UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
“JÚLIO DE MESQUITA FILHO”
INSTITUTO DE BIOCIÊNCIAS - RIO CLARO
EDUCAÇÃO FÍSICA
EDUARDO DIAS RADESCA
A MUSCULAÇÃO, SEUS BENEFÍCIOS E A ANÁLISE DE DIFERENTES
MODELOS DE TREINAMENTO EM DETERMINADAS POPULAÇÕES
Rio Claro
2015
EDUARDO DIAS RADESCA
A MUSCULAÇÃO, SEUS BENEFÍCIOS E A ANÁLISE DE DIFERENTES MODELOS
DE TREINAMENTO EM DETERMINADAS POPULAÇÕES
Orientador: Prof. Dr. Alexandre Gabarra de Oliveira
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao
Instituto de Biociências da Universidade Estadual
Paulista “Júlio de Mesquita Filho” - Campus de Rio
Claro, para obtenção do grau de bacharel em
Educação Física
Rio Claro
2015
796.411 Radesca, Eduardo Dias
R127m A musculação, seus benefícios e a análise de diferentes
modelos de treinamento em determinadas populações / Dias
Radesca, Eduardo. - Rio Claro, 2015
28 f. : il.
Trabalho de conclusão de curso (bacharelado - Educação
Física) - Universidade Estadual Paulista, Instituto de
Biociências de Rio Claro
Orientador: Alexandre Gabarra de Oliveira
1. Musculação. 2. Saúde. 3. Atividade física. 4. Grupos
especiais. 5. Orientação adequada. 6. Qualidade de vida. I.
Título.
Ficha Catalográfica elaborada pela STATI - Biblioteca da UNESP
Campus de Rio Claro/SP
Resumo
O presente trabalho teve como objetivo a realização de uma revisão bibliográfica sobre
como a prática regular e bem orientada da musculação interfere em diferentes grupos,
dentre os quais se destacam obesos, diabéticos, hipertensos, pessoas com
osteoporose e idosos, sem colocar a saúde do indivíduo em risco levando-o a um bem
estar físico, mental e social, aumentado a expectativa e qualidade de vida. Essa revisão
demonstra como diferentes modelos de treino resultam em adaptações fisiológicas e
podem auxiliar na manutenção e na melhora da qualidade de vida de determinados
grupos quando feito de maneira correta e orientada por um profissional de educação
física. O estudo também mostra um pouco da história da musculação, sua evolução e
como ela encontra-se atualmente, citando seus benefícios e indicações.
Palavras-chave: saúde; atividade física; grupos especiais; orientação adequada;
qualidade de vida.
Abstract
This study aimed to accomplish a literature review on how the regular and targeted
practice of bodybuilding interferes into different groups, among which stands out: obese,
diabetics, hypertensive, people with osteoporosis, and elderly, without placing the
individuals' health at risk and carrying it to a physical well-being, mental and social,
increased expectation and quality of life. This review aimed to demonstrate different
training models result in physiological adaptations and can assist in maintaining and
improving the quality of life of certain groups when done correctly and targeted way by a
professional. The study also showed some of the history of bodybuilding, its evolution
and how it is currently, citing its benefits and indications.
Keywords: health; physical activity; special groups; proper guidance; quality of life.
Sumário
1. INTRODUÇÃO..........................................................................................................4
1.1 BUSCA POR INFORMAÇÕES...........................................................................4
1.2 SEDENTARISMO.............................................................................................4
1.3 BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA...................................................................5
1.4 INTERVENÇÃO PROFISSIONAL........................................................................6
2. A HISTÓRIA DA MUSCULAÇÃO.............................................................................6
2.1 MUSCULAÇÃO COMO ESPORTE NOS JOGOS OLÍMPICOS ..................................7
2.2 O "PAI" DA MUSCULAÇÃO MODERNA - EUGENE SANDOW..................................8
3. BENEFÍCIOS DA MUSCULAÇÃO.........................................................................10
4. POPULAÇÕES ESPECÍFICAS..............................................................................11
4.1 OBESIDADE.................................................................................................12
4.2 DIABETES MELLITUS (DM)...........................................................................15
4.3 HIPERTENSÃO ARTERIAL..............................................................................17
4.4 OSTEOPOROSE...........................................................................................20
4.5 IDOSOS......................................................................................................21
5. PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO...................................................................22
6. CONCLUSÕES FINAIS..........................................................................................23
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................23
4
1- INTRODUÇÃO
1.1 Busca por informações
Hoje em dia as informações, que anteriormente eram mais restritas apenas ao
meio acadêmico, tornaram-se mais acessíveis a população em geral, porém, devemos
sempre levar em consideração os locais de busca, já que na internet, por exemplo, que
é um meio muito utilizado para a difusão e busca de conhecimento, acaba se tornando
uma ferramenta um tanto incerta, já que todos podem acessar e publicar conteúdo.
Este local democrático, que concentra muito conhecimento com embasamento, também
pode trazer muitas informações equivocadas e aleatórias, que não retratam a realidade.
Frente a esse fato, deve-se sempre buscar fontes confiáveis, como bibliotecas de
universidades, para obter informações de maior qualidade e veracidade. O
conhecimento sobre o corpo, mais especificamente sobre a parte funcional e biológica,
no decorrer dos anos vem evoluindo e, cada vez mais, são realizados estudos
científicos relevantes nesta área. Contudo, esse conhecimento se aperfeiçoa e se
modifica até certo ponto, por isso vale ressaltar que como o corpo humano não pode
ser compreendido como uma ciência exata, um bom profissional deve sempre estar
atento às novas descobertas e implicações desses novos conhecimentos.
1.2 Sedentarismo
Taharaet al. (2003), diz que a vida moderna tende a ser pouco saudável, uma
vez que esta encontrasse cada vez mais estressante, podendo muitas vezes resultar
até mesmo em estafa. Agravada por uma alimentação desequilibrada e pela não
regularidade na prática de exercícios físicos; esses fatores afetam a qualidade de vida
da população tanto física quanto psicologicamente. Na atualidade, cada vez mais
pessoas são sedentárias, sendo justamente estas as quais teriam mais a ganhar com a
prática regular de atividade física, seja como forma de prevenir doenças, promover
saúde ou simplesmente para sentir-se melhor consigo mesmo.
