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ALBERTO DE CAMPOS BORGES

Aplicada Engenharia Civil


VOLUME 2

Topografia

ALBERTO DE CAMPOS BORGES


Foi: Professor Titular de Topograa e Fotometria da Universidade Mackenzie Professor Titular de Construes Civis da Universidade Mackenzie Professor Pleno de Topograa na Escola de Engenharia Mau Professor Pleno de Construo de Edifcios na Escola de Engenharia Mau Professor Titular de Topograa da Faculdade de Engenharia da Fundao Armando Alvares Penteado (FAAP)

Topografia
aplicada Engenharia Civil
VOLUME 2 2 edio

Topografia vol. 2 1992 Alberto de Campos Borges 2a edio 2013 Editora Edgard Blcher Ltda.

FICHA CATALOGRFICA Rua Pedroso Alvarenga, 1245, 4 andar 04531-012 So Paulo SP Brasil Tel 55 11 3078-5366 contato@[Link] [Link]
Borges, Alberto de Campos Topografia aplicada engenharia civil v. 2 / Alberto de Campos Borges. 2. ed. So Paulo: Blucher, 2013.

Bibliografia Segundo Novo Acordo Ortogrfico, conforme 5. ed. do Vocabulrio Ortogrfico da Lngua Portuguesa, Academia Brasileira de Letras, maro de 2009. ISBN 978-85-212-0766-5

1. Topografia 2. Engenharia civil I. Ttulo proibida a reproduo total ou parcial por quaisquer meios, sem autorizao escrita da Editora.
Todos os direitos reservados pela Editora Edgard Blcher Ltda.

13-0549

CDD 526.98

ndices para catlogo sistemtico: 1. Topografia

Homenagem Este trabalho no seria vivel sem as primeiras aulas que tive com o emrito e inesquecvel professor Serafim Orlandi na Universidade Mackenzie. Tive depois o privilgio de ser seu assistente, antes de assumir a discipli na aps sua aposentadoria. O professor Orlandi sempre quis publicar este livro e certamente o teria feito muito melhor, se sua vida no tivesse terminado cedo. Creio que todos os seus milhares de ex-alunos se associam a esta homenagem. O autor

Apresentao

O volume 1 foi publicado em 1977 e nele j era anunciado um novo trabalho onde seriam tratadas as aplicaes da topografia na Engenharia Civil. A complexidade dos assuntos abordados justificam, em parte, essa demora. Pode ser verificado, na sequncia dos diversos captulos, que de fato a Topografia est inserida em todas as atividades da Engenharia Civil. Desde a obteno de plantas com curvas de nvel, indispensveis para a elaborao de qualquer projeto, at a locao destes projetos. Quando aparece a necessidade de executar um trabalho de terraplenagem, indispensvel que, antes de qualquer mquina comear a operar, se faa um levantamento planialtimtrico para se conhecer o modelo original do terreno; em seguida dever ser feito um planejamento do que se precisa executar, calculando-se com relativa preciso os volumes de corte e aterro necessrios. Esse planejamento, desde que racionalmente feito, resultar em economia, pela diminuio de horas trabalhadas pelas mquinas, e num correto pagamento pelo trabalho. Mas no projeto, locao e execuo de estradas que a aplicao da Topografia atua de forma mais intensa. Essas aplicaes esto abordadas desde o captulo 9 at o captulo 17. No foi encontrada uma publicao em portugus que trate dessas aplicaes da Topografia. Mesmo entre obras internacionais so poucos os livros sobre esses temas. Os trabalhos de arruamentos e loteamentos necessitam de grande ajuda da Topografia, quer no levantamento da gleba, seguindo no projeto e final mente para locao do projeto.

