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LIBRAS

O documento aborda a história da educação de surdos no Brasil e o reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) como uma língua natural e independente. Destaca a evolução das filosofias educacionais, desde o oralismo até o bilinguismo, e as conquistas legais que garantem direitos e acessibilidade à comunidade surda. A LIBRAS, reconhecida oficialmente em 2002, é apresentada como um meio essencial para a inclusão e identidade cultural dos surdos.

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O documento aborda a história da educação de surdos no Brasil e o reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) como uma língua natural e independente. Destaca a evolução das filosofias educacionais, desde o oralismo até o bilinguismo, e as conquistas legais que garantem direitos e acessibilidade à comunidade surda. A LIBRAS, reconhecida oficialmente em 2002, é apresentada como um meio essencial para a inclusão e identidade cultural dos surdos.

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LIBRAS - LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

História da Educação de Surdos


De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, alunos com
necessidades especiais devem ser matriculados no ensino regular. Dessa
forma, ocorre que alunos surdos estão sendo incluídos em salas de aula do
ensino regular; porém, muitas vezes, o(a) professor(a) que recebe esse aluno
desconhece todo o processo de ensino e aprendizagem que envolve as
pessoas surdas, principalmente sua história.
Conhecer a história dos surdos através dos tempos e perceber as dificuldades
pelas quais o surdo passou, e ainda passa, para constituir-se como sujeito que
deve ser respeitado e ter garantido seus direitos à educação é a temática a ser
desenvolvida por essa Unidade de Aprendizagem.
A história da educação de surdos foi bastante conturbada, a princípio foram
considerados como pessoas incapazes, foram discriminadas e segregadas da
sociedade. No decorrer dos tempos, conseguiram provar a sua capacidade e
competência de tal forma que puderam opinar e decidir sobre qual seria o
melhor método educacional. Em virtude disso, a educação de surdos sofreu
muitas alterações, tanto em outros países como no Brasil, de forma muito
significativa.
Histórico da Educação de Surdos
Idade Média (476 a 1453) Neste período, os surdos não recebiam tratamento
digno e não tinham seus direitos garantidos como cidadãos.
Idade Moderna (1453 a 1789) Os primeiros avanços educacionais começaram
a surgir na Europa:
 Girolamo Cardano (1501-1576): Reconheceu a capacidade de
raciocínio dos surdos e passou a utilizar a língua de sinais e a escrita
para se comunicar com eles.
 Pedro Ponce de Leon (1510-1584): O monge beneditino estabeleceu a
primeira escola para surdos na Espanha, utilizando metodologias como
datilologia, escrita e oralização.
 Juan Pablo Bonet (1579-1623): Publicou em 1620, em Madri, o
primeiro livro sobre a educação de surdos, onde expunha o seu método
oral.
Idade Contemporânea (Séculos XIX e XX) O período foi marcado pela
institucionalização do ensino, mas também por grandes retrocessos e
proibições:
 Thomas Hopkins Gallaudet (1787-1851): Fundou a primeira escola
permanente para surdos nos Estados Unidos.
 1855 a 1857 (Brasil): O professor surdo Eduardo Huet chegou ao Brasil
com o apoio de D. Pedro II. Em 1857, foi fundado no Rio de Janeiro o
"Imperial Instituto dos Surdos-Mudos" (atual INES).
 1864: Fundação da primeira universidade nacional para surdos, a
Universidade Gallaudet, nos Estados Unidos.
 1880: Ocorreu o Congresso Internacional de Surdo-Mudez em Milão,
Itália. Como resultado, o uso da língua de sinais foi oficialmente proibido
nas escolas, impondo-se o método oral.
 1957: O instituto brasileiro passou a se chamar Instituto Nacional de
Educação de Surdos (INES). Apesar das proibições oficiais nas salas de
aula, os alunos continuavam se comunicando por sinais nos corredores.
 1960: William Stokoe publicou "Linguage Structure", comprovando que a
língua de sinais americana (ASL) possui todas as características
complexas de uma língua oral.
 Final da década de 1970: A professora Ivete Vasconcelos introduziu a
filosofia da Comunicação Total no Brasil.
Século XXI e Legislação Brasileira As últimas décadas foram marcadas por