5
O sedentarismo é a falta da prática regular de atividade física. Sabe-se que a
atividade física estimula as funções dos sistemas cardiovascular, respiratório e
musculoesquelético, assim como promove motivação psicológica e sensação de bem
estar. O sedentarismo vem sendo considerado como um importante fator de risco para
a morte súbita, estando muitas vezes ligado direta ou indiretamente às causas ou ao
agravamento da grande maioria de outras enfermidades (OLBRICH et al., 2009). De
forma mais especifica, o sedentarismo, assim como o envelhecimento, está associado a
doenças crônicas como hipertensão, diabetes, osteoporose entre outras.
Segundo dados do IBGE publicados no jornal Folha de São Paulo, quase
metade dos adultos (46%) no Brasil são considerados sedentários, de acordo com a
Pesquisa Nacional de Saúde. O levantamento foi realizado em 2013, pelo IBGE, e
apontou que cerca de 67,2 milhões de pessoas não faziam exercício físico. O ranking
de sedentarismo é liderado pelas mulheres, com 51,5%, o que representa 39,8 milhões,
contra 39,8% dos homens, que somam 27,4 milhões. Mais da metade (62,7%) das
pessoas de 60 anos ou mais estava inativa no último ano; o grupo menos sedentário
são os indivíduos de 18 a 24 anos, chegando a 36,7%. O IBGE considerou na pesquisa
que, para ser suficientemente ativo, é preciso praticar atividades físicas por pelo menos
150 minutos ao longo da semana.
1.3 Benefícios da atividade física
Um grande número de evidências científicas tem demonstrado, cada vez mais,
que o hábito da prática de atividade física se constitui não apenas como instrumento
fundamental em programas voltados à promoção da saúde, inibindo o aparecimento de
muitas das alterações orgânicas que se associam ao processo degenerativo, mas
também, na reabilitação de determinadas patologias que atualmente contribuem para o
aumento dos índices de morbidade e mortalidade. (MACEDO et al., 2003)
Além da atividade física, o exercício físico mais sistematizado e regular, já vem
sendo estudado há muito tempo e suas implicações e benefícios já estão bem
estabelecidos. Estudos nas áreas de biociências vêm evoluindo e dessa forma tem se
tornado cada vez mais fácil encontrar informações, entre outros aspectos devido ao
6
enorme avanço das ferramentas de propagação de conteúdo desenvolvidas pelas
novas tecnologias.
1.4 Intervenção Profissional
Atuar como professor ou personaltrainer dentro de uma academia é uma tarefa
complexa. Para montar um programa de treinamento resistido, deve-se possuir uma
base teórico-prática aprofundada sobre diversas áreas de conhecimento, que norteiam
a musculação e, além disso, ter pleno domínio de como e a quem prescrever tal tipo de
treinamento.
Para se prescrever um treinamento resistido, além de estar habilitado, o
profissional deve levar em consideração muitos aspectos, tais como as particularidades
e o objetivo de cada indivíduo. Segundo Samulski e Noce (2000), o ser humano é
biopsicossocial, logo não se pode desprezar a importância de conhecimentos na área
da saúde mental e da qualidade de vida, para que se possam compreender de forma
mais completa e efetiva os efeitos da atividade física sobre o indivíduo.
Assim, para se entender o indivíduo, todas as suas facetas devem ser levadas
em consideração e não apenas o biológico, mas sim todos os aspectos que englobam o
corpo, como o físico, o psicológico, o lado social e econômico, além é, claro das
interações que ocorrem entre esses fatores.
Diferenças individuais na magnitude de uma reação adaptativa a um dado
estímulo de exercício reforçam a necessidade de programas individualizados. O
segredo para o planejamento de um programa aperfeiçoado é a identificação de
variáveis específicas que precisam ser controladas para a melhor previsão dos
resultados do treinamento (FLECK; KRAEMER, 1999).
2- A HISTÓRIA DA MUSCULAÇÃO
Segundo Bittercourt (1986), a história da musculação é muito antiga, havendo
relatos históricos que datam de séculos atrás que indicam a prática de atividades com
pesos. Na cidade de Olímpia, na Grécia, escavações encontraram pedras entalhadas
7
para as mãos permitindo aos historiadores intuírem que pessoas já utilizavam esse tipo
de treinamento.
Além disso, paredes de capelas funerárias no Egito relatam que há 4500 anos
haviam homens levantando pesos na forma de exercícios (BITTENCOURT, 1986).
A história de Milos de Crotona data da época de 500 a 580 a.C. na Itália. Milos
era um atleta olímpico de luta e discípulo do matemático Pitágoras, que relata um dos
métodos de treinamento mais antigos da humanidade e utilizados até hoje, que é a
evolução progressiva da carga (princípio da sobrecarga). Ele corria com um bezerro
nas costas, para aumentar a forças dos membros inferiores e, sugeria que, quanto mais
pesado o bezerro ficava, mais sua força aumentava (BITTENCOURT, 1986).
Os relatos mostram que Milos também teria sido um dos primeiros a se
preocupar com a suplementação alimentar. Sua lenda menciona que ele comia por dia
9 kg de carne, 9 kg de pão e 10 litros de vinho, o que gerava um total de 57 mil kcal.
Também era capaz de matar um boi com as mãos e comê-lo sozinho. A cidade de Milão
recebeu esse nome em sua homenagem (BITTENCOURT, 1986).
