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PROFILE 2

O estudo adaptou culturalmente o School Companion Sensory Profile 2 (SCSP-2) para crianças e jovens brasileiros, verificando sua confiabilidade e sugerindo um escore normativo. A adaptação incluiu tradução, análise de equivalência e pré-teste com 74 professores, resultando em evidências de validade e boa consistência interna. Os escores preliminares brasileiros diferem dos americanos, permitindo identificar problemas de processamento sensorial em crianças brasileiras.
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PROFILE 2

O estudo adaptou culturalmente o School Companion Sensory Profile 2 (SCSP-2) para crianças e jovens brasileiros, verificando sua confiabilidade e sugerindo um escore normativo. A adaptação incluiu tradução, análise de equivalência e pré-teste com 74 professores, resultando em evidências de validade e boa consistência interna. Os escores preliminares brasileiros diferem dos americanos, permitindo identificar problemas de processamento sensorial em crianças brasileiras.
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Perfil Sensorial Escolar 2 Relato de Pesquisa

Tradução e Adaptação Cultural do School Companion Sensory


Profile 2 para Crianças e Jovens Brasileiros1
Translation and Cultural Adaptation of the School Companion Sensory
Profile 2 for Brazilian Children and Youths
Lucieny ALMOHALHA2
Francielly Caroline Silva COSTA3
Lucila Castanheira NASCIMENTO4
Jair Lício Ferreira SANTOS5
Luzia Iara PFEIFER6

RESUMO: Este estudo objetivou adaptar culturalmente, verificar a confiabilidade e sugerir um escore normativo do School
Companion Sensory Profile 2 (SCSP-2) para crianças e jovens brasileiros de 3 a 14 anos e 11 meses. O SCSP-2 foi adaptado
culturalmente para o Brasil seguindo as etapas de tradução inicial (dois tradutores independentes), tradução conciliada (dois
integrantes do comitê técnico), análise de equivalência (quatro especialistas em integração sensorial), retrotradução (dois tradutores
de língua materna inglesa), aprovação da autora e pré-teste. O pré-teste verificou a clareza e a compreensão (desdobramento
cognitivo/validade de face) e a confiabilidade (equivalência interexaminadores, consistência interna e reprodutibilidade) da versão
traduzida, com a participação de 74 professores que responderam ao questionário referente a 146 crianças. Os itens apresentaram
índice de concordância acima de 75% no desdobramento cognitivo. A equivalência interexaminadores e teste-reteste apresentaram
K ≥ 0,88 em todos os itens pesquisados. Observaram-se valores aceitáveis de consistência interna em quase todas as áreas sensoriais,
quadrantes de procura sensorial e sensibilidade sensorial e no fator escolar 2. Os escores preliminares brasileiros são distintos dos
americanos. O SCSP-2 adaptado para o Brasil apresenta evidências de validade baseada no conteúdo, além de boa consistência
interna, possibilitando identificar problemas de processamento sensorial em crianças e jovens brasileiros.
PALAVRAS-CHAVE: Sensory Profile 2. Tradução. Adaptação cultural. Processamento sensorial. Crianças.

ABSTRACT: This study aimed to adapt culturally, verify the reliability, and suggest a normative score for the School Companion
Sensory Profile 2 (SCSP-2) for Brazilian children and youths aged 3 to 14 years and 11 months. The SCSP-2 was culturally
adapted for Brazil following the steps of initial translation (two independent translators), reconciled translation (two members
of the technical committee), equivalence analysis (four experts in sensory integration), back-translation (two English mother
tongue translators), author approval and pre-test. The pre-test verified the clarity and understanding (cognitive unfolding/face
validity) and reliability (inter-examiner equivalence, internal consistency, and reproducibility) of the translated version, with
the participation of 74 teachers who answered the questionnaire referring to 146 children. The items showed an agreement rate
above 75% in cognitive unfolding/face validity. The inter-examiner and test-retest equivalence showed K ≥ 0.88 in all items
surveyed. Acceptable internal consistency values were observed in almost all sensory areas, quadrants of sensory seeking and
sensory sensitivity, and in the school factor 2. The Brazilian preliminary scores are different from the American ones. The SCSP-2
adapted for Brazil presents evidence of content-based validity and good internal consistency, making it possible to identify sensory
processing problems in Brazilian children and youths.
KEYWORDS: Sensory Profile 2. Translation. Cultural adaptation. Sensory processing. Children.

