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ARTIGO

O artigo analisa a expansão do acesso à Educação Superior no Brasil nas últimas décadas, destacando os avanços e desafios desse processo. A pesquisa bibliográfica, baseada em dados do INEP, revela um aumento significativo nas matrículas e instituições, mas ressalta que o acesso ampliado não garante a qualidade do ensino. O estudo enfatiza a necessidade de políticas públicas e práticas institucionais que promovam não apenas o acesso, mas também a permanência e a conclusão dos cursos com qualidade.

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O artigo analisa a expansão do acesso à Educação Superior no Brasil nas últimas décadas, destacando os avanços e desafios desse processo. A pesquisa bibliográfica, baseada em dados do INEP, revela um aumento significativo nas matrículas e instituições, mas ressalta que o acesso ampliado não garante a qualidade do ensino. O estudo enfatiza a necessidade de políticas públicas e práticas institucionais que promovam não apenas o acesso, mas também a permanência e a conclusão dos cursos com qualidade.

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ARTIGO ORIGINAL

__________________________

A EDUCAÇÃO SUPERIOR BRASILEIRA: ENTRE A AMPLIAÇÃO


DO ACESSO E DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS

Francielle Pereira Nascimento1


Katya Luciane de Oliveira2
Deivid Alex dos Santos3

RESUMO: Este artigo apresenta a expansão do acesso à Educação Superior no Brasil nas
últimas décadas com o objetivo de discutir os avanços e desafios resultantes desse
processo. Para tanto, foi realizada uma pesquisa bibliográfica a qual utilizou dados
quantitativos do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeira) referentes ao Censo da Educação Superior (2000 – 2023) e pressupostos teóricos
de autores que discutem a temática, como Almeida et al. (2012), Osti, Nogueira e Pissinatti
(2023) e Vargas e Heringer (2017). Os resultados possibilitaram a articulação entre os
dados e o referencial teórico frente ao crescimento significativo do número de matrículas,
ingressos e Instituições de Ensino Superior (IES) que tem se consolidado do final do século
XX até os dias atuais. Ressalta-se o papel dos programas governamentais voltados ao
acesso e à permanência estudantil, bem como a participação da rede privada na oferta
dessa etapa de ensino. Entretanto, pondera-se que a ampliação do acesso não corresponde,
necessariamente, à qualidade do ensino ofertado. A literatura evidencia que o estudante
que adentra o Ensino Superior enfrenta um processo de adaptação e integração, o qual é
complexo e condicionado por fatores sociais, acadêmicos e de aprendizagem, demandando,
assim, um ambiente de apoio que favoreça sua permanência e a conclusão do curso. Nesse
contexto, o cenário atual impõe o desafio da mobilização tanto na esfera das políticas
públicas de garantia de acesso e permanência, quanto institucional, no que diz respeito às
práticas que sejam capazes de viabilizar não apenas o acesso, mas a continuidade e
conclusão dos estudos com qualidade na Educação Superior.

PALAVRAS-CHAVE: Educação Superior; Expansão; Qualidade.

ABSTRACT: This article presents the expansion of access to higher education in Brazil
in recent decades, aiming to discuss the advances and challenges resulting from this
process. To this end, bibliographical research was conducted using quantitative data from
INEP (National Institute of Studies and Educational Research Anísio Teixeira) related to

1
Doutora em Educação, Universidade Estadual de Maringá (UEM) campus Cianorte – Professora Adjunta do
Departamento de Pedagogia, Cianorte-PR, e-mail: fpnascimento@[Link].
2
Pós-Doutora em Avaliação Psicológica, Universidade Estadual de Londrina (UEL) – Professora Associada
do Departamento de Psicologia e Psicanálise, Londrina, PR, (43) 3371-4203, katyauel@[Link].
3
Doutor em Educação, Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR) campus Campo Mourão – Professor
Adjunto do curso de Pedagogia, Campo Mourão- PR, (44) 3518-1880, e-mail:
mensagemprodeivid@[Link].