2.1 Musculação como esporte nos jogos olímpicos
De acordo com Bossi et al. (2008), os Jogos Olímpicos em Atenas (1896), os
primeiros da era moderna, envolveram 14 países, 241 atletas e tiveram uma duração de
10 dias. Foram assistidos por 280 mil pessoas e marcados por uma precária infra-
estrutura, organização, qualidade técnica e respeito às regras, além, da não admissão
de mulheres competindo. Levantamento de peso já fazia parte das 43 provas
estipuladas entre os 9 esportes olímpicos da época.
No levantamento de peso com as duas mãos o campeão foi o dinamarquês
Viggo Jensen, em outra prova, no levantamento de peso com um braço, o campeão foi
o britânico Launceston Elliott que passou a posar-se seminu para exibir seu corpo em
revistas de fotografias. Tal fato gerou um escândalo que levou a não realização da
prova na Olimpíada seguinte em Paris (1900). Contudo, o levantamento de peso
retornou em Saint Louis (1904), ou seja, na Olimpíada seguinte (BOSSI, 2008).
8
2.2 O “pai” da musculação moderna – EugenSandow:
A musculação como forma de competição e esporte, onde se exibiam os
músculos tem como dado inicial e oficial de registro em Londres, 1901. Competição
intitulada de: "O Físico mais Fabuloso do Mundo". Foi idealizada e realizada por
EugenSandow, onde contou com 156 atletas e o vencedor foi Willian Murray
(BITTENCOURT, 1986).
Nessa competição, os jurados foram: Charles Lawes, um notável escultor da
época, Arthur Conan Doyle, o famoso escritor de "Sherlock Holmes" e EugenSandow. O
prêmio para este campeonato foi uma estátua do próprio Sandow segurando uma barra
com pesos nas extremidades na forma de bolas, estátua a qual é a mesma utilizada até
hoje no principal campeonato de fisiculturismo existente, o Mr. Olympia
(BITTENCOURT, 1986).
A estatueta foi idealizada pelo escultor F. W. Pomeroy, em 1891. O interesse na
competição foi tão grande que milhares de pessoas se amontoaram na porta de
entrada, sendo registradas 15 mil pessoas nas finais (BITTENCOURT, 1986). Por tudo
isso, Sandow é considerado o pai da musculação moderna. Nascido na Alemanha em
1867 converteu-se em um ídolo do esporte e por 30 anos foi considerado como o
detentor do melhor físico do mundo, tornando-se um ídolo por muitas décadas. Antes
que ele iniciasse exibições de força em Londres, as pessoas acreditavam que um
homem forte era fruto de um cruzamento entre um elefante com um gorila. Este
fenômeno era conhecido como "o aristocrata dos músculos". Aos 16 anos já
aparentava um físico bem desenvolvido, mostrando que tinha um potencial genético
favorável (BITTENCOURT, 1986).
EugenSandow trabalhou em circo com a intenção de percorrer o mundo e, com
isso, adquiriu ali a base para um grande desenvolvimento muscular. Contudo, o circo
em que trabalhava foi à falência em Bruxelas e ele ficou desempregado. Nisso
conheceu o professor Attila, um homem forte da época, que fazia números profissionais
de exibição de força no qual viu em Sandow um potencial muito grande para se tornar
atleta e seguir os seus passos (BITTENCOURT, 1986).
9
Attila tomou-o como pupilo e o ensinou a treinar com pesos e a posar. Os dois
passaram a se exibir em várias cidades com números de força e com isso recebendo
algum dinheiro. Em 1889 se separaram, mas mantiveram contato. Sandow foi rodar a
Europa sem destino certo e terminou em Veneza. Lá um artista americano chamado
Aubrey Hunt surpreendeu-se ao ver Sandow banhando-se em um lago e resolveu pintá-
lo em um lenço. Esta peça hoje se encontra na coleção particular de Joe Weider
(BITTENCOURT, 1986).
Sandow passou a ser desafiado para provas de força. Voltou para Londres onde
resolveu encarar um desafio que era lançado por dois homens fortes da época e que
pagava 500 libras esterlinas à quem conseguisse superá-los. Antes de Sandow,
ninguém tinha conseguido vencê-los. Ele então facilmente os derrotou e venceu o
desafio (BITTENCOURT, 1986).
A partir de então começaram exibições por toda Inglaterra. Por quatro anos
Sandow percorreu a Inglaterra com exibições de força e poses. Até que em 1893 um
empresário americano o convenceu que fosse para os EUA. Lá ele não se deu muito
bem, mas em uma exibição na Alemanha, conheceu o mais célebre empresário de
espetáculos de todos os tempos, Ziegfeld, que percebeu que Sandow era um homem
muito admirado pelas mulheres (BITTENCOURT, 1986).
Ele o levou para a exposição mundial comemorativa do descobrimento da
América, em Chicago. Alugou um teatro e preparou uma aparição diferente das
costumeiras que eram vistas nas apresentações de musculosos com peles de leopardo.
EugenSandow entrou com uma simples sunga e as mulheres foram à loucura
(BITTENCOURT, 1986).
A repercussão foi fantástica e com isso rodaram Canadá e EUA. Em São
Francisco, Eugen lutou e venceu um leão (leão o qual havia sido previamente drogado
e desdentado). Fez shows particulares para mulheres e shows de levantamento de
peso que até hoje não foram superados, mas depois de alguns anos fazendo isso sem
descanso, entrou em colapso nervoso. Voltou a Inglaterra onde casou-se com uma
garota muito bela chamada BlancheBrrokes (BITTENCOURT, 1986).
10
Recuperou-se fisicamente e mentalmente, e a partir de então se dedicou a abrir
ginásios (com êxito) de culturismo ao físico na Inglaterra e a reformular os hábitos
alimentares das pessoas. Iniciou uma revista em 1898, "Sandow Magazine", publicou
vários livros inclusive uma obra que deu nome ao esporte internacionalmente:
"Bodybuilding, or Man in theMaking". Criou aparelhos, aperfeiçoou antigos, foi um dos
primeiros defensores do ensino da Educação Física em escolas, desenvolveu
exercícios para reduzir as dores do parto, pediu a empresários que deixassem os
assalariados fazerem um pouco de ginástica por dia, o que talvez sugere também que
ele seja o criador da ginástica laboral. Pode ter sido o primeiro personaltrainer da
história, pois era professor particular dos reis Eduardo VII e George V, da Inglaterra
(BITTENCOURT, 1986).
