1.
Sobre personalidade e direitos de personalidade, é CORRETA a
assertiva:
A) Consistem em direitos da personalidade, dentre outros: o direito à
vida, ao próprio corpo, à liberdade de pensamento e de expressão, à
liberdade, à honra, ao recato, à imagem e à identidade.
ASSERTIVA CORRETA. De fato, todos os direitos indicados pela assertiva podem ser
considerados direitos da personalidade. A lei civil não prevê um rol taxativo de direitos da
personalidade.
Nesse sentido, Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona Filho afirmam que:
“Assim, sem pretender esgotá-los, classificamos os direitos da personalidade de acordo com a
proteção à:
a) vida e integridade física (corpo vivo, cadáver, voz);
b) integridade psíquica e criações intelectuais (liberdade, criações intelectuais, privacidade,
segredo);
c) integridade moral (honra, imagem, identidade pessoal).
Ressalva-se, porém, que a relação aqui feita não deve ser considerada taxativa, mas apenas fruto
de uma reflexão sobre os principais direitos personalíssimos, até mesmo porque qualquer
enumeração jamais esgotaria o rol dos direitos da personalidade, em função da constante
evolução da proteção dos valores fundamentais do ser humano.” (Novo Curso de Direito Civil,
volume I: parte geral. 11. Ed. São Paulo: Saraiva, p. 150).
B) A personalidade civil começa com a concepção.
ASSERTIVA ERRADA. De acordo com o artigo 2º do Código Civil, a personalidade civil da pessoa
inicia-se com o nascimento com vida (código adota a Teoria Natalista). Vale lembrar, porém, que a
lei assegura, desde a concepção, os direitos do nascituro.
Art. 2o A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo,
desde a concepção, os direitos do nascituro.
OBSERVAÇÃO: de acordo com Walter Ceneviva, “no Brasil, apesar das longas discussões, há
nascimento e há parto quando a criança, deixando o útero materno, respira. É na respiração
cientificamente comprovável que se completa conformação fática do nascimento. Sem ela, tem-se
o parto de natimorto, que, sendo expulso do ventre materno ao termo da gestação com duração
mínima normal, mas sem vida, não é sujeito de direito” (Lei de Registros Públicos Comentada, 13.
Ed. São Paulo: Saraiva, 1999, p. 111).
Ainda em relação ao assunto, o exame para aferir se houve o funcionamento do aparelho cardio-
respiratório é o exame de docimasia hidrostática de Galeno.
C) Os direitos de personalidade são, sem exceção, intransmissíveis,
irrenunciáveis e ilimitados.
A ASSERTIVA ESTÁ ERRADA NA PARTE EM QUE DIZ “SEM EXCEÇÃO”.
De fato, o artigo 11 do Código Civil estabelece que os direitos de personalidade são
intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária.
Contudo, o próprio dispositivo legal admite exceções, senão vejamos:
Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são
intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação
voluntária.
Algumas destas exceções podem ser encontradas nos artigos 13 e 14 do Código Civil:
Art. 13. Salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio corpo, quando
importar diminuição permanente da integridade física, ou contrariar os bons costumes.
Parágrafo único. O ato previsto neste artigo será admitido para fins de transplante, na forma
estabelecida em lei especial.
Art. 14. É válida, com objetivo científico, ou altruístico, a disposição gratuita do próprio corpo, no
todo ou em parte, para depois da morte.
Parágrafo único. O ato de disposição pode ser livremente revogado a qualquer tempo.
D) Os direitos de personalidade perduram e podem ser exercidos pelo
próprio titular, ou representante, exclusivamente em vida.
ASSERTIVA ERRADA. O erro da assertiva é afirmar que os direitos de personalidade podem ser
exercidos “exclusivamente em vida”. O artigo 12, parágrafo único, por exemplo, permite que o
cônjuge sobrevivente, ou qualquer outro parente em linha reta, ou colateral até o 4º grau, reclame
perdas e danos em nome do de cujus.
Art. 12. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar
perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei.
Parágrafo único. Em se tratando de morto, terá legitimação para requerer a medida prevista neste
artigo o cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau.
2. Assinale a alternativa que descreva hipótese em que o vício ou defeito
do ato jurídico descrito NÃO importa em nulidade.
A) Aristóbulo da Cruz, 75 anos, recém-casado sob o regime de separação
de bens (art. 1641, II, CC) firma contrato de cessão onerosa do único bem
integrante de seu patrimônio (uma fazenda), em favor da esposa
Marlizinha da Cruz, jovem estudante sem renda nem patrimônio próprio.
