DIREITO EMPRESARIAL
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Factoring
1. Introdução
O contrato de faturização, fomento mercantil ou, como comumente conhecido,
factoring, muito utilizado por micro e pequenos empresários, pode ser conceituado
como o contrato por meio do qual o empresário (faturizado) transfere ao faturizador as
atribuições atinentes à administração do seu crédito (RAMOS, 2017, p. 706).
No contrato de factoring, um empresário (faturizador) se encarrega de administrar o
crédito eventual de outro empresário (faturizado), receber faturas no vencimento e
tratar de eventual procedimento de cobrança em caso de inadimplemento dos credores
do faturizado.
Pelo contrato de factoring, o empresário “A” tem créditos a receber no futuro,
decorrentes da venda de seus produtos ou serviços, representados por duplicatas e
cheques. O faturizador “B” adquire esses créditos, sem direito de regresso, assumindo
os riscos da insolvência dos devedores. “A” só responde pela existência dos créditos
cedidos a “B”.
Apesar de tratar de administração de crédito, não se trata a empresa de factoring de
instituição financeira, o que também diferencia essa modalidade contratual dos
contratos bancários (NEGRÃO, 2014, p. 144-145).
Por vezes, o contrato poderá prever antecipação de crédito, de forma que o faturizador
antecipará ao faturizado o valor dos créditos que possui por um valor inferior ao que
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valem (deságio), assumindo o risco da inadimplência desses créditos (RAMOS, 2017, p.
706).
Muito importante!
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Como o risco é transferido ao faturizador, é comum que, na prática, seja
exigido do faturizado o endosso dos títulos cedidos.
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O contrato de factoring não possui previsão legal, de modo que, a ele, são aplicadas as
regras de cessão de crédito, previstas no Código Civil de 2002 (CC/2002). Assim,
aplicam-se as regras, direitos e obrigações previstas nos arts. 286 a 298 do CC/2002,
tais como:
O contrato deverá ser celebrado por instrumento público ou particular para que
tenha validade perante terceiros (art. 288 do CC/2002).
O devedor deve ser devidamente notificado (art. 290 do CC/2002).
Se o devedor pagar ao credor primitivo antes de tomar conhecimento da cessão,
fica desobrigado perante o cessionário (art. 292, CC/2002).
Fica desobrigado o devedor que, antes de ter conhecimento da cessão, paga ao
credor primitivo, ou que, no caso de mais de uma cessão notificada, paga ao
cessionário que lhe apresenta (e, quando o crédito constar de escritura pública,
prevalecerá a prioridade da notificação) (art. 292, CC/2002).
O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem, bem como
as que possuía contra o cedente no momento do conhecimento da cessão (art.
294 do CC/2002).
Na cessão por título oneroso (e, também, nos casos de cessão por título gratuito
nos quais houve má-fé), o cedente será responsável pela existência do crédito ao
tempo em que o cedeu ao cessionário. (art. 295 do CC/2002).
O cedente não responde pela solvência do devedor, ressalvada a hipótese de ser
estipulada alguma cláusula em contrário (art. 296 do CC/2002).
“O cedente, responsável ao cessionário pela solvência do devedor, não responde
por mais do que daquele recebeu, com os respectivos juros; mas tem de
ressarcir-lhe as despesas da cessão e as que o cessionário houver feito com a
cobrança.” (art. 297 do CC/2002).
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2. Características
O contrato de faturização trata-se de contrato oneroso, tendo em vista que o faturizador
promove o deságio do crédito, disponibilizado pelo faturizado, e ainda poderá ajustar
remuneração pela administração do crédito do último, de acordo com o “fator de
compra”, percentual variável e monitorado pela complexidade do factoring: por
envolver cessão e endosso, o contrato de faturização é considerado complexo, não se
identificando nem com um, nem com outro instituto.
3. Cláusulas essenciais e típicas do contrato de factoring
A doutrina elenca algumas das cláusulas que devem ser obrigatoriamente adotadas
nessa modalidade de contrato empresarial, sendo algumas delas típicas de tais
contratos, e outras, relativas a outros institutos.
São consideradas cláusulas essenciais:
exclusividade (ou totalidade) das contas do faturizado;
duração do contrato;
faculdade de o faturizador escolher as contas que deseja garantir;
liquidação dos créditos;
cessão dos créditos;
assunção de riscos pelo faturizador;
remuneração do contrato (NEGRÃO, 2014, p. 145).
É importante observar que não há a possibilidade de contratação de mais de um
faturizador pelo faturizado; e, pela cláusula de totalidade, o faturizado transmite todos
os seus créditos, cabendo ao faturizador optar por aqueles que irá garantir.
4. Modalidades
Existem duas modalidades de factoring:
a) factoring tradicional (ou conventional factoring): nessa modalidade, o pagamento é
antecipado e a remuneração da faturizadora costuma ser mais elevada;
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b) factoring de vencimento (ou maturity factoring): há apenas a prestação de
serviços de administração do crédito, isto é, o faturizador participa nos negócios do
faturizado (o que é interessante inclusive a ele, na medida em que poderá minimizar
seus riscos) (RAMOS, 2017, p. 706).
5. Direito de regresso
A questão que se coloca é se, ao ceder o crédito ao faturizador, a faturizada responde
pela solvência do crédito em caso de inadimplência.
Trata-se de assunto controvertido na doutrina e, também, na jurisprudência.
Há quem entenda pela possibilidade de o faturizador exercer seu direito de regresso
em face do faturizado e, também, há quem defenda não ser possível.
Ocorre que o contrato de factoring muito se assemelha com as operações de desconto
bancário. Assim, ao ceder o seu crédito ao faturizador, a faturizada recebe quantia de
forma adiantada, o que constitui importante fonte de capital de giro.
Contudo, como se torna opção ao faturizado não celebrar contratos bancários, que
seriam mais onerosos, a posição que prevalece é que, à falta de regulamentação em
sentido contrário, assim como o contrato de factoring está limitado à taxa de juros
legais, não é possível o direito de regresso do faturizador em face do faturizado em
caso de inadimplência do devedor inicial.
6. A incidência de juros nos contratos de factoring e a
limitação dada pela Lei de Usura
Aplica-se, nessa modalidade contratual (que não possui natureza de contrato bancário,
pois não há operação de risco, além de independer de autorização do Banco Central
para funcionamento), a Lei de Usura, limitando-se a taxa de juros a 12% (doze por
cento) ao ano, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a
saber:
Como a “factoring” não integra o Sistema Financeiro Nacional, a taxa de juros obedece
à limitação de 12% ao ano prevista no Dec. n. 22.626/1933, não se incluindo na exceção
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prevista na moderna regra da Lei de Usura. (...) embora as factoring desempenhem
algumas atividades também desenvolvidas pelas instituições financeiras, delas se
distinguiram, pois não há operação de risco, nem para seu funcionamento exige-se
autorização do Banco Central (STJ, REsp. nº 1.048.341/RS, rel. Min. Aldir Passarinho
Junior, julgado em 10.02.2009, Informativo nº 383).
Enquanto o contrato de factoring não for considerado bancário pela legislação, a
faturizadora não pode cobrar, a título de juros, taxa superior à legal. Os preços dos seus
serviços de assessoramento na administração do crédito concedido, no entanto, não
são limitados e, devidamente destacados dos juros, podem ser cobrados da faturizada,
nos termos do contrato.
Obra coletiva do Curso Ênfase produzida a partir da análise estatística de incidência
dos temas em provas de concursos públicos.
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