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O documento discute a estrutura de mercado em Moçambique, abordando a concorrência monopolista no setor de arroz e a presença de oligopólios em setores como combustíveis, telecomunicações e bancos. Argumentos a favor e contra a proliferação de marcas de arroz são apresentados, assim como a estabilidade do equilíbrio de Cournot e as razões pelas quais governos proíbem coalizões entre empresas. A análise destaca os impactos negativos das coalizões na economia e no bem-estar dos consumidores.

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O documento discute a estrutura de mercado em Moçambique, abordando a concorrência monopolista no setor de arroz e a presença de oligopólios em setores como combustíveis, telecomunicações e bancos. Argumentos a favor e contra a proliferação de marcas de arroz são apresentados, assim como a estabilidade do equilíbrio de Cournot e as razões pelas quais governos proíbem coalizões entre empresas. A análise destaca os impactos negativos das coalizões na economia e no bem-estar dos consumidores.

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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE

Curso: Licenciatura em Economia e Gestão


Discilplina de: MICROECONOMIA 2
TURMA B
2º ANO

Discente: Chauma Severiano Romão Khoy

Docente: Filimão Canda


Questões para Comentar

1. Alguns analistas têm argumentado que no mercado moçambicano há um


número demasiadamente grande de marcas de arroz. Apresente um argumento
favorável a esse ponto de vista. Apresente um argumento contrário a esse ponto
de vista. Use os argumentos com base no modelo de concorrência monopolista.

Argumento favorável (excesso de marcas):


No modelo de concorrência monopolista, a diferenciação de produtos gera custos fixos
elevados (publicidade, embalagem, segmentação logística). Com muitas marcas de arroz em
Moçambique, cada uma opera com baixa quota de mercado, impedindo economias de
escala. Isso eleva os custos médios de produção e distribuição, que são repassados ao
consumidor final via preços mais altos. Além disso, a proliferação de marcas pode confundir
o consumidor, aumentando custos de busca e favorecendo escolhas subótimas. Parte do
gasto em diferenciação (ex.: embalagens supérfluas) não agrega valor nutricional, gerando
ineficiência produtiva típica desse tipo de mercado.

Argumento contrário (não há excesso):


A concorrência monopolista justifica-se justamente pela diversidade de preferências dos
consumidores moçambicanos há quem valorize grão solto, preço baixo, origem importada
(Paquistão, Tailândia) ou embalagens pequenas para menor rendimento semanal. Muitas
marcas permitem que cada consumidor encontre o produto que maximiza o seu bem-estar.
Além disso, a livre entrada impede que empresas existentes obtenham lucros extraordinários
no longo prazo, pressionando-as a inovar em qualidade ou redução de custos. O número
elevado de marcas é sinal de mercado contestável, não de ineficiência.

2. Indique 3 sectores de actividade económica em Moçambique que têm


características que se aproximam à estrutura de mercado oligopolista.
Justifique a sua afirmação.
1. Sector de distribuição de combustíveis líquidos. Dominado por poucas empresas
(Petromoc, TotalEnergies, BP, Puma Energy). As barreiras à entrada são altas devido
ao investimento necessário em terminais de armazenagem, logística e licenciamento.
Observa-se interdependência estratégica nos preços: quando uma ajusta as bombas, as
outras seguem rapidamente.
2. Sector de telecomunicações móveis. Controlado por três operadoras (Tmcel,
Vodacom, Movitel). As barreiras incluem espectro de frequências, infraestrutura de torres e
elevado capital fixo. Há comportamentos estratégicos evidentes em pacotes de dados, tarifas
e promoções, com reações imediatas entre concorrentes.
3. Sector bancário comercial. Poucos bancos detêm a maior parte dos ativos e
depósitos (BCI, Millenium BIM, Standard Bank, Absa). A entrada exige requisitos
regulatórios rígidos do Banco de Moçambique e capital mínimo elevado. As taxas de juro
ativas e passivas, assim como tarifas de serviços, mostram alinhamento estratégico,
característico de oligopólio.

3. Por que o equilíbrio de Cournot é estável (isto é, por que as empresas não
teriam estímulo algum para alterar seus respectivos níveis de produção após
alcançarem o equilíbrio)? Mesmo que não possam fazer uma coalizão, por que
as empresas não adotam níveis de produção capazes de maximizar seus lucros
em conjunto (isto é, o nível de produção pelo qual optariam se pudessem fazer
a coalizão)?
O equilíbrio de Cournot é estável porque cada empresa maximiza o seu lucro
individual dada a quantidade produzida pela rival. No ponto de equilíbrio, as funções
de melhor resposta intersectam-se: qualquer desvio unilateral (aumentar ou reduzir a
produção) reduz o lucro dessa empresa, pois altera o preço de mercado
desfavoravelmente. Assim, não há incentivo para mudar é um equilíbrio de Nash.
As empresas não adotam voluntariamente o nível conjunto de monopólio (menor
produção, preço mais alto) mesmo sem colusão explícita porque isso não é um
equilíbrio estável. Se ambas reduzissem a produção para o nível de monopólio, cada
uma teria incentivo individual a desviar-se, produzindo um pouco mais. Esse desvio
permitiria capturar uma fatia maior do mercado a um preço ainda elevado, aumentando
o lucro da empresa desviante. Como a outra mantém a produção baixa, o desviante
ganha. Sabendo disso, nenhuma empresa confia que a rival vá cumprir o acordo tácito,
o resultado é a produção maior de Cournot. É o clássico dilema do prisioneiro aplicado
ao oligopólio: o melhor para o grupo é diferente do melhor para cada um
individualmente.

4. Explique a razão de muitos governos proibirem coalizão entre empresas.


Os governos proíbem coalizões (cartéis) porque elas permitem que empresas atuem
como um monopólio, gerando três prejuízos fundamentais à sociedade:
1. Aumento de preços e perda de bem-estar. A coalizão restringe a produção
artificialmente, elevando preços acima do custo marginal. Os consumidores pagam mais e
consomem menos, gerando uma perda seca (deadweight loss).
2. Ineficiência produtiva e dinâmica. Sem pressão competitiva, as empresas perdem
incentivo para reduzir custos, inovar ou melhorar qualidade. A economia fica estagnada,
prejudicando a competitividade de longo prazo.
3. Distribuição regressiva de renda. A transferência de renda dos consumidores
(geralmente mais dispersos e de menor poder de barganha) para os acionistas das empresas
concentra riqueza e agrava desigualdades.
Além disso, cartéis tendem a criar barreiras à entrada de novas empresas, perpetuando
o domínio de poucos grupos. Por essas razões, a maioria das legislações (incluindo a
Lei da Concorrência em Moçambique) considera a coalizão uma prática
anti-competitiva, sujeita a multas elevadas e até responsabilidade criminal. A
proibição visa preservar a concorrência como mecanismo de alocação eficiente de
recursos e proteção do consumidor.

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