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Síntese RReis Exame

Este documento resume um poema de Ricardo Reis. O poema expressa uma filosofia estoica sobre a brevidade da vida e a indiferença perante os valores humanos. Faz uso da primeira pessoa do plural para descrever um destino comum a todos os homens e da primeira pessoa do singular para evocar a experiência individual da fugacidade da vida.

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Isabel Vaz
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Síntese RReis Exame

Este documento resume um poema de Ricardo Reis. O poema expressa uma filosofia estoica sobre a brevidade da vida e a indiferença perante os valores humanos. Faz uso da primeira pessoa do plural para descrever um destino comum a todos os homens e da primeira pessoa do singular para evocar a experiência individual da fugacidade da vida.

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S o ter flores pela vista fora

1. Explicite trs traos da filosofia de vida exposta nas quatro primeiras estrofes.
Fundamente a resposta com transcries pertinentes.

Nas quatro primeiras estrofes, exposta uma filosofia de vida que se caracteriza
por:
um gosto pela fruio esttica da natureza S o ter flores pela vista fora /
Nas leas largas dos jardins exatos / Basta para podermos / Achar a vida leve.
(vv. 1-4);
uma escolha da serenidade, o que conduz a uma atitude contemplativa De
todo o esforo seguremos quedas / As mos, brincando, pra que nos no tome /
Do pulso, e nos arraste. (vv. 5-7);
uma atitude epicurista, que valoriza o prazer moderado Buscando o mnimo
de dor ou gozo, / Bebendo a goles os instantes frescos, (vv. 9-10);
uma conscincia da brevidade da vida, que conduz ao desejo de fruio do
momento presente (carpe diem) As rosas breves, os sorrisos vagos, / E as
rpidas carcias (vv. 14-15).

2. Justifique o recurso primeira pessoa do plural ao longo do poema.

O sujeito potico expe um conjunto de normas que devem ser seguidas por
todas as pessoas de modo a facilitar a vida humana e a aligeirar a dor provocada
pelo facto de a vida ser efmera.
Neste sentido, o uso da primeira pessoa do plural que surge nas formas verbais
podermos (v. 3),
seguremos (v. 5), vivamos (v. 8), escolhermos (v. 19), fomos (v. 19),
formos (v. 21) e no
pronome pessoal nos (vv. 6 e 7) decorre de uma atitude normativa (ou
exortativa) assumida pelo
sujeito potico, includo nessa primeira pessoa do plural.

3. De acordo com o contedo das trs ltimas estrofes, explique o modo como o
sujeito potico perspetiva a morte.

O sujeito potico perspetiva a morte de acordo com a conceo prpria da


antiguidade clssica, evidente:
na ideia de que a vida humana comandada pelo Destino, ou pelas Parcas, e
de que as almas
atravessam o rio Estige e chegam aos Infernos, ptria de Pluto (vv. 21-28);
na aceitao da morte, momento a que se deve chegar sem apego a nada e
apenas recordando o que foi agradvel, para que o sofrimento no seja to
penoso atitude estoica (vv. 17-20).
VER Exame 2013 - 1 fase

2007 - 2 fase

Prefiro rosas, meu amor, ptria,


E antes magnlias amo
Que a glria e a virtude.

Logo que a vida me no canse, deixo


Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.

Que importa quele a quem j nada importa


Que um perca e outro vena,
Se a aurora raia sempre,

Se cada ano com a primavera


Aparecem as folhas
E com o outono cessam?

E o resto, as outras coisas que os humanos


Acrescentam vida,
Que me aumentam na alma?

Nada, salvo o desejo de indifrena


E a confiana mole
Na hora fugitiva.

Elabore um comentrio do poema que integre o tratamento dos


seguintes tpicos:
importncia das marcas do tempo;
relao simblica entre rosas-magnlias e ptria-glria-virtude;
aspectos formais e recursos estilsticos relevantes;
traos gerais da potica de Ricardo Reis.

Importncia das marcas do tempo


As marcas do tempo, relevantes ao longo do texto, indiciam a centralidade da
problemtica do
tempo no poema. Assim:
a predominncia dos verbos no presente do indicativo (Prefiro, amo,
deixo, importa,
raia, Aparecem, cessam, Acrescentam, aumentam vv. 1, 2, 4, 7, 9,
11, 12, 14 e 15),
expressando o modo de ser e a filosofia do sujeito potico marcados pela
indiferena perante o correr do tempo (deixo / Que a vida por mim passe vv.
4-5);
a representao de um tempo que flui irreversivelmente, ainda que cclico (a
aurora raia
sempre v. 9; Se cada ano com a primavera / Aparecem as folhas / E com o
outono cessam?
vv. 10-12);
a referncia hora fugitiva (v. 18) como a nica temporalidade vivenciada
pelo sujeito potico;

Relao simblica entre rosas-magnlias e


ptria-glria-virtude
Pela sua beleza fugaz e pela sua fragilidade, as flores simbolizam quer a beleza
das coisas
simples e naturais quer a fugacidade e a precariedade da vida. J ptria,
glria e virtude
correspondem a valores sociais, nobres e perenes, que conferem um sentido
elevado existncia e
em nome dos quais luta o indivduo numa tentativa de se dignificar. Descrente de
que essa busca de
valores abstractos (o resto [...] que os humanos / Acrescentam vida vv. 13-
14) enriquea a sua
existncia, o sujeito potico rejeita tal busca e opta pela dedicao ao que
efmero, belo e natural.
(Em suma, a relao simblica que se estabelece entre as flores referidas e os
valores enunciados
a de oposio entre natureza e sociedade.)

