CAMPUS FORMOSA
SAÚDE DA MULHER, SEXUALIDADE E
PLANEJAMENTO FAMILIAR
MANUAL DO ALUNO
Módulo 1 • 4º período • 2026
SUMÁRIO
SUMÁRIO 2
7 PASSOS DA TUTORIA 3
INTRODUÇÃO 4
OBJETIVOS 5
Objetivo Geral 5
Objetivos Específicos 5
Problema 1 – O corpo que muda 6
Problema 2 – A notícia 7
Problema 3 – A crise 8
Problema 4 – Outra amiga 9
Problema 5 –Toda massa é câncer? 10
BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA 11
2
7 PASSOS DA TUTORIA
3
INTRODUÇÃO
A saúde da mulher representa um campo multifacetado e dinâmico da medicina
que transcende os aspectos meramente biológicos, englobando dimensões
sociais, psicológicas, culturais e econômicas que influenciam diretamente o
bem-estar feminino ao longo de toda a vida.
Durante décadas, a medicina voltada para a mulher concentrou-se
predominantemente nos aspectos reprodutivos, limitando a compreensão da
complexidade que envolve a saúde feminina. Hoje, reconhecemos que uma
abordagem verdadeiramente eficaz deve considerar a mulher em sua totalidade,
respeitando sua autonomia, diversidade e as particularidades de cada fase de sua
vida, desde a infância até o envelhecimento.
A sexualidade, elemento fundamental da experiência humana, permaneceu por
muito tempo relegada a um segundo plano na prática médica, frequentemente
cercada de tabus, preconceitos e desinformação. Compreendemos atualmente
que a saúde sexual é um direito humano básico e componente essencial da
qualidade de vida, merecendo abordagem científica, ética e humanizada por
parte dos profissionais de saúde.
O planejamento familiar, por sua vez, representa muito mais que a simples
prevenção ou busca pela gravidez. Constitui um direito fundamental que permite
às mulheres e casais decidir livremente sobre o número de filhos, o espaçamento
entre eles e o momento adequado para a constituição ou ampliação da família.
Esta decisão deve ser embasada em informações precisas, acesso a métodos
seguros e eficazes, e suporte profissional qualificado.
É fundamental que os profissionais de saúde desenvolvam competências não
apenas técnicas, mas também culturais, capazes de estabelecer vínculos
terapêuticos efetivos e promover um ambiente de confiança e respeito mútuo. A
prática da medicina centrada na pessoa exige que reconheçamos cada mulher
como protagonista de sua própria saúde, respeitando suas escolhas informadas e
apoiando-a em suas decisões.
4
OBJETIVOS
Objetivo Geral
Caracterizar as modificações fisiológicas e as principais alterações que possam
ocorrer no organismo feminino, da infância ao climatério, incluindo o estado
gravídico e puerperal.
Objetivos Específicos
● Caracterizar as modificações fisiológicas do organismo feminino desde a
infância até a senilidade, observando os aspectos social, econômico,
intelectual e psicológico da mulher nas diferentes fases da vida.
● Descrever o ciclo menstrual e analisar suas alterações.
● Identificar as patologias ginecológicas mais prevalentes e os programas
de prevenção.
● Explicar a fisiologia da gravidez e as patologias obstétricas mais
prevalentes.
5
Problema 1 – O corpo que muda
Clara tinha 13 anos quando sua mãe a levou pela primeira vez ao ginecologista.
Não havia nada de errado, era uma consulta de rotina, como a mãe sempre
dizia. Mas Clara se lembrava bem do caminho até o ambulatório, com a
sensação estranha de que algo dentro dela estava mudando sem que ela
pedisse.
Naquele período, ela já havia notado que seu corpo não era mais o mesmo de
quando tinha dez anos. Os seios começaram a aparecer aos 11, primeiro um,
depois o outro, e ela ficou assustada por quase um mês até a mãe explicar que
era normal. Depois veio o cabelo nas axilas e na região púbica, a pele ficou
oleosa, e ela passou a suar mais do que antes, mesmo sem fazer exercício. Além
disso, ela se sentia estranha: às vezes mais irritável do que o normal, às vezes
com uma melancolia que não conseguia explicar. Uma amiga da escola dizia
que era "coisa de adolescente", mas Clara queria entender por quê seu corpo
fazia tudo aquilo.
Na consulta, a médica conversou com Clara durante quase uma hora. Explicou
sobre as mudanças que ainda viriam, sobre a menstruação, e depois perguntou
se Clara queria aprender sobre como não engravidar mais cedo. A mãe, que
estava na sala de espera, não soube nem que o assunto foi levantado. A
médica explicou também que ela podia, no futuro, decidir quando queria ter
filhos e que isso era um direito seu. Mencionou que existiam programas
públicos para isso e que a lei garantia seu acesso a esses serviços.