importantes conquistas legais e de inclusão no Brasil:
 2002: A LIBRAS foi oficialmente reconhecida como língua no Brasil.
 2005: O Decreto nº 5.626 regulamentou a lei que dispõe sobre a
LIBRAS.
 2006: A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ofereceu o
primeiro curso superior de Letras/LIBRAS (modalidade EAD) para a
formação de professores.
 2014: O Plano Nacional de Educação (PNE) aprovou a oferta e a
garantia de escolas bilíngues para surdos.
 2015: Publicação da Lei Brasileira de Inclusão, garantindo acessibilidade
em diversas áreas como educação, saúde e trabalho.
 2021: A Lei 14.191 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (LDB), inserindo a Educação Bilíngue de Surdos como uma
modalidade de ensino independente, desvinculando-a da educação
especial geral.
Desde os primórdios da Humanidade, há registros de pessoas “diferentes”
aquelas que estavam fora dos padrões da sociedade. Eram
considerados dentro da normalidade, ou seja, pessoas com estatura similar aos
outros, com todos os membros, capacidade de ver, ouvir, falar, pensar e de
procriar a espécie. Todos aqueles que não faziam parte desse padrão eram
considerados “anormais”.
A Libras é uma das línguas utilizadas no Brasil e reconhecida nacionalmente
pela Lei nº 10.436/2002. Embora seja uma das línguas faladas nacionalmente,
ainda há um número relevante de pessoas que vê a Libras apenas como
mímica, gestos soltos no ar, movimentos sem nexo ou, ainda, simplesmente
uma cópia fiel da língua portuguesa. Pesquisas na área da linguística aplicada
apontam que há uma complexidade na estrutura gramatical da língua, inclusive
ao que se refere às formas de expressão e a sua contextualidade, assim como
qualquer outro idioma ou língua oral, conseguindo expressar ideias de diversos
níveis de compreensão e complexidade.
Segundo a Lei Federal nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, art. 24 do
decreto nº 3.298/99 e a Lei nº 7.853/89 "a pessoa com deficiência tem direito à
educação pública e gratuita e, preferencialmente, na rede regular de ensino e,
ainda, se for o caso, à educação adaptada às suas necessidades educacionais
especiais." (BRASIL, 1996).
De acordo com essa Lei, as escolas estão recebendo alunos com diferentes
deficiências, inclusive a surdez, assim a escola, funcionários e professores
devem estar preparados para essa realidade, procurando qualificação para que
esses alunos se sintam realmente incluídos e participantes do processo
educacional de forma efetiva e com qualidade.
A educação de surdos iniciou-se com oralismo, bimodalismo e
bilinguismo.
Justificativa:
De acordo com Ronice Müller de Quadros (1997), a trajetória das filosofias
educacionais para surdos segue exatamente essa ordem cronológica,
representando uma evolução na compreensão da surdez e da linguagem:
1. Oralismo: Foi a primeira grande filosofia adotada institucionalmente
(fortalecida após o Congresso de Milão em 1880). O foco era exclusivo
na reabilitação da fala e na leitura labial, com a proibição e repressão do
uso das línguas de sinais. O objetivo era "normalizar" o surdo para se
adequar à sociedade ouvinte.
2. Bimodalismo (fase de transição): Frequentemente associado às
práticas da Comunicação Total, o bimodalismo surgiu como uma
tentativa de flexibilizar o oralismo. Consistia no uso simultâneo de duas
modalidades de língua (a fala oral e os sinais). No entanto, os sinais
eram usados apenas para apoiar a língua oral, criando o que se
conhece como "português sinalizado", sem respeitar a gramática própria
e natural da língua de sinais.
3. Bilinguismo: É a fase atual e a mais adequada. Reconhece a surdez
como uma diferença linguística e cultural. Estabelece que o surdo deve
ter acesso a duas línguas de forma separada e estruturada: a Língua de
Sinais como sua primeira língua (L1) e língua de instrução, e a língua
majoritária do país (o Português, no caso do Brasil) como segunda
língua (L2), prioritariamente na sua modalidade escrita.
Devemos sempre ter em mente que na cultura surda o visual é de extrema
importância para sinalizar diferentes situações, assim a experiência visual
significa a utilização da visão em substituição da audição lhe servirá de
estímulo para a aprendizagem, conhecer o mundo e se desenvolver
plenamente como cidadão.

