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Endoscopia e Doenças Esofágicas em Animais

O documento descreve o procedimento de esofagoscopia em animais, incluindo sua definição, indicações, instrumentação, preparação do paciente, anatomia esofágica, aquisição de amostras, cuidados pós-procedimento e possíveis complicações. Também discute condições esofágicas como megaesôfago, divertículo esofágico, anormalidades vasculares, esofagite e constrições esofágicas.

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Lucilene Martins
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Endoscopia e Doenças Esofágicas em Animais

O documento descreve o procedimento de esofagoscopia em animais, incluindo sua definição, indicações, instrumentação, preparação do paciente, anatomia esofágica, aquisição de amostras, cuidados pós-procedimento e possíveis complicações. Também discute condições esofágicas como megaesôfago, divertículo esofágico, anormalidades vasculares, esofagite e constrições esofágicas.

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Veterinarian Docs

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Endoscopia Digestiva

ESOFAGOSCOPIA
Definio
Refere-se ao exame do lmen e da mucosa do esfago com o equipamento de
endoscopia. A esofagoscopia mais confivel para diagnstico de desordens que cursam com
o rompimento da mucosa, obstruo do lmen como: esofagites, constries, corpos estranhos
e neoplasias.
Indicaes
A esofagoscopia indicada para animais que apresentam sinais de enfermidade
esofgica como: regurgitao, disfagia, odinofagia e ptialismo. Tambm indicado para
avaliao de animais que possam ter corpos estranhos esofgicos.
A esofagoscopia geralmente indicada para avaliao diagnstica de pacientes com
regurgitao. A regurgitao a expulso retrgrada passiva de contedo slido ou fluido do
esfago e deve ser diferenciada de vmito o qual um reflexo central caracterizado por ejeo
explosiva de contedo gastroduodenal precedida de hipersalivao, esforos e mmicas de
vmito e contraes abdominais.
Instrumentao
A esofagoscopia pode ser realizada com endoscpio rgido ou flexvel. Os endoscpios
flexveis so mais versteis por causa de suas pticas, iluminao, insuflao, modos de
gravao e manuseio superiores. O endoscpio deve ter no mnimo 110 cm e abaixo de
9,8mm de dimetro, capacidade de suco e insuflao, canal de 2mm para instrumentos (Ex.:
frceps de bipsia) e angulao de 180.
Preparao do Paciente
A esofagoscopia requer anestesia geral e jejum alimentar de 12 horas prvias ao
procedimento. O paciente posicionado em decbito lateral esquerdo.
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A insero do tubo do endoscpio deve ser posteriormente a lubrificao com


lubrificante solvel em gua para facilitar a passagem.
Procedimento e Anatomia
Com o animal com a cabea e pescoo estendidos o endoscpio direcionado
orofaringe (dorsal ao traqueotubo) e ento o esfncter esofagiano cranial visualizado.
Geralmente este esfncter est contrado com aparncia de estrela. Com a insuflao e
mnima presso o endoscpio consegue avanar atravs do esfncter. Resistncia pode ser
sentida quando o endoscpio posicionado equivocadamente no recesso piriforme localizado
em cada lado da laringe.
O esfago cervical normalmente colapsado, assim com a passagem do endoscpio
uma imagem vermelha vista, obscurecendo a visibilidade. A insuflao de ar deve comear
imediatamente at que o lmen do esfago seja visibilizada com clareza.
O esfago um tubo reto com exceo de uma flexo na entrada da cavidade torcica.
O endoscpio deve ter pouca ou quase nenhuma resistncia na progresso. Na introduo a
angulao do endoscpio deve ser de 0 ou mnima e sempre deve-se manter a insuflao
assim que necessria. O lmen do esfago torcico insuflado facilmente e o pulso da artria
aorta contra a parede esofgica visibilizada no nvel da base do corao.
Ao nvel da juno gastroesofgica o esfago passa obliquamente atravs do diafragma
e abre-se internamente no estmago. O esfncter gastroesofgico no um esfncter
anatomicamente dito, mas sim uma zona de alta presso que mantm o esfago fechado entre
as deglutidas. Para a introduo do endoscpio nessa regio o endoscopista deve angular a
ponta do endoscpio em 30 esquerda e ligeiramente para cima.
Aquisio de Amostra (Biopsia)
Biopsia esofgica geralmente no requerida para diagnstico da maioria das
enfermidades esofgicas. As indicaes primrias para biopsia esofgica incluem: presena de
massa ou anormalidades na mucosa indicativas de esofagite. difcil de obter boa amostra da
mucosa esofagiana quando ela esta aparentemente normal.
Deve-se recolher de seis a dez fragmentos, geralmente esse nmero suficiente para se
fechar o diagnstico histopatolgico. As biopsia devem ser retiradas de reas viveis do tumor
de das bordas deste.
Cuidados e Complicaes Ps-Procedimento
Geralmente os pacientes se recuperam da anestesia e so liberados no mesmo dia do
procedimento. Comida e gua podem ser oferecidos horas aps o trmino do procedimento
quando o paciente est totalmente recuperado da anestesia.
Complicaes relacionadas com a esofagoscopia so raras e primariamente limitadas a
aspiraes inadvertidas de secrees orofarngeas ou refluxo gastroesofgico.