Foi um benfeitor da humanidade no que se refere ao aspecto de treinamento
com pesos, do culturismo ao físico, do exercício e da educação física. Não era santo,
tinha uma queda por mulheres as quais também muito o assediavam e isso causou
problemas com sua esposa. Morreu em 1925 tentando tirar o carro que caiu em um
buraco após ter derrapado na estrada. Com o esforço teve uma hemorragia cerebral,
provavelmente não só do esforço, mas também da queda e batida do carro e acabou
sendo enterrado como indigente no cemitério londrino de Putney Vale (BITTENCOURT,
1986). O homem que foi intitulado pelo rei George da Inglaterra como: "Professor
da Ciência da Cultura Física de sua Majestade", hoje está imortalizado em uma
homenagem de Joe Weider. Com esse histórico, ele deve ser respeitado e perpetuado
como um dos grandes nomes dentro da musculação de todos os tempos
(BITTENCOURT, 1986).
3- BENEFÍCIOS DA MUSCULAÇÃO
De acordo com dados da Academia Brasileira de Academias (ACAD), há uma
estimativa que cerca de 2,8 milhões de brasileiros praticam musculação em academias
de ginástica com intuito de promover melhorias na saúde, visto que exercícios físicos
reduzem pressão arterial, tecido adiposo e proporcionam aumento da massa muscular
(NOGUEIRA et al., 2013). Vários estudos têm mostrado os benefícios do treinamento
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de força (musculação) para uma melhor mobilidade e realização das atividades diárias,
como por exemplo, alimentar-se, vestir-se, banhar-se, locomover-se, entre outras
tarefas, de maneira independente (SIMÕES et al., 2011). Diante das observações da
literatura, quando esses treinamentos ocorrem sobre supervisão adequada,
representam uma excelente opção para a manutenção e melhoria da qualidade de vida,
pois qualquer pessoa pode se beneficiar desde que o protocolo seja seguido
adequadamente.
Bossi et al. (2008) diz que a musculação está entre o tipo de exercício mais
conhecido e praticado entre todas as modalidades de treinamento. Apesar de algumas
pessoas que se exercitam regularmente praticarem apenas exercícios aeróbios, muitas
outras estão acrescentando o treinamento resistido aos seus programas. Ela fortalece
músculos, articulações e ossos, podendo ser utilizada para ajudar a corrigir eventuais
desequilíbrios da musculatura, na reabilitação e prevenção de contusões, e também,
combater certas doenças.
Segundo Aaberg (2001), um bom programa de musculação, quando feito por
período prolongado, pode fazer muita diferença na maneira pela qual nos afeta. Do
ponto de vista estético, esse tipo de treinamento modela, melhora e até esculpi o corpo
humano de uma maneira única, desenvolvendo músculos os quais dão forma ao corpo.
Além disso, em virtude do aumento metabólico associado ao ganho de tecido magro,
ela também é um fator essencial na redução de gordura e certamente para a
manutenção do peso corporal (BOSSI et al., 2008).
Já Bittencourt (1986), coloca que indivíduos esportistas ou não, mas que
desejam melhorar a aptidão física para os esforços da vida diária e do trabalho,
também podem buscar em um programa de musculação com exercícios progressivos
supervisionados, o atendimento de seus objetivos, devido ao fato de suas aplicações
serem bastante abrangentes, estando direcionadas a vários aspectos, tais como:
competitivo, profilático, terapêutico, como meio de recreação e estético e como meio de
preparação física.
4- POPULAÇÕES ESPECÍFICAS
12
Nas últimas décadas, cada vez mais se destaca a importância da aquisição e da
manutenção de hábitos saudáveis visando à promoção e a melhoria da qualidade de
vida dos indivíduos. A inclusão da prática regular de atividades/exercícios físicos como
forma de adoção de um estilo de vida mais saudável e ativo são cada vez mais citados
em estudos para o controle e a prevenção de doenças.
A prática da musculação já é bem difundida em todo o mundo, e sua prática trás
benefícios para quase todos os tipos de indivíduos, de todas as idades, gêneros,
enfermos ou não. Sua prescrição e supervisão adequadas se fazem necessários em
todos os casos.
Dentre as populações específicas, selecionei as doenças crônico-degenerativas
mais recorrentes e que afligem um extenso grupo de pessoas, mais especificamente no
Brasil, como: obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial e osteoporose. Tais
indivíduos podem e devem utilizar a prática da musculação em relação aos aspectos
tanto profiláticos quanto terapêuticos.
Importante ressaltar que essas patologias muita vezes estão interligadas e
acabam sendo fatores desencadeadores uma das outras; ou seja: em determinado
caso, o indivíduo é obeso e isso o predispôs a ser hipertenso. Contudo nem sempre se
pode estabelecer tal relação de causa e conseqüência.
4.1 Obesidade
A obesidade pode ser vista em nossa sociedade desde a pré-história, denotando,
por vezes, beleza e fertilidade (BARBIERI, 2012). Porém, atualmente, a obesidade é
um grave problema de saúde pública em todo o mundo, a qual provoca sérias
conseqüências sociais, físicas e psicológicas. Diante disso, cada vez mais se torna
necessário a ampliação de medidas que possam combater e, também, ajudar na
prevenção do problema. Os exercícios físicos e a restrição calórica devem sempre estar
interligados e presentes em todos os protocolos de treinamento voltados ao
emagrecimento.
A obesidade pode ser inclusa em três diferentes grupos; 1- doenças não-
infecciosas, 2- doenças crônico-degenerativas ou 3- doenças crônicas não-
13
transmissíveis (DCNT), sendo esta última, atualmente, a mais utilizada (PINHEIRO;
FREITAS; CORSO, 2004).
