TRABALHO PRTICO ESQUEMA DE WEENDE
ESQUEMA DE WEENDE
Introduo:
As linhas qumico-analticas seguidas no estudo da composio qumica dos produtos
alimentares derivam das investigaes realizadas por Henneberg e Stohnann na Estao de
Weende de 1857 a 1865 e continuadas por Kuhn e Kellner, tendo sido a respectiva tcnica
analtica sumariada por Woll em 1875/1876. Esta tcnica ficou conhecida para a posteridade
como Esquema de Weende.
ALIMENTO
Humidade
Matria Seca
Matria Orgnica
Protena
Gordura
Cinza
Fibra bruta
Extractivos
No Azotados
(ENA)
A partir dos valores obtidos dos diversos constituintes do alimento torna-se possvel calcular de
forma aproximada o valor energtico de um alimento e obter algumas indicaes acerca do seu
valor alimentar.
Neste trabalho vo ser efectuadas as seguintes determinaes experimentais: humidade, cinza,
gordura bruta, protena bruta e fibra bruta. No final ser tambm calculado o teor em
Extractivos No Azotados (predominantemente glcidos), o valor calrico do alimento bem
como as necessidades calricas e proteicas dos indivduos.
1.1 - HUMIDADE
Para efeitos deste esquema entende-se por humidade a perda de peso sofrida pela amostra
quando seca a 100-105 C at peso constante.
A determinao feita recorrendo a uma estufa elctrica, se possvel com circulao forada.
Trata-se de uma tcnica susceptvel de numerosas crticas. Basta considerar o facto de por este
mtodo serem englobadas na humidade as substncias volteis eventualmente existentes,
conduzindo por isso a erros por excesso. Por outro lado, nalguns alimentos parte da gua
encontra-se dificilmente acessvel, podendo no ser completamente eliminada pela dessecao
efectuada, conduzindo ento a erros por defeito.
Material:
Pesa filtros
Excicador
Estufa de secagem (100-105 C)
Balana analtica (0,0001 g)
Almofariz
Modo operatrio:
O mtodo usualmente adoptado compreende os seguintes passos:
a) Se necessrio, macerar no almofariz uma pequena quantidade da amostra, at esta se
encontrar bem triturada e homognea.
b) Pesar o pesa-filtros vazio, tomando nota do seu nmero (nota: o pesa-filtros deve ter
sido previamente mantido a 100-105 C durante pelo menos 30 minutos e arrefecido em
excicador antes da pesagem).
c) Pesar rigorosamente cerca de 2 g de amostra (com uma preciso de 0,0001 g) utilizando
o pesa-filtros j tarado.
d) Secar a 100-105 C na estufa durante 4 horas.
e) Arrefecer o pesa-filtros no excicador.
f) Depois de arrefecido pesar rigorosamente o pesa-filtros com a amostra seca (assegurese que est a utilizar o pesa-filtros correcto correspondente ao nmero referido em a).
NOTA:
Este procedimento simplificado para poder ser realizado durante as aulas prticas. Um
procedimento mais completo envolve os seguintes passos adicionais:
f) Repetir os passos c), d) e e), efectuando a secagem na estufa durante 2 horas apenas.
g) Se o novo peso obtido for igual ou superior ao peso obtido em e) a determinao
considera-se terminada; seno volta-se ao passo f).
Resultados:
Determinar a percentagem de humidade do alimento (g de gua por 100 g de alimento) com
base no peso inicial da amostra hmida e no seu peso final seco.
1.2 - CINZA
Entende-se por cinza o resduo calcinado obtido submetendo a amostra a uma temperatura de
550 C numa mufla.
A temperatura escolhida afecta obviamente os valores obtidos uma vez que se for demasiado
baixa dificulta a calcinao da amostra e se for muito alta provocar decomposio e perda de
alguns elementos minerais.