Língua Brasileira de Sinais: uma conquista histórica


A Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é hoje reconhecida como uma língua,
contudo, nem sempre foi assim. O passado é repleto de fatos no qual a Língua
de Sinais foi proibida e, quando era permitida, servia de apoio para o ensino da
língua oral, nesse caso, o português. Por muito tempo, as pessoas acharam
que a LIBRAS era apenas uma representação gestual ou mímica que usava
como base a língua oral (português). Entretanto, esse pensamento mudou por
meio do reconhecimento da LIBRAS como uma Língua natural e independente
da comunidade surda, deixando de ser considerada apenas como uma
linguagem que tem sua base na língua oral.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você verá alguns dos principais marcos
históricos que culminaram no reconhecimento da LIBRAS como um meio legal
de comunicação e expressão, por intermédio da Lei n.º 10.436, de 24 de abril
de 2002 e do Decreto n.º 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Além disso, você
vai perceber que a Língua Brasileira de Sinais não é uma simples
representação gestual da Língua Portuguesa e identificar as mudanças
ocorridas após o reconhecimento da LIBRAS como língua natural da
comunidade surda brasileira.
Sabemos que a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS – foi reconhecida como
um meio legal de comunicação e expressão, por intermédio da Lei n.º 10.436,
de 24 de abril de 2002 e do Decreto n.º 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Por
meio dela, a comunidade surda teve finalmente seu meio de comunicação
habitual e natural reconhecido como língua. Antes disso, o sujeito surdo não
tinha base legal forte para solicitar acessibilidade em diversos contextos
educacionais e sociais. Em função disso, a hegemonia ouvintista
preponderava.
A sociedade surda sofreu ao longo da história, tendo seus direitos oprimidos,
principalmente o direito linguístico ao uso da Língua de Sinais. Hoje, temos por
lei a garantia e o direito de uso da LIBRAS pelo sujeito surdo, que por muito
tempo esperou e hoje tem a oportunidade de viver essa realidade que seus
antepassados não tiveram chance.
1994
Declaração de Salamanca É um documento extremamente importante no
contexto da inclusão social. Trata dos princípios, das políticas e práticas em
Educação Especial. Foi produzida na Conferência Mundial sobre necessidades
Educacionais Especiais, realizada em junho de 1994, na cidade espanhola de
Salamanca.
2002
Lei n.º 10.436 A Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS – ganha o status de
língua por meio da Lei 10.436. A partir disso, instituições públicas devem
oferecer acessibilidade em Língua de Sinais em eventos e pronunciamentos.
Os sistemas educacionais passaram a ter a opção de oferecer educação
bilíngue, em que a LIBRAS fosse a língua de ensino.
RECONHECIMENTO DE STATUS LINGUÍSTICO (LIBRAS agora é língua)

2005
Decreto n.º 5.626 Por meio deste decreto, foi regularizada a Lei 10.436, que
reconhece a LIBRAS como uma língua. O decreto também a oficializa como
disciplina curricular (Art. 3º - A LIBRAS deve ser inserida como disciplina
curricular obrigatória nos cursos de formação de professores para o
exercício do magistério, em nível médio e superior, nos cursos de
Fonoaudiologia, em instituições de ensino, públicas e privadas, do sistema
federal de ensino e dos sistemas de ensino dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios).
O decreto expõe ainda sobre os requisitos para a formação de professores e
instrutores de LIBRAS, abrindo caminho para a realização do PROLIBRAS
(exame de proficiência para atuar como tradutor/intérprete ou instrutor de
LIBRAS). Além disso, fala também do uso e da difusão da LIBRAS e da Língua
Portuguesa para o acesso das pessoas surdas à educação e à saúde,
detalhando as garantias e os direitos para esse acesso.

2006
MEC O Ministério da Educação cria o primeiro curso de Licenciatura em Letras
– LIBRAS no ano de 2006. Nesse mesmo ano, também cria o primeiro curso de
Bacharelado em Letras – LIBRAS (Tradutor/Intérprete).
2010
Lei n.º 12.319 Regulamenta a profissão de Tradutor e Intérprete da Língua
Brasileira de Sinais – LIBRAS. Esse é um personagem que tem um papel muito
importante na história dos surdos, estando sempre presente e ajudando a
comunidade surda em seus movimentos em busca de direitos e novas
conquistas. Também é abordado na referida Lei sobre os novos exames do
PROLIBRAS a serem realizados até ano de 2015 e sobre a formação do
tradutor e intérprete de Língua de Sinais.

