PSICANÁLISE
PSICANÁLISE
Freud inicia seu pensamento teórico assumindo que não há nenhuma continuidade na vida
mental. Ele afirmou que nada ocorre ao acaso e muitos os processos mentais. Há uma causa
para cada pensamento, para cada pensamento e memória revivida, sentimento ou ação.
Consciente
o consciente é somente uma pequena parte da mente, inclui tudo do que estamos ciente no
momento.
Inconsciente
Era o principal interesse de Freud - a premissa de Freud era que há conexões entre todos os
eventos mentais. Quando o pensamento e o sentimento parecem não estar ligados - estão no
inconsciente.
No inconsciente estão elementos instintivos, que nunca foram conscientes e que não são
acessíveis ao consciente. – O material que foi excluindo, cesurado e reprimido – não é
permitido de ser lembrado.
Memórias muito antigas quando libertada à consciência, não perdem nada de sua força
emocional.
Pré-Consciente
Parte do inconsciente que pode ser tornar facilmente consciente. Ex: memórias; lembranças de
ontem; seu segundo nome; cheiros; etc..
Pulsões e Instintos
Instintos são pressões que dirigem um organismo para fins particulares. Quando Freud usa o
termo, ele não se refere aos complexos padrões de comportamento herdados dos animais
inferiores, mas seus equivalentes nas pessoas. Tais instintos são “a suprema causa de toda
atividade”.
Freud em geral se referia aos aspectos físicos dos instintos como necessidades; seus aspectos
mentais podem ser comumente denomina dos desejos. Os instintos são as forças propulsoras
que incitam as pessoas à ação.
Todo instinto tem quatro componentes: uma fonte, uma finalidade, uma pressão e um objeto.
A fonte, quando emerge a necessidade, pode ser uma parte do corpo ou todo ele. A finalidade
é reduzir a necessidade até que mais nenhuma ação seja necessária, é dar ao organismo a
satisfação que ele no momento deseja. A pressão é a quantidade de energia ou força que é
usada para satisfazer ou gratificar o instinto; ela é determinada pela intensidade ou urgência da
necessidade subjacente. O objeto de um instinto é qualquer coisa, ação ou expressão que
permite a satisfação da finalidade original.
Consideremos o modo como esses componentes aparecem numa pessoa com sede. O corpo
desidrata-se até o ponto em que precisa de mais líquido; a fonte é a necessidade crescente de
líquidos. À medida que a necessidade torna-se maior, pode tornar-se consciente como “sede” .
Enquanto esta sede não for satisfeita, toma-se mais pronunciada; ao mesmo tempo em que
aumenta a intensidade, também aumenta a pressão ou energia disponível para fazer algo no
sentido de aliviar a sede. A fmalidade é reduzir a tensão. O objeto não é simplesmente um
líquido: leite, água ou cerveja, mas todo ato que busca reduzir a tensão. Isto pode incluir
levantar-se, ir a um bar, escolher entre várias bebidas, preparar uma delas e bebê-la.
Pulsão - “processo dinâmico que consiste numa pressão ou força (carga energética, fator de
motricidade) que faz tender o organismo para um alvo”
Instinto - “esquema de comportamento herdado, próprio de uma espécie animal, que pouco
varia de um indivíduo para outro, que se desenrola segundo uma seqüência temporal pouco
suscetível de alterações, e que parece corresponder a uma finalidade”
Instintos Básicos
O primeiro modelo descrevia duas forças opostas a sexual (de modo erótico) e a
agressiva/destrutiva.
Os instintos são canais através dos quais a energia pode fluir – esta energia obedece suas
próprias leis
Libido - “desejo” - é a energia aproveitável para os instintos de vida. O uso do termo por Freud
é às vezes confuso, uma vez que o descreve como quantidade mensurável. “Sua produção,
aumento ou diminuição, distribuição e deslocamento devem proporcionar-nos possibilidades
de explicar fenômenos psicossociais observáveis”
Outra característica importante da libido é sua “mobilidade” , a facilidade com que pode passar
de uma área de atenção para outra. Freud descreveu a natureza passageira da receptividade
emocional como um fluxo de energia, fluindo para dentro e para fora das áreas de interesse
imediato. A energia do instinto de agressão ou de morte não tem um nome especial. Ela
supostamente apresenta as mesmas propriedades gerais que a libido, embora Freud não tenha
elucidado este aspecto.
Catexia. Catexia é o processo pelo qual a energia libidinal disponível na psique é vinculada a ou
investida na representação mental de uma pessoa, idéia ou coisa. A libido que foi catexizada
perde sua mobilidade original e não pode mais mover-se em direção a novos objetos. Está
enraizada em qual quer parte da psique que a atraiu e segurou.
se voc imaginar seu depósito de libido como uma dada quantidade de dinheiro, catexia é o
processo de investi-la. Uma vez que uma porção foi investida ou catexizada, permanece aí,
deixando você com essa porção a menos para investir em outro lugar.
Estudos psicanalíticos sobre luto, por exemplo, interpretam o desinteresse das ocupações
normais e a preocupação com o recente finado como uma retirada de libido dos
relacionamentos habituais e uma “extrema” ou “hiper” catexia da pessoa perdida.
As observações de Freud a respeito de seus pacientes revelaram uma série interminável de conflitos e acordos
psíquicos. A um instinto opunha-se outro; proibições sociais bloqueavam pulsões biológicas e os modos de enfrentar
situações freqüentemente chocavam-se uns com os outros. Ele tentou ordenar este caos aparente propondo três
componentes básicos estruturais <te psique: o id, o ego e o superego.
O Id. O Id “contém tudo o que é herdado, que se acha presente no nas cimento, que está presente na coristituição
acima de tudo, portanto, os instintos que se originam da organização somática e que aqui (no id) encontrair uma
primeira expressão psíquica, sob formas que nos são desconhecidas
Embora as outras partes da estrutura se desenvolvam a partir do id, ele próprio é amorfo, caótico e desorganizado.