Material:
Cpsulas de slica ou porcelana
Excicador
Mufla
Balana analtica (0,0001 g)
Almofariz
Modo operatrio:
O mtodo usualmente adoptado compreende os seguintes passos:
a) Se necessrio, macerar no almofariz uma pequena quantidade da amostra, at esta se
encontrar bem triturada e homogenea.
b) Pesar a cpsula vazia, tomando nota do seu nmero (nota: a cpsula deve ter sido
previamente colocada na mufla a 550 C e arrefecida em excicador antes da pesagem).
c) Pesar rigorosamente cerca de 2 g de amostra (com uma preciso de 0,0001 g) utilizando
a cpsula j tarada.
d) Calcinar na mufla a 550 C at se obter um resduo branco (durante cerca de 4 horas).
NOTA: No caso da amostra permanecer escura trata-se o resduo com HNO3
concentrado calcinando de novo.
5
e) Arrefecer em excicador.
f) Depois de arrefecido pesar rigorosamente a cpsula contendo a cinza (assegure-se que
est a utilizar a cpsula correcta correspondente ao nmero referido em a).
Resultados:
Determinar a percentagem de cinza do alimento (g de cinza por 100 g de alimento)
relativamente matria original e relativamente matria seca ( necessrio entrar em conta
com o teor de humidade encontrado em 1.1)
1.3 GORDURA BRUTA
Entende-se por gordura bruta a fraco da amostra extrada por um solvente orgnico num
extractor de Soxhlet.
Material:
Extractor de Soxhlet (incluindo cpsulas de alumnio e cartuchos de filtro de papel)
Excicador
Almofariz
Balana analtica (0,0001 g)
Modo operatrio:
NOTA: A determinao da gordura feita num extractor de Soxhlet. Devido falta de tempo para
treinar os alunos no correcto funcionamento deste tipo de equipamento especializado, apenas lhes
caber a preparao inicial da amostra e a sua pesagem final. O processo de extraco ser efectuado
por um tcnico de laboratrio, sendo embora apresentado e explicado aos alunos.
O mtodo usualmente adoptado compreende os seguintes passos:
a) Se necessrio, macerar no almofariz uma pequena quantidade da amostra, at esta se
encontrar bem triturada e homogenea.
b) Pesar a cpsula de alumnio vazia, tomando nota do seu nmero (nota: a cpsula deve
ter sido previamente colocada na estufa a 100-105 C e arrefecida em excicador antes
da pesagem).
c) Pesar rigorosamente cerca de 5 g de amostra (com uma preciso de 0,0001 g) e
introduzi-la com o devido cuidado dentro dum cartucho de filtro de papel.
d) Colocar um pouco de algodo a tapar o cartucho e introduzir o cartucho no suporte,
tomando nota do seu numero de posio.
e) O processo de extraco ser efectuado num extractor de Soxhlet por um tcnico do
laboratrio.
f) Aps a extraco, pesar a cpsula contendo a gordura (assegure-se que est a utilizar a
cpsula correcta correspondente ao nmero referido em a).
Resultados:
Determinar a percentagem de gordura bruta no alimento (g de gordura por 100 g de alimento)
relativamente matria original e relativamente matria seca ( necessrio entrar em conta
com o teor de humidade encontrado em 1.1).
1.4 PROTENA BRUTA
Entende-se por protena bruta o resultado obtido multiplicando pelo factor 6,25 o valor de % de
azoto total determinado pelo mtodo de Kjeldhal. Este resultado s correcto quando:
i todo o azoto presente na amostra for de natureza proteica
ii a % de azoto nas protenas for de 16% (100/16 = 6,25)
evidente que tais condicionalismos no se verificam na generalidade dos casos surgindo
ento a necessidade de se adoptarem outros factores para alm de 6,25 para determinados
alimentos. A FAO (Food and Agriculture Organization) recomenda o uso do factor 6,25
sempre que no se disponha de outro reconhecidamente mais adequado, devendo contudo vir
devidamente assinalado na apresentao dos resultados qual o factor utilizado nos clculos.