Aspectos formais e recursos estilsticos relevantes


De entre os recursos estilsticos presentes neste poema, salientam-se os
seguintes:
a apstrofe (meu amor v. 1), pondo em evidncia o destinatrio do discurso
potico;
o hiprbato (v. 2), destacando a preferncia pelo belo e efmero face aos
valores sociais e
morais;
a anfora (Logo que vv. 4 e 6), realando a atitude de indiferena do sujeito
perante a vida;
a anttese (perca vs vena v. 8; Aparecem vs cessam vv. 11-12),
salientando, por
um lado, o desinteresse do sujeito perante a derrota ou a vitria dos humanos,
e, por outro, o
carcter cclico do tempo;
a interrogao (terceiro, quarto e quinto tercetos), correspondendo a um
autoquestionamento
retrico do eu, que afirma o seu modo de encarar a vida;
a aliterao em /s/ (canse, passe, vena, Se, sempre, Se,
Aparecem, cessam,
Acrescentam, salvo, indifrena, confiana vv. 4, 5, 8, 9, 10, 11, 12,
14, 16, 17),
marcando ao longo do poema uma toada meldica surda e sibilante;

Quanto aos aspectos formais, salientam-se os a seguir indicados:


composio potica composta por seis tercetos, num total de dezoito versos;
verso branco;
estrofes constitudas por um decasslabo e dois versos de seis slabas;
regularidade mtrica na construo de todos os tercetos (primeiro verso
decassilbico e os dois
seguintes hexassilbicos);

Traos gerais da potica de Ricardo Reis

O poema revela alguns traos representativos da potica de Reis.


Exemplificando:
a afirmao de uma filosofia estico-epicurista, patente na fruio que retira do
instante e na
aceitao lcida da inevitabilidade da morte;
a preferncia pela efemeridade do presente, defendendo uma arte de viver
assente no gozo
moderado do momento (seguindo o tema horaciano do carpe diem, furtando-se a
emoes
intensas e a ideias que Nada lhe aumentam na alma vv. 16 e 15);
a atitude contemplativa, o modo de estar distanciado e impassvel, porque
ciente da fatalidade
do destino e do devir humanos;
arte potica caracterizada pelo rigor neoclssico e sua complexidade sintctica
(conforme com
a formao classicista deste heternimo de Fernando Pessoa);

2009 2 fase
Antes de ns nos mesmos arvoredos
Passou o vento, quando havia vento,

1. Explicite a relao que se estabelece entre ns e os elementos da


Natureza referidos na primeira e na segunda estrofes do poema.
A relao que se estabelece entre ns e os elementos da Natureza
caracterizada por: uma similitude de condies que decorre da participao da
mesma realidade perene (Antes de ns nos mesmos arvoredos / Passou o vento,
quando havia vento, / E as folhas no falavam / De outro modo do que hoje.
vv. 1-4; No fazemos mais rudo no que existe / Do que as folhas das rvores /
Ou os passos do vento vv. 6-8); uma dissimilitude de condies que decorre
da finitude e da transitoriedade que caracterizam o homem e a sua conscincia
do tempo (Passamos v. 5) e da conscincia da inutilidade do esforo humano
(agitamo-nos debalde v. 5).

2. Explique o sentido da terceira estrofe, tendo em conta uma das ideias


filosficas em que assenta a poesia de Ricardo Reis.

A terceira estrofe contm uma exortao fruio calma do momento,


serenidade epicurista do contacto directo com a Natureza (Tentemos pois com
abandono assduo / Entregar nosso esforo Natureza vv. 9-10), e ao desejo
nico de identificao com ela (E no querer mais vida / Que a das rvores
verdes. vv. 11-12), numa indiferena perturbao causada pela ameaa
inelutvel do Fatum.

3. Apresente uma justificao para o uso de um sujeito plural nas quatro


primeiras estrofes do poema e para o aparecimento da primeira pessoa
do singular na ltima quadra.

Nas quatro primeiras estrofes do poema, refere-se um destino comum a todos


os homens, atravs do recurso a um sujeito plural (ns v. 1, Passamos v.
5, agitamo-nos v. 5, No fazemos v. 6, Tentemos v. 9, nosso v. 10,
parecemos v. 13, ns v. 14, Nos v. 15, nos v. 16). Na ltima
quadra, evoca-se a situao particular do eu e refere-se a experincia directa
da fugacidade da vida e da passagem inexorvel do Tempo, atravs do recurso a
um sujeito singular de primeira pessoa (o meu indcio v. 17).

4. Refira o valor expressivo da interrogao retrica presente na ltima


estrofe.

Toda a ltima estrofe constituda por uma interrogao retrica que remete
para a conscincia que o eu possui da fugacidade da vida e que releva o fosso
existente entre a pequenez humana (Se aqui, beira-mar, o meu indcio / Na
areia o mar com ondas trs o apaga, vv. 17-18) e a vastido e a
inexorabilidade do Tempo (Que far na alta praia / Em que o mar o Tempo?
vv. 19-20).

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