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Morfometria de Partículas Sedimentares

O documento discute a morfometria de partículas sedimentares, que fornece informações sobre os ambientes deposicionais. A forma e arredondamento de cascalhos e areias são medidas usando índices como esfericidade. Embora a forma dependa do transporte e origem do material, o arredondamento indica abrasão durante o transporte. Tais parâmetros auxiliam na caracterização dos depósitos sedimentares, embora sozinhos não determinem o ambiente deposicional.

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Morfometria de Partículas Sedimentares

O documento discute a morfometria de partículas sedimentares, que fornece informações sobre os ambientes deposicionais. A forma e arredondamento de cascalhos e areias são medidas usando índices como esfericidade. Embora a forma dependa do transporte e origem do material, o arredondamento indica abrasão durante o transporte. Tais parâmetros auxiliam na caracterização dos depósitos sedimentares, embora sozinhos não determinem o ambiente deposicional.

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Morfometria (esfericidade e arredondamento)

A morfometria compreende a medida da forma (ou esfericidade) e


arredondamento das partculas sedimentares detrticas que fornecem informao
sobre os agentes e/ou ambientes deposicionais. Dessa maneira, os seixos de formas
facetadas, caractersticos de depsitos elicos, so por demais conhecidos desde os
primrdios das cincias geolgicas.

Os parmetros morfolgicos dependem muito do meio (ou agente) de transporte e
do modo de transporte. Entretanto, fatores de controle importantes so tambm as
composies qumica e/ou mineralgica, alm da estrutura interna e forma original
do fragmento. Uma rocha bem estratificada ou com xistosidade bem desenvolvida
tende a produzir fragmentos tabulares ou alongados, enquanto rochas homogneas
tendem a produzir fragmentos esferoidais. Desse modo, os seixos de xistos e
ardsias apresentam formas tabulares ou laminares, enquanto que os de quartzo de
veio exibem formas mais equidimensionais. Alguns agentes geolgicos, alm do gelo
e do vento, podem modificar essas formas originais atribuindo-lhes caractersticas
morfomtricas particulares.

Wayland notou uma tendncia ao maior alongamento dos gros de quartzo detrtico
na direo do eixo c, fato que o autor atribuiu abraso diferencial devida a
pequenas diferenas de dureza, segundo as direes cristalogrficas. Por outro lado,
foi demonstrado, experimentalmente, que os gros de quartzo apresentam fraturas
prismticas e rombodricas, de modo que os gros fraturados tendem a ser
alongados paralelamente ao eixo cristalogrfico c ou a um determinado ngulo
daquele eixo. Desse modo, a forma final dos gros de quartzo determinada, em
grande parte, pela configurao original ou pelo fraturamento. Acredita-se tambm
que o quartzo das rochas metamrficas tenha forma inicial mais alongada que o das
rochas gneas, fato que permitiria discriminar os gros de quartzo, segundo essas
duas origens. Alm disso, a forma das partculas que constituem um determinado
depsito sedimentar, ao menos parcialmente, resultante dos mecanismos de
seleo hidrulica das partculas, de acordo com as suas formas. provvel que o
efeito de seleo hidrulica, segundo a forma, dependa tambm da granulometria
das partculas associadas, pois um seixo esfrico pode rolar facilmente sobre um leito
arenoso, o que no sucede se o leito for composto por seixos de tamanho igualou
superior.

Os mtodos de medida morfomtrica, bem como os significados da forma (ou
esfericidade) e arredondamento, so diferentes para partculas grossas (cascalhos) e
finas (areias). Por essas razes, conveniente que esses sedimentos sejam
discutidos em tpicos separados.





Forma e arredondamento dos cascalhos

a) Forma dos seixos e calhaus - Como os fragmentos minerais ou rochosos contidos
nos sedimentos apenas se aproximam bastante grosseiramente dos slidos
regulares, a sua caracterizao numrica tambm muito aproximada. Apesar disso,
um ndice numrico de forma muito til e, por isso, vrias tentativas tm sido feitas
para se encontrar os "ndices de forma" mais apropriados.