Na Tabela 1.1 (pgina 8) apresentam-se os factores para o clculo da protena bruta para alguns
produtos.
Existem vrias tcnicas de anlise de Kjeldhal sendo as mais utilizadas a tcnica macro e a
tcnica semi-macro. Neste trabalho a determinao da protena ser efectuada segundo a
tcnica semi-macro, enquanto que a tcnica macro ser utilizada num trabalho experimental da
disciplina de Nutrio Vegetal e Fertilidade dos Solos.
Tabela 1.1 - Factores para o clculo da protena bruta
Produto
Factor
Produto
Factor
Produto
Factor
Ovos
6,25
Cereais:
Carne
6,25
Arroz
5,95
Amndoa
5,18
Gelatina
5,55
Aveia
5,83
Amendoim
5,30
Leite
6,38
Centeio
5,83
Avel
5,30
Cevada
5,83
Caju
5,30
Leguminosas:
Frutos Secos:
Ervilha
5,46
Mileto
5,83
Castanha
5,30
Fava
6,20
Milho
6,25
Cast.-maranho
5,46
Feijo
6,25
Sorgo
6,25
Noz
5,30
Feijo Frade
6,25
Trigo (farelo)
6,31
Noz americana
5,30
Soja
5,71
Trigo (int.)
5,83
Pinho
5,30
Tremoo
5,80
Trigo (endos.)
5,70
Pistachio
5,30
Trigo (embr.)
5,80
Oleaginosas:
Algodo
5,30
Canhamo
5,30
Gergelim
5,30
Girassol
5,30
Linho
5,30
1.4.1 Tcnica Semi-macro
Material:
Aparelho de destilao
Bales de Kjeldhal de 300 mL
Bloco de digesto
Almofariz
Balana analtica (0,0001 g)
Erlenmeyers de 100 mL
Funil
Bales volumtricos de 250 mL
Pipetas e buretas vrias
Reagentes:
cido sulfrico (H2SO4) concentrado
Hidrxido de sdio (NaOH) 40%
cido brico (H3BO3) 4%
Sulfato de cobre (CuSO4)
cido clordrico (HCL), conc. varivel
Sulfato de potssio (K2SO4)
Indicador misto (verde de bromocresol com vermelho de metilo)
Modo operatrio:
NOTA: A determinao do azoto pelo mtodo de Kjeldhal feita com recurso a uma digesto com
cido num digestor apropriado seguido de uma destilao. Devido falta de tempo para treinar os
alunos no correcto funcionamento deste tipo de equipamento especializado, apenas lhes caber a
preparao inicial da amostra e a titulao final. O processo de digesto e de destilao ser
efectuado por um tcnico de laboratrio (assinalado em baixo dentro de uma caixa cinzenta), sendo
embora apresentado e explicado aos alunos.
O mtodo usualmente adoptado compreende os seguintes passos:
a) Se necessrio, macerar no almofariz uma pequena quantidade da amostra, at esta se
encontrar bem triturada e homogenea.
b) Pesar rigorosamente cerca de 0,2 a 2 g de amostra* (com uma preciso de 0,0001 g) e
introduzi-la com o devido cuidado dentro dum balo de Kjeldhal, tomando nota do seu
nmero.
c) Adicionar cerca de 12,5 mL de H2SO4 concentrado e uma pequena quantidade (<0,5 g)
do catalisador (mistura de CuSO4 e K2SO4 na proporo 10/90).
d) Colocar o balo de Kjeldhal no digestor, iniciando a digesto a baixa temperatura (100
C) a aumentando-a progressivamente at se atingir a temperatura mxima de 350 C.