1
[Link]
2
Terapeuta Ocupacional. Docente. Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Departamento de Terapia Ocupacional. Uberaba/
Minas Gerais/Brasil. E-mail: [Link]@[Link]. ORCID: [Link]
3
Terapeuta Ocupacional. Mestre em Enfermagem em Saúde Pública. Franca/São Paulo/Brasil.
E-mail: [Link]@[Link]. ORCID: [Link]
4
Docente. Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto. Universidade de São Paulo. Ribeirão Preto/São Paulo/Brasil.
E-mail: lucila@[Link]. ORCID: [Link]
5
Docente. Universidade de São Paulo. Departamento de Medicina Social. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Ribeirão
Preto/São Paulo/Brasil. E-mail: jalifesa@[Link]. ORCID: [Link]
6
Terapeuta Ocupacional. Docente. Universidade Federal de São Carlos. Departamento de Terapia Ocupacional. Professora Sênior.
Universidade de São Paulo. Departamento de Neurociência e Ciências do Comportamento. Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto. Ribeirão Preto/São Paulo/Brasil. E-mail: luziara@[Link]. ORCID: [Link]

Rev. Bras. Ed. Esp., Corumbá, v.29, e0012, p.489-504, 2023 489
ALMOHALHA, L. et al.

1 Introdução
A Teoria de Integração Sensorial de Ayres, desenvolvida nas décadas de 1950/1960
pela terapeuta ocupacional Anna Jean Ayres (1920-1988), explica a relação existente entre os
processos neurológicos e as respostas comportamentais apresentadas pelos indivíduos (Ayres,
2005). Baseada nessa teoria, outra terapeuta ocupacional, Winnie Dunn, propôs, na déca-
da de 1990, o Modelo de Processamento Sensorial, o qual analisa os padrões sensoriais e de
comportamentos frente aos estímulos ambientais (Dunn & Brown, 1997) e a relação cérebro-
-corpo-comportamento. Tanto a Teoria de Integração Sensorial de Ayres como o Modelo de
Processamento Sensorial de Dunn preconizam a importância de se identificar os problemas
sensoriais que geram comportamentos não adaptativos e dificuldades de aprendizagem (Dunn,
2014; Dunn & Brown, 1997). O processamento cerebral adequado das informações sensoriais
é importante para a organização e a emissão de respostas adaptativas que resultarão na aprendi-
zagem e na participação ativa das crianças nas atividades cotidianas, no brincar e nas atividades
escolares (Machado et al., 2017).
O modelo do Processamento Sensorial considera a existência de uma interação entre
os limiares neurológicos e as respostas comportamentais de autorregulação (comportamento
padrão manifesto pelo indivíduo) e, portanto, o processamento sensorial pode ser explicado a
partir da interação desses dois contínuos (Dunn, 2014; Dunn & Brown, 1997). Esse modelo
considera que existem quatro tipos de respostas comportamentais que se manifestam por pro-
cura, recusa, sensibilidade e registro sensorial, referindo-se aos indivíduos com características
de explorador, esquivador, sensível e observador, respectivamente.
A partir desse modelo teórico, foram desenvolvidos instrumentos de triagem do per-
fil sensorial para indivíduos de diversas idades: o Infant/Toddler Sensory Profile, para crianças até
3 anos de idade (Dunn, 2002); o Sensory Profile School Companion, para crianças e jovens entre
3 e 14 anos (Dunn, 2006), e o Sensory Profile Supplement, para crianças de 3 a 10 anos (Dunn,
2006). A atualização dos instrumentos de triagem do perfil sensorial foi publicada por Dunn
(2014) e conta com a alteração do número de itens que foram distribuídos em novas faixas etá-
rias e reunidos em uma versão única integrada denominada de Kit Sensory Profile 2. O referido
kit é composto por cinco questionários: o Infant Sensory Profile 2 (para bebês do nascimento aos
6 meses); o Toddler Sensory Profile 2 (para crianças de 7 a 35 meses); o Child Sensory Profile 2; o
Short Sensory Profile 2 (versão resumida do Child Sensory Profile 2) e o School Companion Sensory
Profile 2, sendo os três últimos para crianças e jovens de 3 a 14 anos e 11 meses (Dunn, 2014).
O School Companion Sensory Profile 2 (SCP2) é um questionário padronizado res-
pondido por professores, que permite avaliar as habilidades de processamento sensorial e possi-
bilita traçar o perfil desse processamento e seus efeitos no desempenho funcional das atividades
diárias em ambiente escolar de crianças e jovens de 3 a 14 anos e 11 meses (Dunn, 2014).
Demanda um tempo de aplicação/preenchimento de 10 a 15 minutos e é composto por 44 itens
distribuídos em seis categorias sensoriais: Processamento Auditivo (sete itens), Processamento
Visual (sete itens), Processamento Tátil (oito itens), Processamento do Movimento (dez itens) e
Respostas comportamentais associadas ao processamento sensorial (12 itens). A soma total dos
escores irá determinar a necessidade ou não de intervenção caso a criança esteja respondendo
diferentemente da maioria das crianças e jovens segundo os dados normativos (Dunn, 2014).
As crianças e os jovens podem ser enquadrados como respondendo mais, muito mais, menos ou

