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PL 7

Auxílios Homiléticos

Enviado por

setecelo
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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PROCLAMAR LIBERTAO

chega ao seu stimo volume


nestes cinco anos de existncia tornou-se. na opi~io de
seus leitores. uma ajuda indispens'vel para o ministrio
da pregao .

.PROCLAMAR LIBERTAO
oferece au xlios homilticos para quem tem a tarefa de
pregar dominicalmente
aborda textos bblicos previstos para quase todos os domingos e datas especiais do ano eclesistico
proporciona : introduo exegtica
reflexo e meditao contextual
esboos e sugestes para a pregao

PROCLAMAR tIBER T AO
tarefa que se inspira em Lucas 4.18

[Link]

proclamar
libertaco
AUXLIOS

HOMILTICOS
Volume

VII

SRIE DE PERCOPES IV

Editado

pela

FACULDADE DE TEOLOGIA
da Igreja Evanglica de Confisso Luterana no Brasil
em colaborao com pastores

Coordenao de

NELSON

KIRST

EDITORA SINODAL
1981

J_

1981
EDITORA SINODAL
Rua Epifnio Fogaa, 467
Caixa Postal 11 - Tel. PABX (0512) 92-2399
93000 - SO LEOPOLDO, RS

Conselho Editorial de P R O C L A M A R
WALTER AL TMANN
BALDUR VAN KAICK
PETER WEIGAND

CONTEDO

L I B E R T A O:

Direitos reservados
pela Faculdade de Teologia
da Igreja Evanglica de Confisso Luterana no Brasil.
A reproduo do todo ou cm parte
s permitida mediante autorizao
da Faculdade .de Teologia.

ISBN 85-233-0004-x

Prefcio .... ..... .... .... ....... ......... ..... ..... ... ..... .. .. .. ..... ..... .. .. .... ... .
1 Domingo de Advento: Apocalipse 5.1-14
Gottfried Brakemeier ..... ..... .... ..... ....... .
(2 DomingodeAdve"nto: lsaas63.15-16 , 19b ;64. 1-3
Nelson Kirst .... ... .... ..... .. ....................... ... .. . .. .... ........ .
4 Domingo de Advento: 2 Corntios 1.18-22
UI rico Sperb ... .. ........... .. ............ ... ...... .... ........ .
Natal: 1 Joo 3.1-3
Wilhelm

Hff~eier ...... ...... ........ .

.. ... ......... .. ... .. ..... .. .. .

1 D0mingo aps o Natal: 1 Joo 2.21-25


Wilfrid Buchweitz ... .......... ... .... ................... ..... .
Ano Novo: Josu 1.1-9
Clvis Horst Lindner ....... ... ...... .... ..... ......... ...... .
2 Domingo aps o Natal : lsaas61.1-3 , 11, 10
Hans Alfred Trein ........ ...... ... ........ .. ....... ... ... ....... .. .... .
(1 Domingo aps Epifania : 1 Corntios 1.26-31
Carlos F. R. Dreher ... ...... .... .... ... ... ............. ... ... ... .
2 Domingo aps Epifania: 1 Corntios 2.1-1 O
Dieter Knoblauch ........... .. ..... ........... .... .. ...... ....... ... .
3 Domingo aps Epifania : 2 Reis 5.1-1 9a
Edson Edlio Streck .. .... .. ... .... ....
ltimo Domingo aps Epifania : Apocalipse 1.9-18
Joachim Fischer .. ....... .... ............. ... .... .......... ..... ...... .
Domingo Septuagesimae : Jeremias 9.22-23
Harald Malschitzky ................. ... ..... ... .... .... .. ... .... ..... ..
(Domingo Sexagesimae: 2 Corntios 12.1-1 O
Wilfrid Buchweitz ... ...... .. .. ............ ...... ...... .. .... ... .........
Domingo Estomihi: Ams 5.21-24
Nelson Kilpp ..... .............. .... .. ...... .. .... ... .... ... .. .... ........ .
Domingo lnvocavit: 2 Corntios 6.1-1 O
Baldur van Kaick .... .... .. ... ................... .... .................. .
Domingo Reminiscere : Isaas 5.1-7
Lothar C. Hoch .. ........................................ .. ........ ....
Domingo Laetare: Filipenses 1 .1 2-21
Valdemar Lckemeyer .. ...... ... ........... ... .. ....... .. ..... ... ..

l/ 152)
14
21
30
36
44
V/190)
50
58
65
71
V/26)
76
82
87

95

5
4
Domingo Judica : Nmeros 21 .4-9
Edmundo Grbber ..... ........ .... ..... .... .... ... ... .. ....... .. ... .. .
(Domingo de Ramos: Isaas 50.4-9
Milton Schwantes .. ............ .......... ..... ....... ........ ... .... .. .
Quinta-leira Santa: 1 Corntios 1O.16-17
Rui Bernhard ..... .. ... ...................... .......... ..... .... ..... .... .
(Sexta-feira Santa: Hebreus 9.15, 24-28
Gottfried Brakemeier ... ......... .. ... ....... .. ..... .... .......... ... .
Domingo de Pscoa : 1 Samuel 2.1-1
Milton Schwantes ...... ... .. ..... ........ ........... ...... .
(Misericordias Domini: 1 Pedro 5.1-5
Joachim Fischer ........... ...... ............... .... ... .... .. ....... .. ..
(Domingo Jubila te : 2 Corntios 4.7-18
Nelson Kilpp ....... ....... .. .... .... .......... .. ... ....... ... ........... .
Domingo Cantate: Atos 16.23-34

Nelson Kirst ........ ... ................ .. ... ..



(Domingo Regate : Colossenses 4.2-6

101
11128)
107
11117)
113
111/38)
111178)
122

Jrgen Denker .. .. ....... ...... ..... ... ... ..



Dia da Ascenso: Apocalipse 1.4-8

V/114)

Rol! Droste ......... ................. ... .


Domingo Exaudi : Jeremias 31 .31-34 ...... ...... ................ .. ... .

131

Dario G. Schaeffer. .. ....... ...... ..... . .


Domingo Pentecostes: 1 Corntios 2.12-26 ....

141

Eugenio Araya ....... .. ..... .


(Domingo da Trindade : Efsios :3~14

150

Bertholdo Weber ... .... ..... ... ... ... .


(1 Domingo aps Trindade : Jeremias

23".1i 29

111/93)

Klaus van der Grijp ........ .. ................................... ... ... .


2 Domingo aps Trindade : 1 Corntios 14.1-3, 20-25
Berth oido Weber .. ... ... ....... ........ ... .. ....... .... ...... ...... .. ..
(4 Domingo aps Trindade: 1 Pedro 3.8-17
Rol! Dbbers ..... ......... ...... .. ................. ... ................... .
5 Domingo aps Trindade : Gnesis 12.1-4a
UI rico Meyer .. .. .. .... ........... ........ ... .. ... ....................... ..
7 Domingo aps Trindade: Filipenses 2.1-4
Augusto E. Kunert .... ...... .... ..................................... .. .
(8 Domingo aps Trindade : 1Corntios6.9-14, (15-17) 18-

11/144)
158
V/156)
165
173

20
Erhard S. Gerstenberger I Edson Edlio Streck ......... .
9 Domingo aps Trindade: Jeremias 1.4-10
Sigolf Greuel ............ ...... .. ... ..... ........ .... .... .... .......... ... .
(1 O Domingo aps Trindade: Romanos 9 .1-5; 10.1-4
Wilhelm Bsemann ...... ... ............. ..... .... ... .... .. .......... .

1/78)
184
V/185)

11 Domi ngo aps Trindade Glatas 2. 16-2 1


Kjell Nordstokke .. ...
12 Domingo aps Trindade : Atos 3. 1-1 O
Knut Robert Wellmann ...... .... .
13 Domingo aps Trindade: Gnesis 4 .1-1 6
Gnter Wolf! ..... .
... .... .. .. ....
14 Domi ngo aps Tr indad e : 1 Tessalonicenses 1 .2-1 O
Bruno Gottwald .................... .
15 Domingo aps Trindad e: Glatas 5 26-26: 6.1-3. 7-1 O
Jrgen enker ....... . .
(17 Domingo aps Tri ndade: Isaas 49.1 -6
Martin N. Dr eher ... ...... .
19 Dom ingo aps Tri ndade: Tiago 5.13-1 6
Gerd Uwe Kliewer .. .... .
(20 Domingo aps Trindade : 1 Cornt ios 7.29-32a
We rner Fuch s .. ......... ....... ... ...... . .
(2 1 Domingo aps Trindade: Jeremias 29.1, 4-1 4a
Vila r Westhelle ..
Penltimo Domi ngo do Ano Eclesistico : Apocalipse 2.8-11
Ervino Sc hmidt ... ........ ... .
Temas e te xtos tratados nos Volumes 1-Vll
Relao dos colaboradores deste volume

192

198
203
210
214
111 /130)
220
11 /46)
111/48)
228
235
243

PREFCIO

l DOMINGO DE ADVENTO
Apocal i pse

sua frente. o volume VII de PROCLAMAR LIBERTAO , que


aborda os textos previ stos na Srie IV da Ordem de Percopes . observada na Igreja Evanglica de Confisso Luterana no Brasil .
Nossos leitores regulares percebero que neste volume no
trazemos auxlios homilticos especiais (que se dedicam a temas ou
ocasies especficas) . Isto. porque boa parte de nossos autores foi requisitada para o volume de auxlios homilticos sobre o Catecismo M enor , de Lutero, que dever estar concludo proximamente . Com esse
volume especial, cujos trabalhos podero ser utilizados em 1982 , PROCLAMAR LITERTAO deseja associar-se programao comemorativa dos 500 anos do nascimento do Reformado r, que se cumpriro em
1983.
Como j aconteceu no volume VI , o ndice de contedo t raz certo nmero de referncias entre parnteses . Trata-se de textos que . pela
Ordem de Percopes revisada, localizam-se nos domingos aqui indicados. Contudo, pela Ordem antiga , os mesmos te xtos pertenciam a sries diferentes e eventualmente a outros domingos . j tendo sido abordados em outros volumes de PROCLAMAR LIBERTAO . Nas ref erncias entre parnteses apontamos. na coluna da direita . o volume e a
pgina inicial onde podem ser encontrados os respectivos au xl ios homi lticos . As mesmas referncias - porm . mais completas - retornam no corpo do livro. no lugar em que caberiam tais te xtos, de acordo
com a Serie de Percopes IV .
Como 1982 ser . assim o esperamos. ano de eleies. chamamos a ateno dos leitores para o auxlio homiletico destinado a um
"culto em poca de eleio ". no volume V, pp.337-348 . Pensando no
tema da IECLB para 1982, " Terra de Deus - Terra para Todos " . lembr amos as duas meditaes sobre o tema " Ter ra". no volume V.
pp.310-322 .
Aos autores que colaboraram neste volume . assim como aos
amigos do Conselho Editorial. expresso aqui meu ca loroso agradecimen io Que estes trabalhos levem consigo a promessa de que a pal avra no voltar vazia 1
So Leopoldo , agosto de 1981
Nelson Kirst

5 . 1-14

Gottfried Brake meier

I -

Preliminares

Te xtos apocalpticos no gozam propriamente de prestig io n~


nossa Ig reja. So de difc il acesso , e o transcendentalismo que lhes e
peculiar . parece estar em con flito com. a cosmov1sao mo~erna . Em
compensao. seitas e outros grupos rel1g1osos e~ploram ~ area abandonada . substituindo interpretao por especulaao. Que e o apocalipsismo? Profecia literal do futuro do planeta Terra? Ou produt~ abstrus~
da fantasia religiosa? A prdica sobre textos como estes nao podera
contornar a problemtica . Em muitos dos nossos membros exis te um_a
forte expectativa por saber como o Livro do Apocalipse e te xtos congeneres devem ser compreendidos.
Contudo . ser o Primeiro Domingo de Advento a oportunidade
adequada para pregar justamente sobre este texto? Advento significa
"chegada ". Deu s. em seu Filho Jesus Cristo. chega a este mundo. E I~
vem 1 Eis o assunto central da poca do Advento e do Natal. Seu sinal ~
a luz das velas. Onde o te xto de Ap 5 articula este tema? A pergunt a e
reforada pela observao de que todas as meditaes so.bre_ este texto. por ns consultadas , diziam respeito ao Domingo Ocul1. na.. Pnmeiro Domingo de Advento. No podemos declarar-nos pa rt1danos dos
que dizem ser possvel pregar sobre qualquer texto em [Link] ocasio No entanto , a dificuldade de relacionar um texto apocal1pt1co com
o Advento talvez se deva necessidade de recuperao que sentimo~
com referncia mensagem apocalptica em geral. A exegese devera
mostr8-lo . De qualquer maneira . a prdica no poder ignorar a ocasio. ou seja. o Primeiro Domingo de Advento
Finalmente, a prdica dever fazer jus situao dos ouvinte s
Esta . logicamente, ter caracteres especficos [Link]~ ar para lugar e de
pessoa para pessoa . Ainda assim, o mundo no e tao dife ren te em s1.
Ele apresenta aspectos comuns . o Brasil de 1981 em que o A_dvento
dever ser anunciado - o Brasil em sua situao difcil. lnflaao , v~o
lncia , migrao , desnvel social , insegurana pessoal e desonentaao

geral - eis apenas algumas das realidades , sob as quais sofremos e


se sof re. Que significa ai o Advento? Apesar de lembrarmos nessa
oportunidade que Jesus veio, h dois mil anos, Advento mais do que
comemorao e saudade . E, apesar de proclamarmos nessa oportunidade que Jesus vir no fim dos tempos para julgar os vivos e os mortos , Advento mais do que um vaticnio e um anseio . Jesus vem, hoje 1
De que forma? Onde o vemos chegando? Ns , como pessoas e cri stos , no deveramos ser diferentes , se Jesus realmente tivesse cheg ado , respectivamente se viesse a ns? E o nosso mundo, no deveria ele
ser diferente , se o Advento realmente acontecesse? No confronto ent re
situao e mensagem est em jogo a credibilidade da prdica (e do
pregador) . Se a mensagem do Advento verdade, por que o mundo no
melhor?

" Vi na mo direita daquele que estava sentado no tron_? u~ l i~ro


.
d t o e por fora de todo selado com sete selos. (5. i ) E a
escrito po~ edn r . o do cap. 4 re1erente ao trono de Deus e ao cul to
continuacao a V IS
. .
s h c
m Is
6
t endo prestado ao sup remo en or. orno e
- .d
.t d. t
n
oue. no C- U. es a s
1 ss. por exemplo. assim tn mb~ ?ui D eu~ nao e escn o ire ame te (c1 4.3). El e indesc ri tvel: nao e acess 1~el a olhos humanos nen:
- 0- e- "' revela 0- es
que Joao en xerga
nit idamen te e
::, ,;:, v

.
mesmo ern v1
aauele livro " nl mo direita" de Deus. no qual a partir de ago ra se c_o~c~ntra a ateno Alis. no se deve pe rguntar como o viden te pooe
perceber que 0 livro estava escrito por dentro e po r 1ora nem como lhe
estavam apli cados os selos Tudo isto no in teressa ~laro e o s~guin
te este livro contm as coisas que " ho de aconte_cer e que serao reveladas na medida em que. um aps out ro. serao abertos os selos

(6 .1ss).

II -

O texto

Tambm o autor do Livro do Apocalipse escreve numa situao


difcil , sim, incomparavelmente mais difcil do que a nossa , hoje . a
poca do Imperador Domiciano (81-96 d.C.), feroz perseguidor dos [Link] . representante de um estado idoltrico, exigindo adorao religiosa sua pessoa e desrespeitando os direitos dos cidados . Existe amplo consenso entre os especialistas no sentido de este livro ter sido escr ito no auge das p~rseguies , por volta dos anos 90 a 95 d.C.; e isto ,
na il ha de Patmos (Asia Menor), por um cristo de nome Joo (1 .1,4,9 ;
22.8), dificilmente idntico com o discpulo Joo ou o autor do quarto
evangelho. Podemos dizer que se tratava de um profeta cristo , fortal ecendo comunidades minoritrias numa situao de extrema ameaa .
Por que um punhado de gente se negaria a dobrar os joelhos perante o
ufanismo de Csar e continuaria confessando ser Cristo (e no Csar) o
Senhor? Algumas comunidades j apresentam sintomas de cansao . A
situao difcil ameaa sufocar a f .
A maneira de Joo reagir a este perigo singular em todo o Novo Test amento. Ele no escreve cartas , semelhana do apstolo Paulo. nem escreve um evangelho ou uma histria da primeira cristandade,
semelhana .de Lucas, mas relata uma grande viso . Primeiro, enxerga as coisas '' que so " (1 .19), ou seja, a situao das comunidades tal
qual se espelha nas cartas s sete igrejas da sia Menor, cartas estas
que o autor envia por incumbncia divina (2 .1-3.22). A seguir, enxerga
as coisas "que ho de acontecer " (1.19) e que so descritas nos caps .
4 a 22. Portanto, o tema o decurso da histria. Para onde ela vai? Ela
tem um sentido? Mas com estas perguntas j entramos no nosso texto.
Vejamos.

En tretan to . no existe quem seja digno de abri r os selos (5.2s)


A pe rgunta do an jo - " Quem digno de abrir o iivro e de lhe desatar
1
os selos?" - 1i ca sem respo sta E im_eortante observar que o anj o bu - \~\ r
ca po r algy m gue seja capaz no s de in f![[P re..tar os aco ntec imen- \\ <::::::
i os fu turos . mas tambm de conduzi-los a seu alvo. Isto se torna evidente a pa l'do cap .6. o Livro do Apoc alipse no est interessado, em
primeiro lugar , em desvendar os mi st ri os do futuro , mas em [Link]~ r e
roclamar quem diri e os acontecimentos, uem tem oder na h1sto r1a.
quem a leva para o fim determinado por Deus - algo nem sempre o servado na exegese .
Percebendo no haver , em todo o cosmo (v.3). ningum digno
de desatar os selos do livro , o vidente rompe em lgrimas (v .4) A tristeza lhe sobrevm face falta de perspectiva s para o ser humano A histri a con ti nuar sendo o livro selado sem abrir esperanas e justi1 icar a
i na vi tria ltima de Deu s. No entan to. ele conso lado por um dos ancios (cf . 4.4) que pe rt encem car ie celestial. sabedores dos r:nist.~ ri ~s
divinos e servidores de Deus em adora o e louvor Diz o anc1ao: Nao
chores: eis que o Leo da tr ibo de Jud, a Raiz de Davi, venceu pa ra
abrir o livro e os seus sete selos." (v. 5) Essas palavras natu ral ment e se
referem a Jesus Cristo . introduzido como vencedor da histria e. por isto , tambm poderoso para levar a histria ao termo propost o por Deus
Mas em vez de um leo, o autor v um Cord eiro (vv. 6s), pa rado
de p entre 'os ancios e " os quatro ser es vivente s" (cf. 4.6ss) - tambm estes pertencentes corte de Deu s Este Cord ei ro, que aind~ traz
a marca da ferida mortal no pe scoo, agora tem poder - do que s~o sisso os sete olhos sao os
nal os sete chifres em sua cabea. Enquan to 1
. d
set e espritos de Deus o que uma outra expresso para a pl enitu : e
a totali dade do Espirit~ Santo dado s comunidades (c1. 1 .4) . A r: fere ncia a Jesus Cristo agora se torna explicita . embora o nome nao se1a

10

11

mencionado . Coraeiro designao cristolog1ca fre que nte na comunidade primitiva (c f. Jo 1.29.36: 19.36: 1Co 5.7 : 1Pe 1 .18s). O Cristo morto e ressuscitado. pois , derrotado e vencedor , este abre os mistrios do
futuro . como Senhor da histria e mandatrio de Deus . Ele vem e recebe_da. mo de Deus o livro para desata-ihe os se ios. Em sua linguagem
propria. o vidente Joo reafirma deste modo a conisso KYRIOS IESOUS (cf. MI 28.18: Fp 2.9ss: 1Tm 3.16: etc.) .

. . O que segue culto, adorao do Cordeiro, "liturg ia" (vv. 8-14)


Primeiramente ~doram os "quatro seres viventes" e os 24 ancios ,
ca_ntando um cant1co novo (vv.8-10) . Eles trazem diante do Cordeiro .
a~em_ dist~ .. as oraes dos santos , isto , dos cristos na terr a. Essas
0
a.oe_s Ja iazem parte do novo culto - quase poder-se-ia dizer , da nova historia . Esta. com o louvor ao Cordeiro na verdade ..
M
'
'
' ja 1n1c1ou . esmo que , na terra, Cesar ma_te e .~altrate , mesmo que a poderes diab li cos gover~em , .nova historia ja teve incio com a glorificao do Cordeiro no ceu . Mais ainda, ela teve incio com aquele povo que Cordei0
ro resgatou para Deus med iante o seu sangue (v.9). Embora sejam perseguidos e lutem nesta terra, os crentes tm a
d
b.
chegarem a reinar (v 1O) Nos
11
promessa e tam em
._

vv s todos os anjos se juntam ao coro
dos anc1aos , enaltecendo a dignidade do Corde
E
d
b
.
iro. o 1ouvor esem oca no. culto de toda a cna~o (vv. 13s) que forma 0 desfecho desta impressionante demonstraao de revernc 1
a ao e d
R d
d
ria or e e entor o
mundo .

Resumindo o contedo cent 1 d


. . .
.
ra este capitulo , podemos dizer : a
historia humana, por mais obscura que pare
t
d .
.
a , em o or e1ro Jesus
Cristo por Senhor e a adorao reverente a Deu
E d
1
s e seu nv1a o por a vo .

III -

Meditao

. O que esperamos do futuro? Essa a pergunta fundam~ntal


vent1lada _pel_o nosso [Link] (bem como pelo Livro do Apocalipse em seu
todo). ~lias,~ necessario colocar a pergunta em termos mais objetivos.
Pois nao esta em jogo o que individualmente esperamos . No se trata
de disc utir opinies particulares nem de apurar 0 que as pessoas
acham . Est em jogo o que devemos e podemos esperar do futuro.
Qua l o ffm da Historia?
A resposta difcil. As pa lavras de Is 60 .2 se aplicam tambm
aqui : " Porque eis que trevas cobrem a terra , e a escurido os povos .....
O que diante de ns est, amanh ou em dez anos . ningum o sabe ,
como um livro com sete selos. E, se no estou muito equivocado. reina
hoje grande medo do futuro, inclusive entre os jovens . Naturalmente .
existem as peque.n~s. expectativas : uma meta por alcanar, um acontecimento extraord1nar10 por vir - isto faz parte da vida e dos sonhos a

resoello da mesma . No faltam tambm as grandes expectativas: exter~inio de doenas pelo avano da medicina , superao da crise
energtica por novas tecnologias . sim . a criao de uma nova s?ciedade com novas estruturas. mais justas e fraternais . No raro , porem , essas expectativas so contrariadas pelo comportamento irracional do
ser humano ou ento pelo simples peso dos fatos. Temos medo de
doenas te rr veis. medo de secas , de roubos, da vio lncia , da pobreza .
temos medo de um planeta devastado. poludo , superpovoado . medo
de uma guerra nuclear - a morte parece ser o nosso futuro .
.. Porque eis que trevas cobrem a terra , e a esc urido os povos :
mas sobre ti aparece resplandecente o Senhor . e a sua glria se v sobre ti ... Aqu i ns temos o Advento. Nos termos do nosso te xt o: o Cordeiro digno de tomar o livro selado. Ele traz luz s trevas que encobrem o
nosso futuro , ele leva este futuro a um fim glorioso . Como o faz?
Evidentemente no, assumindo a chefia civil ou militar no nosso
globo . Jesus , Senhor da histria - isto no significa que ele seja ocomandante secreto dos acontecimentos, usando as pessoas e os povos
apenas como peas num jogo sob muitos aspectos cruel e sem graa .
Nol A histria feita por homens e por muitos outros fatores (condies climticas , geogrficas . etc.). alguns dos quais irraciona is e at
diablicos (o vicio do poder . por exemplo) . O Livro do Apocalipse sabe
destes poderes inferna is , encarnados na pessoa de Csar e no sistema
imperial da poca . Tambm hoje poderes semelhantes atuam na histria . fazendo-a aparecer como grande incgnita , jogo de casualidades.
campo de batalha dos poderosos , de interesses e de foras, seqnc ia
de caprichos de um destino insondvel.
Mas Jesus toma este livro e lhe abre os selos. Quem o faz? No
um general, mas um Cordeiro que foi morto pela histria e, todavia , a
vence u. Digamo-lo mais uma vez: no se trata de simplesmente interpreta r a l1istria, ou seja. de dizer por que isto e aquilo acontece e se as
chances futuras so positivas ou negativas (como fazem as cartomantes) Jesus o que venceu e vence na histria e a histria . Em su a fraque za ele venceu o poderoso Pilatos , em sua obedincia a Deus ele
venceu o vicio do poder (cf Mt 4.8ss}, em seu amor ele venceu o pe cado. com sua f ele venceu a morte e .o inferno . Esta vitria de Jesus d
um aspecto radicalmente novo histria e ao nosso futuro. A pergunt a
no por aquele que melhor sabe predizer os acontecimentos , mas po r
quem vence, supera, por quem leva a vitria ltima. A resposta do nosso texto no deixa dvidas: a vit ria do Cordeiro . Acontea o que
acontecer, por mais ufano que seja Csar, por mais opressor que seja
o sistema - o juzo de Deus no tardar . Da mesma forma , porm , vale o seg uinte : por mais resignados que estejamos , por maior que seja a
culpa, por mais amendrontadora que seja a morte - o Cordeiro vencer. assim como j venceu no Calvrio .

13

12
Esta a luz que desponta no Advento. E a reao da comunidade deveria ser o louvor e a adorao , a exemplo do que nos relatam os
vv.8-1 4 do nosso texto. compromisso, sim, privilgio da comunidad e
imitar , respectivamente, ~niilaiar j agui na terra o culto celestial. Est e
culto o incio de uma nova histria dentr o da velha. reflexo da luz do
Advento. testemunho da vitria do Cordeiro. muito importante este
culto em louvor e adorao, pois sem ele ainda no acreditamos realmente na vitria de Jesus . talvez obcecados pela possibilidade da nossa prpria vitria. Louvor e aratido a Deus um dos testes da nossa
f .
O outro teste , porm, no menos importante. Dele no falado em termos expressos neste texto. Mesmo assim , est presente como pano de fundo (cf. 2.1ss), a saber, a aprovao prtica desta f em
nossa vida. Consiste em agarar a mo de Jesus Cristo e enfrentar coraiosamente as trevas do futuro na certeza de que ele nos faz parti c ipantes de sua vitria. Consiste em antecipar um pouco de c u aqui na
terra , viver em novidade de vida sem curvar os joelhos diante dos poderes que de ns requerem idolatria. Consiste em combater o medo do futuro . to difundido entre as pessoas, eliminando, dentro dos nossos limites, o que o faz to temvel. O que deveria mudar neste mundo para
as pessoas poderem enfrentar o futuro sem medo? Vale a pena refletir
sobre isto.

IV -

Quanto prdica

. Assim como o texto no pretende interpretar a histria. mas


anunciar aquele que a vence, assim tambm a prdica no deveria simplesmente in terpretar o texto (esta a tarefa da exegese) . mas sim proclamar ( 1) o advento do Senhor vito rio so. Isto poder acontecer em forma de uma homilia. O pregador poder recontar 0 texto (respectivamente a viso de Joo) , parafraseando-o e atualizando-o. claro que a
nfase dever estar nos vv .6s , no anncio daquele que foi morto e reviveu . O livro dos sete selos (smbolo do manto de escurido sobre a histria futura ). o choro do vidente, a apresentao do Cordeiro e o culto
ao mesmo podero constituir-se no elemento condutor da prdica . Seguindo-o podero ser tratadas tanto as perguntas de hoje quanto as
respostas do Evangelho .
Ou. ento. o pregador optar por uma prdica temtica. Neste
caso , poder iniciar com a pergunta que deu incio a nossa meditao :
o que , afi nal de contas, esperamos e podemos esperar do futuro?
uma pergunta angustiante, se procurarmos dar respostas concretas .
Ali s, um alerta: tambm numa prdica temtica o texto no deveria
ser perdido de vista , valendo a mesma coisa para a ocasio es pecial , o

Advento Quem vem no Advento? Ora , aquele que , tendo vencido, liberta do medo diante do futuro.

V -

Subsdios litrgicos

1 confisso de pecados: Senhor . confessamos-te os nossos pecados .


Temos d~sprezado o teu Advento neste mundo e aum~n ta do as trev~s em ve~
de termos espalhado a luz. No amamos como dever1amos arr:ar, nao confia
mos como deveramos confiar. no testemunhamos como develamos testemunhar . A nossa fr aqueza e a nossa culpa . porm, nos oprimem Ho1e . no Advento tu vens novamente a ns . E, confiando em tua graa. rogamos queiras faze r
d~ ns pessoas diferentes que agem mai s de acordo com a tua vontade e
cri>em mais firme nas tuas promessas . Qu eiras fazer de nos um_a comunidade
que seja bem mais o sal da terra e a luz do mundo do .que o tem s_1do no decur_so
do ano eclesistico que passou . Da-nos um novo 1n 1c10. Tem piedade de nos .
Senhor 1
2 Orao de colet a: Senhor 1 Ns te ag radec emos por no nos dei xa res
[Link] mundo. Tu concedes a tua presena , manifestas a tua palav:a , tu
tens uma esperana para o mundo. tu vens como luz s nossas treva s Da que
saibamos traduzir a tua luz em aes concretas no nosso dia a dia . em fa vor do
nosso semelhante e em beneficio da nossa sociedade . Abre os nossos olhos
para as necessidades dos outros: d-nos mos capazes de .fazer o bem e uma
boca que anuncie as tuas maravilhas e a tua vontade. Amem .
3. Assuntos para intercesso : pela paz e pela justia no Brasil e no mundo por todos os que sofrem : moribundos e doentes. fami_
ntos e subnutidos .
abandonados e solitrios. pessoas em migrao e sem patr1a. in1us11ados e
perseguidos. desesperados e viciados. presos. desemprega~os. desanimados
etc .: por todos os que tm responsabi lidades: polticos. operaloS. professores
oa1s. etc.: pela Igreja de Deu s em todo o mundo e pela IECLB (a nossa lgre1al
em especial para que seja fiel sua misso. para que a palavra de Deus seia
pregada e vivida. etc .

VI -

Bibliografia

BORNKAMM, G. Das Gottesgericht in der Geschichte ln StuGesammelte Aufstze. Vol.2


Mnchen , 1959. - GOPPELT, L. - HILDMANN , G. Die Zukunft des
Gekommenen. ln: Calwer Predigthilfen. Vol.1 O. Stuttgart , 1971. KRAFT , H. Die Offenbarung des Joha nnes . ln : Handbuch zum Neuen
Testament. Vol.16a. Tbingen , 1974. - LEUNINGER , E. - DIENST, K.
Meditao sobre Apocalipse 5.1-14. ln : Predigtstudien. Vol.6/1 . Stuttgart , 1971 . - LOHSE , E. Die Offenbarung des Johannes. ln: Das Neue
Testament Deutsch. Vol.11 . 9ed . Gttingen , 1966. - TRAUB , H. Meditao sobre Apocalipse 5.1-14. ln: Horen und Fragen. Vol.6 Neukirchen , 1971 . - VOIGT G. Meditao sobre Apocalipse 5.1-14 . ln : Die neue Kreatur. 3 ed. Gttingen, 1977 .

dien zu Antike und Christentum -

15

3. Igualmente me lembrei do grande "s im " que os pases industrial izados dizem aos pases subdesenvolvidos. Mas na verdade esto
dizendo .. no , ao explorarem estes pases at s ltimas reservas :
a) Quando no pagam pre os justos por seus produtos :
PERDA DO PODER AQUISITIVO DOS PASES SUBDESENVOLVIDOS
(Conforme: Estatstica de comrcio exterior da Sua)

2 DOMINGO DE ADVENTO
1s a i a s

6 3 . 1 5 - 1 6 . (1 7 - 1 9 a)

19b;64 .1 -3

cf. l DOMINGO DE ADVENTO


1s a a s

6 3 . 1 5 - 1 6 . 1 9 b: 6 4 . 1 - 3

Exemplo . Caf/Tansn1a 1961-1974

Par a 1 relgio suo a Tansn1a expor-

Para 1 relgio suo a Ta nsnia tinha que

tava 14.2 Kg

exportar 7.5 Kg de caf

1961-64

Nelson Kirst

1971-74

(v. Vo l. 1, PP . 152-160)

V
4 DOMINGO DE ADVENTO
2

Corntios

1 . 18-22
b) Quando tiram lucros, embora digam que esto ajudando :
FLUXO DE PAGAMENTOS ENTRE A ECONOMIA PRIVADA DA REPBLICA FEDERAL DA ALEMANHA E OS PASES EM DESENVOLVIMENTO - 1973 (Fonte : Strahm cf. Documentos BMZ)

Ulrico Sperb

1-

Dizer "sim" e fazer " . "


sim 1. Ao ler o texto lo

garante !"

eis a questo!

go me lembrei da frase : "Plante que o Joo

. . Foi o sl~gan do grande "s "


.
.
.
bras1le1ra em tntcios de
tm que o Governo deu a agricultura
1980
disse " no " ao plantador de ~ No ano que se seguiu , porm , o governo
cebo la. ao cultivador de
;; Ja, ao criador de porcos. ao plantador de
maas, ao agricultor , enfim .
T b'
2 am em me lemb d
.
democracia. quer queirarr rei !rase do Presidente : " Hei de fazer a
.
i quer naot "
Foi o grande "sim " u

.
.
0
cracia . No tra nscorrer do t~me Gov~rno disse . ~ ~b~rt_ura e demoqu ando interveio no s 1 nd
po , porem , disse nao a democracia :
tcato dos M t
Campo quando expulsou do
.
e a Ug1cos
So Bernardo do
8
vadiu a residncia do pastor r~s tl 0 Padre V1t_
o M1racap1llo : quando inria quando deteve o P " . me1od1sta Orvar1d1I Barbosa , em Santa Ma.
remio Nobel da p
Ad li p
.
. . az, . o erez. Esqu ivei: quando conden ou 0 lder sindical
violn ci a uma greve do ld Luiz lnac10 .da Si lva : quanao reprimiu com
riedade em tantos e
so ados na Bah ia: quando mostrou sua arbitramais outros atos .

Pu iscs

f'1l1 1Jl s e 111 11 / 11mr 11 to:

de

:: vt";:omen 1os pri va oCJs

DM 1.405 8 1111

Lu cro~

(.,, a::os oancos e li:m

DM 4.185 8 .111

Pagamen10 de cred

DM

4.926 8rlh

~.. :cc

DM 3 302 8ilh

Ju os

DM

0.700 8itn

Pagm nio creo .expor

DM

4.135 8r lh

DM 0.4 !>0 8ilh

Juros

DM 0.131 8rlh

Pa [Link] est organ

DM

a.126

DM 9.342 8 rlh

Juros

DM

0. 182 Btlh

Total

DM 101; 14 B'll'

eoo r:acao1novos1

Emoes11nios a organ
znces

i '; :

,1

mu11 rnacrona1s

rn v.,~11n,

DM

0.41 4 8 .!l'i

8rlh

?e

Lucro d e r e torno

1, 272 Bilh es de marcos fDMJ

cJ Quando buscam de vo lta a maior parte do que emprestam:


QUANTO SOBROU AOS PASES SUBDESENVOL VJDOS DAS
AJUDAS E DOS CRDITOS EXTERNOS fConforme: ONUJ

17

16

(J pensaram que seria do nosso planeta, se todas as pessoas


do mundo consumissem tanta energia quanto os americanos? !)

Fluxo e " re-fluxo " no ano de 1972:


Todos os pases in-

27.1 bilhes de US$

dust rializados . ca-

Todos os pa ses

ajudas e emprstimos

subdesenvolvidos

pit alistas e socialis-

5.8 -

investimentos

(sem a Ch ina)

tas

8.1 -

crd itos privados)

(13.2 -

19.7 bilhes de US$


(7.3 -

juros e amortizaes

10.0 -

t ransfer . de lucros

2.4 -

"Re-flu xo" -

descontos de capi t.)

retorno : 73 %

d) Quando consomem quase


tudo que a Terra tem :
Os pases industrializados consomem sete oitavos das riquezas
da Terra (Conforme: ONU , FAO ,
Clube de Roma)
Os pa ses indust rial izados dispem de. 1970- 74
pases industriali zados ocidentais
pases industriali zados sociai1stas

30,5% Populao

C9

82 r:t

Pesquisa .

[Link]:ta;:in

A;mamen10

Desenvolv.

91 'lf.

85%

98 %

ConsiJmo oe Consumo de Con sumo de

E. 11&1 g1

Adubos

Alumirn o

78 W

0 ED

Consumo dt
Ccote

9-4 W

ED

e) Quando consomem muito


mais energia que o resto do mundo:
Consumo de energia como prova
de desenvolvimento errneo
(Conforme: ONU)
1 americano (USA) consome em
mdia tanta energia como:

2 alemes:
3 suos ou aust racos -

60

1ndus :::::::::::::::: :::::::::::

160
habitantes
da Tansnia
1100

habitantes
da Ruanda
(fr 1ca)

Estatst icas extradas de STRAHM , R. H. [Link] Unterentwicklung (trad.: Superdesenvolvimen to - Subdesenvolvimento). 3 ed . 1978.
4. Infelizmente me lembrei dos muitos que dizem "sim " f
crist , mas gritam "no": quando expulsam o past or de sua comunidade , por este proclamar o evangelho da libertao dos poderes egostas;
quando conve rtem suas almas para Jesus Cristo . mas no cogitam em
converter suas existncias para o evangelho do amor ao prximo ;
quando usam a te leviso mundial para projetarem sua pessoa e sua faml ia e auferirem lucros exorbitantes em nome de Jesus Cristo; quando
relutam , como dirigentes e autoridades eclesisticas , em dar um testemunho claro da f , escondendo-se at rs da descu lpa da procura pela
verdad e.

II -

O grande "sim" de Deus!

No se sabe o verdadei ro contedo da acusao , mas o fato


que o apstolo Paulo fo i acusado de fa lar " sim e no ". Sua atuao seria duvidosa . sua pregao problemtica . Paulo reage contra isto
(vv .17s), mas de uma maneira bem breve , pois de imediato se volta ao
gran de " sim " de Cristo . Nele no h duplo sentido ou dvida , tampouco seg undas intenes . Ele o " sim" claro e insofismvel a todas as
promessas de Deus .
O apstolo no se interessa muito pelo juzo que se possa fazer
sobre ele , desde que a majestade de sua pregao no seja contestada. Paulo e seus colegas no deformaram o Cristo. Com sinceridade e
humildade prega ram o autntico Cristo . Este Senhor Jesus Cristo o
ponto principal e a prpria essncia da pregao . Calvino conc lui dos
vv .20-22 : " Deve-se ressaltar que aqueles que no possuem o testemunho do Esprito Santo, no podem responder com 'amm' ao Senho r.
quando este os conclamar certeza da salvao . Por conseguin te , estes reivindicam falsamente o nome de cristos ."
Paulo, a princpio, defendeu o " sim " de sua pregao (v .18).
Mas . de imediato, transforma e aprofunda este " sim ": o apstol o em
tod a sua pregao se torna o portador do " sim-Cristo " (v .19). (Diga-se.
de pa ssagem, que Silvano o mesmo colega chamado Silas em At
18.5)
Jesus Cristo um puro e total "sim " , porque nele se conc retizam todas as promessas de Deus . Aqui Paulo est pensando nas pro-

18

19

misses messinicas e salvficas do Velho Testamento. Promisses estas que fa iam do Rei Salvador que vir , do estabelecimento do Reino de
Deus e da renovao do povo de Deus (v .20a) .

que seu s im se baseia exclusivamente no " sim " de Deus human idade. Vemos . assim , que este texto quer demonstrar , destacar e confirmar o grande " sim " de Deus .

.
_V:2?b significa o seguinte : as expresses " por ele ... por nosso
1
ntermed10 designam o carter do culto ; a comunidade age e reza .
mas justamente ao fazer isto , o prprio Cristo age nela e atravs del a.

III -

Amm um termo hebreu muito usado no culto da sinagoga .


Passou P~ra o NT e se mantm na linguagem litrgica de todas as igrejas . _Provem_ de um radical que implica a idia de firmeza de realidad e
Amem s1gn1f1ca verdade
d d
'
.
. ver a e1ramente, certo , certamente: as vezes . corresponde a um simples e forte " sim " (2Co 1.20) . Foi tradu zido
~m g_rego _por uma expresso que, por nossa vez transformamos em
assim seja "
1
.
.

~ qua perdeu o matiz de firmeza e verdade , caracterstico da expressao hebraica .


( Da linguagem do culto Paulo passa para a terminologia do Ba.
t1
smo vv .21 e 22) o Batism
.
- 0 . .
o e a garantia para a veracidade da prega( ao .
proprio Deus que estabelece a firmeza da relao entre Paulo
e seus colegas) e os corntios (v. 21 ).

O termo : ung iu" (uno) se relaciona com o Batismo Por um


lado . pode significar a uno atravs do Esprito Santo Por outro pode
des1gnar o uso da 1

'
greja antiga, da uno com leo aps o ato do Batismo .
O Batismo o selo (v 22)
.
a garantia de que a pessoa batizada
per ence ao povo de De~s que receber a salvao . O selo de Deus a
marca da vida eterna , o " sim " inequvoco de Deus .
t

Paulo usa duas vezes a expresso " penhor do Esprito " (2Co
1.22 e Ef 1~ 4) . Com isso, vale-se de um termo comercial e jurdico de
ori gem sem_
1t1ca . Mas , na verdade , quer expressar uma realidade altamente espiritual. O penhor (arras, aval, garantia) um sinal antecipado .
uma part e adiantada , do todo que ser entregue mais tarde . Em nosso
texto (vv .18-2 2) Paulo lembra a fidelidade de Deus que concretizou todas as promessas na pessoa de Jesus Cristo . Paulo declara: ... aquel e
que nos con fi rma convosco em Cristo, e nos ungiu, Deus . Deus que
impr imi u em ns o seu selo e coloca em nossos corae s o penhor do
Espr ito ... " O Esprito Santo o penhor , o sinal antecipado da plenitude
que encon trar sua apoteose no dia da ressurreio de todos os crentes; ento ser o el iminado definitivamente o pecado e a morte . E Cristo
deixar de se r o Senhor invisvel e reinar vista de todos
Deus diz o seu grande " sim " em Jesus Cristo . E na Igreja fa z.
concretiza, realiza este " sim " . Pregao , culto e Bati smo so o " sim "
de Deus s pessoas de f . Deus , Cristo e Esprito - lembra a forma trinitria . Notamos que Paulo usa uma linguagem litrgica para provar

"Seja, porm, a tua palavra: Sim, sim; no, no." (Mt 5.37)

Estamos no Quarto Domingo de Advento, a poucos dias do Natal . Nossa tarefa pregar sobre este texto. que a princpio parece nada
dizer com relao poca do ano . Na verdade , porm, um te xto que
nos indica e leva em direo ao Natal:
- Nata l o grande "sim " de Deus humanidade . A manjedoura e a cruz , aquilo que aconteceu entre as duas e o personagem que viveu estes acontecimentos , tudo isto demonstra o amor de Deus pela
humanidade. O menino Jesus , deitado na manjedoura . o " sim " de
Deus .
- Este " sim " firme e inabalvel. No deixa nenhuma sombra
de duvida . No um "sim" humano . no qual no se possa conf iar . As
pessoas dizem " sim " e fazem " no " (vide exemplos do item 1). As pe ssoas dizem "sim " para um e " no " para outro. Deus diz e fa z " sim "
para todos .

- O Batismo o "sim ". o sinal, o selo de Deus para conosco. A


certeza disto e a f nisto libertam de todas as foras do mal e do coragem para dizer " sim ". Jesus diz (Mt 5.37) que devemos falar ou " sim "
ou " no", mas no deixar dvidas ou ficar em dvida. O Espr ito Santo
em ns nos d coragem para vivermos nossa f num mundo que no leva o "sim " de Deus a srio .
- O Quarto Domingo de Advento uma oportunidade para nos
prepararmos corretamente para a festa de Natal. No Natal comeam a
se concretizar as promessas de Deus. No culto de Natal somos cha mados a dizer " amm " ao "sim " de Deus (v.20). Para pod ermos dizer
" am em temos que saber o que impl ica esta nossa resposta .
- Festejar Natal , portanto , no algo superficial . , mui to
ma is. a hora de assumir a f , de se libertar do "eu " , para dei xar .Cri sto
viver dentro de ns . olhar o mundo com os olhos de Cristo . E fala r
com o outro com palavras de Cristo . tratar o prximo com as mos de
Cri sto .
- Advento no s poca de fazer fa xina na casa , mas tambm tempo de fazer faxina na alma. Limpar-se de todas as horas em
que se disse " sim ", mas fez " no " (compare Mt 21.28-32 , uma boa parbola para contar) .
- Assim como Deus nos confirma , nos diz seu " sim " atrav s
de Cristo (v .21 ), assim tambm deve falar aos outros atravs de ns. A

i --

20

festa de Natal nos leva ao testemunho , ao . Natal para ns s Natal, se atravs de ns algum puder festejar o Natal. Levar o Natal para
quem no tem Natal um desafio neste Quarto Domingo de Advento .
(Paulo levou o " sim " de Deus aos corntios .) Lembro aqui a visita que o
Pasto: Roberto Vicent~ Cruz Themudo Lessa fez com um grupo de jovens a zona de meretnc10 por ocasio do Natal (vide bibliografia) .

IV -

NATAL
Joo

Subsdios litrgicos

3 . 1-3

Wilhelm Hffmeier
1 . Con fi sso de pecados: Deus, nosso Pai. No Natal nos disseste "s im .. .

Anl es de fe steiarmos o Natal deste


.. . ..
ano , temos que confessar-te que nao me re .. no Bat1smo

nos esqu ececemos este teu sim


. Tu nos d1sseste " sim
e nos
1

mos dele. Tu nos dizes " sim '' a cad


.
a cu to e nos respondemo s " am em " ma s
durante a semana dizemos e fazemos "no ''
.'
negao a ti Ns te nega
. . 0 uase tudo que fazemos e um a
.
mos
quando
re1e1tamos
n
Ih
t
P
hoj e te confessamos todo
f
osso seme an e. or .isso .
teu "s im" Tem piedade dnos~o rsacasso e te pedimos que no retires de ns o

e nos, enhor!
2. Orao de coleta : Deus nosso p . A
.
de ouvirmos tua mensagem. .pedimos que abras 0 s nossos' coraea1 . D ntes

S
Espiri to . oara que no fiquem
s. a nos a garantia de teu anto

os
apenas
na
vontade
de
t
d.
..

"
re almen te o fa amos Atra d
.
e 1zer sim , mas que
_ .
ves e Jesus Cristo ns te pedimos isto . Amm .
.
.. . . ,
3 Oraao final : Deus. nosso Pai Ho
.
je ouvimos sobre o grande sim
q ue nos dissest e atravs de J
esus
Cristo
Ns
t
d

e agra ecemos porque po d emos confi ar cegamente em t'i T u nao falhas Ma D



.
do cheio de falsas promessas N
s, . eus , nos vivemos num mun. aod se pode confiar em quase ningum . E, a
bem da verdad e quase ningue m

ou tros De um modo
especial t po e. confiar em no s. p er doa-nos e per doa aos
nantes deste mundo quando e- pedimos que per does os po derosos e gove r,
nao cumprem o q e
t
e1
1
for a de teu Espr ito para que trabalhem elo
u prome em. o oca ne es a
todos aque les que durante t
P _ bem das pessoas. Pedimos-te por
es a semana nao conse guem f est ejar
o Nat a 1 a 1eg rem ente porqu e esto so s b
. no te conhecer a andonados
tos .
sem ti. por
A.
, presos , do ent es , de 1ut o, fam1n
.
.
em . jUda-nos para que . pelo menos para alguns
destes. nos sejamos porta -vozes do Natal Tud o ist o t e d'1zemos pois es t amos

d d.
certos de que tu ouves nossa ora o com tod
Amm ...
o imenso amor que nos e 1ca s.

V-

Bibliografia

Sobre o texto: VON ALLMEN,J.J. Vocabulrio Bblico. 2 ed .


So Paul o, 1972. - CALVIN , J. Rmerbrief und Korintherbriefe . ln : - .
A uslegung der Heiligen Schrift. Vol.16. Bielefeld , 1960. -STAEHLIN ,
W. Meditao sobre 2 Corntios 1.18-22. ln : Predigthilfen. Vol.2 . 3 ed.
Kassel , 1968. - WE NDLAND,H .D. Die Briefe an die Korinther . ln : Das
Ne u te Testament D eutsch. Vol.7 . 13ed. Gttingen , 1972. - Outra literatura: LESSA,R.V .C.T. Como ser o Natal na zona de meretrcio?. ln :
Servio de Informao .! 'astoral. Ano 5. Caderno 20. (Juiz de Fora)
1980. - STRAHM ,R.H. Ub erentwicklung - Unterentwicklung. 3ed.
1978.

I -

Traduo e crtica textual

V.1 : Vede quo grande amor nos deu o Pai, para que sejamos
chamados crianas de Deus . (E o somos .) Por isso. o mundo no nos
conhece, pois no o conheceu .
V.2 : Amados , agora somos crianas de Deus . mas ainda no
apareceu o que seremos . Sabemos que, se (Jesus Cristo) for revelado,
seremos iguais a (Deus), pois o veremos assim como ele .
V.3 : E cada um que tem essa esperana nele , santifica a si mesmo, assim como ele santo .
A maioria dos manuscritos, embora de menor peso, omite o KAI
ESMEN , no v.1. Tem-se a impresso de que se trata de uma glosa, pois
de certa forma a expresso suprflua . Se Deus chama algum de seu
filho , ele realmente o . KLETHENAI tem, na Bblia, o sentido de EINAI
(cf . SI 33 .9; Rm 4.17 ou Mt 5.9).

II -

Contexto e texto

nossa pericope ainda pertence o trecho 2.28ss . Seu tema o


futuro escatolgico dos crentes . Em 2.28ss esta temtica abordada
sob o aspecto da vinda de Cristo para o "juzo final " (PAROUSIA, termo
que , em todo o NT, designa sempre a segunda vinda , respectivamente ,
a volta de Cristo - nunca, a sua vinda na carne , significado este que o
conceito s recebe a partir de Incio de Antioquia, cf. ad Phil. 9,2). Para
os cristos , porm, esta vinda de Cristo para o "juzo final " no motivo de temor . Podem eles enfrentar o juiz com confiana (PARRESIA,
2.28) , sem o semblante descaido e sem se envergonharem (2.28) . A
vergonha cabe, antes de mais nada, ao perverso (Pv 13.5), e o medo ,
ao injusto (Sab. Sal. 4.20).
O texto de 3.1-3 desenvolve o aspecto positivo da PAROUSIA: a
vida eterna (v.2), o seu fundamento no amor de Deus , j concedido

22
(v.1), e a conseqncia tica desta esperana (v .3). E o trecho seguinte
(3.4-6) pode ser entendido como desdobramento do santificar-se a si
mesmo, do v.3. O v.2 constitui o centro da percope. O que seremos (futuro!) h de chegar plena luz, quando Cristo aparecer. (PHANERTHE- sob o aspecto estritamente gramatical no se pode decidir com
certeza qual o sujeito deste verbo: "o que seremos " , no v.2b, ou " Cristo". Considerando-se que "sabemos ", v.2c, se refere muitas vezes, no
NT, a um saber da f, a um "saber catequtico" - cf. 1Ts 5.2 ou 2Co
5.1 - parece-me que Cristo deve ser entendido como o sujeito de PHANERTH , "sabemos que ele voltar ", o que tambm combinaria m elhor com PAROUSIA. em 2.28. No entanto . o AUT , no v.2d. e o AUTOU , no v.2e, devem referir-se a Deus mesmo. O uso impreciso de pronomes caracterstico de 1 Joo . As reflexes aqui desenroladas refletem-se na traduo do texto .)

3
quenos, pobres e ile 1rados cristos. Pesouisas recentes loca lizarn os h:
reges gnostizantes entre a camada rivile iada d ~ nteJ~cJ_uais helensticos. excludos da co-responsabilidade pelo estado administrado po r
buroc ratas e militares (cf. Weng st. Hi:esie , p.56 , nota 40). O interessante em Joo que seu autor no se limi ta simplesmente a afirm ar
sua teologia , repetindo a confisso certa e censurando o mau comportame nto dos he reges (assim o fazem Jd e, de certo modo , tambm
2Pe). O auto r de 1 Joo argumenta com os hereges . Segundo Wengst
(op .c it.) essa argumentao parte de afirmaes sob re as quais no h
discordncia entre os hereges e o prprio autor ([Link]., " Deus !uz" ,
1.5: " pecado no temos ", compare 1.8 com 3.9: "eu amo a Deus " ,
4.20: " conhecemos a Deus ". 3.6; "somos gerados por Deu s" , 3.9:
etc.).

.j
.

. 1

III - Argumentao
J Lutero , na introduo sua preleo sobre 1 Joo, em 1527,
chamava a ateno para os pontos centrais da carta . Dizia ele que a
carta faz frente a uma falta de prxis do amor (' 'die Tragheit bei den
Christen") e a uma heresia cristolgica gnostizante (lutero, p.113) . O
Reformador apontou para a semelhana entre essa heresia e a de Cerinto , um herege do segundo sculo, conhecido por 1rineu de Lio . Cerinto separava radicalmente Jesus, como homem mortal , do Cristo, como Esprito imortal (lrineu . adv . haeres . 1,26,1 - essa cristologia da separao combatida em 1Jo 2.22; 4.2 e 5.6ss) .
O autor de nossa carta se empenha, claramente, em desenvolver dois critrios do verdadeiro cristianismo. Com o auxlio destes, ele
enfrenta aquela linha hertica, surgida dentro da tradio joanina, a
partir do quarto evangelho (cf. 1Jo 2.19: "saram de ns " ), no qual tambm 1 Joo se baseia (1 .1ss). Esses dois critrios, com os quais pretende evitar uma ciso dentro da escola joanina, so : guardar a confisso
de que Cristo veio na carne e h de voltar (compare 2.22 e 4 .2 com o
nosso trecho) e praticar o amor (4 .7ss). Ortopraxi.~ e o ! odo xia no so
c_ontrapostas; elas se completam. Ambas apontam para um Deus que
tem uma irresistvel inclinao para "baixo": a carne humana de Jesus. A esta inclinao, a f corresponde com uma inclinao semelhante - ao irmo. Essa inclinao a definio de amor, termo chave
em 1 Joo. Os hereges, ao cor-itrrio, amam um deus que os eleva s alturas, para longe da carne e d0 irmo .

Quanto ao nosso te xto. ambos afirmam , provavelm ente , que o


crente " nascido de Deus" (2 .29) e que ele "igual a Deus " (3.2), pois
" de Deus" (cf. 4.6). O emprego do termo " ver " (HORAN), nos vv .1 s,
leva-nos a suspeitar que os hereges talvez falassem de uma "viso de
Deus" (cf. 4.14). Seja como for , certo que "conhecer" (GI NSKEI N),
sem dvida o termo chave dos hereges gnostizantes, entendido no
gnosticismo como um ver . Os he reges tambm falam do amor em relao a Deus (4 .20). Mas no incluem o irmo . No amor seg undo a concepo hertica, s se pode conhecer e amar quem igual , segundo o
lema gnstico: "Se no te igualas a Deus , no podes conhec -l o. Poi s o
igual s pode ser conhecido pelo igual. " (Corpo Hermtico XI. 20) Este
princpio do conhecimento tambm se aplica ao amor. Nas Odes de Salomo encontramos o seguinte trec ho: " Eu ardo pelo amado , e minha
alma o ama ... Estou unido a ele , pois o amante achou o amado. " Nesta
unio se manifesta salvao, para os gnsticos , pois " quem est unido
ao que imortal, tambm h de ser imortal". (Odes de Salomo 3.5 ,7-8)
Desenvolvendo trs linhas de argumentao , o autor de 1 Joo
toma de seus adversrios essa teologia da igualdade com Deu s:

A partir de 3.17, por sinal, podemos concluir que os hereges


pertenciam sociologicament.' classe mdia ou alta; eles " possuem
recursos ". sua exclusividad~ teolgica corresponde sua posio social. Ambas se manifestam numa chocante indiferena para com os pe-

a) No v.1 ele relaciona o ve r no com aquilo que Deus (pois


ningum jamais viu Deus , seno o Filho ; compare Jo 1.19 com 1Jo
4.20), mas com aquilo que Deus deu: Jesus Cristo na carn e. Contudo,
ningum mais pode ver Jesus diretamente . s ouvindo a seu respeito
que se pode enxerg-lo (cf. 1 .1ss). Assi m , o ver se converte em ouvir.
Aquilo que se ouve (as narraes sobre Jesus Cristo) , porm , s vlido e salvfico na medida em que faz transparecer o amor de Deus. Essa
vo lta ao ouvir torna necessria a recordao histrica e, assim , liga-se
estreitamente histria (carne) . A partir desta argumentao, torna-se
impossvel a fuga ou o desprezo da realidade histrica (carnal) .
b) Ele tira o " ser igual a Deus " do presente e o transfere para o
futuro da perfeio , valendo-se da esperana crist tradicional ("sabe-

j _

~~

)~/
~(

25

24
mos", v.2), referente PAROUSIA. S ento cumprir-se- o que os hereges afirmam existir j no presente : veremos Deus como ele . O ver
de toda a verdade tem dimenso escatolgica. Essa tenso entre o
"j" e o "ainda no" implica uma humildade que contrria soberba
autoconscincia dos hereges e encontra sua expresso no termo
" criana de Deus" . Ser criana significa ter futuro. Isso qualifica o presente como tempo da esperana.
c) Ele argumenta que a esperana encontra sua expresso na
santificao. Tal argumento pressupe , evidentemente, que existe urna
falta de santificao. Portanto, dependncia dos desejos momentneos falta de esperana . Quem no tem esperana revela-se a si prprio como sendo "mundo" (cf. 1Ts 4.13). A santificao que nasce da
esperana o contrrio de "mundo": concentrao , simplicidade.
ateno . pacincia , andar em frente .

IV -

Contedo

1. A palavra chave de nossa percope - e de 1 Joo como um


todo - AGAPE (v .1 ). respectivamente AGAPAN . Todos os dema is
conceitos da carta esto relacionados com aquilo que indicado por
este termo (por exemplo, vida e morte , 3.14 ; perfeio, 4.18; Deu s,
4.8, 12). Seu emprego apresenta duas linhas centrais, que tornam claro
seu sign ifica do. Por um lado, a carta fala do amor de Deus para conosco (compare 3.1 com 4.1ss). Por outro lado, destaca o amor do homem
para com o seu irmo, sendo que irmo no necessariamente o membro da comunidade (a necessidade que define o irmo, cf. 3. 17). A
carta raramente fala no amor do homem ern relao a Deus. Onde o
faz. tem-se a impresso de que se trata de um lerna dos hereges, a ser
co rrigido (cf. 4.20s). A expresso "amo a Deus " talvez seja um chavo
empregado por eles. O amor de Deus por ns no tem por obj etivo o
amor do homem por Deus . Em vez disso , " torna-se aperfeioado'" no
amor ao irmo (compare 4.12 com 2.5) , pois Deus no quer ser Deus
sem o hom em. Contudo, a iniciat iva pertence a Deus (4 .19). ~Jingu m
pode amar - no sen tido deste amor - por si mesmo (4.1 O). Uma pe ssoa pode esta r apaixonada por outra pes soa , por uma idia, po1 uma
coi sa. Pode-se querer conquistar uma pessoa. Mas no se pode am-la
por si mesmo, a partir de si prprio.
Deus nos d e oferece 2 liberdade de am-lo. Capac ita-nos, prncurando-nos. Por isso mesmo, a defin io de Deu s como 2mor (4. 12b)
no entende a " vida de Deus... como um jogo do amor consi go
mesmo" (H egel, p.19) , mas pretende expressa a longa caminhada em
direo ao outro. " Essa idia " , de que "Deus amor " , "'se rebai xar

at a edificao e mesmo at a ir1s1pidez . se lhe .faltar a ~er~:dade. a


dor. a pacincia e o labor do negati vo ... (Hegel , 1b1dem) Este . labor do
negativo .. , encerrado na definio de Deus como amor .. es!a cont ido
em todas as frmulas da carta que o relac ionam com a m1ssao de Crrsto na ca rne e sua morte em favo r de ns (por exemplo, 4.9s , 14; 2.1s).
Pode ser que 0 EROS eleve e se ja a expresso lt ima da igualdade entre amante e amado. A AGAPE , por sua vez , se .[Link] para .b~.1 xo ,
para 0 outro que dierente. para aquele que no e igual. Ela e h_erabsteigende Liebe " (Stauffer , p.53). Exatam ente por isso o mundo nao
conhece Deus nem os cristos (31 ). Um deus assim contra_?1z aquil?
que 0 mundo espera de um deus ..Po_r outr~ lado. uma AGAPE que vai,
que vai para baixo , que tem uma h1storra , so pode se.r [Link] . O v.1 do
nosso trecho , por exemplo, entende a narrao da h1stor1a de Natal como expresso do amor de Deus para conosco .
2. verdade que , amando uns aos outros, os cristos correspondem a Deus , permanecem nele (4 .12) .. contudo, corresponder-lhe_ e
permanecer nele no o mesmo que ser igual a Deus . O morador nao
idntico sua morada. O homem pode amar e pode rece~er amor_.
pode ser amante e amado. Mas homem nenhum amor . ? .Deus e
amor . A reside a diferena entre Deus e o homem . Ela exc lui a [Link] entre o crente e Deus . E inclui a ressalva escatolgica contida no
v.2. Essa ressalva s ser eliminada , quando Deus for tudo em todos
(cf. 1Co 15.28), quando o amor realmente estiver aperfeioado por ter
expulso todo o temor (4 .18), quando nosso corao no mais nos acusar (3.21 ), quando o amor se manifestar abertamente como vencedo r
(2.28 e 3.2).
No entanto, agora ainda diferente . Agora, o amor , que Deus ,
s se manifesta de maneira inequvoca na pessoa de Cristo . Ele se encontra em ns, sem ambigidade e sem falha . na medida em que permanecermos nele (cf. 3.6). Ele o que ns haveremos de ser . Agora.
cremos no seu senhorio , pois ele fraco , violvel , indefeso , sofre derrotas . Ento, haveremos de ver o amor como ele : tudo em t~dos . Naquela hora, sim, seremos iguais a ele, pois ele ser t_udo em nos . Sobre
este futuro escatolgico tambm se deve falar atraves de figuras e imatempo e da
gens . Por exemplo . a figura do sonho, onde os lim ites
morte so eliminados. e ocorre encontro com os que ia faleceram. E
ser verdade que no "materialismo do marxismo existe algo da mensa_
gem da ressurreio da carne" (K . Barth)?

3. A participao na histria do amor fundamenta esperana . O


que esperana? ir ao encontro de algo ou de algum que . com certeza , vir. , como diz 2Pe , "esperar e apressar " (3.12). Quem espera
concentra-se nesta esperana . Segundo 1 Joo , quem espera faz o
contrrio do que o mundo faz. O mundo no tem centro e, por isso . fica

27

26
a vadiar, com os olhos e a carne. Wengst mostrou que as expresse s
" concupiscncia da carne " e " dos olhos", em 2.15 (entre outras . pelo
paralelismo entre 2.15 e 3.17) no devem ser entendidas "no sentido
se xual .. ., mas materialmente, como cobia de bens e como invej a
(Wengst Haresie. p.69). Quem no tem esperana , est sujeito a
" Mehr-sein und Mehr-haben-wollen ("querer-ser-mais e querer-te rmais' ' - Wengst. Haresie, p.70), o que destri a solidariedade entr e os
irmos . No por acaso que, em 1 Joo , Ca im o exemplo da falta de
amor ao prximo (3 .12).

V-

Meditao

1. Para o pregador , Natal a festa mais difcil e escandalosa .


Muitos se irritam ao extremo, devido distoro que ela sofre. devido
ao esquecimento do seu profundo contedo e sua transformao num a
simples e secular oportunidade de encontro , de alegria com as crianas , de [Link] do tempo irrecupervel da prpria infncia . E constatamos que, mais uma vez, ns mesmos corremos atrs de presentes e
acabamos gastando muito dinheiro para pouco ou quase nada . E, tudo
isso , num mundo cheio de necessidades . Que loucura'
_ A essa irritao geral de quem mais sensvel associa-se a tenta ao [Link] do pregador. Quanta gente s vem ao culto nessa
oportunidade. V1s1tantes efmeros' Aparecem com uma ingenuidade e
naturalidade , como se nada houvesse entre eles e Deus. E pode at
acontecer q~e algum deles acabe tomando 0 lugar de um membro dedicado e ass1duo, que precisa ficar de p, graas a esse tal devoto ef mero .
.Por essas e outrns razes , o pregador normalmente gostaria de
aproveitar esta opo~tun!dade para desabafar . Mas importante que res1~ta_ a essa tentaao_. E preciso agentar. Tudo tem seu tempo . Nata l
nao e h~ra de xingar , .Julgar , pregar moral. o mundo no qual Deus se fez
carne nao era nem pior nem melhor do que 0 mundo de hoje. Era bem
assim como este nosso mundo . Havia pessoas como esses nossos devotos efmeros . (por exemplo , alguns discpulos ; cf. Jo 6.66), havia
opressores , havia moribundos, havia enlutados , havia insensatos havia morte de crianas inocentes (Mt 2), havia tudo isso que hoje t~nto
dificulta o nosso falar de Deus - a ponto de, s vezes, preferirmos antes cala r do que falar. A exploso demogrfica multiplica os problema s.
mas diante do Criador a fome de uma s criana caso to grave como
a fome de um milhar . No ser com a pregao de moral , com silncio
ou com xingao que o pregador conseguir aproximar-se do mistrio
do Natal . O que deve determin-lo a certeza clara e serena de que a
mensager:n de Naial tem a!go dec isivo a dizer a tdos os homens e a

''

c 3 da 1nd1vduo . Que seria do mundo sem o Natal , sem aquela histria .


sem Jesus. sem a encarnao de Deus?
2. A partir daqui. o pregador pense no texto, em sua fora de a_rcumentao. na maneira como se vale das premissas de seus adversa;105 oa ra convenc-los da verdadeira i cri st . E. assim , busque o ouvinte . Procu re suas preocupaes . pensamentos e pressuposies. E
use-as no con texto positivo da mensagem de Nata l.
Um exemplo: em vez de xingar sobre o comrcio e o lucro feitos
em cima dos presentes de Natal . parta da experincia de dar presentes . Nosso texto fala em DEDOKEN (v.1 ). Sempre existe , entre os tantos. um ou outro presente que foi escolhido com amor e empacotado
com carinho. O mais importante , porm , no o presente em si . mas o
olhar dirigido a quem o recebe. Assim se experimenta amor. Neste sentido. os presentes mais bonitos so aqueles feitos com as prprias
mos e com criatividade prpria . No precisam ter , necessariamente .
o alto valor dos presentes dos magos: ouro . incenso e mirra . Eu mesmo , certa vez . recebi uma rplica de minha prpria igreja , feita de fsforos. por um confirmando . No isso uma pequena parbola , um smbolo do Natal? Cristo nos d a certeza de que o universo no algo silencioso e indiferente , mas que os olhos de Deus esto dirigidos a ns .
Ao desenvolver este pensamento , o pregador no esquea de narrar .
de contar. As narrativas dos evangelhos sobre o Natal (Lc 2 e Mt 2) no
podem ser omitidas . Jesus a embalagem , o embrulho, o pacote dentro do qual encontramos Deus. Ento . preci so desembrulhar . abrir o
pacote. E desembrulhar , abrir o pacote, significa o seguinte: s quem
se envoi ve com a histria de Jesus , no sentido de comp rometer-se com
eia, descobre nele o mistrio divino para sua prpria vida .
3. O pregador no dei xe de falar sobre as dificuldades que isso
implica. na vida cotidiana. E preciso argumentar A seguint e histria
talvez ajude: Duran te a Segunda Guerra Mundial , na Frana ocupada .
um membro da Resistncia encontrou-se com um desconhecido . que
lhe causo u grande impresso. Ficaram dialogando uma noite inteira . O
desconhecido disse ao gue rri lheiro que ele prprio estaria do lado da
Res istncia, que seria um de seus lderes, que mereceria a mais absoluta confiana, viesse o que viesse . O guerrilheiro se convence da lea ldade do desconhecido e promete confiar nele . Depois disso , no vol tam mais a se encontrar em circunstncias to confidenciais e ntimas .
s vezes, o guerrilheiro e seus companheiros observam que o desconhecido presta ajuda aos membros da Resi stncia ; e isto confirma ele
est do nosso lado . J em outras ocasies se v que ele . vestindo un iforme da fora de ocupao , entrega compatriotas aos inimigos . A os
companheiros do guerrilheiro se indignam . Mas este con tin ua sustentando ' ele dos nossos . Est certo de que o desconhecido no o en-

29

28
ganou . apesar das indicaes em contrrio . s vezes , pede ajuda e a
recebe. E fica agradecido. Outras vezes, pede em vo . E pensa "ele deve saber o que est fazendo". Tambm acontece que seus companheiros, amargurados, lhe perguntem: "Mas, afinal, o que mais preciso
que ele faa para voc se convencer de que ele no est do nosso lado?" O guerrilheiro no aceita argumento algum. Continua convicto : o
desconhecido est do nosso lado. Isto, porque naquela primeira oportunidade fora convencido e se comprometera com ele . Por outro lado . o
comportamento ambguo do desconhecido representa sempre um desafio e pe prova sua confiana . O fim da guerra h de revelar por
que tudo correu assim.
Esta histria (extrada de Dalferth, ed., pp.90s) , apesar de seu
carter apologtico, simboliza muito bem nossa caminhada entre o Natal e o dia em que Deus ser tudo em todos. A mesma experincia.
alis , se expressa no hino 236 do Hinrio da IECLB. "A noite est findando .. . de J. Klepper.

VI -

Subsdios litrgicos

1. Conf isso de .Pecados: Senhor. nosso Pai por Jesus Cristo. estamos
reunidos em tua casa . E uma casa humilde. mas bem mais fina do que o lugar
q~e tu es~olheste para tornar-te um de ns. Nosso corao est cheio de gratidao. Tu nao quiseste ser .Deus. sem carregar 0 nosso fardo . Deus. isso maravilhoso d.ema1s para nos~ Como poderemos retribuir? De nossa parte. s temos 1nd1gnidade e ingrnt1da_o. Temos sido indiferentes. soberbos e preguiosos.
diante de 11 e do nosso 1rmao. Permite-nos. mais uma vez trocar nossa infidelidade por tua fidelidade , nosso pecado por tua glria. nos~as conversas por tua
pa lavra . nosso velho Ado pelo novo homem em Cristo. Tem piedade de ns.
Senhor '
2. Orao de coleta : Pai Celeste, nesta manh de Natal estamos atento s
para ouvir a Bbl ia falar a ns. Mas. se tu no concederes 0 teu Esprito , no temos condies de e~tender e tornar-nos praticantes da palavra . Por isso. te pedimos: livra-nos de nos mesmos, eleva os nossos pensamentos para ti e end ireita os nossos caminhos em direo ao nosso prximo . Abenoa quem ouve e
pratica a tua palavra. Amm.
3. Assuntos para a orao final: louvor a Deus pelo seu amor (inclinao
para bai xo) e splica de que este amor penetre no mundo at os seus ltimos
recantos: at as alturas do poder : governos, partidos polticos. jornais e televiso, diretorias das grandes empresas, etc. ; at as profundezas: o desespero
dos moribundos. famintos , loucos. etc .; splica para que a nossa Igreja , assim
como todas as confisses e religies , procure e encontre o verdadeiro servio
a Deus e aos homens; no final . gratido pela esperana em Deus.

VII -

Bibliografia

BARTH.K. Brechen und Bauen Eine Diskussion. ln.: Der Gotze


[Link]. Berlin . 1961. - DALFERTH ,1.U .. ed. Sprachlogik des ~lau
bens. Mnchen. 1974. - HEGEL.G.W.F. A fenomenologia do esp1r1to .
ln : Os P ens adores. Vol.30 . So Paulo. 1974. - HEN~ECKE~E . SCHNEEMELCHER.W. N eiitestamentliche Apokryphen in deuis~her
bersetzung. Vol.2 Tb ingen, 1964. - LUTERO .M . Vorlesu~g uber
den 1. Johannesbrief. ln : Calwer Luther-Ausgab e. ~oL9 . Munchen.

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K. Haresie und Orthodoxie im Spiegel des ersten Johannesbnefes.
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Johannes. ln: kumenischer Taschenbuch-Kommentar zum Neuen
Testament. Vol.16 . Gtersloh , 1978.

31

l DOMINGO APS O NATAL


Joo

2 . 21-25

II -

Wilfrid Buchweitz

1-

d d

Exegese

A chave para discernir entre verdade e ment ira est em Jesus


O critr io para distinguir a verdadeira f da falsa f est em Jesus. El e
faz e a diferena entre a comun idade c rist e outro tipo de comunidade.

Pano de fundo
A com

Nesse sentido, a epstola. ao lado de exp ressa r confiana e alegria por causa da fidelidade e firmeza da comun idade , tambm revela
alguma preoc upao. A comunidade crist poderia ser envolvida pelo
grupo dos falsos cr istos . Por isso a carta encoraja-a a perr:ianecer na
pal avra que ela ouviu e aprendeu desde o inicio , e isso sera base para
permanecer no Filho e no Pai .

~n.1 a e a qual se destina esta epstola se destaca por

duas caractenst1cas importantes . Seus membros so gente a quem 0


Evangelho foi pregado , o Evangelho os venceu, convenceu e eles continuam .fi rmes a ponto de provocarem uma manifestao d.e confiana
e alegria de parte do remetente da carta . Ao mesmo tempo h nessa
c_omunidade , ou houve no passado, pessoas que a i ntegrara~ que esf
,
tao na lista de membros mas que na verdade d 1

e a nao azem e nunca


.
;
fizeram parte . A epistola no fala especificamente desse segundo grupo de pessoas . Apenas se refere a ele de passagem em diversas oportunidades . Dessas .referncias e de alguns outros dados conclui-se que
se trata de gente ligada ao gnosticismo .
Os gnst icos valorizavam o esprito em detrimento do corpo e a
.
[Link] espiritual em desfavor da vida fsica e material. A partir dai tinham
d1f1culdade com a encarnao de Jesus . No conseguiam ou no queriam aceitar que Deus pudesse encarnar-se num se r humano . Criam
que De~s pudesse ter "tomado emprestado" um ser humano para sua
revelaao na te rra , que Deus pudesse ter " pousado " num ser humano
durante sua pern:anncia na terra , mas no que pudesse ter vindo a
ser homem atraves da encarnao . Aceitavam a dimenso divi na em
Jesus Cristo, mas no a dimenso humana . Analogamente se con sideravam uma comunidade espiritual, superior a uma comunidade humana e terrena, uma comunidade de Cri sto, no uma comunidade de Jesus .
Com essa posio, o grupo no realm ente comunidade crist.
Na verdade , nunca pertenceu comunidade crist (2 .19). Mesmo se
denominando com un idade crist , na realidade no . , ist o sim.
uma comun idade de mentira , envolvida pela mentira , embasada na
mentira . So cristos falsos e que vivem e propagam falsa doutri na
So anticrist os (2 .18), so enganadores (2.26).