Uma maneira de resolver o problema baseada na escolha de uma forma-padro de
referncia como, por exemplo, uma esfera. Entre todas as formas possveis de
slidos, a esfera a que possui a menor superfcie para um dado volume
e, portanto, a sua velocidade de decantao maior que a de qualquer outro slido
com volume e densidade iguais. Sob condies de transporte por suspenso, as
partculas esfricas tendem a se separar dos demais gros menos esfricos com
volume e densidade iguais. Dessa maneira, pode-se definir adequadamente a forma
de uma partcula pelo seu grau de esfericidade, que expressa o "grau de
aproximao" das superfcies especficas de uma partcula qualquer e de uma esfera
com mesmo volume e densidade. Portanto, tem-se que a esfericidade = s/S, onde s
a superfcie especfica da esfera e S a superfcie especfica da partcula em
questo.

Por outro lado, partculas com os mesmos graus de esfericidade podem exibir formas
achatadas ou alongadas, isto , a esfericidade por si s incapaz de definir
completamente as diferentes formas, de modo que ndices adicionais so
necessrios. Esses ndices podem ser obtidos, por exemplo, pelas medidas dos trs
eixos principais: comprimento mximo (A), largura mxima (B) e espessura mxima
(C), perpendiculares entre si. Zingg usou as razes B/A e CIE, na definio de quatro
diferentes classes de seixos (Tabela 7 e Fig. 5.9).






A forma das partculas sedimentares , desta maneira, um fator muito importante no
processo de sedimentao por gua corrente. H uma ntima correlao entre o
"ndice de forma" e a velocidade de decantao. Estudos experimentais
demonstraram que a forma das partculas to importante quanto o peso especfico
(ou densidade) na decantao de vrios tipos de minerais pesados.

b) Arredondamento de seixos e calhaus - Uma outra propriedade muito importante
das partculas sedimentares o grau de arredondamento. Esse ndice expressa
numericamente o "grau de curvatura dos cantos (pontas e arestas)" das partculas
minerais. um coeficiente mais ou menos independente da sua forma (ou
esfericidade).

Os seixos bem arredondados comumente indicam abraso mecnica prolongada
durante o transporte, mas em geral os seixos no requerem grandes distncias para
se arredondar, sendo freqentemente mais ou menos arredondados com um
percurso de apenas poucos quilmetros. Existem at casos de seixos e mataces
arredondados praticamente "in situ", sem relao com abraso mecnica, mas
relacionados disjuno esferoidal durante o intemperismo qumico. Esse tipo de
arredondamento foi encontrado em seixos e mataces de gnaisses de materiais de
escorregamentos de 1967, ocorridos em Caraguatatuba (SP), pelo autor deste livro.

O termo arredondamento a relao entre r/R, onde r o raio de curvatura da
aresta mais aguda e R a metade do dimetro mais longo da partcula.

Em cascalhos marinhos existe uma determinada granulao que desenvolve melhor
arredondamento e o valor mdio desse dimetro depende da energia das ondas na
praia.




Forma e arredondamento das areias

a) Forma das areias - Em funo de suas dimenses reduzidas, as medidas
morfomtricas das areias so feitas sobre imagens das partculas, apenas em duas
dimenses. O "ndice de forma" mais empregado o grau de esfericidade para
areias, determinado por comparao visual.

b) Arredondamento das areias - O arredondamento dos gros arenosos, como nos
cascalhos, tambm uma medida do grau de "agudez de cantos e arestas". O
mtodo mais comumente empregado para a sua determinao o de Wadell.

Russell & Taylor (1937a, b) sugeriram cinco grupos (ou classes) de arredondamento,
que podem ser determinados visualmente. Powers (1953) e Shepard (1967)
estabeleceram seis grupos de graus de arredondamento (Fig. 5.10).





