0% acharam este documento útil (0 voto)
0 visualizações19 páginas

Capitulo II

O capítulo aborda o Processo Administrativo Disciplinar (PAD), definindo conceitos, legislação, princípios e penalidades aplicáveis. O PAD é um instrumento legal para investigar infrações cometidas por servidores públicos, regulado por diversas leis dependendo da esfera de governo. Além disso, destaca a importância dos princípios jurídicos e a possibilidade de responsabilização do servidor em diferentes instâncias.

Enviado por

kethlen
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
0 visualizações19 páginas

Capitulo II

O capítulo aborda o Processo Administrativo Disciplinar (PAD), definindo conceitos, legislação, princípios e penalidades aplicáveis. O PAD é um instrumento legal para investigar infrações cometidas por servidores públicos, regulado por diversas leis dependendo da esfera de governo. Além disso, destaca a importância dos princípios jurídicos e a possibilidade de responsabilização do servidor em diferentes instâncias.

Enviado por

kethlen
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

CAPÍTULO II

PROCESSO ADMINISTRATIVO
DISCIPLINAR – ABORDAGENS
CONCEITUAIS

Profª Patrícia Rosa Souza da Silva Lopes

Objetivos Específicos

Ao final deste capítulo, você deverá ser capaz de:

• Definir Direito Administrativo Disciplinar;


• Definir Processo Administrativo Disciplinar;
• Compreender a legislação utilizada nos Processos Administrativos
Disciplinares;
• Conhecer os princípios do Direito Administrativo Disciplinar;
• Compreender o fluxo do Processo Administrativo Disciplinar - PAD;
• Conhecer as penalidades cabíveis decorrentes de um PAD.
• Identificar os casos para utilização do rito sumário em PAD’s.

No capítulo anterior trouxemos o conceito de Direito Administrativo,


Controles na Administração Pública e Processos Administrativos. Neste
capítulo, iremos abordar um dos tipos de Processo Administrativo.

A literatura acerca do Processo Administrativo Disciplinar - PAD é vasta e


com muitas especificidades. As informações a serem utilizadas em cada
caso dependem de variáveis como: esfera de governo e localidade a qual
o servidor está vinculado e tipo de vínculo que o mesmo tenha com o ór-
gão. Para efeito deste capítulo, serão apresentadas noções introdutórias
ao tema que facilitarão os estudos direcionados a situações práticas no
que se refere ao PAD.

[Link]

O Direito Administrativo Disciplinar é um ramo do Direito Administrati-


vo que, segundo o Manual de Processo Administrativo Disciplinar, 2022,
p.13 “tem por objetivo regular a relação da Administração Pública com
seu corpo funcional, estabelecendo regras de comportamento a título de
deveres e proibições, bem como a previsão da pena a ser aplicada”.

A Lei n° 8.112/1990 dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públi-


cos civis da União, das autarquias e das fundações públicas. Em seu Art.
116 são elencados os deveres do servidor, conforme segue:
CAPÍTULO 2

I - exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo;


II - ser leal às instituições a que servir;
III - observar as normas legais e regulamentares;
IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente
ilegais;
V - atender com presteza:
a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressal-
vadas as protegidas por sigilo;
b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou
esclarecimento de situações de interesse pessoal;
c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública.
(...)
VI - levar as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo
ao conhecimento da autoridade superior ou, quando houver sus-
peita de envolvimento desta, ao conhecimento de outra autoridade
competente para apuração;
20 (Redação dada pela Lei nº 12.527, de 2011)
VII - zelar pela economia do material e a conservação do patrimônio
público;
VIII - guardar sigilo sobre assunto da repartição;
IX - manter conduta compatível com a moralidade administrativa;
X - ser assíduo e pontual ao serviço;
XI - tratar com urbanidade as pessoas;
XII - representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder.
Parágrafo único. A representação de que trata o inciso XII será en-
caminhada pela via hierárquica e apreciada pela autoridade superior
àquela contra a qual é formulada, assegurando-se ao representando
ampla defesa.

As proibições, estabelecidas no regimento do servidor público federal,


estão descritas no art. 117 da Lei n° 8.112/1990, conforme segue:

Art. 117. Ao servidor é proibido: (Vide Medida Provisória nº 2.225-


45, de 4.9.2001)
I - ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autori-
zação do chefe imediato;
II - retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer
documento ou objeto da repartição;
III - recusar fé a documentos públicos;
IV - opor resistência injustificada ao andamento de documento e
processo ou execução de serviço;
V - promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da
repartição;
VI - cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos
em lei, o desempenho de atribuição que seja de sua responsabilida-
de ou de seu subordinado;
VII - coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a asso-
ciação profissional ou sindical, ou a partido político;
VIII - manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de con-

