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A Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, altera a legislação do Imposto de Renda sobre a atividade rural, definindo as atividades consideradas rurais e as formas de apuração do resultado. A lei estabelece critérios para a tributação, incluindo a possibilidade de compensação de prejuízos e a forma de cálculo da base de cálculo do imposto. Além disso, revoga disposições anteriores relacionadas ao tema.

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A Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, altera a legislação do Imposto de Renda sobre a atividade rural, definindo as atividades consideradas rurais e as formas de apuração do resultado. A lei estabelece critérios para a tributação, incluindo a possibilidade de compensação de prejuízos e a forma de cálculo da base de cálculo do imposto. Além disso, revoga disposições anteriores relacionadas ao tema.

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Presidência da República

Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI No 8.023, DE 12 DE ABRIL DE 1990.

Altera a legislação do Imposto de


Conversão da Medida Provisória nº 167, Renda sobre o resultado da
de 1990 atividade rural, e dá outras
providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , faço saber que o Congresso Nacional


decreta e eu sanciono a seguinte lei:

Art. 1º Os resultados provenientes da atividade rural estarão sujeitos ao


Imposto de Renda de conformidade com o disposto nesta lei.

Art. 2º Considera-se atividade rural:

I - a agricultura;

II - a pecuária;

III - a extração e a exploração vegetal e animal;

IV - a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura,


sericicultura, piscicultura e outras culturas animais;

V - a transformação de produtos agrícolas ou pecuários, sem que sejam


alteradas a composição e as características do produto in natura e não
configure procedimento industrial feita pelo próprio agricultor ou criador,
com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades
rurais, utilizando exclusivamente matéria-prima produzida na área rural
explorada.

V - a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que


sejam alteradas a composição e as características do produto in natura,
feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios
usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente
matéria-prima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização
e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja,
acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação
dada pela Lei nº 9.250, de 1995)

Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação


de animais e de produtos agrícolas. (Incluído pela Lei nº 9.250,
de 1995)

Art. 3º O resultado da exploração da atividade rural será obtido por uma das
formas seguintes:
I - simplificada, mediante prova documental, dispensada escrituração,
quando a receita bruta total auferida no ano-base não ultrapassar setenta
mil BTNs;

II - escritural, mediante escrituração rudimentar, quando a receita bruta


total do ano-base for superior a setenta mil BTNs e igual ou inferior a
setecentos mil BTNs;

III - contábil, mediante escrituração regular em livros devidamente


registrados, até o encerramento do ano-base, em órgãos da Secretaria da
Receita Federal, quando a receita bruta total no ano-base for superior a
setecentos mil BTNs.

Parágrafo único. Os livros ou fichas de escrituração e os documentos que


servirem de base à declaração deverão ser conservados pelo contribuinte à
disposição da autoridade fiscal, enquanto não ocorrer a prescrição
qüinqüenal.

Art. 4º Considera-se resultado da atividade rural a diferença entre os valores


das receitas recebidas e das despesas pagas no ano-base.

§ 1º É indedutível o valor da correção monetária dos empréstimos


contraídos para financiamento da atividade rural.

§ 2º Os investimentos são considerados despesas no mês do efetivo


pagamento.

§ 3º Na alienação de bens utilizados na produção, o valor da terra nua não


constitui receita da atividade agrícola e será tributado de acordo com o
disposto no art. 3º, combinado com os arts. 18 e 22 da Lei nº 7.713, de 22
de dezembro de 1988.

Art. 5º A opção do contribuinte, pessoa física, na composição da base de


cálculo, o resultado da atividade rural, quando positivo, limitar-se-á a vinte
por cento da receita bruta no ano-base.

Parágrafo único. A falta de escrituração prevista nos incisos II e III do art. 3º


implicará o arbitramento do resultado à razão de vinte por cento da receita
bruta no ano-base.

Art. 6º Considera-se investimento na atividade rural, para os propósitos do


art. 4º, a aplicação de recursos financeiros, exceto a parcela que
corresponder ao valor da terra nua, com vistas ao desenvolvimento da
atividade para expansão da produção ou melhoria da produtividade
agrícola.