Outros parmetros morfomtricos

Shepard & Young introduziram o termo rolabilidade (rollability), que expressa a
facilidade com que uma partcula sedimentar comea a rolar sobre um plano
inclinado que, fundamentalmente, depende do seu grau de arredondamento.
Segundo Winkelmolen, essa palavra pode ser empregada no sentido amplo como
sinnimo de pivotabilidade(pivotability), indicando a tendncia para uma partcula
comear a rolar em um declive, conforme o seu significado original, ou no sentido
mais restrito para designar a tendncia de continuar a rolar depois de iniciado o
movimento. Esse ndice mostra uma correlao positiva com a velocidade de
decantao e uma correlao negativa com a facilidade de transporte, isto , as
partculas com menor rolabilidade so mais facilmente transportadas como, por
exemplo, as placas de mica.

Significado geolgico da morfometria

Em geral, acredita-se que muito difcil relacionar a forma dos seixos aos ambientes
deposicionais, quando no forem confrontados materiais com propriedades fsicas e
qumicas semelhantes e de formas iniciais idnticas. Alguns pesquisadores chegaram
a afirmar que no h diferenas significativas nas formas de seixos fluviais e
marinhos.

O uso do grau de arredondamento na distino de ambientes deposicionais
tambm limitado. Eestudos demonstraram que, em vrios subambientes praiais da
costa do Golfo, ocorrem somente pequenas diferenas de graus arredondamento.
Outros estudos mostraram que os graus de arredondamento aumentam com a
distncia de transporte, mais rapidamente no inicio e mais lentamente nas fases
finais.

A taxa de mudana do grau de arredondamento uma funo da diferena entre o
arredondamento em um ponto qualquer e um certo "intervalo-limite" de
arredondamento, que um valor dependente das caractersticas do material envol-
vido e das particularidades de um rio ou de uma praia.

A forma e o arredondamento dos gros arenosos no tm sido empregados
diretamente na interpretao dos ambientes deposicionais, mas no h dvida de
que ajudam na caracterizao dos corpos arenosos. Alm disso, os gros mais
arredondados e mais esfricos so indicativos de maturidade textural mais alta em
arenitos.

Em virtude da alta estabilidade qumica nas condies superficiais da Terra, muitos
gros de quartzo, principalmente nos arenitos limpos (com pouca matriz) so
comumente policclicos. Ento, eles herdam parcialmente o arredondamento dos
ciclos anteriores de deposio e retrabalhamento.


So relativamente escassas as informaes sobre o papel da dissoluo qumica
como processo de arredondamento de partculas arenosas. Porm, afirma-se que o
alto grau de arredondamento comumente encontrado nas areias elicas devido
combinao da abraso e da precipitao contempornea de slica nas superfcies
dos gros.

Texto extrado e modificado de:
SUGUIO, Kenitiro. Geologia Sedimentar. So Paulo : Blucher, 2003.


RESUMO
Esfericidade:
propriedade de partculas arenosas;
grandeza que procura expressar o grau de aproximao da forma do gro com a
de uma esfera perfeita;
reflete as condies de deposio no momento da sedimentao;
pode tambm ser afetada pela abraso;
com o aumento do desgaste e quebra durante o transporte, gros de areia
tornam-se mais e mais esfricos;
aumenta com o aumento do tamanho do gro;
a esfericidade dos gros de quartzo em arenitos depende de sua origem: se
derivado diretamente de rochas cristalinas, tende a ser altamente no esfrico,
angular com embaiamentos e fraturas;
se derivado de rocha sedimentar de origem elica, os gros podero ser mais
esfricos e muito bem arredondados;
se provenientes de um arenito com cimento no do tipo crescimento secundrio
de quartzo, os gros podero mostrar feies herdadas.