Os conteúdos do id são quase todos inconscientes, eles incluem configurações mentais que nunca se tornaram
conscientes, assim como o material que foi considerado inaceitável pela consciência. Um pensamento ou uma
lembrança, excluído da consciência e localizado nas sombras do id, é mesmo assim capaz de influenciar a vida
mental de uma pessoa. Freud acentuou o fato de que materiais esquecidos conservam o poder de agir com a mesma
No ID - não existe nada que corresponda a ideia de tempo. - não conhece nenhum julgamento
de valores - não conhece nem o bem, nem o mal, nem a moralidade.
O Ego. 0 ego é a parte do aparelho psíquico que está em contato com a realidade externa. Desenvolve-se a partir do
id, à medida que o bebê toma-se cônscio de sua própria identidade, para atender e aplacar as constantes exigências do
id. Como a casca de uma árvore, ele protege o id mas extrai dele a energia, a fim de realizar isto. Tem a tarefa de
garantir a saúde, segurança e sanidade da personalidade. Freud descreve suas várias funções em relação com o mundo
externo e com o mundo interno, cujas necessidades procura satisfazer.
Assim, o ego é originalmente criado pelo id na tentativa de enfrentar a necessidade de reduzir a tensão e aumentar o
prazer. Contudo, para fazer isto, o ego, por sua vez, tem de controlar ou regular os impulsos do id de modo que o
indivíduo possa buscar soluções menos imediatas e mais realistas
Um exemplo pode ser o de um encontro heterossexual. O id sente uma sensão que surge da excitação sexual
insatisfeita e poderia reduzir esta tensão através da atividade sexual direta e imediata. O ego tem que determinar
quanto da expressão sexual é possível e como criar situações em que o contato sexual seja o mais satisfatório
possível. O id é sensível à necessidade, enquanto que o ego responde às oportunidades.
Superego. Esta última parte da estrutura se desenvolve não a partir do id, mas a partir do ego.
Atua como um juiz ou censor sobre as atividades e pensamentos do ego. É o depósito dos códigos morais, modelos de
conduta e dos construtos que constituem as inibições da personalidade. Freud descreve três funções do superego:
consciência, auto-observação e formação de ideais. Enquanto consciência, o superego age tanto para restringir,
proibir ou julgar a atividade consciente; mas também age inconscientemente. As restrições inconscientes são
indiretas, aparecendo como compulsões ou proibições. “Aquele que sofre (de compulsões e proibições) comporta-se
como se estivesse dominado por um sentimento de culpa, do qual, entretanto, nada sabe”
A meta fundamental da psique é manter—e recuperar, quando perdido-um nível aceitável de equilíbrio dinâmico que
maximiza o prazer e minimiza o desprazer.
A energia que é usada para acionar o sistema nasce no id, que é de natureza primitiva, instintiva.
O ego, emergindo do id, existe para lidar realisticamente com as pulsões básicas do id e também age como mediador
entre as forças que operam no id e no superego e as exigências da realidade externa.
O superego, emergindo do ego, atua como um freio moral ou força contrária aos interesses práticos do ego. Ele fixa
uma série de normas que definem e limitam a flexibilidade deste último.
O id é inteiramente inconsciente, o ego e o superego o são em parte.
o propósito prático da psicanálise “é, na verdade, fortalecer o ego, fazê-lo mais independente do superego, ampliar
seu campo de percepção e expandir sua organização, de maneira a poder assenhorear-se de novas partes do id”
Fase Oral. Desde o nascimento, necessidade e gratificação estão ambas concentradas predominantemente ejn volta
dos lábios, língua e, um pouco mais tarde, dos dentes. A pulsão básica do bebê não é social ou interpessoal, é apenas
receber alimento para atenuar as tensões de fome e sede. Enquanto é alimentada, a criança é também confortada,
aninhada, acalentada e acariciada. No início, ela associa prazer e redução da tensão ao processo de alimentação.
A boca é a primeira área do corpo que o bebê pode controlar; a maior parte da energia libidinal disponível é
direcionada ou focalizada nesta área. Conforme a criança cresce, outras áreas do corpo desenvolvem-se e tornam-se
importantes regiões de gratificação. Entretanto, alguma energia é permanente mente fixada ou catexizada nos meios
de gratificação oral. Em adultos, existem muitos hábitos orais bem desenvolvidos e um interesse contínuo em manter
prazeres orais. Comer, chupar, mascar, fumar, morder e lamber ou beijar com estalo, são expressões físicas destes
interesses. Pessoas que mordicam constantemente, fumantes e os que costumam comer demais podem ser pessoas
parcialmente fixadas na fase oral, pessoas cuja maturação psicológica pode não ter se completado.
Fase Anal. À medida que a criança cresce, novas áreas de tensão e graficação são trazidas à consciência Entre dois e
quatro anos, as crianças geralmente aprendem a controlar os esfíncteres anais e a bexiga. A criança presta atenção
especial à micção e à evacuação.
A obtenção do controle fisiológico é ligada à percepção de que esse controle é uma nova fonte de prazer,
Características adultas que estão associadas à fixação parcial na fase anal dão ordem, parcimônia e obstinação. Freud
observou que esses três traaeral são encontrados juntos. Ele fala do “caráter anal” cujo comportamento está
intimamente ligado a experiências sofridas durante esta época da infancia.
As crianças pequenas gostam de observar suas fezes na privada, na hora de dar a descarga, e com freqüência acenam
e dizem-lhes adeus. Também não é raro a criança oferecer como presente a seu pai ou mãe parte de suas fezes.
Fase Fálica. Bem cedo, já aos três anos, a criança entra na fase fálica, que focaliza as áreas genitais do corpo. Freud
afirmava que essa fase é melhor caracterizada por “fálica” uma vez que é o período em que uma criança se dá conta
de seu pênis ou da falta de um. É a primeira fase em que as crianças tomam-se conscientes das diferenças sexuais.