Jesus Cri sto. Jesus muito mais que Jesus. Ao mesmo tempo
que ele Jesus. ele Cristo . Ao mesmo tempo que ele o homem Jesus, ele Cristo , o Enviado de Deus. Jesus Cristo verdadeiro homem
e verdadeiro Deus ao mesmo tempo. Em Jesus Deus se encarnou . Justam ente esta a inten o de Deus. a de encarnar-se no homem Jesus .
Deu s no se degrada quando se encarna no homem Jesus. Jesus no
um portador indigno do Esp ri to de Deus. Jesus no apenas " cava lo '
que incorpora , encarna Deus. Em Jesus , Deu s se torna homem . Jesus
. ao mesmo tempo , verdadei ro homem e verdadeiro Deus. Jesus
Cristo.
Quem nega que Jesus Cristo nega igualmente o Pa i. No se
pod e confessa r o Pai sem confessar que Jesus Cristo verdadeiro homem e verdadeiro Deus . Mente quem , para resguardar a dignidade de
Deus, confessa que ele apenas usou Jesus para vir ao mundo . Mente
quern confessa que o Deus Espr ito s usou de man eira passageira o
co rpo de Jesus. Mente quem alega que Deus revela sua substncia ,
seu co ntet:1do, sua vida apenas na dimenso espiritual de Jesus e que
apenas a dimenso espiri tu al de uma comunidade importante. Isso
no apenas negao do Filho, desprezo ao Fi lho, mentira para com o
Filho, mas tambm negao do Pai , desprezo ao Pa i, men tira para
com o Pai. Valorizar apenas a dimenso espiritual do homem , em detrimento da dimenso fsi ca e material , tam bm negar o Filho e o Pai .
Considerar-se um grupo espiritual - que , po r causa disso, despreza os
outros membros - em uma comun idade falta de amor ao prximo; e
quem no am a o prxi mo tambm no ama a Deus. A epstola in siste
neste ponto . Quem cr apenas num Cristo espiri tua l vai dar valor apenas a uma igreja espiritual. A imag em que se tem de Jesus ter seus reflexos imediatos sobre a imagem da igreja . Um Cristo no encarnado
levar a uma igreja no encarnada . Um Jesus sem a dimenso escato-

32

33

lgica levar a uma igreja sem a dimenso escatolgica. A viso que se


tem de Jesus tem refle xos diretos sobre a viso que se ganha da comunidade. O milagre da revelao de Deus em Jesus Cristo consiste ju stamente na encarnao, em ter Jesus abandonado o seu lugar junto ao
Pai para assumir um lugar junto ao homem . em meio ao pecado e conseqncias do pecado em que vive o homem . A mesma atitude, o mesmo amor, Deus espera daqueles que so convencidos pelo Evange!ho
da encarnao de Deus em Jesus Cristo . Qualquer tent2tiva de elevao a um nvel espiritual no sentido de um nvel superior, mais puro.
mais perto de Deus, antievanglico , anticristo , atitude de anticr isto , vai no sentido inverso do caminho de Jesus , que de cima para
bai xo, para junto das profundezas do sofrimento e morte do homem .
Por isso essa tentativa uma negao do prprio Jesus , uma negao da verdade revelada em Jesus e , conseqentemente , uma mentira .
Evidencia-se sempre aqui o pecado de Ado , de querer ser igual
a Deus ou . ao menos , de querer ficar mais perto de Deus , de querer ser
mais que simples criatura . O querer valorizar o espiritual em detrimento da conc reticidade da cr iao revela essa compreenso .
Para que possa proteger-se contra esse pecado, para que ocorra renovao constante em meio a essa tentao, a epistola exorta a
comunidade a permanecer naquilo que ouviu, a permitir que nela persista o que desde o principio ouviu, que nela tenha lugar a palavra, atravs da qual a comunidade fpi criada, qual a comunidade deve seu inicio e a continuao de sua existncia. Se a comunidade permanecer
na palavra, permanecer tambm no Pai e no Filho.
A promessa que a palavra, o Pai, o Filho fazem a vida eterna .
A comunidade que permanece na palavra, no Pai , no Filho, na verdade,
tem a promessa da vida eterna , de uma vida slida , substanciosa, que
nem a mentira , nem o pecado , nem uma falsa comunidade , nem falsos
membros de uma comunidade, nem , afinal , a morte podem estragar e
destruir .

III -

Meditao

Surpreende que este texto central do Novo Testamento no tenha , at agora, constado nas sries de percop~s da Igreja. Entre centena s de prdicas impressas Do h nenhuma sobre este te xto - embora existam, verdade , exegeses e prdicas sobre textos de contedo idntico ou semelhante.
Jesus Cristal A verdade que resulta da relao adequada entre os dois nomes , na medida em que se tornam um nome s , esta ver-

dade tem que ser constantemente descoberta e confirmada, tambm


nas igrej as de hoje . Tambm entre ns h grupos: nas 1greJa.s .e comunidades. com tendncias de adorar um Jesus espiritual , esp1ritual~zado.
que est presente na esfera espiritual da comunidade_e d? cristao , no
culto, na hora da leitura da Bblia , no momento de oraao ; as ve:es'. um
Jesus que aparece atravs de vises . Pertence a essa ten.denc1a a
compreenso unilateralmente escatolgica . Esses grupos . as vezes .
tm tendncia discriminatria . uma atitude de julgamento para com outros grupos ou membros da comun idade ; .s vezes , uma_ atitu de intolerante . at arrogante. No me refiro aqui aqueles cristaos ou grupos
que. a partir de uma posio defin ida e sria diante da palavra, questionam pessoas, grupos, a prpria Igreja Refiro-me a uma postura de estar acima da realidade deste mundo , fora da limitao , da realidade do
pecado , do sofrimento humanos. A fuga do mundo no rara em grupos religiosos. inclusive na comunidade crist.
Uma outra postura que se encontra a que v Jesus como
grande homem. um exemplo para a humanidad e ..um m:stre , um revolucionrio , o Jesus em carne e osso , ma s sem a d1mensao da encarnao de Deus e tambm sem a dimenso da ressurreio e realidade escatolgica. Este grupo , s vezes, tambm se coloca - mesmo que isso parea contra-senso - acima da comunidade, e chega a ser ~ x tre
mamente intoferante e at arrogante . Tambm aqui no me refiro aqueles que com muita seriedade questionam a Igreja quando ela no cumpre seu papel junto ao homem neste mundo.

difcil entender Jesus, o Cristo, como verdade iro Deu s e verdadeiro homem ao mesmo tempo . O prprio Jesus confirma isso , quando diz que para a carne e o sangue impossvel reconhec-lo , e que
Deu s mesmo preci sa revel-lo (Mt 16.1 7; 1Co 12 .3).
s vezes , h um reconhecimento terico de Jesus , o Cristo .
mas no h nenhuma evi dncia dessa rea!idade na vivncia do membro da comunidade ou da comunidade toda . Jesus . ento. Cristo em
palavra e teoria , mas no o ~e fato e no concreto. Jesus ?iz que .i~so
no basta (Mt 7.21 ; 25.31 ss) . As vezes a confisso "Jesus e Cristo vira frmula vazia, vira rotina , perde o carter de confi sso de f. perde a
sua relao com a vida de f .
H outras formas de evitar , contornar , adulterar o " Jesus
Cristo' ' da epistola. Cada crente, cada comunidade . cada igreja , cada
poca, cada situao geogrfica, cada momento histrico, ca~a rea lidade eclesial , cada situao social tem que perguntar quem e Jesus
Cristo e qual o papel que ele desempenha.

o texto menciona duas coisas importantes a respeito da confisso . Trata-se de uma confisso comunitria. claro que ela tem que
ser confessada por cada indivduo tambm , mas sempre dentro de uma

35

34
comunidade , no fora de uma comunidade . A outra coisa que a confisso tem que ser sustentada pela palavra . Se a palavra permanecer
em algum e na comunidade, ento tambm permanecer a confisso
" Jesus Cristo". A palavra pode ser a palavra lida , transmitida porescrito, pode ser a palavra transmitida verbalmente . pod e ser a palavra
informativa , a palavra ensinada , pqde ser a palavra proclamada com o
fim de despertar reao em atitudes, pode ser a palavra que traz o
anncio do amor e do perdo de Deus , pode ser a palavra que traz a denncia , quando a justia de Deus esquecida, abafada , omitida, pode
ser a palavra vivida na realidade concreta do dia a dia , sem que verbalmente se usem pa lavras. Uma coisa est certa : sempre a confisso
"Jesus Cristo " acontece na comunidade e a partir da palavra .

do com nossa convenin cia . Perdoa e converte-nos quando rejeitamos o amor


de Jesus Cristo . Tem piedade de ns. Senho r 1
2. Orao de coleta : Agradecemos-te. Pai Celesie. que nesta comunidade podemos continuar a festejar e a viver o acontecimento de Natal . Aiuaa que
este N;:;tai connnue ve rdade no dia a dia desta comunidade e de seus me mbros Amm 1
3. Assuntos para a orao final: que a comunidade possa se r instrumenlo da enca rnao de Jesus Cristo neste mundo: que a comun1daae possa cre r
em Jes us Cristo. verdadeiro Deus e verdadeiro hom em: que a comunidade possa se libert<Jr da propaganda de con sumo na poca de Nata l e pos_sa ficar livre
para rep artir e dm : que faa tempo oom pa ra as lavouras que est ao se desenvolvendo: que os jovens que fazem vestibula r nesta epoca possam ~scolher as
faculdades com o esprito de servir . e que possam superar a tentaao de escolher as faculdades de acordo com a compensao financeira .

Que que " Jesus Cristo" significa para mim como pastor?
Onde estou eu diante dessa confisso?

VI IV -

Prdica

H diversos enfoques possveis para a prdica. dependendo da


comunidade e da situao em que vive no momento:
a) A prdica pode ser informativa, instrutiva. A verdade " Jesus
Cristo " precisa ser pensada , debatida, clareada de tempos em tempos em cada comunidade .
b) A prdica pode se ocupar com o lugar da confisso das con'
fisses de f e de sua importnc ia na comunidade .
c) A prdica pode se ocupar com a confisso de f e a concretizao dessa confisso no dia a dia .
d) A prdica pode se ocupar com o papel da palavra e da comunidade para a confisso e vivncia da f .
e) A prdica pode se ocupar com a dimenso da encarnao de
Jesus neste mundo e/ou a dimenso escatolgica de Cristo . Pode , alm
disso. explorar a relao entre ambas as dimenses .
A situao da comunidade deve pesar na escolha de uma destas ou de outras perspectivas . O ideal seria o pastor decidir em conjunto com membros ou um grupo na comunidade .

V-

Subsdios litrgicos

1. Conf isso de pecados: Pai Celeste. agradecemos-Te pela encarnao de Teu Filho Jesus Cristo . Ajuda-nos a continuar reservando lugar para ele .
em nossas vidas , em nossa Igreja. em nosso mundo. Ajuda-nos a crer nele e a
viver esta f . Protege-nos contra a tentao de querer moldar teu Filho de acor-

Bibliografia

BULTMANN ,R. Die drei Johannesbriefe . ln : Meyers Komm. entar. Vol.14. 14 ed. Gttingen . 1967. - HAUCK,F. Die Kirchenbriefe . ln :
Das Neue Tes tament Deutsch. Vol.10 . 5ed . Gttingen, 1949. SCHLATIER,A. Briefe und Offenbarung des Johannes. ln: Schlatters
Erlaeuterungen zum Neuen Testam ent. Vol.1 O. 6 ed . Stuttgart , 1938.
Sugestes para leitura: o Credo Apostlico , especialmente 2
Artigo, nos catecismos Menor e Maior de Lutero: conf issos de f de
telogos . conclios . igrejas. em nossos dias.

37

II -

ANO NOVO
Josu

1.1-9

Cl vis Horst Lindner

1-

Introduo

A passagem de ano adquiriu, dentro e fora da Igreja , um significativo e, ao mesmo tempo , perigoso aspecto de transio. H a expectat iva de ovo comeo , de reinicio numa direo melhor (ou pior), que
traz 'consigo um. [Link] d.e perguntas sobre o futuro a enfrentar. No present sculo da rise ecnmica e .energtica, do terrorismo crescendo
no~ quatro
cantos
. viosamente
. - ,,.,
.
. do planeta, da guerra fria , da potenc1 a l Ld.a~ ~ nuclear , da extrema riqueza de poucos por um lado e da mis ria cres'cent por outro, etc .; cresce ainda mais a preocupao pelo
f-turo'.Ta1ransio [Link] ano novo representa . transforma-se em
mo tivo para medo (pavor at) e desesperana . Tambm em nossas comunidades o medo e a desesperana em relao ao futuro esto be m
p1 esentes (e nisso no podemos distinguir entre comunidade urbana e
comun idade de interior, uma vez que os meios de comunicao de
massa j se fazem bem presentes no mais remoto serto) . O que pregar a uma comunidade que vive um momento de transio (Ano Novo)
repleto de incertezas e medo?
Creio que estamos diante de uma excelente oportunidade para
fal ar de confiana. No de qualquer confiana , mas daquela que move
e mantm a Igreja , que guia o cristo por caminho seguro em direo
ao futu ro : a confiana no Deus de Jesus Cristo , Senhor da Igr eja.
Nesse sentido , Js 1.1-9 caminho sobremodo adequado a percorre r. primeira leitura , nem pude imaginar que estava diante de um
1exto to concreto, atual e comprometedor para a Igreja de Cristo e seu
caminh o em direo promessa derradeira do Reino de Deus definitivo. O culto de Ano Novo uma oportunidade de olhar para o passado
roara o remoto passado do povo de Israel), onde encontramos a inesgotave! fidelidade de Deus, a fim de, a partir dela , olharmos com esperanca e co nfi ana em direo ao futuro diante de ns.

O texto

Js 1 .1-9 faz parte da grandiosa Obra Historiogrfica Deuteronomstica (OHD). Essa abrangente obra historiogrfica , escrita no tempo
do exlio. surgiu a partir de tradies e feixes de tradio mais antigos ,
compilados e revisados por diversos autores que lhes imputaram sua
prpria marca . Por isso mesmo, ela no uma simples compilao de
tradies. mas uma interpretao teolgica posterior da histria de Israel. H todo um estilo, uma inconfundvel maneira de apresentar e de
descrever os fatos, assim como molduras prprias onde esses fatos
so acomodados . Em resumo , podemos dizer que a OHD uma anlise
teolgica do passado . que quer trazer luz para dentro do presente do
povo de Israel , o qual caminha para o seu futuro . As molduras dessa
obra - elos de uma corrente de fatos histricos recolhidos da tradio
- tm caractersticas deuteronomsticas acentuadas e aparecem quase sempre em importantes "rupturas " da histria do povo. Essas rupturas so importantes momentos de transio de um perodo histrico
para outro . Nesse sentido, o cap.1 do Livro de Josu revela-se uma ta l
interpolao de inconfundvel estilo e trao deuteronomisticos. Trata-se
de uma introduo deuteronomistica coletnea de tradies mais antigas que se seguem no Livro de Josu. A transio histrica do trecho
em questo fala da poca especifica entre a peregrinao pelo deserto
e a tomada da terra da promisso. Esse momento de transio histrica torna-se ainda mais relevante quando se tem em mente que, nesse
exato momento da histria de Israel. acontece a significativa ruptura
ent re o passado de povo nmade e o futuro de povo sedentrio.
Nossa pericope se apresenta na forma de alocuo de D eus a
Josu que , por outro lado, tambm alocuo diretamente dirigida a
todo o povo de Deus . Podemos dividir a pericope em duas partes distinta s. A primeira parte do texto (vv.1-?a') corresponde aos discursos-deguerra levitas (cf. Dt 9.1 ss). Esses discursos apontavam (a) para a sua
razo , isto , a guerra: e formulavam (b) palavras de incentivo e encorajamento luta e promessas de vitria . Na sua segunda parte, o texto
transforma-se num chamado obedincia diante da Tor , como pressuposio para o sucesso do empreendimento (vv.?a"-9).
Uma anlise mais detalhada do texto apresenta-o da seguinte
maneira :
V.1: A pericope inicia apresentando uma situao de grande crise. A morte pe fim a "grandes pocas" e a "grandes homens " dopovo de Deus . Moiss, o grande profeta com o qual Jav tratava " face a
face" (Dt 34.10), morreu e, com ele, foi-se toda uma poca da histria
do povo - a escravido no Egito , o xodo, o Sinai, a peregrinao pelo
deserto . Era preciso nomear um novo guia para o povo nesse importan-

38
te momento de transio na sua histria . Assim sendo , era justo que o
sucessor de Moiss - o "servo de Jav - fosse Josu, seu "servidor " (cf Nm 27.1 5ss; Dt 3.21 ss; Dt 31.1 ss). ao qual o prprio Moiss
havia abenoado com imposio de mos (cf Dt 34.9). Sua tarefa?
Guiar o povo na lt ima etapa da promess a feita aos patriarcas, consumando a tomada da terra da promisso. Esta taref~ e esta r1onra ele
no recebe somente por ter sido "se rvidor de Moiss". o pr prio Jav que o incumbe dela. Por isso mesmo. a ligao redacional deuteronomstica a Dt 34 inte ncio nal. Com isso. a mud ana de lder fica teologicamente significativa : " mudam os servos . mas o Deu s iiel permanece . (Breit , p.50)

39
Vv .5 a 7a ': Nesse trecho Jav . que ordena a Josu a conduo
do povo na continuidade de seu caminho em direo terra da promisso. no larga tudo sob responsabilidade do lder. Antes, coloca-se ao
lado dele e de seu povo , prometendo ajuda , ou melhor , prometendo a
continuidade da ajuda j to conhecida e experimentada pelo povo
atrav s do apoio de Jav ao lder anterior , Moiss. Tambm a confiabilidade na continuao do apoio de Jav reafirmada. Ele esteve com
Moiss e certamente estar tambm com Josu . Perman ece a promessa e permanece o apoio para a realizao da promessa.

Diante disso, o pa sso que leva do presente ao futuro, somente


oode acontece r em confian a promessa divina. Esta confiana . por
sua vez. se fundamenta na certeza de que Jav o dono da ter ra e
exerce senhorio sobre ela . Por isso, ele d a ordem de partida sob o signo da promessa: "o terreno que est diante de vs. vos foi prometido ;
j vos foi dado nas mos. O que parece impra ticvel , ir realizve! aos
olhos humanos , pode ser empreendido com confiana e esperana .
porque Jav promeie sucesso e o garante. Nada poder impedir o sucesso do empreer;i dimento: " Todo lugar que pisa r a planta do vosso p
vo-lo tenho dado. " (v .3)

Vv . 7a " e 8 : Daqui por diante . age de forma inconfundvel ateologia deuteronomstica , segundo a qual o sucesso do empreendimento
depende da total obedincia Tor . H aqui uma repetio da ordem
divina, acrescentada de algo novo. Som ente a dedicada observncia
da To r possibilita a vitria. Esta emenda to enftica (apresentada no
v.7 e pr aticam ente repetida no v.8) quer sublinhar de man ei ra explcita
e insistente qual o caminho correto desejado por Deus para a execuo da sua ordem. A obedincia irrestrita fundam ental para que Josu e Israe l possam contar com o apoio in condicional de Jav. No
basta o estar convenc ido do apoio divino. preciso corresponder-lhe
por meio da obedi nc ia. Essa obed inc ia, no entanto . no se restr inge
a um si mpl es observar da lei. Me parece que , por detrs das palavras
"no cesses nunca de fa lar deste livro da lei " (v .8a). est a ind icao
em d ireo ao testemunho, proc lamao da Tor como vontade de
Deus. Breit (p .52) prefe re falar at num cu nho "propagandstico " como
atitude em relao Tor . A lei precisa esta r sempre na boca e na
men te do lder e dos liderados, como uma rosa-dos-ventos, a nortea r
cada um de seus passos . do constante cita r, meditar e cumprir da Tor que depende o ser " bem sucedido por onde quer que and ares " (v.7)
e o faze r " prospera r o teu cam inho .. e ser "bem sucedido " (v.8) . Isso .
no entanto , no nen huma " cond io pa ra o sucesso"; mas antes . misericrd ia presenteado ra de Deus. Ele no exige primeiro o cumprimento da lei para depois corresponder con fiana do povo. Lutero no
enca rou o v.8 como lei , mas como consolo gracioso : " Esta uma maravilhosa promessa para aquele que gosta de ler, estudar na Bblia e
tem nisso empenho; pois ser bem-aventurado e poder caminhar em
sabedoria ... (apud Breit, p.54)

V.4: A terra dada por Deus ao povo geograficame nte del im itaaa . As fronteiras so: ao sul a estepe, ao nordeste o rio Eurates e a
oe ste o mar. Esta delimitao vem reforar mai s uma vez o forte c unho
deuteronomstico da percope. Ela acentua a pergunta pelos lim ites da
te rra prometida , dirigindo os olhos do leitor " par a um futuro que no
mais assustador e obscuro, perigoso e indefinido, desde que Deus colocou sobre ele a sua graciosa promessa. " (Breit . p.53)

V.9 : Tran smite-se mais uma vez, no final , toda a fora do estmulo ao povo de Deus. A pergunta "no to mandei eu?" sugere total
falta de moti vo para vacilar ou temer . o Senhor que envia e que garante o sucesso. Po r isso : " no temas nem te espantes , porque o Senhor teu Deus contigo , por onde quer que andares. " Com isso . o autor estimula e encoraja seus ouvintes e leitores a seguirem alegremente a ordem de Deu s .

Vv .2 e 3: Nesse momento inicia a alocuco orientadora de Deu s


a Josu. El a parte de uma indicao concreta.'onde mencionad o. de
forma clara e inconfundvel , o exaio momento concreto no qual o povo
se encontra (v.2a). Como co nseqncia desse momento. Josu recebe
de Jav a incumbncia de levar avante o seu povo (vv .2bss). A tarefa
especifica dirigi r o povo at ra vs do Jordo em direo 1j!tima etapa
da promessa de Jav: consumar a tomada da terra.
No conseguimos te r uma imagem suficientemente rea! desse
momento. A passagem pelo Jordo representa o incio de uma nova
poca. Mas h dificuldades a enfrentar. A terra prometi da est ocupada : o Jordo corre por uma profunda depresso, 400 metros abaixo do
nvel do ma r, e no existe nenhum lugar em toda a margem do rio que
facilite a passagem do povo . Desta forma. o Jordo no se torna somente um empecilho geogrfico , mas tambm histrico, impedindo
sua continuidade.

-- 1

40
41

III -

Escopo

Momentos de transio no representam razo para temor e


desconfiana . O Senhor garante sua fidelidade e ajuda seu povo em todos os tempos. O sucesso se obtm pelo perscrutar e meditar constantes na palavra de Deus.

IV -

Meditao

. . . Esta interpolao, com a qual o Deuteronomista interpreta a


historia do povo de Deus , uma pergunta e uma resposta. Os redatores deuteronomsticos formulam e respondem de forma nova a pergunt~ pelo fundamento da existncia de Israel. Chega-se, ento , conclusao de que o futuro do povo depende do fato de se prender s promessas proclamadas no passado e do fato de seguir os mandamentos divinos no presente~ Dessa forma, os redatores do sua mensagem aos
seus contemporaneos, com base em acontecimentos histricos. No
os incomoda a distncia entre esses acontecimentos e o presente ao
qual pregam . Importa somente a vida do povo no presente e sua continuidade em direo a Jav.
_Oua.I o significado desses fatos para o pregador cristo e para
os destmatanos de sua mensagem - a comunidade crist no culto de
Ano Novo?

Tamb~ para esses h acontecimentos do passado, a serem


interpretados a luz do presente, para conduzir a comunidade crist em
direo ao seu futuro, confiando em Deus . O acontecimento decisivo
para a hist_ria da Igreja crist o seu prprio Senhor Jesus Cristo que ,
com s_ua vinda, trouxe nova luz sobre o futuro do homem . Logicamente
no ha lugar aqui para uma simples imitao do estilo deuteronomstico de pregao histrica. Mas, a distncia temporal entre a primeira
Pscoa e o Ano Novo de 1982 deve trazer to poucas dificuldades ao
pregador cristo como as trouxeram os acontecimentos histricos interpretados pelo historiador veterotestamentrio. O prprio texto nos
abre as portas para isso. "Todo lugar que pisar a planta do vosso p volo tenho dado." (v.3) Aqui est o ponto central que deve nortear o pregador cristo. Deus est sempre um passo frente de seu povo; por isso, o povo pode ter confiana na sua caminhada em direo ao futuro .
Israel peregrina , sob orientao de Josu, para a terra da promisso . A
comunidade crist recebe, pela pregao do Evangelho, o Senhor presente em todos os tempos . Aqui est a raiz mais profunda da pregao
crist.

O passado que determina o presente e o futuro da comunidade


crist . o acontecimento pascal. Na Pscoa Deus cumpriu, em seu Filho. a promessa da salvao. Isto motivo suficiente para a confian3:.
A promessa cumprida a luz que orienta cada novo passo a ser dado . E
desafio para o engajamento total e confiante. O engajamento representado pelo passo decisivo em direo a terreno estranho. O terreno
estranho o mundo. O mundo da humanidade vazia de esperana , que
anda cata de migalhas de esperana em suas filosofias, progresso
tecnolgico , oramentos para o futuro distante , f no prprio homem e
sua capacidade de superar seus problemas. O terreno estranho o
mundo da falta de confiana ; de uma humanidade que prefere confiar
no poder dos chefes de estado. na defesa garantida com arsenal atmico e msseis intercontinentais. O terreno estranho o mundo da descrena; da humanidade que tem f somente em si mesma, que cr somente em sua autodeterminao de grandeza e pujana. O terreno estranho o campo de misso da Igreja de Cristo : o mundo combal ido ,
despido, transtornado, solitrio, vingativo, egosta, conformista , ateu.
Sim , o terreno estranho tambm a comunidade amedrontada com a
perspectiva futura do ano que se inicia. A prpria Igreja , por vezes , o
seu prprio " terreno estranho" e campo de misso. Igreja de Cristo 1
Ei s o Jordo que tens de atravessar 1 Eis o terreno estranho que tens de
pisar com a planta do teu p 1 No h razo pa ra hesita r no passo em
sua direo porque : " j vo-lo tenho dado" . Deus j est nossa
frente ... melhor , pu xa ndo a frente de sua Igreja. O que est do outro lado do Jordo? O Reino de Deus ; a ltima etapa da promessa 1
Esta caminhada em direo a terreno estranho por entre esca rpas e depresses s se realizar sob a luz da palavra de Deus . Nela encontramos a prom essa e dela obtemos confiana na fidelidade divina.
Os desafios surgem da interpretao da histria e da realidade a parti r
da Bblia (a Bbl ia numa mo e o jornal noutra - [Link]) . Devemos
perguntar criticamente: a comunidade crist est a caminho com os
olhos vo ltados para o constante , atento e insistente perscrutar da Bblia? Ela ouve e pergunta diariamente pelo seu contedo de f , orien tao , promessa e desafio? Ela pesquisa no seu contedo e encontra nele o lubrificante para suas engrenagens? O xito da caminhada da comunidade crist ir depender de se dei xa r conduzir e orientar diariamente na sua ao e proclamao pela palavra do seu Deus . Apoiada
nesse elo de ligao vital com seu Senhor , permitindo que ele parti cipe
de seus caminhos , no haver razo para temor e espanto, porque "o
Senhor , teu Deus, contigo em todos os teus caminhos ".

42

V-

43

Para a prdica

A pregao crisr sobre este texto indicado para um momento de transio como o Ano Novo, deveria seguir os seguintes passos :
1. Narrao viva e atualizante do momento histrico de Israel
narrado pelo texto, abordando o momento de transio representado
pelo Ano Novo (vide introduo). Nessa parte deve ficar bem ressaltada a confiabilidade na ajuda de Deus, demonstrada na continuidade de
seu acompanhamento, passado de Moiss para Josu.
2. Perguntar pelo significado disso para a Igreja crist, hoje . A
Pscoa o acontecimento do passado que determina o presente e o futuro da Igreja. Nela encontramos razo para continuar confiando na
ajuda divina Igreja de hoje.
3. No basta confiar . preciso . a partir da Pscoa, dar o passo
decisivo em direo ao "terreno estranho" . Do outro lado do Jordo de
hoje est o Reino de Deus; a ltima etapa do cumprimento da promessa .
4. O caminho da Igreja deve ser iluminado pela palavra de
Deus. Ela lana os desafios . Ela nos encoraja ao passo decisivo. Medit-la e pesquis-la - poder fazer isso presente do amor de Deus
Igreja. Esse elo de ligao com Deus garante o sucesso da caminhada
da Igreja, e assim no h lugar para medo e desnimo.

VI -

3. Orao final : Eterno e todo-poderoso Deus. Graas te damos poressas palavras de consolo e encorajamento que nos permitiste ouvir . Inicia-se
uma nova etapa na nossa vida. Um campo aberto est diante de nossos olhos.
um campo de misso que temos . S tu conosco para que no fraquejemos
diante das dificuldades que nos esperam. No permitas. no entanto. que nossa
intercesso seja apenas de palavras ; d que seja de testemunho e de ao concretos . Por isso:
abre os nossos olhos para que possamos ver a injustia que nos rodeia.
na forma de milhares de seres humanos espoliados. desprezados. discriminados . desconsiderados:
abre os nossos ouvidos para que possamos ouvir o grito de socorro da s
barrigas vazias , o clamor por compreenso dos coraes atemorizados pelo fu turo. o canto desesperado dos que clamam por algo em que conf iar :
abre a nossa boca para que testemunhemos o teu amor aos sem amo r.
o teu perdo aos sem perdo. a tua justia aos injustiados. o teu consolo aos
desconsolados. a tua salvao aos nufragos da vida. o teu Evangelho aos vazios e duros de corao ;
abre o nosso "nariz .. para que cheiremos a podrido do mundo, o inconfundvel odor das favelas e da misria: mas tambm para sentirmos o cheiro
bom e reconfortante dos lugares onde h comunho , dos lugares onde dois ou
trs estiverem reunidos em teu nome :
abre as nossas mos para dar. para afagar. para receber em nosso
meio os solitrios , para estend-las em reconciliao ao nosso inimigo. pa ra
sustentar os fracos em teu nome :
permite, enfim, Senhor . que andemos nos teus caminhos e que confiemos em tua ajuda para enfrentarmos nossa misso e tarefa. nossa " terra estranha ,. com confiana em ti e com base na tua palavra . Amm .

Subsdios litrgicos

1. Confi sso de pecados : Senhor Jesus Cristo. neste momento cheg amos diante de ti e de tua graa misericordiosa. para te confessarmos os nosso s
pecados. Queremos faz-lo como tua igreja ; queremos faz-lo como membros
do teu corpo . E j queremos comear por isso , pois muitas vezes no temos sido tua Ig reja : muitas vezes no temos sido membros do teu corpo . Ns plan e1amos e execu tamos como nos apraz : ncs confiamos em nossa prpria co rag em
e capacidade de realizao ; ns mesmos ditamos as regras do jogo e quer emos que a Igreja caminhe segundo nossa orientao . Ns te confessamos nossa falta de confiana em tua orientao, em teu amor. em tua liderana . Ns te
confessamos que no temos andado segundo o teu Evangelho . Pedimos-te por
perdo, pois nos arrependemos do caminho trilhado at aqui . Compadece-te de
tua Igreja e s tu o seu guia nesse novo ano que se inicia . Tem piedade de ns .
Senhor1
2. Orao de coleta : Senhor nosso Deus e Pai. Tu nos ds a tua palavra ,
atravs da qual nos transmites tua vontade, teu consolo, tua ajuda e teu perdo
Permite que ns, como Igreja de Cristo, busquemos nela a orientao diria para a nossa misso. Derrama o teu Santo Esprito sobre tua Igreja, para que
cresa na f e na confiana em ti. Que a tua palavra possa ser a ponte em direo ao desafio que est diante de ns neste Ano Novo . Amm .

VII -

Bibliografia

BREIT,H . Meditao sobre Josu 1.1-9. ln : Calwe r Predigthilf e11. Vol.2. Stuttgart , 1963. - HOMBURG,K. Introduo ao Antigo Testam ento. So Leopoldo , 1975. - JAEKEL ,P. Lesegottesdien st t r den
~~eujah r st a g 1970. ln : Wege zum. Wort, Caderno 1. Berlin , 1970. KRAUS,H .J. Meditao sobre Josu 1 .1-9. ln : Gottinger P re digtmeditationen. Ano 64 . Caderno 11 . Gtiingen , 1975. - NOTH, M. Das Buc h
Josua . ln: Handbuch zum Alten Testament. Vol.7 . 2 ed . Tbing en ,
1953.

-1~

45

2 DOMINGO APS O NATAL


Isaas

61 . 1-3,11,10

Hans Alfred Trein

1-

Consideraes exegticas

Tritoisaas somente a denominao de uma coleo de acrs


cimos ao Livro de Isaas, proveniente de diferentes mos e de pocas
diferentes, provavelmente anunciada e escrita no ltimo tero do sexto
sculo antes de Cristo. O anncio de salvao nos caps. 60 - 62 o cerne da coleo de Trtoisaas.
O povo est de volta na Palestina . As profecias no falam mais
de ansiedade por libertao e regresso . Elas se voltam para circunstncias precrias na vida comunitria : pesados inconvenientes , circunstncias catastrficas de injustia social (57 .1 ss) e um geverno falho
(56 .9ss). (von Rad, p.290) Tritoisaas se debate com um povo de pequena f (59.1 ss) que continuamente estraga seu relacionamento com seu
Deus por meio de injustia e culto vazio (58.1 ss), que desacredita ,
" cheio de razo", a benevolncia de Deus.
"O Esprito do Senhor Jav (est) sobre mim" uma analogia
ao primeiro cntico do Servo Sofredor (42.1 ss), com paralelo de proclamao de juzo em Mq 3.8. Uno consagrao para um ministrio
constante, empregada sobretudo para o rei. Uno , na nossa pas sagem , procurao, autorizao, uma expresso cerimonial para envio.
Tanto quanto sabemos, trata-se da ltima vez na histria de Israel que
um profeta anuncia de modo to livre e seguro a convico de ter sido
enviado por Deus com uma mensagem ao povo.
O profeta no apenas enviado ao povo em geral, mas especificamente aos oprimidos, aos que sofrem necessidade material e malogro espiritual; no pressuposto tratar-se dos ''humildes, fiis a Jav '' .
(Schwantes. p. 183) Os pobres, miserveis, oprimidos , esto na lista
das tarefas profticas. O resumo da tarefa do profeta, "levar a boa nova aos oprimidos", precede tudo como um ttulo geral. Is 61 .1ss fala
dos pobres do presente, ao contrrio de Deuteroisaas . A convico de
te r sido enviado por Deus se torna tanto mais peculiar , considerando-

se que Trito isaas se entende como enviado especificamente aos oprimidos dentro do povo . Esse anncio de salvao, conciso e claramente
estruturado, pressupe a quei xa coletiva desses oprimidos .
o profeta se tornou evangelista que efetiva a boa nova da mu
dana na situao dos oprimidos. atravs do seu anncio (como um
mdico anuncia o domnio sobre uma epidemia; co mo o carcereiro avi
sa aos presos sua soltura) . Sua tareia consta exclusivamente de um falar. l\Jesse anunciar , porm , e atravs dele , dever fazer surgir uma nova maneira de conduzir-se. naqueles a quem enviado . Anunc iar salvaco , portanto . quase tan to como publicar. realizar salvao A testa j
pode comear.
A traduo de Almeida pa ra o termo ANAVIM - quebrantados
- insuficiente e tendenciosa : induz a subentender pessoas que ne
cessitam de consolo e aconselhamento individual. ANAV IM um a caracterizao social e por isso se traduz melhor com o termo " oprimidos
O " ano aceitvel do Senho r" no se refere ao regresso do exlio. Refere-se originalmente prtica da reestruturao social , de sete
em sete anos. e, em especial. no 50 ano (Lv 25): perdo de dvidas .
anistia, reforma agrria ... provvel que o sentido, nesse contexto, esteja mais prximo do que entendemos por Reino de Deus . Todo o cap. tulo no tem em vista a revoluo escatolgica , seno o j encontrarse dentro da salvao. Os oprimidos esto dentro da salvao
O "dia da vingana do nosso Deus " pode estar relacionado
com aqueles de pequena f que praticam a injustia e o culto vazio.
que rejeitam o brao estendido de Jav , sobre os quais vir horrendo
juzo. So os mesmos que excluem outros do acesso a Deus (Mt 23 .13),
ao mesmo tempo em que sentem a ausncia da resposta de Jav
(58.3) .

II -

Pregar

" O Esprito do Senhor est sobre mim" nos constrange a buscar a leg itimidade da nossa pregao .
Por um lado, a Igreja se baseia na formao curricular de teologia . No s a direo da Igreja se apia nos exames resultantes de perodos reg ulamentados de estudo, para comear a falar em ordenao
e envio , como tambm as comunidades querem saber sobre a capacitao regulamentada de seus pastores. A tendncia considerar o mdico um especialista em assuntos de doena , o mecnico um especialista em mquinas, o pastor um especialista em assuntos de f, rel igio. Dews. A legitimao exclusiva que ocupou quase todo o espao

46

47

da autoridade para a pregao o estudo regulamentado, a aprovao


assinada por professor/doutor.
.
Por outro lado. grassa dentro desse mode!o altamente prof1 ssional1zado de legitimao o seu oposto negativo. um fanatismo espiri1ua11sta e conversionista . !\lesse oposto negativo a legitimao paro. pregar
se baseia na converso prpria imaginao do que se1a Evan gelho
Os legit imados pelo estu do !embram muito a classe sacerdotal
e de levirato, ou ainda os proeias de empreg o fi xo na corte. O s legiiim_ados por seu fanatis mo conversionista lembram mu ito os fari seus. ingenuos sustentadores espiriiuais da ideo!ogia dominante.
.
O bondoso Pai no permitiu que o Evangelho fosse afogado em
meio a [Link]~as pretenses de legitimao . Deu s no apostou na
sabedoria el1t1zaaa nem na converso auto-sugestionada, m as revela o
seu. Evangelho aos pequenos oprimidos (Mt 11 .25). O Esprito de Deus
esta sobre aquele que deve declarar aos chefes. sacerdotes e falsos
profetas a sua transgresso (Mq 3.8s) . Deus colocou o seu Esprito sobre o Serv? [Link] (42.1 ss) - um representante do povo oprimido .
visto atraves dos oculos da cristologia (Lc 4.18ss) - seno at sobre 0
prprio povo oprimido que, com seu sofrimento e abandono. haver de
converter os opressores. Por isso necessrio , antes de tudo. ouvir .
Pode parecer absurdo dizer isso a quem tem a tarefa de pregar. No entanto, a busca pela legitimidade permanece .
.
A pregao dentro de uma instituio eclesistica estruturada
da chances ao [Link] de saber-se " ungido pelo Esprito de Deu s'.
para 1.eg1t1ma r o anuncio de boas novas aos oprimidos? Dentro de nossa pratica de pastores de igreja, prtica em grande parte levtica , temos chanc.e ~e aguar nossa sensibilidade para a proclamao da graa aos oprimidos? Nossa tradio, sustentada por uma teologia de ma nuteno , t?nde a acomodar a preg ao como ensino. Exis te possibilidade de anuncio - como o de um mdico que avisa ao doente sua cura. como o de um carcereiro que avisa aos presos sua soltura - [Link] como esse do iexto? Compreendo o seu possvel prote sto: rr:as enten~o que um auxlio homiltico no serve para acomodar o leitor pregaao rotine1 ra .

III -

A quem pregar

O anncio da boa notcia tem um alvo. Como ttulo geral, o alvo


so os oprimidos . Os endereados das boas notcias so ainda especi ficados: os de corao quebrado, os cativos, os algemados, os que
choram , os que esto de luto. Na verdade, temos trs endereos especificados: os de corao quebrado , os cativos, os algemados. O choro
e o luto so conseqncias e man ifestaes dessas trs situaes.

Ter o corao quebrado estar morto. O profeta pode estar


pensando em ress urreio. Acredito que esteja pensando naqueles
mortos vivos que perambulam por a como cadveres requentados. ou
seja. aqueles que j res ignaram . cuja esperana no mais que um pavio que fumega. aqueles que. contaminados pelo vr us da ideologia dominante. numa sensao de absoluto abandono. co nside ram a sua fTli sria material e espiritual. seu sofrimento , um castigo de Deus.
Estar cafrjo esta r sem autonomia. Diz-se que o Brasil mercado ca1ivo de ali mentos pelos Estados Unidos - que por isso no tm
nenl1um interesse em que haja reforma agrria e produo de a!imentos no Brasil - . mercado cativo de eletro-eletrnicos e aparelhos domsticos pelo Japo - que freia com presso econmica as iniciativas industriais brasileiras no setor. Os pases dominadores reparte m
entre si os mercados cativos - pases subdesenvolvidos . dominados
- numa sofisticada e modernizada diviso de despojos. Cativos so os
trabalhadores em regime de semi-escravido em algumas fazendas da
Amaznia - as quais pagam o salrio minguado dos trabalhadores
com moeda prpria(I) , obrigando-os assim a comprar nos armazns da
fazenda. Cativa toda a mo-de-obra no qualificada. Os analfabetos e
os de pouca instruo so facilmente manipulve is . Cativos so os ndios da FUNAI e de vidos interesses capitalistas. Cativos so os agricultores do preo dos insumos e implementas e do preo de seus produtos, ditados por estranhos . Cati vos so os bias-frias do trabalhosazonal que arrebenta suas famlias e cria alcolatras arruaceiros Cativos so os de mente embotada pela Rede Globo de Televiso e pela
propaganda. Cativo o sindicato dos operrios , atrelado ao Ministri o
do Trabalho com poder de interveno. Cativas so as cooperativas
com sua coleo de pr-requi sitos anticooperativistas , atreladas ao INCRA com poder de int erveno ..
Es tar algemado estar de mos amarradas. estar amordaado por uma priso pol tica ou pelo exlio. Os algemados esto na cond i o de espectadores angustiados. Os algemados so os que tm condies . vocao. desprendimento, abnegao. para participar na construo de uma sociedade mais justa e fraterna, mas esto proibidos ,
trancafiados: algemados so os pequeninos irmos de Mt 25.31 ss, sem
voz. sem ve z, nos quai s Jesus Cristo est presente.
Voc ter muitos outros exemplos . Quem so os oprimidos que
estaro sentados nos bancos de sua igreja no domingo? mister anunciar a estes a eliminao das causas do seu choro e luto .

48

IV -

49

O que pregar

o dos oprimidos : desprendimento para procurar uma ordem est rutural mais
JUSta

" Anunciar boas novas aos oprimidos." Restaurar a esperana


aos resignados , restaurar a autonomia aos cativos. li vrar a participao aos de mos amarradas, estabelecer o tempo da justia e da paz
avisar a hora do juzo de nosso Deus. transformar o luto em respland ecncia e o choro em riso de alegria. exultao em ve z d e a ng s ti a tudo isso pressupe conhecer profundamente a quei xa col e ti va dos
opr imidos . Deus est [Link] nos oprimidos para se re m os este ios
da justia para a sua glria. Os oprimidos sabem o qu e est errado r. a
sociedade dos humanos, pois eles o sentem na prpri'l carne. Talv e z
no consigam formular em linguagem acadmica , e certamente d e senvolveram uma linguagem simblica e codificada prpria que um ouvido
cientiico incapaz de compreender.
Diz-se que o Evangelho para todos. D e fato o l A diferena,
no entanto, reside em que a realidade vista atravs da janela de um
Ford Landau outra que aquela vista por entre as grades de uma cadeia . O ano aceitvel do Senhor para os oprimidos significa o dia da vingana para os opressores. Os escolhidos de Deus so os fracos , desclassificados , marginalizados. Esse o escndalo da cruz . Como que
Deus foi apostar " nessa gente "?I Talvez seja para ns to li ce Deus querer construir o seu Reino com "essa gente''. Talvez pensemos assim
por que estamos de fora.

prefervel anunciar essa graa para as paredes a just ifi car


mesmo em tom de sussurro o esprito e a aiitude dominadora dos promotores da misria, que se autodenominam progressistas.

V-

Subsdios litrgicos

1. Confisso de pecados: Deus misericordioso. trazemos para diante de


11nossa prtica de injustia , nosso culto por isso vazio . nossas omisses. nossa
iluso com poder , prestgio . bens e propaganda. Estamos continuamente rej eitando teu brao estendido , estamos desviados da procura pela ju stia e pelo
teu Re ino em primeiro luga r. Tem piedade de ns. Senll0r1
2. Orao de coleta : Amado Senhor , tu n~o tens necessidad e de ns.
Mas nos preci samos de ti e de teu Santo Esprito constantem ente pr esente Re vela-nos tuas intenes conosco. Deixa-nos depois ir para casa abenoado s.
consolados. atingidos por tua palavra e abalados em nessa existnc :a. Dependemos de tua bondade, cujo nascimento mais uma vez leslejamos ne ste Natal.
Amm .
3. Assuntos para a orao final : agradecimento pela palavra, pela revelao aos pequ eninos (Mt 11 .25). referncia ao nascimento de Jesus . anunciado aos pastore s de ovelhas; reforo de Deus aos pequeninos oprimidos para
q~e conti nuem nos mostrando o caminho da justia e da paz: ouvidos e coraao abe rtos. de pa rte da comunidade . para que se deixe fermentar pela salva-

VI -

Bibliografia

PAURITSCH,K. Die neue Gemeinde: Gott sammelt Ausgestossene und Arme. Rom, 1971 . - VON RAD.G . Theologie des Alten Testaments. Vol.2. Mnchen , 1968. - SCHWANTES .M. Das Recht der Armen. Heidelberg , 1974. - WEISER.A. Einleitung indas Alte Testa.m ent. Gbttingen. 1966. - WESTERMANN.C. Das Buch Jesaja - Kap
40-66 ln Das Alte Testament Deutsch. Vol.19 . Gttingen, 1966 .
Sugesto para leitura complementar: GALEANO .E As veias
abertas da Amrica Latina. 6ed. Rio de Janeiro. 1979.

51
V.7 : Sino que hablamos la sabidura de Dios, el misterio, que fue
velada, la cual Dios con anterioridad ha dispuesta en la eternidad en
nuestro honor ,
V.8: la cual ningn rey en los tiempos ha reconocido, porque , si
lo hubiese reconocido, no hubieran crucificado ai Sefior de la Gloria .

I DOMINGO APS EPIFANIA


Corntios

.2 6-31

cf. II DOMINGO APS TRINDADE


Corntios

.26-31

Car los F. R. Dreher

(v Vol. V. pp . 190-195)

2 DOMINGO APS DE EPIFANA


1

Corntios

2;1-10

Die te r Knoblauch

1-

Texto

V.1: Y yo, cuando fui a ustedes , hermanos , no fui con superioridad de palabras de ciencia, sino que anunci a ustedes la sabidura de
Di as.

V.2: Pus juzgu no saber nada en vuestro media , sino slo a


Jesus Cristo, o sea e! crucificado .
V.3 : Y yo en la debilidad , y en miedo, y en temblor fui hacia ust e-

V.9: As como est escrito:


"Lo que el ojo no_ve y el odo no oye y el co razn dei hombre no
percibe, eso lo prepar Dios a los que EI ama " .
V.1O: A nosotros, Dio~ lo ha revelado por medio dei espritu ; po rque el espritu todo lo investiga como tambin las profundidades de
Dios .
Es conveniente hacer algunas consideraciones respecto ai texto . En el v.1 la palabra griega HYPEROJE significa : exceso, verborragia . altivez en la expresin, refirindose a que Pablo habl humildemente. Tambin , en cuanto a la sabidura de Dios, encontramos la expresin : MISTERION TOU TEOU, lo que significa: la ciencia oculta , de los
misterios , la que es velada comnmente a los hombres. Vemos esto en
relacin ai culto de los misterios en el mundo helnico , lo que Pablo conoca ya desde Atenas. Se trata de una sabidura no humana - como
lo veremos ms adelante en detalle - sino de una sabidura revelada
por Dias . En el v.3 se recalca en e! texto , que Pablo tuvo mucho miedo Y
temblaba mucho ai anunciar esta sabidura de Dios con la palabra POLL. En el v.4 leemos APODEIXIS : testimonio, o como prueba: en el v.6
el vocablo TOIS TELEIOIS significa: perfeccin, lo que ha llegado a su
madurez , lo que ha completado todo su desarrollo , a lo que nada ya le
falta. Esta es la ciencia de Dios (o sabidura). Tambin leemos en este
versculo la expresin: TN ARJONTN TOU AINOS TOUTOU , que
se refiere a las potestades demonacas. o el poder de los ngeles cados o otras potestades, ai que el hombre pudiera ser influenciado . En el
v.7 leemos la expresin THEOU SOFIAN EN MISTERI TEN APOKEKRYMMENEN, lo que significa: la sabidura de Dio s baj en el misterio , lo que se encuentra bajo la forma de un misterio , que es velado , cubierto. tapado. No es abierto sino que fue velado .

des.
V.4 : Y ni la palabra mia y ni mi predicacin eran para convencerias de la sabidura humana , sino en demonstracin espiritual y de i
poder de Dios,
V.5: para que la te de ustedes prevalezca no en la ciencia dei
hombre sino en el poder de Dios .
V.6: La ciencia que hablamos a los espiritualmente avanzados
no es la de este tiempo tampoco de los que gobiernan sobre el mundo,
tampoco los que rigen ai mundo , porque desaparecern .

II -

Exgesis

f\Jo era la experiencia de Pablo dei Arepago lo que le motiv


emplea r otra lctica para con los griegos , que pretendan tener su sabidura , entendindose por tal , lo que es til a la comunidad , ai pueblo
(POLIS), y para el pensamiento humano es el medio para tal fin (Platn)
de servir a todos . llamndose sta, la sabiduria dei hombre , que es es-

52

53

peculativa y limitada . Pablo contrapone a la misma la sabidura de Dias.


que es para aquellos. los que profesan la sabidura humana , un misterio , algo que es velado ai hombre. Por eso, la sabidura de Dias es considerada por los otros como una tontera (1 Cor .1; 18). As el hombre .
en el pensamiento griego, se encuentra frente ai cosmos y busca entender y ubicar su existencia en l mismo . cuando l puede objet iv izar
racionalmente en su pensamiento ai cielo y tierra . dioses y hombres.
De esta manera el hombre puede mantenerse en comunidad y en la
amistad y armona con toda la humanidad . sabiendo as conseguir , en
tal posibilidad la justicia. Para la ratio la sabiduria de Dias es una tont era , algo que no tiene sentido: es irracional. Tal fue el enfrentamiento de
Pablo con la gnosis de su tiempo . Existe. empero otra dimensin . Pablo
se enfrenta tambin con el pensamiento de los misterios de los griegos
con su predicacin de la cruz , en la cual muri el Senor de la Gloria. En
el mundo griego los " iniciados en los misterios " eran considerado s
perfectos y protejidos por los dioses de todo mal , a lo que se refier e en
el v.6. EI reci tado dei v.9 ha sido tomado muy posiblemente de la Apocalpsis de Elias. un apcrifo , conocido por Pablo ya que ste estaba
muy influenciado por la apocalpsis tardia de los judias . Tambin se alude ai texto en ls .64,4, pero es incierto que Pablo haya tomado su cita
dei profeta tal como lo alude Orgenes .

III -

Meditacin

Nos encontramos en el tiempo de Epifania , la celebracin ms


antigua (antes que Navidad) de la encarnacin dei Hijo dei Hombre Jesucristo . la fiesta de la Aparicin dei Salvador. tiempo en que nuestro
texto recob ra una dimensin de la misin dei mensaje redentor de Jesucristo una singu lar importancia. Pablo recalca la humildad y el conocimien to ya no humano, ni el doctrinal de su tiempo, o de otros tiempos,
de los poderes humanos que perecen y desaparecen , o de otra s pote stades . sino la ciencia de Dias dada para la fe a los entendidos. v .6, a los
avanzados en la comprensin por el Espritu de Dias . y no por el grado
de inteligencia o desarrollo intelectual. Para ella la humildades necesaria y es una condi cin ineludible (Pr .11 ;2). No es preciso , y an ms, resulta contraprod ucente el querer anunciar con grandes artificias el
mensaje dei Senor. En ello el mismo predicador quiere cosechar los
fruto s de su entusiasmo y labor desplegada. La obra dei mensajero debe ser con firmeza , pero, en el sentido de Pablo de " debi lidad. en mucho miedo y temblor" humano , donde el poder de Dias se manifiesta y
nuestra persona queda relegada en segundo orden. La humildad dei predicador de la palabra no se debe confundir con su estado
econmico o social, si con su actitud y testimonio de su vida, y cuando
anuncia la Buena Nueva a los hombres . En el tiempo de la Epifania . en

donde se observa la dimensin misionera. el predicador debe en nuestro texto darse cuenta de la oportunidad para su situacin concreta,
tanto : en su vida familiar o particular; la vida de relacin con su congregacin y la vida de comunin con su mundo. En [Link]. los casos es un
mis1onero ; en todos los casos l debe dar un test1mon10 , aunque en su
humildad no sea considerado una persona muy importante por los dems . siempre y cuando se mantenga en la rectitud y en la obed1enc1a
hacia su Senor . Nuestra inteligencia, nuestras hermosas Y decorativas
pai abras no van dirigidas hacia el mensaje, aunque ste se vea [Link] con las mismas . Siempre caen dichos artfices a nuestra habli1dad , a
nuestros recursos de tratar de convencer a !os hombres de " nuestra
verdad". Pablo, ai anunciar a los Corintios el mensaje de la Cruz . asume una actitud hasta de apariencia dbil para que el poder de Dios se
manifieste a travs de l. Muchas veces nuestro mensaje no llega Y
queda a mitad de camino , porque nuestra persona lo ha obstaculizado ;
hemos impactado pero no el Senor en su Palabra .
Predicar la Palabra de Dios es predicar una "tontera ", segn la
razn dei mundo. A este reto y desafio el predicador se debe enfrentar
En el tiempo de Pablo, el gnosticismo era la medida de todas las cosas
(vemos a Pablo en Atenas y el rechazo que ! ha experimentado por
parte de los pensadores, y no de los que han renunci~do a su pensamiento), que anunciaba el "conocimiento" que protegia ai hombre de
todo demonio o poder demonaco , tambin dei destino. sea bueno o
maio . Tambin se inclua en este aspecto los poderes estelares y/o los
espritus elementales, que podian perjudicar a los hombres. Bajo tal aspecto se ha unido el culto de los misterios , muy popular en aquellos
tiempos . Pablo no ha ofrecido una alternativa a estafe o a esta manera
de vivir de los griegos . EI simplemente predic de que el poder de la sabidura de Dios est por encima, que ha vencido toda suerte dei hombre , que ya el hombre estaba libre bajo el yugo de la ley (de los misterios y de la gnosis. de las suposiciones de los poderes invisibles) por
aquel que ha muerto en la cruz , que es el Senor de la gloria.
Hoy tenemos una situacin similar , ya que el culto de los m~st e
rios y el de profesar la gnosis an no ha concludo , sino que entro ~n
forma dei propio mal dei hombre, que lo ha designado poder demon1aco, o la mala suerte, con todas sus variantes, y as se ha buscado a santos y a otros poderes, tanto inocuos como perjudiciales para contrarrestar un mal determinado. Esto por un lado, lo que es popularmente
mu y conocido, especialmente en la clase social de pocos recurnos . Y
en ciertos casos de la gran sociedad. Por otro lado est el rac1onal1smo, que ha entrado en el siglo pasado, acompanado por el industrialismo . ambos que han motivado el materialismo , en todos sus aspectos ,
sea el cientificismo, sean las diferentes ideologias , sean los sistemas
econmicos , y sean las filosofias - salvo pocas excepciones - que

54
mayormente encontraron su triunfal entrada en el pensamiento religioso. Este paso ~ustamente ha querido evitar Pablo, cuando dijo : La
ciencia que nosotros hablamos a los espiritualmente avanzados no es
ia de este tiempo." Desdeluego, Dias nos ha dado una mente para pen sar, y es un gran don este tan va lioso instrumento; pero esta men te
concreta, pa !a cual la estamos necesitando, no es el media apropiado para indagar !o que no es concreto. lo que es secreto, insondable e
infinito . Por eso se habla ms exp resam en!e en el v .6( 1) de los "entendidos , los espiritualmente desarroliados " que l1an de rec ibi r plenamente la sabidura de Dios, porque elios. por el Espritu de Dias, han recibido otra mente, ia que podramos llarnar, la " mente divina" (v.10). El ias
reconocen por el Espritu lo que es de Dias, y no tom an ta l sabiduria como " una tonteria ", o como hoy dira mos: "una ciencia sin rea li smo ni
realidad de mundo, que es un ideal ismo irreaiizable por carecer de postulados concretos , de caminos practicables con una esoeranza de xito .' Es por eso necesario que la rel igin, as como Pabl~ la ha concebido , nut ra a la ciencia, para que la misma se hurninice, vale deci r, para
que ia misma se armonice con la voluntad de Dias . La ci encia de 11oy, ai
atentar contra Dios, atenta contra el mismo hombre y se torn a inhum ana. No se habla en contra de los adelantos tcnicos, pero s de su uso
para el desequil ibrio ecolgico, que con los medias adquiridos por ell a,
el hombre se distancia de si como de los dems cada vez ms, que todo est envuelto de un indescriptible temor ai futuro , que esta cienci a
desemboca en un abuso de armamentos para destruir ms vidas, que
la ciencia mdica se ha transfbrmado en un poder ya no curativo sino
de explotacin ai ser humano, y que la misma iglesia , por mantener su
autori dad ha incursionado por caminos , como ser de tomar otras ac ti vidades secundarias como principales para poder subsistir fren te a la comunidad, sean escuelas, otras instituciones de ensenanza var ia, o realizando testiva les, fiesta s para que se pueda subsist ir econmi camente. etc , recursos que han aumentado an la desesperacin dei 11ombre,
que corre a !os estadias cuando alguien predica en su l1onor el evangelio y promete la ayuda que l no puede dar. Cada pastor ver su situacin en su parroquia, pero es necesario de abrir por nuestro lado. !os
ojos , y comparar ia con n1.1est10 texto. Desde luego, habr en ciertos iados necesidad de una escue la, de algo que forme a la comunidad. pero
no debemos olvidar de nuestra misin y dei mensaje que es necesar io
de predicar .
y aqui llegamos a ot ro captu lo: la preparacin para rec ibi r ta l
mensaje de Dios.
Pablo l!ev a ios co rn tios la fe en Jesucristo , la sa!vacin po r E!.
No ha querido ensefiarles una nueva doctrina, sino simpl ernente la fe
en el Salvador. Aqui vemos nuevamente , lo que Jess haya dic ho tarnbin en Lc.'10;21 Y 22 o en Col.1 ;26 que se ha reve lado a los que son co-

55
mo ninas la sabidura de Dias , lo que quiere decir , que el hombre adulto
debe renunciar. negar a si mismo y !legar a ser receptivo a lo nuevo,
aue es ia sabi dura de Dias , y que lo transformar por el Espritu que el
~ismo hombre ha de rec ibir cua ndo se ha cumplicio todo lo previsto por
Dios en l. Esta realidad se ha querido suplir con el pensamiento e in teligencia humana. Una cosa es la inte ligencia, la posibi lidad de trabaja r
con el intelecto, y la otra realidad es la que Dias nos posibili ta por medio de Su Esp ritu , que es una realidad. ms ali de! intelecto humano.
Por eso Pab!o tambin ha esc rito: " ... La sabidura de Dios, la cual ning(in rey. o gobernante. en los tiempos ha reconocido (o conocido), porque si la hubiese reconocido. no hubieran crucificado ai Sefior de la
Gloria." (v.8) As el hom bre sigue crucif icando ai Sefio r, afio tras afio
justamente por supl ir !a real idad dei Esp rit u de Dios po la inteligencia
humana. que es fi ni ta y pertenec e ai mundo concreto. Para tener acceso a ia sabidura de Dias se requiere de la l1Umi ldad y de ser como los
ninas , y no de tener ttuios y gradas dentro de la sociedad. Dios concede por Su voluntad este Espritu, y cuando en la oracin , en el arrepent imiento el hombre se convieria , ha de renovarse ntegramente, siendo
una nueva criatura, por el Espritu de Dias , en donde la inteligencia servir ai saber de Dios , y no a la in ve rsa . Este es el principio dei con ocimiento , y el despertar de los paganos o de los hombres que buscan la
luz que ha aparecido a todos los gen tiles, a todos los hombres dei mundo .

IV -

N uestro sermn

1. Presentar la situacin dei hombre , den tro o fuera de la congregacin en querer identificarse con los principias y dictados dei mundo , sea ia supersticin y creencias varias que atentan a suplir la verdadera fe en Cristo, o tambin que la ciencia (los cientficos) ya no tienen
contac to con ia igl esia {si lo tuvieran , es po r supersticin u otros intereses fuera de la misma te).
2. Tanto e! predicador como todo miembro reci be hoy el ofrecimiento dei mensaje de Pablo, la fe de i nac!do en Beln , sobre el cual
pende ya ia cruz para ilegar a ser el Sefior de la Gloria . Esta fe no es
una alternativa a todo lo se fi alado en el punto 1 . sino el nuevo camin o
que nos iibera de todo, y nos une, por media dei Espri tu de Dios ai pensamiento y a la buena volu ntad de i homb re. Esta buena voluntad dei
hornbre no se ref iere a las " bu enas obras", sino en el de aceptar la te.
y de practicarla como test imonio , en humildad, en nuestro diario vivir .
3. Crecer en la hum ildad para recibir este Espritu de Dia s, conjuntamen te con una actitud de apertura a lo que Dias hoy nos quiere
decir , sin dogmat ismos o restric ciones, sean cuales fueren. EI hombre
es en el mensaje un ser !ibre , pero debe afrontar tambin las consecuencias de tal libertad .

57

56
4. Tal cambio en nosotros ha de capacitamos para el trabajo misionero de atestiguar de que Cristo es la Luz dei Mundo, y que nos libera de todo yugo, de toda supersticin, o creencia fuera de esta fe , que
ata y esclaviza ai mismo hombre.
Solamente el que tiene luz, la verdadera de Dios, puede 'entender" la verdadera sabiduria de Dios , y tambin la ha de aceptar para
il uminar a aquellos en donde Dios se man ifiesta. Los dems esperarn
y con la paz dei Sefior tendrn a su tiempo , despus de un si nc ero arrepeni imiento su oportunidad, cuando se entreguen plenament e a aque l
que ha nacido y muerto y resucitado por todos los hombres . para que
todos se salven y nadie se pierda .

V-

Subsdios litrgicos

1. Confesin de pecados: Senor , asi es todo nuestro mundo : sea el arte .


!a ciencia, las investigaciones y la incesante intranquilidad dei hombre buscando alcanzar xitos y prestigios, cumbres y poderes. Todos nosotros participamos de una u otra manera de esto, y nos sentimos !levados en esta direccin
por este mundo, que el mismo hombre ha transformado a su voluntad y de
acuerdo a sus pensamientos e inteligencia. Pero T has dicho, que Tu s pen sam1entos no son los nuestros Y que Tus caminos tampoco los nuestros. Cun difc il es para nosotros, hombres de nuestro tiempo de comprenderte y de aceptarte. Senor. T has dicho, de que debramos ser como los nines, porque a eilos
ha revelado los misterios el Padre, condicin para entrar en Tu Rein o. Seiior .
pero nos queremos sentir mayores. grandes y con la merecida import ancia. No
ha sido todo lo que somos un resu ltado de nuestro esfuerzo? Adems. toda
nuestra labor . todo el trabajo as lo exige de nosotros . Por todo eso te pedimos :
perdnanos. Haznos humildes_para ser grandes en Ti; haznos siervos de Tu Reino para pode r realizar la m1s1on como seguidores tuyos en este iiempo con todos sus desafios. de aceptar la sabiduria de Dias, aunque sea una tonteria para
el mundo. Asi podremos ser la luz, que ser Tu luz para este mundo, y la sal para esta tierra. Serior, ten piedad de nosotros!

2. Oracin de colecta : Seriar Cristo Jess; T nos reunes hoy aqui . Contigo podemos ser todo. porque T eres_ el princ ipio y el fin de todas las cosas.
Tambin lo eres en nuestro mundo. Ayudanos a ser humildes. asi como los ninas son , para ser capaces de rec ibi r la sabiduria divina. aquel poder Tuyo en
nosotros para ser tus mensaje ros en este mundo, trayendo lo que todos buscan : la felicidad. que es la armonia de Dias con el hombre para todo el mundo .
En Tu nombre te lo pedimos, Senor. Amn.
3. Ora c in de intercesin: Serior y Pad re nuestro. EI prin c ipio de la sabidura es el temor de Dios, Y para el hombre lleg a ser el pensamiento humano.
en todo su limitacin y !ragmentacin . Pero T hoy nos has mostrado nuevament e
el camino de la necesaria humildad, de la necesaria negacin de nosotros mi smos y de volvemos simples Y recept ivos incondicionalmente a Tu mensaje . T
no quieres ser comprendido sino credo y aceptado en_nuest_
ras vidas. Pero
tambin cun difc il es para el hombre dar este paso hac1a T1 ; n1 01en comenzamos a d~sconfiar de nuestra razn cuando podemos caer en cualquier supersticin . Cuando nuestra segur idad humana se ve atacada, es cuando todo reme-

0 10 y so:uci on humano y de otros poderes nos_ vienen bien . ~uando estamo~ rodeados de tantos ofrecimientos de pod eres e 1nfluenc1as. se Tu nuestro Esp1r1tu
de ooder y de transforrnacin, y as convertirnos en_mensaieros ~u yos en est ~
[Link] angustiante . Porque Tuyo es el poder. la razon y la sab1dur1a_
: po rque Tu
eres el pr incipio y el finde todas las cosas: porque Tueres el sol radiante en este mu ndo que quiere extenderse cu al glo ri a y bend1c1on Tuya . Por eso te pedimos hov por ... (!a nacin. congregacin. por los eniermos. anc1a nos, marg1n2dos. otv;dados. por la juventud . los ninos y por los qu e se ha n apartado y por los
qu e buscan la verdad. un a luz en sus vidas. etc .)

59

3 DOMINGO APS EPIFANIA


2

Reis

5 . 1-19a

Edson Edlio Streck

1-

Eliseu

No segu~do Livro dos Reis , nos caps . 2 a 8, nos ap resen tado o


profeta El iseu . E o sucessor de Elias .
Sua atuao caracteriza-se, por um lado, pelos milagres . s ve:es um tanto estranhos, que realiza. Tais milagres mostram que El iseu
e um ~ornem que .tem poder . Alguns exemplos: os milagres que realiza
junto a sunam1ta,
. o
h 1nclus1ve ressuscitando 0 filho dela (4 .8-37). e 1e t ira
veneno que avia numa panela de comida (4.38-41 ); alimenta cem homens co~ apenas vinte pes (4.42-44); cura da lepra o comandant e srio Naama (5. 1-27); faz um machado flutuar (6 .1-7); etc . Esses relatos
mostram a sua atuao em situaes do dia a dia , junto aos seus discpu1os e a pessoas do seu crculo .
. Por [Link] .lado, Eliseu um profeta bastante envolvido politica mente. 1nst1tu1 reis (Hazael , 8.7-15), intervm em guerras (contra Moabe, 3 4-2!) . ~sse.s. relatos , ao lado de outros. mostram a sua atuao
em relaao a
. .pol1t1ca interna e externa do seu pa s . envolvend o _se com
pessoas pol1t 1camente
n1c1l
1men _
.
.
.relevantes de seu tempo. Coloca-se , 1
te , contra a d mast1a remante e apressa a sua queda . Torn ad
d
1
d
se um os
est.e1os a revo uao e Je . afastando-se do cenrio poltico lo o ue
Jeu toma posse.
g q
Seu nome - Eliseu - encerra os significado Deus ajuda .
Em toda a ajuda que prestou, principalmente a necessitados. pobre s e
doentes , Deus estava atuando e ajudando . A lut a de Eli se u o1 a de levar as pessoas a depositarem a sua f em Jav.

II -

N aam e Eliseu

Tomei a liberdade de optar por todo o relato que fala da cura de


Naam (vv. 1-19a): desde o momento em que retorna para casa. cura-

do . A1guns comentaristas ainda adi ci onam ao texto o acontecimento


posterior : Geasi. um moo que acompanha Eliseu , vai pedir a Naam
os presentes que o profeta havia rejeitado , e a lepra recai sobre ele, como um castigo .
O texto que encontramos nos vv. 1 a 19a traz muito contedo e
pode ser visto perfeitamente como um bloco compacto .
Esse texto presta-se , como bem poucos , para uma prdica narrativa : o desenrolar dos acontecimentos pode ser trazido comunidade e comentado logo a seguir. Para tal necessrio aceitar a diviso
que o prprio texto nos apresenta , em cinco atos (que podem, inclusive . ser encenados diante da comunidade em forma de pea teatral,
com ajuda de grupos locais).
Por esse motivo trago agora o prprio texto. j dividido em cinco
atos , ressaltando o que h de mai s importante em cada um deles . Coloco aps o comentrio ao texto de cada ato. alguns pontos que servem
para reflexes, que nos ensinam lies, ou que inclusive j trazem aspectos para a atualizao da men sagem.

1 ato: "O poderoso general Naam leproso: Que ser


dele?" (vv. 1-3)
Texto: Naam general , comandante do exrcito da Sria :
um homem muito poderoso . Naam heri pelas vit rias j conquistadas: um homem benquisto pelo povo. Mas Naam surpreendido por
uma doena : a lep ra . Uma doena muito temida na sua poca , por ser
considerada praticamente sem cura. Que ser de Naam? Ser levado
ao deserto para morar em cavernas . como acontecia com muitos leprosos? Ser um homem a pedir esmolas, como ou tros leprosos? Ser
um homem condenado a uma morte lenta , degradante, em abandono?
A resposta a todas esta s pergunta s dada por uma criana . Algun s
anos atrs, aps uma vitria sria sob re Israel , Naam tambm levara
consigo uma escrava: uma menina judia que ficou a servio de sua esposa . Essa criana a pessoa que vai indicar o caminho para a salvao do seu patro . Ela fala que em Samaria existe um profeta que tem
poder para curar a doena de Naam .

Reflexo: Todo o poder , todo o status. todo o IBOPE, toda a


fora que podemos ter e alcanar ainda no nos autorizam a di zer qu e
somos auto-suficientes , que no precisamos de Deus, que j estamos
reali zados. Naam um exemplo disso. Ele tinha tudo o que um se r
mortal poderia desejar: era forte , rico. poderoso . benquisto. bem sucedido . Mas frente a uma doena como a lepra ele se v perdido , fraco .
int il. condenado morte .
Deus usa pessoas para salva algum, para chamar outras pessoas para si . Aqui Deus se vale de uma criana , de uma men ina escra-

60
va , para indicar o caminho da salvao a um general . Deus muita s vezes envia os seus mensageiros em momentos inesperados. d e forma
imprevista, usando at mesmo pessoas geralmente desconsideradas .

2 ato: "Ordem do rei da Sria ao rei de Israel : cura a lepra


de Naam!" (vv.4-7)
. . . Texto: Ao tomar conhecimento de uma , embora remota , po ss1b1l1dade de cura , Naam corre ao seu rei. Este escreve uma carta ao
rei de Israel , um dos seus vassalos. Naam, ento, parte , com uma
grande comitiva. Leva consigo muitos presentes: ouro, prata . e vest imentas de luxo. Chegando ao destino, Naam entrega a carta ao rei de
Israel. Ela contm a ordem de curar a sua lepra! compreensvel 0 pavor e o desespero que tomam conta do rei israelita: "Por acaso sou
Deus com pod~r para tirar a vida , ou d-la?" Ao raciocinar , deduz que a
ordem do rei s1r10 (orde~ que ele jamais poder cumprir) pretexto para uma nova guerra. Entao, reconhecendo sua situao sem sada. ele
rasga suas vestes: "estou perdido! "
Reflexo: Tu~o tem limites: tambm o poder dos que se julgam poderosos, tambem a fora e a sabedoria dos que se julgam donos ~o ~undo . O rei de lsra~I ~econhece que seu poder chegou a um limite. nao pode fazer nad~, ~ 1ml?ortante , no conseguir impedir uma
nova guerra. E entra em panico. E o que diz o SI 33.16: No h rei que
se salve com o poder dos seus exrcitos ; nem por sua muita fora se livra o valente. "
Toda a pessoa chega a conhecer limites , muitas vezes . em sua
vida: situaes em que os caminhos parecem terminar e as forcas acabam. Mas estar tudo perdido? O SI 33 tambm diz 0 s~guinte :
" Nossa alma espera no Senhor. nosso au xilio e escudo. Nele 0 nosso
corao se alegra ... " (vv. 20,21 a) quando nos reconhecemos num beco
sem sai~a. quando co~fessamos estarmos impotentes para nos salvarmos a nos mesmos, a1 estamos prontos para ouvir a palavra de Deus ,
para aceitar a sua fora e para andar nos seus caminhos.

3 ato: "O desespero toma conta de Naam: nada acontece de


acordo com os seus planos!" (vv. 8-12)
Texto: Eliseu envia uma ordem ao seu rei que est todo desesperado : "Deixa-o vir a mim , e saber que h profeta em Isra el 1"
Imediatamente Naam e sua comitiva dirigem-se casa de El iseu. A
casa est fechada. Naam espera . O momento to sonhado est para
acontecer , finalmente! Mas Eliseu no aparece pessoalmente . Ele apenas en via um mensageiro com a seguinte ordem : "Vai. lava-te sete vezes no Jordo: e a tua carne ser restaurada e ficars limpo 1 A revolta

61
de Naam imediata . Totalmente decepcionado, ele v que nada est
acontecendo de acordo com os seus planos e com a sua imaginao .
Encontra vrios motivos para revoltar-se : a ordem de seu rei , de curar a
lepra . no obedecida : o profeta que pode cur-lo nem aparece pessoalmente para realizar essa cura : ao invs disso. manda um mensageiro com um recado (e que recadol); seu recado humilhante - tomar banho no rio Jordo, um rio sujo , em que pastores e o prprio gado
se banham . um rio que nem sagrado: sua cura deveria ser fe ita com
grandes sinais . palavras. danas e magias , conforme ele havia imaginado . mas nada di sso acontece 1 H motivo suficiente para retornar para casa .

Reflexo: Quando algum chega a Deus , procurando ajuda .


aproxima-se com certas expectativas. Como acontece conosco essa
aproxi mao? Tambm com ordens de que tudo deve ser de acordo
com o nosso pedido e com a certeza de que Deus dever nos satisfazer? Tambm esperando que Deus venha ao nosso encontro com grandes abracadabras . com grandes aparatos e sinais majestosos? Tambm carregando conosco muitas coisas para da r em troca por uma
graa alcanada e dispostos a pagar as nossas promessas? E, final mente. tambm revoltados com Deus quando vemos que ele no nos
atende conforme os nossos planos e as nossas necessidades? E por isso lhe viramos as costas?
Na atitude de Naam ns nos vemos , como num espelho .
Um dos pontos altos deste texto (a afirmao de Eliseu " saber
que h profeta em Israel!") esclarece mais um ponto importante : ao invs de exigir algo de um rei, Naam ter que pedi-lo a um profeta. Importante aqui a pessoa do profeta (ele nem aparece pessoalmente ).
Importante a palavra de Deus que ele prega . Seu contedo deve ser
seguido , caso contrrio a pessoa se afasta cada vez mais de Deus .

4 ato: "Naam, por que no fazes o que o profeta pediu?"


(vv. 13-14)
Texto: Subalternos falam com o seu general. Mostram-lhe o
seu erro, a sua teimosia, ao no fazer o que Eliseu lhe ordenara: se fosse algo praticamente impossvel de realizar, certamente o tentaria 1 Fazer o que o profeta pede to fci l e to simples 1 E Naam segue o
conselho de pessoas que estavam acostumadas apenas a obedecerlhe . Va i banhar-se , por sete vezes, no Jordo . E o milagre acontece : ele
fica curado ! Sua carne est restaurada 1
Reflexo: Obedecer a Deus no algo extraordinariamente
complicado ou praticamente impossvel. A pessoa descobre Deus ao
seguir sua palavra . passo a passo, na vida do dia a dia . Deus revela- se
nas coisas simples e pequenas Fala atravs de pessoas consideradas

62

63

1n s!gnif1cantes . muitas vezes . A pessoa descobre Deus e assim chega


a fe , quando se torna humilde , quando demonstra uma obedincia ampla , geral e irrestrita sua palavra . A pessoa descobre Deus , quando 0
" eu penso. eu quero. eu exijo " se calam e do lugar ao que Deus tem a
dize r.
. . Naam saiu cata de sua c ura . mas encontrou a sua salva o.
Mais :mportante para Naarn do que recuperar a sua sade e a su a vida . ago'.a sem a dat2 ma rcada da. morte, encontr ar-se c om D eus e
conhec e-lo .
. A co~s eq n c ia de sua obed incia pala v ra de De us. d a sua
hu [Link], e o milagre . A vida com Deus um milagre qu e se to rn ;:i
poss 1v el somente quando " descemos " l do alto onde nos coiocamo s .
ouando e x p ~ri mentamos o Deus que tira e d a vida (ser aog a do e re nascer na .agua)_ Os m ilagres de Deus somente so perc eptveis e
com pree ns1ve1s aqueles que tm f .

5 ato: "N aam confessa: no h Deus seno em Israel 1" ( " \'
l 5- l 9a)

..
Tex to: Aps constatar a sua cura , Naam retorn a com s ua
com1i iva para junto de E!iseu . Naam lhe confessa a sua f : "Agora red _
c onhe o que em toda a terrn no h Deus seno em Israel 1 A
.
gra e c1

1
ao pe a su a cura , o genera 1tenta deixar seus presente s com 0 profe t a .
El1seu rec usa-se . entretanto . a aceit-los . Naam faz ento um ltimo
pedido de que lhe seja permitido levar ao menos um pouco da t e rra d e
!s ra e~. cons 1 go . para que ele ern casa possa , sobre e ssa terra . ofe re cer
s~ c rn 1~1os ao _Deus de Israel._E antecipadamente ped e por compreensao a t: lise u. as vezes ele tera que acompanhar 0 seu rei no culto a Rirnorp - que is so lne se1a perdoado 1 Eliseu desped e-o . dando -ih e 0 seu
SALOM 'Vai em paz 1..