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Perfil Sensorial Escolar 2 Relato de Pesquisa

muito menos quando comparada aos pares. Cada item é classificado quanto à frequência com
que cada comportamento acontece: quase sempre (90% do tempo ou mais), frequentemente
(75% do tempo), metade do tempo (50% do tempo), ocasionalmente (25% do tempo), quase
nunca (10% do tempo ou menos) ou não se aplica (Dunn, 2014).
Por meio da aplicação do SCSP-2, é possível verificar o perfil sensorial da criança,
classificando-a como tendo um desempenho sensorial típico ou atípico, identificar qual sistema
sensorial está dificultando seu desempenho funcional, além de classificá-la com perfil de explo-
rador, esquivador, sensível ou observador (Dunn, 2014).
Problemas de integração e processamento sensorial podem afetar profundamente o
desenvolvimento infantil e a capacidade de participar em ocupações de vida diária (Watling et
al., 2018), como, por exemplo, as atividades escolares. Estudos têm mostrado que alterações
do processamento sensorial afetam a capacidade da criança de aprender, interferindo em seu
desempenho e sucesso nas atividades acadêmicas, nas rotinas escolares e na participação social
escolar (Tomchek et al., 2015).
O processamento sensorial está afetado em mais de 16% das crianças em idade esco-
lar (Chang et al., 2016), sendo estimado que entre 40 e 88% das crianças com algum diagnós-
tico de atraso no desenvolvimento tenham concomitantemente problemas de processamento
sensorial (Pfeiffer et al., 2015). Importante destacar que essas alterações de processamento
contribuem para o desenvolvimento de déficits cognitivos e comportamentais e impactam dire-
tamente o cotidiano dessas crianças e, indiretamente, o de seus familiares (Chang et al., 2016).
A identificação de alterações do processamento sensorial em crianças em idade esco-
lar é fundamental para encaminhamentos, orientações e adequações do plano educacional indi-
vidualizado, assim como para a adequação ambiental sensorial que pode impactar a aprendiza-
gem. Entretanto, o uso de avaliações padronizadas pode ter um impacto negativo em pesquisas
e/ou como medidas de desfecho se o processo de adaptação não for conduzido seguindo-se um
referencial teórico-metodológico, incluindo uma avaliação meticulosa da equivalência entre
o original e sua versão adaptada, bem como investigação das propriedades psicométricas do
instrumento adaptado (Reichenheim & Moraes, 2007). O uso de instrumentos de avaliação
validados para novas culturas possibilita não somente a comparação e a síntese dos resultados
de investigações científicas em diferentes populações, mas também contribui para o avanço
do conhecimento na área investigada pelo instrumento e na temática contemplada segundo a
teoria que gerou o instrumento (Coster & Mancini, 2015).
Nesse sentido, o objetivo deste estudo foi traduzir, adaptar e verificar a clareza e
compreensão e a confiabilidade (estabilidade, consistência interna e equivalência) do SCSP-2
para uso no Brasil, assim como sugerir um escore normativo preliminar para crianças e jovens
brasileiros, a partir dos resultados encontrados.

2 Método
Trata-se de uma pesquisa metodológica (Polit & Beck, 2011), transversal, não expe-
rimental, de análise quantitativa, a qual seguiu todos os critérios éticos de pesquisas com seres
humanos (aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa Humana da Escola de Enfermagem

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ALMOHALHA, L. et al.

de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, segundo número do Parecer: 3.178.955).


Seguindo-se as orientações de Alexandre e Coluci (2011), Beaton et al. (2007), Pasquali (2010),
Portney e Watkins (2008), Souza et al. (2017) e Wild et al. (2005), este estudo foi desenvolvido
em seis etapas: tradução inicial; tradução conciliada; análise de equivalência de itens; retrotra-
dução; aprovação da autora; e pré-teste para verificar a clareza e compreensão (desdobramento
cognitivo/validade de face) e confiabilidade (estabilidade teste-reteste, consistência interna, e
equivalência interexaminadores); e propor um escore normativo preliminar para crianças e
jovens brasileiros.