ASSERTIVA ERRADA, POIS O VÍCIO OU DEFEITO IMPORTA EM NULIDADE.
A hipótese relata negócio jurídico simulado, e, portanto, nulo, nos termos do artigo 167 do Código
Civil.
Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na
substância e na forma.
§ 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando:
I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se
conferem, ou transmitem;
II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira;
III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados.
§ 2o Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico
simulado.
Com efeito, Aristóbulo firmou “contrato de cessão onerosa” com sua esposa Marlizinha. No
entanto, Marlizinha não possui renda nem patrimônio próprios para pagar o bem. Na verdade, o
contrato de cessão onerosa encobre doação, que juridicamente seria vedada devido à idade de
Aristóbulo e o regime da separação de bens.
B) João firma contrato de mútuo, emprestando dinheiro ao sobrinho
Eurico, ciente de que este, com o numerário, adquirirá drogas para
revenda.
O negócio jurídico é NULO, NOS TERMOS DO ARTIGO 166, INCISO III, DO CÓDIGO CIVIL:
Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz;
II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito;
IV - não revestir a forma prescrita em lei;
V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade;
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa;
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção.
Inicialmente, convém ressaltar que não há nulidade no objeto do contrato de mútuo firmado entre
João e seu sobrinho Eurico. O objeto do contrato de mútuo é justamente bem móvel fungível, no
exemplo, o dinheiro.
Ao revés, o negócio jurídico é nulo em razão do motivo determinante comum a ambas as partes
ser ilícito. Com efeito, Eurico tomou dinheiro emprestado de João para adquirir drogas para
revenda. Da mesma forma, João, ao emprestar, tinha ciência do destino que Eurico daria ao
dinheiro. Por essa razão, o negócio jurídico é nulo, nos termos do artigo 166, inciso III, do Código
Civil.
De acordo com Carlos Roberto Gonçalves:
“O inciso III do art. 166 é preceito novo. Confere relevância jurídica ao motivo determinante,
fulminando de nulidade o negócio jurídico quando, sendo comum a ambas as partes, for ilícito. A
expressão utilizada guarda coerência com a terminologia empregada no art. 140, que não faz
menção à causa, como o fazia o art. 90 do Código de 1916, mas ao motivo, que vicia a declaração
de vontade quando expresso como razão determinante. O inciso III em foco trata de situação de
maior gravidade, em que o motivo determinante, comum às partes, é ilícito, não admitindo o
ordenamento jurídico, por isso, que produza qualquer efeito” (Direito Civil Brasileiro, volume 1:
parte geral. 10. Ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 457).
C) Juliano, aos 14 anos de idade, firma um contrato de compra e venda de
um determinado bem.
Negócio jurídico firmado por agente absolutamente incapaz, e portanto, NULO POR EXPRESSA
DISPOSIÇÃO DO ARTIGO 166, INCISO I, DO CÓDIGO CIVIL:
Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz;
II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito;
IV - não revestir a forma prescrita em lei;
V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade;
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa;
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção.
Com efeito, o artigo 104 do Código Civil insere a capacidade do agente como pressuposto de
validade do negócio jurídico:
Art. 104. A validade do negócio jurídico requer:
I - agente capaz;
II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável;
III - forma prescrita ou não defesa em lei.
Além disso, o artigo 3º, inciso I, do Código Civil, define que os menores de 16 anos s ão
absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil.
Dessa forma, tendo o contrato de compra e venda sido firmado por Juliano, 14 anos de
idade, o negócio jurídico é nulo.
D) Antonio das Pontes, solteiro e sem dívidas, firma contrato de compra e
venda de um veículo que, na verdade, dera de presente para sua
companheira Marta dos Montes.
SEGUNDO O GABARITO, É A ASSERTIVA CORRETA.
DÚVIDA QUE SURGIU AO RESOLVER A QUESTÃO: ANTONIO FIRMOU CONTRATO DE
COMPRA E VENDA DE UM VEÍCULO E, EM SEGUIDA, O DEU DE PRESENTE PARA SUA
COMPANHEIRA MARTA OU ANTÔNIO FIRMOU CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE
VEÍCULO, O QUAL JÁ HAVIA SIDO DADO EM DOAÇÃO PARA SUA COMPANHEIRA MARTA?
3. Prescreve em três anos a pretensão de reparação civil (art. 206, §3º, V,
do CC).
João dos Anzois foi atropelado por um veículo em 20.02.2008 e faleceu na
mesma data, em virtude das lesões sofridas. O condutor do veículo foi
denunciadoum mês depois, processado e condenado criminalmente
(decisão transitada em julgado em 10.01.2009).