Contedo
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

Medidas indiretas de distncias

11

Teste de distancimetro eletrnico levantamento de um quadriltero 18 Diviso de propriedades partilhas Efeito C & R curvatura e refrao Convergncia dos meridianos 36 39 27 31

Curvas de nvel formas mtodos de obteno Terraplenagem para plataformas Medio de vazes 89 100 116 66

Curvas horizontais de concordncia Curvas verticais de concordncia Superelevao 126 129

Superlargura nas curvas

10

TOPOGRAFIA

13 14 15 16 17 18 19 20

Espiral de transio clotoide Locao dos taludes 142

132

Clculo de volumes correes prismoidal e de volumes em curvas 159 Diagrama de massas (Bruckner) 171

Sequncia de atividades no projeto do traado geomtrico de estradas 179 Problema dos trs pontos Pothenot Arruamentos e loteamentos Locao de obras 215 203 198 192

Bibliografia

1
Medidas indiretas de distncias
Quando acontecem dificuldades ou impossibilidades de obteno de distncias por medidas diretas, podemos conseguir indiretamente. apenas a utilizao de uma soluo matemtica que nos dada pela trigonometria, onde os valores angulares e lineares necessrios so obtidos pelos equipamentos e mtodos topogrficos. Lembrando que os teodolitos podem medir ngulos horizontais e verticais com grande preciso e uma ou mais distncias diretas podem tambm ser medidas com grande exatido, os resultados finais podero satisfazer ao grau de certeza necessrio, seja qual for. Apenas para exemplificar, vamos mostrar dois modelos de aplicao. EXEMPLO 1 Na Figura 1.1, vista em planta, a distncia AB que deve ser determinada. Para isso, foram escolhidos dois outros pontos auxiliares, C e D. Para a soluo planimtrica, isto , para a obteno da distncia horizontal AB, devemos medir os quatro , 3 e4 , 2 e a distncia tambm horizontal CD. A soluo matemngulos horizontais 1 tica muito simples e vamos apresentar a sequncia de clculo apenas como sugesto.
B 6 A 5

2 1 3

4 D

2, Figura 1.1 Planta; valores medidos: ngulos horizontais 1, 3 e 4 e distncia horizontal CD.

Soluo planimtrica sequncia de clculo


a) no tringulo ACD (Figura 1.1) e3 e distncias horizontais CD. Valores conhecidos: ngulos horizontais 2 Valores a serem calculados: distncias horizontais CA e DA pela lei dos senos.

12
b) no tringulo BCD:

TOPOGRAFIA

e4 e distncia horizontal CD. Valores conhecidos: ngulos horizontais 1 Valores a serem calculados: distncias horizontais CB e DB pela lei dos senos. c) no tringulo ABC: Valores conhecidos: ngulo horizontal 2 1 e distncias horizontais CA e CB. Valor a ser calculado: distncia horizontal AB, aplicando a lei dos cossenos. d) no tringulo ABD: Valores conhecidos: ngulo horizontal 4 3 e distncias horizontais DA e DB. Valor a ser calculado: distncia horizontal AB, aplicando lei dos cossenos. Verifica-se que a distncia horizontal AB, (Hab) obtida pelos dois tringulos finais ABC e ABD. Trata-se apenas de uma verificao de clculo, porque como em ambas as solues partimos dos mesmos dados, obviamente os resultados devem ser iguais, salvo engano de clculo. Significa que se houver erro nos dados, os dois resultados sero iguais, logicamente ambos errados. Por isso, a verificao dos dados deve ser efetuada no campo com medidas repetidas, quantas vezes forem necessrias para dar o grau de confiana que se deseje.

Soluo altimtrica: sequncia dos clculos (Figura 1.2)


B A VAB

CA

CB

A A

B B

DA

DB

Figura 1.2 Vista em elevao; valores medidos: ngulos verticais de C para A(CA), de C para B(CB), de D para A (DA) e de D para B(DB).

e) tringulo CAA Valores conhecidos: ngulo vertical CA e distncia horizontal CA. Valor a ser calculado: AA = CA tg CA. f) tringulo CBB Valores conhecidos: ngulo vertical CB e distncia horizontal CB. Valor a ser calculado: BB = CBtg CB.