2.1 Procedimentos metodológicos


O processo de adaptação cultural se deu somente após autorização da autora e trâmi-
tes legais junto à NSC Pearson, Inc. Minnesota Corporation relacionados aos direitos autorais do
uso do instrumento para a pesquisa.
I- Tradução inicial: Nesta etapa, foi realizada a tradução e a adaptação cultural do SCSP-2,
seguindo-se as orientações de Beaton et al. (2007) e Wild et al. (2005). A tradução inicial foi re-
alizada de forma independente por dois tradutores brasileiros. Um deles reunia conhecimento
na área de integração sensorial de Ayres e neuropediatria, conhecia previamente o instrumento
e apresentava domínio de ambos os idiomas, e foi responsável por elaborar a Versão Português
1 (VP1). O outro tradutor tinha amplo domínio de ambas as línguas, desconhecia o instru-
mento e não apresentava experiência na área de neuropediatria. Este último elaborou a Versão
Português 2 (VP2).
II- Tradução conciliada: A síntese das traduções foi realizada por um comitê técnico, formado
por uma terapeuta ocupacional com certificação internacional em integração sensorial de Ayres
e experiência clínica, e um pesquisador doutor na área de neuropediatria com mais de 25 anos
de atuação e com domínio em ambas as línguas. Esse comitê criou uma versão português téc-
nica (VPT), a qual foi encaminhada para uma equipe de especialistas.
III- Análise de equivalência de itens: Quatro especialistas com formação em integração sen-
sorial de Ayres e com experiência na área de reabilitação infantil realizaram, de modo indepen-
dente, a análise semântica e de conteúdo, organizada em forma de um checklist contendo as
opções “de acordo” e “não está de acordo”. Após o feedback dos especialistas, os dados foram
plotados em tabela do Microsoft Excel® para verificação do número de concordância e discordân-
cia entre as respostas, sendo calculada a porcentagem de concordância de cada item. Os itens
que não alcançaram porcentagem de concordância aceitável foram revisados e reapresentados
aos especialistas. Essa versão foi nomeada versão consensual português (VCP) e seguiu para o
processo de retrotradução.
IV- Retrotradução: O processo de retrotradução da VCP foi realizado por dois tradutores inde-
pendentes, que possuíam como língua materna o inglês. Foram criadas a Versão Retrotradução
1 (VRT1) e Versão Retrotradução 2 (VRT2). Ao final da síntese e análise consensual pelo
comitê técnico da VRT 1 e VRT 2, foi elaborada a Versão Consensual Retrotradução (VCR).

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Perfil Sensorial Escolar 2 Relato de Pesquisa

V- Aprovação da autora: As versões VCP e a VCR foram enviadas à autora do instrumento


e à NCS Pearson e, após as adequações solicitadas e aprovação da autora, foi criada a Versão
adaptada culturalmente do SCSP-2 para a população brasileira (SCSP-2 br).
VI- Pré-teste: Esta etapa foi desenvolvida em quatro fases: a) análise da clareza e compreensão
da versão traduzida (desdobramento cognitivo/validade de face); b) confiabilidade através da
equivalência interexaminadores; c) aplicabilidade do instrumento via consistência interna; e d)
estabilidade teste-reteste.
Para se realizar o pré-teste, foi contactada a Secretaria de Educação do município
onde a pesquisa foi realizada. Antes de tudo, foi apresentado o projeto e solicitada a autorização
para execução da coleta de dados nas diferentes escolas da região. Tais escolas foram contatadas,
e os diretores receberam esclarecimentos dos preceitos a serem pesquisados, dúvidas foram es-
clarecidas e, após aprovação, prosseguiu-se o contato com os professores. Os professores parti-
cipantes foram recrutados pessoalmente, esclarecidos sobre a pesquisa e, aqueles que aceitaram
participar, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Foi agendado um dia
adequado a cada professor para que fosse realizada a coleta de dados nos espaços de cada escola
e para que pudessem responder ao School Companion Sensory Profile 2 em sua versão adaptada
para a língua portuguesa.
a) Desdobramento cognitivo/validade de face: tem por objetivo testar o instrumento em um
pequeno grupo de sujeitos que são alvo/público que irão aplicar a ferramenta para verificar a
compreensão, interpretação e relevância cultural da tradução e se há necessidade da utilização
de palavras alternativas (Wild et al., 2005). Nesse processo, 22 professoras (dez da educação
infantil e 11 do ensino fundamental) avaliaram a versão SCSP-2 br quanto à clareza e com-
preensão das instruções e do próprio instrumento e a equivalência semântica. O examinador 1
(E1) lia cada um dos itens do instrumento à professora e solicitava que ela afirmasse se o item
estava claro e compreensível.
b) Equivalência interexaminadores: refere-se ao grau de concordância entre dois ou mais
observadores quanto aos escores de um instrumento (Souza et al., 2017). Para verificar a con-
fiabilidade dos dados coletados, realizou-se a avaliação por dois avaliadores independentes.
O Examinador 1 (E1), ao aplicar o instrumento em 15% da amostra (22 professoras que
responderam referente a 22 crianças), preencheu o formulário e, ao mesmo tempo, gravou em
áudio as respostas dadas pelas professoras a cada um dos itens. O Examinador 2 (E2) realizou o
preenchimento do instrumento por meio do áudio da primeira avaliação e foram comparadas
as pontuações de E1 e E2, para calcular o nível de concordância interexaminadores.
c) Aplicabilidade do instrumento: participaram, dessa fase, 74 professores, que responderam
sobre um total de 146 crianças e jovens de 3 a 14 anos e 11 meses. Em média, cada professora
respondeu ao instrumento referente a dois alunos (um menino e uma menina), quando foi
avaliada a consistência interna do SCSP-2 br. O tamanho da amostra (n=146) foi determinado
por conveniência. O número autorizado pela NSC Pearson, Inc. Minnesota Corporation, que
detém os direitos autorais do uso do instrumento, possibilitou uma distribuição adequada das
crianças e jovens entre os avaliadores.

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d) Estabilidade teste-reteste: refere-se ao grau em que resultados similares são obtidos em


dois momentos distintos (Souza et al., 2017). A estabilidade do instrumento foi avaliada em
15% da amostra (22 participantes), com intervalos de 7 a 14 dias entre as duas aplicações do
instrumento.