Reflexo:

Naam eniende , finalment e. que ele no tem na d a


1
2 der . Nem pode dar Porque Deus lhe deu . de graa , uma nova v ida . E
ela oeve ser recebida . tambm de graa' O dom de Deus no se c o mpra . nem se paga - Deu s quer gratido eterna .
O pedido de N aam (de leva r terra consigo) , o pedido d e d e sc ulpas ao mesmo tem po . lembr am a vi da e o culto a e to do o isr ae lit a au e
se encontra na dispora Lembram algo muito import ante : qu e D ~ u s
r.o mo:iooo!10 de um povo. nem est pre so a uma terra ou a u m lugar Esse pedido d e Na am torna-se atual ali ond e a lg rei a vive em a bsoluta x1no ria

III -

N aam, Elseu e eu

A pergunta de Naam , "com o livrar-me do meu mal?''. leva-o a


encon tra r a resposta a uma o utr a pergu nta : " como en c::ontra rei
D eus?" Seu c a m inho at Deus longo , d-se em deg raus : ele d esc e
do alto em qu e se encontra . to rn a-se humilde . ob ed ece pa lav ra de
Deus . ,, est a rec eita pa a descob ri rmo s Deu s e c hegarm os a e!e . A
e scad a qu e eu e muitos out ros eus - temos par a desc e r est d esc obe rt a e deve d a-se no nosso d ia a dia . Na am de sc eu a sua: reconheceu sua sit ua o d eses per adora e sem saida ao i oma r c onhec im ent o de sua d oen a : seg uiu o cons elh o d e uma guriazinha . de uma
e scrava judia insi gnific ante : proc urou a su a cur a em um pas subjugad o: vi u n o ser cu m pri da a o rdem de se u re i
rei d e Israel : teve qu e
p roc ur ar um profeta par a cur -lo : esse profet3 nem se dig nou a falar-lh e
pe ssoal m en te: ouvi u o rd ens at ravs d e um mensage iro d e um p rofe ta;
ouv iu os conselhos de seus subordinados ; obedec eu a tudo o que lhe
foi dito que fizesse : tomou banho no Jordo , o qu e ele v ia como um a humi lha o : viu rejeitados os seus p re sentes ; chegou a pedir te rra de sse
pas para leva r cons igo ; pediu d esc ulpas pel as vezes em qu e ti vesse
qu e ajud ar seu re i no cu lto a Rimam .. .

O outro ponto alto desse te xto , o v . 15, nos m ostra: " os limites
do pai s e os limit es da ado rao do Deus de Is ra el no so os limi tes do
se u poder ." (Steck , p . 129) Deu s Senh o r sob re vid a e mort e - em rela o vida de cada pessoa . Jesus Cr isto vei o torna r essa m en sage m
b em cla ra . Toda s a s pessoas , todo s o s povos, quer o c onheam que r
no . esto nas mos d e Deus . El e o Deus qu e age na H ist ria
Epifania justamente isso : a luz de Deu s bril ha nos camin hos
obscuros daquele que ainda no conh ece Deus .

IV -

Subsdios Litrgicos

1 . Hinos Podem ser ca nt ados os hinos 41 , 42. 09, 171 , 163. 180 de " H1Povo de Deus" . No Hinrio da IECLB - velho - eles est o sob os nffi('r os 3'.: . 07. 157. 163 .
2 ln! r61to Salmo 33. vv .16.20-2 1a: " No ha rei que se salve com o pooe: oo,, se us ex rcitos. nem por sua mu it a fora se livra o valente ... Nossa alma
w ,;::e<i :10 Scnr.01. nosso auxilio e esc udo. Nele o nosso corao se a1egra ...
::., Con l1sso oe pecados: Err os que comet emos: procuramos Deus em
,;i,218s '3 r1a oos. ou esqu ecemos de procura-lo em nossa vida: ou fugimos dele
Cc-: n ;sso nos afastamos cada vez mai s de Deus. Meio sem rumo chegamos a
Deus. pedindo-lhe . qu e el e nos aceite. desperte em nos a ie . perdoe o nosso
:ro ~. J

<'>g o i~mo

4. A absolv1co : 2 Co 5.17 " E ass im. se alg um est em Cristo . nova


cr ,[Link] as cousas antig as j passar am : eis que se fizer am novas ...

64
5. Orao de coleta: Ped imos que Deus nos d muita humildade par a
ouvirmos a sua palavra , para sabermos escutar o que tem a nos dizer e no
aquilo que ns gostaramos de ouvir .
6. Le it ur a bbl ica : Mt 5.8-13: a cura do criado de um centurio .

7. Assuntos para a orao final : Como doentes te procuramos : conduzenos salvaco. pelo teu cami nho . Despe rt a - ou fortalece - em ns a f em
ti . No permitas que nos declaremos " donos" de ti . querendo manipular-te .
conduzir-te. orientar-te pe los nossos planos . Oue no fechemos as portas para
outras pessoas que ainda no te conhecem: mas que sejamos. cada um de ns .
onde tu nos colocas . teus men sageiros. pessoas que convidam outras para o
caminho que leva f em ti .

LTIMO DOMINGO APS EPIFANIA


Apocalipse

1 .9 -

18

Joachim Fischer

V-

Bibliografia

HILLER , S. Prd ic a sobre 2 Rs 5. ln : Hom ile tische Monatsheft e.


Ano 53. Caderno 2. Gttingen. 1977 . - HOMBURG , K. Jntroduu ao
Antigo Testamen to. So Leopoldo . 1975. - MEYER . B. Meditao sobre 2 Rs 5.1-16. ln: Homiletische Monatshefte. Ano 50. Caderno 10/ 11 .
Gttingen . 1975 . - STECK. K. G. Meditao sobre 2 Rs 5 .1-19a. ln
H err tue m eine L ippen auf Vol.5. [Link] . Wupperta l - Ba rm en . 1961 .
- VOIGT , G Meditao sobre 2 Rs 5 1-19a. ln - . Das ve rh eisse ri e
Er e. Gttingen. 1965

NO TEMAS !

I -

A situao

O Liv ro do Apocalipse foi escrito provavelmente pelo fim do governo do Imperador Domiciano (8 1 - 96) Seu tema o conflito entre a
comunidade crist e o estado da poca, o Imprio Romano , dit atoria l e
arbitrrio. O con fl ito surgiu em torno do culto ao imperador. Esse culto
abrangia tod a um a liturgia de glorificao do imperador , como se este
fosse um deus todo-pode ro so O prprio estado servia-se dessa relig io
para seus in teresses polticos Atribua-l he a funo de unir a populao do vasto Imprio, de etnias d iferentes , de garantir a segurana do
stado e de assegurar a lealdade dos cidados . A comunidade crist ,
no entanto , confessava Jesus Cristo como seu nico Senhor e Sal va dor . Con seqentemente. no podia reconhecer o estado e seu representante m ximo como valo r ltim o. Era inevitvel o con flito com as autorid3de s civ is. mi li tares e religiosas . com as idias sobre a segu rana
do estado, com a ordem ex istente , com o conformismo geral, ditado pela fa lta de disc ern imento e pelo medo compartilhado aparentemen te
tamb m pe!o povo (imag ine cenas semelhantes descr ita em At 19 .2432)
O Apocal ipse pressupe essa situao de conflito entre a comun idade crist e o estado . J houve perseguies e execues (6.911 ) Have ro de sobrev ir comunidade sofrimentos e conflitos mu ito
mais sri os aind a , at de vida ou morte (cap. 13): ser derramado o
sangue das testemu nhas de Jesus (6.11 ; 16.6; 17 .6; 18.24) .

66

II -

67

A mensagem

A mensagem proftica de Joo , o autor do Apocalipse (que no


idntico ao autor do quarto evangelho e das cartas) , pode se resum ida nas palavras: No teflas ! Joo mostra com clareza toda a gravid Jde do confli to que a comun idade est por enfrentar. Com a mesma cla reza aponta para as conseqncias do con fli to. Mas no sugere comunidade resignao nem conformismo nem entrequisrno. Coloc a tudo na perspectiva escatolgico-apocaiiptica: em br~ve Cristo acabar
com as falsas exi gnci as do estado quanto 8 sua ordem soci al, pol itica .
econm ica: assim por um fim ao sof rim ento dos cri stos. J\ expectat iva viva desse fi rn fort alece a comunidade em sua 2tiiude c rt! c3 frent e
real idade em que vive , de modo que pode continuar res isiindo aos poderes total itri os .e arca!' com as conseqnc ias , o sofrimento. A part e
central do Apoca11pse (caps. 12--14) mostra que a lu ta com os pod 8res
das trevas (o estado) necessria. Em meio aos at aq ues dos podern s
ant ic ristos , a confisso de f "Senho r Jesus " deve ser man tida
mesmo que signifique sorimen to e morte. A comunidade pode ficai:
confiante: a vitria final pertence a Deus e Cristo . Nesse sentido 0 profeta pode proclam ar : No temas! Venceremos!
Ma rti m Lutero tambm destaca esse aspecto em se u prefcio
ao Apocalipse. do ano de 1530: " Podemos aproveita r e usar muito bern
este livro . Primeiro , para nosso consolo: neni1uma violncia nem mentira , nenh uma sabedoria nem santidade, nenhuma aflio nem sofrimento podem sufocar a cristandade; ela, no fim , vencer e tr iunfar . Segu ndo , este livro se rve corno advertncia conta o grancle escndalo , plu ri forme e perigoso, na cristandade . Contra el a luta um poder aparen temente muito grande. Ela , porm. aparentemente no nada, porqu e
nela h tantas afl ies , idias er radas e outras fraque zas . Po; isso a razo irrita-se com a Igreja ... O diabo pode esconder a igrej a crist sob
escndalos e di vises, para que te irri tes com ela. Tambm Deus pod e
escond-la sob fraquezas e faltas, de modo que fiqu es bobo e chegu es
a conc luse s erradas ... Resumindo , nossa glia est em Cristo : no
est no mundo , diante dos 01h0s de todos, como qualquer merc ador ia.
Por isso no te escandalizes com escndalos , rupturas, heresias e fraquezas. Se a palavra do Evangelho permanecer pura conosco e se a
valorizarmos devi damen te. no devemos duvidar da presena de Cri sto
entre ns e conosco ... , ass im como vemos neste liv ro que Cristo , apesar de tudo , est com os seus e no fim vencer ."

III -

Observaes exegticas

Em 1 .9-18 Joo relata a viso em que foi chamado por Cristo para sua misso . De maneira semelhante profetas do Antigo Testamento

relataram seu chamamento (1 s 6: Jr 1: Ez 1-3). Num domingo Joo experimenta um xtase [Link]. Tomado pelo Esprito de Deus , pode ver
mistrios inescrutveis aos outros . Tem uma audio ([Link]-11) e uma
viso (vv.12-16) . Segue mais uma audio (vv.17-20) . V o Cristo exaltado (" um semelhante a filho de homem ", cf. Dn 7.13) que governa o un1ve ;so juntamente com Deus. A lngua humana incapaz de expressar
toda a realidade desse Cristo vitorioso. Por isso Joo usa comparaes. Aproveita imagens e expresses que, em grande parte, tira_ do
An tiao Testamento. Com todas elas aponta para o pod er, a maiestaoe e
a sup erioridade de Cristo. Este est vestido com vestes talares, co mo o
sumo sacerdote , e cingido com uma cinta de ouro, como o rei (v.13 ). Os
ps firmes e a voz forte (v.15) lembram Dn 10.6 e Ez 43.2. A espada de
dois gumes (v.16) significa que Cristo o juiz . Nada lhe fica escondido .
Todos devem prestar-lhe contas . As sete estrelas (v.16) talvez sejam a
constelao da Ursa Menor , tida como smbolo de poder e dominao
em geral ou como smbolo da dominao universal dos governantes do
Imprio Romano. Joo diz , atravs da imagem, que Cristo o Senho r
do universo; no. os poderes deste mundo . No v.20, que no pertence
mais percope , o prprio Joo interpreta as sete estrelas como os
"anjos " das sete comunidades mencionadas no v.11. Quem so os
" anjos"? No h certeza . Alguns acham que so os bispos das comunidades. Outros pensam em algo como anjos da guarda que represen tam
e protegem suas respectivas comunidades. Os sete candeeiros no
meio dos quais Cristo se encontra (vv.12-13), significavam , orig inalmente , talvez sete estrelas . Mas Joo interpreta-os como as sete comunidades (v.20) . Afirma que Cristo est presente no meio de suas comunidades , apesar de todas as falhas que apresentam e que so criticadas nas mensagens dos caps.2-3 .
A viso tem um efeito praticamente mortal sobre o profeta
(v.17a ; cf. Dn 10.9-11). J no Antigo Testamento o horf!em sen te-se como um nada diante da santidade de Deus (Gn 32 .31 : Ex 33 .20: Is 6.5).
Na verdade , porm , o encontro com Cristo significa a verdadeira vida ,
no a morte . As palavras de Cristo nos vv.17b-18 so a mensagem central da percope . Cristo, identificando-se com Deus , proclama-se vencedor sobre os poderes das trevas, da morte e do inferno, isto , sobre
os poderes mais malignos e mais destrutivos que podemos imagina r.
Por isso os cristos no precisam temer mais nem a morte. "No temas ! ' ' uma mensagem freqente no Antigo Testamento , embora muitas vezes num contexto diferente (cf. Kirst).
O que o profeta Joo v, essencialmente uma mensagem para as comunidades . Ele expressamente autorizado como mensageiro .
Duas vezes lhe dada a ordem explcita de transmitir sua mensagem
(vv.11e19). As sete cidades (v.11) eram comarcas e sedes de autori-

69

68
dades governamentais, conseqentemente tambm centros do culto
ao imperador. Por isso haveria nesses lugares inevitavelmente graves
conflitos das comunidades com o estado.
Quando Joo teve sua viso-audio , encontrava-se na ilha de
Patr:'os numa espcie de priso preventiva ou cautelar . A priso for a
motivada por sua pregao (v.9b) . As autoridades temiam , como par ece , que a pregao do Evangeiho pudesse levar a motin s entre a populao. A viso no transformou Joo num so litrio, como mu itas veze s
aconteceu com profetas do Antigo Testamento. Ele solid rio com os
irmos, suportando com eles o que os atinge de for a (tribula o). tomando uma atitude firme fren !e a tais golpes (perseve ran a) . esperando pelo que h de vir (Reino). O caminho para o Reino de Deus passa
por tribulaes que exigem firmeza e resistncia (v.9a ).

IV -

A prdica .

...-

Na prdica, a mensagem "No temas! " pode ser desenvolvida


em quatro passos, como segue .

1. Chamamento: Joo , profeta e autor do Apocalipse , faz


uma experincia singular. Tem um encontro com o Cristo ressurreto o
Senhor sobre todos os poderes . chamado por Cristo como seu m~n
sageiro junto ao povo. O acontecimento decis ivo para toda a sua vida. Atinge-o profundamente . Da histria conhecemos outros cristo s
que tambm tive ram seu encontro pessoal com Cristo, cada um sua
maneira, como Agost inho, Martim Lutero , o pietista Augu st He rrmann
Francke, o metodista John Wesley. O encontro sempr e fo i sentido como libertador , determinando os rumos de suas vidas. Tambm entre
ns , l1oje , pode haver cristos que sentem in tensamente a p re sena do
Cristo vivo num determinado momento de sua vida . Talvez nem possam
dize r com muita clareza o que experimentaram . Para out ros , suas experincias podem parecer bastante estranha s. Por qu? Crist o, o Deus
presente no mundo, no se deixa prende r dentro dos padres do nosso
dia a dia. O que fica claro que ningum recebe tais " revelaes " para si mesmo, como indivduo, isolado dos outros . Quem fo r c ham ado
por Cristo, o como " irmo e companhe iro " , como m embro da comunidade , em prol de todos . Em ltima aniise , o encontro pessoal com
Cristo nem o privilgio de apenas alguns escolhidos. Cada cri sto
chamado, cada um de ns - primeiramente no Batismo , d epoi s inc essantemente no encontro com a palavra e com o corpo e sangue de
Cristo. Cada cristo, meditando sobre sua vida , certamente poderia falar de determinados momentos em que sentiu de maneira especial a
presena , a fora , o poder, o conforto de Cristo. Assim ns somos chamados , aceitos , marcados .

2 . Medo: Para o profeta Joo o encontro com Cristo mort al.


O medo o faz cair como morto. Hoje , geralmente no sentimos mais
desta maneira a proximidade de Cri sto. Contudo, estamos acostumados a ver que pessoas ficam fora de si e caem por terra , quando o deus
" desce .. . Acont ece nos te rr ei ros de Umban da. por exemplo. E em tod a
a nossa soci edade o medo uma realidade. Muitas coisas causam medo: doena , solidfl o, dese mprego , assaltos na rua , falta de rec ursos pa
ra leva r uma vida digna , desrespeito aos direi tos humanos mais elementares, vi olncia , injust ia , domnio da lei do mai s for te. Temos motivos de al imentarmos medo de ns mesmos . de nosso Eu incal culvel,
c ujo egos mo cau sa medo aos outros . O medo destr i. Onde rei na o
medo, n b riga , agress o. vioi nc ia. morte . No pode haver mais con
~ i a n a , paz, amor. Dizem que os brasilei ros so cordiai s. d:spostos a
ajudar. 8tenc iosos. Mas a soci edade como um todo parece tr ilhar um
caminho em que esses va lores e at itudes so prog ress ivam ente destrudos .
3 . Encorajamento: Num mundo che io de exerc c io brutal do
poder . cheio de medo e de mo rte , Cri sto revel a-se como o poder da vida. A f nele d coragem e fora para nada r contra a co rrente za , par a
enfre ntar os pode res destrutivos, para resistir ao mal em todas as suas
formas , sejam elas pessoais, institucionais ou sociais. No te mas ! No
resignes t No te acomodes! So impera tivos da f cri st . No visam
apenas o consolo. Cri sto, tira ndo nosso medo, possibi li ta uma vida de
f ativa . Encoraja expressam ente para tal vida . No somos poderosos
em termos pol ti cos. Mas o pode r poltico ou econmico no um valor
lti mo e nico. H o poder da f que ag e, que supe ra o medo pelo am or
- am or a Deus, a Cristo . vida, ao prximo. Tr ansparece suficientemente em nossas comunidades o poder do Cristo ress urreto, sua vitria sobre a morte, nossa coragem de f?
4 . Anncio: O profeta Joo recebeu a misso de tran smit ir
aos outros a mensagem de Cristo . Es sa cabe hoje comunidade com o
um todo . El a vive para os outOs . Di ante dos indivduos , da soc iedade e
do mundo ela den unc ia os pode res que amedron tam as pessoas . Ela
anunc ia a palavra de Cristo que a palavra da vida e do amor; anuncia
a vinda do Reino de Deus; anunc ia a libertao dos poderes do medo.
Em nossa soc iedade os nmeros va lem muito (por exemplo, os nmeros referente s ao cresc imento da indstria e da produo). Mas muitas
veze s o preo que deve ser pago po r est e tipo de c re sc imento muito
alto . Pessoas so pi soteadas por um progresso uni lateral. Justam ente
por ca usa disso tm medo . Em meio a essa real idade, a comun idade
c rist port a-voz de outra rea lidade : a rea lidade do Reino de Deus , do
Cristo ressurreto e vitorioso, de uma vida digna, humana, de respeito

70
mtuo e de amor. No temas! a mensagem que ela recebe de seu
Senhor. " No temas!" tambm a mensagem que ela transmite e procura viver .

V-

Subsdios litrgicos

1. Confisso de pecados: Nosso Deus, Senhor sob re a vida e a morte.


Em tuas mos entregamos todos os nossos pecados. Temos medo, onde devemos mostrar coragem. Somos passivos, onde devemos agir . Conformamo-nos
com injustia . violncia e destruio . onde devemos resistir ao mal . Pensamos
em ns mesmos, onde devemos cuidar do nosso irmo . Mas confiamos na oalavra de teu Filho. Pedimos. libert a-nos do medo. da pa ss 1v1c1ade. do co nf o rmismo
do egosmo. Perdoa todos os nossos pecados. Tem piedade de ns . Senhor 1
2. Orao de coleta : Deus . nosso Pai celestial . que deste vida e poder
a teu Filho. Pedimos que nos ds olhos. ouvidos e coraes abertos. para que
percebamos em meio realidade do medo e da morte a realidade da coragem
e da vida . iniciada na cruz e ressurreico de Cristo. Permite-nos ouvir nesta hora tua palavra poderosa. Em nome de Jesus Cristo. nosso Senhor. que venceu o
medo. a morte e todos os poderes do mal. Amm.
3. Assuntos para intercesso na orao final : Pedir que a Igreja seja um
sinal do Reino de Deus, que no seja covarde frente s presses dos poderosos, mas apie tudo que fomenta a vida; pedir que no mundo os que governam
tenham em mente o bem-estar de todos. que os poderosos no abusem do poder que lhes foi dado. que os fortes no se esqueam que esto debai xo do Senhor dos cus e da terra : pedir que entre ns sejam fortalecidos os perseguidos
por causa de sua f e de seu testemunho. que encontrem proteo os assu stados e desesperados. que perseverem os que resistem s tentaes do poder.

VI -

Bibliografia

GOLLWITZER, H. Meditao e prdica sobre Apocalipse 1 .9-18 .


ln : Gottinger Predigtmeditationen. Ano 58 . Gttingen. 1969/70. KIRST , N. Nas pegadas de um gnero - "No temas 1" na tradio da
Guerra Santa . ln: Estudos Teolgicos. Ano 1O. So Leopoldo , Cade rno
2. 1970 . - LILJE , H. Das letzte Buch der Bibel. ln : Die urchristlich e
Botschaft. Vol.23 . [Link] . Hamburg, 1955. - LOHSE , E. Die Offenbarung
des Johannes . ln: Das Neue Testament Deutsch. Vol.11 . 1 [Link]. Gttingen. 1971. -TRAUB, H. Meditao sobre Apocalipse 1.9- 18 . ln : Horen
und Fragen. Vol. 41. Neukirchen , 1975.

DOMINGO SEPTUAGESIMAE
Jeremias

9.22-23

Harald Malschitzky

I -

Consideraes preliminares

necess rio alertar logo de incio para o fato de que a numerao dos versiculos no igual em todas as tradues da Bblia . Enquanto que na Bblia Hebraica o texto est nos vv .22-23 , ocorrendo o
mesmo com a traduo de Lutero , tanto a traduo de Almeida quanto
a conhecida Zrcher Bibel apresen tam o texto nos vv.23-24 .
No h problemas de traduo ou varia ntes que pudessem ser
dignos de maior discusso: o te xto claro.
Todo o cap . 9 do Livro de Jerem ias , especialmente o trecho dos
vv.9 a 25 , uma coleo de ditos de juzo contra o povo de Is rael , de
um juzo que chega a ser cruel e violento. Justamente os vv.22 e 23 parece que esto fora deste conte xto, marg em do contedo restante do
capitulo, pois em lugar de anunciar juzo, eles so uma advertncia , um
desafio, um convite . Entretanto, embora no haja uma ligao aparente
entre estes versculos e o restante do te xto , sem dvida eles apontam
para algumas das razes que levaram o povo a se desgarrar de Deus, o
que est muito bem resumido nas seguintes palavras : " ... deixara m a
minha lei, que pus perante eles , e no deram ouvidos ao que eu dis se ,
nem andaram nela ." (v.13) Dentro desta perspectiva de afastamen to
total de Deus e de sua lei , os vv. 22-23 parece que apontam para formas bem concretas de o homem voltar-se contra Deus na medida em
que se volta para si mesmo .

li -

O texto

V. 22: Aqu i so caracterizadas trs reas - muitas vezes interligadas ! - em que o homem facilmente se deixa enredar para viver e
curtir a prpria vida: sabedoria , poder (fora) e riqueza .

72

A sabedoria aquela que se orgulha de si mesma e que usada


como arma contra o outro, para manter o outro sob control e, para pressionar o outro. "Saber poder" , diz o ditado . Poder sobre outros, um
pode r escravizante, que tortura e que dest ri . N.o por menos que em
nossos dias fat ias generosas de orame ntos dos pases so destin adas
espionagem, a fim de evitar que o outro saiba alguma coisa que possa ser um poder ameaador.
Sem dvida, trata-se tambm - no texto - do saber rel igioso
que se coloca diante de Deu s fa ri sa icamente. no para 1t1e pedi r graa
e perdo, mas para lhe pedir mritos.
"Poder corrompe " - uma expreso conhecid a. embora sempre se diga isso do outro. O exerccio do poder , sempre que no estive
a servio do outro, sempre que estiver a servio prprio. do prprio lucro , dos planos particulares, corrupo. Uma das pass agens muito
elucidativas est em 1 Rs 21.1-16, texto conhecido como "A vinh a de
Nabote " . E a vida de todos os dias apresenta exemplos a cada pas so .
dois dos quais cito a ttulo de melhor compreenso do texto. O governador do Estado do Paran , r'-ley Braga, est promovendo uma verdade ira
guerra na TV, atravs de anncios de suas realizae s nos dois anos
de seu governo. O alvo bem claro : manter o poder em suas mos tambm no futuro. O segundo exemplo: Um prefeito de uma cidade do Oeste Paranaense esteve presente assemblia da APAE (Associao de
Pais e Amigos dos Excepciona is}, e ameaou, sem rodeios , n o repassar as verbas destinadas entidade pela LBA (Legio Brasileira de Assistncia) , caso a assemblia no votasse na candidata apresentada
por ele, uma ilustre desconhecida . Tambm aqui o alvo cla ro : estruturar toda uma sociedade a fim de manter o poder e demonstrar sua fora
Mas, o poder que corrompe se manifesta tambm nas famlias e nos
pequenos grupos sociais. Da Israel estar diante de uma realidad e para
a qual o profeta s tem ditos de juzo , pois o poder que se orgulha de si
mesmo. que usado em causa prpria , corrompe Por isso . no se glorie o forte de sua fora , o poderoso de seu poder.
Assim como o poder, tambm a riqueza, quando tem um fim em
si mesma, corro mpe , sobretudo pela falsa segurana que ela tende a
insinuar , pois a riqueza c ompra amigos e mata inimigos, compra si ln cio e falsos testemunhos (cf. 1 Rs 21 .8ss: Lc 12.1 3-21 ).
As trs grandezas, sabedoria, poder e rique za. fac ilm ente se
tornam inst rumentos de orgulho e corrupo, o que sempre se m anifesta contra 0 semelhante, transformando-o em objeto de us~ e explo rao. Esta realidade, ao lado de outras , transparec e por detras .de todos
os ditos de juzo . Trata-se da realidade do homem qu~. a partir de seu
orgulho e da idia de que agora auto-suficiente. se d1stanc1a _de .D~us
e com isso - automaticamente - de seu semelhante, o que e o 1nic10
do fim, o incio do caos.

73
v.23 Deus . atr avs de seu profeta, apresenta uma alternativa
par a que 0 homem se salve, colocando no centro o gloriar-se em ~eus.
Este gloriar-se em Deus significa conhecer a Deus e to_mar a sel~ a
sua realidade. interessante que , em meio a uma coletanea _de .an uncios de juzo , vamos encontrar novamente o Deus da misefl~ord1a que
lu ta por sua criatura , que sempre tenta ganh-la e mostrar-lne.? .cam inho de uma vida plena . A Deus . e no ao homem , cabem a g1ona e a
honra. porque em suas mos esto a justia e a misericrdia. . que
equivale a dizer que em suas mos est a verdadeira chance de vida e
sobrevivncia para o ser humano.

III -

Meditao

Quase poderamos dizer que existe uma espcie de aliana entre o poder. o saber e a riqueza . E o mundo parece que se estrutura
sempre mais neste trinmio. Poucos tm o saber, poucos tm o poder e
poucos tm a riqueza. E, calcados nisso , estes poucos tentam usa! o~
homens e o mundo para si mesmos . Um exemplo desta estruturaao e
o que ns , pais , costumamos dizer aos nossos filhos para ince~.tiv~[Link]
a estudar, "estuda que amanh voc ganha um bom emprego . Alias ,
todo o sistema de ensino em nosso pas parece que segue nesta direo . O aluno aprende mecanicamente para si e a servio prprio.
Neste contexto , porm , necessrio lembrarmos um outro saber muito em voga entre cristos, tambm na IECLB: o saber das co isas da f. Com que facilidade se desenvolve o farisasmo de estar por
dentro das coisas da f, de ter, pois, a f mais correta e de , em conseqncia , ter mais chances do que o outro, tambm frente a Deus. _Es_t e
orgulho mascarado de f crist e enfeitado de palavras piedosas e tao
perigoso como todos os outros orgulhos e sabedorias, pois tanto um
quanto o outro se fecham em si mesmos e se distanciam do semelhante e tambm de Deus. O orgulhoso da sabedoria e a respeito das coisas
da f aquele que julga no mais neces sita r da m isericrdia e do perdo de Deus.

J citei dois exemplos concretos do que se faz com o poder e


pelo poder. Algo semelhante ocorreria tambm dentro da Ig reja? Quantas vezes ns, pastores, usamos o poder de que nos julgamos in vestidos para manter os membros calmos e quietos , para manter a situao
sob controle. A ameaa de trocar de comunidade, porque na IECLB
existem muitas vagas , , sem dvida , um desses falsos e perigosos
exerccios de poder . Quantas vezes presbt eros usam o seu poder para
forar decises e planos. Quantas veze s, em nossas famlias , usamos
o suposto poder para ditar normas pelas quais os demais famil iares devero guiar-se. Tudo isso cria escravido, para ns e para os outros ,
pois tambm quem exerce o poder em causa prpria escravo do me-

74

75

do constante de , mais dia menos dia, perder este poder . Em comunidades m ui tas vezes se luta pelo poder na localidade , especialmente nos
pequenos lugares. Mesmo quando se diz qu e a f no tem nada a ver
com a poltica, h um tremendo empenho para abocanha privilg ios
de mando muito humanos e temporais. E q ua i no o Ogu!ho quando
uma com unidade evanglica est por cima na loca: idade e desfUta ae
toda sorte de privilgios e isenes! O poder corrompe e cega tambm cristos e comunidades inteiras.
No por nada que Jesu s adverte as pessoas sobre as riquezas. Mais. ele fala direta e claramente sobre a dificuldade de o rico entrar no Reino de Deus (Mt 19.16ss). No po; nada que Tia go p;eci sa
cr iticar o tratamento especial e de destaque dado aos ricos na comu ni dade (Tg 2.1 ss) e az adve rt ncias muito srias ao ooder de corrup o
do vil metal (Tg 5.1ss). Apenas a titulo de ilustrao lembro a qui as
gra ndes reportagens acontecidas em 1980, em revistas como "Veja ' e
" Isto "' , dando cobertura ao casamento do ano (filh a de lbraim Sued )
que custou a ninharia de mai s de 20 mil hes de cruzeiros , ou falando
dos novos ricos da agricultura , especialmente os do Mato Grosso Ao
mesmo tempo. porm, se reservam espaos ba st ante minguados par a
os agric ultores sem terra ou em fase de expropriao , va lendo o m esmo para todos os miserveis desta terra .
Mas , se ria barato e simples demais atirar pedras somente em
outros . No se r um desejo de todos ns chegar a este pon to de riqueza? No estamos constantemente na luta por mais sabedoria. por m ai s
poder. por ma is fortuna? E no ve rd ade que ne s ta caminhada j te ntamos nos separa r do outro , j divid imos , marginalizamo s e esquecemos a solidariedade?
Deu s prope uma inverso das coisas. Ppe urna vida em qu e
ele Senhor de fato e de direito e , portanto . critri o de toda uma v ivncia. Esta vivncia se tornou concreta na pessoa de Jesu s Cristo. na solidariedade com o mais fraco , livre do egosmo e po rtant o li vre para o
outro. Esta proposta de vivncia um desafio . um des af io cada vez
mais estranho dentro de um mundo marcado pela concorrncia e pela
competio fratricidas.

IV -

A caminho da pregao

O pregador encontra r sempre e xe mplos do nosso mundo , em


que o te xto cai como uma luva . Gloriar-se da sabedoria, do poder e da
riqueza, tornando-se assim auto-suficiente diante dos homens e diante
de Deus, no novidade alguma . Mais difcil ser - porque ex ige ateno e observao - encontrar situaes na prpria comunidade e
alertar para o risco que todos ns corremos a cada momento . O te xto

r,os aJud a a encontr-las e a desmascar-las . Aqui vale o conselho de


Karl Barth, de ter em uma mo a Bblia e em outra, o jornal.
A partir do Deus Criador e pai d e Jesu s Cristo, Senhor do mundo
e dos homens. o qual compete aos cristos proclamar, tem os que lanar o desafio de uma v iolncia cen trada em Deus e seus critrios de vi da.

V -

Subsd ios litrgicos

1 . Confisso de pecados : Senho r. confessamos diante de ti e de nossos


irmos que munas vezes nos orgulhamos daquilo que sabemos. nos orgul~1a
mos de poder manda r. nos orgulhamos de tudo aqu iio que temos e somos. Mas
em tudo isso nos esquecemos de t1 e nos esquecemos do irmo que colocas ao
nosso Indo . O nesse orgul ho nos cega e nos torna insensveis. Tudo isso, Senhor. nos afasta de ti e do nosso semelhante . Pedimos-te. perdoa o nosso pecado e guia-nos nos caminhos de tua vontade. Tem piedade de ns. Sen hor'

2. Oraco de cole ta: Deus. nosso Pai 1 Ns te agradecemos pela vida


que nos das e pelos caminhos de sobr evivncia que nos mostras. Ajuda-nos para que o ponto de par tida e o critrio de nossa existncia seiam tu somente. para que sa ibamos partilhar com os outros aquilo que somos e temos. Po r Jesus
Cristo. Senhor e Salvador nosso . Amm .
3. Leitura s biblicas: Evangelho: Lc 12.13-21. Epistol a: Tg 5.1-6
4. Orao final: Lembrar que a ganncia em sabedo ria e riqueza . a sede
por poder e o egoi smo so a fonte de toda a misria: interceder pelas igreja s
para que elas sejam instrumentos de justia e louvor a Deus e no instituies
pr eocupadas consigo mesmas e com o lou vor prpri o: interceder por todos os
governos do mundo, para que entendam o seu exe rcicio de poder como uma tarefa para o bem-esta r de todos: interceder para que cada um revise constan temente a sua vida. tendo como critrio o prprio Deus. a fim de que a nossa vida
espe lhe ao menos um pouco do amor desmedido de Deus

VI -

Bibliografia

CALVIN , J. Aus legung des Propheten Jeremi a. ln : Calvins Ausleyung der Heiligen Schrift. Vol .8. Ne ukirchen , 1937. - RUDOLPH .
W. Jeremia. ln : Handbuch zum Alten Tes tam en t. Vol.12 . Tbing en .
1947. - VO IGT, G . Meditao sobre Jeremia s 9 .22-23. ln : Der helle
Morg ens t ern. Gt tingen , 1961 . - WEISER , A Das Buch Je rem ia ln:
Das Alte Tes tam en t Deutsclt. Vol.20 . 5 .ed . Gttingen , 1966.

77

DOMINGO SEXAGESIMAE
2

Corntios

12.1-10

Wilfrid Buchweitz

(v. Vol . V, pp. 26-31)

DOMINGO EST01\1IHI
Ams

5.21-24

Nelson Kilpp

I -

O texto

V.21: Eu odeio, eu desprezo as vossas festas , eu no vou cheirar as vossas reunies festivas.

V~22: (A .no ser que me trazeis holocaustos-) As vossas ofertas eu nao aceitarei, e o sacrifcio dos vossos animais cevados nem
vou contemplar .
V._23: Afasta de mim o rudo dos teus cantos, o som das tuas
harpas nao vou ouvir .
. V.24: ~m vez disso jorre como gua o direito . e a justia como
um rio que nao seca.
Por motiv_os de forma e contedo a primeira orao do v.22 , [Link] entre parenteses, deve ser considerada incluso posterior de alguem interessado em excluir os holocaustos da condenao radical do
profeta .
~delimitao do texto est clara. A temtic a dos versculos ant~rior~s .~outra. Os dois ve rsculos que seguem retomam o tema"sacrif1c1os . J encerrado com o v.24, vinculando-o crtica (deuteronomstica?) ~dolatria, um tema estranho ao profeta . Tal vez a palavra de repreensao vv.2 1-24 te~ha culminado com o anncio de desgraa do
v.27 . Por motivos teologicos, no entanto, no h necessidade de inclu!lo no texto de pregao.

II -

A situao

Por volta de 760 a.e . o Reino do Norte, sob Jeroboo 11 (2R s


14.23-29), atravessa um perodo de relativa pa z internacional e de razovel progresso econmico interno. O comrcio funciona a todo vapor
(Am 8.5), a construo civil floresce (3 .1 5), a busca pelo lucro fcil (8 .5)

e a exigncia por mais luxo (3.15; 5.11 ; 6.4; 6.8) caracterizam a classe
abastada . a viticultura se esmera e a criao de gado se especializa
para atender demanda dos ricos (4. 1: 5.11 ; 6.4; 6.6), mC1sicas novas
surgem para animar as suas festas (6.5). Um subproduto deste progresso e a imoralidade (2 7) .
A vida religiosa parece ser um espelho da vida econmica.
Tambm as torrnas e instituies de culto ai ravessa m um perodo florescente as ofertas so mais gordas (44s: 5.21s). as festas ma is animadas oelos camas e pela msica instrumental (5.23). Tem-se a impesso de uma comunidade vi va e participante .
Tudo isto. no entanto, apenas um lado da moeda. O progresso
econmico de uma classe est assentado no empobrecimento de larga
camada da populao israelita. Pequenos proprietrios so desap ropriados, endividados vende m-se como esc ravos para saldar sua divida
(2 .6; 8 6). o direito desrespeitado , testemunhas ameaadas . juzes subornados (2. 7; 5.10 ; 5.12). O bem-estar e o luxo tm um preo: a injustia .

III -

A crtica ao culto

O criador de gado e plantador de sicmoros (7.14) da localidade


de Tecoa , no Sul , parece ser um israe lita que sabe das coisas . Ele conl1ece a situao poltica dos povo s vizinhos (1 .13; 2.1; 6.2) e a situao
social do Norte. Alm disto , Ams t raz , de seu ambiente natal , a influncia da sabedo ria do cl. que conserva as mais antigas tradies da f
israelita: a culpa de Israel reside no fato de que no sabe fazer o que
certo ' (3.1 O), os julgamentos nos portes esto corrompidos (5.1O ,12)
e no mais garantem a igualdade dos membros da sociedade. No confronto desta ant iga tradio de uma sociedade igualitria com a ala rmante injustia social at ual o profeta chamado por Deus .
Mui provavelmente os vv.21-24 foram proferidos no templo nacional de Betel (7 .10-17), durante uma de suas concorridas festas cu ltuai s. O profeta va le-se de palavras fortes para criticar o culto e a rel igio oficial: "Eu odeio , eu desprezo as vossas festas. " (v.21) Os encontros fesii vos e as celebraes religiosas eram vitais para a f israelita:
eles expressavam a unidade do povo sob um s Deus, lembravam os
pariicipantes dos grandes feito s deste seu Deus no passado. refora va m a ce rteza de que eram o povo escolhido. Mas todas estas solenidades no conseguem agradar a Jav (cf. o te rmo " cheirar " com Gn
8.20s) .
As ofertas de vinho , azeite , cereais (e gado?) trazidas ao templo
- bem mais gradas que as ofertas do culto de Ao de Graas eram um sinal de agradecimento pela terra recebida de Jav (cf Dt
14 22ss) e tambm um sinal de busca sincera por comunho com

78
Deus. Fazendo uso da liturgia da solenidade sacrifical . Ams int e rrom p~ o liturgo que deve declarar , atravs de um orculo , se a oferta foi ou
nao ~acei t_a por Jav (cf. Ez _20.41 ; MI 1 .1 O) . invertendo as paiavras na
1
boca do i1turgo , o profeta afirma, em nome de Deus: .. as -.1oss as ofe rtas
no aceitar ei". Ams se parece com o pastor que , na iiturgia da Santa
Ce ia, depois da confisso dos pecados. anuncia a condenao em vez
aa absolvio .
. A solenidade do sac ri fcio de animais (cevados) encerrava corn
um agape comunitrio (n os holocaustos. pelo cont rr io, todo 0 an :ma l
era quei_mado r.o altar). Depois de a mel hor pane (a gordu ra) ter sicJo
consumida (quei mada) pe la divindade, os comensai s inicia vam o banqueie (1 Sm 2.1 3ss). Era indubitavelmente uma ocRsio de com unl:c
e~tre irmos na f. Mas Deus nem se digna a dirig ir um olha r em di reao desta comunho.
A mudana de tratamento ("vs " para "tu " ) no v.23 apenas formal. Os can tos e a ~sica instrumental , principalm8nte ca harpa. e ram
el_emento 1nd1spensavel para o louvor a Deus (ainda 0 s5.o hoje). Ams
na_o que r dar a entender que Deus no pode suportar os cnt icos e as
musicas por serem desafinados e iUins . No h nada de errado na harmonia, como no h nada de errado com a maneira de trazer os sacr ifcios e .festeja r as fe~tas . Ams no pretende uma reforma litrgica. A
sua critica ao culto e radical : a sua prpria existncia questionada .
,, . . '.'.Em ~v~z diss~ '.' tudo , .deve correr livre e in interruptamente o
direi to e ci JUSt1a ,- A antiga t rad io israe li ta , da qual provm 0
profeta . sabe de uma fe intrinsecamente amarrada a uma ordem soei ai
que garante direitos iguais a todos os membros da comunidc:ide. Es ta
ordem era exercida na jurisp rudncia junto aos portes da s localida~~s . Vi v~.r ~ e ..acordo.~om as normas bsicas desia ord em igua litri a
( d1re1to ) e Justia . Mas toda esta ordem social iusta est sendo
[Link] e pi.~~te ada (5. 7;_6.12); o que se empenha p~lo reto exerc cio
deste d1re1 to. e desrespei tado e a testemu nha que diz a '1erdad e nos
julgamentos e calada (5.1 O); juzes so subornados a interpretar a
" igualdade" em favor dos poderosos (5.12). As conseqncias esto
" na cara" : o luxo de alguns s custas do empobrec imento de muit os .
Qual o sentido do culto numa situo destas? Ser;e ele p ara
sancionar a inj ust ia saciai? Ou para alivia~ as cons cincias? ou par a
dar a impresso de que com Deus tudo est bem? O profe ta no pod e
divo rciar o culto da vida, a f da ordem socia l. A sua crtic a ao culto
parte de sua critica social , jurdica e poltica . A sabedoria do cl isra eli ta (assim como do povo humilde de hoje) no tolera a dissociao entre
culto e vida.

79

IV -

Meditao

O te xio peigosamente atual. Como preg-lo? Podemos " da r


uma de Ams " e pregar do p lpit o. em nome de Deus: eu odeio os vossos cultos e os vossos domi ngos. detest o a vossa li turgia lut erana e o
vosso aconchegante iugar de reun ies. abomino o vosso hinrio novo,
o som do rgo e os cantos dos vossos co rais, tenho ra iva dos vossos
encontros . ret irrJs e seminrios . desprezo as vossas reunies de estudo
bibl1co e os ';ossos programas de reaviva mento da comunidade . as
vos sas feslas e celebraes me ir ri tam . as vossas ddivas, ofertas e
contribuie s generosas so inaceitveis . os vossos oficias religiosos
e as vossas Sant as Ceias me do nuseas0 Pod emos pregar isto depois de nos termos esforado para trazer os membros ao cu lt o e part: cipao aiivn m1 comun idade? No signiticaria isto colocar em cheque todo o nosso tr abalho pastoral de dcadas e a p;pria existncia
de nossos cultos? hora de refl etir isto com a comunidad e? Talvez seje. Uma c oisa vil a! nesta reflexo: ns. os pregadores . devemos estar
consci entes de que princ ipalm ente ns estamos inc ludos nas du ras
palav;as do profeta (c f. 7 10-17). Isto impede de alar de boca ch ei a e
dedo em riste : " Deus odeia tudo o que v ocs fazem ."

O mais importante , a meu ver. deixar claro por que Ams c riti ca toda a at ividade culiural e religio sa. A verdade que tambm os nossos culios, celebraes, solenidades . reunies de estudo podem
tornar-se uma aiienao. Os nos sos belos cantos, as novas liturgias
que buscam uma participao mai s ativa da comunidade. a nossa comun ho de irmos podem ser uma busca por segran a para ns mesmos e, sem dvida , uma te ntativa de receber a aprovao di vi na pelo
que so mos e fa ze mos em nossas vidas , sancion ando um " siat us quo"
de op resso e inju st ia . Os generais do Pen tgono so bon s membros
de sua s comunidades. Eles fazem questo de participarem ati\1amente
nos program as comunitrios. Ai o culto uga e farsa. Ai no adianta
mais nenhuma reforma do culto ou de sua liturg ia . As bases da f que
esto carcomidas .
Mas isto no pr eci sa ser assim. O p rprio Am s nos mostra que
pode se r diferente. O prof eta recebeu influncia decis iva de tradi es
reiig iosas - transmitidas evidentemente em alg uma forma de culto -que. no entanto, no concordavam com o culto e a religio oficial. Mas
foi ern sua f que Ams encontrou os elementos para criti car a sociedade , a juri sprudnci a. a poltica e o culto de sua poca . Tambm a nossa
f - alimE:ntada por c ultos - forn ece elementos de li be rtao e translo;mao (C Mesters falaria em " memria subversiva ") . Jesus sempre
tomou o partido dos fracos e marginalizados . O sbado foi santificado
pela cura de uma pessoa com a mo ressequida (Me 3.1-6) .

81

80
O erro de Israel foi que os seus cultos e celebraes nada mai s
tinham a ver com a realidade (ou tinham?). Culto e vida transformaramse em duas esferas autnomas e distintas . /1. comunidade crist . no en
tanto. no fim em si mesma . Ela sempre. ao mesmo tempo . EKK!_ESIA e DiASPORA: chamada para fora do mundo e enviada. espalha da
no rneio dele . No h maneira de a comunidade crist escapa i d a re sponsabilidade de batalhar por direito e ju stia no mundo. sem co rre r o
risco de vender a sua prpria consci ncia .

haver-se preocupado somente com se us cu ltos . ofic1os e solen [Link].


esquecendo-se dos que por ela esperam : por no ter sempre tomado o partido
do fraco: por ter fug ido tantas vezes da responsabilidade de teste mun har a liberdade concedida por seu Senhor no mundo: por ter-se preocupado com sua
prpria fel icidade . seg u;ana e bem-estar : por te r esquecido que sua tarefa_e
congregai. mas lambem erw1a r: pela sua ?.1 rog<inc1a d1a11_1e dos que del<J nao
pait 1c1pa111. pelas de;;culpls que sernpr encont1 ri p;:; ;a mio comprometer-se
Ha a poss1bi: 1dade de oreg<Jr o te>-1 0 por 11rnsi11 de uma iesta da ~ornu
n;dade (cornunl1o lra1ema. mas descornp1ome11a;:i ?) ou no culto de Aa o ce
Gracas wgraaec ;:[Link] to pela soc 1edaae a11uentc 0 1
Os cautos deveri am espelhar um a sincera confi sso de culpa O texto
se d muito bem ao trabalho em grupos. O povo capaz de entender muito bem
a tematica e. sem dvida. vai traze r contribuies de grande valor para a vida
da comunidade.
Na orao de coleta creio que devemos lembrar a caminhada de Jesu s
em direo cruz e principalmente o fato de que a comunidade nunca conseguiu (e conseguimos hoje?) entender bem esta opo de Deus pelo caminho
que passa pelo sofrimento .
Para a intercesso lembramos os que no so aceitos na comunidade:
os aue a prpr ia comunidade marginaliza: as comunidades crists em todo
[Link] que procuram a justia : os que buscam um modo de vida coerente com
o Evangelho.

As pregaes protesiantes sobre Am 5.2 1-24 tm acentuado a


interiorizao da f em contraposio aos cuitos. so len idade s e sacrifcios meramente externos (c . o ttulo da traduo de Lutero : o m ero
culto exterior em nada ajuda'"). Da os ins istentes ape los a uma f verdadeira. Parece-me, no ent anto. que no est& a int en ao da crtica
proftica ao cul to. Ams no combate , por exemplo. a religios idade populr que adorava Jav de rnaneira no reconhecida pelo temp lo c en t ra l de Jerusalm , quando teria motivos suficientes para tal (ct a opinio do Deuteronomista sobre a introduo do bezei"ro no te rnplo de
Betel em 1 Rs 12.28ss). No so as formas exteriores do culto nem a
falta de f subjetiva do povo que so condenadas, ma s o desastre do
povo escolhido em viver de acordo com a opo de Deus pelos fraco s
(2.9s) na sociedade , na economia , no comrcio. na jurisprudncia e na
vida particular .

VI -

Parece que o profeta no mais v nenhuma chance de arreoendimento do povo . A deciso de Deus est tomada, a destruio ~ir .
no h mais retorno . (Ou trata-se apenas de anncio de juzo e de st ruio para os poderosos , como 4.11s ,14s ; 5.4, 14 ; 6.1-7 ; 7. 11 ,17 ; 9 .8 parecem indicar?) De qualquer maneira. depois de Jesus Cristo no mais
podemos falar de juzo irreversvel para todos , negando toda e qualquer
chance de arrependimento. legt imo, portanto . dei xar fora o v .2 7 (como foi legitimo, no passado . incluir . alm dos vv.21-27, tamb m os vv .
4-6 e 14s).
Uma sugesto de figura para a pregao: Um navio est indo a
pique . mas os seus passageiros no o sabem . O programa de bordo
desdobra-se sem incidente s, em festiva. mas perigosa rotina . O m ar
agitado, o rombo no casco no conseguem interrom per as fest ivid ades . Mas isto no muda a triste realid ade: o navio , d e fato , est indo a
pique . Que se diria de algum que interferisse nesta gostosa rotina e
gritasse "todos vo afundar "?

V-

Bibliografia

KIRST. N . Ams - textos selecionados. ln : Exegese. Vol.1 . So


Leopoldo . 1981 . - WOLFF . H.W. Dodekapropheton - Joel und Amo s
ln Biblischer Komrnentar Altes Testament. Vai. 14/2. Neukirchen /
Vluyn. 1969.

Subsdios litrgicos

A liturgia dever ser sbria . Creio que no caberiam inovaes e mudanas neste culto . Cabe uma confisso de culpa sincera da [Link] : por
1 __

83

DOMINGO INVOCAVIT
2

eo

rnt ios

6. 1 - 1

Baldur van Kaick

I -

Dois exemplos da vida de hoje

"Quando eu era men ina. meu pai mandava em mim ; e meu pa i


era muito duro . Quando me tornei moa , logo casei . Pensei que casando me libertaria do jugo sob o qual vivia em casa. Mas no casamento o
jugo foi pior ainda. Depois fiquei viva e pense! que meu filho cuidaria
de mim . Mas meu filho se mandou para a cidade e fiquei s no interio r.
- Mas Deus no me deixou no : Deus no me abandonou nunca .
Ao lado deste exemplo , quero mencionar o que observo no dia a
dia da vida. H pessoa s que querem uma sociedade e um mundo ma is
justo. mais fraterno - mas depois de expor suas idias concluem desanimadas: " No adianta. Tudo vai continuar como est. A vida assim mesmo. O jeito dei xar como est ."

O primeiro exemplo mostra uma mulher que desde a in fncia vive u debai xo e um jugo: como filha, como esposa : e depois. como m e .
foi abandonada. Mas dentro daquela mulher havia urna fora di ferente .
Uma fora que no a deixava desanimar .
O segundo exemplo assinaia que muitas pesso as so res ignadas . Deixaram de lutar . "Pacincia ", dizem . "Deus quer assim ." E no
fazem mais nada.

II -

Situao na vida do apstolo

Acredito que deu para perceber , na leitura de 2 Co 6 1-1 O. que o


apstolo Paulo fala neste texto de situaes bastante difceis de sua vida apostlica
Em primeiro lugar, ele foi uma pessoa trabalhadora (v .5) . Ao lado do trabalho missionrio, que exigia muito dele (1 Co 15.10), ainda fazia tendas (At 18.1-3; 1Co 4.12), para no depender financeiramente de
suas comunidades (1Ts 2.9). Foi uma pessoa muito atarefada (2Co
11 .23).

Como todos os judeus e cristos , conhecia te mpos de jejum e


viglia (v .5) . A vida do apstolo, sob mu itos aspectos , era uma verdade ira luta .
Mas no apenas isto . No desempenho de seu trabalho missionrio . como cooperador de Cristo (v .1). conheceu o que a priso (v.5 ;
cf. 2Co 11 .23), os aoites (v .5; 2Co 11 ,23), e tumultos (v.5) provocados
por pessoas que instigavam o povo contra ele (cf. At 19.23-40). Sua vida
foi bastante atribulada .
('No dia 28 de janeiro de 1981 foi espancado e preso pela policia de Alvorada. municpio operrio da Grande Porto Alegre , o estudante de teologia Daniel Jensen Seyenkulo , que veio da Libria para completar seus estudos no Brasil. Ele aguardava o nibus , quando foi abordado por trs homens que diziam ser da pol ici a. Eles lhe pediram a pasta. em seguida um deles sacou o revlver de cano duplo enquanto o outro descia do Volkswagen branco e agredia Daniel com um soco na nuca . O terceiro imobilizou o estudante pelas mos e arrancou a bolsa e a
pa sta de Daniel . jogando-as dentro do carro . Em meio a isso, Daniel levava socos na cabea e barriga e era forado a entrar no carro. Danie l
foi levado para a Delegacia de Polcia. onde desceu arrastado, com a
cabea presa pelo brao de um dos seus seqestradores. Na Delegacia foi interrogado , chamado de "paraguaio" e "outro negro " e levado para uma cela . onde ficou durante 90 minutos at a chegada do reitor da Faculdade de Teologia ." Informao IECLB, p.3 - O apstolo
Pau lo enfrentou situaes semelhantes vrias vezes .)
Apesar de ser cooperador incansvel de Cristo. veraz , honrado .
conhecido (v 8), adversrios o acusavam de impostor (v.8 ; cf. Mt 27 .63 :
Jo 7 12). o tratavam com desdm (v .8) e fingiam no conhec-lo (v 9).

O apstolo , em todo s os sentidos , no teve uma vida fcil . Trazia no co rpo os sofrimentos e a morte de Jesus (2Co 4.10).

III -

A fora de Deus na vida do apstolo

Mas o apstolo Paulo tinha um recurso . E para este recu rso el e


apelava. Era o apoio de Deus . Ele contava com Deus , com o Esprito
Santo (v.6). com o poder de Deus (v.7) . Estava ligado a Deus atravs da
sua graa (v. 1).
E isto fazia dele uma pessoa pura (v.6 ; Fp 4.8), paciente (v 4) .
com amor verdadei ro no corao para dar (v .6) . E uma pessoa armada
tambm . Armada com a justia de Deus, como arma tanto para atacar
quanto para se defender (v.7). O apstolo no estava desarmado .
Se [Link] se esquece de Deus , no est ligado a Deu s. no
tem a graa de Deus em sua vida , perde a fora . No luta mais . No

84
85
tem mais amizade para dar . Desanima nas privaes , nas angustias e
aflies (v.4). Torna-se um cristo e apstolo censurvel (v .3) .
O apstolo Paulo diz que muitas vezes foi castigado a ponto d e
parecer que morreria (v.9), mas ele no morria . De repente , Deus lhe
dava vida nova (v.9) , como um cacto que est sequinho , quase morto. e
quando lhe pem um pouco de gua , ganha vida de novo e se torna verde e bonito . Muitas vezes, Paulo estava profundamente triste , mas da ligao com Cristo brotava nova alegria em seu corao (v 10). Muita s
vezes no possua nada , mas enriquecia a muitos (v .1 O) .
Quando algum cam inha com Deus , tem a graa de Deu s ern
sua vida , apesar de fraco e pequeno , caminl1a vitorioso e a vida de Cristo se manifesta em seu corpo (2Co 4.1 O) Em uma vida marcada pela s
dificuldades e persegu ies. tal pessoa experimenta a fora da ressurreio de Cristo .

IV -

nimo e coragem para viver e lutar

Aquela mulher que, como filha e esposa. se encontra debaixo


de um jugo . e depois , como me , foi abandonada pelo filho. estava ligada a Deus - como o apstolo. E por isso ela tinha amizade para dar e
era uma mulher libertadora .

por isso que o apstolo recomenda aos cristos no trecho de


sua carta que lemos (v .1 ): "No dei xem que se perca a graa de Deu s
que vocs j receberam. " (A Bblia na Linguagem de Hoje) A graa de
Deus ajuda a resistir, uma semente de esperana dentro de ns.
como a seiva das rvores . No inverno elas parecem mortas - mas na
primavera brota nova vida delas.
Na vida dos cristos h o dia em que foram alcanados pel a
graa de Deus (vv.2-3), lembra o apstolo . Importante no perd-la :
importante deix-la trabalhar .
Muitas vezes o cristo desanima . (Aqui podero ser comentados acontecimentos locais .) Mas ningum precisa desanimar . O recurso que ns temos Deus , sua graa . Vamos deixar que ela trabalhe em
ns . Assim vamos andar armados pela vida e no perder a coragem , a
alegria e o amor no fingido na caminhada .

V -

Concluso

Na fora e coragem que os vv.4-1 O transmitem a cristos que


esto vivendo o apostolado - e no apostolado necessitam de encorajamento e consolo - eu vi a atualidade de 2Co 6.1-10. Foi essa coragem que tambm procurei transmitir na prdica que dei a partir deste
texto.

O exemp!o inicial. contado por Carlos Mesters em uma pa lestra


e reproduzido por mim de memria . me ajudou a dar mais abrangnc ia
ao texto . O apstolo, comentando sua vida apostlica . fala a todos os
cristos . no somente aos pastore s.
Se o leitor quiser elaborar sua prdica dentro da concepo desenvolvida nesta meditao , poder seguir os quatro passos apontados
aqui
a)
b)
c)
d)
minhada .

Exem plos da vida de hoje .


Situaes na vida do apstolo.
A fora de Deus na vida do apstolo .
A graa de Deus : auxilio para resistir tambm em nossa ca-

A nfase ser outra se lermos o texto exclusivamente dentro de


seu conte xto histrico e encontrarmos seu escopo na defesa que o
apstolo faz de seu ministrio .

VI -

Subsdios litrgicos

1. Confisso de pecados : Na presena de Deus nos lembramos de nossas flhas . fraquez as e imperfeies . Lembramo-nos da falta de amor em nossa convivncia , da falta de coragem para viver os ensinamentos de Cristo. Enfim . diante de Deus reconhecemos que somos pecadores. Queremos a_gora.
em silncio, cada um fazer a sua confisso de pecados e pedir o perdao de
Deu s. - (Aps a confisso silenciosa :) Senhor , perdoa-nos a falta de amo r em
nossa vida. a fa lta de coragem de viver o Evangelho . e po r causa de [Link] sto . teu Filho. nosso Senhor apaga toda a nossa tran sg resso . Que atraves da
ressurreio de teu Filho entre nova alegria e co rag em em nossas vidas marcadas pela fraqueza e pela culpa. Tem piedade de ns. Senhor 1

2. Orao de coleta : Pai Celeste, em nom e de Jesus Cristo. teu F.i lho
amado. e no sso Senho r, ns te ped imos que nos ds a presena do Esp1ri to
Santo para qu e possa mos ser confortados. fortal ec idos e corrig idos atravs da
palavra de Deus que agora nos deixas ouvir . O Espri to Santo abra a nossa mente para que a semente da tua palavra caia em terra boa . Amm .
3. .[Link] para intercesso na orao final : que todos os membros da
comunidade estejam comprometidos com o Evangelho e andem corajosos . alegres . armados pela vida - armados com o Evang elho. que o poder de De~s :
que o trabalho de pa stores , obreiros. membros da comunidade na construao
do Re ino de Deus seja abenoado: por perseverana e pacincia para todos os
que esto trabalhando e lutando por um mundo melhor , e muitas vezes se encont ram prestes a desanimar , pensando que no vale a pena lutar : que as pessoas que tm preocupaes, ansiedades. desnimo na vida particular. fam1l1ar
e profi ssional encontrem na palavra de Deus consolao e orientao .

86

VII -

Bibliografia

BORNKAMM, G. Paulus. Stuttgart , 1969. - BOFF. L. O sofrimento que nasce da luta contra o sofrimento . ln : Paixo de Cristo ___.:
Paixo do Mundo. Petrpolis, 1977. - IECLB. Informao IECLB. Servi o de Informao e Documentao. Ano li. Janeiro e Fevereiro de
1981. Porto Alegre, 1981 . -: LUETHI, W. Der AposteL Der zweite Korintherbrief, ausge'legt fr die Gemeinde. Mnchen . 1968 .
SCHELKLE . K. H. Segunda Epstola aos Corntios. Petrpolis. 1967 .

DOMINGO REMINISCERE
Isaas

5 . 1-7

Lothar C. Hoch

I -

procura de uma prdica narrativa

Ultimamente se vem redescobrindo a importncia da narrao .


do contar histrias como um meio pedaggico-homiltico de grande valor para a atualizao da mensagem bblica . E isto . no somente a nvel
de culto infantil ou escola dominical , mas tambm a nvel de pregao
do plpito. A prpria Bblia, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, est repleta de exemplos de como a histria salvfica pode ser atualizada atravs da narrativa de histrias e parbolas que partem da situao e da linguagem conhecidas pelo crculo dos ouvintes . Na verdade . o contar e recontar a histria da experincia do povo de Israel com
o seu Deus . de gerao em gerao . foi a principal forma de pregao.
No recontar os eventos salvficos , o povo atualiza . revive e celebra o
prprio ato salvfico de Deus . Tambm a comunidade primitiva do NT
utilizou a narrativa da histria da vida , morte e ressurreio de Jesus
Cristo como o meio de pregao por excelncia . A narrativa a maneira primria da pregao e do fazer teologia .
O ato da narrao estimula a descoberta de importantes pontos
de contato e de identificao entre as experincias de personagens bbl icos e a prpria experincia do povo. Este processo pode ser entendido como uma hermenutica da experincia. Atravs da descoberta
destes pontos de contato e de relao entre os autores bbl icos e os ouvintes . a narrativa - em ltima anlise a prpria palavra de Deus - se
torna um evento do presente . Os autores bblicos revivem . no processo
do recontar. a sua histria e a sua experincia de f, de modo que atingem o ouvinte na sua situao e na sua experincia do momento presente , tornando-se, assim, veculos de amor de Deus para o homem de
hoje .
Quanto forma prtica de como a prdica narrativa poderia ser
conduzida . convm acentuar que a preocupao principal daquele que

89
88
reconta uma histria bblica a de envolver o ouvinte na narraco. favorecendo a sua identificao e a sua participao na realidad e que se
vai descortinando diante dele como tambm o questionamento individual e coletivo . Atravs da sua capacidade de imaginao e fantasia. o
ouvinte transpe as esferas de tempo e espao e. de certa forma . vive
a sorte dos personagens descritos e a realidade que estes enfrentam .
traando paralelos para a sua situao presente
Ns , pregadores , geralmente temos uma capacidade de abstrao bastante desenvolvida e somos treinados na formulao de conceitos teolgicos. no raro distantes da experincia do povo. Via de regra .
no entanto , o povo simples no formula conceitos abstratos e no os
usa na sua comunicao social. Ele narra e conta de forma mais imediata e primria as suas experincias . Ao reaprendermos com o povo
esta maneira de nos comunicarmos (tambm do plpito) . estaremos simultaneamente aprendendo a ler e entender melhor as Escrituras .
Estas rpidas consideraes no tm a pretenso de esgotar o
assunto em pauta. Querem to-somente indicar algumas pistas . em cuja direo a refie xo em torno da teologia narrativa poderia ser continuada .

II -

O texto

des nobres da melhor qualidade . c f. Jo 2.21 ). Tam bm a construo.d e


uma torre no meio da vint1a serve ao mesmo propsito; ela se destina
ao abrig o do guarda . Normalmente se constri apenas um pequ e~o
ab rigo de pa lha ou uma palhoa (cf. Is 1.8). A torre e smal de que o ag i 1cultor est disposto a fazer inves1imentos superiores aos normais . O lagar uma espcie de tanque ou talha onde se pisa e espreme a uva (e'.
!s 63 .2), e que serve ao mesmo tem po de calna , por onde escorre o liquido. i\Jota-se que o agricultor no apenas invest iu no plantio, mas
tambm na co nstruo de instaiaes que si rvam na colheita da uva.
Ninai , esperava que desse uvas boas (v. 2b). Todavia . deu uvas bravas .
o mais provvel que se trate aqui de uvas que ante s de amadurecerem j apodrecem, isto , uvas azedas e podres .

o advrbio "agora" (v .3) in troduz urna nova circunstncia . Por


ironia, os prprios acusados de terem frustrado a expectativa do ag ricultor (cf. v.7) so chamados a opinar e julgar entre ele e a sua vinha.
Note-se que o agricuitor no pergun ta pelas razes e pelos motivos que
levavam a vinha a no produzir os frutos esperados. Ele fez a sua parte
e, quase que naturalmente. esperou que a vinha fizesse a sua. O receber compromete.
A contrariedade do agriculto r que j se pronuncia no v.4. se
transforma em anncio formal de juzo no v.5s. O castigo consiste em
tirar a sebe que a cerca viva de ramos ou abustos ; em derribar o muro de pedras; em suspender a poda e o trabalho de revol ve r a ter ra: na
reteno da chuva . Vistas no seu conjunto , estas medidas no signi fi cam tanto uma interveno direta e vio lenta, mas uma ao indireta de
efeitos prolongados e fatais. O agricultor tira a sua proteo , ret ira o
seu manto de graa e entrega a vinha sua prpria sorte e, por conseguinte, sua autodestruio.

A primeira dificuldade que o texto apresenta consiste em definir


quem o " amado ' do quai o profeta Isaas fala. Trata-se aqui de uma
histria de amor, na qual o noivo se quei xa da infidelidade da sua noiva? Ou o prprio profeta que fala em nome do seu "amado" ou "ami go ' e acusa a infidelidade da sua noiva? O mais provvel que o profeta Isaas intencionalmente quer , no incio da parbola - a rigor uma
dupla-parbola - , dei xar a questo em aberto . esclarecendo o fato
apenas no v .7. Isto , no inicio ele aparentemente fala do seu " amigo
e da noiva deste , e quer evitar que os ouvintes j se apercebam desde
logo que ele est, na verdade , falando de Jav e do seu povo . Em termos formais , portanto, estamos diante de uma palavra de juzo que ironicamente inicia como se se tratasse de um cntico de amor .

No v.7, finalmente. o profeta Isaas re vela aos seus ouvi ntes o


que ele havia retido at agora: o agricultor do qual vinha falando Jav
e a vinha no outra seno Israel. Dei xando de lado a linguagem figurada, o profeta desmascara com todo o rigor a injustia no exerccio do
juzo e a aplicao corrupta da lei que . ao invs de trazer justia, resu lta em clamor para o oprimido.

Presume-se que Isaas tenha apresentado esta parbola por


ocasio de uma festa da colheita .
O texto requer que se d ateno especial ao cuidado que o
"amado", respectivamente o agricultor, dispensou sua vinha. Ele
procura criar todas as condies necessrias que possam favorecer a
produo de uvas boas: a escolha da terra, o sanchar ou revolver o solo , o afastar das pedras amontoando-as ao redor da vinha em forma de
cerca ou muro (v.5b) , a escolha das melhores mudas (possivelmente vi-

Para a maioria de ns mais fcil falar sobre histrias ou parbolas bblicas do que cont-las ns mesmos . Ainda assim, me atrevo a
transc rever a seguir a minha primeira tentativa prtica de elaborar uma
prdica narrativa, mesmo me expondo ao risco de ficar aqum da expectativa do leitor e das consideraes iniciais que fiz acima sobre o
assunto. No estou propondo esta prdica como um modelo, mas ape-

III -

A prdica

91

90
nas como uma maneira pas sivei de se atualizar o texto de forma narrati va . Minha preocupao principal foi a de falar a pessoas simples de
uma pequena comunidade do interior. com tradio agrria.
Prezada Comunidade!
Eu gosta ri a, hoje, de contar uma histria para vocs . a histria de um agricultor que queria plantar uma vinh a. ou uma parreira . como ns costumamos dizer . Pois bem, ele escolheu a melhor terra que
possua. a que era mais apropriada para o cultivo da uva . A terra que
eie escolheu ficava nas encostas de um morro , onde batia o sol. Ele fo i
l e juntou todas as pedras e as amontoou ao redor da vinha . fazendo
com elas uma cerca ou muro para evitar que os animais entrassem e
destrussem a parreira . Depois , revolveu a terra. cavocou fundo e
preparou-a da melhor maneira possvel. Por fim , deu um jeito de arrumar as melhores mudas de parreira que conseguiu . Sua inteno era
colher uvas da melhor qualidade. Quando tudo estava pronto . ele construiu no meio do parreiral uma pequena fortificao. uma espcie de
torre de vigia. e colocou um guarda que cuidasse para que nenhum animal ou alguma pessoa mal intencionada entrasse na sua plantao e a
destruisse. Chegou at a construir um lagar. isto , uma instalao com
a qual pretendia , no seu devido tempo, espremer a uva e fazer o vinho .
Para encurtar a histria , o nosso agricultor fez tudo o que estava ao seu
alcance para que a sua vinha realmente desse bons resultados. Poderamos dizer que era um desses agricultores caprichosos. O que ele
queria era ter um modelo de parreira . Essa parreira era, para ele , a menina dos seus olhos.
Pois veja m s o que aconteceu Quando chegou o tempo da colheita . o agricultor foi ver que a sua vinha no havia produzido uva s
boas e sim uvas ms. umas uvas azedas que antes mesmo de amadurecer , j apodreciam. Toda a sua dedicao. todo o seu amor investido
havia sido em vo. Ele esperava uma coisa e aconteceu outra . bem diferente .
1

A histria no termina aqui. Mas eu vou fazer uma parada para


pensa r um pouco. Quero perguntar a vocs que esto aqui. o que que
vocs fariam, se fossem este agricultor ... ? Voc se senti ria animado
para . no ano seguinte , fazer uma nova tentativa? Comear tudo mai s
uma vez com a mesma dedicao e com o mesmo sacrifcio? Ou voc
iria desistir de tudo . abandonar a sua vinha, dei xa r virar capoeira e ino, e se dedicar a outra atividade que lhe desse mais satisfao e que
recompensasse melhor o seu investimento?
Talvez alguns de vocs que esto aqui at j tenham passado
por uma situao dessas . parecida com a do agricultor. Plantaram com
a maior dedicao e com todo o capricho, escolheram a melhor terra
que ti nham , prepararam-na bem, escolheram sementes selecionadas.

cu ida ram oem do ino . Enf im. 1ze ram tudo o que estava ao seu alcan ce. Talvez at j tenham feito as contas de quan to iriam colher e quanto
dinheiro iriam ganhar . E no fim. quando chegou a hora da colheita . no
colheram nada . No tiraram nem a semente que plantaram 1
O mesmo pode acontecer em relao a uma outra pessoa. Pode ser que vocs j tenham feito uma experincia destas com algum .
Pode ser um filho que vocs criaram . um parente . um vizinho ou uma
outra pessoa qualquer . pela qual vocs tenham realmen te se interessado. Quando esta pessoa caia em dificuldades ou em aperto. vocs asocorriam. davam conselhos . lhe davam dinhei ro . procuravam anim-la .
iam atrs para ver como as coisas estavam correndo E um belo dia.
sem mais nem menos . esta pessoa faz uma grande sujeira a voc , decepciona completamente. Em vez de lhe retribuir o bem que voc ez .
ela lhe d um fora . Voc lhe havia fe ito o bem. ela lhe ret ri buiu com o
mal. Voc plantou uvas boas e colheu uvas azedas . Voc pe a mo na
cabea e. meio atordoado, pergunt a como isso pode ter acontecido
Voc se sente decepcionado . abati do . trado , tem a impresso que tudo
o que fez foi em vo. E nesta hora voc pergunta : O que devo fazer da001 para fren te? Devo continuar insistindo com essa pessoa . devo co ntinua r dando tudo de mim por eia? Ou devo deixar que se vire sozinha .
que faa o que bem entender, que se ral e .. .?
Depois desta reflexo, vamos ver como continua a histria do
nosso agricultor . Vamos ver como ele agiu .
Tambm ele botou a mo na cabea e perguntou : o que mais eu
poderia ter feito e no fiz? O nosso agricultor chegou at a reunir os demais moradores das redondezas e lhes pediu que julgassem a questo .
Pediu que lhe dissessem se o problema era dele ou se o problema era
da vinha ; se foi ele que falhou ou se foi ela que falhou . Depois de mui to
pensar . o agricultor tomou a sua deciso . E a sua deciso fo i a segui nte : ele oi l e arrancu a cerca que havia construdo ao redor da sua vinha . e. assim , dei xou que os animai s entra ssem l e fizessem dela um
cam po de pasto, dei xou que ela fosse totalmente pi soteada . No podou
mais o seu parreiral , deixou que o ino tomasse conta e chegou at a
pedir que as nuvens dos cus no mandassem mais chuva sobre sua
vinha. de sorte que ela virasse um deserto .
bom que tambm aqui faamos uma pequena pausa para reflexo. O que que chama ateno na atitude deste nosso agricu ltor?
O que foi que ele fez com a sua vinha ... ?
O que chama ateno que ele no foi l , num acesso de raiva.
e pegou a foice ou o faco e destruiu tudo pessoalmente . O que ele fez ,
foi tirar o muro que cercava a sua vinha. Isto , ele tirou a proteo que
havia feito ao redor dela . Tambm no chegou ao ponto de , ele mesmo ,

-,

92

93

tocar os animais para dentro da vin ha_ Apenas entregou a v inh a sua
prpria sorie_ No ioi ele mesmo que a pisoteou, mas apena s permit :u
que ela tosse pisoteada e que se trarismasse num cleser\o_ Ouer di zer que , bem no u ndo, e agricultor simpiesmente <[Link] 2 s u~:1 vinh -::i
por conta prp ria, deixou de lhe dar urn tre. tame!lto espei::ic l , vciltuu-ll1e
as costas e deixou que ei a ficasse no abaridono e ai::abusse POLJCO a
pouco .
Mas , prezada comunidade, a esta al t ura vocs ce tarneme estaro pergu11tando, i por dentro. quem , afinJ i, este agr icJl!or do qt.w!
estou !alando. Pois o agriculto1 do qual estou ia!ando o p rpr io D eus.
Deus e o senhor da vinha: e a vint1 a o
de De us l'J c Aniiq0 Testamento os israelitas se entendiam cerno sendo o povo de D;.u s. HoJ e
ns q ueremos sei o povo de Deus e, portanto, ns rn esrnos somos a
sua vinha. A histria. que contei tr a ta, po is, de ns m esmos. E!a wn2
historia muito real. Eu a tirei da Bb lia e se encontra escr :ta no iiv0 ao
prof eta Isaas . c ap. 5, vv.1 -7 . (leitura do te xto)_

P"'

O que vamos dizer a respe ito deste te x to , ns que aqui estamos. como povo de Deus? O /~T conta que Deus c ond uzi u o seu oovo
oara fora da escravid o no Egito. acompanhou -o atrav s do d [Link].
conduziu-o at a terra prometida , deu-lhe a conh ece:- a sua. vonta d e
atravs dos seus mandamentos . fez com este oovo urna Gl ianca e s(-::
compmeteu a ajud- lo em todss CIS dificu ldades En im. D eu~ H31l:>iorrnou aquele pequeno monte dE: gente, q ue no ti nr1<1 ne:-r1mesmo onde morar. em uma nao forte e nume rosa. Nesie se::t iclo, Deus ag :;_
como o agricuitor. ou melhor . Deus 8 o agicu!tor que tez ludo pa ra qu:::a sua vinha produzisse bons frutos, irutos que co;respo1,dessern ~w seu
amor _ tvias. assim como a vinh & p ro1juziu uvas azeLi<.:s, tambm 0 o:J1
de ls;ael muito rapiclame n\e se esque:c eu das bnof: r0ceh:ciRs i;;
passou a EJno2r em cami nhos prpr ios_ Em vez de pra\icmern a j ustia.
cometiam a inju stia.; e:n vez de darem opotunida(je e q~ie rodos tives sem condies iguais cJe vida . c.!guns passarc;m:; i'lCLm;~l::tr wrrds_ ! quezas e bens. enquanto qu e outros ...-:viam no m:seria: os que det !nham o poci<~r fazi;:,m e interpretavam as !eis de acordo c;orn os so;:;us iPte:esses panicul2res, custa dos in teresses do povo Po r isso. Deu s,
at ravs do r;rr.:ife\a is2as, proc lama o seu juzo sotire o:s inj ustos. Atinai .
o receber co111prorne12 _
Quanto a nos , que somos hoje o povo cie De us . que ti po de i r,1tos ns ternos produzido? Se o! h<irm os para este p is ti o ricc corno e:
nosso. E: olharmos para todas as bnos q ue Deu:' aqui derra:ncu ac~
ponto de dizerrnos que De us orasi leio_ Se, por o uiro lado, ver ifi carmos que apenas urna pequena eiiie 8St desfrutando dest c: ri queza e se
refestelando em luxo e despe rdcio, enquanto levas e levas de migra ;1tes esto por a toa, sem terra para plantar, sem ca sa, sem emprego

e se;;'i as mnimas condies de vida . En to. de se perguntar . se Deu s


ainda vai continuar por muito tempo a ter pacincia conosc o. O nosso
texto serve de [Link] para ns . Para cada um de ns como p&Ssoa. para ns como comunidade . pa ra os poderosos desta te rra tambm os pode rosos que ha aq ui neste lugar . e para os nossos gove rnantes. Ns tem os rec ebido muit os be nefcios da mo de Deus e a pe rgunta permanec e: como temos administrado essas ddivas? Te mos
pe rm it ido q ue tocios ienharn oart e naqu ilo que Deu s q ue qu e sej;:i de
todos? No esqueamos que o receb e r cornpromete. Tambm Jesu s
no deixa d vidas a este respeito quando diz : "aquele. a quem mui to
foi dado. mui to lhe sera exigido ... E nout ra oporiunidade ele diz : " Eu
soL1 a vide ira verdadeira e me u Pa i o ag ricu!tor _Todo o ramo que. estando em m :m , no der fruto. el e o corta : porm. todo o ram o que de r
bom fruto. e le l:moa par a que produza mais irui o ainda." No que Deus
seja um Deus vi ngati vo. Eie . isto sim. um Deus que quer just ia
Amm .

