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RD2

As redes de computadores variam em configurações e topologias, mas todas visam a transferência de dados, exigindo procedimentos e mecanismos adequados. Exemplos ilustram a necessidade de adaptação, detecção e correção de erros, controle de fluxo e roteamento em redes complexas. A estruturação em camadas e a hierarquia são fundamentais para a normalização e eficiência na comunicação entre diferentes sistemas.

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As redes de computadores variam em configurações e topologias, mas todas visam a transferência de dados, exigindo procedimentos e mecanismos adequados. Exemplos ilustram a necessidade de adaptação, detecção e correção de erros, controle de fluxo e roteamento em redes complexas. A estruturação em camadas e a hierarquia são fundamentais para a normalização e eficiência na comunicação entre diferentes sistemas.

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Como visto nas seções precedentes, as redes de computadores podem se caracterizar

por diferentes configurações e topologias. Apesar da diversidade no que diz respeito a este
aspecto, todas as possíveis configurações têm um objetivo comum: a transferência de dados.
O problema que se coloca é então relacionado à especificação dos procedimentos e
mecanismos que devem ser implementados para viabilizar o funcionamento da rede. A
resolução deste problema é baseada principalmente no conhecimento prévio das funções que
devem ser suportadas pela rede, assim como do ambiente no qual ela vai ser inserida. Estes
aspectos serão mostrados aqui através de alguns exemplos.
O primeiro exemplo é baseado na política de “time-sharing” mencionada na seção 1.
Vamos considerar o caso em que temos apenas um terminal conectado a um computador,
como mostrado na figura 2.1.3. Consideremos que um usuário vá servir-se do terminal para
processar informações no computador central. Para que isto seja possível, é necessário que o
computador central seja dotado do programa necessário ao tratamento daquelas informações.
Em caso positivo, o terminal e o computador devem estabelecer um diálogo que permita o
bom desenrolar das operações de tratamento das informações. Este diálogo deverá permitir,
por exemplo, que o usuário comunique sua intenção (de processar as informações!) ao
computador e, em seguida, envie as informações a serem processadas. Uma vez efetuado o
tratamento, o computador deve retornar os resultados ao terminal.
Esta seqüência de operações, apesar de aparentemente elementar, requer a satisfação
de uma série de condições. Vamos supor, por exemplo, que o computador central e o terminal
tenham sido fabricados de forma totalmente independente um do outro, o que pode ter
resultado numa diferente filosofia no que diz respeito ao formato das informações. Um
primeiro obstáculo a ser vencido é aquele da linguagem; o terminal deveria então se adaptar à
linguagem do computador central. Resolvido o problema de compreensão, um outro problema
encontrado diz respeito aos possíveis erros de transmissão que podem ocorrer durante a
comunicação, uma vez que as linhas de comunicação estão sujeitas a ruídos e outros
fenômenos podendo provocar perdas de informação. Além disso, a taxa de transmissão
(baudrate) e a forma de representar os sinais binários deve ser igual em ambos os lados. Uma
outra questão pode ainda estar relacionada à velocidade de funcionamento dos dois elementos.
Se considerarmos que o computador central opera numa velocidade superior à do terminal,
por exemplo, o terminal corre o risco de ser “bombardeado” pelo fluxo de dados vindo do
computador, o que vai exigir então o estabelecimento de um mecanismo de controle do fluxo
de informação.

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computador
central

terminal

Figura 2.1.3 - Terminal conectado a um computador central.


Resumindo, a rede de comunicação deve, além de suprir as funções de transmissão e
tratamento de informações, oferecer serviços de adaptação, detecção e correção de erros de
transmissão e controle de fluxo.
Vamos considerar agora que, ao invés de um único terminal, vamos conectar um maior
número deles ao computador central (figura 2.1.4).
Aqui, cada terminal pode, a princípio e a qualquer momento, tomar a iniciativa da
troca de dados com o computador. Isto significa que cada terminal terá de ser caracterizado
por um endereço específico, cuja utilização correta vai permitir evitar que o computador
central envie as informações aos terminais de maneira indevida. Por outro lado, se o número
de terminais conectados ao computador central torna-se relativamente elevado (a fim de
permitir a utilização máxima da capacidade de processamento deste), será necessário
organizar as interações entre terminais e o computador central em sessões, de tal forma que,
ao término de uma sessão entre um terminal e o computador central, este terá liberados
determinados elementos (envolvidos naquela sessão) que poderão atender outros terminais em
estado de espera.
Ainda, considerando que nem todos os terminais vão efetuar o mesmo tipo de
tratamento de forma simultânea, dever-se-á, então, especificar a aplicação associada. Assim,
todas as necessidades vistas neste exemplo deverão ser associadas às funcionalidades
definidas no exemplo anterior. Mas os problemas não terminam por aqui... (é impossível, no
momento, prever onde terminarão os problemas!).

computador
central

terminais

11
Figura 2.1.4 - Configuração com vários terminais.

Vamos considerar ainda um exemplo, mais particularmente o de uma rede contendo


diversos computadores, terminais, etc, cada um destes elementos constituindo um nó da rede
(figura 2.1.5). Neste exemplo, os dois elementos envolvidos numa comunicação não serão
mais necessariamente adjacentes; além disso, podem existir diversas maneiras de conectá-los,
o que conduz a diferentes caminhos de envio de dados.
No exemplo mostrado na figura 2.1.5, os nós 1 e 5 podem ser conectados por pelo
menos 10 caminhos diferentes e a escolha de qual caminho utilizar deverá então ser realizada,
o que não é uma tarefa tão simples quanto possa parecer. A função de escolha de uma
caminho adequado recebe o nome de Roteamento.

