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O documento aborda os conceitos fundamentais de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (SHST), destacando sua importância para a proteção do trabalhador e a melhoria da produtividade nas organizações. A SHST é uma área multidisciplinar que visa prevenir acidentes e doenças profissionais, sendo regulamentada por leis específicas em Moçambique. O texto também discute a evolução histórica da SHST e a relação entre condições de trabalho, saúde e produtividade, enfatizando que a segurança no trabalho deve ser vista como um investimento estratégico.

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O documento aborda os conceitos fundamentais de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (SHST), destacando sua importância para a proteção do trabalhador e a melhoria da produtividade nas organizações. A SHST é uma área multidisciplinar que visa prevenir acidentes e doenças profissionais, sendo regulamentada por leis específicas em Moçambique. O texto também discute a evolução histórica da SHST e a relação entre condições de trabalho, saúde e produtividade, enfatizando que a segurança no trabalho deve ser vista como um investimento estratégico.

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Tema: Conceitos Básicos de Segurança, Higiene e Saúde no

Trabalho
ÍNDICE

1. Introdução 3

2. Conceito de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (SHST) 4

3. Importância da SHST nas organizações e para o trabalhador 5

4. Evolução histórica da SHST 6

5. Relação entre trabalho, saúde e produtividade 7

6. Conceitos de perigo, risco, acidente de trabalho e doença profissional 8

7. Legislação laboral moçambicana relativa à SHST 9

8. Entidades e instituições responsáveis pela SHST 10

9. Conclusão 11
Conceitos Básicos de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho aborda os conceitos básicos de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho
(SHST), uma área do conhecimento que assume importância crescente no contexto das
organizações modernas, tanto no plano internacional como no contexto específico de
Moçambique. A actividade laboral, sendo indispensável ao desenvolvimento económico e
social, comporta em si um conjunto de riscos que podem afectar a integridade física, mental
e social do trabalhador, caso não sejam devidamente identificados, avaliados e controlados.

Ao longo da história, a relação entre o homem e o trabalho tem sido marcada por diferentes
formas de exposição a perigos, sendo que apenas de forma progressiva se foi consolidando
a consciência colectiva sobre a necessidade de proteger a vida e a saúde de quem trabalha.
Este trabalho pretende, assim, sistematizar os conceitos fundamentais da SHST, discutir a
sua importância para as organizações e para o trabalhador, traçar a sua evolução histórica,
analisar a relação entre trabalho, saúde e produtividade, definir os conceitos de perigo,
risco, acidente de trabalho e doença profissional, e apresentar o quadro legal moçambicano
e as instituições responsáveis pela matéria.

Do ponto de vista metodológico, o trabalho baseia-se em pesquisa bibliográfica e


documental, recorrendo a manuais técnicos de formação em Higiene e Segurança no
Trabalho, bem como à legislação laboral moçambicana em vigor.

2. CONCEITO DE SEGURANÇA, HIGIENE E SAÚDE NO TRABALHO (SHST)


A Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (SHST) constitui o conjunto de princípios, normas,
técnicas e práticas orientadas para a prevenção de acidentes de trabalho e de doenças
profissionais, visando garantir condições de trabalho que preservem a integridade física,
mental e social do trabalhador. Trata-se de uma área multidisciplinar que reúne contributos
da medicina, da engenharia, da psicologia, do direito e da gestão.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a saúde não deve ser entendida apenas
como a ausência de doença, mas sim como um estado de completo bem-estar físico, mental
e social. Esta definição é fundamental para compreender o alcance da SHST, que não se
limita a evitar lesões corporais, mas procura promover, de forma abrangente, o bem-estar
do trabalhador.

É comum distinguir três componentes essenciais dentro deste domínio:

• Segurança do Trabalho: conjunto de medidas técnicas, educativas, organizacionais e


de gestão destinadas a prevenir acidentes de trabalho, quer eliminando as condições

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Conceitos Básicos de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

inseguras do ambiente, quer educando os trabalhadores a adoptarem


comportamentos e medidas preventivas.
• Higiene do Trabalho: conjunto de medidas de carácter não médico destinadas a
identificar, avaliar e controlar os factores do ambiente de trabalho (físicos, químicos,
biológicos e ergonómicos) susceptíveis de provocar doenças profissionais,
prevenindo ou reduzindo os riscos para a saúde do trabalhador.
• Saúde no Trabalho: componente ligada à vigilância médica e à promoção do bem-
estar físico, mental e social do trabalhador, através do acompanhamento clínico
regular e da adequação do trabalho às capacidades de cada indivíduo.
Estas três dimensões articulam-se de forma complementar: enquanto a higiene actua
fundamentalmente na prevenção das doenças profissionais através do controlo do
ambiente, a segurança concentra-se na prevenção dos acidentes de trabalho, e a saúde
ocupacional assegura o acompanhamento médico e a reabilitação do trabalhador quando
necessário.