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the Higher Education Census (2000–2023) and theoretical assumptions from authors who
discuss the topic, such as Almeida et al. (2012), Osti, Nogueira, and Pissinatti (2023), and
Vargas and Heringer (2017). The results allowed for the articulation between the data and
the theoretical framework in view of the significant growth in the number of enrollments,
admissions, and Higher Education Institutions (HEIs) that has been consolidated from the
end of the 20th century to the present day. The role of government programs aimed at
student access and retention is emphasized, as well as the participation of the private sector
in offering this stage of education. However, it is important to note that expanding access
does not necessarily equate to the quality of education offered. The literature shows that
students entering higher education face a complex process of adaptation and integration,
conditioned by social, academic, and learning factors. This process requires a supportive
environment that fosters their retention and course completion. In this context, the current
scenario poses the challenge of mobilization, both in the sphere of public policies to
guarantee access and retention, and institutionally, with regard to practices capable of
enabling not only access but also the continuation and completion of high-quality studies
in higher education.

KEYWORDS: Higher Education; Expansion; Quality.

INTRODUÇÃO

Este estudo se configura como sendo a ampliação e atualização de resultados de


discussões teórico-científicas advindas de uma pesquisa de pós-graduação, nível de
doutorado na área da educação sobre o contexto universitário brasileiro. Ele também se
articula ao projeto de pesquisa denominado “A Teoria Social Cognitiva e suas interfaces
com o ensino e a aprendizagem autorregulada na Educação Superior” desenvolvido no
Departamento de Pedagogia da universidade Estadual de Maringá (UEM). O projeto se
encontra em fase inicial e nesta primeira etapa tem como objetivo: compreender o contexto
da Educação Superior brasileira na contemporaneidade a partir da expansão do acesso a
este nível.
Sendo assim, o objetivo do presente artigo é apresentar a expansão da Educação
Superior brasileira nas últimas décadas com a finalidade de discutir os avanços e desafios
deste cenário. Para alcançar o objetivo proposto, foi desenvolvida uma revisão
bibliográfica e análise documental, a qual se apoia em autores da temática e em dados
coletados e divulgados pelo INEP sobre o Censo da Educação Superior brasileira.
A busca pelo ingresso nos cursos do Ensino Superior cresceu significativamente
entre o período que compreende as décadas de 1980 aos anos 2000. Segundo Almeida et
al. (2012) e Santos et al. (2013), esse nível de ensino passou a representar na vida dos

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indivíduos uma forma de ascensão intelectual, econômica e profissional. Em uma


perspectiva mais ampla, passou a ser uma fonte de crescimento do próprio país no aspecto
político, econômico, social e cultural ao ter os brasileiros com nível mais elevado de
formação.
De acordo com Vargas e Heringer (2017), as transformações que levaram a
expansão da Educação Superior brasileira tiveram início na segunda metade do século XX.
A quantidade de cursos de graduação oferecidos no Brasil passou de 99 mil, em 1961, para
1,34 milhão em 1980, o que demonstra um interesse na procura por esse nível acadêmico,
além dos demais níveis da Educação Básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental e
Ensino Médio). Contudo, a história da Educação Superior brasileira evidencia que este fato
é recente, pois a universidade chegou tardiamente no Brasil, visto que no período colonial
e pós-colonial, as propostas educacionais priorizavam os interesses dos colonizadores.
No passado, os cursos superiores foram inaugurados durante o período Imperial, em
sua maioria oferecidos sobre a justificativa da necessidade de mão de obra qualificada para
atender as demandas da sociedade. A universidade, enquanto instituição, só foi uma
realidade no início do século XX e muitas transformações de cunho administrativo e que
culminaram no modelo atual como a articulação entre ensino, pesquisa e extensão
resultaram da Lei nº 5.540/68, a qual dispôs sobre a Reforma Universitária (Vargas;
Heringer, 2017). A partir das décadas seguintes, a expansão do acesso à Educação Superior
no Brasil cresceu significativamente, influenciada pela oferta de cursos pela iniciativa
privada (Batalha, 2024).
Segundo Batalha (2024), políticas públicas impactaram tanto o setor público quanto
o privado, na busca por formar um público estudantil diverso. O crescimento da Educação
Superior privada no Brasil, por exemplo, foi impulsionado pelo FIES (Financiamento
Estudantil), pelo PROUNI (Programa Universidade para Todos) e pela regulamentação da
Educação a Distância (EAD), que transformou a dinâmica do setor. No que diz respeito às
universidades públicas, o governo brasileiro promoveu mudanças no acesso às vagas,
como a utilização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), a introdução de
programas de ações afirmativas, e a implementação do Programa de Reestruturação e
Expansão das Universidades Federais (REUNI).
O cenário favorável de democratização do acesso do nível superior resultou em
novos espaços de formação. Um novo contexto é estabelecido, na esfera privada
principalmente, composto por diversas parcelas da população, formado em grande parte

