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Choque

O documento aborda o reconhecimento e tratamento do choque, destacando a importância de identificar a causa e a resposta fisiológica à perda sanguínea. Ele descreve diferentes tipos de choque, como hemorrágico e não hemorrágico, e suas características, além de enfatizar a necessidade de intervenções rápidas para evitar disfunção múltipla de órgãos. A avaliação inicial dos pacientes e a classificação da hemorragia em graus também são discutidas, fornecendo diretrizes para o manejo clínico.
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Choque

O documento aborda o reconhecimento e tratamento do choque, destacando a importância de identificar a causa e a resposta fisiológica à perda sanguínea. Ele descreve diferentes tipos de choque, como hemorrágico e não hemorrágico, e suas características, além de enfatizar a necessidade de intervenções rápidas para evitar disfunção múltipla de órgãos. A avaliação inicial dos pacientes e a classificação da hemorragia em graus também são discutidas, fornecendo diretrizes para o manejo clínico.
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Choque

Generalidades:
a)​ A primeira etapa do tratamento de uma paciente chocado é identificar o
choque
b)​ A segunda etapa é identificar a causa do choque
c)​ Pacientes vítimas de trauma costumam possuir, mesmo quem e um pequeno
grau, choque hipovolêmico

Fisiologia cardíaca básica:


a)​ A pré-carga é a quantidade de retorno venoso, algo determinado pela
capacitância venosa, pela volemia e a diferença de pressão entre veias e
átrio direito
b)​ Uma parte do sangue já estaria no sistema venoso caso a diferença de
pressão do sistema fosse 0
c)​ Outra parte do sangue contribui de fato para a pressão do sistema

Fisiologia da perda sanguínea:


a)​ Em um primeiro momento, em resposta à perda sanguínea, há progressiva
vasoconstrição de circulação cutânea, muscular e visceral, a fim de preservar
a circulação de órgãos mais nobres
b)​ Outra parte da resposta é aumentar a frequência cardíaca, a fim de preservar
o débito cardíaco → sinal mensurável mais precoce do choque
c)​ A liberação de catecolaminas gera um aumento da resistência vascular
periférica, aumentando pressão diastólica e pressão de pulso
d)​ Em choque hipovolêmico, a perda sanguínea não altera o retorno venoso até
um certo limiar, mediante contração do volume do sistema venoso
e)​ A melhor forma de retornar à oxigenação e perfusão adequada é restabelecer
o retorno venoso adequado, interrompendo a fonte de sangramento
f)​ A nível celular, a privação de oxigênio induz troca para o metabolismo
anaeróbico, gerando produção de ácido lático, induzindo acidose metabólica
g)​ A longo prazo, isso pode acometer a função dos órgãos, gerando disfunção
múltipla de órgãos
h)​ Isso deve ser evitado a partir de indetificação e interrupção da fonte de
sangramento, associada a reposição volêmica adequada e promoção de
ventilação e oxigenação
i)​ Vasopressores são contraindicados como fármacos de primeira linha pois
reduzem a perfusão
j)​ Pacientes com perda sanguínea são sempre cirúrgicos

Avaliação inicial dos doentes:


a)​ Deve-se ser capaz de reconhecer, idealmente ainda na avaliaçao primária, a
diferença entre choque hemorrágico e não hemorrágico
Reconhecimento do choque:
a)​ Profundo choque circulatório é fácil de identificar, uma vez que a
hemodinâmica, má perfusão cutânea, renal e nervosa do doente serão
identificáveis
b)​ No entanto, monitorar apenas a pressão sistólica do paciente pode gerar um
reconhecimento tardio do choque, já que mecanismos compensatórios
podem manter a pressão estável até perda de 30% da volemia
c)​ Deve-se avaliar, FC, pressão de pulso e pulso(qualidade, simetria)
d)​ Em adultos, taquicardia e vasoconstrição cutânea são os sinais mais
precoces de choque
e)​ Pele fria + taquicardia → considerar trauma até que se prove o contrário
f)​ Por vezes, pode haver bradicardia em pacientes com perda aguda de
sangue, portanto outros índices de perfusão devem ser avaliados
g)​ Taquicardia → >160bpm em lactente → 140bpm em crianças pré-escolares
→ 120bpm até puberdade e 100bpm em adultos
h)​ A redução de pressão de pulso é um bom indicador de alterações de
perfusão
i)​ Em idosos, a frequência cardíaca não é confiável para avaliar má perfusão
j)​ A perda sanguínea gera pequena alteraçõa no hematócrito, logo variação
considerável nele indica uma perda sanguínea em estágio mais tardio