Os familiares de João (a viúva Maria dos Anzois, nascida em 1972, e as
filhas Anita dos Anzois (nascida em 20.11.1992) e Beatriz dos Anzois
(nascida em 15.12.1994) ajuizaram ação postulando a reparação dos
danosem 10.12.2012.
Assinale a opção correspondente à CORRETA decisão do juiz no caso.
A) O juiz declarou de ofício prescrita a pretensão indenizatória em relação
à viúva Maria dos Anzois e à filha Anita.
B) O juiz declarou de ofício prescrita a pretensão indenizatória em relação
à viúva Maria dos Anzois e às filhas do casal.
C) O juiz declarou de ofício prescrita a pretensão indenizatória em relação
à viúva Maria dos Anzois.
D) O juiz não declarou a prescrição em relação a nenhuma delas, por
haver vedação legal.
Nos termos do art. 200 do Código Civil, “quando a ação se originar de fato que deva ser apurado
no juízo criminal, não correrá a prescrição antes da respectiva sentença definitiva”, assim, tem-se
que, em razão da causa suspensiva prevista no artigo, o prazo trienal para a propositura da ação
de indenização iniciou-se com o trânsito em julgado da sentença penal condenatória, em
10.01.2009, e não na data do evento danoso (20.02.2008). Assim, em princípio, o término do prazo
prescricional se daria em 10.01.2012.
A ação foi proposta em 10.12.2012, sendo evidente que já havia transcorrido o prazo trienal em
relação à Maria dos Anzois, viúva.
Porém, em relação às filhas, é necessário atentar para a regra prevista no art. 198, I, do CC,
segundo a qual “Também não corre a prescrição contra os incapazes de que trata o art. 3º”. Trata-
se de uma causa impeditiva da prescrição em relação aos absolutamente incapazes. Dessa
maneira, a prescrição apenas se inicia quando a pessoa completa 16 anos de idade.
No caso, Anita dos Anzois nasceu em 20.11.1992 e completou 16 anos em 20.11.2008. Portanto,
em relação a ela, o prazo também se iniciou com o trânsito em julgado da sentença penal
condenatória, em 10.01.2009, evidenciando-se a prescrição de sua pretensão, pois a ação foi
proposta após o transcurso do prazo trienal.
No entanto, Beatriz dos Anzois nasceu em 15.12.1994 e completou 16 anos em 15.12.2010, de
modo que o termo inicial do prazo prescricional se deu em 16.12.2010, encerrando-se em
16.12.2013. Como a ação foi proposta em 10.12.2012, não houve prescrição em relação a ela.
Portanto, correta a alternativa (a), pois houve a prescrição em face Maria dos Anzois e Anita, mas
não em face de Beatriz
4. O mútuo e o comodato são modalidades de empréstimo. Acerca deste
último contrato, assinale a alternativa CORRETA.
A) O comodato é contrato bilateral gratuito por meio do qual o comodante
entrega bem fungível para uso do comodatário, que se obriga a devolvê-
lo.
A alternativa (a) está incorreta, pois, nos termos do art. 579 do Código Civil, “O comodato é o
empréstimo gratuito de coisas não fungíveis.” Logo, muito embora esteja correta a definição do
comodato como contrato bilateral gratuito, o comodante entrega bem infungível para uso do
comodatário, que se obriga a devolvê-lo. Oportuno mencionar que o comodato é conhecido como
empréstimo de uso, justamente por se referir a bens infungíveis. O mútuo, por sua vez, é
conhecido como empréstimo de consumo, por se referir a bens fungíveis.
B) O comodato admite aposição de encargo.
A alternativa (b) está correta, pois o comodato admite a aposição de encargo. Admite-se o
comodato modal, sendo que, nos termos de Carlos Roberto Gonçalves: “Tem-se admitido
hodieranemnte, todavia, a coexistência do empréstimo de uso e de encargo imposto ao
comodatário, configurando-se, no caso, o comodato modal, desde que naturalmente, o ônus não
se transforme em contraprestação.”
C) Somente bens imóveis podem ser objeto de comodato, assumindo o
comodatário a sua posse direta e o comodante a posse indireta.
A alternativa (c ) está incorreta, pois bens móveis também podem ser objeto de comodato, desde
que infungíveis ou assim tornados por convenção das partes. A segunda parte da alternativa, que
afirma que o comodatário assume a posse direta e o comodante a indireta está correta, sendo que
ambos podem invocar a proteção possessória contra terceiros.