Clara foi para casa curiosa. Naquela noite, pesquisou na internet sobre os
métodos que a médica mencionou, alguns eram hormonais, outros não; alguns
eram reversíveis e alguns não. Ficou espantada com a quantidade de opções e
tentou entender como cada um funcionava, por que alguns falhavam e outros
não, e por que a médica parecia tão confortável ao falar de assuntos que Clara
ainda não conseguia conversar com ninguém ao redor
6
Problema 2 – A notícia
Anos depois, Clara já era estudante de Medicina na UniRV. Era uma terça-feira
comum quando sua amiga desde a infância, Fernanda, a ligou com a voz
tremendo. Fernanda dizia que estava com atraso na menstruação há quase
dois meses, mas não queria acreditar. Clara, já com conhecimentos básicos de
medicina, tentou acalmá-la ao telefone e lhe perguntou se havia feito o teste.
Fernanda disse que não, com medo do resultado.
Naquele fim de semana, Clara a acompanhou à farmácia. Fernanda comprou
dois testes urinários diferentes e os dois vieram positivos. Clara lembrou das
aulas em que a professora explicava que um teste positivo não era garantia
absoluta. Pensou também em como a certeza só viria com a confirmação por
ultrassom ou por exame de sangue mais específico.
Quando Fernanda foi à primeira consulta de pré-natal, Clara a acompanhou.
Durante o atendimento, a obstetra mostrou na tela do ultrassom o bebê ainda
minúsculo e depois explicou que, com o andamento da gravidez, seria
importante avaliar a pelve de Fernanda. Clara, que estava atenta, perguntou
por quê e a médica explicou que nem todas as mulheres têm a mesma
estrutura pélvica, e que isso influencia diretamente como o bebê passa pelo
canal de parto.
Nas semanas seguintes, Clara foi acompanhando os atendimentos de
Fernanda e certa vez presenciou uma conversa entre a obstetra e internos de
medicina. A médica usava termos que Clara ainda não conhecia bem: falava
sobre a "atitude" do bebê, sua "situação" na cavidade uterina, sua "posição" em
relação à pelve materna e sua "apresentação" no momento do nascimento.
Clara saiu da consulta pensando na complexidade desses conceitos.
7
Problema 3 – A crise
Fernanda estava com 27 semanas de gestação quando a pressão mudou.
Clara soube pela mensagem que Fernanda enviou no grupo da turma: a
pressão que era sempre normal nas consultas anteriores de repente estava
elevada, e a obstetra a orientou a ir ao pronto-atendimento. Clara, que naquele
dia estava com aula cancelada, foi até o pronto-atendimento com ela.
No serviço de emergência, a obstetra que atendeu Fernanda explicou que a
elevação da pressão durante a gravidez não era um fenômeno raro, acontecia
com muitas mulheres, e podia ter níveis de gravidade muito diferentes. Clara
ficou prestando atenção e tentou entender quais fatores tornavam uma mulher
mais vulnerável a esse problema do que outra.
Enquanto esperavam pelos exames, a médica explicou que o caso de Fernanda
parecia mais grave do que uma simples elevação de pressão: havia sinais de
que os órgãos estavam sendo afetados, especialmente os rins e o fígado. Além
disso, Fernanda queixava-se de dor epigástrica e cefaléia. Clara perguntou por
quê a pressão alta na gravidez causava danos tão específicos e a médica,
paciente, explicou os mecanismos que estavam por trás daquilo.
Quando Fernanda foi internada, a equipe decidiu administrar um
medicamento que Clara não conhecia, o sulfato de magnésio. A enfermeira
aplicava via endovenosa com muito cuidado, e Clara notou que a equipe
monitorava a paciente de forma muito intensa durante a infusão. Curiosa,
Clara perguntou a um residente por quê aquele medicamento era tão
importante naquele momento, e ele explicou com detalhes.
Mas a história de Fernanda não terminou bem como Clara esperava. Três dias
depois da internação, o bebê evoluiu para óbito. Clara não estava presente
naquele momento, mas soube depois que Fernanda ficou devastada. Clara
ficou pensando em como a equipe médica teria comunicado aquilo, e se havia
uma forma que causasse menos dor.
8
Problema 4 – Outra amiga
Meses depois, já no segundo semestre, Clara conheceu Letícia durante um
estágio no ambulatório de ginecologia e obstetrícia. Letícia era uma mulher de
34 anos, grávida pela segunda vez, e chegou ao ambulatório naquele dia com
certa preocupação. Durante a consulta, a obstetra pediu um exame de sangue
que Clara ainda não tinha visto solicitado naquele contexto: um teste específico
para verificar como o corpo de Letícia estava processando a glicose.
O resultado veio elevado. A obstetra explicou a Letícia, com calma, que a
gravidez podia alterar a forma como o corpo lidava com o açúcar no sangue, e
que isso era mais comum do que muitas mulheres imaginavam. Letícia
perguntou preocupada se isso podia fazer mal ao bebê, e a médica explicou os
riscos tanto para ela quanto para a criança, caso não fosse tratado
adequadamente.