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por vínculos mediante à programas de financiamento com interesses do setor privado. No


setor público, estudantes adentram também por meio de políticas publicas que se tornaram
extremamente necessárias e importantes para democratização da IES públicas. Assim,
novos desafios em relação à essa etapa de ensino e a vida universitária se estabelecem
progressivamente.
Com vistas a atender o objetivo proposto, o artigo foi estruturado em três tópicos. O
primeiro apresenta aspectos gerais da história da Educação Superior brasileira, com foco
na progressiva expansão do acesso. O segundo tópico descreve os caminhos metodológicos
da pesquisa, bem como, os dados extraídos dos Censos da Educação Superior das últimas
duas décadas. Num terceiro momento, será apresentada a discussão da análise dos dados, a
qual evidencia os avanços, os desafios e limites contemporâneos, assim como, a
articulação com o referencial teórico proposto.

ASPECTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO SUPERIOR

A trajetória da Educação Superior no Brasil revela que sua estruturação não seguiu
os mesmos moldes observados em países europeus e colônias americanas e inglesas. Em
colônias americanas, espanholas e inglesas, por exemplo, a abertura das IES (Instituição de
Ensino Superior) marcam o início do período colonial, enquanto no Brasil, os filhos da
elite se deslocavam para a Europa, a fim de complementar seus estudos em nível superior
(Do Carmo et al., 2023). Enquanto nesses contextos as universidades foram criadas ainda
nos períodos coloniais ou logo após, no Brasil, sua implantação ocorreu de forma tardia.
Tal fato se relaciona com o processo de colonização, cujos interesses não contemplavam a
constituição de universidades no território brasileiro.
Durante toda a Colônia e início do Império, o acesso ao Ensino Superior era
extremamente restrito. Conforme relata Flores (2017), os jovens mais abastados se
deslocavam para diversas faculdades europeias, principalmente a Universidade de Coimbra
nos cursos de medicina, direito e engenharia. Nessa perspectiva, a autora assevera que a
única possibilidade de seguir em carreiras liberais em território brasileiro era por meio dos
cursos ofertados, sendo eles, Filosofia ou também curso de Artes ou Ciências Naturais e o
curso de Teologia, todos mantidos nos colégios da Companhia de Jesus na Bahia e no Rio
de Janeiro.

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Foi somente após a chegada da Família Real ao Brasil, 1908, que se pensou nesse
nível de educação no território brasileiro (Flores, 2017), mas ainda assim, o acesso era
restrito. Conforme aponta Saviani (2010), foram iniciativas diferentes do modelo de
Educação Superior que já era consolido em outros territórios, consistindo em uma
adequação muito limitada. Neste primeiro momento, não foram criadas universidades, mas
cursos isolados e cadeiras em áreas específicas, como Medicina, Economia, Agricultura,
Química e Desenho Técnico, especialmente na Bahia e no Rio de Janeiro. Essas formações
iniciais visavam suprir demandas práticas, sobretudo ligadas à marinha, ao exército e
interesses pragmáticos que atendiam as demandas da corte portuguesa (Saviani, 2010).
Na sequência, no restante do país, foram se expandindo algumas das propostas para
formação em nível superior, como por exemplo, matemática Superior em Pernambuco,
Retórica e Filosofia em Minas Gerais e Direito em Olinda PE (Saviani, 2010). Durante o
Brasil Império, após 1822, continuaram vigentes os cursos mencionados, pois, conforme
afirmam Vargas e Heringer (2017), não havia interesse pela formação superior por parte de
uma pequena parcela da população em um território cujo ensino primário ainda precisava
ser melhorado e melhor estruturado.
Segundo Flores (2017, p. 406), controlado pelo Estado e com resistência à
participação do setor privado, “o ensino superior era um mecanismo de monopólio da
concessão de privilégios profissionais, que detinha o poder de conferir diplomas
juridicamente válidos a uma parcela minoritária da sociedade”. Assim, a formação da força
de trabalho para determinadas profissões era controlada pelo Estado como forma de
manutenção dos interesses de poder.
As primeiras universidades brasileiras só surgiram durante o processo de
urbanização e industrialização, sendo a primeira a Universidade Federal do Paraná
(UFPR), na cidade de Curitiba em 1912, a qual teve suas atividades iniciadas em 1913.
Posteriormente, em 1920, teve a criação da Universidade Federal do Rio de Janeiro,
resultante da união de escolas profissionais já existentes. E em 1927 a de Minas Gerais. Na
sequência, outras instituições foram fundadas, como a USP em 1934 e a Universidade do
Brasil em 1937, esta última considerada modelo nacional e origem da atual Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Na década de 1960 um marco importante provocou mudanças na Educação
Superior, a Lei nº 5.540/68, a qual dispôs sobre a Reforma Universitária. Por meio desta
lei, ocorreram diversas transformações no que diz respeito à contratação de professores,