O desejo de ter um pênis e a aparente descoberta de que lhe falta “algo" constituem um momento crítico no
desenvolvimento feminino. Segundo Freud: “A descoberta de que é castrada representa um marco decisivo no
crescimento da menina. Daí partem três linhas de desenvolvimento possíveis: uma conduz à inibição sexual ou à
neurose, outra à modificação do caráter no sentido de um complexo de masculinidade e a terceira, finalmente, à
feminilidade normal”
Freud tentou compreender as tensões que uma criança vivência quando sente excitação “sexual” , isto é, o prazer a
partir da estimulação de áreas genitais. Esta excitação está ligada, na mente da criança, à presença física próxima de
seus pais. O desejo desse contato torna-se cada vez mais difícil de se: satisfeito pela criança, ela luta pela intimidade
que seus pais compartilhair. entre si. Esta fase caracteriza-se pelo desejo da criança de ir para a cama de seus pais e
pelo ciúme da atenção que seus pais dão um ao outro, ao invés dá-la à criança.
“Se penetrarmos profundamente na neurose de uma mulher, não poucas vezes deparamos
com o desejo reprimido de possuir pênis”
Esta excitação está ligada, na mente da criança, à presença física próxima de seus pais. O desejo desse contato torna-
se cada vez mais difícil de se: satisfeito pela criança, ela luta pela intimidade que seus pais compartilhair. entre si.
Esta fase caracteriza-se pelo desejo da criança de ir para a cama de seus pais e pelo ciúme da atenção que seus pais
dão um ao outro, ao invés ât dá-la à criança
o menino que deseja esta: próximo de sua mãe, o pai assume alguns atributos de um rival. Ao mesm: tempo, o
menino ainda quer o amor e a afeição de seu pai e, por isso, sua mãe é vista como uma rival. A criança está na
posição insustentável de querer e temer ambos os pais.
Em meninos, Freud denominou a situação complexo de Édipo, segunde i peça de Sófocles. Na tragédia grega, Édipo
mata seu pai (desconhecendo siu verdadeira identidade) e, mais tarde, casa-se com a mãe. Quando finalmente toma
conhecimento de quem havia matado e com quem se casara, o própnc Édipo desfigura-se arrancando os dois olhos.
Freud acreditava que todo men no revive um drama interno similar.
Investigar Processos Mentais Ocultos: Ela nos ajuda a olhar profundamente para dentro da
mente humana e entender coisas que normalmente são difíceis de ver.
Tratar Problemas da Mente: Além disso, é uma forma de ajudar pessoas com problemas
mentais, especialmente aqueles que ele chamou de neuróticos. Isso envolve conversar e entender
o que está acontecendo nas mentes dessas pessoas para ajudá-las a melhorar.
Quando trazemos à tona esses pensamentos e sentimentos escondidos por meio da psicanálise, liberamos
energia que pode ser usada de forma mais saudável pelo nosso lado consciente, chamado de ego. Isso
ajuda a mente a funcionar de maneira mais equilibrada e saudável.
Quando trazemos à luz pensamentos e sentimentos escondidos em nossa mente, isso pode reduzir
comportamentos autodestrutivos. Por exemplo, podemos questionar a necessidade de nos punir ou nos
sentir inadequados ao tornar conscientes atos ou pensamentos que causam esses sentimentos.
Um exemplo comum é quando as pessoas têm inseguranças sobre seus órgãos sexuais, frequentemente
originadas na adolescência ou antes. Se não abordarmos essas preocupações e as mantivermos ocultas no
inconsciente, elas podem resultar em problemas sexuais, como falta de desejo sexual, ejaculação precoce
ou frigidez.
No entanto, ao explorar, expor e lidar com esses medos não expressos, podemos liberar mais energia
sexual e reduzir a tensão geral, o que pode melhorar nossa saúde mental e emocional. Em resumo, a
psicanálise de Freud ajuda a aliviar comportamentos autodestrutivos ao tornar conscientes pensamentos e
sentimentos escondidos.
Freud começou a estudar os sonhos ao ouvir as associações livres de seus pacientes e examinar suas
próprias autoanálises. Ele explicou que os sonhos têm um papel importante na mente. Eles ajudam a
mente a lidar com desejos não realizados e obstáculos que enfrentamos na vida cotidiana.
Do ponto de vista biológico, os sonhos têm a função de permitir que o sono não seja perturbado. Eles
atuam como uma maneira de expressar desejos não realizados sem acordar o corpo. Quando nossos
pensamentos do dia que não foram resolvidos se agarram à energia durante a noite, podem perturbar o
sono. Esses restos diurnos são transformados em sonhos através de um processo chamado elaboração
onírica.
Em resumo, Freud acreditava que os sonhos têm um papel fundamental na satisfação dos desejos e na
proteção da mente, permitindo que os pensamentos não resolvidos sejam expressos durante o sono sem
perturbar o descanso.
Os sonhos desempenham um papel crucial na psicanálise. Eles são resultado de um processo chamado
elaboração onírica, que transforma os materiais do sonho (como estímulos do corpo, pensamentos diurnos
e restos de memória) em sonhos conscientes, chamados de sonho manifesto.
Os sonhos são uma maneira de satisfazer desejos do id, especialmente durante o sono, quando o ego não
está tentando restringir esses desejos. Os sonhos canalizam esses desejos de forma a permitir uma
liberação de energia sem acordar o corpo.
Os sonhos não são simplesmente aleatórios; eles são complexos e têm significados ocultos. Freud
argumentou que os sonhos são uma forma de lidar com desejos não realizados ou questões não resolvidas
do dia-a-dia. Eles podem parecer estranhos, assustadores ou até obscuros, mas, através da análise
detalhada, Freud mostrou que os sonhos são uma seleção, distorção e transformação de desejos originais
para torná-los aceitáveis ao ego.
Em terapia psicanalítica, o terapeuta ajuda o paciente a interpretar seus sonhos para acessar material
inconsciente. Embora Freud tenha enfatizado a interpretação sexual dos sonhos, ele também reconheceu
que nem todos os sonhos têm conteúdo sexual. Ele argumentou que os sonhos são uma maneira de
satisfazer desejos não realizados e que têm um propósito psicológico importante. Outros psicanalistas,
como Jung e Perls, mesmo discordando de Freud em algumas interpretações, reconheceram sua
contribuição pioneira para o entendimento dos sonhos.
Os sonhos não são como sons aleatórios de um instrumento musical que foi golpeado por uma força
externa, sem controle ou sentido. Eles não são absurdos e não indicam que parte de nossas ideias está
adormecida enquanto outra está desperta. Em vez disso, os sonhos são fenômenos mentais válidos e têm
um propósito - a realização de desejos.