Arredondamento:

medida do grau de agudez dos cantos e arestas dos gros;
refere-se curvatura dos cantos do gro;
so usadas 6 classes: muito anguloso, anguloso, subanguloso, subarredondado,
arredondado e bem arredondado;
bom indicador da maturidade de um sedimento;
para interpretaes ambientais essas medidas so mais significantes que a
esfericidade ou forma;
o grau de arredondamento aumenta com a durao do transporte ou
retrabalhamento;
arredondamento pode ser herdado e abraso intensa pode fraturar o gro,
originando gros angulosos;
gros de vrias formas podem possuir o mesmo arredondamento;
gros de areia de dunas costeiras (ventos soprando nos sentido do continente),
em geral, mostram arredondamento melhor do que os de areias de praia;
existe forte relao entre arredondamento de gros de areia e tamanho de gro:
gros de areia mais grossos possuem melhor arredondamento.






Granulometria dos Sedimentos
O tamanho, a forma e o arranjo espacial dos
componentes mineralgicos constituem algumas
das propriedades texturais mais importantes dos
sedimentos, que definem a sua microgeometria. Por
outro lado, as estruturas sedimentares esto
relacionadas s feies maiores, que so
geralmente bem observadas em escala de
afloramento e constituem a sua macrogeometria.

Termos como "textura hidrodinmica" e "textura
diagentica" foram empregados por Pettijohn (1975),
referindo-se a algumas feies texturais especficas
dos sedimentos. A deposio de sedimentos
por movimentao de fluidos, sob ao da
gravidade, produz a "textura hidrodinmica", que
caracterizada por um arranjo espacial tridimensional
aberto exibindo considervel espao intergranular
(porosidade). Os processos diagenticos introduzem
modificaes ps-deposicionais, com formao de
minerais autignicos e cimentos de precipitao
qumica, por exemplo, originando a
"textura diagentica" causando modificao nos
elementos do arcabouo (Fig. 5.1).




A granulometria

O tamanho das partculas em sedimentos detrticos
(ou elsticos), expresso pelo seu dimetro, constitui
uma propriedade textural fundamental. Esta
propriedade empregada na classificao dos
sedimentos detrticos em rudceos (ou psefticos),
arenceos (ou psamticos) e lutceos (oupelticos),
conforme se empreguem prefixos latinos (ou
gregos), respectivamente.

H pelo menos quatro razes principais porque as
anlises granulomtricas (grain size analysis) so
importantes no estudo de sedimentos detrticos:

a. a granulometria fornece as bases para
uma descrio mais precisa dos sedimentos;
b. a distribuio granulomtrica pode
ser caracterstica de sedimentos de determinados
ambientes deposicionais;
c. o estudo detalhado da granulometria pode fornecer
informao sobre os processos fsicos, por exemplo
hidrodinmicos, atuantes durante a deposio; e
d. a distribuio granulomtrica est relacionada a ou-
tras propriedades, como a porosidade e a permea-
bilidade, cujas modificaes podem ser estimadas
com base nas caractersticas granulomtricas.

Como as partculas sedimentares muito raramente
so esfricas, necessrio conceituar o dimetro de
partculas no-esfricas (irregulares). Embora
existam mtodos mais ou menos precisos de
medio da granulometria, nem sempre muito fcil
compreender claramente o conceito de tamanho das
partculas detrticas. Na prtica, os significados do
termo dimetro das partculas sedimentares variam
amplamente, de acordo com o mtodo de medio,
pois a maioria no pode ser medida diretamente.

O problema da escala granulomtrica

Infelizmente, no existe uma escala universalmente
aceita. Os engenheiros (civis), pedlogos e
gelogos, que so os principais especialistas
interessados nas escalas granulomtricas, usam
escalas-padro diferentes entre si. Mesmo entre os
sedimentlogos, no h um consenso mundial e, em
geral, a escala adotada na Europa
diferente da seguida nos Estados Unidos.

Nos Estados Unidos, Wentworth, partindo da escala
proposta por Udden, props uma escala que ento
poderia ser denominada de Wenlworth-Udden. Aps
a introduo da notao fi() de Krumbein, a
escala de Wentworth tem sido amplamente
empregada. No Brasil, sem que tenha havido
qualquer acordo ou recomendao, os
sedimentlogos adotaram a escala de Wentworth.