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vestibular, recursos e materiais, agrupamento de faculdades, como justificativas para a


expansão e democratização da Educação Superior. De acordo com Mendonça (2000), a
reforma foi fundamental para consolidar a universidade com base na articulação entre
ensino, pesquisa e extensão.
Vargas e Heringer (2017) acrescentam que houve uma significativa expansão das
IES nesse período, impulsionada pela demanda por mão de obra qualificada para o
mercado de trabalho, além do avanço da privatização no setor. Entre 1960 e 1980, as
matrículas totais passaram de aproximadamente 99 mil, em 1961, para 1,34 milhão em
1980. Nas instituições privadas, o crescimento foi ainda mais acentuado, saltando de 44
mil para 852 mil matrículas no mesmo intervalo.
Contudo, Flores (2017), chama atenção para aspectos que permearam a expansão
no período. A autora descreve que os cursos superiores de menor prestígio eram, em geral,
frequentados pelos jovens de classes menos favorecidas, que, por não estarem devidamente
preparados para a disputa das vagas, não conseguiam ingressar nas instituições de maior
renome, principalmente nas públicas, cuja procura era muito maior do que a oferta de
vagas. Por essa razão, tais instituições adotavam mecanismos de seleção bastante
rigorosos. Nesse contexto, começam a ser criados programas do governo federal com duas
frentes: uma destinada aos estudantes das instituições privadas e outra voltada aos
matriculados nas públicas. O primeiro programa de crédito educativo no Brasil, instituído
em 1976, possibilitava aos alunos da rede privada o financiamento das mensalidades,
enquanto aos da rede pública garantia apoio para sua manutenção durante o curso superior.
O prazo para a quitação do financiamento correspondia à duração do curso realizado.
Segundo Flores (2017), no período de 1974 a 1984, consolidou-se um processo de
democratização do ensino superior brasileiro desigual, visto que aqueles que tinham
condições de pagar pelo ensino privado acabavam estudando em instituições públicas,
enquanto os que não conseguiam arcar com a própria subsistência, quando conseguiam
acesso à universidade, o faziam majoritariamente em instituições privadas.
Essa tendência gradual de crescimento com o apoio da iniciativa privada continuou
nas décadas finais do século XX e ainda perdura no século XXI (Batalha, 2024). Além do
aumento das instituições privadas e na oferta de cursos nessas IES, outros fatores
contribuíram para a democratização do acesso à Educação Superior, como os programas de
acesso e permanência.