IV -

Subsdios litrgicos

1 _Con fisso de pecaoos _Lembra -te de mim. Sen hor. seg undo a tua m1se r1c ordia e de acoroo com a tua bondade . e no de acoroo com a minna cor. duia in stve l e minh as f;a quezas . No te lembres tampouco. Senhor. dos pecados da minha mocidade nem das minhas leviandades _ Pois eu e as pessoa s
com quem convi vo no trabalho . no la r, e na Igreja somos seres inqui etos. inseguros e nem sempre sabemos o que estamos fazendo Mas tu conr1eces as nossas cont rad ies e incertezas e sabes por que cami nhos estamos seguindo
Po r isio. Senhor . toma-nos pela tua mo e guia-n os . e tem piedade de ns. Senhor1 -

2. Orao de coleta : Anseios e duvidas nos movem em nosso intimo. Senho1 So d vid as ou e dizem re speito nossa sob re v1venc 1a como pessoas humana s. Esta se tornando difc il ganha r o po de cada dia e o sustento de nossa s
iami11a s As condies de trabnl no no so nadiJ num <'lnas Parece ate que as dec;ses 1mport anie s que dizem respeit o a nos como pessoas human as so feitas
::;em que ns teni1a rnos influencia sobre eias Queremos. por isso . trazer-te neste culto as nossas preocupaes e pedir a orientao oa tua palavra . Senhor . e
renova r nosso comp romisso de luta por um mundo mais [Link] no. Por Jesus
Cristo. teu Filho, nosso Sen hor.
3. Assuntos para a orao final : O Domingo Rem1nescere sugere que na
orao final se " lembre " questes como : o sofrimento de Cri sto nesta epoca
da Paix o: a fidelidade de Deus que se renova di ariamente apesar do nosso fr acasso em corresponder sua fide lidade: a justia que Deus espera de nos todos e, em especial, aqueles dentre nos que mais receberam para administra r:
que nossos dons e bens so inst rumentos de amor e de justia e no de opresso: lembremos lambem o sofrimento do povo de Deus. especialmente os muitos migrantes e errantes , os sem-terra, tambm os acampados na Encruzi lhada
Natalino. em Ronda Alta . os que no tm oportunidade de produzir para si prprios ma s que . ao invs disto. tm que vender a fora do seu trabalho pa ra que

94
ouiros [Link] .con: eia : lembremos o lema da IECLB para este ano. A Ter r ~'
de [Link]. ; a d1reao de nossa Igreja e todos os obreiros e. finalmente . os mu tos mart1res que deram a sua vida na luta pelo acesso terra ; lembremos tambem assuntos locais das respectivas comunidades que preocupam os membros presentes ao culto .

DOl\fINGO LAET ARE


V-

Bibliografia

BOOMERSHIN E. R./BART HOLEMEW . G.L. Das Erzahlen bibl 1scher Geschichten . ln : Weg e zum M [Link]. Ano 28 . Gbttingen . : 976
- GOSSMANN , K. e outros. Erzahlen und Spielen von biblischen
Symbolen ln Wege zum Menschen. Ano 28. Gbttingen , 1976 - WILD
BERGER , H. Jesaja . ln: [Link] Kommentar Altes Testament.
Vol.1013 Neukirchen/Vluyn , 1972

Fi i penses

2 - 2 1

Vaioemar Lckemeyer

I -

Consideraes preliminares

A caminhada por este texto oferece algumas di ficuld ade s . .A. primeira que encontramos sua delimitao inc~uir os vv.22-26 ou
restr ingir-se aos vv.15-2 1? O incio deste texto de prdica devemos. em
todc caso. colocar no v .1 2, pois com ele o apsiolo inicia um re lato
pessoa l. Por causa de sua situao de preso que se sucedem os
acontec1mentos relatados nos vv.15-18 . O v.21. por outro lado. pod e
ser o !1mi1e posterio r. pois com ele Paulo chega ao ponto mximo de
S J 2 sx;:; ec;at iva: Cristo dever ser engrandecido. seja pela sua vida. se:::i D':: a sua morte .
1

A s1iuao hi sto ric a do apstolo. no momento em que escreve


outra dific uldade . No h neni1uma concordncia en tre os
~>:egetas em ixar o local da priso de Paulo e, conseqentement e. a
eooca em que foi escrito este relato pessoal Alguns indicam Roma e
OL!l'OS . Efeso. como local da priso. Par a ns. e especialmente para os
c uv 1n1es do Evange lho hoje , esta questo no altera nada . Basta sabe r
o:,.:, P2u!o estava preso e que essa priso quase pode ser consid erada
con d1 c; ona : . pois ele podia morar numa casa alugada (AI 28.30).
e~ ~:<.: ::::;r;a.

O texto pode ser estruturado da seguinte maneira: nos vv.12-14


Paulo fa !a do efeito do seu processo junto aos gentios (guardas) e comunidade : nos vv .15-18a, entra em detalhes sobre o motivo da pregac j o ao Evangelho, apontando o certo e o errado ; finalmente . nos
vv . 8b-21. aponta para sua expectativa , destacando a certeza de que
Cri sto se r engrandecido.
Como traduo deveria ser usada "A Bblia na Lingu agem de
Hoie" Ela menos fiel ao original, mas de fcil compreenso. pelo que
o "re gozijo " (v 18 cf. Almeida) dos ouvintes certamente tambm ser
rna ior .

96

II -

97

Observaes exegticas

V.12: Os filipenses querem saber algo sobre Paulo e ele responde , falando sobre a divulgao e situao do Evangelho. Como discpulo de Jesus , ele s pode falar de si , falando do Evangelho. Paulo oi chamado pa ra pregar, e desde ento a sua vida dedicada totalmente ao
Evangelho. O Senhor est acima dele e ele se tornou "cooperador"
(1 Co 9.23), "empregado" (Rm 1.9). "min istro " ou " rela es pblicas"
IRm 15.16). A mensagem e o mensageiro esto intr insecamente lia ados e o apstolo no pode falar a seu prprio respe ito, sem comenta-r a
situao do Evan gelho. E a priso, que lhe pareci a um entrave . est
ajudando para que a palavra chegue aos ouvidos de gentios e estimulando os prp rios cristos a se engaja rem com mais nfase .
V.13: EN XRIST - A priso no se deve a um crime \as sassinato, roubo ou briga) mas pregao do Evangelho . Paulo procurou se r
fiel e obedien te ao Senhor . convidando pessoas a aceiiarem o senhori o
de Jesus , e por isso se encontra preso . Por outro lado, a sua situao
se tornou conhecida, mas isto no obra sua e sim de Cristo .
A guarda pretoriana a guarda real. isto , pessoas responsaveis pela guarda do palcio real em Roma ou das reparties pblic as
e moradias de autoridades romanas. nas diversas provncias e cidade s
do grande Imprio
Vv. 15-17: Como se relacionam estes versculos com o ant erior? No v.14 talado do entusiasmo dos cristos por se terem engajado , eles mesmos . e levado a causa de Cristo adiante ; e no v. 15 se ala
em dois grupos . sendo que um reconhecido e louvado e o outro cen surado. Ser que os censurados so a "minoria " do v.14, os que no se
senti ram "estimulados no Senhor"? Em todo caso , estes pregadores
no so hereges . falsificadores da verdade, pois quando atacado 0
centro da mensagem crist , quando adulterado o cerne da prega o
de Jesus, Paulo se torna bem mai s agressivo e direto: por exemplo. ;:: ,
3.2 .18; GI 1.6ss; 2Co 11 .13. Aqu i Paulo diz que estes " adversrio s
anunciam Jesus (v.15 e 17), s que com intenes maldosas e pe ssoais. As diferenas no so querigmticas ou doutrinrias mas pe ssoais, e estas . alis, tambm no deveriam existir . A inveja e o cim e
s o os mot ivos que levam estes pregadores a sarem de si, e eles aproveitam a situao momentnea de fraqueza e insucesso (priso) de
Paulo, para atuar e atrai r pessoas para o seu lado.
V.18: PANTI TROP, " de qualquer modo " ou " por diversos motivos". Como entender esta afirmao de Paulo, justamente dele que
sempre foi um ferrenho defensor da verdade pura e cristalina? Justamente de Paulo com quem nem sempre foi fcil trabalhar , por causa de
sua "obstinao" (p . ex. em relao a Barnab, Joa Marcos , Pedro).

Seia como for. este "de qual quer modo " no pode ser base para qualquer espcie de doutrina, um vale-tudo . um plu ralismo multicolorido.
mas ind!ca para as diferenas entre os pregadores . Paulo sabe que a
propagao do Evangelho no depende somente dele ; pelo contrr io.
depende somente do Senhor. necessrio que acima das desavenas
e diferenas pessoais esteja Cristo. Em Cristo que Paulo mede e compara os outros e no em sua pessoa. E aqui vale lembrar Ef4 .15: interessa dlfundi e crescer na verdade . mas a verdRde sem amor no a
verdade do Evange lho .
V.19: O presente e o futuro esto nas mos de Deus e o apstolo sabe que em todos os tempos estar unido com Deus. O futuro no
ameaador para Paulo e por isso ele confia como J confiou (J 13.1 6)
A expresso " o Espirita de Jesus Cristo" s encontrada aqui.
nos escr itos de Pau:o. Em ou tras passagens ele fala do " Esprito de
Cristo" (Rm 8 9), " Espirita do Filho " GI 4.6), " Esprito do Senhor " (2Co
3.17). ' Esprito Santo" (Rm 5.5) ou si mplesmente do "Espito " (Gi 3.5)
Paulo no contia no seu ativismo ou. quem sabe . na sua reiigiosidade e
piedade , mas un icam ente na ajuda do seu Senho r
V.20: Come Paulo seria envergonhado" Se Cristo no seria engrandecido em sua pessoa . "Cristo ser engrandec ido " - observa-se
o passivo divino " 1 Deus o sujeito de toda ao e o apstolo apenas
o meio, o instrumento.
V.21 : TO ZEN. Aqui os dois substantivos usados no verscu lo an terior so relacionados em forma de verbo . O " viver " no apenas o
oposto do "morrer" (alis , Pau lo nem os coloca como al ternativa 1) o
que importa viver com Cristo , viver esta vida da qual Cris to sujeito.
vida sem iimites e sem fronteiras (cf. GI 2.20) . Viver em Cristo no
contraposto a viver na carne (v.22). mas o viver ond e Jesus Senho r
e o cen'tro existencial da vida .

III -

Meditao

.A situao em que o apstolo se encontra , se deve pregao


do Evangelho de Jesus Cristo. Isto estranho? Deveria ser, mas no .
Pau lo no foi o primeiro que enfrentou incompreenso e dificuldade por
parte do poder constitudo , ou no mnimo por um setor dele , e lamentavelmen te no foi o ltimo . Ele no serviu ao esquema de ento e por isso tinha que ser silenciado. Estava ele semeando idias pe ssoa is, defendendo uma ideologia da esquerda? No, no estava . Realmente , Jesus est ava sabendo para onde enviava os seus discpulos : "O mundo
os odeia, porque vocs no so do mundo ." (Jo 15.18s). Com o Mestre
no foi diferente . justamente no bom discpulo que se conhece o Mestre, assim como no bom aluno se pode conhecer o profe ssor ou no
" bon1" membro se pode conhecer o pa stor que est por trsl

99

98
Os adversrios vibram quando conseguem colocar pedas e espinhos no caminho dos outros. Mas o que paece fracasso, insucesso,
desmoralizao aos olhos do mundo, nc precisa s-io nece ssa riam ente para Deus. Nem tudo cabe no esquema " suc esso -- fracasso" . E
como ns nc,s deixamos ievar facilrnente por este esquema, to nosso
e to pobre 1 Quando os cu ltos so regulares e bern freqe ntados .
quando os diversos grupos andam , quando ::is nos sas estatsticas esto
em mar alta . quando os nossos oramentos so realizveis e mu;ta s
vezes at most ram um superavit. achamos logo que . em si, tudo est a
bem. O contrrio nos assusia . Mas a palavra de Deus no esta irac a
quando ns estamos fracos , nem presa quando os seus pregadores esto p resos . ~~o exatamente esta a ignorncia do mundo , de quere r
enfraquecer a palavra (Igreja) at ravs de persegui o. opresso?
Quantos " grandes" e "poderosos " j no se afastaram da comun idade. pensando que sem sua ajuda financeira expressiva nada mais func ion aria !
Algum j disse que tempos de perseguio sempre foram tempos de bno para a Igreja . Quando o \'1der est preso , a comunidad e.
os membros assumem a causa. Ser que Deus no deve ria acorrenta r.
vez por outra . mais "lderes " ? Em todo caso, estes deveriam conscientemen te dei xar os membros assumir a causa. Claro , os motivos pe ssoais podem aparecer , embora no deveria ser assim. Uns pu xa ndo as
brasas para o seu assado, outros desviando a gua para o seu moinh o ,
sempre algum que re ndo se destacar . Conhecemos bem esta rival idade. tam bm entre colegas .
As diferenas pessoai s so um tato e elas at enriquecem o todo. ba sta pensar nos diversos dons e na diversidade dos servios dos
membros do corpo (Ef 4. 1-16e 1Co 12). Tudo , no entanto , a partir do
cent ro e para ele. caso contrrio no teremos mai s apena s plural idade .
mas olura lismo. E. por falar em pluralidade e plur alismo. ha uma di visa
bem cl ara entre um e outro: ou , de vez em quando . as divisas se c0 niunaern e no so mais perceptiveis? Ser que pregar Cri sto " de qualquer modo " carta branca para a pluralidaoe? uma pergun ta qu e va le no s " intra muros ", mas tambm " extra muros " . T2ntas confi sses, tantas denominaes , tantas linhas teol gicas1 A causa pr ova velmente esta nas intrigas e na mesqu inhez pessoal. Importa. por rn .
que acima disso t ido esteja Cristo . Nele que deve estar a fora p:Ha o
nosso agir: "tudo pos so 11aquele que me fortalece " {Fp 4.13'i Cristo dever ser o cen tro existenc ial de tod si pessoa, de toda com unidade e de
toda a igreja, para que se forta lea semp re mais a unidade e haj2 motivo para alegr ia na di"Julgao e aceitaao do Evange lho. Quando Cri sto
o viver, ento se ama como Jesus amou , se v corno Jesus viu .

IV -

A prdica

o nosso te xto facilmente

nos ieva a elabo rar e profe rir um a prdica com ve rdaces absolutas e eternas - estas pr dicas que no dom ingo noite ou na seg unda-i eira leva ntam insaiisfao den t ro ~e ns
e nos acusam de termos sido pouco concr etos Por out ro lado . ha 8 fa. cilidade de enfoc-lo de vrios ngulos e, dependendo das circunstncias . exol o;ar mais um ou mais outro ponto . Dois pontos bs icos , no
entanto . deveriam nortear a prd ica :
ai Onde eu busco as for as para minh a vida ?
b) Como Cristo engrandecido em e por mim?
[Link] consideraes que podem enriquecer o ponto a):
- O discpulo de Jesus questiona tudo o que antievang elho.
Conhecemos algum que sofreu por esta causa?
- Os conceitos teo lgicos. especificamente cristolgicos. so
os mais diversos dentro de uma comunidade . Isto possvel ou no?
Qua l a fonte destes conceitos?
- Como resolvo as minha s dificuldades? Baseando-me em que
fundamentos?
- Cristo . o meu Senhor . me leva a pregar no so po r palavras .
mas especialmente pela maneira de viver .
E quanto ao ponto b):
- Os meus vizinhos j descobriram que sou discpulo de Jesus? Certamenie eles tambm o so. mas isto perceptvel ?
- A f crist no pode ser vivida apenas em casa e no culto.
mas abrangente para todos os momentos .
- O que Jesus no quis (quer), isto eu tambm no pos so adm itir: e aquilo pelo que ele lutou (luta). tambm tarefa minha .
- Viver assegurar a vida , especialmente o futuro . ou a vida
s tem sentido seguindo o Caminho , a Verdade e a Vida?
- Estou fazendo algo pela divulgao do Evangelho? O qu" E
me aleg ro com isso? (A contribuio financeira - tambm urna forma
de au xiiiar na di vulga o do Evang elho - , em grande parte , motivo
de murmurao e insatisfao !).

V -

Subsdios litrgicos

Confisso ele pecados: Mi se ricord ioso Deus. nosso Pa i. Estarnos aqui reunidos mais uma vez como tua comunidade. Tu conl1eces cada um de ns. Tu sabes quando ns nos omit imos e no agimos como teus filhos: tu sabes quanto
ns procuramos a nossa honra e esquecemos totalmente a tu a honra ; tu sabes
quando nesta semana pa ssada no aprove itamos a [Link] de deixar
aco;1tece r o teu Rei ne . Por isso . e por outros tantos motivos. que nos apro x
1.

100

mamos de ti agora para te pedir com toda a s1ncer1dade. conf1anca e humildade . que tu nos queiras perdoar. Baseamo-nos em teu imenso amor para te pedir : Tem piedade de ns, Senhor !
2. Orno de coleta: Querido Deus e Pai. Ns nos sentimos felizes por
mais uma vez podermos estar aqui reunidos para te louvar. te agradecer e. especialmente. para te ouvir . Ns precisamos muito de t1. Queremos ser os teus
mensageiros. mas para isso precisamos de tua orienta o e de tua iorca . Abencoa a ns e a todos os ouvintes e pregadores da tua palavra neste dia . Por Jes0s Cris!o Amm .
3. Orao final: Senhor. nosso Deus e Pa i. No qu eremos sai r oeste cu lto sem antes te agradecer pela fora e orientao que tu nos deste atravs da
tua palavra . Ag radecemos-te que tu nos ac eitas como teus filhos e que confias
a tua pa lavra a ns para que ns a divulguemos. Ajuda-nos oara que no te decepcionemos nesta semana . que certamente trar muitos momentos para vive;
com toda a intensidade a tua vontade. Queremos 1e pedir que nos acompanhes
em todos os momentos e em todas as situaes: que guardes a todos os membros desta comunidade. a todos nossos parentes. conhecidos e amigos.
que os desampara dos e entristecidos. com au em nos enco ni ramos . ouam uma palavra de estimulo e consolo : que todos os op r1m1dos e persegu idos
encontrem a paz e a justia ; que os governant es se sa ibarn responsavers diant e
d<: !1 e diante do teu povo. Ajuda-nos . Senhor . para qu e anu nciemos com co r \11::o. coragem e alegria que tu s nosso Senhor e nosso Deu s

VI -

Bibliografia

EICHHOLZ , Meditao sobre Filipenses 1 .12-2 1. ln H err. t ue


meine L ippen auf Vol. 4. Wupperial - Ba rmen , 1955. - FRIEDRICH .
G. Der Brief an die Philipper . ln: Das Neue Testarnent Deutsch. Vo! . 8 .
G!tingen, 1976. - STAHLIN . W . Meditao sobre Filipenses 1.12-21
ir. Predigthilfen. Vol.2 . Kassel. 1968.

DOMINGO JUDICA
Nmeros

21 .4 -9

Edmundo Grbber

1-

Introduo

O texto de Nm 21.4-9 previsto para servir de base para apregao no 5 Domingo da Quaresma. ou da Paixo . denominado Jud1ca .
Com exceo do Domingo de Ramos. todos os outros domingos na
Qu are sma receberam o seu nome a par< ir de textos bb li cos e chamamse lnvocavit = " Eie me invoca "( SI 91.15) : Reminiscere = " Lembr ate . Senhor" (SI 25 .6): Oculi = "Os meus olhos se elevam " (SI 25 15):
Laetare = "Regozijai-vos " (Is 66.10) e Judica "Faze-me justia " (SI
43.1 ). Os textos que deram origem ao nom e desses domingos. so usados tambm como intrito na liturgia dos respecti vos cultos . Judica taze-me justia ', expressa saudade. Saud ade por tempos e situae s
do passado. Expressa o desejo e o pedido de que Deus intervenha e
traga mudana. libertao da situao atua l.
Tambm o iexto de Nm 21.4-9 expressa . no iundo, o desejo po r
mu clan c3. por l1oertaco . o povo de Isra el esq uece u todos os eitos de
Deu s em seu favor. Esqueceu como Deu s o conduziu e pro tegeu. de
Jr.1a ma 11eira m arav ilhos a. at ento. O povo v apenas o " agora". a
sua sll uaco a1ual, e lembra , com sa ud ade. o tempo em que viveu no
Eg !tC . ow1cipa1rnente quanto ai !menta o, pois se [Link] : " Por qu e
11os fizeste subir do Egi to. para que m o rramos neste dese rto. onde no
la po nC'm agua?" (v. 5) O povo est insatisfei to com a situao e deseia mudlna. lihertaco .
Por essa razo o texto adapta -se perfeitame,nte a'J significado
cio Dom ingo .Judica .

II -

O texto

f\)m 21 .4 -9 \em muita semelhana com outras passagens que


rPia:a:n a peregrinao do povo de Isra el pelo deserto . desde a sada

103

102

do Egito . Esses relatos sempre se referem impacincia. ao descontentamento , ao " murmurar", ao " falar " do povo contra Moi ss, Aro.
contra o prprio Deus (cf. x 16.2ss; 17.3; 32 .1ss ; Nm 11.1 ss; 14.2ss e
outros). As murmuraes contra Moiss e Aro so, em ltima anlise ,
sempre murmuraes contra o prprio Deus , mesmo que isso no seja
expressamente dito . pois os doi s so enviados de Deus e cumprem
suas ordens. O motivo do desconten ta mento . das " murmura es ", a
situao difcil que o povo encontra no deserto. " ... no h p o nem
gua " (v.5). Jaspe rs aponta que este murmurar int erpretado de vrias
n:ianeiras: como falta de confiana em Deus ( x 16 .8) , tentao a Deu s
(Ex 17.2; Nm 14.22), provocao e desp rezo a Deus (Nm 14.11.23) . levante ou revolta contra Deus (Nm 14.35).
Enqu anto , na maioria dos casos em que o povo manifestava o
seu descontentamen to, Deu s vinha ao seu encont ro providenciando o
que era reclamado (cf x 16.4 .12: 17 .6). aqui neste texto ele envia c as!1go atravs das "serpentes abrasadoras ": em conseqncia . morrem
"muitos do povo de Israe l" (v .6). Alarm ado com o que estava acontecendo. o povo arrepende-se e solicita que Moiss interceda junto a
Deu s (v .7) . Este . mais uma vez, vem ao encontro do povo e est disposto a perdoar . mas condicio na a libertao. Ordena que Moiss faa
uma "serpente de bronze " e a coloque numa haste. afirmando que " ...
todo mo rd ido que a mi rar. viver" (v.8) . A libertao da morte depende
do fi xar o olhar na "serpente abrasadora ".
De acordo com 2Rs 18.4. encontrava-se exposto no templo de
Jerusalm, por l_ongos anos (at cerca de 700 a.C.) , o Neust. uma se rpente de lato. A pergunta sobre o seu significado , sobre a sua origem .
fazia-se ref erncia a um acontecimento que tinha se mell1ana com o
relato de Nm 21.4-9. Dessa for ma a existn cia do Neust. exposto e venerado pelos fiis no templo de Je rusalm. era atribuda a Moi ss e
atravs deste ao prprio Deus, que dern a ord em para a sua conf eco
no deserto .
No h , no entanto , indicao alguma de que a " se rpente abr asado ra", feita por Moiss, tenha si do levada pelo povo. ao longo de sua
peregrin ao. at a sua fi xao definitiva. prov vel que o Neust tenha a sua origem na religiosida de popular da poca, sendo-lhe atribudo o poder de proteg er co ntra serpentes e as suas mordeduras. compreensvel tambm que o povo , para ju stifica r a existnc ia da "seroente abrasadora" no templo , procura sse relacion-la com Deus .
Nm 21.4-9 no teria esta importncia , no fo sse o evangelista
Joo rela cionar esse conto com a crucificao de Jesus (Jo 3.14-15)
S por intermdio deste relacionamento o texto recebe valor e contedo pa ra a pregao de hoje . E s a partir de Jo 3.14-15 que ele pode e
devE: se r interpretado. (L .Fendt)

III -

Meditao

A histria se repete . El a comprova o que est esc rito em Gn


8.21 b: " o desqnio do homem mau desde a su a mocidade" . O ser humano, desde ~ sua criao. est insatis fe ito. rec lama. murmu ra Ad o
e Eva estavam insatisfeitos . Quer iam ser iguais a Deus . Desde en to .
acompanhando a histria da humanidade. vamos , sempre de novo .
constata r essa tendncia nas pes soa s
O povo de Israel no Egito gemia sob o 1ugo da escravido. Clamava por liberta o. Quando est a vem. can ta ale luia. Mas diante de dificuldades que a nova situao lhes traz , a maravilhosa ajuda e interven o de Deus est esquecida e passa-se a reclamar e a criticar as
ci rcunstncias atuais , e a lembrar. com saudade , somente os bons momentos dos tempos passados . Esquec ido est o sofrimento e~ jugo da
escravi do , e so lembradas apenas as panelas de carne (E x 16.3).
Esquecida est a libe rdade conquistada. e vista apenas a dificu ldade
atual. " no ha po nem gua " (v.5) .
Deus . no entanto. miseri cordi oso e tem pacincia com o povo . apesar de tudo. Mesmo quando decide castig-lo, permite e oferec e
uma sada para aque le que -se arrepende. O nosso te xto o comprova
com muita cla reza . Aparentement e a pacincia de Deus parece esta r
no fim . Tantas e tantas reivindicaes ouviu e atendeu, que o povo j
deveria confiar mais em Deus. O povo j deveria te r notado, j deveria
saber que Deus quer o seu bem, que est ao seu lado e no o dei xar
s, tambm no no deserto . Mas . nada 1
Ai Deus reso ive castigar sua gente atravs das " serpente s
abra sado ra s" Arrepend ido . o povo ped e a Moiss que in terc eda por
ele junto a Deus . E Deus, at endendo a orao de seu se rvo . encontra e
oferece novam en te uma sad a para aj udar o seu povo. Ordena que Moiss faa uma se rpente de bronze e a erga numa haste , afirmando: ...
todo mordido que a mirar. viver " (v .8b). E diz o te xto:" Fez Moiss uma
serpente de bronze, e a ps sobre uma haste : sendo algum mordido
por alguma serpente. se olhava para a de bronze , sarava."(v. 9)
Mas a histria de Deu s com a humanidade no te rminou a. Ela
conti nuou e conti nua. E, nessa continuao , ela tem muit a semelh ana
com a histria do povo de Israel no deserto . Continua a desobedincia ,
o desprezo a Deus. Ma s contin uou e continua tambm o amo r de Deus
para com o seu povo . Este amor , em seu auge , man ifestado no envio
e no sacri f cio do prprio Filho . " Porqu e Deus amou ao mundo de ta l
maneira que deu o seu Filho unignito , para que todo o que nele cr
no perea, rnas tenha a vida eterna ." (Jo 3.16) Asim como a " serpente
abrasado ra" de bronze .! erguida por Moiss no deserto , representava
vida para todo aquele que tinha sido picado , desde que a fitasse, assi m

105

104
Deu s disps que Jesu s . erguido numa cr uz . se tornasse a vicia para i odo aque le que nele cresse . " Do modo por que Moi ss levan tou a serpente no deserto. ass im importa que o Filho do hom em seja leva nt ado.
para que todo o que nele cr tenh a a vida eterna . (Jo 3 .14- 15)
Deus , pois . pagou um alto preo pela nossa libertao do pecado , do mal e da morte . Urge que o reconheamo s ' Urge reconhe ce rmos que " ... no fo i mediante cousas corruptveis . como p rata e ouro ,
que fostes re sgatados ... mas pelo precioso sangue de Cristo ... (1 Pe
1 .18-19)
.[Link] ar e viver a libertao que Deus nos o ferece em Jesu s
Cristo. imp lica uma nova viso das coisas . Impli ca qu e o velho Ad o
em ns deve ser afogado dia riamente com todos os pe cados e maus
desejos. atraves do arrependimento . e sair e ressurgir um novo homem
que vive em pureza e justi a perante Deus eternamente (Lutero) Implica ruptura com o velho homem , abandono do ve lho hom em. E isso
signific a sof rimen to . Um tumor em ns s pode ser e limin ado atr avs
de uma interveno cirrgica, que dolorida .

enga no pen sar que liberta o ser ia a t ransformao imediata


e radical da dificuldade em faci li dade . engano pensar qu e l1bertaco
seria a eli min ao do sofrimento e da morte . e que. em conseq nci a
a vida seria um " mar de rosas " , uma vida sem prob le mas . Ao contrrio , libertao significa luta contra novas dificuldades e adver sidades .
mu11as vezes maiores do que as anter ior es , ma s que vaiem a p ena serem enfrentadas po r causa da libe rdad e.
O povo de Israe l foi libertado da escravido no Egito Ma s d urante a peregrinao enf rentou inm e ra s o utra s d if ic uldades . pri vaes e tentaes. Em retrospecto , vencidas todas as adve rs id ades.
pode-se . no enta nt o, dize r que valeu a pe na enfrentar toda s aqu ela s
provaes , consi derando-se o resultado . o alvo final da p e regrinao : a
terra prome tida
Libertao significa ru ptu ra com o passado , s ignif ica abandono
de situaes anteri ores . Pa ra o povo de israel significou o abandono da
fartur a em alimentao, a desistncia das " pan elas de c arne (N m
11 .5: x 16.3) Para os di sc pulos de Je sus significou o abandono d e
suas profisses . redes e embarcaes (Mt 4.20 ; Me 1.18 : Lc 5 .11 ). Par a
Zaqu eu significou o abandono da exp lorao e a devol u o. em qu at ro
vezes mais. daquilo em que tinh a def raudado algu m (Lc 19 .8 )
Cri sto conquistou na cruz a nos sa libe rta o . Aceit -l a significa
no mais viver preso ao ve lho Ado . ao antigo pad ro de vida. ma s vi ver a vida nova qu e Cristo nos oferece . Poi s " ... se algum est em
Cri sto, nova criatura , as cousas antigas j passaram, eis qu e se fizera m novas ... (2Co 5 .17)

Por isso . liberta o sig r.i l 1ca pa ra ns. :ut a rdu a e constante
contra o egosmo , orgulho . comod ismo e med ~ Mas est a luta vale a pena . quando ternos em mente que S)mos pereg rinos em direo ao al vo .
em direo ao Re ino de Deus. E. estam os aptos para esta luta , somente quando mantemos o nosso olh o fixo em Cristo. Somente com o nosso o! ha r fixo em Cri sto . som os capazes de viver a nova vida que nel e
nos oferec e . e que se m anifesta no relacion amento com os out ros em
amor.
1

IV -

Sugesto para a prdica

Seguir o caminho desenvol vi do na meditao uma possib ilidade , com destaqu e para os seguintes tpicos:

a)
b)

c)

d)

V-

A histri a se repet e .
Deus pagou alto preo por nossa libertao .
Aceitar a libe rtao implica uma nova viso das coisas . Impli ca
ruptura com o ve lho Ado . Aqui important e uma anlise do ve lho
na comunidade , que deve sofrer tran sformo . " Libertao exige
e possibili ta um novo compor ta mento perante Deus. e se conc retiza no nosso comportamento perante os homens ."(Lein )
S com os olhos voltados para Cristo poss vel vive r a nova vida .

Subsdios Litrgicos

1. Confisso de pecados: Eterno Deu s e Pa i. Nesta poca da Paixo .


quando somos novament e lembrados do sofr imento e da morte de Jesus. teu
Fi lho. senti mos quo grande foi e o teu amor para conosco e para com toda s
as pessoas . Se ntimos tambm quo grande a nossa cu lpa . Senti mos e reconr1ecemos que esiamos pre sos ao nosso eu: sentimos e reconhecemos que no
dia a dia de nossa vida estamos por demais atar efados e preocupados con?sco. esquecendo-nos da responsabili dade que . como cristos . temos tambem
por aqueles que esto ao nosso lado . Reconhec emos. arrependidos. Senhor .
que na maioria das veze s. s te coniessamos com os nossos lab1os. sem que a
nossa vida diaria reil ita algo dessa confisso. Ma s. confiantes em teu amor e
em tua misericrdia. manifestados desde os primrd ios da humanidade .
pedimos-t e perdo. Aproxi mamo-nos. portanto. humildemente e clamamos .
Tem piedade de ns. Sen hor 1
2. Ora o de coleta: Senhor. nosso Deus . Estamos reu nidos aqui para
louvlr e adorar-te com nossos hinos e nossas oraes . e para ouvir a tu a palavra Da. Senhor , que nada nos perturbe e faa divaga r os nossos pensamentos .
Ajuda-nos para que concentremos toda a nossa ateno em tua pal av1a.
Concede-nos o teu Santo Esprito para que possamos ouvir e entender corretamente o que nos ten s a dizer . Fala . Senhor. os teu s servos ouvem . Amm
'.:l . Lei!ura bblica : 1Pe 1.17-2 5.

106
4. Assun tos para orao fina l: agradecimento a Deus pe 1o:> ar1o r c o r-que nos ama: ag radecimento pe la pacincia que Deus teve e tem c- o "[Link]:::o e
com a humanidade; agradecimento por nossa liberta o em J'?sus C r:s:o 1n te' cesso por todos os que vivem em escravido , no mais amp io se nt ido 1ps1cologico, fs ico e econmico) : marginalizados. explorados . oprimidos. etc .: su p lic a
para que possamos viver a libertao qu e Jesus Cristo trouxe . no dia a dia pe
nossa vida: splica pelo Esprito santo , para que possamos ser agentes de libertao para todos que vivem em escravido .

DOMINGO DE RAMOS
Isaas

VI -

Bibliografia

CRAMER. K. Grundriss des Alten Testaments. Altenburg.


FENDT. L. Die neuen Perikopen ln : Handbuch zum Neuen
Testament. Vol.23. Tbingen, 1941. - LEIN. W . O futuro j comeou .
Vida nova. ln: Curso de Formao Teolgica para Lderes. Tema 8 (Panambi) 1975. - MACKINTOSH. C.H. Estudos sobre o Li:vro de Nmeros. Lisboa (1965). - NOTH , M . Das vierte Buch Mose . ln : Das Alte
Testament D eu tsch. Vol. 7. Gttingen , 1966 . - AYLE. J.C. Com e ntrio
expr)sitivo do Evangelho Segundo Joo. So Paulo . 1957.

50.4-9

cf. SEXTA-FEIRA DA PAIXO


Isaas

50.4-9

1971 -

Milton Schwantes
(v. Vol. li , pp . 28-33)

QUINTA-FEIRA SANTA
Corntios

10.16-17

Rui Bernhard

1 - Introduo
Na Quinta-feira Santa geralmente os textos bibl1cos indicado s
para a prdica versa m sobre a Santa Ceia , ou. no mnimo , sobre a ~a 1 xo e morte de Jesus . Por isso , a pregao geralmente se torna temat1ca neste dia, o que muitas vezes causa dificuldades ao pregador . uma
vez que isto exige dele uma criatividade muito grande. Em consequ_ncia, o mesmo muitas vezes se repete e os cultos se tornam monotonos.
Por outro lado, precisamos considerar tambm que nestes dias .
na semana da Pai xo , geralmente temos casa cheia. Isto significa que
temos diante de ns freqentador es espordicos de culto , que esto a
uma vez por ano. E esto a principalmente para tomar a Santa Ceia ,
pois para a maioria tomar a Santa Ceia um acontecimento importante , mas que deve acontecer na semana da Pai xo. como que "come-

108
mo t
J
o pr ega aor.
. nesta oportunidade se v na
r e ae esus .
tentaao de _"b~ixar a lenha " sobre os presentes, [Link] sentir
que sua ausenc1a durante os outros domingos do ano no t .
P
es a correta .
f 1
benso . no entanto. que devemos valorizar esta oportunidad e de
u~; ~~nre o Sacramento do Altar, para que c ada um possa levar da
tan to nesca;ses~r~ue o motive a ~ma ~[Link] mais freqente . Para

- ~

mora r'

profundament~u;o~~:~T~~~~~J~a~:~~e~:n~~o~~i~e

interpretar o
mai s
vida . Que cada um
..
para a nossa
tem para nossa vid:~:~~~~~~~~r ~~~[Link] que~ Santa Cei a
na qual somos colocados pela Sa~t C a partir da comunhao de Cri sto.
nossos irmos de luta e de sofrime~to e~a , :~ontea a comunho com
Ceia nos d foras justamente nesta 1 e o os os d1~s . Que a Santa
torna mais fcil.

uta. quando entao a repartir se


Creio que , se colocarmos a re
dermos este enfoque . estaremos d~ntr;aao. neste con~ex to e s~ lh e
texto previsto para este dia .
da interpretaao do proprio

li - Consideraes sobre

texto

Delimitando o contexto maior vamos


parte do pensamento e da preocupa d
ver que 1 Co 10.16-17 faz
p tulos. Paul o trata da questo , diaite daos ~: PS. 8-1 O. Nesses trs ~a
t1os: os cristos podem ou no comer da cq
se encontram os corinidolos? A confuso na comunidade de C . ~rn~ que foi sacrificada aos
Por isso . se entende que os dois verscu~~~ ~e .gtrande a este respeit o
e simplesmente um tratado sobre a Santa Cei~u~ r~tados no so pura
dar a Santa Ceia a partir de sua prtica e da exp
. a~ o quer, .n tes . abo rnidad e.
eriencia de fe na comu-

.
Nest e sent ido quer mostrar aos corintios como el
t1ngu1r muito bem entre a idolatr ia e a verdade ira c . d ess devem d1 s.
eia o enhor Para
1

o apos 1o o e 1mposs1vel participar de duas situao-e d'f

hp
.
.
s 1 erente s de com un ao. or isso adverte os corintios que procurem d'
.
.
bem entre amba s.
is1ingu1r muit o
"Om

Os vv. 16 e 17 rel atam . pois, uma prt ica da Sant


.d .
. 1
..
a

c eia que a

., e ! .uni . aoe [Link] mente J conheci a. O elemento novo levantado


P~ o apostolo e o fato de que a comunidade deve reconhe
.

d d
.
cera exclu siv1 a e da comunhao, na qual soa Santa Ceia nos pod e colocar .
Contra?izendo a tradi o litrgica da Santa Ceia (c f 1 Co
11.23ss), o apost olo fa la aqui primeiro do "clic e da bno"

ento fa lar do ~o . lsto'. em si , no de maior relevncia . Em to~i~ s~


soo te rn:o " ca lice da bno " uma expresso da tradio judai~=
onde o c a l 1 c~ era oferecido no fi m da refeio . (Wend land , p 81)

109
Interessante que Paulo no diz expressamente que o clice
contm o sangue de Jesus. Ele s afirma que o sacrifcio de Jesus est
acima de qualquer sacrifcio de animais . E nenhum sacrifcio de animais pode propiciar comunho mais intima . Paulo ressalta que o sacrifcio de Jesus no um mero sina l externo, no nos quer colocar numa
situao externa ou superficial de relacionamento, mas que o seu sacrifcio vai muito alm : d-nos pa rticipao no seu prprio corpo. Ns
nos tornamos um corpo com ele: outros deuses e dolos no tm e no
podem dar tal participao . Po r isso, se torna de grande importncia o
termo KOINNIA no v. 16. O sangue e o corpo de Cristo na Santa Ceia
no s do participao na sua morte e ressurreio . Com isso, somos colocados dentro do corpo de Cristo . fazendo parte dele. Tal participao
s pode acontecer , quando o velh o homem morre e quando vestimos o
novo homem . Pois onde o pecado perdoado. a morte tambm foi vencid a . No h dvida de que o apstolo fala de uma unio real dos membros com o corpo do Senhor. Pois se j o sacrifcio eito aos dolos d
comunho com o demnio , quanto mais po e vinho nos do comunho
com o corpo e o sangue de Jesus , quando realmente so aceitos nes ta
f . E todo aquele que procura comunho com o demnio. no pode ter
oa rticipao na mesa do Senhor. Por isso, se pode dizer que a pa lavra
" comunho " tem o seu mais profundo significado, quando se cr no
seguinte : os membros da comunidade de Jesus vivem com o seu Senhor . so crucificados, mortos e sepultados com ele , so ressucitados .
exaltados . e com ele tm poder e vivem para a vida eterna . (Klessman n. p . 173)
S a partir da pode-se entender o significado da Igreja : no se
tra ta apenas da soma de muitas pessoas que se unem numa socied ade . Antes . Igreja o corpo de Cristo. cuja unidade est sempre presente em Cri sto . E nesta unidade em e com Cristo ns sempre somos co locaoos. aua ndo comungamos a Santa Ceia. Cristo vem at onde ns estam os. o Sacram ento do Altar que sempre renova a nossa com unho
com Cristo
Portanto , a respeito do corpo fala-se de duas maneiras: primeiro . do corpo de Jesus que foi sacrificado por ns; segundo, do corpo
que formado por todos aqueles que participam da Santa Ceia. que
acei tam o po , e desta maneira formam o corpo da Igreja . Em todo o
caso . esta comunho no pode ser vista apenas numa esfera superfic ia! da f. No podemos entender a Santa Ceia como uma participa o
mstica neste corpo de Cristo. Trata-se , antes . de uma partic ipao
con c reta na salvao. Para o que cr, isso sempre se concretiza , quando em f partimos o po e repartimos o vinho na Santa Ceia . atravs
dela que Cristo permanece vivo na comunidade . Por isso, comemor-la
comemo rar a presena viva de Cristo na comunidade .

, 11

, 10
Resumindo , podemos dizer A participao , em t, na Santa
Ceia nos coloca numa comunho ntima com Jesus e ao mesmo te m po
nos d comunho com o nosso irmo. A participao na Santa Ceia,
nos salva, e ao mesmo tempo nos desafia para uma vivnc ia em amor
com o nosso semelhante.

III - Pensamentos para a prdica


Conforme vimos nas conside raes acima . a prdica pode ressaltar dois aspectos relevantes do texto:
1. O aspecto da comunho dos comungantes com Cristo . Jesus quer, atravs da Santa Ceia , chamar pecado res para o Reino de
Deus , sem impor condies . Ento, cada comungante deveria sentir
que no est a participando por tradio apenas , mas que este ato
quer lembrar-nos do grande gesto de amor de Deu s para conosco . Deveria sentir tambm que , no momento em que nos reunimos em torn o
do clice e do po , e quando em f aceitamos a ddiva de Deu s. n s
nos tornamos verdadeiros comungantes . isto , participantes do corpo de Jesus . E esta participao nos leva a reconhecer o segundo passo importante a ser considerado na prdica .
2. A comunho com Cristo, na qual somos colocados, nos desafia agora para a comunho vivida, a comunho com o prximo . Somos desafiados a vivermos comunidade. Neste sentido deveramos
perguntar: Como fazer para que a Santa Ceia no seja apenas algo entre mim e Jesus e entre Jesus e mim? O que fazer para que esta comunho se expresse na vida diria com o meu semelhante? Podemos partir diretamente do que nos diz o v. 17, "somos todos unicamente um
po ". e podemos lembrar-nos tambm de 1 Co 12.25s onde os membros do corpo so exortados a cuidar uns dos outros . Ass im se realiza
comunho com os irmos, no entender do apstolo Paulo . Em nossa
Ig reja estamos acostumados a tomar a Santa Ceia para tranqilizar
nossa conscincia. Admitimos o arrependimento de pecados pessoa is ,
mas esquecemo-nos dos pecados coletivos Somos uma Igreja formada de indivduos oue se escandalizam, qu ando pastores e ob reiros se
engajam numa pr~ocupao scio-poltica . tambm aqui que a Santa
Ceia nos quer !iberta para sermos mais coerentes em nossa vivncia
de f. Pois ela no nos quer colocar numa situao de harmonia e de
tranailidade. Cristo no soreu para que ns fss emos poupados de tudo . Mas ele veio justamente trazer a espada (cf. Mt 1O 34ss).
Contudo isso no signi fi ca diviso . A prdica deveria acentuar
que. enquanto tantos irmos passam fome ao nosso lado , enquanto irmos vivem explorados e oprimidos pelos mai s fortes , enquanto irm os
nossos passam por dificuldades e sofrem injustias que ns mesmos

no gosta riamos de so: rer . enquanto tudo isso e muito mai s aind a
acontece ao nosso lado . a comu nho da Santa Ceia est imcompleta .
Enqu anto no exist ir em ns a preocupao m r:lis decisiva por justia, e
ma is concretamente a vontade de entrar nesta luta. o processo de salva8o iniciado na Sant a Ceia fi ca iragmentado . interrompido .
l'!a Santa Ceia recebo sempre o sina! do amor de Deus . Mas , [Link] , isto me desafia a carregar em amor a ca rga dos demais. E
como diz LuteO: " A teu cora o tem que se entregar ao amor e aprender como este sacramento um sacramento de amor. e assim come tu
experimentaste amo r e apoio. tambm tens que mostrar amor e apoio a
Cri sto e seus pobres Pois ai tens que sofrer com tudo quanto desonra a
Cristo e sua santa palavra . toda a misria da c ristandade . toao sofrer
de injustia per inocentes. Di sto h por demais em todos os lugares do
mundo . A tens que combater, fazer , interceder e. se nada mais pud eres fazer. sofrer junto ... \apud Al tmann , p. 134) Sabemos que .nossas
atitudes ern favor do mais frnco tero conseqncias . Levaro a opos1e e perseguio do mundo . dos mais fortes. Por ist? mesmo , confo rme Lutero. precisamos sempre de novo da comunhao na Santa Ceia
como fortal~cimento e conforto .
A pregao neste dia uma boa oportunidade para o pregador
que entende a mensagem do texto de 1Co 1O. 16-17 como foi colocada
acima , abordar problemas internos na prpria comunidade ,, bem como
olhar para o que est acontecendo em seu contexto soc~al. E uma opo rtunidade para denunciar a falta de comunho entre 1rmaos. e anuncia r
a oferta que recebemos atravs da Santa Ceia de Jesus Cnsto .

IV - Subsdios litrgicos
1 . Coni1sso oe pec ados: Sen~1or Deus, Criador do mundo e doador d:.
vida. w nos dest e a taref a de construir o teu mundo e aprove1ta.r as sua.s nqu/
zas Ao inv s disso. destruimos e comprnme1emos o que tu co1ocaste _a nossa
disposio para a vida. Destruimos a natueza e fomentamo~ a desu~1ao_:ntr~
as pessoas. Por isso reconhecemos: Senhor. pec1sarnos. do. [Link]. Se
nhur. pmcu ramos e ans![Link] po; liberdade e [Link]:a. Ao 1nves_a 1sso.,[Link] ,~rn~;
rnos cada vez mais escravos de sisiemas e estruturas cansaoa::> e cor . upta::> . Po
i ss~ r~conhecernos: Senhor. precisamos do teu pe rdo . ~. Se_nnor. doador::
paz e do fFTior : [Link] a necessi dade de reconcil !aao en tre as1 Por
"'oa c: ~a c: no somos ortes ao c'[Link] de nos to rna rmos exemplos do teL P~ ~
-Por
'" isso

do.
te pedimos: Senhor, perdoa a nossa f;aqueza; per doa a"~ossa tal
ta de f. Tem piedade de ns. Serihor !
;~ . Orao de coleta: [Link], tua palavra nos rene _mais wma vez ne;~a
comun1-,o. Somos muitos aqui presentes Talvez nem todos se c-Jnheam. !\ia~
todos queremos re uni r-nos em torno de tua mesa farta que nos .quer saciar. Da
q~e possamos sair daqui hoje fo rtalec idos em no~sas lutas da v:da . Oue tua palavra nos d orientao e sabedoria. para sermos capazes de mudar o que ouiros no so capazes de fazer. porque esto comprometidos demais com e: es-

112
irutura in justa em que vivemos. Por isso. ilumina os nossos coraes com a tt.:a
palavra neste culto pa ra que a tua vontade se aa sentir em nossa vida . Por Jesus Cristo , amm.
3. Assuntos para a intercesso l inal: H falta de comunho entr e ns
na comunidade - pedimos que o nosso orgulho e a nossa auto-segurana per cam o se u lugar de de staque. na f vivida em comun id ade . H p; eocupao d Grnasiada entre ns. evanglicos, em querer uma Igreja onde tudo h:irrnonia.
onde no haja incmodo e tenso - ped imos-te. Senhor, que possamos np rR n
der a viver t?.rnbm com a tenso que nos quer ti rar d8 nosso comodismo
in rcia . Ha preocupao oor car idade entre ns. mas s ai o ooni o onae ni'io
somos desafiados a nos desfaze r do suprfluo e do desnec'2ssr1 0.
p;eocupamo-nos em ac umu!ar semp re mais e no vemos qu e isto soe possive .
as custas daquele que tern cacia ve z menos - perdoa-nos . Senl1or. e aiudo-no::a reconhecer as est ruturas iniusias que criamos ou ajudamos a mant er e perpetuar. (Aqu i podem ser incluioas int erc esses por pessoas e por situaces de
injustia do momento) . Estamos aqui para interceder di 3ne de t1 pelo rn u:1 cJc
Pensamos nas pessoas que hoje nao se encontram entre nos . que prec isa r
trabalnar , pe r aqueles que no te conhecem . por aqueles que no ooo ern ora
(pelas crianas. doentes e moribundos) e por aqueles com os quais ns no'-' "
vemos em paz . Or;,mos por aqueles que determinam muitas coisas em nossa
vida: por proiessores que se encarregam pela educao de nossos filho s: pe los
mdicos que cuidam de nossa sade: pelos comerciant es e industrialist as qu,;>
compram e fabricam para suprir nossas necessidades: pelos jornal ista s. pel os
engraxates. pelos polticos Oramos tambm po r aqueles que nao tm na d2 a
nos dizer : peios pobres e velhos. pelos presos. pelos perseguidos po r caus2 oe
suas convices polticas que no so as mesmas daquela s pessoas que go
vernam e dete rminam o rumo de nossas vidas. Oram os por nos mesmos que
to fa cilmen te nos negamos a amar o nosso semelhante necessitado .

SEXTA-FEIRA SANTA
Hebreus

15 , 26b-28

d. SEXTA-FEIRA SANTA
Hebreus

9.15.24-28

Gottf ried Brakem eier


(v Vol. Ili , pp . 7-16)

DOMINGO DE PSCOA
Samuel

2 . 1-10

Milton Schwantes

V - Bibliografia
ALTMANl\J ,W . Sac ramentos - tmulo ou bero da comunid ad e. ln Estudo s Teolgico s. Ano 20. Caderno 3. So i...eopoldo , 1980 BALZ . H.R. Christus in Korinth. Kassel , 1970. - KLESSMANN. 98meinschaft. gemeinsam. gemein . ln Biblisc h Th eo logisches Handwo rte rbuch. Gttingen , 1954 . -WENDLAND , H .D. Die Briefe an die Kor1niher. ln Das Neue T estament Deutsch. Vol.7. 13. ed . Gtti ng en , 1972 .

1 Srn 2 .1 - 1O tradiciona lmen te era um texto para o 14 Domingo aps Trindade (cf. Proclamar Libertao. ~oi. . 2 : So Leopo.1do .
1977. pp. 176ss): o destaque dado santidade e a unicidade de Jave no
v. 2 i1 de ter facilitado esta local izao no Ano Eclesistico . Agora es:e
te xto - ou melhor : some nte seus vv . 1-2 .6-8a - est sendo propos.o
para o Domingo de Pscoa; a formulao do v . 6 (" Jav tira vida e a
d ") possivelmente induziu a est~ ligao com a P_scoa . (~part i~ do v .
1o - cf . Lc 1 .46ss - no se poaer1a pensar tambem no Aavento ) Ta is
atua li zaes podem ressaltar certas parte s: o v . 2 no 14 Domingo
aps Tr in dade, o v. 6 na Pscoa , o v. 1 O no Advento . Mas estes acentos
l 1nda permanecem por demais nas exterioridades ; lid am com pedaos
do te xto . A este fraccionamento sucumbe, tambm e especia lmente , a
all;al proposta da ordem de percopes que s requisita os v~ . 1-2, 6-8a
pai a a prdica pascal. Inferimos da que , de modo algum, fanamos berr:i
ss ir.s i st~ssemos em fragmentar o trecho . Afinal, evidente que ele ~
,;~:l: unidaJ(: inteire.. Observe-se , por exemplo , que o fim retoma o tnt-

115

114

cio, isto . de " erguer a fora falam a segunda (v .1) e a ltima frase
(v.1 O). Observe-se. alm disso, que todo o texto perpassado pela
questo da fora e da imponncia: "fora" (v .1). "rocha" (v .2). " trono "
(v.8), "violncia" (v .9}, etc . Estas duas evidncias , s quais poderiam
ser acrescentadas outras mais, cobem a fragmentao . Portanto , com
vis tas pregao na Pscoa, estudemos o todo de 1 Sm 21
li

Diante de ns est um "salmo de agradecimento de um indivduo"' : a reao a uma experincia salvfica . Tentemos esquematizar :
Inicia com a alegria (v.1) fundamentada em afirmaes de peso
sobre Deus (final do v.1 e v.2).
Segue-se uma alocuo composta de proibies que igualmente esto embasadas em Deus (v .3): tais alocues so raras em " salmos de agradecimento".
Nos vv.4-5 so enfocadas cenas . nas quais as posies de poderosos e fracos aparece invertida .
Tais inverses so caractersticas para o agir divino (vv . 6-8 )
destonar o forte e elevar o fraco so aes tpicas de Deus(vv .6-8). em
.especial do Criador (final do v.8).

O salmo conclui com vises sobre o agir futuro de Deus (vv . 910): proteo do fie l (v . 9) , em especial do rei (v. 10). e vitria sobre o infiel. isto . o violento (v 10)
Sintetizando : o salmo encabeado pela expresso de [Link] gria
(v. 1). est embasado no ser e agir de Deus (veja as fundamenta e s.
os pois", que perpassam o texto!) e comemora a luta e vi toria do fraco .
A traduo (bastante literal) que segue , procura chama r a a1eno para o esquema de nosso " salmo de agradecimento ..

E Ana orou e disse :


Est contente meu corao em Jav 1
Est erguida minha fora em Jav '
Est aberta minha boca c ontra meus inimigos
Pois me alegro em teu salvamento .
2
No h santo como Jav .
Pois no h outro alm de ti.
No h rocha como nosso Deus

:,No 1nflac:oneis palavras. multiplicando orgulho


No saia ar rogncia de vossa boca
Pois Deus de muito conhecimento Jav
e maldades no permanecem :

Arcos de comandantes esto quebrados .


mas enfraquecidos cingiram de fora .
5 Saciados procuraram emprego a troco de po .
mas famintos festejaram .
A estril teve sete filhos.
mas quem tem muitos filhos definhou .
Jav tira vida e a d,
faz descer sepultura e faz subir.
7
Jav empobrece e enriquece .
humilha e tambm exalta .
Levanta do p o fraco .
do esterco ergue o empobrecido.
para dar-lhes lugar entre nobres
e um trono de glria os faz herda r.
Pois de Jav so as colunas da terra
e colocou sobre elas o mundo .
9

A caminhada de seu fiel ele guardar


mas os maus emudecero na escurido.
Pois pela violncia o homem no vencer .
10
os que contendem com Jav sero quebrados
O Poderoso trovejar nos cus .
Jav julgar os confins da te rra
dar poder a seu rei
e erguer a fora de seu ungido.

Ili

Lemos poesia.. O carter potico dificulta a compreenso de um


texto . Por isso . se torna oportuno que, de um modo mais extenso , estu demos seus detalhes e tratemos de pr luz do dia seu fio condutor
Vejamos'
1. Alegria. o tom do salmo (vv . 1-2); em quatro espresses diferentes ela constatada no v . 1. Digo constatada, porque todos os verbos esto no perfeito hebraico que assinala a ao concluda , pronta.
Esta aiegria no objeto de apelo ; um dado. Ela abran ge toda a pes-

116

~oa do salm~st~ ~~e, para fala~.de si. se v!11e de diferentes expresses

117

meu coraao . minha fora (a traduao l1terai seria : " meu chire "'
" minha bo~a "" "Corao " e "fora" ( = "chifre") assinalam a emo~
e a ret~'.11~anc1a ~o louvor. A "boca" escancarada expressa 0 desprezo aos 1n1m1gos (cf. SI 35.21 ). Estes inimigos s so aludidos no incio do salmo; tornar-se-o bem mais concretos nos demais versculos.

mos) o tempo da ao conclud a. E:stes fatos rec istr am cenas que contrapem s vitrias de fracos as derrotas de fortes. Sucumbiram as armas dos militares (v.4), a abund cinci a da mesa dos ricos (v .5). a me de
muitos filhos (v.5) . a derrocada dos s mbolos de poder e fora: dopoderio militar. do acmulo econm ico e da projeo social. Estes so os
inimigos , citados no v.1 e admoest ados no v.3 . Enquanto isso , os fracos
ressurgi ram: em fora militar (v.4 ). em al imento (v.5) e em filhos (v.5). O
salmista h de se estar referindo a acontec imentos histricos , em que
os fracos se reorganizaram e. de modo revolucionrio , remodelaram a
sociedade. Seria uma perda em conc reticidade , se ignorssemos na
pregao - como a ordem de pericopes sugere - as cenas revoluci onrias dos vv . 4-5 . So to histricas e encarnadas que nem fa lam em
Jav '

E~sa alegria qu~ envolve todo o salmista (corao, fora , boca)


tem se~ amb1to, sua origem, sua plenitude ltima em Jav. Quando no
~.1 se !e, duas vezes, que a alegria ocorre "em Jav ". ento isso prova~elmente revela que o salmista se encontra na rea do templo (como
refugiado?). No ~agrado estava protegido (o v.2 fala em "rocha " !): tinha ~1r_e1to de asilado! Havia, pois , motivos reais para a alegria 1 No salmo ha inclusive uma aluso estilizada a um acontecimento salvfico es~ec1al. no ~~ai o auto~ experimentou Jav . Fala em "teu salvamento ".
tua ~Juda . .. Qual teria sido seu problema : doena, perseguio. pobreza. M1sena P.~rece ter s~do a questo, conforme os vv.4-5. Em todo
~ caso. a expene~c1_a . salv1fi~a foi vi_tal. pois a partir dela 0 salmista
~ompree ndeu o n:1sterio da fe : a santidade . a incomparabilidade e. em
especial.

. a exclus1v1dade
. . de Jav (v.2). Estas afirmaes teolo g1cas
sao
centrais para a 81bl1a (Ex .120.1-6; Me 12.28ss . por exemplo) H quem
cent ralize ~ado o_Ant1go T~st amento_ na exclusividade de Jav . v.2
PO!S a qu1nla-essenc1a teolog1ca da fe . Dela provm e para ela ret orn a a
alegria . Agir e ser de Deus tambm perpassam os demais versculos .

. Antes de enfoc-los, quero dar destaque a um detalhe deste s


[Link] 1n~c1a1s .. Neles s: fala de Jav na 3 pessoa do singular ("em
Jave J. na 2 do singular ( teu salvamento " ) e na 1 do plural ("nosso
Deus "). Por q~? Porqu~ nosso salmo visivelmente no foi composto a
p~rt1r. oe ui;: u~.1c_o ep1.sod10. Nele esto condensadas diversas expenenc1as . O eu e aqui (e nos salmos em geral) bem mai s comunitrio
do aue individual. Por isso Jav " ele ". "tu " . " nosso ".

2. Tamb~m o apelo do. v.3 est fundamentado em Ja v. o argumento deste v.3 e um pouco diferente que o dos vv . 1-2. L tudo culm inava na santidade e na unicidade de Deus, aqui sublinhado o perscru1ar profundo e o conhecime11to ltimo; em nossa linguagem diramos a
ornsci ncia de Jav, diante do qual o mal no persiste (cf. SI 94 11 : Pv
24 12)
O apelo desse v.3 deve estar dirigido aos inimigos, citados no
v. 1. Estes inimigos comeam a obter contornos mai s claros : gen te de
mui ta ta la, da inflao da palavra. Mas tudo no pa ssa de verborr ia c e
"orgulho" e " arrogncia ". Quem so estes "inimigos " concretamente? Os vv. 4-5 nos traro novas especificaes .
tos.

3. Os vv . 4-5 no falam de desejos . Citam fatos. Trato-se de faneles predomina o perfeito hebraico que (como aci ma vi -

po~ aue

4. Ja v o assunto dos vv . 6-8. O que os vv . 4-5 formulam historicame nte , os vv. 6-8 articulam teologicamente: estes so a ieologia
da realidade revolucionria daqueles. No se tendo em mente est e
contexto , pod e-se facilmente desvirtuar os vv. 6-8, que querem apreset'ltar a aao contnua de Deus (no hebraico predominam pa rti cpios)
Nos vv .6- 7 enumerada uma srie de realidades opostas : morre r
e viver. empobrecer e enriquecer , humilhar e eJ<illtar . Ja v est relaci onado a estes conceitos opostos ; isto expressa que ele abarca o todo da
realidade: pobreza e riqueza , vida e morte. (H quem pense que o v.6
at fa a referncia ressu rrei o ma s isso pou co 1provvel . j que o
AT s raramente a ela se refere , cf Dn . 12.1-4. Para o v.6 a " sepultura ", o SEOL. um mbito den tro da prpria vida ; doena. angstia, sofrimento extremo .) Esta afirmao de que Jav envolve o todo
dos acontecimentos e o todo da realidade no deveria ser isolada do
contexto dos vv .6-7 . Se a isolarmos. corremos o risco de dela deduzirmos alg um autom atismo no agir divin o e um fatali smo da vida . no qua l
so sancionadas como divinas. todas as coisas existentes , tanto a pobreza quanto a riqueza. O contexto evfde ncia que aqui no se quer promover a aceitao de supostas fatalidades. Pois nos vv.4-5 estvamos
percebendo a alegria do salmista por poder citar vitrias dos fracos. O
mesmo acento vamos reencontrar no v.8 : no concreto , Jav "tira a vi da e a d " ao estar com o fraco e o pobre . Nosso salmo no fala . poi s.
de um fatalismo conservador mas de um senhorio revolucionrio de
Deus . Este senhorio no se restr inge a marcar presena junto aos fra cos Inclui a promoo de um governo a partir dos empobrecidos (veja
a segunda frase do v.8) . interessante que, no final do v.8. esta nova
sociedade oriunda dos fracos sedimentada atravs de uma referncia <::riao . A podemos redescobrir que, na Escritura , a teo log ia da
criao (cf . o 1 Artigo do Credo) no tem a funo de sacralizar o existente , a opresso. Tambm a criao tem que ser lida a pa rt ir do xodo
(como G. von Rad mostrou em diver sos estudos): isto o mundo cria-

118
do mundo pa ra o escravo liberto. Sim, neste salmo podemos reoescc-brir o quanto nosso jeito de falar de Deus (f) est relacionado ao nosso
jeito de enfrentar os exploradores .

5. Tambm os dois versculos finais , vv. 9-1 O, esto centrados


na ao de .Jav. Nestes versculos o todo do salmo retomado, amar
rado e projetado para frente. (Neles predomin a o imperfeito hebraico
que o tempo da ao no concluda.) O salm o todo retomado, quando expressa a confiana em Jav que preserva o fie l (v.9, cf. v 1 ).
quando acentuado que os maus (v.9) e os que esto cheios de justia
prpr ia (v.10) sero ar rasados, quebrados, julgados (cf. v.3, 4-5) , quando, at mesmo sem uma rnferncia explcita a Jav (cf . vv. 4-5) , afianado que pela violncia no h vitria (v.9). Esta gente de vi olnc ia slo
os "inimigos " mencionados no incio, e descritos de vrios modos no
decorrer do salmo. E o "fiel" (observe o singular') certamente todo
aquele que entoa o salmo, que est na comunho dos desarmados , tamintos. humilhados (vv. 4-5). fracos e empobrecidos (v .8). Assim perc ebemos o quanto o salmo amarrado em seu final. Contudo, nele tambm se vislumbra algo do novo projeto: o rei e o ung ido de Jav . f\Jo
deveramos apressar-nos em identific-lo ' com algum rei israelita
(Davi?), apesar de que a promessa do v.10 deve ter alguma relao
com os reis histricos de Jud/Israel. E nem deveramos auer er
reenc ontr-lo apressadamente em Jesus, apesar de que o nazar~no se
encontre na tradio messinica a assinalada. Importa antes perceber
que . para nosso salmo, este rei e ungido se encontra na linha dos pobres i Os vv.4.8 j falavam do governo dos fracos! O novo rei seu smbol o;

6. Uma poesia como a nossa no fcil de entender. Por este


moi ivo demoramo-nos em perscrutar alguns detalhes . Resta-nos del inea r seu fio condutor. ;Trs so as questes bsicas deste nosso salmo :
Primeir'o: Constata e promove ALEGRIA. Festeja . Se bem que
este assunto somente seja expliciiado no incio, ele d o tom ao todo da
poes:a .
Seg undo: Celebra a vitria do FRACO. De um lado . o sa lmo
.:or;a com fortes: "inimigos " (v.1}, gente de " orgulho" e "arrog nc ia"
(v.3), pessoas bem armadas (v.4, 9) , alimentadas (v.5), ricas (v.7), governa nt es (v.8). De outro lado, apresenta pobres: "enfraquecidos" (v.4),
ramintos " (v.5), "fracos e "pobres " (v.8), "fiis" (v.9). A situao
caracteriza da pelo conflito entre poderosos e pobres . Nela o sa lmo festeja vit rias dos humilhados , a inverso revolucionria da situao.
Sim . destaca cenas do avano de sua luta (cf vv4-5) .

119
Te rceiro : Ale grw e vitr< do fraco e~t o e"m [Link] em JAV. De Deus a poesia fala co m maravilhosa ins1 sten?' em especia l
nas fundamentaes , nos "pois" (vv. 1, 2 , 3, 8). _Tr az~ tona um verdadeiro compndio de tradies tenlgicas: a aleg~ 1a est~ embasada ~um
ato salvf ico concreto (v.1 ), na sa 11 tidade e un1c1dade oe Deus (v.2,, na
onis cinc ia divina (v 3): as chan c.,es do fraco se originam n? senhori o
(vv G-7). no ato c~iador de Jav (v .8) e no que ele ainda ha de faze r
{v.9s). o salrno ins iste em fundam entar e argumenta r, certamente pa ra
persua::ii r.
.[Link] . cla re za no eng2jamento social e profundi dade teolgica so o tr!p desse SE:lmo de ag radecimento.
IV
Nosso te xto orao d e Ana, me de Samuel. At aqui desconside re i este dado. E era necess rio assim proceder. Pois na pesquisa
tornou-se patente que 1 Sm 2 , no seniido l1istrico , no da autor:a
/\na. Para o autor li terario de nossa passagem (a escola deuteronom:stica), Ana se vale de um salmo j ex istente para expressar sua experi ncia. Vale-se do " hinrio " .

?e

Contudo, teologicamente muito relevante que este salmo esteja na boca dessa mulher. A ele ganha_um sabor todo especial. Afinal ,
Ana gen te fraca . duplamente sofrida. E mulher e como ta l pertencente aos oprimidos do antigo Israel. E mulher estril, o que a torna especialmente humilhada (cf. 1Sm 1 ). Ao assumir este salmo, esta mulher
to reba ixada enfatiza seu contedo: Jav tira o fraco do p 1 Os humilhados tm futuro !
Tambm no devemos esquecer que , com o 1 Livro de Samuel ,
introduzida uma nova fase na histria de Israel: a poca dos reis . Nos
livros de Samuel e dos Reis nos narrado como os reis e os da corte se
tornaram sempre mais ricos, poderosos e descrentes, enquanto que os
aoricultores e trabalhadores mais e mais foram sendo explorados e esc;avizados (cf. 1Sm 12; 17; etc). Pois o cntico de Ana busca iluminar
est a histria de sastrosa do rei nado, afirmando: nosso Jav no sacramenta a glr ia da corte mas d fora ao enfraquec ido! Neste sentido ,
1Sm 2 contm uma cont estao programtica ao reinado .
Encontram o-i a na boca de urna mulher , de uma humilhada 1
A histria do cntico de Ana no se restringe ao AT. Mesmo sem
poder especificar esta jornada de nosso salmo em meio histri a dos
enfraquecidos, tenho que apontar ao menos para o cntico de Mana;
nei e 1Sm 2 literalmente retomado (Proclamar Libertao. Vol. 5. So
Leopoldo, i 980. p. 288ss). Mas tambm temos que retomar nossa pr-

121
120
p r1a histria (Palmares e Canudos, por e~emplo) e atual organiza o
dos ma rg inalizados ( no Oeste do Parana e em Ronda Alta , por exemp:o). A temos " cena s" histrica s (cf. vv.4-5) que_. ape~ar d e estarem
permeadas das parcia li dades tpicas de tudo qu e e ~istorico, so focos
de esperana. Poderamos ignorar tais focos na Pascoa?

V
Na prdica ser necessrio ter em mente a particularidade da
com unidade reunida para o culto da Pscoa, o que j foi devidamente
enfocado nos auxl ios homilticos de volumes anteriores de PROCLAMAR LIBERTAO . Em todo caso , os trs assuntos bsi cos de nosso
salmo do vali osa contribuio para a situao e o Domingo de Pscoa . Proponho , pois , o seguinte esquema:
O incio constitudo por uma retomada do te xto . Por ser poesia
de difcil compreenso numa prime ira leit ura .
En foca-se a seguir o concreto da luta e da v it ria dos fracos. como pistas de ressu rre io. As cena s dos vv. 4-5 servem de estmulo . Na
prdica que elaborei sent i como vali oso haver pa rtido de uma ocorrncia da vida comunitria , aprofundada depois por um episdio da vida
pessoal e ampliada para a luta dos oprimidos de nos so povo . Ta is cenas so estmulos , no so a verdade destilada em pureza absoluta .
E, mesmo assim , elas do moti vo de alegria . Esta al eg ri a to humana radicalizada luz da res surreio de Jesus . Ser importante
sublinhar esta al egria pascal.
No seu auge, a prdica confessa a Deu s. O salmo rico em modeios de confisso teologica: ressalta , por exemplo a unic idad e e 0 senhorio do Criador . A P scoa celebra o m il ag re di vino da fidelidade ao
Filho crucificado .

mos estas esperanas na alegria da ressurr ei o de Jesus Cristo , nosso Senhor, que contigo e com o Esprito Santo vive e governa de eternidade a eternidade. Amm.
3. Ora o fina l: Deus. nosso Pa i. Louvamos-te pela ressurreio de Jesus. pela salvao de nossas vidas . Louvamos-te por nos haveres aberto novos
horizon tes . At j andvamos meic conformados com a situao de injustia ao
nosso redor. At j andvamos meio acomodados neste mundo marcado
pela morte. Louvamos-te pelos pequenos sinais da nova vi da e pelo grande sinal da ressurreio de Jesus .
Nesta esperana renovada ie pedimos pelas pessoas fracas . Pe dimos
pe los operrios que trabalh am demais e ganham mal. Pelos colonos que al iment am a todos mas andam sem terra . Pelos que esto descobrindo que o
mundo feito por ti destinado a todos. Sen hor. refo ra este sinal em nos so povo e em nossos cora es .
Pedimos para que dentro da Igreja no esmaguemos os fracos. os fracos na f e no alimento . Faze com que hoje ressuscitem nossos olhos . Renova
tua Igreja . D f viva a todos bat izados. concede sabedoria aos presbteros, humildade aos pastores. Renova-nos na f e na comunho para o servio ao mundo.
Imploramos pela dor a que tantos povos esto submetidos atravs de
guerras e crueldades . De modo especial ..
Mas. sobretudo , Senhor te somos gratos que na ressurreio de teu Filho nos foi apresentada nova e vigorosa esperana . Amm .

VII
BOECKER, H .J . Meditao sobre 1 Samuel 2.1-10 . ln : H ren
und Fragen. Vol. 5 . Neukirchen , 1967 . - MAZZAROLO , J. A taipa da
injustia. Oeste do Paran , 1980. - SHAULL, R. Revolution in theolog is cher Perspektive . ln: Edition Suhrkamp. Vai. 258. Frankfurt . 1968.
- STOEBE , H .J. Das erste Buch Samuel is. ln: Komm entar zum Alten
Tes [Link]. Vol. 8/1 . Gtersloh , 1973. - WEINGAERTNER , M. Meditao sobre 1 Samuel 2 .1, 10. ln: Proclamar Libertao. Vol. 2. So Leopoldo . 1977.

VI
1. Conf isso de pecados : Sen hor, bondoso Pa i. Sentimos a morte dE:
teu Filho: fomos ati ngidos pela Sexta-feira Santa . Mas no estamos vendo as luzes da ressurreio . No enxergamos como poderia vir coi sa boa da cr uz . da
fraqueza . Para ns o mundo dos fortes . O fraco , o humilhado . o pobr e. que poderia vir dele? A noti cia da re ssurreio de Jesus destri nossa desconfiana
d:ante da fraqueza . E assim , bondoso Deus, estamos descob rindo a eno rmi dadi:: de [Link] pecado. Tem piedade de ns. Senhor 1

2 Orao de coleta : Bondoso Deus, te agradecemos pela res surreio


de Jesc:s. E:.nc l1e nossa vida de esperan a Enxe rgamos . Vemos novos r1G'!ZOn~es En!i:'. ec::t a vencida a morte e o pessimismo que nos prendiam Vf::-i os lutes dP. muoan ca em nossa vida. para nossa Igre ja, para nosso mundo . Reuni-

123

MISERICORDIAS DOMINI
Pedro

5 . 1-4

cf. MISERICORDIAS DOMINI


Pedro

5 , 1-5

Joachim Fischer
(v Vo l. 111 , pp . 38-47)

DOMIN GO JUBILATE
2

valendo-nos apenas da Bblia (verso de Almeida) , da chave bbl ica e


de nossas refle xes con1untas. O curso atravessou quatro sbados ,
culminando com a confeco de uma prdica. Desenvolvimento e contedo desta prd ica foram acertados em con junto: a redao final ficou
por conta de cada um

Corntios

I -

O texto
O contexta de nossa percope digno de nota , em dois aspe c-

tos . Primeiro . temos nos vv. 16-22 o moti vo da priso de Paulo e Sil as .
relatada logo no incio do nosso trecho. De alguma maneira , a prd ic a
ter que faze r referncia a essa passagem precedente , pa ra que os ouvintes compreendam o que se passa. O c rime de Paulo e Silas foi terem
cortado a fonte de renda de um grupo. obtida s custas da explorao
de uma pessoa indefesa . O seg undo aspecto que pode vir a ser menc ionado na prdica , a solt ura formal de Paulo e Silas . como cidados
romanos , narrada nos vv. 35-40 . No mais. o conte xto no contribui significativamente para a compreenso do texto.
H diversas possibil idades de dividirmos nossa passagem Propomos a seguinte es trutura :

4 . 16-18
vv. 23-24

cf. DOMINGO EXAUDI


2

Cornt ios

4. 7- 18

Ne lson Kilp p
(v Vo \. 111 , pp. 78-87)

V. 25
V. 26
vv . 27-29

vv . 30-31
vv. 32-34

execuo da pri so
oravam e cantavam
o terremoto
o carcereiro se desespe ra , Paulo e os demai s pe rmanecem , o carcere iro se prostra
sob re como ser sal vo
pregao , batismo . comunho e alegria .