Os limites estipulados para as vrias classes granu-
lomtricas so mais ou menos arbitrrios mas,
segundo Wentworth, as principais classes
granulomtricas seriam intimamente correlacionveis
aos comportamentos bsicos durante o transporte
por gua corrente ou aos diferentes modos de
desintegrao da rocha-matriz. Analogamente,
Bagnold utilizou o comportamento hidrodinmico na
definio da areia. Segundo esse autor, a areia teria
a capacidade de "acumulao espontnea",
resultante da utilizao da energia do meio de
transporte na reunio de gros espalhados,
deixando parte da superfcie do substrato isenta de
partculas sedimentares.



Seleo Granulomtrica

A distribuio de tamanho dos gros na carga slida
em transporte selecionada progressivamente. A
granulometria decrescer de montante para jusante,
em consequncia do empobrecimento do material
transportado em partculas mais grossas. Em
materiais sedimentares que tenham sido
transportados, mesmo que em distncia muito curta,
as partculas mais grossas tendem a ser deixadas
para trs, quando o fundo erodido por uma
corrente mais fraca que a precedente. Desse modo,
teoricamente deveria ocorrer uma distribuio linear
no tamanho dos gros. No entanto, quando fraes
arenosas esto misturadas com materiais sltico-
argilosos, a taxa de transporte varia
exponencialmente com a granulometria. Como a
areia apresenta maior probabilidade de ser
transportada, sofrer maior ao selecionadora
medida que o sedimento transportado. Portanto, o
sedimento se tornar progressivamente mais rico em
partculas mais finas e a haver seleo na parte
sltico-argilosa.

Segundo Visher (1969), entre as subpopulaes
granulomtricas de um sedimento, a subpopulao
do arcabouo (framework) representa as partculas
movidas por saltao; a subpopulao intersticial
(matriz) representa partculas suficientemente
filtradas pelos interstcios dos gros do arcabouo e
seria transportada em suspenso; e, finalmente, a
subpopulao de contato representa partculas mais
grossas do arrastamento e rolamento.

As interpretaes geolgicas das distribuies
granulomtricas

Os diferentes pesquisadores que trataram da
interpretao das distribuies granulomtricas
enfocaram a questo sob trs ngulos distintos.

As distribuies granulomtricas e as
provenincias

Segundo Pettijohn, resultados de mil anlises
granulomtricas mostraram uma deficincia, na
natureza, das classes de 2-4 mm (grnulos) e de 1-2
mm (areia muito grossa) e tambm provavelmente,
da classe e 1/8-1/16 mm (areia muito fina).
Entretanto, nem todos os pesquisadores ficaram
convencidos da deficincia generalizada das classes
de 1-2 mm e de 2-4 mm na natureza. Russell sugeriu
que a causa dessa aparente escassez generalizada
dos grnulos em depsitos fluviais poderia estar
relacionada ao fato de esses gros serem mais
rapidamente transportados que as areias s quais se
acham associados. Portanto, seriam, em
conseqncia. eliminados dos rios e acumulados em
ambiente de praias. Porm, h relativamente poucos
dados sobre as distribuies granulomtricas das
praias para comprovar ou no se esta afirmao
verdadeira.

Wentworth atribuiu essa presena excessiva de
certas classes e a aparente pobreza de outras a
processos de produo de partculas e a certos
fatores hidrodinmicos. Pode-se supor que todas
tenham sido produzidas pela desintegrao das
rochas, mas sendo fisicamente instveis algumas
teriam sido destrudas. Outra explicao seria que
partculas de determinados dimetros nunca tenham
sido produzidas em quantidades apreciveis na
rea-fonte. A primeira hiptese foi invocada por
Hough para explicar a aparente deficincia em
partculas de 2-4 mm.