Clara ficou pensando depois da consulta: por quê justamente a gravidez
causava isso? Que mecanismo no corpo da mulher tornava a insulina menos
eficaz naquele período? E por que algumas mulheres desenvolvem essa
condição e outras não, mesmo sendo a primeira gravidez para ambas? Tentou
também organizar mentalmente os critérios que a médica usou para fazer o
diagnóstico e os sinais que poderiam aparecer se a doença não fosse
controlada.
9
Problema 5 –Toda massa é câncer?
No último período antes da formatura, Clara foi estagiar no ambulatório de
ginecologia quando presenciou um atendimento que a deixou pensando
durante dias. Uma mulher de 52 anos chegou com dor abdominal vaga há
algumas semanas. Durante o exame físico, a ginecologista palpou algo no
abdômen que não deveria estar ali: uma massa. Solicitou um ultrassom para
avaliar, e Clara ficou acompanhando a discussão da equipe sobre o caso clínico
A ginecologista explicou durante a reunião que uma massa nos ovários não
significava automaticamente maligno, mas que existia uma forma de
estratificar o risco, e que isso determinava quais condutas seriam necessárias.
Clara ficou curiosa sobre como a equipe decidia quando era necessário pedir
marcadores tumorais, quando o ultrassom sozinho era suficiente e como os
achados de cada exame se combinavam para chegar a um diagnóstico.
Após 3 semanas, a paciente retornou com resultado do exame indicando que a
massa era provavelmente maligna. Durante a discussão com a equipe, Clara
ficou espantada ao descobrir que não havia apenas um tipo, mas que tumores
diferentes surgiam de células diferentes dentro do próprio ovário, e que cada
origem determinava características muito distintas no comportamento da
doença.
Já no último dia de estágio, Clara conversou com a residente sobre o caso da
paciente que já havia sido encaminhada para tratamento do tumor maligno
epitelial. A residente explicou que a maioria dos casos de câncer ovariano era
diagnosticada em estágios avançados, justamente porque a doença havia se
desenvolvido sem sinais claros por muito tempo. Clara saiu do estágio
pensando em quantas mulheres poderiam estar passando por isso sem saber.
10
BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
1. BRASIL. Ministério da Saúde. Diretriz Nacional de Assistência ao Parto
Normal. Versão Preliminar. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022.
2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento
de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Brasília: Editora do
Ministério da Saúde, 2012. (Série A. Normas e Manuais Técnicos; Cadernos de
Atenção Básica, n° 32).
3. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Secretaria de
Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Diretrizes Diagnósticas e
Terapêuticas de Neoplasia Maligna Epitelial de Ovário. Brasília, DF: Ministério
da Saúde, 2019.
4.COMISSÃO NACIONAL DE PRÉ-ECLÂMPSIA (FEBRASGO). Pré-eclâmpsia. São
Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia
(FEBRASGO), 2017. (Série Orientações e Recomendações FEBRASGO, n. 8).
5. COMISSÃO NACIONAL ESPECIALIZADA EM ULTRASSONOGRAFIA EM GO DA
FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E
OBSTETRÍCIA (FEBRASGO). Predição e prevenção da pré-eclâmpsia.
FEBRASGO Position Statement, n. 1, jan. 2023. São Paulo: FEBRASGO, 2023.
6. COMISSÃO NACIONAL ESPECIALIZADA HIPERTENSÃO NA GESTAÇÃO
(FEBRASGO). Síndromes Hipertensivas da Gravidez. São Paulo: Federação
Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), 2025.
7. FINOTTI, Marta. Manual de Anticoncepção. São Paulo: Federação Brasileira
das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), 2015.
8.JORGE, Marcelo Marquardt; TIMI, Rufino Ribas. O aborto na legislação
brasileira. In: FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA
E OBSTETRÍCIA. [
9. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE et al. Tratamento do diabetes
mellitus gestacional no Brasil. Brasília, DF: Organização Pan-Americana da
Saúde, Ministério da Saúde, Federação Brasileira das Associações de
Ginecologia e Obstetrícia, Sociedade Brasileira de Diabetes, 2019.
10. PEREIRA, Aline Gonçalves; AGUIAR, Aline Rodrigues de (Coord. Técnica).
Guia Rápido – Pré-Natal. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Saúde do
Rio de Janeiro, 2025.
11. PESHKIN, Beth N; ISAACS, Claudine. Overview of hereditary breast and
ovarian cancer syndromes. UpToDate, 1 ago. 2025.
12.SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES et al. Rastreamento e diagnóstico da
hiperglicemia na gestação: diretriz. [S. l.]: Sociedade Brasileira de Diabetes,
11
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia,
Organização Pan-americana de Saúde, Ministério da Saúde, 2017.
13.SOCIEDADE BRASILEIRA DE REPRODUÇÃO HUMANA. Avanços na
humanização e atendimento à perda gestacional. O papel da enfermagem
na atenção ao luto perinatal. [Entre 2011 e 2025?].
14. ZUGAIB, Marcelo (Ed.). Zugaib obstetrícia. 5. ed. Barueri, SP: Manole, 2023
12