EM CONTEXTO GEOPOLÍTICO INCERTO,
PERSPECTIVAS ECONÔMICAS PARA A AMÉRICA
LATINA PIORAM
1º Tri 2026|Lançamento: Junho 2026
SOBRE A SONDAGEM ECONÔMICA DA AMÉRICA LATINA
A Sondagem Econômica da América Latina é uma publicação da Fundação Getulio Vargas (FGV) que monitora
e antecipa as tendências econômicas na região. Desde 1994, centenas de especialistas são consultados
trimestralmente em mais de 10 países da América Latina, gerando informações que subsidiam a tomada de
decisão nos setores público e privado.
O Indicador de Clima Econômico (ICE) da América Latina é o principal indicador da Sondagem Econômica da
América Latina. Ele é composto por dois quesitos: o Indicador da Situação Atual (ISA), que apresenta a
situação econômica atual dos países, e o Indicador de Expectativas (IE), que prevê a situação econômica nos
próximos seis meses. A escala dos indicadores varia de 0 a 200 pontos, sendo a marca de 100 pontos o limiar
entre condições econômicas favoráveis e desfavoráveis.
A Sondagem também monitora a projeção de crescimento do PIB dos países latino-americanos. A cada nova
edição da sondagem, a projeção de crescimento das economias regionais é atualizada. Perguntas especiais
podem ser feitas, em função do momento e necessidade; como, por sinal, ocorreu nesta avaliação.
A seguir, você encontrará:
Seção 1 Resumo executivo p.2
Seção 2 Indicador de Clima Econômico da América Latina p.5
Seção 3 Indicador de Clima Econômico da América Latina por país p.6
Seção 4 As mudanças nas projeções de crescimento do PIB em 2026 p.10
Seção 5 Especial – Uma avaliação inicial dos impactos da guerra no Oriente p.12
Médio
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SEÇÃO 1 - RESUMO EXECUTIVO
Tendência do Clima Econômico da América Latina foi revertida
O Indicador de Clima Econômico
No 1º trimestre de 2026, houve reversão da trajetória do Indicador de Clima Econômico (ICE) da América
Latina, abandonando a contínua expansão observada ao longo de 2025. O indicador atingiu 73,0 pontos,
abaixo dos 88,5 pontos do último trimestre do ano passado. Com isso, o ICE ficou relativamente estagnado
em 12 meses, com um aumento de apenas 2,8 pontos (gráfico 1).
Gráfico 1: Indicador de Clima Econômico da América Latina (em pontos)
Fonte: FGV IBRE, FGV Diretoria Internacional
A piora dos Indicadores de Clima Econômico foi disseminada. Quase todos os países com respondentes ativos
registraram uma piora do clima econômico, fato marcante dentre as principais economias da América Latina.
O caso mais sensível foi o da Argentina, com o indicador saindo de 102,7 para 68,3 - uma piora de 34,4 pontos.
Brasil, Colômbia e México também registraram uma piora de seus indicadores, por, respectivamente, 15,8,
13,1 e 8,2 pontos (gráfico 2).
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Gráfico 2: Indicador de Clima Econômico da América Latina – Principais economias da região (em
pontos)
Fonte: FGV IBRE, FGV Diretoria Internacional
Previsões para o crescimento do PIB em 2026
A percepção menos favorável do clima econômico se alastrou às projeções de crescimento do PIB, com a
expansão média da região recuando para 1,9% (frente a 2,1% ao final de 2025). Como no ICE, a piora das
expectativas de crescimento também foi disseminada (gráfico 3); apenas o Peru (+0,1 p.p) e o México
(+0,02p.p.) tiveram melhora nas projeções para a expansão do PIB em 2026.