Nas últimas décadas, a incidência de obesidade vem crescendo
exponencialmente, atingindo tanto homens quanto mulheres, de todas as faixas etárias,
já sendo considerada uma epidemia mundial (BARBIERI, 2012).
Conceitualmente, segundo Fernandez et al. (2004), a obesidade pode ser
considerada como um acúmulo de tecido gorduroso, por todo o corpo, causado por
doenças genéticas ou endócrino-metabólicas e/ou por alterações nutricionais. E, de
acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a obesidade pode ser definida
como o acúmulo anormal ou excessivo de gordura no organismo que pode
comprometer a saúde, pois tal condição corporal pode acarretar com o
desenvolvimento de outras doenças, dentre elas, diabetes mellitus do tipo II e
disfunções cardiovasculares, que são, atualmente, as principais causas de morte no
Brasil (BARBIERI, 2012).
O indivíduo é considerado obeso quando a quantidade de gordura em relação à
massa corporal se iguala ou é superior a 30% em mulheres e a 25% em homens e, a
obesidade grave é quando ultrapassa 40% em mulheres e 35% em homens (SABIA;
SANTOS; RIBEIRO, 2004).
Para Barboza et al. (2014), o cálculo populacional mais empregado para apontar
indivíduos obesos é o índice de massa corporal (IMC), calculado pela razão entre o
peso (em quilogramas) e a altura (em metros) ao quadrado do indivíduo. A obesidade é
caracterizada pelo IMC superior a 30. Valores entre 25 e 29,9 são considerados como
sobrepeso e de 18,5 a 24,9, saudáveis.
Dados estatísticos levantados pela OMS mostraram que atualmente 12% da
população mundial está obesa e que 2,8 milhões de pessoas morrem anualmente por
conta da obesidade (ABESO, 2012).
No Brasil, em 2012, segundo dados do Ministério da Saúde, o percentual de
pessoas com sobrepeso superou, pela primeira vez, mais da metade da população
adulta brasileira. A pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para
Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2012) mostrou que 51% da
população acima de 18 anos estavam com sobrepeso. Em 2006, o índice era de 43%.
14
Esse aumento atingiu tanto a população masculina quanto a feminina. Entre os
homens, o sobrepeso atinge 54%, já entre as mulheres, 48%. O inédito estudo também
revelou que a obesidade cresceu no país, atingindo o percentual de 17% da população.
Em 2006, quando os dados começaram a ser levantados pelo Ministério, o índice era
de 11%.
Na primeira edição da pesquisa, 11% dos homens e 11% das mulheres estavam
obesos. Atualmente, 18% das mulheres e 16% dos homens estão obesos. Os dados
indicam os hábitos da população e é uma importante base para desenvolver políticas
públicas de saúde e estimular os hábitos saudáveis. Nesta edição, foram entrevistados
45,4 mil pessoas em todas as capitais e no Distrito Federal, no período de julho de
2012 a fevereiro de 2013.
Utilizado como uma das estratégias na prevenção da obesidade, os exercício
físicos também tem papel adjuvante no tratamento da obesidade, pois o gasto
energético proveniente dos mesmos se mostra importante para a perda de massa
corporal, sendo também fator contribuinte para aumento nos níveis de aptidão física
(SABIA; SANTOS; RIBEIRO, 2004).
De acordo Ramos (1997) e Radominski (1998), a musculação é muito importante
para o tratamento da obesidade, eles enfatizam o fato da mesma aumentar a
resistência ao impacto nas articulações durante o exercício, o que favorece o
fortalecimento muscular, reduzindo o risco de lesão durante o treino aeróbio e o
aumento do metabolismo basal proveniente do ganho de massa muscular,
proporcionando ao organismo elevar seu gasto calórico mesmo durante o repouso.
Tendo em vista os benefícios da musculação citados nessa revisão, embora a
maioria dos estudos científicos seja feitos sob o efeito dos exercícios aeróbios com o
intuito de perda de peso, a inclusão da musculação também mostra suas vantagens.
Com isso, vemos que a musculação pode contribuir com o aumento da massa
corporal metabolicamente ativa (massa magra), consequentemente aumentando o
gasto energético basal, o que favorece a manutenção do peso ou até mesmo o
emagrecimento. Já quando assume características mais aeróbias; como por exemplo,
um alto número de repetições com cargas relativamente baixas, propicia a manutenção
do baixo índice de gordura corporal assim como a redução no ritmo do acúmulo de
15
gordura pelas células adiposas. Sendo assim, notamos que a musculação pode
assumir tanto aspectos preventivos quanto terapêuticos no que tange o controle da
obesidade.
4.2 Diabetes Mellitus (DM)
Diabetes mellitus (DM) não é uma única doença, mas um grupo heterogêneo de
distúrbios metabólicos que apresentam em comum a hiperglicemia, a qual é o resultado
de defeitos na ação e/ou secreção da insulina (SOCIEDADE BRASILEIRA DE
DIABETES, 2013-1024).
De acordo com Fox (2000), basicamente, existem dois tipos de DM conhecidos:
o tipo I, determinado pela ausência da produção de insulina pelo pâncreas; e o tipo II,
caracterizado pelo aumento da resistência à ação da insulina nas células.
O DM1 é o efeito da destruição de células beta-pancreáticas com conseqüente
deficiência de insulina. São cerca de 5% a 10% dos casos. Na maioria desses casos,
essa destruição é mediada por auto-imunidade, porém existem casos em que não há
evidências desse processo, sendo, portanto, referidos como forma idiopática de DM1
(SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2013-1024).
Já a DM2 é caracterizada por diversos graus de resistência à insulina e
deficiência na sua secreção (as células musculares e adiposas não conseguem
metabolizar a glicose). A maior parte dos indivíduos com DM2 apresenta obesidade e
cetoacidose, que é uma disfunção metabólica. Essa síndrome geralmente é detectada a
partir dos 40 anos de idade, embora possa ocorrer antes. Os pacientes não dependem
de insulina exógena para sobreviver, porém podem necessitar de tratamento com
insulina para obter controle metabólico adequado (SOCIEDADE BRASILEIRA DE
DIABETES, 2013-1024).