2 4

1 3

Figura 2.1.5 - Configuração com vários computadores e terminais.

Ainda, se a rede é da classe ponto-a-ponto (ou comutação de pacotes), o sistema de


comunicação deve assegurar a correta transmissão (transporte) da informação de um ponto a
outro. Particularmente, será necessário garantir que as mensagens enviadas serão recuperadas
e reconstituídas na ordem correta no ponto de chegada.
Um requisito também importante é o aspecto da codificação das mensagens de modo a
evitar o acesso a informações de parte de usuários alheios ao sistema considerado. A esta
função, pode-se eventualmente acrescentar técnicas de compressão de dados, necessária se a
informação enviada é demasiadamente redundante e o custo da comunicação é alto.

[Link] Questões organizacionais

Uma vez listadas as diferentes necessidades relacionadas a uma rede de comunicação,


a questão que se coloca é a da viabilidade de um projeto de rede, dada a quantidade de
funções a implementar.

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Uma outra questão é a do ordenamento das funções: o controle de fluxo deve ser
realizado antes ou depois da correção de erros? Uma vez resolvida esta questão, que
elementos da rede serão responsáveis da implementação destas funções? As soluções adotadas
são dependentes do suporte de transmissão utilizado? Elas continuam válidas no caso de
expansão da rede? Estas questões representam, de certo modo, a necessidade de levar em
conta um certo ordenamento no que diz respeito à adoção das soluções a cada problema.
Uma ilustração típica do problema é aquele das relações internacionais: vamos supor
dois países A e B, representados pelos seus respectivos presidentes que devem assinar um
acordo de cooperação industrial e comercial. Supondo que a organização política dos dois
países é a mesma, cada presidente deve convocar o seu primeiro ministro para acompanhar a
execução do acordo.
Em cada país, o primeiro ministro vai convocar o ministro da indústria a fim de
implementar o acordo do ponto de vista industrial.
Supondo que faz parte do acordo a construção de um novo avião civil, o ministro da
indústria vai convocar o diretor das indústrias aeronáuticas e espaciais para que este faça os
primeiros contatos. Finalmente, o diretor vai contactar um industrial do ramo e requisitar que
este contacte seu homólogo no país B. Uma vez iniciado o processo de cooperação, os
industriais deverão prestar informações sobre o estado da cooperação à administração dos
seus respectivos países, sendo que a informação vai subindo na hierarquia da organização dos
países, sendo filtrada em toda informação que possa parecer supérflua para o elemento
superior.
Este processo é ilustrado na figura 2.1.6 e ele caracteriza, na verdade, a filosofia de
concepção das redes de comunicação, que é baseada em dois conceitos fundamentais: o da
hierarquia e o da descentralização, cuja conjunção vai permitir responder à questão de
ordenação na adoção das soluções. Segundo esta filosofia, uma tarefa global é vista como
sendo decomposta à medida que se vai descendo na hierarquia e que a única interação física se
faz no seu nível mais baixo.

País A País B

Primeiro Ministro

Ministro da
Indústria

Diretor do setor
aeronáutico

Industrial

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Figura 2.1.6 - A filosofia de concepção das redes, ilustrada por um processo de relações
internacionais.

Podemos considerar que a comunicação entre dois nós de uma rede é uma tarefa global
que afeta um sistema complexo e, conseqüentemente, sujeita à aplicação dos princípios de
hierarquização e de descentralização.

As vantagens da adoção destes princípios são, fundamentalmente:

• facilidade de estudo e de implementação da rede a partir de elementos de base


existentes, o que permite a redução dos custos de instalação;
• simplificação de sua operação em função da definição de regras formais;
• garantia de confiabilidade do sistema, particularmente graças ao encapsulamento das
funções, o que permite limitar a propagação de erros e facilitar a manutenção;
• garantia, pela modularidade, de um grau satisfatório de evolutividade e de
extensibilidade da rede;
• otimizar o desempenho.

Todos estes aspectos nos conduzem a conceber uma arquitetura de comunicação como
sendo uma organização de software e hardware estruturada em camadas.

[Link] A estruturação em camadas


Os conceitos de hierarquia e descentralização podem ser empregados de diferentes
formas, cada uma podendo implicar num tipo de rede particular. Em função desta provável
multiplicidade, surgiu então a necessidade de uma normalização permitindo a conexão de
diferentes classes de hardware.
Para possibilitar a normalização, foi necessário estabelecer um modelo teórico capaz
de representar as relações entre as diferentes tarefas implementadas nos diferentes níveis
hierárquicos. A possibilidade de interconexão de um número qualquer de sistemas, ou seja, de
conjuntos autônomos podendo efetuar tarefas de tratamento ou de transmissão de informação,
era uma característica essencial para o modelo a ser estabelecido.
A figura 2.1.7 ilustra a arquitetura hierarquizada em camadas (no caso, 7 camadas),
que permitirá introduzir o conjunto de conceitos relacionados ao modelo estabelecido.
O objetivo de cada camada é o oferecimento de um determinado serviço às camadas
superiores (utilizando-se, também dos serviços oferecidos pelas camadas inferiores) de forma
a evitar que estas necessitem conhecer certos aspectos da implementação destes serviços.

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