MODELO ATÔMICO DE RUTHERFORD
Modelo de um átomo de Rutherford
O modelo atômico de Rutherford, também conhecido como modelo planetário
do átomo, é uma teoria sobre a estrutura do átomo proposta pelo físico
neozelandês Ernest Rutherford, e está intimamente relacionado à experiência
de Rutherford. Segundo esta teoria, o átomo teria um núcleo positivo, que seria
muito pequeno em relação ao todo mas teria grande massa e, ao redor deste,
os elétrons, que descreveriam órbitas circulares em altas velocidades, para não
serem atraídos e caírem sobre o núcleo. A eletrosfera - local onde se situam os
elétrons - seria cerca de dez mil vezes maior do que o núcleo atômico, e entre
eles haveria um espaço vazio.
A falha do modelo de Rutherford é mostrada pela teoria do electromagnetismo,
de que toda partícula com carga elétrica submetida a uma aceleração origina a
emissão de uma onda electromagnética.
O elétron em seu movimento orbital está submetido a uma aceleração
centrípeta e, portanto, emitirá energia na forma de onda eletromagnética.
Essa emissão, pelo Princípio da conservação da energia, faria com que o
elétron perdesse energia cinética e potencial, caindo progressivamente sobre o
núcleo, fato que não ocorre na prática. Esta falha foi corrigida pelo Modelo
atômico de Bohr.
Fonte: [Link]
MODELO ATÔMICO DE RUTHERFORD
(1871 - 1937)
Os progressos da química, ao fim do século XVIII, haviam reedificado a teoria
atômica sobre alicerces mais científicos do que as meras especulações de
Demócrito. Mas a concepção ainda era algo ingênua, como se cada átomo
fosse apenas um pedacinho invisível de matéria, com as mesmas propriedades
da substância em que estivesse integrado. Quase cem anos se passaram,
antes que as propriedades do átomo começassem a ser desvendadas.
Em fins do século XIX, já se havia detectado a presença do elétron, partícula
atômica dotada da menor quantidade de eletricidade, em termos absolutos.
Nessa altura das pesquisas, a pergunta maior era a seguinte: como estão
dispostos e integrados no átomo esses misteriosos elétrons? As respostas a
essa e a muitas outras questões viriam a ser dadas por um físico neozelandês,
que chegaria a provocar artificialmente a destruição e a transmutação de
núcleos do átomo. Com seu trabalho, Ernest Rutherford deu importante
contribuição para que a física atômica pudesse seguir o curso de evolução que
a trouxe ao estágio de hoje.
Os primeiros tempos da vida de Rutherford enquadram-se no lugar-comum de
tantas outras biografias de grandes personagens. O pai, um escocês que
emigrara para a Nova Zelândia, vivia de consertos de carruagens, na cidade de
Nelson, quando Ernest nasceu, a 30 de agosto de 1871. O futuro cientista era
apenas o quarto filho do casal: outros nove viriam para onerar ainda mais o
minguado orçamento da família.
Mas a Nova Zelândia era uma terra de novas oportunidades, nessa época.
Num esforço empreendedor, o velho Rutherford conseguiu iniciar uma fiação
de linho e com ela prosperou. Não que enriquecesse. Mas pôde dispor de
recursos para custear a educação de alguns filhos, especialmente Ernest, que
se destacava pela inteligência e versátil curiosidade: tanto obtinha boas notas
em matemática, física e química, quanto em disciplinas literárias,
especialmente latim, francês e inglês. Durante toda a vida nutriu verdadeira
paixão pela leitura.
Aos dezessete anos, entrou na Universidade da Nova Zelândia, no anexo
conhecido como Christ Church College. As despesas com livros e subsistência
eram garantidas por modesta bolsa de estudo, além da renda de aulas
particulares que dava a companheiros mais atrasados.
Quase todas as suas preocupações eram voltadas para o estudo, com uma
importante exceção: Mary Newton, filha da viúva que mantinha a pensão onde
Ernest morava. Fora esse namoro, dividia seu tempo entre bibliotecas e
laboratórios. Interessado nas pesquisas de Hertz sobre ondas
eletromagnéticas, montou algumas geringonças num canto da cantina
universitária e tanto mexeu com os aparelhos rudimentares, que acabou
colhendo material para alguns artigos, publicados por periódicos científicos da
época.
