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ENSAIO

O documento aborda o impacto da emergência das línguas bantu no ensino em Moçambique, destacando a importância da introdução dessas línguas no sistema educacional para melhorar a aprendizagem das crianças cuja língua materna não é o português. Embora o ensino bilíngue tenha sido uma alternativa significativa desde 1993, ainda existem barreiras institucionais e a hegemonia do português que limitam a valorização das línguas bantu. O texto conclui que é necessário um planejamento linguístico sensível às realidades locais para promover a diversidade linguística no ensino.

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O documento aborda o impacto da emergência das línguas bantu no ensino em Moçambique, destacando a importância da introdução dessas línguas no sistema educacional para melhorar a aprendizagem das crianças cuja língua materna não é o português. Embora o ensino bilíngue tenha sido uma alternativa significativa desde 1993, ainda existem barreiras institucionais e a hegemonia do português que limitam a valorização das línguas bantu. O texto conclui que é necessário um planejamento linguístico sensível às realidades locais para promover a diversidade linguística no ensino.

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Preciosa Mariamo Cossa Zita Manhice

Impacto de Emergencia das Linguas Bantu no Ensino


Licenciatura em Ensino de Língua Portuguesa

4º Ano

Universidade Pedagógica de Maputo


Maputo
2025
Preciosa Mariamo Cossa Zita Manhice

Impacto de Emergencia das Linguas Bantu no Ensino


Licenciatura em Ensino de Língua Portuguesa

4º Ano

Trabalho a ser apresentado na Faculdade de


Ciências de Linguagem, Comunicação e
Artes, departamento de Ciências de
Linguagem, para efeitos avaliativos na
disciplina de Estruturas de Linguas Bantu

Docente: Drª Celia Cossa Muthevuia

Universidade Pedagógica de Maputo


Maputo
2025
Introdução
O termo 'línguas bantu posicionando-se e apoiando os argumentos de Dimande (sp) e
Chimbutana ( 2004 ) que defendem que a língua não pertence a um único indivíduo (pessoa),
mas sim uma comunidade linguística (pessoas) e, portanto, não se pode considerar o singular do
género língua ntu que na tradução seria 'língua de (uma) pessoa'. O correto é 'língua bantu'
quando quiser referir- se a única língua, como por exemplo, o bitonga. Quando se fazer
referência a vários idiomas (plural) será ‘'línguas bantu'' com o morfema do plural na palavra
'língua como já se viu (Dimande sp).
O termo 'bantu' é usado em estudos da linguística africana para se referir algum grupo de línguas
compostas por cerca de 600 línguas faladas por pouco mais de 220 milhões de pessoas numa vasta
região da África contemporânea, que se estende desde o sul de uma linha que vai desde os Montes
Camarões (ao sul da Nigéria), junto à Costa Atlântica, até à foz do Rio Tana, na República do
Quênia, abrangendo países da África Central e Austral (Ngunga, Introdução à linguística bantu
p.35).
Importa saber do conceito de línguas bantu porque iremos debrucar sobre a sua emergência no ensino.
Em primeiro lugar falaremos das motivações que sustentam essa emergência e em segundo lugar
falaremos do impacto que a emergências das línguas bantu trouxe ao ensino.
Motivações ou aspectos que sustentam a introdução das línguas bantu no ensino
Moçambicano

De acordo com Ngunga, (2000, p.37), As crianças cuja língua materna não é o português levam
por vezes três anos sem passar de classe, o que tem como consequência imediata, para além do
desperdício de recursos, os grandes índices de distância ou, para os que precisam, a conclusão
tardia do primeiro nível primário – a 5 classe – por volta dos 15 ou 16 anos de idade, no meio
rural, quando nas cidades a média é 11 [Link] se atraso na captação da matéria dada pelo
professor, contudo, na introdução acelera no processo de ensino-aprendizagem.

Em 1992 deu-se uma alteração político-linguística, de onde surgiu uma valorização da


multilíngua. E apesar do português "continuar a ser essencial para prestígio e mobilidade social",
houve progressos das línguas Bantu para domínios altos em sociedade, nomeadamente para
trabalho - algo que seria impensável no pós-colonialismo. Já nos anos 2000, investiu-se na
formação universitária dessas mesmas línguas e, com isto, criaram-se convenções linguísticas,
bem como materiais de apoio, como gramáticas e dicionários em todas as 20 línguas Bantu.

