Curso Licenciatura em Ensino de Português
Disciplina Semântica do Português
Ano 2026
Nome do estudante e código
Dinis João Madeveja Sumbane - 41230919
Nome do Tutor: Isaías Mucindo Armando Mate (Mudungazi)
TÍTULO: Significação, sentido e referência: fundamentos teóricos e abordagens semânticas
INTRODUÇÃO
A linguagem constitui um dos principais instrumentos de construção do conhecimento e de
mediação das relações sociais, sendo o estudo do significado um dos seus aspectos mais complexos
e fundamentais. No âmbito da linguística, a semântica dedica-se à análise dos processos de
significação, procurando compreender como as unidades linguísticas adquirem significado e como
este se relaciona com o mundo e com os sujeitos falantes. Nesse contexto, os conceitos de
significação, sentido e referência assumem particular relevância, pois permitem examinar
diferentes dimensões do significado linguístico.
A distinção entre esses conceitos tem sido amplamente debatida por diversos autores ao longo da
história da linguística e da filosofia da linguagem. Enquanto a significação se relaciona com o
sistema linguístico e com as convenções que regem o uso das palavras, o sentido e a referência
introduzem uma dimensão mais analítica, especialmente a partir das contribuições de Friedrich
Frege. Paralelamente, a compreensão do signo linguístico, tal como formulada por Ferdinand de
Saussure, e posteriormente ampliada pela semiótica de Charles Sanders Peirce, oferece bases
teóricas essenciais para a análise do significado.
O presente trabalho tem como objectivo geral analisar criticamente os conceitos de significação,
sentido e referência à luz de diferentes perspectivas teóricas. Como objectivos específicos,
pretende-se: discutir a noção de significação no quadro da semântica; analisar o signo linguístico
nas abordagens de Saussure e Peirce; examinar a distinção entre sentido e referência em Frege; e
explorar as relações semânticas no domínio do sentido conotativo, com recurso a exemplos
concretos.
A metodologia adoptada baseia-se numa abordagem qualitativa de natureza bibliográfica,
complementada por análise interpretativa de exemplos linguísticos. Foram consultadas obras de
referência na área da semântica e da linguística, permitindo a construção de um quadro teórico
consistente para a análise dos conceitos em estudo.
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DESENVOLVIMENTO
1. A significação no sistema linguístico
A significação constitui o eixo central da semântica, sendo entendida como o conjunto de valores
que uma unidade linguística assume no interior do sistema da língua. De acordo com Cançado
(2008), o significado não é uma propriedade isolada das palavras, mas resulta das relações que
estas estabelecem entre si, num sistema estruturado por diferenças. Esta perspectiva aproxima-se
da tradição estruturalista, na qual o valor de um signo depende da sua posição relativa no sistema.
Nesse sentido, a significação envolve tanto aspectos convencionais quanto contextuais. Vilela
(1999) distingue entre significado denotativo, associado ao valor referencial mais estável da
palavra, e significado conotativo, relacionado a associações culturais, afectivas e simbólicas. Por
exemplo, a palavra “luz” pode denotar um fenómeno físico, mas conotar ideias como
conhecimento, esperança ou orientação.
A natureza dinâmica da significação evidencia-se na variação semântica ao longo do tempo e em
diferentes contextos de uso. Conforme Da Silva (2018), o significado linguístico é influenciado
por factores históricos, sociais e culturais, o que reforça a necessidade de uma abordagem
contextualizada na análise semântica.
2. O signo linguístico: Saussure e Peirce
A teoria do signo linguístico formulada por Ferdinand de Saussure estabelece uma base
fundamental para a compreensão da significação. Segundo este autor, o signo é constituído por
dois elementos inseparáveis: o significante (a forma sonora) e o significado (o conceito). A relação
entre estes elementos é arbitrária e convencional, sendo determinada pelo uso social da língua
(Faria, 1996).
No entanto, esta concepção binária foi posteriormente ampliada pela semiótica de Charles Sanders
Peirce, que propõe uma estrutura triádica do signo, composta por representamen, objecto e
interpretante. Esta abordagem introduz a dimensão interpretativa, reconhecendo que o significado
não reside apenas no signo em si, mas também no processo de interpretação realizado pelo sujeito.
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A comparação entre estas duas perspectivas revela uma evolução teórica significativa. Enquanto
Saussure enfatiza a estrutura interna da língua, Peirce amplia o foco para incluir a relação entre
linguagem, pensamento e realidade. Esta diferença permite compreender a transição de uma
abordagem estrutural para uma perspectiva mais abrangente e interdisciplinar da significação.
3. Sentido e referência na teoria de Frege
A distinção entre sentido (Sinn) e referência (Bedeutung), proposta por Friedrich Frege, constitui
um dos contributos mais relevantes para a filosofia da linguagem. Para Frege, o sentido
corresponde ao modo de apresentação de um objecto, enquanto a referência diz respeito ao próprio
objecto designado pela expressão linguística (Godoy, 2011).