2.2 Análise dos dados


A análise da etapa de tradução conciliada foi realizada por meio de consenso entre os
integrantes do comitê técnico, havendo, quando necessário, discussão, comparação e adequa-
ção nos itens das versões (VP1 e VP2), obedecendo-se às orientações de conciliação de Koller et
al. (2012). A posteriori, realizou-se uma análise do poder estatístico, junto à amostra autorizada
pela NSC Pearson, Inc. Minnesota Corporation, para a presente pesquisa, sendo: probabilidade
de ocorrência do erro de primeira espécie: alfa = 0,10; poder do teste = 0,95; com esses parâ-
metros podem ser detectadas diferenças no Coeficiente Alfa de Cronbach de até 0,3, quando o
valor testado for 0,6 (Bonnett, 2002).
As análises das etapas de equivalência de itens e de desdobramento cognitivo/validade
de face foram realizadas por meio do índice de concordância, utilizando-se a fórmula para cálculo
da porcentagem de concordância entre especialistas extraída de Alexandre e Colluci (2011).

Foi considerada aceitável apenas uma discordância, correspondendo a uma porcen-


tagem de concordância de 75% na análise de equivalência dos itens e 95% no desdobramento
cognitivo/validade de face. No caso de valores mais baixos (ou seja, mais de uma discordância),
houve a necessidade da revisão do item pelo comitê técnico e reapresentação dele aos especia-
listas até alcançar uma concordância aceitável.
A consistência interna do instrumento foi analisada por meio do Teste da Estatística
Alfa de Cronbach (Cronbach, 1951). Já a confiabilidade e reprodutibilidade do instrumento
foram obtidas por meio da utilização do Coeficiente Kappa e do Coeficiente de Associação
de Cramér (Cramér, 1946). Os valores do coeficiente Kappa podem ser interpretados como
< 0,20 – pobre, entre 0,21 e 0,40 – fraca, 0,41 e 0,60 – moderada, 0,61 e 0,80 – boa, e 0,81
e 1,00 – muito boa (Altman, 1991; Fleiss et al., 2003). A medida de associação avaliada pelo
teste Cramér varia entre 0 e 1, mas quanto mais próximo de 1, mais associadas estão as variáveis
(Cramér, 1946). Os dados foram analisados por meio do software STATA 14.2.

3 Resultados
Para a análise do processo de tradução foi observado que apenas um item (2,3%) ob-
teve concordância entre T1 e T2; outro item foi reformulado na tradução conciliada feita pelo
comitê técnico; dois itens (4,5%) sofreram pequenas modificações a partir das versões de T1 e
T2; nove itens (20,5%) foram mesclados entre as versões de T1 e T2 na tradução conciliada; e

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Perfil Sensorial Escolar 2 Relato de Pesquisa

o comitê técnico optou pela versão de T1 em 11 itens (25%) e, pela versão de T2, em 20 itens
(45,4%). Dessa forma foi organizada a versão português técnica (VPT).
A VPT foi encaminhada ao comitê de especialistas para as análises semântica e de con-
teúdo. Verificou-se que 72,7% dos itens obtiveram um índice de concordância aceitável (acima
de 75% de concordância), obtendo a maioria dos itens (68%) concordância total entre os espe-
cialistas, e dois itens (4,5%) obtiveram apenas uma discordância, não havendo necessidade de
alterações. Dentre os itens com necessidade de alterações, um item (2,3%) apresentou discordân-
cia de dois juízes (50%), outro item apresentou discordância de três juízes (75%) e, finalmente,
22,7% dos itens apresentou discordância entre todos os juízes. Dessa forma, esses 12 itens foram
reformulados a partir das sugestões apresentadas pelos juízes e reapresentados a eles para serem
reavaliados e, posteriormente, apresentaram um índice de concordância aceitável acima de 75%.
Desse processo resultou a versão consensual em português (VCP) que foi encaminhada aos retro-
tradutores e então elaboradas as Versões Retrotraduzidas 1 e 2 (VRT1 e VRT2).
O comitê técnico se reuniu novamente e analisou as VRT1 e VRT2. Quatro itens
(9%) obtiveram concordância entre os dois retrotradutores; 30 itens (68,2%) foram mantidos
a retrotradução 1, sete itens (15,9%) a retrotradução 2 e, três itens (6,8%) foi realizada mescla
entre as duas retrotraduções.
As versões consensuais em português e a retrotraduzida foram enviadas para a autora
e para a NCS Pearson para avaliação e aprovação para continuidade do processo de adaptação
cultural. A autora solicitou a alteração de apenas três itens (6,8%), os quais foram modificados
e reenviados a ela que, após análise, aprovou o processo de tradução e adaptação, gerando a
versão SCSP-2 br. Tal versão foi utilizada na fase de pré-teste.
O pré-teste foi iniciado pelo desdobramento cognitivo/validade de face, quando 22
professores analisaram a versão do SCSP-2 br. O comitê técnico realizou a adequação dos itens
que obtiveram índice de concordância abaixo de 95% dos professores (mais de uma discordân-
cia), já que estes são o público-alvo e, quanto mais claro estiverem os itens, mais fidedigno seria
o resultado. Nesse sentido, oito itens (18,2%) obtiveram um índice de concordância de 90,9%
(duas discordâncias), três itens (6,8%) um índice de concordância de 86,40%, um item (2,3%)
obteve índice de concordância de 81,82%, e outro obteve índice de concordância de 77,30%.
Estes foram reformulados e reaplicados aos professores, em que quatro itens (9%) obtiveram
100% de concordância e um item (2,3%) obteve 95,45%. Essas alterações foram enviadas
novamente à autora do instrumento, Dra. Winnie Dunn, e à NCS Pearson, como estabelecido
nos Termos de Transferência dos Direitos Autorais. A autora aceitou dez itens, solicitou uma
pequena adequação em um item e manteve a versão autorizada anteriormente em dois itens.
Dessa forma, obteve-se a versão SCSP-2 br final que foi utilizada para avaliar a aplicabilidade,
a confiabilidade e a reprodutibilidade do instrumento.
Para avaliar a aplicabilidade do SCSP-2 br, 74 professores responderam sobre um
total de 146 crianças e jovens (distribuídas igualmente entre gênero), sendo 127 de desenvolvi-
mento típico e 19 atípico. A maioria estudava em escola pública (n = 100 – 68,5%) e no ensino
fundamental (n = 119 – 81,5%).