Manter a esta temperatura durante cerca de 2 2,5 horas, at se obter um lquido
xaroposo incolor.
e) Com o auxlio de um funil transferir quantitativamente o lquido que ficou no interior
do balo de Kjeldhal para um balo volumtrico de 250 mL. Lavar muito bem as
paredes internas do balo de Kjeldhal com gua destilada.
f) Deixar arrefecer o balo e acertar ao trao com gua destilada.
g) Medir 10 mL de cido brico (H3BO3) 4% para um erlenmeyer de 100 mL e adicionar 3
a 4 gotas de indicador (indicador misto, mistura de verde de bromocresol com vermelho
de metilo).
h) Medir 25 mL da soluo a analisar para o aparelho de destilao e adicionar 25 mL de
NaOH a 40%, dando inicio ao processo de destilao.
i) Recolher cerca de 50 mL do destilado e titul-lo com uma soluo de HCl (tomar nota
da concentrao e do volume de titulante gasto).
A quantidade de amostra a pesar depende do tipo de amostra e do teor esperado de protena. Deve-se pesar uma
pequena quantidade de amostra quando o teor de protena esperado for relativamente grande.
Resultados:
Determinar a percentagem de azoto (atmico) no alimento (g de N por 100 g de alimento)
relativamente matria original e relativamente matria seca ( necessrio entrar em conta
com o teor de humidade encontrado em 1.1).
Converter o teor de azoto em teor de protena utilizando o factor adequado.
1.5 CELULOSE BRUTA
Entende-se por celulose bruta o resduo orgnico constitudo por celulose contendo pequenas
quantidades de hemicelulose e pentosanas e obtido a partir da substncia seca e isenta de
matria gorda, pela remoo de outros glcidos e dos prtidos mediante tratamento por
ebulio com uma soluo apropriada. O mtodo mais divulgado e utilizado, conhecido como
mtodo de Weende, de realizao demasiado complexa e morosa para ser efectuado nas aulas
prticas pelo que se vai utilizar um mtodo alternativo, o mtodo de Van Kramer e Van Ginkel,
de menor rigor nos resultados obtidos, mais de execuo mais simples e rpida, adequado,
portanto, a ser realizado nas aulas.
1.5.1 Mtodo de Van Kramer e Van Ginkel
Material:
Almofariz
Placa filtrante (porosidade G3)
Erlenmeyers 250 ou 300 mL
Estufa elctrica
Excicador
Balo de kitasato com trompa
Condensador de vara
Placa elctrica
lcool etlico
Reagentes:
ter petrleo
Mistura nitro-actica (90 mL HNO3 + 732 mL CH3COOH + 178 mL H2O = 1L)
Modo operatrio:
O mtodo usualmente adoptado compreende os seguintes passos:
a) Pesar o cadinho de placa filtrante vazio, tomando nota do seu nmero (nota: ao cadinho
deve ter sido previamente colocada na estufa a 100-105 C e arrefecida em excicador
antes da pesagem).
10
b) Pesar rigorosamente cerca de 0,5 g de amostra (com uma preciso de 0,0001 g) e
introduzi-la com o devido cuidado num erlenmeyer de 200 ou 300 mL.
c) Adicionar 50 mL da mistura nitroactica.
d) Adaptar o condensador de vara ao erlenmeyer e aquec-lo numa placa elctrica de
modo a manter uma ebulio suave. Deixar em ebulio durante 25 minutos. Durante
este perodo vigiar o erlenmeyer no deixando que a ebulio se torne demasiado
violenta, nem que a mistura evapore secura.
e) Terminado o perodo de ebulio adaptar o cadinho de placa filtrante ao kitasato, lig-lo
trompa de gua e filtrar a mistura atravs desse cadinho, sob suco.
f) Uma vez transferido todo o resduo para a placa filtrante lavar, sucessivamente, com
cerca de 5 mL da mistura nitroactica, lcool e ter petrleo.
g) Secar o cadinho de placa filtrante em estufa a 100-105 C at peso constante.
Resultados:
Determinar a percentagem fibra bruta no alimento (g de fibra por 100 g de alimento)
relativamente matria original e relativamente matria seca ( necessrio entrar em conta
com o teor de humidade encontrado em 1.1).