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À exemplo, tem-se o FIES de 1999, que passou a atender exclusivamente alunos de


cursos não gratuitos e bem avaliados e em 2010, o prazo de pagamento foi ampliado para
até três vezes a duração do curso; o Programa Universidade para Todos (Prouni) de 2004
que ofereceu bolsas integrais e parciais em instituições privadas, o SISU, sistema de
ingresso baseado no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) possibilitou a participação
em seleções nacionais públicas e acesso a programas de financiamento estudantil e
incentivos à permanência por meio da Portaria que instituiu o Programa Nacional de
Assistência Estudantil (Pnaes), em 2007 (Antonello; Comar, 2021, Vargas; Heringer,
2017).
Um outro fator que contribuiu para a democratização do acesso, segundo Flores
(2017) foi a Lei nº 12.711 (Lei de Cotas), a qual determinou que 50% das vagas em
universidades e institutos federais fossem reservadas a egressos da escola pública, com
critérios de renda e inclusão étnico-racial, garantindo proporcionalidade de acordo com os
dados do IBGE.
A trajetória da Educação Superior no Brasil evidencia um processo histórico
marcado por atraso, restrição de acesso e influência estatal, distinto do observado em
outros países colonizados. Nas últimas décadas, a expansão das instituições privadas,
associada a políticas públicas de financiamento, bolsas e inclusão, contribuiu para a
democratização do acesso, entretanto, ressalta-se a forma desigual que o processo ocorreu
e ainda ocorre, pois, tensionada pelo setor privado, reflete a complexidade e as
particularidades do desenvolvimento deste nível de ensino no Brasil. Um outro ponto a ser
destacado diz respeito ao atendimento das necessidades estudantis neste espaço. Mais
adiante, serão abordadas as variáveis que influenciam na qualidade da experiência
acadêmica, bem como a permanência estudantil e aprendizagem. Portanto, observa-se a
democratização do o acesso às IES é acompanhada por desafios institucionais, sociais,
econômicos, pedagógicos entre outros, que serão abordados no tópico de discussão deste
texto com maior aprofundamento.

CAMINHOS METODOLÓGICOS E DADOS ATUAIS

O objetivo deste estudo concentrou-se em discutir os avanços e desafios resultantes


do processo de expansão da Educação Superior nas últimas décadas. Para alcançar essa
finalidade, foi realizada uma pesquisa bibliográfica a qual utilizou dados quantitativos do

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INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) referentes


ao Censo da Educação Superior entre os anos de 2000 e 2023.
Os Censos disponibilizados pelo INEP foram consultados a fim de extrair os dados
referentes aos números de matrículas no geral, matrículas de estudantes ingressantes, total
de instituições, instituições privadas e instituições públicas. Optou-se pelo recorte de
verificação dos dados de cinco em cinco anos, com o intuito de que as diferenças no
período de duas décadas fossem observadas com mais precisão. O Quadro 1 apresenta os
dados quantitativos acerca do mesmo fenômeno.

Quadro 1 – Dados sobre a Educação Superior brasileira (2000-2023).


Ano Matrículas Ingressantes Total de Instituições Instituições
instituições Privadas Públicas

2000 2.694.245 1.035.750 1.180 1.004 176

2005 4.567.798 1.481.955 2.314 1.934 231

2010 6.379.299 2.383.110 2.378 2.100 278

2015 8.027.297 2.920.222 2.364 2.069 295

2020 8.680.354 3.765.475 2.457 2.153 304

2023 9.977.217 4.993.992 2.679 2.108 571

Fonte: Autoria própria a partir dos dados do INEP (BRASIL, 2001, 2018, 2024).

Verifica-se que o período datado entre os anos de 2000 e 2023 (último censo),
houve um aumento significativo em relação a matrículas, aos ingressantes e ao número de
IES. Em 2023 anos somaram-se um aumento de 7.282.972 matrículas, o que equivale a
aproximadamente 270%. Em relação aos ingressantes, observa-se o aumento de matrículas
no recorte feito de cinco em cinco anos no Quadro 2:

Quadro 2 – Aumento de ingressantes na Educação Superior (2000-2020)


Anos Ingressantes a mais Crescimento %

De 2005 em relação a 2000 446.205 43,1%

De 2010 em relação a 2005 901.155 60,8%

De 2015 em relação a 2010 537.112 22,5%

De 2020 em relação a 2015 845.253 28,9%

Fonte: Autoria própria a partir dos dados do INEP (BRASIL, 2001, 2018, 2024).

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NASCIMENTO, F.P.; OLIVEIRA, K.L.; SANTOS, D.A.

