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Obsession

Yasmim Alles, uma jovem de 18 anos, vive com sua mãe e meio-irmão Dylan em Seattle após a morte de seu pai. Ela enfrenta desafios na escola, incluindo bullying e a relação complicada com Dylan, que não frequenta as aulas. O capítulo também revela a pressão social que Yasmim sente ao ser levada por suas amigas a uma balada, em vez de um jantar como esperado.

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gabriellabryonn6
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Obsession

Yasmim Alles, uma jovem de 18 anos, vive com sua mãe e meio-irmão Dylan em Seattle após a morte de seu pai. Ela enfrenta desafios na escola, incluindo bullying e a relação complicada com Dylan, que não frequenta as aulas. O capítulo também revela a pressão social que Yasmim sente ao ser levada por suas amigas a uma balada, em vez de um jantar como esperado.

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1.

capitulo 1
2. Capítulo 2
3. Capítulo 3
4. Capitulo 4
5. Capítulo 5
6. Capítulo 6
7. Capítulo 7
8. Capítulo 8
9. Capítulo 9
10. Capítulo 10
11. Capítulo 11
12. Capítulo 12
13. Capítulo 13
14. Capítulo 14
15. Capítulo 15
16. Capítulo 16
17. Capítulo 17
18. Capítulo 18
19. Capítulo 19
20. Capítulo 20
21. Capítulo 21
22. Capítulo 22
23. Capítulo 23
24. Capítulo 24
25. Capítulo 25
26. Capítulo 26
27. Capítulo 27
28. Capítulo 28
29. Capítulo 29
30. Capítulo 30
31. Capítulo 31
32. Capítulo 32
33. Capítulo 33
34. Capítulo 34
35. Capítulo 35
36. Capítulo 36
37. Capítulo 37
38. Capítulo 38
39. Capítulo 39
40. Capítulo 40
41. Capítulo 41
42. Capítulo 42
43. Capítulo 43
44. Capítulo 44
45. Capítulo 45
46. Capítulo 46
47. Capítulo 47
48. Capítulo 48
49. Capítulo 49
50. Capítulo 50
51. Capítulo 51
52. Capítulo 52
53. Capítulo 53
54. Capítulo 54
55. Capítulo 55
56. Capítulo 56
57. Capítulo 57
58. Capítulo 58
59. Capítulo 59
60. Capítulo 60
61. Capítulo 61
62. Capítulo 62
63. Capítulo 63
64. Capítulo 64
65. Capítulo 65
66. Capítulo 66
67. Capítulo 67
68. Capítulo 68
69. Capítulo 69
70. Capítulo 70
71. Capítulo 71
72. Capítulo 72
73. Capítulo 73
74. Capítulo 74
75. Capítulo 75
76. Capítulo 76
77. Capítulo 77
78. Capítulo 78
79. Capítulo 79
80. Capítulo 80
81. Capítulo 81
82. Capítulo 82
83. Capítulo 83
84. Capítulo 84
85. Capítulo 85
86. Capítulo 86
87. Capítulo 87
88. Capítulo 88
89. Capítulo 89
90. Capítulo 90
91. Capítulo 91
92. Capítulo 92
93. Capítulo 93
94. Capítulo 94
95. Capítulo 95
96. Capítulo 96
97. Capítulo 97
98. Capítulo 98
99. Capítulo 99
100. Capítulo 100
101. Capítulo 101
102. Capítulo 102
103. Capítulo 103
104. Surpresa!!
capitulo 1
Yasmim Alles, uma jovem de 18 anos, nasceu nos tranquilos subúrbios de
Seattle, nos EUA, sob os cuidados de seus pais, Cristopher e Loren Alles.

Yasmim, possui uma aparência única e encantadora. Sua pele clara


contrastava harmoniosamente com seus olhos castanhos, que brilhavam
com uma intensidade cativante. Seus cabelos, tão loiros que pareciam quase
brancos, em determinadas iluminações.
No entanto, uma característica peculiar chamava a atenção: suas
sobrancelhas, tão claras que quase se mesclavam com sua pele, eram quase
imperceptíveis, evocando apelidos de mal gosto a sua infância inteira.
Essa peculiaridade, herança de seu pai, cuja família era inteiramente alemã,
conferia-lhe uma aura de singularidade que a tornava ainda mais fascinante
aos olhos dos outros

Eu tenho o corpo bem detalhado, cheio de curvas, com meus seios, coxas e
meu bumbum um tanto quando grandes; mas eu não ligo para minha
aparência, mamãe me disse que eu sou linda de todas as formas, mesmo
"não tendo sobrancelha" como dizem por aí

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer é ler e ir para a igreja. As vezes,
trabalho como voluntária para cuidar das crianças, quando tem algum
evento ou coisas importantes na sede.

Meu pai infelizmente acabou morrendo em um acidente de carro quando eu


tinha 13 anos, dês de então, vivia somente eu e mamãe. Até que ela
conheceu Oliver Riger, seu namorado

Ele tem um filho chamado Dylan Riger, de 19 anos; minha mãe conheceu
Oliver ano passado, e dês de então, eu e mamãe moramos na casa do Riger

A casa é bem ajeitadinha, exceto o quarto de Dylan, que vive uma bagunça

Dylan é um ano mais velho que eu, ele acabou repetindo a escola e então
estuda na mesma sala que eu, no último ano da escola
Ele me leva para a escola em seu carro, meu meio-irmão dirige feito um
louco, em alta velocidade, quase atropelando os pedestres

[...]

Eu estava me arrumando para ir para a escola

Fiz minha higiene matinal, coloquei meu uniforme e fui para a cozinha,
onde mamãe estava tomando café da manhã com Dylan

—Dylan, não se esqueça de levar sua irmã para a escola! Ontem você a
deixou voltar para casa sozinha!! -Oliver apareceu com uma cara nada boa

—Ela que fica de conversinha com os "irmãos da igreja" no corredor e se


atrasa -ele diz rude, fazendo sinal de aspas com os dedos

—Querida, você tem que ser mais rápida, seu irmão também tem os
assuntos dele para resolver -Minha mãe faz carinho em meu braço com sua
voz doce

—Se você deixar sua irmã sozinha de novo.. -Oliver cerra os punhos

—Ela não é minha irmã. -disse rude, se levantando da mesa e saindo de


casa

—Esse garoto não tem jeito!! -Oliver desfere um soco no armário,


fazendo cair uma xícara de dentro dele

—Eu limpo.. -me levanto da mesa em direção a vassoura

—Não se preocupe filha, seu irmão está te esperando, deixa que eu limpo
isso, pode ir -Minha mãe disse calma

Oliver é bem agressivo e rude, sempre brigando e de mau humor

Eu não parava muito em casa nas segundas, quartas e sextas pois tinha que
ir na igreja
Mas quando eu voltava, sempre ouvia discussões dele com Dylan ou com
minha mãe

[...]

Ao chegar na escola, Dylan estaciona o carro, e antes de eu sair do mesmo,


ele segura meu braço

—Escuta aqui Alles, não se atrase novamente!caso o contrário, terá de


pegar carona com seus amiguinhos! -Ele solta meu braço e sai do carro

Ao sair do carro, avisto Chloe e Mads na porta da escola me esperando

—A paz do senhor irmã! -Mads brinca, fazendo nos três rir

—Yasmim quando que você vai fazer a boa pra sua amiga aqui e
desenrolar seu irmãozinho?? -Chloe pergunta toda manhosa segurando meu
braço ao ver Dylan e seus amigos no corredor

—Ele não é meu irmão Chloe, e ele é bem chato

—Porra!! -Mads fala ao ser empurrada por Amanda

—Ops!... foi sem querer madszinha, eu escorreguei -Amanda ri com seu


grupinho

Amanda, uma das meninas mais populares da escola, sempre com seu jeito
rude e se achando superior a qualquer um, principalmente comigo e minhas
amigas

—Não liga para ela amiga, vamos para a sala -digo puxando Mads

—O que foi? Não gostou da brincadeira albina??! Eu te magoei? Poxa.. -


Amanda se faz

—Por favor não me chame assim, eu já lhe pedi-Amanda ri

—Se liga Yasmim, vai ler a Bíblia ou sei lá o que você faz naquela
espelunca de igreja!!
Chloe tenta se avançar em Amanda, mas eu seguro seu braço junto ao de
Mads que estava enfurecida

Eu puxo as garotas em direção a sala de aula, deixando Amanda e seu


grupinho cair na gargalhada

—Qual foi Yasmim?! Já faz anos que essa idiota faz esses comentários
sobre você e você não faz nada! Deixa que eu e Mads damos uma lição
nela!

—A violência não resolve nada Chloe, ela só é assim pq... -me falta
argumentos- pq ela não deve gostar dela mesma, aí fica descontando nos
outros

Os alunos foram entrando e se sentando em seus lugares

Após três aulas de matemática e uma de geografia , temos uma aula vaga, o
professor Fred está de atestado médico e não pode comparecer

Eu estava lendo um livro qualquer que peguei na biblioteca , enquanto


minhas amigas conversam sobre garotos

Minha atenção é interrompida por batidas na porta

—Senhorita Alles, por favor, me acompanhe -Senhora Marta, a diretora da


escola entra na sala a minha procura

Deixo meu livro em cima da mesa e sigo a diretora até sua sala

—Como você já deve ter percebido, seu irmão não está comparecendo as
aulas já faz uma semana. Está acontecendo alguma coisa em casa? Ele
comentou algo com você?

Dylan é muito rebelde, não gosta de receber ordens

Ele me trás e me busca na escola, mas sem ser na entrada e na saída, eu não
o vejo mais durante a manhã de aula
—Eu percebi sim que ele não está comparecendo as aulas, e... ham.. -Acabo
ficando sem desculpas- ele está enfrentando alguns problemas em casa,
coisa pessoal, sabe? Ai ele prefere ficar sozinho.. eu peço desculpas em
nome dele, senhora Marta -Eu odeio mentir, é pecado! Mas eu não quero
meter ele em encrenca, principalmente com Oliver

—Ah, sim sim, eu entendo! Espero que ele melhore, qualquer coisa, me dê
notícias! Obrigada pela atenção, Yasmim -O sinal bate

Saio da sala da diretora e vou pegar minha mochila na sala de aula

Ouço o motor do carro de Dylan de longe, o problema, é que eu não estou


achando minha mochila

—ele deve estar uma fera... -digo baixo para mim mesma

Saio pela escola procurando minha mochila, até ver ela pendurada em cima
do meu armário

—Oque diabos você está fazendo?! Estou a quase dez minutos te esperando
sua idiota!! -Dylan aparece bravo logo atrás de mim

—Alguém pegou minha mochila e a colocou em cima do meu armário, eu


não consigo pegar!

Dylan me empurra para que eu saísse da frente, pega minha mochila sem
dificuldade nenhuma e sai andando em direção a saída da escola sem dizer
nada

Dylan tem os cabelos negros, o corpo sarado, alto e com diversas tatuagens,
chamando a atenção de qualquer garota por onde ele passa

Saio correndo em direção de Dylan para alcançá-lo

—O que eu te falei para não se atrasar porra?!! -ele dá partida no carro

—Me desculpa! -olho para a janela do carro, evitando olhar para ele- a
diretora me perguntou sobre você hoje.. -tomo coragem para falar- onde vo-
você estava? Você não está indo para a aula faz uma semana Dylan
—Não é da sua conta -diz rude- o que você respondeu para a velha?

—Eu tive que mentir por sua culpa, você sabe que eu odeio isso!

—Yasmim Alles mentindo? Oque? -disse incrédulo- mentir é pecado Alles,


você não leu isso na Bíblia? -ele coloca a mão na boca, como se estivesse
surpreso

—Por sua culpa! Eu não queria metê-lo em encrenca, mas foi só dessa vez
Riger! Você está me devendo uma.

—já até sei o que vai pedir...

—Pode me levar na igreja hoje?? tenho um evento lá, sabe?

—Se você se atrasar, você vai andando! -eu considero isso com um sim

[...]

Eu estava arrumando a casa à tarde, até ouvir alguém bater em minha porta

—A paz do senhor irmã- Chloe e Mads dizem ao mesmo tempo se rindo

—Entrem -digo em risos, dando espaço para elas entrarem

Elas se sentam no sofá com um sorriso de orelha a orelha

—Então... Yasmim, coisa mais linda desse mundo.. -Chloe mexe no cabelo

—Você vai jantar com a gente em um restaurante -eu iria falar alguma
coisa, mas sou cortada- Não adianta negar, você não sai com a gente faz
dois meses

—a gente sabe que tem evento na igreja, mas hoje você vai ficar com suas
amigas! -elas se levantam do sofá e me abraçam

—Meninas, eu já falei com o pessoal e eu iria ajudar a cuidar das crianças,


não posso desmarcar em cima da hora!
—Dá sim, a gente já conversou com o Lucas, ele disse que está tranquilo,
não se preocupa!

Lucas é filho do padre da minha igreja, ele é bem legal e educado, me


ajudando a cuidar das crianças quando nos voluntariamos

—Só para confirmar... -cerro os olhos e puxo meu celular para confirmar
com o Lucas

Está tudo certo, realmente não tem problema se eu não ir hoje na igreja,
mesmo já tendo confirmado com eles minha presença

[...]

As meninas estão a caminho de minha casa

Bom, como elas falaram que nós iríamos sair para jantar, eu escolhi uma
saia preta, uma blusinha preta, uma jaqueta jeans azul claro e uma bolsa
branca com detalhes em dourado

Eu não gosto muito de saias e vestidos muito curtos, eu até uso, mas como
nós vamos jantar, esse look está lindo!

Ouço as meninas do lado de fora me aguardando

Assim que entro no carro de Mads, vejo minhas amigas com roupas de festa

Mads está com um cropped branco e uma saia curta cheia de brilhos e
lantejoulas e um salto alto branco

Chloe está com um vestido preto com brilhos, um salto preto e uma
maquiagem chamativa

Elas estão lindas! Mas para um jantar? Isso está muito estranho...

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 2
Assim que chegamos, Mads estacionou o carro em uma rua bastante
movimentada, com uma enorme fila que dava voltas na quadra

—Aqui está o seu! -Chloe coloca uma pulseira verde neon em meu pulso,
escrito "VIP" em torno da mesma

—OQUE?! -Percebi que elas haviam me trazido em uma balada, e não em


um jantar

—Foi só assim para te trazer aqui amiga! Se a gente pedisse, você não iria
aceitar -Mads faz uma cara de riso

—Eu não iria mesmo!! Vou chamar um Uber para ir embora! -Digo
puxando meu celular de minha bolsa

—Ah não Yasmim, fica só um pouquinho vai? Não custa nada, você não
precisa beber, só fica lá com a gente e depois vai embora, não vai acontecer
nada demais! -Mads segura meu braço me puxando para o outro lado da
rua, onde estava a enorme fila

—Só um pouquinho Madson!! Depois vou embora

Eu não gosto de ir em festas, são muito barulhentas, muita gente bêbada e


drogada em um só lugar

Eu quero ir embora, mas sei que, se eu fizer isso, minhas amigas vão ficar
muito chateadas comigo

Passamos direto pela fila, não tendo que esperar junto com os demais na
gigantesca fila

—Nos três estamos juntas -Chloe diz para o segurança


A Lux é a boate mais famosa de Los Angeles, com enormes filas para entrar
até mesmo nos dias de semana

Assim que entramos, já vemos algumas pessoas dançando em cima de


mesas, garçons carregando bebidas de um lado ao outro, a música com
palavrões e o quão linda é essa boate, com a iluminação baixa, luzes de led,
caixas de som, um bar cheio de drinks e bebidas alcoólicas; ouvi Mads falar
que o segundo andar da Lux, onde tem total visão do primeiro andar da
boate, é onde ficam somente os VIPs

Fomos para a área VIP no andar de cima da Lux

—Ouvi falar que o dono da Lux e seus amigos estão aqui hoje! -Chloe pega
um Martini com gin

—Fiquei sabendo! Dizem que eles são uns gatinhos, principalmente o dono
da boate -Mads toma um gole de seu drink com whisky

—Amiga, eu sei que você está brava por nós ter mentido pra você sobre a
festa, mas foi só para você se divertir! Não fica assim vai -Chloe me dá um
beijo na bochecha me abraçando

—Você deu dois goles nessa bebida e já está com bafo de álcool! -digo
rindo

Alive (It feels like) do Alok, começa a tocar

—MEU DEUS EU AMO ESSA MÚSICA- Chloe diz puxando eu e Mads


de volta para o primeiro andar dançando

Começamos a dançar, Chloe é realmente apaixonada nessa música, está


dançando feito louca! Sendo muito engraçada de ver

Não demora muito e Mads a começa a dançar loucamente junto com Chloe,
rebolando, passando a mão em seus corpos e jogando seus cabelos para o
lado e para o outro

Sinto uma sensação estranha, como se alguém estivesse nos olhando


Olho para o segundo andar e vejo três rapazes olhando em nossa direção

Confesso que não dou muita bola e continuo dançando, não do jeito louco
igual minhas amigas, mas danço normal

Os três rapazes são altos, a iluminação não está muito boa, mas deu para ver
que, o do meio é loiro, tatuado, o corpo bem definido cheio de músculos e
muito bonito; o da esquerda tem cabelos negros e o da direita tem uma
tatuagem no canto do rosto com cabelos castanhos escuros

Percebo seus olhares ainda em nossa direção, até ver o homem do meio
cochichar algo no ouvido do homem da direita, em seguida, esse mesmo
homem que estava na direita do loiro, sai de minha visão

Os dois continuam ali, parados na janela do segundo andar, onde eles tem
visão para a Lux inteira

—OQUE??!!! -Tomo um susto ao ver Dylan ao lado dos dois homens no


andar de cima da balada

Assim que ele me vê, dá para perceber em sua cara que ele não gostou nada
disso

Ele desce as escadas e vai em minha direção puto da vida, parecia que iria
me atacar

—OQUE VOCÊ TÁ FAZENDO AQUI PORRA?!!! YASMIM VOCÊ


NÃO TINHA QUE ESTAR NA IGUEJA?! KARALHO QUE PORRA
QUE VOCÊ FEZ, PUTA QUE PARIU!! -Ele segura meu braço tentando
me puxando para fora da boate

—Solta ela seu idiota! -Mads tenta fazê-lo me soltar, mas falha

—Me deixa em paz Dylan!

—Vá para seu canto e nos deixe aqui porra! -Chloe fala brava

—NÃO É PRA VOCÊ ESTAR AQUI ALLES!! VÁ EMBORA AGORA!-


Dylan fala puto da vida segurando meu braço com força olhando em volta,
até parecia que estava devendo

—Me solta Dylan, eu não te fiz nada!

—MAS SERÁ MESMO QUE EU VOU TER QUE TE ARRASTAR


PORRA?!!! -Sem pensar duas vezes, Dylan me pega no colo me tirando da
Lux por uma outra entrada que eu não conhecia

Ele me coloca em seu carro e dirige em alta velocidade

—QUE MERDA QUE VOCÊ FEZ YASMIM! PUTA QUE PARIU!!! -Ele
desfere socos no volante

—PARA DE GRITAR! Eu não fiz nada! Foram elas que me obrigaram a ir


na Lux!

Assim que chegamos em casa, depois de ouvir Dylan reclamando e me


xingando o caminho todo, ele me tira de seu carro, me leva para meu quarto
e começa a andar em círculos no chão de meu quarto

—Vai fazer um buraco no chão desse jeito

—Cala a boca -Diz rude-Não sai do quarto, entendeu Yasmim? Qualquer


coisa me chama!-Ele coloca a mão na cabeça e sai do quarto

O que deve ter acontecido para Dylan estar tão bravo? Eu só estava
dançando! Não bebi, não fiz nada, eu fui obrigada a ir, mas o que será que o
deixou assim?!

Dylan está com o cabelo meio bagunçado, seus olhos vermelhos e um


cheiro horrível de álcool e maconha

Fui tomar um banho, afinal, como eu não podia sair de casa mesmo, vou
ficar lendo meus livros que ganho mais!

Mamãe e Oliver estão na cidade vizinha visitando alguns amigos, eles vão
passar alguns dias lá, estão tirando umas "férias" adiantadas

[...]
Durante a madrugada, não consegui dormir muito bem pois passava muitos
carros barulhentos, a vizinhança é muito tranquila, mas essa madrugada foi
de muito barulho na rua

Logo de manhãzinha, fiz minha higiene, coloquei uma calça moletom cinza,
uma blusa branca de mangas longas por baixo, um casaquinho cinza aberto
na frente e meus crocs rosa fraquinho

Vou dar uma caminhada de manhã pelo condomínio, está muito frio lá fora
pois é de manhã cedo

O condomínio é bastante grande, contendo lagos, um clube de piscinas,


tênis e vôlei

A umas três quadras de distância da minha casa, ouço risadas altas de


garotos

Ao avisar de longe, vejo um grupinho de rapazes fumando e rindo

Espera...

Ali no meio do grupinho está aquele Loiro e os outros garotos que estavam
nos observando na boate e.. Dylan? O que ele estava fazendo ali?

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 3
Antes que eu pudesse voltar e não passar na quadra que eles estavam,
percebo que loiro estava me olhando

O loiro e Dylan viram seus corpos em minha direção, Riger faz sinal para
que eu viesse até ele

Ao me aproximar devagar, percebo que alguns rapazes estão fumando


maconha, dentre eles, está Dylan

—Ora ora ora..o que temos aqui? -Um rapaz com uma tatuagem no lado
do rosto diz com um sorrisinho no rosto ao me ver se aproximar

Dylan trava o maxilar e cochicha algo para o cara, o mesmo abaixou a


cabeça e se sentou na calçada com outros dois rapazes

Dês de quando Dylan conhece esses caras? E por que ele está acordado tão
cedo num sábado? Geralmente nos finais de semana ele acorda lá pelas 13

Enquanto eu ando em direção a Dylan, vejo que o homem loiro está com
um sorriso de canto de rosto me observando de cima a baixo com cautela,
reparando meus cabelos, olhando cada detalhe do meu rosto

—Yasmim, esse é Vincent, meu amigo-Dylan nos apresenta

—Vinnie -Ele diz seu apelido e estende a mão para me cumprimentar

—ah, pra-prazer.. Yasmim -estendi a mão para Vinnie

—Pessoal, esta é Yasmim, minha meia irmã-Ele me apresenta para os


garotos que estavam com ele

Me sinto um pouco desconfortável com todos me olhando de cima a baixo,


fixando seus olhares em meus seios e meu bumbum
—Ai! -Um rapaz de cabelos negros chama minha atenção, me fazendo
olhar para ele- Já te falaram que parece que você não tem sobrancelha?
Nunca vi alguém tão loirinha na minha vida -O rapaz gargalha junto com os
outros amigos e se para ao lado de Vinnie e meu irmão

—Já me falaram sim -dou um riso fraco

Dylan da um cutucão no rapaz

—Brincadeira gatinha, prazer, Kio!-Ele estende a mão

—Então, o que você costuma fazer? -Kio puxa assunto

—Eu vou para a escola, vou para a igreja..-começo a tossir- as vezes saio
com minhas amigas -o cheiro de maconha está insuportável aqui, está muito
forte

—Algum problema? -Vinnie diz com as mãos no bolso das calças

—Na-não.. só esse cheiro forte.. -dou um passo pra trás para ficar um
pouco mais longe do cheiro

—Você vai na igreja? Sério mesmo?! -Kio fala surpreso

—Vai e ainda fica me infernizando para eu ir junto! -Dylan acende um


baseado enquanto fala

Todos caem na gargalhada

—Oque?! Dylan Riger ir para a igreja? Mas nunca! -Um rapaz que estava
sentado na calçada fala entre risadas

—Até parece -Dylan joga a fumaça em meu rosto

—Meu Deus Dylan! -Balanço as mãos na altura de meu rosto afastando a


fumaça

—Você deveria ir junto pelo menos uma vez, é legal, sabia?!


—Sem chance Yasmim, já basta eu te dar carona até lá e você ainda quer
que eu te acompanhe, sai fora!

Sinto meu celular vibrando no bolso de minha calça

É Mads, me afasto dos meninos e atento o telefone enquanto eles ficam


conversando sobre mulheres, sexo, festas... coisas de garotos

Mads se desculpa por ter me enganado e ter me levado a festa, ela pergunta
se eu estava bem depois de Dylan ter me tirado daquela forma da festa,
parecia que estava possuído

Desligo a chamada e volto para onde Dylan está com os amigos

—Gatinha, se você quiser me levar para a igreja, eu aceito! -Kio se para


ao meu lado e envolve seu braço em meu ombro

—Se liga Kio, se você pisar lá, a igreja pega fogo! -Um rapaz diz e todos
riem

—Vai se foder Nick! Eu estou mais para um anjo, tá bom?! E com essa
princesa aí meu lado.. —Dylan o encara com fogo nos olhos, parecia que
iria pular em Kio a qualquer momento

—Vish, pelo visto seu irmão é ciumento... -Kio ergue suas mãos em
rendimento e sai do meu lado, se parando ao lado de Vinnie

—Nos não somos irmãos -Eu e Dylan falamos ao mesmo tempo, todos
nós rimos

—Pode até ser, afinal, a Yasmim dá de dez a zero em você Riger -Nick ri

—Ela parece um anjinho, tão loirinha, com essa roupa clara.. -Kio fala me
olhando e olhando Dylan, dividindo seu olhar entre nós dois, nos
comparando

—Se liga, eu sou bonitão, olha quantas minas eu fiquei ontem na festa! -
Meu irmão se gaba
—Mas nada se compara ao Vinnie-Kio da leves tapinhas nas costas de
Vinnie que continuava a me encarar

Todos começam a se gabar falando de quantas ficaram na festa ontem

—Dylan, você vai voltar para almoçar? Se não eu faço comida só para
mim -digo encarando meu irmão

—Não, vou sair com os molekes -Dylan joga novamente a fumaça de seu
baseado em minha direção

—Santo Deus Dylan -Afasto a fumaça- eu vou para casa então, se cuida
na rua, do jeito que você dirige feito louco, é melhor cuidar mesmo!

—Foi um prazer gatinha! -Kio dá um beijo em minha bochecha

—Até logo! -Vinnie estende a mão

Outros rapazes me dão tchau de longe

Assim que me virei para voltar pra casa, sinto os olhares em minha bunda e
alguns rapazes cochichando algo

[...]

Já estava escurecendo lá fora, eu estava lendo um livro sentada na varanda


de meu quarto que ficava ao lado contrário da rua, quando ouço carros
estacionarem na frente de minha casa

Provavelmente é Dylan com alguma garota que ele trouxe

Alguns minutos se passaram e começo a a ouvir vozes no andar de baixo,


risadas altas

Deixo meu livro em cima de minha cama e saio no corredor em direção a


escada para o andar de baixo

Assim que abri a porta, vejo Vinnie no corredor do andar de cima


mas o que ele está fazendo aqui??! Será que os amigos dele estão aqui
também?! Meu Deus... o que que o Dylan está inventando agora?

—O que está fazendo aqui?

—Vamos ficar aqui hoje a noite, seu irmão vai dar uma "festinha" entre a
gente-Vinnie diz simples

—Certo.. mas, é você? O que está fazendo aqui em cima?

—Eu.. estou procurando o.. banheiro! -ele olha ao redor

—é na porta á direita -aponto para a porta

—valeu -ele entra no banheiro

Ao descer as escadas, me deparado com os amigos de Dylan no sofá, alguns


em pé e várias bebidas na mesinha de centro na sala, junto com um narguilé

—Eai gatinha! -Kio vem em minha direção- não se incomoda da gente


ficar aqui né? -Kio envolve seu braço ao redor de meus ombros

—Não me importo, só não façam tanto barulho, estou lendo meu livro

—Sem problemas princesa, mas eai, quer beber algo? -ele aponta para a
mesa de centro lotada de bebidas alcoólicas

—Ah.. não, não, eu não bebo Kio, mas obrigada! -começo a rir

—aaa verdade, você é santa né, da igreja -ele para e fica pensando- então..
vou te trazer um refrigerante, um segundo gatinha -Kio sai correndo em
direção da cozinha

Meu Deus, não quero nem ver a bagunça que eles vão fazer. Eu que não vou
limpar depois!

—Opaa, nos vemos de novo -Nick ri e se aproxima- Kio está te


incomodando? Não liga, ele é sem noção mesmo, meio idiotia, sabe?
—Muito pelo contrário, Kio está sendo um amor -nos rimos

—Se precisar de alguma coisa, estou aqui! -Nick me joga uma piscadela e
se senta no sofá com os rapazes

Vejo Kio voltar da cozinha com uma lata de Coca Cola em uma mão, e na
outra, um kit com energético e gin

—Aqui está.. espera.. era sem açúcar? Esqueci de perguntar-Kio diz com
uma cara de preocupado, sua cara estava muito engraçada, não pude conter
o riso

—Não se preocupa Kio, pode ser essa mesma -digo em risos

—Eu vou subir, mas, avisa o Dylan que ele vai limpar a bagunça depois?

—Sim senhora! Vou fazer ele limpar tudinho, essa casa vai ficar um
brinco!

Nos rimos e eu subo para meu quarto

—Ai que susto Vincent!! O que está fazendo no meu quarto??!! -coloco a
mão no peito, sentindo meu coração batendo rapidamente

—"Romeu e Julieta"? -ele diz com meu livro na mão

—É.. peguei na biblioteca da escola. Mas o que está fazendo aqui?!

Ele não responde minha pergunta

Vinnie começa a andar pelo quarto, até que ele fica parado olhando uma
foto em ao lado da minha cama

Percebo que ele trava o maxilar

—Quem é ele?

—Meu pai.. por que? -ainda fico meio triste em falar de meu pai
—Nada -disse seco

—Acho melhor você sair de meu quarto, se Dylan te ver aqui, ferrou!

—Riger não fará nada! Caso o contrário..-disse simples com a mão no


bolso da calça

O que ele diz dizer com isso?

—Vinnie, vá embora, por favor -Abro a porta do meu quarto que estava se
fechando por conta do vento que vinha da varanda aberta

O garoto me olha e da um sorriso de canto de rosto olhando para minha


boca e sai do quarto

Vinnie é extremamente lindo, diria que é o mais lindo dos amigos de meu
irmão

"Meu Deus Yasmim, por que você está pensando nisso? Ele deve ser
daqueles que depois que transa com a garota, não quer mais saber dela; os
amigos dele falaram que ele pegou mais de 15 garotas somente ontem a
noite na Lux" -meus pensamentos

Balanço a cabeça tentando afastar meus pensamentos

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capitulo 4
Já era meia noite e eles ainda estavam em minha casa, com aquelas músicas
de baixaria,rindo e falando muito alto

Ouço alguém bater em minha porta

—Pode entrar -digo simples me arrumando na cama

—Eai gatinha -Kio entra em meu quarto e fecha a porta

—Ah, é você -dou um sorriso

—Karalho! -Kio olha ao seu redor, reparando duas prateleiras cheias de


pelúcias- Me dá unzinho?! -Kio se agarra em um urso branco, que estava
segurando um coração

—Pode pegar sim -começo a rir vendo a cara de Kio espantado


observando os outros ursos

—Por que você tem tantos ursinhos?

—A maioria meu pai e meu tio que me deram de presente, era com
frequência, digamos assim

—E cadê seu pai?

Coço a garganta e olho para o chão, eu não sabia o que responder sem que
eu começasse a chorar

Kio percebe a merda que ele disse e tenta mudar de assunto

—Puta merda que irado!! -Kio se senta no banquinho de minha


penteadeira e começa a olhar as maquiagens

—Aonde que passa essa coisa? -Ele pergunta com um rímel na mão
—No cílios, quer passar? -me levanto da cama indo em direção a ele

—Eu quero -ele diz animado- aaaee verdade, seu cabelo é tão clarinho
que, assim como sua sobrancelha, não dá pra ver seus cílios, aí você passa
esse negócio né?!

—Isso mesmo -digo rindo- prontinho

—Karalho eu fiquei gatão! -Ele fica se admirando no espelho- você tem


aquele negócio? Como é o nome mesmo.. eh.. é tipo um batom
transparente, meio gosmento.. -ele tenta lembrar a palavra

—Gloss?

—ESSE AÍ MESMO! tem um pra aumentar minha boca? -ele faz


biquinho

Pego um gloss da Fenty Beauty e passo nele, vendo sua expressão mudar
quando o gloss começa a fazer efeito e arder

—Porra por que arde tanto?! - Kio fica com a boca aberta abanando seu
rosto

A porta de meu quarto é aberta

—Por que essa demora Karalho? -Dylan, Nick e Vinnie entram em meu
quarto

—Mais que porra é essa Kio?! -Nick fala gargalhando

—O que foi? Eu to gatão mané -Kio faz biquinho e fica piscando


freneticamente para os rapazes

—Essa demora toda só pra passar esses negócios na cara?! —Dylan diz
rindo- e ainda mais com um urso no colo -Riger limpa as lágrimas de seu
rosto se acabando de rir

—Deixa ele, Kio está lindo! ou melhor.. linda! -eu abraço Kio
—Oiaaa me respeita mocinha! -Kio fecha a cara

Os meninos estavam quase chorando de tanto rir

Hacker tem um sorriso tão lindo... eu o conheci hoje, mas eu mal o vejo
sorrindo

—Já escolheram o sabor? -Vinnie diz parando de rir

—Sabor? -Olho para o Kio

—AE! ME LEMBREI -Kio coloca a mão na testa- eu vim te perguntar


qual sabor você queria, vamos pedir pizza

—Meu Deus Kio -começo a rir- eu ia pedir shushi para mim, mas como
vocês vão pedir pizza, vou querer de calabresa, por favor!

—Certo! Agora, sai do quarto da minha irmã porra!! -Dylan começa a


puxar Kio pelo braço e o arrastando para fora

Dylan é muito ciumento comigo, apesar de ser muito seco, rude, ele é bem
durão, acho que é pra manter a postura

—DAQUI VINTE MINUTOS PODE IR BUSCAR AS PIZZAS


VINNIE!! -Nick fala gritando do andar de baixo para que Vinnie ouvisse

—Vai querer ir junto? -Vinnie se escora na porta de meu quarto

—Vou sim, se você não se incomod- antes que eu terminasse de falar,


Vinnie sai de meu quarto sem ouvir o final da frase

Vinnie é bem ignorante, parece que não liga muito para os outros sem ser
ele mesmo

Guardo meu livro no criado mudo ao lado de minha cama e vou tomar um
banho

Assim que sai da ducha, coloquei um moletom cinza e uma legging preta
Eu estava passando meu hidratante juntamente com meu perfume 'Red da O
Boticário, o cheiro maravilhoso do perfume impregnou em minha pele e em
minhas roupas

Vinnie abre a porta do quarto sem bater

—vai ir junto ou não?

—vou sim -coloco um chinelo em meus pés e desço com Vinnie até a
entrada de minha casa

—Santo Deus! -digo surpresa ao ver tantos carros de luxo estacionados em


frente de casa

Vinnie vai em direção a uma Lamborghini Urus preta, o carro mais lindo
que eu já vi até os dias de hoje

Essa belezinha de carro está avaliada em 2,5 milhões

Entro no carro toda sem jeito

—Esse carro é muito caro Hacker! -digo apavorada

—Isso por que você não viu meus outros carros -ele joga uma piscadela
para mim e começa a dirigir o carro

Se somente esse carro está avaliado em 2.5 milhões, quem dirá os outros
que ele tem

Vinnie começa a acelerar o carro, ultrapassando dois sinais vermelhos e não


ligando para os pedestres na faixa

—Vincent! -Olho para o mesmo que está com um sorriso lindo no rosto,
pelo visto, essa é a diversão dele

—Alles! -Ele me desperta de meu "transe", eu estava perdidinha em seu


sorriso- Me fale de seu pai, sabe se ele está vivo? Onde mora?

Confesso que me doeu um pouco quando ele perguntou


—Meu pai.. an.. meu pai morreu quando eu tinha 13 anos em um acidente
de carro, me falaram que um carro desgovernado em alta velocidade bateu
no dele, jogando o carro dele contra um poste -suspiro

—como ele era com você?

—Ele era bem legal, muito amoroso, sempre me trazia ursinhos de suas
viagens, um deles foi o que Kio estava segurando -ri fraco- ele e minha mãe
tinham o costume de me levar na igreja, por isso o meu hábito de ajudar na
igreja, de frequentar e tals

—Hum -Hacker se mostrou desinteressado- e a família por parte de pai?


Conhece?

Por que ele está tão interessado sobre meu pai e minha família?!

—Conheço sim, nos afastamos um pouco pois não vou com tanta
frequência para a Alemanha ou para as terras de meus parentes, mas
mantemos contato. Por que a curiosidade sobre minha família Vincent?

Vinnie me da uma rápida olhada mas não responde minha pergunta

Assim que chegamos na Pizzaria, eu e Vinnie entramos e ficamos parados


no balcão esperando eles trazerem da cozinha

—São oito pizzas.. ficou 120 o valor das pizzas, junto com mais três
refrigerantes... 10,5o dólares.. o total é de 130,50 dólares! Qual vai ser a
forma de pagamento? -O atendente pergunta

Vinnie puxa um cartão todo preto da carteira e aproxima o cartão

—Aqui está sua via -ele entrega para mim- e por sinal.. vocês são um
lindo casal! -eu e Vinnie nos olhamos

—Nos não somos um casal, mas obrigada mesmo assim -ri sem graça

Vinnie pega as pizzas e coloca no carro

[...]
Assim que chegamos em casa

—Ai! Alguém já disse que vocês formariam um belo casal? São tão
lindos juntos -Nick fala pegando as pizzas da mão de Hacker

—Nos falaram isso na pizzaria -ri

—É um sinal! -Kio fala rindo dando tapinhas no ombro de Vinnie

—Não viaja -Dylan aparece- eles não tem nada a ver, cala a boca!

—Calma aí estressadinho -Kio fala rindo

—Vai tirar essa merda de seu olho e esse batom ou sei lá o que é isso na
sua boca e me deixa em paz Kio! Porra!! -Dylan fala estressado

—Uii que isso!? Tá bravinho? -Nick provoca

—Não enche karalho!! -Dylan diz rude

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Capítulo 5
Já se passaram três semanas

Eu fiquei muito amiga dos meninos, principalmente de Kio, Vinnie


continua o durão de sempre, mas se abriu um pouco

Eu estava na igreja como voluntária para cuidar das crianças

Estou com uma legging preta, um avental lilás e o penteado é duas tranças
de cada lado da cabeça

—Yasmim você vai ficar linda com esse rosa -Maya, uma garotinha de 5
anos está me maquiando- prontinho -pego o espelho e vejo que a sombra
rosa em que ela passou em minhas pálpebras, está toda borrada

—Ai meu Deus! Está lindo pequena! -Faço uma pose no espelho como se
estivesse admirando minha beleza- Você tem talento viu -dou um abraço na
mesma

Eu estava em uma sala com uma mesa grande, tinha o total de 8 crianças
sentadas em suas cadeiras fazendo desenhos sobre suas famílias, sobre seus
sonhos... etc

—Yasmim! Olha esse desenho que eu fiz sobre a nossa igreja! -Lucca me
mostrou seu desenho

Nele estava seus amiguinhos, seus pais, Jesus e.. eu

—Lucca, quem é esse aqui? -Aponto para um homem segurando a mão das
crianças no desenho

—É Jesus! Eu fiz ele direitinho né? -Ele diz todo orgulhoso

—Fez sim meu amor -Ele me dá um beijo na bochecha


[...]

O sol já estava se pondo, descido ir embora a pé, pois gostava de caminhar

Tirei meu avental lilás, eu estava com a legging preta, uma blusa branca e
refiz a trança, mas, fiz somente uma para a esquerda

Ouço o motor do Audi RS6 Avant de Dylan

—Eai gata! -Kio fala abrindo o vidro do passageiro

—Vamo lá na casa do Hacker, vai ter pizza, hambúrguer e tals -Nick fala
animado

—Não sei não, to muito cansada, passei a tarde inteira na igreja com as
crianças

—Vamos, vai ser legal! Entra aí gatinha! -Kio aponta para a porta de trás

—Para de chamar ela de gatinha seu imbecil!! -Dylan da um tapa no


ombro de Kio

—Eu não tenho culpa se ela é gata karalho! -Kio devolve o tapa

—Chega os dois!! -Falo entrando no carro

Dylan e Kio fecham a cara e fazem biquinho, parecendo duas crianças


emburradas

[...]

Conforme Dylan dirigia no condomínio mais luxuoso de Los Angeles, ele


entra em uma imensa propriedade, sua faixada é esplêndida

Com enormes janelas de vidro e uma enorme porta de madeira escura, deve
ser a maior que eu já vi! Com uma escada gigantesca para entrar na casa
com vários coqueiros ao redor delas, a garagem com o portão aberto, com
vários carros luxuosos expostos, um mais lindo que o outro
Ao entrar pela grande porta, vejo que a casa é muito bem organizada, é um
sonho morar em uma dessas!

Vinnie estava sentado no sofá assistindo luta de box

—EAI CARA! -Nick se joga no sofá ao lado de Vinnie

Todos se cumprimentam

—Oi? -Hacker me olha desconfiado mas me cumprimenta

—Ah.. eles me encontraram no caminho de volta para casa e mandaram eu


entrar para vir junto -Me justifico

—A gente não podia deixar a princesa sozinha né irmão-Kio fala e se senta


no sofá ao lado de Nick

—JÁ FALEI PRA VOCÊ PARAR DE CHAMAR MINHA IRMÃ ASSIM


KARALHO!

—PARA DE GRITAR COMIGO SEU CABEÇUDO!! EU NÃO TENHO


CULPA SE ELA É GOSTOS...-Ele para de falar- bonita!! Eu quis dizer
bonita!

—EU VOU TE MATAR KIO! -Dylan começa a correr pela casa atrás de
Kio

—NÃO!! YASMIM ME AJUDAAA!!! -Kio grita desesperado no outro


lado da casa

—Esses dois são piores que criança! -Hacker diz rindo

Ouvimos vozes de pessoas atrás da porta, que logo é aberta e dando visão a
várias pessoas entrando na casa

Todos estavam animados, com caixas de sons na mão, garrafas de bebidas,


todos muito bem vestidos
—Eai irmão! -Um homem de cabelo castanho cumprimenta cada um dos
rapazes

—Eai gata -Ele coloca a mão em minha cintura e me dá um beijo em


minha bochecha

Antes mesmo dele se aproximar para me cumprimentar, já dava para sentir


seu cheiro de álcool e cigarro

—Então! -Nick dá um empurrãozinho no cara, afastando-o de mim-


esquecemos de falar que ia vim mais pessoas -Ele puxa assunto comigo
pois viu meu leve desconforto

—Não tem problema Nick! -Ri fraco

—Você tá bem? -Aquela voz rouca de Hacker sussurrou em meu ouvido

—Estou sim Vinnie, só não curto muito festas -Me sento no sofá, Kio
aparece- então.. vamos pedir as coisas pra comer ou vocês já pediram?!

—Vou pedir agora -Kio se senta ao meu lado com o celular no aplicativo
do Ifood aberto

—Não tem shushi aí não? -Deito minha cabeça no ombro de Kio

—Não viaja Yasmim, shushi é muito ruim, melhor nem pedir -Dylan
aparece sentado na poltrona da sala

—Pede aí Kio! -Vinnie dá ordem para Kio- shushi é mó bom mané, só


você que não gosta -Diz rindo

—Obrigada! Pelo visto alguém me entende! -Agradeço ao Loiro

[...]

Dylan foi buscar os lanches

Algumas pessoas estavam jogando verdade ou desafio na sala, entre elas,


estavam Vinnie, Kio e Nick
Eu não gosto dessas brincadeiras, sem contar que eu estava muito cansada
para isso

Eu estava sentada em uma poltrona que era meio longe da sala onde todos
estavam, mas, conseguia ouvir tudo que falavam

Bom, já ouvi que várias pessoas se beijaram como desafio, que várias já
foram para um tal de "cinco minutos no armário" nunca ouvi falar e não sei
o que é, e já ouvi que Hacker pegou geral e já foi quatro vezes para esse
"cinco minutos no armário", Kio foi uma e Nick não foi ainda

—Hacker! Verdade ou desafio? -Um homem pergunta

—Desafio, sempre!

—Eu te desafio... deixa eu pensar -o homem dá uma pausa- eu te desafio


a ir no 'Cinco Minutos com aquela loirinha, como é o nome mesmo?...
Yasmim!!

Começo a ouvir burburinhos vindo da sala, não demora muito e vejo


Hacker andando até mim com um sorrisinho nos lábios

"OQUE?!! COMO ASSIM?!


Eu nem sei o que é esse tal de cinco minutos no armário! O que ele vai
fazer comigo??? Ai meu Deus, me ajuda!!!"-Meus pensamentos

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Capítulo 6
Vinnie fica agachado ao meu lado

—Eu não vou te forçar a nada -ele disse simples

—e-eu não sei do que está falando vi-vinnie -meu nervosismo era
evidente

—Eu sei que você ouviu que meu desafio é com você Alles

—e daí? Eu nem sei beij- paro de falar assim que percebo o que ia dizer

—você não sabe beijar?! É sério isso? -ele cai na gargalhada

—Você é virgem, não é? -ele diminui o riso

—Vincent! Fale mais baixo! -Tampo a boca dele com minha mão

Ele tira minha mão de sua boca e começa a rir mais ainda

—Eu não estou achando graça Hacker, o que que tem de eu ainda ser vi-
virgem?

—Olha Alles, é meio difícil de se achar uma mina virgem por aí, quem dirá
uma que vá à igreja

—Mas eu não sou qualquer uma!

—Não mesmo? -Ele se aproxima de mim

—Claro que não, afinal, que garota resistiria aos encantos de Vinnie
Hacker?

—Nisso você está certa, vai dizer que não sente nada por mim Alles? -ele se
aproxima mais ainda, dando pra sentir sua respiração quente em meu
pescoço

—Vi-vinnie volta pro seu joguinho e escolha outra garota para completar
seu desafio de "cinco minutos no armário" ou sei lá o que isso significa- eu
o empurro, o afastando de mim

—Você não sabe o que é os "cinco minutos"? Dylan nunca te disse? Caraca
-ele ri

—Eu não sei mesmo! E daí?! -o enfrento

—Só consigo te dizer o que é os Cinco minutos se eu te levar lá pra realizar


a brincadeira gatinha! -ele me joga uma piscadela

—Vou ficar sem saber então, estou muito cansada Hacker, vá escolher outra
garota para ir com você!

—Você é surda garota? Meu desafio é com você Alles! Mas se não quiser...
-ele suspira

—Eu ouvi que você já foi mais de quatro vezes pra lá, uma vez a menos não
faz diferença- cruzo os braços

—Está com ciúmes Yasmim? -ele da um sorriso de canto

—Não claro que nã-não! -desvio meu olhar do dele tentando disfarçar

—O Vinnie, que demora é essa cara?! Vai cumprir o desafio ou não porra? -
um rapaz aparece na porta

—Não vou cumprir, fazer o que né Alles?! -ele me olha me provocando

—Oque?! Vinnie Hacker foi dispensado por uma mulher? não, não dá pra
acreditar!! -ele coloca as mãos na cabeça chocado

Começo a rir vendo a cara de Vinnie e a cara do rapaz de surpreso

—DÁ PRA ALGUÉM ME AJUDAR KARALHO?!! -Dylan aparece com


os braços cobertos de caixas de pizza e de hambúrgueres, ambas as caixas
estavam em uma pilha tão alta que não dava pra ver seu rosto

Ajudamos ele a colocar as caixas na mesa

—Esses aqui são o seu -Vinnie separa uma Barca de shushi e uma caixa
com um hambúrguer

—PESSOAL VENHAM AQUI PEGAR O SEU! -Nick grita

—Aii Vinniezinho -uma garota segura o braço de Vinnie que estava ao meu
lado- já que essa sem sal aí não quiz ir pro "cinco minutos" com você, deixa
que eu vou -ela se joga pro Hacker

—Sem sal?! -olho incrédula pra ela

A garota tinha cabelos pretos, um vestido curtíssimo, dando para ver a


palpa de seu bumbum, e um decote em seu peito, quase os saltando para
fora de tão apertada que estava aquela roupa, marcando cada curva de seu
corpo

—Sai fora Lana! -Vinnie empurra ela, a afastando dele

—Eu já fui com você antes dela, você sabe que eu faço muito melhor do
que essa piranha ai! -Ela insiste

—Sai da festa agora vadia!! -Dylan começa a brigar com ela

—Ai Dylan, não fala assim comigo -ela diz com a voz manhosa olhando
para ele

—Quem você pensa que é pra chamar a minha irmã assim?! Vaza agora
porra!! -Dylan começa a empurrar ela para fora da casa de Hacker, onde a
mesma começa a gritar do lado de fora para Vinnie abrir a porta

—Obrigada -sussurro assim que Dylan para ao meu lado da mesa

Ele coloca a mão no topo de minha cabeça e chacoalha, deixando meu


cabelo todo bagunçado
—Tô de olho nos dois -ele olha desconfiado para eu e Vinnie

Nós dois começamos a rir

Dylan pega seu pedaço de pizza e vai pra sala, onde a maioria das pessoas
estavam

—Vocês gostam de comer isso aí? -Kio se senta na cadeira ao meu lado

—Claro! É muito bom! Você já provou? -levo uma peça à minha boca

—Não, dizem que é ruim -ele encara a minha barca e a barca de Vinnie

—Toma -estendo um par de hashi para Kio- o "palitinho" de baixo passa


entre o polegar e o indicador e se apoia no anelar. Com os dedos indicador,
médio e polegar, segura o palitinho de cima. É como se estivesse segurando
uma caneta -explico para Kio que me ouve atentamente e segue passo a
passo

—Agora tenta pegar -Hacker empurra sua barca de shushi para mais perto
de Kio

—Eu consegui!! -ele diz animado ao pegar um Hot roll

—Molha ele nesse molinho aqui pra ficar melhor -coloco o shoyu perto de
Kio

—DROGA! -Kio deixa a peça cair com tudo na tijelinha onde estava o
molho shoyu, espalhando o molho pela mesa e caindo na camisa de Kio

Não pude me conter e cai na gargalhada junto com Vinnie ao ver Kio perder
a paciência e pegar a peça com a mão mesmo e quebrando o hashi de tanta
raiva

—Mais que karalho de palitinho! -ele diz passando o pano na mesa onde
sujou de shoyu

—Mas pelo menos gostou da peça que comeu? -digo me contendo para não
rir mais ainda
—Gostei, mas eu não vou comer mais com essa merda desses palitinho-ele
pega outra peça com a mão e a molha no shoyu novamente

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Capítulo 7
Por volta das 02:11 da manhã, eu já estava exausta, Dylan estava tão
bêbado que mal se lembrava quem era

—Vinnie você pode me ajudar com Dylan? Eu já tenho que ir embora pois
acordo cedo amanhã, e não vai fazer bem pro Dylan continuar assim desse
estado -aponto para Riger, que estava dormindo sentado na poltrona

Ele estava muito engraçado, com o corpo todo jogado na poltrona e


dormindo com a boca aberta, todo babado

—Cara eu não vou perder essa -Kio tira o celular do bolso e tira uma foto
de Dylan todo zoado

—Vamos, eu levo vocês! -Vinnie fala para mim e vai em direção à Dylan

—Acorda porra! -Vinnie chacoalha Riger

—Acorda aí mano! A gente vai te levar! -Kio ajuda Vinnie a chacoalhar


meu irmão

[...]

Ao chegar na frente da minha casa, enquanto eu ajudava Vinnie a tirar


Dylan do carro

—eu já faleipra vocês que eu apoio osdois né... -ele fala todo embolado,
dizendo várias palavras erradas e seu horrível bafo de bebida- aí! cuida da
minha irmãzinha Heker.. -ele cerra os olhos para Vinnie- se não eute mato
filho da puta -ele começa a rir como se ele tivesse ouvido a piada mais
engraçada do mundo

Começo a rir ao ver Dylan nesse estado, errando palavras simples e


chamando Vinnie de "Heker" ao invés de "Hacker"
Assim que Dylan termina de falar, eu e Vinnie trocamos olhares

—que cachorrinho bonitinho! Vê cá vem -Dylan se solta de nossos braços e


sai correndo para frente da casa do vizinho

Ao se abaixar para fazer carinho no tal cachorro, era um saco de lixo preto

—Yasmin esse cachorrinho tá estranho né?! -ele passa a mão no saco de


lixo

—Meu Deus! -Começamos a rir ao ver Dylan nesse estado

—Vemm eu vo ti adotar! -ele abraça o saco de lixo e erra as palavras

—Larga isso cara- Hacker controla o riso e tira o saco de lixo das mãos de
Dylan

Vinnie começa a arrastar Dylan para o andar de cima sem fazer barulho

Após deitado na cama do quarto de visita, pois o dele estava trancado, ele
começa a falar coisas sem sentido e logo cai no sono

—Obrigada pela ajuda, e me desculpa o trabalho que ele deu -eu me escoro
na porta de casa, vinnie estava a poucos passos dela no jardim da frente

—Eu não podia te deixar voltar sozinha com ele nesse estado -ele ri

Nos despedimos e ele foi embora

Eu subi para meu quarto e me atirei na cama, não demorou muito e eu


peguei no sono

[...]

Terminei minha higiene,coloco meu uniforme e desço para tomar café da


manhã

—Bom dia! -Me sento à mesa e minha mãe me dá um beijo na testa


—Bom dia meu amor! -ela passa o café

—Onde está Oliver e o Dylan?

—Oliver saiu mais cedo para trabalhar e Dylan está dormindo feito pedra,
não acorda de jeito nenhum, acredita?! -ela ri- não sei o que que deu nele
pra dormir tanto assim -ela coloca o café na mesa

—Pois é -começo a rir

[...]

Cheguei na escola atrasada

Como Riger não me deu carona, tive que correr para a escola

—Bom dia! Você tá bem? -Mads pergunta assim que me vê

—Ah, oi! Estou sim, Dylan não me deu carona, aí tive que apertar o passo
para chegar a tempo

—Ainda bem que conseguiu, eu estava indo para a primeira aula agora,
vem! -ela me puxa até a sala

—Chloe já chegou? -pergunto abrindo minha mochila e pegando meu


caderno

—Não, ela foi viajar com a família, lembra? -ela abre o caderno

—Ah, é mesmo!

—Bom dia alunos! Vim dar um recado importante, por favor, sentem-se! -
Diretora Marta bate na porta e fica parada em frente ao quadro

—Como vocês sabem, a professora Janice não dará aula por tempo
indeterminado, pois está de licença maternidade. Vim comunicar que
teremos um professor substituto, por favor, deem boas vindas ao novo
professor de vocês... Vincent Hacker! -Vinnie aparece e fica ao lado dela
Assim que ela fala o nome dele, sinto meu coração errar uma batida, meu
corpo gelou

—Amiga olha que gatinho! -Mads sussurra para mim

O loiro percorre seus olhos pela sala até os fixar nos meus, logo abrindo um
sorriso de canto

Várias meninas começam a cochichar sobre como Vinnie é lindo, todas


estão caidinhas por ele

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Capítulo 8
No decorrer da aula, várias garotas cochichavam e até falavam um pouco
alto para que Vinnie escutasse o quão ele era gostoso e lindo

Assim que Vinnie termina de passar a lição no quadro, ele fala que o
trabalho era em duplas

Mads fez com Joana, ela havia prometido fazer o próximo trabalho em
duplas com ela

—psiu! -Arthur me cutuca- posso me sentar com você? Fiquei sem dupla -
ele ri

Arthur Rowe é popular na escola, o melhor jogador de Futebol Americano


da escola, sempre andando com os mais populares

—Pode sim!

Conforme a gente fazia a lição, senti o olhar de Hacker o tempo todo

—Você fez a 4? Não estou entendendo nada -Arthur me pergunta

—Ela é simples! É só você multiplicar esse por esse e subtrair o resultado


por dois, e pronto -explico para ele, o mesmo não tirava os olhos da minha
boca enquanto eu explicava

Hacker coça a garganta

—Arthur venha até o quadro e resolva a última questão!! -Vinnie tira a


atenção do garoto que não tirava os olhos da minha boca

—Desculpe senhor Hacker, eu não cheguei nessa questão ainda -ele abaixa
a cabeça

—É uma ordem! -Hacker disse sério, parecia bravo com alguma coisa
Arthur se levanta, pega o giz do quadro e fica parado na frente da questão

—ham... oito vezes oito é... -ele sussurra para ele mesmo e começa a contar
nos dedos

—Quero esse cálculo pra hoje, se possível! -Vinnie fala impaciente

Assim que Arthur termina o cálculo, vejo que ele errou cálculos simples

—Quanto é 15 mais 6, senhor Rowe? -Vinnie pergunta

—vi-vinte e um, senhor!

—Então por que colocou 8?! -ele pergunta, mas Arthur não respondeu- pra
diretoria!

—Mas e-eu só errei um cálculo, senhor Hacker! -ele tenta enfrentar Vinnie

—Agora!! -Ele se levanta da cadeira apontando para a porta, ficando muito


mais alto do que Arthur, o intimidando

Arthur sai bufando até a sala da diretora

Hacker saiu para a diretoria mas já voltou

—Ai professorzinho, você é tão corajoso por ter enfrentado ele... além de
lindo, é mandão-Uma aluna coloca a mão no queixo e inclina a cabeça pro
lado, como se estivesse apaixonada- do jeitinho que eu gosto... -ela sussurra
mas deu para ouvir perfeitamente o que ela disse

—Vá fazer a lição antes que faça companhia para o Rowe! -Hacker fala
seco

[...]

Eu estava indo embora à pé, quando vejo um carro familiar

A Porsche Taycan cinza de Vinnie diminui a velocidade e anda ao meu


lado, me acompanhando
—Entra aí Alles! Não vai embora caminhando, é muito longe de sua casa! -
Vinnie abaixa os vidros do carro

—Agradeço, mas não, eu gosto de caminhar Vinnie!

—Eu não estou pedindo... -ele me olha sério

—Eu vou te atrasar! Minha casa é muito longe da sua

—Se fosse mesmo, eu teria passado e te deixado aí sozinha, mas eu parei,


então entra! -Ele disse simples, mas meio rude

Entro no carro, caso o contrário, Vinnie continuaria insistindo, ou até pior,


me colocaria a força

—Por que está se preocupando tanto comigo?

—Você é irmã do meu amigo, se acontecer alguma coisa com você, Dylan
vai ficar puto da vida comigo! -Hacker disse simples

—ah, sei... -olho para a janela do carro- e por que essa ideia de ser professor
Hacker?

—São negócios gatinha, faço muitas coisas que você não sabe!

—Fala aí então!

—Sou lutador de box, empresário, gângster... deixa eu ver o que mais... -ele
fica pensando

—Você é um gângster?!!

—Sim, Riger nunca te disse garota? -ele fala como se fosse a coisa mais
normal do mundo

—Claro que não!! Ai meu Deus! Você é perigoso! -Começo a ficar um um


leve medo
—De fato, mas relaxa loirinha, se fosse pra eu fazer alguma coisa, eu já
teria feito! -ele me joga uma piscadela

Nisso ele tem razão, mas ele deve ser muito perigoso!

—Ma-mas você trabalha pra quem? -me refiro à quem é o dono da gang

—Se liga Yasmim! Eu tenho cara de alguém que trabalha para os outros?!
Eu sou o dono porra! -ele começa a rir

Confesso que fiquei sem reação quando ele disse isso

Como assim dono? Por que eles nunca me falaram algo a respeito disso?!

—Mas relaxa princesa, não vou fazer nada com você não!

—Mais alguém sabe que você?

—Kio, Nick e os outros caras que andam com a gente, eles trabalham para
mim. Mas tirando eles, pouquíssimas pessoas sabem... então, se você abrir o
bico..

—Eu já entendi Vinnie! Mas... Dylan também faz parte dessa gang?-Olho
meio triste para ele

Vinnie não responde a minha pergunta

—Está entregue! -ele muda de assunto, me deixando na porta de minha casa


e saindo cantando pneu

Não pode ser, Dylan não faria parte disso... ou faria?

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Capítulo 9
Uma semana depois

Perguntei diversas vezes para Dylan se ele fazia parte da tal gang de Vinnie,
mas ele nunca me respondeu, sempre me deixando no vácuo ou mandava eu
calar a boca

Era sexta de tarde, o céu já estava quase totalmente escuro, Dylan saiu com
os amigos para a Lux e mamãe e Oliver saíram para jantar

Decidi entrar do quarto de Dylan, vá que ali eu encontre pistas se ele faz ou
não parte da gang de Vinnie

Assim que giro a maçaneta do quarto, ele estava trancado

Começo a procurar a chave por toda a casa, mas não acho

Vou ao meu quarto e pego um grampo de cabelo em minha penteadeira, se


isso não der certo, eu desisto!

Coloco o grampo no local da chame e começo a girar, mas não deu certo

Talvez precise de um maior

Volto ao meu quarto e pego um grampo de cabelo um pouco maior do que o


que eu tinha pego antes

Após dez minutos tentando, eu finalmente consigo abrir a porta, e não é que
os filmes realmente estão certos?!

Assim que abro, vem um cheiro terrível de maconha, cigarro e álcool;


Roupas jogadas no chão, o quarto todo escuro, com a janelas e cortinas
fechadas; a cama toda bagunçada, não sei como ele consegue dormir nessa
bagunça, nas paredes tem vários pôsteres de bandas de rock, lutas de box,
carros...
Abro o guarda roupa e não encontro nada de interessante, assim que abro as
gavetas de seu criado-mudo ao lado da cama, me deparo com uma
GX4,dizem que é uma excelente arma, mas... por que ele teria isso??!!

Olho em baixo da caba e me deparo com uma AK47

Por que diabos Dylan teria essas armas?! Ai meu Deus será mesmo que ele
faz parte dessa gang??!

Meu coração começa a acelerar, minhas mãos começam a tremer, meus


pensamentos começam a voar e a me enlouquecer

Assustada, deixo o quarto assim como estava antes, saio e tranco a porta

[...]

Dylan não dormiu em casa, provavelmente dormiu na casa de Vinnie ou em


algum hotel com alguma garota

Mads me avisa que não vai ir para a escola pois está muito doente

Assim que chego na escola, avisto Vinnie parado na frente da minha sala de
aula, ele encarava Arthur como se estivesse bolando algum plano, seu olhar
estava distante mas ao mesmo tempo parecia muito atento a cada passo, a
cada músculo milimetricamente que Arthur movia. Arthur vem em minha
direção com um sorriso de orelha a orelha junto com seu grupo de amigos
jogadores do time

—Eai gata! -Arthur envolve seu braço em meu ombro

—Oi! -me afasto um pouco dele, mas ele insiste em deixar seu braço em
meu ombro como um abraço

—Então, você vai ir assistir meu jogo amanhã à noite né?! Vai ser muito
foda!

—Amanhã? Bem... amanhã eu tenho compromisso, não vou poder assistir


seu jogo -ri meio desconfortável pela forma de como ele está próximo de
mim e de seus amigos me cercando
—Vai dizer que vai pra igreja "irmã"?! -um amigo de Arthur zoa

—É sim -digo simples

Todos começam a rir muito

—Fala sério Yasmim, faltar um dia pra assistir o jogo do gato aqui não vai
fazer diferença- ele refere a si mesmo como gato, se auto elogiando

—Eu n-não posso desmarcar Arthur, Entenda!

—Karalho Alles, se você não quer, tem outras por aí que queiram o papai
aqui!! Se liga porra! -ele me dá um empurrão forte para se soltar de mim e
sai para a quadra com seus amigos

Acabo batendo as costas com força nos armários, derrubando minha


mochila e um livro de Biologia que estava na mão

solto um grunhido de dor assim que minhas costas se chocam com o


armário, minhas costas bateram com tudo na maçaneta do armário doendo
pra cacete!

Vinnie sai correndo em minha direção e me ajuda a pegar meus materiais


que caíram no chão

—Puta que pariu eu vou matar esse merdinha do karalho!! -Vinnie se


levanta do chão e me entrega meus materiais com uma raiva absurda,
parecia que estava com sangue nos olhos

—Calma Vinnie... -falo quase como um sopro, não conseguia falar direito
por conta da dor- não precisa de tudo isso, ca-calma -seguro seu braço
tentando impedir com que ele fosse até Arthur

Vinnie não dá bola para meu pedido e sai em direção a quadra

—AI! ROWE! -Arthur para de jogar e olha para Vinnie- PRA


DIRETORIA AGORA!!!

—Oque?! Eu nem fiz nada!


—VAI LOGO SEU FILHO DA P- ele se segura pra não terminar a frase-
OU VOCÊ ACHA QUE EU NÃO VI VOCÊ EMPURRANDO A
YASMIM?!! ANDA LOGO PORRA!

—Ela escorregou! Ela é toda desajeitada -ele ri

—AGORA!!! -Vinnie aponta em direção da diretoria

Hacker começa a andar furioso em direção de Arthur, pega seu braço com
força e começa a arrasta-lo para fora da quadra até a diretoria

[...]

Fico sentada em uma mesa do refeitório que estava vazio, todas as turmas
estavam em aula, menos a minha por conta da aula vaga

Vinnie entra no refeitório e senta ao meu lado

—Está doendo muito? O empurrão foi forte e você bateu com tudo no
trinco do armário -ele pergunta preocupado

Vinnie Hacker preocupado comigo?? Oque?! E ainda por cima brigar feio
com um aluno por minha causa

—Está doendo um pouquinho só-minto- não é nada demais -ri fraco

—Vem! -Vinnie se levanta da cadeira e estende sua mão para mim

—Oque?! Pra onde? Eu estou em horário de aula Vinnie!

—Falei pra diretora que vou te levar pra casa, então vamos! -ele pega
minha mão e vamos até o estacionamento da escola onde somente os
professores podiam estacionar

Assim que chegamos, avisto uma BMW i7, é o modelo mais caro da BMW

bom, eu sei um pouco sobre carros, seus valores e tals por que eu pretendo
tirar minha carteira e estou pesquisando alguns carros, e também por que eu
curto algumas coisas de carros, principalmente carros luxuosos, acho suas
aparências lindas!

—Uau! A i7 é linda! -falo assim que Vinnie destranca a BMW

—Você entende sobre carros?! Não sabia dessa -ele ri

—Sei mais o menos, gosto dos carros mais luxuosos, a aparência dele sé
muito bonita e eu quero tirar minha carteira, aí to pesquisando alguns, então
teoricamente não tem como eu não saber dos carros -ri

—estou impressionado ein! -ele fala abismado

O loiro dá partida no carro

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Capítulo 10
—Ele ficou bravo do nada -ri tentando me explicar

—Eu sei Alles, não precisa se explicar por isso! Conheço bem esse tipo
de playboyzinho, esse aí vai se fuder na minha mão-ele diz sério

—Você não vai fazer nada com ele, certo? -olho apreensiva para Vinnie-
Vicent... -coloco a mão na testa- não precisa fazer nada com ele, ele só... sei
lá, ficou bravo do nada e fez isso, nada demais!

—Não defenda ele Yasmim -disse rude

Suspiro irritada, Hacker estava falando muito sério

Após um tempinho de silêncio entre os dois

—Por que você ficou tão bravo quando ele me empurrou? Não temos nada,
não tem motivo de você ter ficado tão bravo daquela forma! -cruzo os
braços

—Porra você só reclama, puta que pariu! -ele bate no volante

—Eu não estou reclamando! Só quero saber o por que você ficou daquele
jeito!!

—Cala a boca Alles!! Fica quieta aí porra! Não cala a boca um minuto
karalho! Olha pra porra da janela e fica quieta inferno!! -Vinnie fala grosso

—Você não tem jeito mesmo, arrogante!!

—Eu te tirei da porra daquela escola, te ajudei e eu que to sendo arrogante?!


Vai se foder Yasmim, na moral mesmo!

—Sim, você que é o arrogante! eu só te fiz uma pergunta e você veio todo
grosseiro comigo!! Para de ser assim Hacker! Eu não te fiz nada e você me
trata dessa forma!!

Vinnie aperta o volante fortemente, parecendo que vai arrancá-lo de tão


forte que ele aperta

Suas mãos começam a tremer, ele começa a soar

—Vinnie? -percebo que ele está estranho, parecendo que vai explodir de
tanta raiva

—CALA A PORRA DA BOCA!! FICA QUIETA VADIA! -Ele grita e para


o carro no meio da rua vazia

—NÃO ME CHAMA ASSIM E ABAIXA SEU TOM DE VOZ QUANDO


FOR FALAR COMIGO VICENT!! TÁ PENSANDO QUE É QUEM PRA
FALAR ASSIM COMIGO?!

—como é?!! VOCÊ ACHA QUE ESTÁ FALANDO COM QUEM?? MAIS
RESPEITO QUANDO ESTIVER FALANDO COMIGO PORRA!!!

—VAI SE FERRAR! ABAIXA SUA BOLINHA AÍ, VOCÊ NÃO ESTÁ


FALANDO COM UMA DAS SUAS PUTAS NÃO! -No impulso, dou um
tapa na cara do loiro

—VOCÊ TÁ FICANDO MALUCA GAROTA?! AGORA EU TE MATO


FILHA DA PUTA!!! -Vinnie puxa uma pistola de sua cintura, segura meu
queixo fortemente com uma mão e com a outra ele mira a pistola em minha
testa

—Oque foi? N-não aguenta ouvir umas ve-verdades Hacker? -Falo com
dificuldade pois ele estava apertando meu queixo, me impossibilitando de
me mover

—Filha da puta ingrata do karalho! -ele aperta a pistola em minha testa e


tira sua mão de meu queixo e coloca em meu pescoço

Vinnie começa a me enforcar, na tentativa de me defender, uso minhas


unhas arranhando sua mão e seu braço, mas era em vão
Vinnie é mais forte que eu, eu apenas fiz alguns arranhões mas sua
expressão não mudou, como se não estivesse sentindo dor naquele
momento

Minha visão estava escurecendo, até que Vinnie solta meu pescoço

—Você sabe quantas pessoas me deram um tapa e saíram vivas?! Nenhuma


Alles, NENHUMA!!

Tento recuperar o ar, mas parece que eles estavam fugindo de meus
pulmões

—Sua sorte é que você é irmã do meu Braço Direito, se não fosse pelo
Dylan, eu já teria metido bala na sua testa porra! -Ele da partida no carro
que volta a andar

—Braço... Di-direito? -falo com dificuldade

—Você tá sabendo demais.- Ele percebe que falou mais do que devia

—Se o meu irmão está envolvido, eu tenho que saber sim! Então quer
dizer que ele faz parte mesmo da sua gang ou sei lá o que é -coloco uma das
mãos em meu pescoço pois estava dolorido e a outra mão eu coloco na
testa- não é atoa que eu achei aquelas armas -penso em voz alta

—Como entrou no quarto dele? -Hacker fala sério

—pensei alto, e-eu não queria dizer isso -digo


nervosa- você sabe onde Dylan está? Ele não dormiu em casa essa noite -
tento mudar de assunto

—Ele dormiu no Mansão depois da Lux

—Mansão?? Na sua?

—Fica quieta aí Alles, tá querendo saber demais já!

—Posso saber pelo menos aonde você tá me levando? Ou isso é saber


demais?!
—Pra minha casa karalho, não tá vendo?! -Ele aponta para a entrada de
seu condomínio

—grosso! -fecho a cara-e porque você está me levando pra lá ein? Eu


tenho casa, não sei se você sabe

—Cala a boca porra! -disse irritado

Assim que chegamos na casa de Vinnie, eu me sento no sofá e ele


desaparece em algum cômodo

Além de estar com as costas doloridas, agora eu estou com o pescoço


doendo, Hacker apertou muito forte

—Toma -Vinnie aparece do nada ao meu lado com um copo de água

—Ai que susto assombração!- coloco a mão do peito e pego a água

—mais respeito -disse sério

Vinnie se agacha em minha frente e fica me encarando

Termino de beber minha água

—O que foi?

O loiro leva sua mão até meu queixo e inclina minha cabeça para cima

—Está muito marcado, da pra ver bem direitinho a marca da minha mão-
Vinnie passa seus dedos em meu pescoço, me causando arrepios

—culpa sua -volto minha cabeça para baixo, trocando olhares com Vinnie

—desculpa... -sussurro para Vinnie

Hacker assentiu com a cabeça

Apesar de quase ter levado um tiro na testa ou quase ter morrido enforcada,
eu realmente fui um pouco ingrata com Vinnie, gritando e tudo mais
—Alles, Alles... não faça aquilo de novo -Hacker ri

—É só você não gritar mais comigo loirinho -jogo uma piscadela para o
mesmo

Vinnie coloca sua mão em meu pescoço novamente, me causando arrepios

Hacker se aproxima devagar encarando minha boca

Ele da aquele sorrisinho de canto de rosto, esse sorriso acaba comigo!

O loiro sela nossos lábios.

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Capítulo 11
Vinnie sela nossos lábios em um beijo calmo

O beijo se encaixou perfeitamente, hacker pede passagem de língua e eu


cedo

Como era a minha primeira vez beijando, eu não sabia muito o que fazer,
apenas segui o ritmo do loiro

Do lado de fora da casa, ouço carros estacionando na garagem

Me separo de Vinnie com medo de alguém ver nós dois se beijando

Hacker ri ao ver minha cara de assustada

—Pra primeira vez beijando, nada mal ein Alles -Vinnie me da um selinho
e se afasta de mim e vai abrir a porta

Kio, Dylan, Nick e outros rapazes entram pela enorme porta

—O que ela tá fazendo aqui? -Nick pergunta

—Teve um pequeno acidente na esc- Vinnie me corta

—Rowe surtou e a empurrou contra o armário com força, ela machucou as


costas e a diretora me autorizou a levar ela pra casa -Vinnie diz simples,
porém, com um tom de raiva na voz

—Ele oque?! -Kio pergunta incrédulo

—Eu vou matar esse cuzão! -Dylan fala bravo

—Não! e-eu to bem, não foi nada demais!


—Nada demais o karalho, Kio -Vinnie olha para kio- já sabe o que fazer. -
Kio assente com a cabeça e sai da sala indo para outro cômodo que eu não
faço a menor ideia de onde seja

—Oque ele foi fazer?

—Jajá você vai ficar sabendo -Dylan diz

—Dylan e Vicent, eu não quero que vocês o machuquem -olho seria para os
dois

O celular de Vinnie apita, os dois se olham como se já soubesses o que era

—Ei! Me prometam diante de Deus que não vai ter violência! -Dylan e
Hacker apenas me olharam, sem respostas e sem prometer nada, eles saíram
da sala indo para onde Kio estava

Sinto um enorme arrepio, meu corpo inteiro gela, eles não vão deixar isso
barato!

Saio correndo na direção dos dois, no qual subiram as escadas e entraram


em um quarto

O quarto era escuro, não dando para ver a decoração ou coisas do tipo,
apenas conseguia ver monitores e várias telas na parede, sendo imagens de
câmera de segurança, mas estavam desligadas

As únicas luzes do ambiente era da porta aberta onde entrava pouca luz e do
monitor onde Kio estava usando

Kio estava sentado em uma cadeira Gamer, Dylan estava ao lado de Kio
sentado em uma cadeira giratória e Vinnie estava em pé atrás da cadeira de
Kio, observando e gravando cada informação

Assim que me aproximo, vejo que na tela do computador tinha a foto de


Arthur, várias informações dele e de sua família, seu número de telefone,
seu endereço e... sua localização exata? Como eles conseguiram tudo em
tão pouco tempo?!
—Oque?Como vocês conseguiram a localização exata em tão pouco
tempo?!

—Eu sou foda né gata, consigo qualquer informação de qualquer pessoa em


questão de segundos -Kio fala puxando mais informações de Rowe

—Oque vocês vão fazer com ele? -Seguro o braço de Vinnie apreensiva

Vinnie me olha por alguns segundos, mas não me responde

—Vinnie vou mandar Brandon e os outros atrás do Rowe, quer chamar mais
alguém? -Dylan puxa seu celular e manda mensagem para o tal Brandon

—Convoca o Tyler e o Connor, eles são rápidos em perseguição -Vinnie diz


sério

—OQUE?! não não, apaga essa mensagem aí Dylan! -Sou ignorada por
todos

—Ele está na Lux -Kio ri

—Perfeito -Hacker abre um sorriso demoníaco

Kio e Dylan saem do quarto indo para a garagem

—Vinnie... -Olho para o loiro com os olhos marejados de lágrimas

—Fica aqui em casa, não saia daqui até eu chegar, se quiser, pode tomar
banho no banheiro do meu quarto e pegar algo para comer, mas não saia até
eu chegar Alles -Ele me olha sério, mas antes de sair, me dá um beijo na
testa

Assim que ele sai, ouço os roncos de seus carros saindo da casa

Tenho muito medo do que eles podem fazer com Arthur

Tá, realmente ele me machucou quando ele fez aquilo comigo, isso eu não
posso negar... mas eu não vejo motivo de tudo isso, Dylan é muito ciumento
comigo, ele tem esse jeito rude e grosso comigo, mas ele sente muito
ciúmes. E Vinnie, bom, hoje ele quase me matou... tudo bem que eu sou
insuportável as vezes e tudo mais... mas se comigo ele fez isso, quem dirá
com o Arthur...

Não gosto nem de pensar o que eles vão fazer!

Afim de distrair a cabeça para não pensar no pior, começo a andar pela
enorme mansão de Vinnie

[...]

Pov – Vinnie Hacker

Yasmim é uma filha da puta insuportável em certos momentos, eu não


queria ter machucado ela, mas eu não consigo controlar minha raiva e
mesmo assim ela insiste em bater de frente comigo

Quem ela pensa que é pra elevar seu tom de voz comigo? Muito menos me
dar um tapa na cara! Se eu pudesse eu a teria matado, sorte a dela que é
irmã do Riger, meu Braço Direito

Nenhuma mina ousou aumentar seu tom de voz a não ser em minha cama
gemendo de prazer, mas fora isso, os que tentaram estão mortos!

Não sei explicar o que sinto quando estou perto dela, é uma sensação
estranha, muito estranha

Não sei o que deu em mim ao ver Yasmim e Arthur na sala de aula aquele
dia, ele estava muito atirado pra cima dela, olhando pra boca dela, tocando
piadinhas

Assim que estacionamos os carros na garagem particular da Lux, entramos


por uma porta que dava direto na Área VIP, logo avistando Rowe na sala
VIP ao lado com várias garotas

—SEU CUZÃO!! -Kio chega enfurecido empurrando Arthur

—Qual foi cara? Ficou maluco parceiro? Quer morrer eh?! -Arthur fala
enfrentando Kio
—VOCÊ PENSA QUE É QUEM PRA MACHUCAR A MINHA IRMÃ
SEU MERDINHA?! -Dylan prensa Arthur na parede pela gola de sua
camisa

—Vocês vieram defender aquela vadia? Faça me o favor - ele ri- aquela
mina é mó sem noção, cá entre nós, o que ela tem de gostosa ela tem de
burric- antes que ele terminasse a frase, Dylan acerta um soco na de Rowe
fazendo seu nariz sangrar

—PUTA QUE PARIU! TÁ FICANDO LOUCO CARA?! -Arthur eleva


seu tom de voz com a mão no nariz cobrindo o sangue

—Levem ele. -eu ordeno

Arthur fica pálido e arregala os olhos ao me ver, como se estivesse vendo o


próprio diabo em sua frente

—Hacker? Que porra é essa?! -Arthur pergunta se debatendo nas mãos de


Connor e Tyler para se soltar

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Capítulo 12
Pov – Yasmim Alles

Essa casa é muito grande! Já me perdi umas duas vezes

A casa tem quatro quarto de hóspedes, todos muito bem espaçosos e


organizados, cada um contendo seu closet e banheiro

Andando mais um pouco, no final do corredor eu me deparo com uma porta


grande, maio que as outras

Com toda certeza é o quarto do Vinnie

Na suíte principal da luxuosa mansão de Hacker, o dourado reinava


soberano, emanado opulência em cada detalhe. O ambiente espaçoso e
meticulosamente organizado exalava um ar de refinamento. Uma imponente
televisão de 70 polegadas dominava uma parede, enquanto a cama King
Size convidava ao descaso em meio ao luxo. O banheiro adjacente exibia
um box de cor escura e uma banheira de hidromassagem, um oásis de
relaxamento cercado por mármore reluzente e detalhes em ouro. No amplo
closet, roupas de grife se alinhavam em perfeita ordem, enquanto itens de
luxo adornavam as prateleiras. No centro, um armazenamento seguro, como
um cofre, guardava suas joias e relógios Rolex

Seu closet é coberto por portas de vidro ao invés das tradicionais portas de
madeira, dando visão as suas roupas. No teto, um lustre lindíssimo, com
baixa iluminações alaranjadas por conta de um led que contornava o teto,
deixando o closet com um ar mais delicado e luxuoso.
Em um lado da parede esquerda, havia um espaço para a coleção de tênis de
Vinnie, e seguindo em linha reta no final do closet, havia um imenso
espelho do chão ao teto, cobrindo praticamente a parede inteira, com led
contornando todo o espelho, deixando sua iluminação perfeita

Era tanto luxo dentro de um só cômodo que eu até desaprendi a andar, cada
decoração linda!
Como Vinnie queria que eu tomasse banho se eu não tenho nenhuma outra
roupa sem ser essa do corpo toda suja?!

O jeito vai ser tomar banho e pôr pelo menos uma camisa dele

Entro no banheiro e começo a me despir

Esse chuveiro do Vinnie é todo estranho, não sei como ligar, tinha que ser
coisas de rico mesmo

Consigo ligar depois de cinco minutos tentando e coloco no modo quente

Vinnie tem alguns kits de shampoos, entre eles, um kit da Eudora, um da


Kérastase e um kit da L'Oréal

Não é atoa que aquele cabelo loiro é tão brilhoso

Peguei o mais barato, não queria abusar né

Após alguns minutos debaixo do chuveiro, eu me enrolo na toalha e saio


para pegar alguma camisa de Vinnie

Abro um dos armários e pego uma camiseta preta, usar a mesma calcinha
não dá né? É meio nojento! Procuro em meio de algumas gavetas uma
cueca, assim que coloco uma box preta, eu me sinto um pouco estranha,
mas parece que estou usando um short. Ou é isso ou eu uso a mesma
calcinha, o que está fora de cogitação!

A camiseta está com o cheiro de Vinnie, ó céus ele é tão cheiroso!

Penteio meus longos cabelos loiros, estou feliz por eles finalmente estarem
quase batendo em minha bunda

Guardo minhas roupas na mochila e desço para a sala para esperar os


meninos

[...]

Pov – Vinnie Hacker


Yasmim não vai gostar nada do que eu fiz com ele, mas ninguém mandou
esse merdinha fazer isso com ela, ele já está me dando trabalho há um
tempo, comprando drogas com uma de minhas lojas e não pagando

Subo as escadas do porão onde Rowe estava preso e vou me limpar, estou
coberto de sangue

Demoramos muito aqui dentro, Alles deve estar cansada de esperar e muito
apreensiva, não entendo o por que ela ainda defende esse cuzão!

—Forjam um acidente de carro para que ele não apareça desse estado do
nada, e se ele negar, está morto! -Kio dá o recado para Arthur e ordena para
que forjem um acidente

—Sim senhor! -Marcos sai para dar a ordem de Kio aos outros homens

—Eu vou me limpar cara -Dylan fala olhando para si mesmo com sangue
nas roupas

—Vá na frente Hacker, Yasmim deve estar louca de preocupação-Kio ri

[...]

Pov – Yasmim Alles

Não sabia que Vinnie gostava de ler, ele tem uma enorme coleção de livros
em uma estante amostra na sala

Ouço a porta ser aberta e me viro rapidamente para ver quem era

—Você demorou muito! -coloco as mãos na cintura

—Com as minhas roupas Alles? Que coisa feia, pegando coisas dos outros
sem permissão -Hacker fala sarcástico

—Você queria que eu colocasse a mesma roupa eh? -ri- você tem um quarto
lindo Vinnie, meu Deus!

—Como sabia onde ficava meu quarto?


—A porta é do tamanho de seu ego Hacker, aquela ainda é menor, eu diria
mais que seria essa -aponto para a porta de entrada da casa

—Nisso você está certa -ele ri- mas não mexeu nas minhas coisas, não é?

—Só pra pegar essas roupas mesmo -ajeito a camiseta em meu corpo- aaah,
quase que eu esqueço, eu deixei minha mochila em um cantinho no closet

—Hum.. e as suas costas, está melhor? -ele se aproxima

—Elas não estão doendo mais, mas acho que ficou um pouco vermelho, eu
não procurei olhar como elas estão

—Posso? -O loiro se refere a olhar minhas costas

Assento com a cabeça e me viro de costas para ele

Levanto a camiseta até a altura de meu sutiã

Sinto a respiração quente de Vinnie em meu pescoço, me causando arrepios

—Está muito ruim?

—Está bem vermelho, mas já deve sair -ele passa os dedos onde
provavelmente foi a batida

Vinnie coloca uma mão em minha cintura e com a outra mão ele começa a
passar os dedos pelas minhas costas, subindo até a barra de meu sutiã

—ham... e co-como foi lá com o Arthur? -fico nervosa e mudo de assunto


me virando frente a frente com Vinnie

—Depende, você quer detalhes gata? -Ele sorri sarcástico

—Não... mas ele está bem?

—Se "bem" você quer dizer com o braço quebrado em três partes
diferentes, o rosto todo ensanguentado e cheio de hematomas pelo corpo...
então sim! Ele está ótimo! -Hacker me joga uma piscadela
A cada palavra sinto meu coração doer, ele está assim por minha causa!

Abaixo a cabeça sem nada a dizer

—Eu sei que você se sente culpada Alles, mas ele já estava se metendo em
problemas bem antes disso acontecer, e o seu acidente foi a gota da água -
Vinnie segura meu queixo e o ergue, encarando meus olhos fixamente

—Que tipo de problema Vinnie? -pergunto com a voz desanimada

—Drogas. Estava devendo muita grana pra uma de minhas lojas -disse
simples

—ah.. entendi -desvio meu olhar do dele, querendo não chorar

Hacker me encara por mais alguns segundos antes de soltar meu queixo e
andar em direção da escada

—Dorme aqui hoje, Dylan vai dormir na Mansão e seus pais estão na
cidade vizinha -Hacker diz subindo as escadas

—Oque?! Aqui?! -Saio correndo em direção de Vinnie tentando alcançá-lo

—Vai querer ficar sozinha eh? -Hacker abre a porta de seu quarto entrando
e eu entro em seguida

—Não.. mas eu em que quarto eu posso dormir? -sigo Vinnie até seu closet

—Vai ficar me seguindo porra?! -Hacker tira sua camisa, deixando amostra
seu abdômen

Acabo me desconcentrando e me pego olhando seu corpo, seus enormes


braços musculosos cheios de veias até suas mãos, seus músculos no
abdômen e suas lindas tatuagens

—Tira uma foto que dura mais amor! -Vinnie ri e me joga uma piscadela

Fico corada com sua fala


—Desculpa -ri e desvio o olhar- mas onde eu vou dormir Hacker?

—Adivinha -o loiro diz irônico

—É sério isso Vicent? -cruzo os braços

—Prefere dormir na rua karalho?

—Você tem tantos quartos de visita, deixa eu dormir em um deles!

—Vou pensar no seu caso -ele se dirige até o banheiro e ouço o barulho do
chuveiro

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Capítulo 13
Saio do quarto de Vinnie e ando em direção da sala

—Kio? Nick? -Paro de descer os degraus e fico parada no meio da escada

—Gata? O que tá fazendo aqui?Pensei que já tinha ido embora -Kio coloca
as mãos na cintura com a boca aberta

—Ela vai dormir aqui-Vinnie aparece atrás de mim

Kio e Nick se entre olham com uma cara maliciosa

—Oque foi? -Desço o resto das escadas

—Nada não -Nick segura o riso

—Já sabem o que vão querer? -Vinnie fala mexendo no celular

—Pizza, é óbvio! -Kio se joga no enorme sofá de Vinnie e liga o


PlayStation

—É sério que vocês vão pedir comida?

—Sim ué, o que que tem? -Nick se senta no sofá com Kio e pega o controle

—Ai gente, vocês só pedem essas comidas de aplicativo, vamos fazer


alguma coisa na cozinha!

—Só se você cozinhar -Vinnie guarda o celular no bolso de sua calça e me


encara

—Fechado!

—Ai sim ein! -Nick ri e começa a prestar atenção na partida de jogo contra
Kio
—Você vem comigo! -Seguro o braço de Vinnie e o puxo até a cozinha

—Me larga porra, eu não sei cozinhar Yasmim

—Aprende!

—Eu não, sai fora! Isso é coisa de mulher!-Vinnie cruza os braços

—Como é? Repete! -Fico frente a frente com Vinnie

—Isso é coisa de mulher -Vinnie repete, dando um passo à frente se


aproximando ainda mais de mim- Eai, vai fazer o que?!

—Vincent, não fala assim! Eu não quero brigar com você. -Desvio meu
olhar dos olhos de Vinnie e abaixo a cabeça com a mão no pescoço

Eu sou muito "calma" segundo Mads e Chloe, eu não tenho esse costume de
brigar ou bater boca com ninguém. Mas Vinnie me tira a paciência as vezes,
eu me seguro ao máximo, mas tem vezes que é impossível!

Depois de ser enforcada pelo Hacker hoje mais cedo, estou receosa de bater
de frente com ele, não quero que ele me machuque de novo... parecia que
estava fora de si aquela hora, se não fosse pelo Dylan, sabe se lá o que
aconteceria comigo!

Vinnie me encara por alguns segundos e sai para a sala pra ficar com os
meninos

—Que garoto bipolar -sussurro saindo da cozinha e me sento em uma


poltrona da sala

—Ué, não ia fazer comida? -Nick tira sua atenção do videogame

—Não. -respondo seco

Nick me olha surpreso pela minha resposta, mas não fala nada

Ele e Kio volta sua atenção ao videogame novamente enquanto Hacker fica
mexendo no celular
[...]

Se passaram meia hora dês de então

Me levanto da poltrona subindo as escadas, não demora muito e eu desço


com minha mochila nas costas indo para fora da casa

—O que tá fazendo? -Kio pergunta na porta com Nick ao seu lado

—Vou embora -disse simples

—Você não ia dormir aqui Yasmim? -Nick pergunta

—Eu ia, mas não vou mais

—Mas por que não??

—Prefiro dormir sozinha. -pego meu celular e abro no aplicativo do Uber

—Deixa que eu te levo pelo menos, nesse horário é perigoso andar sozinha
por aí-Kio destranca seu carro

Não falo nada, apenas entro em seu carro e Kio logo dá partida

—Quer me contar o que aconteceu?

—Só dirige Kio, por favor -suspiro

—É sobre o Rowe? Olha maninha, não posso te dizer que ele tá bem, mas tá
vivo! -Kio ri tentando amenizar o clima

—É sobre ele e mais outra coisa.. quer saber? Deixa quieto, tá legal?

—Por acaso, tem haver com um loirinho aí?

Eu não queria falar nada, pois sabia que se eu tentasse, eu choraria

Olho para Kio com os olhos marejados, apenas assentido com a cabeça a
sua pergunta
—Que porra é essa?!! -Kio fixa seus olhos em meu pescoço

Os traços da mão de Vinnie estavam fracos, mas ainda sim dava pra
perceber se parasse pra prestar bastante atenção

—Oque ele te fez Yasmim? Me fala karalho!! -Me assusto ao ver Kio bravo
desse jeito

—Não aconteceu nada!

—Como nada?! Olha a porra do seu pescoço! Me fala Yasmim, o que ele te
fez?!!

—Hoje mais cedo quando ele me tirou da escola, eu comecei a perguntar o


por que dele ficar tão bravo e se importar tanto comigo, tenho que admitir
que fui um pouco ingrata... mas aí ele começou a gritar comigo e eu revidei,
no impulso eu acabei dando um tapa em sua cara... mas aí ele puxou uma
arma de sua cintura, mirou na minha testa e começou a me enforcar -coço
minha nuca- minha visão estava ficando escura, mas aí ele me solta e fala
que se não fosse pelo Dylan, eu já estaria morta -ri tentando quebrar esse
climão que ficou

—ELE FEZ O QUE?! puta que pariu!!

—Calma Kio, se Dylan descobrir ele vai ficar muito bravo... promete que
não vai contar pra ele?

Kio não me responde

—Kio Cyr!

—Tá! Eu não vou falar nada, mas se ele me perguntar, eu não vou mentir
Yasmim!

—Por que eu inventei de falar Meu Deus? -Sussurro mas Kio ouve

—Pensei que Vinnie ou Dylan já tivesse te contado, mas vamos lá -ele


suspira- Vinnie tem problemas com a questão da raiva, ele se descontrola e
fica fora de si, e as vezes ele desconta nas coisas quebrando e xingando, ou
nele mesmo, com drogas... ele tem esse jeito mandão mesmo, melhor se
acostumar -ele ri- e odeia que batam de frente com ele -Kio me olha- coisa
que provavelmente você fez e deve ter gritado com ele. Não querendo
defendê-lo, até por que ele não tinha motivos pra te machucar dessa forma...
mas pega leve com ele gata, eu te garanto que ele não fez aquilo por que ele
quis

—Estou com medo de ficar sozinha com ele novamente Kio... você tem
razão, eu realmente bati de frente e gritei com ele, mas foi do mesmo tom!
Ele não pode sair gritando assim comigo achando que está falando com
uma das putas que ele pega não! -cruzo os braços

Kio arregala os olhos, acho que ele nunca viu alguém bater de frente com
Vinnie, ainda mais falar esse tipo de coisa

—Meu Deus -Kio ri- você é maluca gata! -ele coloca uma mão na testa

—Mas olha, daqui a pouco você se acostuma com esse jeito dele, só por
favor, não bate mais de frente com ele dessa forma -Kio junta suas mãos me
implorando

—Não te garanto nada, é só ele não falar mais assim comigo que eu não
faço mais!

—vish, então ferrou... -Kio sussurra

—Oque você disse?

—Chegamos! -Ele tenta mudar de assunto

—Obrigada pela carona -agradeço saindo do carro

—Pensa no que eu te falei gata, pega mais leve com ele -Kio fala da janela
do carro

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Capítulo 14
Duas semanas se passaram

Dês daquele dia, Vinnie não me procurou dês de então, evitava contato
visual e evitava conversar comigo

Não tenho a menor ideia do por que ele ficou assim, até parece que eu fiz
algo de errado

Mamãe e Oliver estão brigando muito ultimamente, ameaçando até se


separarem

Deus que me perdoe, mas está um inferno dentro de casa!

Prefiro ficar na rua do quem dentro de minha própria casa

Bom, na tentativa de distrair minha mente, eu tenho ficado mais na igreja,


fazendo caminhadas mais longas e venho estudando para tirar minha
carteira de motorista

[...]

—Depois da aula eu vou te ensinar na prática a dirigir gata, relaxa! -Mads ri

—Eu comecei a estudar faz três dias, leva um tempo pra aprender Mads, e
sem contar que eu não tenho carro pra testar na prática-cruzo os braços-
Dylan não quer me emprestar o dele!

—Mas é claro né amiga, deixar um carro foda daquele nas suas mãos é
meio complicado...-ela coça a nuca- mas você tem o meu! E tem uma
professora gostosa pra karalho pra te ajudar -ela se gaba

—Mads eu não sei não...


—Vai amiga, eu vou te ensinar direitinho, não precisa ter medo! E sem
contar que eu vou trocar de carro jaja, então se você bater ou arranhar não
vai fazer tanta diferença assim.

—Mas até você trocar, você vai ter que andar com o carro todo quebrado! -
começo a rir

—Você não vai bater Yasmim -Ela coloca a mão em meu ombro- tá comigo,
tá com Deus!

—Não use o nome de Deus em vão amiga -ri- o tanto de vezes que eu ouvi
essa frase e a gente se deu mal... não vai dar certo!

—Para de ser negativa gata, me diz uma vez aí que eu falei aquela frase e a
gente se deu mal?! Não tem né?

—Lembra do Henriq- Mads tampando minha boca para que eu não


terminasse de falar

—Foi só uma vez, mas o resto deu certo!

Cerro os olhos para Mads

—Não deram certo nada Madson! -começo a rir

A porta da sala é aberta com tudo, fazendo alguns alunos se assustarem

Hacker entra pela sala com seus livros na mão e se senta em sua mesa

—Vish, pelo visto alguém acordou mal humorado... -Mads sussurra para
mim

—Senhor Hacker, posso dar uma palavrinha para a turma? -a diretora Marta
aparece na porta

—Entra. -O loiro responde seco

—Como vocês devem ter notado, o senhor Rowe não está comparecendo as
aulas ultimamente -Assim que ela toca o nome de Arthur, sinto um gelo tão
grande percorrer em meu corpo que me causou arrepios- infelizmente, ele
sofreu um acidente de carro e teve que ficar alguns dias fora para se
recuperar -quando Marta fala no acidente, vários alunos ficaram
boquiabertos causando burburinhos pela sala- Silêncio! Bom... ele está de
volta e precisa de todo apoio possível para sua rápida recuperação, pode
entrar Arthur!

Assim que seu nome é chamado, Arthur entra de cabeça baixa, com o braço
enfaixado e coberto de hematomas ainda visíveis

—Ai meu Deus! Você está bem Arthurzinho?! -Amanda pergunta

—"Você tá bem Arthurzinho?" -Mads imita a voz de Amanda- vai a


merda, não tá vendo o cara todo fodido não porra? Como ele iria estar bem
karalho?! -Mads sussurra para mim

—Para Mads... -sussurro

Pela primeira vez em uma semana, Vinnie fixa seus olhos em mim

Aquele olhar me dava medo

—Ah... e me de-desculpa por aquele dia Yasmim... -Arthur se pronuncia


ainda de cabeça baixa

—Já que já se resolveram, preciso voltar para minha sala. Espero contar
com a ajuda de vocês turma, estamos entendidos?

—Sim! -todos respondem ao mesmo tempo

Assim que a diretora sai da sala, Arthur se dirige para sua carteira e se senta

—Está tudo bem Arthur? Parece assustado!-Vinnie fala com tom de ironia
em sua voz

Rowe arregala seus olhos e ergue sua cabeça em direção de Vinnie

—Está sim senhor Ha-Hacker! -era evidente seu medo pelo Vinnie
Desvio minha atenção de Arthur e abaixo minha cabeça encarando minha
classe

Ele está assim por minha culpa!

—Ei amiga, tá tudo bem? -Mads me cutuca

—Está sim, é só... um mal pressentimento, não se preocupa -sussurro

[...]

Eu e Mads fomos para uma rua vazia perto de casa

Lá dificilmente passava carros, era uma estrada não muito conhecida pelos
moradores

—Primeiramente, coloca o cinto né Yasmim -Mads fala uma coisa tão


óbvia que eu nem me atentei- como o meu carro é automático, vai ser mais
fácil! Liga o carro, pise no freio e dê a partida na marcha ainda em P.
Utiliza somente o pé direito, não tem necessidade do pé esquerdo

—Mads isso não vai dar certo!

—Vai sim! Agora liga o carro!

Faço assim como ela pediu, ligo o carro e coloco o pé no freio

—Vai soltando ele devagarinho, ele vai tomando rapidez conforme você o
solta

Começo a tirar meu pé do freio aos poucos, logo, o carro começa a andar

—Ai meu Deus! -eu estava muito nervosa

—Vai com calma amiga, você tá indo bem! -Mads ri

Começo a acelerar aos poucos, o volante é leve então isso me ajuda nas
curvas
Conforme eu ando, as ruas mais à frente começam a ficarem mais agitadas

—Vou ficar por aqui mesmo, não me sinto segura nessas ruas mais
movimentadas!

—Você foi muito bem e não bateu meu carro, já é um milagre! -Dou um
leve tapa no braço de Mads- é brincadeira Yasmim! -ela ri- mas você foi
ótima!Vamos combinar de você treinar outro dia, aí vai ser moleza na hora
da prova!

[...]

Já estava ficando tarde

Mads me deixa na porta de casa

Assim que fecho a porta de entrada, ouço brigas vindo do quarto de Oliver e
de minha mãe

—EU VOU PEGAR A MINHA FILHA E IR EMBORA DESSA CASA SE


VOCÊ NÃO PARAR COM ISSO OLIVER! EU NÃO AGUENTO MAIS!!
-Ouço minha mãe gritando com o pai de Dylan

subo as escadas em direção de meu quarto e tranco a porta

No começo da relação de Riger e minha mãe, eles era muito carinhosos um


com outro, ele sempre presenteando minha mãe com buquês, joias e
jantares em lugares chiques. Mas de uns tempos pra cá, eles só brigam!
Essas discussões fazem parte da rotina praticamente, a cada dia elas ficam
piores.

Dylan está mais distante de casa dês de que as brigas começaram,


dificilmente ele dorme aqui, provavelmente ele deve dormir na mansão que
Vinnie disse.

Oliver é muito grosseiro, briga por qualquer coisa, principalmente com


Dylan, sempre descontando sua raiva nas discussões com o filho. Ele não
era muito de discutir comigo, mas acontecia! Eu evitava ficar muito perto
dele, não me sinto muito segura
Há cerca de três semanas mamãe e Oliver começaram com as brigas feias,
mas elas pioraram bastante essa semana, sendo impossível de ficar em casa
com os dois brigando toda hora

Eu não conseguia dormir de noite com medo de alguma coisa acontecer,


sem contar que minha mente me tortura de madrugada!

[...]

Já fazia um bom tempo que os dois estavam discutindo, eram quase onze
horas da noite

Saio do meu quarto e vejo Dylan com uma mochila nas costas

—Você vai pra onde?

—Eu que não vou dormir aqui com esses dois discutindo!

—Oque? Você vai me deixar sozinha com eles?! Não vai Dylan, por favor!

—Se vira Yasmim! O problema é seu se você vai ficar sozinha ou não com
eles desse jeito!! Eu vou me mandar! Volto só amanhã. - Dylan esbarra em
mim para que eu saísse da frente

Dylan sai de casa batendo a porta

Estou com um mal pressentimento!

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Capítulo 15
Pov – Vinnie Hacker

—Finalmente você chegou! Eu não aguento mais jogar videogame com o


Nick, ele sempre perde -Kio fala assim que eu chego na mansão

—Eu não vou jogar agora Kio -ri- preciso corrigir umas provas. Mas depois
pode ter certeza que os dois vão perder pra mim!

—Nem fodendo! -Kio começa a rir

—Vinnie, a Yasmim foi hoje pra escola? -Dylan pergunta

—Faz três dias que ela não vai pra escola -Digo simples

A feição de Dylan muda da água para o vinho, seu corpo inteiro paralisou,
ele cerra os punhos fortemente

—Merda!! Oque que eu fiz karalho?! -Riger começa a andar de um lado


para o outro com as mãos nos cabelos

—Oque foi cara?

—Meu pai e a mãe dela estão brigando pra karalho, estão pensando em até
se divorciarem. Mas o problema é que ele é muito violento, principalmente
quando bebe e fuma, coisa que ele vem fazendo bastante ultimamente.
Porra eu deixei ela sozinha aquele dia com os dois!!

—Você não tá dizendo que ele.. fez alguma coisa com ela, não? -Nick
arregala os olhos

—Eu lá vou saber porra!?

—Então é por isso que ela está mais quieta nas aulas.
—Se ele tiver encostado um dedo na Yasmim ou na mãe dela... eu não vou
me perdoar cara!! -Dylan pega a chave de seu carro e sai correndo para fora
de casa

Sinto um aperto no peito só de pensar em algo acontecer com ela

Nesse pouco tempo de amizade que a gente tem, eu sinto algo diferente
dentro de mim quando estou com ela, nunca senti isso antes

Ela é chata pra karalho! Mas de uma certa forma eu tenho um... um
"instinto protetor" se é que eu posso chamar assim, quando eu estou com
ela.
Eu não sei o que deu em mim quando Rowe empurrou ela contra o armário
aquele dia, é como se tivessem machucado alguém muito próximo de mim e
sei lá, agi por impulso

Ultimamente procurei me afastar dela, não quero sentir aquela sensação


estranha quando ela está por perto

Será que é... amor?!

Karalho eu não posso sentir isso, puta merda! Eu não sou de ninguém! Não
presto pra namorar.

Yasmim é gostosa pra karalho, eu comeria ela, mas como ela é virgem e
fica se fazendo, eu que não vou força-la. E sem contar que eu tenho várias
putas aos meus pés! Levo qualquer mina a loucura na cama, Vinnie Hacker
não é de ninguém!

eu não preciso da Alles!

[...]

Pov – Dylan

Oque deu em mim de deixar elas sozinhas com meu pai?!

Durante minha infância inteira,ele batia em mim e em minha mãe, surras


diárias
Dês de quando eu era criança, meu pai era alcoólatra mas de uns tempos pra
cá, ele vem fumando e se afundou ainda mais na bebida

Quando chegou o dia de conhecer Loren e sua filha, eu levei um choque


assim que vi as duas, como Loren, com sua beleza, conseguiu se apaixonar
pelo meu pai?! Um velho todo acabado!

Yasmim é tão calma, não arranja confusões, não bebe, não fuma,
provavelmente ainda não transou, conhecendo a santinha da minha irmã!

Confesso que, quando eu a vi na Lux aquele dia com suas amigas, eu fiquei
louco! Eu não queria Yasmim metida no meio do Vinnie e dos meninos,
somos muito perigosos e eu não quero corroer a mente virgem dela

Eu escondi Yasmim ao máximo de meus amigos, queria ela longe da vida


do crime

Mas quando ela apareceu na Lux aquela noite, ouvi Hacker comentar com
Kio para achar tudo sobre uma garota que estava na pista. Quando eu vi na
tela de Kio a foto da Alles com suas informações, eu só queria tirá-la de lá o
mais rápido possível para que Vinnie a esquecesse

—YASMIM!! abre a porta! -Estou sem a chave de casa então começo a


bater na porta chamando pela loira

A porta se abre

Yasmim está diante de mim com um moletom e uma calça moletom cinza,
seu cabelo preso em um coque e um semblante sério

—Oque foi? Pra que esse desespero?!

—Você tá bem?!! -Seguro os braços dela- Yasmim você tá bem porra?! Ele
fez alguma coisa com você

—Do que você está falando? Não aconteceu nada, eu estou bem!

—Yasmim está quase 27 graus e você está de casaco! Me fala, ele fez algo
com você?! Não precisa mentir pra mim!
—Eu estou bem Dylan!

Minha visão passa por dentro da casa e... caixas?

—Oque são essas caixas?!

—Eu e mamãe vamos nos mudar... ela não quer mais ficar com seu pai..

Eu tenho um carinho muito grande pela Yasmim, acho que é pelo fato de ela
ser mais nova que eu, mais "frágil", parecendo uma porcelana que a
qualquer momento quebraria de tão delicada que era

—Oque? Como assim?! -coloco as mãos na cabeça- Onde vocês vão


ficar??!

—Mamãe vai se mudar pra uma casa mais próxima do trabalho, e eu vou
morar sozinha em uma casa no Royal

O Royal é um dos melhores condomínios da cidade, lá pelo menos ela fica


segura

—Você tem certeza de que quer morar sozinha maninha??

—Tenho sim, pode ficar tranquilo!

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Capítulo 16
⚠Aviso importante⚠
Este capítulo vai conter cenas violentas que pode causar gatilho em
algumas pessoas, serão cenas pesadas, então leiam concientes disso!!

–––

Pov – Yasmim Alles

Dylan me ajudou muito na mudança para minha casa nova, me ajudando a


levar as caixas

Eu decidi ir morar sozinha para ter o meu próprio espaço, apesar de gostar
muito de morar com minha mãe, mas acho que nós duas precisamos de um
tempo sozinhas

A nova casa no Royal, um dos condomínios mais prestigiado a da cidade, se


erguia majestosamente com suas paredes imaculadamente brancas,
refletindo a luz do sol em cada canto. Com dois andares de grandiosidade, o
interior não decepcionava. Ao adentrar, uma sala espaçosa se revelava, com
um belo piso de mármore polido que brilhava sob os pés

Na sala de estar, um gigante sofa bege clarinho e uma enorme TV ocupava


o centro da parede de Cimento Queimado, prometendo noites de
entretenimento envolvente.

Do lado de fora da enorme casa, o jardim bem cuidado e a área de lazer


completavam o cenário perfeito para momentos relaxantes, contendo uma
piscina e uma bela área de churrasco

O quarto principal era um espaço amplo e convidativo, apesar de estar


atualmente ocupado por várias caixas de mudança.
No centro do cômodo, repousava uma imponente cama king size, com um
criado-mudo ao lado, ainda sem qualquer decoração.
O piso de mármore refletia a luz suave do teto de gesso com iluminação
Led embutida, criando uma atmosfera de tranquilidade e sofisticação. A
grande janela, que ocupava quase toda a parede lateral, dava acesso à
varanda, permitindo que a luz natural inundasse o ambiente durante l dia e
oferecendo uma vista serena à noite quando não estava coberta pela grande
cortina branca.

Adjacente ao quarto, um closet luxuoso aguardava para ser preenchido. Os


armários, equipados com iluminação interna, prometiam um toque de
elegância e funcionalidade, destacando cada peça de roupa com um brilho
delicado. O espaço era organizado de forma maximizar a praticidade, sem
comprometer o estilo refinado que permeava todo o cômodo.

O banheiro do quarto seguia a mesma linha de luxo e modernidade. Ao


entrar, a vista do box claro era imediatamente destacada pelas paredes
revestidas de mármore branco com detalhes em dourado, irradiando uma
sensação de limpeza e opulência. A bancada da pia, extensa e prática,
contava com várias gavetas que ofereciam armazenamento abundante.
Acima dela, um enorme espelho cobria quase toda a parede, to teto até a
bancada, refletindo a luz e ampliando ainda mais o espaço. A única
separação do espelho era pela separação da privada ao resto do banheiro,
proporcionando privacidade sem interromper a harmonia do ambiente.

Eu estava exausta, fiquei na função da mudança o dia todo

Estava toda suada, o cabelo preso em um coque descabelado

Eu estava em meu closet arrumando as roupas, separando meus vestidos em


cabides, dobrando calças e blusas

Desço na sala para pegar uma caixa que estava com alguns acessórios
dentro

A campainha toca

Será que é Dylan?? Ele saiu agora a pouco, será que ele esqueceu algo?

Abro a porta e me deparo com um homem alto, cabelos morenos, forte, com
alguns músculos nos braços a mostra pela camisa azul escura, em seu braço
esquerdo, uma linda tatuagem de anjo que quase fechava seu braço inteiro,
começando pela mão e indo até um pouco abaixo do cotovelo

O rapaz usa um brinco de argolinha, uma correntinha prata por cima da


camisa e percebo que ele tem outra tatuagem, uma frase escrita de cima pra
baixo em seu pescoço

—Vizinha nova, certo? Prazer, David Yuri! -O moreno estende a mão

—Ah, oi! Prazer, Yasmim Alles! -O cumprimento

—Então, eu moro na casa 57 um pouco a frente da sua e vim dar as boas


vindas para os novos vizinhos! Se precisar de qualquer coisa ou alguma
ajuda com a mudança, eu estou naquela casa! -Ele aponta para uma bela
casa, com três andares e com uma BMW estacionada na frente da mesma

—Claro! Eu chamo sim, pode deixar!

—Me desculpe a intromissão, mas você mora sozinha? É muita mudança


para você arrumar sozinha -David ri

—Eu moro sozinha sim, e realmente, é muita mudança, vou passar um bom
tempo organizando até ficar tudo bonitinho -eu ri

—Desculpe tomar o seu tempo, só vim dar as boas vindas princesa! Já sabe,
qualquer coisa é só bater lá! -ele dá um sorriso e sai para sua casa

Não sou dessas de ficar reparando em homem, mas meu Deus que homem!

Assim que eu abri a porta para ele, sinto o cheiro forte de seu perfume
exalado

Aí meu Deus, David me viu toda descabelada, toda desarrumada, o que ele
deve ter pensado de mim?!!

Na tentativa de distrair minha cabeça para não pensar em David, peço


comida de aplicativo e volto a arrumar a mudança, dessa vez, fico pela sala
mesmo, arrumando alguns móveis
[...]

Quase meia hora depois, ouço alguém bater na porta

Deve ser minha encomenda!

—Hacker?! Como descobriu meu endereço?

—Você tá bem Yasmim? -Ele tem um semblante de preocupação

—Eu estou sim, mas como descobriu meu endereço?!

—Dylan me passou -disse simples

Eu falei pra Dylan que eu viria pra cá em busca de paz, não queria ninguém
me incomodando e ele me passa o endereço para Vinnie? Cacete!

—Por que ficou me evitando durante dias e agora está todo preocupado
comigo? -cruzo os braços

—Não é da sua conta.

O loiro suspira e sai entrando para dentro de minha casa sem permissão

—Que bela casa ein Alles -ele passa os olhos pela mudança

—Eu estou ocupada agora, pode voltar outra hora por favor? -Fico parada
na porta

Vinnie não dá muita bola para meu pedido e se senta em meu sofá como se
fosse o dono da casa

—Oque você veio fazer aqui?

—Vim ver como você estava, Dylan ficou com medo do pai dele ter feito
algo com você-ele explica- ele não fez né?!

—Vinnie eu estou ocupada... volte outra hora -coloco a mão na testa


—Me responda! Ele fez algo com você?! -disse autoritário

Eu não quero confessar...

—Não.. Vinnie por favor, vá! -aponto para a porta

O loiro se levanta e caminha em direção a porta

—Eu não vou embora antes que você me diga a verdade -Vinnie fecha a
porta e fica frente a frente comigo

Eu não conseguia dizer nada, meus olhos se encheram de lágrimas me


impedindo de contar

[...]

flashback on– três dias atrás

Dylan foi embora e me deixou sozinha com Oliver nesse estado!

Saio correndo para meu quarto e começo a chorar pedindo a Deus para que
eles parem de brigar

Ouço vidros quebrando e minha mãe gritando desesperada

Era inevitável que aquele grito era de dor!

Saio correndo de meu quarto e abro com tudo o quarto do casal e me deparo
com minha mãe no chão com um vaso de vidro quebrado ao seu lado, ela
havia pequenos cortes causados pelos cacos de vidro em seu braço

Em sua frente, Oliver está com sua roupa toda amarrotada segurando uma
garrafa de Everclear na mão

—OQUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI SUA PUTINHA?! SAIA


AGORA!! -Oliver começa a andar em minha direção

—Mãe você está bem?! O que ele fez com você?!! -Desvio correndo de
Riger e me abaixo ao lado de minha mãe a ajudando a se levantar
—Não é nada filha, volte para seu quarto...

—OQUE VOCÊ FEZ COM A MINHA MÃE?!

—OLHA O JEITO QUE VOCÊ FALA COMIGO MOCINHA!! MAIS


RESPEITO!

—Eu vou me separar de vc! Eu não te aguento mais Oliver! Olha como
você trata a minha filha, olha o que você fez comigo!! -minha mãe estende
seu braço cortado pelos cacos de vidro para Oliver

Oliver se avança em minha mãe com os punhos cerrados a derrubando no


chão

—SOLTA ELA! -Começo a puxar Oliver de cima de minha mãe

—TIRA SUAS MÃOS DE CIMA DE MIM SUA VADIA! -Oliver sai de


cima de minha mãe e começa a andar em minha direção enfurecido

—OLIVER NÃO!!! -Minha mãe grita assim que os punhos de Riger se


chocam contra meu rosto

Caio no chão pela força do soco, não demora muito e Oliver sobe em cima
de mim e começa a socar e estapear meu rosto

Eu não conseguia fazer nada a não ser gritar! Eu já não tinha mais forças
para tentar empurrado, ele é muito pesado

—Solta a minha filha!! -Minha mãe o tira de cima de mim

Oliver começa a ofender eu e minha mãe das piores formas possíveis

Começo a tossir muito, saindo um pouco de sangue pela boca. Meus olhos
estavam embaçados pelo choro, eu não estava conseguindo ver nada. Minha
respiração estava descontrolada, eu não parava de tremer

A última coisa que eu me lembro foi de sentir o chute de Oliver em meu


peito, me causando uma imensa falta de ar que me fez cair no chão me
contorcer de dor...
Acordei no outro com minha mãe limpando meus ferimentos ao lado de
minha cama

—Oque aconteceu?... o que você está fazendo? -Abro os olhos devagar e


coloco a mão na cabeça

—Querida, vamos deixar aquilo de ontem no passado? Seu pai... quero


dizer, Oliver não fez por mal, ele só bebeu um pouco a mais do que o
normal...

No passado?! Deus que me perdoe, mas se não fosse por mim ela estaria
morta, ele quase matou nós duas ontem a noite! Eu não tenho a menor ideia
do que aconteceu depois que eu apaguei.. mas como ela quer deixar isso no
passado?!

Minha mãe defendendo alguém que machucou ela e sua própria filha..

—Ele não fez nada demais meu amor, mamãe já conversou com ele!

—mas ele me machucou mãe... -olho para ela com os olhos cobertos de
lágrimas

—Isso está no passado, ele me disse que foi sem querer. Sem contar que
você está muito mal educada Yasmim, tem que ter mais respeito com seu
padrasto!

—Respeito? Ele me espancou e você quer que eu o respeite?!

—Ele não te espancou Yasmim, ele só te educou! Ele não fez por mal filha -
minha mãe guarda sua caixinha de remédios e sai do meu quarto

Me levanto com dificuldades, meu corpo estava todo dolorido

Caminho até o espelho de meu quarto e me deparo com meu corpo todo
roxo em vários lugares, o canto de meu lábio inferior estava inchado, meus
olhos estavam vermelhos e eu tinha cortes pelo meu rosto

Como a própria mãe consegue defender alguém que fez isso com sua filha?
Flashback off

[...]

—Merda! Eu sabia que tinha alguma coisa! Você não consegue nem falar,
mas só pela sua cara já dá pra ver que ele fez algo -Vinnie cerra os punhos

—Já passou, eu estou bem agora..

—Por que não me ligou porra?Sua mãe sabe?!

—Minha mãe defendeu ele... ela disse que não foi nada demais e que ele só
estava me educando -não consigo mais segurar o choro

Vinnie me puxa e me envolve em um abraço apertado, eu precisava


daquilo!

—Então é por isso que você decidiu morar sozinha? -Vinnie fala ainda
abraçado em mim

Apenas balanço a cabeça positivamente e escondo meu rosto em seu


pescoço, eu não queria encara-lo chorando, não queria que ele me visse
assim...

—Vai ficar tudo bem princesa.. -Vinnie me da um beijo na testa e limpa as


lágrimas que escorreram em minha bochecha

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Capítulo 17
Eu e Vinnie ficamos abraçados por um tempo em silêncio, eu realmente
precisava daquilo

O loiro ergue minha cabeça segurando delicadamente meu queixo, me


encara por alguns segundos e finalmente sela nossos lábios

Hacker agarra minha nuca aprofundando ainda mais nosso beijo, ele coloca
sua mão em minha cintura e começa a descer sua mão devagar até minha
bunda, a agarrando forte me fazendo soltar um gemido

O interfone toca

—Espera... -Me separo ofegante de Vinnie

Caminho até a cozinha onde fica o interfone e autorizo a entrada do


motoboy com minha comida

—Como entrou aqui se não me ligaram pedindo autorização?

—Tenho meus contatos aqui dentro gata -Vinnie me joga uma piscadela

Saio para a rua para pegar meu pedido e entro em casa novamente

Me sento no sofá e começo a abrir meu pedido

Vinnie se senta ao meu lado dividindo seu olhar entre eu e entre minha
comida

—Pode tirar o olho Hacker! -Me refiro à meu Hambúrguer

—Negar comida aos outros é pecado Alles! Não te ensinaram isso na igreja
amor?! -Vinnie me olha sarcástico

Cerro os olhos e estendo meu Hambúrguer para ele


—VINNIE! -Dou tapa no ombro dele assim que vejo o tamanho de sua
mordida

—Yasmim, Yasmim... para de ficar me batendo -Ele ri

—Você comeu mais da metade!! Mereceu o tapa mesmo!

—Quer que eu coma mais? Tem problema não -Ele diz com o tom de
brincadeira e estende sua mão pra pegar meu lanche novamente

—Nananinanão! Pode parar com isso -me viro pro lado oposto de Vinnie,
ficando de costas para ele

—Que coisa feia, negando comida para os outros... -Vinnie balança a


cabeça negativamente como se estivesse decepcionado

—Não neguei nada, eu te dei e você comeu mais da metade! Não vai ganhar
mais!

—Que feio Yasmim... -Vinnie cruza os braços e continua balançando sua


cabeça negativamente- sabia que é pecado né?

—Para de falar que é pecado -ri- isso sim que é feio, usar o nome de Deus
em vão. Sem contar que você tem dinheiro de sobra pra comprar a
lanchonete se você quiser!

—Não tenho não -ele abaixa sua cabeça

—Como não? Olha o tamanho da sua casa, olha os carros que você tem
Vicent! -Digo como se fosse óbvio

—Eu tenho dinheiro pra comprar a fabrica inteira, até as afiliais se quiser
amor -Vinnie sorri sarcástico

—Ai como ele é convencido -cerro os olhos para ele e termino de comer
meu hambúrguer

—Não deixou nenhum pedacinho pra mim Alles?? Vou contar pro seu
pastor, padre... sei lá que porra que tem naquela igreja que você vai
—Para de falar que tudo é pecado -ri- agora, se o senhor me der licença, eu
tenho muita coisa pra fazer! -Olho para as caixas da mudança desanimada

[...]

Dois dias depois

Vinnie havia me ajudado com os móveis mais pesados aquele dia à noite,
boa parte já está decorada e pronta

—Ai amiga, não me leve a mal, mas eu acho que você e o professor Hacker
combinam... -Mads deita sua cabeça em meu ombro enquanto Vinnie
passava a atividade no quadro

—Quê? Não, nada a ver Mads -ri

—Tudo a ver amiga, são só uns dois anos de diferença, os dois são
loirinhos. E pelo o que a senhorita me disse.. vocês já se beijaram. Vocês
tem tudo a ver! -Mads sussurra

—Olha quanta menina bonita que gosta dele, com certeza ele escolheria
elas -ri

—Yasmim! Para com isso! -Mads me repreende- com todo respeito, mas
amiga você é a mina mais gata e gostosa que eu conheço!

—Eu não acho, olha pra Chloe, ela não tira os olhos do Vinnie, com certeza
ele escolheria ela ou uma dessas outras meninas que estão babando olhando
pra ele!

—Chloe gosta de todo mundo, não consegue descidos de quem ela gosta!
Ela está muito afastada da gente, mal fala com nós... deve ter acontecido
algo -Mads serra os olhos olhando para Chloe que estava sentada mais pra
frente da sala, mais especificamente ela estava sentada na frente da mesa de
Vinnie

—Pois é, percebi isso também!

—Vamos seguir ela no final da aula! Aí a gente descobre, simples!


—claro que não Madson! Para de ser doida da cabeça! -sussurro

—Mas se a gente perguntar, ela não vai responder né Yasmim, só resta


seguir ela! -Mads sussurra

—Pode tirar essa ideia da cabeça, vamos pensar em outra coisa, vá que seja
uma... uma coisa mais pessoal dela?

—Para de ser boazinha Yasmim, nem todo mundo tem essa cabeça santa
igual a sua, a gente conheceu ela ano passado! Não é tanto tempo assim pra
se ter tanta confiança!

—Você e a sua desconfiança né Madson, Santo Deus!

[...]

A aula já havia acabado, Mads me chamou para sair, ou segundo ela


"vamos sair pra comemorar sua casa nova!"

Eu não sei bem ao certo onde nós vamos, Mads só me disse pra eu me
arrumar que ela já estava chegando

Coloco uma calça legging preta, uma blusa preta e uma jaqueta jeans azul
clarinha por cima

Ouço buzinas no lado de fora de casa

Assim que saio de casa, vejo que David está na calçada de sua casa com
mais três amigos conversando

Troco brevemente olhares com David que acena com a mão para mim

—Amiga que é esse gatinho? Meu Deus! -Mads abaixa seu vidro e coloca
sua cabeça pra fora da janela e sussurra pra mim

—É meu vizinho -Sussurro entrando no carro

—Eai gata! Vai me apresentar teu vizinho não? -Mads fala assim que fecho
a porta de seu carro
—Vish, pior que eu não sei muita coisa dele não amiga -ri- o nome é David
Yuri e mora naquela casa ali mesmo, só sei isso

—Cruzes mas você tá mal informada ein, trate de descobrir mais coisas dele
viu!

—Sim senhora! Mas afinal, onde você vai me levar?!

—Adivinha? -Mads diz animada- NA LUX!! -Ela pula de alegria dentro do


carro

—Não sei não... da última vez que eu fui, não deu muito certo!

—Não vai dar em nada gata! afinal, tá comigo, tá com Deus! -Mads se gaba

—Foi exatamente essa frase que você disse aquela vez que eu fui e deu
errado, foi exatamente essa frase que você disse várias vezes e a gente se
meteu em encrenca!

—Aquelas vezes foram... deslizes! Como eu ia adivinhar?

[...]

Chegando na Lux, Mads coloca aquela pulseira VIP colorida em meu pulso
e entramos

Mads segura minha mão para não nos perdermos e sai andando em minha
frente

Assim que chegamos na Área dos VIPs no andar de cima, percebo uma
certa agitação

Havia muitas mulheres no camarote ao lado do nosso, onde ficava o Bar

Mads me puxa até esse camarote para pegar sua bebida

—Karalho essa puta dança demais! -Ouço uma voz conhecida rindo

Me viro para trás e entro em choque com a cena


Kio, Nick e mais alguns rapazes da gang estão com várias mulheres ao
redor, dançando e rebolando em seus colos, quase nuas

E... Chloe estava semi nua dançando no colo de Vinnie enquanto beijava o
loiro

—O que foi amiga? -Mads dá um gole em sua bebida e se vira para trás, se
deparando com a mesma cena que eu

—SUA VAGABUNDA FILHA DA PUTA!! —Mads coloca seu Drink sob


a mesa e sai correndo em direção de Chloe, puxando a menina pelos
cabelos a tirando do colo de Vinnie e a jogando no chão

—Mas o que é isso?! Mads? ... Yasmim... -Chloe fica pálida ao me ver

Assim que a garota cita meu nome, percebo diversos olhares em cima de
mim

—Gatinha? O que tá fazendo aqui?! -Kio pergunta

Eu nem sabia o que dizer após ver uma das minhas melhores amigas quase
transando com o menino que eu gosto

—VOCÊ ME PAGA!! OLHA A MERDA QUE VOCÊ FEZ SUA


IMBECIL! -Mads briga com Chloe

Era nítido o quão Vinnie estava bêbado e chapado aquela hora, era quase
como se ele não estivesse presente ali, como se ele estivesse "no mundo da
Lua"

Mads começa a brigar e estapear Chloe que estava no chão

—EU NUNCA CONFIEI EM VOCÊ, e olha só... você é exatamente como


dizem por aí... UMA PUTA!

—ME RESPEITA SUA IDIOTA! -Chloe e Mads começam a brigar feio

Não entendo o por que ela ficou tão brava


Tá... Mads sabe dos meus sentimentos pelo Hacker e ver Chloe com Vinnie
é revoltante, então até dá pra entender Mads...

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

Me desculpem a demora pra postar Capítulo novo pessoal kkkk


Capítulo 18
—Você tá de sacanagem porra! -Mads rosnou, a raiva fervendo dentro dela.
Sem pensar duas vezes, avançou novamente em Chloe, empurrando a
multidão de lado

—Chloe, sua vaca traiçoeira!! -Mads gritou, puxando Chloe pelos cabelos
novamente

—Qual o seu problema Mads? -Chloe rebateu, tentando se soltar- Tá com


ciúmes?!

—Ciúmes? Eu vou te mostrar o que é ciúmes, sua vagabunda!! -Mads


retrucou, empurrando Chloe contra a parede. O impacto fez Chloe perder o
equilíbrio

—O que você pensa que tá fazendo com o Homem da Yasmim, hein?! -


Mads continuou, sua voz firme e cheia de raiva-Você acha que pode sair por
aí, sendo uma piranha e dando pra qualquer um que aparece na sua frente
sem sofrer as consequências?!!

Chloe com o rosto vermelho e os olhos arregalados, tentou reagir, mas


Mads não deu chance. Ela agarrou Chloe novamente, dessa vez
empurrando-a para o chão

—Você é patética, Chloe. Patética e desesperada por macho! -Mads cuspiu,


olhando Chloe de cima, enquanto a multidão ao redor assistia, chocada e
entretida

Chloe, humilhada e sem conseguir se levantar, olhou ao redor, percebendo


que todos os olhares estavam sobre ela, julgando-a e rindo da mesma

—Agora todo mundo sabe que você realmente é...- Mads disse, sua voz
cortante- UMA VADIA QUE NÃO TEM O MÍNIMO DE DIGNIDADE E
RESPEITO PELA PRÓPRIA AMIGA, SUA VADIA!!!
—Vamos sair daqui, Yas-Mads diz colocando um braço ao redor de meu
ombro- Não vale a pena perder tempo com esse tipo de gente. -Mads disse
ríspida

Eu nem sabia o que falar, eu estava em estado de choque

Tanto por ver Mads brava dessa forma como eu nunca vi antes, como por
ver Hacker quase transando com Chloe em plena pista de dança

[...]

—Me desculpa por fazer você passar por aquela situação amiga, eu não
esperava aquilo -Mads me abraça

—Oi meninas! Que bom vê-las por aqui! -Abigail, a garçonete, chega para
anotar nossos pedidos- Vai ser o mesmo de sempre?!

—Claro! mesmo de sempre, por favor! -Peço rindo

A lanchonete Retro Diner contém uma fachada neon vibrante que brilhava
intensamente à noite, atraindo todos os olhares da vizinhança. As grandes
janelas de vidro permitiam uma visão clara do interior, onde a decoração em
estilo retrô transportava os clientes diretamente para os anos 50

No interior, as paredes eram revestidas com ladrilhos brancos e vermelhos,


combinando perfeitamente com as poltronas de couro acolchoadas em
vermelho vibrante. As cabines estavam alinhadas ao longo das paredes,
cada uma equipada com uma mini jukeboxes que tocavam clássicos e
sucessos da época. No centro do salão, mesas redondas com tampo de
fórmica e cadeiras de metal cromado completavam o ambiente

O balcão longo e polido era o coração da lanchonete, onde os clientes se


sentavam em bancos altos, giratórios e de couro vermelho. Atrás do balcão,
uma coleção de copos de milkshake, máquinas de refrigerante e um grande
quadro-negro com o cardápio diário escrito em giz colorido. As opções
incluíam hambúrgueres suculentos, batatas fritas, xis, milkshakes de todos
os sabores imagináveis e tortas caseiras que faziam qualquer um salivar só
de olhar
As paredes estavam decotadas com
Pôsteres vintage, placas de metal com slogans dos anos 50. Uma jukebox
grande e coloria estava estrategicamente posicionado perto da entrada,
pronta para tocar os hits preferidos dos clientes com apenas uma moeda

O aroma tentador de hambúrgueres grelhados e batatas fritas frescas enchia


o ar, misturado com o cheiro doce de milkshakes de baunilha e chocolate. O
som das risadas, Conversas animadas e o tilintar de pratos e copos criavam
uma atmosfera e acolhedora e familiar

Para Yasmim e Mads, a Retro Diner não era apenas uma lanchonete; era um
refúgio, um lugar repleto de memórias preciosas de infância. Ali, entre
milkshakes e batatas fritas, elas haviam construído uma amizade que
resistiria ao tempo e às adversidades

As duas amigas se conheceram na lanchonete quando pequenas, e dês de


então, nunca mais se desgrudaram e nunca deixaram de frequentar a
lanchonete

Eu e Mads estávamos sentadas em uma das últimas mesas da parede à


esquerda, tendo visão da lanchonete e de quem entrava pela porta

Eu estava sentada pro lado da parede com minha cabeça escorada no ombro
de Mads enquanto conversávamos sobre o que havia acontecido na Lux

—Prontinho meninas! -Abigail me entrega o Milkshake de chocolate com


um Hambúrguer de carne, enquanto para Mads, ela entrega seu milkshake
de morango com um Xis tudo

—Obrigada tia! -Mads diz com a boca cheia de milkshake, cuspindo tudo
na mesa

—Tenha modos Mads! -ri

—Eu não tenho culpa se isso aqui é bom pra karalho! -ela dá outro gole

—Mas não precisa deixar metade de seu milkshake cuspido na mesa né -


começo a rir
Assim que eu começo a comer, sinto um cutucão de Mads

Quando eu olho para frente, vejo David e seus amigos entrando pela porta

Eu e Mads ajeitamos a postura e eu tento disfarçar olhando para meu celular

—Para de ser falsa, teu celular até sem bateria está! -Mads começa a rir

—Fica quieta! Eu to nervosa! -sussurro

Mads me cutuca novamente

Assim que eu olho para frente, David está acenando para nós e andando em
nossa direção com seu grupo de amigos

—Oi princesa! -David me dá um beijo na bochecha- Oi! prazer, David Yuri!


-Ele se apresenta para Mads

—Oi! Eu sou Mads, melhor amida da Yasmim! -Ela me abraça e dá um


sorriso

—Esses são Léo, Louis e Thales! -Ele nos apresenta

—Prazer! -esticamos nossos braços dando um aperto de mão em cada um

—Vocês estão sentadas sozinhas? -Thales pergunta

—Estamos sim!

—Se vocês quiserem, podem se sentar com a gente -Mads sorri- sentem-se!
-Minha amiga aponta para os acentos vazios em nossa frente- Pode se
sentar aqui David, eu não me importo! -Mads diz se levantando e dando
espaço para que o garoto se sente ao meu lado

—Opa! Aí sim! -Léo diz animado- o que vamos pedir? -Ele pergunta aos
meninos

Enquanto eles discutiam sobre o que comer, David ergue seu braço para
chamar o garçom, e quando ele abaixa seu braço, ele passa seu braço na
parte de cima do acento atrás de minhas costas em um "abraço"

Olho nervosa para Mads em minha frente que só sabia rir

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 19
—Por que o seu cabelo tá bagunçado? -Louis pergunta para Mads

—Eu tive que resolver um pequeno probleminha -Mads me joga uma


piscadela rindo

—Então, o que vocês gostam de fazer no tempo livre?!

—Eu fico fazendo compras, em festas, dirigindo por aí atoa. E a santa


Yasmim fica na igreja -Ela ri

—Você vai na igreja? Carai faz mó tempo que eu não vou -Thales fala rindo

—Aqui está, rapazes! -Abigail entrega o pedido dos meninos

—De morango?? O de chocolate é mil vezes melhor! -Me refiro ao


milkshake de David enquanto Mads conversa com os outros meninos

—Tá brincando?! O de morango que é melhor! -David faz careta

—Claro que não!

—Experimenta aí então loirinha! -David me desafia

Estendemos nossos copos para ambos experimentarem

Assim que eu bebo o de David, faço uma careta e David faz o mesmo assim
que bebe o meu

—O meu é bem melhor! -Digo

—Nada disso, o meu que é! -David aproxima seu rosto do meu

Enquanto isso, em nossa frente, Mads estava animadamente falando com


Thales, Louis e Léo. Eles conversavam com tamanha intimidade como se
conhecessem Mads a anos

—Vocês viram o último episódio daquela série? -Mads perguntou, seus


olhos brilhando de empolgação- Foi simplesmente foda!

—Sim! Mas aquele final foi uma puta decepção!-Reclamou Thales,


balançando a cabeça negativamente- Eu esperava algo mais emocionante

—Ah, para com isso Thales, você sempre reclama de tudo! -Louis diz
rindo- Eu achei que foi um bom final. Meio previsível, mas divertido, tá
ligado?!

Léo que estava quieto, finalmente se pronunciou

—Eu não assisti ainda, então sem spoilers galera, por favor! To tentando
evitar a internet pra não estragar a surpresa.

—Surpresa mesmo é aquele jogo que lançou, bom pra karalho! Alguém já
jogou?!

—Eu joguei um pouco ontem -disse Thales- É difícil pra karalho, mas
muito viciante. Passei a noite inteira tentando passar da fase oito!

—É esse o espírito! -Brincou Louis- Nada como um bom desafio pra te


manter acordado a noite toda.

—Eu preciso jogar isso também, parece ser do karalho! -Léo sorriu

Enquanto isso, eu e David continuávamos a conversar, descobrindo mais


coisas interessantes um do outro. A noite passava, e o Retro Diner continua
a a ser um ponto de encontro cheio de risadas, conversas animadas e novas
amizades

[...]

No dia seguinte

Nós passamos a noite inteira conversando com os meninos na Lanchonete


ontem à noite
Eu estou na igreja, como de costume

—Yas, seu cabelo está lindo! -Ayla, uma garotinha de seis anos está
fazendo penteados em meu cabelo com suas amiguinhas

—Como foi na escolinha hoje? -Puxo um pequeno para meu colo

—Hoje eu tirei nota dez! Mas o Henry tirou nota baixa -Ravi dedura seu
amiguinho

—Mas o que aconteceu? Você não entendeu sua atividade pequeno? -


Acaricio o cabelo de Henry

—A professora perguntou quanto era cato' mais cato', eu respondi que era
cinco e ela disse que tava errado -Ele cruza seus bracinhos e acaba falando
o número "quatro" errado, pronunciando "cato"

—Mas você não contou em seus dedinhos? Faça assim ó -Levanto minhas
mãos e ergo quatro dedos em uma mão e repito o mesmo movimento na
outra mão-Vamos contar juntos

—Um, dois, três...cato! Viu eu estava certo -ele comemora

—Nananinanão, faltou contar a outra mão meu amor-ri

—Um, dois, três, cato'... seis, seti', ... dez!

—Você pulou alguns números, mas está indo bem! -Dou um beijo na testa
de Ravi que ficou todo bobo

Sinto meu celular vibrar em meu bolso

Assim que puxo meu celular, Dylan e mais um número desconhecido


começam a me ligar freneticamente

—Hmmm, Yas você namora? -Sofi me pergunta

—Eu não namoro não -ri- mas vocês são muito fofoqueiros hein-implico
fazendo careta e todos riem
Desligo o telefone e sigo cuidando das crianças ignorando todas as
chamadas perdidas em meu celular

[...]

Assim que eu chego em casa no final da tarde, subo as escadas e vou em


direção ao meu quarto para tomar um banho quente

Assim que saio do banho, penteio e seco meus cabelos e coloco uma roupa
confortável, um short cinza que faz parte de um pijama, juntamente com
uma camiseta larga preta

Eu estava pronta para relaxar, deitar em minha cama e ler meus livros, mas,
a campainha toca

Desço as escadas rapidamente e, ao abrir a porta, dei de cara com David.


Ele estava de calça jeans e uma camiseta despojada, seu maravilhoso
perfume exalado e o sorriso fácil no rosto

—ah, Oi David! O que te traz aqui a essa hora? -pergunto surpresa, mas
sorrindo

—Eai princesa! Desculpa aparecer assim do nada. Só queria conversar um


pouco -Ele ri

—Claro! Pode entrar -Dou espaço para ele passar

Nós dois ficamos parados um pouco a frente da porta de entrada que foi
mantida fechada

David disse que seria breve, então preferiu não se sentar

—Sobre a noite passada na Retro, foi bem daora né?! -Ele perguntou
coçando a nuca um pouco embaraçado

—Eu me diverti muito ontem, foi ótimo conhecer seus amigos, eles são
muito engraçados -comentei rindo
—Ah, sim, aqueles idiotas são uma comédia -O moreno riu- O Thales
então, meu Deus ele não cala a boca! -Ele olhou para mim com um sorriso
maroto- E você é a Mads parecem ser inseparáveis, hein?

—Somos sim, nos conhecemos há tanto tempo que já somos quase irmãs.
Inclusive, nós duas nos conhecemos lá na Retro mesmo -ri

—Que foda! -David sorriu impressionado- Mas enfim... eu vim aqui por um
motivo -ele coça sua nuca novamente, deve estar nervoso- que tal a gente
sair amanhã à noite? Só nós dois. O que acha?

Fiquei surpresa com seu convite

—Ah, eu... -A campainha toca

Nos dois direcionamos nossos olhares a porta logo atrás de nós

—Desculpa, se incomoda de eu atender?

—Sem problemas gata! -David sorri

Assim que abro a porta, me deparo com Dylan, Kio e Hacker

—Por que diabos você não atendeu as minhas ligações Yasmim?! -Dylan
parece estar bravo

—Espera, o que vocês estão fazendo aqui? -pergunto

—Oi! -Kio me cumprimenta com um abraço e estende a mão para David

—Eae -David estende a mão para Kio e para Dylan, mas quando ele estende
sua mão para cumprimentar Vinnie, o loiro não o cumprimenta, mantendo
suas mãos no bolso de sua calça deixando David no vácuo

—David, esses são Kio, Dylan e Vinnie! -Aponto para cada um- e
meninos, esse é David Yuri!

Sinto a presença de David atrás de mim, dando para sentir sua respiração
em minha nuca.
David é alto, então dá a impressão de um "muro" ou algo muito alto atrás de
mim

—Por que não atendeu nossas ligações Yasmim? A gente estava loucos de
preocupação porra -Kio tem o semblante de preocupação

—Vocês ainda perguntam?!

—Eu já vou indo, depois me manda mensagem com a resposta da


proposta que eu te fiz. Tchau princesa -David me dá um beijo na bochecha
com a mão em minha cintura e sai para sua casa

—Mais que porra foi essa Yasmim? -Dylan parece confuso

—por favor falem o que vocês querem, eu estou cansada...

—A gente veio ver como você está, os meninos me falaram o que


aconteceu na Lux ontem -Dylan da um passo à frente

—E o que ele tá fazendo aqui? -Me refiro a Vinnie

—Eu nem queria estar aqui Alles, acredite, se eu pudesse eu estaria em


minha casa. -Hacker diz rude, como sempre

Cruzo os braços sem saber o que responder

—Você tá namorando Yasmim? -Dylan pergunta

—Não, não estou, ele é só um amigo!

—E que amigo hein, porra -Kio fala indignado- não fala nem comigo mais,
tá cheia de amigos né Alles -Kio diz com rude coberto de ciúmes

—Então quer dizer que eu não posso ter outro tipo de amizade além de
vocês, é isso Kio Cyr?

—Você tá vacilando demais Yasmim! -Dylan fala bravo


—Dylan você sabe muito bem que eu não gosto de brigas, se vocês
vieram pra brigar, por favor podem ir embora -Suspiro

—Karalho Alles é impossível de conversar com você! -Dylan fala rude se


direcionando para seu carro

Kio dá um suspiro pesado e sai, logo atrás dele, Hacker me lança um olhar
terrível de ódio e vai para seu carro

Odeio quando eles estão assim comigo, principalmente Vinnie, uma hora
ele está todo bonzinho comigo... aí depois quer me matar! Vai entender hein

Odeio essa sensação de estar "dividida"

David me trata como princesa, todo lindo, carinhoso e atencioso comigo.


Hacker é todo rude, bipolar, mas tem seu charme!

Quem eu escolho?!

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Capítulo 20
A noite foi terrível, minha mente me castigou me impossibilitando de
dormir

Eu precisava de uma noite tranquila pois iria fazer a prova de habilitação à


tarde, mas foi impossível de dormir!

—Você está com uma cara péssima, o que aconteceu meu amor? -Mads
pergunta preocupada

—Não consegui dormir a noite... de novo -Me escoro ao lado de minha


amiga nos armários do corredor da escola

—Por acaso... tem haver com um loiro e um moreno? -Mads me olha seria

Concordo com minha cabeça sem falar nada

—Olha amiga, você e David são tão fofos juntos, dariam um lindo casal.
Vinnie é um gostoso, com todo respeito -ela ri fraco- é meio bipolar e surta
na maioria das vezes... mas sem sombra de dúvidas ele moveria montanhas
pra te proteger.

—Eu não acho... será? -Fito o chão pensativa

—Amiga, aquela vez que o Arthur te empurrou, o que Vinnie fez? Me diz.
Ele não saiu feito louco atrás dele e o mandou pra diretoria? -Ela me olha
como se fosse óbvio

Não contei tudo para Mads, ela sabe de poucas coisas sobre o Vinnie. Mas
não sabe que ele é um gângster, que quase me matou e nem que foi Vinnie
que havia deixado Arthur machucado daquele jeito...

—Pode até ser, mas ele não faria novamente.


—Faria sim! Eu tenho certeza Yas! Olha amiga, eu torço pra você dar certo
com qualquer um deles ou até mesmo com outra pessoa -ela ri- mas o
importante é que você seja feliz e se sinta bem, mas... eu ainda torço para
você e o Hacker... com todo respeito ao David, eu também quero que vocês
deem certo, mas eu sou mais do time Vinnie! -Ela ri e me abraça

—E se... eu te falar que David me chamou para sair hoje à noite?

—Oque?! Ai meu Deus! Que tudo amiga! Você vai né?! -Mads começa a
pular de alegria, chamando a atenção dos alunos que estavam no corredor

—Ó céus Madson, pare de pular! -Seguro o braço de minha amiga rindo- eu


não respondi a proposta dele ainda...

—Como assim?! Pode mandar mensagem confirmando! -ela ordena

—Eu não tenho o número dele Mads. Vinnie, Kio e Dylan apareceram em
minha casa bem na hora que eu ia responder

—Então Vinnie já trombou com David?! Como eu queria ter visto a cara
dele! -Mads fala decepcionada

—Ele disse que nem queria estar lá, provavelmente os meninos obrigaram
ele a ir. Sem contar que ele nem fez questão de cumprimentar David, esse
sem educação!

—Hummm... Yasmim ele ficou com ciúmes! -Mads me cutuca para me


provocar toda sorridente

Até que faz sentido...

—Não, provavelmente não Mads -ri

—Meninas, vocês podem me ajudar a decorar essa parede com os trabalhos


dos alunos mais novos? -A professora Marianne aparece no corredor com
uma papelada gigante, mal dando para vê-la

—Eu não vou, essa velha é mó chata, ela me deu quatro em Artes! -Mads
sussurra para mim
—Ajudamos sim! -dou um cutucão no braço de Mads para ela parar de
falar

—Ótimo, Mads você pode ir separando os desenhos por turmas e


colocando as fitas nas pontas para ele prender na parede. E Yasmim, você
pode ir pegando os desenhos que já estão com fita e colando na parede, vou
te dar umas frases escritas em uns papeizinhos e você espalha elas entre os
desenhos -Marianne entrega a pilha de folhas para Mads e nos leva até a
parede que ela pensou em decorar

[...]

—Eu não aguento mais separar esses rabiscos! Culpa sua Yasmim! -Mads
reclama e me entrega mais uma folha

Eu estou em cima de uma cadeira colando os desenhos na parede, enquanto


Mads está acocada no chão separando as folhas

—Vocês deviam estar na minha aula. -Hacker aparece igual uma


assombração atrás de mim

Levo um susto e quase caio na cadeira, mas o loiro me segura

Nossos rostos estavam muito próximos, a respiração pesada de Vinnie


estava em meu pescoço

—Desculpa... -sussurro e me arrumo na cadeira novamente

—Ai está você! Professor Vinnie, eu ia te pedir um favorzinho, as


meninas podem ficar aqui durante a sua aula? Eu pedi pra elas me ajudarem
a colar esses cartazes e desenhos das turmas do fundamental para a
apresentação da semana que vem -Marianne coloca mais pilhas de papéis ao
lado de Mads, minha amiga revirou os olhos assim que viu mais papéis ao
seu lado

—Já que já estão aqui, podem ficar. -Vinnie diz simples, porém sério

—Ótimo, Madson eu te trouxe mais alguns papéis, e eu vou precisar de


mais algumas ajudinhas... senhor Hacker, você tem alguma aula no próximo
período?

—Não, estou livre o resto da manhã, mas vou ficar corrigindo as provas.

—Será que não daria pra você e a Yasmim ficar decorando a quadra
coberta? Preciso que pendurem algumas coisas e enfeitem, Mads vai ficar
aqui colando e eu precisava de mais alguém para ajudar a Yasmim. Se
incomoda? -Marianne pergunta

Vinnie suspira, tava na casa que ele não queria

—Ok. -Hacker diz sem vontade

[...]

Eu e o loiro estamos em um silêncio mortal enquanto arrumamos a quadra


coberta, não trocamos uma palavra dês de então

—Você consegue estender uma toalha na mesa? Santo Deus... -Digo assim
que vi Hacker estender um pano branco todo desarrumado sobre a mesa
retangular

—Eu tenho pessoas que fazem isso por mim Alles, não perco meu tempo
com isso. -disse ríspido

—E cadê essas pessoas? -provoco

Vinnie não responde, mas me encara por alguns segundos e volta a arrumar
o pano

Começo a separar algumas bandejas onde ficariam alguns docinhos em


cima da mesa

—Que história era aquela de "Homem da Yasmim" -Vinnie aparece atrás de


mim novamente

Esse menino gosta de assustar os outros aparecendo do nada hein, caramba

—Não entendi -falo ainda virada de costas para ele arrumando as bandejas
—Na Lux, sua amiga disse "Homem da Yasmim" se referindo a mim, que
porra foi aquela?

—Quem falou foi Mads, não eu.

—Que seja! -Hacker fala sem questão alguma

—Por que a pergunta?

—Nada karalho.

Eu odeio quando Vinnie esta assim comigo, todo arrogante e não fazendo
questão de conversar, muito menos de olhar em minha cara!

Preciso manter minha mente na prova da autoescola a tarde e no encontro


com David

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Capítulo 21
Eu nem consigo acreditar que eu consegui tirar minha habilitação!

Bom, é claro que o carro que eu vou pegar inicialmente não vai ser o "Ai
meu Deus que carro!", pra mim, ele andando já está ótimo!

Vai demorar um pouco pra eu pegar o carro até por que precisa de dinheiro,
obviamente

David havia me ligado por volta das 17 horas perguntando se eu havia


aceitado o encontro... eu respondi que sim!

O moreno disse que passaria aqui em casa por volta das 19:30

Eu tenho uma hora para me arrumar!

Ai meu Deus que tipo de roupa eu uso para um encontro?! Esse é o meu
primeiro encontro da vida... e se eu falar ou fizer algo errado?!!

Assim que entro no banheiro, respiro fundo enquanto fechava a porta atrás
de mim. O valor quente do chuveiro já preenchia o ambiente, criando uma
névoa suave que parecia envolver tudo ao seu redor. Ajusto a água até que
estivesse na temperatura perfeita. Quando a água quente começou a escorrer
pelo meu corpo, sinto meus músculos tensos começarem a relaxar

Enquanto lavava o cabelo, começo s pensar sobre o encontro com David.


Ele havia sido misterioso sobre o local do jantar, o que só aumentava minha
curiosidade e expectativa

Saindo do chuveiro, me envolvo em uma toalha macia e começo a secar


meus cabelos com cuidado. Ligo meu secador, passando pelas mechas
loiras agr que estivesses completamente secas.

Fico em dúvida se passo um babyliss ou o deixo natural, meu cabelo é


longo e liso escorrido natural, ele não tem nenhuma ondulação ou coisa do
tipo

Decido fazer o babyliss e começo a enrolar as pontas dos meus cabelos,


criando ondas suaves que davam um toque especial ao meu visual

Com o cabelo pronto, fui até meu guarda-roupa, passando os olhos pelas
opções de vestidos. Eu queria algo que fosse elegante, mas sem parecer que
estava exagerando. Meus dedos pararam em um vestido azul clarinho de
tamanho médio, que não era muito curto nem muito longo. Era sofisticado,
mas de uma maneira sutil.

Eu o vesti, sentindo o tecido macio contra a pele,dei uma última olhada no


espelho. Para completar o look, escolhei um par de brincos discretos e um
colar que brilhava delicadamente sob a luz do quarto. Nos pés, optei por um
par de sandálias de salto médio na cor branca, confortáveis, mas que ainda
assim alongavam minha silhueta.

Enquanto passava um pouco de perfume nos pulsos e atrás das orelhas, dei
um último sorriso no espelho. Estava pronta. Mal podia esperar para
descobrir qual era o destino misterioso que David havia escolhido para
aquela noite.

Desço as escadas ajustando o tamanho da bolsa branca e ouço batidas em


minha porta

Assim que eu a abro, vejo David escorado em sua BMW branca

O moreno está com uma Camiseta social azul escura e um short branco, ele
usava um lindo relógio dourado no pulso

—Uau, você está linda! -David diz encantado

[...]

Quando chegamos ao restaurante, eu fico maravilhada com a beleza do


lugar. Era um dos mais luxuosos de Seattle, e tudo ali exalava glamour e
sofisticação. O ambiente era elegante, com tons escuros e detalhes em
madeira que davam um toque clássico e aconchegante ao espaço. A
iluminação baixa criava uma atmosfera intimista, mas ainda assim era
suficiente para enxergar tudo claramente.

As mesas redondas eram cobertas por panos brancos impecáveis, e cada


uma delas tinha uma lâmpada pendente acima, emitindo uma suave luz
laranja que destacava a beleza dos pratos e das taças de cristal. O som
discreto de uma música suave preenchia o ar, completando a sensação de
exclusividade.

David me guiou até uma mesa especial, localizada de frente para uma
enorme parede de vidro. A vista era simplesmente deslumbrante: a cidade
inteira se estendia abaixo deles, com suas luzes brilhando como estrelas.
Era uma visão que tirava o fôlego e me fazia sentir que estava em um
cenário de filme.

A vista que a enorme janela nos proporcionava era espetacular, os enormes


prédios iluminados, as ruas, o centro, os carros, tudo muito lindo e muito
bem iluminado, parecendo pontinhos de luzes

Sentados à mesa, eu não conseguia parar de admirar a vista e o ambiente ao


seu redor. Sorri para David, me sentindo incrivelmente sortuda por estar ali,
naquele momento, ao lado dele.

—O que achou do restaurante?

—Ele é lindo! Mas David esse restaurante é muito caro! -ri sem graça

—Capaz -O moreno ri- eu fiquei em dúvida de qual restaurante te levar, aí


escolhi esse, um dos mais bonitos que eu conheço!

[...]

O garçom nos trouxe a comida, David pediu uma comida Italiana, enquanto
eu, pedi uma comida Alemã

Mais especificamente, uma Königsberger Klopse.

–––
"Königsberger Klopse, também conhecido como Soßklopse, é um prato
tradicional da antiga Prússia Oriental e, em particular, da antiga cidade de
Königsberg, hoje conhecida como Caliningrado. Consiste em almôndegas
com um molho béchamel com alcaparras."
–––

—Eu conheço esse prato... é da Alemanha, né?!

—É sim, como sabe?

—Você tem cara de ser uma típica Alemã-ele ri- tanto pela aparência
belíssima, quanto por esse prato que pediu.

—Você acertou boa parte! Em relação à minha aparência, eu herdei


inteiramente da família de meu pai, se você o conhecesse, ficaria
impressionado com nossa semelhança! -ri

—Você já foi pra lá?

—Já sim. Morei lá até meus 11 anos, aí me mudei para cá com minha
mãe. De vez enquando eu volto para lá pra visitar meus parentes e amigos!

—Que daora! Eu já visitei vários lugares, já fui para a Alemanha inclusive!


Mas a cultura de cada lugar é diferente e espetacular, é nítido a diferença da
aparência de cada pessoa de cada lugar

—Pois é, já percebi isso. Eu sou bem alemoa, até mais que o comum; mas
se você puxar alguém que nasceu aqui, sei lá, a Mads por exemplo, ela não
tem muita coisa parecida comigo, são pouquíssimas!

—Louis é meio asiático, o avô dele é coreano, mas os pais dele não tem
nenhuma semelhança com coreanos, asiáticos, japoneses... sei lá o nome -
ele ri

—Mas, saindo do assunto aleatório que entramos, estamos aqui para


também comemorar sua carteira de habilitação!-David ri e toma um gole de
sua bebida

—Eu nem consigo acreditar que eu consegui tirar mesmo, eu podia jurar
que eu iria bater no primeiro obstáculo em minha frente! -começamos a
gargalhar

Conforme nos conversávamos, percebo uma movimentação diferente

Os garçons arrumando as mesas rápido, como se alguém muito importante


estava prestes chegar

Eu conheço o ronco do motor desse carro...

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

Eu estou amando ler os comentários de vocês kkkkk por favor, continuem!!


Capítulo 22
Espera, aqueles entrando pela porta são...

Kio??! Nick?!

O que eles estão fazendo aqui?!

—Parece aflita, o que houve? -David pergunta preocupado

—Não, não é nada.. pode me dar um minutinho?!

—Claro, sem problemas princesa! Se incomoda de eu já ir pedindo a


conta?

—Pode pedir, só deixa eu pegar a minha parte aqui... -começo a mexer em


minha bolsa pegando minha carteira na mão

—Não se preocupe com isso, eu faço questão! -David passa seu cartão na
maquininha

—David... deve ter dado muito caro! Me passa a minha parte que eu te
dou em dinheiro ou faço um pix!

—Foi eu quem te convidei, então nada mais justo do que eu pagar. Não se
preocupa gata -O moreno joga uma piscadela para mim

—Se incomoda de eu ir no banheiro rapidinho?! Eu já venho! -Saio da


mesa indo direto para o banheiro feminino

Saindo do banheiro, dou de cara com Kio e Nick no final do corredor me


esperando

—Atrapalhamos o casal no seu jantar romântico? -Kio pergunta enciumado

—A gente já estava indo embora, aconteceu alguma coisa??


—Você vai precisar ir com a gente pra casa de Vinnie daqui... -Nick olha
em seu relógio no pulso- uma hora.

—Oque? Pra que?!

—Lá a gente te explica, mas basicamente, você vai ter que ajudar a gente
em algo.

—Vish, não vem coisa boa daí hein... -sussurro- Mas eu estou ocupada
agora. Passem em minha casa daqui uma hora, por favor.

[...]

David havia me deixado em casa, ele foi um fofo comigo no jantar!

Estamos combinando de sair novamente, mas em outro dia, é claro

Não deu tempo de trocar de roupa, assim que David foi para sua casa, Kio e
Nick apareceram em minha porta à minha espera

—Posso trocar de roupa ao menos?

—Bem que eu deixaria gatinha, mas é um assunto meio urgente. Vá assim


mesmo, está linda!

—Obrigada! -sorri- Mas agora vocês podem me explicar o que aconteceu


pra vocês quererem minha ajuda?

—Quando a gente chegar lá, a gente te explica e passa o plano certinho.

[...]

—Ei, Kio! Que casa é essa?! -cutuco o braço de Kio após ver que
entramos no mesmo condomínio de Vinnie, mas indo em direção de outra
casa

—A gente tá indo pro casarão -Ele aponta para uma bela casa cheia de
carros na frente
A mansão, situada no bairro mais luxuoso de Seattle, exala opulência e
grandeza desde o primeiro olhar. Erguendo-se imponente com seus dois
andares, a construção mistura elementos clássicos e modernos, criando uma
fachada que é tanto atemporal quanto deslumbrante.

As paredes externas são revestidas de pedras claras e polidas, que refletem


suavemente a luz do sol, dando à mansão um brilho quase etéreo durante o
dia. Grandes janelas de vidro fumê, com molduras de ferro forjado
detalhadamente, permitem a entrada de luz natural enquanto garantem a
privacidade dos moradores.

Ao aproximar-se, um portão de ferro maciço com arabescos intricados é


aberto por um cara armado, parecendo um soldado por estar todo de preto,
revelando um extenso caminho de entrada pavimentado com pedras de
granito. O caminho leva a uma garagem espaçosa, onde diversos carros
esportivos e motocicletas reluzentes estão estacionados, evidenciando o
gosto refinado e a paixão por velocidade dos habitantes. No entanto, não é
apenas a garagem que impressiona: a frente da mansão é adornada com uma
elaborada escadaria dupla, que converge elegantemente em um grande
terraço.

O jardim frontal é uma obra-prima da arquitetura paisagística. Em meio ao


verde, há caminhos de pedra que serpenteiam pelo jardim, convidando os
visitantes a passear e apreciar a beleza ao redor.

A porta principal, uma peça imponente de madeira escura com detalhes em


ouro, abre-se para revelar um saguão de entrada majestoso. Mas, do lado de
fora, o encanto continua com varandas espaçosas no segundo andar, onde os
moradores podem relaxar e desfrutar da vista panorâmica do condomínio.

À noite, a mansão se transforma com uma iluminação estrategicamente


posicionada que destaca suas características arquitetônicas. Luzes suaves
iluminam as colunas, a escadaria e os contornos das janelas, criando um
ambiente acolhedor e sofisticado.

O quintal, vasto e cercado por muros altos cobertos de hera, é o verdadeiro


ponto de encontro. Ali, uma piscina cristalina com borda infinita reflete as
estrelas, enquanto um deque de madeira com espreguiçadeiras
Os carros de dividiam entre: metade ficava na rua e alguns no quintal,
enquanto alguns ficavam pela garagem

Ao adentrar pela casa, ela não era tão arrumada por dentro, mas era
arrumadinha

—Desculpa aí Yasmim, não deu tempo de arrumar a casa pra ela ficar mais
apresentável. É impossível deixá-la arrumada com os caras aqui 24 horas
por dia -Nick ri

—Pode esperar aqui alguns segundinhos? A gente vai chamar o Vinnie -Kio
e Nick me deixam na sala sozinha e sobem para o andar de cima

A sala está um pouco bagunçada, com alguns pacotes de salgadinhos vazios


e latas de refrigerantes e energéticos espalhadas pelo chão próximo ao sofá.
Mas tirando esse detalhe, a casa é linda!

—Ora, ora ora! O que temos aqui? Está perdida princesa?! -três homens
saem de um como, acho que é da cozinha

O homem que me fez a pergunta é um homem de cabelos negros, alto, meio


gordinho, com a barba feita. O rapaz à sua direita tem cabelos castanhos
claros, nem muito alto mas não tão baixo. O cara a sua esquerda, loiro, me
lembra muito o Vinnie

—Oi! Com licença, vocês sabem onde Vinnie está? -pergunto dando um
passo para frente

—Sei, vem comigo até o meu quarto que eu te mostro! -O homem me


provoca novamente

Assim que ele termina de falar, um imenso enjoo me consome, aquelas


palavras me deixaram muito desconfortável

—Mais respeito karalho, você tá falando com A Mulher do meu irmão


porra! -O loiro que parece com o Vinnie se pronuncia repreendendo o
homem
—E-ela que vai ser a mu-mulher do patrão?! -O homem arregala os olhos e
fica apavorado, parecendo que tinha visto um fantasma

—Perdoe ele, jajá ele será punido por essa impertinência -O rapaz de
cabelos castanhos claros segura o braço do homem gordinho que
permanecia paralisado me olhando

—Muito prazer, eu sou Reggie Hacker, irmão do Vinnie -O loiro anda em


minha direção e dá um beijo em minha mão

Ele é muito educado, ao contrário de seu irmão...

—O prazer é todo meu! Me desculpe, acho que causei confusão... -


Abaixo minha cabeça

—Capaz, o Ryan faz essas "brincadeiras" com todas as meninas que ele
vê pela frente, eu te peço desculpas por esse babaca! -Reggie faz sinal de
aspas com os dedos

—Eu não sabia que Vinnie tinha irmão, confesso que estou um pouco
surpresa! -ri- mas, o que você quiz dizer com "a mulher do meu irmão"? Ou
como o rapaz disse "ela que vai ser a mulher do patrão"?

—Kio e Nick não te disseram o plano? -O loiro ri

—Não, só me falaram que precisariam de minha ajuda e que só iriam me


falar aqui.

—Talvez seja melhor mesmo -Ele ri- Ah, não se preocupe, o Ryan vai ser
punido por ter te tratado com desrespeito!

—Não precisa, foi só... umas piadinhas -ri sem graça olhando para o chão

—Bem que me falaram que você tem o coração tão bom... -ele sussurra-
Mas, independente, ele será corrigido para não tratar mais nenhuma mulher
assim. -Reggie me encara e dá um sorriso

Ele é totalmente o contrário de Vinnie, exceto pela aparência


—Aconteceu alguma coisa?! Ryan está pálido! -Nick diz rindo e descendo
as escadas, logo atrás dele, está Vinnie, Kio e Dylan

—Não aconteceu nad- sou interrompida

—Me desculpe interrompê-la senhorita, mas Ryan tratou a senhorita Alles


com desrespeito! Ele não sabia que ela seria a escolhida para ser a mulher
do patrão. -O homem de cabelos castanhos claros encara os meninos

—O que karalhos você fez com a minha irmã?! -Dylan desce as escadas
correndo e fica frente a frente com o gordinho

—Eu n-não sabia que e-ela era a escolhida, me perdoem!!

—Seu desgraçad- Dylan ergue seu braço para repreender o homem mas
eu o impeço

—Já chega! -Digo brava- Saia já daí Riger! -Chamo sua atenção

Dylan me encara surpreso por alguns segundos, eu nunca havia falado


assim com ele

—Antes que aconteça mais brigas, vamos passar o plano para a Yasmim,
a gente não explicou para ela, achamos melhor passar tudo aqui mesmo. -
Kio se dirige à mesa quebrando o clima pesado que ficou

Todos nós o seguimos e ficamos ao redor da mesa, no centro dela, estava a


planta de algum prédio, não sei bem de onde ela era

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 23
—Vamos começar! -Reggie começa a explicar-Yasmim, Vinnie, este
leilão é o evento mais exclusivo do ano. Apenas magnatas, milionários e
alguns mafiosos são convidados, e as regras são claras: ninguém entra
sozinho. É aqui que você entra, Yasmim. Precisamos que você se passe por
namorada de Vinnie.

O que?!! Eu terei que ser a namorada de Vinnie por uma noite?! Ai meu
Deus...

—Este não é um simples evento social. Lá dentro, vamos precisar obter


informações cruciais que só estarão acessíveis se parecerem um casal
legítimo. Terão que agir de forma natural, convincente. Conheçam os gostos
um do outro, histórias e pequenos detalhes. A atenção aos detalhes é
fundamental. O leilão acontecerá em um salão de gala no Hotel Grand
Marquis. A segurança será rigorosa, então não deixem nenhuma brecha
para desconfiança. Haverá pessoas observando cada movimento. Vocês dois
precisam ser impecáveis. Estaremos monitorando tudo de fora, mas a ação é
com vocês.

—Afinal, o que vocês tanto querem de lá de dentro? -pergunto

—São coisas de negócios, mas não se preocupe, não terá de se preocupar


com nada -Nick diz

—Esse evento acontece somente uma vez ao ano, então, não pode haver
problemas! -Kio completa

—E quando vai ser?

—Amanhã à noite.

—Vocês me falam isso só agora?! Eu nem tenho roupa para esse tipo de
evento -ri sem graça
—Amanhã o Vinnie vai ir com você no shopping para fazer compras -
Reggie fala

Vinnie o encara como se não soubesse dessa parte, acho que foi pego de
surpresa

—Tá legal... -Ainda estou meio surpresa, Vinnie tem tantas meninas aos
seus pés, por que não pegou uma delas para ser seu par?

No meio de várias ele me escolheu, por que eu?!

[...]

No dia seguinte

Ainda não estava conseguindo processar esse plano

São 14 horas da tarde, estou esperando Vinnie vir me buscar para a gente ir
fazer as compras para hoje à noite

Estou com uma saia branca e um body rosa clarinho por baixo

Assim que chegamos no shopping, Vinnie me leva em uma loja muito


conhecida por ter roupas muito luxuosas

—O que acha desse aqui? -Mostro um vestido rosa para Vinnie

—Não achei tão bonito não, olha esse aqui! -Vinnie pega um vestido
longo de cor prata, coberto de brilhos e algumas pedrinhas brilhantes

Faço uma careta, esse vestido é lindo, mas não acho que vá me favorecer

Ficamos um bom tempo escolhendo a roupa, Vinnie suspirava impaciente já

—Prova esses três! -Vinnie se senta no puff que fica do lado de fora do
provador me esperando

Pego o vestido vermelho do cabide, avaliando os detalhes antes de vesti-lo.


O tecido era suave ao toque, com um brilho sutil que destacava sua cor
vibrante. O comprimento era perfeito, terminando um pouco acima dos
joelhos, equilibrando elegância e modernidade.

As alças finas, feitas de delicadas correntes douradas, davam um toque de


sofisticação, brilhando suavemente sob a luz. Na parte de trás, um laço feito
do mesmo tecido vermelho marcava a cintura, adicionando um detalhe
elegante sem exageros.

Visto o vestido e me olho no espelho, mas, apesar da beleza do vestido, algo


não parecia certo. Talvez fosse o contraste das correntes douradas contra
minha pele, ou a maneira como o laço não se ajustava perfeitamente em
minhas costas. Apesar de sua indiscutível elegância, eu sabia que esse não
era o vestido que me faria se sentir especial naquela noite.

—Não sei se gosto muito desse -Abro a cortina do provador

—Por que não?

—Sei lá, a cor não me favorece, ele é meio estranho no corpo.

—Prova aquele verde então -O loiro aponta para o vestido pendurado no


cabide do provador

Pego o próximo vestido do cabide, um deslumbrante modelo verde que


imediatamente chamou a minha atenção. O tecido era de um verde
esmeralda profundo, com um leve brilho que o tornava ainda mais
encantador. O vestido tinha um corte reto e elegante, caindo suavemente até
o meio das coxas, conferindo um ar de sofisticação e frescor.

As alças do vestido eram finas, feitas do mesmo tecido, e cruzavam


delicadamente nas costas, formando um desenho intricado e elegante. Na
frente, um decote em V destacava meu colo de forma sutil, sem ser
excessivo.

Na cintura, uma faixa do mesmo tecido verde estava delicadamente


amarrada, criando uma leve franzida que acentuava sua silhueta. O vestido
se movia com leveza, dançando ao redor de minhas pernas a cada passo que
dava.
Me olho no espelho, admirando como a cor verde realçava seus olhos e a
fazia me sentir confiante. No entanto, apesar de toda a beleza e elegância do
vestido, eu sabia que ainda não era o vestido perfeito para aquela noite.
Faltava algo, um toque especial que a fizesse sentir verdadeiramente única

Mostro para Vinnie como ficou o vestido sob meu corpo, mas decido provar
o terceiro vestido

Pego o terceiro vestido do cabide, um deslumbrante modelo preto que


imediatamente me fez sorrir. O tecido era de um preto profundo, com um
brilho sutil que exalava sofisticação e elegância. O vestido era longo,
caindo graciosamente até o chão, com uma fenda ousada na lateral direita
que deixava minha coxa exposta de forma sensual e refinada.

O modelo tomara que caia tinha um decote em V que destacava meus seios
de maneira elegante, sem ser excessivo. O corte preciso e o caimento
perfeito faziam o vestido se moldar ao meu corpo, realçando minha silhueta
de forma impecável.

Ao me olhar no espelho, sinto uma onda de confiança e satisfação. A cada


movimento, o vestido parecia dançar ao seu redor, fluindo com graça e
destacando sua presença. Era exatamente o que eu procurava: um vestido
que me fizesse se sentir poderosa, elegante e pronta para qualquer desafio.

Eu sabia que, com aquele vestido, estaria deslumbrante no leilão. Era a


escolha perfeita, o toque especial que estava havia procurado, e finalmente
encontrado.

—Agora sim! -Digo animada abrindo a cortina do provador

Vinnie encara cada detalhe de meu corpo com cuidado e com um brilho no
olhar

O loiro percebe que está me encarando por um bom tempo e tenta disfarçar

—Se troca e vamos pagar, vai querer esse? -Ele se levanta do puff que
estava sentado há algum tempo
—Vou sim, já volto! -Entro no provador para colocar minha roupa
novamente

[...]

—Vinnie essas lojas não! -Digo rindo sem graça

—Vem logo! -Vinnie me puxa para o último andar do shopping, onde ficava
as lojas mais caras, como a Prada Milano, Louis Vuitton, Gucci, Dior,
Valentino, Balenciaga... entre outras

Hacker nos direciona para a loja da Prada, onde passamos um bom tempo
comprando

Vinnie insistiu em pegar uma bolsa para mim

Mais especificamente, uma Bolsa mini em cetim com cristais, de R$13.500

Eu amei a bolsa!! Mas me sinto um pouco mal quando alguém gasta muito
dinheiro comigo, não querendo ser ingrata, mas sei lá...

Vinnie insistiu tanto que não teria como recusar

[...]

Eu já estou pronta!

