ESCOLA SECUNDÁRIA ELLEN G WHITE
Nome
PROCESSOS IRREGULARES/MARGINAIS DE FORMAÇÃO DE
PALAVRAS
Beira
2025
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NOME
PROCESSOS IRREGULARES/MARGINAIS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS
Trabalho de investigacao da disciplina de Portugues 12ª
classe, turma A01, leccionada por:
(Nome do docente)
Beira
2025
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Índice
1. Introdução.............................................................................................................................4
2. Processos Irregulares/Marginais de Formação de Palavras..................................................5
2.1. Extensão Semântica (ou Metonímia e Sinédoque)........................................................5
2.2. Empréstimos Linguísticos.............................................................................................6
2.3. Amálgama/Hibridismo..................................................................................................6
2.4. Siglas e Acrônimos........................................................................................................6
2.5. Onomatopeias................................................................................................................7
3. Conclusão.............................................................................................................................8
4. Referencias bibliograficas....................................................................................................9
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1. Introdução
A formação de palavras em língua portuguesa é um fenômeno complexo e dinâmico, que não se
restringe aos processos regulares de derivação e composição. Além dos mecanismos
concatenativos, como a afixação e a justaposição, existem processos irregulares ou marginais que
ampliam o léxico de maneira criativa e, por vezes, imprevisível. Esses mecanismos — como
extensão semântica (metonímia e sinédoque), empréstimos linguísticos, amálgamas, siglas,
acrônimos e onomatopeias — revelam a flexibilidade e a vitalidade da língua, adaptando-se a
contextos socioculturais e comunicativos diversos.
Este trabalho explora os processos irregulares de formação de palavras, destacando sua natureza
não linear e sua importância para a evolução do português. Com base em autores como
Gonçalves (2006), Laroca (1994) e Cunha e Cintra (2016), analisamos como esses fenômenos
desafiam as normas tradicionais, enriquecendo a expressividade e a economia linguística. A
investigação desses processos não apenas ilustra a criatividade inerente ao idioma, mas também
reforça a necessidade de estudos morfológicos que contemplem tanto a sistematicidade quanto as
exceções que moldam a língua viva.
Ao examinar exemplos concretos e suas fundamentações teóricas, busca-se demonstrar como a
irregularidade, longe de ser um desvio, é um traço essencial da dinâmica linguística, refletindo a
interação entre estrutura, uso e inovação.
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2. Processos Irregulares/Marginais de Formação de Palavras
Na formação de vocábulos da língua portuguesa, há duas naturezas de processos de formação de
vocábulos, os concatenativos e os não-concatenativos. Segundo Gonçalves (2006, p.2), o
português, apesar de ser uma língua de morfologia predominantemente aglutinativa, também faz
uso de processos não-concatenativos para ampliar seu vocabulário ou para expressar carga
emocional variada. O processo concatenativo aglutinativo) é regular e linear e se constitui por
um elemento (prefixal, sufixal) se ligar linearmente a uma raiz, a fim de se formar um novo item
lexical. Assim como a composição também é concatenativa. Ou seja, um item lexical liga-se ao
outro para formar novas palavras ou novos significados.
A formação de palavras em português, embora regida por regras relativamente sistemáticas de
derivação e composição, apresenta uma riqueza e flexibilidade que geram inúmeros casos
irregulares. Enquanto processos como a derivação sufixal (ex: feliz + mente = felizmente) e a
composição por justaposição (ex: girassol) são relativamente previsíveis, diversos mecanismos
extrapolam essas normas, resultando em palavras formadas por processos menos ortodoxos e,
muitas vezes, criativos. Este artigo explora alguns desses processos irregulares, focando em sua
natureza e impacto na língua.