Esta distinção permite explicar como diferentes expressões podem referir-se ao mesmo objecto,
mas apresentar sentidos distintos. Um exemplo clássico é o das expressões “estrela da manhã” e
“estrela da tarde”, que possuem a mesma referência (o planeta Vénus), mas diferem quanto ao
sentido. Tal análise evidencia que o significado não se reduz à referência, incorporando também
aspectos cognitivos e interpretativos.
A teoria de Frege teve implicações profundas no desenvolvimento da semântica formal,
contribuindo para a análise de fenómenos como a sinonímia, a ambiguidade e a polissemia. Além
disso, permitiu estabelecer uma distinção clara entre linguagem e realidade, mediada pelo
pensamento.
4. Relações de sentido e conotação
As relações de sentido constituem um aspecto essencial da organização do léxico, permitindo
compreender como as palavras se interligam no sistema linguístico. Entre as principais relações
destacam-se a sinonímia, a antonímia, a hiponímia e a polissemia. Segundo Campos e Xavier
(1991), estas relações são fundamentais para a interpretação e produção de enunciados,
contribuindo para a coesão e coerência textual.
No domínio da conotação, o significado das palavras expande-se para além do seu valor literal,
incorporando dimensões subjectivas e culturais. Por exemplo, a palavra “serpente” pode denotar
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um animal, mas conotar traição ou perigo, dependendo do contexto. Estas associações são
construídas socialmente e variam conforme a experiência dos falantes.
A conotação desempenha um papel particularmente relevante em contextos discursivos como a
literatura e a comunicação persuasiva, onde o uso figurado da linguagem permite a produção de
múltiplos sentidos. Assim, a análise das relações conotativas evidencia a complexidade e a riqueza
expressiva da linguagem.
5. A referência na semântica contemporânea
A noção de referência tem sido amplamente desenvolvida nos estudos semânticos
contemporâneos, especialmente no que diz respeito à relação entre linguagem e contexto. Dias e
Lacerda (2013) destacam que a referência não é um processo automático, mas depende de factores
discursivos e cognitivos que influenciam a identificação do referente.
Em muitos casos, a interpretação de expressões referenciais exige conhecimento partilhado entre
os interlocutores. Por exemplo, pronomes e expressões demonstrativas dependem do contexto para
a sua compreensão. Este fenómeno evidencia a articulação entre semântica e pragmática na análise
da linguagem.
Dessa forma, a referência deve ser entendida como um processo dinâmico, que envolve não apenas
a relação entre palavras e objectos, mas também a participação activa dos sujeitos na construção
do significado.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise dos conceitos de significação, sentido e referência permite compreender a complexidade
do significado linguístico e a diversidade de abordagens teóricas que o sustentam. A significação,
enquanto fenómeno estruturado no sistema da língua, articula-se com o sentido e a referência na
construção de significados múltiplos e contextualmente determinados.
A comparação entre as perspectivas de Saussure e Peirce evidencia diferentes concepções do signo
linguístico, destacando-se a evolução de uma abordagem estrutural para uma visão mais
interpretativa e semiótica. Por sua vez, a teoria de Frege introduz uma distinção fundamental que
continua a influenciar os estudos semânticos contemporâneos.
O estudo das relações de sentido e da conotação revela a riqueza do léxico e a capacidade da
linguagem de expressar nuances significativas. Contudo, a análise da referência demonstra que o
significado não pode ser dissociado do contexto e da interpretação dos falantes.
Este trabalho contribuiu para o aprofundamento dos conhecimentos na área da semântica,
evidenciando a importância destes conceitos na compreensão do funcionamento da linguagem.
Reconhece-se, contudo, que a complexidade do tema exige investigações contínuas e abordagens
interdisciplinares.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Abrahão, V. B. (2018). Semântica, enunciação e ensino. EDUFES.
Abraham, W. (1981). Dicionário de terminologia linguística actual. Editorial Gredos.
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Campos, C. M. H., & Xavier, M. F. (1991). Sintaxe e semântica do português. Universidade
Aberta.
Cançado, M. (2008). Manual de semântica: Noções básicas e exercícios (2ª ed.). UFMG.
Costa, J., & Matos, J. C. (2015). Gramática moderna da língua portuguesa (3ª ed.). Escolar
Editora.
Da Silva, M. C. (2018). Semântica. Editora e Distribuidora Educacional.
De Morais Pinto, D. C., et al. (2016). Introdução à semântica. Fundação Cecierj.
Dias, L. F., & Lacerda, P. B. G. (2013). A referência nos estudos semânticos. Cadernos de Letras
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Dubois, J., et al. (1993). Dicionário de linguística (9ª ed.). Cultrix.
Faria, I. H. (Org.). (1996). Introdução à linguística geral e portuguesa. Caminho.
Godoy, E. C. (2011). Sentido, referência e designação rígida: Um diálogo entre Frege, Kaplan e
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Matos, C. J. (2012). Gramática moderna da língua portuguesa (2ª ed.). Escolar Editora.
Vilela, M. (1999). Gramática da língua portuguesa. Almedina.