Foi considerada uma das 10 principais causas de morte no mundo (KING et al.;
1998). E é importante ressaltar que a incidência de DM2 vem aumentando entre
crianças e jovens em associação ao aumento da obesidade (AMERICAN DIABETES
ASSOCIATION, 2000).
16
No Brasil, em 1998, segundo King e colaboradores, ocupávamos a 6ª posição
entre os 10 países com maior número de indivíduos adultos diabéticos. Uma estimativa
mostra que haverá um aumento de 4,9 para 11,6 milhões de casos de 1995 a 2025,
quando o Brasil passará a ocupar a 8ª posição. Um estudo feito no período de 1986 a
1988 em nove capitais brasileiras indicou uma prevalência de diabetes em 7,6% na
amostra estudada (indivíduos com idades entre 30 e 69 anos), sendo que a população
de São Paulo apresentou os maiores percentuais, 9,7% (MALERBI; FRANCO, 1992).
Estudos epidemiológicos demonstram que a atividade física pode diminuir de 30
a 58% o risco de desenvolver diabetes (BASSUK, 2005; TUOMILEHTO, 2001;
KNOWLER, 2002). Nesse contexto, a musculação vem sido indicada pelas principais
organizações desportivas e de saúde do mundo como uma forma de tratamento da
DM2, inclusive o número de pesquisas envolvendo esse tema vem aumentando
consideravelmente (CAUZA, 2005; CASTANEDA, 2002; DUNSTAN, 2002).
Em uma pesquisa realizada na Suécia concluiu-se que dieta e/ou exercício com
conseqüente redução de peso corporal, são capazes de reduzir em até 50% os riscos
de desenvolver DM2, em homens com tolerância à glicose diminuída (ERIKSSON;
LINDGÄRDE, 1991). Na China, em um estudo parecido, foi demonstrado que 6 anos de
atividade física foram capazes de reduzir a incidência de DM em quase 50% (PAN et
al., 1997).
Dunstan e colaboradores (2002), observaram que o treinamento de força de alta
intensidade (3 séries de 8-10 repetições máximas em 8 exercícios) foi efetivo no
controle glicêmico e no ganhos de força de idosos com DM2. O treinamento de força
em conjunto à reeducação alimentar melhorou o percentual da hemoglobina glicosilada
e reduziu a gordura abdominal diminuindo assim o risco de complicações
cardiovasculares.
Também em 2002, Castaneda e colaboradores demonstraram melhora no
controle metabólico com treinamento de força de alta intensidade (8 repetições
máximas) em 31 pacientes latinos com DM2. Foram registrados progressos
significativos no controle glicêmico, redução do uso de medicamentos, da gordura
abdominal, da pressão arterial sistólica e aumento de força e massa muscular.
17
Em um estudo de Koopman (2005) foi demonstrado que uma sessão de
musculação com intensidades adequadas pode melhorar a captação de glicose pelo
músculo. Explica-se que isso pode estar associado à translocação do GLUT-4, que é
um transportador insulino-sensível que promove a captação de glicose nos tecidos
adiposo e muscular esquelético, para a superfície da membrana celular e/ou aumento
da expressão do mesmo, perda de gordura e aumento da massa muscular.
Quando a musculação é utilizada com intensidade bem adequada (repetições até
a falha concêntrica) há uma melhor resposta nos indicadores de diabetes. Isso ocorre
principalmente pela eficiência em promover o ganho de massa muscular e perda de
gordura corporal, fatores que auxiliam no processo da captação de glicose (YKI-
JARVINEN; KOIVISTO, 1983). Assim, podemos sugerir que o treinamento de força com
alta intensidade é uma boa opção para o tratamento da DM.
Além disso, a musculação se faz benéfica em algumas variáveis que são
fundamentais para amenizar e até mesmo curar a diabetes, como: o aumento da
entrada de glicose no músculo por meio de um maior fluxo sanguíneo e de uma maior
capilarização (SALTIN, 1977); aumento da atividade enzimática da hexokinase
(COGGAN, 1993); aumento da síntese de glicogênio (EBERLING, 1996); redução da
liberação dos ácidos graxos livres (IVY et al., 1999) e aumento do número de proteínas
transportadoras de glicose-4 (CAUZA et al., 2005).
Em suma, as adaptações crônicas benéficas dos exercícios físicos para
diabéticos vão depender diretamente de seus parâmetros (intensidade, duração,
freqüência e tipo), assim como das características pessoais do indivíduo (nível de
condicionamento físico, doenças presentes, genética). O mecanismo pelo qual a
atividade física aeróbica ou de resistência aumenta a captação periférica de glicose é
semelhante, contudo o exercício de resistência (musculação) tem maior chance de
induzir o ganho de massa muscular e, assim, a capacidade de armazenamento
muscular de glicose (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2015).
4.3 Hipertensão Arterial
18
A pressão sanguínea engloba duas medidas, a sistólica e a diastólica, as quais
são referentes ao período em que o músculo cardíaco está contraído (sistólica) ou
relaxado (diastólica). Sendo assim, a Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza
como hipertensão arterial uma pressão sistólica maior que 140mmHg e uma pressão
diastólica superior a 90mmHg (FREITAS et al., 2013).
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma condição clínica de causa
multifatorial, marcada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial (PA).
Associa-se freqüentemente a alterações funcionais e/ou estruturais dos orgãos-alvo
(coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos) e a alterações metabólicas, com
conseqüente aumento do risco do desenvolvimento de cardiopatias (VI DIRETRIZES
BRASILEIRAS DE HIPERTENSÃO, 2010).