3. IMPORTÂNCIA DA SHST NAS ORGANIZAÇÕES E PARA O TRABALHADOR


A importância da SHST pode ser analisada sob diferentes perspectivas, nomeadamente a do
trabalhador, a da organização e a da sociedade em geral.

3.1. Para o trabalhador


• Protecção da vida, da integridade física e da saúde mental do trabalhador;
• Prevenção de incapacidades temporárias ou permanentes decorrentes de acidentes
ou doenças profissionais;
• Melhoria da qualidade de vida no trabalho e fora dele, incluindo as relações
familiares e sociais;
• Maior motivação, satisfação e sentido de valorização pessoal e profissional.

3.2. Para as organizações


• Redução dos custos directos (assistência médica, indemnizações) e indirectos
(paragens de produção, perda de horas de trabalho, danos materiais, quebra de
produtividade) associados aos acidentes de trabalho;
• Diminuição do absentismo e da rotatividade de pessoal;
• Melhoria da imagem institucional e da competitividade da empresa;
• Cumprimento das obrigações legais, evitando sanções e responsabilização civil,
penal ou administrativa;
• Aumento da produtividade e da qualidade dos produtos e serviços, uma vez que
ambientes de trabalho seguros e saudáveis favorecem um melhor desempenho dos
colaboradores.

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Conceitos Básicos de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

Em suma, a SHST não deve ser entendida como um custo ou uma exigência meramente
burocrática, mas sim como um investimento estratégico que beneficia, em simultâneo, o
trabalhador, a organização e a sociedade, contribuindo para o desenvolvimento sustentável
e para a justiça social no mundo do trabalho.

4. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA SHST


A preocupação com as condições de trabalho e a protecção da vida humana no exercício da
actividade laboral é relativamente recente na história da humanidade. Durante largos
séculos, a vertente humana do trabalho nunca foi tratada como componente
preponderante do processo produtivo, prevalecendo a lógica de maximização da
produtividade, ainda que tal implicasse riscos de doença ou mesmo a morte dos
trabalhadores.

Até meados do século XX, as condições de trabalho praticamente não eram levadas em
conta. Para esta realidade contribuíram, essencialmente, dois factores: uma mentalidade
em que o valor da vida humana era considerado pouco relevante face aos interesses
produtivos, e a ausência, por parte dos Estados, de legislação que protegesse o trabalhador.

Com a Revolução Industrial, a partir do século XVIII, a introdução massiva de máquinas e a


concentração de trabalhadores em fábricas agravaram significativamente os riscos
profissionais, dando origem a acidentes graves e doenças relacionadas com jornadas de
trabalho extenuantes, ambientes insalubres e ausência de qualquer protecção colectiva ou
individual.

É apenas a partir das décadas de 1950 e 1960 que surgem as primeiras tentativas sérias de
integrar os trabalhadores em actividades devidamente adequadas às suas capacidades
físicas e psicológicas, iniciando-se um processo mais sistemático de regulamentação da
segurança e da higiene no trabalho em diversos países.

No plano internacional, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), criada em 1919,


desempenhou um papel determinante na definição de normas e convenções relativas à
segurança e saúde no trabalho, influenciando a legislação laboral da generalidade dos
países, incluindo os africanos de língua oficial portuguesa.

Em Moçambique, tal como noutros contextos, a evolução da SHST acompanhou, de forma


progressiva, o desenvolvimento da legislação laboral, desde os regulamentos herdados do
período colonial até à legislação laboral moderna aprovada após a independência nacional,
que será abordada em pormenor mais adiante. Actualmente, com o crescimento das
exigências relativas a certificações de Sistemas de Gestão da Qualidade e Ambiental, as

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Conceitos Básicos de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

medidas de Higiene e Segurança no Trabalho ganham cada vez mais relevância, exigindo um
contínuo despertar de consciências junto de empregadores e trabalhadores.

