maneira comedida. No queria medir, no queria raciocinar. Admirava a sua
paixo, sabendo que a paixo, por definio, excesso. Embriagada, no queria sair da
embriaguez.

A vida do homem dura em mdia oitenta anos. contando com esta durao que
cada um imagina e organiza a sua vida. O que acabo de dizer uma coisa que toda a
gente sabe, mas raramente nos damos conta de que o nmero de anos que nos
atribudo no um simples dado quantitativo, uma caracterstica exterior (como o
comprimento do nariz ou a cor dos olhos), mas faz parte da prpria definio do homem.
Algum que pudesse viver, com toda a sua fora, duas vezes mais tempo, portanto,
digamos, cento e sessenta anos, no pertenceria mesma espcie que ns. J nada seria
semelhante na sua vida, nem o amor, nem as ambies, nem os sentimentos, nem a
nostalgia, nada.

(...) sem correr grande risco de me enganar, posso supor que a memria no
guarda mais que um milionsimo, um bilionsimo, em suma, uma parcela perfeitamente
nfima da vida vivida. Tambm isto faz parte da essncia do homem. Se algum pudesse
reter na sua memria tudo o que viveu, se pudesse a qualquer momento evocar fosse que
fragmento do seu passado fosse, nada teria a ver com os humanos: nem os seus amores,
nem as suas amizades, nem as suas cleras, nem a sua faculdade de perdoar ou de se
vingar se assemelhariam aos nossos.
(...) Porque que pode esta (a memria humana) pobre dela, na verdade? No
capaz de reter do passado mais que uma miservel parcelazinha, sem que ningum saiba
por que motivo justamente esta e no outra, uma vez que tal escolha, em cada um de
nos, se faz misteriosamente, margem da nossa vontade e dos nossos interesses. Nada se
compreender da vida humana enquanto se persistir em escamotear a primeira de todas
as evidncias: uma realidade, tal como existia quando existia, j no existe; a sua
restituio impossvel.

Imagino a emoo de dois seres que voltam a ver-se passados anos. Outrora,
frequentaram-se e pensam por isso estar ligados pela mesma experincia, pelas mesmas
recordaes. As mesmas recordaes? aqui que o mal-entendido comea: no tm as
mesmas recordaes; os dois guardam do passado duas ou trs pequenas situaes, mas
cada um tem as suas; as suas recordaes no so parecidas; no se encontram; e nem
sequer quantitativamente so comparveis: um recorda-se do outro mais que o outro se
recorda dele; primeiro porque a capacidade de memria difere de um indivduo para
outro (o que seria ainda uma explicao aceitvel para cada um deles), mas tambm (e
mais penoso admiti-lo) porque no tm a mesma importncia um para o outro. Quando
Irena viu Josef no aeroporto, lembrava-se de cada pormenor da aventura passada de
ambos; Josef no se lembrava de nada. Desde o primeiro segundo, o seu encontro
assentava numa desigualdade injusta e revoltante.

Discutia com os maiores de entre os alemes, com Bach, com Goethe, com
Brahms, com Mahler, mas por mais inteligentes que sejam, as discusses travadas nas
altas esferas do esprito so sempre mopes perante o que, sem razo nem lgica, se
passa em baixo: dois grandes exrcitos batem-se at morte por causas sagradas; mas
ser uma minscula bactria de peste que os esmagar a ambos.
(...) Como j se disse, vivia nas altssimas esferas do esprito, e o orgulho impedia-
o de levar a srio um inimigo to pequeno, to vulgar, to repugnante, to desprezvel.

Milan Kundera

A Identidade

Os sonhos impem uma inaceitvel igualdade entre as diferentes pocas de uma


mesma vida, uma contemporaneidade niveladora de tudo o que o homem alguma vez
viveu; desconsideram o presente negando-lhe a sua posio privilegiada .

Milan Kundera
A Imortalidade.
“ O sorriso e o gesto eram cheios de sedução, ao passo que o rosto e o corpo já
nada de sedutor
É  uma  hora  da  manhã,  Agnès  e  Paul  despem-se.  Qualquer  deles  ficaria
extremamente  embaraçado se tivesse de descrev
paz que levanta voo, etc.),  podemos falar com propriedade de uma transformação
progressiva, geral e planetária da ideologia
O sentimento de se ser eleito está presente, por exemplo, em toda a relação
amorosa. Porque o amor, por definição, é um dom n
Milan Kundera
A Ignorância
Não  via ela uma desproporção  gritante  entre  a insignificância da  causa e a
enormidade do acto
passa em baixo: dois grandes exércitos batem-se até à morte por causas sagradas; mas
será uma minúscula bactéria de peste que

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