2.1. Extensão Semântica (ou Metonímia e Sinédoque)
Laroca (1994, p. 91) afirma que o enriquecimento do léxico também se dá por meio de recursos
semânticos, como as extensões de sentido, que podem ser metonímicas (quando utilizamos uma
palavra no lugar de outra, mas que se relacionam entre si) e metafóricas (quando produzimos
sentidos figurados por meio de comparação). Os primeiros consistem no emprego do nome da
marca registrada pelo produto, como em: chiclete (Chiclets®), bombril (Bombril®), xérox
(Xerox®), jacuzi (Jacuzzi®).
A atribuição de novos significados a palavras já existentes é um processo constante e, em sua
essência, irregular. Não se trata de uma alteração formal, mas sim de uma ampliação semântica.
A metonímia, por exemplo, usa um termo relacionado para representar outro (ex: “a coroa”
representando a monarquia). Já a sinédoque utiliza a parte pelo todo ou o todo pela parte (ex:
“mil cabeças” referindo-se a mil pessoas). Essa extensão, frequentemente sutil e gradual, não se
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enquadra em regras formais de formação de palavras, mas é fundamental para a dinâmica e
evolução do léxico.
2.2. Empréstimos Linguísticos
A incorporação de palavras de outras línguas é um processo inerente à evolução de qualquer
idioma. No entanto, a adaptação fonética e morfológica dessas palavras ao português não segue
um padrão rígido. Algumas são integradas quase sem modificações (ex: stress), enquanto outras
sofrem adaptações fonéticas profundas e imprevisíveis (ex: shopping > xóping), ou mesmo
alterações semânticas durante o processo de aculturação. A irregularidade reside na
imprevisibilidade da adaptação, dependente de fatores históricos e sociolinguísticos.
2.3. Amálgama/Hibridismo
A fusão de elementos de diferentes palavras, criando um novo vocábulo, também é um processo
irregular. Ao contrário da composição por justaposição, onde as palavras mantêm sua identidade,
a amálgama resulta em uma palavra nova cuja estrutura e significado não são simplesmente a
soma de seus componentes. Um exemplo poderia ser a suposta origem de “desembaraçar”, a
partir de “des-” + “embaraçar”, onde a junção cria um novo significado mais amplo que a
simples soma das partes. A identificação de amálgamas, em muitos casos, é debatida por
especialistas, devido à dificuldade de rastrear com precisão sua formação histórica.
2.4. Siglas e Acrônimos
A gramática tradicional nomeia sigla como “o processo de criação vocabular que consiste em
reduzir longos títulos a meras siglas, constituídas pelas letras iniciais das palavras que os
compõem”, como definem Cunha e Cintra (2016, p 130). É o que sucede a longas denominações
que são substituídas pelas siglas, tais como: FADM (Forças Armadas de Defesa de
Mocambique), TCM (Transportes Carlos Mesquita), PT (Policia de Transito), AIDS (Síndrome
da Deficiência Imunológica Adquirida). Algumas vezes, a sigla passa a ser sentida e usada como
forma primitiva, como em: petista, aidético, peemedebistas. Laroca (op. cit.) nomeia esse
processo como redução sintagmática ou acronímia. Já Monteiro (2002, p. 174) nomeia esse
processo de formação de palavras como acrossemia e aponta que “a acrossemia é
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proporcionalmente tão fértil quanto a braquissemia, já que, na realidade, ambos os processos têm
a mesma natureza e funcionamento”, ou seja, a economia linguística.
A formação de siglas (ex: ONU, PT) e acrônimos (ex: laser, radar) representa uma forma
sistemática de criação de palavras novas, mas ainda assim irregular. A arbitrariedade da escolha
das iniciais (em siglas) e a possibilidade de pronúncia como uma palavra única (em acrônimos)
torna o processo imprevisível, mesmo seguindo uma lógica de redução.