Os impacto que sustentam a introdução das línguas bantu no ensino Moçambicano

Hoje em dia, o português mantém-se em Moçambique e, segundo a linguista Perpétua


Gonçalves, continua a ser uma língua de prestígio. Contudo, o destaque de Perpétua vai para a
valorização das línguas Bantu, que têm reforçado a auto-estima da população, que finalmente vê
as suas línguas valorizadas. E o que permitiu isto foi, segundo a linguista, "o facto de ter sido
introduzido o ensino bilingue". Este ensino "vem sendo testado desde 1993, uma longa fase
experimental até 2003, e entrou definitivamente como uma alternativa para o ensino oficial".
Ainda cobre "uma população reduzida", pois no "total no ensino bilingue estão 51 mil alunos, ao
passo que no total do ensino monolingue em português, aquele que existia até à criação do
ensino bilingue, há cerca de 5 milhões". A linguista sublinha a diferença de valores mas relembra
que este passo "tem um valor simbólico".

Afirma ainda que uma das componentes básicas no processo de ensino-aprendizagem é a


transmissão de valores culturais, tradicionais entre outros, que dizem respeito aos valores da
sociedade onde se pretende implementar o currículo, neste caso concreto o do ensino bilingue.
Há uma necessidade de valorizar todos esses valores culturais que identificam cada comunidade
linguística.

Firmino 2009 apud Chimbutane, 2011 traz uma visao diferente pois embora outros autores
apontem como positiva a emergência das línguas bantu para o ensino este, afirma que “ Nas
comunidades moçambicanas, a língua portuguesa (língua oficial) constitui o veículo de ascensão
social. Por este facto, nas zonas urbanas, alguns pais e encarregados de educação reagiram
negativamente a introdução de línguas moçambicanas como língua de ensino”

As línguas moçambicanas são línguas maternas para as crianças das zonas


rurais, este facto cria barreira para a introdução de línguas moçambicanas nas
escolas dos centros urbanos cujas crianças (maioritariamente) tem a língua
portuguesa como língua materna e já se preparam para a língua inglesa com
língua segunda, entendida pelos seus pais e encarregados de educação como
língua de prestígio para o acesso ao conhecimento universal. Firmino (2009)
apud Chimbutane, (2011)

Firmino (2009), citado por Chimbutane (2011), levanta assim um debate sobre a desigualdade
linguística e a necessidade de políticas educativas que reconheçam a diversidade de perfis
linguísticos do país, evitando tratar a questão da introdução das línguas moçambicanas como
uma medida universal, sem considerar os diferentes contextos sociolinguísticos.

Vejamos, a valorização de línguas está ligada a dinâmicas sociais, ideológicas e económicas, o


que exige um planeamento linguístico sensível às realidades locais e à percepção social das
línguas.

Conclusão
O uso do línguas bantu no ensino ainda é defeituoso embora representem uma herança. No
entanto, é necessário superar barreiras institucionais e conceituais para que esse modelo alcance
escala e profundidade. A integração de formações universitárias, materiais didáticos e
sensibilização comunitária pode consolidar um sistema de ensino que efetivamente respeita e
promove a diversidade linguística do país.
Contudo, os recursos escassos, descompasso entre políticas e práticas e a hegemonia do português ainda
limitam o impacto real ou mesmo o impacto desejado que é a valorização das línguas bantu no ensino.
Referencias Bibliograficas
Dimande, Germano Maússe. “Debate línguas bantu ou bantas.” Revista Tempo, 19 September
1991, sp. Diop, Cjeikh Anta. A origem africana da civilização: mito e verdade. Tradução de
Mercer Cook. Presence Africaine, 1967. .

Gonçalves, P. & F. Chimbutane. ‘O papel das línguas Bantu na Génese do Português de


Moçambique: ‘Assimetrias da mudança linguística. 2004.

Ngunga, A. e Simbine, Madalana. Gramática Descritiva da Língua Changana. CIEDEMA,


SARL: Maputo. 2000.

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