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ALMOHALHA, L. et al.

A consistência interna dos 44 itens apresentou um Alfa de Cronbach de 0.96 e valor


semelhante ao do total do instrumento. Analisando a consistência interna das áreas sensoriais,
os valores de Alfa foram acima de 0.70 e abaixo de 0.92, enquanto para os quadrantes, esses va-
lores variaram entre 0,85 e 0,94. Finalmente, com relação à consistência interna por fatores es-
colares, os valores de alfa variaram entre 0,81 e 0.92, a equivalência interexaminadores apresen-
tou alta concordância, acima de 90%, em todos os itens, e a reprodutibilidade do instrumento
apresentou alta concordância entre o teste e o reteste, como pode ser visualizado na Tabela 1.
Tabela 1
Consistência interna, concordância interexaminadores e teste-reteste segundo as categorias analisadas
do SCSP-2 br
Concordância interexami-
Consistência interna Concordância teste-reteste
nadores
Média Erro Erro
Categoria Aspecto avaliado Alfa Kappa Z Kappa Z
Correlação Padrão Padrão
Processamento Auditi-
0.4154 0.8326 1.0000 0.1455 6.87 0.8838 0.2105 4.20
vo (PA)
Processamento Visual
0.5351 0.8896 1.0000 0.1505 6.64 0.8980 0.2281 3.94
(PV)
Processamento Tátil
0.3080 0.7807 1.0000 0.1389 7.20 0.9424 0.2130 4.42
ÁREAS (PT)
SENSORIAIS Processamento de
0.4532 0.8689 1.0000 0.1476 6.77 0.9181 0.2223 4.13
Movimento (PM)

Respostas Compor-
tamentais Associadas
0.5065 0.9186 0.9783 0.1503 6.51 0.9679 0.2277 4.25
ao Processamento
Sensorial (RC)

Procura 0.4267 0.8562 1.0000 0.1461 6.85 0.9381 0.2178 4.31

Evita sensorial 0.4877 0.9195 0.9895 0.1554 6.37 0.9796 0.2424 4.04
QUADRANTES
Sensibilidade sensorial 0.3606 0.8713 0.9912 0.1469 6.75 0.9302 0.2097 4.44

Registro sensorial 0.5502 0.9448 1.0000 0.1496 6.68 0.9672 0.2283 4.24

Fator escolar 1 0.4775 0.9223 1.0000 0.1446 6.92 0.9640 0.2290 4.21

Fator Escolar 2 0.3058 0.8150 0.9825 0.1404 7.00 0.9336 0.2173 4.30
FATOR
ESCOLAR
Fator Escolar 3 0.4934 0.9212 1.0000 0.1496 6.68 0.8986 0.2079 4.32

Fator Escolar 4 0.5553 0.9183 0.9865 0.1558 6.33 0.9659 0.2421 3.99

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Perfil Sensorial Escolar 2 Relato de Pesquisa

Os pesquisadores seguiram as diretrizes do Manual do Sensory Profile 2 (Dunn, 2014)


para identificar e determinar os pontos de corte da versão brasileira do SCSP-2. Embora a
amostra pesquisada não represente a população brasileira em geral, foi possível identificar um
escore preliminar. As Figuras 2 a 4 demonstram que os pontos de corte da população brasileira
diferem dos pontos de corte americanos.
Figura 2
Comparação entre os escores americano e o preliminar brasileiro, referente às áreas sensoriais

Figura 3
Comparação entre os escores americano e o preliminar brasileiro, referente aos quadrantes

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ALMOHALHA, L. et al.