Fiz alguns cachos no meu cabelo com o Babyliss, coloco o belo vestido
preto que Vinnie comprou, estou usando um salto alto branco com alguns
brilhos em volta do mesmo

Não fiz tanta maquiagem, passei apenas um rímel para realçar meu olhar,
um blush não muito forte e passo um gloss sabor morango que deixava
minha boca vermelhinha

Passo o meu perfume Gaultier Divine Jean Paul no meu pescoço, atrás da
orelha, nos pulsos e entre meus seios e barriga
Apesar desse perfume fixar muito bem, eu prefiro passar mais para garantir
seu maravilhoso cheiro em meu corpo

Vinnie havia me mandado mensagem dizendo que já estava na frente de


casa me esperando

—Uau... karalho Alles! -Vinnie ri sem graça e tenta disfarçar a


vermelhidão de seu rosto ao me ver

—Você também está lindo Vinnie Hacker! -Jogo uma piscadela para o
loiro e entro no carro

Vinnie está com um elegante terno preto, um Rolex dourado com detalhes
em verde esmeralda

Hacker entra em seu carro e pega uma caixinhas

—Vira! -O loiro ordena

—Oque?

—Fica de costas Yasmim! -Ele suspira

Sem entender nada, faço o que ele pediu

Vinnie coloca meu cabelo para o lado e coloca um lindo colar em mim

O colar era um exemplo de luxo refinado. Feito de ouro branco, o metal


precioso brilhava com uma elegância sutil e sofisticada. No centro, um
delicado pingente em formato de gota, cravejado com pequenos e
deslumbrantes diamantes, capturava a luz de maneira encantadora, criando
um espetáculo de brilhos e reflexos. A peça, assinada por uma das marcas
mais luxuosas do mundo, exalava uma aura de exclusividade e opulência,
tornando-se um tesouro desejado por qualquer amante de joias.

—Antes que você comece a falar que não precisava de tudo isso, vamos
logo, se não a gente vai se atrasar! -Vinnie dá partida no carro
Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!
Capítulo 24
Conforme nos aproximávamos do Hotel Grand Marquis onde aconteceria o
grande evento do ano, havia vários seguranças fortemente armados zelando
a segurança do leilão

O Hotel Grand Marquis era um espetáculo à parte naquela noite. A fachada


imponente do prédio, com sua arquitetura clássica e opulenta, reluzia sob a
iluminação estratégica que destacava cada detalhe das colunas de mármore
e das grandes janelas arqueadas. O letreiro dourado, elegantemente
iluminado, brilhava como uma joia contra o céu noturno.

Ao redor do hotel, uma fila de carros de luxo se estendia, com motoristas


uniformizados abrindo as portas para seus ilustres passageiros. As árvores
cuidadosamente podadas ao longo da entrada principal estavam decoradas
com luzes brancas que cintilavam suavemente, adicionando um toque de
magia ao ambiente.

A segurança era visivelmente pesada. Policiais e seguranças fortemente


armados estavam posicionados estrategicamente ao longo da entrada,
observando cada movimento com olhos atentos. Câmeras de vigilância
estavam instaladas em cada canto, garantindo que nenhum ponto ficasse
fora de alcance. Cães de guarda, imponentes e disciplinados,
acompanhavam seus tratadores, prontos para qualquer eventualidade.

Os convidados, vestidos em trajes de gala, desfilavam pelo tapete vermelho


que levava até a grande porta de entrada, onde eram recebidos por
atendentes impecavelmente vestidos. O burburinho das conversas e o brilho
das joias competiam com o som dos flashes das câmeras dos fotógrafos,
capturando cada momento do evento mais esperado do ano.

Antes de descer do carro, Vinnie me entrega um lindo anel prata com uma
pedrinha em cima, provavelmente para se parecer uma aliança
Assim que descemos do carro, Vinnie me puxa pela cintura para que eu
ficasse mais próxima dele

—Somos um casal amor, temos que agir como um -Vinnie sussurra


sarcástico em meu ouvido

Indo em direção à porta, diversos paparazzis estão tirando foto e pedindo


entrevistas aos convidados que entram ao evento

—Olá, boa noite! Nome na lista?! -A moça que estava na porta ao lado de
um segurança estava com uma lista de nomes

—Vincent e Yasmim Hacker -Vinnie diz simples enquanto segura minha


cintura

—Prontinho! -A moça entrega duas plaquinhas para fazer as apostas


durante o leilão- Inclusive, vocês são o casal mais lindo da noite! Divirtam-
se senhor e senhora Hacker! -A moça sorri

Fico encantada com tamanha luxúria desse hotel

O leilão anual no Hotel Grand Marquis é um espetáculo de opulência e


sofisticação, realizado na suntuosa Grande Sala de Leilões, um salão de
gala com tetos altos e decorados com afrescos renascentistas que retratam
cenas míticas e históricas. O evento ocorre durante a noite, quando o hotel é
iluminado por uma combinação de lustres de cristal pendentes e uma
iluminação indireta suave, criando um ambiente de luxo acolhedor e
sedutor.

Ao entrar no Grand Marquis, os convidados são recebidos por uma


escadaria de mármore branco com corrimões de ouro polido. Tapetes
vermelhos com bordas douradas guiam os passos dos magnatas, milionários
e mafiosos que chegam em seus trajes impecavelmente elegantes. As
paredes são adornadas com obras de arte originais de artistas renomados,
refletindo o gosto refinado e a extravagância dos frequentadores.

A Grande Sala de Leilões é o coração pulsante do evento. O salão é


revestido com painéis de madeira escura e rica, e os detalhes em ouro
reluzem sob a luz dos lustres cintilantes. No centro, um palco elevado é
coberto por um tapete de veludo vermelho, onde os itens de leilão são
exibidos com destaque. As peças a serem leiloadas são de uma raridade e
valor incomparáveis, variando desde joias antigas e obras de arte raras até
carros clássicos e imóveis luxuosos.

As mesas dos convidados estão dispostas em forma de semicírculo ao redor


do palco, cada uma coberta com toalhas de linho branco impecáveis e
adornadas com arranjos florais extravagantes. Louças de porcelana fina,
talheres de prata e taças de cristal compõem a mise-en-place, indicando a
atenção aos mínimos detalhes. Garçons em uniformes impecáveis circulam
discretamente, oferecendo champanhe das melhores safras e canapés
gourmet.

A segurança é onipresente, mas discreta. Policiais e seguranças fortemente


armados patrulham as áreas externas, enquanto câmeras de vigilância
escondidas em detalhes arquitetônicos monitoram cada movimento. Cães de
guarda altamente treinados estão posicionados estrategicamente para
garantir a segurança do evento. Apenas os convidados com convites
especiais e verificados têm acesso ao leilão, garantindo a exclusividade e a
privacidade desejadas.

O ambiente é permeado por um ar de mistério e poder, com conversas em


tons baixos e olhares furtivos trocados entre os presentes. O leilão é
conduzido por um leiloeiro experiente e carismático, cuja voz ressoa pelo
salão, aumentando a tensão e a expectativa a cada lance.

O Hotel Grand Marquis, com sua combinação de luxo exuberante e


segurança rigorosa, proporciona o cenário perfeito para este evento singular,
onde fortunas são feitas e desfeitas em uma única noite.

—Uau... -Sussurro assim que entramos no salão

—Vincent Hacker, quanto tempo! -Um homem de meia idade com


alguém fios de cabelo grisalhos cumprimenta Vinnie

—John Coller! O que esteve fazendo esse tempo todo cara?! -Vinnie dá
uns tapinhas nas costas do homem
—Abri meus negócios, se é que você me entende! -John faz umas curvas
com a mão, como se desenhasse a silhueta de uma mulher e caí na
gargalhada

Vinnie ri e pega uma bebida que o garçom trouxe

—Bonne nuit belle dame -o velho pega minha mão e a beija com malícia

—Boa noite! -Sorri fraco e puxo minha mão para que o homem soltasse
ela

—Arranjou essa aí aonde hein Hacker? -O mais Velho morde os lábios e


me analisa de cima a baixo

Eu estava ficando desconfortável com esse homem se referindo a mim


como puta ou sei lá o que se passa na mente desse tarado!

—Mais respeito com A minha mulher Coller! -Vinnie o repreende sério

—Perdão, meu caro, eu não tinha visto as alianças! -O homem ri e dá um


gole em sua bebida

Vinnie me puxa para que continuássemos andando pelo enorme salão

—Você tá bem? -Vinnie pergunta

—Sim.. estou -sorri sem graça para o loiro

Vinnie puxa minha cadeira para que eu me sentasse, logo em seguida, ele
arrasta uma cadeira para mais perto de mim e se senta

Hacker envolve seus grandes braços musculosos em tordo de meu corpo


enquanto eu me inclino um pouco e deito minha cabeça em seu peito

—Boa noite, senhoras e senhores!! -Um homem gordinho que usava terno e
era careca entra no palco segurando um microfone e uns papéis em mãos

—Eu serei o apresentador do leilão e vou acompanhá-los nessa magnífica


noite que está somente começando! -O homem diz animado
Os convidados que estavam em pé se sentam nas mesas direcionadas para
cada um deles

—Que sorte que demos hein, na mesma mesa! -John aparece sentado ao
lado de Vinnie cutucando o braço do loiro

—Pois é. -Vinnie suspira, ele aparenta estar irritado com esse homem já

—Que bela mulher que você arrumou Hacker! -John passa suas mãos em
meus cabelos

—Com licença! -Vinnie tira as mãos do homem de meus cabelos e volta a


envolver seus braços em torno de meu corpo novamente- Eh, eu dei muita
sorte mesmo! -Vinnie ri

—Então, você é de onde? Para ter essa aparência, essa cor clarinha de
cabelos, você deve ser da... -O homem para por alguns segundos pensando

—Sou da Alemanha! -Completo

—Ah, sim! Eu tenho alguns sócios de lá. Vocês tem uma cultura linda,
mulheres lindas -John ri e olha para Vinnie malicioso

—Onde fica o banheiro? -Pergunto para sair o mais rápido possível de


perto desse homem

—Acho que fica pra lá -John aponta para um local

Me levanto e saio da cadeira indo em direção ao banheiro, Vinnie veio logo


atrás de mim

—Ei, o que foi? Você tá bem?! -Vinnie segura meu braço

—Olha os comentários que esse tarado está fazendo Vincent!

—Eh, eu sei! Também não estou gostando disso. -Vinnie me olha sério e
sai em direção dos seguranças do local

Saio andando atrás de Vinnie para ver o que ele iria fazer
—Pois não senhor, como podemos lhe ajudar?! -Um segurança alto
pergunta

—Aquele homem, John Coller, está importunando Minha Mulher com


piadinhas sexuais e a deixando desconfortável. Se possível, tirem ele daqui!
-Vinnie aponta para o velho que estava sentado de costas para nós um
pouco mais pra frente de onde estávamos

—Peço mil perdoes senhora, vamos retirá-lo do leilão imediatamente! -O


segurança faz sinal para outros dois seguranças que saem em direção de
John, segurando o velho pelo braço e o arrastando para fora do leilão

—Pedimos desculpas por essa situação, vamos resolver com ele lá fora,
com licença! -Os seguranças saem de onde estavam com a gente, nos
deixando sozinhos

—Obrigada -Sussurro para Vinnie

O loiro dá um beijo em minha testa e em seguida começa a me dar diversos


selinhos e beijos pelo meu rosto, me fazendo rir

—Daqui meia hora, vamos ter que colocar o plano em prática -Vinnie
sussurra em meu ouvido enquanto me abraça por trás

Concordo com a cabeça e começo a observar com mais detalhes o quão


lindo está a estrutura do salão

O leiloeiro, um homem elegante e de voz poderosa, deu início à noite com


uma energia contagiante. Ele se posicionou no centro do palco, sob um
feixe de luz que destacava sua presença imponente. Atrás dele, uma enorme
tela começou a exibir imagens deslumbrantes.

—Senhoras e senhores, bem-vindos ao leilão mais aguardado do ano! Para


nosso primeiro lance da noite, temos uma verdadeira joia situada no
coração de Beverly Hills! -O apresentador se vira e aponta animado para o
grande telão atrás do mesmo
A imagem na tela mudou, revelando uma mansão de tirar o fôlego. O
público murmurava em admiração enquanto o leiloeiro continuava sua
descrição com entusiasmo.

—Apresento a vocês esta magnífica mansão de 10.000 metros quadrados,


localizada em um dos bairros mais prestigiados do mundo. Esta propriedade
exala luxo e sofisticação em cada detalhe. Com cinco suítes espaçosas, cada
uma decorada com acabamentos de altíssimo padrão, você terá um espaço
perfeito para relaxar e receber seus convidados com estilo.

As imagens mostravam a entrada imponente, com uma escadaria de


mármore que levava a um salão principal deslumbrante. Lustres de cristal
pendiam do teto alto, refletindo a luz de maneira espetacular.

—A sala de estar é um espetáculo à parte, com janelas panorâmicas que


oferecem uma vista deslumbrante de Los Angeles. A cozinha gourmet é um
sonho para qualquer chef, equipada com eletrodomésticos de última
geração e um design que combina funcionalidade e elegância.

O público estava vidrado na tela, hipnotizado pelas imagens que mostravam


cada detalhe da propriedade.

—Os exteriores são igualmente impressionantes, com jardins paisagísticos,


uma piscina infinita e um espaço para entretenimento ao ar livre que fará
qualquer evento memorável. E para os amantes de carros, uma garagem que
acomoda até dez veículos, com sistema de segurança de última geração.

A tela mostrou uma vista aérea da propriedade, destacando sua localização


privilegiada e os arredores exuberantes.

—Senhoras e senhores, esta é a oportunidade de possuir uma das


propriedades mais exclusivas de Beverly Hills. Vamos começar os lances
em 5 milhões de dólares!

O leiloeiro fez uma pausa, observando o público com um sorriso confiante,


enquanto as mãos ansiosas dos licitantes começavam a se levantar. A noite
estava apenas começando, mas a competição já era feroz.
—7 Milhões! -Um homem à nossa frente levanta sua plaquinha

—8 Milhões! -O homem ao seu lado levanta sua placa

—Oito milhões, quem dá mais?!

—10 Milhões! -Uma mulher de curtos cabelos castanhos ergue sua


plaquinha

—15 Milhões! -O homem que deu a primeira oferta de 7 Milhões enfrenta


a mulher

—20 Milhões!! -A mulher grita

—Vinte Milhões! Dole uma, dole duas... Vendido para a mulher de


número 14!! -O leiloeiro comemora

Todos aplaudem e comemoram

—Meu Deus, uma casa vendida por vinte milhões -ri abismada

—Aqui é assim, eles apostam Milhões como se fosse fichinha! -Vinnie ri

O leiloeiro, animado pelo sucesso do primeiro item, bateu o martelo com


firmeza e sorriu para a plateia.

—Parabéns à vencedora do primeiro lance! Agora, preparem-se para algo


ainda mais extraordinário. Para o nosso segundo lance da noite,
apresentamos uma peça verdadeiramente única, um símbolo de opulência e
exclusividade."

A tela atrás dele mudou novamente, revelando imagens de uma joia


espetacular.

—Senhoras e senhores, é com grande prazer que apresento este colar de


diamantes raro e exclusivo, conhecido como 'O Coração da Eternidade'.

A imagem do colar, pendurado em um busto de veludo preto, fez o público


prender a respiração.
—Este colar é uma obra-prima da alta joalheria, com um diamante central
de 50 quilates, impecavelmente lapidado em forma de coração. O diamante
central é um azul vívido, uma das cores mais raras e desejadas no mundo
das gemas preciosas.

A câmera fez um close no diamante, que brilhava intensamente sob a luz.

—Mas isso não é tudo. O colar é adornado com mais de 100 diamantes
brancos de corte perfeito, totalizando 200 quilates adicionais, incrustados
em um design que combina a elegância clássica com a inovação moderna.
A montagem é feita em platina pura, garantindo durabilidade e um brilho
incomparável.

As imagens mostravam o colar em diferentes ângulos, revelando cada


faceta e detalhe deslumbrante.

—Esta peça foi criada pelos mestres artesãos da Maison Cartier,


conhecida por suas criações que transcendem o tempo e a moda. É uma
peça que não apenas complementa qualquer roupa, mas também conta uma
história de exclusividade e sofisticação.

A tela mostrou uma modelo usando o colar em um evento de gala,


destacando como ele iluminava todo o ambiente ao seu redor.

—Senhoras e senhores, este é mais do que um colar. É uma declaração de


elegância, um legado que pode ser passado de geração em geração. Vamos
começar os lances em 1 milhão de dólares!

O leiloeiro olhou para o público com expectativa, pronto para ver quem
seria o próximo a se levantar e disputar por essa joia única.

—1.5 Milhões!

—3 Milhões!

—5 Milhões!

—A disputa está acirrada! Quem dá mais?!


—7 Milhões!

Os lances só aumentam

—Já está na hora. -Vinnie sussurra

Sento meu coração acelerar, eu não sabia ao certo o que era de tão especial
que Vinnie e os outros queriam

Vinnie sai andando em direção ao lado de fora do salão

—Licença, o homem que meu marido denunciou a vocês, ele se retirou do


leilão? -Me direciono à porta de recepção novamente para distrair os
seguranças

—Sim! Nós o retiramos do hotel, os paparazzi acabaram escutando a nossa


conversa com ele e talvez isso sairá na mídia, mas não se preocupe, não
citamos o nome da senhora ou de seu marido! -O mesmo segurança que
Vinnie denunciou John me responde

—Ah, sim. Obrigada! Vocês não sabem o quão este homem estava me
importunando!

—Me desculpe a intromissão, mas quando eu estava procurando o nome


dele na lista quando ele foi entrar no evento, ele ficou tocando piadinhas
para mim também! -A recepcionista que elogiou eu e Vinnie como o casal
mais lindo da noite, se pronuncia

—Não adianta nada ter o bolso cheio de dinheiro mas não ter caráter! -Um
outro segurança fala

—Isso mesmo! -A recepcionista concorda

—Com licença senhorita, onde está seu marido?

Meu coração erra uma batida assim que o segurança percebe a falta de
Vinnie, afinal, ninguém anda desacompanhado dentro ou fora do salão
—Eu acabei deixando um anel cair dentro do carro e me dei conta só agora,
ele foi tentar achar para mim! Tem algum problema? Caso o contrario, eu
posso chamá-lo novamente -Sorri tentando disfarçar

—É tão ruim quando isso acontece né?! Eu mesma, esses dias, perdi um
anel dentro de casa, você acredita? Mas o meu era bijuteria pelo menos,
olhando para você, o seu anel deve ter custado uma nota preta, então é bom
seu marido achar mesmo -A recepcionista puxa assunto rindo

—Pois é! Eu ganhei de aniversário de casamento há pouco tempo, Deus me


livre perder este anel! -brinquei

—Como este anel deve ser muito importante para a senhora, caso seu
marido não ache, eu posso dar uma olhada e tentar achar para a senhora.
Mas não posso deixá-lo ficar muito tempo fora do salão, são as regras!

—Sem problemas! Ele não vai demorar!

—Posso dar no máximo dez minutos para ele, caso o contrário, terei de
buscar seu marido e trazê-lo para cá! Nenhum convidado tem a permissão
de ficar entrando e saindo do leilão. -O segurança diz sério

É muito compreensível essa regra, afinal, tem peças, joias, carros, casas
sendo leiloadas por milhões! Pessoas poderosas estão aqui presentes, a
segurança está em outro patamar, uma fala errada e já era!

[...]

Vinnie não chegava nunca, já estava quase completando os dez minutos que
o segurança nos deu

—Senhora, eu terei de ver o que aconteceu com seu marid- o segurança é


interrompido por Vinnie aparecendo atrás de mim

—desculpem a demora, eu consegui achar seu anel meu amor! Ele estava
embaixo do banco -Vinnie ri e coloca o anel em meu dedo novamente

—Ai que bom! Eu já estava preocupada, Deus me livre perder este anel tão
precioso para nós! -Sorri e dou um beijo em Vinnie
Os seguranças fecham as portas do salão, agora, ninguém entrava ou saia do
leilão antes que ele terminasse

Eu e Vinnie nos sentamos à nossa mesa novamente

—Conseguiu? -Sussurro

—Lógico! -Vinnie sussurra e ri enquanto me abraça

—Ai que bom meu amor! -Digo sarcástica

—Você quer alguma coisa minha princesa? -Vinnie responde sarcástico

—Eu estou com sede, pode pegar alguma bebida pra mim meu marido?? -
Digo sarcástica novamente

Nós dois ficamos nos dirigindo um ao outro com apelidos sarcásticos do


tipo "minha mulher", "meu", "minha", "amor", "vida" como casais

Quem visse de longe, realmente acreditava que nós éramos um casal

Vinnie me beijava, me agarrava e demonstrava carinho de uma maneira que


eu nunca tinha visto antes

Até que eu gosto desse Vinnie, o "meu namorado" dessa noite

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 25
—Senhoras e senhores, tenho o imenso prazer de apresentar o próximo
item, uma verdadeira joia que exemplifica o ápice do luxo e da elegância.
Diante de vocês está um deslumbrante par de brincos de diamante,
incrustados em ouro branco de 18 quilates.

—Observem a perfeição dos diamantes, cuidadosamente selecionados e


lapidados com a precisão de mestres artesãos, cada um com um corte
brilhante que maximiza o brilho e a refração da luz, criando um espetáculo
de cintilação em qualquer ambiente.

—O ouro branco que envolve essas pedras preciosas foi meticulosamente


moldado para realçar ainda mais a magnificência dos diamantes, resultando
em uma peça que é tanto um tesouro quanto uma obra de arte. Notem os
delicados detalhes do design, que combinam o clássico e o contemporâneo,
tornando esses brincos uma escolha intemporal para qualquer colecionador
exigente.

—Além de sua beleza inegável, esses brincos possuem uma história rica,
sendo produzidos por uma das mais prestigiadas joalherias do mundo,
reconhecida por seu compromisso inabalável com a excelência e a
exclusividade.

—Agora, abro o lance inicial para este magnífico par de brincos em 100 mil
dólares. Quem será o primeiro a fazer uma oferta e dar início a esta disputa
por uma das mais esplêndidas joias que já passaram por nossas mãos?

—110 mil!

—110,5 mil!

—116!!

A disputa estava acirrada, a cada segundo alguém levantava sua plaquinha e


aumentava ainda mais a aposta
—Ai meu Deus!! Que par de brincos lindos! -Digo encantada enquanto
encarava os brincos dentro de uma caixinha preta aberta em cima de uma
mesinha no palco

—Gostou? -Vinnie pergunta

—Muito! Olha aquela perfeição Vinnie! -Aponto para os brincos

—Perfeição sou eu amor -Vinnie se gaba

Faço careta para ele, o mesmo começa a rir

—170mil!!

—180!

—210 mill!

—Eu ouvi 300 mil?? -O leiloeiro diz animado com os lances

—350!

—355 mil!!

—390!!

—Vamos começar a brincar! -Um cara de chapéu na mesa ao lado fala-


450 mill!!

—Eu dou Meio Milhão!! —Um cara da ponta do salão grita

—1 Milhão!! -Vinnie levanta sua plaquinha

—1 Milhão?! -O leiloeiro fica surpreendido- Vendido por 1 Milhão ao


jovem de número 05!! -Todos aplaudem

—Um milhão?!! -Olho com os olhos arregalados para Vinnie

O loiro começa a rir


Assim que ele termina de pagar, Vinnie me estende a caixinha com os
brincos

—Pra você combinar com o colar! -Ele me joga uma piscadela

—Eu não posso aceitar Vinnie, isso custou um milhão!! Eu tenho certeza
que eu vou perdê-los -ri sem graça

Vinnie me olha sério, como se fosse uma ordem para eu colocá-los

—Vielen Dank! -ri enquanto tirava os brincos que eu usava

—Oque?? Eu não sei falar alemão Alles -ele ri- traduz aí!

—Estou ocupada agora amor, usa o tradutor gatinho -Jogo um beijinho


para ele

Vinnie mostra a língua para mim e cruza os braços

Assim que termino de colocar meus preciosos brincos, puxo a câmera de


meu celular para usar de espelho

—Ficaram tão lindos!! -Digo alegre

—Concordo -Vinnie beija meu ombro e apoia seu queixo no mesmo, me


encarando pela tela de meu celular enquanto eu me auto elogiava

—Vinnie -Chamo sua atenção

—Hum?

—Eu sei que não é o momento de perguntar essas coisas, mas, se não
fosse pelo nosso "namoro" falso de hoje, você não gastaria tudo isso
comigo caso fosse em um dia comum, certo...? -Sussurro meio desanimada,
eu já sabia a resposta

Ele não me respondeu


Suspiro desapontada, eu sabia que esse nosso momento de casal só duraria
essa noite, ou melhor, algumas horas. Após isso, ele iria voltar a me ignorar
completamente e fingir que nada aconteceu, como de costume!

—Hacker! Como é bom vê-lo por aqui! -Um homem acompanhado de


uma mulher chegam em nossa mesa

—Carlos! Que surpresa! -Vinnie o cumprimenta

—Vejo que está comprometido, boa noite senhora Hacker! -O homem me


cumprimenta

—Olá, boa noite! -Cumprimento ele

Estendo a mão para cumprimentar sua mulher, mas ela me ignora virando a
cara

Parecia estar brava

—Perdoe a Joana, minha esposa está irritada pois acabou perdendo o


lance dos brincos! -Carlos diz rindo e aponta para meus brincos novos

—Tive que dar um agrado a Minha Mulher, sabe como é né?! -Vinnie me
da um selinho

—E que agrado viu... -Joana sussurra irritada

—Vejo que tiraram a sorte grande! São um belo casal! -o homem elogia

—Muito obrigada! -Digo

—Fazia tanto tempo que eu não te via Hacker, a última vez foi... deixe-me
lembrar... ah! Claro! Como podia me esquecer? Foi no meu casamento!
Você estava acompanhado da Patríc... -O homem para de falar e me encara-
Me desculpa! Não foi minha intenção! -O homem se desculpa parecendo
estar arrependido do que ia dizer

Vinnie coça a garganta e o encara sério


—Perdão? O que você ia dizer mesmo? -Pergunto

—o MEU marido ia dizer Patrícia! A ex do Vinnie! -Joana grita

Vinnie tem Ex?? Ele já teve uma namorada antes..? Essa não...

—Patrícia?? ah, eu não sabia -sorri fraco tentando disfarçar

—Aham sei, a Paty é a minha amiga, eu preferia o Vinnie com ela do que
com você! -ela me encara dos pés a cabeça

—Joana! Por favor! -Carlos a repreende

—Eu só falei a verdade amor, vai dizer que não concorda? Vinnie
combina mais com a Paty do que com essa Alemoazinha aguada!

—Você está assim só por que não conseguiu os brincos? Santo Deus! -
Suspiro

—Não é só por isso fofinha! Esses brincos eram para serem MEUS!
Vinnie devia estar com a minha amiga, e não com você!

Alguns seguranças percebem que Joana está gritando e chamando atenção


de outros convidados, logo, começam a vir em nossa direção

—Esta tudo bem por aqui? -Um segurança pergunta

—Está sim meu jovem, minha esposa está só conversando um pouquinho


alto demais -Carlos ri tentando disfarçar

—Por favor senhora, fale mais baixo! Você está tirando a atenção dos
convidados! -O segurança repreende ela

A mesma revia os olhos e cruza os braços

Os seguranças se retiram, voltando a suas posições

—Peço desculpas em nome de minha mulher, eu não sei o que deu nela
pra falar essas barbaridades pra senhorita! -Carlos se desculpa
—Não tem problema! -minto

—Vamos logo Carlos! Agora você vai ter que me pagar outra joia mais
bonita e cara que essa! -Joana diz puxando Carlos para sua mesa gritando

Eu e Vinnie nos sentamos quietos em nossa mesa, eu tinha tantas perguntas


para fazer mas sabia que ele não iria me responder

[...]

Já eram uma e meia da manhã, peças luxuosas foram vendidas por milhões,
preços absurdos! Vinnie comprou mais algumas coisas, mas com certeza
esse leilão faturou muitos Bilhões essa noite

Eu e Hacker não nos falamos direito depois do que Joana disse, trocamos
algumas palavras apenas para que ninguém desconfiasse

—Com licença, os senhores estão servidos? -Um garçom pergunta

—Pode me trazer um Whisky? É para ela... o que você quer amor? -


Vinnie pergunta

—Uma água, por favor.

—Claro! Eu já venho com os pedidos de vocês! -O garçom se retira

—Você não bebe Alles? -Vinnie pergunta surpreso

—Não. -Disse seria

—Está com ciúmes meu amor? -o loiro pergunta rindo sarcasticamente

Viro a cara prestando atenção no palco, eu não iria admitir que estava com
ciúmes!

—Aqui está! Aproveitem a noite, casal! -O garçom deixa as bebidas na


mesa e se retira
—Já que somos um casal, devíamos fazer coisas de casal, certo? -Vinnie
fala malicioso, colocando a mão em minha coxa e a apertando

Não o respondo, me inclino para pegar minha água

Sinto o olhar de Vinnie em minha bunda

—Para com isso -Digo e dou um gole em minha bebida

—Isso o que?

—Ficar encarando minha bunda, seu tarado! -ri

—Estou apenas cuidando do que é meu -Vinnie se gaba

—Quem disse? -O encaro

—Eu! -Ele me encara de volta

—Vai sonhando meu amorzinho -Dou um selinho nele como forma de


sarcasmo

—Vamos ver isso hoje à noite então. -Vinnie fala malicioso

—Vamos ver! -Digo o enfrentando

[...]

—Senhoras e senhores, tenho a triste notícia de anunciar que o leilão está


acabando, esse será o último lance da noite!

Os convidados aplaudem desanimados

O salão do Hotel Grand Marquis estava em silêncio absoluto, a tensão no ar


era palpável. O leiloeiro, um homem de meia-idade com voz firme e
postura impecável, subiu ao palco iluminado. Ele ajeitou o microfone,
deixando a expectativa crescer.
—Chegamos ao momento mais aguardado desta noite extraordinária. É com
grande honra que apresento o último item deste leilão, uma verdadeira joia
da coroa imobiliária.

Uma imagem deslumbrante apareceu nas telas gigantes ao redor do salão,


arrancando suspiros da plateia.

—Situada em um terreno exclusivo em Los Angeles, esta magnífica


propriedade redefine o conceito de luxo e sofisticação. Com mais de 20.000
metros quadrados de terreno, esta residência oferece uma privacidade
inigualável, sendo vizinha apenas das mansões mais prestigiosas da cidade.

Ele fez uma pausa, permitindo que a imagem cativasse os espectadores. A


mansão, de arquitetura moderna, exibia linhas elegantes e materiais nobres.

—Esta obra-prima arquitetônica possui 12 quartos, cada um com banheiro


privativo, e um total de 15 banheiros. A suíte principal é um verdadeiro
santuário, com vistas panorâmicas de Los Angeles, um closet digno de um
desfile de moda e um banheiro de mármore que rivaliza com os melhores
spas do mundo.

O leiloeiro começou a caminhar pelo palco, seus olhos brilhando de


entusiasmo.

—A área de entretenimento é um espetáculo à parte, incluindo uma sala de


cinema com 20 lugares, uma adega climatizada para 1.000 garrafas, uma
sala de jogos, e um bar privativo. A área externa não deixa nada a desejar,
com uma piscina de borda infinita, um campo de golfe privado, quadras de
tênis e basquete, e uma área gourmet perfeita para recepções ao ar livre.

Ele fez uma pausa dramática, seu sorriso se alargando.

—Este refúgio extraordinário não é apenas uma casa; é um estilo de vida. O


valor inicial do lance para esta maravilha é de 10 milhões de dólares.

Um murmúrio de excitação percorreu o salão, enquanto os potenciais


compradores se preparavam para o intenso embate de lances.
—Senhoras e senhores, quem terá a honra de dar o primeiro lance por esta
incomparável residência?

A atmosfera era eletrizante, e os olhos de todos estavam fixos no palco,


aguardando o início da disputa por essa magnífica propriedade.

Um braço se ergueu imediatamente no fundo da sala.

—Dez milhões!

—Dez milhões oferecidos, temos dez milhões. Quem dá quinze?

Uma mão levantada perto do palco

—Quinze milhões!

—Ouvimos quinze milhões, quem dá vinte?

Outro braço ergueu-se com confiança.

—Vinte milhões!

O leiloeiro sorriu, a disputa estava aquecendo.

—Vinte milhões, temos vinte milhões. Quem oferece trinta?

—Trinta milhões! -Veio o grito de uma mulher elegantemente vestida.

—Temos trinta milhões, quem dá cinquenta?

A tensão aumentava. Um homem de meia-idade ergueu a mão.

—Cinquenta milhões!

—Cinquenta milhões, temos cinquenta milhões. Quem dá setenta e cinco?

—Setenta e cinco milhões! -Um jovem empresário, com um sorriso


confiante, fez o lance.
—Setenta e cinco milhões, setenta e cinco milhões, quem dá cem?

—100 milhões! -A voz veio de um magnata conhecido no mundo dos


negócios, fazendo a sala murmurar.

—Temos cem milhões, senhoras e senhores, quem dá cento e cinquenta?

—Cento e cinquenta milhões! -Gritou outro participante, elevando ainda


mais a disputa.

O leiloeiro estava radiante.

—Cento e cinquenta milhões, quem oferece duzentos?

—Duzentos milhões! -O jovem empresário voltou a fazer um lance,


determinado.

—Duzentos milhões, temos duzentos milhões. Quem dá duzentos e


cinquenta?!

A sala estava em silêncio, a tensão era palpável. Então, uma voz firme e
decisiva ecoou pelo salão.

—Trezentos milhões!

Era Vinnie. O leiloeiro, visivelmente impressionado, repetiu o lance.


—Trezentos milhões! Trezentos milhões oferecidos, senhoras e senhores.
Algum outro lance?"

O silêncio reinou no salão. O leiloeiro levantou o martelo, olhando ao redor,


dando uma última chance.

—Trezentos milhões, pela primeira vez... pela segunda vez... e vendido


por trezentos milhões de dólares ao jovem de número 05!!!

A sala explodiu em aplausos e murmúrios, todos surpresos e


impressionados com o lance avassalador de Vinnie.

Eu fico em estado de choque total!


Como assim Vinnie comprou uma casa por 300 Milhões de dólares?!!

Um homem chega com uma bandeja, em cima dela havia umas folhas de
cheques e uma maquininha de cartão

Vinnie passa seu cartão e se senta novamente

—Como assim Hacker?! -Olho para ele indignada

—Eu já estava de olho nessa casa há tempos -Vinnie ri

—Está noite acaba por aqui, infelizmente! Tenho a imensa honra de


dividir esse mesmo local com todos vocês. De todas as edições que este
leilão já teve, eu posso afirmar que esta noite vai entrar pra história! -O
leiloeiro diz super animado, todos se levantam e começam a aplaudir de pé,
tendo gritos de felicidade e assobios- Vejo vocês no ano que vem, foi uma
honra ser o apresentador desta noite maravilhosa!! -O leiloeiro se retira do
palco aplaudindo junto com os convidados

—Vamos? -Vinne pergunta se aproximando de mim

—Vamos! -O abraço

Vinnie segura meu queixo e cela nossos lábios

O loiro começa a intensificar o beijo, descendo sua mão até minha bunda e
a apertando, me fazendo soltar um gemido

—Você está com gosto forte, deve ser essa bebida que você tomou! -
reclamo fazendo careta

Vinnie ri e nos direcionamos para o estacionamento

O celular de Vinnie começa a tocar assim que entramos no carro

—Eai? Conseguiu cara? -Era a voz de Kio

—Sim, eu peguei! à tarde eu levo aí no casarão pra gente analisar melhor


e bolar o plano! -Vinnie desliga o telefone
Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

O que acharam da Joana e da Patrícia?!


Capítulo 26
O loiro me leva para casa

—Eu estou exausta! -Digo me sentando em meu sofá

—Nem me fale -Hacker se senta ao meu lado

Começo a tirar meu salto alto, eles estavam me matando

—Obrigada -Digo estendendo o colar e o anel que Hacker me deu para se


parecer como uma aliança

—Pode ficar -Vinnie diz simples enquanto meche no celular

Deve estar falando com Kio

—Acho melhor não, eu sou desastrada Vinnie, sem contar que eu não tenho
onde guardar essas joias -ri sem graça

—Fica. -O loiro diz autoritário

Ele tira o casaco de seu terno, ficando com a blusa branca desabotoada na
parte de seu peito e as mangas levantadas

—Caramba, são quase duas da manhã! -Olho em meu celular

—A noite ainda não acabou amor -Vinnie me olha malicioso

—Você não tem casa não Vincent? -Tento mudar de assunto

—Vou dormir aqui hoje gata -Hacker se deita em meu sofá

—No sofá?? Putz... eu ia te convidar pra dormir lá em cima comigo, mas


como você já está tão bem acomodado... quem sou eu pra tirar seu sono,
né? -Digo sarcástica enquanto me levanto do sofá e vou em direção da
escada

Ouço a risada de Hacker

Sinto meu braço ser puxado, quando me viro, Vinnie cela nossos lábios
novamente

Ele me prensa contra a parede enquanto segue me beijando

—Vinnie.. eu.. eu nunca fiz isso -Digo parando o beijo

—Eu não vou fazer nada que você não queira minha princesa -Vinnie diz
calmo

Tá, confesso que isso me trouxe mais confiança, mas ainda sim eu continuo
com medo e vergonha...

Vinnie começa a me dar vários selinhos, me fazendo rir

—Se eu pedir pra você parar, você para...? -Digo insegura e provavelmente
corada

—Sim! -Ele me olha sorrindo

Olho desconfiada para ele

—Eu prometo. -Vinnie me dá outro selinho

—Tá bom.. -digo

—Yasmim, você realmente quer?!

—Sim!

Vinnie precisava apenas de minha confirmação, logo, o mesmo me pega no


colo e sobe as escadas correndo
Assim que ele chega em meu quarto, Vinnie me deita na cama
delicadamente

O loiro veio por cima, atacando meu pescoço, coloquei a mão na boca para
abafar meus gemidos

—Assim não amor -Vinnie diz com um sorrisinho de canto de rosto


enquanto tira a minha mão que estava na boca e a prende em cima de minha
cabeça

Vinnie se levantou para tirar sua blusa

—Quero você gemendo bem alto... -O loiro passou a mão pela minha
barriga e apertou meu seio, me causando um gemido um pouco alto- assim
mesmo.. -volta a me beijar

Passei minhas mãos pelos seus cabelos loiros, arranho levemente suas
costas

Me levanto um pouco para que ele conseguisse alcançar o fecho de meu


vestido nas costas

—Posso? -Vinnie pergunta encarando meus lábios

—Pode! -Suspiro

Como eu não podia usar sutiã por causa do vestido, assim que Vinnie tira
meu vestido, meus seios já estavam expostos, me deixando apenas com
minha calcinha

Seus olhos brilharam assim que os viram, logo, Vinnie não perde tempo e
abocanha um deles, me fazendo arfar com o contato de sua língua quente

—Gostosa! -Vinnie dá um tapa em minha coxa

Estranhamente eu me excitei com o tapa

Estremeci quando suas mãos grandes passaram pelas minhas pernas, foi
então que Vinnie puxa minha calcinha de uma só vez, a rasgando
—Ei!

—Eu te compro outra amor! -O loiro sorri, dedilhando seus indicadores


pela pele sensível de minha coxa, gostando quando viu os pelinhos finos se
arrepiarem com seu contato- por favor, abra as pernas.. -Vinnie pediu
calmamente

Começo a abri-las devagar, com vergonha eu acabei fechando meus olhos


sentindo a respiração de Hacker em minha intimidade

—Olha só pra você, que perfeição porra! -Vinnie me elogia, mordendo a


parte inferior de minha coxa, me fazendo gemer

O mais alto começou a lamber meus lábios maiores, logo penetrando sua
língua

Em um ato involuntário, começo a gemer baixinho chamando seu nome

Após um tempinho, Vinnie introduz um dedo devagar, no começo a


sensação foi estranha mas logo começo a sentir prazer e a ficar gostoso

Vinnie tenta colocar um segundo dedo, mas acabo sentindo dor

Logo, Hacker começou a chupar meu clítoris e a movimentar seu dedo


freneticamente, afim de me fazer soltar um lubrificante natural para
conseguir colocar um segundo dedo dentro de mim

Ele não mechia apenas o dedo, e sim sua mão inteira. Começo a sentir uma
sensação estranha, acho que é o tal do ápice chegando, antes que eu pudesse
avisar, me derramei em sua boca

—Desculpa.. -Digo entre gemidos

O loiro continuou seus movimentos, tentei sair, porém, o mais velho segura
minha cintura com as duas mãos enquanto lambia minha intimidade

—V-vinnie... ahh, e-eu -Me contorci com a nova sensação


Apertei seus belos cabelos loiros, controlando a força, tentando descontar
meu prazer

Senti que estava proxima

—Hacker e-eu vou... hmm.. -Antes que eu terminasse de falar, meu ápice
me atingiu

—Gostosa do Karalho! -Vinnie da outro tapa em minha coxa

Até que eu estou gostando disso!

—Te ouvir gemendo não é fácil, Alles... o que acha de retribuir o favor?
Hum? -Vinnie fica a minha altura novamente e começa a beijar meu
pescoço

Assenti com a cabeça ainda nervosa, eu nunca tinha feito isso e estava com
medo de fazer errado ou acabar sei lá, me engasgando ou morder levemente

Vejo Hacker tirar sua calça e em seguida retirar sua box preta marcada pelo
seu pré gozo e também pelo seu membro, digamos que, consideravelmente
grande...

eu chuto uns 18 cm, talvez mais... aí Meu Deus onde eu fui me meter?!

Engoli seco, meu cérebro me traia com pensamentos insanos

—Vamos pequena, vai ficar só olhando? -engatinho até o loiro, que sorriu
de canto- só não raspe os dentes Alles -Ele me joga uma piscadela

Coloquei uma parte na boca sugando um pouco, fui introduzindo aos


poucos, masturbei o que não coube

Logo, Vinnie prende meus cabelos em um rabo de cavalo e começa a ditar


os movimentos, me fazendo engasgar às vezes, mas com o tempo eu fui me
acostumando, seu membro ia tão fundo, as vezes minha mandíbula doía,
senti seu pênis inchar, então comecei a passar a língua no mesmo. Chupei
com um pouco mais de força, as mãos do loiro afundaram em meus cabelos,
ele gemia baixinho, então aumentei os movimentos sentindo que ele já
estava próximo

—Alles... -Foi a última coisa que ele disse antes de atingir seu orgasmo-
engula tudo!- me forcei a engolir, o sabor amargo, porém líquido, o que não
me fez engasgar

Hacker ainda estava ofegante, me deitei na cama tentando me recuperar,


mas logo senti o corpo do loiro em cima de mim

Fiquei com um pouco de medo, afinal, Vinnie é bruto pra quase tudo! e eu
também acabei de fazer 18 anos, sem contar que eu nunca tive um
namorado, um ficante ou coisa do tipo...

Me encolhi ao ver o loiro pincelar seu membro em minha entrada

—ei -tirou o cabelo de meu rosto- eu posso não ser carinhoso, mas
também não vou te machucar. Se não quiser ir adiante, tudo bem!

— e-eu quero... -desviei meu olhar, sentindo seu calor se unir a minha
pele, fazendo revirar os olhos

—Vai doer, mas com o tempo vai passar -depositou um beijo em minha
testa, uma de suas mãos segurou meu queixo, não me deixando olhar para
outro lugar

Tenho que confessar que agora sim eu estou com mais medo ainda. Mads
me disse que na primeira vez dela, ela também ficou assim, mas, segundo
ela, foi bom

Não deve ser tão ruim, né?!

Respirei fundo, as histórias que eu ouvia das mulheres mais velhas, não
eram muito boas; me passou pela mente, que talvez, o parceiro só não
soubesse usar o que tinha entre as pernas

—tudo bem -assenti com a cabeça, segurando a mão que ainda repousava
em meu rosto
Hacker saiu da cama indo em direção de sua calça e tirando um
preservativo do bolso

Cerrei meus olhos para Vinnie

—Oque?? Eu estou sempre preparado gata

—sei... -continuei suspeitando mas não falei nada, apenas liberei espaço
para que ele pudesse se deitar novamente

—Posso começar?

Assenti, sentindo o mesmo entrar dentro de mim aos poucos

Fechei meus olhos com força sentindo seu membro entrando, a sensação de
que meu interior era rasgado, só não me tomava por completo, pela
lubrificação, era como um relaxante dentro de mim

—V-vinnie... -senti meus olhos lacrimejarem por conta da dor

—Não se mova amor -avisou segurando meu quadril com força, como se
não pudesse se controlar

Hacker se movimentava lentamente, a dor momentânea se misturava, e não


era tão ruim não viu. Sentia seus movimentos leves, porém fundos

Quando a ponta de seu talo inchado tocou até o fundo, acabei por soltar um
gemido inconsciente, o que o fez suspirar e seu abdômen definido se
contrair

então coloquei ambas as mãos em seu peito malhado, o indicando a ir para


o lado, este que depois de alguns segundos o fez, e então, fiquei por cima

Acabei por dar um gritinho no processo, já que assim o sentia mais fundo e
em todo lugar, mas quando senti seus dedos encostarem em meu ponto
sensível, acabei por não me controlar

—você gosta aqui não é?- ergueu seu tronco, ficando sentado, e suas
mãos repousando em meus quadris
—sim -falei baixo, sentindo todo meu interior quente, ele se movia
implacável, fazendo um som gratificante de nossas peles tocando uma na
outra ecoar sobre o quarto

—Olha só, se a minha princesa não está aprendendo -puxou meu cabelo
fazendo minha cabeça pender para trás

Agora com acesso livre aos meus seios, que já estavam com o bico inchado
e sensível, senti sua língua em um deles, enquanto ainda movia forte e
rápido contra mim, seus dentes roçavam contra o mamilo, ameaçando
morder quando eu diminuía a velocidade, mas por fim ficou apenas
chupando e espalhando marcas

—Vamos amor -falou mais perto do meu ouvido- eu sei que você quer

Seus olhos caíram para o encontro entre nossas intimidades, ambos moviam
com rapidez desejando encontrar o ápice o mais rápido o possível

Enquanto eu me movia, uma vez ou outra meu clitóris encostava em sua


pelvis, o que me fazia perder o controle

Abracei o corpo musculoso e duro, o sentindo fazer o mesmo, agora


deixando tudo com ele, enquanto ainda se movia contra mim, me fazendo
pular, mais algumas estocadas, senti novamente a ponta de sua glande
chegar no meu ponto doce, o que foi o fim para mim! tremi sobre seu corpo,
enquanto agora, ele apenas jogava minha bunda para cima, procurando o
próprio prazer

Depois de alguns minutos, Hacker também chegou ao seu limite, se


deitando na cama ofegante

Ainda deitada em cima do loiro, senti suas mãos irem em direção a minha
bunda, apertando de vez em quando

Vinnie retira seu membro de dentro de mim, nós dois sabíamos que se
continuasse mais segundos dentro, ficaria duro novamente, e eu já não tinha
mais energia, o leilão havia gastado demais a minha energia
—Desculpa, eu até continuaria, mas eu estou exausta por conta do leilão... -
Tento me justificar

—Oque? Você foi perfeita! -Me senti aliviada quando ele disse isso- Eu te
machuquei?

—Não, no início doeu muito, mas depois passou -digo corada, eu ainda
estava com vergonha, mas não como antes

Vinnie fica por cima de mim novamente, entre minhas pernas

Ele começa a distribuir selinhos por todo meu corpo, me fazendo rir

O loiro ataca meus lábios ferozmente e da um tapa forte em minha bunda

—Vinnie! -reclamo

—Não pude resistir princesa! -Ele ri e dá outro tapa

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

Finalmente eu postei um hot! Vocês já estavam me cobrando há tempos


hein kkkk espero que tenham gostado. Da próxima vez eu tento fazer
melhor!
Capítulo 27
Na manhã do dia seguinte

Acordo com o corpo pesado de Vinnie quase em cima de mim me


abraçando

Ele dormia com a cabeça apoiada em meus seios, como se fossem


travesseiros. Sua cara estava muito engraçada, dormindo com a boca um
pouco aberta

—Ei -balanço levemente o loiro

—Vinnie, você é pesado -digo tentando empurra-lo

Vinnie murmura alguma coisa que não deu pra entender mas continua na
mesma posição

Pego uma mecha de cabelo que estava na cara dele e a puxo, não com tanta
força, mas na tentativa de acorda-lo

Começo a ter uma crise de riso pela cara que ele fez

Sem querer, começo a rir alto demais, coloco a mão em minha boca para
tentar abafar mas é ai mesmo que eu começo a rir mais ainda

—Hm? -Vinnie ergue levemente sua cabeça ainda com os olhos fechados

—Desculpa -tento conter o riso

—Do que você tá rindo?

—Não sentiu o puxão de cabelo não?

Vinnie nega com a cabeça


—Credo Vincent, você dorme feito uma pedra! -começo a rir de novo

—Uhum.. -Vinnie murmura

Vinnie não sabe se fica acordado ou se volta a dormir

Começo a passar meus dedos por seus cabelos, ontem quando Vinnie veio
me buscar para irmos ao leilão, vi que ele cortou seu cabelo, ele cortou mais
nas laterais e um pouco em cima, ficou tão lindinho

Faço cafuné em sua cabeça, inclusive, seus cabelos são bem macios

—Se continuar a fazer isso, eu vou dormir de novo -Vinnie boceja

—Dá licença Vinnie, você é pesado -tento empurra-lo novamente

—Não, é mó confortável aqui -Hacker aconchega sua cabeça em meus


peitos que estavam cobertos pela coberta e me abraça mais forte por
debaixo das cobertas

—Vinnie, por favor! -começo a sacudi-lo

Hacker finalmente sai de cima de mim

—Que horas são hein? -ele pergunta

Me sento no lado da cama e olho a hora em meu celular

—oito e doze da manhã.

—Oque?! Você me acordou oito horas da manhã de um domingo pra


fazer porra nenhuma?!! -Vinnie suspira

—Fecha o olho e volta a dormir, eu só pedi que saísse de cima de mim,


credo.. -Tento me justificar

Me levanto com um pouco de dificuldade e vou em direção de meu closet


para pegar uma roupa e ir tomar um banho
hoje na igreja terá culto e uma reunião com os mais velhos para decidir a
reforma na igreja, então, eu terei de ficar com os mais novos até eles
acabarem

Meu Deus até agora eu não estava conseguindo processar a ideia de que eu
perdi minha virgindade com o Vinnie... foi bom, muito bom! Eu sempre
ouvi que é normal doer na primeira vez, Vinnie foi muito tranquilo, eu
pensei que ele seria todo bruto, mas não, ainda bem!

Me olho no espelho de corpo inteiro que tem meu closet, começo a analisar
as roupas penduradas. Finalmente, pego uma camisa justa ao corpo de cor
azul e uma legging preta.

Ligando o chuveiro, deixo que a água quente relaxasse meus músculos


tensos. O vapor começou a preencher o ambiente, criando uma atmosfera
reconfortante. Sinto a água escorrer por meus cabelos, descendo pelo corpo,
lavando o cansaço do dia de ontem

Com os olhos fechados, eu não percebi quando Vinnie entrou


silenciosamente no banheiro. Foi só quando ele puxou a porta do box que
eu abriu os olhos, levando um susto ao vê-lo ali

—Vinnie! O que você está fazendo aqui? -exclamei com meu coração
disparado pelo susto.

Ele sorriu de maneira travessa, mas com uma expressão de tranquilidade


nos olhos

—Vim tomar banho ué, não tá vendo? -Vinnie pergunta

—Esperasse eu terminar de tomar banho e vinha!

O loiro não dá bola e se enfia de baixo do chuveiro junto comigo

[...]

Não rolou nada demais no banho, a não ser o Vinnie se passando com as
mãos bobas e tudo mais
Assim que eu chego na igreja, sou recebida com sorrisos e cumprimentos
calorosos. O Sr. João, sempre pontual, me saúda na porta.

—Bom dia, Yasmim! Como você está hoje?-ele pergunta.

—Bom dia, Sr. João! Estou bem, obrigada. E o senhor?

—Estou ótimo, melhor agora que vi sua simpatia logo de manhã.

Entro no salão principal e vejo Dona Marília ajeitando os arranjos de flores


no altar. Ela olha para mim com carinho.

—Yasmim, querida! Que bom te ver! Você está tão radiante hoje.

—Obrigada, Dona Marília. As flores estão lindas como sempre.

Caminho mais um pouco e vejo o Sr. Carlos e a Dona Teresa conversando


próximos às cadeiras.

—Yasmim, minha filha! Venha aqui dar um abraço -diz Dona Teresa,
abrindo os braços.

—Olá Dona Teresa! Sr. Carlos! Como vocês estão?

—Estamos bem, minha querida. E você, pronta para mais um domingo


abençoado? -pergunta o Sr. Carlos.

—Sempre pronta! -respondo com um sorriso.

Pouco a pouco, a igreja começa a encher, e eu cumprimento mais algumas


pessoas antes de me sentar. O culto começa, e o Pastor Antônio sobe ao
púlpito para dar início à cerimônia.

[...]

Após o culto, enquanto os adultos mais velhos se dirigem para a reunião


sobre as reformas da igreja, vou até a sala de crianças para começar minhas
tarefas de cuidar dos pequenos. Eles já estão animados, correndo de um
lado para o outro.
—Ok, pessoal, vamos todos nos sentar aqui no tapete. Vamos fazer um
círculo -digo tentando organizar o grupo.

—Yasmim, a gente vai desenhar hoje? -pergunta Júlia, com os olhos


brilhando de expectativa.

"Sim, minha pequena! vamos desenhar, e também temos alguns jogos e


histórias para contar. Vai ser bem divertido!

As crianças se acomodam no tapete, e eu começo a distribuir papéis e lápis


de cor.

—Vamos começar desenhando o que vocês mais gostaram no culto de


hoje. Pode ser qualquer coisa: uma história, uma música, ou mesmo uma
pessoa que vocês gostam aqui na igreja.

Enquanto eles desenham, vou de criança em criança, ajudando e


conversando com cada uma.

—Que lindo meu amorzinho! Isso é a arca de Noé?-pergunto, observando


o desenho cheio de animais.

—Sim, Yas! Eu gostei muito da parte em que todos os animais são salvos.

—É uma história muito bonita mesmo.

—O que aconteceu com você titia? Parece estar mais alegre! -Ayla pergunta
me encarando

—Ah, nem percebi! -Sorri tentando disfarçar

—É algum namorado Yas?! -Maria se junta com Ayla e se sentam ao meu


lado

—Não, meninas! Vocês tem seis, sete anos! Não é hora de pensar em
namoradinhos não hein! -Repreendo as duas de uma forma engraçada, elas
são muito novas, não vão entender se eu falar de uma maneira mais séria
A manhã passa rapidamente, entre desenhos, jogos e risadas. Estou sempre
atenta, garantindo que todos estejam bem e se divertindo. Enquanto cuido
das crianças, penso em como será importante a reforma da igreja, não só
para melhorar o espaço, mas também para fortalecer ainda mais a
comunidade que eu tanto amo e que me ajudou em meus piores momentos...

Oque?! Não acredito! Começou a chover logo agora!! Ai meu Deus, como
eu vou pra casa? Eu deixei meu celular carregando em meu quarto

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 28
—Ai meu Jesus amado!! -Ayla grita e pula em meu colo assim que
começam os fortes trovões

Diversas crianças começam a chorar desesperadas, o barulho da chuva se


intensificava cada vez mais, sem contar o barulho que os trovões faziam,
parecendo que estavam caindo ao nosso lado

—Se acalmem crianças, é apenas uma chuva! -Tento amenizar a situação

—Vamos ter que deixar a reunião para outro dia, obrigada por ficar com as
crianças Yasmim, você é um anjo! Mas a gente vai ter que ir embora antes
que a chuva piore. Venha Ayla, vamos! -Maria pega a pequena no colo e sai
correndo para seu carro

As crianças e seus pais iam embora correndo da chuva

E eu??!

É impossível ir embora a pé nessa chuva, minha casa deve ser mais de


quinze minutos de carro, quem dirá andando

Fico parada na porta da igreja pensando no que fazer

Um Honda Civic branco para na frente da igreja e começa a buzinar

Eu conheço esse carro...

Mãe?

O que ela está fazendo aqui? Fazem semanas que eu não a vejo

Pra ser bem sincera eu não a vejo dês de que eu me mudei para minha casa
nova, eu estava evitando contato. Eu sei que é errado, mas poxa, ela
preferiu defender aquele homem do que a sua própria filha!
—Filha, entra no carro, a mamãe veio te buscar! -Minha mãe abaixa o vidro
e grita

Como esse deve ser o único jeito de eu ir embora, eu não tenho outra
escolha

Saio correndo em direção do carro

—O que você está fazendo aqui?!

—Faz tempo que a gente não conversa filha, mamãe já estava preocupada!
Você não me passou seu endereço novo, pode me passar?Mamãe quer te
visitar amor! -Minha mãe fala sorrindo

Eu não passei meu endereço novo pra ninguém, nem para minha mãe!
Dylan e Vinnie só acabaram descobrindo por causa de Kio

—Posso te falar meu endereço outra hora mamãe? Eu ainda não terminei de
arrumar cem por cento a casa, eu quero deixar tudo bem organizadinho pra
quando a senhora ir me visitar! -minto

Eu odeio mentiras! É a coisa que eu mais odeio no mundo. Mas tem vezes
que é impossível de lidar com minha mãe e com o resto das pessoas

—Pode sim meu amor, vamos pra casa da mamãe? Eu tenho uma surpresa!

Assenti com a cabeça e fomos para seu novo apartamento

Quando minha mãe abriu a porta do apartamento, fui imediatamente


recebida por um ambiente moderno e acolhedor. O chão de madeira clara
refletia a luz suave que entrava pelas amplas janelas da sala de estar,
decorada com móveis elegantes e minimalistas.

À minha direita, um corredor levava aos três quartos, cada um decorado


com bom gosto e organizado de forma impecável. À minha esquerda, a
cozinha americana, com bancadas de granito e eletrodomésticos de última
geração, se conectava à sala de jantar através de um balcão. Dois banheiros,
ambos decorados com azulejos modernos e acessórios de qualidade,
completavam o layout do apartamento.
Mas, assim que dei um passo para dentro, meu olhar foi imediatamente
atraído para o sofá na sala de estar, onde Oliver, meu ex-padrasto, estava
sentado. O choque de vê-lo ali, relaxado como se pertencesse ao lugar, fez
meu coração disparar. A mágoa e o rancor que guardava dele vieram à tona,
transformando o ambiente acolhedor em um cenário de tensão e
desconforto.

—Eu e seu pai.. ops, eu quero dizer.. eu e o Oliver voltamos!! -essas


palavras acabaram comigo

—Oi filha! -Oliver se levanta do sofá e me abraça

Filha? Ele não é meu pai para me chamar assim, principalmente depois do
que fez eu e minha mãe passarmos!

—Bom, como não havia motivos de nós dois ficarmos separados e a gente
sabe como você e Dylan se dão bem, nós decidimos reatar nosso
relacionamento! -Minha mãe fala

—Eu posso dar a notícia amor? -Oliver pergunta

—Pode sim!

—Eu e sua mãe estamos noivos novamente! -Os dois comemoram

Essas palavras foram como facadas em meu peito, eu não sabia o que falar
ou como reagir

—Está tudo bem filha? -Oliver pergunta

—Ela deve estar tão feliz com a notícia que nem sabe como reagir! -
Minha mãe diz com um sorriso de orelha a orelha

—Com licença.. -Saio correndo do apartamento e desço as escadas com


uma imensa vontade de vomitar

Será que Dylan sabe disso? Se bem que ele deve estar passando mais tempo
no casarão do que em sua própria casa com seu pai
—Filha volta aqui! -Ouço a voz de Oliver me chamando

—Venha meu amor, a gente vai te mostrar seu novo quarto! -Minha mãe
segura meu braço e me leva lá pra cima novamente

—Essa vai ser a nossa nova casa! A casa da nossa família! -Oliver diz
sorrindo

—Sim meu amor, e esse aqui vai ser o seu quartinho -Minha mãe aponta
para um quarto que ainda não estava mobiliado- ainda falta mobiliar e tudo
mais, mas vai ficar lindo!

—E aquele ali é o de Dylan, ele ainda não sabe da grande novidade, mas
quando eu achá-lo eu vou contar! Inclusive, você sabe onde ele está? -
Oliver pergunta

Eu sabia, mas nego com a cabeça

—Eu não posso mamãe, eu já tenho uma casa!

—Que bobagem! Você vai sim, eu já estou até escolhendo os móveis para
colocar no quarto de vocês! -Minha mãe diz seria, porém sorrindo

É assustador vê-los juntos novamente, um tratando o outro de forma


carinhosa e sempre com um sorriso no rosto

—Olha, parece que a chuva deu uma acalmada! -Oliver aponta para a janela

—Me desculpem, eu estou cheia de tarefas. Eu preciso ir! -Invento uma


desculpa e saio do apartamento com passos largos em busca de ir embora,
pegando o primeiro táxi que vejo pela frente

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Capítulo 29
Saí apressada do novo apartamento da minha mãe, com as gotas de chuva
começando a engrossar. As palavras duras e o olhar gelado do meu padrasto
ainda ecoavam na minha mente. Meus olhos ardiam, uma mistura de raiva e
tristeza. A chuva caía intensamente, acompanhando o turbilhão de emoções
dentro de mim. Levantei a mão trêmula e acenei para o primeiro táxi que vi.

Dentro do táxi, o som da chuva batendo no vidro parecia amplificar o caos


na minha mente. A cada relâmpago, meu corpo dava um pequeno salto,
como se estivesse em constante alerta. Eu me sentia sufocada, a respiração
pesada, enquanto as lágrimas se misturavam com a chuva que molhava meu
rosto. Minhas mãos tremiam freneticamente, apertando e soltando o tecido
da bolsa no meu colo, buscando um alívio que não vinha.

Chegando em casa, paguei o motorista com mãos trêmulas e desci do táxi


sem me importar com a chuva que molhava meu cabelo e roupas. Corri até
a porta de casa, entrei e subi as escadas rapidamente, o peso do encontro
recente ainda me esmagando. Sentia como se estivesse sendo sufocada, o ar
cada vez mais difícil de puxar. A respiração estava rápida e superficial,
quase como se fosse engolida por um buraco negro de pânico.

Entrei em meu quarto e fui direto para o banheiro, trancando a porta atrás
de mim. Encostei-me na porta e deslizei até o chão, minhas pernas
incapazes de me sustentar mais. Os soluços vinham em ondas, minha
respiração ficando ainda mais irregular. Cada batida do coração parecia um
soco, minhas mãos tremendo incontrolavelmente. Sentia um aperto no
peito, como se o mundo estivesse desmoronando ao meu redor. Meu corpo
todo tremia, e as lágrimas corriam livremente pelo meu rosto, misturando-
se ao suor frio que brotava da minha pele.

[...]

Após meia hora de intensa batalha comigo mesma, a crise começou a ceder.
Levantei-me lentamente, os músculos do corpo doendo como se tivesse
corrido uma maratona. Abri o chuveiro e deixei a água quente cair sobre
meu corpo, sentindo a tensão se dissipar lentamente. A água escorria pelos
meus cabelos e rosto, levando embora a sensação de desespero. Fechei os
olhos, permitindo que o calor da água me acalmasse. Lavei o rosto,
tentando afastar os pensamentos sombrios.

Depois do banho, senti-me um pouco melhor, embora ainda estivesse


exausta. Enxuguei-me com cuidado e vesti uma blusa branca macia,
seguida por uma calça de moletom cinza clara que quase parecia branca.
Coloquei um casaco de tricô bege por cima da blusa, sentindo o tecido
aconchegante contra minha pele. Nos pés, optei pela minha pantufa rosa
clarinha confortáveis. Olhei-me no espelho por um momento, vendo o
reflexo de uma pessoa cansada, mas determinada a encontrar algum consolo
naquela noite difícil.

Sentei-me na cama, tentando encontrar algum semblante de paz, quando


uma tempestade se intensificou lá fora. A chuva caía com força,
acompanhada de ventanias e trovões que pareciam estar caindo ao meu
lado. Cada trovão fazia meu coração disparar um pouco mais.

De repente, ouvi alguém bater na porta. Meu coração acelerou de novo

Quem seria o doido que estaria do lado de fora da minha casa com o mundo
desabando em água?

—O que você está fazendo aqui nessa tempestade?! -Pergunto assim que
abro a porta e me deparo com Vinnie em minha frente

—Esqueci minha carteira aqui -Ele diz simples, com as mãos no bolso

Dou espaço para o loiro entrar

Bem que eu havia visto uma carteira no chão mesmo, mas pensei que era a
minha, então nem tinha me tocado

—Você tá bem Alles? Não tá com uma cara nada boa -Ele ri

—eh.. na medida do possível -minto


Vinnie me olha com desconfiança, ele sabia que eu estava mentindo

—Tá legal! Aproveita e fala pro Dylan isso também, já que envolve ele..
minha mãe e o pai dele voltaram e estão noivos e querem que eu e Dylan se
mudamos para o apartamento dela -falei tudo de uma vez

Vinnie me olha surpreso

—Puta que pariu -ele ri surpreso- você não vai né?! Eu vou falar pra
Dylan sim, mas eu te garanto que ele não vai se mudar não, ele está quase
que morando no casarão.

—Não, estou bem aqui! -digo

Vinnie murmura alguma coisa, deve ter pensado alto

Subo com ele para meu quarto para procurar sua carteira

—Aqui! -Entrego

Estava em cima da pia de meu banheiro, deve ter deixado ali quando foi se
juntar ao banho comigo

Coloco a cortina da minha varanda um pouco de lado e vejo a forte


tempestade, algumas ruas mais adiante da minha já estavam sem luz, mas, o
disjuntor dos bairros mais pra baixo da minha casa são mais fracos, então
eu espero que não acabe a luz aqui

—Só passei pra pegar minha carteira. -Vinnie diz simples descendo as
escadas

Abro a porta para ele

Não é que eu esteja com medo da chuva... mas os trovões estão altos
demais, a chuva só piora e engrossa a cada minuto

Eu ainda estava um pouco trêmula pela crise de antes, ela não passou
totalmente; com essa tempestade terrível, eu estava com medo de acabar a
luz ou coisa do tipo
—Você precisa ir mesmo..?

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Capítulo 30
Hacker fica me encarando por alguns segundos

—Não vai me dizer que está com medo da chuva Alles -Vinnie brinca

—Não, não é isso -minto, ri tentando disfarçar, escondo os braços trêmulos


para trás de meu corpo

Acho que ele percebeu..

Vinnie suspirou e se aproximou, colocando a carteira no bolso de sua calça


e voltando sua atenção totalmente para mim.

—Você não precisa fingir comigo, pequena. Está tudo bem ter medo, ainda
mais depois do que acabou de acontecer. -ele se refere ao encontro de
minha mãe

Eu senti uma lágrima descer pelo meu rosto e olhei para baixo,
envergonhada.

—Eu só... as tempestades sempre me assustaram. E essa crise... foi tão


forte. -digo com a voz falhada e trêmula

Vinnie colocou um braço ao redor dos meus ombros, me puxando para mais
perto

—Olha só, vou ficar aqui com você até a tempestade passar. Assim, se
precisar de algo, estarei por perto.

O calor de seu abraço e o conforto de sua presença começaram a acalmar


meu coração acelerado. Deitei minha cabeça em seu ombro, permitindo-me
relaxar um pouco.

—Obrigado.. -sussurro
O loiro ergue meu queixo com seu dedo indicador e da um beijo em minha
testa

Aos poucos, minha respiração foi se acalmando, e a presença de Vinnie ao


meu lado fez com que a tempestade lá fora parecesse um pouco menos
assustadora.

Apesar da chuva só piorar

—Não estou te atrapalhando? -Falo preocupada

—Eu não ia fazer porra nenhuma em casa mesmo -ele ri

Vinnie mesmo com sua arrogância, seu jeito bipolar de ser, me traz uma paz
absurda dentro de mim que consegue me acalmar apenas com um olhar

—Tem alguma coisa pra comer? Eu tô morrendo de fome, não comi nada
dês de quando eu acordei -Hacker fala brincando

—Eu ia fazer brigadeiro, a não ser que você queira comer outra coisa, sei lá,
um pão? -pergunto coçando a cabeça

O loiro me olha malicioso

—Vincent! -Percebo sua maldade no olhar

—Eu nem falei nada! -Ele ri e ergue os braços em sinal de rendição- mas eu
aceito um brigadeiro.

[...]

—Mexe isso direito, tá queimando naquele cantinho ali ó! -Aponto para o


lado esquerdo da panela

—Eu não sou cozinheiro Yasmim! -ele diz mexendo o brigadeiro na panela

—Não precisa ser um cozinheiro para mexer uma panela até o doce ficar no
ponto!
Vinnie faz careta e continua mexendo

—Já tá bom, eu não aguento mais mexer, parece que meus braços vão cair!
-ele reclama

—Vinnie, não faz nem quatro minutos que você começou!

—Já tá mais que ótimo! afinal, precisa ficar quanto tempo aqui?!

—Depende, como o fogo não está tão alto, acho que uns dez minutos
mexendo.

—OQUE?! Meu braço vai cair! Eu não vou continuar aqui não, sua vez!! -
Ele me entrega a colher

—Vinnie Hacker não consegue ficar nem cinco minutos mexendo uma
colher... -balanço a cabeça negativamente o provocando- que coisa séria
hein!

—Baixa essa bolinha aí viu, é como eu já te disse, eu não sou cozinheiro


amor! -Hacker coloca a mão na cintura e me encara

Pego a colher e começo a mexer

—Pega uma vasilha naquele armário, por favor.

—Essa? -Ele me estende uma pequena de plástico de cor rosa

Olho seria para ele

—Se você conseguir enfiar esse tanto de brigadeiro que tem nessa panela
aí dentro dessa vasilha minúscula, então sim! -digo rindo irônica

—Alles, Alles... -Ele me olha malicioso- Até parece que eu já não fiz isso
antes -ele me olha com maldade

Acho que ele levou na maldade o que eu falei!

—Han? -eu não havia entendido


—Não se lembra amor?

—Do que você está falando?

—De você revirando os olhos, ué -Ele sussurra em meu ouvido com seu
tom de maldade

—Vincent! -Fico corada

—O que foi? Não falei nada de errado -cerro os olhos para ele- não foi
isso que você fez quando Joana falou aquelas coisas pra você? Você não
revirou os olho? Eu vi hein! -ele destorce o que eu falei, mudando de
assunto para se livrar

Começo a rir

—Yasmim Alles, mas que mente pervertida é essa!! Até parece que EU ia
falar sobre essas coisas, você que está levando na maldade! -diz irônico

—Para! Eu só falei que se você conseguisse colocar tudo isso dentro


dessa coisa minúscula, aí sim, você poderia pegar essa vasilha!

Ai meu Deus, parando para analisar, realmente parece que eu falei coisas de
duplo sentido

—Ai você me complica né Yasmim! -ele cai na gargalhada

—Para de pensar besteira Hacker! Seu mente poluída! Me alcança outra


vasilha logo! -mudo de assunto

Ele me alcança uma maior

—Agora sim! -eu comemoro

—Vou escolher um filme pra gente olhar!

Quando Vinnie passa por trás de mim para ir pra sala, ele dá um tapa em
minha bunda e sai correndo
—Vinnie!! -o repreendo rindo

Que tarado hein!

Assim que eu termino despejar o brigadeiro na vasilha, pego duas colheres


e me sento no sofá

—Karalho esse deve ser muito foda! Eu tava querendo assistir há tempos
já! -Ele clica no filme "Invocação do Mal 3"

—Filme de terror não! Coloca um de comédia, é melhor!

—Tá com medinho?! -ele provoca

—Sim! Olha a tempestade que está caindo lá fora, a sala está toda escura e
você que olhar filme de terror!

—Tem mais emoção ué, a casa toda escura e a chuva lá fora só melhora a
experiência -ele me joga uma piscadela

—Eu tenho medo desses filmes Vinnie, eu ouvi falar que esse aí é um dos
piores que tem!

—Relaxa gatinha! Eu te protejo caso o monstro vier puxar seu pé! -ele
começa a rir

—Para com essas brincadeiras, eu tô com medo de verdade! -cruzo os


braços

Antes mesmo de eu perceber, Vinnie me puxa para ele, me fazendo "cair"


por cima do mesmo que estava sentado no sofá

—Come o brigadeiro e fica quietinha por que eu quero assistir o filme -Ele
me puxa para seu colo e me entrega uma colher com o doce em cima

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Me tirem uma dúvida sincera aqui!! Não sei se eu devia dar esse spoiler,
mas, se eu fizer um Hot no próximo capítulo, vocês iriam gostar?!

Estou meio na dúvida se eu coloco um hot no próximo capítulo pois não sei
se ficaria muito "repetitivo", afinal, Vinnie e Yasmim já coisaram
teoricamente ontem (seguindo a ordem da história)

Mas por favor me ajudem e comentem se vocês querem ou não!!


Capítulo 31
Eu mal estava assistindo o filme, eu procurava mexer em meu celular ou as
coisas ao redor, eu morro de medo de filme de terror, quem dirá em uma dia
assim chuvoso, com a casa toda escura

Vinnie gargalhava com o filme, como alguém pode achar graça de uma
freira matando as pessoas?!

Hacker tinha comido o brigadeiro praticamente sozinho!

—Faz outro lá pra mim Alles -Ele diz ainda com a atenção no filme

—Você acabou com os ingredientes -ri- o leite condensado era o último.

—Não tem outro jeito de fazer sem esse creme aí?

—Até tem... mas eu não acho que seja muito confiável. Eu já tentei uma
vez e não deu certo -ri sem graça- Por que? Gostou do meu brigadeiro
Hacker?!

—Não sei. -ele se faz

Cerro os olhos e volto a atenção em meu celular

Abro o Instagram e tem uma foto de David na Itália

Há alguns dias atrás ele havia me dito que iria viajar para a Europa, onde
ele sempre quis conhecer

Vinnie murmura alguma coisa e vira a cara

—Falou alguma coisa?

—Não. -Disse seco


—Ciúmes Hacker?! -provoco

—Eu não, se liga Yasmim! Sai fora. -Ele fala bravo cruzando os braços

Ri de sua cara e continuo a mexer em meu celular

Vinnie deixa seu celular no sofá e se levanta com a expressão séria e vai até
o banheiro

Acho que alguém ficou bravo..

O celular do loiro começa a vibrar com várias notificações

Pego seu celular e me levanto do sofá para ir entregar ao garoto, mas, ele
vibrou novamente e a tela acendeu com a barra de notificação
Sinto meu corpo inteiro gelar e meu coração acelera...

Aquela Joana estava certa.. será que eles vão voltar??!

A porta do banheiro abre

—Ele não parou de tocar, vim te entregar -tento disfarçar

—Valeu -ele pega o celular ainda com a tela virada para baixo

Me viro e sento no sofá novamente torcendo para ele não ler a mensagem
dela

—Então.. ham.. como você já está melhor e a chuva já deu uma acalmada,
eu vou pra casa, tá legal?! -ele se embola pra falar

—Mas você me disse que não faria nada em casa, pensei que fosse ficar
aqui comigo.. -ele deve ter lido a mensagem dela

—Eu tô cansado porra, eu vou pra casa! -Ele fica um pouco alterado
—Você nem terminou de assistir o filme -aponto para a tv

Hacker suspira pesado e me olha sério

Me levanto do sofá e abro a porta para ele.

Nem parece aquele Vinnie que se preocupou comigo mais cedo, que estava
feito criança na cozinha me ajudando... agora ele é só.. o Vinnie

Mas o Vinnie chato!

Fecho a porta decepcionada; não que eu tinha colocado expectativa, mas eu


pensava que ele ficaria mais tempo ali comigo

Mas agora eu não vou conseguir tirar isso da minha cabeça.. e se eles
voltarem?!

[...]

Mal consegui dormir a noite pensando em minha mãe com Oliver e em


Hacker e Patrícia

Me comparei a madrugada inteira com ela... o que ela tem que eu não
tenho? O que ela fez pra conquistar ele? Logo ele?!

—Se meu cabelo fosse mais escuro, se eu não fosse tão certinha e me
soltasse mais, ele iria me querer. Mas não! Eu sou assim! Sou fresca com
qualquer coisinha, sou pálida feito papel, meus cabelos são horríveis dessa
cor -pego umas mexas do meu cabelo e começo a encara-las- olha pra mim
Madson, se você visse a foto da menina você me entenderia, ela é linda!!

—Cala a boca porra, se olha no espelho sua idiota! Você é a mina mais
linda que eu conheço Yasmim!! Eu tô pouco me fudendo se aquela garota é
ex do Vinnie, quem garante que ela não é toda falsa? Com silicone, boca
falsa, aquelas taturanas de cílios, com aqueles cabelos falsos horríveis de
mega hair. -Ela diz brava

Cacete eu não posso chorar na escola!


—Você sabe, só me passa o endereço ou me fala mais sobre essa vadia
que eu mando darem um susto nela! Ou eu mesmo vou! -Mads faz cara de
mau e estrala os dedos como se fosse bater em alguém

—Madson! Não, claro que não! A violência não resolve nada!

—Como não? Se aquele dia que eu arrebentei a vagabunda da Chloe na


Lux, ela até saiu da escola, nunca mais ouvi falar dessa puta! A violência
resolve sim!

—Ah, mas aquele dia você pegou pesado!

—Claro que não, eu fiz foi pouco! Ela merecia mais!! Eu só não continuei
por que você tava mal e eu não queria deixar você perto dela!

—Mas eu acho que não precisava de tudo aquilo... coitada..

—Coitada o karalho! Bati e bato de novo!! Pode vir mais dez dela, ela vai
ver se eu não arrasto essa piranha pelos cabelos de novo!

—Para Mads, você é muito briguenta -ri sem graça

—Somente com quem merece, e olha que ela mereceu viu!! Não vem
falar que não, você sabe que eu devia ter feito até mais!

Eu e minha amiga estamos sentadas em uma das arquibancada da escola,


como tinha aula livre, eu e Mads estávamos sozinhas conversando enquanto
o resto da turma estava no refeitório ou na sala de aula bagunçando

—Mas será que eles... coisaram? -uso um outro termo para não falar a
palavra "sexo"

—Com certeza eles transaram! -Mads ri- tá, desculpa. -ela abaixa a cabeça
assim que vê minha cara de preocupada- Mas.. se você quiser, eu posso dar
um sumiço nessa puta de Patrícia também! -Mads dá uma risada forçada,
como se fosse uma risada maligna

—Não! Para de brigar com as pessoas! mas eu espero que eles não tenham
feito nada ontem.. -falo preocupada
Minha amiga me encara seria, como se fosse óbvio que eles coisaram

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

———

Voltei galera! Fiquei sumida por uns dias, mas eu prometo que não faço de
novo kkk

Perdoem a autora de vcs pela demora

Me desculpem por não ter colocado o hot nesse capítulo, os comentários do


cap anterior eram vocês concordando que queriam hot nesse cap mas eu
não coloquei para que a Patrícia pudesse entrar na história.

Eu sumi por alguns dias e quando eu volto, minha fanfic está com 29,6 mil
de visualizações e 1,64 mil de votos
Muito obrigada meus nenis!!

Sei que é um número "pequeno" comparado às outras fanfics que contém


mais de 100 mil ou até milhões de visualizações.. mas eu podia jurar que
minha história não passaria de 20 vizualizações kkk
Capítulo 32
A aula já havia acabado, eu e Mads estávamos no shopping pois
precisávamos de roupas novas para o evento da escola que acontecerá daqui
dois dias

—Essa aqui eu acho legal! -Seguro uma camisa xadrez azul na mão

—Nada disso! Já separei nosso look! -Minha amiga diz puxando de sua
sacola duas saias xadrezes de tons vermelhos meio curtas

—Isso é muito curto! Você sabe que minha igreja não permite Madson.. -
olho seria para ela

—Ai amiga, só um diazinho não vai fazer diferença, afinal, é para um


evento escolar, não pra uma balada ou coisa do tipo!

As saias são lindas! eu acho elas muito curtas, sem contar que minha igreja
não permite roupas tão curtas e tals

—Não sei não hein.. -digo desconfiada

—A gente vai com um short por baixo, obviamente. Leva uma calça na
mochila, aí se der alguma coisa você troca a saia pela calça! -Mads me joga
uma piscadela

Até que é uma boa ideia, mas se vierem reclamar no meu ouvido sobre isso
lá na igreja, aah eu vou matar minha amiga!

—Vamos ver um sapato agora! -Mads diz animada e me puxa para outra
loja

—Vamos esperar um pouquinho Mads... já estou cansada -me sento em um


banco
—Nos não estamos nem uma hora aqui e você já cansou?! Credo Yasmim! -
Ela se senta ao meu lado rindo- Aliás, eu estava combinando de sair com
Avani, aquela amiga que eu te falei, lembra? E você vai junto pra conhecer
ela!! Hoje a noite nós vamos jantar, aí vocês aproveitam e se conhecem!

Eu e Mads estávamos discutindo para ver em qual loja iríamos, até que

—Mads!! -cutuco minha amiga

—O que foi karalho?! -ela se assusta

—Aquelas duas.. é a Joana e a tal Patricia!! -sussurro

—Onde?! -Mads força a vista

—Olha na direção da loja de joias, elas estão na vitrine.

—Agora eu vi!! Ah mas eu vou lá agora! -Mads se levanta

—Claro que não! -puxo ela pelo braço fazendo ela se sentar ao meu lado
novamente

—Me deixa Yasmim, é hoje que essas vagabundas vão ganhar o que
merecem!!

Eu não havia falado do leilão para Mads, muito menos que eu tinha perdido
minha virgindade com Vinnie. Em relação à Joana, eu falei que eu e Vinnie
nos encontramos e paramos para conversar, aí do nada surgiu uma mulher
falando àquelas tolices. Agora, sobre a Patrícia, eu falei que tinha me
encontrado novamente por acaso com Vinnie e vi a notificação.
Se ela acreditou ou não, aí eu já não sei, mas pelo o que parece, ela
acreditou!

Não gosto de mentiras, mas eu não acho que esteja na hora de falar essas
coisas. Mads é minha amiga há muito tempo, eu tenho total confiança nela,
mas eu acho que vou esperar um pouco mais pra contar..

—Para com isso Madson! Você não vai fazer nada!


Mads revira os olhos e cruza os braços

—Elas estão vindo pra cá -sussurro

—Então é essa coisa aí que tava junto com o Vinnie?! -As duas se param
um pouco mais à frente de nós, Joana para de costas para a gente e Patrícia
estava virada de frente para a gente. Patrícia diz me olhando de cima a
baixo e falando alto, como se fosse pra eu ouvir

—Essa mesmo Paty! Eu falei pro Vinnie que eu preferia você com ele, e
pelo visto deu certo! Como foi a noite com ele ontem amiga?!! -Joana diz
meio que gritando para que nós a ouvisse

—Foi maravilhosa!! ele cuidou de mim direitinho, se é que você me


entende! -elas riem- Mas vamos falar mais baixo, tem gente aí que é virgem
e não vai entender sobre o que nós estamos falando, afinal, o MEU Vinnie
nunca transaria com essa menininha aí! -as duas gargalham

Mads cerra os punhos e suspira alto

Minha amiga vai explodir a qualquer momento... ai meu Deus me ajuda..

—Amiga! Aquele dia do evento, eu percebi que o anel que ela usava, era
igualzinho ao que Vinnie havia te dado de aliança!! Ele não iria perder
tempo escolhendo anelzinho pra essa vadia, ele optou pela opção mais
rápida e pegou qualquer um -Joana ri- Mas o seu é mil vezes melhor, o dela
era bijuteria, óbvio!

—eu sinceramente não entendo o por que alguém falar essas idiotices de
uma pessoa tão boa como você.. -Mads diz trava o maxilar olhando
fixamente para Patrícia- Vem Yasmim!! -Mads pega em minha mão e se
levanta andando em direção das duas

—Ai me desculpa anjo! Foi sem querer, fofinha! -Mads ri sarcástica após
"esbarrar" nas duas

—sua idiota! -Joana grita

—Como é? Repete. -Mads a encara


—Minha amiga não vai repetir, você ouviu muito bem o que ela falou! -
Patrícia se intromete

—Eu não estou falando com você vadia! Olha na minha cara e repete o que
você falou! Vamos! Fala olhando na minha cara!!! -Mads dá uns passos a
frente e fica a centímetros de distância de Joana

—Sai daqui sua imbecil! Volta lá pra favela de onde você saiu! -Joana ri

—Filha da puta do karalho!! -Mads empurra Joana com força, a fazendo


cair no chão- Quem você pensa que é pra falar assim comigo? Aliás, quem
vocês pensam que são pra falar assim da minha amiga?!! Vocês não passam
de duas piranhas que saem dando pra qualquer um e acham que o cara é
apaixonado por vocês!! Vão pro inferno suas vadias! -Mads cuspe no chão
próximo de Joana

—Já chega Madson! -Digo brava puxando Mads pra longe delas

—Me solta porra!! Elas falaram aquele monte de merda sobre você e você
quer defender elas?!

—Eu não estou defendendo elas! Você passou dos limites! Já chega Mads,
vamos pra casa!

—Vão fugir?! -Patrícia grita do outro lado do shopping provocando minha


amiga

—Agora ela vai ver!! -Mads começa a andar na direção delas

—JÁ CHEGA MADSON! vamos pra casa AGORA!! -Me altero

Mads se vira em minha direção assustada, ela nunca havia me visto brava,
quem dirá gritando com alguém

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

———
Eu confesso que não gostei muito to cap de hoje, achei ele meio sem graça,
mas, como eu não posso deixar meus nenis sem cap, eu postei assim
mesmo! Peço desculpas se esse episódio tenha ficado ruim
Capítulo 33
Le Chânteau Étoilé é um dos restaurante mais prestigiado da cidade,
conhecido por seu luxo inigualável e seu atendimento impecável.
Localizado no topo de um arranha-céu de vidro, a vista panorâmica da
cidade iluminada é deslumbrante, especialmente à noite, quando as luzes
cintilantes criam uma atmosfera mágica.

A entrada do restaurante é majestosa, com portas de vidro duplo


ornamentadas com detalhes em ouro e latão polido. Assim que se atravessa
a entrada, um grande hall de mármore branco com veios dourados recebe os
clientes, com um lustre de cristal cintilante pendendo do teto alto, refletindo
a luz em um espetáculo de cores.

As mesas são elegantemente dispostas, com toalhas de linho branco e


talheres de prata impecavelmente polidos. Cada mesa é decorada com
arranjos florais frescos e velas perfumadas que exalam uma fragrância
suave e sofisticada. As cadeiras estofadas em veludo azul escuro
proporcionam um conforto luxuoso, enquanto cortinas de seda dourada
enquadram as amplas janelas de vidro.

No centro do restaurante, há uma fonte de mármore com esculturas


clássicas, ao redor da qual se encontra uma seleção dos melhores vinhos do
mundo, dispostos em uma impressionante adega de vidro climatizada. O
bar, feito de madeira escura com detalhes em ouro, oferece uma vasta gama
de coquetéis exclusivos, preparados com maestria pelos mixologistas mais
renomados.

A cozinha é aberta, permitindo que os clientes apreciem o espetáculo


culinário dos chefs preparando pratos refinados com ingredientes de
altíssima qualidade. O menu, uma obra-prima gastronômica, varia de frutos
do mar frescos a cortes nobres de carne, acompanhados por molhos e
guarnições elaboradas.
A iluminação do restaurante é cuidadosamente planejada, com luzes suaves
e indiretas que criam uma atmosfera íntima e acolhedora. A música ao vivo,
geralmente composta por um pianista ou um quarteto de cordas, completa a
experiência sensorial, elevando o ambiente a um nível de elegância e
sofisticação raramente encontrado.

—Você tinha que ter visto a cara delas! -Mads diz rindo

—Se eu tivesse junto, eu teria te ajudado amiga! -Avani ri e dá um gole em


seu drink

Avani, apresentada hoje para mim por Mads, parece ser uma pessoa de
porte elegante e uma presença tranquila. Com seus cabelos castanhos
longos e ondulados e olhos castanhos claros, ela exala uma maturidade que
faz jus à sua idade, sendo dois anos mais velha que eu e Mads.

Eu ainda não conheço profundamente a personalidade de Avani, mas com


base no que Mads me contou, Avani é a mais responsável do grupo depois
de mim. Mads mencionou que Avani tem uma maneira calma e
tranquilizadora de lidar com as situações, algo que eu percebei rapidamente
na sua primeira interação.

Mesmo sem conhecer todos os detalhes, eu já notei a maneira cuidadosa


com que Avani observa e interage com elas, sugerindo uma preocupação
genuína. Embora eu ainda esteja descobrindo mais sobre quem Avani
realmente é, eu sinto uma sensação de segurança e apoio ao meu redor, algo
que provavelmente se fortalecerá com o tempo e as experiências
compartilhadas.

Eu e Avani conversamos bastante, Mads havia comentado o que havia


acontecido de tarde com Joana e Patrícia

—Se essas vadias aparecerem em minha frente de novo... eu não respondo


por mim! -Mads diz de maneira seria, porém rindo

—Como que você aguenta essas situações calada Yas? Eu não conseguiria -
Avani diz
—Nem eu sei direito -ri- eu não gosto de brigas, seja discussões ou até
mesmo agressão; sei lá.. sempre fui assim

Conversamos um pouco sobre assuntos aleatórios

—Amiga, onde você comprou esse par de brinco?? São lindos!! -Avani diz
encantada

—Obrigada! Ganhei de presente de um amigo!

—Sabe onde ele comprou? Eu tô pensando em mudar de brinco, estou com


esses faz duas semanas! -Avani aponta para seu par de brincos de cor
dourada com o formato de uma florzinha

—Putz.. não sei te dizer onde ele comprou amiga, mas posso perguntar se
quiser!

—Por favor! -ela sorri

—Falando em acessórios, eu quero comprar um colarzinho novo, mas tô em


dúvida entre um dourado ou um prata -Mads diz e dá um gole em seu
refrigerante

—ah, depende da roupa, depende da ocasião.. -digo analisando

—E esse colar aí Yas? Ele combina super com o brinco!! -Mads se refere ao
colar e ao brinco que Vinnie havia me dado

—Eu também ganhei do mesmo amigo! Ele comprou o brinco para


combinar com o colar! -sorri

—Hmmm... posso saber quem é o tal amigo que tá conquistando o


coraçãozinho da minha amiga hein?! -Mads diz rindo, com um tom de
malícia na voz para me provocar

—É mesmo! A gente precisa saber pra te dar a benção pro namoro dar
certo! -Avani pisca para Mads para ela continuar a me provocar
—Claro! Quem dirá pro casamento também! -Mads ri e continua a me
atentar

—Chega vocês duas! -digo rindo- ele é só.. um amigo! Apenas um amigo! -
falo nervosa

—Amigo de amizade colorida só se for, por que pra dar um colar e esses
brincos maravilhosos, só pode ser mesmo! -Mads diz rindo

—Agradeça viu Yas, por que eu nunca ganhei uma flor se quer de um
homem! Imagina se eu ganhasse algo assim -ela aponta para meu colar-
nossa senhora, eu caía dura no chão!! -Avani gargalha

—Eu também! Nenhum dos caras que eu já saí até hoje me deram um
presentinho! Nada! -Mads cruza os braços- teve até uns doídos que queriam
que EU pagasse a conta do restaurante! -Mads fala indignada

—Eu não me importo em dividir a conta, mas me deixar pagar a conta


sozinha aí é sacanagem! -digo dando um gole em minha bebida

—Eu também não me importo, mas eu acho que se o homem paga a conta,
ele se mostra ser mais educado, mais cavalheiro e tals.. -Avani diz

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

———

Antes que vocês venham brigar comigo por que eu não posto há dois dias,
eu posso explicar!
Meu carregador quebrou, e carregador de iPhone é uma merda, eles
quebram por qualquer coisinha! Sem contar que são caros!
Eu só consegui um novo agora, então peço desculpas pelo atraso
Capítulo 34
A noite foi incrível! Eu me aproximei muito de Avani, nos rimos, contamos
piadas, fofocamos e falamos sobre beleza e coisas da moda

No dia seguinte, eu estou na escola com Mads

—Não consigo entender o por que a escola optou por essa roupa! -Mads diz
brava

O uniforme de educação física é muito desconfortável! É um short grudado


ao nosso corpo um pouco acima do joelho que marca muito bem o bumbum
e as coxas, e sem contar da regata!

—Essa roupa é muito desconfortável! -digo para Mads enquanto saíamos


do vestiário

—Olha lá amiga, Vinnie veio te ver! -Mads sussurra assim que vê Hacker
se sentando em uma arquibancada da quadra

—Claro que não!

—Muito bem turma, hoje teremos vôlei! -o professor diz e alguns alunos
comemoram

—Eu não vou jogar! Vai quebrar minha unha e eu vou ficar toda suada! -
Amanda reclama

—E pra quem não quiser jogar -ele olha pra Amanda seriamente- vai ficar
na diretoria fazendo exercícios!!

Amanda bufa e cruza os braços

—Preparada pra perder Albina?! -Amanda me provoca

—Vai pro inferno! -Mads retruca Amanda


—Eu não tô falando com você esquisita! Se coloca no seu lugar! -ela diz
com o dedo quase que na cara de Mads

—Tira a porra do seu dedo da minha cara! -Mads grita

—Ei! Já chega!! Mais uma e você vai pra diretoria Amanda!! -O professor
grita

—Eu?? Mas eu nem fiz nada! Elas que vieram me atacando! -ela se faz de
coitada

A mesma revira os olhos bufando

[...]

O jogo foi bom! Meu time ganhou de 11X5 pro time de Amanda com seu
grupinho

—Graças a Deus o jogo acabou! Não dá pra jogar com essa roupa cara, o
short fica levantando toda hora, e sem contar que quando a gente ergue os
braços, precisamos cuidar para que a regata não suba também e deixe
nossos peitos a mostra -Mads ri

—Sim! Eu fiquei o jogo inteiro abaixando meu short por que ele subia toda
hora! -digo

—Mas você jogou muito bem!! A melhor parte foi quando o Hugo deu uma
bolada na cara da Amanda quando ele tentou fazer o saque!! -Mads
gargalha com a mão na barriga de tanto rir

—Para Mads, tadinha! O nariz dela até sangrou.

—Tadinha nada, ela mereceu! -Mads ri

Assim que colocamos nosso uniforme normal novamente, saímos da quadra


e começamos a andar pelo corredor até a sala de aula

—Senhorita Alles -Ouço a voz de Vinnie atrás de mim


—Eu.. eu vou na frente pra pegar o livro, vou deixar vocês conversando! -
Mads se retira rapidamente

—Quero te levar em um lugar depois da aula. -ele diz simples

—Que lugar Vinnie?

—Você já vai saber ué.

Olho seria para ele

—Por que não chama a Patrícia?! -jogo a pergunta de uma vez

O loiro arqueia uma sobrancelha

—Por que a pergunta Alles?

—Sua namorada não te contou do nosso encontro no shopping?!

—Não viaja Yasmim, eu não tenho namorada -ele diz rindo- e não, ela
não me disse sobre o encontro.

O sinal toca

—Me espera no estacionamento no final da aula. -ele diz simples e sai


com a mão no bolso

Sigo meu caminho para a sala

—Eai, o que ele disse?? -Mads pergunta curiosa

—Ele.. ele só perguntou se Amanda estava bem! -minto

—Aff, só isso?!

Concordo com a cabeça

—Bom dia turma! -o professor Alexandre entra na sala- abram os livros na


página oitenta e três! Fizeram o dever de casa?!
Assim que ele termina de falar, Amanda entra na sala com um papel no
nariz

A sala entra em um burburinho

—A senhorita está atrasada!

—A culpa é daquele selvagem! -ela aponta para Hugo- Eu levei uma bolada
na cara e tava na enfermaria até agora!

—Nem vem, você que não sabe jogar e quer colocar a culpa nos outros!! -
Hugo diz fazendo a sala inteira rir

Amanda fica vermelha de vergonha e raiva, mas se senta em seu lugar

[...]

No final da aula, faço assim como Vinnie pediu: fico no estacionamento


esperando ele

Não demora muito e o loiro chega

—Pra onde você vai me levar?!

—Você já vai ver porra -ele ri

—Vai me sequestrar eh?!

—Se eu quisesse fazer isso, eu já teria feito há tempos -ele me olha sério
mas fala de um jeito brincalhão

Entramos no carro e ele dá partida

Saindo do estacionamento da escola, eu e Vinnie entramos no seu carro


esportivo, o motor rugindo enquanto ele ligava o veículo. Vinnie, sempre
tão confiante, soltou um sorriso antes de abaixar o capô do carro,
permitindo que o vento fresco da tarde invadisse o interior. O céu estava
limpo, com poucas nuvens, e o sol brilhava intensamente, criando um
contraste perfeito com o azul do céu.
Enquanto saíamos do estacionamento, a estrada começou a se desenrolar à
nossa frente, longa e reta no início, mas logo se transformando em curvas
suaves que contornavam colinas verdes e campos abertos. As árvores ao
longo da estrada balançavam gentilmente, suas folhas sussurrando segredos
antigos ao vento. O rádio estava ligado, e em poucos minutos, a música
"Bohemian Rhapsody" do Queen começou a tocar, uma canção que ambos
conhecíamos de cor.

—Is this the real life? Is this just fantasy? -cantávamos em uníssono,
nossas vozes se misturando com o som da música. Eu deixava que o vento
bagunçasse meus longos cabelos loiros, sentindo a liberdade que só um
momento como aquele poderia proporcionar. Vinnie dirigia com uma mão
no volante, a outra batendo no ritmo da música, sua energia contagiante.

A cidade ficava para trás, os prédios altos e as ruas movimentadas sendo


substituídos por uma paisagem mais tranquila e aberta. Passamos por
pequenas fazendas, com campos dourados de trigo e gado pastando
preguiçosamente. As montanhas ao longe começaram a se destacar,
majestosas e imponentes, oferecendo um cenário deslumbrante enquanto
nos afastávamos cada vez mais da cidade.

No refrão, Vinnie aumentou o volume, e nós dois cantamos ainda mais alto,
sem nos importarmos se estávamos desafinados.

—Mama, ooh, I don't wanna die...-Os nossos risos se misturavam à


melodia, criando uma sinfonia própria. A estrada parecia infinita, e naquele
momento, nada mais importava além da música, do vento e da liberdade
que sentíamos.

Depois de algum tempo, Vinnie virou o carro em uma estrada de terra que
nos levou a um lugar um pouco mais isolado. Ele estacionou em frente a um
enorme muro de grades com placas de "não ultrapasse" e "propriedade
privada" espalhadas em intervalos regulares. O lugar parecia abandonado,
mas ao mesmo tempo, carregava uma aura de mistério e proibição que o
tornava intrigante.

—Chegamos! -disse Vinnie com um sorriso travesso, desligando o motor.


—O que é isso? -perguntei, olhando desconfiada para as grades
imponentes à nossa frente.

—É um pequeno segredo -respondeu ele, saindo do carro e caminhando


até um ponto específico da grade. -Vem, eu mostro pra você.

Eu saí do carro, hesitante, enquanto Vinnie ergueu um pedaço da grade,


revelando uma abertura estreita.

—Você quer que eu passe por aí? -perguntei, franzindo a testa.

—Sim -ele respondeu, com um brilho de diversão nos olhos. -Vai ser
divertido, eu prometo!

—Não sei, Vinnie. Isso parece uma má ideia.. -eu disse, cruzando os
braços.

—Confia em mim -ele insistiu, inclinando-se um pouco mais para mim. -


Eu venho aqui o tempo todo. É seguro, e você vai adorar o que tem do outro
lado.

Olhei para a abertura na grade e depois para Vinnie, que me observava com
um sorriso encorajador. Relutante, mas também curiosa, finalmente cedi.

—Ok, mas se algo der errado, a culpa é toda sua!! -avisei, ajoelhando-me
para passar por baixo da grade.

—Eu aceito a responsabilidade! -disse ele, ajudando-me a passar pela


abertura com cuidado. Quando finalmente passei, Vinnie logo veio atrás de
mim, e juntos, entramos no que parecia ser um mundo completamente
diferente, escondido por trás daquele muro de grades

No outro lado da grade, fui recebida por uma visão de tirar o fôlego. Um
lago cristalino se estendia à minha frente, suas águas tão límpidas que era
possível ver até o fundo, onde pequenos peixes nadavam tranquilamente. A
superfície da água refletia o céu azul e as nuvens brancas, criando uma
ilusão perfeita de um segundo céu.
Ao redor do lago, árvores de troncos esguios e galhos curvados formavam
uma espécie de cúpula natural. Suas folhas verdes e densas entrelaçavam-se
no alto, bloqueando qualquer visão do mundo exterior e criando um refúgio
íntimo e protegido. A luz do sol penetrava por entre as folhagens,
projetando sombras suaves e padrões dançantes no solo e na água.

Diversas flores coloridas pontuavam a paisagem, suas pétalas vibrantes


contrastando com o verde exuberante do gramado. Havia lírios brancos
flutuando na água, margaridas amarelas e violetas espalhadas pelo chão, e
orquídeas exóticas penduradas nos galhos mais baixos das árvores. O ar
estava perfumado com o aroma delicado dessas flores, misturado com a
fragrância fresca da água do lago.

Um gramado verde e bem cuidado circundava o lago, macio sob meus pés
como um tapete natural. No canto mais afastado, um pequeno deque de
madeira escura se projetava sobre a água, convidativo e sereno. A madeira,
polida pelo tempo e pelas condições climáticas, tinha uma tonalidade rica e
profunda que contrastava lindamente com o brilho da água ao seu redor.

—Uau, Vinnie... -murmurei, impressionada com a beleza do lugar- Isso é


incrível!

—Eu sabia que você ia gostar -ele respondeu, sorrindo enquanto observava
minha reação- É o nosso pequeno segredo agora.

—Como você encontrou esse lugar? -digo olhando ao meu redor


encantada

—Eu venho aqui dês de pequeno com Reggie!

Eu estava maravilhada com o local, sem sombra de dúvidas esse é o lugar


mais bonito que eu já vi na vida!!

Enquanto eu caminhava pelo gramado até o deque, não pude deixar de


sentir uma paz profunda, como se o mundo lá fora não existisse. O lago,
com sua beleza serena e intocada, era um refúgio perfeito, um lugar onde os
problemas e preocupações pareciam desaparecer, deixados para trás junto
com a grade de metal e suas placas de advertência.
Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

———

O capítulo anterior foi mais pra Yasmim e Avani se conhecerem, por isso o
capítulo ficou tão curto!
Capítulo 35
Conforme nos andávamos pelo terreno, eu me encantava ainda mais

Conforme andávamos pelo terreno, a luz do sol atravessava as folhas das


grandes árvores em formato de cúpula, criando um espetáculo de sombras e
reflexos. Cada raio de luz que se infiltrava entre as folhas projetava
desenhos intrincados no chão e fazia as gotas de orvalho nas folhas
brilharem como pequenas joias. Quando a luz finalmente alcançava a
superfície do lago, ela se refletia nas águas calmas, espalhando um brilho
cintilante que fazia o lago parecer um espelho encantado, ainda mais belo e
deslumbrante.

—Por que decidiu me trazer pra cá? -pergunto

—Sei lá, só senti que devia te trazer aqui. -ele diz simples, com sinceridade
na voz

Hacker se aproxima mais do lago andando sobre o deque de madeira e


começa a tirar suas peças de sua roupa

—O que você está fazendo Vinnie? -Me aproximo um pouco

Vinnie se aproximou do deque de madeira, com um sorriso travesso no


rosto. Ele começou a se despir, tirando seu moletom, sua camisa e,
finalmente, a calça. Em seguida, se afastou um pouco do deque,
preparando-se para pegar impulso.

Vinnie apenas riu e respondeu

—Confie em mim, vai ser divertido!

Ele saiu correndo, seus pés descalços fazendo barulho no deque, e pulou no
lago com um grande splash. Observei enquanto as ondulações se
espalhavam pela água, mas logo comecei a me preocupar quando Vinnie
não voltou à superfície.
—Vinnie!! Vinnie, onde você está?! -Comecei a gritar, meu coração
batendo mais rápido a cada segundo que passava.- Vinnie, isso não é
engraçado!! Volte logo!

Após alguns momentos angustiantes, a cabeça de Vinnie finalmente


emergiu da água, um sorriso largo no rosto enquanto ele ria do meu
desespero.

—Você deveria ver a sua cara! -ele disse, rindo.

Cruzei os braços, tentando esconder o alívio misturado com raiva.

—Você me assustou! Nunca mais faça isso de novo!!

Vinnie nadou até a borda do deque, ainda rindo.

—Desculpa gata, não pude resistir. Venha, a água está ótima!

Balancei a cabeça, ainda meio aborrecida, mas o sorriso de Vinnie era


contagiante.

—Você é impossível, sabia?

—É por isso que você gosta de mim. -ele respondeu, piscando.

De repente, Vinnie saiu de dentro do lago e correu em minha direção,


tentando me fazer entrar na água. Comecei a correr dele, gritando

—Para, Vinnie!! Eu não quero entrar na água! -Eu não conseguia parar de
rir

Vinnie finalmente me alcançou, me pegou no colo estilo noiva e começou a


correr em direção ao lago enquanto eu gritava

—Vinnie, eu não sei nadar!! -mas continuava rindo. Finalmente, ele pulou
no lago comigo em seus braços.

Debaixo da água, abri os olhos e vi Vinnie apontando para cima enquanto


me segurava no colo. Olhei na direção que ele indicava e a visão era
espetacular! A água cristalina permitia ver os raios de sol atravessando as
árvores e iluminando a água de uma maneira mágica. Tudo parecia ainda
mais bonito visto debaixo d'água, um verdadeiro espetáculo natural

Voltando para a superfície

—Ai meu Deus você molhou toda a minha roupa Vincent!! E agora?!!

—Fica sem, amor -ele me joga uma piscadela

—Claro que não! -digo envergonhada

—não tem nada aí que eu já não tenha visto.

Realmente, ele estava certo..

—Como eu vou pra casa com a roupa nesse estado Vincent?!

—Desculpe, não resisti. Mas veja pelo lado bom, a água está ótima, não
está? -Vinnie diz rindo

Eu tentando parecer séria, mas falhando

—Eu estou toda molhada, Vinnie. Com roupa e tudo. Você vai pagar por
isso.

—Então, venha me pegar! -Ele solta seus braços que estavam envolvidos
em meu corpo

—NÃO! VOLTA AQUI PELO AMOR DE DEUS! -Digo desesperada- eu


não sei nadar Vinnie!!

Vinnie gargalha com meu desespero, mas volta e me pega no colo


novamente

—Você é impossível! -digo rindo

Eu e o loiro ficamos conversando um pouco na água até que decidimos sair


e ficar sentados no gramado em frente ao lago
Ele estende seu moletom no chão para nós ficar sentados em cima

—Eu nunca trouxe ninguém aqui, só o meu irmão, é claro. Mas nenhum de
meus amigos e familiares pisaram o pé aqui. -Vinnie diz calmo enquanto
encarava o lago

—Nem mesmo a sua namorada?!

—Eu já te falei Alles, eu não namoro!! -ele diz rindo- e não, eu não trouxe
ela aqui Yasmim, não precisa ficar com ciúmes! -ele provoca

—Talvez você não saiba, mas eu sou uma das poucas mulheres que não se
rende ao charme de vinnie hacker — me aproximei de seu corpo
esquentando meu toque e envolvendo meus braços em seu pescoço- e você?
Resiste ao de Yasmim Alles?

—Ae? Tem certeza que não resiste ao meu charme?-me provocou me


puxando em um movimento preciso me colocando deitada sob seu moletom
e ficando por cima de mim

—não resiste né? - provoquei em um sorriso de canto, mas não durou um


segundo pois vinnie selou nossos lábios com tanta vontade, era como se
precisarmos disso a muito tempo.

Sua língua se debatia com a minha, seu hálito quente com gosto de menta,
seu cheiro indo a caminho de minhas narinas, me deixando totalmente
rendida, eu com certeza menti quando disse que resistia ao charme dele
O beijo e quente, eufórico, intenso, mas ainda sim e um beijo lento

Separou gentilmente nossas bocas dando um leve mordida em meu lábio


inferior, seguida de um sorriso do mesmo
Suas mãos foram de encontro com minha cintura, subindo ate os botões do
casaco que eu usava por cima de meu uniforme

Desabotoou um por um, sem pressa, mantendo o olhar em mim, enquanto


suspirava ofegante

—mal coloquei e você já vai tirar? - impliquei


—Você sempre dificultando meu trabalho, por mim nem precisava ter
colocado. - falou com semblante malicioso

Terminou os botões tirando meu casaco e minha camiseta, deixando meus


seios fartos a mostra do mesmo, que olhava como se fosse seu bem mais
poderoso

Sem excitar muito, abocanhou meu seio esquerdo enquanto sua mão
apalpava o direito, sua língua quente e seu toque frio me fazia percorrer um
choque até minha intimidade

Arfei segurando um gemido, sua língua deslisava pela minha estrutura, com
calma e precisão, seus olhos permaneciam fechados, mas ele parecia saber
cada lugar de meu corpo
Levei minhas mãos até seu cabelo acariciando enquanto ele fazia o trabalho
por todo meu seio

Ele fazia movimentos rápidos com a língua, com um profissionalismo de


invejar, seus lábios molhados em conjunto com sua língua quente era de se
enlouquecer

Quando abriu seus olhos, rapidamente foram de encontro aos meus, com
uma expressão divertida me vendo segurar todo o meu gemido

Mordi meu lábio inferior fechando os olhos com força enquanto ele
caprichava cada vez mais

—não segura o gemido Alles, quero te ouvir!- falou com uma voz rouca e
possessiva sobre mim

Deixei escapulir um gemido entredentes quando ele sugou meu peito


tirando sua boca

Seguiu o caminho descendo até minha barriga com beijos molhados, até
chegar na costura de minha calça

Sorriu malicia em seus olhos enquanto abria um sorriso de canto colocando


sua mão dentro
Deslisou seus dedos até minha calcinha mantendo o olhar em mim, que me
esforçava para não gemer.
Seus dedos finalmente foram em contato com minha entrada, absurdamente
molhada esperando um toque intenso seu

A única coisa que não permitia era o tecido fino da calcinha, que não
permitia que vinnie me tocasse 100%

Movimentou sem círculos por toda a minha extensão molhada, aumentando


a velocidade sobre mim cada vez mais
Ergueu seu corpo indo até minha boca depositando um selar de lábios lento,
com seus dedos ainda em mim

Abri minha boca sentindo um gemido vindo, enquanto vinnie roçava nossos
lábios, ambos com as respirações pesadas e hálitos quentes.

Ele fazia com seus dedos um movimento em deixando totalmente rendida


sobre o mesmo

Sua boca desceu até meu pescoço, depositando chupões nele, mordi meu
lábio inferior diante de suas atitudes
Estava chegando em meu ápice quando escuto um celular tocar, fazendo
vinnie prender sua atenção no lugar, mas sem parar com seus dedos

O celular de Vinnie começa a tocar em meu lado

Hacker suspira pesado, como se tivesse ficado bravo com a ligação

—O que você quer porra?!

—Onde você tá imbecil?! -Era a voz de Nick

—Na casa do lago, por que a pergunta?!

—Tá acompanhado Hacker?! -A voz maliciosa de Kio ao fundo

Vinnie me olha e ri

—Tô sim cara, a Yasmim tá aqui! -Ele ri


—Humm Yasmim é Vinnie estão namorandoo!! -Nick diz cantarolando
igual uma criança

—Cala boca idiota! -o loiro ri- diz logo o que você quer!!

—Aah sim, quase me esqueci! As 23 horas nós vamos ter uma reunião pra
decidir o plano. Não se atrase, afinal, você tá com a sua namorada né! -Nick
provoca

—A gente espera não ter atrapalhado nada hein! -Kio diz malicioso
provocando junto com Nick

—Vocês me atrapalharam seus idiotas!! -Vinnie grita

As vozes de Kio e Nick chocados no outro lado da linha era hilária!

—MEU DEUS EU NÃO ACREDITO!! -Kio comemora

—FINALMENTE! -Nick diz rindo e comemorando junto com Kio

Vinnie xinga eles e desliga a ligação

—Que plano era aquele que eles falaram? -arqueio uma sobrancelha

—São assuntos de trabalho Alles, ouviu o Nick - ele falou me puxando


pela cintura - eu juro que vamos terminar isso.

—Não me pareceu confiante. - torci minha cara e ele deu um sorriso me


dando um selinho enquanto suas mãos desciam para minha bunda, dando
um aperto em seguida

—Eu juro que por mais que eu te odeie, vamos terminar isso que
começamos - falou rente ao meu ouvido dando um leve mordida em meu
lóbulo, engoli seco soltando um suspiro e arrepio em meu corpo corria solto

—Agora vem, deixa eu te mostrar uma coisa -Vinnie me puxa, me


colocando de pé novamente
—Espera, deixa eu colocar uma roupa ao menos! -digo vestido minha
calcinha e sutiã novamente, assim que pego minha camisa, Vinnie me
interrompe

—Fica sem a camisa! Ela tá toda molhada mesmo -ele sorri me analisando

—gostou? Tira uma foto que dura mais, amor! -o provoquei

—Cadê meu celular?!! -Vinnie começa a procurar seu telefone com um


sorriso travesso no rosto

—Vincent! -ri- para com isso, onde você queria me levar?!

O loiro segura minha mão e começa a andar comigo pelo terreno até chegar
na entrada de uma trilha

—E se tiver algum bicho ai dentro?! Alguma cobra.. sei lá.. -paro de andar
e digo preocupada

—Pode vim, confia em mim! -ele me olha tranquilo- ou você quer que eu te
carregue?! -ele me provoca brincalhão

—Não precisa! Vai na frente. -Fico nervosa

Seguro na mão de Vinnie e começamos a andar pela trilha

[...]

Eu e Vinnie caminhávamos pela trilha ladeada por árvores frondosas, cujas


copas filtravam a luz do sol, criando um jogo de sombras no chão. O cheiro
da terra úmida misturado ao canto dos pássaros criava uma atmosfera
serena. Após cerca de oito minutos, Vinnie tomou a dianteira, afastando
galhos e folhas, e puxou-me pela mão para fora da trilha.

Quando saí da trilha, fiquei boquiaberta. Diante de mim estava uma


imponente mansão de três andares, com um design que misturava o clássico
e o moderno. As paredes externas eram de um branco brilhante, adornadas
com pedras naturais que davam um toque rústico e elegante ao mesmo
tempo. Janelas enormes, do chão ao teto, permitiam que se visse parte do
luxuoso interior, refletindo o entorno natural como espelhos.

A entrada principal era marcada por uma grande porta de madeira maciça,
esculpida com detalhes intrincados, ladeada por colunas de mármore. À
direita da casa, uma garagem espaçosa abrigava carros de luxo. À esquerda,
um jardim bem cuidado exibia uma variedade de flores coloridas,
contrastando com o verde das plantas.

No fundo, podia-se ver uma piscina de borda infinita que parecia se fundir
com o lago ao longe, criando uma ilusão de continuidade entre a água da
piscina e a do lago. Um caminho de pedras serpenteava do jardim até a
margem do lago, onde um pequeno cais de madeira se estendia sobre a água
cristalina.

—Vinnie, isso é... incrível! Você não me disse que o terreno do lago era o
mesmo da casa que você comprou no leilão!

Vinnie sorrindo, com um ar de mistério disse

—Queria que fosse uma surpresa. O que acha? Valeu a pena o


investimento?

Eu ainda maravilhada, olhando para a casa

—Valeu cada centavo! Nunca imaginei que fosse algo assim. Parece um
sonho...

Vinnie aproximando-se de mim, colocando uma mão suavemente no meu


ombro

—Estou feliz que você gostou. E essa é apenas a parte de fora. Espere até
ver o interior.

Eu sorrindo, ainda em choque

—Mal posso esperar! Você realmente sabe como surpreender alguém,


caraca!
Vinnie pegou minha mão e me guiou em direção à porta principal, ambos
ansiosos para descobrir o que mais a mansão reservava.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

———

Me desculpem o sumiço de ultimamente! Tenho ficado com muitas coisas


pendentes pra resolver e acabei não escrevendo muito durante esses dias.

Como vocês sabem, eu não tenho um dia exato ou uma hora exata que eu
poste, ex:todas as segundas e terças eu posto as 17:00.
Não, eu não tenho isso kkkkk

Estou me programando para postar um dia sim e um dia não para que dê
tempo de eu fazer capítulos mais longos e ajustar todas as críticas que
alguns de vocês tem feito bastante ultimamente (confesso que fico triste
lendo as diversas críticas, mas é a opinião de vocês e é isso que me ajuda a
melhorar a nossa fanfic).
Talvez eu poste mais de um capítulo por dia, não se preocupem, a autora de
vcs não vai sumir meus nenis!!
Capítulo 36
Entramos pela majestosa porta de madeira esculpida, e ele começou a falar
sobre cada detalhe da casa.

—Essa entrada aqui foi feita por artesãos italianos. Cada painel tem uma
história diferente. -ele afina a sua voz como se uma mulher estivesse
falando

Deve ser a mesma mulher que disse isso para ele

Eu acariciei a madeira, ainda em choque.

—É incrível, Vinnie!

Ele abriu a porta, revelando um vasto hall de entrada com um lustre de


cristal.

—E aqui é o salão principal. Até que é boa pra dar uma festa -ele olha ao
seu redor

Caminhamos pelo salão, e meus olhos se arregalaram ao ver os detalhes


intrincados nas paredes e no teto.

—Cada canto é mais impressionante que o outro.

—Espera até ver a sala de estar. Tem uma lareira que trouxeram de um
castelo francês do século XVII. Caro pra cacete! -ele coçou a cabeça

Enquanto ele falava, guiou-me até a sala de estar, onde a lareira realmente
dominava o ambiente. Eu estava sem palavras.

—Agora, vamos subir -disse ele, levando-me até uma escada de mármore.
-No andar de cima, temos os quartos.
Cada quarto que ele me mostrou era mais extravagante que o anterior.
Tecidos luxuosos, móveis de época, vistas deslumbrantes das janelas. Eu
estava maravilhada.

—E aqui, a joia da casa: a suíte master!! -anunciou ele, abrindo a porta


para um quarto que parecia ter saído de um conto de fadas- Tem um
banheiro com uma banheira de hidromassagem e uma vista incrível.- ele
esfrega suas mãos com um sorriso travesso no rosto

Ao entrar, fiquei completamente encantada. A suíte master era gigantesca,


com janelas do chão ao teto que ofereciam uma vista panorâmica do lago e
do jardim. As cortinas eram de um tecido aveludado e pesado, em um tom
de branco e bege que combinava perfeitamente com a decoração elegante
do quarto.

—Essa cama king size tem um colchão especial, feito sob medida- disse
Vinnie, dando um tapinha no colchão e em seguida me olha com malícia,
deve ter pensado besteira- É como dormir em uma nuvem. -ele ri

—É inacreditável. Parece um quarto de hotel cinco estrelas!! -Eu passei a


mão pelos lençóis de seda

—Não é só isso -continuou Vinnie, guiando-me até o closet- Tem espaço


pra roupas, sapatos, joias, o que você quiser.

O closet era maior que muitos quartos que eu já vi, com prateleiras
iluminadas e um espelho de corpo inteiro.

—Karalho! -ele olha ao seu redor- espera só até ver o banheiro- disse ele,
puxando-me pela mão.

O banheiro era ainda mais impressionante. Tinha uma banheira de


hidromassagem enorme, posicionada de forma que você pudesse relaxar
enquanto olhava para o lago. As pias eram de mármore, e havia um
chuveiro de vidro com múltiplos jatos de água.

—Vinnie, isso é surreal -eu disse, girando no lugar para absorver tudo. -
Eu nunca vi nada assim!
—Queria te surpreender. -disse ele, rindo- Vamos descer até lá de novo.

Ele me levou por uma escada em espiral que descia até um jardim
exuberante. Passamos por um pátio adornado com estátuas e flores exóticas
até que finalmente chegamos à beira do lago.

—Este lugar é surreal, Vinnie! -eu disse, sem conseguir desviar o olhar do
lago.-É como um sonho..

—Eu sabia que você ia gostar. E olha só o que 300 milhões de dólares
podem comprar. Uma loucura, né? -Vinnie sorriu, mais uma vez calmo e
confiante

Eu ri, ainda absorvendo toda a grandiosidade ao nosso redor.

—E você conseguiu hein. Estou completamente impressionada. Mas


como você sabe de tudo isso? Como você sabe que tal coisa foi feita por
italianos, tal coisa foi feita no século tal...?

—Depois do leilão, no dia seguinte, eles me mandaram a papelada e não


paravam de falar sobre isso -ele coloca a mão na testa- a o vaso de flor da
sala de estar foi feito por franceses, a mesa que está no segundo quarto de
hóspedes foi feita à mão por fulano e ciclano... mimimi mimimi -ele afina a
voz como se tivesse uma mulher falando e revira os olhos- essa porra ficou
enchendo meu saco com essas baboseiras, não tinha como não decorar! -ele
ri

—O lago faz parte da casa ou é outro terreno? É que dá pra ver daqui de
cima -olho vidrada pela janela em direção do lago

Não dava pra ver exatamente o lago, mas dava pra perceber as árvores em
formato de cúpula mais pra frente

—Não, é outro terreno. Eu comprei essa casa pra ter mais privacidade
quando eu estiver no lago. -disse simples

—Pera aí, então você gastou trezentos milhões de dólares só pra ter mais
privacidade?! Tipo, não era mais fácil fazer um muro mais alto ou coisa do
tipo? -coloco as mãos na cintura encarando o loiro

—Até que seria, mas a parte mais difícil é mais legal -ele me joga uma
piscadela

Claro, afinal, quem não tem trezentos milhões de dólares pra gastar como se
fosse bobeira? Quem nunca?!

—Onde você está indo?!

—Na cozinha ué, eu tô com fome. -ele diz indo em direção das escadas

Eu paro de andar assim que vejo um quarto com uma porta aberta

—Parece um quarto de criança, que fofo! -digo olhando ao meu redor

O quarto era um pouco menor que os outros, a decoração era como se fosse
um quartinho de um menininho

Ele não estava com móveis ou decorado, mas seu papel de parede entregava
tudo: carros! O papel de parede era de carros da hotwheels

—hum? -Vinnie aparece atrás de mim

—Olha que fofinho é esse quarto! -aponto para o papel de parede

—Até que é, mas eu ainda prefiro a minha suíte principal! -ele se gaba

—Mas é claro, aquele quarto parece um palácio! Esse aqui é mais


bonitinho -mostro a língua para o loiro

—Quem mostra a língua pede beijo, Alles! -ele me rouba um selinho


assim que termina de falar

—Vincent! -o repreendo

—Vem logo, eu tô com fome! -ele diz me puxando para a cozinha


—E dês de quando você sabe cozinhar Hacker?! -digo assim que entro na
cozinha

—Mas eu não sei -ele diz com um pacote de macarrão na mão- eu vou
tentar -ele começa a andar pela cozinha procurando ingredientes- com a sua
ajuda, é claro -ele ri

—Não, não, nada disso! Eu sou visita, quem tem que fazer isso é o dono
da casa! Eu sou convidada amor! -jogo uma piscadela pra ele

—Se você quiser comer uma gororoba, então fica aí de braços cruzados
mesmo! -ele diz sarcástico querendo me provocar

—Você não esquentou nem a água e quer falar de mim? -olho indignada
para ele

A luz suave da tarde iluminava a cozinha enquanto eu me sentava no


banquinho giratório, girando levemente de um lado para o outro. A ilha da
cozinha estava organizada, mas prestes a ser dominada pelo caos culinário.
Vinnie andava de um lado para o outro, abrindo gavetas e armários,
claramente perdido.

—Então, o que eu faço primeiro? -ele perguntou, segurando um pacote de


macarrão com uma expressão confusa.

—Primeiro, você precisa encher uma panela grande com água e colocar
no fogão para ferver -eu disse, observando-o enquanto ele procurava a
panela certa.

—Cacete, por que eu estou fazendo isso sozinho? Você devia estar me
ajudando -Vinnie resmungou, finalmente encontrando a panela e enchendo-
a de água.

—Porque alguém precisa te ensinar como se faz- eu respondi, sorrindo. -


Agora, enquanto a água está esquentando, pegue uma tábua de cortar e
corte alguns dentes de alho.
Vinnie pegou a tábua e o alho, começando a descascar os dentes com
dificuldade.

—Sério, você não vai nem cortar isso para mim?

—Estou aqui para orientar, Vinnie. Você consegue! -eu incentivei.

Ele bufou, mas continuou a cortar o alho.

—Ok, o alho está cortado. Cruzes que coisa fedorenta.. -ele cheira seus
dedos- E agora?

—Agora, você precisa de uma frigideira grande. Coloque um pouco de


azeite e frite o alho até ficar dourado. Mas cuidado para não queimar!

Enquanto Vinnie seguia minhas instruções, eu percebi que a água começava


a ferver.

—Pode colocar o macarrão na água agora. Ah, e não se esqueça de mexer


de vez em quando para não grudar.

—Estou me sentindo um cozinheiro de TV com você narrando tudo -ele


brincou, jogando o macarrão na panela.- posso fazer parte do MasterChef já
ó! -ele inclina um pouco a panela para que eu possa ver como está ficando

—Você está indo bem -eu disse, sorrindo.- Enquanto o macarrão cozinha,
vamos fazer o molho e as almôndegas. Pegue os tomates e corte-os em
pedaços pequenos.

—Eu realmente devia estar filmando isso. Ninguém vai acreditar que
estou cozinhando de verdade -ele disse, rindo orgulhoso de si mesmo
enquanto cortava os tomates.

—Você está indo muito bem, Vinnie. Agora, adicione os tomates na


frigideira com o alho e deixe cozinhar um pouco. Depois, adicione um
pouco de sal e pimenta.

Vinnie seguia minhas instruções, ainda resmungando de vez em quando


sobre como eu devia estar ajudando mais.
—Agora, para as almôndegas, você vai precisar de carne moída, pão
ralado, um ovo e temperos.

Ele pegou os ingredientes e os colocou na bancada.

—O que eu faço com isso?

—Misture a carne moída com o pão ralado, o ovo e os temperos em uma


tigela grande -eu disse, observando-o misturar tudo com as mãos.

—Isso é meio nojento. -ele comentou, fazendo uma careta.

"Faz parte do processo," eu ri. "Agora, faça bolinhas com a mistura e frite-
as em uma frigideira com um pouco de azeite."

Vinnie formou as almôndegas, ainda resmungando, e começou a fritá-las.

—Isso demora muito.

—Não tanto quanto você pensa -eu disse.- Enquanto as almôndegas estão
fritando, escorra o macarrão e misture com o molho.

Ele seguiu minhas instruções, escorrendo o macarrão e misturando-o com o


molho.

—Agora, adicione as almôndegas ao macarrão.

Vinnie deu uma última mexida e olhou para mim com um sorriso satisfeito.

—Eu fiz isso praticamente sozinho! -ele diz orgulhoso

—Fez sim -eu concordei ironizando- E está com uma cara ótima. Viu?
Não foi tão difícil.

—Foi difícil sim! -ele disse, mas rindo- o sol está quase se pondo! Vem
rápido! -ele diz deixando o macarrão de lado e me puxando pelo braço para
o lado de fora
—O que você está fazendo? A comida vai esfriar Vinnie! -digo gritando
enquanto ele permanece correndo segurando meu braço

—Eu não queria perder isso -ele diz ofegante quando parou de correr

—isso oque? -olho para trás e me deparo com o por do sol mais lindo que
eu já vi

O sol começava a se pôr no horizonte, tingindo o céu com tons de rosa, azul
e roxo. As cores refletiam no lago, criando um espetáculo deslumbrante.

Eu estava hipnotizada pela beleza do momento.

—É realmente incrível. Parece um quadro!

Ele sorriu, observando o horizonte.

—Achei que você ia gostar. É por isso que eu comprei esse lugar. Não só
pela casa, mas por momentos como esse.

Fiquei em silêncio por um momento, apenas apreciando a vista ao lado


dele.

—Obrigada por me trazer aqui, Vinnie. Foi a melhor surpresa de todas..

Vinnie me olha por alguns segundos e me puxa para um abraço

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 37
Voltamos para dentro de casa ainda maravilhados com a cena do belo pôr
do sol que presenciamos

—A comida não esfriou não, ainda tá quente! -Vinnie pega dois pratos
enquanto encara a fumaça que saía no macarrão

—Obrigada -Pego o prato que Vinnie me estende cheio de macarrão- está


com uma cara ótima! -digo assoprando a pequena porção que estava em
meu garfo

—humm... -Vinnie murmura com a comida na boca- tá perfeito! Mas é


óbvio né, com o cozinheiro gostosão que cozinho, não tinha como ficar
ruim! -ele se gaba

—Ei! Eu te ajudei também, não se gaba muito não por que você quase
queimou as almôndegas!

—Essa parte não é importante! Eu fiz tudo sozinho!

—Sozinho nada! Se não fosse pela minha ajuda, você nem estaria
comendo o macarrão! -faço careta para ele

—Você só me orientou, mas eu que fiz tudo sozinho! -ele dá outra garfada

Tá, eu tenho que admitir que realmente ficou muito bom! Mas ele não fez
sozinho não hein.

Continuamos a jantar, conversando e rindo, enquanto a noite caía lá fora. A


mansão, com todas as suas grandiosidades, parecia menos imponente e mais
acolhedora, graças à companhia agradável e à refeição deliciosa.

[...]
—Já que amanhã não tem aula, quer assistir um filme? -ele pergunta
recolhendo nossos pratos após terminarmos a refeição

—Amanhã não tem aula? Dês de quando?! -eu não estava sabendo de nada

—Você não olha o grupo da escola não?

—Como eu vou olhar se eu não tenho internet??!

—Me dá aqui -ele estende a mão para pegar meu celular

—ah sim -digo assim que vejo o grupo da escola após o loiro colocar a
senha da internet no meu celular

—Parece que essa gripe tá pegando geral, uns quatro professores estão de
atestado, aí não tem como deixar um bando de alunos com aula vaga a
manhã inteira. -Vinnie diz saindo da cozinha

—Vinnie! -chamo a atenção do garoto- tem como você ir buscar nossas


roupas lá no lago? Eu tô começando a ficar com frio.

—Por que você não vai? Não vai me dizer que tá com medo Alles??! -ele
provoca

—Eu não estou com medo.. -minto- mas vá que tenha algum bicho ou eu
me perca! Você conhece mais o caminho, vá você!!

Vinnie resmunga alguma coisa e sai da casa indo até o lago

Me sento no enorme sofá que tinha na sala e fico mexendo no celular

David voltou pra casa!

Mads está na Lux com Avani, elas haviam me mandando mensagem


perguntando se eu queria ir junto, mas como eu estava sem internet, não deu
pra responder.

—AAH!!! -Vinnie chega de surpresa por trás de mim, me dando um susto


—Se assustou amor? -perguntou irônico

—Não, não! Me deu vontade de gritar do nada mesmo. -digo brava com a
mão no coração ainda acelerado

Rapidamente visto minha camisa e calça, meu casaco não havia secado
totalmente ainda

—Vem, vamos pro meu quarto assistir um filme. -ele diz andando em
minha frente em direção da suite principal

—Eu que escolho o filme dessa vez! -digo

—Nada disso! Eu que escolho, a casa é minha!

—Não! Eu que escolho dessa vez Vinnie, da próxima você escolhe!

Começamos a brigar feito duas crianças

Assim que chegamos no quarto, Vinnie sai correndo e se joga na cama com
o controle na mão ligando a enorme TV

—Eu já disse, eu que escolho! -digo me deitando ao seu lado

—Vem pegar então! -ele estica seu braço para a beira da cama rindo, afim
de me fazer brigar com ele pelo controle

Começo a engatinhar pela cama enquanto Vinnie permanecia tentando fugir


de mim com o controle em mãos

Me jogo em sua direção, caindo por cima do loiro e finalmente pegando o


controle após longos sete minutos tentando

—CONSEGUI!!! -Comemoro sorridente com o controle na minha mão

—Só por que eu deixei! -ele apoia suas mãos em minha cintura

—Não aceita perder pra mulher, Vinniezinho??! -faço careta para ele o
provocando
O mesmo se ajeita melhor na cama, se sentando comigo em seu colo

—Eu não perdi, só deixei você pegar pra não ficar reclamando comigo
depois! -ele inventa uma desculpa e deposita um beijo em meu pescoço

—Hacker.. -estranhamente fiquei excitada com esse beijo..

—Eu adoro quando você me chama assim -ele diz com um sorriso travesso
em seu rosto e em seguida me rouba dois selinhos

—Vamos olhar o filme! -digo mudando de assunto enquanto eu procurava


alguma coisa pra assistir

O loiro deita sua cabeça sob meu ombro e começa a acariciar minha coxa

—Que tal esse?

—Comédia não! Coloca um terror aí! -ele resmunga

—Você sabe que eu tenho medo! Vai ser um de comédia sim!

—Então eu não vou olhar! -ele reclama feito criança- Prefiro fazer outra
coisa. -sinto malicia em sua voz

—Mas a gente já não fez isso hoje? -pergunto pensativa

—Não exatamente, Kio e Nick nos


atrapalharam, esses idiotas!

—Eu tô cansada.. culpa sua! -murmuro

—Vai ser rapidinho amor, não vou pegar tão pesado. -ele deposita um
beijo em meu pescoço

—promete? -arqueio uma sobrancelha

—Claro! -ele sorri travesso

—Aham sei.. -certo meus olhos para ele


—Você me deixa louco Alles! -ele ri

—eu não tenho culpa se você não consegue me tirar da mente!

—Tem culpa sim! Você com esse seu jeito calmo, carinhosa, toda
certinha.. diferente das outras garotas por aí.

—então quer dizer que Vinnie Hacker realmente não me tira da cabeça?
Quem diria hein. -ri

—Eu prometo que não vou pegar pesado! Eu juro!! -ele implora

Não posso mentir, eu realmente o quero! Eu preciso senti-lo! mas tenho


medo dele ser muito agressivo..

—Você é muito agressivo, muito bruto -ri

—Eu vou pegar leve, não vou te machucar. Eu te dou minha palavra!

Como ele gosta de me atentar! Meu Deus!

em segundos me vi agarrada em seu corpo, com nossos lábios selados,


línguas quentes em um beijo desesperado, era como se ele precisasse disso
a muito tempo

Levou sua mão até minha calça abrindo o zíper sem parar o beijo, envolvi
meus braços em seu pescoço vendo o beijo ficar cada vez mas fogoso

Arrancou minha calça e sem excitar tirou minha blusa juntamente ao sutiã,
abocanhando meus seios com necessidade

Sua língua quente em contato com minha pele tria, depositou uma levíssima
mordida em meu bico que fazer soltar um gemidinho arfando na cama

Levantou seu rosto colocando o dedo indicador sobre seus lábios em sinal
de silêncio para mim que dei uma risada mordendo meus lábios

Lentamente depositou um caminho de beijos molhados em minha barriga


descendo até minha intimidade, a calcinha vermelha de renda deixou vinnie
em um transe admirando cada parte de meu corpo

Puxou a calcinha me deixando totalmente nua em sua frente, o que vez


vinnie salivar com os olhos sedentos por mim, pelo meu corpo!

Senti sua língua pela primeira vez em minha intimidade, ele estava
encaixado perfeitamente em minhas coxas, fazendo movimentos
profissionais e maravilhosos sobre mim, me deixando loucamente
seduzindo pelo mesmo

Não consegui segurar por muito tempo e soltei um gemido pouco alto ao
sentir seus dedos em meu clítoris

—Não contenha seus gemidos amor, eles são músicas para meus
ouvidos!!- levantou seu queixo me olhando com um sorriso de canto,
satisfeito pelo poder que tinha sobre mim

—não para Vincent. - ordenei quase sem fôlego e o mesmo voltou a me


abocanhar

Passei meus dedos em seus cabelos loiros lisos segurando enquanto o


trabalho impecável com sua língua e dedos era feito

A velocidade aumentava e diminuía em sintonia com meu corpo, levei


minha mão até o lençol apertando com minhas unhas grandes

Me contraindo não cama enquanto era engolida até o talo por ele, que
caprichava cada vez mais, me deixando doidona por mais

Espremi meu corpo sentindo meu orgasmo vir, não segurando nem um
pouquinho o gemido como vinnie pediu

Porém ele não parou o serviço enquanto não sentiu meus músculos se
contraírem e meu líquido derramar em sua boca, chupou tudo, logo
levantando seu corpo novamente

Desabotoou a calça abrindo o ziper, deixando a borda de sua cueca box


preta a mostra.
Ergui meu corpo indo até o mesmo que me apreciava tirar seu membro da
cueca

Tava duro, pulsando, pedindo pra ser engolido, soltei um sorrisinho vendo
ele sedento como se estivesse com pressa

Minha língua brincou um pouco com sua glande, mas logo meti uma
garganta profunda fazendo ele jogar sua cabeça para traz abafando um
gemido rouco

Suas mãos foram até meu cabelo longo enrolando em seu pulso.

Coloquei o que consegui na boca e masturbei o resto, com o olhar ainda em


seu rosto, me divertindo com a expressão do mesmo

—porra, para não - ordenou entre gemidos pesados, envolvendo minha


cabeça em suas mãos, puxando até seu membro, me fazendo engolir
tudinho

Engasguei um pouco e vinnie deu um sorriso vendo minha boca molhada

Me levantei terminando de tirar sua roupa, deixando nos dois


completamente nus

Puxei para o beijo segurando seu pescoço com minha mão direita, enquanto
à esquerda ainda masturbava o mesmo

Parou o beijo com uma mordia em meu lábio inferior, agarrando em minha
cintura e em seguida deitou na cama me puxando para cima de seu corpo

Montei no mesmo erguendo meu quadril, e no mesmo instante sinto seu


membro duro me preencher completamente

Segurei em seu peitoral, fazendo movimentos de sobe e desce, meu cabelo


loiro e longo saltava junto comigo

Pov - Vinnie Hacker


Alles sentava sem dó nenhuma, mordi meu lábio reprimindo um gemido,
levando minhas mãos até sua cintura para ajudar nos movimentos

O quarto tinha um espelho de tamanho médio na parede, curvei minha


cabeça pouco para o lado vendo o grande espelho ao lado de Alles, observei
descaradamente seu corpo esculpido no espelho, marcada por curvas
magníficas

Seus cabelos loiros que a cada quicada batia em sua bunda grande.

Voltei meu olhar para seu rosto, que se espremia soltando gemidos gostosos
que ecoavam pelo meus ouvidos como música

Fechei os olhos, apertando sua bunda e mordendo meu lábio inferior, senti
meu orgasmo próximo, mas não podia ser tão agressivo, ela não fode com
tanta frequência e não faz muito tempo que eu tirei sua virgindade, eu
preciso me controlar!

Se bem que nem parece a Yasmim que eu conheço, toda santinha e tals,
acho que eu tô levando ela pro "mal caminho" no sentido perverso!

Tava no talo, então puxei o corpo de Alles pro lado, tirando ela de cima de
mim, mas não demorou muito pra sua boca ir de encontro com meu
membro novamente

Filha da puta.

Eu tava gostando pra caralho, mas gozar rápido assim? Longe de mim.

Ela deixava os fios de cabelo caírem sobre seu rosto, enquanto eu preenchia
sua garganta

Estiquei meu olhar para o teto revirando os olhos, essa mulher é


impossível!!

Consegui segurar meu orgasmo, mas não pensa que foi fácil não, fui até a
mesma puxando seu corpo, deixando-a de quatro sobre a cama.
Deslizei minha glande por sua extensão molhada, e em seguida enfiei tudo
de uma vez., fazendo Yasmim me repreender inúmeras vezes mas eu nem
prestei atenção, só retribui com uma risada

Aumentei a velocidade de vai e vem, reparando em cada parte de seu corpo,


reparando coisas que nunca tinha reparado. Pequenas cicatrizes no centro de
suas costas, mas quase que imperceptíveis

Desferi um tapa estralando em sua nádega direita, e a mesma soltou um


gritinho

A situação ficava cada vez mas mais difícil pra mim, e mais divertida pra
ela, que rebolava juntamente com meus movimentos. Uma coisa que nunca
fizeram comigo, e que me deixou hipnotizado.

Rapidamente ela trocou de posição ficando deitada em minha frente, desci


até a beirada da cama puxando seu corpo e encaixando em mim novamente

Segurei sua cintura firmemente, Yasmim passou seus braços em volta de


meu pescoço me puxando para perto e depositando um selar de lábios nosso

Afastei minimamente de sua boca, sentindo sua respiração pesada, acelerei


meus movimentos, escutando sussurros de gemidos escapando seu sua boca
semi aberta, que roçava na minha

Tirei minhas mãos de sua cintura me apoiando na cama, com meus braços
em volta de seu

Tirei minhas mãos de sua cintura me apoiando na cama, com meus braços
em volta de seu corpo, minha corrente de prata que batia levantando em seu
queixo

Soltei um gemido pouco alto ao sentir meu líquido enfim sair, tirei meu
membro de dentro da mesma, deixando pingar sobre sua cintura, subi meu
olhar fazendo uma expressão maliciosa olhando para a mesma, eu dizia
com os olhos que esse era só o primeiro round.
Com dificuldade e pernas bambas ela se levantou ficando colada em meu
corpo, juntando nossos lábios em um beijo quente, pude sentir sua língua
quente se mover junto com a minha, minha mão desceu até sua bunda
dando um aperto
Ela deu um sorriso no meio do beijo

—Já chega.. eu não aguento mais -ela sorri fraca, mas satisfeita

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

———

Eu sei que essa não é a Yasmim santinha que conhecemos kkkkk gente
vocês precisam entender que o Vinnie entra na mente da Alles de um jeito
absurdo kkkk ela ainda sim é toda certinha, mas eu a faço de um jeito mais
"safada" nos hot pra eles ficarem melhores, pq se dependesse da Yasmim,
ela seria virgem até hoje.
Então se acostumem, por que nos hot ela vai ser assim mesmo kkkkk

———


Vou fazer um pequeno desabafo aqui, não precisam ler, mas eu vou fazer
mesmo assim

De uns tempos pra cá, eu tenho percebido vários comentários negativos a


respeito da fanfic. (Eu leio TODOS os comentários, todos mesmo kkkk) e
tem diversos comentários do tipo: "a protagonista é detestável"; tem
pessoas que comentam que o hot que eu fiz ficou horrível; vários
xingamentos para a Yasmim e até mesmo para eu mesma a Autora.

Isso me desanima muito de escrever.. confesso que eu só sigo postando por


vocês que estão sempre me animando dizendo que os capítulos estão
perfeitos, por vocês que me fazem rir enquanto eu leio os comentários. E
por vocês que leem com seus namorados e amigas (sim eu li vocês
comentando isso kkkk)
Capítulo 38
Quem que é o doido que tá me ligando em plena 03:24 da manhã??!

—Alô? Quem fala? -coloco o celular perto do ouvido

—Filha! Que bom que você atendeu, mamãe já estava preocupada!

—Mãe? Você já viu que horas são pra senhora estar me ligando??! -digo
sonolenta me sentando na cama

—E oque que tem? Quando eu ligar, você precisa me atender na mesma


hora mocinha! -ela diz seria- vamos direto ao assunto! Seu pai quer te
apresentar uma pessoa..

—Oliver não é meu pai mamãe, você sabe disso.

—Cala a boca! Respeite seu pai Yasmim Alles!! -ela me repreende brava-
onde já se viu uma coisa dessas? Falar dessa forma com sua própria mãe?!!
-ela se ofende- amanhã, seu pai vai te apresentar a Aaron, um sobrinho de
seu pai.

—Oque? -coço meus olhos- por que eu tenho que conhecer esse tal de
Aaron?

—Por que vocês vão namorar! A gente já combinou tudo com a família
dele, não se preocupe querida! Mamãe já resolveu tudinho!

Não é possível, eu só posso estar sonhando ainda.. namorar com alguém


que eu nunca nem ouvi falar da existência?! E além do mais, é um namoro a
força.. mas nem ferrando!!

—Querida? -Minha mãe me tira de meus pensamentos-Você vai amá-lo, ele


é um amorzinho de pessoa!
—Mas mãe eu nem conheço ele, como você quer que eu namore com
alguém que eu não amo??! -me altero

—Já chega Yasmim! Já está tudo decidido, amanhã você vem aqui em casa
pra conhecer seu namorado! -ela desliga a ligação

Me deito na cama novamente ainda sem acreditar no que minha mãe


aprontou dessa vez

Olho para o lado e vejo Vinnie dormindo feito um anjinho, nem parece o
Hacker que eu conheço

Dês de que minha mãe conheceu o Oliver, ela mudou completamente! Ela
controla minha vida de uma maneira absurda! Sempre mandando eu fazer
coisas que eu não quero, protegendo alguém que machucou sua própria
filha!!

Não posso dizer que com papai as coisas eram totalmente diferentes.. eles
realmente se amavam, uma vez ou outra aconteciam brigas, mas não dessa
maneira! Não ao ponto de mudar a mente da mamãe completamente!!

—O que você tá fazendo acordada? -a voz rouca do Vinnie me tira de meus


pensamentos

—Ah, não é nada, é só.. um pesadelo. -coço meus olhos

Vinnie me puxa para mais perto, fazendo carinho em meus cabelos


enquanto eu estava com minha cabeça deitada em seu peito

Eu e Vinnie não temos nada, pelo menos eu acho que não.. eu não quero
que essa nossa amizade ou seja lá o que for seja interrompida por essa
baboseira de namoro com Aaron

O que deu na cabeça de minha mãe pra arranjar um namoro com um cara
que eu nem conheço??!

[...]
O resto da madrugada foi terrível!! Minha mente me torturou a noite inteira,
mal consegui dormir

Acordo de manhã no dia seguinte sem o Vinnie ao meu lado da cama

Me levanto com um pouco de dificuldade e ando em direção ao banheiro

—Ai que susto Vincent!! -grito após levar um susto ao ver Vinnie saindo do
banheiro sem camisa e usando uma calça moletom cinza

—Calma gata -ele ri- acordou de mau humor hoje é?! -ele provoca

—Desculpa -sussurro olhando para baixo

—Aconteceu alguma coisa? -ele arqueia uma sobrancelha- eu te machuquei


ontem??!

—Não! Não é nada relacionado a você, pode ficar tranquilo. -dou um leve
sorriso

—Então o que foi?

—É coisa da minha cabeça.. licença, eu preciso usar o banheiro -desvio dele


e me tranco no banheiro

Após alguns minutos no banheiro pensando na conversa que tive com a


minha mãe, saio do banheiro e vou até a cozinha

—Saiu um pouco queimado, mas da pra comer -o loiro coloca um prato


com um ovos mexidos, torradas e alguns bacons na minha frente

—Pelo visto eu libertei esse seu lado cozinheiro -digo rindo

—Não se gaba muito não, dessa vez eu fiz tudo sozinho! -ele diz todo
orgulhoso e dá um gole em seu café

—Eu sei que a aparência não tá muito confiável não, mas tá gostoso -ele
aponta para meu prato
—Obrigada! Pelo visto eu tenho um cozinheiro -digo sorrindo

—Ei, por que você está tão brava logo de manhã?

Eu desvio o olhar, mexendo na torrada no meu prato, sem responder. Vinnie


deu de ombros, decidindo mudar de assunto.

—Sabe, eu estava pensando em pintar meu quarto de roxo. O que você


acha?

—Roxo? Sério? Não é uma cor muito... sei lá, vibrante?

—Exatamente! Quero um quarto que me faça sentir vivo. Talvez eu


coloque algumas luzes neon também, para completar o visual. -ele me joga
uma piscadela com um sorriso de orelha a orelha

Eu ri de novo, a imagem do quarto de Vinnie parecendo mais uma discoteca


do que um lugar para dormir.

—Isso vai ser interessante. Talvez você devesse colocar uma bola de
discoteca no teto também.

—Ótima ideia! Assim posso ter festas todas as noites.

—seria mais fácil você fazer isso na Lux, é mais estruturado -digo rindo

Nós dois continuamos conversando sobre as ideias malucas de decoração de


Vinnie, ele sempre tentando arrancar uma resposta minha sobre o por que
de eu estar tão alterada logo de manhã cedo

—Sério, o que está te incomodando?

Eu apenas dei um sorriso enigmático, recusando-se a responder. Vinnie


suspirou dramaticamente.

—Tudo bem, se você não quer me contar, vou ter que usar minhas
habilidades de detetive!! -o loiro sai correndo em minha direção e começa a
me fazer cócegas freneticamente, me deixando sem ar as vezes
Eu ri alto, apreciando o esforço de Vinnie para me animar, mas ainda assim,
permaneci em silêncio sobre o motivo de minha raiva.

Eu não o respondia, não acho que seja o momento certo de contar isso a ele.
Quero resolver com minha mãe, e aí sim eu conto para o Vinnie!

[...]

Eu e Vinnie saímos da mansão, com nossos passos ecoando suavemente no


chão de pedras. Seguimos em direção à trilha, onde o sol filtrava-se pelas
copas das árvores, criando um jogo de luz e sombra no caminho.

Ao entrarmos na trilha, o ambiente mudava. O som distante de pássaros


cantando misturava-se com o farfalhar das folhas ao vento. Vinnie e eu
caminhávamos lado a lado, apreciando a diversidade de flora ao redor.
Flores de cores vibrantes enfeitavam o caminho, com borboletas coloridas
esvoaçando de flor em flor.

—Olha só essa, Vinnie! -disse eu, apontando para uma flor de pétalas
roxas e amarelas. -É incrível como a natureza pode ser tão diversificada.

—Realmente, é impressionante. Cada detalhe parece ter sido


cuidadosamente pintado. -Vinnie disse sorrindo e concordando

Continuamos caminhando, absorvendo a serenidade do lugar. Cada passo


revelava novas plantas e flores, algumas que nunca havíamos visto antes. A
trilha parecia um corredor de beleza natural, convidando-nos a explorar
mais a cada curva.

Após cerca de nove minutos de caminhada, a trilha começou a se abrir, e


chegamos ao final do caminho. Diante de nós, o terreno do lago se revelava
novamente. O lago estava calmo, suas águas refletindo o céu azul e as
árvores ao redor como um espelho.

Parámos na beira do terreno, apreciando a vista. O ar estava fresco, e uma


brisa suave soprava, trazendo consigo o aroma da vegetação circundante.

—Esse lugar é realmente especial -disse eu, respirando fundo.


—É, dá uma sensação de paz imensa! -concordou Vinnie, observando o
reflexo das nuvens nas águas do lago.- quem sabe um dia eu te traga aqui
novamente. -ele me abraça e sussurra em meu ouvido

—Quem sabe um dia.. -o abraço de volta

Vinnie olhou ao redor, localizando um ponto na cerca onde poderíamos


passar. Ele caminhou até lá e ergueu um pedaço da cerca, criando uma
abertura suficiente para que eu pudesse passar por baixo.

—Vai em frente -disse ele, segurando firmemente a cerca.

—Você devia colocar um portão aí pra não precisar fazer isso toda vez!

—Mas aí vai estragar a adrenalina amor, assim é mais legal! E sem contar
que vai estragar a estética de lugar perigoso e tudo mais -ele ri- afinal, quem
diria que atrás desse muro tem um lago? Ninguém né?! Pois então, assim
fica mais legal!

Abaixei-me e passei por baixo da cerca, sentindo a grama fresca roçar em


minhas mãos enquanto me levantava do outro lado. Vinnie então soltou a
cerca e pulou habilmente por cima, aterrissando suavemente ao meu lado.

—Vamos -ele disse, indicando o caminho com a cabeça.

Andamos um pouco até o carro de Vinnie, que estava estacionado no


mesmo lugar onde ele o havia deixado. Ele abriu a porta do motorista e fez
um gesto para que eu entrasse no lado do passageiro.

—Aqui estamos -disse Vinnie com um sorriso, enquanto se acomodava no


assento e ligava o motor. -Pronta para ir?

—Pronta... -Minto, mas assenti sorrindo de volta.

Enquanto Vinnie dirigia de volta para a cidade, o carro deslizava


suavemente pelas estradas, com a música tocando baixinho no fundo. Eu
olhava pela janela, observando as paisagens passarem rapidamente,
sentindo-me mais tranquila depois da caminhada na trilha.
Ao nos aproximarmos do meu condomínio, Vinnie quebrou o silêncio.

—Então, você ainda não me contou por que estava tão brava hoje de
manhã. O que aconteceu?

Eu suspirei, desviando o olhar para minhas mãos no colo.

—Prefiro não falar sobre isso, Vinnie.

Ele lançou um olhar rápido na minha direção, insistindo gentilmente.

—Você sabe que pode contar comigo, certo? Só quero ajudar.

Eu permaneci em silêncio, e Vinnie percebeu que não queria continuar o


assunto. Respeitando minha decisão, ele mudou de tema, tentando trazer
leveza à conversa.

—Ei, ouvi falar de um filme novo que vai lançar no cinema esta semana.
Parece bem interessante. O que acha de irmos assistir na sexta?

Olhei para ele, agradecida pela mudança de assunto.

—Parece uma boa ideia. Qual é o filme?

—É uma ficção científica com bastante ação. Acho que você vai gostar! -
disse ele, sorrindo. -Podemos combinar de ir juntos.

—Combinado! -respondi, tentando relaxar um pouco mais. -Vai ser bom


sair e se distrair um pouco.

—Chegamos. Se precisar de alguma coisa, é só me chamar. -Finalmente,


chegamos ao meu condomínio. Vinnie estacionou o carro e desligou o
motor.

—Obrigada, Vinnie. Por tudo -disse, abrindo a porta do carro e saindo.

Ele acenou, observando enquanto eu caminhava em direção de minha casa

Ouço o motor de seu carro indo embora


Assim que destranco a porta e a abro, me deparo com uma cena terrível

Minha mãe e Oliver estavam sentados em meu sofá conversando e rindo


alto

Mais que porra é essa?!! Como eles entraram??!!

—O que vocês estão fazendo dentro da minha casa?!! Saiam agora!! -


grito

—Abaixa seu tom pra falar com seu pai mocinha!! -Oliver se levanta do
sofá

—Co-como vocês conseguiram meu endereço e entraram na minha


casa?!! Vocês invadiram a minha casa! Isso é crime!! -me altero

—Yasmim Alles, se você continuar a falar assim com seus pais.. -ela
ergue a mão- não me obrigue a usar a violência! Mais respeito menina!! -ela
dá um passo e suspira- agora vá se arrumar para conhecer seu namorado,
ele já está chegando! -ela aponta para as escadas

—Namorado?! Claro que não mamãe, você está pensando direito? Você
está obrigando a sua filha a namorar um cara que ela nem conhece!

—Filha, por favor, a gente está fazendo isso para o nosso bem. São
negócios, o pai do Aaron está negociando com a gente para que vocês
namorem para os negócios da família irem bem!!

—Não me chame de filha, Oliver! Mãe, você está vendendo a sua filha
para que os negócio do seu namorado deem certo?! Eu não acredito!!! -
coloco a mão na cabeça

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 39
—Vai trocar de roupa agora Yasmim!! Eu estou mandando! -minha mãe
grita

—Como vocês entraram aqui??!

—Filha, vá trocar de roupa agora! -Oliver me olha sério

Por que diabos ele insiste em me chamar de filha??!

—Por favor, se retirem da minha casa! Ou eu vou ser obrigada a chamar à


polícia!! -ameaço

—Nem pense nisso! -Oliver se altera e dá uns passos para frente

Rapidamente eu pego meu celular e começo a discar o número da policia

Ou pelo menos tento discar...

Em um piscar de olhos, Oliver aparece em minha frente tomando o celular


de minha mão e o entregando para minha mãe

—Me devolve ele agora!! -Saio correndo na direção de minha mãe para
tentar pegar meu celular mas Oliver me impede me segurando pelos cabelos
e desferindo um soco em minha barriga

Acabo caindo no chão com muita dor e falta de ar

—Você quer mesmo esse celular Yasmim? Pode pegar então!! -minha
mãe joga meu celular com tremenda força o chão, o fazendo se despedaçar
por inteiro

—NÃO!! POR QUE VOCÊ FEZ ISSO??!! -Tento me levantar do chão


ainda com dor
—Seu celular escorregou da mão da mamãe, me perdoa filha. -ela se senta
no sofá novamente como se não houvesse acontecido nada demais

Droga, por que diabos eu não convidei Vinnie para entrar comigo??! Nada
disso teria acontecido se eu não fosse tão idiota!

Ele já deve estar longe... mais que merda!!

Oliver me segura pelo braço me obrigando a ir até meu quarto para me


trocar

—Eu comprei um vestido lindo, coloque para impressionar seu namorado,


querida! -minha mãe aponta para um vestido de cor azul claro que está em
cima de minha cama e tranca a porta do meu quarto

A sacada é muito alta para pular, nem pensar! A janela do banheiro é


minúscula, eu mal passaria nela.. e no outro lado da porta está mamãe e
Oliver.

Se eu gritar para que algum vizinho escute, na mesma hora mamãe e seu
namorado vão entrar no quarto e sabe se lá o que iria acontecer comigo..

Como eles conseguiram meu endereço?? Dylan não passaria para eles..

Por que mamãe virou esse.. esse monstro? Não gosto de chamar minha mãe
desse apelido, mas nesse momento não tem palavra melhor para descrevê-lá
do que isso.

Faz muito tempo que eu não a via dessa maneira, acho que dês de que papai
morreu eu não a via "transformada" dessa forma, mas dessa vez ela está
pior! Com papai, era raro os dias que ela acordava alterada e mandona, e ela
não era tão ruim assim não, ela era bem mais tranquila. Mas com Oliver..
caraca ela se transformou do dia pra noite!!

[...]

—Você está linda, filha! -minha mãe segura em meus ombros me olhando
de cima a baixo com um sorriso enorme no rosto
—Ele chegou! -Oliver diz sorrindo enquanto descia as escadas

Riger sussurra uma coisa em meu ouvido antes de descer as escadas que me
deixou em completo pânico e choque..

Ele não seria capaz disso! Ou seria..?

—Nem pense em estragar esse namoro Yasmim! -minha mãe sussurra em


meu ouvido enquanto aperta fortemente meu pulso, me ameaçando

—Aaron, meu querido sobrinho! Como é bom te ver, rapaz! -Oliver abraça
o homem

Aaron tem cabelos e olhos negros, alto, aparentemente forte e tem diversas
tatuagens pelo corpo;a mais chamativa era um escorpião um tanto quanto
grande em seu pescoço. As do braço eu não consegui ver muito bem

Não querendo falar nada.. mas as tatuagens de Vinnie são bem mais
bonitas!

Aaron estava vestindo uma camisa vermelha com um short preto, os


acessórios eram uma corrente de prata por cima da camisa e um relógio
prata em seu pulso direito

—Aaron, essa aqui é minha filha Yasmim Alles. -ele aponta com sua mão
direita para mim enquanto sua mão esquerda está sob o ombro de seu
sobrinho.- Filha, esse é Aaron Riger!

—Muito prazer, Aaron! -estendo minha mão para o garoto

—Eai. -ele me cumprimenta fazendo um sinal com a cabeça, me deixando


no vácuo

—Vamos, sentem-se! -minha mãe nos guia até o sofá com um sorriso
enorme no rosto

—Vamos deixar o casal a sós para eles se conhecerem melhor, amor! -


Oliver diz sorrindo enquanto sai com minha mãe para o andar de cima
Assim que os dois saem da sala, Aaron começa a mexer em seu celular me
ignorando completamente

Após cinco minutos em um silêncio mortal entre nós dois, eu decido


quebrar esse clima

—Então.. o que gosta de fazer? -tento puxar assunto

—Nada. -ele responde seco ainda com a atenção no celular- e não, eu não
quero saber o que você gosta de fazer. -ele me olha por alguns segundos e
dá um sorrisinho forçado, parecendo um deboche; mas longo volta
totalmente sua atenção ao seu telefone

Fala sério, como eles querem que eu namore alguém assim?! Ele nem faz
questão de falar comigo!

Ficamos por mais alguns minutos em silêncio, até que ele fala

—Não tem nada pra comer nessa casa não? -ele finalmente tira sua atenção
do celular e olha em volta procurando a cozinha

—Desculpa, ainda não deu tempo de ir no mercado essa semana. -dou um


sorriso tentando quebrar o clima chato que ficou

Aaron murmura alguma coisa e suspira alto, parece estar cansado

É sério que ele vai ficar só no celular??! Pelo amor de Deus..

—Olha, já que vamos namorar, precisamos nos conhecer. -tento puxar


assunto novamente

—Olha aqui o Ya.. Yasmim né? -ele acaba esquecendo meu nome e tenta se
lembrar- não é só você que tá sendo obrigada a ficar nesse relacionamento. -
ele diz rude

—Por que está aqui então?

—Os nossos pais! -ele se refere a Oliver e a seu pai


—Oliver não é meu pai! -o corrijo um pouco alterada

—Ele te chamou de filha e disse ao meu pai que era seu legítimo pai, não
mente pra mim Alles. -ele me olha sério e confiante no que disse

—Por que eu mentiria sobre isso? Ele realmente não é meu pai, ele é meu
padrasto.

—Mais mentiras.. essa merda de relacionamento não vai dar certo. -ele bufa

—Não estou te obrigando a acreditar em mim., não sou eu quem estou


mentindo, pergunte ao seu tio a verdade. -digo simples

Aaron arqueia uma sobrancelha me olhando e logo direciona sua atenção


para a escada

—Vejo que estão conversando, que maravilha!- minha mãe diz sorridente
enquanto descia as escadas- a reserva do restaurante já está feita, será um
ótimo passeio no shopping!

—Só não voltem muito tarde! -Oliver pisca para Aaron

—Que passeio é esse que vocês estão falando? -pergunto

—O jantar no restaurante que vocês vão ir hoje a noite, filha. Já se


esqueceu? Mamãe te disse isso ontem! -ela mente

—Ah, sim! Verdade, tinha me esquecido! -minto colocando a mão na testa

Aaron se levanta e vai em direção da porta de entrada mexendo no celular

Minha mãe faz um sinal com a cabeça para que eu o seguisse e assim faço

Aaron e eu estamos no carro, indo para o shopping. O silêncio entre nós é


quase ensurdecedor, interrompido apenas pelo som baixo da rádio. Aaron
está dirigindo, com os olhos fixos na estrada, enquanto eu olho pela janela,
tentando ignorar o desconforto.
Finalmente, chegamos ao shopping. Aaron estaciona o carro e, antes de
sairmos, ele suspira, parecendo se preparar para a tarefa que nos espera.

—Lembre-se, temos que parecer um casal feliz. Isso é importante para as


nossas famílias.

—Eu sei. -forço o sorriso

Saímos do carro e caminhamos em direção à entrada do shopping. Aaron


olha em volta, como se estivesse avaliando a situação, e então, sem aviso,
pega minha mão e entrelaça nossos dedos. O gesto é inesperado, mas eu
mantenho a compostura e aperto sua mão de volta, tentando parecer natural.

Dentro do shopping, o ambiente é movimentado e cheio de vida. Passamos


por várias lojas e vitrines, e eu sinto os olhares curiosos das pessoas ao
nosso redor. Aaron mantém a postura firme, mas ainda distante, apenas
cumprindo o papel que nos foi imposto.

—Podemos dar uma olhada nas lojas de roupas? Quem sabe encontramos
algo interessante. -tento aliviar a tensão

—vamos lá.

Entramos em uma loja de roupas elegantes. Enquanto olho as araras, sinto


Aaron ao meu lado, mas ele não parece estar realmente interessado no que
estou fazendo. Mesmo assim, continuo tentando manter a conversa.

—O que você acha deste vestido? Acho que ficaria bom em mim!

—Parece bom. -disse simples

Eu pego o vestido e vou para o provador. Quando saio, Aaron está


esperando, ainda com aquela expressão indiferente.

—Ficou legalzinho, leva ele. -Aaron diz

—Obrigada.

Enquanto andávamos pelo shopping, até que vejo alguém conhecido..


Nick??!

O mesmo estava sentado em um banco com um outro rapaz tomando


sorvete com várias sacolas ao seu redor

Ele nota minha presença, logo começa a cochichar algo para o rapaz que
estava ao seu lado

Nick me encarava confuso, dividindo seu olhar entre Aaron e eu

Continuamos andando pelo shopping, agora parando em uma cafeteria.


Sentamos em uma mesa próxima à janela, e Aaron faz o pedido enquanto
eu olho ao redor, tentando encontrar algo que possa quebrar o gelo entre
nós.

—Esse lugar é bem bonito. Você vem aqui com frequência?

—Não muito. Normalmente estou ocupado com o trabalho.

—Entendo. Talvez devêssemos tentar encontrar um pouco de tempo para


relaxar e nos conhecer melhor, fora do ambiente de trabalho.

Aaron não responde de imediato, apenas olha para mim, como se estivesse
ponderando sobre minhas palavras. Finalmente, ele dá um leve aceno.

—Vamos ver como as coisas se desenrolam.

A conversa é interrompida quando o garçom traz nossos pedidos.


Continuamos a comer em um silêncio desconfortável, mas com uma
pequena esperança de que, eventualmente, poderíamos encontrar um meio-
termo.

Após o breve café da tarde, passeamos um pouco mais no shopping e fomos


no restaurante que fica a algumas quadras de onde estávamos

Estamos no elegante restaurante La Belle, onde a luz suave das velas e a


música ambiente proporcionam um cenário ideal para um jantar romântico.
No entanto, o clima entre eu e Aaron está longe disso. Aaron está sentado à
minha frente, mas seus olhos estão fixados na tela do celular, onde parece
estar imerso em alguma conversa ou tarefa importante.

Eu tento puxar assunto pela terceira vez na noite.

—Então, Aaron, como foi seu dia hoje? -digo com um sorriso forçado

Aaron murmura algo inaudível, sem tirar os olhos do celular. Suspiro e


decide tentar de novo.

—Estava pensando... já que vamos ter que passar muito tempo juntos,
talvez possamos nos conhecer melhor. Qual é o seu hobby favorito?

Aaron finalmente levanta os olhos por um breve momento, apenas para dar
um aceno curto antes de voltar ao celular.

—Ah, não tenho muito tempo para hobbies.

Sinto frustração crescer, mas me mantenho calma, decidida a não deixar a


situação te vencer.

—Entendo. Bom, eu gosto de ler e caminhar no parque. Acho que


poderíamos encontrar algo em comum para fazer juntos!

Aaron apenas dá um leve "uhum" sem real interesse. Percebo que esse
caminho não está funcionando, então tento uma abordagem diferente.

—E sobre viagens? Há algum lugar que você gostaria de visitar um dia?

Aaron suspira, claramente irritado pela interrupção.

—Olha, não estou muito interessado nessas conversas agora. Estou ocupado
com algo importante.

Você sente um nó na garganta, mas não quer deixar transparecer sua


decepção.

—Certo, eu entendo que você está ocupado. Mas acredito que, se vamos
fazer isso funcionar pelos negócios das nossas famílias, precisamos pelo
menos tentar conversar.

Aaron finalmente coloca o celular de lado, embora relutantemente, e olha


para mim

—Ok, vamos tentar. O que você quer saber? -ele cruza os braços e me olha
sério

—Obrigada por me dar um pouco da sua atenção. Então, eu queria saber


mais sobre você. Como foi sua infância?

—Normal. Cresci em uma família rica, fui para boas escolas, nada de
especial. -o garoto suspira

—Entendi. E você tem algum sonho ou objetivo pessoal além dos negócios
da família?

—Não vejo o porquê de falar sobre isso. Tudo gira em torno dos negócios,
então é o que importa. -Aaron diz revirando os olhos

Tento não deixar a frustração transparecer e decido mudar de assunto.

—Ok, talvez algo mais leve. Qual é a sua comida favorita? Podemos pedir
algo que você goste!!

—Tanto faz. Só quero terminar logo esse jantar. -disse rude

Sinto o desconforto crescer, mas não queria desistir tão facilmente.

—Certo. E sobre filmes ou séries? Há algum que você goste de assistir?

—Não tenho tempo para isso. Meu foco é trabalhar e garantir que os
negócios prosperem.

—Entendi. Sabe, eu também valorizo muito o trabalho, mas acredito que é


importante termos um equilíbrio. Encontrar tempo para relaxar e aproveitar
a vida é essencial. -tento manter o tom amigável
—Olha, se você quer passar o tempo assistindo filmes e passeando no
parque, tudo bem. Mas eu tenho prioridades. Não vou mudar quem eu sou. -
o moreno diz irritado

A conversa é interrompida pelo garçom que chega com os pratos. O silêncio


entre nós dois é quase palpável enquanto começamos a comer.

—Aaron, eu sei que não pedimos por essa situação, mas se vamos fazer isso
funcionar, pelo menos precisamos tentar entender um ao outro. Não precisa
ser agora, mas talvez com o tempo, possamos encontrar um meio-termo.

—Vamos ver. -disse secamente

Assim que olho em direção da porta de entrada do restaurante, vejo Nick e


Kio entrando e se sentando na mesa atrás de Aaron

Os dois se sentam de frente para mim, enquanto Aaron estava de costas


para eles

Nick começa a fazer uma espécie de "mímica" com as mãos enquanto Kio
me olhava com uma expressão nada boa, parecia estar muito, mas muito
bravo comigo!

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 40
—Vou pedir um vinho pra acompanhar o jantar, vai querer? -Aaron diz
olhando pro cardápio

Eu sorrio, apreciando o gesto, mas balanço a cabeça.

—Obrigada pelo convite, Aaron, mas eu não bebo.

Aaron levanta uma sobrancelha, visivelmente surpreso.

—Você não bebe? Isso é incomum.

—Sim, nunca gostei muito de bebidas alcoólicas. Prefiro evitar.

Aaron parece ponderar sobre minha resposta por um momento antes de dar
de ombros, com um toque de indiferença.

Ele faz um sinal para o garçom, que se aproxima rapidamente. Aaron, com
uma postura confiante e um toque de arrogância, aponta para a carta de
vinhos.

—Vou querer o Château Margaux, safra de 2000, por favor.

O garçom, impressionado, anota o pedido e se retira para buscar o vinho.


Eu observo Aaron, que parece satisfeito com a escolha.

—Você realmente gosta de vinhos caros, não é?

—Acredito que, se vamos fazer isso, devemos fazer direito. E o Château


Margaux é um dos melhores.

Eu dou um leve sorriso, apreciando seu gosto refinado, mesmo que isso não
me afete diretamente.
O garçom retorna com a garrafa de vinho, fazendo questão de apresentar a
etiqueta a Aaron antes de abrir. Ele serve um pouco no copo de Aaron, que
degusta e aprova com um leve aceno.

—Senhor, gostaria que eu deixasse a garrafa na mesa? -o garçom pergunta


com a garrafa em suas mãos

—Sim, por favor.

O garçom deixa a garrafa na mesa e se afasta, deixando-nos novamente a


sós. Aaron toma um gole do vinho, claramente apreciando cada sabor, mas
não faz nenhum esforço para continuar a conversa.

O jantar continua em um silêncio desconfortável, com Aaron evitando


puxar assunto e mantendo sua atenção no vinho e na comida. Tento ignorar
a tensão, concentrando-me no meu prato.

—Aaron, você conhece Dylan? -pergunto curiosa tentando quebrar o clima

Aaron olha para mim, erguendo uma sobrancelha. Ele parece considerar a
pergunta por um momento antes de responder.

—Já trombei com Dylan algumas vezes. Mas, sinceramente, não vou com a
cara dele."

Eu fico surpresa com a franqueza de Aaron e decido investigar mais.

—Por quê? O que aconteceu entre vocês?

Aaron solta um suspiro, claramente irritado pelo assunto.

—Ele é muito metido e arrogante. Não suporto aquele playboyzinho.

Fico um pouco desconfortável com a intensidade das palavras de Aaron,


mas mantenho a calma.

—Nossa, o que ele fez para te causar essa impressão?

Aaron revira os olhos, claramente exasperado.


—Acha que é melhor do que todo mundo só porque tem dinheiro e
conexões. Vive desfilando por aí, como se o mundo girasse ao redor dele.
Não suporto esse tipo de gente.

Eu tento manter a conversa neutra, mas é difícil ignorar o tom de Aaron.

—Eu sei que Dylan pode ser um pouco exibido às vezes, mas talvez ele
tenha motivos para ser assim. Às vezes, as pessoas agem de certas maneiras
por causa de inseguranças.

—Pode ser, mas isso não muda o fato de que ele é insuportável. Não tenho
paciência para esse tipo de atitude. -Aaron diz balançando a cabeça

O clima entre nós fica ainda mais tenso, mas tento não deixar isso me
afetar.

—Entendo sua frustração.. Só queria que vocês se dessem uma chance.


Afinal, estamos todos no mesmo círculo social agora.

Aaron parece considerar minhas palavras, mas não parece convencido.

—Talvez. Mas ele vai ter que mudar muito para eu mudar de opinião.

O jantar continua em um silêncio desconfortável após essa troca de palavras

Depois de algum tempo, Aaron parece lembrar de algo. Ele enfia a mão no
bolso de sua bermuda e, sem qualquer cerimônia ou preparo, coloca uma
pequena caixa de veludo sobre a mesa.