Contedo:

DOMINGO
A : o s

CANTATE

16 . 23 - 34

Nelson Kirst
O leitor talvez estranhe a ausncia de qualq
f _ .
.
.
f
. uer re erenc1a b1bl 1ogra

1ca nesta contr1bu1 ao. Acont ece que ela e em


d
.
sua quase tota 11ade, produto de um curso de homiltica para pregadore 1
t
s e1gos, que
minis rei rec~ntemente no DE Taqua ra . Na ocasio , para excercitar 0
trabalho autonomo , prescindimos de qualquer literatura secundria ,

Vv. 23-24: H um cuidado extremo no aprisionamento de Paulo


e Si las: " com toda a segurana ", "para o crcere interior", "lh es prendeu os ps no tronco" . Por que tantas medidas? P-or que tranc-los a
sete chaves? Aparentemente, quem os meteu na cadeia tinha muito
medo . Medo de suas idias e aes . Idias e aes que havia m cu lm inado com o desmantelamento da fonte de renda de um grupo. em cima
da explorao de uma pessoa . Por tal razo , ambos eram efetivamente
perigosos .
Destaca-se , tambm , o esmero do carcereiro. homem respon svel que sabe cumprir seu dever . S este zelo profissional explica
o gesto desesperado do v. 27 .
V. 25 : A situao de ambos no poderia ser pior. E, no entanto ,
Paulo e Silas " oravam e cantavam louvores a Deus". Em vez de se en-

125
124

tregarem ao lamento ou resignao: ou, ento. em vez de pelo menos


dormirem para descansar das experincias arrasadoras do dia, entenderam que mais importante seria "sustentar mais ainda sua f" (como
disse um dos pregadores) com seus cnticos e oraes .
Alm de sustentarem sua f , a orao e o cntico devem ter iido a funo de contagiar tambm os demais encarcerados . Na verdade, tratava-se de testemunho , pregao . E, ao que tudo indica, os companheiOS de priso foram, de fato , atingidos, pois ningum fugiu , depois do terremoto (v.28), embora houvesse condies para tanto (v.26)
V. 26 : A possibilidade de libertao no vem pelos prprios recursos de Paulo e Silas . Vem de fora . O texto subentende que se trata
de uma providncia divina .
Vv. 27-29: Responsvel e disciplinado como (v .23s). diante do
fracasso profissional, o carcereiro no v outra sada que no o suicdio (v.27). No entanto, Paulo no permite que o outro (o mesmo que o
deixara preso ao tronco) se prejudique (v .28). Como entender essa atitude de Paulo? O grupo de pregadores imaginou que ela poderia ter diversos motivos : Ele no v o carcereiro como um inimigo pessoal , mas
como um profissional que est cumprindo ordens . Tambm j entendeu que o terremoto (a) fruto da providncia divina e (b) lhe est abrindo chances de pregao e converso. Mais importante, porm . parece
ser uma preocupao de proteger o outro, "no te faas nenhum mal".
. Paulo age de modo totalmente incomum . Qualquer ser humano normal
teria aproveitado a oportunidade para fugir . Se Paulo no foge, porque, a partir de ~ua f, no pode obter sua liberdade s custas da vida
de um outro.
Na prostrao do carcereiro (v.29) se expressa - assim o entendemos - perple xidade, agradecimento, temor , humildade , sensao de inferioridade em relao a Paulo e Silas , e. sobretudo, o reconhecimento de que, ao passar por essa incrvel experincia noturna
ele se defronta, naqueles dois , com o poder divino. o que se perceb~
tambm na pergunta que segue (v.30) .

d) sal vao signi fica enirm num a rela o especial com Deus
(Lc 9.24: 17.33 : 19.10; At 2.21 e outros).
Portanto, ao reconhecer em Paulo o poder divino , o carcere iro
pergunta : que fazer para mudar meu rumo de vida, pa ra te r um rel a ~io~
narnen to espec ial com esse Deus que eu percebo atuando em voc es .
Este o sentido do v. 30.
" Cr no Senhor Jesus". responde Paulo. A pesqui sa do termo
"c re( . com o aux ilio da c have bblica. levou-1os ao r'esu ltado que segue
a) c rer significa. de um modo geral . se r cristo. co nessar a Jesus Cristo ( o que est subente ndido em quase todas as passagens ):
b) c rer siani fi ca acredi tar ern algo ve 1dadeiro (ter como verd ade iro). ainda que- abst rato, ter ce rteza. co nfiar (At 8 37: 15. 117):
e) crer

dom de Deus (At 11 .17),

d) c rer con seqnc ia de ouvir a palavra (At 13.48: 14. 1) e de


sinais (A.t 9.42):

e) objeto do c rer que Jesus Cristo o Fil ho de Deus (At 8.37):


c rer tem por conseqncia: estar jun to e ter tudo em comum
(At 244 : 4.32): rem isso dos pecados (At 10.43); con verso (At 11 .21 ):
sei justi ficado (At 13. 39) .
f)

Toda essa gam a de cont edos est por trs do termo empregado por Paul o. Mas h urn probl ema. Se c rer dom de Deus (At 11. 17)
como Pau lo oode usa r o impera tivo "cr"? Crer depende de uma ao
divina ou ae uma ao humana? Ente nde mos, n gru po , que ambos
aparentemente se co mplementam. Ce r dom . mas _este dom prec isa
ser aceito e c uitivado. No nosso caso. isso at pode ser entendido assim na prpria pergunta do ca rcereiro (v.30) j se man iesw f. que
re cebeu como dorr:: e agora (v.3 1) Pau lo o esti mula a aceitar e cultivar
essa i .

Vv. 30-31 : Que significa a pergunta do carcereiro? O que entende ele por "ser salvo " (v .30)? Com o au xlio da cha ve bblica pesquisamos o termo " salvar ", em Lucas e Atos dos Apstolos , chegando
concluso de que

O "tu e tua casa", no v. 31 , revela um detalhe importante . O


carcereiro pergunta:a pela sua sa lvao pessoal. Pau!o corrige esta
cornpree:iso individualista da salvao , indicando que ela s possvel JUlllO com o grupo prirnr ic> Sa:vao, pois, no uma questo indiv:ciual. rnas comuni tria. Peio que se v no restan te da pericope - 'todos os de sui:l casa ' (v.32) e "co m todos os seus" 6v .34) - o recado
de Paulo foi ente ndido

a) salvao no se consegue por prprias foras : ela dada pela graa de Deus (At 15. 11 e muitos outros). atravs do Batismo (At
2.47) , atravs da f em Cristo (Lc 8.42; 18.42);

Vv. 32-34: Ne ste i timo bloc o temos, numa seqncia : a pregao de Paulo. o batismo do carce reir o e dos seus , a comunho entre os
conveticJos e Paulo e Sil as , a al egria dos converti dos.

b) se pode fazer algo pela salvao: crer (v.31) :

..~

c) salvao significa mudana do rumo da vida . como no ca so


de Zaqueu (Lc 19.10):

O ca rcere i d8 me ia vo lta . Fi ca perfeitamente ilust rado , na sua


:1gura. o que acon tece quando a!gurn "c r e salvo" (v.3 1). A come-

, 26

127

am a acontecer atos concretos, at itudes exatamente inversas s anteriores : antes trancafiara Paulo e Silas . vergastados como estavam agora lava-lhes os verges : antes, levara-os ao interior da priso agora , leva-os para a sua prpria casa: antes. prendera-os ao tronco [Link]-os mesa . O crer e ser salvo se expressa em gestos prticos , reais , concretos - dirigidos ao semelhante - inversos aos gestos anteriores f.
Ainda dois detalhes que merecem registro e podem ser desenvolvidos na prdica: a f vem do ouvir a palavra (v .32s) : crer desemboca em "alegria manifesta " (v.34) e no em sisudez recolhida e taciturna .
.
O escopo pode ser formulado da seguinte maneira : Circunstncias especiais - particularmente a atitude dos presos (vv .25-28) _ levam o carcereiro a pedir a Paulo por sua salvao. Paulo 0 estimula a
crer. prega-lhe a_palavra e batiza-o. com sua casa . Conseancias : lavagem dos vergoes , comunho de mesa . alegria .

ser uma experincia inusi tada e gra 1i fican1e para o pregador - e deveras cativante para a comunidade.
O potencial maior. por m. res ide . claro , nas figuras de
Paulo/Silas e do carcereiro.
Conforme o grupo de pregadores leigos . uma prdica est ru turada sobre a figura do carcereiro pode ria procurar ati ngir o objetivo de libertar os ouvintes
a) da agitao atrs das responsabi lidades de cargos: de esqu ecer e deixar de laclo sua "casa " : de no parar para perguntar pela sa lvao : do desespero diante de falhas profissionais : de autocondena o: de fa!sa crnna:
b) para parar e pergunta r pe la salvao: levar em conside rao
a sua " casa ": no se desesperar mas enfrentar com confiana e sem
autocondenao sit uaes de falha profissional : a verdadeira f :
c) com base no contedo da pregao de Paulo . a f em Jesus
Cristo .

II -

A caminho da prdica

1 . Nosso text o um verdadeiro tesouro homiltico Ofe


d e poss1bid

rece

sem numero
11 a d es para a pregao - em term
d um
~~
'b'I'
os
e a;:,t
f
d
sun os e e ~rm ~s : Uma poss1 1idade seria a de desenvolver na prdica .assuntos ,eo. og1cos relevantes , emergentes do texto . Por exemplo :
a fe vem do ouvir a palavra: crer em Jesus Cris10 gera atitudes co n
..
tas; f e salvao no so questes individuais mas comunit riascr.e
vezes. Deus precisa enviar um terremoto , acompanhado Ge teste~:~
nhas . para chegarmos ao ponto de perguntar "que devo fazer para ser
salvo". Cada um desses assuntos - e haveria ainda outros (cf. a part e
1) - poderia constituir-se no tema pincipa! da prdi ca. com chances de
ser desenvol'-1ido em diversos canitulos . a pa rtir do prprio texto.

2. A ma io r potencilidade do text o, porm, est nos seus personagens. El es so bem marcantes. permi ti ndo que se uti lize um recu rso
muito criativo e de boa comunicabilidade . que a prdi ca desenvolvida
em cim de peisonagens ou protagonistas. No nosso texto temos os
seguintes indivduos ou grupos: a) Pauio/S i 1:i ::; , b) o carcereirc . :)os demais presos . d) a casa do carcereiro
3. As poss ibiiidades mai s re motas residem , evidentemente .
nas figuras dos demais presos e da casa o carcereiro. Con tudo. s3o
chances efetivamente reais . Procurar colocar-se no lugar dos compa nheiros de pri so ou da cas a do carcereiro, e tentar imaginar e descrever como os dramticos acontec imentos daquela noite se devem ter
desen ro lado diante deles e com seu envolvimento . certamente pode

Uma tal prdica consistiri a em abordar o texto a partir da persoectiva especifica do carcereiro. Seria necessrio colocar-se rigorosamente no seu lugar . Desenvolvendo-se a prdica em cima da figura do
ca rcereiro . pode riam se r abrigados no seu transcurso assuntos como
os que foram arrolados sob 11/1.
5. O grupo de pregadores acabou opt ando por montar a prdi ca sobre figura de Paalo. A parti r da sua atuao na hist ria . dec idiuse procurar atin gir. com a prd ica . o objeti vo de libertar nossos ouvintes
a) de tirar vantagens s cu stas dos outros: da necessidade de
vinganca :
b) para no faze rem isso : para se impo rta rem pelo bem dos outros: para no sacrificarem os outros aos seus interesses: para aceitao e perdo:
c) com base naquilo que receberam de Jesus Cristo . na f em
jesus Cristo .
O assunto principal desta prdica seria: o amor de Pa ulo - ele
no tirou vantage ns da fraq ueza do carcereiro (este seu gesto teve car ter de testemunno e foi o comeo da converso do ca rc ereiro).
A pailir daqui, el aboramos, ento . uma est ru tura de prdica .
com o devi do rec l1eio. nos termos que seguem na parte segu inte.

,----

128

III -

Estrutura e recheio
1. Int roduo ao te xto

A partir do contexto precedente (vv . 16-22), explica-se o porqu


da priso de Paulo e Silas .
2. Leitura do texto .
3. A atit ude de Pauio :
a) E uma atitude de amor, de cuidaclo pelo carcereiro. No tira
vantagens em cima de sua situao desesperador a. No aprovei ta a
traqueza alheia para be neficio prprio. No se vinga
b) O motivo ~o amor de Pa ulo - por que Paulo no fugiu ? Porque sabia que. tambem por este carcere:ro Cristo morreu, o que con ter~ ao carcere iro uma dignidaoe toda especial. Por esta razo , o crist o
nao pode querer o mal do prximo . Fora disso. Paulo deve ter sabido
que Deus estava para us-lo corno seu instrumento . Com sua atit ude .
tambm quis dar um exemplo de como deve agi r um cristo . Na su a
f, Paulo se sentia to seguro. co mo se tivesse fugido. Sua f lhe dava
tranqilidade e segurana, ainda que se encontrasse nas mos de autoridades inimigas
4 . Situaes reais de hoje. onde pessoas costumam tirar vanta gens da fraqueza de out ros:
Tirar vantage ns da fraqueza de outros o mesmo que explora o. Aqui podem. pois , entrar as mais dive rsas man itestaes de exoiorao que caracterizam a vida ao nosso redor , desde o mais amplo .horizon te mundial at o mais restrito mbito domstico. Desde a r~lac o
Pr imeiroTerceiro Mundo at a relao patroa/empegada . dent ro . de
casa. Desde a explo rao econmica (multinacionais. financ iamento s
bancr:os. a expulso dei pequeno ag'icultor) at a rG iigiosa (se itas que
se ap roveita m da s neces si dades in ter iores das pessoas). Desde a reten o de_esioques pa ra provocar alt a de pr eo at o ga1gar posie s
dentro da 11rma em cima aa s costas dos mai s fracos, e at a Dtic a do
suborno e o uso do pi st olo Enfim. eYemp1os que no f~liam para
ilustrar este top1co . mostrando que o norma l, o que vale nP. ste mun do e
ap roveitar-se da raqueza do outro , em benefic io prprio. Esta a atitude normal. Paulo, ento , um anormal. um diferente.
5. Ati tud es " pau linas" hoJe?
a) Qu e motivo termnos para agir corno Pauio? O qu e pod eria
capacitar-nos a ag ir como Paulo? Exatl1Y1en te os mesmos motivos (c
ac ima item 3b). Pelo Ba tismo e pela f fom os presenteados e es tamos
comprometidos com Cristo da mesma meneira que Pau!o.

;:;; /.as. isso :;o ser ia mer : f&nt asia? E pos sive1 agir como Pa uio , hoie? Existe isso? Existe . Ho;e exile m cristos " anormais' '. qu e
agem difeente do que o resto. por amor a Cristo . A patroa que paga
mais do que o exigido emp regada. Os ta ntos que servem no anonimato, em lares. asilos. creches, AP l\ ~ s. Os que do de si nos centros sociais . no trabalho de recupera o _:;1;:; toxi cmanos. Os qL'e desistem de
um a profisso bem remunerada C!nl troca de uma atividade que renda
menos mas sirva mais. Imagino ou e cada pregador conhea tais exemplos e saiba comprovar : os cristos "an ormais " como Paulo existem: o
que se prope aqui factivel : no tarefa pa ra super-homem na f .
mas para fiis bem comuns como tu e eu .

6. Concluso :
Agir diferen te passivei. Em respost a a Cristo. vamos sair daqui e fazer o mesmo1

IV -

Que tal uma prdica n arrativa?

Este volu me de PROCLAM ..t\R LIBERTAO ganhou mui to com o


empenho de Hoch (Domingo Re mi n1sc ere) e Sir eck (3 Domingo aps
Ep ii ania). no sentido de proporem prdicas nar rativas . Ambos demonstram como execut-las . e Hoch t raz , na parte 1 de sua contribui o , algumas valiosas consideraes tericas a re speito. Associo-m e plena mente proposta de ambos os col egas. Lembro-me que o Ant igo Israe l
s sabia falar de seu Deus , contando sua histria : e s sabia contar su a
histria. alando de se u Deus E is10 continuou assim. depois de Crist o
O que sabemos sobre Deus e a f . sabemo-lo pe las hist ri as vivi das e
contadas por outros . E salutar lembrarmos, vez por out ra. des1a verdade que li. no me recordo onde : o que no pode ser con tado. a resoe ito
de Deus e da f , n o tem rel evncia teo lgica. En to. vamos con tar histr ias. nas nossas prdicas. Hist rias de experinc ias humana s com
Deus Al m de teolgica e homil eticame nt e legitima s, elas tm um potencial de informao e envolvim ento do ouvinte muito maior do que
qualquer ou tro tipo de exposio o ra l.

E o qu e pude com provar com a prdica que proferi sobre este


te xto (na qual no seg ui o esquema elaborado com os pregadores leigos. v. ac ima parte 111) Assum i o pa pel do carce relO , e a prdi ca consistiu E::xclus1 va mente no relato que eu - o carcerei ro -- dei sobre os
acontecimentos daq ue! e dia.
Para iiustrar, ci lo alg un s trechos
.. Eu vivi h muito tempo Os acontecimentos que vou conta r hoje se deram no ano de 49 . No i 949. 49 mesmo . Eu morava elT" Fil ipos ,
lJlna cidade eia Grc ia.
sou grego . 'lingum me chama\/a pelo nome .

t.

130
S me conneciam por carcereiro . Eu era o chefe da caje1 l de Fi !1pos .... Quando me traziam um preso , no momento em que ele boiava
os ps na pr iso , a responsabilidade era minha . E os meus superiores
[Link] nesse ponto . . . Tinha chegado em casa. tirado as botas . e
estava comeando a qu ere r descansar , quando , de repente . vieram me
chamar. Sai correndo . depressa . Na frente da cadeia estava o douto r
delegado com alguns PMs. Ao redor deles , um monte de gente . Segura vam dois homens . ... De repente , l pela meia-noite . um estrondo '
Acordei. Pulei da cama. Tudo tremendo . O teto. as paredes . Um teemoto. Nem pensei na familia . Pensei na cadeia .. .." - e assim po r
diante. Na incluso de pensamentos do carcereiro ou de diloaos .
pode-se agregar histria o contedo teolgico que se con sidernr- 1mportante. Ao tina\ da narrao. foi feita a leitura do te xto bb lico. na ve rso de Airneida .
Reu nido com um grupo . na tera-feira aps a prd ica, oud e
confirmar o alto grau de informao e envoivimento que uma narrac o
como esta pode alcanar . Houve gente aue ainda con seg uia conta r a
prdica completa , do inicio ao fim - o que nunca se me deparou. a:e
ho1e .

DOMINGO ROGATE
C olosenses

Subsdios

litrgico~

1 Coni; sso de pecados. Je sus Cr 1sio, duran1e a se man a que passoci.


novamente v1-,1emos nossa fe de modo to qu1eio, to sisudo. to escondido V

vemos de modo normal. como lodo o mundo. Olhando para ns. di1 ::: 11mente ai
guem desconfiou que ali estava um cristo . E no entanto. Senhor. tu vives nos
emp urra ndo. tu vives atr avessando o nosso caminho. Mas nos somos di sciou
ios cegos . su:dos . lerdos e sem graa. Somos cristos mui:o 1gua1s a todo mun
co - discpulos que no merecem este nome O que se 1iamos nus sem l tu <:
t:onaade e pricincia? Tem piedade de ns. Senhor'
2 Ora o de coleta : Nosso Deus. nos chegamos aqui hoje de manh.
poraue sabemos que preci samos de ti . Queremos ouvir a tua pa iavra. Quer emos agradecer e louvar-te. Fica conosco aqui agora . .A.! asta tudo o que possa
desv ia r nossa r:ieditao e devoo. lnouieta-nos. e da que cada um de ns
saia daqui hOJ8 uma outra pessoa. apta e pronia para seg uir-t e mell1or . Por .Jesus Cristo. que contigo e com o Esprito Santo vivP. e eina de eternidade a 8ie rnidade Amm
3. Assuntos para intercE-sso na orao final : que nossos mltiplos
:::orn rom1 ssos pro1!ssio na1s e soc iais no nos tornem cegos paa os " \e;rerr:oto ::; que Deu s provoc;a lO nosrn redor. e com os qua;s quer chamar-nos de voita a si. que en1H:damos o recado e ganhemos mc;iiva3o e fora para agir d e
modo a~crrr, ai. como P2ulo : que . ass;m. possamos ser agentes do amo~ de
Deus l onde se tira vant agens da fraqueza a'heia: assiri1 como usou Paulo, q L,:
Deus nos use or,de ha casais que nao se do. pais e fi ll1os que no se ente n
dem . velhos que esto sozi nhos, jovens que se sentem incompreendid<>S . ge,te
solitria. oobre e doe:nle. gente aiastada de Deus, por no que;er ou no poder
cre

2-6

(V Vo l V. po 1 1 4- 1 19)

DIA DA ASCENSO
Apoca l ips e

4-8

Ro1f Dr)Ste

JESUS CRISTO O SENHOR DE TODOS


(At I0 .36b)

Va i a esta experincia , como estimu lo .

V-

1-

Traduo
V.4: Joo. s sete ig rejas qu e est o na sia

Graca e paz da parte daquele que . que era e que h de vir. e da oart e
oos sete espritos que esto diante do seu trono.
V .5 :

e dl oane de Jesus Cr isto. a fiel testemunh a. o primognit o

ao s rnonos . o sobe rano aos re is da terra


,t>,quele que nos ama. e que nos libe rto u dos nossos pecados oeio seu sanaue.
V.6- qu e nos consti tui reino. sacerdotes para o seu _Deus e Pai
__ a ele a glona e o pode: pelos sc ulos dos sculos Amem
V 7: Eis aue vem com as nuvens. e todo olho ver. tamb~m
0
acueies ~ue o tr a nspassaram: e ho de lamentar-se, por sua causa. o~ s as 1ritOS da terra . Cert ament e. Amm
0

v 8: Eu sou o Alla e o m ega , diz o Senh or Deus, aquele que ,


que er a

e que h de vir. o Todo Poderoso.

132

11 -

133

Introduo

A comemorao do Dia da Ascenso de Cristo est decaindo


em muitas comunidades. Cristos h , que no saberiam d;zer o que
querem expressar as palavras " subiu ao cu, e est sentado dirE:ita
de Deus . O nosso texto nos auxilia na compreenso correta da ascenso de Cristo. E isto, exatamente. porque no afirma que Cristo se ausentou da terra, mas porque afirma que Cristo e vem 1
No agrada falar do Cristo que dei xa os seus seguidores E ascenso , de fato . no quer - de maneira alguma - reforar a impre sso de um vazio e fracasso. Pelo cont rrio, quer assegurar que o Cristo
est no governo. diga-se o que se disser , invente-se o que se inventar .
Assim como a ressurreio o desmentido da morte, ass im a ascen so o desm enti do da impotncia .
O texto em estudo (Ap 1. 4-8) uma introduo epi stolar mensagem para sete igrejas na sia Menor (1.9 - 3.22). Aquelas igrejas ainda floresc iam . Mas levavam no corpo a marca dos tempos difceis e
das conseqncia s para a vida espiritua l e o testemunho da f. A part ir
do momento em que o Cristianismo deixou de ser visto como "seita dos
nazarenos " (At 24 .5) , as perseguies aumentaram . Sabemos que em
Roma a instigao partiu do prprio Imperador Nero . - To famigerado tornou-se o seu nome , mai s tarde, por isto. que ainda hoje Nero nome de cachorro. - Os cristos adoravam somente a Cristo. Isto os co1ocava em oposio s autoridades que exigiam reverncia e adorao A perseguio era inevitvel. No perodo do Imperador Domi ciano
(81 -92 d C.), a situ ao era dramtica para os cristos .
E Deus, substenta r1a ele os seus fi lhos? No bastass e o sofr ;.
m enta experimentado no prprio corpo , a lembrana da au sncia tisic 2
de Cristo gerava incerteza e insegurana . Ser que ele no se manif es taria? Omi tir-se-ia? Ouanto tempo perdur aria esta situa o?
A estas dvidas e pergunta s. ante s que o desespero co rroe sse
o deoosito da f, era preciso responder que o Cristo ressurreto est
com o Pai e detm o poder . isto que as palavra s da percope querem
afirmar . Todos havero de ver que assim .
Quem escreve isto Joo . E ele no redige as carta s na es c r1van1 nha. mas como " irmo e companheiro na tribulao, no reino e na
per severana , ... na ilha de Patmos ' ' (1 9).
Devem os, pois, entender o te xto, como de re sto todo o Livro do
Apocalipse, como uma palavra de con solo e con1or to para uma igreja
em luta e apuros. Estes apuros , na poca, tinham nome e contorno. Hoje os perigos que pressionam ou esvaziam a Igreja podero ser outros .
Os sistemas e os governos mudam . No muda. para sorte nossa, o Cris

R Senhor Deus tri unfar! A vinda do Cristo se r juzo e sal10 que e e1 e

.
d d
esente
vao . " Os fiis que no temam . Igreja s1gn1f1ca etern1 a e pr
no tempo ." (Echternach. p . 13).

III -

Consideraes exegticas

Vv . 4 _ 5a : o autor , de nome Joo , expe a sua misso : assegurar aos participantes do reino de Cristo a graa e a paz do Sen hor em
meio tribulao . Ele se autodescreve como irmo nos sofrim~nto s
(v.9). Tudo leva a crer que se tr at a do discpulo e evangelista Joao ..
Dirige-se s igrejas de sete localidades . Lutero traduzi u
" igreja " com comunidade. O termo igreja. nos seus dias , era por d ~
mais entendido como estrutura esttica e h1erarqu1a dom.1nado ra O numero sete , muitas vezes significativo de perfei o e plenitude. aqui pode refer ir-se totalidade . O que dito no Apocal ipse tem va_lor para toda a igreja . As sete nominalmente citadas se encontram na As1a Menor
(Tur quia). A elas o autor incute firmeza permanente . lem~rando-lhes ~
senhorio e o domn io inconteste de Cristo. A rigor , a pericope r~trat:
uma confisso de f no Todo-Poderoso (v.8). para cuja descr1 ao ~-
oen samentos voam to alto que parecem escapa r ao alcance das pala~ras (descrio das vises)
E 0 que o irmo-autor almeja antes de tudo aos fi is.? Graa e
paz . Com graa ele quer desejar que o poder. salva?or de Clsto este~:
com eles. Ele quer - e tem certeza que assim sera - que o amor Oc
Cns to os mantenr,a de p e lhes sustente a vida. E com paz ele lhes de:
seja. mesmo em situao dificli ma . um sentimento e estado de. bem tcomunho com Deus . - "Ruja a te mpe stade. icresa a 1n1q u1dad ~
/Cristo h de vencer 1 /Reinem dio e guerra , /est remea a terra. /nade
11e1 oe temer ." (Hinrio da IECLB , N 176. 2)
Esta paz e confiana eles podem ter tranqilamente. porque Deu s
permanece o Senho r revelado _em Jesus [Link]. Impo rtante parec e se
era on tem . Quanto ao fua constatao de que Deus E hoje, c?mo ja _
turo , no entanto, no dito que ele sera (po is e hoje), ma~ que el 0';' vira.
Tudo ficar plenamente revelado e vista, quando e!e .vira . Aqu i e dito .
note-se, que Deus vi r . Dizemos sempre que Cristo vira. Esta pa rticul aridade mos tra o quanto Deus e Cri sto so um (veja exegese do v.8) . .
1

A gra a e a paz ele lhes deseja tambm em nome dos se te esp; ri tos. Provavel mente esta a ma neira de desc re'Jer a onip resena ~o
Esori to San to , que com Deus e Cristo form a uma un1o ade. Com esia
est ran ha fo rrnuia 8 o " superlativa " o autor que ass e v~ r ar . presen.a
de Deus em toda a parte . Em outras palavras: Deus ve a aesgraa ao
seu povo e 1!1e d a graa da sua presena; v a aflio e garan te seu
bra o forte para a vida.

134
135

" E da parte de Jesus Cristo ... Somente agora ele se refere a


Cristo , completando a Trindade. S agora , pque nele lhes foi concedido ver Deus de perto. Lutero: " Mesmo que eu possa dizer de todas as
criaturas: ali est Deus. ou Deus est nelas , eu no posso cJizer: isto
o prprio Deus. Mas acerca de Cristo a f no s diz que Deus est nele. mas sim: Cristo o prprio Deus ." (WA 39/11, pp 93ss , apud Kraus.
p.271) Mais: ele pa ssou por tribu!ao e, portanto . conhece a situa o
das igrejas. E foi fiel. Mrti por exce!ncia, tanto no que teste munh ou
por palavras , quanto no que suportou e pagou com a vida
Num crescendo. Cristo tom a corpo vista do escritor e dos Je;tores. no s como "testemunha fiel " (19. 11 ). mas como "o primogn ito dos mortos e o soberano dos reis da terra". Cristo ressuscitour Com
isto o reino das trevas e da morte perdeu para o reino da luz e da vida .
O " novo cu e a nova terra " (21.1) tiveram incio . - A f fala um a lin guagem corajosa . ao contrrio da razo: esta mede , pesa e ainda assim fica em dvidas .
Dizer que Cristo era "o soberano dos reis da terra " tinha que
ser entendido pelo "outro lado" como ofensa e desafio . Mas a f aceita
e se alicera sobre esta soberania, e afirma sem pestanejar que todos
os Joelhos se dobraro perante o Senhor Jesus (Fp. 2.9-11 ).
Vv. 5b e 6: Mas o que segue , como se a ressurreio ainda no
fosse vida rompente para lodos, lembra o Emanuel , o Deus conosco
(Mt 1.23) Ele nos ama . A forma verbal revela a atualidade do amor Este amor to irrelocvel , como o Cristo ressu scitado e elevado ao Pa i
ago ra intocvel. Ao seu amor. somente, se deve a libertao do peca do . Jesus pagou e apagou o pecado que nos exilava da face de Deus .
Resgai ou vida com vida . O Novo Test amento documenta de maneir a
central a redeno pelo sangue do f=i!ho de Deus (Rm 3.24 ; Ef : .1: Hb
9.12: Ap 59-10 )
Libertos do dominio do diabo e se us assecla s, os redimidos perrencem ao Reino. Ago ra so Povo de sua propriedade (1 Pe 2 .9) - A I
gun s exege tas [Link] " e!e nos subin8ieu ao seu senhorio" . Mas
0
quanto isto significa em termos de oarticipa3.o, mais do oue submisso . transp3rec e r,a tr;:;.duo de Luiero: "E!e nos fez teis ." Cris10. ~or
i anro . liberi a de companhias nef:JS11S , para com parti lha; a su1 gra3.::
e seu podei. Assim " t Morte e R re ss urei o de Crist o ri o [Link].:i=,ram para aue Cristo iicasse sminho ~on : estes ;:~,~o n iec:rP.t-Jfl:os. n :a5.
pelo contrrio . p ara que lodos que !he pi-;r tencem , rJe! es par l!CiPe'Tl.
cor1gre o ar1do-se em to rne oeie. o pr!rncg ni tJ d8n11e muitos irr-,; tios
(Rrn 13.29; CI 1. Gl. .. !W1n9ren, . 196)
Muito signif1catiJa a ligaan de "reino" com " sac erdotes '
N8o h separao en< re o poltico e o religioso. Tudo que feito. r~i:o
com intenes polticas e sacerdota!s. Tudo teocntrico . SacHdotes

so pessoas com trnsito entre o povo e per ante a face do Senh_o '.
Cristo transfere. sem desfazer - ~ e. sua funo sacerdotal aos seus d1c1pulos (2 Tm 2.12a). Com isto, assumem eles tarefas q~e movimentam
cu e terra. Neste "sacerdotes pa ra o seu Deus e Pat transparece o
carter do servo. Como se rein ar fos se servir. E 1

autor do Apocalipse diz aos fiis em dificuldades que no devem esquecer de converter-se num C isto para os out ros . como Lutero
disse certa vez .
Em Cristo , Deus se reve lou de maneira to total, que o autor
no hesita . enfim . em tributar-lhe a mesma glria e o mesmo pode r reservados ao Pai. Apondo o " am m ", o autor quer dizer: disto tenham
ce rteza. Cristo vive , Cristo reina . Cristo liberta. Cristo compart ilha.
Qu em vive . ver . E quem no vive , ser ressuscitado para ver

v. 7: Todos havero de ver. O tempo do crer ter passado. A s~a


vin da ser juzo para aqueles que o julgam e condenam : ser salvaao
para os que nele perseve ram (Mt 25 .31 s) Assim como as nuv_ens que
vm e oue vo sem que se possa inierfem . assim o Cristo vira . As nuven s. e~tretanto tambm encobrem. Escondem ameaas e surpresas~
No permitem que se conhea, de antemo. o plano do Senhor . Ma~
ninaum tenha dvidas quanto sua soberania . poder e vinda. E isto
qu; 0 .. certamente " e o "amm" enfatizam duplamente.
V.8: E no fim o veredito do prprio Senhor Deus, que fecha com
as palavras do v. 4 . yara dirimir quaisquer d~idas ainda existen tes.
Deus abrangente . E alfa e mega (pri meira e ultima letra do alfabet o
c: rego) . Nada h que fuja ao seu controle. Ele esteve com_a pa lavra no
~ omeco (criao). ele estar com a palavra na c?nsumaao . Nisto a fe
conh> . nisto ela espera (Rm 5.2: 1 Pe 1 3) Deus e o ponto f~ r me._ o _e1x?
err torno do qual tudo e todos giram . Desde Nero at Joao . So ele e
T occ-Poderoso

I \: -

Em busca de escopo e esquematizao

o texto exlrema men te carregado. Con tm todo o E vange_l~o


Quem no optar apenas por um ou outro aspecto do text o, deve curoa r
para no se perd er em generalidades .
Como te xt o previsto para o Di a da Ascenso de Cr i~t o_ -. e
lembrando que "subiu ao cu e est sentado direita de Deus s1gn1f1ca estar no governo e poder (v.6b) - of erece-se a seguinte [Link]. que tambm leva em conta a afirmao de que " Jesus Cristo e
o Senhor de todos " (At 10.36b) :
a) O poder de Cristo est manifesto
no seu testemunho fiel (martrio).

137

136

na sua ressurreio vitoriosa .


na sua soberania sobre todos os governos (vv. 4 e 5a).
b) O senhorio de Cristo se manifesta entre ns

no amor que ele nos tem.


na libertao do nosso pecado ,
na participa o que ele nos d
em seu reino e sacrifcio (vv. 5b e 6).
c) Poder e senhorio levam o selo deste vered it o
" Eu so~ o Alfa e o mega , ... o Todo-Poderoso ...
~inha e a primeira e a ltima palavra .
diz o Senhor Deu s ..

V-

Meditao
'' D.1
de ~

B_blia que h mu ito te mpo o Filh o de Deus.


adnha cedin ho . voou para o trono do Pai nos cu s
guar ~ -se a sua volta desde ento
mas ate hoje sem sucesso. em vo
Muitos procuram um p
.
:
.
ara1 so nos ce us. porque esquecem
que e na terra que os homens o para so merecem
A Agn c ia Tass noticia
Ho e pe'a
p~i meira vez , LlTl filho de l1omem se pde ver
su ir da Un1ac:_ Sovitica aos c us. ao alvorecer
.
Horas depois i_ass comunica : Gagarin voltou
da sua asc ensao e a todos elicitou .
Pois ele n2o procur
.
urn pa ra;so nos cu s. porqu e no e" quece que e na terra que o homem o para so mere,~e .. -

b. '

(!rrad1ado
.. h em 14 08 1962. na Rep . Dem. (j a Aiem anh 2 apu d Po lmanr:. p 63)

. Oue:n pensa em ascenso, pensa em elevao e 2 itura At i'I -,


tambc:;m se diz s ut.w ao cu ..
te x; o rep"OdLiza..
..
- ci .
u 3.C1 11 1a nao ouc-+d""' !e ser JOCOSO . r. os a;uda a retletir :.e e vl 1dn p- r0 1,,,,1.,,r 0 R. , ~ ~ '. "
J
'-'
.. ~
18lll\ Pc! dlSOJ
dO S enn ')r jJEl!: oenro do fu tu ro nc ali C t'' I c:p rn P.<:t.
n . . r ~ ti . . . ,,_ e.
., . .' .
, Jl v ~
~v3 nlCJ.1;:, CrJr ~lO
co .. ~ vl .. n .. i. s"
1;:; " " rr>al 1z, 11' -srr.o

. dv que
. o '1~ 1no ...
"" , .. "' ''' . [Link] E:rn 1 or111::::. Ci:'
pec;uenos S'n a;s, ca:11brT1 aoui ern rJ;::o.
(;nm
a "vV"" 0'-' I1~?r
e~- e_. ,,
.- .
.
- .''
;::,t_,J 1e _,tl~.t8 J r8S SU!' 81)Q 8 C0( Qb0r8cii3 . (:ri SlC

.t(.

tr iunfo:..i soore a mort e e agora participo corn D r~us do domn io sobrn t 'do e todos , ainda que isto esteja e;-;cobeno aos nossos ol l1os. - Va~e

lembrar que a festa da Ascenso a fase terminal do ci clo da Pscoa ,


no qual a ressurreio a parte central.
O poder de Cristo provm da coerncia de Deus consigo mesmo . Ele que ama o mundo (Jo 3.16), revelando-se em Cri sto pe rmaneceu fiel a si mesmo (2 Tm 2, 13). Na sua misso de libertao (Is 61 .1-3)
ele pagou o preo da vida (Is 53). sendo obediente at a mo rt e (Fp 2.511) e tornando-se assim "fiel testemunha " .
Com a ressurre io se confirma a eficincia de tudo que Cristo
disse e fez . Ela o fim da morte e "a estrela da manh j
brilha " (22 .16b). Sem esta ressurre io tudo morte e escurido e ironia (1 Co 15.17). Mas com a ressurreio o Senhor no toma conhec imento das tramas e vaidades das trevas (SI 2.1 -4 )
Mas a autoridade no est . como parece ser , na superioridade
de Cristo. Est na sua inferioridade . No mundo toda a autoridade tentada a mandar e desmandar . oprimir e aniquilar . A autoridade de Cristo
no faz exigncias , mas presta servios . Por isso inferior (Lc 22 .2427). No o que Cristo mandou fazer lhe conferiu poder . mas o que ele
fez . E pelo que fez, e no pelo que disse , adorado e glorificado (v. 6b)
Foi dado a Lutero formular magistralmente , com as palavras da
explicao ao 2 Artigo do Credp Apostlico , a dimenso e impl icao
da obra de Cristo (Is. 53 .11-12) para a nossa vida . Al i a obra libertadora
de Cristo , verdadeiro Deus e verdadeiro homem (o que j mostra que
no se pode separar Deus dos homens 1), tem conseqncias concretas na vida do cristo. Parti_cipar da ressurreio e vida de Cristo , que
ele nos concede - em amor - pela justificao por graa (" libert ao dos nossos pecados ", v.5b). significa "servir-lhe em eterna justia
e bem-a venturana ...
Recomenda-se a leitura cuidadosa e o estudo daquelas palavras de Lutero. que to bem se aplicam ao texto da nossa percope.
Elas deixam claro que ter parte no Cristo de Deus ser re i e sacerdote
com Cristo .
Aqui o autor do Apocalipse foi feliz em no projetar Cristo s alturas, como muitos fazem . Antes. lembrou s igrejas que elas foram
promovidas para serem re ino e sace rdcio do Sen hor neste mundo, na
si tuao em que vivem . Este no um trao muito fo rte no texto, mas
no dei xa de ser sensvel e claramente perceptvel. Ass im , a ascenso
no manifesta fuga da terra , mas significa presena e domnio sobre a
terra . Ascenso no alienao , mas autoridade e poder . Por isto, glria ao Senhor !
Mas como esta autoridade se materializa? Atravs do sacerdcio geral de todos os crentes. para diz-l o em uma s palavra. Ou seja ,

138

139
1

em testemunho e servio, por palavras e aes . Por pa lavras , po r


exemplo , como o sintetizam as palavras de um cnone : " Eis , sejamos
voz de Deus . /anunciando os feitos seus . /Cristo vive. o Vencedor . / de
[Link] o Senh or." Por aes , por exemplo, como foi dito por Tereza de
Avi la (sc .16):

" Cristo no tem mos sobre a terra ,


mas tem as vossas :
Cristo no tem ps sobre a terra.
mas tem os vossos:
vossos so os olhos .;
atravs dos quais a misericrdia de Deu s
deve olhar para o mundo :
vossos so os ps ,
com os quais ele se pe a caminho
para fazer o bem,
vossas so as mos ,
com as quais ele abenoa ."

Uma alternati va . no levada em conta, po rm, neste aux lio homilt ico , seria analisar o que o autor do Apocalipse diz a resp eito da vida e f . comportamento e testemunho , das sete igrejas. Em seguida poderi :1 . neste sentido , se r feita uma ava liao da vida e do testemunh o
da comu nidade local. Verificar-s e-ia . ento, se " as pedras do templo "
esto assentadas de fato sobre o fundamento que Cristo (1 Pe 2. 5),
manifestando o seu senhorio absoluto e total. Seguindo por este cam inho tambm se chega j abordada q0esto do reino e do sacerdcio
geral (v.6)

VII - Subsdios litrgicos

_
[Link] neste primeiro captulo do Apocalipse (v.20) as igrejas
sao consideradas " candeeiros " no mundo Como el
d
.
.
as po em ser uz
dos povos, e alg~ que deve ser analisado de acordo com 0 conte xto em
que [Link].m . Mas e certo que leva "vida eucarstica" aquele qu e vive da
eucaris.t1a do Senho r. Para este caminho inferior 0 Cristo convida . an ima. e da fora. O acerto desta jornada no pode ser deduzido de even~ua 1s sucessos . ou fracassos, ma~ deve ser confiado tranqil amente
aquele ou.e delem a primeira e a ult ima palavra , 0 Todo- Pod eroso . Enquanto reis e [Link] rnos passam , e como Nero . caem no esquecim ento
- o Senhor sera Se nho~ A histria dir o que a f j sabe, hoje, a esse
respeito. Assim os cnstaos , que esto por baixo , vivem soberanamen te .
1

VI - Indicaes para a prdica


A meditao se ateve esquematizao do item IV. A prd ica
poderia desenvolver-se no mesmo sentido. Tanto na esquematizao.
quanto na meditao, ficou prejudi c ada a dimenso da adorao (v.6b} .
Deve-se isto inteno de dizer comunidade que a asc enso de Cristo no quer fixar o cu como residncia para Jesus , mas estabelecer a
sua autoridade e o seu senhorio sobre a te rra . Pa ra isto a proposta da
esquematizao e da meditao querem oferecer auxlio .

1. Confisso dos pecados: Senhor Deus , Criador do universo e por Jesus Cristo. nosso Pai , no sabemos se tu ris ou chora s. quando olhas pa ra tudo
aquilo que ns dizemos e fazemos. Mas certamente no perma neces indiferente , quando vs a nossa insegurana e inconstncia no testemunho cristo. como se f ssemos casa sem fundam ento. ou quando. por motivos de vaidade e
arrogncia . passamos por cima dos outros, machucando e marginal izando-os .
Reconhecemos que ofendemos o teu santo nome com este comportamen to .
Confessa mos que desprezamos os cri tr ios do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cnsto em nossa vida social e profissiona l. Senhor, lembrados do teu amor ,
ns suplic amos: Socorre-nos com a tua graa . perdoando e regenerando-nos '
Concede-nos a tua paz. assegurando-nos a comunho do teu Esprito . Tem piedade de ns. Senho r'
2. Orao de coleta : Senhor Jesus, bem sabemos que tu est s porta e
bates. Por isso , mesmo elevando os nossos olhos para o alto, temos conscincia oe que queres estar conosco e conosco compartilhar as alegrias e as dif iculdades do dia a dia. Ns te rogamos: Vem com a tua Palavra e o teu Esprito.
com o teu domnio e a tua glria , para que produzamos mais frutos de justia e
paz. converte ndo-nos em motivo de maior glria do teu santo nome. Prepara e
capacita -nos tambm neste culto para o teu rei no e sacerdcio. Amm.
3. Assuntos para a orao final : adorao - daquele que . era e h de
1r. o Todo-Poderoso ; agradecimento - pela libertao do pecado e ma l. po r
meio do martrio de Cristo; prece - por fortalecimento da nossa vocao crist
para uma vida de f e testemunho ; intercesso - por todos que so testemunhas (mrtires) no exerccio do sacerdcio geral e especial ; pelos que se preparam para o exerccio do pastorado, catequese e diaconia : pelas familia.s.' para
que possa m viver em paz e harmonia; e pelos que querem const1tu1r fam1l1a , para que o faam motivados pelo amor que se deixa orientar pelo Esprito de Cristo : pela educao crist dos nossos filhos nas familias e escolas: pelos educadores; pelos que trabalham e lutam pelo seu po de cada dia , para que ganhem
o necessrio para a vida ; pelos que tm poder e autoridade, para que se entendam como se rvos e no como sent1ores dominadores ; pelos que so oprim idos
mat erial. soc ial e espiritualmente - no mundo e na comun idade local ; pelos
[Link] doenles. tristes e en lutados para que encontrem auxlio e am igos
tiis.

Que Deus, nosso Pai , nos conse rve a sua graa e paz e guarde a sua
Igreja e os seus fiis no caminho da verdade e do amor. traado em [Link]. Amm .

140

VIII -

Bibliografia

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-

.Y

DOMINGO EXAUDI
Jeremias

3 1 .3 1- 34

Da rio G. Schaeffer

I -

Introduo

Quem nos disse que prec isamos encher igr ejas . evangeliza r as
massas e obter sucessos?
Essa pergunta surge quando se ana lisa um profeta como Jere
mias e se v naqu ilo que ele fez . e ainda l1oje nos co locado dian te dos
olhos . exatamente o cont r rio Sua prega o sempre contrria dos
profetas. seus colegas de profisso. Na poca em que Israel est eco
nom icamenie bem de vida e tudo vai de ve nto em popa, inclus ive a rel igio oficial. Jeremias recebe o encargo de Ja v, de pregar que vir um
1nim1go do nort e 16.1 entr e outros). o que parece ser uma constan te em
sua presco Por qu?
Por trs motivos:
a) O povo est desavergonhadamente seguro de sua escolh :
por parte de Jav (7.1-15). No parece mais haver problemas nem ca i
sas proi bidas para o povo de Israel , e muito menos para seus lderes
polt icos e religiosos . Sua escolha por Jav entendida como privilg io
e no mais como responsabilidade. A f se torn ou festiva e a lei seu
enfeite . Pod em matar e roubar. que sempre encontram guarida na rel igio oficial do templo. Com essa atitude quebra-se um dos esteios principais da f. Este um dos motivos da ira de Jav .
b) O outro fica demonstrado na mania de grandeza do rei Jeoaquim. quando constri casa ampla e arejada para si, custa do trabalho sem salrio de outrem (2213ss). So novamente os indcios de explorao classista e capi talista do povo , que j Amos havia denunciadc
em Israe l.
c) E finalmen te a luta de Je remias se dirige contra os escribas.
que crem ter a sabedoria da letra da Tor , mas a transfo rmam em
mentira, em lei que deve ser cumpr ida po r ser lei (8.8) , e se tornam mo!ivo de alienao para o povo, fala ndo de paz onde no h pa z (8. 11 ).
~~=--

- -

142

14 3

To cont rrias aos parmetros " normais '" so essas proec:a s


de Je remias, tanto na pregao no templo (71 ss) quanto em outra pregao (cap s. 19 e 20), que o profeta colocado "no tronco , com o p ri sioneiro durante um dia , e torturado.
,
Na proc ura de crit rios para discern ir entre profetas legit imos
e 1alsos , parece que era caracterstico dos falsos profetns falarem por
demais o que o povo gostava de ouvir , enquanto que o p ro ieta corno o
conhecemos do AT recebia outros encargos de Jav , ou seja, de ver a
realidade come ela se aorese11tava e quais as suas conseq:ic1as O
falso profet a negava-se a ve r a reaiidade ao encon tro da qual o oovo estava caminllando com sua f mentirosa. suas construr,es soc1a1s 1r: 1ustas. sua religio co rrompid a pe lo pod8 . .J o verdad ~iro se colocava
s~~;2 vo'.1tad: de J2v, mesmo que isto lhe custasse grande ciose ds
suir,men,o. como foi o caso oe .Jerem ias. Mas no s rjeie. E: s1e aso ec to podemos reconhecer em todos os outros tarnbem .
E, rea!mente, ~eremias tarnbm no correspond e expectativa
de segurana, ou entao de desespero, quando a maioria dos dirigenies
e gr~ nde parte do povo de israel est no exlio babilnico (597 e 5f:. 7 a
C.)_- cn~uanto os profetas oficiais tentam consolar 0 povo com a expectativa ae uma volta rpida terra da qual foi depor\ 2do. cl eremias en via uma c_arta aos exi lados na qual diz que seu castigo vai demo rar muito e q~e aevem 1~ constr~indo sua vida l mesmo onde estiverem 129.57). Es ta colocaao contrar:a ao culto e pregao oficial entre 0 oovo
(1 5.2 0-21 ) trouxe consigo um sofrimenio pessoal indizivei que rn~ii as
vezes levou o profeta a du'Jidar de sua capacidade de continuar e a
amaldioar o d1_a em qu~ nasce u (15.1 O: 20.14ss). sim . inciusive a
amaldioar o proprio Jave (15. 18 e 20.l) . Mas sempre 0 pode r de Ja v
e o encargo que deu ao seu profeta faziam Jeremias ir para onde era
mandado (20.9) No havia como resistir , e nisso tarnbrn se mostr a 0
ver dadeiro chamado proftico de Jeremias .
No h nada de igrejas cheias, de conversos em massa nem
de suce ssos na existncia deste profeta. Muito pelo con trr io. h~ muito sofrimento , muita insegurana e muita revolta contra Deu s. H muita
cruz .

II -

O texw

iguais a Jav , como parcei ros igualitrios de Jav en1 sua aliana . Isso
imp:icava que a lei se t ransformasse em obra para agrada r a Jav, o
parceiro. implicava que a lei se tornasse algo ritual, apenas religioso ,
mas no mais levado a srio no dia a dia da existncia do povo; enfim , a
lei se transfo rmava em men ti ra (2 .8) e a f em Jav era dividida com a
fe em outros deuses (2.20ss). Isso traz ia consigo no um pecado individu al desse ou daquele , como ns costumamos entender, mas muito
mais . arrnstava atrs de si todo um sic;tenia de vida que inclua a re ligio e tambm uma alirin a com Jav. esta . porm . j desconsi derada
era substiuda por uma vida mai s "moderna" , de opresso aos ma i:::
fracos e de aceitao de outros deuses (7. 1-1 4)
Essa quebra agora reso lvida no texto que temos nossa fre nte. J que a aliana estava quebrada havia necessi dade de fazer uma
nova. " Quando ele diz Nova , torna antiga a primeira. Ora , aqui lo que se
torna antiquado e enve lhecido est prestes a desaparecer ." (Hb 8 13J
Mas isto no to autom1ico . Nosso texto est contido no assim chamado "livro da consol ao" de Jeremias (caps . 30-31) e com isso se
encontra no contexto do castigo . Isso significa que dentro da conseqnc ia fune sta da desobedincia dos lderes do povo que surge o totalmente novo. a nova chance de Deus (v .3 1).
Jeremias acentua que este novo ser uma ao unicamente da
pa rte de Jav . Na realizao desta nova aliana o povo no te partici pao. Mas ser atravs do povo que Jav agir. No sua reve lia .
Nesta ao unilateral de Jav no llavera mais necessidade de algue;:;
ensinar ao outro quem Jav, pois ele mesmo colocar nos corae s
do covo e em suas mentes a sua lei (v .33). No ser preciso dizer aos
out ros que recon heam o Senhor . Pois sua identidade se demonstrar
naquil o que far em seu povo: perdoar suas iniqidades e no se lembrar de seu s pecados (v .34) Se pudermos aceita r a traduo de Al T'e:da como correta . a ltima fra se do v.34 a causa para a afirma o
ae que todos rne conhecero " . Isto , Jav ser conllecido pel fato
de perdoar
G. von Rad (pp . 220ss) acentua este novo , airmando que com
isso Jere mias pass a alm de outros protetas: h ne le a profeci a fundamental de um novo come o por parte de Jav e no mais a re fo rma ou
o apelo de levar a srio a aliana antiga.
Mas deve-se acentuar e cuidar de dois aspectos:

c laro , em todas as profecias de todo os profetas do AT, que o


fundamento para sua pregao, tanto da condenao quanto tambm
da con solao , era a quebra do contrato entre Jav e o povo. Principalmente por parte de seus lderes. Era a falta ide respeito pela lei e de temo r a Jav. Mas muito alm disso, essa quebra da aliana se caracterizava pelo fato de que os lderes do povo de Israel se entendiam como

a) Est a nova aliana no muda nada no contedo da aliana


original , na lei, na Tor . No que Deus tenha se arrepend ido de sua
prim eira revelao e agora haver uma nova . O que foi revelado vlido e co!ltin ua r v:ido . A vor,tade de Jav continua a mesma : "eu serei
seu Deus e eles sero meu povo (v33). Quem quebrou a aliana no
foi Jav . rn2s o povo ou. entao, seus ld eres . Isso sigrnf1ca que o que ,;;s

144

tava fraco no era o contelido . rna s a forma ern que es1ava senoo mantida a aliana. E essa quebrou .
b) Por isso agora Jav colocar, em lugar da obedincia dopovo, que se demonstrou como fraca e finalmente entrou em bancarrota .
a sua ao que no depender mais do sinergismo humano da obedi ncia . Haver uma aliana totalmente unilateral, em que Jav ser o nico agente e onde no haver mais a possibilidade de desobedincia do
homem. Haver simplesmente um conhecimento tcito das leis e uma
identidade clara de Jav em sua ao de perdoar e esquecer o que fo i
feito de errado.
"Est delineada aqui a figura de um novo homem, de um homem que Jav capacita . atravs de um milagre. obedincia total. "
(Von Rad. p.222).
Esta contida nesta profecia, em primeiro lugar , uma promessa
. .
d1v1na que, ao mesmo tempo, uma esperana totalmente nova. Jav
no desespera . no marginaliza o homem. Castiga, mas salva . o
Deus que reconhece as fraquezas humanas , mas no concorda com
elas. No concorda em dei xar o homem abandonado nas mos de sua
fraqueza , de sua bancarrota. Envia seu profeta anunciando uma nova
aliana. Deus demonstra sua incrvel insistncia em sempre de novo
contar com o homem. Sua imensa pacincia com a coroa de sua criao . Sua indefinvel capacidade de no entregar os pontos em definitivo mas de incansavelmente preocupar-se por fazer de Israel finalmente
um povo que corresponda ao seu desgnio de imagem de Deu s no mundo_. um povo que dei ~e de lado suas falsas seguranas, sua cegueira relig1osa , social , .econom1ca e poltica , e se volte para aquilo para que fo i
criado : a f1del1dade a Deus e ao homem , a fidelidade vontade de
Deus , de ver o mundo andar dentro de seus ditames .
Mas , en to . como que fica a questo da liberdade do homem?
No se cai num desmo que faz do homem um simple s boneco . sem
vontade e sem inic iativa s, na s mos de uma divin dade que age sem
consult-lo? No prega Jeremias a anulao da vontade individual do
homem e a ao metafsica de um Deus que no conseguiu seu intento
e agora mostra as cartas do jogo?
Este seria o caso , se Jav dissesse que mudou o jogo . desde
sua raz . Mas ele diz. atravs de Jeremias, o seg uinte: a conseqncia
lg ica do jogo q ue vocs, os homens. esto faz endo a sua destruio:
eu quero coi cear no seu corao a f de que eu sou seu Deus e vo.c s
form am o meu povo. Nada mais. mas tambm nada menos do que isso
De dentro para fora ele quer criar um povo que aceite sem menti r, se:.,..,
enganar, o fa to de que somente Deus pode dar liberdade . de que somente sua vontade o cam inho que leva o mundo sobrevivncia .
Mas a ao e a realizao das coisa s deste mundo ficam com o ho-

145

mern . E esse o privilg io do povo escolhido por Jav: agir e viver em


seu nome . Jav no quer transformar este mundo revelia do homem .
O homem o agente . atravs do qua l ele agiu. age e agir .
E em Jesus Cristo isso se tornou defini tivamente claro. A renovao do homem coisa de Deus . a transformao de nosso tipo de vida . de nosso mundo . de nosso sistema nossa responsab ilidade .

III -

Ns e a aliana com Deus

Talvez seja um tant o arriscado dizer que em Jesus Cristo


Deus colocou um ponto final na velha al iana e inic iou a nova . Para
ns . hoje. isto est claro . Mas ser que fazemos jus ao que Jerem ias
disse. quando simplesmente transportamos esta aliana para Jesus
Cristo e com isso nos colocamos em cho firme e conhecido? De fato,
temos que analisar tambm o que acontece conosco . apesar da vinda
de Cristo e apesar dos quase dois mil anos de Igreja crist no mundo .
Precisamos dizer com toda a clareza : no vemos muito de
aliana com Deus inscrita em nossos coraes e em nossas mentes .
Olh em os para o mundo em que vivemos , para a sociedade que construimos . oara o modo como vivemos uns com os outros . (Ob .: Na poca
que escrevo esta meditao - maro de 1981 - leio a manchete de jo rnal, dizendo que o Partido Democrata Cristo de EI Salvador - pas em
g rave conflito interno - se uniu aos anseios da junta militar que governa
o pai s " com a promessa de pautar os atos polticos do reg ime militar
oentro dos exemplos cristos " . At quando Deus permitir que se o
use ne sie sentido impunemente?)
Aiguns evidentemente podem bater no peito e dizer que em ce rtos crculos se vive a aliana com Deus , em certas igrejas ou seitas se
leva a srio a coisa . Mas eu pergunto: depois de quanto tempo de massagem "espiritual". de convencionamentos , de estudos aprofundados .
a que custo intelectual ou "poder de orao " (para no dizer pode r de
fogo l) e com o emprego de que artificialismos se conseguiu isso? Onde
est o fato de que a aliana com Deus est inscrita naturalmente no corao e na mente dos homens? Onde est o milagre do qual fala von
Rad? Onde est o amor ao prximo inscrito em ns? Vamos ser francos . isso no existe . A aliana no est inscrita em ns . E o perdo dos
pecados no uma coisa automtica e natural. Precisamos pedir por
ele. Precisamos confessar. na Santa Ceia , que estamos arrependidos .
o perdo dado, mas precisamos reconhec-lo em nossa f . A f natural no existe. A f precisa ser dada, precisa ser alimentada .
Precisamos reconhecer que Deus ainda no cumpriu o que falou atravs de Jeremias . No entanto , tambm no podemos deixar de
ver a histria de Cristo. No podemos deixar de ouvir-lo dizer que seu

147

146

sangue a nova aliana. No podemos deixar de saber que a cruz de


Cristo nos colocou numa outra luz, numa outra perspectiva do que os
que viviam sob a velha aliana . Vivemos na histri da profecia de Jeremias. Vivemos no tempo :do " j aconteceu - ainda no aconteceu " . somos a gerao do "si mui iustus et peccator " , consumimos a esperana de que o milagre ainda no aconteceu em sua totalidade, mas temos a ce rteza de que acontece r. No somente porque Jerem ias o
anunciou, mas porque em Cristo o milag re se antecipou a si mesmo e
se tornou realidade. Portanto, a profecia de Jeremias ainda no ch egou
ao seu fim. A palavra de Deus, que r1 dois mil e quinhentos anos iluminou e consolou um povo derrotado, tambm ilumina, agora ampliada e
concretizada pela histria de Cristo. nossa histria, a misria do mundo
em que vivemos hoje .
.
E este fato , em nossa pequena f, deve despertar dois aspectos
importantes:
.
a) colocada sobre no,ssas cabeas uma verdadeira fogueira .
quando sabemos e reconhecemos que a fidelidade de Deus para co~osco . isto , [Link] preocupao em nos libertar de um ativismo capita11sta e consumista descontrolado por ser egosta , no se extinguiu . E
com isso assumimos responsabilidade e no, o privilgio do comodi smo dos que no crem . Assim como esta fidelidade no se extinouiu
com um povo to desobediente como o de Israel, podemos levar a ~er
teza de que em Cristo esta realidade se tornou ainda mais vlida para
nos todos . Mas a fogueira em cima de nossas cabeas deveria nos fazer correr para procurarmos corresponder , pelo menos na medida do
possvel, a esta fidelidad e infinita de Deus . Deveramos tentar analisar
com honestidade onde costumamos quebrar a aliana com Deus hoje .
. ~ a chegamos ao modo de como medimos nossas aes .
Quais sao as medidas com as quais construmos nosso mundo, qual 0
prumo que usamos para saber se a parede de nosso desenvolvimento
est re ta ou se no est? Por que existem injustias, porque nossa sociedade uma pirmide em que os poucos de cima esmagam a base?
Sabemos . Porque h o imediatismo louco na explorao da terra, da
economia e em ltima anlise do homem . H uma pressa " moderna "
inscrit a em nossos coraes , h necessidade de " cre scer ". Mas cresce r para onde? Crescer para qu? Para realizar de modo pleno os homens todos em sua total existncia? Ou para conseguir salvar a pele de
alguns poucos diante da exploso populacional e da fome que est iminente? Sabemos tambm que isso acontece porque ns, com nosso tipo de ig reja , no apenas estam os muito pouco preocupados com isso ,
mas, muito mais . ainda fomentamos uma mentalidade que nada tem a
ver com a nova aliana , em nortie da qual construmos belos templos,
ca sas paroquiais , e abrimos to ingenuamero:e a boc?. domingo aps

domingo. No podemos descon hecer que est e aspecto ainda continua


grave . apesar de reconhec imentos existente s por a. Nem devemos
nos enganar: a foguei ra est ac esa em c ima de nossas cabeas.
b) Mas. por out ro lado, existe o in'omi nvel , o maravilhoso lado
de um Deus que no confia de qualquer modo em nosso ativi smo, seja
l qual for . um Deus com um p atrs , felizmente . Que conhece nossa fraqueza mas que no can .:;a de confiar em ns, que pelo menos no
cansa de nos quere r bem . o Deus que, atravs de Jeremias , nos mostra a sua ira a ponto de usar povos estran hos para acabar com as bases da existncia de Israel, e que mostra hoje a su a ira quando reconhecemos atarantados que nosso sistema social. com armas nucleare s para defender nossas misrias e escond er nossas vergonhas am ericanas . e com uma fome secular , indica apenas para um fim tenebroso . Mas tambm o Deus que no quer ess e fim para ns . desse fim
que ele nos quer li~ertar, j agora, colocando-nos j ao alcance de sua
aliana definitiva, dei xando-nos provar e participar dela. Como essa
pregao de Jeremias diferente das pregaes hoje to ~m voga , de
um fim desastroso e de um juzo final escuro para todos! E, dentro do
desespero. a pregao de um Deus que nos liberta de tudo isso, sem
nossa partic ipao .
Creio que dessa f que podemos tirar nossa tranqilidade para a ao. Ir com todas as foras para onde a aliana com Deus est
quebr ada ou vai sendo quebrada . Agir em nome de Deus , em nome de
Cristo . onde no se pergunta mais pela vontade de Deus , como, por
exe mplo nos governos e nas administraes econmicas de hoj.e - ~
Brasi l. Agir ali onde cristos, em nome de Cristo, pregam uma rel1~1ao
alienada dessas preocupaes e, com isso , se fazem de cortesaos ,
co locando-se a servio dos grandes , dos poucos que esto em cima da
pir mide Ag ir ali onde a corrupo , seja ela qual for , est dando poder
a homens para explorar e para mentir. Agir ali onde se acha que com
poder e com fora e com dinheiro se pode obrigar ou comprar a conscincia e os corpos das pessoas, e construir uma sociedade que faz
questo de que os homens olhem s para si .
Mas, ao mesmo tempo , podemos saber que esta luta no _a
definitiva. Quem sabe isso, sabe agir tranqila e profundamente, e nao
estar preocupado com vitrias ou derrotas , com falta de .massas na
igreja , com a vitria muito mais estrondosa dos outros . Pois o m_undo
ainda no est transformado , ainda no est colocada no coraao de
todos a aliana de Deus . Por isso, aqui a vitria ainda pertence a ~utras
foras . Mas, finalmente. Deus colocar a aliana total nos coraoes de
todos . Isto Cristo nos demonstrou e i~so Jeremias j reconheceu .
Estamos indo ao encontro da liberdade total: essa nossa f,
essa nossa tarefa.

148
149

IV -

Subsdios litrgicos
1. Hinos: 94.98 ,109 e 110. do Hinrio da IECLB .

2. Intrito: Diz Jesus : " Se algum quer vir aps mim. a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser, pois , salvar a sua vida perd-la-,
e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho. salv-la- . "( Me 8.34-

35)
3. Confi sso de pecados : Senho r. nosso Pai e Criador. tu nos ama s desde que nos criaste e nos puseste neste mundo para cuidarmos dele . Mas quebramos sempre a aliana que firmaste com nossos antepassados e conosco
em Jesus Cristo . No correspondemos quilo que esperas de ns . (Colocar
aqui casos acontecidos e conhecidos . recentes, onde se revela a desobedincia a Deus e pelos quais nos sentimos arrependidos .) Conhecemos-te como um
Deus que perdoa . por isso que nos atrevemos a chegar a ti e pedir: tem piedade de ns, Senhor 1

4. Anncio de graa: Diz o apstolo Paulo : "Se vive em vocs o Esprit o


de Deus que ressuscitou Jesus, ento aquele que ressuscitou Cristo dar tambm vida aos seus corpos mortais, pela presena de seu Esprito que vive em
vocs. Eu penso que o que sofremos neste mundo no pode ser comparado , de
jeito nenhum , com a glria que nos ser revelada : um dia o prprio universo ficar livre da escravido e da decadncia e tomar parte na gloriosa liberdade
dos filhos de Deus ." (Rm [Link])
5. Orao de coleta: Senhor, estamos cercados pelas leis criadas pelo
desamor . Est amos participando da construo de um mundo em que valem outras leis. No as tuas . Por isso vemos mendigos nas ruas. favelas crescendo .
agricultores sempre mais pcbres e saindo de suas terra, donas de casa no sabendo mais como matar a fome ' de seus filhos, maridos procura de trabalh o
oue no existe ou mal pago . Inscreve em nossos coraes agora j, neste cu lto, as tuas leis, o teu amor , a tua aliana de perdo e de aceitao , para que
possamos ir. com a fora do te~ Esprito , levar em palavra e em ao tua vontade ao mundo. Amm.
6. Leitura bblica: Joo 15.26 - 16.4.
7. Orao final : Senhor , tu nos disseste que podemos vir a ti. que nos
ouves. Ouve-nos quando te pedimos po r aqueles que so responsveis pe la misria e pela pobreza em nosc;o pas. Imprime-lhes no corao a tua lei, antes
que sejam destrudos pela sua prpria ambio e pelas mos de um povo com
fome e dese sperado . Faze tua aliana com nossos ld eres que no conseguimos alcanar , para que abram os olhos e vejam que caminhos estamos perco rren do. Tua verdade de amor a nica que pode mostrar a eles a rea lid ade
das coisas. - Pedimos por todos ns, que rompemos a tua aliana . Faze-nos
saber qual nossa tarefa junto aos_que clamam por. nossa ajuda, m~ita .s [Link]
com desespero . - Pedimos tambem tua clemencia e tua 1nterferenc1a iunto
aos povos da Amrica Latina que vivem em conflitos internos wave s. Onde_ milhares de jovens perdem sua vida por ca~sa de [Link] sses pol1~1cos e .econon:i1cos de alguns poucos homens sem escrupulos. Deixa teu Esp1rito agir atraves
de homens que no tm medo de morrer por tua cau~a. Ace~ta os que perdem a
vida para que possa have r liberdade neste mundo _ainda ca1d~ . Mas leva-nos o
mai s depressa possvel para o momento ern que ~?preci sara ma is haver derram amen to de sangue e onde a liberdade sera a un1ca rea lidade . - Pen samos

tambm nos pases desenvolvidos, que tem interesses duvidosos em nosso


pais, em nosso povo , em nossa mo-de-obra . Pedimos-te pelos grandes e ricos
pases que precisam de armas sempre mais sofisticadas para defenderem para
si o que tiraram dos outros . Faze com que finalmen te reconh .e~m que t_u fiz este o mundo e suas riquezas para todos por igual e que, se assim e, rnnguem precisa defender o que seu , pois todos tm os mesmos direitos. - Confiamos
em ti. Senhor . confiamos que o teu Esp rito Santo age em ns e que com ele poderemos constru ir uma lgreJa e um mundo que saiba qual o caminho que lev;i
ao t ~ u Reino. Levn-nos l 1nalm e11ie pa ra este caminho. onde no have ra ma1 <:cru 2. rn;;s i:!oFJ ;-; as ressu rrei o . Amem

V - Bibliografia
KUHL.C . I>ie Entstehu ng des Alten Testarn ents. [Link] Bern
1960. - VON RAD. G. Theolog ie des Alten Testam en ts. Vol. 2. [Link] .
Mnchen . 1965. - STECK,K.G. Meditao sobre Jeremias 31 .3 1.-34. ln :
G6ttinger Predigtmeditationen. Ano 23. Caderno 2. Gttingen , 1969.
ZIMMERLl .W. Das Gesetz und die Propheten. Gttingen , 1963.

151

DOMINGO PENTECOSTS
1

Corntios 2.12-16

Eugenia Araya

I -

Traduccin

12. No hemos recebido el espritu dei mundo sino el Espr ito


que viene de Dias, para conocer las gracias que Dias nos ha dado. 13.
De las que hablamos tambin, no con palabras ensenadas por sabidura humana , sino con palabras ensenadas por el Espritu , expresando
las cosas espirituales en una forma espiritual. [Link] hombre puram ente
humano (psquico) no capta las cosas dei Espritu de Dias ; para l so n
tonteras : y no las puede entender , porque slo pueden ser exam inadas
con criterio espiritual. [Link] cambio el hombre espiritual puede examinaria todo y a l nadie puede examinarle. 16 Porque? " quien conoci el
pensamiento dei Senr para aconsejarle?" Pero nosotros tenemos el
pensamiento (la mente) de Cristo.

Proponemos la versin de "La Nueva Biblia Espanola ", Edicin


La tinoamericana, traduccin de Luiz Alonso Schkel y Juan Mateos ,
Ediciones Cristiandad, Madrid, que es la siguiente:
"1 2. Y nosotros no hemos recibido el esp ri tu dei mundo , sin o el
Espritu que vie ne de Dias; as conoc emos a fendo los danes que Di as
nos ha hecho. 13. Eso pre c isamente exponemos, no con el lenguaje que
ensena el saber human o, sino con el que ensena el Esp ri tu . expli ca ndo temas esp iri tuales a hombres de espritu. 14. EI hombre de tejas
abajo no acepta la manera de ser dei Esp ritu de Dias, le parece una locura ; y no puede capta ria porqu e hay que enju icia rl a con el cr i te rio dei
Espritu. 15. En ca mbi o, el hombre de espiritu pu ede enju icia rlo todo.
mientras a l nadie puede enju ici arlo ; 16. pues ? quin conoce el modo
de pensar del Senr, para poder darle lecciones? Y nuest ro modo de
pensar es el de Cristo."

II -

Informaciones exegticas

En la p rimavera dei ano 57 Pablo realizaba su terce r vi aje misionero y tuvo notic ias de la situacin de la igl esia en Corinto. Para enf ren-

tar la difcil situacin - dudas, formacin de grupos antagnicos, odio


contra el mismo apstol , encndalos - escribi algunas cartas a los
cristianos de ese lugar. por lo menos cuatro, de las que nos han llegado
solamente dos , y an estas dos posiblemente estn en fragmentos . Se
sabe que una era anterior a la 1 Corntios . "Les deca en la otra carta ",
se lee en 1 Cor .5,9 y se refiere a la advertencia que las hacia a los c ristianos corntios de no juntarse con los libertinos (corntios inmorales)
Despus , contestando interrogantes . comentando situaciones, formulando advertencias , Pablo escribi la 1 Cor . poco antes de Pentecosts
dei ano 57 . Esta carta no fue ac ogida en buena forma , y sus relac iones
con la iglesia de Corinto, que estaba hecha pedazos por la formacin
de grupos antagnicos, empeoraron. Pablo debi realizar una vis ita a
Corinto que servi bien poco . AI reg resar a Efeso el apstol escribi por
tercera vez a los corintios ("les escrib con muchas lgrimas ", li Cor .
2,4). Ms tarde dec idi enviar a Tito para apaciguar la situacin. Pablo
escribi nuevamente a los corintios - por cuarta vez - esta es la segunda carta cannica - en el otono dei 57 . No se sabe si fue directamente a Corinto , o si pas de Macedonia ai !lrico por la primeira vez.
pero el resultado es que tenemos a Pablo visitando por tercera vez a
Corinto en el invierno de ese ano (diciembre dei 57) y se queda all permaneciendo tres meses en Acaya .
EI texto que tratamos aqui ai igual que todo el captulo 2 est lleno de una terminologia utilizada en los esc ritos gnsticos helensticos,
ia ms vieja doctrina que ai entrar en contacto con el cristianismo produce la primera gran hereja , el " doketismo ". En el gnosticismo se
c reia que la salvacin se deba ai recibimento dei verdadeiro cono.c imi ento (GNSIS) y en donde lo material era mal mirado y slo lo espmtual era lo perfecto (TELEIOI). Son los trminos que aqui se usan . Pablo
com ienza a habla r de las cosas dei Espritu ai referi rse que ai haverescondido Dias la sabidura que lo reconozca , solamente sta se puede
obtene r por media dei Espritu , es dec idir. se debe ser espi ritu al. As el
texto puede entenderse de diversas maneras , segn donde sea que se
coloque el acento. Para Pablo el Espritu es la forma de actuar de D1 os.
Se contr apon e ai hombre psquico (el esp ritu dei hombre), que es la forma de pensa r dei hombre natural. Dias no nos da su mente sino su Esprit u, pero nosotros tenemos la mente de Cri sto.
V.12 TO PNEUMA TOU KOSMOU , el espri tu dei mundo - Pablo parece utilizar con mucha liberdad la term inologia, de los co rintio_?.
PNEUMA TOU KOSMOU est en paralelo con ARCHONTO N TOU AIONOS (los prncipes de este sigla). Tampoco ellos conocen e~ plan de sal va cin de Dios (2 ,6).
V.13 LALOUMEN hablamos . Se c ree detectar en esta frase una
ironia de Pablo ai decirle a los cristi anos de Cori nto , que estaban dividi-

152

dos y llenos de rencores que " hablamos con palavras en senadas por el
Esp ritu y no de la sabidura humana."
Hay un juego de palabrl cuando dice: PNEUMATIKOIS PNEUMATI KA, algo asi como en castellano se dice " lo bonito con lo bonitisimo". La prim era expresin : PNEU MATIKOl .puede traduc irse como co~as espiritu ales si es tomado como neutro. Algunos comentari stas pref1e~~n tomaria com_o masculino y ~raducirlo como "verdades espirituales . La palabra gr1ega SYGKRI NO equi vale a "t raducir " y a " comp arar " , Si se le utilizara en la segunda forma quedaria : " comparando las
cosas espirituales con lo espiritual " y quedaria en paralelo con el 14b
"examinadas con criterio espiri tual" .
V.14 PSYCHIKOS DE ANTHROPOS, el hombre puramente humano, significa literariamente " el hombre natural ". Si se lo tomara en
un sen tido gnstico se podra pensar que se est hablando de una c lase_de hombre den~ro de la enorme variedad dentro de su plan de sal vac1on en donde estan los "hylicos" o " terrenales " que no podrn salvarse, en con traposicin con los " pneumticos " que ya estn salvados .
Este sistema filosfico estaba muy desarrollado en la poca en que se
escribe la 1 Corintios .
. EI punto em cuestin es qu piensan los corintios dei trmino
"espiritual" Y qu es lo que Pablo piensa cuando utiliza esta terminologia , v.15. Cuando . Pablo dice que ai hombre espiritual nadie .puede
examina rio , se esta entroncando con la consigna que levanta en 6.12.
"todo me es lic ito ". Nadie podra intentar juzgar a aqu ellos que tenan
el Espr itu desde el. r:nomento en que Dios los haba hablado . Es el pecado contra el Espmtu Santo (Marcos 3,28ss) . Sin embargo se encontraba un problema serio Y era saber realmente quien tena el Espritu ,
quien fingia tenerlo , o quien tena un iespritu maio . Por lo que se dice en
el c aptul o siguiente se desprende que Pablo no tornaba muy en cuent a
cu ando los corintios alegan de tener el Espritu para poner fin a la discu sin (3 ,1ss . '' yo, por mi parte, no pude hablarles como a hombres espir ituaies, sino como a puramente humanos ... " )
V. 16 NOUS CHR ISTOU .i la mente o pensamiento de Cristo . Los
cori ntios alegan de conoce r la mente de Cristo y por lo tanto conocer el
pensamiento divino. La idea de la cita que aparece en este versculo es
para lelo con la cita dei v.9. Y nuevamente tenemos [Link] de gran
importan cia en el pensamiento gnstico : "Naus". Aparece en su sistema de creac in y redencin dei mundo . En los esquemas gnsticos
ms desarroll ados, el " Naus es una emanacin de un dios superi or
(EON) que se rebaja convirt indose en elementos dei mundo material.
Aigunos gnstics-comValentnos entende rn en este sentido el en'vo
de Cri sto por Dias para redimir el mundo .

