UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAP UNIFAP
CURSO DE LICENCIATURA EM ARTES VISUAIS
PERCEPO E COMUNICAO VISUAL
PROFESSOR: MARCO ANTNIO SCUTTIDA COSTA BRAVA
Robertta Laryssa Carvalho Bastos
AUMONT, Jacques. A Imagem, Analogia 2 edio. Campinas, SP. Papirus
editora, 1995.
O quarto captulo aborda A parte da imagem e trata da relao que a imagem
estabelece com o mundo real, ou seja, como ela o representa. Por isso, o autor
inicia com a discusso de analogia, que a semelhana entre a imagem e a
realidade.
Costumamos relacionar a analogia de modo inconsciente a um tipo de ideal, de
absoluto, que a semelhana perfeita entre a imagem e seu modelo.
Ainda hoje, o cubismo por exemplo, aceito pelo grande pblico como estilo
autenticamente artstico, continua a ser concebido como modo de
representao deformante, que se afasta da norma analgica, sempre mais ou
menos fotogrfica.
O autor, cita mais uma vez o trabalho de Gombrich, que compreende, entre
outros, o grande clssico Lart et J illusion, exemplo pelo carter matizado e
fundamentado de sua posio: Toda representao convencional, mesmo a
mais analgica (a fotografia, por exemplo, na qual se pode atuar mudando
alguns parmetros pticos objetivas, filtros ou qumicos pelculas).
Mas h convenes mais naturais do que outros, as que agem sobre as
propriedades do sistema visual (especialmente a perspectiva). Ou seja, para
Gombrich, a analogia pictrica (ou, em geral, a analogia icnica) tem sempre
duplo aspecto.
Logo em seguida, Aumont fala da relao entre a analogia e mimese. A mimese
, no fundo, um bom sinnimo de analogia, que adotada para designar o
ideal da semelhana absoluta, forando um pouco seu sentido, exatamente
porque a maior parte das teorias da analogia ideal postula um efeito de crena
induzido pela imagem analgica, que tem relao com o fato de que essas
imagens so tambm carregadas de fico.
No ponto da referncia, ela se distingue da exemplificao pelo fato de a
segunda realizar-se na presena do referente e a primeira, na sua ausncia. A
semelhana, a analogia, torna-se fenmeno menor, a ponto de nem mesmo
ocasionar um tipo prprio de referncia, assim a analogia pode teoricamente
intervir em cada um dos tipos de referncia.
A realidade copiada est carregada de significados e simbolismos que o prprio
artista coloca. Como Aumont afirma as imagens analgicas, portanto, foram
sempre construes que misturavam em propores variveis imitaes da
semelhana natural e produo de signos comunicveis socialmente, ento,
mesmo que varie o grau de analogia, ela sempre est contida na imagem.
O autor retorna a questo do realismo na imagem e de incio distingue realismo
e analogia, pois se a analogia diz respeito ao visual, as aparncias, a realidade
visvel, o realismo diz respeito a informao veiculada pela imagem, logo a
compreenso, a inteleco.
O realismo pois uma noo relativa, no h realismo absoluto, nem mesmo
simples realismo. S pode, portanto haver realismo nas culturas que possuem
a noo de real e que lhe atribuem importncia. Quanto as formas modernas
do realismo, elas provem de um vnculo, tambm plenamente ideolgico,
estabelecido entre o real e suas aparncias.