—Quase esqueci. Aqui estão as alianças.

Olho para a caixa, um pouco chocada pela simplicidade e falta de emoção


do momento. Abro a caixa para ver as alianças, e embora sejam bonitas, o
gesto parece vazio e sem significado.

—Ah... obrigada. -digo abrindo a caixa e colocando o anel em meu dedo


anelar da mão direita
O anel até que é bonitinho, mas achei muito sem graça a forma de como ele
fez isso.

Aaron não responde, apenas dá de ombros novamente. Ele se levanta da


mesa, e antes que eu possa entender o que está acontecendo, ele se inclina
sobre mim, segura meu queixo com uma mão, aplicando uma leve pressão,
e me beija rapidamente. O beijo é mais uma formalidade do que um gesto
afetuoso, e termina tão abruptamente quanto começou.

—Preciso ir ao banheiro.

Ele se afasta rapidamente, deixando-me sentada à mesa, processando o que


acabou de acontecer. A caixa das alianças ainda está aberta na minha frente,
um símbolo de nossa união forçada e da complexa situação em que nos
encontramos.

—Mais que porra é essa Yasmim??! -Kio e Nick finalmente se levantam e


ficam ao meu lado na mesa

—Tá de namoro agora karalho?! -Kio segura com desgosto a minha mão
que estava com a aliança

—Por que vocês ficaram tão bravos? É só um namoro! Se acalmem. -digo


nervosa olhando para eles

A quem eu estou querendo enganar? eu não quero essa droga de


relacionamento!! Mas eu não posso pedir ajuda.. não agora!

—"É só um namoro"? Você falou isso mesmo Alles??! E o Hacker porra?!!


-Nick coloca as mãos na cabeça alterado enquanto me encarava

—Ele tem aquela Patrícia, ele nunca gostou de mim de verdade Nick..
vocês sabem disso.

—Yasmim, eu sou amigo do Vinnie dês de quando a gente tinha 10 anos e


ele nunca me levou naquele lago que vocês foram, nunca!! Ele tá evitando
aquela puta da Patrícia só pra ficar contigo!! E tu ainda acha que ele não
gosta de você?! Pelo amor de Deus Alles! -Kio fala seriamente
Ele tá evitando aquela mulher só pra ficar comigo? Não.. não, ele não faria
isso!

—Claro que não, Kio! Ele não faria isso, olha pra ela, ela dá de dez a zero
em mim. -digo e bebo um gole de meu suco

—Então me diz o por que do Vinnie não parar de falar de você pra gente?
Ele não cala a boca um minuto porra!

Surpresa, olhei para Kio, tentando processar suas palavras.

—O quê? Do que você está falando?

Nick entrou na conversa, acenando com a cabeça.

—É verdade. Ele fala de você o tempo todo. E não só isso ele te levou
naquele lago que é uma das coisa mais importantes pra ele, sendo que ele
nunca levou nem os próprios amigos que tem amizade a anos com ele!

—Ele me mandou fazer uma pesquisa sobre as flores que você mais gosta -
acrescentou Kio. -E planejou a trilha inteira pra impressionar você.

—Ele não é do tipo que faz essas coisas à toa, -disse Nick, sério.- Vinnie é
meio reservado com essas coisas, mas com você, parece diferente.

Eu senti meu rosto esquentar, sem saber como responder.

—Eu... não sabia disso.

Kio riu, dando um leve soco no ombro de Nick.

—Vinnie tá mesmo de quatro por você, garota. E olha que não é fácil ele se
abrir desse jeito.

—Ele até cancelou uma reunião importante pra estar com você ontem. -
disse Nick, sério.- Você deve significar muito pra ele. Droga, o Hacker vai
ficar péssimo quando souber disso!
Antes que eu pudesse responder, Aaron voltou à mesa, com um olhar
desconfiado ao perceber que eu estava conversando com dois
desconhecidos.

—Quem são eles?! -perguntou ele, com uma ponta de irritação na voz.

—São meus amigos! -respondi, tentando manter a calma. -Kio e Nick.

Antes que qualquer um dos dois pudesse acrescentar algo, Aaron segurou
meu braço com força, puxando-me para fora do restaurante.

—Vamos embora. -disse ele, ignorando meus protestos.

Kio e Nick ficaram ali, boquiabertos e sem entender nada, enquanto Aaron
me arrastava para fora do local

—Eu não quero você andando com eles novamente! -Aaron diz sério
enquanto me arrastava até o estacionamento

—O que? Eles são meus melhores amigos! Você não pode fazer isso,
Aaron.

—Eu sou seu namorado porra, eu posso fazer o que eu quiser. Você não é
mais amiga deles. -ele
Afirma me olhando seriamente, parecia estar com muita raiva

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Capítulo 41
Enquanto Aaron dirigia em silêncio, eu massageava o ponto dolorido onde
ele havia segurado meu braço. O clima dentro do carro estava tenso, a raiva
emanando dele como um campo elétrico.

Finalmente, ele quebrou o silêncio, a voz fria e controlada.

—Não quero que você ande com aqueles caras de novo.

Olhei para ele, surpresa e irritada.

—Eles são só amigos meus amigos, Aaron. Não há nada de errado em


conversar com eles.

Ele apertou o volante com mais força, os nós dos dedos ficando brancos.

—Não me importa. Não quero que você se envolva com eles, ponto final.

Fiquei em silêncio, virando o rosto para a janela. A cidade passava


rapidamente, mas meus pensamentos estavam presos na raiva e na
frustração. Era claro que Aaron estava sendo irracional, mas não via sentido
em discutir mais naquele momento.

Finalmente, chegamos ao meu condomínio. Aaron parou o carro e virou-se


para mim, a expressão dura.

—Entendeu?!

Assenti, sem dizer uma palavra, e saí do carro. Enquanto caminhava para
minha casa, senti uma mistura de tristeza e raiva crescer dentro de mim.

Pelo menos uma coisa boa, minha mãe e seu namorado não estão aqui em
casa!
Mas uma coisa que não sai da minha cabeça é o que os meninos me
falaram, Vinnie está apaixonado por mim? Não, não deve ser.. ele é todo
durão e tudo mais.

Subo até meu quarto e separo uma roupa confortável para tomar banho

A água quente escorria pelo meu corpo, criando vapor que envolvia o
banheiro como um manto reconfortante. Deixei que a água massageasse
meus ombros tensos, tentando aliviar o peso das palavras que havia ouvido
no jantar.

Kio e Nick mencionaram que Vinnie estava gostando de mim, que cancelou
reuniões importantes para ficar comigo. Disseram que ele havia escolhido
as minhas flores favoritas só para enfeitar a trilha do lago até a casa...

Eu sei que estou agindo de forma idiota e que eu perdi uma grande
oportunidade de fugir com Kio e Nick, mas eu tenho os meus motivos pra
não ter pedido ajuda.. Ainda não é a hora!

[...]

Acordei pela manhã com minha cabeça latejando de dor

Abri os olhos lentamente, sentindo uma dor de cabeça incômoda, com um


suspiro, sentei-me na cama.

Minha cabeça latejava um pouco, mas nada que não pudesse suportar.
Levantei-me devagar, esfregando os olhos e tentando afastar a sonolência.
Caminhei até o banheiro, o chão frio despertando-me um pouco mais.

No espelho, meu reflexo mostrava olhos cansados, mas nada fora do normal
para uma manhã de escola. Lavei o rosto com água fria, sentindo-me um
pouco melhor. Peguei a escova de dentes e comecei a me preparar para o
dia.

Depois de me arrumar, fui até a cozinha e preparei um café rápido.


Enquanto tomava meu café, olhei o relógio, percebendo que estava quase na
hora de sair.
Peguei minha mochila e saí de casa, a brisa matinal refrescando meu rosto.
A caminhada até a escola foi tranquila, e a dor de cabeça parecia diminuir a
cada passo. Ao chegar, encontrei alguns alunos no portão mas fui direto pra
sala de aula

—A paz do senhor irmã! -Mads diz brincando assim que entra na sala e se
senta ao meu lado

—Bom dia! -digo rindo

—Você tá bem Yas? Tá com uma cara de cansada.. -Mads coloca a mão
na minha testa- tá um pouco quentinha, quer ir na enfermaria?

—Não precisa, obrigada! Minha cabeça tá latejando, eu tomei um


remédio antes de sair de casa, acho que não fez efeito ainda.. -coloco a
minha mão na minha testa para ver se eu estava quente mesmo

—Isso é uma aliança??! -Mads me encara surpresa com um sorriso de


orelha a orelha- é do Vinnie? -Mads pergunta brincalhona

—É uma aliança sim, mas não, não é do Vinnie. -sorri sem graça

—Posso saber quem é o seu namorado se não é o Vinnie?? -Mads cerra os


olhos

—Aaron Riger. -digo e Mads me olha sem entender

—Riger? Ele é da família do Dylan?! -minha amiga arqueia uma


sobrancelha

Assenti com a cabeça e Mads me olha surpresa

—É uma história meio longa.. outra hora eu te explico. -digo desanimada

—Tá tudo bem? -Mads franzem as sobrancelhas

Dou um suspiro pesado e balanço positivamente minha cabeça

Mads me encara com um olhar de preocupação


Antes que ela pudesse falar alguma coisa, a professora entra na sala

—Bom dia turma! Abram os livros na página 87, o trabalho será em dupla!

Eu e Mads juntamos nossas classes e começamos a fazer a atividade


proposta pela professora

[...]

Minha mente estava distante da aula, eu mal conseguia fazer a atividade


com essas lembranças..

Flashback – on

—Você está linda, filha! -minha mãe segura em meus ombros me olhando
de cima a baixo com um sorriso enorme no rosto

Antes de Oliver descer as escadas para abri a porta para seu sobrinho

Engoli seco, sentindo um calafrio percorrer minha espinha. Oliver se


aproximou, ficando perigosamente perto.

—Você terá de fazer esse relacionamento dar certo -ele começou,


inclinando-se para que apenas eu pudesse ouvir. -Caso contrário... seus
amiguinhos estarão mortos! Ou você acha que eu não sei que o Kio Cyr
mora na rua Maple, número 45? Ou o tal Nick que mora na rua Pine,
número 78? Aquela putinha da Madson mora na rua Aspen, número 23. E
até mesmo o Dylan! Eu posso achar qualquer um deles em questão de
segundos, seja lá onde eles estiverem e acabar com eles.

Cada nome que ele mencionava fazia meu coração bater mais rápido. Mas o
que mais me chocou e abalou foi o que ele disse a seguir.

—E aquele seu namoradinho, Vinnie Hacker... ou estou enganado, filha?

Eu senti o sangue gelar. Ele sabia. Ele sabia onde todos eles moravam, até
mesmo Vinnie.
—Eu sei o nome e o endereço de cada amigo seu -ele continuou, com um
sorriso maligno.- Se esse namoro não der certo, eu vou matar um por um na
sua frente, e pode apostar que vai ser bem doloroso, imagina só, a cara deles
se agonizando.. se você contar para alguém, você já sabe o que vai
acontecer!!

A campainha toca e Riger fica "normal" novamente, como se tivesse


trocado de personalidade ou coisa do tipo

—Ele chegou! -Oliver diz sorrindo enquanto descia as escadas

—Nem pense em estragar esse namoro Yasmim! -minha mãe sussurra em


meu ouvido enquanto aperta fortemente meu pulso, me ameaçando

—Aaron, meu querido sobrinho! Como é bom te ver, rapaz! -Oliver


abraça o homem

Flashback – off

—Você fez a 6? Não tô achando a resposta. -Mads diz folhando as páginas


do livro

—Yas? -Mads me tira de meus pensamentos

—Desculpa. -coço meus olhos- o que você disse? -olho para o livro

—Você tá no mundo da lua hoje, hein! Você fez a questão 6? -Mads ri

—Ah, fiz sim. A resposta tá na página 89, no último parágrafo.

—Valeu! Mas eu ainda acho que você não tá bem.. Yasmim, você sabe que
pode me contar tudo, tá tudo bem mesmo? De verdade?! -minha amiga me
encara apreensiva

Eu quero pedir ajuda, mas eu não posso colocá-los em risco!!!


Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

———

Eu não queria estar falando disso novamente, mas ok, vamos lá!

Novamente eu estou notando comentários negativos sobre a fanfic, eu sei


que é a opinião de vocês e eu respeito muito isso, até por que é dessa forma
que eu sei os erros que eu tenho que arrumar e tudo mais.

Mas de uns tempos pra cá, esses comentários estão vindo com mais
frequência.. ao ponto de pessoas me mandarem mensagem perguntando se
vale a pena ler, mas não só em mensagens que vocês veem me perguntando
isso, no primeiro capítulo que eu postei, tem muitos comentários de pessoas
perguntando se realmente vale a pena ler.

Eu posso ter interpretado errado, é claro!

Mas eu me recuso a silenciar perfis de comentar nos capítulos. Ao mesmo


tempo que a pessoa fala mal, ela continua lendo!

Esses comentários é o principal motivo para que eu não esteja postando


com tanta frequência, eles desanima muito de continuar a escrever.

Mas não, eu não vou parar de escrever por conta disso. Ao mesmo tempo
que tem pessoas que não gostam da fanfic, tem pessoas que gostam!!
Capítulo 42
(Alguns dias depois...)

Pov – Vinnie Hacker

Paro em frente à floricultura local, um sorriso ansioso surgindo nos meus


lábios. Entro e sou imediatamente envolvido pelo aroma das flores frescas.
Caminho até o balcão, onde uma vendedora amigável me cumprimenta.

—Posso te ajudar?

—Sim, por favor. Gostaria de comprar um buquê de rosas vermelhas.

Ela acena com a cabeça e começa a selecionar as mais belas rosas do


estoque. Enquanto ela monta o buquê, olho em volta, admirando a
variedade de flores e imaginando a reação da Yasmim ao recebê-las. Pouco
tempo depois, o buquê está pronto, envolto em um papel decorativo e com
uma fita delicada.

—Aqui estão, senhor. Espero que ela goste! -a atendente sorri

—Tenho certeza de que vai. Obrigado!

Com o buquê em mãos, deixo a floricultura e vou direto para casa. Assim
que entro, dirijo-me ao banheiro, onde tomo um banho demorado, deixando
a água quente relaxar meus músculos e clarear minha mente. Após o banho,
seco-me e vou até o quarto, onde cuidadosamente escolho minha roupa:
uma camisa azul escura e calça preta e sapatos sociais. Passo um pouco de
perfume, um aroma sutil, mas marcante.

Pronto para a noite, vou até o closet. Em meu cofre, há uma pequena
sacolinha. Pego-a e abro devagar, revelando uma caixinha de veludo.
Seguro a caixinha nas mãos, respirando fundo, enquanto abro-a para
conferir as alianças brilhando sob a luz suave do closet.
—É hoje — murmuro para mim mesmo, um misto de nervosismo e
empolgação no olhar.

Fecho a caixinha e a coloco cuidadosamente no bolso de minha calça

Saio do meu quarto indo em direção das escadas

—Mais que tal hein, essa Yasmim te conquistou mesmo! Quem diria,
Vinnie Hacker levar flores e estar apaixonado por uma mulher! -Bryce diz
rindo sentado no sofá, porém surpreso

—Voltou da viajem com a língua afiada né?! -digo rindo enquanto desço as
escadas

—Eu estou presenciando uma raridade! faz muito tempo que eu não vejo
meu amigo assim, boa sorte irmão! -Bryce se levanta e dá leves tapinhas
nas minhas costas

—Valeu cara! -digo encarando o buquê- me falaram que você tá apaixonado


também, agora eu também posso te zoar! Eu não sou o único. -digo rindo

—Pois é, as mulheres mexem com a gente.. não tô me reconhecendo -Bryce


diz rindo- acho que a Yasmim conhece a Avani, ela é amiga daquela tal de
Mads, elas devem se conhecer.

—Preciso ir cara, mas boa sorte com Avani! -dou um sorriso e saio indo em
direção do shopping

Pov – Yasmim Alles

Consegui me curar da gripe que acabei pegando somente ontem! Ainda não
consegui ir em alguma loja para comprar um celular novo, vou aproveitar
que vou comprar meu carro amanhã e vou passar em alguma loja para
comprar um celular

Acabei pegando atestado por alguns dias, então não trombei com Vinnie.,
eu não teria coragem de falar que eu estou "namorando", não depois do que
Kio e Nick me falaram a respeito de Vinnie e seus sentimentos
Chegamos do mercado, eu e Aaron, carregando as sacolas cheias de
mantimentos. Ele mal colocou as compras na ilha da cozinha e já estava
indo para a sala de estar.

—Vou olhar TV -ele disse, sem esperar pela resposta, enquanto eu o via se
acomodar no sofá.

Suspirei e comecei a separar as coisas. Primeiro, organizei as frutas e


legumes na fruteira e na geladeira. As maçãs, laranjas e bananas ficaram na
fruteira sobre a mesa, dando um toque de cor à cozinha. As verduras e
vegetais foram para as gavetas da geladeira.

Em seguida, fui para as embalagens e enlatados. Coloquei as latas de feijão


e milho na despensa, arrumando-as em uma prateleira já quase cheia. Os
cereais e o arroz ficaram na prateleira de cima. O barulho das sacolas de
papel e plástico ecoava pela cozinha enquanto eu trabalhava.

Enquanto guardava as caixas de macarrão, pensei no jantar que poderíamos


fazer juntos mais tarde. Talvez uma massa com molho de tomate. Peguei as
ervas e as guardei na geladeira, sentindo o aroma fresco e vibrante.

Assim que guardava os pacotes de macarrão, lembrei-me do jantar que


ajudei Vinnie a fazer..

Olhei para a sala de estar e vi Aaron concentrado na TV, já com uma


expressão relaxada no rosto. Ele parecia estar mergulhado em algum
programa qualquer, alheio à movimentação na cozinha.

Depois de guardar as últimas coisas, fiquei por um momento parada,


olhando ao redor e sentindo uma certa satisfação em ver tudo organizado. A
cozinha estava em ordem novamente, e eu podia finalmente relaxar um
pouco.

—Aaron, pode me ajudar a cozinhar o jantar? -perguntei, me aproximando


da porta da sala de estar.

—Não, tô de boa. -ele respondeu, sem tirar os olhos da tela.


Voltei para a cozinha, lavei as mãos e me sentei à mesa, pensando no que
poderia fará o jantar

Pov – Vinnie Hacker

Estou sentado na cafeteria do shopping há mais de duas horas, esperando


por Yasmim. A mesa à minha frente está cheia de xícaras de café vazias, um
reflexo da minha impaciência. A cada poucos minutos, olho para a porta,
esperando vê-la entrar, mas nada.

Pego meu celular novamente e mando mais uma mensagem:

"Yasmim, onde você está??"

Espero alguns segundos, mas nenhuma resposta. Tento outra vez:

"Você está a caminho?"

Nada. Tento ligar para ela, mas a chamada vai direto para o correio de voz.
Desligo com um suspiro frustrado e passo a mão pelos cabelos, tentando
entender o que pode ter acontecido. Ela geralmente responde rápido.

O barista da cafeteria, que já notou minha longa espera, se aproxima com


um olhar simpático.

—Mais um café, senhor? -pergunta ele.

—Não, obrigado. Estou esperando alguém -respondo, forçando um


sorriso antes de voltar a encarar meu celular.

O tempo parece se arrastar. Começo a me preocupar de verdade. Será que


algo aconteceu? E se ela está presa no trânsito ou teve algum problema?

Envio mais algumas mensagens:

"Estou ficando preocupado."

"Porra tá tudo bem??!!"


Olho ao redor e vejo o movimento do shopping começando a diminuir. As
pessoas entram e saem da cafeteria, mas nenhuma delas é Yasmim. Olho
para o relógio novamente. Duas horas e quinze minutos.

Finalmente, levanto-me, pego o buquê e pago a conta. Dou uma última


olhada na entrada da cafeteria, na esperança de vê-la, mas ela não está lá.

Enquanto saio do shopping, sinto uma mistura de frustração e preocupação.


Não faço ideia do que aconteceu, mas preciso descobrir. Deixo uma última
mensagem antes de guardar o celular no bolso:

"Yasmim, estou indo para casa. Me avisa assim que puder. Estou
preocupado com você."

Enquanto caminho pelo shopping em direção ao estacionamento, vejo o


buquê de flores que comprei mais cedo. As flores, que antes pareciam uma
ideia tão boa, agora me parecem ridículas. Estou puto da vida!!

Como a puta da Alles pôde simplesmente me deixar aqui, sem resposta,


sem explicação?

Chego ao estacionamento e vejo uma lixeira perto da saída. Sem pensar


duas vezes, jogo o buquê de flores no lixo, sentindo uma onda de decepção
e raiva me consumir.

—Que perda de tempo — murmuro para mim mesmo, apertando o passo


até meu carro.

Entro no carro e bato a porta com força, sentindo minha raiva explodir. Dou
um soco no volante, gritando de frustração.

— Mais que droga, Yasmim!!! Como ela pôde fazer isso comigo porra??!!
— grito, minha voz ecoando no espaço fechado do carro.

Minhas mãos tremem de raiva enquanto aperto o volante com força. Tento
respirar fundo, mas a frustração só aumenta. Pego o celular e vejo as
mensagens não respondidas, a tela cheia de notificações enviadas em vão.
Isso só me irrita mais.
Bato o punho contra o painel do carro, sentindo a dor irradiar pela minha
mão, mas isso parece insignificante comparado à dor da decepção. Minhas
respirações são rápidas e pesadas, e me sinto à beira de perder o controle.

— Porra, por que diabos ela não respondeu? Merda! Por que me deixou
aqui como um idiota? Karalho eu nunca gostei de ninguém assim! —
murmuro, sentindo a raiva transformar-se em uma sensação amarga de
traição.

Dou outro soco no volante, a frustração transbordando.

—Puta que pariu!!! Eu nunca me entreguei dessa forma pra ninguém!


Porra a vadia da Alles nem se deu ao trabalho de aparecer ou mandar
mensagem avisando que não viria!!

As lágrimas começam a encher meus olhos, mas eu as seguro, recusando-


me a deixar a tristeza tomar conta. Estou completamente devastado, minha
cabeça girando com a raiva e a decepção.

—Porra, mais que merda! -grito, batendo o punho contra o volante


novamente.- Por que diabos eu fui gostar tanto dela?! Logo eu??!

Depois de alguns minutos, meu corpo começa a se acalmar, mas a decepção


ainda está lá, pesada e sufocante.

Ligo o carro e saio do estacionamento, tentando ignorar a dor na minha mão

[...]

Assim que entro em minha casa, vejo Dylan, Kio, Nick e Bryce sentados no
sofá assistindo jogo

—Eai cara, como foi? Ela aceitou?! -Bryce pergunta animado se levantando
do sofá

—Aquela vadia nem se deu o trabalho de ir, não mandou mensagem nem
nada porra!! -cerro os punhos

Kio e Nick se olham, parecendo que queriam falar alguma coisa


—É melhor você se acalmar cara, senta aqui, a gente precisa te falar uma
coisa. -Nick falou com o semblante de preocupação

Me sento no sofá desconfiado, mas tento me acalmar

—Aquele dia que vocês voltaram do lago, eu e Kio estávamos no shopping


fazendo as compras pro casarão.. mas aí a gente viu a Yasmim de mãos
dadas com um tal de Aaron, -quando Nick diz o nome do cara que estava
com a Yasmim, Dylan parece ter reconhece o nome- eles entraram em um
restaurante e lá ele entregou uma aliança e beijou a Alles.. -meu coração
dispara e sinto meu corpo gelar, minhas mãos começam a tremerem e minha
respiração ficar descontrolada. Outra crise de raiva!- olha Vinnie, a gente
não te falou nada antes por que a gente não queria te ver dessa forma..

—Mas tava tudo muito estranho, parecia ser algo forçado, sabe? Ela puxava
assunto mas ele nem fazia questão de responder, tratava ela com
ignorância..

—Ele tinha ido no banheiro e a gente foi aproveitar pra conversar e ver que
porra era aquela, mas quando ele voltou, sei lá, ele ficou todo estranho,
parecia ter ficado muito puto quando viu ela conversando com a gente.

—Ele fez alguma coisa com ela? -cerro os punhos fortemente

—A gente só viu ele segurando o braço dela com força, deve ter
machucado.. e começou a arrastar ela pra fora do restaurante.

—E POR QUE VOCÊS NÃO FIZERAM NADA KARALHO?!!

Os dois não me respondem, subo para o andar de cima e começo a quebrar


as coisas que apareciam em minha frente

Outra crise de raiva.. mais que merda!!!

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


———

Sei que vocês vão querer me matar por ter feito Vinnie passar por isso e por
ter "estragado" a fanfic, vocês mesmo me falaram que eu estraguei, então
peço desculpas.

Esse namoro falso vai revelar o passado da Yasmim, então sim, tem uma
explicação para esse namoro forçado

Peço desculpas por ter estragado a fanfic, eu não sabia que vocês iriam
odiar tanto assim.
Capítulo 43
Dois meses e meio já haviam se passado, Aaron continua o mesmo durão de
sempre, não me ajuda em nada e não faz questão de puxar assunto ou
conversar, exceto em público, afinal, temos que manter a boa aparência.

Aaron ja pediu por sexo algumas vezes, mas eu sempre dou a desculpa que
estou menstruada, que não estou bem.. essas coisas. Não me sinto segura
com ele.

Hacker nunca mais falou comigo, não mandou mensagem, na escola ele não
me responde e não faz questão de passar no mesmo corredor que eu.
Confesso que eu não sei o que deu nele, talvez Kio e Nick tenha contado
sobre meu relacionamento e seja por isso esse mal humor dele ultimamente.

Comprei meu carro! Estou dirigindo bem até, melhor do que eu esperava.
Eu ainda tenho um pouco de medo de ruas muito movimentadas e tudo
mais, mas já estou ficando mais confiante nisso.

Aaron está cada dia mais difícil! Raramente ele me deixa sair com minhas
amigas. Mas ele, pelo contrário, sai quase todos os dias com seus amigos.

Consegui convencê-lo de me deixar jantar na casa de Avani com Mads, eu


estava em falta com minhas amigas.

Daqui cinco dias é o aniversário da mamãe, ela vem com frequência aqui
em casa, segundo ela "eu sou a sua mãe, eu entro e saio dessa casa a hora
que eu quiser" e mais baboseiras que ela usa como desculpas. Embora tudo
isso que ela me fez passar, ela ainda é a minha mãe.

Até hoje eu não sei como ela conseguiu meu endereço e não sei como ela
conseguiu entrar na minha casa, não percebi nenhuma porta arrombada,
nenhum vidro quebrado ou coisa do tipo. Sempre antes de sair de casa eu
me certifico de todas as portas e janelas estarem trancadas, então meio que
não tem explicação a forma de como eles entraram na casa.
Dirigir ainda me deixa um pouco nervosa, especialmente em ruas
movimentadas, mas hoje decidi enfrentar o desafio. Com minha habilitação
recém-tirada, saí de casa para ir ao shopping comprar um presente de
aniversário para minha mãe. Embora ela tenha sido muito dura comigo
ultimamente, eu não consigo guardar rancor. Talvez seja minha natureza, ou
talvez eu só queira acreditar que as coisas podem melhorar.

Quando cheguei ao shopping, foi um alívio encontrar uma vaga facilmente


no estacionamento. Dentro do shopping, caminhei sem pressa, olhando
vitrines e tentando decidir o que comprar. Minha mãe adora joias, então fui
direto para uma loja de joalheria. Ali, um colar de ouro branco com um
pingente de coração chamou minha atenção. O atendente me disse que eu
poderia gravar uma mensagem no pingente, e escolhi "Para sempre em meu
coração". Mesmo com tudo o que aconteceu, quero que ela saiba que
sempre a terei em um lugar especial no meu coração.

Depois de comprar o colar, passei por uma confeitaria e comprei alguns


doces que ela adora. Com tudo em mãos, me senti satisfeita. Apesar das
dificuldades entre nós, acredito que esse presente possa significar um gesto
de paz e carinho.

Voltando para o carro, senti uma mistura de alívio e expectativa. Talvez esse
aniversário seja uma chance de recomeçar, de tentar entender melhor o que
está acontecendo entre nós. Quem sabe, a vida possa nos surpreender de
forma positiva.

De volta ao carro, me senti aliviada por ter conseguido comprar o presente.


Liguei o som para ouvir uma música tranquila enquanto dirigia de volta
para casa. O trânsito estava um pouco intenso, mas consegui manter a
calma. Chegando em casa, estacionei o carro e entrei, sentindo a
familiaridade do meu espaço.

Levei o embrulho com o colar até o meu quarto. Abri a gaveta da minha
cômoda e coloquei o presente cuidadosamente no fundo, escondendo-o sob
algumas roupas para que minha mãe não encontrasse antes da hora. Fiquei
um momento olhando para a gaveta fechada, pensando em como seria a
reação dela quando visse o colar e a mensagem gravada. Espero que ela
goste e que isso possa trazer algum momento de paz entre nós.
Depois de guardar o presente, me lembrei do jantar na casa de Avani. Fui
até o banheiro e tomei um banho rápido. Escolhi uma roupa confortável,
mas arrumada: uma calça jeans, uma blusa de tecido leve e um par de tênis.
Passei uma maquiagem leve, apenas o suficiente para me sentir mais
confiante, e prendi o cabelo em um rabo de cavalo alto.

Antes de sair, peguei minha bolsa e chequei se tinha tudo: chave do carro,
celular, carteira. Estava ansiosa para o jantar, já que fazia tempo que não me
encontrava com Mads e Avani. Seria bom distrair a cabeça.

[...]

—Que bom que conseguiu vir dessa vez, amiga! -Avani me abraça
fortemente

—Eu estou em falta com vocês, eu precisava vim pra distrair a cabeça. -ri
sem graça

Mads corre em minha direção e me abraça

—Se acalmem -digo rindo- até parece que eu fiquei sem ver vocês por
anos!

—É como se fosse.. -Mads sussurra

—Eu te vejo todo dia, Mads!

—Mas não é como antes, Yas. Você tá mais distante, sei lá.

Fomos até a cozinha e eu e Mads nos sentamos nas cadeiras que tinham ao
redor da ilha da cozinha enquanto Avani picava alguns legumes na bancada
à nossa frente

—Yas, ficou sabendo? Avani tá de namoro com um dos amigos do


Vinnie! -Mads diz rindo para atentar Avani

—Hmm, pelo visto eu não sou a única namorando, hein! -digo e nos três
rimos
—Ele me fez o pedido ontem, foi tão fofo! -Avani diz e nos entrega seu
celular com as fotos e vídeos do momento

—Eu acho que conheço ele.. é Bryce o nome dele? -pergunto assim que
vejo o vídeo

—É sim! Você o conhece?

—Não, vi ele e Vinnie andando juntos uma vez, aí acho que reconheci! -
dou um sorriso e volto a ver o vídeo

Bryce havia feito o pedido de namoro de uma forma super romântica (na
minha visão, é uma das formas mais românticas para ser pedida em
namoro)

—Ele me disse que a gente ia em um lago curtir com os amigos dele, que
ia ter uma festinha lá e tal, mas quando a gente chegou, ele vendou meus
olhos e me guiou até que a gente chegasse em uma árvore. Quando ele tirou
a venda, eu vi que ele tinha preparado uma surpresa super fofa! Ele colocou
um pano estendido no chão, cheio de docinhos e decorações românticas.
Era tipo um piquenique, sabe? Quando eu me virei para perguntar o que era
tudo aquilo, ele estava ajoelhado atrás de mim com uma caixinha de
alianças na mão! Foi tudo tão perfeito! Eu não esperava de jeito nenhum.
Foi o pedido mais lindo que eu poderia imaginar!!

—Meu Deus, que fofo, amiga! Parece cena de filme! Ele foi tão romântico!
-digo sorrindo encantada com esse pedido

—Parabéns, meu amor! Você merece! Fico tão feliz por você. O Bryce
realmente se superou!

Quem me dera ser pedida em namoro de uma forma tão romântica assim!

—E o seu, Yas? Você nunca nos contou de como foi o seu pedido de
namoro. -Avani diz colocando água em uma panela

—Ah, eu achei meio sem graça.. ele não elaborou nada, só tirou uma
caixinha do bolso, puxou minha mão, colocou o anel em meu dedo e me
deu um beijo. -eu meio sem graça

—Oque? Só isso?! Não teve uma flor? Uma música romântica? Nada?!! -
Mads fala indignada

—Como assim? Ele só fez isso?! -Avani para de cozinhar e se vira pra mim
com o semblante de preocupação- você não sai mais com a gente por que
ele não deixa, você nos disse uma vez que vocês iam sair mas ele ficou com
ciúmes da sua roupa e te fez trocar.. tá tudo bem Yasmim? Me desculpa o
que eu irei dizer, mas pra mim, isso tá com cara de um relacionamento
tóxico..

—Você sabe que pode confiar na gente, Yas. Eu prometo!

—Não é tão fácil assim.. -sinto que uma lágrima escorre pelo meu rosto
involuntariamente

—Ai meu Deus.. -Avani me abraça, acho que ela entendeu a situação

—Me prometem que não vão contar pra ninguém? Absolutamente


ninguém! Nem pra polícia, nem pra alguma autoridade ou muito menos pro
Vinnie e pro Dylan?! -sinto minha respiração pesar

Eu tinha que contar isso pra alguém ou eu iria explodir! Eu não conseguia
mais esconder isso delas.

—Yasmim, o que aconteceu? -Mads fecha seu semblante, era uma mistura
de preocupação e raiva em seus olhos

—Me prometam!!

—A gente promete! Me conta o que ele fez!!

Suspiro e tomo coragem pra falar..

Pov – Vinnie Hacker

Eu estava à cabeceira da mesa, entediado pra caralho. Já faziam mais de


uma hora que estávamos nessa reunião, e eu não aguentava mais ouvir essa
merda. Olhei para os caras ao meu redor, cada um mais perdido que o outro,
discutindo porra nenhuma.

Que reunião de merda! To sentado aqui há uma hora e esses filhos da puta
não chegam a acordo nenhum!

pensei, irritado pra caralho. O foco era descobrir quem são os líderes da
máfia dos Escorpions, mas só ouvia essas teorias de merda. Precisávamos
de nomes, e logo, antes que esses desgraçados começassem a tomar nosso
território.

Suspirei fundo, batendo os dedos na mesa. Minha paciência estava no


limite.

Porra, será que ninguém aqui consegue sair desse papo de merda?!

—Cacete, isso tá indo pra lugar nenhum!! -eu explodi, cortando a


discussão.- Eu quero esses nomes pra agora porra!! Não estamos aqui pra
ficar jogando teoria bosta pro ar. Se a gente não descobrir quem são esses
filhos da puta logo, a gente vai perder mais do que território.

Um dos capangas, Jeff, virou pra mim, nervoso.

—Eu sei, chefe, mas esses Escorpions são uns filhos da puta furtivos. Não
é fácil conseguir informação..

—Não quero saber karalho! A gente tem que encontrar esses cuzões!! -Eu
me recostei na cadeira, puto da vida.- Preciso de resultados, não dessa
enrolação de merda. -Estava cansado dessa conversa. Precisávamos resolver
essa merda logo, ou então esses filhos da puta dos Escorpions iam foder
com a gente de vez.

—Chefe, eu acho que posso ajudar.. -um outro capanga ergue a mão
olhando para mim- eu ouvi falar que o líder dos Escorpions tem uma
tatuagem de escorpião no pescoço..
Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

———

Antes que vocês comecem a xingar a Yasmim pelo presente que ela vai dar
pra sua mãe, esse presente vai ser crucial mais pra frente da história..
então eu peço que se acalmem, tudo tem um contexto!!
Capítulo 44
Pov – Yasmim Alles

—Me prometam que não vão contar nada do que eu falei pra ninguém!!

—Yasmim isso é muito sério!! Você já falou com a polícia??

—A gente precisa contar isso pra alguém, Yas. Você não pode ficar nessa
situação!

—Não, Não! Vocês não podem contar isso pra ninguém! Eu não devia nem
ter contado isso.. -suspiro

—Por que não? Isso é um assunto muito delicado amiga!

—Eles me ameaçaram!! Falaram que iam atrás de todos os meus amigos..


falaram o endereço da Mads e de outras pessoas.. Ele sabe do Vinnie! Ele
sabe que eu tive um "relacionamento" com ele!! -isso saiu como um sopro,
ao mesmo tempo que eu me sentia aliviada, eu tinha medo de alguém
descobrir que eu contei e ir atrás dos meus amigos.

—Você teve um relacionamento com o Hacker? -eu nunca contei sobre


nossos encontros e etc.

—Não era bem um relacionamento.. a gente só se beijava as vezes.

—Vocês já.. fizeram sexo, Yas? -Mads pergunta com um sorrisinho no rosto

Assenti com a cabeça com um pouco de vergonha, eu não queria ter


escondido delas, mas eu ainda não sentia que era a hora de contar
exatamente tudo agora

—Aí meu Deus!! Como foi?! -Mads me abraça com um sorriso travesso
—Não é hora pra isso Madson!! Olha a situação que a Yasmim tá passando
e você só pensa nisso! -Avani repreende Mads

—Me prometam que não vão contar nada!!

—Yas, você precisa de ajuda!

—Nos deixe contar pro Vinnie ou pro Dylan, eles precisam saber!!

—não, não, não!!! Eles não podem saber de nada!! Me prometam isso! -
lágrimas escorrem pelo meu rosto, minha respiração volta a ficar pesada

—Eu prometo. -Mads fala apreensiva

—Isso não é certo, Yas! Mas eu prometo.. -Não senti muita confiança no
tom de Avani

[...]

A noite foi longa, contei tudo que havia acontecido. Sobre minha mãe e seu
namorado maluco, a ameaça que Oliver me fez se caso o relacionamento
não desse certo, tudo!

Era perto de meia noite quando eu estaciono meu carro em frente à minha
casa

—Tá de mudança? -pergunto assim que vejo a casa de David coberta de


caixas

—Sim, acabei me apaixonando pela cultura Europeia! -ele ri- Mas


infelizmente esse não é o real motivo, tenho que ir para cuidar de meu pai,
ele adoeceu muito de uns tempos pra cá.

—Sinto muito, espero que ele melhore!

—Ele vai sim. Mas e você? Nunca mais te vi, não sai mais de casa.

—Pois é -sorri fraco- tenho preferido ficar na minha ultimamente.


Nós conversando por quase meia hora, a última coisa que David me disse
foi:

—Quem sabe um dia a gente se reencontra, pequena! -ele sussurra e me


dá um longo abraço

Eu gostava muito da amizade que eu tinha com David, mas eu não podia
prendê-lo aqui em Seattle..

[...]

É, mais cinco dias haviam se passado. O tempo tem passado muito rápido
ultimamente, eu acabo nem aproveitando os dias direito, eles estão voando!
sei lá o que tá acontecendo.

Finalmente chegou o dia do aniversário de minha mãe, confesso que eu


estou ansiosa!

Tomo um banho rápido, me enrolo na toalha após secar meu cabelo e vou
até meu closet para me vestir

Enquanto me olhava no espelho, admirei o vestido preto sem alças que


escolhi para a ocasião. Ele caía suavemente sobre o meu corpo, destacando
minha silhueta com elegância. Notei como a fenda aberta na lateral da coxa
adicionava um toque ousado ao visual, revelando uma parte das minhas
pernas de maneira sutil e sofisticada. Essa pequena abertura dava ao vestido
um charme especial, equilibrando a elegância com um toque de
sensualidade.

Vesti o casaquinho de pelinhos brancos, que contrastava lindamente com o


vestido escuro. A textura macia dos pelinhos sobre meus ombros me deu
uma sensação de conforto e aconchego. A combinação do preto com o
branco era perfeita para a ocasião, trazendo uma sensação de clássico e
sofisticado.

Ajustei o casaquinho para garantir que ele não escondesse a fenda do


vestido, apreciando como ela acrescentava movimento e leveza ao conjunto.
Com os acessórios discretos, como os brincos de pérola e o delicado colar,
senti que o look estava completo. A fenda, em particular, me deu um pouco
mais de confiança, como um pequeno detalhe que fazia toda a diferença.

Respirei fundo e dei uma última olhada no espelho, pronta para enfrentar o
aniversário da minha mãe, mesmo com tudo o que estava acontecendo

Faço uma maquiagem leve e separo algumas coisas em minha bolsa, como:
absorvente, carregador, meu celular, um pequeno frasco de gloss e rímel.

Minha mãe me machucou muito ultimamente, ela meio que destruiu a


minha vida! Mas eu não consigo guardar rancor.. não consigo ter ódio dela,
apesar de tudo, ela é a minha mãe.

Saí de casa e entrei no carro, dirigindo com cuidado pelas ruas conhecidas
em direção à antiga casa onde morei com minha mãe e meu ex-padrasto,
Oliver. A sensação de voltar àquela casa trazia uma mistura de emoções,
desde nostalgia até um desconforto que não conseguia ignorar. Depois que
nos mudamos para lugares diferentes, eu para minha própria casa e minha
mãe para o novo apartamento, visitar aquela casa de novo parecia estranho.

Quando cheguei, estacionei o carro na frente da casa. A fachada estava


praticamente a mesma de sempre, com seu jardim bem cuidado e a cerca
branca. Respirei fundo, ajustei o vestido preto com a fenda na lateral,
sentindo a brisa tocar minha pele, e puxei o casaquinho de pelinhos brancos
mais para cima dos ombros. Caminhei até a porta, cada passo trazendo
lembranças dos tempos em que morávamos ali.

Toquei a campainha e, em poucos instantes, a porta se abriu, revelando


minha mãe. Ela me recebeu com um sorriso, e apesar de tudo, havia uma
certa ternura no olhar dela.

—Oi, mãe! -eu disse, forçando um sorriso amigável e estendi o presente


que eu havia comprado para ela alcançar- Espero que você goste e use esse
presente, foi com todo amor e carinho!

Ela me convidou para entrar, e quando cruzei a soleira da porta, uma onda
de lembranças me envolveu. Tudo estava muito parecido com antes: a sala
de estar, a decoração familiar.
A casa estava preparada para a festa, com balões coloridos e uma mesa
repleta de petiscos e bebidas. A mesa de jantar, que ficava próxima à janela
com vista para o jardim, estava decorada com uma toalha bonita e arranjos
de flores. No centro, um bolo decorado com velas aguardava para ser
cortado.

Outros convidados já estavam presentes, alguns rostos familiares, outros


que eu não via há muito tempo. Minha mãe circulava pela sala,
conversando com os convidados e oferecendo petiscos. Eu tentei me
integrar ao ambiente, conversando com algumas pessoas e aceitando uma
taça de champanhe. Tudo parecia normal, como qualquer festa de
aniversário, mas o ambiente me parecia carregado de uma tensão sutil, pelo
menos para mim.

Enquanto a festa continuava, observei minha mãe interagindo com os


convidados, seu sorriso parecendo genuíno. Por mais que nossa relação
fosse complicada, eu estava determinada a fazer o meu melhor para
aproveitar a noite

A festa já estava em pleno andamento quando a porta se abriu novamente, e


Aaron entrou. Ele se aproximou de mim, me cumprimentando
calorosamente. Em seguida, foi dar os parabéns à minha mãe e
cumprimentar o resto dos convidados

Depois de algumas conversas e risadas, a música na sala escura com


decoração neon chamou nossa atenção. A iluminação criava um ambiente
vibrante e misterioso, com luzes negras destacando cores fluorescentes nas
roupas e nas decorações. Aaron me convidou para dançar, e eu aceitei,
animada para aproveitar um pouco mais a festa.

A pista de dança improvisada estava cheia de cores vivas, e a música alta


fazia o chão vibrar. Aaron e eu começamos a nos movimentar ao ritmo da
música. A energia da sala era contagiante, e por alguns momentos, esqueci
de todas as preocupações. Dançamos animadamente, rindo e nos divertindo.
No entanto, depois de algumas músicas, comecei a sentir o cansaço. As
luzes e o som intenso me deixaram um pouco tonta, e parei para recuperar o
fôlego.
—Aaron, você pode me fazer um favor? -pedi, tentando não ofegar.- Pode
pegar um copo de refrigerante para mim? Estou exausta.

—Pego sim, volto já! -ele respondeu, dando-me um sorriso tranquilizador


antes de se afastar em direção à mesa com as bebidas.

Assim que olho para a mesa de bebidas, vejo Oliver entregando alguma
coisa para Aaron, a sala estava muito escura, não dava pra ver o que era
aquilo que ele tinha entregado.

Enquanto ele estava fora, aproveitei para me sentar em uma das poltronas
iluminadas pela luz negra. Observava as luzes neon dançando nas paredes e
nas pessoas ao meu redor, tentando relaxar e recuperar a energia. A sala,
com suas cores vibrantes e luzes intermitentes, criava uma atmosfera quase
hipnótica.

Aaron logo voltou com um copo de refrigerante na mão. Eu sorri,


agradecida, enquanto ele se aproximava.

—Aqui está! -disse ele, entregando-me a bebida e inclinando-se para me


beijar

Enquanto bebia o refrigerante que ele trouxe, Aaron puxou-me mais perto,
segurando-me com firmeza. Seus olhos encontraram os meus, e ele sorriu,
confesso que fiquei surpresa, eram rara as vezes que ele sorria. Sentindo-me
mais relaxada, continuei a beber, apesar de notar um gosto um pouco
diferente na bebida. Talvez fosse apenas a combinação de sabores, pensei.

Continuamos dançando, o ambiente iluminado por luzes fluorescentes que


realçavam os contornos das nossas roupas. A intimidade entre nós era
palpável, e Aaron parecia mais relaxado do que de costume, beijando-me
novamente e sussurrando algo ao meu ouvido que se perdeu no som da
música alta. Ele era reservado, mas momentos como esses, em que ele
baixava a guarda.

Enquanto dançávamos, comecei a me sentir um pouco zonza, e um leve


desconforto começou a tomar conta de mim.
—Estou começando a me sentir meio estranha.. -comentei, tentando
disfarçar o incômodo.

Aaron inclinou a cabeça, olhando para mim com preocupação aparente.

—Quer sentar um pouco? -perguntou, sua mão ainda firme na minha


cintura.

Balancei a cabeça, tentando entender o que estava acontecendo. Não era


comum eu me sentir assim tão rapidamente. O que poderia estar
acontecendo? Contudo, decidi não estragar o momento.

—Não, estou bem. Talvez só precise de um pouco de ar fresco -respondi,


tentando sorrir para tranquilizá-lo.

Aaron assentiu e sugeriu que fôssemos para fora, mas antes que
pudéssemos sair, comecei a sentir minha visão turvar, a sensação estranha
intensificando-se rapidamente.

—Vamos pra casa, amor. -Senti sarcasmo em sua voz, mas essa foi a
última coisa que eu ouvi antes de apagar.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

———

Eu estou pulando os dias pois eu sei que vocês não aguentam mais tudo
isso que a Yasmim tá passando. Espero que o capítulo não tenha ficado
muito chato kkk
Capítulo 45
⚠ ALERTA DE GATILHO
cenas de abuso sexual⚠

Acordei em um lugar escuro e sujo, olhei em volta e única coisa que tinha
era um colchão sujo jogado no chão no qual era o que eu estava deitada,
entrei em desespero e logo eu estava chorando e gritando, havia uma escada
média que levava até a saída, subi a mesma e tentei abrir a porta, estava
trancada.

Estava tentando me recordar do que havia acontecido, eu não me lembrava


de como eu tinha parado ali, o que aconteceu.

Eu me lembrava de curtos flashbacks, mas logo apagava novamente.

Enquanto minha visão começava a turvar, flashes de consciência vinham e


iam, deixando-me confusa e desorientada. Lembro-me de Aaron me
carregar até seu carro; seus braços ao redor de mim eram firmes, mas tudo
ao meu redor estava girando. Senti minha cabeça tombar contra seu ombro,
e as luzes neon da festa se apagaram à medida que eu perdia os sentidos.

Despertei por um momento no banco de trás do carro. A estrada era escura,


com árvores enormes margeando ambos os lados, criando uma espécie de
túnel sombrio. As luzes dos faróis cortavam a escuridão, mas minha visão
estava embaraçada. Sentia-me péssima, como se tudo estivesse fora de
lugar. Meu corpo estava mole, eu não conseguia me mexer. Uma náusea
forte tomou conta de mim, e não consegui segurar. A última coisa que vi
antes de apagar novamente foi Aaron gritando comigo, sua voz cheia de
frustração e raiva. Eu tinha vomitado no carro, sujando tanto a minha roupa
quanto o estofamento do banco de trás. A imagem dele gesticulando,
furioso, era confusa, e as palavras dele se misturavam em minha mente.

Acordei mais uma vez, mas tudo ainda estava nebuloso. Lembro-me de
olhar para minhas mãos trêmulas, sujas, e sentindo um gosto horrível na
boca. A voz de Aaron, ainda irritada, cortava o silêncio da estrada deserta.
Eu queria falar, explicar o que estava sentindo, mas parecia que minha boca
não obedecia. A sensação de impotência me dominava, como se estivesse
presa em um pesadelo do qual não conseguia acordar.

Enquanto o carro seguia por aquela estrada sombria, coberta por árvores,
tudo parecia se mover em câmera lenta. A dor de cabeça e a confusão
mental faziam cada segundo parecer interminável. Eu queria
desesperadamente entender o que estava acontecendo, mas minha mente
estava nublada, e eu não conseguia juntar os pensamentos.

A última coisa que lembro antes de tudo escurecer de novo foi a voz de
Aaron, agora mais calma, mas ainda carregada de uma tensão que eu não
conseguia identificar completamente. Não sabia o que ele havia colocado na
minha bebida, mas o efeito era devastador, deixando-me perdida em uma
névoa de confusão e mal-estar.

Avistei duas janelas, fui até elas e tentei abri-las, mas sem sucesso nenhum,
bati contra elas algo que fosse duro o suficiente para tentar acabar com
aquele monte de madeiras com prego que impedia a janela de ser aberta
sem sucesso, sem contar que meus braços já estavam cansados.

Minhas mãos tremiam, e minha respiração estava rápida e irregular.

Ouvi passos se aproximando da porta e corri para um canto na parede o


mais longe possível da porta, envolvi meus joelhos com um abraço com
medo.

Meus olhos, ajustados à escuridão, não conseguiam ver nada além do vazio
absoluto.

De repente, a porta se abriu com um rangido alto, e uma luz forte invadiu o
espaço. Meus olhos, sensíveis após tanto tempo no escuro, foram atingidos
pela luz intensa, me fazendo cerrar as pálpebras em uma tentativa de me
proteger. A dor era aguda, e eu pisquei repetidamente, tentando me ajustar.
Minha visão estava embaçada e turva, e eu não conseguia identificar
claramente quem estava na entrada.
Dois homens entraram, suas silhuetas altas e indistintas contra a luz
ofuscante. Meu coração acelerou, e eu me encolhi ainda mais, tentando me
tornar invisível. Tudo o que eu conseguia perceber eram sombras e formas
vagas, seus rostos indistinguíveis para mim. O medo pulsava dentro de
mim, intensificado pela situação desconhecida e a falta de controle.

—Finalmente acordou, Cinderela! Vamos brincar um pouquinho. -Um dos


homens diz esfregando as mãos e rindo de forma travessa, eu estremeci.

—Quem são vocês? Oque querem comigo?!- Minha voz saiu trêmula,
quase como um sopro

—Não se lembra de mim, gata? -Reconheci o segundo homem pela sua


voz..

Arthur Rowe?

O que diabos ele queria comigo??!

— A-Arthur? -Ele riu e começou a dar passos em minha direção, me afastei


o máximo que pude, me encolhendo de medo.

—Você é uma delicinha. -Ele disse olhando para as minhas coxas nuas.-
Isso vai ser divertido pra karalho!

—Não encoste em mim!! - Gritei, mas o cara nem ligou para o que eu disse,
pois se aproximou ainda mais, agora eu podia sentir perfeitamente seu
hálito horrível, meu estômago se embrulhou e uma vontade de vomitar
surgiu.

Rowe segura fortemente meus cabelos e me arrasta até o mesmo colchão


onde eu acordei

—Tire a roupa, amor. Quero ver o que você tem para mim. -O outro homem
se pronuncia

Aaron?!!

Como esses dois se conhecem??! Por que justo EU??


Arthur me segura firme e chama outro homem para manter a minha boca
aberta, Aaron se aproxima com um saquinho em mãos com algum tipo de
pozinho branco.

—Me larga, por favor. - Supliquei cheia de desespero. - Eu não quero isso,
não quero!!! -grito me debatendo

—Não perguntei o que você quer, vadia. O que importa é o que EU quero. -
Ele deu ênfase ao pronome. - Anda, tira a porra da roupa. - Ele estava sendo
rude, mas por mais que aquele cara fosse extremamente assustador, eu
neguei.- TIRA PORRA. - Ele gritou e logo deu um puxão em meu vestido o
rasgando, me vi apenas de sutiã e calcinha, droga, eu seria estuprada...

As lágrimas em meu rosto corriam mais que uma cachoeira. Eu só


conseguia pensar em Vinnie, pensar no quanto eu queria ele.

—E então, delicinha, vai me dar o que eu quero? - Ele perguntou.- Essa vai
ser sua primeira vez fazendo sexo anal, amor!! -Arregalei os olhos, meu
coração disparou.

—Você está linda com esse sutiã, você é realmente muito gostosa. -Arthur
disse mordendo os lábios- Não acha, Riger?

—Vocês não vão fazer nada comigo, vocês são nojentos!!- Falei tentando
me levantar daquele chão frio, mas Aaron me impediu novamente, subiu em
cima de mim e começou a dar beijos pela extensão de meu corpo, ele
colocou suas duas mãos, uma em cada seio meu e os apertou.

-Você é gostosa pra karalho!! -Ele disse e riu.

Arthur veio até mim, se agachou para ficar mais perto e começou a passar a
língua de leve por meu pescoço, em seguida fez a mesma merda que Aaron
fez, apertou meus seios por cima do sutiã. Dei um tapa em suas mãos e
recebi dois tapas na cara em troca.

—Eu não fiz nada contra vocês.. Me deixa ir, por favor. - Chorei mais
ainda, eu realmente estava perdida, não tinha chance contra eles
—Você pode não ter feito nada, mas Vinnie fez, e você vai pagar pelo erro
dele. Ou você acha que eu me esqueci daquela vez que aquele puto me
espancou?! Quase me matou POR SUA CULPA PORRA!!! -Rowe diz
bravo

—Trouxe o celular? -Fiquei sem entender

Um dos capangas que estava na sala junto com a gente tira o meu celular do
bolso de sua calça, Arthur me força a fazer o reconhecimento facial e logo
entra na conversa com Vinnie

—O que vocês vão fazer? Soltem meu celular agora!

—Vamos tirar algumas fotos e vídeos para registrar o momento. -Arthur riu.
- Hacker vai adorar ver isso. - Em seguida o capanga mirou a câmera de
meu IPhone em nós, eu tentei me esconder, mas Arthur me prendeu e então
lá estava, uma foto minha e de Arthur seminua, Vinnie ia pirar com isso.

—Eu daria tudo para ver a cara de Hacker ao receber essas fotos. - Arthur
disse rindo e antes que pudesse sair por aquela porta falou: - E não esquece
que depois é minha vez, Aaron. - Os dois riram e Rowe saiu, deixando
apenas eu e Aaron naquela sala.

No momento seguinte, Riger me atacou ferozmente, tentei manter meus


lábios intactos, mas meu "namorado" me deu um beliscão fazendo eu dar
um grito e sua língua ir de encontro com a minha, ele me beijou como se
não pegasse alguém há anos, meus lábios chegaram à ficar dormentes e
doloridos, Aaron partiu para o meu pescoço me deixando vários chupões,
tentei fugir, mas o cara era mais forte, eu não tinha chance.

Aaron enfiou suas mãos por dentro de minha calcinha e apertou minha
intimidade, eu estava tão assustada que não senti porra nenhuma de prazer,
apenas comecei á chorar desesperada clamando por Vinnie. Ele abriu meu
sutiã e sugou meus peitos, tentei virar-me para o lado para me livrar, mas
ele me pôs de frente novamente, ele mordia meus seios como se estivesse
me dando o maior prazer do mundo, porém aquilo estava doendo.
Riger para o que estava fazendo, sobe em cima de mim e, com uma das
mãos ele segura meu maxilar para manter minha boca aberta, enquanto com
a outra mão, ele despeja o pozinho em minha boca e me força a engolir

Luto ao máximo para manter minha boca fechada, mas ele é muito forte!

Não demora muito e já começo a sentir os efeitos da droga em meu corpo


novamente, mas dessa vez, a sensação era pior do que antes!
Meu corpo começou a amolecer, eu estava perdendo as forças, meu corpo
não respondia a minhas ordens.

Aaron grita para que Arthur entrasse na sala novamente, logo, Rowe entra
com mais sete capangas atrás dele

Arthur começa a gravar tudo, enquanto risadas e vozes dos outros caras
pareciam ficar cada vez mais distantes..

Aaron me vira de bruços no chão ficando atrás de mim, o moreno tira uma
faca e a apoia em meu pescoço me ameaçando para obedecê-lo, ele coloca
seu membro pra fora e sem pensar duas vezes, introduz seu membro em
meu orifício.

Sinto uma dor insuportável me consumir, Riger começa a dar fortes


estocadas sem pensar se eu estava com dor, apenas pensando em seu
próprio prazer.

Eu gritava desesperadamente por conta da dor, eu implorava para ele parar,


mas foi em vão...

(Vou poupar vocês do resto dos detalhes pois já está ficando muito pesado)

Pov – Vinnie Hacker

A festa na praia estava do caralho. Eu, com minha camisa havaiana


desabotoada e uma bebida na mão, me sentia no paraíso. As luzes coloridas
piscavam, criando uma vibe tropical incrível, e o bar estava lotado de drinks
exóticos. Meus amigos e eu estávamos lá para comemorar o namoro de
Bryce com a Avani, e não podia estar mais animado.
Os caras estavam soltando altas risadas, fazendo piadas das mais bestas
possíveis. Eu tava na mesma, soltando palavrão a torto e a direito, do jeito
que sempre faço. Era impossível não se empolgar com toda aquela energia
boa. Bryce e Avani estavam perto da água, dançando como se ninguém
estivesse vendo. O filho da puta tava feliz, e eu só podia ficar feliz por ele
também.

Olhei pro meu drink, rindo das minhas próprias besteiras. As pessoas ao
meu redor estavam tão descontraídas, e eu só queria me jogar na vibe. A
música tava alta pra caralho, e a galera toda dançava na areia, sem se
importar com nada.

Quando a dança improvisada começou a esquentar, decidi ir até o bar pegar


outro drink com o Kio. O som das risadas e a música alta faziam a noite
ficar ainda mais animada. No caminho, meu celular vibrou no bolso, e eu o
tirei para conferir. Vi sete notificações da Yasmim. Gargalhei ao ler por
cima as mensagens, mas não me dei ao trabalho de abri-las. Guardei o
celular de volta e virei para o Kio com um sorriso irônico.

—Olha só, tua amiga me mandando mensagem! -ri, balançando a cabeça.-


Essa puta faz merda e depois quer se reconciliar. Vai se foder!! - Gargalhei
alto, meio bêbado, ainda achando graça da situação. Kio olhou pra mim
com uma expressão mista de surpresa e divertimento, mas não disse nada.
Eu só queria aproveitar a festa e esquecer qualquer merda do passado,
especialmente aquela história com a Yasmim. Então, ergui meu copo e
brindei com o Kio, decidido a deixar essas complicações de lado e curtir a
noite com os amigos.

Enquanto eu e o Kio pegávamos mais uma bebida no bar, Bryce e Avani


chegaram também. Eles nos encontraram rindo alto, e eu, já meio alto por
causa da bebida, estava falando besteira sobre as mensagens da Yasmim.
Bryce pegou uma cerveja e, curioso, perguntou:

—E aí, do que estão rindo tanto? -o casal chegou animado

Soltei uma risada irônica e respondi:


—Nada demais, só a Yasmim me mandando mensagem depois de todo
aquele drama. -Tomei um gole e percebi que Avani não estava com uma
cara muito feliz.

—O que foi, Avani? parece que você tá incomodada.

Ela franziu a testa, visivelmente desconfortável.

—Só... só estou tentando entender essa raiva toda que você tem da Yasmim.
Vocês eram tão próximos.

Suspirei, sentindo a irritação subir

—Ela me deixou esperando no shopping por horas, sem nem se dar ao


trabalho de mandar uma mensagem dizendo que não ia aparecer. -falei, o
tom mais sério agora.- Eu tava lá, feito um idiota, esperando. E sabe por
quê? Porque ela preferiu ficar com aquele namorado dela do que cumprir o
compromisso comigo. E depois, age como se nada tivesse acontecido e
ainda manda mensagem depois de tudo isso!! Vai se foder, essa vadia tá me
achando com cara de idiota porra?!

Kio ficou quieto, mexendo em seu drink, enquanto Bryce e Avani trocavam
olhares. Avani parecia estar tentando entender a situação, ainda um pouco
desconfortável, mas dava pra ver que ela queria ajudar.

—Espera.. você sabe que Yasmim está sendo forçada a ficar nesse
relacionamento, né? -Avani fala enquanto me encarava sem entender nada

—Que história é essa? -Kio pergunta seriamente

—Loren e Oliver forçaram a Yasmim a ter esse relacionamento com Aaron


para que os negócios da família de Aaron dessem certo. -ela dá um gole em
sua bebida- você tinha que ter visto a cara dela naquela janta na minha casa,
amor.. senti muita pena dela aquele dia. Eu nunca vi alguém chorar e ter
tanto medo de outra pessoa assim.. -ela se vira para Bryce e o abraça

Eu e Kio nos encaramos, a tensão fica no ar, logo chamando a atenção dos
outros membros da gangue que estavam presentes na festa junto de Nick
Puxo meu celular rapidamente para ver o que Yasmim havia me mandado,
meu coração estava acelerado, eu torcia para não ser nada demais..

Assim que abri a conversa, meu mundo desabou.

—PUTA QUE PARIU! -gritei, sentindo meu estômago revirar enquanto


assistia às fotos e vídeos da Yasmim sendo abusada por Arthur e Aaron. A
cada imagem, o choque se transformava em uma raiva crescente. Meu
corpo começou a tremer, e a adrenalina corria pelas minhas veias.- Que
porra é essa? Karalho! Esses filhos da puta...

Kio olhou por cima do meu ombro, o rosto empalidecendo ao ver as


imagens.

—Meu Deus, Vinnie... isso é muito sério... Que merda é essa?! -Ele apontou
para a tela, ainda incrédulo.- Aquela tatuagem no pescoço do Aaron... é a
mesma que o líder dos Escorpions tem!!

Eu estava à beira de uma crise de raiva. Sentia o sangue ferver, as mãos


tremendo de ódio. Eu estava tentando manter o controle, mas era
impossível.

—Eles vão pagar por isso! Vão se foder na minha mão!!

Bryce, percebendo o quão grave a situação estava ficando, rapidamente


puxou Avani para longe.

—Vem, Avani, você não precisa ver isso. disse ele, tentando mantê-la
protegida do horror. Ela parecia confusa e assustada, mas seguiu Bryce sem
questionar, sua preocupação evidente.

Enquanto isso, alguns dos capangas que estavam por perto começaram a
olhar as fotos e vídeos também. Vi um deles empalidecer e levar a mão à
boca, claramente passando mal com o que estava vendo. "Porra, isso é
doentio," murmurou um, tentando se afastar. Outro, com o rosto pálido,
vomitou ali mesmo, incapaz de suportar a cena.

Eu, com uma mistura de desespero e ódio, senti uma explosão de raiva.
—ELES VÃO ME PAGAR! EU VOU MATAR ESSES FILHOS DA
PUTA!!! -gritei, minha voz rouca de tanto gritar. As palavras saíam cheias
de ódio, meu corpo inteiro vibrando com a intensidade da minha fúria.
Sabia que precisava agir, mas minha mente estava uma confusão. O peso do
que tinha visto, o horror da situação, tudo estava prestes a me fazer perder
completamente o controle.

O que fizeram com a minha menina?

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

———

Se antes vocês estavam me xingando e odiando os capítulos, agora piorou!


Peço desculpas por ter feito a Yasmim passar por mais dor, mas agora
acabou!

Eu pago a terapia de vocês!


Capítulo 46
Minha raiva estava além de qualquer coisa que já havia sentido. Eu podia
sentir cada fibra do meu corpo queimando de ódio e desespero. Olhei para o
Kio, que estava igualmente furioso, seu rosto vermelho de raiva.

—Vou ligar para Robert e dizer para ele preparar os Demons. -Kio tomou
iniciativa, nem isso eu consegui fazer, meu sangue fervia pra caralho.

—Eu vou matar esse filho da puta. - Rosnei. -Josh, tenta rastrear o
numero de Alles, tenho certeza que eles não estão nos territórios que eles
roubaram da gente, eles não seriam burro à esse [Link] assentiu e logo
foi até seu computador fazendo aquelas porras que só ele entendia.

—DEMONS! -gritei, chamando a atenção de todos os meus capangas.-


QUERO TODO MUNDO PROCURANDO POR YASMIM AGORA!!!
Revirem cada canto dessa cidade, cada rua, cada esconderijo, cada buraco!!

Os capangas assentiram, alguns ainda pálidos com o que tinham visto, mas
todos sabiam que a situação era crítica. Eles se espalharam rapidamente,
pegando seus telefones e começando a mobilizar outros membros. Podia ver
a determinação nos olhos deles, a mesma fúria que queimava em mim.

—Aqueles filhos da puta estão mortos. -murmurei para mim mesmo com a
voz trêmula de raiva.- Arthur, Aaron... todos eles. Não vão escapar dessa.

—Oito carros já saíram a procura dela. -Kio me avisou- Tem mais carros
vindo para cá para nos ajudar na busca. Já falei com todos, nós vamos achar
ela.

—Isso é vingança. - Falei para Kio. - Foi o meio que ele achou de se
vingar de mim, ele foi tão cagão que não soube vim diretamente, ele vai
tentar matá-la, eu não posso deixar isso acontecer. - Passei na frente de Kio
como um furacão e em seguida eu já estava entrando em meu carro
Antes de partir, ordenei para que eles me falassem qualquer mísera
informação que eles tivessem.

Kio estava ao telefone com alguém, Kio e Josh são os hackers da gang,
então provavelmente estava rastreando o sinal do celular da Yasmim. Eu
estava ao ponto de explodir, andando de um lado para o outro, as mãos
cerradas em punhos.

—Conseguiu alguma coisa porra?

Kio finalmente desligou o telefone e me olhou, ainda com raiva, mas agora
com um brilho de urgência.

—Consegui uma localização aproximada. Parece que estão em um


armazém afastado na zona leste. Vamos agora!!

Sem perder mais tempo, comecei a me mover. O ódio dentro de mim era
avassalador, mas ao mesmo tempo, uma frieza calculada começou a tomar
conta. Eu ia resolver essa merda, custasse o que custasse.

Eu estava dirigindo como um louco pelas ruas da cidade, mas logo entrei
em uma estrada escura e sinuosa, o motor do carro rugindo enquanto pisava
fundo no acelerador. Meu coração batia no ritmo da minha raiva, um
tambor incessante que ecoava nos meus ouvidos. Atrás de mim, uma fileira
de carros dos Demons seguia, aumentando a cada quilômetro. Cada veículo
estava cheio de capangas armados até os dentes, prontos para a guerra que
estava prestes a começar. Uma guerra que eu sabia que terminaria em
sangue.

"O que fizeram com a minha menina?" A pergunta se repetia na minha


mente. A imagem das fotos e vídeos da Yasmim não saía da minha cabeça,
seus gritos de dor, as risadas ao fundo..

—A gente vai matar esses filhos da puta, não vai sobrar nem um pra
contar história. -Kio disse seriamente

Meu sangue fervia, e o ódio dentro de mim queimava mais do que nunca.
Não podia acreditar que aqueles desgraçados tinham tocar nela.
A estrada parecia interminável, mas eu sabia que estava chegando perto. O
armazém onde eles estavam escondidos ficava em um lugar isolado, no
meio do mato, longe da cidade. Era o lugar perfeito para aqueles vermes se
esconderem, mas hoje seria a última vez que se esconderiam de alguém.
"Vou rasgar esses malditos ao meio," pensei, com os punhos cerrados no
volante.

Eles vão pagar caro por cada lágrima que fizeram ela derramar!!

Olhei pelo retrovisor e vi os carros dos Demons se estendendo, uma fileira


interminável de aliados prontos para lutar. O brilho das armas nas mãos
deles era um lembrete da brutalidade que estava por vir.

Mas não vou descansar até que todos os Escorpions estejam no chão.

Minha mente estava uma tempestade de pensamentos de vingança.

Eles não sabem com quem se meteram. Acham que podem tocar na minha
garota e sair impunes?Eles vão ver o que é o inferno de verdade!

A cada segundo, o armazém se aproximava, e minha raiva se intensificava.

Vou arrancar a cabeça desses desgraçados!!

Apenas uma coisa importava agora: salvar Yasmim e destruir todos que
ousaram machucá-la. Eu estava disposto a fazer qualquer coisa para garantir
isso. Quando chegássemos lá, não haveria misericórdia. Hoje, os Demons
fariam os Escorpions se arrependerem de cada erro que cometeram.

Enquanto acelerava pela estrada escura, minha mente fervilhava de


pensamentos de vingança e raiva, sentindo o ódio aumentar. "Rowe tem
raiva de mim por aquela vez que quase o matei de tanto que foi espancado."
As lembranças daquela briga passaram pela minha cabeça. Eu sabia que
Rowe me odiava desde aquele dia, mas jamais imaginei que ele usaria
Yasmim me afetar..

Meu estômago revirou ao pensar em Aaron.


Eu não podia imaginar que ela estava sendo forçada a ter essa merda de
namoro com Aaron. As peças começaram a se encaixar, e a angústia
misturada com a raiva me corroía por dentro.

—PORRA POR QUE ELA NÃO ME DISSE??! -Gritei para mim mesmo,
batendo o punho no volante. Kio estava corando enquanto tremia de raiva,
eu sabia exatamente o que ele estava sentindo. A frustração era
avassaladora. Se ela tivesse falado comigo, eu teria feito qualquer coisa
para protegê-la. Eu estava cego pela raiva e dor, sentindo-me culpado por
não ter percebido o que estava acontecendo.

Pov – Yasmim Alles

Eu estava com hematomas espalhados pelo meu corpo. Ele estava dolorido,
principalmente minhas partes íntimas..

Entre minhas pernas, havia um pouco de sangue já seco, mas a dor era
insuportável!

Perdi as contas de quantas vezes eu vomitei, eu estava quase sem voz de


tanto que eu gritava e pedia para parar. Tinha momentos que eu alucinava,
imaginava que tinha pessoas naquela sala, mas eu sabia que elas não eram
reais. Imaginava papai, minha mãe, Mads, Dylan, Vinnie.. mas nenhum
realmente estavam ali.

eu não aguentava mais essa situação, eu precisava de um plano!

Aaron havia saído da sala, deve ter ido chamar Arthur.

Eu não conseguia me sentar no colchão, a dor em minhas partes íntimas era


terrível!

Arthur apareceu na porta, com um olhar malicioso sobre meu corpo, isso
me deu calafrios.

—Minha vez de brincar, gatinha! -ele tranca a porta e começa a andar em


minha direção

—Por favor, não faça nada comigo! Eu não aguento mais. -digo em prantos
—Para de drama. Você tá pagando no lugar do Hacker, não se lembra que
ele quase me matou por SUA culpa?!!

— M-me desculpa, eu pedi para ele não fazer nada. Eu não tive culpa!!

—Cala essa boca, para de ficar choramingando. Isso vai acabar rapidinho! -
Rowe coloca sua arma no chão ao meu lado, ele tira sua camisa e a coloca
ao lado de sua arma.

Ouço disparos sendo efetuados no lado de fora da casa ou seja lá o que isso
é

Arthur corre para a porta e fica olhando de um lado pro outro para ver o que
havia acontecido, do por que esses disparos.

—ACONTECEU ALGUMA COISA? -Arthur grita enquanto mantida seu


foco apenas no corredor

Em um descuido de Rowe, eu visto rapidamente a sua camisa e pego sua


arma que estava no chão, me levanto com muita dificuldade mas consigo
parar em pé

—Ei!! -grito e Arthur vira seu rosto em minha direção e se depara com
uma arma em sua cabeça, vi os braços dele se mexerem e vi que ele iria
tentar me atacar, então me afastei apontando a arma de longe.

—Se você chamar alguém, eu atiro.

—Calma, Yas. Vamos conversar.. - Ele dava dois passos para frente e eu
dava três para trás, ele queria se aproximar de mim e tirar a arma de minhas
mãos.

—Agora você quer conversar?! -Eu estava mais confiante que o normal

—Você é fraca, Alles. -Arthur cuspiu. - Se eu morrer, você morre


também, pois Aaron vai estar te esperando.

—Beleza, então nós morremos juntos. - Pisquei para ele e levei pressionei
meu indicador de leve para apertar o gatilho, no momento seguinte, levei
um mata leão de Aaron, ele me pegou por trás, envolvendo seus braços em
meu pescoço, quase me enforcando, mas em nenhum momento eu larguei
aquela arma, se Arthur se aproximasse eu atirava. Ou não, pois Aaron
acabara de colocar uma arma em minha costela, gelei, mas em nenhum
momento soltei o revólver.

—Larga a arma. -Aaron sussurrou em meu ouvido. - Vai ser melhor,


acredite em mim.

—Não. -Falei e ouvi um disparo, assim que percebi que não havia saído
da minha arma, fiquei tonta e minha visão ficou embaçada, Aaron ficou
mole atrás de mim e pude perceber que a camiseta de Arthur que eu vestia,
estava suja de sangue.

—Mas que karalho esses caras, Kio. Eles não aceitam que não são fodas. -
No momento em que eu achava que o tiro havia sido em mim, ouvi aquela
rouquidão e dei-me conta que quem estava atirado no chão, era Aaron, o
pânico foi tão grande que me impediu de notar tudo isso. Me distraí ao
olhar para Hacker que estava ali com Kio e quando dei-me conta Arthur
havia pulado para cima de mim e tirado aquela arma que eu estava de
minhas mãos, apontando a mesma para mim assim que me envolveu por
trás.

—Porra, isso arde pra karalho. -Olhei para o chão enquanto Arthur me
segurava e era Aaron que havia falado, ele estava ferido.- Como vocês nos
acharam? - Aaron perguntou.

—Vocês foram burros demais. - Vinnie riu. - Não destruíram o celular.

-VOCÊ NÃO DESTRUIU O CELULAR, ROWE? -Aaron gritou irritado e


eu só conseguia perceber o cansaço nos olhos de Vinnie. Eu queria correr
para abraçá-lo, mas estava sendo impedida por Arthur que apontava uma
arma para a minha cabeça.

—Desculpa, cara. -Arthur disse com dificuldade. - Mas o celular era


novo.- Eu teria rido se não tivesse um revolver apontado para a minha
cabeça.
—É aqui que é a festa? -Bryce apareceu na porta daquele maldito quarto.

—Acaba com ela, Arthur. -Aaron disse enquanto estava atirado no chão
sofrendo de dor. - Acaba. -Vi Vinnie querer atirar nele, mas ele sabia que se
fizesse isso, Arthur atiraria em mim.

Eu ouvia altos barulhos de tiros, conclui que estava acontecendo uma


guerra nos andares de cima dos Escorpions com os Candidas, não tinha nem
ideia de quem estava com vantagem.
Hacker estava estranho, apenas analisava a cena, ele estava calculando tudo
o que faria.
Eu já estava cansada daquilo, então pensei em algo totalmente arriscado, eu
esperava que Arthur não fosse rápido o suficiente, os garotos estavam ali,
tentando convencer Arthur á me soltar, tentando acordos e mais acordos,
coisa que nunca acabava. Mas Vinnie não fala nada, apenas me olhava, até
que eu entendi aonde ele queria chegar, apenas por seu olhar. O olhei
firmemente e nós trocamos algumas informações, apenas por aquilo, eu já
sabia o que fazer.

—Arthur, me larga! Por favor. - Fingi que estava suplicando. - Você vai
morrer do mesmo jeito.

—Exatamente, eu quero acertar minhas contas com você no inferno! - Ele


riu e desceu o cano de sua arma até minha cintura, ele descia e subia, como
se estivesse brincando.

Em um movimento super rápido me desfiz dos braços de Arthur, quando ele


se deu conta de que tinha que atirar em mim, era tarde demais, Vinnie já
havia o atingido com dois tiros no peito, em seguida, cada um deu um tiro
em Aaron, confesso que aquilo me deu uma dor leve, mas foi o merecido.

Porra eu desmaiei de novo!!

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


(Nem parece a Yasmim que a gnt conhece ksksk)

———

Sobre o capítulo anterior, eu li que várias pessoas acabaram não gostando


e pedindo para que eu retirasse a parte do abuso, uma outra pessoa
comentou que a questão do abuso é um assunto muito sério e que não se
deve colocar isso em uma fanfic.

Eu respeito totalmente a opinião de vocês e eu entendo e concordo que


realmente é muito sério! Mas a primeira coisa que eu havia colocado no
início do capítulo era um AVISO que realmente iria conter cenas pesadas
de abuso sexual ao decorrer da história. Avisados vocês foram!

Vi que outras pessoas também haviam comentado à respeito da demora pra


eu postar capítulos novos.. gente, eu entendo que é chato ficar esperando
por novos capítulos, eu sei que é chato quando o autor demora pra postar.
Mas eu tenho uma vida fora do Wattpad, eu tenho prioridades, eu não
posso passar o dia inteiro escrevendo.

Se eu pudesse eu postaria CINCO CAPÍTULOS por DIA, (uma pessoa


comentou que eu deveria fazer isso) mas infelizmente não dá, é como eu
falei antes: eu tenho uma vida fora da plataforma, eu tenho prioridades!
Eu dou meu máximo pra postar pelo menos um por dia, estou me
esforçando mais ultimamente pra tentar postar dois, e olha que é difícil
viu!!

Todos vocês já estão bem grandinhos para entender que isso é uma
FANFIC, uma FICÇÃO! Eu peço para que não se apeguem tanto aos
personagens a ponto de magoarem os autores com certos comentários!
Nós passamos horas, dias, até madrugamos para que o capítulo saia como
o desejado para entregar o melhor para vocês e vir alguém difamar o que
nós fizemos não é legal!!
Capítulo 47
Pov – Dylan Riger

Cara, faz cinco dias que tô nessa merda de investigação. Cada esquina, cada
beco, cada maldito bar que eu entro, parece que sempre tem alguém me
encarando. Mas não me importo, porque eu sei que tô perto de descobrir a
verdade. Jake, aquele filho da puta esperto, mencionou na última reunião
dos Demons que ouviu um boato. Dizem que o líder dos Escorpions tem
uma tatuagem de escorpião no pescoço. Ridículo, eu sei, mas também
intrigante. Eu tenho meus suspeitos, acho que o tal cara pode ser alguém
que eu conheço muito bem. Ou melhor, alguém que eu desprezo desde
sempre: meu primo Aaron.

Nunca gostei desse idiota. Sempre com aquele jeito durão e rude, como se
fosse o dono do mundo. E agora, com essa história de namoro com a
Yasmim, eu sabia que tinha alguma coisa de errado. Sempre soube. Algo
naquela filho da puta me cheirava a encrenca.

Eu segui cada rastro, cada pista que encontrei. Fui até o Inferno e voltei só
pra me certificar de que não tava vendo coisa onde não tinha. Cada vez que
eu o seguia, meu coração acelerava. O desgraçado ficava sempre na
defensiva, não deixava brechas, mas eu sou um cara esperto. Fui até o
fundo dos arquivos, vasculhei cada rede social, cada porra de mensagem de
texto que pude encontrar. E cada vez mais parecia que eu tava certo. Esse
cara, Aaron, tava se metendo em algo grande, e eu tinha quase certeza que
era com os Escorpions.

Mas sabe como é, quando você cava demais, acaba encontrando coisas que
preferia não ter visto. E puta merda, o que eu achei me deixou sem chão.
Em uma dessas noites de merda, depois de uma longa perseguição até um
depósito abandonado, eu finalmente peguei algo de verdade. Algo que
provava que Aaron estava envolvido, mas não só ele. Lá, nos documentos
que encontrei, tinha o nome do meu próprio pai. Oliver. Meu pai tava
metido com os Escorpions. Como? Por quê? Eu ainda não consigo entender.
A cabeça explodiu com todas essas merdas. Sabe, não é como se eu tivesse
o melhor relacionamento com o velho, mas isso? Traição desse tipo?
Merda. Como vou encarar essa situação? Ele sempre foi distante, mas ser
parte de uma gangue é outra coisa. E Aaron, aquele filho da puta, sabendo
de tudo e ainda por cima, provavelmente tirando proveito da situação. E a
Yasmim, pobre maninha. Ela não faz ideia da confusão que tá entrando.

Esses cinco dias de investigação me deixaram à beira da insanidade. Me


sinto como se estivesse em um poço sem fundo, cada vez mais afundando
em mentiras e conspirações. Mas não vou parar. Não posso parar. Preciso de
respostas. Preciso entender como meu pai se envolveu com esses
desgraçados dos Escorpions e, mais ainda, preciso proteger a Yasmim. Ela é
boa demais pra se envolver com um idiota perigoso como Aaron.

Ainda não sei como vou confrontar o velho. Nem sei se quero. Mas uma
coisa é certa: vou continuar investigando, vou continuar cavando até
encontrar toda a verdade, mesmo que doa pra karalho.

Nunca tive um bom relacionamento de pai e filho com ele, as coisas só


pioraram quando mamãe morreu. Eu fiquei destruído, mas meu pai? Bom,
ele encheu o cu de bebida, drogas e quase morreu de overdose por conta
disso. Ele ficou deprimente. Mas não é como se ele e minha mãe tivessem
uma boa relação, ele sempre batia em nós dois, havia brigas e discussões
em casa por qualquer porra de besteira, meu pai sempre traia minha mãe
com qualquer puta que visse pela frente, até hoje não sei o por que ela o
perdoava.

Eu era muito pequeno pra defender minha mãe quando Oliver chegava em
casa completamente bêbado e chapado de drogas, eu acabava apanhando
junto.
Sempre guardei esse rancor de mim mesmo por ver meu pai frequentemente
espancando mamãe e não poder fazer nada.

Eu fui um completo covarde por ter deixado Yasmim sozinha aquele dia
com Loren e meu pai, minha irmãzinha não consegue se defender, parece
uma daquelas peças de porcelana que a qualquer momento pode quebrar.
Me arrependo de ter a tratado mal durante todo esse tempo que nos
convivemos como "irmãos".
Dês de que mamãe morreu, eu não aceitava meu pai se relacionando com
outras mulheres, eu sempre achava que ele queria substituir minha mãe,
colocar qualquer puta no lugar dela. Mas quando ele começou a se
encontrar com Loren, sei lá, foi muito estranho.. eu nunca tinha visto ele tão
feliz. Quando ele apresentou a Yasmim para mim, nossa.. aquilo acabou
comigo! Ele tratava ela tão bem como se ela realmente fosse a sua filha.,
mas eu? Seu filho legítimo, ele tratava feito merda!! Por que ela recebia
esse amor todo do meu pai e eu não podia receber?!

Mas com o tempo, principalmente depois que Alles conheceu os moleques,


eu estava me dando bem com ela. Ela sempre fez de tudo por mim, me
tratava com carinho e tinha muita paciência e calma comigo, eu não tinha o
por que de estar a tratando dessa forma.

[...]

Hoje é o aniversário de Loren, meu pai me obrigou a ir na festa

Essa será uma boa oportunidade de investigar meu pai.

Festa de aniversário da mãe da Yasmim. Um verdadeiro pesadelo. Todo


mundo feliz e comemorar. Cheguei e a primeira coisa que vi foi Aaron,
aquele desgraçado, dançando com minha irmãzinha. Merda. Ele com aquele
sorriso forçado, fingindo ser o namorado perfeito. Fiquei de olho neles por
um momento, tentando não deixar o sangue ferver. Mas eu tinha um
trabalho a fazer, e não era ficar de babá de casalzinho.

Fui até o segundo andar, onde estavam os quartos. Sabia que meu pai, tinha
alguns segredos escondidos, e essa era a oportunidade perfeita para
vasculhar e achar alguma coisa. Se aquele velho tá metido com os
Escorpions, alguma coisa ele deve ter guardado.

Entrei no quarto dele com o coração na boca. Cada som parecia


amplificado, cada ranger do assoalho me deixava nervoso pra caralho.
Comecei a abrir gaveta por gaveta, mexendo em tudo. Camisas, meias,
documentos velhos. Merda, nada de relevante. Procurei em todos os cantos,
debaixo da cama, no guarda-roupa, mas parecia que não havia nada ali que
me ajudasse.
Foi então que pensei no escritório dele. Se tinha alguma coisa importante,
seria lá. Afinal, ele não passa o dia inteiro trancado lá atoa.

Saí do quarto dele, tentando não fazer barulho, mas, é claro, tinha que ser
pego em flagrante. Assim que fechei a porta, dei de cara com meu pai. Ele
tava com umas pastas na mão, claramente puto por me ver ali.

—O que karalhos você tá fazendo no meu quarto?!! -Ele perguntou,


visivelmente com raiva

Puta que pariu.

Fiquei sem palavras por um segundo, mas então soltei a primeira desculpa
que veio na cabeça.

—Eu... tava procurando uma camisa. Loren deve ter confundido e guardado
no seu guarda-roupa. -Não era a melhor desculpa, mas era o que eu tinha.

Oliver me olhou de cima a baixo, claramente não acreditando em uma


palavra.

—Hmm. -ele murmurou, mas não insistiu.- Desça. Não mexa nas minhas
coisas. -Ele virou e desceu as escadas, com pressa.

Merda, tive sorte.

Assim que ele sumiu, corri para o escritório dele. O lugar era uma bagunça
organizada, do jeito que ele gostava. Comecei a vasculhar as gavetas, uma a
uma, tentando fazer o mínimo de barulho. Papéis, contas, documentos.
Nada de muito interessante. Mexi em tudo, até a lixeira, procurando algum
indício, qualquer coisa que ligasse ele aos Escorpions.

A cada gaveta que abria e não achava porra nenhuma, ficava mais irritado.
Karalho, será que ele escondeu tudo em outro lugar? Por que essa merda
tem que ser tão complicada? Eu tava começando a perder a esperança. Se
ele realmente tava envolvido com aquela gangue, devia ser esperto o
suficiente pra não deixar provas espalhadas. Mas, karalho, eu tinha que
tentar. Tinha que encontrar algo que me ajudasse a entender essa merda
toda.

Continuei vasculhando, mexendo em papéis, abrindo pastas. Tudo parecia


normal. Contas, notas fiscais, nada suspeito.

—Droga. -murmurei, frustrado. Minhas mãos estavam suadas, e meu


coração batia acelerado. Se alguém subisse agora, eu tava fodido.

Depois de revirar praticamente tudo, ainda não tinha encontrado nada.


Sentei na cadeira dele por um segundo, esfregando o rosto com as mãos.

—Que porra de vida é essa? -pensei em voz alta. Não só no cuzão do


Aaron, mas agora também meu próprio pai envolvido em alguma merda

Levantei-me e dei uma última olhada em volta. Talvez eu tivesse perdido


alguma coisa, algo escondido, sei lá. Mas nada. Nem uma porra de uma
pista. Fiquei lá, parado, tentando entender o que fazer a seguir. Será que ele
realmente tava limpo? Ou será que eu só não tava procurando no lugar
certo?

Respirei fundo e decidi sair. Não adiantava ficar ali mais tempo, arriscando
ser pego de novo. Com o máximo de cuidado possível, fechei as gavetas e
tentei deixar tudo como estava antes. Se meu pai descobrisse que mexi nas
coisas dele, não sei o que ele faria. E honestamente, eu não queria descobrir.

Saí do escritório, com a sensação de fracasso pesando nas minhas costas. A


festa lá embaixo parecia distante, como se fosse uma realidade diferente da
minha. Minha cabeça girava com todos os pensamentos e preocupações.
Aaron, Yasmim, meu pai. Tudo uma grande bagunça.

Desci as escadas tentando parecer normal. Mas por dentro, eu tava


fervendo.

Eu fui à procura de minha irmã, eu tinha que tirá-la de perto desse filho da
puta.
Merda, onde essa garota se meteu? Procurei por toda a porra da casa e nada
da Yasmim. Meu estômago começou a dar voltas, um sentimento de
desespero crescendo. Aquela merda de sensação de que algo tava errado me
cutucando.

Merda, cadê você, Yasmim?

Saí pela porta de entrada, os olhos procurando por qualquer sinal dela. Foi
aí que eu vi. Aaron, aquele filho da puta, carregando Yasmim nos braços em
direção ao carro. Ela parecia mal. Muito mal. Não era a porra de uma
bebedeira. Yasmim nunca bebeu na vida. Tinha algo muito errado.

—Que porra é essa?!! -gritei, já correndo na direção deles. Mas antes que
eu pudesse chegar perto, meu pai, apareceu com mais cinco filhos da puta.
Todos bloqueando meu caminho. Puta que pariu. Seis contra um. Me senti
um merda, desarmado e impotente. Tinha deixado minha arma no quarto do
velho enquanto vasculhava.

Droga.

—FICA PARADO AÍ SEU MERDA!! -Oliver gritou, com aquele olhar de


filho da puta autoritário.- Você não vai se meter nisso.

—Vão se foder! Não vou deixar vocês levarem a minha irmã porra!! -Eu
tava pronto pra partir pra cima, mas sabia que não tinha chance. Aqueles
desgraçados começaram a me cercar. Eram grandes e estavam entre maior
número. E eu? Um cara só, sem arma. Merda.

—Cala a boca e fica quieto, moleque! -Um dos homens rosnou,


empurrando-me para trás.- Isso não é da sua conta.

Meu sangue fervia. Yasmim tava mal, e esses filhos da puta estavam
tramando alguma coisa. Eu sabia.

Aaron já tinha enfiado Alles no carro e arrancado com ela. Puta merda. Eu
tava preso ali com esses cuzões, sem poder fazer nada. Tentei avançar, mas
fui segurado e arrastado para a garagem.
Os caras me jogaram no chão e começaram a me dar uma surra. Socos,
chutes, pancadas por todos os lados.

—FILHOS DA PUTA! PAREM COM ESSA MERDA!! -Eu gritava, mas


não adiantava. Eles não tavam nem aí. Fiquei lá, no chão, tentando proteger
o rosto e o corpo.

Cada golpe doía pra caralho, mas a raiva e o desespero eram piores. Não
conseguia tirar da cabeça a imagem de Yasmim nos braços do Aaron, mal e
indefesa. Eu tinha que fazer alguma coisa. Mas aqueles cuzões não iam me
deixar sair dali.

—Você vai aprender a não se meter em merdas que não te dizem respeito,
moleque! -um dos caras cuspiu, me chutando no estômago. A dor explodiu
pelo meu corpo, me fazendo dobrar no chão.

A cada segundo que passava, a merda só ficava pior. Eu tava fodido. Eles
eram muitos e eu tava sozinho.

—Karalho, vocês vão se arrepender.. -murmurei, o sangue escorrendo da


boca.

Por fim, eles pararam, me deixando estirado no chão da garagem. Minha


cabeça girava, o corpo inteiro doía. Eles saíram. Eu tava preso ali, sem
poder ajudar a Yasmim. Senti a raiva e o desespero misturados com o gosto
amargo de sangue na boca. Se algo acontecesse com ela por causa desses
desgraçados, eu não ia me perdoar nunca.

[...]

Horas depois, já estava de madrugada.

Eu ainda tava na garagem tentando limpar o sangue de meu corpo, parecia


interminável.

A única coisa que se passava pela minha cabeça era se a minha irmãzinha
tava bem, essa era a única coisa que eu pedia nesse momento.
Eu me sentia um merda, mais uma vez a cena se repetiu, eu não pude
proteger minha mãe, mas prometi a mim mesmo que nunca mais deixaria
isso acontecer com outra pessoa. E olha só, adivinha? Aconteceu!!!

Loren sempre deixou algumas caixinhas de primeiros socorros espalhados


pela casa, ela sempre disse que é sempre bom ter, nunca se sabe quando ou
onde se vai precisar.

Enquanto eu me limpava e fazia os curativos, recebi diversas ligações dos


moleques e dos membros dos Demons, o que karalhos eles queriam a essas
horas porra?!!

—O que foi, merda?! -Atendi a ligação de Nick

—FINALMENTE PORRA!! A GENTE TÁ TE LIGANDO HÁ HORAS!

—Acharam a Yasmim?!!

—Como você sabe que é sobre a Yasmim?

—Acharam ou não porra?!! -me alterei

—A gente achou ela, aqueles filhos da puta do Rowe e do Aaron tavam


com ela.

—O que eles fizeram com a minha irmã? -Nick não me responde- O QUE
ELES FIZERAM?!!

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Capítulo 48
—SOCORRO. - Gritei ao acordar em um lugar totalmente escuro. - ME
TIREM DAQUI, SOCORRO! - Fiquei sentada no lugar macio em que antes
eu estava deitada. - ME AJUDEM! EU NÃO QUERO FICAR AQUI,
SOCORRO!!

—O que aconteceu, Yasmim? -Vi alguém entrar pela porta e levei às mãos
ao rosto por causa da claridade que quase me cegou.- Calma, eu estou aqui.
-Percebi que era Vinnie e uma sensação de alívio me percorreu, ele ligou a
luz e pude perceber que eu estava em seu quarto.- Só fui levar o médico até
a porta. -Ele disse e eu estranhei.

—Médico?

—Você teve uma overdose.. dormiu por quase dois dias, alguns dos seus
ferimentos estavam graves.. -Vinnie se senta na beira da cama, com os
cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos cobrindo o rosto. Algo estava
errado, muito errado.

—Minha cabeça está explodindo. -levo minhas duas mãos na cabeça- não
me lembro de quase nada..

A única coisa que eu recordava era de curtos flashbacks dentro de um carro,


ouvia gritos de Kio e Nick pedindo para acelerar o carro. Mas não consigo
me recordar de mais nada antes disso...

—O que aconteceu? -minha voz saiu mais fraca do que eu esperava,


quase um sussurro. Ele levantou o olhar, e notei a dor e o conflito em seus
olhos. Havia uma tensão no ar, algo que eu não conseguia entender.

Hacker não me respondia, ficava apenas encarando o chão.

—Vinnie o que houve? -Repeti um pouco mais desesperada

Ele hesitou, como se estivesse escolhendo cuidadosamente suas palavras.


—Aaron e Rowe te sequestraram e.. -Vinnie engoliu seco, desviando o
olhar. Havia um tremor em sua voz que nunca tinha ouvido antes, isso me
fez sentir uma pontada de medo no peito.

Vinnie apenas se levanta e sai do quarto sem dar uma palavra, parecia estar
pensativo e bravo de certa forma

O que deu nele?

Com muito esforço, me sentei na beira da cama. Cada movimento parecia


amplificar a dor espalhada pelo meu corpo, mas o desconforto mais agudo
vinha das partes mais íntimas. Havia curativos em lugares que eu mal
conseguia lembrar como tinha machucado. Respirei fundo, tentando afastar
o medo crescente e me levantar. Assim que me coloquei de pé, uma onda de
tontura me atingiu com força, acompanhada de uma dor de cabeça latejante.
Meus joelhos quase cederam, e por um momento, achei que fosse cair de
volta na cama. Segurei-me na cômoda ao lado, respirando fundo, lutando
contra a náusea.

Manquei em direção à porta do quarto, movendo-me lentamente pelo


corredor até chegar às escadas. O barulho de vozes me chamou a atenção;
vinha do andar de baixo. Reconheci algumas delas: Vinnie, Kio, Nick,
Bryce, Josh, Pietro e Jordan. A mistura de familiaridade e tensão me deu
um impulso para seguir em frente, mesmo que o medo de descobrir o que
tinha acontecido me deixasse apreensiva.

Desci as escadas com cuidado, segurando o corrimão com força para


manter o equilíbrio. A cada degrau, sentia o peso das minhas feridas, mas
precisava saber. Quando me aproximei da cozinha, ouvi as vozes com mais
clareza. O som me atraiu, como uma corrente invisível. Aproximando-me
da entrada, ouvi Vinnie falando. Ele parecia cansado e sério, um tom que
raramente usava.

—Não sei como contar isso a ela. -disse Vinnie, sua voz carregada de
preocupação e frustração. Senti um nó se formar no meu estômago. Fiquei
atrás da parede, fora do campo de visão deles, ouvindo atentamente.
—Tem que ser honesto, cara. -disse Kio.- Ela vai descobrir
eventualmente.

—Acho que já sabe que algo aconteceu, mas não... não dessa forma. -
Vinnie respondeu, sua voz embargada.- Ela merece saber, mas... como eu
digo para ela que Aaron e Rowe... fizeram isso? -O silêncio que se seguiu
foi ensurdecedor.

—Ela vai precisar de apoio, Vinnie. Isso não é algo que se supera sozinho.
-Bryce disse calmamente

—E nós estamos aqui para isso, mas você precisa ser o mais honesto
possível. Ela confiou em você, e esconder isso só vai piorar as coisas. -
Pietro acrescentou

Enquanto eles falavam, senti uma dor ainda mais profunda se instalar.
Vinnie sabia. Todos eles sabiam. E de repente, os curativos espalhados pelo
meu corpo fizeram mais sentido do que eu jamais quisera. Uma lágrima
silenciosa rolou pelo meu rosto enquanto eu absorvia o peso da situação.
Me escondi mais atrás da parede, desejando desaparecer, mas sem
conseguir me afastar.

Pude ouvir o tom de voz de Vinnie mudar de preocupado para algo mais
intenso. A tensão em sua voz era quase palpável, e percebi que ele estava
ficando irritado.

—Isso é uma merda!! -Vinnie explodiu, sua voz carregada de frustração.-


Não podemos ficar parados, esperando que esses putos façam o próximo
movimento. Temos que estar preparados, porque não vou deixar essa porra
acontecer de novo!!

O silêncio na cozinha era pesado, como se todos estivessem absorvendo a


raiva de Vinnie.

—Jordan, karalho, reforça a segurança da casa! -ele continuou, quase


gritando.- coloca mais câmeras, alarme, tudo! Não quero que ninguém entre
aqui sem que a gente saiba.
—Eu já estou cuidando disso! -Jordan respondeu, tentando manter a
calma.- Mas precisamos de mais tempo para organizar tudo. Não é algo que
se faz da noite pro dia.

—FODA-SE O TEMPO!!! -Vinnie rebateu, batendo a mão na mesa.- Nós


não temos tempo porra. Eles já mostraram do que são capazes, e não vou
arriscar a segurança dela. Não de novo. Se tiver que chamar reforço, chame.
Não me importo com os custos ou com o que for preciso. Apenas faça.

—Calma, cara. -Nick tentou intervir, sua voz suave. -Estamos todos do
mesmo lado aqui. Queremos proteger ela tanto quanto você.

—Então, porra, façam alguma coisa! -Vinnie gritou, sua voz falhando
levemente.- Estou me fodendo aqui tentando manter a cabeça no lugar, e
vocês agem como se tivéssemos tempo para respirar. Aaron e Rowe eram
uns filhos da puta perigosos e respeitados pelos Escorpions, eles vão querer
vingança!! Vocês sabem disso.

—Estamos fazendo o melhor que podemos, Vinnie. Mas não adianta ficar
perdendo a cabeça. Precisamos pensar com clareza. -Kio soltou um suspiro
pesado

—Pensar com clareza? -Vinnie riu amargamente.- Ela foi sequestrada e


quase morta, e você quer que eu pense com clareza? Isso é uma piada,
karalho.

—Relaxa, cara. Vamos conseguir. Precisamos de um plano e, mais


importante, precisamos estar juntos nisso. -Bryce tentou intervir

—Eu só... eu só quero que ela esteja segura. -ele murmurou, sua voz mais
baixa agora, mas ainda carregada de emoção.- E não consigo lidar com a
ideia de que falhamos com ela. De novo. -Vinnie passou as mãos pelo
cabelo, respirando fundo, tentando se acalmar.

Fiquei ali, ainda escondida, sentindo o peso de cada palavra. A tensão, a


raiva, a frustração.
—Todos nós queremos o bem dela, mas você vai precisar contar, Vinnie.
Ela precisa saber!

—Como você quer que eu conte porra?! -Vinnie se altera- como que eu
falo que ela foi abusada e quase morreu por uma merda de uma overdose?!!

Aquelas palavras pareciam facadas em meu peito, lágrimas involuntárias


começam a escorrer pelo meu rosto.

—Eu.. eu fui abusada?

Todos olham assustados em direção da porta, surpresos ao me verem

—Droga.. -Kio murmura

—Se acalma, eu ia te contar.. eu só estava esperando o momento certo. -


Vinnie fala encarando o chão, parecia estar triste

—Você não consegue nem me encarar direito Hacker..

—Não é isso! Eu.. -Vinnie fica sem saber o que dizer, mas finalmente me
encara

Dou uns passos a frente, eu queria abraçá-lo, senti-lo, eu precisava dele!


Mas, Vinnie deu uns passos para trás, se distanciando de mim

—Oque..? -minha voz saiu como um sopro. Eu não conseguia entender o


por que ele fez isso

—Vinnie? -Bryce chama sua atenção, parece ter ficado incomodado com
Vinnie se afastando de mim

—Você... você tem nojo de mim?!

Essa era a única coisa que se passava na minha cabeça e a única explicação
para ele não estar me encarando e me evitando

—Não! Claro que não!! -Vinnie fala desesperado, percebendo a merda que
fez
Saio correndo da cozinha, eu queria desaparecer!

Que droga, por que justo comigo?! O que eu fiz? Mas que merda!!

Assim que abro a porta de entrada, bato de frente com um corpo alto e forte,
me impedindo de passar. Era Dylan.

—Ei, ei, calma.. eu tô aqui, maninha. -ele me segura fortemente contra seu
corpo me abraçando

Eu tentava me soltar mas ele era mais forte que eu, mesmo eu me
debatendo, ele manteve a calma e continuou a me abraçar

—Me solta!! Eu preciso sair, eu não quero ficar aqui!! -começo a chorar
feito uma criança

Dylan se mantida calado, parecia que ele queria que eu colocasse tudo pra
fora. Mas ele permanecia me segurando fortemente em um abraço para que
eu não saísse da casa.

Eu chorava descontroladamente, eu tinha uma raiva absurda dentro do meu


corpo que eu nunca tinha visto antes.

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Capítulo 49
Eu senti meu corpo inteiro tremendo, o coração batendo tão forte que
parecia prestes a explodir. As palavras que meus amigos deixaram escapar
martelavam na minha cabeça, se misturando a um turbilhão de raiva e dor.
Eu não conseguia processar aquilo. Como era possível que isso tivesse
acontecido? E o pior, eu não me lembrava de nada.

Saí correndo da sala, cega de pânico, e mal percebi quando trombei com
Dylan na porta. O choque foi inevitável. Ele me segurou antes que eu
caísse, me puxando para um abraço apertado, como se quisesse me proteger
de tudo, como se aquilo pudesse apagar a culpa que ele carregava por não
ter conseguido impedir o que aconteceu.

Mas eu não queria proteção. Eu queria me soltar, fugir, desaparecer. A


sensação de estar presa, de não conseguir respirar, só aumentava a fúria que
crescia dentro de mim.

—ME SOLTA! -gritei, a voz rouca e carregada de ódio.- ME SOLTA,


PORRA!! EU QUERO SAIR DAQUI!

—Yas, por favor, fica calma. Eu tô aqui, você não tá sozinha. -Dylan me
segurava com força, tentando me acalmar.

Mas as palavras dele não faziam sentido pra mim naquele momento. Eu
estava cega de raiva, de dor. O que ele dizia não tinha importância, porque
ele não conseguia entender o que eu estava sentindo!

—VOCÊ NÃO ENTENDE NADA! -gritei, tentando me soltar dos braços


dele.- VOCÊ NÃO SABE O QUE EU TÔ SENTINDO!!

Eu bati nele com as mãos, socando seu peito, os ombros, qualquer parte que
conseguia alcançar. As lágrimas escorriam pelo meu rosto, mas não eram de
tristeza, eram de pura frustração e fúria.
—EU ODEIO ISSO, EU ODEIO ESSA CASA! ME DEIXA SAIR! -
chorei, a voz falhando entre os gritos.- EU SÓ QUERO SUMIR, MERDA!

Dylan continuava me segurando, firme, mesmo com os golpes e os


xingamentos. Ele sabia que eu precisava colocar aquilo pra fora, mas isso
não tornava a situação menos dolorosa pra ele. A culpa que sentia só
aumentava ao ver o estado em que eu estava.

—Eu sei que tá doendo, Yas, mas por favor, fica comigo. -A voz dele
estava embargada, quase implorando.

—EU NÃO CONSIGO! -gritei, me debatendo ainda mais forte, o


desespero me consumindo por inteiro.- ME SOLTA, KARALHO! EU
PRECISO SAIR DAQUI!!

Eu precisava sair da casa, eu precisava de ar!

Mas, em vez de melhorar, tudo só piorava. Eu sentia uma falta de ar


absurda, como se o ar tivesse sido arrancado dos meus pulmões. Meu
coração batia tão rápido que parecia que ia parar a qualquer momento. A
sensação de sufocamento me fez entrar em pânico de vez, e eu me debatia
com ainda mais força, a visão turva pelas lágrimas e pelo medo que tomava
conta de mim.

Tudo ao meu redor era um caos, e eu me sentia à beira de um colapso.

Mas que porra é essa que eu tô sentindo?! Eu nunca senti isso tão forte
dessa forma antes. Essa sensação é terrível!!

O desespero, a raiva, a dor... tudo se misturava dentro de mim, como uma


tempestade que eu não conseguia controlar. Meu corpo tremia, e a falta de
ar parecia me sufocar ainda mais. Eu precisava sair dali, fugir, mas Dylan
me segurava com força, e cada vez que eu tentava me soltar, ele me
apertava mais.

Foi então que Vinnie, Kio e Bryce entraram na sala, suas expressões tão
cheias de pavor quanto eu me sentia. Vinnie parecia o mais desesperado de
todos, a agonia estampada em seu rosto ao me ver naquele estado. Eu sabia
que ele tinha esse problema com a raiva, as crises dele eram frequentes,
então ele entendia exatamente o que eu estava passando. Mas isso só
piorava as coisas pra mim.

Ele sabia... ele sabe o que é sentir isso, e ainda assim não me contou nada!

—Yas, por favor, se acalma! -Vinnie implorou, a voz carregada de


angústia.

Me acalmar? Como eles querem que eu me acalme?!

A raiva dentro de mim crescia ainda mais ao ouvir aquelas palavras. Eu


comecei a me debater com mais força nos braços de Dylan, tentando me
soltar.

—FICA LONGE DE MIM! -gritei para Vinnie, as lágrimas escorrendo


pelo meu rosto.- COMO VOCÊ PÔDE NÃO ME CONTAR NADA?!

Kio e Bryce tentavam falar comigo também, mas as vozes deles eram
apenas um ruído distante. Vinnie deu um passo em minha direção, mas eu
me afastei o máximo que pude, me encolhendo ainda mais nos braços de
Dylan. Ele estava tão desesperado quanto eu, eu podia ver isso. Ele sabia o
que eu estava sentindo porque ele mesmo já passou por isso tantas vezes.
Mas, em vez de me ajudar, só tornava tudo pior.

—NÃO CHEGA PERTO DE MIM! -gritei, meu corpo tensionado, a dor e


a raiva se misturando em uma tempestade incontrolável. Vinnie parecia tão
ferido quanto eu, mas eu não conseguia parar.

Por que isso tá acontecendo? Por que eu não consigo parar de sentir essa
raiva toda?!

Vinnie tentou falar mais uma vez, mas eu não queria ouvir. Eu não
conseguia ouvir. Eu só queria que aquilo acabasse, que essa dor
insuportável desaparecesse, e que todos me deixassem em paz.

Fechei os olhos com força, tentando bloquear tudo ao meu redor. Coloquei
as mãos no rosto, tentando esconder as lágrimas, o desespero, o que eu
estava sentindo. Não queria que ninguém me visse assim de novo. Fazia
anos que eu não sentia esse pânico, essa raiva avassaladora. Era como se
todo o controle que eu pensava ter sobre mim mesma tivesse se esvaído
num piscar de olhos. Eu perdi o controle.

Eu não posso deixar isso acontecer novamente... Não de novo.

Mas, antes que eu pudesse me afundar ainda mais nesse turbilhão de


sentimentos, senti meu corpo ser envolvido por um abraço forte e caloroso.
Reconheci o perfume no mesmo instante. Era Vinnie. Meu coração, que até
então batia descontroladamente, deu uma guinada. Eu ainda estava furiosa
com ele, mas aquele abraço... havia algo de familiar, de reconfortante, que
quase me fez desabar.

Dylan, percebendo a mudança, me soltou devagar e se afastou. Ouvi o


clique da porta sendo trancada, mas meus olhos continuavam fechados,
minhas mãos ainda pressionando meu rosto. Eu ainda estava lutando contra
aquele mar de emoções, o pânico ainda pulsava em minhas veias, e meu
corpo reagia instintivamente, tentando se soltar dos braços de Vinnie.

—Por favor, me solta, Vinnie... -murmurei, minha voz fraca, quase um


sussurro, mas carregada de uma resistência teimosa. Ainda que parte de
mim quisesse aquele conforto, a outra parte, ferida e traída, não queria nada
além de distância.

—Yas, por favor... -a voz dele era baixa, quebrada, enquanto ele apertava
mais o abraço.- Me desculpa... me desculpa por não ter te contado antes. Eu
não sabia como... eu não sabia o que fazer. Eu nunca passei por isso antes...
nunca tive que lidar com algo assim.

O tom dele era de puro arrependimento, e cada palavra que ele dizia parecia
perfurar o pouco de defesa que eu ainda tinha. Senti minha resistência
começar a ceder, mas a raiva ainda estava ali.

—Você deveria ter me contado... -sussurrei, as palavras saindo


entrecortadas por soluços.- Eu descobri da pior forma, Vinnie...

Vinnie começou a tremer, e eu percebi que ele estava tão abalado quanto eu.
—Eu sei, Yas, eu sei... -ele repetia, a voz dele embargada. -Eu fui um
covarde. Eu só não sabia como te dizer... Eu tinha medo de te machucar
ainda mais. Mas acabei fazendo tudo errado, porra!

Eu continuei me debatendo por um tempo, mas meus movimentos foram


ficando mais fracos. O pânico que me dominava lentamente começou a dar
lugar ao cansaço. Minha respiração, que estava acelerada e irregular, foi aos
poucos se acalmando. Ainda doía, ainda estava tudo confuso, mas, envolta
naquele abraço apertado, algo dentro de mim começou a se aquietar.

Vinnie continuava a murmurar desculpas, o som da voz dele um consolo


estranho, mas presente.

Eu odeio ele por não ter me contado... mas ao mesmo tempo, eu não
consigo odiar ele por completo.

A mistura de sentimentos dentro de mim era confusa, mas naquele


momento, me deixei levar pela exaustão que tomava conta do meu corpo.

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Capítulo 50
Quando os meninos se retiraram da sala, deixando-nos a sós, eu tentei me
concentrar na respiração, mas minha mente estava à mil. Meu peito subia e
descia rápido, cada batida do coração ressoando nos meus ouvidos como se
estivesse em um túnel. Ainda tremendo, me forcei a sentar no sofá, sentindo
minhas pernas fracas, e Vinnie logo se aproximou, sentando ao meu lado.
Ele estava visivelmente desesperado, as mãos tremendo enquanto passava
nervosamente os dedos pelo cabelo.

Com os cotovelos apoiados nas pernas, enterrei o rosto nas mãos, tentando
encontrar alguma força para segurar as lágrimas que ameaçavam cair. Meu
corpo inteiro tremia, os músculos tensos e exaustos, enquanto minha
respiração permanecia desregulada, como se eu não conseguisse puxar o ar
suficiente para me acalmar. Cada tentativa de respirar fundo parecia falhar,
o ar entrando em meus pulmões de forma curta e rápida, como se algo
estivesse pressionando meu peito.

O mundo ao meu redor parecia desfocado, como se nada além da minha


própria dor existisse naquele momento. A voz de Vinnie ainda ecoava na
minha cabeça, mas tudo o que conseguia sentir era o peso esmagador do
cansaço, o desejo de que tudo aquilo desaparecesse, pelo menos por um
segundo.

Meus dedos tremiam contra a minha pele, e a sensação de impotência


apenas aumentava a angústia. Queria gritar, chorar, fazer qualquer coisa
para aliviar a pressão que me sufocava, mas tudo o que consegui fazer foi
ficar ali, encolhida, tentando desesperadamente encontrar alguma forma de
me recompor.

As palavras de Vinnie continuavam flutuando na minha mente, mas


estavam distantes, abafadas pela confusão que tomava conta de mim.
Mesmo com ele sentado ao meu lado, pedindo desculpas, tentando justificar
o que havia acontecido, tudo parecia tão... fora de alcance.
—Porra, Yas, eu... eu estraguei tudo! -ele começou, a voz trêmula,
carregada de arrependimento.- Eu juro, eu só... entrei em pânico. Quando
soube que você foi sequestrada, perdi a cabeça. Eu não sabia como te contar
isso depois que você acordou... Não sabia como lidar com essa merda toda.

Fechei os olhos, tentando organizar os pensamentos. Cada palavra dele era


como um soco no estômago, não pela raiva, mas pela dor de tudo o que
tinha acontecido. As imagens do que passei ainda estavam frescas, os
flashbacks estavam finalmente vindo à tona, me relembrando daquela
maldita noite de horrores. Uma mistura de terror e impotência que parecia
sufocar cada tentativa de me acalmar.

—Eu queria te proteger, karalho. -ele continuou, a voz mais baixa, quase
um sussurro.- Mas fui um puto de um idiota de merda!! acabei te
machucando ainda mais, sem querer. Me desculpa, Yasmim... me desculpa
de verdade.

Abri os olhos e olhei para ele. Vinnie parecia menor do que o normal, a
expressão abatida, os olhos desesperados buscando alguma forma de
redenção. Eu podia ver o medo neles, não só por tudo o que tinha
acontecido, mas pelo que poderia acontecer entre nós agora. Ele parecia à
beira de um colapso, mas ainda assim, tentava manter a calma por mim.

—Se não fosse por minha culpa, aqueles filhos da puta não teriam te
pegado! -ele continuou, a voz rouca.- E agora essa merda toda... eu só
queria que você soubesse que eu faria qualquer coisa pra te proteger,
mesmo quando sou um idiota completo. Eu te amo, Yas. Mais do que
qualquer coisa. Foda-se o resto.

Senti as lágrimas começarem a se formar novamente, mas segurei-as com


força. Eu queria acreditar nele, queria desesperadamente que tudo isso fosse
apenas um pesadelo do qual eu acordaria. Mas a dor era real, e as palavras
dele, por mais sinceras que fossem, não apagariam o que aconteceu.

—Eu só... preciso de um tempo, Vinnie. -consegui sussurrar, minha voz


quase se quebrando.- Pra processar tudo.
Vinnie assentiu lentamente, concordando com o meu pedido de tempo. Em
silêncio, ele me puxou para um abraço apertado, envolvendo-me com seus
braços fortes. No instante em que nossos corpos se encontraram, senti um
alívio, uma pequena pausa na angústia que me consumia. Era como se todo
o peso que eu carregava se tornasse um pouco mais suportável com ele ali,
segurando-me.

Por dois meses, estive longe, mantendo distância por causa do


"relacionamento" que me prendia. E durante esse tempo, eu senti falta dele,
da sua presença que sempre me trouxe um pouco de paz em meio ao caos.
Ele era meu porto seguro, uma das única pessoa que conseguia me acalmar
quando tudo ao redor parecia desmoronar. Agora, nos braços dele, aquele
sentimento de segurança voltou, mesmo que só por um momento.

Ficamos assim por um bom tempo, em silêncio, apenas sentindo a presença


um do outro. Aos poucos, minha respiração começou a se acalmar,
acompanhando o ritmo lento do peito dele subindo e descendo. Eu respirei
fundo, deixando que o perfume familiar dele invadisse minhas narinas, uma
sensação que eu não sabia o quanto tinha sentido falta até agora.

—É a primeira vez que você me chama de Yas.. -Minha voz saiu suave,
quase um sussurro.- Achei bonitinho! -Sem me soltar, murmurei, com um
sorriso fraco

Ele não disse nada, mas riu, senti o braço dele me apertar um pouco mais,
como se, naquele gesto, ele estivesse me dizendo que estava ali, que sempre
estaria, mesmo que as palavras não fossem ditas. E por um instante, aquele
simples "Yas" parecia ser o bastante

—Você quer falar sobre o que aconteceu? -Vinnie me solta de seus braços e
me encara seriamente- mas só se você quiser e tiver preparada, eu não vou
te forçar a nada, é claro! -O loiro fala desesperado, como se tivesse falado
alguma besteira e quisesse concertar a tempo.

—As lembranças estão vindo à tona, que pesadelo.. -coço meus olhos
cansada- não me lembro de muita coisa, mas lembro-me de estar no
aniversário de minha mãe dançando com Aaron, eu tinha ficado muito
cansada, afinal, eu nunca tinha dançado tanto na minha vida -ri fraco- pedi
para ele pegar uma bebida pra mim e me sentei em uma das cadeiras que
estava junto das mesas dos convidados, mas quando eu olhei em direção da
mesa de bebidas, vi Oliver entregando alguma coisa para Aaron.. -Hacker
arqueia uma sobrancelha- eu não conseguia ver o que era, estava muito
escuro. Aaron me entregou a bebida, mas sei lá, ela estava com um gosto
estranho, meio diferente, sabe? Ai eu comecei a passar mal e apaguei. -uni
todas as forças que eu tinha para contar tudo isso, a cada palavra que eu
soltava, as lembranças reapareciam, me fazendo reviver esse inferno

—Não consegue se lembrar de mais nada?

—Não.. por que? Aconteceu alguma outra coisa?! Onde Aaron está? -meu
coração acelera e começo a olhar para os lados com medo

—Ei, ei.. se acalma -Vinnie segura minhas mãos, me fazendo olhar para
ele- Aaron e Rowe estão mortos, você não vai mais passar por isso
novamente, Alles. Eu te prometo.

—M-mortos..? -sinto meu corpo inteiro gelar, olho assustada para Vinnie

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Capítulo 51
—Sim, não se lembra? Você fez um puto de um movimento foda pra se
soltar do Rowe, aí eu atirei. —Vinnie diz sorrindo, feliz em me contar isso

—Ai meu Deus... -Cubro meu rosto com minhas mãos novamente

—O que aconteceu? Você tá se sentindo bem?! -O loiro pergunta


preocupado

—Por minha culpa duas pessoas morreram Vincent! -gritei

—Que se foda! Esses filhos da puta mereciam! -Vinnie cerra os punhos e


trava o maxilar- Só não fiz nada pior por que você tava junto, não queria
que ficasse mais traumatizada ainda. -Hacker murmurou

—Vinnie, não... -comecei, minha voz mal saindo.-Você... Você não devia ter
feito isso.

Ele franziu o cenho, e eu podia ver que estava tentando se controlar.

—Alles, eles mereceram.

Não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Não era assim que deveria
ser.

—Mas... A violência não resolve nada! Você não pode simplesmente


decidir quem vive ou morre!

—Você tá defendendo esses filhos da puta agora? -ele gritou, perdendo a


paciência.- Depois de tudo que fizeram com você?!

—Eu não estou defendendo ninguém! -As lágrimas começaram a escorrer


pelo meu rosto.- Só estou dizendo que não tinha que terminar assim!
Ninguém precisava ter morrido!!
—Você não entende, Alles. Eu fiz o que tinha que ser feito. Eles te
machucaram, te torturaram, e você queria o quê? Que eu deixasse eles
saírem impunes? -Vinnie balançou a cabeça irritado.

—Só queria que isso não tivesse acontecido! Agora tenho que viver com a
culpa de que duas pessoas morreram por minha causa. Eu... Eu não queria
isso.

—Cuidado com o que você diz. - Ele se aproximou de mim, os olhos


ferozes- Você está sendo muito ingrata. Eu arrisquei tudo pra te salvar, e
agora você está me culpando?!!

Eu me encolhi, assustada com a intensidade dele.

—E-eu só... Eu não queria que as coisas fossem assim...

—Ah, você não queria que as coisas fossem assim?! Me desculpa Yas, de
verdade mesmo, me perdoa.. -ele diz irônico- Eu devia ter deixado aquele
merda ter metido uma bala no meio da sua cabeça, afinal, se não fosse por
mim, você já devia estar morta porra!!

Eu estava em choque, sem palavras. Vinnie estava diferente, mais frio, mais
distante. Essa discussão estava nos destruindo, mas o que mais eu podia
fazer? Como poderia aceitar que vidas foram tiradas, mesmo que fossem de
pessoas que me fizeram mal? Eu sabia que ele estava tentando me proteger,
mas tudo parecia e . Eu só queria que a dor parasse. Eu só queria que nada
disso tivesse acontecido.

Vinnie continuava a falar, sua voz cada vez mais carregada de raiva. Ele
andava de um lado para o outro, como uma fera, despejando palavras que
me cortavam como lâminas.

—Você não entende nada, karalho! Eu fiz isso por você, e tudo o que você
faz é me culpar? Como pode ser tão ingrata? Eu salvei sua vida, e agora
você age como se eu fosse o vilão da história? Merda, eu arrisquei tudo por
você Alles!!
Eu permaneci em silêncio, sentindo o peso de cada palavra dele. Meu
coração estava em pedaços. Eu queria falar, queria explicar o que sentia,
mas as palavras não vinham. Tudo o que conseguia fazer era ouvir

—Eu faria tudo de novo, Yasmim! Eles te machucaram, te destruíram, e


você ainda quer defendê-los? Como pode pensar assim?!! Isso é
inacreditável! E ainda assim, você está aqui, me olhando como se EU fosse
o problema. Você não tem ideia do que é enfrentar monstros como eles, do
que é ter que decidir entre deixar alguém morrer ou proteger quem você
ama!

Como assim "como se eu fosse o problema"?

—Eu sou o problema, Vincent? Da forma que você está falando, você que
é a vítima aqui, foi você que foi estuprado, foi você que foi espancado e
forçado a usar drogas até ter uma porra de uma overdose!!

Cada palavra dele era como um soco no estômago. Eu não sabia o que
dizer, porque, no fundo, entendia o que ele estava tentando fazer. Ele queria
me proteger, mas o preço dessa proteção era alto demais para mim. Eu não
conseguia aceitar.

—Você não é a única que sofreu, karalho! -ele gritou, com os olhos
ardendo de frustração.-Você não entende que tudo o que eu fiz foi por nós?
Você tá sendo uma puta egoísta!!

Egoísta. A palavra ecoou na minha mente, me machucando ainda mais.


Meu corpo começou a tremer, e eu senti as lágrimas deslizarem pelo meu
rosto.

De repente, eu não suportava mais estar ali. A necessidade de escapar, de


fugir daquela situação, tomou conta de mim. Sem pensar, levantei-me
rapidamente, ignorando os gritos de Vinnie, e corri pelas escadas, meus
passos ecoando pela casa.

Eu não sabia para onde estava indo, só sabia que precisava sair dali. Meus
pés me levaram ao primeiro quarto que encontrei, e assim que entrei, fechei
a porta com força. Apoiei-me contra a porta, respirando com dificuldade,
tentando me acalmar, mas minha mente estava um caos.

Eu queria ir para casa, para longe de tudo isso. Queria me encolher em


algum lugar seguro, onde não precisasse enfrentar a dor e a culpa que
estavam me consumindo. Sentei-me no chão, abraçando meus joelhos,
enquanto as lágrimas escorriam livremente.

Tudo estava tão errado. Como chegamos a isso?

[...]

As horas passaram lentamente enquanto eu permanecia no quarto, sentada


em uma poltrona no canto do quarto ao lado de uma mesinha. Meu corpo
estava exausto, mas minha mente não parava de correr em círculos,
relembrando cada palavra da discussão. As lágrimas já haviam secado, mas
o peso da culpa ainda estava ali, me prendendo naquele lugar.

Ouvi batidas suaves na porta, mas não respondi. Poucos segundos depois, a
porta se abriu e Vinnie entrou. Ele parou ao lado da porta, apoiando o corpo
na parede, com os braços cruzados. Ele me olhava de um jeito que eu não
conseguia decifrar, mas por mais que tentasse, eu não conseguia sustentar o
olhar dele.

O silêncio entre nós era quase palpável, pesado e sufocante. Finalmente,


Vinnie suspirou e quebrou o silêncio.

—Me desculpe. -ele disse, a voz baixa e cansada.- Eu não queria que as
coisas chegassem a esse ponto. Não foi minha intenção te machucar.

Levantei os olhos para ele, vendo o arrependimento em seu rosto. Ele


descruzou os braços e deu um passo na minha direção, mas hesitou, como
se não soubesse se deveria se aproximar mais.

—Eu não queria dizer que você é culpada pelo que aconteceu.. -continuou
ele, com a voz mais suave.- Eu estava com raiva, e as palavras saíram
erradas. O que fizeram com você... foi imperdoável, e eu só queria te
proteger. Mas sei que acabei te machucando ainda mais.
—Eu só... eu estava tão furioso com eles, com tudo, que acabei
descontando em você. Mas você não merece isso. Não é sua culpa, nada
disso é sua culpa. -Vinnie passou a mão pelos cabelos, claramente frustrado
consigo mesmo.

Ele deu mais um passo em minha direção, seus olhos cheios de remorso.

—Você é a coisa mais importante pra mim, Yasmim. E a última coisa que
eu queria era te machucar.

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———

Já dizia aquele ditado... quem briga, ama!

eu sei que vcs estão com raiva da Yasmim, mas é o jeito dela! Ela tá
incrédula e com raiva (afinal, quem não estaria?!) então tenham paciência,
por favor!

Naquele trecho do Capítulo anterior onde a Alles pedia um tempo para


pensar, li que algumas pessoas "colocaram a culpa" na Yasmim e deram
"razão" para o Vinnie. (Posso ter interpretado errado) mas eu vi que estão
defendendo mais o Vinnie do que a própria Yasmim. O direito é totalmente
de vocês, mas gente ?????? Quem que não ficaria revoltado na situação da
Alles?

Sobre uma outra questão, eu vi que a maioria de vcs comentaram em um


outro capítulo se desculpando por ter xingado os personagens e tudo mais..
galera, se acalmem kkkkk podem continuar a fazer isso, se eu que sou a
autora me estresso escrevendo, quem dirá vcs lendo KKKK podem
continuar a comentar, a xingar os personagens e tudo mais, mas, cuidem o
que vão dizer pra não machucar a autora aqui hein!
Capítulo 52
Vinnie se aproxima lentamente, sua expressão um misto de preocupação e
arrependimento. Eu mal consigo olhar para ele, minha mente ainda girando
com a culpa e a dor do que aconteceu. Ele para na minha frente, mas eu
continuo olhando para o chão, as lágrimas ameaçando cair.

—Yasmim... -ele sussurra, e antes que eu possa responder, sinto o toque


suave de suas mãos nas minhas. Ele se agacha, ficando na minha altura,
forçando-me a encará-lo. Seus olhos, normalmente cheios de confiança,
agora estão cheios de remorso. Eu vejo a sinceridade ali, mas ainda assim, é
difícil aceitar.

—Eu sinto muito. -ele começa, sua voz tremendo levemente.- Eu realmente
sinto muito por tudo isso... Eu nunca quis que as coisas chegassem a esse
ponto, nunca quis que você se machucasse assim..

Ele aperta minhas mãos com um pouco mais de força, como se quisesse me
transmitir segurança através do toque.

—Eu vou estar aqui para você, sempre. Eu prometo. Se você precisar de
qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, eu estarei aqui!

Eu fecho os olhos por um segundo, tentando processar suas palavras. Eu sei


que ele está sendo sincero, que quer me proteger, mas o peso da culpa ainda
está sobre mim, sobre nós.

-Se precisar -ele continua, sua voz firme- eu posso colocar pessoas vigiando
o seu condomínio e a sua casa, 24 horas por dia. Sei lá, 20, 30, 50 homens
de plantão -ele ri- eu coloco quantas pessoas o possíveis para que você se
sinta segura. Ninguém mais vai te machucar, Yasmim. Eu garanto isso.

Minha mente corre a mil, tentando absorver tudo. É difícil aceitar ajuda,
difícil confiar em promessas quando tudo parece tão fora de controle. Mas a
maneira como ele está ali, ajoelhado na minha frente, pronto para fazer
qualquer coisa por mim... isso mexe comigo.
Ainda que a dor e o medo continuem, por um momento, sinto uma faísca de
esperança.

Eu respiro fundo, cansada, sentindo o peso de tudo o que aconteceu. Vinnie


continua agachado na minha frente, os olhos dele presos aos meus,
esperando por uma resposta. Apesar de toda a dor e confusão, eu sei que ele
não teve culpa do que aconteceu. Ele está aqui agora, disposto a me
proteger, e é isso que importa no momento.

—Vinnie... -murmuro, minha voz baixa e um pouco trêmula. -Eu sei que
você não teve culpa... Eu sei que está fazendo o possível para me ajudar. Eu
só... preciso de um tempo para processar tudo isso, mas agradeço pelo que
você está fazendo por mim. De verdade.

Ele suspira aliviado, os ombros relaxando um pouco enquanto continua


segurando minhas mãos. Mas antes que ele possa responder, há uma batida
na porta. Ambos nos viramos para ver Dylan entrando, com uma expressão
sombria no rosto. Ele fecha a porta atrás de si e se aproxima, sentando-se no
chão ao lado de Vinnie, que ainda não soltou minhas mãos.

—Dylan.. -eu digo notando os ferimentos em seu corpo.-O que aconteceu


com você?

Como você tá, Yas? Eu fiquei muito preocupado. -Ele ignora minha
pergunta inicial, o olhar preocupado.

—Eu... vou ficar bem -respondo, tentando acreditar nas minhas próprias
palavras. Mas é difícil. Ainda assim, Dylan parece aliviado, embora seu
rosto mostre que ele carrega um fardo pesado.

Então, ele se vira para Vinnie, que agora está atento.

—Tem uma coisa que você precisa saber, cara -Dylan começa, o tom sério.-
É sobre o que aconteceu com a Yasmim... sobre o sequestro.

Vinnie fica tenso ao meu lado, o rosto endurecendo, ele trava seu maxilar
Dylan respira fundo, como se estivesse reunindo forças para o que vem a
seguir.

—Meu pai... ele tá envolvido nessa merda toda. No sequestro da Yasmim,


karalho!

—Que porra é essa? -Vinnie explode, soltando minhas mãos enquanto se


levanta abruptamente, seus olhos brilhando de raiva.- Como assim, o
Oliver??!

Dylan abaixa a cabeça por um momento, como se estivesse envergonhado.

—Eu venho investigando os Escorpions há um tempo... Eu estava


desconfiado que meu pai podia estar envolvido em algo sujo, mas não
queria acreditar. Só que em uma dessas investigações, eu descobri que ele
está envolvido com a gangue. E agora... parece que ele teve alguma coisa a
ver com o sequestro da Yasmim.

—Desgraçado.. -Vinnie murmura baixinho

Eu apenas fico ali, sem palavras, o coração acelerado. Oliver, o pai de


Dylan, estava por trás do meu sequestro? Tudo começa a girar na minha
cabeça. Isso é demais.

Dylan olha para mim, o rosto dele expressando uma dor profunda.

—Yas, eu... eu sinto muito. Eu queria ter te protegido, queria ter parado ele
antes disso, mas... ele é uns filhos da puta me seguraram, eu não pude fazer
nada! -Ele esfrega as mãos no rosto, como se quisesse apagar tudo aquilo.-
Eu não sabia como lidar com essa porra toda, não sabia que ele podia ser
capaz de fazer isso.

Vinnie se aproxima de Dylan, a raiva e a frustração ainda evidentes em sua


voz.

—Então o que a gente faz agora? Porque se esse filho da puta está
envolvido, a gente precisa fazer algo.
—A gente acaba com isso, Vinnie. Não importa que ele seja meu pai. Ele
vai pagar por isso, nem que eu tenha que derrubar ele sozinho.

[...]

Dias haviam se passado, e já faz nove dias que tudo aquilo aconteceu. As
lembranças horríveis daquela maldita noite parecem cada vez mais vívidas,
surgindo sem aviso e me prendendo em um ciclo de medo e dor. A cada dia
que passa, fica mais difícil afastá-las, e às vezes, parece que estou
revivendo tudo de novo.

Vinnie cumpriu o que prometeu. Ele colocou mais de dez homens para
vigiar minha casa. Não vou mentir, ainda é estranho ter tanta gente ao meu
redor o tempo todo, mas, de certa forma, isso me dá uma sensação de
segurança que eu não tinha antes. É um alívio saber que, se algo acontecer,
eles estarão lá.

Apesar disso, não me acostumei completamente. Ainda há momentos em


que me sinto sufocada, como se estivesse sendo observada o tempo todo,
mas tento me lembrar que isso é pelo meu bem.

Vinnie e os meninos não saem da minha casa, estão sempre aqui, fazendo
de tudo para me distrair, trazendo jogos de tabuleiros, cartas ou até mesmo
jogos que nunca vimos e temos que aprender na hora, para me ajudar a
esquecer, nem que seja por um momento. Às vezes, sou eu que vou até a
casa de Vinnie, buscando um pouco de conforto longe das minhas própria
casa. Essa proximidade tem sido uma forma de lidar com o que aconteceu,
mesmo que as lembranças insistam em voltar.

A ausência da escola nos últimos nove dias foi inevitável. O médico que me
examinou após aquela noite terrível me deu um atestado, então tenho
passado esses dias me recuperando em casa, isolada do mundo lá fora. As
memórias daquele sequestro ainda me assombram, e o medo que senti
continua pulsando em minha mente, mesmo com toda a segurança que
Vinnie providenciou.

A casa, que antes era um refúgio acolhedor, agora parece mais uma prisão
segura, cercada por homens armados que Vinnie colocou para me proteger.
Eu sei que é para o meu bem, mas não consigo me acostumar
completamente com essa nova realidade. Os dias têm sido longos, e a
solidão, ainda mais pesada.

Mas hoje, finalmente, consegui reunir forças para sair desse casulo de medo
e vulnerabilidade. Não poderia continuar me afastando das pessoas que
amo, principalmente das meninas. Não vejo Mads e Avani desde aquela
noite. Sinto falta delas, da leveza que trazem para a minha vida, mesmo nos
momentos mais sombrios.

Recebi uma mensagem da Mads dizendo que Avani não tem se sentido
muito bem nos últimos dias. Preocupei-me, mas saber que posso fazer algo
por ela me deu um impulso de energia. Decidimos passar a tarde na casa
dela, fazer companhia, talvez assistir a algum filme bobo ou simplesmente
conversar, como sempre fazíamos.

Entro no meu quarto e me olho no espelho. Meu rosto está mais pálido do
que o normal, meus olhos parecem cansados. Mas não posso deixar que elas
vejam o quanto isso ainda me afeta. Elas já passaram por tanta coisa
comigo; preciso ser forte também por elas. Escolho uma roupa confortável,
algo que me faça sentir mais leve.

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Capítulo 53
Antes de sair, dou uma última olhada ao redor da sala. O silêncio aqui
dentro contrasta com o barulho constante de vozes e passos lá fora. Respiro
fundo e pego minha bolsa. Ao abrir a porta, sou recebida pelo ar fresco do
final da tarde, que me desperta um pouco mais.

James, um dos seguranças que Vinnie colocou para me proteger, está no


portão, atento como sempre. Ele me vê saindo e faz um leve aceno de
cabeça. Tento sorrir, mas só consigo um aceno de volta.

—Boa tarde, senhorita Alles. -Ele diz, com a voz firme, mas gentil.

—Boa tarde, James. -Respondo, enquanto me aproximo do carro.

Ao entrar no carro, o ambiente interno me traz uma estranha sensação de


conforto e apreensão. Coloco as mãos no volante e respiro fundo
novamente antes de ligar o motor. O ronco familiar do carro me acalma um
pouco, e eu me permito acreditar que talvez o trânsito caótico lá fora possa
me distrair das lembranças sombrias.

O trânsito está forte, como sempre a essa hora. Cada farol vermelho e cada
engarrafamento me dão tempo para pensar, o que, por si, é terrível. Tento
focar em Avani e em como quero estar lá para ela.

Quando finalmente chego à casa da Avani, o cansaço do trânsito desaparece


assim que vejo Mads abrindo a porta com um sorriso de orelha a orelha. A
energia dela é contagiante, e sinto um alívio imediato ao estar novamente
entre amigas.

—Yasmim! -Mads exclama, puxando-me para um abraço apertado.- Que


bom que você veio!

—Claro que eu vim. Estava com saudades de vocês


-respondo, retribuindo o abraço com força.
Entramos na casa, e o ambiente acolhedor de sempre me envolve. A casa de
Avani é um lugar que sempre me fez sentir segura, como se fosse um
refúgio. Enquanto seguimos pelo corredor, Mads me atualiza sobre os
últimos dias.

—A Avani anda estranha, Yasmim. -Mads fala, sua voz um pouco baixa,
como se não quisesse que Avani escutasse.- Ela está assim há uns quatro
dias. Mais quieta, um pouco distante. Eu sei que ela não fala muito dos
problemas dela, mas dessa vez parece diferente, sabe? Estou preocupada.

Paro por um momento, absorvendo as palavras de Mads. Avani sempre foi o


pilar do nosso grupo, a mais responsável, a mais forte. Vê-la vulnerável é
algo que me afeta profundamente.

—Eu também estou preocupada.. -admito.- Mas estamos aqui para ela, não
importa o que seja.

Mads concorda com a cabeça, e seguimos em frente até a sala de estar. Lá,
Avani está sentada no sofá, com uma xícara de chá nas mãos. Seus olhos
brilham com o mesmo carinho de sempre, mas noto imediatamente que ela
está pálida, e há um cansaço sutil, porém presente, em sua expressão.
Mesmo assim, ela nos oferece aquele lindo sorriso que é tão característico
dela, o que me faz sentir um pouco mais aliviada.

—Olha quem finalmente saiu de casa! -Avani brinca, levantando-se devagar


para me abraçar.

—Não consigo ficar longe de vocês por muito tempo! -respondo,


abraçando-a com cuidado.

Sentar no sofá ao lado dela me faz sentir uma onda de conforto. Por um
momento, é como se nada de ruim pudesse acontecer. Mas ao ver o estado
dela, minha preocupação cresce.

—Como você está, Avani? -pergunto suavemente, tentando não soar muito
ansiosa.

Ela dá de ombros, tentando minimizar o que quer que esteja acontecendo.


—Estou bem, só um pouco cansada, sabe? Mas nada que um bom chá e a
companhia de vocês não resolvam. -Ela sorri de novo, mas posso ver que há
algo escondido por trás daquele sorriso.

Nos acomodamos na sala, e a conversa flui naturalmente, como sempre.


Avani começa a falar sobre Bryce, o namorado dela. Apesar da preocupação
que sinto ao vê-la tão pálida, fico feliz em perceber que ela sorri ao
mencioná-lo.

—Bryce tem sido incrível, sabe? -diz Avani, mexendo na xícara de chá.-
Mas andamos meio distantes ultimamente, talvez seja o trabalho, talvez eu
esteja exigindo muito. Não sei, às vezes me sinto insegura, como se as
coisas fossem desmoronar a qualquer momento.

Mads, que estava distraída com o celular, levanta o olhar e faz uma careta.

—Insegura? Você? Impossível, Avani! Bryce parece gostar muito de você,


não tem por que ficar assim. -Ela tenta tranquilizá-la, mas logo muda de
assunto, me olhando com uma expressão curiosa.- Falando em
relacionamentos, fiquei sabendo do seu término com Aaron, Yas. Mas...
você e Vinnie estão juntos agora?

Eu não havia contado a história do ocorrido daquela noite pra ninguém a


não ser Vinnie e os meninos, eu não quero envolver mais gente nisso..

A pergunta me pega um pouco de surpresa. Dou um sorriso meio sem jeito


e balanço a cabeça.

—Não, Mads, não estamos juntos. A situação com Aaron foi complicada,
mas não quero entrar em detalhes agora. E Vinnie... bem, ele tem estado por
perto, mas as coisas entre nós não são simples.

Avani, percebendo a minha hesitação, muda o tom da conversa.

—E você, Mads? Alguma novidade? -Avani pergunta, provavelmente para


aliviar a tensão.
—Ah, eu estava pensando em pintar o cabelo. — Mads responde, animada.-
Talvez algo mais ousado, sabe? E estou precisando de roupas novas
também. Pensei em passar na Velvet Vogue para ver se encontro alguma
coisa diferente. Querem ir comigo qualquer dia desses?

Rimos e concordamos. A conversa logo se transforma em um bate-papo


leve, discutindo cores de cabelo, novas tendências de moda e como a Velvet
Vogue está cheia de peças incríveis nesta temporada. É reconfortante voltar
a esses assuntos mais leves

A conversa continua leve por mais alguns minutos, até que me lembro do
que Mads havia mencionado antes sobre Avani não estar bem. Aproveito
uma pausa e me viro para ela, tentando ser o mais cuidadosa possível.

—Avani, você disse que estava cansada, mas... o que exatamente você tem
sentido ultimamente?

Avani suspira e baixa um pouco o olhar, mexendo na alça da xícara de chá.


É nítido que algo a está incomodando mais do que ela quer admitir.

—Sabe, Yas, eu tenho sentido algumas dores, principalmente no estômago e


nos meus seios, e náuseas quase todos os dias. Perdi muito peso nesses
últimos tempos, e isso começou a me preocupar.

Meu coração aperta ao ouvi-la. Avani sempre foi tão saudável e cheia de
vida. Ver minha amiga assim me deixa angustiada.

—Avani, isso não parece nada bom... -Mads comenta, preocupada.- Você já
foi ao médico?

—Na verdade, eu marquei alguns exames para amanhã.- Avani responde,


olhando diretamente para mim.- Yasmim, você iria comigo? Eu sei que
você também não anda bem, mas eu... acho que preciso de uma amiga ao
meu lado.

Eu sorrio suavemente e coloco minha mão sobre a dela.

—Claro que vou, amiga! Estarei lá com você, não se preocupe.


Ela sorri de volta, parecendo um pouco mais aliviada. Decidimos então
voltar a um assunto mais leve para não deixar o clima pesado.

—E sobre as roupas? — pergunto, tentando mudar o tom da conversa.- que


tal darmos uma olhada na Velvet depois dos exames? Ouvi dizer que eles
receberam uma nova coleção incrível.

Ambas concordam, e o ambiente na sala se torna mais alegre novamente


enquanto começamos a imaginar quais peças vamos experimentar na loja.

—Eu tava pensando em comprar um vestido preto pra mim, mas não sei se
vai ficar bom -ri sem graça

—Claro que vai, Yas! Seu corpo é perfeito, qualquer peça vai ficar linda! -
Avani responde com um sorriso enorme no rosto- Já eu, quero pegar uma
blusinha rosa, eu comprei uma calça semana passada que vai combinar
super com a blusinha!!

Continuamos a conversar sobre moda, lojas e coisas que queremos comprar.


A tarde passou tão tranquila, eu senti falta disso..

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Capítulo 54
Estou sentada em uma das cadeiras no corredor do hospital, esperando
Avani terminar seus exames. Aquele ambiente sempre me deixa ansiosa.
Tento me distrair, mas minha mente continua vagando, pensando no que
Avani pode estar enfrentando. Não gosto de vê-la tão frágil, tão diferente da
amiga forte e sempre pronta para ajudar.

Enquanto estou perdida em pensamentos, algo chama minha atenção. Um


menininho passa correndo pelo corredor, provavelmente em direção à mãe,
que o aguarda mais à frente. Ele não deve ter mais do que cinco anos, com
cabelos loiros que balançam a cada passo que ele dá. O sorriso no rosto dele
é contagiante, mas com os olhinhos cheios de lágrimas, mas mesmo com
um curativo verde cheio de dinossauros desenhados na testa, ele parece
radiante. Provavelmente, caiu e bateu a cabeça, mas agora só quer brincar,
esquecendo-se da dor.

Quando o vejo, meu coração dá um salto. Há algo nele que me faz lembrar
de Vinnie, talvez os cabelos loiros, ou quem sabe o sorriso travesso. Sinto
uma onda de emoções que não consigo controlar. Meus pensamentos
imediatamente voltam para o passado, para os momentos que tive com
Vinnie, para o que construímos e o que perdemos.

Por um instante, fico observando o menininho, imaginando como teria sido


minha vida se tudo tivesse sido diferente. E se as coisas com Vinnie
tivessem seguido outro rumo? Será que estaríamos juntos se Aaron não
tivesse aparecido?

Afasto esses pensamentos rapidamente. Não posso me perder no que


poderia ter sido. Meu foco agora é Avani e o que ela está enfrentando.
Mesmo assim, a visão do menino loiro me deixa com uma pontada de
saudade e um misto de esperança e arrependimento que não consigo
ignorar.
Respiro fundo, tentando me acalmar e esperar Avani sair da sala de exames.
Preciso estar forte para ela, como sempre esteve para mim.

Enquanto estava mexendo no celular, escuto a mãe do menininho


chamando-o suavemente.

—Querido, você precisa se sentar ali na cadeira e esperar um pouco, tá


bom? A mamãe precisa fazer alguns exames na sala ao lado, mas já volto,
prometo.

O menininho, que agora parece um pouco menos radiante, olha para a mãe
com olhos grandes e preocupados.

—Mamãe, você tá bem? -ele pergunta, sua vozinha carregada de


preocupação genuína.

Ela sorri, tentando tranquilizá-lo, e responde:

—Estou bem, sim, meu amor. Não se preocupe. Vai dar tudo certo, ok?

Ela dá um beijo rápido na testa dele, bem em cima do curativo de


dinossauros, e entra no consultório, deixando o menino parado no corredor,
meio perdido. Ele olha ao redor, procurando um lugar para se sentar, mas
parece hesitante. O hospital é um ambiente estranho para ele, como é para a
maioria das crianças. Ele coça os olhos, o cansaço evidente em sua
expressão. Provavelmente já é tarde para ele, e a agitação do dia finalmente
o alcançou.

Ele começa a andar pelo corredor, passando pelas cadeiras até parar em
frente a mim. Seus olhos grandes e curiosos me encaram, e há algo de
tocante na sua vulnerabilidade.

— Moça, tem alguém aqui? -ele pergunta com uma voz tímida, apontando
para a cadeira ao meu lado.- Minha mamãe pediu pra eu esperar ela, mas eu
tô com medo e não quero ficar sozinho.

Meu coração se aperta ao ouvir as palavras dele. A inocência e a


sinceridade em sua voz são desarmantes. O cansaço é evidente nos seus
olhos, e vejo que ele só quer um pouco de conforto em um lugar que parece
tão assustador para ele.

—Não tem ninguém aqui, não -respondo suavemente, sorrindo para ele.-
Você pode se sentar ao meu lado, se quiser. Assim, você não precisa ficar
sozinho.

Ele me olha por um segundo, como se estivesse considerando a oferta, e


depois acena com a cabeça. Com um pequeno sorriso, ele sobe na cadeira
ao meu lado, se acomodando de maneira tímida.

—Obrigado, moça! -ele diz, sua voz um pouco mais calma agora.

Eu sorrio de volta e me sinto estranhamente confortada pela presença dele.


A espera, que antes parecia interminável, agora tem um pouco mais de
doçura, com o pequeno loirinho ao meu lado.

Por alguns segundos, o corredor do hospital fica em silêncio, apenas o som


distante de vozes e passos preenchendo o ambiente. Mas logo, o garotinho
ao meu lado, que não parece ser do tipo que gosta de ficar calado por muito
tempo, quebra o silêncio.

—Moça, qual é o seu nome? -ele pergunta, virando-se para mim com um
olhar curioso.

Sorrio, gostando da sua espontaneidade.

—Meu nome é Yasmim Alles, mas pode me chamar só de Yasmim. E o


seu?

—Noah -ele responde com um sorriso orgulhoso.- E o que você tá fazendo


aqui, Yas? Você tá dodói?

—Não, eu estou esperando uma amiga que foi fazer uns exames. -Respondo
com calma, querendo tranquilizá-lo.- E você, Noah? Está esperando a sua
mamãe, né?

—Sim! -ele concorda com um aceno vigoroso de cabeça.


Percebo então o curativo verde na testa dele, com dinossauros desenhados.
Sorrio novamente, achando a escolha adorável.

—Eu adorei o seu band-Aid. Esses dinossauros são muito legais! — digo
com entusiasmo.

Noah fica um pouco corado, mas é evidente que gostou do elogio. Seus
olhos brilham, e ele abre um enorme sorriso, orgulhoso do curativo.

—Você gostou mesmo? -Ele pergunta, quase incrédulo.

—Claro que sim! -Respondo.- Dinossauros são incríveis!

Noah parece feliz com a minha resposta e, sem mais cerimônia, começa a
me contar como ganhou o curativo.

—Eu tava brincando no parquinho perto de casa com meu irmãozinho, o


Luquinhas. Ele é pequenininho, só tem três anos, mas ele já sabe se
balançar no balancinho, sabe? — Noah começa a falar, os olhos brilhando
enquanto narra a história. — Aí, eu tava no balanço grande, e mamãe disse
pra eu tomar cuidado porque o balancinho grande vai mais rápido. Mas aí,
eu queria mostrar pra ele como se faz um... um... sabe quando você pula do
balanço?

—Um salto? -sugiro, com um sorriso.

—Isso! Um salto! -Noah exclama, balançando a cabeça.- Então eu pulei


bem alto, bem grandão assim ó -ele faz um sinal com as mãozinhas para
mostrar a altura que ele pulou- mas acho que pulei antes do balanço parar. E
aí... bum!!! -Ele faz um gesto dramático com as mãos, simulando a queda.
— Caí com a cabeça no chão e foi aí que fiz o dodói.

Apesar do relato, Noah parece mais fascinado com o ocorrido do que


assustado.

—Nossa, deve ter doído bastante! -digo, tentando não sorrir muito, para não
desencorajá-lo.
—Doeu sim, mas eu não chorei! -ele afirma, orgulhoso.- O papai sempre
diz que os meninos fortes não choram. E aí a mamãe colocou o bandeide de
dinossauro, e agora eu tenho que esperar aqui enquanto ela vê o doutor.

Não consigo evitar de sorrir mais ainda ao ouvir a história. Noah é um


pequeno herói em sua própria narrativa

Minha conversa com o pequeno Noah é interrompida quando uma voz


suave, mas firme, o chama pelo nome. Levanto os olhos e vejo uma mulher
segurando alguns papéis de exames em uma das mãos. Seu rosto carrega
uma expressão exausta, mas gentil, enquanto se aproxima de nós.

—Desculpe, ele te incomodou? -ela pergunta, lançando um olhar


preocupado para o filho.

—De jeito nenhum, ele foi um ótimo companheiro. Foi um prazer conversar
com o Noah. -Sorrio e balanço a cabeça

—Obrigada por ter cuidado dele. Às vezes, ele é tão cheio de energia que
acabo me preocupando se vai atrapalhar os outros. -Ela suspira aliviada, um
leve sorriso surgiu em seus lábios

—Não se preocupe! -respondo, enquanto Noah, agora ao lado da mãe, me


olha com aqueles olhos brilhantes.- Ele é um menino adorável.

A mãe de Noah faz um gesto de agradecimento, inclinando ligeiramente a


cabeça, e começa a se afastar, levando o menino pela mão. Mas antes de ir
embora, Noah se vira, acenando animadamente com sua pequena mãozinha.

—Tchau, Yas!! -ele diz com um sorriso radiante, a simplicidade de sua


despedida aquecendo meu coração. Aceno de volta, observando enquanto
eles se afastam pelo corredor.

Fico ali, ainda sorrindo, refletindo sobre a pureza daquele encontro. É


incrível como pequenas interações podem iluminar até os dias mais difíceis.
Respiro fundo, sentindo uma leveza inesperada, enquanto as vozes de mãe e
filho desaparecem ao saírem pela porta do hospital
Meus pensamentos são abruptamente interrompidos por vozes familiares ao
meu lado. Avani e o Doutor Mendes estão conversando enquanto saem do
consultório. Avani parecia diferente, seu olhar fixo no chão e o rosto pálido,
como se todo o peso do mundo estivesse sobre seus ombros. Percebo que
ela está se apoiando na porta, quase sem forças para se manter de pé.

—Quais foram os resultados dos exames?


-pergunto, tentando disfarçar a apreensão na minha voz.

O Doutor Mendes lança um olhar sério na direção de Avani antes de


responder.

—Há algo que nos preocupa. Ela precisará fazer outros exames para termos
certeza.

O chão parece sumir sob meus pés, mas tento manter a calma. Olho para
Avani, que agora está ainda mais pálida, sua respiração irregular. Ela não
diz nada, apenas continua encarando o chão, como se a gravidade da
situação estivesse afundando-a ainda mais. Não posso deixá-la assim.

Imediatamente, vou até ela, segurando seu braço para ajudá-la a se sentar
em uma cadeira próxima.

—Senta aqui, Avani. -digo suavemente, tentando transmitir alguma


tranquilidade. Seus olhos encontram os meus brevemente, mas estão vazios,
tomados pela preocupação.

Encontro uma garrafa de água sobre uma mesa próxima e entrego a ela, que
aceita com mãos trêmulas.

—Toma um pouco de água. Vai te ajudar a se acalmar.

Avani dá um gole na água, mas ainda parece distante, como se estivesse


tentando processar o que acabara de ouvir.

Vejo que preciso saber mais. Me afasto um pouco com o Doutor Mendes,
para que Avani não escute nossa conversa. Meu coração acelera com o
medo do que ele pode me dizer.
—Eu não queria alarmá-la, mas algo parece estar errado com Avani. -ele
começa, sua voz baixa e grave.- Os exames iniciais mostraram algumas
anomalias, e precisamos que ela faça outros exames o mais rápido possível
para termos um diagnóstico claro.

A notícia cai como uma pedra no meu peito, mas tento manter a
compostura.

—Ela... vai ficar bem? -minha voz falha no meio da frase.

—Vamos fazer tudo o que pudermos para descobrir o que está acontecendo
-ele responde, com um tom profissional, mas preocupado.

Respiro fundo, tentando absorver o que ele disse.

—Ok... Obrigada por me contar. Eu vou ficar com ela.

Enquanto voltamos para perto de Avani, faço o possível para esconder


minha preocupação, mas meu coração está apertado. Eu sabia que algo não
estava certo, mas agora, a incerteza é ainda mais assustadora.

—Vamos, amiga. Vou te levar pra casa.. -a ajudo a se levantar

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Capítulo 55
Depois de deixar Avani em casa para descansar, saí de lá com o coração
pesado. A expressão pálida e preocupada dela não saía da minha cabeça, e o
que o Doutor Mendes me disse me deixava ainda mais nervosa. Por mais
que eu tentasse manter a calma na frente de Avani, agora, sozinha, o medo
começou a tomar conta.

O sol começava a se esconder no horizonte, tingindo o céu de tons


alaranjados. Era sexta-feira à tarde, e o dia parecia mais escuro e frio do que
deveria. As ruas estavam tranquilas, com poucas pessoas passando, mas a
paz do entardecer não conseguia acalmar a tempestade dentro de mim.

Cheguei em casa e fechei a porta atrás de mim, sentindo o silêncio da casa


me envolver. Meus pensamentos estavam confusos, mas eu sabia que
precisava me concentrar em outra coisa, pelo menos por um tempo. Com
tudo o que aconteceu nos últimos dias, a escola acabou ficando para trás, e
as tarefas se acumularam.

Sem muito ânimo, fui até o meu quarto e peguei meu material escolar.
Desci as escadas e me sentei à mesa de jantar no primeiro andar. A casa
estava quieta, o único som era o dos meus passos ecoando pelo chão.

Espalhei os cadernos e livros sobre a mesa, tentando focar nas tarefas. As


páginas pareciam intermináveis, e cada exercício me lembrava de quanto
tempo eu havia perdido. Nove dias sem ir à escola por causa do sequestro e
de tudo o que aconteceu... Agora, aqui estava eu, tentando colocar minha
vida nos eixos novamente.

Suspirei e comecei a trabalhar nas atividades, mas minha mente insistia em


voltar para Avani, para o que poderia estar errado com ela. As palavras nos
cadernos se misturavam, e eu lutava para me concentrar

[...]
Já se passaram quarenta minutos desde que comecei a estudar, e mesmo que
as tarefas fossem fáceis, a quantidade parecia interminável. O cansaço
começava a se acumular, as dores nas costas e nas mãos estavam
começando a surgir, mas eu sabia que ainda levaria um bom tempo até
concluir tudo.

De repente, ouvi batidas suaves na porta. Levantei-me, esticando os braços,


e fui até a porta. Quando a abri, uma onda de surpresa e alegria me invadiu.
Diante de mim estavam Vinnie e Kio

—Surpresa! -Kio exclamou, com aquele sorriso travesso que eu tanto


adorava.

—O que vocês estão fazendo aqui? -perguntei, surpresa, mas já sentindo a


ansiedade do estudo se dissipando.

—Viemos te buscar pra jantar na casa do Vinnie, gata! Você precisa


experimentar o churrasco do Bryce! -Kio disse entrando na casa

Eu ri, sentindo o peso das atividades diminuindo com cada palavra deles.

—Então, o que me diz? -Vinnie deu um passo à frente, estendendo a mão

—Vocês acabaram de salvar a minha noite! -Sorri e peguei a mão dele

—Estava ocupada antes?! -Kio disse se jogando em meu sofá

—Eu estava estudando, colocando as atividades em dia. -Disse coçando os


olhos de sono

—Não precisa fazer, eu falo lá na escola que você já fez e me mostrou. -


Vinnie disse se aproximando da mesa e analisando os livros espalhados sob
a mesa

—Isso não é o correto, Vinnie. Eu já fiz a metade, não custa nada terminar
de fazer o resto. -disse me sentando à mesa para retomar meus estudos

—Yas, para com isso, o Vinnie já tá te fazendo uma baita mão em falar
que você já fez tudo. Vem com a gente, deixa disso! -Kio disse sorridente
enquanto me encarava do sofá

—Kio, isso não é justo com os outros alunos.. as atividades estão fáceis,
eu acabo rapidinho!

—Você quer mesmo perder o churrasco do Bryce? Gata, esse é o melhor


churrasco que você vai comer na sua vida!! Vem com a gente, só dessa vez!
-Kio insiste

Olho para Vinnie que permanecia em silêncio enquanto me olhava

—Tá bom.. mas quando eu voltar, eu vou terminar as atividades! Isso não é
justo com os outros alunos. -falei enquanto fechava meu caderno

—Eu te ajudo -Vinnie finalmente falou

—Credo, quanto livro! Ainda bem que eu já sai da escola!! -Kio falou rindo
enquanto encarava meus materiais

—Cala a boca, idiota! Nem a escola você terminou! -Vinnie disse rindo

Subo as escadas rindo enquanto carregava aquela pilha de livros com


Vinnie ao meu lado

—Pode deixar aqui em cima. -disse assim que coloquei os livros em cima
de uma mesinha no canto do meu quarto que eu usava para estudos

—Como Avani está? -O loiro perguntou assim que pôs os livros sob a mesa

—Ela está tão mal.. me parte o coração ao vê-la assim..

—Vai dar tudo certo, Yas. -Vinnie me abraça

—Lá no hospital, enquanto eu esperava a Avani, um garotinho se sentou ao


meu lado, ele parecia muito com você! -disse rindo

—Sinal de que ele era muito bonito então! -Hacker disse se gabando

—Muito! -disse rindo enquanto Vinnie me enchia de selinhos


—Kio pode nos esperar um pouco.. -ele disse enquanto me pegava no colo
e ia em direção da cama

Hacker me coloca delicadamente na cama, logo em seguida, ele começa a


distribuir beijos por todo o meu corpo

Assim que ele se levanta para tirar sua camisa, eu o impeço

—N-não.. eu não estou preparada, desculpa... -falei com a voz embriagada

Pode parecer besteira, mas sei lá.. depois de tudo que fizeram comigo, eu
meio que criei um bloqueio imenso com o meu corpo, eu sinto um nojo
absurdo de mim mesma, tem vezes que eu não consigo me olhar no espelho,
é como se eu visse alguém diferente ali, alguém suja e quebrada.... e deixar
alguém me tocar novamente me dá muito pânico!!

Eu sinto um nojo absurdo de mim mesma, de tudo que eu sou agora. O


simples toque de outra pessoa, mesmo que eu saiba que é com carinho, me
dá um pânico que eu não consigo controlar. É um medo irracional, eu sei,
mas está lá, enterrado tão fundo que nem eu consigo alcançar. O
pensamento de deixar alguém me tocar novamente... é como se todo o ar do
meu peito fosse arrancado de uma vez.

Eu sei que isso vai passar. Ou pelo menos é o que todo mundo diz, que o
tempo cura tudo, mas... e se não curar? E se essa sensação nunca
desaparecer? E se eu nunca mais conseguir me sentir eu mesma de novo?
Isso me assusta mais do que qualquer outra coisa. Porque não é só um
bloqueio físico, é algo que afeta tudo que eu sou, e isso... isso é muito mais
difícil de lidar.

—Aconteceu alguma coisa?! Eu te machuquei? -Vinnie pergunta


preocupado

—Não! Você não fez nada.. o problema está em mim, me desculpa... eu sou
uma idiota!

Me sento na beira da cama, meu corpo inclinado para frente, com a cabeça
entre as mãos. Tento afastar esses pensamentos ruins, mas eles continuam
voltando, um atrás do outro, como uma maré que não consigo controlar.
Dou alguns socos e tapas na minha cabeça, na esperança de que a dor física
seja suficiente para me distrair. As lágrimas escorrem pelo meu rosto, mas
não consigo parar. Sinto tanto nojo de mim mesma que parece impossível
respirar. Não consigo escapar dessa sensação de repulsa, de estar suja. Tudo
o que eu quero é me sentir eu mesma de novo.

—Ei, ei!! Para com isso! -Vinnie se ajoelha em minha frente e segura
minhas mãos firmemente

—me desculpa... eu sinto pânico quando alguém me toca. Vai demorar para
que eu consiga superar isso, para que eu consiga até pensar em fazer sexo
de novo. Esse nojo que eu sinto de mim mesma... é como se nunca fosse
passar!

—Me desculpa, Yas. Eu nunca quis te forçar a nada, eu só quero que você
se sinta segura. Vai ficar tudo bem, eu prometo. Você é forte, é incrível, e
não precisa se sentir assim. Eu vou estar aqui, do seu lado, para o que você
precisar. A gente vai superar isso junto, no seu tempo, sem pressa! -Vinnie
disse com uma voz suave enquanto passava os dedos em meu rosto para
limpar algumas lágrimas que escorreram

Respiro fundo e consigo me acalmar, Vinnie se levanta do chão e deposita


um beijo em minha testa

O loiro estende sua mão para que eu a pegasse e pudéssemos sair do quarto

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

———

Eu já escrevi, apaguei, reescrevi novamente umas 7 vezes esse capítulo kkk


me desculpem a demora!
Capítulo 56
O carro de Vinnie estava cheio de música e risadas enquanto ele dirigia, eu
estava sentada no banco do passageiro, tentando não rir das travessuras de
Kio no banco de trás. Kio tinha decidido colocar "Love" da Keyshia Cole
no último volume, sua voz ecoava pelo carro. Ele estava tão empolgado que
não se importava nem um pouco com o fato de estar completamente
desafinado.

—Vamo galera, é assim ó! -ele gritou, tentando nos animar.-And I can't


believe you're hurting me -cantou ele, tentando acertar as notas, mas saindo
tão desafinado que eu não consegui segurar o riso. Vinnie olhou de relance
para mim, com um sorriso enorme no rosto, e começou a rir também.

Kio não se deixou abater. Ele continuou, ainda mais alto

—I met your girl, what a difference? What you see in her, you ain't seen in
me? -ele fez uma pausa dramática, esperando que um de nós se juntasse a
ele.- Vai, pessoal, vocês sabem essa parte! But I guess it was all just make-
believe!!

Eu ri tanto que lágrimas começaram a escorrer pelos meus olhos. Vinnie


estava na mesma, uma mão no volante e outra no estômago enquanto ele
ria. Kio, sempre o animador, não desistiu.

—Vamos, Yas! Vai Vinnie! Vocês têm que cantar comigo! -Ele cantou ainda
mais alto, sem se importar com as notas erradas ou com a letra meio
esquecida- OH, LOOOVE NEVER KNEW WHAT I WAS MISSIN BUT I
KNEW ONCE WE START KISSIN -Kio respirou fundo para a próxima
nota- I FOUND -ele cantou totalmente desafinado, nos fazendo rir mais
ainda- LOOOVE...

—Desculpa, Kio, mas eu não consigo parar de rir -consegui dizer entre
risos. Vinnie apenas balançou a cabeça, ainda rindo, enquanto tentava se
concentrar na estrada. Kio fez uma careta exagerada de frustração, mas eu
sabia que ele estava se divertindo tanto quanto nós.

Kio, incansável, começou a improvisar sua própria versão da música,


misturando as palavras de maneira engraçada e lançando olhares dramáticos
para nós no espelho retrovisor.

—Vocês dois são um caso perdido! -ele brincou, dando de ombros.- Se não
vão cantar, pelo menos riam no ritmo!

Eu me inclinei para trás no banco, tentando recuperar o fôlego entre as


risadas. O som da voz desafinada de Kio cantando sem parar estava
começando a ficar insuportável, mas de uma maneira boa. Era exatamente o
tipo de distração boba que todos nós precisávamos.

Enquanto o carro seguia pela estrada, Kio continuou cantando até o fim da
música, e quando finalmente terminou, nós três estávamos gargalhando, os
sons de nossa alegria enchendo o carro.

[...]

Assim que entramos na casa de Vinnie, ele e Kio se afastaram para


cumprimentar os amigos, e eu fui até o sofá onde algumas meninas
conversavam animadamente. Emily acenou para mim, sorrindo.

—Yasmim, senta aqui com a gente! -disse ela.

—Claro! O que vocês estão conversando? -perguntei, curiosa.

—Estávamos falando sobre atores bonitos -respondeu Lily, rindo.- Vocês


viram aquele ator que fez o novo filme de ação? Como ele é lindo!

–Ah, sim, o Ryan Gosling -Sarah disse, com os olhos brilhando.- Ele é o
mais bonito de todos os personagens. Não tem como comparar.

—Mas nada se compara ao Timothée Chalamet -Emily interrompeu.- Ele


é simplesmente perfeito! Aquele cabelo, aqueles olhos...
—Eu prefiro o Chris Hemsworth -disse Lily, suspirando.- Ele é tão
charmoso e aquele sotaque australiano é tudo!

—Vocês só falam dos mesmos -brincou Sarah.- E o Michael B. Jordan?


Ele é o pacote completo!

(ele é perfeito 😍)

As meninas riram e concordaram, cada uma defendendo seu favorito. Em


meio às risadas e comentários, Emily se virou para mim com um sorriso
curioso.

—E você, Paty?! Quem você acha mais bonito?

Fiquei um pouco sem graça com Emily errando meu nome e com a
pergunta inesperada, sem saber bem o que responder.

—Ah, não sei... Nenhum desses atores faz muito o meu estilo.

—A Emily é tão desastrada que confundiu o nome da Yasmim com o da


Paty! -Sarah disse rindo- Olha Yas, não fica triste com isso, a Emily erra os
nomes as vezes. E sem contar que a Paty vive aqui né?! Não tem como não
se confundir! Ela praticamente mora aqui de tanto que ela fica com o
Vinnie!

Oi?! O que ela quis dizer com isso??

—Ah, qual é, Yasmim! -provocou Lily, rindo.- Tem que ter pelo menos
um que você ache bonito!

—Sério, não acho nenhum deles tão bonito assim. Prefiro um estilo
diferente. -Eu dei de ombros, tentando não parecer desconfortável.

—Tudo bem, a gente vai achar o seu tipo um dia! -As meninas riram e
Emily deu um tapinha no meu ombro.

—Boa sorte com isso! -brinquei, relaxando um pouco.


Enquanto continuávamos conversando, o assunto mudou para moda. Emily
estava descrevendo seu mais recente vício em compras online.

—Vocês já viram as novas peças da Nordstrom? -ela perguntou,


animada.- Estou apaixonada por aquele vestido vermelho de veludo!

—Eu vi! E tem uma jaqueta jeans com detalhes bordados que é
simplesmente perfeita! -comentou Sarah.- Fiquei tentada a comprar, mas
estou tentando me segurar.

—Boa sorte com isso, Sarah. -brincou Lily.- Eu nunca consigo resistir!

—Falando em moda, eu fui chamada para fazer uma propaganda para a


Chanel! -disse Emily, com um sorriso radiante.- Quase não acreditei quando
recebi a ligação.

—Uau, que incrível, Emily! -exclamei.- Você deve estar muito animada!

—Estou! Mal posso esperar para ver como vai ser. Sempre quis fazer algo
assim.

—Isso é incrível mesmo! -Lily acrescentou, empolgada.-E vocês ouviram


que os desfiles da Victoria's Secret vão voltar?

—O quê? Sério? -Sarah perguntou surpresa.-Faz tanto tempo! Eu adorava


assistir.

—Sim! Ouvi isso de uma amiga que trabalha com moda- confirmou Lily.-
Eles estão planejando um grande retorno, com várias mudanças.

—Nossa, eu adorava aqueles desfiles. -disse Emily.- As peças eram


sempre tão lindas e impecáveis. As asas, os brilhos, tudo parecia mágico!

—Concordo -respondeu Sarah, suspirando.- As modelos pareciam tão


confiantes. Eu sempre ficava encantada com os detalhes das roupas!

—Eu também! -acrescentei- Era sempre um grande evento assistir, e as


peças eram realmente maravilhosas.
—Quem sabe um dia a gente vai a um desses desfiles -disse Emily
sonhadora.

—Com certeza! -Lily concordou.- Já pensou? Assistir a tudo ao vivo seria


incrível!

As meninas riram e concordaram, sonhando acordadas sobre o glamour e a


magia dos desfiles, e eu me senti mais à vontade, imersa na conversa
animada sobre moda e beleza.

Me levanto e vou até o banheiro que tinha ali perto da sala

Será que Vinnie mentiu para mim esse tempo todo quando ele disse que
havia se distanciado totalmente da Patrícia?! Não pode ser...

Faço minha higiene rapidamente e dou uma arrumada em meu cabelo,


quando eu saio do banheiro, saio andando pela casa em busca de Vinnie e
dos meninos

Depois de passar um tempo conversando com as meninas, fui ao banheiro


para dar uma ajeitada no cabelo. Depois de me olhar no espelho e respirar
fundo, decidi procurar Vinnie e os meninos para ver o que estavam fazendo.

Comecei pela cozinha, mas estava vazia. Ninguém por ali. Pensei que eles
poderiam estar no quintal, então segui na direção dos fundos da casa.
Enquanto caminhava, ouvi risadas e vozes vindas de fora

Assim que abri a porta dos fundos que dava para a área de lazer, me deparei
com uma cena que me pegou de surpresa. Vinnie estava encostado na grade
perto da piscina, conversando com Patrícia, que estava incrivelmente
próxima dele. Ela tinha o cabelo molhado, como se tivesse acabado de sair
da piscina, e usava um biquíni minúsculo e quase transparente, estilo
biquíni fio dental

Minha respiração ficou presa na garganta, e senti uma pontada de


desconforto no peito. Patrícia era a ex de Vinnie, e vê-los juntos assim,
rindo e conversando tão perto, fez meu estômago revirar. Ela se inclinava
para ele de um jeito que me incomodava, um sorriso fácil no rosto,
enquanto ele parecia absorvido na conversa.

Quando olhei mais de perto, vi Patrícia lançar um olhar malicioso para os


lábios de Vinnie. Meu coração acelerou, e uma sensação desconfortável
cresceu dentro de mim. Antes que eu pudesse processar o que estava
acontecendo, Patrícia colocou uma das mãos no lado do rosto dele e
começou a se inclinar, claramente com a intenção de beijá-lo.

Foi como se o chão tivesse desaparecido sob meus pés. Senti um calor subir
pelo meu corpo, e o ciúme se espalhou como fogo. Sem pensar, agi por
impulso.

—VINCENT!!! -gritei, a voz saindo mais alta do que eu pretendia.

Meu grito cortou o ar, e os dois congelaram. Patrícia parou, os lábios a


poucos centímetros dos de Vinnie, e ambos se viraram para me olhar,
surpresos. Vinnie rapidamente se afastou de Patrícia, uma expressão de
confusão e talvez até de alívio no rosto.