CAPÍTULO 2
fiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil;
IX - valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em
detrimento da dignidade da função pública;
(...)
X - participar de gerência ou administração de sociedade privada,
personificada ou não personificada, exercer o comércio, exceto na
qualidade de acionista, cotista ou comanditário; (Redação dada pela
Lei nº 11.784, de 2008
(...)
XI - atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições
públicas, salvo quando se tratar de benefícios previdenciários ou
assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou com-
panheiro;
XII - receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer
espécie, em razão de suas atribuições;
XIII - aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro;
XIV - praticar usura sob qualquer de suas formas; 21
XV - proceder de forma desidiosa;
XVI - utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços
ou atividades particulares;
XVII - cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que
ocupa, exceto em situações de emergência e transitórias;
XVIII - exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o
exercício do cargo ou função e com o horário de trabalho;
XIX - recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado.
(Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97)
(...)
Parágrafo único. A vedação de que trata o inciso X do caput des-
te artigo não se aplica nos seguintes casos: (Incluído pela Lei nº
11.784, de 2008
(...)
I - participação nos conselhos de administração e fiscal de empre-
sas ou entidades em que a União detenha, direta ou indiretamente,
participação no capital social ou em sociedade cooperativa constitu-
ída para prestar serviços a seus membros; e (Incluído pela Lei nº
11.784, de 2008
(...)
II - gozo de licença para o trato de interesses particulares, na forma
do art. 91 desta Lei, observada a legislação sobre conflito de interes-
ses. (Incluído pela Lei nº 11.784, de 2008

Com o intuito de averiguar possíveis infrações por parte do servidor pú-


blico, o processo administrativo disciplinar configura-se como o princi-
pal instrumento para o esclarecimento da verdade real.

O processo administrativo disciplinar é o instrumento legal pelo


qual o Poder Público promove uma investigação, com a finalidade
de comprovar a materialidade e a autoria de uma infração disciplinar
praticada, em tese, pelo servidor público, violadora de seus deveres
e obrigações estabelecidos em lei, ocorrida por ensejo do exercício
CAPÍTULO 2

do vínculo público do servidor acusado, com a consequente impo-


sição de sanção, caso reste provada a responsabilidade funcional do
referido servidor. [Mattos, 2010, p.571].

Quando se fala em processo administrativo disciplinar - PAD, o primeiro


passo é saber que não existe apenas uma lei que o rege. Assim, para se
instaurar um PAD, primeiro passo é conhecer o estatuto ao qual o servi-
dor está submetido. Nele haverá as orientações e prazos estabelecidos
para o PAD. Subsidiariamente, verificar se há lei específica que regule
processo administrativo na esfera de Governo do caso. Por exemplo:

- Servidores Federais – Lei n° 8.112/1990 – Lei n° 9.784/1999;


- Servidores Estaduais PE – Lei n°6.123/1968 – Lei n° 11.781/2000;
- Servidores Estaduais SP – Lei n°10.261/1968 - Lei n° 10.177/1998.

22

SAIBA MAIS

Deve ser registrado que a jurisprudência do Superior Tribunal de


Justiça se consolidou no sentido de que, ausente lei específica, “a
Lei 9.784/99 pode ser aplicada de forma subsidiária no âmbito dos
Estados-Membros, tendo em vista que se trata de norma que deve
nortear toda a Administração Pública, servindo de diretriz aos seus
demais órgãos.

GASPARINI, Diogénes. Direito administrativo. Editora Saraiva,


2011. E-book. ISBN 9788502149236

Sempre que houver lacunas na lei a ser usada, as informações podem ser
conseguidas, de forma subsidiária, em outras fontes, seguindo a hierar-
quia normativa, conforme segue:

1. Constituição Federal de 1988;


2. Constituição de cada Estado;
3. Lei Complementar;
4. Lei Ordinária;
5. Medidas Provisórias (possuem prazo de validade);
6. Decreto;
7. Atos normativos infralegais;
8. Contratos, avenças, convênios;
9. Atos administrativos.

Se mesmo assim a anomia, ausência de norma, persistir, outras fontes


podem ser utilizadas, conforme sequência da figura 06.
CAPÍTULO 2
Princípios Analogias Equidades Praxe

Figura 06 - Fontes subsidiárias quando houver anomia


Fonte: Elaborada pela autora

Caso exista a antinomia, ou seja, quando houver uma contradição entre


as leis, gerando dificuldade na aplicação das mesmas, pode-se usar os
critérios abaixo:

- Critério do princípio da hierarquia normativa;


- Critério da especialidade: norma específica revoga a lei geral;
- Critério cronológico: norma mais recente revoga norma mais antiga.

Estes critérios são excludentes. Se o conflito for cessado por um dos cri-
térios acima, não há necessidade de usar os demais.
23
2. Princípios

Princípios não são meras diretivas morais ou declarações de inten-


ção; ao contrário, informam, interpretam e, sobretudo, integram o
Direito, mesmo aqueles não normatizados. Embora possam advir
de origens sociais e éticas, os princípios jurídicos são elementos
componentes do Direito e até podem, inclusive, alcançar o pata-
mar de fontes quando são consagrados na normatização ou na ju-
risprudência (o que, todavia, jamais lhes retira a essência de serem
princípios). Eles fornecem ao aplicador uma visão sistêmica do or-
denamento, interpretando seu sentido ou integrando suas lacunas.
Diante de situações que aparentemente comportam mais de uma
decisão legalmente aceitável ou que aparenta não ter nenhuma so-
lução cabível, o emprego adequado dos princípios certamente pro-
piciará ao aplicador a conduta correta ou, ao menos, excluirá as
condutas incompatíveis. [Teixeira,2010, p.559]

O processo administrativo disciplinar obedecerá aos princípios elenca-


dos no Art. 2, da Lei n° 9.784/1999. Além dos princípios, esse artigo, em
seu parágrafo único, também elenca alguns critérios a serem observados
durante o PAD.

Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos prin-


cípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, propor-
cionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança
jurídica, interesse público e eficiência.
Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados,
entre outros, os critérios de:
I - atuação conforme a lei e o Direito;
II - atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou
parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei;
III - objetividade no atendimento do interesse público, vedada a pro-
CAPÍTULO 2

moção pessoal de agentes ou autoridades;


IV - atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé;
V - divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipó-
teses de sigilo previstas na Constituição;
VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obriga-
ções, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente
necessárias ao atendimento do interesse público;
VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito que determina-
rem a decisão;
VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direi-
tos dos administrados;
IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado
grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administra-
dos;
X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alega-
ções finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos
24 processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio;
XI - proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as
previstas em lei;
XII - impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo
da atuação dos interessados;
XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor
garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplica-
ção retroativa de nova interpretação.

3. Responsabilização

O servidor quando exerce suas atividades funcionais de forma ilícita ou


irregular, pode ser responsabilizado simultaneamente em mais de uma
instância (administrativa, civil e penal). Neste caso, as responsabiliza-
ções possuem características próprias podendo ser aplicados diferentes
tipos de penalidades, podendo cumular-se entre si.

Responsabilidade Civil • A responsabilidade civil decorre de ato


omissivo ou comissivo, doloso ou
(Art. 122 da Lei n° culposo, que resulte em prejuízo ao erário
8.112/1990) ou a terceiros.

Responsabilidade penal • A responsabilidade penal abrange os


(Art. 123 da Lei n° crimes e contravenções imputadas ao
8.112/1990) servidor, nessa qualidade.

• A responsabilidade civil-administrativa
Reponsabilidade civil- resulta de ato omissivo ou comissivo
administrativa (Art. 124
praticado no desempenho do cargo ou
da Lei n° 8.112/1990) função.

Figura 07 - Instâncias de responsabilização


Fonte: Elaborada pela autora com base na Lei n ° 8.112 /1990
As responsabilizações seguem de forma independente. No entanto, o

CAPÍTULO 2
Art. 126 da Lei n° 8.112/1990 nos traz que “a responsabilidade admi-
nistrativa do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que
negue a existência do fato ou sua autoria”.

SAIBA MAIS

Art. 126 – A da Lei n° 8.112/1990


Nenhum servidor poderá ser responsabilizado civil, penal ou admi-
nistrativamente por dar ciência à autoridade superior, ou, quando
houver suspeita de envolvimento desta, a autoridade competente
para apuração de informação concernente à Prática de crimes ou
improbidade de que tenha conhecimento, ainda que em decorrên-
cia do exercício de cargo, emprego ou função pública. (Incluído pela
Lei n° 12.527, de 2011).
25
BRASIL, Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Disponível em:
[Link]

4. Fluxo do prcocesso administrativo disciplinar

Como mencionado no início do capítulo, não existe apenas uma lei que
normatize o processo administrativo disciplinar em todas as esferas de
Governo. Assim, serão utilizadas, nesta seção, a Lei n° 8.112/1990 (dis-
põe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das
autarquias e das fundações públicas federais) e Lei n° 9.784/1999 (regula
o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal)
como base exemplificativa. Faz-se necessário conhecer a legislação es-
pecífica da esfera na qual o servidor atua para ter conhecimento das
especificidades da mesma.

O Processo Administrativo Disciplinar - PAD faz parte do regime jurídico


do servidor público. Pode ter seu inicio de oficio (iniciado pela própria
administração) ou a pedido do interessado.

Mas, quem pode ser considerado legitimado na qualidade de interessado


em um processo administrativo disciplinar? Para responder a esse ques-
tionamento, a Lei n° 9.784/1999, no art. 9°, faz o seguinte registro:

I – as pessoas que o iniciem como titulares de direitos ou interesses


individuais ou no exercício do direito de representação;
II – qualquer um que possua direitos ou interesses que possam ser
afetados pela decisão do processo;
III – as organizações ou associações representativas, no tocante a
direitos e interesses coletivos;
IV – as pessoas ou as associações legalmente constituídas quanto a
direitos e interesses difusos.
Quando a solicitação de abertura do processo for de iniciativa do inte-
CAPÍTULO 2

ressado, é vedada a recusa imotivada por parte da administração, pois


configura afronta à Constituição Federal em seu artigo 5°, XXXIV, “a”, que
diz: “são a todos assegurados, independentemente do pagamento de
taxas: a) O direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos
ou contra ilegalidade ou abuso de poder”.