D) Sendo gratuito o comodato, o pagamento por parte do comodatário de
taxas, impostos, despesas de condomínio, etc., desnatura o contrato,
incumbindo ao comodante ressarcir tais despesas ao comodatário.
A alternativa (d) está incorreta porque, muito embora seja um contrato necessariamente gracioso,
o pagamento, pelo comodatário, de taxas e impostos não desnatura o contrato de comodato.
Como se viu, admite-se a aposição de encargos no contrato de comodato. Nos termos de Carlos
Roberto Gonçalves “Não o desnatura, porém, o fato de o comodatário de um apartamento
responsabilizar-se pelo pagamento das despesas condominiais e dos impostos.”.
5. Sobre o DPVAT-Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por
Veículos Automotores em Vias Terrestres é CORRETO afirmar:
A) São beneficiários exclusivos da indenização pelo sinistro os
passageiros (ou parentes destes, se falecidos) do veículo acidentado.
(retirado do site da SUSEP, mas desconheço o fundamento legal)
Qualquer vítima de acidente envolvendo veículo, inclusive motoristas e passageiros, ou seus
beneficiários, podem requerer a indenização do DPVAT. As indenizações são pagas
individualmente, não importando quantas vítimas o acidente tenha causado. O pagamento
independe da apuração de culpados. Além disso, mesmo que o veículo não esteja em dia com o
DPVAT ou não possa ser identificado, as vítimas ou seus beneficiários têm direito à cobertura. Se,
por exemplo, em uma batida, há dois carros envolvidos, cada um com quatro ocupantes, e
também um pedestre, e se as nove pessoas forem atingidas, todas terão direito a receber
indenizações do DPVAT separadamente.
B) A falta de pagamento do prêmio do DPVAT não é motivo para a recusa
do pagamento da indenização.
A resposta desta questão envolve o conhecimento da Súmula nº 257 do STJ que assim diz: “ A
falta de pagamento do prêmio do seguro obrigatório de Danos Pessoais Causados por
Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT) não é motivo para a recusa do
pagamento da indenização”. (Súmula 257, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 08/08/2001, DJ
29/08/2001, p. 100)
C) A ação de cobrança do seguro obrigatório (DPVAT) prescreve em um
ano.
A alternativa está incorreta. A pegadinha está em induzir o candidato a acreditar que, por se tratar
de seguro, prescreveria em um ano. No entanto, conforme o artigo 206, § 3º, inciso IX, do Código
Civil: “Art. 206. Prescreve: § 3º Em três anos: IX - a pretensão do beneficiário contra o segurador,
e a do terceiro prejudicado, no caso de seguro de responsabilidade civil obrigatório.”
D) O valor da indenização paga em razão do seguro obrigatório, em
virtude da sua índole social, não pode ser deduzido da reparação fixada
judicialmente.
A resposta desta questão envolve o conhecimento da Súmula nº 246 do STJ que assim
diz: “O valor do seguro obrigatório deve ser deduzido da indenização judicialmente
fixada.” (Súmula 246, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 28/03/2001, DJ 17/04/2001, p.
149)
6. Um hacker invadiu o sistema de uma instituição financeira e desviou o
saldo das contas e aplicações de algumas contas.
Na sequência, alguns clientes acionaram judicialmente o banco
postulando a reparação dos danos materiais e morais.
Diante do ocorrido, assinale a opção CORRETA.
Existem questões preliminares que devem ser consideradas antes de serem analisadas as
questões.
Dada a similitude do tema com o nosso trabalho, tomei a liberdade de liberdade de recortar
algumas citações.
I) Consoante o disposto na Súmula 297 do Superior Tribunal de Justiça: “O Código de Defesa do
Consumidor é aplicável às instituições financeiras.”
II) A questão trata de falha na prestação do serviço prestado pela instituição financeira. Logo,
aplica-se o artigo 14 do CDC.
III) Por disposição legal, então, o fornecedor de serviços responde objetivamente pelo defeito no
serviço prestado, a menos que comprove a inexistência do defeito ou a culpa exclusiva do
consumidor ou de terceiro. Trata-se, portanto, de inversão do ônus da prova ope legis, a qual,
diferentemente da inversão apregoada pelo art. 6º, VIII do CDC (ope judicis) – a qual é deferida
consoante a discricionariedade do Magistrado –, independe da discricionariedade do julgador,
pois deriva diretamente da norma citada.
IV) O CDC traz o seguinte conceito de defeito: “Art. 14 (...) § 1° O serviço é defeituoso quando não
fornece a segurança que o consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as
circunstâncias relevantes, entre as quais: I - o modo de seu fornecimento; II - o resultado e os
riscos que razoavelmente dele se esperam; III - a época em que foi fornecido.