153
En Corinto p re domina otra con cept ualidad. Cuando se habla de carn e,
un griego pi ensa en alimento (1 Cor 8). EI griego piensa tene r un alma 1nmona1 que vive por un tiempo en un cu erpo individual que es su ub1cac in. Los judias podan expresa rse en fo rma pareci da di st ingu ie_
ndo la
carne pesada de una energia que le da temporar iamente ag1l 1dad Y
aliento, pero pei1saban ai rnvs que se ti ene un " c uerpo" pasivo mortal , animado por un "alma" acti va ind ividual y tambin mo rtal (1 Cor
15.45l Ent re los dos se movia el misione ,o Pablo y parece que usaba la
terminologia griega con sign if icados hebreos ." (Rodol fo Oberml ler)

III -

Meditacin

EI texto para ser ledo en la fi esi a de Pente cost s presenta un


serio oroblema si se le enfoca de un ngulo du al ista, porqu e !a herejia
gnst;ca que niega la Encarnaci n de la Palabra de Dios no es un hecho pasado en la historia sino siempre presente. Es la perma nente neaacin de un Jess hombre para transformal o en un Jess espiritua l Y
esvincu lado c on la humanidad y sus proble mas. Y el problema se aguoizl cuando se trata de uti lizar ai Espi ritu Santo en este aspect o, es dec1r alao et reo. an ti-material y se tran sfo rma. en una especie de Dios
indep-endien ie. personal . que se revela en una forma especia l que hace
que la pe rsona que rec ibe esta re velac in se tra nsforme en un ser 1nfalibie. Y se justamente este texto que pu ede da r la base, deb1do a una
rn 2:& interpretac in de la posesin dei Espritu de Di as que hace que
c1errl y aete rm inaa gente sea " Espi ri t ual " y que pueden por ello cri ticar a 10dos oero nadie pued e c ri ti carias a ellos, formando muy concret3rnen te u n~ casta privilegiada ante Dias y an te los hombres
Su rge entonces una pregun ta ?cmo enfocar este texto en la
Fest1vi dad de Pentecosts? Sabemos bien que el pensamiento de Pablo
es'.3 muy distan te de in te rp retarse como un "pneumtic?'> Pablo quie;
re hab:ar y dec irle a los cor1nt1os - que son hombres d 1f1c1 l e~ ,. que e
Dios ae Jesucr isto es muy di feren te a los d1oses antropomor 11cos dei
01 :.-l!po griego. Les habla de un Dios que es lo completament~ otro par,~
e! [Link] y cuya n ica revelacin la tenemos en Cr isto Jesus , pues e
E:<: el nico camino de unin y de conocimiento con D1os. Es solamente
rned:ante la iluminacin dei Espr itu de Dias (Espritu Santo) que el hombfe puramen te humano (psquico), que vive aisladc debido a su egoismo y que rechaza otro Dias que no sea el mismo, puede !legar a conoce r y a unirse a Dios. Y as tenemos que Lutero nos dice en su Cateci smo Menor en el artculo terc ero de "Ei Credo" lo seguin te:
"Credo que ni por rni propia razn, ni por m is propias fue rzas
soy capaz de creer en Jesucristo , mi Senor . o venir a l; sino que e\ Esp ritu Santo me ha ll amado mediante el evangelio, me ha 1lum111ado con

154

sus dones . y me ha santificado y conservado en la verdadera te . dei


mismo modo como l !lama, congrega, ilumina y santifica a toda la cristiandad en la tierra, y la conserva unida a Jesucristo en la verdadera y
nica fe; en esta cristiandad l me perdona todos los pecados a mi y a
todos los creyentes, diaria y abundamente, y eri el postrer dia me resucitar a m y a todos los muertos y me dar en Cristo , juntamente con
todos los creyentes , la vida eterna."
Es una pregunta que inmediatamente provoca una nueva pregunta : ?qu es el Espritu San to?. Tenemos que responder directam ente: el Espiritu Santo no es algn espritu humano o celestial , sino que es
el Espritu .de Dios . Lutero dice en su Ca tecismo Mayor: 'En la Escritura se enumeran, adems , diversos espritus, como son el espritu dei
hombre, los celestiales y los de maldad. Mas slo el Espritu de Dias recibe el nombre de Espritu Santo, es decidir, el espritu que nos ha santificado y nos sigue santificando ." Y contina diciendo : "As como se denomina ai Padre: el Creador; y ai Hijo: el Redentor , tambin ai EspiritL
Santo debe denominrsele segn su obra, el Santo o el Santificador
EI Espiritu Santo en los escritos de Lutero (desde la primera
poca), aparece siempre unido a dos realidades bsicas para el movi miento de la Reforma: la Fe y la Palabra. Adems , el punto de partida
es la atencin dirigida a la cruz de Cristo. Es en la cruz de Cristo y en, la
cruz dei fiel , en donde Dios se revela oculto bajo la debilidad . Slo puede ser reconocido si se revela ai hombre , en el sentido existencial que
el trmino "Revelarse" toma en Lutero. Es una revelacin que consiste
en unir ai hombre a Cristo en una comunin ntima y personal, es un 2
obra dei Espiritu Santo. EI instrumento con que lo realiza es la Palabra .
la actitud dei hombre es la fe, que es fruto dei Espritu Santo, por medio
de la cual el hombre llega a conocer a Dias y es justificado . Lo principal
en el Espritu Santo es no tanto el ser dador de Virtudes como el de autor de la fe. " La santidad cristiana es cuando el Espritu Santo da a lo ~.
hombres fe en Cristo y lo santifica ." (WA 50,626 ,15)
Una de las obras principales de( Espir itu Santo es que el hombre se pueda dar cuenta de su situacin real y poder reaccion ar con tri
ell a. All donde est el Espiritu Santo , ahi el hombre confie sa su pec ado .
y all se produce aquello que Pablo li ama "espiritual " y que Lutero ai seguir ai Apstol opone el Espiritu a la carne. No se trata pe una parte superio r dei hombre que se opone a otra parte inferior o carnal, se trat a
de todo el hombre , dei hombre en su totalidad, que escarne y que am a
exclusivamente a l mismo . Pero este mismo hombre , tambin en su
tota!idad , es espirituai. Lo es en la medida en que e! Espritu de Dio s est en ! y lo mueva a confessar su pecado y a luchar contra ia carne , es
decir contra su egosmo que to aisla de la comunin con Dias y co n los
otros hombres .

155

Para que el hombre pueda rea1 1zar buenas obras es necesario


que primero tenga el Espiritu; /ai tenerlo, las obras emanarn espon tnearnente . y este Espritu nos identi ficar con Cristo en el su frimiento
Siempre se habla de la liberdad dei Esprit u Santo y ha sido un
punto fue rte en la bata lla de la Refor ma . EI Esp rit u Santo goza de total
lib0rtad con respecto de la ig lesia como institucin. La palabra y los s ~
crarnentos !actun "donde y cua ndo le place a Dios " (ubi et quando v1sum est Deo - C.A. Art.V).
Lutero debi senti r en carn e propia lo que sign ificaba la exag eracin de esa "libertad " dei Espiitu con los "Schwarmer" (entus iastas). en donde la iluminacin dei Espi ritu podia producirse, segn algunos, independientemente de la Escritura. La reaccin fue casi inmedia1a de parte dei protestantismo oficial que vincul el Espritu Santo a su s
instrumentos (C.A. Art.V, tamquam per instrumenta). Apelar en forma
directa a la autoridad dei Espritu Santo sin justificaria por la palabra escrita se ha vuelto \sospechoso hasta el dia de hoy. Lutero era ms fuerte
cuanao decia: " Por lo tanto tenemos el deber y la obligacin de mantener que Dios no quiere entrar en relacin con nosotros , los hombres '. sino por su palabra externa y por los sacramentos . Todo lo que se dice
dei Espiritu independientemente de esta palabra y de los sacramentos .
es dei diablo." (WA 50,245ss)
EI Espritu Santo acta la santificacin por media de la comunin de los santos , es decir , en su iglesia. EI escritor R. Prenter dice en
su libro " Le Saint-Esprit et le renouveau de l' Eglise " (Paris, 1948):
.. considerar ai Espritu como el principio de la libertad religiosa dei ind1111duo , por oposicin a la iglesia. es confundir el Espritu de Dios: o bien
con la actividad de la razn humana (y esto es racionalismo) , o b1en co n
la experiencia religiosa dei individuo (y esto es pietismo)" .

IV -

Algunas consideracion es para la predicacin

1. La festividad de Pentecosts debe servir para aclarar que el


Espiri tu Santo es el Espritu dei Senr y no es una es~ec i e de santo 0
espr1 tu independi ente de Dios. Por el contrario el Espmtu San_to no es
ms que el Espiri tu de Jesucri sto , por lo cual cada Pentecostes es un
acercam iento de Cri sto a nosotros.
2. EI Espri tu Santo nos dirige a la cr uz de Cristo, mostr ndonos
a Jesus c ru c ificado y su primera accin que realiza en nosotros es el
oue contesemos nuest ro pecado y que reconozcamos nuestro estado de
pec adore s que hemos sido salvado por Dias (si mul iustus et peccator).
3. EI Espritu Santo es el vnculo de amor de Dias, por media d~
! nos um mos en amo r con Di as No queda ya lugar ai ter ro r. Y este Esp1ritu jarn 3s se ha aparec ido en forma personal a un hombre pa ra darl e

157

156
poder sobre la gente y obligarles a aceptar su pensamiento y deseos ,
como el caso dei Pastor Jim Jones de Guyana, quien invocaba la autorida d dei Espi ritu Santo para realizar su esquizofrenia. E! Espritu vive en
la iglesia uni do a la Palabra y los sacramentos, se identifica con el pueblo de Dios.

4. EI poder conocer a Jesu cristo y el sentido que l da a nuestra


vida, es obra exclusiva dei Espirit u Santo . EI hombre puramente humano no puede saber de Dios, porque es otra dimensin. Es como la filosofia que no puede ni debe hablar de Dios porque lo haria impropriamente . Pero eso no quiere decir que el hombre que se dedica a la filosofia no crea en Dios . Pero esto como obra dei Espiritu y no como consecuencia de las elocubraciones metafisicas.

5. ta predicacin es similar a los antiguos teatros en donde debian aparecer grandes aparatos en escena, p . ej. el cisne gigante en
Lohengrin. EI cisne era movido por tres o cuatro hombres que empujaban. Esos hombres no podian faltar porque si n el cisne no se movia ,
pero convenia que no se vieran desde las butacas. Lo mismo sucede en
la predicacin . Hay tres elementos vitales que no pueden faltar aunque
no se vean: Salvacin por la gracia y por la fe; simul iustus et peccato r:
redencin por Cristo en la cruz y resurreccin. Estos elementos con la
proclamacin de la gracia deben estar permanentemente en toda predicacin. Y debe serio en forma especial en Pentecosts . .
6 . Una cosa que se debe dejar muy en claro es que Pablo no se
refiere a eses hombres pneumticos y dualistas cuando habla de los
"espirituales ", sino a aq uellos que iluminados por el Espiritu de Dios
han pod ido captar su propria realidad de pecador y por ello se sienten
unidos a los otros hombres en su posicin y tr atan de ser herramient as
tiles a Dios en la proclamacin de su Reino y tiles a todos los hombres que son el objeto de la accin de Dios .

7. EI Espritu Santo ai iluminamos no lo hac e co n el !in de tr ans ormarn os en pequenos papas infalibles que ejercemos domnio sobre
nue st ra co m un idad , sino ai cont rario , para que sirvamos a nu estr a comun idad, po rque la nica auioridad de la ig!e s ia es la diaconia. e t se rv1c io (Me. 1O, 43-Ll.5).

V-

Subsdios litrgicos

1 . Confes1n de peca dos : Sef1or. qu eremos corn enzar nu es\ro culio habl:'indote con sinceridad T nos conoces mejor qu e nosotros mismos, por eso
has envi ado a tu Santo Espiritu para iluminamos en tu conocimiento y en el
nuestro. Y grac ias a l podemos comprender nuestras debi!idades. nue stra incapacidad de amar y nuestro enorme egosmo . No queremos ot ro Dios que nosotros mismos, no queremos otra voluntad que la nuestra . nada nos import a i uera de nosotros. Por nuestra prooia ra zn que busca sa! isfacc in no pod em r ~.

comprenderte. Tu nos dice " EI que me ame cumpla mi mandamiento: Amense


unos a oiros en la misma forma en que yo los he amado ". No somos capaces .
Lo que si podemos hacer por nosotros mismos es envidiar, odiar y desesperarnos. Sin embargo, Tu no nos deseas ~io tado. nos muestra nuestra realidad pecadora y no nos abandona a la desesperacin porque nos conduce a Cristo Jess que nos sa1va desde su cruz y transforma a nuestro rival en hermano, a
nues1ro enemigo en camarada, a nosotros egostas, en personas que se pueden conmover con la mi seria. de los de ms. ! Perdona nuestra falta de inters
por nuestros hermanos ! !Perdona nuestro r 0 rmanente egosmo y suficiencia.
ensnanos a seguir a Jess , a tener la misma actitud que EI tuvo para con los
hombres. Te lo pedimos en el nombre de Jess quien se hizo humilde y obediente hasta la muerte . Amn.
2 . Oracin de colecta: Seiior Dios y Padre nuestro te pedimos que envies tu luz a nuestros entendimientos de modo que asi podamos imitar amorosamente a tu Hijo Jesucristo en el servicio de los dems. Ilumina a tu iglesia
mostrndole el camino de accin y enseiiandole que ni el poder, ni la ciencia ni
el derecho o la dignidad son los elementos que constituyen el discipulado, sino
el servicio a los hermanos, que ser iglesia significa servir ia los hombres en el
seguimiento amoroso de Jess, por Jesucristo, tu Hijo, nuestro Senor, que vive y
reina contigo en la unidad dei Espiritu Santo, por los siglos de los siglos. Amn .
3. Oracin final: !Oh Seiior dei Cielo y la Tierra y bondadoso padre de
todos nosotrosl Nuevamente queremos agradecerte por tu amor demostrado a
nosotros en 1u Hijo Jesucristo, nuestro querido hermano y buen campanero y
por damos permanentemente tu Espiritu Santo que nos permite darle sentido a
esta vida nuestra. Haz que este mismo Espiritu ilumine siempre a tu iglesia de
modo que ella siempre haga tu voluntad y sea un testigo fiel de tu amor por la
humanidad y de tu servicio incondicional ai hombre . - Te pedimos tambin
qu e tu Espritu Santo ilumine y guie a nuestros governantes para que sean instrumentos de la paz de la reconciliacin entre los hombres y que busquen la
verdadera justicia respetando a todos los hombres a quienes creaste a tu imag~n y semejanza. Que no se olviden que ellos tambin debern algn ~ia rendir
cuenta ante n de todo lo obrado aqui por medio de la autoridad que Tu les has
pe rmitido. - Dale consuelo, seca las lagrimas de tantos desamparados que
hay en nuestras tierras : te pedimos especialmente por aquellos que se s 1ent~n
ol vidados de Ti , mustrale tu gran amor paterno. Te pedimos por los que estan
encarcelados , por los enfermos, por los oprimidos , por los humillados. - Te pedimos por nosotros mismos. Creemas y confiamos en Ti , ayudanos en nuestras
dudas y en nuestras tentaciones. Perdona nuestras faltas que no podemos ev1
tar por ser de naturaleza pecadora y que nos pesan, perdona nuestra comodidad , nuestro egosmo, nuestra falta de solidaridad i con nuestro pueblo. Danos
valor para pregonar tu evangelio y denunciar la injusticia de los prepotentes, no
buscando otra cosa sino que venga tu Reinado. - Y a Ti, Padre, Hijo y Espiritu
Santo. un solo y verdadero Dios, sean toda gloria y honor, por los siglas de los
siglos . Amn.

159

DOMINGO DA TRINDADE
Efsios

1,3-14

Bertholdo Weber
(v. Vol . 111, pp . 93-101)

l DOMINGO APS TRINDADE


Jeremias

23,16-29

Klaus van der Grijp


(v. Vol. li , p. 144-149)

2 DOMINGO APS TRINDADE


Cornti os

14 .1 -3 ,20-2 5

Bertholdo Weber

I -

II -

Consideraes exegticas

23 . 16-29

cf. 8 DOMINGO APS TRINDADE


Jeremias

frente para pr em evidncia a primazia da profecia sobre a glossolalia, contribuindo desta maneira para a melhor compreenso da segunda parte.
O contexto maior trata dos dons do Esprito na comunidad e
(cap .12) e da necessidade de ordem no culto em funo da edificao
da comunidade inteira (cap.14). com o sub-tema apresentado em nossa
percope : o dom da profecia superior ao de falar em lnguas . No centro deste contexto encontra-se o cap.13: o dom supremo o amor. Sem
ele todos os demais carismas e funes na comunidade , seja o dom de
"falar em lnguas" ou o dom da profecia, nada va lem e um dia desaparecero {13 .1). O amor o critrio ltimo para tudo o que acontece na
comunidade, inclusive no centro de sua vida comunitria, no cu lto, que
em Corinto, alis, era extraordinariamente vivo e variado.

A percope e seu contexto

A percope prevista para o 2 Domingo aps Trindade comoe


se de dois trech os descontnuos, escolhidos do cap .14 , que tem p~r te
ma geral o culto. mais espec ificamente, a profec ia e a glossolalia (" falar em lnguas"). A part ir desta temtica com um. a delimitao da pericope exeget icamente justificvel, sem que com esta escolha seja dispensvel reco rrer oportunamente ao texto restante do captulo. Os
vv .20-25 formam um conjun to harmonioso que objetiva mostrar o efeito
diverso dos dois dons mencionados sobre os ouvintes visitantes incrdulos e indoutos. Os primeiros trs versculos do cap.14 so col~cados

Vv.1-3: A exortao inicial, " segui o amor", no apenas uma


frase de ligao entre os caps . 13 e 14. O apstolo estabelece logo de
sada uma certa ordem de valores : a) O amor medida e padro para
avaliar todos os dons espirituais . b) Entre estes , a profecia superior
ao dom das lnguas . c) No culto tudo deve servir edificao da comunidade toda .
O "falar em outras lnguas", a glossolalia , consiste no fala r incompreensvel do crente extasiado, 'em esprito'', com Deus, sem , entretanto, trazer proveito para os outros participant es, particularmen te
" os de fora" do culto da comunidade . Isto, porque ele fala coisas "misteriosas" que ningum entende sem interpretao e que s servem para a edificao " de si mesmo ". Paulo mostra-se, como vemos . muito
crt ico contra a glossolalia, porm , no a probe (v.39); mas ele, que
tambm possui o dom de lnguas (v. 8), s v sentido em seu uso quan- \
do algum capaz de interpretar os son s desconexos pronunciados.
l\Jo incio desta sua carta aos cor ntios, o apstolo atesta comunidade que nela no havia falta de "nenhum dom de graa " {1.7); pelo contrrio, espiritualmente mui to rica, nela os mltiplos dons chegaram a transbordai desordenadamente, obrigando o apstolo a intervir
com firmeza e prudncia para restabelecer a ordem . A riqueza de carismas no deve degenerar em ana rquia e desordem, nem tampouco favor ecer a autoprojeo do indivduo, em det rimento da comunidade inteira. Os diversos dons 1e servios existem em funo dos outros e da
edi ficao de tod a a comunidade, e no para a "edificao" religiosa
do membro individual. Todos so chamados mesma f e agraciados
pelo mesmo Esprito. Cada qual, porm, deve colocar o seu dom especfico, por mais modesto ou espetacular que seja, a servio de toda a

, 61

160

congregao, frutificando e fortalecendo o testemunho, a misso e o


servio dela no mundo. Por isso a profecia tem a prioridade sobre a
glossolalia , pois se dirige em linguagem compreensvel a todos os presentes no culto, " edificando, exortando e consolando '" (v.3) .
Vv. 20-24: Dando assim preferncia ao dom proftico. sem desprnzar qualquer outro, desde que exercido em funo da edificao da
comunidade , Paulo repreende a atitude infantil (PAIDIA) dos corntios
Para estes , a glossalalia era sinal evidente de sua espiritualidade superior; costumavam chamar-se de PNEUMATIKOI, e sentiram-se arrebatados . j agora pelas foras "pneumticas" para o mundo do alm. O
apstolo chama esses fanticos, extasiados e fascinados pe!o encanto
arrebatador da glossolalia, razo, a tornar juzo, sobriedade. Diante
deste infantilismo em questo de f, Paulo apela ao juzo como prprio de homens amadurecidos e adultos na f. Esplrito Santo e razo ,
Esprito Santo e juzo no se excluem \ mutuamente. Entretanto, no a
razo como tal a norma a que tudo o mais deve ser sujeito, mas a razo renovada pela palavra e a servio da palavra. Paulo no pretende
apagar o Esprito e reduzir todas as ma11ifestaes da vida comunitria
e cultuai a um intelectualismo racional. Se apela ao juzo e inteligibilidade porque tenciona que todos, tambm o incrdulo e e
"forasteiro", possam entender a palavra anunciada , a "profecia", no
culto . O objetivo do anncio proftico no , popriamente dito, a convico terica da exatido de uma doutrina (ortodoxia), mas que o ouvinte, diante desta palavra, sua verdade e realidade, seja manifesto e
descoberto r.o mais ntimo de seu corao . Somente assim se realiza a
edificao da comunidade e, por causa dela, o anncio que atinge o ouvinte existencialmente to importante. 19orque s onde a palavra de
Deus pregada de maneira compreensvel, os ouvintes todos entendero . juntamente com a palavra divina, a si mesmos e a sua situao humana perante Deus. (A prova escriturstica - v.21 - no coaduna
bem com o que Paulo quer dizer. Em Is 28. 11 ss Deus falar em outras
lnguas " para endurecer o corao do povo de Israel ; aqui o problema
que os incrdulos no podem entender o falar em outras lnguas.
Tambm o silogismo seguinte - v.22 - um exagero retrico que
no deve ser pressionado em seu sentido literal mas que, dentro do
contexto, que dizer: f e profecia pertencem juntas.) '
Nos vv . 23-25 o apstolo tem em vista a situao da comunidade reunida em culto: se entrarem indoutos e incrdulos e encontrarem
todos falando em outras lnguas. vo julgar que esto loucos . O "indouto " (IDI TESJ um "que vem de fora", um estranho ou marginal. Ele
deve julgar se a palavra pregada clara e compreensvel ou apenas urn
falar ao ar'' (v .9). Isto vlido tambm para a orao! O verdadeiro falar no cJlto. portanto, no to-s um conversar com Deus para edifi -

car-se a si mesmo (v4) , mas um se;vio mtuo . e por isso [Link] a lin'.:l~a~em compreensvel. A insi stncia de Paulo na compreens1bil1dade
da p'oja :av ra (orofec ia) - que no pA rmi te ao orador o direito de enderecar sua mensagem exc!usivame nte queles que esto conformes com
ele na mesma expe rinci a espiritual e nos mesmos conhecimentos de
doutrina - clemonstra sua preocupao e se u interesse peios outros
que ainda esto margem (IDITAI) ou alm (APISTO!) da comunidade
(v.23). Tambm eles devem entender e ser convencidos , para se tornar
maniiesto o esconderijo secreto do seu corao e para, detectados e
argdos pela verdade incontestvel .do Evangelho, serem levados a
confessar: Deu s est realmente entre vs!
Esta a funo e o objetivo primordial da profecia bblica. Ao
ouvir a pal avra " roleta " ou "profeiizar " , a maioria , hoje, pensa logo
numa pessoa que prediz o futuro . num vidente que adivinha as coisas
do porvir. Mas o profeta bblico chamado para ser mensagei ro, arauto e boca de Deus, enviado para anunciar ao povo, dentro de suas circunstncias hist ricas concretas a oalavra e vontade de Deus , a
ameaa do seu juzo bem como a. ofe,rta de salvao. chamando seu
povo de voita do caminho errado para seu legtimo Senhor e Criador
Tambm no Novo Testamento o testemunho proftico procura atingir o
ouvinte em sua conscincia e expor lu z da verdade e da presena de
Deus as profundezas de sua existncia humana. Porque , segundo Hb
4. 12, " a palavra de Deus viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, penet ra ... e apta para discernir os pensamentos e propsitos do cora o. E disto que se trata tambm em
nosso texto quando o apstolo d to elevada importncia profecia
para a edificao da comunidade .

III -

Meditao

A situao da comunidade de Corinto , no tempo do apstolo,


no a das nossas comunidades de hoje e aqui. Em comparao com
os nossos cultos hab1tuais. que tradicionalmente obedecem ao esqu~
ma litrgico " oficial " e no quaf costuma falar uma pessoa s, as reunies de culto da comunidade de Corinto eram extremamente vivas ,
caracterizadas por uma participao espontnea e vibrante de todos
os membros . Em face da riqueza de vida carismtica destas primeiras
comunidades, os nossos cultos realmente parecem pobres e montonos. Quem no desejaria que o Esprito Santo, qual " um vento impetuoso'", avivasse a vida comunitria e despertasse entre ns seus dons
de graa? Quem no almejaria a renovao e atualizao do nosso culto e sua liturgia e uma participao mais intensiva e responsvel dos
leigos? Por outro lado , o nosso texto nos adverte sobre fenmenos espirituais ambguos , como o falar em outras lnguas . hoje mais freqente

162

163

entre congregaes de crentes o u grupos carismticos do qu e na


IECLB.
Diante da exploso "pneumtica " em Corinto . que levou a incidentes tumulturios e desordenados no culto, Paulo estabelece um a
norma fundamental a que tudo deve servir : a edificao da comunida-

de .
A palavra "edificao". em nossa linguagem eclesistica trad icional . foi deformada e pivada do seu sentido original . Para Paulo. este
termo no visa a edificao pessoal e subjetiva do indivduo. como foi
mal-entendido em certos crculos pietistas . O apstolo iala de maneira
irnica e crtica deste tipo de " edificao de si mesmo (14.4 : cf. 8 .1 O)
e reconhece como verdadeira s a edificao da comunidade inte ira.
para ela ser templo de Deus . a cidade no monte, " const ruda para
participar da misso de Cristo no mundo .

Se a glossolalia no constitui um problema para ns, no obstante h uma espcie de "falar em outras lnguas ' tambm em nossa
Igreja, ou seja , um "linguajar de Cana" , estranho e incompreensve l
para a pessoa " de fora " , no iniciada na terminologia teolgicoeclesistica usada na liturgia e na prdica. falta de amor ao prximo
e desobedincia ao Senhor que mandou pregar o Evangelho a toda a
criatura. se no culto visado s o "homem homiltico ", o piedoso e
crente . com uma linguagem religiosa "edificante" mas descarnada da
realidade do dia a dia, em que vive o nosso povo .
No ser este um dos motivos por que muitos que vivem fora do
recinto sagrado , que falam uma linguagem diferente e tm problema s
no abordados no culto, no se sentem atingidos pela palavra e deixam
de freqentar a igreja e de ser integrados na comunho e na misso da
comunidade? (Operrios. jovens , marginalizados . pessoas de outro ambiente cu ltural.) Tambm en tre ns existe o perigo de as comunidades
se torn arem crculos fechados , com uma linguagem litrgica solene
mas pouca pregao proftica que anuncia a boa nova de salvao ~
denuncia egosmo e injustias, sem temer as conseqncias . Com isto
no nos esquecemos dos nossos limites: o que palavras humanas. por
mai s claras e compreensveis que sejam . no conseguem , o Esprito
Santo rea liza por um testemunho " encarnado" no contexto concreto
" edific ando , exortando e consolando ' ' os ouvintes e equipando assim~
comunidade para a sua misso no mundo em que ela vive .
Pode-se dizer isto dos nossos cultos e de nossas prdicas?

IV -

Sugestes para a prdica

A prdica poderia tomar por ponto de partida um caso ou problema concreto da vida da comunidade ou a pergunta por que muitos

no vm (mais) ao culto. Ou pode r-se-ia compar a r o nosso culto trad icional com o culto de outras c om unidades e igrejas . No centro . porm .
deve estar o testemunho profti c o do Evangelho d e Jesus Cristo . a ed ificao de sua comunidade no c ulto e sua pa rticipao na misso d e
Deus em nosso povo. O culto, c ent ro da vida comunitria , tem por objetivo. atravs de uma linguagem compreensvel e adaptada ao nvel dos
ouv intes . equipar a comunidade inteira para esta misso. No culto. portanto . no deve prevalecer a "edificao " subjetiva e individualista . como aconteceu na comunidade de Corinto. mas sim , o anncio proftico
do Evangelho relacionado com os problemas e desafios do nosso povo .
recomendvel que o culto seja preparado por um grupo d e
gente " l de fora ", juntamente com o pastor, para " profetizar ", ist o .
anunciar o Evangelho da presena atuante e salvfica de Deus e m Jesus Cristo e denunciar. luz de sua verdade e por amor aos irmo s
oprimidos . o egosmo explorador e um sistema de injustias e viol ncias que desumano e antievang l ico. Isto sempre envo lve o risco de
"machucar " sentimentos , costumes e- ritos sagrados . o risco de me xer
com as conscincias e manifestar os segredos do corao . cert amente mais fcil e menos incmodo falar uma linguagem " angelical " e
transformar a palavra de Deus, " mais cortante do que uma espada de
dois gumes ". em gua aucarada ou blsamo celestial para as almas .
do que dizer a " profecia " , a clara pregao do Evangelho do Cruficado
e Ressurreto . aplicada situao do homem de hoje e do povo. S esta
pode realmente edificar a comunidade e convencer os " de fora . os incrdulos.
O nosso texto nos faz perguntar at que ponto ns. em nossa s
comunidade s e em nossa vida, obscurecemos o Evangelho : por nossa
lin guagem. por formas litrgicas e tradies eclesisticas ou por es ti ios de vida religio sa introvertida . A igreja proftica deve tornar clar a a
i,.ua solidariedade com os "l de fora ", e trazer presena de De us e
pa ra den t ro de sua vivncia comunitria todas as alegrias e tri stezas .
os anseios. as reivindicaes justas e as esperanas do nosso povo .
A respeito da questo de indigenizao, isto , acomoda o e
Gxp resso do Evangelho em termos da cultura local , J.G .Davies , no liv cc " Culto e Misso", escreve sobre o nosso te xto: "Assim esse s ver scuios no s levantam a questo da inteligibilidade , mas tambm d irigem a ateno ao possvel papel a ser desempenhado por quem est
do lado de fora na crtica s formas de culto existentes e na criao d e
novas formas . Se culto e misso esto ligados e se a 'pessoa de fora
um dos que devem julgar se o culto inteligvel ou no , ento os encar eg ados da reviso litrgica devem pedir a 'pessoas de fora que c riti q uem todos os elementos do culto . Pode ser que a ' pessoa de fora fa le

164

pelos muitos cristos que no compreendem e no tm a coragem de


confessar sua falta de compreenso. Certamente cr iadores secuiarede liturgias podero ajudar a igreja a descobrir formas e expresse~
re levantes. que ela pode nunca produzir se sua reviso litrgica a atividade de. um grupo das 'pessoas de dentro '. Uma igreja para os outros
deve procurm _a 'pessoa _de fora em seu trabalho de elaborar forma s
de cu!to s1gn1f1cat1vas hoie em dia ...

4 DOMINGO APS TRINDADE


Pedro

VI -

1 . Confisso dos pecados: Senhor. r. osso Deus. tua pa121 vra es ta en


nossa frente qua! espelho. e ~e l a conhecemos toda a verdade a nosso respeit o

Descobrimos a nossa s1tuaao re al: somos egoistas e acomocJados . Em vez de


part1c1pa rmos at ivamente na ed1f1cao e na misso da comunidade no mundo.
procuramos ate no culto a nossa propria satis fao re ligiosa. Em vez de servi rmos com nosso testemunt-.o e amor aos que est2o "l fora ficamos ind1erentes e SC' qu~remos ser be_m servidos e atendidos. Mas descobrimos em tua palavra tambern o teu perdao e teu amor. Por isso. pedimos coilfiantemente em

nome de Jesus : tem piedade de ns . Sent1or .


.
2. Orao de coleta: Muito obrigado. Senhor. que estas presente entre
nos. nesie cuHo. nos falas e nos esc_u_tas. embora no o tenhamos me recido. Desperta entre nos os dons do teu Esp1r1to Sanio . oara que toda a comunidad e se ja
edifi cada e preparada para o testemunho claro do teu Eva ng elho e possa transm1t1r o teu amor a toaos os homens. Da-nos o Esprito dos apstolos e profetas
para podermos denunciar o pecado e a injustia e anunciar. em amor. a liberdade . a justia e a paz. Amm .
3. Sugesto para a orao final : Aps uma breve introduo. coligir supl icas e preces de intercesso espontneas dos membros. que expressam
preocupaes. anseios e esperanas relacionadas com a situao e a misso
da comunidade em seu contexto e sua vivncia de dia a dia .

VII -

3.8-15a(15b - 17)

Subsdios litrgicos

Bibliografia

BEARE,F.W. Speaking in Tangues. ln : Journal of Biblical Literature. Caderno 83. 1964. - DAVIES.J G. Culto e Misso. So Leopoldo
1967. - KLE INKNECHT. H. PN EUMA. ln: KITIEL.G. e FR IEDR ICH.G :
ed . Th eologisches Worterbuch zum Neuen Testament. Vo l.6. Stuttgart , 1959. - LI BANIO,J.B Re flexes teolgicas sobre a salvao ln .
Sntese. N1. Vol. 1. So Pau lo. 1974. - PEI SKER,C .H. I SCHM IDT.L
Meditao sobre 1 Cor ntios 14. 1-3 ,20-25 . ln: Homiletische Monatsh efte, Ano 52 . Caderno 9. Vol.7 . Gttingen . 1977.

cf. 5 DOMINGO APS TRINDADE


Ped r o

8 - 1 7

Rolf Dbbers

(v. Vo l. V. pp. 156-1 63)

5 DOMINGO APS TRINDADE


Gnesis

12

1 - 4a

Ulrico Meyer

I -

Pren1bulo: o texto em confronto com a realidade

A ordem de De us a Abro clara: 'Sa i da tua terra ... e va i 1 E


Abro partiu sem questionar ou pr em dvida a vontade de Deu s. A Bb!ia pa rece. assim. apoiar o que hoje constitui um prob lema no Brasi l a
migrao . A migrao no Brasil chegou a um tal ponto crtico e des umanizante que podemos at denomin -la de caos ou desast re soc ial. E.
de forma alg um a. eia pode ser v ista como uma bno ou vontade de
Deus . Os que saem hoje de sua terra, do convvio de seus amigos e da
intimidacle de seu torro , no saem pm ordem divina. nem por liv re e espontnea von tade. Eles saem . na maioria das vezes. por ordem de um
sisierna econmico e poltico que visa apenas o bem-estar de a!gun s
poucos p< iv ilegiados. A ordem deste sistema : Sai da tua terra (po rq ue
aqui tu s um estorvo para os grandes produtores) e vai para a cidade e
s tu uma bno para as grandes ind stria s . que precisam de mo-deobra barata! Ou: Vai de granja em granja, de municpio em municpio ,
de estado em estado e s tu um bia-tria ! Em cada lugar onde chegares , precisa-se de teu suor. de teu brao, de teu sangue ... Aperta o cin-

166

to e vai. O sistema precisa se manter. Ou ainda : Vai para as zonas da


mata. onde as terras ainda so adquirveis . O sistema as oferece e s
tu uma bno para a Nao que precisa colonizar. colonizar. col~ni
zar ... Vai e derruba as matas. termina com tudo que nelas ex ist e. empurra o ndio e o posseiro adiante , porque eles no servem para o sistema . Va i e s tu uni dos nossos . Ainda temos alguns ttulos no clube .

167
1

II -

Segu ndo o documento da Comisso Pastoral da Terra do Paran , " Sem terra e sem rumo " , as causas da migrao no Brasil so mu itas. porm. o respon savel ltimo por este problema o modelo econmico dominante no Brasil. "No sistema econmico que domina o Brasil, o poder econmico esta concentrado nas mos de poucos " (p4)
Isso esta claro. mesmo para os cegos , e tambm para aqueles que no
querem enxergar.

Constatamos. assim . que o homem no mais guiado por Deus.


O homem nem mai s ouve o seu chamado . O homem atual guiado e
chamado , isto sim, por um modelo scio-econmico e poltico que beneficia uma pequena minoria. Um sistema que no quer seu bem . mas
uni camente seu sacrifCio. Um sistema que manda migrar , porque a migrao o beneficia de cert a forma . Um sistema que arranca o homem
de sua terra. de sua autonomia e o transfo rma, sutilmente , em escravo.
E muitos so escravos sem , ao menos, se dar conta disso. Como esse
homem poder ouvi r e responder ao chamado de Deus? Um homem
desses pode " partir" como nosso amigo Abro? Est ele livre para agir
e cumprir a vontade de Deus?
Como proclamar libertao com base neste te xto, se Deus nele
ordena migrar? No seria uma boa oportunidade para ficar ao lado do
sistema atual , que tambm ordena migrar? No seria uma boa oportu-

Crtica literria

Em Gn 11 .28 - aps uma pequena interrupo que acontece


nos vv.10-27 , com a gen eal ogi a de Sem , que do Esc rit o Sacerdotal continua a narrao do Javista . 11 .28-32 se rve d e introduo aos aconteci mentos narrados a seguir. Se rvem tambm est es ve rsculos para li ga r a genealogia de Sem narr ao do Javi sta.

Em resumo. o que acontece o seguinte : Os poucos qu e possuem o poder econmico tendem a subir sempre mais e, gradativamente , vo arrematando todos os meios de produo. E, hoje , seu alvo
pr incipal so as terras que se tornaram uma aplicao inteligente . Os
pobres precisam sa ir para se tornarem seus empregados ou para enriquecerem tambm. Pois o poder econmico como uma bola de neve
que aumenta na medida e proporo em que vai rolando .

.
Neste sistema ha s estas duas alternativas : rico ou pobre . No
ha coluna do meio. A classe mdia , considerada como o equilbrio de
uma sociedade humana , tende a desaparecer . De preferncia , para
ba ixo. Pois , para o siste ma capitalista. quanto mai s pobres houver , melhor. O sistema precisa do pobre para se manter , poi s no o sistema que est a para o bem do homem , mas o homem est a para o bem
do sistema. Neste sentido esto corretssimas as palavras de um agricultor abastado que disse : "O pobre preci sa existir . Se no exist isse o
pobre. quem traba lharia para mim?"

nidade para fa zer uma prdica " bonit a " par a o comercian te. o [Link] riali sta. o mdico , o advogado , o eng enheiro. en fim. p ara os ricos que .
aos poucos . vo comprando todas as terras e mandam o pobre migrar?
No ser ia uma boa oportunidad e para dizer que tudo est ce rto e que a
migrao d a vontade de Deu s. pois a Bblia diz isso em nos so te xto?

'

O nos so texto, 12. 1-4a, , portanto , de procedncia javstica como o prprio nome de Deus , Jav , o prova . Outrossim . a est ria de
Abro contada essencialmente pelo javista. Esta est ria tem um va lor
especial na sua obra . O horizonte na rrativo . que na proto-histria (caps.
1-11) engloba as populaes em geral . estreitado pa ra um povo especfico: Israel. Iniciam aqui as tradi es especficas do povo de Israel , o
povo escolhido por Deus para a sua reve lao salvf ica . Inicia aqui a
histria de Israel , propriamente dita . Aqui um povo escolhido para a
reve lao de Jav .
Com a mudana do horizonte histrico , tambm muda a represe ntao de Deu s. Na proto-histria , Deu s visto , antes d e tudo, como
aquel e que pe ordem no mundo. Aps a criao, Deus fez uma proibio (2.16-17). A parti r da , ele aparece como o vigia das aes humanas e s intervm como reao a ta is aes (Deus castigador). Em
12 .1-4a , ao contrrio , a atit ude d e Jav no m ais de rea o s aes
humanas. ma s de ao. Jav apresentado aqui como o gu ia e o prot etor de Abro. D a Ab ro a ordem de deixar sua terra , seu lar . e de ir para uma terra qu e ele lhe mostraria. Jav no d iz ond e fica esta terra .
Apenas diz que vai mostr-la. E isso deve bastar a Abro . Tal atitude
promet~ ao em favor de Abro e no reao a um a atitude de
Abro. E o ponto ini c ial da ao salvadora de Deus . Deu s se revela corn o salvador . Jav no um Deu s que se retrai e fica sentado em seu
trono. apontando. apenas , para o pecado humano. Ele caminha ao lado
do fiomem e auxlio na vida concreta . Acredito que o Javista quer
m ost rar no um Jav que s cast iga o mundo, mas , mais, um Jav
amor . Um Jav que se preocupa com o homem e o acompanha na sua
histria. Ele , em ltima anlise, faz a histria . Jav sujeito; o homem .
instrumento e objeto de sua ao .
Nos so trecho de autoria do prprio Javista e serve de introduo s histrias de Abro . Acontece que no encontramos , neste te xto .

168

169
indicaes para tradies mais antigas . O acento do te xto no est na
promisso de terra, nem na promisso de uma numerosa descendncia, mas em Israel ter sido escolhido para ser uma bno . Por isso , tudo in dica que o Javista viveu no tempo de Salomo. quando o povo j
se encontrava em Cana. a terra prometida . O Javista escreveu sua
obra na poca em que a p romisso da terrn j havia sido cu mp rida. Essa promisso no ti nha ma is import ncia atual e aparece , no texto ,
apenas como uma rem iniscncia histrica. O Ja vista, oortanto. coloca
o acento na bno que o povo de Israel deve r ser. Em Abro Deu s
escolheu o povo de Israel como instrumento de sua bno. O objeto
dessa bno so todos os povos . A histria salvfica de Jav ser
mostrada na histria do povo de Israel.

III -

Anlise de detalhes

. V.1: Provavelmente Abro vivia tranqilo na terra de Har , para


onde viera , com seu pai, de Ur dos Caldeus . Sua vontade , talvez, era de
permanecer ali. entre amigos , na sua tribo. Certamente no pretend ia
dei xar sua tribo e sua propriedade . A vontade de Jav , porm , era outra. Sua vontade era de que sasse e partisse para uma terra distante
que ele , Jav, lhe mostraria. Agora , com a ordem de Deus , "sai da tua
ter ra e va~". Abro teria que cortar todas as ligaes antigas que o
prendiam a sua terra e sua tribo. Teria que abandonar o que ele ceriamente amava, porque esta era a ordem de Jav . Trata-se de um ato de
escolha que Jav faz . Ele escolhe um dentre suas criaturas oara uma
determinada tarefa. O porqu da escolha de Abro no aoare~e no texto. Jav simplesmente quer Abro. Jav se reserva o dir~ito de interferir na vida de Abro e muda o seu destino.
Si gr. ificativo tambm o fato de que Jav no diz onde fica esta
tera para a qu;:;J [Link] teria que se dirigi: . Somente Jav sabe a Jocn.! i
za3o desta terra e ele mesmo se encarreg3 de mostr-la a Abr5o. Isso
deve significar que doravante Jav o gu ia e que o rumo da vida de
Abro depender unicamente de!e. A oartir deste momento, Jav vai
agir n.:i vida~ histria do Abro e. con;;eql1entern8nte. do povo que dele
se const1 tu1 ra .
Vv. 2-3: O plano de Deus para com /\bro praric:lm ente inconce ~i vel , pelo menos no que diz respeito pmessa : "de ti farei uma
grande nao'. Abro no tinha fi lhos, pois sua mulher Sarai era estr ii
(1 i 30). Em vista disso, como Jav far de /'.\bro uma grande nao?
Aos nossos olhos, a escolha de Jav nao muito eliz. Ele esco!he um
homem que aparentemente o menos indicado para o cumprimento de
seus planos . Mas o que muda toda a viso a promessa seguinte: "e te
aben oarei ' . A bno de Jav a palavra chave . S a bno de Jav
far de Abro uma grande nao . S por causa dela o seu nome ser

engrandecido e ele poder ser uma bno . Jav o abenoa para que
ele seja uma bno .
" S tu uma bno " a continuao da ordem de Jav "sai da
tua terra e vai". do v .1. A ordem pode ser traduzida da seguinte forma:
"sai da tua terra .. . para ser uma bno a todos os povos ". A bn o
de Jav significa que Abro no ficar sozinho em sua misso . Jav o
acompanhar. O cumprimento da misso depender de Jav e da disposio de Abro para ser seu instrumento. Jav quem age . Abro
instrumento da ao de Jav. Atravs de Abro , um homem qualquer,
Jav vai abenoar todas as famlia s da terra. Para isso Abro ter que
sair de sua terra, e livrar-se de tudo o que o prende sua tribo e sua
gente. Talvez ter que abandonar tambm o bem-estar pessoal , o calor
humano de amigos , para ir ao desconhecido , a uma terra que Jav lhe
mostraria .
Para o Antigo Testamento, Jav o portador e doador de toda
bno. E este bno poder ser transmitida atravs de pessoas , em
forma de petio a Jav (49.25). Jav abenoa pessoas atravs de pessoas que carregam consigo a sua bno. Por isso, Jav abenoa
Abro para que ele possa ser uma bno aos outros . Esta bno , para o Antigo Testamento, irreversvel. Uma pessoa abenoada recebe
todo o bem e toda a graa de Jav durante toda a sua vida e tem dentro
de si a fora da bno. No caso de Abro, ele s poder cumprir a ordem de Deus porque foi abenoado para isso e porque Jav o acompanhar em todas as situaes. No fosse assim , como ele acharia ocaminho para a terra prometida , cuja localizao ignora? Como dele poderia se constituir uma grande nao e como seu nome poderia ser engrandecido, se no tinha filhos e sua mulher e ra estril? Sem filhos , sua
his tria terminaria com sua mort e e seu nome seria esquecido . Tudo .
pois , depender da bno de Jav e da disposio de Abro pa ra ser
instrumento e objeto desta bno.
V.4: A re sposta de Abro ordem de Jav no acontece em palavras . Abro fica calado, no diz nada. A sua resposta acontece em
ao : " Partiu , pois, Abro , como lhe ordenara o Senhor ." Esta sua
resposta. o seu sim ordem de seu Senhor. No duvida, no questiona (motivo ele teria para tanto). Simpl esmente vai. Vai , porque esta a
ordem de seu Senhor . Apesar de sua fraq ueza, ele no duvida. Esta at itude de Abro expressa sua f e sua confiana em Jav. El e capaz de
abandona r tudo para cumprir a vontade de seu Senhor.

IV -

Meditao

Desde Abro . muito tempo se passou e uma longa e emaranhada h1stor12 se desenrolou at os nossos dias . Aps Abro . vieram ou-

170

171

iros homens que tambm serviram de ins1rumentos de Deus, e assim


se fez sentir a sua mo atravs da histria . Vieram os juzes , os profetas. E a histria da salvao, que inicia com Abro . culmina em Jesus
Cristo. em quem Deus mostrou sua graa. sua bno . de maneira extraordinria .

i8 es1.:: C';Seada a nossa segu ra na e garan ti do o nosso fu turo . E precisamos gannar mais .
e) Bem-estar - Este nos prende mu ito . Se ns samos . o nosso
bem-estar e conforto ficam ameaados .

Aps Jesus Cristo, mais um longo tempo se passou . Mais uma


longa histria se desenrolou . Ho1e estamos no Brasil. Estamos em nossas comunidades. tentando pregar sobre um 1ex1o to an1igo e to dista:1 ie de nossa realidade, ma s cuja mensagem atual e libertadora

ma e so possvel um deus moldado para dentro de ste sistema . um

) Sistema social -

deus que se adapta a ele. Se a: gum tem um deus diferente, o Deu s de


Jesus Cristo , taxado de comunista ou f-lerturbado r da ordem e cr uc 1f1cado . Da o medo nos impede de sermos rea lmente cristos. A pe rgun1a : At que ponto. ns , pasto res. estamos presos a este sistema e
nem sentimos mais o chamado de Deus? Estamos ns pregando o
Deus de Abro (de Jesu s Cristo), o Deus libertador, ou pregamos um
deus di storcido e moldado conforme o sistema o exi ge?

Abro estava preso sua terra e sua 1ribo. Deus . porm . o


chama e o manda sair. para ser uma bno a !odas as famlias da terra. Deus tinha uma misso para Abro . no ali onde ele se en co ntrava
mas em ou tros pagos. Deus mesmo vai lhe mostrar para onde ir . D eu~
vai ser o seu guia e protetor.

g) Comunidades - Mu itas de nossas comunidades so trad 1c :onais e poucas tm uma viso para fora , para o mundo . A com unidade tem muita preoc upao consigo mesma , O presbitrio se rene ordinriamente , mas s se discute problemas prprios . So ques1es de
dinheiro e administrao. Os problemas do mundo no interessam . E.
em certos casos , o pas1or at expulso da comunidad e quando decide
engajar-se social e politicamente para o bem do oprimido . Exemplos
destes existem em nossa Igreja . Temos ns coragem para sair?

.
[Link] . cristos, cabem duas pergun1as: 1. o que nos prende ho1e e nos impede de agirmos como cristos?, e 2. para onde Deus nos
quer enviar?
.
.Ouan1o primeira pergun1a, no difcil encontrar respostas no
dia a dia da v1aa. Muitas coisas nos prendem e nos impedem de cumprir a vonta de de .Deus, que ele claramen1e revelou em Jesus Cristo e
que. em resumo . e o mandamento do amor. Enumeremos alguns exemplos :

Para onde Deus quer enviar-nos? Hoje , a ordem de Deus no


:nis . literalmente, sair de sua terra e ir a uma outra !erra . Mas sa ir
de casa. do indi vidualismo . do egosmo, do trabalho escravizante. da
televiso , do d in heiO, do sistema capita lis1a desumano , do tradic ionali smo das comunidades , etc ., e ir s pessoa s que sofrem pa ra , ali . se lhes uma bno. A ordem de Deus o amor que ele revelou em Jesus
Snsto. Deus nos chama para um engajamento socia l e poltico pa ra o
oem do homem oprimido . Deus quer-nos como seus instrumentos pa ra
2 :i b'3rtao do homem , das garras de um sistema que no est mais 2
seu servi o. mas que o usa como escravo . O cris1o. mesmo em su:.:
fraq ueza. tem dentro de si a fora libertadora de Deus . A ao sal vfica
.Je Deus. iniciada em Abro e completada em Jesus Cristo . est em
rioss as mas . Deus nos abenoa para sermos uma bno a todos os
o:::ivos oprimidos.

a) Individualismo ou egosmo - Preferimos calar para no nos


incomodarmos e para no nos prejudi ca rmos em nossa vidinha pa rtic ular e acon:od~da . .o .nosso mundo to pequeno que , muitas vezes . a
nossa fam1l1a e a un1ca preocupao da vida. Se ns e a nossa famlia
dane . Estamos presos ao nosso pequeno
estamos be.m. o resto que
mundo particular como se 1ossemos o centro do universo . Dificilm ente
remos uma vis o para fora , para o mundo que nos cerca . E so mui tocos que afirm am : '.' Se eu ~eio a Bblia em .cas~ . se fao minha s ora es~
se lenho minha te , se nao fao mal a n1nguem , estou cumprindo com
me u dever de cristo e no preciso ir ao culto."

;_e

b) Trabalho ou emprego - Quantas vezes se ouve de pe ssoa s


que dizem "' eu no tenho tempo " . O trabalho , apesar de necessrio e
bom . prende muita gente hoje em dia .
c) Televiso - A televiso, alm de nos prender em casa . dnos uma viso errada das coisa? e nos educa para o individualismo . Ela
nos bito la e adpta ao sistema do qual falamos no prembu!o
d) Dinheiro - Sair de casa implica gastar dinheiro e, ainda ,
perde r bons negcios . Alm disso, ser cristo implica viver uma vida
ma is h1,1mi lde e pobre , alm de no usar os bens s para si. mas para o
[Link] do prx imo. Ou1rossim, o dinheiro tornou-se um deus par ns . t>J.e-

Veja o prembulo . Quem manda o siste-

,.

V -

Subsdios lit:i;gicos
1.

Confisso de pecados: Senhor, Deus do amor e da ju stia. diante d P

!i es1arnos nus e envergonhados. Tu sabes muito bem o que se passa conosco

Se pudessemos. ns nos esconderamos de ti . como Ado e Eva o fizera m


:JJando reconhece ra111 o erro que cometeram , ao desobedece rem a tua orde rT'
s cofT'ere:-:-: do futo proibido . Senhor . hoje reconhecemos que muitas vezes de"~ c:t:euE"~ e11Js a tua vontade e pensamos seguir o nosso pr p~10 caminho ou 1r na

172
carona com o sistema. Gera lmente nos justificamos com desc ulpas infundadas
como estas : no tenho tempo . tenho minha familia para sustentar. tenho meu s
negcios que no podem esperar . tenho que . em pr imeiro lugar . garantir o meu
fu turo. o sistema no me deixa livre e o patro exige mu ito de mim . no posso
faltar ao emprego Perdoa-nos. Senhor . se nos omitimos frente as inju stias que
acontecem ao nosso redor e no ouvimos o te u chamado para o se rvi o em fa vor do necessi tado e oprimido . Da-nos tu foras para nos libertarmos de mesqu inharias do mundo , para darmos mais ateno ao teu grito de socorro naboca do mais fraco . Tem piedade de ns. Senhor 1
2. Orao de coleta : Graas te damos. Sen hor . porqu e agora queres
novamente fala r a ns e encontrar-te conosco por meio de tua palavra . Livranos de todos os pensamentos e tentaes que pretendem perturbar a pregao
do teu Evangelho . Da-nos a comp reenso certa a fim de que cheguemos a conhece r a tua vontade . e ajuda-nos a viver em conformidade com ela . Libert anos de tu do o que nos prende e nos amarra. impedindo-nos de ouvir e segui r o
teu chamado. Ajuda-nos a compreender que no existe descu lpa terrena para
justificar a desobedincia a tua vontade. Amm
3. Assuntos para intercesso na orao final : pe los injustiados do sis1ema de produ o e consumo que esta ai s para algun s: pelos pobres e famintos bias-frias que migram por ai sem rumo. a procura de trabalho : pel as milhares de pessoas que so obrigadas a abandonar as suas terras por cau sa de hidre ltricas que so construidas e por causa dos grandes produto res qu e as empurram para longe: pelas pessoa s que lutam desespe rad amente para sobreviver neste sistema injusto: pelos marginais. favelados e crianas abandonadas .
que nada mais so do que vitimas de uma sociedade injusta : por todos nos que
est amos cada vez em pior sit uao: pelo governo de nosso pais para que seus
responsaveis se transformem em pessoas conscientes. honestas e inco rrupt as.
pa ra o bem de todos: pe las mult inac iona is para que estejam ai , de fato. para o
bem do povo brasileiro : pela nossa Igreja para qu e seus membros sa iam da
acomodao e do tradic ionalismo barato e procur em preocupar-se tambm
com a realidade que os cerca: pelos pregadores. a fim de que se tornem confian tes e corajosos para denunc iarem si tuae s de injustias. e a fim de que vivam realmente o Evangelt10 de Jesus Cri sto e no sejam tragados pelo sistem a .
oelos perseguidos . injuriados. torturados e exilados por terem tentado viver como Cris to viveu .

VI -

Bibliografia

BE YER ,H.W. "EULOGE" . ln: KITTEL.G ed . Th eo logisches


W6rterbuch zum Ne11,en T est ament. Vai. 2. Stuttga rt . 1935. - COMISSJ...O PASTORAL DA TERR.A_ S em terra e sem rumo. Mal . Cndi do Rondon . 1979 - MICHEL.D . Jsraels Glaub e im Wand e l. Be rlin. 1968. VON RAD.G. Das erste Buch Mose. ln Das Alte T es tame nt D eu tsc h.
Vai 2/4. [Link]. Gttingen . 1967.

7 DOMINGO APS TRINDADE


Filipenses

2 . 1-4

Augusto E. Kunert

1-

Pequeno histrico

A partir de At 16.11-15, a comun idade dos filipenses a prim eira fundada em territrio europeu . A cidade ocupou uma localizao
geogrfica privilegiada. Situada beira da estrada geral do comrci ?
entre a Europa e o Oriente. participava do movimento comercial e pol1tico . do intercmbio cultural e da confrontao das religies existentes
entre a Grcia, Macednia , Itlia e diversos pases orientais . Seu nome
vem do Re i Fil ipe da Macednia , pai de Alexandre . o Grande . A cidade .
fundada por volta de 350 a.e .. foi logo elevada a capita l da Macedni a.
Na poca em que Paulo escreveu a Epstola aos Filipenses . a cidade j
no mais era a capital. A populao de Filipos era , em parte . de origem
orienta i Havia tambm um pequeno gueto judeu . Bom nmero de seus
habitantes eram veteranos de guerra do exrcito romano. O Impe rador
Augusto , denominando-a "Colnia Augusta Julia Philipensis ". fundou
em um de seus arrabaldes uma colnia militar romana . dotando-a dos
privilg ios do "direito romano " . Em sua poca Filipos foi considerada a
pequena " Roma Oriental " .
Ldi a. a vendedora de prpura , "uma moa de esprito
adivinho " (provavelmente uma proslita judia) , o carcereiro que se converte ra so membros da comunidade e nos do uma idia da di versidade exi stente em seu meio. (At 16.11-35)
Te xt os como At 20.6; Fp 2.19,24 ,25 do a en tender que Paulo
e out ros pregadores do Evangelho visitaram a cidade por mais de uma
vez .
de aceitao pacfica que Paulo escreveu esta carta como
prisio neiro. A controvrsia comea com a determinao da cidade em
que Paulo se encontrava preso ao escrever a ca rta. Nesse sentido
enumeram-se feso e Cesaria (At 23.23-25) , por e x~m plo, fixando-se ,
porm , a maioria em Roma (Fp 1.13). Determina-se, como poca em
que foi escrita , o perodo entre 55 e 58, quando, sob o governo do Imperador Nero (54-68), se lanou a perseguio e. assim , um verdadeiro

174

175

mar tr 10 soore a comun idade. O martrio da perseguio e a pris c

c:1c1apo s16 ,ica d a entender que Paulo est preocupado com a comu-

u~em comunidade e :aulo no sofrimento. A situao do apstolo era

~ 1aaa e. O perodo histrico e a poca em que a cart a foi supostamente


escr ita . dei xam entrever que as perseguies do Imperador Ne ro fizeram rica colheita e levaram o sof rimento, em forma de martrio, ao seio
da comunidade. O medo e a angstia se instalaram na comunidade a
ta 1 ponto que muitos membros ficaram confusos .
A comunidade o endereo da misericrdia de Deus . Todo pl ano de salvao. desde que o Verbo se fe z carne , at o enaltecimento de
Cristo como Re i e Senhor , acontece pe !a comunidade , para a comun idade . Como Cristo o centro da comunidade , esta o centro do amo r
de Deus . E Paulo insiste , aqui . que a comunidade compreenda e que no
sofrimento no esquea que a misericrdia de Deus est em ao em
seu favor. "O apstolo Paulo quer que a comunidade tenha bem presen te que Deus realmente amor e misericrdia." (Lohmeyer , p. 84)
V.2: O HINA TO AUTO FRONETE , Lutero o traduz com " und
seid eines Sinnes " . Lohmeyer acompanha o pensamento da traduo
de Lutero, quando diz " dass ihr gleichen Sinnes seid" (p. 80). Alm eida
mantm o mesmo sentido, " penseis a mesma cousa ", e a Bblia na Linguagem de Hoje o confirma com " tendo o mesmo modo de pensar " .
Barth v no HINA TO AUTO o motivo da reflexo , a razo do meditar , o
centro do pensamento a partir do qual vale a pena pensar e at vive r.
Em conseqncia dessa compreenso , Barth traduz "dass ihr auf das
Eine sinnt " (que vocs tenham em mente esta nica questo - p. 46) .
Entendendo 2.1-4 como continuao e aprofundamento das exortaes
que se iniciaram em 1.27, vejo no HINA TO AUTO a comp lementao
da alegria de Paulo . Sua alegria ser completa, " se pensarem a mesma cousa " e " tive re m o mesmo amor, un idos de alma , tendo o mesmo
sentimento. " Dai por que opto pela tradu o de Lutero/Almeida .
O v.2 comea com um pedido : se vocs fizerem isto e aquilo.
'minha alegria ser completa ".
A exortao de pensar da mesma maneira , assim entend e
Lohmeyer (p. 85) , parte da colocao em 1 .30 , onde Pau lo lembra a semelhana entre o seu combate e o da comunidade . No combate conjunto se expressa a participao , a causa comum, a co-responsabilidade. O assumi r em conjunto o combate vem "do pensar do mesmo modo '. ve m do ser " unidos de alma. no ter o mesmo senti mento " .

seria (1.20: 2.17). Esta por acontecer o desfecho do proces so. Cair a
deciso . esta ser de vida ou de morte? Contudo, o apstolo alimenta
esperana:" de libertao (2.24). Ainda assim, est preparado para sofrer o mart1rio e, mesmo que alimente o desejo de partir e de estar com
Cristo (1.23), reconhece e aceita que " mais necessrio permanecer
na carne " por causa dos irmos na comunidade (1 .25).
Diz Barth (p 1) sobre a Epstola: " Chama-se a epst ola. seguidamente. a mais pessoal das cartas paulina s."
. ~ela se sa~ientam: o amor, a humildade. a fidelidade , a alegria e
a obed1enc1a da fe na vida da comunidade .
Lohmeyer v como caracterstica da carta o sofrimento advindo
das perseguies. Nele reside, segundo Lohmeyer. o motivo que levou
Paulo a escre~er a carta . Muitos membros se desligaram da comunid ade. como em _epoca de _crise costuma acontecer. Alguns no agentaram as ~ressoes A ~a1oria da comunidade permaneceu fiel , coesa e
;es1st1u as persegu1oes. As perseguies, a luta , o sofrimento marcaram a comun~dade . N~ssa situao, opina Lohmeyer , a congregao
pede orientaao do apostolo Paulo (p . 4) e o apstolo , respondendo escreve a Epistola aos Filipenses .
'

II -

Consideraes exegticas

V.1: As exortaes no iniciam com 2.1. Elas tm incio em


1.27, "vivei, acima de tudo " . Em 2.1-4 temos a continuao das exortaces com algum desdobramento. Os conceitos da unio e da humildade merecem ateno especial na percope 2.1-4. Tais pensamentos
n o surgem de repente . J foram introduzidos com 1.27, "esta is firme s
em um s esprito " e " uma s alma ", lutando juntos pela f evanglica
Na percope 2.1-4 os mesmos conceitos recebem novo tratamento e
so aprofun dados , dada sua importncia na vida da comunidade. Vej o.
assim. que 2.1-4 o desdobramento, uma continuao do pen samen to
arrolaao em 1.27-30.
Para Lohmeye r - e ist o na sua opinio muito importante_ 0 v . 1
repet e. como acontece em 2 Co 13. 13, a frmula trinitria . o exegeta
salienta que em 2.1 Cristo tambm citado em prim ei ro lugar e que,
como geralmente ocorre na teologia paulina , o amor est ligado a
Deus . Poucas so as exce es , onde no ocorre as sim : Rm 8.35: :=- ~ 0
5.14 ; Ef319. (p.82)
Manifestar e receber a exortao possvel a part ir do "amor
de Cristo que nos constrange" (2 Co 5.14). Esse amor . assim interpreta
Barth , leva Paulo a escreve r aos filipen ses : "se tenho acesso a vocs
como apstolo, devem ouvir o que lhes tenho a dizer ." (p. 45) A exorta-

Combatendo o mesmo combate , ligados pela mesma maneira


de pensar, unidos em alma e sentimentos, faz com que nem Paulo na
priso em Roma nem os membros em Fi lipos , sofrendo perseg uio e
expos tos ao martrio , estejam ss. H a comunho entre os irmos . Vivendo " em Cri sto Jesus" - a est a chave para a compreenso do te xto - h com un ho, h propsito de unio . Em Cri sto Jesus vivemos na
comunho de irmos que pensam de man eira semelhante . so guiados
e ligados pelo mesmo amor e alimentam o mesmo sentimento.

177

17
V.3: Os termos ERITHEIA - KENODOXIA no pertencem ao vocar:iuiar10 com umente usado pelo apstolo Paulo. Lohmeyer con c1 ui dai
que. com eles. Paulo assinala uma situao especifica na comunidad e
de Fil ipos : que se trata de uma situao concreta. existe ncial . que atingiu a comunidade: que a unio. a comunho. o pensar do mesmo modo
estavam prejudicados por intrigas na comunidade : que a situao foi
criada por membros que se julgavam mais importantes . melhores , superiores aos demais , que "procuravam os prprios interesses" (p . 85).
Para Lohmeyer , o "partidarismo " tem a ver com conceitos teolgi c os .
com conduta tica , e no com desavenas internas, caracter izadas como briguinhas corriqueiras a partir de motivos de ordem material. Ente nde ele que tambm a "vanglria" pode se expressar na eloqnc ia
com que pensamentos teolgicos so apresentados e defendidos (p .
87) Barth complementa esse pensam ent o, quando afirma que ER lTHEIA dete rmina a conduta , a atitude da pessoa que "sempre quer ter
razo , que " quer saber tudo melhor do que os outros " (p. 49) .
Ao mesmo tempo, a KENODOXIA, traduzida por Alm ei da com
" van glria" e na Bblia na Linguagem de Hoje com "desejos tolos de
receber elogios" - Bauer (p. 711), " leere Ruhmsucht" - tem o sentido
de "ufania , vaidade , vangloriar-se ", referindo-se assim ao elemento
" papudo " oportunista . ao elemento que, mesmo sem base para tanto .
se da ares de m xima importncia .
Em contraposio a tal conduta refutvel est a vivncia em hum ildade , que considera os outros mais importantes. A humildade deve
ser o si nal que caracteriza a comunidade, o relacionamen to dos membros entre si e destes com as demais pessoas . O "estar em Cristo Jesus " quebra. venc e, acaba com a arrogncia, com o cerrar de cim a.
com o individualismo, com o egosmo e supera impertinncias pe ssoa is O " estar em Cristo Jesus" o estar em comunho com os irmos: da possvel " pensar do mesmo modo", ter "o mesmo sentimei-:to . o que se man ifesta no convvio das pessoas. A humildade
um dom de Deus. Aceitar a graa de Deus significa viver em humildade relacionar-se com as pessoas de maneira humilde .
A comuni dade o lugar onde a humildade se concretiza (ou
no) no convvi o do dia a dia dos membros . A vivncia em humildade
caracte riza-se pelo aceitar , receber , respeitar o outro . A reconhecida
superi oridade " do outro jamais poder caracterizar-se por uma qual ificao de quem se sabe melhor, de quem quer ser mai s do que os outros. mas unicamente pela prp ria humildade, ou seja , pelo reconhecimento de "que nada tenho e nada sou perante Deus " .
" Humildade por causa da hum ildade: o entregar-se por causa
do entregar-se vem a ser o sentido da atuao da f como conduta tica." (Lohmeyer, p. 88)

andar em humildade nada tem a ver com " estar por bai xo".
com "deixar-me pisar ". com calar a boca por medo, com sentir complexos de marginalizado ou de empurrado para escanteio. INada disso.
Na comp reenso evanglica . andar em humildaoe o sabe r-se libertado para a vivncia em humildade. a grandeza do viver amor. Vive r em
humildade possvel a partir do "estar em Cristo Jesus" .
V.4: o v. 4 desenvolve o pensamento de 3b: " a conduta em humildade" . O pensamento "no tenha cada um em vista o que propriamente seu. seno tambm cada qual o que dos outros " vi?vel a pari ir da humildade , ou melho r. um agir a partir da humildade E a atitude
de quem se sabe responsvel pelo outro, pelo que pertence ao outro:
o respeito para com a outra pessoa . valoriza r a outra pessoa. Paulo
ref uta clara ment e quem coloca no centro " os seus interesses " . TA
HEAUTN . A humildade no se d com quem age de maneira interesseira , aproveita e usa as pessoas. As pessoas que enxergam em tud_o
primeiramente os seus interesses, que pensam e agem a partir dos proprios interesses , concentram tudo sobre a prpria pessoa .
Os 'prprios interesses ' ' podem ter as mais diversas motivaes
e causas. O texto no as determina . Em tudo, porm , o mais difci l
descer do pedestal e enquadrar-se com os demais , ser igual aos outros. deixar de usar vantag ens que a posio oferece e viver , portanto .
em humildade. A briga por interesses , o firmar-s e no pedestal por causa de vantagens . de direitos, de tratamento privilegiado, resultam sempre em desentendimento , ferem a comunho . desintegram a u~io , afugentam a humildade . alimentam a arrogncia. O descer do proprio pedestal , assumindo humildade , abre caminhos , leva ao encontro de pe ssoas, traz o dilogo , possibilita a paz , fomenta a unio e fortalece a comunho . Ajuda a zelar pelo outro , aceitar o outro , estar com o outro ,
valorizar o outro. " Somente quando vejo o outro . eu vejo realmente as
pessoas. Ao refletir sobre pensamentos dos outros, consigo avaliar _os
meus prprios pensamentos. Ao dar liberdade , sou livre. Na obed rencia. ensaio o governar . O irmo sempre minha barreira. mas, ao mesmo tempo , ele a minha porta . No h caminho , que no leve ao
irmo ... (Barth . p. 53)

UI -

Meditao

A indicao da percope 2. 1-4 me surpreendeu . Nunca preguei


sobr e estes 4 versculos , isoladamente do hino cristolgico 2.5-11 . Enfim. estou com 35 anos de pastorado . Tambm na literatura minha
disposio, os vv . 1-4 sempre esto ligados ao hino cristolgico . Alguns
comentrios sugerem 2.(1-4) 5-11 . Considerei , inicialmente , que os vv .
1-4 seriam de menor ou de pouca importncia.

178
Weber . mesmo aceitando 2.1-4 como pericope , afirma claramente que uma separao de 2 .(1-4) 5-11 , em termos homilticos.
no defensvel. " (p. 294) Concordo . depois de muita reflexo sobr e o
texto. que podemos aproveitar 2. 1-4 como pericope para a prd ica.
Mas . assoc iando-me a Weber . no podemos isolar os quatro versculos
in ic iais do " estar em Cristo Jesus ". conforme o v.5 , que determinante para uma pregao evanglica . Caso contrr io, e ai est a dificuldade com toda pregao exortativa. corremos o risco de nos pe rd er
no lega lismo e no moralismo. Portanto , decisivo que a prdica par ta
do centro , do " estar em Cristo". Ento se r uma pregao evanglica
da graa. que se concretiza na vivncia da comunidade da f , como humildade, como prestao de servio, como conduta e posicion amento
ti cos fren te aos problemas , na vivncia em profisso , familia e sociedade.
Nesse conte xt o, Weber tem um pensamento importante : "O
apstolo Paulo entende a exi stncia crist somente em uma dire o . a
part ir de Cristo Jesus ." (p . 295) Isto significa para a nossa pericope , como mensagem evanglica, que a podemos assumir a partir do "estar
em Cristo ": que a vivncia em humildade e obedincia. ve ncendo o
part idarismo e a va ng lria . somente nos possvel na f em Jesus Cristo. Ele o centro orientador para a compreenso do te xto e sua atual izao em nosso contexto , como de res to para a nossa vida .
Cristo o humilde , o obediente, o servo que se esvaziou em
nosso favor. Ele entrou em nossa vida, no para ser por ns imitado.
Ningum pode imitar Cristo. Ele nico. Sua morte de cruz e sua re ssur re 1co tm finalidade e efeito nico . Ele nos serviu, nos se rve e nos
liberta para o servio cristo . Sua vida vida em favor dos homens . El e
entra em ao como aquele que tem direito total sobre ns. E ns 0
aceitamos na f como nosso Rei e Senhor .
A prdica deve dei xar claro que todo compo rtamento t ico est a
ancorado em Cristo , que assumiu livremente a mort e em nosso fa vo r
"sem conhecer o pecado " (2Co 5.2 1): que se entrega em humildade
como quem "sendo rico , se fez pob re por amor de vs" (2Co 8.9) Onde
esta dimenso do Evangelho assumida , no corremos o ri sco de cair
numa teolog ia da glria e Fp 2.1-4 no ser anunciado como lei nem
como moral: pelo contrrio. como vi v ncia pela graa de Deus , como
vivnc ia im pu lsionada pelo amor de Cristo Jesus .
O co nce ito da unio se destaca em nosso texto . Ela import an te nas situaes difcei s que a comunidade sof 1e. No caso dos filipenses se tratava da perseguio e do martrio sofridos por muitos membros . E nesta situao - sem dvida houve quem fraquejasse e se
afastasse da comun idade - a discrdia o pior que pod e acontecer . Ela
o bacilo pernici oso da des integrao. Os perigos para a unio no s

179
e nem sempre atacam de fora . El es su rgem das prprias fileiras . Da a
impor tncia de sermos " unidos de alma ", de termos " o mesmo sentimento". Uni o, comunho , iguaioade de sentime nto e o pensar do
mesmo modo so ddivas do Cristo e ja mais conquista do homem.
Outro pensamento valorizado na percope a aleg ria. O viver
em Cristo possibi lita compreenso e partici pa o ta nto na alegna
quanto no sof rim ento. O vive r "em Cristo Jesus " a libe rta_o da pessoa E toda oessoa que experimenta sua libertao do dom1nio do pecad~. da c ulpa. e ta mbm dos poderes =: mi nantes e demonacos, explode em alegria . E os irmos explodem em alegr ia sempre que mais algum lioe rtado .
o partidar ismo e a vanglria recebem a cont estao do ~psto
lo . Quando estes dois falarem mais alto do que o amor, a m1sencord1a e
a 11umildade, ocorre a quebra de unio na comu nidade . Quando interesses pessoais e os de grupos se pol arizam , no se v mais o todo. a comunidade . Ond e os interesses pessoais predomi nam, a hum:ldade que
usa miseri c rdia para com o irmo no te m luga r. A resposta obediente
da f no acontece como servio em favor dos irmos.
Vejo as situaes de 2.1-4 como experincias que a comunidade vive em um conte xto de persegui o . Os ve rsculos mani festam a
preocupao com o relacionamen to dos membros , com sua vivncia.
testemu nho e ao. Evidentemen te. a prtica da exortao, o uso da
" consolao em amor . a comunho do Esp ri to , a vivncia de ~ ~sen
c rd ias" so possveis a partir do nosso estar " em Cristo Jesus .

o texto o testem unho do Cri sto presente na comunidade . No


se trata do Cristo distante , do Cristo no alm e, sim , do Cristo atu ante
no hoje da comunidade , na vida do membro . E nossa tarefa prega r
Cristo presente . Cristo atuante no hoje. Isto decisivo, evitando-se assim que Jesus Cri sto seja visto como personag em importante , dopassado , como alguma figu ra importante na histria da humanidade .
Nesse conte xto . ligando a realidade vivida pelos fil ipenses co m
a perseg uio e martrio sofridos hoje , temos diante de ns o medo a
dom inar as pessoas , o medo da violncia , o medo da insegurana. o
medo da inflao, o medo de uma realidade social e econmica discriminatria . marginalizan te, o medo de uma convulso social com todas
as suas co nseqncias desas trosas diante da fome de milhes decidados sem participa o no desenvol vimento, sem ganho, sem empreg o,
sem atend imento de sade , sem possibilidades educac1ona1s para
crescer e conseguir melhor emprego.
Em nosso mundo, assi m chamado moderno e esclarecido . conceitos de cunho tc nico e filosfic o conquistaram o domnio quase q~e
total sobre o homem . O domnio alcanou tal grau . que o homem nao
mais considera a presena de poderes demonacos. Mesmo assim o

' -

181

180

medo est a;. tomando conta da maioria. Geralmente esquecemos . nos


enganamos ou ainda nos falta a compreenso de que a tecnologia aesumana vem a ser um poder demonaco que desvaloriza . oprime e
ofende o homem em sua imagem de Deus : de que conceitos 11losf1cos
criam estruiuras. sistemas polticos . econmicos. sociais que margin alizam. preterem. oprimem. manipulam o homem . revelando-se assim
como poderes demonacos , que arrastam o homem ao sofrimento. Dai ,
tenho para mim que no mundo de hoje os poderes demonacos. de or igem diversificada. esto fortemente presentes e so uma ameaa continua para o homem em sua vivncia de comunho. de f em Cr i$to Jesus . de consolao de amor. do uso da misericrdia. da vida em humi ldade . so sofrimento e martrio.
O homem anseia por liberdade. Buscamos liberdade da culpa ,
do medo , da opresso , da insegurana . Tambm no faltam os momen tos em que nos iludimos, acr1ando que estamos livres, tamanho 0 nosso desejo de liberdade , e to profundo , ao mesmo tempo , o reconhecimento de nossa dependncia e priso. Mas no nos faltam, e agradeo a Deus por isso, as experincias reais na vida - o confronto com a
palavra de Deus : a refle xo em trabalhos bblicos juntamente com irmos : a vivncia no culto: a vida em orao: a experincia da presena de Deus em tantas situaes de minha vida - quando reconhecemos nossos condicionamentos, culpa . dependncias e inibies. Para
compreendermos a ao libertadora de Cristo. que nos liberta da priso do pecado e da culpa para a liberdade do servio em amor, para a
vivncia em humildade , em obedincia de f, e que nos faz vencer 0
partidarismo e a vanglria , indispensvel o nosso confronto com a palavra de Deus . Ela nos questiona. nos leva ao arrependimento e nos d
a mensagem do amor de Deus. da nossa reconciliao pela graa . da
salvao e da libertao em Cristo Jesus. que. procedendo da comunho com o Pai . o homem verdadeiro e Deus verdadeiro que , se ndo 0
sac ri f cio agradvel a Deus . venceu com a cruz e com a ressurreio 0
pecado . a morte . o medo e todos os poderes demonacos que nos possam oprimir .

IV -

Pensamentos para a orientao da prdica

importante que a pregao mantenha a exortao em sua


se riedade apostlica " , evitando que caia no legalismo .que corra o risco de neutralizar os fatos do convvio , que caia no sentimentalismo ou
se perca em tiradas polticas , que omita o chamado ao arrependimento
para uma vivncia em comunho, em servio cristo . (Elsasser , p. 385)
O centro da comunidade, Ide minha vida, o Cristo . A partir do
"estar em Cristo Jesus" possvel exortar e tambm possvel ouvir e
aceitar a exortao . O te xto todo nos exorta para que o nome de Jesus

Cristo , o nome acima de todos os nomes , Rei e Senhor do mundo e dos


nomens . seja enaltecido em palavras e aes. Ele trouxe ao mundo o
" novo sentimento " (v. 2). um novo significado de vida; uma nova realidade de vivncia no relacionamento dos homens com Deus e entre si .
Ele trouxe a possibilidade de vivncia em comunho. Tudo isso est
presente . nos dado . vivel a partir do "Verbo que se fez carne e habitou entre ns " (Jo 1.14). A comunho do " mesmo sentimento ", a
conduta e a vivncia em "humildade " so possveis a partir da revelao de Deus em seu "esvaziamento de ::;o rvo" (v. 7).
Deus nos chama para vivermos uma vida em responsabilidade
perante ele. O seu chamado nos encontra em nosso dia a dia , no exerccio da profisso, em nossa vivncia em familia e sociedade , em nosso lazer . Isso quer dizer que o chamado de Deus nos vem no contexto
de nossa vivncia. Essa dimenso importante para a pregao. Em
nosso dia a dia somos chamados a viver nossa f na obedincia, na renncia. no aceitar do senhorio de Jesus Cristo.
Diariamente enfrentamos situaes que nos exigem decises. O
texto 2.1-4 nos quer prestar o seu auxlio nas decises a serem tomadas por quem vive em .comunho, por quem busca unio. O texto, partindo da vivncia e experincia do apstolo, sublinhadas pelo sofrimento do martrio e de prises, uma oferta de orientao para a conduta
de vida crist. Mesmo que Deus no nos engrandea perante o mundo
de maneira perceptvel, ele tem maneiras para nos conduzir , orientar ,
guiar , proteger. para que sejamos ricos em sua graa e vivamos impulsionados pelo seu amor para o servio em favor dos irmos.
Devemos ver , aceitar e compreender o texto, a partir daquilo
que aconteceu em Cristo a favor do mundo e dos homens. A falta desta
viso e compreenso vai dei xar a prdica morrer no
moralismo/legalismo, perdendo-se a boa oportunidade de uma exortao evanglica comunidade . Eu diria que 2.1-4 uma mensagem
evanglica a partir do "Cristo por ns". Ele venceu os poderes dominantes, o pecado, assume a culpa , o preo do nosso resgate. Ele ,
com sua morte e ressurreio , liberta-nos para uma nova vida. A prdi ca poder dizer quais so os poderes dominantes que sofremos . Isso
lhe dar boa atualizao. Devemos, porm , dei xa r claro, evitando tambm aqui moralismo/legalismo, de quem, de que e para que Cristo nos
liberta .
A prdica deve destacar que Jesus Cristo [Link] libertao
para o servio . Com essa compreenso, 2.1-4 interpretado a pa rtir do
propter Christum " : (por causa de Cristo) podemos viver no campo
magntico de Cristo e podemos viver na obedincia e no servio que ,
conforme o texto, se manifestam nos conceitos arrolados ;e outros que
manifestam obedincia, unio, servio.