Os sonhos podem ser entendidos como atos mentais inteligíveis, parte de uma atividade mental complexa.
Eles são uma forma pela qual a mente lida com desejos e questões durante o sono, e não devem ser
considerados como simples ruídos sem sentido. Portanto, os sonhos têm um valor e significado
psicológico importante.
Um sonho pode ser visto como uma forma de psicose temporária,
com todos os elementos de absurdos, delírios e ilusões que são
característicos de uma psicose. No entanto, essa "psicose" do sonho
é de curta duração, geralmente inofensiva e até mesmo pode ter uma
função útil. Ela é desencadeada com o consentimento do indivíduo
(quando adormecemos) e é encerrada por sua vontade (quando
acordamos). Portanto, os sonhos são como pequenas experiências de
psicose que ocorrem durante o sono.
A sublimação é um processo pelo qual a energia que originalmente era direcionada para impulsos sexuais
ou agressivos é redirecionada para novos propósitos, muitas vezes voltados para objetivos artísticos,
intelectuais ou culturais. Isso é comparado à construção de canais para controlar um rio que antes causava
inundações. Em vez de destruir casas e propriedades, essa energia é desviada para atividades socialmente
aceitáveis.
Assim, grande parte das forças suscetíveis de utilização em atividades culturais é obtida pela supressão dos chamados
elementos pervertidos da excitação sexual
A ansiedade é o principal desafio enfrentado pela psique humana. Ela surge quando ocorre um aumento
na tensão ou no desconforto, seja devido a eventos reais ou percebidos, e pode se desenvolver em
qualquer situação. A ansiedade ocorre quando a ameaça a alguma parte do corpo ou da mente se torna
difícil de ignorar, controlar ou liberar.
Existem várias situações prototípicas que podem causar ansiedade, incluindo a perda de algo desejado, a
perda de amor, a perda de identidade e a perda de autoestima. A ameaça desses eventos desencadeia a
ansiedade.
Para lidar com a ansiedade, existem duas abordagens principais. A primeira envolve lidar diretamente
com a situação, resolvendo problemas, superando obstáculos e enfrentando ou evitando ameaças para
minimizar seu impacto. Isso é semelhante a lutar contra as dificuldades e reduzir as chances de que elas se
repitam.
A segunda abordagem, chamada de mecanismos de defesa, envolve distorcer ou negar a realidade para
proteger o ego e a personalidade contra a ameaça. Alguns dos principais mecanismos de defesa incluem
repressão, negação, racionalização, formação reativa, isolamento e projeção. Esses mecanismos
bloqueiam a expressão das necessidades instintivas e, quando usados em excesso, podem indicar a
possibilidade de sintomas neuróticos.
Em resumo, a ansiedade é o principal desafio psicológico, e as pessoas usam diferentes estratégias,
incluindo mecanismos de defesa, para lidar com ela quando se sentem ameaçadas.
Se o ego é obrigado a admitir sua fraqueza, ele irrompe em ansiedade—ansiedade realística referente ao mundo
externo, ansiedade moral referente ao superego e ansiedade neurótica referente á força das paixões do id
os mecanismos de defesa são estratégias psicológicas que o ego utiliza para lidar com pensamentos,
sentimentos ou situações que causam ansiedade. Aqui estão alguns dos principais mecanismos de defesa:
Repressão, Negação, Racionalização, Formação reativa, Projeção, Regressão.
Esses mecanismos de defesa podem ser encontrados em indivíduos saudáveis, mas seu uso excessivo ou
inflexível pode ser um sinal de possíveis problemas psicológicos, como sintomas neuróticos. Eles são
estratégias que ajudam a mente a evitar ou lidar com situações perturbadoras, mas também podem levar a
distorções da realidade e dificultar o enfrentamento saudável dos desafios da vida.
A repressão não é um processo único, mas uma batalha contínua, já que o conteúdo reprimido ainda está
presente no inconsciente, e a mente precisa gastar energia para mantê-lo afastado. Muitas vezes, os
sintomas psicológicos ou físicos têm raízes em conteúdos reprimidos. Por exemplo, se alguém tem
sentimentos ambivalentes em relação a um ente querido, como amar e odiar um pai, o desejo de que esse
pai morra, junto com fantasias e sentimentos de culpa, pode ser reprimido. Admitir esses sentimentos
seria inaceitável para o ego e o superego. Portanto, quando o pai morre, o complexo de sentimentos é
reprimido ainda mais, e a pessoa pode parecer indiferente à morte, mesmo que sinta dor e hostilidade
reprimidas por trás disso.
Negação, na psicanálise de Freud, é quando uma pessoa tenta evitar a realidade de algo perturbador ao
rejeitar a ideia de que isso aconteceu. Um exemplo disso é quando alguém se comporta como se um
evento desagradável nunca tivesse ocorrido, mesmo que haja evidências claras de que aconteceu.
Freud observou que os adultos têm uma tendência a distorcer a realidade, às vezes, inventando histórias
ou lembranças para negar eventos perturbadores. Ele não foi o primeiro a notar esse fenômeno; Darwin e
Nietzsche também reconheceram a tendência de as pessoas lembrarem seletivamente de eventos que se
ajustam melhor às suas crenças ou autoimagem.
Em resumo, a negação é um mecanismo de defesa no qual as pessoas tentam proteger seu ego evitando
aceitar a verdade desconfortável de uma situação ou experiência.
Racionalização, de acordo com a psicanálise de Freud, é quando uma pessoa encontra justificativas
lógicas ou éticas para comportamentos, pensamentos ou sentimentos que, na realidade, têm motivações
menos aceitáveis. É um processo pelo qual alguém busca explicar algo de forma que pareça aceitável,
mascarando assim as verdadeiras razões por trás de suas ações.
Por exemplo, alguém pode dizer "Estou fazendo isso pelo seu próprio bem" como uma racionalização
para esconder o fato de que, na verdade, quer fazer algo para seu próprio benefício ou prazer. Outro
exemplo seria alguém afirmando que uma ação é uma "continuação lógica" de seu trabalho anterior,
quando na verdade começou com um erro.