Segundo Dake e Smailey, as distribuies
granulomtricas de gros de quartzo estariam
inteiramente relacionadas granulometria do
quartzo nas rochas cristalinas fanerticas e gros
maiores que 1 mm seriam muito raros nessas
rochas.

Vita-Finzi & Smailey concluram que a moagem
glacial poderia ser responsvel pelo grande volume
de silte no registro geolgico. De fato, a
ntima associao dos depsitos de "loess"
(predominantemente compostos de silte) com a
glaciao continental parece corroborar com essa
hiptese.

As distribuies granulomtrica e os processos
de transporte

O problema dos graus de modificao
das distribuies granulomtricas factveis de serem
introduzidos pelos processos de transporte no est
ainda suficientemente compreendido.

Em geral, os cascalhos carreados pelos
rios parecem diminuir de tamanho de montante para
jusante. A abraso durante o transporte, com
consequentes aumentos dos graus de
arredondamento e de esfericidade, apenas uma
das causas desta diminuio devendo haver maior
participao do decrscimo da competncia do rio
pela suavizao do gradiente. O fato de as areias e
cascalhos sofrerem reduo de tamanho, durante o
transporte, quase que axiomtico.

At agora existem poucos estudos mais completos
acerca dos efeitos da diminuio granulomtrica
sobre os parmetros da distribuio de tamanho das
partculas em sedimentos. A principal dificuldade
reside no fato de que a reduo de tamanho ocorre
juntamente com o aumento de seleo
granulomtrica, sendo quase impossvel discernir os
efeitos de cada processo. Alm disso, como tem
sido demonstrado por experincias de Kuenen e
Bradley et al., a reduo de granulometria por
abraso e processos relacionados muito
complexa, pois depende de vrios fatores. Entre os
principais tem-se o tamanho original, a propriedade
fsica do material, a natureza do agente, os
tamanhos e as propores dos materiais
associados, os tipos (areia ou cascalho) dos
materiais do substrato, alm do tempo e distncia
envolvidos na ao abrasiva. Segundo Kuenen, os
efeitos da ao elica parecem ser vrias vezes
superiores aos da ao subaquosa.

Embora a diminuio de tamanho dos seixos fluviais,
por exemplo, seja causada tambm pela abraso,
alm da reduo de competncia do rio, provvel
que ocorra uma diminuio granulomtrica
imperceptvel, praticamente nula, no caso de gros
arenosos, como mostraram as experincias de
Kuenen. Porm, esse fato facilmente constatado
em sedimentos fluviais grossos (cascalhos),
como demonstraram Stemberg, no rio Reno, e
Plurnley em materiais de terraos fluviais do Rio
Black Hills, em Dakota do Sul, EUA.

Em suma, a distribuio granulomtrica mais um
produto da hidrodinmica que da ao abrasiva e a
granulometria presente foi, em geral, herdada da
rocha matriz ou um produto da desintegrao e
no resulta dos processos e agentes de transporte.

As distribuies granulomtricas e os ambientes
deposicionais

Os resultados da distribuio granulomtrica podem
ser empregados na interpretao dos ambientes
deposicionais de sedimentos antigos. O princpio
bsico dessa metodologia que os sedimentos de
ambientes modernos tm os seus
parmetros granulomtricos condicionados pelos
nveis de energia caractersticos de cada ambiente.
Ento, se as diferenas entre os parmetros
granulomtricos de sedimentos de diversos
ambientes puderem ser
quantitativamente estabelecidas, torna-se
possvel comparar os resultados de anlises de
sedimentos antigos, de origens desconhecidas com
os de sedimentos modernos de ambientes
conhecidos, para a interpretao dos paleoam-
bientes deposicionais.

Texto extrado e modificado de:

SUGUIO, K. Geologia Sedimentar. So Paulo :
Blucher, 2003.


Em resumo, sedimentos bem selecionados indicam
ao prolongada da gua ou do vento e transporte
longo; sedimentos mal selecionados indicam pouco
transporte e encontram-se prximo rea fonte.

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