V) Pela Teoria do Risco do Empreendimento: “Todo aquele que se disponha a exercer alguma
atividade no mercado de consumo tem o dever de responder pelos eventuais vícios ou
defeitos dos bens e serviços fornecidos, independentemente de culpa. Este dever é imanente
ao dever de obediência às normas técnicas e de segurança, bem como aos critérios de lealdade,
quer perante os bens e serviços ofertados, quer perante os destinatários dessas ofertas. A
responsabilidade decorre do simples fato de dispor-se alguém a realizar atividade de produzir,
estocar, distribuir e comercializar produtos ou executar determinados serviços. O fornecedor
passa a ser o garante dos produtos e serviços que oferece no mercado de consumo,
respondendo pela qualidade e segurança dos mesmos.” (CAVALIERI FILHO, Sérgio.
Programa de Responsabilidade Civil. 8 ed. São Paulo: Malheiros, 2008, p. 475/476.
VI) A reparação civil por dano material, não pode ser presumida, dependendo da prova real dos
danos, pois, de acordo com o artigo 944 do Código Civil, a indenização deve se dar na medida do
prejuízo que efetivamente tenha sofrido, sob pena de enriquecimento sem causa.
A) Foram julgadas totalmente procedentes todas as ações em que foi
demonstrado o dano decorrente do episódio, pois incidia, no caso, a
responsabilidade objetiva fundada no risco da atividade normalmente
praticada pela instituição financeira.
Correto. O dano moral, neste caso é presumido. E, devem ser julgadas procedentes as ações em
que o for demonstrado o dano.
B) Todas as ações foram julgadas totalmente improcedentes, pois a
instituição financeira comprovou que o desvio tinha ocorrido por ação
praticada por terceiro estranho ao seu quadro de funcionários, não
podendo ela ser responsabilizada sem culpa (art. 927, caput, CC).
As ações não podem ser julgadas improcedentes, pois, de acordo com o conceito de defeito do
CDC (CDC, 14, §1º), a o risco de invasão é algo inerente ao serviço, o que se coaduna com a
teoria do risco do inadimplemento, razão pela qual deveria a instituição financeira promover atos
preventivos.
C) Todas as ações foram julgadas improcedentes, mediante o
acolhimento da excludente de responsabilidade objetiva do caso fortuito,
consistente na invasão de seu sistema pelo hacker.
As ações não podem ser julgadas improcedentes, pois, de acordo com o conceito de defeito do
CDC (CDC, 14, §1º), a o risco de invasão é algo inerente ao serviço, o que se coaduna com a
teoria do risco do inadimplemento.
D) Com base na responsabilidade objetiva, a instituição financeira foi
condenada a reparar os danos materiais e morais sofridos pela cliente
Janete.
Ainda que a responsabilidade seja objetiva, o dano material causado pelo hacker não
pode ser presumido. Portanto, a alternativa é falsa.
7. Sobre o direito de propriedade, é CORRETO afirmar:
A) Ao manter, no caput do art. 1228 do CC, a descrição dos direitos do
proprietário de usar, gozar, dispor e reivindicar a coisa, foi preservado o
direito real vinculado e submetido ao poder absoluto daquele
(proprietário).
Segundo Flávio Tartuce: “De início, é comum afirmar que os direitos reais são absolutos no sentido
de que trazem efeitos contra todos (princípio do absolutismo). Todavia, como fazem Cristiano
Chaves de Farias e Nelson Rosenvald é preciso esclarecer que esse absolutismo não significa
dizer que os direitos reais geram um “poder ilimitado de seus titulares sobre os bens que se
submetem a sua autoridade. Como qualquer outro direito fundamental, o ordenamento jurídico o
submete a uma ponderação de valores, eis que, em um Estado Democrático de Direito marcado
pela pluralidade, não há espaço para dogmas.”. (...) Em suma, em casos de colisão que envolvem
os direitos fundamentais, caso do direito de propriedade, deve -se buscar a solução na técnica, de
ponderação, desenvolvida, entre outros por Alexy.” – TARTUCE, Flavio. Manual de Direito Civil.
Volume único. 4ª edição. Método: São Paulo, 2014, p. 853.
