MODALIZADORES E CONECTIVOS
Indicadores de prioridade ou relevância
Em primeiro lugar, antes de mais nada, primeiramente, acima de tudo,
precipuamente, mormente, principalmente, primordialmente,
sobretudo.
Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que esta série de exemplos não
é completa, principalmente no que diz respeito às locuções adverbiais.
Indicadores de tempo
Então, enfim, logo, logo depois, imediatamente, em seguida, afinal, por
fim, finalmente, agora, atualmente, hoje, frequentemente,
constantemente, às vezes, eventualmente, por vezes, ocasionalmente,
sempre, raramente, não raro, ao mesmo tempo, simultaneamente,
nesse ínterim, nesse meio tempo, enquanto isso – e as conjunções
temporais.
Finalmente, é preciso acrescentar que alguns desses exemplos se
revelam por vezes um pouco ingênuos. A princípio, nossa intenção era
omiti-los para não alongar este tópico: mas, por fim, nos convencemos
de que as ilustrações são frequentemente mais úteis do que as
regrinhas.
Indicadores de semelhança comparação,
conformidade
Igualmente, da mesma forma, assim também, do mesmo modo,
similarmente, semelhantemente, analogamente, por analogia, de
maneira idêntica, mutatis mutandis, de conformidade com, de acordo
com, segundo, conforme, sob o mesmo ponto de vista – e as conjunções
comparativas.
No exemplo anterior, o pronome demonstrativo “desses”
serve igualmente como partícula de transição: é uma palavra de
referência à ideia anteriormente expressa. Da mesma forma, a repetição
de “exemplos” ajuda a interligar os dois trechos. Também o adjetivo
“anterior” funciona como palavra de referência. “Também” expressa aqui
semelhança. No exemplo seguinte, indica adição.
Indicadores de adição, continuação
Além disso, ademais, outrossim, ainda mais, ainda por cima, por outro
lado, também – e as conjunções aditivas (e, nem, não só... mas
também, etc.).
Além de algumas locuções conjuntivas indicadas na coluna à esquerda,
também as conjunções aditivas, como o nome o indica, “ligam,
ajuntando”.
Indicadores de dúvida
Talvez, provavelmente, possivelmente, quiçá, quem sabe? É provável,
não é certo, se é que.
O leitor ao chegar até aqui – se é que chegou – talvez já tenha
adquirido uma ideia da relevância das partículas de transição.
Indicadores de certeza, ênfase
De certo, por certo, certamente, in dubitavelmente,
inquestionavelmente, sem dúvida, inegavelmente, com toda a certeza.
Certamente, o autor destas linhas confia demais na paciência do leitor
ou duvida demais do seu senso crítico. Os exemplos apresentados
incluem advérbios ou locuções adverbiais em que é difícil perceber a
ideia de transição.
Sem dúvida, é o que parece. Quer a prova, leitor? Qual é a função
desse “sem dúvida” se não a de desencadear neste exemplo os
argumentos com que defenderei nosso ponto de vista?
Indicadores de surpresa, imprevisto
Inesperadamente, inopitadamente, de súbito, imprevistamente,
surpreendentemente.
Inesperadamente, o leitor pode apresentar erros de interpretação
gerados pelos imprevistos de leituras falhas dos elementos de transição
apresentados nos meandros dos textos.
Indicadores de ilustração, esclarecimento
Por exemplo, isto é, quer dizer, em outras palavras, ou por outra, a
saber.
Observação: essas partículas, ditas “explicativas”, vêm sempre entre
vírgulas, ou entre uma vírgula e dois-pontos.
Essas falhas de interpretação podem, por exemplo, prejudicar até
mesmo a leitura de um documento.
Indicadores de propósito, intenção, finalidade
Com o fim de, a fim de, com o propósito, intencionalmente – e as
locuções conjuntivas finais a fim de que e para que.
Com a finalidade de evitar interpretações de texto equivocadas, é
necessário que os leitores e escritores reconheçam o valor semântico
de cada elemento de transição utilizado no texto.