Grandes revisões ocorreram nas perspectivas para Paraguai, Uruguai e Bolívia, ainda que as suas
contribuições para o desempenho regional tenham sido limitadas. Dentre as grandes economias, as maiores
contribuições à redução do crescimento ocorreram na Argentina (de 3,4% para 3,0%) e na Colômbia (de 2,4%
para 2,1%). As projeções para Brasil e México permaneceram virtualmente as mesmas do final de 2025,
ajudando a dar certa sustentação ao crescimento da América Latina
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Gráfico 3: Projeção para o crescimento do PIB (2026)
6
5,3
5
4,2
2025.T4 2026.T1
4 3,4
2,9 3,0 3,0 2,7
3 2,3 2,4 2,6
2,1 2,2 2,1 2,1 1,9 1,9 1,9
2 1,6
1,2 1,2
1
0,1
0
-1
-2
-1,8
-3
MÉXICO
EQUADOR
COLÔMBIA
CHILE
ARGENTINA
AMÉRICA LATINA
BOLÍVIA
URUGUAI
PERU
BRASIL
PARAGUAI
Fonte: FGV IBRE, FGV Diretoria Internacional
Ao final do 1º trimestre de 2026, os conflitos entre Estados Unidos e Irã ganharam corpo, trazendo um choque
de oferta negativo no mercado global de petróleo e derivados, além de um forte aumento da incerteza,
econômica e geopolítica. Efeitos de segunda ordem, tanto na atividade como na inflação, passaram a ser
ativamente discutidos, nisso incluindo a sua heterogeneidade entre setores, mercados e países. Um choque
persistente trará espalhamento, com implicações sobre a economia global.
A despeito da exacerbada incerteza, a América Latina tem sido percebida, pelos investidores internacionais,
como um relativo “porto seguro” em meio às hostilidades no Oriente Médio, sendo suficientemente
protegida em função do seu isolamento geográfico e características produtivas, notadamente a exportação
líquida de energia (petróleo). Apesar disso, observa-se que a América Latina encerrou o 1º trimestre do ano
com um clima econômico mais adverso e piora nas suas projeções de crescimento.
É importante cautela ao atribuir os impactos do conflito nas variáveis econômicas da região, até mesmo
porque os dados efetivos, quando da realização desta Sondagem, eram limitados. Uma miríade de fatores,
que vão além das narrativas mais rasas, torna a análise das implicações do choque geopolítico um tanto
delicada.
Refletindo a importância do acirramento das tensões no Oriente Médio para o cenário, esta Sondagem da
América Latina trouxe um quesito especial, no qual os respondentes forneceram as suas perspectivas para os
impactos da guerra sobre os preços e a atividade econômica em seus respectivos países. Os resultados são
apresentados em seção específica, ao final deste relatório, sendo o ponto inicial de um acompanhamento
sistemático, a ser feito no futuro.
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SEÇÃO 2 – Indicador de Clima Econômico da América Latina
Como citado anteriormente, no 1º trimestre de 2026, o Indicador de Clima Econômico (ICE) reverteu a
tendência altista observada no decorrer de 2025. Na margem (ou seja, entre o último trimestre do ano
passado e o primeiro deste ano), a piora no ICE foi disseminada, com redução tanto do Indicador de Situação
Atual (ISA) – por 21,1 pontos, passando de 84,2 para 63,1 – como do Indicador de Expectativas (IE) – por 9,6
pontos, caindo de 92,9 para 83,3.
Ressalte-se que forte correlação entre o ISA e o IE foi mantida no início de 2026 (gráfico 4), corroborando o
padrão de comportamento observado desde, pelo menos, meados de 2024. Mais ainda, a piora dos
indicadores no início de 2026 reforça a percepção negativa para o Clima Econômico Regional, com todos os
indicadores (ICE, ISA e IE) permanecendo abaixo do nível de neutralidade da pesquisa (100 pontos) há quase
dois anos.
Gráfico 4: Indicador de Clima Econômico da América Latina – Principais aberturas (Situação Atual
e Expectativas, em pontos)
Fonte: FGV IBRE, FGV Diretoria Internacional
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SEÇÃO 3: Indicador de Clima Econômico da América Latina por país
O Indicador de Clima Econômico (ICE) da América Latina considera uma série de países na sua construção,
havendo grande heterogeneidade entre as dinâmicas nacionais. Tal diversidade reflete características,
virtudes e desafios particulares, que se somam para oferecer um retrato do clima econômico da região.
Tal heterogeneidade é marcante na abertura do ICE para cada país com respondentes na amostra (gráfico 5),
tendo sido observada não somente no trimestre corrente, como também no anterior. Com poucas exceções,
houve recuo disseminado do ICE no 1º trimestre de 2026.