Por lei, é permitido que mais de um interessado formule um único re-


querimento quando possuírem conteúdo e fundamentos idênticos.

Quando a notícia de uma irregularidade funcional chega ao órgão, mes-


mo que seja por meio de denúncia anônima, a autoridade tem o poder-
-dever de agir.

SAIBA MAIS
26 A Lei n° 8.112/90, no Art. 144, fala sobre necessidade de identifica-
ção do denunciante. No entanto, de acordo com Súmula 611 edita-
da pela Primeira Seção em 2018, estando a denúncia devidamente
motivada e ampara da investigação e sindicância, a instauração do
PAD pode ser iniciada com a denúncia anônima.

BRASIL, Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Disponível em:


[Link]

A apuração ocorrerá mediante o devido processo legal, assegurada am-


pla defesa e contraditório ao acusado.

No âmbito da administração pública federal, os instrumentos de


apuração da responsabilidade dos servidores públicos por infrações
praticadas no exercício de suas atribuições, ou que tenham relação
com as atribuições do seu cargo, são a sindicância e processo ad-
ministrativo disciplinar – PAD, regulados nos art. 143 a 182 da Lei
8.112/1990. [Alexandrino, 2013, p. 430]

Conforme o Art. 147 da Lei n°8.112/1990, pode ser solicitada, como me-
dida cautelar, o afastamento do servidor de suas atividades por um prazo
de até 60 (sessenta) dias. Essa solicitação tem como intuito evitar que o
servidor interfira na apuração da irregularidade. Durante esse afastamen-
to, o servidor não terá prejuízo de sua remuneração. Esse afastamento
poderá ser prorrogado por igual prazo. No entanto, se mesmo após a
prorrogação o processo ainda não estiver concluído, o servidor retornará
às suas atividades.

É competente para instaurar sindicância ou PAD, a autoridade definida


em regimento específico da esfera de governo e localidade a qual o ser-
vidor esteja vinculado.

CAPÍTULO 2
4.1. Sindicância

A sindicância investigativa trata-se de uma análise onde se busca iden-


tificar os elementos mínimos como a irregularidade cometida e a con-
firmação do vínculo do causador da infração com o órgão (Ex: servidor,
prestador de serviço, terceirizado, empregado público, estagiário...),
pois dependendo do tipo de vínculo que o causador da infração tenha
com o órgão, o processo possuirá lei específica. Ou seja, neste momento
busca-se, de forma sucinta, identificar a materialidade e a autoria da
infração. Também faz parte da sindicância o levantamento de fatos cone-
xos à materialidade investigada. Desse tipo de sindicância não poderão
ser estabelecidas penalidades, pois não preveem momento para defesa
do investigado.

A sindicância punitiva é outro tipo de sindicância. Utilizada quando,


após o levantamento da materialidade e a autoria, for verificada que a 27
infração cometida é de menor impacto e que possam ser aplicadas penas
de repreensão ou suspensão de até 30 dias. Neste caso, não há necessi-
dade de se instaurar um PAD.

Uma sindicância investigativa pode tornar-se uma sindicância punitiva


por meio de portaria específica.

A comissão formada para realizar a sindicância é constituída por ato emi-


tido pela autoridade instauradora e será composta por 2 (dois) servidores
estáveis.

De acordo com o art. 145 da Lei n°8.112/1990, a partir desta sindicância


pode-se resultar:

Arquivamento quando
comprovada a inexistência de
irregularidade imputável a
funcionário público

Aplicação da pena de
repreensão ou de suspensão
Sindicância por até 30 dias (nos casos de
Sindicância Punitiva)

Abertura de inquérito
administrativo, nos demais
casos

Figura 08: Resultados da sindicância


Fonte: Elaborada pela autora embasada na Lei n° 8.112/1990

Ainda sobre o art. 145 da Lei 8.112/1990, o mesmo em seu parágrafo


único, estabelece o prazo de 30 (trinta) dias para a conclusão dos traba-
lhos da sindicância, podendo ser prorrogado por igual período.
CAPÍTULO 2

É importante salientar que o PAD pode ser instaurado sem a sindicância


caso a materialidade e autoria sejam evidentes. Isto torna o processo
mais célere e menos oneroso.

De acordo com o Art. 154 Parágrafo único, da Lei 8.112/1990:

Na hipótese de o relatório da sindicância concluir que a infração


está capitulada como ilícito penal, a autoridade competente encami-
nhará cópia dos autos ao Ministério Público, independentemente da
imediata instauração do processo disciplinar.

Quanto mais criterioso for o trabalho durante o período da sindicância,


menor a probabilidade de falhas processuais.
28
4.2. Fases do processo administrativo disciplinar – PAD

Em um processo administrativo disciplinar, cada fase desempenha um


papel específico visando garantir a regularidade, imparcialidade, trans-
parência e eficácia na apuração de eventuais infrações cometidas por
servidores públicos ou agentes vinculados à Administração Pública.