“Direito absoluto, em regra, mas que deve ser relativizado em algumas situações (...)também no
sentido de certo absolutismo, o proprietário pode desfrutar da coisa como bem entender. Porém,
existem claras limitações dispostas no interesse do coletivo, caso da função social e
socioambiental da propriedade (artigo 1228, §1º, do CC).Além disso, não se pode esquecer a
comum coexistência de um direito de propriedade frente aos outros direitos da mesma espécie,
nos termos do artigo 1231, CC, pela qual se admite a prova em contrário da propriedade de
determinado pessoa. A propriedade deve ser relativizada se encontrar pela frente um outro direito
fundamental protegido pelo Texto Maior. Por isso é que se pode dizer que a propriedade é um
direito absoluto, regra geral, mas que pode e deve ser relativizado em muitas situações.” –
TARTUCE, Flavio. Manual de Direito Civil. Volume único. 4ª edição. Método: São Paulo, 2014, p.
900.
B) O proprietário pode perder a propriedade por meio da desapropriação
por necessidade ou utilidade pública ou interesse social, como também
por requisição, em caso de perigo público iminente, e ainda ser privado
dela por alienação compulsória aos possuidores.
“Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la
do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. (...)
§ 3º O proprietário pode ser privado da coisa, nos casos de desapropriação, por necessidade ou
utilidade pública ou interesse social, bem como no de requisição, em caso de perigo público
iminente.
§ 4º O proprietário também pode ser privado da coisa se o imóvel reivindicado consistir em
extensa área, na posse ininterrupta e de boa-fé, por mais de cinco anos, de considerável número
de pessoas, e estas nela houverem realizado, em conjunto ou separadamente, obras e serviços
considerados pelo juiz de interesse social e econômico relevante.
§ 5º No caso do parágrafo antecedente, o juiz fixará a justa indenização devida ao proprietário;
pago o preço, valerá a sentença como título para o registro do imóvel em nome dos possuidores.”
C) A faculdade de dispor da coisa abrange tanto a disposição jurídica
quanto a material. Ou seja, pode o proprietário exercer livremente a
prerrogativa de alienar o bem, consumi-lo ou até destruí-lo, sem
ingerências externas.
Falso. Isso porque, os §§ 1 e 2, do artigo 1228 do CC expressamente dispõe que:
“§ 1º O direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as suas finalidades
econômicas e sociais e de modo que sejam preservados, de conformidade com o estabelecido em
lei especial, a flora, a fauna, as belezas naturais, o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e
artístico, bem como evitada a poluição do ar e das águas.
§ 2º São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e
sejam animados pela intenção de prejudicar outrem.”
Desta forma, como já exposto acima que o direito de propriedade não é absoluto, o proprietário
não tem o direito de destruí-lo, devendo observar a função social e socialambiental da
propriedade, disposta na Constituição Federal.
D) A função social é o poder-dever do proprietário de dar ao objeto da
propriedade determinada finalidade de interesse coletivo, exclusivamente
no plano econômico e social.
Falso. Segundo Flávio Tartuce:
“Voltando a codificação privada, a norma geral civil brasileira foi além de tratar d função social, pois
ainda consagra a função socioambiental da propriedade. Há tanto uma preocupação com o
ambiente natural (fauna, flora, equilíbrio ecológico, belezas naturaiis, ar e aguas) como com o
ambiente cultural (patrimônio cultural e artístico); (...)
O art. 1228, §1ª, do CC, acabou por especializar na lei civil o que consta no artigo 225 da
Constituição Federal, dispositivo este que protege o meio ambiente como um bem difuso e que
visa a saia qualidade de vida das presentes e futuras gerações. Esse é o conceito de bem
ambiental, que assegura a proteção de direitos transgeracionais ou intergeracionais,
particularmente para fins de responsabilidade civil, tratada na lei 6.938/1981.” (TARTUCE, Flavio.
Manual de Direito Civil. Volume único. 4ª edição. Método: São Paulo, 2014.)
OBS: A QUESTÃO 07 FOI ANULADA.
8. Acerca de algumas das entidades familiares que vêm sendo admitidas
em nosso Direito, assinale a opção CORRETA.
A) São requisitos da união estável: a convivência ainda que não seja
pública nem notória, mas duradoura e contínua entre duas pessoas que
objetivam juntas constituir família.
Errado. É indispensável a convivência pública e notória.
Segundo Pablo Stolze Gangliano e Rodolfo Pamplona Filho, (citados por Flávio Tartuce), são
“elementos caracterizados essenciais” para a caracterização da união estável a publicidade, a
continuidade, a estabilidade e o objetivo de constituição de família. Para Flávio Tartuce “as
expressões pública, contínua, duradoura e objetivo de constituição de família são abertas e
genéricas, de acordo com o sistema adotado pela atual codificação privada, demandando análise
caso a caso. Por isso, pode-se afirmar que há uma verdadeira cláusula geral na constituição da
união estável.” - TARTUCE, Flavio. Manual de Direito Civil. Volume único. 4ª edição. Método: São
Paulo, 2014, p. 1232.