Medidas indiretas de distncias

13

g) tringulo DAA Valores conhecidos: ngulo vertical DA e distncia horizontal DA. Valor a ser calculado: AA = DA tg DA h) tringulo DBB Valores conhecidos: ngulo vertical DB e distncia horizontal DB. Valor a ser calculado: BB = DB tg DB. Clculo da distncia vertical (VAB): VAB = BB AA verificado por VAB = BB AA. Na hiptese das duas distncias verticais no coincidirem, pode ter ocorrido erro de clculo ou erro nos dados. Por isso, deve-se proceder inicialmente a uma verificao nos clculos. Caso o resultado se repita, o erro ser nos dados e pela disparidade maior ou menor, optar pela sua aceitao ou no. EXERCCIO 1.1 Dados planimtricos: = 31o 15 41 1 = 99o 20 08 2 = 35o 33 52 3 = 102o 04 39 4 CD = 345, 428 m Soluo planimtrica o = 66o 30 47 = 68 04 27 3 2 1 4 +3 = 45o 06 00 = 180o 1 +4 = 46o 29 40 = 180o 2 5 6

Dados altimtricos: CA = 18o 04 34 CA = 18o 38 08 CA = 15o 12 45 CA = 38o 20 12

CA = CD CB = CD

sen 3 = 283, 631 m sen 5 sen sen 4 = 464, 428 m 6

DA = CD DB = CD

sen 2 = 481, 200 m sen 5 sen 1 = 246, 467 m sen 6

2 2 1 = 444, 7080 m H AB = CA + CB 2 CA CB cos 2

H AB =

DA + DB

( ) ( ) ) = 444, 7086 m 3 2 ( DA DB) cos (4


Soluo altimtrica

AA = GA tg CA = 92, 5740 m VAB = 64, 0442 m BB = CB tg CB = 156, 6182 m AA = DA tg DA = 130, 8519 m 2m VAB = 64, 0522 BB = DB tg DB = 194, 9041 m

14

TOPOGRAFIA

A diferena verificada entre as duas distncias verticais, como foi comentado no texto, ocorre por pequenos erros nos ngulos verticais. No exemplo, a diferena foi de 0,008 m, que, em geral, pode ser aceita. EXEMPLO 2 Neste exemplo os dois pontos auxiliares C e D esto colocados entre os pontos A e B, cuja distncia queremos determinar. Ser medida a distncia horizontal 2, 3 e 4, Na sequncia de clculo vamos seguir CD e os quatro ngulos horizontais 1, um caminho mais topogrfico, utilizando rumos e coordenadas parciais.

Soluo planimtrica Sequncia de clculo


a) no tringulo ACD (Figura 1.3) e distncia horizontal CD. e2 Valores conhecidos: ngulos horizontais 1 Valores a serem calculados: distncias horizontais CA e DA pela lei dos senos. b) no tringulo BCD e4 e distncia horizontal CD. Valores conhecidos: ngulos horizontais 3 Valores a serem calculados: distncias horizontais CB e DB pela lei dos senos. c) assumida a direo CD e o sentido CD como norte; como consequncia temos: W rumo de CA = N 1 W rumo de DA = S 2 E rumo de CB = N 3 W rumo de DB = N 4
xDA D 2 Norte 4 6 5 1 C 3 xCB xAB xDB yDB B yAB yCE

yDA

A yCA

xCA

2, 3 e4 Figura 1.3 Planta; valores medidos: ngulos horizontais 1, e distncia horizontal CD.

d) clculo das coordenada parciais dos quatro lados e) clculo das coordenadas parciais do lado AB xAB = xCA + xCB = xDA + xDB f) clculo de H AB por Pitgoras H AB = x 2 AB + y2 AB yAB = yCB yCA = yDA yDB

Medidas indiretas de distncias

15

Soluo altimtrica sequncia dos clculos (Figura 1.4)


g) no tringulo vertical CAA AA = CA tg CA h) no tringulo vertical CBB BB = CB tg CB i) VAB BB AA j) no tringulo DAA AA = DA tgDA k) no tringulo DBB BB = DBtgDB l) VAB = BB AA
A VAB P

CA ou DA A

C ou D

CB ou DB I

Figura 1.4 Elevao: valores medidos: ngulos verticais CA, DA, CB e DB.