Figura 4
Comparação entre os escores americano e o preliminar brasileiro, referente aos fatores escolares

4 Discussão
O uso de avaliações internacionais exige investigação criteriosa para sua utilização
em novas culturas, dentre elas uma adequação linguística para assegurar a equivalência na tra-
dução e retrotradução, não somente dos preceitos semânticos e conceituais, mas também da
própria estrutura da redação, dos dados normativos e das especificidades socioculturais onde o
instrumento será utilizado (Beaton et al., 2007; Coster & Mancini, 2015; Souza et al., 2006).
No presente estudo, as etapas de tradução, retrotradução e adaptação cultural foram
rigorosamente respeitadas, seguindo-se o referencial teórico-metodológico proposto por Beaton
et al. (2007) e Wild et al. (2005). A tradução inicial, realizada por dois tradutores indepen-
dentes, possibilitou comparações e escolhas de redação na etapa de conciliação, assegurando-se
uma versão mais precisa (Koller et al., 2012).
Na etapa de retrotradução, seguindo-se as recomendações científicas (Coster &
Mancini, 2015), foram selecionados dois tradutores de língua materna inglesa e domínio na
língua portuguesa falada no Brasil e, novamente, a síntese dessas traduções foi realizada pelo co-
mitê técnico, composto pelo primeiro e último autores. O envio das versões (original, traduzida
consensual para o português e consensual retrotraduzida) para revisão e análise da autora do
instrumento original auxiliou na garantia da equivalência da nova versão criada com a original
(Machado et al., 2018). Esse processo garantiu, ainda, a fidedignidade das equivalências e do
construto do instrumento.
A análise de equivalência de itens, realizada por especialistas em integração senso-
rial e reabilitação infantil, garantiu a equivalência semântica (manutenção do significado da
versão original), idiomática (adequação de linguagens coloquiais de difícil tradução), cultural

498 Rev. Bras. Ed. Esp., Corumbá, v.29, e0012, p.489-504, 2023
Perfil Sensorial Escolar 2 Relato de Pesquisa

(adequação ao contexto cultural da população alvo – no caso educadores de educação infantil


e ensino fundamental), e conceitual (avaliação do significado conceitual da palavra quando
semelhante) (Freitas & Gonçalves, 2021).
Além das etapas de adaptação cultural citadas, é necessária a verificação da validade
e confiabilidade do instrumento para a população à qual está sendo adaptada, sendo etapas
distintas, mas complementares à pesquisa metodológica (Borsa et al., 2012).
Embora não haja consenso sobre quais e quantas evidências um instrumento deve
fornecer para ser considerado válido e confiável para a nova cultura, quanto mais evidências
forem fornecidas, maior a confiabilidade do instrumento (Urbina, 2007). No presente estudo,
foram realizadas análises para verificar a compreensibilidade, aplicabilidade, confiabilidade e
critérios do instrumento (Souza et al., 2017). A análise da compreensibilidade ocorreu na etapa
do desdobramento cognitivo/validade de face quando o instrumento passou por uma avaliação
sobre o nível de compreensibilidade geral de leitura e entendimento do questionário (Beaton et
al., 2007; Wild et al., 2005), no caso a compreensão do SCSP-2 por parte dos professores da
educação infantil e do ensino fundamental.
A confiabilidade é a capacidade de reproduzir um resultado de forma consistente no
tempo e espaço, a partir de observadores diferentes, indicando, assim, quais são os aspectos
sobre coerência, precisão, estabilidade, equivalência e consistência interna (Souza et al., 2017).
A aplicabilidade e confiabilidade do SCSP-2 br foram analisadas durante o pré-teste
por meio da análise da equivalência interexaminadores. Essa etapa investiga a concordância da
aplicação ou de interpretação dos resultados, aplicabilidade do instrumento em que se verifica se
todos os domínios ou subpartes de um instrumento medem a mesma característica, e um mesmo
construto, e a estabilidade teste-reteste para garantir a análise dos resultados em dois momentos
distintos, sobre a estimativa da consistência das repetições das medidas (Souza et al., 2017). Dessa
forma, propõem-se garantir as evidências das análises psicométricas iniciais, demonstrando resul-
tados robustos e fidedignos em um estudo da adaptação cultural (Gontijo, et al., 2019).
Apesar de não haver consenso na literatura, os valores de Alfa de Cronbach entre 0,70
e 0,90 são geralmente considerados adequados para escalas psicométricas (Cummings et al.,
2003). Para a análise psicométrica, o SCSP-2 br apresentou em todos os 44 itens e na soma
total dos itens um valor acima do considerado aceitável (0,96), sugerindo, assim, que os itens
estão medindo os mesmos elementos. O valor mínimo aceitável para se considerar um questio-
nário confiável é 0,7 (Hora et al., 2010).
No que se refere à consistência interna, observaram-se valores aceitáveis em quase
todas as áreas sensoriais, nos quadrantes procura sensorial e sensibilidade sensorial e no fator
escolar 2; nas outras categorias, os valores do Alfa de Cronbach foram acima de 0,91, o que
segundo Briggs e Cheek (1986) indica boa precisão do instrumento.
A confiabilidade interexaminadores apresentou valores de Kappa entre 0,9 e 1.0. em
todas as áreas de processamento, quadrantes e os fatores escolares, o que indica concordância
quase perfeita, segundo Landis e Koch (1977).