Gráfico 5: Indicador de Clima Econômico da América Latina – Principais países (em pontos)
140
124,0 124,0
120 112,2
2025.T4 2026.T1
110,9
104,7105,1 102,7
99,2
100 88,5
87,5 88,0
77,5 79,8
80 75,0 73,0 72,2 68,3
68,3 66,7
60,1
60 44,5
43,7
40
20
0
MÉXICO
EQUADOR
AMÉRICA LATINA
CHILE
COLÔMBIA
ARGENTINA
BOLÍVIA
URUGUAI
PERU
PARAGUAI
BRASIL
Fonte: FGV IBRE, FGV Diretoria Internacional
Uma visão mais aprofundada desse desempenho relativo, incluindo as aberturas entre os indicadores de
Situação Atual (ISA) e Expectativas (IE), pode ser observada a seguir. Percebe-se que a piora dos indicadores,
além de disseminada entre os diferentes países, engloba tanto a situação corrente como as perspectivas para
o futuro próximo (tabela 1).
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Tabela 1: Indicador de Clima Econômico da América Latina – Principais aberturas, países
selecionados (em pontos)
ICE ISA IE
2026.T1 vs. 2026.T1 vs. 2026.T1 vs.
2026.T1 2025.T4 2026.T1 2025.T4 2026.T1 2025.T4
(pontos) (pontos) (pontos)
Paraguai 124,0 0,0 150,0 0,0 100,0 0,0
Chile 105,1 0,4 71,4 21,4 142,9 -28,5
Peru 99,2 -11,7 122,2 0,0 77,8 -22,2
Uruguai 77,5 -34,7 80,0 -20,0 75,0 -50,0
Equador 75,0 -12,5 75,0 -12,5 75,0 -12,5
Brasil 72,2 -15,8 77,8 -33,3 66,7 0,0
Argentina 68,3 -34,4 46,2 -28,8 92,3 -41,0
Colômbia 66,7 -13,1 66,7 -23,3 66,7 -3,3
México 60,1 -8,2 33,3 -6,7 90,0 -10,0
Bolívia 43,7 -0,8 20,0 -10,0 70,0 10,0
América Latina 73,0 -15,5 63,1 -21,1 83,3 -9,6
Fonte: FGV IBRE, FGV Diretoria Internacional
No Indicador de Situação Atual (ISA), vimos recuos marginais (entre o final de 2025 e o início de 2026) em
sete das dez economias avaliadas. A piora mais acentuada ocorreu no Brasil (-33,3 pontos), sendo seguida de
perto pelo movimento ocorrido na Argentina (-28,8 pontos). Dentre os países pesquisados, o Chile foi o único
no qual o Indicador de Situação Atual avançou no período (+21,4 pontos), como provável efeito da transição
política ocorrida no país (José Antonio Kast assumiu a presidência no lugar de Gabriel Boric em 11 de março
de 2026).
Atendo-se às maiores economias da região, o recuo do ISA na Argentina e no Brasil merece comentários
específicos. Em uma leitura inicial, baseada em recente publicação do FMI (World Economic Outlook) em abril
de 2026, as menores economias da América Latina deveriam ser as mais afetadas, no curto prazo, pelo
aumento da incerteza externa derivada das hostilidades no Oriente Médio. O sinal enviado obtido na
Sondagem da América Latina foi um tanto distinto, com os maiores recuos ocorrendo nas economias
supracitadas (gráfico 6).
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Gráfico 6: Indicador de Situação Atual – Principais países (em pontos)
Fonte: FGV IBRE, FGV Diretoria Internacional
É importante ter claro que a maior parte dos efeitos do choque externo ainda está por vir, não sendo captada,
em toda sua intensidade, no início de 2026. Em ressaltado isso, vale discutir os específicos. No caso da
Argentina, observou-se queda importante das projeções de crescimento econômico para 2026, em meio a
uma piora da percepção institucional e aumento das projeções de inflação. Já no caso do Brasil, as projeções
de crescimento anual pouco mudaram e o desempenho da economia, nos dados disponíveis para o início do
ano, não sugeriu grandes mudanças. A piora no ISA brasileiro parece estar ligada a outros fatores, como um
aumento da percepção de carestia (preços mais elevados), pressão sobre os orçamentos familiares e certa
inércia institucional nos primeiros meses de 2026.
Passando ao Indicador de Expectativas (IE), também ocorreram recuos na maior parte dos países presentes
na amostra, ainda que mais tímidos do que os observados no ISA. A dispersão foi equivalente, com piora do
indicador em sete dos dez países avaliados (gráfico 7). As principais contrações ocorreram no Uruguai (-50,0
pontos) e na Argentina (-41,0 pontos), sendo a Bolívia o único país a apresentar uma melhora nas expectativas
(+10,0 pontos) – no que questões políticas locais parecem ser parte relevante da narrativa. A situação
argentina novamente ganha destaque negativo, o que só reforça os crescentes desafios enfrentados pela
administração Milei.