Patrícia deu um passo para trás, claramente irritada por ter sido
interrompida. Eu não me importei. Meu coração batia forte, e minha mente
estava a mil, mas pelo menos consegui impedir o que estava prestes a
acontecer.

Vinnie começou a vir em minha direção, mas minha cabeça estava uma
bagunça. Eu não sabia o que pensar ou o que fazer a seguir.

Assim que Vinnie chegou perto de mim, não consegui conter minha
frustração.

—Me dá a chave do carro, Vinnie. Eu quero ir embora. Porra, eu não devia


ter aceitado vir aqui! -falei, tentando esconder o quanto estava abalada.

Vinnie tentou se aproximar mais, levantando as mãos em um gesto de


calma.

—Yasmim, espera. Não é o que você está pensando. Por favor, fica!
Eu continuei pedindo a chave, minha voz tremendo de raiva e decepção.

—Vinnie, só me dá a chave!

Antes que ele pudesse responder, Patrícia apareceu atrás dele, sorrindo
maliciosamente. Ela colocou as mãos nos ombros dele, inclinando-se para
perto como se estivesse marcando território.

—A chave está lá em cima da mesa, fofa!! Pode ir! -disse ela, com um tom
de ironia claro, me provocando.

O sarcasmo em sua voz era inconfundível. Ela queria que eu fosse embora
para ficar com ele. Meu sangue ferveu ainda mais, e eu não sabia se estava
com mais raiva dela ou de mim por ter vindo.

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Capítulo 57
Olhei seriamente para Patrícia, sentindo minha paciência se esgotar. Quem
ela pensa que é para falar comigo daquele jeito?

Quer saber? Cansei!

Sem pensar duas vezes, avancei em Patrícia, empurrando-a com força na


piscina.

O som da queda dela foi seguido por gritos de alegria e comemoração dos
meninos.

—FINALMENTE PORRA!!! -ouvi Bryce gritar.

—ISSO MESMO, YAS!! -acrescentou Kio, batendo palmas.

Nick ria alto, quase caindo de tanto rir. Todos pareciam se divertir com a
cena.

Vinnie me olhava surpreso, os olhos arregalados como se não acreditasse no


que acabara de acontecer. Patrícia, por outro lado, estava berrando na água
como uma criança mimada.

—SUA VADIA!! olha o que você fez comigo! -ela gritava, tentando se
equilibrar na piscina, completamente desajeitada.- Amor, me tira daqui
agora!! -Ela exigia de Vinnie, que ainda estava parado, sem saber o que
fazer.

—Cala a boca, puta! Vocês dois não tem nada!! Você não passa de uma
insuportável que acha que manda em algo, mete o pé!!! -Dylan gritou
enquanto ria da cara de Patrícia

Entre os xingamentos e os gritos, eu percebi uma coisa: pela primeira vez,


reagi a algo em vez de chorar ou me afastar. Uma sensação de poder e
alívio tomou conta de mim. Era bom, era libertador. Finalmente, não me
importava com o que pensariam ou com as consequências. Eu estava farta
de ver Patrícia se metendo onde não devia, tentando se impor como se
tivesse algum direito sobre Vinnie.

Virei-me para Vinnie, ainda respirando fundo, mas com um sorriso de


satisfação no rosto. Ele parecia chocado, mas não conseguia esconder um
pequeno sorriso de canto. Patrícia ainda berrava na piscina, seus insultos
ficando cada vez mais ridículos e sem efeito. E eu? Eu não me arrependi de
ter feito aquilo nem por um segundo.

Fiz e faria de novo, sem dúvida alguma.

Patrícia saiu da piscina bufando de raiva, o rosto vermelho parecendo um


pimentão de vergonha e fúria. Enquanto se aproximava da cadeira para
pegar suas roupas, começou a me xingar

—Sua vaca imbecil!! -ela gritou, puxando o vestido com tanta força que
quase o rasgou.- Você não vale nada, sua desgraçada!

Ela continuou, sem se conter, os olhos quase queimando de ódio.

—Você é uma ridícula, Yasmim! Só está aqui porque o Vinnie tem pena de
você, sua otária! -Ela atirou essas palavras como facas afiadas, sua voz
carregada de amargura.- Eu te odeio! Você é um lixo, uma ninguém!!

Cada palavrão que saía de sua boca era mais pesado do que o anterior, e ela
claramente não se importava se estava fazendo um escândalo.

—Cachorra! Você acha que é melhor do que eu? Você não passa de uma
vagabunda!! -O ódio em seu tom era palpável, ecoando ao redor da piscina
enquanto ela pegava suas coisas, ainda berrando sem parar.

Os meninos, em contrapartida, só faziam barulho, ignorando os


xingamentos de Patrícia e gritando para ela sair dali.

—Vai embora, cadela! Ninguém te quer aqui! -Kio gritava, tentando abafar
a gritaria dela. Bryce e Nick riam, sem levar a sério nenhum dos insultos
que ela proferia.
Mesmo com todo aquele ódio direcionado a mim, eu não consegui deixar de
sentir uma estranha satisfação. Sabia que Patrícia me odiava com todas as
forças, mas, no fundo, eu estava feliz por finalmente ter mostrado que não
iria mais aceitar suas provocações e insultos.

A cada xingamento de Patrícia, eu não conseguia segurar o riso. Ela estava


fazendo o maior papelão, molhada, furiosa, com o rosto vermelho e os
cabelos grudados no rosto. As palavras que saíam da boca dela não me
afetavam em nada; na verdade, o jeito como ela surtava só tornava tudo
ainda mais engraçado. Eu soltava gargalhadas cada vez mais altas,
divertindo-me com a cena.

—Você é uma idiota completa, Yasmim! Uma perdedora!!-Patrícia gritava,


mas sua voz raivosa era abafada pelas minhas risadas. Ela parecia não
entender como seus xingamentos estavam me divertindo ao invés de me
abalar.

—Olha só pra você! -eu disse, ainda rindo, o que só a deixou mais furiosa.-
gritando como uma louca. Que papelão hein, Patrícia!!

—Vadia! Você vai se arrepender disso! -ela gritou novamente, mas suas
ameaças e insultos só me fizeram rir mais. A cada palavra pesada, a cada
tentativa dela de me atingir, meu sorriso só aumentava.

Os meninos ao redor começaram a rir também, contagiados pela minha


reação.

—Isso, Yasmim! Mostra pra ela quem manda! -Nick incentivou, batendo
palmas.

Patrícia, percebendo que suas palavras não estavam surtindo efeito, só ficou
mais irritada. Ela resmungava enquanto pegava suas coisas e marchava em
direção à saída, ainda xingando de longe. Eu continuei rindo, satisfeita em
ver que, finalmente, nada que ela dissesse tinha o poder de me afetar.

—Karalho, finalmente ela saiu! Enquanto Vinnie e Kio foram te buscar,


ela ficou aqui enchendo o saco! Ficava dando ordens e exigindo que a gente
chamasse ela de "senhora Hacker"! -Bryce contou entre risos
—"Pega um whisky pra mim agora!" -Um dos amigos dos meninos
imitou a voz de Patrícia- mimimi mimimi mimimi...

—"respeitem a senhora Hacker, imbecis!" -Dylan colocou a mão na


cintura e afinou a voz

—Você tá vacilando demais, cara! -Kio disse enquanto olhava para Vinnie

Vinnie se aproximou de mim, ainda rindo da situação, mas visivelmente


aliviado.

—Karalho, Alles! você não tem ideia do favor que acabou de me fazer -
ele começou, esfregando a mão na nuca, tentando conter a risada.- Essa
desgraçada tava me infernizando a noite inteira. Tentando me beijar a cada
segundo! Que porra de situação.

Ele balançou a cabeça, frustrado.

—Ela não larga do meu pé, cara. Toda vez que nos encontramos, é a
mesma merda. Eu já disse que não quero nada com ela, mas essa garota é
uma maldita sombra, grudando em mim toda hora, me enchendo o saco
com aquela vozinha irritante.

Vinnie deu uma risada curta e sem humor, claramente exasperado.

—E agora ela aparece aqui com aquele biquíni ridículo achando que vai
me convencer a voltar pra ela. Que saco, cara! Tava começando a me deixar
louco.

Ele olhou para mim, um sorriso agradecido no rosto.

—Você fez o que ele devia ter feito há muito tempo. Aquela cena na
piscina? Perfeita!! Acho que finalmente ela vai entender o recado. -Bryce
disse

Eu apenas sorri, ainda sentindo o resquício de adrenalina do momento. Era


bom ver que Vinnie apreciava o que eu tinha feito, e saber que, de alguma
forma, eu o ajudei a se livrar daquela situação constrangedora.
—Mas afinal, quem chamou ela pra vir aqui?! -perguntei

—Não foi a Sarah? Elas são melhores amigas, deve ter sido ela! -Josh
afirmou

—Essa vagabunda.. -Kio sussurrou enquanto olhava para dentro da casa em


direção da sala

Dylan começa a andar furioso em direção da casa

—Ei, o que você vai fazer?! -Perguntei indo logo atrás de meu irmão

—Vou acabar com essa palhaçada.

Assim que chegamos na sala, vemos Sarah ainda sentada no sofá, mas ela
estava estranha.

Ela ficava a todo momento olhando para os lados nervosa, olhando para o
celular a cada segundo como se tivesse esperando algo ou alguém.

Dylan, sem pensar muito, andou em direção à ela e a segurou pelos cabelos
a arrastando para fora da casa enquanto ela berrava dizendo que não era a
intenção dela, que foi sem querer e que não faria mais isso.

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Capítulo 58
Assim que eu e Dylan voltamos para a área de lazer, onde todos os meninos
estavam, a atmosfera mudou instantaneamente. Dylan havia acabado de
expulsar Sarah, que, aparentemente, também estava causando problemas.
Assim que ele apareceu de volta, Josh correu para a caixa de som e
aumentou o volume da música, enchendo o espaço com um ritmo animado.
Agora sim, a festa parecia que estava começando de verdade!

Bryce, que estava cuidando do churrasco, sorriu ao me ver e rapidamente


cortou um pedacinho de carne para eu experimentar. Ele me entregou um
prato com um sorriso orgulhoso.

—Aqui, Yasmim. Experimenta essa daqui, ficou uma delícia! -disse ele,
com aquele ar de quem sabe que fez um bom trabalho.

Assim que coloquei o pedaço de carne na boca, senti o sabor delicioso se


espalhar.

—Uau, Bryce, isso tá maravilhoso!! -eu disse, impressionada. Bryce sorriu


ainda mais, satisfeito com o elogio.

Mas antes que eu pudesse dar outra mordida, Kio e Nick apareceram ao
meu redor, ambos com os olhos brilhando de expectativa.

—Ei, deixa eu pegar um pedaço também! -Kio pediu, esticando a mão em


direção ao prato. Nick não ficou muito atrás.

—Bryce, dá um pra mim também! Só um pedacinho!

Bryce balançou a cabeça e revirou os olhos, claramente já acostumado com


a cena.

—Vocês dois são impossíveis! -ele reclamou, mas havia um sorriso em seu
rosto.- Vai pra piscina, agora! A carne ainda não tá pronta pra vocês, e
vocês sabem disso!
Kio fez uma careta e tentou outra abordagem.

—Ah, qual é, Bryce, só um pedacinho! Você sabe que não vamos aguentar
esperar! -Ele fez um biquinho, tentando parecer mais convincente. Nick,
por sua vez, começou a rir.

—É, cara, só um pra cada um. Não vai matar ninguém!

Bryce suspirou dramaticamente, balançando a cabeça como um pai que


tinha que lidar com dois filhos travessos.

—Vocês são piores que criança, sabiam? Vai, vai, pra piscina! Quando
estiver pronto, eu chamo vocês. -Ele fez um gesto com a mão, mandando-os
se afastar.

Kio e Nick, vendo que não conseguiriam convencer Bryce tão facilmente,
deram de ombros e riram, saindo em direção à piscina.

—Beleza, beleza, mas a gente vai ficar de olho, hein? -Kio avisou,
apontando para Bryce enquanto se afastava. Nick acenou, concordando.

—É, não vai esquecer da gente!

Eu ri, vendo aquela cena. Bryce parecia mesmo um pai brigando com duas
crianças, mas havia algo de acolhedor e familiar na forma como eles
interagiam. Era como se todos ali fossem parte de uma grande família.

Bryce voltou sua atenção para mim, ainda sorrindo.

—Desculpa a bagunça, Yasmim. Esses dois são sempre assim quando tem
comida envolvida. -Eu dei de ombros, rindo também.

[...]

Eu estava sentada ao lado de Vinnie na mesa, observando os meninos se


divertirem na piscina. Bryce estava concentrado na churrasqueira ao nosso
lado, cuidando da carne e conversando casualmente sobre o jogo de
basquete da noite anterior. Era um momento tranquilo, com o som da
música de fundo e as risadas dos amigos preenchendo o ambiente.
De repente, um dos seguranças de Vinnie apareceu correndo em nossa
direção, sua expressão séria interrompendo a descontração do momento.

—Chefe! Mandaram entregar esse envelope pro senhor!! -ele disse,


entregando um envelope elegante a Vinnie.

Vinnie franziu a testa enquanto pegava o envelope.

—Quem mandou? -ele perguntou, mas o segurança apenas deu de ombros,


sem saber a resposta.

Com curiosidade, Vinnie abriu o envelope e retirou um convite de dentro.


Seus olhos se arregalaram levemente quando ele viu o nome do remetente.

—É do Leonard Konzen! -ele disse, surpresa evidente em sua voz.

—Leonard Konzen? -eu repeti, lembrando-me imediatamente do dono do


leilão exclusivo em que fomos. Leonard era conhecido por ser um homem
reservado e poderoso, com uma rede de contatos vasta e influente.

Vinnie assentiu e tirou uma carta de dentro do envelope. Ele a desdobrou e


começou a ler em voz alta:

_______________________________

"Caro Vincent,

Espero que esta carta o encontre bem. Desde nosso último encontro no
leilão, não pude deixar de pensar na noite espetacular que tivemos. Seu
desempenho, ao lado da encantadora Yasmim, foi memorável, e devo dizer
que raramente me impressiono com tanta facilidade. Vocês dois, como um
casal, mostraram não apenas charme, mas também uma presença e uma
química que foram, sem dúvida, o destaque da noite.

É com grande prazer que escrevi para convidá-los para um evento muito
especial. Estou inaugurando um novo cassino, o Royal Palace, que será um
dos estabelecimentos mais luxuosos e exclusivos da cidade. Este cassino é o
meu mais recente empreendimento, e gostaria muito que vocês fossem meus
convidados de honra na noite de abertura que acontecerá na sexta daqui a
duas semanas.

A inauguração do Royal Palace ao será apenas um evento de gala, mas


também uma oportunidade única de encontrar e interagir com alguns dos
nomes mais poderosos do nosso círculo. Estou certo de que suas presenças,
mais uma vez como um casal, trarão um toque especial à noite e serão
muito apreciadas por todos os presentes.

Sei que vocês são pessoas ocupadas, mas espero sinceramente que possam
considerar meu convite. Seria uma honra recebê-los novamente e, quem
sabe, ver aquele brilho que tanto encantou a todos no leilão.

Aguardarei ansiosamente por sua resposta. Por favor, entre em contato com
minha equipe para qualquer detalhe adicional que possam precisar.

Atenciosamente,

Leonard Konzen."

______________________________

Vinnie terminou de ler a carta e olhou para mim, um sorriso brincando em


seus lábios.

—Parece que fomos promovidos a casal oficial do Leonard. -ele disse


com uma risada leve, dobrando a carta novamente.

Eu ri junto, mas senti uma mistura de emoções. Embora fosse um convite


intrigante, significava que teríamos que fingir ser um casal novamente, o
que poderia ser um tanto complicado.

—Você acha que deveríamos ir? -perguntei, tentando esconder minha


apreensão.

—Com certeza -Vinnie respondeu sem hesitar.- Não se recebe um convite


de Leonard Konzen todos os dias. E além disso, pode ser divertido! -Ele
deu de ombros, claramente intrigado pelo convite inesperado.
Os meninos, curiosos com o que estava acontecendo, começaram a se
aproximar

—Karalho, mano! O Konzen adorou vocês! -exclamou Kio, seus olhos


arregalados de surpresa.

Bryce, que tinha se afastado da churrasqueira, se inclinou para ler a carta


por cima do ombro de Kio.

—Mentira que ele convidou vocês de novo! Que foda!! -disse ele,
batendo a mão na mesa com um sorriso de empolgação.

Nick, que vinha logo atrás, pegou o convite da mão de Vinnie.

—Velho, isso é enorme! Ser convidado duas vezes por esse cara é como...
ser escolhido pelo chefe dos chefes!

—É porque vocês dois fizeram um baita show no leilão! Agora o Konzen


quer ver de novo a mágica acontecer, só pode! -Josh se aproximou rindo

Bryce balançou a cabeça em aprovação, ainda olhando para mim e Vinnie


com uma expressão de orgulho.

—Vocês dois vão se tornar a dupla mais famosa do circuito, se


continuarem assim. O que vocês fizeram lá realmente chamou a atenção!

Vinnie, sorrindo com a animação dos amigos, deu de ombros.

—Bom, acho que a gente vai ter que se preparar para mais uma grande
noite.

—Com certeza! -disse Nick, dando um tapinha nas costas de Vinnie.- E,


desta vez, vamos fazer essa estreia ser ainda mais épica!

Eu ainda processando a surpresa, troco um olhar com Vinnie, que parecia


tão surpreso quanto eu.

—Parece que temos uma nova missão pela frente! -ele disse, com um
sorriso malicioso.
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———

Postei três capítulos hoje para compensar os seis dias que eu acabei não
postando! Espero que não tenha ficado muito enjoativo kkkk
Capítulo 59
Horas já haviam se passado, eu estava exausta quando finalmente cheguei
em casa. Vinnie me trouxe de volta, e agora, já era de madrugada. Ele
parecia tão cansado quanto eu, seus olhos pesados enquanto estacionava o
carro na entrada da minha casa.

Entrei e fui direto para o meu quarto. A festa tinha sido incrível, mas tudo o
que eu queria agora era um bom banho e uma cama confortável. Fui até
meu closet para guardar minha bolsa rapidamente e voltei para o quarto,
esperando encontrar Vinnie no corredor, já se preparando para sair. No
entanto, para minha surpresa, ele estava sentado na beira da minha cama,
coçando os olhos e bocejando.

—Ei -ele disse com um sorrisinho, claramente tentando espantar o sono.


Assim que me viu, abriu um sorriso mais amplo, mas rapidamente se
levantou e começou a se desculpar.-Me desculpa qualquer coisa, olha... eu
realmente não esperava que a Patrícia fosse fazer aquele show! -Ele riu,
balançando a cabeça, ainda surpreso com o que tinha acontecido mais cedo.

Eu podia ver a sinceridade nos olhos dele, o incômodo pelo que havia
acontecido mais cedo na festa. Ele estava claramente chateado, não só pelo
comportamento de Patrícia, mas também pela situação desconfortável que
isso causou para todos.

Balancei a cabeça, tentando tranquilizá-lo.

—Tá tudo bem, Vinnie. Não foi culpa sua. -eu disse suavemente, tentando
aliviar o peso que ele parecia carregar nos ombros.- A Patrícia... ela só fez o
que achou que deveria, mas você não teve nada a ver com isso.

Vinnie suspirou, passando uma mão pelo cabelo, como se estivesse


tentando se livrar dos pensamentos ruins.

—Mesmo assim, não queria que você passasse por isso. Foi...
constrangedor pra karalho!
Eu dei um pequeno sorriso, apreciando o esforço dele em tentar consertar as
coisas.

—Já passou. Vamos só... deixar isso pra trás, tá?

—Certo.. -Ele assentiu, parecendo um pouco mais aliviado com minhas


palavras

Enquanto ele falava, eu percebia o quão cansado ele realmente estava.


Decidi mudar de assunto, esperando que pudesse ajudar a relaxar.

—Dorme aqui comigo essa noite?

—Tem certeza? -ele me olha desconfiado

—Claro. -afirmo com um leve sorrisinho

—Então eu fico! -Vinnie disse com um sorriso travesso no rosto

—Mas primeiro, vá tomar um banho, você está fedendo! -digo rindo e


mostro a língua fazendo careta para provocá-lo

—Só se você for comigo! -Ele falou me olhando de forma maliciosa

[...]

Suas mãos deslizaram em minhas curvas, seu toque quente e intenço me


deixava calma.

Seu beijo foi descendo até meus seios, ele arrancou meu sutiã e o
abocanhou deixando marcas.

Mordi meu lábio inferior aproveitando seu toque que logo desceu ate a
barra de meu shorts o tirando.

Sinto ele tirar minha calcinha e apoiar uma de minhas pernas em seu
ombro. Sua respiração quente me dava arrepios, gemi quando senti sua
língua em contato com minha pele. Ele me chupava com calma,uma de suas
mãos estava em minha cintura e a outra ele usava para acariciar minha coxa
Ele começou a me chupar com mais intensidade e logo penetrou dois dedos
dentro de mim. Soltei um gemido alto e acabei puxando o cabelo dele

—Isso.. c-continua -falei entre gemidos

Sua língua subia e descia por minha intimidade,me dando arrepios. A mão
que estava em minha cintura, ele subiu e apertou meu seio

Soltei um gemido mais intenso quando ele moveu mais rápido os dedos e
acabei gozando, escutei uma risada baixa e logo ele parou de me lamber, ele
retirou os dedos e os chupou.

Sem perder tempo, ele já estava por cima de mim me beijando com
calma,seu membro estava duro

—Gostosa! -Hacker desferiu um tapa em minha bunda

Ele ficou entre minhas pernas e me penetrou,logo seus movimentos ficaram


forte e rápidos. Gemi alto e abro um pouco mais minhas pernas, Vinnie foi
mais fundo e me beijou para abafar meus gemidos

Uma de suas mãos foi até meu pescoço o apertando e a outra mão ficou
acariciando meu seio

Não consegui afugentar por mais tempo e gozei, o loiro sorri satisfeito e
continua a dar estocadas fortes.

—Yasmim...

—Yasmim? Acorda!

O que?! Foi tudo apenas um sonho?

Acordo devagar, ainda meio sonolenta, com uma sensação estranha e


quente se espalhando pelo meu corpo. Piscar os olhos ajuda a focar minha
visão e percebo Vinnie sentado ao meu lado na cama, olhando para mim
com um sorriso enorme no rosto. Ele está rindo, meu coração dá um salto.
A última coisa que lembro é do meu sonho com ele, e meu rosto esquenta
de repente.
—O que aconteceu? -pergunto, tentando soar normal, embora meu coração
esteja batendo rápido.

Ele balança a cabeça, como se tentasse conter o riso, e eu me pergunto o


que pode ser tão engraçado.

—Não aconteceu nada -diz ele, tentando parecer sério, mas falhando
miseravelmente.- Só lembrei de uma mensagem ridícula que o Kio me
mandou.

Meu corpo relaxa um pouco, e eu me sento na cama, esfregando os olhos


para espantar o sono. Mas há algo na forma como Vinnie me olha, um
brilho divertido nos olhos, como se ele soubesse de algo que eu não sei.
Isso me deixa inquieta.

—Que mensagem foi essa? -pergunto, tentando entender por que ele parece
tão animado.

Vinnie dá de ombros, ainda sorrindo de orelha a orelha. Ele evita meu olhar
por um momento, e percebo que tem algo mais acontecendo. A memória do
meu sonho volta de repente, e me pergunto se, de alguma forma, falei
enquanto dormia. Meu rosto queima ainda mais com a possibilidade.

—Kio só... sendo Kio, sabe como é -responde Vinnie, ainda evitando dizer
o que realmente o fez rir.

Eu o encaro, tentando captar algum sinal no rosto dele, mas ele está
mantendo o mistério. Por dentro, estou torcendo para que ele realmente só
tenha achado graça de algo do Kio e não do meu sonho... ou de algo que eu
possa ter dito enquanto sonhava. Tento não pensar muito nisso, mas algo na
expressão de Vinnie me deixa ainda mais curiosa e, ao mesmo tempo,
nervosa.

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Capítulo 60
Segunda-feira de manhã. Chego na escola com a cabeça cheia de
pensamentos, ainda tentando me livrar da lembrança do meu sonho
constrangedor de alguns dias atrás. O sorriso de Vinnie naquela manhã
ainda está fresco na minha mente, e isso só torna as coisas mais
complicadas. Sigo pelos corredores apressada, cumprimentando algumas
pessoas pelo caminho, até chegar na sala de aula. Assim que entro, vejo
Mads já sentada no seu lugar, com um sorriso largo no rosto.

—Bom dia! -digo, me jogando na cadeira ao lado dela.

—Bom dia, irmã! -Mads responde animada, ajustando os livros em cima


da mesa.- Como você está?

—Ah, estou bem. E você? -Dou de ombros, tentando parecer casual

Ela começa a falar sobre o fim de semana, mas logo é interrompida pela
entrada de Vinnie na sala. Meu coração dá um pequeno salto ao vê-lo, e não
posso evitar um leve sorriso quando nossos olhares se cruzam por um breve
momento. Ele parece tão tranquilo e confiante como sempre, caminhando
até a mesa do professor com sua pasta de couro em mãos.

Sem nenhum cumprimento ou introdução, Vinnie coloca sua pasta sobre a


mesa e começa a falar de forma direta

—Abram seus cadernos. Vamos começar com uma análise de texto.

Eu me ajeito na cadeira, pegando meu caderno e começando a copiar o


texto que ele escreve no quadro. Tento me concentrar, mas logo me distraio
com as conversas das meninas que estão sentadas perto da mesa dele.

—Vocês viram a fofoca que deu no leilão?! -uma delas sussurra


animadamente, e minhas orelhas se levantam, curiosas.
O leilão. Meu coração acelera um pouco ao lembrar daquela noite. Foi há
alguns meses, e o evento era tão privado que a mídia e os paparazzi só
poderiam publicar qualquer coisa depois de um tempo. Somente depois de
meses, parece que as notícias finalmente vazaram. Continuo copiando o
texto, mas minha atenção está completamente voltada para a conversa
delas.

—Eu vi, amiga! -responde outra garota, claramente empolgada.- Nossa,


aquele velho foi muito sem noção!

—Do que vocês estão falando? -outra menina pergunta, curiosa.

—O professor Vinnie foi convidado para o leilão -uma delas começa a


explicar, sua voz cheia de entusiasmo.- Aí dizem que um dos velhos mais
ricos de Los Angeles foi expulso do leilão porque se passou com a
acompanhante do Vinnie.

Sinto um arrepio percorrer minha espinha. Minha mão para no meio de uma
palavra, o lápis suspenso no ar. Será que eles descobriram? Será que alguém
percebeu que eu era a acompanhante de Vinnie naquela noite?

Eu me forço a continuar escrevendo, tentando parecer desinteressada, mas é


impossível não prestar atenção. Vinnie interrompe a escrita no quadro por
alguns segundos e olha para mim, um sorriso travesso brincando em seus
lábios. É como se ele estivesse gostando da fofoca que está se espalhando.

—Quem era a acompanhante?! -pergunta uma das meninas, a curiosidade


transbordando em sua voz.

Sinto meu coração martelar no peito. Tento manter a calma, mas minha
mente corre a mil por hora. E se elas souberem? E se meu nome começar a
circular pela escola? Tento esconder minha preocupação, mas minha
respiração acelera.

—Ninguém sabe! -Amanda responde, revirando os olhos como se a


resposta fosse óbvia.- Eles deram algum jeito de esconder ela.
—Ah, qual é! Diz aí, prof! Ela não vai saber que você nos falou! -uma das
meninas insiste, animada

Vinnie suspira, fechando os olhos por um momento antes de se sentar na


beirada de sua mesa. Ele me encara por alguns segundos, o olhar dele
parece escanear cada detalhe da minha expressão, como se soubesse
exatamente o que está fazendo. Depois, ele começa a falar:

—Ela é loira... -ele diz, e uma onda de calor sobe pelo meu rosto. —
Gostosa...

O que ele está fazendo?! Meu coração dispara, e minha mão quase deixa o
lápis cair. Ele está me provocando, disso não há dúvida, mas por quê?

—É bem irritante, chata pra karalho... -ele continua, o tom de voz


deliberadamente provocativo.- Mas não deixa de ser minha mulher.

Ele faz uma pausa, molhando os lábios involuntariamente, e percebo que


seu olhar está fixo em minha boca por um breve segundo antes de voltar sua
atenção para as meninas.

As meninas começam a rir e se entreolham, claramente intrigadas com as


palavras dele. Meu rosto queima de vergonha e constrangimento, mas
também sinto uma mistura de raiva e excitação. Como ele pode falar assim
de mim? E na frente de todo mundo?!

—Eu não conheço ninguém assim, você conhece, Lauren? -uma das
meninas pergunta para a amiga que estava sentada ao seu lado, parecendo
intrigada.

—Eu conheço alguém que é BEM irritante, que é MUITO chata! -


Amanda diz, se virando diretamente para mim. Não entendo esse ódio todo
que ela tinha por mim.- Mas é claro, o meu professorzinho nunca namoraria
alguém assim! -ela acrescenta, me olhando de cima a baixo com um
desprezo evidente.

—Deixa essa albina pra lá! -outra das amigas de Amanda intervém,
chamando sua atenção de volta.- Eu acho que a namorada do Vinnie nem é
da cidade, eu nunca ouvi falar de alguém assim.

Vinnie ignora os comentários delas, mas é evidente que ele está gostando
desse burburinho só para ver a minha reação.

—Dá mais uma diquinha aí, prof! -elas insistem, ansiosas por mais
detalhes.

Vinnie solta um suspiro teatral, voltando a se levantar. Ele endireita sua


postura e olha para a sala inteira com um ar de autoridade renovado.

—Eu não devo satisfação da minha vida para vocês -ele diz firmemente,
sua voz de volta ao tom sério.- Agora calem a boca e copiem!

A sala cai em um silêncio constrangedor, e posso ver as meninas se


remexendo em seus lugares, claramente envergonhadas. Tento me
concentrar novamente no que estou fazendo, mas minha mente continua a
girar. Vinnie me lançou um olhar rápido antes de voltar a escrever no
quadro, e não consigo deixar de pensar no que aquilo significava. Ele está
gostando de me ver nessa situação? Ou será que é apenas o jeito dele de
lidar com toda essa confusão?

[...]

A aula de Vinnie finalmente chegou ao fim. Estávamos nos dirigindo para a


última aula do dia, que seria no laboratório de ciências. Antes de ir para lá,
precisei fazer uma parada rápida no banheiro, pois estava realmente
apertada pra fazer xixi.

Entrei apressada no banheiro, fiz minha higiene e fui lavar as mãos.


Enquanto ligava a torneira, olhei para o espelho acima da pia e levei susto.

—Karalho, Vinnie! -digo com a mão no peito pelo susto

Vinnie estava ali, escorado na porta do banheiro, me observando com um


sorriso travesso no rosto. Ele estava inclinado para o lado, apoiado na porta
do banheiro feminino com os braços cruzados, seus olhos fixos em mim.
—O que você está fazendo aqui?! -pergunto, tentando controlar a surpresa
em minha voz. Olho para os lados, o pânico começando a subir enquanto
penso no que poderia acontecer se alguém nos visse juntos ali.- Aqui é o
banheiro feminino, Vincent!

Ele apenas dá de ombros, o sorriso crescendo em seus lábios.

—Que se foda! -diz ele, rindo.

—Você é doente! -resmungo, tentando manter minha compostura.

Vinnie se afasta da parede e caminha até a porta de entrada do banheiro,


trancando-a. Eu o observo, incrédula e um pouco apavorada com a audácia
dele.

—Por que você falou aquilo na aula? Alguém poderia ter nos descoberto!
-sussurro em um tom irritado, tentando manter minha voz baixa apesar da
raiva

Vinnie dá um passo mais perto de mim, seus olhos brilhando com diversão.

—E daí? -ele responde com um tom despreocupado, como se tudo fosse


uma brincadeira para ele.- Não é como se alguém pudesse fazer alguma
coisa.

—Aliás, como eu não apareci na mídia? -pergunto, a curiosidade tomando


conta de mim. Ainda estou surpresa com o fato de que minha identidade
não foi revelada após aquela noite no leilão.

Vinnie dá um meio sorriso, se aproximando ainda mais.

—Kio e Josh deram um jeito de te apagar das fotos -ele explica, sua voz
suave- Agora você tá conhecida como "a mulher misteriosa de Vincent
Hacker".

Ele ri enquanto termina de falar, a diversão clara em sua expressão. Sinto


meu rosto esquentar ao ouvir isso. Vinnie continua caminhando em minha
direção
Vinnie se aproxima ainda mais, suas mãos ágeis me puxando pela cintura e
me prensando contra a parede fria do banheiro. Antes que eu possa
protestar, seus lábios vão de encontro com os meus, ferozes e exigentes. O
beijo é intenso, meu corpo responde automaticamente, minhas mãos
subindo até seus ombros enquanto me perco na sensação.

Uma de suas mãos desliza pela minha cintura, descendo lentamente até
chegar à minha bunda, que ele aperta com firmeza. Um suspiro ofegante
escapa dos meus lábios, e sinto meu corpo se arquear contra o dele, o calor
aumentando entre nós.

—A-aqui não é lugar, Vinnie... -consigo murmurar entre os beijos, com a


voz trêmula de desejo e nervosismo.

Com esforço, me separo dele, meus olhos buscando os seus enquanto tento
recuperar o fôlego. Vinnie dá um passo para trás, mas o sorriso arrogante
ainda está lá, um brilho travesso em seus olhos.

—Você não vai escapar de mim, Alles. -ele diz, a voz rouca

Faço uma careta para ele, tentando esconder a mistura de desejo que sinto

Eu quero ele, mas no banheiro da escola não é lugar disso!

Me viro de volta para o espelho. Minhas mãos trabalham rapidamente,


ajeitando minha roupa e tentando me recompor. No reflexo do espelho, vejo
Vinnie parado atrás de mim, seus olhos fixos em mim com uma intensidade
que faz minha pele formigar.

Sinto sua respiração pesada no meu pescoço, seu olhar atento percorrendo
cada detalhe do meu corpo enquanto tento me acalmar.

—Você fica tão gostosa nessa saia.. -ele suspira e coloca a mão em minha
cintura, a apertando firmemente

—Você não tem que dar aula não, Vincent? -O encaro através do espelho

—É chato pra karalho ficar aguentando aquele bando de criança. -ele


parecia estar cansado- prefiro ficar aqui. -ele deposita um beijo em meu
pescoço, me fazendo arrepiar

—E-eu tenho aula agora -me separo dele indo até a porta do banheiro-
cuida pra ninguém te ver saindo daqui! -jogo uma piscadela para ele e saio

Corro pelo corredor indo em direção do laboratório, assim que eu entro, o


sinal toca e o professor Marcos entra

—Que demora! O que você tava fazendo no banheiro?! -Mads sussurra

—O banheiro estava lotado! Sabe como é né, aquelas meninas do


primeiro ano estavam se enrolando lá... -minto

—Te entendo, amiga! Sexta eu tava apertada pra usar, só que aquelas
pirralhas não paravam de se maquiar e matar aula lá dentro. -Mads revira os
olhos

O professor Marcos já está na frente da sala, mexendo em alguns frascos


com líquidos coloridos. Ele tem um jeito descontraído de ensinar, e suas
aulas sempre são divertidas, embora algumas vezes os alunos fiquem
nervosos por serem chamados como "voluntários" para seus experimentos.

—Bom dia, pessoal! -ele cumprimenta, um sorriso brincalhão em seus


lábios- Espero que todos estejam prontos para a aula de hoje!

A turma responde com um coro de "bom dia", e posso sentir a animação se


espalhando. Professor Marcos começa a explicar o experimento do dia, que
envolve algumas reações químicas que produzem diferentes cores e até uma
leve explosão controlada. Ele sempre gosta de criar um show.

—Vamos precisar de alguns voluntários para demonstrar essas reações -


ele diz, olhando para a classe com olhos brilhantes.- Algum corajoso?

A sala fica em silêncio por alguns segundos, mas é claro que Marcos já tem
suas vítimas favoritas. Ele aponta para um garoto chamado Lucas, que está
sentado na primeira fileira, visivelmente tentando se esconder.

—Vamos lá, Lucas! -Professor Marcos chama rindo.- Você sempre parece
tão animado para ser meu assistente!
Lucas levanta lentamente, um sorriso sem jeito no rosto enquanto caminha
até a frente da sala. Professor Marcos o posiciona perto de uma bancada
cheia de tubos de ensaio e frascos.

—Agora, Lucas, misture esses dois líquidos com cuidado -o professor


instrui, entregando-lhe dois frascos.- E não se preocupe, a explosão é
pequena... desta vez!

A turma explode em risadas, e Lucas faz uma careta exagerada antes de


seguir as instruções. Quando ele mistura os líquidos, há um leve estalo e
uma pequena nuvem de fumaça colorida se forma, arrancando risadas e
aplausos de todos.

—E este é o motivo pelo qual não devemos misturar produtos químicos


sem saber o que estamos fazendo! -Professor Marcos diz, piscando para
Lucas, que agora está sorrindo.

—Agora, vamos ver... quem será a próxima cobaia? -Marcos olha ao


redor da sala com um sorriso malicioso. Seus olhos caem sobre Júlia, que
rapidamente desvia o olhar. — Ah, Júlia! Venha aqui, preciso de alguém
com uma mão firme para o próximo experimento.

—Ah não, prof! Eu fiz minhas unhas ontem! Elas vão se sujar -Júlia diz
choramingando, mas o obedece indo para frente da turma para o
experimento

Enquanto a turma ria e se divertia com os experimentos que o professor


fazia, percebi que Mads estava me encarando muito
—Yas, posso te fazer uma pergunta? -minha amiga me encara seria, sinto
meu coração errar uma batida. Quando Mads fala desse jeito, coisa boa não
vem aí.

—Claro! -sorri nervosa

—Por acaso... -ela se ajeita na cadeira- você e Vinnie estão juntos?!

Puta merda!
—Não é bem isso.. não estamos juntos oficialmente, sabe? -sussurro
nervosa

—Eu sabia! -ela grita sorrindo animada

—Madson, cala a boca! -tampo sua boca pois ela chamou a atenção da
turma inteira

—Desculpa, professor! Pode continuar! -Mads sorri

Todos voltam sua atenção para o professor que seguia fazendo o


experimento

—Como você soube?

—Depois do que Vinnie falou hoje na aula, ficou fácil! -sinto meu corpo
gelar

Ficou fácil? Ai meu Deus, jaja todos vão saber!

—Mas calma! -ela percebe que eu fiquei nervosa- eu só descobri porque


eu sei que vocês tinham algo e tudo mais, mas se eu não soubesse, eu
realmente não saberia que era você! -ela tenta me acalmar

—Menos mal, então!

—Foi você que foi ao leilão com ele, né? -ela pergunta animada

Eu assenti com a cabeça um pouco corada

—Ai meu Deus!! Como foi lá? Realmente aquele coroa se passou com
você?!

—Ele ficou perguntando demais sobre mim, ficava rodando piadinhas


sem graça para mim e para o Vinnie.. mas tirando isso, foi muito legal sim!

Mads tem um ótimo gosto para roupa, talvez ela possa me ajudar a escolher
minha roupa para o Cassino
—Mads, eu tenho outro evento "secreto" para ir com o Vinnie na próxima
sexta... -Mads arregala os olhos surpresa, era evidente sua alegria- pode me
ajudar a escolher uma roupa? Você sabe que eu sou péssima nisso!

—Lógico! Eu te ajudo sim, amiga! -ela disse sorrindo- vou te transformar


em uma grande gostosa pra andar ao lado do loiro! Pode contar comigo.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

———

Tentei fazer o capítulo um pouco mais longo, espero que tenham gostado!

Por favor me deem ideias de como eu faço Mads e a Yasmim no shopping


escolhendo as roupas, os sapatos e etc. Eu já tenho a roupa em mente, mas
eu preciso de uma ajudinha e da opinião de vocês pra eu escrever sobre
elas lá!
Capítulo 61
O sol da tarde já estava se pondo quando Mads e eu chegamos ao shopping.
Depois de algumas horas indo de loja em loja, vendo roupas, sapatos e
acessórios, finalmente saímos da Sephora com sacolas cheias de cremes,
perfumes e algumas maquiagens que decidimos experimentar.

—Yas, lembra daquela minha tia super rica que se separou do marido? Ela
abriu uma loja aqui, quer ir dar uma olhadinha lá?! — Mads exclama, dando
um pulinho animado. — Ela sempre tem umas roupas incríveis, e
precisamos achar algo perfeito para você usar no evento.

—Claro! Tomara que a gente ache alguma coisa boa -respondo, sorrindo
para ela enquanto seguimos em direção à loja.

Assim que entramos, somos recebidas pela tia de Mads. A loja é


aconchegante, com uma decoração elegante que mistura o clássico e o
moderno. As araras estão cheias de roupas de todos os estilos, cores e
tamanhos.

—Olá, meninas! -Tia Mary nos cumprimenta da recepção enquanto sorria-


Fiquem à vontade. Se precisarem de algo, estarei aqui.

Mads acena para a tia e imediatamente começa a puxar várias peças das
araras, segurando-as contra o corpo enquanto faz caretas engraçadas.

—O que você acha dessa aqui? -ela pergunta, segurando um vestido


florido e balançando-o na minha direção.- Parece coisa de vó, né? -Ela ri
alto.

—Parece um pouco sim! -concordo, rindo também.- Mas quem sabe pra
um piquenique?

Mads gargalha, balançando a cabeça.


—Não, não... Eu tô procurando algo mais ousado, sabe? Tipo isso! -Ela
pega um short jeans rasgado e uma camiseta branca com uma estampa de
banda.- O que acha?

—Acho que combina super com você. -respondo, sorrindo.

Enquanto Mads continua procurando, decido dar uma olhada nas araras da
seção de vestidos. Estou em busca de algo sofisticado, mas que também
tenha um toque de ousadia para o evento do cassino. Encontro um vestido
lilás com um corte justo e as alças brilhantes

—Mads, olha isso aqui! -chamo, segurando o vestido na minha frente.

Ela olha para mim e solta um assobio.

—Porra, Yas! Esse aí é lindo! Vai deixar todo mundo babando no cassino.
Vinnie vai ter um ataque do coração.

Dou risada, corando um pouco com o comentário.

—É, talvez eu experimente esse. -Digo, colocando o vestido sobre o braço.

—Você definitivamente deve! -Ela responde, voltando sua atenção para


outra arara.- Olha esse blazer preto! -Ela exibe um blazer elegante, cheio de
detalhes discretos.- Não que eu vá usar isso pra alguma coisa importante,
mas cacete, é chiquérrimo!

Mads coloca o blazer sobre o braço e continua sua busca. Eu encontro outro
vestido, dessa vez um longo azul-marinho com detalhes de renda no decote.
Seguro-o para Mads ver.

—E esse? -pergunto.- O que você acha?

Mads me olha por um segundo antes de abrir um sorriso largo.

—Mano, esse vestido incrível! E você vai arrasar com ele também.

—Ok, vou experimentar esse também!


Mads e eu continuamos explorando a loja da tia dela, cada uma com uma
pilha de roupas para experimentar. Estamos nos divertindo bastante, mas eu
ainda estou focada em encontrar a peça perfeita para o evento

Finalmente, após vasculhar mais uma arara, meus olhos caem sobre um
vestido que imediatamente me chama a atenção. Ele é vermelho, justo ao
corpo, curto e perfeitamente desenhado para acentuar as minhas curvas. O
vestido é tomara que caia, sem alças, e tem um pedaço de tecido pendurado
do lado esquerdo, o que dá um charme extra e um toque sofisticado. É
exatamente o tipo de vestido que eu estava procurando.

(A foto do vestido está no final do capítulo caso alguém queira ver!)

—Mads, vem cá! -chamo, segurando o vestido para que ela possa vê-lo
melhor.- Olha isso!

Mads vira na minha direção e seus olhos se arregalam um pouco ao ver o


vestido.

—Nossa, Yas! Esse é maravilhoso!! Se eu fosse você, experimentava na


hora. Esse vestido vai fazer todo mundo no cassino parar o que está fazendo
e olhar pra você.

—Acho que vou mesmo. Ele parece perfeito. -Eu sorrio, sentindo um
misto de animação e nervosismo.

Com o vestido em mãos, vou para o provador e fecho a cortina atrás de mim.
Ao colocá-lo, sinto o tecido suave se ajustar ao meu corpo, marcando cada
curva de forma impecável. O tomara que caia realça meus ombros e o
pescoço, enquanto o pedaço de tecido pendurado adiciona um toque único
que faz o vestido parecer ainda mais especial. Saio do provador e olho para
Mads, que já está esperando ansiosamente do lado de fora.

—E aí? O que você acha? -pergunto, dando uma volta para que ela possa
ver o vestido por completo.

Mads faz uma cara de surpresa e começa a bater palmas de forma exagerada.
—Puta que pariu que mulher é essa?! Você tá maravilhosa!! Esse vestido
parece que foi feito pra você. Vinnie vai ter que ficar de olho em você em
relação aos outros caras, hein!

Dou uma risada, meio tímida, mas também satisfeita com a reação dela.

Quando Mads me incentiva a levar o vestido, olho a etiqueta e quase tenho


um infarto. O preço é muito mais alto do que eu esperava.

—Ai meu Deus, Madson! -digo, arregalando os olhos.- Esse vestido custa
700 dólares! Isso é muito caro!

Mads ri e balança a cabeça, tentando me tranquilizar.

—Olha, Yas... realmente, é caro pra karalho pra um vestido. -Ela admite,
mas logo em seguida, sua expressão se torna mais séria e compreensiva.-
Mas parando pra pensar, a herança que seu pai deixou pra você é uma grana
alta do cacete. E sem contar que faz tempo que você não compra uma roupa
tão boa e linda desse jeito. -Ela tenta me convencer, sua voz calma e
ponderada.

Fico parada por um momento, ponderando o que Mads disse. Ela tem razão.
Faz muito tempo que eu não compro algo assim para mim, algo que me faça
sentir bem e confiante. Além disso, a herança do meu pai é uma segurança
financeira que eu não devo ignorar, e gastar um pouco em algo especial não
vai me fazer mal.

—Tá bom, você me convenceu! -Suspiro, finalmente cedendo, mas com


um pequeno sorriso nos lábios.- Vou levar o vestido!

—Isso aí, amiga! Você merece se sentir incrível!! -Mads dá um sorriso


largo, satisfeita com minha decisão.

Antes que eu pudesse ir para o provador tirar o vestido, Mary, a tia da Mads
e dona da loja, aparece do nada, seus olhos brilhando de entusiasmo quando
me vê com o vestido.

—Oh, Yasmim, minha querida! -ela exclama, dando um sorriso largo.-


Esse vestido ficou perfeito em você! Antes de tirá-lo, eu tenho o sapato
perfeito para combinar com ele!

Mary rapidamente desaparece para os fundos da loja, e eu troco um olhar


curioso com Mads. Em poucos segundos, ela volta com uma caixa preta e
elegante nas mãos. Mary entrega a caixa para mim com uma expressão
orgulhosa.

—Abra e veja por si mesma! -ela diz, praticamente explodindo de


empolgação.

Com cuidado, abro a caixa e meus olhos se arregalam ao ver o par de salto
alto branco dentro. Os sapatos são simplesmente deslumbrantes, com
detalhes brilhantes que captam a luz de uma forma quase mágica.

—Nossa... são lindos!! -digo, sem conseguir esconder minha admiração.

Mary sorri com satisfação, claramente contente com a minha reação.

—Eu os fiz à mão, uma edição especial que tem pouquíssimos modelos
como este. Espero ter acertado seu número! -ela revela, lançando-me uma
piscadela.- Estava esperando por um momento especial, e aí está! -Ela
aponta orgulhosamente para mim.- Você está maravilhosa, querida!

Eu fico sem palavras por um momento, completamente encantada com o


sapato.

—Leve-os, é por cortesia da casa! -Mary insiste.

Minha primeira reação é balançar a cabeça em recusa.

—Não, eu não posso aceitar! -gaguejo.- Eles são perfeitos demais, devem
custar uma fortuna!

Mads dá uma risada suave e coloca uma mão no meu ombro.

—Yas, leve-os! Você precisa estar linda para ser a acompanhante de


Vinnie! -ela diz com um sorriso simples nos lábios, mas os olhos dela
brilham de animação.
Eu olho para o vestido e para os sapatos novamente, sentindo o coração
aquecer com a generosidade de Mary e o incentivo de Mads. Finalmente,
cedi aos pedidos.

—Tudo bem, eu aceito! -digo, sorrindo agradecida.- Muito obrigada,


Mary! E você também, Mads. Vocês são as melhores!

Mary bate palmas, claramente feliz por eu ter aceitado.

—Nada me deixa mais feliz do que ver minhas criações sendo usadas por
alguém especial, Yasmim. Agora, vai lá, aproveite o evento e arrase!

Eu dou um abraço apertado em Mary e um sorriso para Mads antes de voltar


para o provador, ainda maravilhada com a surpresa. Com o vestido e os
sapatos agora garantidos, me sinto pronta para o evento que se aproxima.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

———
Tirei o vestido da SHEIN amigas 😘

Vocês podem imaginar o vestido da forma que vocês quiserem! Não precisa
ser especificamente esse vermelho, mas eu acho que seria legal vocês
imaginarem assim!
Capítulo 62
Era quinta-feira à noite, e o clima frio parecia ter invadido meu quarto. Eu
estava assistindo um filme, tentando relaxar um pouco, quando meu celular
vibrou ao meu lado. Era Kio.

—Oi, Yas! Em dez minutos, passo aí para te pegar. Vamos pro casarão,
temos uma reunião lá com o Vinnie e o pessoal. -ele falou com a voz suave
de sempre. Suspirei, sentindo uma mistura de curiosidade e ansiedade.
Sabia que essas reuniões sempre significavam algo grande.

Levantei-me da cama, trocando meu pijama por uma calça preta e um


moletom branco. O conforto era minha prioridade, afinal, essas reuniões
sempre duravam horas. Desci as escadas até a porta da entrada e esperei por
Kio. Não demorou muito até que eu visse as luzes do carro dele brilhando
na frente da minha casa.

—Eai, gata! Pronta?! -Ele abriu a porta do carro com aquele sorriso fofo de
sempre

—Estou Sim! Mas afinal, sobre o que é essa reunião?!-respondi, tentando


esconder o frio na barriga.

—Reggie vai explicar tudo certinho, mas não se preocupa, não é nada
demais! -ele disse sorridente

O caminho até o casarão foi tranquilo, mas assim que chegamos, notei algo
diferente. A casa estava cheia. Muito mais cheia do que o habitual.
Membros da gangue de Vinnie estavam por todos os lados, conversando,
fumando, rindo alto. O cheiro forte de maconha no ar fez meu nariz coçar,
mas tentei não parecer tão incomodada.

Kio, sempre atento, me guiou pela multidão até uma enorme mesa de jantar,
que parecia ser o ponto de encontro para todos. Quando nos aproximamos,
senti todos os olhares sobre mim, o que me deixou ainda mais
envergonhada. Sentei-me em uma das cadeiras, tentando não fazer contato
visual com ninguém. Foi aí que vi Vinnie e Reggie entrando no ambiente.

Sobre a mesa, vi plantas de algum edifício que não reconheci de imediato e


dois mapas detalhado da rota.

Vinnie ficou em pé ao meu lado, o que me trouxe um pouco de alívio. Ele


não disse nada, mas sua presença firme era reconfortante em meio a tantos
rostos desconhecidos. Reggie começou a falar, mas minha mente ainda
estava focada na quantidade de gente ali, no quanto aquilo parecia maior do
que eu imaginava.

Reggie ajeitou alguns papéis que estavam sobre a mesa e soltou um longo
suspiro, como se estivesse prestes a dar uma aula. Ele me olhou
diretamente, depois para Vinnie, e começou a explicar.

—Escuta bem, Yas, Vinnie. Não é tão complicado, mas tem que ser
convincente pra karalho. Lá no cassino, vocês dois vão precisar agir como
se fossem um casal de verdade. Nada de timidez, Yas. Quero vocês de mãos
dadas o tempo todo, mão na sua cintura, abraçar, dar beijos... aquelas
merdas que vocês fizeram no leilão, só que dessa vez com mais intensidade.

Senti meu rosto esquentar ao ouvir aquilo, e Kio, que estava ao meu lado,
deu uma risadinha. Claro que ele ia achar graça da situação, como sempre.
Vinnie, por outro lado, apenas sorriu de lado, como se isso não fosse
novidade nenhuma.

—E nada de fazer só o básico, ok? Lá vai estar cheio de magnatas,


mafiosos... gente filha da puta que percebe até a mínima hesitação. Se
alguém desconfiar que vocês não estão realmente juntos, vai ser um
problema do karalho. Então, caprichem no teatro. Quero ver vocês trocando
olhares, sorrisos, carícias. Qualquer merda que esses caras fazem quando
estão com suas namoradas.

Reggie pausou por um momento, olhando para nós como se quisesse


garantir que cada palavra estava sendo absorvida.
—O mais importante é: vocês precisam parecer perfeitos, sem nenhuma
dúvida de que são um casal apaixonado. Isso vai manter a atenção em vocês
e longe do que a gente vai estar fazendo. Entendido?!

Eu balancei a cabeça, tentando parecer confiante, mas por dentro já


começava a me sentir nervosa de novo. Vinnie, por outro lado, não parecia
se incomodar. Ele apenas deu de ombros e disse, de forma tranquila:

—Já fizemos isso antes. Vai ser moleza.

Eu engoli em seco, sentindo o peso do que estava por vir.

Reggie pegou um dos mapas e uma planta do edifício que estavam sobre a
mesa, e então sua expressão ficou séria. Ele bateu o dedo no mapa e olhou
ao redor, enquanto todos os membros da gangue se aproximavam, prestando
mais atenção.

—Ouçam bem, porque eu não vou explicar essa porra duas vezes! -
começou ele, a voz rouca e firme.- Enquanto Yas e Vinnie estiverem
distraindo todo mundo no cassino, o resto de nós estará em missões
diferentes, espalhados por cidades próximas. Vamos nos separar em grupos.

—O grupo A vai para o outro lado da cidade, onde está o maior banco do
país. -Ele apontou para uma área do mapa- Aquele filho da puta guarda
mais de dois bilhões de dólares. Vocês vão entrar, pegar o que der, e sair
sem deixar rastros. Vai ser à noite, com a segurança focada no cassino.
Temos uma janela de tempo curta, então sem erro!!

—O grupo B, C e D vão se dividir pelas cidades vizinhas. -Reggie então


indicou outras partes do mapa- Assaltos a caixas eletrônicos, bancos
menores, carros fortes, tudo o que puderem pegar. Enquanto isso, toda a
polícia estará ocupada com o evento do cassino, porque, claro, são todos
uns corruptos do caralho! -Ele deu um sorriso cínico.

Eu olhava para o mapa, tentando processar tudo. Enquanto eu e Vinnie


estaríamos lá, tentando parecer um casal feliz e apaixonado, o resto deles
estaria se arriscando nessas missões.
—Assim que o alerta de assalto for emitido, os policiais vão ter que se
arrastar até o local do crime. Eles estão todos a meia hora de distância. Isso
nos dá tempo suficiente pra pegar a grana e desaparecer.

Reggie nos encarou, esperando que todos tivessem entendido. O peso do


plano caiu sobre mim de uma vez, e eu olhei para Vinnie, que estava calmo,
como se fosse mais um dia comum. Eu, por outro lado, sabia que estava
entrando em algo muito maior do que imaginava.

Conforme Reggie continuava a explicar o plano, o peso da situação


começou a me atingir de verdade. A ideia de estar envolvida, mesmo que
indiretamente, em um assalto, fazia meu coração acelerar. Sem pensar
muito, agarrei o braço de Vinnie discretamente, e ele me olhou por alguns
segundos. Ele percebeu a minha preocupação, mas não disse nada, apenas
apertou minha mão em silêncio. Sabia que não havia muito o que ele
pudesse falar para me tranquilizar nesse momento.

[...]

As horas se arrastaram, Reggie explicando cada detalhe do plano, e depois


de longas duas horas de reunião, os membros da gangue começaram a se
dispersar. Um por um, todos saíam, até que a casa foi esvaziando. Vinnie
subiu para o andar de cima, e eu o segui, sem saber exatamente o porquê.

Ele entrou em um dos quartos e, ao acender a luz fraca, notei que o


ambiente era um pouco escuro, com uma vibe meio sombria. Vinnie foi
direto para um monitor no canto do quarto e o ligou. Eu fiquei parada por
um momento, observando-o mexer com o equipamento. Pelo visto, ele ia
jogar algum jogo online.

—Vinnie? -Eu o chamei, mas ele não respondeu, apenas continuou


mexendo no jogo. Suspirei e tentei de novo.- Vinnie?!

Ele me ignorou completamente, focado em ganhar sua partida de Valorant.


Aparentemente, não tinha interesse nenhum em me dar atenção agora.
Aquilo me deixou um pouco irritada, então, decidi incomodá-lo.
Cheguei mais perto e comecei a cutucá-lo de leve no braço, repetindo seu
nome várias vezes.

—Vinnie, Vinnie! Vinniezinho, Vinnie... -Continuei com o dedo


indicador, cutucando seu braço insistentemente, na intenção de irritá-lo.-
Vinnie! Vinnie?! Vinnie!!

Ele soltou um suspiro longo, claramente irritado, e olhou para a tela,


percebendo que havia perdido a partida por minha causa.

—O que foi, karalho?! -ele resmungou, visivelmente chateado.

-Poxa, você ficou bravo? -retruquei, provocando-o com um sorriso


debochado. Vinnie riu de forma irônica, e antes que eu pudesse reagir, ele
me puxou pela cintura e me colocou no seu colo com facilidade. Meu rosto
esquentou, e antes que eu pudesse falar algo, ele colocou o fone de ouvido
de volta e iniciou outra partida, como se nada tivesse acontecido.

Aquele gesto foi inesperado, mas, ao mesmo tempo, parecia tão natural para
ele. Fiquei ali, no seu colo, sem saber o que dizer, enquanto ele voltava a
jogar, totalmente focado.

—Vincent! Eu estou falando sério! -me irrito- presta atenção!

O loiro finalmente para de jogar e presta sua atenção em mim

—Você não me disse que nós seríamos uma "distração" para os seus
homens fazerem coisa errada por aí! -cruzei meus braços

—Isso não é nada demais, relaxa. -ele disse simples, como se já tivesse
acostumado com isso

mas é claro que não é nada demais, afinal, quem nunca assaltou o maior
banco do país?!

—Isso não é certo, Vincent!

—Por que você tá tão preocupada? A gente nem vai estar metidos nisso.
Cerro meus olhos enquanto o encarava. Hacker começa a intercalar seu
olhar entre meus olhos, minha boca e cada detalhe do meu rosto

—Para de me olhar assim! -digo com vergonha

—Assim como? -ele encara meus lábios, sinto meu rosto esquentar

—YAS! QUER QUE EU TE LEVE PRA CASA?!! -Ouço Dylan gritar do


outro lado da porta

—Eu já vou!! -grito

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 63
A semana se arrastou como se os dias fossem séculos. A ansiedade estava
cada vez mais presente, e eu mal conseguia pensar em outra coisa que não
fosse o evento no cassino. Já era tarde quando voltei da manicure, ainda
processando o fato de que logo estaria envolvida naquela missão.

Meu celular vibrou, e ao atender, a voz animada de Avani preencheu o ar.

—Oi, Yas!! Eu consegui achar aquela pulseira que eu te falei ontem! Às


17h30 eu e Mads vamos passar na sua casa pra te ajudar a ficar lindona!

Na noite anterior, eu, Avani e Mads tínhamos ido a uma pizzaria, rindo e
tentando esquecer por um momento o que viria pela frente. Agora, elas
estavam prontas para me ajudar a me arrumar para o evento. Desliguei o
telefone com um sorriso no rosto, apesar da tensão.

Assim que cheguei em casa, decidi tomar um banho longo e relaxante. Fiz
hidratação no cabelo e cuidei da pele com todos os produtos que encontrei.
Precisava de um momento de calma antes da tempestade. Depois de sair do
banho, sequei o cabelo e comecei a separar as coisas que iria usar: a roupa
que escolhi no shopping, os acessórios, os sapatos.

[...]

—E aí, gatinha! Tá preparada pra ficar uma grande gostosa pra hoje à noite
no evento?!
-Mads entrou empolgada pela porta, rindo alto como sempre.

—Isso mesmo! O Hacker vai ficar babando quando te ver!! -Avani falou
com confiança, piscando pra mim enquanto exibia a pulseira que tinha
encontrado. Ela estava sempre confiante e cheia de energia, o que fazia eu
me sentir um pouco mais segura.

Soltei uma risada, tentando disfarçar a ansiedade crescente. Agradecia por


ter minhas amigas ali comigo nesse momento. A gente conversou um pouco
e, em seguida, subimos para o meu quarto, onde todo o processo de
"transformação" começaria. Sabia que, ao final, elas fariam de tudo para
que eu estivesse impecável.

As meninas estavam espalhadas pelo meu closet, cada uma em sua tarefa.
Mads estava atrás de mim, concentrada em fazer babyliss nas pontas do
meu cabelo. Ela manuseava o aparelho com a habilidade de quem já tinha
feito isso inúmeras vezes. Enquanto isso, Avani estava em frente a mim,
aplicando a maquiagem com delicadeza e precisão. Era como se fosse um
ritual entre nós, e o ambiente estava cheio de risadas e perguntas curiosas.

—Mas então, me conta de uma vez! Como foi o Leilão com o Vinnie? Tá
todo mundo falando de vocês, até na mídia! -Mads soltou a pergunta
enquanto enrolava mais uma mecha de cabelo.

—É verdade! Vocês não saem das notícias! O que aconteceu de tão


especial? Ele te beijou na frente de todo mundo? -Avani, sempre a mais
direta, ria enquanto misturava cores de sombra em minhas pálpebras.

—Foi intenso... -Suspirei, um pouco envergonhada- A gente teve que fingir


ser um casal, igual no cassino agora. Todo mundo lá era milionário ou
mafioso, e o clima era super tenso.

Mads riu alto, soltando uma mecha de cabelo.

—Tá, mas vocês se beijaram ou não? Fala logo!

—Sim, claro que nos beijamos! Tinha que ser convincente, né?! -Respondi,
rindo também, enquanto me lembrava do momento.

Avani arqueou uma sobrancelha enquanto aplicava um batom vermelho em


meus lábios.

—Ele deve ter adorado essa parte do disfarce.

—Foi estranho no começo, mas ele entrou no papel rapidinho. Acho que o
Vinnie tá mais acostumado com essas situações do que eu!
Assim que as duas terminaram de me arrumar, fui me trocar, colocando o
vestido que havia escolhido. Não tive problema em me vestir na frente
delas, era algo normal entre nós. Enquanto calçava meus sapatos, Mads e
Avani vasculhavam meu closet à procura de um perfume.

—Olha esse aqui, combina com a noite! -Mads encontrou uma fragrância e
ergueu o frasco, examinando-o com cuidado.

—Meu Deus, você está perfeita!! -Avani exclamou assim que me olhou,
surpresa com o resultado.

—Esse vestido não ficou muito curto? -Perguntei, um pouco insegura. Me


virei de lado, me analisando no espelho.

—Claro que não! Você está maravilhosa, Yas!! -Mads respondeu com
confiança, fechando o zíper da bolsa que tinha pegado pra mim.

Antes que eu pudesse responder, o som de buzinas ecoou lá fora. Meu


coração acelerou.

—Ai meu Deus! Ele chegou!! -Disse, nervosa.

—Fica calma, amiga! Vai dar tudo certo. -Avani falou, pegando minha bolsa
e me entregando com um sorriso tranquilizador.

—Boa sorte!! -As duas disseram ao mesmo tempo, rindo enquanto me


empurravam levemente para fora do quarto.

Com um último olhar no espelho, saí para encontrar Vinnie, tentando


acalmar os nervos que agora borbulhavam dentro de mim.

Ao chegar no portão de casa, vejo Vinnie escorado em uma Lamborghini


Aventador de cor preta.

—Puta que pariu, você tá perfeita, Alles!! -O loiro disse hipnotizado

—Boa noite, Vincent! -disse andando em sua direção- você fica uma
gracinha dentro desse terno! -disse o cumprimentando com um selinho
Hacker segura em minha cintura e me analisa dos pés a cabeça

—Karalho, Yasmim! -ele disse incrédulo, não conseguindo esconder seu


sorriso

—Está preparado para ser O casal de Konzen? -perguntei ajeitando seu


terno

—Eu estou sim, e você, Senhora Hacker? -O loiro disse se aproximando


ainda mais de mim, colocando sua mão em minha nuca e me puxando para
um beijo mais profundo

Eu o impeço de continuar antes que meu batom borrasse e manchasse o


rosto de Vinnie

—Ops.. -murmurei limpando um borradinho de bato que ficou no canto


de sua boca

Vinnie abre a porta do carro para que eu entrasse, e assim que a porta do
carro foi aberta, vejo que o interior do carro era vermelho

—Ai meu Deus! Esse carro é lindo!! -falei encantada

—Gostou? -ele disse se sentando ao meu lado no banco do motorista- ele


combinou com seu vestido!

Vinnie da a partida no carro e fomos em direção do evento.

[...]

Assim que descemos do carro, o cenário parecia saído de um filme. A


entrada do cassino era deslumbrante, com seus altos pilares brancos e o
tapete vermelho se estendendo até a porta, dando um toque de sofisticação e
charme. Ao redor, cercas de segurança mantinham os paparazzi afastados,
mas isso não impedia que os flashes disparassem sem parar, iluminando a
noite.

Vinnie jogou a chave do carro para o manobrista com uma confiança


habitual, enquanto eu, de certa forma, ainda tentava me acostumar com tudo
isso. Assim que coloquei os pés fora do carro, fui imediatamente cegada
pelas luzes incessantes das câmeras, o que me deixou um pouco
desconfortável. Os paparazzi estavam por toda parte, tentando capturar cada
detalhe do momento, o que dificultou minha visão.

Percebendo meu incômodo, Vinnie rapidamente segurou minha mão,


entrelaçando nossos dedos, me guiando pelo tapete. Com ele ao meu lado,
logo fui me acostumando com os flashes. Havia uma certa segurança em
sua presença, algo que me fez relaxar um pouco mais.

—Quer parar pra tirar foto? -Vinnie sussurrou em meu ouvido enquanto
continuávamos andando pelo tapete.

—Claro, pode ser! -respondi, tentando parecer mais à vontade do que


realmente estava.

Paramos perto da entrada, e, com um gesto rápido, Vinnie colocou a mão


firme em minha cintura, me puxando para mais perto dele. Os flashes
aumentaram imediatamente, e parecia que os paparazzi tinham triplicado.
Eu mal podia ver seus rostos por causa das luzes, mas era claro que eles
estavam completamente interessados em descobrir quem era a "misteriosa
senhora Hacker".

Posamos para algumas fotos, Vinnie sempre com aquele sorriso


despreocupado, enquanto eu tentava me concentrar em não parecer nervosa.
Depois de alguns segundos, finalmente entramos no salão principal.

—Agora que eles sabem quem você é, vão enlouquecer! -ele disse, rindo
levemente.

—Pois é! -respondi, também rindo um pouco, ainda segurando sua mão


enquanto olhava ao redor, impressionada com o tamanho e a sofisticação do
salão de jogos.

As luzes, o som das fichas sendo jogadas nas mesas e o murmúrio de vozes
preenchiam o ambiente. O evento era luxuoso, com as maiores figuras da
elite presentes. Eu sabia que estávamos prestes a encarar uma noite longa e
cheia de surpresas.
O cassino era deslumbrante e exalava luxo em cada detalhe. Lustres
gigantes pendiam do teto, iluminando o salão com um brilho dourado que
parecia ter custado uma fortuna. As mesas de apostas, espalhadas pelo
ambiente, estavam cheias de magnatas e figuras poderosas, enquanto as
máquinas de jogos piscavam com luzes chamativas. Bares elegantes
serviam drinks sofisticados, e garçons passavam com bandejas repletas de
coquetéis finos. O ambiente era sofisticado, respirando riqueza e
exclusividade, tornando claro que só os mais influentes estavam presentes.

Ao entrarmos no salão, fomos imediatamente recebidos por Leonard


Konzen, o dono do cassino em pessoa. Seu sorriso largo e animado deixava
claro que ele estava satisfeito em nos ver, afinal, éramos os convidados de
honra da noite.

—Vincent, Yasmim! Como é bom vê-los! -Leonard disse animado, vindo


nos cumprimentar com um drink azul na mão, vestindo um terno impecável.

—Leonard! Que prazer estar aqui, cara! -Vinnie respondeu com um


sorriso confiante, cumprimentando-o calorosamente.

—Depois daquele espetáculo no meu leilão, não pude deixá-los de fora


deste evento. Sintam-se à vontade, e se precisarem de algo, é só me chamar!
-Konzen disse enquanto dava leves tapinhas nas costas de Vinnie,
mostrando sua satisfação em nos ter ali.

Eu e Vinnie começamos a caminhar pelo salão, procurando uma mesa para


apostar. Logo, ele se sentou em uma mesa cheia de homens que pareciam
ser muito ricos, alguns dos quais ele já conhecia. Não havia cadeira
sobrando, então fiquei de pé atrás dele, minhas mãos acariciando sua nuca
enquanto observava.

A partida foi iniciada, e Vinnie, com sua típica confiança, apostou uma
quantia considerável no número 14. Os outros homens na mesa também
faziam apostas altas, criando uma atmosfera tensa e cheia de expectativa. O
croupier, responsável por girar a bolinha e cuidar das apostas, fez o giro e,
para a decepção de Vinnie, o número que saiu foi o 16. Vinnie soltou uma
risada curta, divertido por ter perdido, e sem hesitar, decidiu apostar
novamente, dessa vez no número 69.
O jogo rolou mais uma vez, e para a nossa surpresa, Vinnie ganhou a
rodada, levando duzentos mil dólares em uma única jogada! Arregalei os
olhos, espantada com a quantia absurda que ele acabara de ganhar.

Antes que eu pudesse comemorar com ele, vi Leonard Konzen,


acompanhado por alguns seguranças, marchando furiosamente em nossa
direção.

—Ei! Saia daí agora! -Leonard gritou, apontando para um homem sentado
ao lado de Vinnie. Eu fiquei completamente confusa enquanto ele se
desculpava, dizendo: -Me perdoe, Yasmim!

"O que está acontecendo?" pensei, sem entender nada.

—Saia já daí! Não está vendo o que está fazendo, seu imbecil!! -Leonard
continuou.- Está deixando a senhora Hacker em pé! -O homem se levantou
rapidamente, visivelmente nervoso.

—Prontinho, minha querida. Sente-se! Mais uma vez, peço desculpas por
esse incômodo! -disse Konzen, agora mais calmo, me indicando a cadeira.

Ainda chocada, me sentei na cadeira que foi desocupada para mim, sem
nem saber como reagir. Não estava realmente incomodada por estar de pé,
mas foi uma cena surreal. Vinnie, percebendo a situação, riu e se inclinou
para mim, sussurrando:

—Porra, o próprio Konzen veio pessoalmente brigar com o cara pra você
se sentar. -Ele riu mais uma vez e voltou para o jogo, enquanto eu tentava
processar tudo aquilo.

[...]

Algumas horas já haviam se passado, Vinnie e eu decidimos ir até o bar


mais próximo da mesa de apostas.

—Boa noite, casal! O que vão querer beber? -o barman moreno nos
atendeu com um sorriso simpático.
—Um whisky com gelo, e pra ela um refrigerante. -Vinnie respondeu,
examinando as bebidas expostas atrás do balcão.

No entanto, o barman simplesmente o ignorou, fixando os olhos em mim.

—E o que seria pra você, bela dama? -ele disse, claramente flertando
comigo na frente de Vinnie.

Meu rosto corou imediatamente, desconcertada com a situação. Não sabia


onde enfiar a cara, principalmente com Vinnie ao meu lado.

—E-eu vou querer um refrigerante, por favor! -gaguejei, tentando quebrar


o clima.

—É por conta da casa! -o barman disse, me jogando uma piscadela.

Vinnie, visivelmente furioso, me puxou rapidamente pela cintura antes que


eu tivesse a chance de pegar minha bebida. Sem dizer nada, ele me arrastou
até outro bar.

—O que foi, Vinnie?! -perguntei, irritada por não ter tido nem tempo de
pegar meu refrigerante.

—Aquele merda tava dando em cima de você, karalho! -ele disse furioso,
os olhos apertados de ciúme. Eu não consegui segurar a risada ao ver sua
expressão.

—Você fica tão lindinho quando está com ciúmes, amor! -provoquei,
sorrindo de canto, vendo como ele tentava se controlar.

Vinnie ainda estava irritado enquanto nos afastávamos do bar.

—Sério, Alles? O cara praticamente te secou na minha frente! Que porra


é essa?! -ele resmungava, os olhos faiscando de ciúmes.

—Calma, Vinnie, ele estava só sendo educado... ou tentando ser! -


respondi, tentando aliviar a situação.
—Educação é o karalho! Se ele te olhar de novo, eu juro que quebro a
cara dele!! -ele respondeu, cruzando os braços, claramente incomodado.

Eu sorri, tentando acalmar o clima.

—Você fica tão bonitinho quando está com ciúmes! -provoquei


novamente, e dessa vez ele suspirou, revirando os olhos.

—Não me provoca, Yasmim. -ele respondeu, com um meio sorriso.

Tentando distraí-lo, puxei Vinnie para uma mesa de cartas que estava
começando a se formar. Ele me seguiu, ainda balançando a cabeça com os
ciúmes, mas aceitou a distração. Nos sentamos e começamos a nos preparar
para o jogo.

—Não vai jogar? -Vinnie perguntou, com uma sobrancelha arqueada.

—Eu não tenho dinheiro... -sussurrei, rindo.

Vinnie soltou uma gargalhada, tirando uma pilha de fichas do bolso e


colocando-as ao meu lado.

—Agora tem. -ele disse, sorrindo de lado.

O primeiro jogo começou. Era um jogo de pôquer, e todos os homens ao


redor da mesa pareciam experientes. Vinnie apostou agressivamente logo
no início, colocando muitas fichas em jogo, enquanto eu tentava ser mais
cautelosa, apenas apostando pequenas quantias. No entanto, após algumas
rodadas, nós dois perdemos quando outro jogador revelou um full house.

—Droga. -Vinnie disse baixinho, esfregando a nuca.

No segundo jogo, eu comecei a entender melhor as regras, mas mesmo


assim, a sorte não estava ao meu lado. Eu tinha um par de ases, e pensei que
dessa vez poderia vencer, mas outro jogador conseguiu um straight, e lá se
foram mais fichas.

Resumindo os próximos três jogos: no terceiro, Vinnie apostou pesado


novamente, só para perder para um flush. No quarto, todos os jogadores
estavam mais agressivos, e perdemos para um jogador com um par de reis.
E no quinto, um blefe mal-sucedido fez Vinnie perder uma boa quantia,
enquanto eu jogava de forma mais conservadora, mas não adiantou, perdi
novamente.

No final das contas, não ganhamos nenhuma rodada, mas eu não consegui
parar de rir da situação.

—Acho que somos péssimos nisso! -comentei, olhando para Vinnie, que
agora ria junto comigo.

—É, talvez o cassino não seja nosso forte! -ele respondeu com um sorriso
cansado.

Depois de perder algumas rodadas nas cartas, eu e Vinnie decidimos dar


uma volta pelo salão. A música suave, o tilintar de copos, e o murmúrio das
conversas criavam uma atmosfera sofisticada, mas ao mesmo tempo
animada.

Enquanto caminhávamos, um homem grisalho chamou por Vinnie.

—Vincent! Como é bom te ver, rapaz!


-ele disse, sorrindo de orelha a orelha. Quando nos aproximamos, percebi
que era um grupo de homens de meia idade, todos muito elegantes e
claramente conhecendo bem Vinnie.

—Olha só quem está aqui! -outro homem exclamou, levantando um copo


de whisky.- A última vez que te vi, você ainda trabalhava pro seu pai, né?

Vinnie sorriu com confiança, balançando a cabeça.

—Sim, sim! Mas isso já faz tempo, Borges. Criei minha própria empresa
agora! -ele respondeu com o mesmo tom tranquilo de sempre, mas havia
um certo orgulho em sua voz.

—Isso mesmo! Ouvi falar de seus últimos negócios, Vincent. Você está
indo muito bem, hein? -um terceiro homem comentou, acendendo um
charuto enquanto lançava um olhar de aprovação para Vinnie.
—Estou me virando. Não posso reclamar. -Vinnie disse, com aquele
sorriso de canto que era tão característico dele.

Borges, o homem que o havia mencionado primeiro, sorriu.

—Seu pai ficaria orgulhoso. Sempre disse que você tinha visão para os
negócios.

Vinnie riu, mas dessa vez com um pouco de nostalgia.

—Eu aprendi muito com ele, com certeza. Mas às vezes, é preciso seguir
o próprio caminho, certo?

Os homens ao redor concordaram com sons de aprovação.

—Claro, claro! E você fez isso muito bem. Ouvi dizer que está se
expandindo, investindo em... outros setores? -um dos homens sugeriu, com
um sorriso malicioso, indicando que sabia mais do que estava sendo dito.

Vinnie riu de novo, mas dessa vez seu tom era mais reservado.

—Estou sempre aberto a novas oportunidades. Mas sabe como é...


discrição é a chave.

O grupo riu com ele, claramente entendendo o recado. A conversa


continuou em um ritmo descontraído

Eu me mantive em silêncio ao lado de Vinnie, observando a maneira como


ele lidava com os homens, equilibrando charme, respeito e uma certa dose
de mistério. Era fascinante ver como ele se movia nesse mundo com tanta
facilidade, como se pertencesse a ele.

Depois de conversarmos com os homens, decidimos voltar para os jogos,


mas dessa vez fomos para as máquinas de fliperama, buscando algo mais
descontraído. Vinnie, competitivo como sempre, se jogou em uma das
máquinas, determinado a vencer.

Depois de algumas tentativas frustradas, ele perdeu novamente.


—Puta que pariu, eu não ganho nada nessa porra! -ele reclamou,
claramente estressado, e deu um soco na lateral da máquina. O barulho
ecoou no salão, mas ele não parecia se importar, só queria ganhar. Eu, por
outro lado, não conseguia parar de rir. Ele estava tão irritado que nem ligava
se fosse quebrar a máquina no soco ou não.

—Relaxa, amor, é só um jogo! -falei, tentando acalmá-lo, mas Vinnie só


bufou, seus olhos fixos na tela. Cada vez que ele perdia, a frustração
aumentava, e eu só conseguia achar graça na situação, vendo o quão
competitivo ele ficava mesmo em algo tão simples quanto um fliperama.

[...]

Já era de madrugada, e o cassino ainda estava fervendo. Depois de várias


tentativas frustradas e algumas máquinas quase destruídas pela raiva de
Vinnie, a sorte finalmente virou para o lado dele nas mesas de pôquer. Eu,
por outro lado, já tinha desistido de jogar—cansada de perder e sem a
paciência que ele tinha para continuar. Resolvi apenas assistir.

Vinnie estava pegando o ritmo do jogo, e a cada rodada, sua pilha de fichas
aumentava. Ele ganhava uma partida atrás da outra, e logo, uma pequena
multidão se formou ao redor da mesa, todos interessados em assistir o loiro
ganhar grandes quantias. O clima era de tensão, mas Vinnie parecia
completamente à vontade, como se estivesse no seu habitat natural.

—Caramba, ele está levando tudo!! -ouvi alguém murmurar atrás de mim
enquanto a rodada se desenrolava.

Vinnie apostou uma quantia alta novamente, e com um sorriso de canto,


mostrou suas cartas. A mesa se agitou enquanto ele recolhia sua vitória de
mais de trezentos mil dólares. Eu só conseguia observar, espantada com a
facilidade com que ele virava o jogo a seu favor.

—Você está impossível hoje, hein? -comentei rindo, me inclinando para


perto dele, que apenas deu de ombros, confiante.

—Hoje a sorte é minha, baby. -ele disse, piscando para mim antes de
focar na próxima rodada.
—Mas não foi você mesmo quem disse há algumas horas atrás que o
cassino não era nosso forte, meu amor? -o provoquei

O loiro apenas riu sarcástico e iniciou outra partida.

—Ora, ora! Então quer dizer que é verdade? Meu convidado de honra está
derrotando todo mundo, hein?! -Konzen surgiu com outros dois seguranças
atrás dele

—Estou fazendo o que posso, Leonard! -hacker deu uma leve risada sem
tirar sua atenção

—E você, Yasmim? Está satisfeita? Quer algo a mais?

—Eu estou bem, obrigada!

—Não vai jogar? Tem mais um espaço sobrando ali! -Leonard aponta
para uma cadeira vazia na mesa ao lado

Decidi dar uma última chance para os jogos e me sentei na mesa ao lado,
onde o jogo era Blackjack. A atmosfera ali estava tensa, com os jogadores
observando as cartas com uma concentração absoluta. O croupier distribuía
as cartas com movimentos rápidos e precisos, e o som das fichas sendo
apostadas preenchia o ambiente.

Respirei fundo, tentando controlar a ansiedade. Na primeira rodada, recebi


um ás e um rei — vinte e um perfeito! Olhei para o croupier, que me deu
um pequeno aceno enquanto os outros jogadores mostravam suas mãos
perdedoras. Minha pilha de fichas cresceu, e o coração começou a bater
mais forte.

Na segunda rodada, apostei um pouco mais alto, meu coração acelerando


quando vi as cartas — um oito e um três. Decidi pedir outra carta, e com
um misto de coragem e sorte, recebi um dez, somando vinte e um
novamente. Não podia acreditar! Mais uma vitória.

Na terceira rodada, minha confiança já estava em alta. Apostei uma quantia


ainda maior, e quando as cartas foram distribuídas, segurei a respiração.
Meu total estava em quinze, então pedi mais uma carta. Para minha
surpresa, recebi um seis, totalizando vinte e um pela terceira vez
consecutiva!

—Nossa... -sussurrei, ainda atordoada, olhando a pilha de fichas que


agora havia se formado ao meu lado. Em menos de meia hora, eu tinha
acumulado 650 mil dólares em vitórias.

Eu ouvia palmas e assobios atrás de mim a cada vitória, entre eles, estavam
Vinnie e Leonard aparentemente orgulhosos.

—Você viu o que eu fiz, amor? -falei empolgada enquanto corri para
abraçar Vinnie

—Você foi incrível! -o loiro me da diversos selinhos

650 mil, caramba... eu podia jurar que o máximo que eu ganharia seria mil
dólares ou até menos!

—Vocês são um casal de sorte! -Leonard comento com uma bebida em


mãos- seu pai ficaria orgulhoso ao ver o homem com quem você se casou!

—Tem razão! -disse simples

—Já está tarde. -Vinnie disse conferindo em seu relógio- a noite foi muito
boa! Mais uma vez, muito obrigada pelo convite, Leonard! Foi um prazer! -
Vinnie disse estendendo sua mão para se despedir de Konzen

—Imagina! Eu que tenho que agradecer, vocês fizeram toda a diferença


essa noite! -Leonard aperta a mão de Vinnie

Eu e Vinnie nos retiramos do Cassino as 2:14 da manhã, ambos estávamos


cansados pelo dia agitado de hoje, mas esta noite compensou, hein! Quem
diria, eu ganhar mais de meio milhão em uma noite!

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


———

Estão preparados para o capítulo de amanhã?


Capítulo 64
Pov — Vincent Hacker

Eu e Yasmim já estávamos na estrada há uns dez minutos. Pra variar, essa


merda de gasolina acabou. Por sorte, eu tinha visto um posto não muito
longe quando estávamos indo pro cassino. Deve dar uns dois minutos daqui.

Tive que interromper o boquete dos Deuses que Alles faz, pra abastecer o
carro.

Estaciono o carro perto de uma das bombas, aquela gasolina premium que
essa porra de Lamborghini usa. Yasmim desce do carro logo em seguida,
com aquele jeitinho meio sem jeito.

—Tô apertada pra fazer xixi, será que tem banheiro ali? -ela pergunta.

Só balanço a cabeça e respondo:

—Deve ter, pode ir. Vou abastecer o carro. -Acendo um cigarro enquanto
ela entra na conveniência.

Fico ali em pé, colocando a gasolina no tanque, pensando na noite de hoje.


Foi uma noite daquelas. Cassino lotado, grana rolando solta. Eu ganhei uma
porrada de dinheiro, mas não era só isso que tava na minha cabeça. Toda
vez que olho pra Yasmim, não consigo parar de pensar em como ela mexe
comigo. Essa garota tem algo que ninguém mais tem, algo que me faz
querer ficar perto, mas também me deixa puto de tão confuso que fico.

Fico lembrando de como ela ficava me acariciando durante o jogo, a mão


dela na minha nuca, me acalmando quando a porra toda parecia estar saindo
do controle. É foda como ela consegue me deixar assim, meio mole, mas ao
mesmo tempo... eu olho pra ela e só me vêm uns pensamentos que, bom,
não são muito santos, se é que me entende. Aquele vestido que ela tava
usando, curto do jeito que eu gosto, me fez querer arrancar ele ali mesmo,
naquele cassino
Ela é minha. Quando aquele merda no bar ficou dando em cima dela, porra,
não consegui segurar. O sangue ferveu e quase fiz uma cena maior do que já
fiz. E agora tô aqui, no meio da madrugada, abastecendo essa porra de carro
e pensando nela. Pensando em como essa garota, mesmo me irritando de
vez em quando, consegue ser a única que me faz sentir algo diferente.

Dou uma tragada no cigarro e olho pro lado, esperando ela voltar.

Não demora muito e vejo Yasmim saindo da conveniência, passos rápidos,


meio desconfiados, olhando pros lados. Tinha alguma merda acontecendo.
Ela anda até o carro com uma cara péssima.

—Podemos ir? -ela fala, claramente nervosa. Mas que porra tá


acontecendo?

—Tá tudo bem, gata? -pergunto, soltando a fumaça do cigarro. Ela


responde rápido:

—Tá... tá tudo bem. -ela responde rápido

Mas é óbvio que não tá nada bem. Yasmim é péssima em mentir.

—Alles, Alles... me conta logo, vai. Não tinha banheiro lá dentro? É isso?
-Reviro os olhos, já perdendo a paciência.

—N-não é isso. Por favor, podemos ir? -ela gagueja nervosa, e abre a
porta do carro, sentando com as mãos no rosto, visivelmente abalada. Algo
aconteceu ali dentro, e foi sério.

—Me conta, porra! O que aconteceu? -me altero, porque não sou do tipo
que espera pacientemente. Ela suspira fundo, pensa por um segundo e
finalmente começa a falar.

—Quando eu entrei na conveniência, tinha um homem sentado atrás do


balcão do caixa. Perguntei se tinha banheiro, e ele apontou pra uma porta no
final do corredor. Quando fui até lá, a porta tava trancada. Quando me virei
pra pedir a chave, eu trombei com ele... ele estava praticamente colado em
mim... -ela pausa, e cada palavra dela me fazia querer sair do carro e matar
esse cuzão- Pedi a chave, mas ele disse que eu tinha que consumir algo ou
pagar. Meu dinheiro ficou na bolsa... aí ele passou a mão na minha bunda e
disse que eu podia pagar de outra forma...

Puta que pariu.

Meu sangue ferve, meu coração acelera, e a raiva cresce a cada palavra que
sai da boca dela. Eu vou matar esse filho da puta.

Olho pra Yasmim, o rosto dela cheio de medo e desconforto, e não consigo
me segurar.

—Fica. -digo autoritário

Solto o cigarro e fecho a porta do carro, deixando ela sozinha lá dentro.

Esse cara tá morto!

Entro na conveniência, e logo vejo aquele desgraçado de meia idade


praticamente deitado numa cadeira inclinada, com os pés na bancada e um
boné cobrindo a cara. Parece que tava dormindo.

Que merda de lugar.

—Ei! -chamo, tentando acordá-lo, mas ele nem se mexe. Respiro fundo,
já de saco cheio, e empurro os pés dele com força, derrubando o cara no
chão com um baque.

O desgraçado acorda no susto, se levanta rápido e furioso, batendo as mãos


na bancada.

—Qual foi, mané? Quer morrer, maluco?! -Ele grita, cheio de coragem.

Dou uma risada sínica, sem perder a calma.

—Tem isqueiro, amigo? -pergunto, com o tom despreocupado de quem já


sabe o que vai fazer.
—Filho da puta... -ele murmura, abaixando atrás do balcão para pegar o
isqueiro.

Pego o isqueiro da mão dele, e começo a andar pela loja, ignorando o idiota
que volta a se jogar na cadeira, achando que tava no controle. Enquanto
ando pelas prateleiras, percebo como o lugar é uma espelunca: produtos
vencidos, prateleiras vazias. Mas o que realmente chama minha atenção são
os galões de gasolina empilhados no final do corredor, num quartinho de
limpeza. Perfeito.

Sem pressa, pego um galão e começo a despejar gasolina pelas prateleiras e


pelo chão, espalhando o líquido sem qualquer cuidado. O terceiro galão eu
jogo com força em uma prateleira, derrubando produtos e fazendo uma boa
bagunça.

—Que cara chato!! -o frentista se levanta da cadeira, finalmente


percebendo a merda que estava prestes a acontecer.- O que você pensa que
tá fazendo, seu cuzão?!

Não respondo, apenas começo a rir e continuo derramando a gasolina por


todo o estabelecimento. A risada parece deixá-lo ainda mais nervoso.

—Se eu fosse você, eu parava com isso agora mesmo! -ele grita,
apontando uma espingarda na minha direção. Mas o desgraçado tava
tremendo tanto que mal sabia segurar a arma.

Suspiro, cansado dessa palhaçada, e avanço sem hesitar. Ele tenta atirar,
mas o idiota não sabia nem que a arma estava sem balas. Tiro a espingarda
da mão dele com facilidade e, sem pensar duas vezes, dou uma coronhada
com força na nuca dele. Ele apaga na hora, caindo como um saco de batatas
no chão.

Amarro o cara na cadeira, bem preso, e espero ele acordar. Quando


finalmente abre os olhos, o desgraçado se debate, desesperado.

—ME TIRA DAQUI, SEU FILHO DA PUTA!! -Ele berra, com a voz de
um bebê chorão, completamente patético.
Com um sorriso frio, me aproximo.

—O que foi? Não gostou? -pergunto, irônico, me divertindo com o pânico


dele.

Chego mais perto, e olho fundo nos olhos dele.

—Se lembra daquela mulher, gostosa pra karalho, que veio alguns
minutos atrás? É a minha mulher. -O homem fica pálido na mesma hora,
arregalando os olhos, como se tivesse visto um fantasma.

Isso me dá ainda mais raiva. Cerro os punhos e começo a socar a cara dele
sem piedade. Sangue espirra da boca e do nariz dele, e eu não paro. Os
grunhidos dele viram gemidos desesperados, e só então eu desacelero.

Olho pra faca que tá ali perto do caixa, e pego ela com calma, girando-a na
mão. Paro na frente dele, o desgraçado tremendo todo, com o rosto inchado
e ensanguentado, quase desmaiando de novo.

—Agora, eu vou te ensinar o que acontece quando você desrespeita a


minha mulher...

Sem pensar duas vezes, enfio a faca no abdômen do homem

—Desgraçado... -a voz dele chegava a falhar

Começo a rir de sua cara, giro a faca ainda presa em seu abdômen e ele
geme ainda mais de dor.

Deixo a faca cravada ali mesmo e pego o último galão de gasolina que tinha
ali perto.

—Para, por favor!! Eu prometo que nunca mais faço isso!! Eu n-não sabia
que ela era a s-sua mulher!! Para! -ele começa a de debater mais ainda na
cadeira enquanto eu o encharcava de gasolina

—Da próxima vez, coloque uma fralda, amigão! -disse ironicamente assim
que vi que o mesmo fez xixi nas calças
Jogo o galão já vazio, para longe. Pego o isqueiro que ele me deu e começo
a andar lentamente em direção da porta.

—Eu te vejo no inferno, filho da puta. -essas foram as últimas palavras que
eu disse antes de soltar o isqueiro aceso no chão, e, em questão de
segundos, tudo começa a pegar fogo

Enquanto eu andava para meu carro, conseguia ouvir os berros de agonia do


desgraçado. Ele mereceu.

Entro no carro e saio do posto. Assim que saímos, o posto de gasolina


inteiro explode

—Puta que pariu! -Yasmim diz olhando para trás ao ver que não restou nada
mais do que chamas no posto

—Você tá bem? -pergunto a encarando

—Sim! Parece que.. estou melhor agora, depois disso. Que estranho! -ela
disse rindo

Fico feliz em ouvir isso, eu sou capaz de destruir o mundo só pra salvar a
minha loirinha. Isso do posto não foi nada, praticamente.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 65
Pov — Yasmim Alles

Após o incidente no posto de gasolina, eu e Vinnie fomos encontrar os


meninos em um restaurante. Por incrível que pareça, havia uma pizzaria
aberta às três da manhã. Assim que chegamos em frente à pizzaria, Reggie e
Bryce nos receberam.

—Cara, foi muito foda! Você tinha que ter visto todo aquele dinheiro
voando quando explodimos aquele carro forte! -Reggie disse empolgado.

Bryce, então, notou a camiseta branca de Vinnie suja de sangue e


perguntou:

—Por que você tá com sangue na camisa, cara?

—Nada demais. -Vinnie respondeu com um sorrisinho irônico.

—Venham, venham! Vamos entrar! -Kio gritou animado da porta do


restaurante. Vinnie segurou minha mão e entramos de mãos dadas.

—Como tem um restaurante aberto às três da madrugada? Até onde eu


sabia, esse lugar fecha às onze da noite. -perguntei para o loiro

—Eu sou o dono, amor! -Vinnie me jogou um beijinho.

Na entrada, um cara que eu não conhecia veio cumprimentar Vinnie:

—E aí, cara! Como é bom te ver!!

—Jacob! Não sabia que você voltaria tão cedo! -Vinnie respondeu.

—Quem é essa gata aí? Tá solteira?! -o tal Jacob perguntou olhando para
mim.
Bryce colocou uma mão no ombro de Jacob e sussurrou para ele calar a
boca

—Foi mal, mano! Eu não sabia. -Jacob se desculpou com Vinnie enquanto
nos dirigíamos a uma das mesas.

Ao sentarmos, Vinnie e os meninos começaram a fazer os pedidos.

—Vamos de pizza então! O que vocês querem? -Reggie perguntou.

Enquanto os garçons anotavam os pedidos, Vinnie me deu um sorriso e me


deu a mão de novo, pegou em minha coxa e puxou minha perna para ela
ficar em cima a perna dele

—Em relação das sobremesas, vocês podem vir aqui dar uma olhadinha! -
um dos garçons guiou alguns dos meninos até uma mesa separada onde
havia diversos tipos de sobremesas- como já está tarde, acabou não
sobrando muita coisa pois os clientes ja haviam pedido antes do restaurante
fechar.

Enquanto eu ouvia os meninos discutindo o que iriam pegar de sobremesa,


Hacker começou a subir e descer sua mão em minha coxa e as vezes dar
umas apertadas

Vinnie começou a subir sua mão bem devagar até a barra de minha calcinha

—Vincent... -olhei para os lados- aqui não! Vá que algum deles veja! -
sussurrei

—Alles, Alles... eu ouvi você aquela noite.. -ele me olhou de forma


maliciosa

—Do que você está falando?

—Você gemendo meu nome, pedindo pra eu não parar... -ele me dá um


selinho no pescoço

Ai meu Deus, ele ouviu aquilo...


Que vergonha!

Vinnie percebendo que eu fiquei corada ao ouvir aquilo, decidiu me


provocar

—Eu não sabia que a santa Yasmim tinha sonhos eróticos comigo. Me
conta, como foi? -ele fala um pouco mais alto, como se estivesse gostando
de ver meu desespero

—Fala baixo Hacker! -o reprimi com o olhar

—Ué, eu só estou te fazendo uma pergunta, gatinha! -ele ri

—Fica quieto, Vincent! -dei um puxão em seu cabelo

Vinnie murmura de dor e da um tapa em minha coxa

—Será que dá pra as crianças pararem de se bater? Vinnie, vem cá! -


Reggie o chama

—O que foi, hein? -o loiro cruza os braços ainda sentado

—Tem haver com o caso.. -Jacob coça a garganta- só vem logo porra!

Vinnie entendeu sobre o que se tratava e foi até um escritório no andar de


cima do restaurante a sós com Reggie, Bryce e Jacob.

—Yas, tem máquina de sorvete lá onde pega a sobremesa!! -Nick aparece


ao meu lado super animado e com a boca suja de sorvete

Pov — Vincent Hacker

Jacob entrou no escritório logo atrás de mim, visivelmente cansado. Reggie


e Bryce estavam ansiosos

—Vocês não vão acreditar na merda que passei! -Jacob começou,


claramente esgotado.- Me infiltrei nos Dragons, uma máfia que é um
pesadelo de se penetrar. Ganhei a confiança deles, mas foi uma jornada
difícil, e quase fui pego várias vezes.
—Karalho, e como foi essa porra? -Reggie perguntou com a irritação
evidente.

—Foi um caos -Jacob continuou.- Tive que participar de operações de


alto risco para provar que era leal. Uma vez quase fui descoberto durante
um golpe. O jeito que consegui as informações sobre a reunião foi arriscado
pra karalho!

—Então, o que você descobriu? -Bryce interveio, visivelmente ansioso.

—Eu descobri que a reunião vai ser em Miami. -Jacob disse.- Consegui
obter documentos internos, mas o dia e a hora ainda são um mistério.

—Porra, Miami? -Bryce quase gritou, batendo a mão na mesa.- Isso muda
toda a merda do plano. Vamos ter que improvisar algo novo e foder com a
segurança deles de um jeito que eles nem imaginem.

—Eu sei, e a segurança vai ser pesadíssima! -Jacob concordou.-


Precisamos de um novo plano.

Bryce pareceu ter uma ideia de repente:

—Escuta, já que Leonard Konzen vai estar lá –ele é um dos mafiosos


mais famosos e respeitados– e pode ter influência suficiente para nos
ajudar, e se a gente entrasse em contato com ele?

—Leonard Konzen? -Reggie questionou.- Ele é foda, mas é arriscado.


Como você pretende convencê-lo?

—Ouça, se a gente conseguir que ele nos coloque na lista, isso facilitaria
a nossa entrada na reunião. -Bryce explicou.-Konzen tem conexões e
respeito, e ele pode ajudar a garantir nosso lugar. Precisamos abordar isso
da maneira certa e oferecer algo em troca.

—Karalho, isso pode ser a nossa chance! -eu disse, me recostando na


cadeira.- Mas vamos ter que ser estratégicos. Não podemos só chegar lá e
pedir ajuda; temos que ter algo que realmente interesse a ele.
—Sim! -Bryce concordou.- Temos que pensar em um acordo que seja
atraente o suficiente para convencê-lo. Algo que envolva um benefício
significativo para ele, de preferência algo que envolva os Seven Beasts.

Jacob franziu a testa.

—Isso significa que vamos ter que entrar em contato com Konzen e
preparar um plano que mostre que somos aliados valiosos. E precisamos
agir rápido, porque essa reunião pode ser a qualquer momento e a gente
nem sabe!!

—Escuta, Bryce, você falou do Leonard Konzen... -eu comecei, pegando


o fio da conversa.- Eu tenho uma ideia que pode ser a chave. Lembra do
que aconteceu no cassino e no leilão com Yasmim e eu? Konzen adorou a
gente.

—Claro, eu lembro! -Bryce disse, inclinando-se para frente.- Você e a


Yasmim se saíram bem pra karalho com ele. Ele realmente pareceu gostar
do casal.

—Exatamente! -eu concordei.- Konzen se mostrou interessado em como


eu e a Yasmim jogamos no cassino e em como nos comportamos no leilão.
Ele nos viu como um par de boa aparência e charme, algo que ele poderia
usar a seu favor. Se aproveitarmos isso, podemos ter uma chance de
convencê-lo.

—Merda, isso pode funcionar!! -Bryce disse sorrindo- Se Konzen


realmente gostou de vocês e vê valor em ter vocês ao lado dele, ele pode
usar esse interesse para nos ajudar a entrar na reunião.

—Exato. -eu continuei.- Podemos usar o charme e a boa impressão que


fizemos para criar um convite indireto. A ideia é mostrar que temos algo a
oferecer e que somos aliados valiosos. Se Konzen for convencido, ele pode
nos colocar na lista para a reunião.

—Isso pode ser uma jogada inteligente. Mas e se Konzen não estiver
interessado em fazer um favor assim sem um bom motivo? -Reggie cruzou
os braços e ponderou.
—Bom ponto. -eu disse.- Então, vamos garantir que tenhamos algo de
valor para oferecer a ele. Precisamos pensar em algo que Konzen realmente
queira –um negócio que envolva os Seven Beasts ou algo que possa
beneficiá-lo diretamente.

Bryce estava já trabalhando na estratégia.

—A proposta deve ser algo irresistível para Konzen. Podemos usar nossas
habilidades e recursos para algo que tenha um impacto real. E, claro,
garantir que a Yasmim e eu nos apresentemos de forma que Konzen veja o
valor em manter-nos perto.

—Então é isso! -eu concluí.- Vamos fazer isso acontecer. Usaremos a


conexão que temos com Konzen para abrir portas e garantir que tenhamos o
acesso necessário para a reunião.

A ideia estava na mesa, e a tensão foi substituída por uma determinação


renovada. O caminho estava claro – usar o que tínhamos para conseguir o
que precisávamos. A missão estava longe de ser simples, mas, com um
plano bem elaborado e a vantagem que tínhamos, éramos capazes de dar o
próximo passo.

[...]

A reunião dos líderes, conhecida como o "Círculo dos seis", era um evento
crucial para o mundo do crime organizado. Cada encontro reunia os chefes
das maiores máfias globais para discutir estratégias, formar alianças e
resolver disputas. A cada reunião, o local mudava, mantendo o evento
envolto em segredo e dificultando a vigilância.

O WK era a figura de destaque dessas reuniões. Ele liderava os "Seven


Beasts", a segunda máfia mais poderosa do mundo. Apesar de seu grande
poder e influência, o WK era notoriamente discreto em relação à sua
identidade. Ele tinha uma habilidade única de se misturar entre os outros,
apresentando-se em público como um "homem comum". Essa estratégia era
parte de seu estilo de liderança calculado, permitindo-lhe participar de
eventos sem revelar sua verdadeira identidade.
Quando o WK aparecia em público, fazia questão de se disfarçar de
maneira convincente. Seus encontros eram cuidadosamente planejados para
garantir que ele permanecesse anônimo, mesmo estando no meio de grandes
reuniões e eventos sociais. Ninguém sabia ao certo como ele se parecia, o
que mantinha um ar de mistério ao seu redor, mas também ressaltava sua
habilidade de operar com eficiência e controle. Seu disfarce não era apenas
uma maneira de evitar reconhecimento; era uma forma de demonstrar sua
capacidade de se adaptar e se manter fora do radar, enquanto mantinha o
controle absoluto sobre suas operações.

Apesar da aura de mistério, ele estava ativamente envolvido no mundo do


crime e era conhecido por sua abordagem direta e assertiva.

aparência do WK era um segredo tão bem guardado que mesmo os


mafiosos mais poderosos não conseguiam identificar quando ele estava por
perto. O disfarce era sempre perfeito, permitindo que ele participasse de
eventos públicos sem levantar suspeitas. Isso criava uma aura de mistério e
poder em torno dele, pois ninguém sabia como ele realmente se parecia. O
fato de que ele podia estar presente sem ser reconhecido fazia com que seu
controle sobre as operações globais fosse ainda mais impressionante; e
mesmo os poucos que sabiam de sua aparência, eram leais a ele e nunca
revelaram sua identidade.

Com o WK participando do "Círculo dos seis", a reunião se tornava ainda


mais significativa. Sua presença era um sinal claro de que as discussões
seriam de grande impacto e que qualquer decisão tomada ali poderia
influenciar profundamente o cenário global do crime. Para os participantes,
era uma oportunidade única de interagir com um dos líderes mais influentes
do submundo, mesmo que, em muitos casos, sua identidade verdadeira
permanecesse um mistério.

Com todos esses boatos a respeito dele, os dois mais famosos eram que ele
,supostamente, havia morrido em um acidente de carro; outros especulam
que ele ainda está vivo.
Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!
Capítulo 66
Um dia já tinha se passado desde aquela noite na pizzaria, mas parecia uma
eternidade. Era domingo à noite, e eu estava no sofá de casa jogando FIFA
com Bryce e Dylan. Meus dedos mal conseguiam apertar os botões do
controle direito, minha cabeça estava em outro lugar... ou melhor, em outra
pessoa: Yasmim Alles. A loirinha não saía da minha mente.

—Qual foi, cara? Você nunca perde esse jogo, e agora perdeu pro Dylan, o
pior jogador da casa! Tá com a cabeça aonde?! -Bryce soltou zoando.

—Vai se foder, Bryce! -Dylan deu um soco de leve no braço dele, rindo.-
Vinnie fumou uma das boas hoje, deve ser isso.

—Faz tempo que eu não fumo e bebo, tô conseguindo me "libertar" aos


poucos, tá bom? Só fumei hoje! -disse convencido

—Pode ser isso também, mas acho que tem outra coisa envolvida... ou
melhor, uma loirinha envolvida! -Bryce provocou, cutucando Dylan.

—Cala a boca! Vai jogar essa merda aí e me deixa em paz! -Respondi,


tentando segurar o riso, e dei outra tragada no cigarro.

—Vinnie, Vinnie... acho bom você não vacilar com a Yas. -Bryce comentou,
dando play em outra partida.

—Do que você tá falando, idiota? -Perguntei, já me sentindo incomodado


com a conversa.

—Você e aquele lance da Patrícia; você tá fumando e bebendo pra caralho


ultimamente. Toma cuidado com isso. E você não sabe se controlar quando
tá com raiva, pode acabar machucando ela sem perceber.

—Claro que não! Eu tô me controlando mais, tá bom? -Falei, tentando me


convencer também. Dei outra puxada no cigarro, sentindo a fumaça queimar
minha garganta.
—Fala a verdade, Vinnie. Você tá gostando da minha irmãzinha? -Dylan se
ajeitou no sofá, me olhando de um jeito sério.

Merda, será que tô? A Yas não é qualquer uma... ela sempre me tira do eixo.
Quando tô com ela, as coisas parecem mais claras, mas ao mesmo tempo
mais complicadas. Eu não sou o cara certo pra ela, mas toda vez que vejo
aquele sorriso, ou a forma como ela fala, não consigo deixar de pensar que
talvez... talvez eu devesse tentar. O problema é que eu também sou uma
bomba-relógio. Eu machuco quem tá perto de mim, sem querer. Não quero
isso pra ela. Mas, porra, ela tá me bagunçando por dentro.

—Tá vendo só, Dylan? Ele tá tão apaixonadinho na Yas que nem consegue
responder! -Bryce falou, me provocando e cutucando.

—Vai se foder! -Empurrei ele rindo, mas por dentro ainda tava confuso.

—Mas falando sério, irmão, já não tá na hora de vocês dois namorarem,


não? Porra, vocês andam pra lá e pra cá juntos, ficam grudados feito casal,
um cuida do outro... tá esperando o quê, porra?

—Você sabe o que aconteceu da última vez, karalho! -Suspirei, jogando a


cabeça pra trás.- Ela me deu um puta bolo, ela nem foi no bagulho! -Falei,
lembrando da vez que ela sumiu sem explicação.

—Você sabe muito bem que ela não fez aquilo porque quis. -Dylan falou
sério, me encarando.

—Vocês querem que eu faça o quê, karalho? Vá nela agora?!

—Claro que não, idiota!

—Por que não?

—Você tá fedendo a maconha e bebida, e conhecendo a minha irmã, ela não


vai gostar disso. -Dylan balançou a cabeça em reprovação.

—Relaxa, amanhã eu preparo um lugar pra vocês, mas não faz nada de
errado, karalho! -Bryce falou rindo, sem largar o controle.
[...]

Pov — Yasmim Alles

A tarde com a Mads foi mais tranquila do que imaginei. Entre risadas e
farinha jogada no rosto, fizemos um bolo simples, daqueles que você faz
sem esperar muito, mas que acaba ficando perfeito. Assistimos a um filme
qualquer enquanto o bolo assava, e, no meio disso tudo, ela me mostrou as
roupas novas que Mary havia lançado na loja. Cada peça parecia refletir o
estilo autêntico e ousado da marca. Mas foi o último item que realmente me
chamou a atenção: um vestido branco, longo, elegante, mas ao mesmo tempo
simples, com um toque suave que parecia deslizar entre meus dedos.

—Esse aqui é especial. Mary disse que era pra você experimentar! -Mads
comentou com um sorriso travesso, entregando o vestido como se já
soubesse de algo que eu não sabia. E, sinceramente, o vestido era lindo.
Parecia feito para uma ocasião importante, mas não questionei. Afinal, a
Mads sempre foi do tipo que adorava me ver arrumada sem motivo.

(Foto do vestido no final do Capítulo!)

Eu experimentei, claro. O tecido leve e o caimento perfeito me fizeram sentir


como se eu estivesse pronta para algum evento grandioso.

—Fica com ele! -Mads sugeriu.- Vai que aparece alguma festa de última
hora. -Achei engraçado, mas acabei aceitando, e continuei usando o vestido
enquanto o bolo esfriava.

Já era noite quando Avani chegou em casa, esbanjando empolgação. Seus


olhos brilhavam quando ela anunciou que finalmente havia se mudado de
casa. Ela insistiu que Mads e eu deveríamos ver o novo lugar. Achei que
seria apenas uma visita comum, até que, no meio do caminho, Avani disse
que tinha uma surpresa.

—Vai ser mais legal se eu vendar seus olhos! -ela sugeriu com um sorriso
misterioso.

Relutante, mas animada, aceitei. Sabia que podia confiar nas minhas amigas.
O carro percorreu o caminho por um bom tempo, e eu só conseguia imaginar
onde estávamos indo. O cheiro de maresia começou a invadir o carro, e aos
poucos, comecei a ouvir o som de ondas quebrando. Era familiar, mas ao
mesmo tempo, intrigante. Senti o carro parar, e Avani desceu rapidamente.

—Fica calma, já estamos chegando! -ela disse enquanto me guiava até um


lugar que eu ainda não conseguia ver. Mads, por outro lado, parecia estar
muito tranquila. Ela já sabia o que estava acontecendo, claro.

Quando finalmente me colocaram no lugar certo, Mads tirou a venda dos


meus olhos. A visão que tive foi de tirar o fôlego. Estávamos em uma praia,
e ela estava absolutamente deslumbrante. A escuridão da noite era quebrada
pelas luzinhas delicadas que estavam espalhadas por todo o lugar, criando
um caminho luminoso que se estendia pela areia. Havia vasos de flores
posicionados em diferentes cantos, cada um adornado com pétalas coloridas,
contrastando com o cenário noturno.

As ondas quebravam suavemente na margem, e o som da água ecoava ao


fundo, criando uma trilha sonora perfeita para aquele momento. O céu estava
claro, com estrelas brilhando em meio à escuridão, parecendo vigiar de
longe o que estava prestes a acontecer. A decoração simples, porém
extremamente romântica, parecia ter sido cuidadosamente planejada. Era
como se cada detalhe estivesse ali para me lembrar de algo único, algo
nosso.

Olhando ao redor, notei Mads, Avani e os meninos vestidos em tons escuros,


quase se camuflando com a noite. Mas então, meus olhos encontraram
Vinnie. Ele estava ali, parado ao lado de um pequeno arco decorado com
flores, segurando um buquê de rosas vermelhas. Ele vestia um terno branco,
como o meu vestido. Era impossível não notar como nós dois, em branco,
contrastávamos com o resto da cena. Dois pontos de luz em meio à
escuridão, como se fôssemos os únicos ali. Senti meu coração bater mais
forte, cada batida ecoando no silêncio suave da noite.

Eu estava em choque, para dizer o mínimo. Tudo parecia um sonho, mas era
real, e bem ali na minha frente estava Vinnie, com um buquê de rosas
vermelhas. Ele estava lindo em um terno branco, combinando com o meu
vestido, como se tudo estivesse sendo cuidadosamente orquestrado
Quando parei à sua frente, ele deu um sorriso meio sem jeito, mas ainda
assim charmoso. Por um momento, achei que ele fosse dizer algo engraçado
para quebrar o clima, mas ao invés disso, ele me olhou, sério, com uma
intensidade que eu não estava esperando.

[...]

Pov — Vincent Hacker

Eu já estava na praia, observando os últimos detalhes da decoração com o


Bryce e os outros caras, enquanto o sol começava a se pôr no horizonte. A
tarde tinha sido uma correria do caralho, mas finalmente tudo estava quase
pronto. Eu passei o dia todo pensando em como isso ia acontecer, em como
eu iria agir e o que dizer. Mesmo confiante, rolava uma porra de ansiedade
no fundo, sabe? Era algo importante. Mas, pelo menos, eu sabia que tinha
deixado a parte da decoração com o Bryce, porque essa merda de flor e
luzinha não é comigo.

Chegando lá, os caras ainda estavam ajeitando tudo. Flores espalhadas pela
areia, vasos, as luzinhas penduradas em postes improvisados... E quando eu
vi o cenário todo, dei uma respirada funda.

—Você não acha que tá muito... brega? Sei lá, não tá meio exagerado não?
-perguntei, olhando pro Bryce com a sobrancelha levantada.

Bryce deu uma risada e me deu uns tapinhas nas costas.

—Claro que não, mano! Mulher ama isso, confia em mim! -Ele estava tão
seguro de si, como sempre.

—Sei não, cara... tá parecendo um casamento essa porra! -falei, encarando


aquelas luzinhas e flores. Parecia coisa de filme.- Eu só quero fazer um
pedido de namoro, karalho!

—Relaxou, parceiro. -Bryce riu mais uma vez- Avani e Mads vão enrolar a
Yasmin na casa dela, vão fingir que é uma surpresa e trazer ela pra cá. Já tá
tudo planejado. Só se preocupa em fazer o pedido, o resto a gente cuida.
Eu dei um suspiro, tentando absorver a confiança que ele parecia ter de
sobra.

—Tá, beleza. Conto com vocês pra não ferrar com isso. -Olhei de novo pro
lugar. Era bonito, de um jeito meio brega, mas bonito. Parecia que tudo ia
dar certo.

Flashback da tarde...

Antes disso, a minha tarde tinha sido uma loucura. Tive que participar de
uma reunião de merda, com assuntos da gangue que eu nem tava afim de
ouvir, mas não podia deixar de ir. O tempo inteiro, só conseguia pensar no
que eu ia falar pra Yasmim. O tempo passava devagar pra cacete, e minha
cabeça estava dividida entre as palavras que eu queria dizer e o nervosismo
que teimava em aparecer.

Saí da reunião e fui direto pegar o terno que Bryce tinha mandado ajeitar pra
mim. Depois, passei na floricultura pra pegar o buquê de rosas vermelhas
que eu tinha encomendado. A mulher da loja olhou pra mim com aquele
sorrisinho de quem acha fofo, e eu só queria sair logo dali.

—Boa sorte, querido! -ela disse, e eu só acenei, saindo o mais rápido que
pude.

[...]

Quando finalmente cheguei na praia, o sol já estava começando a descer no


horizonte, e o lugar estava quase pronto. As flores estavam no lugar, as
luzinhas começavam a acender, e o som das ondas quebrando completava o
cenário.

—Tá... até que tá bonito. -admiti, mesmo ainda achando exagerado.- Mas se
essa porra der errado, vou te culpar, Bryce!

Ele apenas riu de novo, confiante como sempre.

—Relaxa, vai dar certo, irmão. A Avani e a Mads tão cuidando de tudo, e cê
sabe que a Yasmin vai adorar isso aqui. Só se preocupa em não gaguejar.
Eu revirei os olhos, mas no fundo, ele tinha razão. Eu estava confiante,
mesmo com aquela pontada de insegurança lá no fundo. Afinal, era a
Yasmin. A gente já tinha passado por tanta coisa junto... se tinha alguém que
eu queria do meu lado, era ela.

—Cara, Mads acabou de me mandar mensagem dizendo que elas já estão na


entrada da praia! -Nick gritou de longe, me fazendo dar um pulo.

—Merda... -soltei baixo, sentindo o nervosismo subindo de uma vez. Ela já


estava chegando! Senti o coração acelerar, e porra, nunca pensei que ia ficar
nervoso por isso.

—Bryce, karalho, o que eu faço agora?!

Bryce, que estava perto, riu, mas foi rápido ao me dar uns tapinhas firmes no
ombro.

—Relaxa, irmão. Respira fundo. Tá tudo pronto, só fica ali, segura essas
flores e age naturalmente. Confia em mim, vai dar certo.

—Naturalmente, é? Fácil pra você falar, porra! -retruquei, soltando o ar


pesado. Mas segui o conselho e dei uma respirada funda, tentando não
parecer que estava prestes a ter um ataque. Bryce me ajudou a me posicionar
no lugar onde eu ia ficar, bem em frente ao caminho que elas iam fazer até
mim.

—Se liga, Vinnie, só pensa que é a Yasmin, tá ligado? Não precisa ser nada
forçado, cara. É vocês dois. Só vai! -ele falou com um tom mais sério dessa
vez, me dando o toque final de confiança que eu precisava.

Eu assenti e dei mais uma ajeitada no terno, segurando o buquê de rosas


vermelhas.

Me posicionei no meu lugar e tentei me concentrar nas luzinhas, no som das


ondas... mas logo que ouvi as risadinhas de Mads e Avani ao longe, toda a
minha atenção foi direto pra elas. E então eu a vi.

Porra, ela estava tão linda! Yasmin vinha caminhando na minha direção, com
aquele vestido branco longo que caía perfeitamente nela, iluminada pelas
luzinhas que a cercavam. O cabelo dela balançava levemente com a brisa da
praia, e o sorriso tímido no rosto dela quase me fez esquecer onde eu estava
por um segundo. Era só ela. E nesse momento, tudo pareceu se encaixar.

—Karalho... -murmurei, sem conseguir tirar os olhos dela.

Pov — Yasmim Alles

—Minha princesa, você sabe que eu não sou muito bom com textos, com
palavras... -ele começou, coçando a parte de trás da cabeça, mas fazendo um
esforço para se manter firme.- Sabe, eu pensei em várias coisas pra te dizer...
tipo, frases bonitas e tal, mas não é a minha praia. -Ele deu uma risada curta,
e eu sorri de volta, ainda sem acreditar no que estava acontecendo.

Ele respirou fundo, desviando o olhar por um segundo, mas logo voltando a
me encarar.

—Você sabe como eu sou meio fechado, mas... você sempre conseguiu me
entender. Mesmo quando eu não falo nada, você tá lá, entendendo tudo. E,
porra... eu acho que é isso que me faz querer... você. Só você

—Olha que situação -ele riu- me libertou de todos esses vícios, me mostrou
que eu não preciso disso. Meu amor, sou tão feliz contigo, só contigo! -Ele
soltou um suspiro, como se tivesse tirado um peso das costas.

—Yasmim Alles... você que namorar comigo? -o loiro perguntou se


ajoelhando

Eu fiquei sem palavras por um segundo, olhando para aquele cara durão que,
de um jeito torto e sincero, estava me pedindo para ser sua namorada. E, de
alguma forma, foi o pedido mais fofo que eu já poderia imaginar.

mas eu podia ver em seus olhos que a resposta realmente importava pra ele

E, claro, eu sabia a resposta.

—SIM!
Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

———
(A foto do vestido caso alguém tenha ficado curioso)

Quem diria, hein! Depois de 60 capítulos, finalmente o pedido de namoro


saiu!!

Espero que esse Capítulo não tenha ficado confuso kkkk mas acho que deu
pra entender

———

Eu peguei um trecho de uma música do Mc Cabelinho e do Caio Luccas pois


achei que combinava com a Yas e com o Vinnie kkk

Musica:
(Logo eu -Caio Luccas & Mc Cabelinho)
Capítulo 67
Assim que eu disse "sim", o sorriso no rosto de Vinnie ficou ainda maior, e
em um piscar de olhos, ele correu até mim e me pegou no colo. Foi tudo tão
rápido que eu nem tive tempo de reagir, mas acabei rindo alto, me
segurando nele enquanto ele girava comigo.

—Porra, eu sabia que você ia aceitar! -ele disse, com aquela risada dele
que sempre me fazia sorrir junto. Me apertou forte, e eu retribuí o abraço,
sentindo o alívio e a felicidade tomarem conta de mim.

Ao nosso redor, todo mundo começou a gritar e bater palmas. Bryce, como
sempre, foi o primeiro a fazer piada, gritando:

—Aí sim, moleque! -o que fez todos rirem.

Nick e Dylan não ficaram pra trás, fazendo o maior barulho com palmas e
uns gritos de "É isso!" e "Finalmente!"

—EU SABIA QUE ISSO IA ACONTECER!! -Mads gritou, rindo como


uma doida ao lado de Avani, que parecia toda emocionada, sorrindo de
orelha a orelha.

A vibração do momento era incrível, nada sério ou formal, só pura alegria.


Era como se todo mundo estivesse sentindo a mesma felicidade que eu e
Vinnie.

Assim que eu olho para o lado, vejo uma cena que quase me faz rir de tanto
absurdo: Dylan, Kio e Nick estavam abraçados, chorando dramaticamente
como se fosse o final de um filme romântico. Eles se consolavam entre si,
como se estivessem desmoronando de felicidade. Era óbvio que aquilo tudo
era de pura zoeira, mas ainda assim, a imagem deles me fez soltar uma
gargalhada.

Vinnie, ainda rindo com a situação, me colocou no chão com cuidado.


Então, ele pegou a caixinha pequena e abriu, revelando nossas alianças de
namoro. Meus olhos se arregalaram, e antes mesmo que eu pudesse dizer
algo, ele já estava deslizando a aliança no meu dedo, com aquele sorriso de
lado que só ele tem.

Assim que Vinnie terminou de colocar a aliança no meu dedo, ele segurou
minha mão com firmeza, olhando para ela por um instante como se
estivesse apreciando cada detalhe. Sem dizer nada, ele levou minha mão até
os lábios e deu um beijo suave bem no lugar onde havia acabado de pôr a
aliança.

Senti meu coração acelerar na mesma hora. Aquele gesto, simples, mas
cheio de significado, me fez sorrir sem nem perceber. Vinnie, com aquele
jeito dele meio confiante, meio despreocupado, só me olhou depois, ainda
segurando minha mão, como se dissesse, sem palavras, que aquilo
significava muito mais do que qualquer coisa que ele pudesse falar.

Enquanto isso, ao fundo, eu ouvi Jacob comentando com um outro cara:

—Nem queira saber o valor dessas alianças, mano! -Eu não consegui
segurar a risada. Conhecendo o Vinnie, ele devia mesmo ter gastado uma
fortuna nesses anéis, mas, sinceramente, naquele momento, tudo parecia
valer a pena.

Vinnie, ainda com a expressão meio brincalhona, levantou a mão dele e


mostrou a aliança no próprio dedo também, como se fosse a coisa mais
casual do mundo.

—Agora tá feito. -ele disse, me olhando nos olhos e dando aquele sorriso
que sempre me fazia sentir algo diferente.

[...]

Chegamos em casa já de madrugada, depois de toda aquela festança que os


meninos armaram para comemorar o namoro. Estávamos exaustos, mas a
felicidade de finalmente termos oficializado tudo era maior que o cansaço.
Subimos direto para o meu quarto, e eu fui para o closet, querendo tirar
aquele vestido e colocar algo mais confortável.
Escolhi meu pijama curtinho rosa e, assim que o vesti, me sentei na cama,
sentindo o corpo relaxar imediatamente. Atrás de mim, ouvi o som de
Vinnie vindo do banheiro, e quando olhei, ele estava tirando a camisa, a
jogando de qualquer jeito em um canto do quarto.

Ele subiu na cama e, antes que eu pudesse reagir, já estava se posicionando


minhas pernas em cima das dele. Seus olhos encontraram os meus, e um
sorriso brincalhão apareceu no rosto dele.

—Cansada? -perguntou, sua voz baixa, enquanto suas mãos deslizavam


lentamente pelo meu rosto, como se quisesse prolongar aquele momento.

—Um pouco, sim. -respondi coçando os olhos

O loiro me deu um sorrisinho e, com sua mão direita, segurou meu queixo e
começou a me beijar

coloquei minhas mãos na nuca dele para me dar mais apoio e assim nosso
beijo começou a esquentar.

Ele desceu sua mão e intercalava entre apertar minha bunda e coxa, nossas
línguas estavam em sincronia.

Em um movimento totalmente inesperado, ele pegou meu cabelo e o puxou


pra trás, me colocando deitada na cama e ficando entre minhas pernas, ele
continuava a segurar meus cabelos enquanto passava a mão por todo o meu
corpo

minhas mãos passeavam por sua costa, minha vontade era de arranha-las
mais me segurei para não machuca-lo.

Ele parou o beijo e começou a beijar meu pescoço, dar leves mordidas e
chupões no local, ele passou os dedos no interior de minha coxa indo até
minha calcinha que se encontrava encharcada. Ele riu abafado massageando
suavemente meu clitóris.

Ele encarou meus seios com um brilho nos olhos, sua boca entrou em
contato com os mesmo me fazendo jogar a cabeça para trás sentindo sua
língua brincando com meus seios

abriu minhas pernas que já estavam fracas. Seus dedos foram até minha
calcinha a colocando de lado. Sua língua passou pela minha coxa esquerda
indo até o meio de minhas pernas que já estava molhado. Vinnie beijou
minha intimidade antes de enfiar a língua fazendo movimentos circulares
com a mesma me dando um enorme prazer.

Minhas mãos foram até seu cabelo o segurando com força, meu quadril se
levantou facilitando a falsa penetração que ele estava fazendo. Seus dedos
entraram em mim, sem aviso nenhum, eu gemi seu nome. Seus dedos e sua
língua faziam um trabalho incrível, me fazendo chegar no limite
rapidamente. Eu relaxei meu corpo depois de ter me desmanchando em seus
dedos.

O loiro com aquele sorriso brincalhão, começou a "pincelar" seu membro


em minha intimidade, fazendo alguns movimentos de vai e vem para me
provocar

Ele colocou a mão em meu pescoço e me penetrou com seu pau, eu arqueei
as costas sentindo aquilo pulsar dentro de mim, uma sensação maravilhosa
mesmo sentindo um pouco de dor. Sua outra mão segurou minha cintura e
então ele começou com movimentos lentos para mim acostumar.

Eu pedi por mais, e cada vez mais. Vinnie atendeu todos meus pedidos indo
mais rápido, nossos corpos se chocavam fazendo um barulho de que
dominava o quarto inteiro. Nossos gemidos saiam altos e falhados.

Vinnie resmungou alguns insultos ao meu respeito indo mais rápido. Ele
apertou meu pescoço me trazendo mais prazer e então eu gozei pela
segunda vez em seu pau. O mesmo tirou seu membro rapidamente depois
de mais algumas estocadas e enfim gozou.

O mesmo me virou de costas, me deixando de bruços na cama, prendendo


meus pulsos atrás de minhas costas. Ele enfiou seu pênis que ainda estava
ereto pelo tanto de tesão acumulado. Uma de suas mãos ainda seguravam
meus pulsos e a outra segurava minha cintura.
Ele começou com as estocadas rápidas e junto com elas, tapas fortes em
minha bunda, eu gemi seu nome loucamente enquanto ele puxava meu
cabelo de forma bruta indo mais rápido. Mas logo seus movimentos ficaram
mais lentos.

Minhas mãos foram soltas, eu me segurei novamente nos lençóis. Senti seus
dedos passarem em minhas costas indo até meus seios os apertando tirando
um gemido rouco de meus lábios.

—vem... -ele me puxou para seu colo.

Vinnie me penetrou com seu membro que já estava duro, eu mordi meu
lábio inferior fortemente, Começei a cavalgar segurando em seu ombro, ele
me ajudou nos movimentos que estavam lentos e que cada vez dava mais
tensão. Ele me pediu para ir mais rápido e assim eu fiz. Meus seios
balançavam conforme os movimentos, Vinnie os encaravam com um
sorriso bobo, ele gemeu baixinho jogando a cabeça para trás, eu fui mais
rápido gemendo seu nome.

A cama balançava conforme os movimentos, ele me beijou lentamente me


deixando com mais fogo ainda.

Nossos corpos já estavam soados e nossos gemidos ecoavam no cômodo.


Senti uma ardência em minha bunda, Vinnie depositou tapas ali e puxou
meu cabelo, sua mão foi até meu rosto me puxando para um beijo.

Minhas mãos percorreram seu corpo soado, arranhei suas costas sentindo
seu membro dentro de mim.

Ele gozou em seguida, já eu cheguei ao épice depois de mais algumas


estocadas. Eu me apoiei no mesmo fazendo ele se deitar.

Começei ir para frente e para trás, sua mão apertou minha bunda e seus
olhos se mantiam fechados apenas sentindo o prazer que aquilo estava
causando.

Hacker levantou e se posicinou atrás de mim. Me pentrou fundo e forte,


fazendo eu agarrar ao máximo a cabeceira da cama. Suas estocadas eram
mais fortes, ele era agressivo me penetrando, mas ainda sim, suas mãos
eram leves ao acariaciar minhas costas, pareciam querer amenizar a
agressividade de suas estocadas.

Agora penetrando forte e mais rápido, o loiro segurava meu pescoço


amassando meu rosto no tecido dos lençóis, e com a outra mão apertava
bem forte a minha cintura, não demorando muito para eu gozar novamente.

Me deitei ao seu lado na cama com a respiração desregulada, Vinnie passou


as mãos seus pelos cabelos e me olhou por alguns instantes, logo abriu um
sorriso

—Segundo round, amor? -ele deu um tapa em minha bunda com um sorriso
safado

—Você não cansa não? -o questionei rindo- vai dormir, Vinnie! Temos aula
amanhã. -disse enquanto apoiava minha cabeça em seu peitoral

Vinnie murmurou algumas coisas indignado, mas logo aceitou e começou a


fazer carinho em meus cabelos até eu pegar no sono.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

———

Ficou parecendo um casamento KKKKK mas pelo menos eles estão


namorando agora!
Capítulo 68
—ai meu Deus.. -dou um pulo da cama assim que vi o horário- acorda,
Vinnie!! Estamos atrasados!

Hacker murmurou algumas coisas mas voltou a dormir

—Vincent!! -disse puxando a coberta de seu corpo na tentativa de fazê-lo


acordar

—O que foi, karalho? -ele finalmente acordou, reclamando enquanto


sentava na cama

—Se veste logo! Estamos muito atrasados!! -disse jogando sua calça e
cueca, junto de uma camisa preta que eu tinha dele

Corri até meu closet vestindo rapidamente meu uniforme e escovando meus
dentes

[...]

Assim que chegamos na escola, o sinal já havia batido há mais de meia hora

Os alunos da minha sala estavam na sala de artes para substituir a aula de


Vinnie enquanto ele não chegava

Quando chegamos, corremos em direção da nossa sala de mãos dadas, mas


demos de cara com a diretora Marta na porta da sala

—Senhor Hacker!! Senhorita Alles!! Isso é horário de chegar na escola?!


-ela estava furiosa- para a minha sala, agora!!

Assim que entramos na sala da diretora Marta, o ambiente parecia mais


tenso do que nunca. Ela estava sentada em sua cadeira, cercada por uma
montanha de papéis, os óculos caídos na ponta do nariz enquanto nos
encarava com uma expressão severa.
Eu e Vinnie nos entreolhamos brevemente. O medo do que ela poderia dizer
ou fazer me deixava ainda mais nervosa. Quando entramos, ela fechou a
porta e nos olhou profundamente, esperando uma explicação.

—E então? Qual é a desculpa desta vez? -Marta cruzou os braços,


impaciente.

Eu hesitei, sem saber o que responder. Minhas mãos estavam suando, e as


palavras simplesmente não vinham. Mas Vinnie, sempre mais direto,
resolveu falar.

—Eu vou ser bem direto com a senhora, estamos namorando. — ele disse
de uma vez só.

Meu coração parou. Ele realmente contou. Senti meu corpo gelar. Um
professor namorando uma aluna? Mesmo que a diferença de idade fosse
pequena, aquilo ainda era visto como errado. O que ela iria fazer? Nos
expulsar? Meu estômago revirava com a ideia.

A diretora Marta ficou em silêncio por alguns segundos. Seu olhar


endurecido pairava sobre nós, e eu não conseguia respirar. Finalmente, ela
suspirou, tirou os óculos e se inclinou sobre a mesa.

—Eu já desconfiava disso -ela disse, sua voz agora mais calma, embora
ainda séria.- Yasmim, você estuda aqui dês de pequena, sempre foi uma
aluna excelente. Nunca me deu problemas, e eu acredito que você sabe
distinguir o certo do errado.

Ela fez uma pausa, observando nossas reações antes de continuar.

—Eu poderia muito bem chamar os seus pais, ou até a diretoria de ensino.
Mas não vou fazer isso. -Ela cruzou as mãos sobre a mesa, olhando
diretamente para mim.- O que vocês fazem fora da escola é problema de
vocês. Mas, dentro da escola, vocês serão apenas aluna e professor,
entendido?

Eu mal podia acreditar no que estava ouvindo. O alívio tomou conta de


mim, quase derrubando o peso que eu sentia nos ombros. Eu realmente
esperava o pior.

—Sim, senhora -disse Vinnie, assentindo. Ele segurou minha mão


discretamente, escondendo um leve sorriso de alívio.

—E sem pegação no ambiente escolar. Isso aqui não é lugar para isso -
acrescentou a diretora, sua expressão ainda séria.- Se eu pegar vocês agindo
de forma inadequada por aqui, aí sim vocês terão sérios problemas. Estamos
entendidos?!

Eu e Vinnie assentimos rapidamente, ainda surpresos pela maneira como ela


lidou

—Agora voltem para a sala de aula! Sem gracinhas pelo corredor! Estou
de olho em vocês.

Concordamos e saímos da sala da diretora

Confesso que fiquei surpresa com isso, eu esperava totalmente o contrário,


sei lá, pensei que ela fosse surtar, brigar horrores com a gente. Mas não.
Talvez seja por que somos de maior e nunca demos problemas.

—Por que você contou?! -puxei o braço de Vinnie

—Você queria esconder o nosso relacionamento, porra? -ele me olhou


sério

—Claro que não, mas não imaginava que você fosse contar dessa forma!

—Yas!! -ouvi Mads gritar enquanto corria em minha direção

—Oi! -abracei ela e voltei a encarar Vinnie

—Vish, o que aconteceu? -ela nos encara

—Vinnie contou sobre nosso relacionamento pra diretora.

—Mas ela aceitou, a gente só não pode se pegar na escola.


—Ótimo! Mas por que vocês estão brigando?

—Ele contou de uma vez, eu pensei que nós fôssemos contar de outra
maneira!

—Parem de brigar. Se ela aceitou, tá perfeito! E vocês não precisam se


esconder, do que você tá reclamando, Yas? -Mads coloca as mãos na cintura
e me encara

Suspiro olhando para baixo e, antes que eu pudesse falar algo, sinto os
braços de Vinnie me envolver em um abraço

—Vai dar tudo certo, pequena. -ele sussurra

—Não querendo estragar o clima do casal... mas já já o sinal vai tocar e a


gente precisa ir pra sala de aula. -Mads toca meu ombro

—Certo. -Antes de sair, dei um selinho no loiro e fui para a sala de aula

—Vocês são tão fofinhos juntos! -Mads me abraça- inclusive, você saiu
maravilhosa naquelas fotos dos paparazzis!

—Obrigada! -agradeci corada- mas será que a escola inteira tá sabendo


já?

Mads balança positivamente a cabeça

Entramos na sala e todos os olhares foram diretamente para mim, boa parte
das meninas estavam me encarando de cima a baixo com uma cara nada
boa.

Apressei os passos para a minha classe e logo os burburinhos começaram a


surgir

—Você viu, amiga? É essa daí que tá namorando o professor Vinnie. -


ouvi uma das meninas cochichar

—Não sei o que ele viu nessa aí.


—Olha essa aliança, deve ser aquelas bijuterias bem vagabundas.

Mads, que estava sentada ao meu lado já sem paciência, respira fundo e
olha furiosa para as meninas que estavam falando mal

—Bijuteria é essa coisa que você usa no dedo, esse anel compra a sua
casa e a de todo mundo aqui dessa sala. Se liga, menina! -Mads
praticamente grita com elas

—Como você sabe? Eu vi um igualzinho a esse nas lojinhas da cidade. -


Amanda desafia

—Mas é claro que viu, foi lá onde você comprou esse seu "anel de prata"
que até já escureceu! Eu fui pessoalmente ajudar a escolher essa aliança.

—Mads, já chega... -disse puxando o braço dela

—"já chega" é o karalho! Yas, essas invejosas só estão assim porque é


você que tá namorando com ele, não elas!

—Não precisa de tudo isso só por uma aliança, deixa isso pra lá, não vale
a pena. -puxei novamente seu braço, fazendo ela se sentar novamente na
cadeira

—Só tô falando a verdade, Yas. -ela cruza os braços- essa idiota tá


querendo comparar aquele anelzinho de segunda mão com essa perfeição! -
ela disse apontando para minha aliança- você sabe quanto custou isso?!

—Prefiro nem saber! -disse rindo- você foi ajudar a escolher?

—Sim! Eu e Avani acompanhamos Vinnie na loja, a gente deu algumas


sugestões, mas ele quis o mais caro! -ela comentou rindo

Antes de eu falar alguma coisa, o professor Fred entrou na sala

—Bom dia, turma! Abram seus livros na página 186, vamos retomar os
exercícios da aula passada! -disse ele, pronto para dar aula
Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

———

Esse capítulo foi mais curtinho, mas posso tentar escrever um novo ainda
hoje. Mas não prometo nada kkk
Capítulo 69
Estávamos na sala do casarão, o dia parecia passar devagar. Vinnie e Dylan
estavam focados jogando GTA, enquanto eu estava sentada no sofá, com
Vinnie praticamente deitado em mim. A cabeça dele estava apoiada nos
meus seios, e eu fazia cafuné nos seus cabelos enquanto ele, concentrado,
jogava. Ele estava entre as minhas pernas, virado para a TV, e vez ou outra
soltava um comentário sobre o jogo. O som do controle clicando era a única
coisa que quebrava o silêncio confortável entre nós.

—E aí, como foi a escola? -perguntou Dylan, sem tirar os olhos da tela,
mas claramente interessado. Ele estava curioso sobre como as coisas
estavam agora que nosso relacionamento era público.

—Foi meio chato o clima, sabe? -Fiz uma careta- Todo mundo não parava
de me encarar de uma maneira estranha, tinha burburinhos sobre nós por
todos os cantos... -falei, meio desanimada.

Vinnie deu um leve sorriso, ainda jogando, como se já soubesse que isso
aconteceria.

—Você vai se acostumar. Eles falam agora, mas daqui a pouco esquecem.
-Ele disse com uma voz calma, como se nada fosse capaz de incomodá-lo.-
Eu já tô acostumado com essa merda.

—Pra sorte deles é que eu já larguei a escola, porque se não, eu já teria


dado uma surra em cada um! -Dylan ameaçou brincando, com aquele tom
debochado de sempre.

Ri junto com ele, tentando relaxar.

—Eu não ligo muito pra isso. Já já passa. Mas ainda é estranho! -
comentei rindo, tentando aliviar o clima.

Alguns minutos se passaram, e o ambiente estava tranquilo, até que a porta


da casa se abriu com um baque, e Jacob entrou rindo alto, com um copo na
mão, seguido por dois caras que pareciam tão animados quanto ele. O
cheiro forte de bebida e maconha imediatamente invadiu a sala, me fazendo
torcer o nariz. Quem é que bebe e fuma tanto assim numa segunda-feira às
seis da tarde?

—E aí, mano!! -Jacob praticamente gritou ao apertar firmemente a mão


de Vinnie, parecendo ainda mais eufórico. Depois, ele se virou para mim,
com aquele ar ousado de sempre.- E aí, gata! -Ele se aproximou para me
cumprimentar com um beijo na bochecha. Achei a atitude dele um pouco...
demais, se é que posso dizer assim.

O cheiro forte de álcool e maconha me atingiu em cheio, quase me fazendo


recuar.

Fala sério, quem faz isso a essa hora?

—Cara, eu arrumei uma festa foda pra karalho pra gente ir hoje à noite!
Eu só vou tomar um banho rapidinho e já desço pra gente ir! -Jacob falou
animado, dando mais um gole no que restava da bebida no copo.

Vinnie soltou uma risada suave e disse:

—Eu não vou, cara. Mas valeu! -respondeu, sem se abalar.

Jacob parou de repente, como se não tivesse ouvido direito.

—O que? Como assim você não vai? -Ele parecia indignado.- Eu vou
ficar com a minha mulher, mano. Eu vou numa próxima! -Vinnie disse de
forma simples, enquanto ainda estava deitado em mim, sem dar muita
importância para a reação de Jacob.

—Nem começou a namorar direito e já tá assim? Porra, fala sério,


Hacker! -Jacob cruzou os braços, frustrado.-Ô Alles, deixa o cara sair. Ele
só vai pra balada comigo e com os caras, eu cuido dele!

Fiquei chocada. É sério mesmo que ele disse isso? Jacob não conseguia
aceitar um "não"?
Antes que eu pudesse responder, Dylan, que já estava visivelmente irritado,
decidiu se pronunciar.

—Ela não tem nada a ver com isso. Deixa o cara ficar com a mina dele e
vai pra porra da balada logo, cacete. -disse ele, sua voz firme e impaciente.

Jacob bufou como uma criança contrariada e saiu batendo os pés em


direção ao quarto, fazendo um drama desnecessário. O barulho dos passos
pesados dele ecoou pela casa.

Vinnie soltou uma gargalhada baixa, e eu não pude deixar de rir também.
Dylan apenas balançou a cabeça, voltando a prestar atenção no jogo.

—Cada um com suas prioridades, né? -murmurou Vinnie, dando de


ombros.

Vinnie suspirou profundamente, parecendo mais relaxado.

—Vou te levar pra casa. -ele me disse, levantando-se do sofá.

Nos despedimos de Dylan, que ficou na sala jogando, e logo estávamos a


caminho da minha casa.

[...]

Ao chegarmos, Vinnie se jogou no sofá, quase afundando nele.

—E aí, o que você vai fazer pra gente comer de jantar? -ele perguntou,
olhando para o teto.

—Quem vai cozinhar hoje é você! -respondi, cruzando os braços.

–O quê? Eu não! Você sabe que eu não sei fazer nada na cozinha, gata! -
ele se levantou, com uma expressão de incredulidade.

—Como não? Eu já te ensinei a fazer um macarrão! Já é alguma coisa! -


ri, lembrando do desastre que foi na última vez.

—Vamos pedir comida, é mais fácil! -Vinnie insistiu, fazendo uma careta.
Cerro os olhos para ele, mas não consigo segurar o sorriso.

—Anda logo, Vinnie!

—Você sabe que eu não recebo ordens, amor. -Ele me olhou com um ar
desafiador, e eu sorri de canto de boca.

—Eu não sou qualquer uma, Vinniezinho. -Dei um selinho rápido no


loiro.- Agora vá já pra cozinha! -disse brincalhona, apontando em direção à
cozinha.

Vinnie revirou os olhos, murmurando algo para si mesmo, mas me


obedeceu e se dirigiu à cozinha.

—Tá, o que que eu faço? -ele perguntou, se apoiando no balcão e me


encarando, com um leve sorriso no rosto.

—Você não se lembra? É tão fácil, amor!


-o encarei, tentando conter a risada.

—Você vai ter que me ensinar, gata! -Ele olhou para mim de maneira
maliciosa, como se isso fosse um jogo.

Mostrei a língua para ele, fazendo uma careta.

—Olha vídeo na internet, gatinho! -joguei um beijinho em sua direção.

—Isso não é justo! Você devia me ajudar! -Vinnie protestou, começando a


andar pela cozinha enquanto procurava os ingredientes para seu prato.

—Ah, vai ser divertido! -respondi, rindo da sua tentativa de se organizar.

Ele olhou em volta, parecendo perdido entre as panelas e utensílios.

—Se você não me ajudar, eu vou queimar a sua casa. -disse, com um tom
brincalhão.

—Você falou a mesma coisa da última vez e se saiu bem! -incentivei,


sabendo que ele sempre se saía melhor do que pensava.
—Olha, eu sei fazer pão com ovo, miojo, essas coisas básicas, Yas! Eu não
sou cozinheiro, princesa.

Dou uma risada e começo a rodear a cozinha em busca de ingredientes para


mim

Na cozinha, o cheiro de cebola e alho refogados preenchia o ar. Eu mexia a


panela enquanto Vinnie observava, com um olhar cético.

—Eu realmente não sei cozinhar nada -ele reclamou, cruzando os braços.-
Não sei como você faz isso parecer tão fácil.

—Dessa vez sou eu quem vai cozinhar -respondi, sorrindo.- Mas na


próxima, você vai ter que assumir.

Enquanto o strogonoff ganhava forma, fui adicionando creme de leite,


deixando o prato ainda mais cremoso. Movia-me com confiança, lembrando
das lições que aprendi com os chefs que trabalhavam na casa do meu pai.

—O que você acha? -perguntei, piscando enquanto mexia.

Quase no finalzinho, peguei uma colher e enchi com um pouco do


strogonoff.

—Experimenta! -disse, oferecendo a colher a Vinnie.

Ele hesitou por um momento, mas aceitou. Assim que provou, seu rosto se
iluminou.

—Puta que pariu, Isso está incrível! -exclamou, visivelmente fascinado.-


Como você faz isso?

—Aprendi com os melhores -respondi, orgulhosa.- E você, da próxima vez,


vai fazer algo tão bom quanto!

A energia na cozinha era leve e divertida, e Vinnie, com um sorriso bobo no


rosto, parecia ter esquecido que não sabia cozinhar.
Enquanto nos servíamos, o clima estava leve, discutindo sobre o que fazer à
noite. Eu sugeri um filme, mas Vinnie discordava de todos.

—Maze Runner deve ser legal! -comentei, tentando convencê-lo.

—É muito sem graça. Jogos Mortais é mais legal! Ou pode ser Cinquenta
Tons de Cinza -ele disse, olhando para mim de forma maliciosa.

Antes que eu pudesse retrucar, um estrondo alto ecoou do lado de fora,


fazendo meu coração disparar. Vinnie imediatamente se endireitou,
puxando a pistola que tinha na cintura.

—Fica atrás de mim -ordenou, sua voz firme.

Andamos lentamente em direção ao barulho, o silêncio pesado entre nós,


apenas o som do meu coração ecoando nos ouvidos. Quando Vinnie abriu a
porta, a cena que se desenrolou nos deixou paralisados: três seguranças
segurando um homem encapuzado, jogado no chão, que gritava, sua voz
repleta de raiva e desespero.

—Me solta, seu filho da puta! -ele berrou, enquanto lutava contra as mãos
firmes que o imobilizavam.

Vinnie perguntou, com um tom autoritário, quem ele era, mas o homem só
respondia com uma avalanche de insultos e ameaças. Eu podia sentir meu
estômago revirar.

—Pra quem você trabalha, porra?! -um dos seguranças gritou

—Não te interessa, karalho! -o cara retrucou

—Levem ele para o QG -Vinnie ordenou.- Depois, eu vou lá resolver isso.

Fiquei paralisada, a adrenalina pulsando nas veias. Eu não fazia ideia de


onde era esse lugar, mas os seguranças rapidamente seguiram suas ordens,
arrastando o homem embora enquanto ele nos ameaçava

Retornamos para dentro de casa, mas a sensação de insegurança persistia.


Na cozinha, minha mente estava girando, e não consegui esconder o medo
que sentia.

Percebendo minha agitação, Vinnie me pegou no colo e me colocou em


cima da ilha, posicionando-se entre minhas pernas.

—Fica tranquila, princesa. -ele disse, segurando meu rosto e encostando


nossas testas.

— S-será que não vai acontecer de novo? O que ele queria, Vinnie? -
gaguejei, preocupada.

—Depois eu vou lá e vejo, mas não vai acontecer nada com você, pequena.
A casa tá rodeada de seguranças. Por mim, eu colocaria até mais, mas como
você não quis... confia em mim, você está segura!

—Promete?

—Eu prometo. -Vinnie afirmou, encarando meus lábios.

Em questão de segundos, ele me beijou com uma intensidade feroz, suas


mãos descendo até minha bunda e apertando com força, fazendo-me soltar
um gemido entre o beijo.

—A comida vai esfriar! -interrompi, lembrando-me do strogonoff.

Vinnie riu e se afastou, permitindo que eu descesse da bancada, mas a


tensão ainda pairava no ar, como uma sombra que não se afastava.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 70
Pov — Yasmim Winck Alles

Era quarta-feira à noite, o restaurante estava cheio, mas nossa mesa era a
mais barulhenta de todas. Eu estava sentada ao lado de Vinnie, e ele, como
sempre, estava relaxado, com a mão pousada casualmente na minha coxa. A
noite estava quente, e nós já estávamos reclamando do calor fazia um bom
tempo, até que a conversa tomou um rumo inesperado.

Ao meu lado, Nick estava se abanando com um leque improvisado de


guardanapos por conta do calor

—Cara, que calor do karalho! -Kio disse, enquanto mexia no gelo derretido
do seu refrigerante.- Sabe o que seria uma boa? Passar uns dias na praia!
Tipo... férias de última hora?

—Praia, Kio? Você tá louco? -Eu soltei uma risada.

—Não, não! Pensa só, Yas! -Nick entrou na conversa, já empolgado.- Uma
casa na beira da praia, com a brisa do mar, aquela água geladinha... Nada de
ficar morrendo de calor aqui. Imagina só, você estendida numa
espreguiçadeira, com um drink na mão.

Vinnie apertou de leve minha coxa e olhou pra mim com um sorriso no
rosto, provavelmente achando graça de eu estar começando a ceder à ideia
maluca.

—Você sabe que ele tá certo, né? -Ele disse com aquele tom brincalhão.

Antes que eu pudesse responder, Kio continuou com o plano dele,


totalmente empolgado.

—Eu topo! A gente podia alugar uma van! Assim vai todo mundo junto.

Mads se juntou à brincadeira:


—Pensa só, Yas, o pôr do sol, uma cervejinha na mão, música tocando e a
gente só relaxando. Sem essa de ficar derretendo na cidade.

Nick, sempre cheio das ideias, logo cortou.

—Mas como a gente vai levar as boias? Tô falando, uma van não vai dar!

Kio, sem perder o pique, ficou ainda mais animado.

—Então a gente aluga um ônibus! Ou duas vans! Pronto, resolvido!

Avani começou a rir, e eu acompanhei, imaginando essa cena bizarra.

—Vocês são malucos! Um ônibus? Para uma praia? Sério?

—Vocês estão viajando, cara. -Bryce balançou a cabeça, rindo junto.- Cada
um vai no seu carro, pronto. Nada dessas loucuras de van ou ônibus!

—Eu acho que seria legal a gente chegar em comboio! Já pensou? Todo
mundo de carro, uma fila só nossa! -Kio brincou, fazendo gestos
exagerados com as mãos.

—Eu topo! -Mads, sempre no clima, levantou a mão.- Eu que não vou ficar
aqui derretendo nesse calorão, não. E ainda vou aproveitar pra pegar uma
marquinha!

—Nem vem que você vai se queimar toda no sol. -Nick provocou.- Aposto
que você vai voltar parecendo um camarão!!

Mads fez uma careta e jogou um pedaço de pão nele.

—Só se você for o primeiro a se queimar, seu invejoso! Porque eu vou


pegar o bronze perfeito!

A mesa estava em caos, com todo mundo jogando ideias malucas e rindo.
Avani, sempre a mais sensata, tentava manter a calma, mas até ela estava se
empolgando com a ideia da praia.
—E a gente precisa de uma casa grande, hein? Nada de apartamento
apertado. Uma casa vai ser muito mais legal!

Bryce concordou, com um sorriso tranquilo.

—Concordo. A gente faz churrasco, joga vôlei na areia... muito mais a


nossa cara!

Com isso, ficou decidido. -Tá, vamos então na sexta-feira e voltamos no


domingo. Fim de semana na praia! -sugeriu Kio, já mexendo no celular para
procurar casas para alugar.

Vinnie deu uma risada baixa, me olhando com aquele jeito descontraído.

—Tá todo mundo pirando já, mas... até que não parece uma má ideia.

Eu sorri para ele, já me deixando levar pelo entusiasmo de todo mundo.

—É, né? Pode ser divertido!

Enquanto isso, Kio e Nick já estavam planejando todos os detalhes, desde a


trilha sonora da viagem até as boias absurdas que queriam levar.

—A gente precisa de uma boia em formato de pizza e uma de Flamingo!!


Imagina só, a gente flutuando na pizza gigante -Kio disse, gesticulando
como se estivesse realmente em cima de uma boia.

—Tá maluco? -Bryce riu.- Onde é que você vai enfiar essa boia? Vai
amarrar no teto do carro?

—A gente dá um jeito! Amarra na van! Ônibus, lembra? -Kio respondeu,


sem perder o ritmo.

Vinnie riu ao meu lado, apertando de leve minha coxa e me puxando um


pouco mais perto.

—Se esses dois aparecerem com um ônibus e uma boia gigante, eu vou
embora sozinho.
—Você não vai, não! -eu disse, rindo e encostando a cabeça em seu ombro.-
Você vai é se divertir com a gente.

—É, vai sim, Vinnie! A gente vai te colocar na boia de Flamingo!! -Kio
gritou, provocando.

Todos rimos mais uma vez, e percebi que, sem nem perceber, já estávamos
completamente vendidos para a ideia. A viagem para a praia ia acontecer, e
com esse grupo, eu sabia que seria uma bagunça divertida e cheia de
momentos inesperados.

O restaurante, apesar do calor, era aconchegante. A luz baixa criava um


ambiente mais íntimo, e o cheiro da comida era irresistível. Tínhamos
pedido vários pratos diferentes: hambúrgueres, batatas fritas e até uma
porção de nachos que sumiu em segundos. Entre uma mordida e outra, as
conversas fluíam soltas, com todo mundo falando ao mesmo tempo, rindo e
fazendo planos.

Depois de muita risada e ideias malucas, a discussão sobre qual praia ir


começou a ficar séria.

—Miami seria muito foda! -Kio disse, com os olhos brilhando, como se já
estivesse se imaginando lá.

—Miami?! -Bryce riu.- Você tá ligado que a gente mora em Los Angeles,
né? A gente tem praias incríveis por aqui mesmo.

—Verdade. Que tal Malibu? Tá logo ali e tem uma vibe ótima! -sugeri,
tentando ser prática.

—Malibu é legal, mas eu tô pensando em algo mais... diferente. -Nick deu


de ombros- Que tal Santa Monica? A gente podia alugar umas bikes e andar
pelo calçadão também.

—Santa Monica é uma ótima ideia! -Mads balançou a cabeça animada-


Ainda tem aquele pier maravilhoso pra gente curtir à noite.
—Ou a gente podia ir para Laguna Beach, mais ao sul. -Bryce sugeriu, já
calculando o tempo de viagem.- É menos lotada, e a vista é de tirar o
fôlego!

Enquanto eles debatiam, Vinnie riu e olhou pra mim.

—Miami... Sério? Esses caras estão viajando.

—Miami tá meio longe, né? -Eu disse, rindo.- Mas entre as praias daqui,
Santa Monica me parece perfeita!

Kio, ainda insistente, fez um último apelo.

—A gente pode ir pra qualquer lugar, desde que tenha sol, mar e diversão!
Mas, beleza, Santa Monica tá de boa!!

Com isso, ficou decidido. Nosso destino seria Santa Monica, e a


empolgação só aumentava.

Mads, sempre a fashionista, já estava com outro plano em mente:

—Meninas, a gente pode dar uma voltinha no shopping amanhã pra ver
alguns biquínis! Que tal?

—Claro! -Avani sorriu.- Eu conheço uma loja que vende uns bem
bonitinhos, vocês vão amar!

O jantar já havia acabado, e nós todos saímos do restaurante, ainda rindo e


jogando ideias para a viagem. Eu e Vinnie fomos em direção ao carro no
estacionamento para que ele me deixasse em casa.

—Que ideia maluca! -Eu disse, rindo enquanto andávamos.- Mas acho que
vai ser uma boa dar uma pausa por alguns dias e só relaxar.

Parecia tão bom poder esquecer de tudo e passar um fim de semana


tranquilo. Eu parei na frente do carro e o abracei, sentindo a familiaridade e
o conforto dos braços dele ao meu redor.
—Vai ser bom pegar uma corzinha, uma marquinha, né amor? -Ele disse
com um tom provocador, me olhando com aquele sorriso malandro.

—Ei! -Eu dei um tapa no braço dele, rindo junto.-Tá me tirando, né?!

—É brincadeira, princesa. -Vinnie riu e me puxou mais perto, segurando


meu queixo com delicadeza.

Antes que eu pudesse responder, ele me deu vários selinhos rápidos, me


fazendo rir ainda mais.

—Você é um bobo. - eu disse, sorrindo, enquanto ele me olhava com aquele


jeito que sempre me fazia sentir especial.

—É, mas sou o seu bobo! -ele respondeu, me dando mais um beijo, dessa
vez mais demorado.

Nós dois sabíamos que aquele fim de semana ia ser inesquecível, cheio de
momentos loucos e divertidos com nossos amigos. Eu só conseguia pensar
em como ia ser bom estar na praia, com o sol, o mar, e, claro, ele ao meu
lado.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

———

Ai que saudade da praia

Galera, vamo se juntar e ir todo mundo pra praia? Não aguento mais ficar
em casa nesse calorão não KKKKKK brincadeira, hein!

———

Espero que fique legal essa ideia de praia na fanfic, mas aguardem os
próximos capítulos, vou tentar não demorar muito pra postar!
Capítulo 71
Estávamos eu, Mads e Avani no shopping, na seção de biquínis de uma loja
feminina, rodeadas por peças de cores vibrantes e estampas pra todos os
gostos. Ríamos e fazíamos comentários enquanto misturávamos as partes de
cima e de baixo dos biquínis, criando combinações um tanto... criativas.

—Que tal isso aqui? -Mads levantou um conjunto que ela mesma havia
montado: a parte de cima rosa e a parte de baixo branca.- É ousado, mas
acho que vai ficar fofo em você, Yas.

Eu ri, balançando a cabeça.

—Você tá adorando misturar as cores, né? Esse aqui também tá legal! -


disse, mostrando uma combinação de parte de cima laranja com parte de
baixo preta.

Mads segurou um conjunto de biquíni de estampa de oncinha contra o


corpo enquanto se olhava no espelho

—Quem você quer impressionar com esse biquíni aí, Mads? -Avani disse
rindo

—Um boyzinho aí que eu conheci! Ele mora em Santa Mônica, aí eu tenho


que impressionar, né?! -Mads disse rindo

Nós rimos e voltamos a olhar as peças

—Olha esse! Vai ficar lindo em você! -Mads quase gritou ao me mostrar
um biquíni todo vermelho. Ele era realmente muito bonito, mas também
muito... curto.

—Mads, você não acha que está muito curtinho não? -Perguntei, sentindo
minhas bochechas esquentarem um pouco.

Ela me olhou com aquela cara de "não seja boba".


—Claro que não! É perfeito! Vai ficar incrível em você.

—É lindo mesmo, Yas. E eu não achei tão curto, não. -Avani olhou por
cima do ombro e sorriu.

—Sem contar que o Vinnie vai ficar babando quando te ver vestindo isso!! -
Mads comentou com um olhar malicioso, me fazendo rir e revirar os olhos.

Nós três nos entreolhamos e começamos a rir, provocando umas às outras.


Era sempre assim quando nos juntávamos pra fazer compras,
principalmente de roupas de praia. As cores que íamos misturando
deixavam a sessão de compras ainda mais divertida.

—E esse aqui? -Avani perguntou, segurando um biquíni verde água de uma


só cor.- Simples, mas clássico, né?

—Esse é maravilhoso! -Eu disse.- E combina muito com você, Avani!

—Estou pegando esse pra mim então! -ela respondeu com um sorriso,
colocando o biquíni na sacola.

Enquanto ainda olhava algumas peças por perto, senti meu celular vibrar no
bolso. Era Vinnie. Me afastei um pouco das meninas para atender.

—E aí, gata! Quer fazer o que hoje à noite? -A voz dele veio do outro lado
da linha com aquele tom despreocupado.

—Acho que seria legal a gente pedir alguma comida e jantar lá em casa,
pode ser? -Eu sorri automaticamente

—Vamos na minha então, aí você dorme aqui hoje! -Ele disse com uma
certa malícia na voz, e eu não consegui evitar de rir alto.

—Ei! Não começa!! -brinquei. Vinnie riu também.

—O que você tá fazendo? -Ele perguntou.

—Tô no shopping com a Mads e a Avani -disse, olhando ao redor enquanto


andava pela loja.- Elas estão doidas! Estão comprando vários biquínis
diferentes! Parece que vão passar um mês na praia! -Falei, rindo da
situação.

—Nem me fala, Kio e Nick estão na mesma. Tão tão empolgados que não
param de comprar um monte de coisas pra viagem. A gente nem vai ter
espaço pra tudo isso.

De repente, ouvi Avani me chamar ao fundo.

—Yas! A gente tá olhando uns óculos de sol, vem com a gente!!

—Vou precisar desligar, amor. -falei para Vinnie.- Beijos! -Desliguei o


telefone com um sorriso e guardei o celular no bolso.

Voltei para perto das meninas, pronta pra escolher alguns óculos e continuar
a diversão.

Enquanto caminhava em direção a Avani, ouvi uma voz familiar, mas


estava abafada, como se alguém estivesse reclamando de algo. Olhei ao
redor, meio confusa, mas não vi ninguém além de mim e minha amiga.
Parei por um segundo, tentando entender de onde vinha o som, e quando
voltei a caminhar, trombei diretamente com uma mulher.

—Olha só o que você fez!! -Ela praticamente gritou, segurando um frasco


de produto de limpeza que, com o baque, acabou derramando sobre nós
duas. O líquido escorria pela minha blusa branca e pelo uniforme dela.

—Me desculpa! Não foi minha intenção... -falei, preocupada. E então,


quando finalmente olhei para o rosto dela, meu coração disparou.

Era Chloe.

Ela me olhou de cima a baixo com raiva nos olhos.

—Ah, claro, tinha que ser você! -Chloe disse, irritada ao perceber que era
comigo que tinha trombado.

Eu senti meu estômago revirar. Chloe não era qualquer pessoa. No passado,
ela foi uma amiga próxima, mas as coisas haviam terminado mal entre nós.
—Se acalma, foi sem querer! -Falei, nervosa, tentando evitar que a situação
piorasse.

Antes que eu pudesse continuar, Mads chegou ao nosso lado.

—Mas que demora, hein! O que tá acontecendo? -Ela perguntou, olhando


para a confusão à nossa frente. Seus olhos caíram sobre Chloe, e ela
rapidamente entendeu o que estava acontecendo.

—Olha, moça... minha amiga já disse que foi sem querer. -Avani tentou
intervir, com seu tom calmo e conciliador.

—Sem querer? Olha o estado do meu uniforme, sua imbecil! -Chloe gritou,
apontando para o uniforme de faxineira sujo de produto de limpeza. Ao
olhar para o chão, percebi que antes do nosso encontro, ela estava limpando
o piso, o que explicava a irritação.

—Olha só quem eu encontrei por aqui... como vai o trabalho, Chloe? -Mads
disse com uma ironia ácida que só ela sabia fazer.

—Não te interessa!! -Chloe respondeu, furiosa.

—Nossa... -Mads colocou a mão no peito, fingindo estar ofendida.- Não se


fala assim com cliente, amiga! -Ela provocou, mantendo o olhar firme em
Chloe.

Chloe estava visivelmente irritada, o rosto tenso e a mandíbula travada. A


situação estava saindo do controle.

—Já chega, meninas. Vamos voltar para o que estávamos fazendo antes! -
Eu disse, tentando acabar com o confronto antes que escalasse ainda mais.

—É, vamos! -Avani concordou, tentando me ajudar a manter a paz. Peguei


Mads pelo braço e a puxei, mas ela insistia em manter o contato visual com
Chloe, como se estivesse desafiando-a.

Finalmente, conseguimos nos afastar e voltar para a seção de biquínis, que


ficava do outro lado da loja. Quando estávamos longe o suficiente, Mads
finalmente relaxou.
—Essa garota não era aquela ex-amiga que vocês me contaram? -Avani
perguntou, curiosa.

—É ela sim! -Confirmei, suspirando. Olhei para minha blusa branca, agora
manchada com o produto de limpeza que Chloe estava usando.- Ai,
caramba... será que isso vai sair? -Falei, meio triste.

—Fica tranquila, amiga. Eu dou um jeitinho nisso! -Avani disse, tentando


me acalmar.

Mads, porém, ainda estava com o semblante fechado.

—E você, hein? -Avani disse, cruzando os braços e encarando Mads.- Eu


sei que aquela garota fez merda, mas não precisava abrir um barraco no
meio da loja, Madson!

—Mas eu nem falei nada demais! -Mads bufou, cruzando os braços,


visivelmente frustrada.

—Não adianta fazer cara feia pra mim, não! Já passou! Vamos focar nas
compras!! -Avani disse, balançando a cabeça, mas com um sorriso leve,
tentando trazer a paz de volta.

Eu suspirei aliviada, sabendo que, ao menos por agora, o pior tinha passado.

[...]

Avani me deixou na porta da casa de Vinnie e acenou com um sorriso antes


de partir. Assim que abri a porta e entrei, me deparei com o loiro sem
camisa, vestindo apenas uma calça de moletom cinza e com os cabelos
ainda úmidos, como se tivesse acabado de sair do banho. O coração deu
uma leve acelerada ao vê-lo assim tão despreocupado.

—Oi, meu amor! -Andei até ele, dando um selinho carinhoso.

Vinnie envolveu minha cintura com uma mão, mas seu olhar logo foi
atraído para a mancha na minha camisa.
—Cara, o que aconteceu com a sua blusa? -ele perguntou, franzindo a testa
enquanto ainda olhava para a mancha no meu uniforme.

—Ah, nada demais. Só um pequeno acidente! -falei meio sem graça,


tentando minimizar a situação.

Sem falar mais nada, Vinnie segurou minha mão e me guiou até seu closet,
onde começou a mexer em algumas gavetas. Ele pegou uma camisa dele e
me entregou.

—Toma, coloca isso.

—Não precisa! -protestei, segurando a camisa com as mãos, meio sem jeito.

Vinnie me olhou por alguns instantes com aquele sorriso travesso nos
lábios. Sem aviso, ele baixou o olhar para os meus lábios e, em um
movimento rápido, me puxou para um beijo feroz, cheio de desejo. Suas
mãos deslizaram para minha cintura, e antes que eu percebesse, ele me
levantou e me colocou em seu colo. Suas mãos apertaram minha bunda,
fazendo meu corpo arquear instintivamente durante o beijo.

Ele interrompeu o beijo por um segundo, rindo baixinho, e antes que eu


pudesse protestar ou reagir, Vinnie já estava puxando a minha blusa
manchada por sobre minha cabeça, deixando-me apenas de sutiã e com a
saia do uniforme escolar.

Com um sorriso vitorioso, ele pegou a camisa que me deu antes e a colocou
em mim.

—Pronto! -disse, orgulhoso de si mesmo, como se tudo tivesse saído


exatamente como ele queria.

Fiz uma careta para ele, tentando não rir, e desci de seu colo, ajeitando a
camisa larga. Ele apenas riu de novo, claramente satisfeito com o resultado.
Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!
Capítulo 72
Eu estava sentada ao lado de Vinnie no sofá quando uma senhora de meia
idade aparecesse na sala, vestindo um casaco, como se estivesse pronta para
ir embora.

—Senhor Vinnie, já estou indo... o senhor precisa de mais alguma coisa? -


Ela perguntou com gentileza.

—Não preciso de mais nada, Joana. Está dispensada. -Vinnie respondeu,


levantando-se do sofá.

Joana então percebeu minha presença, seus olhos se iluminaram com um


sorriso enorme.

—Essa é aquela moça que você me falou? Ela é mais bonita pessoalmente!
-Disse, olhando diretamente para mim.

Vinnie, com um orgulho evidente na voz, se apressou em responder.

—É ela sim, estamos namorando!

Levantei-me e, com um sorriso grande no rosto, estendi minha mão para


cumprimentá-la.

—Me chamo Yasmim, muito prazer, senhora!

Joana pegou minha mão de forma calorosa, retribuindo o sorriso.

—Que menina educada! Muito prazer, Yasmim. Me chamo Joana!

Vinnie, agora de pé ao meu lado, colocou um braço em volta dos ombros da


senhora.

—Joana trabalha na minha família há muitos anos. Ela praticamente cuidou


de mim e do Reggie a nossa infância inteira.
A mulher riu, colocando a mão na testa como se relembrasse momentos
passados.

—Ah, Yasmim, você nem imagina! Esses meninos eram uns pestinhas! Um
mais arteiro que o outro! -Ela riu, puxando de leve a orelha de Vinnie, que
sorriu sem jeito.

—Eu imagino mesmo! -Respondi não conseguindo conter o riso

Joana, com um brilho nos olhos, continuou:

—Uma hora dessas, eu vou te mostrar as fotos dele pequeno. Ele era um
amorzinho! Inclusive, tenho uma foto sua tomando banho na bacia quando
pequeno! -Ela disse, rindo enquanto olhava para Vinnie, que ficou com o
rosto tão vermelho quanto uma pimenta.

—Nem brinca com isso, Joana! -Vinnie disse envergonhado, tentando não
rir.

Conversamos um pouco mais, com Joana compartilhando mais histórias


engraçadas do passado de Vinnie, até que finalmente ela foi embora,
deixando a casa com uma leveza no ar.

Assim que a comida chegou, Vinnie escolheu um filme de ação para


assistirmos juntos. Nos acomodamos no sofá, e o filme começou

[...]

Conforme o tempo passava, já estávamos na metade do filme quando senti


Vinnie começar a depositar beijos suaves em meu pescoço, me arrepiando
completamente. Suas mãos começaram a deslizar pela minha coxa,
apertando de leve, e um suspiro escapou de meus lábios.

Quando nossos olhares se encontraram, ele não perdeu tempo, atacando


meus lábios com um beijo profundo, carregado de desejo e luxúria.

Nós levantamos do sofá e Hacker me acompanha até o quarto. Não falamos


nada um para o outro o caminho todo, mas eu podia sentir seus olhos me
avaliando lentamente
Subi em seu colo e coloquei os braços em volta de seu pescoço, ele olhava
para mim atentamente, avaliando cada um de meus movimentos. Sua pupila
dilatada mostrava o quanto ele me deseja neste momento.

Suas mãos foram rápidas em irem até a minha bunda e apertando-a com
força, sorriu travesso.
Sem perder o contato visual comigo nem por um segundo, Vinnie soltou
uma gargalhada maliciosa assim que eu comecei a rebolar em seu colo.

Porra, que homem!

Continuei me movendo, sentindo sua calça moletom cinza ameaçar sair


com o movimento de nossos corpos, já aparentando uma pequena mancha
de pré gozo.

Vinnie me deitou na cama e se abaixou na minha frente,ele tira minha saia


com calma e mordeu o tecido da minha calcinha.

Ele a puxou para baixo com os dentes e a jogou em um canto qualquer do


quarto. Hacker me puxou mais para a beirada da cama e colocou o rosto
entre minhas coxas.
Senti a respiração ofegante dele aquecer minha pele e gemi quando senti a
língua dele percorrer minha intimidade. A língua dele explorou cada canto
da minha intimidade me fazendo gemer um pouco de alto e ir ao delírio em
poucos segundos.

Vincent revezou entre chupadas lentas e em me penetrar com a língua,seus


dedos apertaram devagar minhas coxas e ele precionou a língua em meu
clitóris.

O loiro penetrou dois dedos dentro de mim em formato de gancho e acertou


em cheio meu ponto de prazer, ele continuou fazendo movimentos
circulares com a língua até que me fez gozar de novo.

Gemi o nome dele baixo e Puxei seus cabelos com um pouco de força, ele
continuou investindo em chupadas lentas e prazerosas. Ele sorri parando de
me chupar e lambendo os lábios
—irresistível...