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Muitos pacientes no requerem medicao ps esofagoscopia. Medicaes ps so


recomendadas para controle da dor e da esofagite em animais que cursaram com presena de
corpos estranhos.
Esofagite tratada com inibidores da bomba de prtons (Ex.: omeprazol), sucralfato
como protetor de mucosa e metoclopramida ou cisaprida como procinticos para aumentar o
tono do esfncter gastroesofgico para prevenir o refluxo cido.

Figura 1. A Esfncter esofgico cranial fechado. B. Esfncter esofgico cranial aberto.


Fonte: TAMS e RAWLINGS, 2011.

Figura 2. A e B Esfncter esofgico cervical normal em um co.


Fonte: TAMS e RAWLINGS, 2011.

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Figura 3. C e D Esfago de um felino o qual apresenta anis (padro em espinha de peixe).


Fonte: TAMS e RAWLINGS, 2011.

Figura 4. Esfago de ces da raa Chow-Chow e Shar Pei, as quais apresentam-se pigmentadas
normalmente.
Fonte: TAMS e RAWLINGS, 2011.

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Figura 5. Esfncter gastroesofgico em um co normal. Geralmente o esfncter est contrado


(fechado), porm pode estar aberto/relaxado dependendo do protocolo anestsico. Verifica-se pregas
mucosas radiais nessa poro.
Fonte: TAMS e RAWLINGS, 2011.

Figura 6. Juno gastroesofgica interna (crdia) normal vista por retroflexo do endoscpio em um
canino (A) e em um felino (B).
Fonte: TAMS e RAWLINGS, 2011.

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Enfermidades Esofgicas
MEGAESFAGO
Megaesfago um termo que refere-se ao esfago flcido e dilatado resultado
de uma hipomotilidade difusa. A regurgitao associada com o transporte de alimentos
deficiente pelo esfago o principal sinal clnico. Perda de peso ou pobre ganho de peso
e broncoaspirao levando a pneumonia podem ser complicaes.
O exame radiogrfico simples ou contrastado confirma o diagnstico na maioria
dos casos e mais confivel que o exame endoscpico. O exame endoscpico no
rotineiramente necessrio para a confirmao do megaesfago e raramente benfico
para determinar a causa base, entretanto, a esofagoscopia pode auxiliar a descartar
causas obstrutivas como: anormalidades vasculares, constries e tumores.
Aparncia na Esofagoscopia
O esfago est marcadamente dilatado, flcido, estendendo-se desde regio
cervical at a regio do esfncter gastroesofgico contendo lquido ou alimento no
digerido. A dilatao de todo esfago distingui megoesfago de dilataes segmentares
ou saculaes. A mucosa geralmente est aparentemente normal no megaesfago mas
pode-se verificar esofagite secundria demonstrando eritema, eroses e mucosa frivel.

Figura 7. Megaesfago demonstrando aparncia cavernosa.


Fonte: TAMS e RAWLINGS, 2011.

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DIVERTCULO
Divertculos so grandes saculaes da parede esofgica que interferem com o
movimento ordenado da ingesta atravs do esfago. O divertculo incomum e pode ser
congnito ou adquirido. Quando ocorre geralmente est localizado no mediastino
cranial.
O divertculo pode ser diagnosticado com radiografias ou endoscopias.
Radiografia demonstra ar, fluido e alimento preenchendo o local e pode ser melhor
visualizado com a adio de contraste. Esofagoscopia revela uma saculao na parede
esofgica e frequentemente pode-se verificar esofagite erosiva na borda da saculao.
Devido a parede do divertculo ser fina e frgil, deve-se ter cuidado extremo para no
ocasionar perfurao.