183

182
Sugesto para a ~rdica a partir da proposta de Voigt (p. 188)
Tema : Vivemos no 'Campo magntico de Cristo.
1. Da renncia de Cristo
2. Da obedincia de Cristo
3. Do senhorio de Cristo
1. Vivemos no campo magntico da renncia de Cristo
O prprio Cristo se esvaziou em favor do mundo e dos homens. O seu esvaziamento expresso mxima do seu amor para com
os homens. a concret izao do plano de salvao de Deus . O seu esvaziamento vem a possibilitar a nossa renncia de vanglria, de separatismo. de egosmo para buscar comunho , unio . viver misericrdia.
2. Vivemos no campo magntico da obedincia de Cristo
A obedincia de Cristo, que culminou com a cruz e resultou
na ressurreio , a nossa libertao do pecado e da culpa a possibilidade da renovao do nosso homem interior (veja a 4 parte da explicao de Lutero sobre o Batismo) para uma vida em servio na comun idade .
O viver em Cristo Jesus tem as suas conseqncias : comeo a ver a minha vida em funo da unio . da comunho, dos outros .
dei xando de me isolar e de separar-me dos outros. Reconheo que no
se trata do meu engrandecimento, mas de viver a minha vida como servio em avor do mundo e dos homens .
3. Vivemos no campo magntico do Senhorio de Crist o
Jesus Cristo Re i e Senhor , assim cantamos e confess amos. Ele Senhor e Rei em nosso favor, Senhor a servio do mundo e
dos homens . Trat a-se , portanto , de um senhorio diferente: Jesus no
nos domina com o medo: no nos fora com exigncias de produo :
no nos escraviza com opre sso e poder : no nos usa nem nos manipula com fora . Ao contr rio , o senhorio que nos serve com amor :
que nos liberta do pecado , da culpa , do medo e de todos os poderes dominantes: o Senhor da paz que nos reconcilia em sua graa , estabelecendo novo relacionamento conosco e entre os homens . O fundamento
do senho rio de Cristo no a fora , o poder, a violncia, a opresso ,
mas a sua cruz e a sua ressurreio .

V -

Bibliografia

1937. -

BARTH, K. Erkliirungen des Philipperbriefes. [Link] . Berlin.


ELSASSER , H. Meditao sobre Filipenses 2 1-11. ln : Arbeit

u11d Besinnung. Ano 28. Caderno 6. Stuttgart , 1974. -

LOHMEYER , E
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das Neue Testament. Vol. 9. 9 ed. Gtting en. 1953. - MICHEL. O.
Meditao sobre Filipen ses 2.1-11 . ln : Arbeit und B esinnung. An o 8.
Caderno 8. Stuttgart . 1954. - ROLOFF. J. Meditao sobre Fi li pen ses
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Gttingen , 1979. - WEBER. O. Meditao sobre Filipenses 2.(1-4) 511 . ln -. Predigtmeditationen. Gttingen . 1967.

185

1-

Texto
V.4 : E ocorreu a palavra de Jav a mim, dizendo:

V.5: Antes que eu te formasse (moldasse) no ventre materno, eu


te conheci . e antes que tu sasses de um tero, eu te santifiquei ; como
profeta para as naes eu te coloquei.

8 DOMINGO APS TRINDADE


Corntios

6.9-14 , 18-20

V.6 : Eu disse: Ah . Senhor Jav . eis que no sei falar , pois sou
muito jovem'

cf. 7 DOMINGO APS TRINDADE


Corntios
Erhard

V.7 : Ento disse Jav a mim : No digas , sou muito jovem . Mas .
a todos que eu te enviar. irs: e tudo o que eu te ordenar . falars.

6 , 9-14 . 18-20

V.8 : No temas diante deles . pois eu estou contigo para te sal-

S Gerstenberger

var .

(v. Vol . 1, pp. 78-85)

V.9: E estendeu Jav a sua mo e tocou na minha boca e disse :


Eis que coloco as minhas palavras na tua boca .

cf. 7 DOMINGO APS TRINDADE

V.1O: Olha. eu te instituo hoje sobre os povos e sobre os reinos


para arrancar e derrubar, para destruir e arrasar , para construir e plantar .

co

rnt io s

6 ' 9 - 1 4 . ( 1 5 - 1 7) 1 8 - 2

Edson Edlio Streck

II -

Exegese

(v. Vol . 1, pp . 86-94)


1. Estrutura

9 DOMINGO APS TRINDADE


Jeremias

. 4 - 1

S:goif Greuel

Observao preliminar: Este auxilio horniltico se baseia no trabalho rea lizado pe 10 Seminrio de Homiltica (CAET), rea lizado no prim eiro sem estr e de 1981. na Faculdad e de Teologia da IEC LB , ern So Leopoldc . RS . Na ocasio , para simular uma situao de carncia de mat eria l. prescindimos de consultar comentrios exegticos e utilizamos
apenas o te xto original , dicionrio e concordncia, alm da traduo de
Almeida . A interpretao do te xto se apoiou principalment e na pe squi sa pela concordncia e na explorao do conte xto.

---~--

Vv .4-5
V.6
Vv.7-10
V.7a
V.7b
V.8
V.9

V.1 0

Palavra e comissionamento de Jav a Jeremias .


Revide de Jeremias: resistncia.
Contra-repto de Jav:
Rejeio categrica da argumentao de Jeremias.
Incumbncia proftica
Promessa de acompanhamento na dificuldadEAto simblico de Jav e interpretao: Jav fa z
Jeremias seu procurador.
Objetivo (funo) da procurao; destinat rio
povos e reinos ; contedo: juzo e graa .

2. Enfoque detalhado
Vv . 4 - 5: Usando um termo dinmico como o a palavra '' oco rreu " , Jeremias parece querer dizer que o que aconteceu entre ele e Jav foi um verdadeiro acontecimento . Um acontecimento de fora e poder , capaz de produzir efeitos . Isto, no entanto. no nos autoriza a vermos neste acontecimento , no qual Jeremias conscientizado da vontade de Jav em relao a si , um acontec imento sobrenatural. Foi, sem
dvida , um acontecimento incomum , mas somente Jeremias , diretamen te envolvido, o sent iu como tal.

186
Alguns termos chaves que aparecem no v.5 nos ajudam na
compreenso da vocao de Jeremias. bem como da funo que ele
iria desempenhar: As duas frases que comeam com " antes que ... " .
apontam para o fato de que antes mesmo de ser concebido. Jeremias
j estava determinado para a funo de profeta. Antes mesmo da concepo j havia a preocupao de Jav por ele . O seu nascimento
aconteceu em funo desta vocao. Jeremias existia por causa dela.
No havia sada .
Antes de ser concebido e antes de nascer. Jav conheceu Jeremias e o santificou. O termo "santif icou " usado no AT em relao a
pessoas ou coisas. Algo ou algum santificado algo ou algum dedicado a Jav (Lv 22 2: 27.19). O termo pode ser usado no sentido de preparar algo ou algum (Jr 64). designar para uma funo (Jr 227). preservar da ira. proteger (SI 1 7). Jeremias algum dedicado a Jav , designado por este para uma funo especfica , preparado para esta funo. A funo de ser profeta para as naes . Certamente pensa-se nas
naes com as quais Israel tinha contato . O termo "p rofeta " ser explicado mais detalhadamente ao longo do texto.
V.6: A expresso AHAH , ''ah 1, demonstra toda inconformidade
de Jeremias com a sua vocao. Seramos precipitados, se dissssemos que a desculpa de Jeremias foi fria. Eie tinha conscincia do qu e
sig nificava ser profeta. Ele sabe que ser profeta iem a ver com falar , ia
iar com conte(1do especial : ele sabe que isto pode ser perigoso Jere
m ias se sente inseguro e alega que jovem demais para o cargo Ale ga
que lhe iaitam a experincia e sabedoria necessrias para falar. Faltalhe autOidade. Provavelmente teme que, pelo fato de ser jovem , sua
men sagem no seja reconhecida . Por causa destes argumentos estamos inclinados a admitir que a desculpa de Jeremias at :egtima
Vv .7-1O Apesar dos protestos e desculpas de Jeiemi as . ele
en viado Um breve estudo do termo SLH "enviar" ', no Li vro de .Jeremias Haz alguns bon s resultados para a compreenso da voca o cie
Jerem;as e de seu envio. Enviar mandE men sageiros a alg um. lu gar.
com uma misso (2 . 0): 'land ar alg um para outro e:ilg um (7 .25)
mand:lr a!go (espada) contra <i!gum (9. 1 s); mandar algum 3 zer alguma coisa (4 3) : mandar tazer algu m a algum lug ar, perante algun:
(377 e 38.14) um verbo que vem associado id ia de pode Um supeiior d uma Odem a um subalterno no sentido de executar uma tar efa.
o v.7 dei xa clara a autoridade absoluta de Jav sol:"Jre Jeremias.
H tambm um carter absoluto no uso das palavras "tudo ' e "todos.
Alm disso, o v.7 lana uma luz sobre o que ser NABI. H dois momentos especiais : ir e falar, a mando de Jav . Em 20.7a e 20.9 nos
dada uma idia de como Jeremias sentiu este seu envio.

187
Jav promete salvar Jerem ias dos perigos (V.8)._ A que perigos
estaria ele exposto? Olhemos o contexto: os reis de Juda, os prin_c1pes ,
os sacerdotes e o povo pelejaro con tra ele (1 .18-19): maqu1naoes ~a
parentagem (11 .18): perseguio (15.15); tortura e priso (20._2) ; es_c~r
nio todo dia e zombaria (20.7b); tortura psicolgica (20.10): sol1dao
(15 17): sentimento de abandono de Jav (17 .51 ); incoerncia de Jav
( 12 1-4 ; 17 .15). E textos como 1 .18: 11.22; 15.11 ; 15.20-21 ; e sobretudo
20 .11 testemunham que, de fato . Jav acompanhou Jeremias nas d1f1- {
cu Idades. "Salvar ". neste contexto , no significa evitar que as ameaas atinjam o profeta , mas dar-lhe foras para enfrent-las . Este verscu lo nos mostra que ser NABI significa tambm co rrer risco de vida.
Jav faz Jeremias seu procurador (v.9). Este recebe a difcil tarefa de falar em nome de Jav . Mas , ao mesmo tempo , recebe um conforto. Jav mesmo lhe dir o que dizer nas diferentes situaes Podemos aqui traar um paralelo com Mt 10.16ss. onde Jesus ~romete aos
seus discpulos que diante de reis e governadores lhes sera dado o que
falar. Podemos tambm relacionar este trecho com 2Co 4.7.
E com o v.1 O chegamos ao ponto alto de nossa percope porqu e
aqui se encontram os destinatrios da mensagem que Jeremias va i trazer , bem como o contedo desta. Hoje te instituo .. .' ' - num mome~to
histrico especfico, Jeremias nomeado para uma importante funao .
E esta uno aclarada com o uso de algun s verbos que demon~ tram
claramente toda radicalidade da atuao do profeta . " Arranca r'. e_m
12.4. tem o sentido de eliminar e ext irpar : destruir' ' tem. conota ao
de acaoar por compleio (25.9) . A mensagem de Jeremias e uma palavra de iuzo e graa.
.Olhemos mais uma vez para o conte xto a fim de descobrirmos
mais exa t;:imente o contedo da procl amao de Jeremias. Po_r que vir este juizo? Jerem ias aponta os seguintes mo:iv~s: idolai~ia ( 1~1t
2 1Oss. e mui tos outr os): apostasia de p31s , p?.store,,, _e pr?fe_tas (2~Le~
sa ngu;2 de pobres e inocentes derramado (2 .34); nao ha direito
ust ia 14 _2: 22 3) : no h ve rdade nem fidel idade (5.1ss): pessoas perJ
. conqu1c:ta
_
_- .
versas 'coloc am armadil has que prendem os homens ( ;::)~ .26)
dP oocier e riqueza cusia de fraude (5. 17). a causa dos orfaos nao e
-
.
't d s (' ?g' as 11deiendida, nem so julgados os d1 re1tos dos necess 1 a o J. - : "' .
de ranas re li oiosas abus am de seu poder (5.31 ); fofocas (9.8): esqu~ci
mento de Jav (13 25); abuso do templ o como covil de salteadores e lugar de refl.1gio contra a vontade de Jave. (7.11 ),. sacrif1c 10 d e 1nocentes
(19 5) : ms aes dos governantes (21.12): as lideran as d'.spe rsa~
povo (23 .2): os profetas fortalecem a maldade dos malfeito, es (23 s~r
H ainda um sem nmero de outras passagens que aqw pode~iam
arroiadas , mas estas apontadas acima devem ser as principais .

189

188
Jeremias indica tambm para as formas como o juzo de Jav
se realizar: inimigo do Norte (1.14: 4.5ss: 5.15ss: 6.1): abalo total da
natureza (4.23-28): exlio (5 19): enfermidades (16 .4): serviro de este rco para a terra (164); fim da alegria (16 .9) ; negao de consolo (167 ):
Jav mostrar as costas ao povo (18. 7) : far passar fome (19.9): a casa
real de Jud ser desolada (22.5)
Mas a proclamao de Jeremias tambm proclamao de
graa - "construir E? plantar" : Jav compassivo e no manter para
sempre a sua ira (3.12); o Senhor faz misericrdia , juzo e justia na te rra e se agrada dos que se gloriam em conhec-lo (9.24) ; promisso
condicional de terra (7 .3); graa condicional (12 .15; 18.8); rendio ao
inimigo do Norte vida (21 .9); Jav trar suas ovelhas de volta (23.3) ; a
Davi ser levantado um renovo justo (23 .5); promessa de graa
(24 5-7); as coisas voltaro a ser como antes e melhoraro (32 .1-15).
Jeremias , portanto. vocacionado para destruir e derrubar os
velhos e injustos valores de vida aos quais o povo submetido : ele
chamado para acabar com a velha mentalidade que lanou o povo num
caos total , e chamado tambm para instalar uma nova mentalidade e
uma nova maneira de viver. Por Jav ele indicado para denunciar a
vel ha situao de injustia e corrupo, e para ajudar na construo da
sociedade de direito e justia .
3. Escopo
Em um determinado momento histrico,
no qual no h direito nem justia,
no qual a causa dos rfos e das vivas no defendida e nem
so julgados os direitos dos necessitados .
no qual prncipes , sacerdotes, profetas e povo esto corrompido s
e desnorteados .
Jav fala em forma de juzo e graa ,
e. para tanto, faz uso de um homem pr-escolhido e capacitado.
prometendo-lhe acompanh-lo na sua misso .

IV -

Meditao

1. Jeremias~ chamado a ser profeta, por causa da situao histrica na qual vive . E a situao e o momento histrico que exigem um
profeta . por causa de um momento histrico. no qual o caos poltic o.
econm ico e rel igioso havia se instalado, que Jeremias convocad o
para apresen tar o protesto de Jav contra esta situao contrria sua
vontade.
2. Ser NABI ser separado por Jav para uma tarefa. estar
sua merc. Ser NABI ir a quem ele mandar, e falar o que ele ordenar

Ser NABI falar as palavras que Jav lhe pe na boca. Ser NABI correr risco de vida . Ser NABI proclamar juzo e graa .
3. Cremos que, ao atualizar este texto. no podemos pu ra e simpiesmente lev-lo ao plano individual. Temos que levar em conta que
somos vocacio nados para sermos pro fe tas. como comunidade. Jesus ,
ao enviar seus disc pulos , os enviou dois a dois: Paulo denomina a si ,
em conjunto com a sua comunidade , de embaixadores (2Co 5.18-21 ): e
em 1 Pe 2.9 a comunidade chamada dP. ra a ele ita. sacerdcio rea l. O
ser profet a uma tarefa para a qual a comunidade vocacionada

V-

Sugesto de prdica

O que segue a base de uma prdica - at certo pon to. dialogada - proferida nas comunidades da Parqu ia Evanglica de ltuporanga . SC, no ms de junho de i 981 :
1. ~'10 incio , apelei para os conhecimentos bblicos da comun idade , pedindo qu e citassem o nome de alguns profetas. Feito isto. coloquei duas perguntas que determinariam em traos gerais, toda a pregao :
a) o que faz o profeta?, b) existem profetas ainda hoj e? , se existem. quem so?
(Ne ste ponto ouvimos alguma s respostas da comunidade .)
A seguir , fiz a lei tura do texto.
2. Voltamos primeira pergunta : O que um profeta , o que ele
fa z? (Um membro da comunidade apontou para o V.1 O de nosso te xto)
O profeta arranca. derruba . destri , constri e planta ' Mas arranca e
derruba o qu? Aqui se torna necessria uma pequena exposio do
momento histrico no qual Jerem ias viveu :
-

vivas abandonadas . rfos abandona dos :

no havia direito nem justia na te rra ;

as lideranas do pas e da igreja estavam corrompidas:

o povo estava desorientado e desn orteado;

- i1avia um caos total : ningum mais sabia o que era certo e o


que era errado.
Deus no suportou essa situao catica criada pelo homem .
E1e cha'Tla Jeremias . Quer usar a boca deste (V 9) para falar de sua inconformidade com toda essa situao.
Deus chama Jeremias para:
- arrancar o capim e o ino que crescera e havia tomado conta da vi da das pessoas :

191

190
derrubar a mentalidade egosta que tinha provocado toda
confuso:
ser instrumento na mo de Deus para construir um novo
mundo , d iferente. de fraternidade. igualdade e entendimento :
-

A esta altura ha condies para responder nos sa primeira perO que faz um profeta?

.
.
- Fala , no mundo . da vontade de Deu s que que r a igualdade a
Justia e o direito .
Diz aos homens o que certo e o que errado .

- . algum que Deus usa para se fazer ouvir e se fazer pres en te em meio ao mundo .
- Profetas so us ados por Deus la onde a vida enire o s homens anda mal.
,

Mas quem so o s profetas hoje?


Aqui. li Mt 9.35-38 .

dizer aos homens o que certo e o que errado .

gt~nta . colocada no incio .

Se no ha profetas hoje ento porque algum no esta cumprindo a sua tarefa. O mundo pr ecisa de profetas . A situao catica
como no tempo de Jeremias.

3. P.. segunda pergunta: Ha profetas ainda hoje? Quem so'/

11~es se [Link] [Link] mos a hist ri a de algu m qu e di sse ra no haver


mais profetas hoje . Lanada a que sto para a comun 10ade 1
co d ,
f.
. a guns conr a. arn e ou 1ros 1caram na dvida .)
.
Se. no ponto anterior . foi dito que h profeta s l onde a vida enire os homens anda mal. e se dissemos oue hoje no ha rol
deve ser porque:

P elas. entao
a convivncia entre os homens hoJe e a melh or poss .1vel
- Deus no precisa dizer nada aos homen s vivemo
dadeiro paraso ;

s num ver-

Tambm o nosso povo parnce muitas vezes cansado e aflito.


4 . Por isso a com unidade crist chamada para assumir seu
papel proftico. A falar. no mundo . da von tade de Deus que quer a justi a , a igualdade e o direito. Conclui com algumas consideraes de como a comunidade pode agir como profeta em sua situao concreta .

VI -

Subsdios litrgicos

1 Confisso de pecdos: Pa i. ns somos a Igreja de teu Fi lho Jesus Cri sto no Brasi l. E. como tais . somos part1c1pantes da nova vida e da nova realidad e
que tu desle de presente aos homens atravs de Jesus. E temos tambm uma
ta ref a. A de levar adiante a sua mensagem de 1ida . de vida digna. a todos Reconhecemos. no enta:-ito. que falhamos como igreja . Somos Igreja que no
co11 segue cump ri r sua tarefa. Corno membros desta Igreja somos 1ndiv1dualis!as. Pensamos somente ern nossa dor e em nossos problemas Somos negligentes em rela o s necessidades de vida daqueles com os quais con vivemos . Ainda as;:;1m. permites que te chamemos de Pai . E. por isso. coni1 anres levamos a t1 nossa negligncia em relaco aos outros. nossas falhas como Igreja
e como comunidade e pedimos que as elimines de nosso meio. Tem piedade de
nos Senhor !

- - no h vivas nem rfos abancio nados: as noss- 11


d
a s sao as melho res do mundo
as
eran
-

o nosso pas se banha em direito e justia :

o povo um povo feliz e realizado :

todos sabem o que certo e o que errado :

.
(Neste ponto algum interrompeu e dis se: as coisas no so
oem assim .)
.
De tato. as coisas no so bem assim. H mui ia coisa errada
Ha viuvas e pessoas idosas abanaonadas (as ilos): r1 criana s abandonadas (bas_ta ler JOrna.1s ou 1r a urna cidade mdia o u grande) : as licieranas estao corrompidas. o povo sofre. A titulo de exemp lo. pergunte i
a um apose nt ado pelo Funru ral quanto re cebia por m s, e comparei a
quantia com o sala rio de Z1co . Menc1one1 que o Governo brasi leiro desti na 12 ~0 de seu oramento para a fabricao de armas . e 3 % para a
educa ao. Talvez isso explique por que tantas de nossas crianas no
ensino confirmatrio so analfabetas. Ento perguntei [Link]
Isso est certo ou errado?

2 Oraco de coleta Pa i. pela tua palavra e:;tamos certos de tua prese nca em nosso meio. Sentimos isto com alegria profunda. A!egria por saber mos
que ralas conosco como fal aste com os discpulos . Alegria porqu e o privilegio
de tua comunho nos tambm acessvel . Que esta tua presena nos faa
c0;1::.c1en1es da d:di va e do compromisso que advm do fato de sermos teus i1lnos. Que ela nos mostre o papel que tu quer es que ns desempenhemos no
mun do . F:m nome de Jesus Cristo. Amm .
3. Assuntos cara a orao fina l. Deus nos desperte para nossa vocaco
proft ica que recebemos como Igreja: Deus este ia conosco em nossa tarefa de
procl amar ao mundo a sua vontade para a justia . a igualdade e o direi to: Deus
e::; te 1a com vivas e r!os abandonados e. mai:;. que elimine as causas do
aba~dono de vivas e r fos: Deu s nos d lidera nas justas que cumpram opaoe 1 aue lhe:- 101 dado por Deus. a saber, a promoo e a preservao da vida
acompanh8 toc1os os que iu tam por justia e direito: que venha o Reino de
Geus .

193
De ouiro lado. o prprio coniext o (veja Ili ) convida a urna reflex o sobre a crtica que esta dou tr ina Cn justifi co pela f provoc a.
seia oor par te de urna espiritua l1oaae oue coloca o peso no comport amento religioso do crente. seja po oarie de um ativismo que exige coerncia com a vida socia l.

10 DOMINGO APS TRINDADE


Romanos

Seria tambm necessrio analisar o que signific am em nosso


conte xto , hoje. expresses corno " justificado", " obras da lei" , " morre r
para a lei " . "vive r para Deus ".

9.1-5,31-10.4

II -

cf. 10 DOMINGO APS TRINDADE


Romanos

O te xto no apresenta srios problema s.


No v. 16 h uma dvida sobre se deve ser lido "Cristo Jesus" ou
.. Jesus Cristo " , as duas vezes. No v .20 h urna tentativa de tornar a leitura mais compreensvel (THEOU KA CHRISTOU); provavelmente
trata-se de uma variante secundria. Ficamos, portanto com o text o de
Nestle .

9.1-5;10.1-4

Wilhelm Bsemann
(v. Vol .V, pp.185-189)

III -

11 DOMINGO APS TRINDADE


Gla t as

2.16-21

Kjell Nordstokke

I -

Consideraes iniciais

O texto fundamentai para a doutrina da justificao p


f
~
e a e. e
espec1a men 1e o v. 1 o e um trecho ao ouai Lutero sempre olt
r

v ou . ...,om
R
Rrn 1. 16-1 7 e rn 3. ele forma as pedras angu iares elo en~inam
d
tf

::::>
, en 1o
a
JU~ 11caao pela fe. Nota-se , por exe mplo, que. somente no v. 16. dito
Ires vezes que o homem no : justifica do por obr 2 s da lei .

O texto

De outro lado temos, nos w.19-20, uma expresso muito orofund a da co~nunh~o con:i. Cristo na sua rnorie e ressurreio B e~ge !
chama este.::i ve rs:culos sumrna ac medulla cn rist1anism i" .
Corn um te xt o corno este , o pr egador tem a excelent e pos sibil idade de expor a doutrina da justiicao pela f sua comunioad e.
Urna prdica_ temtica poderia ser recomendada nos casos em que a
comunidade e, seguidas vezes , exportada a viver a f , mas rara mente
convidada a refletir sobre o fundamento da f e da relao entre lei e
Evangelho

Contexto e escopo

A questo mais crucial a da ligao da nossa pe rcope com


os vv . 11-14 e com a controvrsia entre Paulo e Pedro em Antioquia.
Un s vem o v.15 corno o incio de um novo pargrafo com urna nova
preocupao. Outros acham que os vv.15-21 so a fundamentao teolgica do posicionamento crtico que Paulo assumiu em Antioquia . Seria ir longe demais entender os vv .15-21 corno um tipo de ata do discu rso que Paulo proferiu 'face a fac e" (v.11 ). Contudo , considero bastante
provvel que Paulo, no conflito com os " judastas" na Galc ia , ache
oportuno referir-se ao acontecimento de Antioquia. primeiro pa ra mostrar que este conflito no desconhecido , mesmo para os apstolos . e,
segundo, para indicar as conseqncias impossveis de tal posio " judasta"
Da percope indicada est excludo o v.15 . No preparo da prd ica . es te versculo importante. pois indica toda a problemtica do te x;o . assi m como se tornou visve l em Antioquia : h um outro caminho para os Judeus - que no so considerados pecadores como os gentios
- alcanarem a justificao? Ser que a tradio judaica em si tem
va lores que no devem ser anulados e, sim , pregados junto com o
Evangel ho? Esta seria a posio dos "judastas ". No impo rta se so
rea lment e judeus ou helenistas influenciados pela cultura judaica El es
conde nam a pregao de Paulo, dizendo que um transgresso r a destruir sua prpria cultura, inspirada pela revelao divina .
O te xto , acima de tudo. uma defesa contra este ataque. ao fri sar que a justificao pela f fundamental tanto para o judeu quanto

195

194

para o gentio (v .16), e que a conseqncia desta pregao no um


desinteresse pelo pecado e pela vida com Deus (vv. 17-20). A conseqncia da posio dos judastas seria atribuir valor apenas parcial ao
sacrifcio de Cristo : ou. com as palavra s de Paulo : " Cristo morreu em
vo (v.21 ).

IV -

Consideraes exegticas

V.16: A palavra DIKAIOUTAi ressaltada por sua posio no


inicio da frase .

a palavra chave: como pode o homem chegar a ser dec larado


justo? Nega-se a possibilidade de uma justia EX ERGN NOMOU .
mas afirma-se DIA PISTES CHRISTOU ISOU. pela f em Cristo Jesus (gen. obj ). A justia da qual se trata aquela que vale perante Deu s
(coram Deo). e que inacessvel aos homens. mesmo com a pres ena
da lei e a observncia da mesma. A justia sempre uma justia
alh eia. recebida gratuitamente A f o ri sc o de referir-se exclusivamente a Cristo. Ela , no entanto , no representa mais uma obra ou mrito do homem. pois no a f como produo humana que justifi ca.
mas a dialtica entre negao prpria e confiana em Cristo : em Cristo
au e. no Evangelho, me d f nele prprio , cf. Rm 1.17 ("de f em f" )
PASA SARX. toda carne, um hebrasmo e inclui todos. jud eus
e gentios (cf. Rm 3.20). H aqui , tambm , uma referncia afirmao
do salmista no SI 143.2.
V.17 EURETHMEN. " fomos achados , pode ser ente ndido de
duas maneiras: como uma referncia ao niomento em que aceitaram a
em Cristo, ou situao quando ignor<uam as determinaes ref erentes ao rito de purificao em Antioquia. A primeira alternativa me
parece mais provvel. mesmo se_ acreditarmos numa vin cu:ao do
nosso lecho com o conl!1to de Ant1oqu1a. uma vez que a situaco basica do crente est em jogo . Partindo dai. Pau!o investe contra um a falsa
conc luso que se costuma tirar: certo que ns amos ach ados como
;Jecadores. mas isto no que dizer. de modo algum , que Cristo ministro do pecado 1
V 18 Es:e versculo deve ser entendido como uma 11u sr3o
desta mes:na realidade. A possibilidad e de ser justificado pe:a le i e
uma construo teolgica que a f e!imina e des!i . Seria 2bsurdo vol tar a esta construo agora, depois de ter aceito a f A! is , no seria
somente absurdo, como tambm s gnif1caria abandonar e transgredir o
fundamento da f
1

V.19-20 Para mostrnr que a douirina da justific ao pela f ;io


leva a uma compreenso de Cristo como ministre do pecado , Pauio
aborda a vida do cristo como urna comunho vivenc ial co m o seu
Mestre. O " morrer pela le i .. no somente o afastar-se de mritos e

boas obras assim como a lei exige. , muito mais , a libertao da condenao e tambm da viso umbilical qual a lei leva (incurvatus in
se) Em vez disto. a justificao pela f proporciona uma vida [Link]
Deus. marcada por Cristo . por sua morte e ressu rreio . Esta 1de~t1f1cao total com Cristo no de've ser compreendida em ter mos m1s_t1 cos. mas antes como uma refe r ncia ao Batismo . Pois o Batismo nao
siqnifica simplesmente a justificao passiva do crente. mas tambm
o ponto de partida para o discipulado, a saber a vida com Cristo.
V.21: A introduo de ob ras da lei junto com a pregao de Cristo coisa muito grave : nada menos que anula r a graa de Deus e invalidar a morte de Cristo com elementos de uma justia prpria.

V -

A caminho da prdica

A problemtica da justificao pela f tem atualidade ainda hoje? Na documentao preparatria para a Assemblia Gera l da Federao Luterana Mundial , em Hel sinki (1963), foi colocada a pergun ta : Ser que o homem do sculo XX tambm atormentado pela procura de
cim Deus misericordioso? E. se no for . a justificao pela f dei xou de
rep re sentar uma resposta existencial angstia do homem moderno?
Devemos fazer a mesma pergunta em nossas comunida des
Parece-me que tambm hoje sentimos uma necessi dade de justificar
as nossas vidas , o nosso estilo de vida, a nossa posio social. a ~oss a
falta de engajamento em favor do prximo , etc. Esta nossa tendenc ia
oe q'.Je rer justif ic ar-nos no fei ta s perante a sociedade (coram ho:Ti!nibus) , ma s tambm perante Deus (coram Deo).
Parnce uma iron ia que . exatamente quando procuramos a justif1caao. eliminamos muitas vezes a prpria justia 1 Devemos com o
pregadores . cuidar para no cai r na mesma armadilha Mas: ao mesmo
tempo tambm necessrio subl inhar que. na linguagem b1bl1ca. a pa1avr1 1ustia s comp reensvel quando ligada a Deus e ao seu_Reino .
E o prprio Deus que d contedo justia e o termo just1f1caao pe la
i expressa a maneira em que ele vem ao nosso encontro com o seu
Re ino e a sua justia . e nos incorpora nesta realidade
Quando ns falamos de justia . referimo-nos normalmente aos
r>ossos an seios por uma sociedade mais justa. A justia que Deus nos
d em Cristo vai alm das nossas expectativas humanas. Isto, porq_ue
e!a dada na f e no conqu istada, e tambm porque seus frutos tem
ou1ra quaiidade do que a nossa imaginao pode criar . Acima de tudo.
;:, jus ti a de Deu s nos presenteia com as relaes certas - corn Deus
e com o prximo: assim, surgem relaes paternai s, filiais e fraternais .
onde an tes havia rebelio , escravido e explorao.
Numa sociedade onde as relaes dependem de produ~o e
u1 .:ioade . a pregao de ju stificao pela f uma linda expressao da

196

graa e misericrdia de Deus . E, num mundo re lig ioso no qual se propaga um dese nvolvimento ascendente, ao longo de uma escalada progressiva at ravs de exe rccios e prticas . mister lembrar que perant e
o justo permanecemos todos iguais : como devedores dependendo d2
sua graca .
2. Se na comunidade dos glatas havia pes soa s que corriam e
risco de " anular a graa de Deus '', devemos nos perguntar se hoje
tambm existe este perigo . Estaria acontecendo que alguma "lei " ou a
observnc ia de tal "lei " vem sendo colocada acima ou ao lado do sa crifcio de Cristo. como fundamento da salvao . " Lei '' no precisari a
necessariamente significar a observncia das leis cerimoniai s do AT.
mas outras condies s quais ligamos a nossa autenticidade crist .
Pode , por exemplo, ser um ativi smo que exige uma certa espiritua lidade , e que critica a doutrina da justificao pela f , arg umentando que ela leva a um falso sacramentalismo , a uma f ex opere operat o
que no deixa nada para a deciso do homem. Neste contexto. termos
como "converso " e " santificao " podem facilmente se tornar novo s
mandamentos de uma lei to violenta quanto a dos judastas
H mais um outro ativismo que pode , com a mesma veemnci a.
criticar a doutrina da justificao pela f . Este exige um engajamento
ativo do cristo na realidade poltica e social em que vive , e condena o
quietismo que passifica o cristo e o faz esquecer sua tarea de lutar
por um mundo justo. Aqu i a "lei " toma um rumo totalmente diferente .
mas no undo a conseqncia a me sma. A existncia cr ist dei xa de
se fundamentar exclusivamente na morte de Cristo e na graa de Deu s.
A prdica deveria mostrar como a comunidade tende a construi r novos sistemas de leis que tentam an ular a graa de Deu s.
3. No meio da proclamao da ju stificao pela f h a procla mao da identifica o vivencial do c risto com Cristo na sua morte e
ressurreio . neste ponto que resid e o argumento contra um quietismo irresponsvel, e tambm contra a acusao de que Cristo "mini stro do pecado". A iden tifica o portanto , no sentimental , nem imitairi a. mas parte da pr ega o e dos sacrmentos. onde Deu s na sua
graca nos incorpora ao seu Reino e, por mei o do seu Esprit o, nos equi pa oara se rmos discpulos e testemu nha s da sua ju stia
GI 5.22-23 menciona as virtudes do cristo, e no por acaso
que so chamados " fruto do Esprito " . Da mesma forma, temos . por
exemplo . em CI 3, a lista da vestimenta do novo homem que nasce no
Batismo imagem de Cristo .
Onde a justificao pela f proclamada , cabe tambm esta
pregao da ligao existencial entre o descansar na f e o " viver para
Deu s" que se d na vida comprometi da com Cristo.

197

VI -

Subsdios litrgicos

1. Confisso de pecados : Santo e misericordioso Deus. Tu queres saber


sobre a justia. no somente a just1 c;a '.:i n geral. ma s tambm a nossa justia. a
minha just i a. Confessamos que a .o:, .:::i justia :-:i3rfeita . E. em vez de admitirmos isto, tentamos tantas vez es iuy ir da nossa 8alidade. just ifi cando-a.
Mas tu s justo. Pedimos que tu venha s ao nosso encontro com a tua just ia para nos justifi car e nos livrar dos nossos pecados e da 11ossa culpa. E o que suplicam os por meio de Jesus Cris to , o no;so ju:;to Salvador. Tem piedade de nos .
Senhor '
2. Orao de coleta : Acabamos de ouvir o anuncio da tua graa e que tu
justificas aquele que cr em Jesus Cris to . Queremos te agradecer que tu nos
deste esta f no Batismo e que nos conservaste nest a f at hoje. E pedimos
fortifica-nos na f para somente con fia rm os em li e em tua iustia . Amm .
3 . Leitu ra Lc 18.9-14.
4 . Assuntos para inlercesso na orao final : por todos que tm dificu l-

dades de f : da-lhes a convico de que a f ddiva e graa: por lodos que


im uma falsa segurana na f: lembra-lhes que Cristo no min istro do pecado. mas Senhor da vida comprometida com ele: por todos que confiam em suas
obras e em tudo aquilo que eles so e tm : ilu mina-lhes os co raes com o teu
[Link] para que depositem toda a sua confiana somente em t1 e em tua justi a .

199

12 DOMINGO APS TRINDADE


Atos

3 . 1-10

Knut Robert Wellmann

I -

Observaes ao longo do texto

1_. Haenchen , observando a passi vidade do apstolo Joo. ti ra a


conclusao de que foi Luc as que o colocou ao lado de Pedro para assim
ter dois mensa~e1ros (Lc 10.1) e duas testemunhas crists perante 0 Sinedrio . A d_o1s . e evidente que os apstolos represent am toda a comunidade c ri sta .
2. O c~nviver dos cristos com os judeus no templ o (compa rti lhando a oraao e a mensagem) ainda parece normal. Hoje esta fraternidade. na esperana e na saudade est esg otada E
.

.

. um pre1u1 zo em
termos de vida e experincia com Deus.
. 3. Tanto aqui. nos vv.4-5, quanto em 14.9, parece importa nte 0
re lacionamento
co nsc ien te entre apstolo e doen te . Em 14 .ga e
f o
d
.
doente vai ao encontro da cura. Aqui o apstolo estende a mo a um
doente que a recebe .sem ter esperado por ela . No acho bem elaborar
teorias sobre o relacionamento entre f e c ura. Acho melhor transm it ir
esperana a todos que dela preci sam.
4. A..fra~e de Pedro . " prata e ouro no tenho - mas. 0 que tenho . te dou . ~a um aspect? bem especial a esta histria. A expresso
auase solene prata e ouro certam ente quer dizer que no se tra ta de
uma questo particular , s deste momento . mas de uma caracterstica
gera l da Igreja crist: rep rese ntada pelos aps tol os Ela no vive possuindo e dando bens \pouc o an tes do nosso te xto, ela se apresenta como com unidade de pa rtilh a). mas c riando e salvando vida .
5. Haenchen lembra a viso messin ica de Isaas, " os coxos
saltaro como cervos .. ." (35 6)

II -

Contexto

Nosso texto se re str ing e cura do homem coxo. No contexto , a


cura motivo e prova para a mensagem que segue : Jesus o Cristo, o
Senhor vivo. Continua Pentecostes. A cu ra se rea liza em nom e, no po-

der de Jesus de Nazar . que o Cristo . Assim , a men sagem da cura


tambm : Jesus Cristo morto e ressuscitado. (Mesters) Esta men sagem . porm, no se transmite em termos de doutrina , mas naquela alegria que Jesus , o "a utor da vi ca ' (v.15) , significava para um povo sofrendo sob leis e doutrinas . Os que tinham medo de perder com esta liberiao, combateram-no com as suas dou trinas e o seu poder, e o mataram. Mas ele vo lta em atos de libertao . E o povo sente de novo o
poder. o " jeito". a presena de Deu s (11 . ~ 0). A prdica deveria ter este
"chei ro " de Cristo libertador , do Deus vivo que ama o seu povo sofredor . A comunidade deveria sentir o Cristo tirando-nos de situ aes e
idias que nos paralizam . levando-nos a um cho e um esp rito de esperan a. de li berdade e amor .

III -

A cura

Existe o dom de cu rar , na igreja do Evangelho e em igrejas do


presente. Em nossa Igreja ele quase no existe . Os luteranos , em caso
de necessidade atravessam as fronte iras - muitas vezes clandest inamente e com conscincia pe sada - para bu scar cura em outra s igrejas . Depois , so co nsiderados traidores e batuqueiros . O que faremos
para participarmos, ns tambm, deste dom do Evangelho? Esforarnos? Os dons do Esprito no podem ser roubados . Desisti r, conscientemente? Ou formar uma grande igreja de part il ha . das diversas igrejas
com os seus di versos dons : um a ig reja onde tudo que Deus deu a cada
uma dela s se coloca disposio de todos , e especialmente do seu povo mais sofredor? No preci so oganizar essa igreja da partilha ou
trocar a prpria igreja por out ra: basta oferecer, mutuamente , sem inveja e briga , o que se tem de Deu s nas diversas igrejas . Em nosso Centro Comunitrio em Avorada praticamos isto: o poder de cura r dos
" crentes " : o jeito de celebra r os momentos da vida. dos catlicos : a superioridade do pensar e agir, dentro do perdo e do amor. dos lute ranos: etc. - tudo para todos . Acon teceu que um dos nossos memb ros
luteranos , procurando uma corrente de orao numa igreja pentecosta l
e se afasta ndo por um tempo da nossa. se encontrou, sem saber, naquela igreja com uma evangelista que vive em comunho conosco no
Centro Comunit ':lri o. Ao nosso ve r, nosso text o nos convida par a sonharmos com uma igreja de partil ha - em vez das separaes . a viso dos profetas : os povos e seus reis (as igrejas e seus telogos e pastores) levando seus presentes ao monte de Sio onde se encontra o povo predileto de Deus : os que sofrem. E o que vale entre as con fisses .
vale mais ainda entre as diferentes linhas da nossa Igreja e confisso.

201

200

IV -

O coxo

J nos comentrios tradicionais se fala do coxo como figura


simblica - alm de ser uma pessoa concreta. Champlin : "Houve um
tempo em que Deus contemplou o mundo como um aleijado cado s
portas do cu .. . " Deus mandou seu Filho , que nos criou a mensagem
que libert a. Nas interpretaes mais novas da Biblia . esta mensagem
se manifesta viva. e a nossa f libertado ra que vem de Cri sto se desdobra. Em nossos dias. o bispo de uma das dioceses catlicas do Nordeste brasileiro disse ao povo: 'Antigamente a Igreja deu a vocs coisas e
co isinhas. [Link] ela mesma est pobre . Mas hoje em dia ela ll1es d algo muito mais valioso. Ela chama vocs: Levant em-se e andem 1 No fi quem mais passivos e paralisados 1 Levantem-se e ajam, assumam o
seu destino. se unam e se organ izem . aprendam e lu1em - c~m nome
de Jesus Cristo e no seu Esprito! " Nosso texto nos conv ida a pensar
como fazer parn que um povo . silenciado, passivo . e recebendo esmolas durante sculos, se levante e comece a andar? Como fazer com
que isto acontea no Esprito de Cristo? Tal vez comecemos assim: que
o grupo das acolchoadeiras no nosso Centro Social ou os pais da nossa
Creche parem de ser dirigidos , mandados e atendidos , e comecem a
debater e decidir juntos tudo o que se refere a eles. At chegar idia
das ' comunidades de base ", onde as associaes. os grupos dos Direitos Humanos. os sindicatos, etc. lutam por melhores condies de
vida , no seu local ou na sua categoria , e os partidos polticos lutam por
leis justas e um sistema mais justo. E. lutando por urn projeto da sociedade (no pelo Reino de Deus que s ele sabe criar), eles tm. no seu
meio, a comunidade crist , fonte do seu esprito, onde refletem e celebram , perante Cristo, os momentos da sua caminhada, onde se corrigem e an imam , um ao outro. preciso sonhar com uma igreja de pouco dinheiro - para que ela chegue a ter idia.s maiores e mel hores do
que apenas assistncia social: para que ela estenda a sua mo ao povo
que prec isa se levantar e andar e partic ipar da formao da nossa sociedade . numa responsabilidade que se alimenta do Evangelho .

V -

Sabemos o sentido do soirimento de Jesus : sof rendo , ele criou


em ns a f em que - recebendo e dando - podemos viver e morrer .
Sabemos hoje, tambm, o sent iria do sofrimento dC?s povos oprimid_os e
explorados: da sua fome e de toda a sua mis ria. E perant e esta s1tua_o que todos ns comeamos a questionar a nossa f e que a nossa fe
comea a se renovar para todos ns . Como Abrao teve que dei xar a
sua terra - onde a f tinha sofrido tantas distores e destruies que
no era mais contato com o Deus verdadeiro - para se reencontra r,
aos poucos. com o Deus da verdade : assim ns. ao entrarmos no povo
sofredor de hoje e na sua misria, nos encontramos de novo com Deu s
como ele . E. levando junto conosco todo o povo sofredor para dentro
da Bblia, a nossa f to murcha renasce e refloresce . No seu sofrer , o.
povo cumpre uma misso divina para todos ns .
Sabemos , tambm . o sentido do sofrimento de todos que esto
sendo torturados e assassinados na luta por um mundo fraternal. E
uma sabedoria antiga da Igreja : ao contrrio do que os assassinos esperam. o sangue das testemunhas da f semente que faz o movimento crescer.
Mas qual o sentido dos sofrimentos fsicos e mentais que excluem pessoas da caminhada do povo de Deus e as fazem marg inalizadas de nossa luta que tem tanto sentido? Para que vivem os que no podem contribuir em nada? bom se esquecer deles? Ou ser que justamente eles so os mais importantes na nossa marcha? No so eles
que impedem que as nossas explicaes e "sentidos " ocupem , cada
vez mais, o lugar do prprio Deus que no cabe nem em nossas cabeas nem em nossas mos? So eles que mantm aberta a porta ao
Deus vivo para ns que nos embriagamos facilmente com nossas filosofias. O que no tem cura nem sentido . normalmente nos faz coloca r
em dvida a presena de Deus . Mas, no fundo , garante para ns a sua
presena .
Para ns , necessrio nos encontrarmos com Deus naquilo
que fica sem cura, sem explicao ou sent ido. Assim. em vez de ca irmos e morrermos. sendo ns nossos prprios deuses, falsos deuses,
continua remos filhos do verdadeiro Deu s.

Onde no h cura

Perante um text o que canta l libertao, precisamos nos lembrar daqueles que no recebem cura. H curas - mas mesmo na s
igrejas dos crentes h casos sem soluo. H casos em que missi onrios chamam os doen tes : " Levanta-te . ve m c 1", e ele s no vm D
um a do r no corao para quem assiste. E h doentes que nem se comunicam com outros: no tm capacidade de se com un icar - e cont inuam sempre assim. O que fazer com este sofrimento? Oual ser o
sentido deste sofrer?

VI -

Subsdios litrgicos

1. Confisso de pecados: Deus . nosso Pa i. No ltimo domingo samos


daqu i dispostos a enfren tar e vence r a realid ade da vi da - pela f . Mas a real idade foi mais for te que a nossa f . Voltamos hoje feridos e derrotados. e pedimos: perdoa o que no se realizou . no se salvou por fal ta ou fraqu eza da nossa
f . Recupera , neste culto , o nosso esprito , autoriza-nos mais uma vez , por tua
pala vra que ouviremos no meio dos nossos irmos . Tem piedade de ns. Se-

nhor '

202
2. Orao de coleta: Deus , ao ouvir~os o Evangelho_. faze com que o fi o
da nossa realidade , das nossas preocupaoes. encoste no_110 das tua~ palavras
e assim se acenda a !uz e saibamos seguir a nossa caminhada. Amem .
3. Assuntos para a orao final: agrndecer por todos dons que Deus distribuiu no mundo e nas igrejas : pedir que cresa nas 1gre1as o dese10 de unirem
seus dons em beneficio daqueles necessitados que Deus tanto a~a: pedir que
se ~enha mais coragem e sabe_9or~a. na~ 1gre1as _para.estender a mao ao pov o~
faze-lo andar adulto livre , no 1:.sp1rtto ue Cnsto, pedir que os que parecem se.
inuteis e at ~bst cu,los na nossa caminhada , por defeitos fsicos e ment ais ou
pela idade que enrijece_ tenham o seu lugar cen_tral na comunidade e nos representem a porta para 0 verdadeiro Deus que nao cabe em nos.

13 DOMINGO APS TRINDADE


Gnesi s

4.1-16

Gnter Wolff

VII -

Bibliografia

CHAMPLIN, R.N. O Novo Testamento interpretado. Vol.8 .


Guaratinget , s.a. - HAENCHEN, E. Die Apostelgeschichte. Gttingen , 1968. - MESTERS, C. Os Atos dos Apstolos. ln : Subsos. Vol.7.
[Link] . s.a.

I -

Texto e contexto

Podemos estruturar o texto da seguinte forma: Os vv.1-7 formam a primeira parte da histria. onde aparece a tenso social das
duas classes: agricultores e pastores; e os vv.8-16 formam a segunda
parte em que acontece o homicdio. a luta real contra os pasto res , os
quais so assassinados. Nesta segunda parte da histria acontece algo
interessante. Caim (agricultores), por causa do medo da vingana , tem
que abandonar a terra e fugir , tornando-se desta forma um marginal da
sociedade. E, por ter-se tornado marginal , aceito por Deus . O poderoso. para ser aceito por Deus, precisa despojar-se de seu poder e bens e
tornar-se igual aos outros. A aceitao por parte de Deus est no sina l
de proteo . O castigo , mesmo com a aceitao posterior de Deus.
continua valendo. Isto mostra que Deus se coloca claramente ao lado
do marginalizado.
Na primeira parte, Jav se identifica com os pastores , pois so
uma classe sem terra . Os pastores dependem da boa vontade dos donos da terra , dos agricultores, para poderem alimenta r seus rebanhos
nas terras no cultivadas . .Assim os pastores queriam ter terra , mas os
agricultores no cediam. Os agricultores possuam a terra, o que lhes
dava uma supremacia em relao aos pastores .Os pastores tinham de
usar a terra beira do deserto onde havia pouco pasto. Desta forma .
eram obrigados a manter o seu rebanho sempre reduzido , sem opo rtunidade de aument-lo, de modo que con tinuavam pobres.
Toda a histria da tomada da terra na Palestina teve como base
este problema de terra. Os pastores (classe sem terra) queriam terra.
f'Jo bastava apenas ocupar a terra, pois os seus proprietrios viviam
nas c idades. Por isso era necessrio vencer primeiro as cidades para
que pudessem ter acesso terra. Olhando os vv.17ss. , vemos que
Caim edificou uma cidade e tpdos os seus descendentes eram habitantes de cidades. por serem artfices. Apenas um (v.20) foi pai de uma famlia de pastores ; ele citado, porque destoa dos outros.

-~---

- -- --

204

205

H uma genea logia especial de [Link] no foi incluida na aenea logia oficia l porque ele era poderoso e um opressor A genealogia
de Ado . cap.5. leva at No e a genealogia deste leva at Abrao qu e
era pastor, pertencendo portanto classe dominada . ~ uma excluso
clara dos descendentes de Ca im. da lin hagem ac eita como oficia l.
O ttulo da histria poderia ser o v.2b. A hist ria conta a lu ta destas duas classes . sendo que para cont-la se personificou cada classe
num nome.
Po rtant o: vv .

1-7
8 - 16

a tenso social
assassinato. fuga. despoiamento e con seqente aceitao por Jav .

O texto se situa na proto-histria que vai do cap.1 a 12.3 . O


cao.'1 praticamente todo uma genealogia que comea com Ca im
Mas h uma interrupo para explicar a histria de Caim . No cap.5 vem
a genealogia de Ado: nesta Caim no aparece, pois foi excludo . Em
4.1 e 17 lemos que a mulher gerou . o que no acontece nas outras genea log ias: 5.1 ; 10.1: 11 .1 O: isto mostra que so de outra trad io. 5.1
d co ntinuidade primeira histria da criao. do Escrito Sacerdotal A
geneal ogia de Caim abrange 4.1-2 e 17-26 . Gn 4.3-16 apenas uma interpolao da histria de Caim, para ju stificar a sua exclu so da genealogia de Ado .

II -

Consideraes exegtico-meditativas
1. Primeira parte : vv. 1 - 7

Este texto apresenta a humanidade dividida em duas classes


soc iais, na forma de duas profisses. E a profisso determina a classe
saciai . A di viso do trabalho originada pela apropr iao dos meios de
produo , que aqui so a terra , por uma classe. Os pastores surgiram
por causa da falta de terra para plantar , ou melhor , pela expulso de alguns da ter ra . A opo foi criar gado (ovelhas) para sobrevive r, pois se
podia levar o rebanho at a orla do deserto onde havia pa stagem , mesmo que ra la, e onde a terra no servia para a agricultura . Em Nm 21.2122 vemos algo semelhante, a situao do povo nmade que quer atravessar a ter ra dos agricultores. Israel pede apenas para passar pela estrada , asseg urando que no vai se desviar para os campos e vinhas .
nem para beber dos poos ; mas no lhes do a permi sso. Na verdade.
a classe dos pastore s sempre era uma ameaa agricultura, poi s o rebanho pod ia ent rar nas plantaes e o grande problema eram os poos
de gua para os pastores. Quer di ze r, os pastores tinham a grande necessidad e de poos e boas pastagen s. tudo isto longe da orla do deser-

to . Por isso , o grande desejo de Ab rao, e tambm mais tarde do povo


de Israel, era de possuir terra. Mas , por ca usa da falta de terras , pastores eram mantidos na pobreza e. assim . margin alizados.
A desapropriao da te rra acentuou-se na poca do reinado .
1Sm 8.11-17 afirma que o rei tomar o melhor das lavourns , das vinhas ,
dos olivais e os dar aos seus servidores. Neste perodo tambm os inimigos do rei eram desapropriados. como vemos no exemplo de Nabote
(1Rs21)
Toda esta primeira parte fala da causa da morte , que vem da diviso do trabalho , gerando as classes sociais. Aqui , a causa da morte
a luta pela terra . importante notar que Jav se coloca ao lado dos
sem terra. Jav se agradou da oferta de Abel, o pasto r. Esta posio,
facciosa do ponto de vista de Caim , irrita-o pois Jav fez subverso, no
seu entendi mento. O poderoso, o dono. diz que o fato de ele ter abundantes bens e vida boa sinal de ono de Deus. E aqui. ao se agradar da sua oferta , Deus abenoa o marginalizado , aquele que , no entender do poderoso. no abenoado, pois no possui bens. Deu s deixa claro que muitos bens no so sinal de bno . Com a prefernc ia
dada a Abel, Jav condena Caim pela apropriao da terra e conseqente marginalizao do outro. No tempo do reinado, quando vivia o
Javista , que trabalhou com este te xto. a desapropriao de bens era
assunto atualssimo . O reinado surge por causa do latifndio. Este te xto
fala contra a expulso da terra e marginalizao dos pequenos ag ricul tore s pelos que tm dinheiro e poder. O latifndio se expande , e mesmo
assim continua vendo nos expulsos uma ameaa. Ameaa de quererem terra para sobreviver com seu rebanho ou voltarem a ser agricultores .
2. Segunda parte: vv. 8 - 16
Esta segunda parte uma continuao da primeira , mas h
uma mudana de contedo. Esta segunda parte provavelmente era outra histria, anexada primeira por apresentar uma certa continuao
desta . Aqui o conflito latente na parte anterior explode, e acontece uma
inverso de valores. A situao de morte, incompleta e parcial na pr imeira parte, consumada com a morte de fato. A luta de classes leva
automaticamente morte se os poderosos no cederem, se persistirem
na distribuio injusta dos meios de produo. Isso dei xa patente que
na luta pela terra os poderosos levam vantagem . Mas agora , aqui , h
uma interveno direta de Deus; antes, apenas manifestara a sua simpatia e advertncia. Aqui vem o castigo que. com o assassinato. Caim
mesmo se imps . Caim estar sob eterna ameaa de vingana por pa rte da classe oprimida que no esquecer o assassinato. Contudo, assim
como Deus se colocou contra a morte de Abel, tambm se coloca contra a morte de Caim. Mas o castigo de Caim consiste em tornar-se igual

207

206
a Abel. Por fora das circunstncias, ele obrigado a se tornar um homem sem terra. E isto, por outro lado, a sua salvao. Este texto mostra que o opressor. para ser aceito por Deus. precisa assumir de fato a
condio de oprimido. precisa identificar-se com este para ser protegido por Deus. Somente assim Deus olhar para ele como olhou para
Abel. quando aceitou a sua oferta. Neste sentido, Paulo Freire diz : "A
nica possibilidade que tem a pequena burguesia intelectual de dar a
sua contribuio ao movimento de libertao de ter a coragem de
suicidar-se, matar-se. para renascer como tr abalhador
revol'-Jcionrio . o que semelhantemente acontece aqui . Caim dei xa
de ser opressor e se torna igual aos que antes perseguia. Agora Caim
tambm est na periferia da sociedade e sofre marginalizao . E. nesta situao . ele aceito por Deu s (o sinal de prote o) , poi s tornou-se
um " Abel ", um oprimido, e a este Deus d apoio .

marginalizado. e isto faz com que tenha a proteo de Deus_. Podemos


dizer que a converso dos ricos se d por meio dos pobres . E uma converso ao estilo de Paulo, que tambm foi duramente atingido por
Deu s. No lhe restou outra alternativa. a no ser cumprir o que Deu s
lhe indicara, para fica r curado cie sua cegueira . Sua cegueira espiritual
foi curada quando a cegueira fsica foi curada . Tambm Je remias se
tornou profeta " na marr a".

III -

A prdica

Se a comunidade for de cidade o pregador ter de usar exemplos da luta de classes na cidade. Se for da zona rural , ter de usar
exemplos da luta pela terra. Procur arei dar exemplos das du as situaes.
O conflito gerado pela m distribuio da terra no Brasil generalizado , no Sul e no Norte. H o conflito entre posseiros e latifundirios , h o xodo rural que impele o colono para a cidade (aqui os motivos so vrios: uns vendem po rque no vem futuro na lavoura, po is
no tm instruo para produzir e sobreviver num pequeno pedao de
terra: outros vendem porque esto end ivi dados : outros simplesmen te
procuram uma vida mai s fcil nas cidades ; outros. que so agregados
ou bias-frias , procuram fugir da explorao a que esto sujeitos e,
sem saber, entram noutra) . H ainda a expulso de colonos po r causa
da construo de barragens e o conf lito nas periferias das cidades por
causa dos loteamentos clandestinos. O triste de tudo isto que na realidade h terra sobrando. tanto no Sul quanto no Norte do Pa s. A estatstica diz:

Quanto tentativa de evitar a vingana com um castigo sete vezes maior , Deus mostra que no concorda com tal vingana , pois isto
seria usar as mesmas armas do opressor . Com este aviso. Deus dei xa
o alerta: preciso analisar para ver que o opressor mudou . Neste texto
acontece algo parecido com a mudana de Paulo : de perseguidor para igual e perseguido.
No v .9 Caim diz : "acaso sou tutor de meu irmo?" Em outras
palavras . ele quer dize r: eu no sou responsvel pelo que acontece
com meu irmo. Pobre pobre porque preguioso , se diria hoj e. Opatro da fbrica no quer saber como o empregado consegue viver com
um salrio mnimo . O patro se sente responsvel pelo que acontece
na fbrica : fora dela ele no se interessa . O interesse na fbrica em todo caso. no passa de interesse na produo. Para ele . impor ta que a
mo-de-obra que ele aluga por ms renda o mximo. Se o empregado
mora na favela , no problema seu . No v.9 Caim ainda mantm a men talidade de opresso r, e dali em diante o oprimido que ele matou o leva a
ser um igual a ele. A classe oprimida, mesmo perdendo a luta . fora o
opressor a se tornar um deles.
o v. 13 exp re ssa a dificuldade de Caim em aceitar a situao de
oprimido, que veio pelo cast igo . N<: luta de classes . o opressor somente cede pela presso das circunstancias impostas pelos oprimidos . O
patro s d aumento atravs da pr~sso _
d os empregados, ou q_uando
isto lhe traz vantagens . Assim lambem Caim_ so muda sob pre ss~o das
c ir cun st ncias que ele criou . O patro tambem criou as c1rcunstanc1~ s
que leva m os emp regado s a fazer gr eve. l~to mostr a que a conversao
dos op res sores s se d na luta , quando sao obr1~ados a ceaer. Caim
tambm foi obrigado a ceder diante das consequenc1as dos fatos _que
ele criou . Mesmo com dificuldade de aceitar a mudana que lhe foi imposta (ou que ele mesmo se imps pelos seus atos). ele se torna um

Minif ndio
Emoresa Rura l
Latifndio pt
Explorao
Latifndio pi
Dimenso

IMVEIS RURAIS
% sobre o total
1972
1978
72
67,3
4
3,7
24

29
0 ,01

RE A
% sobre o to tal

1972
12
10

1978
9
6

73

77

A luta pela terra faz mais vtimas a cada ano, sempre do_lado
dos oprimidos. Os ndios. a cada ano, perdem mais de seus territonos.
Os bias-frias so outro exemplo de expulsos da terra. Conforme o documento da CNBB " Igreja e Problemas da Terra ' . houve em 1979, apenas na regio do sul do Par, mais de 80 confl itos de terra e s no Maranho , 129 conflitos envolvendo milhares de pessoas .

.....

209

208
_A estatstica da distribuio da renda mostra o conflito que h
en t re ricos e pobres , pois 50 % dos mais pobres possuem 13,4 % da
re~da total . enquanto 1 % dos riqussimos possui 1 7 ,3 % da renija do
pais . l~to , porque 75 .3 % dos trabalhadores recebem apenas at 2 sal rios m1n 1mos.
Nisio tudo esta c laro que a luta de classes no Brasil est se re crudescendo . O ex-presidente Geise l afirma que no Brasil no h lugar
para a !uta de ciasses. Isto mentira . pois ela sempre existiu de fat o.
.
. A represso de "Caim " sobre " Abel " tambm se v nos gastos
aos pa1ses da Amrica Lat ina, que [Link] . em 1974 . oor pessoa.
5.127 d~lares para fins milita res. 30 dlares pEna educao. e 8 dlares
para saude.
Toda est a luta de classe j causou muitas mortes. desde a mo rtalid~d_e infantil por falta de recursos e subnutrio at assassinaws de
operarios em greve e nas prises sob tortura. Toda esta realidade cria
uma morte lenta mas certa de muitas pessoas da classe explorada.
alem de ser responsve l pela onda crescente da violncia dos assim
chamados marginais. Esses so apenas produto da opresso . da qual
tentam se defender sua maneira . So chamados de assaltantes e assassinos. mas esquece-se que os donos do poder fazem o mesmo. s
que de uma forma mais sut il e muito mais eficiente. rendendo milhes
para suas contas bancrias e investimentos no exterior e no pais Este s
"Cains " tm todo o apoio oficial (vide, por exemplo. Projeto Jari ... Jic a.
Codeara. liaipu. Transamaznica . etc.). O problema todo estrutural
os pequenos "Cains " . ns , apenas somos reflexos da estrutura em que
estamos inseridos. O que permanece que os oprimidos (Abel) forarao os opre ssores (Caim) a n o ter outra sada seno tornarem-se
iguais aos oprimidos. E isto requer a perda do poder e dos bens. qu e sero distribudos. Somente ento Deus os aceitar como seus filhos . o
fim da luta de ciasses trar o Re ino em sua forma plena.

7.

Esta opo vai possibilitar o qu? Vai possibilitar a nossa participao no Re ino de Deus (j , em parte . durante a luta)

IV -

Subsdios litrgicos

1. Confisso de pecados: Senho r. confessamos que participamos de


uma estrutura que vive da morte. que se alimenta da morte. Principa lmente da
mo r1e dos trabalhadores . Uma sociedade que tem milhes de menores abandonados. Estas crianas esto sendo mortas lentamente pelo desamparo. fome .
frio . misria e pela violncia . Apoiamos pela nossa inrcia um sistema que gera
a doena e subnutrio. Tem pied ade de ns Senhor l
2. Orao de coleta: Senho r. guia as nossas reflexes e aes para entendermos que a tua mensagem quer nos libertar de ns mesmos. Quer nos libertar do nosso poder que obtivemos pela nossa fora e no pel a bno de
Deus. Dirige os nossos passos para ajudar a cam inhada daqueles que esto sofrendo a violncia do nosso sistema : que gerou as favelas. os marginais . os
mendigos. o Esquadro da Morte e a Le i de Segurana Nacional . Abre os nossos olhos. Senhor 1
3. Assuntos para intercesso na orao final : a orao fina l pode referir se ao abordado nas duas anteriores: pedir pela paz: pedir por uma inverso da
apl icao dos dinheiros pblicos. para que sejam gastos menos em objetos militares e mais em alimentos. sade. educao: pedir que o regim e compreenda
sua situa o de pecado e opresso . para que esta compreenso leve a uma mudana radical. no sent ido se entregar o poder nas mos do povo: pedir por um
fim do assassinato direto e indireto da populao: pedir pelo fim da luta de classes: pedir que o sistema se torne justo e participa tivo : pedir fora e coragem
para uma opo em favor do oprim ido .

Sugesto para o desenvolvimento da prdica:


1.
2.
3.
4.
5.
6.

Analisar as causas da luta de classe que h entre Cain1 (agricultor) e Abel (pastor) por causa da diviso do trabalho.
A evoluo da luta com o assassinato de Abe l.
As conseq ncias do assassinato foram umB transfo rmao do
opressor em marginalizado .
Com a marginali zao veio a proteo de Deus .
Exemplo de luta de classes no Brasil. co nforme a situao da
comunidade , e as suas conseqncias.
A luta de c lasses um fato . Qual a nossa participao nesta luta? De que lado estamos, como cri stos? Ternos de fazer uma
opo.

V-

Bibliografia

COLUNGA. A. / GARCIA CORDERO , M. Pentateuco . ln : Biblia.


Comentada. Vol.1 . Madrid, 1967 . - VON RAD . G. Das erste Buc h Mose .
ln : Das Alte [Link] D eutsch. Vol.2/4 . [Link] . Ber lin ,1956. - RUPPRECHT . W. Meditao sobre Gnesis 4.1-16a . ln [Link] Predigthilfen. Vol.2. Stuttgart , 1963. - WESTERMANN, C. Genesis. ln : Biblischer
Komm entar Altes Testament. Vol .1 Neukirchen/Vluyn , 1974 . - ZIMMERLI . W. Meditao sobre Gnesis 4.1-16a . ln : Horen und Frag en.
Vol .4/2. Neukirchen/Vluyn. 1976.

211
louvor no s o os tessalonice nses. nem o sucesso de seu trabalho . O
louvor se dirige a Deus pela s grandes cousas que ele tem realizado entre os tessalonicenses.
O apstolo enal tece a ao de Deu s na comunidade:
a)

14 DOMINGO APS TRINDADE


Tessalon i censes

1 .2 -10

b)
c)

Bruno Gottwald
d)

CANTAI AO SENHOR UM CNTICO NOVO, POIS ELE TEM


FEITO MARAVILHAS! (SI 98.l)

1-

Texto

Partimos da pressupos io de que estamos diante de um text o


paulino. redigido em Co rinto por volta do ano 50 . por ocasio da se gunda viagem missionria do apstolo .
Paulo no havia feito experincias muito animadoras em seu
trabalho miss ionrio. El e mesmo e seus colaboradores haviam sido
" maltratados e ultrajados" em Filipos (2 2): at tinh am sido presos (At
16 39) Mesmo em Te ssaln ica Paulo havia pregado o Evange lho "em
meio a mu ita luta" (2.2; AI 17 .1-9): tambm em Corinto o trabalho havia
sido diicultado com toda srie de adver sidades (1Co 2.3: At 18 9s) Seria , portanto. bem comp reensvel se. depois de tantas dificuldades e
diante de tantas situaes e rea es adversas a ele pessoalmente e ao
orp rio Evange lho. Paul o tivesse resignado ou desi stido . Mas ele no
resigna . no desiste . pois est conv icto de que a edi ficao da comu niade no est, em ltima anlise , nas mos de homens e. sim. nas
mos de Deus. A concretizao dos sina is do Reino de Deus no est
condicionada simpatia e aclamao dos homens.
Isto. para Pau lo, no minim iza a sua re spo nsab il idade para com
a pregao reta do Eva ngelho, pois ele vive existencialmente cada pa sso no surgimento e na edificao da comunidade ; sofre as do re s de
pa rto, como ele me smo se refere comunidade do s glatas Paul o
sempre estava com seus pensamentos e oraes voltados para as comun idades onde lanara a semen te do Eva ng elho. Ciente das dificuldade s e adversi dades existentes em Tessal n ica . Paulo deseja visi tar
pessoalmente a comunidade (2.17s). Mas, impedido de faz-lo pessoalmente . envia seu auxili ar Timteo. Este volta de Tessalnica trazendo
notcias que levam Paulo a agradecer e l0uvar a Deus .1Este louvor de
Paulo determina toda primeira parte da carta at 3. 13. O objeto deste

Mesmo que "em meio a muita tr ibulao" . os tessalonicenses


ace itaram com muita alegr ia o Evange lho (v 6: At 17 .5-1 O) .
O Evangel ho despertou f entre os tessalonicenses.
A f tem sido operosa: dada aos te ssa lonicenses a disposi o
para perseverar. e com isso a comunidade tem sido missionria
(v.7s)
A comunidade est a caminho , na viva esperana pela vi nda do
Senho r.

II -

Meditao

Aqu i algum louva a Deus por sua ao benevolente atravs de


seus se rvos, pela f despertada na comunidade e pela reao do meio
ambiente a esta ao de Deu s.
Nem de longe Paulo pensa em gloriar-se de seu trabalho err
Tessalnica . a nica cousa da qual pode gloriar-se sua fra queza (2Co
11 .30). Essa fraqueza justamente caracterizou o inc io de seu trabalho
em Tessalnica. dando assim espao li vre para a ao de Deus. Certa
mente essa experincia contribuiu para a frmula com a qual Paulo define a ao do Senhor em sua vida: "A minh a graa te basta . porque o
poder se aperfeioa na fraqueza ." (2Co 12.9)
Somente a a o criadora de Deus faz surg ir e edifica a comu~ i
dade de Jesus Cristo. a ao soberana do Esprito Santo que. atraves
da pregao da palavra e dos sacramentos, "opera a f , onde e quando
agrada a Deus . E para Paulo est claro: agradou a Deus es_colher , eleger a comunidade de Tessa ln ica para nela revelar sua gloria , e atravs dela fazer co nhecer sua mi sso " por toda a parte " da c1rcun v1z 1nhana. Essa misso de Deus se rea liza pela f viva dos tessalonic enses que inicia com a converso dos mesmos em ambos os se~~idos ,
" de'" e " para " (APO e PROS), e que tem por isso como consequenc1a
uma nova obedincia amparada e carregada pela esperana na vinda
do Senhor .
No v.3 Paulo no est enumerando e desc re vendo obras de homens, ma s simplesmente mencionando a armadura. com a _
qual _Deu s
reveste os seus (1Ts 5.8) . Revestir-se de Cri sto (GI 3.27) s1gnif!ca J_ustamente revestir-se de f, amor (obedincia) e esperana. Paulo ve sua
comunidade na f de Cristo, no amor de Cristo e na esperana do Cns
to ressurreto . Mas no no sentido esttico, e sim, dinmico. Poi s onde
Cristo vive numa pessoa, ali os dons de Deus se desenvolvem , a pessoa libertada para o amor , para a esperana , enfim , para um novo ca-

212

213

minho (v :6) . E este o caminho do discipulado: como tal, um caminho


que exige .d isposio para a renncia, para o sofrimento. Como portador de Cristo ("No sou eu quem vive, mas Cristo quem vive em
mim ." ) Paulo v seus sofrimentos como sofrimentos de Cristo. numa
comunho de sofrimento . E por isso o sofrimento do apstolo marcado no pela resignao ou desespero mas , sim, pela alegria, pois nessa
comunho compartilha-se os sofrimentos daquele que venceu , que ressuscitou . Para o Reformador a disposio para o sofrimento caracter iza a verdadeira Igreja e a fora para essa disposio dada pela certeza de que o caminho para a vida conduz pela cruz .
A comunidade que nasce da palavra e que mantida pela palavra , por sua natureza , por sua existncia , comunidade missionria .
evangelizadora. A misso ou a evangelizao no so, portanto , dois
aspectos entre os muitos da comunidade crist . Tambm no so departamentos da comunidade crist . Ou a comunidade missionri a ou
ela no comunidade de Jesus Cristo .
A f despertada pela palavra , em Tessalnica , e a subseqente
obedincia e esperana , que por sua vez se evidenciam na disposio
de caminhar sob a cruz, teve em toda circunvizinhana suas conseqncias missionrias . Os crentes de toda a Grcia foram fortificados
em sua f e por toda parte ficou conhecido que Deus Senhor .
A disposio ou no para a caminhada sob a cruz, na certeza
de que o fturo pertence a Cristo, um espelho fiel que mostra o quanto a comunidade est presa a dolos (v .9) - comodismo , compromet imentos com os poderes const itudos. tradio, etc . - ou liberta para
servir ao Deus vivo.

III -

Prdica

O escopo deste te xt o pode , sem dvida , ser enunciado com as


palavras do salm ista : ' 'Cantai ao Senhor um cntico novo, pois ele tem
feito maravilhas. "
Paulo sabe que nem tudo que brilha em Tessalnica ouro :
Paulo sabe que tambm a comunidade de Tessalnica tem seus problemas . Paulo certamente teria sofrido com as deficincias da comun idade se encarasse sua vida como fruto do trabalho qu e ele real izou . Mas
Paulo v a ao de Deus na comunidade. Tem olhos para essa ao de
Deus porque ele mesmo no est deslumbrado com seu prprio esforo nem hipnotizado por seus prprios fracassos - assim como no est procurando real izar seu prprio trabalho, concretizar suas prprias
metas , mas se preocupa em realizar a " misso de Deus " em dei xar
Cristo '.'viver nele ".
A pregao deste texto no deveria procurar estabelecer uma
comparao de nossas comunidades com a comunidade de Tessalni-

ca nem criticar a ao da comunidade hoje, apontando seus erros e falh~s. Deveria, isto sim, procurar articular a misso de Deus hoje na f ,
na obedincia e na esperana de seu povo, de sua Igreja . O texto convida para uma exposio positiva de como e quando acontece misso e
evangelizao na comunidade de Jesus Cristo - alis assuntos de
prioridade na IECLB.

IV -

Subsdios litrgicos

1. Confisso de culpa : Muito obr igado . Senhor, por este dia de descanso
e pela oportunidade que nos ds de nos reunirmos em teu nome. como tua C?munidade . Tu nos chamaste para sermos tua propriedade e, como tais . no~ das
o privilgio e a oportunidade de participarmos ativamente do plano salv1f1co
que tens para com os homens e com o mundo. Tu sabes. no entanto. Senhor,
quo pouco uso fazemos desta oportunidade. quo poucc:_ correspondemos
quilo que nos propomos ser. Presos em nossas preocupaoes pessoais . confiando apenas em nossas possibilidades e foras . resignados diante das d1f1culdades temos simplesmente Ignorado teu apelo insistente . Perdoa-nos. Senhor .
nosso~ fracassos . nossa falta de f e confiana . Perdoa-nos e d-nos a fora de
teu Santo Esprito para uma nova vida . Amm .
2. Orao de coleta : Multo obr igado. Senhor , porque sempre ests disposto a recomear conosco . Sempre cilocas tua i;onfiana em nos, mesmo
que tenhamos fracassado tantas vezes . E unicamente tua longanli;ildade que
devemos essa tua pacincia para conosco . Queremos ser teus d1sc1pulos . teus
servos, por Isso pedimos: equipa-nos para tal com tua palavra, toca-nos com
teu Santo Esprito para que , como tua Igreja e com nosso estilo de vida pessoal ,
testemunhemos tua verdade e teu amor para com os homens. Em nome de Jesus. nosso nico Senhor e Salvador. Amm .
3. Assuntos para a orao final: Que Deus desperte na comunidade a
conscincia de que somos raa eleita, sacerdcio real para " proclamarmos as
virtudes ... " (1 Pe 2.9); que Deus abenoe o trabalho da pregao da palavra em
nossa Igreja para que atravs dela possa nascer mais f, f operosa; qu~ essa
f nos liberte dos "dolos " aos quais estamos presos: superstio, ganancia .
mentalidade consumista e de lucro, sucesso, covardia . nos mesmos; que Deus
nos converta a si para que o sirvamos: que Deus nos torne sensveis para o sofrimento do outro: que Deus nos d fora e disposio para sofrermos em favo r
de sua causa, que sempre uma causa em favor do homem.

V -

Bibliografia

A Confisso de Augsburgo. So Leopoldo, 1980.- FALKEN


ROTH, A. Meditao sobre 1 Tessalonicenses 1.2-10. ln : Hren und
Fragen. Vol.4/2 . NeukirchenNluyn, 1976. - IWAND, H. J. Meditao
sobre 1 Tessalonicenses 1.1-10. ln : - . Predigtmeditationen. Gottingen, 1963. - PEISKER, C.H. Textos sobre 1Tessalonicenses1 .2-10 ln :
-. Texte .[Link]. Vol.5 Wuppertal, 1975.