Pov — Vincent Hacker

Alles se ajoelhou em minha frente e abaixou minha calça junto com a cueca

Juntei o cabelo dela com uma das mãos para não atrapalhar e suspirei
pesado quando senti sua língua quente passar na cabeça de meu membro.

Ela segurou meu membro com uma das mãos e passou a língua por toda a
extensão do meu pau, soltei um suspiro baixo, passo meus dedos
suavemente em seus cabelos e logo ela colocou uma parte do meu membro
na boca.
Gemi baixo sentindo aquela sensação boa da boca dela e Puxei devagar seu
cabelo, Yasmim começou a mover a boca devagar e afundando mais meu
pau em sua boca, tentando colocar o máximo que conseguia.

Ela começou a depositar beijos por toda a extensão de meu membro mas
logo colocou novamente uma parte do meu membro em sua boca e
começou a chupar com mais vontade.

Sua língua fazia movimentos circulares na cabeça do meu pau e sua mão
masturbava o que não coube, suspirei baixo apertando seus cabelos fechei
meus olhos tombando minha cabeça pra trás.

Como alguém consegue me levar ao delírio assim?

Ela parou de me chupar e lambeu a extensão do meu membro enquanto


mantinha seus olhos fixos em mim, juntei seu cabelo mais firme

Soltei um gemido alto quando ela colocou tudo na boca e arranhou com um
pouco de força meu abdômen, um gemido meu ecoou pelo quarto quando
acabei gozando.

Pov — Yasmim Alles

Vinnie se levantou da cama e andou até a mesinha ao lado de sua cabeceira,


pegando um preservativo que havia em sua gaveta
Ele volta para a cama se encaixando entre minhas pernas e então segura
minhas mãos por cima da minha cabeça e me penetra com vontade.

Seu pau era enorme e eu o sentia me rasgando por dentro, era doloroso,
afinal, 23 cm não é pouca coisa! parecia que eu estava tendo minha
primeira vez novamente.

Logo o dor passou e eu estava sentindo um prazer enorme. Ele mal


precisava se mover pra me dar prazer. Seu membro era enorme e me
preenchia por inteiro, em poucos movimentos ele já me dava o prazer que
eu precisava pra delirar. Era incrível.

Ele esticou sua mão até o meu pescoço e deu uma leve apertada, olhando
fundo em meus olhos.

Ele começa a se movimentar rápido, fazendo meus peitos pularem, eu olho


pra ele e ele parecia. Hipnotizado pelos meus peitos.

Vincent segurou o meu pescoço e começou a aperta-lo aos poucos enquanto


suas estocadas
estavam ficando mais fortes....

Comecei a rebolar em seu membro enquanto ele desacelerou os


movimentos e passou a me penetrar devagar. Senti um enorme prazer
quando juntamos nossos movimentos, daquele jeito eu chegaria rápido ao
ápice.

Quando gozei, Hacker acelerou novamente os movimentos intensificando


ainda mais meu orgasmo....

ele retirou o membro de mim e me mandou ficar de quatro pra ele.

Assim que o fiz ele me penetrou com força e sem delicadeza, me fazendo
gemer ainda mais alto enquanto estocava rápido.

Uma de suas mãos apertava a minha bunda enquanto a outra dava fortes
tapas nela.
Saímos da posição e Vinnie se deitou na cama.
Passei a perna por cima dele e sentei no seu membro, de costas para o loiro.

Enquanto eu cavalgava no seu membro, Vinnie acariciava minhas costas,


descendo seus dedos até a minha bunda.

Comecei a rebolar em seu membro, fazendo nós dois gemer, Vinnie me


beijava e me agarrava como se eu fosse escapar de suas mãos. Eu arranhava
suas costas enquanto ele abraçava as minhas.

Apesar dos insultos, era inegável a química que a gente tinha durante o
sexo. Enquanto eu rebolava nele, Vincent descia sua mão até o meu clitóris
e o circulava, aumentando ainda mais o meu prazer.

—Eu vou gozar...

Assim que gozei, Hacker me puxou me fazendo deitar sobre ele, segurou
minha bunda e começou a estocar rapidamente em mim.

Somente quando se cansou, diminuiu o ritmo e parou.

Me deito ao seu lado na cama tentando regular minha respiração

Minhas pernas estavam tremendo e nossos corpos suados refletiam a


intensidade do que acabara de acontecer. Vinnie me puxou para mais perto,
e eu deitei a cabeça em seu peito musculoso. Ele começou a acariciar meus
cabelos de forma tão suave que, antes que percebesse, comecei a cair no
sono, sentindo a tranquilidade me envolver.

[...]

No meio da madrugada, porém, fomos despertados pelo som insistente da


campainha. Eu ainda estava meio dormindo, exausta, mas tentei me sentar
na cama, procurando forças nas pernas trêmulas. Vinnie, também ainda
sonolento, se mexeu ao meu lado. Fiquei de pé com dificuldade, vestindo
uma calcinha e a camisa larga dele, enquanto ele procurava pela cueca e a
calça que tinha jogado em algum canto do quarto.
Descemos as escadas juntos, e assim que abrimos a porta, nos deparamos
com Kio e Nick, parados ali com expressões animadas e completamente
prontos para o dia. Ao redor deles, havia um total de sete malas gigantescas,
repletas de coisas. Ao fundo, pude ver as boias que eles tinham prometido:
uma enorme boia de flamingo rosa e outra em formato de pizza gigante.

Olhei para os dois, tentando processar a cena absurda diante de mim. Kio
estava vestindo um short azul-marinho todo florido, uma camiseta branca, e
completava o visual com um chapéu de praia e óculos de sol. Já Nick
parecia ter entrado de cabeça no estilo tropical. Ele usava um short com
estampas de coqueiros, uma blusa vermelha florida com os botões abertos,
exibindo seu peitoral, e também tinha óculos de sol, com seu chapéu de
praia pendurado no pescoço pela cordinha.

—O que vocês estão fazendo aqui a essa hora? -Vinnie perguntou, a voz
rouca de sono e ainda confusa com a cena.

—Preparativos, mano! Estamos prontos para a praia! -Kio exclamou, rindo.


Nick, ao seu lado, apenas assentiu, mostrando uma das boias com orgulho.

Vinnie e eu nos entreolhamos, sem saber se deveríamos rir ou voltar para a


cama e fingir que isso nunca aconteceu.

—Meninos, são duas da manhã... vocês não podiam esperar um pouquinho


mais? -perguntei ainda sonolenta, não conseguindo abrir 100% dos olhos
pela forte iluminação da casa

—A gente nem dormiu ainda! -Nick disse rindo

—Como a viagem é hoje, a gente veio esperar aqui com vocês! Afinal, a
gente vai junto no carro, né? -Kio falou com uma animação enorme

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Capítulo 73
Eu estava sentada na cama do quarto de Vinnie com Hera deitada em meu
colo, ronronando tranquilamente. Acariciei o pelo dela e suspirei, olhando
para a porta do closet onde Vinnie estava arrumando suas malas.

—Hera, seu pai demora muito! -Disse, abraçando a pequena enquanto ela se
acomodava melhor no meu colo.- Já tá virando uma novela essa mala,
hein...

Do closet, ouvi a voz de Vinnie, abafada, mas claramente provocativa:

—Se continuar reclamando, eu vou demorar de propósito!

Revirei os olhos, rindo.

—Só não demoro mais porque sei que você ia reclamar ainda mais. E, por
favor, não coloque minha gata contra mim!-Ele saiu do closet, rindo e me
lançando um olhar brincalhão.

Mostrei a língua pro loiro e Vinnie balançou a cabeça, claramente se


divertindo com a situação.

Finalmente, Vinnie terminou de arrumar suas malas, e descemos até a sala.


Ele começou a colocar nossas coisas no porta-malas da X1. Enquanto
esperávamos os meninos, eu acariciava Hera mais uma vez, ainda rindo das
provocações de Vinnie.

Foi então que Kio e Nick apareceram, cada um carregando várias malas.

—Acho que eu peguei pouca coisa. -Kio comentou, coçando a cabeça e


olhando suas quatro malas gigantes com uma expressão confusa.

—Meu Deus, Kio! Pra que tanta mala? São só três dias! -Não pude evitar de
rir.
Nick se virou para mim e apontou para uma das malas de Kio.

—Yas, ele colocou uma jaqueta de neve na mala!

—Ei, nunca se sabe quando vai precisar, né? -Kio se defendeu, dando de
ombros.

—Tá fazendo 33 graus, e nesse final de semana vai estar pior ainda! COMO
KARALHOS VAI NEVAR NESSA PORRA?-Nick gritou, claramente
exasperado.

Kio cruzou os braços e retrucou.

—Disse o cara que tá levando um casacão gigante todo peludo pra praia!

Vinnie, que já estava fechando o porta-malas, se pronunciou, cortando a


discussão no mesmo instante.

—Chega os dois, porra!

Os meninos calaram a boca no mesmo instante e começaram a colocar suas


malas no carro. Algumas foram parar no porta-malas, mas a maioria acabou
no banco de trás, ocupando quase todo o espaço ao redor deles.

Voltei para dentro de casa para colocar Hera pra dentro, quando voltei, notei
que Kio estava sentado no banco da frente

—Kio, pode ir no banco de trás, por favor? -pedi

—Desculpa, gata.. mas ali tá muito apertado! Não vai dar.

Vinnie abriu a porta, se abaixou na altura do carro e disse:

—Vaza daí, Kio! Esse é o lugar da minha mulher.

Kio revirou os olhos resmungando mas se sentou no banco de trás.

—Ai, será que eu não vou passar mal? -Nick perguntou, com uma
expressão preocupada colocando a mão na barriga- Da última vez que eu
viajei de carro, eu passei mal, hein!

—São só meia hora de distância, nem é tanta coisa assim. -Vinnie olhou
pelo retrovisor e respondeu com calma.

Mas Nick já começava a dramatizar, se contorcendo no banco de trás.

—Ah, tá me dando enjoo já, aí meu Deus, socorro!

—Nós nem saímos do condomínio ainda, seu idiota! -Kio, ao lado dele, riu
e balançou a cabeça.

[...]

As janelas estavam abertas, e o vento fresco da manhã batia no meu rosto,


bagunçando meu cabelo de leve. Até que Kio, sentado no banco do
passageiro ao lado de Nick, resolveu tornar o momento mais animado.

Ele mexeu no som do carro e, em questão de segundos, "Baby" do Justin


Bieber começou a tocar. Kio, sendo Kio, aumentou o volume no máximo, o
que fez todo o carro vibrar com os graves da música. Ele virou para mim
com um sorriso travesso, me encarando e, do nada, começou a cantar com
toda a força e, claro, completamente desafinado.

—Oh-ooh-whoa-oh, oh-oh-oh-oh -Kio cantou, e eu tive que me segurar


para não dar risada. Sua voz aguda e desajeitada era cômica demais.- You
know you love me, I know you care, Just shout whenever, and I'll be there.
You are my love, you are my heart, And we will never, ever, ever be apart!

Eu e Vinnie nos olhamos com aquela expressão de "ele não fez isso", mas
logo nossos rostos se abriram em gargalhadas. Vinnie balançou a cabeça,
rindo, enquanto tentava se concentrar na estrada, mas estava claro que ele
estava se divertindo.

Nick, que não ficava de fora de uma boa zoeira, se juntou à brincadeira,
cantando de forma exagerada e dramatizada, como se estivesse no meio de
um show.
—Are we an item? girl, quit playin'. "We're just friends" what are you
sayin'? Said, "There's another", and looked right in my eyes My first love
broke my heart for the first time, and I was like...

As vozes desafinadas dos dois enchiam o carro e, mesmo sabendo que era
uma bagunça, não consegui me segurar. Me juntei a eles, porque, bem,
quando mais eu poderia cantar tão alto e despreocupadamente?

—Baby, baby, baby, oh! Like, Baby, baby, baby, no! Like, Baby, baby,
baby, oh! -cantamos os três juntos enquanto Vinnie só ria, se divertindo com
a nossa palhaçada.

—Vem, Vinnie, canta junto! -Nick gritou no meio da música, cutucando-


o.

—Vamos, amor! -Eu virei para ele enquanto ria

Ele balançou a cabeça, fingindo resistência, mas acabou se rendendo. Com


uma voz baixa e meio envergonhada, Vinnie começou a cantar junto
conosco.

—Baby, baby, baby, oh! Like, Baby, baby, baby, no! Like, Baby, baby,
baby, oh! I thought you'd always be mine, mine... -Ele completou a frase,
arrancando uma série de aplausos e vaias brincalhonas de nós.

Depois da "performance", Kio fez uma piada sem graça sobre como
devíamos formar uma banda, o que nos fez revirar os olhos e rir ainda mais.
Entre uma música e outra, Nick mexia na playlist, colocando desde
clássicos dos anos 2000 até aquelas músicas que ninguém aguenta mais
ouvir, mas todo mundo canta junto mesmo assim. Cada vez que o ritmo
caía, alguém fazia uma piada ou puxava outro hit nostálgico, e o carro
estava sempre cheio de risadas e brincadeiras.

Vinnie, apesar de tentar manter o foco na estrada, não conseguia evitar dar
risadas das piadas ruins e das piadas internas que só nós entendíamos. A
cada música nova, a sensação de leveza aumentava, e, por um momento,
parecia que nada mais importava além daquele carro cheio de vozes
desafinadas e amigos se divertindo como se não houvesse amanhã.
—Então, eu tava pensando em fazer uma festa do pijama lá, sabe? Tipo,
todo mundo dormindo na sala, seria muito daora! -Nick disse animado

—Verdade! A gente pode fazer um karaokê, pedir várias pizzas, vai ser
muito foda! -Kio se juntou à ideia

—Vocês dois vão com a gente né? Nós vamos falar com a Avani e os
outros. Vamos, vai ser legal!

Hacker me olhou por alguns segundos, colocou a mão em minha coxa e a


apertou

Ele vai aprontar alguma coisa...

—Se vocês quiserem ouvir a Alles gemendo a noite inteira, fiquem à


vontade! -ele disse simples, mas de maneira maliciosa

Meu Deus.

—Vincent! -dei um tapa em seu braço extremamente corada com sua


resposta

[...]

Chegamos em Santa Mônica e fomos direto para a casa, que ficava à beira-
mar, com uma vista de tirar o fôlego. Assim que paramos, deu para ver
como ela era grande, mas sem perder aquele ar aconchegante de casa de
praia. A fachada tinha um design moderno. O que mais chamava a atenção
eram as enormes janelas e portas de vidro, que preenchiam quase toda a
parte de trás da casa, deixando a luz do sol entrar e iluminando tudo com
uma claridade suave e convidativa.

Ao entrar, o ambiente parecia espaçoso e bem arejado. A sala de estar se


abria em um conceito aberto, com móveis confortáveis em tons claros e
detalhes de decoração que remetiam ao mar — conchas, quadros de
paisagens praianas e alguns vasos com plantas. No andar superior, os
quartos eram próximos uns dos outros, criando uma sensação de
proximidade entre todos nós, mas ao mesmo tempo mantendo um clima de
privacidade. Cada quarto tinha grandes janelas que davam para o mar ou
para o jardim.

Nos fundos, o verdadeiro encanto da casa: uma piscina cercada por


espreguiçadeiras e uma hidromassagem, perfeitas para relaxar enquanto se
apreciava a vista incrível do oceano. A poucos passos dali, uma escadinha
levava direto à areia da praia.

—Uau! -eu disse, encantada com a casa assim que cruzamos a porta. Logo
atrás de mim, os meninos estavam trazendo as malas, e a cena era quase
cômica com Kio e Nick brigando para não deixarem as malas caírem.

Poucos minutos depois, ouvimos vozes e risadas vindo da entrada. Avani,


Mads e Bryce chegaram, e assim que Mads entrou, seus olhos se
arregalaram, a boca abrindo em um grande sorriso.

—Cacete, olha essa casa! -Mads gritou, ainda boquiaberta, andando


lentamente enquanto olhava ao redor.

—Puta merda, o que que tem dentro dessa mala? -Bryce disse surpreso,
olhando para a mala enorme de Kio

Kio apenas deu de ombros com um sorriso travesso.

—Ah, só o essencial. Nunca se sabe o que vamos precisar -ele respondeu,


piscando para Bryce, que revirou os olhos.

Eu ri, imaginando o tipo de "essencial" que ele devia ter colocado ali

—TEM PISCINA? MENTIRA! -Nick gritou assim que reparou na parte


dos fundos da casa

Antes que qualquer um pudesse responder, ele já estava correndo para os


fundos, arrancando a camisa no caminho. Em questão de segundos, ele
mergulhou na piscina, causando um grande splash.

—Cara, você é louco! -Kio gritou, mas não resistiu. Sem nem se
preocupar em tirar a roupa, correu atrás de Nick e pulou na água com tudo,
fazendo um mergulho exagerado que nos fez rir ainda mais.
O barulho da água e as risadas ecoavam pela casa, enquanto eu, Vinnie,
Mads e o resto do grupo nos aproximamos da porta de vidro, rindo da cena.
Mads cruzou os braços, balançando a cabeça em negação, mas com um
sorriso no rosto.

—Eles nunca mudam, né? -ela comentou.

—Parece que não. -respondi, enquanto observávamos os dois nadando


como se estivessem em uma competição.

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Capítulo 74
Ajudei Avani a preparar um almoço improvisado com o que tínhamos na
casa. Não era nada elaborado, mas era suficiente para nos dar energia para o
resto do dia. Depois de comermos, todos começaram a se preparar para ir à
praia. Eu estava no quarto principal com Vinnie, e quando vesti o biquíni
vermelho que as meninas me convenceram a comprar, vi o reflexo dele no
espelho.

—Uau... -Vinnie sussurrou, com os olhos fixos em mim.

Parei na frente do espelho, analisando meu corpo. Por mais que eu soubesse
que tinha um corpo bom, bem definido, minhas inseguranças sempre
falavam mais alto. Meus olhos focavam nos pequenos detalhes que, na
minha cabeça, não eram tão perfeitos.

Vinnie se aproximou, ficando atrás de mim. Seus braços envolveram minha


cintura, e ele começou a distribuir beijos suaves no meu pescoço, o que me
fez fechar os olhos por um momento.

—Você está linda. -ele sussurrou em meu ouvido, me fazendo sorrir


levemente.

Mas, ainda assim, o desconforto persistia. Eu apenas dei um sorriso fraco,


tentando afastar aqueles pensamentos, e saímos do quarto juntos para nos
juntarmos ao resto do pessoal.

Quando chegamos ao andar de baixo, meus olhos se arregalaram ao ver


Mads com um biquíni de oncinha que deixava pouco à imaginação.

—Meu Deus! -falei surpresa, rindo. Mads apenas deu uma piscadinha.

Avani estava com um biquíni azul Royal, simples, mas que realçava sua
beleza natural. Eu e ela decidimos nos sentar embaixo do guarda-sol,
observando os meninos correrem em direção ao mar.
Enquanto eu os assistia, meus olhos pararam nas costas de Vinnie, e foi
impossível não reparar nos arranhões marcados que ele carregava da noite
passada. Avani percebeu minha reação e me olhou com uma sobrancelha
arqueada, soltando uma risadinha cúmplice.

—Não vai entrar?* — perguntei a ela, tentando mudar de assunto.

—Acho melhor não... Não estou muito bem... E o mar está meio violento.
Talvez eu vá quando der uma acalmada. -ela respondeu, parecendo um
pouco abatida.

Eu assenti, entendendo que ela não estava em seu melhor dia, e voltei a olhar
para o horizonte, deixando a brisa do mar e o som das ondas trazerem um
pouco de paz.

Vinnie voltou do mar todo molhado, passando as mãos pelos cabelos


enquanto as gotas de água escorriam pelo seu corpo. Ele se sentou ao meu
lado, ainda pingando, e os outros meninos logo o seguiram, rindo e
brincando enquanto se secavam. Bryce e Vinnie começaram a preparar seus
copos com energético, uísque e gin, misturando tudo com a casualidade de
quem já fazia isso há tempos.

— Quer? — Vinnie perguntou, me oferecendo um gole.

— Não, obrigada — respondi com um sorriso. Eu nunca fui de beber


bebidas alcoólicas.

Enquanto os meninos conversavam sobre coisas aleatórias, histórias do


passado e piadas internas, me inclinei levemente e deixei minha mão
escorregar pelas costas do loiro. Senti sua pele ainda úmida e quente do sol
enquanto passava meus dedos suavemente pelas marcas dos arranhões que
deixei nele na noite anterior. Traçava as linhas quase como se estivesse
desenhando.

Vinnie não tirou os olhos da conversa com os meninos, mas um sorriso de


canto apareceu em seu rosto. Eu continuei ali, passando os dedos pelas
marcas, enquanto ele mantinha a postura relaxada.
—Depois eu preciso falar com você. -Vinnie disse de maneira séria, o que
fez meu estômago se revirar instantaneamente.

—Aconteceu alguma coisa? -perguntei, com uma pontada de apreensão.

Ele não respondeu de imediato, apenas terminou o que restava da sua bebida,
deixando o copo de lado enquanto se levantava da cadeira. Minha mente já
começava a correr com mil cenários, mas Vinnie parecia imperturbável.

—Vamos? -ele estendeu a mão para mim, seu tom mais calmo agora, como
se estivesse tentando aliviar o clima.

Hesitei por um momento, ainda processando sua mudança de


comportamento, mas acabei cedendo. Peguei sua mão e nos dirigimos juntos
para o mar, o som das ondas quebrando suavemente ao nosso redor. A água
estava fria, mas ao mesmo tempo refrescante, e por alguns instantes, a
sensação era de que o tempo tinha parado, embora minhas preocupações
ainda estivessem no fundo da mente, esperando pelo que ele tinha para me
dizer.

Entrei no mar só até a metade de meu corpo, evitando molhar meu cabelo,
mas claro que Vinnie logo percebeu minha intenção. Ele me olhou com
aquele sorriso travesso que sempre me deixava em alerta.

—Ei! Para com isso! -gritei, rindo, quando vi que ele vinha na minha
direção, com o claro objetivo de me molhar.

—Vem aqui, princesa. Me dá um abraço! -ele disse, abrindo os braços de


forma exagerada, mas eu sabia muito bem o que ele estava planejando.

Tentei me afastar rapidamente, mas Vinnie foi mais rápido, me pegando em


um abraço apertado antes que eu conseguisse escapar. Nós dois começamos
a rir enquanto ele me prendia em seus braços. Antes que eu pudesse protestar
mais, ele me levantou e mergulhou comigo em seu colo, sem me dar chance
de fugir.

—NÃO! -foi tudo o que consegui gritar antes de ser submersa. A água fria
nos envolveu, e quando voltamos à superfície, soltei um grito frustrado:
—VINCENT! -falei brava, mas rindo ao mesmo tempo.

Ele apenas gargalhava, claramente se divertindo com minha reação,


enquanto eu tentava tirar a água do rosto.

[...]

O dia já estava se despedindo, e o céu começava a ganhar tons de azul


escuro e laranja. Após o tempo na praia, fomos tomar banho. Vinnie foi
primeiro, e enquanto ele estava lá, me permiti relaxar, sentindo o cansaço
agradável do dia. Quando ele saiu do banheiro, foi minha vez. Levei um
pouco mais de tempo do que o habitual, tirando cuidadosamente a areia do
cabelo e aproveitando a água quente para me livrar da sensação salgada do
mar.

Assim que terminei, vesti uma regata branca e um short de pijama rosa
clarinho, confortável e suave contra minha pele ainda quente do banho.
Meus cabelos, ainda molhados, escorriam pelas costas quando saí do
banheiro e, ao entrar no quarto, notei Vinnie sentado casualmente em uma
poltrona ao lado de uma mesinha com alguns livros.

—Princesa, vem cá. -ele disse de forma tranquila, sua voz baixa e firme, o
olhar fixo em mim.

Assim que cheguei em sua frente, Vinnie me puxou com facilidade para seu
colo, seu toque firme, mas delicado. Ele suspirou profundamente antes de
falar, como se estivesse ponderando as palavras.

—Você vai morar comigo.

Eu o encarei, surpresa e confusa. Não era algo que havíamos discutido, e eu


tinha minha própria casa.

—O que? Por que? -perguntei, tentando entender.

—Depois daquele dia, no jantar, quando tentaram invadir sua casa, aquele
homem... era um funcionário do Oliver. Sua casa não está segura. -Vinnie
manteve seu olhar firme em mim.
Meu estômago afundou com a menção do nome de Oliver. Eu me endireitei
um pouco em seu colo, tentando encontrar uma justificativa.

—Mas tem vários seguranças, não precisa disso!-argumentei, sentindo meu


peito apertar. Eu estava começando a finalmente me sentir segura em casa.

Vinnie, no entanto, não parecia disposto a ceder.

—Yasmim, você não está segura naquela casa, eu não vou deixar você em
perigo. -Ele fez uma pausa, seus olhos se suavizando um pouco enquanto me
segurava com mais força. -Me desculpa por tomar essa decisão sozinho, sem
te consultar, mas você vai estar mais segura comigo.

Eu passei as mãos pelo rosto, tentando assimilar tudo. Sabia que ele estava
apenas tentando me proteger, mas era difícil processar a ideia de abandonar
minha casa, o lugar que sempre foi o meu refúgio, o espaço que tinha meu
toque pessoal em cada canto.

Vinnie me abraçou forte, seus braços envolvendo meu corpo de forma


protetora, enquanto ele depositava beijos suaves em meu ombro.

—Tudo bem. -sussurrei, sentindo o conflito em meu peito.

Eu amava passar o tempo com ele, estar perto de Vinnie, mas minha casa era
meu espaço, meu mundo. Mesmo assim, eu sabia que ele faria de tudo para
me manter segura.

As batidas suaves na porta quebraram o silêncio. Quando a abri, encontrei


Avani sorrindo para nós. "Vocês querem ir com a gente ao restaurante?
Todos estão indo para uma hamburgueria bem famosa aqui na cidade," ela
disse, animada.

Troquei um olhar com Vinnie e decidimos não ir.

—Acho que vamos ficar por aqui mesmo! -respondi com um sorriso.
Avani assentiu e se despediu, mas antes de ir, dei de cara com Mads, que
estava impressionante em um corset azul royal e uma saia branca.
—Nossa, que linda! -Elogiei sinceramente, apreciando o quanto ela estava
deslumbrante.

—Obrigada, gatinha! —Mads respondeu de forma brincalhona, me


jogando um beijinho no ar.- Tem certeza que não vão com a gente? -Ela
perguntou de novo, fazendo uma última tentativa de nos convencer.

—Não, aproveitem por nós. -Balancei a cabeça, rindo.

Eles saíram animados para o restaurante, deixando a casa em um silêncio


agradável. Eu e Vinnie fomos para a sala, onde nos deitamos juntos no sofá,
acomodados um ao lado do outro. Peguei meu celular e ele fez o mesmo,
trocando algumas palavras despreocupadas enquanto mexíamos nos
aparelhos. O momento era calmo, sem pressa, apenas aproveitando a
companhia um do outro em uma noite tranquila.

[...]

—Caramba, já são quase uma da manhã! -falei, surpresa ao perceber como


o tempo tinha passado rápido. Vinnie riu ao meu lado e me olhou de forma
brincalhona.

—Sabe o que eu tô afim de fazer? -Ele me lançou um olhar cheio de


segundas intenções, e antes que eu pudesse responder, estendeu a mão para
mim, puxando-me em direção ao lado de fora da casa, onde havia uma
banheira de hidromassagem ao lado da piscina.

—A essas horas? Não está muito tarde para tomar banho na banheira,
amor?-perguntei, coçando a cabeça e olhando para o céu escuro. Ele apenas
sorriu de lado, sem se abalar.

—Tá perfeito! -Ele respondeu enquanto tirava a camisa com facilidade.

—Não! Você está louco? Alguém pode te ver! -falei rapidamente, tentando
impedi-lo quando ele começou a tirar a bermuda.

Vinnie soltou uma risada curta, claramente achando graça da minha


preocupação.
—Gata, esse 'muro' impede que todos olhem para cá. E, além disso, as
casas aqui são bem afastadas umas das outras. Relaxa! -Ele falou com
confiança, gesticulando em direção às grandes plantas que cercavam a casa,
formando uma barreira natural.

As plantas eram altas e densas, como um muro verde que realmente


bloqueava a visão de qualquer curioso. No chão, pequenas lâmpadas
embutidas no deque de madeira escura iluminavam suavemente a área,
dando um ar aconchegante e privado ao ambiente. Mesmo assim, hesitei por
um momento, ainda me sentindo um pouco exposta à ideia.

Vinnie, no entanto, parecia completamente à vontade, rindo e me puxando


para mais perto da água, sua energia despreocupada começando a me
contagiar.

Hacker colocou as mãos em minha cintura e começou a me beijar com


desejo, como se desde que haviamos nos conhecido ele quisesse fazer
aquilo. Coloquei as mãos no pescoço dele e comecei a fazer carinho em seus
cabelos loiros. Ele me pegou em seu colo e me colocou na enorme banheira

Liguei a banheira, que começou a encher de água e logo fui tirando minha
regata e meu short, ficando apenas de calcinha e sutiã. Ele fez a mesma
coisa, ficando apenas de cueca.

A banheira já estava cheia de água, Vinnie entrou e olhou pra mim, com um
olhar de quem estava gostando daquilo.

Hacker me puxou para seu colo, o beijo rapidamente ficou mais quente e
cheio de luxúria de ambos,nos separamos quando sentimos que nossos
pulmões imploravam por ar. Vinnie começou a descer seus beijos para meu
pescoço distribuindo ali também mordidas,chupões e lambidas me fazendo
arfar com seus toques.

Ele começou a beijar meu pescoço e foi descendo, na hora que ele tirou meu
sutiã os olhos dele brilharam, não perdendo tempo e atacando meus seios.

Vincent começou a descer com a mão até minha cintura e chegando na


minha intimidade. Ele tirou minha calcinha e enfiou dois dedos lá dentro,
bem devagar em formato de gancho.
Apesar de nossos movimentos estarem sendo limitados pela água, isso não
nos impediu de continuar.

Ele fazia movimentos de vai e vem e eu estava


amando aquilo, tirei a cueca dele e comecei a bater para ele, mas quando
estávamos quase chegando em nossos ápices, ele parou e me puxou para
mais perto, introduzindo seu membro em minha intimidade.

Comecei a fazer movimentos lentos, enquanto ele me olhava. Fui


aumentando a velocidade e começamos a nos beijar novamente, ele colocou
a mão na minha bunda, guiando meu quadril enquanto eu arranhava as
costas dele e deixava chupões por seu corpo inteiro.

Eu gemia seu nome cada vez mais alto, as estocadas estavam sendo cada vez
mais rápidas e profundas, até que ele tirou membro dele de dentro de mim e
gozou em minha barriga.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

———

Respondendo a dúvida que algumas de vocês tem me feito:


Eu imagino a Mads assim:

Instagram
@nmellyy
Madson Hailey
Capítulo 75
Acordo pela manhã com Vinnie distribuindo beijos por todo meu corpo

—Bom dia, minha princesa.

Sorri meio sem jeito com ele me acordando assim. Vincent se inclina para
me dar vários beijinhos pelo meu rosto, me fazendo rir mais ainda

Me levanto da cama e vou até o banheiro do quarto. Depois de escovar os


dentes e me vestir, coloquei um short jeans claro e uma camiseta soltinha
por cima do biquíni, pronta para o dia na praia. Quando voltei para o quarto,
Vinnie ainda estava se espreguiçando na cama, os olhos seguindo cada
movimento meu.

—Você está linda até de manhã cedo. -ele comentou, o sorriso


despreocupado no rosto.

—Nem comece com isso logo de manhã. -brinquei, rindo, enquanto


arrumava meu cabelo em um coque bagunçado.- Vamos, o pessoal já deve
estar lá fora.

Ele se levantou preguiçosamente, me puxando pela mão antes que eu saísse


do quarto.

—Vou, mas só se eu ganhar mais um beijo primeiro.

Revirei os olhos, mas me inclinei para lhe dar um beijo suave.

Descemos até a cozinha, e já dava para ouvir o barulho do mar ao fundo. A


manhã estava perfeita.

Enquanto eu estava preparando algo simples para comermos, senti Vinnie


abraçando minha cintura por trás. Ele suspirou suavemente, me fazendo
sorrir.
—Você sabe que eu poderia me acostumar com isso, né? -Vinnie
murmurou, a voz ainda rouca de sono.- Ter você assim, todo dia.

Eu ri baixo, continuando a arrumar o café da manhã.

—Assim como? Me usando de travesseiro? -brinquei, passando os dedos


pelos cabelos bagunçados dele, tentando dar um jeito nos fios
desordenados.

Ele ergueu o rosto, me olhando com um sorriso preguiçoso.

—Também. Mas eu tava falando de acordar com você, amor. Não sei se vou
querer outra coisa.

Me inclinei um pouco para baixo e dei um beijinho em sua testa.

—E quem disse que vai precisar? Eu também não quero outra coisa. -Falei,
voltando a mexer nos cabelos dele.- Mas pra isso, você precisa aprender a
se pentear sozinho! -acrescentei rindo enquanto os cabelos dele insistiam
em não ficar no lugar.

Vinnie deu um sorriso de lado, segurando meu quadril um pouco mais


firme.

—Gosto quando você faz isso...

Revirei os olhos, fingindo não notar sua provocação.

—Você é impossível, sabia?

—Impossível de resistir, eu sei. -Ele piscou para mim, apertando de leve


minha cintura.

Eu apenas balancei a cabeça, rindo.

—Tá bom, convencido... Vai, come alguma coisa que já já vamos nos juntar
ao pessoal na praia. Quem sabe hoje você não perde no vôlei?
—Perder? Eu? Tá sonhando, gata. -Ele soltou uma risada curta e
debochada.

Fomos para o lado de fora, onde Kio e Nick estavam montando a rede de
vôlei, ou pelo menos tentando.

Mads e Avani foram buscar as bebidas e alguma coisa pra comermos


enquanto esperávamos o churrasco sair.

O caos já estava armado, como sempre. Enquanto eu me preparava, tirando


minha blusa e short para ficar de biquíni, observei a confusão aumentar.

—Puta que pariu, quem foi o desgraçado que embolou essa rede?! -Nick
disse sem paciência

Após dez minutos, finalmente eles conseguiram desembolar a rede de vôlei

—Porra, Nick! Você amarra a rede igual uma criança, não é possível! -Kio
provocou, puxando uma das cordas.

—Cala a boca! Eu tô tentando aqui, não sou mágico! -Nick rebateu,


puxando o outro lado.- E se você soubesse amarrar direito, isso já estaria
pronto faz tempo.

—AMARRA DIREITO, IDIOTA!

—Se você gritar mais uma vez, eu jogo essa porra e paro. Para de gritar,
inferno!

—Mas você não sabe fazer nada direito mesmo. Sai daí, deixa que eu faço!

Bryce, por outro lado, ainda estava se estressando com a churrasqueira. O


vento estava simplesmente contra ele, e o fogo teimava em apagar toda vez
que ele achava que ia pegar.

—Se essa porra apagar de novo, eu juro que vou jogar essa churrasqueira
no mar. -ele resmungou, irritado, enquanto tentava acender pela oitava vez.
Quando o fogo se apagou de novo, ele levantou as mãos em sinal de
desistência.
—Karalho, vai se fuder, eu desisto!

Do outro lado, Kio e Nick ainda estavam em sua própria batalha.

—Eu já falei, AMARRA DIREITO! -Nick gritou, puxando a rede.

—Você que tá amarrando errado! -Kio rebateu.

Foi quando Bryce, já no limite da paciência, virou-se para eles.

—PARA DE GRITAR, PORRA! -Ele berrou, atraindo a atenção dos dois.

Kio olhou para Bryce e provocou:

—Vem fazer o nosso trabalho aqui então, bonzão!

Eu e Vinnie nos olhamos surpresos, não esperávamos essa resposta justo


para Bryce que estava puto da vida.

A resposta foi imediata. Bryce se abaixou, pegou um punhado de areia e


atirou uma bola diretamente neles.

—Vai se fuder, amarra essa porra direito aí e cala a boca! -Bryce resmungou

O que ele não esperava era a vingança rápida. Mal ele se virou para tentar
reacender a churrasqueira, Kio revidou, jogando uma bola de areia que
acertou em cheio a cabeça de Bryce.

Bryce, confuso, olhou para trás, apenas para ser atingido por outra bola de
areia diretamente no rosto. Kio e Nick riram alto, enquanto Bryce, furioso,
juntava areia nas mãos.

—Vocês vão ver só! -Ele correu atrás deles, pronto para devolver a dose. Os
dois saíram correndo pela areia, gritando e rindo, enquanto Bryce os
perseguia.

Eu não conseguia parar de rir com a cena. O dia mal havia começado e já
estava uma zona.
—Isso vai ser mais divertido do que eu pensei. -comentei, me sentando em
uma das cadeiras para assistir à perseguição.

Enquanto os meninos corriam pela praia chamando a atenção de todas as


pessoas ao seu redor, comecei a passar protetor solar em mim, passando no
rosto, nos braços e na barriga.

—Deixa eu passar. -Vinnie disse assim que eu me levantei para passar em


minhas pernas. Coloquei meu pé direito em cima de sua coxa para que
facilitasse para ele.

Vinnie passava o protetor em minhas pernas com um sorriso malicioso,


claramente se divertindo com a situação. Cada vez que suas mãos subiam
um pouco mais, ele dava leves apertões nas minhas coxas, me fazendo rir e
balançar a cabeça.

—Você não perde uma chance, né? -brinquei, tentando parecer séria, mas
sem conseguir esconder o sorriso.

—Sua pele é muito macia, não consigo resistir. -ele respondeu com um
olhar provocador, deslizando suas mãos com calma.

—Tá bom, senhor encantador, foco no protetor solar, não em outras


intenções, ok? -falei, dando um tapinha leve em seu ombro, ainda rindo. Ele
soltou um riso baixo, mas terminou de passar o protetor direitinho, embora
continuasse a me provocar com olhares.

Quando ele terminou, agradeci e fui pegar o protetor para passar em suas
costas.

—Agora é minha vez! -disse, enquanto ele se sentava de costas para mim.

Quando terminei de passar o protetor nas costas de Vinnie, não consegui


segurar o riso ao ver os arranhões que eu havia deixado na noite passada.
Ele percebeu a minha risada e olhou para trás, curioso.

—Tá rindo do quê, princesa? -perguntou, com uma sobrancelha arqueada e


um sorriso no canto dos lábios.
—Só estava me lembrando dos seus arranhões. Acho que ontem fui um
pouquinho intensa, né? -respondi com um tom provocativo, mordendo o
lábio enquanto minhas mãos ainda deslizavam pelas suas costas.

Vinnie riu baixo, aquele riso que sempre faz meu coração acelerar.

—Eu não me importo nem um pouco. Na verdade, eu até gosto. Sinal de


que você se divertiu tanto quanto eu. -Ele virou o rosto e piscou para mim,
claramente satisfeito consigo mesmo.

Eu balancei a cabeça, tentando disfarçar o sorriso que crescia em meu rosto.

—Tá se achando, hein? -brinquei, terminando de passar o protetor e dando


um leve tapinha em suas costas.

Ele se levantou e puxou minha cintura, me segurando firme contra ele.

—E não tô errado, né? -Seu tom era desafiador, mas seus olhos brilhavam
de um jeito divertido, que sempre me desarmava.

Revirei os olhos, rindo. Hacker selou nossos lábios enquanto me abraçava.

—Eles já estão brigando? -Avani disse rindo enquanto colocava os pratos


na mesa, mas logo reparou em Bryce correndo atrás dos meninos

—Eles não toma jeito mesmo, parecem duas crianças!! -Mads disse rindo
ao fundo, enquanto carregava várias garrafas e copos na mão

—Desse jeito, não vamos jogar vôlei nunca!! -Avani falou colocando as
mãos na cintura brava ao ver a rede toda embolada novamente.

Fiz um coque em meu cabelo e fui ajudar minha amiga.

Enquanto eu estava ajudando Avani a desembolar a rede, o clima tranquilo


de brincadeiras foi interrompido pelo grito de Vinnie.

—Tá olhando pra bunda da minha mulher, rapaz? Tá maluco?! -ele gritou,
se levantando da cadeira com uma expressão séria e furiosa. Olhei para trás
imediatamente e vi que ele estava encarando um homem que estava na
barraca ao lado.

O homem parecia desconcertado, levantando as mãos como se estivesse


tentando se defender.

—Calma aí, cara. Não tô fazendo nada! -ele disse assustado vendo Vinnie
caminhando em direção a ele com passos firmes.

—Vinnie! -Gritei, tentando interrompê-lo antes que a situação piorasse.


Corri até ele e segurei seu braço.

—Relaxa, amor. Ele não fez nada, vamos aproveitar o dia, tá bom?

Os olhos de Vinnie ainda estavam cravados no homem, mas ele respirou


fundo, claramente tentando se controlar.

—Ele tava encarando sua bunda. Eu não vou deixar ninguém ficar te
secando, porra.

Ri levemente, tentando acalmá-lo.

—Você sabe que eu sou só sua. Não precisa ficar bravo por isso. Vamos
voltar, ok?

Vinnie suspirou, ainda visivelmente irritado, mas assentiu. Ele deu um


último olhar ameaçador para o homem antes de se virar e voltar comigo
para a área da rede.

Quando chegamos, Avani e Mads nos observavam com olhares curiosos

—Que foi isso agora? -Mads perguntou, levantando uma sobrancelha.

—Vinnie sendo ciumento. -respondi com um sorriso, tentando não dar


muita importância.

Avani riu, balançando a cabeça.


—Se ele olhar de novo pra você, eu juro por Deus que eu furo os olhos
dele. -Hacker disse impaciente enquanto encarava o homem

—Credo, Vinnie! Para com isso, vem, me ajuda aqui! -Falei puxando seu
braço

—Ele não muda mesmo, hein? Mas a gente precisa desse foco aí pra
desembolar essa rede, senão o vôlei vai ficar só na imaginação.

Após meia hora, finalmente terminamos de montar a rede e decidimos fazer


uma pausa para o almoço. Sentamos em volta de uma mesa improvisada
debaixo do guarda-sol. O cardápio era simples: churrasco, saladas e alguns
acompanhamentos. Bryce, depois de tanto lutar contra o vento, finalmente
conseguiu acender a churrasqueira, e a carne estava impecável. Avani e
Mads prepararam algumas bebidas, enquanto todos se serviam,
conversando e rindo.

—Pelo menos uma coisa deu certo hoje! -Bryce respondeu, rindo e
finalmente relaxando depois de toda a briga com a churrasqueira. A
conversa fluía tranquila, entre brincadeiras e provocações.

Após o almoço, nos reunimos na quadra improvisada para começar o jogo


de vôlei.

—E aí, qual vai ser o time? -Mads perguntou, já empolgada.

—Meninos contra meninas! -Vinnie sugeriu, cheio de confiança.

—Não! Isso é injusto! -Avani protestou imediatamente.- Por que não


misturar os times?

—Vocês são melhores que a gente, são mais ágeis e sabem jogar melhor! E
ainda por cima, o Nick treinava vôlei quando era criança! -Avani justificou,
cruzando os braços.

Mads, no entanto, não deixou barato.

—Nada disso! Eles não são melhores que a gente, meu amor! A gente vai
arrasar! -Ela nos fez rir, jogando um beijinho no ar e completando: Nós,
gostosas, vamos humilhar eles!

Rimos e concordamos em manter os times. Começamos a partida, e o clima


ficou competitivo, mas leve. Misturamos o jogo de vôlei com algumas
jogadas inusitadas, valendo qualquer parte do corpo. Avani conseguiu
acertar uma bola de cabeça, e Vinnie deu uma bela cortada, mas nós
estávamos perdendo.

Quando a bola sobrou para Mads, ela tentou chutar, já que estava muito
longe para alcançar com as mãos. Mas, em vez de acertar a bola, ela acabou
chutando o vento e se desequilibrando, caindo de forma desajeitada. Foi o
suficiente para todos caírem na risada.

—Olha lá, a atleta! -Nick provocou, rindo sem parar.

—Ah, cala a boca! Eu tava tentando fazer um lance épico! -Mads


respondeu, ainda no chão, gargalhando com a situação.

O jogo seguiu assim, com provocações dos dois lados. Vinnie, sempre
competitivo, fazia questão de zoar cada erro nosso, mas Mads e Avani não
deixavam barato, respondendo com piadas e risadas. Mesmo perdendo, o
clima era de pura diversão.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 76
Já eram cinco da tarde, e, apesar do esforço, perdemos o jogo de lavada!
Para aliviar o clima, decidimos misturar os times e jogar entre casais, o que
foi muito mais divertido. Kio trouxe sua famosa caixinha de som e, como
sempre, colocou suas músicas no último volume, fazendo todo mundo ao
redor nos lançar olhares de reprovação, enquanto nós apenas ríamos,
cantávamos e dançávamos sem ligar para o resto do mundo.

Vinnie, no entanto, parecia mais tenso. O homem da barraca ao lado não


parava de me olhar, o que deixou Vinnie visivelmente irritado. Ele quase foi
pra cima do cara, mas Bryce e Nick intervieram a tempo, afastando Vinnie e
pedindo para ele se acalmar.

Depois de tanto riso e agitação, todos decidiram entrar em casa para


descansar um pouco. O sol já estava se pondo quando sugeri uma
caminhada pela praia para aproveitar o final do dia.

—Coloque uma camisa, amor. -avisei a Vinnie, sentindo a brisa fria bater
na pele.

—Não tá tão frio assim, vamos. -ele disse, recusando o casaco, e segurou
minha mão. Saímos de mãos dadas, os chinelos nas mãos, caminhando na
beira da praia, com os pés tocando suavemente a água fria. O vento
bagunçava meu cabelo, e a luz alaranjada do pôr do sol refletia no mar,
criando uma cena linda e tranquila.

Vinnie estava ao meu lado, caminhando de boa, sem camisa como sempre, e
eu não podia evitar reparar o quanto ele parecia à vontade ali,
despreocupado. Mas logo percebi que não era a única reparando nele. Um
grupinho de meninas, a alguns metros de distância, olhava descaradamente
para o peitoral nu dele, cochichando entre si, algumas até apontavam na
cara dura e soltando risadinhas. Senti um aperto no peito, e aquele ciúme
que eu tentava esconder veio à tona.
Vinnie, é claro, nem parecia notar, ou talvez estivesse fingindo que não. Me
aproximei um pouco mais, segurando sua mão com mais firmeza. Ele
percebeu o movimento e me lançou um olhar de lado, com um sorriso.

—Tá tudo bem?

—Tá, só... -olhei de canto para as meninas, e Vinnie seguiu meu olhar.

Ele deu uma risada baixa, passando a mão pela minha cintura e se
aproximando mais de mim.

—Deixa elas olharem. -ele murmurou, abaixando a cabeça enquanto


passávamos pelas meninas. Eu sorri, sentindo uma mistura de orgulho e
diversão com a situação, sabendo que, no fim, era ao meu lado que ele
estava.

—Quer dar um mergulho?

—O quê? Não, tá frio! -respondi, tentando não mostrar o quanto ainda


estava irritada.

—Ah, qual é, Yas, vai ser divertido -ele insistiu, sem nem me dar tempo
de reagir. Já começou a me puxar em direção ao mar, e eu tentei fincar os
pés na areia, resistindo.

—Vinnie, eu não vou! Tá louco? -Eu ri nervosa, tentando me soltar.

—Medrosa. -Ele provocou com aquele sorriso malandro, claramente se


divertindo mais do que deveria.

A água gelada tocou meus pés e eu dei um pequeno pulo, tentando voltar
para a areia, mas Vinnie não me soltava.

—Tá gelado! -eu reclamei, tentando parecer firme, mas ele só ria.

—Para de graça, é só água! -E, antes que eu pudesse protestar de novo,


ele chutou um pouco de água na minha direção, me molhando até os
joelhos.
—Vinnie! -gritei entre risadas, ainda tentando me afastar, mas ele já
estava brincando, jogando mais água com as mãos.

—Eu avisei que ia ser divertido! -Ele gargalhou, continuando a me


molhar com chutes na água e até mesmo jogando com as mãos.

—Para! -implorei entre risos, já encharcada.

Ele continuou, rindo de mim enquanto eu tentava fugir sem muito sucesso.
A água fria me pegava de surpresa a cada movimento dele, e finalmente, já
rendida, levantei as mãos.

—eu entro! — falei, levantando as mãos em sinal de rendimento, ainda


gargalhando.

Ele parou, me encarando com um sorriso vitorioso, e me puxou com mais


firmeza, levando-me para dentro do mar. A água estava gelada, mas com ele
ao meu lado, a diversão e o calor do momento faziam tudo parecer mais
leve. As meninas já nem existiam mais na minha mente—era só a gente e o
som das ondas ao nosso redor.

Nós dois já estávamos no meio do mar, com a água batendo em nossas


cinturas, quando eu parei para observar. O céu estava salpicado de estrelas,
e o vento suave criava pequenas ondas que batiam gentilmente em nossas
pernas. A sensação de estar ali, com ele, depois de tudo o que passamos, era
surreal.

Vinnie continuava brincalhão, jogando água de vez em quando e rindo cada


vez que eu tentava me esquivar. Ele era tão leve, tão despreocupado naquele
momento, que parecia fazer o frio desaparecer. Nós dois estávamos rindo
como crianças, a água escorrendo pelos nossos corpos enquanto nos
divertíamos.

—Amanhã de manhã temos que ir embora, né? -perguntei, lembrando que


ele tinha uma reunião logo cedo com Jacob.

—Infelizmente -ele respondeu, suspirando.- Mas a gente ainda tem a noite


toda pra aproveitar.
Eu sorri, deixando a água deslizar pelos meus dedos, me sentindo
completamente em paz naquele instante.

De repente, Vinnie se aproximou, me puxando para mais perto, e eu senti


seus braços fortes me envolverem. A água nos envolvia, e o mundo ao
nosso redor parecia desaparecer. Estávamos ali, só nós dois, como se o
tempo tivesse parado.

Ele olhou para mim, com aquele sorriso que sempre fazia meu coração
acelerar, e antes que eu pudesse perguntar o que ele estava tramando, Vinnie
virou-se para a praia, respirou fundo e, do nada, gritou com toda a força que
tinha:

—Eu te amo, Yasmim Alles!!

A voz dele ecoou pela praia, alta o suficiente para que qualquer pessoa por
perto pudesse ouvir. Fiquei surpresa por um segundo, mas logo comecei a
rir, me sentindo mais leve do que nunca.

Ele me apertou mais forte, ainda com aquele sorriso bobo no rosto, e eu,
entre risadas, retribuí o gesto. Olhei para ele com os olhos brilhando de
felicidade e gritei de volta:

—Eu te amo, Vincent Hacker!!

Minhas palavras se misturaram ao som das ondas, e eu gargalhei, sentindo o


coração bater rápido no peito.

Amanhã teríamos que voltar à realidade, mas por agora, éramos apenas nós
dois, rindo igual dois idiotas.

[...]

As primeiras luzes da madrugada ainda estavam longe de aparecer, e o céu


permanecia totalmente escuro. Eu estava de pé ao lado do sofá, olhando
para Kio, que estava completamente jogado e desajeitado, mal cabendo no
pequeno espaço. Ele roncava alto, alheio a qualquer tentativa de ser
acordado.
—Kio, acorda... -sussurrei, balançando levemente o braço dele, tentando
não fazer barulho demais.

Nada. Nem uma reação. Só o som de seu ronco constante.

Senti Vinnie se aproximar por trás, e sua voz baixa soou no meu ouvido.

—Ele não vai acordar, princesa -Vinnie murmurou, segurando uma


risada.- Esses dois têm sono de pedra.

Olhei para o outro canto da sala, onde Nick estava dormindo do mesmo
jeito, encolhido em uma poltrona, como se o mundo pudesse desabar e eles
continuassem dormindo tranquilamente.

—Mas a gente precisa ir embora -respondi, tentando não rir da situação.-


Como eles vão voltar?

—Eles que se virem! -Vinnie disse, soltando uma risada baixa.

—É impressionante como eles dormem em qualquer lugar, né? -disse


cruzando os braços enquanto observava Kio quase caindo do sofá

—Qualquer lugar é lugar. -ele encarou minha boca enquanto sorria de


canto de rosto

Cerrei os olhos para ele, entendendo a maldade em sua fala.

—Já coloquei tudo no carro. Vamos? —Ele tentou mudar de assunto

Assenti, meio rindo da tranquilidade dele, e nos dirigimos para a porta. O ar


da madrugada estava frio e fresco quando saímos.

Eu olhei para fora, vendo as sombras das árvores e casas passando, mas
meus olhos estavam pesados. Eu mal havia dormido por causa dele, que não
parava de falar a noite inteira, puxando assunto atrás de assunto, sempre
com aquela energia incansável. No entanto, eu não conseguia reclamar —
era bom tê-lo assim, rindo e falando sobre tudo e nada ao mesmo tempo.
Me ajeitei no banco, inclinando um pouco mais para trás, o cansaço
finalmente me dominando. O barulho suave do carro e a escuridão do lado
de fora faziam com que meus olhos se fechassem lentamente.

—Vou tirar um cochilo rápidinho.. -murmurei, a voz baixa e sonolenta.-


Me acorda se precisar, tá?

Vinnie deu um sorriso de canto, os olhos fixos na estrada.

—Pode deixar, princesa. Dorme um pouco.

Assenti e deixei o sono me levar, tentando aproveitar aquela meia horinha


de descanso.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 77
Pov — Vincent Hacker

A reunião com Jacob tinha acabado há alguns minutos. Foi chata pra
karalho, como sempre, mas cheia de assuntos importantes, e as decisões que
tomamos poderiam impactar muita coisa. Mas, assim que tudo terminou,
Jacob já começou a aliviar o clima, soltando piadas e comentando sobre
outras coisas. Eu estava mais tranquilo, mas cansado, relembrando as férias
na praia.

—Cara, Kio e Nick não paravam de brigar ou arrumar confusão -comecei


a falar, rindo e revirando os olhos.- Toda hora era alguma coisa. Tipo, é pra
relaxar, né? Mas os dois faziam questão de deixar qualquer coisa
estressante.

Jacob deu uma risada, balançando a cabeça como se já conhecesse bem o


estilo dos caras.

—Sempre tem esses dois pra ferrar com o clima -ele disse, me encarando
com aquele sorriso maldoso de quem está prestes a sugerir algo.- Falando
nisso, já que você passou por todo esse estresse, sabe o que você precisa?

—Não, e nem quero saber. -resmunguei, já antecipando o que estava por


vir.

—Lux, mano! A boate! Bora pra uma festa hoje, você precisa aliviar,
porra!

Revirei os olhos, sabendo que ele não ia largar o osso tão fácil. Jacob
sempre tinha essa vibe de me arrastar pra alguma confusão. Eu bufei e me
joguei no sofá, já cansado só de pensar nisso.

—Não dá, cara. Tô pensando em levar a Yasmim pra jantar hoje -tentei
explicar, passando a mão pelo rosto. Não que eu não curtisse uma festa de
vez em quando, mas com Yasmim... eu só queria uma noite tranquila com
ela.

Jacob balançou a cabeça, claramente não aceitando minha resposta.

—Ah, para com essa porra, Hacker. Você acha que a Alles vai se
importar? Ela sabe que você tem que curtir também. Tipo, mano, voce é o
Vinnie Hacker, não dá pra ficar só em casa, levando a mina pra jantar. Vem
comigo, só hoje. Vai te fazer bem, alivia essa tensão -ele insistiu, tentando
entrar na minha mente com aquele jeito convencido dele.

—Jacob, você tá viajando. Eu não vou fazer isso. Tô tranquilo assim.

—Tranquilo o cacete! -Ele deu uma risada debochada.- Mano, você se


estressou com os moleques na praia, tá sempre lidando com essas merdas, e
agora quer ficar na calmaria? Você merece uma festa. Yas não vai nem se
incomodar, ela sabe que você vai voltar pra ela no fim das contas.

Eu dei uma risada curta, meio sem paciência. Claro que ele ia tentar me
arrastar pra isso, mas a verdade é que Yasmim estava sempre na minha
cabeça. Mesmo que Jacob quisesse que eu largasse tudo pra curtir, eu sabia
que nada superava estar com ela. O jeito que ela me olhava, o sorriso dela...
Ela me fazia querer mais do que só festas e confusões.

—Escuta, irmão -falei, mais sério dessa vez.- Não é só sobre a Alles, tá
ligado? Eu tô bem assim. Não é toda hora que preciso dessa porra de festa
pra "aliviar". Tô com a mina que eu amo, e só isso já é o suficiente.

Jacob me encarou, balançando a cabeça e rindo de forma sarcástica, como


se ele não acreditasse na minha decisão.

—Cara, tu tá amolecendo de verdade, hein? -ele disse, me olhando com


aquele sorriso de deboche.- O que aconteceu com o Vinnie de antigamente,
hein? O "cachorro louco" que pegava todas as mulheres da cidade, que tava
sempre com a gente nas festas, gastando rios de dinheiro com bebida e
umas cinco putas ao lado? Esse era o Vinnie de verdade. Agora tu tá aí,
todo bonitinho, namoradinho da Yas... cara, você virou um fraco.
Eu bufei, mas mantive a calma. Sabia que ele ia tentar me atingir desse
jeito. Antes de conhecer a Yasmim, eu realmente vivia nessa vida de
excessos. Festas, mulheres, álcool, e, claro, Jacob sempre tinha uma ideia
nova pra me puxar pra essa merda toda. Eu ia com os meninos porque, na
época, era tudo o que eu conhecia, e a adrenalina parecia ser o único
combustível que me movia. Mas, agora, aquilo parecia distante.

—Tu tá me ouvindo, cara? -Jacob continuou, rindo.- O Vinnie que eu


conhecia estaria saindo agora de uma boate, chapado de maconha, com
umas cinco putas ao lado, sem se preocupar com nada. Esse Vinnie aqui na
minha frente? Mano, ele tá indo jantarzinho romântico com a namorada!
Não me venha com essa de que tá tranquilo, tu sabe que isso não é você de
verdade.

Ele queria me provocar, como sempre fazia, tentando me lembrar da vida


antiga, da bagunça que eu vivia. Mas o que ele não conseguia entender era
que, agora, eu tinha algo que fazia sentido. Yas me dava algo que nenhuma
dessas festas ou confusões me deu. Não era sobre "amolecer" ou ser
"fraco"; era sobre saber o que eu realmente queria. Eu sabia que o Vinnie de
antes ainda existia, mas ele tinha mudado, evoluído.

—Jacob, tá ligado que essa fase já passou, né? -falei, me mantendo


firme.- Antes, eu achava que precisava de tudo isso: festas, mulheres,
gastando dinheiro pra caralho... Mas agora, isso aí é só vazio. Eu tenho a
Yas, e tô feliz com ela. Não preciso mais dessa porra toda pra me sentir
bem.

Jacob riu mais alto dessa vez, quase desacreditado.

—Ah, velho... tu realmente tá virado num bobão. Vai lá, então, leva tua
princesinha pro jantarzinho romântico. Só não se esquece, o Vinnie de
verdade não é esse que fica quietinho, namoradinho. Ele tá aqui dentro, e eu
sei que uma hora ele vai querer sair pra curtir de novo.

Jacob não parava. Ele parecia determinado a me arrastar para aquela festa
de qualquer jeito, e cada palavra que ele soltava parecia se encaixar mais
fundo na minha cabeça.
—Cê tá levando isso muito a sério, Vinnie -ele disse, tentando suavizar o
tom, mas eu sabia que ele queria me puxar de volta.- Yas não vai se
importar, cara. Ela sabe que você precisa se divertir de vez em quando, que
tem essa parada aí dentro de você que não dá pra ignorar. Mano, Lux vai ser
foda hoje! Só pensa naquela sensação, velho... estar lá, chapadão, bebendo
do bom e do melhor, rodeado de mulher, sem compromisso nenhum. Vai
dizer que não sente falta disso?

Ele riu, vendo a minha reação. Eu não disse nada de imediato, mas ele
percebeu que havia plantado uma semente. A verdade é que, por mais que
eu quisesse ignorar, parte de mim lembrava sim de como era estar nessa
vibe. As festas, a sensação de estar no topo, de que o mundo estava a meus
pés. Era uma vida que me sugava, mas, de certa forma, era viciante.

Jacob continuou:

—Porra, tu tá me dizendo que não sente falta de estar chapado, de perder


a noção de tudo e acordar no outro dia sem lembrar de metade das coisas? E
aquelas noites que a gente ia embora com umas cinco putas ao nosso redor,
só risada e bebida? Isso aí não tem como esquecer, mano. Aquilo era o
Vinnie de verdade, o Vinnie que sabia viver. Esse Vinnie, namorando... ele
tá preso.

Ele estava começando a me convencer, e eu odiava admitir isso. As


memórias, os velhos hábitos, tudo voltava devagar. Mas havia algo em mim
que ainda me segurava, e esse algo era Yasmim. Eu sabia que ela era
diferente. Ela me tirou desse ciclo que parecia nunca acabar, e me fez
enxergar outras coisas que realmente importavam. Mas Jacob, com suas
palavras afiadas, fazia parecer que eu estava perdendo uma parte de mim.

—Eu sei que tu sente falta, mano. Só uma noite, é isso que eu tô te
pedindo. Yas não vai nem perceber, e, se ela perceber, vai entender. Você
ainda pode curtir e voltar pra ela depois. Não precisa ser tudo ou nada.

Jacob deu um sorriso malicioso ao ver que estava começando a me ganhar.

—Quer saber? Eu vou resolver isso agora -ele disse, se levantando da


cadeira. -Vou falar com a Yas. Pergunto direto pra ela se tá de boa você ir
comigo. Aposto que ela vai entender. Ela não vai te prender assim.

Eu suspirei, passando a mão pelo rosto. Estava ficando sem argumentos e,


de alguma forma, parte de mim estava cedendo àquela ideia idiota.

—Beleza, vai lá. -respondi, sem muita convicção.- Vou esperar aqui... vê
o que ela diz.

Jacob riu satisfeito, saindo do escritório com confiança, deixando-me


sozinho com meus pensamentos. O som da porta se fechando ecoou na sala,
me deixando imerso em uma onda de memórias.

Fiquei ali sentado, olhando pro nada, enquanto a mente começava a viajar.
As lembranças da minha vida antiga começaram a me invadir. As festas, os
gritos, a música alta. O cheiro de álcool misturado com suor e perfume
caro, o barulho das garrafas de champanhe sendo estouradas, risadas e
gritos em meio à multidão. Eu me lembrava de como era bom estar
chapado, desligado do mundo, como se nada importasse. E, claro, as
mulheres. Elas estavam sempre lá, ao meu redor, me rodeando como se eu
fosse a única coisa que importava naquela noite.

Era uma sensação de poder, de estar no topo, como se eu fosse intocável. Eu


podia ter o que quisesse, quando quisesse. Vivia sem regras, sem limites. E
Jacob sempre estava ao meu lado, me incentivando a ir mais fundo, a gastar
mais, a aproveitar mais. Era insano, mas era... viciante.

Por um momento, deixei-me afundar nessas memórias. Era foda. Eu não


podia negar.

Mas então, me veio a imagem de Yasmim. Ela sempre aparecia como uma
âncora que me puxava de volta à realidade. Não que ela me prendesse; na
verdade, ela me libertava de tudo isso. Eu sabia que não precisava mais
dessas festas, desse ciclo destrutivo pra me sentir bem. Ela me fazia ver o
que realmente importava. Mas, ao mesmo tempo, a tentação estava lá,
plantada na minha cabeça por Jacob.

Pov — Yasmim Alles


Acordei lentamente, ainda meio grogue. A luz fraca da manhã entrava pelas
frestas da cortina do quarto de Vinnie, e só então percebi que ele
provavelmente me carregou até aqui quando voltamos da viagem. Ele
sempre fazia essas coisas. Sorri de leve, me espreguiçando na cama
confortável antes de me levantar. O dia seria longo.

Passei a manhã na igreja. Fazia um tempo que eu não ia, e senti que
precisava me reconectar um pouco. Aquele lugar sempre me trazia paz, uma
calma que eu não sentia em nenhum outro canto. A arquitetura antiga, os
vitrais coloridos, e o silêncio quebrado apenas pelas orações baixas me
faziam refletir sobre tudo. A fé sempre esteve presente na minha vida,
desde pequena, e voltar à igreja hoje me fez lembrar de quem eu sou e do
que eu preciso manter firme. Saí de lá me sentindo leve, como se tivesse
deixado um peso enorme pra trás.

Mais cedo, recebi uma mensagem de Vinnie dizendo que me levaria para
jantar. Pediu para eu me arrumar, o que ele sempre adorava sugerir. Sorri,
sabendo que ele gostava de me ver vestida para uma ocasião especial. Antes
de voltar para a casa dele, decidi passar na minha casa para pegar algumas
peças de roupa. Eu iria morar com ele agora, e sabia que seria uma
transição. Não tinha pegado tudo ainda, mas as peças que trouxe eram o
suficiente até que eu buscasse o resto.

A tarde passou voando. Fiz o meu bolo de chocolate, o que era minha
[Link] eu era pequena, os cozinheiros do meu pai me
ensinaram muitas coisas na cozinha. Esse bolo, em especial, sempre me
trazia boas lembranças, como os momentos que passávamos juntos.
Aproveitei e fiz alguns cupcakes também, algo que eu sabia que as crianças
da igreja iriam adorar. Eu planejava ir lá novamente amanhã, então essa
seria uma surpresa para eles.

Passei a tarde inteira sozinha, Joana foi embora ao meio dia para cuidar do
seu pequeno, que acabou adoecendo.

Entre mexer nas receitas e organizar tudo, a tarde foi embora. Limpei a
cozinha, me sentindo satisfeita com o resultado. Agora, era hora de me
arrumar para o jantar.
Subi para o quarto, já imaginando o banho relaxante que eu precisava. A
água morna escorria pelo meu corpo, tirando o cansaço do dia e me
ajudando a clarear a mente. Quando terminei, me enrolei na toalha macia e
fui direto para o guarda-roupa, analisando as opções de roupa para o jantar.
Fiquei um bom tempo indecisa entre um vestido longo e mais elegante, e
um vestido preto mais coladinho ao corpo, um pouco curto.

Com o calor insuportável que fazia, optei pelo vestido preto curto. Era
justo, realçando minhas curvas, e ao mesmo tempo confortável para o clima
quente. Nos pés, coloquei um salto alto branco de amarração com tira de
strass, que dava um toque sofisticado sem ser exagerado.

Não quis exagerar na maquiagem. Apenas um pouco de rímel para realçar


os cílios, um blush suave para dar cor às bochechas e um batom discreto.
Meu cabelo, como sempre, estava liso escorrido naturalmente. Desde
criança, eles sempre foram assim, acho que é de família, isso às vezes
facilitava na hora de arrumar, e hoje decidi deixá-los soltos.

Depois de me olhar no espelho uma última vez, satisfeita com o resultado,


peguei minha bolsa e desci para a sala. Agora era só esperar o Vinnie
chegar.

Pov — Vincent Hacker

—Então, e aí, cara? O que ela disse? -Perguntei para Jacob assim que ele
voltou ao meu escritório no final da tarde, com a expressão de quem tinha
boas notícias.

—Ela deixou, mano! -Jacob disse com um sorriso largo, parecendo mais
animado que eu. Ele se aproximou e colocou a mão no meu ombro
enquanto andávamos pelo escritório.

—Cara, vou mandar mensagem pro Yuri pra ele separar as bebidas
importadas, só as puras! -Ele parecia já mentalmente na festa, como se
estivesse planejando cada detalhe com empolgação.

Suspirei, ainda um pouco dividido, mas me deixando levar pela ideia.


—Vou pra casa me arrumar. -falei, pegando as chaves do carro que estavam
em cima da mesa, pensando em como explicar para Yasmim que a ideia do
jantar estava prestes a mudar.

Jacob balançou a cabeça, me impedindo de sair.

—Não precisa, irmão. Eu tenho umas roupas no carro. Trouxe porque ia me


trocar aqui e pensei que você fosse curtir as peças novas que comprei!

Dei um meio sorriso, sentindo aquela velha faísca acender dentro de mim.
Aquela sensação de sair à noite, me vestir com estilo e curtir como nos
velhos tempos estava começando a me conquistar de novo. Sem muito
esforço, Jacob estava me puxando de volta para essa vida de festas e
excessos.

—Tá bom, manda ver então. -concordei, me sentando na poltrona,


esperando Jacob voltar com as roupas.

Pov — Yasmim Alles

Porra, cadê o Vinnie?!

Já fazia duas horas que eu estava pronta e esperando, e até agora... nada!
Nenhuma mensagem, nenhum aviso se ele ia demorar ou se passaria em
algum outro lugar antes. A paciência que eu tinha no início da noite já
estava começando a desaparecer rápido.

Fui até o sofá e joguei minha bolsa ao lado, cruzando os braços enquanto
olhava para o relógio mais uma vez. Nove da noite e nada. Peguei o celular
e tentei ligar para ele, mas a ligação caiu na caixa postal. Uma vez, duas
vezes e nada!

Ele não me mandou uma única mensagem durante o dia, além daquela pra
confirmar o jantar. Agora, estava me perguntando se algo tinha acontecido.
A irritação já estava se transformando em preocupação.

O que diabos estava acontecendo?

Pov — Vincent Hacker


Assim que desci do carro em frente à Lux, dei uma olhada rápida no celular
e vi algumas ligações perdidas da Yasmim. Suspirei, mas acabei ignorando.
Jacob tinha dito que tinha falado com ela e que estava tudo tranquilo. Então,
pra quê me preocupar, certo?

Enquanto caminhávamos em direção à entrada, algumas garotas começaram


a me chamar. Ignorei. Já estava com a cabeça em outra coisa. Assim que
passei pela porta da boate, uma sensação familiar tomou conta de mim. Era
como se um peso tivesse saído das minhas costas.

Porra, eu precisava disso!!

Seguimos direto para o bar da área VIP.

—Yuri, dois copos de Royal Salute, por favor! -Jacob pediu, me dando
um olhar de cumplicidade.

Yuri, enquanto preparava as doses, deu um sorriso provocador.

—A mulher te liberou hoje, irmão? -Ele perguntou, rindo.

Eu ri de volta, balançando a cabeça positivamente.

Peguei o copo e tomei um gole grande, sentindo a bebida descer forte.


Jacob e eu nos sentamos em um dos sofás, afastados do barulho, em uma
sala mais reservada. Foi então que ele tirou um saquinho do bolso, um pó
branco que eu reconhecia de longe. Cocaína.

Jacob, com um sorriso malicioso, despejou um pouco do pó na mesa e, com


um cartão, separou em quatro carreiras.

—Faça as honras, maninho! -Ele disse, me olhando com expectativa.

Sorri e, sem pensar muito, me inclinei sobre a mesa. Tapei uma das narinas
e, com a outra, cheirei a primeira carreira. Imediatamente, a sensação me
invadiu — uma onda de alívio e prazer que há tempos eu não sentia.
Inclinei a cabeça para trás, deixando aquela sensação dos velhos tempos me
consumir.
Jacob, sem perder tempo, fez o mesmo, cheirando duas carreiras seguidas.
Ele riu, claramente satisfeito com o que estava por vir.

—Já ficou doidão, cara? Se controla, porque a noite nem começou ainda!
-Jacob disse, rindo e olhando pra mim enquanto eu me inclinava para
cheirar a outra carreira. Eu ri sarcástico, sentindo o pó tomar conta do meu
corpo. Ao meu lado, Jacob já estava ocupado bolando um cigarro de
maconha.

De repente, ouvi uma voz conhecida.

—Hacker! -Era o Jason, surpreso ao me ver ali. Me levantei um pouco


tonto pelas duas carreiras, mas consegui manter a postura e cumprimentei
ele.

—E aí, cara! -Jacob o cumprimentou logo em seguida, já com um sorriso


malicioso no rosto.- Trouxe as belezuras que eu te pedi?

Jason riu e apontou para o primeiro andar, onde algumas strippers subiam
nas mesas, vestindo apenas calcinha e sutiã, dançando de forma provocante.

—Agora sim, a festa vai começar! -Jacob gritou, animado, enquanto me


puxava para uma mesa bem em frente ao palco.

Nos sentamos e logo quatro strippers começaram a dançar, sensualizando ao


ritmo da música, seus corpos se movendo ao som da batida pesada. Todas
estavam somente de calcinha, sem mais nenhuma peça de roupa. Jacob,
com um sorriso largo, me passou o cigarro de maconha, e eu, sem pensar
muito, aceitei.

Dei uma longa tragada, sentindo a fumaça preencher meus pulmões e o


entorpecimento se intensificar. A combinação da cocaína com a maconha
me levou a outro nível de euforia, o barulho da música e as luzes piscando
ao redor parecendo muito mais intensos. Cada movimento das dançarinas
que estava somente de calcinha parecia hipnotizante, e eu podia sentir meu
corpo inteiro relaxar, enquanto minha mente ficava cada vez mais perdida
naquela loucura.
Jacob saiu por alguns instantes e voltou com duas garrafas de álcool nas
mãos. Eu não conseguia conter o sorriso ao ver uma das minhas favoritas:
Whisky Royal Salute e uma garrafa de Watenshi.

—Puta que pariu, só tem mina gostosa nesse lugar! -Jacob exclamou, seus
olhos fixos nos seios de uma morena que dançava no palco bem na nossa
frente.

Enquanto isso, uma loira que estava em cima do palco desceu e começou a
sensualizar na minha frente, dei um tapa em sua bunda enquanto ela
rebolando somente de calcinha em cima do meu colo. Eu fiquei hipnotizado
com cada movimento dela, especialmente a forma como sua bunda grande
se movia.

—a noite é uma criança, Hacker.

O mundo ao nosso redor começou a se dissipar; tudo o que importava eram


aqueles instantes de pura adrenalina e prazer.

A mistura da maconha com a cocaína e o álcool estava me levando a um


estado de euforia crescente. Cada gole do whisky queimava minha garganta,
mas isso só intensificava a sensação. Eu estava cada vez mais relaxado,
esquecendo do mundo lá fora. Os problemas, as responsabilidades, tudo se
tornava irrelevante. Era como se estivesse flutuando, completamente
perdido naquele ambiente de música alta, corpos dançando e a energia
pulsante ao meu redor.

-Vamo aproveitar, irmão! -Jacob gritou, levantando a garrafa em um


brinde improvisado. Eu ri, ergui meu copo e me deixei levar, sem pensar
nas consequências. Essa era a vida que eu conhecia, a vida que eu tinha
deixado para trás, mas que agora me atraía de novo como uma maré
irresistível.

[...]

"Oi, meu amor! eu acho que você acabou se esquecendo do nosso jantar,
não é? -riu sem graça- eu não sei onde você está, mas volta logo! Eu estou
preocupada, me liga assim que ouvir essa mensagem. Eu te amo!"
Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!
Capítulo 78
Pov — Yasmim Alles

No outro dia, acordei de um sono profundo e desconfortável no sofá. Olhei


ao redor e percebi que ainda estava sozinha.

Onde diabos está o Vinnie?

A última lembrança que eu tinha era de nós dois no carro voltando da


viagem antes de eu pegar no sono.

Olhei para o relógio e vi que já eram sete da manhã.

Frustrada, subi até o quarto e tirei a roupa que estava usando. Decidi
colocar algo mais confortável, um shorts e uma camiseta larga. Amarrei
meu cabelo em um coque bagunçado e fui para o banheiro escovar os
dentes e tirar a maquiagem que, agora, só servia para me lembrar da noite
anterior. Eu estava furiosa com Vinnie.

Esperei acordada até às três da manhã, mandando mensagens que ele não
visualizou. O que ele estava pensando?

Desci as escadas e me sentei na cadeira do balcão da cozinha enquanto


preparava um café. Assim que levei a caneca aos lábios e tomei um gole
quente, ouvi a porta da sala se fechando.

Vinnie?

Corri em direção da sala e, ao chegar, me deparei com ele. Meu coração


disparou ao ver meu namorado sem camisa, todo desarrumado, com os
cabelos bagunçados e um fedor horrível de bebida e maconha. Ele andava
cambaleando, parecendo completamente fora de si.

—Amor? Você está bem? -perguntei, correndo até ele e passando seu braço
pelo meu ombro para que ele pudesse se apoiar. Ele apenas olhava para o
chão, evitando meu olhar. O coração apertou. O que havia acontecido com
ele?

—Vinnie, o que aconteceu? Onde você estava?- eu o enchia de perguntas,


mas ele não respondia. Era como se eu não estivesse ali.

Com esforço, consegui carregá-lo até o quarto. Ele se deixou cair na cama,
fechando os olhos e gemendo de dor, reclamando que estava com uma puta
dor de cabeça.

—Por que você fez isso? -eu disse, tentando manter a calma, mas a raiva e a
preocupação estavam misturadas dentro de mim.

Fui até o banheiro e enchi a banheira com água gelada. Não havia como
deixá-lo ficar assim.

—Vamos, Vincent. -falei, tentando ser firme. Ele não merecia essa
preocupação, mas eu não poderia ignorar.

—Você tá brava comigo, princesa? -Ele perguntou com a voz manhosa, a


língua enrolando as palavras enquanto tentava me abraçar pela cintura.

—Você está fedendo a bebida! -Afastei seus braços que me envolviam em


um abraço. O que eu poderia fazer? Ele havia me deixado preocupada a
noite toda, e agora tudo que eu via era um garoto perdido, distante e
irresponsável. Não era o Vinnie que eu conhecia.

Sabe-se lá Deus o que aconteceu naquela festa.

Ajudei Vinnie a tirar sua roupa e, logo em seguida, o vi entrar na banheira,


reclamando que a água estava fria. Fui até ele, fazendo uma conchinha com
a mão e jogando água em suas costas, enquanto ele falava nada com nada.
Era como se ele não estivesse completamente ali, e isso me deixava ainda
mais preocupada.

Deixei-o lá e fui até o closet pegar uma roupa para ele. Assim que saí do
banheiro, não consegui conter uma lágrima que escorreu pelo meu rosto,
mas limpei rapidamente. Não queria que ele me visse chorando, não queria
que ele soubesse o quanto estava machucada. O que havia acontecido
naquela festa? O que ele tinha feito? Minhas dúvidas e medos me
consumiam.

Enquanto escolhia uma camisa, ouvi passos e, ao olhar para a porta do


closet, vi Vinnie. Ele estava todo molhado, enrolado apenas em uma toalha,
coçando os olhos como se estivesse tentando acordar.

Entreguei as roupas que havia escolhido para ele, esperando que a


normalidade voltasse, mas a tensão no ar era palpável.

—Pode me contar o que aconteceu? -Perguntei, a impaciência começando a


tomar conta de mim. A cada segundo que passava, a preocupação
aumentava.

Ele não conseguia olhar nos meus olhos. Era como se estivesse
envergonhado ou simplesmente perdido.

—Vincent? -Estralei meus dedos perto de seu rosto, tentando trazê-lo de


volta à realidade.

—Me dá um beijinho aqui, amor! -Ele tentou mudar de assunto, puxando


minha cintura para se inclinar e me beijar.

Senti um nó se formando na minha garganta. Afastei-me dele, deixando que


as lágrimas escorressem pelo meu rosto. O que aconteceu com ele ontem?
Eu não queria pensar nisso, mas não consegui me controlar.

—Eu preciso respirar.. -murmurei, descendo para a sala e deixando-o ali


sozinho, perdido em seus próprios pensamentos. O peso da situação me
sufocava, e eu não sabia como lidar com tudo isso.

Peguei a primeira chave de carro que encontrei pela casa e saí, mal
conseguindo controlar as lágrimas que escorriam pelo meu rosto. Entrei no
carro e comecei a chorar desesperadamente, socando o volante com toda a
raiva que eu tinha naquele momento. A frustração e a dor pareciam se
acumular em mim, e eu só queria entender o que estava acontecendo.
Precisei de uns dez minutos para me recuperar, tentando controlar a
respiração e acalmar meu coração acelerado. "Você consegue, Yasmim",
pensei, repetindo para mim mesma. Finalmente, dei partida no carro e
acelerei, dirigindo em alta velocidade até a minha casa.

O caminho parecia um borrão, cada curva e cada semáforo só aumentavam


a agitação dentro de mim. Minha mente estava uma bagunça; eu não
conseguia parar de pensar em Vinnie e no estado em que ele estava. O
cheiro de bebida e maconha ainda parecia pairar no ar, e a lembrança de sua
expressão de vergonha me incomodava profundamente.

Assim que cheguei em casa, parei o carro bruscamente e saí, batendo a


porta com força. O silêncio do lugar parecia ecoar minha dor. Entrei e fui
direto para o meu quarto, sentindo que precisava de um tempo sozinha.
Deitei na cama, olhando para o teto e tentando processar tudo o que havia
acontecido.

A imagem de Vinnie, desarrumado e cambaleando, não saía da minha


mente. Eu só queria que ele fosse o mesmo de antes, aquele que me fazia
sentir segura e amada.

Porra, até ontem de manhã nos estávamos bem, por quê isso derrepente?

Senti meu celular vibrar com várias mensagens de Vinnie, mas


simplesmente ignorei todas. Não tinha forças para ler ou responder. A dor e
a decepção eram maiores do que qualquer palavra que ele pudesse me
mandar naquele momento. Tudo que eu queria era distância, silêncio, e
tempo para entender o que realmente estava acontecendo entre nós.

Me virei na cama, abraçando meu travesseiro, enquanto as vibrações


contínuas do celular me lembravam da confusão que Vinnie estava criando.
As lágrimas voltaram a encher meus olhos, mas eu as segurei. Não queria
mais chorar por ele. Não agora. Não depois de tudo.

Pov — Vincent Hacker

As lembranças da noite anterior ainda estavam frescas na minha mente, mas


em vez de arrependimento, havia um gosto amargo de euforia mal
administrada.

- flashback on

Jacob estava rindo ao meu lado, a garrafa de whisky já pela metade


enquanto ele chamava mais uma rodada, como se a festa não fosse acabar
nunca.

—Me vê mais uma garrafa! -ele gritou, com aquele olhar malicioso que só
piorava as coisas.

A loira estava praticamente colada em mim, os seios dela se esfregando na


minha cara enquanto a amiga dela, uma morena de corpo escultural, me
provocava de frente, rebolando devagar, enquanto seus dedos percorriam
meu pescoço. A cada toque, minha cabeça ficava mais leve e mais distante
da realidade. Talvez eu tenha visto um flash, algo no celular de Jacob, mas
quem liga? A noite era nossa e nada mais importava.

—Vamos tirar essa camisa, daddy. -a loira disse com um sorriso atrevido,
jogando minha camisa para longe.

Senti seus lábios quentes no meu peito, e minha mente nublada só queria
mais. Me afastei um pouco, inclinando para cheirar mais uma carreira que
Jacob fez questão de preparar. Revirei os olhos, o prazer entorpecente me
dominando, afastando qualquer traço de consciência.

Quando voltei à cadeira, a morena se acomodou no meu colo, as mãos


firmes em meus ombros enquanto beijava meu pescoço e descia as mãos
lentamente pelo meu torso. Cada movimento parecia me afundar mais no
esquecimento do que eu deveria realmente estar fazendo.

—Você tá aproveitando como nos velhos tempos, né, irmão? -Jacob riu alto
ao meu lado, passando a garrafa para mais um gole. Ele sabia exatamente o
que estava fazendo, me empurrando para o abismo da noite, sem espaço
para pensar em qualquer outra coisa.

E eu? Eu deixei.
Eu estava completamente fora de mim. A sensação de euforia me invadia
cada vez mais a cada gole, a cada tragada, a cada maldita carreira. As luzes,
a música, os corpos, tudo se misturava em uma só explosão de prazer. As
garotas ao meu redor eram como um combustível para essa sensação
alucinante que corria pelo meu corpo.

—Vocês são incríveis! -Gritei, passando as mãos pela cintura da morena


que ainda estava colada em mim, minha visão turva, mas eu conseguia ver o
sorriso malicioso dela. Me aproximei, puxando-a para mais perto e sentindo
o corpo dela contra o meu enquanto ela rebolava com uma intensidade que
me deixava tonto.

A loira, não querendo ficar para trás, me puxou e começou a me beijar, sem
pudor, sem hesitação. Eu não pensei duas vezes antes de retribuir, rindo
contra os lábios dela, enquanto minhas mãos passeavam pelos seus cabelos
e desciam para sua cintura.

—Porra, que delícia! -Murmurei, com a voz rouca, me afastando um pouco


para tomar mais um gole de whisky direto da garrafa que Jacob havia me
entregado.

—vem aqui! -Chamei as duas, incentivando-as a ficarem mais perto, rindo


como um completo idiota, mas naquele momento, tudo era diversão. As
duas riam e continuavam me beijando, uma do meu lado direito, outra do
esquerdo, enquanto eu me jogava naquela loucura. Beijei a morena,
enquanto minha mão descia pela coxa da loira, a puxando para mais perto
de mim. Eu já nem sabia mais o que estava fazendo, mas não me importava.
Estava gostando de tudo.

—Essa festa tá foda pra karalho!! -Eu gritei para Jacob, que só ria, se
divertindo ao ver o estado em que eu estava.

—É disso que eu tô falando, Hacker! Hoje é dia de esquecer tudo, irmão! -


Ele riu, levantando mais uma garrafa e brindando com a loira, que ainda
estava em cima de mim. Eu ria, gostando da sensação de ter essas mulheres
ao meu redor, o mundo girando à minha volta enquanto o som da música e
os corpos colados nos meus me faziam esquecer de qualquer problema lá
fora.
Eu estava completamente perdido naquilo, e naquele momento, gostando de
cada segundo.

[...]

Pov — Yasmim Alles

—O que você tá fazendo aqui?!

—Para de gritar, eu tô com dor de cabeça! -o loiro reclamou

—Santo Deus, Vincent! -cruzei os braços- me deixe em paz, por favor!

—Não teve nada demais naquela festa, tá legal? Eu só bebi demais, foi isso.

—Por que você não atendeu minhas ligação? Eu estava preocupada, merda!
-furiosa, dei um tapa em seu braço

—Eu deixei meu celular cair no sofá da área VIP, eu só fui achar ele de
manhã! -ele se justificou

Algo em mim diz que tem mais alguma coisa que ele não quer me contar...

Será que ele... não, ele não faria isso, não é?

Balancei minha cabeça tentando afastar esses pensamentos

—Vamos pra casa, princesa. Eu preciso de você!

Eu permanecia parada, com os braços cruzados o observando enquanto ele


tentava se justificar

—Você tá brava por causa do jantar? -ele coçou a cabeça

—Tsc. -me virei para subir para meu quarto novamente. Mas sou
impedida por Vinnie, que segura meu braço

—Yasmim, entra logo na porra do carro. -ele disse seriamente


Impressão a minha ou ele até engrossou a voz?

—Ou o que?

—Alles, não me testa.. vai logo! -ele deu uma fungada no nariz. Ele
estava com essa mania dês de que chegou

Sem paciência, ele agarra meu braço com força e me arrasta até o carro

—você não está segura nessa casa. -ele disse sério

—Fala sério, Hacker!

—Eu não vou te deixar aqui correndo perigo, karalho! Eu sei que você tá
brava comigo, mas aqui você não fica.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 79

[...]

Ontem, Vinnie passou o resto do dia agitado, como se estivesse inquieto.


Ele ficava mexendo no celular constantemente, trocando mensagens com
Jacob, e toda vez que recebia uma resposta, soltava uma risada abafada. Eu
não sabia do que eles estavam falando, mas era óbvio que algo estava
acontecendo. Ele parecia precisar de alguma coisa, sabe? Como se estivesse
ansioso por algo que eu não conseguia entender.

Tentei não me incomodar no começo, mas conforme as horas passavam,


aquela sensação incômoda de que ele estava planejando algo crescia dentro
de mim. Eu queria perguntar o que estava acontecendo, mas algo me dizia
que ele não me daria uma resposta honesta.

Já era de noite quando, ao sair do banheiro, vi Vinnie no closet, se


arrumando. Ele estava passando perfume e colocando uma camisa como se
estivesse se preparando para sair. Aquilo foi o estopim.

—Onde você vai? -perguntei, minha voz saindo mais dura do que eu
planejava.

—Vou sair com Jacob. -ele respondeu casualmente, sem me olhar,


enquanto continuava passando perfume.

Cerrei os olhos, sentindo meu corpo enrijecer de frustração. Ele não vai sair.
Ele não vai sumir de novo.

—Você não vai! -exclamei, minha voz saindo firme.

—O quê? -Ele parou por um segundo e me olhou, claramente confuso.


—Você não vai, Vincent. Quer que eu desenhe? -Cruzei os braços,
encarando-o com seriedade.

Ele riu, mas de um jeito debochado, como se minha reação fosse exagerada.

—Ficou maluca, amor? -disse, voltando a passar o perfume como se nada


estivesse acontecendo.

—Eu estou falando sério! -exclamei, sentindo a raiva crescer.- e vê se


para de fumar essa coisa. -Apontei para o baseado que ele segurava com
displicência na mão.

—É relaxante. -ele disse com um tom irônico.- Quer experimentar,


princesa? -acrescentou, um sorriso sarcástico brincando em seus lábios.

A maneira como ele me tratava, como se eu estivesse exagerando, só fazia


minha raiva aumentar.

—Eu fiquei te esperando até as três da manhã, Vinnie! -Falei, cruzando os


braços, minha paciência começando a desaparecer.- E você não teve a
decência de me mandar uma mensagem, nada! Agora você acha que vai sair
de novo com Jacob e fazer a mesma coisa?

Ele suspirou, esfregando a mão no rosto, como se eu estivesse sendo um


peso.

—Olha, amor, eu precisava daquela noite, tá? Jacob só tá tentando me


ajudar a relaxar um pouco. Isso não é nada. Você tá fazendo drama por
besteira.

—Besteira? Sério, Vinnie? Você voltou pra casa completamente bêbado,


cheirando a maconha, sem nem conseguir olhar na minha cara. Isso é 'nada'
pra você?

—Eu volto cedo dessa vez, prometo. -Ele respondeu, como se aquilo
resolvesse tudo, enquanto acendia o baseado, ignorando meu olhar de
desaprovação.
—Isso já tá passando dos limites! -Eu falei, minha voz falhando um
pouco com a raiva.- Você não pode continuar agindo assim, como se nada
importasse além de você e essas festas.

Vinnie deu uma risada irônica.

—Festas, é? Eu não tô indo pra uma festa, Yas. Tô indo dar uma volta
com o Jacob. Para de pensar besteira, sério.

—Você não vai! -Gritei, meu corpo tremendo de raiva.- Eu tô te pedindo


para ficar comigo hoje. É pedir muito?

Ele me encarou por um segundo, seus olhos semicerrados, como se


estivesse tentando decidir o que dizer.

—Olha, docinho, você sabe que eu te amo, né? Mas eu preciso disso. Eu
preciso sair um pouco, esquecer tudo por um tempo.

—Esquecer o quê, Vinnie? Eu? Nosso relacionamento? Isso é o que você


quer esquecer? -Meu coração apertou enquanto falava. Eu sabia que algo
estava errado e que ele estava indo para um caminho que não poderia
acabar bem.

—Não faz drama, Yas. A gente vai conversar quando eu voltar, tá? Eu só
preciso sair, só isso. -Ele se aproximou, tentando me dar um beijo na testa,
mas eu me afastei, não conseguindo disfarçar o desapontamento e a tristeza.

—Então vai, Vincent. Se é isso que você quer, vai!

Vinnie me olhou de cima a baixo, seu semblante mudou de diversão para


algo mais frio, como se estivesse se preparando para outra discussão. Ele
deu uma risada forçada, como se eu estivesse sendo dramática demais para
o seu gosto.

—Você não vai começar com isso de novo, vai? -Ele disse, soltando seu
braço do meu aperto.- Já falei, chama a Avani e a Madson, faz algo legal.
Relaxa, eu volto mais tarde.
Eu cruzei os braços, tentando manter a postura firme, mesmo que por
dentro estivesse desmoronando.

—Vinnie, eu estou falando sério. Ontem foi horrível. Você saiu, sumiu a
noite inteira, e nem se deu o trabalho de me responder ou dizer o que estava
acontecendo. Agora você quer fazer isso de novo?

Ele suspirou, visivelmente impaciente.

—Já tô te falando agora, vou sair. E ontem, foi só uma festa, nada demais.
Relaxa, tá? Não foi o fim do mundo. -Ele riu novamente, mas dessa vez de
uma forma cínica, como se não conseguisse entender a gravidade da
situação.

—Não é só sobre ontem, Vinnie! É sobre como você tem agido. Como se
isso tudo fosse normal, como se sumir e voltar fedendo a álcool e... e sabe-
se lá o que, fosse uma coisa qualquer. A gente tava tão bem, porra! -Minha
voz falhou um pouco no final, e eu senti o choro preso na garganta.

Vinnie deu de ombros, como se minhas palavras não o tocassem. Ele pegou
a jaqueta, se preparando para sair, me ignorando completamente.

—Tá, docinho, eu entendi, você está brava. Mas eu preciso de uma pausa
disso aqui, beleza? Jacob já está me esperando.

Eu o segurei mais uma vez, dessa vez com mais força.

—Por favor, Vinnie, fica aqui comigo hoje. Não sai de novo. Eu tô te
pedindo.

Ele finalmente olhou para mim, mas seu olhar estava distante.

—Eu preciso ir. -Foi tudo o que disse, antes de virar as costas e sair do
quarto sem olhar para trás.

Eu fiquei ali, parada, sentindo meu coração se partir mais um pouco,


enquanto o som da porta se fechando ecoava pela casa.

[...]
Mais um dia se passou, e ele continua o mesmo. Sei lá o que deu nele. Eu
tento conversar, e até conseguimos falar de algumas coisas, mas não é como
antes. Há três dias, estávamos ótimos. O que mudou tão de repente? Por que
essa distância?

Notei que, sempre que ele chega em casa, vai direto pro closet e se tranca
lá. Eu não faço ideia do que ele faz ali. As fungadas no nariz dele têm
ficado cada vez mais frequentes. Isso não é normal.

Agora já é tarde, e ele estava no casarão, mas logo voltaria. O


comportamento estranho se repetiria.

Tem algo de errado com ele, isso está cada vez mais claro. É como se ele
precisasse de algo urgente toda vez que chega. A ansiedade, o jeito de se
trancar no closet... parece familiar. Eu já vi algo assim antes.

Dylan. Quando morávamos juntos, ele tinha o mesmo hábito. Essas


fungadas, essa necessidade estranha, esse comportamento fechado... Eu
reconheço.

Decidi subir até o closet. Preciso descobrir o que ele faz aqui dentro. O que
ele tanto esconde?

Comecei a revirar o closet dele com pressa, tentando ser cuidadosa, mas a
ansiedade tomava conta. Vasculhei suas gavetas, chequei os bolsos de seus
casacos e não encontrei nada suspeito. Abri algumas caixas onde ele
guardava papéis, mas novamente, nada.

Não pode ser -pensei.- Onde ele está escondendo isso?

Andei de um lado para o outro, frustrada, até que uma ideia me ocorreu.

Claro!

Fui direto para sua bancada, onde ele guardava os preciosos Rolex e sua
coleção de relógios.

É claro que seria ali. Ele sabe que eu nunca mexeria nesse lugar.
Tentei abrir a gaveta, mas, como esperado, ela estava trancada com senha.
O vidro no topo da bancada revelava os relógios lá dentro, mas tudo era
blindado, impossível de abrir à força.

Respirei fundo e tentei lembrar de alguma combinação, algum número


importante para ele. Será que ele teria usado uma data? Algo que eu
pudesse adivinhar?

Me aproximei novamente da bancada, analisando tudo ao redor, procurando


algum sinal ou chave escondida.

Tentei seu aniversário, mas não era; tentei nossa data de namoro, mas
fracassei.

Porra, essa é minha última chance! Se não funcionar, eu vou bloquear essa
merda!

Me lembrei que, uma vez, Vinnie me disse que ele criou sua máfia no dia
14.05 e que era uma data importante pra ele.

E se...

Coloquei a sequência da data, torcendo para que funcionasse, e, para minha


surpresa, a gaveta se destrancou com um clique suave.

Dei um pulo de alegria ao ver que a gaveta foi aberta.

Comecei a olhar com cuidado, afinal, tinha ali relógios que custavam mais
de 5 milhões. Imagina se eu quebro um deles?!

Após alguns minutos de busca frustrada, fui distraída com a imensidão de


relógios. No entanto, em um descuido, acabei encontrando um fundo falso
sob sua enorme coleção. Com cuidado, comecei a remover alguns dos
relógios mais à vista, revelando o que havia por trás.

Tcharam! E não é que eu estava certa?

Havia diversos saquinhos de cocaína ali dentro, muitos mesmo.


Então era isso...

A respiração ficou pesada e meu coração disparou. O que eu deveria fazer


agora? Ele estava se envolvendo cada vez mais nessa vida, e eu não sabia
como ajudá-lo. O pânico começou a se instaurar em mim.

Pensei em como ele parecia diferente nos últimos dias, cada vez mais
distante, cada vez mais preso a algo que eu não conseguia entender. Era isso
que ele tanto precisava? Algo tão destrutivo?

Fiquei parada, olhando aqueles pacotes, sentindo uma mistura de raiva e


preocupação. A necessidade de enfrentar Vinnie se tornou urgente, mas, ao
mesmo tempo, o medo de como ele reagiria me paralisava.

Decidi que precisava de provas, algo para mostrar a ele que não poderia
continuar assim.

Mas e agora? Como vou sair daqui sem que ele descubra?

O desespero tomou conta de mim ao ouvir o barulho do carro de Vinnie se


aproximando. Com o coração acelerado, comecei a tirar todos os saquinhos
de cocaína de dentro da gaveta, tentando deixar tudo como estava antes.

Ele não pode descobrir!

No impulso, corri até o banheiro, joguei todos os saquinhos no vaso e puxei


a descarga. A água girou rapidamente, levando consigo a evidência do que
eu tinha descoberto.

Assim que dei descarga, a porta do quarto se abriu com tudo, me fazendo
levar um susto.

—V-você chegou... -gaguejei, tentando agir normalmente, mas minha voz


falhou.

—Tudo bem? -Ele perguntou, com um olhar curioso e cansado. Eu assenti


rapidamente, quase sem pensar, e ele seguiu em direção ao closet, se
trancando como de costume.
Meu coração disparou.

Ai meu Jesus amado, me ajuda! O que eu fiz? Agora ele vai ficar puto da
vida comigo!

O desespero começou a se instaurar enquanto imaginava sua reação.

—YASMIM!! -ele gritou do closet, sua voz era uma mistura de irritação e
confusão.

Ferrou.

Eu me senti como se estivesse em um labirinto sem saída. O que eu deveria


fazer? Tentei pensar rápido, mas minha mente estava em um turbilhão.

Se eu não me explicar, ele vai achar que eu mexi em algo que não deveria.

—Oi, aconteceu alguma coisa, amor? -respondi, tentando soar calmo, mas
minha voz tremia. Ele abriu a porta do closet, sua expressão estava entre o
irritado e o preocupado.

—Onde você colocou?! -ele gritou apertando meu pulso

—Do que você está falando? -me fiz

—CADÊ A PORRA DA COCAÍNA QUE TAVA ESCONDIDA,


KARALHO?! -ele me chocou contra a parede em um baque bruto.

—e-eu.. -eu nem conseguia falar direito, eu estava apavorada

Vinnie me estudou por um momento, como se tentasse ler meus


pensamentos.

—Não me diga que aquela descarga era você com as drogas...

—Eu só estava tentando te proteger!! -gritei, minha voz saiu trêmula

—Me proteger? VOCÊ TEM NOÇÃO DO QUE VOCÊ FEZ?! -ele grudou
um soco na parede, ao lado da minha cabeça.
Arregalo os olhos com medo, assustada. Esse não era meu namorado.

ele agarra fortemente em meus cabelos e bate minha cabeça na pareda


algumas vezes, me deixando tonta.

—vai Vinnie...me mata! Mas tenha a consciência que você nunca mais vai
me ter e que não vai me achar nas garotas da boate.

—Sua filha da Puta!!! -ele me enforcou me deixando sem ar- ah, você não
tem noção do quanto eu quero te matar agora sua vadia!

—Você pode procurar em qualquer lugar, mas nunca vai achar em outra o
que encontra em mim. Eu sou única pra você, e você sabe disso. -falei com
dificuldade, sentindo sangue escorrer pela minha boca, mas eu estava
sorrindo, sabendo que eu estava certa.

—Você sabe que eu poderia sumir do mapa, não sabe? E aí, Vinnie, você
nunca mais iria me achar. -gemi de dor ao sentir ele apertar mais ainda

—Tenta, Alles, [Link] juro que te caço até no inferno, coloco Deus e o
mundo pra te procurar, mas de mim você não escapa. Você é minha.

—Vi-Vinnie... -segurei sua mão tentando o afastar de mim.

Já estava sem ar nos meus pulmões, os olhos de Vinnie estavam implorando


por sangue e a cada segundo me faltava mais ar.

Ele finalmente me soltou, me jogando no chão e começando a socar a


parede com força

Limpo o sangue que havia escorrido pelo canto da minha boca, e antes que
eu pudesse reagir, Vincent me agarra pelos cabelos e me arrasta até o
banheiro, me trancando ali.

—Vinnie? O que você tá fazendo?! -comecei a bater na porta desesperada


ao ouvir ele quebrando tudo no quarto. Barulho de vidro quebrando, coisas
sendo arremessadas, e Vinnie gritando desesperadamente, como se não
estivesse conseguindo se controlar.
—VINNIE PARA!!! ME TIRA DAQUI! EU POSSO TE AJUDAR!!! -
bati na porta com força.

Mas ele continuou quebrando tudo que estava em sua frente, Hacker perdeu
o controle de si. Ouvia ele dando socos na parede com toda sua força. Dava
para saber pelo barulho, ouvir aquilo estava me matando.

—Hakcer, me solta!! Por favor!! -eu estava chorando em desespero-


VINNIEEE!!! POR FAVOR!! PARA!! -e depois de alguns minutos os
barulhos pararam.

Eu só queria sair dali e tentar o ajudar, mas não podia.

Ele me trancou aqui pra não me machucar? Talvez... talvez seja uma forma
de me proteger da própria raiva.

O homem que eu amo está do outro lado da porta, completamente


descontrolado. E eu aqui, impotente, sem saber o que fazer.

Olhei em volta a procura de alguma coisa pra abrir aquela porta. Abri todas
as gavetas à procura de alguma chave, mas nada.

A janela do banheiro é minúscula e muito alta, sem chances.

Ouço o barulho da porta do quarto se fechando e Vinnie ordenando para


algum segurança me vigiar, dizendo que eu não poderia sair do quarto.

Revirei as gavetas sem sucesso e me deixei cair no chão, sentindo as


lágrimas rolarem enquanto as palavras de Vinnie ecoavam na minha mente.
A raiva, o medo, a confusão — tudo se misturava, me sufocando. Me
perguntei se ele me trancou no banheiro pra evitar me machucar, ou se isso
era só o começo de algo pior.

Respirei fundo, tentando me acalmar, quando algo chamou minha atenção.


Abaixo do móvel da pia, um pequeno grampo de cabelo estava esquecido.
Me recompondo, estendi a mão e o peguei, rezando para que fosse
suficiente.
Com cuidado, comecei a tentar destrancar a porta, mas fracassei na primeira
tentativa. Frustrada, dei um soco na porta, já cansada de tudo. Mas me
recusei a desistir. Tentei de novo, mais devagar dessa vez, e pra minha
surpresa, a fechadura cedeu com um clique suave.

A porta se abriu.

Assim que me libertei do banheiro, Mads me veio à mente. Lembrei de


quando ela me disse rindo, cheia de confiança: "Da próxima vez que ele
sair, vai junto. Curte também, provoca ele bastante. Mostra que você não
depende dele pra nada." Em uma ligação mais cedo.

Aquelas palavras ecoavam na minha cabeça enquanto eu atravessava o


quarto, pisando nos cacos de vidro espalhados. Vinnie tinha deixado um
caos para trás, mas eu não ia deixar isso me parar.

Abri o closet, decidida. Peguei a mesma roupa que usei naquele dia: o
vestido preto justo, o salto branco. Se era pra provocar, eu sabia exatamente
como fazer.

Merda, como eu vou sair daqui?

Olhei em volta, tentando pensar rápido. A porta do quarto estava trancada e


com um segurança do outro lado, vigiando. Meus olhos foram para a
sacada, que estava aberta. Corri até lá, mas assim que olhei para baixo,
percebi o quão alto era o salto.

—Cacete, é muito alta pra pular... -murmurei, hesitante. O chão do


primeiro andar parecia tão distante.

Mas eu não podia ficar ali. Atirei meu sapato na direção do jardim abaixo e
me segurei firmemente na beirada da sacada.

—Vamos lá, Yasmim, é agora ou nunca.

Contei até três e pulei. A aterrissagem não foi suave. Ao cair, senti uma dor
aguda no pulso direito e soltei um gemido involuntário.
—Eu vou matar o Vinnie depois dessa! -resmunguei, me levantando com
dificuldade e limpando a sujeira das roupas. Peguei meu salto do chão,
segurando-o nas mãos enquanto corria de volta para dentro da casa,
determinada.

Cheguei à mesinha onde ele sempre deixava as chaves dos carros. Um


sorriso atrevido se formou no meu rosto ao ver a chave da Lamborghini
Aventador vermelha.

—Já que é pra causar e provocar, vamos fazer isso com estilo.

Corri até o carro, trancando-me lá dentro e aproveitei para retocar minha


maquiagem e colocar o sapato. Soltei um sorriso de empolgação, ansiosa
para o que estava por vir.

—Meu Deus, é muito rápido! -falei para mim mesma, rindo, enquanto
acelerava pelas ruas do condomínio, ouvindo o ronco potente do motor. A
adrenalina subiu, e eu me sentia viva de novo.

[...]

Quando cheguei na frente da Lux, avistei o carro do Vinnie estacionado.


Claro que ele estaria aqui. Desci do carro, sentindo o olhar das pessoas ao
redor. Foi quando ouvi um grito animado.

—AMIGA!! -Mads? Olhei para a fila e lá estava ela, junto com uma
menina que eu não conhecia.

Se isso não for um sinal pra causar, eu não sei o que é! -pensei, sorrindo
para mim mesma.

—O que a santa Alles tá fazendo aqui? -Mads perguntou com um sorriso


malicioso.

—Aproveitar, ué. -Respondi, devolvendo o sorriso. Mads começou a


mexer em sua bolsa, como se tivesse lembrado de algo.

—Aqui! -Ela puxou uma pulseira da Área VIP e me entregou.- Eu tinha


chamado a Avani, mas ela não tava se sentindo muito bem. Fica com ela! -
Charlotte, a amiga da Mads, me ajudou a colocar a pulseira.

—Você tá uma tremenda gostosa, hein! Pelo visto, ouviu meu conselho. -
Mads riu enquanto caminhávamos até a porta da boate.

—Nome na lista? -O segurança pediu.

—Madson Hailey, Charlotte Ristow e... -Mads parou por alguns


segundos, pensando.

Nós duas sabíamos que, se ela falasse meu nome, eles alertariam Vinnie.

—Avani Sinclair -Mads completou. O segurança conferiu os nomes na


lista e logo liberou passagem

—Boa festa, meninas!

Assim que entramos, Mads me puxou para o bar que havia no primeiro
andar.

Assim que entramos na boate, Mads me puxou direto para o bar no primeiro
andar, onde as luzes piscavam e a música parecia ainda mais alta. O
ambiente estava lotado de gente dançando, conversando e rindo, mas a
energia no ar era contagiante.

—Vamos, Alles, só um shot! -Mads insistiu, já pedindo dois copinhos no


balcão.

—Você sabe que eu não bebo, Mads. -Suspirei, lembrando da última vez
que saímos e ela tentou me convencer a fazer a mesma coisa.

—Só hoje, amiga! Relaxa! -Ela sorriu, me empurrando um copinho de


Whisky. Revirei os olhos, sabendo que provavelmente me arrependeria
depois, mas aceitei.

—Isso, garota! -Mads vibrou, rindo, enquanto ergui o copinho junto com
ela.
Quando viramos o shot, o líquido desceu queimando, fazendo eu engasgar
um pouco e fazer uma careta.

—Isso é horrível!! -Gemi, mas Mads riu ainda mais.

—Agora sim! Agora você está pronta! -Ela gritou, pegando um copo de
Gin com energético, enquanto eu decidi ficar só com energético mesmo.

Ela me puxou pela mão mais uma vez, e nós seguimos direto para o meio
da pista de dança, onde a música bombava e a multidão se movia ao ritmo
das batidas. Mads dançava com uma confiança invejável, e eu tentava
acompanhar, apesar do meu corpo parecer um pouco mais lento por conta
do Whisky.

A música nos envolvia, e logo estávamos perdidas no ritmo. Rimos juntas,


sincronizando alguns movimentos e trocando olhares cúmplices. Tudo
parecia perfeito, mas, mesmo com a diversão, aquela estranha sensação de
estar sendo observada continuava me perturbando. Olhei ao redor, mas não
consegui identificar ninguém especificamente me encarando. Apenas
respirei fundo, decidindo aproveitar o momento, mas a sensação não me
deixava.

—Eu não vou fazer isso! -Gritei para Mads, vendo-a subir em uma das
mesas como se fosse a coisa mais natural do mundo. Em volta, outras
meninas faziam o mesmo, dançando animadas, e parecia ser parte do clima
daquela noite. Eu cruzei os braços, tentando resistir, mas Mads me lançou
aquele olhar de cachorro pidão, estendendo a mão para mim.

—Por favorzinho, é legal, vai ser divertido! -ela insistiu. Revirei os olhos,
sabendo que não teria como dizer não a ela por muito tempo.

Suspirei e acabei pegando na sua mão. Um rapaz que estava perto de nós
me ajudou a subir, já que tentar fazer isso com um salto alto definitivamente
não era fácil.

—Obrigada! -Agradeci, sorrindo para ele. O cara estava com um amigo, e


ambos ficaram por ali, observando enquanto Mads e eu começávamos a
dançar.
A música mudou para algo mais animado, com uma batida intensa, e logo
Mads e eu estávamos dançando de forma mais solta, deixando o ritmo nos
guiar. Eu podia sentir os olhares nos observando, principalmente os dos dois
rapazes, mas quando ergui os olhos para a sacada no segundo andar... foi aí
que o vi. Vinnie.

Ele estava lá, me observando da "sacada" que dava visão da pista inteira.
Seus olhos me acompanhavam com uma intensidade que me fez estremecer.
Sabia exatamente o que ele estava pensando. E se era isso que ele queria...
bem, eu estava disposta a provocá-lo.

Passei a mão pelas minhas curvas de forma sensual, sentindo a música me


envolver ainda mais. Rebolei, rindo com Mads enquanto ela fazia o mesmo,
ambas cientes de que os olhares de Vinnie estavam cravados em mim. Sabia
que aquilo estava mexendo com ele, e naquele momento, eu não me
importava. Eu queria causar, queria que ele sentisse o que eu estava
sentindo.

Senti alguém me chamar e, ao olhar, vi o mesmo rapaz que me ajudou a


subir, se aproximando com um sorriso.

—Gata, você é muito linda! Aceita eu te pagar uma bebida?-Ele falou ao


meu ouvido, tentando se fazer ouvir sobre a música alta.

Antes que eu pudesse responder, ele foi abruptamente empurrado para o


lado, caindo no chão.

—O que? -Falei confusa ao ver quem o havia derrubado.

—Sai de perto da minha mulher.

Vincent.

Ele estava ali, bravo, segurando firme a minha cintura.

—O que você pensa que tá fazendo aqui? -Ele olhou para mim com raiva,
como se eu fosse a responsável pela confusão.
—Eu tô curtindo, docinho! -Lancei um beijinho, tentando desviar a tensão,
mas não teve efeito. A expressão dele se tornou ainda mais fechada.

—Vem. -Ele puxou meu pulso com força, me fazendo hesitar.

—Não. -Neguei, desafiando-o. Vinnie se virou incrédulo, como se não


conseguisse entender um não.

—Como é? Alles? Ficou maluca, porra?

—Me deixa! Eu vou ficar aqui com a Mads. Não foi você mesmo que disse
que era pra eu me divertir com ela? -Falei, tentando ser sarcástica, mas
percebia que só o estava irritando mais.

Ele já estava perdendo a paciência. Novamente, me puxou, só que dessa vez


com uma força ainda maior. No impulso, deixei a adrenalina falar mais alto
e acabei dando um tapa com força na cara dele.

O som do impacto ecoou entre a música pulsante da boate, e eu fiquei em


choque, tanto pela minha reação impulsiva quanto pela expressão de
surpresa no rosto de Vinnie. O silêncio instantâneo que se seguiu era quase
palpável, mas logo foi quebrado pelo murmúrio de curiosidade dos outros
ao nosso redor. A situação havia escalado rapidamente e, agora, eu sabia
que não tinha como voltar atrás.

—FILHA DA PUTA! OLHA O QUE VOCÊ FEZ!! -Vinnie gritou, sua voz
ecoando pela boate enquanto ele se tocava no rosto, onde o tapa havia
deixado uma marca vermelha.

Nervosa, comecei a rir. Não conseguia conter o riso, como se o efeito


daquela cena fosse mais cômico do que sério. A verdade era que, em algum
lugar no fundo da minha mente, eu achava que ele merecia isso há tempos.
Me senti aliviada, confesso.

—Você tá rindo? Que porra é essa? -Vinnie rosnou, furioso, seus olhos
brilhando com uma mistura de raiva e incredulidade.- Você acha que isso é
engraçado? Você é uma putinha mimada que não sabe a hora de parar! Não
é só porque você tá se divertindo que pode fazer o que quiser!!- Ele
continuou, liberando toda a frustração em forma de xingamentos.

—Tá se achando a gostosona, não é? Olha só, dançando em cima de mesas,


atraindo a atenção de qualquer babaca! E eu tenho que ficar aqui, me
segurando pra não fazer uma cena? Você tá me deixando louco, Alles! -Ele
respirou fundo, parecendo tentar se controlar.- Se não bastasse, você me
bate e acha que isso é divertido?

—Já chega. -Ele disse, puto da vida. Sem avisar, me pegou no colo, como
se eu fosse um saco de batatas, jogando-me no ombro.

—Me solta, Vincent! -Eu gritava, batendo nas costas dele, tentando me
soltar.- Quer dizer que só você pode sair pra se divertir? -Gritei, a
adrenalina me fazendo falar sem pensar.

Assim que saímos da boate, ele andou por um corredor até chegar no
estacionamento.

—A minha calcinha tá aparecendo, idiota!! -Tentei puxar meu vestido para


baixo, mas a posição em que estava não me favorecia.

Vinnie não dizia nada, apenas marchava enfurecido comigo pelo


estacionamento. Quando percebi que ainda estava tentando me arrumar, ele
deu um tapa forte na minha bunda, me fazendo soltar um grito de dor.

—Você tá querendo me fazer passar vergonha, sua maluca? -ele disparou.


Mas logo depois, colocou a mão sobre a minha bunda enquanto a apertava.
Tampando qualquer visão da minha bunda ou da minha calcinha, o que só
aumentou minha confusão e irritação.

—Você é insuportável! -Eu protestei, mesmo sabendo que ele tinha razão
em parte. Mas a raiva e a diversão do momento faziam meu coração
acelerar.- Me solta agora!

Ele me jogou no carro com brutalidade, o som da porta batendo ecoando no


silêncio do estacionamento. Vinnie saiu dali rapidamente, o motor rugindo
enquanto ele acelerava.
—Ei, meu carro! -Eu gritei, apontando para a Lamborghini que ele deixara
para trás, mas ele não disse nada, apenas pisou fundo no acelerador. O carro
disparou pela rua, e a adrenalina misturada com a raiva deixava o ambiente
eletricamente tenso.

Cruzei os braços, tentando me ajeitar no banco do carro, mas a velocidade


me fazia sentir como se estivesse em um passeio de montanha-russa.

—Você tá maluco? Você não pode simplesmente sair assim! Essa não é a
maneira de resolver as coisas! -Eu tentei argumentar, mas Vinnie apenas
continuou a xingar, a frustração em sua voz transbordando.

—Você acha que pode fazer o que quiser, não é? Se vestir como uma vadia,
dançar em cima de mesas, e ainda por cima me bater! O que você quer que
eu faça? Que fique aqui olhando você se afundar na sua própria idiotice? -
Ele resmungou, os olhos fixos na estrada.

A tensão no ar era palpável, e a cada palavra que ele proferia, eu sentia que
estava provocando ainda mais a sua ira.

—VOCÊ NÃO ENTENDE QUE EU SÓ QUERO ME DIVERTIR? Que eu


não sou sua propriedade? -Eu retruquei, embora soubesse que estava
caminhando para um território perigoso.

—VAI SE FUDER ALLES!!! -Ele bradou, batendo a mão no volante.

Eu olhei pela janela, tentando controlar a mistura de raiva e impotência que


me dominava.

Vinnie soltou um suspiro pesado, e um silêncio tenso se instalou entre nós


enquanto ele continuava a dirigir. A sensação de que estávamos nos
afastando um do outro aumentava a cada segundo.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 80
Assim que chegamos em casa, Vinnie entrou batendo a porta com força, o
barulho ecoando pela casa. Ele estava bufando de raiva, cada passo pesado
no chão enquanto falava mais alto.

—Você me fez passar o maior fiasco da minha vida, caralho! Na frente de


todo mundo! Você tem noção do quão ridícula você é? -Ele gritou, os olhos
faiscando de fúria.- Puta que pariu, você só sabe foder com tudo!!!

—Ah, claro, a culpa é minha, né? -Retruquei, cruzando os braços, já


exausta da mesma ladainha.- Porque você, o grande Vincent Hacker, nunca
faz nada de errado, não é? Eu só queria sair um pouco, me divertir! Algo
que você faz sempre, mas quando sou eu, vira o fim do mundo!

—Você não tem cabeça pra sair, porra! Olha como se comporta, subindo
em mesa, dançando que nem uma vadiazinha!! É por isso que eu te prendo!
Porque você não se controla! -Ele cuspiu as palavras, andando de um lado
para o outro.

—E você é um controlador de merda! Acha que pode me prender dentro


dessa casa e decidir tudo que eu faço? Quem você pensa que é? -Respondi,
tentando manter minha voz firme, mas meu coração já estava acelerado.

—Você é uma ingrata, acha que pode sair por aí fazendo o que bem
entende, e depois vem com essa de 'coitadinha'! Para de ser tão egoísta! Eu
só tô de saco cheio dessa porra!! -Ele esbravejou, jogando as mãos para o
alto.

—E você acha o quê? Que eu gosto dessa merda toda? De viver assim,
cercada, sem poder nem respirar sem você controlar? Você acha que eu não
sei o quanto você também fode tudo? Sabe o que é pior? Você é um
hipócrita, Vinnie! Faz tudo escondido, sai pra essas merdas de boates, fode
com tudo e depois vem me jogar na cara o que EU faço!!!

Vinnie bufou, com os olhos cheios de ódio.


—Você tá reclamando do quê, caralho? Eu te dou tudo, você só tem essa
porra de vida de luxo por minha causa!! Mas parece que você não dá valor
pra nada! Se quer sair e ser tratada como lixo, vai! Eu já tô de saco cheio
disso, Yasmim!!

—De saco cheio, é? Então me faz um favor, Vinnie! Termina logo essa
merda de uma vez!!-Gritei de volta, com o peito ardendo de raiva.

—Quer saber? Já deu! Acabou, porra! Eu tô terminando essa merda de


vez!!! -Vinnie rugiu, com o rosto contorcido de raiva.

No impulso, arranquei a aliança do dedo e a joguei na direção dele.

Ela bateu no peito dele e caiu no chão, mas eu não esperei para ver sua
reação.

—Vai se foder!!! -Gritei, a voz saindo embargada de emoção, e sem


pensar duas vezes, saí correndo pela porta da frente, o coração batendo tão
forte que eu mal conseguia respirar.

Saí correndo, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, borrando minha visão.
Meu peito queimava com cada respiração, como se o ar estivesse me
abandonando. Eu precisava sair dali, de qualquer jeito.

Corri até a esquina, os soluços presos na garganta, e quando estava prestes a


atravessar a rua, uma luz forte de um carro veio em minha direção. O som
dos pneus freando bruscamente ecoou no ar, fazendo meu coração parar por
um segundo.

O vidro foi abaixado, e Kio estava atrás do volante.

—Gata? -Ele chamou, a voz carregada de preocupação.

—O que aconteceu? Você tá bem? -Ele saiu do carro ao me ver chorar, o


rosto dele imediatamente ficando tenso.

Eu tentava falar, mas as palavras não saíam.


—Eu e o Vinnie... -comecei, mas logo a voz se quebrou e tudo que
conseguia fazer era soluçar. Eu estava ofegante, a raiva e a tristeza me
consumindo.

—Ele fez algo pra você? Te machucou? -Kio perguntou preocupado,


segurando meu rosto com as duas mãos, olhando cada detalhe, como se
procurasse por algum arranhão. Ele conhecia bem o amigo que tinha e sabia
o quão impulsivo Vinnie podia ser.

—N-não... ele não fez nada... só... me tira daqui, por favor! -Implorei, a
voz fraca. Eu só queria sumir, me afastar de toda aquela confusão. Não
conseguia mais respirar direito naquela casa.

Kio assentiu rapidamente, sem questionar mais nada. Ele me guiou até a
porta do passageiro, abrindo-a para mim com cuidado. Entrei no carro,
tentando respirar fundo enquanto ele fechava a porta e dava a volta para o
lado do motorista.

Durante o caminho até sua casa, o silêncio dominou o carro. Eu olhava pela
janela, tentando controlar as lágrimas que ainda insistiam em cair. Kio
respeitou meu espaço, mas não desviou a atenção de mim, ocasionalmente
lançando olhares preocupados.

Quando chegamos, ele olhou para mim antes de sairmos do carro.

—Só não repara na bagunça, Nick e Dylan estão dormindo aqui há uns
três dias. Esses idiotas não querem sair mais da minha casa agora! -Ele
tentou descontrair o clima com um sorriso leve, mas eu sabia que ele estava
tentando me animar.

Eu passei a mão no rosto, limpando as lágrimas que ainda manchavam


minha pele.

—Não tem problema... -tentei sorrir de volta, mas era fraco.

Naquele momento, eu não me importava com quem estava lá, ou com onde
eu iria ficar. Só queria desaparecer, longe da casa de Vinnie, longe de tudo
que me lembrava ele.
Assim que entramos na casa de Kio, percebi o quão bagunçada estava,
apesar da casa ser grandinha e bonita. Havia caixas de pizza espalhadas
pelo chão da sala, em volta do sofá, onde Nick e Dylan estavam jogados,
jogando PlayStation.

—Sai fora, eu que vou ganhar! -os dois se provocavam, rindo e se


balançando com os controles.

—EU GANHEI!! -Nick gritou, comemorando na cara de Dylan. Ambos


riram antes de desligar o videogame.

Nick se levantou do sofá, virando-se em direção à porta.

—Cara, você já voltou? Pensei que fosse demorar mais lá. -ele começou a
dizer para Kio, mas então me viu.- Yas!! O que você tá fazendo aqui? -Ele
parecia surpreso, assim como Dylan, que rapidamente se levantou para me
abraçar. Fazia um tempinho desde que nos vimos pela última vez.

—Eu e o Vinnie terminamos... -foi tudo o que consegui sussurrar, minha


voz quase sumindo com o peso das palavras.

Os meninos se entreolharam, chocados.

—Mas por quê? Vocês estavam tão bem juntos!-Kio perguntou,


visivelmente confuso.

—É, lá na praia vocês estavam tão fofinhos, por que isso agora? -Nick
completou, franzindo o cenho.

Suspirei, tentando controlar as lágrimas.

—Vinnie só quer saber de sair pra festas com o Jacob... ele nem para em
casa direito.

Dylan cruzou os braços, seu rosto ficando sombrio. Kio fez o mesmo, e
Nick, que antes estava descontraído, agora parecia nervoso.

—Tinha que ser ele. -Dylan bufou, claramente irritado.


—Como assim? -perguntei, percebendo o tom de frustração deles.

—Esse desgraçado do Jacob tá sempre metido nessas merdas. -Kio disse,


balançando a cabeça negativamente.- Arrasta o Vinnie e os outros pra todo
tipo de coisa errada.

Kio colocou a mão delicadamente nas minhas costas e me guiou até um dos
quartos da casa.

—Esse não é o melhor quarto da casa, tá meio feinho, todo bagunçado... -


Ele coçou a cabeça, visivelmente constrangido.- Mas se quiser, pode ficar
no meu quarto, eu me viro na sala!

—Não precisa! Eu não vou ficar aqui por muito tempo, é só até eu
arrumar um apartamento ou sei lá. -respondi, tentando controlar o choro que
ainda estava preso na garganta.

Kio me olhou preocupado, mas deu um sorriso compreensivo.

—Eu acho que você precisa de um tempo sozinha, né? Bom, descansa um
pouquinho. Vai ajudar bastante! -Ele disse, tirando alguns cobertores de um
armário e arrumando a cama.

—Qualquer coisa, eu vou estar lá embaixo com os meninos! -Ele avisou,


antes de sair do quarto, sorrindo de maneira gentil. Fiquei parada ali,
olhando para a cama, sentindo o cansaço emocional me consumir.

Atirei-me na cama, exausta, sem me importar com o vestido ou se estava


coberta. O peso das emoções me envolvia de tal forma que a única coisa
que eu desejava era que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo. Fechei os
olhos com força, tentando fugir da realidade.

Queria acordar e vê-lo ao meu lado, com aquele sorriso despreocupado,


como se nada tivesse acontecido, como se as palavras duras nunca tivessem
sido ditas, e nós ainda fôssemos nós.

Mas a dor no peito me lembrava que nada disso era possível.

Pov — Dylan Riger


Porra, não acredito que o Vinnie fez isso. Tenho certeza que aquele filho da
puta do Jacob tá por trás dessa merda. O Vinnie é cabeça dura, sempre foi,
mas do nada terminar com a Yasmim? Tá tudo errado. Esse desgraçado do
Jacob já fudeu com a gente uma vez, traindo a empresa, e do nada ele volta
como se nada tivesse acontecido? Não dá pra confiar nesse cara.

O problema é que esse arrombado tá sempre metido nessas picuinhas,


arrastando os moleques pra essas festinhas de merda, cagando e andando se
alguém é comprometido ou não. Ele fode com tudo e sai ileso, como se
nada tivesse acontecido.

O Vinnie... puta que pariu, o Vinnie é um idiota, acredita em qualquer


merda que o Jacob fala. Sempre foi assim. Mas fazer isso com a Yasmim?
Não dá pra engolir, cara. Isso me deixa puto, porque ela não merece essa
merda.

[...]

Durante a madrugada, não consegui pregar os olhos. Eu sabia que ela estava
mal. Porra, só de imaginar o que ela tava sentindo, me deixava puto.

Decidi ir até o quarto ver como a Yasmim estava. Quando abri a porta
devagar, lá estava ela, dormindo, mas com os olhinhos inchados de tanto
chorar. O travesseiro estava encharcado, e ela abraçava o próprio corpo,
como se estivesse tentando se proteger de tudo aquilo.

Vê-la assim acaba comigo.

Ela é tão paciente com o Vinnie, mesmo ele sendo o idiota que é. Ela não
merecia passar por essa merda.

Peguei uma das cobertas e a cobri com cuidado, apagando a luz e fechando
a porta sem fazer barulho. Meu sangue fervia a cada passo que eu dava pra
fora daquele quarto. Vê-la nesse estado me deu uma única certeza: aquele
filho da puta do Jacob ia pagar.

Sem pensar duas vezes, saí da casa, com a raiva crescendo a cada segundo.
Agora esse desgraçado vai ter o que merece.
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Capítulo 81
Pov — Yasmim Alles

[...]

Eu estava exausta, mas Vinnie não parava de falar nem por um segundo.
Estávamos deitados na cama, e tudo o que eu queria era dormir.

—Eu tava pensando na gente ir viajar pra algum lugar com neve, seria
muito foda! -ele puxou mais um assunto, com aquela empolgação típica de
quem não quer deixar o momento acabar. Eu suspirei, tentando me
aconchegar ainda mais no abraço dele, minha cabeça apoiada no braço forte
que eu usava como travesseiro.

—Amor, são uma da manhã... você não quer deixar pra ver isso mais
tarde? -falei com a voz sonolenta, tentando ser doce, apesar do cansaço. Me
agarrei ao tronco dele, buscando o calor e o conforto que o corpo dele
sempre me dava.

Mas ele estava elétrico, planejando tudo mentalmente.

—Aí a gente pode alugar um chalé e ficar lá por uns dias, só eu e você. -
Sua animação era quase contagiante, mas tudo o que eu queria era fechar os
olhos e apagar.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele continuou:

—Pensa só, a gente pode levar nossos filhos pra lá um dia!

Abri os olhos por um segundo, surpresa.

—Filhos? -perguntei curiosa, ainda confusa com o rumo da conversa.

—Sim, a Hera e os outros que a gente vai ter mais pra frente! -ele
respondeu com a mesma seriedade, mencionando nossa gata de estimação
como se ela fosse nossa primeira filha. Eu não consegui segurar a risada ao
ouvir isso. A ideia era fofa e meio absurda ao mesmo tempo.

—Eu tô falando sério, Yas. Imagina só, ia ser muito legal! -ele me apertou
mais em seu abraço, e por um momento, o mundo lá fora não existia. Era só
nós dois.

Ele parou de falar por alguns segundos, e quando olhei para ele, vi que
estava me observando com um olhar intenso, quase como se estivesse
memorizando cada detalhe do meu rosto. Então, com a voz baixa e
tranquila, ele disse:

—Eu quero que nossos filhos tenham seus olhos..

Meu coração deu um salto, e por um instante, senti que o tempo tinha
parado. A intensidade nas palavras dele, a sinceridade no olhar... Era o tipo
de coisa que me desarmava completamente, e mesmo no meu estado de
cansaço, aquilo ficou gravado em mim.

Vinnie não parava um segundo. Eu estava completamente exausta depois do


dia todo na praia, mas ele parecia cheio de energia, jogado na cama ao meu
lado, despejando ideia atrás de ideia como se fosse a coisa mais natural do
mundo.

—E aí, tava pensando... acho que a gente devia comprar um carro novo.
Tipo, um conversível. Imagina só a gente dirigindo pela estrada com o
vento no rosto! -Ele fez um gesto com a mão como se estivesse segurando
um volante, e eu não consegui segurar o riso.

—Um carro novo? Você tem vários!— perguntei, tentando acompanhar o


ritmo das ideias dele, mas ele nem esperou minha resposta antes de
continuar.

—Não só isso! A gente precisa de uma casa nova também. Imagina uma
casa na neve, com lareira e tudo mais... vai ser perfeito! A gente vai fazer
marshmallows no fogo, tomar chocolate quente... e sabe o que mais que a
gente pode fazer? -ele me olhou de forma maliciosa
Dei um tapa fraco em seu ombro, entendendo sua maldade

Eu estava rindo, quase sem forças, enquanto ele delirava, mas ele ainda não
tinha terminado.

—Mas aí, claro, a gente também vai precisar de uma casa na praia, porque
né... sol, areia, você de biquíni, ia ser foda. -Ele estava tão empolgado,
quase pirando, os olhos brilhando enquanto planejava nosso futuro inteiro
em uma noite.

—Uma casa na praia e uma na neve? -Eu perguntei, apenas para provocá-
lo, mas ele balançou a cabeça com seriedade.

—A gente vai precisar de uma casa em cada lugar. Imagina só, uma em
cada cidade... neve, praia, montanha... a gente vai ter uma vida perfeita,
Yas! -ele disse, rindo, como se estivesse construindo um sonho louco no
momento.

Eu não consegui mais segurar o riso e acabei concordando com tudo, rindo
das ideias malucas que ele soltava sem parar.

—Claro, amor... tudo isso...

Ele continuou falando e gesticulando como um doido enquanto eu só ria,


sem forças pra argumentar ou tentar racionalizar. E, apesar de tudo, eu
amava o jeito que ele sonhava grande, doidinho, mas cheio de entusiasmo.

Mas algo parecia estranho, como se esse momento estivesse distante, fora
do lugar...

—Mas vai me dizer que não foi legal o banho de água gelada do mar de
agora pouco? -o loiro me perguntou rindo, se lembrando de quando estava
me arrastando para entrar no mar junto com ele.

Eu estava rindo das ideias malucas de Vinnie, sentindo seu abraço apertado
e quente ao meu redor, quando, de repente, algo começou a mudar. Sua voz
animada foi ficando distante, os detalhes da cena começaram a sumir aos
poucos. O calor de seu corpo foi desaparecendo, e então me dei conta...
Aquilo não era real.

Era tudo apenas uma lembrança da viajem que fizemos..

[...]

Meus olhos se abriram de repente, e o quarto ao meu redor estava escuro. O


silêncio era esmagador. Eu estava sozinha. O loiro, como já era de se
esperar, não estava ali.

Meu peito se apertou, e eu senti as lágrimas voltarem, como se meu coração


estivesse sendo esmagado de novo. Por um momento, aquele sonho pareceu
tão real que eu quase acreditei que ele ainda estava comigo, ainda era meu.
Mas a realidade era outra, e o vazio ao meu lado na cama me lembrava
disso com brutalidade.

Não é de um dia pra noite que esquecemos alguém que amamos do fundo
do coração. Alguém que você realmente queria que tivesse dado certo, que
você orava e pedia todas as noites ao papai do céu para cuidar, que fez você
sonhar com um futuro juntos, mesmo com todas as loucuras, os defeitos, as
falhas.

Eu respirei fundo, tentando controlar o nó na garganta, mas a dor estava lá,


firme e sufocante.

Pov — Madson Hailey

Já faz uma semana desde aquele dia na Lux. E, sinceramente, nunca


imaginei que as coisas iam desandar daquele jeito. Yas e Vinnie pareciam
tão bem... mas, de repente, tudo desmoronou. Eles terminaram, e, desde
então, ela não é mais a mesma.

A Yas está péssima. Ela não quer falar com ninguém, vive trancada no
quarto. Dylan até comentou que ela não está comendo direito. Dá pra ver
nos olhos dela o quanto ela está sofrendo, e eu sei que ela realmente gostava
dele. Talvez até amasse. Isso é o que mais dói.
Mas eu decidi que hoje isso vai mudar. Eu não aguento mais vê-la assim.
Preciso tirar ela desse ciclo, nem que seja só por um tempo. Vou levá-la pra
comer em algum lugar, tentar distrair a cabeça dela, fazer com que ela volte
a sentir um pouco de vida, nem que seja por algumas horas.

Felizmente, os meninos decidiram me ajudar. A gente vai cercá-la de coisas


boas, do jeito que ela merece. Ela não vai conseguir se esconder pra
sempre.

—Yas, abre a porta! Sou eu! -gritei do outro lado, batendo de leve,
tentando não soar muito impaciente. Estava há dias tentando fazer com que
ela saísse desse quarto.

Finalmente, a porta se abriu lentamente, e lá estava ela.

—Oi... -Yasmim murmurou, a voz fraca. Assim que a vi, meu coração
apertou. Ela estava irreconhecível — toda descabelada, os olhos inchados e
vermelhos de tanto chorar, o rosto marcado pelo cansaço. Parecia que não
dormia há dias, e provavelmente era verdade.

Entrei no quarto e me sentei na cama ao lado dela.

—Então, eu tava conversando com os meninos e a gente decidiu ir


naquela hamburgueria que a gente ama. Vamos? -tentei parecer
despreocupada, como se fosse só um convite normal, mas eu sabia que ela
precisava disso mais do que nunca.

Yasmim suspirou fundo e se jogou na cama, afundando o rosto no


travesseiro.

—Você sabe que eu não tenho forças, Mads.

Aquela frase me quebrou. O que ele fez com ela? Ver minha melhor amiga
nesse estado era insuportável. Mas eu não ia desistir fácil.

—E que tal... -comecei, tentando soar mais animada- a gente ir no


mercado, comprar umas coisas e fazer uma festinha do pijama depois de
voltar do restaurante? -Sugeri, já imaginando todos nós rindo juntos,
tentando arrancar ela desse buraco.- Mas com uma condição: nada de ficar
trancada aqui. Você vai ficar com a gente!

Falei isso com a maior seriedade possível, encarando ela nos olhos. Eu não
ia deixar ela se afundar mais. Não ia mesmo.

Depois de um momento de silêncio, ela assentiu com a cabeça, quase


imperceptível, mas o suficiente para me dar esperança.

—Isso!! -pulei de alegria, sem conseguir me conter.

Era uma pequena vitória, mas parecia um grande passo para tirá-la dessa.

Emprestei para Yas uma saia branca e uma blusinha azul que combinavam
com ela, torcendo para que isso a fizesse se sentir um pouco melhor.

[...]

—A gente pode pegar sorvete, pizzas, hambúrgueres... deixa eu ver o que


mais... -Eu estava pensando alto enquanto empurrávamos o carrinho pelo
mercado. De repente, uma ideia brilhante me veio à cabeça.- Bebidas!!!
Isso não pode faltar!! -completei, animada.

Kio tinha deixado seu cartão com a gente, o que só tornava a missão mais
divertida.

—Ele tem cara de ser bem pobrinho, anda todo esfarrapado, parecendo
um mendigo... mas tem muito dinheiro na conta. -brinquei, soltando uma
piada pra ver se conseguia arrancar uma risada da Yas.

Para minha felicidade, ela não resistiu. Um sorriso, seguido por uma
risadinha, finalmente escapou, e meu coração deu um salto de alívio.

Pegamos um carrinho e Yasmim assumiu a direção enquanto eu ia


colocando as coisas dentro.

—Acho que uns três desse, né? -perguntei, segurando três potes de
sorvete.
—Esse sorvete é muito caro, ele vai brigar com a gente! -Yas comentou
rindo.

—Que se dane! Ele vai comer do mesmo jeito. -respondi, jogando os


potes no carrinho sem pensar duas vezes.

Seguimos para o próximo corredor, onde enchi metade do carrinho só com


doces e chocolates. Também peguei várias garrafas de bebidas alcoólicas e
energéticos.

—Agora sim!! -disse satisfeita, olhando para os dois carrinhos lotados.


Estava orgulhosa da nossa missão bem-sucedida. Essa noite prometia!

Assim que Yas estacionou o carro, vi Kio nos esperando na porta de casa,
com aquela cara de quem não sabia se ria ou se surtava.

—Vocês gastaram 1.300 dólares no MERCADO?! -Ele parecia bravo,


mas com o jeito bobão dele, era impossível levar a sério.

—Relaxa, Kio! A gente comprou coisas pra você também! -falei rindo,
enquanto saíamos do carro.

—Tá, mas gastar tudo isso? Puta que pariu!! -Ele colocou as mãos na
cabeça, visivelmente assustado quando viu a quantidade de sacolas que
enchia o porta-malas. Estava tudo entulhado, de doces a bebidas, como se a
gente tivesse saqueado o mercado.

—Olha pelo lado bom, vai ter festa e comida por dias!! -comentei,
tentando aliviar o choque dele.

Assim que entramos em casa com uma parcela das compras nas mãos, Yas
foi para a cozinha para guardar as coisas enquanto eu fiquei na sala

—Vocês não se arrumaram ainda?!


-gritei ao ver os três meninos completamente desarrumados, largados no
sofá. Nick, sem tirar os olhos da TV, apenas murmurou:

—Calma, a gente já vai! -Estavam vendo um jogo de futebol, claro.


Eu já estava sem paciência, então fui direto na tomada e puxei o fio da TV.

—Ei! Eu tava assistindo!! -Nick cruzou os braços, revoltado, mas não me


importei.

—Vai tomar banho, AGORA!! -falei, apontando em direção ao andar de


cima, onde ficavam os quartos. Ele bufou, mas levantou e subiu as escadas,
pisando forte, como se fosse mudar alguma coisa.

Olhei para Kio, que estava tentando disfarçar o riso.

—E você também! Pode ir já! -falei, sem dar espaço para discussão. Kio
levou um susto, arregalando os olhos, mas me obedeceu na hora.

[...]

Após alguns minutos, os três finalmente desceram, com os cabelos ainda


molhados e bem arrumados.

—Até que enfim! -falei, soltando um suspiro de alívio. Sem perder tempo,
agarrei o braço da Yasmim e a puxei para fora da casa, enquanto os meninos
nos seguiam. Todos entramos no carro e, finalmente, partimos em direção
ao restaurante.

Era hora de dar um pouco de distração pra Yas e tirar aqueles pensamentos
ruins da cabeça dela, nem que fosse por uma noite.

Pov — Yasmim Alles

Assim que chegamos no restaurante, Mads se sentou ao meu lado esquerdo,


enquanto Kio se acomodou ao meu lado direito.

—Será que a Avani e o Bryce vão demorar muito? Eu tô morrendo de


fome!! -Mads perguntou, os olhos voltados para a porta, esperando nossos
amigos chegarem.

—Eu já vou fazendo meu pedido, senão vai demorar uma eternidade! -
Dylan comentou, já com o cardápio nas mãos.
Enquanto conversávamos depois de fazer nossos pedidos, Avani e Bryce
finalmente apareceram.

—Eai!! -Bryce cumprimentou todo mundo, dando tapinhas nas costas dos
meninos. Avani fez o mesmo e se sentou ao lado de Mads.

—Vocês já pediram? Por que não nos esperaram, seus idiotas?! -Bryce
reclamou com os meninos, fingindo estar bravo. Eu e as meninas só
conseguimos rir da situação.

—Ah, relaxa, Bryce! A gente só estava preparando o terreno, as melhores


coisas vêm depois!! -Kio respondeu, piscando para ele.

Dylan riu e deu de ombros.

—Foi culpa da Mads, ela que estava com pressa. A fome dela é um caso
sério.

—Claro que sim! -Mads respondeu, entrando na brincadeira.- Eu tô aqui


morrendo de fome e não posso esperar vocês dois desfilarem até aqui, né?

Todos riram, mas logo Avani me olhou com aquela expressão preocupada
de sempre.

—E você, Yas? Tá tudo bem mesmo? Já comeu alguma coisa hoje?

Eu suspirei, sabendo que não podia escapar de sua preocupação.

—Eu tô bem, Avani. Já comi sim, só não tô com muito apetite agora. -
menti, tentando acalmá-la.

—Vai pedir o quê? -Avani perguntou, analisando os pratos no cardápio.

—Eu não tô com fome, mas podem ir pedindo! -Respondi com um sorriso
leve, tentando disfarçar.

A verdade era que nem conseguia pensar em comida ultimamente, e quando


comia, era sempre pouca coisa.
Mads me olhou de um jeito sério e, em seguida, cutucou Kio, que logo
entendeu o recado.

—Eh... que tal pegarmos umas batatas pra começar? Aí a Yas come com a
gente! -Kio sugeriu com um sorriso no rosto.

Eu sabia que, se negasse, eles não iam me deixar em paz até que eu
comesse alguma coisa, então só concordei com um aceno.

—Talvez a Yas não tenha comido muito ultimamente por causa da comida
péssima do Kio!! -Nick soltou, me fazendo rir pela primeira vez em dias.
Eu quase engasguei com a água, tentando conter a risada.

Kio, que ouvia tudo de braços cruzados, revirou os olhos e fez uma careta.

—Vocês são muito ingratos. Eu faço o melhor macarrão de todos os


tempos, e é isso que eu recebo? Desrespeito!

—Melhor macarrão? -Dylan riu.- Aquele macarrão mais parecia cola! Se


a gente tivesse jogado no chão, até o sapato ia grudar.

—Eu concordo! -Mads entrou na conversa.- A Yas está traumatizada com


a sua comida, Kio. Coitada, você tá complicando a vida dela!

Eu gargalhei, e Kio não conseguiu mais segurar o riso, mesmo tentando


manter a pose.

—Vocês todos são uns ingratos! Eu quebrei a cabeça tentando cozinhar


para vocês, e agora é isso que eu recebo?

—Cozinhar? Isso aí nem é considerado cozinhar, Kio! -Bryce provocou.-


Se dependesse de você, a gente já estaria pedindo comida fora todo dia.
Agora, se quiserem um churrasco de verdade, eu sou o cara.

—Mas não tentem pedir mais que isso, porque Bryce é um desastre na
cozinha. O único talento dele é o churrasco. Ele não sabe nem fritar um
ovo! -Avani decidiu dedurar
—Ei!! -Bryce reclamou, mas sorriu, aceitando a brincadeira. - Pelo menos
o meu churrasco é lendário.

—Lendário mesmo... quase uma lenda urbana, porque ninguém acredita


que foi você que fez!! -Kio retrucou, piscando para mim, e todos
começaram a rir novamente.

A energia leve e descontraída ao redor da mesa estava me fazendo bem, me


distraindo dos meus próprios pensamentos. Mesmo que fosse difícil comer,
estar ali com eles me dava algum conforto.

Enquanto os meninos faziam piadas sobre quem cozinhava pior, se era o


Bryce ou o Kio, ouvimos risadas exageradas vindas do lado de fora do
restaurante. Eu e Kio nos olhamos sem entender nada, e o resto do pessoal
fez o mesmo, curioso com a comoção.

—Ai amiga, você é tão engraçada!!! -A voz feminina ecoou, e uma


mulher entrou acompanhada de um homem, seguidos por outro casal.

Puta merda.

Era o Vinnie.

Ele estava de mãos dadas com Patrícia, enquanto Jacob vinha logo atrás,
segurando a mão de Joana.

—Essa Joana não namorava aquele velho? -Avani cochichou para nós,
claramente surpresa com a nova dupla.

—Terminaram semana passada. -Bryce comentou, com um tom casual e


uma risadinha no final.- Ouvi dizer que foi porque ele não deu uma bolsa
pra ela.

Eu teria rido se a situação não estivesse tão estranha. Mas o que realmente
chamou minha atenção foi Jacob... Ele estava diferente. Seu rosto exibia um
olho roxo, o lábio cortado e vários hematomas espalhados pelo corpo. A
cena me deixou desconfortável.
Olhei para Dylan, e ele estava estralando os dedos, claramente irritado. Seu
olhar queimava de raiva enquanto observava Jacob. Será que Dylan fez isso
com ele? A imagem das mãos machucadas de Dylan, que eu tinha cuidado
recentemente, veio à minha mente.

Tudo começou a fazer sentido.

Eu respirei fundo, tentando processar tudo aquilo. Dylan e Jacob tinham


algum tipo de briga, e agora Vinnie estava ali, com Patrícia, enquanto eu
sentia um nó se formar no meu estômago.

Assim que Vinnie entrou acompanhado de Patrícia, seus olhos se cruzaram


com os meus. O choque foi instantâneo, como um soco no estômago. O
mundo ao meu redor pareceu parar, e naquele breve instante, todas as
lembranças inundaram minha mente: o sonho de mais cedo, os momentos
que tivemos juntos, cada palavra dita, cada toque.

O impacto desse olhar me quebrou por dentro. Foi como reviver tudo, e a
dor veio à tona de novo.

Imediatamente, senti todos os olhares da mesa se voltarem para mim. Mads


e Avani, percebendo o meu estado, seguraram minhas mãos em uma
tentativa de me acalmar. Mas nada parecia funcionar. Meu corpo congelou,
incapaz de reagir, meu coração disparado e meus pensamentos em
desordem.

Eu sentia meu corpo paralisar e gelar à medida que aqueles olhos castanhos,
que um dia me trouxeram tanta alegria, agora eram um lembrete da
distância e da dor.

Tudo ao meu redor desapareceu.

—Yas? -A voz de Mads me trouxe de volta à realidade.

Quando voltei a prestar atenção, vi o garçom servindo as porções de batatas


e as bebidas. O cheiro da comida era bom, mas parecia não ter efeito sobre
mim.
—Tá tudo bem? -Kio sussurrou em meu ouvido, e sem pensar muito,
soltei um:

—tá... tá tudo bem -uma mentira que eu não sabia disfarçar.

—Agora sim! Se você demorasse mais um pouco, eu ia invadir a


cozinha!! -Dylan comentou, rindo e esfregando as mãos com satisfação
enquanto encarava os pratos que começavam a chegar.

—Yas, disfarça um pouco... -Mads sussurrou, percebendo que eu estava


encarando a mesa de Vinnie com um olhar fixo.

Porra, como eu poderia disfarçar? Como não encarar? Era pra ser eu ali
com ele, não aquela cena ridícula de Vinnie beijando Patrícia enquanto ela
se gabava de estar ao lado dele. Meu peito apertava ao ver aquilo, cada
gesto parecia uma provocação, como se o destino estivesse esfregando a
situação na minha cara.

Eu e Vincent trocávamos olhares constantes. Toda vez que olhava para a


mesa dele, lá estava ele, me encarando. Tentava disfarçar, mas aquele frio
na barriga familiar começava a surgir, me deixando inquieta.

—Puta que pariu, essa menina não vai calar a boca?! -Mads bateu as mãos
na mesa, já visivelmente irritada com a Patrícia falando alto. Ela
praticamente gritava, talvez na tentativa de eu ouvir o quanto amava o
Vinnie, como a foda dele era gostosa —como se eu já não soubesse disso—
e como a noite deles tinha sido incrível, e outras provocações.

—Se acalma, você sabe como ela é! -Avani tentou acalmá-la, mas
confesso que até eu já estava ficando irritada com a Patrícia e sua voz
estridente.

—Sinceramente, não sei o que ele viu nela. -Kio comentou, mergulhando
as batatas no ketchup.

Todos na mesa começaram a concordar, e em segundos começaram a


apontar defeitos na menina.
—Sim! Ela é muito exagerada, grita o tempo todo! -Dylan falou,
balançando a cabeça.

—Fiquei sabendo que ela tirou duas costelas pra ficar magra, colocou
silicone no peito e na bunda e fez um monte de coisas só pra ficar
"gostosa." -Dylan continuou, fazendo aspas com os dedos.

—Pelo visto, não deu muito certo! -Kio disse com um tom irônico, e a
mesa inteira explodiu em risadas.

—É impressão minha, ou ela tá tentando se parecer com a Yas? Porque,


tipo, ela tá começando a se vestir igual à Yasmim. Não que o corpo esteja
igual, mas tá meio parecido. Daqui a pouco vai aparecer loira! -Nick disse
rindo alto, quase como se quisesse que Patrícia ouvisse.

—Eu não duvido nada, vindo dessa daí... -Mads falou enquanto dava um
gole em sua bebida.

Assim que os hambúrgueres chegaram, me levantei pra ir ao banheiro.

Joguei uma água no rosto pra ver se eu melhorava, enquanto secava meu
rosto, ouvi a porta do banheiro feminino se abrir.

—Ops! Eu pensei que era o masculino!

Era Jacob.

Era óbvio que era mentira, tinha uma placa enorme na porta do banheiro
dizendo que era femininos.

Eu não falo nada, apenas o ignoro e termino de secar meu rosto.

—Ah, vem cá, Yasmin! Você sabe que eu só entrei aqui por engano! -
Jacob disse com um sorriso malicioso, enquanto se aproximava.

Eu revirei os olhos, tentando ignorá-lo.

—Você precisa de óculos, então. -respondi, arrumando minha saia no


espelho.
—Você viu como Vinnie e a Paty são lindos juntos? Olha.. você tinha que
ter visto ontem, esses dois deram uma festa no quarto ontem, eu nem
consegui dormir! -ele disse em tom malicioso para me provocar

—Ah, mas eu acho que prefiro o que vi por aqui do que qualquer outra
coisa!! -ele provocou, olhando para mim de forma sugestiva.

—Desculpa, mas isso não funciona comigo. -eu retruquei, mantendo a


calma e focando no meu reflexo.

De repente, Jacob se colocou mais perto, o tom de sua voz mudando.

—Sabe, a gente poderia ter um momento a sós. O que acha?

—Não tenho tempo pra isso. -respondi seca, sem tirar os olhos do
espelho.

Ele começou a se aproximar ainda mais, e eu me afastei, começando a me


sentir desconfortável.

—Sai fora, Jacob.

Mas ele não parecia disposto a desistir.

—O que foi? Você sempre teve essa personalidade forte. Isso é uma das
coisas que eu gosto em você.

Enquanto ele se aproximava, pude reparar melhor em seus ferimentos no


rosto.

—Sabe que fez isso?! -ele apontou para seu rosto- o merdinha do seu
irmão!! -eu disse, mas ele segurou meu pulso com força.

Nesse momento, a porta do banheiro se abriu com um estrondo, e Kio


apareceu, seu olhar fixo em Jacob.

—O que tá acontecendo aqui? -ele perguntou, a voz firme e controlada.

Jacob soltou meu pulso rapidamente ao ver que Kio havia chutado a porta.
—Nada, só uma conversa. -ele tentou minimizar, mas Kio não parecia
convencido.

—Não parecia nada disso. -Kio disse, se posicionando entre nós. Ele
colocou a mão em minha cintura, me protegendo.- Você não tem permissão
pra tocar nela.

Nunca vi Kio tão sério na minha vida..

—Só estava conversando, cara! Não precisa ser tão agressivo! -Jacob
retrucou, tentando dar um passo à frente.

Kio não hesitou.

—Você realmente quer testar minha paciência?

—Só saia do meu caminho!! -Jacob desafiou, mas Kio já havia perdido a
paciência.

Num movimento rápido, Kio acertou um soco em cheio no rosto de Jacob,


que caiu para trás, segurando o nariz quebrado e xingando em voz alta.

—FILHO DA PUTA!!! -ele gritou, sua voz ecoando pelo banheiro.

Kio segurou minha mão e me puxou para fora.

—Vamos, Yas. -ele disse, enquanto os ecos dos gritos de Jacob ficavam
para trás.

O resto do grupo estava esperando ansiosamente na mesa, e ao nos ver,


Mads perguntou:

—O que aconteceu?

Jacob saiu revoltado, derrubando as cadeiras de algumas mesas e saindo


sem sua namorada.

—Só cuidei de um problema. -Kio disse massageando sua mão, tentando


manter a compostura.
—Você tá bem? -Avani me perguntou, preocupada.

—Sim, só foi uma situação estranha. -eu disse, forçando um sorriso


enquanto me sentava de volta à mesa.

Dylan olhou para Kio, claramente impressionado.

—Acho que Jacob aprendeu uma lição hoje.

—Isso é o que ele ganha por ser um babaca! -Kio respondeu, seu olhar
ainda sério, mas suavizando quando se virou para mim.- Desculpa, Yas, eu
não queria que você passasse por isso.

—Obrigada por ter vindo! -eu disse, sentindo um misto de alívio e


apreensão.

[...]

Voltamos pra casa de Kio após o restaurante.

—Porra, pra que tudo isso? -Kio perguntou incrédulo ao ver sua geladeira
cheia, junto com os armários lotados de coisas também.

—Pra nossa festa do pijama, óbvio. -Mads respondeu pegando algumas


bebidas na geladeira.

Eu estava preparando uma bolsinha com gelo, para Kio colocar em sua mão
que estava vermelha por conta do soco.

—Obrigada, gata! -Kio agradeceu assim que a entreguei para que ele
colocasse em cima de sua mão.

Enquanto pegávamos a comida, Nick e Dylan estavam colocando os


colchões no chão da sala.

A sala de Kio estava rapidamente se transformando em um verdadeiro


acampamento, com colchões espalhados por todos os lados. Mads puxou
algumas bebidas e começou a distribuir.
—Quem quer um drink? Hoje é dia de festa!

—Só não exagere, Mads. -Dylan advertiu, enquanto arrumava um dos


colchões.- Lembrem-se de que temos que acordar cedo amanhã.

—Ah, relaxa! Isso é uma festa do pijama, e quem vai se preocupar com o
dia seguinte? -Mads respondeu, piscando para ele.

Kio se sentou no sofá, segurando o gelo na mão.

—Se você não exagerar, tudo bem. Mas você sabe que não tem talento
nenhum para misturar bebidas! -ele disse, fazendo todos rirem.

—Eu só não vou brigar com você porque você salvou a Yas hoje! -ela
cruzou os braços

—Mas você poderia ter evitado brigar com Jacob. -Eu disse, fazendo um
carinho na mão dele

—Ele mereceu, Yas. Você não viu como ele estava se aproximando de
você? -Kio retrucou, olhando em meus olhos.- Mas, de qualquer forma, não
quero pensar mais nele.

—Você só está bravo porque não consegue fazer um macarrão decente! -


Mads respondeu, rindo.- Seus dotes culinários são tão bons quanto sua
habilidade de discutir com Jacob.

—Pelo menos eu sei fazer alguma coisa além de fritar batatas! -Kio
provocou, cruzando os braços.- E você, Mads? A última vez que eu vi,
estava queimando até água!

—Eu queimava água porque estava muito ocupada tentando salvar seu
jantar de ser um desastre! -Mads respondeu, dando uma risadinha.- E quem
disse que eu estou aqui para cozinhar? Eu sou a convidada, lembre-se!

—Convidada? Você se comporta como se estivesse no comando da festa! -


Kio respondeu, revirando os olhos de forma dramática.

Nick entrou na conversa.


—Acho que estamos prontos para começar. Alguém tem um filme em
mente?

—Como sobre um clássico de terror? -Mads sugeriu, animada.- Nada como


uma noite cheia de gritos para apimentar as coisas!

—Só se você prometer não gritar mais do que os próprios personagens. -


Nick brincou, fazendo todos rirem novamente.

—É isso que estou falando! -Mads disse, dando uma risadinha.- Kio, você
está oficialmente na linha de frente do grito!

—Ótimo, eu vou gritar assim que você queimar a pipoca!! -Kio provocou,
fazendo todos rirem.

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Capítulo 82
Pov — Vincent Hacker

PUTA QUE PARIU, QUE MERDA QUE EU FIZ?!

Olhei para o espelho, mas não conseguia reconhecer o cara que refletia ali.
Olhos fundos, cabelo bagunçado, e uma expressão de desespero que parecia
se aprofundar a cada dia que passava. O peso na minha cabeça era
insuportável, e a única coisa que eu queria era sumir.

—SEU IDIOTA!! POR QUE VOCÊ FEZ ISSO?! -eu gritei para mim
mesmo, socando a parede com toda a força que eu tinha. A dor se espalhou
pela minha mão, mas não era nada comparado à dor que eu sentia dentro de
mim.

Você realmente deixou tudo isso acabar assim?!

Era como se cada lembrança da Yasmim fosse uma facada no peito. Porra,
eu a deixei ir embora. A deixei nas mãos de outra pessoa enquanto eu fazia
merda, enquanto me deixava levar pelo orgulho e pela raiva.

—EU SOU UM MERDA!! UM EGOÍSTA DO KARALHO!!! -Eu me


xingava, cada palavra carregada de uma frustração que não tinha fim. Eu
estava tão bravo comigo mesmo, tão envergonhado. Como pude ser tão
burro? A única coisa que eu queria era falar com ela, pedir desculpas, mas
sabia que isso era impossível agora. O que eu poderia dizer? "Desculpa por
ser um babaca"? Como isso resolveria?

O que eu mais temia não era a possibilidade de não ter Yasmim de volta,
mas sim que, em algum momento, ela olhasse para trás e se lembrasse de
mim apenas com raiva e desprezo. A ideia de que eu poderia ter se tornado
uma lembrança ruim me consumia.
Eu não sou o cara que ela merece. Eu sou um lixo que não conseguiu
cuidar da pessoa que amava. Eu só espero que ela consiga seguir em frente,
mesmo que isso signifique ficar longe de mim.
Tranquei a porta do meu quarto e deixei que as lágrimas escorressem pelo
meu rosto.

Eu não sou assim. Eu não deveria estar aqui, me afundando em drogas,


tentando apagar a única pessoa que realmente importava pra mim.

Eu tentei esquecer, mas toda vez que eu fecho os olhos, era ela que eu via.
Seu sorriso, seu jeito de me olhar, tudo me perseguia.

Por que eu não consigo seguir em frente?

Eu vivia trancado aqui, perdendo dias e noites. Não comia, não dormia, e a
única coisa que eu tinha era a fúria e a autocomiseração.

—Você destruiu tudo!!! -eu gritava para mim mesmo, me batendo em uma
mistura de raiva e desespero.

Eu precisava dela. Eu precisava dela de volta. Mas eu era um covarde. O


medo de enfrentar as consequências das minhas ações me paralisava.

—Merda, merda, merda! -Eu me arrastei para o chão, com a cabeça entre
as mãos, enquanto as lágrimas escorriam sem parar.- O que eu fiz, Yas? Eu
sou um monstro...

[...]

No dia em que tudo acabou, a noite se arrastou como um pesadelo


interminável. O que eu deveria ter feito era correr atrás dela, segurá-la e
pedir que ficasse. Mas eu deixei a Yasmim ir. E agora, todas aquelas
palavras ditas em um momento de raiva ecoavam na minha mente, como
um eco de uma decisão terrível que eu não poderia desfazer. O silêncio do
quarto só era interrompido pelo barulho da minha respiração pesada,
enquanto tentava encontrar uma maneira de apagar aquela lembrança.

Quando a manhã finalmente chegou, Jacob apareceu com uma ideia que eu
sabia que era um desastre esperando para acontecer.

—Vamos fazer uma festa na sua casa, cara! Isso vai te ajudar! -ele disse,
como se uma festa pudesse resolver o que eu tinha quebrado. Mas não era
assim que funcionava.

—Não. -eu respondi, a voz embargada, mas ele não desistiu.

Ele estava convencido de que a Patrícia e a Joana eram a solução. A


primeira se ofereceu para passar um dia comigo, para "me consolar". Mas
isso foi a última coisa que eu queria. O que eu precisava era da Yasmim,
não da Patrícia.

Agora, Patrícia não saía do meu pé. Para onde eu ia, essa vadia estava lá,
como uma sombra, tentando preencher um vazio que não poderia ser
preenchido. Ela me seguia como uma cadela carente, sempre se agarrando a
mim, tentando me beijar e, na maioria das vezes, eu apenas a empurrava
para longe. Cada toque dela era como um lembrete doloroso de que eu
havia perdido o único amor que realmente importava.

O filho da puta do Jacob havia inventado e espalhado pra todo mundo que
eu dormi com a Patrícia ontem. A mais pura mentira!!
No meio da noite essa puta invadiu meu quarto e ficou insistindo pra eu
comer ela. Mas obviamente que eu não fiz.

—Vinnie, vamos sair! Você precisa se distrair! -ela dizia, e a única coisa
que eu conseguia pensar era em como eu não queria estar com ela. Eu não
queria saber sobre festas, risadas ou qualquer outra coisa que não fosse a
Yasmim. Mas mesmo assim, eu me encontrava naquelas situações, cercado
por rostos que não eram dela, cercado por sorrisos que não faziam meu
coração bater.

Cada vez que Patrícia se aproximava, meu estômago se revirava. Era como
se ela estivesse tentando preencher um buraco que não podia ser
preenchido. O beijo que ela tentava me dar me fazia sentir nauseado, como
se eu estivesse traindo a Yasmim ainda mais.

—Para com isso, porra!! -eu gritava, tentando afastá-la, mas tudo o que eu
conseguia era o olhar de desprezo que ela me lançava.

Às vezes, me pegava pensando no que Yasmim estaria fazendo. Se ela


estava se divertindo, se tinha alguém para cuidar dela. O que eu mais temia
era que ela estivesse feliz sem mim. A ideia de que ela pudesse ter seguido
em frente me destruía. Mas, ao mesmo tempo, eu sabia que era o que eu
merecia. Eu não tinha o direito de querer que ela estivesse mal.

E assim, as horas se arrastavam. Jacob me pressionava para sair, para "me


misturar" com a galera, enquanto eu me afundava em minha própria
solidão. O peso do arrependimento se acumulava a cada instante que eu
passava longe da Yasmim. O que eu realmente queria era desaparecer.
Desaparecer e levar tudo o que fiz de errado com meu corpo.

Meus amigos não entendiam. Eles achavam que eu estava me afundando


em uma depressão por causa de uma garota, mas era muito mais do que
isso. Era o peso de ter deixado a melhor parte da minha vida escapar por
entre meus dedos, e a culpa que me consumia era mais do que eu poderia
suportar.

A cada momento, a voz dela ecoava na minha mente: "Você me deixou." E


essa frase se tornava um mantra de dor, um lembrete de que eu nunca seria
digno de seu amor novamente. Eu estava preso em uma prisão construída
por minhas próprias escolhas, e as paredes estavam se fechando ao meu
redor.

Era insuportável.

[...]

Enquanto Jacob insistia, mais uma vez, para que eu dormisse com a Patrícia
depois do que aconteceu no restaurante, algo dentro de mim quebrou. Eu já
estava no limite. A pressão, a culpa, tudo estava se acumulando, e agora
esse filho da puta vinha com essas ideias ridículas? Não dava mais.

—Porra, Jacob, você tá surdo, caralho?! -gritei, me levantando da cadeira


com tanta força que quase a derrubei.- Eu já falei que não quero essa merda
perto de mim! Que porra você não entende?!

Ele riu, como sempre fazia quando achava que eu estava exagerando, o que
só aumentou minha raiva.
—Ah, relaxa, cara. Só tô tentando te ajudar, é só diversão, porra, Patrícia
tá lá te esperando!

–AJUDA?! -Eu estava praticamente cuspindo as palavras de tanta fúria.-


Essa merda toda é culpa sua! Essa porra de situação que eu tô agora é culpa
SUA! -Dei um empurrão em seu peito, o bastante para fazer ele tropeçar
alguns passos para trás, o sorriso idiota sumindo do rosto.

—Do que você tá falando? -Ele tentou recuperar o equilíbrio, mas eu já


estava cego de raiva.

—Você me colocou nessa porra de situação, enchendo meu saco com essas
ideias imbecis! Você acha que eu preciso de você trazendo essas
vagabundas pra minha casa? Eu não quero a porra da Patrícia! EU NÃO
QUERO ESSA MERDA!! -Dei outro empurrão nele, mais forte dessa vez,
e Jacob bateu contra a parede.

—Cara, calma... não é pra tanto assim. -Ele começou, mas eu não estava
disposto a ouvir mais nada.

–CALA A BOCA!!! -Eu estava gritando tão alto que minha garganta
doía.- Sai da minha casa AGORA! E leva essa puta contigo, entendeu? Não
volta NUNCA MAIS!!! -Avancei nele, empurrando-o em direção à porta.
Jacob estava atordoado, mas ainda tentou resistir.

—Vinnie, porra, a gente é amigo! Que merda tá acontecendo com você?! -


Ele questionou, mas eu não estava nem aí para o que ele tinha a dizer.

—Amigo? Você não é porra nenhuma pra mim! Só me afundou nessa


merda de vida!!! -Empurrei-o novamente, até que ele chegou à porta.- SAI,
KARALHO!! E SE EU TE VIR AQUI DE NOVO, VOCÉ É UM HOMEM
MORTO!! -gritei puxando meu revólver da cintura e apontando para seu
rosto

Jacob saiu cambaleando pela porta, tentando falar algo, mas eu bati a porta
na cara dele antes que ele pudesse responder. Meu peito subia e descia com
o peso da raiva e da culpa que me consumiam. Meus punhos estavam
cerrados, e eu queria socar alguma coisa, queria me livrar dessa dor de
qualquer jeito.

Era sempre a mesma merda. Tudo estava desmoronando ao meu redor, e


agora eu estava sozinho, trancado em uma casa que parecia cada vez mais
vazia sem ela.

""Pode tentar me afastar, gritar, correr. No final, sempre vai voltar pra mim,
porque não existe ninguém que te conheça, que te possua, como eu."

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Capítulo 83
Dias haviam se passado em um piscar de olhos novamente.

Coloquei minha mochila no chão e me joguei no sofá, tentando processar o


cansaço do dia. Não era só o cansaço das aulas ou da correria; era aquele
cansaço mental, de carregar tantas coisas dentro de mim. Esse apartamento
ainda estava vazio, pois me mudei há três dias.

Vinnie tinha sumido da escola. Não sabia se ele tinha pedido para sair ou se
foi outra coisa, mas a verdade é que eu nem queria saber. Não que isso
mudasse muito. Ele continuava aparecendo de outra forma: ligações,
mensagens, como se uma palavra dele pudesse apagar tudo que ele fez.

Caminhei até o banheiro e deixei a água quente cair, tentando lavar


qualquer resquício desse peso que ele jogou sobre mim. A cada toque no
celular, era como se ele tentasse atravessar as barreiras que eu estava
tentando erguer. Ele queria falar, e eu só queria que ele me deixasse em paz.

Enquanto a água quente escorria pelo meu corpo, meus pensamentos


viajavam para uma época que parecia tão distante e, ao mesmo tempo, tão
próxima. Era inevitável lembrar dos dias tranquilos ao lado do meu pai. O
riso dele, o jeito que ele me fazia sentir segura e amada. Tudo parecia tão
mais simples naquela época.

Essas lembranças vinham à tona quase todas as noites agora, como se meu
subconsciente tentasse me levar de volta para um lugar onde eu me sentia
inteira. Reviver esses momentos estava sendo mais difícil do que eu
imaginava; cada imagem era como uma faísca que acendia um peso no
peito, uma mistura de saudade e tristeza.

Fechei os olhos, deixando que o calor da água me confortasse, tentando


afastar as sensações que me deixavam tão vulnerável. Mas, junto com essas
memórias do passado, vinham também os sentimentos confusos sobre
Vinnie. Eu já estava cansada de me sentir assim, dividida entre raiva e algo
que eu não conseguia explicar. Ele não parava de me mandar mensagens e
ligar, como se ainda pudesse mudar alguma coisa entre nós. Mas depois de
tudo... sinceramente, era difícil até imaginar que ele pensava que um pedido
de desculpas faria diferença.

Respirei fundo, desliguei o chuveiro e vesti um vestido preto básico

Me sentei no sofá e olhei para o meu celular, vendo o nome de Vinnie mais
uma vez na tela, com outra ligação perdida. Suspirei, ignorando. Eu não
estava pronta para ouvir o que ele tinha a dizer, nem mesmo para tentar
entender suas desculpas.

[...]

Enquanto me arrumava para ir à igreja, pensei sobre o dia que teria pela
frente. Hoje, eu ficaria encarregada de cuidar das crianças enquanto o
restante do grupo iria para uma excursão. Eles iam visitar algumas igrejas
sagradas na cidade vizinha, um passeio que as crianças não poderiam fazer.
Então, coube a mim ficar com elas, o que me deixava feliz e, ao mesmo
tempo, ansiosa para mantê-las entretidas enquanto os outros estivessem
fora.

Assim que cheguei à igreja, estacionando o carro na frente, vi o ônibus da


excursão já quase cheio. Algumas crianças estavam na porta me esperando,
e Ayla foi a primeira a me ver. Seus olhos brilharam, e ela correu até mim,
soltando um grito animado.

—A Yas chegou!!

Sorri e fui ao encontro do restante do grupo. Dona Alisson, uma das


organizadoras, veio me receber, com um olhar aliviado.

—Yasmim, que bom que você chegou! -ela disse, abraçando-me


rapidamente.- Essas crianças estavam inquietas, perguntando quando você
viria.

—Não se preocupe, Dona Alisson. Vamos nos divertir aqui enquanto vocês
fazem a viagem! -assegurei, sorrindo.
Depois de algumas últimas instruções e despedidas, o grupo embarcou no
ônibus, acenando animadamente enquanto partiam. Assisti enquanto se
afastavam, respirando fundo e já pensando nas atividades que faria com as
crianças.

Assim que entrei na igreja, fui recebida por um mar de abraços pequenos e
apertados. Todas as crianças, com seus cinco, seis, e sete anos, correram até
mim com risadas animadas e sorrisos contagiantes.

—Yas, olha o que deixaram pra gente! -a pequena Isa exclamou, apontando
para uma arara cheia de fantasias, que incluíam desde super-heróis a
princesas e animais.

—Eu vou me vestir de Homem-Aranha! -Lorenzo disse, já fazendo o


símbolo de lançar teias com as mãozinhas.

—Não, eu que vou! -Lucca cruzou os braços, fechando a cara.

—Calma, calma! Tem muitas fantasias pra todo mundo. -disse, tentando
acalmar a pequena disputa enquanto sentávamos em uma rodinha ao redor
das araras.

—Eu quero aquelas asas de borboleta! -Isa pediu animada, apontando para
um par de asas roxas.

—Ayumi, olha! Tem uma coroa de princesa! -Clara apontou, já segurando a


coroa como se fosse dela.

—Eu quero ser o Hulk! Vou ficar superforte! -Michael disse, mostrando os
braços e fingindo ser muito forte, arrancando risos dos amigos.

—A gente pode brincar de pega-pega depois das fantasias? -perguntou


Liam, com os olhos brilhando de expectativa.

—Ou de esconde-esconde! -Liz sugeriu, levantando as mãos animada.