1.6 Extractivos No Azotados (ENA)
Entende-se por Extractivos No Azotados (ENA) a diferena para 100 dos restantes
constituintes determinados anteriormente (em %). Corresponde em grande parte a glcidos,
excepo feita celulose e polissacridos contaminantes, embora englobe tambm outros
compostos.
Assim tem-se:
% ENA (m.o.) = 100 (%Humidade + %Cinza + %Gordura + %Protena bruta + %Celulose
bruta)
% ENA (m.s.) = 100 [%Cinza(m.s.) + %Gordura(m.s.) + %Protena bruta(m.s.) + %Celulose
bruta(m.s.)]
Onde m.o refere-se matria original (hmida) e m.s. matria seca
11
1.7 Clculo do Valor Calrico do Alimento
Em princpio esse clculo dever resultar de determinaes calorimtricas directas, isto , da
determinao do valor calrico do alimento efectuado numa bomba calorimtrica, corrigindose depois pela subtraco do nmero de calorias correspondentes fraco no assimilada e
eliminada atravs dos excretos. Em nutrio designar-se-iam esses valores como valor calrico
bruto e como coeficiente de digestibilidade, deles resultando o valor calrico efectivo.
Como evidente essas determinaes so morosas e difceis e por isso se procuraram
estabelecer mtodos rpidos baseados em determinaes analticas fceis e expeditas. A
soluo usualmente aceite parte do Esquema de Weende.
A partir dos dados obtidos pelo recurso a bombas calorimtricas foi possvel verificar que o
calor de combusto dos diversos nutrientes isolados se apresenta bastante homogneo, podendo
por isso adoptar-se os seguintes valores mdios de energia:
Nutrientes
Valores mdios (cal.g-1)
Variao (valores extremos)
Glcidos
4,15
3,8 4,5
Protenas
5,65 (4,20)
5,5 5,9
Lpidos
9,40
6,4 9,5
Note-se porm que, enquanto que os glcidos e lpidos so integralmente oxidados a CO2, no
caso das protenas os resduos metablicos eliminados atravs da urina apresentam ainda uma
certa energia (cerca de 1,25 cal.g-1 em mdia). Da que, no caso das protenas se considera
como energia utilizvel a diferena 5,65-1,65 = 4,20 cal.g-1.
Se, por outro lado, considerarmos o coeficiente de utilizao digestiva mdio dos diversos
alimentos poderemos corrigir os valores anteriores e transform-los em calorias teis aos
organismos. Atwater props o coeficiente mdio de 95% e, na sequncia dos raciocnios
anteriores, calculou a energia til por 1 grama de cada um dos nutrientes:
12
Nutrientes
Energia mdia (cal.g-1)
Glcidos
4,15 0,95 = 3,94
Protenas
4,20 0,95 = 3,99
Lpidos
9,40 0,95 = 8,93
Para simplificao do sistema, Atwater props que se considerassem no esses valores mas 4
cal.g-1 para os glcidos e protenas e 9 cal.g-1 para os lpidos. Da a designao proposta de
Sistema 4:9:4.
Comparando estes valores com a energia determinada por via calorimtrica conclui-se que
um pouco superior aquele o que se verifica, alis, na generalidade das raes muito ricas em
cereais e no caso de farinhas grosseiras.
Da Atwater ter proposto uma modificao do seu prprio sistema em que recorre a
coeficientes especficos para alguns alimentos. Em todos os outros casos deve continuar a
recorrer-se ao sistema clssico 4:9:4 que alis adoptado pela FAO/OMS como sendo de
aplicao geral.
Com base nestes valores de teores energticos dos nutrientes e das necessidades energticas
dos diferentes indivduos possvel calcular a fraco das necessidades totais cobertas por 100
g de cada alimento. Nas tabelas seguintes apresentam-se as necessidades calricas para homens
e mulheres em funo do peso e actividade (tabela 1.2) e para crianas e adolescentes em
funo da idade (tabela 1.3).
Tabela 1.2 Necessidades calricas do homem e da mulher de referncia de acordo com o
peso corporal e com a actividade (calorias por dia).