Causas de choque:
a)​ Pode ser hemorrágico ou não hemorrágico

Generalidades do choque hemorrágico:


a)​ Todo doente politraumatizado tem um componente de hemorragia
b)​ Deve-se identificar a tratar a fonte de hemorragia
c)​ Pode-se lançar mão de exames complementares como Rx de tórax e pelve,
FAST abdominal e lavado peritoneal diagnóstico

Choque não hemorrágico:


a)​ Inclui o choque cardiogênico, choque neurogênico, tamponamento cardíaco,
pneumotórax hipertensivo e choque séptico
b)​ Costumam responder transitoriamente à reposição volêmica

Choque cardiogênico:
a)​ Normalmente, a disfunção ocorre por contusão cardíaca, tamponamento
cardíaco, embolia gasosa ou IAM(raro)
b)​ Em casos de rápida desaceleração envolvendo trauma torácico, suspeita-se
de contusão cardíaca
c)​ Para pacientes com trauma torácico contuso, deve-se monitorizar
eletrocardiograficamente para avaliar arritmias e padrões de lesão
Tamponamento cardíaco:
a)​ Costuma ocorrer por traumas pentertantes, mas pode ocorrer por traumas
contusos
b)​ Taquicardia, hipofonese de bulhas, turgência de jugular e má resposta ao
tratamento indicam tamponamento cardíaco → a ausência dos sinais
clássicos não descarta o diagnóstico
c)​ O pneumotórax hipertensivo pode simular o TC, mas possui(apenas o PH)
ausência de murmúrios vesiculares e timpanismo à percussão
d)​ FAST pode identificar derrame pericárdico, que indica tamponamento
cardíaco
e)​ Toracotomia é o tratamento definitivo, pericardiocentese é temporário

Pneumotórax hipertensivo:
a)​ Ocorre por formação de mecanismo de válvula, com permissão de entrada de
ar no espaço pleural, sem permissão de saída
b)​ O aumento da pressão intrapleural gera colapso do pulmão associado a
desvio do mediastino para o lado oposto, com redução de retorno venoso
c)​ Em ventilação espontânea há taquipneia e “fome de ar”
d)​ Em ventilação mecânica, há colapso hemodinâmico
e)​ Insuficiência respiratória aguda, enfisêma subcutâneo, ausência de murmúrio
vesicular e timpanismo à percussão corroboram com o diagnóstico que é
CLÍNICO
f)​ Deve-se descomprimir com agulha ou toracocentese, seguida de passagem
de dreno de tórax para tratamento definitivo

Choque neurogênico:
a)​ Lesões intracranianas só causam choque se houve acometimento do tronco
encefálico
b)​ Lesões cervicais ou torácicas altas geram redução do tônus simpático
gerando hipotensão, agravando a volemia
c)​ A hipovolemia agrava a desnervação
d)​ A apresentação clássica é a hipotensão sem taquicardia e vasoconstrição
cutânea
e)​ Por conta do frequente acometimento do tronco, deve-se tratar doentes da
mesma maneira de um choque hipovolêmico
f)​ Insucesso na melhora de perfusão/oxigenação associado a reposição
volêmica indica choque neurogênico ou hemorragia persistente

Choque séptico:
a)​ Costuma ocorrer em doentes com ferimentos penetrantes no abdome que
geram derramamento de conteúdo entérico sobre as vísceras
b)​ Doentes sépticos afebril são difíceis de diferenciar de doentes hipovolêmicos

Choque hemorrágico:
a)​ Hemorragia é a perda aguda de volume sanguíneo
b)​ Adultos possuem como volume sanguíneo 7% do peso corporal(crianças 8-9)
c)​ Pode se classificar a hemorragia em classes de I a IV
d)​ A hemorragia de grau I pode ser exemplificada como uma doação de sangue
e)​ A hemorragia de grau II é uma hemorragia não complicada, mas que exige
cristalóides
f)​ A hemorragia grau III é uma hemorragia complicada, que exige cristalóides e
pode exigir sangue
g)​ A hemorragia grau IV é um evento pré-terminal, na qual, na ausência de
medidas, o paciente virá a óbito. Exige sangue

Hemorragia de classe I:
a)​ Ocorre quando há perda de menos de 15% do sangue
b)​ Mecanismos fisiológicos como reenchimento capilar conseguem repor o
volume de sangue em 24h

Hemorragia de classe II:


a)​ Os sinais clínicos incluem taquicardia, taquipneia e redução da pressão de
pulso
b)​ Isso ocorre por aumento da PAD, por ação de catecolaminas
c)​ Há pouco efeito sobre PAS, débito urinário e consciência, podendo gerar
alguma ansiedade/agressividade/sonolência
d)​ A perda sanguínea é de 15 a 30% do sangue

Hemorragia de classe III:


a)​ O caso apresenta queda pronunciada da PAS, associada a taquicardia e
taquipneia claras

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