2011
Tentativa de fechar as Escolas para surdos O Ministério da Educação
(MEC), por meio de anúncio feito pela diretora nacional de Políticas
Educacionais Especiais do MEC, solicita o fechamento do Instituto Nacional de
Educação de Surdos – INES. A intenção era possibilitar a inclusão desses
alunos surdos em escolas regulares ao fechar esse instituto (que é
amplamente conhecido por ter sido a 1º escola para surdos do país) e demais
escolas em outras regiões. Após muitos debates, o MEC desautoriza o anúncio
realizado pela diretora, demonstrando o impacto negativo, a força e a voz da
comunidade surda que não se calou diante dessa afronta a escolas bilíngues
para surdos. Deste ano em diante, as escolas bilíngues ganharam força e
continuam em diferentes partes do nosso país, garantindo a oportunidade de
acesso à LIBRAS para as crianças surdas e o ensino por meio dela.
Decreto n.º 7.611 Dispõe sobre a educação especial, o atendimento
educacional especializado e dá outras providências. Além disso, foca as
diretrizes para elaboração de materiais didáticos no contexto da educação
especial.

2017
Acessibilidade no ENEM Pela primeira vez, estudantes surdos puderam ter
acesso a vídeos com as questões do ENEM traduzidas na Língua Brasileira de
Sinais (LIBRAS). O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira (INEP) disponibilizou salas adaptadas, e os participantes
puderam escolher na inscrição se desejariam participar da aplicação.

2018
1º Curso de Pedagogia Bilíngue O curso bilíngue na modalidade EAD foi
concebido dentro do "Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência –
Viver sem Limites". A responsabilidade pela implementação do projeto é do
Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES –, assumida a partir de um
convite do Ministério da Educação (MEC).
2018 em diante
O que que virá no futuro?
Quando falamos sobre Línguas de Sinais em um contexto histórico, certamente
algumas pessoas dirão que elas existem há muito tempo, inclusive, que já
existiam antes mesmo da criação de sistemas linguísticos.