2.5. Onomatopeias
Segundo Cunha & Cintra (2016, p. 130), esse processo de formação de palavras diz respeito a
“palavras imitativas, isto é, palavras que procuram reproduzir aproximadamente certos sons ou
certos ruídos”. É o caso de ruge-ruge, xixi, zum-zum-zum, vapt-vupt. Já Laroca (1994) e Bechara
(2004) nomeiam esse processo como reduplicação ou duplicação silábica. O autor afirma que
esse processo é usado nas onomatopeias e que “consiste na repetição de vogal ou consoante,
acompanhada quase sempre de alternância de sons vocálicos, para formar uma palavra
imitativa.” (Bechara, 2004, p. 371). Dessa forma, palavras que exprimem vozes de animais,
sejam verbos ou substantivos, têm origem onomatopeica, como em ‘miar (verbo) /o miado
(substantivo), /miau (som onomatopeico)’ do gato; também em ‘coaxar (verbo) /coaxo
(substantivo)/ croac croac (som onomatopeico) da rã ou do sapo, e de outros animais. As
onomatopeias podem dar origem a palavras, quando se agregam a morfemas de nome ou verbo,
como em ziguezague/ziguezaguear; tique-taque/ tiquetaquear. Certamente, esse é um processo
muito utilizado quando se quer dar mais expressividade ao discurso, principalmente na
linguagem coloquial e em alguns gêneros textuais, como em histórias em quadrinhos, tirinhas e
textos que trabalhem a sonoridade, como na poesia, música e até mesmo na prosa.
A criação de palavras que imitam sons (onomatopeias) ou palavras totalmente novas, sem
relação etimológica evidente, representam a irregularidade em sua forma mais pura. Essas
palavras surgem geralmente de forma espontânea, seguindo uma lógica interna à criatividade do
falante e ao contexto de comunicação.
Em conclusão, a formação de palavras em português não se limita a regras rígidas. Os processos
irregulares descritos acima demonstram a vitalidade e a capacidade de adaptação da língua,
refletindo sua riqueza e complexidade. A análise desses processos contribui para uma
compreensão mais profunda da dinâmica linguística e da constante evolução do léxico português.
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3. Conclusão
Os processos irregulares ou marginais de formação de palavras na língua portuguesa demonstram
a riqueza e a flexibilidade do idioma, indo além dos mecanismos tradicionais de derivação e
composição. Como evidenciado ao longo deste trabalho, fenômenos como extensão semântica,
empréstimos linguísticos, amálgamas, siglas, acrônimos e onomatopeias revelam uma dinâmica
linguística marcada pela criatividade e pela adaptação às necessidades comunicativas e culturais.
A análise desses processos, fundamentada em autores como Gonçalves (2006), Laroca (1994) e
Cunha e Cintra (2016), mostrou que a irregularidade não é uma falha do sistema, mas sim um
reflexo da vitalidade da língua. Esses mecanismos permitem a incorporação de novas palavras e
significados, muitas vezes de forma imprevisível, enriquecendo o léxico e ampliando as
possibilidades expressivas.
Em suma, o estudo dos processos irregulares de formação de palavras reforça a ideia de que a
língua é um organismo em constante evolução, moldado tanto por regras sistemáticas quanto por
inovações espontâneas. Compreender esses fenômenos é essencial para uma visão mais
abrangente da morfologia portuguesa, destacando a importância de abordagens que valorizem
tanto a norma quanto a diversidade linguística.
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4. Referencias bibliograficas
BECHARA, E. Gramática escolar da língua portuguesa com exercícios. 1. ed., 4. reimp. Rio de
Janeiro: Lucerna, 2004.
CUNHA, C.; CINTRA, L. Nova gramática do português contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro:
Lexicon, 2016.
GONÇALVES, C. A. Usos morfológicos: os processos marginais de formação de palavras em
português. Gragoatá, Niterói, v. 11, n. 21, p. 207-222, 2006.
LAROCA, M. N. C. Manual de morfologia do português. Campinas: Pontes; Juiz de Fora: UFJF,
1994.
MONTEIRO, J. L. Morfologia portuguesa. 4. ed. Campinas, SP: Pontes, 2002.