Os referidos dados confirmam a expansão do acesso ao nível superior no país,


impulsionada pela viabilização da oferta frente, pois, o aumento mais expressivo em
relação às matrículas de ingressantes foi entre os anos de 2005 e 2010, período este
marcado pela criação dos programas PROUNI (2004), PNAES (2007), SISU (2009) e o
fortalecimento do FIES.
Observa-se um crescimento mais expressivo das instituições privadas em
comparação às públicas. Entre 2000 e 2020, foram criadas 1.149 novas IES privadas,
correspondendo a um aumento aproximado de 114%, enquanto as públicas registraram a
criação de 128 instituições, um crescimento de cerca de 73%. Ressalta-se que o maior
incremento das IES privadas ocorreu entre 2000 e 2005, período anterior à implementação
dos programas de acesso que posteriormente facilitaram o ingresso estudantil nessas
instituições. Nesse contexto, entre 2000 e 2005 foram criadas 930 novas IES privadas,
enquanto entre 2005 e 2010, com a implementação dos programas de acesso, observou-se a
consolidação de um fluxo de ingresso majoritariamente direcionado a essas instituições.
É fundamental reconhecer a democratização da Educação Superior como um
processo necessário e significativo, que representa um avanço no acesso, especialmente
considerando a trajetória histórica brasileira marcada por restrições à participação das
classes populares nos espaços formativos, particularmente em nível superior. Contudo,
Campira; Bulaque; Almeida, 2020; Nascimento, Oliveira e Bzuneck, 2025, apontam que
esse crescimento, por si só, não garante a permanência dos estudantes, a conclusão e nem a
qualidade no ensino. Ao contrário disso, ao expandir-se, a Educação Superior passa a ser
um campo repleto de novos desafios a serem investigados e superados. É neste sentido que
a discussão da temática foi impulsionada e desenvolvida no próximo tópico. Para tanto,
pressupostos teóricos de autores como Almeida et al. (2012), Osti, Nogueira e Pissinatti
(2023) e Vargas e Heringer (2017) foram utilizados e articulados aos dados obtidos.

DISCUSSÃO

Frente à realidade que se formou na Educação Superior brasileira, permeada por


avanços em relação ao ingresso de estudantes e assim, a sua democratização, desafios e
possíveis limites da sua expansão devem ser considerados. O intuito é que a discussão aqui
apresentada indique perspectivas e caminhos para a proposição de uma educação superior
para além da lógica quantitativa, cuja permanência e a conclusão do estudante em um

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curso que valorize a qualidade do ensino e da formação ofertada sejam prioridades.


As políticas e programas de acesso e permanência (Prouni, Pnaes, Enem, Sisu)
foram fundamentais para a expansão da Educação Superior (Antonello; Comar, 2021,
Vargas; Heringer, 2017). Nessa perspectiva, Antonello e Comar (2021, p. 776) afirmam
que,

A partir do momento em que esse nível de ensino deixou de ser


acessível apenas a um público restrito e elitizado de estudantes para
se tornar também lócus de formação da classe trabalhadora, as
instituições de educação superior se depararam com a necessidade
de adaptar a sua atuação a novos desafios formativos, seja pela
multiplicidade de realidades que adentraram a universidade, seja
pelo avanço tecnológico e mudanças culturais desse tempo.

Como já mencionado, as políticas e programas que buscaram expandir a Educação


Superior modificaram significativamente a forma de acesso à universidade. Entretanto,
diante do aumento da demanda, eles se tornam muitas vezes insuficientes para o
atendimento da permanência estudantil frente ao crescente número de estudantes e as
diferentes realidades que compõem o contexto universitário. Assim, os limites foram sendo
expostos e os desafios acentuados.
De acordo com o Índice Geral de Cursos (IGC) de 2022, apenas 15% das IES
privadas e 35% das públicas alcançaram conceitos considerados satisfatórios (IGC 4 e 5).
Esse dado evidencia a necessidade de investimentos em formação docente, infraestrutura e
recursos pedagógicos. Além disso, a falta de coerência entre os currículos dos cursos e as
demandas do mercado de trabalho tem sido apontada como um fator que compromete a
empregabilidade dos egressos. Para superar esses desafios, é essencial promover políticas
de avaliação e regulação mais rigorosas, além de incentivar a inovação e a
internacionalização das IES (Inep, 2022; Mec, 2023).
Campira, Bulaque e Almeida (2020) apontam que a qualidade da experiência
acadêmica vivenciada pelos estudantes é um fator determinante para o seu sucesso e
permanência nas instituições de ensino. Os universitários ingressantes passam pelo
processo de integração e adaptação à Educação Superior, e segundo Almeida et al. (2012)
e Nascimento, Oliveira e Bzuneck (2025), trata-se de um processo multifacetado, que
depende qualitativamente das diversas relações estabelecidas nele, tanto na esfera
interpessoal quanto acadêmica e de aprendizagem.