Libras como língua natural e Português como segunda


língua
Construir a identidade como sujeito surdo só é possível quando a pessoa surda
é apresentada à Língua de Sinais e à cultura da comunidade surda,que tem por
característica a construção de uma subjetivação com base nas experiências
visuais.
As pessoas percebem o mundo por meio de suas experiências, isto é, o
processo de aprendizado completo parte da interação pessoal, desde o
nascimento, com a sociedade e a cultura em que está inserida. Contudo, ao se
tratar de pessoas surdas, elas não percebem o mundo da mesma forma que os
ouvintes, que representam a maioria social que interage com esse sujeito. Por
mais que a pessoa surda esteja inserida na sociedade e na cultura ouvinte, ela
não percebe o mundo por meio de experiências ouvintistas, mas por
experiências visuais.
Segundo Quadros (1997, p. 27), “se a língua de sinais é uma língua natural
adquirida de forma espontânea pela pessoa surda em contato com pessoas
que usam essa língua, e se a língua oral é adquirida de forma sistematizada,
então as pessoas surdas têm o direito de ser ensinadas na língua de sinais”.
O infográfico, a seguir, mostra como a aquisição da Língua de Sinais pelo
sujeito surdo é importante para a construção de uma nova concepção de
Acessibilidade, em que o surdo vivencie experiências visuais que o ajudarão a
formar sua identidade como sujeito por meio das diferenças.
ENTENDENDO O DIREITO DOS SURDOS
LÍNGUA NATURAL
A Língua de Sinais é desenvolvida sem impedimentos, pois é a língua da
comunidade surda e um patrimônio cultural, social e linguístico.
ESCOLA BILÍNGUE
O acesso a uma educação igualitária e de qualidade é direito de todos. Por
meio da Escola Bilíngue, o sujeito surdo tem a possibilidade de estudar todos
os assuntos e ser ensinado em Língua de Sinais.
ACESSIBILIDADE
A Acessibilidade é um assunto delicado, visto que, muitas vezes, a legenda é
considerada como acessibilidade para o surdo, entretanto, acessibilidade em
um sentido pleno significa oportunizar ao sujeito surdo a vivência de
experiências visuais, devendo ser o cerne de uma nova concepção de
Acessibilidade, em que documentos oficiais (editais) e mídias (programas de tv,
vídeos, filmes, etc.) sejam em língua de sinais.
INTÉRPRETE DE LIBRAS
Ele é peça chave para a construção de uma sociedade mais acessível, na qual
o sujeito surdo possa ir a qualquer lugar e ter a segurança de poder contar com
o Intérprete de Libras. Também, ter liberdade para assistir a qualquer programa
de televisão, vídeo, filme com a janela de acessibilidade com o Intérprete e ter
acesso em vídeo em Língua de Sinais a toda informação visual em escrita
portuguesa.
Construir a identidade como sujeito surdo só é possível quando a pessoa surda
é apresentada a língua de sinais e a cultura da comunidade surda, que tem por
característica a construção de uma subjetivação com base nas experiências
visuais
As crianças ouvintes desde o nascimento recebem informações e interagem
em sua língua natural (língua oral) com familiares e outras pessoas próximas a
ela. Quando se trata de uma criança surda, fi lha de pais ouvintes, as
interações são limitadas a pouquíssimos gestos naturais, prevalecendo a
língua oral. Isso provoca na criança limitações no desenvolvimento da
linguagem, assim como, gera o quadro de privação linguística, que pode fazer
a crianças desenvolver problemas emocionais, difi culdades de interação com
outras pessoas, depressão, pânico social, entre outros sintomas.
Partindo de uma proposta educacional baseada em experiências visuais,
a Língua de Sinais tem que ser adotada como primeira língua, ou L1, visto que
ela é desenvolvida naturalmente pelo sujeito surdo quando lhe é apresentada.
Já o português entra como uma segunda língua de aprendizado, ou L2, para o
sujeito surdo.
No que diz respeito às propostas educacionais direcionadas às pessoas
surdas, em vários contextos e cenários, é referenciada a importância das
experiências visuais por meio do ensino-aprendizagem em Língua de Sinais
(L1), para construção da identidade pelo sujeito surdo, contudo não é o que
percebemos na prática.
As propostas educacionais e sociais direcionadas à pessoa surda estão
sempre em constante discussão entre aqueles que fazem parte da comunidade
e do movimento surdo e aqueles que representam o governo e definem as
legislações relacionadas ao sujeito surdo. Já foram testadas algumas
propostas educacionais até hoje e conquistados alguns avanços sociais com
base nas reinvindicações do movimento surdo e de seus representantes, como
a Feneis e o Ines.
Durante a trajetória educacional dos surdos, vários educadores desenvolveram
e criaram métodos e formas de ensinar os alunos surdos. Grande parte desses
educadores baseou-se apenas nas línguas orais-auditivas de seu respectivo
país, ignorando a língua de sinais utilizada pelo sujeito surdo.
No entanto, com o passar do tempo, outros profissionais da educação
buscaram outras vias de como ensinar pessoas surdas. Até hoje, existem
várias discussões acerca da metodologia ou proposta educacional mais
adequada para o sujeito surdo, mas, uma coisa é certa, a comunidade surda
anseia por uma metodologia que valorize as suas diferenças.
O Bilinguismo é a abordagem que reconhece o surdo não sob uma perspectiva
clínica (como alguém que precisa ser "consertado" ou oralizado), mas sob uma