Instauração Instrução Defesa Relatório Julgamento

Inquérito

Figura 09 - Fases do processo administrativo disciplinar


Fonte: Elaborado pela autora

4.2.1. . Instauração

Para a instauração de um processo administrativo disciplinar, faz-se ne-


cessária a constituição, mediante portaria, de uma comissão formada por
03 (três) servidores estáveis, sendo o presidente de hierarquia funcional
igual ou superior a do servidor acusado. Existem alguns estatutos que
não sinalizam a obrigatoriedade na condição de estabilidade do servidor.
No entanto, é mais confortável que os membros da comissão já tenham
saído do estágio probatório.

Nos casos em que o servidor se julgar impedido ou suspeito para atuar


na comissão, o mesmo terá o prazo de 48 horas, contados de sua ciên-
cia, para solicitar sua saída da comissão. Caso contrário estará incorren-
do em falta grave. Os casos de suspeição e impedimento estão descritos,
de forma subsidiária, nos artigos 18 e 20 da Lei n° 9.784/1999, conforme
seguem:

CAPÍTULO 2
Art. 18. É impedido de atuar em processo administrativo o servidor
ou autoridade que:
I - tenha interesse direto ou indireto na matéria;
II - tenha participado ou venha a participar como perito, testemunha
ou representante, ou se tais situações ocorrem quanto ao cônjuge,
companheiro ou parente e afins até o terceiro grau;
III - esteja litigando judicial ou administrativamente com o interessa-
do ou respectivo cônjuge ou companheiro.
(...)
Art. 20. Pode ser arguida a suspeição de autoridade ou servidor que
tenha amizade íntima ou inimizade notória com algum dos interes-
sados ou com os respectivos cônjuges, companheiros, parentes e
afins até o terceiro grau

29
Após a formação da comissão, é marcada uma reunião inaugural. Não
há obrigatoriedade legal, mas a realização deste encontro inicial contri-
bui bastante para o bom andamento dos trabalhos, principalmente nos
casos onde os membros designados para comissão não se conhecem.
Nesta reunião, normalmente, estabelecem-se como serão realizadas as
deliberações iniciais, são identificados quais documentos e provas serão
necessárias, além de verificar a necessidade de provas testemunhais e
laudos periciais, dentre outras atividades. Registrar em ata as delibera-
ções adotadas na reunião inaugural e demais reuniões que houver.

Após a reunião inaugural, faz-se necessário dar ciência ao acusado que


o mesmo está sendo investigado por prática de irregularidade ou ilícito
na administração pública. A comunicação ao investigado da existência
de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) é um procedimento
formal e essencial para garantir o direito ao contraditório e à ampla defe-
sa. A notificação pode ser feita, de maneira presencial, por meio de um
documento oficial, como uma portaria ou despacho de instauração. Caso
o investigado encontre-se em lugar incerto, a comissão deve proceder a
notificação por meio de edital, publicado no diário oficial e em jornal de
grande circulação.

A notificação prévia não consta de forma expressa nas Leis 8.122/1990,


nem na Lei n° 9.784/1999. No entanto, trata-se do chamamento do acu-
sado ao processo. Neste momento, a comissão informa a existência do
processo e que nele consta representação ou denuncia contra o servidor
de suposto ilícito ou irregularidade. Neste momento, é oportunizado o
exercício do contraditório, podendo o acusado ter acesso às provas que
estão sendo construídas, além de poder indicar provas documentais,
testemunhas a serem ouvidas para elucidar o fato de acordo com seus
interesses e solicitar perícias ou pareceres, se for o caso. Os autos com-
pletos do processo são de acesso restrito. Estão autorizados a conhecer
a totalidade dos autos o investigado, seu representante legal, a comissão
e as pessoas determinadas pela autoridade instauradora.
Alguns órgãos possuem uma comissão permanente para todos os pro-
CAPÍTULO 2

cessos, outros estabelecem as comissões à medida que os fatos vão che-


gando ao conhecimento da administração. Mas em ambos os casos, as
comissões deverão ter autonomia e sempre agir de forma imparcial. No
Art. 152 §1° da Lei 8.112/1990 estabelece que “sempre que necessário, a
comissão dedicará tempo integral aos seus trabalhos, ficando seus mem-
bros dispensados do ponto, até a entrega do relatório final”. No entanto,
na prática, quando não há uma comissão permanente, nem sempre os
servidores conseguem se ausentar em tempo integral de suas atividades
para dedicar-se exclusivamente às atividades da comissão.

A comissão desenvolve seus trabalhos desde a portaria de inauguração


até a entrega do relatório à autoridade instauradora. O prazo para a con-
clusão dos trabalhos da comissão é estabelecida no caput do Art. 152 da
Lei n° 8.112/1990.

30 O prazo para a conclusão do processo disciplinar não excederá 60


(sessenta) dias, contados da data de publicação do ato que consti-
tuir a comissão, admitida a sua prorrogação por igual prazo, quando
as circunstâncias o exigirem.

4.2.2 inquérito

O inquérito administrativo, de acordo com Art. 153 da Lei n° 8.112/1990,


“obedecerá ao princípio do contraditório, assegurada ao acusado ampla
defesa, com a utilização dos meios e recursos admitidos em direito”. A
fase do inquérito se subdivide em três partes: instrução, defesa e rela-
tório.