5. RELAÇÃO ENTRE TRABALHO, SAÚDE E PRODUTIVIDADE


A relação entre as condições de trabalho e a produtividade das organizações constitui um
dos pilares que justificam o investimento em SHST. Durante muito tempo, considerou-se
apenas o custo directo dos acidentes de trabalho, nomeadamente a assistência médica e as
indemnizações. Contudo, verificou-se que os custos indirectos são, geralmente, muito
superiores aos custos directos, podendo representar até quatro vezes o seu valor.

Entre os principais factores de perda associados a um acidente de trabalho, destacam-se:

• Perda de horas de trabalho pela vítima, pelas testemunhas e pelos responsáveis;


• Interrupção da produção e danos materiais;
• Atraso na execução dos trabalhos e diminuição do rendimento durante o período de
substituição do trabalhador acidentado;
• Custos com peritagens, processos legais e eventuais indemnizações;
• Impacto negativo na motivação e no clima organizacional.
A fadiga provocada por horários de trabalho excessivos e por más condições ambientais,
nomeadamente ao nível da iluminação, ventilação, ruído e temperatura, está directamente
associada ao aumento do número de peças defeituosas, ao desperdício de materiais e à
diminuição da produtividade. O corpo humano, apesar da sua grande capacidade de
adaptação, apresenta um rendimento consideravelmente superior quando o trabalho
decorre em condições ambientais óptimas.

Pode, assim, afirmar-se que a produtividade das organizações é afectada, essencialmente,


pela conjugação de dois factores: por um lado, a exposição dos trabalhadores a riscos
profissionais graves, causa directa de acidentes de trabalho e de doenças profissionais; por
outro, a insatisfação dos trabalhadores decorrente de condições de trabalho desajustadas
às suas características físicas e psicológicas. As consequências desta situação traduzem-se,
em regra, numa quebra quantitativa e qualitativa da produção, num aumento da
rotatividade do pessoal e num elevado absentismo.

Deste modo, o investimento na melhoria das condições de segurança, higiene e ergonomia


dos postos de trabalho não deve ser encarado apenas como uma obrigação legal, mas como
um verdadeiro factor de competitividade, capaz de contribuir simultaneamente para a
saúde do trabalhador e para o desempenho global da organização.

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Conceitos Básicos de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

6. CONCEITOS DE PERIGO, RISCO, ACIDENTE DE TRABALHO E DOENÇA


PROFISSIONAL
A correcta compreensão da SHST exige a clarificação de um conjunto de conceitos
fundamentais, frequentemente utilizados de forma indiferenciada, mas que possuem
significados técnicos distintos.

Conceito Definição

Fonte, situação ou acto com potencial para provocar dano, tais como lesão,
doença ou perda material. O perigo é uma propriedade intrínseca de um
Perigo
agente, equipamento ou processo, existindo independentemente de haver ou
não exposição do trabalhador.

Combinação da probabilidade de ocorrência de um acontecimento perigoso


com a gravidade das lesões ou danos para a saúde que esse acontecimento
Risco
pode causar. Ao contrário do perigo, o risco depende directamente da
exposição do trabalhador a esse perigo.

Acontecimento súbito e imprevisto, ocorrido pelo exercício do trabalho ao


serviço da entidade empregadora, que provoca lesão corporal, perturbação
Acidente de Trabalho
funcional ou doença de que resulte a morte, ou a perda ou redução,
temporária ou permanente, da capacidade para o trabalho.

Doença adquirida em consequência directa da exposição do trabalhador a


Doença Profissional factores de risco inerentes ao exercício da sua actividade profissional, sendo o
trabalho o factor determinante para o seu aparecimento e evolução.

É importante notar que a lesão corporal pode ser leve, como um simples corte, ou grave,
como a perda de um membro, enquanto a perturbação funcional se refere ao prejuízo no
funcionamento de um órgão ou sentido, como, por exemplo, a perda de visão ou audição.

Quanto às consequências, um acidente de trabalho pode resultar em incapacidade


temporária, quando o trabalhador recupera plenamente após um período limitado;
incapacidade parcial e permanente, quando ocorre uma diminuição definitiva da capacidade
de trabalho; ou incapacidade total e permanente, correspondente à invalidez incurável para
o trabalho. Nos casos mais graves, o acidente pode resultar na morte do trabalhador.