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Gráfico 7: Indicador de Expectativas – Principais países (em pontos)
180 171,4
160
142,9 2025.T4 2026.T1
140 133,3
125,0
120
100,0 100,0 100,0 100,0
100 92,3 90,0 92,9 87,5
83,3 77,8
80 75,0 75,0
70,0 66,766,7 70,066,7
60,0
60
40
20
0
MÉXICO
EQUADOR
AMÉRICA LATINA
CHILE
COLÔMBIA
ARGENTINA
BOLÍVIA
URUGUAI
PERU
PARAGUAI
Fonte: FGV IBRE, FGV Diretoria Internacional BRASIL
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Seção 4: As mudanças nas projeções de crescimento do PIB em 2026
Como exposto na Seção 1 deste relatório, as projeções de crescimento econômico para 2026 arrefeceram nos
primeiros meses do ano. O destaque (negativo) foi a Argentina, embora outros países também tenham
apresentado movimento similar. Na tabela 2, são apresentados os indicadores qualitativos relacionados às
projeções: se ocorreram mudanças nos últimos três meses, e, em caso afirmativo, em qual direção isso
ocorreu. No agregado para a região, 61,3% dos respondentes modificaram a sua avaliação, e, destes, 66,7%
reduziram as suas projeções de crescimento anual.
Tabela 2: Perspectivas para o crescimento do PIB – Países selecionados (% dos respondentes)
Você mudou sua previsão
Como a sua projeção
para o crescimento do PIB
mudou?
nos últimos três meses?
Sim Não Agora é maior Agora é menor
Argentina 58.3 41.7 0.0 100.0
Bolívia 90.0 10.0 12.5 87.5
Brasil 50.0 50.0 40.0 60.0
Chile 100.0 0.0 0.0 100.0
Colômbia 100.0 0.0 0.0 100.0
Equador 75.0 25.0 66.7 33.3
México 60.0 40.0 50.0 50.0
Paraguai 33.3 66.7 100.0 0.0
Peru 44.4 55.6 25.0 75.0
Uruguai 80.0 20.0 0.0 100.0
América Latina 61.3 38.7 33.3 66.7
Fonte: FGV IBRE, FGV Diretoria Internacional
Dentre os países analisados, Argentina, Chile, Colômbia e Uruguai merecem destaque, com um padrão bem
definido de respostas: (i) a maioria dos respondentes alterou a projeção de crescimento nesses países; (ii)
todas as alterações foram negativas, reduzindo as projeções para o ano. Nos outros países, o perfil de
respostas foi bem mais diverso.
Olhando pelo lado mais positivo (ampliação das projeções para 2026), as principais justificativas foram uma
melhora nas condições macroeconômicas e novas medidas de estímulo a serem implementadas pelos
governos nacionais (tabela 3). Brasil e México, as duas principais economias da região, concentraram as
respostas positivas neste perfil. Note-se, também, certa disseminação da melhora do ambiente político como
fator a majorar as projeções de crescimento, análise presente na Bolívia, no Equador, no México, no Paraguai
e no Peru.
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Tabela 3: Fatores que afetaram positivamente a projeção de crescimento (% respostas)
Diminuição de As condições As condições
medidas de macroeconômicas macroeconômicas Ambiente político Novas medidas de
Outras razões
restrição à internas internacionais tem melhorado estímulo
mobilidade melhoraram melhoraram
Argentina --- --- --- --- --- ---
Bolívia 50,0 0,0 0,0 50,0 0,0 0,0
Brasil 0,0 0,0 33,3 0,0 33,3 33,3
Chile --- --- --- --- --- ---
Colômbia --- --- --- --- --- ---
Equador 0,0 0,0 0,0 50,0 0,0 50,0
México 0,0 40,0 20,0 20,0 20,0 0,0
Paraguai 33,3 0,0 0,0 33,3 0,0 33,3
Peru 0,0 0,0 0,0 100,0 0,0 0,0
Uruguai --- --- --- --- --- ---
América Latina 0,9 16,4 23,4 17,1 24,2 17,9
Fonte: FGV IBRE, FGV Diretoria Internacional
Já do lado mais negativo (redução das projeções de crescimento), as justificativas para as revisões baixistas
mostraram maior convergência (tabela 4): com exceção do Paraguai, a piora nas condições macroeconômicas
internacionais foi um fator sempre destacado. Mais ainda, exceto Paraguai, Peru e Equador, todos os demais
países tiveram respondentes que apontaram uma piora nas condições macroeconômicas internas como vetor
a minimizar o crescimento esperado. Essas duas justificativas dominaram as respostas.