Mas a Nova Zelândia, decididamente, não tinha muito a oferecer ao jovem
cientista. A pesquisa científica moderna, de crescente complexidade, exigia
equipamento caro, livros de circulação limitada, ambiente de colegas
especializados. As grandes descobertas e as grandes invenções tendiam cada
vez mais a surgir junto às grandes concentrações econômicas, em torno das
quais desenvolveram-se os mais importantes centros científicos.
Para sua sorte, Rutherford teve oportunidade de acesso a um desses centros.
O Príncipe Albert, marido da Rainha Vitória, tinha a preocupação de projetar-se
como elemento atuante, para desfazer a tradicional imagem do príncipe
consorte, tido corno personagem meramente figurativo. Dentro desse
programa, ofereceu uma cátedra a jovens cientistas no Trinity College, da
Inglaterra. Rutherford, recentemente diplomado mas já possuidor de certa
reputação, candidatou-se ao lugar e foi escolhido. Para a longa viagem de
Ernest, o pai teve que contrair dívidas e financiar parte do empreendimento.
Em 1893, com 22 anos, Rutherford já se aprofundava em matemática e física,
sob a orientação de J. J. Thomson, descobridor do elétron.
(Rutherford em seu laboratório)
Na época, uma equipe de cientistas do Laboratório Cavendish pesquisava o
novo e fascinante mundo das radiações. Os raios X haviam sido descobertos
recentemente por Roentgen e, em 1896, Becquerel havia relatado suas
descobertas relativas a misteriosas radiações que emanavam de certos
elementos.
Ao estudar as radiações do urânio, Rutherford descobriu que elas eram de pelo
menos duas naturezas diferentes, pois o feixe se bipartia ao passar por um
campo magnético e cada parte seguia então sentido oposto ao da outra.
Propôs que elas fossem designadas como radiação alfa e radiação beta,
denominações que se mantêm ainda hoje.
O fato de serem sensíveis à ação magnética sugeria que essas radiações
fossem constituídas por feixes de partículas carregadas eletricamente, uma
pista fundamental para estudos posteriores. A descoberta ampliou o prestígio
científico de Rutherford e resultou na conquista da cátedra de Física na
Universidade McGill, do Canadá. Com a situação financeira melhorada e
consolidada, Ernest pôde desposar, em 1900, a noiva neozelandesa que o
esperava desde os tempos de estudante universitário.
Entretanto, novas radiações iam sendo descobertas. Por exemplo, as do tório,
que eram particularmente desconcertantes: ao contrário do que se verificava
nos casos do óxido de urânio e da pechblenda, as radiações do tório não
pareciam afetadas pela ação de campos magnéticos. Eram radiações
eletromagnéticas, como a luz e os raios X. Esse tipo de radiação recebeu o
nome de raios gama, por sua descoberta ter sucedido à dos raios alfa e beta.
A respeito dos raios gama, Rutherford formulou a hipótese de que a
radiatividade, afinal, não se tratava de um fenômeno comum a todos os
átomos, mas somente aos de certa categoria, que se desgastavam
continuamente, ao perderem energia com as partículas emitidas. Essa
transformação de teor energético de tais átomos, naturalmente, implicava a
idéia de que os elementos radiativos, com o passar do tempo, transmutavam-
se em outros elementos, de massa atômica mais baixa. Para verificação dessa
revolucionária concepção da radiatividade, Rutherford empreendeu numerosas
experiências, em colaboração com Soddy. De tais estudos resultou o livro
Radiatividade, tratado fundamental dos problemas referentes ao assunto,
verdadeiro marco na história do progresso científico.
Coberto de prestígio, Rutherford recebeu convites que lhe permitiram deixar o
Canadá e voltar à Inglaterra, onde assumiu a direção do laboratório
universitário de Manchester, então um dos mais bem aparelhados do mundo.