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NASCIMENTO, F.P.; OLIVEIRA, K.L.; SANTOS, D.A.

Conforme apontam Nascimento, Oliveira e Bzuneck (2025), a falta de recursos


financeiros, a inadequação da infraestrutura e a carência de suporte psicopedagógico nas
dimensões institucional, profissional, interpessoal, de recursos econômicos, de
aprendizagem e rendimento, e de ensino são obstáculos frequentes que limitam a satisfação
acadêmica. Além disso, o descompasso entre as expectativas dos estudantes e a realidade
dos cursos pode gerar desmotivação e desistência (Osti, Nogueira, Pissinatti, 2023).
Pires, Almeida e Ferreira (2000) destacam que o primeiro ano do curso superior se
configura como uma etapa crítica, marcada por diversas dificuldades de adaptação, uma
vez que o estudante passa a enfrentar um novo contexto que exige maior autonomia nas
aprendizagens, na organização e na regulação da vida acadêmica, contrastando com a
experiência vivenciada na educação básica. Nesse sentido, as pesquisas sobre as
experiências de estudantes ingressantes têm despertado crescente interesse, sendo este
grupo frequentemente identificado como “grupo de risco” (Soares et al., 2009; Tavares et
al., 2008). Para Almeida (2007), a vivência de um processo de adaptação satisfatório nesse
período inicial constitui fator determinante para a permanência e o sucesso acadêmico,
favorecendo o desenvolvimento de estratégias que sustentem a trajetória ao longo da
formação universitária.
Nesse sentido, os agentes que fazem parte da vida acadêmica do estudante são
figuras relevantes neste processo. Antonello e Comar (2021) enfatizam a importância da
formação continuada de professores para a Educação Superior, de modo a acompanhar as
demandas de aprendizagem dos novos universitários com vistas a ofertar uma atividade de
ensino de qualidade. Para tanto, os autores defendem uma formação continuada para além
da apropriação dos conhecimentos específicos das áreas, ou seja, que abranja
conhecimentos pedagógicos e didáticos que constituem a docência, assim, “reafirma-se a
necessidade de a universidade colocar-se num posicionamento favorável à formação
docente e o modo como essa iniciativa é dependente das políticas de gestão universitária
(Antonello; Comar, 2021 p. 787).
Os desafios advindos da expansão da Educação Superior também englobam
questões econômicas. Frente ao cenário do Ensino Superior em países da América Latina,
os desafios são acentuados quando se trata das populações mais pobres, pois a
desigualdade social existente nos países desse território, faz com o que o processo de
adaptação, permanência e conclusão de uma graduação ainda mais desafiador e complexo
(Vargas e Heringer, 2017). Almeida, Guisande e Canal (2023) afirmam que especialmente

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para estudantes provenientes de contextos vulneráveis, os desafios de adaptação e