Tabela 4: Fatores que afetaram negativamente a projeção de crescimento (% respostas)
Aumento de As condições Redução das
As condições
medidas de macroeconômicas Ambiente político Piora na situação exportações por
macroeconômicas Outras razões
restrição à internacionais tem piorado fiscal doméstica desaceleração
internas pioraram
mobilidade pioraram global
Argentina 0,0 35,3 23,5 29,4 11,8 0,0 0,0
Bolívia 0,0 35,3 23,5 23,5 17,6 0,0 0,0
Brasil 0,0 37,5 25,0 25,0 12,5 0,0 0,0
Chile 0,0 11,8 41,2 0,0 23,5 5,9 17,6
Colômbia 0,0 28,0 24,0 16,0 32,0 0,0 0,0
Equador 0,0 0,0 33,3 33,3 33,3 0,0 0,0
México 0,0 20,0 20,0 20,0 30,0 10,0 0,0
Paraguai --- --- --- --- --- --- ---
Peru 0,0 0,0 50,0 50,0 0,0 0,0 0,0
Uruguai 0,0 25,0 25,0 12,5 12,5 12,5 12,5
América Latina 0,0 25,9 25,9 22,2 19,1 4,4 2,5
Fonte: FGV IBRE, FGV Diretoria Internacional
O momento é marcado por enorme incerteza prospectiva, em termos da duração do conflito (entre Estados
Unidos, Israel, Irã e países do Golfo Pérsico) e dos seus efeitos geoeconômicos, que serão percebidos, ao
longo do tempo, em todo o mundo. Acompanhar os desdobramentos das hostilidades no Oriente Médio,
incluindo os seus impactos sobre as economias latino-americanas, será central nos próximos trimestres.
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Seção 5: Especial – Uma avaliação inicial dos impactos da guerra no
Oriente Médio
Esta avaliação do Clima Econômico na América Latina foi feita em momento particularmente delicado,
quando a guerra no Oriente Médio coloca a geopolítica como pilar central para as perspectivas
macroeconômicas globais. O choque em curso terá implicações relevantes para a América Latina, ainda que
seu sinal seja dúbio: do lado negativo, o aumento da incerteza e a pressão estagflacionária1 sobre a economia
global, mas, do lado positivo, a região pode emergir como um “vencedor relativo” do conflito, em função da
sua posição geográfica e estrutura econômica.
É importante ter em mente que tais impactos não serão homogêneos. Como sempre destacado, a América
Latina não pode, e não deve, ser tratada como um monolito. Isso é válido para qualquer análise organizada
sobre a região, e é especialmente verdadeiro no contexto atual.
Em função da conjuntura e do interesse neste tema, duas perguntas especiais foram aplicadas nesta
atualização da Sondagem da América Latina, contemplando os efeitos macroeconômicos esperados para o
choque externo. Na primeira, os respondentes foram provocados a avaliar os efeitos do conflito sobre os
preços (inflação e custo de insumos) em seus respectivos países. As respostas estão compiladas na tabela 5.
Tabela 5: Em relação aos preços, que impacto você espera que a crise entre Irã e Estados Unidos
tenha sobre a inflação e os custos de insumos no ambiente de negócios do seu país?
Redução Significativa Redução Moderada Sem Impacto Alta Moderada Alta Significativa
Argentina 7,7 0,0 7,7 69,2 15,4
Bolívia 0,0 0,0 0,0 80,0 20,0
Brasil 0,0 0,0 10,0 50,0 40,0
Chile 14,3 0,0 0,0 57,1 28,6
Colômbia 0,0 11,1 22,2 55,6 11,1
Equador 0,0 0,0 0,0 50,0 50,0
México 10,0 0,0 0,0 40,0 50,0
Paraguai 16,7 0,0 0,0 66,7 16,7
Peru 0,0 11,1 0,0 55,6 33,3
Uruguai 0,0 0,0 0,0 100,0 0,0
América Latina 4,6 1,6 5,8 50,1 37,9
Fonte: FGV IBRE, FGV Diretoria Internacional
É quase consensual que a crise levará ao aumento dos preços na região, com poucos respondentes
apontando probabilidade de recuo nos preços. O perfil de respostas foi relativamente homogêneo; com
exceção do México, em todos os países a maioria dos respondentes espera uma alta moderada dos preços.