Indicadores de lugar, proximidade, distância
Perto de, próximo a ou de, junto a ou perto de, dentro, fora, mais
adiante, além, acolá – outros advérbios de lugar, algumas outras
preposições, e os pronomes demonstrativos.
Próximos das introduções de parágrafo, ou apenas dentro das orações,
os conectivos contribuem para formar um texto de fácil leitura.
Indicadores de resumo, recapitulação,
conclusão
Em suma, em síntese, em conclusão, enfim, em resumo, portanto.
Em suma, leitor: as partículas de transição são indispensáveis à
coerência entre as ideias e, portanto, à unidade do texto.
Indicadores de causa e consequência
Daí, por consequência, por conseguinte, como resultado, por isso, por
causa de, em virtude de, assim, de fato, com efeito – e as conjunções
causais, conclusivas e explicativas.
Por isso, vários especialistas em produção de texto defendem que
leitores e redatores dominem as significações desses elementos de
coesão.
Indicadores de contraste, oposição, restrição,
ressalva
Pelo contrário, em contraste com, salvo, exceto, menos – e as
conjunções adversativas (no entanto, entretanto, mas, etc.) e
concessivas (embora, mesmo assim, etc.).
Os gêneros textuais de caráter argumentativo exigem o uso desses
articuladores. No entanto, para a leitura e a escrita de gêneros
literários como a poesia, dispensam-se esses elementos.
Indicadores de referência em geral
Os pronomes demonstrativos “este” (o mais próximo), “aquele” (o mais
distante), “esse” (posição intermediária; o que está perto da pessoa
com quem se fala); os pronomes pessoais; repetições da mesma
palavra, de um sinônimo, perífrase ou variante sua; os pronomes
adjetivos último, penúltimo, antepenúltimo, anterior, posterior; os
numerais ordinais (primeiro, segundo, etc.).
CONJUNÇÕES OU LOCUÇÕES CONJUNTIVAS COORDENATIVAS
SIGNIFICADO CONJUNÇÕES EXEMPLOS
ADITIVAS: exprimem adição, E, nem, mas também, mas ainda, senão Adilson foi ao trabalho a pé e voltou de automóvel.
acréscimo. também, como também, bem como Simão não era rico nem pobre.
Não só estudou ciências, como também se dedicou à
Geografia.
ADVERSATIVAS: exprimem Mas, porém, todavia, contudo, Nesse particular, você tem razão, contudo não me
oposição, contraste, ressalva, entretanto, senão, ao passo que, antes convenceu.
compensação. (pelo contrário), no entanto, não Lúcia terminou a prova, mas não assinou a lista de
obstante, apesar disso, em todo caso. presença.
ALTERNATIVAS: exprimem Ou, ou...ou, ora...ora, já...já, quer...quer, A babá ora brincava com o bebê, ora beslicava-o.
alternativa, alternância. talvez...talvez. Decide-se agora, ou perderás a chance de ir à Europa.
CONCLUSIVAS: iniciam uma Logo, portanto, por conseguinte, pois Vivia zombando de todos; logo, não merecia
conclusão. (posposto ao verbo), por isso, então. complacência.
EXPLICATIVA: Que, porque, porquanto, pois Ele caminhava apressadamente, pois estava atrasado.
precedem um motivo, uma (anteposto ao verbo).
explicação.
ORAÇÕES ADVERBIAS CONJUNÇÕES OU LOCUÇÕES CONJUNTIVAS EXEMPLOS
ADVERBIAIS
CAUSAIS Porque, que, pois, como, porquanto, visto que, Carlos saiu porque precisava.
Introduzem orações que visto como, já que, uma vez que, desde que, na
exprimem causa; medida em que;
COMPARATIVAS Como, (tal) qual, tal e qual, assim como, (tal) Assim como ocorria na capital, meu pai vivia
Introduzem orações que como, (tão ou tanto) como, (mais) que ou do solitário numa cidade interiorana.
representam o segundo que, (menos) que ou do que, (tanto) quanto, O tempo de Carlos é mais voltado para o trabalho
elemento de uma comparação; que nem (do mesmo modo que), o mesmo que; do que às necessidades afetivas de seus filhos.