—Sim! E depois a gente pode fazer uma guerra de almofadas? -Isa


perguntou, dando uma risada animada.
—Vamos brincar de super-heróis e salvar o mundo! Eu e o Lorenzo vamos
ser uma dupla imbatível! -Lucca falou, ainda decidido a ser o Homem-
Aranha.

Todos riam e compartilhavam ideias enquanto, sem perceber, formávamos


um pequeno círculo de planos e expectativas para as brincadeiras.

Até que, com os olhinhos brilhando, a pequena Sofia me olhou e perguntou:

—Yas, você trouxe aqueles bolinhos deliciosos que você faz pra gente?

Sorri, encantada com a doçura deles.

—Trouxe sim! Estão lá no carro, vou pegar para vocês.

Levantando-me do chão, caminhei em direção à porta, ainda ouvindo a


algazarra das crianças ao fundo. Mas, ao abri-la, o inesperado me fez parar.

Do lado de fora, bem à frente da entrada, uma Porsche estava estacionada.


E encostado no carro, com os braços cruzados e um sorriso de canto de
rosto, estava Vinnie.

—Você fica tão linda cuidando das crianças, princesa.

—O que você está fazendo aqui?! -perguntei, surpresa, tentando manter a


voz firme.

—Você não responde minhas mensagens, não atende minhas ligações...


então vim te ver pessoalmente. -Vinnie respondeu, cruzando os braços
novamente, com aquele tom decidido que ele sempre usava.

—Estou ocupada. -murmurei, tentando encerrar o assunto enquanto abria a


porta do carro e pegava as caixas de doces.

Mas, de repente, ouvi uma vozinha ao meu lado.

—Quem é esse moço? -Ayla surgiu do nada, me fazendo pular de susto.


—Um conhecido, querida! -respondi, com um sorriso e fazendo carinho na
cabeça dela, tentando parecer calma.

Vinnie riu, e pela expressão no rosto dele, parecia estar se divertindo com
alguma outra ideia que passava em sua cabeça.

Fechei o carro e, ao me virar em direção à porta da igreja, percebi que


Vinnie já estava lá dentro.

—Uau! Que fantasia de Homem-Aranha legal, cara!! -ouvi ele dizendo,


agachado, enquanto Lorenzo mostrava todas as poses de herói que sabia.

Em questão de segundos, as crianças estavam ao redor dele, animadas, cada


uma querendo mostrar a própria fantasia. Isa abriu os braços para exibir
suas asas de borboleta, enquanto Ayumi ajeitava a coroa na cabeça e
Michael mostrava os "músculos" de Hulk.

Vinnie fingia surpresa a cada uma delas, elogiando as fantasias com


entusiasmo, como se fosse a coisa mais incrível que já tinha visto. Ele as
conquistou tão rápido que nem percebi quando ele havia entrado na igreja.
Apenas fiquei observando, com uma mistura de surpresa e... talvez um
pouco de admiração, vendo como ele se dava bem com as crianças.

—Ele vai ficar com a gente, Yas? -Ayla perguntou, com aqueles olhos
grandes e cheios de esperança.

—Não... -comecei a responder, mas Vincent me interrompeu com um


sorriso no rosto.

—Vou sim.

Assim que ele disse isso, todas as crianças pularam de alegria, e Isa
rapidamente me puxou pela mão, fazendo com que eu me sentasse ao lado
de Vinnie, no meio da rodinha que tinham formado ao redor das fantasias.

—Você gosta de brincar de quê? -perguntou um dos meninos, olhando para


Vinnie com curiosidade. Ele ficou em silêncio por alguns segundos, como
se escolhesse a resposta com cuidado.
—Esconde-esconde! -respondeu, rindo ao ver os olhos das crianças se
iluminarem.

—É o meu favorito também! -gritou uma vozinha do outro lado do grupo,


cheia de entusiasmo.

De repente, Ayla veio até mim com uma coroa de princesa nas mãos.

—Toma, Yas! -disse, estendendo a coroa com um sorriso orgulhoso.

—Pra mim? Não, não... coloque em você! -protestei, mas Ayla insistiu.

—Uma coroa de princesa, pra uma princesa! -ela disse, com um ar


determinado enquanto ajeitava a coroa na minha cabeça, sorrindo ao me ver
usando o "adorno".

—Olha, moço! Ela ficou ainda mais linda! -Ayla comentou encantada,
como se estivesse me apresentando a ele.

—Ela é linda mesmo.. -Vinnie concordou, olhando nos meus olhos. Antes
que eu pudesse reagir, ele estendeu a mão, colocando uma mecha de cabelo
minha atrás da orelha com um carinho inesperado.

Meu coração deu um leve salto, mas logo disfarcei, desviando o olhar e
rindo com as crianças, que mal pareciam notar a troca de olhares.

—Vamos brincar de esconde-esconde! -Michael sugeriu animado, e em


questão de segundos, todas as crianças começaram a pular de empolgação.

—Sim!! -eles concordaram em coro.

—A Isa vai começar contando! -Ayla decidiu, apontando para a amiga.

—Por que eu? -Isa protestou, franzindo o rosto.

—Porque você é a única que sabe contar até vinte, né, bobinha? -Ayla falou
como se fosse a coisa mais óbvia do mundo e riu, fazendo todos rirem
juntos.
Isa bufou, mas acabou concordando e foi até um dos bancos da igreja,
cobrindo os olhos com as mãos.

—Um, dois, três... -começou a contar.

Todos nós saímos correndo em direções diferentes, procurando nossos


esconderijos. A igreja era grande, com muitos cantos e pequenas salas que
ofereciam ótimas opções para se esconder.

Eu entrei em uma salinha de limpeza que era pequena e um pouco apertada,


sentindo o ar abafado do espaço. Mas, antes que pudesse me acomodar, vi
Vinnie entrando logo atrás de mim.

—Sai daqui! Você vai dedurar meu esconderijo! -sussurrei, tentando


empurrá-lo para fora, mas ele apenas sorriu.

—Shhh... -ele disse baixinho, cobrindo minha boca com a mão ao ouvir a
voz de Isa ao fundo, gritando que havia terminado a contagem.

Com o espaço tão apertado, nossos corpos acabaram ficando muito


próximos. Ele ainda mantinha uma das mãos na minha cintura, enquanto a
outra descia para me puxar um pouco mais para dentro da sala.

O ambiente parecia ainda menor quando percebi a respiração quente dele


perto do meu pescoço, e seu olhar intenso percorrendo cada detalhe do meu
rosto.

—Te achei!! -A voz de Isa ecoou pela igreja, seguida por um protesto de
Ayla:

—Ah... não valeu! -Mas logo ouvimos suas vozes se afastando,


provavelmente ainda na brincadeira.

Fiquei sem reação por um instante, sentindo o peso daquele momento


silencioso e inesperado entre nós.

—Isa tá roubando! Ela não sabe brincar!! -Michael gritou, revoltado, depois
de ser encontrado por ela.
—Só falta a Yas e o moço, onde será que eles estão? -ouvi a voz de Isa, e
logo depois a de Ayla, paradas bem perto da porta do quartinho onde
estávamos.

Porra, se elas vissem nós dois assim, tão próximos e com os rostos quase se
tocando... seria complicado explicar. A sombra das duas estava bem visível
embaixo da porta, e eu segurei a respiração, esperando que elas passassem
reto.

—Eu acho que vi eles correndo lá fora! -uma das crianças gritou do outro
lado da igreja. Como por um milagre, Isa e Ayla acreditaram e saíram
correndo em direção à porta da frente, o som de seus passos diminuindo aos
poucos.

Assim que elas se afastaram, tanto eu quanto Vinnie caímos na risada. Foi
impossível segurar.

—Se elas nos vissem assim, você ia me pagar caro por isso! -brinquei,
tentando manter a seriedade, mas logo rindo de novo.

Vinnie só conseguia rir também, sacudindo a cabeça, provavelmente tão


aliviado quanto eu. Finalmente abrimos a porta do quartinho e saímos,
ainda rindo, prontos para voltar e reencontrar os pequenos.

Enquanto caminhávamos em direção à porta da igreja, Vinnie me


surpreendeu, me pegando no colo estilo noiva, correndo até as crianças
enquanto gritava:

—Achei! Eu achei ela! -entregando meu esconderijo como se tivesse feito


uma grande descoberta.

—Mandou bem, moço! -Isa disse, esticando o punho e dando um soquinho


de cumplicidade na mão de Vinnie.

—Uau, o moço tá segurando a Yas como se ele fosse um super-herói! -um


dos meninos comentou, com os olhos brilhando.
—Será que ele é um super-herói disfarçado? -Ayla sugeriu, fazendo todos
os outros começarem a especular animadamente.

—Ele é muito forte, deve ser o Hulk! -Michael sugeriu, com convicção.

—Não, acho que ele é o Superman! Ele até segura as pessoas no colo! -
outro dos pequenos acrescentou, maravilhado.

Eu e Vinnie não conseguimos segurar a risada, ouvindo as teorias malucas e


encantadoras das crianças. Cada nova ideia parecia ainda mais divertida e
absurda, e ele entrou na brincadeira, piscando para elas, como se
escondesse mesmo algum superpoder.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 84
A tarde havia se passado num piscar de olhos. Depois de tantas brincadeiras
e risadas, eu me perguntava como aquelas crianças conseguiam manter
tanta energia enquanto eu já me sentia exausta. Entre corridas, jogos e
risadas, a igreja havia se tornado um lugar cheio de vida e alegria, e era
difícil não sorrir vendo todos tão felizes.

Agora, com o fim da festa, as crianças já haviam ido embora, e o local


estava em silêncio novamente. Eu e Vinnie começamos a arrumar tudo,
recolhendo as fantasias, empilhando os bancos e juntando os copinhos de
papel espalhados pelo chão. Ele trabalhava ao meu lado, concentrado, e
mesmo sem dizer nada, sua presença parecia tornar a tarefa menos
cansativa.

Quando terminamos, nos sentamos nos degraus da escada que ficavam na


entrada da igreja. O céu estava com um tom alaranjado, e o vento trazia
uma brisa suave, anunciando o fim de um longo dia. Eu observei Vinnie por
um momento antes de romper o silêncio.

—Não sabia que gostava de crianças. -comentei, arqueando as


sobrancelhas, surpresa.

Ele soltou uma risada curta e se gabou.

—As crianças me amam, Yas.

—Afinal, quem você acha que comprou as fantasias? -completou ele, com
um sorrisinho orgulhoso, cruzando os braços.

Olhei para ele, surpresa.

—Você? Sério? -Eu realmente pensei que os pais tivessem alugado


aquelas fantasias para entreter as crianças. Saber que Vinnie havia se
preocupado com isso me pegou desprevenida.
Ele deu de ombros, como se não fosse nada demais.

—Elas merecem, né? Dar um dia especial pra elas, deixar que sejam
crianças... é o mínimo.

Não consegui evitar um sorriso. Esse era um lado dele que eu raramente
via, uma vulnerabilidade escondida atrás do jeito durão. E, por mais que ele
tentasse manter aquela postura de "não ligo pra nada", seus atos mostravam
o contrário.

—Acho que você leva jeito com elas. -falei, encostando meu ombro no
dele, tentando aliviar o clima.- Mas vou admitir, te ver usando fantasia de
homem-aranha foi o ponto alto do dia.

Ele riu e revirou os olhos.

—É, não espalha. Tenho uma reputação a manter.

Senti um calor no peito, algo que era difícil de descrever. Por trás das
paredes que ele construía, havia alguém generoso e cheio de nuances que
ele revelava só em momentos como esse. E estar ao seu lado, nessas
brechas de ternura, me fazia ver que talvez ele fosse ainda mais complexo
do que eu imaginava.

—Ah, mas você ficou tão bonitinho! -falei, provocando e rindo ao lembrar
dele com a fantasia do homem-aranha. O contraste entre o Vinnie durão e
aquele momento brincalhão era tão cômico que eu não conseguia segurar o
riso.

Ele revirou os olhos, dando um sorriso torto, mas não parecia realmente
incomodado. Se ele soubesse que eu tinha tirado uma foto dele,
completamente distraído enquanto brincava com as crianças, provavelmente
teria outra reação. Mal sabia ele que eu planejava guardar aquela foto como
uma lembrança rara de um lado mais leve que ele mostrava a poucos.

Então, uma lembrança voltou à minha mente. Durante as brincadeiras com


as crianças, ouvi algumas delas falando sobre Deus, comentando sobre as
histórias que aprenderam na escola ou com os pais. Sempre que o nome de
Deus surgia, Vinnie ficava desconfortável, virava o rosto ou mudava de
assunto rapidamente. A reação dele tinha me deixado curiosa, mas também
me fazia hesitar. Não sabia se perguntar sobre isso iria cruzar algum limite.

Mas, em um impulso, arrisquei.

—Você acredita em Deus? -perguntei, com a voz baixa, tentando ser o mais
cuidadosa possível.

Vinnie desviou o olhar para a rua, o rosto ficando mais sério enquanto ele
observava o céu, como se tentasse encontrar uma resposta lá. Respirou
fundo, mantendo o silêncio por alguns segundos, até que finalmente
respondeu de forma firme, quase fria.

—Não.

Minha expressão deve ter deixado clara a surpresa, pois ele continuou,
parecendo medir as palavras.

—Sei que pra muita gente, isso traz conforto, um sentido... mas, pra mim,
nunca fez nada. No momento em que mais precisei, ele me deixou sozinho
e levou alguém importante.

O tom dele era tão sombrio que senti um aperto no peito. Eu nunca tinha
visto Vinnie expor algo tão pessoal e doloroso assim. Ele hesitou, mas
depois completou:

—Eu não consigo acreditar em algo que me trouxe tanto sofrimento.

Sem saber ao certo o que dizer, me aproximei um pouco mais, querendo


mostrar que estava ali para ele. Por trás daquela fachada de
autossuficiência, havia uma dor que ele carregava sozinho. E eu, de alguma
forma, queria aliviar essa carga, nem que fosse só ouvindo.

—Desculpa por tocar nesse assunto... Não queria trazer lembranças ruins.

Ele suspirou, me lançando um olhar que parecia um misto de cansaço e


aceitação.
—Tá tudo bem, Yas. Eu... só lido com isso do meu jeito.

Eu apenas assenti, sentindo que palavras seriam pouco. Mesmo sem


conhecê-lo profundamente, sabia que ele preferia não se abrir com
facilidade, e aquela breve troca foi suficiente para me mostrar uma nova
faceta dele.

Sei que Vinnie tinha um passado doloroso, que ele não gostava de revisitar.
Não era algo que ele compartilhava com facilidade, e eu respeitava seu
espaço. Ainda assim, não conseguia evitar de comparar a experiência dele
com a minha. Porque, ao contrário dele, meu passado era cheio de
momentos felizes, e muitos deles estavam ligados à igreja.

Lembro-me de como o papai fazia questão de me levar lá quase todos os


dias. Ele chegava a desmarcar reuniões importantes só para não quebrar
essa pequena "tradição" que criamos. Desde os meus primeiros meses de
vida, eu era levada à igreja, e aqueles momentos se tornaram algo precioso
para mim. Papai e eu compartilhávamos o mesmo amor por aquele lugar e
por tudo o que ele representava.

Ir à igreja com ele era mais do que um compromisso; era uma das minhas
partes preferidas do dia, onde ele e eu nos conectávamos. Na simplicidade
daqueles encontros, eu me sentia segura e amada.

Sentados nos degraus da igreja, Vinnie olhou para mim com um sorriso
meio irônico, como quem tinha algo para falar, mas estava medindo as
palavras.

—Então, Santa Alles... -ele começou, com um tom provocador- quem diria,
hein? Nunca imaginei que você fosse tão certinha assim.

Revirei os olhos, já esperando que ele fosse zoar.

—Não começa, Vinnie...

—Ué, é verdade! -Ele riu.- Sério, quem vai na igreja por vontade própria
hoje em dia? Ainda mais alguém tão nova... você sempre foi assim?
Assenti, lembrando das vezes que meu pai me levava quando eu era
pequena.

—Desde sempre. Meu pai fazia questão, e eu realmente gostava. Era o


melhor momento do dia.

Vinnie parecia tentar processar aquilo, ainda com um sorrisinho no rosto.

—Então, enquanto eu estava, sei lá, provavelmente aprontando alguma


coisa, você tava ali... rezando? Cantando hinos?

—É, mais ou menos isso. -respondi, dando de ombros.- Mas não pense que
era chato pra mim. Eu realmente gostava.

Ele me olhou, ainda meio cético, mas divertido.

—Santa Alles... e eu achando que a galera exagerava com esse apelido.

Soltei uma risada e dei um empurrãozinho nele.

—Pode rir. Pelo menos alguém aqui sempre teve um pouco de juízo.

Vinnie riu, balançando a cabeça.

—É, eu admito. Mas, quem diria, né? A garota certinha e o cara problema...
somos tipo o oposto um do outro.

Dei uma risada, mas, por dentro, essa ideia me deixou um pouco pensativa.

—Talvez seja por isso que a gente se entende. -murmurei, mais para mim
do que para ele.

Ele deu de ombros, ainda com um sorriso divertido no rosto.

—Bom, já que você é a santa e eu sou o pecador, quem sabe você consegue
dar um jeito em mim, hein?

Vinnie soltou uma risada baixa e disse com um tom malicioso:


—Bom, já que você é a santa e eu sou o pecador, quem sabe você
consegue dar um jeito em mim, hein?

Endireitei a postura, sentindo meu semblante ficar mais sério.

—Vincent, nós não temos mais nada agora.

A expressão dele mudou na mesma hora. O sorriso sumiu, e ele desviou o


olhar, claramente incomodado com a resposta. Vinnie encarou a rua, como
se estivesse mais interessado em qualquer outra coisa ao redor do que em
continuar essa conversa.

Suspirei, sentindo a tensão no ar.

—Já tá ficando tarde, eu vou indo. -Levantei-me, ajeitando a bolsa no


ombro enquanto ele ainda olhava para frente, imóvel.

Já me aproximava do carro, pronta para ir embora, quando ouvi a voz dele


me chamando, num tom hesitante.

—Yasmim...

Me virei para ele, curiosa. Vinnie coçou a nuca, parecendo incerto, o olhar
perdido.

—Não é nada, esquece...

Fiquei por um segundo esperando que ele dissesse mais alguma coisa, mas
ele só desviou o olhar, visivelmente desconfortável. Respirei fundo, cheia
de perguntas, mas decidi não insistir. Entrei no carro e dei partida, tentando
não pensar demais no que ele poderia ter dito.

[...]

No dia seguinte, assim que voltei da escola e entrei no meu apartamento,


dei de cara com uma surpresa inesperada. Em cima da minha cama, havia
um enorme buquê de rosas vermelhas, tão volumoso que parecia ter, no
mínimo, umas cinquenta rosas. O perfume delas encheu o quarto assim que
me aproximei. Ao lado, repousava uma cartinha simples, com uma única
frase escrita:

"I miss you."

Não consegui segurar o sorriso bobo que escapou ao ler a mensagem e ao


perceber o cuidado que ele teve em cada detalhe.

Fiquei me perguntando por alguns instantes como ele conseguiu entrar no


meu apartamento para colocar o buquê na minha cama. Afinal, eu não tinha
falado onde eu estava morando, não tinha dado uma chave para ele, nem
para ninguém. Mas, bem... o Vinnie é o Vinnie, né? Ele sempre arranja um
jeito. Essa habilidade dele de aparecer e fazer essas coisas sem eu nem
imaginar como é típica dele.

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Capítulo 85
Durante três dias seguidos, parecia que eu já esperava encontrar algo sobre
a cama toda vez que voltava para casa. O buquê, que inicialmente me
surpreendeu pelo tamanho, só aumentava a cada dia. No começo, era só um
arranjo de rosas vermelhas. Depois, apareceram algumas cor-de-rosa
misturadas, e no dia seguinte, flores coloridas foram adicionadas. Sempre
cuidadosamente montado, como se a cada detalhe fosse uma tentativa de se
aproximar de mim novamente.

As cartinhas que vinham junto eram curtas, mas tinham um toque especial.
Não havia declarações exageradas, apenas frases insinuando que alguém
sentia minha falta, uma saudade quase palpável, e um desejo de recomeçar.
O simples "I miss you" do primeiro dia foi seguido por frases como "Ainda
penso em você mais do que devia" e "Nada é igual sem você por perto".

Eu me pegava sorrindo, contra minha vontade, com cada buquê que


chegava. A cada novo arranjo, a saudade e a curiosidade se misturavam, e
embora ele não assinasse, eu sabia exatamente de quem vinha.

[...]

—Olha o que eu trouxe pra gente!! -Avani exclamou, sorrindo de orelha a


orelha enquanto erguia uma garrafa de vinho assim que abri a porta.

—Entrem, fiquem à vontade! -respondi, rindo e dando espaço para que elas
passassem.

—Seu apartamento é uma gracinha, super aconchegante! -Avani comentou,


dando uma olhada ao redor.

Meu apartamento era pequeno, simples, mas bem arrumado. A sala e a


cozinha eram separadas apenas por um balcão estreito, e havia só um
quarto.
Assim que Mads entrou, seus olhos se arregalaram ao ver os buquês de
flores sobre a mesa da sacada.

—Ai meu Deus, Yas! Olha só pra isso! -ela exclamou, surpresa.

Avani se sentou à mesa, espiando os arranjos pela porta de vidro da sacada.

—Que coisa mais fofa! Alguém está empenhado, hein? -ela disse, sorrindo.

—Pois é... -respondi, rindo enquanto pegava um pacote de macarrão no


armário e colocava água para ferver.- Já faz quatro dias que recebo essas
flores. Todo dia, um novo buquê na minha cama. E nem preciso dizer quem
manda, né?

Avani e Mads se entreolharam, cúmplices, e então Avani disse, servindo o


vinho,

—Esse homem está realmente na sua, Yas. Parece que ele está arrependido.

Mads riu, pegando uma taça.

—E pelo que dizem, Vinnie não tá lidando nada bem sem você, viu? Parece
até que ele tá mais quieto, mais... vulnerável.

Peguei minha taça, tentando disfarçar um sorriso bobo.

—Não sei... nunca imaginei que ele fosse tão do tipo 'arrasado'.

—É, mas só porque ele nunca tinha encontrado alguém como você. -Avani
respondeu, piscando.

—Você pensa em voltar? -Mads me perguntou enquanto dava um gole em


sua taça.

Eu não sabia o que responder.

É claro que eu queria, mas porra, ele me machucou tanto..


—Eu não sei... -respondi, soltando um suspiro pesado, sentindo o peso do
que isso significava.

Avani me observava com aquela expressão de quem já tinha pensado em


tudo antes de dizer qualquer palavra. Ela se inclinou um pouco na minha
direção, colocando a taça sobre a mesa.

—Yas, olha... sei que ele te feriu, e entendo o quanto deve ser difícil. Mas o
Vinnie... você sabe o quanto ele foi influenciado pelo Jacob, não é? Jacob
sempre teve esse poder sobre ele, e, mesmo assim, ele já é adulto. Ele sabe
tomar suas próprias decisões. No final, ele deixou que outra pessoa
decidisse por ele e isso custou o que ele mais amava.

Seus olhos encontraram os meus, com uma sinceridade que me fez hesitar.

—Vinnie perdeu você por não ouvir o próprio coração, e, agora, talvez
esteja sentindo o vazio de uma escolha ruim. Mas o que eu quero que você
pense é... o que VOCÊ quer? A gente sabe que ele tá mal, os meninos
comentaram... mas e você? Quer dar uma chance a ele de se explicar? Ou
acha que essa história já ficou no passado?

Respirei fundo, ainda sem saber o que dizer, e ela continuou com aquele
tom acolhedor.

—Talvez, mesmo que você não volte com ele, escutar o que ele tem a dizer
te ajude a fechar o ciclo de uma vez. E, quem sabe... pode ser a chance de
vocês entenderem melhor tudo o que passou. Mas, seja qual for a decisão,
nós vamos estar aqui pra te apoiar, tá bom?

Ela me deu um sorriso suave, e Mads assentiu, me dando um olhar


encorajador. Me senti um pouco mais leve, sabendo que podia contar com
elas, independentemente de qualquer coisa.

—Eu tenho medo de me machucar de novo... -minha voz saiu quase como
um sussurro. Fiz uma pausa, sentindo o peso daquelas palavras. -Eu não sei
se aguentaria outro baque. -Tentei disfarçar o brilho dos meus olhos
marejados com um leve sorriso e me virei de costas para as meninas,
voltando a mexer no molho, como se aquilo fosse me ajudar a manter o
controle.

Mas antes de me virar completamente, percebi o olhar surpreso de Avani e


Mads, que se entreolharam, claramente preocupadas.

O silêncio que se seguiu tomou conta da cozinha, pesado, quase palpável.


Cada segundo parecia mais longo, e eu sabia que elas estavam escolhendo
as próximas palavras com cuidado.

De repente, Mads, como sempre, foi rápida em quebrar o clima.

—Vamos colocar uma música! -disse ela, tentando animar o ambiente.-


Nada como um som pra animar nossa noite!

Ela pegou o celular e começou a mexer, logo colocando uma playlist


animada. O som suave da melodia preencheu o ar, trazendo uma leveza que
ajudou a aliviar um pouco a tensão. Avani deu um sorriso compreensivo,
pegou a taça de vinho e se aproximou de mim, encostando de leve no meu
braço.

—Olha, Yas, a gente não sabe o que vai acontecer, mas, seja o que for,
vamos fazer isso juntas, tá?

Sorri, sentindo o conforto de estar entre amigas que, mesmo sem precisar de
palavras, já sabiam exatamente o que eu estava sentindo.

[...]

—Sério, Yas, você tinha que nos passar suas receitas! -Avani disse,
suspirando satisfeita depois de terminar seu terceiro prato de macarrão.

—Concordo totalmente! -Mads completou, recostando-se na cadeira e


colocando a mão na barriga levemente estufada depois de devorar quatro
pratos.

Ri, me servindo de mais uma taça de vinho enquanto as duas se levantavam


para lavar a louça. Avani lavava e Mads secava, trocando risadas e
brincadeiras entre si.
—Mas falando sério agora, Yas... acho que você devia ir falar com o Vinnie
amanhã. -Mads soltou enquanto secava um prato, tentando não parecer tão
insistente.

—Para de colocar pressão nela, Mads! A decisão é dela. -Avani riu, jogando
um pouco de água em Mads, que devolveu a provocação, rindo.

Suspirei, mas no fundo já sabia que elas estavam certas.

Sinto que vou me arrepender amargamente disso, mas..

—Eu vou sim. -respondi, com um pequeno sorriso.

Imediatamente, elas começaram a comemorar, e Mads até deu um pequeno


salto de alegria.

—Isso! -disse ela, entusiasmada.

Assim que terminaram de secar e guardar a louça, vieram se juntar a mim


na mesa novamente. Aproveitei para perguntar algo que estava me
preocupando.

—E você, Avani, tudo bem? Lembrei que você teve uma consulta hoje de
manhã e outra amanhã... duas consultas assim, tão próximas, é um pouco
estranho.

—Ah, tô bem, Yas. -Avani respondeu, sorrindo tranquilizadora.- Foi só uma


bateria de exames de sangue e algumas outras coisinhas. Não é nada
demais, só precaução. -Ela tentou parecer despreocupada, mas percebi um
leve tremor na sua voz.

Pov — Vincent Hacker

Eu mal consegui dormir essa noite, com a cabeça girando em pensamentos


sobre a Yas e o que eu fiz. Ela disse que viria hoje, que finalmente a gente
ia ter uma conversa. Eu não sei nem como começar... só sei que, cada vez
que penso na dor que eu causei, me sinto como o pior dos babacas.
Hoje eu consigo ver o quão estúpido eu fui, deixei que outros
influenciassem minhas escolhas, e por quê? Pra mostrar que eu era durão?
Que eu não ligava pra nada? Só que isso foi só fachada. No fundo, quem
mais saiu destruído fui eu. Fiz ela sofrer, e cada palavra fria, cada vez que a
afastei, tudo isso volta agora pra me assombrar. Eu não queria aceitar o
quanto ela me importava, e paguei o preço.

Suspirei, sentindo o peso das últimas semanas no peito. Eu só queria poder


desfazer tudo. Só queria uma chance pra tentar consertar... e torcer pra que
ela ainda esteja disposta a ouvir.

Desci as escadas, tentando afastar os pensamentos e me preparar pro que


viria pela frente. Quando cheguei à sala, encontrei Kio e Bryce esperando.
Bryce estava recostado no sofá, brincando com o controle da TV, e Kio,
com uma expressão séria, levantou o olhar assim que me viu.

—Então, vai ser hoje? -Kio perguntou, estudando meu rosto.

Assenti, sem palavras, enquanto tentava imaginar como essa conversa com
Yasmin ia acontecer.

—Pode deixar comigo, patrão! Esse jantar vai ser inesquecível. -Bryce
disse com um sorriso confiante, mas logo ficou sério.- Mas, ó, sem vacilar
outra vez. -Ele deu uma olhada firme, e eu só pude acenar, sabendo que ele
estava certo.

Desde aquele dia na igreja, os pensamentos não me deixavam em paz. Eu


estava tão feliz de estar com ela, de ter a chance de vê-la de novo depois de
tudo, que mal pude acreditar. E quando ela se virou pra ir embora, quando
eu a chamei, as palavras... simplesmente desapareceram. Eu queria pedir
desculpas, queria dizer o quanto me arrependia, mas nada saía. Me vi ali,
sem voz, envergonhado por tudo que fiz. A única coisa que consegui soltar
foi um "esquece." Como se fosse fácil.

Sei que ela não tem que aceitar meu perdão, que um pedido de desculpas
talvez não signifique nada agora... mas estou devendo a ela, pelo menos, um
jantar. Um momento pra tentar ser o homem que ela merece.
Pov — Yasmim Alles

Estava sentada na sala de espera do hospital, com os nervos à flor da pele.


Já passava das três da tarde, e eu e Avani ainda não tínhamos almoçado.
Não tínhamos ideia do que ela realmente tinha, mas, com tantas consultas e
exames, o medo crescia a cada dia.

Enquanto mexia no celular, ele vibrou em minhas mãos, exibindo uma


notificação de Vinnie:

"Yas, passa aqui em casa hoje às oito."

Dei uma rápida olhada pela barra de notificação, sem abrir a mensagem, e
desliguei o celular no momento em que vi Avani saindo do consultório.

—Tudo bem? -perguntei, tentando ler algo em seu rosto.

—Sim! Só estou morrendo de fome, vamos comer algo? Senão eu vou


desmaiar de fome!-Avani respondeu, soltando aquele drama típico dela, que
me arrancou uma risada.

—Você e seu exagero... Vamos logo, antes que você caia aqui mesmo! -
brinquei, me levantando e acompanhando-a para fora.

Pov — Vincent Hacker

Eu tô nervoso pra caralho.

A sensação era a mesma de quando pedi ela em namoro, uma mistura de


ansiedade e medo. Me peguei andando pela cozinha, parando ao lado de
Joana, que preparava alguma coisa no fogão. Ela era mais do que uma
empregada para mim — tinha me cuidado desde pequeno, e eu sabia que
podia confiar nela pra qualquer coisa. Joana conhecia a Yas, e eu sabia que
ela tinha uma opinião bem forte sobre tudo o que eu fazia.

—Joana... será que ela vai gostar? -perguntei, mexendo no colarinho da


camisa. Eu sentia um nervoso que parecia não ter fim, e queria pelo menos
um sinal de que as coisas iam dar certo.
Joana virou para mim, com aquele olhar que já dizia muita coisa.

—Vincent, a Yas é uma menina doce, delicada. Qualquer um que a conheça


sabe disso. Se você for sincero, ela vai perceber. -Ela deu um leve sorriso e,
logo depois, o rosto dela ficou sério.- Mas olha aqui, menino... não vai me
dar uma de teimoso e acabar machucando a menina de novo, viu?

Baixei o olhar, meio sem jeito. Sabia que ela tinha razão.

—Ela não merece isso, Vincent. Você sabe tudo que ela já passou por sua
causa. A Yas é especial... Não deixe ela sofrer de novo, ou vou te puxar pela
orelha como fazia quando você era pequeno! -Joana ameaçou apontando
uma colher de madeira pra mim, mas com aquele tom carinhoso.

Eu dei uma risada nervosa, sabendo que ela estava falando sério, e também
que estava certa. Ela se virou para continuar mexendo na panela e suspirou,
lançando um último conselho:

—Se quer mesmo reconquistar a Yas, precisa ser o melhor que pode ser pra
ela, Vincent. E precisa estar preparado para mostrar que mudou. Ela
merece, e você sabe disso melhor do que ninguém.

Pov — Yasmim Alles

Assim que entrei na sala de jantar, já comecei a revirar os olhos.

—Ah, não, Vincent. Fala sério! -O tom de frustração escapou na minha voz
ao ver a mesa, decorada com tudo o que podia remeter a um jantar
romântico. As velas, as flores, as pétalas...- Eu vim aqui pra gente
conversar, não pra um encontro! -Falei firme, cruzando os braços e, em um
impulso, me virei em direção à porta para ir embora.

Mas, antes que eu conseguisse sair, Vinnie segurou meu braço de leve,
pedindo com um toque suave e um olhar sério:

—Por favor, Yas. Fica, me escuta. -Sua expressão não era arrogante ou
desafiadora como tantas outras vezes. Era sincera, quase como se estivesse
implorando.
—Eu tô te devendo um jantar.. -ele disse, com a voz baixa. A referência ao
dia em que fiquei esperando por ele até as três da manhã, depois da praia,
trouxe uma lembrança amarga, mas também uma pontada de nostalgia.

Ele me conduziu até a mesa, que parecia cuidadosamente planejada. A


iluminação da sala estava baixa, deixando que o brilho das velas tomasse
conta do ambiente. As velas estavam distribuídas em candelabros delicados,
iluminando os pratos e talheres de prata que ele havia preparado, algo muito
além do habitual despojamento de Vinnie. Ao longo do centro da mesa,
pequenas flores e pétalas davam um toque suave, em tons de rosa e
vermelho, e tudo parecia cuidadosamente arranjado, como se ele tivesse
realmente se empenhado em criar uma noite especial.

Com um gesto, ele puxou a cadeira para que eu me sentasse. Eu ainda


sentia a raiva pulsar em mim, mas a curiosidade de saber o que ele queria
me dizer falou mais alto. Relutante, mas intrigada, aceitei o convite e me
sentei, deixando que ele desse início a essa conversa que, finalmente,
parecia tão importante para ele quanto para mim.

Vinnie coçou a nuca, visivelmente nervoso, e soltou um suspiro frustrado


antes de começar a falar.

—Olha, Yas... eu sei que eu fui um merda. -ele começou, balançando a


cabeça.- Sério, eu fui um idiota completo, e tô tão puto comigo mesmo que
nem sei como tenho coragem de te pedir isso. Fui babaca, moleque, e pior
ainda... eu fui um covarde. -Ele soltou um riso sem humor e passou a mão
pelo rosto, claramente irritado consigo mesmo.

—Eu estraguei tudo, e agora, cada vez que fecho os olhos, me vem você na
cabeça, e junto vem aquela sensação de querer socar a porra da parede, de
tanto arrependimento. -Ele me olhou com sinceridade, ainda sem jeito, mas
com um peso nas palavras que era impossível ignorar.

—Eu não tenho direito de pedir nada, de te pedir desculpa ou qualquer


coisa assim, porque não mereço. Eu caguei tudo, do pior jeito possível. Mas
precisava te dizer isso... porque tô preso nessas merdas que eu fiz, e
precisava que você soubesse.
Ele respirou fundo, passando a mão pelos cabelos e parecendo procurar as
palavras.

—Olha, eu sei que posso parecer um otário por estar aqui falando tudo isso.
Mas, caralho, Yas, eu nunca achei que ia sentir esse tipo de falta, essa... essa
dor de ter perdido alguém como você.

Ele desviou o olhar por um instante, tentando se recompor, mas logo voltou
a me encarar.

—Eu sei que, no final das contas, fui eu quem te jogou fora. E, puta que
pariu, como eu me odeio por isso. Eu queria te pedir desculpas, mas nem sei
se adianta.

Ele respirou fundo, o rosto mais sério, parecendo lutar contra o orgulho para
continuar.

—Só queria que você me escutasse. Não precisa me perdoar, não precisa
esquecer as merdas que eu fiz. Só... me escuta. Porque a verdade é que eu
daria tudo pra voltar atrás, e essa culpa... essa merda de culpa tá me
corroendo por dentro!

—Peço desculpas do fundo do meu coração por ter agido de forma tão
babaca e egoísta, sei que a culpa é totalmente minha por não saber lidar
direito com meus medos, paranoias e perdido a cabeça várias vezes com
você, desculpa por descontar no nosso relacionamento. Sinto um profundo
arrependimento e um ódio terrível de mim mesmo por não ter sido capaz de
enfrentar o caos da minha própria mente e, desculpa, ter feito você se sentir
insegura consigo mesma, você merecia o mundo, mas eu não soube lidar
com a pressão de ter que te dar ele, me odeio por ser assim e por ter perdido
você..

Vinnie colocou os pratos sobre a mesa e deu um sorriso meio torto, com
aquele olhar que mostrava o quanto ele estava nervoso.

—Eu sei que não compensa nada... mas achei que pelo menos isso eu tinha
que fazer por você.
Olhei para o prato e depois para ele, ainda meio sem saber o que dizer. A
confusão dentro de mim era imensa. Parte de mim queria simplesmente
levantar e sair. Mas outra parte... a parte que ainda sentia algo por ele,
queria entender, queria acreditar que ele realmente estava arrependido.

—Vinnie, eu não sei... -Suspirei, tentando organizar meus pensamentos.-


Toda essa culpa que você diz sentir... por que você só percebeu isso agora?

Ele passou a mão no rosto e bufou, sem saber como responder, mas
tentando de qualquer jeito.

—Eu sei, caralho... eu sei que fui um idiota completo. E não tô aqui pra
pedir pra você esquecer. Tô aqui porque, sei lá, eu queria pelo menos tentar
te mostrar que eu tô arrependido... e que, porra, eu nunca deveria ter feito
metade das merdas que fiz.

Eu respirei fundo, tentando conter a confusão dentro de mim.

—Eu não sei se dá pra consertar, Vinnie...

Vinnie mudou de assunto, percebendo que aquilo o machucava, e tentou


deixar a conversa mais leve. Ele deu uma garfada em sua comida e logo fez
uma careta.

—Karalho, isso tá uma merda! -disse, sincero e envergonhado, enquanto


soltava uma risadinha nervosa.

Eu peguei um garfo e experimentei também, fazendo uma careta ao


descobrir que ele estava falando sério.

—Não tá tão ruim assim.. -estava sim

Ele se encostou na cadeira, cruzando os braços e rindo da própria desgraça.

—Tentei fazer eu mesmo pra te impressionar. Achava que ia ser um 'chefão'


e acabar te surpreendendo. Mas, na verdade, acho que seria melhor ter
deixado pra Joana fazer. -Ele riu, balançando a cabeça como se tentasse se
convencer de que tinha feito a escolha errada.
—Mas pelo menos você se esforçou, e isso conta, né?

Vinnie sorriu, o olhar um pouco mais relaxado, e eu percebi que, apesar da


situação toda, ele ainda conseguia me fazer rir.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

AVISO:

Vou retirar o nome "Dark Romance" do título da fanfic.

Eu confesso que "fugi" um pouco do objetivo inicial da fanfic, pois


inicialmente eu realmente queria escrever um Dark Romance. (Mas como
todos podem ver, isso não tem nada haver com um)
Capítulo 86
—Eu tenho um presente para você! -disse Vinnie, levantando-se da mesa e
desaparecendo em um dos cômodos. Eu o observei sair, meu coração
batendo um pouco mais rápido, confusa com o que ele estava fazendo.

Poucos minutos depois, ele voltou com as mãos escondidas atrás das costas,
um sorriso brincalhão no rosto. Ele parou na minha frente e, lentamente,
trouxe as mãos para frente, revelando um ursinho de pelúcia já meio
desgastado em uma mão e duas caixinhas elegantes na outra.

Meus olhos se iluminaram com o gesto inesperado. Com cuidado, abri as


caixinhas e me deparei com um colar de ouro branco, incrivelmente
delicado, adornado com pequenas pedras de diamante que capturavam a luz
de forma sutil. Na segunda caixinha, um par de brincos e uma pulseira no
mesmo estilo completavam o conjunto. Eu estava sem palavras, o presente
era de uma beleza estonteante.

Antes que eu pudesse dizer algo, Vinnie quebrou o silêncio.

—Eu sei que presentes não podem consertar tudo, Yas.. -ele disse, a voz
baixa e sincera.- Mas esses são de coração.

Senti meu rosto aquecer. Os presentes eram lindos, mas o que realmente
chamou minha atenção foi o ursinho de pelúcia. Ao segurá-lo, percebi que
ele tinha o cheiro inconfundível de Vinnie e parecia já ter uma história. O
material macio mostrava sinais de uso, quase como se tivesse sido amado
por uma criança.

Vinnie puxou uma cadeira e sentou-se ao meu lado enquanto eu segurava o


urso com cuidado, um sorriso involuntário nos meus lábios. Ele me
observava, um brilho nostálgico em seus olhos.

—Cuida bem do Mike! -ele disse com um sorrisinho, e minha curiosidade


cresceu.- Ele gosta que durmam abraçados nele.
Meus olhos se arregalaram de leve quando percebi o que aquilo significava.

—Mike... era seu? -perguntei, a voz saindo mais suave do que eu


pretendia.

Ele assentiu, o olhar ficando mais distante.

—Ganhei ele da minha mãe no meu aniversário de cinco anos. -explicou,


e meu coração se apertou. Eu sabia o quanto esse presente significava para
ele. Vinnie raramente falava sobre a mãe, e ouvir aquilo fez um nó se
formar na minha garganta.

Tentei devolver o ursinho, meio sem jeito.

—Vinnie, eu... não posso aceitar. Ele é especial demais para você.

Mas ele balançou a cabeça, firme.

—Não, Yas. Quero que ele esteja com você. Ele foi meu conforto em
tempos difíceis, e agora eu quero que ele seja o seu.

A sinceridade em sua voz me desmontou. Segurei o Mike com mais


carinho, sentindo a responsabilidade e o carinho por trás daquele gesto.

—Obrigada -sussurrei, sem conseguir segurar o sorriso tímido que surgia.

Vinnie tinha um olhar carinhoso enquanto me observava, seus olhos


percorrendo cada detalhe do meu rosto como se quisesse gravar cada
expressão, cada respiração. Com um gesto suave, ele afastou uma mecha de
cabelo que caía sobre o meu rosto, colocando-a atrás da minha orelha. O
toque dele, gentil e cuidadoso, enviou um arrepio que percorreu minha
espinha.

Senti meu coração acelerar quando ele se aproximou lentamente, seus olhos
fixos nos meus, criando um silêncio que parecia gritar entre nós. A
proximidade fazia o ar ao nosso redor parecer mais denso, e por um
momento, prendi a respiração, antecipando o que estava por vir.
Então, em um movimento que misturava hesitação e determinação, ele
selou nossos lábios em um beijo calmo e terno. O mundo ao redor
desapareceu, e tudo que eu conseguia sentir era o calor suave de seus lábios,
transmitindo uma mistura de saudade e desejo que reverberava em cada
célula do meu corpo.

Nos separamos por um breve instante, o ar faltando entre nós, mas nossos
rostos ainda estavam tão próximos que eu podia sentir sua respiração quente
contra a minha pele. Vinnie, com um olhar que exalava um desejo contido e
profundo, deslizou uma das mãos para o meu pescoço, apertando
levemente, como se quisesse me ancorar naquele momento. Seus dedos se
moveram para a minha nuca, puxando-me para outro beijo, desta vez mais
intenso e urgente, carregado de emoções não ditas, e promessas silenciosas
que apenas o toque poderia revelar.

O beijo se tornava mais feroz a cada toque, cada movimento. Vinnie me


puxou para seu colo, aprofundando ainda mais o beijo, que agora era uma
mistura de urgência e emoção. Beijávamos como se não nos víssemos há
séculos, como se toda a saudade e desejo acumulado estivesse
desaparecendo naquele instante, dissolvendo-se no calor do momento.

Quando finalmente nos separamos, ambos ofegantes, ri baixinho, corada e


um pouco envergonhada. Vinnie me olhou com aquele sorriso
característico, o tipo de sorriso que sempre me deixava completamente sem
chão.

—Eu estava com saudades disso -disse ele, a voz baixa e carregada de
sinceridade, enquanto suas mãos repousavam em minha cintura, me
mantendo perto.

—Disso o quê? -Perguntei, tentando esconder a confusão no meu rosto.

—De você. -ele respondeu, uma risada suave escapando enquanto ele me
observava com carinho.- De ter você aqui, assim.

Meu rosto esquentou imediatamente, e eu sabia que estava vermelha como


um tomate. Como ele conseguia fazer isso comigo? Cada palavra, cada
toque, fazia minha mente girar, e eu não conseguia evitar a corrente de
desejo que passava pelo meu corpo ao ter suas mãos sobre mim novamente.
Era como se ele soubesse exatamente o que eu estava pensando, mesmo
sem dizer nada.

Como se confirmando minhas suspeitas, Vinnie riu de novo, dessa vez com
um brilho malicioso nos olhos, como se tivesse lido meus pensamentos.

—Sabe do que mais eu senti falta? -perguntou, seu olhar descendo para a
minha boca, a voz carregada de uma nota de malícia e provocação

Ele se inclinou ainda mais perto, e senti sua respiração quente e pesada
deslizar pela curva do meu pescoço, fazendo minha pele se arrepiar. Com
um movimento firme, desceu uma de suas mãos para minha coxa,
apertando-a suavemente, e se aproximou do meu ouvido, a voz rouca e
maliciosa.

—Quero sentir cada curva do seu corpo, ouvir cada suspiro seu... e só vou
parar quando você não aguentar [Link] te fazer lembrar exatamente por
que você nunca conseguiu me esquecer... e não vamos parar até o sol
nascer.

O calor das palavras dele fez meu coração disparar e um arrepio percorreu
minha espinha. A saudade que eu sentia dele queimava como fogo,
impossível de ignorar. Sem hesitar, selei nossos lábios em um beijo intenso,
cheio de urgência e desejo.

Vinnie entendeu o recado imediatamente. Com uma habilidade


surpreendente, me ergueu em seu colo, mantendo nossos lábios unidos, e
caminhou até o quarto, o beijo nunca perdendo sua intensidade. O mundo
ao nosso redor se dissolveu, restando apenas nós dois e a promessa de tudo
que estava por vir.

Assim que entramos no quarto, Vinnie trancou a porta e me deita na cama e


fica entre minhas pernas, Vincent começa a abrir minha short.

Ele foi descendo os beijos até meus seios, ele começo a lamber e deixar
marcas como chupões em um de meus peitos, e com uma de suas mãos, ele
começou a massagear o outro. Sua outra mão ele desceu ate minha
intimidade, colocando sua mão por dentro da minha calcinha e começou a
me masturbar.

Não pude conter meus gemidos, ele tava me deixando louca! porra por que
ele tem que ser tão gostoso assim?

Sua respiração quente me dava arrepios, gemi quando senti sua língua em
contato com minha pele.

Sem muita paciência, o loiro rasga minha calcinha, coloca minhas pernas
sobre seus ombros e introduz dois dedos dentro de mim em formato de
gancho, o que me fez gemer alto. Logo ele inicia movimentos lentos de vai
e vem enquanto chupa meu clitóris.

Soltei um gemido mais intenso quando ele moveu mais rápido os dedos e
acabei gozando, escutei uma risada baixa e logo ele parou de me lamber,
Vincent retirou os dedos e os chupou

Sem perder tempo, ele já estava por cima de mim me beijando com
calma,seu membro estava duro

me aproximei e me ajoelho na sua frente, ele sorri e segura uma parte do


meu cabelo em um rabo de cavalo, logo começo a chupa-lo devagar, ele
suspirou e empurrou minha cabeça colocando todo seu membro na minha
boca, começo movimentos de vai e vem com a boca e ele suspira
novamente.

—que boquinha maravilhosa.. -disse o mais velho

senti seu membro pulsar em minha boca, começo movimentos mais lentos e
ele geme meu nome. Solto uma risada baixa e coloco todo seu membro na
boca de novo.
Um tempinho depois,seu membro pulsa em minha boca novamente e ele
acaba gozando.

Ele se inclina para frente e segura meus pulsos, em um movimento rápido,


ele me penetrou forte e fundo. Hacker gemeu perto do meu ouvido, me
causando arrepios e começou a estocar forte.
Vinnie começou a morder e deixar chupões pelo meu pescoço e ir cada vez
mais forte, descendo uma das mão até minha cintura e a apertou,
começando a ir mais rápido.

Gemi o nome dele e passo minhas pernas por sua cintura facilitando o
trabalho dele. Aos poucos ele foi parando e me puxou pro seu colo assim
que ele se sentou na cama.

Beijo seu pescoço e começo a cavalgar com força nele, ele gemeu rouco e
apertou minha bunda com força, assim ele começou a ajudar nas quicadas

Ele suspirou e soltou um risinho.


Comecei a rebolar durante suas estocadas fundas e gemi mais alto. Arranhei
suas costas e acabei gozando. Apoiei minha cabeça em seu ombro ainda
ofegante

—fica de quatro. -disse o loiro em um tom autoritário

Sai do colo dele e fico na posição que ele mandou, empino minha bunda e
ele deu um tapa forte. Suas mãos foram até minha cintura para ele ficar
mais forte.
Vinnie me penetrou devagar e começou movimentos se vai e vem. logo ele
foi mais fundo,soltei um gemido alto e encostei minha cabeça no
travesseiro. Vinnie começou a ir forte e rápido, algumas vezes escutei
gemidos baixos dele que me deixaram mais excitada

Ele levou uma das mãos até meu clitóris e começou movimentos
circulares,soltei um gemido mais intenso que o anterior.

Ele foi mais forte e continuou a estimular meu clitóris. Vinnie tomba sua
cabeça pra trás gemendo e gozou,senti seu líquido me preencher e logo ele
tirou seu membro,minhas pernas ficaram trêmulas e suspirei baixo. Ele
ainda estava estimulando meu clitóris até que eu gozei um pouco depois
dele.

Vinnie me deita na cama novamente, ficando por cima, então, logo começa
a me penetrar, desta vez mais fundo, enquanto me provocava apertando
levemente meu pescoço, me deixando mais excitada.
Seus movimentos ficaram tão fortes, que a cama já estava se mexendo junto
conosco, meu ponto foi atingido tantas vezes que acabei gozando, porém
isso não impediu que o mais velho parasse de se mover

Ele estava mais bruto do que antes, seu membro estava maltratando meu
interior com força, logo chegaria ao meu ápice

Tentava conter meus gemidos mas estava um pouco difícil.

—Vinnie.. -tentei agarrar seus cabelos mas o mesmo segurou minhas mãos
e as prendeu em cima de minha cabeça. Senti um tapa sendo desferido em
minha coxa.

Desengonçada, comecei a tentar me mover mas por ter tido dois orgasmos
seguidos, estava muito sensível.

Ouvi o mesmo rir baixo.

—Pede para eu te foder com força, mas nem se quer aguenta?- agarrou meu
quadril com força

—e-eu não aguento mais- fechei os olhos com força sentindo que acabei
gozando mais uma vez.

Vinnie ri baixinho e se deita ao meu lado exausto. Ele aproximou seu rosto
do meu, senti sua respiração em meus lábios e me beija com calma.

Deitei minha cabeça em seu peitoral enquanto tentava controlar minha


respiração, mas logo o silêncio entre nós foi quebrado:

—Segundo round, amor? -perguntou ele ainda ofegante

—Oque?! Você aguenta mais uma? -quase dei um grito, um pouco


assuntada, mas rindo

—Óbvio.

—Meu Deus... vá dormir Vinnie, vá dormir. -falei bocejando enquanto me


virava para o outro lado da cama, ficando de costas para o loiro
Ouço Vincent murmurar algumas coisas mas logo sinto ele me abraçar por
trás, finalmente pegando no sono.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

———

Uma semaninha de férias não mata ninguém KKKKKK

Eu tenho como me explicar hein!


Em minha defesa, eu tirei uns dias de férias e "estudei" um pouco também.

Eu estou dando uma estudada em como melhorar minha escrita, estou


pesquisando palavras novas para usar, maneiras de como melhorar a nossa
fic.

Espero que esteja dando alguma diferença

———

E ó, nem vem reclamando que eu sumi por muito tempo não. Eu estava
sumida mas é porque eu quero entregar o melhor pra vocês, e não tudo de
qualquer jeito.
Capítulo 87
Acordei lentamente pela manhã, com o calor do corpo de Vinnie colado ao
meu. Ele estava agarrado em mim de forma tão doce e tranquila, parecendo
um bebezinho dormindo. Não pude evitar sorrir ao vê-lo tão vulnerável,
com os cabelos bagunçados e o rosto relaxado, como se o mundo lá fora
não existisse.

Com um pouco de esforço, me virei e me levantei cuidadosamente, para


não acordá-lo. Ainda sentia uma dor leve na perna, mas não era nada que
me impedisse de seguir. Caminhei até o closet e, felizmente, minhas roupas
estavam todas organizadas. Escolhi um conjunto simples: uma saia preta e
uma blusinha, e fui para o banheiro.

Fechei a porta atrás de mim, sentindo o calor do ambiente e o vapor da água


quente começando a preencher o ar. Coloquei minhas roupas sujas em um
canto e entrei no chuveiro, deixando a água quente tocar minha pele e
relaxar meus músculos tensos. Fechei os olhos por um momento, sentindo o
aroma do sabonete misturar-se com o vapor, e comecei a lavar os cabelos
com o shampoo, massageando o couro cabeludo com os dedos.

Estava tão distraída com o banho que não percebi o som do box sendo
aberto. De repente, senti uma presença atrás de mim e me virei, levando um
susto. Vinnie estava ali, entrando no chuveiro como se fosse a coisa mais
natural do mundo. Eu instintivamente tentei me cobrir, levando as mãos até
os seios e tentando fechar as pernas o máximo possível, sentindo um calor
no rosto e um pouco de vergonha.

Ele me olhou com uma mistura de diversão e sarcasmo, rindo baixo.

—Princesa, para com essa frescura -disse ele, se aproximando e puxando


o shampoo para si.- Eu já te vi pelada, não tem nada aí que eu já não tenha
visto antes. Conheço cada detalhe do seu corpo. Você acha que eu não ia te
ver de novo?
Eu dei uma risada nervosa, sem saber direito o que dizer, ainda um pouco
sem graça com a situação. Ele parecia tão à vontade, como se estivéssemos
apenas compartilhando um momento qualquer. Vinnie, então, deu um passo
mais próximo e, com um sorriso travesso, passou a mão pelo meu ombro,
fazendo com que eu relaxasse um pouco.

Tentei relaxar, voltando ao meu trabalho de lavar meu cabelo. Minhas mãos
massageavam meu couro cabeludo, tentando ignorar a sensação de Vinnie
tão perto. Mas, quando menos percebi, senti as mãos dele na minha cintura,
puxando-me para mais perto. Sua respiração quente no meu pescoço fez um
arrepio subir pela minha espinha.

Abri os olhos e, por um momento, me perdi na visão de Vinnie agindo com


tanta naturalidade, como se nada estivesse acontecendo, tomando seu
banho, lavando os cabelos como se o fato de estarmos tão próximos fosse a
coisa mais comum do mundo.

Eu estava distraída. Meus olhos começaram a deslizar pelo corpo dele sem
querer, admirando a forma como as tatuagens se espalhavam pelos seus
braços, peito e cintura. A água escorria pelo abdômen definido dele,
destacando os músculos e fazendo o cenário todo parecer ainda mais...
íntimo.

"Volta pra realidade, Yasmim", pensei para mim mesma, tentando desviar o
olhar. Mas, quando finalmente me concentrei novamente, foi impossível
ignorar a risadinha divertida de Vinnie.

Quando olhei para ele, vi um sorriso malicioso em seus lábios, quase como
se soubesse exatamente onde meus olhos estavam. Ele estava me
observando com um olhar afiado, mais travesso que nunca, e um brilho de
pura diversão em seus olhos.

—Se precisar de uma ajudinha, princesa -ele disse, com a voz rouca, e a
forma como ele olhava para mim só aumentava a tensão no ar.- Posso te
ensinar a admirar tudo de uma forma mais... cuidadosa.

Eu girei os olhos, tentando disfarçar o quão desconcertada me sentia, mas


ele não deixava de sorrir. A maneira como ele falava, tão segura e cheia de
segundas intenções, me fazia ficar cada vez mais nervosa, mas, ao mesmo
tempo, algo em mim se aquecia. Ele sabia exatamente o efeito que causava
em mim, e parecia que se divertia com isso.

—Para de me olhar assim! -falei, tentando manter a compostura, mas a


minha voz traía um pouco de nervosismo.

—Não tem como não olhar, amor. -ele respondeu

Depois do jantar, fomos dormir quase às quatro da manhã. Eu estava


exausta, e Vinnie também, mas mesmo com apenas três horas de sono, ele
parecia não sentir o cansaço. Ele continuava o mesmo: safado, como
sempre.

Acordamos pouco depois das sete da manhã. Vinnie tinha uma reunião
marcada, e eu teria um compromisso com minhas amigas. Mesmo com o
pouco tempo de descanso, eu sabia que ele não ia deixar o dia começar sem,
no mínimo, uma dose de provocações.

No banho, a água quente caía sobre nossos corpos, mas o calor entre nós
dois parecia aumentar. Minhas mãos estavam nos meus cabelos, mas Vinnie
não perdia a chance de dar algumas mãos bobas, deslizando a palma dele
pela minha cintura, apertando meus seios e minha bunda e sorrindo com
aquele olhar travesso.

Ele se aproximou de mim de forma tão natural, que a proximidade só fez a


tensão entre nós aumentar.

—Amor, uma rapidinha? -Ele disse com aquele sorriso de orelha a orelha,
enquanto sua mão escorregava até minha nuca e a outra pressionava minha
cintura, colando nossos corpos de uma forma tão íntima que era impossível
ignorar.

—Você não estava cansado? -Eu disse, tentando manter a compostura

Ele deu uma risadinha e respondeu com um sorriso ainda mais malicioso:
—Nunca. -E, sem aviso, me prendeu contra a parede do chuveiro,
roubando três selinhos rápidos, um após o outro, enquanto eu tentava
desviar o olhar para não perder a compostura.

Os beijos eram suaves, mas a pressão de seus lábios e o jeito como ele me
mantinha perto de seu corpo só aumentavam a vontade de ceder à tentação.
Eu não podia negar, Vinnie sabia exatamente como me fazer perder a razão,
e aquilo me deixava com um misto de diversão e desejo.

Senti o calor do corpo dele contra o meu, e o meu coração disparou. Não
havia mais espaço para palavras. Ele me puxou para o seu colo, fazendo-me
entrelaçar minhas pernas em volta de sua cintura, e seus lábios, quentes e
insaciáveis, encontraram os meus. O beijo foi tão intenso, caloroso, como se
todo o desejo reprimido da noite anterior estivesse sendo liberado ali,
naquele momento.

Eu tentei manter a compostura, mas a pressão dos seus lábios, a forma


como ele me segurava, me fazia perder qualquer resistência. Seus dedos,
firmes na minha cintura, me mantinham colada a ele enquanto ele
aprofundava o beijo, me fazendo perder o fôlego.

O mundo parecia desaparecer ao nosso redor. Só existia aquele beijo, aquele


momento. Vinnie, com seu toque implacável, me fazia sentir cada segundo,
como se cada beijo fosse uma promessa, algo mais profundo e impossível
de ignorar.

Vincent se sentou no chão do banheiro comigo em seu colo, logo montei em


Hacker e fui sentando lentamente, até ser penetrada. Soltei um gemido alto
ao ser invadida de prazer e comecei a rebolar em seu membro. Ver Hacker
se contorcer de prazer por minha causa me deixava mais louca ainda.

Enquanto rebolava lentamente soltando baixos gemidos, Vinnie apertava


meus seios e depositava tapas em minha bunda. Aquilo provavelmente
deixaria marcas.

Vinnie segurou minha cintura me estimulando a dar movimentos mais


rápidos e assim eu fiz, aumentei a velocidade.
—Isso. -Ele disse com sua voz rouca falhada. Trombei minha cabeça para
trás.

—Goza para mim, amor, goza. - Aquela sua voz falhada e rouca estava me
deixando fora de mim, aumentei meus movimento e não pude reprimir
outro gemido alto. Chegamos ao ápice juntos.

Vinnie juntou nossas testas, e por um momento ficamos ali, respirando


juntos. Abri os olhos, tentando recuperar o fôlego, e me perdi nos olhos
castanhos dele, que me encaravam com uma mistura de diversão e ternura.
Eu podia sentir o calor de sua respiração contra minha pele, e meu coração
ainda batia rápido.

Depois de alguns segundos, nos levantamos e terminamos de tomar nosso


banho, a energia entre nós ainda era palpável.

Saímos do banheiro enrolados em toalhas, ele com aquele ar despreocupado


e confiante, e fomos para o closet nos vestir.

—Vai fazer alguma coisa hoje à noite? -Ele perguntou, enquanto vestia sua
calça, ajeitando o cinto com uma calma que parecia calculada.

Eu iria sair com minhas amigas, mas não sabia ao certo quanto tempo
aquilo levaria. Talvez até o fim da tarde eu já estivesse de volta.

—Acho que não, por quê? -Respondi, enquanto puxava minha blusa por
cima da cabeça e arrumava o tecido.

Ele não respondeu. Apenas deu aquele sorrisinho de canto, um gesto tão
típico dele, como se soubesse de algo que eu não sabia. Terminei de me
arrumar, mas não conseguia parar de pensar no que ele estava planejando.

Vinnie vestiu sua camisa, e antes de sair, inclinou-se para me dar um


selinho rápido. Foi breve, mas a suavidade de seus lábios contra os meus
fez meu coração falhar uma batida. Ele saiu apressado, rumo à sua reunião,
me deixando sozinha com meus pensamentos.
Fiquei ali por alguns instantes, olhando para a porta fechada, tentando
entender o que exatamente estava acontecendo entre nós. Não estávamos
mais juntos, pelo menos oficialmente, mas tudo o que fizemos ontem e hoje
parecia contradizer isso. A intimidade, o jeito como ele me tocava, os
pequenos gestos que ele fazia... Era como se ainda fôssemos um casal.

Suspirei, sentindo um calor familiar no peito. É bom tê-lo assim novamente,


mesmo que eu não saiba por quanto tempo isso vai durar.

Terminei de me vestir e desci até o primeiro andar, seguindo o som


reconfortante vindo da cozinha. Lá, encontrei Joana terminando de arrumar
a mesa do café da manhã, com um sorriso no rosto.

—Bom dia, querida! -Ela me cumprimentou, ainda ocupada com os


detalhes.

—Bom dia! -Respondi, retribuindo o sorriso.

—Sente-se, Vinnie pediu para eu deixar a mesa preparada pra você tomar
seu café da manhã! -Joana disse, apontando para uma cadeira à mesa.

—Imagina, Joana! Eu só vou pegar um café rapidinho e já vou indo. Não


precisa se incomodar!

Joana colocou as mãos na cintura, me encarando como uma mãe que


repreende um filho.

—Você vai mesmo recusar o meu bolinho de chocolate? Se Vinnie


descobrir que eu fiz especialmente pra você o bolo favorito dele, ele vai
ficar bravo. -Ela riu, cruzando os braços enquanto visualizava a possível
reação dele.

Suspirei, derrotada, e finalmente me sentei à mesa.

—Ok, você me convenceu. Mas só um pedaço!

Quando meus olhos pousaram no bolo, não pude deixar de notar o quão
perfeito ele parecia. A calda brilhante de chocolate escorria pelas laterais, e
o aroma era simplesmente irresistível.
—Pode se sentar, Joana. -Falei, apontando para a cadeira à minha frente.

—Eu tenho muita coisa pra fazer, querida, mas fique à vontade.

Notei o olhar dela se fixando, mesmo que discretamente, nas comidas na


mesa. Era claro que ela estava com fome.

—Joana, por favor! Eu faço questão. -Me levantei, puxando a cadeira para
ela se sentar.

Ela hesitou por um momento, mas acabou cedendo, soltando uma risadinha.

—Se o Vinnie disser algo, manda ele se resolver comigo!- Falei firme,
fazendo-a rir mais ainda.

Peguei o garfo e cortei um pedaço do bolo, levando à boca. No momento


em que o sabor explodiu no meu paladar, soltei um suspiro involuntário.

—Meu Deus, Joana! Isso aqui é um pedaço do paraíso!!

—Sabia que você ia gostar! Esse é o favorito de Vinnie e Reggie desde


pequenos. -Ela riu, satisfeita.

—Agora entendi por que eles gostam tanto. Isso aqui é inacreditável! -
Peguei outro pedaço, já completamente rendida.

Conversamos sobre coisas simples: como estava o clima, as novidades da


casa e até alguns detalhes engraçados sobre a rotina de Vinnie que ela não
resistiu a compartilhar. Joana tinha um jeito especial de fazer qualquer
conversa parecer leve e familiar.

Depois de terminar minha fatia, olhei para o relógio e percebi que precisava
ir.

—Joana, obrigada por tudo! Você sempre consegue transformar meu dia em
algo melhor.

—Volte logo, meu amor. Não deixe esse menino maluco sozinho por muito
tempo!! -Ela disse, sorrindo enquanto me acompanhava até a porta.
Peguei minha bolsa e saí, sentindo-me renovada. Momentos simples, como
aquele, eram os que eu mais prezava, especialmente em meio ao caos que
minha vida podia se tornar às vezes.

Entrei no carro e dei partida em direção ao estúdio, com o sol da manhã


iluminando o caminho.

Hoje, eu, Mads e Avani faríamos um ensaio fotográfico com as novas peças
da loja de Mary, tia de Mads. Ela é a mesma que me deu aquele vestido
maravilhoso que usei no dia em que fui pedida em namoro por Vinnie.
Confesso que só aceitei participar porque é a Mary.

[...]

Ao chegar ao estúdio, fui recebida pela energia contagiante das meninas.


Mads já estava em um canto rindo de algo no celular, enquanto Avani
estava conferindo algumas roupas penduradas em araras.

—Finalmente, hein, dorminhoca! -Mads brincou, acenando para mim.

—Dorminhoca? Mal dormi três horas, tá achando que foi fácil levantar? -
Respondi, rindo, enquanto deixava minha bolsa em uma mesa próxima.

Logo fui direcionada para a cadeira de maquiagem. Vestia um roupão


branco superconfortável, com meu nome bordado em dourado nas costas.
Uma das maquiadoras começou a preparar minha pele, enquanto uma
cabeleireira ajustava meus cabelos. As ondas foram se formando
delicadamente, com cada cacho ganhando um brilho natural à medida que a
cabeleireira aplicava um spray de finalização.

—Se você tivesse essa equipe todo dia, seria sempre a primeira a chegar! -
Mads provocou, olhando para mim pelo espelho.

Antes que eu pudesse responder, uma das assistentes entrou na sala


segurando um enorme buquê de flores em tons de vermelho e branco.

—Yasmim, isso é pra você! -Disse ela, estendendo o buquê na minha


direção com um sorriso discreto.
Pisquei surpresa, enquanto pegava as flores. O aroma era inebriante, e entre
os arranjos bem dispostos, havia um pequeno envelope.

Abri a carta, sentindo meu coração acelerar ao reconhecer a caligrafia de


Vinnie.

Mads, que estava ao meu lado, não perdeu a chance de comentar.

—Pelo visto, o encontro de ontem rendeu hein! -Ela disse, com um sorriso
travesso, enquanto uma das maquiadoras finalizava sua maquiagem.

Fiz uma careta em sua direção, tentando esconder o sorriso inevitável.


Voltei minha atenção para as flores, mas era impossível conter o calor
subindo até minhas bochechas.

—Ai, amiga, vocês são tão lindos juntos... -Avani comentou, apoiando o
rosto na mão, com uma expressão sonhadora.

Assim que a equipe terminou de nos arrumar, elas saíram da sala, deixando
apenas eu e as meninas.

Mads, como sempre, não perdeu tempo. Pegou o celular e começou a


ajustar a câmera.

—Fica aí com o buquê! Isso merece uma foto.

Deixei escapar uma risadinha e me ajeitei na cadeira. O roupão branco, com


o nome "Yasmim" bordado em dourado, era elegante e perfeito para o
momento. Peguei o buquê com uma mão e fiz um biquinho exagerado,
fechando os olhos para a foto.

—Perfeita! -Mads comentou, analisando a imagem.- Essa vai direto pro


grupo.

—Nem pense nisso! -Falei, rindo, enquanto tentava pegar o celular dela.

[...]
O estúdio estava impecavelmente decorado, com luzes estratégicas
iluminando o cenário. Mary estava por perto, ajustando os últimos detalhes
das roupas em uma arara enquanto as câmeras eram preparadas. As meninas
e eu estávamos prontas para começar. O roupão branco que vestíamos foi
substituído por nossos primeiros looks, e a empolgação pairava no ar.

Mads, como sempre, já tinha dominado o ambiente. Ela conectou seu


celular à caixinha de som e colocou uma playlist cheia de músicas
animadas. Logo, o estúdio estava tomado por risadas, poses improvisadas e
muita diversão.

Minha primeira roupa era um vestido longo vermelho, com um corte lateral
que deixava um pouco da perna à mostra. Combinei com um salto dourado
delicado, e os acessórios minimalistas deixavam o visual elegante.

—Agora olha pra direita... Isso, perfeito! Agora cruza as pernas um


pouquinho, sim, assim mesmo! -O fotógrafo orientava, enquanto eu tentava
não rir das palhaçadas de Mads fazendo dancinhas ao fundo.

Troquei para um vestido curto bege, com mangas bufantes e detalhes em


renda. Entre fotos sérias e algumas rindo, eu variava, brincando um pouco
enquanto a câmera clicava, capturando momentos descontraídos. Era
impossível não me divertir com as músicas agitadas e o ambiente leve.

Mads entrou no estúdio ao meu lado, usando um conjunto de saia preta e


blusa branca com detalhes em transparência, combinando perfeitamente
com o vestido justo vinho que eu usava. Nós duas começamos a posar de
forma séria, mas foi só o fotógrafo pedir um sorriso que caímos na
gargalhada.

—Essa é boa! Só mais uma agora de costas. -Disse ele, clicando sem parar.

Depois foi a vez de Avani. Ela estava deslumbrante com um vestido midi
verde esmeralda e sapatos de salto nude. Enquanto eu usava uma saia longa
floral e uma blusinha branca com detalhes em renda, posamos juntas,
algumas fotos sérias mas outras rindo e fazendo algumas poses malucas.
—Agora, algo mais espontâneo! -pediu o fotógrafo. Nós duas nos olhamos
e começamos a rir, fingindo conversar enquanto a câmera capturava a
naturalidade do momento.

Finalmente, todas nós estávamos no cenário juntas. Mads escolheu um


vestido azul vibrante, Avani vestia um conjunto de saia e cropped branco
com brilhos sutis, e eu usava um vestido preto justo, com alças finas e um
detalhe de amarração nas costas.

—Agora algo bem descontraído! -sugeriu o fotógrafo.

Mads imediatamente começou a dançar e nos puxou para acompanhá-la. A


música alta nos deixou à vontade, e as risadas preencheram o estúdio.

Para o encerramento, Mary sugeriu looks casuais: shorts jeans, blusinhas


leves e tênis. Fizemos poses sentadas no chão.

Quando a sessão terminou, estávamos exaustas, mas a energia ainda era


contagiante. Mads aumentou o volume da música e improvisou passos de
dança, enquanto Avani e eu nos jogávamos no sofá do estúdio, rindo sem
parar.

—Essas fotos vão ficar incríveis! -disse Mary, olhando para os cliques na
tela da câmera.

—E eu mal posso esperar pra ver! -respondi, observando as meninas


enquanto um sorriso se formava em meu rosto.

—Meu Deus, já são quase quatro da tarde! O tempo passou voando! -Avani
disse surpresa ao olhar o horário em seu relógio

—E a gente nem almoçou ainda... isso é trabalho escravo hein, tia! Vou te
dedurar pra minha mãe! -Mads estava reclamando como sempre

—Para de reclamar, boba! Vocês estão dispensadas, podem ir, meu amores!
-Mary deu um beijinho em minha testa e saiu para resolver alguns assuntos
na loja
Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!
Capítulo 88
Pov — Vincent Hacker

A reunião naquela manhã foi um saco. Sentado à cabeceira da mesa, ouvi o


falatório dos caras enquanto eles discutiam detalhes da próxima missão.
Quando finalmente saí daquela sala, soltei um suspiro pesado. O foco hoje
não era essa merda de trabalho. Era ela. A Yasmim.

Não faço ideia de como vou consertar as coisas, mas não vou desistir. Eu já
perdi muito, mas não vou perder ela. Preciso mostrar que tô disposto a
qualquer coisa.

Eu parei numa floricultura no caminho, um lugar pequeno e com um cheiro


doce demais que quase me deu dor de cabeça. Assim que entrei, uma
atendente veio com um sorriso que, sinceramente, não tinha nada a ver com
o meu humor.

Olhei ao redor, me sentindo completamente fora de lugar. Flores. Todas


iguais pra mim. Porra, por que isso tinha que ser tão complicado?

—Preciso de flores.

A mulher inclinou a cabeça.

—Certo, mas que tipo? Rosas? Orquídeas? Ou prefere um mix?

—Um buquê de rosas vermelhas.. algo bonito.

Enquanto ela mexia nos arranjos, peguei o celular pra confirmar com o cara
das luzinhas se tudo tava certo. Última coisa que eu precisava era algo
dando errado. Quando ela me mostrou o buquê, achei que tava bom. Nada
extravagante, simples e direto, como a Yasmim gosta.

—Tá. Agora manda isso pra esse endereço aqui.


Ela perguntou se eu queria colocar um cartão. Um cartão? Fala sério.

—Não, só manda, tá bom assim.

Por dentro, me peguei imaginando o sorriso dela quando visse as flores.


Mas, claro, mantive a cara fechada.

Depois, fui pra uma loja de decoração. Outro lugar que eu nunca imaginaria
pisar. Passei direto pelas coisas coloridas e fui até as luzinhas. Precisava de
algo que combinasse com a vibe tranquila que imaginei.

—Ei, onde tão aquelas luzinhas que você pendura em árvore? Mas nada
muito cafona.

Quando achei o que queria, peguei algumas caixas. Vi umas lanternas legais
pra velas e joguei no carrinho também. Não era meu estilo, mas pra ela, eu
podia me esforçar.

No caixa, havia uma atendente morena tentando dar em cima de mim,


puxando assunto a qualquer custo:

—Preparando algo especial?

—É, ou algo assim. Agora foca em passar as coisas, beleza?

Eu não tava afim de papo. Tinha muita coisa pra organizar ainda.

A última parada foi numa confeitaria. Ela sempre gostou de doces, então
resolvi incluir algo especial no piquenique.

—Quero uns cupcakes. Mas nada exagerado, tipo aqueles de festa infantil,
sabe?

A mulher sugeriu uns com decoração de corações. Achei meio brega, mas
sabia que ela ia gostar.

—Tá, pode ser. Mas se um deles chegar amassado, eu volto aqui pra
reclamar. -falei seriamente
Com tudo no porta-malas, dirigi pro parque. O lugar era perfeito, tranquilo,
com algumas árvores grandes pra montar as luzinhas. Enquanto dirigia,
pensei em tudo que eu tinha feito naquele dia.

Eu, Vinnie Hacker, gastando meu tempo com flores, luzes e cupcakes. Era
ridículo, mas por ela? Porra, eu faria isso e mais.

—Se ela não gostar, vou parecer um idiota completo. -murmurei pra mim
mesmo

Mesmo assim, eu sabia que precisava tentar. Porque ela era a única pessoa
no mundo que fazia valer a pena.

Dirigi até o parque com o porta-malas cheio de tralhas. Eu não sou


exatamente o tipo de cara que faz essas coisas, mas pra Yasmim, tudo vale a
pena. Eu queria que ela visse o esforço. Que soubesse que eu ainda me
importo, que ainda sou o cara que faria qualquer coisa pra vê-la feliz.

Cheguei lá umas duas horas antes do horário combinado. O lugar estava


vazio, do jeito que eu esperava. Estacionei perto da entrada, mas sabia
exatamente onde queria montar tudo: um canto afastado, perto do lago. Era
ali que as pessoas não costumavam ir tanto. Muita gente preferia as áreas
mais abertas do parque, onde as famílias faziam piqueniques e as crianças
brincavam. Mas eu queria privacidade. Só nós dois.

Eu olhei pra pilha de sacolas no porta-malas e suspirei. Não era só lanterna,


luzinha e comida. Eu tinha uma porra de uma coleção inteira de bichinhos
de pelúcia que peguei na loja mais brega que encontrei. Eu nunca tinha
comprado tanta coisa fofa na vida.

Na loja, a mulher me olhou torto quando entrei. Normal. Não pareço


exatamente o tipo de cara que vai atrás de unicórnios cor-de-rosa.

—Tá, me dá esses aí. O unicórnio, o elefante... isso é uma vaquinha?


Coloca também.

A verdade é que eu estava até gostando de imaginar o sorriso da Yasmim


vendo aquilo tudo. Ela ia amar, mesmo que eu me sentisse um idiota
fazendo isso.

Então eu vi. A árvore que ficava bem de frente pro lago. Uma enorme, com
galhos que se estendiam como se quisessem abraçar o céu. E, do jeito que o
sol tava descendo no horizonte, eu sabia que o reflexo no lago ia ser foda.
Naquele momento, visualizei como tudo ia ficar. Ela ia gostar.

—Tá. É aqui. Perfeito.

Coloquei as coisas no chão e respirei fundo. Tava na hora de começar.

O cenário tava incrível. Com o sol descendo no horizonte, eu sabia que o


reflexo ia ficar perfeito. Coloquei o pano de piquenique primeiro –
vermelho xadrez com branco, o clássico. Depois, espalhei as luzinhas ao
redor, pendurando nos galhos mais baixos e deixando umas caindo pelo
chão.

Então veio a parte mais complicada: os bichinhos de pelúcia. Abri as


sacolas e comecei a empilhar eles ao lado do pano. Um unicórnio branco
com detalhes rosa, um elefante cor-de-rosa, um gato laranja com olhos
gigantes, uma vaquinha preta e branca... e sei lá mais o quê. Cada um
parecia mais exagerado que o outro.

—Porra, parece a seção infantil de uma loja.

Mas ela ia amar. Yasmim sempre gostou dessas coisas fofas. Então,
terminei de arrumar a pilha, deixando os bichinhos bem à vista, como se
estivessem "assistindo" ao piquenique

As luzinhas foram o maior trabalho. Subi na porra da árvore umas três


vezes pra pendurar nos galhos mais altos. Quase perdi o equilíbrio em um
momento, mas segurei firme. Não ia deixar nada estragar o plano.

—Karalho, Hacker, você parece um idiota pendurado numa árvore, mas isso
vai valer a pena.

Quando terminei, dei um passo pra trás e olhei. As luzinhas ficaram


perfeitas, caindo como uma cascata ao redor do espaço.
Peguei a cesta de piquenique no porta-malas e coloquei tudo no lugar. Tinha
os cupcakes que encomendei, frutas, suco e até uma garrafa de vinho. Não
que eu fosse beber muito – minha cabeça precisava estar no lugar. Mas
sabia que ela gostava.

O sol finalmente alcançou o horizonte, e o reflexo no lago era exatamente


como eu imaginei: lindo. As árvores ao redor criavam uma moldura natural,
e o céu começava a ganhar os primeiros pontos de estrelas. A noite ia ser
perfeita, com o brilho das luzinhas e as lanternas iluminando o espaço.

Pela primeira vez em muito tempo, me permiti sentir algo que parecia estar
faltando: esperança.

As lanternas com velas foram espalhadas ao redor do cobertor, criando um


círculo de luz suave. No centro, coloquei a cesta de piquenique com os
cupcakes, frutas e vinho. Peguei o buquê de flores – rosas misturadas com
flores coloridas que nem sei o nome – e ajeitei no meio do pano.

Quando terminei, o sol já estava baixo, deixando o céu laranja e dourado.


As luzinhas começaram a fazer efeito enquanto o ambiente escurecia. Olhei
pro lago, onde o reflexo do céu criava um espetáculo. Tudo parecia perfeito,
até mesmo a pilha de bichinhos.

Assim que terminei de arrumar tudo no parque e olhei o céu começando a


escurecer, peguei o celular. Não ia arriscar nada dar errado. Mandei
mensagem pra dois dos meus homens:

—Quero vocês no parque em 10 minutos. Discretos, mas de olho em


tudo. Qualquer movimento estranho, me avisem na hora.

Eles responderam rápido, como sempre. Sabia que podia contar com eles
pra garantir que ninguém estragasse a decoração ou aparecesse com alguma
ideia idiota perto de Yasmim. Era tudo ou nada.

[...]

Cheguei em casa e fui direto pro banheiro. O calor do dia tinha me deixado
exausto, e eu precisava relaxar um pouco antes de buscar a Yasmim. Liguei
o chuveiro na água morna e me encarei no espelho por alguns segundos
antes de entrar.

Entrei no banho, deixando a água cair pelas costas e tentando não pensar
tanto. Passei shampoo, o cheiro amadeirado que sempre uso. Enquanto
esfregava o sabonete no peito, senti meus ombros relaxarem um pouco.
Deixei a água levar todo o cansaço e, quem sabe, o nervosismo também.

Saí do banho e me enrolei na toalha, indo direto pro closet. Tinha duas
opções separadas: a primeira era meu estilo padrão, todo preto, com calça e
camisa justas. A segunda era mais leve: uma camisa branca de algodão e
um short preto.

Vesti um roupão branco, peguei as duas opções e desci as escadas. Joana


estava na cozinha, como sempre, limpando alguma coisa e organizando os
armários.

—Joana, qual você acha melhor pra um encontro com a Yasmim? -Falei,
mostrando as roupas.

Ela parou, colocou o pano de prato no ombro e cruzou os braços, me


encarando com aquele olhar que só ela tinha.

—Todo de preto pra um encontro todo fofo igual aquele? Sem chances.

—Por quê? Esse foi o que eu mais gostei!-Protestei, franzindo a testa.

Ela suspirou, impaciente.

—Vincent, imagina você, todo de preto no meio da decoração fofa, de


bichinhos de pelúcia coloridos. Não dá certo, né?

Droga. Fazia sentido.

—Tá, você venceu. Valeu.

Subi pro quarto, ainda contrariado, e vesti a camisa branca com o short
preto. Olhei no espelho e... ok, admito. Ficou bom. Não tão intimidador,
mas bom.
Antes de sair, passei perfume. Um amadeirado suave, do tipo que Yasmim
sempre elogiava quando chegava perto. Peguei meu relógio de prata, que
sempre usava em ocasiões importantes, e coloquei no pulso. Olhei mais
uma vez no espelho.

[...]

Dirigi até o shopping com a música baixa no carro e a mente cheia de


pensamentos. Estacionei perto da entrada e mandei mensagem pra ela:

"Tô aqui fora. Desce quando puder."

Poucos minutos depois, lá estava ela. Saindo pela porta de vidro, a luz do
shopping iluminando o rosto dela. Yasmim vestia uma saia branca que
parecia combinar perfeitamente com o cropped laranja estilo tricô. O tecido
realçava o tom da pele dela e fazia seu cabelo solto parecer ainda mais
bonito.

Saí do carro e fui até ela, encostando na porta do passageiro com um meio
sorriso.

—E aí, minha gatinha? Pronta pra ir?

Ela deu um sorriso tímido e assentiu.

—Pronta.

Abri a porta pra ela, e Yasmim entrou, ajeitando a saia no banco. Quando
voltei pro volante, dei uma última olhada nela antes de ligar o carro.

O caminho foi tranquilo, com conversas casuais sobre o dia dela com as
amigas e alguns momentos de silêncio confortável. Assim que estacionei
perto do parque, desci rapidamente e fui até o lado dela, abrindo a porta.

—Vem, vou te mostrar uma coisa.

Ela saiu do carro, olhando ao redor, mas ainda sem entender muito bem
onde estávamos. Peguei sua mão — um gesto que fiz sem nem pensar — e
guiei-a até o lugar que tinha preparado. Passamos por algumas árvores, e
quando chegamos à clareira em frente ao lago, parei, observando sua
reação.

O local estava perfeito. O pano de piquenique xadrez vermelho e branco no


chão, as luzinhas penduradas nas árvores, as velas espalhadas criando um
brilho aconchegante, e, claro, a pilha de bichinhos de pelúcia coloridos ao
lado da cesta de piquenique. O sol estava se pondo, e o reflexo no lago fazia
o lugar parecer uma pintura.

Yasmim arregalou os olhos, levando uma das mãos à boca.

—Vinnie, isso é... lindo.

Ela deu alguns passos à frente, observando cada detalhe, e por um momento
parecia completamente encantada. Ela se abaixou pra tocar os bichinhos de
pelúcia, soltando uma risadinha ao ver o elefante rosa.

Mas então algo mudou. O sorriso no rosto dela diminuiu, e sua expressão
ficou mais distante. Ela olhou ao redor novamente, mas não sentou nem se
aproximou da cesta.

Eu observei em silêncio, encostado em uma das árvores, enquanto ela


continuava andando devagar pelo local. Algo estava errado. Quando percebi
que ela nem tinha tocado o presente que estava ao lado da cesta, me
aproximei.

—Tá tudo bem, Yas?

Ela olhou pra mim, hesitando, e deu um sorriso forçado.

—Tá... tá sim.

Eu sabia que não estava. Yasmim era péssima em esconder o que sentia.
Cruzei os braços, tentando entender o que estava passando pela cabeça
dela.

—Sei que tem algo. Você não abriu o presente. Nem sentou ainda.

Ela abaixou os olhos, parecendo culpada.


—Vinnie, isso tudo... é muito bonito, de verdade. Mas...

Parei, esperando que ela continuasse. Yasmim suspirou, passando a mão no


cabelo.

—É que parece... rápido demais, sabe? A gente tá sempre junto, mas isso
aqui é diferente. É como se você estivesse querendo voltar a todo custo, e
eu... não sei se tô pronta.

As palavras dela bateram como um soco. Não era raiva ou rejeição; era algo
mais profundo. Ela tava machucada, e eu sabia que tinha sido culpa minha.

—Yas... -Falei, soltando um suspiro pesado. Me sentei no pano, olhando pra


ela.- Eu não tô tentando te forçar a nada. Juro. Só... queria te mostrar que
ainda me importo. Que quero fazer as coisas direito.

Ela ficou em silêncio, olhando pra mim, como se estivesse tentando decidir
se acreditava ou não.

Tentei mudar de assunto, me sentando no pano xadrez, observando o sol


mergulhando no horizonte. O reflexo no lago estava espetacular, como se o
universo inteiro estivesse tentando criar a atmosfera perfeita. Olhei para
Yasmim, esperando que ela relaxasse e aproveitasse o momento, mas em
vez disso, ela parecia... inquieta.

—Vem, Yas. Senta aqui comigo. O pôr do sol vai ficar incrível.

Ela hesitou, olhando para o horizonte e depois para mim.

—Eu... acho que não posso ficar muito tempo, Vinnie.

Franzi o cenho.

—Como assim? Tá com algum compromisso? Não falou nada sobre isso
antes.

Ela deu um passo para trás, cruzando os braços, como se tentasse criar uma
barreira invisível entre nós.
—Não é isso... eu só lembrei que tenho que ajudar a Mads com umas
coisas.

A mentira era óbvia. Yasmim nunca soube mentir direito, e aquilo me


incomodava mais do que deveria. Levantei-me devagar, mantendo os olhos
nela.

—Você tá inventando desculpa, Yas. Dá pra ver. O que foi? Não gostou da
decoração? Achei que ia amar.

Ela balançou a cabeça, seus olhos começando a brilhar com lágrimas


contidas.

—Não é isso, Vinnie. Tudo aqui tá... lindo. Você fez tudo perfeito, e eu
agradeço por isso. De verdade.

—Então qual é o problema? -Cortei, minha voz saindo um pouco mais


firme do que eu queria.

Ela mordeu o lábio inferior, e quando finalmente me encarou, era como se


toda a barreira que ela tentou construir desabasse de uma vez.
—O problema é que você tá indo rápido demais. Eu não tô pronta pra isso,
Vinnie. Eu não tô preparada pra... voltar a ser 'nós'.

Aquilo me atingiu como uma faca. Dei um passo em sua direção, mas ela se
afastou.

—Yas... -minha voz saiu quase num sussurro, o desespero começando a se


infiltrar.- Eu tô tentando, tá? Tô tentando mostrar que mudei, que eu me
importo com você. Que quero te fazer feliz de novo!!

Ela passou as mãos pelo rosto, limpando uma lágrima que escapou.

—Não é tão simples assim, Vinnie. Eu vivi coisas horríveis no final do


nosso relacionamento. Coisas que eu... que eu nunca vou esquecer.

Fiquei sem palavras por um momento, meu coração batendo forte. Eu sabia
que tinha errado, sabia que a tinha magoado, mas ouvi-la dizer aquilo, tão
claramente, me deixou sem chão.
—Eu não guardo rancor. -ela continuou, sua voz embargada- mas eu não
consigo esquecer. E agora, depois de tudo o que aconteceu... esses últimos
dias com você, toda a confusão... eu só... não posso.

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto antes que eu pudesse impedi-la. Senti
como se o ar tivesse sido arrancado dos meus pulmões. Era isso? Depois de
tudo o que fiz, de tudo o que tentei... eu realmente a tinha perdido?

—Por favor, não faz isso. -falei, minha voz quase falhando.- Só fica mais
um pouco. A gente pode assistir o pôr do sol e conversar. Só isso. Eu não tô
pedindo pra gente voltar agora, só... não vai embora.

Fiquei ali, parado, enquanto ela hesitava. O silêncio entre nós era quase
ensurdecedor, e então Yasmim falou, sua voz frágil, mas firme:

—Vinnie... eu não sou mais sua.

O chão pareceu se abrir sob meus pés. Olhei para ela, incapaz de esconder a
dor em meu rosto. Dei um passo à frente, minha voz saindo em um sussurro
rouco:

—Não diz isso pra mim, Yas. Por favor, não fala isso...

Seus olhos se encheram de lágrimas, e ela desviou o olhar. Eu sabia que ela
estava lutando contra seus próprios sentimentos, mas ouvir aquelas palavras
foi como levar um soco direto no peito.

Yasmim balançou a cabeça, sua própria respiração irregular.

—Me desculpa... -disse ela, quase num sussurro. Sua voz estava
embriagada pelo choro, e, sem me encarar de novo, virou-se e começou a
caminhar para longe.

Fiquei ali, paralisado, observando enquanto ela se afastava, cada passo dela
levando uma parte de mim junto. A pilha de bichinhos, as luzinhas, o pôr do
sol perfeito... tudo isso parecia insignificante agora.

Naquele momento, senti algo quebrar dentro de mim. Eu tinha perdido o


amor da minha vida, e a pior parte era saber que a culpa era toda minha.
Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!
Capítulo 89
Pov — Yasmim Alles

Algumas horas atrás

O shopping estava cheio, mas isso só deixava o ambiente mais animado.


Eu, Mads e Avani caminhávamos pelo corredor em direção à praça de
alimentação, conversando sobre o ensaio de fotos que fizemos mais cedo.

—Eu ainda não superei aquele vestido azul! -Mads comentou, sorrindo
enquanto ajeitava o cabelo.- Juro, Mary se superou com essa coleção. Foi o
meu favorito, sem dúvida.

—Favorito até você ver o preço! -Avani respondeu, rindo, enquanto


segurava sua bolsa com a mão livre.- Mas, sério, aquele vestido era
maravilhoso. Apesar de que, pra mim, o blazer oversized ganhou. Achei tão
elegante!

Eu ri enquanto passava os dedos pela alça da minha bolsa, tentando


acompanhar a conversa.

—O blazer era lindo mesmo, mas, pra mim, o macacão branco com as
costas abertas foi o destaque. Acho que foi o que mais combinou comigo.

—Combinou mesmo! Você ficou incrível com ele!! -Mads concordou, me


lançando um sorriso cúmplice.- Mary devia usar você como garota-
propaganda. Aposto que ia vender tudo em um dia.

—Vocês estão exagerando. -murmurei, sentindo o rosto esquentar com o


elogio.

—Exagerando nada! -Avani retrucou, me lançando um olhar firme.- Se eu


tivesse seu corpo, eu comprava aquele macacão na hora. E não é só o
macacão... Tudo ficou perfeito em você, Yas. A Mary escolheu a modelo
certa.
Eu sorri, mas preferi mudar de assunto antes que elas continuassem.
Estávamos todas exaustas do ensaio, mas a energia delas era contagiante.

—Vamos comer logo? Já são quase quatro da tarde, e ainda não almoçamos.
Estou faminta.

—Por mim, tanto faz, desde que tenha sobremesa. -Avani respondeu,
rindo.- O que acham daquele restaurante novo ali no canto? Parece chique.

Seguimos para o restaurante, que tinha um ar mais sofisticado, com mesas


de madeira polida e luminárias penduradas que criavam um ambiente
aconchegante. Sentamos perto da janela, com vista para o movimento lá
fora.

Enquanto esperávamos o cardápio, a conversa voltou para as roupas.

—Ok, mas e aquele conjunto de alfaiataria que a Mary fez? Eu nem sou fã
de alfaiataria, mas aquilo era perfeito. -disse Mads, gesticulando como se
ainda estivesse desfilando na passarela improvisada do estúdio.

—Concordo! -Avani comentou, bebendo um gole de água.- Mas pra mim, o


vestido preto de ombro só foi o ápice. Tão simples, mas tão sofisticado.
Yasmin, você devia ter experimentado aquele também.

—Ah, claro. Porque vocês acham que eu sou rica agora, né? -retruquei,
rindo.- Vocês estão falando como se a Mary fosse me dar um desses de
presente.

—Talvez ela dê. -Mads sugeriu, piscando para mim.- Afinal, você arrasou
no ensaio, e ela parecia muito satisfeita.

Eu ri, mas antes que pudesse responder, o garçom chegou com os cardápios.
O cheirinho da comida no ar só fez meu estômago roncar mais alto.

[...]

Pagamos a conta e saímos do restaurante, ainda conversando sobre os looks


do ensaio. Assim que passamos pela praça de alimentação, Mads apontou
para a vitrine iluminada da Sephora.
—Ei, e se a gente der uma passada ali? -sugeriu, com um brilho no olhar.-
Quero ver aquela nova coleção de gloss.

—Claro, por mim tudo bem. E você, Yas? -Avani perguntou, ajeitando a
bolsa no ombro.

—Vamos, mas só olhar, hein? Não quero vocês me convencendo a gastar


todo o meu dinheiro.

Rimos juntas e seguimos para a loja. Mas, antes de entrarmos, ouvi alguém
me chamar.

—Yasmin!!

Virei na direção da voz e vi Dylan vindo na minha direção, o rosto


carregado de tensão.

—Dylan? -perguntei, surpresa, enquanto ele se aproximava rapidamente.

—Eu preciso falar com você. Agora.

O tom sério dele me fez gelar.

—Tá tudo bem, Yas? -Avani perguntou, franzindo a testa.

—Tá sim, podem ir na frente. Eu já encontro vocês.

Avani e Mads hesitaram por um momento, mas logo desapareceram entre as


prateleiras de maquiagem, deixando-me sozinha com Dylan. Ele segurou
meu pulso com força, quase me arrastando para fora do shopping, onde o
movimento era escasso e o silêncio, inquietante.

—Dylan, o que tá acontecendo? -perguntei, tentando soltar meu braço.

Ele finalmente me largou, mas começou a andar de um lado para o outro,


como se buscasse as palavras certas.

—Olha, Yasmim, presta atenção.. -disse ele, parando de repente e me


encarando.- Você precisa tomar cuidado.
—Cuidado? Com o quê?

—Com o Hacker, porra!! -Ele passou as mãos pelos cabelos, claramente


irritado.- Ele é perigoso, tá legal? Meu pai tá tramando alguma coisa contra
você, e eu tenho quase certeza de que o Vinnie tá no meio disso.

—Espera aí... -dei um passo à frente, tentando absorver as palavras dele.


Mas algo estava errado. O cheiro forte que emanava dele me atingiu em
cheio.- Puta merda você tá fedendo a maconha!! Não me diga que você
voltou a usar isso?!

Dei um tapa irritado no ombro dele.

—Você deve estar alucinando por causa disso, falando essas coisas sem
sentido!

—PRESTA ATENÇÃO, PORRA!!! -Ele segurou meus ombros com força,


o olhar intenso me prendendo no lugar.- Eu tô te avisando! Você não pode
confiar no Hacker. Ele é perigoso, e eu não quero você perto dele.
Entendeu?

—Isso é loucura. -murmurei, tentando me soltar, mas ele apertava mais.

—Yasmin, escuta o que eu tô te dizendo!! —ele sussurrou, a voz grave e


cheia de urgência.- Ele tá tramando algo. E você pode se machucar feio
nessa história.

Dylan fungou forte, e olhou ao redor de maneira frenética. Seus olhos


estavam vermelhos e arregalados, os movimentos rápidos e
descoordenados.

—Você não tá entendendo, Yasmin -ele disse, andando de um lado para o


outro como um animal enjaulado.- Isso é sério. Meu pai tá envolvido com
gente perigosa, e o Hacker... eu acho que ele tá no meio disso. Meu pai tá
tramando algo com alguém poderoso da máfia de Vinnie, só pode ser ele,
porra! Eu vi coisas, entendeu? Coisas que você nem imagina.
—Dylan, para com isso. -falei, tentando manter a calma.- Você tá
exagerando. Vinnie nunca faria isso.

—Você é burra ou só tá se fazendo?! -ele explodiu, agarrando meus ombros


com força suficiente para me fazer recuar de dor.- Eu tô te dizendo, porra!
Ele é perigoso, e você tá agindo como se fosse um santo!

—Me solta, Dylan! -reclamei, tentando me afastar, mas ele não cedeu. Seus
dedos pressionavam minha pele com tanta força que eu tive que morder o
lábio para não gritar.

–Você não tá escutando! É sempre assim com você, né? Sempre achando
que tá tudo bem, que ninguém vai te ferrar! -Ele fungou de novo, a
respiração acelerada e o olhar perdido.- Você acha que eu tô inventando?
Acha que eu tô aqui, fedendo a porra de maconha, porque é divertido? Eu tô
tentando te salvar, Alles!

Eu respirei fundo, tentando não entrar em pânico.

—Dylan, por favor, me solta. Tá me machucando.

Ele pareceu hesitar por um momento, os olhos piscando rapidamente como


se percebesse o que estava fazendo. Mas, em vez de me soltar, ele me
puxou pelo pulso e me encarou com uma intensidade assustadora.

—Você tá sendo cega! - ele fungou novamente, os olhos arregalados, quase


enlouquecidos. - Se você não tomar cuidado, vai acabar morta, Yasmin.
Morta!

—Você tá fora de si, -rebati, tentando controlar o tremor na voz.- Eu não sei
no que você tá metido, mas isso não tem nada a ver comigo. E o Vinnie... o
Vinnie não é assim.

—ELE É EXATAMENTE ASSIM!! -Dylan gritou, sacudindo meu pulso


com mais força do que pretendia. A dor subiu pelo meu braço, e lágrimas
começaram a se formar nos meus olhos.

—Dylan, para! -implorei, tentando me soltar.- Você tá machucando, porra!


Ele me soltou de repente, como se minha pele estivesse queimando. Passou
as mãos pelo rosto e começou a andar de um lado para o outro de novo, o
olhar perdido.

—Você não entende -ele murmurou, mais para si mesmo do que para mim.-
Você nunca entende. Ele não é quem você pensa. Nenhum deles é. Eu só
quero... só quero te proteger.

—Dylan... -tentei me aproximar, mas ele levantou a mão para que eu


parasse.

—Se você não escutar, tudo bem. Faz o que quiser, -ele disse, com a voz
falhando.- Mas não diga que eu não avisei. Quando tudo der errado, quando
você acabar ferrada, não vem atrás de mim.

E antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ele se virou e saiu
apressado, desaparecendo entre as poucas pessoas que passavam por ali.

Fiquei parada no lugar, tentando recuperar o fôlego e processar tudo o que


havia acabado de acontecer. Meu pulso ainda doía, e a sensação de suas
mãos nos meus ombros parecia queimar.

Respirei fundo, tentando acalmar meu coração, mas a dor no pulso e a


tensão nos ombros me lembravam da força que Dylan havia usado. Olhei
para o chão por um momento, deixando o peso da conversa se dissipar, mas
então senti uma lágrima escorrer silenciosa pelo meu rosto. Limpei
rapidamente com o dorso da mão, respirando fundo.

—Dylan tá fora de si... deve estar maluco. -murmurei para mim mesma,
tentando me convencer enquanto olhava na direção em que ele havia
desaparecido.- Vinnie nunca faria isso. Não é possível.

Mesmo assim, o que ele disse não saía da minha cabeça. "Ele é perigoso...
ele tá tramando algo." As palavras ecoavam repetidamente, como um disco
riscado. Sacudi a cabeça, tentando afastar os pensamentos, e me virei para
voltar à loja.
Minhas pernas pareciam pesadas, e o silêncio repentino do corredor vazio
me fez lembrar de algo que preferia esquecer. Aquela noite.

A memória veio como um choque. O rosto de Vinnie, vermelho de raiva,


gritando comigo por algo que agora parecia tão insignificante. Lembrei de
suas mãos agarrando minha cabeça e a empurrando com força contra a
parede. A sensação do metal gelado da maçaneta na minha mão enquanto
eu tentava abrir a porta do banheiro, apenas para perceber que ele havia
trancado do lado de fora.

Engoli em seco, apertando minha bolsa contra o corpo como se isso pudesse
me proteger da onda de emoções que me invadia. Será que Dylan estava
mesmo maluco... ou será que ele tinha razão?

—Não... não pode ser. -sussurrei para mim mesma, tentando afastar o nó
que se formava na garganta. Vinnie mudou. Ele me protege agora. Não é
mais aquele cara.

Mas o gatilho já tinha sido puxado, e minha mente não conseguia parar. A
dor no pulso de agora se misturava com as lembranças de outras vezes em
que ele apertou forte demais. As desculpas. Os silêncios. As noites em que
eu dormi chorando porque não conseguia entender como alguém podia ser
tão doce em um momento e tão cruel no outro.

Parei em frente à vitrine da Sephora, vendo Mads e Avani rindo e


experimentando batons. Elas pareciam tão alheias, tão despreocupadas. Mas
ali estava eu, no meio do shopping, com a mente presa em um redemoinho
de dúvidas.

E se Dylan estivesse certo?

Mordi o lábio, lutando contra o peso do pensamento. Não podia ser. Não
devia ser.

Respirei fundo, endireitei os ombros e entrei na loja, forçando um sorriso


para esconder o caos na minha cabeça.

—Tá tudo bem, Yasmim.. -sussurrei para mim mesma.- Tem que estar.
Forcei meus pés a se moverem, me aproximando da loja onde Mads e Avani
estavam. Mas as palavras de Dylan continuavam ecoando, e as lembranças
de Vinnie se misturavam com os avisos que ele havia dado.

Quando entrei na Sephora, a música ambiente e as luzes suaves fizeram


minha tensão diminuir, mesmo que só um pouco. Mads estava testando um
batom, segurando um espelho de mão, enquanto Avani cheirava um frasco
de perfume.

—Yasmin! -Mads exclamou ao me ver, dando um passo em minha direção.-


Você demorou, hein? Tá tudo bem?

—Tô sim, -menti, forçando um sorriso que nem eu acreditava.- Dylan só


tava... falando umas coisas sem sentido.

Avani arqueou a sobrancelha, claramente desconfiada, mas não pressionou.

—Bom, pelo menos você voltou. Olha esse batom! Você acha que combina
comigo?

Agradeci silenciosamente pela mudança de assunto e me aproximei para


analisar o tom.

—Combina, sim. Realça a sua pele.

—Eu sabia! -ela respondeu, sorrindo satisfeita.

Tentei me envolver na conversa delas, mas minha mente continuava


vagando.

"Se você não tomar cuidado, vai acabar morta, Yasmim."

A frase era como um trovão na minha cabeça.

E, por mais que eu quisesse acreditar que Dylan estava apenas paranoico,
havia algo na urgência dele, na forma como falou, que me deixava inquieta.

Talvez fosse hora de encarar os fatos.


Talvez eu não conhecesse Vinnie tão bem quanto eu achava...

Sinto meu celular vibrar em minha bolsa. Quando o pego, vejo uma
mensagem de Vinnie:

"Tô aqui fora. Desce quando puder."

Meu coração deu um salto imediato. Eu queria ir, queria tentar fazer dar
certo com ele. Mas e se Dylan estivesse certo? E se, no fim das contas, ele
só trouxesse mais problemas do que soluções?

Dei um suspiro pesado, tentando organizar meus pensamentos. Eu precisava


decidir o que fazer.

—Tá tudo bem? -Mads perguntou, percebendo minha distração enquanto


terminávamos de pagar as compras.

Assenti, mas sem muita convicção.

—Sim... Só preciso resolver uma coisa.

Ela me lançou um olhar curioso, mas não insistiu. Pegamos as sacolas e


seguimos em direção ao estacionamento.

Quando saímos do shopping, avistei o carro de Vinnie estacionado no meio-


fio. Ele estava ali, encostado na porta do motorista, braços cruzados,
observando a movimentação ao redor. Mesmo de longe, sua postura
confiante me fez hesitar por um segundo.

—Você vai ficar bem? -Mads perguntou, parando ao meu lado.

Dei um leve sorriso para tranquilizá-la, mesmo que por dentro meu coração
ainda estivesse dividido.

—Vou, sim. Me avisa quando chegar em casa.

Ela assentiu, me deu um abraço rápido e foi em direção ao próprio carro.


Respirei fundo, tentando afastar as dúvidas, e me aproximei de Vinnie. Eu
ainda estava com um pé atrás, mas, por algum motivo, não conseguia
simplesmente virar as costas e ir embora.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 90
Pov — Dylan Riger

Assim que entrei no meu quarto, bati a porta e tranquei. Era quase um
reflexo — naquela casa, era sempre bom ter certeza de que ninguém ia
entrar sem aviso. Joguei meu corpo na cadeira em frente ao computador e
passei as mãos pelo rosto. Minhas pernas balançavam sem parar, inquietas,
como se meu corpo inteiro estivesse implorando por algum tipo de válvula
de escape.

Abri a gaveta da mesa e tirei um saquinho. Dentro, o pó branco parecia


quase me encarar. Porra, era disso que eu precisava. Peguei um cartão de
crédito qualquer que estava jogado ali e raspei um pouco no tampo da mesa.
Fiz as carreiras rápido, sem me importar em ser preciso, e inclinei a cabeça.

—Vai, karalho -murmurei pra mim mesmo, antes de cheirar a primeira.

A queimação subiu direto pro meu cérebro, como uma explosão. Meu
coração acelerou na hora, e eu senti meu corpo inteiro começar a vibrar. Era
como se todas as minhas células estivessem gritando ao mesmo tempo. A
segunda carreira veio logo em seguida, e com ela, uma energia quase
incontrolável.

Levantei da cadeira, andando de um lado pro outro. Meu peito parecia que
ia explodir. A mistura da droga com o baseado que eu tinha fumado antes
deixou meu corpo em alerta máximo. Meus pensamentos estavam uma
bagunça, e qualquer mínima coisa me deixava puto.

—Karalho, não dá pra viver nessa porra de casa... -grunhi, chutando a


lateral da cama.

Depois de uns minutos, voltei pra cadeira, peguei o baseado e o acendi. A


fumaça desceu rasgando, mas não fez nada pra me acalmar. Era só mais
combustível pra agitação que já estava me consumindo.
Com o baseado entre os dedos, fui até a outra mesa, onde estavam as folhas
das minhas "investigações". Peguei o primeiro monte de papéis e comecei a
revirar tudo de novo.

—Que merda.. Nada aqui faz sentido! -gritei, jogando uma pilha de
papéis pro chão.- Porra, Oliver, onde você tá escondendo essa merda?

Minhas mãos tremiam de tanta raiva e energia acumulada. Peguei outra


folha, li duas linhas e joguei de lado.

—Nada, absolutamente nada, karalho!! -bati na mesa, fazendo um barulho


que ecoou no quarto.

Eu sabia que, no fundo, estava perdendo o controle. Mas, sinceramente,


foda-se. Eu só queria uma pista. Um único pedaço de informação que
justificasse tudo o que eu estava passando, todo o inferno que era viver
naquela casa.

— Filho da puta... — murmurei, amassando um pedaço de papel na mão e


jogando no chão.

Minha respiração estava ofegante, meu coração disparado. Sentei de novo


na cadeira, passei as mãos pelo rosto e tentei, por um segundo, me acalmar.

— Eu preciso sair dessa merda de lugar, caralho... — sussurrei pra mim


mesmo, encarando o teto, com o baseado quase apagando entre meus dedos.

Eu nunca pensei que teria que voltar para esse inferno, mas aqui estou. Já
faz três dias que voltei pra casa do meu pai e da minha madrasta, Loren. Os
caras com quem eu dividia a casa começaram a encher o saco, e as brigas
ficaram insuportáveis. A porra toda explodiu quando um deles mexeu nas
minhas coisas, e eu mandei todo mundo se foder. Saí de lá sem olhar pra
trás. Só que, pra piorar, o único lugar que me restava era aqui.

Deitei na cama do quarto que costumava ser meu, mas não consegui ficar
parado por muito tempo. Tudo aqui me sufoca. O cheiro, as paredes, a porra
do silêncio. Levantei, fui até a mesa e peguei o baseado que tinha deixado
ali mais cedo. Acendi, tragando fundo, sentindo a fumaça queimar os
pulmões.

—Porra, isso aqui tá acabando comigo... -murmurei, soltando a fumaça.

Olhando pra mesa cheia de papéis, tentei focar em alguma coisa útil. As
folhas estavam cheias de anotações, documentos e pistas que eu tinha
conseguido sobre Oliver. Meu pai. O filho da puta que é o motivo de
metade dos problemas da minha vida. Comecei a revirar tudo, folheando
rápido, procurando qualquer coisa que fizesse sentido.

Mas nada. Absolutamente nada.

—Que merda!! -gritei, jogando um monte de papéis no chão.

Minha respiração estava pesada, e minha paciência já tinha ido pro caralho.
Senti o sangue ferver, a frustração queimando como uma chama. Chutei a
cadeira pra longe e saí do quarto, batendo a porta atrás de mim.

Estava no corredor com passos rápidos, mas, quando estava prestes a passar
pelo escritório do meu pai, a porta se abriu de repente. Oliver saiu com
pressa, segurando o notebook como se fosse um troféu. Antes que eu
pudesse desviar, ele esbarrou em mim com força, me empurrando contra a
parede.

—Olha por onde anda, moleque!!! -ele rosnou, me dando um empurrão


seco.

Senti a dor nas costas pelo empurrão contra a parede, mas não disse nada.
Meu instinto era xingar, gritar na cara dele, mas quando se trata do meu pai,
eu não consigo. Ele é diferente. Assustador de um jeito que ninguém mais
consegue ser.

—Me desculpa, pai... -murmurei, olhando pro lado, evitando os olhos


dele.

Oliver bufou, murmurou algo incompreensível e desceu as escadas às


pressas. Segundos depois, ouvi o motor do carro rugir e desaparecer.
Quando o silêncio voltou, minha respiração ainda estava pesada. O medo e
a raiva se misturavam, me deixando enjoado. Olhei para a porta do
escritório dele, que tinha ficado entreaberta. Meu coração começou a bater
mais rápido.

Foda-se.

Empurrei a porta devagar e entrei. O escritório tinha aquele cheiro de couro


e madeira velha, tudo organizado demais, como sempre. Comecei a mexer
nas gavetas, revirando papéis e pastas, mas com cuidado pra não deixar
nada fora do lugar.

Meu olhar vasculhava cada pedaço de informação, cada documento.


Qualquer coisa que pudesse me dar uma pista sobre o que ele estava
tramando. Oliver nunca fazia nada sem motivo, e eu sabia que ele estava
envolvido em algo grande.

—Vamos lá, karalho... Cadê essa merda? -murmurei, enquanto vasculhava


mais uma gaveta.

Mas, como sempre, não encontrei nada concreto. Tudo era só mais uma
camada de mentiras e disfarces. Suspirei, fechando a última gaveta com
cuidado.

Enquanto continuava mexendo nas gavetas do escritório de meu pai,


percebi que havia uma que parecia mais pesada que as outras, mas estava
vazia. Tinha tirado todos os papéis de lá e revirado cada um, mas não achei
nada que pudesse me ajudar. Nenhuma pista concreta sobre os planos dele.
Bufei de raiva e comecei a recolocar tudo na gaveta, organizando como
estava antes.

Foi aí que notei algo estranho. Passei os dedos pelo fundo da gaveta e
percebi que tinha um pequeno vão, como se houvesse mais alguma coisa
ali.

—Ah, seu filho da puta... Escondeu bem, hein? -murmurei, tirando meu
canivete do bolso.
Com cuidado, encaixei a lâmina no espaço entre a parede da gaveta e o
fundo falso. Forcei devagar, até sentir que ele cedia. Um estalo baixo ecoou,
e o fundo se levantou.

Debaixo dele, havia uma pasta preta.

Peguei a pasta, meu coração batendo mais rápido. Guardei os papéis de


volta na gaveta e certifiquei-me de que estava tudo exatamente como antes.
Depois saí do escritório, fechando a porta com o maior cuidado, e voltei
para o meu quarto.

Assim que entrei, tranquei a porta atrás de mim e sentei na cama com a
pasta em mãos. Havia algo importante ali, eu podia sentir.

Ao abrir a pasta, a primeira coisa que vi me deixou sem ar: várias fotos da
Yasmim.

Ela estava em lugares comuns, como se alguém a estivesse espionando há


muito tempo. As fotos pareciam recentes, algumas capturadas de longe,
outras em ângulos quase profissionais. Passei para as próximas imagens e
senti um nó no estômago. Lá estava a fachada do apartamento onde ela está
morando atualmente, e uma outra foto da antiga mansão dela, a mesma que
Vinnie a proibiu de morar por saber que era perigosa.

Entre as fotos, encontrei uma lista detalhada com a rotina da Yasmim. Tinha
os horários em que ela saía de casa, os lugares que costumava frequentar, e
até os dias em que ia ao shopping ou encontrava amigos. Era assustador.

No meio disso, algo ainda mais perturbador: várias fotos dela com o Vinnie.

—Mas que merda é essa? -murmurei, folheando as folhas rapidamente.

No meio das páginas, o nome dele aparecia várias vezes, junto com
informações que eu não conseguia entender completamente. Textos que
pareciam anotações codificadas, mas que claramente envolviam tanto
Yasmim quanto Vinnie.
Continuei folheando e encontrei outra coisa: um nome desconhecido
aparecendo em documentos e assinaturas. Não tinha ideia de quem era esse
tal de "Jonathan Drake", mas era alguém poderoso, com influência clara
dentro da máfia do Vinnie.

—Só pode ser o Hacker... -sussurrei, sentindo o estômago revirar.

Fechei a pasta e joguei na cama, passando as mãos pelo cabelo. Minha


cabeça estava a mil. Por que Oliver teria aquilo? Por que ele estava
espionando Yasmim? E, mais importante, o que Hacker e esse tal Jonathan
tinham a ver com tudo isso?

Eu sabia que estava pisando em território perigoso, mas precisava entender.


Alguma coisa estava muito errada, e eu não ia parar até descobrir o que era.

Enquanto olhava para a pasta preta que havia encontrado, outra coisa
começou a passar pela minha cabeça. Era como se um pedaço de um
quebra-cabeça começasse a se formar, só que ainda faltavam muitas peças.

Eu me lembrei de algo que aconteceu mais cedo naquele mesmo dia, antes
de tudo.

Jacob.

Ele esteve aqui hoje de manhã. Chegou todo cheio de sorrisos, como se
estivesse visitando velhos amigos, mas só de olhar para ele eu já sabia que
não era coisa boa. Jacob nunca aparecia sem um motivo, e definitivamente
não vinha trazer boas notícias.

Do meu quarto, ouvi as vozes abafadas dele e do meu pai no escritório. Eles
estavam rindo.

Não consegui evitar espiar. Abri a porta do meu quarto só um pouco e vi os


dois através da fresta do corredor. Oliver estava sentado em sua cadeira de
couro, reclinado, enquanto Jacob estava de pé, gesticulando e dizendo algo
que claramente estava divertindo meu pai. Era raro ver Oliver rir assim,
mas aquilo só me deixou ainda mais desconfiado.
Então eu vi.

Jacob entregou algo para ele. Era alguma coisa preta, mas não consegui ver
direito. Oliver pegou, abriu rapidamente, olhou o conteúdo e depois fechou
de novo, com um sorriso satisfeito no rosto.

Depois disso, os dois ficaram trancados no escritório por horas. Não


consegui ouvir mais nada. Nem vozes, nem risadas, só o silêncio abafado
das paredes grossas daquele maldito lugar.

Agora, olhando para as fotos de Yasmim e Vinnie na pasta, algo me


incomodava.

—Porra, será que o Vinnie tá metido nisso também? -murmurei para mim
mesmo, passando a mão pelo rosto.

Minha cabeça latejava, confusa. Tudo parecia desconexo. Vinnie era louco
pela Yasmim, isso era óbvio. Mas e se ele estivesse tramando algo pelas
costas dela? E se ele tivesse se aliado ao meu pai por algum motivo?

—Não... isso não faz sentido... faz? -balancei a cabeça, tentando organizar
os pensamentos, mas a mistura de cocaína e maconha estava me ferrando.
Meu cérebro parecia uma tempestade, cada ideia conflitava com a outra.

Mas não consegui tirar a imagem da minha cabeça: Jacob entregando


aquele estojo preto para Oliver, o nome de Vinnie aparecendo nas páginas
da pasta, e a sensação de que algo grande estava prestes a acontecer.

Fechei a pasta com força, sentindo o coração bater tão rápido que parecia
explodir. As fotos, os nomes, as pistas espalhadas na minha cabeça... Tudo
me dizia que a Yasmim estava correndo perigo.

Me levantei de um salto, pegando meu casaco jogado na cadeira e as chaves


do meu carro na escrivaninha. Porra, eu tinha que avisar ela. Agora. Não
dava tempo de ficar pensando.

Saí do quarto batendo a porta atrás de mim. Desci as escadas quase


correndo, sem me importar com o barulho que fazia. Loren estava na sala,
sentada no sofá com um copo de vinho na mão. Ela me olhou de relance,
mas não disse nada. Eu também não falei. Só atravessei a sala e abri a porta,
sentindo o ar gelado da noite me atingir como uma pancada.

Caminhei rápido até o meu carro, destranquei e entrei, ligando o motor


quase no mesmo instante. O ronco do motor me trouxe um segundo de
calma, mas logo a adrenalina voltou a tomar conta.

Enquanto dirigia pelas ruas iluminadas, minha mente girava. Será que
Vinnie estava mesmo tramando algo? Ou era só coisa da minha cabeça, por
causa das drogas? Não importava. Eu precisava contar tudo o que vi para
Yasmim.

—Aguenta aí, Yas... -murmurei para mim mesmo, acelerando o carro.

O shopping não ficava longe, mas cada semáforo vermelho parecia uma
eternidade. Eu sentia o suor escorrer pela testa, mesmo com o ar gelado
entrando pela janela entreaberta.

Cheguei ao estacionamento, procurei uma vaga rapidamente e saí do carro.


O coração batia tão forte que parecia que eu tinha corrido todo o caminho.
Agora só faltava encontrar a Yasmim antes que fosse tarde demais.

Pov—Yasmim Alles

—Me desculpa... -A voz saiu fraca, quase um sussurro. Olhei para Vinnie
por mais um segundo, o coração apertado no peito. Seus olhos me
encararam, cheios de confusão e talvez dor, mas eu não podia ficar. Virei de
costas e comecei a andar, o peso da culpa aumentando a cada passo que me
afastava dele.

A verdade era que eu queria ficar. Eu queria me jogar nos braços dele,
esquecer as dúvidas e os medos, mas as palavras de Dylan ecoavam na
minha cabeça. "Fica alerta com o Vinnie." E se ele soubesse de algo que eu
não sabia? E se eu estivesse ignorando um perigo real?

A trilha que levava à saída do parque parecia interminável, e cada passo me


fazia sentir como se eu estivesse afundando ainda mais na minha própria
confusão. O céu estava completamente escuro agora, e as poucas luzes do
parque criavam sombras longas e ameaçadoras. Eu me sentia observada,
mas talvez fosse só o peso da paranoia.

Vinnie havia escolhido um lugar afastado, provavelmente para nos dar


privacidade, mas agora isso parecia uma má ideia. O silêncio ao redor me
deixava inquieta. Só se ouvia o som dos meus passos apressados contra o
chão de pedrinhas.

De repente, um barulho. Algo se movendo entre as árvores próximas. Meu


corpo ficou tenso, e acelerei o passo, tentando ignorar o medo crescente.
Mas o som ficou mais próximo, mais nítido, como se alguém estivesse me
seguindo.

—Merda.. -murmurei para mim mesma, o coração martelando no peito.

Antes que eu pudesse reagir, uma figura emergiu da escuridão, saindo de


trás de uma das árvores. Meu corpo congelou. Jacob.

—Agora você não escapa. -A voz dele era fria, cheia de malícia, e cada
palavra parecia uma ameaça.

Tentei correr, mas ele foi mais rápido. Seus braços me agarraram com força,
me prendendo antes que eu pudesse dar um passo.

—Você vem comigo. -Ele disse entre dentes, enquanto eu lutava para me
soltar.

—ME SOLTA!! -gritei, mas antes que o som pudesse ecoar, ele tampou
minha boca com uma mão áspera.

Me debati com toda a força que tinha, mas Jacob era muito mais forte. Meu
coração parecia que ia explodir de tanto medo, e minha mente só conseguia
pensar em uma coisa: Alguém, por favor, me ajuda.

Jacob começou a apertar meus braços com tanta força que senti as unhas
dele cravarem na minha pele. A dor queimava, mas não mais do que o
medo que se alastrava pelo meu corpo como um veneno. Eu me debatia,
tentando me soltar, mas ele só ria, debochado, enquanto tirava o celular do
bolso com uma mão.

—Fica quietinha, princesinha. -Ele murmurou, digitando uma mensagem


rápida. Seus olhos cintilavam de satisfação, como se estivesse saboreando a
vitória antecipada.

Continuei me debatendo, tentando gritar por ajuda, mas o som era abafado
pela mão dele sobre minha boca. Seus olhos se moviam freneticamente,
espiando os lados, como se esperasse alguém chegar a qualquer momento.
Meu coração parecia um tambor enlouquecido, batendo tão forte que doía.

O medo era insuportável. Minhas pernas fraquejaram, e meu corpo


começou a tremer incontrolavelmente. Lágrimas quentes escorriam pelo
meu rosto. Eu estava em pânico. Uma crise violenta me tomou, dificultando
até mesmo minha respiração. Fechei os olhos com força, implorando para
que tudo fosse um pesadelo. Mas não era. Era real.

De repente, um grito que cortou o ar como uma lâmina.

—JACOB, SEU FILHO DA PUTA!!!

A voz ecoou pelo parque, carregada de raiva e fúria. Esperei por um


momento para ter certeza, e então meus olhos se abriram num sobressalto.
Eu conhecia aquela voz.

Vinnie.

Jacob congelou. Seus olhos arregalaram como se ele tivesse acabado de ver
um fantasma.

—Vinnie?! -Ele sussurrou, quase em descrença.

Os braços de Jacob relaxaram por um instante, apenas o suficiente.


Sentindo a pressão diminuir, minha mente agiu no impulso. Inclinei a
cabeça e cravei os dentes na mão dele, mordendo com toda a força que
tinha. Ele gritou de dor, recuando, e eu corri.
Meus passos eram cambaleantes, minhas pernas ameaçavam ceder, mas
continuei correndo, tropeçando até alcançar Vinnie. Eu praticamente me
joguei em seus braços, soluçando, com o peito apertado e os pulmões em
chamas.

Ele me segurou firme, mas eu sentia suas mãos tremendo contra minhas
costas.

—Vai ficar tudo bem. -Ele sussurrou perto do meu ouvido, mas sua voz
também estava instável.

Olhei para ele e percebi algo. Seus olhos não eram os mesmos. Eles
estavam tomados por uma escuridão assustadora, como se ele tivesse
atravessado um limite perigoso.

Vinnie me soltou de repente, avançando em direção a Jacob como um


furacão. Antes que eu pudesse reagir, ele o derrubou no chão, montando
sobre ele.

—VOCÊ QUER BRINCAR, SEU DESGRAÇADO?! -Ele rugiu, socando o


rosto de Jacob com uma força brutal.

Os sons dos socos reverberavam no silêncio da noite, acompanhados pelos


grunhidos de dor de Jacob e pelo som molhado de sangue respingando. A
camisa e o rosto de Vinnie ficaram manchados de vermelho, mas ele não
parava. Cada golpe era mais feroz que o anterior, como se estivesse
despejando toda a sua raiva contida.

Jacob tentou reagir, mas era inútil. Vinnie estava descontrolado, cego pela
raiva.

—PARA, VINNIE! -Eu gritei, minha voz trêmula e rouca, mas ele não
parecia ouvir.

Ele só parou quando eu me ajoelhei no chão, segurando seu braço


ensanguentado.
—Vinnie, por favor, para!! -Minha voz quebrou, e só então ele pareceu
despertar.

Respirando pesadamente, ele se afastou de Jacob, que agora estava caído,


gemendo de dor no chão. Vinnie se virou para mim, seus olhos ainda
escurecidos, mas com algo mais. Culpa.

Ele se ajoelhou diante de mim e me puxou para seus braços, abraçando-me


com força.

—Você tá bem? -Ele perguntou, a voz grave, quase um sussurro.

Mas antes que eu pudesse responder, eu sabia. Ele não estava bem.

Os braços de Vinnie me envolveram de forma protetora, mas também


desesperada, como se ele estivesse se segurando para não desmoronar. Pude
sentir sua respiração irregular contra meu cabelo, seu peito subindo e
descendo em um ritmo frenético. Ele ainda tremia.

—Vinnie... -sussurrei, tentando acalmá-lo, mas minha própria voz falhou.

Me afastei um pouco, olhando para ele. Seus olhos estavam fixos em mim,
mas havia algo selvagem neles, algo que me fazia querer afastar e me
aproximar ao mesmo tempo. Ele estava lutando contra si mesmo, contra a
escuridão que o consumia.

—Ele... Ele ia te machucar. -Vinnie murmurou, sua voz um misto de


justificativa e tormento.

Olhei para Jacob, caído no chão. Seu rosto estava desfigurado, inchado e
coberto de sangue. Ele gemia, mal conseguindo se mover, mas ainda assim
conseguia me encarar com um sorriso torto e desdenhoso.

—Isso... Isso ainda não acabou, sua vadia. -Jacob cuspiu as palavras, rindo
de forma perturbadora.

Senti um arrepio percorrer minha espinha. Antes que Vinnie pudesse reagir
novamente, segurei sua mão com força, tentando puxá-lo para longe.
—Não, Vinnie! Não faz isso. -Falei, minha voz trêmula, mas firme.

Ele olhou para mim, sua mandíbula trincada, mas não resistiu. Se levantou,
puxando-me junto.

—A gente precisa sair daqui. Agora. -Ele disse, sua voz grave e cheia de
urgência.

Olhei ao redor, percebendo como o parque estava completamente vazio e


assustador. A trilha mal iluminada parecia infinita, e a sensação de que algo
estava nos observando não me deixava em paz.

—E ele? -Perguntei, apontando para Jacob, minha voz quase um sussurro.

—Ele vai aprender a ficar no lugar dele. -Vinnie respondeu, frio, mas sem
sequer olhar para trás.

Sem mais palavras, ele segurou minha mão com força e começou a me
conduzir pelo caminho escuro, seus passos rápidos e determinados. Meu
coração ainda estava disparado, e meu corpo parecia incapaz de se acalmar.

Enquanto andávamos, senti o peso do que havia acontecido me atingir.


Lágrimas escorriam silenciosamente pelo meu rosto, mas eu não sabia se
eram de alívio por estar com Vinnie ou de medo por tudo que acabara de
acontecer.

Quando finalmente avistamos a entrada do parque, a sensação de segurança


ainda não havia retornado. Vinnie abriu a porta do carro rapidamente, me
ajudando a entrar. Ele deu a volta, entrou no lado do motorista e bateu a
porta com força.

—Você tá machucada? -Ele perguntou, finalmente me encarando. Sua voz


era firme, mas seus olhos mostravam uma preocupação que ele não
conseguia esconder.

Eu neguei com a cabeça, incapaz de falar. Ele soltou um suspiro longo,


passando as mãos pelo cabelo ensanguentado.
—Você nunca mais vai andar sozinha. Nunca mais. -Ele declarou, o tom
autoritário, mas ainda assim quebrado.

Quis protestar, dizer que isso não era justo, mas as palavras morreram na
minha garganta. Porque, no fundo, eu sabia que ele estava certo.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 91
Vinnie dirigia em um silêncio que parecia mais pesado do que o ar dentro
do carro. Eu observava suas mãos no volante, os nós dos dedos ainda
marcados e machucados. De vez em quando, ele soltava a mão direita e
digitava algo no celular rapidamente.

—O que tá fazendo? -perguntei, tentando quebrar o silêncio enquanto o


observava mandar mensagens para algum grupo.

Ele não me respondeu. Continuou olhando para a estrada, a mandíbula


trincada e os olhos fixos, como se estivesse travado em seus pensamentos.
As mãos dele tremiam no volante, e era difícil dizer se era de dor, raiva ou
ambas.

Quando finalmente chegamos à casa dele, Vinnie estacionou o carro de


forma brusca, puxando o freio de mão com força. Ele saiu sem dizer uma
palavra, mas antes de fechar a porta, me lançou um olhar firme.

—Fica no carro.

Quis questionar, mas sua expressão não deixou espaço para discussão. Ele
fechou a porta e caminhou para o lado de fora, e logo em seguida, quatro
SUVs pretas estacionaram atrás de nós. Meu coração acelerou ao ver os
veículos. Vários homens saíram de dentro deles, todos vestidos com
uniformes pretos, armados até os dentes.

Observei Vinnie andar em direção a eles, começando a falar com o grupo.


Seus gestos eram firmes, autoritários. Ele parecia estar dando ordens.
Enquanto ele falava, os homens se espalharam pela casa, assumindo
posições estratégicas ao redor da propriedade. Devia haver uns vinte deles.

Minha mente ainda tentava processar tudo quando ele voltou para o carro e
abriu a porta para mim. Vinnie estendeu a mão, e eu, hesitante, a segurei.
Ele me guiou para dentro da casa em completo silêncio, sua expressão ainda
carregada de raiva e tensão.
Assim que entramos, ele trancou a porta com um clique alto. Fui direto para
o sofá e me sentei, colocando as mãos na cabeça. Minha mente estava um
turbilhão de pensamentos e medos.

Vinnie permaneceu em pé por um momento, me observando. Mesmo sem


dizer nada, seus olhos denunciavam o quanto ele estava magoado. Eu sabia
que tinha pegado pesado com ele antes, e agora o peso das minhas palavras
me esmagava. Ele estava magoado, mas o que eu podia fazer? O medo me
consumia, e tudo que Dylan tinha dito continuava ecoando na minha
cabeça.

—Tá tudo bem? -a voz de Vinnie quebrou meus pensamentos. Ele se sentou
ao meu lado no sofá, me observando com atenção.

—Tá... tá tudo bem. Eu acho. -Cocei os olhos, tentando me recompor.

—Por que esses homens? -perguntei, referindo-me aos que haviam chegado
com a gente.

—Segurança -respondeu sério.- Jacob e os homens dele vão vir atrás de


você.

Meu corpo congelou, e meus olhos se arregalaram. Um arrepio percorreu


minha espinha.

—Mas fica tranquila -ele continuou, sua voz um pouco mais suave.- Eu
chamei reforços, eles já estão vindo. Aqui você tá segura.

Tentei assentir, mas o nó na minha garganta não me deixava falar. Ele


finalmente me encarou, seus olhos transmitindo uma mistura de raiva e
preocupação.

Vinnie se levantou do sofá e subiu as escadas. Quando voltou, trazia uma


caixinha de primeiros socorros nas mãos. Ele se sentou ao meu lado
novamente, colocou a caixinha na mesa e começou a inspecionar sua
própria mão, agora visivelmente machucada e ensanguentada.

—Ai meu Deus... -murmurei, me inclinando para ajudá-lo.


Vinnie não protestou enquanto eu abria a caixinha e tirava os materiais para
limpar suas feridas. Peguei uma gaze e molhei com antisséptico, segurando
sua mão com cuidado.

—Isso vai arder um pouco... -avisei, mas antes mesmo de terminar, encostei
a gaze nos cortes.

—Ah, caralho! -Ele reclamou, recuando um pouco.

—Fica quieto, Vinnie! -falei, franzindo o cenho. - Você tá com a mão toda
ferrada.

Ele bufou, mas deixou que eu continuasse. Mesmo assim, seu corpo se
tensionava a cada toque, e era óbvio que ele estava se segurando para não
reclamar mais.

—Não precisa fazer isso... -ele murmurou, a voz baixa.

—Claro que preciso. -Minha voz saiu mais firme do que eu esperava.- Você
tá machucado por minha causa.

—Não é culpa sua. -Ele desviou o olhar, mas havia algo em seu tom que
indicava que ele estava mais preocupado comigo do que consigo mesmo.

Continuei limpando os machucados, tentando ignorar as expressões de dor


que ele fazia. Depois, peguei as ataduras e comecei a enrolar sua mão com
cuidado, fazendo o possível para que não doesse ainda mais.

—Pronto -murmurei, olhando para ele.

Vinnie se levantou devagar, ainda segurando a mão que eu havia curado.


Andou até as enormes janelas da sala e fechou as cortinas pesadas,
bloqueando a vista externa. A casa ficou instantaneamente mais privada,
mais segura. Observei-o em silêncio, sentindo uma mistura de gratidão e
culpa. Eu estava me sentindo uma idiota por tudo que aconteceu no parque,
por ter machucado Vinnie daquela forma. Ele estava aqui, me protegendo, e
eu o havia repelido com palavras duras.

—Me desculpa -falei baixinho, quebrando o silêncio entre nós.


Ele se virou devagar, me olhando com aqueles olhos profundos e cheios de
compreensão. Sua expressão era calma, tranquila, como se tudo estivesse
bem. Mas eu sabia que não estava. O que eu disse... aquilo ainda estava
doendo.

—Não precisa se desculpar, Yasmim. -Ele balançou a cabeça, um leve


sorriso nos lábios.- Você não tem culpa de nada.

Um nó se formou em minha garganta. Eu não queria que ele sofresse, e


muito menos sentir que eu estava sendo injusta com ele. Mas o medo, a
confusão, tudo que Dylan me disse... estava me consumindo. Eu precisava
saber que estava segura com ele.

—Mas eu... eu não queria te magoar. -Minha voz saiu trêmula.- Eu só


estava assustada, Vinnie.

Ele andou de volta para o sofá e se sentou ao meu lado, segurando minhas
mãos nas suas.

—Eu entendo, Yasmim. -Ele apertou minhas mãos, tentando me acalmar.-


Eu só quero que você saiba que você nunca precisa se sentir assim por estar
comigo. Eu estou aqui para proteger você, para cuidar de você. E eu
entendo seus medos. Não quero que você se sinta sozinha.

Meu coração se aqueceu com suas palavras, e uma emoção que eu não
conseguia entender tomou conta de mim. Era medo, mas também alívio.
Vinnie estava me dando algo que eu nunca tive: segurança.

—Eu... eu queria tanto acreditar em você, Vinnie. -Sussurrei, as lágrimas


ameaçando cair de novo.- Mas tenho tanto medo...

Ele me puxou para mais perto, me abraçando com força.

—Eu prometo, Yasmim. -Ele sussurrou em meu ouvido com sua voz rouca-
Eu vou fazer tudo o que puder para te proteger. E, quando você sentir medo,
eu vou estar aqui, segurando sua mão.
Um suspiro escapou de mim, e então ele se afastou um pouco, segurando
meu rosto entre as mãos. Seus olhos me escrutavam, como se quisessem me
convencer de que estava dizendo a verdade.

—Eu só quero que você saiba, Yasmim, que você não está sozinha. -Ele
acariciou minha bochecha com o polegar.- Eu estou aqui, e sempre estarei.

Eu fechei os olhos, deixando as lágrimas rolarem silenciosas. Ele tinha


razão, eu não estava sozinha.

Quando os abri novamente, seus olhos estavam bem próximos, seu olhar
intensamente focado em mim. E então, num gesto surpreendente, Vinnie se
inclinou e me beijou.

Foi um beijo suave, doce, como uma promessa silenciosa. Seus lábios eram
quentes e suaves contra os meus, e eu podia sentir seu coração batendo
rápido. Minha mente estava confusa, mas tudo ao mesmo tempo, parecia
certo.

Ao separar nossos lábios, Vinnie me olhou nos olhos, e eu vi nele um


pedido silencioso por perdão e aceitação.

—Eu... -minha voz estava rouca, os lábios ainda formigando.- Eu... preciso
disso, Vinnie. Preciso de você.

Ele sorriu, um sorriso sincero e cheio de alívio.

Vinnie me puxou para seu colo, no sofá, e o beijo se intensificou


instantaneamente, cheio de desejo e saudade. Suas mãos me cercaram,
explorando cada curva do meu corpo com uma fome que parecia acumulada
há meses. Seus lábios pressionavam os meus com uma intensidade que
falava de tudo o que ele não disse durante aquele tempo afastado. Cada
beijo era uma declaração de amor não dita, uma promessa silenciosa de que
nunca mais o deixaria novamente.

Senti suas mãos deslizarem pela minha pele, aquecendo-me por inteiro. Ele
segurou meu rosto entre as mãos, me dando um beijo profundo, quase
desesperado, como se estivesse querendo absorver cada pedaço de mim,
como se aquilo fosse a última coisa que faria. Meus dedos enredaram-se em
seu cabelo, puxando-o levemente, respondendo àquela urgência. Seus lábios
desceram pelo meu pescoço, e eu suspirei, me arrepiando com cada toque
suave.

Então, senti suas mãos descerem até a minha cintura, apertando-me contra
ele. Vinnie gemeu contra meus lábios, sua voz rouca e desejosa,
murmurando meu nome entre beijos. Ele me puxou para mais perto, até que
nossas respirações se confundissem, a intensidade do momento quase nos
sufocando.

Ele desceu sua mão até a curva da minha bunda, apertando-me com força, e
eu gemi, pressionando-me mais contra ele. Vinnie voltou a me beijar, sua
boca agora demandante, como se quisesse me marcar de alguma forma.
Seus dedos deslizavam por minha pele, tão quentes, tão desesperados, e eu
me derretia em seus braços, completamente tomada por ele.

Ele tirou sua camisa rapidamente, arremessando ela em qualquer canto da


sala.

Ele desceu seus lábios até a região do meu pescoço e deu leves beijos.
Enquanto sua mão ainda agarrava meus cabelos, a outra desceu até minha
cintura e começou a aperta-la.

Ele retirou minha blusinha e meu short com pressa, me deixando apenas de
calcinha e sutiã.

Me encarando nos olhos ele subiu sua mão até o meu pescoço e ficou
ameaçando aperta-lo.

—Eu não vou pegar leve com você.

O loiro me puxou pelo pescoço e me beijou, um beijo intenso e rápido.


Minhas mãos alcançaram sua nuca aprofundando ainda mais nosso beijo.

Ele desceu suas mãos até a minhas coxas e me deitou no sofá, logo subiu
em cima de mim. Sua mão agarrou uma de minhas pernas colocando em
volta da sua cintura e apertando com força.
Seus lábios voltaram de encontro aos meus, nossas bocas já estavam
vermelhas e quentes, tamanha intensidade e desejo que nos beijavamos.
Sem perder tempo, Vincent começou a beijar o colo dos meus seios, sua
mão desceu até a minha intimidade alisando ela por cima da calcinha. Eu já
conseguia sentir seu membro duro que enconstava em mim.

Para me provocar, ele puxou minha calcinha pro lado e esfregou seu
membro diretamente na minha intimidade.

—Para com isso!

—Não estou com pressa, Alles.

Enquanto ele me beijava, eu deslizava minha mão por seu abdômen e seu
peitoral. introduziu a cabeça do seu membro na minha intimidade, puxando
a calcinha pro lado, me fazendo soltar um leve gemido.

Ele fazia pequenos movimentos de vai e vem sem introduzir tudo.

Hacker penentrou todo seu membro em mim, me fazendo soltar um gemido


profundo e intenso. Ele me penetrava fundo e devagar, seu gemido era leve
e rouco. O olhar dele era uma mistura de prazer e desejo
Vinnie segurou o meu pescoço e começou a aperta-lo aos poucos enquanto
suas estocadas estavam ficando mais fortes.

retirou seu membro de mim e avançou no meu pescoço. Seus beijos foram
descendo até os meus seios, ele abaixou cuidadosamente um lado do sutiã,
deixando meu seio exposto e encaixou sua boca nele. Sua língua dava leves
lambidas lambidas no meu mamilo, sua outra mão segurava firme meu
quadril contra o sofá.

Sua boca foi passeando entre os meus seios, chegando até a minha barriga,
seus dentes mordiscaram toda a região, deixando beijos e chupões pela
região, em seguida sua língua assumiu o controle e foi descendo pela minha
virilha até a parte interna das minhas coxas

Ele se ajoelhou no sofá e colocou as mãos na barra da minha calcinha na


intenção de tira-la, levantei meu quadril para ajuda-lo, e assim que ele a
passou pelos meus pés jogou ela para qualquer canto da sala.
Seus olhos se direcionaram diretamente para minha intimidade, ele passou o
polegar no meu clitóris e o circulou. Com sua outra mão, ele levou até seu
membro e se masturbou. Enquanto me olhava com desejo.

Ele guardou seu membro dentro de sua cueca novamente e se deitou entre
as minhas pernas, passou a língua na minha intimidade. Sua saliva estava
quente, deixando a sensação ainda mais prazerosa. Sua língua descia e
subia, ia de um lado para o outro, circulava meu clitóris e penetrava minha
entrada.

Eu realmente queria que aquela sensação durasse por um bom tempo...

Senti dois de seus dedos me penetrando, os movimentos de vai e vem junto


a sua língua me fizeram chegar ao ápice em minutos.

Meus gemidos ecoaram por cada canto daquele cômodo.


Assim que gozei, Vinnie tirou sua cueca e me puxou pelas pernas, me
arrastando até a ponta do sofá. Ele abaixou na altura da minha intimidade e
me penetrou, forte e fundo.
Suas estocadas agora eram bem rápidas, uma de suas mãos segurava meu
quadril para me estabilizar e a outra se apoiava no colo do meu pescoço
com alguns dedos apertando ele.

Soltei um gemido mais intenso que o anterior e rebolei durantes as


estocadas dele,senti seu membro pulsar dentro de mim. Vincent continuou a
dar tapas fortes em minha bunda e logo ele solta meu cabelo,sua mão foi até
meu clitóris e ele começou a fazer movimentos circulares
Senti minhas pernas ficarem trêmulas e acabei gozando, ele deu mais
algumas estocadas e sai de trás de mim. Vinnie se senta no sofá novamente

—Vem.

Fui até ele e sentei em seu colo, Vinnie segurou seu membro e logo o
coloco dentro de mim,assim que senti ele por completo, comecei a rebolar.
Hacker segurou minha cintura e me beijou com intensidade e desejo,
comecei a cavalgar com força e nossos gemidos eram abafados pelo beijo.
Senti um tapa do outro lado da minha bunda,parei o beijo e gemi perto de
seu ouvido. Ele apertou minha bunda e seu membro começou a latejar, ele
já estava quase gozando

Começo a cavalgar mais rápido e mais forte. Ele geme um pouco alto e da
mais um tapa em minha bunda. Gemi baixo e gozei novamente, Vinnie
comandou meus movimentos de sobe e desce. Não demorou muito e ele
gozou, ficando naquela posição até recuperamos o fôlego.

Vinnie me levantou do sofá com cuidado, seus braços fortes me segurando


como se eu fosse algo precioso. Ele me colocou de pé e segurou minha
mão, guiando-me até o andar de cima.

—Vem, você precisa relaxar -disse com a voz baixa, mas firme, enquanto
seguíamos em direção ao banheiro.

Assim que entramos, ele fechou a porta e começou a abrir o chuveiro,


ajustando a temperatura. A água quente encheu o ambiente com vapor,
trazendo um certo alívio para o frio que começava a tomar conta da noite.
Quando finalmente entrei debaixo da água, Vinnie veio logo atrás,
envolvendo meus ombros com suas mãos grandes e quentes.

—Só um banho, tá? -Ele murmurou próximo ao meu ouvido, sua voz com
uma pontada de brincadeira.

Assenti, sorrindo de leve. Não tinha nada de sugestivo ali, mas ainda assim,
era difícil não me sentir consciente de cada toque. Vinnie começou a
massagear meus ombros, suas mãos firmes e um tanto atrevidas
escorregando um pouco mais do que deveriam.

—Você e essas suas mãos bobas! Pervertido! -falei, sem conseguir segurar
um riso, mesmo com o peso do dia ainda pairando sobre mim.

Ele soltou uma risada baixa, mas não respondeu, apenas continuou a me
cuidar, ajudando a lavar meu cabelo e deixando a água quente levar embora
o resto da tensão. Nada mais aconteceu ali, mas sua presença, seu cuidado,
bastavam para me fazer sentir um pouco mais segura.
Depois do banho, fomos até o closet. Vinnie pegou uma calça de moletom
preta e uma camiseta da mesma cor, vestindo-as rapidamente. Ele olhou
para mim enquanto eu terminava de colocar uma calça branca e, sem dizer
nada, pegou um de seus moletons pretos e me entregou.

—Veste isso, tá frio lá embaixo. -disse, quase autoritário, mas com um


sorriso leve que me fez aceitar sem questionar.

De volta à sala, ele ligou a TV, passando por alguns filmes enquanto eu me
acomodava ao lado dele no sofá. Ele parecia distraído, talvez tentando
encontrar algo que pudesse tirar minha mente de tudo o que havia
acontecido. Mas a verdade é que, por mais que eu tentasse, minha cabeça
ainda estava no parque, em Jacob, e no que poderia ter acontecido se Vinnie
não tivesse aparecido.

Sem perceber, me aproximei mais dele, buscando conforto no calor de seu


corpo. Antes que pudesse me dar conta, o cansaço me venceu.

Adormeci ali mesmo, agarrada ao peito de Vinnie, sentindo o som ritmado


de sua respiração e o leve subir e descer de seu tórax. Pela primeira vez
naquela noite, me senti segura.

Pov — Vincent Hacker

Yasmim estava agarrada em mim como um bebê. Sua respiração era leve e
ritmada, e o jeito que ela apertava minha camiseta enquanto dormia, como
se eu fosse sua âncora, me desarmava por completo. Ela parecia tão
pequena e vulnerável, algo que eu raramente via nela, tão forte e
determinada.

Passei a mão com cuidado por seu cabelo, afastando alguns fios de seu
rosto. Ela estava exausta, e isso me doía. Depois de tudo o que aconteceu
hoje, vê-la dormindo assim, tão serena, era um alívio momentâneo. Mas ao
mesmo tempo, me lembrava de que Jacob ainda estava lá fora, e ele não ia
parar até conseguir o que queria.

Eu sabia que precisava garantir sua segurança.


Com cuidado, a peguei no colo. Ela nem se mexeu, o que mostrava o
quanto estava desgastada. Caminhei até meu quarto, tentando não fazer
barulho enquanto a colocava na cama. Ajustei os travesseiros e a cobri com
a coberta mais grossa que encontrei. Antes de sair, dei uma última olhada
nela, como se precisasse me certificar de que ela realmente estava bem.

Saí do quarto e desci as escadas, a raiva que estava tentando controlar


voltando com força total. Ao abrir a porta, os seguranças que estavam
espalhados ao redor da casa se reuniram rapidamente.

—Escutem bem. Qualquer movimento suspeito, qualquer carro estranho,


qualquer merda que vocês vejam, eu quero saber imediatamente. Jacob está
atrás dela, e ele não vai desistir fácil. Entendido?

Os homens assentiram em silêncio, alguns ajustando seus rádios e armas.


Minha cabeça fervia com os pensamentos. Não era só raiva, era a sensação
de impotência por não ter conseguido protegê-la no parque.

Enquanto eu falava, ouvi o som de carros se aproximando. Virei-me e vi


Kio, Bryce e Nick descendo de SUVs, acompanhados por mais capangas.
Eles pareciam tão sérios quanto eu, mas a preocupação em seus rostos era
evidente.

—Onde ela está? -Kio perguntou assim que chegou perto, a voz carregada
de urgência.

—Está dormindo no meu quarto -respondi, cruzando os braços e tentando


manter o controle da minha raiva.- Mas ela está assustada. Foi um inferno.

Bryce bufou, olhando ao redor como se procurasse algo para socar.

—O que aconteceu, Vinnie? -Nick perguntou, os olhos fixos em mim.

—O que aconteceu? -minha voz saiu mais áspera do que eu esperava.- O


encontro deu errado. Jacob apareceu no parque, tentou sequestrá-la na
minha frente.
Fiz uma pausa, passando a mão pelo cabelo enquanto tentava organizar os
pensamentos.

—Eu o vi segurando Yasmim, com uma mão na boca dela, impedindo-a de


gritar. Ele ainda teve a audácia de me olhar e rir, como se já tivesse vencido.
Se eu não tivesse chegado a tempo... -Apertei os punhos, sentindo minha
raiva ferver novamente.

Kio deu um passo à frente, seu rosto sombrio

—Filho da puta. Ele vai pagar por isso.

—Vai pagar mesmo -Bryce disse entre dentes.- Ele cruzou o limite, Vinnie.

—Eu sei disso -respondi, minha voz fria.- E é por isso que vocês estão aqui.

Os três me olharam, aguardando.

—Jacob não vai parar. Ele acha que pode fazer o que quiser porque nunca
teve consequências de verdade. Mas agora ele mexeu com ela. Isso não vai
ficar assim. Quero cada movimento dele monitorado. Quero que vocês
encontrem todos os bastardos que trabalham para ele. Quando for a hora
certa, vamos acabar com isso.

—Pode contar com a gente. -Nick assentiu

Olhei para cada um deles, minha raiva um pouco mais controlada agora que
sabia que não estava sozinho.

—Yasmim é minha prioridade. Ela está lá em cima, finalmente dormindo


depois de um dia de merda. Não vou deixar ninguém chegar perto dela de
novo, entenderam?

—Entendido -Kio disse, sua expressão firme.

—E eu quero Jacob vivo. Ele é meu, e vai pagar pelo que fez. -acrescentei,
a última palavra saindo como uma promessa.
Os três concordaram em silêncio. Bryce foi o primeiro a quebrar o clima
tenso, batendo no meu ombro de leve.

—Vai ficar tudo bem, irmão. Vamos cuidar disso.

Assenti, respirando fundo. Apesar de toda a merda que aconteceu, pelo


menos agora eu sabia que tinha pessoas ao meu lado. Olhei mais uma vez
para a casa, sabendo que Yasmim estava lá dentro, segura.

Mas eu sabia que a paz nunca duraria muito. E quando o próximo ataque
viesse, eu estaria preparado.

Kio cruzou os braços, os olhos estreitos enquanto olhava para os seguranças


espalhados pelo perímetro da casa. Ele estava claramente frustrado, e eu
sabia exatamente como ele se sentia. Todos nós estávamos.

—Você acha que Jacob vai tentar de novo?-perguntou ele, finalmente


quebrando o silêncio.

—Ele vai -respondi, com firmeza.- O cara não sabe aceitar um não. Ele
quer mostrar que tem o controle, que pode fazer o que quiser.

Nick passou a mão pelo queixo, pensativo.

—Então, qual é o plano, Vinnie? Vamos esperar ele dar o próximo passo ou
vamos atrás dele antes?

Olhei para os seguranças no portão, a tensão me consumindo.

—Primeiro, eu quero garantir que ela esteja completamente protegida. Não


importa o que aconteça, Jacob não pode chegar perto dela. Depois... -Dei
um sorriso-A gente vai atrás dele. Mas no nosso tempo.

Bryce parecia satisfeito com a ideia, mas Kio continuava inquieto.

— E se ele aparecer antes disso? — Kio insistiu, a preocupação óbvia em


sua voz. — Não podemos arriscar, Vinnie. Não com Yasmim no meio disso
tudo.
Suspirei, tentando manter a calma. Eu entendia o que ele estava dizendo.
Cada segundo que passava era uma nova oportunidade para Jacob atacar.

— Por isso vocês estão aqui. Vocês, esses seguranças, todo mundo. Essa
casa virou uma fortaleza. Jacob pode tentar, mas ele não vai passar por nós.

Bryce deu um passo à frente, a expressão sombria.

—E quando a hora chegar, a gente faz ele pagar. Por tudo.

—Por tudo mesmo, Bryce -falei, minha voz mais baixa, mas carregada de
promessa.- Esse desgraçado não sabe com quem mexeu.

Os meninos assentiram, e eu sabia que podia contar com eles. Não havia
ninguém melhor para estar ao meu lado nesse momento.

—Agora, eu vou lá em cima checar Yasmim -disse, me afastando.- Vocês


fiquem aqui e me avisem se virem qualquer coisa. Qualquer movimento
estranho, qualquer carro que pare por mais de dois segundos.

Kio me segurou pelo ombro antes que eu pudesse entrar.

—Ela vai ficar bem, Vinnie. Você sabe disso, né?

Olhei para ele, e meu coração pesou.

—Eu não vou deixar que nada aconteça com ela, Kio. Não de novo.

Ele assentiu, mas a preocupação ainda estava estampada em seu rosto.


Assim como nos de Bryce e Nick.

Subi as escadas em silêncio, voltando para o quarto. Yasmim ainda estava


dormindo, o rosto tranquilo e angelical, como se não tivesse um peso no
mundo. Mas eu sabia que, por dentro, ela carregava tanto quanto eu.

Aproximei-me devagar, puxando a coberta para garantir que ela estava bem
aquecida. Sentei-me na beira da cama, observando-a por alguns instantes.
—Eu prometo -sussurrei, mais para mim mesmo do que para ela.- Não
importa o que aconteça, você vai ficar segura.

Levantei-me, fechei a porta com cuidado e voltei para a sala, onde Kio,
Bryce e Nick ainda discutiam estratégias com os seguranças. Eles eram meu
suporte, minha linha de frente. Mas era por ela que eu estava lutando.

E eu não ia falhar. Não dessa vez.

[...]

No silêncio do meu escritório, o peso da situação se tornava ainda mais


evidente. Kio, Nick e Bryce estavam comigo, todos sentados em volta da
mesa de madeira escura. A tensão era palpável, mas isso era bom. Quando
estávamos assim, concentrados e furiosos, éramos imbatíveis.

Eu puxei um tablet para a frente, projetando na tela maior à nossa frente um


mapa detalhado da cidade e dos arredores. Jacob não era um amador. Ele
agia com estratégia, mas se achava invencível. A gente ia provar o
contrário.

—Certo, é o seguinte -comecei, minha voz firme.- Jacob não está sozinho.
Um cara como ele sempre tem uma rede, pessoas que trabalham para ele.
Nosso trabalho agora é descobrir quem está por trás dele.

—Algum palpite de quem pode estar bancando ele? -Bryce perguntou, os


braços cruzados, os olhos fixos na tela.

Assenti.

—Tenho algumas suspeitas. Jacob nunca foi grande o suficiente para fazer
o tipo de jogada que tentou hoje sozinho. Ele deve estar trabalhando com
alguém maior, talvez um dos grupos que dominam a parte leste da cidade.

Kio franziu o cenho, inclinando-se para a frente.

—E como vamos descobrir isso?


—Vamos atraí-lo para fora. Se ele pensa que está no controle, vai se
expor. Mas precisamos de iscas. -apertei o maxilar.

Nick estreitou os olhos, intrigado.

—Que tipo de isca?

Projetei um dos bairros mais perigosos da cidade na tela.

—Aqui. É o ponto onde as coisas sempre acontecem. Drogas, armas,


pessoas desaparecendo... tudo passa por esse lugar. Vamos fingir que
estamos tentando entrar nesse circuito, fazer uma movimentação grande o
suficiente para chamar a atenção de quem quer que esteja bancando Jacob.

—E se ele não morder a isca? -Kio perguntou, cético.

—Ele vai. Jacob é orgulhoso demais para ignorar qualquer sinal de


ameaça ao território dele. -Sorri de lado

Bryce assentiu, começando a entender o plano.

—Então, criamos uma operação falsa. Fazemos parecer que estamos


negociando com outros caras e esperamos que ele apareça.

—Exatamente. E quando ele aparecer, pegamos ele e quem estiver com


ele -respondi.

—Isso é arriscado, Vinnie. Se algo der errado, podemos acabar atraindo


gente demais, ou pior, Jacob pode perceber que é uma armadilha. -Nick
coçou a nuca, pensativo

—Eu sei -falei, minha voz dura.- Mas não temos escolha. Jacob não vai
parar enquanto achar que pode mexer com a gente sem consequências.

Kio suspirou, mas concordou.

—E como vamos fazer essa operação parecer real?

Abri um outro arquivo no tablet, mostrando uma lista de nomes.


—Conheço alguns caras que podem ajudar. Informantes do submundo,
gente que conhece os circuitos mas não tem lealdade a ninguém. Eles
podem espalhar a palavra de que estamos interessados em entrar no jogo.

—E se Jacob não aparecer pessoalmente? -Bryce perguntou.

—Então pegamos quem ele mandar -respondi, sério.- Não importa se é


ele ou os capangas dele. Cada peça que a gente pegar nos leva mais perto de
derrubar tudo.

Nick inclinou-se para a frente, seus olhos brilhando com determinação.

—Isso precisa ser feito rápido. Não podemos dar tempo para ele planejar
outra coisa contra Yasmim.

—Concordo -falei.- Amanhã cedo começamos a movimentar tudo. Quero


cada detalhe pronto até o final da noite.

Eles assentiram, a energia na sala mudando de preocupação para ação. Era


isso que fazíamos melhor: planejar, executar e vencer.

E dessa vez, Jacob não ia escapar.

—Ai, por quê Dylan não está aqui? -Bryce perguntou, finalmente sentindo
falta dele

—Sei lá, cara. Ele só faz merda. -resmunguei antes de sair do escritório.
Fechei a porta atrás de mim, deixando os caras lá dentro.

Apesar da confiança que tenho neles, ninguém entende o peso que tá nas
minhas costas agora.

Porra, eu tô indo checar a Yasmim lá no quarto a cada cinco minutos. Não


consigo evitar. É como se uma parte de mim precisasse vê-la ali, segura, pra
eu conseguir continuar respirando.

Subi as escadas em passos lentos, minhas botas ecoando no piso de


madeira. Quando abri a porta do quarto, lá estava ela: dormindo como um
anjo. Não sei como consegue, depois de tudo o que aconteceu hoje. Depois
do que quase aconteceu.

Me aproximei devagar, me sentando na beirada da cama. O rosto dela


estava sereno, os lábios levemente entreabertos, e o peito subindo e
descendo num ritmo tranquilo. Eu estendi a mão e comecei a acariciar seus
cabelos. Meus dedos deslizavam por aqueles fios macios enquanto minha
mente trabalhava a mil, relembrando os detalhes do plano.

Jacob não tem ideia do que vem por aí. Ele acha que pode tocar no que é
meu e sair impune? Não enquanto eu estiver respirando. Ele vai pagar, e
não só ele. Quem quer que esteja com ele nesse jogo sujo vai se arrepender
de ter cruzado meu caminho.

Olhei para Yasmim mais uma vez. Ela murmurou algo inaudível no sono e
virou levemente o rosto em direção à minha mão, como se estivesse
buscando mais conforto. Meu coração apertou.

Eu não suportaria a ideia de perdê-la novamente. Só de pensar nisso, sinto


minha garganta fechar, e o ódio dentro de mim cresce como um incêndio
descontrolado. Jacob mexeu com a pessoa errada.

Inclinei-me um pouco e sussurrei:

—Você tá segura agora, Yas. Ninguém vai chegar perto de você de novo.
Eu juro.

Afastei uma mecha de cabelo do rosto dela e suspirei. Com o tempo, ela vai
entender. Vai perceber que tudo o que faço é pra protegê-la. Não importa o
que eu tenha que fazer, ou quem eu tenha que enfrentar. Yasmim é a única
coisa que me importa agora.

Me levantei devagar, ajustando a coberta em cima dela antes de sair do


quarto. Ainda tinha muito a fazer, e o tempo não tava do nosso lado.
Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!
Capítulo 92
Pov — Yasmim Alles

Chegamos do mercado carregadas de sacolas cheias de ingredientes para a


noite. Eu, Mads e Avani ríamos enquanto lutávamos para equilibrar tudo até
a cozinha. Assim que entramos, nos deparamos com a visão dos meninos
espalhados pela sala. Bryce estava largado no sofá, Kio e Nick brigavam
como crianças por um controle remoto, e Vinnie estava sentado no chão,
mexendo no celular.

—Até que enfim! Vocês demoraram tanto que achei que iam acampar no
mercado!! -Vinnie comentou, levantando-se.

—Se você tivesse vindo ajudar, talvez não tivéssemos demorado tanto!! -
rebati, deixando as sacolas na enorme mesa de jantar.

—Eu ajudo onde importa, Yas. Tipo na degustação.

—Degustação? Não se esqueça que toda vez que você tenta cozinhar, ou
queima a comida ou cria algo que fica duro que nem pedra!

Ele abriu a boca, fingindo estar ofendido.

—Primeiro, eu sou um gênio incompreendido na cozinha. Segundo, hoje


vai ser diferente.

—Ah, claro! -respondi, rindo.- Veremos.

Pouco depois, todos estavam na cozinha, e as duplas já formadas. Eu e


Vinnie, Bryce e Avani (os mais certinhos), Kio e Nick (os caóticos que
pareciam nunca ter visto uma cozinha), e Mads com John (que brigavam
como dois irmãos teimosos).

—Ok, gente, -comecei, tentando trazer um pouco de ordem ao caos.- Cada


dupla faz sua própria pizza, e no final a gente vota qual é a melhor.
—Espero que o voto não seja comprado! -Nick provocou, apontando para
Kio.- Porque se você for o juiz, já sei que vai dar algum jeitinho.

—Jeitinho? Eu sou o chef mais honesto dessa cozinha, -Kio respondeu, mas
sua expressão traía uma clara intenção de provocar.

—Claro, o chef honesto que comeu metade do queijo antes de começar, -


Bryce retrucou, apontando para o prato quase vazio.

Logo o caos começou. Eu estava focada em misturar a massa quando senti


algo frio na minha bochecha.

—Vinnie! -gritei, percebendo que ele tinha jogado farinha em mim.

—Foi sem querer!! -ele disse, tentando segurar o riso.

—Ah, é? Então toma isso! -Peguei um pouco de chocolate derretido e


passei no rosto dele.

—Você tá brincando com fogo, Yas -ele disse, pegando mais farinha.

—Não, Vinnie! Não ouse! -gritei, mas já era tarde. Ele esfregou as mãos
cheias de farinha no meu cabelo.

—Parabéns, agora você parece um fantasma!! -ele provocou, rindo alto.

—Ótimo, porque você tá parecendo uma sobremesa estragada com essa


cara cheia de chocolate!! -retruquei, rindo também.

Enquanto isso, Kio e Nick estavam completamente perdidos.

—O molho vem antes do queijo! -Kio disse, irritado.

—Quem disse? E se a gente quiser inovar? -Nick respondeu, segurando o


queijo.

—Tá, e você vai explicar pra Joana por que tem molho até no teto? -Kio
apontou para a confusão que estavam criando.
Nick olhou para cima e, sim, tinha molho no teto.

—É só criatividade! -respondeu, tentando disfarçar.

—Joana vai surtar quando vir isso, -Kio falou, agora rindo nervoso.- Acho
que ela vai pedir demissão só de olhar pra nossa bancada.

No lado mais calmo da mesa, Bryce e Avani estavam concentrados, agindo


como se estivessem em um programa de culinária.

—Vocês nem parecem humanos -Kio comentou, olhando para a mesa limpa
deles.- Nem uma sujeirinha?

—Isso se chama organização. -Bryce respondeu sem nem levantar os


olhos.

—Organização não é pra mim. Eu prefiro o caos criativo! -Kio retrucou,


cutucando o braço de Nick.

Do outro lado, Mads e John discutiam como sempre.

—Eu disse que o presunto vai por baixo do queijo, John!

—E eu falei que o queijo derrete e gruda no presunto, é melhor assim!

—Você só quer contrariar, seu cabeça-dura.

[...]

Quando finalmente todas as pizzas estavam prontas, a cozinha parecia uma


zona de guerra. Havia farinha no chão, molho no teto, chocolate na mesa, e
até um pedaço de queijo no cabelo de Kio.

—Quem vai limpar isso? -perguntei, olhando para o estrago.

—Com certeza não eu. -Vinnie respondeu, rindo e mordendo um pedaço da


nossa pizza.
—Se fosse por justiça, Kio e Nick limpavam sozinhos! -Bryce sugeriu,
apontando para a bagunça deles.

—Como se a gente tivesse culpa de tudo! -Nick retrucou, cruzando os


braços.

Kio e Nick olharam para o estrago ao redor e, por um momento, pareceram


realmente preocupados.

—Tá, eu sei que Joana não tá aqui hoje, mas vocês acham que ela vai
perdoar essa bagunça amanhã? -Kio perguntou, com farinha até nas
sobrancelhas.

Nick balançou a cabeça, olhando para a mistura de molho, queijo e farinha


espalhados pelo chão.

—Joana vai surtar. Tipo, de verdade. Talvez a gente precise ir pro mercado
de novo amanhã... pra comprar flores e pedir desculpas.

Bryce revirou os olhos.

—Ou, sei lá, vocês poderiam limpar, como pessoas civilizadas? -Bryce
disso como se fosse óbvio

—Eu sou civilizado! -Kio protestou.- Só não sou muito... detalhista.

—Detalhista? Você literalmente colocou molho no teto, Kio! -Bryce


rebateu, apontando para a mancha vermelha lá em cima.

Enquanto isso, Vinnie segurava um pedaço de pizza em uma mão e o pano


de prato na outra, limpando a bancada com movimentos desajeitados. Eu
estava ao lado dele, limpando minha própria bagunça, mas rindo ao vê-lo
lutar com a tarefa mais simples.

—Tá pegando prática aí, chef? -provoquei, jogando um pano de leve em


seu braço.

—Eu cozinho melhor do que limpo, -ele respondeu, tentando parecer sério.-
Mas a gente já sabe quem foi a verdadeira chef nessa dupla. Sem você, isso
aqui seria só... carvão.

—Ah, admitindo seus limites? Estou impressionada! -retruquei com um


sorriso.

Ele deu de ombros, com um olhar desafiador.

—Nem sempre, Yas. Da próxima vez, eu que vou liderar.

—Da próxima vez, talvez seja melhor você nem tocar na cozinha -brinquei,
rindo, enquanto limpava o chocolate do balcão.

[...]

Com o grosso da bagunça controlado e as pizzas devidamente apreciadas, o


clima ficou ainda mais leve.

—Ok, preciso admitir.. -Kio começou, com um pedaço de pizza na mão.-


Bryce e Avani mereceram ganhar. Essa pizza tá boa demais.

Nick concordou, mastigando.

—Sim, mas a de Yas e Vinnie também ficou boa. Quer dizer, se você
ignorar o fato de que eles gastaram metade do chocolate brigando ao invés
de cozinhando.

—Brigando não -retruquei, me defendendo.- A gente estava... testando a


química da dupla.

—Química? -Vinnie riu, me lançando um olhar cúmplice.- É, claro. Foi


exatamente isso.

Depois de comer e rir até nossas barrigas doerem, os meninos decidiram


continuar a diversão.

—Tá, o que vem agora? -John perguntou, empurrando a cadeira para trás e
olhando para os outros.

—Eu voto por um jogo -Bryce sugeriu.


—Tipo o quê? -Mads perguntou, cruzando os braços.

—Algo competitivo, -Nick sugeriu, já animado. - Porque claramente, eu e


Kio temos que provar que somos melhores do que vocês.

—Melhores no quê? Fazer bagunça? -Bryce zombou.

—Não, melhores em tudo, -Kio respondeu, sorrindo.- Mas, se quiserem, a


gente pode começar com cartas ou videogame.

—Ou quem sabe jogos de tabuleiro? -Avani sugeriu, com um sorriso


provocador.

—Perfeito -Vinnie disse, levantando-se.- Yas e eu vamos formar uma


equipe e acabar com vocês em qualquer jogo que escolherem.

Olhei para ele, surpresa, mas também rindo da confiança.

—Ah, agora somos uma equipe? Espero que você não atrapalhe, chef.

—Relaxa, eu sou bom em tudo que não envolve farinha -ele respondeu,
piscando para mim.

[...]

A sala da casa do Vinnie estava cheia de vozes e risadas. Era a primeira vez
em meses que todos nós conseguimos nos reunir sem um motivo urgente ou
preocupante. O tabuleiro de Banco Imobiliário estava espalhado no chão,
enquanto cada um de nós ocupava um canto improvisado, com almofadas e
travesseiros espalhados.

Vinnie estava encostado no sofá, com uma expressão concentrada,


empilhando cuidadosamente o dinheiro do banco em frente a ele. Nick, ao
seu lado, estalava os dedos, com um sorriso malicioso nos lábios. Kio,
sentado de pernas cruzadas, segurava suas poucas notas como se fossem a
última esperança do mundo, já bufando de frustração.

—Isso aqui é uma fraude! -Kio reclamou pela quinta vez só naquela
rodada.- Como é que o Bryce tem TRÊS hotéis na Avenida e eu mal
consigo pagar o aluguel na Vila?

—Talvez porque você seja péssimo em negócios, irmão -Bryce respondeu


com um tom debochado, empurrando as peças dele de forma teatral para
frente.- Admita, eu sou o magnata aqui. Vocês estão jogando no meu
tabuleiro.

—Você roubou, só pode! -Mads acusou, estreitando os olhos para Bryce.


Ela estava sentada com as pernas cruzadas, segurando o cartão de chance
como se fosse uma arma secreta.- Não tem como você ter tanto dinheiro
assim! Aposto que pegou umas notas a mais enquanto a gente estava
distraído.

—Ah, claro, Mads, porque você é um exemplo de honestidade, né? -Bryce


retrucou, enquanto Avani, do outro lado do círculo, dava uma gargalhada.

—É verdade, Mads. Lembra daquela vez que você 'esqueceu' de pagar o


aluguel no último jogo? A gente só percebeu quando o banco foi à falência!
-Avani comentou, mexendo nos próprios imóveis com um sorriso satisfeito.

—Eu chamo isso de estratégia. -Mads retrucou, com o nariz empinado.

Enquanto eles discutiam, minha atenção foi para John, que estava
completamente focado, contando o dinheiro dele em voz baixa como se
estivesse calculando a próxima jogada.

—Se eu comprar a Praça agora, consigo colocar mais um hotel e falir geral
aqui -ele murmurou para si mesmo, arrancando um grito de indignação do
Kio.

—EU JÁ TÔ FALIDO! Não precisa falir ainda mais! -Kio exclamou,


jogando os braços para cima dramaticamente.

—Você não está falido, Kio, -Vinnie respondeu com calma, sem desviar os
olhos do tabuleiro. -Você só está... sem recursos.

—O que significa falido, Vinnie! -Kio retrucou, jogando uma almofada


nele.
Do meu lado, Nick estava me ensinando a dobrar as notas do banco de um
jeito que ocupassem menos espaço.

—Isso vai intimidar os outros -ele disse, como se fosse um segredo de


guerra.

—Ou vai fazer todo mundo achar que você tá roubando -respondi com uma
risadinha, enquanto ele dava de ombros.

—Ei, e o que você tá fazendo aí, Yasmim? -Bryce perguntou, estreitando os


olhos para a minha pilha de dinheiro.- Essa sua fortuna parece suspeita.

—Eu ganhei honestamente!! -retruquei, cruzando os braços.

—Honestamente? Nada disso!! Eu vi você passando uma nota por baixo do


tabuleiro! -ele acusou, arrancando risadas de todos.

—Foi o Nick que me deu!! -respondi, rindo e apontando para ele, que deu
um sorrisinho culpado.

—Claro, Nick, sempre o Nick -Avani comentou, revirando os olhos.