integração são maiores, visto que enfrentam barreiras culturais e sociais para se integrarem
plenamente à vida acadêmica.
Nessa perspectiva, dados do INEP (2022) mostram que a taxa de evasão nas IES
privadas foi de 32,5% nas IES públicas e 18,7%. Entre os principais motivos estão
dificuldades financeiras, falta de adaptação e integração ao ambiente universitário e
incompatibilidade entre o curso escolhido e as expectativas dos estudantes (Osti, Nogueira,
Pissinati, 2023).
Um outro desafio a ser considerado em relação às IES privadas é apontado por
Batalha (2024). O autor denominou a dicotomia presente na expansão do acesso apoiada
pelo setor privado de “As facetas do lucro”. Se por um lado, existe o debate de que mesmo
com os cuidados e regulamentações governamentais os estudantes correm o risco de
ingressarem em instituições predatórias que visam apenas o lucro e pouca preocupação
com a sua formação, por outro, há a defesa de setor privado fornece uma oportunidade de
acesso à educação superior, abrangendo uma parcela da população que não consegue
adentrar em uma IES pública.
Não menos importante, cabe ressaltar os impactos da pandemia da COVID-19 para
a Educação Superior, visto que houve o aceleramento da adoção do ensino remoto e
híbrido. Segundo o INEP (2022), em 2021, mais de 70% das IES adotaram parcial ou
totalmente o ensino a distância. Embora essa modalidade tenha ampliado o acesso para
estudantes de regiões remotas, também evidenciou desigualdades no acesso à internet e a
dispositivos tecnológicos. A superação desses desafios exigirá investimentos em
infraestrutura digital e políticas de inclusão tecnológica (Inep, 2022; Mec, 2023).
Um outro aspecto desafiador se trata da oferta, por parte das IES, de serviços aos
discentes no âmbito do apoio psicopedagógico, tanto em relação à adaptação acadêmica
quanto às necessidades de aprendizagem. Assim como, a sensibilização e preparação do
corpo docente para o conhecimento da nova realidade institucional a fim de que planos de
ação e organização do trabalho pedagógico sejam pensados de acordo com a realidade.
Frente ao exposto, o panorama atual da Educação Superior no Brasil evidencia
desafios complexos relacionados à qualidade, permanência e equidade no acesso às
instituições de ensino. Os dados do IGC de 2022 revelam que muitas instituições de Ensino
Superior apresentam baixo desempenho, evidenciando a necessidade de investimentos em
formação docente, infraestrutura e recursos pedagógicos. A desarticulação entre currículos

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e demandas do mercado, aliada a fatores socioeconômicos e culturais, impacta a


empregabilidade e a permanência dos estudantes, especialmente os de contextos
vulneráveis. Apesar da ampliação do acesso pelo setor privado, desafios relacionados à
qualidade e à inclusão tecnológica persistem, tornando essencial o fortalecimento de
estratégias que promovam a permanência estudantil e a qualidade da Educação Superior.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho teve como objetivo apresentar a expansão da educação superior


brasileira nas últimas décadas, a fim de discutir os avanços, contradições e desafios deste
cenário. Buscou-se compreender como se deu o crescimento do acesso, especialmente a
partir do final do século XX, e de que forma as políticas públicas e transformações
institucionais contribuíram para a democratização desse nível de ensino no país.
A partir dos dados do INEP, foi confirmada a premissa do crescimento expressivo
no número de matrículas, de ingressantes e de Instituições de Ensino Superior (IES),
sobretudo nas instituições privadas. No entanto, segundo a literatura apresentada, tal
expansão não foi acompanhada de forma proporcional, tanto no que diz respeito às
melhorias na qualidade do ensino, quanto em garantias efetivas e contínuas de
permanência e conclusão dos cursos pelos estudantes. A discussão evidencia que a lógica
do lucro presente nas instituições privadas e que permearam as políticas públicas de acesso
têm influência neste aspecto, visto que o lucro está acima da busca por qualidade de ensino
e de oferta de formação, apresentado assim, a dualidade apresentada por Batalha (2024)
sobre os avanços em relação à democratização do acesso.
Problemas como evasão, desafios no processo de integração e adaptação,
dificuldades financeiras e descompasso entre formação e mercado de trabalho foram
identificados como desafios que comprometem a efetividade do processo educativo que de
fato promova a democratização do nível superior para além do ingresso na IES.
Frente ao exposto, é imprescindível que as políticas públicas avancem no sentido
de assegurar não apenas o acesso, mas também a permanência e a qualidade da formação
superior. Isso implica ampliar investimentos em infraestrutura, qualificação docente e
apoio psicopedagógico, além de promover maior articulação entre ensino, pesquisa e
extensão. Também se faz necessário fortalecer mecanismos de avaliação e regulação, bem
como incentivar práticas pedagógicas e institucionais que dialoguem com as

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especificidades dos estudantes ingressantes no processo de integração e adaptação na


Educação Superior.

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