CONCESSIVAS Embora, conquanto, que, ainda que, mesmo Ainda que faça frio, o jogo se realizará.
Iniciam orações que exprimem que, ainda quando, mesmo quando, posto que, Cristiano foi ao parque, embora estivesse chovendo.
um fato que se concede, que se por mais que, por muito que, por menos que, se
admite, em oposição a outro; bem que, em que (pese), nem que, dado que
sem que (embora não);
CONDICIONAIS Se, caso, contanto que, desde que, salvo se, sem Se o filme for ruim, sairei do cinema.
Iniciam orações que exprimem que (se não), a não ser que, a menos que, dado Caso realizasse as obras necessárias, não perderia a
condição, hipótese; que; eleição.
CONFORMATI-VAS Como, conforme, segundo, consoante; Conforme as últimas notícias, há conflitos políticos
Indicam conformidade de um no Oriente Médio.
fato com outro; Estudei aquele capítulo como havia me sugerido.
Segundo informou o prefeito, as obras terminarão
em abril.
FINAIS Para que, a fim de que, de modo que, Carlos falou baixo a fim de que não percebessem a
Iniciam orações que de forma que; sua revolta.
exprimem finalidade;
FINAIS Para que, a fim de que, de modo que, Carlos falou baixo a fim de que não percebessem a
Iniciam orações que de forma que; sua revolta.
exprimem finalidade;
CONSECUTIVAS Que (precedido dos intensivos tal, tão, Otávio comia tanto no seu almoço que engordou
Orações que exprimem tanto, tamanho, às vezes muito ao longo do ano.
consequência; subentendidos), de sorte que, de modo Faça sua tarefa de tal modo que não venha
que, de forma que, de maneira que, lastimar-se do resultado que dela possa advir.
sem que;
PROPORCIONAIS: À proporção que, à medida que, ao O barulho de algazarra aumenta à medida que se
Iniciam orações que passo que, quanto mais... (tanto mais), aproxima de crianças.
exprimem quanto mais... (tanto menos), quanto Quanto mais se exercitava, mas perdia peso.
concomitância, menos... (tanto mais), quanto menos ...
simultaneidade, (tanto menos), quanto mais... (mais),
proporcionalidade; (tanto )... quanto;
TEMPORAIS Quando, enquanto, logo que, mal (logo Logo que cheguei, conferi se as janelas
Introduzem orações que que), sempre que, assim que, desde permaneceram fechadas.
exprimem tempo. que, antes que, depois que, agora que, Ouvia música enquanto limpava o seu quarto.
ao mesmo tempo que, toda vez que.
ORAÇÕES SUBSTANTIVAS
QUE / SE: conjunções integrantes “que” e “se” introduzem orações que funcionam como substantivos,
não expressam ideia, apenas integram.
1- ORAÇÃO SUBJETIVA: 4- COMPLETIVA NOMINAL:
Convém que não saias da classe. Alencar estava esperançoso de que tudo se
resolveria.
2- OBJETIVA DIRETA:
Responda se conhece o novo time do Flamengo. 5- PREDICATIVA:
Penso que eles viajarão amanhã cedo. O bom é que você não desconfia nunca.
3- OBJETIVA INDIRETA: 6- APOSITIVA:
O acidente obstou a que chegássemos mais cedo. Pedi-lhe um favor: que me chamasse às sete horas.
O jovem obedeceu a todos que lhe são superiores.
Observação: no geral, as orações substantivas não apresentam vírgula antes da conjunção integrante.
Apenas a oração apostiva poderá apresentar dois pontos ou vírgula antes da conjunção integrante.
ORAÇÕES ADJETIVAS
OBSERVAÇÃO: as orações adjetivas são introduzidas por pronome relativo. Elas podem ser adjetivas restritivas ou
explicativas.