Do ponto de vista das causas, os acidentes de trabalho resultam geralmente da combinação


de condições perigosas (relacionadas com máquinas, ferramentas, organização do espaço
de trabalho e ambiente físico) e de acções perigosas (relacionadas com o incumprimento de
normas, erros de método de trabalho, distracções ou uso indevido de equipamentos). É
também frequente recorrer-se à teoria do "efeito dominó", segundo a qual um acidente
resulta da conjugação sucessiva de vários factores: ambiente social, causa pessoal, causa

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Conceitos Básicos de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

mecânica, acidente e lesão, à semelhança de peças de dominó que se derrubam


sucessivamente.

Importa ainda distinguir doença profissional de doença do trabalho: enquanto a primeira


decorre directamente do exercício da profissão, a segunda resulta das condições especiais
em que o trabalho é realizado, sendo ambas equiparadas a acidente de trabalho sempre
que delas resulte incapacidade para o trabalhador.

7. LEGISLAÇÃO LABORAL MOÇAMBICANA RELATIVA À SHST


Em Moçambique, o quadro jurídico relativo à Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho tem
vindo a ser progressivamente consolidado, procurando responder tanto às exigências de
desenvolvimento económico do país como aos compromissos internacionais assumidos no
âmbito da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual Moçambique é Estado-
membro.

7.1. A Lei do Trabalho

O diploma central que regula as relações de trabalho em Moçambique, incluindo a matéria


de segurança e saúde ocupacional, é a Lei do Trabalho. Depois de vigorar durante vários
anos a Lei n.º 23/2007, de 1 de Agosto, foi aprovada a nova Lei do Trabalho, a Lei n.º
13/2023, actualmente em vigor, que reforça as garantias relativas às condições de
segurança, higiene e saúde no trabalho.

De acordo com este diploma, cabe ao empregador a responsabilidade de garantir condições


de trabalho seguras, saudáveis e higiénicas, devendo promover a melhoria contínua dessas
condições com vista à protecção da integridade física e mental dos trabalhadores. Entre as
principais obrigações do empregador destacam-se:

• Informar os trabalhadores sobre os riscos existentes no local de trabalho;


• Fornecer instruções e formação adequadas em matéria de segurança;
• Assegurar o acesso e a saída seguros dos postos de trabalho;
• Fornecer, gratuitamente, aos trabalhadores que deles necessitem, Equipamentos de
Protecção Individual (EPI) e vestuário de trabalho adequado;
• Criar comissões de segurança no trabalho nos sectores de actividade de alto risco,
tais como a construção civil, a indústria mineira, a metalurgia, o gás, os explosivos e
os produtos químicos tóxicos, com representação de trabalhadores e empregadores.
Em contrapartida, é dever do trabalhador zelar pela sua própria segurança e pela dos seus
colegas, cumprindo as normas e instruções de segurança estabelecidas, sob pena de
incorrer em responsabilidade disciplinar em caso de incumprimento.

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Conceitos Básicos de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

7.2. Regulamentação complementar

Para além da Lei do Trabalho, existe um conjunto de decretos e regulamentos


complementares que densificam a matéria de SHST em Moçambique, entre os quais se
destacam, a título exemplificativo, o regulamento relativo à segurança, higiene e saúde no
trabalho aplicável aos estabelecimentos industriais, o regulamento relativo ao regime
jurídico dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais, o regulamento relativo aos
serviços de segurança e higiene no trabalho nas empresas, bem como regulamentos
sectoriais específicos, nomeadamente para as actividades geológico-mineiras e para o
trabalho mineiro. Estes diplomas estabelecem, entre outros aspectos, a obrigatoriedade de
criação de serviços internos de segurança, os requisitos técnicos de segurança de máquinas
e instalações, a sinalização de segurança e o regime de reparação em caso de acidente de
trabalho ou doença profissional.

Prevê-se ainda que, nas situações em que uma doença profissional seja detectada após a
falência ou o encerramento da empresa, e não exista seguro constituído ou este seja
insuficiente, a responsabilidade pela reparação do sinistrado possa ser assumida, a título
excepcional, pelo Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), desde que reunidos os
requisitos legalmente exigidos.

Este quadro legal reflecte a preocupação do legislador moçambicano em equilibrar os


interesses do desenvolvimento produtivo do país com a protecção da vida e da saúde dos
trabalhadores, ainda que a sua efectiva implementação continue a constituir um desafio,
sobretudo nas pequenas e médias empresas e no sector informal da economia.