1
Ambiente de inflação elevada e atividade econômica com baixo crescimento ou estagnada.
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No agregado para a América Latina, 50,1% dos respondentes indicam alta moderada dos preços e 37,9%
esperam uma inflação significativa. Apenas 12,2% dos respondentes esperam efeitos nulos os positivos sobre
os preços.
O segundo enfoque explorado foi o do efeito sobre a atividade econômica, com respostas compiladas na
tabela 6. Nesse caso, as percepções foram muito mais difusas do que as observadas para a inflação, sugerindo
grande incerteza e incapacidade de avaliação. Somando-se as respostas “Sem impacto”, “Alta moderada” e
“Alta significativa”, 44, 4% dos respondentes não creem que as hostilidades no Oriente Médio gerem efeitos
negativos sobre a atividade de seus países. Em apenas dois países se teve uma avaliação unânime de efeito
contracionista sobre a atividade, no Uruguai e no Equador.
Tabela 6: Em relação à atividade econômica, que impacto você espera que a crise entre Irã e
Estados Unidos tenha sobre o crescimento do PIB e as condições gerais de negócios no seu país?
Redução Significativa Redução Moderada Sem Impacto Alta Moderada Alta Significativa
Argentina 0,0 38,5 38,5 23,1 0,0
Bolívia 20,0 50,0 0,0 20,0 10,0
Brasil 10,0 30,0 20,0 40,0 0,0
Chile 42,9 42,9 14,3 0,0 0,0
Colômbia 0,0 44,4 33,3 22,2 0,0
Equador 0,0 100,0 0,0 0,0 0,0
México 0,0 70,0 10,0 20,0 0,0
Paraguai 0,0 50,0 33,3 16,7 0,0
Peru 0,0 77,8 11,1 11,1 0,0
Uruguai 0,0 100,0 0,0 0,0 0,0
América Latina 5,9 49,8 18,4 25,3 0,7
Fonte: FGV IBRE, FGV Diretoria Internacional
Em conjunto, as perguntas especiais sugerem um relativo consenso de que o efeito da guerra no Oriente
Médio será inflacionário, com maior dúvida pairando sobre a intensidade (moderada ou significativa). Em
contraste, as perspectivas para a atividade econômica são heterogêneas, com leve dominância de efeitos
negativos e, dentro disso, de efeitos negativos moderados.
Tais avaliações tendem a mudar dramaticamente nos próximos trimestres, em função da persistência do
choque externo e da transmissão dos seus impactos à economia global, nisso incluindo a própria América
Latina. Os efeitos do choque geopolítico precisarão ser avaliados continuamente nas próximas edições da
Sondagem da América Latina.
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Anexo 1 - Indicador de Clima Econômico médio de países selecionados
dos últimos quatro trimestres
País 2025.T4 2026.T1
Argentina 106.1 93.4
Bolívia 29.9 38.0
Brasil 71.5 74.0
Chile 88.0 97.2
Colômbia 80.5 76.7
Equador 88.4 93.3
México 56.1 62.0
Paraguai 141.3 138.4
Peru 108.8 104.8
Uruguai 106.1 100.5
América Latina 80.9 81.6
Fonte: FGV IBRE, FGV Diretoria Internacional
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Anexo 2 – Série histórica dos indicadores nos países selecionados
INDICADOR DA SITUAÇÃO ATUAL (ISA)
Média 10
1º Tri/24 2º Tri/24 3º Tri/24 4º Tri/24 1º Tri/25 2º Tri/25 3º Tri/25 4º Tri/25 1º Tri/26
anos