Oração subordinada adjetiva é aquela que se encaixa na oração principal, funcionando como adjunto adnominal. As
orações subordinadas adjetivas classificam-se em: explicativas e restritivas.
As adjetivas explicativas acrescentam uma qualidade acessória ao antecedente e são separadas da oração principal
por vírgulas. As orações adjetivas restritivas restringem o significado do antecedente e geralmente não são
separadas da oração principal por vírgulas.
Explicativas Restritivas
As orações adjetivas explicativas caracterizam um termo As orações adjetivas restritivas caracterizam um
específico. termo de sentido vago restringindo o seu sentido.
Ex.: Os jogadores de futebol, que são iniciantes, não recebem Ex.: Os artistas que declararam seu voto foram
salários. criticados.
O termo “os jogadores de futebol” seria específico em relação à O termo “os artistas” apresentaria sentido vago e,
oração adjetiva explicativa “que são iniciantes”. por isso, o autor da frase precisa restringir o seu
Observe que a oração adjetiva explicativa “que são iniciantes” é sentido. Não se trata de qualquer artista, mas,
introduzida pelo pronome relativo “que” e está entre vírgulas segundo a oração adjetiva que o acompanha,
no período. apenas dos “que declararam seu voto”.
As orações adjetivas explicativas apresentam vírgula. As orações restritivas não são intercaladas por
vírgula.
QUADRO DOS PRONOMES RELATIVOS
Variáveis Invariáveis
Masculino Feminino
o qual os quais a qual as quais quem
cujo cujos cuja cujas que
quanto quantos quanta quantas onde
EMPREGO DOS PRONOMES RELATIVOS
1. Os pronomes relativos virão precedidos de preposição se a regência
assim determinar.
Este é o pintor a cuja obra me refiro.
Este é o pintor de cuja obra gosto.
2. O pronome relativo quem é empregado com referência a pessoas:
Não conheço o político de quem você falou.
3. O relativo quem pode aparecer sem antecedente claro, sendo
classificado como pronome relativo indefinido.
Quem faltou foi advertido.
4. Quando possuir antecedente, o pronome relativo quem virá
precedido de preposição.
Marcelo era o homem a quem ela amava.
5. O pronome relativo que é o de mais largo emprego, chamado de
relativo universal, pode ser empregado com referência a pessoas ou
coisas, no singular ou no plural.
Não conheço o rapaz que saiu.
Gostei muito do vestido que comprei.
Eis os ingredientes de que necessitamos.
6. O pronome relativo que pode ter por antecedente o demonstrativo
o, a, os, as.
Falo o que sinto. (o pronome o equivale a aquilo)
7. Quando precedido de preposição monossilábica, emprega-se o
pronome relativo que. Com preposições de mais de uma sílaba, usa-se
o relativo o qual (e flexões).
Aquele é o livro com que trabalho.
Aquela é a senhora para a qual trabalho.
8. O pronome relativo cujo (e flexões) é relativo possessivo equivalente
a do qual, de que, de quem. Deve concordar com a coisa possuída.
Apresentaram provas em cuja veracidade eu creio.
9. O pronome relativo quanto, quantos e quantas são pronomes
relativos quando seguem os pronomes indefinidos tudo, todos ou
todas.
Comprou tudo quanto viu.
10. O relativo onde deve ser usado para indicar lugar e tem sentido
aproximado de em que, no qual.
Este é o país onde habito.
a) onde é empregado com verbos que não dão ideia de movimento.
Pode ser usado sem antecedente.
Sempre morei no país onde nasci.
b) aonde é empregado com verbos que dão ideia de movimento e
equivale a para onde, sendo resultado da combinação da preposição
“a” + “onde”.
Voltei àquele lugar aonde minha mãe me levava quando criança.
Referência
GARCIA, Othon Moacyr. Comunicação em prosa moderna: aprenda a
escrever, aprendendo a pensar. 27. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV,
2010.