EXERCCIO 1.2 = 78o 41 37 = +11o 47 21 1 CA o 2 = 66 21 16 = 54o 09 12 3 = 79o 55 20 4 CD = 322, 813 m CB = +22o 54 01 DA = +8o 18 43 DB = 23o 41 53

= 34o 57 07 = 180o 1 +2 5 = 180o 6


o

( ) +4 ) = 45 (3

55 28 DA = CD DB = CD sen 1 = 552, 5468 m sen 5 sen 3 = 364, 2255 m sen 6

CA = CD CB = CD

sen 2 = 516,1748 m sen 5 sen 4 = 442, 4027 m sen 6

rumo CA = N 78 41 37 W rumo DA = S 66 21 16 W rumo CB = N 54 09 12 E rumo DB = S 79 55 20 E

16
Tabela 1.1

TOPOGRAFIA

Coordenadas parciais Lado C-A D-A C-B B-B Comprimento 516,1748 552,5468 442,4027 364,2255 Rumo E x W 506,1573 506,1572 N 101,1989 259,0790 y S 221,6141 63,7340

358,6059 358,6059

xAB = 506,1573 + 358,6059 = 864,7632 yAB = 259,0790 101,1989 157,8801 verificao: xAB = 506,1572 + 358,6059 864,7631 yAB = 221,6141 63,7340 = 157,8801

AB = 864, 76322 + 157, 88012 = 879, 0572 m


AA = 516,1748 tg 11 47 21 = + 107,7327 m BB = 442,4027 tg 22 54 01 = + 186,8807 m AA = 552,5468 tg 8 18 43 = + 80,7255 BB = 364,2255 tg 23 41 53 = + 159,8682 VAB = 79,1427m VAB = 79,1480m

DETERMINAO DA COTA DE UM PONTO INACESSVEL


Um ponto A est situado em lugar inacessvel; podemos determinar sua cota (elevao) por medidas indiretas. Para isso usamos dois pontos auxiliares M e N (Figura 1.5). De . N vista e2 vemos medir a distncia horizontal MN e os ngulos tambm horizontais 1 em elevao, vemos que o ngulo vertical MA tambm deve ser medido; trata-se do ngulo vertical que a linha de vista de M para A faz com o plano horizontal.
A 3

1 M

Figura 1.5 Planta; valores a serem medidos: distncia horizontal MN; ngulos horizontais 1 e 2. ngulo vertical de visada de M para A ou de N para A.

Medidas indiretas de distncias

17

A sequncia do clculo bastante simples e rpida. Pela lei dos senos, calculamos a distncia horizontal MA, que na vista em elevao representada por MA. Em seguida calculamos AA = MA tg MA. A cota de A ser a cota de M somada com AA. A cota de M a cota da estaca colocada no solo somada com a altura do aparelho (A.A.) Acompanhar com as Figuras 1.5 e 1.6.
A

M A.A

MA A

Cota de M

EXEMPLO 1.3 MN = 248, 325 1 = 41o 19 33 = 52o 28 01 2 MA = +28o 53 54 AA = 1, 524

Cota da estaca em M = 741,348 m o = 86o 12 26 3 = 180 1 + 2

MA = 248, 325

sen 52o 28 01 = 197, 3545 sen 86o 12 26

AA = 197, 3545 tg 28o 53 54 = +108, 938 m Cota A = 741, 348 + 1, 524 + 108, 938 = 851, 810 m
Figura 1.6 Vista em elevao.

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