Instrução é a fase do inquérito que tem como objetivo a averiguação


e confirmação das informações para fundamentar o relatório final. Na
busca pela elucidação da verdade real, pode-se na fase da instrução: de-
terminar diligências, produzir provas, intimar individuo a prestar depoi-
mento, solicitar pericias, solicitar pareceres. Ou seja, os trabalhos devem
ser realizados no intuito de levantar todos os elementos que possam
esclarecer e confirmar autoria e materialidade, além de auxiliar na tipifi-
cação do fato e na decisão final por parte da autoridade julgadora.

O PAD pode ocorrer com ou sem sindicância prévia. No entanto, se a


sindicância tiver ocorrido, seus autos constarão como peça informativa
no PAD.

As provas conseguidas de maneira ilícita serão totalmente inadmissíveis


no processo.

Sempre que houver a necessidade de intimar alguém, este deve ser co-
municado com antecedência mínima de 3 (três) dias úteis, conforme
Art.41 da Lei n° 9.784/1999. A intimação deve ser realizada de forma a
assegurar a ciência do intimado. Caso o mesmo se encontre em domicí-

CAPÍTULO 2
lio desconhecido, a intimação deverá ocorrer com a publicação em meio
oficial.

Quando existir mais de uma testemunha ou mais de um acusado, eles


devem ser ouvidos separadamente. Caso haja algum tipo de contradição
entre os depoimentos, poderá ser realizada a acareação entre os depo-
entes.

Ainda de acordo com a Lei n° 9.784/1999:

Art. 42. Quando deva ser obrigatoriamente ouvido um órgão con-


sultivo, o parecer deverá ser emitido no prazo máximo de quinze
dias, salvo norma especial ou comprovada necessidade de maior
prazo.
§ 1o Se um parecer obrigatório e vinculante deixar de ser emitido
no prazo fixado, o processo não terá seguimento até a respectiva 31
apresentação, responsabilizando-se quem der causa ao atraso.
§ 2o Se um parecer obrigatório e não vinculante deixar de ser emi-
tido no prazo fixado, o processo poderá ter prosseguimento e ser
decidido com sua dispensa, sem prejuízo da responsabilidade de
quem se omitiu no atendimento.

A fase da defesa no PAD não precisa ser realizada necessariamente por


um advogado. O próprio acusado, se desejar, pode realizar a sua defesa.
Caso o indiciado não apresente sua defesa por escrito, o Estado deverá
nomear um defensor dativo.

Art 164 § 2o Para defender o indiciado revel, a autoridade instaura-


dora do processo designará um servidor como defensor dativo, que
deverá ser ocupante de cargo efetivo superior ou de mesmo nível,
ou ter nível de escolaridade igual ou superior ao do indiciado. [Lei
n° 8.112/1990]

O prazo para a defesa pode variar. Se for a defesa de apenas um indicia-


do, o mesmo terá 10 (dez) dias após a ciência da citação para realizar a
defesa. No entanto, se houver mais de um indiciado, não importando a
quantidade total, o prazo será de 20 (vinte) dias a contar da ciência do
último citado. Por fim, caso o indiciado não seja localizado, o prazo de
defesa será de 15 (quinze) dias, contados da data da publicação do edital
de citação em meio oficial. Conforme expõe a Lei n° 8.112/1990:

Art. 161. Tipificada a infração disciplinar, será formulada a indicia-


ção do servidor, com a especificação dos fatos a ele imputados e das
respectivas provas.
§ 1o O indiciado será citado por mandado expedido pelo presidente
da comissão para apresentar defesa escrita, no prazo de 10 (dez)
dias, assegurando-se-lhe vista do processo na repartição.
CAPÍTULO 2

§ 2o Havendo dois ou mais indiciados, o prazo será comum e de


20 (vinte) dias.
§ 3o O prazo de defesa poderá ser prorrogado pelo dobro, para
diligências reputadas indispensáveis.§ 4o No caso de recusa do in-
diciado em apor o ciente na cópia da citação, o prazo para defesa
contar-se-á da data declarada, em termo próprio, pelo membro da
comissão que fez a citação, com a assinatura de (2) duas testemu-
nhas

Os trabalhos da comissão se encerram com a entrega do relatório à


autoridade instauradora do PAD. Neste momento a comissão é auto-
maticamente desfeita. O relatório deve ter caráter conclusivo, indicando
a inocência ou culpabilidade do servidor. O art. 165 da Lei 8.112/1990
discorre sobre o relatório no PAD, conforme segue:

32
Art. 165. Apreciada a defesa, a comissão elaborará relatório minu-
cioso, onde resumirá as peças principais dos autos e mencionará as
provas em que se baseou para formar a sua convicção.
§ 1o O relatório será sempre conclusivo quanto à inocência ou à
responsabilidade do servidor.
§ 2o Reconhecida a responsabilidade do servidor, a comissão indi-
cará o dispositivo legal ou regulamentar transgredido, bem como as
circunstâncias agravantes ou atenuantes.