A racionalização é um mecanismo de defesa que ajuda a aliviar a pressão do superego (a parte da mente
que controla a moral) ao disfarçar motivações menos aceitáveis como motivos aceitáveis. No entanto,
como obstáculo ao crescimento, impede que a pessoa reconheça e lide com suas verdadeiras motivações,
o que pode ser importante para o desenvolvimento pessoal.
A história do rato escolhendo queijo ilustra como a racionalização pode tornar uma decisão simples,
como gostar de queijo, em algo excessivamente complexo e justificado de maneira exagerada.
Formação Reativa, em termos da psicanálise freudiana, é um mecanismo de defesa pelo qual alguém
substitui comportamentos e sentimentos que são opostos aos seus desejos reais. Isso envolve uma
inversão clara e, muitas vezes, inconsciente dos verdadeiros desejos.
No entanto, as formações reativas têm efeitos colaterais negativos. Elas tendem a ser excessivas, rígidas e
extravagantes, porque o impulso subjacente precisa ser cada vez mais ocultado. Isso pode prejudicar
relacionamentos sociais.
Por exemplo, alguém que sente raiva intensa por outra pessoa pode desenvolver uma formação reativa
exagerada, mostrando um amor excessivo e aparente para essa pessoa. Isso mascara a verdadeira raiva
subjacente.
A pessoa que construiu uma formação reativa não desenvolve certos mecanismos de defesa a serem usados quando
um perigo instintivo ameaça; ela modificou sua estrutura de personalidade como se esse perigo estivesse
continuamente presente, de forma a poder estar pronta quando quer que lhe ocorra
Projeção, na psicanálise de Freud, é um mecanismo de defesa onde uma pessoa atribui a outra pessoa,
animal ou objeto qualidades, sentimentos ou intenções que, na verdade, têm origem em si mesma. Isso
acontece quando alguém lida com seus próprios sentimentos ou pensamentos deslocando-os para algo ou
alguém externo. É uma forma de lidar com emoções reais, mas sem reconhecer ou estar consciente de que
esses sentimentos pertencem a si mesmo.
Por exemplo:
1. Alguém que pensa muito sobre sexo e afirma que "todos os homens/mulheres só
querem uma coisa" está projetando seu próprio pensamento sexual.
2. Alguém que tem o desejo de tirar vantagem injusta dos outros pode dizer "você nunca
pode confiar em..." e, assim, projetar seus próprios desejos injustos.
3. Se alguém diz "posso dizer que você está furioso comigo", essa pessoa pode estar
projetando sua própria raiva.
A projeção ocorre quando vemos em outras pessoas características que não reconhecemos em nós
mesmos. Pode acontecer tanto com atributos negativos quanto positivos. A chave é que não percebemos
essas mesmas características em nossa própria personalidade.
Pesquisas mostraram que pessoas que tendem a estereotipar ou julgar os outros também têm dificuldade
em reconhecer esses traços em si mesmas. A projeção é um mecanismo de defesa que nos permite lidar
com emoções internas ao atribuí-las a algo ou alguém externo.
Isolamento, na perspectiva de Freud, é um mecanismo de defesa no qual uma pessoa separa partes de
uma situação que causam ansiedade do restante de sua psique. Isso envolve dividir a situação de forma a
remover ou reduzir as emoções ligadas a ela.
O resultado desse processo é que, quando alguém discute problemas que foram isolados, eles o fazem de
maneira emocionalmente distante, como se os eventos tivessem ocorrido com outra pessoa. Isso pode
levar a uma abordagem muito objetiva e sem sentimentos ao lidar com situações, tornando-se a forma
dominante de enfrentar problemas. Como resultado, a pessoa pode ficar cada vez mais distante de seus
próprios sentimentos.
As crianças frequentemente brincam com esse conceito, dividindo sua identidade em partes boas e más.
Por exemplo, podem pegar um brinquedo e fazê-lo falar coisas proibidas, revelando comportamentos que
não seriam aceitáveis em situações normais.
Freud apontou que o isolamento é um mecanismo de defesa apenas quando é usado para proteger o ego
de aceitar aspectos de emoções ou relacionamentos que são dominados pela ansiedade.
Regressão, na perspectiva de Freud, é um mecanismo de defesa em que uma pessoa volta a um estágio de
desenvolvimento anterior ou a uma maneira mais simples e infantil de se expressar. Isso ocorre como uma
forma de lidar com a ansiedade, escapando do pensamento realista para comportamentos que costumavam
reduzir a ansiedade em fases anteriores da vida.
A regressão é um mecanismo de defesa mais primitivo e, embora possa aliviar temporariamente a tensão,
frequentemente deixa sem resolver a fonte original da ansiedade. É comum até mesmo em pessoas
saudáveis e bem ajustadas, e pode se manifestar de várias maneiras, como comportamentos impulsivos,
hábitos infantis, consumo excessivo de substâncias, comportamentos agressivos, entre outros. Em muitos
casos, essas formas de regressão são usadas por adultos como uma maneira de lidar com o estresse ou a
ansiedade.
Os mecanismos de defesa descritos por Freud são estratégias psicológicas que a mente utiliza para
proteger-se da tensão interna ou externa. Eles funcionam de várias maneiras: evitando a realidade
(repressão), negando a realidade (negação), redefinindo a realidade (racionalização) ou invertendo-a
(formação reativa). Também existem mecanismos que projetam sentimentos internos no mundo externo
(projeção), dividem a realidade (isolamento) ou permitem uma fuga dela (regressão).
É importante notar que todas essas defesas consomem energia psicológica e podem limitar a flexibilidade
e a força do ego. Quando uma defesa se torna muito dominante, ela pode controlar o ego e restringir sua
capacidade de se adaptar a situações diversas. Se as defesas falharem, a pessoa pode ser sobrecarregada
pela ansiedade. Em resumo, esses mecanismos de defesa desempenham um papel vital na psicologia
humana, mas também têm o potencial de criar limitações e problemas quando usados em excesso.
Freud abordou a personalidade considerando a importância do corpo e de suas funções fisiológicas. Ele
argumentava que as pulsões básicas, ou instintos, têm origem no corpo, e a energia mental (libido) deriva
da energia física. As respostas às tensões, sejam elas físicas ou mentais, influenciam nosso
comportamento.