Art. 7º A base de cálculo do imposto da pessoa física será constituída pelo


resultado da atividade rural apurada no ano-base, com os seguintes ajustes:

I - acréscimo do valor de que trata o § 1º, do art. 9º;

II - dedução do valor a que se refere o caput do art. 9º;


III - dedução, relativamente aos pagamentos feitos pela pessoa física,
durante o ano-base, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas,
terapeutas ocupacionais e hospitais, do valor que exceder a vinte por cento
do resultado da atividade rural; (Revogado pela Lei nº 8.383,
de 1991)

IV - dedução de quantia correspondente a quatrocentos e oitenta BTNs por


dependente, até o limite de cinco dependentes. (Revogado pela
Lei nº 8.383, de 1991)

§ 1º As deduções de que tratam os incisos III e IV não poderão ser


aproveitadas pelo contribuinte que as tiver utilizado para determinar a base
de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre rendimentos decorrentes de
outras atividades que não a agrícola. (Revogado pela Lei nº
8.383, de 1991)

§ 2º As normas constantes do art. 14, §§ 1º a 5º da Lei nº 7.713, de 22 de


dezembro de 1988, são aplicáveis, no que couber, ao disposto nos incisos III
e IV. (Revogado pela Lei nº 8.383, de 1991)

Art. 8º O resultado da atividade rural e da base de cálculo do imposto terá


seus valores expressos em quantidades de BTN.

Parágrafo único. As receitas, despesas e demais valores que integram o


resultado e a base de cálculo serão convertidos em BTN pelo valor deste
mês do efetivo recebimento ou pagamento.

Art. 9º O contribuinte que, no decurso do ano-base, mantiver depósitos


vinculados ao financiamento da atividade rural, nos termos definidos pelo
Poder Executivo, poderá utilizar o saldo médio ajustado dos depósitos para
reduzir, em até cem por cento, o valor da base de cálculo do
imposto. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995)

§ 1º A parcela de redução que exceder a dez por cento do valor da base de


cálculo do imposto será adicionada ao resultado da atividade para compor a
base de cálculo do ano-base subseqüente àquele em que o benefício foi
utilizado. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995)

§ 2º Considera-se saldo médio anual ajustado dos depósitos referidos no


caput , a parcela equivalente a um doze avos da soma dos saldos médios
mensais, expressos em quantidade de BTN. (Revogado pela Lei
nº 9.249, de 1995)

§ 3º O Banco Central do Brasil expedirá normas que regulamentarão a


modalidade, forma, remuneração e aplicação dos depósitos
referidos. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995)

Art. 10. O imposto da pessoa física será apurado sobre a base de cálculo
definida no art. 7º, se positiva, expressa em quantidade de BTN,
observando-se: (Revogado pela Lei nº 8.383, de 1991)
I - se a base de cálculo for de até vinte e dois mil e oitocentos BTN, será
deduzida uma parcela correspondente a seis mil, oitocentos e quarenta
BTNs e sobre o saldo remanescente incidirá a alíquota de dez por
cento; (Revogado pela Lei nº 8.383, de 1991)

II - se a base de cálculo for superior a vinte e dois mil e oitocentos BTNs,


será deduzida uma parcela de dezesseis mil, quatrocentos e dezesseis BTNs
e sobre o saldo remanescente incidirá a alíquota de vinte e cinco por
cento. (Revogado pela Lei nº 8.383, de 1991)

§ 1º Quando o contribuinte estiver sujeito à tributação por rendimentos de


outra natureza, será deduzida dos limites de isenção prevista nos incisos I e
II deste artigo a soma dos limites de isenção utilizados no cálculo do
imposto mensal. (Revogado pela Lei nº 8.134, de
1991) (Revogado pela Lei nº 8.383, de 1991)

2º O imposto, apurado na forma deste artigo, será convertido em cruzados


novos pelo valor do BTN no mês de dezembro e em BTN-Fiscal pelo valor
deste no primeiro dia útil do mês de janeiro do ano
subseqüente. (Revogado pela Lei nº 8.134, de 1991)
(Revogado pela Lei nº 8.383, de 1991)

Art. 11. O imposto apurado na forma do art. 10, expresso em quantidade de


BTN Fiscal, poderá ser pago em até seis quotas iguais, mensais e
sucessivas, observado o seguinte: (Revogado pela Lei nº 8.134,
de 1991)

I - nenhuma quota será inferior a trinta e cinco BTNs Fiscais e o imposto de


valor inferior a setenta BTNs Fiscais será pago de uma só
vez; (Revogado pela Lei nº 8.134, de 1991)

II - a primeira quota ou quota única será paga no mês de abril do ano


subseqüente ao ano a que se referem os resultados
apurados; (Revogado pela Lei nº 8.134, de 1991)

III - as quotas vencerão no último dia útil de cada


mês; (Revogado pela Lei nº 8.134, de 1991)

IV - fica facultado ao contribuinte antecipar, total ou parcialmente, o


pagamento do imposto ou das quotas. (Revogado pela Lei nº
8.134, de 1991)