No meio disso tudo, Vinnie soltou um suspiro exagerado e jogou os dados.

—Vocês vão continuar discutindo ou vão jogar? Estou aqui tentando ganhar
como um adulto responsável.

-Ganhar? Você nem sabe jogar direito, Vinnie! -Mads retrucou, e ele revirou
os olhos.

Bryce e Avani estavam rindo com seus fichários lotados de propriedades


enquanto Kio e Nick, eu e Vinnie estávamos indignados.

—Pô, Bryce, Avani, vocês roubaram, com certeza! -Kio gritou, jogando as
mãos pro alto. -Não é possível que vocês ganharam de todo mundo assim!

—É, vocês devem ter feito um trato secreto! -Nick disse, rindo.- Vocês só
podem ter roubado mesmo!
—Ah, cala a boca, Kio -Avani disse, sorrindo. -Vocês estavam todos se
matando lá, como a gente ia roubar?

—É, isso é sacanagem! -Kio resmungou.- Não é possível que jogaram


melhor do que a gente!

—Vocês estão perdendo porque não sabem o que estão fazendo! -Bryce
provocou, rindo

—Ah, vai se foder, Bryce! -Vinnie resmungou.- vocês só roubam, aí não


vale!

—É que NÓS jogamos melhor, ao contrário de certas pessoas aí... -Avani


disse, dando de ombros.- Vocês que não souberam jogar direito.

—Vai sonhando, Avani! -Kio gritou.- Vai dizer que a gente não tentou?

—Ué, claro que tentou -Avani respondeu.- Mas a gente joga melhor, ué.

—Ah, não dá, não dá! -Kio resmungou.- Só porque você é certinha e o
Bryce é um nerd!

A rodada continuou entre risos, implicâncias e mais acusações de trapaça.


No final, o jogo foi interrompido porque Kio derrubou uma garrafa de
refrigerante no tabuleiro, alegando que foi "acidental".

—Pronto, agora ninguém ganha. -ele disse com um sorriso satisfeito.

Era o caos perfeito, e eu não trocaria por nada no mundo.

[...]

A noite estava divertida, até que decidimos jogar Uno. Kio estava na ponta
da cadeira, pronto para jogar sua carta enquanto todos se preparavam para
atacá-lo.

—Tá, Kio, sua vez -Mads disse, jogando sua carta com um sorriso
malandro.
Kio olhou para a mão, então olhou para todos nós.

—Vou jogar a carta azul quatro -ele anunciou, jogando a carta com um
sorriso triunfante.

—Ei, você não falou 'Uno'! -Vinnie gritou, apontando o dedo.- Você tem
que falar 'Uno' quando ficar com uma carta, Kio!

—Ah, vai se foder, Vinnie! -Kio resmungou.- Que negócio chato!

—Viu? Ele não falou! -Vinnie insistiu, rindo. - Compra mais quatro cartas,
Kio!

—Que palhaçada, Vinnie! -Kio resmungou, jogando mais quatro cartas para
o monte.

—Ah, que beleza, agora ele vai comprar o resto da vida dele! -Nick disse,
rindo.

—Calma, pessoal, foi só um erro! -Kio gritou, rindo.- Deixa de ser chato,
Vinnie!

Vinnie só deu de ombros e sorriu.

—Eu avisei que ele não falou!!

—É, realmente, eu acho que ele tá errado mesmo -Mads disse, rindo.-
Vamos fazer ele comprar as cartas.

—Que inferno, gente! -Vinnie resmungou, jogando as cartas.

—Tá, próxima vez fala, hein! -Kio gritou, batendo na perna de Vinnie.-
Acho que essa é a regra número um do jogo, falar Uno!

—Vai tomar no cu, Kio! -Vinnie gritou, rindo. - Você que fica inventando
regra no jogo!

—A gente só quer fazer você comprar, Vinnie! -Kio provocou.- É isso que
acontece quando não fala 'Uno'!
—Isso é injusto! -Vinnie resmungou, jogando as cartas.

Eu, Avani e Mads só rimos, batendo nas costas de Vinnie.

—Tá tranquilo, Vinnie, o Kio só quer ver a sua falha. -Avani disse, rindo.a
Mas você ainda tá ganhando de todos aqui!

Vinnie bufou e pegou mais quatro cartas do monte.

—Droga, Kio, isso é sacanagem!

—É assim que você aprende a jogar, Vinnie! -Kio gritou, rindo.- Fica
ligado, cara, se não fala 'Uno', vai pagar o preço!

—Não vale, Kio, só zoa -Nick disse, rindo.- Vai, Mads, é sua vez.

Mads jogou sua carta com um sorriso malandro.

—Vamos ver se você fala dessa vez, Vinnie.

—Cala a boca, Mads! -Vinnie resmungou, rindo. - Vou jogar uma vermelha
cinco.

—Ah, não vale, Mads, roubou! -Kio gritou. -Agora ele pode falar 'Uno' sem
culpa!

—Claro que vale, Kio! -Mads disse, rindo. -Olha, eu só tô jogando certo!

—Pessoal, vamos parar com isso, deixa o Vinnie ganhar pelo menos uma
vez! -Avani gritou, rindo.

—Não, tem que ensinar ele, Avani! -Kio provocou.- Não pode deixar o
Vinnie ganhar de novo sem falar 'Uno'!

—Ah, não me enche, Kio! -Vinnie resmungou, jogando uma carta amarela
dois.- É isso, vou ganhar essa partida agora!

—Ah, você não falou, Vinnie! -Kio gritou, rindo. - Compra mais quatro
cartas!
—Mas que porra, Kio! -Vinnie resmungou, jogando mais cartas.

Todos riram, incluindo Vinnie, que já estava com um monte de cartas na


mão.

—Ah, que palhaçada! -Vinnie reclamou, segurando as cartas.a Ninguém me


deixa ganhar essa porra!

—Ninguém vai te deixar ganhar mesmo, Vinnie! - Kio disse, rindo. - É


assim que funciona o Uno, só brincadeira!

—Pessoal, chega disso! -Vinnie disse, rindo. -Deixa eu ganhar pelo menos
uma vez!

—Não, não vale -Kio disse, rindo.- Só vai ganhar se falar 'Uno'!

—Ah, que saco, Kio! -Vinnie resmungou, jogando mais uma carta.

Eu e Avani só rimos, batendo nas costas de Vinnie.

—Relaxa, Vinnie, a gente só quer brincar! -eu disse, rindo.- Mas essa regra
de falar 'Uno' é importante!

—Ah, vai se foder, Yasmim! -Vinnie resmungou, rindo.- Vocês só querem


me fazer comprar carta!

—Claro, Vinnie! -Kio disse, rindo.- É assim que funciona o Uno, cara!

—Tá bom, já entendi, Kio, -Vinnie disse, rindo. - Vou começar a falar 'Uno'
toda vez agora, só pra encher o saco de vocês!

Todos riram, batendo palmas.

—Vai lá, Vinnie! -Mads disse, rindo.- Você pode ganhar, sim!

—Parece que o Vinnie aprendeu a falar 'Uno', pessoal! -Nick disse, rindo.

Vinnie sorriu, jogando sua próxima carta.


—Ah, vai se foder, todo mundo!

E a noite continuou assim, com todos rindo, provocando uns aos outros, até
que finalmente, Kio conseguiu ganhar uma partida. Todos gritaram e
zoaram ele, mas no fundo, eu sabia que isso só mostrava como a gente
estava unido. Era uma noite de risadas, brincadeiras, e, acima de tudo, de
amizade.

[...]

A última partida de Uno começou, e todo mundo estava animado,


especialmente Kio. Depois de onze derrotas seguidas, ele estava
determinado a ganhar de uma vez por todas. Vinnie estava do lado, rindo.

—Vai lá, Kio, agora é sua vez de ganhar, hein?

Kio só deu de ombros, rindo.

—Vai ser minha noite, galera! Chega de perder!!

A partida começou e todo mundo estava jogando, rindo, provocando uns


aos outros. Kio estava realmente se concentrando, jogando suas cartas uma
a uma, com um sorriso no rosto. Mas, a cada vez que ele jogava uma carta,
parecia que algo ia errado.

—Não vale, Kio! -Vinnie gritou, quando Kio jogou uma carta amarela cinco
que parecia meio suspeita.- Você pegou essa do nada!

—Ah, cala a boca, Vinnie! -Kio resmungou, rindo.- Vocês só estão com
inveja porque eu vou ganhar essa!

—Claro, Kio, sei... -Mads disse, rindo.- Vamos ver se você consegue ganhar
mesmo!

—É, vamos ver, Kio! -Nick provocou.- Aposto que vai começar a fazer
coisa errada!

Kio sorriu, jogando mais uma carta.


—Vai, tô com tudo hoje!

Mas, conforme a partida ia passando, todos estavam começando a ficar


desconfiados. Kio estava ganhando com uma sorte incrível, enquanto todo
mundo começava a fazer perguntas.

—Ô, Kio, você pegou essas cartas de novo, né? -Bryce disse, rindo.- Você
sempre rouba, essa é a verdade!!

—É, Kio, você sempre dá um jeito! -Vinnie provocou.- Acho que você
precisa ser banido desse jogo!

—Ah, vão todos se foder! -Kio riu.- Vocês estão só com inveja porque eu tô
ganhando!

Todo mundo riu, mas Kio parecia genuinamente feliz por estar ganhando.
Até que, na última rodada, Kio jogou sua última carta, dando um sorriso
enorme.

—Pronto, galera, agora é a minha vez de ganhar!!

—Certo, Kio, mas você falou 'Uno'? -Avani perguntou, rindo.- eu não ouvi,
hein!

—Ah, que saco, Avani! -Kio resmungou, rindo. -Vocês estão me tirando, é
isso!

—Ah, Kio, eu também não ouvi, hein! -Mads disse, rindo.- Vai lá, fala
logo!

Kio bufou, jogando uma carta verde.

—Eu vou ganhar essa mesmo, é só o que importa!

Todo mundo começou a rir, provocando Kio.

—Ah, tá, você deve ter roubado alguma carta aí, -Vinnie disse, rindo.- Se
você ganhar, vamos investigar isso!
—Ah, vão se foder, todo mundo! -Kio resmungou, rindo.- Eu sou só
sortudo!

—Que Deus me livre desse olho grande de vocês, tá amarrado! -kio

Mas então, Kio se levantou do chão, onde estávamos jogando, e quando ele
fez isso, várias cartas caíram de seu bolso. O sorriso de Kio desapareceu
imediatamente.

—Ei, Kio, o que é isso? -Nick gritou, apontando para as cartas no chão.-
Você estava roubando, porra!

Kio olhou para baixo, os olhos arregalados.

—N-não, isso não é o que parece!

—Ah, vai se foder, Kio! -Vinnie gritou, rindo. -Você estava roubando o
tempo todo, desgraçado!

Kio olhou para todos nós, rindo nervosamente.

—P-pessoal, calma! Isso é só brincadeira!

—Brincadeira? Porra, Kio! -Mads gritou, rindo.- Você tava roubando a


sério!

—Parem de implicar, galera! -Kio disse, rindo.- É só uma zoeira!

—Zoação o caralho, Kio! -Bryce gritou.- Você tava roubando, cara!

Kio só deu de ombros, rindo.

—Ah, vocês são todos invejosos! Deus protege quem tem mal olhado!

Assim que Kio terminou essa frase, ele se levantou, e mais cartas caíram de
seu bolso. Todo mundo começou a xingar ele na zoeira, rindo.

—Ah, vai tomar no cu, Kio! -Vinnie gritou, rindo.- Você é um ladrãozinho
mesmo, cara!
—Ei, pessoal, deixa disso! -Kio gritou, rindo. - Eu só tava brincando, vai,
galera!

—Brincadeira nada, Kio! -Mads gritou.- Você estava roubando de verdade!

Kio riu nervosamente, pegando as cartas do chão.

—Ah, vão se foder, todo mundo! Eu não tava roubando, é só uma


brincadeira!

—Ah, Kio, vai te ferrar! -Vinnie riu, balançando a cabeça.- Você é o pior
ladrãozinho do mundo!

Todo mundo riu, brincando com Kio.

—Isso aqui foi uma baita sacanagem, Kio! -Nick disse, rindo.- Nunca mais
quero jogar contigo!

Kio só deu de ombros, rindo.

—Ah, deixa de ser chato, galera! Era só uma zoeira!

Mas todos nós continuamos a brincar com Kio, rindo e provocando ele. Era
assim que a gente gostava de passar o tempo, juntos, zoando uns aos outros
e sempre se divertindo. Mesmo com Kio roubando as cartas, não dava para
tirar a diversão daquela noite. Era uma verdadeira bagunça, mas no final,
todos nós estávamos rindo, felizes, e isso era o que importava.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 93
Enquanto a confusão continuava na sala, Avani me entregou as caixas do
jogo.

—Yas, guarda isso no armário lá em cima, por favor.

Peguei as caixas e subi as escadas, ouvindo ao fundo Bryce e Mads


discutindo sobre quem tinha mais culpa pelo tabuleiro molhado. A leveza
da noite era quase contagiante.

Entrei na sala de jogos e caminhei até o armário. O espaço estava cheio de


jogos de todos os tipos, organizados de forma quase meticulosa. Guardei as
caixas no lugar certo e aproveitei para pegar um momento para mim.

Minha cara estava coberta de farinha, cortesia de uma "brincadeira" de


Vinnie enquanto fazíamos as pizzas. Fui até o quarto do Vinnie para me
limpar. Assim que entrei, notei algo estranho: a cortina e a porta de vidro da
varanda estavam abertas.

Franzi o cenho. Vinnie nunca deixava aquela porta aberta, especialmente


com o vento frio que fazia lá fora. Fechei-a rapidamente, sentindo uma
pontada de inquietação enquanto trancava a tranca. Algo parecia errado,
mas tentei ignorar.

Fui até o banheiro, lavei meu rosto e esfreguei o cabelo até tirar o resto da
farinha. Suspirei ao me olhar no espelho, aliviada por parecer minimamente
apresentável de novo.

Assim que terminei, caminhei até a porta para voltar à sala e me juntar ao
pessoal. Mas, quando tentei abrir, a maçaneta não se mexeu.

—O que? -Murmurei, forçando a porta. Nada aconteceu. Girei a maçaneta


mais uma vez, agora com mais força, mas ela continuava travada.
—Só pode ser brincadeira... -Revirei os olhos e bati na porta.- VINNIE!
KIO! PAREM COM ESSA PALHAÇADA! -gritei, a frustração crescendo.
Silêncio. Nenhuma resposta.

Bufei, impaciente.

—Pelo amor de Deus... -murmurei, cruzando os braços e me virando para


me sentar na cama. Antes que pudesse dar outro passo, tudo aconteceu de
forma tão rápida que meu cérebro mal conseguiu processar.

De repente, fui puxada com força e prensada contra a parede. Uma mão
apertava meu pescoço com brutalidade, cortando minha respiração. A dor
foi imediata, mas o que mais me chocou foi o rosto à minha frente.

Jacob.

Seu rosto estava desfigurado por cortes, manchas de sangue seco e um olho
roxo que quase o fechava por completo. Seus dentes estavam cerrados em
um sorriso selvagem enquanto ele me segurava com força.

—Eu te avisei, vadia. -ele cuspiu, a voz cheia de ódio e desprezo.- Eu disse
que ia te pegar. E agora você vai pagar por tudo.

Minha mente entrou em pânico, mas o instinto foi mais rápido. Com todas
as forças que consegui reunir, ergui o joelho e acertei o ponto mais
vulnerável que pude encontrar. Jacob gritou de dor e me soltou.

Corri para a porta, mas não cheguei nem perto. Ele agarrou meu cabelo com
violência, puxando-me de volta. Um grito escapou da minha garganta
quando ele me jogou no chão com força. Antes que eu pudesse me mover,
ele desferiu um chute na minha barriga. A dor foi avassaladora, me
deixando sem ar.

—Você acha que pode fugir de mim?! -ele gritou, seu rosto contorcido de
raiva.- Você acha que pode brincar comigo e sair ilesa?! Sua maldita!

Antes que eu pudesse me recuperar, ele me ergueu do chão de forma brutal.


Com o braço esquerdo, ele envolveu meu pescoço, me enforcando e me
impedindo de correr. Meu corpo estava pressionado contra o dele, me
deixando completamente imóvel.

Senti a frieza do cano da arma quando ele a encostou na lateral da minha


cabeça com a mão direita.

—Levanta. -ele ordenou, sua voz carregada de veneno. Eu não tinha


escolha. A pressão do braço dele contra o meu pescoço era insuportável, e o
peso da arma contra a minha cabeça era um lembrete cruel de que ele tinha
total controle.

Jacob destrancou a porta com um movimento rápido, me arrastando junto


com ele. O corredor parecia se estender infinitamente enquanto ele me
empurrava para frente. Meu coração batia tão rápido que parecia que iria
explodir. Cada passo era um lembrete de que eu estava à mercê dele, mas
minha mente trabalhava freneticamente em busca de uma saída.

—Você é uma piada -ele continuava.- Você e todos os idiotas lá embaixo.


Vou acabar com todos. Cada um vai pagar, começando por você.

Meu único pensamento, enquanto descíamos as escadas, era simples:preciso


fazer algo antes que seja tarde demais.

Pov — Vincent Hacker

—A gente pode fazer outra noite assim, né? Tipo, uma noite de
hambúrguer!! -Kio falou animado, com aquele sorriso exagerado que ele
sempre faz quando tenta disfarçar algo.

—Eu também acho! -Mads concordou, ajeitando o cabelo com as mãos.

Confesso que não ligo muito pra isso. Só organizei essa noite porque sabia
que ia fazer minha menina sorrir. A Yas estava pra baixo desde... bem,
desde tudo. Ela estava tentando se acostumar com os seguranças e a
presença constante da gente, mas o medo nos olhos dela me matava. Então,
decidi distraí-la.
—Mas sem essa de roubar no jogo, ouviu, Kio?! -Nick apontou, com aquela
cara de bravo que ninguém leva a sério.

—Ai, gente, vocês são muito frescos! Foi só... uma brincadeirinha.

Enquanto eles discutiam sobre o próximo dia ideal pra nossa "noite de
hambúrguer", algo fora do lugar chamou minha atenção. Passos. Não eram
leves ou casuais, e definitivamente não eram de um dos meus homens.

Imediatamente, eu e os meninos nos levantamos, as mãos indo direto para


as pistolas na cintura. Nosso olhar se cruzou, e a tensão na sala cresceu
como um estalo.

Andei até a janela, puxando a cortina devagar para dar uma olhada lá fora.

—Merda... -Bryce murmurou, com o olhar fixo na porta.

Me virei rápido, e o que vi fez meu estômago revirar. Jacob. Ele estava na
sala, segurando Yasmim como refém, com uma arma encostada na cabeça
dela.

—Ora, ora, ora... O quarteto tá completo hoje, hein? -Jacob zombou, um


sorriso cínico no rosto.

Em um movimento sincronizado, eu, Kio, Nick e Bryce sacamos nossas


pistolas e apontamos para ele.

—Ai, meu Deus! -Mads gritou, correndo para o lado de Avani, que estava
pálida, escondida atrás de Bryce.

Minha mente estava a mil. Eu sabia que qualquer movimento errado podia
colocar a Yas em perigo. Mas eu também sabia que não ia deixá-lo sair
daqui vivo.

—Fala logo o que você quer. -exigi, minha voz baixa, firme, enquanto
mantinha a mira na cabeça dele.

—Não é óbvio? Vingança! -Jacob rosnou, apertando ainda mais o braço ao


redor do pescoço da Yas e pressionando a arma contra a cabeça dela.
—Vinnie fez um estrago em você, hein! -Bryce zombou, mas sua voz
carregava a mesma tensão que todos nós sentíamos.

Nick assobiou, e logo os seguranças entraram pela porta, cercando Jacob,


mas mantendo uma distância segura.

—SE ALGUÉM DER MAIS UM PASSO, EU ESTOURO A CABEÇA


DESSA VADIA!!! -Ele gritou, engatilhando a arma.

Olhei para Yasmin, e ela me devolveu um olhar que nunca vou esquecer.
Puro medo. Desespero. Sua pele estava pálida, e eu podia ver suas mãos e
pernas tremendo.

—Pai nosso que estais no céu... -A oração de Avani e Mads começou


baixinho, quase como um sussurro ao fundo.

Os seguranças esperavam por um sinal meu, mas Jacob estava à beira de


um colapso. Qualquer movimento errado, qualquer sinal de agressão, e seria
o fim.

—SE AJOELHA E MANDA ELES LARGAREM A PORRA DAS


ARMAS AGORA!! -Jacob berrou, os olhos cheios de ódio.

—Nem fodendo. -Kio rosnou entre dentes. Eu nunca tinha visto tanta raiva
nele, mas até ele sabia que estávamos pisando em terreno perigoso.

—EU NÃO VOU REPETIR, PORRA! -Jacob gritou, a voz tão alta que
ecoou pela sala.

Eu respirei fundo, minha mente funcionando rápido.

—Larguem as armas. -Minha voz cortou o ar.

Todos me encararam, surpresos.

—Eu disse, larguem as armas! AGORA!

Dei alguns passos, parando no meio da sala, a poucos metros da Yas e


daquele desgraçado do Jacob.
Porra, eu pensei que nunca mais faria isso por alguém. Mas, por ela...

Respirei fundo e coloquei minha arma no chão, sentindo meu orgulho ser
esmagado no processo. Lentamente, me ajoelhei diante de Jacob.

Imediatamente, os outros abaixaram as armas e as colocaram no chão,


embora cada movimento fosse carregado de relutância.

—Anda logo, Kio. -Nick sussurrou, percebendo que Kio ainda não tirava a
mira da cabeça de Jacob.

—Ele tá blefando -Kio falou, sua voz trêmula de raiva. Ele quase chorava.

—Kio, por favor... -A voz dela. Era a primeira vez que Yasmin falava desde
que Jacob a pegou, e ouvir o medo em suas palavras cortou meu coração.

Kio lançou um olhar para mim, como se pedisse permissão. Apenas assenti,
e ele, ainda hesitante, abaixou a arma.

—Vejam só! O famoso Vinnie Hacker, ajoelhado diante de mim! -Jacob


zombou, rindo como um psicopata.

Engoli minha vontade de retrucar. Ele estava no limite, louco de raiva e


disposto a qualquer coisa por vingança. Um movimento em falso, e ele
podia atirar na Yas. E eu sabia que ele nunca blefava.

—Solta ela! -Bryce falou, mantendo a calma.

—Você acha mesmo que eu vou soltar ela? Nem ferrando! -Jacob
respondeu, a risada se transformando em um rosnado.- Vou matar um por
um, e a primeira vai ser ela.

Ele deu um tiro pro alto, o som ensurdecedor fazendo todos na sala se
encolherem, antes de voltar a pressionar a arma contra a cabeça de
Yasmim.

Porra, o que eu faço?!


—Podem vir! -Jacob gritou, e a porta da sala se abriu com estrondo. Seus
homens entraram, alguns cobertos de sangue, exibindo um olhar selvagem e
sádico.

—Vocês estão vendo isso? O Hacker tá ajoelhado e rendido pra mim!! -


Jacob falou, todo orgulhoso, enquanto encarava seus capangas.

—Você é o cara, chefe! -Um deles respondeu, como se estivessem em


algum tipo de show.

Minha mente trabalhava a mil. Eu precisava de uma brecha, um segundo


em que ele baixasse a guarda. Então, em um descuido dele, movi meu braço
lentamente em direção à minha pistola.

Meus dedos tocaram o cabo da arma, e em um movimento rápido, peguei-a


e me levantei de uma vez.

Os meninos não hesitaram e fizeram o mesmo, sacando suas armas junto


com os meus seguranças.

—MERDA!! -Jacob gritou, percebendo o que tínhamos feito. Ele parecia


desesperado, sua expressão oscilando entre raiva e pânico.

Meus homens e os de Jacob agora estavam frente a frente, as armas


apontadas uns para os outros. O clima na sala ficou ainda mais tenso, o ar
carregado como se o menor movimento fosse acender a faísca.

Se todos começassem a atirar, ia ser uma carnificina.

Bryce se aproximou, mantendo a arma firme, mas falando baixo o


suficiente para só eu ouvir:

—Cara, a gente precisa fazer alguma coisa...

—Assim que eu der o sinal. -murmurei de volta, sem tirar os olhos da Yas
nem por um segundo.

Ele concordou com a cabeça e fez um sinal discreto para os meninos.


Todos entraram em posição, apontando novamente suas armas para Jacob,
esperando por mim.

Respirei fundo, tentando controlar o caos dentro da minha mente, e lancei


um último olhar para Yasmim. Ela estava assustada, mas havia uma
determinação em seus olhos que me partiu o coração.

Voltei minha atenção para Jacob, que agora parecia nervoso, suas mãos
tremendo levemente enquanto segurava a arma.

—E-eu solto ela, mas se vocês atirarem, eu explodo a cabeça dela!! -ele
gritou, a voz embargada.

Meus meninos e eu trocamos olhares rápidos. Bryce deu um leve aceno, e


Nick apertou o cabo de sua pistola, o rosto carregado de ódio.

Jacob começou a soltar Yasmim, seus movimentos lentos, como se


saboreasse cada segundo. Ele sussurrava algo no ouvido dela, mas o som
baixo não nos permitia entender. Ela parecia petrificada, os olhos cheios de
lágrimas que não derramavam.

Finalmente, ele a soltou, e ela começou a caminhar em minha direção, os


passos hesitantes. Meu coração batia tão forte que podia sentir o eco no
peito, cada segundo uma eternidade.

—Alles. -Jacob chamou, e Yasmim se virou devagar, relutante, para encará-


lo.

—Eu avisei que ia te matar.

O som do disparo rasgou o ar como um trovão, ensurdecendo tudo ao meu


redor.

—NÃO!!! -Eu gritei, o som saindo de mim como um rugido desesperado.

Yasmim cambaleou para trás, a mão indo automaticamente à barriga, os


olhos arregalados de dor e choque. Ela tentou se equilibrar, mas suas pernas
cederam, e ela caiu de bruços no chão com um baque seco.
—PUTA MERDA!! -Kio gritou, a voz dele cheia de pânico.

O mundo ao meu redor pareceu congelar. Todo o barulho se tornou um


zumbido distante. Minha visão se fixou nela, no amor da minha vida caída
no chão, imóvel. O sangue começava a se espalhar rapidamente ao seu
redor, manchando o chão.

Meu corpo inteiro tremeu, um misto de medo e raiva me consumindo. Não


pensei, não hesitei. Apontei minha arma diretamente para Jacob e comecei a
atirar, descarregando minha fúria em cada disparo.

Jacob correu, se escondendo atrás da parede do corredor para a cozinha,


enquanto os tiros continuavam a ecoar pela sala.

De repente, o caos explodiu. A troca de tiros entre as duas gangues


começou com uma intensidade brutal. Balas voavam de um lado para o
outro, e o som ensurdecedor preenchia a sala.

Eu queria chegar até ela. Queria segurá-la, garantir que ela ficasse
acordada, viva. Mas não conseguia me mover. Cada passo que eu tentava
dar em sua direção era bloqueado por tiros e sangue.

—Caralho, protejam a Yasmin!! -Bryce gritou, tentando avançar, mas sendo


forçado a recuar quando uma bala passou perto de sua cabeça.

Olhei para trás e vi Mads e Avani. Ambas estavam em um estado de


completo desespero, os rostos inchados de tanto chorar. Elas gritavam, os
gritos dilacerantes ecoando pela sala, mas eram impotentes, presas ao medo
e à dor de ver a amiga no chão, ensanguentada e imóvel.

—FILHO DA PUTA!! -Kio rugiu, atirando sem parar em direção a Jacob e


seus homens.- Você vai pagar por isso, desgraçado!!

Cada segundo parecia uma eternidade. Meu medo de perder Yasmim era um
peso esmagador no peito, e minha raiva, uma chama descontrolada que
alimentava cada disparo.

Jacob riu, sua voz ecoando em meio ao caos:


—Olha só o que você causou, Hacker! Não adianta mais! Ela vai morrer, e
você não vai poder fazer nada!!

—EU VOU MATAR VOCÊ!!! -gritei de volta, minha voz saindo como um
rugido animalesco.

Mas enquanto o tiroteio continuava, o medo tomou conta de mim. E se


fosse tarde demais?

Eu precisava chegar até ela.

—A gente precisa ir, chefe!! -Dois dos meus homens vieram correndo até
mim, o som dos tiros ecoando pela casa.

—ANDA LOGO! A COISA VAI FICAR FEIA!! -gritaram enquanto me


puxavam pelos braços.

—ME SOLTA, PORRA!! -Eu rugi, tentando me livrar do aperto deles, mas
mais um segurança veio, me segurando com força.

—VOCÊS SÃO LOUCOS?! A YASMIM TÁ MORRENDO, CARALHO!!


-gritei, minha voz saindo mais como um urro, misturando raiva e
desespero.

Outro homem segurou Kio, que também lutava com todas as forças para se
soltar.

—DEIXA EU VOLTAR! EU NÃO VOU DEIXAR ELA LÁ, PORRA!! -


ele gritava, o rosto vermelho de raiva e os olhos molhados.

—ME SOLTEM!! -Nick rugiu, tentando bater em quem o segurava, mas foi
arrastado para fora, chutando e berrando.

Bryce, em um estado de completo desespero, berrava a plenos pulmões.

—VOCÊS NÃO ENTENDEM?! ELA VAI MORRER! PORRA, ELA VAI


MORRER, CARALHO!! -Ele tentava socar o homem que o segurava, os
olhos arregalados e cheios de lágrimas.
Eu chutava, socava, fazia tudo que podia para me soltar, mas era inútil. Os
seguranças me levantaram do chão como se eu fosse um peso morto,
arrastando meu corpo para fora da casa.

—VOCÊS TÃO LOUCOS?! ME DEIXEM VOLTAR, FILHOS DA


PUTA!! -Meu grito ecoava, misturado com o barulho dos tiros, mas eles
não me soltaram.

—VINNIE! ELA TÁ LÁ! ELA TÁ SANGRANDO!! -Mads gritou


enquanto Avani soluçava de desespero, seus gritos agudos se misturando
com os sons de luta ao redor.

Antes que cruzássemos a porta, meu olhar se prendeu nela.

Yasmim.

Ela estava caída no chão, rodeada por uma poça de sangue que crescia
rápido demais. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, e ela me olhava,
desesperada. Ela não disse nada, mas o olhar dela foi como um soco no meu
peito. Eu estava deixando ela ali. Sozinha. Morrendo.

—PORRA, NÃO!! -Eu rugi novamente, lutando como um animal


selvagem, tentando me soltar.

—VOCÊS VÃO DEIXAR ELA MORRER, CARALHO!! -Meu grito saiu


rouco, cada palavra carregada de dor.

Mas foi inútil. Os seguranças eram mais fortes, mais rápidos. Me colocaram
à força dentro da SUV.

Bryce, do outro lado, esmurrava a janela do carro.

—NÃO PODEMOS DEIXAR ELA LÁ!! VOLTEM!! VOLTEM!! -Ele


gritava, o rosto vermelho, o punho ensanguentado de tanto bater no vidro.

Nick estava parado, os olhos fixos no vazio, sem falar nada. Mads chorava
descontroladamente, o rosto enterrado nas mãos, enquanto Avani soluçava
alto.
O carro acelerou, e eu bati com força no encosto do banco da frente.

—FILHOS DA PUTA, VIREM ESSA MERDA DE CARRO!! -gritei, mas


ninguém me ouviu.

Eu sabia que estavam tentando me proteger. Sabia que, se ficássemos, todos


morreríamos. Mas isso não importava. Eu precisava voltar. Precisava salvar
a minha mulher.

E o olhar dela... aquele olhar... nunca sairia da minha mente.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 94
O silêncio dentro da SUV era insuportável. Meu coração estava acelerado,
mas minha mente... ela estava a mil, tentando encontrar qualquer porra de
solução pra salvar a Yasmim. Meu corpo inteiro tremia de raiva e medo,
mas era o medo que tava me matando. Medo de perder ela.

Sem pensar, puxei minha pistola e apontei pra cabeça do segurança que
dirigia.

—Encosta essa merda AGORA!! -gritei, minha voz quase saindo como um
rugido.

—Senhor, não podemos voltar, é suicídio! -ele respondeu, com a voz


trêmula.

—Eu não tô pedindo, porra! Tô mandando!- pressionei o cano contra a


lateral da cabeça dele, minha respiração pesada.

—Vinnie, para com isso! -Bryce tentou segurar meu braço, mas eu não
recuei.

—Ela tá lá dentro! Ela vai morrer, karalho!! -gritei de volta, a raiva


transbordando.

—Se a gente voltar agora sem um plano, todo mundo vai morrer, inclusive
ela! -Bryce tentou argumentar.

Soltei uma risada seca, cheia de ódio.

—Você acha que eu me importo comigo agora?!

—Eu vou entrar naquela merda de casa, pegar a Yasmim e acabar com
cada filho da puta que aparecer na minha frente. E você vai me levar de
volta, ou eu juro por Deus que eu explodo tua cabeça aqui mesmo. -Minha
voz saiu carregada, cheia de ódio.
—Vinnie, você tá fodendo tudo!! -Bryce gritou, tentando puxar minha mão.

—Eu tô fodendo tudo? A Yasmim tá lá, sangrando, POR MINHA CAUSA,


karalho!! -gritei de volta, empurrando Bryce com o ombro. - Se ela morrer,
eu não quero saber de mais nada. Tô nem aí pra mim, pra vocês ou pra essa
porra toda.

—VOCÊ TÁ PENSANDO COM O CU PORRA?! -Nick berrou pelo rádio,


ouvindo tudo do outro carro.- Voltar agora é SUICÍDIO!

—FODA-SE!! -rebati, chutando a porta da SUV com tanta força que o


metal chegou a ranger.- Eu vou me entregar. Vocês tão surdos? Eu vou
acabar com isso agora!

Todos me encararam como se eu tivesse perdido a porra da cabeça, mas eu


não me importava. Não dava pra pensar em mais nada além dela.

Bryce me segurou pelos ombros, o rosto dele tão vermelho quanto o meu.

—Você vai entrar lá sozinho? Tá achando que é o Rambo, porra?!

—Eu não sou o Rambo, mas também não sou um covarde. -retruquei,
empurrando ele de novo. - Ela tá lá, cara! Aquela merda de sangue no chão
é culpa minha! Se alguém tem que morrer, sou eu!

Nick entrou na linha de novo, berrando como um desgraçado.

—Vinnie, você vai morrer e deixar essa merda pior ainda! Quer que ela
acorde e descubra que você tá morto, filho da puta?

—ELA NEM VAI ACORDAR SE A GENTE NÃO FIZER NADA!! -gritei


de volta, chutando a lateral do carro mais uma vez.

O silêncio caiu por alguns segundos. Bryce passou a mão no rosto,


claramente tentando não me socar. Kio, do lado, socou a porta da SUV, a
raiva dele transbordando também.

—Quer saber? Foda-se também! -Kio gritou, encarando todos na SUV.- Se


ele quer se matar, deixa! Mas eu não vou ficar aqui parado assistindo. Ou a
gente faz alguma coisa agora, ou eu mesmo vou entrar lá e acabar com
tudo!

—VOCÊS DOIS VÃO CALAR A PORRA DA BOCA!! -Bryce explodiu,


socando o banco da frente.- Ninguém vai se entregar! Ninguém vai morrer!
E, caralho, a gente vai salvar a Yasmim sem se matar no processo!

—Como, Bryce?! COMO?! -rebati, apontando a arma pra ele agora.- Você
vai ligar pra polícia? Vai esperar os anjinhos descerem do céu pra salvar
ela?!

—Não, mas eu não vou deixar um idiota suicida foder o resto da gente!

Olhei pro nada por alguns segundos, respirando fundo. Mas nem isso
adiantava. A imagem dela, caída no chão, os olhos dela... Porra, isso tava
me destruindo.

—Ela é tudo pra mim, caralho, -murmurei, minha voz tremendo pela
primeira vez.a E se eu tiver que morrer pra salvar ela, eu vou. Não interessa
o que vocês acham.

Bryce bufou, passando a mão no cabelo.

Nick, do outro carro, cortou o silêncio de novo.

—Vocês vão ouvir meu plano agora ou vão continuar brincando de quem é
mais burro?

Eu soltei um grunhido de raiva, mas ouvi. Porque, no fundo, sabia que ele
tava certo. Se eu entrasse lá agora, ia ser só mais um corpo no chão.

Nick parou a SUV atrás da nossa, estacionando com um movimento brusco


que fez os pneus derraparem na estrada. Os outros na SUV comigo estavam
tentando falar alguma coisa, mas eu só conseguia ouvir o som dos tiros
ecoando na minha cabeça e o rosto da Yasmim jogada no chão.

A porta da SUV de trás se abriu, e Nick veio marchando até nós com o
rosto carregado de raiva. Mads e Avani desceram logo em seguida, mas
ficaram perto da SUV, claramente abaladas, com lágrimas escorrendo pelo
rosto.

—Bryce, que porra tá acontecendo aqui?! -Nick gritou enquanto se


aproximava.

—Ele tá tentando se matar, é isso que tá acontecendo! -Bryce rebateu,


apontando pra mim.

—Vinnie, você vai parar de agir como um idiota ou eu juro que te faço
parar. -Nick rosnou, cruzando os braços.

—Foda-se você, Nick. Foda-se todo mundo. -rebati, soltando um grunhido


de raiva.- Ela tá lá, porra! Eles mataram os meus homens antes de a gente
entrar, cara! Você viu, eles estavam jogados no chão, mortos como se
fossem lixo! Isso é culpa minha. Eu devia ter previsto isso.

Nick respirou fundo, tentando manter a calma.

—Culpa sua ou não, se você voltar lá sozinho, vai ser só mais um cadáver.
E aí quem vai salvar a Yasmim? Hã? Você vai mesmo deixar ela morrer por
sua burrice?

Bryce chutou a lateral da SUV, o som alto ecoando na estrada deserta.

—Porra, vocês dois, CHEGA! A gente precisa de um plano, não de uma


briga.

—Ótimo. Então começa mandando esse segurança de merda levar as


meninas pra casa. Elas não podem ficar aqui. -Nick ordenou, apontando pro
outro carro.

Bryce olhou pro segurança do segundo carro.

—Você ouviu o Nick, porra. Leva as meninas pra casa agora! Não para por
nada, não atende ninguém no caminho. Só deixa elas seguras, entendeu?

O segurança hesitou por um momento, mas o olhar de Bryce não deixou


espaço pra discussão. Ele acenou com a cabeça, e Mads e Avani, ainda
relutantes, entraram de volta no carro.

—Vinnie, ajuda ela, por favor... -Avani murmurou, os olhos dela carregados
de medo enquanto me olhava pela janela da SUV.

Eu não respondi. Só dei as costas, tentando engolir a porra do nó na minha


garganta.

O carro arrancou em disparada, desaparecendo pela estrada. Agora só


sobravam a gente e o silêncio pesado.

—Beleza, porra. E agora? -Bryce perguntou, olhando pra Nick.

Nick abriu o mapa que estava na SUV, jogando-o no capô.

—Escutem, aqui tá o plano. A gente tá fodido, mas não morto. Se eles


mataram os nossos homens antes de entrar, significa que o perímetro deles
ainda tá vulnerável. Se for rápido o suficiente, dá pra pegar eles de surpresa.

—Como você pretende fazer isso com uma porra de guerra acontecendo lá
dentro? -Bryce questionou, cerrando os dentes.

—gente vai dividir. Eu, Kio e Bryce criamos uma distração no lado leste.
Enquanto isso, Vinnie entra pelo corredor oeste. É mais arriscado, mas é o
único caminho com menos movimentação.

—Isso é uma merda de plano. -murmurei, ainda segurando a pistola com


força.

—Talvez seja. Mas é o único que temos. -Nick rebateu.- Você quer salvar a
Yasmim ou não?

Soltei um suspiro pesado, os olhos fechando por um segundo.

—Porra, vamos nessa.

Assim que concordei com o plano, a tensão entre nós pareceu aumentar.
Ninguém queria admitir, mas sabíamos que o risco era absurdo. Era
suicídio, porra. E, ainda assim, era a única opção.
Bryce respirou fundo, quebrando o silêncio.

—Então é isso. Eu e o Kio criamos a porra da distração, e o Nick vai cobrir


o corredor enquanto você, Vinnie, faz o que precisa fazer. -Ele me olhou
diretamente nos olhos.- Mas eu vou te dizer uma coisa: você não vai lá pra
morrer, ouviu? Você pega a Yasmim e traz ela de volta. Só isso.

—Eu não preciso de sermão, Bryce. -retruquei, segurando a arma com


ainda mais força.- Eu vou fazer o que for preciso. Ninguém vai me parar.

—Isso é o que me preocupa. -Kio murmurou, ainda com um tom de culpa


evidente na voz. - Vinnie, você precisa manter a porra da cabeça no lugar.
Não adianta resgatar ela se você morrer no processo.

Eu bufei, irritado.

—A única coisa que importa agora é tirar ela de lá. Não importa o que
custe.

Nick abriu o porta-malas da SUV e começou a distribuir equipamentos.


Pistolas, rifles, coletes à prova de bala.

—Se vamos fazer isso, vamos fazer direito. Bryce, pega o explosivo pra
distração. Kio, leva as granadas de fumaça. Vinnie, você vai precisar disso.
-Ele jogou um rádio pra mim.

Olhei pro rádio e depois pra ele.

—Eu não vou precisar dessa merda.

—Vai sim, caralho. Porque se algo der errado, a gente precisa saber. -Nick
retrucou, sua voz carregada de autoridade.

Quando estávamos prontos, Bryce deu o primeiro passo em direção ao


carro. Ele parou por um momento e olhou pra mim por cima do ombro.

—Vinnie, só uma coisa... Se der errado...


—Não vai dar errado. -interrompi, cortando a conversa antes que ele
pudesse terminar.

—Agora anda logo, caralho. Cada segundo que perdemos é um segundo a


menos pra ela. -completei.

Bryce assentiu, e ele e Kio subiram de volta na SUV.

Nick olhou pra mim uma última vez antes de assumir o volante do nosso
carro.

—É agora ou nunca, irmão. Se concentra. E, pelo amor de Deus, não faz


nenhuma merda maior do que já estamos fazendo.

Assenti em silêncio, engolindo o medo e a raiva que se misturavam no meu


peito. Eu estava pronto pra entrar no inferno se fosse preciso.

E Jacob... aquele desgraçado não fazia ideia do que estava por vir.

[...]

O silêncio dentro da SUV era tão intenso que dava pra ouvir nossa
respiração pesada, misturada com a tensão no ar. Meu coração batia tão
rápido que parecia que ia explodir. Bryce dirigia como um lunático, o motor
da SUV rugindo contra o asfalto enquanto nos aproximávamos do inferno.

—Esse filho da puta vai pagar! -Kio rosnou, os punhos cerrados tão forte
que seus dedos estavam brancos. Ele olhou pra mim, os olhos cheios de
fúria.- Vinnie, se você deixar ele escapar, eu juro por Deus que te mato.

—Eu vou matar ele com as minhas próprias mãos, porra. -cuspi, quase
tremendo de raiva. - Esse desgraçado vai se arrepender de ter nascido. EU
VOU ACABAR COM ELE!

Bryce bateu com força no volante.

—CALA A BOCA, CARALHO! Fiquem focados! Se a gente perder o


controle agora, tá todo mundo fodido. Entendido?
Nick estava no rádio, tentando coordenar os seguranças restantes.

—Os caras que estavam na entrada foram massacrados, porra. Jacob sabia o
que tava fazendo. Ele planejou tudo isso.

—E quem disse que isso importa? -retruquei, os olhos fixos na estrada.- A


gente tá indo pra pegar ele, e eu vou sair dali com a Yasmim nos meus
braços. Nem que eu tenha que morrer pra isso.

Quando chegamos ao local, o caos estava ainda pior do que eu esperava. O


som de tiros ecoava pela noite como trovões, as luzes da casa piscando
enquanto tiros quebravam as janelas. Corpos de meus homens estavam
espalhados pela entrada, o sangue escorrendo pelo chão.

Eu engoli seco, o nó na garganta quase me sufocando. Aquilo era minha


culpa. Todos eles estavam mortos por minha causa, porque eu falhei em
proteger a minha mulher.

—Vinnie, foco! -Bryce gritou, puxando meu braço. Ele olhou pra Kio e
Nick.- Vamos entrar. Distração primeiro. Vinnie, fica atrás de mim. Eu abro
o caminho.

Antes que pudesse protestar, Bryce jogou uma granada de fumaça na frente
da casa. A explosão abafada preencheu o ar com uma névoa espessa, e
corremos pra dentro enquanto os seguranças de Jacob começavam a atirar
às cegas.

—FILHOS DA PUTA!! -Kio gritou, descarregando sua pistola nos


primeiros dois homens que apareceram.- VEM, DESGRAÇADOS!!!

A troca de tiros foi brutal. Cada sala que passávamos era um campo de
guerra, com corpos caindo de ambos os lados. A cada passo, minha mente
só conseguia pensar nela. Yasmim. Eu precisava chegar até ela.

Quando finalmente cheguei à sala onde ela estava, meu coração parou.

Ela estava no chão, imóvel, com o rosto pálido e envolta numa poça de
sangue. A camisa branca dela estava tingida de vermelho, e seus olhos
estavam fechados.

—YASMIN!!! -gritei, correndo até ela enquanto o som dos tiros continuava
ao meu redor.

Caí de joelhos ao lado dela, meu corpo tremendo. Eu segurava o choro, mas
as lágrimas já estavam queimando meus olhos. Aquilo acabou comigo. Ver
ela daquele jeito... parecia que alguém tinha arrancado meu coração do
peito e pisoteado.

Toquei o rosto dela com as mãos sujas de sangue.

—Ei, amor... eu tô aqui. Você vai ficar bem, tá? Eu prometo. -Minha voz
falhou, e a raiva misturada com o medo quase me sufocou.

Bryce entrou na sala logo atrás de mim, cobrindo a porta.

—Vinnie, a gente precisa sair agora!

—EU NÃO VOU SAIR SEM ELA! -gritei de volta, minha voz cheia de
desespero.

Nick veio correndo, a arma em mãos.

—Jacob fugiu, mas tá baleado. Os caras dele tão recuando. A gente tem que
dar o fora!!

—Eu vou matar aquele desgraçado! -rosnou Bryce, atirando nos últimos
homens que tentavam resistir.

—Ele vai pagar, mas agora a prioridade é ela! -Nick gritou.

O barulho da trocação de tiros lá dentro era ensurdecedor, mas tudo parecia


ficar abafado ao redor de mim enquanto eu me ajoelhava no chão ao lado
dela.

—Não, não, não... -Minha voz saiu tremida, e eu nem reconheci o som dela.
Segurei o rosto da Yasmim com cuidado, sentindo o sangue quente escorrer
pelas minhas mãos.
—Yasmim... amor, por favor... olha pra mim. Fala comigo.

Ela não respondeu. Sua respiração era tão fraca que mal dava pra perceber
que ela ainda estava ali. Senti um aperto no peito tão forte que me faltou o
ar por um instante.

—PORRA, ME AJUDA AQUI KARALHO!! -gritei, minha voz carregada


de desespero, enquanto olhava para os meninos.

Bryce e Kio vieram correndo, mas pararam ao me verem. Meus olhos


estavam vermelhos, e as lágrimas começaram a descer sem controle. Eu não
era o tipo de cara que chorava. Nunca. Mas, naquele momento, eu não
conseguia segurar.

—Vinnie... -Bryce começou, a voz hesitante.

—SEGURA A BOCA, PORRA! SÓ ME AJUDA A LEVANTAR ELA!

Os dois se abaixaram e me ajudaram a levantá-la com cuidado. O sangue


encharcava tudo ao nosso redor, e cada segundo parecia uma eternidade
enquanto carregávamos Yasmim até a SUV.

Quando a colocamos no banco de trás, me sentei ao lado dela, segurando-a


contra mim. Suas roupas estavam completamente ensopadas de sangue, e eu
não conseguia parar de olhar para o rosto dela.

—Amor, por favor... não faz isso comigo -sussurrei, minha voz quebrando.
Minhas lágrimas caíam descontroladamente, molhando o rosto dela.- Você
não pode me deixar. Eu preciso de você, caralho. Você prometeu ficar
comigo.

Bryce entrou no banco do motorista e ligou o carro, cantando os pneus ao


arrancar. Kio estava no banco do passageiro, com o rosto pálido. Nick se
segurava na caçamba enquanto o veículo acelerava.

—Yasmim, me escuta, -continuei, minha voz embargada. Peguei a mão


dela, apertando-a contra o meu peito.a Tá me ouvindo? Eu tô aqui. Não vou
te deixar nunca. Você só precisa ficar comigo. Só isso. É tudo que eu te
peço.

Ela não reagia. Sua cabeça pendia para o lado, e isso me destruía por
dentro.

—Vinnie... -Kio começou, virando-se para me olhar.

—SE FODE, KIO! -rosnei, minha voz um misto de raiva e dor.- Ela vai
ficar bem! ELA VAI FICAR BEM, PORRA!

Levantei a camisa dela, que antes era branca e agora estava completamente
encharcada de sangue. Ao ver o ferimento, meu estômago revirou. A coisa
estava feia. Muito feia.

—Bryce, anda logo com essa merda de carro! Ela tá perdendo muito
sangue! -Kio gritou

—Eu já tô correndo o máximo que dá, porra! -Bryce gritou de volta, sua
voz carregada de tensão.

Olhei novamente para Yasmim, tentando segurar as lágrimas que


continuavam a cair. Eu odiava parecer fraco, mas naquele momento, eu não
me importava com nada além dela.

—Amor... eu sei que você é forte. Você sempre foi mais forte do que eu.. -
sussurrei, minha voz quase inaudível. Minhas mãos tremiam enquanto
seguravam o rosto dela.- Então me prova isso agora, tá? Só me prova. Só
fica comigo..

Minhas lágrimas escorriam, pingando no rosto dela. Cada gota parecia


pesar uma tonelada, e eu sentia como se estivesse me afogando naquele
desespero.

—Puta que pariu, Yasmim... não faz isso comigo. -sussurrei, minha voz
falhando.

Bryce continuava dirigindo como um louco, e o som do motor rugindo era a


única coisa que quebrava o silêncio sufocante dentro do carro.
Por um momento, achei que ela fosse reagir. Sua respiração ficou um pouco
mais forte, mas logo voltou a ser irregular. Eu quase perdi o controle ali.

—Caralho, por favor... —implorei, pressionando o ferimento com ainda


mais força, mesmo sabendo que aquilo devia estar doendo pra ela. - Fica
comigo, amor. Só mais um pouco. Eu prometo que vou te tirar dessa. Eu
PROMETO!

O carro voava pela estrada, e cada segundo parecia uma eternidade


enquanto eu assistia a vida da Yasmim escorrer pelas minhas mãos.

A cada segundo que passava, minha mente só conseguia focar na imagem


dela, jogada no banco de trás, a vida escapando de seus olhos. Minhas mãos
tremiam tanto que mal conseguiam segurar o lençol que eu improvisava
como torniquete. A dor que eu sentia era tão física quanto emocional, e o
desespero me corroía por dentro.

—Bryce... anda logo com essa merda de carro, caralho! -gritei, minha voz
já rouca de tanto chorar. Kio estava completamente pálido ao meu lado, a
boca seca, os olhos arregalados.

Nick estava na caçamba, segurando-se para não cair enquanto o carro dava
curvas perigosas.

—Vinnie, pelo amor de Deus... tenta manter a calma! -ele gritou, sua voz
trêmula.

Mas eu não conseguia manter a calma. Ver a Yasmim daquele jeito, a dor
nos olhos dela, era demais. Eu não sabia o que fazer. Não podia perdê-la.
Não conseguia.

Foi então que senti algo dentro de mim se quebrar. A raiva, a dor, o medo...
tudo explodiu numa onda de desesperança. E, de repente, a única coisa que
me veio à mente foi o que minha mãe costumava me ensinar, a única coisa
que ela me deixou antes de morrer..

—Pai Nosso que estás no céu, santificado seja o vosso nome, venha a nós o
vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu... -minha
voz era trêmula, quase inaudível.

Os meninos me olharam com expressão de choque, como se eu fosse um


maluco. Bryce, Kio, Nick... nenhum deles conseguiu esconder sua surpresa.

—Vinnie, o que você tá fazendo? -Kio perguntou, a voz saindo tremida.

—Foda-se! -eu gritei, minha voz embargada de lágrimas.- Só me deixa


fazer isso! Ela precisa de qualquer coisa, até se for um deus que eu nunca
acreditei!

Aquelas palavras eram uma mistura de dor, raiva e medo, todos os


sentimentos explodindo ao mesmo tempo. Aquelas palavras eram a única
coisa que eu podia fazer.

A estrada à frente estava borrada pelas minhas lágrimas, e o silêncio dentro


do carro era ensurdecedor. Mas eu continuei repetindo a oração, como se
fosse a única coisa capaz de salvar a Yasmim. Eu precisava acreditar nisso.
Precisava que isso funcionasse.

—Vinnie, para com isso... -Bryce gritou, sua voz cheia de desespero.- Você
tá ficando louco!

—Eu não ligo! -eu berrei, a dor me esmagando por dentro.- Eu só... preciso
fazer alguma coisa! PORRA, ALGUÉM ME DIZ O QUE FAZER!!!

Kio estava tentando segurar as lágrimas.

—Vinnie... ela... ela não pode morrer... a gente... a gente precisa acreditar
em alguma coisa, não é?

Minha voz estava embargada de lágrimas.

—Eu... eu não posso perdê-la, Kio. Eu... eu não consigo!

Bryce acelerou ainda mais, enquanto o carro balançava nas curvas.

—Nós estamos chegando no QG. -ele disse, a voz baixa.- Os médicos estão
esperando por ela. A gente vai conseguir, Vinnie.
Eu continuei repetindo a oração, minha voz cada vez mais baixa.

—Pai Nosso que estás no céu... venha a nós o vosso reino...

Bryce finalmente parou o carro em frente ao QG da máfia, e os médicos já


estavam esperando na entrada, prontos para levar Yasmim para a sala de
emergência. Bryce e Kio abriram a porta do carro rapidamente, e os
médicos vieram correndo, colocando-a em uma maca com urgência.

—Vamos, rápido! -um dos médicos gritou, enquanto os outros seguravam


os equipamentos.

Eu me ajoelhei no chão, vendo minha Yasmim ser levada para dentro,


minha mente em completo turbilhão. Minhas lágrimas caíam sem controle,
e aquela oração era a única coisa que eu tinha para me agarrar.

—Por favor, Yasmim... fica bem, amor. Eu te amo tanto.

As palavras saíam entre soluços, e eu só conseguia olhar para a porta do


hospital, com o coração na garganta. A última imagem que tive foi ela
sendo carregada para dentro, e um dos médicos me olhando com um olhar
de tristeza.

—Vai ficar tudo bem, Vinnie. Eles vão fazer de tudo por ela.

Eu só consegui balançar a cabeça, sentindo que parte de mim tinha sido


arrancada. Eu não sabia em que momento eu tinha me rendido a essa oração
ridícula, mas naquele momento, parecia a única coisa capaz de segurar a
dor. E eu sabia que, seja lá o que acontecesse, eu não podia perder a
Yasmim.

—Por favor, Deus... faça ela ficar bem, pai...

Eu fechei os olhos e continuei repetindo a oração um milhão de vezes,


mesmo sabendo que não acreditava nela. Mas, naquele momento, a única
coisa que eu tinha era a esperança de que aquilo funcionasse.
Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!
Capítulo 95
O prédio imponente do QG parecia mais um hospital de ponta do que um
local clandestino de uma máfia. A fachada era de vidro, o que deixava à
mostra uma recepção impecável, cheia de pessoas em jalecos brancos e
equipamentos de última geração. Médicos e enfermeiros corriam de um
lado para o outro, todos altamente treinados. As salas de cirurgia eram
completamente equipadas com tecnologia avançada, capazes de lidar com
qualquer emergência.

Eu estava agachado bem em frente à entrada, minha respiração irregular


enquanto repetia a oração como se minha vida dependesse disso. Não era só
por ela, mas por mim também. Eu sentia que, se ela não sobrevivesse, uma
parte de mim morreria junto.

—Pai Nosso que estás no céu... santificado seja o vosso nome... -As
palavras saíam entre soluços. Meus olhos estavam ardendo de tanto chorar,
e minhas mãos tremiam descontroladamente.

De repente, senti uma mão pesada pousar no meu ombro. Era Bryce. Ele
estava suado, os olhos sérios e cansados, mas ainda tentando manter a
calma.

—Vinnie... levanta. Vamos entrar. Eles já estão cuidando dela, e você


precisa acreditar que ela vai sair dessa.

—Eu não consigo, cara... -murmurei, a voz falhando.- Eu não consigo


pensar em nada além dela ali dentro. Eu devia ter feito mais. Eu devia ter
protegido ela.

—Você fez o que podia, porra! -Bryce disse firme.- Agora é com os
médicos. Levanta essa merda, caralho, porque ficar aqui chorando não vai
mudar nada.

Engoli seco e me forcei a levantar, mesmo que minhas pernas ainda


estivessem bambas. Antes de cruzarmos a porta de entrada, o som de
sirenes me fez virar a cabeça. Uma frota de ambulâncias parou na frente do
QG. Portas se abriram rapidamente, e paramédicos começaram a retirar os
homens feridos da gangue. Eles estavam cobertos de sangue, muitos
inconscientes. Eram os que ficaram na casa para segurar a trocação de tiros.

O cheiro de ferro e a visão daqueles corpos destroçados me deram um nó no


estômago. Aquilo parecia uma zona de guerra. Bryce olhou para os
paramédicos, depois para mim, e balançou a cabeça.

—Eles sabiam no que estavam se metendo, Vinnie. Todos sabiam.

Não respondi. Apenas entrei no hospital, sentindo como se cada passo fosse
um esforço monumental. A recepção era ampla, com poltronas confortáveis
e paredes brancas impecáveis. Bryce e eu nos sentamos lado a lado em uma
das cadeiras. A sala estava lotada de médicos e seguranças, mas eu não via
mais ninguém. Só pensava nela.

Bryce quebrou o silêncio primeiro.

—Sabe o que tá me deixando de cara, Vinnie?

—Fala... -respondi, a voz baixa, quase apática.

—Você. Eu te conheço há mais de dez anos. Nunca, em todo esse tempo,


te vi rezar. -Ele olhou para mim com uma expressão incrédula. - Nunca te vi
sequer mencionar Deus, e agora você tá aí, repetindo o Pai Nosso como se
fosse a única coisa no mundo.

Dei um riso curto e sem humor.

—Talvez seja, Bryce. Talvez seja a única coisa que me resta agora. Eu
não sei o que fazer. Eu tô perdido, cara.

—Perdido? -Bryce franziu o cenho.- Você? Perdido? Eu nunca vi você


assim, porra. Você sempre foi o mais frio, o mais calculista. O cara que não
vacila. Agora tá aqui, chorando e rezando. Nem parece você.

–Eu sei... -sussurrei, sentindo as lágrimas voltarem a cair.- Mas ela... ela é
diferente. Eu nunca tive medo de perder nada na minha vida, Bryce. Nada.
Mas perder a Yasmim? Eu não aguento. Não consigo.

Bryce me olhou, e por um momento parecia tão perdido quanto eu. Ele
balançou a cabeça lentamente.

—É estranho, sabe? Ver você assim. Nunca vi você chorar, nem quando...
bom, nem quando sua mãe morreu.

A menção dela fez meu peito doer.

—Porque naquela época eu já tinha desistido de tudo. Não tinha mais


nada que importasse. Mas agora... eu tenho ela. Ela me fez querer viver de
novo, Bryce. E se eu perder isso... eu perco tudo.

O silêncio entre nós era pesado, preenchido apenas pelo som de passos
apressados e vozes distantes. Bryce suspirou e colocou a mão no meu
ombro de novo.

—Ela vai sair dessa, Vinnie. Ela é forte pra caralho. Mais do que a gente,
com certeza. A gente só precisa acreditar.

Assenti, mesmo que ainda não tivesse certeza se podia acreditar. Tudo o que
eu podia fazer era esperar. E continuar repetindo aquela maldita oração, na
esperança de que, pela primeira vez na vida, alguém estivesse ouvindo.

Cada minuto naquela recepção parecia uma eternidade. A respiração de


Yasmim, fraca e irregular, ainda ecoava na minha mente, e a imagem dela
coberta de sangue era como um pesadelo que não saía da minha cabeça.
Bryce estava sentado ao meu lado, mas eu não conseguia ficar parado. A
ansiedade estava me consumindo, me corroendo por dentro.

Levantava a cada dois ou três minutos, andando de um lado para o outro


como um louco. Cada vez que eu via um médico ou enfermeiro aparecer no
corredor, corria até eles. Não importava quem fosse. Eu precisava saber.

—Doutor! Como ela tá? A cirurgia já acabou? -Minha voz estava


desesperada, quase rouca de tanto gritar durante a noite.
O médico, um homem baixo e calvo, olhou para mim com uma mistura de
respeito e receio. Ele sabia quem eu era e parecia medir cada palavra.

—Senhor, ela ainda está na sala de cirurgia. Estamos fazendo tudo o que
podemos. A equipe é a melhor que existe. Por favor, tente se acalmar.

—CALA A PORRA DA BOCA! Eu não quero ouvir essa merda de 'tudo


o que podemos'! Eu quero saber se ela tá bem, caralho! Ela vai sair dessa?!

O médico engoliu seco, desviando o olhar.

—Ainda é cedo para dizer, senhor. Mas posso garantir que estamos
fazendo o impossível por ela.

Sem esperar mais nada, me afastei, bufando, com as mãos no cabelo. Bryce
me olhou de longe, mas não disse nada. Ele sabia que não adiantava tentar
me acalmar. Eu voltei para a cadeira, mas não conseguia ficar ali. Nem dois
minutos depois, outro médico apareceu no corredor.

—Ei, você! -avancei rápido, segurando o braço do homem. Ele parecia


assustado, mas manteve a postura.

—Senhor... eu não estou responsável pela paciente. Não posso lhe dar
informações precisas.

—Então vai lá dentro e descobre, porra! Porque se algo acontecer com


ela, eu juro que todo mundo aqui vai pagar, entendeu?!

O homem assentiu rapidamente e se afastou, desaparecendo no corredor.


Bryce suspirou ao meu lado, balançando a cabeça.

—Vinnie, você tá assustando esses caras. Eles são médicos, não soldados
seus. Dá um tempo.

—FODA-SE, BRYCE! -gritei, me virando para ele.- Eles trabalham pra


mim. Se não conseguirem salvar ela, então que se preparem, porque eu não
vou perdoar ninguém.

Ele levantou as mãos, num gesto de rendição.


—Tá bom, tá bom. Mas vai se desgastar assim. E, sinceramente, você tá
se torturando sozinho.

Ignorei. Voltei a andar, olhando para cada rosto que aparecia no corredor
como se fosse meu inimigo. Cada vez que alguém passava por mim sem me
dar notícia, meu sangue fervia.

Mais uma vez, vi um médico sair de uma das portas. Corri até ele,
agarrando o jaleco antes mesmo que ele pudesse reagir.

—E então? Ela tá viva?! -Minha voz saiu alta demais, e eu sentia meu
coração disparando.

—Senhor, ela ainda está na cirurgia... -começou ele, mas eu não o deixei
terminar.

—EU JÁ SEI DISSO, MERDA! Me diz algo novo! Como tá a merda da


cirurgia?!

O médico tentou manter a calma, mas estava visivelmente desconfortável.

—A cirurgia é complexa, mas a equipe está muito confiante. Por favor,


confie neles.

Confiança. Como se isso fosse possível naquele momento. Soltei o médico


com um empurrão, voltando para a recepção com o peito arfando. Bryce me
encarou, mas não disse nada. Ele sabia que, naquele momento, qualquer
palavra seria inútil.

De repente, uma médica alta, de cabelos presos, surgiu no corredor. Ela


parecia liderar a equipe e veio direto na minha direção. Meu corpo inteiro
se tensionou.

—Senhor, vim pessoalmente para informá-lo de que a cirurgia está


avançando bem. Ainda precisamos de tempo, mas sua namorada está sendo
monitorada por nossos melhores profissionais. Entendo sua preocupação,
mas peço que tenha paciência.
Respirei fundo, tentando me agarrar a qualquer esperança naquelas
palavras.

—Ela vai sair dessa? -perguntei novamente, desta vez com a voz mais
baixa, quase implorando.

—Estamos fazendo de tudo para que sim. Confie em nós, senhor.

Antes que ela pudesse se afastar, Bryce puxou meu braço e falou baixo:

—Vinnie, vem comigo. Vamos esperar sentados. Não adianta nada você
ficar intimidando os médicos.

Balancei a cabeça em negação, mas deixei que ele me guiasse de volta à


recepção. Sentamos lado a lado, e Bryce cruzou os braços, me observando.

—Você tá uma bagunça, cara. Nunca te vi assim.

—Porra, Bryce, o que você queria que eu fizesse? Que ficasse aqui
sentado, tranquilo, enquanto a mulher da minha vida tá lutando pra
sobreviver lá dentro?

—Não. Mas eu tô dizendo que nunca te vi perder o controle assim. Você


não é desse jeito. Sempre foi o cara frio, calculista. O cara que resolve tudo
sem suar. Agora tá aqui, chorando, rezando... Parece até outra pessoa.

Suspirei, esfregando o rosto.

—Eu sei... eu sei. Mas não dá pra ser frio agora, Bryce. Não com ela. Não
com a Yasmim.

Bryce deu um leve sorriso de canto.

—Isso só prova que ela é importante pra você pra caralho. Agora, tenta
respirar um pouco, tá? Eles vão cuidar dela. Só confia.

Assenti, mesmo sem saber se podia realmente acreditar nisso. Enquanto


isso, no fundo do corredor, eu sabia que a batalha de Yasmim ainda estava
longe de acabar. E tudo o que eu podia fazer era esperar... e continuar
rezando.

[...]

Três horas. Pareciam três décadas. O céu, antes envolto em escuridão,


começava a dar sinais do amanhecer, mas o alívio ainda parecia tão distante
quanto o horizonte. Eu andava pela sala de recepção como um leão
enjaulado, meu estômago revirando com cada segundo que passava. Bryce
estava encostado na parede, me observando. Ele tentava parecer calmo, mas
eu sabia que ele também estava no limite.

—Vinnie, você precisa se sentar, cara. Tá desgastando até quem tá te


olhando. -Bryce cruzou os braços, tentando soar leve, mas eu só bufei em
resposta.

—Como você consegue ficar tão tranquilo? -rebati, parando na frente dele
com as mãos nos bolsos, os punhos cerrados.

—Eu não tô tranquilo, porra. Só tô tentando ser a voz da razão aqui, porque
claramente você não tá pensando direito. -Ele suspirou, balançando a
cabeça.- Escuta, depois que isso aqui acabar, você precisa ir até a sua casa
pegar umas coisas pra ela.

Olhei pra ele com descrença.

—Que merda de coisas? Ela só precisa sair dessa!

—Eu sei, idiota. Mas ela vai precisar de roupas, itens de higiene... essas
coisas. Não é como se ela fosse sair daqui em um ou dois dias. E, antes que
você pergunte, sim, já cuidaram da casa. -Bryce apontou para mim,
antecipando minhas perguntas.- Nick, Kio e mais alguns homens foram até
lá. Limparam tudo, reforçaram a segurança. Nem uma porra de uma mosca
entra sem permissão agora.

Eu passei a mão no cabelo, tentando absorver aquilo. Pelo menos uma


preocupação a menos. Ainda assim, a inquietação dentro de mim não
diminuía.
—Ela vai ficar no meu quarto. -murmurei, mais para mim do que para ele.

Bryce arqueou a sobrancelha.

—O seu quarto? Tipo, o melhor quarto daqui?

—É o mínimo. Ela merece o melhor.

Antes que ele pudesse responder, uma figura conhecida surgiu no corredor.
Uma médica alta, de expressão séria, se aproximava com um olhar direto
para mim. Meu coração deu um salto, e eu me apressei em ir até ela.

—E então?! -disparei antes mesmo que ela abrisse a boca.

Ela ajustou os óculos, mantendo a calma.

—A cirurgia acabou. Foi bem-sucedida. Conseguimos estabilizá-la.

Eu senti o peso de um mundo inteiro sair dos meus ombros. Minha visão
ficou turva por um segundo, e eu percebi que estava segurando a respiração.
Bryce, ao meu lado, soltou um longo suspiro de alívio.

—Ela tá bem? -perguntei rapidamente, minha voz tremendo.

—A situação dela ainda é delicada. Ela perdeu muito sangue e precisará de


um tempo para se recuperar completamente. Vamos mantê-la aqui por
alguns dias, no mínimo, para monitorá-la de perto.

Assenti freneticamente.

—Ela vai ficar no melhor quarto que vocês têm aqui. O meu quarto.

A médica franziu o cenho, um pouco surpresa, mas não questionou.

—Tudo bem. Vamos transferi-la para lá assim que for possível. Mas,
senhor, recomendo que o senhor também descanse. Essa situação está longe
de terminar.
Ignorei o último comentário, focando apenas na notícia de que Yasmim
estava viva. Bryce deu um leve sorriso ao meu lado, batendo no meu
ombro.

—Viu? Ela é forte. Eu disse que ela ia sair dessa.

Respirei fundo, tentando conter o misto de emoções que me consumia.


Medo, alívio, raiva... tudo se misturava, mas pelo menos agora eu sabia que
ela estava viva. Eu olhei para Bryce e murmurei, quase sem voz:

—Eu não vou sair daqui até ela acordar.

Ele não contestou, apenas assentiu, sabendo que discutir comigo seria inútil.
A médica se afastou, voltando para os corredores, e eu me sentei pela
primeira vez em horas, sentindo meu corpo inteiro começar a relaxar. Mas
meu coração ainda estava com ela, naquela sala de recuperação.

—Você devia descansar também. -Bryce sugeriu, mas seu tom era mais
suave agora.

—Não até ela abrir os olhos. -respondi, firme, deixando claro que nada me
tiraria dali.

Eu balançava a cabeça de um lado para o outro, impaciente, sentado no sofá


da recepção. Meus olhos estavam fixos naquelas malditas portas duplas que
levavam aos corredores do hospital. Era como se eu pudesse atravessá-las
só com o pensamento, como se, de algum jeito, isso fosse me levar até ela.

—Vinnie, ouve só. -A voz do Bryce cortou o silêncio, calma, mas com
aquele tom que dizia que ele não ia desistir. Ele se sentou ao meu lado,
inclinando o corpo pra garantir que eu prestasse atenção.- Você tá aqui há
horas. Não tem mais nada que você possa fazer por ela agora. Os médicos
estão cuidando disso.

—Eu não vou sair daqui. -retruquei, firme, sem desviar os olhos da porta.-
Não até ela acordar.
—Eu sei, cara, mas pensa comigo. -Ele respirou fundo, escolhendo bem as
palavras.- A Yasmim vai acordar em algum momento. E quando isso
acontecer, você quer que ela se sinta confortável, né?

Eu finalmente desviei o olhar pra ele, franzindo o cenho, sem entender


aonde ele queria chegar.

—Imagina ela acordando e não tendo uma roupa limpinha pra vestir, -ele
continuou, o tom persuasivo.- Ou sem nada pra lavar o cabelo. Você sabe
muito bem o quanto ela ama cuidar do cabelo, né? Já pensou no quanto ela
ia odiar ficar aqui sem poder se sentir minimamente ela mesma?

Abri a boca pra retrucar, mas as palavras ficaram presas. Ele tava certo, e
isso me irritava. Porra, eu conhecia a Yas. Ela sempre valorizava essas
coisas pequenas, e eu não queria que ela acordasse desconfortável, ou pior,
que achasse que eu não tinha pensado nela.

—Porra, Bryce... -Passei a mão no rosto, exasperado, mas já convencido de


que ele tinha razão.

—Vem, eu te levo até a casa dela. Pegamos o que ela precisa e voltamos
antes que você perceba! -ele sugeriu, dando um tapinha no meu ombro.

Fiquei parado por uns segundos, encarando as portas do corredor. Cada


fibra do meu corpo gritava pra eu não sair dali, mas a ideia de não estar
preparado quando ela acordasse... Não dava.

—Tá bom -murmurei, levantando e pegando as chaves no bolso. Olhei pra


ele com seriedade.- Mas se algo acontecer enquanto eu estiver fora, você tá
fodido.

Ele riu baixinho, balançando a cabeça.

—Relaxa, não vai acontecer nada. Vamos logo.

[...]

Dirigir até o apartamento da Yasmim nunca pareceu tão errado. Bryce


estava no banco do passageiro, tentando preencher o silêncio com qualquer
conversa fiada que pudesse aliviar a tensão no ar, mas eu mal conseguia
ouvir. Minha cabeça latejava, meu peito apertava, e, porra, era como se cada
segundo longe dela me puxasse pra um abismo.

Quando finalmente cheguei, estacionei o carro de qualquer jeito e saí quase


tropeçando nas escadas. Usei a chave reserva que os meninos conseguiram
pra mim, minhas mãos tremendo mais do que eu gostaria de admitir. A
porta rangeu quando a abri, e o cheiro dela me atingiu como um soco.

Perfume doce, familiar, quente. Um cheiro que sempre me fazia pensar nela
rindo, relaxada, viva. Porra, como eu precisava dela viva agora.

Fui direto pro quarto. O guarda-roupa dela era grande, maior do que eu
lembrava. Peguei alguns casaquinhos de lã que sabia que ela adorava usar
quando estava confortável. Um rosa claro, outro branco e um bege. Coisas
simples, mas que pareciam tão dela.

Eu abri as gavetas com cuidado, escolhendo as roupas íntimas. Não era algo
que eu imaginava ter que fazer, mas era necessário. Peguei peças que
pareciam confortáveis, delicadas, do jeito que combinavam com ela. Mais
pro fundo da gaveta, achei uma camiseta minha que ela tinha roubado
meses atrás. Um sorriso fraco puxou meus lábios. Peguei a camiseta
também.

No armário, tinha uma prateleira cheia de vestidos. Peguei alguns longos,


aqueles que ela sempre usava quando saíamos e que eu sabia que ela
gostava. Um lilás com pequenos detalhes florais, outro branco com rendas
que ela usou no último verão.

Fui até o banheiro e encontrei os produtos dela. Shampoo, condicionador,


um óleo de cabelo com cheiro de baunilha que eu sabia que ela usava
sempre. Creme pro rosto, escova de dentes nova. Tudo foi pra nécessaire.
Quando terminei no banheiro, olhei em volta e peguei mais algumas coisas:
uma coberta rosa cheia de desenhos fofos , um livro que estava na cabeceira
dela. Qualquer coisa que pudesse trazer conforto quando ela acordasse.

Eu estava prestes a sair quando meus olhos caíram em uma foto na cômoda.
Era uma foto dela pequena, devia ter uns dois ou três anos, sorrindo. Do
tipo de sorriso que fazia o mundo inteiro parecer um lugar melhor. Peguei a
moldura, apertando-a na mão antes de colocá-la delicadamente na mala
improvisada.

Fiquei parado no meio do quarto, olhando ao redor. Tudo ali era ela, cada
canto, cada detalhe. Eu nunca tinha sentido tanto medo de perder alguém na
minha vida.

—Tá pronto, Vinnie? -Bryce perguntou da porta, me tirando dos meus


pensamentos.

—Sim. -Minha voz saiu mais baixa do que eu queria. Peguei a mala e saí,
trancando a porta atrás de mim.

[...]

Eu segurava a mala no colo como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.


Bryce tentava falar sobre segurança, sobre como reforçaram a casa dela pra
que nada parecido acontecesse de novo, mas eu mal ouvi. Tudo o que eu
conseguia pensar era no que ela estaria sentindo.

Quando chegamos ao hospital, não perdi tempo. Subi direto, coloquei tudo
no quarto dela, organizando cada coisa com cuidado. A manta foi pra cama,
o livro e a foto na mesinha ao lado. Arrumei os produtos no banheiro,
pendurei os vestidos no armário, dobrei as roupas no pequeno gaveteiro.

O quarto ficou com a cara dela. Pelo menos, isso era o que eu esperava. Era
o mínimo que eu podia fazer.

Enquanto olhava ao redor, uma única frase passava na minha cabeça,


martelando sem parar.

"Por favor, acorda logo, Yas."


Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!
Capítulo 96
Três dias. Três dias que pareciam três anos. Yasmim ainda estava em coma,
e o quarto de hospital onde ela estava se tornou meu mundo. Eu ficava lá o
tempo todo, sentado ao lado dela, conversando sem parar, como se minhas
palavras pudessem alcançá-la de alguma forma. Contava histórias, falava
sobre o passado, sobre as coisas que ela adorava, e até sobre o que
acontecia no QG. Não sabia se ela conseguia me ouvir, mas se ela podia,
queria que soubesse que não estava sozinha.

Hoje, no terceiro dia, precisei sair por um tempo. Tinha umas papeladas
para resolver no escritório, coisa rápida, mas só de pensar em me afastar
dela, mesmo que por pouco tempo, meu peito apertava. Olhei para ela mais
uma vez antes de sair. Aquele rosto tão familiar, mas agora tão pálido e
imóvel, fazia algo dentro de mim doer de um jeito que eu nem sabia ser
possível.

—Eu volto logo, tá? -murmurei, segurando sua mão.- Não apronta nada
enquanto eu tô fora.

Beijei sua testa suavemente e me forcei a sair. O peso de cada passo até a
porta parecia me puxar para trás, mas eu sabia que precisava ir. Era algo
que só eu podia resolver, e quanto mais rápido fizesse isso, mais rápido eu
voltaria para ela.

Pov — Avani Sinclair

A Mads e eu chegamos ao hospital carregando mais do que nossas bolsas;


carregávamos preocupações e o peso de dias de silêncio sufocante. Assim
que entrei no saguão, minha determinação tomou a frente.

—Com licença, pode me informar onde está internada a Yasmim Winck


Alles? -perguntei à recepcionista, mantendo a voz firme, mas sentindo o
peso do nó na garganta.

A mulher olhou rapidamente na tela do computador.


—Quarto 407.

Mads soltou um suspiro pesado, e nós nos entreolhamos antes de seguir


para o elevador. Durante o trajeto, senti a ansiedade de Mads pulsando ao
meu lado. Ela balançava a perna incessantemente, o que não era nada
incomum.

—Você acha que ela tá melhorando? -perguntou de repente, quebrando o


silêncio.

—Eu espero que sim. Mas o mais importante agora é ela saber que não está
sozinha -respondi, tentando soar mais confiante do que realmente me
sentia.

Quando chegamos ao quarto, Mads foi a primeira a abrir a porta, e nós duas
paramos no mesmo instante.

O ambiente era... diferente. Flores coloridas preenchiam alguns arranjos em


cima das mesas do quarto, enchendo o ar com um perfume leve. Pequenos
bichinhos de pelúcia estavam cuidadosamente dispostos ao redor da cama, e
vários detalhes sutis – um cobertor macio dobrado na poltrona, uma vela
decorativa ao lado do monitor – davam um toque acolhedor e, acima de
tudo, familiar.

—Caramba! -Mads disse, os olhos arregalados enquanto ela passava a mão


pelos cabelos.- Isso aqui tá mais arrumado que a minha casa inteira. E é
tão... Yasmim, sabe? Essa é a vibe dela.

—É obra do Vinnie, com certeza! -murmurei, sentindo um aperto no


coração. Meu olhar pousou na cama onde ela estava. A cena era tão
reconfortante e devastadora ao mesmo tempo.

Mads se aproximou, olhando para Yasmim com um misto de admiração e


tristeza.

—Avani, você acha que ela tá ouvindo a gente? Tipo, será que, sei lá, ela
sente a gente aqui?
Suspirei, sentindo meus olhos se encherem de lágrimas.

—Eu espero que sim. Espero que ela saiba que estamos aqui. Mas... vê-la
assim... -Minha voz vacilou.- Me parte o coração. Ela é tão forte, Mads,
mas tão frágil ao mesmo tempo.

Mads cruzou os braços, claramente tentando esconder a emoção.

—Essa garota é uma sobrevivente, Avani. E, se tem alguém que vai sair
dessa, é a Yasmim. Quer dizer, ela sobreviveu a uma confusão que eu nem
consigo imaginar. Só... é difícil ver ela assim, sabe? Ela tá sempre sorrindo,
sempre preocupada com todo mundo.

Eu assenti, tentando não desabar ali mesmo.

—E pensar que ela pode estar com medo... Será que ela tá se perguntando
se a abandonamos aquele dia?

—Não fala isso, -Mads respondeu rapidamente, virando para mim com uma
expressão firme.- A Yas sabe que a gente nunca abandonaria ela. Nunca. E,
mesmo que ela não possa ouvir a gente agora, vamos garantir que, quando
ela acordar, a primeira coisa que ela veja seja nós aqui, cuidando dela.

Tentei sorrir para Mads, mas a emoção era quase esmagadora.

—Ela é muito especial pra mim. Quase como uma filha, sabe? Apesar da
pouca diferença de idade, é como se eu sempre quisesse protegê-la de tudo.

—Eu sei. -Mads disse suavemente, olhando para Yasmim.- Ela tem esse
efeito na gente. Mas, Avani, escuta: se ela é sua filha, então ela é minha
irmãzinha maluca. E, como toda boa irmã mais velha, eu vou zoar ela por
essa decoração assim que ela abrir os olhos.

A risada que escapou de mim foi inesperada, mas necessária.

—Tenho certeza que o Vinnie vai querer brigar por isso.

—Ah, claro -Mads respondeu, revirando os olhos.- Ele acha que é o


namorado perfeito, mas a Yas vai passar um sermão nele assim que estiver
melhor.

—Isso se ele não passar nela antes! -murmurei, olhando novamente para
minha pequena Yasmim. Enquanto Mads tentava desviar minha atenção
com piadas, só um pensamento pulsava em mim: por favor, acorde logo,
minha menina.

Depois de alguns minutos absorvendo a cena, eu e Mads resolvemos fazer o


que sempre fizemos: estar ao lado dela. Arrastei uma das poltronas mais
próximas para junto da cama, enquanto Mads fez o mesmo com outra.
Colocamos as cadeiras lado a lado, tão perto que nossos joelhos quase
tocavam a beira da cama.

—Acho que o doutor Mendes estava certo -comentei enquanto ajeitava a


poltrona.- Ele disse que conversar com ela pode ajudar. Mesmo que pareça
que ela não está ouvindo, pode ser que ela sinta a nossa presença, nossas
palavras.

—Então, vamos dar uma de tagarelas -Mads respondeu com um sorriso


pequeno, mas determinado, enquanto se inclinava para mais perto de
Yasmim.

Olhei para o rosto tranquilo dela, aquela expressão serena que parecia tão
deslocada, tão diferente do sorriso caloroso que estávamos acostumadas a
ver. Peguei a mão dela com cuidado, segurando-a entre as minhas.

—Yas, você não vai acreditar no que aconteceu hoje! -comecei, tentando
manter a voz leve.- A Mads quase explodiu a cozinha tentando fazer aquele
bolo de chocolate que você tanto gosta.

—Ei!! -Mads protestou, rindo baixinho.- Não exagera, Avani. Foi só uma
fumacinha, e, tecnicamente, nem foi minha culpa. O forno é que tá velho.

Revirei os olhos e continuei:

—Você deveria ter visto a cena. Ela tentando abrir todas as janelas ao
mesmo tempo, enquanto gritava comigo pra achar o extintor.
—Extintor, meu amor -Mads interrompeu, olhando para Yasmim com um
sorriso conspirador- que, por sinal, a senhorita Avani guardou no lugar
errado. Tá vendo? Não foi só culpa minha.

Balancei a cabeça, rindo de leve, e olhei para Yasmim de novo.

—Você teria rido muito, Yas. E, claro, teria nos ajudado a limpar a bagunça.
Porque, como sempre, você é a mais organizada de nós.

Mads suspirou, se acomodando melhor na poltrona.

—Eu sinto falta da sua risada, Yas. Aquela que faz todo mundo olhar e
pensar: 'Caramba, essa garota tem um brilho único.' -Ela sorriu, mas havia
uma tristeza por trás do tom dela.- Você tem que acordar logo, tá? A gente
tem muita coisa pra fazer juntas ainda. E eu tô precisando de alguém pra me
salvar da Avani, porque, sério, ela é muito mandona.

—Mandona? -retruquei, fingindo indignação. - Eu sou prática, Mads. Tem


uma diferença.

Mads riu, balançando a cabeça, e se inclinou mais para a frente.

—De qualquer forma, Yas, eu só quero que você saiba que estamos aqui,
tá? Não importa quanto tempo demore. E, assim que você acordar, prometo
que vou te trazer o maior bolo de chocolate do mundo. Sem fumaça dessa
vez.

Enquanto estávamos sentadas ali, conversando com a Yas como se ela


pudesse nos ouvir, um pensamento me veio à cabeça. Algo que eu sabia que
precisava compartilhar. Olhei para Mads, que estava distraída mexendo no
lençol de Yasmim, e pigarreei para chamar a atenção dela.

—Você não vai acreditar no que aconteceu ontem! -comecei, ainda


segurando a mão de Yasmim.

Mads arqueou uma sobrancelha, curiosa.

—O que foi? Alguma fofoca?!


—Não é bem fofoca... -respondi, olhando de relance para o rosto tranquilo
de Yasmim.- É sobre o Vinnie.

—O que tem o Vinnie? -Mads perguntou, inclinando-se para a frente.

—Ontem à noite, depois que você foi embora, eu passei pelo corredor e vi
uma coisa que eu nunca imaginei que veria na vida -contei, com um sorriso
pequeno e quase incrédulo.

Mads arregalou os olhos, obviamente interessada.

—O que ele fez? Finalmente decidiu admitir que é apaixonado pela Yas?

Dei uma risadinha e balancei a cabeça.

—Todo mundo já sabe! -ri- Mas não, não é isso. Ele estava... orando.

—Orando? -Mads repetiu, boquiaberta. Ela quase derrubou a garrafinha de


água que segurava.- Você tá zoando. O Vinnie Hacker? O cara que ri da
gente toda vez que mencionamos alguma coisa espiritual? Ele mesmo?

—Ele mesmo! -confirmei, ainda meio incrédula ao lembrar da cena.- Eu


passei aqui ontem à noite, e a porta do quarto estava entreaberta. Ele estava
de joelhos, com as mãos juntas, como se tivesse sido ensinado na infância,
sabe? E ele estava pedindo por ela. Pedindo pra que ela ficasse bem, pra
que acordasse logo.

Mads ficou em silêncio por alguns segundos, o que era raro. Ela olhou para
Yasmim e depois para mim, balançando a cabeça devagar.

—Cara, isso é surreal. Nunca imaginei que ele faria algo assim.

—Nem eu. -admiti, passando o polegar pelo dorso da mão de Yasmim.-


Mas acho que isso mostra o quanto ele realmente se importa com ela. E,
sinceramente, foi uma das coisas mais tocantes que já vi.

—Eu tô chocada!! -Mads disse, finalmente se recostando na poltrona.- Se


alguém me dissesse isso, eu jamais acreditaria. O Vinnie orando... é como
ver um gato latir.
Rimos juntas, mas meu coração estava apertado ao lembrar da intensidade
no rosto de Vinnie enquanto ele fazia aquela oração. Ele não era o tipo de
pessoa que se abriria facilmente ou que demonstraria sua vulnerabilidade,
mas ali, naquele momento, ele tinha deixado tudo isso de lado.

—Se isso não mostra o quanto ele a ama, eu não sei o que mais pode. -
completei, olhando novamente para Yasmim.- E acho que, de alguma
forma, ela sabe disso. Mesmo agora.

—Eu só espero que ela acorde logo -Mads disse, suspirando.- Porque eu
quero muito zoar o Vinnie sobre isso.

—Você é terrível, Mads. -Ri, balançando a cabeça

—Só sendo eu mesma. -ela respondeu, piscando para mim.

Ficamos ali, falando sobre nossos dias, nossas pequenas aventuras e até
alguns planos para quando ela melhorasse. Contamos detalhes que talvez
nem importassem, mas que, de alguma forma, pareciam preencher o vazio
do silêncio.

O tempo passou rápido, e logo percebi que já estava ficando tarde. Mads
olhou para o relógio e fez uma careta.

—O Vinnie deve estar voltando daqui a pouco. Acho que ele vai nos
expulsar do quarto se nos encontrar aqui ainda.

Assenti, embora a ideia de sair dali deixasse um peso no meu peito. Segurei
a mão de Yasmim por mais um momento, apertando levemente.

—Você é forte, minha pequena. Nós acreditamos em você. E, quando você


acordar, vamos estar bem aqui, como sempre.

Mads se inclinou para deixar um beijo leve na testa de Yasmim antes de se


levantar.

—Tchau por agora, Yas. Mas amanhã eu volto. E, da próxima vez, vou
trazer umas histórias ainda melhores pra te contar.
Antes de sair, olhei para o quarto uma última vez. A decoração, a presença
de Yasmim... tudo parecia tão frágil e, ao mesmo tempo, cheio de
esperança.

—Vamos, Mads. O Vinnie já deve estar por aqui, e, se conheço ele, vai
querer ficar sozinho com ela.

—Como sempre! -Mads respondeu com um sorriso cúmplice enquanto


saíamos, deixando para trás nossa amiga e toda a nossa torcida silenciosa de
que ela acordasse logo.

Pov — Vincent Hacker

Já estava anoitecendo, e eu ainda estava no escritório, terminando de assinar


os malditos papéis que pareciam não ter fim. Meu cérebro estava a mil, mas
o pensamento na Yasmim nunca saía da minha cabeça. Três dias. Três dias e
ela ainda não tinha acordado.

De repente, o som do telefone vibrou sobre a mesa. Meu coração deu um


salto quando vi que era do hospital. Meu corpo inteiro ficou tenso, e senti
como se o ar tivesse sumido da sala.

Atendi imediatamente, com a voz rouca de ansiedade.

—Alô?

Do outro lado, a voz da enfermeira veio rápida, mas calma.

—Senhor Hacker, a senhorita Alles acordou, mas precisamos informar que


ela está passando por alguns exames no momento. Ela acordou muito
debilitada, vomitando sangue e com dores intensas.

Minha visão ficou turva por um instante. Ela tinha acordado. Porra, ela
acordou! Mas a parte sobre ela estar mal... Isso me fez apertar o telefone
com tanta força que achei que fosse quebrá-lo.

—Estou indo pra aí agora. -foi tudo que consegui dizer antes de desligar e
largar os papéis espalhados na mesa.
Peguei as chaves e saí voando dali. Dirigi como um louco. Quase atropelei
uns dois pedestres e xinguei todos os motoristas que ousaram me atrapalhar
no caminho. Minha mulher tinha acordado!

Assim que cheguei ao hospital, os outros já estavam chegando também.


Kio, Nick, Bryce e as meninas. Todos com a mesma mistura de ansiedade e
alívio no rosto. Mesmo com as lágrimas nos olhos, havia um sorriso contido
em cada um deles.

Kio foi o primeiro a falar, assim que entramos.

—Onde ela tá?!

A enfermeira, com a postura calma de sempre, respondeu.

—Vocês vão ter que esperar um pouco. Ela está no quarto, mas o médico
precisa terminar os exames antes de permitir visitas. E só poderá entrar um
por vez. A senhorita Alles acordou muito debilitada, então precisamos
evitar agitações.

Porra, só de ouvir aquilo meu peito já estava apertado. Tudo que eu queria
era entrar ali, segurar sua mão e ver seus olhos abertos novamente. Mas,
claro, tinha que esperar.

Seguimos para o andar dela e nos espalhamos pelas cadeiras no corredor,


sem conseguir ficar parados. Minhas pernas batiam incessantemente no
chão, e a cada minuto eu olhava para a porta como se pudesse forçá-la a
abrir.

Ninguém dizia nada por um tempo. Acho que todos estavam tentando
processar o alívio de saber que ela acordou e o medo do estado em que ela
estava.

A única coisa que eu conseguia pensar era: Ela acordou. Isso já é um


começo.

[...]
A tensão no corredor era quase palpável. Todo mundo estava jogado nas
cadeiras, mas ninguém parecia realmente confortável. Eu tamborilava os
dedos na perna, tentando ignorar a sensação de um milhão de formigas
correndo pelo meu corpo.

—Ela vomitou sangue? -Bryce quebrou o silêncio, a voz dele baixa, como
se tivesse medo de pronunciar as palavras.

—Foi o que a enfermeira disse. -Kio respondeu, o rosto pálido e sério. Ele
estava com os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos juntas como se
estivesse rezando.

—Isso é normal? Quero dizer, depois de tanto tempo em coma... -Mads


perguntou, olhando para Avani, que parecia tão preocupada quanto qualquer
um de nós.

—Não sei, mas deve ser grave. Ela mal conseguia falar, lembra? -Avani
respondeu, a voz firme, mas com uma ponta de angústia que ela não
conseguia esconder.

Eu só escutava, sem conseguir me envolver. Cada palavra parecia uma faca


cortando minha paciência. Tudo que eu queria era levantar, arrombar aquela
porta e ver com meus próprios olhos. Saber que ela estava acordada, mesmo
que mal. Saber que ela estava viva.

—Mas, gente, ela acordou! -Mads continuou, tentando soar otimista.- Isso
já é incrível, né? Ela é forte pra caramba, vai melhorar, eu sei que vai.

—É, claro que vai! -Nick concordou, mas ele estava inquieto, balançando a
perna sem parar. - Mas, porra, ouvir que ela tá assim... Isso acaba com
qualquer um.

Kio olhou pra mim, provavelmente tentando medir minha reação, mas eu
não conseguia levantar o olhar do chão. Não queria falar nada antes de ter
certeza de que minha voz não ia sair quebrada.

—Ela vai ficar bem! -eu disse finalmente, tentando convencer mais a mim
mesmo do que aos outros.- Ela acordou, e isso já é metade da batalha.
Bryce soltou um suspiro pesado, passando a mão pelo rosto.

—Mano, quando o médico vai deixar a gente entrar? Não aguento mais essa
espera.

—Quero só segurar a mão dela, -Avani disse suavemente, olhando para a


porta com os olhos brilhando de lágrimas.- Dizer pra ela que a gente tá
aqui, que ela não tá sozinha.

O silêncio voltou, mas dessa vez era diferente. Não era só medo, mas uma
ansiedade quase alegre, misturada com o alívio de saber que ela estava de
volta.

Todos estávamos aflitos com o estado dela, claro. Mas a ideia de poder vê-
la de novo, ouvir sua voz, mesmo que fraca, era o que nos mantinha ali,
sentados e esperando.

O som da porta do quarto se abriu com um rangido suave, mas antes disso,
o médico tinha saído para dar as instruções finais.

—Somente um pode entrar agora. -ele explicou, com aquele tom calmo e
profissional que, por alguma razão, só me deixava ainda mais nervoso. - Ela
ainda está muito fraca, e queremos evitar qualquer estresse desnecessário.
Não deixe que ela fale muito ou se esforce, e mantenha a conversa leve. Ela
precisará de repouso absoluto por algumas horas depois disso.

Meus amigos imediatamente olharam para mim, como se a decisão fosse


óbvia. Bryce deu um tapinha no meu ombro.

—Vai lá, cara.

O médico assentiu antes de se retirar, acompanhado pelo resto do grupo,


que decidiu esperar na recepção. Fiquei ali, parado na frente da porta por
um momento, respirando fundo.

Eu não estava preparado para isso.

Abri a porta devagar, sentindo o coração martelar no peito. Assim que


entrei, meu olhar foi direto para a cama. Lá estava ela.
Yasmim estava deitada, os olhos abertos, segurando um dos bichinhos de
pelúcia que eu havia deixado. Ela parecia tão pequena naquele mar de
lençóis brancos. O rosto pálido, mas com um toque de serenidade. Seus
cabelos estavam arrumados em uma trança simples que a deixava ainda
mais linda, mesmo nesse estado.

Mas foi então que notei as manchas de sangue no roupão de hospital, e meu
estômago revirou.

Ela me viu. Seus lábios se curvaram em um sorriso suave, e isso bastou


para que minha respiração engatasse.

—Ei, princesa -eu murmurei, tentando soar calmo, mas minha voz saiu
rouca.

Ela tentou falar, os lábios se movendo, mas sua voz falhou. Era como se as
palavras simplesmente não quisessem sair.

—Não, calma.. -eu disse rapidamente, cruzando o quarto em dois passos


largos. Me abaixei ao lado da cama, segurando sua mão.- Você não precisa
dizer nada agora. Só descansa, tá?

Mas, teimosa como sempre, ela conseguiu sussurrar algo.

—Fiquei sabendo que você orou por mim.

Essas palavras... sua voz, mesmo quebrada, ainda tinha aquele tom que só
ela conseguia ter. Fiquei sem chão.

Eu me inclinei para abraçá-la com cuidado, sentindo o calor fraco de seu


corpo contra o meu.

—Você não faz ideia do quanto senti sua falta, -sussurrei contra seu cabelo.-
Eu faria qualquer coisa por você, Yas. Até rezar.

Ouvir sua voz novamente, depois de tudo que aconteceu... Ver aquele
sorrisinho que eu achei que nunca mais ia ver... Isso valia mais que
qualquer coisa.
Eu não consegui me conter. A felicidade era tanta que parecia que meu
peito ia explodir. Ela estava ali, viva, acordada, olhando pra mim.

—Você não tem ideia do quanto você me assustou, Yas!! -eu comecei,
falando rápido, quase sem pausa.- Três dias, três dias sem ouvir sua voz,
sem ver você abrindo os olhos. Você sabe o que isso faz com a cabeça de
um cara como eu?

Ela sorriu de novo, um sorriso pequeno, mas o suficiente pra me desmontar.


Era isso. Era tudo o que eu precisava.

—Tá sentindo dor? Alguma coisa? Tá confortável? -perguntei, ainda


segurando sua mão, mas agora com a outra ajeitando o travesseiro dela. Eu
sabia que ela não podia falar muito, mas isso não impedia que eu enchesse
ela de perguntas.

Ela balançou a cabeça devagar, os lábios se movendo só um pouco para


murmurar:

—Tô... bem...

—Bem? -Eu repeti, arqueando as sobrancelhas. - Yas, você vomitou sangue.


Isso não é 'bem'. Você tá com dor em algum lugar? Diz pra mim, eu resolvo
qualquer coisa.

Ela soltou um suspiro baixinho e fez que não com a cabeça de novo, o que
não me convenceu nem um pouco.

—Tá bom, mas se você sentir qualquer coisa, qualquer coisinha, você me
avisa. Nem que seja só pra reclamar que o travesseiro tá torto. -Eu dei um
sorriso, tentando quebrar a tensão.- Porque, olha, eu vou te mimar tanto
agora que você vai até cansar de mim.

Ela soltou um riso tão leve que quase passou despercebido, mas eu vi. Meu
coração deu um salto.

—Eu tava com saudade desse som, -confessei, segurando sua mão com
mais firmeza.- Do seu sorriso, da sua voz. Porra, Yas, você sabe o quanto
você é importante pra mim?

Ela piscou devagar, como se estivesse tentando dizer sim sem esforço, e eu
continuei:

—Eu vou cuidar de você, tá? Agora é só você e eu. Ninguém vai te
machucar, ninguém vai fazer você passar por isso de novo. Eu juro.

Eu podia sentir minha voz ficando mais rouca, mas eu não ligava. Eu só
queria que ela soubesse o quanto eu estava feliz, o quanto ela era tudo pra
mim.

—Agora relaxa. Não precisa falar nada. Só descansa. Eu tô aqui, e não vou
a lugar nenhum.

Ela apertou minha mão levemente, e isso foi tudo que eu precisava. Era a
maneira dela de me dizer que entendia, que confiava em mim.

E eu? Eu estava ali, mais vivo do que nunca, porque ela estava acordada.

Assim que perguntei se ela estava sentindo dor, Yasmim não respondeu de
imediato. Em vez disso, ela desviou os olhos para o teto, franzindo
levemente a testa. Foi só então que eu percebi que ela estava incomodada
com a luz do quarto, que parecia forte demais para ela naquele momento.

—Ah, entendi... a luz tá te incomodando, né?


-falei, já me levantando.

Eu olhei ao redor, procurando alguma solução, até que avistei o iPad no


canto da mesa ao lado da cama. Lembrei que dava pra controlar a
intensidade da iluminação com ele. Peguei o aparelho rapidamente e,
enquanto deslizava os dedos pela tela, fui ajustando a luz para ficar mais
suave.

—Assim tá melhor? -perguntei, virando para ela.

Ela piscou devagar, como se fosse um agradecimento silencioso, e eu me


senti aliviado. Não queria que nada, nem a luz, a deixasse desconfortável.
—Pronto, Yas. Se ainda estiver forte, é só falar, tá? -Eu a olhei com um
pequeno sorriso, tentando aliviar o momento.

Ela desviou os olhos da luz e voltou a me olhar. Mesmo sem dizer nada,
aquele gesto dela já era suficiente para me mostrar que estava um pouco
mais confortável.

—Qualquer coisa, você só me dá um sinal, beleza? Tô aqui pra isso. -


completei, voltando a sentar ao lado dela, mas ainda atento a qualquer outro
sinal de desconforto.

Ela me olhou por um momento, os olhos ainda um pouco confusos, mas


havia um sorriso tímido nos lábios dela, como se estivesse tentando me
tranquilizar. Ela abriu a boca para falar, mas a voz saiu arrastada e baixa,
como se o esforço fosse grande demais.

—Vinnie... -Ela parou um segundo, respirando fundo.- Fico... feliz que


você... tá aqui.

Eu sorri com tudo que eu tinha dentro de mim, me sentindo um pouco mais
leve ao ouvir a voz dela, mesmo que fosse difícil para ela falar.

—Eu nunca ia te deixar sozinha, Yas. Fica tranquila, eu tô aqui pra tudo. E
eu vou ficar até você ficar bem. Sabe disso, né?

Ela olhou para mim, tentando sorrir mais, mas logo fez uma careta e fechou
os olhos por um momento, provavelmente pela dor. Eu imediatamente
peguei a mão dela, apertando com cuidado, sem querer pressioná-la muito.

—Você tá com dor? Tem alguma coisa que eu possa fazer pra melhorar? -
Perguntei, a preocupação aparecendo na minha voz. Eu queria fazer tudo
pra ela se sentir melhor, não importava o que fosse.

Ela balançou a cabeça levemente, tentando falar mais uma vez, mas a voz
dela estava tão fraca que eu mal consegui ouvir.

—Só... cansaço...
Eu senti o peito apertar ao ouvir aquilo. Ela tava cansada, eu entendia. Era
uma batalha pra ela só falar, e aquilo me fazia querer cuidar dela ainda
mais.

—Eu sei, Yas. Eu sei que você deve estar cansada. Não vai precisar falar
muito, só... tenta descansar, tá? A gente vai dar um tempo pra você ficar boa
e depois a gente conversa sobre tudo.

Ela assentiu levemente, fechando os olhos por um segundo, e eu fiquei ali,


quieto, só a observando. Eu queria fazer mais, queria que ela estivesse
melhor agora, mas sabia que tudo o que ela precisava agora era de tempo e
paciência.

—Eu te amo, sabe disso, né? -Eu falei baixo, mais pra mim do que pra ela,
mas ela abriu os olhos rapidamente, me olhando como se estivesse tentando
absorver as palavras.

Ela deu uma leve risada, o que fez meu coração derreter um pouco.

—Eu... te amo.

E por um momento, eu esqueci da dor, da preocupação, e só me concentrei


naquele sorriso que ela conseguiu me dar. Eu sabia que a gente ia passar por
isso junto.

Eu me levantei devagar, ainda observando ela, e fui até o sofá onde deixei a
mochila. Voltei com ela nas mãos, tentando distrair a Yasmin de qualquer
dor que ela estivesse sentindo. Meus dedos tremiam um pouco, mas eu
tentei esconder.

—Olha só o que eu trouxe, vai te ajudar a se distrair um pouco. -falei com


um sorriso, colocando a mochila suavemente nos pés da cama dela. Abri a
mochila com cuidado, como se estivesse mostrando um presente.

—Esse aqui é pra você, ó. -Peguei o casaquinho de lã que ela adorava,


aquele que ela usava quando ficava mais frio e que sempre me fazia usar
também quando a gente estava junto. - Porque aqui tá um friozinho, né?
Achei que você ia gostar.
Ela olhou para mim, ainda com um olhar cansado, mas eu vi um pequeno
brilho nos olhos dela quando eu coloquei o casaco na cama.

—Vinnie... muito obrigada -ela sussurrou, e eu senti meu coração se apertar


de felicidade.

—Não é nada, Yas. E tem mais! -Fui pegando os outros casacos da mochila
e os coloquei sobre a cama, deitando-os cuidadosamente.- Esse também, e
esse aqui... Eu sei que você vai adorar, porque tem mais o seu estilo.

A minha tentativa de fazer ela se sentir melhor estava funcionando, mesmo


que ela falasse pouco. Eu podia ver que ela estava tentando sorrir, então eu
continuei, querendo ver mais daquele sorriso dela.

—Ah, e olha o que mais eu trouxe... -Fui até o fundo da mochila e tirei um
cobertor que ela sempre me fazia dormir quando eu passava na casa dela.-
Esse cobertor, que você sempre me dava quando eu tava lá... Você lembra?
Sempre dizia que ia me fazer dormir mais quentinho. -Dei uma risadinha,
tentando imitar a voz dela, e o olhar dela se suavizou.

Ela abriu a boca, mas foi só uma risada baixa, o suficiente para me fazer rir
também. Eu sempre amava aquelas pequenas brincadeiras entre a gente.

—Eu lembro, Vinnie... Você sempre pegava no meu pé por isso.

—Claro que eu lembro! Como esquecer? Você sempre me fazia ficar


quentinho, até me embalar com ele.

Ela sorriu mais um pouco, e aquilo me deu mais energia para continuar. Eu
queria que ela esquecesse um pouco a dor, e talvez, aquelas coisas pequenas
que sempre lembravam os bons momentos que a gente teve pudessem
ajudar.

—Tem mais coisas, Yas... Mas isso é só o começo! -Fui mostrando outros
itens, e tentei até fazer algumas piadas, enquanto ela ficava mais relaxada,
rindo de vez em quando.
E, mesmo que ela estivesse com dor, eu sabia que essas pequenas coisas
podiam ajudá-la a se sentir um pouco mais como ela mesma. Eu só queria
vê-la bem, e se isso significava fazer palhaçada com os presentes que eu
trouxe, então que fosse.

—Ah, também trouxe isso aqui... -Peguei uma pequena caixinha que eu
tinha guardado em minha mochila. Era algo simples, mas eu sabia que ela ia
gostar.- Lembra quando você me disse que ia sentir falta dos bombons que
eu sempre te dava? Eu trouxe uns pra você. -Mostrei a embalagem de
bombons que ela sempre adorava, e seus olhos brilharam, ainda que com
um esforço, e eu podia ver o quanto ela tentava ficar mais confortável.

Ela deu um sorriso fraco, mas logo olhou para mim com uma expressão
cautelosa.

—Eu não posso comer isso, Vinnie. Só posso comer coisas líquidas por
enquanto...

Eu levantei uma sobrancelha, como se fosse pensar por um momento.


Então, com um sorriso travesso, disse:

—Ah, quem disse? A gente pode dar um jeitinho, né? Eu distraio os


médicos e você come escondido. Eles nunca vão saber! -Fiz uma careta
brincalhona, tentando arrancar mais um sorriso dela.

Ela não pôde evitar, e um risinho escapou dos seus lábios.

—Você é impossível! -Ela olhou para os bombons e, mesmo sem poder


comer, parecia feliz por vê-los.

—Não se preocupa -eu falei, fazendo uma voz fingida de espião.- Quando
você estiver pronta, a gente vai fazer um plano infalível para comer esses
bombons sem ninguém saber!

Ela deu uma risadinha, e por um momento, a tensão do quarto diminuiu. Eu


sabia que ela não podia comer agora, mas a simples ideia de distraí-la com
algo tão simples quanto um bombom parecia ser o que ela mais precisava
naquele momento.
E então, continuei mostrando as outras coisas que tinha trazido para ela,
fazendo o possível para mantê-la sorrindo, mesmo que um pouco, enquanto
ela se recuperava.

Ela olhou pra mim, com os olhos um pouco marejados, mas sorrindo, e eu
sabia que ela estava tentando segurar a dor, a fraqueza que a estava
consumindo. Eu não queria que ela se sentisse assim, e fiz o que podia para
torná-la mais leve, mais feliz, nem que fosse por um momento.

—Eu... eu não quero que você se preocupe comigo -ela disse, ainda com a
voz rouca, mas a expressão dela demonstrava um tipo de gratidão que me
fez sentir que, apesar de tudo, estávamos indo na direção certa.

—Eu nunca vou deixar de me preocupar com você. Mas isso vai passar,
Yas. Eu prometo.
-Minha voz saiu mais firme do que o esperado. Eu precisava que ela
soubesse que tudo ia ficar bem, e que eu estava ali, para qualquer coisa, sem
hesitar.

Ela ficou em silêncio por um momento, e eu continuei colocando as coisas


que trouxe para ela sobre a cama, fazendo graça aqui e ali, tentando fazê-la
rir mais um pouco, tentar esquecer a dor, esquecer a luta que ela estava
enfrentando. Afinal, tudo o que eu mais queria era vê-la bem, como antes.

—Vinnie... -Ela tentou falar mais uma vez, e eu parei tudo o que estava
fazendo para ouvi-la. Ela estava fraca, mas as palavras que ela dizia tinham
o poder de me deixar completamente parado. - Obrigado... por estar aqui.
Mesmo... mesmo que você tenha tanto pra fazer, você ainda está aqui...

Eu fechei os olhos por um segundo, tentando segurar a emoção.

—Eu sempre vou estar aqui, Yasmin. Pra tudo. Você não tem que agradecer,
eu... eu faria qualquer coisa por você.

Ela sorriu, mesmo que de maneira fraca, e eu senti como se um peso tivesse
sido retirado do meu peito. Ela estava ali, ela estava viva, e eu sabia que ela
ia melhorar, porque nada nesse mundo poderia me impedir de lutar por ela.
—Eu sei que você faria. -Ela sussurrou, com os olhos fechados novamente,
talvez para descansar um pouco. Mas eu sabia que aquelas palavras tinham
sido sinceras. Ela sabia o que significava ter alguém como eu ao seu lado.

Eu continuei ao seu lado, ajeitando as coisas e, de vez em quando, pegando


sua mão, tentando confortá-la o máximo que eu podia. Porque, naquele
momento, nada mais importava além dela. Eu não me importava com o que
mais estava acontecendo lá fora, o que poderia estar em jogo, eu só queria
que ela se sentisse segura e cuidada. E isso, só eu podia fazer

Enquanto eu ainda estava tentando fazer ela sorrir com as coisas que trouxe,
a porta do quarto se abriu suavemente e o médico entrou, batendo
levemente antes de entrar.

—Desculpe interromper, senhor.. -ele começou, dirigindo-se diretamente a


Yasmim.- Como você está se sentindo? -Ele parecia atento, com um olhar
profissional, mas ainda assim gentil.

Yasmim, apesar de tudo, tentou sorrir para ele, mas a fraqueza em seu rosto
era clara. Ela apenas deu de ombros, como se não conseguisse encontrar
palavras para responder completamente.

—Melhor... um pouco. -ela disse com dificuldade, e eu sabia que ela estava
tentando ser forte, como sempre.

O médico então se voltou para mim, sua expressão agora mais séria.

—Ela vai precisar descansar um pouco. Já está passando do tempo, e a


recuperação dela vai depender disso. Eu gostaria que você saísse agora,
senhor Hacker. Ela ainda precisa de mais tempo para se recuperar.

Eu sabia que ele estava certo, mas a ideia de sair agora, depois de tanto
tempo esperando, não era fácil. Mas ao ver o olhar de Yasmim, ainda
cansado, eu sabia que ela precisava disso. Dei um sorriso suave para ela,
tentando não parecer tão preocupado quanto eu estava.

—Eu vou voltar logo, prometo. Fica tranquila, tá? -Eu me agachei na
beirada da cama, apertando levemente sua mão, e depois me levantei.
—Você vai ficar bem. Eu estou aqui. -Eu garanti, já começando a sair do
quarto.

O médico me deu um aceno discreto, indicando que era hora de eu dar


espaço para ela descansar. Quando eu saí, fechei a porta com cuidado e
respirei fundo, já esperando ansiosamente pela próxima oportunidade de vê-
la.

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Capítulo 97
Pov — Vincent Hacker

Quase uma semana havia se passado desde que tudo aconteceu. Aquele tiro
poderia tê-la levado de mim, e essa ideia ainda me atormentava todas as
noites. Mas, finalmente, hoje eu vou levar a Yasmim para casa.

Ela ainda está um pouco frágil, o que é esperado. O médico deixou bem
claro que, embora a bala não tenha atingido órgãos vitais, o corpo dela
precisa de tempo para se recuperar. Além disso, ela terá que voltar ao
hospital algumas vezes nas próximas semanas para exames e
acompanhamento. Eu me certifiquei de que nada sairia do controle dessa
vez.

Enquanto caminhava pelos corredores do hospital, a sensação de alívio


misturava-se com a ansiedade. Eu precisava garantir que ela estivesse
segura. Coloquei homens suficientes ao redor da casa dela para transformar
o lugar em uma fortaleza, mas mesmo isso não parecia o bastante. Ela era o
meu ponto fraco, e todo mundo sabia disso.

Quando entrei no quarto, Yasmim estava sentada na cama, olhando pela


janela. Ela tinha um olhar perdido, como se estivesse presa em pensamentos
que não queria compartilhar. Mesmo assim, ela parecia linda como sempre,
mesmo que um pouco mais pálida do que o normal.

—Tá pronta pra ir pra casa? -perguntei, encostando no batente da porta.

Ela virou o rosto para mim, e um sorriso pequeno e cansado apareceu.

—Pronta pra sair daqui, pelo menos.

Pov — Yasmim Alles

Ir para casa deveria ser um alívio, mas tudo que eu sentia era um peso
esmagador no peito. Não conseguia parar de pensar em tudo o que
aconteceu. O som do tiro ainda ecoava na minha cabeça, e cada vez que eu
fechava os olhos, revivia aquele momento.

Quando Vinnie apareceu na porta, perguntando se eu estava pronta, forcei


um sorriso. Não queria preocupá-lo mais do que ele já estava. Ele tinha se
esforçado tanto para garantir que eu estivesse segura, mas era difícil fingir
que tudo ficaria bem.

—Pronta pra sair daqui, pelo menos. -respondi, tentando soar otimista.

Ele caminhou até mim e estendeu a mão. Hesitei por um momento antes de
aceitá-la. Assim que meus dedos tocaram os dele, senti um conforto
estranho. Ele tinha um jeito de me fazer sentir protegida, mesmo quando eu
estava quebrada por dentro.

No caminho para casa, o silêncio no carro era quase ensurdecedor. Vinnie


dirigia com uma concentração absurda, como se cada curva da estrada fosse
um desafio de vida ou morte. Eu sabia que ele estava tentando se manter
calmo, mas a tensão estava estampada em seu rosto.

—Você não precisa fazer isso, sabe? -murmurei, quebrando o silêncio.

—Fazer o quê? -Ele perguntou, sem tirar os olhos da estrada.

—Tentar carregar todo o peso disso sozinho. Eu sei que você tá se


sentindo culpado, mas isso não foi sua culpa, Vinnie.

Ele soltou uma risada seca, mas não respondeu. Só apertou o volante com
mais força.

Quando finalmente chegamos, notei os seguranças espalhados ao redor da


casa. Era óbvio que Vinnie tinha levado a sério a ideia de me proteger, mas
aquilo só me fazia sentir ainda mais sufocada. Assim que ele abriu a porta
do carro, me ajudou a descer, mesmo quando eu disse que podia fazer
sozinha.

—Você precisa descansar. -ele disse, enquanto me ajudava a entrar.

—Eu sei. -murmurei, sentindo um nó se formar na garganta.


Assim que entrei na sala, uma onda de familiaridade me envolveu. Minha
casa. Minhas coisas. Mas tudo parecia diferente agora. Como se aquela
versão da minha vida fosse de outra pessoa.

—Se precisar de alguma coisa, eu tô aqui! -Vinnie disse, ficando perto da


porta como se esperasse o próximo ataque.

—Obrigada! -murmurei, tentando ignorar as lágrimas que ameaçavam


cair.

Ele assentiu, mas não saiu de lá. Só ficou parado, como se estivesse
esperando o momento em que eu desmoronasse. E parte de mim sabia que,
mais cedo ou mais tarde, eu iria.

Assim que Vinnie me deixou sozinha na sala, senti a necessidade de me


livrar daquela sensação de sujeira que parecia grudada em mim. O hospital
tinha seu cheiro, seus remédios, e até mesmo suas memórias, e eu só queria
um momento para mim, longe de tudo isso.

Caminhei até o banheiro devagar, com passos cuidadosos, cada movimento


um lembrete de que meu corpo ainda não estava pronto para a rotina de
sempre. A dor na lateral do abdômen pulsava a cada passo, mas eu já tinha
me acostumado com aquele desconforto constante.

No banheiro, encarei meu reflexo no espelho por um momento. Meu rosto


estava pálido, e havia olheiras escuras sob meus olhos. Minha trança, que
não era desfeita há dias, parecia um ninho de pássaro. Suspirei, exausta até
de olhar para mim mesma.

Tirei a blusa com cuidado, gemendo baixo quando a malha tocou de leve o
curativo sobre a ferida. Era incrível como uma área tão pequena conseguia
doer tanto. Depois de terminar de me despir, entrei no chuveiro e deixei a
água quente cair sobre meus ombros.

A princípio, foi reconfortante. A água escorria pelo meu corpo, levando


consigo a sensação de hospital e cansaço. Mas quando ela tocou a ferida,
soltei um pequeno grito de dor e me segurei na parede para não perder o
equilíbrio. Fechei os olhos e respirei fundo, tentando me acalmar.
Enquanto lavava meu cabelo, com movimentos lentos para não piorar a dor,
minha mente voltou para aquele dia. Aquele dia que eu queria esquecer,
mas que parecia tatuado na minha memória.

Eu estava consciente quando tudo aconteceu. Lembrei-me claramente do


chão frio contra minha pele, da dor que parecia me consumir inteira, e do
som dos passos se afastando. Ninguém olhou para trás. Nem Vinnie. Nem
Kio. Nick, Bryce, Avani ou Mads.

Eles me deixaram lá. Jogada. Incapaz de me mexer.

Tentei me convencer de que era o caos do momento, que eles estavam


tentando resolver as coisas, mas a verdade era que eu me senti descartável.
Como se naquele instante eu não fosse prioridade. O pensamento
machucava mais do que a ferida no meu corpo.

—Você precisa esquecer isso. -sussurrei para mim mesma, enquanto a


água continuava caindo. Mas como esquecer algo que parecia ecoar dentro
de você a cada segundo?

Quando terminei de lavar o cabelo, desliguei o chuveiro e me apoiei na


parede por um instante. Eu estava exausta, física e emocionalmente.
Enrolei-me em uma toalha e me sentei na borda da banheira, deixando as
gotas escorrerem por minha pele.

Talvez eu nunca fosse esquecer aquele dia. Talvez aquela memória fosse
ficar comigo para sempre. Mas eu sabia de uma coisa: algo dentro de mim
tinha mudado.

E eu não tinha certeza se isso era bom ou ruim.

Depois de secar meu cabelo com cuidado, vesti um vestido longo azul com
detalhes brancos. Era confortável e leve, mas o tecido ainda roçava na
minha ferida quando eu me movia, provocando um leve incômodo. Olhei-
me no espelho por alguns instantes, tentando encontrar algo familiar no
meu reflexo, mas não conseguia. Tudo parecia estranho.
Saí do quarto devagar, tentando manter a postura ereta para não acentuar a
dor. Assim que entrei na sala, Vinnie estava de pé, com os braços cruzados,
me esperando. Ele parecia tenso, mais do que o normal. Quando me viu,
veio na minha direção imediatamente.

—Tá tudo bem? -Ele perguntou, a voz baixa e cheia de preocupação.

—Tá, eu... só precisava de um banho! -respondi, tentando não


transparecer o que realmente estava sentindo.

Mas ele não parecia convencido. Seus olhos percorriam meu rosto, tentando
ler algo nas expressões que eu tentava esconder. Eu sabia que ele estava
preocupado, mas havia algo diferente. Uma urgência que eu não conseguia
ignorar.

—Yasmim, vem aqui. -ele disse, apontando para o sofá.- A gente precisa
conversar.

Eu hesitei. Não queria falar sobre aquilo. Não queria reviver aquela noite de
novo, mas ao mesmo tempo, sabia que não tinha como fugir para sempre.
Assenti levemente e me sentei no sofá, enquanto ele se acomodava ao meu
lado, mantendo uma certa distância respeitosa.

—Eu sei que você tá insegura comigo, -ele começou, direto.- Dá pra ver
no jeito que você olha pra mim... ou melhor, no jeito que evita olhar pra
mim.

Cruzei os braços e olhei para as minhas mãos, incapaz de negar.

—Vinnie... -comecei, mas ele me interrompeu.

—Deixa eu explicar o que aconteceu naquela noite. Você merece saber.

Levantei o olhar para ele, com o coração acelerado. Parte de mim não
queria ouvir, mas a outra precisava desesperadamente de alguma explicação
que fizesse sentido.

—Quando você foi atingida, eu queria correr até você, mas antes que eu
conseguisse me mexer, meus homens me pegaram e me arrastaram pra fora
da casa. Fizeram o mesmo com o Kio, o Nick, Bryce, Avani e a Mads. Eles
estavam tentando nos proteger, Yasmim. Foi tudo muito rápido... eu juro, eu
tentei lutar contra eles, mas...

Ele parou, passando as mãos pelos cabelos em frustração.

—Mas você estava lá. Sozinha. -murmurei, com a voz tremendo.- Eu vi


vocês indo embora enquanto eu estava no chão, Vincent. Eu lembro.

—Não foi assim. -ele respondeu, com os olhos fixos nos meus.- Eu nunca,
nunca abandonaria você. Mas naquela hora... eles achavam que era a única
forma de salvar a gente. Eu não tive escolha.

Desviei o olhar. Eu queria acreditar nele. Queria mesmo. Mas a imagem


deles indo embora estava gravada na minha memória como uma cicatriz
que não desaparecia.

—Eu acredito no que você tá dizendo! -falei, com a voz baixa- mas é
difícil. Eu ainda consigo ouvir os passos de vocês se afastando... e não
consigo esquecer como eu me senti. Como se minha vida não importasse.

Ele ficou em silêncio por um momento, visivelmente abalado pelas minhas


palavras.

—Eu entendo. -ele disse finalmente.- Você tem todo o direito de se sentir
assim. Mas eu vou passar o resto da minha vida provando pra você que
você importa, Yasmim. Mais do que qualquer coisa nesse mundo.

Havia sinceridade na voz dele, e isso me atingiu como um golpe. Eu queria


acreditar. Talvez, com o tempo, eu conseguisse.

—Eu espero que sim, Vinnie.. -respondi, ainda insegura.- Porque eu não
sei se consigo passar por isso de novo.

Ele assentiu, como se entendesse perfeitamente o peso das minhas palavras.

Vinnie soltou um suspiro pesado, passando a mão pelo rosto, antes de


quebrar o silêncio que parecia pairar entre nós.
—Tá com fome? -ele perguntou, com a voz mais leve, embora ainda
houvesse uma preocupação evidente no tom.

Olhei para ele, surpresa com a mudança repentina de assunto, mas acabei
balançando a cabeça de leve.

—Acho que sim... não comi muito no hospital.

Ele abriu um pequeno sorriso, algo quase imperceptível, mas ainda assim
reconfortante.

—Vou pegar alguma coisa pra você. Fica aqui, tenta descansar.

Antes que eu pudesse responder, ele já estava de pé, caminhando para a


cozinha. Eu me recostei no sofá, tentando relaxar, mas minha mente insistia
em revisitar os acontecimentos daquela noite. Mesmo assim, o tom
tranquilo de Vinnie me ajudava a afastar as lembranças ruins, pelo menos
por um tempo.

Depois de alguns minutos, ele voltou com uma bandeja nas mãos. Havia um
prato simples com uma omelete, torradas, e um copo de suco.

—Não é nada demais, -ele disse, colocando a bandeja na mesinha de


centro- mas é o que tinha por aqui!

Sorri de leve, tentando esconder o quanto aquele gesto me tocou.

—Tá ótimo. Obrigada.

Ele se sentou ao meu lado novamente, me observando enquanto eu pegava


o garfo e começava a comer.

—Você não vai comer? -perguntei, tentando quebrar o silêncio.

—Já comi mais cedo! -ele respondeu, dando de ombros. Mas o jeito que
ele ficava me olhando, como se estivesse certificando que eu estava bem a
cada segundo, era quase desconcertante.

—Tá me vigiando agora? -brinquei, tentando aliviar o clima.


Ele deu um pequeno sorriso, relaxando um pouco.

—Só quero garantir que você tá se cuidando.

Aquele momento era tranquilo, mas carregado de uma tensão que nenhum
de nós parecia saber como dissipar. Ainda assim, era diferente. Menos
pesado.

—Eu vou ficar bem! -falei, mais para mim mesma do que para ele.

—Eu sei que vai! -ele respondeu, com uma certeza na voz que quase me
fez acreditar.

E naquele instante, enquanto comia em silêncio ao lado dele, senti algo que
parecia ser um pequeno alívio. Não era uma solução para tudo, mas era um
começo. E talvez, por agora, fosse o suficiente.

[...]

A manhã já havia passado, mas eu ainda estava inquieta. Cada som parecia
mais alto, cada movimento fora da janela mais suspeito. Era como se minha
mente estivesse em constante alerta, revivendo aquela noite, me deixando
presa em um ciclo interminável de medo e insegurança.

Olhei pela janela da sala, meus olhos procurando algo – ou alguém. Nada
parecia seguro. Meu peito estava pesado, e a cicatriz no meu ombro parecia
latejar, mesmo que eu soubesse que era só o reflexo do meu estado mental.

Ouvi o som de risadas vindo do corredor, e minha atenção se voltou para a


porta. Antes que eu pudesse sequer perguntar, Vinnie já estava abrindo para
Avani, Mads, Kio, Nick e Bryce. Todos entraram falando ao mesmo tempo.

—Yas! Como você tá?

—Você precisa comer alguma coisa decente, né?

—Você tá com dor?

—Tá muito pálida, tá tomando os remédios certinho?


—O que os médicos falaram?!

—Já pensou em sair um pouco, pra espairecer?

—Faz muito tempo que você chegou?

Cada palavra parecia um peso na minha cabeça. Minha mente agitada não
conseguia acompanhar, e a pressão de todos falando ao mesmo tempo só
piorava meu estado.

—Ei, ei! -Vinnie interveio, levantando a voz só o suficiente para silenciá-


los. Ele olhou para mim, depois para eles. - Vocês podem dar um tempo?
Olhem pra ela. Deixem ela respirar.

O silêncio que se seguiu era quase constrangedor. Avani, percebendo minha


expressão, veio até mim, segurando minha mão.

–Desculpa, Yas. A gente só tava... preocupado.

Assenti de leve, tentando mostrar que estava tudo bem, mas a verdade é que
não estava. Eu queria sair, queria fingir que tudo isso era um pesadelo do
qual eu tinha acordado. Mas como? Com Jacob e seus homens ainda lá fora,
prontos para atacar a qualquer momento?

Bryce, como sempre direto, quebrou o silêncio.

–Então, que tal sairmos pra jantar? Um restaurante tranquilo, só pra


relaxar.

—Não. -Minha resposta foi firme, rápida, quase automática.

Eles me olharam como se eu tivesse dito algo absurdo.

—Por quê, Yas? -Mads perguntou, com o rosto confuso.

—Eu... eu não posso. Não quero. -Meu tom era baixo, mas carregado de
insegurança.
—Mas você tá em casa agora, tá segura! -Kio insistiu, tentando soar
encorajador.

—Segura? -Repeti a palavra, mais para mim mesma do que para eles.
Soltei uma risada nervosa, sacudindo a cabeça.- Com Jacob e os homens
dele soltos por aí? Vocês acham mesmo que nós estamos seguros?

O ambiente ficou pesado. Eu sabia que eles queriam me ajudar, mas a


realidade era que eu estava presa dentro do meu próprio medo.

Avani, com a calma de sempre, puxou uma cadeira e se sentou na minha


frente.

—Yas, eu sei que tá difícil. Ninguém aqui tá dizendo que não é. Mas você
não pode se esconder pra sempre. Você precisa viver.

—É fácil falar -respondi, minha voz quase um sussurro.- Vocês não


estavam lá... no chão... com ele apontando a arma pra mim.

Todos ficaram em silêncio. Era como se minhas palavras os tivessem


atingido em cheio.

Vinnie, que estava de pé ao meu lado, colocou uma mão no meu ombro

—Yas, ninguém aqui tá te forçando a nada. Mas você não precisa


enfrentar isso sozinha. Se quiser sair, saímos. Se quiser ficar aqui, ficamos.
Só queremos te ajudar.

Olhei para ele, depois para o resto do grupo. O medo ainda estava lá,
latejando no fundo da minha mente, mas também estava algo mais – uma
pequena faísca de confiança. Talvez, só talvez, eu pudesse tentar. Não
agora, mas algum dia.

—Obrigada -murmurei. Era o máximo que conseguia dizer no momento,


mas parecia suficiente.

A conversa na sala parecia cada vez mais distante, como se o barulho ao


meu redor estivesse abafado. As palavras chegavam a mim fragmentadas,
misturadas à confusão na minha cabeça. Cada olhar preocupado, cada
pergunta lançada parecia um peso que eu não conseguia carregar.

Levantei-me do sofá sem dizer nada, sentindo os olhares deles em mim


enquanto caminhava em direção ao quarto. Minhas pernas estavam pesadas,
como se o simples ato de me mover exigisse toda a minha energia.

Assim que fechei a porta, encostei-me nela por um momento, deixando um


suspiro escapar. O silêncio do quarto parecia um alívio imediato, mas a
agitação dentro de mim não cessava. Passei os dedos pelos cabelos,
tentando organizar meus pensamentos, mas era inútil. Tudo estava uma
bagunça.

Caminhei até a cama e sentei na beirada, segurando meu rosto entre as


mãos. Eu queria acreditar que estava segura, mas cada som, cada sombra
que eu via pela janela me fazia duvidar. Jacob ainda estava lá fora, em
algum lugar, e o medo de que ele aparecesse a qualquer momento me
paralisava.

—Você precisa reagir. -murmurei para mim mesma, mas minha própria
voz soava vazia. Meu corpo ainda doía, minha mente ainda estava um caos,
e tudo o que eu queria era que esse pesadelo acabasse.

Deitei-me lentamente, encarando o teto, tentando ignorar o aperto no peito.


Eu só precisava descansar um pouco. Talvez o sono me trouxesse algum
alívio, ou pelo menos me afastasse dessa realidade por algumas horas.

Pov — Vincent Hacker

Assim que a porta do quarto se fechou, o silêncio tomou conta da sala por
alguns segundos. Era como se todos estivessem tentando processar o que
acabara de acontecer.

—Ela tá estranha, né? -Mads quebrou o silêncio, cruzando os braços e me


olhando com preocupação.

—Normal, -Bryce respondeu de imediato, inclinando-se no sofá.- Isso


mexe com a cabeça de qualquer um. Eu também ficaria assim no lugar dela.
—Mas ela não pode ficar assim! -Avani rebateu, gesticulando com
frustração.- Ela precisa sair, viver! Não dá pra ela ficar presa nesse medo
pra sempre.

—Não é seguro pra ela! -Minha voz saiu mais dura do que eu pretendia.
Cruzei os braços, tentando me manter calmo, mas o peso da situação estava
me consumindo.- E não é só ela que corre perigo.

Nick, que estava encostado na parede, finalmente se pronunciou.

—Vinnie tem razão. Vocês acham que Jacob vai parar nela? Ele sabe
quem somos, sabe onde estamos. Todo mundo aqui tá na mira dele agora.

—Tá, mas então qual é o plano? -Kio perguntou, claramente irritado.- A


gente vai ficar aqui trancado, esperando o próximo ataque? Porque, se for
isso, estamos ferrados.

—Eu não tô dizendo que vamos ficar trancados. -respondi, passando a


mão pelo rosto.- Mas também não dá pra agir como se nada tivesse
acontecido. A Yasmim quase morreu naquela noite, e isso foi um aviso.
Jacob não vai parar enquanto não conseguir o que quer.

—Se é que sabemos o que ele quer. -Bryce comentou, seu tom cético.

—Ele quer vingança. -falei com firmeza.- Não só contra mim, mas contra
todos nós. Ele perdeu homens, poder, e sabe que estamos no caminho dele.

Avani suspirou, passando a mão pelo cabelo.

—Tá, mas e a Yas? Vocês acham que é saudável pra ela ficar aqui,
trancada, sem viver? Isso só vai piorar as coisas.

—Ela precisa de tempo! -Bryce disse, tentando ser mais compreensivo


dessa vez.- Ninguém se recupera de algo assim do dia pra noite.

—Mas ela não tá sozinha -Kio insistiu.- Ela tem a gente. Talvez a gente
devesse forçar um pouco mais, tirar ela daqui, mesmo que ela não queira.
—Não. -cortei, minha voz baixa mas carregada de autoridade.- A última
coisa que ela precisa agora é ser pressionada. Se ela não se sentir segura,
não vai adiantar nada. O medo vai consumir ela, e o que resta de confiança
em nós vai embora junto.

—Então o que fazemos? -Mads perguntou, sua voz quase desesperada.-


Porque eu tô vendo ela piorar, Vinnie. Ela pode dizer que tá bem, mas não
tá.

–Eu sei -respondi, sentindo o peso de cada palavra.- Mas ela precisa saber
que estamos aqui, sem julgamentos, sem pressões. Vamos dar o espaço que
ela precisa, mas vamos estar aqui pra quando ela estiver pronta. Até lá, a
gente se mantém alerta e tenta garantir que Jacob não chegue perto dela –
ou de nenhum de nós.

O grupo ficou em silêncio, assimilando minhas palavras. Era um plano


simples, mas era tudo o que podíamos fazer agora.

—Ela vai sair dessa! -Bryce disse, quebrando o silêncio, como se tentasse
convencer a si mesmo tanto quanto a nós.

—Vai! -concordei, mais para mim mesmo.- Mas não vai ser fácil. E a
gente precisa estar preparado para o que vem depois.

Todos assentiram, e por mais que ninguém dissesse em voz alta, sabíamos
que a luta estava longe de acabar.

[...]

Depois que todos saíram, exceto Bryce, me joguei no sofá, exausto. Ele
ficou em pé por um momento, como se estivesse decidindo se devia ir
também, mas então se sentou na poltrona à minha frente.

—Você tá mais tenso do que de costume! -ele comentou, cruzando os


braços.

—Porque eu tenho motivo pra isso! -respondi, esfregando as têmporas.-


Ela não tá segura aqui, Bryce. Nenhum de nós tá.
—Então, qual é a ideia? -ele perguntou, direto. - Você vai trancar ela num
cofre? Porque, sinceramente, é assim que tá parecendo.

Olhei para ele, sério.

—Se eu tivesse um cofre que garantisse a segurança dela, eu faria isso


sem hesitar.

Bryce balançou a cabeça, dando uma risada seca.

—Você sabe que isso não é viver, né? A Yas precisa de ar, Vinnie. Não é
só segurança física. Ela precisa sentir que tá livre, que não tá presa nesse
medo.

Suspirei, me levantando e andando de um lado para o outro. Ele tinha razão,


mas eu não conseguia ignorar o que estava em jogo.

—Talvez a gente devesse ir pra longe -sugeri, parando em frente à


janela.1 Algum lugar onde ele não consiga nos achar. Uma casa afastada da
cidade, com espaço pra ela respirar. Seria temporário, só até garantirmos
que tá tudo limpo.

Bryce me olhou com interesse.

—Uma casa afastada, hein? Não é uma má ideia. Ela poderia se sentir
mais segura. Mas, Vinnie... você acha que fugir vai resolver? Jacob não vai
parar.

—Eu sei disso, -falei, me virando para ele.- Mas até que eu consiga dar
um fim nessa história, eu preciso mantê-la a salvo. Se precisar, eu destruo o
mundo pra manter ela ao meu lado. O que existe entre nós é maior do que
qualquer coisa. E se alguém tentar tirá-la de mim, vai descobrir do que sou
capaz.

Bryce ficou em silêncio por um momento, absorvendo o peso das minhas


palavras. Ele sabia que eu não estava brincando, nem exagerando.

—Você tá disposto a tudo, né? -ele perguntou, mais como uma afirmação
do que uma dúvida.
—Até o último suspiro. -respondi.- Eu sei que parece obsessivo, mas ela é
tudo pra mim. Não importa o que eu tenha que fazer, Bryce. Caso doa nela,
incendiarei o mundo inteiro, e criarei um novo apenas para ela.

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Capítulo 98
Pov — Yasmim Alles

Acordei depois de um cochilo rápido. O relógio marcava pouco mais de


uma hora desde que eu tinha me deitado, mas era como se meu corpo
tivesse sido recarregado apenas o suficiente para me manter de pé. A
sensação de peso na cabeça ainda estava lá, mas algo em mim tinha
mudado. O pânico e o medo absurdos que me consumiam antes deram lugar
a uma necessidade urgente de respirar, de me afastar por alguns instantes de
tudo e todos.

Levantei da cama com cuidado, ainda sentindo a dor na lateral do corpo.


Quando cheguei à sala, vi Vinnie deitado no sofá, distraído, jogando algum
joguinho qualquer no celular. Assim que ele me viu, ele se levantou num
pulo, com uma expressão preocupada no rosto.

—Tá tudo bem? Precisa de alguma coisa? -ele perguntou, a voz carregada
de cuidado.

Balancei a cabeça, tentando acalmá-lo.

—Não, tá tudo bem. Só queria sair um pouco do quarto.

Ele deu um passo mais perto, os olhos ainda estudando cada detalhe meu,
como se procurasse algum sinal de que eu estava mentindo.

—Conseguiu descansar?

—Consegui! -respondi, soltando um suspiro enquanto passava a mão pelo


cabelo.- Eu tava muito estressada antes, com medo de tudo, mas... agora tô
melhor. Acho que era só muita coisa acumulada na minha cabeça.

Sem dizer nada, Vinnie se aproximou e me puxou para um abraço. Seus


braços envolveram minha cintura, e eu fechei os olhos, encostando minha
testa em seu ombro. Era aquele tipo de abraço longo, tranquilo, que eu
amava. Ali, naquele instante, parecia que tudo o que eu precisava era
daquele calor, daquela segurança que ele transmitia.

—Me desculpa por antes... não sei o que deu em mim. -falei, rindo fraco,
enquanto ele me apertava mais.

—Você não precisa se desculpar, Yas. -ele respondeu baixinho.- Depois de


tudo que você passou, é normal. Eu só quero que você saiba que tô aqui.
Sempre!

Ficamos assim por mais alguns segundos, até que eu me afastei devagar.
Caminhei até a mesinha onde estavam as chaves do meu carro, e as peguei.

—Vai sair? -ele perguntou, confuso, enquanto me observava.

—Vou dar uma volta rápida -expliquei, virando para ele.- Eu só preciso de
um pouco de ar. Prometo que não demoro.

A preocupação tomou conta do rosto dele imediatamente.

—Yas, eu vou junto.

—Não, Vinnie, -retruquei com firmeza.- Eu só quero ficar sozinha por uns
minutos. Preciso pensar.

—Yas... -Ele insistiu, mas depois respirou fundo, entendendo meu ponto.-
Tudo bem, mas só se você for no meu carro. Ele é blindado. Caso contrário,
eu vou com você.

Rolei os olhos, mas sabia que ele tinha razão.

—Tá bom, eu vou no seu carro.

Antes de sair, peguei o celular e ativei a localização. Mostrei a ele, dizendo:

—Olha, vou deixar minha localização ativada. Assim você sabe onde eu tô.
Só por segurança.
Vinnie assentiu, embora eu soubesse que ele ainda estava desconfortável
com a ideia de me deixar sair sozinha.

—Se alguma coisa acontecer, me liga. Na mesma hora.

—Eu vou ficar bem! -garanti, apertando de leve sua mão. Era só uma volta
rápida, só eu e meus pensamentos. Isso não poderia ser tão difícil... certo?

Antes de sair, parei perto da porta e olhei para Vinnie. Um pensamento me


veio à mente, algo que eu estava curiosa para perguntar.

—Vinnie, e o Dylan? Não ouvi falar dele desde... bom, desde antes disso
tudo acontecer.

Vinnie coçou a nuca, desviando os olhos por um instante.

—Ah, ele tá bem, pelo que eu sei. Há algumas semanas, ele brigou com Kio
e Nick, sabe? Os três moravam juntos na casa do Kio, mas a coisa ficou
feia.

—Feia como? -perguntei, franzindo a testa.

—Coisas de convivência, Yas. Eles se desentenderam feio, e o Dylan


acabou saindo de lá. Agora tá morando com sua mãe e... com Oliver. -ele
completou, a expressão endurecendo ao mencionar o nome do meu
padrasto.

Só de ouvir isso, senti meu estômago revirar.

—Nem morta eu entro naquela casa novamente. -murmurei, cruzando os


braços.

Vinnie me olhou, preocupado, mas não disse nada. Apenas assentiu


levemente.

—Obrigada por me avisar -falei com um sorriso leve, querendo encerrar o


assunto.
Com isso, desci até o estacionamento e me aproximei da Porsche preta em
que viemos do hospital. O carro brilhava sob as luzes artificiais, impecável.
Entrei, ajeitei o banco e comecei a dirigir pela cidade.

As ruas passavam como um borrão, mas eu prestava atenção em cada


detalhe: os barzinhos iluminados à beira da rua, as vitrines das lojas
decoradas, as pessoas andando em grupos ou sozinhas. Era estranho. A
cidade parecia tão viva e tranquila, enquanto dentro de mim, tudo ainda
estava tão agitado.

Sem perceber, minha mente começou a vagar, e me lembrei de algo que


Dylan tinha me contado uma vez. Um lugar especial para ele, onde ele
costumava ir para pensar, longe de tudo e de todos.

Dirigi por alguns minutos até encontrar a pracinha. Ela estava deserta,
provavelmente por conta do horário, mas a vista era exatamente como ele
havia descrito. Ao fundo, o local parecia estar no topo de uma montanha, de
onde se podia ver quase toda a cidade iluminada.

Havia um banco de madeira próximo à beira da ladeira, e alguém estava


sentado ali. Meu coração acelerou ao reconhecer a silhueta. Era Dylan.

Quando me aproximei, ele se virou e, ao me ver, abriu um sorriso enorme.


Seus olhos brilhavam com lágrimas que ele nem tentou esconder. Ele
parecia... feliz em me ver.

—Dylan! -chamei, me aproximando devagar.

—Yasmim! -ele exclamou, se levantando e vindo em minha direção. Antes


que eu dissesse algo, ele me puxou para um abraço apertado.- Eu tava com
saudades! -murmurou.

—Eu também! -respondi, sentindo meu peito apertar. Depois de um


momento, me afastei o suficiente para olhá-lo nos olhos.- Por que você não
foi me visitar no hospital?

Ele suspirou, passando as mãos pelo cabelo.


—Eu... eu queria ir, de verdade, mas...

—Mas o quê? -insisti, cruzando os braços.

—Eu tava com medo, Yas. Medo de te ver naquele estado. Eu me senti tão
culpado. Eu te avisei pra se afastar do Vinnie, mas... ele só tava tentando te
proteger. E se não fosse por ele, você nem estaria mais aqui... -ele admitiu,
a voz embargada.

–Você não tem culpa de nada, Dylan. Não coloca isso nos seus ombros, tá
bom? -tentei tranquilizá-lo, colocando uma mão em seu ombro.

Ele assentiu, mas ainda parecia carregado. Para mudar o clima, perguntei:

—E como estão as coisas na casa da minha mãe?

Dylan soltou uma risada curta.

—Um inferno, como sempre.

Eu ri junto, balançando a cabeça.

—Típico da dona Loren. Pelo menos isso não mudou. A casa dela sempre
foi um circo.

—Com Oliver no comando, virou um circo com leões soltos! -ele brincou,
arrancando mais uma risada minha.

—Você tem que sair de lá antes que vire comida de leão, Dylan! -
provoquei, rindo.

—Talvez eu me esconda no porta-malas do seu carro. -ele respondeu,


piscando para mim.

Ficamos ali conversando, rindo e trocando confidências. Por alguns


minutos, a dor e o medo pareceram distantes. Era bom estar com Dylan,
meu irmão de coração, e sentir que, mesmo com tudo desmoronando, ainda
tínhamos um ao outro.
Dylan me olhou com aquele jeitinho de sempre, a preocupação estampada
no rosto.

—E você, Yas? Como você tá... de verdade?

Fiquei em silêncio por alguns segundos, tentando encontrar uma resposta


que fizesse sentido. Mas quanto mais eu pensava, mais difícil parecia. Era
como se tudo dentro de mim estivesse bagunçado demais para ser
explicado.

—Ah, sei lá... -comecei, soltando um suspiro.- É meio complicado, sabe? É


uma mistura de dor física e mental. Minha cabeça tá uma confusão. -Dei
uma risadinha curta, sem humor.

Ele assentiu devagar, parecendo entender completamente.

—É, eu sei como é. É como se você quisesse colocar tudo em ordem, mas
não sabe nem por onde começar, né?

—Exatamente! -concordei, virando o corpo para olhá-lo melhor.- Eu tô


tentando entender tudo, Dylan. Tentar encontrar um sentido... mas é como
se eu estivesse no meio de um furacão.

—Eu já passei por isso, -ele respondeu calmamente, com um olhar


distante.- Não foi igual, claro, mas teve uma época que parecia que eu não
conseguia respirar. E sabe o que me ajudou?

—O quê?

—Tempo. -ele disse simplesmente.- É clichê, mas é verdade. Não tem


fórmula mágica, Yas. Você só precisa se dar o tempo que seu coração e sua
mente precisam.

Fiquei em silêncio, refletindo sobre suas palavras. Ele sempre parecia saber
exatamente o que dizer quando eu mais precisava. Sem pensar muito, me
inclinei e encostei minha cabeça em seu ombro. Ele não hesitou, apenas
encostou a cabeça dele na minha. Ficamos assim, observando o pôr do sol
se formar aos poucos no horizonte.
—Isso é tão estranho. -murmurei, quebrando o silêncio confortável.

—O quê? -ele perguntou, virando ligeiramente o rosto para me olhar.

—Se fosse há alguns meses atrás, você estaria pouco se fodendo pra mim.
Esse momento fofo aqui nunca teria existido! -brinquei, rindo baixinho.

Dylan gargalhou, sacudindo os ombros.

—Ah, Yas, dá um tempo. Eu não era tão ruim assim.

—Era sim! -retruquei, me afastando um pouco para olhá-lo com uma


expressão teatralmente indignada.- Você vivia me ignorando. A única vez
que você me deu atenção foi pra roubar meu pedaço de pizza.

Ele riu ainda mais alto.

—Tá, esse ponto eu não posso negar. Mas, em minha defesa, aquela pizza
tava boa demais pra ser desperdiçada.

—Você é impossível, Riger! -brinquei, balançando a cabeça.

—Mas falando sério, -ele disse, ainda com um sorriso no rosto- você é
minha irmã, Yas. E eu faria qualquer coisa por você, até mesmo aturar esses
momentos fofos.

—Eu também faria qualquer coisa por você, Dylan. -murmurei, o sorriso
em meu rosto suavizando.

Ele apertou meu ombro levemente antes de voltarmos a observar o pôr do


sol. Naquele momento, tudo parecia um pouco mais leve. Como se, de
alguma forma, o mundo ainda pudesse ter seus momentos de paz, mesmo
em meio ao caos.

[...]

—Merda, estamos há mais de duas horas aqui! Vinnie vai me matar! -falei
enquanto me levantava rapidamente. Assim que fiquei de pé, uma dor
aguda atravessou meu lado, bem perto da cintura.
Parei imediatamente, mordendo o lábio para não soltar um gemido de dor.
Coloquei a mão perto do local onde os pontos ainda estavam, tentando
disfarçar. Meu corpo reclamava da movimentação brusca, mas eu forcei um
sorriso para Dylan, como se estivesse tudo bem.

—Vai com calma aí, Yas. -ele disse, levantando-se logo em seguida.

—Ah, tô bem. Só preciso... me ajeitar. - respondi, tentando parecer


tranquila enquanto fazia uma leve pressão na lateral para aliviar a dor.

Nos aproximamos para nos despedir, e eu o abracei. Era um abraço


apertado, como todos os outros. Mas, dessa vez, senti algo diferente. Dylan
parecia hesitante, quase relutante. Quando nos soltamos, ele ficou parado,
me olhando como se estivesse guardando aquele momento.

—Tá tudo bem? -perguntei, franzindo a testa.

—Tá, claro. Por que não estaria? -Ele deu um sorriso pequeno, mas algo
nele estava... estranho.

—Dylan, você tá agindo esquisito. Parece que tá me dizendo adeus pra


sempre ou algo do tipo! -falei, meio desconfiada.

—Você tá imaginando coisas, Yas. Só tô sendo eu mesmo. -Ele encolheu os


ombros, desviando o olhar, mas ainda parecia... distante.

Decidi não insistir. Talvez fosse coisa da minha cabeça. Sorri de leve e dei
um tchau antes de me virar e começar a andar em direção ao carro.

Assim que entrei na Porsche, a dor na minha cintura deu outra pontada.
Soltei o ar devagar, encostando a cabeça no volante por um momento.

—Calma, Yas. Respira fundo. Você consegue. -sussurrei para mim mesma

Liguei o carro e comecei a dirigir de volta para casa. O trânsito estava


tranquilo, e eu aproveitei o percurso para organizar minha mente.

De vez em quando, minha mão ia instintivamente até a lateral do meu


corpo, onde a dor ainda incomodava. Mesmo assim, continuei dirigindo,
tentando afastar a sensação de que algo estava errado.

—Dylan tá estranho.. -pensei em voz alta, enquanto as lembranças dele


ficando mais sério do que o normal passavam pela minha cabeça. Tinha
algo ali, algo que ele não quis me contar.

Acelerei um pouco, ansiosa para chegar logo em casa. Talvez fosse só coisa
da minha cabeça... talvez fosse mais uma coisa pra eu resolver em meio a
todo o resto.

Assim que entrei no apartamento, percebi o som do chuveiro vindo do


banheiro.

Ótimo, ele tá no banho. pensei, aproveitando o momento para ir até meu


quarto e dar uma olhada na ferida.

Fechei a porta atrás de mim e tirei o vestido, ficando apenas de roupas


íntimas. Caminhei até o espelho, hesitante. A dor ao lado do meu corpo
tinha piorado desde a pracinha, e eu sabia que precisava trocar o curativo.

Respirei fundo, começando a desgrudar o curativo devagar, mas quase caí


pra trás quando ouvi uma voz vinda da porta:

—Yasmim?

Virei-me rapidamente e vi Vinnie parado ali, apenas com uma toalha


enrolada na cintura. Seu corpo estava molhado, com gotas escorrendo por
seus ombros e peitoral, e os cabelos bagunçados pingavam água no chão.

—Vinnie! Pelo amor de Deus, bate na porta antes de entrar! -falei, cobrindo
meu corpo com as mãos, mesmo que ele não estivesse vendo nada que já
não tivesse visto antes. Meu rosto ardia de vergonha.

—Eu ia bater, mas ouvi um barulho estranho. -ele respondeu, cruzando os


braços enquanto me analisava. Então, seus olhos pararam na ferida, e o
semblante dele ficou sério.- Tá sangrando.

—Não é nada demais! -tentei desconversar, mas ele não parecia


convencido.
—Não é nada? Você fez esforço, não fez? Yas, eu já te falei que você não
pode forçar o corpo assim! -Ele se aproximou, sem se importar com a
toalha ou com o fato de estar encharcado.

—Vinnie, eu tô bem, sério! -menti, tentando afastá-lo com as mãos.

—Não tá. Vem comigo. -ele disse, pegando minha mão antes que eu
pudesse protestar.

—Pra onde você tá me levando? -perguntei, mas ele não respondeu.

Ele me guiou até o banheiro, fechando a porta atrás de nós. Antes que eu
pudesse dizer qualquer coisa, ele me colocou sentada na pia.

—Fica quieta. -ordenou, abrindo o armário para pegar o kit de primeiros


socorros.

—Eu sei trocar meu próprio curativo! -falei, cruzando os braços.

—É, e olha onde isso te levou! -ele retrucou, ajoelhando-se ao meu lado
para ter acesso à ferida.- Levanta um pouco o braço.

Suspirei, mas fiz o que ele pediu. Ele começou a limpar o local com
cuidado, mas mesmo assim, ardeu um pouco.

—Você é tão teimosa. -ele murmurou, concentrado no que fazia.

—Não sou, só tava precisando respirar um pouco! -respondi, sentindo o


toque delicado dele enquanto aplicava o antisséptico.

—Podia ter esperado eu ir com você. Não é seguro sair sozinha assim, ainda
mais nesse estado. -ele disse, pegando uma gaze limpa.

—Eu ativei a localização, lembra? E você sabia onde eu tava. -retruquei,


tentando aliviar a tensão.

—Não importa. Eu quero você segura, Yas. Isso é o mínimo. -ele falou
enquanto terminava de colocar o novo curativo. Seus olhos encontraram os
meus, e havia algo profundo neles, como se ele quisesse me dizer mais do
que estava dizendo.

—Pronto. -ele disse, levantando-se.- Agora, sem mais esforços


desnecessários, entendeu?

Rolei os olhos, mas sorri levemente.

—Entendido, senhor mandão.

Ele balançou a cabeça, um sorriso de canto surgindo em seus lábios.

—Vai descansar, Yas. Por favor.

Concordei, desci da pia com cuidado e, por um instante, fiquei parada,


apenas observando ele guardar o kit de primeiros socorros. A preocupação
dele me aquecia o coração, mesmo que ele fosse um pouco intenso às
vezes.

—Obrigada, Vinnie. -falei baixinho antes de sair do banheiro.

Depois que saí do banheiro, fui direto para o quarto. A dor na ferida ainda
estava ali, mas o curativo novo feito pelo Vinnie ajudava a aliviar um
pouco. Suspirei, sentindo o cansaço pesar nos meus ombros.

Abri meu armário e procurei algo mais confortável. Encontrei um shorts de


algodão e uma camiseta larga de manga curta, perfeitos para não apertar a
área da ferida. Vesti tudo com cuidado, tentando evitar qualquer movimento
brusco que pudesse puxar os pontos.

Assim que terminei, me deitei na cama por um momento, encarando o teto.


Tudo parecia tão... caótico. Meu corpo doía, minha mente estava cheia, e,
mesmo com todo o apoio de Vinnie e dos outros, eu me sentia
estranhamente sozinha naquele momento.

Passei a mão pelo cabelo, tentando afastar os pensamentos ruins. Eu sabia


que precisava ser forte, mas isso era muito mais fácil de falar do que de
fazer.
De repente, ouvi passos vindo do corredor. A porta do quarto estava
entreaberta, e em poucos segundos Vinnie apareceu, ainda com a toalha na
cintura, mas agora com uma camiseta seca jogada sobre o ombro.

—Tudo bem? -ele perguntou, encostando-se ao batente da porta.

—Tá, eu só... precisava de um minuto. -respondi, puxando os joelhos para


perto de mim na cama.

—Quer que eu te deixe sozinha? -ele ofereceu, mas pelo olhar dele, dava
pra perceber que ele não queria sair dali.

—Não precisa. -falei, gesticulando para ele entrar.- Na verdade, pode ficar,
se quiser.

Ele sorriu de canto, fechando a porta atrás de si antes de se sentar na cadeira


perto da escrivaninha.

—Então, decidiu obedecer e descansar um pouco, hein?

Revirei os olhos, mas acabei rindo.

—Não precisa jogar na cara, Hacker!

—Eu não tô jogando na cara! -ele respondeu, levantando as mãos em um


gesto de rendição.- Tô só... observando.

Vinnie ficou quieto por alguns segundos, me observando enquanto eu


ajeitava o travesseiro atrás de mim. A forma como ele olhava pra mim...
sempre parecia que ele conseguia enxergar além do que eu mostrava. Era
desconcertante, mas ao mesmo tempo, confortante.

—Você tá pensando em quê? -ele perguntou de repente, inclinando a cabeça


para o lado, como se quisesse ler minha mente.

—Em como você fica engraçado com essa toalha colorida enrolada! -
brinquei, tentando aliviar o clima, mas acabei rindo de verdade.

Ele deu uma risada curta, passando a mão pelos cabelos molhados.
—É, muito engraçado mesmo. -disse, com um tom falso de indignação.- Eu
saio do banho pra cuidar de você e é isso que eu ganho?

—Eu tô brincando! -respondi, segurando o riso enquanto estendia a mão


para puxá-lo pela camiseta seca que estava no ombro dele.- Vem cá.

Vinnie hesitou por um segundo, mas logo se levantou e se aproximou da


cama. Ele sentou ao meu lado, e automaticamente encostei minha cabeça
em seu ombro. Ele era quente, confortável, e estar perto dele me fazia sentir
um pouco mais segura, como se o mundo lá fora não pudesse me alcançar.

—Eu devia brigar com você por fazer esforço quando sabe que não pode. -
ele murmurou, mas sua voz era suave, quase carinhosa.

—Eu sei. -admiti, levantando o rosto para encará-lo. - Desculpa, tá? Eu só...
eu precisava sair um pouco. Minha cabeça tava uma bagunça.

Ele suspirou, seus olhos fixos nos meus.

—Eu entendo. Só... não faz mais isso sozinha, tá? Me deixa cuidar de você.

Meu coração apertou um pouco ao ouvir aquilo. Ele dizia essas coisas com
tanta sinceridade que eu nunca sabia o que responder. Em vez de falar,
deixei meus olhos responderem por mim, e, no momento seguinte, ele se
inclinou, pressionando seus lábios levemente nos meus.

Foi um beijo curto, mas cheio de significado, e antes que eu pudesse


processar, ele me deu outro, e outro, suaves e lentos, como se não quisesse
que o momento acabasse.

—Você é muito teimosa. -ele murmurou contra meus lábios, um pequeno


sorriso se formando.

—E você é muito mandão. -retruquei, rindo baixinho.

Ele me puxou para um abraço, envolvendo meus ombros com seus braços
fortes. Fiquei ali, deitada contra ele, sentindo o cheiro fresco do banho e o
calor de seu corpo.
—Promete que vai descansar agora? -ele perguntou, beijando de leve o topo
da minha cabeça.

—Prometo! -murmurei, apertando mais o abraço.

—Ótimo, porque se não descansar, vou amarrar você nessa cama.

Levantei o rosto para olhá-lo, fingindo indignação.

—Isso foi uma ameaça?

—Não -ele disse, sorrindo de canto.- Foi um aviso.

Eu ri, balançando a cabeça. Ele era impossível. Mas, de alguma forma, era
exatamente disso que eu precisava agora. Ficar ali, só nós dois, sem o peso
do mundo nas minhas costas.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 99
Pov — Yasmim Alles

—Você não sabe escolher filme! -falei, rindo, enquanto tirava o controle da
mão do Vinnie.

—Claro que sei! Eu só escolho os melhores. -Ele estendeu a mão para pegar
o controle de volta, mas fui mais rápida, segurando o controle firme contra
meu peito.

—Os melhores pra você, né? Porque pra mim, sinceramente, você só
escolhe bomba.

—Ah, é? E quem foi que escolheu aquela comédia romântica péssima da


última vez? -Ele arqueou a sobrancelha, um sorriso divertido nos lábios.

—Foi a Mads! -respondi, tentando parecer convincente, mas ele sabia que
era mentira.

—Não foi, não! Foi você. Admito que assisti só porque queria ficar do seu
lado. -ele disse, inclinando a cabeça e me encarando com aquele olhar
intenso que sempre me desmontava.

Antes que eu pudesse reagir, ele se jogou para cima de mim, tentando pegar
o controle. Nós dois começamos a rir enquanto rolávamos na cama.

—Vinnie, para! Você vai me machucar! -falei entre risos, tentando afastá-
lo.

—Então devolve o controle! -Ele tentou agarrar minha mão, mas eu estiquei
o braço, mantendo o controle fora do alcance dele.

—Nunca!
Ele riu baixo, me puxando pela cintura e me fazendo cair bem perto dele,
com nossos rostos quase se tocando. Por um momento, o quarto ficou em
silêncio, apenas as nossas respirações preenchendo o espaço.

—Você não joga justo. -ele murmurou, os olhos presos nos meus.

—Eu nunca disse que jogava! -respondi, sentindo meu rosto corar enquanto
ele inclinava a cabeça e me dava um beijo rápido nos lábios.

Não resisti. Larguei o controle e passei os braços ao redor do pescoço dele,


aprofundando o beijo.

Seus lábios se moviam contra os meus com tanta delicadeza, mas ao mesmo
tempo, havia algo possessivo em sua maneira de me beijar. Suas mãos
exploraram minha cintura, subindo devagar pelas minhas costas enquanto
eu acariciava seu cabelo molhado.

—Isso não parece muito justo também. -murmurei contra seus lábios,
sentindo um arrepio percorrer meu corpo quando ele deixou um beijo
demorado na lateral do meu pescoço.

—Eu jogo do meu jeito, amor. -Ele sorriu contra minha pele antes de me
puxar ainda mais para perto, nossas pernas completamente entrelaçadas.

Suas mãos escorregaram até minha cintura, onde os pontos estavam, e ele
parou de repente.

—Yas... -Ele me olhou sério, levantando minha blusa um pouquinho para


conferir.- Eu sabia que você tava forçando demais hoje. Isso tá vermelho!

—Tá tudo bem, Vinnie, sério. -Tentei disfarçar, mas ele balançou a cabeça,
claramente preocupado.

—Você não sabe se cuidar. Agora fica quietinha. - Ele me deu um beijo
rápido antes de se levantar.

—Pra onde você vai?


—Buscar um remédio e um pouco de gelo. E depois a gente vai assistir o
MEU filme. -Ele piscou, pegando o controle no chão antes de sair do
quarto.

Suspirei, sorrindo. Ele podia ser irritante às vezes, mas tinha um jeito de
cuidar de mim que fazia meu coração bater mais rápido toda vez.

[...]

—Você vai MESMO escolher um filme de ação? - perguntei, revirando os


olhos enquanto ele mexia no controle remoto.

—Claro que vou. E você vai amar. Confia. -respondeu Vinnie, com aquele
sorrisinho convencido.

Suspirei, fingindo irritação, mas no fundo, gostava de vê-lo tão empolgado


com algo tão simples. Ele finalmente encontrou o filme e deu play,
encostando-se na cabeceira da cama enquanto ajeitava os travesseiros.

Sem pensar muito, me deitei no peito dele, deixando minha cabeça


descansar em seu peitoral. O calor do corpo dele e o som das batidas de seu
coração me traziam uma sensação de segurança que eu não conseguia
explicar.

—Confortável aí, pequena? —ele perguntou, passando a mão


delicadamente pelas minhas costas.

—Uhum. -murmurei, fechando os olhos por alguns segundos enquanto


sentia seus dedos deslizarem lentamente pelo meu cabelo.

Ele começou a brincar com as pontas do meu cabelo, enrolando os fios


loiros nos dedos, enquanto a outra mão fazia movimentos suaves nas
minhas costas. O filme parecia ficar em segundo plano enquanto eu me
entregava à sensação de estar tão próxima dele.

—Tá gostando do filme? -ele perguntou depois de alguns minutos.

—Nem tô prestando atenção. -confessei, rindo baixinho.


—Sabia que você ia dizer isso! -ele respondeu, rindo junto.

Revirei os olhos, mas sorri contra o peito dele. Vinnie continuou


acariciando meu cabelo, e o movimento repetitivo me deixou cada vez mais
relaxada.

Antes que eu percebesse, meus olhos começaram a pesar, e o som do filme


se tornou um ruído distante. O último pensamento que tive antes de
adormecer foi o quão bom era ter Vinnie por perto.

Pov — Vincent Hacker

Olhei para Yasmim e percebi que ela tinha pegado no sono. Seus cabelos
loiros estavam espalhados pelo meu peito, e ela tinha um leve sorriso nos
lábios.

—Eu sabia que você ia dormir. -sussurrei, mesmo sabendo que ela não
podia ouvir.

Dei um beijo suave no topo da cabeça dela, aproveitando o momento. Ela


parecia tão tranquila, tão vulnerável... e era isso que me fazia querer
protegê-la a qualquer custo.

—Boa noite, pequena. -murmurei, continuando a acariciar seu cabelo


enquanto o filme continuava rodando.

Eu sabia que não precisava de mais nada no mundo, desde que tivesse ela
ao meu lado.

Pov — Yasmim Alles

A luz suave do sol da manhã atravessava as cortinas brancas com detalhes


dourados do meu quarto, iluminando o ambiente com um brilho acolhedor.
Meus olhos se abriram devagar, piscando algumas vezes antes de eu me
espreguiçar entre os lençóis macios.

A porta rangeu levemente, e a voz familiar da mamãe ecoou pelo quarto:


—Yasmim, querida, hora de acordar! -Mamãe entrou, usando um vestido
impecável como sempre, mas seus olhos estavam um pouco cansados.
Apesar disso, o sorriso em seu rosto era bonito.

Eu me sentei na cama, coçando os olhos com minhas mãozinhas.

—Bom dia, mamãe! -falei, com minha vozinha fina e sonolenta, mas
animada.

Ela se aproximou e acariciou meus cabelos bagunçados.

—Vamos nos arrumar, meu anjinho. Amanhã é um dia especial, mas hoje
também temos muito o que fazer.

Eu segurei na mão dela enquanto ela me ajudava a sair da cama. Mamãe me


guiou até o meu closet gigante, onde uma babá já estava à nossa espera com
um sorriso gentil. As paredes do closet eram cheias de vestidos em tons
pastel, sapatinhos brilhantes e lacinhos combinando.

—Olha só isso, Yas! -disse mamãe, pegando um vestidinho azul claro com
delicados detalhes de renda.- Você não acha que vai ficar uma verdadeira
princesa com ele?

—Princesa! -exclamei, batendo palmas animada.

Mamãe e a babá riram, e logo comecei a ser vestida com cuidado. Enquanto
a babá ajustava o lacinho azul no meu cabelo, mamãe agachou-se para ficar
na minha altura, me olhando nos olhos.

—Está pronta para conquistar o dia, meu anjo?

Eu assenti, segurando o vestido com minhas mãozinhas pequenas e


rodopiando devagar.

—Estou linda, mamãe?

—Está perfeita, como sempre, Yasmim. -Ela deu um beijo na minha testa
antes de segurar minha mão.- Vamos descer, o papai está esperando.
Descemos as escadas enormes de mármore, e assim que meus olhos
captaram a figura do papai sentado à mesa do café da manhã, um sorriso
enorme se espalhou no meu rosto.

—PAPAI!!!

Sem pensar, soltei a mão da mamãe e corri, quase tropeçando nos degraus.
Papai, com aquele sorriso caloroso, já estava de pé, pronto para me receber
em seus braços.

—Minha princesa! -disse ele, me levantando no ar e girando devagar.

Eu ria alto, minhas mãozinhas agarrando a gravata dele.

—Papai, amanhã é meu aniversário de quatro aninhos! Você vai cantar


parabéns comigo?

—Claro que vou, meu amor. Eu não perderia isso por nada no mundo. -Ele
deu um beijo no meu nariz, me fazendo soltar uma risadinha, antes de me
colocar na cadeirinha de bebê ao lado dele.

Mamãe já estava sentada, arrumando o guardanapo no colo. Papai se sentou


na ponta da mesa, e eu comecei a comer um pedaço de pão com geleia que
a babá colocou no meu pratinho.

—Papai, eu posso ir na praça hoje? -perguntei, cheia de esperança,


enquanto olhava para ele com meus grandes olhos brilhantes.

Antes que ele pudesse responder, a voz da mamãe soou alta e afiada:

—Yasmim, você sabe que não pode sair de casa! Já falamos sobre isso. É
perigoso!

Franzi o rosto, confusa.

—Mas eu vou com o papai...

Mamãe bateu a mão na mesa, me assustando.


—Não, Yasmim! Já disse que não! Senão, o bicho-papão pode pegar você!

Papai se levantou devagar, mas o olhar dele estava firme.

—Loren, isso já é demais. Ela é uma criança, e eu vou com ela. Não há
perigo nenhum.

—Não começa, Cristopher! -gritou mamãe, irritada. Ela pegou o


guardanapo, jogou sobre a mesa e saiu apressada em direção à cozinha.

Eu senti os olhos arderem enquanto um beicinho se formava. As lágrimas


começaram a ameaçar cair, e eu esfreguei os olhos com as mãos pequenas.

—Não chora, minha princesinha... -Papai disse com uma voz suave, me
tirando da cadeirinha e me segurando no colo.

Ele começou a andar pela casa comigo, pegando um dos meus ursinhos que
estava esquecido no sofá.

—Olha só quem tá aqui, o senhor Teddy veio brincar com a gente.

Eu funguei, mas um pequeno sorriso surgiu enquanto ele mexia os


bracinhos do ursinho, imitando uma voz engraçada:

—Oi, Yas! Vamos brincar?

—Vamos! -respondi, soltando uma risadinha.

Ele continuou andando comigo pela sala, pegando outro brinquedo e


brincando de esconde-esconde com o ursinho. Aos poucos, esqueci do susto
de antes, rindo alto enquanto papai fazia caretas e vozes engraçadas.

—Papai, você é o melhor! -falei, abraçando seu pescoço com força.

Ele me apertou contra o peito, me dando um beijo na bochecha.

—E você é o meu mundo, Yasmim.

[...]
Estava sentada no chão da sala com minhas bonecas espalhadas ao meu
redor. Uma Barbie com cabelo rosa estava "conversando" com outra de
vestido dourado.

—Você quer um chá? -perguntei com minha vozinha doce, segurando uma
xícara minúscula de plástico e fingindo servir chá em um pratinho vazio.-
Está bem quente, cuidado!

Enquanto brincava, ouvi a voz do papai ao fundo, conversando com um dos


seguranças perto da mesa de jantar. A sala estava tranquila, só o som das
minhas brincadeiras preenchia o espaço.

De repente, toc, toc, toc!

Alguém bateu na porta.

Ergui a cabeça, curiosa, e larguei a xícara no chão. Papai levantou-se da


cadeira e caminhou até a porta. Ele a abriu, e um sorriso grande surgiu no
rosto dele.

—Hacker! -papai exclamou, abraçando um homem alto que estava na


porta.

—Cris! Cara, quanto tempo! -respondeu o homem, com uma voz animada.

Fiquei ali sentadinha, curiosa, tentando enxergar melhor quem era. Papai se
afastou um pouco e olhou para baixo, onde havia outra pessoa.

—E aí, carinha! -ele disse, agachando-se quase na minha altura.

—Esse é meu filho -disse o homem chamado Hacker.- Diga oi para ele,
Vinnie.

Eu inclinei a cabeça para o lado, curiosa, enquanto via um menino da minha


idade, com cabelos loirinhos bagunçados, aparecer atrás do pai. Ele me
olhou meio tímido, mas deu um passo à frente.

—Oi... eu sou o Vinnie -disse ele, com a voz baixinha, olhando para o chão
e depois para mim.
—Entrem! -papai falou, abrindo mais a porta. Ele olhou para Vinnie com
um sorriso grande.- Vinnie, eu tenho uma filha da sua idade!

Papai olhou para mim e veio andando devagar. Fiquei de pé rapidamente,


mas me escondi atrás da perna dele, segurando sua calça com minhas
mãozinhas.

—Filha, não fique com vergonha -disse papai, abaixando-se e olhando para
mim com um sorriso.- Ele é o amigo do papai.

Espiei por trás da perna dele, vendo Vinnie e seu pai parados perto da porta.
Vinnie parecia tão envergonhado quanto eu, mexendo no bolso do short
com as mãos.

—Diga oi, Yasmim -papai insistiu, me encorajando com um olhar gentil.

Dei um passinho para frente, ainda segurando firme na calça dele.

—O-oi... eu sou a Yasmim -falei, minha voz saindo baixinha, quase como
um sussurro.

—Que bonitinha! -disse Hacker, rindo baixinho enquanto olhava para


papai.

—Vão, deem um abraço! -papai disse, me puxando levemente para frente.