B) À constituição da união estável não concorrem os impedimentos
aplicáveis ao casamento, elencados no art. 1521 do CC.
ERRADO. O artigo 1723 do CC é expresso ao afastar a possibilidade de constituição da união
estável nas hipóteses dos impedimentos para o matrimônio previstos no artigo 1521 do CC:
Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher,
configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de
constituição de família.
§ 1º A união estável não se constituirá se ocorrerem os impedimentos do art. 1.521; não se
aplicando a incidência do inciso VI no caso de a pessoa casada se achar separada de fato ou
judicialmente.
§ 2º As causas suspensivas do art. 1.523 não impedirão a caracterização da união estável.
E, nos termos do artigo 1727 do CC constituem concubinato:
Art. 1.727. As relações não eventuais entre o homem e a mulher, impedidos de casar, constituem
concubinato.
Contudo, nas hipóteses em que a pessoa casada se encontra separada de fato há mais de 2 anos,
o CC admitiu a existência da união estável. Segundo Tartuce: os impedimentos matrimoniais
previstos no artigo 1521 do CC também impedem a caracterização da união estável, havendo, na
hipótese, concubinato (1727 do CC). Porem, o CC de 2002 passou a admitir que a pessoa casada,
desde que separada de fato ou judicialmente constitui união estável. (...) A norma deveria ser
atualizada para incluir o separado extrajudicialmente, nos termos da Lei 11441/2007. Todavia,
diante da entrada em vigor da EC 66/2010, que retirou do sistema a separação jurídica, o
panorama mudou. Para os novos relacionamentos apenas tem relevância a premissa de que o
separado de fato pode constituir uma união estável. (...) TARTUCE, Flavio. Manual de Direito Civil.
Volume único. 4ª edição. Método: São Paulo, 2014, p. 1232.
C) O Judiciário brasileiro admitiu o reconhecimento no país da união
entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar, possibilitando a
conversão de uniões homoafetivas em casamento.
CORRETO
D) Os direitos e deveres entre os companheiros (art. 1724, CC) são
exatamente os mesmos daqueles previstos para os cônjuges (art. 1566,
CC).
ERRADA. Inicialmente, podem ser constatadas duas diferenças entre os deveres do casamento e
da união estável, consoante as palavras de Flávio Tartuce:
“1ª O casamento exige expressamente, a fidelidade; a união estável exige lealdade. Pelo senso
comum, a lealdade engloba a fidelidade, mas não necessariamente. Isso demonstra que na união
estável há uma liberdade maior aos companheiros do que no casamento, o que diferencia
substancialmente os instituto, mormente se a conclusão for pela persistência do dever de
fidelidade do ultimo.
2ª diferença: o casamento exige expressamente vida em comum no mesmo domicilio conjugal; a
união estável não, por não exigir convivência sob o mesmo teto, conforme a remota Sumula 382
do STF.”
Ademais, a normatização relativa aos direitos advindos da sucessão são diferentes em relação a
união estável e ao matrimônio, sendo que este se encontra regulada no artigo 1829 do Código
Civil e aquele no artigo 1798 do Código Civil.
9. Sobre o poder familiar, é CORRETO afirmar:
A) É poder-dever jurídico a ser exercido em favor do filho, pelos pais,
enquanto perduarar o casamento ou a união estável, subsistindo em
relação ao genitor que obtiver a guarda, em caso de separação judicial,
divórcio ou dissolução da união estável.
Alternativa incorreta. Segundo Paulo Lôbo, “O poder familiar é o exercício da autoridade dos pais
sobre os filhos, no interesse destes.” (LÔBO, Paulo. Direito civil: Famílias – 4ª Ed. São Paulo:
Saraiva, 2011, p. 295) A titularidade de tal poder, porém, subsiste em relação a ambos os pais,
mesmo após o divórcio ou dissolução da união estável. Segundo mencionado autor:
“É assegurado o poder familiar de pais separados ou que tiveram os filhos fora dessas uniões
familiares. Ainda que a guarda esteja soba detenção de um, o poder familiar continua sob a
titularidade de ambos os pais. O que não detém a guarda tem direito não apenas a visita ao
filho, mas a compartilhar das decisões fundamentais que lhe dizem respeto. (...)