Parágrafo único. A quantidade de BTN Fiscal de que trata este artigo será
reconvertida em cruzados novos pelo valor do BTN Fiscal no dia do
pagamento do imposto ou da quota. (Revogado pela Lei nº
8.134, de 1991)

Art. 12. A pessoa jurídica que explorar atividade rural pagará o imposto à
alíquota de vinte e cinco por cento sobre o lucro da exploração (art. 19 do
Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e alterações posteriores),
facultada a redução da base de cálculo nos termos previstos no art. 9º, não
fazendo jus a qualquer outra redução do imposto a título de incentivo
fiscal. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995)

1º Na redução da base de cálculo, o saldo médio anual dos depósitos de que


trata o art. 9º será expresso em cruzados novos e corresponderá a um doze
avos da soma dos saldos médios mensais dos depósitos. (Revogado
pela Lei nº 9.249, de 1995)

2º Os bens do ativo imobilizado, exceto a terra nua, quando destinados à


produção, poderão ser depreciados integralmente, no próprio ano da
aquisição. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995)

3º O imposto de que trata este artigo será pago de conformidade com as


normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (Revogado pela
Lei nº 9.249, de 1995)

Art. 13. Os arrendatários, os condôminos e os parceiros na exploração da


atividade rural, comprovada a situação documentalmente, pagarão o
imposto de conformidade com o disposto nesta lei, separadamente, na
proporção dos rendimentos que couber a cada um.

Art. 14. O prejuízo apurado pela pessoa física e pela pessoa jurídica poderá
ser compensado com o resultado positivo obtido nos anos-base posteriores.

Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, ao saldo de


prejuízos anteriores, constante da declaração de rendimentos relativa ao
ano-base de 1989.

Art. 15. O excesso de redução por investimentos constante da declaração


relativa ao ano-base de 1989 poderá ser compensado com o resultado de
até três anos-base seguintes.

Art. 16. Os valores das compensações a serem efetuadas pela pessoa física,
nos termos dos arts. 14 e 15, deverão ser expressos:

I - em se tratando de prejuízo ocorrido a partir do ano-base de 1990, em


quantidade de BTN resultante da apuração da base de cálculo do imposto;

II - em se tratando de prejuízos anteriores ao ano-base de 1990 ou excesso


de redução por investimentos, constantes da declaração de rendimentos
relativa ao ano-base de 1989, em quantidade de BTN equivalente ao
quociente resultante da divisão dos respectivos valores, em cruzados novos,
por NCz$ 7,1324.

Parágrafo único. A pessoa física que, na apuração da base de cálculo do


imposto, optar pela aplicação do disposto no art. 5º perderá o direito à
compensação do total dos prejuízos ou excessos de redução por
investimentos correspondente a anos-base anteriores ao da opção.

Art. 17. Os valores dos estoques finais dos rebanhos, constantes da


declaração relativa ao ano-base de 1989, serão expressos em quantidade
de BTN, equivalente ao quociente obtido dividindo-se o respectivo
montante, em cruzados novos, por NCz$ 2,4042.
Art. 18. A inclusão, na apuração do resultado da atividade rural, de
rendimentos auferidos em outras atividades que não as previstas no art. 2º,
com o objetivo de desfrutar de tributação mais favorecida, constitui fraude e
sujeita o infrator à multa de cento e cinqüenta por cento do valor da
diferença do imposto devido, sem prejuízo de outras cominações legais.

Art. 19. O disposto nos arts. 35 a 39 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de


1988, aplica-se ao lucro líquido do período-base apurado pelas pessoas
jurídicas de que trata o art. 12.

Art. 20. Na programação especial relativa às operações oficiais de crédito na


atividade de política de preços agrícolas e de custeio agropecuário serão
previstos, além de outros, recursos equivalentes à estimativa de
arrecadação do Imposto de Renda sobre os resultados decorrentes da
atividade rural de que trata esta lei.

Art. 21. O Poder Executivo expedirá os atos que se fizerem necessários à


execução do disposto nesta lei.

Art. 22. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 23. Revogam-se os Decretos-Leis nºs 902, de 30 de setembro de


1969, 1.074, de 20 de janeiro de 1970, os arts. 1º, 4º e 5º do Decreto-Lei nº
1.382, de 26 de dezembro de 1974 e demais disposições em contrário.

Brasília, 12 de abril de 1990; 169º da Independência e 102º da República.

FERNANDO COLLOR
Zélia M. Cardoso de Mello

Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 13.4.1990

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