Argentina 12.5 15.4 21.4 83.3 85.7 69.2 55.6 75.0 46.2 34.5
Bolívia 16.7 30.8 0.0 0.0 0.0 0.0 7.1 30.0 20.0 64.8
Brasil 100.0 109.1 100.0 125.0 84.6 84.6 83.3 111.1 77.8 47.2
Chile 12.5 37.5 44.4 33.3 50.0 33.3 60.0 50.0 71.4 48.8
Colômbia 40.0 41.7 40.0 20.0 50.0 38.5 100.0 90.0 66.7 70.7
Equador 11.1 46.2 15.4 9.1 10.0 53.8 100.0 87.5 75.0 34.3
México 128.6 109.1 81.8 53.8 16.7 35.3 23.1 40.0 33.3 57.5
Paraguai 166.7 177.8 150.0 163.6 137.5 150.0 177.8 150.0 150.0 116.1
Peru 20.0 36.4 50.0 120.0 110.0 114.3 111.1 122.2 122.2 67.5
Uruguai 120.0 100.0 116.7 114.3 100.0 100.0 100.0 100.0 80.0 80.6
América Latina 83.5 84.2 74.3 84.1 62.8 73.4 81.0 84.2 63.1 54.3
INDICADOR DE EXPECTATIVAS (IE)
Média 10
1º Tri/24 2º Tri/24 3º Tri/24 4º Tri/24 1º Tri/25 2º Tri/25 3º Tri/25 4º Tri/25 1º Tri/26
anos
Argentina 75.0 130.8 157.1 175.0 157.1 136.4 155.6 133.3 92.3 115.8
Bolívia 25.0 23.1 7.1 7.7 23.1 30.0 100.0 60.0 70.0 59.4
Brasil 130.0 100.0 80.0 50.0 41.7 55.6 50.0 66.7 66.7 120.9
Chile 150.0 100.0 133.3 111.1 87.5 120.0 160.0 171.4 142.9 118.9
Colômbia 110.0 92.3 130.0 100.0 118.2 100.0 85.7 70.0 66.7 109.9
Equador 77.8 100.0 100.0 72.7 110.0 111.1 162.5 87.5 75.0 88.2
México 100.0 58.3 50.0 23.1 58.3 54.5 138.5 100.0 90.0 87.8
Paraguai 142.9 150.0 140.0 144.4 133.3 140.0 144.4 100.0 100.0 136.1
Peru 170.0 145.5 177.8 120.0 120.0 62.5 133.3 100.0 77.8 126.9
Uruguai 160.0 157.1 133.3 85.7 100.0 100.0 125.0 125.0 75.0 125.5
América Latina 113.7 94.3 94.2 71.8 77.8 82.9 92.7 92.9 83.3 108.1
INDICADOR DE CLIMA ECONÔMICO (ICE)
Média 10
ICE 1º Tri/24 2º Tri/24 3º Tri/24 4º Tri/24 1º Tri/25 2º Tri/25 3º Tri/25 4º Tri/25 1º Tri/26
anos
Argentina 41.7 66.9 81.2 125.9 119.4 100.9 101.5 102.7 68.3 71.5
Bolívia 20.8 26.9 3.5 3.8 11.2 14.5 49.3 44.5 43.7 61.0
Brasil 114.6 104.5 89.8 85.0 62.3 69.7 66.1 88.0 72.2 79.3
Chile 72.7 66.9 85.4 69.4 68.1 73.2 105.9 104.7 105.1 80.3
Colômbia 72.8 65.8 81.4 56.9 82.0 67.5 92.8 79.8 66.7 87.4
Equador 42.2 71.8 54.2 38.8 55.1 81.0 129.8 87.5 75.0 59.1
México 114.0 82.6 65.4 38.0 36.6 44.7 74.8 68.3 60.1 71.3
Paraguai 154.6 163.6 145.0 153.9 135.4 145.0 160.7 124.0 124.0 124.4
Peru 85.3 85.8 107.3 120.0 115.0 87.2 122.0 110.9 99.2 94.5
Uruguai 139.4 127.3 124.9 99.7 100.0 100.0 112.2 112.2 77.5 100.7
América Latina 98.2 89.2 84.1 77.9 70.2 78.1 86.8 88.5 73.0 79.3
Fonte: FGV IBRE, FGV Diretoria Internacional
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1º Tri 2026|Lançamento: Junho 2026
SONDAGEM ECONÔMICA DA AMÉRICA LATINA| Publicação Trimestral da Diretoria Internacional da FGV (FGV DINT) e do
Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE)
Diretor Internacional da FGV: Marlos Lima
Superintendente de Estatísticas Públicas do FGV IBRE: Aloisio Campelo Jr.
Responsável pela Análise: Livio Ribeiro, Matheus Rosa Ribeiro e Marlos Lima
Gerente Internacional (FGV Diretoria Internacional): Michele Diana da Luz
Coordenação (FGV Diretoria Internacional): Giovana Caputo
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