perspectiva socioantropológica: como um sujeito bilíngue e bicultural.
Para a comunidade surda, essa metodologia é essencial pelos seguintes
motivos:
 Prioriza a Língua Natural (L1): O Bilinguismo estabelece a Língua de
Sinais (no caso do Brasil, a Libras) como a primeira língua da criança.
Por ser de modalidade visual-espacial, ela é naturalmente acessível ao
surdo, permitindo o pleno desenvolvimento cognitivo, social e emocional,
sem barreiras.
 Ensina o idioma do país como Segunda Língua (L2): A língua
majoritária (o Português) é ensinada como segunda língua,
predominantemente em sua modalidade escrita. Isso garante o acesso à
leitura, à informação e à inclusão social, sem a imposição do
treinamento de fala.
 Valorização da Identidade Surda: Diferente do Oralismo (que
historicamente reprimiu a língua de sinais) e da Comunicação Total (que
muitas vezes misturava sinais com a fala, desrespeitando a gramática
própria da língua de sinais), o Bilinguismo respeita a estrutura linguística
de cada idioma separadamente.
Como professor que acaba de receber essa criança, adotar uma postura
alinhada ao Bilinguismo significa entender que o aluno não tem um atraso
cognitivo, mas sim uma diferença linguística. O foco deve ser adaptar o
ambiente para ser o mais visual possível e lutar pela garantia de acessibilidade
em Libras (como a presença de um professor bilíngue ou intérprete),
garantindo que a criança aprenda por meio da língua que lhe é natural.
Até hoje, já foram testadas algumas propostas educacionais e conquistados
alguns avanços sociais com base nas reinvindicações do movimento surdo e
de seus representantes, como a Feneis e o Ines.
O Infográfico a seguir mostra as peculiaridades das propostas educacionais
direcionadas para as pessoas surdas, refletindo mais profundamente sobre a
proposta utilizada atualmente: o Bilinguismo.
Os aspectos linguísticos e gramaticais de qualquer língua, seja oral ou
sinalizada, são importantes para compreender como uma comunidade a utiliza
ao longo do tempo. As variações linguísticas, as formas de construção de
frases e as expressões idiomáticas mudam conforme o contexto histórico e
geográfico, refletindo identidades culturais e cognitivas distintas. Nesse sentido,
os estudos de linguística tornam-se imprescindíveis para revelar a
complexidade comunicativa de um grupo, além de evidenciar como a língua se
estrutura, transforma e se mantém viva entre seus usuários.
No caso específico da Língua Brasileira de Sinais (Libras), observam-se
transformações semelhantes, especialmente no que diz respeito à estrutura, ao
léxico e aos componentes visuais e iconográficos da língua. Ernsen e Jacinto
(2024) analisam dicionários e sinalários de diferentes momentos históricos e
mostram como esses recursos refletem tanto a iconicidade quanto a influência
do português escrito, indicando que obras futuras deveriam valorizar ainda
mais a narrativa visual própria da Libras.
As línguas de sinais são línguas naturais que se desenvolvem em
comunidades surdas, baseando-se na modalidade gesto-visual para estruturar
e transmitir significados. Assim como nas línguas orais, apresentam variações
regionais, sociais e individuais, que podem se manifestar na configuração de
mãos, no movimento, na orientação ou na expressão facial.
Essas variações, muitas vezes, não alteram o significado, mas exigem que o
professor de Libras compreenda, reconheça e oriente seus alunos quanto à
aceitação e à compreensão dessas diferenças na prática comunicativa.
As línguas de sinais são sistemas linguísticos completos e naturais que operam
por meio da modalidade gesto-visual, utilizando recursos corpóreos
espacialmente articulados para transmitir significado. Assim como acontece
nas línguas orais, a estruturação dos sinais em Libras depende de
componentes essenciais que, combinados, formam uma mensagem clara e
coerente. De acordo com Silva e Ferreira (2023), a compreensão dessa
estrutura é indispensável para reconhecer a evolução e a padronização dos
sinais ao longo do tempo, bem como para orientar produções didáticas e
materiais de registro mais consistentes.
Entre os parâmetros da Libras, está a configuração das mãos, o movimento, a
localização (ou ponto de articulação), a orientação das mãos e os marcadores
não manuais, como expressões faciais e corporais. Esses elementos não são
formas arbitrárias; interagem entre si para construir significados de maneira
própria à língua visual. Além disso, embora o alfabeto datilológico utilize 26
configurações manuais já existentes em Libras para representar as letras do
alfabeto em português, sua criação não originou a língua, as configurações
manuais já faziam parte do sistema linguístico visual antes de serem adaptadas
para fins de alfabetização. Portanto, considerar que o alfabeto em língua
portuguesa gerou as configurações ou que a datilologia representa a totalidade
da Libras constitui um equívoco.
SINAL
Executar um sinal não é muito diferente de pronunciar uma palavra. Assim
como ouvintes usam a língua para tocar diferentes partes internas da boca, o
nariz, os pulmões, a laringe, a traqueia, entre outras partes para falar, os
surdos usam os parâmetros das Línguas de Sinais: Manuais (Movimento,
Localização, Orientação das Mãos e Configurações de Mãos) e Não Manuais
(Expressão Facial e/ou Corporal) para sinalizar.