Peso
(kg)
Homem (cal/dia)
Mulher (cal/dia)
40
Activ.
ligeira
-
Activ.
Moderada
-
Activ.
Intensa
-
Activ.
mto intensa
-
Activ.
ligeira
1440
Activ.
Moderada
1600
Activ.
Intensa
1880
Activ.
mto intensa
2200
45
1620
1800
2120
2480
50
2100
2300
2700
3100
1800
2000
2350
2750
55
2310
2530
2970
3410
2000
2200
2600
3000
60
2520
2760
3240
3720
2160
2400
2820
3300
65
2700
3000
3500
4000
2340
2600
3055
3575
70
2940
3220
3780
4340
2520
2800
3290
3850
75
3150
3450
4050
4650
80
3360
3680
4320
4960
13
Tabela 1.3 Necessidades calricas de crianas e adolescentes de acordo com o sexo e com a
idade (para um determinado peso corporal, em calorias por dia).
Sexo masculino
Sexo feminino
Idade
(anos)
Peso (kg)
Cal/dia
Peso (kg)
Cal/dia
7,3
820
7,3
820
11,4
1180
11,2
1180
13,6
1360
13,4
1350
15,6
1560
15,4
1520
17,4
1720
17,5
1670
20,7
1870
20,0
1790
23,2
2010
22,4
1900
25,9
2140
25,0
2010
28,6
2260
27,6
2110
31,3
2380
30,4
2210
10
33,9
2500
33,8
2300
11
36,7
2600
37,7
2350
12
40,2
2700
42,4
2400
13
45,5
2800
47,0
2450
14
51,7
2900
50,3
2500
15
56,6
3000
52,3
2500
16
60,3
3050
53,6
2420
17
62,4
3100
54,2
2340
18
63,7
3100
54,6
2270
19
65,0
3020
55,0
2200
adulto
65,0
3000
55,0
2200
1.8 Clculo das necessidades proteicas
Quanto s necessidades proteicas o problema um pouco mais complicado pois uma protena
possui um valor nutritivo tanto mais elevado quanto maior for a sua aptido para cobrir as
necessidades do organismo, uma vez terminado o processo de hidrlise digestiva e sua
absoro atravs das paredes do intestino delgado.
As protenas alimentares no podem, portanto, ser comparadas entre si se a noo de
quantidade no se ligar de qualidade.
14
Como evidente o problema pode numa primeira aproximao ser simplificado de algum
modo. E assim, ao indicarem-se as necessidades proteicas, muitas vezes se indicam
quantitativos dirios de protenas cuja ingesto recomendada.
A FAO preconiza nesse sentido para um homem adulto de 70 kg de peso vivendo numa zona
temperada e desenvolvendo uma actividade normal, a ingesto de 70 g de protena por dia. Na
tabela 1.4 indicam-se os nveis de ingesto de segurana, ou seja, as quantidades de protena de
ovo ou leite capazes de cobrirem as necessidades do indivduo.
Tabela 1.4 Nveis de ingesto de segurana de protenas de ovo ou leite suficientes para
cobrir as necessidades dos indivduos (g protena por kg de peso por dia, g/kg/dia).
Idade
Sexo Masculino
Sexo Feminino
<3 meses
2,40
2,40
3-6
"
1,85
1,85
6-9
"
1,62
1,62
9-11 "
1,44
1,44
1 ano
1,27
1,27
2 "
1,19
1,19
3 "
1,12
1,12
4 "
1,06
1,06
5 "
1,01
1,01
6 "
0,98
0,98
7 "
0,92
0,92
8 "
0,87
0,87
9 "
0,85
0,85
10 "
0,82
0,81
11 "
0,81
0,76
12 "
0,78
0,74
13 "
0,77
0,68
14 "
0,72
0,62
15 "
0,67
0,59
16 "
0,64
0,58
17 "
0,61
0,57
adulto
0,57
0,52
15