Sendo assim, tratando-se de uma doença de natureza multifatorial, isto é, que
pode ser desencadeada por diversos fatores, tais como: obesidade (hábitos
alimentares), sedentarismo e herança genética, ela se passa muitas vezes como sendo
uma doença dita “silenciosa”, ou seja, acaba sendo assintomática em alguns momentos
e diversos indivíduos se descobrem hipertensos ao acaso, no qual exames cardíacos
de rotina seriam muito importantes para uma detecção precoce.
A hipertensão arterial representa um fator de risco independente, linear e
contínuo para doença cardiovascular. Apresenta custos médicos e socioeconômicos
elevados, decorrentes principalmente das suas conhecidas implicações, tais como:
insuficiência cardíaca, doença cerebrovascular, doença arterial coronariana, doença
vascular de extremidades e insuficiência renal crônica (V DIRETRIZES BRASILEIRAS
DE HIPERTENSÃO ARTERIAL, 2006).
Essa multiplicidade de conseqüências coloca a hipertensão arterial como ponto
originário das doenças cardiovasculares e, portanto, caracteriza-a como uma das
causas de maior redução da qualidade e expectativa de vida dos indivíduos (PASSOS;
ASSIS; BARROS, 2006).
Em 2003, no Brasil, 27,4% dos óbitos foram resultantes de doenças
cardiovasculares, atingindo 37% quando são excluídos os óbitos por causas mal
definidas e a violência. A principal causa de morte em todas as regiões do Brasil é o
19
acidente vascular cerebral (AVC), acometendo as mulheres em maior proporção (V
DIRETRIZES BRASILEIRAS DE HIPERTENSÃO ARTERIAL, 2006).
Porém, nota-se uma tendência lenta e constante de atenuação das taxas de
mortalidade cardiovascular. A doença cerebrovascular, cujo principal fator de risco é a
hipertensão, teve uma diminuição anual das taxas ajustadas por idade de 1,5% para
homens e 1,6% para mulheres (V DIRETRIZES BRASILEIRAS DE HIPERTENSÃO
ARTERIAL, 2006).
O conjunto das doenças do coração, hipertensão, doença coronária e
insuficiência cardíaca também tiveram taxas anuais decrescentes de 1,2% para
homens e 1,3% para mulheres. Contudo, apesar desse decaimento, a mortalidade no
Brasil ainda é elevada em comparação a outros países, tanto para doença
cerebrovascular como para doenças do coração. Entre os fatores de risco para
mortalidade, hipertensão arterial explica 40% das mortes por acidente vascular cerebral
e 25% daquelas por doença coronariana (V DIRETRIZES BRASILEIRAS DE
HIPERTENSÃO ARTERIAL, 2006).
A hipertensão arterial é uma doença de alta incidência em nosso país, afligindo
cerca de 20% da população adulta jovem e 50% da população idosa. Há
aproximadamente 18 milhões de hipertensos atualmente no Brasil, porém observa-se
que apenas 30% estão controlados, ou seja, submetidos ao tratamento. A não adesão
ao tratamento eleva o risco de acidente vascular cerebral (AVC), doenças renais e
cardiovasculares (FREITAS; SKOREK; SOUZA, 2013).
Fisiologicamente, Santarém (2014), diz que o principal benefício da prática de
musculação no controle e tratamento da hipertensão arterial é a redução da
sensibilidade adrenérgica das artérias. A adrenalina é uma substância vasoconstritora a
qual aumenta no organismo em situações estressantes, tais como durante os exercícios
físicos. Com a repetição habitual desses esforços, o organismo desenvolve resistência
à ação da adrenalina e a contração arterial em repouso tende a diminuir, reduzindo
assim a pressão arterial.
Assim como todos os tipos de exercícios físicos, a musculação altera a pressão
arterial, sendo assim, em indivíduos hipertensos, o cuidado deve ser redobrado. Sua
prática deve ser prescrita e controlada com muita prudência. Aferir os níveis de pressão
20
arterial antes, durante e depois do treinamento, é uma estratégia que pode ser adotada.
No que tange a musculação, a principal recomendação observada que os autores citam
na literatura em respeito a sua prática é que ela deve ser prescrita por exercícios
prolongados utilizando cargas leves sendo que, em contraponto, altas sobrecargas e
alta intensidade podem causar um aumento súbito da pressão, no qual pode acarretar
em diversas complicações, assim como o rompimento dos vasos sanguíneos.
4.4 Osteoporose
O osso, elemento onde a osteoporose se instaura, é um tecido vivo e dinâmico
(se renova continuamente), formado por colágeno e minerais e, por aproximadamente
50% de água (BÁLSAMO; BATTARO, 2000). Ele tem uma estrutura que não é
permanente, pois está sob contínuo desgaste e remodelação ocasionados pelo stress
mecânico sobre o mesmo (SEGURA, 2007). A osteoporose é uma doença de caráter
degenerativo caracterizada pela diminuição da massa óssea e deterioração na macro
estrutura do tecido ósseo. Ela resulta em uma maior fragilidade óssea e,
conseqüentemente, em um maior risco para futuras deformações e fraturas.
Sua causa vem de diversos fatores, como por exemplo: hereditário, desequilíbrio
hormonal e inatividade física, a qual atinge na sua grande maioria mulheres após a
menopausa (BÁLSAMO; BATTARO, 2000) e boa parte dos idosos. O pico da formação
da massa óssea ocorre no fim da puberdade, sendo assim, a atividade física e a
ingestão de cálcio devem estar inclusas desde a idade pré-púbere, cuja finalidade está
em acrescentar densidade mineral óssea a esse tecido (SEGURA, 2007).
Dentre as patologias, ela tem se apresentado como uma doença que causa uma
série de limitações nos indivíduos, a qual causa um declínio na qualidade de vida e
gera um custo significativo à saúde pública (ALMEIDA; MIRANDA, 2015).
No Brasil, o presidente da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e
Osteometabolismo (ABRASSO), Dr. Radominski, afirma que, apesar da gravidade do
problema, ele ainda é subdiagnosticado e também não é tratado adequadamente. No
Brasil, o número de indivíduos que possuem osteoporose chega a 10 milhões e os
gastos com tratamento e assistência no Sistema Único de Saúde (SUS) são elevados.