4.2.3. Julgamento

Após o recebimento do relatório, a autoridade julgadora terá o prazo de


20 (vinte) dias para proferir a decisão. O julgamento fora do prazo não
acarretará nulidade do processo.

A autoridade julgadora poderá discordar do relatório apresentado pela


comissão quando as provas expostas não sejam condizentes com a con-
clusão do relatório. Nestes casos, a autoridade julgadora poderá agravar
ou abrandar a pena proposta, podendo até mesmo isentar o servidor de
culpa, desde que tal alteração esteja embasada nas provas existentes no
relatório.

Normalmente a autoridade instauradora é competente para aplicar a pu-


nição. No entanto, nos casos em que a autoridade instauradora tiver que
encaminhar para outra autoridade por falta de competência necessária
para aplicação de determinada pena, o prazo será acrescido de mais 20
(vinte) dias para divulgação da decisão.

O art. 141 da Lei n° 8.112/1990 estabelece quem são os responsáveis


por aplicar as penalidades para servidores públicos federais:
Art. 141. As penalidades disciplinares serão aplicadas:

CAPÍTULO 2
I - pelo Presidente da República, pelos Presidentes das Casas do
Poder Legislativo e dos Tribunais Federais e pelo Procurador-Geral
da República, quando se tratar de demissão e cassação de aposenta-
doria ou disponibilidade de servidor vinculado ao respectivo Poder,
órgão, ou entidade;
II - pelas autoridades administrativas de hierarquia imediatamente
inferior àquelas mencionadas no inciso anterior quando se tratar
de suspensão superior a 30 (trinta) dias;
III - pelo chefe da repartição e outras autoridades na forma dos res-
pectivos regimentos ou regulamentos, nos casos de advertência ou
de suspensão de até 30 (trinta) dias;
IV - pela autoridade que houver feito a nomeação, quando se tratar
de destituição de cargo em comissão.

5. Prazo prescricional 33
A prescrição é ausência do direito de punir. Os prazos prescricionais são
abordados no art. 142 da Lei n° 8.112/90, conforme segue:

Art. 142. A ação disciplinar prescreverá:


I - em 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com demissão,
cassação de aposentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo
em comissão;
II - em 2 (dois) anos, quanto à suspensão;
III - em 180 (cento e oitenta) dias, quanto à advertência.
§ 1o O prazo de prescrição começa a correr da data em que o fato
se tornou conhecido.
§ 2o Os prazos de prescrição previstos na lei penal aplicam-se às
infrações disciplinares capituladas também como crime.
§ 3o A abertura de sindicância ou a instauração de processo dis-
ciplinar interrompe a prescrição, até a decisão final proferida por
autoridade competente.
§ 4o Interrompido o curso da prescrição, o prazo começará a correr
a partir do dia em que cessar a interrupção.

É importante salientar que a data de início para a contagem dos prazos é


um dos pontos que se evidencia a peculiaridade de cada estatuto. Como
vimos acima, para os servidores Federais, a contagem do prazo prescri-
cional se inicia na data do conhecimento do fato por parte da administra-
ção. Há estatutos que iniciam a contagem pela data do fato.

No entanto, se a conduta irregular do servidor for considerada crime,


deve-se levar em consideração o prazo prescricional do Código Penal.
Se a conduta irregular for enquadrada em improbidade administrativa,
também haverá prazo prescricional específico na Lei nº 8.429, de 02 de
junho de 1992 (Lei de Improbidade Administrativa) e alterações introdu-
zidas pela Lei nº 14.230, de 25 de outubro de 2021.
6. Penalidades
CAPÍTULO 2

O não cumprimento de deveres, a não obediência às proibições expres-


sas na Lei n° 8.112/1990 e a acumulação indevida de cargos ensejam em
punições ao servidor público. Para a aplicação de qualquer penalidade,
deve-se obrigatoriamente oportunizar a ampla defesa e o contraditório
ao servidor.

No art. 127 da Lei n° 8.112/90, constam as penalidades disciplinares que


podem ser aplicadas aos servidores públicos federais.

Advertência

Suspensão
34
Demissão
Penalidades
Disciplinares Cassação de
aposentadoria ou
disponibilidade
Destituição de
cargo em
comissão
Destituição em
função
comissionada
Figura 10: Penalidades disciplinares
Fonte: Elaborada pela autora com base na Lei n° 8.112/1990

Para a aplicação de qualquer das penalidades, serão considerados os an-


tecedentes do servidor, os danos causados, a gravidade e natureza da
infração, além das circunstâncias atenuantes e agravantes
.
No caso do descumprimento de deveres, a Lei n° 8.112/1990 não rela-
ciona especificamente uma penalidade para cada dever não cumprido. A
referida lei descreve em seu Art. 129 que o servidor que descumpri um
dever, que não seja necessária aplicação de uma penalidade mais grave,
será aplicada a pena de advertência. No entanto, se houver reincidência
será aplicada a pena de suspensão, não podendo exceder o prazo de 90
(noventa) dias, conforme explicitado no art. 130 da mesma lei.