Havendo divórcio ou dissolução da união estável, o poder familiar permanece íntegro, exceto
quanto ao direito de terem os filhos em sua companhia. Determina a lei que o pai ou a mãe que
não for guardião poderá não apenas visitar os filhos, mas os ter em sua companhia, bem como
fiscalizar sua manutençao e educação, o que são características do poder familiar. (...)” (LÔBO,
Paulo. p. 301)
Importante salientar, ainda, que, nos termos do art. 1.579 do Código Civil: “O divórcio não
modificará os direitos e deveres dos pais em relação aos filhos.”
No mesmo sentido, dispõe o art. 1.636 do CC:
“Art 1.636. O pai ou a mãe que contrai novas núpcias, ou estabelece união estável, não perde,
quanto aos filhos do relacionamento anterior, os direitos ao poder familiar, exercendo-os sem
qualquer interferência do novo cônjuge ou companheiro.
Parágrafo único. Igual preceito ao estabelecido neste artigo aplica-se ao pai ou à mãe solteiros
que casarem ou estabelecerem união estável.”
B) No exercício do poder familiar, compete aos pais, dentre outros
poderes-deveres, o de representar os filhos nos atos da vida civil, até que
alcancem a maioridade, aos dezoito anos.
Alternativa incorreta. A representação dos filhos perdura enquanto absolutamente incapazes, ou
seja, até os dezesseis anos de idade, nos termos dos artigos 3 e 4º do CC. Os filhos entre
dezesseis e dezoito anos deverão ser assistidos pelos pais.
A respeito do tema, explica Paulo Lôbo: “O poder familiar sofre modulação de seu alcance, em
razão da capacidade negocial ou de fato do filho menor, mediante os institutos da representação
legal deste até os dezesseis anos, ou da assistência até os dezoito.” (Ibidem. p. 313)
C) Ele se extingue apenas nas seguintes hipóteses: morte dos pais ou do
filho, emancipação do filho, adoção do filho, ou por decisão judicial na
forma do art. 1.638 do Código Civil.
Alternativa incorreta. Além das hipóteses de extinção do poder familiar, previstas no Código Civil,
há também outras complementares, previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente. Com
efeito, segundo Paulo Lôbo: “No Estatuto há previsão de hipótese de perda do poder familiar não
prevista no Código Civil, justamente voltada ao descumprimento dos deveres de guarda, sustento
e educação dos filhos (arts. 23 e 24).” (Ibidem, p. 299).
Para melhor elucidar a questão, transcrevem-se os dispositivos citados pelo autor:
“Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores,
cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as
determinações judiciais.
Art. 23. A falta ou a carência de recursos materiais não constitui motivo suficiente para a perda
ou a suspensão do poder poder familiar.
§ 1º Não existindo outro motivo que por si só autorize a decretação da medida, a criança ou o
adolescente será mantido em sua família de origem, a qual deverá obrigatoriamente ser
incluída em programas oficiais de auxílio.
§ 2º A condenação criminal do pai ou da mãe não implicará a destituição do poder familiar,
exceto na hipótese de condenação por crime doloso, sujeito à pena de reclusão, contra o
próprio filho ou filha.
Art. 24. A perda e a suspensão do poder familiar serão decretadas judicialmente, em
procedimento contraditório, nos casos previstos na legislação civil, bem como na hipótese de
descumprimento injustificado dos deveres e obrigações a que alude o art. 22.”
Deve-se ressaltar, por fim, que as hipóteses de perda e suspensão do poder familiar devem,
necessariamente, estar previstas em lei, diante da gravidade da medida, que importa em restrição
de direitos fundamentais.
D) É poder-dever irrenunciável, personalíssimo e temporário.
Alternativa correta. Consoante Paulo Lôbo, o poder familiar “configura uma autoridade temporária,
exercida até a maioridade ou emencipação dos filhos.” (Ibidem. p. 295), ressaltando-se que há,
ainda, a possibilidade de limitação decorrente da perda ou suspensão do poder familiar. Tal
entendimento decorre da literalidade do art. 1.630 do Código Civil: ¨Os filhos estão sujeitos ao
poder familiar, enquanto menores.”
Não se pode olvidar, nesse sentido, que “o poder familiar, sendo menos poder e mais dever,
converteu-se em um múnus a que se não pode fugir” (Ibidem, p. 297). Em assim sendo, tratando-
se de um múnus vinculado a direitos fundamentais assegurados no art. 227 da CF, é evidente que
não é possível renunciar ao poder familiar, mesmo porque deve ser exercido nos interesses da
criança ou adolescente. Por fim, embora não seja renunciável, “O exercício do poder familiar é
delegável a terceiro, no todo ou em parte, se as circunstancias exigirem. O terceiro,
preferencialmente, deverá ser membro da família, digno de confiança dos pais.” (Ibidem, p. 305).