EXPRESSÃO FACIAL E/OU CORPORAL


Serve como apoio ou complemento para a realização de muitos sinais,
principalmente adjetivos (bonita, feia, gorda, magra) e em situações que
envolvam sensações ou sentimentos.
 Exemplo ilustrado: Tossir
MOVIMENTO
O movimento é um parâmetro extremamente importante, pois serve também
como recurso morfológico na construção de frases. Nesse caso, é considerado
Parâmetro Não Manual Gramatical, que atribui plural, intensidade, modo,
advérbio de tempo e lugar, etc.). No desenho ao lado, temos um exemplo de
movimento circular e outro de movimento direcional reto. Fazer o movimento
errado pode acarretar em outro sinal ou na pronúncia errada dele (criação de
um sinal inexistente).
 Exemplos ilustrados: Brincar, Poder
ORIENTAÇÃO DAS MÃOS
A orientação da palma da mão realizada de forma incorreta também pode
ocasionar mudança de sentido. Analisando o sinal realizado ao lado, se ele
fosse feito com a orientação do dorso da mão para o lado (e não para baixo),
teríamos o sinal de Poder (que foi usado como exemplo anteriormente).
 Exemplo ilustrado: Pesado
LOCALIZAÇÃO
A localização é outro parâmetro que auxilia na construção de um sinal. Errar a
localização de um sinal pode atribuir um significado diferente do que
gostaríamos de gerar ou uma pronúncia errada do sinal (criação de um sinal
inexistente). No exemplo, o sinal de Hora fica localizado no pulso.
 Exemplo ilustrado: Tempo/Hora
CONFIGURAÇÕES DAS MÃOS
Assim como a localização, o movimento e a orientação da palma da mão, as
configurações de mãos podem alterar o sentido de um sinal para outro
totalmente diferente ou não dar nenhum sentido, caso sejam realizadas
incorretamente. Ao lado, temos alguns exemplos de configurações de mãos
(não todas), que representam as que são utilizadas para fazer cada letra do
alfabeto em Língua Portuguesa.
Exemplo
No exemplo ao lado, temos dois sinais que mudam só no parâmetro
configurações de mãos (a localização, o movimento e a orientação da palma da
mão continuam iguais). Por isso, se a configuração de mão for realizada
incorretamente, ela poderá gerar outro sinal ou criar um sinal inexistente.
 Exemplos ilustrados: Trabalhar, Brincar

Compreender os parâmetros que estruturam a Libras garante uma


comunicação clara e precisa. Cada elemento desempenha um papel
interdependente na formação dos sinais, de modo que a alteração incorreta de
qualquer um deles pode gerar mudanças de significado ou até criar sinais
inexistentes.
Ao dominar esses aspectos, o usuário da Libras amplia sua competência
comunicativa, preserva a integridade linguística e contribui para o
fortalecimento e a valorização dessa língua visual-espacial.
As línguas, sejam orais ou sinalizadas, são sistemas complexos que organizam
e expressam o pensamento humano, moldando identidades e culturas. Cada
modalidade linguística possui características próprias que influenciam como as
mensagens são produzidas, transmitidas e compreendidas. No caso das
línguas orais, a produção é predominantemente sonora e a percepção ocorre
pela audição; já nas línguas de sinais, a produção é visual e espacial, e a
percepção se dá pela visão.
As línguas de sinais, como a Libras, apresentam parâmetros estruturais
próprios que compõem a base de sua gramática. Tais parâmetros formam a
essência da sinalização e garantem clareza e precisão na comunicação.
Embora mantenham uma gramática distinta das línguas orais, também
apresentam níveis linguísticos como fonética, fonologia, morfologia, sintaxe e
semântica, confirmando seu caráter de língua natural. Segundo Ernsen e
Jacinto (2024), a análise de dicionários e sinalários de diferentes períodos
históricos evidencia tanto a riqueza quanto a evolução da Libras, reforçando
sua autonomia enquanto língua natural.
As línguas, sejam orais ou sinalizadas, apresentam características únicas que
refletem como uma comunidade se comunica, constrói significados e transmite
cultura. Apesar de apresentarem modalidades distintas, a oral-auditiva nas
línguas orais e a gesto-visual nas línguas de sinais, ambas compartilham
elementos linguísticos comuns, como a capacidade de expressar ideias
complexas, criar palavras ou sinais e adaptar-se a contextos sociais e culturais
variados.
A estrutura linguística e gramatical das línguas de sinais apresenta diferenças
significativas em relação às línguas orais, mas também similaridades, como
variações linguísticas e a arbitrariedade de determinados sinais. Silva e
Ferreira (2023) destacam que a iconicidade, quando um sinal guarda relação
visual com seu significado, e a arbitrariedade, quando essa relação não é
evidente, coexistem e se complementam na Libras, contribuindo para a riqueza
expressiva da língua.

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