21
No ano de 2010, gastou-se aproximadamente 81 milhões de reais para cuidados a
pacientes com osteoporose vítima de queda e fratura (MAZO et al., 2013).
No tratamento da osteoporose, a principal razão de praticar atividades físicas
não é esperar um grande aumento na densidade mineral óssea (DMO) dos praticantes,
e sim, interromper a perda óssea (MOREIRA, 2004).
A razão dos benefícios dos exercícios resistidos para a massa óssea está ligada
diretamente à tensão muscular, que é ocasionada pelo estresse mecânico aplicado na
musculatura trabalhada. Essa tensão provoca uma deformidade momentânea no osso
no qual acarreta em uma cascata de eventos osteoblásticos, refletindo em uma
adaptação à sobrecarga imposta pelo meio ambiente (BÁLSAMO; BATTARO, 2000).
A musculação traz benefícios para pessoas com a doença pois ela aumenta a
massa muscular, o que melhorara o aumento de massa óssea, ou diminuir a sua perda,
melhora o equilíbrio no qual diminui o risco de quedas e possíveis fraturas e possibilita
o indivíduo a ter uma maior independência física para realizar as atividades da vida
diária (NAVEGA et al., 2003).
4.5 Idosos
A musculação pode ser empregada nas diversas faixas etárias, mas no caso das
pessoas idosas, ela tornou-se de grande importância, sendo igualmente aos exercícios
aeróbios, defendida e indicada pelos médicos, para que as pessoas ao atingirem a
terceira idade, mantenham a autonomia e a independência funcional (BOSSI et al.,
2008).
Segundo dados do IBGE publicados no jornal Folha de São Paulo (29/03/2014),
a população brasileira está envelhecendo em um ritmo maior que nos países
desenvolvidos e, nos próximos 20 anos, a população acima dos 60 anos vai mais do
que triplicar. As projeções são de que passe dos 22,9 milhões registrados em 2014 para
88,6 milhões em 2034 e, neste mesmo período, a média da expectativa de vida do
brasileiro deverá aumentar dos 75 para os 81 anos.
A todos, mas principalmente aos idosos, a musculação trás os seguintes
benefícios: Eleva a taxa metabólica basal, auxiliando na redução do tecido adiposo;
22
aumenta a proteção de articulações anatomicamente instáveis por sedentarismo,
processos degenerativos ou inflamatórios, o que resulta na diminuição das dores; reduz
a possibilidade de quedas por facilitar a recuperação postural nas situações de
desequilíbrio corporal; possibilita a realização de tarefas cotidianas que exigem força
muscular, como levantar cadeiras, subir escadas e deslocar objetos mais pesados;
reduz a freqüência cardíaca e a pressão arterial durante os esforços da vida diária, etc.
(BOSSI et al., 2008).
Sendo assim, comprovadamente, nota-se que a musculação é uma ótima opção
para os idosos buscarem uma melhor qualidade de vida através dos benefícios dos
exercícios físicos que impactam na desaceleração dos processos físico-metabólicos
degradantes decorrentes do envelhecimento.
5- PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO
Para se obter os benefícios supracitados da musculação, sua prática deve ser
sistematizada da melhor forma possível de acordo com os objetivos de cada indivíduo.
Nos dias atuais, os mais recorrentes são: hipertrofia muscular, perda de peso, melhoria
na aptidão física, prevenção e/ou no tratamento de doenças e preocupação estética.
Ao se periodizar um treinamento de musculação, algumas variáveis devem ser
levadas em consideração; tais como o gênero, a idade e as condições clínicas de
saúde. Entrando nas populações específicas, abordadas nos tópicos anteriores, por
apresentarem algum tipo de problema de saúde, são grupos mais vulneráveis e, sendo
assim, o cuidado deve ser redobrado para que essa prática atinja os benefícios pré-
programados e que a mesma não se torne um fator de risco à saúde desses indivíduos.
Para isso ser feito, o profissional o qual fará o planejamento do treinamento deve
estar muito bem capacitado e compreender as individualidades de cada aluno. Não
existe um treino padrão para determinado objetivo, ele deve ser montado em função
das particularidades biológicas e necessidades de cada aluno.
A reação a um estímulo, isto é, ao exercício, vai variar de indivíduo para
indivíduo e isso reforça a necessidade de um programa de treinamento personalizado.
Quanto mais embasado e individualizado o treinamento for, com a identificação de
23
variáveis específicas que devem ser controladas, haverá mais chances de prever os
resultados (FLECK; KRAEMER, 1999).
6- CONCLUSÕES
Os relatos da prática de musculação já vêm de muito tempo atrás, porém, não se
tem muitos registros dentro da bibliografia acadêmica que datem com exatidão o seu
primórdio.
Com o avanço dos estudos em biociências e em outras áreas de conhecimento,
os benefícios da musculação começaram a ser comprovados. Em geral, ela
proporciona uma melhor qualidade de vida a todos que a praticam, desde indivíduos
saudáveis a pessoas enfermas.
Como foi visto, ela pode ser utilizada com fins preventivos e terapêuticos para
grupos portadores de diversas doenças, como por exemplo, a das populações
específicas citadas. Neste panorama, conclui-se que a prática da musculação traz
importantes benefícios para pessoas com obesidade, diabetes mellitus, hipertensão e
osteoporose.
A musculação em suma, proporciona importantes alterações fisiológicas no
organismo, que resultam em benefícios físicos, mentais e sociais, os quais são
elementos fundamentais para a melhoria da qualidade de vida do ser humano.
E, dito isso, para que se consiga extrair os benefícios comprovados do
treinamento resistido, os exercícios devem sempre ser feitos sob orientação de um
educador físico. Tal profissional deve estar habilitado a compreender as individualidades
e necessidades de cada aluno para assim periodizar o treinamento da melhor forma
possível, considerando sempre o objetivo de cada aluno.
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