A expressão primordial dessa energia está relacionada à sexualidade e como ela se manifesta em
diferentes aspectos da vida. Freud enfatizou que a maioria das funções vitais do corpo tem uma ligação
intrínseca com a sexualidade. Ele também destacou a importância da maturidade sexual genital como
parte do desenvolvimento humano.
A psicanálise é a primeira psicologia que considera com seriedade todo o corpo humano como um lugar para se viver. . .
. A psicanálise é profundamente biológica
A natureza abrangente da energia sexual ainda não foi corretamente entendida pelos psicólogos. Na verdade, o próprio
termo "energia reprodutiva ou sexual" é inapropriado. A reprodução é apenas um dos aspectos da energia vital da qual
o outro palco de atividade é o cérebro
As escolhas que fazemos em termos de parceiros amorosos, amigos, chefes e até mesmo inimigos muitas
vezes refletem padrões de relacionamento que foram estabelecidos na família de origem. Rivalidades
naturais entre irmãos e dinâmicas familiares são repetidas em nossos relacionamentos adultos, afetando
nossa vida sexual e nossa capacidade de nos adaptarmos às demandas dos outros. Às vezes, fazemos essas
escolhas conscientemente, mas muitas vezes não estamos cientes das influências subjacentes.
A teoria freudiana sugere que as experiências da infância têm um papel significativo na determinação das
escolhas adultas em relacionamentos. Isso pode ser desconfortável para algumas pessoas, pois implica
que suas opções futuras podem ser limitadas pelas experiências da infância. No entanto, é importante
lembrar que essas influências não determinam completamente nossos relacionamentos, mas sim moldam
as dinâmicas subjacentes que podem emergir em nossas interações ao longo da vida.
Freud não deu muita ênfase à vontade em sua teoria psicanalítica. Em uma de suas obras iniciais, ele
mencionou que a vontade poderia ser usada para reprimir eventos que causam ansiedade, mas a repressão
nem sempre era bem-sucedida. Em alguns casos, pacientes relataram que uma obsessão surgiu após
tentarem afastar pensamentos desagradáveis por meio do esforço de vontade.
Em situações de obsessão intensa, a vontade pode parecer "paralisada". Isso significa que a pessoa fica
indecisa ou incapaz de tomar decisões significativas devido a um conflito interno entre a necessidade de
aprovação e o medo de críticas ou ameaças.
Embora alguns analistas tenham ampliado a teoria psicanalítica para incluir uma compreensão mais
completa da vontade, esse conceito não ocupou um lugar central na teoria e na prática da psicanálise. A
ênfase principal da psicanálise de Freud estava nas forças inconscientes e nos mecanismos de defesa que
moldam o comportamento humano.
Freud percebeu que as emoções desempenham um papel fundamental em nossa psicologia, mesmo em
uma época em que a razão era amplamente valorizada e as emoções eram subestimadas. Ele descobriu
que somos principalmente seres emocionais, impulsionados por forças emocionais poderosas que têm
origem no inconsciente.
As emoções desempenham várias funções em nossas vidas. Elas aliviam a tensão e nos trazem prazer.
Além disso, as emoções podem servir ao ego, ajudando-o a evitar a consciência de lembranças ou
situações perturbadoras. Por exemplo, uma forte reação emocional, como uma fobia, pode efetivamente
impedir que uma pessoa se aproxime de objetos ou situações que possam desencadear ansiedades mais
profundas, muitas vezes relacionadas a traumas infantis.
Freud usou a observação das respostas emocionais, incluindo suas expressões adequadas ou inadequadas,
como pistas para desvendar e compreender as forças motivadoras que residem no inconsciente. Em
resumo, ele reconheceu que as emoções desempenham um papel central em nossa psicologia e são
fundamentais para a compreensão de nossa mente e comportamento.
Para Freud, o intelecto é uma ferramenta disponível para o ego. Uma pessoa mais livre é aquela que pode
usar a razão quando apropriado, mantendo uma vida emocional consciente. Isso significa que essa pessoa
não é dominada por emoções passadas, mas pode responder de maneira equilibrada a cada situação,
levando em consideração suas preferências pessoais e as normas sociais.
Freud tinha uma profunda paixão pela busca da verdade e acreditava firmemente na capacidade da razão
como uma ferramenta para enfrentar os desafios da existência humana. Ele via a razão como a única
capacidade humana capaz de solucionar problemas e aliviar o sofrimento inerente à vida.
No entanto, Freud também reconheceu que a mente humana tem camadas profundas e inconscientes que
podem afetar nosso comportamento e decisões. Ele acreditava que trazer esses aspectos inconscientes à
luz da consciência permitiria que fossem abordados de maneira racional. Em outras palavras, ele
argumentou que o intelecto pode ser usado para lidar com pulsões instintivas e irracionais quando são
trazidas à consciência. Portanto, o uso eficaz do intelecto depende da força e da capacidade do ego. Se o
ego é forte, o intelecto pode apoiar essa força; se o ego é fraco, o intelecto pode ser usado para compensar
essa fraqueza.
A psicanálise é a prática terapêutica desenvolvida por Freud com o objetivo de ajudar os pacientes a
melhorar o funcionamento de seu ego, lidando com conflitos provenientes do mundo externo, do
superego (a parte moral) e das demandas instintivas do id (os desejos primários).
Para se tornar um psicanalista, originalmente, Freud encorajava os interessados a estudarem seus próprios
sonhos e produções inconscientes como um meio de autoconhecimento. No entanto, mais tarde, percebeu
que isso tinha limitações e passou a recomendar que os candidatos passassem por uma análise didática
com um analista experiente para se tornarem conscientes de suas próprias questões pessoais. Essa análise
didática permitia que os futuros analistas não confundissem suas próprias necessidades com as de seus
pacientes.
Em relação à formação, Freud enfatizava a necessidade de uma formação específica para praticar a
psicanálise, independentemente de ser médico ou não, pois considerava que o requisito médico não era
essencial em muitos casos. Portanto, a psicanálise é uma abordagem terapêutica que requer um
treinamento especializado e uma compreensão profunda da teoria freudiana para ser praticada de forma
eficaz.