Aí, a partir de 1907, pôde colaborar com outros físicos de renome, entre eles H.
Geiger, inventor do famoso detetor de partículas ionizantes, que leva seu
nome.
O fim do século XIX e início do século XX constituíram um tempo de seguidas
revoluções científicas. No apogeu do colonialismo, a Europa atravessava uma
fase de prosperidade econômica, que permitia a aplicação de recursos
econômicos para sustento de cientistas e financiamento de pesquisas.
Pierre e Maríe Curie haviam isolado o rádio e descoberto o polônio, dois
produtos da desintegração natural de átomos de elementos de maior massa.
Para Rutherford, isso equivalia à descoberta de dois degraus de uma longa
escada: à medida que ia emitindo radiação, o urânio deveria converter-se
progressivamente em outros elementos; um era o rádio, o outro o polônio. E os
demais? Onde terminaria, se é que de fato terminava, a escala de
desintegrações sucessivas?
Rutherford e seus colaboradores iniciaram estudos a respeito e, em poucos
meses, conseguiram descrever todas as famílias radiativas. No degrau mais
alto, o urânio; no mais baixo de todos, o chumbo, em que já não mais existia
radiatividade. Entre esses dois extremos, todos os elementos radiativos
intermediários, resultantes da "degradação" radiativa, isto é, da desintegração.
Foi um importante trabalho, que resultou no reconhecimento universal do
mundo científico e na maior recompensa que se pode dar a um pesquisador, o
prêmio Nobel de Física, conferido a Rutherford em 1908.
Mas, ao contrário do que ocorreu a tantos outros cientistas, o Prêmio Nobel
não marcou o coroamento da carreira de Rutherford. Suas maiores
contribuições ainda estavam por vir.
(Experiência de Rutherford)
Em 1908, Rutherford realizou uma famosa experiência, na qual bombardeou
com partículas alfa uma folha de ouro delgadíssima.
Verificou que a grande maioria das partículas atravessava a folha sem se
desviar. Concluiu, com base nessas observações e em cálculos, que os
átomos de ouro - e, por extensão, quaisquer átomos - eram estruturas
praticamente vazias, e não esferas maciças. Numa minúscula região de seu
interior estaria concentrada toda a carga positiva, responsável pelo desvio de
um pequeno número de partículas alfa.
Distante dessa região, chamada núcleo, circulariam os elétrons. Isso
convenceu Rutherford de que o átomo deveria ser um sistema semelhante ao
solar: um núcleo central grande, rodeado de partículas móveis. Esse é o
famoso modelo atômico de Rutherford.
(Modelo atômico de Rutherford)
Baseado na concepção de Rutherford, o físico dinamarquês Niels Bohr
idealizaria mais tarde um novo modelo atômico.
Com o advento da Primeira Guerra Mundial, Rutherford interrompeu seus
trabalhos. Enquanto muitos de seus alunos e colaboradores foram convocados,
ele próprio teve que se ocupar com pesquisas de objetivo militar, a serviço do
Almirantado Britânico, setor de guerra anti-submarina. Só depois da guerra foi
que o cientista retomou seus estudos a respeito do núcleo do átomo. Mais
experiente nas manipulações com partículas alfa, acabou por realizar um velho
sonho dos alquimistas, o da conversão de um elemento natural em outro.
Ao converter nitrogênio em oxigênio, por bombardeamento eletrônico,
Rutherford conseguia realizar a primeira transmutação provocada
artificialmente.
Equipamento utilizado por Rutherford
Rutherford viveu numa época em que a tecnologia ainda não havia assumido a
importância que tem hoje. Pensava-se em ciência ainda com certo romantismo.
Os cientistas ainda não sofriam o peso das solicitações de ordem prática, tal
como atualmente acontece.
Como Einstein e outros contemporâneos, Rutherford viveu bastante
despreocupado em relação a problemas individuais, num estilo de dignidade
afável, sempre mantendo um moderado senso de humor. Quando morreu, a 19
de outubro de 1937, muitos foram os que lembraram, nos necrológios, o que
dele haviam dito anos antes: "Sempre carregou a glória com indiferença".
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