Rev. Bras. Ed. Esp., Corumbá, v.29, e0012, p.489-504, 2023 499
ALMOHALHA, L. et al.

Os resultados do processo de tradução, a alta frequência de concordância entre os


profissionais em relação à clareza e à pertinência dos itens e os altos índices de confiabilidade
intra e entre examinadores são considerados recursos fundamentais no processo de adaptação
cultural de instrumentos (Gontijo et al., 2019). Este estudo apresentou um escore normativo
preliminar e observou-se que os pontos de corte dos escores brasileiros são distintos dos pontos
de corte americanos (ver Tabela 2 no Apêndice A). É fundamental mencionar a importância do
uso de escores brasileiros, pois pode-se classificar erroneamente crianças e jovens avaliados pelo
perfil sensorial com os pontos de corte americanos.

5 Conclusões
Espera-se que o SCSP-2, uma vez traduzido e adaptado culturalmente para a popula-
ção de crianças e jovens na idade proposta, forneça cada vez mais evidências científicas que pos-
sibilitem estudos relacionados ao desenvolvimento infantil, em especial quanto à reatividade
sensorial no contexto escolar. Além disso, é notável que esta pesquisa traz benefícios para pro-
fissionais que atuam com o público infantil, assim como amplia o conhecimento relacionado às
desordens de modulação sensorial. Com isso, espera-se tornar possível que seja dada assistência
de forma mais assertiva a crianças e jovens que tenham alterações de processamento, assistência
esta que envolva a atuação de um terapeuta ocupacional, tanto no atendimento clínico como
no contexto escolar, com adequações e orientações que possibilitem a aprendizagem do aluno
nesse contexto.
Algumas questões a serem exploradas em futuras pesquisas são em relação à equiva-
lência da estrutura do instrumento, a equivalência das cargas fatoriais, a quantidade de itens
por domínio, a covariância entre os fatores do instrumento e os erros de medida. Destaca-se
ainda que seria importante a análise para cada dimensão do instrumento.
Estudos futuros poderão verificar a validade e confiabilidade do SCSP-2 entre dife-
rentes populações com uso de instrumentos que possam avaliar o mesmo constructo, observan-
do validades convergentes e discriminantes.

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Recebido em: 21/01/2023


Reformulado em: 25/04/2023
Aprovado em: 05/05/2023

502 Rev. Bras. Ed. Esp., Corumbá, v.29, e0012, p.489-504, 2023
Perfil Sensorial Escolar 2 Relato de Pesquisa

Apêndice A – Escore normativo para crianças americanas e brasileiras


Tabela 2
Escore normativo para crianças americanas e brasileiras a partir do SCSP-2 e do SCSP-2 br

Muito menos Menos que Muito mais que


Variáveis Como a maioria Mais que outros outros
que outros outros

Escores
A Br A B A B A B A B
Normativos

Procura Sensorial 0 0 1-6 1-6 7-19 7-20 20-25 21-26 26-40 27-40

Evita sensorial 0-1 0 2-7 1-8 8-21 9-23 22-27 24-31 28-60 32-60
Quadran-
tes Sensibilidade 0-2 0-3 3-9 4-10 10-23 11-24 24-30 25-31 31-55 32-55

Registro 1-9 1-8 10-28 9-27 29-37 28-36 29-37 28-36 38-65 37-65

Auditivo 0-1 0 2-5 1-5 6-15 6-15 16-19 16-20 20-35 21-35

Visual ** 0 0-5 1-4 6-17 5-16 18-23 17-22 24-35 23-35

Processa- Tato 0 0-1 1-4 2-6 5-15 7-16 16-20 17-20 21-40 21-40
mentos
Movimento 0 0 1-5 1-5 6-17 6-18 18-23 19-24 24-40 25-40

Comportamento 0-1 0 2-8 1-7 9-22 8-23 23-29 24-32 30-55 33-55

Fator Escolar 1 0 0 1-9 1-9 10-28 10-28 29-37 29-38 38-65 39-65

Fator Escolar 2 0-2 0-2 3-9 3-9 10-24 10-24 25-30 25-32 31-50 33-50
Fatores
Fator Escolar 3 0-2 0 3-8 1-8 9-23 9-24 24-29 25-32 30-60 33-60
Escolares

Fator Escolar 4 0-1 0 2-5 1-5 6-16 6-18 17-21 19-25 22-45 26-45

Nota. A = escore das crianças americanas; Br = escore das crianças brasileiras.

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