Para manter-se firm e contra esta investida geral do paciente, o próprio analista deve ter sido plena e completamente
analisado. . . . O próprio analista, do qual depende o destino de tantas pessoas, deve conhecer e controlar até mesmo
as mais recônditas fraquezas de seu próprio caráter, o que é impossível de ser alcançado sem uma análise plenamente
realizada,
De acordo com a lei, charlatão é qualquer um que trata pacientes sem possuir diploma oficial que prove que ele é
médico. Eu preferiria outra definição: charlatão é aquele que efetua um tratamento sem possuir o conhecimento e a
capacidade necessários para tanto (1926, livro 25, p. 149 na ed. bras.).
O analista age como uma tela em branco, não revelando muito de sua própria personalidade. Isso permite
que o paciente projete nele sentimentos, atitudes ou características que pertencem a pessoas de seu
passado. Essa transferência é essencial para o processo terapêutico, pois traz à tona eventos passados em
um novo contexto que pode ser explorado na terapia.
O terapeuta interpreta o que o paciente compartilha, sugerindo conexões que o paciente pode não ter
percebido anteriormente. Isso ajuda o paciente a entender como seus sentimentos e pensamentos estão
relacionados a eventos passados e a lidar com eles de forma mais saudável.
O processo analítico permite que a energia que foi reprimida no inconsciente gradualmente emerja na
consciência, onde pode ser utilizada pelo ego em desenvolvimento. O terapeuta expõe, explora e isola os
instintos que foram negados ou distorcidos pelo paciente, permitindo a formação de hábitos mais
saudáveis e o estabelecimento de uma psicossíntese natural durante o tratamento analítico.
A Psicanálise Freudiana tem suas limitações. Ela não é aplicável a todos, e seguir seus procedimentos
corretamente não garante necessariamente uma melhora. Freud especificou que a terapia analítica é mais
adequada para neuroses de transferência, como fobias, histerias e neuroses obsessivas, bem como para
certas anormalidades de caráter que se desenvolveram a partir dessas doenças.
Alguns analistas acreditam que os melhores candidatos para a análise são pacientes que já estão
funcionando razoavelmente bem, com uma estrutura de ego saudável e intacta. Freud alertou contra a
ideia de que a psicanálise poderia ser uma cura definitiva para todos os problemas. Ele reconheceu que a
psicanálise é um método terapêutico com suas próprias limitações e desafios, e que não pode competir
com os milagres atribuídos a certas crenças religiosas, como os milagres da Santa Virgem em Lourdes.
A Psicanálise Freudiana é uma estrutura teórica complexa e influente. Freud desenvolveu ideias
revolucionárias que moldaram não apenas a psicologia, mas também campos como literatura, arte,
antropologia, sociologia e medicina. Suas contribuições, como a importância dos sonhos e dos processos
inconscientes, são amplamente aceitas.
No entanto, suas teorias também são amplamente debatidas, especialmente aquelas relacionadas ao ego,
id e superego, além do complexo de Édipo e sexualidade feminina. Algumas partes de seu trabalho, como
as teorias sobre a origem da civilização, foram criticadas.
A avaliação de Freud varia de pessoa para pessoa, e suas ideias podem parecer relevantes ou irrelevantes
em diferentes momentos da vida de alguém. Estudar Freud é importante, pois suas ideias nos fazem
refletir sobre nossa própria psicologia e oferecem insights valiosos sobre a natureza humana. Qualquer
resposta às ideias de Freud reflete não apenas sua teoria, mas também seu próprio estado de espírito e
perspectiva pessoal.
As ideias de Freud têm implicações profundas para o crescimento pessoal. Ele sugere que entender nosso
mundo interior e comportamento é desafiador, pois escondemos de nós mesmos pistas importantes,
muitas vezes com sucesso.
Freud argumenta que todos os nossos comportamentos estão interligados e que nada acontece por acaso
na psicologia. Suas escolhas, gostos e até mesmo aversões podem se originar de experiências esquecidas
ou reprimidas.
No entanto, Freud também nos alerta sobre a natureza falível da memória. Ele ilustra isso com um
exemplo de um autor que se lembra vividamente de uma aversão à comida de infância, mas sua mãe tem
uma versão diferente e mais curta da história. Isso nos mostra como nossas memórias podem ser afetadas
por repressões, distorções e elaborações seletivas.
Freud não oferece uma solução para esse dilema, mas ele nos encoraja a usar instrumentos como
autoexame, reflexão, análise de sonhos e observação de padrões de pensamento e comportamento
repetidos para entender a nós mesmos. Essas ferramentas, que formam a base da psicanálise, podem ser
valiosas para explorar nossa própria psicologia e promover o crescimento pessoal.
Freud estava de férias nas montanhas quando conheceu uma jovem chamada Katharina que sofria de falta
de ar súbita e ansiedade. Ele percebeu que esses sintomas podiam ser causados por um ataque de
ansiedade e iniciou uma conversa para entender melhor o problema.
Katharina descreveu seus sintomas, incluindo falta de ar, aperto nos olhos, tontura, sensação de sufocação
e um zumbido na cabeça. Ela também mencionou que sentia medo de morrer durante esses ataques.
Freud suspeitou que esses sintomas estavam relacionados à ansiedade e começou a questionar Katharina
sobre qualquer coisa que pudesse estar associada aos ataques. Ela mencionou que sempre via um rosto
assustador durante esses episódios, mas não conseguia identificá-lo.
Ele também perguntou sobre a origem dos ataques e descobriu que eles começaram quando Katharina
ainda morava com sua tia em outra montanha, há dois anos.
Freud suspeitou que os sintomas de Katharina poderiam estar relacionados a questões sexuais não
resolvidas, pois frequentemente as ansiedades em mulheres jovens estão ligadas a questões sexuais.
Essa é uma amostra de como Freud conduzia uma análise, usando a conversa para descobrir possíveis
causas de sintomas neuróticos e buscar compreensão e tratamento para essas questões.