Figura 8. Divertculo esofgico. (A) antes da remoo do tricobezoar e (B) aps a remoo do
concremento.
Fonte: TAMS e RAWLINGS, 2011.

ANORMALIDADES VASCULARES (ANIS VASCULARES)


Anormalidades vasculares so malformaes congnitas dos grandes vasos ou de
suas ramificaes e causam sinais clnicos de obstruo esofgica. A persistncia do
arco artico direito corresponde a 95% das anormalidades vasculares.
So reportadas em vrias raas, mas raas como: Pastor Alemo, Setter Irlands
e Labrador so predispostas.
Pode ser diagnosticada com o exame radiogrfico simples e contrastado e
esofagoscopia. A esofagoscopia distingui compresso extraluminal causada por
anormalidades vasculares de contries e outras causas de obstruo esofgicas.
Pulsaes podem ser visibilizadas na regio de constrio pelo anel vascular.
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A constrio se d ao nvel da base do corao e pode levar a uma dilatao do


esfago cranial com acmulo de ingesta nesse local e at putrefao do contedo.

Figura 9. Ilustrao demonstrando a constrio ocasionada por


anormalidade vascular.
Fonte: TAMS e RAWLINGS, 2011.

Figura 10. Constrio esofgica por anormalidade vascular.


Fonte: TAMS e RAWLINGS, 2011.

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ESOFAGITE
A esofagite caracterizada por inflamao aguda ou crnica do esfago,
geralmente resultado de injria mecnica, qumica ou por refluxo gstrico. Esofagite
moderada pode ser autolimitante ou tratada com medicamentos, entretanto, esofagite
severa pode ter complicaes como: necrose, perfurao e constries.

Figura 11. Esofagite caracterizada por grave eritema da mucosa esofgica.


Fonte: TAMS e RAWLINGS, 2011.

Figura 12. Esofagite erosiva caracterizada por grave eroso da mucosa esofgica.
Fonte: TAMS e RAWLINGS, 2011.

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Figura 13. Esofagite eosinoflica em um felino. Verifica-se esfago espessado, irregularidade difusa
da mucosa e granularidade.
Fonte: TAMS e RAWLINGS, 2011.

CONSTRIES ESOFGICAS
Constries esofgicas so causadas por inflamao e injria severa que se
estende para camadas da submucosa e muscular do esfago, resultando em cicatrizao
intramural e fibrose.
Aproximadamente 65% das constries esofgicas so atribudas ao refluxo
gastroesofgico associado com a anestesia. Em felinos a administrao de doxiciclina e
clindamicina um importante fator. Outras causas incluem: vmito, trauma por corpos
estranhos, tricobezoar esofgico em felinos e refluxo gastroesofgico associado a hrnia
hiatal.
A esofagoscopia o mtodo diagnstico mais confivel para esta enfermidade.
Aproximadamente 80 a 90% das constries em caninos e felinos so localizadas no
esfago intratorcico, caudalmente base do corao.

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Figura 14. Constrio esofgica, notar tecido esbranquiado ao redor da constrio demonstrando
fibrose regional.
Fonte: TAMS e RAWLINGS, 2011.

INTUSSUSCEPO GASTROESOFGICA
A intussuscepo gastroesofgica uma invaginao do estmago para dentro
do lmen esofgico. Como na hrnia hiatal pode ser causada pelo relaxamento do hiato
esofgico.
Na esofagoscopia verifica-se as pregas da mucosa do estmago protruda no
esfago. O endoscopista deve usar insuflao mxima e ocluir a regio cranial do
esfago, e com a ponta do endoscpio empurrar a parte estomacal protruda, assim
pode-se reposicionar o estmago normalmente.

Figura 15. Intussuscepo gastroesofgica demonstrados pregas estomacais protrudas.


Fonte: TAMS e RAWLINGS, 2011.

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Referncias Bibliogrficas
SCHERDING R.G. JOHNSON S.E. Esophagoscopy. In; TAMS T.R. RAWLINGS
C.A. Smal Animal Endoscopy. 3 ed. Mosby: United States, 2011.

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