8. ENTIDADES E INSTITUIÇÕES RESPONSÁVEIS PELA SHST


A operacionalização da política nacional de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho em
Moçambique envolve diversas entidades públicas e privadas, com atribuições
complementares:

• Ministério que superintende a área do Trabalho: órgão do Governo responsável pela


definição e condução da política laboral nacional, incluindo a regulamentação em
matéria de SHST;
• Inspecção-Geral do Trabalho (IGT): entidade com competência para fiscalizar o
cumprimento das normas laborais, tanto por parte dos empregadores como dos
trabalhadores, tendo acesso livre a qualquer estabelecimento sob a sua jurisdição,
podendo aplicar medidas correctivas ou punitivas em caso de violação das normas
de segurança e saúde no trabalho;
• Instituto Nacional de Segurança Social (INSS): instituição responsável pela protecção
social dos trabalhadores, assumindo, nos termos da lei, a responsabilidade pela

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Conceitos Básicos de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

reparação de acidentes de trabalho e doenças profissionais em determinadas


circunstâncias, nomeadamente quando o empregador não dispõe de seguro válido;
• Comissões de Segurança no Trabalho: órgãos de composição bipartida
(representantes dos trabalhadores e dos empregadores), de constituição obrigatória
nos sectores de actividade de alto risco, com funções de acompanhamento,
prevenção e sensibilização em matéria de SHST no seio das empresas;
• Serviços de Saúde Ocupacional das empresas: estruturas internas responsáveis pela
vigilância médica dos trabalhadores, pela identificação de factores de risco e pela
promoção de medidas preventivas específicas;
• Ministério da Saúde: entidade responsável pela definição de normas de saúde
pública, incluindo aspectos ligados à saúde ocupacional, em articulação com os
demais sectores;
• Organização Internacional do Trabalho (OIT): organismo das Nações Unidas que
estabelece convenções e recomendações internacionais em matéria de segurança e
saúde no trabalho, servindo de referência para a legislação nacional dos Estados-
membros, entre os quais Moçambique.
A articulação eficaz entre estas entidades constitui condição essencial para o sucesso das
políticas de SHST, exigindo, para além do quadro legal, investimento em fiscalização,
sensibilização, formação profissional e mudança de mentalidades, tanto ao nível dos
empregadores como dos trabalhadores.

9. CONCLUSÃO
A Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho constitui uma área fundamental para a protecção
da vida, da integridade física e do bem-estar dos trabalhadores, com implicações directas na
produtividade e na sustentabilidade das organizações. Ao longo deste trabalho, foi possível
verificar que os conceitos de segurança, higiene e saúde no trabalho, embora distintos, se
articulam de forma complementar, com vista à prevenção de acidentes de trabalho e
doenças profissionais.

A evolução histórica da SHST mostra que a valorização da vida humana no contexto laboral
é uma conquista relativamente recente, fruto de um processo gradual de sensibilização
social e de consolidação de instrumentos legais de protecção do trabalhador. A análise da
relação entre trabalho, saúde e produtividade evidenciou que o investimento em condições
de trabalho seguras e saudáveis não deve ser encarado como um custo, mas como um
factor estratégico de competitividade organizacional.

A distinção entre os conceitos de perigo, risco, acidente de trabalho e doença profissional


revelou-se essencial para a correcta compreensão técnica da matéria, permitindo uma
abordagem mais rigorosa na identificação e gestão dos riscos profissionais. Por seu turno, a
análise do quadro legal moçambicano, nomeadamente a Lei do Trabalho e a respectiva

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Conceitos Básicos de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho

regulamentação complementar, demonstrou existir em Moçambique um enquadramento


jurídico relativamente consolidado, ainda que a sua efectiva implementação continue a
enfrentar desafios importantes, sobretudo ao nível da fiscalização e da sensibilização das
pequenas e médias empresas.

Por fim, a identificação das entidades responsáveis pela SHST em Moçambique, com
destaque para a Inspecção-Geral do Trabalho e o Instituto Nacional de Segurança Social,
reforça a ideia de que a promoção de ambientes de trabalho seguros e saudáveis exige um
esforço conjunto entre o Estado, os empregadores e os trabalhadores. Conclui-se, assim,
que a construção de uma verdadeira cultura de prevenção em matéria de Segurança,
Higiene e Saúde no Trabalho é um processo contínuo, que depende tanto do cumprimento
da legislação em vigor como do compromisso efectivo de todos os intervenientes no mundo
do trabalho.

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