Neste caso, Freud estava tratando uma mulher jovem chamada Katharina, que sofria de ansiedade e
ataques de falta de ar. Ele questionou Katharina sobre seus sintomas e descobriu que ela tinha esses
ataques há dois anos, quando surpreendeu seu tio com sua prima, Franziska, em uma situação
comprometedora.
Katharina descreveu como, na época, olhou pela janela e viu seu tio sobre Franziska. Depois disso, ela
ficou sem ar, suas pálpebras se fecharam e ela teve uma sensação de zumbido na cabeça. Freud sugeriu
que esse evento desencadeou seus ataques de ansiedade e falta de ar.
Ele perguntou a Katharina se ela compreendia o que estava acontecendo naquela época, mas ela afirmou
que não tinha entendido nada naquela ocasião, pois tinha apenas dezesseis anos.
Freud explicou que os sintomas de Katharina estavam relacionados a esse evento, mas ela não conseguia
lembrar dos detalhes porque seu corpo reagiu ao trauma criando um estado hipnóide, isolando os produtos
desse evento de sua consciência.
No entanto, Freud também observou que a imagem que Katharina via durante seus ataques não era
exatamente a de Franziska, mas possivelmente a de um homem, talvez seu tio. Katharina concordou que a
imagem não correspondia exatamente a Franziska e que seu tio não parecia ter feito uma expressão tão
assustadora naquele momento.
Essa análise de Freud mostra como ele explorou a relação entre eventos traumáticos do passado e os
sintomas atuais de seus pacientes, usando a psicanálise para desenterrar memórias reprimidas e entender o
que estava acontecendo em suas mentes.
Nesse trecho, a paciente descreve que se sentiu mal após testemunhar o encontro íntimo de seus pais.
Dois dias depois, ela começou a se sentir tonta e doente, ficando na cama por três dias seguidos. Freud,
juntamente com Breuer, que frequentemente comparavam os sintomas histéricos a uma linguagem
simbólica, interpretou que essa doença subsequente representava uma forma de repulsa.
Freud sugeriu que essa repulsa poderia estar relacionada ao que a paciente testemunhou, mesmo que ela
não conseguisse lembrar com clareza. Ele especulou que talvez ela tenha visto algo que a perturbou
profundamente, mesmo que ambos estivessem vestidos e o ambiente estivesse escuro demais para ver
detalhes. Freud encorajou a paciente a continuar compartilhando suas lembranças e pensamentos, na
esperança de que isso levasse a uma compreensão mais profunda do que causou seus sintomas. Essa
abordagem é uma característica fundamental da psicanálise freudiana, que busca desvendar os
significados subjacentes aos sintomas através da exploração das experiências e emoções do paciente.
Repressão de Traumas: A paciente inicialmente reprimiu traumas relacionados às experiências
traumáticas com seu tio.
Sintomas Histéricos: Os sintomas (neste caso, acessos e doenças) podem ser vistos como
manifestações de conflitos não resolvidos, especialmente quando não se consegue lembrar
claramente o que causou esses sintomas.
Isso mostra como Freud explorava o papel da repressão, do inconsciente e dos conflitos não resolvidos
nas psicopatologias e no comportamento humano.
Bem, ela passou a descrever como afinal contou sua descoberta à tia, que achou que ela
estava mudada e suspeitou que escondia algum segredo. Seguiram-se algumas cenas muito
desagradáveis entre o tio c a tia, no curso das quais as crianças vieram a ouvir muitas coisas
que lhes abriram os olhos de várias maneiras e que teria sido melhor que não tivessem ouvido.
Finalmente, sua tia resolveu mudar-se
com as crianças e a sobrinha c ficar com a presente estalagem, deixando o tio sozinho com
Franziska, que entrementes ficara grávida. Depois disso, contudo, para minha surpresa, ela
abandonou esses encadeamentos c começou a narrar-me dois grupos de histórias mais
antigas, que retrocediam a dois ou três anos antes do momento traumático. O primeiro grupo
relacionava-se com ocasiões nas quais o mesmo tio fizera investidas sexuais contra ela própria,
quando ela tinha apenas quatorze anos. Descreveu como certa feita fora com ele numa viagem
até o vale, no inverno, e passara ali a noite na estalagem. Ele ficou no bar bebendo c jogando
cartas, mas ela sentiu sono e foi cedo para a cama no quarto que iam partilhar no andar de
cima. Ela não estava ainda inteiramente adormecida quando ele
subiu; então ela adormeceu novamente e despertou de súbito, “sentindo o corpo dele” na
cama. Ela deu um salto c admoestou-o: “O que é que o senhor está fazendo, tio? Por que não
fica na sua própria cama?” Ele tentou acalmá-la: “Ora, sua tola, fique quieta. Você não sabe
como é bom.” “ Não gosto de suas coisas ‘boas’; o senhor nem sequer deixa alguém dormir em
paz.” Ela ficou de pé na porta, pronta a refugiar-se no corredor, até que finalmente ele desistiu
e foi dormir. Então ela voltou para a sua própria cama e dormiu até de manhã. Da forma pela
qual relatou ter-se defendido, parece que não reconheceu nitidamente a investida como de
ordem sexual. Quando lhe perguntei se ela sabia o que ele estava tentando fazer com ela,
respondeu: “Não naquela ocasião” . Disse então que isso tinha ficado claro para ela muito
depois: resistira porque era desagradável ser perturbada no sono e “porque não era correto” .
No caso, a paciente descreveu experiências traumáticas envolvendo seu tio, que incluíram investidas
sexuais quando ela tinha 14 anos. Ela não compreendeu completamente essas experiências na época.
Anos depois, ao testemunhar uma cena de intimidade entre seu tio e outra mulher, ela conectou essa
imagem à lembrança das investidas do tio e começou a sentir repulsa. Esse evento desencadeou sintomas
de conversão, como vômitos, substituindo sua repulsa original. Além disso, a paciente também relatou
alucinações periódicas de um rosto assustador, que ela reconheceu como o rosto enfurecido de seu tio,
que costumava ameaçá-la durante conflitos familiares. Essas alucinações e sintomas de ansiedade foram
interpretados como uma forma de histeria que havia sido abrandada. A paciente compartilhou essas
experiências com sua tia durante um período de conflito familiar, quando havia ameaças de divórcio.