As advertências devem ser feitas por escrito e registradas no assenta-


mento funcional por um período de 3 (três) anos de efetivo exercício.
Caso não haja nova infração durante esse período, o registro da adver-
tência é excluído do assentamento do servidor.
As penalidades de suspensão ficam registradas no assentamento do ser-

CAPÍTULO 2
vidor pelo período de 5 (cinco) anos de efetivo exercício. Após esse perí-
odo são excluídas do assentamento caso não haja nova infração.

No que se referem às penalidades aplicadas ao descumprimento das


obrigações, previstas no Art. 117, a Lei n° 8.112/1990 é mais específica.
De acordo com o Manual de Processo Administrativo Disciplinar, 2022,
p. 194:

De maneira geral, é possível classificá-las em quatro grupos, de


acordo com a gravidade da penalidade correspondente:
a) infrações leves: são aquelas que afrontam os deveres descritos no
art. 116 da Lei nº 8.112/90 ou configuram as proibições descritas no
art. 117, incisos I a VIII e XIX, da mesma Lei, às quais são aplicáveis
as penalidades de advertência ou suspensão;
b) infrações médias: são aquelas puníveis exclusivamente com sus-
pensão, encontram-se elencadas no art. 117, incisos XVII e XVIII e
no art. 130, § 1°. 35
c) infrações graves: são aquelas descritas no art. 117, incisos IX a
XVI, e art. 132, incisos II, III, V, VII, IX e XII da Lei nº 8.112/90; e
d) infração gravíssima: são aquelas descritas no art. 132, incisos I,
IV, VIII, X e XI, da Lei nº 8.112/90, às quais é aplicável a penalidade
de demissão, sendo que a lei proíbe o servidor ex- pulso de retornar
ao serviço público federal.

7. Revisão

A revisão no processo administrativo disciplinar pode ser realizada, a


qualquer tempo, apenas quando houver a apresentação de fatos novos,
alguma circunstância que possibilite a inocência do servidor ou compro-
vação de inadequação da pena aplicada. Ressalva-se que o ônus da prova
cabe ao requerente da revisão processual. A revisão correrá em apenso
ao processo originário.

Se o pedido de revisão for aceito, será constituída uma comissão revisora


que terá o prazo de 60 (sessenta) dias para concluir os trabalhos. Em se-
guida, o relatório é encaminhado à autoridade que aplicou a penalidade
para novo julgamento no prazo de 20 (vinte) dias contados do recebi-
mento do processo.

Em hipótese alguma, poderá haver agravamento de pena proveniente de


revisão do processo administrativo disciplinar.

8. Rito Sumário

Trata-se de um processo de apuração de responsabilidade mais simples.


Os casos que podem ser apurados pelo rito sumário estão descritos no
art. 133 da Lei 8.112/1990:
1. Acumulação ilícita;
CAPÍTULO 2

2. Abandono de cargo – art. 138: ausência intencional do servidor ao


serviço por mais de 30 (trinta) dias corridos;
3. Inassiduidade habitual – art. 139: falta ao serviço, sem causa justificada por

Por se tratar de um processo mais célere, o prazo para conclusão do


processo é de 30 (trinta) dias, podendo ser prorrogado por até mais 15
(quinze) dias. Esse prazo é contado a partir da data da publicação do ato
que constitui a comissão do processo.

O rito sumário é composto pelas seguintes fases:

- Instauração: devido às especificidades encontradas nos casos, neste


momento já são apresentadas a materialidade e autoria do fato. Tem seu
início com a publicação do ato que institui a comissão, sendo esta com-
posta por dois servidores estáveis;

36 - Instrução sumária: aqui se encontram as fases de indiciamento, defesa


e apresentação de relatório. A comissão terá o prazo de até 3 (três) dias
para publicação do termo de indiciação. A defesa deverá ser apresentada
de forma escrita, no prazo de até 5 (cinco) dias, contados da ciência da
citação. Após a entrega da defesa, a comissão procederá com a elabora-
ção do relatório;

- Julgamento: Após a o recebimento do relatório, a autoridade instaura-


dora terá o prazo de 5 (cinco) dias, contados do recebimento do relatório
para emitir sua decisão.

O prazo para conclusão do processo administrativo disciplinar no rito


sumário não deverá ultrapassar 30 (trinta) dias contados da data da pu-
blicação que constituiu a comissão.

9. Atividade

1. Identifique qual a legislação que rege processo administrativo discipli-


nar na sua realidade escolar. Caso não seja a Lei n° 8.112/1990, identi-
fique os pontos que diferem entre elas com relação a prazos e procedi-
mentos.

SAIBA MAIS

Conheça também a legislação que aborda o uso do meio eletrônico


para a realização do processo administrativo no âmbito dos órgãos
e das entidades da administração pública federal direta, autárquica
e fundacional.

[Link]
to/[Link]
2. Pesquise quais os processos administrativos disciplinares que mais

CAPÍTULO 2
ocorrem na realidade escolar.

37

Você também pode gostar