215

15 DOMINGO APS TRINDADE


Glatas

5 . 25-26 ;

6.1-3 , 7-10

Jrgen Denker

I -

Asociacin

" Existen dos clases de compasin . Una cobarde y sent 1

que la 1mpaciencia
.
menta1
q ue , en ver d ad , no es mas
dei corazn por l'b
lo antes posible de la emocin molesta que causa la desgrac1 1 rarse
aq ue li a compas1on
que no es compasin verdadera sino una fo a aiena
.
tin t1va de ahuyentar dei alma propia la pena extrafia
. La otra 1rma 1ns
. que importa , es la compasin no sentimental pero productiv'a 1 un1ca
~a~e lo que quiere Yest dispuesta a compartir un sufrimiento ha~tque
l1m1te de sus fuerzas y an ms all de ese limite ." (Zweig , p.
) el
178

II -

Introduccin

Me paree que el problema dei pasaje es el siguiente H


1
1
t
d

ay que
e:r a~ amones adc1ones e~[Link] dei contexto de la carta , 0 son regias
g nera es que no 1cen re 1ac1on con el problema entre Pablo y lo G
tas? .
..
s alaEI problema se refleja en la comprensin dei v.25. Pone p bl
0
su nfasis en el "espiritu " o en el verbo?

.. ~i es que el verbo 1.1eva ~1. acento entonces Pablo se refiere a la


opos1c1on entre la mera af1rmac1on de "vivir en el espritu" y la re . _
.. d
'd
1
.. L
a 1iza
c1on e una v1 ~e~ te espt1ri1~._ a posicin dei KAI delante dei verbo parece apoyar es a ll erpre ac1on; consecuentemente la prdica tend
que reflexionar sobre la diferencia entre nuestras palabras es de na
. .
t
,
Clr,
nuestra d ogmatrca, y nues ros actos, es decir, nuestra tica . Las exhortaciones siguientes en este caso serian pautas para realizar lo que afirmamos en la d.o.g mtica.
Si es que la palabra "espritu" ll~va el acento de la frase, Pablo
se refiere a la oposicin entre espritu y ley. Pablo quiere decir: si ustedes saben y afirman que viven por el espritu, entonces vivan tambin

en l y no traten de vivir en la ley . La posicin de KAI despus de PNEUMATI parece contradecir esta interpretacin, pero Pablo usa aqui una
forma retrica. repitindo la .palabra PNEUMATI , y de tal manera KAI es
colocado despus de su palabra de referencia. Consecuentemente la
prdica tendr que reflexionar como se expresa la diferencia entre la
vida en el espritu y la vida en la ley . Las siguientes exhortaciones describen esta nueva realidad de la vida en el espiritu contra la vida antigua en la ley.
?Cmo decidirse? Becker (p.74) dice que Pablo sigue su costumbre de poner algunas exhortaciones ai final de su carta y asi no se
debe interpretar estos versculos a la luz dei contexto de la carta . Por
eso prefiere la primera interpretacin . Yo no puedo convencerme de
que un lector. escuchando la palabra "espiritu " ai final de la epistola,
no la asociara en oposicin a "ley' '. Compare las oposiciones en 3.2:
?Recibistis el espritu por las obras de la ley o por la fe en le predicacin? (tambin 3,5; 3,13ss; 5, 18). Tambin la forma retrica me hace
pensar en una interpretacin a la luz de la oposicin "espritu-ley' '. La
clusula condicional tiene : verbo ms PNEUMATI , la clusula posterior : PNEUMATI ms verbo, enfatizndose la palabra espiritu por la repeticin y la palabra KAI, en forma postpuesta .
La vanagloria de la cual habla Pablo en el versculo siguiente
(5,26) tambin hace pensar en la oposicin espiritu-ley. La gloria est
relacionada con la exigencia de la ley de circuncidarse (v.13) . Pablo califica esta gloria de sus adversarios como vanagloria pues ella desconoce la naturaleza dei espritu de Cristo . Asi que podemos imaginamos
que los adversarios de Pablo se gloriaban de su condicin de estar circuncidados, cumpliendo de tal manera con las exigencias de la ley. Por
media de esta prdica los Glatas quedaban desafiados de dejarse circuncidar y de tal manera surgieron distinciones y envidias entre los que
participaron plenamente en la salvacin y aquellos que no gozaban de
la plena comunin pues les faltaba el requisito de circuncisin .
Si el cumplimiento de la ley, de las normas , es la base de la dignidad de una persona, comienzan las peleas. Pero el espiritu de Cristo
no es de pelea, sino de mansedumbre (6, 1). Pablo no rec haza el reprender el mal, sino destaca la base de tal procedimiento . Pues no se condena ai hermano por su falta a la ley , sino que se corrige ai hermano
porque no corresponde ai espritu dado por Cristo. No creo que Pablo
use aqui la palabra espirituales en un sentido irnico . EI espritu es la
norma que guia a los cristianos . As les recuerda de su propia condicin
de solidaridad con el hermano que haya faltado y en este mismo sentido finaliza este versculo.
EI espritu divino conduce a los cristianos a una conducta firme ,
pero no-agresiva. La insistencia en la ley produce agresividad . Pues la

217

216

por medio dei espiritu, y no por media de la ley como ensenan los adversarias .
A esta razn por la cual Pablo fundamenta su llamado a andar
en el espritu, agrega otra en v.7. Subraya la seriedad de sus exho:taciones con una alusin ai juicio final. Con su adhesin a la ley los Gaiatas en realidad resisten ai espritu divino. y para esta resistencia no hay
perdn (Lc 12, 1O) . Una tica que considera la ley como -~u punto de partida resiste ai espiritu y condena ai hombre a la corrupc1on . Esto es muy
lgico pues es el espiritu el que da la nueva vida, la vida en presencia
de Dios; y no la ley.
Hacer el bien - esto es hacer las obras que produce el espritu .
y espiritual es aquel que hace el bien . As no puede haber .~os principias : uno para la tica y otro para la experiencia de la sal~a.c1on . EI pr~n
cipio de la salvacin es el mismo como el de hacer , de la et1ca : el esp1ntu.

norma exige, impone, con ella se mide el rendimiento. As sucede tambin en las comunidades de Galacia, en las que la imposicin de la ley
lleva a la exigencia de rendir bien, a la envidia, a la agresividad de la
competencia religiosa. EI desprecio de los fariseos por los que no cumplen con toda la ley, por el AM-HA-AREZ, es un ejemplo de tal agresividad . EI espiritu de Cristo a su vez conduce a una conducta no-agresiva .
Asi la solidaridad con el hermano que haya sido sorprendido en alguna
falta corresponde ai espiritu de Cristo (6,2). Pues ella se pone en el ca
mino dei hermaho.
No s si el trmino "la ley de Cristo" es una consigna de los adversa rios de Pablo para los que la ley habia sido reformada por Cristo.
Para Pablo este trmino tiene de todos modos un significado muy diferente . En la experiencia dei espiritu de Dios, [Link]. en la oracin obrada
por el espiritu, la comunidad cristiana siente que tiene libre acceso a
Dios. Ouien puede acercarse a Dios es justo . As el problema de la justicia y la ley se soluciona por la participacin en el espritu de Cristo, el
resucitado . La ley de Cristo es la vida en el espritu . As entiendo el v.2:
la solidaridad con el hermano, sobrellevar las cargas, esta manera noagresiva de corregir ai hermano que faltare es expresin de la participacin en el espritu. AI fendo el v.2 no es sino una confirmacin de la
tesis en 5,25: Si tenemos vida en el espiritu, tambin en el espiritu debemos andar. Como en toda la carta, Pablo insiste en la unin entre salvacin y tica. En el espiritu de Cristo somos salvados y la conducta dei
Cristiano se realiza en este mismo espiritu . La imposicin de la ley significaria la negacin de la unin entre tica y salvacin y desembocar
en la negacinde la fuerza salvadora dei espiritu en pro de la ley como
fuerza salvadora. En cap. 3 Pablo lo dice con bastante nitidez.
EI versculo 3 tiene la misma funcin como el final dei v.1. Motiva la exhortacin en v.2. EI v.3 refleja la misma experiencia como Rm 2,
1?ss . Se puede jactarse de haber cumplicio con la ley, por ejemplo de
haberse circuncidado, y sin embargo ser infractor de la ley. La regia general a la que Pablo se refiere aqui - uno que quiere parecer ms de lo
que es - puede ser comprendida de manera especial en el conflicto
en las comunidades de Galacia: Si los Glatas piensan poder jactarse
de la ley que ahora les daria plena salvacin y justicia, se equivocan;
pues la ley los va a declarar infractores. No puede ser la ley el principio
de la nueva vida sino el espiritu de Cristo, el espiritu de mansedumbre.
De manera similar pueden interpretarse los versculos 4-6. No
s por qu tueron omitidos estas versculos . 5,6 normalmente es difcil
de interpretar en su contexto. Se puede entender este versculo en el
sentido de que [Link] tenga comunin con su instructor en todas las
cosas buenas. en este caso Pabto estaria fundamentando sus exhortaciones anteriores: Ten,gan participacin en la salvacin tal como yo,

III 1

Reflexin

Pablo habla de alguna falta en que el hermano fuere sorprendido . En los bar rios altos de Santiago de Chile son especialmente los problemas familiares y matrimoniales que ocupan toda la atencin de los
pastores; en los barrios marginales son los probl emas que se ong1nan
en la miseria y marginacin . No se puede negar que muchas veces estas problemas se deben a las estructuras en que las familias viven . aun
en los barrios altos en que la presin de mantener el status social . o la
facilidad de la vida suntuosa, producen fuertes tensiones en las fam ilias. En su comprensin dei pecado Pablo reconoce este aspecto. S1n
embargo l insiste en la responsabilidad personal de cada uno. La [Link] de liquidar esta paradoja fijndose nicamente en la responsa~ 1lidad de las estructuras o dei individuo es muy grande . La pred1cac1on
cristiana debe mantener esta tensin a la luz dei testimonio bblico. En
tal paradoja se pueden evitar los riesgos de la posicin de un moralista
que condena ai que haya faltado , o de la posicin de un ideal ista que
slo encuentra la culpa en las estructuras y nunca debe buscar el cambio personal. En tal tensin entre responsabilidad personal y colect1 va ,
se puede !legar a vivir en verdadera solidaridad , en espritu de mansedumbre , con el hermano que haya faltado . As lo sefiala el giro " no sea
que tu tambin seas tentado" .
En nuestras comunidades - por lo menos las urbanas __:_ pocas veces se da el caso de que un hermano sea "sorprend ido" en una
falta . Y muchas veces no tenemos que ver con una falta de un hermano
de la lglesia, sino de un contemporneo . As que la prdica :no necesita
fijarse en el pecado. EI texto mismo tampoco lo hace. Se fija ms bien

219
218

en la actitud dei cristiano frente ai mal. A diferencia con un mundo en


que impera la fuerza, especialmente la dei estado en Amrica Latina,
los cristianos mantienen una actitud no-agresiva, pero transformadora
(el espiritu de mansedumbre).
Zweig muestra esta solidaridad transformadora en su novela
" lmpaciencia de corazn" .
En un pueblo de la antigua monarquia austraca un joven oficial
conoce a una joven de la sociedad y sintiendo misericordia por la cojera de ella, la visita regularmente cada dia despus dei servicio . Elia se
enamora de l. Pero l no est dispuesto a casarse con ella . Su mise ricordia no es capaz de hacerse solidaria . Huye dei pueblo y ella se suici da. En el trasfondo dei relato aparece otra pareja antittica . EI mdico
que atiende a la invlida viviendo en Viena en un modesto ambiente est casado con una mujer ciega . Se haba casado con ella ai darse cuenta que solamente por la via dei matrimonio la podia ayudar y preserva r
dei suicdio. EI tiene este espritu de mansadumbre que le permite esta
solidaridad ms ali de los limites de sus fuerzas . ?Hay [Link] joven oficial de que no tena tal fuerza de solidaridad? Zweig lo hace reconocer su debilidad. La novela es como una gran confesin de culpa .
Sin embargo, talvs le ha faltado una persona a su lado que pueda
aconsejarlo y llevarlo a una decisin y voluntad favorable para la mujer
coja . Es seguro que muchas veces respondemos a las esperanzas a
pesar de que no se puede imaginarse en un principio como se podr
responder. En el camino Dios nos da sus fuerzas para cumplir . EI don
dei espritu - recuerdo que el amor es el don supremo dei espritu segn 1Cor 12,31 ss - hace posible tal solidaridad . Por eso Pablo li ama a
los Glatas espirituales .
No hay que retar ai joven oficial. Esto seria fuera dei enfoque de
nuest ro texto. Ms bien , hay que ma ravillarse ai poder observar tal fuerza de solidaridad . La parnesis de Pablo en Glatas no quiere retar po r
las faltas . sino orientar a los hermanos hacia las fuerzas salvficas que
procuran vida. No hay que retar a alguien porque no tiene ciertos danes , sea de la ley, sea dei espritu, sino que hay que aspirar a los danes
sup remos dei espritu como Pablo hace ver en 1Cor12-14 . De tal manera me podra imaginar que en el sermn se medite acerca de las maravillas que la congregacin experimenta en su obra social en que trata
de vivir esta solidaridad de mansedumbre que transforma y as procura
vida .

IV -

Subsdios litrgicos

1 . Conlesin de pecado : Senor , nuestros contemporneos nos piden s~


lidaridad para con ellos. No pueden ver a Cristo sino en la manera hu mi lde co
la que nosotros los acompanamos . Queremos ver esta b squeda como un desafio a nosost ros de ser tus testigos. Pero te confesamos que muchas veces
lracasamos. No podemos ser sol idarios de tal manera c~mo nuestros semeia ntes lo necesi\an . EI alcohlico que necesita se r acampa.n ado. las 24 hora~ L~!
hermanos en el barrio ma rginal que neces1tan tan ta ded1c ac 1on . La espos q
se encuentra encarcelada en su matrimon io y el enfermo de muerte que no encue ntra ms sentido en su vida. Siemp re faltamos en nu estra .sol1daridad . Es
nuest ra limitacin que nos due le . Y as el j uicio du ro : los dei bam o ma [Link] l son
los rotos. los flojos . y los dei ba nio alto son los que no ~1 e nen compasion . Son
ms fcile s tale s juicios que vivir la solidar idad con esp 1r1tu de man sedumbre.
Te to confesamos. Senor . com o nuestra fa lta . Senor , ten p1edad de nosotros
2. Proclamac in de gracia : Asi dice Dios: Bu scar la oveja perdida. tornar a la descar ri ada, c urar a la herida y sa nare a la enferma. (Ez. 34 . 16)
3. Orac in de col ecta : Pad re . nos p rese ntamos ante ti como tu pueblo ,
los fuertes y los dbiles , los ricos y los pobres , los que tene mos p rob l~m as Y los
que buscamo s un momento de tranquilidad . Todos esperamos que tu nos unas
como tu pueblo y que nos hables a nosot ros ahora . Habla con c ada uno de. nosotros para que podamos encontrarnos 1con nuestr()S [Link] .en esp1rit u
de mansedumbre . T 10 pedimos en el nomb re de tu h110 que vive Y re ina contigo
y con el Esprit u Santo. siempre un solo Dios, por los sig las de los s1glos.
4. Ace rca de la orac in general : Los temas especial es de la o ra ci n dependen de los problemas propios de la cong reg aci n en su vida solidaria . Si la
congregacin se desenvuel ve en un trabajo de desarmllo [Link] se puede ped ir
la fuerza de solidaridad y comprensibn entre todos . S1hay d1v1s1ones en la congregac ibn la orac ibn puede girar alrededor dei juicio duro c on que se descali l ica a los otros he rmanos y alrededo r de la bsqueda comn por la ve rdad Y
unibn en el espritu de mansedumbre.

V -

Bibliografia

BECKER, J. Der Brief an die Galater . En : Das Neue Testament


D eutsch B. Goettingen , 1976. - LUTHER , M. Kommentar zum Galaterbrief . En: Calwer Luther-A usgabe 1O. Mnchen Y Hamburg , .1968~ -:SCHLIER , H. La carta a los Glatas. En : [Link] ~a de Estu~ws B~bl~
cos 4. Salamanca , 1975. - ZWEIG , S. lmpac1enc1a de co razon . En . Biblioteca de Obras Famosas 44 . Buenos Aires , 1945.

221

17 DOMINGO APS T RINDADE


Isaas

49 . 1-6

cf. POCA APS TRINDADE


Isaas

49,1-6

Martin N. Dreher

. .
t dem a restringir a
f esvaziada do seu sentido pratico e os crentes en
d la Enatuao da comunidade ao campo espiritual; surge a mora 1 up do
d
uase sempre quan
fim manifestam-se os fenomenos observa os q
d des
'

um movimento passa para a segunda geraao . Estas comun1 a


d 0 nificado das proacha Tiago , precisam de orientaao a respeito
~ig _ O) d prtica
vaes e da posio do cristo neste mundo (1 .2- 4 . 4 1 1 ' ~ 1 _1 3 .
11 2
da palavra (1 .19-27 ; 2 .14-26), do relacionam~nto social (.1 9 - ~ .
~
1
5.1-6j do uso da lngua (3 .1-12), da verdadeira sabedoria ( ~
'
. -
t- E ecorrendo a sua ex18) e de outros assuntos da conv1venc1a cris a. , r
. .
d
a poca ele procu'.
p erincia pastoral e s tradies parenet1cas a. su h de Tiago
um 1era dar essas orientaes . Temos, portanto. no 11vrin o
t
m problemas espe.
.
vantamento da prtica crist da 1greia prim1 1va , co

.
c1ficos
que preocupavam naquela epoca,
comp11a do em forma de
_ exortao s comunidades, com o objetivo de orient-las e fortalec_e-las ~~
comunho . Tiago confronta-nos com o dia a dia da vida crista do P
meiro sculo.

8 3 13

(v . Vol.111, pp.130-140)

II -

19 DOMINGO APS TRINDADE


Tiago

5 . 13-16

Gerd Uwe Kliewer


ORAO PELOS DOENTES

1-

Exortao s comunidades

A carta qual pertence o nosso te xto dirigida s comunidades


crists primitivas , ao final do primeiro sculo da nossa era. Na verdade
no uma carta. O autor , um lder da igreja primitiva de nome Tiago,
conforme a tradio, provavelmente judeu, redigiu ou colecionou uma
srie de admoestaes e orientaes prticas para a vida cr ist e comunitria. As comunidades que ele tem em vista so razoavelmente organizadas; j parecem ter perdido o seu primeiro entusiasmo, e existe
o perigo da acomodao; esto perdendo o zelo inicial pela obedincia
palavra; as diferenas sociais se fazem sentir, os ricos consideramse mais importantes e mais dignos , colocando em perigo a comunho;
como a volta de Cristo demora, h os que procuram interpretar a doutrina de Jesus Cristo de manei ra a ajeitar-se neste sculo, vivendo numa
boa neste mundo; por conseguinte , h muitos que querem difundir as
i:;uas doutrinas; surgem fofocas e brigas entre lderes ; .a salvao pela

O texto

O nosso texto colocado j no fim do livrinho, aborda uma questo bem prtica: a do,ena e a sade do crente e da comun idade. e as
providncias que a comunidade deve tomar a respeito.
V.13: Sofre algum entre vs? Ele ore! Algum feliz? Ele cante
louvor!
V.14: Algum est doente e fraco? Chame os presbteros e eles
orem em seu favor, ungindo-o com leo , em nome do Senhor .
V.15 : E a orao na f salvar o enfraquec_ido e o Senhor o levantar ; e se ele tiver cometido pecados , ser-lhe-a perdoado .
V.16 : Confessai, ento, uns aos outros os pecados e orai un s
pelos outros, para que sejais curados .
Muito pode a splica do justo , quando poderosa .

III -

SofrimeniO, felicidade, doena rios

assuntos comunit-

Costumamos ver nossa sade ou doen a como assunto particular. o mesmo vale para a felicidade e sentimentos semelhan tes. Dizemos: "eu sou felz, eu sou triste , eu estou doente ". Se sofremos de algum mal, procuramos um especialista que , base de tcnicas aprendidas e numa relao de subordinao, trata o nosso corpo , a nossa alma ou a nossa mente .

222

223

Nosso texto mostra-nos outra abordagem . "Se algum .est


doente e fraco, chame os presbteros ! " (v.14) A doena logo transformada num assunto comunitrio. " Se algum sofre , ore! Se algum
feliz , cante louvor! " Tambm estas admoestaes apontam para a prtica comunitria . O cristo ora e canta em comunidade . Os cristos primitivos reuniam-se sempre que podiam, cantando salmos, testemunhando, relatando seus problemas e experincias, orando em conjunto
e ouvindo a pregao. A piedade pariicular , individualizada, que ns
praticamos surg iu mais tarde. Assim , muitos cristos hoje s sabem
orar intensamente a ss, no quartinho escuro, e cantam salmos vontade mesmo, s no banheiro. Quanta inibio encontramos nos cantos
dos nossos cultos , para desespero do pastor que quer animar a comunidade. Quanta compostura se apresenta nos nossos cultos! As mulheres arrumadas , os homens engravatados, todo mundo quietinho: crianas , doentes e perturbados nem entram . Raramente h man ifestae s
de alegria , de tristeza. de sofrimento. E se h, so comedidas .
Nas comunidades de Tiago , porm , as situaes existenciai s
dos crentes eram motivo de orao, de canto e de comunho . A doena , a felicidade, a desgraa tornavam-se logo o tema do culto .

IV -

Orar pelos doentes -

tarefa da comunidade

Os pre sbteros mencionados no v.14 no eram pastores, especialistas teolgicos e poimnicos. Eram os lideres de f , crescidos dentro da comunid~d~- e indicad~s por ela . Correspondem aos presbteros.
presidentes, secretrios e tesoureiros que encontramos em nossas comunidades. No tempo de Tiago, a Teologia e a Poimnica ainda no se
tinham transformado numa arte esotrica e especializada. Com f,
compai xo e boa vontade os presbteros - que no eram nada mais
que membros dedicados e destacados - acompanhavam e consolaV1!.Q1 o doente no seu sofrimento. Naturalmente o fato aqui apontado
no vale como argumento contra uma formao especfica para o
aconselhamento de doentes e perturbados, que o pastor possa adqui rir. Nem significa que a visita a doentes , a orao por eles no seja
tambm tarefa do pastor. Bem ao contrrio . Mas realmente eficiente a
orao, a preocupao com o doente s ser, se crescer como fora
de dentro da comunidade e se nesta as pessoas carismticas neste
sentido forem motivadas e aproveitadas .

V - Na origem da doena, muitas vezes, est uma causa social


Sade e doena esto intimamente ligadas com o ambiente vivencial das pessoas . A minha dor de cabea , a minha diarria, as m iI
nhas lceras, o meu fgado , at a minha gripe podem ser , em grande
parte , uma reao , por exemplo, briga com a espos.a .. ao desentendimento com colegas . rejeio por um ~rupo . A medicina fala de cauQ
0
sas psicossomticas das doenas . Sera que Tiago tem conhecimento
~
disso? Intuitivamente , talvez, reconhea essa origem social da doena l.J"'[t
e procure dar uma resposta no mesmo nvel.
J>

t JV'

i1

E, falando de origens, neste nosso Brasil os que ficam doentes


por causa da briga com a namorada ou da incompreenso de colegas
quase j so privilegiados . Muito mais agudas so as causas oriundas
da injustia que marca as macro-estruturas da nossa sociedade. Exemplo gritante disso nos d uma pesquisa realizada na Diocese de Gois
em 1978/79, na qual o povo foi consultado sobre as suas condies de
sade . Diz o grupo de ltapuranga : " Mas o homem no adoece no , ele
j nasce doente e vai morrendo pela vida. " J nasce doente , segundo
outro grupo , porque "a me no al imenta bem , o pai tambm mal al imentado e no tem onde plantar roa pra dar alimentao pra faml ia ".
(0 meio grito . Cadernos do CEDI. N 3. Rio de Janeiro, 1980. p . 20).

VI -

Servio ao doente: passar leo

A igreja catlica considera o nosso texto (v. 14) como uma das
bases bblicas do sacramento da uno dos enfermos. difcil dizer at
que ponto os cristos primitivos davam algum significado sacramenta l
e simblico ao ato de passar leo no enfermo . No mundo judaico o leo
era conside rado portador de poderes especiais. Era usado nos ritos religiosos , na consagrao de sacerdotes , reis , santurios (por exemp lo ,
x ,29.7; 30.26 ; 1Sm 16.13). Era aplicado aos doentes (Me 6.13). O uso
teraputico do leo mencionado na parbola do bom samaritano (Lc
1C.34) . Os evangelhos relatam o episdio da uno de Jesus por um a
mulher (Me 14.3-9; Lc 7.36-50; Jo 12.1-8). A fora teraputica do leo
incontestada at hoje . Grande parte dos remdios e pomadas que compramos na farmcia contm leo de alguma espcie .
No me parece necessrio acentuar demais o significado sacramental do leo mencionado no v.14 . O que os presbteros lev~vam
cons igo, na visita ao doente , era remdio . Alm da f, qa orao , t razia-m algo bem concreto , material pra aliviar o sofrimento do doente e
promover a sua cura . E no s traziam, mas tambm aplicavam o remdio. No ficavam distantes, envolviam-se com o doente , tocavam-

225

224
no , passavam leo nele, davam-lhe remdio . Acho que nesse envolve rse, nesse tocar , nesse passar leo no doente est um dos segredos do
processo de cura . Quando uma criana est doente , a me (ou outra
pessoa em que a criana confia) tem que dar o remdio, e o fato de a
me o dar torna o remdio muito mais eficiente . A massagem para tratar uma contuso ou aliviar uma tenso tem que ser aplicada por outro
e no por si prprio . Quanto consolo, quanto al vio pode-se dar , segurando a mo de um moribundo! H poder de cura no contato fs ico at ravs do toque .

VII -

O doen te participa

O doente no nosso texto no meramente objeto de um processo teraputico despersonal izado e tcn ico (que muitas vezes encontramos na medicina moderna). Ele participa. Ele ora . ele chama os presbteros . expe o seu sofrimento, confessa os pecados, ouve confisso .
Surge assim um grupo ativo , cujo objetivo a cura , o auxilio ao irmo
que ~ofre . Encontramos associaes desse tipo tambm hoje: em comunidades de base , nas reunies de alcolicos annimos nas comunidades de doentes. Ser que grupos de OASE, de JE , de p;esbte ros podem formar 1ais conjuntos de pessoas?

VIII -

C~ra para corpo e alma

O v.15 coloca a cura ( = restabe lecimento da sade) e 0 perdo


dos pecados .como acontecimentos simultneos , sinnimos . Reencontramos aqui a equivalncia j estabelecida na cura do paraltico, em
Ca farnaum (Me 2.1-12 par.). ~ ec1men t o da poca ligava doena a
pecado e, log icamente , cura a perdo de pecados. Manifesta-se aq i
uma ~[Link] da unidade ~e corpo e alma, da interrelao de sint~
mas f1s1cos, ps1qu 1cos e esp1ritua1s que a medicina moderna atua fmen
te procura recupe rar .

IX -

Botar para fora o que nos torna doentes

. _ Portanto, para conseguir e manter a sade , necessria a conf1 s ~ ao dos pecados. Mais uma vez destacado o carter " democrt ico '. e comunitrio deste ato. " Confessai os pecados uns aos outros e
orai un s pe los outros! ' (v.15) No h necessidade de pastor para qu e
possa ~c ontec er confisso .e pe rdo de pecados (mas a pre sena del e
pode a1uda r, desde que seia um bom animador). Um crente confessa
os se us pecados ao outro ou aos outros. Um pronuncia a palavra de
perdo pa ra o outro . Um intercede pelo outro perante Deus . Certamente no se trata de uma confisso gen rica do tipo "eu sou pecador, tu

s pecador , ns todos somos pecadores ". O ve rbo usado para designar o confessar, em grego, tem o prefi xo EX
para fora . Trata-se de
botar para fora, de maneira explicita e concreta , o que pesa na nossa
conscincia : as nossas fa lhas e er ros , o mal que fizemos e que se interpe nas rela es com o prximo; de descarregar a conscinc ia pa ra
livrar-se dos entraves comunho com Deus e com o prximo. Confessar os pecados e ora r um pelo outro um se rvio que os membros da
comunidade podem e devem presta r um ao outro em prol da sade.

X -

A orao pelos enfermos cu ra ?

O nosso texto termina com uma afirmao conclusiva a respeito da fora da " orao do justo ". Que justo esse? O justo no out ro
seno o membro , o presbtero , a irm que visita os doen tes , t raz-lhes
remdio , ora com eles, ouve os seus pecados. Tiago mesmo aponta
nesta direo em 1.27 : "O culto puro e sem mcula a nosso Deus e Pai
este: visitar os rfos e as vivas nas sua s tr ibulaes e a si mesmo
guardar-se incontaminado do mundo. " A ora o do ju sto t raz a cur a?
Os pentecosta is acreditam que sim . Com toda nat uralidade ora m , nos
seus cultos , pelos enfermos, e com a mesma naturalidade ace itam a
cura como uma resposta de Deus sua orao insisten te (evi den temente , no falo aqui de exploradore s c arismt icos que p rometem cu ra
em t roca de d zimos ou " carns de sa lvao " ). Pastores da IECLB testemunham experincias de cura ap s a ora o . (J ornal Evan glico.
So Leopoldo , 2 quinzena maio. 198 1. p.6s) Que ganhamos se duvidamos e questionamos? Acho que devemos ter f no poder de Deus . NO
se trata, porm , de substituir mdico e medicina por oraes ou dinmica de grupo . Mas o mdico mais efici ente concordar que um ambien te de f , de am or, de ajuda e apoi o m tuos um poderoso ali ado na
rest itui o da sad e do doente . E onde es sa restituio no possve l,
tal ambiente tornar o sofrim ento , e at a mo rte, suportveis e fru tferos para a comunidade . A orao no cura ; mas temos um Sen hor poderoso que responde a nossas splicas e quer nos dar, na sua infin ita
graa, sade e salvao .

XI -

O que pregar?

1. Acho que a prtica que o texto nos prope deve se rvir de moti vao pa ra que a comuni dade desenvolva a sua prpria prt ica em
to rn o do assun to doe na e sade . A p rd ica no pode r instituir tai prt ica, ma s poder dar o prim eiro impulso. Sugiro uma p rdica exo rtativa,
mas que evi te glorificar o uso da comuni dade primit iva, opondo-o nossa omisso e inefic incia, susci ta ndo assim nada m ais que um senti-

226

227

mento de culpa. Trata-se de recuperar, reavivar uma prtica que prpria da comunidade crist.
2. Eu colocaria a nfase teolgica no poder de Deus que quer
salvar-nos em corpo , alma e mente, mas quer fazer isso na comunidade, com o auxilio dos crentes.
3. O conte xto scio-econmico em que vivemos . causador de
tanto sofrimento e doena, deve ser abordado. Quando o acesso alimentao, aos servios de sade , se to rna proibitivo para a maior parte
da populao, o simples apontar para o poder de Deus pode pare cer
blasfmia . A ao em favor da sade deve transcender os limites estreitos da comunidade e atingir as estruturas sociais mais amplas .
4. Recursos para ilustrar a situao da sade do povo o pregador encontrar no caderno do CEDI , j mencionado. Mais exemplos
provavelmente poder acrescentar de sua prpria experincia. Em alguma parte do culto devero ser mencionados os doentes e sofredores
da comunidade . Onde h desinibio suficiente, pode-se pedir que os
membros presentes apontem e descrevam casos de doena e sofrimento .
5. Pode ser que a comunidade esteja insegura em relao
"orao pelos doentes", devido aos abusos - cura divina, benzeduras. despachos. magias - presentes no nosso ambiente . Acho que .
neste caso, a sobriedade com que o nosso te xto aborda a orao pelos
enfermos , com uno e confisso de pecados, sem ingredientes mgicos , pode ser uma ajuda. Deus no deu a cura aos benzedores , carismticos e charlates . mas a realiza com a sua comunidade de f e no
meio dela.

XII -

Subsdios litrgicos

1. Confisso de pecados: Deus Todo-poderoso. nosso Senhor : Chegamos a ti desnorteados e de corao aflito. H doena e sofrimento no nosso
meio. e no sabemos enfrent-los com o teu poder. Trezentas mil criancinha s
morrem no nosso pas. a cada ano , por falta de alimentao e condies de vida. Milhes clamam por assistncia mdica e acompanhamento na doena .
Outros so ludibriados por benzedores e charlates. Nas ruas tropeamos nos
mendigos e desempregados. nossos irmos. Milhares de colonos pedem t er ra
para , com o seu trabalho, [Link] alimentar as suas famlias . Como podemos
ajudar. Senhor? Queremos aiudar? Nos hosp1ta1s , nos asilos. os doentes , os velhos anseiam por um sinal de amor . Tambm o nosso vizinho est doente. O
nosso egosmo mantm uma sociedade que obriga a maioria ao sofrimento e
doena. Temos boa vontade de ajudar, mas como? Estamos de conscincia pesada diante da nossa omisso e impotncia e suplicamos: Tem piedade de ns.
Senhor!
2. orao de coleta : Senhor, Deus fiel e misericordioso. Queres a felicidade e o bem-estar de todos os homens. Preparaste para todo,5 os teus filhos vi-

da plena . Proporcionaste sade e salvao ~[Link] cada um de ns. por mera graa, sem mrito nosso. D-nos hoje o teu Esp1r1to Santo . para que nos guie e nos
ensine a aproveitar. em comunho com todos os homens. os dons que em Jesus Cristo recebemos de ti. Amm.
3. Assuntos para a orao final : agrade::::imento pela sade que_temos. e
pelo sofrimento tambm. que nos leva a lembrar-nos da nossa cond1ao humana: a cura dos doentes da comunidade : os grupos de v1s1ta de doente_s. P'.3-ra
que tenham poder: os mdicos e ho~pitais , para que_ sirvam realmente a saude
e no ganncia ; os ministros da Saude e da Prev1denc1a , para que usem o seu
poder em favor da sade e no para fins ele1tore1ros : a soc1~dade, para que
possa renovar-se : a comunidade . para que cresa em comunhao e poder de cura .

229

20 DOMINGO APS T R INDADE


Corntios

7.29-31

cf. DIA DO TRABALHO


Corntios

7,29-32a

Werner Fuchs
(v . Vol . li , pp. 46-51)

21 DOMINGO APS T RI NDADE


Jeremias

29 . 1 , 4-7 , 10-14

cf. DOMINGO ROGATE


Jeremias

29,1 . 4-14a

Vitor Westhelle
(v . Vol . Ili, pp . 48-61)

PEN LT IMO DOMINGO DO ANO ECLESIS~


TICO
Apocalipse

E. Lohse no seu comentrio ao Apoca lipse de Joo traz di versos exemplos de como este livro foi interpretado ao longo da histri a.
No podemos. aqui , analisar essas diversas maneiras de inte rp retao . No esprito de PROCLAMAR LIBERTAO uma ten tativa de le itu ra
a pa rt ir dos oprimidos parece ser a mais promi ssora.

2 . 8 - 11

Ervi no Schmidt

1-

Penso que precisamos. urgentemente . recupe rar a mensagem


preciosa que este livro encerra . Exatamente hoje ela pode ser de inestimvel valor . O Apocalipse de Joo no quer motivar especulaes ,
mas trazer uma mensagem de esperana para uma poca de perseguio . Ele quer manter no povo oprimido "a mstica realista da f e aresistncia contra as foras opressoras" (Mesters , p.32). De modo geral.
apocalipses surgem quando a f de uma comunidade posta em dv ~
da pela violncia dos fatos que ocorrem e parecem tudo determinar . E
neste contexto que deve ser entendida a linguagem simblica que
uma caracterstica dos apocalipses , tambm do ltimo livro da Bblia .
A linguagem simbl ica mais popular do que intelectual. Mesters diz que mais " evocativa " do que terica. So evocados os grandes temas que marcaram a caminhada do povo no passado . evocado
o que animou o povo nesta sua caminhada . Alm disso , o smbolo tem a
propriedade de revelar e de esconder , ao mesmo tempo . Apocalipse
quer exatamente dizer " revelar ". Mas a revelao se d para quem
tem olhos para ver. Para os demais ela esconde . " Em pocas de perseguio , a linguagem simblica surge espontaneamente. Hoje tambm .
Por exemplo : Fazenda Modelo de Ch ico Buarque de Holanda . que a
linguagem demasiadamente clara perigosa e pode dar priso . Os
cristos eram bons , mas no eram bobos. A linguagem simbl ica
uma forma de se defender contra a opresso e de manter viva a resi stncia ." (Mesters, p.32)
As referncias que fizemos j indicam como o ltimo livro da Bbl ia quer ser entendido . Quer ser consolo na perseguio . Tem o p ropsito de trazer mensagem de esperana. Esta queremos ouvir.

Preliminares

O Apocalipse de Joo , para muitos, um livro bastante estranho . Com freqncia deixado de lado como se no servisse para 0
nosso tempo . Encontra-se dificuldade com as vises e com os smbolos. De fato , do comeo at o fim, h uma profuso de smbolos, nmeros e vises . Ser que tudo isso no est alienado da realidade na qual
vivemos? Quem sabe, a sada mesmo deixar este livro para as seitas?

II -

Contexto

O nosso trecho uma das sete cartas dirigidas a comunidades


da sia Menor . Em Ap 1.4 lemo~ : . " Joo , s sete igrejas que se encontram na Asia ". Ai vemos que o livro todo entendido como cart a dirigida s sete igrejas ( comunidades) . Mas em Ap 2. 1 - 3.20 trata-se de
cartas especficas para cada uma das igrejas mencionadas. So, porm, concebidas e redigidas como partes do escri to maio r. Elas obedecem a uma estrutura bem determinada . Aps o endereo, d-se uma
apresentao daquele que fala. Os predicados atr ibudos ao Senhor
exal tado podem reaparecer no decorrer de cada carta. No c entro delas

231

230
se encontram o louvor (este falta em rel ao a Sardes e Laod ic ia) e a
repreenso, "tenho, porm , contra ti ... " (esta falta no caso de Esmirna
e Filadlfia). Segue um convite para o ar rependimento e o anncio do
juzo . A exortao para o ouvir e a promisso para os que perman ecem
fiis finalizam as cartas . Quanto s comunidades, Mesters as caracteriza assim : So "do tipo das que hoje vivem numa situao mui to semelhante: perseguidas, contestadas , sofridas, fracas, cheias de problemas e tenses internas , com gente pobre e oprimida , sem gabarito ...
So sete pequenas comunidades , perdidas no mar da vida e no mundo
da histria, que procuram agentar firmes , apesar do vento contrrio e
apesar das prprias fraquezas ." (Mesters, p.33)

III -

Observaes exegticas

Logo de sada se coloca uma questo que j deu muita dor de


cabea aos telogos . Nos endereos de todas as sete cartas encontrase a expresso: "Ao anjo da igreja em ... escreve ''. Seriam estes anjos
os lideres das comunidades , os bispos? Esta a opinio de Barth
(p.602) . Em situaes especficas homens so " os mensageiros de
Deus" . Em vista dessa autoridade a eles con ferida , tem que se dizer
que um anjo que fala e age atravs de uma tal pessoa . Conforme E.
Lohse , porm, a designao " anjo " para dirigentes e bispos incomu~ . O que se tem em mente so anjos mesmo. Havia uma tradio
muito antiga, segundo a qual cada comunidade tinha o seu anjo que a
repre~en~ava . Mas , quando a palavra dirigida ao anjo , ento dirigida
tambem a comunidade toda . (Lohse, p.22) E isso, afinal , o que impo rta .
Vejamos a situao da comunidade de Esmirna . Encontra-se
em "pobreza". Isto contrasta com a riqueza da cidade de Esmirna . que
alcanou prosperidade e poder devido a atividades comerciais muito
expressivas . Alm da pobreza da comun idade. mencionada a 'tribulao" . THLIPSIS pode ser traduzido por " perseguio ". Os cr istos
de Esmirna so escarnecidos e odiados por judeus . Estes , porm , com
a sua cortdenvel conduta, jogam fora seu honroso nome de "judeu "
Com o seu procedimento mostraram que no so povo de Deus. mas
" sinagoga de Satans ".
_
O que cham_a ~teno que todas essas coisas - persegui ao , pobreza, blasfem1a - desapa recem diante do imponente OIDA.
"Conheo" a tua situao. O nosso olhar dirigido para o inicio que importa ; dirig ido para aquele que o ''primeiro e o ltimo , que esteve
morto e tornou a viver " (v.8). Ele o sujeito! Ele conhece a tribulao
da sua comunidade . Nele se pode confiar, a ele os cristos sempre se
_podem confiar. Quase se tem a impresso de que este seria o momento para finalizar. A mensagem est transmitida . Tudo est resolvido .

Mas, no nos precipitemos .10 texto continua . Ele aponta ~ara


uma sensvel piora da situao . Vir sofrimento ainda maior . "O diabo
est para lanar em priso alguns dentre vs ." Aqui , mais uma .vez. se
evidencia a estreita relao que existe entre discipulado e sofrimento .
discipulado e cruz. Somos seguidores do Cristo sofredor , daquele .que
esteve morto, que foi crucificado . Em todos os tempos , aceitar isso
causou dificuldade. No assim que facilmente nos escandalizamos
com o Cristo sofredor? E, com isso , indiretamente , queremos tug ir do
sofrimento que o prprio Senhor espera de ns. Num capitulo muito rico e profundo, Bonhoeffer trata desse aspecto em seu livro " Discipul ado ". O imperativo do sofrimento extensivo aos discpulos , ext ensivo
a ns , hoje . "Assim como o Cristo somente Cristo quando sofredo r e
rejeitado, assim tambm o discpulo somente discpulo quando sofredor e rejeitado, c rucificado com Cristo . O discipulado como unio com
a pessoa de Jesus Cristo co loca o discpu lo sob a lei de Cristo, ou seia .
sob a cruz ." (Bonhoeffer , p.43) o que se l em Me 8.34 : " Se algum
quer vir aps mim , a si mesmo se negue , tome a sua cruz, e siga-me ."
A cruz um sofrimento necessrio . Pelo fato de pe rt encermos a Cristo .
ela faz parte da nossa vida . No preciso procur-la . Isto, no meu entender, seria uma maneira de falsificar o "tome a sua cruz ". Esta j est preparada para cada cristo . "Para que ningum pense que tem que
sair procura de uma cruz qualquer, seja onde for , ou que tem que procurar voluntariamente o sofrimento, Jesus diz que existe uma cruz j
preparada para cada um de ns , uma cruz a ns desti nada e at ri buda
por Deus. " (Bonhoeffer, p.44) Aceitar o sofrimento vencer o sofri mento. uma maneira de esquecer-se a si mesmo. Esquecer-se a si mesmo entregar-se, quebrar o circulo gerador de toda a violncia.
Suportar o sofrimento carregar . No penso em carregar como
se tratando de uma desventura ou de um peso . O sofrimento que advm da unio com Cristo um sofrimento solidrio . Sim , suportando os
sofrimentos , cada cristo , cada comunidade cr ist , tambm a com uniade de Esmirna , expressa sua solidariedade com os homens . " Bemaventurados os que choram - Lutero traduz: os que suportam sofrimento - porque sero consolados ." (Mt 5.4)
Em meio a toda a tribulao, olhar firmemente para ele , "o pri
meiro e o ltimo , que esteve morto e tornou a viver ", no fugir da realidade . A mensagem de consolo do "eu conheo a tua tribulao, a tua
pobreza .. . " remete a uma vivncia solidria . "N o temas" leva a resistir na luta e a no abandon-la. Claro, em tudo que dissemos ficou patente que no se pode tratar de qualquer atitude de herosmo. Trata-se,
muito antes, de uma atitude de f que brota do "eu conheo" - " no
temas"! Alm do mais, a tribulao passagei ra . Chegar o dia em
que ela deixar de existir. Fala-se : no nosso texto, em uma durao "de

232

233

dez dias " . ~durao dos temp?s difceis ser determinada por Cristo
to que o Senhor
mesmo. o od10 humano eodera_ provocar o SOf(
permitir . [Link] alentador. EMERON DEKA, em to~;;~~aso, designa um
curto penado .
Expressamos a mesma convico quando cantamos:
"Todo o tormento
e sofrimento,
toda a desgraa
da terra passa .''
"Tereis tribulao de dez dias". dio e pe
. a- no tero a
1

t d " -f
. .
rsegu1 0
u t1ma palavra! Por 1s~o ~ o, se 1e 1ate a morte ". Esta fidelidade tem
h
a tua tribulao seu fundamento na f1del1dade daquele que diz . .
- ,,
d
,.
d
con e 0
~. 1eDqO_ue_promete ar La h cor~a a vida". Com toda a certeza , ele a
ara .
SO . Co~forme . se , coroa da vida" no a coroa conferida em compet1oes esportivas ou ~ara honrar homens que se fizeram
merecedores por um ou outro motivo. Aqui se m f t urna concep
d
f ..
an1 es a
_ . d .
ao JU a1ca, segun o a qua 1os 1e1s sero ornados com uma coroa luminosa , reluzente (cf. 3.11 ; 4.4, 1O; 12.1; 14.14). Os fiis recebem a ddiva da vida plena . ''O vencedor de nenhum mod
f
dano da sed
.. (
)p
t
o so rera
gun a morte. v.11 e 1a mor e c_omo final da vida terrena todos prec isam passar , mas os vencedores tem parte na vida eterna.
Essas ltimas afirma_es nos so um tanto estranhas . Dissemos [Link] o Apocalipse ~e Joao quer ser mensagem de esperana para
o aqui e agora. _Mas ~ao se aponta, no final do nosso trecho. para a
eternidade no alem? Ai surge uma grande dificuldade de interpretao .
P~re~e-me que soment~ sairemos ~ela se observarmos que eternidade
n~o ~ um co~.ce.1to da f1s1ca , mas e _um conceito religioso . Eternidade
nao e tempo 11im1tado, [Link] a d1men~ao divina que envolve 0 que conhec~mos por t~mpo . ~t~rn1dade tambem no um espao , mas a dimensao da plerntude d1v1na . Dessa forma, podemos relacionar 0 Eterno
com nossa vivncia diria, com o nosso compromisso histrico Quem
espera n~ convico _de no passar pela segunda morte , ou seja , quem
espera nao ser exclu1do da eternidade remetido para a vida . o lema
dos que contam com a eternidade ~.Deus, no fuga do mundo mas
servio ao prximo, solidariedade, sofrer solidrio. Isto tudo acontece
na convico de que h um alvo colocado por Deus para os homens ,
para a histria da humanidade . Vir o dia em que Deus ser "tudo em
todos" (1 Co 15.28) .

IV -

Comunidades perseguidas hoje

.
O Apocalipse de Joo foi dirigido "s sete igrejas que esto na
Asia" (1.4). Mas hoje comunidades vivem situaes muito semelhantes
s descritas no ltimo livro da Bblia. Contesta-se amplamente a viso

com que a f crist encara a realidade . H perseguio. H opresso


de gente que se solidariza com os fracos. Acontece um constante ataque ao comportamento nascido do ser cristo. Cristos so blasfemados . Tudo isso ocorre no nosso meio. nos nossos dias. Com muita propriedade, Mesters observa que hoje seria: "Escreve o que vs num livro e envia-o s sete comunidades: a Cacimba Nova . Serrote Branco .
Pitombeira , Uruama . Tacaimb , Monsuaba , Arir ." (Mesters , p.33) Recentemente esteve entre ns, a convite da Faculdade , o bispo da Prelazia de So Flix do Araguaia , dom Pedro Maria Casaldliga. Ele falou
como Jesus optou por seus irmos. " Optou pelos pobres , vtimas da
opresso e da misria; pelos ricos , vtimas do lucro e do
conformismo ." Os que seguem a Cristo assumem a mesma atitude. Tomam a mesma opo. Com isto tornam-se vulnerveis. O dio dos privilegiados certamente os atingir . As comunidades do Araguaia so perseguidas . Dom Pedro perseguido. Mas cristos tomam a sua cruz e
confiam na promisso de Deus , contam com a vida que no acaba .
Poderamos citar o exemplo de cristos luteranos no Chile que
no defenderam interesses privados , mas se comprometeram com os
interesses daqueles que no so de "interesse " para ningum . Houve
grupos cristos que , aps o golpe militar contra Salvador Allende , ensaiaram uma " pastoral de solidariedade " com os oprimidos. No tardou o confronto com os opressores . No tardou a perseguio. O prprio bispo Helmut Frenz foi um exemplo disso . Vieram dias de tribulao . Para ficarmos mais prximos do que acontece nas nossas cercanias: sol idarizar-se com os colonos de Ronda Alta pode ser perigoso .
En fim , onde uma comunidade fiel ao Cristo sofredor , ela deve contar
com dura perseguio !

V-

Tarefa da prdica

A mensagem de consolo que perpassa toda a percope Ap 2.811 deve ser levada de maneira insofismvel aos membros das nossas
comunidades. Tudo, porm , o que for dito tem um cent ro: Jesus Cristo .
Nele est a fidelidade que possibilita sermos fiis at o fim . a partir
dele que nada precisamos temer. nele que est ancorado o " no temas as cousas que tens de sofrer" (v.10). No mais , no se pode fomentar, direta ou indiretamente , uma fuga para um alm distante .
no compromisso com o irmo . no sofrimen to solidrio, que se
tem parte na eternidade, que no se sofrer " dano da segunda morte ".
E, por fim, preciso ter cuidado especial com interpretao do to
conhecido e to abusado versculo "s fiel at morte, e dar-te-ei a coroa da vida ''.

234
VI -

Subsdios litrgicos

1. ~onfisso de pecados: Senho r. tu no buscaste o poder, tu no procuraste a riqueza, tu no visaste aplauso. Tu te tornaste homem . Senhor , consta~temente esquecemos isso. Buscamos honra e glria . Nem notamos que te
tra1mos, ao abandonarmos o irmo sua prpria sorte . Perdoa-nos. Sen hor . Fugimos do compromisso com tua causa. Temos medo . Medo de sermos perseguidos. Tem piedade de ns, Senhor!

TEMAS E TEXTOS TRATADOS NOS VOLUMES I - VII

2. Orao de coleta : Deus, nosso Pai. tu queres falar conosco . Ns queremos te ~uv1r. Fortalece a nossa f . Renova em ns a certeza que teus pensamentos sao de paz e que tu amas toda a tua criao . Amm .

A Velhice . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. .
Celebrao da Santa Ceia (Lc 24.13-35) ............... .. ...... .. ... .
Confirmao (Fp 3.12-16) .. .... .... .. .. ... .... .. ..... ............ .........
Culto em poca de eleio (I Sm 11.1-15) ...........................
Dia de Aes de Graas (Gn 8.15-22) .................................
Dia de Aes de Graas (Jo 4.31-38) ... ........................ . ......
Dia de Aes de Graas (Ec 3.1-8) ....................................
Dia da Colheita (2 Co 9.6-15) ....... .... ... ............. ..................
Dia do Colono (Gn 2.4b-15) .......... ..... ......... ... .. ..... ... .... ......
Dia da Independncia (1Pe2.1.3-17) .. ... ........... . .................
Dia da Independncia (1Tm2.1-4) ......... .. .......... ... ....... .....
Dia da Independncia (Me 12.13-17) ............. .. ........ .. ... ... ...
Dia da Independncia (Hb 13.12-16) .... ........... .............. .....
Dia da Independncia (Mt 6.9-13) ................................... ..
Dia da Reforma (Gl 5.1-11) .......................... .......... ..........
Dia da Reforma (Jo .8.31-36) ......... ...... .... .......... ....... ... ... ...
Dia da Reforma (Rm 3.19-28) ..... ........................ .. ........... .
Dia da Reforma (Mt 5.1-10) ..............................................
Dia da Reforma (Ap 14.6-7) ............... ... ............. ...... ... ... ...
Dia da Reforma (Mt 10.26b-33) ........... ......... :..... ....... ... . ....
Dia do Trabalhador (Dt 5.12-15) .......... ... ..... ..... ... .............
Dia do Trabalhador (2 Ts 3.6-13 ) .. .. .. .. ............ ......... ... ..... ..
Dia do Trabalho (1Co7.29-32a) ..... ..... ..... .... ..... .... ...... .. .. ..
Dia do Trabalho (Ez34.1-2,(3-9), 10-16,31) .............. ...... ... ..
poca da Paixo I (Is 55.6-7) ........................................ ....
poca da Paixo II ( Mt 26.36-46) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
poca da Paixo III (Sl 130.4) ................................ .... ... ...
poca da Paixo IV (Mt 11.28-30) .. ...... .................... .. ...... .
Meditao sobre o tema "Terra" - I: Terra na nova sociedade (At4.32-37) .... ............................ ..................... ....... .
Meditao sobre o tema ''Terra'' - II: Terra para todos . . .
Proclamar Libertao I - Aspecto Poltico (Lc 4.14-21) .. ...
Proclamar Libertao II - Aspecto Eclesial ( 1 Pe 2.15-17)
Proclamar Libertao III - Aspecto Individual (Lc 4.1421) ..... .............................................. ..................... ...... ...

3. Orao final: Vivemos em um mundo sedento de justia e paz D-nos


f?[Link] para lutarmos contra injustias. contra circunstncias adversas . contra
lagrimas e desespero. Ensina-nos a con fiarmos em ti somente. D-nos acerte~a de que nos [Link] e tormentos tu nos queres assistir em todos os momentos .
A~ noss~s autorid~.des conced~ que vejam sua misso de proteger os que no
sao de. interesse. para n1nguem . Fortalece a tua Igreja que sempre de novo
fraqueja e tem d1f1culdade de se renegar a si mesma .

VII -

Bibliografia

BARTH , ~ . K_irchlicheDogmatik. Vol.111/3. Zrich , 1961 . - BONHOEFFER , D. Discipulado. So Leopoldo , 1981. - LOHSE , E. Die [Link] des Johannes . ln : Das Neue Testament D eutsch. Vol.11 .
Gottinge~ , 1971 : - [Link], C. A coragem da f. ln : Tempo e Presena. N 153. R:o de Janeiro, 1979. - OBENDIECK, H. Meditao sobre Apocalipse 2.8-11 . ln : Herr, tue meine Lippen auf Vol.4 . [Link] .
Wuppertal-Bar~en, 1965 . - SCHLATIER, A. Die Offenbarung des Johannes. ln: Erliiuterung zum Neuen Testament. Vol .3. Stuttga rt. 1921 .

_I

VI
VI
II
V
I
II
VI
V
V
I
II
III
V
VI
I
II
III
IV
V
VI
III
V
II
VI
VI
VI
VI
VI
V
V
VI
VI
VI

236

237

Gnesis 1.26-31; 2.1-3


Gnesis 2.4b-15

Gnesis 3.1-24 . .. . .
Gnesis 4.1-16::::::: ::: :: : :: : : :: : -
Gnesis 8.15-22

Gnesis 12.1-4a .. . -
Gnesis 22.1-13
Gnesis 32.23-3;

VII
VI

II

xodo 33.18-23
xodo 34.4b-10.

VI

III
V

VI

VII
I

Isaas 52.13-53.12 .............. ............................... .. ............. .


Isaas 55.1-5 ........ .. ....................................................... .. .
Isaas 55.6-7 ..................... .............. ... ............................. .
Isaas 60.1-6 ................................ ................................... .
Isaas 61.1-3, 11, 10 ..................... .. ........ .......... ........... .. .... .
Isaas 62.1-12 ... .... ... .... ....... ...... ....... ...... ....... ... .............. .. .
Isaas 63.15-16(17-19); 64.1-4a, 8 ........... ....... ......... .. .......... .

III
VI
V
VII
II
I

Jeremias 1.4-10 ............ ........ ............. ......... .............. ...... .


Jeremias 9.22-23 .............. ....... .... ...... .... .... ........... .......... . .
Jeremias 23.5-8 ....................... ....................................... .
Jeremias 23.16-29 ........................................................... .
Jeremias 29.l,4-14a .................... ........ .... ........... ......... .... .
Jeremias 31.31-34 .... .... ........... ........ .......... .. ................ .. .. .

VII

III
VI

Lamentaes 3.21-26,31-32 ...... .......... ........................... .. .. .

VI

.................................................. .. .. .....

VII
III

Ezequiel2.3-8a; 3.17-19 ... ...... ............. ..... ... ..................... .


Ezequiel 34.1-2, ( 3-9), 10-16,31. ..... .......... ... .. ...... ...... .. ...... .. .

II
VI

1Samuel2.1-10
1Samuel2.1-10 . ...... ..... .
1 Samuel ll.1-15 .............................................................. .

II
VII

Daniel 5.1-30 .. ...... ....................... .... ... ....... ...... ........ ....... .

III

Ams 5.21-24 .................................................................. .

VII

1 Reis 8.22-24, 26- 28


1 Reis 19.1-18
....... .. .............. .

VI

Miquias 5.1-4a .......................... ... .. .. ..... .......... .. ... .. ....... .

VI

Nmeros 21.4-9

III

VII

Deuteronmio 5.12-15
Deuteronmio 7.6-l 2

,Josu 1.1-9
Josu 24.1-2~:~3~25

VII

VI

2 Reis 5.l-19a
Salmo 130.4

Eclesiastes 3.1-8

Isaas 2.1-5
Is'

aias 517
. - ................ .
Isaas 6.1-13

Isa~as 9.1-6 .. :: : ::::::: :: :: :: ::::::: :: ::
Isa1as 29.18-24

Isaas 30. ( 8-14 )
0

iii."i7.

...

Isaas 43.1-7 ............. : :: :::::: :: : : : : : : : :: :: :: : :: :: ::: :: : ::: : : :: : ::: : : : : :: : : :


Isaas 41U-6 .............. ...... .
Isaas 50A-9a(9b-ll)

III

VI
VI

VII
VI
V

III
VI

II
III
II

Mateus 2.13-18 ........................... . .. .. .............. ... .. ............. .


Mateus 4.1-11 .......... ...... ....... .. ..................... .. .. ....... .. ..... . .
Mateus 5.1-10 .............................. ...... ................. ...... .. ... . .
Mateus 5.17-20 ....................... ... ... .. ... ......... ...... .. ... .. .. .. .. .. .
Mateus 5.38-48 .... .. ...... ............... .. .... .. ... ...... .. ..... .. .. .. ....... .
Mateus 6.5-13 ................................ .. ..... ...... ........ .. .... ...... .
Mateus 6.9-13 ... ...... ..... .. .............. .. .... ... ... ........ ... ......... .. . .
Mateus 6.16-18 ..................................... ................ ...... ... . . .
Mateus 6.24-34 ....... ...... ...... .. ..................... ..... ................. .
Mateus 7.15-23 ......................................................... ... .... .
Mateus 7.24-27 .......................................................... .... .. .
Mateus 9.1-8 ................. .. ........................................ ........ .
Mateus 10.7-15 ... .... .... ................... .......... .. ................... ... .
Mateus 10.26b-33 ........... .... ..................... ...... .................. .
Mateus 11.2-11 ... .... ........ .... .. ..... ...................................... .
Mateus 11.28-30 ............ .. ........................ ............ .. ...... .... .
Mateus 12.22-30 ........................................................ , ..... .
Mateus 12.38-42 ..... ... ..... .................. ... .. .. ........ .......... ...... .

VII
VI
II

III

VII

IV

IV
IV
II
II

VI
IV

IV
IV
VI

IV
II
VI
III

VI
IV
II

238

239

Mateus 13.44-46 ... .. ................. .... ... .... .. ..... . .... .. .. .. .. ......... .
Mateus 14.22-33 ... ....... .. ... ... ............ ...... ......... .. .. .... .. ...... .. .
Mateus 16.13-20
Mateus 18.15-20

Mateus 19.16-26
Mateus 20.1-16a

Mateus 21.1-9 ... .. ....... . ... .
Mateus 21.14-17

Mateus 21.28-32

~:~:~:;;:!~~!





Mateus 23.1-12 ................................................................


Mateus 24.1-14 ......................... ... .. ... ....... . .
Mateus 24.15-28 ...


Mateus 25.1-13
Mateus 25.14-3.. ...... ... ... ..

II
VI
II
II
II

IV
III
II

VI
IV
IV
II

Mateus 25.31-46 . . . . . . . . . . . . . . . .

Mateus 26.36-46

Mateus 28.1-10 .................. ..


Marcos 1.32-39 ........... .
Marcos 1.40-45

Marcos 3.31-35 .. .
Marcos 4.26-29
Marcos 7.31-37
Marcos 9.17-29 :
Marcos 9.43-48 .. .. .
Marcos 12.13-17 ... ...... .. .. . ... .. .. .................. ...... .... .
Marcos 12.41-44 ........ . .. .... .... . .
Marcos 14.3-9. .. .... ............. . .
Marcos 14.11-26
.... ........ ..... ... ............. ... ... . .
Marcos 16.1-8

Marcos 16.14-20.

........ ..... .. ....... ......... ....

::::::::::::::::::::::::::::

Lucas 1.26-33(34-37) 38 .
Lucas 1.46-55


Lucas 1.67-79

Lucas 2.1-14


Lucas 2.1-20

ucas 2.1-20 ...... ... .... .. ... . ..... ....... .......... :::::::::: :::::::::::::::::
Lucas 3.1-9 ... ..... ....... ..... ... .... ...... ... .

L ucas 3.1-14 .. ... .. . ..

Lucas 4.14-21 .................... ....... . : : : : : : : : : : : : : : : :: : : : : : : : : : : : : : :: ::: : : : :

VI
IV
IV
II

IV
VI

VI
VI
VI

VI
VI
IV
VI
II
III
I

VI
VI
IV
IV
VI
V
V
I
III

IV
V
VI

VI

Lucas 4.14-21 .. ... ..... ................. ... ... .... ......... ... .......... .... ... .
Lucas 5.1-11 .. ........................ ... ......... .... ... ... .. ... ..... ......... .
Lucas 6.36-42 ... ............... .. ................... .......... ... ..... ... .. .... .
Lucas 7.11-17 ........ ..................... ......... ..... .. ..... ...... ... .. ..... .
Lucas 10.21-24 ......... ........... ... .. ....... ........... .... ......... . ... .. .. .
Lucas 10.38-42 .................. ............. ...... ... ........ ....... ... .. .... .
Lucas 11.5-13 ........... ............. ............... ......... .. ............ .... .
Lucas 11.14-23 ................ .............. ...... .. ....... ... ........ . ... .. .. .
Lucas 12.35-40 ... ........ .... ......... ... ... .. ..... ... .. ........ .... .......... .
Lucas 12.41-48 ... ............ .......... .......... ..... .. ... ..... .... .......... .
Lucas 14.15-24 ... .. .. .................... ....... ... ...... .... ..... ..... ...... . .
Lucas 15.1-3, 11-32 .... .......... .. ........ .. ...... .... ... .................. .. .
Lucas 15.1-10 .............. .. ........... ............ ..... ............ ... ..... .. .
Lucas 16.1-9 ............ .......... ...... ...................... ..... ..... . .... .. .
Lucas 16.19-31 ... ... ... .... .. .... ........... .... ....... ....... ............. .. . .
Lucas 17.7-10 ...... ........ .. ... .... ............... .... ..... .. ... ..... .... ... .. .
Lucas 17.11-19 ............ ......... .. ... ....................... ... .... ... .... . .
Lucas 17.20-35 ............ .. ............ .. .... ....... ... .... ........ .... .. .... .
Lucas 18.9-14 ...... ... ..... ........... ...... ..... ............ .................. .
Lucas 18.18-30 .......................... ............. ... ........ ... ........ ... .
Lucas 19.1-10 .............. .. ........ .... ...... ................ ... ... .... ...... .
Lucas 19.41-48 ........... ....... .. ........... ...... .... ............ ... .. ..... . .
Lucas 21.25-36 ..... ...... .. ...... .. ..... .............. ... ..................... .
Lucas 23.33-49 .................................. .... ......... ... ....... . ...... .
Lucas 24.1-12 .. .... ....... ....... .. .... ..... .... ........... .... ... .... .. .... .. . .
Lucas 24.13-35 ....... .. .. .. ... ....... .. ........ ... ..... ....... ...... .. .. ... ... .
Joo 2.13-22 .................................... ............. ...... .... ..... ... . .
Joo 4.31-38 .... . ...... ..... .......... ............. .... ..... ....... .... .... .... . .
Joo 5.39-47 ......... .. .. .... ........... .. .. ........ ....... ... .. ... ... .... .. ... . .
Joo 6.1-15 .... .. ...... .. ..... ....... .......... .... .......... ... .......... ... ... .
Joo 6.37-40(41-43), 44 .. .. ....... ... ..... ..... .... ..... .. ... ... ...... ... ... .
Joo 7.37-39 ....... .................. .. ... ...... .... .. ..... .. .... ....... .. ...... .
Joo 8.31-36 .............. ... .... ... ........ ... ... ................. .... ..... ... . .
Joo 10.1-5,27-30 .......... ... ... .......................................... .. . .
Joo 10.11-16 .......... ......... ... .. .. .......................... ...... ........ .
Joo 11.1,3,17-27 ........... ....... ..... ......... .... ... ......... ............. .
Joo 14.1-12 ......... .. .. ......... .. .... ..... ...... ... ..... .. .. ... .. .... ... ... .. .
Joo 14.23-27 -
Joo 16.5-15 ....................... ... ..... ..... ........... ... .. .. ... ....... .... .
Joo 16.16-23a ...... ...... ....... ............. .. ... ... ... .......... ...... ..... .
Joo 16.16,20-23a ... ... ................ ........ .. ............................ .
Joo 16.22-28 .. ...... ..... ..... ... .. ........ .......... .. ......... ...... ... ..... .
Joo 17.9-19 .. ................. .. ...... ...... .. .. .... .... .. .. .. ... .............. .
Joo 19.16-30 ................... .... .. .. ... ..... ... .......... .... ... .... ..... .. .

VI

IV
IV
IV
II
VI
VI
VI
III
VI

IV
VI
IV
IV
IV
VI

IV
V

IV
IV
II

IV
III

VI
II

VI
VI
II

VI
IV
II

VI
II
II

IV
II
II

IV
IV
IV
VI
IV
IV

IV

240

241

Atos 2.36-41 .... .. .......... ....... .... ... ... ..... ...... .... ... ..... ............ .
Atos 3.1-10 ......... ...... . .. ...... .. ..... . .... . ....... .

III
VII

Atos 6.1-7 .... ........ .. ... ... ...... ... ... ..... ..... ...... .... ............ .. .. ... .
Atos 16.23-34
Atos 17.16-34

III

Atos 4.32-37


.............................. : ...... .............
..... .... ...... ....

Romanos 3.19-28
Romanos 5.1-11 ........ . ... . .. ........ .. .. ......... ........................ .. .
Romanos 6.19-23
Romanos 8.1-11 ......................... .
Romanos 8.12-17
.... ..........

Romanos 8.18-23 ...... .................. .. ......... ...... ....... .. ... . . ...... .


Romanos 9.1-5; 10.1-4

Romanos 9.30b-33
Romanos 11.25-32

Romanos 11.32-36 ....... ...... . ... ... . .
Romanos 12.6-16 ... ...... ...... ............. . .......... ................. ... .. .
Romanos 13.11-14
Romanos 14.7-13

VII
I

III
V
V
I

V
V
V

III
I
V
V

IV
III

1Corntios1.4-9 ........... .
1Corntios1.23-31
....... .. .. ..

V
V

1 Corntios 2.1-10 ......... . . .


... ... ..
1 Corntios 2.12-16

VII
VII
IV

1 Corntios 4.1-5 ...... ..... .. ..


1 Corntios 6.9-14 ( 15-17), 1B~2o" ............................ .. ... .. .. ..

1Corintios7.29-32a

1Corntios10.1-13
1Corntios10.16-17... ...... ........ . ...... . ... ......... .... ...... .......... . . .

C orntios11.23-29
..
11 Cor
ntios12.3lb-13:i3
..... ........ .. ....... .... ....... .... .... . ... .. .... . .

1Co rntios14.1-3, 20-25



1 Corntios15.1-20 .. .. .
1 Cor~ntios15.19-28 ... . : :: :::: :: : :: : : :: : :: : :: ::::: :: :: ::::: :: ::: :: : : :: : :::::::
1Co r mtios15.35-39, 42b-44

1 C or ntios15 .50-58 .. .... .. .
1 Corntios 15.50-58
2 C o rntios 1.3-7 .. ........ . .... ..... .......... .... ....... . ...... .............. .
2 Co r ntios 1.18-22 ...... . .......... ... ................ .. ...... ..... .......... .
2 Corntios 4. 7-18 ................ .... .......... . ... .. ...... .......... . ........ .
2 Co rintios 5.14-21 ..... .. ....... ......... .. . .................... ...... . ...... .
2 Co r ntios 6.1-10 ..... . ........... ................... . . .. ......... ...... ...... .

II
V

VII
V
V

VII
III
I
V

III
V

VII
III
I

VII

2 Corntios 9.6-15 ..... .. ......... ......... . .. ...... . ... .. ................. . ... .


2 Corntios 12.1-10 ....... .. ... .... ....... ................. ... .. . ... ......... ..

V
V

Glatas 2.16-21 ... .......... ..... .... ................. .. .. .. ...... ..... ... .... .
Glatas 5.1-11 .... .......... .. .. . ... ... ........... ..... .. .. .. .... .............. .
Glatas 5.25-26; 6.1-3,7-10 ... ........ .... ................... . .. .... ....... .

VII

Efsios 1.3-14 .......... ... ........... ... .... ....... . ... .. .. ... .. .. .... .. ...... .
Efsios 3.14-21 .. ....... . .. . ..... . ... ..... . .. ............ .. ....... ...... ...... . .
Efsios 4.1-6 ...... ......... ...... ............ ...... .. .... ...... . ... ... .. ....... .
Efsios 4.20-32 ............................... . ... ... .. .. ......... . .. .. .. ... ... .
Efsios 5.1-9 ................ .. ......... . ... ...... .......... .............. . .. ... .
Efsios 5.9-14 .......... .. ........ . ... .. ... . . .. ...... ..... .... ... . ....... ... ... .
Efsios 5.15-21 .. .. ... ..... ......... .. .. ........ ...... . ......... . ....... ....... .

III

Filipenses 1.12-21 ..... .......... ...... . ... .. ............ .. .. .. .... .. . .... .. . .


Filipenses 2.1-4 ... .. ... ..... . ... .. .. ...... .. ..... ..... .... .. ... . .. .. ... . . .... .
Filipenses 2.5-11 ... ........ . .... .... ..... ....... ... ... ... ... . .. .. ... .. ... .. .. .
Filipenses 3.7-14 ... ............ . ... . ....... ..... .. . .. ... .. ... .. .. ..... ...... . .
Filipenses 3.12-16 ...... . .. .... .. ....... .. . .. .. .. ... .. ..... ...... . ... ... .. ... .
Filipenses 3.20-21 ... .. ... ..... .. ........... . .. . ........ .. ........... .. .. . .. . .

VII

Colossenses 1.15-23 .... ........... ... ... .. ........ . .. .... ..... .. ... ..... .. .. .
Colossenses 3.1-4 ... ... ........... ... ..... .... ........... ............. ... .... .
Colossenses 3.12-17 . .. ... ... ..... .... .. .... .... ......... .... .... ......... ... .
Colossenses 4.2-6 ... ..... . .. ......... .. .. ... ......... . .. ..... .. .. .. .. ....... . .

VII

V
V
V
V

III
V

VII
V
V

II
I

III
V
V

1Tessalonicenses1.2-10 ... ... ...... ............... .. ....... .. ........ . .. . .


1 Tessalonicenses 4.1-8 ....... . ... . ... .. . .. .. .. ..... .. ......... .. . ... .. .... .

VII

2 Tessalonicenses 2.1-17 ... ................ .. .. ....... .. . .. .. ... .......... .


2 Tessalonicenses 3.6-13 .... ... ... ... .. ................ .. .. .......... ..... .

III

1Timteo1.12-17 ... .............. ...... ...... .......... ... .. ......... ... .... .
1Timteo2.1-4 .. ...... ... .. ........... .... ...... .. .... . . .... ...... ... . .. ..... .
1 Timteo [Link]-16 ....... . .. ... .. .. ... ......... . .. ....... .. .......... .. . .. .. .

III
II
IV

Tito 2 .11-14 .. ..... ... .. . .. .. ....... ... ....... . ... .. .. ...... .... . .. . .. .... .. . . ... .
Tito 3.4-7 ......... . .. .. .... ....... .. .. .... .. ... .. .. . .... .. .. ...... ...... .... ..... .

II
IV

Hebreus 9.15, 24-28 ... . .... . .. ... .............. .. ..... ...... ........ .. .. .... . .
Hebreus 10.19-25 ... . . ... . ... ... .. .......... . .. .. ..... .... ..... ...... .... .. .. ..
Hebreus 13.12-16 . .. ... ....... .. .... ... . ..... ........ .. ... .. .... ....... .. . .. .. .

III
II

242
Tiago 2.14-24

Tiago 5.13-16 ................................... .

~ ::~~~ ;:~~9

................................................................... .

III
VII

III

10
1 Pedro 2.13-1
. .. . ........ .......... ........ ...... ............ .
1Pe dro2.15-1 7 . ...............

I
I

7 . .. . ... ... . .. . . .

1 P edro 2 .21b-25

VI

V
V
V

1 Ped r o 3.8-17

1Pe dro4. 7-1 1


1 P edro5.1-5
1 Pedro 5 . 5b-~~- .....

III

III

2Pedro1.3-11

1Joo2.21-25
1 Joo 3.1-3 ...
1 Joo 3.18-24
1Joo4.7-16
1Joo4.16b-2;
1Joo5.1-5


Apocalipse 1.4-8
Apocalipse 1.9-lB
Apocalipse 2.8-11 .................................................... ...... .. .
Apocalipse 3.7-13
Apocalipse 4.1-8 ........ . ...... ......... .. ... .. ......... . ... ... .
ApocalipS'e 5.1-14. ... .. ... ...... ....... .......................... .
Apocalipse 7.9-17
Apocalipse 14.6-7 .. ...... .... ... ...... ..... .... .......... .... ....... ........ . .
Apocalipse 19.11-~6 .

RELAO DOS COLABORADORES DESTE VOLUME

[Link]. Eugenio Araya, Casilla 15167, Santiago, Chile


[Link] Bernhard, c.p . 14, 98800 Santo ngelo, RS
[Link]. Gottfried Brakemeier, Pastor Primeiro Vice-Presidente
da IECLB, Faculdade de Teologia, c .p . 14, 93000 So Leopoldo, RS
P. Wilfrid Buchweitz , Faculdade de Teologia, c.p. 14, 93000 So
Leopoldo, RS
[Link]. Jrgen Denker, Instituto Superior Evanglico de Estudios Teolgicos, Camacu 282, (1406) Buenos Aires, Argentina
[Link] Droste , Secretrio de Formao da IECLB, c.p. 2876,
90000 Porto Alegre, RS
[Link]. Joachim Fischer, Faculdade de Teologia, c .p . 14, 93000
So Leopoldo, RS
P . Bruno Gottwald, Rua Trajano Reis 199, 80000 Curitiba, PR
Sigolf Greuel, Faculdade de Teologia, c .p. 14, 93000 So Leopoldo, RS
P. Edmundo Grbber, Pastor Regional, c.p. 225, 98280 Panambi, RS
[Link]. Lothar C. Hoch, Faculdade de Teologia, c .p. 14, 93000
So Leopoldo, RS
P . Dr. Wilhelm Hffmeier, Alt-Lankwitz 9, 1 Berlim 46, Repblica Federal da Alemanha
P . Baldur van Kaick, [Link]., c .p. 121, 95600 Taquara, RS
[Link] Kilpp, Faculdade de Teologia, c .p. 14, 93000 So Leopoldo, RS
[Link]. N elson Kirst, Faculdade de Teologia, c.p. 14, 93000 So
Leopoldo, RS
[Link]. Ge rd Uwe Kliewer, Faculdade de Teologia, c.p . 14, 93000
So Leopoldo, R S
P. Dieter Knoblauch , Bvard. Oroflo 645, 2000 Rosario , Argentina
[Link]. Augusto Ernesto Kunert, Pastor Presidente da IECLB,
c.p. 2876, 90000 Porto Alegre, RS
[Link] Llndner, c.p . 257, 19800 Assis, SP
P. Valdemar Lckemeyer, c .p. 752, 99700 Erexim , RS

VII
VII
III
V
V
V

VII
VII
VII
II
I

VII
III
V

III

_i

-244
[Link] Malschitzky, Pastor R egional , c.p. 70 , 85900 Tol edo.
PR
P. Ulrico Meyer, c .p . 7, 85960 Mal. Cndido Rondon, PR
P . Kjell Nordstokke, Rua Trajano Reis 199, 80000 Curitiba, P R
[Link] Schaeffer, Rua Presidente Vargas 18, 29640 Santa Leopoldina, ES
P . Ervino Schmidt, [Link]., Faculdade de Teologia, c.p. 14,
93000 So Leopoldo, RS
P . Dr. Milton Schwantes, Fa_c uldade de Teologia, c.p . 14 , 93000
So Leopoldo, RS
P .Ulrico Sperb , 89164 Lontras, se. Endereo Postal: c .p . 249,
89160 Rio do Sul , Se
[Link] E. Streck, c.p . 153 . 85900 Toledo, PR
[Link] A . Trein, c .p . 200, 78300 Barra do Garas, MT
P . Bertholdo Weber , Faculdade de Teologia, c .p. 14, 93000 So
Leopoldo, RS
P. Knut Wellmann, Rua Senhor dos Passos 202, 1 andar, 90000
Porto Alegre, RS
P. Gnter Adolf Wolff, c .p . 37, 89890 Cunha Por, Se

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