Fiz uma carinha de dúvida, mas vi que Vinnie também deu alguns passos
hesitantes. Ele parecia tão nervoso quanto eu. Quando ficamos frente a
frente, ele abriu os bracinhos meio desajeitado, e eu fiz o mesmo. Nossos
braços se tocaram, e demos um abraço rápido, soltando quase no mesmo
instante.

—Pronto, agora vocês são amiguinhos! -papai brincou, sorrindo.

Os dois pais riram enquanto papai e Hacker começaram a subir as escadas.

—Vamos para o escritório. Volto já, Yas -papai disse, acenando.


Olhei para Vinnie, que ficou parado no meio da sala, olhando ao redor. Ele
parecia perdido, então resolvi puxar conversa.

—Você quer brincar? -perguntei, apontando para as bonecas no chão


enquanto me sentava de novo.

Ele fez uma cara estranha e cruzou os braços.

—Eca! Isso é brinquedo de menina! -Ele riu, colocando a língua para fora.

Eu comecei a rir também.

—Mas é divertido! -argumentei, segurando uma boneca com cabelo


brilhante e balançando-a no ar como se estivesse voando.

—Não é, não! -Ele se aproximou, sentando-se no chão do meu lado, mas


sem tocar nas bonecas. - Você não tem carrinhos?

—Tenho! -levantei animada, correndo até uma caixa perto do sofá. Abri a
tampa e mostrei dois carrinhos coloridos.- Aqui, você pode brincar com
esse.

Ele pegou um carrinho vermelho e começou a fazer barulhos de motor,


andando com ele pelo chão. Eu fiquei olhando, fascinada.

—Você é bom nisso -disse, observando enquanto ele fazia o carrinho


"subir" pela perna da mesa.

—Claro que sou! Eu sou o melhor motorista! -Ele sorriu, parecendo todo
orgulhoso.

E assim, o "eca" das bonecas logo foi esquecido, e nós começamos a


brincar juntos, cada um com seu brinquedo favorito.

Vinnie segurava o carrinho vermelho com firmeza, "dirigindo" pelo chão


como se estivesse em uma corrida de verdade.

—Vrum, vrum! Sai da frente, meu carro é muito rápido! -Ele fazia os
barulhos mais altos possíveis, e eu não conseguia parar de rir.
—Você pode levar a Barbie pra dar uma carona no seu carro! -sugeri,
segurando minha boneca com cabelo rosa e olhando para ele com meus
olhinhos brilhando.

Ele parou o carrinho de repente, me olhando como se eu tivesse dito a coisa


mais absurda do mundo.

—A Barbie? No meu carro? Tá doida? -Ele fez uma careta e balançou a


cabeça.- Meu carro é de corrida, não de boneca!

—Mas ela só quer dar uma voltinha! -protestei, abraçando a Barbie como se
ela pudesse ficar triste.

Ele suspirou bem alto, revirando os olhos, mas no fundo parecia se divertir
com aquilo.

—Tá bom, só uma volta. Mas depois ela desce, porque meu carro é rápido
demais pra ela. -Ele pegou a Barbie e colocou no carrinho de um jeito todo
desajeitado.

—Olha, ela tá adorando! -falei animada, batendo palminhas.

Ele olhou pra mim e deu um sorrisinho de canto, tentando esconder que
estava achando graça.

—Eela tem que segurar firme, porque agora eu vou fazer a curva mais
perigosa de todas! -Ele começou a girar o carrinho pelo chão, fazendo sons
de derrapagem.

Eu gritava e ria ao mesmo tempo.

—Aaaaaah! Cuidado! Ela vai cair! -disse, cobrindo os olhos, mas espiando
pelos dedos.

—Cair nada! Meu carro é o melhor do mundo! -Ele fez uma freada brusca,
parou o carrinho e tirou a Barbie.- Pronto. Missão cumprida.

Eu peguei minha boneca de volta, toda animada.


—Você é muito bom de dirigir, Vinnie!

Ele deu um sorrisinho convencido.

—Eu sei. Quando eu crescer, vou ter o carro mais rápido do mundo!

Meus olhos se arregalaram.

—Sério?

—Sério! -Ele cruzou os braços, como se estivesse pensando em algo muito


importante.- Vou ter uma Porsche preta. Bem grandona e super rápida. E
talvez um monte de outros carros!

Eu olhei pra ele com admiração.

—Uau! Tudo isso?

—É! E também vou correr muito! Igual nas corridas de verdade. -Ele
sorriu, parecendo sonhar com o futuro.

—Eu também quero dirigir! -falei, abraçando minha Barbie.- Vou ter um
carro rosa com brilhos!

—Rosa? Isso é coisa de menina! -Ele riu, cruzando os braços.

—Claro que é! -respondi, rindo junto.- E vai ter um coração desenhado!

—Meu carro vai ser preto. Sem coração. -Ele fez questão de frisar,
parecendo sério, mas com um brilho divertido nos olhos.

—E a gente pode correr juntos! -sugeri, toda animada.

Ele pensou por um instante e deu de ombros.

—Tá bom. Mas eu vou ganhar, porque meu carro vai ser muito mais rápido
que o seu.

—Não vai, não! -rebati, balançando a cabeça com firmeza.


Ele pegou o carrinho de novo e começou a "dirigir" pelo chão com mais
energia.

—Vamos ver então, Yasminzinha!

Eu ri alto com o apelido, mas antes que pudesse responder, ele já estava
correndo com o carrinho, e eu fui logo atrás, fazendo minha Barbie "dirigir"
o carro mais brilhante e imaginário do mundo.

[...]

Minha risada ecoava pela casa enquanto corria descalça pelo chão de
mármore, sentindo o vento nos cabelos. Vinnie vinha logo atrás, rindo
também, seus passos rápidos tentando me alcançar.

—Você não vai me pegar! -gritei, olhando para trás por cima do ombro,
com um sorriso travesso no rosto.

—Vou sim! -ele respondeu, aumentando o ritmo.- Você é muito lenta,


Yasminzinha!

Tentei dobrar uma curva na sala de estar para despistá-lo, mas ele era rápido
e, com um pulo, conseguiu encostar no meu braço.

—Te peguei! -anunciou, triunfante.

—Não valeu! -protestei, rindo.

—Valeu sim! Agora é sua vez! -Ele saiu correndo na direção oposta.

Por alguns minutos, corremos pela casa como dois furacões, passando pelos
sofás, desviando da mesa de jantar e das cadeiras, até que paramos
ofegantes perto da porta que levava à brinquedoteca.

—Quer pegar mais brinquedos? -perguntei, recuperando o fôlego.

—Claro! -Vinnie respondeu, animado, abrindo a porta sem hesitar.


A brinquedoteca era enorme, com prateleiras coloridas cheias de bonecas,
carrinhos, quebra-cabeças e livros. No meio do espaço havia um tapete
macio, onde me ajoelhei e comecei a pegar alguns brinquedos.

—Olha só! -mostrei para Vinnie um castelo de plástico rosa cheio de


detalhes.

—Parece legal -ele respondeu, mas logo se distraiu com um carrinho maior
do que o que estávamos brincando antes.

—Vamos levar tudo isso pro parquinho? -perguntei, já me levantando com o


castelo em mãos.

Ele assentiu, e juntos levamos nossos brinquedos até o quintal.

O parquinho ficava em uma pequena parte do enorme quintal da casa,


cercado por árvores e flores. Havia um escorregador, balanços e até uma
casinha de madeira com uma escadinha para subir. Quando passamos pelos
seguranças, Vinnie olhou curioso para eles.

—Por que tem tanta gente aqui? -perguntou.

—São os seguranças do papai! -expliquei, apontando para Leonard Konzen,


que estava de pé perto do portão.- Olha, aquele ali é o Leonard!

Vinnie parecia intrigado, mas não disse nada. Eu corri até Leonard com
Vinnie logo atrás.

—Oi, Leonard! -acenei para ele, segurando o castelo com uma das mãos.

—Senhorita Yasmim, bom dia! -respondeu ele, com um sorriso gentil.

—Quer brincar com a gente? -perguntei, inclinando a cabeça e piscando


várias vezes para convencê-lo.

Ele olhou para os lados, desconfortável.

—Ah... chefinha, eu não posso sair do meu posto.


—Mas só um pouquinho! -insisti, juntando as mãos como se estivesse
implorando.

Vinnie, percebendo minha estratégia, entrou na conversa.

—É, só um pouquinho! Você não pode dizer não pra gente!

Leonard parecia dividido. Ele olhou para a porta da casa como se


procurasse permissão invisível e suspirou.

—Tá bom, mas só por uns minutos.

Nós dois gritamos em comemoração, pegando Leonard pela mão e o


puxando para dentro da brinquedoteca de novo.

—Agora você precisa se fantasiar! -disse, abrindo o guarda-roupa de


fantasias.

Vinnie imediatamente pegou a roupa de super-homem e já começou a vesti-


la.

—Olha só, agora eu sou o herói! -disse, segurando uma "pose heroica".

Eu peguei minha fantasia preferida, a de princesa rosa com uma coroa


brilhante.

—E eu sou a princesa! -falei, girando com o vestido.

Leonard hesitou, mas pegou uma fantasia preta com capa e máscara.

—Acho que eu sou o vilão, então, né? -disse, meio resignado.

—Isso mesmo! -falei, apontando para ele como se estivesse em um conto de


fadas.- Você vai tentar me capturar, mas o super-herói vai me salvar!

A brincadeira começou imediatamente. Leonard fingia ser o vilão, correndo


atrás de nós enquanto tentávamos escapar pelo quintal. Ele fazia sons
assustadores e gestos exagerados, enquanto eu e Vinnie ríamos sem parar.
—Ah, não! Ele tá vindo! -gritei, correndo para trás de Vinnie.

—Eu vou salvar você, princesa! -Vinnie disse com um tom sério, segurando
meu braço e puxando-me para longe.

Leonard tentou nos alcançar, mas nós dois nos escondemos atrás do sofá na
sala de estar. Eu me encolhi perto de Vinnie, segurando minha coroa,
enquanto tentávamos não fazer barulho.

—Você acha que ele vai nos achar? -sussurrei para Vinnie, com os olhos
arregalados.

—Não se preocupa, eu tô aqui! -ele respondeu, confiante.- Eu vou te


proteger!

Meu coraçãozinho se encheu de alegria, e não pude evitar de dar um sorriso


tímido. Antes que eu pudesse responder, Leonard apareceu atrás do sofá
com um rugido brincalhão.

—Achei vocês!

—Aaaaaah! -gritei, agarrando o braço de Vinnie.

—Fica atrás de mim! -ele disse, levantando-se e encarando Leonard com


coragem.- Você não vai pegar a minha princesa!

Leonard deu uma risada e fingiu que ia atacar, mas Vinnie "lutou" contra
ele, balançando os braços e se jogando em cima dele. Leonard perdeu a
luta, caindo dramaticamente no chão.

—Ah, não! Fui derrotado! -disse Leonard, deitando-se com a mão no


coração.

Eu e Vinnie rimos tanto que mal conseguíamos respirar.

—Você foi incrível, super-herói! -falei, abraçando Vinnie.

Ele ficou meio sem jeito, mas sorriu, ajeitando a capa vermelha nas costas.
—É o que eu faço!

E assim, continuamos nossa brincadeira, rindo e correndo pela casa, como


se aquele dia fosse o mais especial de todos.

Estávamos no meio da brincadeira, com Leonard ainda "desmaiado" no


chão após ser derrotado por Vinnie, quando ouvimos passos firmes
descendo as escadas. Olhei para trás e vi papai e o pai de Vinnie parados na
porta da sala, ambos com expressões confusas.

—Leonard? -papai chamou, franzindo as sobrancelhas ao ver o segurança


no chão, deitado de forma exageradamente dramática.

Leonard deu um pulo, levantando-se apressado e tirando a máscara e a


capa.

—Chefe! Eu... eu só estava... -Ele parecia perdido, mexendo na gola da


roupa com nervosismo.

Antes que ele pudesse terminar a frase, corri até meu pai, segurando a barra
do vestido com as mãos.

—Cuidado, papai! Ele é um vilão! -gritei, estendendo os braços para que


ele me pegasse no colo.

Papai me levantou com facilidade, rindo da situação e entrando na


brincadeira.

—Um vilão, é? -Ele me olhou com um sorriso. — Então quer dizer que esse
super-herói aqui salvou a minha princesinha?

—Sim! -respondi animada, apontando para Vinnie, que ainda estava com a
fantasia de super-homem.

Vinnie, orgulhoso, inflou o peito e mostrou os braços "musculosos", que na


verdade eram só os enchimentos da fantasia.

—Eu sou muito forte! -disse com um tom heroico.


O pai dele, que estava ao lado do meu, soltou uma risada curta e olhou para
o relógio.

—Vamos, Vinnie. Já está ficando tarde, e amanhã você pode voltar para
brincar com sua amiguinha.

Vinnie fez um pequeno bico, olhando para mim como se não quisesse ir.

—Mas a gente nem terminou a brincadeira ainda! -protestou.

Eu também fiquei meio desapontada, segurando o vestido enquanto olhava


para ele.

—Você volta amanhã, tá bom? -falei, tentando ser otimista.

—Tá... -Ele suspirou, caminhando até o pai, mas antes virou-se para mim
com um sorriso. - Até amanhã, princesa!

—Até amanhã, super-herói! -respondi, dando um pequeno aceno.

Ele me olhou por alguns segundos antes de acenar de volta e sair pela porta,
segurando a mão do pai.

Enquanto eles iam embora, meu pai deu um beijo na minha testa e me
colocou no chão.

—Vocês se divertiram, né? -perguntou, ajeitando minha coroa.

—Muito! Ele é meu novo amigo, papai.

Papai sorriu e bagunçou meu cabelo de leve.

—É bom ter amigos, minha princesa. Agora, que tal a gente ir guardar os
brinquedos?

Assenti, ainda com o sorriso no rosto e pensando em como o dia tinha sido
incrível. Não via a hora de Vinnie voltar para continuarmos a brincar.

[...]
O som baixo do filme tocava ao fundo enquanto eu abria os olhos
lentamente, ainda meio confusa. O ambiente ao meu redor era familiar e
aconchegante, mas levou alguns segundos para perceber onde estava.
Minha cabeça estava apoiada no peito de Vinnie, que parecia
completamente imerso na tela. Sua respiração era calma, e o som do seu
coração batendo forte e ritmado me tranquilizava de alguma forma.

—Finalmente acordou, Bela Adormecida? -ele brincou, percebendo que eu


tinha me mexido.

—Eu não estava dormindo... -menti, minha voz saindo baixa e sonolenta,
enquanto ajustava a cabeça em seu peito.

—Ah, claro. Você só estava "descansando os olhos", né? -Ele riu, e senti a
vibração em seu peito.

Levantei o olhar para ele, que agora me encarava com aquele sorriso de
canto tão característico. Seus olhos brilhavam com uma mistura de diversão
e suavidade, como se estivesse gostando daquele momento tanto quanto eu.

—Você ficou aí o tempo todo? -perguntei, um pouco envergonhada por ter


apagado daquele jeito.

—E pra onde mais eu iria? -Ele deu de ombros.- Você parecia tão
confortável que eu não quis te acordar. Além disso, o filme tá bom.

Fiquei em silêncio por um momento, apenas observando seus traços. O


maxilar bem desenhado, a barba rala e o brilho nos olhos que parecia nunca
desaparecer. Por algum motivo, a imagem dele pequeno surgiu em minha
mente. O menino marrento e cheio de sonhos que queria colecionar carros e
salvar princesas.

Aquela lembrança era tão vívida que por um instante senti vontade de
perguntar se ele se lembrava também. Mas, por algum motivo, algo me
impedia. Talvez fosse o fato de que, depois daquele dia, nunca mais o vi.

Meu pai até mencionou que o pai dele viajava muito a trabalho e que era
por isso que eles nunca voltaram, mas, na época, isso não fazia muito
sentido pra mim. Eu só sabia que Vinnie nunca mais foi à minha casa, e
nossa promessa de brincar de novo acabou esquecida com o tempo.

Ele percebeu que eu o encarava e arqueou uma sobrancelha.

—O que foi? Tem algo no meu rosto? -perguntou, fingindo olhar para si
mesmo.

—Não... é só que... -balancei a cabeça, afastando a ideia de compartilhar


meu sonho.- Você é diferente agora.

—Diferente como? -Ele estreitou os olhos, claramente curioso.

—Não sei explicar. Só... diferente.

Ele sorriu, mas não pressionou. Apenas levou uma das mãos ao meu rosto,
afastando uma mecha de cabelo que caía sobre minha bochecha.

—Bom, espero que seja um "diferente" bom.

Meu coração deu um salto, e tudo que consegui fazer foi assentir. Ele voltou
a olhar para a TV, mas seu braço ao meu redor ficou mais firme, como se
estivesse tentando me manter ali, perto dele.

Enquanto ele continuava assistindo, me permiti fechar os olhos por um


momento, tentando encaixar o menino que conheci naquela versão dele que
estava ao meu lado agora. Apesar de tudo que aconteceu ao longo dos anos,
havia algo de muito familiar nele. Algo que me fazia sentir segura, como
naquele dia em que ele prometeu me proteger enquanto corríamos pela sala
da casa do meu pai.
Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!
Capítulo 100
Eu estava sentada na beira da cama, mexendo no celular, quando Vinnie
entrou no quarto com aquele andar confiante e um sorriso malicioso que ele
adorava exibir.

—Preciso falar com você. -Ele anunciou, cruzando os braços enquanto me


encarava.

—Falar o quê? -perguntei, sem tirar os olhos da tela, mas já desconfiada


pelo tom.

—Nós vamos viajar. Amanhã. Só nós dois.

Parei de mexer no celular e levantei os olhos devagar para ele, franzindo a


testa.

—Como é que é?

—Você ouviu. -Ele deu um passo à frente e se sentou na cadeira perto da


cama.- Aluguei uma casa de praia em Malibu. Vai ser bom pra gente.

—Ah, vai? -cruzei os braços, arqueando a sobrancelha.- E você decidiu


isso sozinho?

—É. — Ele deu de ombros como se fosse óbvio. -Você precisa disso, Yas.
Desde... você sabe. Desde aquele dia, você tá com medo de tudo. E eu não te
culpo, mas é hora de dar um tempo, de respirar.

Respirei fundo, sentindo o peso das palavras dele. Ele tinha razão, mas ainda
assim, a ideia de viajar sozinha com Vinnie me deixava desconfiada.

—E essa viagem é só pra isso mesmo? Pra relaxar? -perguntei, estreitando


os olhos.
—Claro. -Ele respondeu, mas o sorriso dele parecia maior agora, quase
desafiador.

Inclinei a cabeça, analisando-o.

—Sei... Você acha que eu não percebo, né, Hacker? Tá querendo me levar
pra longe só pra...

Ele arqueou uma sobrancelha, fingindo não entender, mas o sorriso travesso
já estava estampado no rosto dele.

—Só pra quê, Yas? -Ele perguntou, inclinando o corpo para frente, com
aquele tom provocativo.

—Só pra transar! -cruzei os braços rindo

Ele piscou, levando a mão ao peito como se tivesse sido mortalmente


ofendido, mas o riso já escapava dos lábios dele.

—Meu Deus, Yasmim! Como você ousa? -Ele disse, teatral, enquanto
tentava conter o riso.

—É sério, Hacker. -Repliquei, mas minha voz já começava a tremer de rir.


— Você é cheio dessas ideias, e eu conheço bem as suas intenções.

—Minhas intenções? -Ele repetiu, claramente se divertindo.- Tá


insinuando que eu só te levo pra uma casa de praia pra fazer sexo e...

—Pra isso mesmo. -Interrompi, apontando para ele.

—Yas, eu tô genuinamente ofendido. -Ele fingiu uma careta séria, mas os


olhos brilhavam.- Tá falando que eu, o homem mais respeitável e puro que
você conhece, só penso nisso?

—Puríssimo. -Respondi, revirando os olhos enquanto ele ria.

—Tá vendo? Isso só prova que você não confia em mim. -Ele colocou a
mão na testa como se fosse desmaiar, mas então, inclinou-se para perto, com
aquele sorriso malicioso de sempre. -Mas, se isso acontecer... não vou
reclamar.

—VINNIE! -Peguei a almofada do meu lado e joguei nele, mas ele


desviou com facilidade, rindo alto.

—Brincadeira, princesa. -Ele se levantou, ainda rindo, enquanto


caminhava para a porta.- Mas a viagem é pra você relaxar, tá? Só isso.
Prometo.

Ele piscou para mim antes de sair, e eu suspirei, balançando a cabeça com
um pequeno sorriso nos lábios.

Depois da conversa com Vinnie, a ideia da viagem ainda me deixava um


pouco relutante, mas no fundo, eu sabia que ele tinha razão. Precisava sair
um pouco de casa, respirar e, quem sabe, encontrar um pouco de paz.

Abri o armário e puxei minha mala média, colocando-a em cima da cama.


Quatro dias. Não parecia muito, mas era o suficiente para me deixar
preocupada com o que levar.

—Tá bom, Yasmim. -murmurei para mim mesma, puxando as gavetas.-


Quatro dias. Praia. Nada complicado.

Comecei pelas roupas. Peguei alguns shorts jeans, camisetas leves e vestidos
soltos. Coloquei tudo dobrado na mala.

Depois, fui até a prateleira de sapatos e peguei um par de chinelos e minhas


sandálias mais confortáveis. Lembrei-me de pegar também um par de tênis,
caso quiséssemos andar pela praia ou explorar algum lugar.

Enquanto arrumava tudo, minha mente vagava. Vinnie tinha reservado essa
viagem do nada, e, embora isso fosse típico dele, eu não conseguia evitar
imaginar se ele realmente queria me ajudar ou se tinha segundas intenções.
"Ele não vai me deixar em paz com isso", pensei, revirando os olhos ao
lembrar do sorriso travesso que ele tinha dado antes de sair do quarto.

Depois de terminar as roupas, fui até o banheiro para pegar meus produtos
de higiene. Shampoos, cremes, escova de dentes. Peguei também meu
protetor solar e um hidratante, sabendo que minha pele ia agradecer depois
de horas no sol.

Voltei ao quarto, colocando os itens na mala, e senti um misto de ansiedade e


empolgação. Não sabia o que esperar dessa viagem, mas parte de mim estava
curiosa para ver como seria passar esses dias só com Vinnie.

Fechei a mala, sentindo-me mais preparada. No momento em que estava


prestes a puxar o zíper, ouvi um leve bater na porta.

—Já tá pronta, princesa? -A voz dele veio lá de fora.

—Quase! -Respondi, tentando não parecer apressada enquanto abria a


porta.

Ele estava ali, encostado no batente, com aquele sorriso convencido de


sempre.

De volta ao armário, parei em frente à gaveta onde guardava meus biquínis.


Sabia que íamos para a praia, então teria que escolher alguns, mas a tarefa
não parecia tão simples. Eu não queria parecer que estava me arrumando
demais, mas também não queria parecer despreparada.

Abri a gaveta e comecei a vasculhar. O primeiro que peguei foi o biquíni


rosa bebê. Ele era delicado, com detalhes em renda que sempre me faziam
sentir uma mistura de inocência e sofisticação. Coloquei-o na cama, ao lado
da mala. Depois, tirei o vermelho. Esse era mais chamativo, e confesso que
hesitei por um momento antes de adicioná-lo à pilha.

—Se ele fizer algum comentário sobre esse... eu mesma vou jogá-lo no
mar. -murmurei, revirando os olhos.

Continuei procurando e peguei o azul royal. Era um dos meus favoritos, com
um corte que me deixava confortável e segura. Depois veio o preto, básico e
elegante, porque não tinha como errar com ele. Por último, encontrei o
branco, que eu quase não usava, mas que tinha um charme especial por
causa dos detalhes em crochê.

Olhei para a pequena pilha de biquínis na cama e dei um suspiro.


—Acho que tá bom.

Mas aí me lembrei: saídas de praia. Fui até outra gaveta e puxei algumas
opções. Primeiro, um vestido leve, branco com bordados delicados, que
combinava perfeitamente com o biquíni branco. Depois, uma saia longa
branca, e por último, um vestido curto de crochê bege, que era superversátil.

Enquanto dobrava tudo e organizava na mala, não consegui evitar um


pequeno sorriso. Por mais que estivesse relutante com a ideia dessa viagem,
a verdade era que eu estava começando a gostar da ideia de passar alguns
dias perto do mar. Talvez fosse exatamente do que eu precisava.

Com os biquínis e as saídas de praia organizados, fui até o espelho e olhei


para o reflexo por um momento, pensando no que Vinnie diria quando me
visse com alguns desses looks.

—Não dá ideia pra ele, Yasmim! -falei para mim mesma, fechando a mala
antes de mudar de ideia e levar ainda mais coisas.

[...]

As portas do elevador se abriram, e Vinnie estava encostado no carro, com


os braços cruzados e um olhar impaciente, mas um sorriso de canto já
denunciava que ele estava pronto para me provocar.

—Demorou pra caralho, hein? -ele comentou, olhando para minha mala.

—Eu não demorei tanto assim, Vinnie! -respondi, me aproximando com


um ar inocente.

—Aham, sei! -Ele arqueou uma sobrancelha e apontou para a mala.- E


essa coisa aí? Parece que tá carregando tijolos!

—Coisas necessárias. -respondi, tentando manter a seriedade enquanto ele


soltava um riso nasalado.

—Necessárias? Tá levando o quê? Cimento? Isso aqui pesa mais que você,
Yasmim. -Ele puxou a mala, mas seus olhos logo pousaram nos meus.- E
olha que você já dá trabalho o suficiente sem isso.
Ignorei o comentário, tentando disfarçar meu sorriso enquanto ele colocava a
mala no porta-malas com certa dificuldade.

—Pronto, princesa. Pode entrar no carro antes que eu decida te cobrar por
ser sua babá hoje.

[...]

No início da viagem, o silêncio no carro era confortável. Vinnie estava com


uma das mãos no volante e a outra descansando no câmbio, os olhos focados
na estrada.

Eu, porém, não podia deixar tudo tão calmo assim. Mexi no painel do carro e
comecei a procurar alguma música bem cafona.

—Ah, não, Yasmim. Nem tenta. -ele disse, me lançando um olhar rápido.

—Tentar o quê? -perguntei, fingindo inocência.

—Colocar aquelas músicas melosas que você adora. Não fode.

—Eu gosto delas, e você vai ouvir! -retruquei, finalmente achando uma
música pop bem açucarada.

Vinnie revirou os olhos, mas o sorriso no rosto dele entregava que, apesar
das reclamações, ele achava graça.

—Sério, princesa? Eu devia te jogar pela janela por isso.

—Mas não vai! -provoquei.

—Não, porque sou legal. Mas, porra, você abusa da minha paciência.

Eu ri e, no impulso, coloquei a mão no braço dele.

—Você reclama demais, Vinnie. Relaxa um pouco.

—Relaxar, né? -Ele sorriu de lado e, sem aviso, deslizou sua mão direita
para a minha coxa, apertando de leve.- Assim tá bom pra você?
—Vinnie! -exclamei, mas ele não se importou. Seus dedos começaram a
subir lentamente, e o calor da sua mão parecia incendiar minha pele através
do tecido.

—Qual foi, Yasmim? Tô só relaxando, como você pediu.

Rolei os olhos, mas não consegui conter um sorriso.

—Você não presta.

—Ah, eu presto, sim! -ele disse, a voz baixa e carregada de um tom


provocador.- Só depende da ocasião.

Sua mão continuava a subir, os dedos alcançando perigosamente a borda da


minha calcinha. Sem pensar duas vezes, segurei sua mão e a afastei.

—Não mesmo, tarado. -falei, tentando parecer firme.

—Por quê? Tá com medo de gostar? -Ele riu, claramente se divertindo


com a minha reação.

—Medo de você se empolgar, isso sim.

Vinnie suspirou e colocou a mão de volta no câmbio, mas não sem antes
apertar minha coxa uma última vez.

—Você é impossível, sabia? Mas eu gosto disso.

—Bom saber. -retruquei, cruzando os braços e olhando para fora da janela,


embora o sorriso nos meus lábios fosse evidente.

A viagem continuou entre provocações e olhares cheios de segundas


intenções, mas, de alguma forma, eu me sentia estranhamente à vontade com
ele. Vinnie tinha essa habilidade única de me irritar e me fazer rir ao mesmo
tempo.

—Chegando lá, você vai ver como eu tô certo sobre essa viagem. -ele
disse, me lançando um sorriso de canto.
—Ah, é? Vamos ver, então.

E, no fundo, eu sabia que ele estava certo.

[...]

Quando chegamos à casa, não consegui esconder o sorriso ao ver o lugar. A


casa de praia era incrível, com uma vista maravilhosa do mar. Eu não estava
esperando algo tão bonito, mas, de alguma forma, parecia o refúgio perfeito
para o que eu precisava. Vinnie estava com aquele sorriso satisfeito no rosto,
e fiquei feliz por ele estar tão animado com a minha reação.

(foto da casa no final do capítulo)

—Então, gostou? -Vinnie perguntou, entregando as chaves para mim.- Vai


ser o nosso refúgio por uns dias.

Eu olhei ao redor, surpresa.

—É... incrível, Vinnie.

—Você merece mais que isso. -ele respondeu com aquele sorriso que
sempre me deixava meio boba.- Agora, vamos descer logo do carro. Eu já
estou morrendo de fome. E te trouxe aqui pra você relaxar.

Nós entramos na casa e fui direto para a cozinha, mas logo percebi que
estava vazia. Nenhuma comida, nenhum lanche, nada. Só alguns utensílios
espalhados.

—Ugh, nada de comida por aqui. -murmurei, virando-me para Vinnie, que
estava organizando as malas.

—É, eu acabei não planejando isso direito. -Vinnie riu, meio sem graça.-
Que tal a gente comer fora? Tem um lugar legal aqui perto. Eu tô morrendo
de fome também.

—Boa ideia! -respondi, aliviada, e passei a mão no rosto.- Agora, deixa eu


trocar de roupa e... fazer uma coisinha.
Subimos para o quarto, e enquanto Vinnie se trocava, peguei meu biquíni
vermelho e combinei com a saia longa branca de praia. Mas, ao me olhar no
espelho, percebi a cicatriz da bala na minha barriga. A ferida já estava quase
cicatrizada, mas ainda havia aquele tom avermelhado no local, e eu sentia
uma insegurança crescer dentro de mim. O medo de me mostrar para ele,
para qualquer pessoa, com essa marca, era grande.

Eu estava começando a ficar um pouco incomodada, mas Vinnie, como


sempre, percebeu tudo. Ele se aproximou de mim, com aquele olhar doce e
carinhoso que só ele sabia ter.

—Ei, garota... que isso? -Ele falou, me puxando para perto e colocando a
mão em minha cintura, me fazendo sentir uma leveza que eu já não sabia
mais se existia.- Você é maravilhosa, com ou sem cicatrizes. Eu te conheço o
suficiente para saber que não tem nada de errado com você.

Olhei para ele, ainda meio insegura, mas não pude deixar de sentir um
calorzinho no peito. Vinnie nunca me fez sentir inferior, e ele sabia
exatamente como me fazer relaxar.

—Você sabe o quanto é gostosa, né? -ele disse com um sorriso


provocante.- E, com essa cicatriz ou sem ela, você é a mulher mais linda de
todas. Eu sou o cara mais sortudo.

Eu ri, apesar de ainda me sentir um pouco hesitante.

—Vinnie, você é um idiota. -falei, mas com um sorriso.- Mas, obrigada.

—Não tem de quê. -ele respondeu com um olhar malicioso, mas


carinhoso.- Agora, lembra de uma coisa: sou eu quem vai te fazer sentir a
pessoa mais maravilhosa do mundo, ok?

Eu me senti melhor. Mais leve. Mesmo com tudo o que tinha acontecido,
com o medo e as lembranças, eu sabia que ele estava ali, ao meu lado, para
me apoiar. E isso já era tudo o que eu precisava.

—Vamos logo, antes que a comida suma! -falei, agora mais confiante.
—Com certeza! -Vinnie respondeu com um sorriso, pegando minha mão.1
Agora, você está pronta para arrasar, princesa. Vamos comer e aproveitar
esse paraíso.

E assim, fomos embora, para explorar a praia e tentar deixar o mundo lá fora
por um tempo.

Assim que Vinnie estacionou a Porsche em frente ao restaurante, não


demorou muito para que alguns olhares se voltassem para ele. Mulheres com
roupas de praia e biquínis o encaravam descaradamente, algumas até
pararam para cochichar entre si. Revirei os olhos, mas disfarcei segurando a
mão dele firmemente enquanto descíamos do carro.

—Vamos logo. -murmurei, puxando-o em direção à entrada do restaurante.

Ele deu uma risadinha baixa, claramente percebendo o motivo da minha


ação, mas não disse nada. Entramos, e o garçom nos levou até uma mesa na
área externa, com uma vista incrível do mar. O ambiente estava cheio de
pessoas em roupas de praia, criando uma atmosfera relaxante e descontraída.

Nos sentamos, e logo percebi que aquelas mulheres que estavam de gracinha
com Vinnie lá fora também estavam ali. E, claro, fizeram questão de se
sentar na mesa ao lado da nossa. Três delas: uma loira de olhos claros, uma
morena com um sorriso exageradamente brilhante e outra de cabelos negros
ondulados. Todas em biquínis minúsculos. Ridiculamente minúsculos, eu
diria.

Eu tentava manter a compostura, mas era impossível não perceber os


movimentos delas. Estavam o tempo todo "ajustando" a parte de cima dos
biquínis, puxando para baixo e tentando deixar os seios mais à mostra. Era
tão óbvio que eu quase podia gritar.

Vinnie, por sua vez, parecia estar se divertindo com a situação. Ele percebeu
que eu estava prestando atenção nelas e começou a me provocar
descaradamente. Em um dado momento, ele olhou diretamente para a loira,
que estava mexendo nos cabelos e sorrindo como se fosse a Miss Universo.

Aham, tá se achando a última Coca-Cola do deserto, né, sua vaca? – pensei,


enquanto tentava manter um sorriso neutro.
—Está tudo bem, gata? -ele perguntou, com um sorriso malicioso nos
lábios.

—Tá ótimo. -respondi, a voz tensa, enquanto tentava não esmagar o


cardápio em minhas mãos.

—Ótimo mesmo! -ele retrucou, ainda olhando na direção da loira, que


agora mordia o lábio inferior de maneira exagerada.

—Filha da mãe. -murmurei baixo, mas alto o suficiente para que ele
ouvisse. Ele riu ainda mais, aquele riso baixo e provocante que me fazia
querer socá-lo e beijá-lo ao mesmo tempo.

Por dentro, eu já estava bufando de raiva.

Essas três piranhas querem me tirar do sério, né? E ele também! Idiota,
provocador, maldito!

Decidi que não ia ficar ali assistindo ao show das sirigaitas. Fechei o
cardápio com força e empurrei-o na direção da mesa.

—Vou pedir um drink. -falei, levantando-me abruptamente, sem sequer


esperar pela resposta dele.

Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, já estava caminhando até o
balcão do barman, lutando para não olhar para trás.

Caminhei até o balcão e escolhi o barman mais bonito que tinha ali. Alto,
musculoso. Já que o Vinnie queria me provocar, eu também sabia brincar.

Me inclinei no balcão para falar com ele, já que a música ao vivo tornava
difícil qualquer conversa. Senti o tecido do meu biquíni deslizar um pouco
quando me curvei, expondo mais do meu colo. O olhar dele vacilou por um
segundo, indo direto para os meus seios, e eu tive que segurar o riso.
Homens eram tão previsíveis.

—Boa tarde, o que a senhorita vai querer? -ele perguntou, ainda olhando
diretamente para os meus olhos agora, mas com dificuldade.
—Um mojito, por favor. -Falei em um tom casual, mas com um leve
sorriso no canto da boca, só para apimentar a situação.

—Claro, só um minuto. -Ele preparou meu drink rapidamente, e quando


voltou, deixou o copo no balcão com um sorriso ainda maior. - Esse é por
conta da casa.

—Ah, obrigada. Muito gentil da sua parte! -respondi, piscando de leve,


enquanto pegava o copo. Ele parecia prestes a dizer algo, mas eu já estava
saindo dali. Missão cumprida.

Ao voltar para a mesa, o clima mudou no mesmo instante. Vinnie estava


recostado na cadeira, mas o sorriso brincalhão de antes havia desaparecido.
Ele me olhou com os olhos semicerrados, claramente tentando entender o
que eu tinha aprontado.

—Você demorou. -ele comentou, a voz baixa, mas carregada de uma


irritação contida.

—Ah, estava conversando com o barman. Ele é uma gracinha, você viu? -
Respondi casualmente enquanto me sentava.

O maxilar de Vinnie travou no mesmo instante.

—O quê?

—Ele é muito bonito -continuei, inocente. Dei um gole no meu mojito e


completei com um sorriso- E ainda me deu o drink de graça.

Ele jogou o cardápio na mesa, os olhos faiscando de ciúme.

—De graça, é? Tá pensando que isso aqui é caridade ou você tava pagando
de gostosa pra ele?

Levantei uma sobrancelha, segurando o riso.

—Não preciso pagar de nada, Vinnie. Já nasci assim.

Ele bufou e se inclinou para frente, a expressão tão irritada quanto divertida.
—Você gosta de brincar, não é, Yasmin? Acha que eu não vi o jeito que
você se inclinou naquele balcão? O biquíni mal cabendo em você. E ele,
babando como um idiota. Tá achando que isso é o quê, uma competição?

—Competição? Claro que não. Eu sei que nenhuma dessas aí chega ao


meus pés, nem preciso me esforçar. -retruquei com um sorrisinho
provocador.- Só estava pedindo meu drink, amor. Não posso ser culpada se
sou irresistível.

Vinnie passou a mão pelos cabelos, claramente tentando se acalmar, mas o


sorriso perverso logo voltou aos seus lábios. Ele se inclinou sobre a mesa, os
olhos fixos nos meus.

—Quer saber? Continua provocando, Yasmin. Só lembra que a conta


sempre chega. E eu adoro cobrar.

Meu rosto esquentou na hora, mas mantive a postura.

—Veremos, Vinnie. -Dei mais um gole no mojito, fingindo indiferença,


mas por dentro, eu sabia que ele estava prestes a me deixar sem palavras.

A comida chegou, e por um momento, a tensão entre mim e Vinnie pareceu


se dissipar. O cheiro maravilhoso do peixe grelhado e dos acompanhamentos
era o suficiente para desviar a atenção de qualquer coisa.

—Isso tá com uma cara ótima! -comentei, pegando um pedaço com o


garfo.

—Espero que seja bom o suficiente pra você esquecer o barman. -ele
retrucou, um sorriso brincando em seus lábios, mas com uma ponta de
irritação ainda presente.

Revirei os olhos e decidi ignorar o comentário, focando na comida.

Enquanto comíamos, trocávamos algumas palavras casuais, mas dava para


sentir o olhar dele me analisando constantemente, como se estivesse
tentando decifrar meu próximo movimento. Eu sabia que ele ainda não tinha
digerido completamente minha provocação anterior.
Depois de terminar meu prato, olhei para o mojito vazio e decidi me
levantar.

—Vou pegar mais um drink.

—Yasmin, não—

Antes que ele pudesse terminar a frase, já estava andando em direção ao


balcão novamente.
Dois podem jogar esse jogo.

No balcão, o barman bonito de antes sorriu ao me ver.

—De volta tão cedo? Gostou do mojito?

—Estava ótimo! -respondi, inclinando-me ligeiramente novamente. Sabia


exatamente o que estava fazendo.- Acho que vou querer outro.

—Claro. -Ele começou a preparar a bebida, mas continuou a conversa.-


Você não é daqui, certo? Passando férias?

—Algo assim. Uma viagem rápida! -respondi, sorrindo.

—Bom saber. Pessoas tão bonitas quanto você não aparecem aqui com
frequência. -Ele piscou, e eu quase ri. Ele estava claramente interessado, mas
isso só tornava tudo mais divertido.

De repente, senti um par de mãos fortes segurando minha cintura e um corpo


quente encostando no meu por trás. Não precisei me virar para saber quem
era.

—O drink dela vai pra conta da mesa, parceiro. -Vinnie falou, a voz
carregada de possessividade.

O barman assentiu rapidamente.

—Claro, senhor.
—Você pode até tentar chamar atenção, mas no final do dia, sou eu quem vai
te fazer gritar meu nome. -Vinnie murmurou no meu ouvido, enquanto
apertava minha cintura um pouco mais.

—Solta, Vinnie. -falei baixinho, mas ele riu, ignorando meu pedido.

—Não parece que você quer que eu solte, -ele sussurrou, passando os
lábios perto da minha orelha antes de se virar para o barman.- Aliás, não tem
mais nada que ela precise. Valeu.

Antes que eu pudesse responder, ele já me puxava de volta para a mesa, com
a mão firme na minha.

—Você tá maluco? -perguntei assim que nos sentamos.

—Eu? Maluco? Você que tá se exibindo pra qualquer idiota que aparece! -
ele retrucou, os olhos ardendo de ciúmes.

—Exibindo? Eu só pedi um drink, Vinnie!

—Ah, claro. E ele te olhando como se você fosse o maldito prato principal.
Corta essa, Yasmin.
-Ele bufou, passando a mão pelos cabelos.

—Se você acha que alguém aqui pode competir comigo, deixa eu te lembrar
quem é o único que faz você perder o fôlego à noite

Meu coração disparou, mas mantive a expressão impassível.

—Você é impossível.

—É, mas você adora. -ele respondeu, com aquele sorriso safado que me
irritava e me encantava ao mesmo tempo.

Assim que terminamos de comer, Vinnie levantou rapidamente da mesa,


quase me ignorando, e saiu apressado em direção ao carro. Fiquei um pouco
surpresa com a pressa dele, mas logo entendi. Ele estava irritado, ou melhor,
incomodado comigo. Dei uma risada baixa, observando-o se afastando, e fui
atrás.
Quando entrei no carro, Vinnie estava lá, com o volante entre as mãos, me
encarando com um olhar que misturava irritação e... algo mais. Ele não falou
nada por alguns segundos, mas logo soltou um suspiro, jogando a cabeça
para trás como se estivesse se controlando.

—Não me faz ficar louco, Yasmim. -ele disse, a voz grave e baixa, quase
ameaçadora.- Eu não sou de compartilhar, e você já sabe disso. Não venha se
divertindo desse jeito com aquele idiota de novo. O cara tava te comendo
com os olhos, porra!!

Eu tentei esconder o sorriso, mas não consegui. Ele estava claramente


irritado, e por mais que eu quisesse continuar provocando, não dava para não
notar a maneira como ele estava possessivo.

—Eu não fiz nada, Vinnie. Só pedi um drink! -eu respondi, tentando
manter a calma.

Mas ele não parecia muito convencido. Ele olhou para mim, com os olhos
ligeiramente mais apertados, e então deu partida no carro.

—Você pode brincar de me provocar, mas lembra disso: ninguém nunca


vai te fazer sentir o que eu faço.

Aquela última frase fez meu coração acelerar de uma maneira que eu não
consegui controlar. Mas tentei disfarçar, desviando o olhar pela janela do
carro, sentindo a tensão entre nós. Ele estava... possuindo o momento, e uma
parte de mim adorava isso, apesar de estar me divertindo com ele me
puxando para o limite.

A estrada estava vazia à nossa frente enquanto ele acelerava na direção de


nossa casa. A intenção era clara: pegar as coisas e seguir para a praia. Eu
olhei para ele mais uma vez, vendo o jeito como ele dirigia com tanta
confiança, e pensei em como ele estava decidindo tudo para nós dois, sem
nem perguntar.

O resto do trajeto foi em silêncio, exceto pela música suave no rádio. Vinnie,
com sua maneira direta, estava me levando na direção de algo mais que eu
não sabia exatamente o que era, mas que me envolvia profundamente.
Assim que chegamos na casa, peguei minha bolsa e coloquei as toalhas, o
protetor solar, os óculos... aquelas coisas que sempre levamos para a praia.
Vinnie estava lá, pegando as cadeiras e o guarda-sol, o que sempre parecia
ser a parte mais pesada do trabalho, mas ele nunca se importava. A praia
ficava quase no quintal da casa, o que tornava tudo ainda mais fácil e
divertido.

Quando ele terminou de montar o guarda-sol e as cadeiras, me olhou e fez


uma careta.

—Agora você vai me pedir pra passar protetor também?! -ele perguntou,
claramente fazendo birra.

Ri de leve e o chamei:

—Vem aqui passar o protetor solar, vai. -Mas ele continuava fazendo cara
feia, sem querer sair do lugar, como se estivesse reclamando de algo tão
simples.

Decidi que já estava na hora de acabar com a palhaçada. Fui até ele, o
coloquei sentado na espreguiçadeira e, sem mais conversa, dei vários
selinhos nele. Queria que ele calasse a boca e parasse de reclamar, e
funcionou. Ele ficou quieto, me olhando com aquele sorriso torto de quem
sabia que havia me desconcertado um pouco.

Comecei a passar o protetor solar em seu rosto e em suas costas, ainda com o
sorriso no rosto, aproveitando o momento de proximidade. Quando terminei,
pedi que ele passasse nas minhas costas. Me deitei na espreguiçadeira,
sentindo o calor do sol enquanto ele se aproximava. Ele demorou um pouco,
passando o protetor com mais cuidado do que o necessário, e eu senti suas
mãos fazendo movimentos mais lentos do que o normal.

Quando ele terminou, não me dei conta do que ele estava fazendo até já ter
corrido para o mar. Eu ri sozinha, assistindo ele se afastar, enquanto pensava
que, entre nós dois, nada era simples. E, embora as coisas sempre tivessem
um toque de brincadeira e provocações, algo me dizia que ele nunca estava
de fato brincando.
Eu estava deitada na espreguiçadeira, aproveitando o calor do sol e sentindo
a brisa leve da praia, mas o silêncio logo foi quebrado pelo barulho de
Vinnie, que estava a alguns metros de distância. Ele parecia totalmente fora
de si, construindo um castelo de areia, mas de um jeito bem... digamos,
"criativo". Seus movimentos eram exagerados, e ele parecia estar se
divertindo como uma criança.

—Ei, você não vai ajudar? -ele perguntou com um sorriso travesso, quando
viu que eu estava observando.- Eu fiz um castelo de areia que pode ser a
base de um império, você sabia?

—Ah, é? Que ambição! -eu ri, me levantando para me aproximar dele.- Vou
te dar uma mãozinha, então. Mas não vou me responsabilizar se cair alguma
torre do castelo!

Ele fez uma cara de criança travessa.

—Se cair, é porque você não me ajudou direito!

Eu dei uma risadinha e comecei a brincar com ele, ajudando a ajeitar


algumas torres e murinhos. Vinnie estava tão focado na brincadeira, com a
areia na cara e nos cabelos, que parecia totalmente diferente do cara durão
que eu conhecia. Ele me fez rir por mais alguns minutos com as piadas
bobas que soltava enquanto construíamos nosso castelo.

Depois de um tempo, ele se levantou, batendo as mãos na areia.

—Vamos jogar vôlei! Ou futebol, tanto faz. Quero ver se você consegue me
acompanhar.

—Vôlei? Você acha que consegue me vencer, hein? -Eu dei um sorriso
desafiador, já levantando para pegar a bola que ele jogava na minha direção.

Ele sorriu com aquele olhar travesso de sempre, pegou a bola e foi até a área
marcada na areia para começarmos a jogar. Nós estávamos rindo tanto, e as
brincadeiras eram só desculpa para ele me provocar, me chamar para correr
atrás dele e até para fazer alguns passes mais ousados, tentando me
desestabilizar.
Por algum momento, ele parecia tão solto e leve, como se não houvesse um
problema no mundo. Mesmo irritado há pouco, agora ele estava só se
divertindo, e eu estava adorando ver esse lado dele. Eu sabia que ele estava
fazendo tudo aquilo só para me tirar da minha zona de conforto e me fazer
rir.

—Vem cá, não vai me deixar ganhar, vai? -ele desafiou, piscando para mim
enquanto tentava me dar um passe mais difícil.

—Tá achando que eu sou fácil? -Eu sorri, já correndo para interceptar a bola.

Ficamos assim por um bom tempo, trocando risadas, provocações e até


algumas quedas na areia. Cada vez que ele tentava me surpreender com uma
jogada, eu me aproveitava para provocá-lo de volta. Aquilo estava sendo
divertido de um jeito tão natural que até a brisa quente do mar parecia
colaborar para o clima leve entre nós.

Depois de uma rodada de futebol de praia, já estávamos suados e rindo como


se nada mais importasse. Ele parou por um segundo, me olhou e disse, ainda
com o sorriso no rosto:

—Você é boa nisso, sabia? Tô ficando com ciúmes de você e sua habilidade.

Eu ri, jogando um pouco mais de areia em cima dele.

—Ah, claro. Se eu te vencer, você vai admitir que sou melhor?

—Não, porque isso é impossível. Eu sou sempre o melhor. Mas vou te dar
crédito, você foi bem hoje.

E antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, puxei ele de volta para a
espreguiçadeira, querendo descansar um pouco depois de tanta diversão.

—Tá na hora de relaxar, Vinnie.

Ele se deixou cair na cadeira ao meu lado, sorrindo como uma criança feliz,
mas com aquele brilho de satisfação nos olhos, como se o dia fosse perfeito
assim. E, por um momento, eu realmente senti que era.
[...]

Eu estava deitada na espreguiçadeira novamente, tentando recuperar o fôlego


depois da brincadeira de futebol, quando vi Vinnie se aproximando com
aquele sorriso travesso. Ele parou na minha frente, com as mãos na cintura, e
eu sabia o que ele estava planejando. Ele sempre tinha esses olhares de "não
vou te deixar em paz por muito tempo."

—Vamos pro mar? -ele perguntou, os olhos brilhando de animação.

Eu dei um suspiro, já sabendo que ele não iria me deixar escapar dessa.

—Ah, não! A água deve estar super fria.

—Eu vou te esquentar lá dentro, relaxa.

ele respondeu, estendendo a mão para mim com um sorriso desafiante.

Eu cruzei os braços, tentando resistir.

—Eu não quero molhar o cabelo, Vinnie!

Ele deu uma risadinha, e antes mesmo que eu pudesse protestar mais uma
vez, ele me puxou pelos braços.

—Já é tarde demais, Yas. Vamos logo!

—Vinnie, não! -Eu tentei me afastar, mas ele já estava decidido. Com um
sorriso de quem sabia que tinha me pego de jeito, ele me levantou do chão e,
sem nem hesitar, me pegou no colo.

—Vinnie, não faz isso! Está frio demais! -Eu ri entre a indignação e a
diversão. Eu tentava me soltar, mas ele era forte demais.

—Já era, você vai se molhar sim! -ele disse com aquele tom de voz
divertido, e então começou a correr em direção ao mar.

—Vinnie, por favor! Não! -Eu quase não conseguia falar de tanto que estava
rindo, mas ele não se importava. Estava se divertindo demais com a minha
resistência.

De repente, ele entrou na água, com a onda batendo contra as pernas dele, e
me deixou no chão do mar, onde a água batia quase no meu joelho. Eu
rapidamente tentei puxar meu cabelo para fazer um coque improvisado, não
queria ficar com o cabelo molhado. Mas antes que eu conseguisse terminar,
ele começou a jogar água em mim com as mãos, me molhando
completamente.

—Vinnie! Você está me deixando irritada!! -Eu gritei, tentando dar um passo
para trás, mas ele me seguia, rindo feito uma criança.

—Ah, não vai fazer nada, vai? -Ele desafiou, com a água escorrendo pela
sua pele e um sorriso irresistível no rosto.

Eu olhei para ele, fazendo uma careta, e então, com a cara de quem não
estava mais aguentando a brincadeira, eu também comecei a jogar água nele.
A guerra estava declarada, e não tinha mais volta. Eu ri tanto, minha risada
misturada com a indignação, que só tornava tudo ainda mais divertido.

—Você acha que vai ganhar, é? -Vinnie falou, me empurrando de leve na


água.

—Pode apostar! -Eu respondi, tentando não cair na risada enquanto a água
me molhava completamente.

De repente, uma onda maior passou, e nós dois fomos pegos de surpresa, a
água nos atingindo mais forte. A risada foi geral, e a brincadeira ficou ainda
mais animada. Ficamos ali por mais alguns minutos, brincando com as
ondas, nos molhando e rindo, sem nos preocuparmos com mais nada além de
estarmos juntos naquele momento.

Vinnie se aproximou mais de mim, e me puxou para perto, ainda rindo.

—Eu te avisei que a água não estava tão fria assim.

Eu respirei fundo, sorrindo.


—Tá, você venceu. Mas na próxima, sou eu quem te jogo na água,
combinado?

Ele me olhou nos olhos, com aquele sorriso encantador.

—Combinado. Mas até lá, vou me divertir um pouco mais.

Eu me senti tão leve, tão feliz, vendo Vinnie tão solto e divertido. Aquilo era
perfeito. Nós dois, juntos, no mar, como se o mundo não existisse além
daquele momento.

A água batia ao nosso redor enquanto continuávamos a brincar, a guerra de


água e risos agora tinha se transformado em algo mais simples e doce —
dois corações se divertindo juntos, sem pressa de ir embora.

Assim que descemos para a sala, Vinnie foi direto para o sofá e se jogou nele
de qualquer jeito, abrindo os braços e me encarando com aquele sorriso
travesso.

—Vem logo, Alles!

Revirei os olhos, rindo baixinho, e me aproximei.

—Você não cansa de ser folgado, né?

Ele deu de ombros, batendo com a mão no espaço vazio ao lado dele.

—Só quando você não tá por perto.

Enquanto me ajeitava no sofá, com a cabeça apoiada no peito dele e a perna


cruzando sua cintura, Vinnie começou a traçar desenhos preguiçosos nas
minhas costas com a ponta dos dedos. O toque era quase inocente, mas havia
algo nele que fazia meu coração acelerar sem razão aparente.

—Você é boa em enrolar, sabia? -ele provocou, com aquele sorriso torto
que sempre me desarmava.- Já decidiu o que quer comer, ou vai ficar aí me
torturando?

Levantei os olhos para encará-lo, com um sorriso desafiador.


—Torturando? Você que tá gostando de me ter aqui.

Ele arqueou uma sobrancelha, aquele olhar cheio de malícia.

—Gostando é pouco.

Antes que eu pudesse responder, ele segurou meu rosto com uma das mãos e
me puxou para um beijo. Não foi um beijo leve ou casual como os
anteriores; esse tinha intensidade. Seus lábios se moviam sobre os meus com
uma urgência preguiçosa, como se ele quisesse me lembrar exatamente de
quem eu era naquele momento — completamente dele.

Sem perceber, minha mão foi para o cabelo dele, puxando de leve enquanto
ele aprofundava o beijo. Sua outra mão subiu das minhas costas para a curva
da minha cintura, apertando ali de forma possessiva, me puxando ainda mais
para perto. Eu mal conseguia pensar, sentindo o calor de seu corpo contra o
meu, sua respiração pesada se misturando à minha.

Quando finalmente me afastei para recuperar o fôlego, seus olhos estavam


fixos nos meus, o brilho de diversão evidente. Ele passou o polegar pelo meu
lábio inferior, com um sorriso satisfeito.

—Eu tava certo. -ele murmurou, a voz rouca. - Nada melhora uma noite
mais do que isso.

Revirei os olhos, tentando disfarçar o arrepio que subiu pela minha espinha.

—Você fala demais.

—E você reclama demais. -ele rebateu, inclinando-se para me dar mais um


beijo rápido. - Agora, vai decidir o hambúrguer, ou eu vou ter que continuar
te convencendo?

O sorriso travesso que ele me deu foi impossível de resistir, e eu balancei a


cabeça, rindo enquanto me ajeitava de volta no peito dele. Claro que ele
sabia exatamente o que estava fazendo — e, pior, sabia que estava
funcionando.
A campainha tocou, e eu me levantei, pegando o dinheiro na mesa e indo até
a porta. Quando voltei com os hambúrgueres, ele já estava sentado mais
direito no sofá, esfregando as mãos como se estivesse prestes a abrir um
presente.

—Finalmente! -ele exclamou, pegando o pacote da minha mão.

Sentamos de novo, e logo começamos a comer. Entre mordidas, o assunto


foi para Kio e Nick, que tinham saído juntos para a Lux naquela noite.

—Você tem noção do estrago que aqueles dois vão fazer? -Vinnie
comentou, rindo.- Um fala demais, o outro age como se fosse o rei da festa.
Só falta o Kio começar a desafiar alguém no karaokê.

—Pior é o Nick, que acha que é o conselheiro amoroso de todo mundo


depois de umas três cervejas. -acrescentei, rindo tanto que quase engasguei
com uma batata frita.

—Ah, com certeza. Já imagino o Kio metendo o pé na porta e gritando que


é a noite dos solteiros. -ele brincou, e nós dois caímos na gargalhada.

Vinnie terminou seu hambúrguer primeiro, como sempre, e eu já sabia o que


vinha a seguir. Ele se inclinou um pouco mais perto de mim, com aquela
expressão que dizia que estava tramando algo.

—Amor... -ele começou, com a voz mais doce e melosa do que o normal.-
Você tá tão linda hoje, sabia? Esse hambúrguer fica ainda melhor com você
aqui.

Eu revirei os olhos, tentando ignorá-lo, mas ele não desistiu.

—Só uma mordidinha, vai.. -ele continuou, colocando a mão nas minhas
costas de forma casual, subindo devagar. Quando chegou à minha nuca,
puxou levemente meu cabelo, inclinando-se mais perto.

—Eu vou ser bonzinho depois, prometo. -sussurrou no meu ouvido, de


forma descarada.

Dei um tapa no braço dele, empurrando-o levemente.


—Sai daqui Vincent! -falei rindo

Ele riu, claramente se divertindo com minha reação.

—Eu só tô tentando aqui, não custa nada dividir um pouco, sabia?!

—Custava antes de você começar a ser dramático, agora custa mais. -


retruquei, segurando meu hambúrguer como se fosse um tesouro.

Ele continuou me olhando com aquele sorriso travesso, e eu sabia que a


provocação não ia parar até ele conseguir o que queria.

Assim que terminei o meu hambúrguer, a campainha tocou novamente.


Vinnie, com um suspiro exagerado, levantou-se e foi atender. Quando
voltou, estava segurando algumas sacolas que ele colocou na mesinha da
sala com um sorriso que parecia de uma criança ganhando presentes de
Natal.

—E o que é isso? -perguntei, já sabendo a resposta.

—Minhas compras. -ele respondeu, começando a retirar as garrafas uma


por uma. Whisky, gin, energéticos, gelo de sabores e até algumas garrafas de
vinho.- A noite só tá começando, amor.

—Você tá mais animado que deveria estar. -brinquei, observando-o se


apressar até a cozinha e voltar com dois copos.

Ele começou a preparar algo enquanto eu o encarava com desconfiança.

—Você sabe que eu não bebo. -lembrei, cruzando os braços.

—Ah, só hoje! -ele insistiu, me olhando com aquele sorriso que era
impossível resistir.- Um copinho fraquinho, pra você não ficar de fora.

Suspirei, já aceitando que não teria como escapar.

—Tá bom, mas só hoje. E tem que ser bem fraquinho mesmo.
Ele sorriu, triunfante, e fez um copo leve para mim, enquanto servia whisky
puro para si mesmo.

—Aqui está, princesa! -disse, entregando o copo antes de sentar ao meu


lado no sofá.

Olhei para o meu copo e depois para o dele.

—Você vai beber isso puro? Fala sério, Vinnie, como você aguenta esse
veneno?

Ele deu um gole com a maior naturalidade e sorriu.

—É questão de prática.

Dei meu primeiro gole hesitante, o sabor doce e um pouco amargo


deslizando pela garganta.

—Até que não tá tão ruim. -admiti, sentindo o calor subir levemente ao
meu rosto. Mas com poucos goles, já estava começando a me sentir tonta.

—Você tá bem aí? -ele perguntou, segurando a risada ao me ver encostar a


cabeça no sofá.

—Eu tô... bem. -respondi, arrastando a palavra e rindo.- Mas sério, como
você toma isso puro? Eu já tô meio zonza com esse copinho mixuruca.

Ele riu, passando o braço ao meu redor e me puxando para perto.

—Você é fraquinha, amor. Mas é por isso que eu gosto de você.

Rolei os olhos, mas me acomodei ao lado dele, já imaginando que a noite ia


ser longa.

Assim que terminei meu copo, me joguei de volta no sofá e olhei para
Vinnie, que estava enchendo mais um copo de whisky para ele.

—Coloca só energético pra mim, sem essas misturas! -pedi, levantando a


mão como se estivesse rendida. Ele riu, balançando a cabeça, e serviu o copo
enquanto tomava o terceiro dele como se fosse água.

Mesmo com o whisky, ele parecia inquieto, as pernas balançando levemente


enquanto seus dedos tamborilavam na borda do copo. Eu o conhecia bem
demais para não perceber o que estava passando pela cabeça dele. Suspirei,
mordendo o canto da boca antes de falar:

—Tá, só hoje, Vinnie. Vai lá.

Ele parou imediatamente, seus olhos brilhando como os de uma criança


travessa.

—Sério? -perguntou, um sorriso já tomando conta de seu rosto.

—Só hoje. -enfatizei, apontando o dedo para ele.- Mas é porque eu sei que
você tá se segurando há dias.

Sem esperar mais, ele puxou do bolso uma seda e um saquinho com um
pouco de maconha. Eu o observei começar a bolar o baseado ali mesmo na
sala, ao meu lado, seus movimentos precisos e ágeis. Ele espalhou a erva na
seda com cuidado, apertando-a suavemente com os dedos enquanto
enrolava, quase como se fosse uma arte.

—Você realmente tem prática nisso. -comentei, cruzando as pernas e o


observando terminar de fechar o baseado com um toque final, deslizando a
língua ao longo da borda da seda para selar.

Ele riu, ajeitando o cigarro entre os dedos.

—Anos de experiência, gatinha. -Com o isqueiro já em mãos, ele acendeu


e deu a primeira tragada longa e profunda, segurando o ar antes de soltá-lo
devagar, formando uma nuvem densa que se dispersou pelo ambiente.

A mudança foi quase imediata. Vinnie se recostou no sofá, soltando um


suspiro de alívio enquanto sua expressão parecia suavizar. Ele deu outra
tragada, soltando o ar lentamente, e deixou a cabeça cair para trás, olhando
para mim com um sorriso relaxado.
—Melhor agora. -ele murmurou, esticando o braço para me puxar para
mais perto.

Eu rolei os olhos, mas não pude evitar um sorriso.

—Você parece outra pessoa. -comentei, sentindo sua mão descansar em


minha coxa enquanto ele dava mais uma tragada.

—É você que me deixa tenso, amor. -ele provocou, soltando a fumaça em


minha direção com um olhar travesso.

—Culpa sua! -retruquei, balançando a cabeça e me acomodando ao lado


dele.1 Só aproveita isso, vai.

E, pela primeira vez na noite, ele parecia completamente tranquilo.

Vinnie soltou mais uma baforada de fumaça, o olhar meio relaxado, mas
ainda com aquele brilho travesso que ele sempre tinha quando estava
comigo. Ele estendeu a mão para a minha cintura, me puxando mais para
perto dele no sofá. Não resisti, acabando por me acomodar contra o peito
dele.

—Você sabe que é só desculpa pra ficar assim, né? -perguntei, sorrindo de
canto.

—Claro que sei. -ele respondeu com a maior cara de pau, deixando o
baseado no cinzeiro e virando o rosto para mim.- Mas funciona, não
funciona?

Antes que eu pudesse responder, ele inclinou a cabeça e capturou meus


lábios em um beijo lento, porém intenso. As mãos dele passearam da minha
cintura para a base das minhas costas, me deixando arrepiada. Quando
finalmente me soltei, ri contra os lábios dele.

—Você não tem jeito. -murmurei, fingindo irritação, mas completamente


entregue.

—Eu tenho. -ele rebateu, o sorriso safado crescendo.- O problema é que


você gosta disso.
Revirei os olhos, mas antes que pudesse retrucar, ele beijou meu pescoço,
subindo devagar até minha mandíbula. Era impossível ficar brava com ele
assim.

—O que será que o Kio e o Nick tão aprontando agora? -perguntei,


tentando mudar de assunto antes que ele fosse longe demais.

Ele riu contra minha pele, se afastando o suficiente para me olhar.

—Dois idiotas juntos na Lux? É pedir por problema. Aposto que o Kio já
tá com três números de telefone na mão, e o Nick deve estar bêbado perdido
em algum canto.

A gargalhada escapou de mim antes que eu pudesse controlar.

—Isso é tão a cara deles.

—É. -ele concordou, rindo também.- Se bem que, se o Nick ficou com a
chave do carro, já era. Aquela lata velha não aguenta mais uma corrida.

—Você acha que eles apostaram de novo? -perguntei, levantando uma


sobrancelha.

—Tenho certeza. -Ele riu, apertando minha cintura de leve.- Idiotas como
sempre. Pior que eles nem precisam de desculpa, só do álcool.

Rimos juntos, o som ecoando pela sala, enquanto eu brincava com o colar
que Vinnie usava. Ele me observava como se eu fosse a única pessoa no
mundo, o olhar fixo em mim.

—Você devia agradecer por eu não ser assim tão desmiolado quanto eles. -
ele disse, de repente, inclinando-se para outro beijo, dessa vez mais lento e
profundo.

—Você é! -retruquei contra os lábios dele, sorrindo de canto.

—Não. Eu sou desmiolado só com você. -ele sussurrou antes de puxar


minha nuca de leve, aprofundando o beijo. As mãos dele começaram a traçar
círculos lentos nas minhas costas, o que quase me fez esquecer do que
estávamos falando.

Vinnie soltou o ar lentamente depois de mais uma tragada no baseado, os


olhos começando a ganhar aquele tom avermelhado característico. Ele me
olhou com aquele sorriso preguiçoso e malicioso ao mesmo tempo,
inclinando a cabeça levemente.

Antes que eu pudesse dizer algo, ele me puxou para o colo dele, suas mãos
firmes segurando minha cintura enquanto eu me ajeitava sobre ele.

—Tá confortável agora? -perguntei, o tom levemente provocativo.

—Agora sim. -ele respondeu sem hesitar, os dedos subindo pela lateral da
minha blusa de leve, o suficiente para arrepiar minha pele.- Tava demorando.

Revirei os olhos com um sorriso de canto, mas não consegui resistir quando
ele se inclinou para capturar meus lábios novamente. O beijo começou
calmo, mas rapidamente ficou mais intenso. As mãos dele desceram devagar
até minha cintura, e, sem aviso, uma delas apertou minha bunda, me fazendo
arfar contra os lábios dele.

—Vinnie! -resmunguei, mais pelo susto do que por qualquer outra coisa.

—Que foi? -ele perguntou com um sorriso satisfeito, os olhos brilhando


mesmo enquanto ele parecia relaxado demais para qualquer coisa.

—Você sabe que 'foi'! -retruquei, mas não consegui esconder a risada que
escapou.

Ele deu de ombros, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

—Eu só tô aproveitando.

Sem esperar mais, ele me beijou de novo, dessa vez com ainda mais vontade,
enquanto sua outra mão continuava a explorar meu corpo de forma sutil, mas
determinada. Suas mãos tinham uma confiança natural, como se soubessem
exatamente onde tocar para me deixar sem reação.
Mesmo que eu quisesse protestar, a forma como ele me segurava e a
intensidade do beijo me faziam esquecer qualquer lógica. Afinal, era Vinnie.
E ele sabia exatamente como fazer eu perder o controle.

Começo a distribuir beijos pelo seu pescoço, deixando chopões e arranhões


pelo local. Meus beijos começaram a descer pelo seu abdômen até chegar
em sua calça.

Eu me ajoelhei na sua frente e sem perder tempo, peguei seu membro com a
mão e aproximei meu rosto, dando leves lambidas nele. Em seguida coloquei
toda minha boca sobre seu membro e comecei o movimento de vai e vem.

Vincent olhava pra mim com tanto tesão, que eu poderia descreve-lo como a
personificação do desejo...

Só para provoca-lo, eu passava a língua bem devagar em seu membro,


olhando fundo em seus olhos.

Vinnie ergueu sua cabeça para trás enquanto segurava meus cabelos, me
ajudando nos movimentos enquanto ele fumava seu baseado.

—Que boca gostosa, Alles.

Quanto mais eu chupava Vinnie, mais seu membro ficava duro, acho que
dificilmente eu iria satisfaze-lo apenas com aquele boquete.

—Bate uma pra mim.

Fiz o que ele me mandou. O tempo todo ele olhava pra mim e me fazia olha-
lo de volta.

Hacker tirou seu membro da minha boca e começou a esfrega-lo no meu


rosto. Sua mão puxou meu cabelo para trás imobilizando meu pescoço e ele
começou a se mastubar pra mim.

Continuei chupando ele com tanta vontade, as vezes sentia seu membro
pulsar na minha boca.

—Desse jeito eu vou gozar... - falou com a voz rouca e ofegante


Um pouco antes de Vincent gozar, ele retirou seu membro da minha boca e
puxou meus cabelos para trás com a outra mão...

—Põe a língua pra fora. -ordenou

Hacker começou a se masturbar. Alguns instantes depois ele gozou na minha


língua e dentro da minha boca. Ao me ver engolindo tudo Vinnie soltou um
sorriso de canto de boca muito malicioso. Mesmo após ele ter gozado, seu
membro continuava duro.

—Eu não sei se vou conseguir me conter com você...

—Faça o que quiser comigo.

—Eu não diria isso se fosse você... Sabe a quanto tempo estou sem transar,
Alles? -sorriu- Vou acabar descontando tudo em você.

—Está com medo de machucar, amor?

Levantei do chão e me deitei no sofá, rapidamente Vinnie se deitou sobre


mim e posicionou seu membro na minha entrada.

Sua boca veio de encontro a minha e logo ele me penetrou. Seu membro era
grosso e grande, senti um pouco de dor até me acostumar com seu tamanho,
mas logo a dor foi passando e eu comecei a sentir um imenso prazer com os
movimentos de vai e vem em mim.

—Caralho, é tão grande...

—Não dá conta, Yasmim? -provocou

Vinnie e eu sorrimos um para outro. Aos poucos ele foi aumentando a


velocidade e a força de suas estocadas. Eram mais fortes do que as outras
vezes. Vincent realmente não estava fazendo questão de se segurar.

Comecei a sentir uma leve dor, não era uma dor desconfortável, era uma leve
dor que ao mesmo tempo me dava ainda mais prazer.

—Quer que eu pare?


—Nem pense nisso.

Comecei a rebolar em seu membro enquanto ele desacelerou os movimentos


e passou a me penetrar devagar. Senti um enorme prazer quando juntamos
nossos movimentos, daquele jeito eu chegaria rápido ao ápice.

—Eu vou gozar Vinnie...

Quando gozei, Hacker acelerou novamente os movimentos intensificando


ainda mais meu orgasmo.

—Gostosa do caralho! -deu um tapa forte em minha bunda. Com certeza


ficou a marca de seus dedos- Você ta me deixando louco, garota!

—Me fode com força, amor... -falei manhosa

Parecia que isso tinha acionado uma forma mais agressiva em Vinnie, ele
retirou o membro de mim e me mandou ficar de quatro pra ele. Assim que o
fiz ele me penetrou com força e sem delicadeza, colocando meu short junto
com minha calcinha de lado, me fazendo gemer ainda mais alto enquanto
estocava rápido.

Uma de suas mãos apertava a minha bunda enquanto a outra dava fortes
tapas nela.

Agora penetrando forte e mais rápido, Vinnie segurava meu pescoço


amassando meu rosto no tecido do sofá, e com a outra mão apertava bem
forte a minha cintura.

Eu ja tinha perdido a conta de quanto tempo se passou naquela posição,


parecia que ao invés de se satisfazer ele só se excitava a cada estocada. Eu só
conseguia ve-lo de canto de olho, e Hacker se excitava ainda mais quando eu
fazia isso.

Ele retirou seu membro e eu me virei para ele, comecei a chupa-lo. Ele
agarrava meus cabelos enquanto eu olhava para ele. Quando finalmente
gozou, ele pressinou minha cabeça no seu membro fazendo todo o líquido
descer direto pela garganta.
Ao me deitar, ele posicionou seu membro na minha intimidade, e eu agarrei
sua cintura com minhas pernas. Sua mão direita se enfiava por baixo da
minha blusa, apertando meu seio, enquanto sua mão esquerda apertava
minha coxa.

Deslizando minhas mãos eu sentia todos os detalhes de seu abdômen e


peitoral muito bem definido.

Vinnie parou nosso beijo e tirou minhas pernas dele. Levantou minha blusa
lançando beijos pela minha barriga até a barra do meu short.

Ele tirou toda a parte de baixo da minha roupa em segundos, me deixando


completamente exposta em baixo.

Logo, levantou minhas pernas e posicionou seu membro na entrada da minha


intimidade, em sugundos ele me penetrou, devagar e calmo, além de grande,
seu membro era grosso, conseguia sentir ele me preenchendo toda. Eu
arranhava suas costas a cada entrada que ele dava, seus movimentos era
rápidos e constantes. Vincent levantou minha blusa até a altura do meu
pescoço e começou a lamber meus seios. Suas mãos acariciava minha
cintura até as minhas pernas. Quando voltou sua atenção pra mim me
encarou bem fundo nos olhos apertando meu rosto.

nem pude ver quando ele afastou sua mão para dar um tapa na minha bunda.
Seu tapa foi tão forte que me arrancou um gemido bem alto e uma fincada de
unha nos seus ombros.

Ao me ajeitar melhor no sofá, ele começou a esfregar seu membro na minha


intimidade evitando de me penetrar.

—Enfia logo! -falei impaciente

—Fica quietinha, Alles -disse tirando sua mão debaixo de mim e apertando
meu pescoço- a partir de agora, só eu dou ordens aqui.

—Vai se fuder!

—Que boca suja... -tirou a mão do meu pescoço e deu um leve tapa no meu
rosto
Vincent começou a dar leves beijos pelo meu pescoço enquanto sua mão
pressionava minha cintura contra o sofá. Direcionei minhas mãos ao seu
peitoral, acariciando ele até a sua barriga...

Vinnie foi descendo os beijos até o colo dos meus seios, vendo eles ainda
cobertos subiu sua mão e com cuidado descobriu eles.

Imediatamente ele colocou sua boca em um deles e começou a chupa-lo,


com sua mão ele massageou o outro.

Depois disso, Vinnie tirou de vez o resto da minha roupa junto com a sua e
foi descendo seus beijos pela minha barriga. Ele descia cada vez mais até
chegar na minha virilha.

Ele parou em frente a minha intimidade e a ficou observando por uns


segundos.

—Eu mal comecei a te foder e você já está molhada assim, Alles? -sorrindo
para mim enquanto usava seu polegar para circular meu clitóris

Vinnie se curvou até a minha intimidade e deu uma grande lambida nela,
olhando diretamente nos meus olhos.

Logo em seguida se deitou e começou a me chupar. Sua língua estava


molhada e quente, eu sentia sua saliva escorrendo pela minha intimidade.
Suas mãos apertavam firmemente minhas pernas.

Aos poucos comecei a sentir meu orgasmo aumentando, sua língua se


movimentava de forma constante elevando meu prazer cada vez mais.

—Ah Vinnie... eu vou..

Em segundos depois eu gozei. Mesmo assim ele não parou de me chupar,


aumentou o movimento da sua língua lambendo meu clitóris de forma bem
rápida, eu tive um segundo orgasmo poucos segundos após o primeiro...
Meus gemidos ficaram altos, mas não foram o suficientes para satisfaze-lo,
ele segurou minhas pernas no sofá para que não tremessem tanto e manteve
o ritmo de sua lambida em mim fazendo eu gozar uma terceira vez.
Eu observei enquanto Vinnie se levantava, pegando o copo vazio da mesinha
de centro e virando o último gole do drink.

Ele desapareceu na cozinha por um instante e voltou com uma garrafinha de


água na mão, estendendo-a para mim sem dizer nada. Aceitei, sentindo o
frescor do líquido aliviar a secura da minha garganta.

Vinnie se sentou ao meu lado, o som do gelo caindo no copo preenchendo o


silêncio da sala. Ele encheu novamente seu whisky com uma naturalidade
irritante, como se não houvesse mais nada no mundo com o que se
preocupar.

Sem muita pressa, ele pegou os itens para bolar outro baseado. Suas mãos
eram rápidas e habilidosas, quase hipnotizantes, e eu fiquei ali, observando
em silêncio. Por um momento, tudo parecia suspenso: o cheiro do álcool no
ar, o ruído suave do vento lá fora, e ele, com a mesma expressão de sempre,
como se tudo estivesse no controle dele.

A verdade é que, com Vinnie, as coisas nunca estavam realmente sob


controle. Mas talvez fosse exatamente isso que o tornava tão viciante.

Vinnie terminou de bolar o baseado e o deixou sobre a mesinha por um


instante. Ele se levantou e caminhou até a lareira. Seus passos eram lentos,
quase como se ele estivesse saboreando o momento, sem pressa para nada.

Eu segui seus movimentos com o olhar enquanto ele se abaixava e puxava


uma mantinha bege dobrada logo abaixo da lareira. Ele voltou para onde eu
estava e, sem dizer nada, abriu o cobertor e o colocou delicadamente sobre
mim, cobrindo meu corpo. O tecido era macio e trazia um calor instantâneo,
contrastando com o frescor da sala.

—Suas pernas ainda estão tremendo. -ele disse baixo, sua voz rouca e
carregada daquele tom despreocupado que ele sempre usava.

Antes que eu pudesse responder, ele se acomodou ao meu lado no sofá, me


puxando para junto de si. Me ajustei em seu peito, sentindo o calor de sua
pele e o ritmo tranquilo dos seus batimentos.
—Melhor assim? -ele perguntou, mais como uma constatação do que uma
dúvida.

Eu assenti, fechando os olhos por um momento, deixando o som do vento lá


fora e o cheiro familiar de álcool e fumaça nos envolverem. Senti quando ele
estendeu o braço e pegou o baseado da mesinha, acendendo-o com um
isqueiro que parecia sempre estar à mão.

Ele deu uma tragada longa e silenciosa, soltando a fumaça devagar, sem
pressa.

—Você vive reclamando do meu whisky e dos meus baseados -ele


começou, um tom brincalhão escapando enquanto passava os dedos pela
lateral do meu braço, sobre a mantinha.- Mas sempre acaba aqui, no mesmo
lugar, do mesmo jeito.

Dei um riso fraco, cansado, mas genuíno.

—Talvez seja porque esse lugar... -pausei, procurando as palavras.- Faz eu


me sentir segura, apesar de tudo.

Ele não respondeu de imediato, apenas ficou ali, comigo aninhada em seu
peito, enquanto a fumaça se dissipava no ar e o silêncio preenchia a sala.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!

———

Foto da casa da praia:


Capítulo 101
Depois de alguns minutos aninhados no sofá, o silêncio confortável foi
quebrado pela voz de Vinnie.

—Tá calor, né? -ele comentou, olhando para o teto como se tivesse acabado
de pensar na ideia do século.

—Uhum... -murmurei, minha cabeça ainda descansando em seu peito.

—Então vamos pra piscina. Vai ser melhor do que ficar aqui suando
embaixo dessa mantinha.

Levantei a cabeça, encarando-o com uma expressão cética.

—Vinnie, são quase duas da manhã. A gente vai acabar acordando os


vizinhos.

Ele arqueou uma sobrancelha, um sorriso de canto surgindo.

—Yas, as casas são afastadas umas das outras. Ninguém vai ouvir nada... -
ele fez uma pausa, o tom carregado de duplo sentido.- Nem se a gente fizer
muito barulho.

Senti meu rosto esquentar enquanto o empurrava levemente.

—Pervertido!

—Só tô falando a verdade. Agora vamos, levanta.

Suspirei, meio relutante, mas acabei concordando.

—Tá bom, mas só um pouquinho.

Levantei do sofá e comecei a caminhar em direção ao quarto para pegar um


biquíni. Antes de desaparecer pelo corredor, percebi que ele me seguia com
o olhar, claramente confuso.

—Pra quê o biquíni? -ele perguntou, jogando as mãos para o alto.- Eu já


conheço seu corpo todo, Yasmim.

Revirei os olhos, mas não consegui evitar o sorriso.

—Alguém na praia pode nos ver, Vinnie.

—Na praia? Yas, a piscina é no fundo de casa, cercada. Você acha que vai
ter alguém espiando do nada? — Ele balançou a cabeça, incrédulo.

—Vai saber, sempre tem uns loucos que ficam até de madrugada na praia. -
dei de ombros

Ignorei sua provocação e entrei no quarto, pegando meu biquíni rosa


clarinho. Quando voltei, ele já estava pronto, vestindo apenas um short
preto.

Nos dirigimos para os fundos da casa, onde a piscina brilhava sob a luz da
lua. Sem perder tempo, Vinnie correu e pulou na água com tudo, espirrando
água para todos os lados.

—Vinnie! -reclamei, rindo enquanto me sentava na borda.

A água estava muito mais gelada do que eu esperava, e hesitei em entrar.


Ele emergiu da água com o cabelo bagunçado e um sorriso travesso.

—Tá esperando o quê? Vem logo.

—Tá gelada... -murmurei, balançando os pés na água.

Ele nadou até a borda, parando bem na minha frente.

—Tá fresquinha, Yas. Você vai gostar.

—Sei não...

Antes que eu pudesse terminar, senti suas mãos firmes em minha cintura.
—Vinnie, não! -gritei, rindo e tentando escapar, mas ele já tinha me
levantado.

—Vai sim!! -Ele gargalhou, me jogando na água com ele.

A sensação gelada me pegou de surpresa, e quando emergi, ele estava rindo


como uma criança que acabara de aprontar.

—Idiota! -reclamei, ainda rindo, enquanto jogava água nele.

—Mas agora tá melhor, né?

Respondi jogando mais água, e ele fez o mesmo, transformando tudo numa
guerra divertida. Ríamos, mergulhávamos, e por alguns instantes parecia
que o mundo lá fora nem existia.

A brincadeira entre nós continuou com risadas altas e respingos de água


para todos os lados. Eu tentava nadar para longe de Vinnie, mas ele era
muito mais rápido e insistia em jogar ainda mais água em mim, como se
fosse algum tipo de competição.

—Vinnie, para!! -gritei entre risadas, enxugando o rosto molhado enquanto


ele ria descaradamente.

—Nunca! -respondeu, mergulhando e surgindo do meu lado, me puxando


pela cintura para mais perto.

Antes que eu pudesse protestar, ele me segurou firme e me olhou nos olhos,
com aquele sorriso desafiador que me fazia perder qualquer argumento.

—Sabe que não adianta fugir de mim, né? -murmurou, seu tom ficando
mais suave.

Eu respirei fundo, ainda sorrindo, mas sem conseguir responder. E então ele
se inclinou, seus lábios encontrando os meus em um beijo lento e cheio de
intenções. A água ao nosso redor parecia desaparecer por um instante,
deixando apenas nós dois ali, envolvidos na sensação do momento.
Quando nos separamos, ele ainda segurava minha cintura, os olhos
brilhando de diversão.

—Agora vem cá que você vai pagar por ter jogado água em mim.

—Eu? Você começou!

Vinnie soltou uma risada alta, mergulhando novamente e surgindo um


pouco mais distante.

—Vamos ver quem ganha, então.

Ele começou a nadar para a borda, saindo da piscina com uma agilidade
invejável. Antes que eu pudesse perguntar o que ele faria, ele correu até a
outra ponta e se jogou de volta na água com tudo, fazendo um enorme
"canhão" que me cobriu de respingos.

—Vinnie! -gritei, rindo ao mesmo tempo.

Ele emergiu rindo alto, empurrando o cabelo molhado para trás.

—Espera, ainda tem mais!

E antes que eu pudesse responder, ele saiu da piscina novamente, dessa vez
subindo na borda com um ar de concentração. Ele deu um salto perfeito,
girando para frente em um mortal que fez um grande splash quando ele caiu
na água.

—Tá competindo com quem? -perguntei, tentando soar irritada, mas não
conseguindo conter o riso.

—Comigo mesmo. E, como sempre, tô ganhando!

Ele saiu novamente, dessa vez pulando de costas, em um mortal para trás, e
cada vez que ele subia e pulava, eu ria mais, admirando a energia quase
infantil que ele tinha naquele momento.

—Sua vez agora, Yas! -ele gritou, nadando até mim.


—Ah, nem pensar!

—Tá com medo?

—Não é medo. É que eu não sou maluco como você!

Ele riu, me puxando novamente para mais perto, seus olhos brilhando com
um misto de desafio e carinho.

—Tá bom. Então fica aí, olhando e me admirando.

Eu revirei os olhos, mas não consegui evitar o sorriso. Observá-lo se


divertindo era uma experiência por si só, e naquele momento, parecia que
nada mais importava além de nós dois e a noite que se estendia ao nosso
redor.

O clima ao redor parecia mudar sutilmente enquanto continuávamos a nos


divertir na piscina. A água gelada e as risadas compartilhadas se
misturavam com os olhares que trocávamos, carregados de uma eletricidade
quase palpável. Eu ainda estava sentada na borda da piscina, e Vinnie nadou
até mim, parando bem à minha frente.

—Tá com medo de entrar de verdade ou é só desculpa pra eu ter que te


puxar de novo? -ele provocou, com aquele sorriso que me fazia revirar os
olhos e morder o lábio ao mesmo tempo.

—Não é medo, eu só... -comecei, mas ele interrompeu, segurando meus


tornozelos e puxando minhas pernas para dentro da água.

—Você fala demais, sabia?

Soltei um gritinho entre o riso, e antes que pudesse reagir, ele subiu pela
borda da piscina e se colocou entre as minhas pernas, com os braços
apoiados ao meu lado. Seu rosto estava a poucos centímetros do meu, as
gotas de água escorrendo pelos seus cabelos bagunçados e ombros largos.

—Tá querendo me provocar, loirinha? -ele perguntou, o tom mais rouco.

Meu coração disparou, mas mantive o olhar firme no dele.


—Talvez seja você que tá se provocando sozinho.

Ele soltou uma risadinha baixa, inclinando-se ainda mais.

—É mesmo? Então deixa eu te ajudar com isso.

Antes que eu pudesse responder, senti seus lábios nos meus, quentes e
urgentes, como se o tempo tivesse parado. Sua mão subiu pela lateral da
minha coxa, apertando levemente enquanto ele se posicionava melhor entre
nós dois.

—Você é insuportável, sabia? -sussurrei contra seus lábios, ainda sem


fôlego.

—Mas você gosta. -ele rebateu, sorrindo contra minha pele antes de me
beijar de novo, suas mãos descendo até minha cintura.

Num movimento rápido, ele me puxou completamente para dentro da


piscina, fazendo com que eu caísse nos seus braços com um pequeno grito.

—Vinnie! -reclamei, me segurando nele enquanto ele me envolvia ainda


mais.

—Eu te avisei, Yas. Agora você vai ter que lidar comigo.

Ele riu, mergulhando e me carregando com ele por alguns segundos antes
de emergirmos juntos. Eu passei os braços ao redor do seu pescoço,
sentindo o calor de seu corpo mesmo na água fria.

—Você é inacreditável!! -murmurei, encarando-o, tentando soar irritada,


mas falhando miseravelmente quando ele me deu mais um daqueles
sorrisos.

—E você é teimosa demais. Agora para de reclamar e aproveita a noite


comigo.

Antes que eu pudesse responder, ele começou a me girar na água, me


fazendo rir alto enquanto segurava firme no seu pescoço. Quando ele parou,
ficou me encarando com um olhar que misturava diversão e desejo, como se
quisesse me provocar ainda mais.

—Sabe o que é bom de ter a piscina só pra gente? -ele perguntou, o tom
cheio de malícia.

—Nem começa...

—A gente pode fazer tudo o que quiser. -ele disse, a voz baixa e rouca, seus
lábios roçando levemente os meus.

A resposta veio em outro beijo, e dessa vez, ele me puxou ainda mais para
perto, suas mãos explorando minha cintura enquanto a água ao nosso redor
parecia evaporar, deixando apenas nós dois naquele momento.

Vinnie começa a alisar minhas costas, descendo cada vez mais até chegar na
minha bunda. Nossos corpos encharcados estavam praticamente colados, eu
podia sentir o volume dentro de sua sunga se esfregando em mim. Aquilo
estava me excitando de tal forma. Hacker pegou na minha cintura e
começou a beijar meu pescoço. Uma mão em minha bunda, a outra na
cintura e seus beijos em meu pescoço.... aquilo estava me deixando louca de
tesão, tudo que eu queria naquele momento era ter ele dentro de mim, eu ja
nem pensava no que poderia acontecer se alguém passasse pela praia e nos
visse.

—Deixa eu comer você.. -sua voz rouca não estava fazendo uma pergunta,
era mais como um aviso

Ele então tira seu membro pra fora, eu ja estava completamente molhada e
não era por causa da á[Link] usa alguns de seus dedos colocando a
calcinha do biquíni para o lado, usando os outros dedos para acariciar
minha intimidade.

—Já tá prontinha pra mim novamente..

Meus gemidos são leves e calmos, mas a medida em que ele vai me
masturbando começam a ficar mais pesados. Ele introduz dois dedos em
mim me fazendo gemer mais alto. Cada gemido meu o deixa mais excitado,
fazendo-o acelerar os movimentos. Eu ja não aguentava mais.
Ele tira seus dedos de mim, ainda mantendo a calcinha pro lado, ele me
penetra com força e sem aviso. Sinto uma dor que é imediatamente
substituída pelo prazer. Cada movimento de vai e vem me dá mais tesão.

Ele começa a dar estocadas mais fortes, gemendo junto comigo. Seu
gemido era rouco e baixo, mas cada vez que eu o escutava sentia mais
prazer e vontade de satisfaze-lo. Suas mãos me agarravam como se eu fosse
fugir, ele virava minha cabeça me fazendo o beijar enquanto me fodia. Seu
corpo dava todos os sinais de que me desejava.

Ele me inclinava para frente segurando meus seios e me fudendo por trás,
as vezes uma de suas mãos estapeava minha bunda, fazendo eu soltar
gemidos mais intensos..

—Gostosa! -ele falava de uma forma feroz, como se fosse me devorar

Hacker para o que estávamos fazendo, segura na minha cintura e me vira de


frente para ele.

Levanta uma de minhas pernas com sua mão e introduz seu membro em
mim de novo, agora de frente um para o outro, nos beijavamos como se
aquilo fosse essencial para sobrevivermos. Ele para o beijo e nossos olhares
se encaram, o desejo em seus olhos eram apenas um reflexo do meu... Sua
boca começava a brincar com meus seios, um revezamento entre chupadas
e leves mordidinhas. Eu ja estava quase no ápice.

—Eu..vou gozar...

Suas estocadas ficam mais rapidas, não demora muito para que eu goze.

—Vinnie...

—Eu adoro quando você geme meu nome -ele riu

Assim que eu gozo, Vincent entrelaça seus dedos em meus cabelos


puxando-os para trás, suas expressões me mostram que ele está chegando
ao ápice.
Posso sentir seu gozo me preenchendo, seu gemido final é rouco e
satisfatório, o suor de seu corpo pingando no meu. Ele retira seu membro de
mim se afastando e sorrindo pra mim, seu sorriso me dizia como tudo tinha
sido bom e ao mesmo tempo demonstrava querer mais...

—Já chega por hoje -falei, exausta e ofegante, enquanto me apoiava na


borda da piscina, tentando recuperar o fôlego.

Vinnie soltou uma risada baixa e nadou até mim, me cercando com os
braços e plantando uma sequência de selinhos rápidos nos meus lábios.

—Tá cansada já? Eu achava que você aguentava mais. -provocou, o sorriso
malicioso nunca abandonando seu rosto.

—Cansada de você, isso sim. -retruquei, rindo fraco.

Ele ergueu uma sobrancelha, divertido, e se afastou, saindo da piscina com


a mesma energia de antes. Ele me estendeu a mão para ajudar, e eu aceitei,
ainda tentando acompanhar o ritmo dele. Caminhamos juntos até o quarto,
com a brisa fria da noite nos fazendo arrepiar.

No quarto, peguei uma toalha e comecei a me secar enquanto Vinnie fazia o


mesmo, embora de forma apressada e desleixada, como sempre. Ele abriu
uma gaveta e puxou um short de moletom e uma camiseta preta, vestindo-se
rapidamente. Enquanto eu colocava um pijama simples, ele terminou
primeiro e disparou até a cama.

Com um salto exagerado, ele se jogou de qualquer jeito no colchão,


espalhando os braços e pernas como se estivesse dominando todo o espaço.

—Você não tem jeito mesmo. -falei, cruzando os braços e olhando para ele,
fingindo estar séria.

—Eu só tô confortável -respondeu, rindo enquanto fechava os olhos,


claramente satisfeito consigo mesmo.

—Se ajeita, Vinnie. Não tem espaço pra nós dois assim.
Ele abriu um olho, me lançando um olhar preguiçoso, mas acabou
obedecendo, movendo-se para o lado e deixando espaço para mim.

—Pronto, princesa. Tá feliz agora?

—Agora sim. Obrigada -respondi, sorrindo levemente enquanto me deitava


ao lado dele.

Assim que me acomodei, ele me puxou pela cintura, encaixando meu corpo
no dele de forma natural. Suas mãos grandes descansaram na minha cintura,
e ele me envolveu com cuidado, como se quisesse me manter ali para
sempre.

—Boa noite, Yas -ele murmurou, sua voz baixa e rouca quase um sussurro.

—Boa noite, Vinnie.

Fechei os olhos, sentindo o calor do corpo dele contra o meu e o ritmo


suave de sua respiração. A exaustão do dia finalmente venceu, e em poucos
minutos, nós dois estávamos entregues ao sono, abraçados e em perfeita
sintonia.

[...]

Acordei com um peso esmagador sobre mim e uma sensação úmida em


meu ombro. Levei alguns segundos para perceber que Vinnie estava
literalmente esparramado em cima de mim, dormindo profundamente e...
babando.

—Ai que nojo! -exclamei, rindo.- Acorda! Sai de cima de mim, Vinnie,
você é pesado!

Tentei empurrá-lo, mas ele nem sequer se mexeu, como se fosse uma pedra
gigante.

—Vinnie? -chamei de novo, sacudindo seu ombro, mas ele continuava no


mesmo estado, com um semblante pacífico que só deixava a cena mais
engraçada.
Suspirei, mas então uma ideia brilhante me ocorreu. Inclinei-me levemente
e murmurei em um tom doce:

—Amor, vamo uma rapidinha?

No mesmo instante, ele abriu os olhos e me encarou, um sorriso de canto


surgindo em seu rosto.

—Sem vergonha!!! -gritei, rindo e empurrando seu rosto com a palma da


mão.

—An? O quê? -ele respondeu, fingindo inocência.

—Não se faz de desentendido, Vinnie! Você só acordou porque eu falei


isso!

Ele deu de ombros, tentando esconder o riso.

—Óbvio que não, eu já tava acordado.

—Tava acordado e babando em cima de mim, Vincent? -retruquei, cruzando


os braços e lhe lançando um olhar acusador.

—Ai, amor... -ele resmungou, como se fosse a vítima, e deitou-se em mim


novamente, ignorando completamente minha indignação.- Era brincadeira,
gata. Mas se você quiser...

Soltei um suspiro dramático e, com um sorriso no rosto, dei um leve puxão


em seu cabelo.

—Ai, Yas! -ele reclamou, mas não se moveu.

—Sai de cima de mim agora! -falei, empurrando-o com toda a força que
consegui reunir. Ele riu, mas finalmente rolou para o lado, me deixando
livre.

Levantei-me rapidamente e fui até o banheiro, jogando um olhar para ele


por cima do ombro.
—Você é insuportável, sabia?

—E você me ama assim mesmo! -ele respondeu, rindo alto enquanto se


espreguiçava na cama, claramente satisfeito consigo mesmo.

Assim que fui ao banheiro, Vinnie veio logo atrás, sem me dar um momento
sozinha. Nós escovamos os dentes lado a lado, entre risos e olhares
cúmplices. Depois, fomos pegar nossas coisas para a praia.

—Coloca o biquíni azul -ele sugeriu, já pegando um short azul para si.-
Assim a gente combina.

Revirei os olhos, mas acabei rindo da ideia. Não dava para resistir quando
ele parecia tão satisfeito consigo mesmo. Troquei de roupa e, em pouco
tempo, estávamos nos fundos da casa novamente

Assim que chegamos aos fundos da casa, onde a praia se estendia de forma
paradisíaca, peguei minha espreguiçadeira e me acomodei de bruços para
aproveitar o sol. A marquinha precisava estar impecável, afinal. Vinnie, por
outro lado, foi direto para dentro da casa.

—Aonde você vai? -perguntei, espiando por cima do ombro.

—Pegar as garrafas de uísque. -ele respondeu, sem nem olhar para trás.

Rolei os olhos, mas sorri. Vinnie nunca fazia nada pela metade. Alguns
minutos depois, ele voltou equilibrando as garrafas e um copo na outra
mão.

Ele colocou tudo ao nosso lado e sentando-se sob o guarda-sol.

Eu relaxei novamente na espreguiçadeira, aproveitando o calor do sol na


pele, até que ouvi o som de Vinnie bufando alto.

—Isso só pode ser brincadeira...

Levantei a cabeça, confusa, e o vi com as sobrancelhas franzidas,


claramente irritado.
—O que foi agora?

—Tá vendo aqueles dois idiotas ali? -ele apontou descaradamente para dois
homens mais à frente na areia.- Eles estão olhando pra sua bunda!

Tentei não rir, mas não consegui segurar.

—Vinnie, deixa de ser paranóico.

—Paranóico? -Ele quase cuspiu as palavras. -Aqueles dois estão


literalmente babando por você! Isso não é olhar, é falta de respeito.

—Vinnie, calma. Eles nem devem estar olhando pra mim.

—Você acha que eu sou cego, Yas? Eles estão te comendo com os olhos! -
Ele se levantou abruptamente da cadeira, com uma raiva que parecia prestes
a explodir.

—Vinnie! -chamei, tentando segurá-lo pelo braço.- Não vai lá, chega de
confusão!

—Vou sim! Esses babacas precisam aprender a respeitar!

Ele começou a caminhar decidido na direção dos dois, e eu quase tive que
correr atrás dele.

—Vinnie, deixa pra lá! Não vale a pena!

Ele parou no meio do caminho, ainda bufando, e voltou a passos largos para
o guarda-sol. Assim que me deitei novamente na espreguiçadeira, tentando
ignorar o drama, senti algo cobrindo meu corpo inteiro.

—O que você tá fazendo? -perguntei, virando a cabeça para trás.

—Te cobrindo. Esses caras não vão olhar pra minha mulher de novo -ele
respondeu, jogando uma toalha atrás da outra sobre mim.

—Tira isso, tá muito calor! -reclamei


—Não importa. -Ele continuou, resmungando.- Se olharem de novo, eu
faço questão de quebrar os dentes deles.

—Você tá exagerando!

—Exagerando nada! Só eu posso olhar pra você assim. Que eles olhem pra
areia ou pro céu, mas não pra você!

Eu ri alto, incapaz de conter o quanto aquilo era engraçado.

—Você é um ciumento maluco, sabia?

Ele me encarou com uma expressão séria, mas havia um sorriso escondido
ali.

—E você ama isso, Yasmin.

Balancei a cabeça, ainda rindo. Não tinha como discutir com ele.

Ouvi Vinnie respirar aliviado ao perceber que os dois homens finalmente


saíram da praia, provavelmente assustados com as caretas que ele fazia.

—Agora sim. -Ele sorriu satisfeito, tirando todas as toalhas que me cobriam
dos pés até os ombros.

—Finalmente! -falei, abanando o rosto com a mão.- Você quase me


cozinhou aqui!

Sem dar bola para a minha reclamação, ele riu e se levantou, correndo em
direção ao mar como uma criança animada. Balancei a cabeça, divertida, e
voltei a me acomodar na espreguiçadeira, de bruços, determinada a pegar
um pouco de cor. Estava pálida demais para o meu gosto.

Depois de um tempo, me virei e peguei o celular para responder algumas


mensagens. Mads estava me mandando um monte de vídeos e perguntando
como eu estava. Enquanto digitava, senti algo absurdamente gelado
escorrendo pelas minhas costas, me fazendo pular da espreguiçadeira com
um grito.
—Ah! O que é isso?! -exclamei, sentindo o corpo inteiro se arrepiar com o
choque térmico.

Virei rapidamente e dei de cara com Vinnie segurando um baldinho infantil


de praia, rindo como um completo idiota.

—Filho da puta! Você me paga!! -gritei, me levantando de uma vez.

Vinnie arregalou os olhos, mas continuou rindo.

—Foi brincadeira! Calma! -Ele começou a correr em direção ao mar,


desesperado, enquanto eu ia atrás dele.- Yas, não me bate!!

—Volta aqui, Vinnie! -gritei, correndo atrás dele pela areia.

Ele tropeçou nas próprias pernas e quase caiu, mas conseguiu se recompor
enquanto continuava gritando

—foi brincadeira!!

—SOCORRO ELA VAI ME BATER!! -ele começou a gritar para os


banhistas, me fazendo morrer de vergonha

Vinnie estava impossível. Parecia uma criança encapetada que não parava
de incomodar, e eu não sabia se ficava brava ou se achava graça.

Primeiro, ele começou jogando areia em mim do nada. Eu estava tranquila,


deitada, tentando relaxar, e de repente, um monte de areia caiu em cima de
mim.

—O que você fez, Vincent?! -falei, já irritada, me levantando e começando


a sacudir a areia do biquíni.

Ele riu, imitando um gesto de inocência, como se fosse o ser mais puro da
terra.

—Foi o vento, amor. Não fui eu. -Ele piscou pra mim, com aquele sorriso
de "não me olha assim".
Eu bufava, mas ele não parava. Começou a cutucar minha costela enquanto
eu tentava pegar o celular novamente. Cada vez que eu tentava me
concentrar, lá vinha ele com outra piada, fazendo careta ou balançando as
mãos na minha frente.

—Vai me bater de novo? — perguntou ele, com uma cara de "coitadinho"

—Credo Vinnie! Falando assim, parece que eu te espanco todo dia!

—E não é? -brincou

Respirei fundo e o olhei com aquela expressão de quem estava se


controlando para não dar um soco.

—Vinnie... se você me cutucar mais uma vez, eu juro que...

Ele fingiu não ouvir, e novamente me cutucou, mas dessa vez foi tão forte
que me fez cair da espreguiçadeira.

Eu já estava tão sem paciência que, antes mesmo de me levantar, fui logo
para cima dele.

—Tá achando que sou quem? Uma boneca de pano pra ficar me cutucando
assim? -Falei, com raiva.

Ele olhou para mim com um sorriso travesso.

—Não sei... você que me diz. -Ele se abaixou, tentando fugir, mas eu não ia
deixar barato.

Corri atrás dele, de novo. Quando finalmente peguei ele de surpresa, dei
uma tapa na sua barriga, o fazendo rir ainda mais.

—Agora você me paga, idiota! -gritei, já dando risada também.

Ele fingiu estar ofendido, mas antes que eu pudesse fazer qualquer outra
coisa, ele se jogou na areia, rolando e me puxando junto.

—Te peguei! -Ele falou, rindo enquanto me prendia com os braços.


Eu estava tão exausta de tanto correr atrás dele que terminei rindo junto.
Não dava para ficar brava. No fundo, ele sempre soube como me tirar do
sério de um jeito tão engraçado que não dava nem pra resistir.

Já fazia alguns minutos que eu tentava ignorá-lo, mas ele não estava nem
um pouco disposto a me deixar em paz. Ele começava com piadinhas,
tentando me fazer rir ou irritar, mas eu sabia o jogo dele. A solução era uma
coisa simples: ignorá-lo.

Dei a volta na espreguiçadeira e olhei para o mar, tentando me concentrar


no som das ondas, mas logo ouvi a voz dele, e dessa vez estava mais
insuportável ainda.

—Yas? Yasmim? Yas? -Vinnie começou a me chamar, me cutucando


levemente, mas eu continuei imóvel, como se ele não estivesse ali. Ele não
desiste fácil.

—Hm... -Fiz um som baixo, mas não o encarei.

Ele não parou. Me cutucou de novo. E de novo. Eu só queria ficar em paz,


mas parece que ele estava decidido a me enlouquecer.

—Ah não, Vinnie, para com isso! -falei irritada, tentando me concentrar na
minha paz.

Mas ele não se importou. Não, ele fez algo ainda pior. Pegou a bola de vôlei
que estava na areia e começou a chutar nos meus pés enquanto eu estava
sentada na espreguiçadeira.

—E ele chuta... domina a bola! -Vinnie fazia a narração da "partida", com


um sorriso travesso no rosto, e a bola indo e voltando.- E olha só, ela tenta
bloquear o chute, mas não conseguiu! É agora! Ele avança, se aproximando
da área...

Eu suspirei profundamente, tentando não olhar para ele, mas ele continuava
com o circo todo. Eu só queria ficar de boa.
—Eu não estou jogando, Vinnie... -falei, virando o rosto para o lado e
ignorando totalmente, como se ele fosse invisível.

—GOOOOOL!! -gritou ele, correndo em círculos pela praia, comemorando


como se tivesse ganhado um campeonato mundial.- E ele faz o gol!
Inacreditável, a melhor jogada de todas!

Eu não pude evitar, apesar de estar tentando me manter séria. Um sorriso


involuntário escapou. Mas logo ele veio de novo, pulando em volta de mim,
rindo feito uma criança travessa.

Os turistas estavam olhando para ele, assustados com tanto barulho, mas
Vinnie não parecia se importar nem um pouco. Ele se jogou na areia,
fazendo barulho, batendo os pés, como uma criança mimada querendo
atenção.

Ele não desistia. Eu sabia que eu acabaria rindo ou cedendo, mas ainda
tentava fingir que não estava ouvindo. Ele, claro, continuava com suas
"grandes jogadas", e mais uma vez, me interrompia com piadinhas que me
faziam perder a paciência e rir ao mesmo tempo. O maldito tinha esse dom
de me deixar com raiva e me fazer sorrir ao mesmo tempo.

Ele ficou correndo de um lado para o outro, fazendo barulho, e eu só


consegui fazer o que qualquer pessoa faria depois de um tempo: ceder à sua
diversão insuportável.

Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!


Capítulo 102
O tempo parecia ter voado durante os dias que passamos na praia. Agora, de
volta à realidade, estávamos arrumando nossas coisas para retornar a Los
Angeles.

—Temos mesmo que voltar? -perguntei, abraçando Vinnie enquanto


olhava para o mar pela última vez.

—Infelizmente, princesa. -Ele beijou o topo da minha cabeça.- Mas pensa


pelo lado bom: já estamos planejando a próxima viagem.

Revirei os olhos, mas sorri, voltando ao quarto para pegar nossas malas.
Depois de algum esforço para fechar minha mala abarrotada, Vinnie, como
sempre, tirou sarro.

—Precisa levar o armário inteiro sempre?

—Precisa ser tão irritante sempre? -retruquei, empurrando a mala para ele
carregar.

Com o carro já carregado e a casa de praia fechada, partimos.

[...]

Vinnie, ao volante, parecia disposto a testar minha paciência. Ele


aumentava o volume da música, cantava desafinado e fingia que o volante
era uma bateria.

—Vinnie, concentra na estrada! -reclamei, rindo.

—Relaxa, Yas, sou um ótimo motorista! -Ele disse, fazendo ziguezagues


na pista só para me provocar.

—Se você virar o carro, eu te mato!


—Melhor morrer do que te devolver praqueles caras na praia! -Ele piscou,
e eu revirei os olhos.

Logo estávamos fazendo apostas sobre quantas vezes Mads se atrasaria


nessa semana, quando Vinnie esticou o braço para pegar um dos snacks que
eu segurava.

—Para de roubar! -reclamei, segurando o pacote de batata longe.

—Divide aí, pão dura! -Ele começou a puxar o pacote, e acabamos


derrubando tudo no chão do carro.

—Ótimo, agora quem vai limpar?

—O passageiro, claro. -Ele riu, e eu não pude evitar de jogar uma batata
nele.

Depois de algumas horas, finalmente estávamos em Los Angeles, exaustos,


mas contentes.

[...]

Assim que chegamos no meu apartamento, eu mal tinha tirado as malas do


carro quando meu celular vibrou. Era Nick, nos chamando para comer fora
com ele, Mads e Kio.

—Acabamos de chegar e já querem festa? -perguntei, rindo.

—Vamos lá, Yas. Faz tempo que não vemos o pessoal direito. -Vinnie
jogou o braço em volta do meu ombro.

Concordei, e fomos tomar banho para nos arrumar.

Assim que chegamos no apartamento, Vinnie jogou as malas no canto da


sala e caiu no sofá como se tivesse carregado o peso do mundo nas costas.

—Não vai levantar pra tomar banho, não? -perguntei, cruzando os braços
e olhando para ele.
—Mais cinco minutos... -Ele resmungou, com os olhos fechados.

—Tá bom. Vou tomar banho sozinha. Só não reclama depois se eu


demorar e gastar toda a água quente. -Lancei a provocação enquanto
caminhava para o banheiro.

—Espera aí! -Vinnie saltou do sofá.- Eu vou primeiro, então!

—Nem pensar! -Falei correndo para o banheiro, mas ele foi mais rápido e
entrou antes de mim.

—Vinnie! Sai daí! -reclamei, batendo na porta.

—Relaxa, princesa. Prometo que vou deixar um pouco de água quente pra
você.

Bufei, impaciente, enquanto esperava minha vez. Quando ele finalmente


saiu do banheiro, enrolado na toalha e com os cabelos ainda molhados, me
olhou com um sorriso convencido.

—Banheiro é todo seu, madame.

—Idiota. -Passei por ele e entrei, trancando a porta antes que ele
inventasse de aprontar mais alguma coisa.

Depois de um banho demorado, saí do banheiro com os cabelos ainda


úmidos e uma toalha enrolada no corpo. Vinnie estava encostado na parede
do quarto, mexendo no celular.

—Finalmente! Achei que tinha dormido no chuveiro. -ele zombou, me


lançando um olhar divertido.

Revirei os olhos, ignorando o comentário, e fui até o guarda-roupa. Escolhi


um vestido preto simples, justo ao corpo, que destacava minha marquinha
do biquíni.

—Você vai sair assim? -Vinnie perguntou, largando o celular para me


encarar.
—Sim. Algum problema?

—Problema nenhum. Só que vai ser difícil eu não ter que arrancar os
olhos de alguém no restaurante. -Ele falou com um tom ciumento, mas
ainda brincalhão.

—Ai, meu Deus... -Ri, enquanto me virava para secar os cabelos.

Vinnie foi até o armário, pegou um short preto e uma camisa branca básica,
se vestiu rapidamente e, claro, fez questão de se olhar no espelho antes de
perguntar:

—Tá bom assim ou coloco outra camisa?

—Tá ótimo. Vamos logo antes que Kio e Nick façam um escândalo
porque estamos atrasados.

Ele sorriu e estendeu a mão para mim.

—Vamos, princesa.

[...]

Quando chegamos ao restaurante, Nick e Kio vieram correndo na nossa


direção, como se não nos vissem há anos.

—Se acalmem! Foram apenas quatro dias!! -falei, rindo enquanto


retribuía o abraço de Nick.

Kio, no entanto, estava ainda mais dramático.

—Eu senti tanta falta de vocês! -Ele gritou, agarrando Vinnie e o


levantando do chão.

—Me solta, caraí! -Vinnie resmungou, tentando se desvencilhar.

Assim que Kio o soltou, Nick também foi abraçá-lo, igualmente


emocionado.
—Que diabos tá acontecendo? Vocês viraram dramáticos assim quando? -
Vinnie perguntou, confuso.

—Cadê a Mads? -perguntei, olhando para dentro do restaurante.

—Atrasada. Como sempre. -Kio revirou os olhos.

—Olha ela aí! -Nick apontou para a rua. Quando virei, vi Mads
atravessando a rua, quase tropeçando na calçada.

—YASMIM!! -ela gritou, correndo até mim.

Mads me abraçou com tanta força que eu mal conseguia respirar.

—Eu senti tanta saudade de você! -Ela disse, ainda me apertando.

—Mads... argh... não consigo respirar! -brinquei, fazendo-a rir antes de


me soltar.

Sentados à mesa, começamos a colocar os assuntos em dia. Kio e Nick, é


claro, tinham suas histórias caóticas de sempre.

—Você não vai acreditar na festa que fizemos enquanto vocês estavam
fora! -Kio começou, com um sorriso travesso.

—Foi A MAIOR festa de todas! -Nick completou.- Kio ficou tão bêbado
que começou a pagar bebida pra todo mundo no bar.

—E você não tava melhor! -Kio retrucou.- Nick chorou com o barman
sobre um ex-namoro e depois de três minutos já tava pegando números de
três mulheres diferentes.

—Só três? Tá ficando devagar, hein? -Vinnie provocou, e todos rimos.

—Cara, você não tá entendendo! A festa foi absurda! -Kio começou,


ainda gesticulando como se estivesse no meio de um show.- Tinha DJ,
luzes, fumaça... e eu, claro, dominando a pista de dança.
—Dominando é exagero, né? -Nick riu, revirando os olhos.- Ele ficou tão
bêbado que achou que sabia fazer um passinho novo.

—Eu sabia!! -Kio se defendeu, indignado.- Só que o chão tava molhado.


Foi isso que me derrubou!

—Claro que foi o chão... -Nick zombou.- Ele caiu de cara, derrubou um
copo de vodka, e ainda tentou convencer todo mundo de que fazia parte da
coreografia.

Vinnie gargalhou ao meu lado, batendo na mesa.

—E você, Nick? O que aprontou? -perguntei, já rindo antes mesmo da


resposta.

Nick suspirou dramaticamente e apontou para Kio.

—Eu passei a noite inteira ouvindo o bicho gritar no meu ouvido que ia
pagar bebida pra todo mundo. Resultado? Eu fiquei cuidando dele, porque
ele esvaziou a carteira e não tinha dinheiro nem pra pegar o Uber depois.

—Ah, não foi bem assim... -Kio tentou se justificar, mas Nick o
interrompeu.

—Foi exatamente assim. E ainda teve o momento em que ele tentou pegar
o número de uma garçonete, mas esqueceu o próprio nome.

—Ei, ei! Isso foi um erro de cálculo. Eu tava sóbrio... -Kio fez uma pausa
ao perceber que ninguém acreditava.- Ok, não tava. Mas foi engraçado!

—Engraçado foi você subindo no balcão pra dar um discurso sobre "a
importância de beber em boa companhia" enquanto o segurança vinha na
sua direção. -Nick estava quase chorando de rir.

—E o que você fez? -Vinnie perguntou, curioso.

Nick fez uma expressão de falsa inocência.

—Eu? Eu só me escondi atrás do bar e deixei ele ser expulso sozinho.


Todos nós rimos tanto que o garçom olhou estranho enquanto colocava as
bebidas na mesa.

—Vocês dois não têm jeito. -Falei, tentando recuperar o fôlego.

—Claro que temos! -Kio respondeu.- Somos o coração do grupo!

Era impossível não se divertir com aqueles dois. Cada encontro com eles
era garantia de boas risadas e histórias ainda mais absurdas.

Enquanto estávamos rindo das histórias de Kio e Nick, Mads decidiu entrar
na conversa. Ela estava mexendo no cabelo, com aquele olhar casual que
ela sempre fazia quando queria parecer desinteressada, mas claramente
estava prestes a soltar alguma bomba.

—Ok, ok, chega de vocês dois -ela disse, acenando com a mão.- Minha
vez de brilhar.

—Lá vem ela... -Kio resmungou, mas com um sorriso divertido no rosto.

—Então, saí com um carinha esses dias... o Hudson.

Assim que ela mencionou o nome, Kio quase cuspiu a bebida, enquanto
Nick ficou estático, olhando para ela com uma expressão de puro choque.

—Hudson? -Kio repetiu, rindo tanto que parecia que ia cair da cadeira.-
Você tá brincando, né?

—Não tô, não. -Mads ergueu o queixo, fingindo estar ofendida.

—Mads, pelo amor de Deus! -Nick começou, ainda incrédulo.- O Hudson


é o cara mais rodado da cidade!

—Ei! -Mads apontou o dedo para ele, indignada.- E daí? Ele é um


amorzinho, ok?

—Um amorzinho que já saiu com metade do estado! -Kio retrucou, mal
conseguindo se controlar de tanto rir.
Mads estreitou os olhos para ele.

—Como se você pudesse falar alguma coisa, Kio. Não foi você que beijou
a Emma no meio da balada, sabendo que ela já tinha pegado o Nick na
semana anterior?

—Ei, deixa meu nome fora disso! -Nick exclamou, levantando as mãos
em sinal de rendição.- Além disso, isso foi há anos!

—Ah, claro, anos. -Mads cruzou os braços.- E quem foi que ficou com a
Lexi, mesmo depois de ela ter dito que tava "explorando suas opções"?

—Ei! — Kio protestou, apontando para Nick.- Você ficou com a Lexi
também!

—Só porque você disse que não ligava! -Nick rebateu, já gargalhando.

—Porque eu não ligava mesmo! -Kio respondeu, mas claramente ele


estava tentando manter a pose.

—Vocês dois são insuportáveis. -Mads revirou os olhos.- Pelo menos o


Hudson sabe dançar, o que é mais do que posso dizer de vocês.

—Dançar? Aquele esquisitão dança melhor que a gente? Ah, menos, bem
menos! -Nick zombou, rindo.

Enquanto isso, eu e Vinnie apenas nos olhávamos, tentando não explodir de


tanto rir. Ele inclinou-se para sussurrar no meu ouvido:

—Será que algum dia vão crescer?

Eu dei de ombros, rindo ainda mais quando Kio e Mads começaram a


discutir sobre quem realmente tinha saído com a pessoa mais rodada da
cidade.

—No fim, vocês estão empatados. -Vinnie disse em voz alta, encerrando a
discussão.
—Empatados? -Os três gritaram ao mesmo tempo, e foi aí que não
conseguimos mais nos segurar. Rimos tanto que até o garçom passou pela
mesa rindo da nossa confusão.

Após o debate sobre quem tinha saído com a pessoa mais rodada da cidade,
Mads se ajeitou na cadeira e lançou outra história:

—Vocês lembram do Hudson, né? -perguntou, rindo, enquanto pegava seu


copo.

—Ah não, Mads, você vai falar de novo daquele rolê esquisito? -Kio
reclamou, já antecipando a confusão.

—Não! -ela retrucou, revirando os olhos.- Dessa vez, eu quero falar de


algo sério.

—Algo sério vindo de você? -Nick riu.- Lá vem.

—Estou pensando em voltar a dançar. -Mads anunciou, com um sorriso


pequeno, mas cheio de expectativa.

Eu, que estava ouvindo atenta, me animei.

—Isso é incrível, Mads! Por que você parou, mesmo? -perguntei,


genuinamente curiosa.

—Ah, a vida, né? -Mads deu de ombros.- Trabalho, escola, festinhas... e


os idiotas que eu escolho pra sair. -Ela olhou para Kio e Nick, que
levantaram as mãos como se fossem inocentes.

—Apoio total. Você era incrível dançando. -Kio disse,


surpreendentemente sério, mas só por dois segundos-Lembro daquela vez
que você tentou me ensinar. Eu quase quebrei o tornozelo.

—Porque você é descoordenado, Kio. -Mads rebateu, rindo.

—O que você acha, Yas? -Mads perguntou, agora me olhando.


—Acho que você deve voltar, sim. Sempre dá pra fazer o que amamos,
nem que seja por hobby. -Sorri, realmente feliz por ela.

—Tá decidido então. Vou voltar! -Mads levantou o copo, como se


brindasse à própria decisão.

Vinnie, que até então estava calado, lançou uma pergunta do nada:

—Você vai dançar o quê? Aquelas músicas chiques ou tipo dança de


TikTok?

—Claro que algo chique, né? -Mads revirou os olhos.- Não vou sair
fazendo dancinha no meio da rua.

—Uma pena. Eu ia rir bastante. -Vinnie brincou, arrancando risadas de


Nick e Kio.

Logo, o assunto mudou para viagens.

—Aliás, por falar nisso, -Nick começou,- eu tava pensando que a gente
devia fazer uma outra viagem juntos. Tipo uma road trip.

—Road trip? -Vinnie levantou uma sobrancelha.- Você dirigindo? Não,


obrigado.

—Ei! Minha direção é impecável. -Nick se defendeu.

—Impecável? Você já bateu o carro saindo de uma garagem! -Kio


gargalhou.

—Não foi minha culpa! A garagem era muito estreita. -Nick cruzou os
braços, emburrado.

—Tá, mas pra onde seria essa viagem? -perguntei, tentando mudar o
foco.

—Pensei em algo tipo Grand Canyon. Ou Vegas. -Nick disse, animado.

—Eu topo Vegas. -Mads disse rapidamente.


—Óbvio que você toparia Vegas. -Kio provocou, rindo.

—Ei! Vegas tem muitas opções culturais, tá bom? -ela rebateu.

—Como cassinos? -Vinnie brincou.

—Exatamente. -Ela riu, sem vergonha.

Assim, a ideia da viagem ficou no ar, e a mesa voltou a rir, a cada


comentário ácido ou piada entre os amigos. Era um grupo único, cheio de
personalidade, e a diversão estava garantida em qualquer lugar.

[...]

Os drinks mal haviam chegado e Kio e Nick já estavam completamente


"alterados". Eu sabia que eles adoravam uma boa diversão, mas dessa vez
parecia um exagero.

—Será que eles sabem que beberam drinks sem álcool? -sussurrei para
Vinnie, observando os dois em pé, abraçados, com os copos vazios erguidos
como se fossem troféus.

—Aposto que não. -Vinnie respondeu, rindo, enquanto assistíamos à


cena.

No palco, o cantor que animava o bar tocava uma música romântica


famosa, e Kio e Nick resolveram que era o momento deles brilharem.

—É nossa deixa, irmão! -Kio gritou para Nick, apontando


dramaticamente para o palco.

E, como se fosse algo ensaiado, eles começaram a cantar a plenos pulmões.


O problema? Eles estavam completamente desafinados e inventando
metade da letra.

—Eeeeeuuu... aaaamo vocêêêêêê... maaaaais do que o soool! -Nick


gritava, enquanto Kio fazia uma espécie de "segunda voz" que parecia mais
um gemido.
Eu e Mads nos entreolhamos, com os olhos arregalados de pura vergonha.

—Eu vou me esconder. Não conheço esses dois. -Mads sussurrou,


tentando se abaixar debaixo da mesa.

—Me espera! -falei, a acompanhando, enquanto morríamos de rir.

Vinnie, por outro lado, estava adorando o show. Ele ria tanto que quase
derrubou o próprio drink.

—Eles são inacreditáveis. -comentou, limpando os olhos cheios de


lágrimas de tanto rir.

Kio e Nick, percebendo que ninguém mais estava prestando atenção na


música, decidiram tentar recrutar a nossa mesa.

—Vem, Yas! Vem, Vinnie! Mads! -Kio chamou, acenando com as mãos.-
Sobe aqui com a gente!!

—Nem a pau! -Vinnie respondeu, rindo.

—Vocês são muito chatos! -Nick reclamou, apontando para nós.- Não
sabem o que é diversão de verdade!

—Vocês vão se arrepender! -Kio completou, fazendo seu típico drama

Mads e eu tentávamos, sem sucesso, controlar as risadas enquanto


continuávamos "escondidas". No entanto, o público do bar parecia adorar a
energia caótica dos dois, aplaudindo e incentivando.

Kio e Nick continuavam o show particular no meio do bar. Eles decidiram


improvisar, criando uma "coreografia" que envolvia passos desajeitados e
piruetas desastrosas. A cada erro, os dois gargalhavam e faziam ainda mais
palhaçadas, levando a plateia ao delírio.

—Me segura, Kio! Vou fazer o movimento especial!! -Nick gritou,


tentando levantar uma das pernas como se estivesse em um balé, mas
tropeçou e quase caiu em cima de um casal na mesa ao lado.
—Ai, meu Deus... alguém tira eles daqui! -Mads murmurou, cobrindo o
rosto de pura vergonha enquanto ria.

—Isso é inacreditável. -Vinnie comentou, rindo tanto que segurava a


barriga.

De repente, Kio pegou o microfone do cantor e começou a discursar:

—Gente, eu só queria dizer que... essas pessoas aqui, na minha mesa... -


ele apontou dramaticamente para nós.- São as mais CHAAAAATAS que já
conheci!!

—Verdade!! -Nick completou, concordando com um balançar de cabeça.-


Não sabem o que é diversão. Não sabem o que é soltar a alma!

—C-H-A-T-O-S! -Kio soletrou, tentando parecer sério, mas tropeçando


nas próprias palavras e arrancando gargalhadas da plateia.

—A gente tá debaixo da mesa e ainda leva crítica? -sussurrei para Mads,


que estava rindo tanto que mal conseguia responder.

Nick, ainda com o microfone, apontou para Vinnie:

—E você, irmão? Tá rindo de quê? Tá só olhando, mas não tá


participando. Vamos lá, parceiro!

—Nem vem. -Vinnie levantou as mãos em defesa.- Vocês dois já estão


dando show suficiente por todos nós.

—Traidor! -Kio gritou, dramático, antes de se ajoelhar no chão e fingir


chorar.

—Ok, isso tá indo longe demais. -Vinnie falou, se levantando.

Por um momento, achei que ele fosse puxar Kio e Nick de volta para a
mesa, mas ele simplesmente foi até o garçom e pediu mais dois drinks.

—Eu vou deixar eles desmaiarem por conta própria. -ele explicou,
voltando para a mesa e se recostando, completamente relaxado.
Enquanto isso, Kio e Nick, agora sem microfone, continuavam a cantar
juntos. A música era algo inventado na hora, uma mistura de desafinação e
palavras que nem faziam sentido.

—Isso é um show? Ou um experimento social? -Mads perguntou,


enquanto finalmente saíamos debaixo da mesa.

—Acho que nunca saberemos. -respondi, ainda rindo da cena.

Os dois finalmente voltaram à nossa mesa, exaustos e suados, mas com


sorrisos tão grandes que era impossível ficar bravo com eles.

—Tá vendo? Foi ou não foi incrível? -Kio perguntou, ainda ofegante.

—Incrível é uma palavra forte, mas... foi algo. -Vinnie respondeu,


sarcástico, mas claramente divertido.

Nick e Kio levantaram os copos vazios em um brinde improvisado,


gritando:

—AOS MELHORES DO MUNDO!!

E, mesmo que fossem completamente insanos, eu sabia que era impossível


não amá-los.

[...]

Enquanto eu, Vinnie e Mads arrastávamos Kio e Nick para fora do


restaurante, a cena parecia digna de um episódio de comédia pastelão. Os
dois se recusavam a andar sozinhos, então literalmente tínhamos que puxá-
los pelos braços como crianças que não queriam sair do parque.

—Vocês não entendem! -Kio reclamou, tentando se soltar.- A NOITE MAL


COMEÇOU!

—Isso mesmo! Ainda dá tempo de irmos pra outro bar!! -Nick concordou,
tropeçando e quase derrubando Mads.
—Vocês já deram show o suficiente por uma década inteira, porra! Andem
logo. -Vinnie respondeu, impaciente, enquanto arrastava Kio como se fosse
um saco de batatas.

—Traidores da diversão!!! -Nick gritou, com drama exagerado.

Depois de muita luta, conseguimos colocar Mads em um táxi e, finalmente,


empurrar os dois no carro de Vinnie.

—Eu mereço um prêmio por isso. -Vinnie murmurou, ligando o carro.

No banco de trás, Kio e Nick estavam inquietos, como se tivessem acabado


de tomar litros de energético.

—Yasmim, Vinnie, vocês sabem o quanto vocês são incríveis? -Nick


começou, inclinando-se para frente entre os dois bancos da frente.

—Lá vem... -eu murmurei, já sabendo que isso ia dar trabalho.

—Tipo, incríveis mesmo! Vocês deviam ter um prêmio de casal mais legal
do mundo!! -Nick continuou, apontando para nós.

—Concordo! -Kio gritou, abraçando Nick de lado.1 Mas sabe quem é mais
incrível? EU!!

—Vocês não têm um botão de desligar, não? -Vinnie perguntou, sem tirar os
olhos da estrada, enquanto eu tentava segurar o riso.

De repente, Kio começou a cantar uma música inventada na hora sobre


como ele era o "rei da galera". Nick, claro, entrou no coro, e os dois
começaram a bater nas janelas do carro como se fossem tambores.

—É sério isso? -perguntei, olhando para Vinnie, que balançava a cabeça em


descrença.

—Se eu abrir a porta enquanto o carro tá em movimento, acha que eles


descem sozinhos? -ele brincou, claramente no limite da paciência.
Finalmente, chegamos à casa de Kio. Eu e Vinnie praticamente carregamos
os dois para dentro, tentando ignorar as reclamações de que "a festa ainda
não tinha acabado".

Quando colocamos Nick em um dos quartos de hóspedes, ele de repente


começou a chorar.

—Eu só quero dizer... -ele fungou, com os olhos cheios de lágrimas.- Eu


amo vocês, cara!!

—O que foi agora? -Vinnie perguntou, cansado, cruzando os braços.

—Vocês são a melhor família que eu poderia ter! -Nick continuou,


abraçando meu braço.

Kio entrou no quarto, viu Nick chorando e imediatamente começou a chorar


também.

—Por que você tá chorando? -Kio perguntou, com a voz trêmula.

—Porque eu amo eles! -Nick respondeu, apontando para nós.

—EU TAMBÉM!! -Kio gritou, e os dois começaram a se abraçar enquanto


soluçavam alto.

Eu me sentei na cama, exausta, enquanto Vinnie esfregava as têmporas,


claramente arrependido de não ter deixado os dois no restaurante.

—É oficial. Eles nunca mais saem para beber com a gente. -Vinnie
decretou, arrancando um riso de mim, apesar de tudo.

Lidar com bêbados era um desafio... mas, por algum motivo, eu sabia que
não trocaria esses dois malucos por nada no mundo.
Votem e comentem se estão gostando, eu aceito sugestões de melhorias!
Capítulo 103
O sol brilhava forte naquela manhã, refletindo sua luz nas janelas do centro
da cidade. Eu sentia o calor gostoso aquecendo meu rosto enquanto
esperava por Mads em frente ao shopping. Ela nunca foi pontual, então me
surpreendi quando a vi caminhando em minha direção com um frappuccino
na mão e óculos escuros enormes cobrindo quase metade do rosto.

—Achei que ia te encontrar só na hora do almoço -brinquei, cruzando os


braços.

—E eu achei que você ia me elogiar por chegar cedo. Mas tudo bem, posso
ir embora. -Ela fingiu se virar, mas a puxei pelo braço, rindo.

—Tá, tá! Pontualidade nunca foi o seu forte, mas hoje você merece um
ponto.

Ela sorriu satisfeita e me entregou metade do frappuccino que já estava pela


metade.

—Agora que minha reputação foi salva, vamos começar?

Entrar na loja era como pisar em outro universo. As vitrines eram


brilhantes, as araras estavam impecavelmente organizadas, e o cheiro de
roupas novas misturado com algum perfume caro preenchia o ar. Mal
demos dois passos para dentro, e Mads já estava puxando um vestido rosa
que, na minha opinião, tinha mais tecido do que o necessário.

—Prova esse.

—Nem pensar.

—Ah, qual é! Só pra ver como fica.

Suspirei e peguei o vestido, sabendo que seria impossível argumentar com


ela. Enquanto eu experimentava o vestido rosa no provador, Mads já tinha
pego mais peças para eu experimentar.

—Esse azul é a sua cara! E olha essa jaqueta! -Ela gritou de fora do
provador, jogando mais roupas por cima da porta.

Quando finalmente saí para mostrar um dos vestidos, ela colocou a mão no
queixo e fez uma pose teatral.

—Hmm, ficou perfeito! Dá pra usar num encontro... ou pra impressionar


aquele carinha que você finge que não gosta.

—Mads, eu não quero impressionar ninguém!

Ela revirou os olhos.

—Claro que não. E eu sou uma santa.

Depois de uma sessão interminável de trocas de roupa e risadas, finalmente


comprei um vestido simples e uma blusa. Já Mads saiu com sacolas
abarrotadas, com um sorriso que dizia claramente que o cartão dela tinha
sofrido.

—Tanta coisa, e aposto que você vai esquecer metade disso no armário.

—Isso não importa. O importante é o momento! -respondeu, balançando as


sacolas como troféus.

[...]

A loja brilhava como um paraíso para qualquer amante de maquiagem. As


prateleiras estavam cheias de produtos organizados por cor, textura e
categoria. Antes que eu pudesse dar um passo, Mads já estava na frente de
um espelho, testando um batom vermelho vivo.

—O que você acha? -perguntou, estalando os lábios.

—Parece que você vai pedir uma taça de vinho caro e rejeitar todos os
homens da sala.
—Exatamente o que eu quero.

Enquanto ela continuava testando produtos aleatórios, um funcionário se


aproximou e me convenceu a testar uma base nova. Fiquei ali, sentada em
um banquinho, enquanto ele aplicava o produto no meu rosto, explicando
cada detalhe como se fosse um ritual sagrado.

Mads, por outro lado, estava com um delineador na mão e fazia desenhos
no braço.

—O que acha desse tom? Meio roxo, meio azul... combina com meu humor
caótico?

—Com certeza. -Respondi, rindo.

Depois de quase uma hora na loja, saímos com algumas comprinhas


modestas (pelo menos da minha parte). Mads, claro, tinha mais sacolas.

[...]

—Vamos ver algo leve, sem drama ou ação exagerada, por favor. -Pedi
enquanto olhávamos os cartazes do cinema.

—Claro, algo como... essa comédia romântica aqui. -Disse Mads,


apontando para o cartaz de um filme com um título tão clichê que já dava
pra adivinhar o final.

Compramos os ingressos, um balde de pipoca gigante e dois refrigerantes.


Entramos na sala, que estava quase vazia, e nos acomodamos bem no meio.
O filme começou com as típicas cenas de encontros desajeitados e
momentos fofos, e eu já sabia que Mads ia fazer comentários.

—Aposto que eles vão brigar na metade do filme por algum mal-entendido
ridículo. -Sussurrou, enquanto uma música romântica tocava ao fundo.

—Shh, Mads!

Quando finalmente a cena do mal-entendido aconteceu, ela me cutucou.


—Eu falei! Tá vendo? Previsível.

Saímos do cinema rindo mais das nossas piadas internas do que do próprio
filme.

A sorveteria tinha uma fila longa, mas conseguimos uma mesa perto da
janela. Enquanto esperávamos nossos sorvetes, Mads começou a contar
uma história de quando ela tentou fazer um sorvete em casa e acabou com
um liquidificador quebrado.

—E aí, minha mãe chegou na cozinha, olhou pra bagunça e só disse: 'Você
nunca mais encosta nesse liquidificador!'

Quando finalmente nossos pedidos chegaram, ela deu uma olhada no meu
sorvete de pistache e fez uma careta.

—Por que você escolheu isso? Parece comida de hospital.

—Porque é gostoso. Ao contrário dessa combinação bizarra que você


escolheu.

Ela me ofereceu uma colherada, e eu provei apenas para confirmar minha


suspeita: era horrível.

—Eu avisei.

—Você não entende nada de arte culinária.

Pov — Vincent Hacker

Eu estava jogado no sofá da sala, ainda suando do treino. Meu corpo inteiro
gritava de cansaço, mas Nick e Kio, como sempre, estavam cheios de
energia, revirando minha cozinha em busca de comida.

—Como é que você nunca tem nada além de ovos e água? -reclamou Nick,
fechando a geladeira com força.

—Porque eu treino, ao contrário de vocês dois. -respondi, levantando as


pernas do sofá para dar espaço a Kio, que apareceu com um saco de batatas
fritas.

—Primeiro, treino. Depois, porcaria. É o equilíbrio perfeito, meu amigo. -


Kio deu um tapinha na minha cabeça antes de se jogar na poltrona.

—Vocês deviam aprender a cozinhar. -falei, tirando a garrafa de água do


chão e dando um gole.

—Isso vindo do cara que vive pedindo delivery. -retrucou Nick, arrancando
risadas de Kio.

—É diferente. -revirei os olhos.- Eu como saudável.

Nick e Kio apenas riram, mas a conversa foi interrompida pelo som de
batidas na porta.

—Tá esperando alguém? -perguntou Kio, levantando uma sobrancelha.

—Não. 1respondi, levantando e caminhando até a porta.

Quando abri, dei de cara com Dylan. Ele parecia... mal. O rosto estava
abatido, os olhos fundos, e ele segurava o chapéu que usava nas mãos,
como se estivesse nervoso.

—Posso entrar? -ele perguntou, a voz hesitante.

Pensei por um momento e dei espaço para ele entrar. Kio e Nick, ao verem
quem era, congelaram. O clima na sala ficou pesado imediatamente.

Dylan caminhou até o meio da sala e olhou para nós três. Ele respirou fundo
antes de começar.

—Eu... eu vim pedir desculpas.

Kio cruzou os braços, visivelmente tenso.

—Tá falando sério?


–Tô. -Dylan respondeu, encarando Kio.- Eu sei que errei. Sei que fui um
peso, um problema, um... idiota.

Nick se levantou do chão e encarou Dylan.

—Cara, você foi além de só ser um idiota. Você tava se destruindo e


arrastando a gente junto.

Dylan assentiu lentamente, como se estivesse esperando por isso.

—Eu sei. É por isso que tô aqui. Eu não tô mais bebendo. Tô tentando
melhorar, me organizar, sabe? Eu... só não quero perder vocês.

Houve um silêncio pesado na sala. Olhei para Kio, que parecia estar em
conflito. Decidi quebrar o silêncio.

—Olha, Dylan, acho que antes de qualquer coisa você precisa entender o
que aconteceu. -falei, me recostando no sofá.- Você tava morando com Kio
e Nick, e isso não era problema. Mas aí você começou a beber. Não só
socialmente, mas todo dia. E depois veio as drogas. Você ficava alterado,
saía puxando briga com eles do nada. A casa virou uma bagunça, e você
tava se afundando.

Dylan apertou o chapéu nas mãos, claramente desconfortável com as


palavras, mas não tentou se defender.

—Até que o Kio te expulsou, e sinceramente, ele tava no limite. Não dava
pra continuar assim. -concluí.

Kio suspirou e se aproximou.

—Olha, cara, eu não odeio você. Mas foi difícil. Eu tentava ajudar, mas
você não queria ser ajudado. E isso machuca, sabe?

Dylan olhou para ele, os olhos brilhando de emoção.

—Eu sei. Eu sei, Kio. E eu sinto muito.


Nick, que tinha ficado em silêncio até então, suspirou e colocou uma mão
no ombro de Dylan.

—Tá bom, cara. Sem ressentimentos. Mas, sério, sem essas merdas,
beleza?

Dylan assentiu rapidamente, sorrindo pela primeira vez.

—Beleza. -ele respondeu, parecendo aliviado.

Kio finalmente relaxou, e um sorriso pequeno apareceu no rosto dele.

—Tá. Agora que o drama acabou, alguém pede pizza?

Todos rimos, quebrando a tensão. Nick já estava no celular antes mesmo de


Kio terminar a frase.

Dylan não precisava dizer mais nada. O importante era que ele estava
tentando, e nós estávamos ali para ajudá-lo.

Assim que as pizzas chegaram, a "festa" começou de verdade. Era ideia do


Kio, claro. Ele praticamente voou para atender a porta quando o entregador
chegou, gritando animado:

—A comida chegou, senhores! É hora de honrar a verdadeira tradição


masculina: comer como selvagens e reclamar depois!

Nick já estava na cozinha procurando copos, e Kio, como sempre, decidiu


que só pizza não era o suficiente. Ele voltou com uma garrafa de tequila e
algumas cervejas.

—Sério isso? -perguntei, rindo enquanto me jogava de volta no sofá.

—O que seria de uma noite com os caras sem uma boa dose de
irresponsabilidade? -Kio piscou, já derramando tequila em um copo.

Dylan, por outro lado, parecia desconfortável quando viu as bebidas. Ele
olhou para mim, depois para os outros, e por fim murmurou:
—Acho que vou ficar só na pizza.

—Sem problema, cara. -falei, dando um tapinha no ombro dele.

—Ei, coloca música aí! -Nick gritou, já com a boca cheia de pizza.

—Que tipo de música? -perguntei, pegando o celular para conectar ao som.

—Qualquer coisa que faça a gente dançar! -Kio respondeu, já mexendo nos
braços como se estivesse numa balada.

Escolhi uma playlist animada, e Kio, como esperado, foi o primeiro a


começar a "dançar". Ele subiu no sofá com um pedaço de pizza na mão,
balançando como se fosse o astro de algum videoclipe.

—Cara, desce daí! -reclamei, tentando empurrá-lo.

—Eu sou o rei do mundo, Hacker! -ele respondeu, dramaticamente, antes


de quase escorregar.

Enquanto isso, Dylan estava sentado na poltrona, observando tudo com uma
expressão curiosa. Ele finalmente falou, meio hesitante:

—Vocês não acham estranho... tipo, o conceito de uma festa sem motivo?

—Estranho é a sua cara, Dylan!! -Nick gritou, gargalhando enquanto


apontava uma fatia de pizza para ele.

Dylan riu de leve e deu de ombros.

—Só tô dizendo. É interessante. Como se todo mundo precisasse de uma


desculpa pra se reunir, mas... vocês só estão aqui, vivendo o momento. É
diferente.

Nick e Kio pararam por um momento e olharam para ele. Depois Nick
respondeu:

—Meu Deus, cara. Você é o tipo de pessoa que analisa uma festa de
criança, né? "Por que temos palhaços, afinal?
Todos rimos, até mesmo Dylan, que finalmente relaxou um pouco.

—Tá, mas agora é sério! -Kio interrompeu, apontando para todos nós com
um pedaço de pizza.- Qual é a melhor música pra gritar a plenos pulmões
quando a gente tá entre amigos?

—Fácil. Mr. Brightside. -Nick respondeu sem hesitar.

—Bohemian Rhapsody. -Eu acrescentei, pegando minha cerveja.

—Eu não sei... algo tipo Don't Stop Believin'. -Dylan disse, parecendo um
pouco mais à vontade agora.

Kio revirou os olhos dramaticamente.

—Vocês são todos básicos. A resposta é óbvia: Dancing Queen!

O silêncio na sala durou exatamente dois segundos antes de todos


explodirem em gargalhadas.

—Você é inacreditável, Kio. -falei, ainda rindo enquanto procurava a


música no celular.

No instante em que o refrão começou, Kio já estava novamente no sofá,


gritando a plenos pulmões e arrastando Nick junto.

Era caótico, barulhento e, no geral, uma completa bagunça. Mas, olhando


para os caras, percebi que era exatamente disso que todos nós precisávamos
naquela noite.

Enquanto Nick e Kio já estavam na segunda rodada de tequila, eu me


mantinha na uísque — e mesmo assim, devagar. Não era só porque eu tinha
que colocar algum juízo nesses dois depois. Yasmim viria aqui mais tarde, e
o último que ela precisava era me encontrar virado na bebida,
especialmente depois de uma noite tão caótica na última vez.

—E aí, Hacker? Vai ou não vai? -Kio me cutucou, oferecendo um shot. Ele
estava com as bochechas vermelhas e um sorriso travesso estampado no
rosto.
—Passo. Alguém precisa ficar sóbrio o suficiente pra te arrastar pra cama
depois. -Respondi, desviando a oferta.

Nick riu, já meio fora de si.

—Claro, o Vinnie virou o pai da turma agora. Qual é, cara, relaxa! Hoje é
dia de festa!

—Festa? -levantei a sobrancelha, apontando para a pizza e as latinhas


espalhadas.- Isso parece mais o after de um show de quinta.

—Ah, cala a boca. Você que não sabe curtir. -Kio disse, tomando o shot que
era pra mim.

Enquanto isso, Dylan estava sentado no canto, analisando a situação com


aquele olhar meio estranho dele. Ele parecia mais relaxado do que quando
chegou, mas ainda dava pra ver que estava tentando entender como tudo
aquilo funcionava.

—Você tá bem, Dylan? -perguntei, aproveitando a chance pra mudar o foco


dos outros dois.

Ele deu de ombros.

—Só acho engraçado como vocês se divertem com... isso. -Ele apontou
para Kio, que estava tentando equilibrar uma fatia de pizza na cabeça.

—É porque a gente não precisa de muito. Só a galera certa e um motivo pra


rir. -Respondi, simples.

Dylan assentiu, parecendo ponderar minhas palavras, mas antes que ele
pudesse dizer qualquer outra coisa, Kio gritou:

—VINNIE! MÚSICA! COLOCA ALGUMA COISA PRA FAZER A


GENTE DANÇAR!

Eu bufei, mas acabei cedendo, colocando uma playlist qualquer no som.


Não demorou muito para que eles começassem a gritar o refrão de *Sweet
Caroline*, totalmente desafinados.
Era impossível não rir da cena. Nick estava rodopiando na sala com uma
almofada como se fosse sua parceira de dança, enquanto Kio batia palmas
no ritmo errado.

Dylan finalmente soltou uma risada sincera, e eu percebi que ele estava,
pelo menos, começando a se soltar.

Mas no fundo da minha cabeça, eu só pensava em Yasmim. Ela deveria


chegar em menos de uma hora, e eu precisava garantir que a casa não
estivesse parecendo uma zona de guerra até lá.

—Vocês têm mais meia hora pra fazerem toda a bagunça que quiserem.
Depois disso, é cada um pro seu canto. -avisei.

—O QUÊ? -Kio exclamou, olhando pra mim como se eu tivesse acabado de


dizer que pizza não era comida.- Que tipo de anfitrião é você, cara?

—O tipo que não quer morrer nas mãos da namorada.

Nick riu tanto que quase derrubou o copo.

—Esse é o espírito, Hacker. Prioridades!

Pov — Yasmim Alles

Enquanto caminhávamos até o estacionamento, Mads falava animadamente


sobre as novas cores de esmaltes que ela queria experimentar, e eu apenas
ria, segurando as sacolas de compras da sorveteria. O dia havia sido longo,
mas extremamente divertido.

Meu celular vibrou, e, curiosa, peguei para ler a mensagem de Vinnie.

"Não vem."

Só isso. Nenhum contexto, nenhuma explicação. Apenas duas palavras


curtas e secas.

Franzi a testa, surpresa com o tom abrupto da mensagem. Mas logo em


seguida, chegou outra notificação: uma foto. Ao abrir, não consegui conter
o riso. Era Nick, completamente fora de si, dançando em cima do sofá de
Vinnie, com uma garrafa de cerveja na mão e uma expressão de vitória no
rosto.

Suspirei, balançando a cabeça. Ele provavelmente não queria que eu fosse


pra evitar lidar com os meninos bêbados. Pelo menos era o que parecia.

—E aí? O que foi? -Mads perguntou, colocando suas sacolas no porta-malas


do meu carro.

—Nada de mais. -sorri, guardando o celular.- Parece que os meninos estão


animados demais hoje.

Mads arqueou as sobrancelhas, desconfiada.

—Você não vai lá?

—Não... Melhor não. -Respondi.- Eles devem estar bêbados e fazendo


besteira.

Ela abriu um sorriso de orelha a orelha.

—Noite das garotas, então?

Dei de ombros, acompanhando o entusiasmo dela.

—Óbvio!

Entramos no carro, rindo como cúmplices, e dirigi direto para o meu


apartamento, pensando em como transformar o que parecia ser um desvio
de planos em mais uma noite divertida.

Chegamos ao meu apartamento e Mads estava com uma energia tão alta que
parecia mais animada que eu para a noite de "noite das garotas". Como de
costume, logo fomos direto para o quarto, tiramos nossas roupas e
começamos a procurar os pijamas mais confortáveis possíveis. Eu escolhi o
meu pijama de ursinho de pelúcia, que Mads sempre dizia que era a coisa
mais fofa do mundo. Ela, por sua vez, foi para o seu pijama de unicórnio
que tinha um capuz com orelhinhas fofas.
—Pronta para a maratona de filmes? -Mads perguntou, já pulando para a
cama, se ajeitando nos travesseiros.

—Sim, mas antes eu preciso fazer meu brigadeiro maravilhoso para


acompanhar a noite. -Sorri, indo até a cozinha.

Mads, animada, foi me seguir, e logo começamos a preparar o brigadeiro,


que, como de costume, ficou uma delícia. Enquanto mexia a panela e
observava o chocolate derreter, Mads ficava falando sobre todos os detalhes
de sua última aventura de compras, e como tinha feito a maior coleção de
esmaltes novos. Ela adorava falar disso, e eu só a escutava, rindo. Sabia que
ela só estava tentando me distrair enquanto eu mexia o brigadeiro.

Quando o doce estava pronto, finalmente nos ajeitamos no sofá. Eu fiz


questão de apagar todas as luzes, deixando apenas a luz suave da TV e as
luzes piscantes que Mads tinha insistido tanto para eu colocar na parede da
sala. Ela tinha uma obsessão por essas coisas, mas confesso que até achei
fofo quando vi o ambiente todo iluminado daquela forma, como se fosse um
cenário de filme.

Nos acomodamos confortavelmente no sofá, com uma almofada para cada


uma e a tigela de brigadeiro no meio, e começamos a ver um filme
qualquer. Mas, logo, a conversa fluiu naturalmente.

—Yas, me responde uma coisinha aqui... -Mads fez uma pausa, pegando
uma colherada generosa de brigadeiro e se virando para mim com um olhar
curioso.

Eu a olhei de volta, um pouco surpresa. Não parecia nada de bom vindo


dessa pausa dramática.

—Claro. -respondi, já preparando a mente para qualquer coisa.

—Você e o Vinnie são o que? Namorados? Ficantes? Amigos? -Mads


perguntou, claramente com a mente cheia de perguntas.

Eu ri, tentando organizar os pensamentos, porque a verdade era que eu nem


sabia o que responder direito. Não éramos namorados, não de uma maneira
tradicional. Não teve pedido, nem compromisso formal. Mas nossos gestos,
a forma como nos tratávamos... era mais do que amizade, mas não chegava
a ser um namoro também. Era complicado.

—Ficantes sérios? -Mads insistiu, ainda com a curiosidade brilhando nos


olhos.

Eu dei uma risada, sentindo a leveza da situação.

—Acho que é tipo isso, não teve pedido nem nada... -respondi, rindo
enquanto mexia a colher no brigadeiro e pegava um pouco para comer.

Mads não parecia satisfeita com a resposta. Ela ficou pensativa por um
momento, talvez tentando entender se havia algo mais por trás do que eu
estava dizendo.

—Mas vocês se beijam o tempo todo, se abraçam... E aquele olhar todo


apaixonado que ele te dá? Isso não é coisa de namorado? -Mads perguntou,
mais séria agora, mas com um sorriso meio travesso.

Eu balancei a cabeça, sentindo um pouco de calor no rosto.

—É... acho que sim. -falei em voz baixa, mordendo o brigadeiro com um
sorriso.- Mas ele é complicado, e eu também sou.

Mads ficou quieta por um momento, antes de mudar de assunto com sua
típica energia.

—Mas sério, Yas. Esse brigadeiro está maravilhoso. Você tem que me
ensinar a fazer! -Ela disse, já voltando a ser a Mads agitada de sempre.

Eu ri, aliviada por ela ter mudado de assunto tão rápido.

—Eu te ensino, não se preocupa! Só não vale roubar minha receita, viu?

Ela me olhou com uma expressão de "quem, eu?", como se fosse impossível
que ela fizesse algo tão óbvio.

—Eu? Nunca! Eu sou uma pessoa muito ética, Yas.


Rimos as duas, e depois de alguns minutos em silêncio, apenas saboreando
o brigadeiro e assistindo ao filme, eu não pude deixar de pensar em Vinnie.
Em como ele me tratava de uma forma tão... diferente de todos os outros,
como se fosse mais do que amizade, mas ao mesmo tempo, ele ainda
mantinha distância.

Eu sabia que ele estava tentando se segurar em algumas coisas, e eu


também. O que a gente tinha era complicado, mas, de algum jeito, era bom
assim. Eu só não queria que nada mudasse.

Pov — Vincent Hacker

Eu estava sentado no sofá, enquanto olhava ao redor procurando meu


celular. Passei a mão nos bolsos da calça, mas nada. Soltei um suspiro
frustrado.

—Alguém viu meu celular? -perguntei, levantando.

Kio e Nick estavam ocupados demais tentando equilibrar tampas de garrafa


na cabeça um do outro, ignorando completamente minha pergunta. Já
Dylan, sentado na poltrona do outro lado da sala, segurava um copo
enquanto me observava com um sorriso meio cínico.

—Tá procurando isso? -perguntou ele, levantando meu celular no ar.

Fiquei parado por um segundo, estreitando os olhos.

—Por que meu celular está com você?

—Calma, cara. Você deixou ele aqui na poltrona. Só guardei pra você não
perder.

Ele se levantou e caminhou até mim, entregando o aparelho. Peguei sem


tirar os olhos dele, desconfiado.

—Certo... Valeu.

Desbloqueei o celular e fui direto na conversa com Yas. Queria avisar que
os meninos estavam aqui, mas que não iam incomodá-la, pois já estava
dando o horário dela vir.

Antes que eu entrasse em nossa conversa, Dylan se aproximou rapidamente


e bateu no meu ombro com a mão, quase derrubando o celular da minha
mão.

—Ei, cara, deixa isso aí. Vem dançar com a gente!

—Dylan, sério? Preciso fazer uma coisa.

—Não, não, não! Você vive ocupado com essas coisas. Relaxa um pouco!

—Relaxar depois.

—Qual é, Vinnie, só uma música!

Ele tentou me puxar para o centro da sala, onde Kio e Nick agora estavam
tentando fazer uma coreografia completamente descoordenada. Revirei os
olhos e voltei a olhar para o celular, mas antes que eu pudesse abrir o
teclado, Dylan pegou o aparelho da minha mão.

—Me devolve, Dylan.

—Não! Você tá sempre grudado nesse negócio. Vamos, só por cinco


minutos! -Ele começou a se afastar, com o celular erguido como se
estivesse provocando.

—Não é hora pra isso.

—Vai, Vinnie! Depois você agradece por eu te fazer viver um pouco.

—Devolve. Agora.

—Você é um chato, sabia? -Ele riu e segurou o celular atrás das costas.

Eu dei um passo à frente, mas ele se afastou, mantendo o aparelho fora do


meu alcance.

—Dylan, eu preciso mandar uma mensagem pra Yas. É importante.


—Ah, cara, Yas pode esperar. Ela nem vai ligar se você demorar uns
minutinhos.

—Por que você não quer que eu mande mensagem pra ela? -cruzei os
braços o encarando

Ele congelou por um instante, mas logo deu aquele sorriso nervoso típico.

—Não é isso! Só tô tentando te salvar de passar a noite toda grudado no


celular.

Suspirei, tentando manter a paciência.

—Dylan...

—Tá, tá, tá. -Ele finalmente devolveu o celular, mas no momento em que
peguei, Kio apareceu do nada, me agarrando pelo braço.

—Vinnie! Vem cá, cara! Você tá perdendo a melhor dança do ano. -disse ele
com a voz embriagada de tanto beber

Antes que eu pudesse protestar, Dylan aproveitou a distração e me arrancou


o celular da mão de novo.

—Ah, você tá brincando comigo...

Eles riram como se fosse a maior piada do mundo, enquanto eu me


perguntava como deixei esses três bagunceiros entrarem na minha casa.

Pov — Yasmim Alles

Acordei com o peso de Mads agarrada ao meu corpo, dormindo


profundamente como se não tivesse um único problema no mundo. O
quarto estava escuro, exceto pela luz fraca que vinha do meu celular no
criado-mudo. Estendi a mão, piscando para afastar o sono, e desbloqueei a
tela.

Havia várias notificações de mensagens de um número desconhecido. Não


pensei muito antes de abrir, mas o que vi me fez sentar na cama de repente,
como se tivesse levado um soco no estômago.

Fotos. Vídeos. Dele.

Eu mal conseguia respirar enquanto deslizava o dedo para ver tudo. Lá


estava ele, Vincent Cole Hacker, o homem que dizia que me amava, sentado
em uma cadeira, com uma loira seminua no colo, rindo e a beijando. Outra
sequência mostrava ele beijando duas mulheres ao mesmo tempo, enquanto
elas rebolavam em cima dele.

Meus olhos ardiam, mas não era tristeza. Não. Era raiva. Uma raiva que eu
nunca havia sentido antes.

—QUE MERDA É ESSA? -Minha voz ecoou pelo quarto, enquanto eu


me levantava de um pulo, sentindo meu coração bater violentamente contra
o peito.

Mads acordou num susto, piscando confusa e segurando o cobertor.

—O que foi? O que aconteceu?

Joguei o celular em sua direção. Ela pegou com pressa, arregalando os


olhos assim que viu o que estava na tela.

—Meu Deus, Yas... isso é o Vinnie? Quando foi isso? -A voz dela saiu
baixa, quase inaudível.

—Eu não sei, mas eu vou descobrir AGORA. -Falei, pegando a primeira
roupa que vi pela frente e vestindo enquanto a raiva borbulhava no meu
sangue.

—Yasmim, calma, respira! -Mads já estava se levantando, tentando


colocar os sapatos com pressa.- Você não vai fazer nenhuma besteira, vai?

—Ah, eu vou sim! E não me impede, Mads! -Peguei as chaves do carro e


saí pisando duro, nem sequer esperando por ela.

Ela correu atrás de mim, tropeçando nos próprios pés enquanto se vestia.
—Espera, pelo menos me deixa ir com você!

No carro, Mads praticamente se grudou ao cinto de segurança.

—Yasmim, vai com calma, pelo amor de Deus. Você tá dirigindo muito
rápido!

Ignorei. Minha mente só tinha um objetivo: encontrar Vinnie e esfregar


essas provas nojentas na cara dele.

Estacionei o carro na frente da casa dele de qualquer jeito, nem me


importando em desligar o motor direito. A porta estava entreaberta, e eu a
empurrei com tudo.

—VINCENT COLE HACKER!! -Gritei, minha voz carregada de fúria.

Do sofá, Kio e Nick pularam, claramente acordando de um cochilo.

—Que gritaria é essa? -Kio murmurou, coçando os olhos e tentando


entender o que estava acontecendo.

—Que gritaria é essa?! -Repeti, minha voz subindo várias oitavas.


Caminhei até ele, segurando meu celular e praticamente empurrando a tela
na cara dele.- ME EXPLICA QUE VÍDEO É ESSE, KIO?!

Ele olhou para o celular, seus olhos arregalados. Ao lado dele, Nick parecia
tão confuso quanto ele.

—Que porra é isso, Yas? Eu não sei nada sobre isso! -Kio parecia
genuinamente surpreso, mas eu não tinha tempo nem paciência para
processar.

—Calma, Yas... -Mads tentava me puxar de volta, mas eu me


desvencilhei.

—Calma? CALMA O KARALHO, MADSON!! -Rosnei, minha raiva


transbordando enquanto me virava e subia as escadas de dois em dois
degraus, ignorando os protestos dela e dos dois idiotas no sofá.
Eu ia encarar Vincent e exigir a verdade. Agora

Meus pés pararam automaticamente ao abrir a porta do quarto. Não


consegui me mexer. Não consegui piscar. Minha respiração travou no meio
do peito, e o que estava diante de mim era como uma cena tirada de um
pesadelo — só que real demais para ser ignorado.

Vinnie estava deitado na cama, e ao seu redor, três mulheres completamente


peladas se reviravam, apressadas, tentando se cobrir com lençóis e roupas
jogadas no chão. Ele me viu e congelou, como se o mundo ao seu redor
tivesse parado. Seus olhos encontraram os meus, e eu vi algo que nunca
tinha visto antes: medo.

—Yas... -Ele começou, a voz carregada de pânico, enquanto se levantava


da cama em um salto, puxando a calça de qualquer jeito.

—Que porra é essa?! -A voz de Mads ecoou no quarto, cortando o ar


como uma faca. Eu nem tinha notado que ela estava logo atrás de mim, e
sua reação foi tão instintiva quanto a minha falta de reação.

—Não é isso que você tá pensando... -Vinnie tentou se justificar, vestindo


a camisa apressadamente. Sua voz tremia, mas eu nem conseguia ouvir
direito. A única coisa que eu via era a traição estampada na minha frente.

Minhas pernas começaram a se mover sozinhas, me levando para fora do


quarto. Meu corpo tremia tanto que mal conseguia manter o equilíbrio.
Desci as escadas sem olhar para trás, as lágrimas começando a brotar, mas a
raiva ardia mais forte do que qualquer dor.

—Yas, espera! -Ele veio atrás de mim, os passos pesados descendo os


degraus com pressa.

Parei perto da porta, o ar entrando e saindo de forma irregular.

—Que merda é essa, Vinnie? -Minha voz saiu fraca, mas carregada de
uma raiva que eu nem sabia que tinha.
—Eu não sei quem elas são!! -Ele parou no meio da escada, levantando as
mãos como se isso pudesse amenizar a situação.- Elas apareceram aqui. Eu
nem sei como isso aconteceu! Eu não vi a hora que elas entraram!

—MENTIRA! -Gritei, virando para ele com os olhos queimando de


lágrimas de ódio.- Você acha que eu sou idiota, Vinnie? Que eu vou cair
nessa desculpa esfarrapada?!

—É a verdade! -Ele gritou de volta, descendo mais um degrau.- Eu não


sabia! Eu não fiz nada!

—Não fez nada?! Não fez nada, Vinnie?! —Minha voz falhou de tanto
gritar. Peguei meu celular no bolso e o joguei com toda a força na direção
dele.- E isso aqui, Vinnie? O que é isso então?!

Ele pegou o celular no ar e olhou para a tela. O silêncio que se seguiu foi
ensurdecedor. O rosto dele mudou, os olhos percorrendo as imagens e
vídeos que eu recebi. Era impossível negar. Era ele ali. As mulheres. O
sorriso dele. O toque dele. A traição escancarada.

—Eu... -Ele tentou dizer algo, mas a voz morreu em sua garganta.

—Você o quê, Vinnie?! -Minha garganta ardia, as lágrimas finalmente


rolando pelo meu rosto. - Não tem o que dizer, né? Porque não tem
desculpa pra isso!

—Porra, Yasmin! Você sabe como foi naquela época! Eu tava cercado de
merda, eu não sabia o que tava fazendo! -Ele gritou de volta, descendo o
último degrau e ficando na minha frente.- Você não entende como eu tava, o
que eu tava passando!

—Você tava passando?! -Ri, mas o som saiu como uma mistura de riso e
choro.- E eu, Vinnie?! Eu tava te esperando, confiando em você! Você acha
que a minha vida foi fácil? Que era fácil lidar com a sua vida caótica e
ainda ser traída desse jeito?!

—Yasmim, eu tava fora de mim. Eu tava drogado, tava bêbado! Eu nem


sabia que isso tinha acontecido até agora! —Ele desceu mais um degrau,
tentando se aproximar. Passou a mão pelo cabelo, nervoso.

—Ah, claro! A culpa é da bebida, das drogas, das outras pessoas! Nunca é
SUA, né, Vinnie?! Nunca é você o problema!! -Dei um passo para trás,
apontando para ele com o dedo trêmulo. - Você me traiu, Vincent!! E o pior
de tudo é que você nunca me contou! Você sabia disso e me deixou
acreditar que eu era importante pra você!

—VOCÊ É IMPORTANTE PRA MIM! -Ele gritou, o desespero evidente


na voz.

—Importante?! -Gargalhei, mas o som saiu amargo.- Se eu fosse


importante, você teria me contado! Mas não. Você escondeu, porque sabia
que isso ia me destruir!!

Ele abriu a boca para responder, mas eu não deixei.

—Cala a porra da boca, Vinnie! Não tem desculpa pra isso! Nada justifica
o que você fez comigo, seu idiota!!

—Eu tô tentando consertar as coisas, Yasmin! Porra, você não vê isso?! -


Ele gritou, o tom de desespero cada vez mais evidente.

—Consertar?! —Gargalhei de novo, dessa vez sentindo o gosto amargo


na boca.- Você acha que esconder a verdade por meses é consertar?! Você
sabia disso o tempo todo, e ainda assim fingiu que nada aconteceu! VOCÊ
É UM MENTIROSO!!

—Mentiroso?! Eu menti porque eu sabia que você ia reagir assim! Porque


eu sabia que ia te perder! -Ele deu um passo para frente, os olhos vermelhos
de raiva e frustração.

—VOCÊ JÁ ME PERDEU!! No momento em que escolheu trair a minha


confiança, você me perdeu! -Minha voz falhou no final, mas eu continuei.1
Eu te amava. Porra, eu te amava mais do que qualquer coisa! E você jogou
tudo fora por... por isso?!
—Eu não queria te machucar, Yasmin! Eu nunca quis te machucar!! -Ele
gritou, quase arrancando os próprios cabelos de frustração.

—Mas você machucou! E sabe o que é pior? Você nem tentou me


proteger disso. Você só tentou proteger a si mesmo.

Ele ficou em silêncio, respirando pesadamente, como se tivesse levado um


soco.

Ele parou no meio do último degrau, as mãos caindo ao lado do corpo. Ele
não tinha mais o que dizer.

—Não faz isso, Yasmin... —Ele deu mais um passo, mas eu levantei a
mão, pedindo que ele parasse.

Ele parou no meio do último degrau, as mãos caindo ao lado do corpo.


Parecia derrotado, impotente diante da situação que ele mesmo criara. Seu
rosto exibia um misto de arrependimento e desespero.

Antes de sair, lancei um último olhar por cima do ombro, passando


rapidamente por Kio, Nick e Mads. Eles estavam parados no meio da
escada, logo atrás de Vinnie, os rostos estampando confusão, choque e uma
pitada de pena. Mas não era isso que eu queria. Eu não queria pena, eu
queria respostas—e ninguém ali parecia capaz de me dar.

Virei nos calcanhares, furiosa, atravessando a sala sem mais nenhuma


palavra. Atrás de mim, a voz de Kio explodiu na sala.

—O QUE MERDA VOCÊ TEM NA CABEÇA, VINNIE?!

—Isso é sério, cara? Como você fez isso com ela?! -Nick emendou, a voz
quase mais alta que a de Kio.

As vozes ficaram mais altas e abafadas enquanto eu saía pela porta e pisava
no gramado. Não esperei por Mads. Não esperei ninguém. Meu peito ardia,
e a raiva que crescia dentro de mim parecia sufocar qualquer outro
sentimento.
Abri a porta do carro, entrei e bati-a com força. Minha mão tremeu ao girar
a chave, mas logo o motor rugiu alto. Com um movimento brusco, engatei a
marcha e pisei fundo no acelerador. As rodas cantaram no asfalto, deixando
um rastro de borracha queimada e mais nada.

Fui embora sem olhar para trás, os gritos de dentro da casa ecoando na
minha mente como um pesadelo do qual eu nunca ia acordar.

Pov — Vincent Hacker

Meu peito ardia como se alguém tivesse arrancado o ar dos meus pulmões.
Tudo parecia errado, fora de lugar. A única coisa que ecoava na minha
mente era o olhar de Yasmim antes de sair. Não era só raiva ou decepção—
era o tipo de mágoa que arranca algo de dentro de você. Algo que nunca
volta.

O barulho da porta da frente batendo parecia ainda ecoar, mas minha mente
estava uma confusão. Meus olhos foram até Kio e Nick, mas antes que eu
pudesse dizer qualquer coisa, a explosão veio.

—QUE MERDA VOCÊ TEM NA CABEÇA, VINNIE?! -Kio


praticamente cuspiu as palavras, avançando para mim.

—Como você pôde fazer isso com ela? COMO?! -Nick estava vermelho,
os olhos quase faiscando de raiva.

—Eu não— -Comecei a falar, mas minha própria voz parecia fraca,
sufocada por toda a merda que eu tinha causado.

—Você não o quê? Você fodeu tudo, cara! E pra quê?! —Kio gritou,
batendo no peito com força. - Você sabia o quanto ela confiava em você, e
olha só o que você fez! Você jogou fora, como se ela fosse nada!

—Eu não sabia que elas estavam ali. -Minha voz finalmente saiu, mas
nem eu acreditava no que estava dizendo. As imagens no celular dela, o que
ela viu no quarto—tudo aquilo era como uma faca girando no meu
estômago.
—Não sabia?! NÃO SABIA?!! Você tá se ouvindo? -Nick retrucou.- Essa
é sua desculpa? Isso é tudo o que você tem pra dizer depois de destruir a
única pessoa que se importava com você de verdade?

Eu não respondi. Não havia nada que eu pudesse dizer. E então, como se
algo tivesse quebrado dentro de mim, eu simplesmente me movi. Saí
correndo da casa, ignorando os gritos deles atrás de mim.

Peguei o primeiro carro que vi na garagem. Nem pensei—só entrei e


arranquei com tudo. As rodas cantaram no asfalto enquanto eu acelerava, o
som do motor abafando a confusão na minha cabeça.

"Que merda você fez?" Minha própria mente me atormentava. Era como se
a voz dela ecoasse na minha cabeça, cada palavra carregada de dor. "Não é
isso que eu tô pensando? Que merda é essa então, Vincent?!"

Meu coração estava disparado enquanto eu ziguezagueava pelas ruas da


cidade, ignorando sinais vermelhos e buzinadas. Minha única missão era
chegar ao apartamento dela.

Ela tem que estar lá. Ela TEM que estar lá.

Estacionei o carro de qualquer jeito, nem me importei em trancá-lo. O


elevador demorava muito. Subi as escadas de dois em dois degraus,
tropeçando, quase caindo, mas não parei. Meu peito doía como se estivesse
sendo esmagado por dentro.

Quando finalmente cheguei, a porta do apartamento estava entreaberta.

—Yasmim? -Minha voz saiu baixa no começo, quase implorando. Entrei


correndo, olhando em cada canto.

—YASMIM!! -gritei mais alto, mas o silêncio foi a única resposta.

O guarda-roupa estava entreaberto, com espaço vazio onde suas roupas


deveriam estar. Sua mochila não estava mais lá. Eu senti meu corpo tremer.
Ela tinha ido embora.
Me joguei no sofá, segurando a cabeça com as mãos, tentando processar.
Minha mente se recusava a aceitar. Ela não podia simplesmente ir embora.
Não ela. Não agora.

Foi quando ouvi passos rápidos atrás de mim. Mads e os meninos entraram
no apartamento, a expressão de todos era de puro desespero.

—Ela foi embora... -murmurei, sem olhar para eles.

—VOCÊ DEIXOU ELA IR EMBORA!! -Mads gritou, a voz embargada


de choro. Ela avançou até mim, batendo no meu peito com os punhos. -
VOCÊ ESTRAGOU TUDO, VINNIE! ELA FOI EMBORA POR SUA
CULPA!!

Eu não reagi. Não tinha como. Cada palavra dela era um golpe, mas eu
sabia que ela estava certa.

Mads desabou no chão, chorando alto.

—Ela é impulsiva... pra onde ela foi?! Meu Deus! E agora? O que ela vai
fazer?!

Os meninos estavam em silêncio, o peso da situação era insuportável.

Eu senti como se tivesse perdido tudo. A dor era insuportável, mas eu não
tinha ninguém para culpar além de mim mesmo. As imagens, os gritos, o
olhar dela antes de sair—tudo isso estava gravado na minha mente, como
um pesadelo do qual eu nunca mais ia acordar.

Ela foi embora, e pela primeira vez na minha vida, eu tive medo de verdade.
Medo de nunca conseguir consertar o que eu tinha destruído.

E assim termina Obsession. Obrigada por cada comentário, voto e


mensagens de carinho.
Até a próxima!
Surpresa!!

Vocês acharam mesmo que não ia ter a segunda parte? KAKAKA


acharam errado!! 😛

Eu escrevi essa continuação em segredo por um bom tempo. Queria fazer as


coisas no meu ritmo, sem pressa, sem pressão. Quem acompanhou o
primeiro livro sabe que muita gente me cobrava capítulos novos o tempo
todo, e isso às vezes me deixava mal. Então, dessa vez, decidi escrever no
meu tempo, sem ninguém saber de nada.

Mas a verdade é que eu não aguentava mais segurar isso! Eu precisava


postar logo e ver a reação de vcs. A continuação de Obsession tá aqui!

A obra ainda não está concluída, por enquanto tem só 9 capítulos prontos.
Vou escrevendo e postando conforme as coisas forem fluindo, então não
tem dias certos para sair capítulo novo. Talvez um dia sim, outro não... vou
ver como as coisas vão andando!

Eu peço que tenham muita paciência comigo!! Não é todo dia que eu estou
disposta a escrever e eu preciso descansar. Postarei conforme vou
escrevendo.
Essa é a capa de 'Obsession II" já disponível no meu perfil para lerem

Com muito carinho:


ViHirsch

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